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Numero do processo: 19740.000074/2008-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2004, 2005
PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA SEM FINS LUCRATIVOS. INCIDÊNCIA.
É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
Numero da decisão: 1202-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Mozart Barreto Vianna que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. Os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Carlos Alberto Donassolo foi substituído pelo conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Presidente substituta e relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004, 2005 PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA SEM FINS LUCRATIVOS. INCIDÊNCIA. É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2004, 2005 PREVIDÊNCIA PRIVADA. ENTIDADE ABERTA SEM FINS LUCRATIVOS. INCIDÊNCIA. É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Mozart Barreto Vianna que negavam provimento ao recurso. Designado o conselheiro Plínio Rodrigues Lima para redigir o voto vencedor. Os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno davam provimento integral ao recurso. O Conselheiro Carlos Alberto Donassolo foi substituído pelo conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente substituta e relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 74 /2 00 8- 76 Fl. 548DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de auto de infração (fls.33/40) de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), referente aos anoscalendário de 2003 e 2004, no valor de R$1.375.680,54, acrescida de multa de ofício de 75%, e juros de mora calculados até 31.01.2008. Consoante o termo de verificação (fls.12/32), a autoridade fiscal apurou que o contribuinte é uma entidade aberta de previdência complementar, conforme seus estatutos, sem fins lucrativos, organizada na forma da Lei Complementar n° 109, de 29 de maio de 2001, cujo objetivo é instituir e operar quaisquer planos de benefícios oficialmente admitidos como de previdência complementar, concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único conforme disposto nos arts. 1o e 2o do seu Estatuto Social. Através dos balancetes contábeis (fls.43/222) e das demonstrações contábeis publicadas (fls.41/42), apresentados pelo contribuinte, foram apuradas as bases de cálculo da CSLL, em períodos trimestrais (fls.25/32), procedendose às adições de despesas e provisões não dedutíveis. Na impugnação, a interessada argumentou, em síntese, que: houve decadência parcial do lançamento, com base no artigo 150, do CTN; não deve incidir juros de mora e taxa Selic, pois, inexiste qualquer regra definidora do período de apuração e do vencimento, devendo ser aplicado o § 3o, do art. 61 da Lei n° 9.430/96, e o parágrafo único do art. 100 do CTN, que excluem a imposição da multa para quem observa os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, bem como a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo e que a aplicação da taxa Selic considerando o período trimestral agravou o lançamento; o auto de infração foi lavrado em desconformidade com a Lei, doutrina e jurisprudência, uma vez que pretendese cobrar CSLL de quem não tem lucro e sim superávit, pois lucro não se confunde com superávit; não se trata de entidade aberta de previdência privada com fins lucrativos; houve afronta ao artigo 17 da IN SRF n° 588, de 2005, que determina que as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas da CSLL; a interpretação da norma administrativa deve ser feita da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação, nos termos da Lei 9.784/99 e CF; a base de cálculo não pode ser apurada de acordo com legislação comercial, pois tratase de sociedade civil sem fins lucrativos; a diferença entre a receita e despesa (superávit) não se confunde com o resultado apurado com observância da legislação comercial a que se refere o artigo 2º. da Lei 7.689/88; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 5 4 com fulcro no inciso IV, do art. 16 c/c arts. 17 e 18 do Decreto n° 70.235/72 requer diligência e prova pericial para demonstrar o equívoco da apuração feita levandose em conta a legislação comercial, conforme quesito de fls.333, e doc.06, bem como, requer prova documental superveniente e apresentação de assistente técnico. A decisão de primeira instância considerou o lançamento procedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003, 2004 PREVIDÊNCIA PRIVADA ABERTA. CSLL. A isenção do artigo 5o da Lei n°. 10.426, de 2002, alcança somente as entidades de previdência fechada. É devida a CSLL sobre as operações das entidades de previdência privada aberta. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 20/12/2011 (cfe AR, fl.420), apresentou recurso voluntário ao CARF, em 18/01/2012 (fls.422 e ss.), em que aponta equívocos na decisão recorrida. Sustenta decadência quanto ao mês de janeiro de 2003, porque a intimação do auto de infração se deu em fevereiro de 2008, fora dos 5 (cinco) anos previstos no art. 150 do CTN., já que o "lucro" ocorreu mês a mês, sendo obrigatória a retirada da base de cálculo a ser utilizada para eventual cobrança do tributo a receita do mês de janeiro de 2003. Sustenta a não incidência da CSLL, considerando que: (i) "entidades sem fins lucrativos" não são apenas as entidades fechadas, e corresponde a quem não distribui lucros e que aplica o resultado (superávit e não lucros) integralmente na consecução dos objetivos estatutários; (ii) é entidade aberta de previdência privada, sem fins lucrativos que, ipso factu, não aufere "lucro", uma vez que, quando muito, o resultado positivo que obtiver será tido por "superavit"; (iii) a remuneração de administradores não altera o caráter de entidade sem fins lucrativos, aplicandose subsidiariamente a legislação de seguros (art. 10 da Lei n° 6.435/77, c/c art. 9º do Decreto n° 81.402 e art. 73 da Lc n° 109/01) às entidades de previdência privada, entre as quais se inclui também a lei de sociedades anônimas, e a Resolução CNSP n° 53/01, ao permitir a remuneração percentual dos administradores em caso de superávit não se afastou do que já instituído como regra para a direção das seguradoras (normalmente constituídas sob a forma de sociedades anônimas); (iv) a remuneração variável (sobre superávit) não seria óbice à "ausência de finalidade lucrativa" ou "gozo de isenção", citando o IRPJ (RIR/99, arts. 174 (regra geral de isenção) e 175 (regra específica de isenção pertinente às entidades de previdência privada); (v) Resultados ou Superávits, quando ocorrem, têm destinação certa, ou seja, são aplicados em planos de assistência aos participantes ou revertidos ao patrimônio para Fl. 551DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 6 5 garantia das coberturas já contratadas e para manutenção das atividades beneficentes (art. 31 do do Decreto nº 81.402/78, c/c art. 77 da Lei Complementar nº. 109/01, c/c art. 202 da CF); (vi) o inciso I do art. 13 referese apenas às entidades abertas com fins lucrativos e não as entidades sem fins lucrativos, vez que somente aquelas podem buscar e obter lucros; (vii) ainda que fosse devida a referida contribuição, ad argumentandum, as entidades abertas de previdência complementar sem fins lucrativos estariam isentas, de acordo com o art. 15 da Lei n° 9.532/97 e §1º, do art.69 da LC n° 109/01; (viii) o termo de verificação fiscal e a decisão recorrida afrontam o disposto no art. 17 da Instrução Normativa SRF n° 588, de 21 de dezembro de 2005, ou seja, que "as entidades de previdência complementar sem fins lucrativos estão isentas da contribuição social sobre o lucro líquido"; (ix) nova interpretação de lei que prejudique o contribuinte é vedada pelo inciso XIII, do parágrafo único do art. 2º da Lei n° 9.784/90, razão pela qual é invocado o disposto no Ato Declaratório Normativo CST n° 17/90 e na Instrução Normativa SRF n° 588/2005, alegando que interpretação contrária em prejuízo da Recorrente seria ofensivo do princípio da "segurança jurídica", da "legalidade" e da "moralidade", que devem nortear a prática dos atos administrativos; (x) deve ser afastada a cobrança de juros de mora e taxa Selic, por ausência de prazo legal de vencimento ante a controvérsia sobre se é ou não devida a CSLL de entidades sem fins lucrativos. Caso se decida em desfavor da entidade, há que se aplicar o § 3º, do art. 61 da Lei n° 9.430/96, e o parágrafo único do art. 100 do CTN. É o relatório. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. Sobre a decadência do mês de janeiro de 2003, arguida em preliminar, cumpre rechaçar de plano, visto que a CSLL obedece a regra de apuração trimestral, ou seja, o fato gerador completa seu ciclo ao final de cada trimestre dentro do ano calendário. Assim, inexiste fato gerador mensal de CSLL, ao contrário do que entende a recorrente. A regra decadencial considera a data do fato gerador, a partir do final do período de apuração, quando o resultado tributável é considerado realizado. Como o primeiro fato gerador autuado corresponde a 31 de março de 2003, abarcando os meses de janeiro, fevereiro e março, e a ciência do auto de infração se deu em fevereiro de 2008, a contagem pela regra do art. 150 do CTN não compromete o lançamento. No mérito, a recorrente destaca que é entidade aberta de previdência complementar sem fins lucrativos, estando isenta da CSLL nos anoscalendário objeto de autuação (2003 e 2004). Sustenta, ainda, que é associação sui generis, porquanto não aufere lucro e sim resultado positivo (superávit), e que o art. 15 da Lei n° 9.532/97 dispõe expressamente que as “Associações” são isentas do pagamento do IRPJ e da CSLL. Atualmente, as entidades de previdência complementar são regidas pela Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001, que revogou a Lei no 6.435, de 15 de julho de 1977, dispondo sobre o Regime de Previdência Complementar. São classificadas em fechadas ou abertas, nos seguintes termos: Art. 31. As entidades fechadas são aquelas acessíveis, na forma regulamentada pelo órgão regulador e fiscalizador, exclusivamente: I aos empregados de uma empresa ou grupo de empresas e aos servidores da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, entes denominados patrocinadores; e II aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores. § 1oAs entidades fechadas organizarseão sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos. ............................................. Art. 36. As entidades abertas são constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. [...] Fl. 553DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 8 7 .............................................. Art. 77. As entidades abertas sem fins lucrativos e as sociedades seguradoras autorizadas a funcionar em conformidade com a Lei no6.435, de 15 de julho de 1977, terão o prazo de dois anos para se adaptar ao disposto nesta Lei Complementar. § 1oNo caso das entidades abertas sem fins lucrativos já autorizadas a funcionar, é permitida a manutenção de sua organização jurídica como sociedade civil, sendolhes vedado participar, direta ou indiretamente, de pessoas jurídicas, exceto quando tiverem participação acionária: I minoritária, em sociedades anônimas de capital aberto, na forma regulamentada pelo Conselho Monetário Nacional, para aplicação de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões; II em sociedade seguradora e/ou de capitalização. § 2oÉ vedado à sociedade seguradora e/ou de capitalização referida no inciso II do parágrafo anterior participar majoritariamente de pessoas jurídicas, ressalvadas as empresas de suporte ao seu funcionamento e as sociedades anônimas de capital aberto, nas condições previstas no inciso I do parágrafo anterior. § 3oA entidade aberta sem fins lucrativos e a sociedade seguradora e/ou de capitalização por ela controlada devem adaptarse às condições estabelecidas nos §§ 1oe 2o, no mesmo prazo previsto no caput deste artigo. § 4oAs reservas técnicas de planos já operados por entidades abertas de previdência privada sem fins lucrativos, anteriormente à data de publicação da Lei no6.435, de 15 de julho de 1977, poderão permanecer garantidas por ativos de propriedade da entidade, existentes à época, dentro de programa gradual de ajuste às normas estabelecidas pelo órgão regulador sobre a matéria, a ser submetido pela entidade ao órgão fiscalizador no prazo máximo de doze meses a contar da data de publicação desta Lei Complementar. § 5oO prazo máximo para o término para o programa gradual de ajuste a que se refere o parágrafo anterior não poderá superar cento e vinte meses, contados da data de aprovação do respectivo programa pelo órgão fiscalizador. § 6oAs entidades abertas sem fins lucrativos que, na data de publicação desta Lei Complementar, já vinham mantendo programas de assistência filantrópica, prévia e expressamente autorizados, poderão, para efeito de cobrança, adicionar às contribuições de seus planos de benefícios valor destinado àqueles programas, observadas as normas estabelecidas pelo órgão regulador. § 7oA aplicabilidade do disposto no parágrafo anterior fica sujeita, sob pena de cancelamento da autorização previamente Fl. 554DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 9 8 concedida, à prestação anual de contas dos programas filantrópicos e à aprovação pelo órgão competente. § 8oO descumprimento de qualquer das obrigações contidas neste artigo sujeita os administradores das entidades abertas sem fins lucrativos e das sociedades seguradora e/ou de capitalização por elas controladas ao Regime Disciplinar previsto nesta Lei Complementar, sem prejuízo da responsabilidade civil por danos ou prejuízos causados, por ação ou omissão, à entidade. (destacouse) Enquanto as entidades fechadas são necessariamente sem fins lucrativos, e funcionam sob a tutela da PREVIC exSecretaria da Previdência Complementar (do Ministério da Previdência e Assistência Social), as entidades abertas de previdência privada são acessíveis a qualquer pessoa e, por se assemelharem a seguradoras, são regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). As entidades abertas podiam ser constituídas com ou sem fins lucrativos, até o advento da Lei Complementar nº109. A Constituição Federal prevê, em seu art. 195, que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, dentre outras contribuições sociais, da CSLL. Assim, o caráter amplo do alcance da CSLL se justifica em prol do bem comum, enquanto as hipóteses de imunidade e isenção são restritas, consoante o sistema tributário nacional. Sobre o tema, cabe referir a posição do Supremo Tribunal Federal, consubstanciada no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário 612686/SC, julgado em 05/03/2013. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. PEDIDO DE NÃO INCIDÊNCIA DO IRPJ E CSLL. ALEGAÇÃO DE NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR LUCRO. IMPOSSIBILIDADE. A EXISTÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO DOS SEUS BENEFICIÁRIOS AFASTA A IMUNIDADE DO ARTIGO 150, VI, “C”. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA N.º 730/STF. PRECEDENTE: RE N.º 202.700/DF, PLENO, RELATOR O MINISTRO MAURÍCIO CORRÊA, DJ 1º.3.02. EXISTÊNCIA OU NÃO DO FATO GERADOR DO IRPJ E CSLL. MATÉRIA FÁTICA. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO DA SÚMULA Nº 279/STF. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, "c", da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Incidência do Enunciado da Súmula n.º 730/STF. 2. Para divergir do acórdão recorrido acerca da existência do fato gerador do IRPJ e CSLL seria necessário o reexame de provas e cláusulas contratuais (estatuto social e plano de Fl. 555DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 10 9 benefícios), o que encontra óbice nas súmulas 279 e 454 desta Corte. 3. A Súmula 279/STF dispõe verbis: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. É que o recurso extraordinário não se presta ao exame de questões que demandam revolvimento do contexto fático probatório dos autos, adstringindose à análise da violação direta da ordem constitucional. 4. In casu, o acórdão recorrido assentou: “AC. ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. BITRIBUTAÇÃO. PRINCÍPIOS DA ISONOMIA E DA PROGRESSIVIDADE. 1. O patrimônio das entidades fechadas de previdência privada compõese de valores provenientes das contribuições de seus participantes, de dotações da própria entidade e de aporte do patrocinador, enfim, mesmo que não possuam fins lucrativos, é cabível a incidência do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro, pois na sua atividade captam e administram os recursos destinados ao pagamento de benefícios de seus associados. Também, não gozam da imunidade prevista no art. 150, VI, "c" da CRFB, já que não se confundem com as entidades de assistência social, destinadas a auxiliar pessoas carentes, independentemente de estarem ou não no mercado de trabalho e da contribuição correspondente. 2. Quanto à bitributação, não há demostração clara sobre quais valores estaria ocorrendo a dupla incidência do mesmo tributo. A incidência do imposto de renda, quando da concessão dos benefícios, se dá na fonte e não há vedação para a sua incidência no momento em que há a acumulação de reservas e provisões destinadas ao pagamento de benefícios futuros, ou seja, um fato gerador é a acumulação, outro é a distribuição. 3. Em relação aos princípios da isonomia e da progressividade entendo que não há a alegada quebra. O princípio da isonomia prevê a vedação ao tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. O que a apelante está pretendendo é o reconhecimento de imunidade, ou seja, um benefício concedido pelo legislador constituinte. A esse respeito o STF já decidiu (RE 259.756, DJ 29/08/2003) quais as entidades estariam abrangidas pela imunidade, quais sejam, as entidades de previdência complementar custeadas, exclusivamente, pelo ente patrocinador. Tampouco há ofensa ao princípio da progressividade, pois é baseado na capacidade contributiva”. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. Considerando o entendimento acima esposado, de que a imunidade tributária somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários, é possível concluir que as entidades de previdência privada aberta, que necessariamente possuem contribuição dos beneficiários, como é o caso da recorrente, também não estão imunes. Diante disso, cabe perquirir se seria caso de isenção tributária ou não incidência, à luz das normas infraconstitucionais, considerando o disposto no inciso VI do art. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 11 10 97 do CTN, que restringe as hipóteses de exclusão do crédito tributário, incluindo isenção, à criação por lei em sentido estrito. Por ter sido fundada em outubro de 1964, conforme seu estatuto consolidado (fl.282), a recorrente enquadrase no art. 77 da LC nº 109/2001, o qual prevê que aquelas já autorizadas a funcionar podem se manter como sociedade civil (§1º). Nesse caso, sendo considerada sociedade simples, passa a ser regulada pelos arts. 997 a 1038 do novo Código Civil. De toda a sorte, nunca se confundiu com associação. Assim, de pronto, já se afasta a hipótese do art. 15 da Lei n° 9.532/97, que dispõe expressamente que as “instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis” sem fins lucrativos são isentas do pagamento do IRPJ e da CSLL. É entendimento pacificado no âmbito do STF que a contribuição instituída pela Lei nº 7.689, de 15.12.1988, é uma contribuição social instituída com base no art. 195, inciso I, da CF, inserindose no rol das que financiam a seguridade social (RE 138.284/2002, RE 146.733/92 e RE 224.885/98). Considerando a prevalência hierárquiconormativa, interpretase a lei conforme a Constituição Federal. Assim, nos termos do art. 4º da Lei n° 7.689/88, considerase que são contribuintes da CSLL as pessoas jurídicas domiciliadas no País e as que lhes são equiparadas pela legislação tributária, o que alcança todas as pessoas que não forem consideradas imunes, haja vista os princípios da equidade (art. 194, inciso V) e da universalidade (art. 195, caput) na forma de participação no custeio da Previdência Social. A tese de não incidência para o caso em tela é afastada pela previsão específica contida na Lei n° 8.212/91, que determina que, dentre outras pessoa jurídicas, as entidades de previdência privada abertas e fechadas são tributadas pela CSLL, como se vê abaixo: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] § 1oNo caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). ..................... Art. 23. As contribuições a cargo da empresa provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à Seguridade Social, além do disposto no art. 22, são calculadas mediante a aplicação das seguintes alíquotas: Fl. 557DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 12 11 I 2% (dois por cento) sobre sua receita bruta, estabelecida segundo o disposto no § 1º do art. 1º do Decretolei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, com a redação dada pelo art. 22, do Decretolei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987, e alterações posteriores; II 10% (dez por cento) sobre o lucro líquido do períodobase, antes da provisão para o Imposto de Renda, ajustado na forma do art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990. § 1º No caso das instituições citadas no § 1º do art. 22 desta Lei, a alíquota da contribuição prevista no inciso II é de 15% (quinze por cento). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às pessoas de que trata o art. 25. (destacouse) Notese que, ao determinar, no art. 23, §1º, a alíquota de 15% para as instituições citadas no artigo anterior, incluindo as entidades de previdência, fechadas ou abertas, o legislador não previu qualquer ressalva em relação àquelas com ou sem finalidade lucrativa, ou seja, todas sofreriam a incidência da CSLL. Ademais, o art. 13 da Lei nº 9.249/95, ao admitir a dedução das provisões técnicas cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável, reafirma, de forma expressa, a incidência da CSLL sobre os resultados positivos das entidades de previdência privada: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) [...] (destacouse) Cabe ressaltar, ainda, que o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) também sustenta a incidência da CSLL sobre os resultados das entidades de previdência privada: Art. 72. Integram o Fundo Social de Emergência: (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994)(Vide Emenda Constitucional nº 17, de 1997) [...] III a parcela do produto da arrecadação resultante da elevação da alíquota da contribuição social sobre o lucro dos Fl. 558DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 13 12 contribuintes a que se refere o § 1º do Art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, nos exercícios financeiros de 1994 e 1995, bem assim no período de 1º de janeiro de 1996 a 30 de junho de 1997, passa a ser de trinta por cento, sujeita a alteração por lei ordinária, mantidas as demais normas da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 10, de 1996) Entendese que a discussão sobre superávit ou lucro como base de cálculo da CSLL, no âmbito doutrinário e jurisprudencial, não tem o condão de afastar a clareza da lei e justificar a alegada não incidência. Destaquese que o texto legal que instituiu a CSLL (art. 2º da Lei nº 7.689/88) prevê que “a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda”. Sendo “resultado do exercício” o gênero que abrange lucro e superávit, tornase irrelevante, para fins de incidência da contribuição, a caracterização de “entidade sem fins lucrativos”. O entendimento aqui defendido encontra respaldo no acórdão nº 103.22558, julgado pela antiga Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 25 de janeiro de 2007, que teve a seguinte ementa: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR –CSLL – ART. 72, III, DOS ADCT. LEI Nº 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional à Lei nº 7.689/88, denota a inversão do princípio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei nº 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Naquele aresto, a questão da incidência da CSLL sobre os resultados positivos das entidades de previdência privada foi brilhantemente enfrentada, pelo que cabe transcrever trechos do voto paradigmático do ilustre Conselheiro Flávio Franco Corrêa: “[...] Afora o que deixei registrado nas linhas precedentes, não hesito na asseveração de que o voto vencido e seu aresto modelo valeramse do nomem júris do tributo para a suposição de sua base de incidência. Paulo Barros de Carvalho explica, em comentários ao art. 4º, I, do CTN que o legislador agiu com extrema lucidez, “ao declarar que suas palavras não devem ser levadas ao pé da letra”, afinal os nomes que designam as “prestações pecuniárias que se quadrem na definição do art. 3º do Código hão de ser recebidas pelo intérprete sem aquele tom de seriedade e de certeza que seria de esperar. Porque, no fundo, Fl. 559DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 14 13 certamente pressentiu que, utilizando uma linguagem natural, penetrada das comunicações cotidianas, muitas vezes iria enganarse, perpetuando equívocos e acarretando confusões. E é justamente o que acontece. As leis não são feitas por cientistas do Direito e sim por políticos, pessoas de formação cultural essencialmente diversificada, representantes que são dos múltiplos setores que compõem a sociedade. O produto de seu trabalho, por conseguinte, não trará a marca do rigor técnico e científico que muitos almejam encontrar. Seria como se tivesse dito: Não levem às últimas conseqüências as palavras que enuncio, porque não sou especialista. Compreendamme em função da unidade sistemática da ordem jurídica.” As palavras de Paulo de Barros de Carvalho, ora recolhidas, cabem com exatidão no caso em estudo. Vejase, a propósito, o art. 2º da Lei nº 7.689/88, que, ao definir a base de cálculo da CSSL, partiu do “resultado do exercício”, ajustandoo, todavia, mediante as adições e as exclusões que estão inscritas no artigo 2º, § 1º, alínea c, da lei em referência, posteriormente modificado pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90. Ou seja, referidos ajustes ao resultado do exercício conflitam com o que se cristalizou na concepção de tantos, que se deixaram iludir pelo nomem juris do tributo, assim imaginando que sua incidência recai sobre o lucro líquido. Acrescentese que a doutrina e a jurisprudência administrativa facilitaram o trabalho de interpretação sob a incumbência deste relator, tal a iterativa asserção de que a base de cálculo do tributo objeto do lançamento de ofício em exame tem a singela denominação de “base de cálculo da CSSL”, verbis; IRPJ – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITE DE COMPENSAÇÃO –IRPJ – CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – LIMITES – LEI N° 8.981/95, ARTS. 42 E 58. Para determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízos, como em razão da compensação da base de cálculo negativa da contribuição social.” (acórdão nº 10195002, Rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, sessão de 20.05.2005) (os grifos não estão no original) CSSL – COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS – LIMITAÇÃO DE 30% APLICAÇÃO DO DISPOSTO NAS LEIS nº 8.981 e 9.065 de 1995 – A limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSSL, determinada pelas Leis nºs 8981 e 9.065 de 1995, não violou o direito adquirido, vez que o fato gerador do imposto de renda só ocorre após transcurso do período de apuração que coincide com o término do exercício financeiro. A partir do ano calendário de 1995 o lucro líquido ajustado e a base de cálculo positiva da CSSL, poderão ser reduzidos por compensação do prejuízo e base negativa, apurados em períodos bases anteriores em, no Fl. 560DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 15 14 máximo, trinta por cento. A compensação da parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, excedente a 30% poderá ser efetuada, nos anoscalendário subseqüentes (arts. 42 e § único e 58, da Lei 8.981/95.” “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – BASE DE CÁLCULO NEGATIVA – As bases de cálculo negativas apuradas integralmente antes da vigência da Lei 8383/91 são excluíveis da apuração da base de cálculo da contribuição social, até porque esta exação, como apêndice do IRPJ, se subsume aos mesmos princípios do lançamento conexo.” (acórdão nº 10320243, Rel. Conselheiro Victor Luís de Salles Freire, sessão de 14.03.2000) (os grifos não estão no original) A despeito do entendimento que apresento neste voto, defendendo a diferenciação entre “base de cálculo da CSSL” e lucro líquido, retorno à expressão “resultado do exercício”, gravada no corpo do artigo 2º da Lei nº 7.689/99, com o intuito de adequálo às entidades sem fins lucrativos que se conformam, por adequação típica, às pessoas jurídicas do artigo 72, III, dos ADCT, visando à máxima efetividade que a norma constitucional reclama. Socorrome, para fins hermenêuticos, do julgamento do AI 382298AgR (DJ 28.05.2004), ressaltando breve trecho da lavra do Ministro Gilmar Mendes, relativamente ao princípio supracitado: “(...) a propósito, transcrevo, aqui, trecho da doutrina de Konrad Hesse, in A Força Normativa da Constituição, Porto Alegre, Sergio Antonio Fabris Editor, 1991, p.34, por mim traduzido, referente à interpretação constitucional: (...) O Direito Constitucional deve explicitar as condições sob as quais as normas constitucionais podem adquirir maior eficácia possível, possibilitando, assim, o desenvolvimento da dogmática e da interpretação constitucional. Portanto, compete ao Direito Constitucional realçar, despertar e preservar a vontade de Constituição (Wille zur Verfassung), que, indubitavelmente, constitui a maior garantia de sua força normativa. Essa observação torna imperiosa a assunção de uma visão crítica pelo Direito Constitucional, pois nada seria mais perigoso do que permitir o surgimento de ilusões sobre questões fundamentais para a vida do Estado.” (...)” (os grifos não estão no original) [...] De tudo o que salientei, depreendo que a harmonização entre a Lei nº 7.689/88 e o art. 72, III, dos ADCT exige a compreensão de que “resultado do exercício” é gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. Por conseguinte, pouco importa, para a tributação da CSSL em consonância com o artigo 72, III, dos ADCT, se a entidade de previdência tem finalidade lucrativa ou não. Contudo, a justiça que se exige do órgão julgador requer a segregação das entidades que distribuem benefícios previdenciários decorrentes, exclusivamente, de contribuições da Fl. 561DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 16 15 própria mantenedora. Isto porque a jurisprudência da Corte Suprema acolheuas no seleto grupo das instituições de assistência social, albergadas, em conseqüência, pelo manto da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República, a teor das informações que emanam das seguintes ementas: “IMUNIDADE ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Na dicção da ilustrada maioria, entendimento em relação ao qual guardo reservas, o fato de mostrarse onerosa a participação dos beneficiários do plano de previdência privada afasta a imunidade prevista na alínea "c" do inciso VI do artigo 150 da Constituição Federal. Incide o dispositivo constitucional, quando os beneficiários não contribuem e a mantenedora arca com todos os ônus. Consenso unânime do Plenário, sem o voto do ministro Nelson Jobim, sobre a impossibilidade, no caso, da incidência de impostos, ante a configuração da assistência social.” (RE 259.756, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 29.08.2003) (os grifos não estão no original) “CONSTITUCIONAL. PREVIDÊNCIA PRIVADA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. 1. Entidade fechada de previdência privada. Concessão de benefícios aos filiados mediante recolhimento das contribuições pactuadas. Imunidade tributária. Inexistência, dada a ausência das características de universalidade e generalidade da prestação, próprias dos órgãos de assistência social. 2. As instituições de assistência social, que trazem ínsito em suas finalidades a observância ao princípio da universalidade, da generalidade e concede benefícios a toda coletividade, independentemente de contraprestação, não se confundem e não podem ser comparadas com as entidades fechadas de previdência privada que, em decorrência da relação contratual firmada, apenas contempla uma categoria específica, ficando o gozo dos benefícios previstos em seu estatuto social dependente do recolhimento das contribuições avençadas, conditio sine qua non para a respectiva integração no sistema. Recurso extraordinário conhecido e provido.” (RE, 202.700, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 01.03.2002).” Reforçando o entendimento retro esposado, vale lembrar que as entidades de previdência fechada são constituídas sem fins lucrativos (art. 31, §1º, da LC nº 109/2001) e estavam sujeitas à incidência da CSLL, a teor do art.23 da Lei nº 8.212/91, assim como as entidades de previdência aberta. A lei não possui palavras inúteis, tampouco um artigo inteiro inútil, pelo que seria totalmente desnecessária e descabida a previsão de norma de isenção se fosse o caso de não incidência, como defende a recorrente. Em relação às entidades de previdência fechada, a isenção se deu a partir da edição do art. 5º Lei n° 10.426, de 2002: Art. 5º. As entidades fechadas de previdência complementar ficam isentas da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativamente aos fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2002. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 17 16 Considerandose que isenção somente pode ser concedida por lei (art. 97 do CTN) e que a lei que a prevê deve ser interpretada literalmente (art. 111 do CTN), resta claro que a Lei n° 10.426, de 2002, em seu art. 5º, apenas concedeu a isenção da CSLL para as entidades fechadas de previdência complementar, e essa norma deve ser balizadora da interpretação da isenção da CSLL no ordenamento jurídico. A instrução normativa da Receita Federal mencionada pela recorrente veio exatamente esclarecer que a isenção da CSLL não alcança as entidades abertas sem fins lucrativos, como é o caso dos autos. O art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 588, de 2005, teve parágrafo único incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013, deixando evidenciado que a isenção referese apenas ao IRPJ. Vejase: Isenção e não incidência Art. 17. As entidades fechadas de previdência complementar estão isentas do imposto sobre a renda devido pela pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013) Parágrafo único. O disposto no caput aplicase às entidades abertas sem fins lucrativos em relação ao imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.315, de 3 de janeiro de 2013) Além da isenção prevista no art. 5º da Lei nº 10.426, de 2002, em relação à CSLL, referida IN destacou o tratamento diferenciado dado ao IRPJ, consoante disposto no RIR/99: Art.175. Estão isentas do imposto as entidades de previdência privada fechadas e as sem fins lucrativos, referidas, respectivamente, na letra "a" do item I e na letra "b" do item II do art. 4º da Lei nº 6.435, de 15 de julho de 1977 (DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 6º). Muito embora o art. 100 do CTN preveja que a observância dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas “exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”, há que se ponderar a relevância da norma dentro do sistema normativo. O caráter interpretativo da norma infralegal referida é evidenciado pela impossibilidade de criar nova forma de tributação, tampouco norma excepcional de isenção, em vista do óbice contido no art. 176 do CTN. O que se normatizou foi apenas o reflexo da isenção prevista na lei. Assim, não há que se falar em atração do art. 100 do CTN. Tampouco se presta a essa finalidade o Ato Declaratório Normativo CST nº 17/90, referenciado pela recorrente, visto que editado anteriormente à data de publicação da Lei nº 8.212/91. Por sua vez, a IN SRF nº 588, de 2005, em sua versão original, foi publicada posteriormente aos fatos geradores. Ademais, dado o caráter excepcional da norma de isenção, inexiste a possibilidade de estender a isenção concedida em relação ao IRPJ para a CSLL no caso de entidade de previdência privada aberta sem fins lucrativos, haja vista o disposto no art. 111, inciso II, do CTN. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 18 17 Diante disso, verificase que, em caso semelhante, não foi adotado o melhor entendimento ao acompanhar o voto condutor do acórdão nº 1202.000904, julgado na sessão de 7 de novembro de 2012. Examinando detidamente a questão, como se demonstrou retro, concluise que, de fato, nem a imunidade nem, tampouco, a isenção ou a não incidência, alcança a CSLL no caso de entidade aberta de previdência complementar sem fins lucrativos, como é a recorrente, razão pela qual, no mérito, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. A recorrente ainda questiona a incidência de juros de mora e taxa Selic sobre o débito, por ausência de prazo legal de vencimento ante a controvérsia sobre se é ou não devida a CSLL de entidades sem fins lucrativos, atraindo a incidência do § 3º do art. 61 da Lei n° 9.430/96 combinado com o parágrafo único do art. 100 do CTN. Sem razão. Vejase que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 dispõe: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Como já se referiu, descabe atrair o art. 100 do CTN ao caso em tela. Ademais, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário pelo recurso em que se discute a validade do auto de infração abarca regras próprias sobre o recolhimento do tributo ou contribuição lançado com redução da multa devida, desde que pago dentro de determinado prazo, a depender da fase processual em que ocorre o recolhimento. Assim, no caso em tela, é devida a incidência de juros de mora sobre o débito questionado, incluindo principal e multa de ofício, a teor do disposto no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, sendo correta, ainda, a adoção da taxa Selic, consoante a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 19 18 DISPOSITIVO Em razão do exposto, rejeitase a decadência e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 565DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 20 19 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues de Lima, Redator designado Trata o presente voto apenas do julgamento de juros sobre a multa de ofício, objeto de impugnação específica. Entendo necessária para o deslinde da controvérsia sobre a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício uma breve abordagem sobre a natureza jurídica destes institutos no direito tributário. Sobre a multa de ofício, valhome da seguinte lição do Professor Luciano Amaro (in Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 19ª ed., p. 458): Aí é que se põe a noção de infração, traduzida numa conduta (omissiva ou comissiva) contrária ao direito. (...) No direito tributário, a infração pode acarretar diferentes conseqüências. Se ela implica falta de pagamento de tributo, o sujeito ativo (credor) geralmente tem, a par do direito de exigir coercitivamente o pagamento do valor devido, o direito de impor uma sanção (que há de ser prevista em lei, por força do princípio da legalidade), geralmente traduzida num valor monetário proporcional ao montante do tributo que deixou de ser recolhido. Se se trata de mero descumprimento de obrigação formal (“obrigação acessória”, na linguagem do CTN), a conseqüência é, em geral, a aplicação de uma sanção ao infrator (também em regra configurada por uma prestação em pecúnia). Tratase das multas ou penalidades pecuniárias, encontradiças não apenas no direito tributário, mas também no direito administrativo em geral, bem como no direito privado. Portanto, a multa de ofício representa a sanção pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo. Por sua vez, os juros moratórios decorrem da demora por parte do devedor em adimplir a obrigação. Sobre o tema, leciona o Dr. Glauber Moreno Talavera (in Aspectos jurídicos controversos dos juros e da comissão de permanência, São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 128): Em síntese apertada, os juros moratórios consistem no montante previamente fixado ou apurado mediante aplicação de um percentual sobre o valor do principal, estipulado contratualmente ou decorrente da lei, devido pelo contraente que não adimpliu as obrigações assumidas no ato da celebração da avença. (...) Fl. 566DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 21 20 Por conseguinte, na hipótese de incidirem juros moratórios sobre a multa de ofício, estes necessitam de expressa previsão legal, uma vez que fazem aumentar o valor da multa e esse aumento há de possuir amparo legal em obediência ao inciso XXXIX, do art. 5°, da Constituição de 1988. O STJ tem o seguinte entendimento sobre esse tema: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR (2012/01537730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010.(g.n.o) 2. Agravo regimental não provido. Na mesma linha de raciocínio, esta Turma já se pronunciou sobre a controvérsia, por meio do Acórdão n° 1202000.972, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SELIC. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.(g.n.o) Pela clareza dos fundamentos deste Acórdão, peço vênia para transcrevêlos: Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator (...) Por fim, acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o Fl. 567DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 22 21 valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 910100.722, data: 08.11.2010)(g.n.o) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011)(g.n.o) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.(1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008)(g.n.o) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011)(g.n.o) Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A discordância do voto do ilustre relator limitase à questão da incidência dos juros de mora sobre a multa do ofício, na qual Fl. 568DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 23 22 restou vencido, em que pese os argumentos expendidos e a clareza do seu raciocínio. Ocorre que a matéria tem sido objeto de julgamento reiterado neste e em outros colegiados, em sentido oposto, podendo ser referidos os acórdãos abaixo: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. (Acórdão 120200.138, de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa. (Acórdão 140100.155, de 28/01/2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). Deste colegiado, pode ser referido o Acórdão nº 120200756, de 12/04/2012, cujo voto vencedor foi prolatado por esta relatora no seguinte sentido: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Igualmente, aqui, cabe utilizar os mesmos fundamentos registrados por esta relatora no voto vencedor do acórdão nº 9101.00539, de 11/03/2010, em que a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve a incidência dos juros de mora, devidos à taxa Selic, sobre a multa de ofício. Os fundamentos podem ser sintetizados assim: (i) uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício; (ii) todavia, uma norma não deve ser interpretada isoladamente dentro do sistema tributário nacional, já que interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, Fl. 569DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 24 23 direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” (Juarez Freitas, 2002, p.70); (iii) interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema; (iv) no sistema tributário nacional, há de ser uniforme a definição de crédito tributário, considerado como “o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional).” (Hugo de Brito Machado, 2009, p.172); (v) o conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária; (vi) a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. (vii) a multa de ofício, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, é exigida “juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago” (§1º). (viii) no momento do lançamento, a multa de ofício agregase ao tributo, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal; (ix) a obrigação principal referente à multa de ofício convertese em crédito tributário a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN; (x) a penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado; (xi) os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União; (xii) o art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o “crédito” não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento; (xiii) o art. 61 da Lei n° 9.430/96, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente, o que contribui para afastar eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos juros e multa; Fl. 570DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 25 24 (xiv) a partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário, que pode ser constituído, como se viu, pelo tributo mais a multa de ofício, passa a ser acrescido dos juros de mora, devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União, consoante a Súmula CARF nº 5: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” (xv) a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065/95, na cobrança do crédito tributário, entendimento esse vinculante desde a edição da Súmula CARF n° 5 (“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”). Adotando a linha de raciocínio acima exposta, do ilustre Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias prolatou o voto vencedor no Acórdão nº 910101.191, da sessão de 17 de outubro de 2011 da mesma 1ª Turma da CSRF. Mais recentemente, a 1ª Turma da CSRF manifestouse no mesmo sentido, como se extrai do Acórdão nº 9101001.474, de 14 de agosto de 2012: Assunto: Juros de mora sobre multa de ofício. A melhor exegese da remissão feita pelo caput do art. 30 aos débitos referidos no art. 29, ambos da Lei n° 10.522/02, leva à conclusão que alcança todos os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, inclusive os relativos à multa de ofício. O redator designado, o ilustre conselheiro Alberto Pinto Júnior, ao elaborar o voto vencedor naquele caso, acrescentou os seguintes argumentos: Assim, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ......................................................................................................." Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador Fl. 571DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 26 25 nos §§ 1° e 3° do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Tal cuidado Por sua vez, não procede a alegação da contribuinte de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Daí porque toda a argumentação do contribuinte está correta, mas apenas no que tange à multa de mora. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora.(...) Destarte, entendem o STJ e o voto vencedor da decisão administrativa que a multa de ofício faz parte do termo “crédito” constante do art. 161, caput, do CTN, e do termo “débito” no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, e que, por isso, sofre incidência dos juros moratórios. Em que pesem os fundamentos dessa interpretação, ouso destes discordar. Nesse ponto, cabe, mais uma vez, transcrever os artigos naquilo que interessa à incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício: CTN TÍTULO III Crédito Tributário CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO II Pagamento Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(g.n.o) (...) § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 27 26 Capítulo IV PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Capítulo V DISPOSIÇÕES GERAIS Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Observase, da leitura do art. 161, caput, do CTN, que, ao termo “crédito” deve ser qualificado o adjetivo “tributário”, uma vez que este artigo encontrase inserto no Título III do CTN CRÉDITO TRIBUTÁRIO, vedandose, por conseguinte, a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, a qual não faz parte do crédito tributário antes do Fl. 573DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 19740.000074/200876 Acórdão n.º 1202001.017 S1C2T2 Fl. 28 27 vencimento. Este pensamento consta das lições do Professor Luciano Amaro, transcritas a seguir: (...) sem prejuízo da imposição de penalidades e da aplicação de medidas de garantia. Embora o dispositivo se reporte a “crédito tributário”, ele é aplicável também às situações em que não tenha havido lançamento (...) (op. cit p.418) O Código Tributário Nacional dedicou três artigos à responsabilidade por infrações tributárias (...), reportandose, ainda, à matéria, de modo fragmentário, noutras disposições: (...)m) art. 161 (cabimento de penalidades pelo inadimplemento do dever de recolher tributo)(g.n.o)(op. cit. p. 467). A partir desta determinação da Lei de Normas Gerais Tributárias, Lei Complementar, a expressão Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal no art. 61, caput e §3º, da Lei n° 9.430, de 1996, Lei de rito ordinário, não inclui a multa de ofício para fins de incidência dos juros moratórios,o que guarda coerência com a hierarquia das Leis e com a interpretação dos referidos artigos à Luz dos Direitos e Garantias Fundamentais e do Sistema Tributário Nacional referidos na Constituição de 1988. Por fim, esclarecenos o Professor Mauro Luis Rocha Lopes (in Direito Tributário, 4. ed. Rio de Janeiro: Impetus, p. 266): O cálculo dos juros em cima da multa, à evidência, agrava indevidamente a penalidade no tempo e a descaracteriza, transformandoa em instrumento de arrecadação estatal. Mutatis mutandis, é como se o condenado em processo criminal tivesse de se sujeitar ao agravamento de sua pena apenas em função da demora em se recolher ao cárcere, o que não faz o menor sentido. Estabelece a norma geral tributária do art. 161, caput, do CTN que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, como a evidenciar que o crédito original, representado exclusivamente pelo montante do tributo não pago, figura, isoladamente, tanto como base para a contagem dos juros como para o cálculo da multa (...) Por conseguinte, pelas razões expostas, DOU provimento parcial ao presente recurso para excluir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 04/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER
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Numero do processo: 10166.002047/2002-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 02 04 7/ 20 02 -4 9 Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.002047/200249 Resolução nº 1102000.237 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório De início, esclareçase que todas as indicações de folhas a seguir dizem respeito à numeração digital do eprocesso. Tratase de recurso voluntário interposto por BRASFORT EMPRESA DE SEGURANÇA LTDA, contra acórdão proferido pela 4ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília DF, que possui a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 IRRetido por Órgão Público Compensação O Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público, por ser considerado antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. Em 19/02/2002 o contribuinte protocolou o Pedido de Compensação de débitos de PIS e de COFINS (janeiro/2002), com créditos de IR Fonte referentes a 2001. No despacho decisório da Delegacia da Receita Federal de Brasília (fls. 2730), que converteu o pedido feito em Declaração de Compensação com o mesmo fim, e considerou não homologada a compensação, consignou a autoridade fiscal que, apesar de não constar no referido pedido, pela cópia do Razão Analítico anexado ao pedido, e pelas informações da DCTF, seria evidente que o crédito alegado na verdade se referiria ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. Contudo, a DIPJ do contribuinte não apresentava nenhum valor de IRRF, tampouco qualquer saldo negativo decorrente daquela retenção. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que a autoridade fiscal equivocouse ao analisar o pedido como se se tratasse de compensação de imposto de renda retido na fonte, quando na verdade se trata de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica, e que o saldo negativo utilizado para efetuar a compensação está informado “na página 20 item 12 linha 18 da DIPJ, constando o saldo total de impostos e contribuições a recuperar na página 38 linha 10, no qual consta as contribuições retidas por órgãos públicos, que compõe o saldo negativo.” Reconhece que houve falha no preenchimento da DIPJ/2002, mas informa que tais equívocos já foram devidamente corrigidos, anexando cópia da DIPJ retificada, bem como do Balanço de 2001, para comprovar o saldo na conta do ativo “Impostos e Contribuições a Recuperar”, no valor de R$ 84.506,26. Aduz ainda que, por prestar serviços, quase na sua totalidade, para órgãos públicos, e apresentar pequeno lucro, os valores retidos têm sido superiores aos devidos, tramitando neste órgão pedido de restituição de valores retidos a maior, no processo n°. 10166.012581/200514, onde se apura devolução de valor superior a R$ 1.000.000,00, não fazendo sentido uma empresa que pleiteia devolução de valores retidos a maior de tal montante, não ter saldo suficiente para uma compensação de pouco mais que R$ 3.000,00. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.002047/200249 Resolução nº 1102000.237 S1C1T2 Fl. 4 3 A DRJ, ao proferir sua decisão, registrou que os documentos trazidos aos autos não comprovam a existência do saldo negativo de imposto reclamado, seja porque a declaração retificadora só foi apresentada após a ciência do despacho decisório, seja porque os demonstrativos e balanço patrimonial apresentados dão conta apenas da existência de suposto crédito a recuperar, mas não fazem qualquer referência a saldo negativo de imposto. Consignou que o que a empresa manifestante pretendia, em realidade, era retificar o valor do pretenso crédito compensado, contudo, a retificação da DCOMP teria de ser requerida mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido programa, e só seria admitida antes da decisão administrativa. Em sede de recurso, o contribuinte, a par de reiterar seus argumentos de defesa, traz aos autos cópias das notas fiscais emitidas, para comprovar as retenções efetuadas pelos órgãos públicos que demonstram a composição do saldo negativo, bem como de nova retificação da sua DIPJ/2002, e requer que tais documentos sejam apreciados em homenagem ao principio da verdade material. Entendendo ter comprovado definitivamente a existência de saldo negativo de IRPJ, finaliza requerendo o provimento do seu recurso, com a consequente homologação da compensação em litígio. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tanto a ementa do Despacho Decisório da DRF/Brasília, quanto a da decisão recorrida, fazem alusão expressa ao fato de o IRRF ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração e de não poder ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições, dando a falsa impressão de que seria este o cerne da discussão. Na verdade, colhese do despacho, conforme ao norte relatado, que a própria autoridade fiscal já reconhecera que o crédito em discussão seria de fato de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001. Contudo, aquela autoridade não reconheceu o crédito alegado porque, na DIPJ do contribuinte, não constava nenhum valor de IRRF, e nem tampouco de saldo negativo decorrente daquela retenção. O contribuinte retificou a DIPJ, imaginando ter resolvido o problema, e trouxe alguns documentos para comprovar o seu direito. Contudo, a DRJ considerou esta uma tentativa de retificar o valor do crédito alegado, incabível naquele momento e por aquela forma, e, com relação aos documentos trazidos, registrou que os mesmos não faziam prova do alegado saldo negativo de imposto. Não se há de discordar da DRJ quanto ao segundo aspecto, pois o balanço patrimonial trazido não permite tirar qualquer conclusão quanto à existência ou não de saldo Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10166.002047/200249 Resolução nº 1102000.237 S1C1T2 Fl. 5 4 negativo do imposto em 2001, e a DIPJ retificadora apresentada naquela oportunidade continuava a apresentar inconsistências, tanto que nova retificadora foi apresentada no recurso. Contudo, não se pode concordar com a idéia de que o contribuinte estaria tentando retificar o valor do crédito alegado, quando, na verdade, o contribuinte estava tentando comprovar a existência de crédito suficiente, no ano calendário de 2001, para respaldar a compensação aqui em litígio. Neste sentido, não está correta a DRJ, ao simplesmente desconsiderar a DIPJ retificadora (a qual já informava a existência de saldo negativo) e calcar a sua análise apenas com base na DIPJ original, que não apresentava saldo negativo. Uma vez que inexistente pedido de restituição anterior à compensação pleiteada (o campo para indicação de processo antecedente está vazio), há que se observar que a DCOMP consubstancia também, de certa forma, um pedido de repetição, embora indireto, mas apenas no que diz respeito ao valor do débito fiscal indicado no encontro de contas. Ou seja, o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 a ser considerado, crédito que alega a recorrente possuir, e ora em litígio, conforme a DCOMP, é de R$ 3.632,65. O fato de o contribuinte tentar demonstrar que seu saldo negativo seria até mesmo superior (R$ 74.103,00 na primeira retificadora, ou R$ 84.028,49, na segunda retificadora) não caracteriza retificação do crédito alegado, que sempre foi, desde o início, reconhecidamente, o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001. Assim, em que pesem as deficiências apresentadas na plena demonstração do seu direito creditório, tendo em vista o teor da defesa e os elementos trazidos aos autos, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal na Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: Intime o contribuinte a apresentar os elementos de sua escrituração que comprovem a efetiva apuração de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 2001, em montante igual ou superior ao valor de R$ 3.632,65. Confirme, se necessário, mediante pesquisas aos sistemas internos da RFB, ou por outros meios, as efetivas retenções dos valores do imposto de renda alegadamente sofridas pelo contribuinte e que compuseram o saldo negativo apurado; 1. Confirme se o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 porventura apurado já não foi consumido em face de outras compensações ou de pedido de restituição; Com base nestes elementos, e em outros que entenda necessário coletar, elabore relatório conclusivo acerca da existência ou não de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 em montante suficiente para respaldar as compensações aqui em litígio. Do relatório lavrado, dê ciência à recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias. Com isso, retornem os autos para o competente julgamento. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10480.007534/2002-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. PROVA DE SUA INOCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
Mostra-se improcedente o lançamento que aponta infração inocorrente, conforme prova válida carreada aos autos durante o procedimento contencioso administrativo, não se mostrando adequada a discussão acerca de outros motivos que não aqueles textualmente elencados no instrumento de constituição do crédito tributário.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3401-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Robson Bayerl , Eloy Eros, Adriana Ribeiro, Fernando Cleto e Julio Ramos votaram pelas conclusões. Robson Bayerl redigirá o acórdão.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Adriana Ribeiro (substituta) e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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MOTIVAÇÃO. PROVA DE SUA INOCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Mostrase improcedente o lançamento que aponta infração inocorrente, conforme prova válida carreada aos autos durante o procedimento contencioso administrativo, não se mostrando adequada a discussão acerca de outros motivos que não aqueles textualmente elencados no instrumento de constituição do crédito tributário. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Robson Bayerl , Eloy Eros, Adriana Ribeiro, Fernando Cleto e Julio Ramos votaram pelas conclusões. Robson Bayerl redigirá o acórdão. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Adriana Ribeiro (substituta) e Eloy Eros da Silva Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 75 34 /2 00 2- 35 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10480.007534/200235 Acórdão n.º 3401002.573 S3C4T1 Fl. 6 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de COFINS, referente ao primeiro e terceiro trimestre de 1998, lavrado no importe de R$ 83.957,79 (oitenta e três mil novecentos e cinquenta e sete reais e setenta e nove centavos), oriundo da fiscalização em razão da falta de confirmação da vinculação do crédito tributário com o processo judicial nº 97.00002527. Apresentado Impugnação pelo contribuinte, foi proferido despacho pela DRF, fl. 50, na qual constou que após a análise do trâmite do processo judicial, verificouse que tanto a sentença quanto a apelação foram favoráveis ao contribuinte, ocorrendo seu trânsito em julgado, conforme extrato processual de fl. 41. Após as considerações feitas pela DRF, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, DRJ/REC, proferiu o Acórdão nº 1127.948, fls. 58/62, na qual consignou a procedência em parte da peça impugnatória, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998, 01/09/1998 a 30/11/1998 DIREITO À COMPENSAÇÃO. A compensação é opção do contribuinte. O fato de ser detentos de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercido a compensação antes do início do procedimento de ofício. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. O pagamento de imposto ou contribuição no prazo legal de vencimento é modalidade de extinção do crédito tributário, devendo ser excluído do lançamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O provimento parcial se deu por unanimidade nos termos do voto do Relator, o qual consignou: Determinar a correção do código de receita do recolhimento da Cofins constante do SINAL 04 (Consulta de Pagamento) de 6138 (multa cofins) para 2172 (cofins), conforme consta do DARF, fl. 14; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Acatar o recolhimento da importância de R$ 4.079,93 (quatro mil, setenta e nove reais e noventa e três centavos) como recolhimento da Cofins no período de apuração de outubro de 1998, excluindo o mesmo valor do lançamento; Excluir, também, do lançamento a importância de R$ 5.755,55 (cinco mil setecentos e cinquenta e cinco reais e cinquenta e cinco centavos), por ter ficado comprovado o seu recolhimento, conforme quadro I, do item 15, deste voto; Manter o lançamento parcial da importância de R$ 23.873,71 (vinte e três mil oitocentos e setenta e três reais e setenta e um centavos); Manter a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) sobre os valores a que se refere o item anterior; Determinar a cobrança de juros de mora sobre os valores que foram mantidos, consoante legislação que rege a matéria. Irresignada, a empresa interpos Recurso Voluntário, fls. 71/74, alegando, em síntese: O reconhecimento do crédito tributário por parte da DRJ, entretanto considera que foi exercido após o início de procedimento de ofício. As DCTF’s foram entregues em época própria, nas quais constam a compensação da COFINS decorrentes dos pagamentos a maior autorizados pelo Mandado de Segurança anteriormente concedido, não havendo que se falar o exercício do direito à compensação após o início do procedimento de ofício. É o breve relato do necessário. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10480.007534/200235 Acórdão n.º 3401002.573 S3C4T1 Fl. 7 5 Voto Vencido Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. COMPENSAÇÃO Após a parcial exoneração dos créditos tributários que integram a presente autuação em sede de decisão de primeira instância, vêse que ainda restou como matéria controvertida tão somente os valores compensados pelo Recorrente amparado pela decisão judicial alcançada no Mandado de Segurança nº 97.00002527. Atualmente existe expressa vedação quanto à possibilidade de compensação de créditos tributários com pendência de trânsito em julgado, conforme art. 170A do CTN, in verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Conforme pode ser observado, o art. 170A do CTN foi incluído apenas em 2001 mediante a Lei Complementar nº 104, cuja vedação disposta não se aplica ao caso em tela, conforme dispôs equivocadamente a DRJ, por ser posterior a ocorrência dos fatos geradores em epígrafe. Este é o entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo a matéria sido submetida à sistemática de Recursos Repetitivos, prevista no art. 543C, do CPC, através do Acórdão paradigma prolatado nos autos do REsp 1164452/MG, cuja ementa a seguir é transcrita: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (STJ. 1ª Seção. REsp 1164452/MG, Min. Teori Albino Zavascki, ago/2010). Em razão do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, o entendimento acima esposado tem aplicação obrigatória pelos Conselheiros que a integram, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, deve ser reconhecida a compensação efetuada pelo Recorrente ainda que estivesse pendente de julgamento, posto inexistir vedação à época dos fatos geradores. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário. Ângela Sartori Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado, Nada obstante concordar com a conclusão deduzida pela nobre relatora, a ilustrada maioria entendeu que o deslinde da questão perpassaria caminho distinto daquele adotado pelo voto proposto, cabendo a mim redigir as razões discrepantes. Antes, porém, conveniente ressaltar que se cuida de auto de infração eletrônico cuja motivação arrolada é que a ação judicial informada na DCTF, como origem da compensação, pertenceria a outro CNPJ (“Processo judicial de outro CNPJ”). Esta seria, então, a motivação do lançamento. Para rebater a razão de autuação, tanto em impugnação quanto em recurso voluntário, o contribuinte sustentou e provou que aludido motivo era improcedente, eis que o estabelecimento filial autuado compunha, também, o pólo ativo da ação judicial (MS 97.00002527. A decisão recorrida, ao debater a ausência de comprovação da compensação, enveredou por trilha distinta daquela seguida pelo auto de infração, aparentemente inovandoo com a colação de fundamentos não trazidos originariamente naquele instrumento, o que só poderia ocorrer com a lavratura de lançamento complementar. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10480.007534/200235 Acórdão n.º 3401002.573 S3C4T1 Fl. 8 7 Demais disso, equivocouse o ato decisório reclamado ao aduzir que a compensação pretendida somente poderia se concretizar após o trânsito em julgado, o que ofenderia o art. 170A do Código Tributário Nacional, porquanto os elementos do processo indicam que o trânsito em julgado do provimento judicial que garantiu o direito ao indébito e à compensação ocorreu em 15/12/1997 (fl. 39), enquanto que a compensação em si teria se dado a partir de 1998, de modo que a providência adotada pelo contribuinte, ora recorrente, em nada vilipendiou o requisito legal. Demais disso, a vedação apontada em nada influenciaria o procedimento compensatório, tendo em conta que aludido dispositivo foi introduzido no ordenamento jurídico por intermédio da publicação da Lei Complementar nº 104/2001, logo, posteriormente aos fatos jurídicos em julgamento. Outrossim, diversamente do que afirma o julgado a quo, o auto de infração, bem assim, a própria compensação, envolve o FINSOCIAL, como direito creditório, e a COFINS, como débito extinto, e não FINSOCIAL e PIS, como registrado. Enfim, como acentuado pelo recorrente em suas oportunidades recursais, a alegação constante do auto de infração eletrônico, processo judicial pertencente a CNPJ diverso, mostrouse completamente descabido, pois comprovado que tanto o estabelecimento matriz quanto o filial autuado figuravam na ação judicial, sendo este o fato a ser provado, examinado e julgado, porque essa foi a motivação do lançamento. Assim, revelandose infundado o argumento do lançamento, outro saída não há que decretar sua insubsistência. Com estas considerações, voto por dar provimento ao recurso interposto. Robson José Bayerl Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalment e em 02/05/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 11634.001689/2010-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004, 2005, 2006
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO.
Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre.
ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal.
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Na circunstância em que os fatos que deram causa à imputação da irregularidade encontram-se devidamente descritos em peça que integra os autos de infração lavrados, descabe falar em nulidade por falta de JUSTA CAUSA.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A utilização de contas bancárias de terceiros para abrigar movimentação de recursos provenientes da exploração do objeto social da empresa, por si só, não autoriza a exasperação da penalidade. No caso vertente, em que os elementos carreados ao processo indicam que a maior parte dos ingressos registrados nas contas bancárias de terceiros foi contabilizada e devidamente declarada ao Fisco, desaparece a convicção de que a prática visou evitar a incidência tributária sobre as receitas auferidas, contaminando de dúvida os fundamentos esposados nas peças acusatórias para fins de qualificação da multa de ofício aplicada, situação que autoriza a aplicação das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPROCEDÊNCIA.
Se os elementos reunidos ao processo não autorizam concluir pela intenção deliberada dos sócios ou representantes legais do contribuinte fiscalizado em subtrair receitas à tributação, descabe incluí-los no pólo passivo das obrigações formalizadas.
Numero da decisão: 1301-001.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733-SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Na circunstância em que os fatos que deram causa à imputação da irregularidade encontram-se devidamente descritos em peça que integra os autos de infração lavrados, descabe falar em nulidade por falta de JUSTA CAUSA. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A utilização de contas bancárias de terceiros para abrigar movimentação de recursos provenientes da exploração do objeto social da empresa, por si só, não autoriza a exasperação da penalidade. No caso vertente, em que os elementos carreados ao processo indicam que a maior parte dos ingressos registrados nas contas bancárias de terceiros foi contabilizada e devidamente declarada ao Fisco, desaparece a convicção de que a prática visou evitar a incidência tributária sobre as receitas auferidas, contaminando de dúvida os fundamentos esposados nas peças acusatórias para fins de qualificação da multa de ofício aplicada, situação que autoriza a aplicação das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPROCEDÊNCIA. Se os elementos reunidos ao processo não autorizam concluir pela intenção deliberada dos sócios ou representantes legais do contribuinte fiscalizado em subtrair receitas à tributação, descabe incluí-los no pólo passivo das obrigações formalizadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. documento assinado digitalmente Valmar Fonseca de Menezes Presidente documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. Nos termos do entendimento esposado no REsp 973.733SC, de observância obrigatória por força do art. 62 A do Regimento Interno, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. ARROLAMENTO DE BENS. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da delimitação imposta pelo Decreto nº 70.235, de 1972, escapa à competência dos órgãos administrativos de julgamento a apreciação acerca da procedência de arrolamento de bens e direitos formalizado pela autoridade fiscal. NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Na circunstância em que os fatos que deram causa à imputação da irregularidade encontramse devidamente descritos em peça que integra os autos de infração lavrados, descabe falar em nulidade por falta de JUSTA CAUSA. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A utilização de contas bancárias de terceiros para abrigar movimentação de recursos provenientes da exploração do objeto social da empresa, por si só, não autoriza a exasperação da penalidade. No caso vertente, em que os elementos carreados ao processo indicam que a maior parte dos ingressos registrados nas contas bancárias de terceiros foi contabilizada e devidamente declarada ao Fisco, desaparece a convicção de que a prática visou evitar a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 16 89 /2 01 0- 30 Fl. 2412DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.413 2 incidência tributária sobre as receitas auferidas, contaminando de dúvida os fundamentos esposados nas peças acusatórias para fins de qualificação da multa de ofício aplicada, situação que autoriza a aplicação das disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPROCEDÊNCIA. Se os elementos reunidos ao processo não autorizam concluir pela intenção deliberada dos sócios ou representantes legais do contribuinte fiscalizado em subtrair receitas à tributação, descabe incluílos no pólo passivo das obrigações formalizadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2413DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.414 3 Relatório FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, Paraná, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006, formalizada em razão da imputação de omissão de receitas. Reproduzo a seguir relato feito em primeira instância acerca dos fundamentos da autuação e dos argumentos de defesa trazidos pela contribuinte em sede de impugnação. 3. A interposição fraudulenta de pessoas ... 3.1. Foram agregadas informações relacionadas às contas em nome de Maurício Moura da Silva (Banco Itaú, ag. 3734, conta 10.7513; Banco HSBC, ag. 0363, conta 0773704; Sicredi, ag. 58/999, conta 14.7133), Janaína Rocha Gongora (BB, ag. 21105, conta 14.5319; Sicredi, ag. 58/999, conta 13.9980) e Rúbia Angélica Lombardi (BB, ag. 21105, conta 9.330). Embora a titularidade formal das contas seja atribuída às pessoas físicas, a análise das origens dos respectivos lançamentos bancários, à luz dos dados obtidos, indica que são resultantes de operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda. 3.2. A caracterização das transações como pertencentes à pessoa jurídica é decorrente, entre outras, de informações prestadas por clientes, fornecedores, prestadores de serviço, etc., que, intimados a informar a natureza jurídica das operações em que foram partes, desconstituíram qualquer ligação comercial com os titulares de direito das contas bancárias. Confirmaram, contudo, que essas transações foram frutos do relacionamento mercantil com o Frigorífico Morro Santo Ltda. Foram apresentadas notas fiscais, recibos, contratos, declarações, escrituração contábil, etc., em que são sustentadas essas afirmações. Alguns dos créditos em conta foram precedidos, inclusive, por autorizações, por escrito, dos administradores do Frigorífico Morro Santo Ltda, para os depósitos especificados nas fls. a que se refere a fl. 1.963. O próprio escritório contábil responsável pela escrita do contribuinte confirmou o recebimento de um cheque de terceiros para o pagamento dos seus honorários. O resumo das operações consta da planilha de fls. 1.963/1.966. A conduta era habitual e envolve grande parte das receitas. 3.3. A movimentação da conta própria da empresa, no Banco Santander, foi de apenas R$ 13.910,33, em 2004, e R$ 14.715,55, em 2005, valores ínfimos, quando comparados à receita bruta registrada na contabilidade e nas DIPJs; pela Fl. 2414DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.415 4 dinâmica empresarial, é imprescindível que tais valores transitem pelo sistema bancário. 3.4. Alguns depósitos em contas de terceiros foram lançados nos livros contábeis do contribuinte. Planilha “Relação de operações comerciais escrituradas do Frigorífico Morro Santo Ltda., com pagamentos em contas de terceiros”, item 3 do Termo de Verificação. 3.5. O perfil financeiro das três pessoas físicas, com base nas DIRPFs e, no caso de Maurício Moura, também na Carteira de Trabalho, não se coaduna com os vultosos recursos encontrados. 3.6. Há, ainda, declarações peremptórias dos procuradores do contribuinte, Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto, e das três pessoas físicas, sobre a forma da cessão e uso das contas bancárias pela empresa. 3.7. Devese considerar, portanto, na base de cálculo do IRPJ, CSLL. COFINS e PIS, os créditos agregados às contas desses terceiros 4. Omissão de receitas 4.1. Por intermédio de intensa pesquisa, constatouse que a movimentação de recursos do contribuinte, nos anos de 2004 e 2005, foi realizada em contas bancárias de terceiros, o que estabelece a responsabilidade da empresa e de seus procuradores, no tocante às eventuais conseqüências tributárias oriundas desse patrimônio. 4.2. Joaquim Gongora Filho, Joaquim Gongora Neto e Paulo Henrique de Oliveira foram intimados a comprovar a origem dos créditos bancários das contas, e as provas por eles fornecidas não atendem às condições de validade estabelecidas no art. 42 da Lei n° 9.430/96, não são "documentação hábil e idônea"'. Não foi possível encontrar uma correlação entre os dados constantes dos livros contábeis e das notas fiscais com os elementos contidos na resposta do contribuinte. 4.3. Não serão considerados receita omitida os depósitos cuja origem foi identificada pela Fiscalização, em contas de terceiros, por intermédio das respostas a intimações feitas aos clientes da empresa, em que o número da nota fiscal permitiu a sua localização nos livros contábeis da fiscalizada. 4.4. A base de cálculo é apresentada nas tabelas de fls. 1.972/1.976. 5. Compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa: foi aplicada a compensação, conforme resumo de fls. 1.788/1.809. 6. Responsabilidade solidária: 6.1. Parte das receitas da empresa transitou por contas de terceiros, caminho indevido, com o nítido objetivo de esconder do Fisco essa realidade e promover uma vantagem indevida; não foram registradas na contabilidade essas operações. Essas irregularidades são decorrentes de atos praticados por seu sócioadministrador Paulo Henrique de Oliveira e pelos mandatários Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto. 6.2. O administrador permitiu que contas de terceiros fossem usadas indevidamente pela empresa, em clara oposição às leis vigentes. Questionado sobre a origem desses créditos, reconheceu a vinculação desses com as operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda. (fls. 1.784/1.787). Fl. 2415DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.416 5 6.3. Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto, munidos de procuração com amplos poderes, inclusive responsável (sic) pela locação de instalações físicas, estabeleceram um regime de administração que sistematicamente prejudicava o interesse público. O uso de contas de terceiros implicou vantagens tributárias, ingerência provada documentalmente e reconhecida pelos próprios mandatários e terceiros envolvidos. 6.4. Por tudo isso, são os três responsáveis tributários solidariamente com o contribuinte. Sob a égide do art. 135, I e II, do Código Tributário Nacional (CTN Lei n° 5.172/66). 7. Qualificação da multa de ofício: 7.1. A omissão de receita foi fruto da conduta dolosa dos envolvidos, pois os resultados alcançados foram desejados pelos agentes. Houve sonegação e fraude, conforme arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64. O uso de contas bancárias de terceiros para encobertar os resultados da atividade comercial, combinado com a falta da escrituração dessas operações nos livros contábeis apontam, de forma absoluta, para as condutas mencionadas na norma. Houve também conluio, conforme o art. 73 do mesmo diploma. Tudo isso implica a qualificação da multa de ofício, nos níveis do art. 44, §1°, da Lei n° 9.430/96. 8. O contribuinte e o responsável solidário Joaquim Gongora Filho foram cientificados pessoalmente, dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, em 17/12/10. Os responsáveis solidários Joaquim Gongora Neto e Paulo Henrique de Oliveira foram cientificados dos autos de infração e do termo em 18/12/2010, via postal. Em 17/01/2011, foram apresentadas três impugnações, cada uma pelo contribuinte em conjunto com um dos responsáveis solidários, em que se insurge contra o decidido, expendendo os seguintes argumentos, em síntese. 9. Preliminarmente: 10. Prescrição parcial: o fato gerador ocorreu dia 31.01.2004, logo, competia à Fazenda Pública formalizar o seu crédito até 01.01.2009, conforme o art. 173 do CTN, que concede o prazo de cinco anos. Do mesmo modo, ocorreu a extinção da obrigação em relação a 2005, pois o fato gerador ocorreu em 31.01.2006, devendo ser lançado até 02.01.2010; e 2006, fato gerador em 31.01.2006, lançamento até 02.01.2011. 11. Mérito: 12. Inexistência de solidariedade passiva: Conforme o instrumento público de procuração, somente a partir de 05.10.2007 foi que Joaquim Gongora Filho assumiu a condição de procurador da sociedade, conforme instrumento de substabelecimento lavrado por Joaquim Gongora Neto. Se o fato gerador se deu em período anterior, não há como lhe atribuir a solidariedade passiva. Joaquim Gongora Neto defendese dizendo que não possui vínculo formal com a sociedade, apenas "sempre" foi seu procurador. Paulo Henrique de Oliveira apenas diz que '"Conforme se vislumbra do cópia do instrumento contrato social de constituição da alteração social da empresa, o sócio cotistas somente responderá até o limite do seu capital social na Impugnante" (sic). 13. Arrolamento de bens: é inconcebível arrolamento de bens como condição de procedibilidade da impugnação, pois estabelece desigualdade entre os contribuintes e infringe a capacidade contributiva e, por via oblíqua, a ampla defesa e o contraditório. Fl. 2416DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.417 6 14. Preliminar: 15. Nulidade do auto de infração: o auto de infração é nulo, especialmente por inexistência de justa causa para a sua lavratura, não podendo agora, fora do prazo, levantar inocorrência de ilicitude na forma pretendida pela autoridade fiscal {sic). A impugnante de fato incorreu em erro formal, mas possível de oportuna retificação, pois inadvertidamente efetuou depósitos bancários de valores em nome de terceiros, mas se fez foi por absoluta impossibilidade efetuálos em suas contas própria (sic).Tal ato, embora irregular, é passível de ser sanado, não violou direitos tributários, não caracteriza sonegação, vez que foram oriundos de vendas devidamente declaradas mediante emissão de notas fiscais. As planilhas juntadas demonstram o montante efetivamente de depósitos levados às contas de terceiros,... (sic). 16. Depósitos em contas de terceiros: O contribuinte não possuía à época conta corrente para a realização de seus depósitos, o que aconteceu por absoluta impossibilidade de obtenção de crédito junto ao sistema bancário. 17. Da solidariedade passiva: a alegada omissão de receita operacional deveria ser procedida de uma análise nos atos constitutivos dos balanços dos exercícios pretéritos, períodos fiscalizado e descrito {sic) no auto de infração ora impugnado da fiscalização, eis que não foi procedido o levantamento dos exercícios nos livros competentes da autuada, para dar sustentação de validade (prova material) aos demonstrativos que acompanham a ação fiscal. 18. Ao final, tece considerações e pede a exclusão de Joaquim Gongora Filho do pólo passivo, o reconhecimento da prescrição parcial e a ilegitimidade da autuação. 19. Idênticas impugnações foram apresentadas (ressalvandose a questão sobre a solidariedade passiva, em que diferem, conforme item 12), mas assinadas também por Joaquim Gongora Neto e Paulo Henrique de Oliveira, cada um requerendo a sua exclusão do pólo passivo. 20. Não consta dos autos a planilha que o contribuinte afirma ter juntado anexa às impugnações. A já citada 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, analisando trabalho fiscal e as peças de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 06 30.684, de 11 de março de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos. O referido julgado restou assim ementado: PIS E COFINS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. No que se refere à COFINS e ao PIS, nos meses de janeiro a novembro de 2004, o lançamento já poderia ser feito em 2004, razão pela qual o prazo decadencial se iniciou em 1º de janeiro de 2005, vindo a expirar em 31 de dezembro de 2009, antes, portanto, do lançamento, que está fulminado pela decadência, em relação aos períodos focalizados. IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS DURANTE O ANOCALENDÁRIO. INÍCIO DO PRAZO. Quando o contribuinte não efetua qualquer pagamento a título de IRPJ e/ou de CSLL durante o anocalendário, o Fisco só pode efetuar o lançamento a partir do Fl. 2417DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.418 7 anocalendário seguinte, em razão de não ter sido fixada, durante o ano, a opção pelo regime de tributação desses tributos (p.ex., poderia o contribuinte ter optado pelo lucro real anual com suspensão do pagamento mensal por estimativa em razão da confecção de balanços de suspensão), de maneira que o prazo decadencial, tal qual previsto no art. 173, I, do CTN, somente se inicia no 1º dia do exercício seguinte ao exercício em que o lançamento poderia ser efetuado. SOLIDARIEDADE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS E OMISSÃO DE RECEITAS. Há responsabilidade solidária do sócioadministrador e dos mandatários que, com suas condutas, ensejam a ocorrência de interposição fraudulenta de pessoas com omissão de receitas. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 2.265/2.273, do qual transcrevo os seguintes excertos: ... A Recorrente vem alegar em suas razões recursais que, embora efetuasse alguns depósitos nas contas correntes de terceiras pessoas conforme constatados pelo V. Acórdão ora questionado, mas na verdade tais fatos não passaram de meras irregularidades, as quais não causaram ao fisco qualquer prejuízo de ordem econômica, que pudesse vir a ser considerada por sonegação, porque se tratam de valores oriundos de operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda., cujos valores por serem controlados através da emissão de notas fiscais eletrônicas, não permitem que os valores não sejam tributados na forma preconizada pela legislação tributária vigente. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: ... No entendimento do Auditor Fiscal, o agente passivo ora impugnante cometeu condutas contrárias ao ordenamento jurídico e aos poderes concedidos em contrato social, ficando assim caracterizada a situação prevista no artigo 135, inciso II, do Código Tributário Nacional (CNT) cuja infração que teria cometido à autuada estaria apoiada nos artigos 121, 124 e 135inciso II, e Portaria RFB n°. 2.284/20010. Suposta omissão de receita Operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários, artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º , 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/2002, seria a causa justificadora da autuação, contudo, é oportuno ressaltar que a Impugnante emitiu as notas fiscais regulares, registrouas todas no seu sistema contábil, permitindose a incidência dos tributos pertinentes no caso em apreciação o COFINS. Não como admitir pacificamente que esteja sujeita ao apenamento tributário exigido pelo Auditor Fiscal representante legal da Impugnada. Não consta dos autos haver a Impugnada examinada balanços financeiros dos exercícios pertinentes necessários à caracterização da omissão da receita que deu à incidência dos tributos reclamado. Ora de forma inexplicável obteve informações bancárias das contas de terceiros onde encontrou depósitos bancários que entendeu serem pertinentes ao movimento financeiro da Impugnante. Fl. 2418DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.419 8 O artigo 173 do CTN estabelece que a Fazenda Pública tem o prazo de 5(cinco) anos para constituir o crédito tributário. O fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 31/01/2004, conforme bem ilustra o questionado Auto de Infração ora impugnado, logo, competia à Fazenda Pública ora Impugnada haver formalizado o levantamento do seu crédito até o dia 02012009, isto com relação ao exercício de 2004. Do mesmo modo ocorreu a extinção da obrigação com relação ao exercício de 2005, pois, o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 3101/2006, conforme bem ilustra o questionado Auto de Infração ora recorrido, logo, competia à Fazenda Pública ora Recorrida haver formalizado o levantamento do seu crédito até o dia 02 012010 isto com relação ao exercício de 2005. Melhor sorte não contempla a Recorrida com relação ao exercido de 2006, posto que ocorreu a extinção da obrigação de constituição do crédito com relação ao exercido de 2006, porquanto o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 31 01/2006, conforme bem ilustra o questionado Auto de Infração ora impugnado, logo, competia à Fazenda Pública ora Impugnada haver formalizado o levantamento do seu crédito até o dia 02012011, isto com relação ao exercício de 2006. ... Consoante se verifica dos autos, pretende a Recorrida à caracterização do enquadramento do representante legal da Impugnante, como se fosse responsável solidário da obrigação tributária. Tal enquadramento não pode prosperar pela seguinte razão fática: Conforme se vislumbra da cópia do instrumento contrato social de constituição da alteração social da empresa, o sócio cotista somente responderá até o limite do seu capital social na Recorrente. Quanto ao Arrolamento de Bens No presente feito é inconcebível o arrolamento de bens ou direitos como condição de procedibilidade da Impugnação, contudo, o suposto devedor solidário, recebeu expediente formalizado pela Impugnada, dandolhe conta da formalização de medida preparatória de Arrolamento de Bens e certamente que isso infringe o Princípio da Capacidade Contributiva, porque estabelece verdadeira desigualdade entre contribuintes. O contribuinte que possui situação financeira boa poderá recorrer e defender seu direito, enquanto aquele que não possui bens suficientes não poderá recorrer, ou seja, em virtude de sua má condição econômica terá seu direito à ampla defesa cerceado. Diante do exposto, constitui a regra do arrolamento de bens a maneira infralegal de obstar o direito à ampla defesa à contribuinte que não tenham bens ou disponibilidades financeiras infringindo, portanto, os Princípios da Igualdade e da Capacidade Contributiva e por via oblíqua o Princípio da Ampla defesa e do contraditório. Da Nulidade do Auto de Infração: Portanto, é nulo o auto de infração que ora se impugna, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a sua Fl. 2419DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.420 9 lavratura contra a empresa impugnante, por não observar requisito básico do direito tributário que seria a constituição regular e válida do crédito tributário, não podendo agora fora de o prazo legal levantar inocorrência de ilicitude na forma pretendida pela autoridade Fiscal. Na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos à investidas ilegais. Vejamos a determinação constitucional: ... Inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta à medida proposta de lançamento de arrolamento de bens que ora se hostiliza, cuja pretensão está viciada pela nulidade absoluta, imprestabilizando por completo a exação fiscal. A Impugnante de fato incorreu erro formal, mas possível de oportuna retificação, pois inadvertidamente efetuou depósitos bancários de valores em nome de terceiros, mas se fez foi por absoluta impossibilidade efetuálos em suas contas própria. Tal ato, embora tenha sido praticado irregularmente, é passivo de ser sanado, não violou direitos tributários, porque os tributos que incidiram sobre o montante apurado quando das emissões das notas fiscais que resultou no faturamento ora questionado, tal montante sofreu a incidência regular dos tributos, conforme se depreende das planilhas ora acostadas. Portanto, a Impugnante não violou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Está comprovado no levantamento de que os depósitos efetuados nas contas são inferiores ao faturamento, logo, temse que considerar que tais depósitos só ocorreram por manifesta impossibilidade da Impugnante em efetuálos diretamente em suas respectivas contas conforme mandamento legal. Todavia, os depósitos formalizados em conta de terceiros, não se caracterizam em sonegação de tributos nem mesmo em omissão de receitas, vez que foram oriundos de vendas da Impugnante devidamente declarada mediante emissão de notas fiscais correspondentes, logo, sujeitandose à correspondente tributação. As planilhas já levantadas pela Impugnante e juntadas nos autos em manifestação anterior demonstram o montante efetivamente de depósitos levados às contas de terceiros, ... DOS DEPÓSITOS EM CONTAS DE TERCEIROS. A Impugnante não possuía na época da incidência do fato gerador, conta corrente para realização dos seus depósitos, e isso ocorreu por manifesta impossibilidade de obtenção de crédito junta ao sistema bancário, que não permitiu á necessária abertura de contas. Assim as diferenças bancárias encontradas, conforme se vê das planilhas, são oriundas de valores lançados no caixa da Impugnante. Os valores são resultados de vendas regulares efetivadas nos exercícios mediante a necessária emissão das notas fiscais declaradas e relacionadas nas planilhas apresentadas ao fisco Federal. Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.421 10 Não se constatou qualquer possibilidade de sonegação fiscal de tributos, pois todos os valores foram regularmente registrados como saídas de produtos de origem animal, que sofreram a incidência tributária pertinente. Da Solidariedade Passiva No caso, pela ilegitimidade da lavratura do auto de infração, cuja alegação de conduta ilícita, não passa de equívocos, cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento apresentado, tampouco abre espaço ou possibilidade para a pretensão deduzida, temse como ilegítima a autuação, devendo por isso, ser declarada nula, dandose baixa dos registros pertinentes, como o conseqüente arquivamento do processo, que lhe propiciou origem. A alegada omissão de receita Operacional caracterizada, deveria ser procedida de uma análise nos atos constitutivos dos balanços dos exercícios pretéritos, períodos fiscalizado e descrito no Auto de Infração ora impugnado da fiscalização Federal, eis que não foi procedido o levantamento dos exercícios nos livros competentes da autuada, para dar sustentação de validade (prova material) aos demonstrativos que acompanham a ação fiscal; e, sem essa apuração não possui qualquer valor legal a ação fiscal. Com efeito, a autoridade lançadora ao oferecer as incertezas de que trata o auto de infração sob exame, deixou duvidas, porquanto da forma como foi realizada, não enseja a nossa empresa a chegar a um raciocínio lógico da suposta infração cometida, porquanto, referida ação fiscal, realizouse de forma equivocada, eis que os demonstrativos que poderiam oferecer suporte ao auto de infração nenhuma validade jurídica possuem. ... Não vulnerou a empresa qualquer norma da legislação federal pertinente, cometeu atos irregulares passíveis de serem sanadas, para sujeitarse às cominações que se lhe venha apresentar o auto de infração em referência, como adiante será demonstrado, pela invalidade de como se deu a referida ação fiscal. O lançamento que ora se questiona, quer impor apenamento indevido, portanto, à revelia da lei. Neste caso, dúvida existe quanto à inexistência de prática ilícita. Não há como oferecer sustentação ao auto de infração que ora se impugna, que não tem alicerce nem mesmo na legislação vigente, e que não poderia, como não pode dissociarse do Pacto Fundamental e suas demais leis complementares hierarquicamente superiores. Nação. O autor dos levantamentos fiscais que dão suporte ao lançamento, negou vigência também ao artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN. Mais erros registrados no lançamento de ofício que invalida a propositura fiscal. Conclusão insofismável há de ser no sentido de padecer de amparo, a qualquer título, a pretensão da autoridade fiscal atuante máxime pela exegese emergente do artigo 112 do Código Tributário Nacional, que disciplina "verbis": ... DOS PEDIDOS Assim colocada à questão e, em síntese, considerando: Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.422 11 I) a falta de comprovação material o ilícito fiscal constante do auto de infração; II) a não prevalência do crédito tributário pretendido, por inocorrente e incomprovada a ilicitude indicada na autuação ora combatida; III a indevida instauração da ação fiscal, já que inexistente a obrigação principal, o apenamento não tem qualquer valor. IV a minha exclusão na relação jurídica por não ser parte como solidário passivo da obrigação, no período indicado; V o reconhecimento da prescrição parcial de que trata o artigo 173 do CTN. Senhores Conselheiros, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Esta Primeira Turma Ordinária, em sessão realizada em 09 de maio de 2012, resolveu converter o julgamento em diligência para que fossem trazidos aos autos os comprovantes de ciência, pelo Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO, da decisão exarada em primeira instância. Diante da providência adotada por esta Primeira Turma Ordinária, foram juntados ao processo, entre outros, os seguintes documentos: i) cópia de intimação dirigida ao Sr. Joaquim Gongora Filho, cientificandoo da decisão prolatada em primeira instância (fls. 2.393/2.397); ii) cópia de EDITAL de ciência da decisão de primeira instância (fls. 2.400); iii) TERMO DE RECEBIMENTO, no qual o Sr. Joaquim Gongora Filho declara que recebeu cópia do acórdão DRJ/CTA 06306841T em 17 de outubro de 2012 (fls. 2.402); iv) Recurso Voluntário, interposto pela fiscalizada e pelo Sr. Joaquim Gongora Filho, por meio do qual sustentam: a inexistência de solidariedade passiva; a impossibilidade de se proceder ao arrolamento de bens; e a nulidade do auto de infração. Na peça recursal referenciada no item “iv” acima, entre outros pedidos, é solicitada “a exclusão da pessoa física de RUBIA ANGÉLICA LOMBARFI, MAURÍCIO MOURA DA SILVA E JANAÍNA ROCHA GONGORA, da relação jurídica por não serem partes como solidários passivo da obrigação, no período indicado”. É o Relatório. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.423 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Como visto, na apreciação das condições de admissibilidade do recurso impetrado foi constatado que a autoridade fiscal, ao constituir o crédito tributário, colocou no pólo passivo da obrigação tributária, além da contribuinte fiscalizada (FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA.), as seguintes pessoas: PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA (sócio administrador), JOAQUIM GONGORA FILHO (mandatário) e JOAQUIM GONGORA NETO (mandatário). Prolatada a decisão de primeira instância, a repartição competente cientificou o FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA (intimação às fls. 2.245 e aviso de recebimento às fls. 2.264), o Sr. JOAQUIM GONGORA NETO (intimação às fls. 2.250 e aviso de recebimento às fls. 2.260) e o Sr. PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA (intimação às fls. 2.255 e aviso de recebimento às fls. 2.263). Não restou identificado, porém, encaminhamento de intimação e respectiva ciência relativos ao Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO, que, como já foi dito, foi incluído no pólo passivo da obrigação tributária. Diante de tal circunstância, o julgamento foi convertido em diligência para que fossem trazidos aos autos os comprovantes de ciência, pelo Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO, da decisão prolatada em primeira instância. Adotada a providência, o Sr. Joaquim Gongora Filho, qualificandose como representante legal da empresa autuada, apresentou o recurso voluntário de fls. 2.403/2.409. Considerada, pois, a documentação reunida ao processo, tenho que foram interpostos, tempestivamente, recursos voluntários pela empresa autuada e pelo Sr. PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA, conjuntamente, conforme documento de fls. 2.265/2.273, e, também conjuntamente com a empresa autuada, pelo Sr. Joaquim Gongora Filho (fls. 2.403/2.409). O presente processo cuida de exigências relativas a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS; e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas aos anoscalendário de 2004 a 2006, formalizada em razão da imputação de omissão de receitas. Apresentadas impugnações por todos os sujeitos passivos indicados pela autoridade fiscal (FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA, JOAQUIM GONGORA NETO, PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA e JOAQUIM GONGORA FILHO), a Turma Julgadora de primeiro grau manteve parcialmente as exigências tributárias, eis que decretou a caducidade do direito de se constituir os créditos tributários relativos ao PIS e à COFINS para os fatos geradores ocorridos até o mês de novembro de 2004. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.424 13 O montante de crédito tributário exonerado não deu causa à interposição de recurso de ofício, vez que não foi ultrapassado o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Aprecio, pois, os recursos interpostos. FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA E PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA Admitindo que efetuou depósitos em contas correntes bancárias de terceiros e que os valores correspondentes eram provenientes de operações comerciais da empresa FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA, os Recorrentes sustentam que tais fatos não passaram de meras irregularidades que não causaram qualquer prejuízo ao Fisco, não havendo que se falar, assim, em sonegação. Dizem que, como os valores eram controlados por meio de emissão de notas fiscais eletrônicas, não havia meios capazes de impedir a sua tributação na forma da legislação de regência. Argumentam que não constam dos autos elementos que possibilitem afirmar que a Fiscalização examinou os seus balanços, de modo a apurar a omissão de receitas. Suscitam a ocorrência de decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Contestam a indicação do representante legal como responsável solidário alegando que, nos termos do contrato social da empresa, o sóciocotista somente responde até o “limite do seu capital social”. Afirmam ser inconcebível o arrolamento de bens e direitos, pois, para eles, tal procedimento infringe o princípio da capacidade contributiva, eis que estabelece verdadeira desigualdade entre contribuintes. Sustentam a nulidade dos autos de infração com base no argumento de que inexiste “justa causa” para as lavraturas. Dizem que incorreram em erro formal, passível de oportuna retificação, vez que os depósitos foram efetuados em conta de terceiros em razão da absoluta impossibilidade de fazêlo em suas próprias contas. Afirmam que o faturamento questionado foi objeto de incidência regular dos tributos, conforme planilhas que diz anexar. Alegam que está comprovado (no levantamento) que os depósitos efetuados são inferiores ao faturamento. Discorro, primeiramente, acerca da origem da ação fiscalizadora refletida nos presentes autos. Nessa Linha, verifico que, por meio de Ofício (fls. 618), a Fiscalização solicitou à Junta Comercial do estado do Paraná cópia do Contrato Social e alterações do FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA (FRIGORÍFICO). Em atendimento ao Ofício acima referido, a Junta Comercial do estado do Paraná apresentou os seguintes documentos: cópia de CONTRATO SOCIAL, datado de 22 de fevereiro de 2000, no qual constam como sócios a Sra. JANAÍNA ROCHA GONGORA e JOAQUIM GONGORA NETO (fls. 621/624); cópia da 1ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL, datada de 25 de setembro de 2000, em que a Sra. Janaína Rocha Gongora cede e transfere a totalidade das suas cotas para o Sr. AMÉRICO PERAS ROCHA, que passa a exercer a gerência da sociedade (fls. 625/626); cópia da 2ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL, datada de 30 de outubro de 2000, em que a Sr. AMÉRICO PERAS ROCHA cede e transfere a totalidade das suas cotas para o Sr. PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA, que passa a exercer a gerência da sociedade (fls. 627/629); cópia da 3ª ALTERAÇÃO CONTRATUAL, datada de 30 de setembro de 2004, em que a Sr. JOAQUIM GONGORA NETO cede e transfere a totalidade das suas cotas para o Sr. ANTÔNIO WANDERLEY DE OLIVEIRA, que passa a exercer a gerência da sociedade (fls. 630/635). Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.425 14 Em 30 de março de 2001, o FRIGORÍFICO, representado pelo seu sócio gerente, PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA, constituiu como seu procurador o Sr. JOAQUIM GONGORA NETO. Na ocasião, foram conferidos ao referido senhor os mais amplos e especiais poderes para, entre outros, GERIR, ADMINISTRAR e LIQUIDAR a empresa outorgante, bem como todas as suas filiais, que existissem ou viessem a existir (Fls. 04); Em 05 de outubro de 2007, o Sr. Joaquim Gongora Neto substabeleceu os poderes que lhe foram outorgados pelo FRIGORÍFICO para o Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO, conforme instrumento de procuração de fls. 05. Vêse, pois, que, à época da instauração do procedimento fiscal (15 de julho de 2008, conforme Termo de Início de fls. 03), o FRIGORÍFICO tinha como sócios (de direito) os senhores PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA e ANTÔNIO WANDERLEY DE OLIVEIRA. Porém, em razão do substabelecimento acima referenciado, a sua efetiva administração e gerência era exercida pelo Sr. JOAQUIM GONGORA FILHO. No período submetido à investigação fiscal, qual seja, 2004 a 2006, a gerência e a administração do FRIGORÍFICO estavam sob a responsabilidade do Sr. JOAQUIM GONGORA NETO, haja vista o instrumento de procuração de fls. 04. A ação fiscal desenvolvida no FRIGORÍFICO iniciouse a partir da análise da movimentação financeira promovida nas contas bancárias de MAURÍCIO MOURA DA SILVA, RUBIA ANGÉLICA LOMBARDI e JANAÍNA ROCHA GONGORA. A referida análise indicou a existência de vinculação da movimentação bancária das citadas pessoas com operações comerciais efetuadas pelo FRIGORÍFICO. A efetiva confirmação da vinculação acima referenciada se deu a partir de procedimento de circularização efetuado pela Fiscalização junto a clientes e fornecedores do FRIGORÍFICO e de declarações prestadas por Joaquim Gongora Filho, Joaquim Gongora Neto, Paulo Henrique de Oliveira, Maurício Moura da Silva, Rubia Angélica Lombardi e Janaína Rocha Gongora, entre outros. Foram objeto de investigação contas bancárias de titularidade de MAURÍCIO MOURA DA SILVA (Banco Cooperativo Sicredi, agência 58/999, conta 14.7133; Banco Itaú S/A, agência 3734, conta 107513; e Banco HSBC, agência 0363, conta 0773704), RUBIA ANGÉLICA LOMBARDI (Banco do Brasil, agência 21105, conta 9.3300) e JANAÍNA ROCHA GONGORA (Banco Cooperativo Sicredi, agência 58/999, conta 13.9980 e Banco do Brasil, agência 21105, conta 14.5319). Cumpre ressaltar que o acesso às movimentações financeiras do Sr. Maurício Moura da Silva e das Sras. Rubia Angélica Lombardi e Janaína Rocha Gongora foi possibilitado, em parte, pela disponibilização dos extratos bancários correspondentes por essas mesmas pessoas, complementado pelo fornecimento feito pelas instituições financeiras, com a anuência expressa dos titulares das contas bancárias, conforme documentos de fls. 723, 1.144 e 1.505. No Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1.955/1.980), destacou a autoridade fiscal: Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.426 15 Embora a titularidade formal das contas (fls. 729730, 765,773, 11541155, 1.181 e 1.5101511) seja atribuída às pessoas físicas relacionadas no parágrafo anterior, a análise da origem dos respectivos lançamentos bancários, à luz dos dados obtidos, indica que são resultantes de operações comerciais do Frigorífico Morro Santo Ltda. A caracterização das transações como pertencentes à mencionada empresa é decorrente, entre outras, de informações prestadas por clientes, fornecedores, prestadores de serviços etc. Intimados a informar a natureza jurídica das operações, em que foram parte, desconstitúíram qualquer ligação comercial com os titulares de direito das contas bancárias. Confirmaram, contudo, que essas transações foram frutos do relacionamento mercantil com o Frigorífico Morro Santo Ltda. A sustentação dessas afirmações foi feita com a apresentação de notas fiscais, recibos, contratos, declarações, escrituração contábil etc. Algum dos créditos em contas bancárias foram precedidos, inclusive, de autorizações, por escrito, dos administradores do Frigorífico Morro Santo Ltda para os depósitos, especificamente, nesses destinos (fls. 816, 819, 822, 868, 871, 874, 876, 879, 882, 911, 913,916, 943, 951, 989, 995, 999, 1.007, 1.315, 1:318). Destacase; entre os resultados.das diligências, a intimação feita ao Escritório Contábil União S/S Ltda, responsável pela escrita da fiscalizada, que confirmou o recebimento de um cheque de terceiros para o pagamento de seus.honorários (fls. 1.6401.648). Não foi encontrado no livro diário, entre os lançamentos contábeis do mês 11/2006, a operação em questão, sendo esse um dos fatos que denota o uso irregular das contas de terceiros. A empresa RAUL SANDER & CIA LTDA., atendendo intimação formalizada pela Fiscalização, esclareceu que os pagamentos efetuados ao Sr. Maurício Moura da Silva decorreram de solicitação feita pelo FRIGORÍFICO (fls. 813). Na ocasião, a referida empresa anexou cópia das notas fiscais correspondentes, das solicitações e dos comprovantes de pagamento (fls. 814/822; fls. 865/882; fls. 945/951; e fls. 956/960). Da mesma forma, as pessoas a seguir indicadas, em atendimento à intimação formalizada pela Fiscalização, informaram que as transações financeiras envolvendo a conta bancária do Sr. Maurício Moura da Silva decorreram de solicitação feita pelo FRIGORÍFICO (fls. 826/ 860; 883/944; 952/955; e 961 e seguintes). COMAVES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA.; PAULO AFONSO RODRIGUES; EDSON PEDRO BUSSADORI; ULBANO MANZUTTI; AFIPLAN – ASSESSORIA FINANCEIRA E PLANEJAMENTO LTDA.; BERTOLUCI & BERTOLUCI LTDA.; VANCOUROS COMÉRCIO DE COUROS LTDA; JAIR FERRO; Fl. 2426DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.427 16 BBA – INDÚSTRIA OPOTERÁPICA LTDA.; FÁBRICA DE FARINHA DE CARNES CASTRO LTDA.; EXTRASUL EXTRATOS ANIMAIS E VEGETAIS; Cuidou também a Fiscalização de intimar as pessoas que efetuaram transações financeiras com as contas bancárias de titularidade de JANAÍNA ROCHA GONGORA que, de acordo com as informações até então colhidas, diziam respeito a operações do FRIGORÍFICO. Em atendimento, NELSON CASTILHO SOARES; JAIR FERRO; PRISON & PRISON LTDA.; AGEQUÍMICA COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA.; ZEIMAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA.; FRANCISCO CARLOS PEREZ; ZEDENIRA PEREIRA DA SILVA; IMS BRAZIL LTDA.; EDSON PEDRO BUSSADORI; GEÓRGIA NOBRE GÓIS; RIVALDENIR BERTOLUCHI; AFIPLAN ASSESSORIA FINANCEIRA E PLANEJAMENTO S/ LTDA.; PAULO AFONSO RODRIGUES; BERTOLUCI & BERTOLUCI, informaram que os pagamentos e ou recebimentos relacionados às contas bancárias de titularidade de JANAÍNA ROCHA GONGORA decorreram de operações com o FRIGORÍFICO (fls. 1.253/1.425). Igual procedimento foi adotado em relação as pessoas que movimentaram valores provenientes das contas bancárias de titularidade de RÚBIA ANGÉLICA LOMBARDI, que, da mesma forma, confirmaram que as transações diziam respeito a operações com o FRIGORÍFICO (fls. 1.595/1.661). Releva destacar que o procedimento de circularização utilizado pela Fiscalização para confirmar a interposição de pessoas na movimentação financeira da fiscalizada, resultou em apresentação de notas fiscais e documentos contábeis por parte dos intimados, isto é, além das declarações, foram aportados aos autos documentos fiscais e contábeis comprobatórios das afirmações nelas (nas declarações) apresentadas. As declarações prestadas por JOAQUIM GONGORA FILHO, JOAQUIM GONGORA NETTO, MAURÍCIO MOURA DA SILVA, JANAÍNA ROCHA GONGORA e RUBIA ANGÉLICA LOMBARDI, a seguir descritas, na mesma linha, apontam na direção de que os recursos financeiros movimentados em suas contas bancárias efetivamente diziam respeito a operações do FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA. O Sr. Joaquim Gongora Filho, intimado, prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 636/638 e 640/642): que era responsável pelo Frigorífico Morro Santo (CNPJ 03.698.579/0001 04), e, pelo que era possível recordar, desde o ano de 2003 acompanhava as operações da empresa (a princípio, assessorando seu filho Joaquim Gongora Netto); que a partir de 05/10/2007, com a saída de seu filho, passou, por meio de instrumento de procuração, a controlar sozinho todos os trabalhos realizados na empresa; que os sócios de direito do Frigorífico, em virtude de problemas de saúde, não acompanhavam o funcionamento da empresa; que, na aquela ocasião, o sócio Paulo Henrique de Oliveira trabalhava na Prefeitura de Ibiporã, motivo pelo qual não podia desempenhar a atividade de empresário; Fl. 2427DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.428 17 que o sócio Paulo Henrique de Oliveira tinha uma retirada, mas que isso não acontecia com o sócio Antônio Wanderley de Souza; que, naquela ocasião, era o único responsável pela direção do Frigorífico; que, antes de assumir essa função, os sócios de direito não tinham interferência na operação da empresa, ficando, à época, essa responsabilidade com seu filho Joaquim Gongora Neto; que os sócios de direito não administravam o Frigorífico; que, relativamente ao recebimento, por parte do Frigorífico, do valor de R$ 10.992,00, proveniente de uma transmissão eletrônica de documentos (TED) por Maurício Moura da Silva, em 20/06/2005, respondeu que desconhecia os motivos; que não sabia se a quantia acima referenciada havia sido contabilizada na escrita fiscal; que sua contabilidade era elaborada pelo Escritório União de Ibiporã, de propriedade de uma pessoa de nome José Carlos; que a conta bancária utilizada para movimentar o recurso antes referido, embora estivesse em nome de Maurício Moura da Silva, era movimentada pelos responsáveis pela operação do Frigorífico Morro Santo; que seu filho, JOAQUIM GONGORA NETO, à época em que administrava a empresa, solicitou a abertura da conta bancária ao Sr. Maurício Moura da Silva, uma vez que o FRIGORÍFICO encontravase com problemas financeiros e estava impedido de abrir contas bancárias; que o Sr. Maurício Moura da Silva trabalhava no Frigorífico; que os depósitos e retiradas bancárias nunca foram feitas por seu titular; que o Sr. Maurício Moura da Silva assinava os documentos sempre em função de pedidos feitos pelos administradores da pessoa jurídica, inexistindo instrumento de procuração; que o Sr. Maurício Moura da Silva já não trabalhava no Frigorífico e que a conta não era mais movimentada desde sua saída; que, pelo que recordava, o Sr. Maurício Moura da Silva não utilizava a conta em seu próprio benefício, talvez, o fazendo, apenas, para o saque de seu salário; que a movimentação da conta não havia sido registrada na escrita da empresa; que, relativamente às transferências de R$ 6.723,00, em 08/06/2005, R$ 7.930,00, em 18/02/2005 e R$ 17.739,00, em 17/12/2004, todas para a conta bancária do Sr. Maurício Moura da Silva, promovidas por Raul Sander & Cia Ltda (CNPJ 00.708.452/0001 22), seriam relativas a operações de venda de bílis à referida pessoa jurídica, não tendo o Sr. Maurício Moura da Silva qualquer envolvimento com as transações em questão; Fl. 2428DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.429 18 que tinha conhecimento da conta bancária n° 9.3300, agência n° 21105 no Banco do Brasil S/A, em nome de Rúbia Angélica Lombardi (CPF n° 047.024.30904), sua esposa; que a referida conta foi utilizada pelo Frigorífico Morro Santo; que seu filho, Joaquim Gongora Netto, solicitou que ele falasse com Rúbia sobre a possibilidade de utilizar a conta para a movimentação de recursos para o Frigorífico; que, inexistindo instrumento de procuração, a Sra. Rúbia Angélica Lombardi assinava cheques em branco, repassandoos para ele ou para seu filho; que a Sra. Rúbia Angélica Lombardi desconhecia a natureza das transações efetuadas na conta bancária; que tinha conhecimento da conta n° 139980, agência n° 58/999 do Banco Cooperativo Sicredi S/A e da conta n° 14.5319, agência n° 21105 do Banco do Brasil S/A, ambas, em nome de Janaína Rocha Gongora (CPF n° 003.496.67900), sua filha; que a conta foi utilizada pelo Frigorífico Morro Santo; que seu filho, Joaquim Gongora Netto, pediu para Janaina que cedesse a conta bancária; que Janaína Rocha Gongora, em razão da ausência de instrumento de procuração, assinava cheques em branco, repassandoos para ele ou para seu filho; que Janaína Rocha Gongora desconhecia a natureza das transações efetuadas na conta bancária. que tinha conhecimento das contas n°s 85.4859 (agência n° 58/999 do Banco Cooperativo Sicredi S/A) e 10.7513 (agência n° 3734 do Banco Itaú S/A), titularizadas por Maurício Moura da Silva; que citadas contas foram utilizadas pelo Frigorífico Morro Santo; que seu filho, Joaquim Gongora Neto, pediu ao Sr. Maurício Moura da Silva que cedesse a conta para uso do Frigorífico; que, ausente instrumento de procuração, o Sr. Maurício Moura da Silva assinava cheques em branco, repassandoos para ele ou para seu filho; que o Sr. Maurício Moura da Silva tinha conhecimento das transações realizada na conta, em função de ser funcionário do Frigorífico. que os sócios de direito não tinham conhecimento do uso dessas contas bancárias. O Sr. Joaquim Gongora Netto, intimado, prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 645/647 e 649/651): Fl. 2429DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.430 19 que administrou o Frigorífico Morro Santo Ltda. de 22/02/2000 até o final de 2008; que integrou o quadro societário da empresa entre 22/02/2000 até o dia 30/09/2004; que saiu do quadro societário pois desejava procurar um novo tipo de trabalho, mas, enquanto isso não ocorria, realizava um trabalho no Frigorífico; que, para o exercício das funções de administrador, tinha uma procuração assinada por Paulo Henrique de Oliveira; que não tinha contrato com os sócios de direito para a administração do Frigorífico; que Paulo Henrique de Oliveira recebia um prólabore, no valor de um salário mínimo, não efetuando nenhuma retirada de lucro, pois a empresa nunca teve um resultado positivo; que sua irmã Janaína fez parte da sociedade, como sócia de direito, no período de 22/02/ 2000 até 25/09/2000, não tendo, após esse período, qualquer ingerência nos assuntos da pessoa jurídica; que durante esse período sua irmã não teve nenhuma retirada; que conhecia Américo Pedras Rocha ; que Américo Pedras Rocha teria sido seu sócio seu no Frigorífico no período de 25/09/2000 até 30/10/2000, tendo transferido sua participação para Paulo Henrique de Oliveira; que Américo Pedras Rocha trabalhou no Frigorífico somente no intervalo de tempo em que foi sócio de direito; que Américo Pedras Rocha também não teve qualquer participação nos lucros; que havia saído da sociedade em 30/09/2004, transferindoa para Antônio Wanderley de Souza; que referida transferência deuse pelo valor das cotas; que continuou como administrador, realizando a tarefa em conjunto com os sócios de direito; que Wanderley e Paulo deixaram a administração do empreendimento, logo após a assinatura do contrato social (Paulo em função de ter conseguido um emprego na Prefeitura de Ibiporã e Wanderley por razões de saúde); que ficou administrando a empresa, com o auxílio de seu pai Joaquim Gongora Filho; Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.431 20 que Paulo e Wanderlei, embora afastados da administração, mantiveram seus nomes no contrato social, pois não realizaram a venda de suas cotas; que estava registrado como empregado nesse período, assim como seu pai; que, no período em que estava no Frigorífico, recebia dois salários mínimos por mês, a título de remuneração, o mesmo ocorrendo com seu pai; que administrou, no período em que tinha responsabilidade na empresa, contas bancárias em nome de sua irmã Janaína Rocha Gongora (Banco do Brasil, Agência 2110, conta 14.531 e Sicredi, agência 58/999, conta 84.9782); que referidas contas foram “emprestadas” para o uso do Frigorífico; que não detinha procuração, motivo pelo qual a assinatura dos documentos bancários era sempre feita por Janaína; que a empresa não abriu conta em seu próprio nome em função de problemas financeiros; que Janaína não teve qualquer remuneração pela cessão da conta bancária; que Janaína promoveu alguma movimentação da conta, em seu benefício, em valores pouco significativos; que as referidas contas não aparecem na contabilidade da empresa; que Rúbia Angélica Lombardi, sua madrasta, emprestou, também, uma conta bancária (Banco do Brasil, agência 2100, conta 9.3300) para uso do Frigorífico; que, da mesma forma, não detinha procuração para gerir a referida conta bancária; que todos os documentos eram assinados por Rúbia; que Rúbia utilizouse da conta bancária para pequenas retiradas em seu benefício, mas, a maior parte dos recursos pertencia ao Frigorífico; que a citada conta não aparece na contabilidade da empresa; que conhecia Maurício Moura da Silva, que tinha trabalhado durante certo período no Frigorífico como empregado; que tinha conhecimento que Maurício tinha uma conta no HSBC, a agência/conta 363/0773704, e, em certo período, pediu que ele fizesse a movimentação da conta bancária em benefício do Frigorífico; que tal solicitação foi realizada em função de vínculo de amizade; que a utilização da conta era esporádica; que Maurício não teve qualquer remuneração em virtude da referida cessão; Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.432 21 que, por não dispor de instrumento de procuração, todos os documentos eram assinados por Maurício; que lembrava da operação relativa a um recebimento do Frigorífico, por meio de TED emitido por Maurício Moura da Silva, em 20/06/2005, no valor de R$ 10.992,00, de n° 4563, tendo como banco sacado o HSBC, agência/conta 363/0773704, depositado na contacorrente do Banco Santander, Agência 0033, conta 1560818; que o numerário acima mencionado teria sido utilizado para o pagamento de funcionários e de conta de luz do Frigorífico; que a referida conta não foi registrada na contabilidade da empresa; que, relativamente aos depósitos nos valores de R$ 6.723,00, em 08/06/2005, R$ 7.930,00, em 18/02/2005 e R$ 17.739,00, em 17/12/2004, todos efetuados na contacorrente de Maurício Moura da Silva, em virtude de TED emitidos por Raul Sander & Cia Ltda. , disse que se referiam a operações de venda de bílis à referida pessoa jurídica; que Maurício Moura da Silva não teria tido qualquer envolvimento com as transações; que a contabilidade da empresa era feita pelo Escritório União de Ibiporã, sendo seu proprietário uma pessoa de nome José Carlos. O Sr. Maurício Moura da Silva, intimado, prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 1.008/1.009): que, na ocasião, trabalhava na empresa BM MARQUES DA SILVA & CIA LTDA, distribuidora de carnes de suínos, localizada na cidade de Londrina; que havia trabalhado no Frigorífico Morro Santo no período de 1º de abril de 2004 a 10 de outubro de 2007; que exercia a função de auxiliar administrativo, realizando o controle de estoques, emissão de notas fiscais e demais tarefas ligadas à contabilidade da empresa; que tinha saído da empresa em função de dificuldades financeiras enfrentadas por essa; que era titular das contas bancárias nºs 14.7133 (agência 58/999, Banco Cooperativo Sicredi), 773704 (agência 0363, Banco HSBC S /A) e 107513 (agência 3734, Banco Itaú S/ A ); que havia permitido que essas referidas contas fossem utilizadas para movimentação de recursos do Frigorífico Morro Santo Ltda., nos anoscalendário de 2004 a 2006; que referida permissão se deu em razão da amizade com o Sr. Joaquim Gongora Neto; que as contas no Sicredi e no Itaú foram abertas somente com a finalidade de movimentar valores relativo a operações do Frigorífico; Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.433 22 que a conta no HSBC já estava aberta, mas passou a operar exclusivamente para o Frigorífico; que nunca recebeu qualquer remuneração por essa autorização; que, além da amizade, permitiu o uso das contas por perceber as sérias dificuldades financeiras por que passava a empresa; que sabia que o Frigorífico não tinha condições financeiras de ter uma conta bancária em seu próprio nome; que a movimentação diária da conta era feita por Joaquim Gongora Neto; que, quando havia a necessidade de saques na conta, se dirigia ao Banco juntamente com o Sr. Joaquim Gongora Neto; que, a pedido de Joaquim Gongora Neto, assinava cheques "em branco"; que muitos dos cheques que assinou haviam sido preenchidos por Joaquim Gongora Neto; que tinha em seu poder alguns cheques que haviam sido devolvidos por "falta de fundos"; que tinha certeza que os recursos movimentados derivavam das atividades comerciais do Frigorífico. A Sra. Janaína Rocha Gongora, intimada, prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 1.008/1.009): que era titular das contas nºs 14.5319 (agência n° 21105 no Banco do Brasil S/A) e n° 13.9980 (agência n° 58/999 no Banco Cooperativo Sicredi); que, pelo que lembrava, referidas contas foram abertas no ano de 2000, para o seu uso pessoal; que permitiu que tais contas bancárias fossem utilizadas por seu irmão Joaquim Gongora Neto, com a finalidade de movimentar recursos pertencentes ao Frigorífico Morro Santo; que tal autorização ocorreu, aproximadamente, no ano de 2004; que acreditava que a conta havia sido movimentada, nessas condições, até o ano de 2007; que o seu consentimento havia sido dado em função de laços familiares, não recebendo qualquer remuneração; que havia sido mencionado por Joaquim Gongora Neto que o Frigorífico não tinha condições de movimentar conta bancária em seu próprio nome, em função de dificuldades financeiras; Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.434 23 que, quando havia a necessidade de retirada dos recursos das contas bancárias, dirigiase aos Bancos e efetuava o saque, entregando os recursos para Joaquim Gongora Neto; que assinava cheques "em branco" a pedido desse seu irmão; que nunca participou da administração do Frigorífico; que havia trabalhado cerca de seis meses na empresa, não lembrando em que ano isso teria ocorrido; que, nesse período, exercia a função de faturista, recebendo como pagamento cerca de um salário e meio; que não saberia dizer se os sócios de direito da pessoa jurídica tinham conhecimento do uso de sua conta bancária; que não havia assinado qualquer procuração para terceiros movimentar sua conta bancária. A Sra. Rúbia Angélica Lombardi, intimada, prestou os seguintes esclarecimentos (fls. 1.662/1.663): que tinha conhecimento da conta bancária n° 9.3300 (agência n° 21105 no Banco do Brasil S/A; que referida conta foi aberta desde o ano de 2000; que trabalhou no Frigorífico Morro Santo, pelo que se recordava, desde o ano de 2005; que, a pedido de Joaquim Gongora Filho, seu marido, permitiu que a conta fosse utilizada para a movimentação financeira do Frigorífico Morro Santo; que tinha conhecimento que Joaquim Gongora Neto havia pedido esse favor a Joaquim Gongora Filho; que, pelo que recordava, a utilização da conta ocorreu a partir dos anos de 2004/2005; que o pedido foi formulado com a alegação de que o Frigorífico não tinha conta bancária à época; que assinava folhas de cheque "em branco" repassandoas para Joaquim Gongora Filho e Joaquim Gongora Neto; que, em virtude da ausência de procuração, quando havia necessidade de saques se dirigia ao Banco e efetuava a operação; que não tinha tido qualquer remuneração exclusiva pela cessão da conta; Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.435 24 que, relativamente ao recebimento de um pagamento efetuado pelo Frigorífico, em 2006, no valor de R$ 9.356,66, pelo que recordava, tratarseia de salário; que não sabia se os sócios de direito do Frigorífico tinham conhecimento do uso de sua conta em operações da empresa; que nunca havia exercido função de gerência no Frigorífico. Confirmado o fato de que a movimentação dos recursos financeiros nas contas bancárias de MAURÍCIO MOURA DA SILVA, RUBIA ANGÉLICA LOMBARDI e JANAÍNA ROCHA GONGORA era diretamente relacionada a transações comerciais do FRIGORÍFICO, tratou a Fiscalização de intimálo a comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem dos créditos bancários (fls. 1.665/1.670). Em atendimento, FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA. informou que apresentava planilhas relativas aos anos de 2004, 2005 e 2006, por meio das quais comprovava que a origem dos créditos bancários repousava em notas fiscais de venda emitidas no citado período (fls. 1.702/1.746). A autoridade fiscal, a partir dos elementos coletados, imputou à contribuinte a seguinte infração (fls. 1.828): OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL CARACTERIZADA PELA FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS, CONFORME TERMO DE VERIFICAÇÃO E DE ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL, ANEXO AO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. Respeitando a forma de tributação adotada pela contribuinte nos anos submetidos ao procedimento, a Fiscalização a autuou apurando o imposto e a contribuição social sobre o lucro com base LUCRO REAL TRIMESTRAL. Apreciando as impugnações interpostas, a Turma Julgadora de primeira instância acolheu a preliminar de caducidade do direito de se constituir crédito tributário relativamente ao PIS e à COFINS do período de janeiro a novembro de 2004. Penso que o reconhecimento da caducidade do direito de constituir os créditos tributários deve se dar em maior extensão. Isto porque, a meu ver, o fundamento utilizado pela autoridade julgadora de primeira instância para afastar a decadência do IRPJ e da CSLL em relação aos três primeiros trimestres de 2004 (“não tendo efetuado pagamentos relativos à IRPJ e à CSLL, era possível que o contribuinte optasse por outra forma tributação como, por exemplo, o lucro real anual com suspensão do pagamento mensal por estimativa em razão de balanços de suspensão o que também teria determinado o nãopagamento de qualquer valor durante o anocalendário, em razão da não apuração de lucro real em qualquer período) não pode prosperar. Com efeito, inexiste norma legal capaz de dar amparo à interpretação dada pela Turma Julgadora a quo, até porque a apuração trimestral do IRPJ e da CSLL, nos termos da legislação de regência, tem natureza de definitividade. Ademais, a possibilidade aventada na decisão recorrida (mudança da forma de tributação), além de ser discutível à luz da legislação aplicável, não foi verificada no caso sob análise. Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.436 25 Assim, considerando que os sujeitos passivos indicados pela autoridade fiscal foram cientificados das peças de autuação em 17 e 18 de dezembro de 2010, penso que também em relação aos fatos geradores ocorridos no primeiro, segundo e terceiros trimestres de 2004, ainda que aplicada a regra estampada no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, já não mais seria possível constituir créditos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL. Cabe destacar que, por força do estabelecido no art. 62 A do Regimento Interno, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito deste Colegiado. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 973.733 – SC, realizado nos termos do art. 543 C do Código de Processo Civil, pronunciouse no sentido de que o art. 173, I, do Código Tributário Nacional se aplica aos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou, quando, a despeito da previsão legal, não há o pagamento. No caso dos autos, registra a decisão recorrida, sem ser contraditada pela Recorrente, que “em análise nos sistemas da RFB, fls. 2.238/2.239, verificase que o contribuinte não fez qualquer pagamento relativo ao IRPJ e à CSLL durante o anocalendário de 2004. Na linha do decidido em primeira instância, as considerações feitas pela Recorrente em relação ao arrolamento de bens não podem ser objeto de apreciação pela autoridade julgadora administrativa, eis que não se circunscrevem ao delimitado no Decreto nº 70.235, de 1972, isto é, não dizem respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Descabida a alegação de nulidade dos autos de infração com fundamento em uma suposta falta de “justa causa”, vez que no Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1.955/1.980), que integra os autos de infração lavrados, a autoridade fiscal cuidou de descrever, com riqueza de detalhes, os fatos que motivaram a imputação da infração. Como bem disse a autoridade julgadora de primeira instância, não há controvérsia em relação ao fato de que a contribuinte fiscalizada fez uso de contas bancárias de terceiros para movimentar, ao menos em parte, seus recursos, eis que, além das robustas comprovações trazidas pela Fiscalização, ela própria admite tal prática. A decisão recorrida, de forma expressa, assevera que “as receitas auferidas e que circularam pelas contas das pessoas físicas não foram contabilizadas e não foram declaradas nas declarações da pessoa jurídica”. Quanto à contabilização, a afirmativa encontra respaldo nos autos, mas, no que diz respeito ao registro em declarações, a informação contradiz o consignado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação de Encerramento da Ação Fiscal. Com efeito, no referido Termo, a autoridade autuante, ao afirmar que “grande parte das receitas da empresa transitou por esses caminhos, quais sejam, as contas bancárias das pessoas físicas, esclarece que isso é corroborado pelo “fato de que a movimentação em conta bancária da própria empresa, no Banco Santander, com base em dados coletados nos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, R$ 13.910,33, Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.437 26 2004 e 14.715,55, em 2005, foi ínfima, quando comparada à receita bruta registrada na contabilidade (fls. 07476) e nas Declarações de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) (fls. 477617).” Ou seja, a autoridade responsável pelo procedimento fiscal, em sentido inverso ao trilhado pela Turma Julgadora de primeiro grau (e, como se verá adiante, à sua própria conclusão), admite que a fiscalizada, embora tenha se servido de contas bancárias para movimentar recursos financeiros, promoveu a contabilização de citados recursos e os registrou em declarações apresentadas à Receita Federal. O quadro abaixo, comparativo entre as receitas declaradas e as tidas como omitidas pela Fiscalização, ratifica a informação trazida no Termo de Verificação. FATO GERADOR RECEITA DECLARADA VALOR TRIBUTÁVEL (RECEITA OMITIDA) 31/03/2004 1.131.611,75 6.757,60 30/06/2004 1.180.858,40 2.826,00 30/09/2004 1.077.744,07 145.007,42 31/12/2004 1.027.338,21 172.937,27 31/03/2005 646.702,66 207.968,72 30/06/2005 845.260,36 195.763,34 30/09/2005 1.006.956,20 264.206,19 31/12/2005 1.314.902,70 178.001,42 31/03/2006 686.426,21 217.847,00 30/06/2006 3.109.623,12 247.345,66 30/09/2006 2.611.638,47 227.625,82 31/12/2006 2.230.906,87 249.727,14 A meu ver, o quadro acima, combinado com as informações da autoridade fiscal acerca da inexpressiva movimentação em conta bancária própria por parte da fiscalizada e de que “em função da dinâmica patrimonial, é imprescindível que esses resultados transitem pelo sistema bancário, podendose inferir que o caminho utilizado foi o das contas de terceiros”, deixa fora de dúvida de que a maior parte dos recursos financeiros movimentados em contas bancárias de terceiros foi devidamente declarada à Receita Federal. A própria autoridade fiscal afirma que “foi percebido que alguns depósitos em contas de terceiros foram lançados nos livros contábeis do Frigorífico Morro Santo Ltda”. Contudo, embora faça referência a “alguns”, não cuidou de quantificar tais depósitos. Penso, entretanto, que a ausência da quantificação em questão pode ser perfeitamente substituída pelo quadrodemonstrativo acima, desde que interpretado com base nas informações da autoridade autuante de que: i) os recursos financeiros movimentados em conta bancária de titularidade da fiscalizada foram inexpressivos, ou seja, a maior parte desses recursos transitaram pelas contas bancárias de terceiros; e ii) podese afirmar que os recursos financeiros provenientes da Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.438 27 atividade explorada pela contribuinte, “em função da dinâmica patrimonial”, transitaram pelo sistema bancário. Ora, se as receitas auferidas pela contribuinte necessariamente transitaram pelo sistema bancário e se a maior parte dessas receitas, embora tenha ingressado em contas bancárias de terceiros, foi declarada ao Fisco, penso que não se pode falar em INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA. Entendo que, no caso, diante da proporção explicitada no quadro demonstrativo apresentado anteriormente, a parcela de créditos bancários que restou não explicada decorre da ausência de controles internos por parte da contribuinte fiscalizada, imprescindíveis na circunstância em que recursos próprios são movimentados em contas bancárias de terceiros, o que, contudo, não invalida a aplicação da presunção legal pela autoridade fiscal. Os fragmentos abaixo reproduzidos (extraídos do Termo de Verificação), uma vez considerados todos os fatos retratados no processo, concorrem para a conclusão de que não restou devidamente caracterizada a intenção da fiscalizada de, por meio da utilização de contas bancárias de terceiros, impedir ou retardar a incidência de tributos sobre parcelas de suas receitas. A legislação que rege a matéria é de interpretação literal, estando a AutoridadeAdministrativa vinculada ao limites por ela estabelecidos. Em suma, os depósitos efetuados devem ter sua origem comprovada de forma cabal, caso isso não ocorra, a presunção legal com relação à omissão de receita deve ser aplicada. Assim, os créditos relacionados em planilhas enviadas aos responsáveis (fls. 1.6711.701, í.7121.742 e 1.7531.783), compilados dos extratos bancários das contas de titularidade de terceiros, objeto deste procedimento, serão considerados como receita omitida, Art. 42 da Lei n° 9430/96, com o correspondente lançamento de ofício em Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa .Jurídica e seus reflexos (Fls. 1.8831.954), do qual este termo é parte integrante. Não serão considerados, todavia, na formação da base de cálculo, os depósitos bancários cuja origem foi identificada pela Fiscalização em contas de terceiros, por intermédio das respostas de intimações feitas aos clientes da empresa e, em que, seu conteúdo (número da nota fiscal) permitiu a sua localização nos livros contábeis da fiscalizada. Embora a conta "Banco" não tenha sido escriturada, tais créditos foram registrados na conta "Caixa" e foram apresentados à tributação, espontaneamente, na apuração do resultado, não cabendo, assim, que componham a base de cálculo do lançamento de ofício. Esses valores são demonstrados na próxima tabela: (GRIFEI) [...] Cabe registrar, ainda, que declarações prestadas pelos aqui denominados TERCEIROS dão conta de que, não obstante admitirem que as contas bancárias foram “emprestadas” para movimentar recursos pertencentes à fiscalizada, mesmo que em montantes poucos significativos, parte dos valores movimentados dizia respeito aos próprios titulares das contas. Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.439 28 Nessa linha, JOAQUIM GONGORA NETO afirmou que JANAÍNA ROCHA GONGORA promoveu alguma movimentação da conta em seu benefício e que RUBIA ANGÉLICA LOMBARD utilizouse da conta bancária para pequenas retiradas em seu benefício. Diante desse contexto, penso que a argumentação da contribuinte no sentido de que a utilização de contas de terceiros se deu em razão da impossibilidade do uso de contas bancárias próprias, não pode ser de todo descartada. Em conclusão, observo que o esforço da autoridade fiscal no sentido de comprovar que os recursos financeiros movimentados em contas bancárias de pessoas físicas, de fato, pertenciam ao FRIGORÍFICO MORRO SANTO, foi exaustivo e eficiente. Entretanto, a partir de tal constatação, as providências adotadas para demonstrar que a utilização das contas bancárias dessas referidas pessoas visou subtrair receitas à tributação, revelando, assim, o que denominou INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA, não conduzem ao resultado pretendido. Assim, em consonância com as disposições do art. 112 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito, sou pela desqualificação da multa de ofício aplicada, reduzindo o seu percentual de 150% para 75% e pela exclusão do pólo passivo da obrigação tributária do indicados como responsáveis solidários, eis que, ausente o dolo, não encontro respaldo para a lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA E JOAQUIM GONGORA FILHO A peça recursal apresentada por JOAQUIM GONGORA FILHO, conjuntamente com a empresa autuada, reitera os termos da interposta por FRIGORÍFICO MORRO SANTO LTDA e PAULO HENRIQUE DE OLIVEIRA, motivo pelo qual as considerações antes expostas devem ser estendidas à referida contestação. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL relativas aos fatos geradores ocorridos nos primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2004, reduzir o percentual da multa de ofício aplicada de 150% para 75% e excluir do pólo passivo das obrigações tributárias os indicados como sujeitos passivos solidários. Sala das Sessões, em 08 de outubro de 2013 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 11634.001689/201030 Acórdão n.º 1301001.286 S1C3T1 Fl. 2.440 29 Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 22/1 0/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 14337.000217/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/12/2003
IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88.
O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99:
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2302-003.094
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, que anulou o lançamento por descumprimento dos preceitos contidos no artigo 142, do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: Recurso de Ofício Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, que anulou o lançamento por descumprimento dos preceitos contidos no artigo 142, do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 7. 00 02 17 /2 00 8- 98 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada contra o sujeito passivo acima identificado em 30/03/2004, relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas e creditadas aos segurados empregados em cargos exercidos na Prefeitura e Câmara Municipais; e notas fiscais de serviços referente à mão de obra no período de 07/2001 a 12/2003, cujos valores encontramse em relatório anexo DDO (Discriminativo de Débito Originário). Após a impugnação, Despacho Interlocutório de fls. 221/223, solicita a realização de diligência para a elaboração de Relatório Complementar e para identificar, através de Informação Fiscal cada levantamento da NFLD, informando o nome do órgão a que pertence se Câmara ou Prefeitura;. Emitir Relatório Fiscal Complementar, em duas vias, a fim de suprir as irregularidades descritas nos itens 7.1, 7.2, 7.3, 7.4 e 7.5 do referido Despacho, com o intuito de não caracterizar cerceamento de defesa e violação ao princípio do contraditório administrativo. Todavia, às fls. 227, a Delegacia da Receita Federal de Belém, entende que o pedido do órgão julgador objetiva suprir omissões no relatório fiscal para identificar as contribuições lançadas, os fatos geradores ocorridos, os tipos de serviço prestados, se por cessão de mão de obra ou empreitada e ainda o fundamento legal infringido, considerando que existe débito lançado por arbitramento. Conclui dizendo que o lançamento não atende ao que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/72, “ao não descrever a matéria tributável, o fato gerador e o dispositivo legal infringido, logo, não possui as características essenciais que lhes são inerentes não podendo ser aperfeiçoado mediante diligencia, pois esta não eliminará os vícios nele contidos já que lhes faltam os pressupostos básicos para a sua validade.” Frente ao exposto, Acórdão de fls. 230/237, julgou a impugnação do contribuinte procedente, exonerou o crédito lançado e recorreu de Ofício a este colegiado. É o relatório. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14337.000217/200898 Acórdão n.º 2302003.094 S2C3T2 Fl. 246 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Recurso de Ofício O lançamento consubstanciado no presente Processo Administrativo Fiscal, foi tornado improcedente, através de decisão de primeira instância, pelos motivos a seguir nela declinados: Constatase que na formalização da Notificação em litígio, ocorreu um vício na forma em que foram apurados os referidos levantamentos, visto que os créditos são referentes às contribuições devidas pela Câmara Municipal de Bragança e pela Prefeitura Municipal de Bragança, porém lançados no mesmo DEBCAD. Temse assim, que a NFLD fora lavrada em desacordo com o art. 351 da Instrução Normativa n° 100/2003. A referida norma, vigente à época da constituição do crédito, estabelecia que quando a Auditoria Previdenciária se desenvolvesse nos órgãos da Administração Pública direta, tais como prefeituras, câmaras municipais, secretarias, etc, a emissão da NFLD deveria ser feita com a identificação do CNPJ do ente da federação, que no caso é o Município, sendo obrigatória a lavratura de NFLD distinta para cada órgão Neste sentido, ressaltase que caberia a adoção de idêntico procedimento, com relação aos levantamentos “TE1 FOLHA CÂMARA ELETIVOS", "FEI – FOLHA ELETIVOS IND. CÂMARA" e "PV1 FOLHAS DE PREFEITO E VICE", pois conforme orientações emanadas da então Diretoria da Receita Previdenciária, os créditos dessa natureza, deveriam ter sido constituídos através de documento apartado (DEBCAD distinto). Tal procedimento se fazia necessário em razão das discussões acerca das contribuições previdenciárias incidentes sobre os rendimentos auferidos pelos exercentes de mandato eletivo. Além disso, as contribuições de que tratam os levantamentos mencionados, improcedem, na medida compreendem o período em que a alínea “h”, do inciso I, do art. 12 da Lei nº 8.212/99, na redação acrescentada pela Lei nº 9.506/96, que embasou o lançamento em questão, foi declarada inconstitucional, conforme decisão STF no RE nº 351.717.1 – PR, tendo sua execução suspensa pela Resolução do Senado nº 26, de 21/06/05, do Senado Federal. Neste contexto também cumpre observar que de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito – DAD – fls. 07 a 48 – os levantamentos identificados como, MB1 MÃO DE OBRA NFS CONSTRUÇÃO CIVIL e MB2 MÃO DE OBRA NFS C. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 CIVIL CÂMARA, supostamente tratam de débito levantado por solidariedade, em decorrência do não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, incidentes sobre a remuneração dos empregados utilizados, na obra de construção civil da Prefeitura e Câmara Municipal, pelas empresas contratadas No que tange a solidariedade, é de se observar o que disciplinam o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 220, § 3º, incisos I, II e III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Contudo, ante a superveniência do Parecer nº AC – 055, de DOU 17/11/2006, da Advocacia Geral da União, aprovado pelo Senhor Presidente da República, em 20/11/2006, o presente lançamento de débito não deve prosperar, uma vez que este Parecer adota nos termos do Despacho do ConsultorGeral da União nº 996/2006, o Parecer nº AGU/MS 08/ 2006, de lavra do Consultor da União, que trata de definição da responsabilidade tributária da Administração Pública contratante e da empresa contratada, pelas contribuições previdenciárias relativas aos empregados deste Por fim, notase nos levantamentos “FCI – FOLHA CÂMARA AF.INDIRETA” e “FEI – FOLHA ELETIVOS IN. CÂMARA”, a primeira vista denota a utilização por parte da fiscalização, da técnica de aferição indireta. Contudo o fundamento legal que suporta o lançamento por arbitramento,§§ 3º, 4º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, não consta no Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, bem como do Relatório Fiscal. Com efeito do exame dos autos e da leitura do Acórdão recorrido é de se ver que não há reparos a fazer no decisório. A legislação previdenciária, especificamente determina requisitos a serem exigidos para a lavratura da autuação. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, traz no seu artigo 293: Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Tais requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a determinação presente na Constituição Federal de observação aos Princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pais a inviolabilidade do direito à vida, a Fl. 248DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14337.000217/200898 Acórdão n.º 2302003.094 S2C3T2 Fl. 247 5 liberdade, à igualdade, a segurança e a propriedade, nos termos seguintes: LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; A fim de possibilitar a defesa do autuado, o auto de infração deve conter a discriminação clara e precisa da infração, cumprindo os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, o que não ocorreu no caso em tela, verbis: Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Entendo que restou prejudicado o direito de defesa da recorrente, pois foi lhe imputada a Notificação sem a descrição clara e precisa de seu fato gerador. A ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa e o artigo 61, diz que a nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar sua legitimidade: Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Assim, entendo correto o procedimento adotado pela decisão recorrida, pois a autoridade julgadora de primeira instância é competente para a decretação da nulidade e por estar evidenciado que o Relatório Fiscal preteriu o direito de defesa da recorrente. Cabe à autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas, possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que lhe é imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federal/88. O Fisco tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: ... II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;” A legislação em apreço insculpiu princípio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, além de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores São Paulo, 2003, p.149: “O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo.” Ainda continua nas páginas 193/194: “A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (...)” Fl. 250DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 14337.000217/200898 Acórdão n.º 2302003.094 S2C3T2 Fl. 248 7 “Por aí se concluiu que, quer quando obrigatória, quer quando facultativa, se for feita, a motivação atua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinantes do ato.Se tais motivos são falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado.” Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, que pugnou pela improcedência do lançamento por não atender ao que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 10 e 11 do Decreto n.º 70.235/72. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 251DF CARF MF Impresso em 07/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/04/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10930.904399/2012-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/04/2011
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/04/2011 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/04/2011 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 43 99 /2 01 2- 02 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904399/201202 Acórdão n.º 3803004.749 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904399/201202 Acórdão n.º 3803004.749 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904399/201202 Acórdão n.º 3803004.749 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001850/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
Ementa
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.NÃO CONHECIMENTO.
Numero da decisão: 1202-001.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os embargos por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integra o presente processo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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LTDA E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 Ementa EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO.NÃO CONHECIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer os embargos por intempestivo, nos termos do relatório e voto que integra o presente processo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues de Lima, Marcos Antonio Pires, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente processo de Embargos de Declaração, protocolado pela contribuinte Rondônia Mercantil Distribuidora Importadora e Exportadora de Produtos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 18 50 /2 00 9- 01 Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.150 S1C2T2 Fl. 4 2 Gênero Alimentício e outro, referente ao acórdão nº 1202.000716, proferido em 14/03/2012 por esta câmara. O AR enviado para ciência da decisão proferida em Recurso Voluntário, foi recebido em 22/02/2013, sexta feira (fl. 961), tendo iniciado o prazo para interposição dos Embargos de Declaração em 25/02/2013, segunda feira, imediatamente subsequente à ciência do Contribuinte. Neste sentido, o prazo para interposição dos Embargos de Declaração findou se em 1º de Março de 2013. Do carimbo de recebimento da peça ora analisada pelo Sr. Vagner Jager Limeira de Castro (fl.985), Agente da Receita Federal em Ariquemes, verificase que a mesma foi protocolizada em 05/03/2013, portanto, intempestiva. De outro lado, consta nos autos, certificação da própria Receita Federal em Ariquemes, a certificação de que o documento fora recebido dentro do prazo, em 05/03/2013 (fls. 997). É o Relatório. Voto Os Embargos de Declaração tem um prazo legal de 5 dias para ser protocolizado apontado a omissão, contradição ou obscuridade, conforme o art. 65, § 1º do Regimento Interno e do art. 536 do Código de Processo Civil, que transcrevo abaixo: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: e; Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo. (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 1994) A Contribuinte foi intimada em 22/02/2013 da decisão do Acórdão nº 1202.000716, proferido por este Conselho Administrativo, conforme aviso de recebimento juntado à fl. 961. Todavia protocolizou Embargos de Declaração, somente em 05/03/2013, quando este deveria ser protocolizado no dia 01/03/2013, restando certificada a intempestividade. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10240.001850/200901 Acórdão n.º 1202001.150 S1C2T2 Fl. 5 3 No caso em tela, pela análise das datas constantes do processo o protocolo se deu após este lapso temporal, o que o torna intempestivo. Diante do fato demonstrado, votase no sentido de não conhecer do recurso de embargos, por intempestivo. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 21 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 13019.000155/2005-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF:
O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRAZO DE CINCO DIAS. ART. 65 DO RICARF: O prazo para a interposição de embargos de declaração é de 05 (cinco) dias a contar da intimação da decisão, de acordo com o art. 65 do RICARF. Os embargos apresentados após o transcurso deste prazo não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, não se conheceu do recurso, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 01 9. 00 01 55 /2 00 5- 10 Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 2 1. Tratase de Embargos de Declaração opostos, intempestivamente, pela contribuinte ITAPINUS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRA LTDA. contra o Acórdão nº. 220100.067 (fls. 701/707) deste Colegiado que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário interposto. 2. Transcrevo a ementa da decisão embargada, in verbis: “Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE PARA ESTABELECIMENTO DA CONTRIBUINTE. O frete de mercadorias acabadas para armazenamento em estabelecimento da contribuinte não dá direito a créditos de PIS por falta de previsão legal nesse sentido. PIS NÃOCUMULATIVO. FRETES VINCULADOS A SUPOSTAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A documentação apresentada pela contribuinte não comprova cabalmente a natureza das operações e, consequentemente, não comprova o direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado.” 3. Em suas razões de Embargos Declaratórios (fls. 1117/1122), a contribuinte esclarece que o recurso é tempestivo em razão de ter tomado conhecimento da decisão da qual recorre apenas em 03 de fevereiro de 2012. 4. No mérito, aponta que o acórdão recorrido merece reparação sob o argumento de que o transporte entre filiais para atingir o objetivo social da empresa gera direito de crédito da Cofins nãocumulativa. Cita o acórdão nº 340100.708, que entende ratificar sua tese. 5. Discorre que suas mercadorias eram vendidas para clientes domiciliados no exterior. Enfatiza que a tradição das mercadorias, que se destinavam unicamente à comercialização para o mercado externo, se dava no porto de embarque. 6. Indica, ainda, que o transporte entre as filiais era feito com único objetivo de exportação. 7. Em seu pedido, postula a total procedência do recurso com o consequente reconhecimento do seu direito ao crédito da Cofins nãocumulativa em relação ao custo do frete pelo transporte entre filiais. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS Processo nº 13019.000155/200510 Acórdão n.º 3401002.411 S3C4T1 Fl. 1.137 3 1. Os Embargos de Declaração têm um prazo inadiável de 5 (cinco) dias para ser interposto mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, de acordo com o §1º, do art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, transcrito a seguir: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão.” 2. De igual modo, o art. 536, do Código de Processo Civil, prevê o mesmo prazo de 5 (cinco) dias para a interposição dos Embargos Declaratórios. Confirase abaixo: “Art. 536. Os embargos serão opostos, no prazo de 5 (cinco) dias, em petição dirigida ao juiz ou relator, com indicação do ponto obscuro, contraditório ou omisso, não estando sujeitos a preparo.” (Redação dada pela Lei nº 8.950, de 1994) 3. No caso em tela, o protocolo se deu após este lapso temporal, sendo assim intempestivo. A Contribuinte foi intimada da decisão do Acórdão proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 06.10.2009, conforme Aviso de Recebimento juntado às fls. 710, entretanto, só protocolizou o seu embargo, em 17.02.2012, (fls. 1117), quando este deveria ser protocolizado até o dia 12.10.2009. 4. Impende destacar que a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório a si imposto de demonstrar que tomou conhecimento do acórdão recorrido apenas em 03.02.2012, conforme discorre em seu recurso (fls. 1119). 5. Deste modo, não conheço do recurso, por sua intempestividade. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS 4 É como voto. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 2 9/04/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JULIO CESAR ALV ES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933033/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
Ementa:
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621- RS, de 04/08/2011 - Relatora Ministra Ellen Gracie)
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3402-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira, Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621- RS, de 04/08/2011 - Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira, Raquel Motta Brandão Minatel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 204 1 203 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.933033/200926 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.282 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria PIS Recorrente HOSPITAL MATER DEI SA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE (MG) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. (RE nº 566621 RS, de 04/08/2011 Relatora Ministra Ellen Gracie) As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Winderley Morais Pereira, Raquel Motta Brandão Minatel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 30 33 /2 00 9- 26 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O interessado transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação (Per/Dcomp) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/12/2002. A Delegacia da Receita Federal (DRF) em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, o contribuinte apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade de fls. 1 a 4, a seguir resumida. Alega que a compensação realizada não contempla as situações impeditivas previstas no art.74 parágrafo 3o da Lei n° 9.430, de 1996, e que tem o direito de retificar as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e demais obrigações acessórias. Requer que seja acolhida a presente Manifestação de inconformidade. A 1ª Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0234843, de 26 de setembro de 2011, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2002 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA FORA DO PRAZO LEGAL. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. O prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário deve ser o mesmo para que o contribuinte proceda à retificação da respectiva declaração. Não tendo sido apresentada pelo contribuinte qualquer prova que demonstre a existência do direito creditório, não se pode considerar, por si só, a DCTF retifícadora como sendo instrumento hábil, capaz de conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 206 3 Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que possui direito ao crédito pleiteado, seja em razão da DCTF retificadora encaminhada, seja em face do seu crédito decorrer do recolhimento a maior, pois o recorrente incluiu erroneamente na base de cálculo do PIS e da Cofins o valor dos medicamentos sujeitos à alíquota zero, tributandoos, indevidamente, à alíquota de 3% e 0,65%. Termina sua petição requerendo que seja reformada a decisão guerreada, reconhecendo o direito da recorrente à restituição pleiteada. Alternativamente, requer a anulação da decisão da primeira instância e a determinação de diligência para apuração da base de cálculo da exação. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Impende suscitar, preliminarmente, uma matéria que prejudica a análise do mérito. Entendo que estamos diante de pedido de restituição prejudicado pelo instituto da decadência, senão vejamos: É de conhecimento geral que o Plenário do Supremo Tribunal Federal julgou a questão da decadência e definiu que o prazo reduzido para repetição do indébito só seria aplicado às demandas protocoladas a partir de 09 de junho de 2005, no acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 566621 RS, de 04/08/2011. Segue o voto condutor do acórdão que fechou a questão do dies a quo e do prazo de repetição do indébito tributário, in verbis: Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamentos por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150 § 4º, 156, VII e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial, quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 207 4 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Consoante noção cediça, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelo artigos 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Portanto, por força regimental, sou obrigado a rever minha posição e aplicar a decisão da mais alta Corte Judiciária. Retornando aos autos, o pedido de restituição foi protocolado em 08/04/2009, após a data definida pelo STF para aplicação da LC 118/08, o que determina a observância do prazo de 5 anos contados da data da extinção do crédito tributário para fins de decadência do direito à repetição de indébito. Compulsando os autos, identifico que o recolhimento do valor pleiteado deu se em 15/01/2003 e a o pedido de restituição foi transmitido em 08/04/2009. Diante destes fatos jurídicos, é lícito concluir que na data de transmissão do PER/DCOMP estava extinto o direito à restituição do valor relativo ao recolhimento do PIS efetuado em 15/01/2003, objeto desta lide, em face da decadência. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 208 5 Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Diante dessa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Assim sendo, como todo o valor pleiteado foi fulminado pelo instituto da decadência, deixo de apreciar as demais matérias ventiladas no recurso em face da prejudicial de mérito. Por todos os fundamentos expostos, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 28/01/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.933033/200926 Acórdão n.º 3402002.282 S3C4T2 Fl. 209 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 9/02/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10930.002166/2003-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.536
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de IPI (fl. 461), no valor de R$ 1.074.610,14 (R$ 366.254,18 referentes a saldo credor art. 11 da Lei no 9.779/99, e R$ 708.392,08 relativos a crédito presumido Portaria MF no 38/1997), cumulado com declarações de compensação (fl. 4 e fls. 137 a 140). 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .0 02 16 6/ 20 03 -7 4 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 532 2 A unidade local, alicerçada no Parecer de fls. 164 a 166, emite o despacho decisório de fl. 167, em 14/05/2008, deferindo parcialmente o pedido (no montante de R$ 831.849,78), que é utilizado na compensação de fl. 4 (totalmente homologada), e na de fls. 137 a 1410 (parcialmente homologada, indicandose restar débito de R$ 324.939,70). No Termo de Diligência Fiscal de fls. 141 a 150, informase que houve acolhida total dos créditos derivados da Lei no 9.779/99, e que, em relação aos demais, fundados na Lei no 9.363/1996, com opção e cálculo pela Lei no 10.276/2001, houve glosa de revendas, pois o crédito é para utilização em processo produtivo. Cientificada do despacho em 29/05/2008 (AR à fl. 236), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 30/06/2008 (fls. 237 a 246), alegando que informou de forma equivocada o período dos créditos (Lei no 10.276/2001) que acabaram indeferidos, que não eram do 1o Trimestre de 2003, mas do 4o Trimestre de 2002, e que devem ser observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, não podendo o erro formal se sobrepor ao direito creditório. Por fim, tendo em conta que o pedido de ressarcimento foi efetuado em 16/06/2003, pede atualização pela Taxa SELIC “do período compreendido entre o direito ao crédito e a sua utilização”, invocando precedentes judiciais. O julgamento de primeira instância ocorre em 15/02/2012 (fls. 310 a 317), decidindo a DRJ unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade. Diante da ausência de impugnação sobre a glosa para operações de revenda, a DRJ considera a matéria incontroversa. No que se refere ao crédito presumido referente ao 4o Trimestre de 2002, afirma que somente o crédito presumido apurado e escriturado no trimestre pode ser ressarcido/compensado, e que não é possível saber se tal crédito já não foi objeto de outro pedido de ressarcimento / compensação (e, ainda que fosse permitido o aproveitamento, a empresa não trouxe documentos necessários à comprovação do direito creditório). Sobre a atualização, a DRJ sustenta que não se aplica a créditos escriturais, na linha adotada na Solução de Consulta COSIT no 19/2002 e nas últimas instruções normativas que disciplinaram a matéria (IN SRF no 900/2008, art. 72; e IN SRF no 600/2005, no 460/2004 e no 210/2002), e que mesmo as atualizações concedidas administrativa e judicialmente partem da data de protocolo dos pedidos, e não da data do crédito. Cientificada da decisão da DRJ (em 27/02/2012, conforme AR de fl. 320), a empresa apresenta recurso voluntário em 23/03/2012 (fls. 321 a 334, com os anexos de fls. 335 a 528), reiterando as considerações sobre o erro formal cometido, e agregando que: (a) é absurda a argumentação de que o fisco não tem como saber se foi feito outro pedido de ressarcimento, pois o próprio sistema da RFB permite a verificação; (b) o recurso tem por objeto o crédito presumido de IPI não reconhecido referente ao 4o Trimestre de 2002, no montante de R$ 232.812,29; (c) a escrituração do crédito no Livro Registro de Apuração só passou a ser exigida com o advento das IN SRF no 419, de 10/05/2004 (crédito da Lei no 9.363/1996) e no 420, de 10/05/2004 (crédito da Lei no 10.276/2001), não podendo a falta de escrituração motivar o indeferimento; (d) o DCP relativo ao 4o Trimestre de 2002 pode excepcionalmente ser entregue no prazo concedido para o 1o Trimestre de 2003 (IN SRF no 314/2003, art. 3o); (e) os documentos que comprovam o valor do crédito estão nos próprios sistemas da RFB, havendo solicitação de cópia pela empresa, sem sucesso; (f) houve erro no cálculo do crédito glosado no DARF que veio anexo ao acórdão da DRJ, restando o valor incompatível com os constantes no processo; e (g) cabe a atualização pela SELIC “sobre todos os créditos do pedido de ressarcimento/compensação, no período compreendido entre a apuração do crédito presumido e a data de protocolo do pedido”. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 533 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O Pedido de Ressarcimento, após sua retificação (fls. 46), se refere tanto a créditos do art. 11 da Lei no 9.779/1999 (R$ 366.254,18, que, deduzidos de R$ 36,12 referentes a operações tributadas, resultam em R$ 366.218,06, integralmente acatados pelo fisco, e que não são objeto de contencioso), quanto a créditos presumidos referenciados à Portaria MF no 38/1997 (dos R$ 708.392,08 demandados no pedido, foram acatados R$ 383.452,38, restando débito a compensar de R$ 324.939,70), e indica, no canto superior direito, que o pedido se refere ao 1o Trimestre de 2003. No Termo de Diligência Fiscal de fls. 141 a 150, narrase que a empresa apresentou cópia de DCP, memórias de cálculos e ficha do razão referente aos períodos solicitados, juntandose ainda cópias do balancete do período analisado. E que no DCP indica se crédito presumido ao final do trimestre de R$ 475.579,79. São glosadas operações de R$ 568.483,17 indevidamente incluídas na conta Receita de Exportação, por estarem em desacordo com a Lei no 9.363/1996 (art. 1o), visto se tratarem de operações de revenda. A glosa fez com que o valor de R$ 475.579,79 resultasse em R$ 465.631,72), e não é objeto de contestação pela recorrente. Portanto, há ausência de litígio à parcela de R$ 9.948,07. O despacho decisório, assim, acolhe quase em sua plenitude as informações registradas pela empresa: dos R$ 366.218,06, acatase tudo, e dos R$ 475.579,79, acatase R$ 465.631,72. Contudo, somando os R$ 366.218,06 com os R$ 475.579,79, chegase a R$ 841.797,90, distante R$ 232.812,30 do valor de R$ 1.074.610,14, demandado no Pedido de Ressarcimento. O despacho decisório foi, assim, corretamente emitido diante das informações prestadas pela postulante. Ocorre que o pedido de ressarcimento excedeu em R$ 232.812,30 os registros contábeis e fiscais do 1o Trimestre de 2003. É somente na manifestação de inconformidade que se descobre o porquê da diferença. Vejase que na peça de defesa a recorrente discute somente e exatamente a quantia de R$ 232.812,30, defendendo que: “...os créditos foram indicados como sendo todos do 1o Trimestre de 2003. Contudo, tal indicação foi efetuada de forma equivocada pela requerente, pois parte destes créditos referese ao 4o Trimestre de 2002, conforme se pode observar dos documentos anexos. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 534 4 Ou seja, a parte não reconhecida como Crédito Presumido de IPI referese, em verdade, ao 4o Trimestre de 2002, motivo pelo qual a Administração Fazendária não reconheceu o crédito pleiteado. Os documentos anexos ao presente demonstram com clareza solar a legitimidade e a origem do crédito presumido de IPI, oriundo do quarto trimestre de 2002. Outrossim, como se observa às fls. 130 a 134 do presente processo administrativo, o crédito tributário referente ao quarto trimestre vinha sendo apresentado para fins de compensação.” (grifo nosso) Há aqui duas informações relevantes. A primeira de que houve um erro no pedido já efetuado e, por consequência, que não se está emendando o pedido (o que seria incabível em tal fase processual). De fato, o valor indicado para o 4o Trimestre de 2002 pela empresa (R$ 232.812,29) difere em um centavo do excesso verificado no Pedido de Ressarcimento (R$ 232.819,30). E os documentos indicados como fls. 130 a 134 (fls. 152 a 156 na paginação eletrônica) mostram que o saldo de R$ 232.812,29 foi apresentado a compensação (embora também na DCOMP a indicação fosse de 1o Trimestre de 2003). A segunda é de que a documentação anexa demonstra a legitimidade e a origem do crédito presumido de IPI oriundo do 4o Trimestre de 2002. São anexados à manifestação de inconformidade (além das identificações e comprovações de representação) os seguintes documentos: (a) cópia recibo de entrega de DCOMP (fl. 306); e (b) cópia de extrato da ficha 07E do Demonstrativo de Apuração do Crédito Presumido de IPI DCP (fl. 307). Não nos parece que as duas folhas de documentos apresentadas demonstrem, ainda mais com “clareza solar”, como alega a recorrente, a legitimidade e a origem do crédito. Quando muito, servem para endossar a coincidência aritmética à qual chegamos anteriormente, no sentido de que deve a empresa ter realmente incluído indevidamente créditos do 4o Trimestre de 2002 no pedido que se referia a créditos do 1o Trimestre de 2003. E a coincidência de montantes, aliada à verdade material, seria caracterizadora de situação a demandar diligência, para verificação do direito creditório, nos mesmos moldes da verificação efetuada para o 1o Trimestre de 2003. Mas não foi esse o entender do julgador de piso. A DRJ, relacionando dispositivos da IN SRF no 33/1999 (que trata de créditos derivados da Lei no 9.779/1999), e as IN SRF no 21/1997, no 210/2002, no 460/2004 e no 600/2005 (que disciplinam em diferentes períodos o ressarcimento, em geral), conclui que apenas os créditos presumidos apurados no trimestrecalendário podem ser objeto de pedido de ressarcimento, e alicerça sua conclusão ainda no art. 11 da Lei no 9.779/1999, afirmando que “tratase de um caso onde a materialidade está subordinada à legislação, mormente a relativa ao período de apuração do IPI e ao próprio texto do artigo 11 da Lei no 9.779/99”. O equívoco agora é do julgador: os créditos derivados do art. 11 da Lei no 9.779/1999 não estão mais em discussão no presente processo. Restaram contenciosos somente os créditos presumidos derivados da Portaria MF no 38/1997 (em verdade, das Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001). O crédito presumido demandado pela empresa é o alternativo, da Lei no 10.276/2001 (art. 1o): Fl. 534DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 535 5 “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. (...)” (grifo nosso) E a Lei no 9.363/1996 dispõe: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art.4o Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2o do art. 2o, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica. Art.6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” Com a autorização expressa da Lei no 9.363/1996 é editada então a Portaria MF no 38/1997 (posteriormente revogada pela Portaria MF no 64/2003, que já contemplou o crédito presumido alternativo, da Lei no 10.276/2001, por sua vez revogada pela Portaria MF no 93/2004, que, alterada pela Portaria MF no 253/2011, atualmente disciplina a matéria), que consta na motivação do pedido de ressarcimento, datado de 13/06/2003 (fl. 46). Nessas normas se deve buscar, como afirma a lei, “os requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento”. Há confusão, assim, na argumentação do julgador de piso, quando mescla disposições referentes a créditos de natureza distinta. E, sobre as Instruções Normativas gerais Fl. 535DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 536 6 que tratam de ressarcimento (essas sim abarcando ambos os tipos de crédito) não se encontra vedação à operação: os créditos apurados no trimestrecalendário (no caso, 4o Trimestre de 2002) podem ser objeto de ressarcimento se condizentes com as informações constantes em DCP e DCTF do trimestrecalendário de escrituração. A pergunta a ser efetuada, basicamente, é a seguinte: fosse o pedido, desde o início, desmembrado em 4o Trimestre de 2002 (R$ 232.812,29), e 1o Trimestre de 2003 (R$ 366.218,06 + R$ 475.579,79), o que parece ter sido o objetivo da recorrente (embora tenha se equivocado formalmente) faria a empresa jus ao ressarcimento de R$ 232.812,29? Caso a resposta seja positiva, temos que o direito creditório existe , e está sendo negado tão somente por erro formal no pedido. Em relação ao 1o Trimestre de 2003, é preciso recordar que resta incontroverso o direito ao crédito de R$ 366.218,06 e a parte do crédito de R$ 475.579,79 (no valor de R$ 465.631,72). E é essa pergunta que norteia nossa convicção pela necessidade de diligência. A unidade local não analisou qualquer ressarcimento relativo ao 4o Trimestre de 2002 (basicamente porque não percebeu que estava sendo solicitado tal ressarcimento – não por culpa dela, mas por erro formal do postulante). E não se pode afirmar que a demanda em relação aos R$ 232.812,29 constitui um novo pedido, não contemplado no de fl. 46, pois tal valor já estava ali inserido. Os parcos documentos acostados em sede de manifestação de inconformidade são certamente insuficientes à comprovação do direito creditório, mas são aptos a introduzir razoável dúvida no julgador, em virtude da coincidência aritmética de valores. Em sede de recurso voluntário são juntados ainda outros documentos/cópias: DCTF original e retificadora referentes ao 4o Trimestre de 2002 (fls. 338 a 492), PER/DCOMP original e retificadora referentes ao 1o Trimestre de 2003 (fls. 493 a 511), DCP original e solicitação de cópia de retificadora referente ao 4o Trimestre de 2002 (fls. 513 a 522), cópia de folha do Razão contábil (fl. 524) e demonstrativo de cálculo de glosa (fl. 526). A recorrente agrega a ainda a seu recurso voluntário o DARF apresentado para pagamento, que indica, a título de principal, R$ 324.939,70, informando estar incorreto tal valor. Há realmente questão a ser esclarecida sobre o DARF: o pedido de ressarcimento (fl. 46) se refere a R$ 1.074.610,14, dos quais são reconhecidos R$ 366.218,06 (crédito básico) e R$ 465.631,72 (crédito presumido), totalizando R$ 831.849,78 (valor que confere com o deferido no despacho decisório de fl. 167). Subtraindo o valor reconhecido daquele pedido, chegase a R$ 242.760,36, que é exatamente o resultado da soma da glosa pacífica do 1o Trimestre de 2003 (R$ 9.948,07) com o valor que se atribui ao crédito presumido do 4o Trimestre de 2002 (R$ 232.812,29). Esse o montante de crédito indeferido: R$ 232.812,29. Por que então o valor a título de principal no DARF é R$ 324.939,70 e não R$ 242.760,36? Essa é a pergunta da recorrente. A resposta parece derivar da imputação dos créditos às compensações com os débitos, cf. cálculos de fls. 159 a 161, mas tais cálculos não foram suficientemente detalhados. Pelo exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade local conclusivamente verifique a existência de crédito presumido (Lei n. 10.276/2001) em relação ao 4o Trimestre de 2002 que supedaneie o ressarcimento, especificamente no que se refere ao montante de R$ 232.812,29 (pois a tomada em conta de valor que supere tal montante extrapolaria o pedido de ressarcimento de fl. 46, configurando Fl. 536DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10930.002166/200374 Resolução nº 3403000.536 S3C4T3 Fl. 537 7 um novo pedido, que não é passível de análise nessa fase processual), e sua eventual utilização em outra oportunidade (ou disponibilidade), permitindo a resposta à pergunta efetuada há cinco parágrafos, neste voto, e agregando ainda outras considerações que entender necessárias. A verificação deverá tomar em conta os mesmos critérios usados para a análise dos créditos referentes ao 1o Trimestre de 2003 (salvo determinação expressa decorrente de alteração legislativa no período). Por fim, deve a unidade local detalhar matematicamente a motivação da diferença entre o valor a título de principal no DARF apresentado para pagamento e aquele indeferido no pedido de ressarcimento. Após a emissão do relatório de diligência, dêse ciência à recorrente, observandose os ditames do parágrafo único do art. 35 do Decreto no 7.574/2011, para que se manifeste em trinta dias, devolvendose os autos a este colegiado. Rosaldo Trevisan Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por ROSALDO TREVISAN
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