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Numero do processo: 15868.000099/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA.
Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
null
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA.
Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO.
No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa.
DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE.
No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional.
Numero da decisão: 3301-011.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 00 99 /2 01 0- 05 Fl. 812DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade da COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional. Logo, deve ser afastada a limitação temporal, desde que tais bens sejam diretamente ligados ao processo produtivo da empresa. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Fl. 813DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de auto de infração de PIS (fls. 341/353) e COFINS (fls. 354/366), do 3º trimestre de 2006. Segundo o auto de infração foi apurado o que se segue: a) Bens e serviços utilizados como insumos A fiscalizada produz açúcar bruto e álcool carburante. São considerados insumos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos no processo de fabricação dos bens destinados à venda. Foram glosados bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo, por não serem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do bem destinado à venda, açúcar, produto sujeito à incidência não-cumulativa, tais como: - partes, peças e/ou serviços para manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem, aquisição de pneus; serviços de construção civil, serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas, cimento etc. - transporte de pessoas e de equipamentos do ativo permanente; Tais gastos não atendem ao critério para caracterização como insumos, pois eles não se dão no âmbito do processo produtivo do açúcar, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. b) Método de apropriação de crédito Não foi aceito o método de determinação eleito pelo contribuinte: incidência não cumulativa sobre receita parcial e/ou de exportação com base na proporção dos custos diretamente apropriados, pelas seguintes razões a seguir expostas. O contribuinte produz açúcar e álcool que estão sujeitos à incidência não cumulativa e cumulativa, respectivamente. A primeira etapa do processo produtivo é comum a ambos os produtos. Analisando os documentos e arquivos digitais apresentados, constatou-se que os valores informados no DACON, não correspondiam a valores apurados com base no método da apropriação direta, já que todos os custos comuns foram vinculados ao produto açúcar. O sujeito passivo relacionou as contas contábeis que compõem o valor mensal dos insumos informados nos DACON. Constata-se que informou o valor de materiais em estoque, portanto, o método utilizado no DACON não é o de apropriação direta dos custos, já que tal método é caracterizado pelo aproveitamento dos custos no momento da destinação e vinculação com as receitas sujeitas ao regime não- cumulativo e o contribuinte o considerou no momento da aquisição ou contabilização. O sujeito passivo relacionou contas contábeis que compõem o valor mensal dos insumos apropriados nos DACON. Há contas estranhas ao conceito de insumos, como Fl. 814DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 por exemplo, bens de natureza permanente, copa, cozinha e limpeza, gêneros alimentícios, lanches e refeições, uniformes. Ainda, há razões apresentados de contas cujas notas e fornecedores relacionados não constam nos livros de PIS/COFINS e nem nas planilhas com a descrição dos insumos, cujos valores são os constantes dos DACON, como por exemplo, correios e malotes, comunicações, outros serviços, serviços de manutenção e reparos. O método de apropriação direta não foi comprovado, portanto, foi utilizado o método de rateio pela proporção da receita. Aplicou-se o método de rateio proporcional da receita bruta aos insumos e energia elétrica e demais custos comuns. c) Base de Cálculo do crédito a descontar referente ao ativo imobilizado A interessada utilizou o critério dos créditos acelerados para a apuração das bases de cálculo dos créditos referentes ao ativo imobilizado. A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A Lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: - foi apurado crédito em relação à 1/24 de bens adquiridos antes de 01/10/2004; foi apurado crédito em relação a bens adquiridos antes de 01/05/2004; foi apurado crédito de bens diferentes de maquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.); - foi apurado crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. - foi apurado crédito de bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo; foi apurado crédito relativo aos bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo, não-cumulativo e exportação; Em relação aos bens comuns a produção sujeita ao regime cumulativo, não- cumulativo e da exportação foi aplicado o percentual de rateio. d) Créditos presumidos – Atividades agroindustriais O crédito presumido de PIS e de Cofins referente à aquisição de cana de açúcar não foi calculado às alíquotas de 0,5775 e 2,66, respectivamente e o frete pago às pessoas físicas não gera direito ao crédito de contribuições, além disso, não foi aplicado o rateio em relação à cana de açúcar (insumo comum). A interessada foi cientificada em 11/05/2010 e apresentou impugnação (fls. 368/385) em 09/06/2010 alegando em síntese: Fl. 815DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Alega que a sua atividade se estende desde a lavoura até a comercialização de seus produtos e subprodutos no mercado interno e externo. Afirma que a fiscalização glosou custos com insumos que são aplicados e consumidos no processo produtivo, bem como não considerou o fato de que é agroindustrial e que seu processo produtivo se inicia na lavoura e termina na comercialização. Os créditos pleiteados foram constituídos sobre matéria prima e produtos intermediários adquiridos de fornecedores regulares e todos foram submetidos ao processo de industrialização, consumindo-se ou desgastando-se integralmente no decorrer do processo produtivo. Inicialmente faz exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de não-cumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornam-se cumulativas o que as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo, pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, é totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde se tem o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 estão eivadas de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois os bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Fl. 816DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Alega que no decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como: serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a defendente. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Requer o afastamento das glosas no tocante às notas de transporte e que originaram o crédito, em especial as de remessas de mercadorias cujo ônus foi suportado pela Defendente. Do método de apuração dos créditos A fiscalização ao arrepio da lei desconsiderou o método de apropriação dos créditos elaborados pelo contribuinte e optou pelo meio mais oneroso para quem paga o imposto e que lhe era mais benéfico, sob o argumento de que todos os custos da cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar. Quanto à alegação de que todos os custos referentes à cana foram destinados ao açúcar e que os únicos custos que foram apropriados para a produção do álcool foram os referentes à fábrica de álcool e depósito de álcool, a interessada informa que o sistema de custo integrado serve exatamente para separar os custos destinados à fabricação do açúcar e do álcool, etc. de modo que os insumos destinados a cada processo sejam efetivamente direcionados aos seus respectivos centros através das requisições contábeis. Todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial, são exatamente custos da fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado a fábrica de açúcar para produção do VHP que é exportado e submetido à incidência não cumulativa do imposto. Para a fábrica do álcool somente é encaminhado o mel final que resulta do processo de fabricação de açúcar o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial. A fiscalização argumenta que toda a cana foi apropriada no processo de fabricação do açúcar, independente se dela foi elaborado álcool, entretanto, não houve fabricação de álcool direto da cana, já que as condições de mercado levaram as destilarias a tornarem-se usinas e, nesse processo, enfatizarem a produção de açúcar por ser economicamente mais rentável. O segundo argumento fiscal é no sentido de que os razões não permitem identificar quais são os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, pois só informam o número da requisição do material, ora, e qual a ilegalidade ou irregularidade existente em tal procedimento? A fiscalização alega que há razões apresentados e informados, cujos produtos, notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, nem nas Fl. 817DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 planilhas com a descrição dos insumos informados. Os livros auxiliares não são livros obrigatórios e não possuem regramento específico para seu preenchimento de modo que a defendente adota os procedimentos que melhor atendam seu gerenciamento. Inexistem custos comuns que são apropriados somente à receita não-cumulativa, conforme trabalho em anexo que demonstra o processo de fabricação do açúcar e o de fabricação do álcool, sendo ambos independentes e partindo de pontos totalmente distintos. O início do processo de fabricação de álcool é o mel pobre resultante como resíduo industrial do processo de fabricação do açúcar o qual possui seu custo que é efetivamente considerado. Da energia elétrica Reitera os argumentos do item anterior. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto à limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito pré-constituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. Dos Alugueis de Máquinas e arrendamento mercantil A interessada alega serem legítimos os créditos apurados. Dos Créditos Presumidos Alega que aplicou a alíquota correta para determinação do crédito presumido. Em relação ao frete alega que efetuou o crédito presumido sobre os bens e insumos aplicados no processo de fabricação do açúcar, sobre os quais não havia incidência das referidas contribuições, tal como previsto na lei. Em relação ao rateio reitera as alegações do item que trata do método de apuração do crédito. Protesta pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da interessada, sendo que ao final, deve ser feita a aplicação do direito à realidade fática, cancelando as glosas realizadas e respeitando-se o procedimento de apuração do crédito adotado pela defendente, uma vez que previsto na lei, com as justificativas apresentadas no decorrer da presente, por ser medida de direito e da mais lídima Justiça. Fl. 818DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 A 16ª Turma da DRJ/RJ1, no Acórdão n° 12-63.391, manteve as glosas dos créditos, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos da COFINS não-cumulativa, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. O aproveitamento dos créditos mediante a depreciação acelerada somente é possível para as aquisições efetuadas após 1º de outubro de 2004 DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. Fl. 819DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. CREDITO PRESUMIDO. ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. FRETE. PESSOA FÍSICA. O crédito presumido aplica-se aos bens utilizados como insumo na produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, adquiridos de pessoa física. Portanto, não se aplica ao frete adquirido de pessoa física, já que frete não é insumo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Por meio da Resolução n° 3301-001.050, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intimasse a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3- intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. A empresa apresentou Laudo técnico e planilhas elaboradas pela PricewaterhouseCoopers Auditores Independentes Ltda.. Realizada a diligência, a autoridade fiscal concluiu que no período das glosas a Recorrente não produziu a cana de açúcar. Em manifestação à diligência, o contribuinte critica o trabalho fiscal, ratificando o seu direito à reversão das glosas, conforme informações do Laudo técnico. É o relatório. Fl. 820DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. Declara como atividade o processo verticalizado da produção do açúcar e álcool, desde o plantio da cana-de-açúcar até a industrialização desses dois principais produtos. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade: Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matérias-primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressalte-se que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto Fl. 821DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Produção de cana-de-açúcar Sustenta a Recorrente que a cana-de-açúcar é utilizada como matéria-prima pelas plantas industriais e é oriunda de (i) produção própria e (ii) aquisições de produtores rurais pessoas físicas e pessoas jurídicas. Esclarece que as aquisições de terceiros se deram mediante contratos de fornecimento de cana-de-açúcar com CCT, pelos quais a Clealco assume o corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais. Fl. 822DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Por isso, na diligência determinada, buscou-se identificar a existência de créditos relacionados ao cultivo da cana-de-açúcar, solicitando que o contribuinte esclarecesse se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. Contudo, o relatório fiscal afirmou que toda a cana foi comprada e não produzida: 9. Sabe-se que, atualmente, a empresa é produtora de seu insumo básico, cana-de- açúcar. Mas, no passado não foi assim. Antes, o modus operandi da empresa foi estruturado de maneira que a matéria prima fundamental (cana-de-açúcar) fosse COMPRADA e não PRODUZIDA. Esta informação nos foi passada pelos prepostos da empresa no decorrer do procedimento fiscal. 10. A informação é confirmada pela documentação apresentada, conforme se esclarece detalhadamente no Tópico VII – DO PROCESSO PRODUTIVO. (...) 32. O interessado fabrica principalmente álcool e açúcar. Entretanto, em todo o período do 2º trimestre de 2004 ao 2º trimestre de 2010 (período correspondente às diligências solicitadas pelo CARF nos 43 processos) o interessado operou muito mais como uma indústria de que como uma agroindústria. 36. A informação foi apresentada pelo próprio interessado, e está devidamente juntada aos correspondentes processos. Constata-se que apenas em 2009 e 2010 o interessado produziu parcela significativa de cana-de-açúcar. Nos anos de 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008 a parcela de cana própria é INSIGNIFICANTE ou ZERO. 37. Saliente-se que, mesmo para o período em que o interessado produziu sua matéria prima, ele deveria realizar o devido rateio. (...) 38. O interessado produziu no período sob análise, 3º trimestre de 2004, 0,0% do total da cana-de-açúcar utilizada no processo de industrialização. Por óbvio, isso não caracteriza os conceitos de ESSENCIALIDADE e nem de RELEVÂNCIA dentro do processo industrial. O interessado operou efetivamente como uma indústria e não como uma agroindústria. 39. Entretanto, nas operações de aquisição da cana-de-açúcar, via de regra, o interessado é responsável pela CTT, colheita, transbordo e transporte. Por pertinente, sobre este ponto faremos alguns esclarecimentos a seguir. 40. Quanto à aquisição de matéria prima, já há ampla definição a respeito da correta técnica fiscal e contábil, em especial definida nos procedimentos aplicados na contabilidade de custos, controles de estoques e incoterms (CIF, FOB etc). A definição de ser o gasto conceituado como custo incorrido no processo de produção, ou como despesa, sempre levou em consideração o fato de que o gasto deve ser identificado com a mercadoria adquirida. (...) 45. De fato é um aspecto importantíssimo da NÃO CUMULATIVIDADE, pois já é consagrado pela sistemática que o crédito é permitido quando o bem é para revenda ou utilizado como insumo, e que em operações finalísticas, do tipo, venda a consumidor final e compra de material para uso e consumo não há direito ao crédito, pois não haverá a incidência em cascata. 46. Segue, apenas para visualização, parte de uma NF. Nota-se o campo "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS": Fl. 823DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 47. O CTT, se realizado pelo próprio vendedor da cana de açúcar, e destacado nos campos "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS" estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. 48. O CTT, se realizado por terceiro prestador de serviço, e acobertado pelo competente conhecimento de transporte devidamente preenchido, com a vinculação à NF do insumo adquirido, e com os registros na contabilidade de custos e controles de estoques, estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. 49. O CTT, se realizado pelo interessado, com os competentes registros e vinculações feitos na contabilidade de custos e controles de estoques, estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. NÃO FOI REALIZADO. 50. A verdade é, que, o interessado não participa do processo de plantio, colheita e industrialização da cana-de-açúcar, ele participa do processo de colheita e industrialização. Entretanto, a participação no processo de colheita se dá da mesma forma que uma empresa industrial qualquer compra insumo e é responsável pelo frete e seguro da mercadoria adquirida. Supostamente haveria o direito ao crédito, caso houvesse a devida emissão das notas fiscais, conhecimentos de transportes etc, e os devidos registros fiscais e contábeis. E conclui: 55. No período do 2º trimestre de 2004 ao 2º trimestre de 2010 (período correspondente às diligências solicitadas pelo CARF nos 43 processos) o interessado operou praticamente exclusivamente como uma INDUSTRIA e não como uma AGROINDÚSTRIA. Apenas a partir de 2009 o interessado começou a produzir parcela significativa da cana-de-açúcar. Especificamente no 3º trimestre de 2006 o interessado ADQUIRIU de PF 1.084.117,42 toneladas (94,6%), ADQUIRIU de PJ 62.771,01 toneladas (4,5%), e PRODUZIU 8.207,20 toneladas (0,9%). 56. O STJ no REsp 1.221.170/PR não aceitou a tese de conceituar como insumo todo e qualquer tipo de despesa. Adotou interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de ESSENCIALIDADE ou RELEVÂNCIA. Para a definição desta essencialidade ou relevância o STJ deixou clara a importância de se verificar a ATIVIDADE e o PROCESSO DE PRODUÇÃO. 57. O interessado, via de regra, tem custos correlacionados ao insumo adquirido. Ele participa da COLHEITA, TRANSBORDO e TRANSPORTE do insumo cana-de-açúcar (CTT). Entretanto, isso não o transforma na condição de produtor, retirando-o da condição de comprador, e, os gastos com o CTT não foram escriturados e contabilizadas de conformidade com as disposições constantes na legislação. 58. Essa questão não se amolda ao NOVO CONCEITO DE INSUMO definido pelo STJ, trata-se de questão relacionada à aquisição de matéria prima, e seus gastos correlacionados. Já há ampla definição sobre a correta técnica contábil, em especial definida nos procedimentos aplicados na contabilidade de custos, controles de estoques e incoterms (CIF, FOB etc). A definição de ser o gasto conceituado como custo incorrido no processo de Fl. 824DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 produção, ou como despesa, sempre levou em consideração o fato de que o gasto deve ser identificado com a mercadoria adquirida e integrar os controles da contabilidade de custos. 59. Quanto ao CTT, para que houvesse direito ao crédito deveriam ser cumpridas as determinações legais, quais sejam: No caso do CTT ser realizado pelo próprio vendedor da cana-de-açúcar, os correspondentes valores deveriam ser destacados nos campos da NF "VALOR DO FRETE" e "OUTRAS DESPESAS", assim o gasto estaria devidamente identificado ao insumo adquirido; No caso do CTT ser realizado por terceiro prestador de serviço, os correspondentes valores deveriam estar acobertados por conhecimento de transporte devidamente preenchido, com vinculação à NF do insumo adquirido, e também deveriam ser realizados os competentes registros na contabilidade de custos e controles de estoques, assim o gasto estaria devidamente identificado ao insumo adquirido; e, no caso do CTT ser realizado pelo próprio interessado, os correspondentes valores deveriam estar acobertado por manifesto de carga devidamente preenchido, com vinculação à NF do insumo adquirido, e também deveriam ser realizados os competentes registros na contabilidade de custos e controles de estoques, assim o gasto estaria devidamente identificado ao insumo adquirido. Nada disso foi feito. 60. O interessado apenas vê direitos, direitos e direitos, mas, se levarmos ao pé da letra esta situação de registros e contabilizações do CTT, poderia ser aventada situação de omissão de receita. Ora, considerando que a matéria prima não é própria, o CTT se amolda muito mais a uma receita de prestação de serviços da usina que foi deixada à margem da escrituração, com omissão de recolhimentos tributários, em especial das contribuições ao PIS e Cofins. Dessa forma, não cabe o creditamento sobre os insumos empregados em etapa agrícola, desde o preparo do solo até a colheita, eis que inexistente para o período de apuração do presente processo. Segundo a autoridade diligenciante, não cabe o crédito dos custos apontados como relacionados à aquisição de insumo cana de açúcar (corte, carregamento e transporte do produto até suas plantas industriais), pois como visto acima no item 58 do relatório fiscal, não há liquidez e certeza desses valores, já que não tem suporte em documentação. Entretanto, consta no relatório fiscal que acompanhou o auto das glosas, que a autoridade na origem não glosou os fretes de aquisição do insumo cana-de-açúcar. Diante disso, ao contrário do que alega a Recorrente na manifestação sobre a diligência, entendo que não há alteração de critério jurídico, em ofensa ao art. 146, do CTN, na manutenção de glosas relacionadas à fase agrícola. Isso porque cabia à diligência justamente a investigação do processo vertical de produção com o fim de identificar os insumos passíveis de creditamento que teriam sido glosados indevidamente. Dessa forma, de um lado, para o período deste processo não houve produção agrícola e, por outro, a natureza dos dispêndios CCT não foram identificados na escrituração (relembrando que não houve glosa de frete de aquisição de cana). Rateio Proporcional Consignou a autoridade fiscal, no relatório da diligência que: DA APROPRIAÇÃO DIRETA “versus” RATEIO PROPORCIONAL 51. O interessado não realizou o rateio proporcional com base na receita, alegando que realizava a apropriação direta (conforme consta na EFD CONTRIBUIÇÕES). NÃO É Fl. 825DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 VERDADE. O interessado não tinha contabilidade de custos integrada com a escrituração, e não realizou a apropriação direta dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas da não cumulatividade e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa das contribuições. Ainda que tivesse, os valores estariam incorretos, pois estava sendo pleiteado crédito sobre praticamente 100% dos custos/despesas, quando estes custos/despesas são aplicados na elaboração de produto sujeito ao regime cumulativo e produto sujeito ao regime não cumulativo. 52. Além de ser óbvio, pois não tem sentido nenhum que seja pleiteado crédito da não cumulatividade sobre parcela correlacionada à sistemática da cumulatividade, há determinação de LEI neste sentido (não apenas determinações em INs). Segue dispositivo da Lei nº 10.833 de 2003 (o mesmo dispositivo consta na Lei 10.637 de 2002: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 7° Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8° Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9° O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8°, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. 53. Até o momento da realização da presente diligência fiscal, mesmo esse questionamento sem sentido era levantado insistentemente pelos advogados do interessado. Inclusive, mesmo no decorrer da diligência o interessado não havia realizado a segregação das receitas oriundas da venda de produtos sob a sistemática cumulativa e sob a sistemática não cumulativa, vindo a fazê-lo apenas na complementação da resposta à Intimação Fiscal, conforme já noticiado. Dos males o menor, ao menos esta situação de crédito pleiteado pela sistemática da não cumulatividade sobre parcela correlacionada à sistemática da cumulatividade, fica resolvida. E concluiu: 62. Finalizando, o interessado concordou que incorreu em erro ao não realizar o rateio proporcional com base na receita (inciso II do § 8º do artigo 3º da Lei 10.833/2003, mesmo dispositivo da Lei 10.637/2002). Dessa forma, a base de calculo dos créditos sobre exportação do trimestre já deveria ser ajustada considerando o rateio. Entretanto, mesmo sobre esta parcela ajustada entendemos não haver direito a créditos, pois para ter direito a créditos contra a Fazenda Pública deve haver respaldo e detalhamento das operações de maneira correta. O que não houve. Fl. 826DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Os créditos contra a Fazenda Pública têm de ser LÍQUIDOS E CERTOS AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA, e em PROCEDIMENTOS FISCAIS E CONTÁBEIS ADEQUADOS AO PROCESSO INDUSTRIAL. A análise desta Turma de julgamento objetiva a revisão dos créditos glosados, o que também deve levar em consideração os devidos cálculos de rateio proporcional, nos termos do inciso II do §8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003 e da Lei n° 10.637/2002, uma vez que as atividades da Recorrente estão sujeitas à sistemática da não-cumulatividade (açúcar) e da apuração cumulativa (álcool), afastando-se o método de apropriação direta dos créditos. Cabe destacar que a Recorrente informou os bens do ativo comuns à produção de açúcar e álcool (Capítulo 11 do Laudo do Processo Produtivo), cabendo o creditamento aplicando-se o critério de rateio proporcional. A Recorrente também detalhou os itens empregados especificamente na produção de álcool por meio da aba “Base Saída Centro Custo Consol.”, sobre esses dispêndios não cabe a tomada de crédito. Bens utilizados como insumos Como dito acima, a fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. Material Intermediário - Serviço de Manutenção Informa a fiscalização que da análise de notas fiscais, constatou-se que os gastos não se referiam a aquisição dos insumos matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar. Dentre eles, a fiscalização apontou diversos gastos destinados a despesas com manutenção de veículos, caminhões, ônibus, pneus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus etc. e despesas diversas. A Recorrente, por sua vez, aduz que as suas atividades vão do plantio de cana-de- açúcar, passando pela fabricação de açúcar e álcool, até a comercialização de tais produtos, e que as glosas levadas a efeito pela fiscalização se mostraram insubsistentes, já que não foram considerados os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo como um todo. As glosas são de pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial e, de dispêndios com a produção agrícola, os custos CCT; preparo/plantio etc. Todas devem ser mantidas, por se referirem a parte agrícola de produção da cana, inexistente para o período em análise. Material Intermediário - Serviço de Manutenção Industrial A fiscalização afirmou que tal rubrica refere-se a produtos e serviços consumidos no processo produtivo industrial, tais como partes e peças de máquinas, serviços de reparo em maquinário etc. Fl. 827DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 No entanto, dentre eles, a fiscalização encontrou alguns gastos com bens que não teriam sido diretamente consumidos na fabricação dos bens destinados à venda e que, portanto, não se enquadrariam no conceito de insumos. Para tanto, cita os gastos com construção civil, serviços e peças para veículos, tratores, máquinas agrícolas, tintas, cimento, etc. A Recorrente sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Tal como tratado acima, os dispêndios relacionados a fase agrícola não podem gerar créditos. Por outro lado, considerando o conceito de insumo fixado pelo STJ, há despesas que permitem creditamento no processo produtivo do açúcar, são as que se referem ao parque industrial; à segurança e eficiência do processo industrial; manutenção de máquinas e equipamentos ligados às fases da produção industrial e os materiais EPI. No Laudo, verifica-se que as operações envolvidas na produção do açúcar são (cf. item 10 do Laudo): Em cotejo do Laudo com a Planilha de “NF glosadas Insumos” elaborada pela PWC, devem ser revertidas as glosas estritamente relacionados à indústria própria do açúcar - serviço industrial; acessórios industriais; bomba injetora/bicos; conjunto de ferramentais; serviços de mecânica industrial; adesivos e abrasivos; automação/instrumentação; carregadeira/balança, construção civil; correias, elétrico/eletrônico; mecânica industrial; óleos e lubrificantes, metais, ferramentas p/ manut. industrial; bens necessários para a execução de manutenções - perfeitamente identificáveis na planilha como utilizados na planta industrial. Então, devem ser mantidas as glosas relacionadas a parte administrativa, agrícola, refeitório, demais setores e ao processo produtivo do álcool. Fl. 828DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 Assim, dou parcial provimento ao recurso voluntário neste tópico. Frete O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no art. 3°, § 3° da Lei 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização elaborou a Planilha 03 (Frete). Então considerou como passíveis de creditamento apenas os fretes que ocorreram para transporte de insumos. Por conseguinte, glosou os fretes relacionados ao transporte de pessoal, à remessa de mercadorias pela Clealco Açúcar e Álcool para destinatários diversos, a frete pagos a pessoas físicas e a fretes cujos remetentes e/ou cujas notas fiscais da mercadoria transportada não se referem à aquisição de insumos, nem integram custos. Entendo que não são insumos os fretes relacionados ao transporte de pessoal para o setor industrial e administrativo. O art. 3°, § 3° da Lei n° 10.833/03 afasta o direito ao crédito dos fretes de pessoa física. Por falta de comprovação, deve ser mantida a glosa dos fretes cujas notas fiscais não foram apresentadas (art. 373, do CPC/15). Por sua vez, o serviço de transporte de açúcar para remessa de armazenagem de produto p/ posterior exportação e os fretes de produtos acabados e inacabados entre estabelecimentos da empresa podem ser objeto de creditamento com suporte no inciso IX do art. 3° e art. 15, II, da Lei n° 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Apontou a autoridade fiscal que A legislação prevê o direito de desconto de créditos referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados no processo de fabricação dos bens destinados à venda calculados com base na depreciação mensal. Em relação a máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda é permitido o cálculo com base em 1/48 do valor de aquisição. A Lei 11.051/2004 permitiu o cálculo com base em 1/24 do custo de aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, empregados em processo industrial do adquirente. Foram apuradas as seguintes irregularidades: - foi apurado crédito em relação à 1/24 de bens adquiridos antes de 01/10/2004; foi apurado crédito em relação a bens adquiridos antes de 01/05/2004; foi apurado crédito de bens diferentes de maquinas e equipamentos (tais como veículos, motos, micro ônibus, caminhões, etc.); Fl. 829DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 - foi apurado crédito de bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádios, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira etc. - foi apurado crédito de bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo; foi apurado crédito relativo aos bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo, não-cumulativo e exportação; Em relação aos bens comuns a produção sujeita ao regime cumulativo, não-cumulativo e da exportação foi aplicado o percentual de rateio. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Aqui se tratam de duas situações distintas: a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos e a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. O Laudo técnico, no Quadro 13-4, identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações e quantidades no processo produtivo. Da leitura em conjunto com as Planilhas “Glosados Imobilizados”, cabe a manutenção das glosas relacionadas a fase agrícola, ao processo produtivo do álcool, CCT e local feito para refeição dos colaboradores, manutenção de pátio e jardim e bebedouro. Aos bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não-cumulativo, deve ser aplicado o critério de rateio proporcional. Por outro lado, é passível a tomada de crédito dos dispêndios relacionados nas planilhas estritamente como “produção industrial”, tais como FILTRO ROTATIVO VACUO, 10" X 20"; BOMBA DE ALTA PRESSAO LEMASA L-1; PONTE ROLANTE ZANINI 20 TON.; MOTOR WEG TRIFASICO 50 CV; BIG BAG; BOMBA PARA AFERIR MANOMETRO etc. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. Fl. 830DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-011.216 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15868.000099/2010-05 TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Deve ser afastada a trava do limite temporal. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Fl. 831DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907968/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2007
REGIME ESPECIAL. PDTI. IRRF. PAGAMENTOS AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DIREITO CREDITÓRIO.
Contribuinte regularmente enquadrada no Programa de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - PDTI faz jus ao crédito incentivado de IRRF sobre pagamento a domiciliados no exterior a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Indústria.
Numero da decisão: 1401-003.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.907987/2012-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PDTI. IRRF. PAGAMENTOS AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DIREITO CREDITÓRIO. Contribuinte regularmente enquadrada no Programa de Desenvolvimento Tecnológico e Industrial - PDTI faz jus ao crédito incentivado de IRRF sobre pagamento a domiciliados no exterior a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industria. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10830.907987/2012-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Wilson Kazumi Nakayama (suplente convocado). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 1401-003.939, de 12 de novembro de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 79 68 /2 01 2- 91 Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 O cerne do litígio se resume em um pedido eletrônico de restituição (PER) que foi transmitido pela Recorrente relativamente a um crédito incentivado de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contrato de transferência de tecnologia. O recolhimento de IRRF, efetuado por meio de DARF foi arrecadado sob código 0422. A DRF de Campinas, SP, por meio de despacho decisório indeferiu o pedido em razão de o pagamento indicado ter sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação. Em sua Manifestação de Inconformidade a Recorrente alega, em síntese, que: 1. Em função de contratos firmados com empresa estrangeira, remete ao exterior determinados valores a título de royalties e outras licenças. Em função dessa remessa ao exterior, ao longo do tempo a recorrente efetuava a retenção e recolhimento de IRRF nos termos da legislação de regência; 2. Até o ano de 2005 a recorrente usufruía os benefícios fiscais previstos no Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI), cumprindo as obrigações pertinentes a este. Dessa forma a recorrente obteve por parte do Ministério da Ciência e Tecnologia a aprovação das Portarias nº 200 , de 18/06/1997 e a de nº 803, de 20/09/2000; 3. No regular desenvolvimento de suas atividades a recorrente celebrou três contratos de licenciamento de uso de marcas visando a exploração destas na produção e comercialização de seus produtos no país: 3.1. Licença para uso da marca “Logotipo 3M”; 3.2. Licença para marca “The Power Brand Trademarks”; 3.3. Licença para “Outras Marcas”. 4. Salienta que foi por meio da Portaria nº 803, de 20/09/2000, que foi concedido o benefício fiscal previsto no Decreto 949/1993, art. 13, V, referente a crédito de 50% do IR retido na fonte incidente sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial; 5. Tais contratos foram devidamente averbados junto ao INPI e são completamente independentes entre si, pois tem como objeto o licenciamento de marcas distintas; 6. Ao longo dos anos a recorrente sempre possuiu direito a crédito de IRRF sobre as remessas ao exterior a título de royalties, na forma da legislação vigente. Ocorre que com a edição da Lei nº 11.196/2005, a recorrente migrou do PDTI para regime específico previsto na mencionada lei. 7. Observa que os critérios e condições para o contribuinte usufruir o crédito de IRRF permaneceram inalterados. Apenas os percentuais sofreram alterações para 20% até o ano de 2008 e 10% de 2009 a 2013; Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 8. Especificamente, o art. 17, V, da Lei n.º 11.196/2005, que entrou em vigor a partir de janeiro de 2006, conferiu expressamente o direito ao crédito sobre o IRRF retido e pago sobre remessas ao exterior a título de royalties e outros direitos em virtude da transferência de tecnologia; 9. O Decreto n.º 5.798/2006, art. 3º, §4º dispôs expressamente que o crédito de IRRF a que se refere o inciso V, do art. 17 da Lei n.º 11.196/2005 seria objeto de restituição em moeda corrente, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda (MF). 10. Entretanto, em que pese a previsão expressa contida na Lei n.º 11.196/2005 e no Decreto n.º 5.798/2006, a única norma infralegal expedida referente à forma de aproveitamento desse crédito só veio a ser editada em 30/08/2011 (Portaria MF n.º 426/2011), ou seja, cinco anos após a edição da lei e quase 3 anos depois da entrega do PER/DCOMP. Este ato previu expressamente qual seria a forma de aproveitamento do crédito de IRRF previsto na lei. 11. Até aquele momento a única forma possível de aproveitamento do crédito era o pedido de restituição. Foi neste contexto que a requerente apresentou o referido PER/DCOMP; 12. A requerente cumpre concretamente todas as condições elencadas na Portaria MF n.º 426/2011 no caso concreto e este fato evidencia o direito aos créditos pleiteados; 13. Além de não avaliar o contexto fático e jurídico do caso, o Despacho Decisório fez uma interpretação restritiva do art. 165 do CTN; 14. A Instrução Normativa SRF nº 267/2002, art. 41, §2º expressamente previa que “a restituição de crédito de IRRF será paga em moeda corrente, a pedido das empresas titulares de PDTI ou PDTA, no prazo de trinta dias contados da data de entrada do pedido, observadas as demais normas aplicáveis às restituições de tributos e contribuições administrados pela SRF.” 15. Outra questão relevante é que o Ato Normativo do INPI nº 135, de 15/04/1997, estabelece que o INPI averbará ou registrará conforme o caso os contratos que impliquem transferência de tecnologia, assim entendidos os de licença de direitos (exploração de patentes ou de uso de marcas...). Por conseguinte, a legislação vigente determina que os contratos de licença de marca são contratos de transferência de tecnologia; 16. A requerente juntou a estes autos os contratos devidamente averbados junto ao INPI que ensejaram o recolhimento de IRRF e diante da documentação acostada, é incontestável seu direito aos créditos pleiteados, protestando pela realização de diligências para produção de provas caso os julgadores entendam que os documentos acostados aos autos não sejam suficientes. 17. Concluindo, a requerente argumenta que já usufruía do benefício de crédito de IRRF previsto no PDTI, concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia por meio das Portarias nº 200/1997 e 803/2000, que possuem as mesmas condições de aproveitamento dos benefícios previstos na Lei n.º 11.196/2005. Em resumo, a requerente alegar que: 17.1. Efetuou regularmente o recolhimento de IRRF incidente sobre a remessa de royalties ao exterior; Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 17.2. Os contratos que ensejaram o aproveitamento de créditos de IRRF foram devidamente averbados no INPI e importam transferência de tecnologia; 17.3. A recorrente realizou dispêndios em projetos de pesquisa no Brasil em montante correspondente ao dobro do benefício auferido; 17.4. A recorrente prestou as informações relativas ao seu projeto ao Ministério da Ciência e Tecnologia; 17.5. A recorrente atende aos requisitos exigidos pela Lei nº 11.196/2005 para gozar do incentivo de crédito de IRRF previsto em seu art. 17, V; 18. Levando-se em consideração todas as informações e documentos anexados entende ter demonstrado seu direito aos créditos de IRRF solicitados no PER/DCOMP e requer seja conhecida e totalmente provida a presente Manifestação de Inconformidade, ainda que seja necessária a baixa do processo em diligência para produção de perícia. 19. Para fins de perícia, a recorrente indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. 20. Consignou também na manifestação de inconformidade os dados bancários da empresa recorrente para fins de restituição. Por sua vez, a decisão de primeira instância, ainda que tenha reconhecido que a Interessada demonstrou que havia cumprido os requisitos materiais para gozo do regime especial (PDTI), negou a Manifestação de Inconformidade sob o argumento de que a portaria do Ministério da Ciência e Tecnologia nº 803 de 28 de setembro de 2000 estendeu o benefício do incentivo fiscal apenas até 18 de junho de 2002, logo, a Contribuinte não fruía mais deste regime especial no período referência da PER apresentada. Por sua vez a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário visando a comprovação de que ainda estava em vigor o regime especial suscitado nos mês indicado no PER apresentado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF. Ressalvo que a decisão consagrada no paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pelo que adoto o entendimento que prevaleceu no colegiado, consignado no Acórdão nº 1401-003.939, de 12 de novembro de 2019, paradigma desta decisão, que passo a reproduzir. Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de validade, portanto, dele conheço. Conforme narrado, o presente feito se debruça sobre pedido de restituição da Recorrente de crédito incentivado de IRRF sobre remessa de royalties ao exterior no âmbito do Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial – PDTI, instituído pela Lei 8.661/93. Segue transcrição do art. 4º, inciso V da citada lei: Art. 4º Às empresas industriais e agropecuárias que executarem PDTI ou PDTA poderão ser concedidos os seguintes incentivos fiscais, nas condições fixadas em regulamento: V - crédito de cinqüenta por cento do Imposto de Renda retido na fonte e redução de cinqüenta por cento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativos a Títulos e Valores Mobiliários, incidentes sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial;(Vide Lei nº 9.532, de 1997) § 3º Os benefícios a que se refere o inciso V somente poderão ser concedidos a empresa que assuma o compromisso de realizar, durante a execução do seu programa, dispêndios em pesquisa no País, em montante equivalente, no mínimo, ao dobro do valor desses benefícios. Posteriormente houve a redução dos percentuais para 30% no caso de fatos geradores ocorridos entre 1998 e 2003, 20% entre 2004 e 2008 e 10% de 2009 a 2013 sem alterar as condições de fruição do benefício, conforme Lei 9.532/97 que transcrevo: Art. 2º Os percentuais dos benefícios fiscais referidos no inciso Ie no§ 3º do art. 11 do Decreto-Lei nº 1.376, de 12 de dezembro de 1974, com as posteriores alterações, nos arts. 1º, inciso II,19e23, da Lei nº 8.167, de 16 de janeiro de 1991, e no art. 4º, inciso V, da Lei nº 8.661, de 02 de junho de 1993, ficam reduzidos para: I - 30% (trinta por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003;(Vide Medida Provisória nº 2.199-14, de 2001) II - 20% (vinte por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2008; III - 10% (dez por cento), relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. Tal beneficio foi regulamentado originalmente pelo Decreto nº 949/93. Segue os dispositivos que se aplicam ao caso: Regulamenta a Lei nº 8.661, de 2 de junho de 1993, que dispõe sobre os incentivos fiscais para a capacitação tecnológica da indústria e da agropecuária e dá outras providências. Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 Art.13. As empresas titulares dos PDTI ou PDTA poderão usufruir dos seguintes incentivos fiscais, quando expressamente concedidos pelo MCT: I - dedução, até o limite de oito por cento do Imposto de Renda (IR) devido, de valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto à soma dos dispêndios com atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial e agropecuário, incorridos no período-base, classificáveis como despesas pela legislação desse tributo, inclusive pagamentos a terceiros, na forma prevista no art. 8º, podendo o eventual excesso ser aproveitado no próprio ano- calendário ou nos dois anos-calendário subseqüentes; ... V - crédito de cinqüenta por cento do IR retido na fonte e redução de cinquenta por cento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF), incidentes sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties, de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial; ... Parágrafo único. Na apuração dos dispêndios realizados em atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial e agropecuário, não serão computados os montantes alocados, como recursos não reembolsáveis, por órgãos e entidades do poder público. .. Art. 20. Os incentivos fiscais dos incisos III e IV do art. 13 não serão concedidos simultaneamente com os previstos no inciso V do mesmo artigo. Art. 21. Quando o pleito contemplar os incentivos fiscais de que tratam os incisos V ou VI do art. 13, o PDTI ou PDTA deverá ser apresentado com a cópia da averbação dos contratos de transferência de tecnologia pelo Instituto de Propriedade Industrial (INPI). Art. 22. Os incentivos fiscais de que trata o inciso V do art. 13 somente serão concedidos à empresa que assumir o compromisso de realizar, na execução do PDTI ou PDTA, dispêndios em pesquisa e desenvolvimento, no País, em montante equivalente, no mínimo, ao dobro do valor desses incentivos, atualizados monetariamente. Art. 23. O crédito do IR retido na fonte, a que se refere o inciso V do art. 13, será restituído em moeda corrente, dentro de trinta dias de seu recolhimento, conforme disposto em ato normativo do Ministério da Fazenda. No caso, o ato normativo a que se refere o art. 23 supra é a Portaria MF nº 267/96, que definiu as condições para gozo do incentivo, conforme segue: PORTARIA MF Nº 267, DE 26 DE NOVEMBRO DE 1996 "Dispõe sobre a restituição de 50% do IRRF à empresas titulares de PDTI ou PDTA." Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, INTERINO, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 23 do Decreto nº949, de 5 de outubro de 1993, resolve: Art. 1ºA restituição de 50% (cinqüenta por cento) do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de "royalties", de assistência técnica, científica e de serviços técnicos especializados, previstos em contratos averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial, será paga em moeda corrente, a pedido das empresas titulares de Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI, ou de Programa de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário PDTA, no prazo de trinta dias, contados da data de entrada do pedido. Art. 2ºO pedido deverá ser dirigido à Unidade Local da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio fiscal da requerente, com a informação do número da conta-corrente e agência bancária em que a interessada deseja receber o crédito da restituição, anexado dos seguintes documentos. I - segunda via do Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF, autenticada mecanicamente, comprovando o recolhimento do imposto; II - certificado de averbação expedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI; III - portaria expedida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT, atestando que a empresa está habilitada ao benefício, com indicação da data de sua publicação no Diário Oficial da União; IV - certidões negativas expedidas pela Secretariada Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, conforme estabelece, respectivamente, o art.60 da Lei nº9.069, de 29 de junho de 1995, e art. 84, inciso I, alínea "a", do Decreto nº612, de 21 de julho de 1992; V - comprovante dos valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes no exterior. Art. 3º Reconhecido o direito creditório, a restituição será paga, através da emissão de Ordem Bancária - OB, em favor do interessado. Pois bem, estabelecido as bases legais pertinentes a matéria sob análise, passamos a análise do caso concreto. A Recorrente cumpriu os requisitos dos incisos I e II do dispositivo retro juntando aos autos os respectivos documentos, tal circunstância foi reconhecida pela própria decisão de primeira instância. Quanto a habilitação expedida pelo MCT por meio de portaria, conforme disposto no inciso III supra, a Recorrente havia apresentado em primeira instância apenas a Portaria MCT nº 803 de 28/09/2000 que concedeu o incentivo previsto no inciso V do art. 13 do Decreto 949/93 até a data de 18/06/2002, in verbis: Portaria MCT nº 803, de 28 de setembro de 2000 (...) Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 Art. 2º O prazo para a fruição do incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se até 18 de junho de 2002. Neste ponto surge a divergência da Recorrente para com a decisão recorrida. Conforme constou da decisão atacada, não fora anexado aos autos qualquer outro ato autorizativo do MCT prorrogando o prazo de fruição deste benefício. Como o período de recolhimento do IRRF que a Recorrente busca a restituição ultrapassa esta data, seu pleito foi indeferido. Contudo, em sede de Recurso Voluntário a Interessada trouxe que em 06/05/2003 foi publicado a Portaria MCT nº 203/03 aprovando novo PDTI em favor da Recorrente nos termos que transcrevo: PORTARIA Nº 203, DE 30 DE ABRIL DE 2003 Dispõe sobre a aprovação do Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI de titularidade da empresa 3M DO BRASIL LTDA e concede os incentivos fiscais que especifica. O Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto nos arts. 5º, "caput", e 30 do Decreto nº 949, de 5 de outubro de 1993, as alterações da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, resolve: Art. 1º Aprovar o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial - PDTI de titularidade da empresa 3M DO BRASIL LTDA, inscrita no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda sob o nº 45.985.371/0001-08, de acordo com o Processo MCT/SEPTE nº 01.0002/03, e conceder-lhe, para a aprazada e fiel execução do referido Programa, os seguintes incentivos fiscais: I - dedução, até o limite de quatro por cento do Imposto de Renda - IR devido, de valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto à soma dos dispêndios com atividades de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico industrial, incorridos no período base, classificáveis como despesas pela legislação desse tributo, inclusive pagamentos a terceiros, na forma prevista no art. 8º do Decreto nº 949/93, podendo o eventual excesso ser aproveitado no próprio ano-calendário ou nos dois anos-calendário subseqüentes, no valor de até R$ 2.079.503,00; II - crédito de trinta por cento do IR retido na fonte e redução de vinte e cinco por cento do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos e Valores Mobiliários incidentes sobre valores pagos, remetidos ou creditados a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, a título de "royalties", de assistência técnica ou científica e de serviços especializados, previstos em contratos de transferência de tecnologia averbados nos termos do Código da Propriedade Industrial, no valor de até R$ 2.440.000,00. Art. 2º O prazo para a fruição do incentivo fiscal de que trata o artigo anterior inicia-se na data de publicação desta Portaria e estende-se por sessenta meses. Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 (...)” (grifou-se) Note-se que a portaria acima determina um prazo de 60 meses para concessão do incentivo em questão, logo a Recorrente poderia usufruí-lo até a data de 30/04/2008. Ainda, conforme portaria anexa aos autos de nº 10830.907977/2012-82 , julgado nesta mesma sessão, tem-se que foi publicada em 12/03/2007 a Portaria MCT nº 133/07 revogando a de nº 203/03 supra citada, a pedido da própria Recorrente face a sua migração para o regime especial regido pela Lei 11.196/2005, conhecida como “Lei do Bem”. Desta forma tem-se que no período compreendido entre 06/05/2003 até 11/03/2007 a Recorrente efetivamente gozava do direito aos benefícios fiscais do PDTI, instituído pela Lei 8.661/93. Ao contrário do constatado na decisão de primeira instância. Outrossim, importa dizer que os recolhimentos de IRRF objetos do presente pedido de restituição foram feitos sob o código 0422, específico para Royalties e Pagamento de Assistência Técnica, tendo como fato gerador importâncias pagas, remetidas, creditadas, empregadas ou entregues a residentes ou domiciliados no exterior, por fonte localizada no Brasil, a título de: - pagamento de royalties para exploração de patentes de invenção, modelos, desenhos industriais, uso de marcas ou propagandas; - remuneração de serviços técnicos, de assistência técnica, de assistência administrativa e semelhantes; - direitos autorais, inclusive no caso de aquisição de programas de computador (software), para distribuição e comercialização no Brasil ou para uso próprio, sob a modalidade de cópia única, exceto películas cinematográficas. Em outras palavras, como bem asseverou a decisão de piso, trata-se de um código específico para remessas ao exterior de royalties e pagamentos de assistência técnicas. Assim, tem-se que os recolhimentos objetos da PER se enquadram efetivamente nas hipóteses do regime especial concedido à Recorrente. Diante deste cenário, VOTO por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente usufruir do direito creditório oriundos do PDTI sobre os recolhimentos de IRRF referentes ao período de 06/05/2003 a 11/03/2007. É como voto. Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-003.959 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.907968/2012-91 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15507.5KQP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 09/01/2020 11:02:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 09/01/2020. Documento assinado digitalmente por: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES em 10/01/2020. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/02/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0222.15507.5KQP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 40A06EF5B14914FAB018E2EFF90A711D2BAF7F3AAB29443BDC00E9BDC363C41F Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.909154/2012-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10444.720468/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 15/07/2010 a 16/07/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO.
Não verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre rejeitar os embargos.
Numero da decisão: 3301-011.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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CONTRADIÇÃO MATERIAL. OMISSÃO. Não verificada contradição e omissão no acórdão embargado, cumpre rejeitar os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jose Adao Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques D Oliveira (suplente convocado), Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do Despacho de Admissibilidade destes embargos de declaração (fls. 9592/98604): A embargante sustenta que o acórdão atacado padece dos seguintes vícios: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 44 4. 72 04 68 /2 01 7- 13 Fl. 9644DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 1. Omissão quanto à análise de documentos hábeis a afastar as alegações fiscais quanto ao cálculo dos insumos consumidos para efeito de cumprimento do benefício de Drawback; 2. Contradição entre o entendimento esposado na decisão e as alegações constantes no termo de verificação fiscal, no que tange aos cálculos para quantificar os insumos consumidos; 3. Erro material cometido no acórdão embargado quanto à fundamentação do decisum, ao mencionar o artigo 17 do Decreto-lei nº 2.498/98, não vigente à época dos fatos; 4. Contradição entre a decisão de incluir as despesas de capatazia no valor aduaneiro e o fato de as referidas despesas ocorrerem após a chegada ao porto, nos termos do artigo 40, §1º, I da Lei nº 12.815/2013. Os embargos de declaração estão previstos no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF - aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Segundo Luiz Guilherme Marinoni1: Obscuridade significa falta de clareza, no desenvolvimento das ideias que norteiam a fundamentação da decisão. Representa ela hipótese em que a concatenação do raciocínio, a fluidez das idéias, vem comprometida, ou porque exposta de maneira confusa ou porque lacônica, ou ainda porque a redação foi mal feita, com erros gramaticais, de sintaxe, concordância, etc. capazes de prejudicar a interpretação da motivação. A contradição, à semelhança do que ocorre com a obscuridade, também gera dúvida quanto ao raciocínio do magistrado. Mas essa falta de clareza não decorre da inadequada expressão da ideia, e sim da justaposição de fundamentos antagônicos, seja com outros fundamentos, seja com a conclusão, seja com o relatório (quando houver, no caso de sentença ou acórdão), seja ainda, no caso de julgamentos de tribunais, com a ementa da decisão. Representa incongruência lógica, entre os distintos elementos da decisão judicial, que impedem o hermeneuta de aprender adequadamente a fundamentação dada pelo juiz ou tribunal." Omissão quanto à análise de documentos hábeis a afastar as alegações fiscais quanto ao cálculo dos insumos consumidos para efeito de cumprimento do benefício de Drawback A embargante sustenta omissão na decisão quanto à análise de planilhas que demonstravam erros e inconsistências que invalidavam a acusação fiscal de existência de “sobras de insumos”, de modo que qualquer dúvida deveria conduzir à realização de diligência. A decisão apreciou a questão no tópico “Verdade material – ausência de “sobras de insumos” e cumprimento do acordo assumido no Ato Concessório”, cujos excertos transcrevem-se abaixo: “Afirma que cumpriu integralmente o ato concessório nº 20100042678, uma vez que todos os produtos químicos importados foram utilizados para produção das mercadorias destinadas à exportação, inclusive, Fl. 9645DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 ressalta que houve excesso de exportação. Diante disso, seria incompatível a alegação fazendária de “sobras de insumo” e de “exportação em excesso”: [...]Então, resume a sua atividade em 03 produtos: Wet Blue Integral (couro curtido, que não sofreu a atividade física de divisão da peça), Gemini e Pegasus (são nomes de produtos que corresponde aos códigos internos da empresa, sendo referentes ao couro semi-terminado). E propõe novas fórmulas que seriam mais precisas que os levantamentos realizados pela fiscalização, os quais refletiriam a realidade. Como prova de suas alegações, apresenta gráfico anexo e duas planilhas, que demonstrariam “as diversas etapas necessárias para a fabricação de dois tipos de couros exportados e a quantidade de insumos utilizados em casa uma delas, o que, repita-se de forma veemente, não foi considerado pela fiscalização e pela r. decisão recorrida”. Não há o que se deferir, porquanto a investigação das quantidades autorizadas pelo Ato Concessório, para se aferir o cumprimento ou não do Drawback, foi possível com base nas informações fornecidas pela própria Recorrente. Ademais, não é verídica a afirmação de que sua atividade resume-se a apenas 3 produtos, como visto no tópico anterior. Por fim, não há falar-se em novas “fórmulas” mais precisas, pois o levantamento efetuado pela fiscalização se deu com base em Relatório fornecido pela JBS, bem Documento nato-digital Fl. 3 do Despacho da 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Processo nº.10444.720468/2017-13 como dados dos sistemas da RFB. Tal cálculo utilizou como base as matrizes insumo-produto obtidas pela leitura dos Relatórios de produção entregues pela JBS. A fiscalização procedeu ao cruzamento entre os dados constantes no DOC 3 – Itens de Exportação e os dados que constam do DOC 8 – Relatório de NF Produtos Exportados, utilizando como referência a classificação informada pela JBS em resposta ao item '4' do Termo de Intimação 07-2017 (DOC 22 - Classificação em gêneros de produtos - Resposta ao item 4 do Termo de Intimação 07-2017). Assim, “foi possível observar que a empresa cumpriu em alguns casos o compromisso de exportar, e descumpriu em outros casos, seja por falta de exportação ou por exportações feitas além da quantidade acordada. Os detalhes da análise constam do DOC 11 – Quantidades Exportadas vs Acordada”. Então, foi constatado: DOS GÊNEROS DE PRODUTOS SEM QUALQUER EXPORTAÇÃO Do resultado da análise constante do DOC 11 – Quantidades Exportadas vs Acordada é possível identificar que em alguns dos gêneros de produtos o compromisso de exportar foi totalmente descumprido (0% de exportação). Nestes casos não há muito o que se fazer em relação a identificação dos insumos empregados, sendo que a quantidade de insumos empregados é 0 (zero), visto que não houve qualquer exportação. DOS GÊNEROS DE PRODUTOS COM EXPORTAÇÃO ABAIXO DO ACORDADO Também é possível identificar no resultado da análise constante do DOC 11 – Quantidades Exportadas vs Acordada que em alguns casos a JBS cumpriu parcialmente o compromisso de exportação, sendo que a quantidade exportada ficou inferior a 100% da quantidade acordada. Nestes casos foi necessário que esta fiscalização realizasse os cálculos dos insumos empregados em cada produto exportado, utilizando como base as matrizes insumo-produto que seriam obtidas pela leitura dos Fl. 9646DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 relatórios de produção entregues pela JBS com o emprego da forma de cálculo detalhada no item 9.3. DOS GÊNEROS DE PRODUTOS COM EXPORTAÇÃO ACIMA DO ACORDADO Além das duas situações exposta anteriormente, foi possível identificar com base na análise constante do DOC 11 – Quantidades Exportadas vs Acordada que em algumas situações a JBS exportou além da quantidade acordada (acima de 100%). Outrossim, o argumento de incompatibilidade entre “sobras de insumo” e de “exportação em excesso” não procede, pois o Drawback exige a completa relação insumo-produto específica de cada um dos produtos a serem exportados. Logo, cabe à beneficiária do Regime comprovar a exata aplicação das mercadorias importadas e desembaraçadas - sem o recolhimento dos tributos devidos na importação no processo industrial para obtenção de mercadoria destinada a exportação, em cumprimento do Princípio da Vinculação Física. Ademais, o Drawback é restrito a acordo com quantidades pré-definidas de importação de insumos e de produtos exportados. Por isso, nos termos do art. 94 da Portaria SECEX nº 23/11, caberia a interessada solicitar alterações no Ato Concessório 20100042678. Por isso, corretamente a fiscalização glosou as quantidades exportadas em excesso para desconsiderá-las para fins do efetivo emprego dos insumos importados ao amparo do Ato Concessório (foram considerados efetivamente empregados aqueles insumos utilizados nos produtos exportados até o limite de 100% do acordado para cada gênero de produto autorizado pelo Ato Concessório 20100042678). A metodologia da apuração das sobras de insumos foi a seguinte: [...]Por fim, quanto à alegação de equívocos da fiscalização ao calcular os insumos importados que foram utilizados na produção de couros Wet Blue Integral e Wet Blue Dividido, aponto que o acórdão recorrido consignou que não logrou êxito a empresa em demonstrar o desacerto dos cálculos da fiscalização e provar as suas alegações. As razões são transcritas as seguir, com as quais concordo integralmente. Confira-se: [...]Em suma, não foram trazidos aos autos em impugnação ou recurso voluntário documentos que pudessem afastar as constatações da fiscalização. Ratifico, portanto, a negativa de provimento das alegações de cumprimento do Regime. Constata-se que não houve omissão quanto à análise das planilhas, mas sim convencimento contrário ao da embargante quanto à invalidade dos levantamentos efetuados pela fiscalização em face dos documentos apresentados. Os embargos, na realidade, revelam inconformismo com o mérito da decisão tomada. Contradição entre o entendimento esposado na decisão e as alegações constantes no termo de verificação fiscal, no que tange aos cálculos para quantificar os insumos consumidos Neste ponto, a embargante sustenta que “há nítida contradição entre o v. acórdão embargado e o termo de verificação fiscal que fundamentou a lavratura dos autos de infração, pois partiram de premissas absolutamente divergentes. Enquanto o v. acórdão afirma que os cálculos foram fornecidos pela Fl. 9647DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Embargante, o termo de verificação fiscal é claro no sentido de que foram realizados cálculos estimados.” Conclui pela necessidade de acolhimento dos embargos, para que seja sanado o vício e “, por consequência, reformar o v. acórdão embargado para cancelar os autos de infração, com fundamento no art. 142 do Código Tributário Nacional, uma vez que a fiscalização criou matrizes estimadas e utilizou média aritmética, que não refletem com a realidade dos fatos e apresentam comprovadas inconsistências nos cálculos dos insumos utilizados na fabricação do couro”. A decisão apreciou a questão conforme abaixo: “Insubsistência dos lançamentos tributários – afronta ao artigo 142 do CTN Discorre que, nos termos do art. 142 do CTN, a “fiscalização tem o dever de investigar pormenorizadamente a ocorrência do fato gerador, aprofundando o trabalho fiscal mediante a realização das diligências e perícias que entender necessárias, não sendo admitido o lançamento pautado em presunções, ou, então, em cálculos estimados ou média aritmética, como ocorreu no caso concreto”. Então, aponta que para subsidiar os cálculos das supostas “sobras de insumos”, a fiscalização criou matrizes estimadas e, ainda, considerou médias aritméticas, que não condizem com o processo produtivo do couro e o consumo dos produtos químicos importados, conforme amplamente sustentado pela Recorrente desde a fiscalização. Todavia, ao contrário do que argumenta, a fiscalização não tratou a fabricação do couro como um processo linear, tampouco deixou de considerar as particularidades e etapas do processo produtivo. É uma falácia a afirmação da empresa de que houve o simples cotejo entre os insumos importados e produtos exportados. Da mesma forma, de que o cálculo das “sobras de insumos” se deu com base em presunções. Isso porque os dados utilizados pela autoridade fiscal foram fornecidos pela própria empresa. Quanto a verificação do efetivo emprego dos insumos importados nos produtos exportados, a JBS entregou Laudo Técnico para demonstrar quais insumos químicos eram utilizados em cada tipo de acabamento realizado nas peças de couro ou raspa (Wet Blue, Semi-Acabado, Acabado). Entretanto, apontou a fiscalização que o Laudo Técnico “fazia referência à 3(três) tipos de acabamento realizados nas peças, e não especificamente aos 11(onze) produtos autorizados para exportação, não ficando claro se todos os tipos de produtos classificados no mesmo tipo de acabamento utilizavam a mesma quantidade e características de insumos (por exemplo se o Couro Wet Blue Inteiro Dividido utilizaria o mesmo que o Couro Wet Blue Inteiro Integral)”. Por isso, solicitou à JBS a matriz dos insumos empregados em cada um dos 11(onze) tipos de produtos a serem exportados. Todavia, da análise das Notas Fiscais de exportação, verificou-se que se tratavam de 11(onze) gêneros de produtos, sendo a quantidade correta de produtos a serem exportados na casa de 1.436 (mil quatrocentos e trinta e seis), todos estes identificados por seus códigos internos. Com isso foi solicitado à JBS, a relação entre os insumos importados ao amparo do Ato Concessório, os documentos de ordem de fabricação da empresa que demonstrassem o emprego desses insumos e a exportação dos produtos acabados, além do envio dos relatórios internos das ordens Fl. 9648DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 de fabricação. Ressalte-se que a resposta da empresa foi que não havia embasamento legal para essa exigência da fiscalização. Logo, diante dessas respostas, foi realizada “diligência na planta do estabelecimento, a fim de compreender melhor o processo produtivo da empresa e verificar a possibilidade de extração, dos sistemas da JBS, de ordens de fabricação (OF) dos 1.436 (mil quatrocentos e trinta e seis) produtos exportados ao amparo do Ato Concessório, no intuito de identificar a real relação insumo-produto de cada um deles”, oportunidade em que fora constatado que a JBS possuía sistemas de controle de produção e que seria possível a extração dos dados de ordens de fabricação dos produtos exportados ao amparo do referido Ato Concessório. Por isso, foi intimada a apesentar tais relatórios, os quais foram considerados pela fiscalização na análise e identificação das matrizes insumo-produto. Confira-se o relato da fiscalização: [...]Como visto, a forma de cálculo foi ratificada pela empresa em resposta aos Termos de Intimação 12/2017 e 13/2017. Todos os cenários e cálculos estão listados nas e-fls. 8717- 8736, tendo sido retirados do Relatório fornecido pela empresa: Couro Verde; Aplicação Inicial de Químicos; Nenhum Insumo Acumulado; Etapa Com Recebimento de Peças de Couro Provenientes de Duas(ou mais) Etapas Distintas; Aplicação de Insumos Com a Utilização de Uma Fórmula de Curtimento; Aplicação de Insumos Com a Utilização de Uma Fórmula de Caleiro; Envio de Peças e Químicos Para Aplicação Por Terceiros(sem indicação de quantas das peças retornadas continuam na cadeia); Envio de Peças e Químicos Para Aplicação Por Terceiros(com indicação de quantas das peças retornadas continuam na cadeia); Recebimento de Peças Com Químicos Acumulados, Mas Sem Aplicação de Novos Químicos; Divisão do Couro Integral em Couro Dividido e Raspa; Corte do Couro ou da Raspa em Meios(feito na própria empresa); Corte do Couro ou da Raspa em Meios(feito no terceiro); Linhas Que Representam os Totais do Produto Produzido; Aplicação da Taxa de Rendimento Sobre a Área Produzida de Couro; Conversão da Área de P² para M²; Cálculo da Relação Insumos/Produto em KG/M²; do cenário de caleiro não mapeado no exemplo. A autoridade fiscal utilizou as matrizes específicas dos relatórios da empresa apresentados no final da fiscalização, desconsiderando a matriz genérica da classe do produto apresentada no início do procedimento. Por conseguinte, conclui-se que não houve arbitrariedade, equívocos ou presunções por parte da fiscalização, tendo a Recorrente tecido argumentos retóricos sem Documento nato-digital Fl. 6 do Despacho da 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Processo nº.10444.720468/2017-13 documentação hábil que pudesse ilidir as informações por ela própria passadas ao longo dos muitos Termos de Intimação, sobretudo no extenso Relatório produzido pela empresa. Em suma, entendo que a Recorrente não provou as alegadas inconsistências supostamente cometidas pela fiscalização ao calcular os insumos importados que foram utilizados na produção dos couros. [...]Por fim, não há falar-se em novas “fórmulas” mais precisas, pois o levantamento efetuado pela fiscalização se deu com base em Relatório fornecido pela JBS, bem como dados dos sistemas da RFB. Tal cálculo utilizou como base as matrizes insumo-produto obtidas pela leitura dos Relatórios de produção entregues pela JBS. A fiscalização procedeu ao cruzamento entre os dados constantes no DOC 3 – Itens de Exportação e os dados que constam do DOC 8 – Fl. 9649DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Relatório de NF Produtos Exportados, utilizando como referência a classificação informada pela JBS em resposta ao item '4' do Termo de Intimação 07-2017 (DOC 22 - Classificação em gêneros de produtos - Resposta ao item 4 do Termo de Intimação 07-2017). Assim, “foi possível observar que a empresa cumpriu em alguns casos o compromisso de exportar, e descumpriu em outros casos, seja por falta de exportação ou por exportações feitas além da quantidade acordada. Os detalhes da análise constam do DOC 11 – Quantidades Exportadas vs Acordada”. [...]A metodologia da apuração das sobras de insumos foi a seguinte: DA APURAÇÃO DOS INSUMOS EFETIVAMENTE EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS Tendo em vista a definição da Matriz Insumo-Produto de cada um dos 1.436 (mil quatrocentos e trinta e seis) produtos exportados, identificadas no DOC 12 – Matrizes Insumo-Produto Reais, passamos ao cálculo dos insumos efetivamente empregados nos produtos exportados. Tal cálculo foi feito com base na relação de produtos exportados em M², de acordo com o disposto no DOC 8 – Relatório de NF Produtos Exportados, debitando-se para cada uma dessas exportações a quantidade de cada KG de insumo importado para cada M² de produtos exportados de acordo com a Matriz Insumo-Produto de cada produto. O débito foi feito da lista de insumos importados relacionados no - DOC 6 – Relatório de DI ao Amparo do AC-, utilizando-se do método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai). Dos cálculos realizados de acordo com o parágrafo anterior, obtemos que a quantidade dos insumos importados efetivamente utilizados nos produtos exportados são as relacionadas no DOC 13 – Relação de Quantidades de Insumos Efetivamente Utilizados. Além disso o DOC 14 – Detalhamento do Consumo de Insumos Por Exportação, demonstra de forma detalhada o consumo dos insumos realizado por cada exportação efetuada. DAS SOBRAS DE INSUMOS Ao compararmos a totalidade dos insumos importados (relacionados no -DOC 6 – Relatório de DI ao Amparo do AC-) com a quantidade de cada insumo efetivamente utilizada (constante do DOC 13 – Relação de Quantidades de Insumos Efetivamente Utilizados), é possível perceber que nem todos os insumos importados foram efetivamente empregados nos produtos exportados. Portanto o DOC 15 - Relação de Quantidades de Insumos Não Utilizados, demonstra os insumos e suas quantidades não utilizadas nos produtos exportados, os quais deverão ser objeto de lançamento para fins de cobrança dos tributos suspensos, tendo em vista o não cumprimento do acordo firmado por meio do Ato Concessório 20100042678. [...]Por fim, quanto à alegação de equívocos da fiscalização ao calcular os insumos importados que foram utilizados na produção de couros Wet Blue Integral e Wet Blue Dividido, aponto que o acórdão recorrido consignou que não logrou êxito a empresa em demonstrar o desacerto dos cálculos da fiscalização e provar as suas alegações. As razões são transcritas as seguir, com as quais concordo integralmente. Confira-se: 1.A – Alegações Relativas aos Couros Wet Blue Integral Em relação aos couros Wet Blue Integral, o contribuinte argumenta que é possível notar uma distorção considerável entre o cálculo da impugnante e a matriz consumo enviado pelo fiscal. Para isso juntou o documento denominado DOC 02, para comparação com a planilha da fiscalização DOC 12. Fl. 9650DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Em apreciação ao referido documento "DOC 02", trata-se de um arquivo em Excel, contendo duas planilhas, “Plan1” e “Plan2”. Na planilha “Plan1”, consta uma relação de informações no total de 3.044 linhas, cujas colunas são “RG Exemplo”,”Destino”,”Local Destino”,”Origem”,”Tipo Produto”,”Local Origem”,”Cod. Artigo”,”Artigo”, “Peças”, “Área”, “Kilos Previstos”,”Kilos”. Na “Plan2”, há uma relação de elementos químicos relacionados aos locais “QUIMICO CALEIRO” e “QUIMICO CURTIMENTO”, uma tabela com 28 linhas, bem como colunas de informações “Peças”, “Kilos”, “kg/Peça”, “Kg /Metros”, “resultado/2”, “%” , “kg/Metros”,”Artigo”. Há ainda o destaque em cor amarela da linha correspondente ao elemento químico “SULFATO BÁSICO DE CROMO”, nas informações “0,381744” (kg / Metros), “0,190872” (resultado/2), “0,191755” (kg / Metros), “8938 – SULFATO BÁSICO DE CROMO”. Observando o mencionado documento "DOC 12" da fiscalização, trata-se de um arquivo no formato “Excel”, contendo uma única planilha denominada “Relatório”, e, conforme descrito no relatório de fiscalização às folhas 8.739 e 8.743, trata-se do relatório-tabela contendo 80.243 linhas, e que contém as matrizes insumo-produto reais, levantadas pela fiscalização. Para cada produto, tem-se a relação dos insumos químicos para a elaboração e as respectivas quantidades, colunas “RELAÇÃO (KG/M²)” e “INSUMO”. Tais matrizes insumo-produto reais (ou exatas) foram obtidas pela fiscalização a partir de informações oriundas dos sistemas informatizados da JBS, e contém os registros dos insumos efetivamente ordenados pela produção. A partir da menção a estes documentos e informações, o contribuinte afirma que “é possível notar uma distorção considerável entre o cálculo da impugnante e a Matriz de Consumo de Produto Químico enviado pelo fiscal”. Afirma ainda que “O consumo demonstrado no cálculo do fiscal é em torno de 50% menor que o da empresa, o que nos faz concluir que houve uma interpretação errônea por parte do Fiscal, que calculou os insumos do Wet Blue Integral como se Wet Blue Dividido fossem”. Em análise às citadas planilhas do arquivo "DOC 2”, apresentado pelo impugnante, o seu teor não permite vislumbrar como fora realizado o referido “cálculo da impugnante”. O que há apenas é menção a algumas informações “0,381744” (kg / Metros), “0,190872” (resultado/2), “0,191755” (kg / Metros), “8938 – SULFATO BÁSICO DE CROMO”, o que por si só não evidenciam a alegada distorção considerável em relação às informações da fiscalização. Relativamente aos dados informados nas planilhas do “DOC 2”, também não há menção quanto a origem destas informações. Este julgador, na tentativa de comparar as informações contidas no arquivo “DOC 2” com as contidas no arquivo “DOC 12” constatou tratar-se de planilhas com informações distintas. Em outras palavras, o impugnante não logra êxito em demonstrar, desta forma, a existência de “distorção considerável” entre o que seria o “cálculo da impugnante” e a “Matriz de Consumo de Produto” da fiscalização. E, da mesma forma, através do acima relatado, o contribuinte não demonstrou, de forma compreensível, que “O consumo demonstrado no cálculo do fiscal é em torno de 50% menor que o da empresa”. Tal afirmativa não restou evidenciada através dos elementos apresentados pelo contribuinte, no presente momento. B – Alegações Relativas aos Couros Wet Blue Dividido Em relação aos couros Wet Blue Dividido, o contribuinte argumenta que há produtos químicos que foram importados em regime de drawback e, de fato, consumidos nas ordens de produção. Afirma ainda que tais produtos não constam na “Matriz de Consumo de Produto Químico” da fiscalização. Fl. 9651DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Faz ainda menção à planilha apresentada “DOC. 03”. Em apreciação ao referido documento “DOC. 03”, temos que neste arquivo há duas planilhas, “BD” e “Resumo”. A planilha “BD” trata-se de um conjunto de dados com 6.691 linhas e 12 colunas, “RG Exemplo”,”Destino”,”Local Destino”,”Origem”,”Tipo Produto”,”Local Origem”,”Cod. Artigo”,”Artigo”, “Peças”, “Área”, “Kilos Previstos”,”Kilos”. Na planilha “Resumo”, há uma relação de elementos químicos relacionados aos locais “QUIMICO CALEIRO”, “QUIMICO CURTIMENTO”, “QUIMICO REMOLHO” E “Terceiro”, uma tabela com 89 linhas, bem como colunas de informações “Peças”, “Kilos”, “kg/Peça”, “Kg /Metros”, “resultado/2”, “%” , “kg/Metros”,”Artigo”. Há ainda o destaque em cor vermelha de 16 células na coluna “kg / Metros”. Em análise à referida planilha "Resumo", quanto aos 16 destaques na cor vermelha, temos que, a princípio, seriam os produtos a que se refere o contribuinte, que teriam sido consumidos na produção mas não constam como utilizados na planilha da fiscalização. Desta forma, temos tão somente sinalizados estes produtos, sem que o contribuinte tenha trazido maiores informações quanto ao seu consumo ou emprego destes insumos na produção, como estes foram utilizados, e/ou ainda porque os próprios sistema informatizado da JBS não mantinham tais produtos nos registros de ordem de produção. Em outras palavras, o contribuinte não trouxe elementos que levantassem dúvidas bastantes que justifique o encaminhamento dos presentes autos a eventual reavaliação dos cálculos pela fiscalização e/ou eventual perícia. 1.C – Alegações Relativas às Matrizes Insumo/Produto - Itens 5.11 e 5.12 da Impugnação Na impugnação, itens 5.11 e 5.12, o contribuinte apresenta tabela e alegações que a atividade desenvolvida pelo mesmo pode ser resumida em 03 produtos, sendo “wet-blue”, “Gemini” e “Pegasus”. Apresenta também relação ilustrada insumo/produto chamada “Balanço de Massa do Blue” e outra relação ilustrada para os produtos tipo Gemini e Pegasus. O contribuinte alega que as mencionadas fórmulas são mais precisas que os levantamentos realizados pelo Auditor Fiscal, os quais, data maxima venia, não refletem a realidade dos fatos e isto porque o racional do Fiscal partiu da utilização de cada produto químico, que não é a forma mais adequada, ante a complexidade e detalhes inerentes à atividade desenvolvida pela Impugnante. Verifica-se que o contribuinte, na presente oportunidade, traz a conhecimento, fórmulas e/ou relações insumo/produto desacompanhadas de elementos de comprovação da sua validade e do seu real emprego no processo produtivo e que fora auditado pela fiscalização. A simples apresentação de informações desprovidas de conjunto probatório capaz de levantar dúvida razoável acerca das conclusões, frente aos elementos já consolidados nos presentes autos, não tem, na visão deste julgador, o condão de justificar dilação probatória para confirmação de supostas informações que necessitam de um fundamento mínimo para tal. Ademais, em apreciação ao processo, verifica-se que a fiscalização teve o cuidado na apuração das matrizes insumo/produto, mediante o uso das massas de dados e registros da própria pessoa jurídica, e análise dos registros dos comandos de produção da própria JBS. Ainda, a metodologia adotada pela fiscalização, em realizar diversas intimações fiscais para que o contribuinte apresentasse todos os elementos relativos ao processo produtivo, a recepção, pela fiscalização, das diversas retificações solicitadas pela empresa e a realização de diligência ao estabelecimento industrial para a coleta de evidências e Fl. 9652DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 informações trazem, na percepção deste julgador, que o conjunto probatório apurado pela fiscalização é robusto o bastante para sustentar a presente autuação, e assim, as dúvidas levantadas pelo contribuinte estão aquém do necessário para convencimento em sentido contrário. Apreciando-se as informações trazidas pela fiscalização, no item 9.4.1 do relatório de fiscalização, folhas 8736 a 8738, relativamente às quantidades exportadas pelo contribuinte constantes nos Registros de Exportação (RE) e notas fiscais eletrônicas (NF-e), dão conta que o contribuinte, em relação ao compromisso de exportação do ato concessório itens 1, 2, 4, 6 e 8, exportou quantidades superiores às acordadas. Já nos itens 3, 5, 7 e 10, houve exportação em quantidades inferiores às acordadas e para os demais itens, 9 e 11, não houve registro de qualquer exportação vinculada ao cumprimento do ato concessório em questão. (...)Assim, no momento de obtenção do ato concessório junto ao SECEX, considerando que as informações e formulação insumo/produto foram prestadas pelo contribuinte de forma correta, e ainda o fato de, nos presentes autos, não constar qualquer informação em sentido contrário, é possível deduzir que parte dos itens produzidos e exportados em excesso, itens 1, 2, 4, 6 e 8, consumiram parte dos insumos que seriam necessários ou deveriam ter sido utilizados para a produção dos produtos parcialmente ou totalmente faltantes, itens 3, 5, 7, 9, 10 e 11. Também é possível concluir que, por mais que se tente discutir diferentes formulações para as relações insumo/produto relativos aos processos produtivos em questão, tal como pretende o impugnante, em nada mudaria as quantidades de produtos que deixaram de ser exportadas e deixaram de ser honradas no ato concessório nº 20100042678. O contribuinte, em sua peça impugnatória, basicamente expõe: "5.12.1 A partir das fórmulas acima expostas, pode-se verificar que todos os produtos importados pela Impugnante foram utilizados no seu processo produtivo e, posteriormente, exportados. Isto é, utilizando tais fórmulas, é possível verificar que o Ato Concessório nº 20100042678 foi integralmente cumprido.". (grifo nosso) ...... "5.12.5 Assim sendo, em uma análise mais minuciosa do presente caso, pode-se verificar que utilizado as fórmulas acima desenvolvidas, o ato concessório nº 20100042678 foi integralmente cumprido, devendo ser cancelado o lançamento em questão." (grifo nosso) ...... "5.12.6 Subsidiariamente, requer, desde já, que os autos sejam baixados em diligência para que as fórmulas acima apresentadas sejam aplicadas para verificar se todos os produtos importados pela Impugnante foram utilizados em seu processo produtivo e, posteriormente, exportados." Verifica-se que a decisão descreveu detalhadamente toda a metodologia efetuada pela fiscalização e que a menção ao fato de que a fiscalização utilizou os dados da embargante referem- se aos dados dos relatórios extraídos dos sistemas de controle e das ordens de fabricação dos produtos, que embasaram a elaboração das planilhas pela autoridade fiscal. A decisão deixou claro que as matrizes insumo-produto foram obtidas a partir dos relatórios fornecidos pela embargante. O excerto abaixo esclarece o entendimento do acórdão: Fl. 9653DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 “O contribuinte alega que as mencionadas fórmulas são mais precisas que os levantamentos realizados pelo Auditor Fiscal, os quais, data maxima venia, não refletem a realidade dos fatos e isto porque o racional do Fiscal partiu da utilização de cada produto químico, que não é a forma mais adequada, ante a complexidade e detalhes inerentes à atividade desenvolvida pela Impugnante. Verifica-se que o contribuinte, na presente oportunidade, traz a conhecimento, fórmulas e/ou relações insumo/produto desacompanhadas de elementos de comprovação da sua validade e do seu real emprego no processo produtivo e que fora auditado pela fiscalização. A simples apresentação de informações desprovidas de conjunto probatório capaz de levantar dúvida razoável acerca das conclusões, frente aos elementos já consolidados nos presentes autos, não tem, na visão deste julgador, o condão de justificar dilação probatória para confirmação de supostas informações que necessitam de um fundamento mínimo para tal. Ademais, em apreciação ao processo, verifica-se que a fiscalização teve o cuidado na apuração das matrizes insumo/produto, mediante o uso das massas de dados e registros da própria pessoa jurídica, e análise dos registros dos comandos de produção da própria JBS.” Resta claro que a matriz insumo/produto não foi fornecida pela embargante, mas elaborada com base nos dados fornecidos pela embargante e neste sentido é que se afirmou que a apuração não foi baseada em presunções, mas com base em dados fornecidos pela embargante. Destarte, afasto a contradição alegada. Contradição entre a decisão de incluir as despesas de capatazia no valor aduaneiro e o fato de as referidas despesas ocorrerem após a chegada ao porto, nos termos do artigo 40, §1º, I da Lei nº 12.815/2013 Neste ponto, a embargante suscita contradição na decisão ao incluir as despesas de capatazia na base de cálculo das contribuições, utilizando fundamento legal que excluiria referidas despesas, uma vez que incorridas após a chegada ao porto. A decisão abordou a questão no voto vencedor, que utilizando o artigo 17 do Decretonº 2.498/98, concluiu pela inclusão das despesas de capatazia na base de cálculo: “A matéria controvertida diz respeito, precisamente, à previsão contida no item 2, letra "b", acima, a qual estabelece que "ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos (...) os gastos relativos ao carregamento, descarregamento e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação. Ainda no ano de 1986, ou seja, em data muito anterior aos fatos geradores de que se cuida no presente processo, por meio do Decreto 92.930/86, o Brasil exerceu a prerrogativa estabelecida no item 2, letra "b" do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, determinando a inclusão dos elementos especificados nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo 2º do artigo na base de cálculo do imposto de importação. Conforme se observa na legislação da época: Fl. 9654DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Art. 2º Na base de cálculo do imposto de importação, definida de conformidade com o acordo que com este decreto se promulga, serão incluídos os elementos a que se referem as alíneas a, b, e c, do parágrafo 2, de seu artigo oitavo. Essa opção foi mais tarde corroborada pelo Decreto nº 2.498/98, nos seguintes termos: Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): Documento nato-digital Fl. 11 do Despacho da 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Processo nº.10444.720468/2017-13 I - o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II - os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até o porto ou local de importação; e III - custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II. Destarte, é de se concluir que a base de cálculo do imposto de importação está definida no art. 2º, inciso II, do Decreto-lei 37/66, com redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472/88 Art.2º A base de cálculo do imposto é:) I - quando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria, expressa na unidade de medida indicada na tarifa; II - quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT Quanto à jurisprudência mencionada pela Recorrente, cumpre mencionar que nenhuma das decisões se refere especificamente a esta contribuinte, e que a decisão proferida no âmbito do Superior Tribunal de Justiça não foi tomada em regime de recurso repetitivo e, portanto, não é de observação obrigatória pelos integrantes deste Colegiado. Dessarte, conclui-se que as despesas com capatazia devem integrar o valor aduaneiro, base de cálculo do imposto sobre a importação.” Por sua vez, o voto vencido utilizou da mesma fundamentação legal, para entender de modo distinto, ou seja, que as despesas não poderiam ser incluídas na base de cálculo por incorrerem após a chegada ao porto, conforme excerto abaixo: “Entendo que assiste razão à Recorrente no pleito de exclusão das despesas de capatazia do valor aduaneiro das mercadorias importadas. Dispõe o art. 2º, II, do Decreto-Lei n.º 37/66 que a base de cálculo do Imposto de Importação é o valor aduaneiro: Art.2º - A base de cálculo do imposto é: (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988) (...)II - quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio - GATT. (Redação dada pelo Decreto-Lei nº 2.472, de 01/09/1988). Então, ao conceito de valor aduaneiro deve ser aplicado os acordos internacionais sobre o tema, de acordo com o art. 98 do CTN. Tal veículo normativo é o Acordo de Valoração Aduaneira - AVA, cujo art. 8° prescreve: Fl. 9655DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Artigo 8 (...)2. Ao elaborar sua legislação, cada Membro deverá prever a inclusão ou a exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos seguintes elementos: (a) - o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; (b) - os gastos relativos ao carregamento descarregamento e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; e Documento nato-digital Fl. 12 do Despacho da 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Processo nº.10444.720468/2017-13 (c) - o custo do seguro. Nesses termos, o Regulamento Aduaneiro aplica a previsão do AVA, Decreto nº 6.759/09: Art. 77. Integram o valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 8, parágrafos 1 e 2, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994; e Norma de Aplicação sobre a Valoração Aduaneira de Mercadorias, Artigo 7º, aprovado pela Decisão CMC nº 13, de 2007, internalizada pelo Decreto nº 6.870, de 4 de junho de 2009): ( Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 15 de junho de 2010 ) I - o custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado onde devam ser cumpridas as formalidades de entrada no território aduaneiro; II - os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso I; e III - o custo do seguro da mercadoria durante as operações referidas nos incisos I e II. Por conseguinte, compõem o valor aduaneiro apenas os gastos despendidos até o porto ou local da importação, o que exclui as despesas referentes à manipulação e movimentação de mercadorias ocorridas já em território nacional. As despesas de capatazia referem-se à movimentação, manipulação, arrumação, entrega, carregamento e descarregamento de embarcações de mercadorias dentro do porto, logo são despesas incorridas após a chegada em território nacional. Dessa forma, as despesas de capatazia não devem integrar valor aduaneiro para fins de incidência dos tributos aduaneiros.” Verifica-se que, na realidade, ambos os votos utilizaram o mesmo fundamento legal, isto é, a expressão “os gastos relativos à carga, à descarga e ao manuseio, associados ao transporte da mercadoria importada, até a chegada aos locais referidos no inciso”, mas concluíram de modo divergente. O voto vencido expôs que as despesas de capatazia referiam-se à movimentação dentro do porto, portanto, incorridas após a chegada em território nacional. Contudo, o voto vencedor não refuta esta afirmação, apenas utiliza o mesmo fundamento para concluir de modo diverso. Entendo, pois, haver uma omissão e não, propriamente, uma contradição, no voto vencedor por não rebater o argumento central do voto vencido que seria o fato de as despesas de Fl. 9656DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 capatazia terem ocorrido dentro do porto, o que configuraria após a chegada ao porto. Erro material cometido no acórdão embargado quanto à fundamentação do decisum, ao mencionar o artigo 17 do Decreto-lei nº 2.498/98, não vigente à época dos fatos O erro apontado pela embargante diz respeito à utilização do artigo 17 do Decreto nº 2.498/98 no voto, embora tal decreto não esteja mais vigente nos fatos geradores objeto do lançamento (15/07/2010 a 16/07/2012). De fato, o Decreto nº 2.498/98 não estava mais vigente, tendo sido revogado pelo Decreto nº 4.543/2002 e este, pelo Decreto nº 6.759/2009, que foi utilizado no voto vencido e cujo artigo 77 contém, em sua matriz legal (artigo 8º do Acordo de Valoração Aduaneira), a matriz legal exposta no artigo 17 do revogado Decreto nº 2.498/98. Documento nato-digital Fl. 13 do Despacho da 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Processo nº.10444.720468/2017-13 Embora tal erro não necessitasse ser sanado, por não causar prejuízo à embargante e por não influir no litígio, a teor do artigo 602 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), dada a admissão parcial dos embargos quanto à omissão acima mencionada, admite-se também a correção do erro material, de modo a aproveitar a prolação de novo acórdão. CONCLUSÃO Com base nas razões acima expostas, admito, parcialmente, os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para sanar a omissão quanto à consideração de as despesas de capatazia ocorrerem antes ou após a chegada ao porto, em contraposição ao decidido no voto vencido e para sanar o erro material quanto à menção ao Decreto no. 2.498/98, como se vigente à época dos fatos geradores fosse. Encaminhe-se à Conselheira Liziane Angelotti Meira para inclusão em pauta de julgamento. Portanto, os embargos foram admitidos em relação à menção ao Decreto 2.498/98 no voto vencedor. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Cumpre inicialmente observar que o voto vencedor adotou voto da CSRF, Acórdão nº 9303009.204–3ªTurma, de 2019. Anote-se que o Decreto no. 2.498/98 regulamentava a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira e foi incorporado pelos Regulamentos Aduaneiros de 2002 e de 2009. Note-se ainda que a menção ao Decreto no. 2.498/98 na decisão embargada, da mesma forma que a decisão da CSRF, não determina a aplicação do Decreto ao caso concreto, apenas faz menção a ele na explicação da evolução histórica do instituto, vejamos: Fl. 9657DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Ainda no ano de 1986, ou seja, em data muito anterior aos fatos geradores de que se cuida no presente processo, por meio do Decreto 92.930/86, o Brasil exerceu a prerrogativa estabelecida no item 2, letra "b" do art. 8º do Acordo de Valoração Aduaneira, determinando a inclusão dos elementos especificados nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo 2º do artigo na base de cálculo do imposto de importação. Conforme se observa na legislação da época: Art. 2º Na base de cálculo do imposto de importação, definida de conformidade com o acordo que com este decreto se promulga, serão incluídos os elementos a que se referem as alíneas a, b, e c, do parágrafo 2, de seu artigo oitavo. Essa opção foi mais tarde corroborada pelo Decreto nº 2.498/98, nos seguintes termos: Art. 17. No valor aduaneiro, independentemente do método de valoração utilizado, serão incluídos (parágrafo 2 do artigo 8 do Acordo de Valoração Aduaneira): I - o custo de transporte das mercadorias importadas até o porto ou local de importação; II - os gastos relativos a carga, descarga e manuseio, associados ao transporte das mercadorias importadas, até o porto ou local de importação; e III - custo do seguro nas operações referidas nos incisos I e II.(grifos nossos) Observe-se ainda que é indicada a legislação vigente aplicável ao caso e, ressalte-se que a menção da Lei é ao AVA/GATT: Destarte, é de se concluir que a base de cálculo do imposto de importação está definida no art. 2º, inciso II, do Decreto-lei 37/66, com redação dada pelo Decreto-lei nº 2.472/88 Art.2º A base de cálculo do imposto é:) I - quando a alíquota for específica, a quantidade de mercadoria, expressa na unidade de medida indicada na tarifa; II - quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. Diante do exposto, proponho rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Fl. 9658DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.566 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10444.720468/2017-13 Fl. 9659DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15374.002949/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Dec 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA.
Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de serviço e Informação à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS.
Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória vinculada à obrigação principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF 163.
O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Numero da decisão: 2402-010.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a prejudicial de decadência, cancelando-se a multa referente às competências até 11/1999, inclusive, e, no mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da multa os valores exonerados nos processos referentes aos DECBCADs 35.576.767-8, 35.576.768-6 e 35.576.769-4. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Márcio Augusto Sekeff Sallem (relator) e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso quanto a mérito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gregório Rechmann Junior.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator
(documento assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
Nome do relator: Não informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de serviço e Informação à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória vinculada à obrigação principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. PERÍCIA. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a prejudicial de decadência, cancelando-se a multa referente às competências até 11/1999, inclusive, e, no mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da multa os valores exonerados nos processos referentes aos DECBCADs 35.576.767-8, 35.576.768-6 e 35.576.769-4. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Márcio Augusto Sekeff Sallem (relator) e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso quanto a mérito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração à legislação previdenciária apresentar a empresa Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de serviço e Informação à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. CONEXÃO COM OS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. Tratando-se de autuação decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória vinculada à obrigação principal, deve ser replicado, no julgamento do processo relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. PERÍCIA. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente a prejudicial de decadência, cancelando-se a multa referente às competências até 11/1999, inclusive, e, no mérito, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da multa os valores exonerados nos processos referentes aos DECBCADs 35.576.767-8, 35.576.768-6 e 35.576.769-4. Vencidos os Conselheiros Francisco Ibiapino Luz, Márcio Augusto Sekeff Sallem (relator) e Denny Medeiros da Silveira, que negaram provimento ao recurso quanto a mérito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gregório Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 29 49 /2 00 9- 10 Fl. 2735DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem - Relator (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Francisco Ibiapino Luz, Gregório Rechmann Junior, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Renata Toratti Cassini, Ana Claudia Borges de Oliveira, Denny Medeiros da Silveira (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário manejado pelo contribuinte acima identificado em face à Decisão-Notificação 17.403.4/0101/2007, fls. 2.476 a 2.485, que julgou ser procedente em parte a autuação a fim de retificar os valores lançados referentes à multa regulamenta (CFL 68): EMENTA. PREVIDENCIÁRIO. INFRAÇÃO. INFORMAR EM GFIP TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. PRAZO PARA PAGAMENTO OU IMPUGNAÇÃO. Constitui infração ao disposto no inciso IV, § 5º, do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 c/c o artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, deixar a empresa de informar ao INSS, por intermédio da GFIP, a remuneração paga ou creditada a segurados empresários, bem como divergências na base de cálculo de segurados, sujeitando-se o infrator a multa correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. AUTUAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE O contribuinte tomou conhecimento da decisão em 15/6/2007, fls. 2.487. O recurso, apresentado em 12/7/2007, às fls. 2.491 a 2.501, tem por razões i) o reconhecimento do pagamento parcial de R$ 656.692,20, pela não apresentação das GFIPs referentes ao auxílio-maternidade e aos contribuintes individuais até dezembro de 2002, ii) a decadência dos créditos tributários anteriores a julho de 2000, iii) a inexigibilidade de contribuição previdenciária referente a auxílio material escolar, auxílio filho excepcional, complemento auxílio doença, abono indenizatório e participação nos lucros e resultados e iv) a informação dos contribuintes individuais nos anos de 2003 e 2004, requerendo perícia. Não houve contrarrazões. Ao recepcionar este recurso, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência a fim de serem juntadas as decisões definitivas dos processos administrativos de que este lançamento depende e a manifestação conclusiva a respeito do recolhimento de R$ 656.692,20, realizado mediante GPS. (fls. 2.518 a 2.522) Fl. 2736DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Decisões e documentação adicional juntadas às fls. 2.533 a 2.651. Relatório de diligência fiscal às fls. 2.657 a 2.660. Manifestação do contribuinte às fls. 2.666 a 2.670. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Márcio Augusto Sekeff Sallem, Relator. A admissibilidade do recurso já fora realizada na Resolução 2302-000.142. Pagamento Parcial O recorrente destacou haver quitado parte do débito tributário em 27/7/2005, no valor de R$ 656.692,20, relativo à não apresentação das GFIPs referentes aos pagamentos de auxílio-maternidade e contribuintes individuais até dezembro de 2002. Ao apreciar este ponto, a defesa aponta ter a autoridade julgadora de primeira instância se confundido com o pagamento da obrigação principal, não da obrigação acessória sob o DEBCAD 35.505.452-3. Na conversão do julgamento em diligência, o I. Relator Arlindo da Costa e Silva acrescentou: Incluímos outrossim ainda no escopo desta diligência, a solicitação de manifestação conclusiva por parte do órgão fazendário se o recolhimento de R$ 656.692,20 realizado mediante a GPS a fl. 2.443 refere-se efetivamente ao crédito tributário apurado neste Auto de Infração ou se a outro lançamento tributário que não este. (Grifei) Em cumprimento aos termos acima, o Relatório de Diligência Fiscal destacou: GPS Com relação ao item da diligência que solicita a informação sobre o recolhimento de R$ 656.692,20 (folha 2.443 do processo em papel) realizado mediante a GPS, emitida e paga após a lavratura do Auto de Infração, refere-se ao crédito tributário em questão, informo o seguinte: A Decisão-Notificação nº. 17.403.4/0101/2007 de fls. 2476/2485 julgou a autuação do Debcad 35.505.452-3 procedente em parte e reduziu o valor do Auto de Infração para R$ 1.992.892,12 (um milhão, novecentos e noventa e dois mil, oitocentos e noventa e dois reais e doze centavos). Em consulta aos sistemas, verificamos que no dia 26/07/2005 foi emitida uma GPS pelo sistema Sicob/Plenus sob título nº 019240857 para pagamento de parte do Debcad em questão e conforme Consulta Extrato de Pagamentos do mesmo sistema (fls. 2650/2651), foi constatado que o pagamento no valor de R$ 656.692,20 foi efetuado em 27/07/2005 e consta apropriado no Debcad: 35.505.452-3 reduzindo o saldo devedor do AI 35.505.452-3 para R$ 1.336.199,92 (um milhão, trezentos e trinta e seis mil, cento e noventa e nove reais e noventa e dois centavos). (Grifei) Fl. 2737DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Percebe-se que houve a apropriação do pagamento parcial ao débito constituído no DEBCAD 35.505.452-3, reduzindo-o de R$ 1.992.892,12 a R$ 1.336.199,92, referente às multas pela não apresentação de GFIP referente a pagamentos a título de auxílio-maternidade e a contribuintes individuais (autônomos) no período de julho de 2000 a dezembro de 2002. Deve ser apartada a parte incontroversa do litígio, relativo ao descumprimento de obrigação acessória relativa às rubricas acima citadas. Decadência O recorrente recorda que a presente autuação é referente a multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2004. E, por haver sido cientificada do lançamento apenas em 12/7/2005 (vide fl. 18), impor-se-ia o reconhecimento da decadência dos créditos constituídos antes de julho de 2000. Pois bem. Tem razão o contribuinte ao insistir que o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias seja de 5 anos, matéria pacífica após o enunciado nº 8 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal haver declarado ser inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212/91. Tampouco há dúvida de que, a respeito dos tributos sujeitos à lançamento por homologação (as contribuições sociais previdenciárias), o recolhimento antecipado, ainda que parcial, da obrigação tributária atrai a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, CTN, no lugar da regra geral do art. 173, I, CTN, sendo esta a inteligência do REsp 973.733/SC, decidido na sistemática de recursos repetitivos. Entretanto, está-se falando de multa por descumprimento de obrigação acessória, a qual, em razão de sua natureza, tem lançamento efetuado de ofício após a autoridade tributária constatar a infração à legislação previdenciária. Com efeito, o descumprimento de obrigação acessória previdenciária sempre terá como regra de contagem do prazo decadencial o art. 173, I, CTN, nos termos do enunciado nº 148 da Súmula CARF: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Deste modo, aplicando-se a regra do art. 173, I, CTN 1 , chega-se à conclusão de que deve ser reconhecida a decadência somente dos créditos tributários constituídos de janeiro a novembro/1999, cuja multa por descumprimento de obrigação acessória referente à apresentação da GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores poderia ser efetuado apenas até 1/1/2005. 1 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 2738DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Dependência dos Autos de Obrigação Principal O recorrente pretende afastar parte da multa exigida referente aos pagamentos realizados a título de auxilio material escolar, auxílio filho excepcional, complemento auxílio doença, abono indenizatório e participação nos lucros, por não se tratarem de fatos geradores da contribuição previdenciária, tema dos DEBCADs 35.576.769-4, 35.576.768-6 e 35.576.767-8. Por depender a presente autuação do decidido nos autos de obrigação principal, a diligência objetivou a juntada das decisões definitivas nestas matérias, o que ocorreu às fls. 2.533 a 2.651, e que restou consignada no relatório de diligência fiscal nos seguintes termos: DEBCAD nº 35.576.767-8 Processo 12045.000559/2007-87 trata da NFLD 35.576.767-8, rubrica participação nos lucros e resultados das competências 04/1995 à 10/2004. O Acórdão 2401- 003.046 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária deu provimento Parcial ao Recurso Voluntário, declarando a decadência dos lançamentos referentes aos fatos geradores ocorridos até a competência 06/2000. A PGFN apresentou recurso Especial para restabelecer a exigência tributária em relação às competências 12/1999 a 06/2000, aplicando-se o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. O contribuinte também apresentou Recurso Especial, porém, em 07/2017 foi apresentado pelo mesmo, um requerimento solicitando a desistência do Recurso Especial e informando que a parte do débito não atingida pela decadência reconhecida no acórdão de recurso voluntário estava sendo incluído no Programa de Regularização Tributária – PRT. Foi efetuada a transferência do Processo 12045.000559/2007-87 – NFLD 35.576.767-8 para o processo 16682.720190/2018-21 - NFLD 37.501.496-9 os créditos previdenciários referentes às competências 04/1995 à 06/2000 para envio a julgamento da parte controversa. O Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº. 9202- 007.024 – 2ª Turma votou por negar provimento, culminando no arquivamento do processo da NFLD 37.501.496-9. As competências 07/2000 à 10/2004 da NFLD 35.576.767-8 foram incluídas no Programa de Regularização Tributária - PRT. Visando o atendimento da diligência e instrução do presente despacho, foi efetuada a juntada da cópia do Acórdão de Recurso Voluntário 2401-003.046, o formulário de Discriminação dos Débitos a Parcelar – DIPAR do PRT e o Acórdão de Recurso Especial do Procurador nº. 9202-007.024 (fls. 2533/2617). DEBCAD nº 35.576.768-6 Processo 37280-000871/2006-38 trata da NFLD 35.576.768-6, rubrica auxílio filhos excepcionais, auxílio material escolar, complemento auxílio-doença e abonos. O Acórdão nº. 206-01.043, de 03/07/2008, da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes deu provimento parcial Recurso Voluntário apresentado pela empresa. Assim sendo, foram transferidos do Processo 37280-000871/2006-38 - NFLD 35.576.768-6 para o processo 16682.721444/2015-85 - NFLD 37.442.101-3, a parte incontroversa relativa ao citado Acórdão. Expirado o prazo para regularização sem pagamento ou parcelamento, o débito 37.442.101-3 foi encaminhado para a PGFN. Com relação aos créditos tributários que permaneceram na NFLD 35.576.768-6, o contribuinte solicitou a adesão à Lei 12.865/2012 para pagamento do mesmo. Após análise, a DEMAC notificou a Requerente informando que o débito 35.576.768-6 não Fl. 2739DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 poderia ser objeto de parcelamento na Lei 12.865/2013, uma vez que a modalidade L12865-RFB-PREVART- 1º encontrava-se rejeitada e intimou o contribuinte a quitar o valor integralmente. Em 10/06/2019 o interessado protocolou um requerimento alegando que jamais teve a intenção de parcelar os débitos constantes no citado Debcad e dizendo ter sido um equívoco da empresa listar o débito em questão para consolidação. O Despacho em requerimento datado de 09/12/2020 não conheceu do requerimento apresentado e pôs fim ao contencioso administrativo. Visando o atendimento da diligência e instrução do presente despacho, foi efetuada a juntada da cópia do Acórdão de Recurso Voluntário nº. 206-01.043 e o Despacho em Requerimento da 2ª Seção de julgamento/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária de 09/12/2020 (fls.2619/2640). DEBCAD nº 35.576.769-4 Processo 15374.002950/2009-44 foi aberto em reconstituição ao processo 13706.000573/2008-01 referente à NFLD 35.576.769-4, rubrica segurados contribuintes individuais das competências 01/1999 à 12/2004. O Acórdão 2302-01.630 –3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária deu provimento Parcial, excluindo do lançamento todos os fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a 12/1999 exclusive. O contribuinte apresentou recurso Especial pedindo que fosse reconhecida a decadência do crédito tributário dos fatos geradores anteriores a 07/2000. Foi efetuada a transferência do Processo 15374.002950/2009-44 – NFLD 35.576.769-4 para o processo 16682.720890/2013-19 - NFLD 37.402.163-5 os créditos previdenciários referentes às competências 12/1999 à 06/2000 para envio a julgamento da parte controversa. O Acórdão de Recurso Especial do Contribuinte nº. 9202- 006.664 – votou por dar provimento ao Recurso interposto pelo contribuinte, culminando no arquivamento do processo NFLD 37.402.163-5. As competências 07/2000 à 12/2004 do NFLD 35.576.769-4 foram incluídas no parcelamento da Lei 11.941/2009 artigo 1º. Visando o atendimento da diligência e instrução do presente despacho, foi efetuada a juntada da cópia do Acórdão de Recurso Especial do contribuinte nº. 9202-006.664 – 2ª Turma datado de 17/04/2018 e Despacho de Consolidação do parcelamento da Lei 11.941/2009 (fls. 2642/2648). (Grifei) De forma sintética, as decisões acostadas deram provimento parcial aos recursos apresentados para reconhecer a decadência das rubricas exigidas no período de 4/95 a 6/2000, e, na parte não atingida pela decadência, mantiveram a infração referente às contribuições alusivas aos pagamentos realizados a título de auxilio material escolar, auxílio filho excepcional, complemento auxílio doença, abono indenizatório e participação nos lucros. Pois bem. Em face à manutenção da obrigação principal a partir do período de 7/2000, resta caracterizado o descumprimento da obrigação acessória referente à apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores relativos às rubricas sobre as quais incide a contribuição social previdenciária. Fl. 2740DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Logo, considerado que no tópico anterior houve o reconhecimento da decadência dos fatos geradores anteriores a 11/1999, inclusive, só resta decidir acerca do período de 12/1999 a 6/2000. Para tanto, deve-se responder: o reconhecimento da decadência da obrigação principal, na hipótese de recolhimento antecipado, repercute na materialidade da obrigação acessória? Na manifestação apresentada em face ao relatório de diligência fiscal, o recorrente explanou que: Diante disso, fica clara a impossibilidade de haver a cobrança de multa quanto aos períodos cuja decadência já foi reconhecida na NFLD principal, de modo que a decisão daqueles autos deve gerar efeitos imediatos sobre as multas lançadas nestes autos. Da mesma forma, os valores lançados que foram incluídos em programas de parcelamentos deve ser excluídos de eventual saldo devedor a ser cobrado da Recorrente, sob pena de exigência em duplicidade. ... Tendo em vista a decadência parcial declarada nos autos das NFLDs nº 35.576.767-8 (participação nos lucros), 35.576.768-6 (auxílio filhos excepcionais, abono indenizatório) e 35.576.769-4 (contribuintes individuais) na forma do art. 150, §4º, do CTN, a Requerente pede que tais decisões sejam refletidas com a exclusão das respectivas multas nos presentes autos. A partir da interpretação da parte final do enunciado nº 148 da Súmula CARF, defendo que o reconhecimento da decadência da obrigação principal em razão da constatação de recolhimento antecipado e de sua homologação nos termos do art. 150, § 4º, CTN, não repercute na obrigação acessória constituída. De fato, mesmo que a obrigação principal não possa ser exigida em razão de estar decaído o direito de a Fazenda Nacional, isto não significa que não houve o descumprimento da obrigação acessória, cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, I, CTN. Estando a infração caracterizada e não decaída, deve ser exigida. Nestes termos, nego provimento a este ponto. Contribuintes Individuais de 2003 e 2004 O recorrente indica haver apresentado as GPS e GFIPs referentes aos pagamentos a contribuintes individuais nos anos de 2003 e 2004, tendo a autoridade tributária reconhecido que parte dos débitos eram indevidos, com a consequente redução da autuação. No entanto, por se tratar de prova documental, entende o recorrente a necessidade de produção de prova pericial. Para tanto, apresentou quesito e nomeou perito. Decido. A autoridade julgadora indeferiu o pedido de perícia nos termos abaixo: Não obstante a empresa manifestar-se sobre perícia, o pedido da mesma é de caráter meramente protelatório. Em que pese o fato de o pedido ter sido feito com a observância dos requisitos do Art. 16, inciso IV, do Decreto N.° 70.235, de 6 de Março de 1972 e da Portaria MPAS 520/04, Art. 90, inciso, IV, temos que, segundo Pontes de Miranda, “A perícia serve à prova de fato que dependa de conhecimento especial, ou que Fl. 2741DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 simplesmente precise de ser fixado(...).” (Comentários ao Código de Processo Civil, Tomo IV, pg. 625, Forense, 2° edição, 1979). Pelo que diz Pontes de Miranda, só há perícia se o fato depender de conhecimento especial, o que não é o caso do presente processo. Estamos tratando aqui de mera interpretação e enquadramento dos fatos geradores às normas imponíveis. Lustrando melhor, é de boa lembrança, a norma contida no Art. 147 do Código Tributário Nacional. Pelo dispositivo acima, conclui-se que a Administração Pública conhece ordenamento jurídico e a sua aplicabilidade. Os elementos trazidos pelo contribuinte possibilitaram a revisão do presente lançamento sendo prescindível a realização de perícia. “A perícia nada mais é do que uma diligência a ser realizada por quem tem o conhecimento de determinada matéria, ou seja, é a diligência levada a cabo por um expert, a fim de que certos fatos sejam esclarecidos. Supõe a pesquisa de fatos por pessoas de reconhecido saber, habilidade e experiência, que permitam o esclarecimento de certas dúvidas surgidas no processo”. A perícia versa sobre fatos. Esses fatos para que constituam objeto da perícia devem ser aqueles cuja prova dependa de conhecimento técnico ou científico (art. 145, do CPC). A prova pericial mostra-se útil somente quando não se puder encontrar a verdade de outro modo mais simples. Consiste em exames, vistorias ou avaliações. "Por exame pericial, em sentido estrito, ou exame, entende-se a inspeção, por meio de perito, sobre pessoas, coisas, móveis e semoventes, para a verificação de fatos ou circunstâncias que interessam à causa”. O Código de Processo Civil, no parágrafo único do seu art. 420, dispõe que o juiz indeferirá a perícia quando: a) a prova do fato não depender do conhecimento especial do técnico; b) for desnecessária em vista de outras provas produzidas, e c) a verificação for impraticável. (grifo nosso) Essa regra foi reproduzida, em outras palavras, no art. 11 da Portaria MPAS n.° 520/04, como segue: “Art. 11 A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva Decisão-Notificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis” (grifo nosso) Verifica-se, pois, que a perícia não constitui direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador recusá-la .se entendê-la desnecessária, impraticável ou quando a prova do fato., não depender de conhecimento especial do técnico, o que não caracterizará cerceamento do direito de defesa. Neste caso a realização .de perícia é desnecessária, em razão de o levantamento do débito ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da recorrente, por ela elaborados e contabilizados, o que lhe permite contradizer e defender-se sem qualquer restrição que, forçosamente, são de seu conhecimento. Assim não resta à Administração outra postura que não seja a de indeferir a perícia solicitada, uma vez que a empresa foi fiscalizada por agentes fiscais em pleno gozo de suas atribuições e devidamente capacitados. Nota-se que a autoridade julgadora indeferiu fundamentadamente o pedido de perícia em razão da competência dos agentes fiscais para analisar a documentação apresentada. Portanto, a perícia se mostraria desnecessária. Fl. 2742DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Não é o fato de se tratar de matéria de fato ou de haver produção de extensa prova documental que tornaria necessária a realização de perícia. O recorrente cita dirimir qualquer dúvida ou ainda que a documentação comprovaria senão a totalidade, ao menos boa parte das GFIPs de pagamentos a autônomos, mas em nenhum momento indica onde e quais as dúvidas foram deixadas no relatório da diligência, nem seus pontos de discordância. Suas razões apenas requerem a reanálise do pedido de perícia, mas não se mostram a infirmar nem a diligência fiscal nem a decisão recorrida. Deste modo, anuo com a autoridade julgadora de primeira instância de que o pedido aparenta deter uma natureza protelatória, ainda mais em face à expertise da carreira de auditoria-fiscal segundo competências e atribuições expressas em Lei. No mais, o enunciado nº 163 da Súmula CARF é categórico: não há cerceamento do direito de defesa quando é fundamentado o indeferimento da diligência ou perícia, cabendo ao contribuinte rebater as razões da decisão, o que não ocorreu no caso concreto. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Sendo assim, indefiro este pedido. Conclusão Voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário até a competência 11/99, inclusive. À unidade preparadora para, caso não haja sido executado, o aproveitamento do recolhimento parcial de R$ 656.692,20, relativo à não apresentação das GFIPs correspondentes aos pagamentos de auxílio-maternidade e contribuintes individuais até dezembro de 2002. (documento assinado digitalmente) Márcio Augusto Sekeff Sallem Voto Vencedor Conselheiro Gregório Rechmann Júnior – Redator Designado. Em que pese as bem fundamentadas razões de decidir do voto do ilustre relator, peço vênia para delas discordar, nos termos abaixo declinados. Conforme se verifica do relatório supra, trata-se, o presente caso, de autuação fiscal em decorrência de descumprimento de obrigação acessória, consistente em apresentar a empresa Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP e/ou GFIP RETIFICADORAS, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (CFL 68). Fl. 2743DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Verifica-se, pois, que o caso ora em análise é uma decorrência do descumprimento da própria obrigação principal: fatos geradores da contribuição previdenciária. Assim, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do julgamento do processo atinente ao descumprimento da obrigação tributária principal, que se constitui em questão antecedente ao dever instrumental. Neste espeque, considerando que a base de cálculo da multa aplicada no presente lançamento corresponde a 100% da contribuição não declarada (observado o limite legal) e lançada nos processos referentes ao descumprimento da obrigação principal e que, nos referidos processos, houve exoneração parcial dos créditos tributários, conforme informado pelo Nobre Relator no voto vencido supra, impõe-se o provimento do recurso em análise, com o consequente cancelamento do crédito tributário lançado. Sobre o tema em análise, destaque-se o excerto abaixo transcrito do Acórdão nº 2402-006.780, sessão de 7 de novembro de 2018 Muito embora nas obrigações acessórias não haja pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo aplicável o art. 173, inc. I, do CTN (vide acórdão 2402005.900 2 , julgado em 01/08/2017), e não o art. 150, § 4º, fato é que, como se reconheceu a decadência de parte das obrigações principais, haverá repercussão neste lançamento. No entender deste relator, o crédito tributário extinto com a decadência não pode mais se constituir em base de cálculo da multa, ou, noutro giro verbal, como a contribuição deixa de ser devida com o advento do prazo extintivo, ela não mais se presta como base para o cálculo da sanção pecuniária e nem como parâmetro para aferição de informações incorretas ou omitidas. Expressando-se em outras palavras, e atendo-se à multa aplicada ao sujeito passivo, a decadência atinge não só as contribuições como também afasta a acusação de informações incorretas ou omitidas, pois não há que se cogitar de incorreção ou omissão no tocante a valores já extintos. Logo, o recurso deve ser parcialmente provido não porque o prazo aplicável é o do art. 150, § 4º, mas apenas porque está se reconhecendo os efeitos da decadência das obrigações principais à presente autuação. Registre-se, pela sua importância que, conforme exposto no excerto supra transcrito, não se trata de reconhecer a ocorrência da decadência no caso em análise em face do reconhecimento do lustro decadencial nos autos do PAF principal. Não é isso! O que se defende é a extinção do crédito tributário no presente caso, em face da extinção da sua base de cálculo, a qual foi apurada e cancelada no processo principal, sendo irrelevante, no entendimento deste conselheiro, os motivos que ensejaram o cancelamento da autuação naquele outro processo. 2 [...] OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. Fl. 2744DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2402-010.702 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.002949/2009-10 Longe de serem meras ilações deste julgador, o entendimento aqui defendido está em perfeita consonância, por exemplo, com o racional da aplicação da multa isolada prevista no § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. De acordo com o referido dispositivo, será aplicada multa isolada de 50% sobre o valor objeto de declaração de compensação não homologada. Pois bem! O § 18 do mesmo art. 74, por sua vez, estabelece que, no caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência Observe-se que, mesmo no caso de não ser apresentada impugnação contra o lançamento da multa isolada em questão, sua exigibilidade restará suspensa na hipótese de o contribuinte ter apresentado manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que não homologou (ou homologou parcialmente) a sua compensação. E o porque disto (suspensão da exigibilidade da multa isolada)? Porque o débito não homologado (que corresponde à base de cálculo da multa em análise) não é definitivo. De fato, se o contribuinte, em uma situação hipotética, teve um débito não homologado no valor de R$ 1.000,00, referido montante será a base de cálculo para a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. Ocorre que, com a apresentação de eventual manifestação de inconformidade, o débito não homologado pode passar a ser, por exemplo, de R$ 600,00 ou, até mesmo, ser integralmente homologado, hipóteses nas quais a referida multa seria reduzida ou extinta, respectivamente. Neste contexto, conforme já exposto linhas acima, voto por cancelar parcialmente o lançamento fiscal em análise nos termos acima declinados. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial em maior extensão ao recurso voluntário, para, além cancelar a multa referente às competências até 11/1999, inclusive, nos termos do voto vencido, excluir da base de cálculo da multa os valores exonerados nos processos referentes aos DECBCADs 35.576.767-8, 35.576.768-6 e 35.576.769-4, referentes à exigência da obrigação principal. (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 2745DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.930082/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.080
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o processo até o julgamento final no CARF do processo administrativo n° 19311.720077/2014-28. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que votaram pelo prosseguimento do julgamento.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Winderley Morais Pereira, que votaram pelo prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Despacho Decisório (Eletrônico), que não reconheceu o direito de crédito relativo pleiteado através de PER/DCOMP, e não homologou as compensações vinculadas. O crédito pleiteado foi apurado pelo estabelecimento filial, inscrito no CNPJ sob nº 61.186.888/006558. Os motivos do indeferimento foram a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado, a ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal e a redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 30 08 2/ 20 13 -3 7 Fl. 1505DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10471.L5SP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.930082/201337 Resolução nº 3301001.080 S3C3T1 Fl. 3 2 Foi lavrado auto de infração objeto do processo administrativo 19311.720077/201428, para exigir diferenças de imposto não recolhidos em função do aproveitamento dos referidos créditos. Foi apresentada manifestação de inconformidade tempestiva, na qual consta a alegação inicial de que diante da relação direta entre os objetos do presente processo administrativo e do processo 19311.720077/201428, o exame das compensações deve aguardar a decisão definitiva a respeito do mérito deste último. Entende a impugnante que o imediato indeferimento das compensações importaria enriquecimento sem causa do Fisco, com cerceamento de defesa e supressão de instância de discussão na esfera administrativa. Por outro lado, o sobrestamento não causaria prejuízo à Fazenda Pública, porque o crédito tributário relativo aos débitos declarados já foi constituído, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996, estando com a exigibilidade suspensa até julgamento final deste processo administrativo, conforme §§ 7º a 11 do mesmo dispositivo legal. Defende ainda, no mérito, o direito ao crédito pleiteado. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº :10051.733. Em recurso voluntário, a empresa requer o afastamento da aplicação do art. 25 da IN n° 1300/2012; o sobrestamento deste processo ou o julgamento em conjunto deste processo com o de n° 19311.720077/201428. Reitera os termos de sua manifestação de inconformidade quanto à legitimidade do direito creditório, para, ao final, requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3301001.074, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.930077/201324, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do sobrestamento dos autos. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301001.074): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A empresa requer o sobrestamento do presente processo até o julgamento final do processo n° 19311.720077/201428 ou o julgamento em conjunto. Fl. 1506DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10471.L5SP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.930082/201337 Resolução nº 3301001.080 S3C3T1 Fl. 4 3 Como já relatado, o auto de infração constituiu IPI oriundo das glosas do crédito considerados como indevidos. Assim, se o lançamento no processo n° 19311.720077/201428 fosse julgado improcedente, os créditos seriam restabelecidos para análise da compensação, porquanto o saldo credor de IPI é o objeto do PER/DCOMP. Dispõe o art. 6° do RICARF que: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; (...) § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Ocorre que a não homologação das declarações de compensação decorreu das conclusões da ação fiscal que auditou os créditos pleiteados. Com a glosa dos créditos, a reconstituição da escrita fiscal resultou na apuração de diferenças de IPI, que foram lançadas em auto de infração que é objeto do processo administrativo n° 19311.720077/201428. O auto de infração teve a seguinte descrição da infração: “O estabelecimento industrial não efetuou o recolhimento do imposto (IPI), de janeiro de 2009 a setembro de 2010, por se utilizar de créditos do IPI, como se devido fosse, na aquisição de insumos de estabelecimentos na Amazônia Ocidental, conforme Termo de Verificação Fiscal.” Por conseguinte, a ausência do direito creditório, o que gerou a lavratura de auto de infração, é objeto do processo n° 19311.720077/201428. Logo, a sorte do presente processo depende do deslinde do processo do auto de infração. Em consulta ao sítio do CARF, “andamento processual”, verificase que o processo n° 19311.720077/201428 já foi julgado em sede de Recurso Especial, embora ainda não tenha transitado em julgado: Fl. 1507DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10471.L5SP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.930082/201337 Resolução nº 3301001.080 S3C3T1 Fl. 5 4 Desse modo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o presente processo seja sobrestado e aguarde na 3ª Câmara o encerramento do processo n° 19311.720077/201428. Após, os autos devem ser serem devolvidos a esta Relatora para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o presente processo seja sobrestado e aguarde na 3ª Câmara o encerramento do processo nº 19311.720077/201428. Após, os autos deverão ser devolvidos a este Relator para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1508DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0222.10471.L5SP. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por EVA RIBEIRO BARROS em 16/05/2019 14:46:00. Documento autenticado digitalmente por EVA RIBEIRO BARROS em 16/05/2019. Documento assinado digitalmente por: WINDERLEY MORAIS PEREIRA em 27/05/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/02/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0222.10471.L5SP Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 6A6A78D561619255A5E14EF7FDB1912A758BDB43F9876F9483FA514B1950B2FA Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.930082/2013-37. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11686.000353/2008-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.
Numero da decisão: 3403-001.560
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de Fl. 195DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual o recorrente intenta receber o saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao segundo trimestre de 2005, em virtude da percepção de receitas tributadas à alíquota zero, conforme asseguram os artigos 17, da Lei nº 11.033/04 e 16, da Lei nº 11.116/05. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de Fl. 196DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000353/200820 Acórdão n.º 340301.560 S3C4T3 Fl. 2 3 contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. Em 06.04.2011, o julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação em 27.10.2011, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem, em sua manifestação de fls. 136, ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000353/200820 Acórdão n.º 340301.560 S3C4T3 Fl. 3 5 O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, Fl. 200DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000353/200820 Acórdão n.º 340301.560 S3C4T3 Fl. 4 7 para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato Fl. 201DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000353/200820 Acórdão n.º 340301.560 S3C4T3 Fl. 5 9 ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 203DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000917/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RECOLHIMENTO
A empresa é obrigada a recolher as contribuições arrecadadas dos segurados, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço
SEGURADOS EMPREGADOS FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO
INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT
ADIANTAMENTO NÃO REEMBOLSÁVEL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADO NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI COMISSÕES AJUDA DE CUSTO ACORDOS
TRABALHISTAS EFETUADOS SEM INTERVENIÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
O fornecimento de alimentação in natura deve se dar de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT do Ministério do Trabalho.
Para tanto, a empresa deve demonstrar haver se inscrito no referido programa. Sem tal inscrição, incide contribuição previdenciária sobre o valor da alimentação fornecida
O adiantamento concedido pela empresa ao empregado, qualquer que seja o fundamento, só não integra o salário de contribuição se for reembolsado por este O pagamento de Participação nos Lucros e Resultados efetuado em desacordo com a lei que rege a matéria integra o salário de contribuição Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de comissão pela captação de novos contratos de prestação de serviços.
O pagamento de ajuda de custo que não se destine a custear despesas decorrente de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT, integra o salário de contribuição
Integram o salário de contribuição os valores pagos pela empresa aos seus empregados, a título de acordo trabalhista, sem que tais pagamentos tenham se originado de acordos homologados pela Justiça do Trabalho.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EMPRÉSTIMOS
A SÓCIOS SIMULAÇÃO
São fatos geradores de contribuição previdenciária o pagamento a segurados contribuintes individuais por serviços prestados
O pagamento de valores a sócios a título de empréstimos, sem que haja devolução destes ou mesmo a apresentação do contrato de mútuo formalizando as condições de sua concessão e pagamento representa verdadeira simulação e de acordo com o CTN, art. 118 a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se
da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, vencido o conselheiro Igor Araújo Soares que votou pelo provimento parcial para exclusão do lançamento dos valores relativos ao transporte
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RECOLHIMENTO A empresa é obrigada a recolher as contribuições arrecadadas dos segurados, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço SEGURADOS EMPREGADOS FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT ADIANTAMENTO NÃO REEMBOLSÁVEL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADO NÃO OBSERVÂNCIA DA LEI COMISSÕES AJUDA DE CUSTO ACORDOS TRABALHISTAS EFETUADOS SEM INTERVENIÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O fornecimento de alimentação in natura deve se dar de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT do Ministério do Trabalho. Para tanto, a empresa deve demonstrar haver se inscrito no referido programa. Sem tal inscrição, incide contribuição previdenciária sobre o valor da alimentação fornecida O adiantamento concedido pela empresa ao empregado, qualquer que seja o fundamento, só não integra o salário de contribuição se for reembolsado por este O pagamento de Participação nos Lucros e Resultados efetuado em desacordo com a lei que rege a matéria integra o salário de contribuição Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de comissão pela captação de novos contratos de prestação de serviços. O pagamento de ajuda de custo que não se destine a custear despesas decorrente de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT, integra o salário de contribuição Integram o salário de contribuição os valores pagos pela empresa aos seus empregados, a título de acordo trabalhista, sem que tais pagamentos tenham se originado de acordos homologados pela Justiça do Trabalho. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EMPRÉSTIMOS A SÓCIOS SIMULAÇÃO São fatos geradores de contribuição previdenciária o pagamento a segurados contribuintes individuais por serviços prestados O pagamento de valores a sócios a título de empréstimos, sem que haja devolução destes ou mesmo a apresentação do contrato de mútuo formalizando as condições de sua concessão e pagamento representa verdadeira simulação e de acordo com o CTN, art. 118 a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Recurso Voluntário Negado.
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Para tanto, a empresa deve demonstrar haver se inscrito no referido programa. Sem tal inscrição, incide contribuição previdenciária sobre o valor da alimentação fornecida O adiantamento concedido pela empresa ao empregado, qualquer que seja o fundamento, só não integra o salário de contribuição se for reembolsado por este O pagamento de Participação nos Lucros e Resultados efetuado em desacordo com a lei que rege a matéria integra o salário de contribuição Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 225 2 Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de comissão pela captação de novos contratos de prestação de serviços. O pagamento de ajuda de custo que não se destine a custear despesas decorrente de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT, integra o salário de contribuição Integram o salário de contribuição os valores pagos pela empresa aos seus empregados, a título de acordo trabalhista, sem que tais pagamentos tenham se originado de acordos homologados pela Justiça do Trabalho. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EMPRÉSTIMOS A SÓCIOS SIMULAÇÃO São fatos geradores de contribuição previdenciária o pagamento a segurados contribuintes individuais por serviços prestados O pagamento de valores a sócios a título de empréstimos, sem que haja devolução destes ou mesmo a apresentação do contrato de mútuo formalizando as condições de sua concessão e pagamento representa verdadeira simulação e de acordo com o CTN, art. 118 a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o conselheiro Igor Araújo Soares que votou pelo provimento parcial para exclusão do lançamento dos valores relativos ao transporte Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 226 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA), bem como a contribuição do contribuinte individual, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 68/83), os fatos geradores das contribuições lançadas são parcelas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que não foram consideradas salário de contribuição pela notificada. As bases de cálculo (salário de contribuição), relativas aos fatos geradores apurados, foram lançadas com os códigos de levantamento — FP e FC, conforme esclarecido a seguir: Lev. FP — (não declarado em GFIP, sem redução de multa) Esse levantamento inclui importâncias apuradas através das Folhas de Pagamento (parte considerada pela empresa como integrante do salário de contribuição), que deixaram de ser declaradas na GFIP. Os valores foram obtidos confrontandose as Folhas de Pagamento (Base de cálculo considerada pela empresa) com as declarações na GFIP. Lev. FC — (não declarado em GFIP, sem redução de multa) Esse levantamento inclui importâncias apuradas através das Folhas de Pagamento, que deixaram de ser declaradas na GFIP (parte referente a rubricas que a empresa não considerou como integrantes do salário de contribuição) e de importâncias apuradas através da Escrituração Contábil, lançadas em várias contas, não incluídas na Folha de Pagamento e não declaradas na GFIP. Fazem parte desse levantamento os seguintes valores: • AuxilioAlimentação — consta na Folha de Pagamento como proventos — código n° 2601. O pagamento em pecúnia do salário utilidade integra a base de cálculo das contribuições sociais, por disposição expressa no § 2° do art. 753 da INSRP03/2005. • Gratificação — Consta na Folha de Pagamento como proventos — código n° 2201. Rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título destinado a retribuir o trabalho não importa a sua forma, integra a base de cálculo das contribuições sociais. • Adiantamento de Saldo Devedor — Consta na Folha de Pagamento como proventos — código n° 6101. Esse pagamento tem por objeto custear determinados gastos do empregado, em razão de saldo devedor. No entanto, tais adiantamentos não são reembolsáveis e, portanto, integram o salário de contribuição. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 227 4 • PLR — Consta na Folha de Pagamento como proventos — código n° 419. Consta em Convenção Coletiva a previsão do benefício. Foi solicitada à empresa a apresentação do Documento referente ao PLR — Participação nos Lucros e Resultados, onde constem as regras claras decorrentes da negociação, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo relativos aos critérios e condições sobre índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa ou programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente. O documento foi apresentado, só que sua validade não abrange o período fiscalizado uma vez que o documento de 2001 teve validade até 2002 e não foi renovado. Portanto, tais pagamentos em desacordo com a legislação devem integrar a base de cálculo das contribuições sociais. • Participações Resultados — Consta na Folha de Pagamento como proventos — código n° 3401. Não ficou claro porque a empresa utiliza dois códigos na Folha de Pagamento para o PLR. O fato é que foram pagas importâncias a título de PLR e Participações Resultadas em desacordo com a legislação, parcelas que integram, portanto o salário de contribuição, conforme exposto acima. • Vale Transporte — Consta na Folha de Pagamento como proventos — código da rubrica n° 4313. Como é vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, os valores assim pagos foram considerados integrantes do salário de contribuição. • Bonificação — Consta na Folha de Pagamento como proventos — código da rubrica n° 2202. Foi considerado salário de contribuição em razão do que dispõe a Lei no sentido de que integram a base de cálculo os rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título destinado a retribuir o trabalho não importa a sua forma, Também foram objeto de lançamento as contribuições incidentes sobre valores apurados na contabilidade. A auditoria fiscal esclarece que foram encontradas diversas irregularidades na escrituração contábil da empresa, as quais estão apresentadas no Relatório Fiscal. Tal conduta teria dificultado o trabalho de apuração das bases de cálculo. Foram apurados valores nas seguintes contas contábeis: SEGURADOS EMPREGADOS • Contas de Salários e Ordenados, Férias, Rescisões e Indenização Trabalhista (essa última só os pagamentos a título de rescisão contabilizados indevidamente nessa conta): Foi lançada a diferença apurada obtida pelo confronto da soma supracitada com o valor Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 228 5 líquido das Folhas de Pagamentos apresentadas. Apenas essa diferença apurada faz parte da presente Notificação. • Cesta Básica — Contas 450.0210 (2004/2005) e 4.2.01.01.012 (2006) – Parcela paga sem que a empresa houvesse se inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador — PAT. Além disso, na ocasião em que foi concedido tal benefício ainda não havia previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho. As cestas eram fornecidas considerando critério de premiação por assiduidade, conforme informação da empresa. • Ajuda de Custo — Conta 4.2.01.01.007 (2006) A Lei 8.212/91 considera que não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT, o que não é o caso das importâncias lançadas nessa conta. • Comissões de Vendas — Conta 452.0050 (2004/2005) – A auditoria fiscal informa que não foram apresentados os recibos solicitados referentes aos pagamentos apurados na contabilidade. No entanto, a empresa esclareceu que tais comissões sobre vendas se referiam a retribuição por serviços prestados relativos a venda dos serviços da empresa, ou seja, captação de novos contratos. Portanto tais comissões são parcelas de natureza salarial. • Acordo Trabalhista — 4.2.01.01.008 (2006) Foi solicitada pela auditoria fiscal a apresentação de cópia da sentença e/ou acordos referentes a esses lançamentos para que fosse possível identificar se todos eram originários de processos trabalhistas judiciais, cuja execução do crédito compete atualmente a Justiça do Trabalho. Não foram apresentados documentos sobre esses lançamentos, apenas esclarecimento sobre não se tratar de processo trabalhista na justiça do trabalho. Portanto, tratase de mais uma remuneração acordada entre a empresa e seus empregados, que deixou de integrar o salário de contribuição, sendo lançada junto com os processos trabalhistas de forma a confundir a apuração de parcelas integrantes do salário de contribuição. SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS • Serviços Técnicos — conta 462.0372 (2004/2005) Nessa conta foram lançados pagamentos a pessoas físicas e jurídicas. No entanto, apenas os pagamentos a pessoas físicas, por serviços profissionais de assessoria jurídica foram considerados base de cálculo de contribuição previdenciária. Assim, todos os comprovantes de pagamento a pessoas jurídicas, apresentados pela empresa, foram excluídos do montante apurado por meio da referida conta. • Despesas com Informática — conta 424.0464 (2004/2005) Nessa conta foram lançados pagamentos a pessoas físicas e jurídicas, mas só Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 229 6 os pagamentos efetuados a pessoas físicas foram considerados como base de cálculo. Todos os comprovantes de pagamento a pessoas jurídicas, apresentados pela empresa, foram excluídos do montante apurado por meio da referida conta. • Serviços Prestados — conta 4.2.01.02.022 (2006) Pagamentos de Honorários a contribuinte individual. • Honorários Advocaticios — 424.0499 (2004) Nessa conta constam lançamentos referentes a pagamentos a advogados contratados pela empresa. Serviços profissionais de advogados também foram lançados em outras contas como "Serviços Técnicos" e "Indenizações Trabalhistas". • Indenizações Trabalhistas — 420.0136 (2004/2005) Nessa conta constam lançamentos referentes a pagamentos a advogados contratados pela empresa. Esse tipo de pagamento também foi lançado nas contas honorários profissionais e serviços técnicos. • Despesas Diversas — 4.1.03.2.0.050 (2006) Foram efetuados pagamentos mensais de R$ 1.000,00 com histórico de Edifício Roberta Virtuoso. Questionada sobre a natureza de tais pagamentos foi esclarecido pela empresa que se tratava de uma pessoa física que presta serviços de captação de novos clientes. Portanto os pagamentos seriam uma espécie de comissão pelos serviços prestados por pessoa física sem vínculo empregatício. • Empréstimo para Sócio — 456.0388 (2004) – A auditoria fiscal informa que essa conta recebeu vários lançamentos a débito, sendo que não consta na contabilidade lançamentos referentes a devolução nos exercícios de 2004, 2005 e 2006. Foram solicitados os esclarecimentos necessários bem como apresentação de contrato de empréstimo (mútuo) esclarecendo as regras da concessão do empréstimo — juros cobrados, prazo e forma de devolução. Não foram prestados esclarecimentos e nem apresentado o contrato, por essa razão a auditoria fiscal concluiu que houve remuneração do sócio com título impróprio. Foram lançadas contribuições relativas a pagamentos cujo histórico das contas não permitem identificar integralmente as rubricas e os destinatários de tais pagamentos. A auditoria fiscal elaborou o Quadro Demonstrativo Sintético V, referente a diferença apurada entre a consolidação dos lançamentos constantes dos Quadros Demonstrativos Analíticos VA, VB, VC, VD e VE e a Folha de Pagamento Apresentada. A notificada teve ciência do lançamento em 16/11/2007 e apresentou defesa (fls. 169/174) onde alega que quanto às divergências apontadas entre os valores constantes da folha de pagamento e os declarados em GFIP, a empresa cumpriu com o principal, pois recolheu as contribuições previdenciárias. Não cumpriu com o acessório que é a declaração das contribuições na GFIP. Isso não ensejaria recolhimento de contribuição previdenciária, pois o recolhimento já fora feito. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 230 7 Quanto ao Auxílio alimentação, esclarece que a empresa adquiri ticket refeição e fornece aos seus empregados. Entende que houve erro de lançamento, pois a empresa não paga em pecúnia. Assim, não incide contribuição previdenciária. A empresa argumenta que a rubrica Adiantamento de saldo devedor compreende os casos de segurados empregados que são afastados por motivo de doença, mas a empresa é obrigada a efetuar alguns descontos como: contribuição associativa do sindicato de classe do empregado, plano de saúde, farmácia e etc. Como o empregado está afastado e não recebe remuneração, o seu saldo fica devedor. Quando,. o empregado volta ao trabalho, a empresa parcela esse saldo e é reembolsada pelo funcionário. Dessa forma, não incide contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Entende que a participação nos resultados por força de dissídio coletivo não é provento. A empresa afirma que adquire cesta básica e entrega aos funcionários por força de disposto em dissídio coletivo da classe. A empresa nunca pagou em pecúnia cesta básica para qualquer de seus funcionários. Não incide contribuição previdenciária sobre essas cestas. Quanto à comissões sobre vendas, a empresa afirma que é uma prestadora de serviços e como tal não vende mercadorias e não paga comissões sobre vendas. Entende que houve interpretação errada e inexiste contribuição previdenciária. Relativamente à ajuda de custo, informa que são importâncias muito pequenas entregues a funcionários que se deslocam para outros locais para ressarcimento de despesas por eles efetuadas. Não há contribuição previdenciária. Para os valores apurados na conta Acordo Trabalhista, alega que são indenizações trabalhistas pagas em razões de ações na justiça do trabalho e que nos acordos trabalhistas e/ou em sentenças prolatadas pelo Juízo, sobre as verbas salariais são recolhidas as contribuições previdenciárias sob pena de execução. Considera que cobrar de novo da empresa é bitributação. Portanto, não é devida contribuição sobre essa rubrica. Argumenta que os valores lançados na conta Serviços Técnicos são despesas são efetuadas com peritagens em processos trabalhistas. Os recolhimentos previdenciários estão contidos nos processos. Aduz que Despesas com Informática são despesas com manutenção e peças para as dezenas de computadores existentes na firma. Não há incidência previdenciária sobre essa rubrica. No que tange aos valores apurados na conta Indenizações trabalhistas, a exemplo dos acordos trabalhistas, também são decorrentes de ações na Justiça do Trabalho. Igualmente, o devido à previdência é recolhido no próprio processo, sob pena de execução. Quanto aos lançamento realizados na conta Despesas Diversas, informa que se trata de um pagamento feito a um Edifício para o qual a empresa realiza serviço de vigilância. Quando o empregado da empresa danifica qualquer instrumento, utensílio ou de alguma forma dá um prejuízo para o cliente, a empresa indeniza o cliente por esse prejuízo. Assim, não cabe contribuição previdenciária sobre essa rubrica. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 231 8 Alega que a empresa, desde que tenha disponibilidade, pode fazer empréstimo para os seus sócios. Isto não é uma remuneração disfarçada porque haverá a devolução das quantias emprestadas. Milhares de empresas fazem empréstimo a seus sócios. O sócio apontou nas suas declarações de imposto de renda pessoa física dos anos de 2004, 2005 e 2006, que estão anexas, o empréstimo obtido na empresa. Não há que se falar em contribuição previdenciária sobre tal empréstimo. Quanto às divergências apontadas pela fiscalização no Anexo V, a notificada alega que pois todas as diferenças já foram lançadas na NFLD n° 37.108.7066. Pelo Acórdão nº 1726.451 (fls. 193/205), a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) considerou o lançamento procedente. Irresignada, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 210/215), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 232 9 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega que alega que quanto às divergências apontadas entre os valores constantes da folha de pagamento e os declarados em GFIP, a empresa cumpriu com o principal, pois recolheu as contribuições previdenciárias. Não cumpriu com o acessório que é a declaração das contribuições na GFIP. Não é o que se verifica. O Relatório de Documentos Apresentados – RDA (fls. 45/47) mostra os recolhimentos efetuados pela recorrente, os quais foram devidamente aproveitados na NFLD 37.108.7066 e na presente notificação, conforme se verifica no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA (fls. 48/50). Portanto, ao contrário do que alegou a recorrente, esta não recolheu a integralidade dos valores devidos, razão pela qual não se pode acolher o argumento. A recorrente entende que não incide contribuição previdenciária sobre os ticket refeição e cestas básicas que fornece aos seus empregados. Entende que houve erro de lançamento, pois a empresa não paga em pecúnia. Além disso, afirma que o fornecimento de cesta básica se dá por força de disposto em dissídio coletivo da classe. O fornecimento de alimentação in natura só não integra o salário de contribuição se efetuado de acordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT do Ministério do Trabalho. Estabelece a Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º, alínea , o seguinte: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; In casu, a recorrente não demonstrou estar inscrita no referido programa, condição para se dizer que a mesma efetuou o fornecimento de acordo com o mesmo e nem ao menos havia previsão de tal fornecimento em Convenção Coletiva de Trabalho no período em que este ocorreu. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 233 10 Assim, não basta o simples fornecimento de alimentação como efetuou a recorrente. Tal fornecimento tem que se dar de acordo com uma das modalidades previstas no PAT, no qual a empresa deve estar inscrita. A auditoria fiscal verificou na Folha de Pagamento como proventos — código n° 6101, pagamento que teria por objeto custear determinados gastos do empregado, em razão de saldo devedor. Foi verificado que tais adiantamento não seriam reembolsáveis. A empresa, por sua vez, alega que tal adiantamento decorre dos casos em que segurados empregados que são afastados por motivo de doença, mas a empresa é obrigada a efetuar alguns descontos como: contribuição associativa do sindicato de classe do empregado, plano de saúde, farmácia e etc. Como o empregado está afastado e não recebe remuneração, o seu saldo fica devedor. Quando o empregado volta ao trabalho, a empresa parcela esse saldo e é reembolsada pelo funcionário. Ora, o lançamento ocorreu justamente porque não se verificou a existência do alegado reembolso por parte do funcionário. Portanto, a recorrente alega que descontou dos segurados mas não traz qualquer prova do alegado. Nesse sentido, deve prevalecer o lançamento relativo ao adiantamento de saldo devedor. Quanto à participação nos resultados, a empresa alega que o pagamento desta por força de dissídio coletivo não é provento. A parcela denominada participação nos lucros é uma garantia constitucional nos termos do inciso XI do art. 7º, in verbis: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: ...................................................................................................... XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (g.n.)) Da leitura do dispositivo, podese concluir que o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. A Lei nº 8.212/1991 possui dispositivo específico, qual seja, a alínea “j” do parágrafo 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91 que dispõe que não integrará o saláriode contribuição, os valores pagos como participação nos lucros, desde que de acordo com as disposições de lei específica, in casu, a Lei 10.101/2000. A empresa foi instada a apresentar documento referente ao PLR — Participação nos Lucros e Resultados, onde constariam as regras claras decorrentes da negociação, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 234 11 acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo relativos aos critérios e condições sobre índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa ou programa de metas, resultados e prazos pactuados previamente. O documento foi apresentado, só que sua validade não abrange o período fiscalizado uma vez que o documento de 2001 teve validade até 2002 e não foi renovado. Assim, não se pode dizer que o pagamento de participação nos lucros e resultados da recorrente atendeu o disposto na legislação e deve sofrer incidência de contribuição previdenciária. Quanto ao pagamento de comissões sobre vendas, a recorrente alega que é uma prestadora de serviços e como tal não vende mercadorias e não paga comissões sobre vendas. Ocorre que a auditoria fiscal verificou na contabilidade da empresa a conta Comissões de Vendas — Conta 452.0050 e, embora intimada, a recorrente não apresentou os recibos solicitados referentes aos pagamentos apurados na contabilidade. A empresa teria informado à auditoria fiscal que tais comissões sobre vendas se referiam a retribuição por serviços prestados relativos a venda dos serviços da empresa, ou seja, captação de novos contratos. Há que se observar que o argumento utilizado pela recorrente não merece acolhida, uma vez que o termo venda não se restringe a venda de mercadorias tão somente. A empresa em questão vende seus serviços e, desta forma, não se pode desqualificar o pagamento de comissões efetuado pela empresa. Como as comissões integram o salário de contribuição, relativamente a este quesito, o lançamento deve subsistir. Quanto à ajuda de custo paga aos empregados, a recorrente alega que são importâncias muito pequenas entregues a funcionários que se deslocam para outros locais para ressarcimento de despesas por eles efetuadas. A Lei nº 8.212/1991, art. 28, § 9º elenca as hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária e na alínea “g” do citado parágrafo está disposto o seguinte: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; Como se vê, a hipótese acima contempla a possibilidade de a empresa fornecer ajuda de custo sem ser obrigada a efetuar o recolhimento das contribuições incidentes sobre esta. A recorrente afirma tratarse de valores destinados a reembolsar os empregados de despesas por eles efetuadas, porém, não traz qualquer prova de tal alegação, levando a inferir o alegado não corresponde à realidade. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 235 12 A auditoria fiscal verificou vários lançamento em conta denominada Acordos Trabalhistas, para os quais a empresa não apresentou os acórdãos ou sentenças a fim de demonstrar tratarse de valores pagos em reclamatórias trabalhistas. A auditoria fiscal verificou, pelos históricos dos lançamentos contábeis, que se tratava de pagamentos a segurados, os quais a recorrente apesar de denominar como acordo trabalhista, em nenhum momento provou que se tratava de acordos homologados pela Justiça do Trabalho. A recorrente por sua vez alega que tais valores foram pagos em reclamatórias trabalhistas, porém, não trouxe aos autos os acordos judiciais correspondentes. Portanto, o lançamento deve prevalecer. A auditoria fiscal observou que foram efetuados pagamentos a pessoas físicas lançados na conta Serviços Técnicos e Despesas com Informática. A recorrente, por sua fez, argumenta que os valores lançados na conta Serviços Técnicos são despesas efetuadas com peritagens em processos trabalhistas e que as Despesas com Informática são despesas com manutenção e peças para as dezenas de computadores existentes na firma. Embora a recorrente não comprove suas alegações, ainda que tivesse pago pessoas físicas para a realização de peritagens e manutenção de computadores, tais situações são fatos geradores de contribuição previdenciária, uma vez que se trata de pagamentos efetuados a profissionais autônomos, considerados perante a Seguridade Social, como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social. A auditoria fiscal verificou que a empresa efetuava pagamentos mensais lançados na conta Despesas Diversas com o histórico Edifício Roberta Virtuoso. Questionada sobre a natureza de tais pagamentos foi esclarecido pela empresa que se tratava de uma pessoa física que presta serviços de captação de novos clientes e os pagamentos seriam uma espécie de comissão pelos serviços prestados por pessoa física sem vínculo empregatício. Relativamente a tal questão, a recorrente alega que realiza serviço de vigilância no citado edifício e quando o empregado da empresa danifica qualquer instrumento, utensílio ou de alguma forma dá um prejuízo para o cliente, a empresa indeniza o cliente por esse prejuízo. Percebese que se trata de outra alegação sem qualquer comprovação. Não há qualquer prova nos autos de que a empresa presta serviços ao edifício Roberta Virtuoso, se haveria no contrato tal previsão e se há documentos comprovando serem esses valores mensais e iguais decorrentes de ressarcimento por prejuízos causados por empregado da empresa. A recorrente ainda contabilizou valores pagos aos sócios a título de empréstimos e não apresentou qualquer documento que amparasse tal lançamento, como o contrato de mútuo, por exemplo. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 236 13 Além disso, os valores não foram devolvidos pelos sócios nos exercícios subseqüentes. A recorrente, por sua vez, alega tratarse efetivamente de empréstimos aos sócios, possibilidade legal, e apresenta cópias das Declarações de Imposto de Renda – Pessoa Física, onde contam tais empréstimos. Ocorre que, conforme bem observou o acórdão recorrido, as declarações juntadas pela recorrente são retificadoras e foram entregues à Secretaria da Receita Federal poucos dias antes do lançamento, ou seja, após iniciado o procedimento fiscal. A meu ver, a atitude da recorrente não se presta a comprovar que os empréstimos foram efetuados para serem devidamente pagos. Tudo indica que a recorrente simulou pagamentos a sócios sob o roupagem de empréstimos que não foram pagos e nem ao menos apresentou o contrato que estabeleceria as condições de tais empréstimos e não se pode olvidar o que dispõe o art. 118, inciso I, do CTN no sentido de que “a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos.” Portanto, não confiro razão à recorrente. Por fim, a recorrente vem alegar que as divergências apontadas pela fiscalização no Anexo V já teriam sido lançadas na NFLD n° 37.108.7066. É preciso esclarecer que foi objeto de lançamento na citada NFLD os valores de contribuição cujos fatos geradores foram declarados em GFIP pela recorrente e não foram recolhidos em sua integralidade. Na presente notificação foram lançadas as contribuições sobre fatos geradores apurados nas folhas de pagamento e NÃO declarados em GFIP, bem como diversos pagamentos não considerados salário de contribuição de contribuições previdenciárias pagos a segurados empregados e contribuintes individuais, os quais a auditoria fiscal demonstrou serem fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não obstante a recorrente informar fatos geradores a menor em GFIP, informar em folha de pagamento valores inferiores àqueles apurados na contabilidade, esta ainda foi efetuada com uma série de irregularidades que prejudicou sobremaneira o trabalho fiscal. O anexo V elaborado pela auditoria fiscal é resultado de trabalho árduo da auditoria fiscal em descobrir entre diversos lançamentos equivocados os fatos geradores de contribuições previdenciárias contabilizados indevidamente pela recorrente. Assim, não se trata do mesmo lançamento efetuado na NFLD 37.108.7066, mas de lançamento com fundamento diverso daquele, conforme esclarecido. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000917/200740 Acórdão n.º 2402001.690 S2C4T2 Fl. 237 14 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 14DF CARF MF Impresso em 15/05/2015 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 17460.000171/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006
Ementa: Ementa: PREVIDENCIÁRIO – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA –
DESCUMPRIMENTO
Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização
DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO
Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.786
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer dos recursos interpostos pelos responsáveis tributários, em conhecer do recurso do contribuinte e negar provimento.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2006 Ementa: Ementa: PREVIDENCIÁRIO – OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização DECADÊNCIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO Para as infrações cuja multa independe do período em que se verificou o descumprimento da obrigação acessória, a existência de infração em uma única competência fora do prazo decadencial leva à procedência da autuação CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara Recurso Voluntário Negado.
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Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausentes os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 384 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em razão de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto nº 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração e seu Anexo I (fls. 36/41), a fiscalização realizou diligência no endereço localizado na Rua Guaiauna nº180, 1° andar, sala 03, no Bairro da Penha, na cidade de São PauloSP em 07/11/2006 e constatou "in loco" que o local encontravase fechado, fato sustentado pelos vizinhos do mesmo pavimento os quais confirmaram não haver há tempos, qualquer atividade comercial nesse local, assim, foi mantido como domicílio tributário da empresa junto à Secretaria da Receita Previdenciária — SRP para fins de execução da auditoria fiscal o estabelecimento cadastrado como matriz com o CNPJ n o 71.680.201/000125 e endereço na Rua Caramuru nº 56, Vila Maristela , na cidade de Presidente PrudenteSP. A auditoria fiscal informa que desde a sua fundação até a décima sétima alteração realizada em 21 de fevereiro de 2001, a empresa tinha por objetivo social principal a atividade AGROPECUÁRIA. A partir da alteração contratual arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 39.941/012, em 05/03/2001, modificou a atividade para: exploração de atividades frigoríficas, com abate de bovinos, suínos, eqüinos, industrialização e comercialização, importação e exportação de produtos e subprodutos de origem animal, comestíveis ou não, atividade agropecuária, com compra, vencia, cria e recria de gado, bovino, eqüino e suíno e atividade agrícola e transporte rodoviário de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional e ainda o escritório com sede administrativa, administração de bens próprios, locação e arrendamento de veículos, participação em outras sociedades, intermediação de negócios, exceto imobiliário. A auditoria fiscal informa que a autuada agiu da seguinte forma: • Deixou de apresentar em arquivo digital padronizado, gerado no "layout (formato) disposto no Manual Normativo de Arquivos Digitais — MANAD (Portaria MPS/SRP no 58 de 28/01/2005) as informações contábeis, fiscais, patrimoniais e dos trabalhadores do período de julho de 2003 a junho de 2006, limitandose a apresentar, no final da auditoria, apenas o arquivo contábil com os registros do ano de 2005. • Deixou de apresentar os dados cadastrais dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. • Deixou de apresentar as informações fiscais armazenadas em arquivos digitais relativas às operações de compras de matérias primas (animais para abate) e lenha consumida no processo industrial e Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 385 4 cadastro de fornecedores, correspondente à escrituração fiscal do Livro de Registro de Entradas de Mercadorias, relativas às unidades frigoríficas, do período de 03/2001 a 09/2006. • Deixou de prestar esclarecimentos e juntar documentos relacionados aos pagamentos verificados na contabilidade e listados em planilha anexa ao Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD de 14/11/2006. • Deixou de apresentar ao fisco as informações patrimoniais com relação aos bens que integram o Ativo Imobilizado da empresa, como valor de mercado, existência ou não de gravame, além da recusa em apresentar a cópia dos documentos aquisitivos como notas fiscais, contratos e escrituras públicas. • Não apresentou à fiscalização as informações em arquivos digitais com a relação dos empregados da GFIP/SEFIPCR.RE, da Declaração anual do Imposto de renda retido na fonte — DIRF e da Declaração do Imposto de Renda — PJ —DIPJ. • Não esclareceu a situação do contrato de trabalho do empregado PEDRO DONIZETE NUNES, admitido em 01/05/1999 e que constou como "afastado" na folha de pagamento da filial CNP.] n o 71680201/000206 de Campo Grande MS, no período de 06/1999 a 12/2000, quando foi demitido por justa causa. É informado que no cadastro da empresa não consta a lavratura de Auto de Infração anterior a ser considerado para fins de reincidência, nem a ocorrência de outra circunstância agravante no curso da fiscalização. No denominado Anexo II – Relatório Fiscal de Aplicação da Multa (fls. 42/49), a auditoria fiscal informa que as empresas Agropastoril Estevam Ltda AGROPASTORIL, Jema Participações LtdaJEMA e M.B.E. Comércio e Representações de Carnes LtdaMBE, juntamente com a empresa autuada Santa Marina Alimentos Ltda formam Grupo Econômico de fato pelas razões que se seguem. A empresa notificada SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA, juntamente com as demais empresas da família ESTEVAM, compõem Grupo Econômico de fato, em face da existência de poder de controle único, desenvolvendo atividades diversas, mas vinculadas e promovem entre si uma incessante transferência de despesas e receitas. As citadas empresas tem por sócios as seguintes pessoas físicas ou jurídicas: Santa Marina Alimentos Ltda – Capital Social R$ 300.000,00 Márcio Brito Estevam – R$289.000,00 Parteco Administração e Participações Ltda – R$ 11.000,00 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 386 5 Agropastoril Estevam Ltda. – Capital Social R$ 2.500.000,00 Santa Marina Alimentos Ltda. 2.431.926,48 Márcio Brito Estevam – R$ 68.073,52 Jema Participações Ltda. – Capital Social R$ 610.000,00 Márcio Brito Estevam Junior – R$ 200.000,00 Eduardo Cavalcante Estevam – R$ 190.000,00 Marina Cavalcante Estevam – R$ 190.000,00 Marli Cavalcante Estevam – R$ 30.000,00 Parteco Adm e Participações Ltda. R$ 50.000,00 Márcio Brito Estevam –R$ 39.454,00 M.B.E. Comércio e Representação Carnes Ltda. R$ 10.546,00 M.B.E. Comercio e Repres.Carnes Ltda. – R$ 50.000,00 Parteco Administração e Participações Ltda. 25.000,00 Márcio Brito Estevam 25.000.00 A auditoria fiscal informa que a despeito da recusa da empresa, através do profissional responsável pela sua contabilidade, em apresentar os documentos solicitados nos Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD's e a prestar os esclarecimentos pertinentes necessários à fiscalização, os registros contábeis denunciam na relação das empresas entre si e em perfeita sintonia que se trata de fato de grupo econômico de empresas administradas pela Família Estevam. Assim, a auditoria fiscal considerou que todas as empresas integrantes do grupo econômico de fato seriam solidárias relativamente à presente autuação, nos termos no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. As empresas foram intimadas e apresentaram defesas. A Santa Marina teve ciência do lançamento em 22/12/2006 e manifestase às folhas 169/173 onde alega que teria havido decadência de parte do valor lançado, nos termos do art. 173, Inciso I, do CTN. Argumenta que a auditoria fiscal deixou de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentares, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 387 6 o que, "data vênia", é manifestamente ilegal, porque a acusação tem que ser clara e específica e bem delimitada, com a citação ordenada e inteligível dos dispositivos legais e regulamentares em que se funda. Afirma que o trabalho fiscal foi feito de modo atropelado, sem permitir que a primeira recorrente o acompanhasse, de modo a suprir eventuais documentos faltantes, violando manifestamente o seu direito de defesa, que é constitucionalmente assegurado. Alega que seria humanamente impossível no prazo de 15 (quinze) dias a primeira recorrente, em razão do exíguo prazo e dos feriados, pudesse arrebanhar todos os seus documentos para alicerçar sua defesa, razão pela qual solicita dilação do prazo. Aduz que a impugnante Santa Marina Alimentos Ltda. não participa de nenhum grupo econômico; apenas tem em seu quadro societário, como sócia quotista, a empresa Parteco Administração e Participações Ltda. Afirma que os elementos dos quais se valeu o Auditor Fiscal, são insuficientes para a caracterização de grupo econômico. Tratase de operações normais entre duas empresas, sendo irrelevante que do quadro societário de uma delas (a 1ª impugnante) conste Márcio Brito Estevam, e da outra (Jema Participações Ltda) conste o nome da ex mulher de Márcio e de seus filhos, mesmo porque lei nenhuma proíbe isso. Alega que são empresas distintas, com objetivos distintos e com vidas distintas. As demais solidárias também apresentaram defesas, JEMA (fls 190/203), AGROPASTORIL (fls. 219/231) e MBE (fls. 247/259) contendo, basicamente as alegações que se seguem. Afirmam que receberam expediente de pouco mais que uma folha A4 sem nenhum efeito porque não tem forma e nem conteúdo de nenhum documento hábil a impor qualquer responsabilidade à impugnante, sendo vazio de conteúdo. Argumentam que o referido expediente não veio acompanhado de nenhum documento, limitandose a dizer que é assegurado às empresas do grupo econômico vista do processo administrativo fiscal, o que significa que às impugnantes não foi dado conhecimento do que eventualmente teria sido apurado contra elas, e baseado em que documentos o Sr. Fiscal autuante chegou a essa conclusão, razão pela qual tal cientificação não tem o condão de imputar nenhuma responsabilidade às impugnantes. Alegam que nunca fizeram parte da empresa Santa Marina Alimentos Ltda e que a participação de uma mesma pessoa no quadro societário de várias empresas NÃO caracteriza grupo econômico de fato ou de direito. Afirmam que, no caso, não foi demonstrado e nem existe entre as empresas mencionadas interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal, o que descaracteriza a inclusão das impugnante como corresponsáveis. Aduzem que apesar de as impugnante nada terem a ver com o Auto de Infração, de não terem recebido nenhum documento a respeito dele e não poderem fazer carga dos autos do processo administrativo, a impugnante, com autorização da empresa Santa Marina Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 388 7 Alimentos Ltda., transcreve, literalmente, tudo quanto a respeito foi dito por ela na defesa que apresentou. Pelo Acórdão nº 1418.002 (fls. 278/302), a 7ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (SP) considerou a autuação procedente, porém, apesar de reconhecer a existência do grupo econômico de fato, entendeu por excluir do pólo passivo as solidárias JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MBE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE CARNES LTDA sob o argumento de que não há previsão legal para imputar responsabilidade solidária, pelo descumprimento das obrigações acessórias, às empresas integrantes de um grupo econômico. A notificada Santa Marina Alimentos Ltda apresentou recurso tempestivo (fls. 311/328) onde efetua a repetição dos argumentos já apresentados em defesa. As empresas JEMA, AGROPASTORIL E MBE também se manifestaram às folhas 329/345, 346/361 e 362/377, respectivamente, onde mantém seu inconformismo por terem sido consideradas integrantes de grupo econômico de fato. É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 389 8 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso apresentado pela SANTA MARINA é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto aos recursos apresentados pelas empresas JEMA, AGROPASTORIL E MBE. repetindo as alegações de defesa, entendo que não devem ser conhecidos. De acordo com a decisão recorrida foram excluídas do pólo passivo as solidárias JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MBE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE CARNES Ltda. sob o argumento de que não há previsão legal para imputar responsabilidade solidária pelo descumprimento das obrigações acessórias às empresas integrantes de um grupo econômico. De tal decisão não houve recurso de ofício. Ainda que as empresas em questão tenham manifestado em impugnação seu inconformismo pelo fato de terem sido consideradas integrantes de grupo econômico de fato, estas não mais integram o pólo passivo da obrigação, razão pela qual não há que se acolher seus argumentos nos autos deste processo. Pelas razões expostas, não conheço dos recursos apresentados pelas empresas JEMA PARTICIPAÇÕES LTDA, AGROPASTORIL ESTEVAM LTDA e MBE COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES DE CARNES LTDA. Assim, passo à análise do recurso apresentado pela SANTA MARINA, haja vista terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade. A recorrente apresenta preliminar de decadência, pois entende que para o cômputo da mesma devem ser consideradas as disposições do Código Tributário Nacional. De fato, a decadência, atualmente, deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 390 9 oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 391 10 No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Ocorre que, para o tipo de infração verificada, cuja multa é única independentemente do período em que se verificou a ocorrência de infração, basta que ocorra uma única ocorrência de descumprimento de obrigação em período não decadencial para que a autuação seja devida. No caso, a auditoria fiscal apurou que a recorrente descumpriu a obrigação acessória no período de 03/2001 a 09/2006. Como a autuação se deu em 22/12/2006, data da ciência do sujeito passivo, não há que se falar em reconhecimento de decadência no presente caso. A recorrente alega que o auto de infração teria deixado de esclarecer os fundamentos legais da exigência, limitandose a relacionar uma enxurrada de dispositivos legais e regulamentares. Além disso, considera que houve violação de seu direito de defesa em razão do prazo de quinze dias para sua apresentação. Tal preliminar não merece acolhida. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, autuação por descumprimento de obrigação acessória consubstanciada no fato de a empresa ter deixado de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Toda a fundamentação legal que amparou a autuação, bem como a aplicação da multa foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica na folha de rosto do auto de infração Além de a fundamentação legal estar devidamente informada na folha de rosto, a auditoria fiscal ainda a menciona no Relatório Fiscal da Infração – Anexo I (fls. 36/41) onde também estão devidamente discriminadas todas as omissões verificadas nas folhas de pagamento. De igual forma, a alegação de cerceamento de defesa pelo prazo concedido para apresentação de defesa, vale dizer que foi concedido à empresa o prazo legalmente previsto no § único do art. 37 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de Fl. 10DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000171/200707 Acórdão n.º 2402001.786 S2C4T2 Fl. 392 11 pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da notificação. A recorrente alega que não participa de nenhum grupo econômico; apenas tem em seu quadro societário, como sócia quotista, a empresa Parteco Administração e Participações Ltda. As alegações da recorrente sobre a inexistência de grupo econômico não são pertinentes e não merecem ser acolhidas. Eventual discussão a respeito da existência ou não de grupo econômico caberia às empresas incluídas no pólo passivo como responsáveis solidárias, no entanto, todas foram excluídas da responsabilidade pela decisão de primeira instância. Asseverese que a recorrente não comparece no pólo passivo como responsável solidária mas como contribuinte, uma vez que a infração verificada ocorreu no âmbito da própria recorrente. Portanto, impertinente ao caso em questão o inconformismo da recorrente pela caracterização do grupo econômico. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER tão somente o recurso apresentado pela empresa SANTA MARINA ALIMENTOS LTDA e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 11DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 17/06/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16045.000214/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Nov 23 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 15/07/2004 a 30/09/2004
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada (argumento autônomo) capaz de, em tese, culminar no cancelamento, mesmo que parcial, do auto de infração.
Numero da decisão: 3402-009.350
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do Acórdão da DRJ exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Ausente momentaneamente a Conselheira Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: Thais De Laurentiis Galkowicz
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada (argumento autônomo) capaz de, em tese, culminar no cancelamento, mesmo que parcial, do auto de infração. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a nulidade do Acórdão da DRJ exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Presidente (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lázaro Antonio Souza Soares, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Renata da Silveira Bilhim, Thais de Laurentiis Galkowicz e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Jorge Luis Cabral, substituído pela conselheira Lara Moura Franco Eduardo. Ausente momentaneamente a Conselheira Cynthia Elena de Campos. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Porto Alegre/RS, que julgou improcedente impugnação apresentada pela Contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 14 /2 00 9- 46 Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: O estabelecimento industrial acima qualificado foi autuado por Auditores- Fiscais da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Taubaté (SP), por ter promovido a saída de produtos com inobservância do valor tributável mínimo do IPI, nas seguintes situações: (a) em transferências da produção própria, para outros estabelecimentos da mesma firma; e (b) em transferências de mercadorias adquiridas de terceiros, para outros estabelecimentos da mesma firma, ou para firma interdependente. A referida autuação resultou na exigência da multa de 75% sobre o IPI não lançado, com cobertura de créditos, no valor de R$ 96.045,80, e está formalizada no Auto de Infração das fls. 2 a 6 e anexos. Os motivos da autuação acham- se explicitados no Relatório Fiscal das fls. 15 a 23 e seguem resumidos. Os autores do procedimento fiscal relatam que o estabelecimento fabrica tubos industriais para gasodutos, aquedutos etc. e já foi alvo de autuações anteriores em 2005 e 2007, em auditorias de pedidos de ressarcimento referentes a 2001, 2002 e 2003, sendo que essas autuações foram confirmadas em primeira instância e aguardam julgamento dos recursos voluntários. Dentre os vários assuntos tratados nessas autuações, figuram transferências de insumos e de produtos acabados (tubos) para filiais e para empresa interdependente, com valores inferiores ao mínimo estabelecido pela legislação tributária. Seguem os auditores, dizendo que pela Intimação nº 36, de 28 de abril de 2006, item 1, fl. 24, solicitaram que o interessado esclarecesse o valor tributável exemplificado na fl. 25, caso em que, para os mesmos produtos, existem valores unitários diversos. Em 12 de julho de 2006, veio ao processo a resposta da fl. 26, em que se lê o seguinte (item 3): “quanto à diversidade de valores, esclarecemos que os funcionários são sempre orientados a obedecerem os termos da lei. Neste caso específico, por um lapso, alguns produtos dentre os constantes da listagem apresentada estão com valor tributável inferior ao que dispõe o Regulamento do IPI”. Adiante, conforme Intimação nº 42, de 6 de setembro de 2006, da fl. 27, os autores do procedimento fiscal solicitaram informações sobre as características de tubos e as suas codificações. Na resposta da fl. 28, em 14 de setembro de 2006, foi informado, em especial, o que segue: “2) revendas, 2.b) entendemos que a margem média seria de 20% (vinte por cento), antes dos impostos sobre as vendas (ICMS, PIS e COFINS) ...”. Além disso, segundo a fiscalização, Confab fornece valores mínimos para transações com tubos, em especial, para o produto “tubo de aço-C 1920x4,8x5200mm – p TQ”. Na sequência, a fiscalização afirma que o valor tributável do IPI não pode ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência, considerando-se, na apuração do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, a média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Em não existindo o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, prossegue a fiscalização, toma-se por base de cálculo, no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Adiante, os autores do procedimento fiscal citam e transcrevem excertos do Acórdão no 14-16.908, de 5 de setembro de 2007, da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que manteve outra autuação contra o interessado, dessa feita no processo no 16045.000109/2007-45, por inobservância do valor tributável mínimo do IPI. Também cita e transcreve ementas de Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 acórdãos de câmaras do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), no sentido da obrigatoriedade da observância do valor tributável mínimo. Na conclusão do Relatório Fiscal das fls. 15 a 23, os autores do procedimento fiscal especificam os critérios adotados no lançamento de ofício: (a) nas transferências de insumos, utilizamos como referência valores de aquisição dos mesmos produtos; tais valores foram obtidos a partir dos bancos de dados de entradas de Confab – preços de aquisição em negrito nas fls. 37 e seguintes; observe-se que, também em negrito, estão as saídas ocorridas no trimestre em debate; considerando o que Confab nos informou sobre a formação de seus preços de revenda de insumos, elaboramos a planilha de fl. 42, com os valores finais a serem lançados; (b) em transferências de tubos, utilizamos vendas para terceiros dos produtos, conforme fls. 43 e seguintes – novamente em negrito tanto os valores referenciais, quanto das saídas objeto de retificação; nas fls. 51 a 53, consolidamos os valores a serem lançados no trimestre em tela; nas fls. 54 e seguintes, Notas fiscais exemplificativas das operações de venda – valores referenciais – e de transferências. As infrações foram enquadradas nos seguintes dispositivos: Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 15, I; arts. 23, II e III, 32, II, 109 e seus incisos, 110, I, “b”, 114, 117, 118, 123, I, “a”, 124, § único, II, 182, 183, IV, e 185, inciso III, do Decreto no 2.637, de 25 de junho de 1998, Regulamento do IPI (RIPI), de 1998; arts. 24, II e III, 34, II, 122 e seus incisos, 123, I, “b”, 127, 130, 131, “a”, 136, I, 137, § único, II, 199, 200, IV e 202, III, do Decreto no 4.544, de 26 de dezembro de 2002, Regulamento do IPI (RIPI), de 2002; Instrução Normativa SRF nº 82, de 11 de outubro de 2001. Cientificado da autuação em 15 de julho de 2009, conforme consta na fl. 4, o sujeito passivo apresentou em 14 de agosto de 2009 a impugnação tempestiva das fls. 73 a 102, firmada por procurador, credenciado pelos documentos das fls. 103 a 109, alegando o que segue resumido. A defesa esclarece inicialmente que o estabelecimento autuado se dedica, dentre outras atividades, à fabricação e ao comércio de tubos de aço e peças especiais de máquinas e equipamentos industriais para diversos setores, tais como, petrolífero, energético e petroquímico, atuando, inclusive, na exportação. Na sequência, invoca o art. 47 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), para dizer que, se a base de cálculo do IPI, na falta do valor da operação de que decorrer a saída, é o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente, é imprescindível, segundo o entendimento da defesa, a caracterização efetiva da falta de um valor da operação, ou a adoção de um valor manifestamente ilegítimo, para permitir que a administração tributária adote valores outros, que não os da operação propriamente dita. Continua o impugnante, argumentando que a fiscalização ignorou o pressuposto de falta do valor da operação e partiu para arbitrar valores em discordância com os parâmetros fixados no RIPI, que levam à adoção da média ponderada dos preços de cada produto, na apuração do valor tributável mínimo. Alude ao Parecer Normativo CST no 44, de 1981, que diz o seguinte: quando a determinação do valor tributável, para efeitos do cálculo do IPI, for efetuada por meio de preços praticados no mercado atacadista da praça do remetente, será considerado o universo das vendas realizadas naquela localidade. Além disso, somente no caso de não existir preço corrente no mercado atacadista é que se tomará por base o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. A fiscalização, segundo o interessado, em momento algum justificou a conclusão de que os preços efetivamente praticados nas operações autuadas não mereciam credibilidade. E seguiu consultando o banco de dados de entradas no estabelecimento Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 interessado, para extrair os preços de aquisição, selecionando os que entendeu convenientes para utilizá-los como valores de referência, para comparação com os preços praticados e, por último, apurar as diferenças de IPI que entendeu devidas. A defesa pondera que os custos adotados pela fiscalização são suscetíveis a grandes variações, sendo influenciados, em especial, pelas variações decorrentes da produção em pequena ou grande escala, o que pode encarecer ou baratear o produto, pelas variações decorrentes dos reajustes que sofrem os contratos, conforme a variação do valor das “commodities”, e pelas variações decorrentes do rateio do valor do frete, que é um valor constante, em detrimento da quantidade variável de mercadorias transportadas. Adiante, a defesa alega que a fiscalização utilizou operações realizadas em 2002, que não são objeto da presente autuação, além do que utilizou operações em que o impugnante recebeu produtos em transferência, tornando esses dados imprestáveis para fins de apuração das diferenças de IPI. Some-se a isso o erro da fiscalização ao atribuir margem de lucro a partir de operações que não são objeto da autuação. A defesa alega também que adota o sistema de produção por ordem, em que a estrutura de custos segue a característica de sua atividade comercial e industrial, o que não ocorre no modelo de produção contínua. O estabelecimento atende especificamente a demanda dos clientes, ao invés de produzir para estocagem e venda posterior. Os produtos por ele produzidos e comercializados atendem a demanda especifica, com características técnicas e especificações próprias, razão pela qual é mais apropriado o método de custeio por ordem. Nesse modelo, os custos são acumulados em uma conta especifica para cada ordem ou encomenda, sendo que essa conta somente para de receber custos quando a ordem for finalmente encerrada. Quando a ordem for encerrada, os montantes serão transferidos para os estoques de produtos acabados ou para custo dos produtos vendidos, conforme a situação. Dentro desse sistema por ordem, o impugnante adota o custo baseado no preço médio ponderado móvel, caso em que a empresa atualiza frequentemente o custo de seus produtos, tendo em vista as últimas aquisições, apurando a média móvel entre os produtos existentes no estoque e os produtos adquiridos mais recentemente. Esse processo de custeio pressupõe, naturalmente, um sistema de contabilidade integrado que permite que os lançamentos contábeis possam ser a base para a apuração dos custos em sua totalidade. Essa integração é fundamental para a boa gestão da empresa dentro das melhores práticas comerciais. A adoção desse tipo de sistema pelo impugnante demonstra a qualidade de seu sistema de custos, que atende aos requisitos essenciais para que possa ser considerado como sistema integrado e, conseqüentemente, poder ser usado para suas decisões comerciais e para a apuração dos tributos devidos, motivo pelo qual a fiscalização não poderia presumir que as operações autuadas devam apresentar preço idêntico as operações informadas pelo impugnante e que foram eleitas como parâmetro. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência que considera favorável aos seus argumentos. Encerra, pedindo o acolhimento das razões de defesa, para fins de exoneração da multa, tendo em vista que as diferenças de IPI são indevidas. Conforme Resolução nº 583, de 21 de março de 2014, das fls. 151 a 156, esta Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) baixou o presente processo em diligência, para que os autores do procedimento fiscal evidenciassem o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente dos produtos objeto da autuação, apurando as diferenças do IPI acaso encontradas, ou, caso o referido preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente inexistisse, informassem os motivos pelos quais chegaram à essa conclusão. Isso porque o processo não evidenciava demonstração do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, para fins de comparação com o valor praticado na operação respectiva, a ponto de legitimar glosa e subsequente apuração de débitos do IPI. O processo tampouco evidenciava motivação Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 para a suposta inexistência desse preço, a ponto de justificar a adoção alternativa do custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação correspondente. Realizada a diligência, veio aos autos deste processo o Termo das fls. 175 e 176, que segue transcrito: “.................... Em atendimento ao solicitado na Resolução 583 – 3ª Turma da DRJ/POA, fls. 151 a 156, que converteu o julgamento em diligência ‘para que os autores do procedimento fiscal evidenciem o preço corrente o mercado atacadista da praça do remetente dos produtos objeto da autuação, apurando as diferenças do IPI acaso encontradas, ou. caso o referido preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente inexista, informem os motivos pelos quais chegaram à essa conclusão’, temos a informar o seguinte: No caso das saídas de insumos (ARO PROTETOR DE BIZEL, CHAPA DE AÇO e SOLVENTE INDUSTRIAL THINER), só se encontrava mercado atacadista na praça do remetente do primeiro deles, ou seja, do ARO PROTETOR DE BIZEL. A empresa AROVALE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA. - EPP, CNPJ 00.653.759/0001-73. já se encontrava instalada no município de Pindamonhangaba à época dos fatos geradores em debate. Porém, para os outros dois insumos, não há mercado atacadista de tais mercadorias na praça do remetente, no caso o município onde se encontra o estabelecimento de CONFAB INDUSTRIAL SOCIEDADE ANÔNIMA, doravante denominada CONFAB. O inciso I do artigo 136 do RIPI/02 não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja Caracte rizado como um ‘mercado atacadista’. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. Dessa forma, esta fiscalização se apoiou no que determina inciso I do artigo 136 do RIPI/02 para as saídas de ARO PROTETOR DE BIZEL e o inciso II do artigo 137 do Decreto 4.544/2002 (RIPI/02) para as saídas de CHAPAS DE AÇO e SOLVENTE INDUSTRIAL TH1NER. No caso das saídas de produtos, tubos, CONFAB é a única empresa que os vende no mercado atacadista da praça, ou seja no município onde se encontra o seu estabelecimento. Dessa forma, seu preço de venda para estabelecimento de empresa com a qual ela não mantinha relação de interdependência foi tomado por base. Sobre essa matéria, a Fazenda Nacional já obteve decisão favorável em julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cm Auto de Infração lavrado em face ao mesmo contribuinte, CONFAB, processo n° 16045.000109/2007-45, conforme Acórdão n° 3302-00.610 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, constante de fls 158 a 174 do presente processo. Fica o contribuinte notificado que, a partir da ciência do presente termo, está aberto o prazo de trinta dias para apresentar eventual impugnação complementar, conforme solicitado na Resolução 583 – 3ª Turma da DRJ/POA. Do que, para constar e surtir os eleitos legais, lavrei o presente termo em duas vias, de igual forma e teor, uma das quais fica em poder do representante da empresa abaixo identificado Fl. 282DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 ....................” O sujeito passivo tomou ciência do Termo de Diligência antes transcrito em 8 de janeiro de 2015, conforme consta na fl. 176, e apresentou a impugnação complementar das fls. 186 a 220, em 9 de fevereiro de 2015, reiterando a argumentação antes apresentada na impugnação original. O julgamento da impugnação resultou no Acórdão da DRJ, cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 15/07/2004 a 30/09/2004 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. O valor tributável para fins de apuração do IPI não pode ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, toma-se por base de cálculo, no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho, apresentando os seguintes pontos de defesa: i) da nulidade da decisão recorrida por vício de fundamentação e cerceamento de direito de defesa. Afirma que decisão recorrida é nitidamente nula, pois se limitou a reescrever o Termo de Diligência elaborado pelo Fisco, além de ter apresentado fundamentação genérica, deixando de lado pontos importantes quanto ao conjunto fático e probatório; ii) da nulidade do Auto de Infração – Motivação precária e deficiente – Iliquidez do lançamento diante dos critérios arbitrários de VTM adotados; iii) da necessidade de reforma da decisão recorrida - Demonstração da regularidade dos procedimentos da Recorrente e da improcedência do Auto de Infração; iii.a) inaplicabilidade das regras de VTM às operações autuadas; iii.b) violação aos critérios e procedimentos para a apuração do VTM; iv) Inaplicabilidade da multa; v) ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. É o relatório Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. O recurso é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar no mérito do caso, é necessário verificar que a Recorrente aponta nulidade do Acórdão da DRJ, porque este não teria enfrentado argumentos trazidos na Impugnação, quais sejam: (i) não observou os critérios legais para a apuração do VTM; (ii) Fl. 283DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 adotou preço de aquisição de mercadorias recebidas em transferência como referência para a apuração do VTM; (iii) adotou margem de lucro estimada e que não se apresenta adequada ao contexto e época das operações realizadas; e (iv) adotou metodologia própria para determinação do VTM, tendo elegido determinadas notas fiscais de maneira arbitrária, presumindo que essas deveriam corresponder ao VTM, sem considerar as circunstâncias de cada operação realizada, violando o princípio da verdade material. Com razão a Recorrente. O julgamento a quo cuidou do tema de maneira bastante sintética e, em grande medida, reproduzindo o relatório de diligência (fls 175 e 176). Com efeito, depois de recordar os pontos que estavam em litígio e transcrever os artigos 136 e 137 do RIPI/2002, a decisão recorrida chega ao caso concreto e o resolve mediante os seguintes dizeres: No Termo de Diligência das fls. 175 e 176, elaborado em resposta à Resolução nº 583, de 21 de março de 2014, das fls. 151 a 156, os autores do procedimento fiscal esclarecem que, no caso das saídas dos insumos “aro protetor de bizel”, “chapa de aço” e “solvente industrial thiner”, existia mercado atacadista na praça do remetente exclusivamente quanto ao primeiro, “aro protetor de bizel”. Com efeito, o estabelecimento Arovale Equipamentos Industriais Ltda. - EPP, inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) sob nº 00.653.759/0001-73. já se encontrava instalado no município dePindamonhangaba (SP) na época dos fatos geradores em debate, razão pela qual o valor tributável mínimo do IPI, para as saídas de “aro protetor de bizel” foi apurado segundo o citado art. 136, I, do RIPI de 2002. No tocante aos outros dois insumos, “chapa de aço” e “solvente industrial thiner”, não havia mercado atacadista na praça do remetente, Confab Industrial S/A, motivo por que o valor tributável mínimo do IPI, para as saídas desses dois itens foi apurado segundo o citado art. 137, parágrafo único, II, do RIPI de 2002. No caso das saídas de produtos, no caso, tubos, Confab Industrial S/A é o único estabelecimento que os vende no mercado atacadista da respectiva praça, motivo pelo qual o preço de venda para estabelecimentos de empresa com a qual não mantinha relação de interdependência foi tomado por base na autuação. O impugnante externa sua inconformidade com o lançamento de ofício, sem demonstrar que os valores tributáveis mínimos apurados pela fiscalização tenham importado exigência exorbitante. Além disso, no curso da ação fiscal reconheceu irregularidades no valor tributável em saídas por ele promovidas. Note-se que, ao contrário do que afirma o impugnante, não houve arbitramento do valor tributável, matéria, aliás, que é objeto do art. 138 do RIPI de 2002, mas não foi citado no enquadramento legal por não ser pertinente ao caso. Cumpre acrescentar que a autuação anterior contra o impugnante, por inobservância do valor tributável mínimo, no processo 16045.000109/2007-45, restou mantida pelo Carf, segundo consta no Acórdão nº 3302-00.610, de 30 de setembro de 2010, reproduzido nas fls. 158 a 174. Em face do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, para manter o crédito tributário. É incontroverso que os julgadores podem se utilizar de anteriores manifestações postas nos autos do processo administrativo e adotá-las como razão de decidir, conforme disciplina o artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99. Porém, no presente caso, ao utilizar-se dessa faculdade, a decisão recorrida acabou deixando de apreciar diversas questões levantadas pela Contribuinte em sua defesa a respeito da forma com que as regras sobre o valor tributável mínimo foram aplicadas ao caso concreto, descritas alhures. Fl. 284DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 Fica ainda mais clara a falta de cuidado com os argumentos de defesa do acórdão a quo quando se percebe que ele nem mesmo enfrentou as questões que foram levantadas como passíveis de implicar na nulidade do auto de infração por deficiência em sua motivação. Clara é a pertinência da questão aventada. Lembre-se que, no presente caso, ao inicialmente analisar o auto de infração, a DRJ viu por bem converter o julgamento em diligência justamente “para que os autores do procedimento fiscal evidenciem o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente dos produtos objeto da autuação”, já que não puderam encontrar essas informações do lançamento tributário. Tampouco foi proferida qualquer palavra a respeito da defesa quando argumenta da impossibilidade de aplicação de multa à Contribuinte. Não pode a autoridade investida do poder judicante na esfera administrativa deixar de enfrentar tais pontos devidamente. É certo que o julgador não tem a obrigação de analisar todos os argumentos trazidos pelas partes para alcançar a convicção necessária para julgamento do processo, na esteira da jurisprudência do STJ (REsp n. 874793/CE e REsp 876271). Todavia, ele não pode se eximir da análise de argumentos que sejam decisivos para o deslinde do processo, devendo no mínimo explicar o porquê julgar que eles seriam irrelevantes para o julgamento. No processo administrativo tributário, não pode a DRJ ou o CARF simplesmente restarem silentes a respeito de determinado fundamento da defesa apresentada pelo contribuinte que, de fato, pode culminar no cancelamento, ainda que parcial, da autuação fiscal, sob pena de evidente afronta aos princípios do devido processo legal, contraditório e da ampla defesa, da justiça, da equidade, além da busca da verdade material. Por essas razões, a DRJ não poderia ter deixado de analisar a argumentação da Contribuinte relativamente a: (i) a nulidade do auto de infração por deficiência em sua motivação; (ii) não observância pela fiscalização os critérios legais para a apuração do VTM; (iii) adoção de preço de aquisição de mercadorias recebidas em transferência como referência para a apuração do VTM; (iv) adoção de margem de lucro estimada e que não se apresenta adequada ao contexto e época das operações realizadas; e (v) adoção de metodologia própria para determinação do VTM, tendo elegido determinadas notas fiscais de maneira arbitrária, presumindo que essas deveriam corresponder ao VTM, sem considerar as circunstâncias de cada operação realizada; (vi) impossibilidade de aplicação de penalidade à Contribuinte. A argumentação da Contribuinte nestes itens é absolutamente pertinente, precisa e direcionada a itens específicos do auto de infração sendo, portanto, capaz de cancelá-lo parcialmente se acolhida. Dessarte, é hialino que não se trata de matéria que pode simplesmente deixar de ser analisada no julgamento administrativo, sob pena de restar configurada clara nulidade em função da omissão do órgão judicante. Tendo isso em vista, ratifica-se que no presente caso houve omissão da DRJ ao julgar a impugnação da Contribuinte, sendo portanto nula. Destaco abaixo a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa López 1 sobre o tema: No processo administrativo fiscal, dentre as nulidade mais comuns podem-se destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos 1 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 558-559. Fl. 285DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 por autoridade incompetente; ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões de defesa e o não atendimento aos requisitos formais do lançamento. Algumas dessas questões arguidas em preliminar são suficientes para a nulidade dos atos correspondentes e para a extinção de todo o processo administrativo, como a questão da ilegitimidade das partes; outras permitem o saneamento da irregularidade, como é o caso de cerceamento de defesa gerada pela falta indispensável da análise de uma tese arguida pelo contribuinte, ocasionando apenas a nulidade da decisão de primeira instância e o seu saneamento com a prática de ato novo. A ausência de análise do citado item da impugnação, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria por este Conselho, estar-se-ia atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico brasileiro, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins 2 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. Nesse sentido o artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972 confere efetividade ao texto constitucional ao determinar que: Art. 59. São nulos (...) II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, destaco que foi no intuito de coibir tal sorte de problema que o Novo Código de Processo Civil, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos essenciais da sentença, bem como as situações em que considera não fundamentada a decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I - o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II - os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III - o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1 o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; 2 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 286DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-009.350 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16045.000214/2009-46 IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; (grifei) Resta a este Colegiado, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que pode ser percebido como supressão de instância administrativa, culminando em preterição do direito de defesa. Dispositivo Diante do exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão n. 10-56.083, da 3ª Turma da DRJ/POA, exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. Por conseguinte, o processo deve ser devolvido à instância a quo para que seja proferido novo julgamento. (documento assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 287DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.901083/2008-59
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: COFINS
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003
Ementa: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL.
Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido.
Numero da decisão: 3401-001.698
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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DILIGÊNCIA. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITO. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de crédito, o pedido da contribuinte deve ser deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária do terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas De Assis, Odassi Guerzoni Filho e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento transmitido por Dcomp em 31/03/2004, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, a título de Cofins. A DRF em Florianópolis/SC indeferiu o pedido por despacho decisório eletrônico (fls. 05) em razão de não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados em PER/Dcomp. Irresignada, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade/Impugnação, alegando tão somente que é uma entidade fechada de previdência complementar, sem fins lucrativos com autonomia administrativa e financeira; e que deixou de retificar a DCTF nos períodos informados, o que ocasionou o despacho decisório, mas que em 30/05/2008 tomou tal providência no sentido de solucionar a diferença apresentada. A DRJ em Florianópolis/SC manteve a decisão da DRF, prolatando a seguinte ementa (fls. 11): “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A Contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 23/02/2010 (fls. 13) e interpôs Recurso Voluntário em 24/03/2010 (fls. 14/27) alegando, em resumo, o seguinte: 1. O crédito no valor original de R$ 1.001,76 é decorrente do pagamento a maior realizado em 13/06/2003; 2. A Recorrente constatou que, por um equivoco, deixou de retificar a DCTF, mas que em 30/05/2008 apresentou Manifestação de Inconformidade e informou a retificação demonstrando “existência inequívoca” do crédito pleiteado; 3. A compensação não poderia ter sido indeferida sob alegação de que a retificação da DCTF afasta a certeza e liquidez do crédito informado; 4. A decisão afronta os princípios da legalidade e da moralidade administrativa, além de configurar em ilícito do Estado; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901083/200859 Acórdão n.º 3401001.698 S3C4T1 Fl. 93 3 5. A autoridade julgadora negou a homologação sem qualquer fundamento legal. Houve superficialidade na análise e ausência de motivação adequada, fatores que implicam em nulidade do acórdão; 6. Afirma que houve preenchimento equivocado da DCTF, na qual constou o montante de R$ 45.197,70, após, devidamente retificado para R$ 44.195,94; 7. Que utilizou o valor recolhido a maior para efetuar a compensação que ora se nega, pois o Fisco, sem realizar qualquer diligência, entendeu que a Recorrente não detinha crédito líquido e certo quando da compensação; 8. O direito ao ressarcimento do pagamento a maior nasce no exato momento do pagamento indevido e “independe de qualquer pronunciamento administrativo ou judicial, que terá natureza meramente declaratória, e não constitutiva.”. Ao final, pede a Recorrente que o Recurso Voluntário seja acolhido para determinar o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis, devido à nulidade procedimental, ou ainda, em sendo o caso de julgamento de mérito deste Recurso, requer a reforma daquela decisão. Submetido ao CARF, o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, fls. 65/66, nos seguintes termos: “Em face de todo o exposto e considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho a conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.” A DRF em Santa Catarina respondeu, respectivamente, aos quesitos formulados pelo CARF, fls 73: 1. À época do Despacho Decisório o crédito era improcedente, pois passou a existir com a retificação da DCTF, motivada pela nãohomologação da compensação. O valor do crédito corresponderia à Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 diferença entre o débito indicado na DCTF antes da não homologação da Dcomp e o valor informado na retificadora; 2. Após a retificação da DCTF, a diferença ficou “desvinculada” e, através de consulta ao sistema SIEF, verificouse não haver outras Dcomp que tenham utilizado como crédito alguma parcela do DARF; 3. A alocação dos R$ 1.001,76 do débito compensado na Dcomp indica que o valor é suficiente para a compensação declarada. A Recorrente foi intimada do resultado da diligência em 09/03/2011 e manifestouse, às fls. 76/79: 1. O relatório da delegacia de origem confirmou a existência do crédito e em valor suficiente para a compensação, além de ter informado que o crédito não foi utilizado em outra Declaração de Compensação; 2. Reconhecido o direito através da diligência, a decisão que negou a homologação não pode subsistir; Ao final, reitera o pedido para que o Recurso Voluntário seja acolhido e a decisão, reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperativo esclarece que este processo foi apreciado, originalmente, pela 3a Turma Ordinária, da 4a Câmara, desta Terceira Seção do CARF. Após a realização de diligência e devolução dos autos, o processo foi distribuído para esta 1a Turma Ordinária, para este Conselheiro. Ultrapassado esse esclarecimento, passase à análise do caso: Como verificado pelo relatório, o cerne da questão consiste na existência ou não do crédito tributário utilizado na compensação. A perícia constatou que a Contribuinte protocolou o pedido de compensação com base em um DCTF, o qual levou a equipe fiscal concluir pela inexistência do crédito requerido. Após a emissão do despacho decisório, a Recorrente retificou o DCTF e, após a retificação, constatouse a existência de crédito suficiência para compensar o valor declarado no pedido de compensação. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901083/200859 Acórdão n.º 3401001.698 S3C4T1 Fl. 94 5 Muito embora a existência do crédito seja inequívoca, pois constatada em diligência pericial, devese analisar outra questão, qual seja: a retificação do DCTF após o despacho decisório. É certo que o § 1o, do art. 147, do CTN, dispõe que a retificação da declaração deve ocorrer antes da notificação do lançamento. Como a declaração de compensação é confissão de dívida, nos termos §6o, do art.74, da Lei nº 9.430/96, o lançamento, no caso, seria a homologação por meio do despacho decisório, ou seja, a Recorrente deveria apresentar a retificação antes da emissão do despacho decisório. Não obstante, entendo que essa regra deve ser flexibilizada, pois ela busca inibir erros dolosos na declaração, com o fim de ludibriar o fisco. No caso em tela, verificase que o erro na declaração excluiu os créditos da Recorrente, e não os do fisco, o que evidencia a falta de vontade de fraudar a arrecadação. Além disso, a processo administrativo deve prezar pela verdade material e uma vez constatada, por diligência, a existência de crédito em favor da Recorrente, não se pode indeferilos, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Há de se destacar que, durante a ação fiscal que visou apurar o crédito, antes da emissão do despacho decisório, a própria autoridade fiscal já tinha condições de verificar o crédito da Contribuinte e não o fez. Diante dessas considerações, deve ser reconhecido o direito creditório e homologada as compensações efetuadas. Ex positis, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto, reconhecendo o direito creditório da Recorrente e homologando integralmente a compensação objeto do presente processo. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 19 /04/2012 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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