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Numero do processo: 35464.000089/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2006
Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR AS INFORMAÇÕES SOLICITADAS PELA PREVIDÊNCIA SOCIAL, DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS POR ESTA.
Deixar a empresa de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, de acordo com os padrões estabelecidos pela Previdência Social, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-001.801
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2006 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR AS INFORMAÇÕES SOLICITADAS PELA PREVIDÊNCIA SOCIAL, DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS POR ESTA. Deixar a empresa de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, de acordo com os padrões estabelecidos pela Previdência Social, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/07/2003 a 30/06/2006 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE APRESENTAR AS INFORMAÇÕES SOLICITADAS PELA PREVIDÊNCIA SOCIAL, DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS POR ESTA. Deixar a empresa de prestar ao fisco todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, de acordo com os padrões estabelecidos pela Previdência Social, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Tiago Gomes De Carvalho Pinto, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira Do Prado. Ausente o conselheiro Ronaldo De Lima Macedo. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 20/12/2006 para exigir multa no valor de R$ 11.569,42, em razão da Recorrente não ter apresentado os arquivos digitais solicitados pela fiscalização de acordo com o leiaute previsto no Manual de Arquivos Digitais da Secretaria da Receita Previdenciária vigente na época dos fatos geradores, relativamente ao período de 07/2003 a 06/2006. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 43/51) requerendo a nulidade do auto de infração, ou, quando menos, a devolução do prazo para apresentação de defesa. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP, ao analisar o processo (fls. 58/69), julgou o lançamento totalmente procedente, sob os argumentos de que: a) Deixar a empresa de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis ao INSS, na forma por este estabelecida, constitui infração a legislação previdenciária. b) Não há cerceamento de defesa quando a autuação é clara e possibilita que todos os fatos sejam contestados; c) Salvo motivo de força maior, os prazos processuais não se suspendem. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 78/92) alegando que: (i) houve ofensa ao princípio da vinculação administrativa, posto que os autos não foram devidamente numerados, não sendo possível aferir a correta ordem cronológica dos atos praticados; (ii) não constam no auto de infração elementos suficientes para determinar com segurança a natureza da infração e a sua própria legalidade; (iii) houve ofensa aos princípios da legalidade, publicidade, motivação, capacidade contributiva; e (iv) a multa está incorreta. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 35464.000089/200716 Acórdão n.º 2402001.801 S2C4T2 Fl. 98 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende que houve ofensa ao princípio da vinculação administrativa, posto que os autos não foram devidamente numerados (a numeração do demonstrativo do débito fiscal seria a mesma do AIIM), não sendo possível aferir a correta ordem cronológica dos atos praticados neste processo administrativo. Contudo, verificase que tal assertiva é totalmente despropositada, posto que o processo administrativo se encontra devidamente numerado e formalizado na ordem cronológica correta, conforme se poder verificar na paginação contínua das suas folhas. A Recorrente defende também que o lançamento não possui os elementos necessários para se aferir a natureza da infração, devendo ser totalmente anulado. No entanto, pela simples leitura do Relatório Fiscal (fl. 04), é possível extrair todas as informações necessárias para se entender o motivo pelo qual a empresa foi autuada, qual seja, por não apresentar as informações solicitadas pela fiscalização de acordo com os parâmetros previstos no Manual de Arquivos Digitais, aprovado pela Portaria MPS/SRP nº 63/2004 e alterado pela Portaria MPS/SRP nº 25/2005, não havendo que se falar em nulidade do procedimento administrativo. Tal imputação decorre da aplicação do art. 32, inc. III, da Lei nº 8.212/1991, e art. 225, inc. III, do RPS, não havendo também qualquer ofensa ao princípio da legalidade e publicidade. A Recorrente sustenta ainda que não há informações suficientes que possa tornar a multa exigível, haja vista que não há indicação da porcentagem aplicada, termo inicial e final, índice de atualização utilizado e excessivo valor aplicado. No entanto, cabe esclarecer que a multa imposta neste processo é fixa, de acordo o montante previsto na Portaria MPS nº 342/2006, não sendo calculada com base numa porcentagem aplicada sobre uma base de cálculo e atualizada ao longo do tempo, com período inicial e final. A Recorrente sustenta também que a multa imposta neste processo possui caráter meramente confiscatório e configura ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Entretanto, cabe ressaltar que a multa imposta neste processo é de R$ 11.569,42, não sendo possível concluir que a partir dela se estaria extirpando o patrimônio do contribuinte, com caráter “meramente confiscatório”, em ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Não há, portanto, qualquer razão no argumento da Recorrente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Verificase, assim, que as alegações da Recorrente são meramente protelatórias, não havendo qualquer suporte documental tendente a afastar a multa ora exigida. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.001866/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/11/2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE.
INOCORRÊNCIA DE NULIDADE.
O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal.
O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR).
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade em decorrência de uma suposta presunção dos valores lançados na NFLD.
VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que as peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara.
DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I, CTN.
De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como estando caracterizado que a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN.
O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 202), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 03/2001 a 11/2005, e, posteriormente, os valores apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram devidamente excluídos. Com isso, a competência 12/2001 e posteriores não
foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento.
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a
preliminar de nulidade em decorrência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal, vencidos os conselheiros Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram por converter o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos rejeitar as demais preliminares e negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/11/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade em decorrência de uma suposta presunção dos valores lançados na NFLD. VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que as peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I, CTN. De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como estando caracterizado que a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 202), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 03/2001 a 11/2005, e, posteriormente, os valores apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram devidamente excluídos. Com isso, a competência 12/2001 e posteriores não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. BASE CÁLCULO AFERIÇÃO INDIRETA Recorrente CONE SUL SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 30/11/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). VALIDADE. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de procedimento fiscal (MPF) é ordem específica para que a fiscalização, por meio do auditor fiscal, inicie Fiscalização em determinada entidade, devendo a mesma tomar ciência deste documento no início da ação fiscal. O MPF deve estar válido quando o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara, não há que se falar em nulidade em decorrência de uma suposta presunção dos valores lançados na NFLD. VÍCIOS NO LANÇAMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que as peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. APLICAÇÃO ART 173, INCISO I, CTN. De acordo com o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no Fl. 338DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 2 que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como estando caracterizado que a Recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 24/12/2007, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 202), e os fatos geradores, que ensejaram a autuação pelo descumprimento da obrigação tributária principal, ocorreram no período compreendido entre 03/2001 a 11/2005, e, posteriormente, os valores apurados até a competência 11/2001 e também a competência 13/2001 foram devidamente excluídos. Com isso, a competência 12/2001 e posteriores não foram abrangidas pela decadência, permitindo o direito do fisco de constituir o lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Fisco pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em rejeitar a preliminar de nulidade em decorrência de irregularidades no mandado de procedimento fiscal, vencidos os conselheiros Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que votaram por converter o julgamento em diligência. Por unanimidade de votos rejeitar as demais preliminares e negar provimento ao recurso. Ana Maria Bandeira – Presidente em exercício. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Leôncio Nobre de Medeiros e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Ausente o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 313 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco em face da sociedade empresária Cone Sul Soluções Ambientas Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições dos segurados não retidas, da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa e de Terceiros (FNDE/SalárioEducação, INCRA, SESC/SENAC e SEBRAE), para as competências 03/2001 a 11/2005. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 191/199) informa que o fato gerador decorre da remuneração dos segurados empregados – caracterizados como empregados que prestaram serviços de transporte rodoviário (transporte escolar) –, e a base de cálculo foi apurada por intermédio de aferição indireta, consoante art. 33, §§ 3o e 6o, da Lei n° 8.212/1991 e demais dispositivos legais citados no Anexo FLD Fundamentos Legais do Débito (fls. 57/60). O Relatório Fiscal registra que os fatos geradores de contribuição previdenciária encontrados no desenvolvimento da ação fiscal foram classificados por tipo de levantamento: “Levantamento 08” – enquadramento de transportador escolar (microempresário) na categoria empregado. Esse Relatório Fiscal informa ainda que o valor do crédito resultou no montante de R$ 2.252.133,53 (dois milhões, duzentos e cinqüenta e dois mil e cento e trinta e três reais e cinqüenta e três centavos), consolidado em 06/12/2007, referente ao período de 03/2001 a 07/2002 para a filial de CNPJ 93.966.828/000260 e ao período de 08/2002 a 11/2005 para a matriz. A auditoria fiscal registra que o lançamento fiscal foi consolidado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD no 37.047.6450 e decorre da análise da contabilidade da empresa e das notas fiscais por ela emitidas em que foi constatado que a mesma prestou serviços de transporte escolar para a Prefeitura Municipal de Triunfo (CNPJ 88.363.189/000128). Ao verificar as folhas de pagamento dos empregados da empresa constatou que o centro de custo “Triunfo”, código numérico 001.010, no período 04/2001 a 07/2002; 001.009 no período 08/2002 a 07/2005; e 004.009 no período 08/2005 a 12/2005 só relacionava três empregados sendo um na função de auxiliar administrativo e dois na função de fiscais de linha e que não havia empregados na função de motorista para a execução da atividade operacional de transporte escolar. Relata também que para a execução daquela atividade a empresa contratava pessoal organizado na forma de empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES. Que os pagamentos se encontram registrados no período de 03/2001 a 12/2003 na conta 3.1.1.05.02.016 – SERVIÇOS DE TERCEIROS TRANSPORTE ESCOLAR e no período 01/2004 a 12/2005 na conta 3.1.1.3.02.020 – SERVIÇOS DE TRANSPORTE ESCOLAR. Que da análise dos pagamentos efetuados, verificou a prestação de serviços por parte de 60 (sessenta) microempresas no período analisado, sendo a quase totalidade, criadas especificamente para a prestação de serviços à Fl. 340DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 4 empresa auditada, o que se comprova com a numeração seqüencial das notas fiscais emitidas, a partir da nota fiscal 001. Anexa Planilha M 26 (Transporte Escolar – Amostragem Seqüência Notas Fiscais, fls. 131/137). Que se verificam presentes os requisitos para a caracterização dos transportadores como empregados da empresa Cone Sul consoante o que dispõe o art. 12, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, haja vista que também é atividade fim da empresa conforme alteração do contrato social, anexa às fls. 138/140. A auditoria fiscal relata ainda que a subordinação jurídica existente se pode definir pelo itinerário a ser percorrido e o horário a ser obedecido estabelecidos pela Cone Sul, bem como a fiscalização da atividade exercida que é efetuada por meio dos fiscais de linha já citados. No que se refere à remuneração encontrase contida no valor pago através das notas fiscais emitidas pelos transportadores que, no caso, foi apurada de forma indireta considerando se 50% (cinqüenta por cento) do valor constante dos lançamentos contábeis, conforme demonstrado nas planilhas anexas F 4 (referente à filial, fls. 64/85) e M 10 (referente à matriz, fls. 86/130) e discriminado por competência e nome do motorista em ambas as planilhas. Conclui que, diante de tais circunstâncias, a forma de contratação efetuada é ilegal, formando vínculo entre tais trabalhadores e a empresa Cone Sul, nos termos da Súmula no 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), a qual foi transcrita nos autos (fl. 194). Os documentos de crédito considerados foram apropriados conforme consta do Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/14). O Relatório Fiscal descreve os documentos que, embora solicitados não foram apresentados. Descreve também os documentos e livros que foram examinados e todos os anexos que compõem a presente notificação, assim como anexa cópia dos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF (fls. 141/156) e Termos de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD (157/187). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 24/12/2007 (fls.01 e 202 – Volume II), por meio de correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 206/226 – Volume II) – acompanhada de anexos de fls. 227/238 –, alegando, em síntese, que: 1. o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não pode ser considerado como pressuposto de existência válida da ação fiscal e irregularidades do Mandado de Procedimento Fiscal (MPFF) n° 09200825 (0411 2004), tais situações conduzem à sua nulidade. Este último com subtítulo Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC) expedido quando o Mandado Originário já havia expirado, tece extenso arrazoado para concluir que a atividade administrativa está jungida ao princípio da vinculação do ato, impondo aos agentes o rigoroso cumprimento das prescrições legais sob pena de nulidade. Que se o sujeito passivo não é cientificado, por meio de MPF, da ação fiscal que dá suporte ao lançamento, este não pode persistir. Que o servidor responsável pela execução do MPF deixou de realizar as prorrogações dentro do prazo legal e que uma vez expirado o MPF deverá ser expedido novo Mandado, devendo ser designado outro servidor, não podendo ser o mesmo responsável pela execução do MPF extinto (que, no caso, praticou atos desprovido de competência concreta); Fl. 341DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 314 5 2. cumprimento de diligências em contribuintes diversos para a coleta de informações para subsidiar o procedimento fiscal da Impugnante sem a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEX) afronta ao art. 579 da IN SRP no 03/2005. Aduz que foram lavrados termos de depoimento, coletados documentos, etc., tudo sem que houvesse um ato precedente que legitimasse a diligência; 3. a impugnante também alega que todos os fatos geradores anteriores a dezembro de 2002 estão acobertados pela decadência do direito de constituir a obrigação principal e tece considerações sobre o art. 150 e o art. 173, inciso I, do CTN; 4. quanto às razões de mérito, afirma que: “Na verdade a Impugnante está terceirizando, conforme entendimento do auditor, atividade fim, o que, via de regra, a Justiça do Trabalho considera como caracterizado o vínculo empregando” (fls. 221) e passa a tecer considerações sobre a aferição indireta para concluir que os serviços de transporte de passageiros que envolvam a utilização de equipamentos a remuneração da mãodeobra não poderá ser inferior aos percentuais previstos no art. 603 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 que é de 20% (vinte por cento) do valor bruto da nota fiscal; 5. o auditor não poderia aplicar a aferição indireta utilizando como remuneração 50% (cinqüenta por cento), pois além de contrariar o art. 603 da IN SRP n° 03/2005 estaria contra todas as diretrizes demonstradas na legislação previdenciária, que demonstram com hialina clareza que o valor da remuneração no caso de transporte é muito menor do que a despesa com combustível e manutenção do veículo. Apresenta às fls. 224/225 uma planilha demonstrando, segundo entendimento da impugnante, o cálculo errado efetuado pelo auditor em cotejo com o cálculo realizado com as bases corretas. Aduz que superadas as questões preliminares, prejudiciais à manutenção da NFLD, o valor original do débito seria de R$ 388.814,21 (trezentos e oitenta e oito mil e oitocentos e quatorze reais e vinte e um centavos); 6. ao final requer seja reconhecida a nulidade do Procedimento Administrativo Fiscal tendo em conta as prorrogações fora do prazo e a ausência de prorrogação até 21/12/2007, fato que culminou com a lavratura do presente auto por servidor que não dispõe de competência concreta para tanto; ou a prescrição do crédito tributário constituído, em relação às competências e/ou infrações cometidas anteriormente a 31/12/2002, declarando, em qualquer das situações prejudiciais narradas, inexigível o respectivo crédito tributário constituído. Que, acaso este não seja o entendimento, requer seja reconhecida a insubsistência do crédito tributário constituído, considerando que os valores apurados por aferição indireta para a atividade da impugnante não observaram as bases presumidas legais. Fl. 342DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Santa MariaRS – por meio do Acórdão 1809.329 da 4a Turma da DRJ/STM (fls. 240/250 – Volume II) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que houve a decadência tributária para os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001, inclusive, em atendimento à Súmula Vinculante no 08 do Supremo Tribunal Federal (STF). A Notificada apresentou recurso (fls. 263/277 – Volume II), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa. Posteriormente, a Notificada juntou aos autos documentos de procuração, atos societários e substabelecimentos (fls. 289/306). A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do SulRS informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 287 e 288). É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 315 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo (fls. 288 – Volume II), CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DAS PRELIMINARES: Inicialmente, cumprenos avaliar as nulidades argüidas pela Recorrente no que diz respeito a falta de cobertura do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) durante a realização do procedimento de auditoria fiscal. Entendo que, no âmbito da fiscalização Previdenciária, o MPF foi criado no intuito de legitimar o procedimento fiscal. Além disso, MPF válido para fins de autuação é aquele em que o sujeito passivo teve conhecimento de sua existência, seja realizada pessoalmente, seja realizada por intermédio de correspondência postal com comprovante de Aviso de Recebimento (AR). Esclarecemos ainda que a legislação tributária dispõe que, na instauração de procedimento fiscal, é obrigatória a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos do art. 2o do Decreto n° 3.969/2001 – diploma que estabeleceu as normas gerais para a execução de ações fiscais com vistas à apuração e cobrança de créditos previdenciários –, in verbis: Art. 2° Os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários serão executados por Auditores Fiscais da Previdência Social habilitados e instaurados mediante ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. (redação dada pelo Decreto n° 4.058/01). Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização, será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F) e, no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Art. 3° Para os fins deste Decreto, entendese por procedimento fiscal: I – de fiscalização, as ações que objetivam a verificação cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos federais previdenciário.s, podendo resultar em constituição de crédito tributário; (...) Art. 4o O MPF será emitido na forma de modelos adotados e divulgados pelos órgãos competentes, do qual será dada ciência ao sujeito passivo, nos termos do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei Fl. 344DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 8 n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, por ocasião do início do procedimento fiscal. Art. 10. As alterações no MPF, decorrentes de substituição, inclusão ou exclusão e servidor responsável pela sua execução, bem assim as relativas a tributos a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar (MPFC), pela autoridade outorgante do MPF originário, do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata a art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante tantas vezes quantas necessárias, observados a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo. Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPF – C. Art. 15. O MPF se extingue: I – pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II – pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do art. 15 não implica nulidade dos atos praticados; podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF é a ordem específica dirigida ao auditor fiscal para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure os procedimentos fiscais, assim conceituados como ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias, podendo, dessas ações, resultar a constituição do crédito previdenciário. Devidamente instaurado o procedimento fiscal, o MPF terá validade até o final do prazo por ele estabelecido ou na data em que houver conclusão do procedimento fiscal, registrado por meio do Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), conforme disposto no artigo 15 do Decreto n° 3.969/2001. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão de MPFC (art. 13, parágrafo único, do Decreto n° 3.969/2001). Ambos acima transcritos. Verificase que o procedimento fiscal foi iniciado regularmente com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPFF) n° 09200825 (fl. 17), emitido em 04/11/2004, e sua ciência ocorreu em 25/11/2004, sendo que o mesmo tinha prazo de execução até 04/03/2005. Posteriormente, conforme ficou registrado na decisão de primeira instância de fls. 240/250 – Volume II, foram emitidos regularmente os Mandados de Procedimento Fiscal Complementares (MPFC), quais sejam: MPFC 01, emitido em 30/11/2004 para ser executado até 04/03/2005; MPFC 02 emitido em 03/03/2005 para ser executado até 01/07/2005; MPFC 03 emitido em 01/07/2005 para ser executado até 29/10/2005; MPFC 04 emitido em 27/10/2005 para ser executado até 26/12/2005; MPFC 05 emitido em 23/12/2005 para ser executado até 21/02/2006; MPFC 06 emitido em 21/02/2006 para ser executado até 22/04/2006; MPFC 07 emitido em 20/04/2006 para ser executado até 19/06/2006; MPFC 08 emitido em 19/06/2006 para ser executado até 18/08/2006; MPFC 09 emitido em 18/08/2006 Fl. 345DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 316 9 para ser executado até 17/10/2006; MPFC 10 emitido em 16/102006 para ser executado até 15/12/2006; MPFC 11 emitido em 13/12/2006 para ser executado até 11/02/2007; MPFC 12 emitido em 09/02/2007 para ser executado até 10/04/2007; e MPFC 13 emitido em 10/04/2007 para ser executado até 09/06/2007. Esses MPF C têm ciência do sócio gerente, antes do encerramento da ação fiscal, com exceção dos MPFC 11 no qual foi lavrado termo de que foi deixado com a contadora Sra. Jovaina Vieira de Souza Santos (nas dependências da empresa); MPFC 12 que foi enviado pelo Correio com Aviso de Recebimento (recebido em 16/02/2007) e MPFC 13 no qual foi lavrado termo de que o sócio administrador encontravase ausente e a contadora Sra. Jovaina Vieira de Souza Santos recusouse a assinar e que foi deixado cópia com a mesma. A empresa alega que não consta dos autos nenhum MPFC posterior ao MPFC 13, a fim de demonstrar a continuação (prorrogação) da ação fiscal. Contudo, há que se esclarecer que em 02/05/2007 entrou em vigor o Decreto n° 6.104/2007, que revogou o Decreto n° 3.969/2001, transcrito acima, e alterou a sistemática de emissão dos MPF Complementares, a saber: Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 4o O Secretário da Receita Federal do Brasil estabelecerá os modelos e as informações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. E, na mesma data, em 02/05/2007, o Secretário da Receita Federal do Brasil, disciplinou a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Portaria RFB n° 4.066, a saber: Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1o A prorrogação de que trata o Caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet nos termos do art. 72, inciso VIII. § 2o Na hipótese do § 1o, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada Fl. 346DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 10 prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Dessa forma o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF – Auditoria Previdenciária, cópia anexa à fl. 32 dos autos, nos informa da prorrogação do MPF de 09/06/2007 com validade até 08/08/2007; de 08/08/2007 até 07/10/2007; de 07/10/2007 até 06/12/2007 e de 06/12/2007 até 21/12/2007. Às fls. 34/35, consta o Termo de Encerramento da Ação Fiscal (TEAF), datado de 18/12/2007, o qual foi postado no Correio, juntamente com as notificações e autos de infrações lavrados contra a empresa, em 21/12/2007, conforme correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR) anexo à fl. 202 – Volume II. Fica comprovado que em nenhum momento houve a extinção de qualquer MPF emitido, portanto, se todos os atos foram praticados dentro dos prazos de validade dos Mandados de Procedimento Fiscal, como restou demonstrado, não há que se falar em nulidade do lançamento ou do procedimento administrativo fiscal, que está correto, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Quanto à alegação da não emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo (MPFEx), cabe mencionar que os mesmos devem ser emitidos para o contribuinte/responsável em que for instaurado o procedimento fiscal necessário para a coleta de informações e de documentos que servirão para subsidiar ação fiscal em outro sujeito passivo. Assim, a emissão dos MPF (Extensivos ou de Diligência) deuse para cada empresa que ocorreram as diligências e, por consequência, a Cone Sul não teria motivo para receber qualquer MPFEx, uma vez que para ela já havia MPFFiscalização e MPFComplementares perfeitamente válidos, como já citado anteriormente. Frisase ainda que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e durante o desenrolar do procedimento, e ainda que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento. O manual do contencioso, aprovado pela OI nº 04, de 25/03/2004, dispõe na letra “c” do item 9.5.5 – VÍCIOS PROCESSUAIS COM RELAÇÃO AO MPF: O MPF complementar emitido após o vencimento do MPF original – embora o art. 15 do Decreto 3.696/2001 enumere a expiração de seu prazo de cumprimento como hipótese de extinção do MPF, o art. 16 do mesmo Decreto enuncia que tal expiração não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do MPF extinto determinar a emissão de novo MPF para conclusão do procedimento fiscal. Assim, o MPF complementar emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI pelo AFPS. Dessa forma, havendo ciência prévia deste MPF complementar ao sujeito passivo antes do encerramento da ação fiscal, não deverá ser nulificado o lançamento.” (grifo nosso) Fl. 347DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 317 11 Face ao exposto, entendo que não existe qualquer nulidade quanto a emissão dos MPFComplementares. Quanto à preliminar de nulidade da NFLD, em decorrência de uma suposta presunção na apuração da base de cálculo dos valores lançados na NFLD, tal argumentação não merece ser acatada, uma vez que os valores lançados nessa NFLD, conforme Relatório Fiscal de fls. 191/199, foram decorrentes da remuneração dos segurados empregados – caracterizados como empregados que prestaram serviços de transporte rodoviário (transporte escolar) –, e a base de cálculo foi apurada por intermédio de aferição indireta, consoante art. 33, §§3o e 6o, da Lei n° 8.212/1991, constituído por meio do “Levantamento 08” – enquadramento de transportador escolar (microempresário) na categoria empregado. Além dos esclarecimentos constantes do Relatório Fiscal (fls. 191/199), verificase que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, na NFLD com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em nulidade, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/199) todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN, arts. 33 e 37, ambos da Lei n.° 8.212/1991, e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 dispõem, respectivamente: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; Fl. 348DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 12 IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Vêse que os valores do presente lançamento fiscal não foram constituídos com base em meras presunções, como quer fazer crer a Recorrente, mas sim nos dados e nas informações constantes no Relatório Fiscal com seus anexos (fls. 01/199). Disso decorre que a auditoria fiscal utilizouse dos percentuais mínimos estabelecidos na Instrução Normativa (IN) da SRP no 03/2005 (art. 601, §3o) para definir o valor da remuneração dos segurados empregados – caracterizados como empregados que prestaram serviços de transporte rodoviário (transporte escolar). Logo, essa remuneração provém do valor pago através das notas fiscais emitidas pelos transportadores que, no caso, foi apurada de forma indireta considerandose 50% (cinqüenta por cento) do valor constante dos lançamentos contábeis, conforme demonstrado nas planilhas anexas F 4 (referente à filial, fls. 64/85) e M 10 (referente à matriz, fls. 86/130) e discriminado por competência e nome do motorista em ambas as planilhas. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade retromencionado. A Recorrente alega também que seja declarada a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os supostos créditos levantados pela fiscalização foram fulminados pelo instituto jurídico da decadência até a competência 12/2002 (dezembro/2002), nos termos do art. 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos a seguir delineados. Inicialmente, registramos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, ambos da Lei nº 8212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Fl. 349DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 318 13 Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: Fl. 350DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 14 "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Fl. 351DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 319 15 Verificase que o lançamento fiscal em tela referese a período compreendido entre 03/2001 a 11/2005 e foi efetuado em 24/12/2007, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fls. 01 e 202 – Volume II). No caso em tela, tratase do lançamento de contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação de pagamento. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive, e também a competência 13/2001. Por outra regra estabelecida pelo arcabouço jurídicotributário, ainda que existam recolhimentos, tratase de situação em que se caracteriza a conduta dolosa, fraudulenta ou simulada da notificada, eis que a auditoria fiscal declarou, com amparo no art. 142, § único, e art. 148 do Código Tributário Nacional (CTN), que a contabilidade da empresa Cone Sul Soluções Ambientais Ltda não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do lucro, conforme Relatório Fiscal de fls. 191/199. Além disso, esse Relatório Fiscal informa que foram criadas empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições – SIMPLES para simular a prestação de serviços para a Recorrente. Com isso, resta afastada a aplicação do art. 150, § 4º, para a aplicação do art. 173, inciso I, ambos do CTN. Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelas competências anteriores a 12/2001, pois o direito potestativo do Fisco – nas competências até 11/2001, inclusive, e competência 13/2001 – já estava extinto pelo instituto da decadência tributária. Esclarecemos que a competência 12/2001 não deve ser excluída do cálculo do lançamento fiscal ora analisado, porquanto a sua exigibilidade e a sua hipótese imponível (situação fática da hipótese de incidência da contribuição) somente ocorrerão a partir de 01/2002, com a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, durante o mês, aos segurados obrigatórios do RGPS, quando poderia ter sido efetuado o lançamento fiscal. Posteriormente, a decisão de primeira instância, veiculada por meio do Acórdão 1809.329 da 4a Turma da DRJ/STM (fls. 240/250 – Volume II), considerou as premissas acima delineadas nos seus argumentos e determinou a extinção dos valores apurados que foram abarcados pela decadência tributária no presente lançamento fiscal (competências 03/2001 a 11/2001). Os valores apurados até a competência 11/2001, inclusive, foram devidamente excluídos do presente lançamento fiscal, conforme emissão do Discriminativo Analítico do Débito Retificado (DADR) de fls. 251/257 – Volume II. Assim, não acato a preliminar de decadência tributária, eis que já houve a aplicação do enunciado no 08 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal na decisão de primeira instância. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 16 DO MÉRITO: Com relação ao procedimento de aferição indireta utilizado para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais, incidentes sobre a remuneração dos segurados caracterizados como empregados, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação também é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal (fls. 191/199), visto que a auditoria fiscal demonstrou que a contabilidade da empresa não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do seu lucro. Além disso, ficou caracterizado nesse Relatório Fiscal que houve dissimulação do vínculo empregatício dos segurados obrigatórios da Recorrente com várias outras empresas supostamente contratadas para prestação de serviços. Pela leitura do Relatório Fiscal de fls. 191/199, verificase que a fundamentação legal que embasou o lançamento fiscal é justamente o art. 33, parágrafos 3° e 6°, da Lei n° 8.212/1991. Essa fundamentação legal também está registrada no anexo Fundamentos Legais do Débito (FLD) de fls. 57/60. Logo, a forma de apuração da base de cálculo, mediante critério de aferição indireta, encontrase devidamente demonstrada nas peças que integram a notificação, tais como: Relatório Fiscal (fls. 191/199); Fundamentos Legais do Débito FLD (fls. 57/60); Discriminativo Analítico de Débito DAD (fls. 04/14); Relatório de Lançamentos RL (fls. 25/31); dentre outros. Nesse sentido, dispõem o art. 148 do CTN e o art. 33, parágrafos 3° e 6°, da Lei no 8.212/1991: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de Fl. 353DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 320 17 ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, parágrafos 3° e 6°, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da base de cálculo dos valores lançados no presente processo, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que a contabilidade da Recorrente não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, nem do faturamento nem do seu lucro. Por fim, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Assim, passarei a utilizar os fundamentos registrados na decisão de primeira instância (fls. 240/250 – Volume II) para explicitar os elementos fáticos e jurídicos desta decisão, bem como eles serão parte integrante deste Voto. Isso está em conformidade ao art. 50, §1o, da Lei no 9.784/1999 – diploma que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal –, transcrito abaixo: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) §1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. (g.n.) Com isso, esclarecemos que a decisão de primeira instância abordou de forma suficiente todas as argumentações de mérito registradas na peça recursal de fls. 263/277, nos seguintes termos: “Quanto às razões de mérito suscitadas, não procede a alegação da impugnante de que a legislação previdenciária que dispõe sobre a aferição indireta da remuneração da mãodeobra com base na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviço de transporte de passageiros, prevê a aplicação do percentual de vinte por cento, previsto no art. 603 da Instrução Normativa SRP no 03/2005 (transcrito na impugnação à fl. 222), uma vez que tal percentual é estabelecido para fins de aferição Fl. 354DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 18 da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa, que não é o caso em questão. No presente processo o auditor fiscal notificante constatou a presença dos requisitos necessários para a caracterização dos transportadores como empregados da empresa Cone Sul, conforme uma de suas atividades fim (prevista em contrato social desde 08/01/2001), consoante ao que dispõe o art 12, I da Lei no 8.212/91, a saber: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; Ao verificar as folhas de pagamento dos empregados da empresa Cone Sul o auditor constatou que o centro de custo “Triunfo”, código numérico 001.010 no período 04/2001 a 07/2002; 001.009 no período 08/2002 a 07/2005 e 004.009 no período 08/2005 a 12/2005 somente relacionava os segurados empregados Fernando Santos da Cunha (na função de auxiliar administrativo, período 04/2001 a 06/2004); Alsemar Luis Fischer da Silva (na função de fiscal de linha, período 04/2004 a 10/2004) e Benito Faller Fornasier (na função de fiscal de linha, a partir de 10/2004). Não havia empregados na função de “motorista” para a execução da atividade operacional de “transporte escolar”. Em prosseguimento 'à análise contábil o auditor percebeu que o serviço foi prestado por parte de 60 (sessenta) microempresas no período analisado, sendo que a quase totalidade, criadas especificamente para a prestação do serviço, comprovado pela numeração seqüencial das notas fiscais emitidas a partir da nota fiscal 001. Elaborada planilha M 26 (fls. 131/137) para fins de amostragem. Isso demonstra a habitualidade e a exclusividade na prestação do serviço e a presença dos requisitos para a caracterização dos transportadores como empregados da empresa Cone Sul consoante ao disposto no art 12, I da Lei n° 8.212/91, acima transcrito, ou seja, o caráter não eventual por se tratar de atividade fim, a subordinação verificada pela determinação do itinerário a ser percorrido e o horário a ser obedecido sob fiscalização da Cone Sul por meio dos fiscais de linha e a remuneração que se encontra contida no valor pago através das notas fiscais emitidas pelos transportadores. A remuneração dos segurados (salário de contribuição) foi apurada considerandose 50% (cinqüenta por cento) do valor constante das notas fiscais emitidas pelos transportadores, sendo que os restantes 50% foram considerados indenização para custear as despesas com combustível e manutenção cio veículo. Entendemos que essa forma de aferição do salário de contribuição dos segurados considerados empregados está perfeitamente harmonizada com a norma geral previdenciária no caso em que a utilização de equipamento for inerente à Fl. 355DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 13005.001866/200714 Acórdão n.º 2402001.754 S2C4T2 Fl. 321 19 execução dos serviços contratados, ainda que não esteja previsto em contrato, desse modo o valor do serviço corresponderá a cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços (Instrução Normativa SRP n° 03/2005, art. 601, § 3°). Como o próprio emitente da nota fiscal foi considerado segurado empregado (pessoa física), todo o valor correspondente ao serviço passa a ser salário de contribuição. As planilhas elaboradas, tanto para a matriz como para a filial, discriminam o mês, a data, os códigos dos lançamentos contábeis, o valor contabilizado, a base de cálculo, a contribuição e a identificação de cada segurado. Também correto está o cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãodeobra indiretamente aferida, onde foi aplicada a alíquota mínima, sem limite e sem compensação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira – CPMF, como determina o artigo 599 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Concluímos que a essência da ação fiscal foi detalhada, na medida em que o fato gerador foi identificado, a sua fundamentação legal foi esclarecida e foram possibilitados ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, de acordo com a estrita legalidade administrativa (Art. 37, caput, CF/88) e com o mandamento constitucional previsto no Art. 5o e inciso LV da Carta Magna de 1.988.” (Decisão de primeira instância: Acórdão 1809.329 da 4a Turma da DRJ/STM, fls. 240 a 250 – Volume II) Diante disso, o lançamento fiscal foi devidamente motivado, contendo a descrição das razões de fato e de direito. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar as preliminares, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 356DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA 20 Fl. 357DF CARF MF Emitido em 24/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 19/05/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 20/05/2011 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005664/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2005
Ementa:
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
A retificação das GFIP para ajustá-las às bases de cálculo da folha de pagamento evidencia a correção do lançamento que teve por base esse último documento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2005 Ementa: FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A retificação das GFIP para ajustá-las às bases de cálculo da folha de pagamento evidencia a correção do lançamento que teve por base esse último documento. Recurso Voluntário Negado.
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. A retificação das GFIP para ajustálas às bases de cálculo da folha de pagamento evidencia a correção do lançamento que teve por base esse último documento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros: Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 153DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com base nos valores de pro labores informados em folhas de pagamento, porém omitidos das GFIP. Seguem transcrições de trechos do relatório fiscal e da decisão recorrida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 30/11/2005 PROVA. ÔNUS Cabe à empresa o ônus de provar de forma inequívoca que as informações fornecidas por ela à Fiscalização e que serviram de base ao lançamento estão incorretas. Lançamento Procedente ... 4. Resumo dos procedimentos adotados: • Quanto aos prolabores foram consideradas as informações prestadas pela empresa através de folhas de pagamento; • Foram considerados os recolhimentos constantes no "Conta Corrente" da empresa nos sistemas da Previdência Social de todo o período; • Foram aceitas as informações prestadas pela empresa sobre valores retidos por diversos tomadores de serviços; • Todos esses dados foram transportados para o Sistema de Auditoria Fiscal — SAFIS, no qual foram gerados os documentos apresentados à empresa; Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Da impugnação A Notificada tomou ciência pessoal da lavratura em 23/08/2006, e apresentou impugnação tempestiva em 08/09/2006, perante a Gerência do INSS em Fortaleza, fls. 60/130, protocolo 35043.002517/200615, alegando, em síntese, que: i) O prazo para defesa seria por demais exíguo, em função do número de processos lavrados contra a empresa, o que redundaria em prejuízo para o direito de defesa; Todos os pagamentos de prolabore teriam sido declarados em GFIP, embora inicialmente de forma equivocada: o funcionário encarregado das GFIP sabia os números de inscrição de apenas dois dos sócios (Luiz Carlos Gadelha de Queiroz e Alexandre Gadelha de Queiroz). Assim, optou Fl. 154DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.005664/200776 Acórdão n.º 2402001.686 S2C4T2 Fl. 153 3 o mesmo por somar aos rendimentos dos sócios cuja inscrição era conhecida os rendimentos dos sócios cuja inscrição era desconhecida, de forma a que a base de cálculo informada fosse a correta. Atualmente, todas as GFLP de 02/2002 a 08/2006 já teriam sido corrigidas. Cópias de retificações de GF1P foram juntadas à impugnação. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 156DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.005664/200776 Acórdão n.º 2402001.686 S2C4T2 Fl. 154 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito As GFIP e folhas de pagamentos foram preparadas pelo próprio recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais e pro labore no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas Fl. 157DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Melhor dizendo, a base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com os valores informados pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que ocorreu para retificação da GFIP, mas o lançamento teve por base justamente as folhas de pagamento. A alegação de que equivocadamente tenha consolidado as remunerações dos sóciosgerentes não altera o lançamento, pois em nada modifica a base de cálculo da contribuição. Não é procedente o pedido de nulidade do lançamento na hipótese de retificação da GFIP. Não se trata de autuação por descumprimento de obrigação acessória. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. Pela mesma razão já aqui apontada, não compete a este julgador afastar a aplicação das normas legais. Neste mesmo sentido é a legitimidade da incidência de juros e multa de mora. Os artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 criaram regras claras para os acréscimos legais, que somente podem ser dispensados por expressa determinação de lei. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o Art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 158DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10380.005664/200776 Acórdão n.º 2402001.686 S2C4T2 Fl. 155 7 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: (Inciso e alíneas restabelecidas, com nova redação, pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Fl. 159DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99) Em razão da clareza do lançamento e do reconhecimento das bases de cálculo pelo próprio recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 160DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Assinado digitalmente em 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 17460.000380/2007-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/03/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Nos termos do art. 62A do RICARF, este Eg. Conselho deverá reproduzir em seus julgamentos o resultado dos julgamentos já proferidos pelo STJ em sede de recursos repetitivos. Conforme restou decidido no julgamento do RESP 1.112.467/DF, a retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra
é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais (SIMPLES).
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2402-001.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 30/03/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Nos termos do art. 62A do RICARF, este Eg. Conselho deverá reproduzir em seus julgamentos o resultado dos julgamentos já proferidos pelo STJ em sede de recursos repetitivos. Conforme restou decidido no julgamento do RESP 1.112.467/DF, a retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais (SIMPLES). Recurso Voluntário Provido
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Recorrente USINA SANTA ISABEL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/10/2001 a 30/03/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA PRESTADORA OPTANTE PELO SIMPLES. INCOMPATIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS PELO STJ. AUTO DE INFRAÇÃO ANULADO. Nos termos do art. 62A do RICARF, este Eg. Conselho deverá reproduzir em seus julgamentos o resultado dos julgamentos já proferidos pelo STJ em sede de recursos repetitivos. Conforme restou decidido no julgamento do RESP 1.112.467/DF, a retenção de 11% sobre o valor bruto de notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra é incompatível com o sistema de recolhimentos simplificado de impostos e contribuições federais (SIMPLES). Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausentes os Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 17460.000380/200742 Acórdão n.º 2402001.787 S2C4T2 Fl. 161 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por USINA SANTA ISABEL S/A, em face de acórdão que manteve a integralidade da multa lançada por meio do Auto de Infração 37.029.4203, por ter a recorrente deixado de efetuar a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviço mediante a cessão de mãodeobra, emitidas pela empresa MONTAGENS ALNA LTDA e XAVIER MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. O multa lançada compreende as competências de 10/2001, 11/2001 e 02/2005 tendo sido o contribuinte cientificado em 30/03/2007 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 108/112), o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 134/145, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4O do CTN; 2. que nos termos do art. 1o da IN 08/2000 e da Lei 9.317/96, a retenção de 11% não pode ser feita quando se trata de serviço prestado por empresa optante do SIMPLES. Enviados os autos a este Eg. Conselho, esta Eg. Turma achou por bem determinar a conversão do julgamento em diligência para que fosse apurado qual das demais NFLd’s formalizadas em desfavor da recorrente tratavam da caracterização da cessão de mãodeobra dos serviços prestados pela empresa ALNA S/ª Em resposta a fiscalização informou tratarse da NFLD 37.029.4173 na qual os serviços de manutenção e montagem industrial para reforma e ampliação do parque industrial da recorrente foram considerados prestados mediante a cessão de mãodeobra. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Sustenta a recorrente que o crédito tributário objeto do presente Auto de Infração encontrase fulminado pela decadência, fundamentandose, para tanto no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional. Entretanto, entendo que a discussão acerca da ocorrência ou não da decadência é despicienda nos autos do presente processo, uma vez que em se tratando de infração pela não retenção de 11% do valor bruto de notas fiscais de prestação de serviços mediante a cessão de mãodeobra, a multa a ser aplicada é única no caso de deixar o contribuinte de o valor sobre uma, duas ou mais notas, cujo fundamento legal é o constante do art. 283, §3º, do Decreto 3.048/99, o qual aprovou o Regulamento da Previdência Social, a seguir: “Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) §3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Assim, analisando os fatos geradores da multa aplicada, verificase que os mesmos se referem às competências de10/2001, 11/2001 e 02/2005 , de modo que mesmo em se acatando a tese da decadência, seja na forma defendida pelo contribuinte (Art. 150, parágrafo 4o do CTN), seja pelo art. 173, I do CTN, ainda subsistirão competências não alcançadas pelo instituto, de modo que o reconhecimento da decadência não beneficiará, de qualquer forma o contribuinte, já que a multa se manterá incólume pela não retenção do valor bruto da nota da competência de 02/2005 Logo, rejeito a preliminar de decadência. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 17460.000380/200742 Acórdão n.º 2402001.787 S2C4T2 Fl. 162 5 MÉRITO Conforme já relatado, a NFLD principal foi devidamente identificada e consta do sistema comprot estar a mesma neste Eg. Conselho de Contribuintes desde 27/05/2010, ao que tudo indica, aguardando julgamento. Entretanto, da análise apurada das alegações do contribuinte seja em sede de impugnação ou mesmo em seu recurso voluntário, verificase que o mesmo, em momento algum, insurgiuse contra o fato de que os serviços foram prestados mediante cessão de mão deobra, fato, portanto, incontroverso nos autos. Resta pois, decidir de é ou não cabível a exigência da retenção pelo tomador de serviços do percentual de 11% sobre as notas de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, quando a empresa prestadora é empresa incluída no SIMPLES. Quanto ao assunto, o v. acórdão recorrido entendeu que a partir de 01/09/2002 as empresas optantes pelo SIMPLES voltaram a estar sujeitas a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços, com base no art. 142 da IN 03/2005, motivo pelo qual, em havendo nota fiscal emitida em 02/2005, a exigência da multa deveria ser mantida. Entretanto, a matéria sob análise foi submetida pelo STJ ao rito dos recursos repetitivos, de acordo com o artigo 543C do CPC, nos autos do recurso especial nº 1.112.467/DF, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, nos seguintes termos ementada: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 6 da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Assim, em conformidade com o disposto no art. 62A do RICARF, esta Turma deverá reproduzir em seus julgamentos referido entendimento, de modo que outra conclusão não senão a anulação da multa aplicada. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para anular o Auto de Infração em sua totalidade. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/06/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 20/06/2011 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, 20/06/2011 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.931912/2011-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2006
EXTINÇÃO DE ESTIMATIVAS POR COMPENSAÇÃO. COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO.
Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1001-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 8.021,64 e homologar as DCOMP objeto do presente processo no limite do crédito reconhecido.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: Sérgio Abelson
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COMPOSIÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 8.021,64 e homologar as DCOMP objeto do presente processo no limite do crédito reconhecido. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Thiago Dayan da Luz Barros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 19 12 /2 01 1- 53 Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.663 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.931912/2011-53 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 30/32) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 02, que homologou parcialmente e não homologou as compensações constantes das DCOMP que menciona, de crédito correspondente a saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2006, informado em DCOMP no valor de R$ 8.016,82, em DIPJ no valor de R$ 8.023,58 e reconhecido no valor de R$ 2.132,33, tendo em vista a não confirmação de estimativas compensadas no valor de R$ 5.889,31, conforme relatório de “Análise de Crédito” do despacho decisório, às folhas 03/04, na tabela reproduzida a seguir: Em sua manifestação de inconformidade (folhas 13/14), a contribuinte alegou que apurou saldo negativo de CSLL no ano-calendário 2006 declarado em DIPJ no valor de R$ 8.023,58 conforme planilhas que anexa às folhas 20/26, as quais informam crédito no valor de R$ 8.021,66, requerendo a homologação das compensações. No acórdão a quo não foi reconhecido qualquer crédito adicional, tendo em vista que a DCOMP 41472.99411.270306.1.3.03-5173, que compensa as estimativas de janeiro, fevereiro e março de 2006, teve compensação não homologada, procedimento que consta do processo nº 10980.916422/2010-46, processo cuja manifestação de inconformidade foi considerada improcedente sendo mantido o entendimento do respectivo Despacho Decisório por meio do Acórdão nº 59.583 de 20 de abril de 2018 da 4ª Turma da DRJ/Recife. Ciência do acórdão DRJ em 28/01/2020 (folha 35). Recurso voluntário apresentado em 27/02/2020 (folha 36). A recorrente, às folhas 40/42, em síntese do necessário, reitera suas alegações anteriores, anexando demonstrativos por ela elaborados às folhas 43/48 e cópias de DCOMP às folhas 49/143. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.663 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.931912/2011-53 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo e admissível segundo os demais requisitos do Decreto nº 70.235/72; portanto, dele conheço. A lide remanescente se restringe à confirmação da compensação das estimativas de CSLL de janeiro, fevereiro e março de 2006 mediante a DCOMP 41472.99411.270306.1.3.03- 5173, objeto do processo nº 10980.916422/2010-46, o qual se encontra pendente de julgamento na presente sessão. O caso é de aplicação imediata da Súmula CARF nº 177, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 177 Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Desta forma, devem ser confirmadas as parcelas de crédito correspondentes às referidas estimativas, no valor total de R$ 5.889,31, montante de que deve ser adicionado ao de pagamentos confirmados (R$ 4.283,64) e subtraído da CSLL devida (R$ 2.151,31), para reconhecer saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 8.021,64, admitindo que a informação em DCOMP de valor ligeiramente inferior tenha se dado por mero erro de preenchimento. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer saldo negativo de CSLL do ano-calendário de 2006 no valor de R$ 8.021,64 e homologar as DCOMP objeto do presente processo no limite do crédito reconhecido. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16045.000229/2005-81
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.152
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator Esteve presente ao julgamento o Dr Zanon de Paula Barros. OAB/SP n° 116.465-A
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-08T13:02:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 6; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-08T13:02:03Z; Last-Modified: 2011-09-08T13:02:04Z; dcterms:modified: 2011-09-08T13:02:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:226ff585-71a4-4b20-82d1-f841acae9381; Last-Save-Date: 2011-09-08T13:02:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-08T13:02:04Z; meta:save-date: 2011-09-08T13:02:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-08T13:02:04Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-08T13:02:03Z; created: 2011-09-08T13:02:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2011-09-08T13:02:03Z; pdf:charsPerPage: 1312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-08T13:02:03Z | Conteúdo => S3-C4T3 Fl MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS ' TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO l'i .ocesso n" 16045,000229/2005-81 :.::!CKVS0 n" 235 877 Voluntário nesolução n" 3403 -00352 — 4" Câmara / 3" Turma Ordinária Data 08 de dezembro de 2010. Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CONFAB INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator Esteve presente ao .julgamento o Dr Zanon de Paula Barros. OAB/SP n 2 116.465-A. Antonio Carlos Atulirn — Presidente Robson José Bayerl — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson Jose Bayerl, Domingos de SA Filho, Winderiey Morais Pereira, Ivan AIleitretti e Marcos Tranchesi Ortiz, Relatório Cuida-se de auto de infração de Imposto sobre produtos Industrializados — IN, período maio/2000 a dezembro/2001, envolvendo várias inflações à legislação do tributo em comento. Por bem refletir a situação dos autos, tomo por empréstimo o relato da decisão de primeira instância: "Segundo a desci iglio dos fatos de )7s 03/11 e o relatório fiscal de fly 37/118. foram vet ificadas as seguintes ii regularidades: 1 i';;;tf;'•; I Processo n" 16045.00022912005-51 S3-C413 Resciltwtict " 34(13-1/0 152 Ft 2 I Produto saido do estabelecimento industrial sem emissão de ;rota fiscal. infração opinada pela constatação de três entradas de recursos na empresa, sem que fossem apresentadas vendas compatíveis corn os mesmos Foi então aplicado o disposto no art 424, parágrafo 2" do RIP1/98, com o lançamento do imposto , e aplicação de multa agravada e também majmada pela prática de embaraço à fiscalização. 2 Falta de lançamento de imposto pot ter o estabelecimento industrial promovido a saida de produtos tributados, através da revenda de mercadorias de terceiros, com valor climb:a cio custo, sem a obsemincia do valw nibutável minimo. Além do lançamento do imposto, foi aplicada a multa majorada em razão do embaraço fiscalização, 3. Recolhimento a manor do imposto, pela escrituração de créditos indevidos resultantes de "empréstimos" de mercadorias ai iunclas de empresa interdependente que não se destinavam a produção e que foram devolvidas a remetente A referida empresa situa-se no mesmo local do estabelecimento da contribuinte, e tern os llie3mos responsáveis contábil-fiscais. Por ter se venlicado a prática ilícito tributeilio-penal, foi aplicada a multa agravada e também majorada pela prática de embaraço fiscalização; 4 Recolhimento a menor do imposto, pela escrituração de créditos indevidas referentes a materiais que não se adequam ao conceito de instarias, tais canto in para o controle de qualidade e pa, tes e peps de máquinas Foi aplicada a 'India 11147.107ada em razão do embaraço à fiscalização; 5. Recolhimento a nienor do imposto, pela escrituração de créditos indevidos t e/ativos a entradas de materiais que não se destinavam à prochtção, tais como amostras, testa e retor nos de materiais FOI aplicada a multa majorada eat iazão do embaraço à fiscalização; 6 Recolhimento a menor do imposto, pela esaitura0o de ci Milos indevidos referentes a, estorno por cancelamento não justificado c/c solda tributada; estorno por rechtção no valor da operação; estwno por devolução de vendas sem a escrituração oln igatária de livro de controle de estoque ou sistema de controle equivalente Foi aplicada a =ha majorada en, razão do embaraço à fiscalização, 7 Emissão de notas fiscais. de espoliação, sem a efetivagdo das 1110.3111(75. ie.sultando da aplicação de proporcional ao valor da mercado; ia, prevista no art 463, inciso IL do RIP1/98. 8. Paul c/c op, esernação dos dados ern meio magnético na forma prevista na legislação, nos anos de 2000. 2001, 2002 e 2003. provocando a aplicação da nutlia legulamentar equivalente a meio por canto sobre o valor da receita bruta da amp, esa (arts. 11 e 12, inciso I, da Lei n" 8 216/91 InconjOrmada com a autuação, a corm ibuinte, pm intermédio de seu lepiesentante protocolizou impugnação de 'Is. 403/453. em 12/01/2006, aduzindo em sac: defesa as seguintes razdes I, Em virtude do crescimento da emple.sa, pode ter ocorrido deficiencia no for necimento de dadas da amp, esa, porem, não houve qualquer intenção lesivcr sendo que nem mesmo houve qualquer lesão; 2 As notas fiscais c/c es-I'm -faqir-a emitidas a Cayman Cabirmas Investmente Co Lida e as entregas de tubos à empre.sa Toyo-Setal do Brasil, localizada em illaceté, refer eat-se à mesma operação, e, por um lapso, foram emitidas notas de expo, loção, t,.. •1 I f I 3 Processo n" 16045 000229/2005-81 S3-C4I3 R esoluç5o " 3403-00. 152 Fl 3 quando o produto seria entregue em território nacional atou-se de mero equivoco for mal, eis que udo houve exportação Neste caso, a penalidade aplicada não procede, uma vez que a hipdte.se dos autos não se subsume àquela prevista no art 463. inciso 11, do RIPI/98, pois houve saída efetiva das mercadorias pare o mercado inferno: 3. Também em relação as notas fiscais de exportação emitidas à cirri); eia derca Corporation, houve apenas equivoco, por se !rota; de operação de venda por conta e ordem de empresa localizada no exterior. Os produtos foram encaminhados • Quip do Brasil Ltda, em kfaccré; 4 Por conta das operações de venda efetuadas a empresas situadas no exterior, porém co;;; ardent de entrega a empresas nacionais, a impugnante fir Moil contratos de aimbio para recebimento dos valores contratados, o que justifica as tres entradas de recursos na curl), es-a, as quais a fiscalização entendeu como entradas de r ecursos a apresentação de vendas com elas compatíveis Ainda que as receitas fossem de ar/gem não-comprovada, o lançamento não poderia prosperar porque o fiscal não demonstrou que as aliquotas e pm ecos praticados não puder am set extraídos da escrita fiscal da impugnante, como monde opa; ágrafo I", do cut 423 do RIPI/98, 5 As mercadorias emprestadas de fato não foram utilizadas pela empresa cm seu processo pro cl pois se tratava de MCI o armazenamento. nra.s não houve ganho (Ikea?, no recolhimento do IPI. Pode ter havido, quando misfit), mera postergação. se e quando isto oco; reu Alen? clii so. houve débito de 1P1 no retain° clo.s mated kris; 6. Foi indevida a glosa de créditos de JPI de CFOPS 1.11/1.21, pois os materials em questão incheenr-se no conceito de produto intermedienio. 7. Foi indevida a glosa de créditos de amostras e produtos utilizados em testes, pois incluem-se no conceito de instemos Também indevida a glosa referente ao retorno de motel tens, pois . o crédito é simplesmente unta forma de estornar o débito correspondente à saída anterior,. 8. Não tem fimdamerao a glosa de crédito referente a estorno por cancelamento c/c saída tributária A impugnante regiStron o IPI em nota fiscal de entrega futuro, sent ter ocorrido a saída do bem; tendo sido cancelada a obra, eito; non o lançamento A fiscalização aceitou a note fiscal emitida para o surgimento da igacão tributária, porém, para o yen cancelamento, requer outras proves; 9. Não procede a glosa de crédito relativa a abatimentos. Nis a base de cálculo do IPI é o valor da operação. devendo ser excluídos os' descontos . . 10 Indevida a glosa dos estornos por devolução de vendas', pois o fato de ser inadequada a documentação que embasa o cancelantento das .saís/as- tributadas, não legitima o lançamento, caracterizando exigência de tributo corn base em meta presunção: 11. 1»sustentcivel o lançamento em relação à revenda de mercadorias de terceiros com valor tributável abaixo do custo: estas vendas correspondent a SOGIellie 0.59% cio total da receita da empresa; são excedentes de estoque, sofi cram descontos incondicionais que não compõe a base de cálculo do IPI, o arbitrantento efetuado ilegal, pois baseia-se ern hest, lição Normativa que ucla tern forgo de lei, e por que o levantamento realizado considerou urn período muito pequeno. somente poderia ocorrer o .21bin current° Se fosse comprovado que o valor das notas fiscais não co, responclia ao real valor da operação: I I:. 3 No • I' .\ I '11 Process° n" 1c045.000229/2C05 -8I S3-C413 ResolutAo n " 3403-00.152 FI 4 12. Não se pode aplicara muftis de 0,5% do valor da receita bsuta do pc, iodo em milk) de arquivos magnéticos fora do padrão estabelecido pelas nos mas administrativas, pois se a impuoante não possui arquivos que atendem à foima pm escrita, pai outro lado, detém registros contábeis fidedignos, que possibilitam a fiscalização A nitrite aplicada é confiscarás 13. A exasperação da multa por embaraço à fiscalização é indevida Em biseiro lugar, porque as intimações foram atendidas, as vezes somente fora do prazo. e em segundo lugar, porque implica em "bis in idols", tuna vez que os fraos que deram ensejo a tal penalidade foram motivos pare outras duns autuações contra a empresa 14 0 aumento da mho por qualificação revela-se indevido : já que ens ',emblem momento restou comprovado o dolo da =prase na pratica dos tiros asa fiscalizados Poi firm requer que seja declarada a nulidade do auto de infração " A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirao Preto/SP manteve integralmente o lançamento, através de decisão assim ementada: N 1 I 'f ,1 . 1 11 4 ta' f 11:ti "Assunto: Imposto sobre Produtos Indust' ializados - IPI Period° de apt° ação. 01/05/2000 a 31/12/2001 Ementa - VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL. RECEITA NÃO COMPROVADA. Não tendo sido comprovada a origem de recursos entrados na empresa, aplica-se o parágrafo 2", do art 423 do RIPI/98. VENDA DE MERCADORIAS. VALOR TRIBUTÁRIO MÍNIMO. Os pm egos do vendedor não podem ser infertores ao custo de ,fib, icação, act escido dos custos financeiros e clas de venda, administração e publicidade, além do lucro normalmente pm aticado pelo vendedol. INSUMOS CONSUMIDOS OU UTILIZADOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO. DIREITO A CREDITO Para que os inszunos consumidos ou utilLados no processo de produção sejam caracterizados como mcztés ia-pm ima ou produto into mediário, faz-se necessário o consumo, o desgaste ou a alto ação do instuno, em função de ação direta exercida _sable o oduto ens fabricação, ou vice-versa. Entenda-se "consumo" como deconência de um contato fisico exercido pelo insumo solne o produto ens fabi icação ou deste sobre aquele CRÉDITOS RELATIVOS A DEVOLUÇÕES E RETORNOS DE PRODUTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO LIVRO REGISTRO DA PRODUÇÃO E DO ESTOQUE OU DE SISTEMA EQUIVALENTE. GLOSA. Glosam-se os créditos referentes a devoluções e retoi nos de pm odutos em vis hide da ausência de escr itur ação cio Livro Registro da Produção e do Estoque ou de sistema equivalente. VALOR TRIBUTÁRIO. ABATIMENTOS. 4 ) 1 l'rocesso n" 16045.000229/2005-81 S3-C4 13 R cso145o a "3403-00.152 Fl 5 Os descontos e abatimentos concedidos a qualquer iludo, não podem ser excluidas da base de cálculo do imposto. EXPORTAÇÃO FALTA DE COMPROVAÇÃO. PENALIDADE. A emissão de notas fiscais te/ativas a vendas de produtos ao extei br, cuja exportação não venha a ser comprovada, enseja a cobrança de multa de valor igual ao que foi atribuído met cadoria na nota MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS E RESPECTIVOS REGISTROS, FORMA DE APRESENTAÇÃO. DESATENDIMENTO Inflige-se a !India de meio por cento (0,.5%) do valor da i eceita bruta da pessoa jurídica no período, se forem desatendidas as formas estabelecidas para apresentação dos arquivos magnéticas e respectivos registros. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. licita a imposição de multa de oficio, com agi avamento sobre multa simples (11.2,5%) ou sobre a ;India majorada por circunstancias qualificativas (225%), tendo em vista a falta de atendimento de inthnagões nos paws estipulados MULTA DE OFICIO MAJORADA. CIRCUNSTÃNCIAS OUALIFICATIVAS Cabe a inflição da penalidade pecuniária exacerbada quando estar comprovada nos autos a existência de circunstâncias qualificativas como a sonegação e a fraude," Em recurso voluntário o autuado aduziu, preliminarmente, a nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa, em face de omissão quanto as alegações essenciais comprovação da improcedência da autuação, c decadência parcial do lançamento, haja vista que o fato gerador inicial é 20/05/2000 e a ciência do ato administrativo ocorreu em 13/12/2005 No mérito, initial is inutantli, reprisou a argumentação já deduzida por ocasião da impugnação, valendo destacar o seguinte: Vendas sem emissão de notas fiscais decorrentes de receitas de origem não comprovada e emissão irregular de notas fiscais de exportação (exportação não realizada) — as infrações, de certa forma se imbricam, na medida em que as notas fiscais de exportação foram emitidas, segundo o contribuinte autuado, erroneamente com o CFOP 7.11, quando o correto seria 6.11, sendo as remessas do exterior justamente o pagamento pelo fornecimento deste material. Em relação aos documento fiscais incorretos sustenta a inexistência de simulação ou fraude, aliado ao fato que as mercadorias foram efetivamente entregues no território nacional. Quanto as receitas supostamente não comprovadas, esclarece que o contribuinte emitiu notas fiscais de exportação à empresa Cayman Cabiónas Investiment Co. !Ada. e efetuou a remessa dos produtos à empresa Toyo Setal Ltda , gestora do empreendimento contratado pela Petrobrãs, em Macaé/RJ; que a empresa Cayman Cabinnas Investirnent Co. é a contratada pela Petrobrás, mediante arrendamento, para a construção da obra, e esta (Cayman) por sua vez contratou o .? !:% 1 -...r I 5 • 11 I i Processo n" 16045.000229/2005-81 S.3-C413 ReSOILLOC) ri "3.103-00.152 PI 6 consórcio Toyo-Setal para sua execução, que contratou o autuado para fornecimento de material; o contrato comercial firmado entre o autuado e a Toyo-Setal Ltda. determinava que o faturarnento destes produtos deveria ser feito diretamente A Cayman Cabiánas Investiment Co., de modo que o autuado emitia uma nota fiscal de exportação (7,11) A Cayman e outra, no mesmo valor e com destaque do IPI, para Toyo-Setal Ltda. com o CFO? 6.09; que há liame jurídico entre as operações, sendo que as mesmas foram eonfirniadas por resposta da 'toyo-Setal Ltda a intimação realizada pela 1RF Macae/RI. Ern relação As operações envolvendo a Siderca Corporation/Houston e a .Dril Quip do Brasil Ltda a situação é basicamente a mesma. Ressalta que as formas e condições de pagamento foram impostas pela contratante da obra — Petrobras que os determinou de acordo com suas conveniências; que as planilhas (does, 3 e 4) I de notas fiscais correspondentes e os extratos bancários, ainda que não se correlacionem perfeitamente, indicam que o valor total dos documentos fiscais emitidos equivale ao valor total dos recebimentos, o que comprovaria a origem dos recursos (receitas), demais disso, ainda que assim não se entendesse, a simples existência de ingressos registrados na contabilidade não constitui prova inequívoca de vendas sem regular emissão de nota fiscal, citando jurisprudência administrativa a respeito. 2. InobervAncia do valor tributável mínimo — asseverou o autuado que a natureza dos bens revendidos justifica a sua comercialização par valor inferior ao custo, eis que se cuidavam de restos/sobras de insumos inutilizáveis , equiparáveis a sucatas, não havendo que se falar em valor tributável mínimo e, portanto, não se the aplicando as disposições da IN SRF 82/2001; outrossim, os critérios adotados por este ato administrativo são mais abrangentes que aqueles estabelecidos na Lei If 4.502/64. 3. Glosas de créditos de IPI por empréstimos de mercadorias oriundas de empresa interdependente Alterando a afirmação feita na impugnação, consoante a qual se reconhece que a natureza da operação era de comodato - "empréstimo" que não houve utilização no processo produtivo, que se cuidava de mero armazenamento par falta de espaço (fls. 426/427), o autuado esclarece que não se cuidava de "empréstimo", mas sim de deslocamento de insumos de sua interdependente; que não existe vedação a tal prática; que não houve simulação, ate porque, na maioria das vezes em que o credito de IPI foi registrado a empresa apuraria saldo credor do imposto, demais disso, quando do retorno das mercadorias o imposto era destacado; que a autuação não considerou este débito rir reconstituição da escrita; que não caberia multa pelo aproveitamento indevido dos créditos, em razão de sua anulação pelo débito posterior; e, que a inexistência da simulação afasta a majoração da multa aplicada. 4. Glosa de insumos que não se caracterizariam Como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem — o autuado sustenta que o conceito restritivo veiculado pelo Parecer CST n" 65/79 encontra-se ultrapassado,entendendo a doutrina hodierna e a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes que o direito ao credito físico é amplo, donde os produtos utilizados no controle de qualidade e as peças e componentes necessários à manutenção da linha de produção garantiriam créditos do imposto. 5. Glosas de créditos de IPI originários de notas fiscais com CFOP 1.99, 2 99 e 3 99 — esclareceu que tais créditos se referiam a amostras e materiais para testes que, por serem essenciais ao processo produtivo, devem gozar do mesmo tratamento dado As matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem I I Cumpre acentuar que estes docutnentos foram apresentados juntamente cons o recurso voluntário i 6 53-04T3 11 7 H 7 l'zocesso n" 160 ,15.000229;2005-81 Resoluyzio " 3.103-00 152 6 Glosa de créditos por devolução registrados nos CFOP 131, 231 e 2_32 — o recurso destaca três situações distintas nesta infração, contrargumentanclo da seguinte forma: i) estorno por cancelamento de nota fiscal de entrega futura emitida para o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) — a venda foi cancelada e a mercadoria não foi entregue, de modo que caberia o estorno do débito anteriormente lançado; que o fato gerador. do IPI se daria apenas na saida do produto, o que não ocorreu, de modo que o ctorno . se imporia; que a inexistência de documentação que comprove o cancelamento • da c9eração mercantil não influencia o deslinde da questão, ao passo que não existe prova da ocorrência do fato gerador, no caso, a saida do produto. ii) descontos incondicionais concedidos As vendas A COMGAS — reitera que tais valores, por força do art, 47 do CTN, não compõem a base de cálculo do tributo , iii) estorno de devolução/retorno por ausência de livro Registro de Controle da Produção e do Estoque ou de controle equivalente válido — o contribuinte alega que a autoridade fiscal não se preocupou em comprovar a inocorréncia das devoluções, limitando-se a detalhes formais e presunções; que nada obstante a inconsistência do controle equivalente elaborado, seria possível através de verificação manual, bastando que conferisse o livro Registro de Entradas e as notas fiscais respectivas; que juntou aos autos, no recurso voluntário, um "CD-ROM" com os dados retificados do livro em tela; e, que a lavratura do auto de infração não é o termo final para a correção e apresentação de dados deficientes 7 Multa regulamentar pela apresentação de arquivos magnéticos fora dos padrões normativos — o autuado assevera que apresentou os arquivos magnéticos solicitados, logo não seria esta a infração cometida, mas sim a sua apresentação com lacunas e dados faltantes; que apresentou os arquivos na forma determinada em lei, ainda que inconsistentes; que a autoridade fiscal não indicou quais infonnações não foram prestadas ou as foram incorretamente, o que configuraria cerceamento do direito de defesa; que a finalidade única destes arquivos é facilitar a fiscalização, de forma que a existência de outros documentos contábeis ameniza a ausência daqueles; que a multa é desproporcional e desarrazoada; que a multa aplicada teria efeito confiscatório; e, que apresentou, no recurso voluntário, "CD-ROMs" com os dados ajustados. 8. Indevida exasperação das penalidade aplicadas — em relação a esta infração aduz o autuado que não houve ma-fé no procedimento observado, uma vez que os prazos determinados pela fiscalização eram exíguos; que haveria bis ;l7 ident entre a aplicação desta multa e aquela lavrado em lançamento próprio por embaraço à fiscalização; que a vedação da dupla penalização é pressuposto do Estado Democr ático de Direito; que as alegações de fraude e simulação não procedem, ocorrendo apenas equivoco na emissão dos documentos fiscais, já demonstrado por ocasião da impugnação; que as hipóteses de qualificação da multa (simulação, fraude e conluio) não foram devidamente comprovadas. E o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayed, Relator 0 recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade • : 1 .1 E1i1 'd v o. •••••, , . • •...a 1 C ;;;;;•., 7 I ' I 1) , (.! I Processo ri" 16045.000229/2005-81 S3-C413 Resoluglio ri" 3403-00.152 11 8 A matéria versada nestes autos é deveras complexa, mormente as questões que envolvem a emissão de notas fiscais de exportação que não correspondem A efetiva remessa de produtos para o exterior e o pretenso recebimento destas vendas por pessoa jurídica sediado no estrangeiro Nada obstante a riqueza de detalhes do relatório de autuação fiscal, abstraída aqui n discussão respeitante ao excesso de linguagem alegado no recurso, o contribuinte apresmta argumentação que guarda certa verossimilhança, a luz do panorama geral das operações, o que ocasiona dúvidas c questionamentos que impedem uma análise fi rme da rnat,:..ria e consequente prolação de decisão, Portanto, necessária se faz a realização de diligência fiscal para elucidar alguns pontos ainda nebulosos das operações contábeis e fiscais do contribuinte Com estas considerações, voto por converter o julgamento em diligência para que se verifique o seguinte: a. Se para cada nota fiscal de exportação (não realizada) emitida em favor de Cayman Cabiúnas Investiment Co, e Siderca Corporation/Houston ha uma correspondente notas fiscal de saída (CFOP 6.99) emitida para I oyo-Setal Ltda. e Dril Quip do Brasil Ltda, respectivamente, com a mesma descrição de mercadoria, mesmo valor total da nota fiscal e destaque do IPI; Se estas notas fiscais, tanto de exportação (CHOP 7.11) ficta como a de outras saidas não especificadas (CFOP 6,99), emitidas as primeiras para Cayman Cabitinas Investiment Co e Siderca Corporation/Houston e as demais em nome de loyo-Setal Ltda. e Dril Quip do Brasil Ltda., estão registradas no livro Registro de Entradas e Registro de Apuração do IN, bem como, se os valores correspondentes a estas notas fiscais compuseram a receita de vendas informada nos balancetes do contribuinte; c. Se indigitados valores, tanto do CFOP 7.11 como 6.99, foram oferecidos tributação do Imposto de Renda, PIS/Pasep e Cofins; 'd Em relação à inobservância do valor tributável mínimo, informar qual a descrição dos produtos constante das respectivas notas fiscais de saída c se há alguma referência que se trata de sucata; e. Quanto As glosas de créditos de IPI pelo indevido aproveitamento cm relação aos "empréstimos" de mercadorias, se foram considerados os débitos posteriormente lançados, quando de sua devolução, na reconstituição da escrituração fiscal; No que tange As receitas de origem não comprovada registradas na contabilidade, verificar a planilha de correlação elaborada pelo autuado (does. 3 e 4) entre as notas fiscais de saida e os recebimentos constantes dos extratos bancários apresentados, e se observam o registro no livro de entradas e de apuração do IPI competente, bem assim, se envolvem todas as notas fiscais concernentes As operações envolvendo Cayman Cabiunas Investiment Co./Toyo Setal Ltda e Siderca Corporation (Houston)/Dril Quip do Brasil Ltda; - Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seçiro • Quarta Crimara Scçao CARMIF-DF Fl. Processo IV : 1H-15.000229/2005-81 IntereLsAa 1 CONFAB INDUSTRIAL S/A I Juntada aos autos a Resoluçiio re. 340.3-00.152, por meio da qua! o Colegiado converteu o julgamento do recur so voluntúrio em diligencia. De,orclem, encaminhe-se a unidade de origem para ciência da interessada e demais providências cabíveis. Brasilia, 15 de dezembro de 2010 Antonio Carlos Atulim Presidente da .V Turma Ordinária 'I) 2);•':)).' 1.)!Tf,')])));. -) ' ))
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001835/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2007
Ementa: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa em renúncia à esfera administrativa a
propositura de ação judicial pelo contribuinte, antes ou depois de ter sido efetuado o lançamento, que vise discutir a matéria de mérito objeto do auto de infração.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. CABIMENTO. É válido o auto de infração para prevenir a decadência sem aplicação de multa
punitiva, quando efetua o lançamento de tributo que está com a exigibilidade suspensa. Cabível a aplicação de juros de mora no lançamento para prevenir a decadência.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-001.802
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do valor da multa.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2007 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa em renúncia à esfera administrativa a propositura de ação judicial pelo contribuinte, antes ou depois de ter sido efetuado o lançamento, que vise discutir a matéria de mérito objeto do auto de infração. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. CABIMENTO. É válido o auto de infração para prevenir a decadência sem aplicação de multa punitiva, quando efetua o lançamento de tributo que está com a exigibilidade suspensa. Cabível a aplicação de juros de mora no lançamento para prevenir a decadência. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2007 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Importa em renúncia à esfera administrativa a propositura de ação judicial pelo contribuinte, antes ou depois de ter sido efetuado o lançamento, que vise discutir a matéria de mérito objeto do auto de infração. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MULTA PUNITIVA. IMPOSSIBILIDADE. JUROS DE MORA. CABIMENTO. É válido o auto de infração para prevenir a decadência sem aplicação de multa punitiva, quando efetua o lançamento de tributo que está com a exigibilidade suspensa. Cabível a aplicação de juros de mora no lançamento para prevenir a decadência. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do valor da multa. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Tiago Gomes De Carvalho Pinto, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira Do Prado. Ausente o conselheiro Ronaldo De Lima Macedo. Fl. 102DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 14/11/2008 para exigir o valor de R$ 451.773,84, em virtude da falta de recolhimento da contribuição previdenciária cota patronal incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais (transportadores autônomos), no período de 10/2006 a 12/2007. Consta no Relatório Fiscal (fl. 16) que este lançamento foi realizado para se evitar a decadência, estando os valores depositados em juízo nos autos nº 2007.71.02.000019 3. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 40/75) requerendo a suspensão e posterior arquivamento do presente lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria – RS, ao analisar o processo (fls. 78/80), julgou o lançamento procedente, para que possa, eventualmente, surtir efeitos futuros, dependendo do desfecho do Mandado de Segurança nº 2007.71.02.0000193. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 82/95) alegando que a presente matéria está sendo discutida judicialmente e que não há que se falar em multa e acréscimos legais, posto que o débito está sendo depositado judicialmente. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11070.001835/200835 Acórdão n.º 2402001.802 S2C4T2 Fl. 99 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, verifico que há óbices ao conhecimento total do presente recurso voluntário, porquanto a matéria está sendo discutida judicialmente. Isto porque, conforme se pode verificar no Relatório Fiscal (fl. 16), o presente auto de infração foi lavrado já com o intuito de permanecer suspenso, em virtude da discussão travada nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.71.02.0000193. Vejase: “2 Este Relatório Fiscal visa prestar os esclarecimentos necessários acerca do Auto de Infração AI acima. Estão aqui lançadas as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social referente a contribuição da empresa, na alíquota de 20%, incidente sobre os valores pagos aos contribuintes individuais (fretes) lei 8.212/91, artigo 22, inciso III, na redação dada pela lei 9.876/99, sendo que os valores foram depositados em juízo, mandado de segurança de numero 2007.71.02.0000193. (...) 5 Foi emitido o presente AI Auto de Infração, apenas para evitar a decadência das respectivas contribuições. Considerando o litígio judicial, o débito deve ser encaminhado diretamente à Procuradoria, sendo desnecessária apresentação de defesa administrativa pela notificada.” Desta forma, entendo ser o caso de aplicação da Súmula nº 1, aprovada pela Portaria CARF nº 106/2009, que assim determina: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Não obstante o que foi exposto acima, verificase que, em que pese o lançamento ter sido efetuado para se prevenir a decadência, houve a lavratura de multa punitiva. Como se pode verificar no Relatório Fiscal (fl. 16), bem como no “Discriminativo Sintético de Débito” e “Relatório de Lançamentos” (fls. 07/10), os valores consubstanciados neste processo são decorrentes dos depósitos judiciais realizados pela Recorrente. Como é cediço, não há que se falar na lavratura de multa punitiva quando o crédito tributário já se encontra com a exigibilidade suspensa em discussão judicial iniciada antes do início de qualquer procedimento de ofício. Fl. 104DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Vejase o que determina o art. 63 da Lei nº 9.430/1996: “ Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Vale dizer que o contribuinte que vem arcando com suas obrigações legais, discutindoas judicialmente (inclusive com suspensão de exigibilidade), antes mesmo do início do procedimento de fiscalização, não pode ser compelido a pagar multa de caráter punitivo. Entendo, portanto, que a multa lavrada neste processo deve ser baixada. A Recorrente defende que os juros de mora também devem ser baixados. Entretanto, entendo ser cabível a exigência de juros de mora, ainda que o contribuinte tenha depositado em juízo os valores lançados, posto que estes só cessarão quando houver o efetivo pagamento, que não pode ser confundido com depósito judicial. Vale dizer que, havendo depósito judicial, o crédito tributário correspondente permanecerá devido ou “aberto”, com a incidência dos respectivos juros (tal como em qualquer caso de não pagamento), só não podendo ser exigido do contribuinte, porquanto estará com a exigibilidade suspensa. A incidência da taxa SELIC justificase pela indisponibilidade do numerário objeto do depósito tanto para o depositante como para a Fazenda Nacional, por determinado período de tempo, até que seja dada sua destinação final (conversão em renda/pagamento ou levantamento/devolução). Cabe ressaltar que os valores de juros SELIC mantidos neste processo administrativo se anularão com os juros SELIC provenientes da atualização dos depósitos judiciais (dada de acordo com o art. 1º, § 3º, da Lei nº 9.703/19981), não resultando, ao final, nenhum prejuízo ao contribuinte. 1 "Art. 1o Os depósitos judiciais e extrajudiciais, em dinheiro, de valores referentes a tributos e contribuições federais, inclusive seus acessórios, administrados pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda, serão efetuados na Caixa Econômica Federal, mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais DARF, específico para essa finalidade. (...) § 3o Mediante ordem da autoridade judicial ou, no caso de depósito extrajudicial, da autoridade administrativa competente, o valor do depósito, após o encerramento da lide ou do processo litigioso, será: I devolvido ao depositante pela Caixa Econômica Federal, no prazo máximo de vinte e quatro horas, quando a sentença lhe for favorável ou na proporção em que o for, acrescido de juros, na forma estabelecida pelo § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e alterações posteriores; ou Fl. 105DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11070.001835/200835 Acórdão n.º 2402001.802 S2C4T2 Fl. 100 5 Outrossim, caso os juros lançados neste processo fossem baixados, o valor eventualmente devido ao fisco ao final da discussão judicial seria inferior ao saldo atualizado da conta de depósito judicial, posto que os depósitos judiciais somariam um valor superior àquele que restou devido neste lançamento, situação que resultaria na criação de um “crédito” indevido na conta de depósitos judiciais, em favor do contribuinte. Nesse sentido, esta Corte Administrativa assim se manifestou: “PIS. LEI N° 9.718/98. AÇÃO JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É válido o auto de infração para prevenir a decadência sem aplicação da multa de oficio, quando efetua o lançamento de tributo que está com a exigibilidade suspensa. Havendo discussão judicial acerca do assunto do auto de infração, inviável o conhecimento na via administrativa de matéria igual a que está sendo discutida no Judiciário. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. JUROS DE MORA. CABIMENTO. Cabível a aplicação de juros de mora no lançamento para prevenir a decadência. Recurso negado.” (CARF, 2º CC, 4ª Câmara, PAF nº 18471.000690/200377, RV 137.415, Acórdão nº 20402.961, Cons. Rel. Airton Adelar Hack, Sessão de 10/12/2007) Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para, nesta parte, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que a multa lavrada no valor de R$ 51.391,92 seja excluída. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues II transformado em pagamento definitivo, proporcionalmente à exigência do correspondente tributo ou contribuição, inclusive seus acessórios, quando se tratar de sentença ou decisão favorável à Fazenda Nacional." Fl. 106DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES Assinado digitalmente em 13/06/2011 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, 17/06/2011 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10240.900445/2009-69
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3403-000.143
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem em declaração de compensação, transmitida por meio do programa PER/DCOMP em 19.08.2005, através da qual a recorrente extinguiu débitos tributários federais oferecendo, em contrapartida, afirmados créditos resultantes de pagamentos a maior da COFINS, apurada com base no fato gerador praticado em 29 de fevereiro de 2004. Na DRF-Porto Velho/RO, a homologação da compensação foi recusada sumariamente, por meio do despacho decisório mecânico de fls. 6, não precedido de qualquer providência investigativa ou mesmo de intimação que oportunizasse à interessada a produção de prova quanto à existência e ao montante do crédito alegado. Sintética fundamentação exposta no quadro 3 do decisum elucida que o resultado decorreu – apenas – da transmissão da DCOMP sem prévia retificação da DCTF pertinente ao período de apuração do suposto indébito. É dizer: tendo apurado o montante de COFINS a pagar naquela competência e efetuado regularmente o recolhimento correspectivo, o sujeito passivo refez os cálculos da base Fl. 110DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900445/2009-69 Resolução n.º 3403-00.143 S3-C4T3 Fl. 106 2 imponível do tributo e verificou ter promovido pagamento a maior. Transmitiu, então, a declaração de compensação indicando, como crédito, o suposto excesso, sem, todavia, corrigir a DCTF já entregue, a fim de reduzir o débito confessado aos novos valores. Foi no que se apegou a DRF para recusar a homologação, ao argumento de que, sem retificação, a quantia recolhida permanecia integralmente alocada para quitação da própria COFINS de fevereiro de 2004. Irresignada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 19/22). Falando pela primeira vez nos autos, relatou que o indébito provinha do equívoco de ter inicialmente acrescido à base de cálculo do tributo a receita de venda de energia elétrica a sociedades de economia mista antes que o respectivo recebimento se desse, conforme lhe facultava o artigo 7 o , da Lei no. 9.718/98. Trouxe aos autos a DCTF retificada posteriormente à intimação do despacho decisório e também a DIPJ relativa ao ano-calendário do fato gerador e tempestivamente entregue, na qual, segundo afirma, teria informado corretamente o tributo devido. Mais importante que isso, porém, advogou infração aos princípios da verdade material e do formalismo moderado no procedimento da autoridade preparadora, eis que, realmente, a negativa veio antes que a existência e o montante do crédito fossem minimamente investigados. Sobreveio, na sequência, aresto da DRJ-Belém/PA desprovendo a manifestação de inconformidade (fls. 50/53). Repetiu-se o fundamento do despacho decisório, acrescentando-se, ainda, que o sujeito passivo, tendo tido a ocasião para documentar a existência do crédito alegado, disperdiçara a oportunidade sem se desincumbir do respectivo ônus. No recurso voluntário manejado, a recorrente, então, procurou detalhar as etapas do procedimento de apuração da base imponível da exação para o período em consideração e, com isso, demonstrar o indébito cujo reconhecimento pretende. Com a peça, trouxe também, além da guia DARF comprobatória do recolhimento supostamente excessivo e das DCTFs original e retificadora, cópia de balancete patrimonial levantado para 29 de fevereiro de 2004 (fls. 82/94) e de trecho do Livro Razão onde escrituradas operações do período (fls. 99). Eis, em síntese, o relatório. Voto Tempestivamente interposto, o recurso atende também às demais formalidades aplicáveis, razão pela qual dele se conhece. Não é de boa técnica que a proposta de conversão do julgamento em diligência antecipe o enfrentamento de questões que, a rigor, serão melhor examinadas quando do retorno dos autos. É por esta razão que entendo mais apropriado expor, aqui, somente o necessário a justificar, perante meus pares, a solução que venho lhes apresentar. Mesmo assim, alguma discussão de caráter procedimental é indispensável – e dela não me furtarei – confortável quanto à permissão regimental de que estes mesmos temas sejam novamente debatidos por ocasião da conclusão do julgamento (artigo 63, §6 o , Anexo II, Portaria MF no. 256/2009). O objeto central dos processos administrativo-fiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e Fl. 111DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900445/2009-69 Resolução n.º 3403-00.143 S3-C4T3 Fl. 107 3 dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório de fls. 6, vigorava a IN/RFB nº 900/08, cujo artigo 3 o estabelecia: Art. 3º (...) § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratando-se de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. De ordinário, portanto, a declaração de compensação será transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não é aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tem permissão para formalizar o ato via formulário físico. O importante é que, dadas as especificidades destas alternativas, apenas no último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório. Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico – a exemplo do caso dos autos – competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova. Daí porque, o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. E se esta imperfeição procedimental não é drástica o bastante para nulificar a decisão, é um elemento a considerar na aplicação, contra o contribuinte, das regras relativas à preclusão da prova. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900445/2009-69 Resolução n.º 3403-00.143 S3-C4T3 Fl. 108 4 A rejeição do pleito amparada apenas na omissão do sujeito passivo em retificar, para baixo, o débito confessado em DCTF, além de inconsistente, é excessivamente formal. Distancia-se do princípio da verdade material e ignora que “o processo fiscal tem por finalidade primeira garantir a legalidade da apuração do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado” (NEDER, Marcos Vinicius. LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo administrativo fiscal federal comentado. 3 a ed., 2010, p. 305). E digo que é inconsistente porque a retificação prévia da DCTF não é condição necessária ou suficiente para se reconhecer ao sujeito passivo o crédito vindicado. Não é – e não era – condição necessária porque a IN/SRF no. 255/02 vigente à época dos fatos não a exigia como pressuposto da válida formalização da compensação. Não é condição suficiente porque, para convencer da existência e do montante do crédito, é preciso que o interessado o comprove por elementos aos quais a legislação atribua força probatória. E, decididamente, a retificação da DCTF não detém o atributo. Com amparo no artigo 16, do Decreto no. 70.235/72, poder-se-ia argumentar que, mesmo privada de oportunidade instrutória prévia ao despacho decisório, a recorrente poderia ter se desincumbido do ônus quando da manifestação de inconformidade e que, in casu, teria desperdiçado a chance deixando de produzir documentos contábeis que apenas vieram aos autos com o recurso voluntário. Diante do fundamento em que escorado o despacho decisório – não retificação da DCTF – a manifestação de inconformidade o atacou precipuamente (não exclusivamente) sob a perspectiva da infração à verdade material e, pois, com argumentos de natureza procedimental. E sendo este o contexto, mais do que demonstrar a existência do crédito, competia à recorrente convencer da própria prescindibilidade da prévia retificação. Esse, afinal, o principal objeto controvertido até então. De acordo com o processualista Moacyr Amaral Santos, um dos propósitos mais importantes em se estabelecer fases ou prazos apropriados à produção de documentos “é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecê-los em juízo” (Prova judiciária no Cível e Comercial, vol.4, São Paulo: Max Limonad, 1972, p. 416). Não vislumbro, na conduta processual da recorrente, indícios de semelhante intenção. De mais a mais, as provas carreadas aos autos com o recurso voluntário – provenientes da escrituração contábil da pessoa jurídica – se conhecidas, podem conferir ao julgamento níveis de certeza quanto aos fatos em debate que tanto a DRF/Porto Velho como a DRJ-Belém estiveram longe de obter. É em consideração à verdade material e por não estar convencido dos motivos da não-homologação nestas instâncias decisórias que proponho a conversão do julgamento em diligência a fim de que, partindo dos documentos carreados aos autos pela recorrente, as seguintes perguntas sejam respondidas: (a) a escrituração contábil da recorrente reveste-se das formalidades aplicáveis? Fl. 113DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10240.900445/2009-69 Resolução n.º 3403-00.143 S3-C4T3 Fl. 109 5 (b) a partir da escrituração contábil do período (fevereiro/2004), em quanto monta a base de cálculo da exação? Que natureza (origem) de receitas integram a base de cálculo (venda de energia elétrica, receitas financeiras, etc.)? Quais as exclusões aplicadas? (c) qual a origem da diferença, caso existente, entre a importância recolhida a maior pela recorrente e aquela efetivamente devida, conforme a base de cálculo apurada no item anterior? Qual o montante das vendas, no período, de bens e serviços a empresas públicas e sociedades de economia mista pelas quais a recorrente efetivamente recebeu? (d) as receitas de vendas a empresas públicas e sociedades de economia mista que, ao recalcular o tributo, a recorrente excluiu da respectiva base imponível, foram oferecidas à tributação por ocasião do efetivo recebimento, em períodos de apuração subseqüentes? (e) o crédito determinado no item anterior é suficiente para liquidar por inteiro a compensação realizada? Pede-se à unidade de origem que, colhidas as respostas, elabore relatório circunstanciado, ao qual poderá acrescer informações adicionais que repute relevantes. Após, dê-se vista do relatório à recorrente, facultando-se-lhe manifestação em 30 (trinta) dias, findos os quais retornem os autos para conclusão do julgamento. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 114DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 15/01/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 12/01/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000918/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2007
FATOS GERADORES DECLARAÇÃO EM GFIP RECONHECIMENTO
Ao efetuar a declaração de fatos geradores em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, a empresa reconhece devidas as contribuições incidentes sobre tais valores e está obrigada ao recolhimento dos mesmos
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-001.691
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000918/200794 Acórdão n.º 2402001.691 S2C4T2 Fl. 263 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Igor Araújo Soares. Ausentes os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000918/200794 Acórdão n.º 2402001.691 S2C4T2 Fl. 264 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 66/70), a origem das contribuições lançadas são as importâncias declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência (GFIP) e constantes nas Folhas de Pagamento. Os fatos geradores são as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, na condição de sócios da empresa. A auditoria fiscal informa que foram considerados todos os recolhimentos efetuados em favor da empresa, inclusive os valores retidos de tomadoras de serviços. No entanto, a totalidade dos recolhimentos não foi suficientes para honrar com a integralidade das contribuições devidas o que levou à presente notificação. A empresa foi notificada do lançamento em 07/11/2007 e apresentou defesa (fls. 78/88) onde apresenta divergências originadas do confronto entre as folhas de pagamento, as guias de recolhimento e Discriminativo Analítico de Débito — DAD e conclui que em todas as competências do lançamento houve divergências. Pelo Acórdão nº 1726.595 (fls. 207/212), a 9ª Turma da DRJ/São Paulo II (SP) considerou o lançamento procedente em parte. A decisão de primeira instância reconheceu que nas competências 01/2004 e 02/2004 as guias constantes do sistema informatizado da Previdência Social acusaram valores pagos a outras entidades como referentes a acréscimos legais, por essa razão foi feita a correção das guias e retificação do lançamento nas citadas competências. Quanto às alegadas divergências apontadas pela notificada em todas as competências do lançamento, a relatora esclarece que o valor dos fatos geradores constantes da folha de pagamento, de fato, não coincide com o valor existente do relatório Discriminatativo Analítico do Débito – DAD. Tal diferença se justifica pelo fato de a notificada não haver declarado em GFIP a totalidade dos fatos geradores apurados na folha de pagamento, sendo que estão sendo objeto de lançamento as contribuições incidentes sobre os fatos geradores efetivamente declarados em GFIP. A decisão de primeira instância esclarece que as contribuições incidentes sobre as diferenças apuradas entre os valores existentes nas folhas de pagamento e NÃO declarados em GFIP foram objeto de outra notificação a NFLD 35.108.7058. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000918/200794 Acórdão n.º 2402001.691 S2C4T2 Fl. 265 4 A notificada foi intimada da decisão e apresentou recurso tempestivo (fls. 242/251) onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000918/200794 Acórdão n.º 2402001.691 S2C4T2 Fl. 266 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O cerne do recurso apresentado repousa em alegações de divergências apontadas pela recorrente, as quais já haviam sido apresentadas em defesa. Observase que a decisão recorrida tratou das supostas diferenças, analisandoas competência à competência e demonstrando de forma inequívoca a correção do lançamento. Assim, permitome transcrever a análise efetuada pela relatora de primeira instância, a qual espanca todas as alegações da recorrente. Nas competências 01/2004, 02/2004 06/2004, 07/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 12/2004, 01/2005, 02/2005, 05/2005, 06/2005, 07/2005, 08/2005, 11/2005, 12/2005, 02/2006, 03/2006, 05/2006, 08/2006, 11/200M1/2007 e 02/2007 nas quais os valores dos salários de contribuição apontados pela defendente, são maiores no lançamento fiscal (Discriminativo Analítico de Débito — DAD) do que na folha de pagamento reiteramos que os valores lançados foram apurados através da GFIP, portanto, valores informados pelo próprio contribuinte. Nas competências onde os valores dos salários de contribuição no lançamento fiscal (DAD) são menores que os da folha de pagamento, é porque a diferença de salário de contribuição foi lançada na NFLD 37.108.7058, cujos valores não foram declarados em GFIP. Assim: 03/2004 — diferença de R$244,37 no salário de contribuição — valor lançado 37.108.7058, fls. 14 do processo administrativo. 05/2004 — diferença de R$135,83 no salário de contribuição — valor lançado 37.108.7058, fls. 14 do processo administrativo. 03/2005 — diferença de R$228,55 no salário de contribuição — valor lançado 37.108.7058, fls. 14 do processo administrativo. 04/2005 — diferença de R$73,51 no salário de contribuição — valor lançado 37.108.7058, fls. 14 do processo administrativo. 09/2005 diferença de R$749,43 no salário de contribuição — valor lançado 37.108.7058, fls. 15 do processo administrativo. 10/2005 diferença de R$217,79 no salário de contribuição — valor lançado 37.108.7058, fls. 15 do processo administrativo. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000918/200794 Acórdão n.º 2402001.691 S2C4T2 Fl. 267 6 12/2005 — não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$2919,25 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7058, fls. 10 do processo administrativo. 01/2006 — não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$859,31 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7058, fls. 10 do processo administrativo. A diferença de R$131,48 no salário de contribuição também foi lançada na NFLD 37.108.7058, fls. 15 do processo administrativo. 03/2006 — não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$1284,17 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7058, fls. 10 do processo administrativo. 06/2006 — não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$84,14 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7058, fls.11 do processo administrativo. A diferença de R$39,04 no salário de contribuição também foi lançada na NFLD 37.108.7058, fls. 15 do processo administrativo. 07/2006 não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$1378, 51 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7058, fls.11 do processo administrativo. A diferença de R$328,60 no salário de contribuição também foi lançada na NFLD 37.108.7058, fls. 16 do processo administrativo. Observamos que a defendente lançou o valor da folha de pagamento a menor (R$265133,11) na fl 85 (defesa) . O valor correto, conforme documento à fls. 162 é de R$265153,11. 08/2006 não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$2551, 85 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7054, fls. 12 do processo administrativo. 10/2006 não há diferença a favor do contribuinte, pois a importância de R$4854,90 foi deduzida, do débito apurado, na NFLD 37.108.7058,fls. 12 do processo administrativo. O relatório de apropriação de documentos (fls. 46) informou que havia recolhimento de R$19328,14, tendo sido esse o valor total apropriado (R$4854,90 +R$8802,25 +R$5459,39 +R$211,60 = R$19328,14) e, conseqüentemente, deduzido do débito apurado, além de R$4787,50 a título de terceiros. A diferença de R$1611,76 no salário de contribuição foi lançada na NFLD 37.108.7058, fls. 16 do processo administrativo. 12/2006 A diferença de R$1293,95 no salário de contribuição foi lançada na NFLD 37.108.7058, fls. 16 do processo administrativo. Nas competências 03/2007 e 04/2007 contribuinte relata que o salário de contribuição é menor que o devido, portanto não há retificação a ser feita. Na competência 11/2004 verificouse diferença de R$0,16 (dezesseis centavos) no Salário de Contribuição (maior na FP) e Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000918/200794 Acórdão n.º 2402001.691 S2C4T2 Fl. 268 7 na competência 04/2006 de R$0,70 (setenta centavos) no Salário de Contribuição (maior na FP). Valores esses irrelevantes em termos da apuração do valor do débito. Com referência às competências 01/2004 e 02/2004, tem razão o contribuinte. Os valores de R$441,73 e de R$442,54, respectivamente, não foram abatidos do débito porque constaram no Sistema Informatizado da Previdência Social como pagos a título de Atualização Monetária, conforme telas anexas às fls. 190 e 191 deste processo. Feita representação para encaminhar a EQARP — Equipe de Orientação da Arrecadação Previdenciária, cópias das Guias da Previdência Social das competências 01/2004 e 02/2004 , pagas na data correta, e anexas às folhas 179 e 180, para verificação e alteração. Na competência 01/2004 o valor correto do débito seria de R$22516,51 (R$22958,24 —R$441,73) e na competência 02/2004 de R$16764,04 (R$17206,58R$442,54). Ocorre que o sistema informatizado institucional não permitiu a retificação do débito excluindo apenas os valores acima citados, assim excluímos o valor total das competências 01/2004 e 02/2004 e fizemos representação para que a auditora efetue o lançamento das duas competências em outra NFLD. Como se vê, nas competências em que se verificou procedentes as alegações de divergência, o lançamento foi devidamente retificado. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 26/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 26/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11686.000351/2008-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2004
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.
Numero da decisão: 3403-001.558
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DO PIS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. PIS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de Fl. 198DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, por meio do qual o recorrente intenta receber o saldo credor acumulado da contribuição ao PIS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao quarto trimestre de 2004, em virtude da percepção de receitas tributadas à alíquota zero, conforme asseguram os artigos 17, da Lei nº 11.033/04 e 16, da Lei nº 11.116/05. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% Fl. 199DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000351/200831 Acórdão n.º 340301.558 S3C4T3 Fl. 2 3 do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. Em 06.04.2011, o julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação em 27.10.2011, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem, em sua manifestação de fls. 140, ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se Fl. 201DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000351/200831 Acórdão n.º 340301.558 S3C4T3 Fl. 3 5 tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, Fl. 203DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000351/200831 Acórdão n.º 340301.558 S3C4T3 Fl. 4 7 para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato Fl. 204DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem Fl. 205DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000351/200831 Acórdão n.º 340301.558 S3C4T3 Fl. 5 9 ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 206DF CARF MF Impresso em 19/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 09/06/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/06/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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