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Numero do processo: 36660.000566/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferida no âmbito do processo n° 13502.000329/200827, paradigma deste julgamento. Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "CARAIBA METAIS S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação da antiga Secretária da Receita Previdenciária, que julgou procedente o lançamento fiscal, relativo à responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei n° 8.212/91, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 60 .0 00 56 6/ 20 07 -9 0 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 36660.000566/200790 Resolução nº 2401000.661 S2C4T1 Fl. 3 2 decorrente da contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, em relação ao período de apuração. Conforme Relatório Fiscal, as contribuições apuradas correspondem à parte da empresa, dos segurados empregados, às contribuições para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho a partir de 03/1997, contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em função da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho previstas nos artigos 20, 22, I e II da Lei 8.212/91, aferidas a título de responsabilidade solidária, decorrente da não comprovação, pela recorrente, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços prestados mediante cessão de mãodeobra pela empresa prestadora. Conforme o mesmo relatório, constitui fato gerador da presente notificação as remunerações contidas nas notas fiscais/faturas/recibos de serviços. Tais serviços se encontram descritos no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91. O Sr. Auditor detalha a natureza e as motivações do procedimento fiscal em causa: novo lançamento de créditos em virtude das decisões anulatórias do Conselho de Recurso da Previdência Social CRPS, que considerou nulas as notificações originais relativas aos mesmos fatos geradores aqui referidos. Assim, fundamentado no prazo decadencial do art. 45, II, da Lei 8.212/91 e respaldado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09220145/2005 a fiscalização procedeu à recomposição do crédito. Toda a fundamentação legal do princípio da solidariedade tributária e da possibilidade de sua elisão, particularmente nos casos de prestação de serviços de construção civil e mediante cessão de mãodeoba base do presente lançamento encontrase detalhada e transcrita em seus dispositivos essenciais: a) CTN, arts. 124, I e II e 125, I, II e III; b) Lei 8.212/91, arts. 31, §§ 2°, 3° e 4° (redação original e alterações promovidas pelas Leis 9.032/95 e 9.129/95 c) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelos Decretos 356/91 e 612/92, arts. 42, § 1º e 46, § 1°, d) Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/97, arts. 42, §§ 2° e 3°, 43, § 1°; e) Ordem de Serviço INSS/DAF n° 83/93, itens 16 e 16.1. A autuada apresentou Recurso Voluntário, requerendo o conhecimento e provimento das suas razões, para decretar a decadência da Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. É o relatório.” VOTO Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 36660.000566/200790 Resolução nº 2401000.661 S2C4T1 Fl. 4 3 Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferida no julgamento do processo n° 13502.000329/200827, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Rayd Santana Ferreira, digno Relator da decisão paradigma, reprisese, Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Resolução nº 2401000.654 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Não obstante as substanciosas razões meritórias de fato e de direito ofertadas pela contribuinte em seu recurso voluntário, há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. A principal controvérsia apresentada no Recurso Voluntário gira em torno da apreciação da decadência do lançamento ora combatido. Com efeito, ação fiscal que culminou com a lavratura da presente NFLD foi realizada em substituição ao lançamento anteriormente efetuado anulado por decisão proferida no âmbito do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Conforme se tem notícias através dos presentes autos, a decisão que anulou o primeiro lançamento considerou a existência de vício formal, resguardando o direito da Administração Tributária no que se refere ao prazo previsto no art. 173, II do CTN. No entanto, conquanto existam fortes indícios de que o lançamento ora recorrido se configure em um novo lançamento e não apenas substituto para correção de vícios de forma, o que caberia a análise da conformidade da presente NFLD com a anteriormente anulada, não constam nos autos o lançamento anterior. Dessa forma, como a demanda envolve matéria de decadência, para o deslinde da questão posta em julgamento e para maior segurança jurídica, necessário se faz a verificação da NFLD DEBCAD original (anulada), com o seu respectivo Relatório Fiscal, bem como do Acórdão do CRPS que anulou a NFLD original. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, a fim de que a unidade fiscal de origem providencie a juntada aos autos da NFLD DEBCAD original (com o respectivo relatório fiscal), bem como o inteiro teor do Acórdão do CRPS que a anulou. Assim, mister se faz converter o julgamento em diligência com a finalidade de a autoridade fazendária providencie a juntada aos autos da peças processuais supra referidas, por serem indispensáveis para o deslinde da demanda. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 36660.000566/200790 Resolução nº 2401000.661 S2C4T1 Fl. 5 4 Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fazendária competente acoste aos autos cópia da NFLD original com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou tal NFLD, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira, Relator. " Dessarte, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a Autoridade Fazendária competente faça acostar aos presentes autos cópia da NFLD original, com o respectivo Relatório Fiscal, bem como o Acórdão do CRPS que anulou a suso referida NFLD. (assinado digitalmente) Conselheira Miriam Denise Xavier Relatora. Fl. 421DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000290/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE.
O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao §2º do artigo 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3402-005.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao §2º do artigo 62 do RICARF.
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CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. O Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática de recursos repetitivos, que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, de modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao §2º do artigo 62 do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 90 /2 00 8- 56 Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16349.000290/200856 Acórdão n.º 3402005.461 S3C4T2 Fl. 721 2 Relatório Trata o presente processo de análise de Pedido de Restituição relativo a crédito presumido de IPI referente ao 3° trimestre de 2003, acompanhado de Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A autoridade administrativa deferiu parcialmente o pedido, excluindo do cálculo do crédito presumido, apurado pela Lei n° 9363/96 e Portaria MF n° 38/97, as parcelas referentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes do PIS e da COFINS. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando a ilegalidade dos atos normativos relativos às exclusões em questão, citando decisões judiciais e administrativas em sentido contrário à posição fazendária. Por meio do acórdão nº 1435.076, de 29 de agosto de 2011 (fls. 637 a 642), a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP (fl. 569). O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os valores referentes As aquisições de insumos de pessoa nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, pela legalidade e direito ao reconhecimento de crédito presumido de IPI calculados sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Requereu a homologação da compensação realizada, e a oportunidade de exercer a sua ampla defesa através da sustentação oral no dia do julgamento e perante o colegiado julgador. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 16349.000290/200856 Acórdão n.º 3402005.461 S3C4T2 Fl. 722 3 A questão trazida a este colegiado cingese sobre a legalidade da inclusão, no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas. A matéria foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, e encontrase sumulada pelo STJ. Em razão do disposto no §2º ao artigo 62 do RICARF, deve ser reproduzido o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, pela sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC, no sentido de que os valores oriundos das aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperativas utilizados no processo produtivo de mercadorias a serem exportadas, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI produtoras e exportadoras de Fl. 722DF CARF MF Processo nº 16349.000290/200856 Acórdão n.º 3402005.461 S3C4T2 Fl. 723 4 produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Súmula 494/STJ O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Deste modo, deve ser reconhecido o direito do contribuinte ao crédito presumido de IPI no que se refere às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, para reconhecer o seu direito creditório relativo ao crédito presumido de IPI do 3º trimestre de 2003, calculado sobre as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, com a consequente homologação das compensações realizadas até o limite do valor reconhecido. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 723DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.001055/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
Simples Federal. Exclusão no Curso do Ano. Atividade Vedada. Comprovação.
A exclusão do Simples feita pelo próprio contribuinte, no curso do ano e com efeitos imediatos, em razão do exercício de atividade econômica incompatível com aquele regime, exige a comprovação do fato.
Obrigação Apurada na Sistemática do Simples. Recolhimentos de Tributos Específicos. Dedução.
Na determinação dos valores a serem lançados no Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos de tributos incluídos naquela sistemática de apuração, observando-se os percentuais previstos em lei para o pagamento de forma unificada.
Multa. Princípios da Proporcionalidade e Razoabilidade. Exame na Esfera Administrativa. Vedação.
É vedado no processo administrativo examinar a validade da multa sob o prisma da proporcionalidade ou da razoabilidade, por implicar controle de constitucionalidade, o que foge à competência do CARF, nos termos do entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para, se ainda estiverem disponíveis os pagamentos, autorizar a dedução dos valores recolhidos pelo contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO NO CURSO DO ANO. ATIVIDADE VEDADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão do Simples feita pelo próprio contribuinte, no curso do ano e com efeitos imediatos, em razão do exercício de atividade econômica incompatível com aquele regime, exige a comprovação do fato. OBRIGAÇÃO APURADA NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. RECOLHIMENTOS DE TRIBUTOS ESPECÍFICOS. DEDUÇÃO. Na determinação dos valores a serem lançados no Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos de tributos incluídos naquela sistemática de apuração, observandose os percentuais previstos em lei para o pagamento de forma unificada. MULTA. PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. VEDAÇÃO. É vedado no processo administrativo examinar a validade da multa sob o prisma da proporcionalidade ou da razoabilidade, por implicar controle de constitucionalidade, o que foge à competência do CARF, nos termos do entendimento consagrado na Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para, se ainda estiverem disponíveis os pagamentos, autorizar a dedução dos valores recolhidos pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 10 55 /2 00 9- 95 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 446 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 447 3 Relatório Tratase de recurso interposto por COREMA INDÚSTRIA DE MADEIRAS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1525.804, da DRJ Salvador, que negou provimento à impugnação da recorrente e manteve o lançamento pelo qual se exigia crédito tributário no montante de R$ 314.252,00 a título de Simples Federal. A infração foi assim descrita no Termo de Fiscalização de fls. 167 a 172: A fiscalizada ingressou no SIMPLES em 01.01.1997, permanecendo no sistema até julho do anocalendário 2004. A partir de 01.08.2004, submeteuse à tributação do LUCRO PRESUMIDO. Apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (SIMPLES) 2005, abrangendo janeiro a julho de 2004, e a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) 2005, para o restante do ano 2004 (fls. 07/26). Na intimação de 22.07.2008, a empresa foi indagada acerca da saída do SIMPLES, no sentido de esclarecer se o fato se deu por opção da empresa ou por ato de ofício da Receita Federal (fl. 58). Esclareceu que "a exclusão do Simples em data de 01.08.2004 se deu por motivo de que a empresa obtivera receita referente a atividade vedada para o SIMPLES"r fato que teria determinado a saída, formalizada mediante a apresentação de FCPJ em 14.09.2004 (fls. 60, 66). Nova intimação, de 06.08.2008, requereu esclarecimentos adicionais: 1 apresentar cópia das Notas Fiscais comprobatórias das receitas que originaram a exclusão do SIMPLES no .ano de 2004; 2 informar a natureza da atividade determinante da exclusão, bem como a base legal da vedação; 3 apresentar cópia do livro Razão, abrangendo as receitas vedadas ao SIMPLES do período janeiro a dezembro de 2004 (fl. 69). A empresa comprovou ter alterado seu objeto social, em 14.07.2004, para fins de incluir no rol a "representação comercial em geral", cuja atividade teria determinado sua exclusão da sistemática do SIMPLES, em razão da vedação prevista no artigo 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/96. Afirma que "à época a empresa não providenciou talonário de notas fiscais para respaldar representação comercial, aguardando amadurecimento dos negócios na área". Apresentou cópia dos livros Diário, Razão e ISS, onde consta a primeira e única operação de representação comercial que teria sido realizada pela empresa. Tratase de um lançamento a crédito da conta PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A VISTA, datado de 31.07.2004, no valor de R$ 552,82, com o seguinte histórico: "N/RECIBO NF0001 J.T. Móveis Torneados" (fl. 92/94). No entanto, a empresa não apresentou nota fiscal comprobatória da referida operação de representação comercial, ou seja, não apresentou a NF0001 informada no histórico do lançamento. Também não apresentou qualquer outro documento hábil a comprovar o lançamento contábil registrado na contabilidade, nem os vínculos negociais e jurídicos entre representante e representada. Como se vê, a fiscalizada não logrou êxito em comprovar a natureza de representação comercial do único lançamento que teria sido o fato determinante de sua exclusão do SIMPLES. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 448 4 Aliás, esse teria sido o único lançamento dessa natureza durante todo o período fiscalizado, de 2004 a dezembro de 2006. É o que se depreende do exame da declaração do SIMPLES, relativa ao primeiro semestre de 2004, campo "Receita Bruta da Prestação de Serviços" (fls. 08/11), em conjunto com o campo "Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%", informado nas declarações DIPJ referentes ao segundo semestre de 2004, bem como as dos anoscalendário 2005 e 2006 (fls. 15/16 e 27/28). A tabela a seguir demonstra essa situação: (...) Em virtude da falta de comprovação da "representação comercial", não procede, a exclusão formalizada pela fiscalizada, a qual se daria a partir de agosto de 2004 (mês subsequente ao fato excludente), conforme o disposto no art. 15, II, da Lei 9.317/96). Uma vez afastada a causa da exclusão, concluise que a pessoa jurídica permaneceu na sistemática do SIMPLES durante todo o ano 2004. Somente a partir ano seguinte, ou seja, a partir de 01.01.2005, a empresa estaria fora do sistema, porém em virtude de causa diversa da alegada pela fiscalizada. O fato causador de sua exclusão foi ter auferido, durante o anocalendário de 2004, receitas tributáveis num montante superior ao admitido pelo SIMPLES. A empresa apresentou R$ 2.451.716,04 de receita bruta total naquele ano, valor superior ao limite de R$ 1.200.000,00 previsto no art. 2º, II, da Lei 9.317/96. A exclusão, neste caso, opera efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, ou seja, a partir de 01.01.2005, conforme o disposto no art. 15, IV da Lei 9.317/96. Como se vê, durante o período compreendido de agosto a dezembro de 2004 a fiscalizada estava sujeita à sistemática do SIMPLES, circunstância a ensejar o lançamento de ofício das importâncias devidas segundo essa modalidade de tributação. As receitas brutas mensais, base de cálculo para o SIMPLES, foram apuradas com base nas receitas informadas pelo contribuinte na DIPJ apresentada para o período de agosto a dezembro de 2004, cujos valores foram conferidos e corroborados com as informações constantes nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) do período. O lançamento foi impugnado, o que fez com que o processo fosse remetido à DRJ SDR, que negou provimento à impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 LANÇAMENTO. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. E correto o lançamento de oficio fundamentado na apuração de receita bruta declarada ao Fisco Estadual, através da Guia de Informação e Apuração do ICMS, e não declarada pela sistemática do Simples Federal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. EXPRESSA PREVISÃO LEGAL. NÃOCONFISCO. No lançamento de ofício cobramse, em virtude de expressa previsão legal, juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC e multa de ofício no percentual de 75%, não havendo que falar em confisco. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 449 5 OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO NO DECURSO DO ANO CALENDÁRIO. ATIVIDADE VEDADA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A opção pelo Simples é definitiva para todo o período. A exclusão do sistema no decorrer do anocalendário só é possível se restar comprovado que a pessoa jurídica auferiu receita bruta oriunda de pelo menos uma das atividades vedadas previstas no art. 92, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996, tendo a exclusão efeito a partir do primeiro dia do mês subsequente ao que for incorrida a situação excludente. INCONSTITUCIONALIDADE. Na instância administrativa não se discute versões de inconstitucionalidade de atos legais, por ser atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Alegou que a auto exclusão do Simples foi motivada pelo fato de a recorrente ter auferido, em julho de 2004, receita de atividade econômica incompatível com aquele regime de tributação favorecido. Assim, a partir de agosto do mesmo ano, passou a recorrente a adotar a sistemática do lucro presumido. Porém, a autoridade lançadora, considerando a falta de exibição da nota fiscal de prestação do serviço, pôs em dúvida a existência do fato. A recorrente entendeu que só caberia a penalidade por falta de emissão de nota fiscal. Disse, por outro lado, que a decisão recorrida não enfrentou as matérias de índole constitucional. Concluiu afirmando que é dever dos órgãos administrativos apreciar todas as questões suscitadas no processo, e é direito do administrado ter tais pontos examinados pelos órgãos julgadores. No mérito, reafirmou a existência de causa para a auto exclusão do Simples, a qual consistiu no recebimento de receita proveniente da exploração de serviço profissional de representante comercial. Tendo em vista esse fato e considerando as disposições da Lei nº 9.317/1996, a recorrente comunicou à Receita Federal sua auto exclusão. Quanto à falta de apresentação do documento fiscal relativo ao serviço, disse que os registros contábeis não servem para comprovar a situação excludente do Simples, mas apenas para apurar omissão de receitas. No caso concreto, o máximo que se poderia fazer era aplicar multa por falta de emissão de nota fiscal, já que omissão de receita não houve. A par desse fato, alegou a recorrente excesso de autuação, visto que não foram considerados, na apuração do crédito tributário, os tributos recolhidos no período de agosto a dezembro de 2004. Por fim, acusou o efeito confiscatório da multa. Firmada nessas razões, pugnou a recorrente pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 450 6 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, cumpre esclarecer que, no processo administrativo, é possível examinar questões de índole constitucional. O que não se permite é deixar de aplicar a lei ao argumento de inconstitucionalidade. Por outro lado, mesmo que se possa analisar matéria de cunho constitucional, o órgão julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas na impugnação ou no recurso. Basta abordar os pontos necessários a fundamentar a decisão, desde que não remanesça sem análise nenhuma questão que possa infirmar as conclusões exaradas na decisão. No caso em exame, o acórdão recorrido não incorreu em nenhum desses vícios. Até mesmo a pretensão de deduzir os valores pagos entre agosto e dezembro de 2004 foi examinada pela DRJ, que assim se manifestou a propósito dessa pretensão: No tocante aos alegados pagamentos pelo regime do lucro presumido, do período autuado, cabe informar que estes poderão ser considerados no momento da efetivação da cobrança do crédito tributário exigido, desde que comprovada a sua disponibilidade nos sistemas de controle da RFB. (fl. 384) No mérito, a controvérsia consiste em saber se existiu o fato alegado pela recorrente, e cujo efeito tributário seria a imediata exclusão do Simples Federal. A legislação do Simples permitia ao contribuinte ingressar e sair do regime por ato de vontade. A opção, pelo ingresso ou retirada, havia de ser formalizada em um exercício para surtir efeito no exercício seguinte. No entanto, a mesma legislação previa casos em que a exclusão do regime darseia imediatamente, ou seja, a partir do mês seguinte ao do evento. Entendeu o legislador que, diante de determinadas situações, a empresa não poderia permanecer usufruindo do regime favorecido até o final do ano. É o que se dá, por exemplo, com o exercício de determinadas atividades econômicas. No caso em tela, a recorrente sustenta ter recebido em julho receita da atividade de representação comercial e que, por essa razão, estaria obrigada a deixar o regime simplificado no mês subsequente. A Fiscalização pediu que fosse comprovado o fato. Mas a comprovação não foi feita. Disse, a propósito, a Fiscalização: (a recorrente) Apresentou cópia dos livros Diário, Razão e ISS, onde consta a primeira e única operação de representação comercial que teria sido realizada pela empresa. Tratase de um lançamento a crédito da conta PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A VISTA, datado de 31.07.2004, no valor de R$ 552,82, com o seguinte histórico: "N/RECIBO NF0001 J.T. Móveis Torneados" (fl. 92/94). No entanto, a empresa não apresentou nota fiscal comprobatória da referida operação de representação comercial, ou seja, não apresentou a NF0001 informada no histórico do lançamento. Também não apresentou qualquer outro documento hábil a comprovar o lançamento contábil registrado na Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 451 7 contabilidade, nem os vínculos negociais e jurídicos entre representante e representada. Como se vê, a fiscalizada não logrou êxito em comprovar a natureza de representação comercial do único lançamento que teria sido o fato determinante de sua exclusão do SIMPLES. (g.n.) (fl. 170) A recorrente não comprovou o fato que obrigaria a saída imediata do Simples. O fato remanesce não comprovado. Nem em grau de recurso a recorrente se preocupou em fazer a prova desse fato. Sendo assim, está correta a Fiscalização ao afirmar que a exclusão do Simples só ocorreu em 2005, por força do excesso de receita bruta no ano de 2004. A recorrente, portanto, deveria ter cumprido as obrigações tributárias no regime do Simples até dezembro de 2004. O lançamento está correto. Quanto ao aproveitamento dos valores recolhidos entre agosto e dezembro de 2004, a meu juízo, agiu bem a Fiscalização. Não cabe a dedução pretendida pela recorrente. Para que haja dedução é preciso que os valores recolhidos se refiram à mesma obrigação, ou seja, que haja identidade quanto aos aspectos subjetivos e objetivos. O valor pago deve corresponder ao mesmo tributo e ao mesmo período de apuração, além, é óbvio, de envolver mesmo credor e mesmo devedor. No caso concreto, inexiste identidade de obrigações. O lançamento se refere aos débitos apurados na forma do Simples Federal, enquanto os alegados pagamentos se referem aos tributos especificamente considerados. Não existe identidade quanto ao tributo, quanto período de apuração e quanto aos prazos de vencimento. Nessa linha de raciocínio, é incabível a dedução pretendida. Não obstante, o entendimento adotado pela Receita Federal é diferente. O manual de Fiscalização orienta, baseado na Solução de Consulta Interna nº 23/2006, que a dedução, nessa hipótese, deve ser feita no ato do lançamento, entendendo existir pagamentos do mesmo tributo. No mesmo sentido, aliás, é a Súmula CARF 76: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Portanto, deve ser deferida a dedução, que há de ser feita observando cada rubrica individualmente, e, sobretudo, a efetiva disponibilidade dos pagamentos. Por fim, no que tange à alegação de que a multa, ultrapassando os limites da razoabilidade e da proporcionalidade, teria efeito confiscatório, cabe dizer que a matéria não é passível de exame pelo CARF, pois implica, por vias transversas, o controle de constitucionalidade, o que é vedado de forma expressa a este órgão. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 11060.001055/200995 Acórdão n.º 1301003.169 S1C3T1 Fl. 452 8 O mesmo entendimento está consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento, apenas para autorizar a dedução dos valores pagos, desde que estejam disponíveis. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 452DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909111/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais.
É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
Numero da decisão: 1301-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 IRPJ. Lucro Presumido. Coeficiente de Presunção. Serviço de Empreitada com Fornecimento de Materiais. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO. SERVIÇO DE EMPREITADA COM FORNECIMENTO DE MATERIAIS. É de 8% o coeficiente de presunção aplicável às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada com fornecimento de materiais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rotschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 11 /2 00 9- 15 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA., já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, manteve o despacho decisório da DeratSP, em que a autoridade administrativa não reconhecia o direito creditório pleiteado e, assim, deixou de homologar a compensação formalizada em declaração compensação dcomp. A recorrente alega ser empresa do ramo de construção civil. Grande parte de suas receitas advém de contratos com a Administração Pública. Por força de tais contratos, se obrigou, juntamente com a prestação de serviços, a fornecer materiais. O mesmo se deu em relação aos serviços prestados a particulares. No período em questão, a recorrente apurou o IRPJ com base no lucro presumido, adotando 32% como coeficiente de presunção. Mais tarde, tomou conhecimento de que, respondendo a diversas consultas, a Receita Federal do Brasil RFB havia manifestado entendimento no sentido da aplicação do coeficiente de 8%, quando o serviço de empreitada fosse prestado com fornecimento de materiais. Diante disso, a recorrente recalculou o IRPJ devido, retificou a DIPJ e apresentou declaração de compensação dcomp. A Derat, embora acusando a existência do pagamento indicado como indevido, assinalou que parte dele já havia sido utilizada para quitação de débitos da contribuinte, e assim homologou parcialmente a compensação. MENG ENGENHARIA COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. se insurgiu contra o despacho decisório em manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento, por falta de prova dos fatos alegados, já que não teriam sido apresentadas a escrita comercial e a fiscal do período, nem os livros Diário e Razão, além da movimentação comercial, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas, a fim de que se pudesse verificar se foram auferidas receitas sujeitas ao coeficiente de 8%. Foi interposto recurso. A recorrente, em preliminar, arguiu homologação tácita do crédito, porquanto o Fisco, dentro do prazo legal, não examinou os recolhimentos e as informações prestadas nas declarações. No mérito, afirmou ter consultado formalmente a RFB sobre a matéria, obtendo resposta por meio da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 186, cuja ementa tinha a seguinte dicção: Para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, aplicase o percentual de oito por cento sobre a receita bruta decorrente tão somente da prestação de serviços de construção civil por empreitada com fornecimento de materiais. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 4 3 Disse que a DRJ, em respeito ao princípio da verdade material, deveria ter determinado o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que fosse realizada diligência, dando oportunidade à recorrente de comprovar, mediante a apresentação de documentos, o direito pleiteado. Aduziu que, ao prestar os serviços de construção civil, fornecera materiais, especialmente na execução dos contratos com a Administração Pública. Por isso, faria jus ao coeficiente de 8% na apuração do lucro presumido. Afirmou ter juntado laudo, produzido por peritos por ela contratados, com a finalidade de comprovar o fornecimento de materiais. Ao final, pediu a realização de perícia, formulando desde logo os quesitos e indicando o perito. Com essas alegações, pugnou pelo reconhecimento do direito e a subsequente homologação das compensações. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.124, de 12/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904015/2008 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.124): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. De início, cumpre rejeitar a preliminar de homologação tácita e de decadência. No caso, não ocorreu decadência, porque esta extingue o direito de constituir crédito tributário, mas não impede a verificação de fatos de que decorra direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Da mesma forma, não ocorreu homologação tácita, uma vez que a homologação tácita se dá com o decurso do prazo de cinco da transmissão da dcomp, tornando definitiva a compensação declarada. No caso em exame, porém, o despacho decisório foi proferido dentro do prazo legal. No mérito, a questão gira em torno de saber qual o coeficiente aplicável às receitas auferidas pela recorrente, na apuração do lucro presumido, se 8% ou 32%. Para tanto, é necessário verificar se os serviços de empreitada prestados pela recorrente envolviam fornecimento de materiais, bem como verificar qual a participação dessas receitas na receita bruta total auferida no período. No Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, a Receita Federal já havia se posicionado acerca do coeficiente de presunção aplicável aos casos de empreitada com fornecimento de materiais. Confirase: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o art. 147, inciso III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 3º da IN SRF nº 11, de 21 de fevereiro de 1996, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 6 5 Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; (g.n.) b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão de obra, ou seja, sem o emprego de materiais.(g.n.) II As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra "a", deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. O entendimento, quanto à aplicação do coeficiente de 8%, foi ratificado pela recente Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017: Art. 33. A base de cálculo do IRPJ, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 26, auferida na atividade, deduzida das devoluções, das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos. § 1º Nas seguintes atividades o percentual de determinação da base de cálculo do IRPJ de que trata o caput será de: I 1,6% (um inteiro e seis décimos por cento) sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida: a) na prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, fisioterapia e terapia ocupacional, fonoaudiologia, patologia clínica, imagenologia, radiologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, exames por métodos gráficos, procedimentos endoscópicos, radioterapia, quimioterapia, diálise e oxigenoterapia hiperbárica, desde que a prestadora desses serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); b) na prestação de serviços de transporte de carga; c) nas atividades imobiliárias relativas a desmembramento ou loteamento de terrenos, Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 7 6 incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda e a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda; e d) na atividade de construção por empreitada com emprego de todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra; (g.n.) (...) Art. 215. O lucro presumido será determinado mediante aplicação dos percentuais de que tratam o caput e os §§ 1º e 2º do art. 33 sobre a receita bruta definida pelo art. 26, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/ anexoOutros.action?idArquivoBinario=0 Portanto, diante da interpretação adotada pela RFB, deve ser reconhecido à recorrente o direito de aplicação do percentual de 8% na apuração do lucro presumido, limitandose às receitas oriundas da execução de contratos de empreitada pelos quais a recorrente se obrigou a fornecer materiais em qualquer quantidade, já que esse era o entendimento da Receita Federal ao tempo dos fatos. As receitas oriundas dos demais serviços ficam sujeitas ao coeficiente de 32%. Por último, cumpre ressaltar que a Solução de Consulta Cosit nº 8/2014 deixa claro que, até 2004, o entendimento oficial era no sentido de que o coeficiente de 8% aplicavase às receitas de construção por empreitada, com emprego de materiais em qualquer quantidade. Embora a Receita Federal tenha modificado o entendimento, a nova interpretação não tem aplicação retroativa, como deixa claro o inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei nº 9.784/1999: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (g.n.) Conclusão Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10880.909111/200915 Acórdão n.º 1301003.128 S1C3T1 Fl. 8 7 Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao coeficiente de presunção de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais. Os autos devem retornar à unidade de origem para retomar a análise do direito creditório, observando o disposto no art. 15, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. À unidade de origem cabe realizar a verificação das receitas que se enquadrem nessa condição, observando, como limite máximo para o direito creditório, o valor informado na dcomp. Definido o valor do crédito, devem ser homologadas as compensações até esse limite. Na verificação, a autoridade fiscal poderá adotar os métodos usualmente empregados na fiscalização, inclusive a verificação por amostragem, se entender cabível." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à aplicação do coeficiente de presunção de lucro de 8% para as receitas oriundas de empreitada com fornecimento de materiais, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000190/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS.
A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais de vendas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte, e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
Numero da decisão: 1201-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Loa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais de vendas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte, e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Loa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1619; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14120.000190/200879 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.323 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2018 Matéria SIMPLES OMISSAO DE RECEITAS Recorrente L ARAUJO SILVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA ENTRE NOTAS FISCAIS E VALORES DECLARADOS. A divergência entre o valor da receita bruta apurada a partir das notas fiscais de vendas, escrituradas e informadas ao fisco estadual pelo próprio contribuinte, e o valor a menor declarado por ele ao fisco federal, quando não restar justificada ou comprovada com documentos hábeis e idôneos, constitui fonte direta de omissão de receitas tributáveis, ensejando o lançamento de ofício com os acréscimos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Loa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 90 /2 00 8- 79 Fl. 188DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório O presente processo administrativo é decorrente de Autos de Infração (fls. 55/99) que exigem tributos na sistemática do Simples (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS), referentes ao anocalendário de 2003, em razão da apuração de omissão de receitas. De acordo com o descritivo da autuação: 001 DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0140100.2007.00485 de 06 de dezembro de 2007, lavrouse o Termo de Início de Fiscalização em 06/12/2007, tendo o contribuinte tomado ciência em 10/12/2007. No referido Termo, o contribuinte foi intimado a apresentar os elementos abaixo especificados, relativo aos anos de 2003 e 2004: 1 Livros Caixa ou Diário e Razão 2 Livro Registro de Apuraçao do ICMS 3 Contrato/Estatuto Social e suas alterações Durante o procedimento da fiscalização foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados do SIMPLES, conforme o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL, o qual compõe o presente Auto de Infração. Obs.: 01) Os valores componentes da base de cálculo foram obtidos junto ao livro Registro de Apuração de ICMS do ano de 2003; 02) O valor tributável informado neste Auto foi obtido conforme a diferença apurada no DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL. 03) Segundo o DEMONSTRATIVO DE APURAÇAO DA RECEITA BRUTA TOTAL (receita declarada e receita omitida apurada pela fiscalização), em anexo, a fiscalizada enquadrada na condição de Empresa de Pequeno Porte, auferiu, no decorrer do ano calendário de 2003, receita bruta acumulada em excedente ao limite estabelecido para ingressar no SIMPLES. Diante o exposto, como a empresa infringiu o art. 9° da Lei n° 9.317/1996 alterado pelo art. 6° da Lei n° 9.779/99 ao optar e Fl. 189DF CARF MF Processo nº 14120.000190/200879 Acórdão n.º 1201002.323 S1C2T1 Fl. 3 3 permanecer no SIMPLES no ano calendário 2004, mesmo excedendo os limites estabelecidos para Empresas de Pequeno Porte (EPP), a empresa, fundamentado no inciso I do art. 14 da Lei n° 9.317/1996, será excluída do SIMPLES a partir do ano calendário de 2004. [...] A empresa autuada apresentou impugnação (fls. 120/137). Alega, em síntese, a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até junho/2003, bem como que o lançamento é nulo por violar o artigo 142 do CTN e pelo fato da fiscalização ter utilizado mero indício ou presunção não admitida. Em Sessão de 11/06/2010, a DRJ/CGE julgou a impugnação parcialmente procedente, reconhecendo a decadência parcial em questão, por meio de decisão de fls. 150/159 que restou assim ementada: ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte antecipado O pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, O prazo para a Fazenda Pública constituir O crédito tributário é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional CTN). RECEITAS NÃO DECLARADAS. LIvRoS COMERCIAIS REGISTRADOS NOS ÓRGÃOS COMPETENTES. PRESUNÇÃO DE VALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIAS ENTRE A CONTABILIDADE E DECLARAÇÕES SIMPLIFICADAS. Legítimo O lançamento de receitas não declaradas, apurado com base em livros contábeis e fiscais, dotados de presunção de validade pelo registro nos órgãos competentes, tendo sido a receita omitida corretamente apurada, computandose Somente saídas referentes a venda de mercadorias, com as devidas deduções legais, sendo que O contribuinte não logrou êxito em comprovar as divergências com relação às declarações simplificadas. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MUDANÇA DE ALÍQUOTA. Apurada omissão de receitas para empresa optante pelo Simples, alterase a receita bruta mensal que havia sido declarada e Fl. 190DF CARF MF 4 consequentemente os percentuais sobre ela aplicáveis, gerando insuficiência de recolhimento. Cientificada da decisão em 24/06/2010 (AR de fls. 166), a contribuinte, em 06/07/2010 (fl.167), interpôs recurso voluntário (fls. 167/185), reiterando as razões de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Nulidade A Recorrente essencialmente se concentrou em argumentos de nulidade da autuação por questionar o método de tributação adotado. Aduz, nesse sentido, que o fisco não cumpriu o ônus de provar a infração e se valeu de uma presunção que não tem base em lei, violando, assim, o artigo 142 do CTN. Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 191DF CARF MF Processo nº 14120.000190/200879 Acórdão n.º 1201002.323 S1C2T1 Fl. 4 5 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, conforme prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a caracterização de omissão de receita na sistemática de tributação do Simples Federal, caracterizada pela diferença entre os valores escriturados e registrados nos Livros de Apuração do ICMS, e aquela informada ao fisco federal em declaração simplificada. A fiscalização, nesse ponto, demonstrou cabalmente que a Recorrente ofereceu à tributação receita menor do que foi efetivamente auferida com base nas notas fiscais de vendas. No exercício, então, de sua atividade plenamente vinculada, a autoridade fiscal responsável cumpriu seu dever de identificar as diferenças tributáveis de ofício e assim procedeu. O conjunto probatório acostado aos autos, somado à descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores da infração, ademais, são suficientes para motivar a infração de receitas omitidas, bem como permitem o pleno conhecimento da lide. Afasto, portanto, a nulidade invocada. Omissão de receitas A divergência entre o valor da receita bruta apurada com base nas notas fiscais de vendas emitidas, escrituradas pelo contribuinte, e o valor a menor por ele declarado ao fisco federal constitui fonte direta de omissão de receitas. Nesse ponto, nenhum reparo cabe à decisão de piso, in verbis: Fl. 192DF CARF MF 6 "[...] O legislador, ao editar as normas do Simples, visou a facilitar o tratamento tributário dado às microempresas e empresas de pequeno porte, concentrando todos os tributos federais sob um único código de recolhimento, facilitando, assim sua apuração, e, ao mesmo tempo, concedeulhes uma faculdade de dispensar os livros comerciais. A interessada, em relação às diferenças de base de cálculo apuradas pelo auditor fiscal ao confrontar os valores declarados nas Declarações Simplificadas com o livro Registro de Apuração de ICMS da empresa, no anocalendário de 2003, devidamente intimada (fls. 24/25), não se manifestou. Após ciência dos autos de infração, em sua impugnação, limitouse a questionar a validade das autuações, alegando que as diferenças apuradas com base no livro Registro de Apuração de ICMS, são meros indícios de omissão de receitas, e, por se basear em presunção comum, caberia ao Fisco provar a ocorrência das alegadas omissões, citando jurisprudência administrativa. Se o contribuinte apresenta os livros contábeis e fiscais ao fisco, incluindo o Livro Registro de Apuração de ICMS, referente ao ano de 2003, conforme fls. ll/23, devidamente registrado na Receita Estadual do Mato Grosso do Sul, apresentam eles presunção legal de validade. Constatando o Fisco a divergência de informações e intimando a contribuinte a justificálas, houve a inversão do ônus da prova. A contribuinte não se manifestou para justificar as diferenças na fase procedimental. Agora, na fase impugnatória, sem qualquer comprovação que a esclareça as divergências, afirma que cabe ao Fisco confirmar a veracidade da escrituração do próprio contribuinte. Como dito, cabe a ela o ônus de provar por que motivo manteve uma contabilidade que está de acordo com os livros de apuração do ICMS, e, por outro lado, declarou acentuadamente a menor das Declarações Simplificadas. Nesse contexto, e considerando que o contribuinte não apresentou nenhum documento ou comentário que pudesse justificar as divergências apuradas, correto o lançamento de ofício dos tributos que deixaram de ser pagos sobre as receitas omitidas. Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 193DF CARF MF Processo nº 14120.000190/200879 Acórdão n.º 1201002.323 S1C2T1 Fl. 5 7 Fl. 194DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002413/2006-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 16/03/2005
A reclassificação tarifária do código 0711.20.01 para o 2005.70.00 é cabível tão somente quando baseada em provas inequívocas de que o produto é próprio para alimentação no estado em que se encontra.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.642
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator), Liziane Angelotti Meira e Ari Vendramini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques D'Oliveira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/03/2005 A reclassificação tarifária do código 0711.20.01 para o 2005.70.00 é cabível tão somente quando baseada em provas inequívocas de que o produto é próprio para alimentação no estado em que se encontra. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho (Relator), Liziane Angelotti Meira e Ari Vendramini. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Costa Marques D'Oliveira. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques D'Oliveira Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 24 13 /2 00 6- 72 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 327 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 0717.667, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de Autos de Infrações lavrados para constituição de crédito tributário no valor total de [...], referentes à Contribuição PIS/PASEP —Importação, Contribuição COFINS — Importação, Juros de Mora — calculados até 31/08/2006, Multa Proporcional (75%), Multa Regulamentar (Classificação incorreta — 1%), e Multa Regulamentar (Descrição incorreta — 1%), (sic) em razão da reclassificação fiscal da mercadoria efetivamente importada. O interessado por meio da declaração de importação (DI) n° 05/02728048 (fls. 28 a 32) submeteu a despacho 40.500 kg de "azeitonas verdes arauco em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." e 27.000 kg de "azeitonas negras azapa em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." , classificando ambas no código Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 0711.20.10, solicitando enquadramento tarifário conforme Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 39 — Brasil Peru. Retiradas amostras das mercadorias e encaminhadas para análise, o Perito Virgílio Ferrari Cocicov emitiu Laudo Técnico, Aduaneiro n° 111/05 (fls. 39 a 42) em 07/06/2005. Considerando que as mercadorias não se apresentavam em acondicionamento hermético e que, assim, careciam de tratamento que conferisse esterilidade comercial ao produto, o Perito afirmou que, para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam. Asseverou ainda que as azeitonas foram submetidas a tratamento: adoçamento pelo uso de álcalis (desamerização), processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) à salmoura, processo de fermentação láctica. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 328 3 Considerando o disposto no Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05 e também o disposto Laudo de Procedimento de elaboração e envase (fls. 56 a 58) elaborado pela própria interessada, a autoridade fiscal concluiu que na acepção das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH, não se tratam de azeitonas conservadas transitoriamente, visto terem sido submetidas ou à maceração prolongada em salmoura ou à tratamento com lixívia de soda cáustica. Neste contexto, as azeitonas apresentamse preparadas para consumo, já processadas e prontas para posterior envase fracionado, pasteurização e distribuição. Desta forma a fiscalização reclassificou a mercadoria para a NCM 2005.70.00. Regularmente cientificada (fls. 01, 06, 11 e 15), a interessada apresentou impugnação de folhas 77 a 87, anexando os documentos de folhas 88 a 120. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, tratase de exigência infundada e, portanto, ilegal. O enquadramento utilizado é pertinente, está em acordo com a NESH; Que, não foi oportunizado contestar as conclusões alcançadas pelo expert, o laudo foi elaborado unilateralmente pelo Fisco, sem respeito à ampla defesa e ao contraditório. [...] O citado acórdão decidiu pela procedência parcial da impugnação, assim ementado: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/03/2005 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições do Capítulo 07 da NCM classificamse no Capítulo 11 ou na Seção IV. É o que sucede com as azeitonas preparadas ou conservadas por quaisquer processos não previstos naquele Capítulo. Classificamse no código NCM 2005.70.00 (Seção IV) pela aplicação da 1ª RGI/SH e 6ª RGI/SH. O Colegiado de 1ª instância entendeu que "a multa de 1 % relativa à descrição incorreta não pode prosperar". E o fez, entendendo que “está ocorrendo penalização em duplicidade em face da aplicação das multas de 1% por classificação incorreta e de 1% por descrição incorreta sobre a mesma mercadoria”. O tema não foi objeto de recurso. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese: preliminarmente, aduz a nulidade da autuação por não ter esta apontado precisamente o valor do ICMS, nem a base de cálculo; e, no mérito; alega que, se a mercadoria é imprópria para consumo, classificase na NCM 0711.20.10; como também, se conservada transitoriamente em salmora. Insurgese ainda contra a aplicação das multas restantes e dos juros de mora. Ao final, pugna pelo provimento de seu recurso. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 329 4 Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. Preliminar Preliminarmente, a recorrente aduz a nulidade do auto de infração por não ter a fiscalização discriminado "precisamente o valor do ICMS decorrente da alteração da classificação fiscal nem tampouco o valor que serviria de base de cálculo para o Imposto de Importação, cerceando assim o direito de defesa ao contribuinte" e ferindo " principio constitucional da ampla defesa", mencionando ainda os artigos. 10 e 59 do Decreto 70.235/72. Tal questão não foi posta em sede de impugnação (fl. 81 e seguintes), tendo havido preclusão consumativa. Ainda assim, o valor do ICMS e todos os elementos necessários à verificação da base de cálculo tomados na autuação constam da Declaração de Importação acostada aos autos e na legislação de regência. Também não aponta a recorrente qual alteração no ICMS teria havido em função da reclassificação levada a cabo. Nesse ponto, portanto, não assiste razão à recorrente. Mérito No mérito, a controvérsia está na classificação fiscal das mercadorias no relatório descritas. A recorrente as importou declarandoas no código NCM 0711.20.10 A fiscalização reclassificouas para a NCM 2005.70.00, o que foi mantido pelo acórdão recorrido.. A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 330 5 observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias" (SH), "da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). O acórdão recorrido bem expõem sobre os normas atinentes à classificação das mercadorias em pauta: As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), regulamentadas pelo Decreto n° 435/1992, trazem em referência ao capítulo 07 PRODUTOS HORTÍCOLAS, PLANTAS, RAÍZES E TUBÉRCULOS, COMESTÍVEIS as seguintes considerações gerais: O presente Capítulo compreende os produtos hortícolas de qualquer espécie, incluídos os vegetais mencionados na Nota 2 do presente Capítulo, frescos, refrigerados, congelados (crus ou cozidos em água ou a vapor), ou ainda provisoriamente conservados ou dessecados (incluídos os desidratados, evaporados ou liofilizados). Deve notarse que alguns destes vegetais, secos, triturados ou pulverizados, se empregam às vezes como tempero mas não deixam, por isso, de se classificar na posição 07.12. ... Os produtos hortícolas apresentados em forma diferente daquelas referidas nas posições deste Capítulo classificamse no Capítulo 11 ou na Secão IV. É o que sucede, por exemplo, com as farinhas, sêmolas e pós, de legumes de vagem secos e com as farinhas, sêmolas, pós, flocos, grânulos e pellets, de batata (Capítulo 11), e com os produtos hortícolas preparados ou conservados por quaisquer processos não previstos neste Capítulo (Capítulo 20). ... Os produtos hortícolas deste Capítulo, mesmo que apresentados em embalagens hermeticamente fechadas (cebola em pá, em latas) permanecem aqui classificados. Na maioria dos casos, todavia, os produtos contidos nestas embalagens encontramse incluídos no Capítulo 20 por terem sido preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no presente Capítulo. ... (Grifos acrescidos) Por sua vez a NESH para à posição 0711 PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE (POR EXEMPLO: COM GÁS SULFUROSO OU ÁGUA SALGADA, SULFURADA OU ADICIONADA DE OUTRAS SUBSTÂNCIAS DESTINADAS A ASSEGURAR TRANSITORIAMENTE A SUA Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 331 6 CONSERVAÇÃO), MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO. traz as seguintes considerações: Esta posição compreende os produtos hortícolas que tenham sido submetidos a um tratamento que lhes assegure provisoriamente a conservação durante o transporte ou armazenagem, antes da utilização definitiva (por exemplo, por meio de gás sulfuroso ou água salgada, surrada ou adicionada de outras substâncias), desde que permaneçam impróprios para consumo, neste estado. Estes produtos destinamse geralmente a servirem como matérias primas na indústria das conservas. Consistem principalmente em cebolas comestíveis, azeitonas, alcaparras, pepinos, pepininhos (cornichons), cogumelos, trufas e tomates. Apresentamse geralmente em barris ou em tambores. Todavia, classificamse no Capítulo 20 os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis (por exemplo, as azeitonas verdes ou curtidas, o chucrute, os pepininhos (cornichons), o feijão verde). ... (Grifos acrescidos) Já para o capítulo 20, a citada NESH traz as seguintes considerações gerais: 6)Os produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados por processos diferentes dos previstos nos Capítulos 7, 8 e 11 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura. ... (Grifos acrescidos) Para a posição 2005 OUTROS PRODUTOS HORTICOLAS PREPARADOS OU CONSERVADOS, EXCETO EM VINAGRE OU EM ÁCIDO ACÉTICO, NÃO CONGELADOS, COM EXCEÇÃO DOS PRODUTOS DA POSIÇÃO 20.06. a citada NESH traz as seguintes notas explicativas: O alcance da expressão 'produto hortícola" na presente posição está limitado aos produtos referidos na Nota 3 do Capítulo. Estes produtos (com exceção dos produtos hortícolas preparados ou conservados em vinagre ou em ácido acético da posição 20. 01, dos produtos horticolas congelados da posição 20.04 e dos produtos hortícolas conservado em açúcar da posição 20.06) classificamse aqui quando tenham sido preparados ou conservados por processos não previstos nos Capítulos 7 ou 11. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 332 7 O modo de acondicionamento não influi na classificação destes produtos, que se apresentam muitas vezes em latas ou outros recipientes hermeticamente fechados. [...] Entre as preparações compreendidas na presente posição podem citarse: 1) As azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada. (As azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água, que inclui nesta posição a salgada, classificamse na posição 07.11 ver a Nota Explicativa desta posição). ... (Grifos acrescidos) Por sua vez o Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05 indica de maneira explicita que: O pH e o teor de ácido láctico encontrado nas amostras e referendado no quadro abaixo, evidencia já ter ocorrido o processo de fermentação láctica para a desamerização das azeitonas: ... Conforme CRUESS' (1970), sem o acondicionamento em salmouras ou tratamento pela lixívia de soda cáustica (hidróxido de sódio), as azeitonas deterioram rapidamente. As azeitonas são submetidas à tratamento com álcalis (NaOH) para retirar amargor decorrente da presença de um glucosideo (Oleuropeina). ... (Grifos acrescidos) A despeito do perito indicar que o produto em questão precisa ser adequado às normas do CODEX Alimentarius e da ANVISA (RDC 352/02) tendo em vista os regulamentos sanitários e de segurança alimentar, em especial a necessidade de acondicionamento hermético, tais aspectos, notadamente relacionados à comercialização (venda) do produto final estão evidenciados no Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada, do qual se extrai as seguintes considerações: A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no país de origem das azeitonas pois os frutos precisam ser processados assim que colhidos. Antes da fermentação propriamente dita, fazse inicialmente uma queima das azeitonas a qual é feita com solução diluída de soda. Após esta queima, as azeitonas são lavadas e inicia se o processo fermentativo com bactérias lácticas. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 333 8 ... No recebimento das azeitonas na fábrica da Vale Fértil, fezse amostragens da mercadoria afim de verificar sua qualidade. (..) ... Depois de definidas as azeitonas que serão usadas em produção, a primeira operação realizada antes de utilizálas é a lavagem das mesmas com água em abundância. (..) ... A segunda operação fundamental é a seleção das azeitonas. (..) ... Depois de selecionadas, as azeitonas são encaminhadas por esteira transportador' até um tambor giratório do qual são acondicionadas em embalagens específicas já previamente higienizadas. Na seqüência fazse a adição de salmoura a quente e o fechamento das embalagens. ... Depois de fechados os potes são lavados, secos, rotulados, identificados com lote e validade e então encaixotados. ... (Grifos acrescidos) Os laudos são claros ao indicar que as azeitonas, na origem, foram submetidas a outros processos distintos dos destinados à sua conservação transitória para transporte. Como se percebe o tratamento dado às mercadorias em questão, após a sua importação, está nitidamente relacionado à sua adequação aos padrões demandados pelos consumidores (qualidade, gosto, tipo e outros fatores) e requisitos sanitários para o envase destinado às vendas a retalho, aspectos notadamente relacionados à comercialização interna das mercadorias. As azeitonas, nos moldes em que importadas estão aptas a consumo, neste aspecto o Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada é extremamente claro: [...] Evidente que tendo sido acondicionadas em tambores sob salmoura específica para transporte, necessitam de tratamento posterior para retirada de tal salmoura de transporte e adequação às normas sanitárias para Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 334 9 reembalagem e posterior revenda à retalho. O tratamento dado às azeitonas, após a importação, ratifica decisivamente tal conclusão. [...] Assim, as NESH, para o capítulo 07, determinam que os produtos hortícolas serão incluídos no Capítulo 20, se forem preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no capítulo 07. Já para a posição 0711, estabelecem a classificação no Capítulo 20, para os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis, processo distinto dos destinados à sua conservação transitória para transporte, o que foi explicitamente evidenciado nos autos: a) no Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05, o qual, segundo o relatado, asseverou que as azeitonas foram submetidas a tratamento: adoçamento pelo uso de álcalis (desamerização), processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) à salmoura, processo de fermentação láctica; b) no Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada: “A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no país de origem das azeitonas”. No capítulo 20, as NESH colocam os produtos hortícolas, frutas e outras partes comestíveis de plantas, preparados ou conservados por processos diferentes dos previstos nos Capítulos 7, 8 e 11 ou em qualquer outra parte da Nomenclatura. Há explicação semelhante para a posição 2005. Também inclui nesta mesma posição “as azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada”, tal como evidenciada nos referidos laudos; deixando “as azeitonas simplesmente conservadas provisoriamente em água salgada” na posição 07.11. Sendo azeitonas e não produtos hortícolas homogeneizados2, batatas, ervilhas, feijões ou aspargos; e, em não havendo desdobramento na subposição 2005.70; classificamse no NCM 2005.70.00, pelas RGIs 1 3 e 64: 2 Notas de subposições. 1. Na acepção da subposição 2005.10, consideramse “produtos hortícolas homogeneizados”, as preparações de produtos hortícolas finamente homogeneizadas, acondicionadas para venda a retalho como alimentos para crianças ou para usos dietéticos, em recipientes de conteúdo de peso líquido não superior a 250 g. Para aplicação desta definição, não se consideram as pequenas quantidades de ingredientes que possam ter sido adicionados à preparação para tempero, conservação ou outros fins. Estas preparações podem conter, em pequenas quantidades, fragmentos visíveis de produtos hortícolas. A subposição 2005.10 tem prioridade sobre todas as outras subposições da posição 20.05 3 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: [...] Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 335 10 2005.10.00 Produtos hortícolas homogeneizados 2005.20.00 Batatas 2005.40.00 Ervilhas (Pisum sativum) 2005.51.00 Feijões em grão 2005.59.00 Outros 2005.60.00 Aspargos 2005.70.00 Azeitonas E assim tem decidido esta Casa, como nos julgados abaixo, o primeiro, trazido como precedente pela recorrente, e o segundo, do processo de n° 15165.001321/2007 09, no qual também figura como autuada: CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA Azeitonas pretas, quando importadas devidamente conservadas em salmoura, encontramse próprias para consumo, classificamse na posição NCM/NBM 2005.70.00. RECURSO IMPROVIDO. [...] Tais procedimentos de seleção, classificação e esterilização são usados apenas para as azeitonas que irão ser reembaladas em unidades menores. O item 2 esclarece que, quando mantidas nos baldes plásticos, mergulhadas na salmoura para sua conservação, as azeitonas já estão prontas para o consumo, ou seja, já foram devidamente fermentadas, o que não se confunde, entretanto, com fato de não estarem prontas para serem embaladas em unidades menores, pois ainda não foram selecionadas, classificadas e esterilizadas. (3ª Conselho de Contribuintes, Ac. 30328.833, de 15/04/1988, rel. Conselheiro João Holanda Costa). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). AZEITONAS PREPARADAS. 4 6. A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Para os fins da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 336 11 Para fins de classificação fiscal, após serem submetidas a processos de adoçamento (desamerização) e fermentação láctica, as azeitonas são consideradas preparadas para consumo humano e, neste estado, classificam se no código 2005.70.00 da NCM. (CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.102, de 26/11/2015, rel. José Fernandes do Nascimento). Por sua vez, a recorrente discorre, inicialmente, sobre o processo de fabricação e envase da azeitona verde, exposto no processo mencionado acima, o qual, explica, "aplicase, em grande parte, ao das azeitonas pretas": [...] A "azeitona de mesa" em conserva (e só pode ser em conserva), aquela disponibilizada nos supermercados, bares e restaurantes, [...] A azeitona é um produto que se deteriora facilmente se não conservada de forma adequada. A esse respeito vale a transcrição do Laudo Técnico Aduaneiro n. 111/05, encomendado pela Receita Federal, onde o Sr. Perito afirma que "Conforme CRUES (1970), sem o acondicionamento em salmouras ou tratamento pela lixívia de soda cáustica (hidróxido de sódio), AS AZEITONAS DETERIORAM RAPIDAMENTE." [...] Logo depois da colheita das azeitonas, em razão do alto grau de acidez, típico do fruto, devem ser submetidas a tratamento em soda cáustica (lixívia), para equilibrar o PH e diminuir o seu amargor natural. Esse procedimento é de extrema importância, na medida em que caso os frutos não sejam imediatamente submetidos a esse tratamento logo após a colheita podem estragar ou ficar impróprios para posterior revenda em conserva. Essa etapa é essencial na preparação das "azeitonas de mesa". Após a adição da soda cáustica (lixívia) o produto é lavado com água abundante para eliminar qualquer resíduo de soda cáustica sobre o produto, sendo posteriormente acondicionado em enormes tanques de salmoura de alto grau de salinidade (salmouramãe), nos quais ocorrerá a fermentação do produto. [...] A esse respeito convém transcrever o parecer técnico ora juntado pela Recorrente, (DOC 2, pág. 02), elaborado pelo expert, donde se extrai que: "Como todo vegetal com alto teor de água, principalmente frutos, que é o caso dos frutos da oliveira, e também por este apresentar substâncias naturais que necessitam ser retirados ou abrandados como a oleuropeína, responsável pelo excessivo amargor Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 337 12 do fruto sem tratamento. As azeitonas passam por um pré processamento com tratamento com uma base forte (hidróxido de sódio — para azeitonas verdes) e posteriormente passa por uma fermentação láctica com uso de salmoura de 7% a 9% de sal por cerca de dois a três meses (azeitonas verdes) e por mais de seis meses (azeitonas pretas) para estabilização da fermentação e se obter a quantidade de ácido lático adequada. O produto resultante são frutos de oliveira fermentados mantidos transitoriamente em salmoura que são importados pelos países para industrialização, como é o presente caso. Esta forma de processamento é muito antiga e vem sendo efetuada por todos os países produtores que tanto podem vender o produto pronto para consumo (em potes de vidro, saches e baldes) assim como em barricas plásticas para industrialização.' Ou seja, o processo de fermentação é intrínseco à conservação da oliva (futura azeitona) em salmoura, processo este que, aliás, vem sendo praticado a milhares de anos e é o método usual e regular utilizado para preparação das azeitonas em conserva. De acordo com o parecer do Perito (DOC 02, pág. 08) "não há no comércio internacional azeitonas que não tenham sofrido um pré processamento adequado para que seja conservado em sal (salmoura, vinagre), ou em casos especiais em somente com sal (mas não é salmoura, salmoura é solução de sal e água)... Esta é a razão que o Codex Alimentarius (anexo 6) não cita outras formas de conservação e apresentação". No Anexo 6 do parecer, página 2119, constam as formas de preparação da azeitona de mesa e EM TODAS ELAS EXISTE REFERENCIA À SALMOURA E FERMENTACÃO NATURAL. OU SEJA, NÃO EXISTE EXPORTAÇÃO DE "AZEITONA DE MESA" EM SALMOURA EM BARRICAS, SEM QUE HAJA FERMENTAÇÃO. Sendo que, conforme será demonstrado adiante, a fermentação só pode ocorrer no país de origem, por razões físico químicas e de qualidade do produto. […] Portanto, a salmoura na qual a azeitona é importada é a mesma que inicialmente serviu para fermentação, sendo colocada em barricas de plástico (não fechadas hermeticamente, razão pela qual se formam leveduras não nocivas à saúde contato do produto com ar) para possibilitar o transporte do exportador até o importador no Brasil. Chegando ao Brasil o produto é processado, sendo descartada a salmoura mãe (em razão das impurezas que a acompanham, inclusive leveduras não nocivas à saúde, decorrentes da fermentação e incompatíveis com o consumo direto do produto), a qual exige tratamento químico para posteriormente ser despejada nas galerias pluviais (vide as fotos anexas ao parecer que ilustram essa etapa da produção; anexo 5 do parecer, DOC 02). Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 338 13 Posteriormente ocorre a lavagem das azeitonas em água corrente colorada para retirada das sujidades, retirados os frutos com defeitos (manchados ou murchados) e por meio de um processo mecânico são colocados em potes ou outro tipo de embalagem, sendo preparada nova salmoura, com aditivos (ácido cítrico ou ácido lático para controle da acidez) e conservantes a depender do tipo de embalagem e processo utilizado (item 3 do parecer técnico, DOC 2). Essa última salmoura é preparada "quase no ponto de ebulição da água (8501901IC), devido a necessidade de uma pasteurização branda do produto, para de bolores e leveduras e também para formar vácuo na embalagem" (pg. 04 do parecer DOC 2). Depois de colocada na nova salmoura e embalada, o produto comercializado. [...] Argumenta então a contribuinte que se a mercadoria é própria para consumo classificase na NCM 2005.70.00; caso contrário, na NCM 0711.20.10; amparandose nos textos das posições e nas NESH. E que, acordo com Laudo Técnico Aduaneiro n. 111/05, a mercadoria importada pela Recorrente foi considerada IMPRÓPRIA PARA CONSUMO: Ora, as NESH para a posição 2005 tratam de "azeitonas preparadas para consumo por tratamento especial em solução diluída de soda ou maceração prolongada em água salgada". As azeitonas autuadas foram submetidas a tais processos, deixandoas aptas ao consumo, segundo a regra internacional de classificação de mercadorias. E é esta a determinante no caso em pauta e não as normas do CODEX Alimentarius ou da ANVISA, como quer fazer crer a recorrente. A posição 0711 trata de PRODUTOS HORTÍCOLAS CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE [...], MAS IMPRÓPRIOS PARA ALIMENTAÇÃO NESTE ESTADO. No entanto, não é apenas a aptidão para o consumo que determina a classificação das azeitonas sob consideração. Como já registrado, as NESH, para o capítulo 07, determinam que os produtos hortícolas serão incluídos no Capítulo 20, se forem preparados ou efetivamente conservados com emprego de processos diferentes dos previstos no capítulo 07. E mais, para a posição 0711 especificam que classificação no Capítulo 20 para os produtos que, mesmo apresentados em água salgada, tenham sofrido previamente tratamentos especiais, tais como pela soda, por fermentação láctica, a fim de tornálos imediatamente consumíveis, processo distinto dos destinados à sua conservação transitória para transporte. Assim, não é a apenas a aptidão para o consumo nos termos das normas de classificação fiscal que determinam a classificação, mas também a aplicação de processos que levam as mercadorias para outro capítulo. Não assiste, pois, razão à recorrente. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 339 14 Ademais, há de se ter em mente que o julgador apreciará a prova constante dos autos conjugado todos os seus elementos (NCPC, artigos 371 e 489, § 3o), não estando adstrito à perícia: Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO INDENIZATÓRIA.CONDUTA CULPOSA NÃO COMPROVADA. REVERSÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7/STJ. LAUDO PERICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. É inviável a revisão do entendimento exarado pelo tribunal de origem acerca da comprovação da conduta culposa, pois demandaria o revolvimento do acervo fáticoprobatório dos autos, o que é inadmissível em sede de recurso especial, ante o óbice contido na Súmula nº 7/STJ. 2. O juiz não está vinculado ao laudo pericial, porque na aplicação da lei processual vigora o princípio da persuasão racional, por meio do qual o juiz aprecia livremente a prova, atendendo aos fatos e às circunstâncias constantes dos autos, indicando os motivos que lhe formaram o convencimento. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, 3ª Turma, AgRg no Ag 1313964 SP 2010/00966268, de 23/10/2012, rel Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva). Prossegue a recorrente, afirmando que a NCM 0711 é aplicável aos casos em que a azeitona seja conservada transitoriamente, a exemplo da salmora, e que a perícia entendeu que " as mercadorias estão acondicionadas em solução saline que lhes assegura TRANSITORIAMENTE a conservação para fins de transporte e armazenagem". De fato, a colocação das mercadorias em salmora antes da importação, proporcionoulhe conservação, mesmo que transitória. E de fato, a posição 0711 abarca PRODUTOS HORTÍCOLAS [...] CONSERVADOS TRANSITORIAMENTE. Porém não é só isso: à luz das normas de classificação fiscal, os processos a que foram submetidas no país de origem deramlhe aptidão para consumo e encaminhoulhes as capítulo 20 da NCM, mantendo se o raciocínio anterior. Mais adiante, a recorrente discorre sobre o processo de fermentação, corroborando as conclusões deste voto, na medida em que o distingue da simples conservação em salmora, ainda que dela decorra: Logo depois desse tratamento as olivas devem ser colocadas em salmora com alta concentração de sal (salmouramãe), tendo início imediato o processo de fermentação láctica. Essa fermentação decorre de um processo natural do contato das olivas com a salmoura, em razão dos microorganismos e bactérias lácticas existentes no próprio fruto da oliva. A fermentação deve ser realizada em local apropriado para que não ocorra nenhum problema nessa etapa de maturação das azeitonas (o que é feito em tanques de fermentação na Argentina), não sendo as barricas de transporte o local adequado para o processo de fermentação. Isso porque, se após o tratamento com hidróxido de sódio as azeitonas fossem colocadas em barricas de transporte com salmoura terseia início o processo de fermentação (natural, decorrente do contato dos Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 340 15 microorganismos da oliva com a salmoura), com a emissão de gases própria do processo de fermentação (CO2). Esses gases poderiam romper ou estourar as barricas de transporte, além de comprometer a qualidade do produto (azeitonas manchadas, não fermentadas homogeneamente), comprometendo o produto final e a sua respectiva comercialização. [...] Somente após a estabilização do processo de fermentação, que ocorre de 3 a. 6 meses, a depender do tipo de azeitona, é que se torna viável o seu acondicionamento em barricas de transporte para importação, sem comprometer a adequada fermentação e sem trazer nenhum risco no transporte em razão dos gases emitidos pela fermentação. A recorrente traz a lume afirmação do auto de infração no sentido de que o fato de "a Empresa ter alterado sua classificação de mercadorias da posição 0711 para a posição 2005 implicaria em uma espécie de aceitação tácita da classificação proposta pelo agente fiscal", acrescentando que o fêz por questões de mercado. Entendo que não há elementos para definirse pela aceitação tácita, mas tal discussão nada acrescenta ao presente voto. Por fim, insurgese a recorrente quanto a aplicação da multa de ofício e a do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/01, bem como dos juros moratórios, amparandose no art. 100, III, do Código Tributário Nacional (CTN) c/c art. 101, I, do DecretoLei n° 37/66, alegando que atribuem força normativa atribui às decisões do Conselho de Contribuintes, notadamente os precedentes que trouxe aos autos: Do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: [...] II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Do DecretoLei n.° 37/66: Art.101 Não será aplicada penalidade enquanto prevalecer o entendimento a quem proceder ou pagar o imposto: I de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal inclusive de consulta, seja o interessado parte ou não; Não lhe assiste razão à recorrente. Os precedentes trazidos aos autos não tratam exatamente da mesma situação. Também a eles não fora atribuída eficácia normativa Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 341 16 erga omnes, a exemplo das súmulas do CARF. Por óbvio, não há que se falar em decisão administrativa irrecorrível, menos ainda em processo de consulta. Traz também, em sua defesa, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 13/2002: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Não é o caso, a descrição da mercadoria registrada na Declaração de Importação, "AZEITONAS VERDES ARAUCO EM SALMOURA PARA SUA CONSERVACAO DURANTE O TRANSPORTE MAS NAO PROPRIA PARA CONSUMO IMEDIATO ACONDICIONADAS EM BARRIS PLASTICOS COM 50 KG LIQUIDOS APROX", não revela a questão da aptidão para consumo, nos termos das normas internacionais de classificação de mercadorias, nem o processo de fermentação a que fora submetida. A incorretude da descrição foi justamente o que levou à incidência da multa do art. 84, I, da Medida Provisória n° 2.15835/01. Menciona a recorrente que a autuação teria desconsiderado o art. 636, § 3° e § 4°, I, do Regulamento Aduaneiro (RA) (sic), "que determina a soma do valor aduaneiro mercadorias objeto de reclassificação para fins de aplicação da alíquota de 1%". Na verdade, o dispositivo mencionado trata de matéria distinta no RA de 2009. Ainda assim, verificase da autuação que a multa em foco foi calculada em 1% do valor aduaneiro, dentro do que determina a lei de regência. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 342 17 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Redator Designado Peço vênia para discordar do voto do i. relator, nos que concerne à reclassificação fiscal. Fazse necessária a reprodução do trecho do relatório que resume a contenda: "O interessado por meio da declaração de importação (DI) n° 05/02728048 (fls. 28 a 32) submeteu a despacho 40.500 kg de "azeitonas verdes arauco em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." e 27.000 kg de "azeitonas negras azapa em salmoura para sua conservação durante o transporte mas não própria para consumo imediato acondicionadas em barris plásticos com 50 kg líquidos aprox." , classificando ambas no código Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 0711.20.10, solicitando enquadramento tarifário conforme Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 39 — Brasil Peru. Retiradas amostras das mercadorias e encaminhadas para análise, o Perito Virgílio Ferrari Cocicov emitiu Laudo Técnico, Aduaneiro n° 111/05 (fls. 39 a 42) em 07/06/2005. Considerando que as mercadorias não se apresentavam em acondicionamento hermético e que, assim, careciam de tratamento que conferisse esterilidade comercial ao produto, o Perito afirmou que, para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam. Asseverou ainda que as azeitonas foram submetidas a tratamento: adoçamento pelo uso de álcalis (desamerização), processo de remoção do amargor do fruto pela adição de solução de hidróxido de sódio (soda cáustica) à salmoura, processo de fermentação láctica. Considerando o disposto no Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05 e também o disposto Laudo de Procedimento de elaboração e envase (fls. 56 a 58) elaborado pela própria interessada, a autoridade fiscal concluiu que na acepção das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado — NESH, não se tratam de azeitonas conservadas transitoriamente, visto terem sido submetidas ou à maceração prolongada em salmoura ou à tratamento com lixívia de soda cáustica. Neste contexto, as azeitonas apresentamse preparadas para consumo, já processadas e prontas para posterior envase fracionado, pasteurização e distribuição. Desta forma a fiscalização reclassificou a mercadoria para a NCM 2005.70.00." Entre as partes, não se observam diferenças nas interpretações das notas dos capítulos, textos de posições e das NESH aplicáveis às posições 0711.20.10 (recorrente) e 2005.70.00 (Fisco). Restou incontroverso que a posição adotada pela recorrente abriga azeitonas que têm de passar por processos complementares para encontraremse em condições Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 343 18 de serem consumidas. Por outro lado, a posição para a qual foram reclassificadas pela fiscalização contempla azeitonas prontas para o consumo. A reclassificação fiscal ocorreu, porque a fiscalização concluiu que o produto, na forma em que foi importado, já teria sido submetido a processos distintos dos que se destinam exclusivamente à conservação transitória para transporte. Tais processos teriam tido como objetivo o de adequálo aos padrões demandados pelos consumidores, isto é, colocandoos aptos para o consumo. Baseouse em Laudo Técnico de Procedimento de Elaboração e Envase, do qual a decisão de piso extraiu os seguintes trechos: "A azeitona é um produto que para se tornar apto ao consumo precisa sofrer um processo fermentativo. Este processo é sempre feito no país de origem das azeitonas pois os frutos precisam ser processados assim que colhidos. Antes da fermentação propriamente dita, fazse inicialmente uma queima das azeitonas a qual é feita com solução diluída de soda. Após esta queima, as azeitonas são lavadas e iniciase o processo fermentativo com bactérias lácticas. ... No recebimento das azeitonas na fábrica da Vale Fértil, fezse amostragens da mercadoria afim de verificar sua qualidade. (..) ... Depois de definidas as azeitonas que serão usadas em produção, a primeira operação realizada antes de utilizálas é a lavagem das mesmas com água em abundância. (..) ... A segunda operação fundamental é a seleção das azeitonas. (..) ... Depois de selecionadas, as azeitonas são encaminhadas por esteira transportador' até um tambor giratório do qual são acondicionadas em embalagens específicas já previamente higienizadas. Na seqüência fazse a adição de salmoura a quente e o fechamento das embalagens. ... Depois de fechados os potes são lavados, secos, rotulados, identificados com lote e validade e então encaixotados. ... " E assim concluiu a DRJ, ratificando o trabalho fiscal: "Os laudos são claros ao indicar que as azeitonas, na origem, foram submetidas a outros processos distintos dos destinados à sua conservação transitória para transporte. Como se percebe o tratamento dado às mercadorias em questão, após a sua importação, está nitidamente relacionado à sua adequação aos padrões demandados pelos consumidores (qualidade, gosto, tipo e outros fatores) e requisitos sanitários Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 344 19 para o envase destinado às vendas a retalho, aspectos notadamente relacionados à comercialização interna das mercadorias. As azeitonas, nos moldes em que importadas estão aptas a consumo, neste aspecto o Laudo de Procedimento de elaboração e envase emitido pela interessada é extremamente claro: [...] Evidente que tendo sido acondicionadas em tambores sob salmoura específica para transporte, necessitam de tratamento posterior para retirada de tal salmoura de transporte e adequação às normas sanitárias para reembalagem e posterior revenda à retalho. O tratamento dado às azeitonas, após a importação, ratifica decisivamente tal conclusão. [...]" A conclusão do agente fiscal, corroborada pela DRJ e pelo i. relator, desprezaram, por completo, a do Laudo Técnico Aduaneiro n° 111/05. Este dispôs que o produto precisava ser beneficiado, para atendimento às normas do CODEX Alimentarius e da ANVISA (RDC 352/02), tendo em vista os regulamentos sanitários e de segurança alimentar, em especial a necessidade de acondicionamento hermético. E o trecho da conclusão abaixo transcrito, não deixa dúvidas: Isto posto, voto pelo provimento do recurso voluntário, mantendo a classificação fiscal (0711.20.10) originalmente adotada pelo contribuinte e cancelando o auto de infração. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator Designado Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 345 20 Declaração de Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira A presente declaração esclarece a posição por mim adotado no julgamento do presente processo, que decidiu por manter a classificação adotada pelo Contribuinte para Azeitonas Verdes em Salmora, acondicionadas em Barris Plasticos com 50kg. O meu voto foi determinado na análise do laudo técnico, que respondendo aos quesitos apresentados pela Fiscalização Aduaneira, confirmou a informação do Contribuinte que as Azeitonas importadas não estavam próprias para consumo, conforme transcrito no trecho abaixo extraído do laudo. 2. As mercadorias estão próprias ou impróprias para consumo humano, no estado em que se encontram? Para os efeitos de regulamentos sanitários e segurança alimentar, concluese que as mercadorias não estão aptas para o consumo no estado em que se apresentam, em razão do acondicionamento não ser hermético e ainda por não atender as disposições do CODEX 4 (Codigo de practices de higiene para alimentos poso acidas, alíneas 12, 2.4 e 2.7) e da ANVISA — Resolução RDC rir 352 dd 23.Dez.02, alíneas 2.4, 2.5, 4.7 e 4.8 z. Classificado pela Resolução ANVISA RDC rir 352 como hortaliça em conserva acidificada artificialmente ou acidificada por fermentação láctica, esta deve ser submetida a processo de pasteurização para sua conservação a fim de preservar o pH igual ou menor à 4,5 no produto final. A utilização de meios de pasteurização é preconizada em todas as fontes consultadas (CRUESS, CODEX, Instituto do Consumidor Português 3, outros) para a conclusão do processamento de azeitona. Os métodos de conservação para o produto já envasado consistem em, alternativamente: • Pasteurização ou esterilização; • Adição de substâncias conservantes; • Refrigeração; • Por tratamento com nitrogênio ou CO Z, sem salmoura. As etapas do processamento aparecem ilustradas em anexo. A posição adotada pela Fiscalização trata de produto próprio para consumo e a posição 07.11, adotada pelo Recorrente, abrange os produtos conservados, que sejam impróprios para alimentação nesse estado. 07.11 Produtos hortícolas conservados transitoriamente (por exemplo, com gás sulfuroso ou água Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 346 21 salgada, sulfurada ou adicionada de outras substâncias destinadas a assegurar transitoriamente a sua conservação), mas impróprios para alimentação nesse estado. Ao meu sentir, os produtos que não atendem as regras definidas pelos órgãos sanitários para o consumo são produtos impróprios para alimentação no estado em que se encontram, confirmando a classificação fiscal na posição 07.11. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10907.002413/200672 Acórdão n.º 3301004.642 S3C3T1 Fl. 347 22 Fl. 347DF CARF MF
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Numero do processo: 10811.000392/2010-04
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dá-se quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva.
Numero da decisão: 1003-000.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 133, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 1. 00 03 92 /2 01 0- 04 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 76 2 12.08.2010, efl. 31, com efeitos a partir de 01.11.2009, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: A Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF em São José do Rio Preto, no uso das atribuições que lhe foram delegadas pelo inciso XXIII, art 1° da Portaria DRF/SJR n° 30, de 01/06/2010, DOU de 02/06/2010, originariamente previstas no inciso IV do art 203 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04 de março de 2009 e tendo em vista o disposto nos artigos 17, 28 a 32 da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, com as alterações promovidas pela Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007 e Lei Complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008 , considerando o que consta do processo n° 10811.000392/201004, declara: r ESTÁ EXCLUÍDO o contribuinte ROBERTO DE MARCHI & CIA LTDA. ME CNPJ n° 46.106.860/000105 do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL, de que trata o artigo 3° da Lei Complementar n° 123/2006 por COMERCIALIZAR MERCADORIAS OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO, de acordo com art 29, inciso VII da LC 123/2006. 2° Os efeitos da exclusão obedecem ao disposto no art 29, inciso VII, § 1° da LC 123/2006, ou seja, a partir de 01/11/2009, estando assegurado ao contribuinte o direito de, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência desta publicação, manifestar por escrito sua inconformidade dirigida ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, relativamente ao procedimento acima, assegurando assim o contraditório e a ampla defesa. 3° Não havendo manifestação nesse prazo, a exclusão tomarseá definitiva. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado nos excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.851, de 20.03.2013, efls. 6365: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE MERCADORIA OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 07.05.2013, efl. 67, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.05.2013, efls. 6971, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. A respeito do motivo do ato de exclusão esclarece que: Inconformado com a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Imposto e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) da minha microempresa da qual atua no ramo de "BAR", venho por meio deste recorrer do absurdo praticado, pois já tenho dificuldades de manter a atividade da minha empresa hoje da qual está sendo tributada pelo SIMPLES, como eu conseguiria manter com as minhas obrigações tributária se a minha for Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 77 3 desenquadrada do SIMPLES, sem dúvida nenhuma terei que fechar a minha empresa. Pois conforme já informado anteriormente, eu sempre comprei mercadorias de procedência e com Notas Fiscais especificando a sua origem sempre paguei os impostos da empresa todos em dia. Como em uma microempresa de interior e ainda mais em um bar de interior, muitas pessoas adentrar no bar e pede pra guardar o que transportam em quanto bebe suas cervejinhas. Eu não sou o responsável e nem o dono da mercadoria apreendida, aliás nem tinha qualquer conhecimento sobre elas, como pessoas que trabalham no bar e os que frequentam são fumantes, não tenho como monitorar tudo o que ocorre, em nenhum momento comercializei em meu bar mercadorias de contrabando ou de descaminho. Assim não tendo comprado em nenhum momento que as mercadorias apreendidas, REQUEIRO a extinção e o arquivamento do processo administrativo em questão, e a permanência da minha empresa no enquadramento do SIMPLES, tendo em vista por em nenhum momento ter sido comprovada a minha responsabilidade sob as mercadorias. Requeiro a oitiva de testemunhas para comprovação dos fatos pro mim alegado. Concernente ao pedido expõe que: Diante dos fatos acima expostos requeiro que a minha empresa permaneça enquadrada no regime tributário Simples, como razão de Justiça. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, observado o disposto no § 3A do art. 4º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, em relação aos efeitos da exclusão de ofício. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 78 4 Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Atinente à questão está literalmente firmado na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; [...] Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: [...] II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou [...] Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: [...] II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; [...] Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. Porém a optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal1. A exclusão de ofício da pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional dáse quando houver comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho com efeitos a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva (inciso VII do art. 29 e 1 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 79 5 inciso II do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Podese entender que a prática de contrabando consiste na importação ou exportação de mercadoria proibida, atentando contra a saúde pública e administração pública. Por sua vez, a prática de descaminho é a ilusão do pagamento do tributo de mercadoria permitida, ofendendo a ordem tributária2. Porém, está pacificado no Supremo Tribunal Federal que "Não há razão para discriminação entre contrabando e descaminho, [...], quando o art. 334 do C.P. os considera sinônimas". 3 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais4. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). A legislação de regência da matéria determina as consequências da exclusão do Simples Nacional, no sentido de que a pessoa jurídica sujeitase a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e art. 32 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta na Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, fl. 01 02, cujos fundamentos são adotadas nessa segunda instância de julgamento: I INTRODUÇÃO Senhor Delegado, Em operação realizada no dia 19/11/2009, por policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, no estabelecimento comercial Roberto de Marchi & Cía. Ltda ME, CNPJ nº 46.106.860/000105, estabelecido à Rua Coroados, n° 806 Pq. Flamingo, na cidade de Catanduva/SP, de propriedade de 2 BALTAZAR JUNIOR, José Paulo. Crimes Federais. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2014. p.386. 3 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 35341/DF. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Antônio Martins Vilas Boas. Julgado em: 18 out. 1957. Publicado no DJ em: 12 dez.1957. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=10&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 4 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 80 6 Roberto de March, onde foram encontradas mercadorias estrangeiras sem a documentação comprobatória de sua importação regular. Esse falo configura infração) ao disposto no Regulamento Aduaneiro Decreto 6.759 de 05 de fevereiro de 2009 e por conseqüência à aplicação do disposto no do artigo 29 item VII, da Lei Complementar n° 123. de 14 de dezembro de 2006. [...] III DESCRIÇÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES DO ILÍCITO Os policiais da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, compareceram no estabelecimento comercial Roberto de Marchi & Cia. Ltda ME, onde encontraram no seu interior as mercadorias de procedência estrangeira, sem prova de introdução regular no país, portanto, em desacordo com a legislação vigente configurando, cm tese, crime de contrabando/descaminho. As referidas mercadorias, foram recebidas pela FERA/EFA/SAFIS/DRF/SJR/SP, em 08/01/2010, através do ofício n° 844/2009 da Delegacia de Investigações Gerais de Catanduva/SP, e foi lavrado em 15/04/2010 o Auto de Infração c Termo de Apreensão c Guarda Fiscal n" 0810700/0116/10, originando assim o processo administrativo n" 10811000172/201072. O conjunto probatório produzido nos autos corroboram a conduta da Recorrente de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, quais sejam, cigarros de procedência estrangeira, conforme Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/00116/10, Ofício n° 844/2009, Boletim de Ocorrência n° 107/2009 e Auto de Exibição e Apreensão, fls. 0309. Especificamente no que se refere ao Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0810700/00116/10 temse que houve "Apreensão de cigarros, ou charutos ou fumo de procedência estrangeira por encontrarse desprovida de documentação comprobatória de sua introdução regular no País." Assim, este procedimento foi formalizado no processo 10811.000172/200972 e segue rito próprio e especial previsto no DecretoLei nº 1.455, de 07 de abril de 1976, DecretoLei nº 399, de 30 de dezembro de 1968, Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 e DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Restou comprovado que houve apreensão, efetuada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo, de cigarros estrangeiros, objeto de contrabando ou descaminho, no estabelecimento comercial da Recorrente, fato que conformase com atividade mercantil destes produtos. Demonstrado que a mercadoria foi apreendida no estabelecimento comercial da Recorrente ressai nítida a sua condição de sujeito passivo da obrigação tributária e evidencia o caráter comercial da atividade, independentemente da quantidade de itens e o modo como estão expostos à venda. Ademais, a instância judiciária penal é independente da instância administrativa. 5 Por conseguinte, há autonomia entre o trânsito em julgado da decisão judicial relativa ao crime de contrabando ou descaminho e a verificação de circunstância legal de exclusão do Simples Nacional na esfera administrativatributária. Especificamente sobre o princípio da insignificância, temse que deve ser analisado em conexão com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do 5 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 33136/PR. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Relator: Ministro Nelson Hungria. Julgado em: 09 jun 1954. Publicado no DJ em: 19 set. 1954. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&pagina=11&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 81 7 Estado em matéria penal – tem o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada esta na perspectiva de seu caráter material 6. Vale transcrever excertos de ementas de orientações firmadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) que firmaram o entendimento no sentido de que a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando ou descaminho, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância: 2. Este Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a introdução clandestina de cigarros, em território nacional, em desconformidade com as normas de regência, configura o delito de contrabando, ao qual não se aplica o princípio da insignificância, por tutelar interesses que transbordam a mera elisão fiscal. 7 2. Esta Corte de Justiça vem entendendo, em regra, que a importação de mercadorias de proibição relativa, como cigarros ou medicamentos, configura crime de contrabando. 8 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte Superior, o crime de contrabando de cigarros não comporta aplicação do princípio da insignificância, haja vista o elevado grau de reprovabilidade da conduta, que ofende a saúde e a segurança públicas. 9 1. Nos termos da pacífica orientação da Terceira Seção desta Corte, a importação não autorizada de cigarros constitui o crime de contrabando, insuscetível de aplicação do princípio da insignificância. 10 6 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em Habeas Corpus nº 98.152/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministro Celso de Mello. Julgado em 19 mai.2009. Publicado no DJe em 05 jun. 2009. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%2898152%29&pagina=5&base=baseAc ordaos&url=http://tinyurl.com/ybhv4wnta>. Acesso em 05 jun. 2018. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1116451/MT. Órgão Julgador: Sexta Turma. Relator: Ministro Nefi Cordeiro. Julgado em: 19 abr. 2018. Publicado no DJe em: 02 mai. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 8 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706471/PR. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Joem Ilan Paciornik. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 04.abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1226987?RJ. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.mar. 2018. Publicado no DJe em: 02 abr. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 10 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em AgRg no AREsp nº 1706397/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20.fev. 2018. Publicado no DJe em: 28.fev. 2018. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 82 8 2. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica o princípio da insignificância ao contrabando de cigarros. Tal entendimento decorre do fato de a conduta não apenas implicar lesão ao erário e à atividade arrecadatória do Estado, como na hipótese de descaminho. De fato, outros bens jurídicos são tutelados pela norma penal, notadamente a saúde pública, a moralidade administrativa e a ordem pública. 11 É assente na jurisprudência desta Corte que o trancamento de ação penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade. Precedentes. Consoante já assentado pelo Supremo Tribunal Federal, o princípio da insignificância deve ser analisado em correlação com os postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Direito Penal, no sentido de excluir ou afastar a própria tipicidade da conduta, examinada em seu caráter material, observandose, ainda, a presença dos seguintes vetores: (I) mínima ofensividade da conduta do agente; (II) ausência total de periculosidade social da ação; (III) ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento e (IV) inexpressividade da lesão jurídica ocasionada (HC n. 84.412/SP, de relatoria do Ministro Celso de Mello, DJU 19/4/2004). Na espécie, inferese que o acórdão recorrido encontrase alinhado à jurisprudência desta Corte, no sentido de que a introdução de cigarros em território nacional é sujeita a proibição relativa, sendo que a sua prática, fora dos moldes expressamente previstos em lei, constitui o delito de contrabando, o qual inviabiliza a incidência do princípio da insignificância. Isto porque o bem juridicamente tutelado vai além do mero valor pecuniário do imposto elidido, pois visa a proteger o interesse estatal de impedir a entrada e a comercialização de produtos proibidos em território nacional, bem como resguardar a saúde pública. 12 1. A tipicidade penal não pode ser percebida como exame formal de subsunção de fato concreto à norma abstrata. Além da correspondência formal, para a configuração da tipicidade é necessária análise materialmente valorativa das circunstâncias do caso, para verificação da ocorrência de lesão grave e penalmente relevante do bem jurídico tutelado. 2. 11 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHCnº 89755/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Ribeiro Dantas. Julgado em: 05 out.2017. Publicado no DJe em: 11.out. 2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Acórdão em RHC nº 82276/RS. Órgão Julgador: Quinta Turma. Relator: Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em: 20 jun. 2017. Publicado no DJe em: 30 jun.2017. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=contrabando+e+insignific%E2ncia+e+cigarro&&b=AC OR&thesaurus=JURIDICO&p=true>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 83 9 Impossibilidade de incidência, no contrabando ou descaminho de cigarros, do princípio da insignificância. 13 1. O princípio da insignificância não incide na hipótese de contrabando de cigarros, tendo em vista que, além do valor material, os bens jurídicos que o ordenamento jurídico busca tutelar são os valores éticosjurídicos e a saúde pública. Precedentes: HC 120550, Primeira Turma, Relator Min. Roberto Barroso, DJe 13/02/2014; ARE 924.284 AgR, Segunda Turma, Relator Min. Gilmar Mendes, DJe 25/11/2015, HC 125847 AgR, Primeira Turma, Relator Min. Rosa Weber, DJe 26/05/2015, HC 119.596, Segunda Turma, Relator: Min. Cármen Lúcia, DJe 26/03/2014. 14 O ato declaratório executivo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A notificação do ato administrativo, em regra, pode ser efetivada pessoalmente, por via postal ou por meio eletrônico (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim a intimação do ato administrativo está regular, pois foi efetivada observando as determinações legais. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. Consta no Acórdão da 9ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1440.851, de 20.03.2013, efls. 6365, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme consta no Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal de Mercadorias, acompanhado do respectivo Boletim de Ocorrência da Polícia Civil, foram apreendidos sessenta e oito maços de cigarros da marca TE, no estabelecimento comercial em epígrafe, por falta de comprovação de origem lícita, eis que não possuía qualquer documentação legal. Em conseqüência da apreensão dessa mercadoria, foi emitido o devido Ato Declaratório Executivo, excluindo a empresa do Simples Nacional, tendo em vista a constatação de comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, de acordo com o disposto na Lei Complementar 123/2006, art. 29, inc. VII. O contribuinte alega que não era o responsável e dono da mercadoria apreendida em seu estabelecimento. A alegação não procede, uma vez que a mercadoria foi apreendida no interior do estabelecimento comercial, conforme o Boletim de Ocorrência nº 107/2009, na folha 10. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em RHC nº 131205/MG. Órgão Julgador: Segunda Turma. Relator: Ministra Cármen Lúcia. Julgado em: 06 set. 2016. Publicado no DJe em: 22 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. 14 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Acórdão em HC nº 129382/PR. Órgão Julgador: Primeira Turma. Relator: Ministro Luiz Fux. Julgado em: 23 ago. 2016. Publicado no DJe em: 16 set. 2016. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=%28CONTRABANDO+E+DESCAMIN HO%29&base=baseAcordaos&url=http://tinyurl.com/zg2uqbk>. Acesso em 05 jul. 2018. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 84 10 Com relação à destinação comercial das mercadorias apreendidas, esclarece Maria Helena Diniz, em seu Dicionário Jurídico1, que comercializar é: 1: Colocar algo no comércio; 2: Criar objeto com possibilidade de ser explorado comercialmente, de ser vendido, fabricado ou exposto, de modo que possa render dinheiro. Vislumbrase que o conceito do termo ‘comercializar’ abrange não só o produto efetivamente vendido ao consumidor, mas também aquele produto criado com essa finalidade. Dessa forma, o fato das mercadorias serem apreendidas no estabelecimento comercial da manifestante já é suficiente à demonstração do caráter comercial envolvido na situação, não devendo ser acolhidas as alegações apresentadas pela defesa desprovidas de qualquer elemento probatório em sentido contrário. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos, nos termos legais. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas 15. O enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca s demonstrar de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência (149 do Código Tributário Nacional). Por essa razão a Recorrente foi corretamente excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SJR/SP nº 133, de 12.08.2010, efl. 31, com efeitos a partir de 01.11.2009. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. As circunstâncias de caráter privado não podem ser consideradas, pois "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", salvo disposição de lei em contrário (art. 136 do Código Tributário Nacional). No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para 15 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10811.000392/201004 Acórdão n.º 1003000.112 S1C0T3 Fl. 85 11 os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 13893.000934/2003-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000
RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES.
Ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI.
DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI.
E inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
Numero da decisão: 3002-000.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. E inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária:
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13893.000934/200337 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.228 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO IPI Recorrente L'ESSENCE INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a titulo de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. DIREITO AO CREDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. E inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 09 34 /2 00 3- 37 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13893.000934/200337 Acórdão n.º 3002000.228 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 112/118) contra o Acórdão da DRJ/RPO nº 1418.386 de 13/02/2008 constante (fls. 104/108) exarado pela 2ª Turma da DRJ/RPO que, por unanimidade de votos, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade (fls. 81/85), mantendo o r. Despacho decisório nº 760/06 (fls. 70/74) de 28/09/2006 da DRF de GUARULHOS/SP que indeferiu pedido de Ressarcimento e o não conhecimento do direito creditório de IPI de empresas optantes pelo SIMPLES protocolado (fls. 46/67) em 06/06/2003 no valor de R$ 8.781,20 (fls. 70), através do qual a ora Recorrente pretende ter direito ao crédito pleiteado, no montante de R$ 8.781,20 (fls. 70) na forma do art. 153 da CF. O r. Despacho decisório nº 760/06 (fls. 70/74) da DRF de GUARULHOS/SP indeferiu o pedido de Ressarcimento e o não conhecimento do direito creditório, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: "PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO DE IPI. INEXISTE CRÉDITO DE IPI PARA EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. INEXISTE CRÉDITO DE IPI CORRESPONDENTE À AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. PEDIDO INDEFERIDO. NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. " Por seu turno a decisão (fls. 104/108) da 2ª Turma da DRJ/RPO, houve por bem indeferir a manifestação de inconformidade (fls. 102/107), mantendo o r. Despacho decisório nº 760/06 (fls. 70/74), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/03/2000 RESSARCIMENTO. OPÇÃO PELO SIMPLES. Ao optar pelo Simples, a contribuinte fica sujeita à forma diferenciada de tributação, inclusive quanto ao IPI, sendo lhe vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos do IPI. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. E inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13893.000934/200337 Acórdão n.º 3002000.228 S3C0T2 Fl. 4 3 alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infralegais. Solicitação Indeferida." Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 112/118) oportunamente apresentadas, a ora Requerente sustenta a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensado, tendo em vista: a) a legitimidade dos créditos oriundos de aquisição de insumos isentos de IPI já que seu produto final é tributado sob a alíquota de 5% tal como proclamado nos v. arestos que cita; b) que a Requerente não é pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. É o relatório . Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminarmente cabe reafirmar a posição adotada pela autoridade julgadora de primeira instância quanto a impossibilidade de análise da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais devendo ser corroborada pela Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante ao argumento de que o contribuinte não é optante do SIMPLES e sim pelo LUCRO REAL tal fato não traduz a verdade material trazida nos autos, como pode ser observado às (fls. 35) o contribuinte, como meio de prova do direito ao crédito, junta a sua Declaração Simplificada de 2001 ano calendário 2000, exatamente o período do crédito aqui em discussão, mas mesmo que fosse verdadeiro que o contribuinte está enquadrado no Lucro Real. por si só não faz qualquer efeito jurídico, senão vejamos Como já amplamente discutido, o princípio da nãocumulatividade do IPI constitucionalmente assegurado (art.153, §3º, inc. II da CF/88), que tem como finalidade essencial a proteção do consumidor final, assegura ao contribuinte o direito de creditarse do IPI relativo aos insumos, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, de modo a evitar a cumulação de incidências nas operações que envolvem o processo de industrialização. Aliomar Baleeiro, nos ensina: “a nãocumulatividade é regra constitucional (...) e, assim, não pode ser limitada pelo legislador e muito menos pelo regulamento” (cf. in "Direito Tributário Brasileiro" 10ª Ed. Forense 1983, pág. 208). Fl. 133DF CARF MF Processo nº 13893.000934/200337 Acórdão n.º 3002000.228 S3C0T2 Fl. 5 4 Consolidando o entendimento acima disposto o CARF há muito já assentou com a Súmula nº 18 que "A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI." (Acórdão nº 20215515, de 13/04/2004, Acórdão nº 20178131, de 02/12/2004 e Acórdão nº 20400304, de 16/06/2005). Em resumo, a r. decisão recorrida mostrase correta, eis que na interpretação do princípio da nãocumulatividade (art. 153, § 3º, II da CF/88) do IPI, a Suprema Corte reconheceu definitivamente que o direito ao creditamento do IPI, na hipótese em que a aquisição de matériasprimas, insumos e produtos intermediários tenha sido beneficiada por regime jurídico de isenção tributária, denegando o crédito nas hipóteses de operações não tributadas ou tributadas à alíquota zero, como se pode ver da memorável síntese contida no r. despacho exarado pela E. Min. Carmem Lúcia no RE nº 499.678PR em 30/08/07 (DJU de 20/09/07) nos seguintes termos “4. É entendimento do Supremo Tribunal Federal que o direito de crédito de IPI em relação a insumos isentos de IPI não ofende o art. 153, §3º, da Constituição da República. Confirase o Recurso Extraordinário 212.484, Redator para acórdão Ministro Nelson Jobim, DJ 27.11.1998: "EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI. ISENÇÃO INCIDENTE SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF (art.153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. Recurso não conhecido." 5. Quanto ao creditamento de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, em 25 de junho de 2007, ao finalizar o julgamento dos Recursos Extraordinários nº 353.657, Relator Ministro Marco Aurélio, e 370.682, Relator Ministro Ilmar Galvão (Informativo STF 473), o Plenário do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido da impossibilidade de se conferir crédito tributário aos contribuintes adquirentes de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero,em razão da ausência de recolhimento do imposto, donde a incapacidade de gerar o crédito. Ponderouse, ainda, que o entendimento contrário ofenderia o princípio da seletividade, pela possibilidade de compensação maior para os produtos menos essenciais. 6. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. 7. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso extraordinário para autorizar o crédito de IPI apenas nas operações isentas (art.557, §1º A, do Código de Processo Civil e art. 21, § 2º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal).” Da leitura dos dispositivos acima transcritos não se justifica a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13893.000934/200337 Acórdão n.º 3002000.228 S3C0T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Alan Tavora Nem Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002177/2003-59
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL
Exercícios: 1997, 1998, 1999
Ementa: LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA, A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação.
LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. JUROS MORATÓRIOS. DESCABIMENTO, Descabe o lançamento de juros de mora em auto de infração com exigibilidade suspensa, quando existir depósito no montante integral.
Inteligência da Súmula CARF n° 05.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1301-000.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997 e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO NO MONTANTE INTEGRAL. JUROS MORATÓRIOS. DESCABIMENTO, Descabe o lançamento de juros de mora em auto de infração com exigibilidade suspensa, quando existir depósito no montante integral. Inteligência da Súmula CARF n° 05. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997 e, no mérito, dar provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores correspondentes aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. eurvvi.,,L QLL C„J, LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente WALDIR VEMA ROCHA - Relatar EDITADO EM: 12 NU 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmit Sandri e Leonardo de Andrade Couto, Relatório ITAUBANK COMERCIAL E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 01.192.813/0001-93, sucessora por incorporação de BSA COMERCIAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/A, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 16-12.231, de 29101/2007, da 10a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/06/2003 (ciência em 01/07/2003, fl. 36v), para constituição de crédito tributário da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fl. 06). O total da exação à época do lançamento foi de R$ 516.142,47, aí incluídos juros moratórios, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo de fl. 05. Informa o autuante no Termo de Verificação de fls. 24/25 que o contribuinte fiscalizado deixou de recolher a CSLL nos anos-calendário 1996, 1997 e 1998, amparado por Mandado de Segurança n° 95.0001221-9 (apelação ao TRF 96.03.085126-4). Os valores em litígio foram depositados no Banco do Brasil, na conta n" 1824-43300024, em montante superior aos declarados como devidos à RFB. Desde que os valores referentes ao ano- calendário 1997 foram superiores ao devido, não houve depósito específico para o ano- calendário 1998. Assim, o Fisco constituiu o crédito tributário nos exatos valores que constam das Declarações de Rendimentos dos anos-calendário 1996, 1997 e 1998, respectivamente R$ 71.876,92, R$ 116.006,09 e R$ 64.429,34, sem a imposição de multa, visto estarem os débitos com sua exigibilidade suspensa. Ciente do lançamento, a interessada apresentou impugnação (fls. 42/54) em que aduz os argumentos assim sintetizados no relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância: a) o crédito tributário que se pretende exigir relativo aos anos-base de 1996 e 1997 está extinto em razão da decadência que se operou, posto que decorrido o prazo de cinco anos previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, Nem se diga que no caso da contribuição social sobre o lucro o prazo decadencial seria de 10 anos, por força da Lei n° 8,212/91, pois os prazos de decadência e prescrição estabelecidos pelo Código Tributário Nacional não podem ser ampliados por lei ordinária, conforme entendimento da doutrina bem como jurisprudência judicial e administrativa; b) ainda que assim não se entenda, e especificamente quanto aos valores exigidos relativos ao ano-base de 1998, os juros moratórias jamais poderiam ter sido lançados após a efetivação dos depósitos judiciais, como reconhecido no Parecer COSIT n°03/2001 e pela jurisprudência pacífica do Conselho de Contribuintes; c) ainda que fosse possível a imposição dos juros de mora, o que se admite apenas para argumentar, estes não poderiam ser cobrados na dimensão consignada 2 Processo n° 16327.002177/2003-59 SI-C3TI Acórdão n..a 1301-00.368 Fl. 2 pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto Em assim sendo, pede e espera a Impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de reconhecer a insubsistência do auto de infração lavrado, pelas razões acima expostas, como medida de Direito e de Justiça A 10a Turma da DRJ em São Paulo - 1 / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 16-12.231, de 29/01/2007 (fls. 118/125), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 DECADÊNCIA. SEGURIDADE SOCIAL. LEI 8,212/91. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VALIDADE DOS JUROS MORATÓRIOS, Os juros de mora são devidos qualquer que seja o motivo determinante da falta, mesmo nas hipóteses de exigibilidade suspensa.. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC.. O Código Tributário Nacional autoriza a fixação de percentual de juros de mora diverso daquele previsto no § 1" do art. 161. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE As alegações de inconstitucionalidade são de competência exclusiva do Poder Judiciário. Ciente da decisão de primeira instância em 23/11/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 132v, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 21/12/2007 conforme carimbo de recepção à folha 135. No recurso interposto (fls. 136/148), alega preliminarmente a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997, com base no art, 150, § 4°, do CTN. Sustenta, ainda, a inaplicabilidade do prazo decadencial de dez anos, previsto na Lei n° 8.212/1991. Colaciona doutrina e jurisprudência em SOCOTTO de sua tese. A seguir, a recorrente lembra que os valores constituídos no auto de infração ora discutido teriam sido objeto de depósito judicial integral. Assim, seria incabível a exigência de qualquer valor a título de acréscimo maratório após a efetivação dos referidos depósitos judiciais. A própria Receita Federal já teria reconhecido a impropriedade da exigência no Parecer Cosit n° 0,3, de 18/04/2001. Da mesma forma, a jurisprudência administrativa estaria pacificada a teor das Súmulas ri° 05 e n° 07, respectivamente dos extintos Primeiro e Terceiro Conselhos de Contribuintes. Finalmente, a interessada protesta contra a exigência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, a qual seria imprestável para tal fim. É o Relatório. 3 Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. A primeira reclamação da recorrente diz respeito à decadência, que teria alcançado os fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997. Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art, 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [ .1 Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo Código estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [. 40 Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do .fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de oficio deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Em outras palavras, o que se homologa, ou não, é a atividade do contribuinte, a qual poderá ou não incluir o pagamento. A regra do inciso I do art. 173 é aplicável aos tributos para os quais o lançamento deve preceder o pagamento. O exemplo clássico é o do IPTU, em que a Autoridade Tributária apura o valor devido, lança o tributo e notifica o sujeito passivo. Apenas então ocorre o pagamento Se, por hipótese, o contribuinte se antecipa ao lançamento, calcula por sua conta o montante devido e faz o recolhimento antes mesmo de ser notificado, isto ocorre não por obrigação, mas por mera liberalidade, e o mecanismo previsto para apuração do tributo não se altera. O lançamento não deixa de ser de oficio, e não há também mudança no termo inicial para contagem do prazo decadencial. O mesmo raciocínio se aplica aos tributos para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. É essa sistemática (a atividade exercida pelo contribuinte) que faz com que o lançamento seja por homologação, e não a mera presença ou ausência de 4 Processo n" 16327.002177/2003-59 S1-C3T1 Acórdão n.° 1301-00368 Fl. 3 pagamento. Tal é o caso da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de que trata o presente processo. Entendeu a Autoridade Julgadora a quo pela aplicabilidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, que estabelecia prazo decenal para a decadência das contribuições sociais de que tratava. Entretanto, tal posicionamento merece reforma, em face do entendimento do Supremo Tribunal Federal, consubstanciado na Súmula Vinculante no 8, publicada no D.O.U. do dia 20/06/2008, com a seguinte redação: Súmula vinculante n" 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n°1,569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Diante do entendimento definitivo e expresso da Corte Suprema e, ainda, à luz do art, 103-A da Constituição em vigor i e do que dispõe o Decreto n° 2.346/1997, não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8212/1991. Pelo exposto, a decisão a quo deve ser revista, aplicando-se as disposições do art, 150, § 40, do CTI\l, Para os anos-calendário 1996 e 1997 o contribuinte optou pela tributação anual, consumando-se o fato gerador no último dia dos respectivos períodos de apuração, a saber, em .31/12/1996 e em 31/12/1997. O prazo para o lançamento se extinguiu, portanto, respectivamente em 31/12/2001 e em 31/12/2002. Desde que o lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 01/07/2003 (fi. 36v), os fatos geradores ocorridos nesses anos já então se encontravam irremediavelmente alcançados pela decadência. A seguir, a recorrente lembra que os valores constituídos no auto de infração ora discutido teriam sido objeto de depósito judicial integral„ Assim, seria incabível a exigência de qualquer valor a título de acréscimo moratório após a efetivação dos referidos depósitos judiciais. A própria Receita Federal já teria reconhecido a impropriedade da exigência no Parecer Cosit n° 03, de 18/04/2001. Da mesma forma, a jurisprudência administrativa estaria pacificada a teor das Súmulas n° 05 e n° 07, respectivamente dos extintos Primeiro e Terceiro Conselhos de Contribuintes. Compulsando os autos, constato que não há litígio acerca do fato de que os valores depositados excedem os valores devidos, objeto de lançamento no auto de infração ora sob discussão. O AFRFB autuante se reporta (fl. 24) a depósitos judiciais nos valores abaixo: Ajuste 1996— R$ 71,876,92 Janeiro/97 — R$ 25.928,66 Fevereiro/97 — R$ 10.494,74 .Julho/97 — R$ 954.279,32 Art 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei (Incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004) Agosto/97 — R$ 127 936,78 Tais valores são confirmados pelas Guias de Depósito à Ordem da Justiça Federal (cópias às fis. 24/28), todas recolhidas ao longo do ano-calendário 1997, muito antes do início do procedimento de fiscalização. Constato, assim, a plena aplicabilidade da Súmula CARF n° 05, abaixo transcrita2: Súmula CARF N2 5 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, do lançamento devem ser excluídos os valores correspondentes aos juros moratórios, Finalmente, a interessada protesta contra a exigência de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, a qual seria imprestável para tal fim. Desde que os juros moratórios já foram afastados por outro motivo, este argumento perde sua razão de ser, pelo que deixo de me manifestar sobre ele. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre fatos geradores ocorridos nos anos-calendário 1996 e 1997 e para excluir do lançamento os valores correspondentes aos juros de mora, WALDIR VEÏGI ROCHA - Relator 2 Anexo III da Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, DOU de 22/12/2009 6
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Numero do processo: 10380.723670/2010-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO.
São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendo-se de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN.
Numero da decisão: 9101-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de anulação do acórdão recorrido, suscitada pelo conselheiro Flávio Franco Corrêa, o qual restou vencido. Em relação aos responsáveis solidários Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em conhecer dos Recursos Especiais, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Flávio Franco Corrêa, que não conheceram desses recursos. Em relação ao responsável solidário José Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram desse recurso. No mérito, apenas em relação aos recursos de Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em negar-lhes provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhes deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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INTERESSE COMUM. ASPECTOS ECONÔMICO E JURÍDICO. São solidariamente obrigadas aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Pessoas atuando de maneira concorrente, valendose de construções artificiais e ardilosas para se esquivar de obrigações tributárias, são atraídas para o pólo passivo da obrigação tributária, vez que se caracteriza o interesse tanto econômico quanto jurídico, implicando na solidariedade prevista no art. 124, inciso I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de anulação do acórdão recorrido, suscitada pelo conselheiro Flávio Franco Corrêa, o qual restou vencido. Em relação aos responsáveis solidários Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em conhecer dos Recursos Especiais, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura (relator) e Flávio Franco Corrêa, que não conheceram desses recursos. Em relação ao responsável solidário José Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram desse recurso. No mérito, apenas em relação aos recursos de Eduardo Lima de Carvalho Rocha e David Lima de Carvalho Rocha, por maioria de votos, acordam em negarlhes provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhes deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor, em relação ao conhecimento, o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 36 70 /2 01 0- 12 Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.293 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Relatório São Recursos Especiais interpostos por (i) JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA (efls. 1666 e segs.), (ii) DAVI LIMA DE CARVALHO ROCHA (efls. 1618 e segs.) e (iii) EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA (efls. 1536 e segs.), responsáveis tributários solidários em relação ao crédito constituído contra o INSTITUTO ASSISTENCIAL DE SPORTO EDUCATIVO IADE ("Contribuinte"), em face da decisão proferida no Acórdão nº 1301001.345 (efls. 1.436 e segs.), pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/12/13, no qual foi negado provimento aos recursos voluntários. Resumo Processual O Contribuinte foi notificado da suspensão da imunidade tributária (Ato Declaratório Executivo n. 031/2011, efls. 362). Em decorrência, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS para os anoscalendário de 2007 e 2008, relativos a resultados operacionais não declarados (efls 382 e segs). A multa proporcional foi qualificada (150%). Foram incluídos no pólo passivo da obrigação tributária José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). O Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnação. O Colegiado da primeira instância (DRJ) manteve integralmente os lançamentos (efls. 1.214 e segs.), a suspensão da imunidade tributária, a qualificação das multas e a responsabilidade solidária das pessoas físicas. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.294 3 Foram interpostos recursos voluntários pela Contribuinte e sujeitos passivos indiretos. A1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/12/13, negou provimento aos recursos (efls. 1.436 e segs.). O contribuinte opôs embargos de declaração para suprimir suposta omissão. Os embargos não foram admitidos (efls. 1.847). O Contribuinte não interpôs recurso especial. Por sua vez, foram interpostos recursos especiais pelos sujeitos passivos indiretos. O despacho de exame de admissibilidade ( efls. 2.226 e segs) negou seguimento ao recurso de Estevão Lima de Carvalho Rocha, deu seguimento aos recursos de Davi Lima de Carvalho Rocha e Eduardo Lima de Carvalho Rocha (matéria responsabilidade tributária) e deu seguimento parcial ao recurso de José Lima de Carvalho Rocha para a matéria responsabilidade tributária, sendo que nos três recursos admitidos o seguimento deuse com base no paradigma nº 1302001.322. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 2.252 e segs.). A seguir maiores detalhes sobre a autuação fiscal e a fase contenciosa. Da Autuação Fiscal Os fatos que deram margem à “Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade", conforme relatado pelos autores do procedimento, foram apurados a partir de fiscalização iniciada na empresa Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A (COPEP). Constatouse que, por intermédio dessa empresa (COPEP), o Instituto Assistencial de Sporto Educativo IADE, que se apresenta como uma das mantenedoras do Colégio Christus, teria desviado recursos da ordem de R$ 3.434.900,00 (anocalendário 2007) e R$ 3.037.100,00 (anocalendário 2008), originários das receitas auferidas sob o manto da imunidade tributária, para empresas mercantis vinculadas aos proprietários do referido Colégio, burlando, dessa forma, os requisitos inseridos nos incisos I e II do art. 14 do Código Tributário Nacional CTN, Lei n° 5.172, de 1966, para o gozo da referida imunidade tributária. Analisando as alegações e provas apresentadas pelo IADE, às fls. 338/342, contra a proposta de suspender a imunidade em questão, a autoridade fazendária produziu a Informação Fiscal, de efls. 354/359, que serviu de base para a expedição do Despacho Decisório (efls. 361) e do Ato Declaratório Executivo nº 031, de 10 de março de 2011 (efls. 362), suspendendo a imunidade da interessada, com relação aos anoscalendário 2007 e 2008. Os fundamentos da autuação foram assim descritos no despacho da Delegacia de Fortaleza: A aplicação de recursos na manutenção de seus objetivos deve ser integral, conforme previsto no inciso II do art. 14 do CTN. No entanto, foi constatado pela auditoria fiscal que nos anos calendário de 2007 e 2008, de acordo com a documentação apresentada pela COPEP, foram aportados em suas contas bancárias os valores de R$ 3.494.900,00 e R$ 3.037.100,00, respectivamente. Tais recursos, comprovadamente, eram provenientes do IADE e foram a título de alienações de partes beneficiárias. Os recebimentos desses recursos foram contabilizados a crédito da conta 1.1.04.02 Contas a Receber IADE, o qual, por sua vez, debitou em contrapartida da conta Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.295 4 2.3.02.02 Reserva Legal Alienação de Partes Beneficiárias. Estas operações estão registradas nos registros contábeis do IADE, a débito da conta 126101Investimentos Temporários COPEP e a crédito da conta 215101 Credores Diversos COPEP. Esta última foi debitada pelos pagamentos efetuados, conforme Livros Diário e Razão dessas empresas. Os títulos adquiridos pelo Instituto Assistencial de Sporto Educativo IADE denominados partes beneficiárias são títulos negociáveis, sem valor nominal, e estranhos ao capital social da empresa emitente, que conferem aos seus titulares direito de crédito eventual contra a companhia, sob a forma de participação de 10% (dez por cento) nos lucros anuais. O instituto alegou que necessitava poupar recursos e obter ganhos financeiros. No entanto, nos exercícios de 2007 e 2008, a COPEP lucrou apenas R$ 4.627,20 e R$ 6.641,31, respectivamente. O fato comprova que a intenção não fora assegurar o capital investido, mas sim desviálo para fim diverso de seus objetivos institucionais. A opção escolhida revelouse sem nenhum propósito negocial, já que a Comércio de Produtos Educacionais e Participação S/A COPEP constituída, em 13/10/2005, sob a forma de Sociedade Anônima, tendo por únicos acionistas Antonio Reginaldo Gurgel de Lima, diretorpresidente da companhia, e seu cônjuge Glória Stela Gurgel de Oliveira Lima. As declarações de rendimentos dos acionistas (DIRPF), apresentadas à Receita Federal nos anos de 2007 a 2009, estão desprovidas de patrimônio e enquadradas dentro da faixa de isenção do IRPF, com exceção de 2008, em que houve declaração de R$ 21.000,00 anuais por um dos acionistas. Mais relevante ainda foi o fato de o estabelecimento, onde o IADE confiou seus recursos, encontra se fechado, sem nenhuma indicação de funcionamento operacional no endereço declarado a RFB. Tais fatos foram comprovados pela fiscalização em diligência fiscal realizada para esse fim. Por sua vez, a Contabilidade apresentada indica patrimônio constituído basicamente pelos investimentos recebidos a esse título, captados através das partes beneficiárias. Reconhecendo de certa forma o despropósito relativo ao investimento em questão, o IADE tenta justificar que instituições financeiras saudáveis provocaram graves prejuízos aos investidores. Ora, se essas instituições carregam esse risco do mercado de capitais, imaginese a COPEP que sequer, de fato, existe e tampouco possui movimento operacional relacionado ao seu objeto social, como ficou comprovado nos autos. Porém, o investimento nos títulos supracitados teve outro destino daquele da COPEP. Na conta bancária desta empresa restou apenas o suficiente para cobrir seus custos financeiros decorrentes de transferência do capital recebido. De fato, o relato da notificação fiscal do Sefis demonstra cabalmente o Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.296 5 verdadeiro destino dos recursos desviados do IADE para sociedades em conta de participação SCP. Com efeito, os fiscais que efetuaram a auditoria informam que: (...) de acordo com os extratos bancários e os assentamentos contábeis da COPEP, os recursos vindos do IADE, tão logo adentraram à conta bancária daquela, foram debitados por saques e transferências tendo por destinatárias diversas empresas vinculadas à família proprietária do Colégio Christus. Desta feita, as operações se deram a pretexto de investimentos feitos pela COPEP em "Sociedades em Conta de Participação" (SCP), as mais diversas, tendo todas elas, por sócios ostensivos, empresas do grupo familiar supracitado. Os assentamentos contábeis da COPEP e os contratos que nos foram apresentados por seu representante, identificam as diversas sociedades (SCP) criadas para este fim, tendo cada uma delas, por sócia ostensiva, uma das seguintes empresas ligadas aos familiares dos proprietários do Colégio Christus. São elas: APEL – Associação Pro – Ensino S/C Ltda (sócia ostensiva da SCP APECOP), Instituto Educacional Christus (sócia ostensiva da SCP IECOP), Copy Vip Comercio (sócia ostensiva da SCP COPCOP), Gráfica e Editora LCR Ltda (sócia ostensiva da SCP GRACOP), Metalúrgica LCR Ltda (sócia ostensiva da SCP METACOP), Construtora e Imobiliária LCR Ltda (sócia ostensiva da SCP CONCOP), IPADE Instituto p/ Desenvolvimento da Educação Ltda (sócia ostensiva da SCP IPACOP), ORMEL – Organização e Métodos Ltda (sócia ostensiva da SCP ORCOP), Comercial LCR e Representações Ltda (sócia ostensiva da SCP COPCOM), Auto Vale Veículos Ltda (sócia ostensiva da SCP AUTOCOP), Escola 21 de Março (sócia ostensiva da SCP ESCOP) e Novem Construções Ltda (sócia ostensiva da SCP NOVCOP). A propósito dessas tais "Sociedades em Conta de Participação", é relevante enfatizar que os contratos de constituição das mesmas indicam uma participação das sócias ostensivas acima citadas em valores meramente simbólicos, que não passavam de 1% do capital destacado para cada SCP, exceto a participação da LCR Viagens Ltda. na SCP COPTUR que foi de 2%, cabendo todo o restante das integralizações à COPEP. Mesmo assim, nenhum centavo de lucro, oriundo desses "negócios", se vê registrado na contabilidade desta. Com base nessas informações e em cotejo com os argumentos iniciais de defesa da interessada, o despacho de Delegacia de Fortaleza concluiu que: Portanto, conforme demonstrado na Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade emitida pelo Serviço de Fiscalização Sefis (fls. 02 a 07), restou comprovado o descumprimento dos requisitos inseridos nos Incisos I e II do art. 14 do CTN, Lei n° 5.172, de 1966. Por sua vez, as operações de aquisição de partes beneficiárias não foram desconsideradas pela fiscalização, mas sim demonstradas que tal operação serviu para comprovar que a empresa COPEP foi utilizada apenas como instrumento para a dissimulação dos aportes de capital oriundos das receitas do Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.297 6 Colégio Christus, auferidas sob o manto da imunidade e, posteriormente, desviadas para empresas vinculadas aos proprietários do referido Colégio e, porquanto, fora de seus objetivos institucionais, em flagrante afronta aos requisitos legais para o gozo da imunidade constitucional do IRPJ e da CSLL. A negativa de distribuição de lucros pela IADE não pode ser acatada, já que a restrição legal disposta no inciso I do art. 14 do CTN não distingue a forma com que possa ocorrer a distribuição de patrimônio ou renda, bastando para sustar a imunidade, que essa distribuição esteja configurada, sob qualquer forma ou a qualquer título, como ficou comprovado nos autos. Também é determinante o disposto no inciso II de que a aplicação dos recursos oriundos de atividade que se pretenda imune deve ser realizada exclusivamente em prol dos objetivos institucionais da entidade, o que não se viu demonstrado pela IADE. As autoridades fiscalizadoras demonstraram, com destaque, que os dados das declarações de rendimentos (DIPJ) apresentadas pela fiscalizada para os anos de 2007 e 2008, indicam que a mesma obteve "superávit' da ordem de R$ 7.622.954,00 em 2007 e de R$ 8.042.294,00 em 2008, correspondendo respectivamente a 61% e 49% das receitas auferidas em iguais períodos, as quais foram da ordem de R$ 12.354.114,00 em 2007 e de R$ 16.278.405,00 em 2008. Esse superávit demonstra a finalidade lucrativa da instituição, incompatível, portanto, com o instituto da imunidade previsto no art. 150, VI, "c", da Constituição Federal e regulado no art. 12, § 3° da Lei 9.532/97, com redação da Lei 9.718, de 1998, que define entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine o resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Conforme restou comprovado, esses dispositivos não foram observados. O que se constatou foi uma distribuição escusa de recursos financeiros, correspondente a boa parte dos superávit obtidos nos períodos examinados, em favor de empresas mercantis estranhas aos objetivos institucionais da entidade educacional, da qual a fiscalizada figura como mantenedora. Em virtude da suspensão da imunidade foram lavrados autos de infração e termos de sujeição passiva solidária com aplicação da multa qualificada de 150%, relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Foram relacionados como sujeitos passivos indiretos José Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.492.84315), Davi Lima de Carvalho Rocha (CPF 170.953.36334), Eduardo Lima de Carvalho Rocha (CPF 107.493.14320) e Estevão Lima de Carvalho Rocha (CPF 221.767.64315). Da Fase Contenciosa Como visto, o Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações ao Ato Declaratório e aos Autos de Infração, que foram julgadas improcedentes Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.298 7 em 22 de março de 2012, pela 3ª Turma da DRJ/FOR, no Acórdão nº 0823.077, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 DILAÇÃO PROBATÓRIA. OITIVA DE TESTEMUNHA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, salvo as exceções previstas na legislação, quando devidamente comprovadas nos autos. Não há previsão legal para que se realize oitiva de testemunhas no julgamento administrativo fiscal, mormente quando os elementos contidos nos autos são suficientes para solucionar o litígio. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. MEIOS DE PROVA. Fl. 2298DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.299 8 A prova de infração fiscal pode ser realizada por todos os meios admitidos em direito, inclusive a presuntiva, com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (arts. 131 e 332 do CPC e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. LUCRO REAL. É cabível a exigência do imposto de renda apurado de ofício sobre o lucro real, quando a instituição de educação que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, permitindo a extração das informações para a composição da base de cálculo do imposto. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. LANÇAMENTO DECORRENTES. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e COFINS), quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.300 9 Com a ciência da decisão de primeira instância, o contribuinte e os quatro responsáveis tributários solidários apresentaram recursos voluntários, de efls. 1.292 e seguintes. Na sessão de julgamento de 03 de dezembro de 2013, a 1a Turma da 3a Câmara, no Acórdão nº 1301001.345, negou provimento aos recursos e manteve integralmente os lançamentos, a multa qualificada e a responsabilidade solidária das pessoas físicas. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia/diligência que não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Indeferese o pedido de perícia/diligência quando estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à solução da lide. IMUNIDADE. SUSPENSÃO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Constitui infração aos requisitos para o gozo da imunidade, ferindo os incisos I e II do art. 14 do CTN, a aplicação irregular do superávit de instituição de educação, por meio da aquisição simulada de partes beneficiárias de empresa mercantil, para posterior partilha, mediante a formação de sociedades em conta de participação, entre empresas pertencentes aos familiares dos proprietários do colégio, em que foram geradas as receitas da atividade educacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. SIMULAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizase o ato simulado pela aplicação do superávit da entidade imune na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, destinandose os recursos em seguida para sociedades em conta de participação, quando se constata que o negócio efetivamente realizado, ou seja, a vontade não declarada, Fl. 2300DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.301 10 consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com o aporte de capital. MULTA QUALIFICADA. Aplicase a multa qualificada de 150% quando resta comprovado nos autos a conduta dolosa, praticada para evitar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. O Contribuinte opôs embargos de declaração para suprimir suposta omissão (efls. 1.498) que não foram admitidos, conforme despacho de efls. 1.847. Cientificado da decisão que não admitiu os embargos, em 03/06/2016 (efls. 1.856), o contribuinte não apresentou recurso especial. O responsável tributário ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 26/05/2014 (efls. 1.496) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.503, em 06/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada nas efls. 2.119. O responsável tributário EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 26/05/2014 (efls. 1.494) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.536, em 06/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada nas efls. 2.037. O responsável tributário DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 26/05/2014 (efls. 1.493) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.618, em 06/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/72. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada à efls. 2.152. O responsável tributário JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA foi cientificado do Acórdão nº 1301.001.345 em 28/05/2014 (efls. 1.495) e ingressou com o recurso especial de efls. 1.666, em 09/06/2014, dentro do prazo previsto no § 2º do artigo 37 do Decreto nº 70.235/1972. Posteriormente, em 16/06/2016, apresentou nova petição com o mesmo título, juntada nas efls. 1.875. Mediante despacho de admissibilidade (efls. 2.226 e segs.) a Presidente da 3a Câmara da 1a Seção decidiu: a) negar seguimento ao recurso especial de ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA; b) dar seguimento ao recurso especial de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA; Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.302 11 c) dar seguimento ao recurso especial de DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA; d) dar seguimento parcial ao recurso especial de JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA, reconhecendo apenas a divergência em relação à responsabilidade tributária. O seguimento da matéria responsabilidade tributária para os recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA deuse com base no paradigma nº 1302 001.322. Os responsáveis solidários ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA foram intimados da decisão exarada no despacho de admissibilidade e não se manifestaram, conforme atesta o despacho de efls. 2.249. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") apresentou contrarrazões (efls. 2.252 e segs). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. A princípio, cabe discorrer sobre a delimitação da matéria devolvida para o presente Colegiado. Portanto, restam preclusas e incontroversas as seguintes matérias, já transitadas na esfera administrativa: i) Suspensão da imunidade: decorrente do fato de o IADE, ao se passar por instituição de educação sem fins lucrativos, utilizou suposta prerrogativa para sonegar tributos, fruto de atividades de ensino exercidas em seu nome e com fins lucrativos, pelo Colégio Christus, com a agravante de que boa parte dos recursos oriundos de suas receitas era transferida, de forma oblíqua, para empresas mercantis ligadas a familiares do fundador do mencionado Colégio Sr. Roberto Carvalho Rocha, burlando os requisitos para o gozo desse benefício fiscal, estabelecidos nos incisos I e II do art. 14 da Lei n. 5.172/66 (CTN). ii) Manutenção integral dos créditos tributários lançados, com acréscimo de multa qualificada de 150%, decorrente dos atos dolosos e simulados praticados pela entidade na aquisição de partes beneficiárias de empresa mercantil, com posterior destino dos recursos para sociedades em conta de participação, quando se constatou que o negócio efetivamente realizado (vontade não declarada) consistiu na distribuição dos recursos entre os familiares dos proprietários do colégio em que se realiza a atividade educacional, todos sócios das empresas beneficiadas com os aportes de capital. iii) responsabilidade tributária de ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA, cujo recurso especial não foi admitido por despacho de exame de admissibilidade. Fl. 2302DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.303 12 Remanesce, nesse sentido, a matéria responsabilidade tributária, devolvida por meio dos recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA, com base no paradigma nº 1302001.322. Tendo a sujeição passiva indireta imputada sobre os mesmos fatos, passo à apreciação em conjunto dos recursos. Sobre a admissibilidade, protesta a PGFN, em contrarrazões, pela não admissibilidade dos recursos especiais, porque o paradigma nº 1302001.322 aborda a responsabilidade tributária apenas sob a perspectiva do art. 124 do CTN, enquanto que a imputação da sujeição passiva nos presentes autos deuse com base nos arts. 124 e 135, inciso III do CTN. Assim, não teria sido demonstrada a divergência em face da sujeição passiva indireta sobre o art. 135, inciso III do CTN. Passo ao exame. De fato, os recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA foram admitidos pelo despacho de exame de admissibilidade, para a matéria responsabilidade tributária, com base exclusivamente no paradigma nº 1302001.322. E o aludido paradigma não enfrenta a sujeição passiva indireta aplicada em face do art. 135, inciso III do CTN. Vale transcrever excerto do voto: Notese que o mandatário César Antônio de Paula Silva já foi retirado do pólo passivo da relação tributária pela decisão recorrida, assim, o que nos cabe analisar é a sujeição passiva dos demais, a qual foi enquadrada nos art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII do CTN. (Grifei) Quando o voto menciona o inciso III do art. 135 do CTN, é para reforçar interpretação dada para a sujeição passiva indireta amparada pelos art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128 do CTN. Contudo, em nenhum momento adota o inciso III do art. 135 com fundamento. É o que se observa da transcrição: Antes de abordarmos a Súmula STJ 435, saliento que divirjo da decisão recorrida, pois entendo que os art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128 do CTN não dão suporte legal para responsabilizar o sócio no caso em tela, pois, se o mero interesse econômico fosse suficiente para responsabilizar o sócio por tributos devidos pela sociedade restaria baldada a regra do art. 135, III, do CTN, já que independentemente, de ter agido com infração a lei ou ao contrato social, já seria responsável pelos tributos devidos pela sociedade, pelo simples fato de ter interesse nos lucros. Ademais, entendo, como já sustentado anteriormente, equivocada a responsabilização de pessoa que já não era mais sócio à época da publicação do ADE nº 03/2009. A ementa do paradigma não deixa dúvidas: Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.304 13 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. (Grifei) O que se afastou foi a responsabilidade aplicada com fulcro no art. 134, inciso VII do CTN. Por sua vez, nos presentes autos, a imputação da sujeição passiva deuse mediante aplicação dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN (efl. 444): Assim sendo, com fulcro o artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III e 149, inciso VII da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), impõese a responsabilização solidária pelos débitos levantados contra a fiscalizada, ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha CPF 107.492.843/15, na qualidade de diretor geral do empreendimento educacional denominado Colégio Christus, o qual também figura como sócio/administrador das empresas indicadas no quadro abaixo, beneficiárias dos recursos sonegados ao fisco pela ora autuada. Com base nesses mesmos fundamentos jurídicos, a responsabilidade solidária deve estenderse aos sócios/administradores das demais empresas que, igualmente, se beneficiaram desses recursos, conforme constam também indicados no quadro abaixo (...) (Grifei) Na decisão recorrida (Acórdão nº 1301001.345), o voto adota os fundamentos do Termo de Sujeição Passiva: Feitas essas ponderações de ordem conceitual, observase que as pessoas físicas foram solidarizadas após a Fiscalização constatar que a pessoa jurídica foi utilizada como instrumento de sonegação fiscal por parte dos seus representantes legais, a revelar perfeito enquadramento nas hipóteses citadas no Termo de Sujeição. Vale transcrever a ementa na parte que interessa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal possuem responsabilidade solidária, nos termos do inciso I do art. 124 do CTN, em relação ao crédito tributário lançado de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA TRIBUTÁRIA. Responde solidariamente com a pessoa jurídica autuada pelos créditos tributários aquele que detendo, de fato, o poder Fl. 2304DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.305 14 decisório sobre a entidade imune, agiu com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN. Percebese, com clareza, que o paradigma nº 1302001.322 não enfrentou a responsabilidade tributária com fulcro no art. 135, inciso III do CTN. Nesse contexto, os recursos especiais perdem a utilidade, na medida em que não se mostram suficientes para afastar a sujeição passiva indireta. Ainda que se pudesse admitir o afastamento da sujeição passiva indireta aplicada com base no art. 124, inciso I do CTN, ainda persistiria aquela imputada com fulcro no art. 135, inciso III do mesmo código. Diante do exposto, o voto é no sentido de não conhecer dos recursos especiais de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA, DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA e JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA. Em votação da admissibilidade, restei vencido, em relação aos recursos de EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA E DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA, que foram conhecidos em votação proferida pelo Colegiado. Cabe esclarecer ainda que meu entendimento era no sentido de que no mérito caberia análise da responsabilização tributária sob a ótica dos arts. 124, inciso I, e art. 135, inciso III, do CTN. Contudo, restei vencido em relação à apreciação do art. 135, inciso III do CTN. Portanto, a partir do presente momento, a apreciação será restrita ao art. 124, inciso I do CTN. Passo ao exame do mérito, em conjunto, dos dois recursos. A situação em debate trata de construção empreendida por várias empresas, visando de maneira deliberada esquivarse de suas obrigações tributárias. Em brevíssima síntese, o Contribuinte, IADE, foi designado como "mantenedor" do Colégio Christus, que tinha como sócioadministrador JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA. É matéria incontroversa nos autos que o IADE promoveu a aquisição de "Partes Beneficiárias" de uma empresa desprovida de patrimônio denominada COPEP Comércio de Produtos Educacionais e Participações S/A ("COPEP"). Por sua vez, na sequência, a COPEP repassava os recursos recebidos do IADE para diversas empresas a pretexto de "investimentos" em Sociedades em Conta de Participação SCP, que não por acaso eram de um mesmo grupo familiar em torno de JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA. O mesmo artifício foi adotado com uma outra "sociedade mantenedora", ACEF, objeto de autuação fiscal em outros autos processuais. Discorre a autoridade fiscal (efls. 439/444): A estratégia consistia na simulação de investimentos a título de aquisição de "partes beneficiárias" numa empresa desprovida de patrimônio denominada COPEP Comércio de Produtos Educacionais e Participações S/A a qual, por sua vez, repassava de imediato os recursos recebidos tanto do IADE como da Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.306 15 ACEF, para diversas empresas pertencentes ao grupo familiar supracitado, desta feita, a pretexto de "investimentos" em "Sociedades em Conta de Participação SCP", nas quais as destinatárias dos recursos figuravam simbolicamente como sócias ostensivas, conforme circunstanciado em detalhes na Notificação Fiscal de Suspensão de Imunidade supracitada, cuja íntegra subsidia o presente Termo. O fluxo financeiro levantado a partir da documentação e dos assentamentos contábeis colhidos junto à empresa "pivô" denominada COPEP, aponta como beneficiários finais das transferências oriundas do IADE, as empresas a seguir relacionadas, ressalvandose que no ano de 2007 os repasses se encontram agregados aos valores oriundos da ACEF (...) Os fatos acima relatados, aliado ao já exaustivamente discorrido na Notificação Fiscal de Suspensão da Imunidade, demonstram claramente que a inserção do IADE como mantenedora do Colégio Christus, tendo à sua direção funcionários de empresas pertencentes aos donos do citado Colégio, de inexpressivo patrimônio e que, de fato, não detinham poder decisório sobre os destinos desse empreendimento educacional, teve por real finalidade apenas proteger os proprietários do referido Colégio das consequências fiscais resultantes da conduta sonegatória perpetrada em nome daquela entidade (IADE). De fato, a inclusão do IADE como mais uma das mantenedoras do citado Colégio, ao tempo em que outras entidades já figuravam nessa mesma condição, denota o despropósito de tal medida no seu aspecto administrativo/operacional, e aflora o interesse subjacente de ordem meramente fiscal, que, na sequência, viuse concretizado nos anos de 2007 e 2008. Com efeito, salta aos olhos o abuso de forma jurídica materializada nos negócios formalizados em nome desse instituto, visando burlar os requisitos da imunidade tributária e assim, transferir recursos livres de impostos, oriundos das atividades de prestação de serviços educacionais desenvolvidos pela família do Sr. Roberto de Carvalho Rocha, para empresas mercantis a eles pertencentes, conforme demonstrado na Notificação supracitada. Assim sendo, com fulcro o artigo 124, inciso I, combinado com o artigo 135, inciso III e 149, inciso VII da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), impõese a responsabilização solidária pelos débitos levantados contra a fiscalizada, ao Sr. José Lima de Carvalho Rocha CPF 107.492.843/15, na qualidade de diretor geral do empreendimento educacional denominado Colégio Christus, o qual também figura como sócio/administrador das empresas indicadas no quadro abaixo, beneficiárias dos recursos sonegados ao fisco pela ora autuada. Com base nesses mesmos fundamentos jurídicos, a responsabilidade solidária deve estenderse aos sócios/administradores das demais empresas que, igualmente, se beneficiaram desses recursos, conforme constam também indicados no quadro abaixo (...) (Grifei) Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.307 16 Vale apresentar os quadros elaborados pela autoridade fiscal. O fluxo financeiro foi assim detalhado: da "sociedade mantenedora" IADE do Colégio Christus para a COPEP (a título de aquisição de "partes beneficiárias"): Saídas de Recursos do IADE e da ACEF a Título de Aquisições de "Partes Beneficiárias" da COPEP (R$) Ano IADE ACEF Total 2007 3.434.900,00 2,150.400,00 5.585.300,00 2008 3.037.100,00 0,00 3.037.100,00 Total Recebido peia COPEP 8.622.400,00 da COPEP para as Sócias Ostensivas de SCP do grupo familiar: Recursos Repassados da COPEP para Sócias Ostensivas de SCP (R$) Destinatárias dos Recursos Sócia Ostensiva SCP 2007 2008 Total APEL Assoe. ProEnsino S/C Ltda APECOP 457.000,00 500.000,00 957.000,00 Instituto Educacional Christus IECOP 200.000,00 0,00 200.000,00 Copy Vip Comércio COPCOP 480.000,00 0,00 480.000,00 Gráfica e Editora LCR Ltda GRACOP 0,00 300.000,00 300.000,00 Metalúrgica LCR Ltda METACOP 900.000,00 200.000,00 1.100.000,00 Construtora e Imob. LCR Ltda CONCOP 780.000,00 1.486.000,00 2.266.000,00 !PADElnst. p/Desenvol. Educ. Ltda IPACOP 1.016.000,00 0,00 1.016.000,00 ORMELOrganização e Métodos Ltda ORCOP 230.000,00 0,00 230.000,00 Comercial LCR e Represent. Ltda COPCOM 145.540,00 0,00 145.540,00 Auto Vale Veículos Ltda AUTOCOP 100.000,00 0,00 100.000,00 Escola 21 de Março ESCOP 650.000,00 350.000,00 1.000.000,00 Novem Construções Ltda NOVCOP 600.000,00 200.000,00 800.000,00 TOTAIS REPASSADOS EM 2007 E 2008 5.558.540,00 3.036.000,00 8.594.540,00 E se mostra esclarecedor quem são os sóciosadministradores das pessoas jurídicas beneficiadas pelos repasses construídos pelo esquema ardiloso: SóciosAdministradores de Empresas Beneficiárias de Recursos Oriundos do Colégio Christus Sócioadministrador Empresa Instituto Educacional Christus Cop Vip Comercio Representação e Serviços Ltda JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 107.492.84315 IPADEInstituto p/Desenvolvimento da Educação Ltda APEL Associação ProEnsino S/C Ltda Gráfica e Editora LCR Ltda Construtora e Imobiliária LCR Ltda ORMEL Organização e Métodos Ltda Escola 21 de Março Ltda DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 170.953.36334 Novem Construções Ltda Comercial LCR e Representações Ltda ESTEVÃO LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 221.767.64315 Auto Vale Veículos Ltda EDUARDO LIMA DE CARVALHO ROCHA CPF 107.493.14320 Metalúrgica LCR Ltda Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.308 17 Diante dos atos dolosos apresentados, não por acaso a qualificação da multa (150%) foi mantida e é matéria preclusa administrativamente. Vale transcrever o art. 124, inciso I do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) No caso em debate, a fratura é tão exposta que se mostra suficiente, por si só, a imputação com base no art. 124, inciso I do CTN. Não se pode ignorar que o interesse econômico, por si só, não se mostra suficiente para a inclusão no pólo passivo da relação obrigacional tributária. Também há que restar demonstrado o vínculo jurídico, consubstanciado na atuação em conjunto, concorrente, que se amolda à hipótese de incidência prevista na norma tributária. E a atuação em conjunto pode se materializar de diversas maneiras, dentre as quais no caso tratado nos presentes autos, no qual se demonstra claramente que as pessoas físicas valeramse de artifícios para se esquivar das obrigações tributárias, com utilização de estratagemas ardilosos e construções fictícias, como o IADE e a COPEP. O interesse jurídico resta caracterizado na medida em que a construção empreendida pelas pessoas físicas foi em conjunto, concorrente, visando deliberadamente revestir os rendimentos auferidos de uma imunidade tributária inexistente, e repassar tais recursos aos reais beneficiários, sócios de diferentes empresas de um mesmo grupo familiar. Restou comprovada nos autos, para além de qualquer dúvida, a participação ativa, individual e concatenada dos responsáveis solidários na prática dos ilícitos tributários. Vale reproduzir a clássica lição de Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto do CTN1: “É solidária a pessoa que realiza conjuntamente com outra, ou outras pessoas, a situação que constitui fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação econômica com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação; por outras palavras, (...) pessoa que tira uma vantagem econômica do ato, fato ou negócio tributado”. A descrição dos fatos e a análise das provas colacionadas pela fiscalização são mais do que suficientes para reconhecer o interesse jurídico dos responsáveis solidários nos atos que ensejaram a obrigação tributária, apto a atrair a solidariedade prevista no artigo 124, I, do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos especiais de JOSÉ LIMA DE CARVALHO ROCHA, EDUARDO LIMA DE CARVALHO e DAVID 1 Compêndio de Legislação Tributária, Edições Financeiras, 3.ª ed, p 67. Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.309 18 LIMA DE CARVALHO ROCHA; e, tendo sido vencido na admissibilidade para os recursos de EDUARDO LIMA DE CARVALHO e DAVID LIMA DE CARVALHO ROCHA, no mérito, negolhes provimento. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator Designado. Fui designado para redigir o voto vencedor apenas quanto ao conhecimento dos recursos de Eduardo Lima de Carvalho e David Lima de Carvalho Rocha. Quanto à responsabilidade tributária, a decisão de primeira instância assim se manifestou: Diante do exposto, entendo que os Srs. Davi Lima de Carvalho Rocha, Eduardo Lima de Carvalho Rocha e Estevão Lima de Carvalho Rocha devem ser mantidos no termo de sujeição passiva solidária, com base no art. 124, inciso I, do CTN, não prevalecendo para essas pessoas a responsabilidade capitulada no art. 135, inciso III. Desta decisão não houve recurso de ofício. Portanto, definitivamente julgado o afastamento da responsabilidade tributária de Eduardo Lima de Carvalho, David Lima de Carvalho Rocha e Estevão Lima de Carvalho Rocha, com base no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN). Quando o Acórdão recorrido apreciou a responsabilidade de Eduardo Lima de Carvalho e de David Lima de Carvalho Rocha só o fez com base no art. 124, inciso I, do CTN, daí porque não procede a insuficiência recursal apontada pelo relator em relação a esses responsáveis tributários. Já em relação a José Lima de Carvalho Rocha, não houve o afastamento da responsabilidade tributária com base no art. 135, inciso III, do CTN, pela primeira instância, daí então quando a decisão recorrida manteve a responsabilidade para o mesmo, mantevea integralmente, ou seja, por ambos os suportes legais; sendo o caso, realmente, de insuficiência recursal do recurso especial, conforme identificado pelo relator. Com base nestes fundamentos, votei, e foi acompanhado pela maioria do colegiado, por conhecer dos recursos especiais de Eduardo Lima de Carvalho e David Lima de Carvalho Rocha. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 10380.723670/201012 Acórdão n.º 9101003.378 CSRFT1 Fl. 2.310 19 Fl. 2310DF CARF MF
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