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Numero do processo: 15922.000382/2009-93
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. INDICAÇÃO DO BENEFICÍARIO.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. SCI nº 23 da COSIT, a respeito do tema.
Numero da decisão: 2002-006.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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DESPESAS MÉDICAS. INDICAÇÃO DO BENEFICÍARIO. “Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades”. SCI nº 23 da COSIT, a respeito do tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Diogo Cristian Denny. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 35/38) contra decisão de primeira instância (e-fls. 26/30), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Contra o contribuinte foi lavrada a presente de Notificação de Lançamento decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício 2006, ano-calendário 2005, no valor total de R$ 792,43, sendo R$ 378,85 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, R$ 284,13 de multa de oficio e R$ 129,45 de juros de mora, calculados até 27/02/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 03 82 /2 00 9- 93 Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-006.468 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15922.000382/2009-93 A Notificação, lavrada em 02/03/2009, decorre de glosa de dedução com despesas médicas no valor de R$ 9.400,00 consoante a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal": Dedução Indevida de Despesas Médicas Glosa do valor de R$ 9.400,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Glosa de despesas médicas no valor de R$ 9.400,00 , conforme abaixo discriminadas: Pedro Roberto de Paula, CPF: 212.143.016-49, R$ 8.400,00, visto que os recibos apresentados relacionados ao profissional acima, não atendem ao disposto no Art. 80,§1°, III do decreto n ° 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda); DI Serviços Médicos Ltda, CNPJ: 06.045.890/0001-34, R$ 1.000,00, cvisto que o comprovante apresentado totaliza R$ 1,000,00 e não R$ 2.000,00 como informado na declaração. Cientificado em 11/03/2003, o contribuinte ingressou com impugnação tempestiva 03/04/2009, alegando que apresentou todos os recibos emitidos por Dr. Pedro Roberto de Paula. A 11ª Turma da DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação entendendo que o contribuinte não logrou comprovar o beneficiário dos serviços prestados, bem como o efetivo pagamento. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. REQUISITOS LEGAIS. PAGAMENTOS Para fazer prova das despesas médicas pleiteadas como dedução na declaração de ajuste anual, os recibos emitidos devem atender aos requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda pessoa física. Não comprovados os pagamentos efetuados a título de despesas médicas é de manter-se a glosa para essas deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando que: - todos os recibos apresentados estão em consonância com as disposições legais; - junta declaração com firma reconhecida do prestador de serviços atestando a veracidade das informações. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 66DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-006.468 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15922.000382/2009-93 Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 24/01/2012 (e-fl. 34); Recurso Voluntário protocolado em 15/02/2012 (e-fl. 35), assinado pelo próprio contribuinte. Irresignado com a r. decisão revisanda que manteve a glosa de despesas médicas do profissional Pedro Roberto de Paula, por não informar o destinatário do tratamento, o contribuinte maneja recurso próprio, juntando documentos. Tendo sido considerado pela r. decisão primeira a impugnação parcial, a dedução glosada de R$ 1.000,00 relativo ao DI Serviços Médicos Ltda, restou para julgamento a dedução referente ao profissional Pedro Roberto de Paula no valor de R$ 8.400,00. Fundamenta a r. decisão que os recibos foram glosados por dois motivos, primeiro por não identificar o paciente, segundo pela não comprovação do efetivo pagamento. O primeiro motivo não se sustenta tendo em vista a Solução abaixo. Com a aprovação da Solução de Consulta Interna n° 23-COSIT, esta questão foi superada, senão vejamos: “Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode- se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades”. O segundo fundamento, entende este relator que tem a mesma sorte do primeiro, senão vejamos: O recorrente carreou aos autos a “Declaração” do profissional, que lhe prestou o serviço (e-fl. 55), com os recibos (e-fls. 4/15 – 56/59) e a declaração apresentada é de ser restabelecida a referida dedução, não existindo nada nos autos que desabone tais documentos. Assim nesta quadra de entendimento, razão assiste ao recorrente. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do recurso voluntário e, no mérito, dá-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 67DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.913751/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1402-000.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em resolvem converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em resolvem converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em resolvem converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 13 75 1/ 20 09 -9 1 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.913751/200991 Resolução nº 1402000.379 S1C4T2 Fl. 150 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão que não homologou compensação requerida pela Recorrente por meio da PER/DCOMP 11799.01601.190509.1.3.049503, apresentada em 19/05/2009, para compensar débito de COFINS no valor de R$ 30.861,38 tendo em vista que segundo a fiscalização o crédito não tinha certeza e liquidez, uma vez que referido montante tinha sido integralmente utilizado na quitação de outros débito de responsabilidade do contribuinte. A PER/DCOMP objetivava compensar crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL referente ao anobase de 2008, com débito de COFINS no importe de R$ 30.861,38 referente ao período de apuração de maio de 2009. O r. Despacho Decisório (fls.32) não homologou a compensação nos seguintes termos: Limite do credito analisado, correspondente ao valor do crédito original na date da transmissão informando no PER/DCOMP: 339.077.89. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Após notificada do r. despacho, a Recorrente ofereceu manifestação de inconformidade (fls. 01/06), juntando documentos às fls. 07/54. Segundo alegado pela Recorrente em sua defesa, "a não homologação da compensação objeto do presente processo foi fundamentada no fato de que o pagamento relativo à guia DARF, indicada na DCOMP n. 11799.01601.190509.1.3.049503, no valor de R$ 3.740.708,49, como originária do crédito compensado, estaria integralmente alocado à quitação de débitos da Requerente. Porém, referida informação é equivocada, já que decorre de erro, por parte da Requerente, na apuração da CSLL relativa ao anobase de 2008. E o que se passará a demonstrar. Com efeito, ao calcular a CSLL a pagar no referido período, a Requerente indevidamente incluiu, na base de cálculo da contribuição em questão, indevidamente, os montantes de R$ 984.137,61 e R$ 1.936.784,30, recebidos nos meses de abril e setembro, respectivamente, a titulo de dividendos decorrentes de ações detidas em diversas companhias, conforme comprova o razão contábil anexo (conta 7.1.9.99.10 doc. 04). Em decorrência da adição de tais recebimentos na base de cálculo da contribuição, a Requerente apurou CSLL a pagar, relativa ao anobase de 2008, de R$ Fl. 151DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.913751/200991 Resolução nº 1402000.379 S1C4T2 Fl. 151 3 3.740.708,49, tendo efetuado o recolhimento em 30/01/2009, conforme comprova a guia DARF anexa (doc. 05). Ocorre que, após ter realizado o pagamento, a Requerente verificou que cometeu um equivoco, já que os dividendos pagos aos cotistas são isentos da tributação da CSLL, nos termos do artigo 10 da Lei n° 9.249/95, em conjunto com o artigo 57 da Lei no 8.981/95. Dessa forma, como não há a incidência da CSLL sobre os rendimentos pagos pela pessoa jurídica aos sócios quotistas, a Requerente recalculou a contribuição devida, excluindo os valores em questão da respectiva base de cálculo (doc. 06), tendo apurado o montante a pagar de R$ 3.356.731,77, conforme declarado em sua DIPJ/2009, ficha 16 e 17 (doc. 06). Assim, ao subtrair do valor recolhido (R$ 3.740.708,49) a contribuição realmente devida (contabilizada e declarada), de R$ 3.356.731,77, concluise que houve recolhimento a maior, representando pagamento indevido passível de compensação com outros débitos da Requerente. Portanto, estando demonstrado que do total recolhido por meio da guia DARF indicada na DCOMP 11799.01601.190509.1.3.049503, apenas o montante de R$ 3.356.731,77 é realmente devido pela Requerente, conforme comprovam os documentos, registros contábeis e DIPJ anexos, concluise que (i) somente este valor (R$ 3.356.731,77) poderá ser alocado ao débito de CSLL relativo ao anobase de 2008 e (ii) a diferença entre o valor recolhido e o devido representa crédito decorrente de pagamento a maior, motivo pelo qual se requer o cancelamento do Despacho Decisório ora recorrido, a fim de que seja reconhecida a existência do direito creditório pleiteado e homologada a DCOMP n 11799.01601.190509.1.3.049503, [...]." Ao final, requer o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação solicitada na PER/DCOMP ora em análise. Em seguida, a DRJ do Rio de Janeiro proferiu v. acórdão (fls.75/78), com o seguinte relatório e voto vencedor. Trata o presente processo de compensação materializada pela declaração (Per/DComp) autuada, na qual a interessada acima qualificada empregou alegado crédito, oriundo de pagamento indevido ou a maior e referente ao anocalendário 2008. A compensação declarada não foi homologada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente, o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos legais: art. 165 e 170 da Lei n.º 5.172/66 (CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Inconformada com a denegação de seu intento, a interessada interpôs manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, erro na apuração do débito primariamente extinto pelo pagamento fonte do suposto crédito. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.913751/200991 Resolução nº 1402000.379 S1C4T2 Fl. 152 4 O voto vencedor que manteve o r. Despacho Decisório foi no seguinte sentido: A manifestação de inconformidade é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dela conheço. Fazse mister perceber que, com a MP n.º 135/03, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833/03, a informação de débitos em DCTF equivale à confissão de dívida, pelo que se tornam desde logo exigíveis. O mesmo entendimento foi exarado pela PGFN, que em seu Parecer nº 991/01, assim concluiu: (...) 15. A título de conclusão, podemos afirmar: a) a declaração e confissão de dívida tributária, hoje efetuada no âmbito da secretaria da Receita Federal por intermédio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, guarda conformidade com a ordem jurídica em vigor, sendo plenamente válida para viabilizar a inscrição em Dívida Ativa e a cobrança judicial, se for o caso; b) a sistemática de cobrança do “saldo a pagar”, mediante inscrição em Dívida Ativa e os conseqüentes a partir daí, é juridicamente escorreita, representando, inclusive, um aperfeiçoamento desejável pela redução, em tese, de inconsistências de várias ordens; c) não há necessidade, a rigor não é juridicamente válida, a formalização ou constituição de crédito tributário já revelado no âmbito da sistemática da declaração e confissão de dívida na modalidade do “saldo a pagar”; d) a Secretaria da receita Federal pode, e deve, alterar o montante do “saldo a pagar”, sem afronta ao débito devido (“débito apurado”), se identificar de ofício fatos relevantes para tanto, devidamente contemplados na legislação tributária.” (...) No presente caso, após a ciência do despacho decisório que frustrou a compensação realizada é que a interessada afirma ter identificado erro, para maior, na apuração dos tributos que devia, fazendoo apenas pela via retórica, sem demonstrar suas razões e nem mesmo tendo retificado previamente ao envio da Dcomp a DCTF afeta ao período. Como pretensos elementos de prova em favor da defesa foram carreados aos autos apenas documentos da produção da própria interessada, característica que lhes reduz a força probante, por clamar a necessária confirmação por fontes a quem o direito em litígio não aproveita. Certo é que alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Assim, não bastasse o julgamento não ser a sede adequada para a retificação de declaração, não há falar em princípio da verdade material quando a suposta verdade alegada não encontra amparo em nenhum meio de prova que favoreça a alegação, in casu, p.e., a escrituração fiscal que aponte o verdadeiro valor do débito que a interessada pretendia que fosse reduzido em sua DCTF. Neste contexto, importa dizer que a DIPJ é mero meio de demonstração de apuração do tributo devido, sendo apenas a DCTF a declaração que importa confissão de dívida. Também é oportuno lembrar que a escrituração contábilfiscal faz prova em favor do sujeito passivo quando devidamente acompanhada dos documentos que lhe serviram de base, sendo esta a inteligência do artigo 923 do Decreto nº 3.000/99: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.913751/200991 Resolução nº 1402000.379 S1C4T2 Fl. 153 5 “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais “ Assim, ao crédito informado desta maneira faltam os atributos fundamentais para o seu emprego em compensação, quais sejam a liquidez e a certeza exigidas pelo art. 170 do CTN. Ante o exposto, restame negar provimento à manifestação de inconformidade. Inconformada com a r. decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos e documentos da manifestação de inconformidade, acrescentando a preliminar de nulidade do v. acórdão "a quo", por ter deixado de analisar documentos e alegações postas em sua defesa inicial que comprovariam a certeza e liquidez do crédito. Por fim, requereu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação, ou então; em respeito ao princípio da busca da verdade material; a conversão do julgamento em diligência para que se analise os documentos acostados aos autos desde a manifestação de conformidade. A Recorrente indica na numeração do Recurso Voluntário que em relação a compensação ora em análise existe o Processo de Cobrança 163327.915907/200979. É o relatório. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.913751/200991 Resolução nº 1402000.379 S1C4T2 Fl. 154 6 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser admitido. Ao compulsar os autos e analisar o v. acórdão recorrido, pude constatar que assiste razão a Recorrente ao alegar que a r. decisão "a quo", deixou de analisar alegações e documentos importantes, acostados à manifestação de inconformidade. Importante ressaltar, que os autos do processo em epígrafe foram instruídos apenas com documentos juntados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade e Recurso Voluntário (fls. 07/54 113/147), inexistindo qualquer informação ou documentos por parte da Fiscalização. Os documentos juntados aos autos pela Recorrente são: 1 o Razão Contábil constando os valores R$ 984.137,61 e R$ 1.936.784,30, 2 demonstrativo de apuração do tributo apurado sem os valores indevidamente incluídos, 3 DIPJ e 4 DARFs. A DRJ, por sua vez, deixou de analisar tais documentos sob o argumento de que são de autoria unilateral da Recorrente e por isso não teriam força probante. Vejamos. No presente caso, após a ciência do despacho decisório que frustrou a compensação realizada é que a interessada afirma ter identificado erro, para maior, na apuração dos tributos que devia, fazendoo apenas pela via retórica, sem demonstrar suas razões e nem mesmo tendo retificado previamente ao envio da Dcomp a DCTF afeta ao período. Como pretensos elementos de prova em favor da defesa foram carreados aos autos apenas documentos da produção da própria interessada, característica que lhes reduz a força probante, por clamar a necessária confirmação por fontes a quem o direito em litígio não aproveita. De resto, o v. acórdão recorrido se restringiu apenas em motivar sua decisão na falta de certeza e de liquidez do crédito utilizado na PER/DCOMP, conforme anteriormente apontado no r. Despacho Decisório. Não existe nenhuma menção no texto do v. acórdão recorrido, sobre as alegações relativas: a) constituição do crédito pago indevidamente ou a maior da CSLL, b) do erro cometido pela autuada em adicionar na base de cálculo da contribuição valores decorrentes de dividendos de ações detidas de diversas companhias, c) da alegação de que tais dividendos são isentos de acordo com artigo 10 da Lei 9.249/95 c/c artigo 57 da Lei 8.981/95 e d) do princípio da busca da verdade material. O v. acórdão " a quo" julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base nas informações do Despacho Decisório de que o crédito já tinha sido utilizado para quitar outros débitos da contribuinte e, por tal motivo, careceria de certeza e liquidez. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO Processo nº 16327.913751/200991 Resolução nº 1402000.379 S1C4T2 Fl. 155 7 Ocorre, que a decisão recorrida não aponta e não traz aos autos, qualquer informação com quais débitos foi utilizado o crédito ora em análise. Na realidade, não existe nos autos, qualquer documento por parte da Fiscalização, que demonstre que o crédito foi utilizado integralmente para quitar outros débitos. Ou seja, o v. acórdão recorrido não analisou todas as alegações feitas pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, para declarar a inexistência do crédito e manter a não homologação da compensação. Todas as alegações dispostas na manifestação de inconformidade, foram feitas relacionando documentos fiscais juntados pela Recorrente aos autos, no momento processual adequado. A Recorrente, juntou Livro Razão indicando os valores R$ 984.137,61 e R$ 1.936.784,30 incluídos indevidamente na base de cálculo da contribuição, nos meses de abril e setembro de 2008, junta Demonstrativo de Cálculo excluindo os valores escriturados indevidamente e a DIPJ 2009 retificadora do anocalendário 2008, onde o montante de R$ 4.482.607,56 está devidamente refletido nas fichas 16 e 17, já reduzido os pagamentos por estimativa de R$ 1.125.875,79, apontando a apuração do valor de R$3.356.731,77. Ocorre, que tais documentos, que não foram devidamente analisados pela instância "a quo", apontam fortes indícios de que ocorreu o recolhimento a maior/pagamento indevido, passível de compensação. (R$ 3.740.708,49 R$ 3.356.731,77 = 383.976,63 que seria o valor a maior). Entretanto, tanto o r. Despacho Decisório, como o v. acórdão recorrido, se restringiram em negar a existência do crédito e não homologar a compensação devido a falta de liquidez e certeza do crédito. Desta forma, face os fundamentos acima expostos, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora se manifeste sobre tais documentos, elaborando relatório de diligência. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento, para converter o julgamento em diligência, para que a autoridade local se manifeste sobre tais documentos de fls. 07/53 e 113/147, elaborando relatório circunstanciado de diligência. Em seguida abrase prazo de 30 dias para a Recorrente se manifestar sobre a resposta da diligência. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 16/09/2016 por LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES, Assinado digitalmente em 18/09/2016 por LEONARDO DE A NDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004614/2008-39
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA
RECIBOS E DECLARAÇÕES MÉDICAS. AUSÊNCIA DE DEMAIS PROVAS.
O conjunto probatório, destinado ao convencimento da Administração Fiscal, deve ser analisada objetivamente e sem olvidar as particularidades do fato gerador subjacente, razão pela qual meros recibos e declarações, ainda que datados e assinados, sem demonstração inequívoca de transferência de patrimônio, não possui aptidão suficiente de prova hábil e idônea apta a comprovar desembolsos dessa natureza.
Numero da decisão: 2003-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as glosas sobre as despesas médicas declaradas, no valor total de R$ 22.550,00.
(assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Presidente Substituta e Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente Substituta). Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: GABRIEL TINOCO PALATNIC
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2003 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA RECIBOS E DECLARAÇÕES MÉDICAS. AUSÊNCIA DE DEMAIS PROVAS. O conjunto probatório, destinado ao convencimento da Administração Fiscal, deve ser analisada objetivamente e sem olvidar as particularidades do fato gerador subjacente, razão pela qual meros recibos e declarações, ainda que datados e assinados, sem demonstração inequívoca de transferência de patrimônio, não possui aptidão suficiente de prova hábil e idônea apta a comprovar desembolsos dessa natureza.
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AUSÊNCIA DE DEMAIS PROVAS. O conjunto probatório, destinado ao convencimento da Administração Fiscal, deve ser analisada objetivamente e sem olvidar as particularidades do fato gerador subjacente, razão pela qual meros recibos e declarações, ainda que datados e assinados, sem demonstração inequívoca de transferência de patrimônio, não possui aptidão suficiente de prova hábil e idônea apta a comprovar desembolsos dessa natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as glosas sobre as despesas médicas declaradas, no valor total de R$ 22.550,00. (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Substituta e Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente Substituta). Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. Relatório Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de relatório inserida pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida. Notificação de lançamento levada a efeito pela Administração Fiscal às fls. 2-7, em que foi lançado, em face da contribuinte supramencionada, crédito tributário no valor de R$ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 46 14 /2 00 8- 39 Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.390 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004614/2008-39 21.138,43, por dedução indevida com despesas médicas e com dependentes, relativamente ao imposto de renda de pessoa física no ano-calendário de 2003. À quantia total já incide multa de ofício, no importe de 75% e no valor de R$ 6.184,74, e juros de mora calculados em R$ 5.237,36. Foi apresentada impugnação à notificação de lançamento, pessoalmente e às fls. 14-27, onde, preliminarmente, aduziu nulidade do auto de infração por ausência de direito de defesa e por inobservância da forma prescrita em lei; e, no mérito, sustentou, em síntese, que as declarações e recibos juntados, de lavra de profissionais da ciência médica, provam a regularidade das deduções inscritas na declaração de ajuste anual. Documentos às fls. 28-41. Nesse interstício, ainda, a contribuinte juntou outras provas (fls. 44-53), em atendimento a termo de intimação fiscal (fl. 43). Sobreveio acórdão de primeira instância, que julgou, por unanimidade, pela manutenção integral do crédito tributário lançado, conforme fundamentação às fls. 59-66. Continuando, a contribuinte interpôs o competente recurso voluntário (fls. 70- 105), em que, também pessoalmente, alegou as mesmas razões levantadas em sede de impugnação. Não juntou outras provas. Autos, por fim, remetidos a esta colenda Seção de Julgamento, para decisão colegiada (fl. 107), com as homenagens e cautelas de estilo. É o relato do essencial. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Redatora ad hoc. Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira. Conheço do recurso interposto, haja vista que a contribuinte foi cientificada da decisão combatida em 29/6/2010 (fl. 65), e formalizou seu inconformismo em 15/7/2010, sendo, portanto, tempestivo e preenchido das demais formalidades legais. Em questões preliminares, a contribuinte alegou nulidade da notificação de lançamento por ausência de direito de defesa e falta de indicação dos dispositivos legais infringidos, o que não merece prosperar. A contribuinte exerceu o direito ao contraditório e à ampla defesa, apresentando impugnação à notificação (fls. 14-27) e, nesta fase processual, recurso contra a decisão de primeira instância (fls. 70-105), sendo, portanto, mera retórica, destituída de fundamento mínimo, essa alegação. Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.390 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004614/2008-39 De se notar, ainda, que todas as razões sustentadas pela contribuinte na impugnação foram rebatidas, fundamentadamente, pelo acórdão de primeira instância, concluindo, portanto, que a Administração Fiscal observou o contraditório tanto em seu aspecto formal (conferindo prazo para o exercício de direito de defesa) quanto na vertente substancial, eis que todos os argumentos foram utilizados para formar a convicção da autoridade julgadora. Nada obstante, a contribuinte participou, também, dos atos preparatórios ao lançamento do crédito tributário, ao se manifestar após ciência dos termos de intimação fiscal, conforme fls. 44 e 55. Refuto, de igual modo, a alegação de ausência de fundamentação legal na notificação de lançamento, eis que, mediante simples verificação das fls. 2-7, percebe-se que houve observância irrestrita aos incisos I a IV do art. 11 do Decreto 7.235/1972. No mérito, a pretensão não merece prosperar. Como asseverado pelo acórdão de primeira instância, declarações e recibos firmados por profissionais médicos, ainda que datados e assinados, não possuem força probante suficiente para afastar as glosas consignadas por deduções indevidas de despesas dessa natureza. Tais documentos somente possuem o condão de provar o alegado quando colacionadas com extratos bancários ou cópias de cheques que comprovem, além da dúvida razoável, os desembolsos por tratamento médico — porque apenas dessa forma é possível demonstrar a efetiva despesa experimentada. Nesse particular, mesmo a autora tendo informado, à fl. 55, que utilizou cheques bancários para pagar certos tratamentos médicos, não apresentou, tanto em impugnação quanto em recurso, qualquer espelho desses títulos, razão pela qual o acórdão de primeira instância se impõe. Assim, como o recorrente não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida, à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter o crédito tributário tal como lançado. (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (voto de Gabriel Tinoco Palatnic) Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.390 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.004614/2008-39 Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10183.004878/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 12 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 02 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004, 2005
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. COMPROVAÇÃO.
No caso dos autos o contribuinte apresentou laudo técnico e outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente, cabendo a isenção pleiteada.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. AVERBAÇÃO. SÚMULA CARF. 122.
A averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental.
Numero da decisão: 2401-009.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de preservação permanente de 959,3 ha e a área de reserva legal de 9.035,0 ha. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Rodrigo Lopes Araújo que davam provimento parcial em menor extensão para reconhecer apenas a área de reserva legal.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. COMPROVAÇÃO. No caso dos autos o contribuinte apresentou laudo técnico e outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente, cabendo a isenção pleiteada. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. AVERBAÇÃO. SÚMULA CARF. 122. A averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de preservação permanente de 959,3 ha e a área de reserva legal de 9.035,0 ha. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Rodrigo Lopes Araújo que davam provimento parcial em menor extensão para reconhecer apenas a área de reserva legal. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 48 78 /2 00 8- 32 Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório AIRTON NOGUEIRA COSTA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1 a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 04-23.220/2011, às e-fls. 232/242, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural - ITR, em relação aos exercícios 2004 e 2005, conforme Auto de Infração, às e-fls. 08/12, e demais documentos que instruem o processo. Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 16/10/2008 (AR. fl. 106), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindo-se crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Falta de recolhimento do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício de 2004 e 2005, apurado após a alteração da declaração do contribuinte, conforme art. 14 da Lei 9393/96, por não terem sido comprovadas as informações nela contida, com respeito aos itens abaixo: 1. Área Total: Contribuinte solicita redução da área declarada de 18070,0 há para l6403,7 há. Para isso, apresentou mapas, laudo e matrículas. Analisando-se as informações prestadas, o imóvel é composto pelas matrículas 2718, área de 326,7, mat. 4717, área de 463,98, mat. 4853, área de 15599,66, mat. 2307, área de l047,8, mat. 7511, área de 22,12 e mat. 4409, área de 609,85, totalizando uma área de 18070,1 ha. No mapa apresentado somente é feito referencia às matrículas de n° 2718, 4717 e 4853, totalizando uma área de 16403,76. O Eng. Deonésio Moreira da Silva, no laudo de avaliação apresentado informa que a diferença a menor de 1666.4 há seria explicado pela "onocuidade" de três matrículas, informando que após a certificação do georreferenciamento no INCRA elas seriam canceladas automaticamente. Já o contribuinte informa na declaração de limites que a Fazenda Rio Novo ë constituída das matrículas 4853 e 2307. Por essas informações apresentadas, já se constatam informações desencontradas. Se o contribuinte constatou a inexistência efetiva das áreas matriculadas, ele deveria ter providenciado o cancelamento delas junto ao Cartório e depois apresentado a esta Fiscalização. Pelos documentos hora apresentados não ficou configurada a inexistência de tais áreas, sendo assim ficará mantida a área declarada em DITR. 2. Área de preservação permanente: Nas DITR de 2004 e 2005 o contribuinte declarou uma área de 3614,0 há de APP. Sendo intimado a comprovar a existência e o direito ã sua exclusão da base de cálculo do ITR, apresentou laudo que, contemplando apenas as matrículas 2718, 4717 e 4853, área total de 16403,77 há, informa apenas uma área de 959,35 há de APP. Já no Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 protocolo de ADA, apresentado ao IBAMA em 30/10/2006, é informada uma área de 843,6 de APP para uma área total do imóvel de 17022,1 há. Com essas informações incoerentes não tem como se afirmar qual a área efetiva de APP para o imóvel declarado com área total de 18070,1 há. Além disso, o contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Por todo o exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título nas DITR de 2004 e 2005. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 17-0, §1°, com a redação dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). 3. Área de Reserva Legal: Contribuinte declarou em DITR 2004 e 2005 uma área de reserva legal de 9035,0 há de reserva legal. Sendo intimado a comprovar tal área, apresentou laudo e mapas que informam a existência de 6203.4 há de reserva legal para uma área de 16403,7 há para as matrículas de n° 2718, 4717 e 4853. Em todas matrículas do imóvel consta averbação, datado de janeiro de 2001, de 50% da área total referente ä reserva legal. Entretanto, o contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. Por todo o exposto, está sendo desconsiderado o valor declarado a esse título nas DITR de 2004 e 2005. (Enquadramento Legal: Lei n° 6.938, de 1981, art. 17-0, §1°, com a redacão dada pelo art. 1° da Lei 10165, de 2000 e IN/SRF n° 60, de 2001, e IN/SRF 256, de 2002). O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande/MS entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às e-fls. 252/265, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da decisão de piso: (...) Área de Preservação Permanente. Disse que a APP, de 3.614,0 ha, que corresponde à vegetações ciliares obedecendo às determinações do Código Florestal, se encontra devidamente averbada na matrícula do imóvel e não poderá ser alterada através de Laudo Tecnico. Além do mais, o imóvel se localiza dentro do Pantanal Mato-Grossense, protegido pelo Decreto Federal n° 86.392/1981 e pela Lei Estadual n° 6.758/1996. Área de Reserva Legal. A ARL de 9.035,0 ha, percentual na época de 50,0%, esta devidamente averbada nas matrículas do imóvel. Ta] averbação foi efetuada em 10/01/2001 e deve ser acatada para a exclusão do ITR O Ato Declaratório Ambiental. Informou que regularizou o ADA cientifícando ao IBAMA a ARL no total de 9.035,0 ha e a APP no total de 3.614,0 ha. (...) Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornando-a sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira, Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes das DITR/2004 e 2005, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente declarada de 3.614,0 ha e a área de reserva legal de 9.035,0 ha, disto resultando o imposto suplementar apurado na folha de rosto da Autuação. Em outro viés, a contribuinte afirma que deve ser considerada a área de preservação permanente devidamente comprovada mediante Laudo Técnico e a de reserva legal encontra-se averbada na matricula do imóvel, sendo dispensável a apresentação do ADA. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental - ADA dentro do prazo legal, quanto à área de preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural - ITR. Consoante se infere dos autos, conclui-se que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constata-se que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: I - VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7 o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1 o , deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerá-la como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal (utilização limitada) e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não apresentação do ADA (como defendeu a DRJ), e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, deve-se admiti-las para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.166-67/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm#art3 Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa - SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural - ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tão-somente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.00011206- 7/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17-O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.166-67/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retro-operância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17-O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região - AMS 2005.36.00.008725-0/MT - e-DJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT - DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.166-67/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT - Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.006274-2/PR - 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 Pois bem. De acordo com a explanação encimada, destaco que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Inclusive, observa-se que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Pois bem, o contribuinte traz aos autos Laudo Técnico, fls. 74/96, firmado por Engenheiro Agrônomo, devidamente acompanhado de ART, o qual conclui pela existência de uma área de preservação permanente de 959,3 ha, senão vejamos: Área de Preservação Permanente: A propriedade conta com uma área 959,3 ha caracterizada como de Preservação Permanente que corresponde às formações vegetais ao longo dos diversos cursos d'água, lagoas e vazantes, devidamente quantificadas e mantidas em seu estado natural. Dito isto, sendo dispensada a apresentação do ADA para fins de reconhecimento da área de preservação permanente e estando devidamente comprovada por meio de laudo técnico, deve ser restabelecida a isenção sobre 959,3 ha de APP. Ademais, a contribuinte anexa a demanda o Ato Declaratório Ambiental - ADA para o exercício 2006, o qual comprova a existência da área de preservação permanente de 843,60 ha para área total do imóvel de 17.022,1 ha. Nos exercícios em questão a área total do imóvel é de 18.070,0 ha, sendo compatível com a área atestada no laudo. Neste diapasão, estando comprovado pelo Laudo Técnico a existência de 959,3 ha relativos a área de preservação permanente, impõe-se reconhecer a isenção pleiteada sobre essa fração. DA ÁREA DE RESERVA LEGAL Como dito anteriormente, a recorrente pugna pelo reconhecimento da área de reserva legal, por constar sua averbação na matricula do imóvel. Pois bem, no que se refere à área de reserva legal, para fazer jus à isenção pleiteada, deve está averbada na matricula do imóvel, como entendimento supramencionado e no teor da Súmula CARF n° 122, contemplando o tema, senão vejamos: Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.691 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.004878/2008-32 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Neste diapasão, analisando as matrículas acostadas aos autos (matrículas 2.178, 4.717, 4.853, 7.511, 4.409 e 2.307), em todas elas é possível observar a averbação da área de reserva legal correspondente a 50% do imóvel. Essa informação, inclusive, foi atestada pela própria autoridade autuante, a qual motivou sua glosa apenas na falta de apresentação do ADA, senão vajamos o teor da acusação: (...) Em todas matrículas do imóvel consta averbação, datado de janeiro de 2001, de 50% da área total referente ä reserva legal. Entretanto, o contribuinte não apresentou comprovante da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao IBAMA em até 6(seis) meses, contado do término do prazo para entrega da DITR. (...) Portanto, sendo a área total do imóvel de 18.070,0 ha e tendo a contribuinte declarado como área de reserva legal 50% desta, conforme averbação da matricula do imóvel, ou seja, 9.035,0 ha, resta rechaçada a pretensão fiscal. Sendo assim, deve ser reconhecida a isenção sobre os 9.035,0 ha declarados como de ARL. CONCLUSÃO Por todo o exposto, estando o lançamento sub examine em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a isenção sobre as áreas de 959,3 ha e 9.035,0 ha a título de preservação permanente e reserva legal, respectivamente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.720868/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 1ª Seção de Julgamento, para sorteio entre as Turmas Ordinárias, por tratar-se de recurso voluntário que aborda como litígio exigência de crédito tributário em valor superior a 60 (sessenta) salários mínimos, relativo a multa de mora exigida em processo vinculado apenso a estes autos, bem como por também trazer como controvérsia o enfrentamento de reconhecimento de crédito em valor superior àquele, extrapolando a competência das Turmas Extraordinárias, na forma do disposto no caput do art. 23-B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 343/2016.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a 1ª Seção de Julgamento, para sorteio entre as Turmas Ordinárias, por tratar se de recurso voluntário que aborda como litígio exigência de crédito tributário em valor superior a 60 (sessenta) salários mínimos, relativo a multa de mora exigida em processo vinculado apenso a estes autos, bem como por também trazer como controvérsia o enfrentamento de reconhecimento de crédito em valor superior àquele, extrapolando a competência das Turmas Extraordinárias, na forma do disposto no caput do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 343/2016. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando (Processo n.º 10680.720868/200756), de Recurso Voluntário (efls. 247/262) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .7 20 86 8/ 20 07 -5 6 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 284 2 suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 10680.723493/200948 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 232/237), proferida em sessão de 22 de julho de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0223.071, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade (efls. 48/59, posteriormente aditada, efls. 169/171), sob argumento de inexistência de litígio, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2002 LITÍGIO. Inexiste litígio quando a compensação declarada pelo contribuinte é totalmente homologada pelo fisco. Impugnação não Conhecida. A contribuinte BELGO MINEIRA PARTICIPAÇÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A (sucedida por BMP SIDERURGIA S/A, CNPJ 17.469.701/000177, efl. 217, atualmente denominada ARCELORMITTAL BRASIL S/A, efls. 212/222) transmitiu, em 19/09/2005, Pedido Eletrônico de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 37798.91545.190905.1.3.030774 (efls. 02/08), objetivando compensar débitos próprios relativo à estimativa da CSLL do mês de Março/2003, no valor de R$ 1.357.094,34, com créditos originados de saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2002 no importe de R$ 1.507.581,33. No Despacho Decisório (DD) DRF/BHE n.º 141, de 30 de janeiro de 2008 (e fls. 31/33), foi consignado que a DCOMP foi baixada para tratamento manual e que o contribuinte não adicionou o valor da multa de mora em relação ao débito compensado. Registrouse, ainda, que foi imputado o crédito apurado ao débito informado na DCOMP, remanescendo saldo credor favorável ao contribuinte no importe de R$ 36.258,06, em 31/12/2002. Por fim, lavrouse o seguinte dispositivo no DD: Diante do exposto, reconheço ao contribuinte o direito à utilização do crédito de R$ 1.507.581,33, em 31/12/2002, referente à CSLL, o qual deverá ser utilizado para extinguir por compensação o débito objeto da declaração de compensação n.º 37798.91545.190905.1.3.030774, homologando totalmente a compensação, inclusive com a inclusão da multa de mora omitida na Dcomp. Intimando o contribuinte do referido despacho decisório, em 11/02/2008 (efls. 37/38), começou a fluir o prazo para apresentar manifestação de inconformidade. Ocorre que, em 25/02/2008 (efls. 43 e 46), o sujeito passivo voltou a ser intimado, desta vez sendo alertado do seguinte conteúdo: Solicitamos desconsiderar a correspondência datada de 06/02/2008, recebida por essa empresa em 11/02/2008, a qual informava acerca da existência de saldo credor de R$ 36.258,06 em 31/12/2002, relativo ao saldo negativo da CSLL. O referido saldo foi utilizado para extinguir parcialmente o débito da Empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A, CNPJ 17.469.701/000177, conforme Dcomp n.º 36813.68887, permanecendo em aberto todo o Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 285 3 débito informado na Dcomp 40834.81935. Conforme já informado na referida correspondência, a outra parcela do crédito foi utilizada para extinguir, mediante compensação, o débito informado na Dcomp 37798.91545 (CSLL 03/2003, no valor de R$ 1.357.094,34) [DCOMP destes autos, efls. 02/08], transmitida pelo contribuinte em referência, inclusive com os acréscimos legais devidos. Neste contexto, o contribuinte, primeiro, em 17/03/2008 (efl. 48), apresentou manifestação de inconformidade (efls. 48/59) para, em resumo, questionar o dispositivo do Despacho Decisório (efls. 31/33), que incluiu a multa de mora na DCOMP. O inconformismo do sujeito passivo está na inclusão, de ofício, da multa de mora na DCOMP, no não reconhecimento da denúncia espontânea e, especialmente, no reconhecimento do saldo credor remanescente em R$ 36.258,06, pois, na ótica da defesa, seria em valor bem superior, inclusive estando declarado em outro PTA, n.º 10680.720.177/0811 (DCOMP's ns.º 36813.68887.190905.1.3.036823, efls. 181/184; e 40834.81935.200905.1.3.038801, efls. 185/188). A redução do reconhecimento do saldo credor prejudicaria as outras DCOMP's. Em segundo momento, em 23/04/2008, o contribuinte aditou a manifestação de inconformidade (efls. 169/171) para, em suma, juntar DIPJ retificadora. Em 04/03/2009, a DRJ determinou diligências nos autos, incluindo também medidas de saneamento do processo, com retorno à unidade de origem, até mesmo para oportunizar ao contribuinte a apresentação de nova manifestação de inconformidade, se lhe fosse conveniente (efls. 200/205). O resultado da diligência constou dos autos (efls. 226/227), sendo mister anotar que "conforme Despacho Decisório n.º 784, de 19/03/2009 (Processo 10680.720.117/200811, de interesse da sucessora), '...devem ser homologadas integralmente as compensações declaradas e, partindose do pressuposto de que a declaração de compensação equivale ao pagamento do débito, fica a discussão acerca da incidência ou não da multa de mora (20% sobre o valor original dos débitos) na liquidação dos débitos para outra oportunidade' ". Outro importante registro do resultado da diligência (efls. 226/227) foi ter consignado que foi elaborado quadro demonstrando que o crédito apurado relativo ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2003 foi suficiente para extinguir, mediante compensação, os débitos das declarações de compensação sem a incidência de multa de mora, sendo o crédito informado nas declarações de compensação suficiente para extinguir, mediante compensação, os débitos nelas informados pela sucedida e pela sucessora , sem a incidência de multa de mora, homologandose integralmente a compensação declarada, com o tratamento da multa de mora em processo distinto. Após retorno dos autos para a DRJ, sobreveio o Acórdão n.º 0223.071, em 22/07/2009 (efls. 232/237), que traz em seu relatório o seguinte contexto fático, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade: O presente processo trata de Declaração de Compensação (DCOMP), mediante utilização de pretenso "Saldo Negativo de CSLL" apurado no ano calendário de 2002. A compensação declarada pelo contribuinte, sinteticamente: Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 286 4 O documento protocolizado pelo contribuinte foi analisado pela DRF Belo Horizonte/MG através do Despacho Decisório anexado às fls. 30 a 32 [efls. 31/33], onde resumidamente: Reconhece ao contribuinte o "direito à utilização do crédito de R$ 1.507.581,33, referente à CSLL". Ou seja, reconhece como válida a totalidade do saldo negativo de CSLL apurado pelo contribuinte em sua DIPJ 2003/AC 2002. HOMOLOGA integralmente a compensação declarada na DCOMP n.º 37798.91545.190905.1.3.030774, "inclusive com a inclusão da multa de mora omitida na DCOMP". O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório exarado, bem como do saldo remanescente não utilizado na DCOMP acima mencionada, no valor de R$ 36.258,06, aos 11/02/2008, conforma AR (Aviso de Recebimento) à fl. 37 [efl. 38]. Posteriormente, a DRF localiza outras 02 (duas) DCOMP's, protocolizadas pelo contribuinte BELGO SIDERURGIA S/A, portador do CNPJ n.º 17.469.701/000177 utilizando o mesmo crédito identificado na DCOMP n.º 37798.91545.190905.1.3.030774. São elas (fls. 176 a 183) [efls. 181/188]: Tendo em vista a localização das DCOMP's identificadas no item anterior, a DRF envia ao contribuinte o comunicado anexado à fl. 42 [efl. 43], de onde se extrai: Solicitamos desconsiderar a correspondência datada de 06/02/2008, recebida por esta empresa em 11/02/2008, a qual informava acerca da existência de saldo credor de R$ 36.258,06 em 31/12/2002, relativo ao saldo negativo da CSLL. A correspondência acima informa ao contribuinte que o saldo remanescente apurado no Despacho Decisório foi utilizado na extinção parcial dos débitos declarados nas DCOMP's 36813.68887.190905.1.3.036823 e 40834.81935.200905.1.3.038801, resultando na homologação parcial das compensações declaradas naquelas DCOMP's. O contribuinte recebeu a correspondência mencionada no item anterior aos 25/02/2008, conforme AR à fl. 44 [efl. 46]. Em resposta, o contribuinte apresentou aos 17/03/2008 a manifestação de inconformidade anexada às fls. 46 a 57 [efls. 48/59], onde resumidamente argumenta: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O fisco reconheceu o crédito utilizado nas DCOMP's, "contudo ao promover a compensação Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 287 5 incluiu, nos valores que a empresa pretendia quitar, um valor supostamente devido a título de multa de mora (...)". Neste contexto, aduz que "mistura a decisão os institutos da compensação e da imputação e homologa MAIS do que o contribuinte pediu; aceita o crédito, mas dele se apropria além do que foi autorizado para abater a multa de mora e, por isso, sobra apenas o valor de R$ 36 mil". "Além dos sérios problemas da miscelânea dos institutos acima anunciada, a decisão ora impugnada não traz qualquer memória de cálculo, tornando impossível entender qual foi a multa imputada". Com este argumento propugna pela nulidade da decisão, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa. Busca amparo em manifestações de renomados tributaristas e em jurisprudência judicial. O impugnante alega que o crédito consumido indevidamente pelo fisco na extinção da multa de mora já fora utilizado em outras DCOMP's, cadastradas no processo 10680.720177/200811. A utilização de parte do crédito reconhecido na quitação desta multa resultou "em aberto saldo no montante de R$ 234.176,46 de principal, inflando de forma flagrantemente ilegal o débito fiscal, na medida em que sobre o principal continuam a incidir juros até a presente data". Ressalta que "este montante está sendo cobrado nos autos do PTA 10680.720177/200811, onde sequer fora proferido despacho homologando a compensação e, simplesmente foi expedida uma carta cobrança no montante de R$ 339.130,54". Menciona que "se a RFB entendia como devida a multa de mora, deveria ter lançado este valor e não realizar uma imputação sobre um valor de crédito que já estava tomado por outro pedido de compensação". Acrescenta ainda que é "patente a inconstitucionalidade da imputação do pagamento de tributo tal como prevista no art. 163 do CTN". Ilustra com acórdãos do Conselho de Contribuintes. Menciona a incompatibilidade da imputação proporcional aos processos de compensação, invocando o art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, asseverando que "o pedido de compensação é um direito potestativo do contribuinte, cabe a ele dizer qual é o crédito e qual o débito deseja quitar com o instituto da compensação". Na seqüência, alega que "não cabe multa de mora em denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN". Menciona que os débitos compensados foram apurados na revisão da DIPJ antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório por parte do fisco, portanto, sem a incidência da multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. Ilustra com jurisprudência judicial. Em outra linha argumentativa, alega que "os débitos nascem de recolhimento por estimativa, onde não cabe qualquer penalidade pelo não recolhimento, uma vez que ajustado na virada do exercício". Ilustra com acórdãos do Conselho de Contribuintes. Por fim, pleiteia a procedência da manifestação de inconformidade nos seguintes termos: Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 288 6 Nulidade da decisão da DRF, em função da ausência da memória de cálculos da imputação do crédito. Restabelecimento do crédito originário, sem a inclusão da multa de mora, tendo em vista o art. 138 do CTN e a origem do débito estimativa. Protesta pela juntada da DIPJretificadora. Apensação deste processo ao de n.º 10680.720.177/0811. Tendo em vista os fatos acima relatados e as alegações apresentadas pelo impugnante, o processo foi convertido em diligência para a DRF de origem: Comprovar documentalmente a legalidade da utilização do crédito pertencente ao contribuinte detentor do CNPJ 00.664.902/000122 (BMP) na compensação dos débitos de responsabilidade do contribuinte portador do CNPJ 17.469.701/000177 (BMPS). Anexar documento de apreciação das DCOMP's ns.º 38613.68887.190905.1.36823 e 36813.68887.190905.1.36823. Cientificar o contribuinte dos atos prolatados, reabrindose novo prazo para apresentação de manifestação de inconformidade, se for o caso. Em resposta, a DRF elaborou o "Relatório de Diligência" anexado às fls. 220/221 [efls. 226/227], de onde se extrai: "foi elaborado o Despacho Decisório n.º 784, de 19/03/2009, por meio do qual foram apreciadas as declarações de compensação n.º 36813.68887.190905.1.3.036823 e 40834.81935.200905.1.3.038801, conforme processo 10680.720117/200811". A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir no sentido de não conhecer a manifestação de inconformidade: Considerando a data da ciência do Despacho emitido pela DRF e a apresentação da manifestação de inconformidade, constatase a sua tempestividade. Contudo, outra questão a ser tratada neste processo reportase à identificação do litígio, se existente, e a competência desta DRJ na apreciação das razões apresentadas pelo impugnante. Então vejamos. Considerando os documentos anexados ao processo, vislumbrase a existência de DCOMP's enviadas por dois contribuintes distintos — CNPJ 00.664902/000122 e CNPJ 17.469701/000177, utilizando o mesmo crédito na extinção de débitos pela compensação. A DCOMP protocolizada pelo contribuinte portador do CNPJ n.º 00.664902/000122 foi cadastrada neste processo e objeto de análise do Despacho Decisório n.º 141 aos 30 de janeiro de 2008, anexado às fls. 30 a 32 [efls. 31/33]. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 289 7 As DCOMP's protoco1izadas pelo contribuinte portador do CNPJ 17.469701/000177 foram cadastradas no processo n.º 10680.720117/200811. A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte neste processo está direcionada à "carta de cobrança" emitida pela DRF naquele processo. O presente processo retornou à DRF de origem (DespachoDiligência) em 04/03/2009 (fls. 195 a 200) [efls. 200/205], para saneamento. Esta diligência resultou na prolação do Despacho Decisório n.º 784, de 19/03/2009, por meio do qual foram apreciadas as declarações de compensação n.º 36813.68887.190905.1.3.036823 e 40834.81935.200905.1.3.038801, através do processo 10680.720117/200811. Desta feita, as DCOMP's apresentadas pelo contribuinte portador do CNPJ n.º 17.469701/000177, que já se encontravam cadastradas no processo 10680.720117/200811, foram objeto de análise naquele processo e não fazem parte de qualquer lide a ser tratada neste processo. Em síntese, o assunto a ser abordado neste processo reportase à DCOMP n.º 37798.91545.190905.1.3.030774, protocolizada pelo contribuinte portador do CNPJ 00.664902/000122, e objeto de análise pela DRF através do Despacho Decisório n.º 141, de 30/01/2008. Verificando o Despacho Decisório anexado às fls. 30 a 32 [efls. 31/33] constatase que a DRF "HOMOLOGOU INTEGRALMENTE" a compensação declarada, apurando ainda a existência de saldo de crédito a ser objeto de restituição/compensação (fl. 36) [efl. 37]. Verificando os §§ 7.º e 9.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, constatase que é facultada ao contribuinte a manifestação de inconformidade quanto à não homologação da compensação. Estes dispositivos não se aplicam ao caso vertente, uma vez que a compensação declarada neste processo foi integralmente homologada pelo fisco. (...) Notese que (...) o crédito pleiteado foi reconhecido e as compensações declaradas foram homologadas. Diante de tudo acima descrito, constatase que inexiste litígio neste processo, especialmente considerando que o procedimento executado pelo contribuinte extinção do crédito tributário pela compensação foi totalmente homologado pelo fisco. À vista de tudo acima descrito, VOTO por NÃO CONHECER DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, pela inexistência do litígio. A despeito da decisão da DRJ, o contribuinte, em recurso voluntário (efls. 247/262), reitera os argumentos suscitados na manifestação de inconformidade, defendendo, em síntese, que: Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 290 8 a) o litígio instaurado a partir da Manifestação de Inconformidade não reside na homologação ou não da compensação requerida, mas, sim, no saldo credor remanescente apontado no Despacho Decisório n.º 141, de 30/01/2008; b) a adoção, pelo Fisco, de imputação proporcional de pagamentos é ilegal; c) a inexistência de multa de mora em razão da denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Na sequência a unidade preparadora consignou o seguinte (efl. 280): Esclareçase que a compensação foi inicialmente levada a efeito efetuandose os cálculos segundo os critérios da imputação proporcional, mesmo não tendo o contribuinte informado a multa de mora na declaração de compensação. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, discordando dos procedimentos. Dando início à análise da manifestação de inconformidade, a DRJ/BHE devolveu o processo à DRF/BHE em diligência conforme fls. 147/150 [efls. 200/205], tendo sido desfeita a compensação e refeitos os cálculos sem a incidência da multa de mora, conforme documento de fls. 179/180 [efls. 226/227]. A compensação foi homologada totalmente, mas sem o cômputo da multa de mora. Após ter recebido a cobrança da multa de mora não computada pelo contribuinte na declaração de compensação, juntamente com cópia do Acórdão DRJ/BHE (fls. 226/231) [efls. 232/237], o contribuinte protocolou em 11/09/2009 o recurso voluntário de fls. 235/253 [efls. 247/262], acompanhado dos documentos de fls. 254/267 [efls. 263/279], no qual alega, em síntese a ocorrência do instituo da denúncia espontânea. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Em seguida, foi apensado aos presentes autos o Processo n.º 10680.723493/200948, o qual trata da exigência da cobrança da multa de mora em processo distinto, uma vez que não computada na declaração de compensação, que restou homologada. Na carta cobrança o valor da multa de mora consta como sendo de R$ 325.751,77 (efl. 38, Processo n.º 10680.723493/200948). Posteriormente, os processos foram distribuídos para este relator. Após a publicação da pauta de julgamentos, apresentouse memoriais distribuídos para o Colegiado. É o que importa relatar. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 291 9 O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, incluindo adequada representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 14/08/2009, efls. 239/240, e protocolo realizado em 11/09/2009, efl. 247), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. No entanto, antes de declarar a admissibilidade, apresento para debate do Colegiado questão pertinente a competência desta Turma Extraordinária para os referidos autos, considerando que, ao meu ver, a temática pode gerar divergências e meu voto é pela declinação da competência. Desde logo, cabem alguns comentários iniciais. Vejase, o art. 23B, caput, do Regimento Interno do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), com redação dada pela Portaria MF n.º 329, de 2017, enuncia que: Art. 23B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, ... : (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) grifos acrescidos Da leitura acima, extraise a compreensão que compete as Turmas Extraordinárias a análise de recursos voluntários que tratem de processos até 60 (sessenta) salários mínimos, equivalente a R$ 57.240,00 (Agosto/2018). Por ocasião da distribuição destes autos a competência foi direcionada para a Turma Extraordinária, isto porque no Despacho Decisório DRF/BHE n.º 141, de 30 de janeiro de 2008 (efls. 31/33), foi consignado que o sujeito passivo teria um saldo credor remanescente de R$ 36.258,06 (não seria maior tendo em vista que deixou de adicionar na DCOMP destes autos a multa de mora, reduzindo o débito confessado, que seria em maior valor), o qual poderia ser utilizado da forma que lhe conviesse, observado o prazo prescricional, enquanto que, em notificação posterior (efls. 43 e 46), o contribuinte voltou a ser intimado, desta vez sendo advertido que deveria desconsiderar a informação do saldo credor de R$ 36.258,06, haja vista que o referido saldo teria sido alocado em outras duas DCOMP's, desta forma não mais existindo. Ocorre que, o contribuinte, em verdade, controverte não quanto a um saldo de R$ 36.258,06, que no primeiro momento tinha sido reconhecido (efls. 31/33) e depois foi desconsiderado (efls. 43 e 46), mas, sim, com relação a um saldo maior, inclusive chegando a consignar em sua defesa o seguinte trecho de clareza solar (efls. 48/59) para compreensão da persecução deste maior saldo: Como dito, além dos débitos arrolados pela empresa para serem quitados por meio da compensação, o fisco, por reputar devida apropriouse do crédito da Requerente para quitar uma multa moratória e efetuou a ilegal imputação proporcional de pagamentos. Ou seja, diminuiu o valor imputado pela Requerente ao pagamento do principal, alocandoo para pagamento da multa de mora manifestamente indevida. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 292 10 Com isto, sobraram R$ 36 mil nos presentes autos, mas que não foram suficientes para quitar o débito constante de outro PTA 10680.720.177/200811! Portanto, a Receita Federal adentrou no pedido de compensação para indeferilo em parte, deixando, artificialmente, restou em aberto saldo no montante de R$ 234.176,46 de principal, inflando de forma flagrantemente ilegal o débito fiscal, na medida em que sobre o principal continuam a incidir juros até a presente data. Como dito, este montante está sendo cobrado nos autos do PTA 10.680.720.177/200811, onde sequer fora proferido despacho homologando a compensação e, simplesmente, foi expedida uma carta cobrança no montante de R$ 339.130.54. Se a RFB entendia como devida a multa de mora, deveria ter lançado este valor e não realizar uma imputação sobre um valor de crédito que já estava tomado por outro pedido de compensação. Vale dizer, o contribuinte, em outras palavras, num primeiro momento quis informar que na DCOMP destes autos não utilizou todo o crédito que possuía, tendo deixado valor residual significativo para quitar outras duas DCOMP's, colacionadas posteriormente na instrução destes autos para melhor elucidação (efls. 181/184 e 185/188), de modo a buscar maior saldo de crédito, superior a 60 (sessenta) salários mínimos. O maior saldo decorre do fato do contribuinte não reconhecer a inclusão da multa de mora na compensação originalmente realizada, que redundou na sobra do saldo de R$ 36.258,06, quando, na visão do contribuinte, o saldo seria maior, posto que a multa de mora não deveria ter sido inclusa na compensação. No aditamento da manifestação de inconformidade (efls. 169/171) o contribuinte chega a elaborar uma tabela (efl. 170) na qual se vê claramente o destaque da rubrica "multa de mora", cujo valor supera duzentos mil reais (R$ 200.000,00) e é questionada pelo sujeito passivo, posto que em sua visão não é devida. De toda e qualquer sorte, na sequência do andamento processual, vêse que houve a reconsideração de toda a polêmica envolvendo as DCOMP's (37798.91545.190905.1.3.030774, efls. 02/08, destes autos; e PTA n.º 10680.720.177/0811 com as DCOMP's 36813.68887.190905.1.3.036823, efls. 181/184, e 40834.81935.200905.1.3.038801, efls. 185/188), conforme resultado de diligência (efls. 226/227), tendo sido homologadas todas elas integralmente, poderseia até dizer que houve um saneamento para solucionar em definitivo o litígio, de modo que não mais subsistiria lide. Neste caso, poderseia pensar que o litígio, efetivamente, estaria encerrado. Ocorre que, a discussão da multa de mora foi veiculada nos autos em apenso ao presente, no Processo n.º 10680.723493/200948, o qual vem a tratar da exigência da cobrança da multa de mora, vez que não computada na declaração de compensação. Na carta cobrança o valor da multa de mora consta como sendo de R$ 325.751,77 (efl. 38, Processo n.º 10680.723493/200948). Para este contexto, considerando que a carta cobrança da multa de mora, ao que consta, chegou ao sujeito passivo junto com a decisão da DRJ, o contribuinte, em recurso voluntário (efls. 247/262), alegou, em suma: (i) que o litígio instaurado não reside na homologação ou não da compensação requerida, mas, sim, no saldo credor remanescente Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10680.720868/200756 Resolução nº 1002000.017 S1C0T2 Fl. 293 11 apontado no Despacho Decisório n.º 141, de 30/01/2008; e (ii) que inexiste multa de mora em razão da denúncia espontânea. Desta forma, no recurso voluntário destes autos (efls. 247/262), o fato é que há pedido direcionado ao Processo n.º 10680.723493/200948, que cuida da exigência da cobrança da multa de mora, no importe de R$ 325.751,77 (efl. 38, Processo n.º 10680.723493/200948). Noutro prisma, a DRF no encaminhamento dos autos anotou (efl. 280) que "...o contribuinte protocolou em 11/09/2009 o recurso voluntário de fls. 235/253 [efls. 247/262], acompanhado dos documentos de fls. 254/267 [efls. 263/279], no qual alega, em síntese a ocorrência do instituo da denúncia espontânea." Noutro norte, de certo modo, aflorando o inconformismo do contribuinte, a decisão da DRJ voltou a confirmar o crédito como sendo de apenas R$ 36.258,06, o que não seria suficiente para homologar as DCOMP's do PTA n.º 10680.720.177/0811 DCOMP's 36813.68887.190905.1.3.036823, efls. 181/184, e 40834.81935.200905.1.3.038801, efls. 185/188), gerando dúvidas para a questão dos autos, especialmente quando afirma que o objeto deste processo seria unicamente a DCOMP 37798.91545.190905.1.3.030774 e que o Despacho Decisório (efls. 31/33) teria apurado a existência de saldo de crédito (crédito que no despacho é de meros R$ 36.258,06 por causa da inclusão da multa de mora). Eis o trecho da decisão da DRJ, ipsis litteris: Em síntese, o assunto a ser abordado neste processo reportase à DCOMP n.º 37798.91545.190905.1.3.030774, protocolizada pelo contribuinte portador do CNPJ 00.664902/000122, e objeto de análise pela DRF através do Despacho Decisório n.º 141, de 30/01/2008. Verificando o Despacho Decisório anexado às fls. 30 a 32 [efls. 31/33] constatase que a DRF "HOMOLOGOU INTEGRALMENTE" a compensação declarada, apurando ainda a existência de saldo de crédito a ser objeto de restituição/compensação (fl. 36) [efl. 37]. Considerando o até aqui esposado, com as particularidades apontadas, entendo que não compete a Turma Extraordinária apreciar o caso em comento, face ao limite de alçada, ao meu ver, não podendo se dizer que a análise gravite apenas em torno dos valores apontados na distribuição ou que não tenha litígio envolvido a apontar inexistência de valor para a demanda. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por declinar da competência à Primeira Seção do CARF, para sorteio entre as Turmas Ordinárias, por tratarse de recurso voluntário que aborda como litígio exigência de crédito tributário em valor superior a 60 (sessenta) salários mínimos, relativo a multa de mora exigida em processo vinculado apenso a estes autos, bem como por também trazer como controvérsia o enfrentamento de reconhecimento de crédito em valor superior àquele, extrapolando a competência das Turmas Extraordinárias, na forma do disposto no caput do art. 23B do Regimento Interno do CARF, com redação dada pela Portaria MF nº 343/2016. É como Voto. (Assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.909178/2015-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Relator
(documento assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Relator (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decididono RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. Vencidos os Conselheiros Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laércio Cruz Uliana Junior (Relator) e Márcio Robson Costa que rejeitaram a diligência e negaram provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Relator (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 09 17 8/ 20 15 -3 9 Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.123 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.909178/2015-39 Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório Trata-se de pedido de ressarcimento de PIS/COFINS não-cumulativo, por bem retratar os fatos, reproduzo parte do relatório DRJ: Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (...), que indeferiu Pedido de Restituição (PER) de pagamento indevido (...). O crédito não foi reconhecido porque o recolhimento se encontra integralmente apropriado ao débito correspondente declarado pelo contribuinte em DCTF e Dacon. (...) o contribuinte manifestou inconformidade (...), alegando em preliminar a nulidade do despacho, por ausência de motivação e análise do mérito, porquanto a avaliação do crédito limitou-se ao cruzamento eletrônico do pedido com os dados das declarações prestadas, o que ofende o princípio da verdade material, ante os meios de que a Administração dispõe para averiguar a existência do crédito (intimação ao contribuinte, diligência fiscal). No mérito, aduz que, diante do rumo jurisprudencial dado ao conceito de insumos (“nem tão próximo do conceito aplicado na legislação do IPI e nem tão distante daquele que refere-se ao Imposto de Renda”), viu-se diante do fato de ter deixado de apropriar créditos que lhe seriam de direito, e, consequentemente, de ter efetuado o recolhimento das aludidas contribuições a maior, sem que tivesse procedido ao desconto do crédito relativo à aquisição de certos insumos em sua apuração mensal (art. 3º, caput, II, e §4º, das Leis nº 10.637/02 e 10. 833/03). Alude que vários créditos foram aproveitados de forma extemporânea, independentemente da retificação da DCTF e Dacon, por força do §4º do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (cf. Solução de Divergência Cosit nº 06/2008). Juntou relação de créditos por operação a serem computados, distinguido-lhes as modalidades pela cor. Em vista disso, pede a restituição do pagamento indevido, corrigido pela taxa Selic. Seguindo a marcha processual normal, foi julgado improcedente o pleito da contribuinte, a DRJ compreendendo que contribuinte não faria jus ao seu pleito. Diante dos fatos acima narrados, a contribuinte pede reforma da decisão em recurso voluntário repisamos os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Fl. 175DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.123 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.909178/2015-39 Compulsando os autos, entendo que o processo encontra-se pronto para julgamento, sendo desnecessária qualquer diligência, no entanto a Turma entendeu de maneira diversa e no qual restei vencido, assim convertendo o feito em diligência. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior - Conselheiro Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade – Redator designado Com a devida vênia, divirjo do bem elaborado voto apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator, tendo sido designado para elaboração do voto vencedor em relação à conversão do julgamento em diligência. Minha compreensão foi no sentido de que o processo não se encontra maduro para decisão, merecendo o julgamento ser convertido em diligência. Explica-se: Uma das matérias em litígio diz respeito a possibilidade ou não do aproveitamento dos denominados créditos extemporâneos de PIS e da COFINS. A decisão recorrida, em breve síntese, trilhou no sentido de que no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não-cumulativo, exige-se a segregação dos créditos por períodos de apuração devido ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de repetição segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração, ou seja, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de repetição por qualquer uma das formas previstas (compensação ou ressarcimento, por exemplo). Por sua vez, a Recorrente defende que, nos termos do § 4º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes, autorizando aí, expressamente e sem qualquer oportunidade para interpretação diversa, o aproveitamento extemporâneo de créditos de PIS e COFINS. Esta Turma de Julgamento em recentes decisões, em processos que envolvem a análise do aproveitamento de créditos extemporâneos das contribuições tem decidido pela conversão do julgamento em diligência. A título ilustrativo cito as Resoluções nº’s 3201-003.009, de 22/06/2021 e 3201- 003.010, de 23/06/2021, ambas de relatoria da Relatora Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Outras Turmas de Julgamento da 3ª Seção, em casos análogos, de igual modo, tem decidido pela conversão do julgamento em diligência, como por exemplo, as Resoluções nº’s 3401-001.999, 3302-001.180, 3401-001.546 e 3401-001.827, tudo com vistas a se apurar efetivamente o crédito pleiteado e se não foi aproveitado em outro período. Fl. 176DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.123 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.909178/2015-39 Diante do exposto, voto por converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora tome as seguintes providências: apure os pretensos créditos extemporâneos, com base nos documentos dos autos, podendo averiguar, também, se tais créditos extemporâneos foram ou não aproveitados pela Recorrente em outros períodos, com a aferição da liquidez e certeza, bem como em relação aos créditos pleiteados seja observado o decidido no RESP 1.221.170 STJ; o Parecer Normativo Cosit nº 5 e a Nota CEI/PGFN 63/2018, com a apreciação da planilha anexada pela Recorrente na Manifestação de Inconformidade, intimando-a, para que no prazo de 30 (trinta) dias, apresente outros elementos, que a autoridade fiscal entender necessários para o atendimento da diligência. Após, elabore Relatório Fiscal conclusivo, dê ciência ao contribuinte para sua manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias e devolva o presente para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade – Redator designado Fl. 177DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001990/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL E NACIONAL.
Tendo sido deferida a inclusão retroativa no Simples Nacional e no Simples Federal, inexistia dever da empresa, à época dos fatos geradores, recolher a contribuição social a cargo da pessoa jurídica sob a sistemática regular, já que esta estaria englobada pela sistemática simplificada de arrecadação.
Numero da decisão: 2201-005.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. Tendo sido deferida a inclusão retroativa no Simples Nacional e no Simples Federal, inexistia dever da empresa, à época dos fatos geradores, recolher a contribuição social a cargo da pessoa jurídica sob a sistemática regular, já que esta estaria englobada pela sistemática simplificada de arrecadação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente)
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Tendo sido deferida a inclusão retroativa no Simples Nacional e no Simples Federal, inexistia dever da empresa, à época dos fatos geradores, recolher a contribuição social a cargo da pessoa jurídica sob a sistemática regular, já que esta estaria englobada pela sistemática simplificada de arrecadação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) Relatório Cuida-se de recurso voluntário de fls. 174/185, interposto contra decisão a DRJ em Belo Horizonte/MG, de fls. 153/163, a qual julgou procedente em parte o lançamento de contribuição previdenciárias relativa à parte da empresa e o adicional de alíquota para o SAT/RAT, conforme descrito no auto de infração DEBCAD 37.299.639-6, de fls. 3/24, lavrado em 24/08/2010, referente ao período de abril/2006 até dezembro/2007, inclusive, com ciência do RECORRENTE em 02/09/2010, conforme assinatura no próprio auto de infração (fls.3). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 00 19 90 /2 01 0- 11 Fl. 214DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 364.866,03, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de mora, ora aplicada no percentual de 75%, ora no percentual de 24%. Segundo o relatório do auto de infração (fls. 25/29), não foram recolhidas as contribuições destinadas à seguridade social, em relação aos segurados empregados e contribuintes individuais, não incluídos em folha de pagamento e não declaradas pelo contribuinte na GFIP. De acordo com a autoridade fiscal (fls. 26/27): “5.1 - A empresa, no período de março/2006 a dez/2007, apresentou ao INSS o documento declaratório — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP — como optante pelo Simples. Após análise junto à Receita Federal do Brasil, ficou constatado que a mesma, no período de 2006 a jun/2007 não efetuou a opção pelo SIMPLES FEDERAL, mesmo porque pratica atividade vedante à opção pelo referido sistema, prestando informação como optante somente nas GFIP. Com a criação do Simples Nacional pela Lei Complementar n° 123/2006 que passou a vigorar em 01/07/2007, continuou a empresa como não optante pelo Simples e apresentando o documento declaratório — GFIP, como optante pelo mesmo. (...) 5.4 — Na comparação entre os fatos geradores apurados nas folhas de pagamento apresentadas pela Empresa e os valores declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e declarações à Previdência Social — GFIP antes do início do procedimento fiscal constantes dos Sistemas Informatizados da Receita Federal do Brasil, foram detectadas diferenças a menor entre as folhas de pagamento e as GFIP. Os valores apurados como informados "a menor" estão servindo de base de cálculo para cobrança das contribuições previdenciárias devidas. Em virtude da informação indevida como "optante Simples", todos os lançamentos foram considerados como "não declarados em GFIP".” Em razão da entrada em vigor da MP n° 449/2008, a autoridade fiscal afirmou ter observado o princípio da retroatividade benigna e efetuou a comparação das multas (anterior e atual). Para averiguar a infração, a fiscalização realizou os levantamentos CI, que corresponde aos contribuintes individuais não declarados em GFIP, o levantamento FP, que corresponde os segurados empregados não declarados em GFIP, e o levantamento AF, que correspondem aos empregados não declarados em GFIP cujos valores foram obtidos através de aferição indireta. Também foram efetuados os levantamentos CI1 e FP1, que corresponde aos levantamentos CI e FP, mas que a aplicação da multa de 75% era mais benéfica ao contribuinte. Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 48/56 em 01/10/2010. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela a DRJ em Belo Horizonte/MG, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Fl. 215DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 Cientificada do presente auto em 02/09/2010 (conforme assinatura à . fl.01), a empresa autuada apresentou defesa em 01/10/2010 (fls. 42/50), na qual, basicamente, alega: - que tem por objeto social a prestação de serviços na agricultura, como a realização de atividades de preparo de terreno, cultivo e colheita; - que a presente exigência fiscal se fez, "(...) por entender que a contribuinte, micro empresa que é, estaria sujeita a tributação com base no lucro presumido (...)", mas que, entretanto, desde sua constituição era optante pelo SIMPLES Nacional regido pelas disposições da Lei n° 123/2006; - que o sujeito passivo ao preencher o requerimento de empresário perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB deixou claro o seu enquadramento como microempresa e que sua atividade estava dentro daquelas que autorizam a opção pelo regime do SIMPLES Nacional; - que, entretanto, por um erro de fato não intencional deixou de assinalar no programa "FCPJ" que a mesma era optante pelo SIMPLES; - que a partir de sua constituição a contribuinte passou a recolher regularmente todos os impostos e contribuições determinados pela legislação do SIMPLES; - que posteriormente, constatando o equivoco passou a "proceder com sua regularização" perante a RFB; - que em 12/10/2006 protocolou na Agência da Receita Federal de Teófilo Otoni, pedido de enquadramento ao regime do SIMPLES em caráter retroativo à data de 01/03/2006, tendo em vista o mencionado equivoco; - que a decisão da Delegacia da Receita Federal, SACAT, no processo n° 13634.000471/2006-15, indeferiu o pedido da impetrante de inclusão retroativa no SIMPLES fundamentando a decisão no fato de que ao preencher a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica — FCPJ teria sido assinalado o código evento 101 (inscrição da matriz) não tendo sido assinalado o código evento 301 (inclusão no SIMPLES); - que ante a referida decisão, em 04/02/2010 apresentou manifestação de inconformidade em razão do indeferimento da inclusão no SIMPLES com data retroativa; - que em 08/07/2010 recebeu a comunicação ARF/TOUMG no 027/2009 com a decisão proferida pela la Turma da DRJ/JFA indeferindo a manifestação de inconformidade fundamentando tal decisão no fato de que não teria sido manifestada de forma inequívoca sua intenção de se enquadrar no SIMPLES, pois para tanto, deveria ter comprovado, concomitantemente, os pagamentos dos DARF-SIMPLES e a entrega da Declaração Anual Simplificada - que em tal decisão consta que em relação aos DARF-SIMPLES é inequívoca sua apresentação, porém no que se refere à Declaração Anual Simplificada, a mesma foi substituída pela Declaração IRPJ — Lucro Presumido; - que ante o seu erro de fato ao deixar de assinalar que era optante pelo SIMPLES o sistema da Receita Federal não autorizou a emissão de Declaração Anual Simplificada e para não ficar com pendências acessórias com a RFB entregou sua Declaração como Lucro Presumido em relação aos exercícios financeiros 2007 e 2008; - que a referida declaração foi entregue em branco não caracterizando dessa forma a opção pelo Lucro Presumido, - que após o despacho decisório proferido a impugnante regularizou sua situação apresentando sua Declaração Anual Simplificada nos exercícios de 2007 e 2008; Fl. 216DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 - que protocolou recurso dirigido ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, pendente de Julgamento. -que o presente Auto de Infração é nulo de pleno direito por violar o Principio da Legalidade Tributária tendo em vista que tanto o CTN quanto o Decreto n° 70.235/1972 prescrevem que a pendência de processo administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Cita legislação; - que estando as contribuições constantes no presente Auto de Infração abrangidas pelo regime do SIMPLES não pode a autoridade exigir da impugnante o pagamento de tais contribuições enquanto pendente recurso administrativo com efeito suspensivo relativamente à sua opção por esse regime; - que este Auto de Infração é nulo; - que ademais considerando que a contribuinte optou inequivocamente pelo SIMPLES e efetuou recolhimentos por meio de DARF_SIMPLES englobando impostos e contribuições determinados pela Lei Complementar 123/2006 não há crédito a ser exigido; - que exigir o recolhimento integral do tributos elencados nesta autuação é verdadeiro bis in idem; - que corre o risco de ter o seu nome inscrito em divida ativa seguido de ajuizamento na respectiva execução fiscal e; - que requer seja este lançamento extinto face a nulidade do presente Auto de Infração. Por ocasião da impugnação o Sujeito Passivo juntou cópias de documentos (fls. 51/136), dentre as quais: - cópia de Requerimento de Empresário, protocolado na Junta Comercial em 03/03/2006 (fls. 51/52). - cópia de Acórdão n° 09-22301, de 29/01/2009 exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que não acatou o pedido constante na manifestação de inconformidade do sujeito passivo (fls. 57/59); - cópia de Manifestação dirigida ao CARF quanto a decisão em l a instância administrativa consubstanciada no Acórdão 09-22.301 (fl. 60) e; - cópia do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Governador Valadares de 20/12/2006 (fls. 67/68). Da Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ em Belo Horizonte/MG, às fls. 153/163, julgou procedente em parte o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. SIMPLES. LANÇAMENTO FISCAL. FATO IMPEDITIVO INEXISTENTE. SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. MULTA. Fl. 217DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo. O contribuinte não optante SIMPLES - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresas das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, deve recolher as Contribuições Previdenciárias como as empresas em geral. A pendência de decisão administrativa definitiva sobre a inclusão da empresa do SIMPLES Federal não impede a constituição do crédito tributário. A lei aplica-se a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade julgadora observou, por meio das telas de consulta de fls. 148, 150 e 151, e com base nos termos do Ato Declaratório Executivo DRF/GVS n° 266211, de 22/08/2008 (fl. 149), que a RECORRENTE esteve incluída no SIMPLES Nacional de 01/07/2007 a 31/12/2008, tendo sido excluído apenas em 30/10/2008 com efeitos a partir de 01/01/2009. Assim, deu provimento em parte à impugnação, excluindo do lançamento as contribuições referentes ao mês 07/2007, pois ficou comprovado que neste período a RECORRENTE era optante do Simples Nacional, razão pela qual as contribuições previdenciárias relativas a parcela da empresa estava dispensada por força do art. 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006, com redação anterior à modificação estabelecida pela Lei Complementar nº 127/2007, que entrou em vigor em 14/08/2007. É que a partir da LC 127/2007, o recolhimento das contribuições previdenciárias através do SIMPLES Nacional deixou de ser permitido para as atividades de prestação de serviços de transportes intermunicipais e interestaduais, devendo a contribuição ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes. A autoridade julgadora entendeu que a RECORRENTE exerce, dentre outras, a atividade de transporte (fl. 57), o que a exclui da substituição prevista pela Lei n° 123/2006, art. 13, inciso VI, em relação aos fatos geradores ocorridos após a entrada em vigor da LC n° 127 de 14/08/2007. Assim, para os fatos geradores ocorridos de 08/2007 a 12/2007, entendeu que a RECORRENTE, mesmo optante pelo SIMPLES Nacional, deveria ter efetuado o recolhimento da mesma forma que as empresas em geral. Portanto, excluiu do lançamento apenas as contribuições relativas à competência 07/2007. Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 30/03/2011, conforme AR de fls.173, apresentou Recurso Voluntário de fls. 174/185 em 28/04/2011. Em suas razões de recurso, reiterou os argumentos da Impugnação. Fl. 218DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 Da Resolução convertendo em diligência Durante a sessão de julgamento realizada em 13/05/2014, a Egrégia 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara entendeu por converter o julgamento deste processo em diligência, conforme Resolução nº 2403-000.252 de fls. 191/197, para que fosse informado o resultado do julgamento do processo nº 13634.000471/2006-15, que tratava da inclusão retroativa da empresa RECORRENTE no SIMPLES, o que teria reflexo no mérito do crédito tributário deste caso. Houve posterior despacho (fl. 203/204) determinando que os autos deste processo permanecessem sobrestados até o julgamento do processo nº 13634.000471/2006-15 pela 1ª Seção do CARF. Posteriormente, foi juntado aos autos o acórdão nº 1003-000.079 (fls. 206/211), de 05/07/2018, que deu provimento ao recurso voluntário da ora RECORRENTE apresentado no processo nº 13634.000471/2006-15. Tendo sido cumprida a diligência, o processo foi encaminhado para 2ª Seção para novo sorteio, conforme despacho de fls. 213. Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. MÉRITO Como pontuado, trata-se de retorno de diligência que teve por finalidade juntar a este processo o resultado do julgamento do processo nº 13634.000471/2006-15, que tratava sobre a inclusão retroativa da RECORRENTE no Simples. O resultado daquele julgamento é relevante para o presente caso na medida em que o deferimento da inclusão retroativa no Simples afeta a obrigação tributária principal do recolhimento das contribuições previdenciárias. Fl. 219DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 Em consulta ao acórdão colacionado às fls. 206/212, verifica-se que foi dado provimento ao recurso voluntário da RECORRENTE e deferida a inclusão retroativa no Simples para os anos-calendário de 2006 e 2007, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2006,2007 INCLUSÃO RETROATIVA. ERRO DE FATO. IMPRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO OBJETIVA. O Delegado ou o Inspetor da Receita Federal, comprovada a ocorrência de erro de fato, pode retificar de ofício tanto o Termo de Opção (TO) quanto a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ), desde que seja possível identificar a intenção inequívoca de o contribuinte aderir ao Simples. São instrumentos hábeis para se comprovar a intenção de aderir ao Simples os pagamentos mensais por intermédio do Documento de Arrecadação do Simples (Darf- Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. A conclusão do voto foi a seguinte (fls. 211/212): Em relação às Declarações de Informações Econômico-Fiscais (DIPJ) pelo regime de tributação com base no lucro presumido dos anos-calendário de 2006 e 2007, fl. 54, infere-se que foram substituídas nos sistemas internos da RFB, pelas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica (DSPJ) Simples do período de 01.04.2006 a 31.12.2006, fls. 6782 e do período de 01.01.2007 a 30.06.2007, fls. 8395, apresentadas em 16.07.2010. Logo, é possível identificar a sua intenção inequívoca de aderir ao Simples pela demonstração inequívoca do erro de fato no preenchimento do Termo de Opção (TO) e da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCPJ) para a inclusão no Simples de pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas (CNPJ) nos anos- calendário de 2006 e 2007. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, tem cabimento. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Do acima exposto, entendo que o acórdão proferido no processo nº 13634.000471/2006-15 teve o condão de reconhecer a inclusão retroativa da RECORRENTE na sistemática do Simples Federal, instituído pela Lei nº 9.317/1996, e que vigorou até 30/06/2007. A partir de 07/2007, passou a vigorar a sistemática do Simples Nacional, instituído pela LC 123/2006 (apesar de ter sido publicada em 15/12/2006, o seu art. 88 fez a ressalva de que o regime de tributação das microempresas e empresas de pequeno porte entraria em vigor em 1º de julho de 2007). Fl. 220DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 Preliminarmente, destaca-se que, no período objeto do auto de infração (04/2006 a 12/2007), a RECORRENTE estava incluída em 2 programas distintos: até 06/2007 no SIMPLES FEDERAL, e a partir de 07/2007 no SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, aplicando-se os termos do que restou decidido no processo nº 13634.000471/2006-15, no período de 04/2006 a 06/2007, a RECORRENTE estava dispensada da arrecadação – sob a sistemática regular – das contribuições para seguridade social, relativa a parcela da empresa, por força do art. 3º, §1º, alínea “f” da Lei nº 9.317/1996, abaixo reproduzido: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: (...) f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Portanto, em razão do deferimento da inclusão retroativa da RECORRENTE no Simples Federal, não existem dúvidas quanto à inclusão desta contribuição no valor por ela já arrecadado, devendo ser afastado o lançamento em relação ao período de 04/2006 a 06/2007. Quanto ao período relativo a 07/2007, este já foi excluído pela DRJ, pois a autoridade julgadora de primeira instância constatou que a RECORRENTE estava incluída no SIMPLES Nacional de 01/07/2007 a 31/12/2008. Com isso, a DRJ fixou o entendimento que o deferimento do SIMPLES nacional para este período é circunstância que implica na exclusão das contribuições previdenciárias a conferir: Sendo assim, considerando-se que nessa competência (07/2007) o sujeito passivo era optante pelo SIMPLES Nacional, as contribuições lançadas relativamente a essa competência devem ser excluídas. Contudo, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que, a partir das modificações instituídas pela Lei Complementar nº 127/2007 (que vigorou a partir de 08/2007), a contribuinte passou a não poder realizar o recolhimento de contribuições previdenciárias através do SIMPLES em razão de sua atividade (serviços de transportes). Assim, concluiu por excluir do lançamento o período de 07/2007 e manter o crédito tributário em relação ao período de 08/2007 a 12/2007. Sendo assim, resta neste caso analisar o período de 08/2007 a 12/2007. Em princípio, verifico que a fundamentação jurídica apresentada pela DRJ para manutenção do crédito tributário posterior a 07/2007 diverge completamente das razões que Fl. 221DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10256.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10256.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L10034.htm Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 culminaram no lançamento, o que representa, s.m.j., mudança de critério e inovação da motivação do lançamento. Conforme Relatório do Auto de Infração elaborado pela autoridade lançadora, o que motivou o lançamento das contribuições previdenciárias foi o fato de a contribuinte não ter feito a opção pela sistemática do simples (tanto o Federal como o Nacional). Em relação ao Simples Federal, a autoridade fiscal até argumenta que a atividade praticada pela RECORRENTE seria vedada, sem especificar qual seria essa atividade; ademais, quando tratou do Simples Nacional, nada falou sobre a suposta atividade vedante (fl. 26): “5.1 - A empresa, no período de março/2006 a dez/2007, apresentou ao INSS o documento declaratório — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP — como optante pelo Simples. Após análise junto à Receita Federal do Brasil, ficou constatado que a mesma, no período de 2006 a jun/2007 não efetuou a opção pelo SIMPLES FEDERAL, mesmo porque pratica atividade vedante à opção pelo referido sistema, prestando informação como optante somente nas GFIP. Com a criação do Simples Nacional pela Lei Complementar n° 123/2006 que passou a vigorar em 01/07/2007, continuou a empresa como não optante pelo Simples e apresentando o documento declaratório — GFIP, como optante pelo mesmo. Nota-se que, apesar de destacar a prática de “atividade vedante à opção pelo referido sistema”, a autoridade lançadora sequer aponta qual atividade seria essa. Ou seja, ao fundamentar a vedação ao Simples Nacional em razão da atividade de transporte supostamente praticada pela RECORRENTE, a autoridade julgadora de primeira instância inovou nos critérios que motivaram o lançamento, apresentando argumento até então estranho à lide. Sabe-se que a motivação do lançamento (ato administrativo por excelência) tem por principal função assegurar o contraditório e ampla defesa aos sujeitos passivos, direitos fundamentais garantidos aos litigantes em processo administrativo, conforme art. 5º, LV, da Constituição: LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Conforme art. 142 do Código Tributário Nacional, quando do lançamento do crédito tributário, a autoridade lançadora deve verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável e calcular o montante do tributo devido: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A identificação da matéria tributável nada mais é do que a transcrição, em linguagem inteligível pelo sujeito passivo, dos fatos ou atos motivadores do lançamento tributário. Fl. 222DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 E não é sem razão, pois a identificação da matéria tributável tem, precipuamente, duas finalidades: primeiramente, indicar ao sujeito passivo da obrigação tributária que fatos lhe estão sendo imputados, fatos estes que dão azo ao lançamento e, portanto, justificam a imposição da exação tributária; e, ademais, garantir o exercício do direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao inovar nas razões que levaram o lançamento, há evidente cerceamento do direito de defesa do contribuinte, representado pela impossibilidade de se defender de um lançamento que tem suas razões e critérios modificados ao longo do processo. Portanto, entendo que tal fato é suficiente para cancelar o lançamento relativo ao período de 08/2007 a 12/2007. Mesmo assim, entendo por adentrar no mérito da questão. Quanto ao argumento levantado pela DRJ, de que a RECORRENTE prestava serviço de transporte, razão pela qual estaria enquadrada na regra contida no art. 18, §5º, inciso VI da Lei nº 123/2006 (com redação dada pela Lei nº 127/2007) que determina que as contribuições previdenciárias não estão incluídas no SIMPLES NACIONAL, entendo que o entendimento não merece prosperar. De fato, no período entre 14/08/2007 até 31/12/2007 estava em vigor a seguinte redação para o art. 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006: Art. 13 [...] VI - Contribuição para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que trata o art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, exceto no caso da microempresa e da empresa de pequeno porte que se dediquem às atividades de prestação de serviços previstas nos incisos XIII e XV a XXVIII do § 1o do art. 17 e no inciso VI do § 5o do art. 18, todos desta Lei Complementar; [...] (Grifou-se) Por sua vez, assim determinava o art. 18, inciso VI, da referida lei: Art. 18 [...] §5º [...] VI - as atividades de prestação de serviços de transportes intermunicipais e interestaduais serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar, acrescido das alíquotas correspondentes ao ICMS previstas no Anexo I desta Lei Complementar, hipótese em que não estará incluída no Simples Nacional a contribuição prevista no inciso VI do caput do art. 13 desta Lei Complementar, devendo esta ser recolhida segundo a legislação prevista para os demais contribuintes ou responsáveis. Pela leitura dos dispositivos em comento, é possível concluir, a princípio, que as empresas que explorem as atividades de prestação de serviço de transportes intermunicipais e interestaduais não devem recolher as contribuições previdenciárias através da arrecadação unificada do Simples Nacional. Contudo, para que isto seja possível, é necessário que seja comprovada a efetiva prestação do transporte interestadual e intermunicipal, não bastando apenas a existência de tal atuação no objeto social da empresa. Neste sentido, entendeu o CARF: Fl. 223DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8212cons.htm#art22 Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA CONSTANTE EM CONTRATO SOCIAL. NECESSIDADE DE PROVA DO DESEMPENHO PELO CONTRIBUINTE. TRANSPORTE INTERESTADUAL E INTERMUNICIPAL. NOTAS FISCAIS ACOSTADAS AOS AUTOS DEMONSTRANDO EFETIVA PRESTAÇÃO. INDEFERIMENTO. A denegação da opção de apuração de tributos pelo regime do SIMPLES Nacional demanda a verificação do efetivo desempenho pelo contribuinte de atividade econômica vedada, não bastando estar arrolada tal atuação empresarial em contrato ou estatuo social. Uma vez verificada a emissão pelo contribuinte de Notas Fiscais, registrando a prestação de serviços de transporte de passageiros, tanto interestadual como intermunicipal, no segundo semestre do ano de 2007, confirma-se o indeferimento da opção para tal período. (Acórdão nº 1402003.618, de 12/12/2018) (Grifou-se) No julgado acima mencionado, em que analisava se a empresa poderia ser excluída do Simples Nacional por ter em seu contrato social a previsão da prestação de serviço de transporte intermunicipal de passageiros, conduta vedada à época pelo art. 17, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006, o CARF entendeu que a simples previsão não é suficiente para fazer incidir a vedação, sendo necessária a efetiva comprovação da prestação do serviço. No presente caso, a DRJ baseou-se exclusivamente no requerimento de empresário de fl. 57, que assim dispõe: Percebe-se que, apesar da atividade de transporte de cana de açúcar estar incluída na descrição do objeto, em análise a classificação CNAE eleita (vigente à época do fato gerador), as atividades da RECORRENTE são classificadas como atividades rurais, e não atividades de transporte de cargas: Atividade principal: Fl. 224DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 Atividades secundárias: Até mesmo o item 0161-9/99, também incluído no objeto social da RECORRENTE, não engloba o serviço de transporte intermunicipal e interestadual, conforme observa-se da nota explicativa: Infere-se, portanto, que a RECORRENTE não tem como objeto social a prestação de serviços de transportes intermunicipais e interestaduais, como a autoridade julgadora leva a entender, mas sim a prestação de serviços relacionados a agricultura, dentre eles colheita e, talvez, o transporte da produção. Sobre o transporte da produção, não existe nenhuma comprovação que se trata de transporte intermunicipal ou interestadual nos autos, ou que a RECORRENTE preste este serviço de maneira autônoma e exclusiva. Assim, entendo que a simples menção na descrição do objeto social do termo “transporte de cana de açúcar” não é suficiente para fazer incidir a previsão contida no art. 18, §5º, inciso VI da Lei nº 123/2006. Logo, as contribuições previdenciárias estavam incluídas na guia de arrecadação unificada, razão pela qual no período de 08/2007 a 12/2007 a contribuinte também estaria desobrigada a recolher, de maneira autônoma, as contribuições previdenciárias relativa a parte da empresa, por força do art. 13, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006. Fl. 225DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.561 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10630.001990/2010-11 CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902812/2018-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 28 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3201-003.148
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.136, de 27 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 3201-003.136, de 27 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11040.901723/2018-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 40 .9 02 81 2/ 20 18 -7 9 Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3201-003.148 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902812/2018-79 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida por Delegacia da Receita Federal de Julgamento. O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento cumulado com Compensação, pelo qual a contribuinte pretende aproveitar crédito Contribuição Social não cumulativa (PIS/Pasep ou Cofins), o qual foi indeferido pela autoridade administrativa. Consta que a contribuinte foi intimada antes da prolação de decisão da autoridade da DRF para que providenciasse a retificação dos arquivos da EFD-Contribuições relativos aos meses em que se pleiteava os créditos ou apresentasse novo PER/DCOMP com a indicação correta dos valores apurados, em razão das inconsistências entre os valores informados nesses documentos. Conforme documentos dos autos, a contribuinte não atendeu à intimação, do que resultou na prolação do Despacho Decisório, emitido eletronicamente, que indeferiu o pleito e não homologou a compensação declarada sob o fundamento de não restar créditos após as deduções mensais permitidas. Após ciência, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que os valores de créditos apurados estavam corretos e que se tratava apenas de divergência de informação, uma vez que constou corretamente na EFD o código 201 (crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno) enquanto que na PER/DCOMP informou equivocadamente o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno). Afirmou ainda que efetuou “consulta” presencial na Unidade da RFB e aguarda notificação para apresentação de documentos comprobatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, estando dispensada de elaboração de ementa nos termos da Portaria RFB nº 2.724/2017. A decisão de Primeira Instância teve por fundamento para manter a não homologação da compensação pela autoridade fiscal: 1. As divergências entre EFD e PER/DCOMP foram detectadas na análise eletrônica do pedido, sendo objeto de Termo de Intimação o qual não foi atendido pela contribuinte; 2. A interessada não apresentou documentos que tenham subsidiado sua escrituração contábil e fiscal de forma a demonstrar o alegado equívoco; 3. Na qualidade de autora do pedido cabe à contribuinte demonstrar seu direito comprovando os fatos que alega conforme dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e art. 373, I do CPC, além da exigência de demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do CTN; 4. A contribuinte apresentou apenas recibos de transmissão de declaração e escrituração, o que não supre o dever de comprovação do direito creditório; e 5. Aplica-se ao caso a preclusão prevista no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, pois não configurada nenhuma das hipóteses para a dilação probatória previstas nas alíneas do § 4º. Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3201-003.148 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902812/2018-79 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual repisa em sua defesa os argumentos suscitados em manifestação de inconformidade acerca da divergência entre EFD e PER/DCOMP decorrente do equívoco na informação dos códigos em que se encontram consolidados os créditos na da não cumulatividade das Contribuições Sociais. Aduz que os produtos vendidos devem ser classificados no código 200 (relacionados à agroindústria: cereais), como efetuou corretamente na EFD, e não no código 101 que se relacionam a segmentos da indústria metalúrgica, têxtil e outras. Afirma que após receber Intimação da RFB buscou orientação em Unidade de sua jurisdição (RFB em Chuí/RS) e por não sanar sua dúvida, apresentou “impugnação à intimação”, sem que tenha obtido resposta; e mais, ao receber o despacho decisório, deparou-se com situação em que não lhe mais possível retificar o Pedido para sua correção. Contradiz o voto da DRJ na parte em que assevera o contribuinte manter-se inerte ao receber a intimação. Alega que, embora não tenha “apresentado a solução correta, foi atendida e respondida a intimação ... dentro do prazo oferecido”. Por fim, sustenta que não juntou as notas fiscais em razão de seu grande volume, porém, nos arquivos TXT enviados mensalmente é possível verificar a veracidade dos fatos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Infere-se do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito no momento do encontro de contas. Constam dos autos que a decisão foi proferida após decorrido o prazo para a contribuinte atender intimação e providências de retificação da EFD-Contribuição ou do PER/DCOMP, sem sua manifestação. O sujeito passivo explicou na manifestação de inconformidade que incorreu em equívoco na prestação de informações atinentes ao código dos créditos a que tem direito, corretamente apontado como 200 na EFD, pois vinculado à receita não tributada no mercado interno, enquanto que na PER/DCOMP informou equivocadamente o código 101 (crédito vinculado à receita tributada no mercado interno). Aduz ainda que sua atividade produtiva relaciona-se ao cultivo de arroz, produto este com alíquota zero de PIS e Cofins (ou mesmo com saída Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3201-003.148 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902812/2018-79 suspensa) e conforme o Manual EFD os insumos com direito ao crédito devem ser alocados no Grupo 200, código CST 51 (Operação com direito a Crédito – Vinculada Exclusivamente a Receita Não Tributada no Mercado Interno). Dessa forma, a informação dos créditos permitidos no Grupo 100, que trata de produtos tributados e comuns a outros segmentos (metalurgia, têxtil, etc), evidenciou o equívoco. Em relação ao não atendimento ao Termo de Intimação, anterior ao despacho decisório, a contribuinte contesta com veemência a acusação da decisão recorrida, porquanto compareceu ao plantão fiscal e formulou, como resposta, pedido de orientação e anexação de documentos comprobatórios. Nos autos não se encontra anexados o pedido a que se refere a contribuinte e sequer os documentos anexados. Nada obstante, juntamente com o Recurso Voluntário constata-se cópias de notas fiscais que possivelmente corroboram as alegações da contribuinte, além do “Despacho de Encaminhamento” acostados aos autos cujo teor é “Encaminhado para análise conforme orientação que o contribuinte recebeu em consulta realizada ao Plantão Fiscal desta unidade”, bem como a resposta ao Termo de Intimação com os seguintes dizeres: TERMO DE INTIMAÇÃO: 128024265 Vimos através desta, apresentar impugnação com relação ao Termo de Intimação acima referido, pois conforme contato já mantido pessoalmente com esse órgão foi verificada a inconsitência do mesmo, já que não demonstra a realidade dos números apresentados na EFD enviada mensalmente. Anexamos documentação comprobatória e solicitamos deferimento. Santa Viória do Palmar, 21 de dezembro de 2017. A apresentação de tais documentos é confirmada com carimbo aposto pela IRF/Chuí/RS, na data de 22 de dezembro de 2017. Do que se constatou acima, é de se dar razão à contribuinte no sentido de que houve sim sua manifestação ao indigitado Termo de Intimação com a apresentação de documentos e esclarecimentos acerca das inconsistências preliminarmente constatadas na análise e confronto entre EFD e PERD/COMP. Desta forma, não pode prevalecer a decisão recorrida no tocante à negativa do direito com fundamento na inércia da contribuinte, pois que esta, a toda evidência, não ocorreu. De ressaltar que não se corrobora as afirmações e explicações apresentadas, tampouco se dá validade aos créditos pretendidos com os exemplares de cópias de notas fiscais apresentadas. Contudo, o fato de haver o provável equívoco que implicou o indeferimento do pedido Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 3201-003.148 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902812/2018-79 creditório e indícios de confirmação das alegação de defesa é, no mínimo, situação que requer a reanálise do pedido. O ponto que importa à solução da lide, com arrimo no princípio da verdade material, é se os valores consignados nos documentos apresentados correspondem com a apuração da Contribuição Social, com respaldo em documentos fiscais e na contabilidade do contribuinte. Dessa forma, entendo que a solução da lide requer o retorno à Unidade Preparadora para que a autoridade fiscal proceda à reanálise do pedido creditório, com base nos documentos que constam dos autos e demais que entender necessários, solicitando-os do contribuinte, mediante intimação regular, e, ao final, elabore parecer conclusivo acerca do PER/DCOMP. Diante do exposto, voto para converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência para que a Unidade Preparadora proceda como solicitado: 1. Intime o contribuinte para que no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, apresente os documentos e esclarecimentos que a autoridade fiscal entender necessários à análise do PER/DCOMP; 2. Proceda à análise do pedido, com base nos elementos apresentados pelo Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 3201-003.148 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11040.902812/2018-79 Contribuinte e outras informações disponíveis ou coletadas pela autoridade fiscal, e elabore parecer minucioso e fundamentado quanto ao direito pleiteado; 3. Dê ciência ao contribuinte com a entrega de cópias do parecer/relatório e documentos colacionados aos autos para que exerça o contraditório, no prazo de 30 (trinta) dias. Cumpridas as providências indicadas, deve o processo retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001864/2005-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2002, 2003
SOCIEDADE COOPERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 83.
O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004.
Numero da decisão: 1201-005.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-10-04T13:48:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-10-04T13:48:23Z; Last-Modified: 2021-10-04T13:48:23Z; dcterms:modified: 2021-10-04T13:48:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-10-04T13:48:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-10-04T13:48:23Z; meta:save-date: 2021-10-04T13:48:23Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-10-04T13:48:23Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-10-04T13:48:23Z; created: 2021-10-04T13:48:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2021-10-04T13:48:23Z; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-10-04T13:48:23Z | Conteúdo => S1-C 2T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16327.001864/2005-19 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-005.164 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de setembro de 2021 Recorrente COOPERATIVA DE E.C.M.S.M. DE S.J.C. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2002, 2003 SOCIEDADE COOPERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 83. O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Lucas Issa Halah (suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório COOPERATIVA DE E.C.M.S.M. DE S.J.C, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 16-17.791 (fls. 1016), pela DRJ São Paulo I, interpôs recurso voluntário (fls. 1025) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamento tributário para exigir CSLL (fls. 12) apurada nos anos 2002 e 2003, bem como juros de mora e multa de ofício (75%), no valor total AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 18 64 /2 00 5- 19 Fl. 1101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.164 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001864/2005-19 de R$ 1.552.365,55. A acusação fiscal está assim resumida no relatório do acórdão recorrido (fls. 1017): 1. As sociedades cooperativas de crédito têm por objetivo fomentar recursos financeiros e prestar serviços aos seus associados. Regem-se pelas disposições das Leis n° 5.764/71 e 4.595/64, pois são consideradas instituições financeiras. 2. A legislação do IRPJ possui norma específica que desonera as cooperativas de crédito, bem como outras cooperativas, da tributação do IRPJ sobre atos cooperativos (aqueles definidos pelo art.79, da Lei n° 5.764/71). O mesmo não ocorre com a CSLL, ou seja, não há legislação semelhante à do IRPJ. Dessa forma, ocorrendo fato gerador da CSLL, ela será apurada e o pagamento deverá ser efetuado nos termo da legislação aplicável às demais instituições financeiras. 3. A Lei n° 7.689/88, que instituiu a CSLL, prevê em seu art. 2° que "a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda". Conclui-se, portanto, que ela incide sobre todo o resultado das cooperativas de crédito, inclusive sobre os resultados das operações com os associados (atos cooperativos), conforme dispõe o item 9 da IN SRF n° 198/88. 4. O contribuinte deixou de recolher a Contribuição da CSLL - Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, referente aos anos-calendário 2002 e 2003. O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento tributário (fls. 470). A decisão de primeira instância julgou a impugnação improcedente (fls. 1016). A COOPERATIVA apresentou recurso voluntário (fls. 1025), em que defende a não incidência da tributação da CSLL sobre o resultado positivo das cooperativas. Em seguida, apresentou a petição de fls. 1099 (arquivo não paginável) em que propugna pela aplicação da então novel Súmula CARF nº 83. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. A COOPERATIVA foi cientificada da decisão de primeira instância em 04/09/2008 (fls. 1024). O presente recurso voluntário foi apresentado já no dia 09/09/2008 (fls. 1025). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância reafirmando que não há incidência de CSLL sobre os ingressos advindos dos atos cooperados, conforme o seguinte excerto (fls. 1024): 12. Diante do que foi aqui retratado, mostra-se equivocado o procedimento da autoridade autuante, que, se valendo dos registros contábeis tais quais apresentados pela CRESSEM (Declarações de informações à SRF; balancetes mensais e demonstrativos de base de cálculo da Contribuição), ou seja, não identificando, em NENHUM momento, receita decorrente da prática de ato não-cooperativo, impôs o recolhimento de CSLL sobre os ingressos advindos da prática do ato cooperativo (computando até mesmo reversões de despesas e de provisões relacionadas a operações internas da CRESSEM, bem como taxas de manutenção cobradas dos associados desta). Fl. 1102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.164 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.001864/2005-19 13. A propósito da falta de distinção entre receita de ato cooperativo e não cooperativo (não existe referência no Al sobre a natureza da receita), há entendimento consolidado sobre tal improvidência constituir-se em vicio insanável do auto de infração, como se pode ver, v.g., da seguinte manifestação do Conselho de Contribuintes: O recorrente traz várias decisões do CARF no mesmo sentido da sua defesa e, na petição juntada como arquivo não paginável, conforme o termo de fls. 1099, acrescenta que o entendimento propugnado foi pacificado por meio da Súmula CARF nº 83. A referida Súmula tem o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 83 O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004. Entendo que assiste razão ao recorrente. O presente lançamento tributário está exigindo CSLL sobre o resultado positivo de uma sociedade cooperativa, o que é indevido, nos termos da legislação tributária, conforme entendimento pacificado na supracitada Súmula. Diante das razões acima expostas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 1103DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11080.731082/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1265.250, exarado pela 18ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (fls. 46 a 49 – numeração dos autos eletrônicos). Reproduzo o relatório do acórdão recorrido: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2009, tendo sido apurada dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 13.716,64 e dedução indevida de pensão judicial de R$ 19.819,32. O crédito tributário e o enquadramento legal constam na notificação de lançamento. Às fls. 02 e 03 o contribuinte apresentou contestação, alegando, em síntese, que a pensão referese a dois processos e está providenciando as decisões judiciais. Informa que as despesas médicas são próprias. A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.PENSÃO ALIMENTÍCIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 31 08 2/ 20 13 -3 4 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.731082/201334 Resolução nº 2301000.590 S2C3T1 Fl. 344 2 Somente são dedutíveis as despesas comprovadas com documentos em conformidade com a legislação tributária. Havendo determinação judicial e prova do pagamento, cabe aceitar a despesa. Tal decisão foi entregue no domicílio fiscal do contribuinte em 07/03/2014 (aviso de recebimento EBCT, fl. 53). Em 10/07/2014 foi emitido termo de perempção (fl. 58). Em 14/07/2014 o contribuinte foi intimado de carta cobrança, referente aos créditos tributários em questão (aviso de recebimento EBCT, fl. 68). Em 21/07/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 75 a 77), no qual é asseverado, em síntese, que: (a) não assinou o aviso de recebimento (AR) referente ao acórdão emitido pela autoridade a quo, nem ficou sabendo de sua existência; não há, no AR, assinatura de quem o recebeu ou documento de identidade; (b) o acórdão recorrido, ao lhe exigir R$4.193,78 de imposto suplementar, desconsiderou seu pagamento, efetivado em 10/10/2013, do valor de R$3.506,59 (sendo R$1.924,72 de principal e o resto de juros e multa), sendo ainda devidos, tãosomente R$2.269,06 do principal; tal pagamento deveuse a ter concordado com a glosa, de suas despesas, relativas a: Magali Guerra – R$90,00, Climea – R$3.500,00, Ubes – R$2.500,00; a dedução atinente a Sero é de R$101,00, e não de R$1010,00, e a diferença compôs o caóculo do imposto suplementar pago; (c) seu plano de saúde é empresarial, contratado através do Sindicato dos Engenheiros (Senge), o qual contrata a Unimed para prestar os serviços médicos; nesse caso, quem fornece os comprovantes para o Imposto de Renda é a empresa contratante (Senge) e não a contratada (Unimed). Tentou obter da Unimed tais documentos e não consegui, pois ela só os fornece a quem dela contratar os serviços diretamente, o que não é seu caso. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 110). É o relatório. Conselheiro Relator João Bellini Júnior DA TEMPESTIVIDADE Como relatado, a decisão da DRJ foi entregue, em 07/03/2014 , na rua Duque de Caxias 426/601, Porto Alegre, RS (fl. 53), endereço que consta de sua declaração de ajuste (fl. 35) e, decorrentemente, nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), como se verifica no extrato de processo da fl. 41, autenticado em 14/10/2013. Por outro lado, no extrato de processo da fl. 59, autenticado em 10/07/2014, o endereço já encontrase alterado para rua Monte Alverne, 65 – 04, Chácara das Pedras Porto Alegre, RS, sendo esse o endereço para o qual foi dirigida a carta cobrança (fls. 61 a 63), da qual o contribuinte teve ciência pelo AR da fl. 68. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 11080.731082/201334 Resolução nº 2301000.590 S2C3T1 Fl. 345 3 Assim, o contribuinte alterou seu domicílio tributário; porém, não há nos autos a informação de quando tal fato ocorreu. Tal informação é necessária, uma vez que, se o acórdão recorrido foi entregue, em 07/03/2014, em domicílio fiscal informado à RFB, o recurso voluntário é intempestivo; por outro lado, se nessa data o contribuinte já havia informado ao fisco a alteração de seu domicílio fiscal, o recurso voluntário é tempestivo de deve ser conhecido. Voto, portanto, por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora informe a data na qual a RFB foi informada da alteração do domicílio fiscal da rua Duque de Caxias 426/601, Porto Alegre, para a rua Monte Alverne, 65 – 04, Chácara das Pedras Porto Alegre, RS. O contribuinte deve ser intimado da resposta da unidade preparadora, abrindose prazo para a sua manifestação. (assinado digitalmente) Relator João Bellini Júnior Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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