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Numero do processo: 11020.911455/2012-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 14 55 /2 01 2- 82 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 11 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto mos autos do processo nº 11020.911453/201293, contra o acórdão nº 0250.260, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2013, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$3.677,23, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 20/03/08. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, defende a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e motivação e porque não foi intimado a esclarecer os motivos que o levaram a postular a compensação de débitos com os créditos dos pagamentos que considerou indevidos. Afirma que o procedimento foi eletrônico e que houve preterição do direito de defesa. Acrescenta que o despacho decisório não se presta a instaurar de forma legítima o contraditório administrativo, que não houve Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 13 4 diligência por parte da fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado e que isso prejudica a ampla defesa. Solicita a posterior juntada de documentos que comprovem suas alegações em respeito ao princípio da verdade material. Defende a ilegalidade e a inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido que fere os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a nulidade do despacho decisório e a procedência da manifestação de inconformidade.. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, dizendo ainda que foi prejudicado o contraditório e ampla defesa, alegando também a aplicabilidade da verdade material e, por fim, a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado determina, a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no tópico “DÉBITO CONFESSADO”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando com a manifestação de inconformidade documentos idôneos e suficientes para comprovação de crédito líquido e certo como escrituração contábil e fiscal do período, para fins de confrontar possível erro no sistema da RFB em compensar o crédito com débito confessado em DCTF. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 15 6 Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto a necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 16 7 “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911455/201282 Acórdão n.º 3801004.178 S3TE01 Fl. 17 8 “Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. “ Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13971.001959/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. PASSIVO TRIBUTÁRIO. Responde pelo passivo tributário, nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional - CTN, aquela que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio. A existência ou não de aquisição formal não constitui requisito necessário à incidência da responsabilidade tributária quando caracterizada que a sucessora encontra-se no mesmo local, na mesma atividade, utiliza as mesmas instalações e tem os mesmos clientes, aproveitando, assim, o potencial de lucratividade do negócio anteriormente exercido pela empresa sucedida. Situação fática incontroversa que evidencia a transferência do fundo de comércio.
ALCANCE DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESTRITO A DETERMINADOS TRIBUTOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O art. 133 do CTN não restringe o alcance da tributação na sucessão empresarial nele disposta, descabendo se cogitar de a responsabilidade tributária alcançar apenas determinados impostos, a exemplo daqueles incidentes sobre a produção e a circulação, como pretendido pela impugnante.
PENALIDADES PECUNIÁRIAS NA SUCESSÃO EMPRESARIAL. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA.
A responsabilidade tributária tratada pelo art. 133 do CTN estende-se às multas devidas pela pessoa jurídica sucedida, independentemente de se tratar de penalidade lançada em procedimento de ofício, ou de multa exigida em razão da mora do devedor.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA SUCESSORA.
Tendo todo o conjunto probatório indicado que o representante da pessoa jurídica considerada sucessora pela autoridade lançadora se encontrava por trás de toda a engrenagem montada na pessoa jurídica sucedida, voltada para dificultar a ação da Fazenda Pública Federal na apuração e na cobrança dos tributos devidos, correta a exasperação da multa de ofício aplicada, tendo por sujeito passivo a sociedade empresarial considerada sucessora.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DEMAIS DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A não justificação, de forma individualizada, de depósitos bancários observados em contas-correntes pertencentes à titularidade da pessoa jurídica sucedida justifica a omissão de receita exigida em nome da empresa sucessora, mormente pelo fato de o representante da sucessora ser detentor de instrumento de mandato autorizando-o a movimentar as contas bancárias (art. 42, Lei nº 9.430, de 1996). Não apresentados os livros e demais documentos exigíveis pela legislação fiscal, escorreito o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica, adotado com fulcro no inc. III do art. 530 do RIR/99.
VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE SIMPLES. DEDUÇÃO NA AUTUAÇÃO.
Nos termos da Súmula 76 do CARF, na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS.TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE.
A decisão prolatada em relação ao lançamento matriz, pertinente ao IRPJ, tem seus efeitos estendidos aos lançamentos considerados reflexos ou decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-001.445
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator
EDITADO EM: 04/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. PASSIVO TRIBUTÁRIO. Responde pelo passivo tributário, nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional CTN, aquela que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio. A existência ou não de aquisição formal não constitui requisito necessário à incidência da responsabilidade tributária quando caracterizada que a sucessora encontrase no mesmo local, na mesma atividade, utiliza as mesmas instalações e tem os mesmos clientes, aproveitando, assim, o potencial de lucratividade do negócio anteriormente exercido pela empresa sucedida. Situação fática incontroversa que evidencia a transferência do fundo de comércio. ALCANCE DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA RESTRITO A DETERMINADOS TRIBUTOS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O art. 133 do CTN não restringe o alcance da tributação na sucessão empresarial nele disposta, descabendo se cogitar de a responsabilidade tributária alcançar apenas determinados impostos, a exemplo daqueles incidentes sobre a produção e a circulação, como pretendido pela impugnante. PENALIDADES PECUNIÁRIAS NA SUCESSÃO EMPRESARIAL. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. A responsabilidade tributária tratada pelo art. 133 do CTN estendese às multas devidas pela pessoa jurídica sucedida, independentemente de se tratar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 19 59 /2 00 9- 73 Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 2 de penalidade lançada em procedimento de ofício, ou de multa exigida em razão da mora do devedor. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA SUCESSORA. Tendo todo o conjunto probatório indicado que o representante da pessoa jurídica considerada sucessora pela autoridade lançadora se encontrava por trás de toda a engrenagem montada na pessoa jurídica sucedida, voltada para dificultar a ação da Fazenda Pública Federal na apuração e na cobrança dos tributos devidos, correta a exasperação da multa de ofício aplicada, tendo por sujeito passivo a sociedade empresarial considerada sucessora. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS E DEMAIS DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não justificação, de forma individualizada, de depósitos bancários observados em contascorrentes pertencentes à titularidade da pessoa jurídica sucedida justifica a omissão de receita exigida em nome da empresa sucessora, mormente pelo fato de o representante da sucessora ser detentor de instrumento de mandato autorizandoo a movimentar as contas bancárias (art. 42, Lei nº 9.430, de 1996). Não apresentados os livros e demais documentos exigíveis pela legislação fiscal, escorreito o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica, adotado com fulcro no inc. III do art. 530 do RIR/99. VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE SIMPLES. DEDUÇÃO NA AUTUAÇÃO. Nos termos da Súmula 76 do CARF, na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS.TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. A decisão prolatada em relação ao lançamento matriz, pertinente ao IRPJ, tem seus efeitos estendidos aos lançamentos considerados reflexos ou decorrentes, em razão da estreita relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior – Presidente (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.395 3 EDITADO EM: 04/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relatório Tratase de auditoria fiscal referente aos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, ao final da qual foi constituído o crédito tributário adiante quantificado: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ R$ 2.423.603,04 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL R$ 1.192.729,67 Contribuição para o Financ. da Segur. Social – Cofins R$ 3.328.611,06 Contribuição para o PIS/Pasep R$ 721.198,40 ===> Total do Crédito Tributário R$ 7.666.142,17 Inicialmente cumpre destacar que a ação fiscal voltavase para a pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, CNPJ 03.992.561/000102, sendo que a autuação se deu em desfavor de BSC QUÍMICA LTDA, CNPJ 07.920.916/000109. Ao comparecer ao endereço cadastral da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, em 11/02/2008, com o fito de notificála do início do procedimento, a autoridade fiscal verificou que no local se encontrava em funcionamento a BSC QUÍMICA LTDA, cujo sócio, Sr. Laerte Kohler, apresentou a 8ª Alteração Contratual da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, indicativa da alteração de endereço daquela empresa para a Rua Ascurra, nº 1.189, Fundos, Centro, Apiúna/SC. Na oportunidade, o AFRFB lavrou o TERMO DE CONSTATAÇÃO de fl. 47, por ele assinado juntamente com o Sr. Laerte Kohler, a seguir reproduzido : “Compareci, nesta data, ao endereço sito à Rua Antônio Mafezzoli nº 95, Centro, Brusque/SC onde constatei que: no local, segundo informações prestadas por LAERTE KOHLER, inscrito no CPF sob o nº 460.547.40997, funciona a empresa BSC QUÍMICA LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 07.920.916/000109, desde 2006, não sabendo precisar o dia e o mês. O declarante, espontaneamente, apresenta cópia do Contrato Social da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 03.992.561/000102, acrescentando que adquiriu desta os ativos e bens instalados no local, exceto o imóvel e as benfeitorias que pertencem à empresa ZZA FACTORING.” Ante à situação encontrada, foi encaminhada correspondência à Junta Comercial do Estado de Santa Catarina, solicitando cópias do Contrato Social e demais alterações da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Em resposta, foram Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 4 apresentados os documentos de fls. 50/86, contendo todas as informações / alterações societárias da empresa em questão. O responsável pelo procedimento dirigiu intimação fiscal ao endereço cadastral do Sr. Fabiano Oliveira Michel, sócio da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, cuja entrega não se concretizou por parte da ECT, fls. 87/88. Em 20/02/2008, a autoridade fiscal compareceu à Rua Azambuja, nº 198, Brusque/SC, a fim de confirmar a existência do endereço cadastral do Sr. Genivaldo Luiz Pontes, também sócio da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, tendo verificado existir no local um imóvel em construção em que, segundo informações colhidas na vizinhança, iria funcionar uma filial da empresa Loja do Bebê, empreendimento comercial com estabelecimento em funcionamento no prédio de nº 115 do mesmo logradouro, para onde se dirigiu o AFRFB que confirmou a informação através de contato com algumas das atendentes do comércio. Adicionalmente, o Sr. Sebastião Ernani Poia, identificado como proprietário da loja, informou que adquiriu o imóvel do Sr. Carlos Hugo Monguilhott no ano de 2002 conforme Escritura Pública de Compra e Venda, fls. 92/93. Tais informações constam do Termo de Constatação e Declaração de fl. 91, assinado pela autoridade fiscal e pelo Sr. Sebastião Ernani Poia. Nova intimação, determinando o comparecimento do Sr. Fabiano Oliveira Michel à repartição fiscal, foi encaminhada ao seu endereço e por ele recebida no dia 17/07/2008, fls. 95/96. Em 30/07/2007, ele compareceu à DRF Blumenau e prestou as informações constantes do Termo de Declarações de fls. 97/98. Afirmou que conheceu o Sr. Genivaldo Luiz Pontes em um churrasco no sítio do Sr. LAERTE KOHLER, em abril de 2007. Por volta de outubro ou novembro do mesmo ano, foi procurado pelo Sr. Genivaldo que lhe propôs sociedade na BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, tendo apresentado um contrato que foi assinado, no ato, pelo declarante. Foi procurado por uma pessoa que não sabe identificar, para assinar a 10ª Alteração Contratual que trata de sua saída da sociedade. Esteve separado de sua esposa, Srª Solange Ferreira Canabarro, entre dezembro/2007 e maio/2008, não sabendo dizer como a 10ª Alteração Contratual chegou às suas mãos, tendo em vista ela constar como a responsável pelo registro do ato na Junta Comercial. Na ocasião, trabalhava para um certo Jorge, de São Paulo, sem qualquer registro profissional. Sem lograr êxito na intimação da pessoa jurídica ou de qualquer dos sócios constantes da última alteração contratual, restou à autoridade fiscal determinar a apresentação da documentação necessária ao início dos procedimentos pela via do Edital, documento que foi fixado na DRF Blumenau/SC em 18/08/2008 e desafixado no dia 09/09/2008, fl. 100, com a determinação para a apresentação do Livro Caixa, do Livro Registro de Inventário, do Livro de Apuração do ICMS e dos extratos bancários, visto se tratar a empresa de optante pelo sistema de tributação simplificado e favorecido instituído pela Lei nº 9.317, de 1996, o Simples Federal. Paralelamente, deuse a intimação para o comparecimento do Sr. Leonir Antônio Corrêa, sócio originário da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA com o percentual de 1%, ocasião em que a empresa era denominada JANLI Representação e Distribuição de Alimentos Ltda, fl. 101. Em 28/08/2008 mencionado senhor prestou as informações constantes do Termo de Declarações de fls. 102/103. Não reconheceu a assinatura tida como sua na cópia do Contrato Social que lhe foi apresentada. Emprestou seu nome para a constituição da empresa em favor de seu irmão, Idemar Corrêa, que se encontrava impedido de constar como sócio da pessoa jurídica. A Srª Solange Ferreira Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.396 5 Canabarro era a sua professora de dança, juntamente com seu irmão Idemar, também aluno, à época da constituição da empresa. Tal senhora indicou o nome de um irmão seu, advogado e contador, para tratar dos trâmites legais. Também não reconheceu como sua a assinatura aposta na 1ª Alteração Contratual. Recordase haver sido procurado pelo advogado/contador para assinar papéis em Cartório em uma época em que a empresa se encontrava inativa. Praticou o ato por recomendação do profissional, sob a alegação de evitar arcar com custos que incidiriam sobre a baixa da empresa. Posteriormente, em 26/09/2008, o Sr. Leonir Antônio Corrêa voltou à repartição para prestar informações complementares, fl. 105. Desconhece o Sr. Genivaldo Luís Pontes, a quem consta ter alienado a sua participação societária no capital da empresa. Também não conhece o Sr. Antônio Marcos Siste, sucessor de seu irmão Janderli. Os dois irmãos quotistas, face ao manifesto interesse do outro irmão Idemar (que seria o real proprietário) no encerramento da empresa, procuraram o advogado Edilso Ferreira Canabarro (o irmão da Srª Solange Ferreira Canabarro), para que fosse providenciada a baixa. Sob a alegação de menores custos, a opção foi a transferência das quotas de capital aos senhores Genivaldo Luís Pontes e Antônio Marcos Siste. Em prosseguimento aos trabalhos, em 05/08/2008, na pessoa do sócio LAERTE KOHLER, a BSC QUÍMICA LTDA foi intimada a apresentar o instrumento contratual de aquisição do fundo de comércio da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, assim entendidos as instalações, os estoques de mercadorias, o mobiliário, os computadores e periféricos, dentre outros, assim como a relação de veículos objeto das operações de abastecimento de combustíveis e lubrificantes, objeto das contas 2460 e 2476, fl. 158. Em resposta, fl. 159, o representante da intimada assegurou que não houve a aquisição do fundo de comércio, que a compra ficou restrita à parte do estoque de mercadorias existente, conforme notas fiscais apresentadas à RFB. Quanto ao mobiliário, computadores, equipamentos e periféricos, afiançou que “não houve celebração de contrato e sim tão somente verbal em função do estado de uso em que se encontravam os quais não foram atribuídos valores para efeitos de transferência”. No que se refere aos veículos, relacionou quatro Caminhões Truck, com a indicação das respectivas marcas e placas. A autoridade fiscal encaminhou correspondência ao Detran/PR, fl. 160, solicitando a disponibilização das Certidões Históricas dos veículos indicados pelo Sr. LAERTE KOHLER. Em atenção, o órgão de trânsito apresentou os documentos de fls. 161/162. Tendo em vista os fatos até este ponto discorridos, a autoridade fiscal formulou documento denominado Representação Administrativa, fls. 168/179, indicativo de que a BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA – EPP havia sido constituída em nome de interpostas pessoas, em razão do que deveria ser excluída do Simples Federal, com efeitos a partir de 17/08/2000, data da formalização da empresa. Em atendimento à proposição fiscal, deuse a edição do Ato Declaratório Executivo nº 49, de 3 de setembro de 2008, determinando a exclusão do Simples, com efeitos retroativos a 17/08/2000, da pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA – EPP, CNPJ 03.992.561/000102. Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 6 Segundo destacado na referenciada Representação Administrativa, o próprio advogado Edilso Canabarro transitou no quadro societário da BSC PRODUTOS QUÍMICOS, entre outubro/2003 e março/2006, além de possuir diversos vínculos com o Sr. LAERTE KOHLER, tais como: • a empresa C Canabarro Administradora de Bens Ltda ME, na qual é sócio administrador, participa do capital social de Ancoradouro do Caixa d’Aço Administradora de Bens Ltda, do qual também participa a SLK Administradora de Bens Ltda, que tem por sócios o Sr. LAERTE e a sua esposa, Srª Sandra; • sua irmã, a Srª Solange Ferreira Canabarro, a responsável pelos últimos registros na alteração contratual da BSC PRODUTOS QUÍMICOS, foi sócia do Sr. LAERTE na Poliplex Comércio e Representações de Embalagens Plásticas Ltda – ME, entre junho/2001 e abril/2003, quando se retirou da sociedade. Outros aspectos destacados pela Representação Administrativa: • o Sr. Antônio Carlos Siste (sócio da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA entre 03/03/2006 e 14/01/2008) foi sócio da Laka Administradora e Consultoria Empresarial entre 15/04/2004 e 29/08/2008, em cujo quadro societário constou o casal KOHLER, como únicos sócios de 01/01/1995 a 17/05/2004, data em que o Sr. LAERTE se retirou.Quanto à Srª Sandra, somente foi excluída da sociedade em 29/08/2008, o que se deu através do mesmo ato que também retirou da empresa o Sr. Antônio Carlos Siste; • o Sr. Carlos Hugo Monguilhott (que alienou o imóvel sito à Rua Azambuja, nº 198, Brusque/SC, ao Sr. Sebastião Ernani Poia, imóvel esse que constou como endereço cadastral da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA e como endereço cadastral do Sr. Genivaldo Luiz Pontes) declarou haver auferido rendimentos do trabalho da BSC PRODUTOS QUÍMICOS nos anos de 2004 e de 2005 e da BSC QUÍMICA em 2006, além de ter tido uma breve participação no capital desta última empresa; • assim como o Sr. Carlos Hugo Monguilhott, o Sr. LAERTE KOHLER também pertenceu ao quadro de funcionários da BSC PRODUTOS QUÍMICOS em 2005, como demonstrado na Relação de Trabalhadores Cadastrados no SEFIP, fl. 107. No entendimento da autoridade fiscalizadora, os diversos fatos discorridos na Representação Administrativa evidenciam que “a BSC PRODUTOS QUÍMICOS foi constituída por interpostas pessoas inicialmente para beneficiar IDEMAR CORRÊA que, manifestando desinteresse na continuidade da empresa, foi aproveitada por LAERTE KOHLER E GERMANO FARINA ALVES para, interpondo outros nomes no quadro societário, encobrirlhes a titularidade de fato. Posteriormente, com a constituição de nova pessoa jurídica (BSC QUÍMICA LTDA), tornaramna mera abstração jurídica, manipulando alterações artificiais no quadro societário, bem como mudanças fictícias de endereços, tanto dos interpostos quanto da empresa, tudo sob o concurso e orientação de EDILSO FERREIRA CANABARRO, e colaboração de SOLANGE FERREIRA CANABARRO [...] FABIANO OLIVEIRA MICHEL, e CARLOS HUGO MONGUILHOTT”. Com a adoção dessa linha de raciocínio, a autoridade fiscal editou Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos, fl. 181, com o qual objetivou cientificar o Sr. LAERTE KOHLER, na condição de preposto da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, da existência do ADE nº 49, de 2008, cuja cópia lhe seria entregue, juntamente com outra da referida Representação Administrativa. Neste mesmo documento foi reiterada a intimação para a apresentação da documentação Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.397 7 necessária à fiscalização da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, nos anos calendário 2003, 2004 e 2005. Tal documento, contudo, foi objeto de recusa por parte do Sr. LAERTE KOHLER, sob o argumento de não ser o responsável pela empresa BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Conforme consta à fl. 182, a exclusão da sistemática do Simples da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA tornouse definitiva, no âmbito administrativo, tendo em vista o não comparecimento da interessada ao respectivo processo. Em documento datado de 19/02/2008, fl. 193, o agente fazendário encaminhou intimação fiscal ao endereço cadastral do Sr. Antônio Marcos Siste, constante do quadro social da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA em sua última alteração contratual, juntamente com o Sr. Genivaldo Luís Pontes, determinando a regularização do endereço cadastral da pessoa jurídica, observado o prazo de cinco dias, visto a empresa não haver sido localizada no endereço constante dos registros da RFB, sob pena da decretação da inaptidão da empresa. Ressaltese que consoante pesquisas aos sistemas de controle interno da RFB, fls. 183/192, os senhores Genivaldo Luís Pontes e Antônio Marcos Siste informaram à tributação a percepção de rendimentos tributáveis de pequena monta e, como atividade principal, o código 529, correspondente a “vendedor e prestador de serviços do comércio, ambulante, caixeiroviajante e camelô”. Em 10/07/2008, na pessoa do Sr. Fabiano Oliveira Michel (sócio da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, na época denominada BRUSQUE COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, por pequeno lapso de tempo, no início de 2008) a pessoa jurídica foi intimada para a apresentação do documentário necessário à auditoria fiscal. Em resposta, fl. 251, referido senhor afirmou que “no breve período em que fui sócio da empresa citada, entre 12/2007 e 03/2008, não tive acesso a nenhum documento relacionado ao período solicitado, e que no momento não tenho nenhuma ligação com a empresa, pois já não faço parte do quadro de sócios”. Na seqüência dos trabalhos, foi aberto procedimento de diligência fiscal na BSC QUÍMICA LTDA, CNPJ 07.920.916/000109, com o que foi lavrado Termo de Diligência Fiscal e Solicitação de Documentos, fls. 253/254, referente aos anos calendário 2006 e 2007, em que foi determinada a apresentação dos comprovantes de integralização do capital subscrito na constituição da empresa, dos comprovantes de aquisição das instalações remanescentes da empresa BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, dentre outros documentos. A ciência, na pessoa do Sr. LAERTE KOHLER, deuse em 19/03/2008. Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 256/281. Novo Termo de Diligência Fiscal e Solicitação de Documentos, fls. 282/283, foi direcionado à BSC QUÍMICA LTDA determinando a “comprovar o efetivo pagamento das mercadorias adquiridas em 2006 da empresa BRUSQUE COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (antiga BSC PRODUTOS QUÍMICOS)”. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 8 Em documento datado de 31/03/2009, fl. 284, a BSC QUÍMICA LTDA, na pessoa do Sr. LAERTE KOHLER, registrou apresentar “todos os comprovantes de pagamentos das mercadorias adquiridas em 2006 da empresa BRUSQUE COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (antiga BSC PRODUTOS QUÍMICOS). Referidos documentos referemse às cópias acostadas aos autos às fls. 285/469. Em 11/07/2008 foi lavrado Termo de Intimação direcionado à BRUSQUE COMÉRCIO DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (antiga BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA), requisitando a apresentação dos extratos bancários da empresa, referentes às contas existentes no Banco do Brasil e no Banco do Estado de Santa Catarina, no período objeto da fiscalização. Em atenção, o Sr. Fabiano Oliveira Michel informou, fl. 471, que “no período solicitado eu não fazia parte do Quadro de sócios desta empresa, e que no breve período em que fui sócio da empresa (12/2007 a 03/2008), não tive contato com nenhum tipo de documento contábil da empresa, principalmente ao período solicitado, e que no momento não tenho mais ligação com a empresa, pois já não faço parte do quadro de sócios”. Não atingindo seu objetivo junto à pessoa jurídica, a autoridade fiscalizadora promoveu a expedição das respectivas Solicitações de Emissão e de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 484/488. Em atendimento, o Banco do Estado de Santa Catarina apresentou os documentos de fls. 490/527. Quanto ao Banco do Brasil, encaminhou os elementos de fls. 531/609. Analisadas e trabalhadas as informações bancárias, deuse a edição de Termo de Intimação Fiscal, fl. 610, determinando à BSC QUÍMICA LTDA, CNPJ 07.920.916/000109, a comprovação, de forma individualizada, da origem dos depósitos bancários efetuados nas contas mantidas no Banco do Estado de Santa Catarina e no Banco do Brasil em nome da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, CNPJ 03.992.561/000102, conforme demonstrativo de fls. 612/733. A intimada, por seu lado, apresentou documento, fl. 734, assinalando a “impossibilidade fática e jurídica de apresentação dos elementos [...] em razão da BSC Química não ser o responsável tributário daquela a qualquer título (sucessora integral, subsidiária, etc)”. Tendo por concluídos os trabalhos, a autoridade fiscal efetuou a lavratura de autos de infração concernentes ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e às contribuições sociais que lhe são reflexas, fls. 738/796, colocando no polo passivo da relação jurídicotributária a pessoa jurídica BSC QUÍMICA LTDA, CNPJ 07.920.916/000109, procedendo ao arbitramento dos lucros “tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos”. O enquadramento legal deuse no inciso III do art. 530 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99 e a descrição dos fatos encontrase complementada pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 797/813. Segundo consignado, “o crédito tributário foi apurado pelo regime do lucro arbitrado, com base nos depósitos bancários” tendo em vista que “o responsável foi intimado [...] comprovar de forma individualizada a origem dos depósitos bancários Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.398 9 efetuados nas contas mantidas no Banco do Brasil e no extinto BESC [...]”, sem que atendesse à demanda fiscal. Para o autor do procedimento, “Os fatos apurados demonstram de forma inequívoca a intenção da autuada e seus dirigentes em fraudar a Administração Tributária simulando a mudança de endereço da sucedida e o seu funcionamento em endereço fictício para escapar à responsabilidade por sucessão”, em razão do que a multa lançada foi qualificada para o percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Salientou, ainda, que “O cadastro de assinaturas da sucedida no BESC, de fl. 458459, e no Banco do Brasil, de fl. 496, demonstram que LAERTE KOHLER, sócio principal da sucessora, e EDILSO CANABARRO, principal responsável pelas alterações cadastrais da sucedida, detinham os poderes mais importantes para gestão financeira da sucedida, tais como desconto de duplicatas e emissão de cheques, o que torna evidente a intenção de sonegar e a consciência da fraude praticada”. A ciência dos lançamentos, na pessoa do sócio LAERT KOHLER, deuse em 24/08/2009, fl. 814. Em 17/09/2009 a pessoa jurídica efetuou a impugnação dos créditos tributários lançados, fls. 819/852. Com sede em preliminar, postulou a decretação da perda do direito de lançar pela ocorrência da decadência para os fatos geradores compreendidos entre janeiro/2003 e agosto/2004, visto a aplicabilidade, ao caso em consideração, do estabelecido pelo § 4º do art. 150 da Lei nº 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional – CTN, termos em que, tendo a ciência se consolidado somente em 24/08/2009, estariam atingidos pelo instituto jurídico em comento todos os lançamentos relativos aos períodos de apuração de agosto/2004 para trás. No que se refere ao mérito, suscitou a inocorrência do pressuposto fático indispensável à válida imputação da responsabilidade tributária por sucessão. Segundo considerado, a impugnante foi autuada na condição de sucessora integral da empresa BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional, mas que a atribuição da responsabilidade que lhe foi direcionada requer que o fisco, “sem apelo a utilização de provas indiciárias indiretas e presumidas, comprove a ocorrência dos pressupostos necessários à sua aplicação, dentre as quais, configurandose como a mais relevante questão jurídica subjacente: a prova da ocorrência da aquisição de fundo de comércio ou de estabelecimento profissional, comercial ou industrial”. Para uma melhor compreensão da temática em consideração, passase à transcrição do dispositivo em estudo: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 10 II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. [...] Quanto aos demais aspectos – ser a responsabilidade por sucessão afeta exclusivamente a tributos e não às multas, como também o fato de a exploração continuar sob a mesma ou outra razão social, ser subsidiária ou não a responsabilidade do adquirente – embora os tenha por relevantes, teriam pouca significação no caso em apreço. Na dicção da defendente, “se não houve aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, nem é preciso ir adiante, ante a falta de subsunção do fato à respectiva hipótese de incidência do art. 133 do CTN", destacando, ainda, que o “fundo de comércio é a integralidade de bens patrimoniais, inclusive os de natureza pessoal e valor imaterial”. Prosseguindo, trouxe à colação a doutrina do notável tributarista Ives Gandra Martins, a respeito do tema, pautado na qual inferiu que o dispositivo do CTN referese a fundo de comércio como “universalidade de bens, e não, especificadamente, de um ou alguns componentes de fundo de comércio”, com o que não lhe caberia a imputação da responsabilidade tributária visto que teria adquirido tão somente um singelo componente do fundo de comércio, ou seja, a matériaprima que pertencia à BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Para a defendente, “a adoção de razão social parecida, o fato de instalarse no mesmo local e a aquisição de uma parte da matériaprima, enquanto partes isoladas de um todo indecomponível denominado fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, são desinfluentes para caracterizar a sucessão empresarial ora guerreada”, em razão do que o art. 133 do CTN não seria aplicável ao caso em consideração. Argumentou tratarse de falácia a assertiva da autoridade fiscal no sentido de que a empresa autuada e seus dirigentes teriam fraudado “a Administração Tributária simulando a mudança de endereço da sucedida e o seu funcionamento em endereço fictício para escapar à responsabilidade por sucessão”, entendimento pautado nas considerações que se seguem: • “o Sr. Laerte Kohler, a Srª Sandra de Souza Kohler, o Sr. Germano Farina Alves e o Sr. Carlos Hugo Manguilhott, não são e nunca foram sócios da empresa que se reputa sucedida [...]”; • “não pode ser imputada à empresa BSC QUÍMICA LTDA e/ou ao Sr. Laerte Kohler (sócioadministrador daquela) qualquer responsabilidade por eventual transferência da empresa BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA [...] a endereços fictícios, vez que se tal fato ocorrera, é oponível somente aos respectivos sócios administradores da empresa tida como sucedida”; • “se resta pacífico o entendimento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de que sóciocotista não responde por débitos fiscais societários, inexiste base autorizativa para atribuir qualquer conotação de dolo ou fraude, e, conseguintemente, responsabilidade por sucessão [...] a uma empresa supostamente sucessora, por presumida omissão de receita experimentada por terceiro (empresa sucedida)” • “se houve a dissolução irregular da empresa BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA [...], conforme firme orientação jurisprudencial do STJ, tal ato infracional Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.399 11 somente pode ser imputável aos respectivos sócio(s)administrador(es), o que torna sistematicamente descabida qualquer imputação desta conduta fraudulenta a terceira pessoa, isto é, a uma empresa que simplesmente veio a se instalar no galpão antes alugado à devedora irregularmente dissolvida, prosseguindo à exploração da mesma atividade econômica”. Para a litigante, a autoridade lançadora incidiu em uma verdadeira “falácia construtivista” ao tecer uma “série de estranhas conexões conclusivas, partindo da análise da composição societária e posteriores alterações do contrato social da empresa BSC PRODUTOS QUÍMICOS [...] e na composição societária da empresa impugnante, como se tal fato fosse relevante à justificação da malsinada responsabilidade tributária por sucessão, com esteio no art. 133 do CTN, à empresa BSC QUÍMICA LTDA [...]”. Outro ponto de relevo da defesa referese ao alcance entendido como restritivo da responsabilidade tributária, estabelecida com fulcro no art. 133 do CTN. Assim é que, no entender do litigante, pautado na sempre respeitável doutrina de Marco Aurélio Greco, “se a conexão é com a atividade econômica”, situação experimentada pelo dispositivo em estudo, “a sucessão abrange apenas os tributos relativos à respectiva exploração da atividade econômica”, pois sendo o nexo de casualidade centrado na continuidade da exploração da atividade econômica do transmitente, “temse que a sucessão restringese aos tributos cujo pressuposto fático esteja, de alguma forma, relacionada à atividade econômica da sucedida [tais como o ICMS, o IPI e as contribuições previdenciárias decorrentes do trabalho realizado no âmbito do estabelecimento], não extensível, por consectário lógico natural, ao IRPJ e tributação reflexiva de PIS, COFINS, CSLL, que estão ligados à disponibilidade jurídica e econômica de rendimentos e/ou acréscimo patrimonial experimentado pelo transmitente”. A autuada manifestou ainda a sua discordância quanto à empresa tido por sucessora responder pelas penalidades pecuniárias da sucedida visto que tais gravames “são de índole genuinamente punitivas, razão pela qual, em se tratando de multas, afigurase descabida pretensa imputação de responsabilidade a uma sociedade empresária tida por sucessora [caso da impugnante], quer em razão de que a responsabilidade da sucessora, nos estritos termos do art. 133 do CTN, restringese ‘aos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido’, quer em razão de que a gravosa multa de 150% aplicada à espécie não fazia parte [dívida] do patrimônio incorporado pela sucedida, vez que os aludidos créditos não foram lançados antes do ato sucessório, nem tampouco foram declarados em DCTF, DIPJ ou DAS à Secretaria da Receita Federal do Brasil”, trazendo ainda aos autos ementas de decisões administrativas nesse mesmo sentido. Não prevalecendo esse entendimento, entende a interessada que “a desclassificação / redução da multa qualificada de 150% para 75% é medida que se impõe, não só porque o dolo de terceiro não se presume, mas, também, em razão da natureza da infração apurada [presunção de omissão de receita], pois, de acordo com o enunciado da Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Outro item combatido pela defesa diz respeito ao arbitramento do lucro cuja responsabilidade recaiu sobre a pessoa jurídica considerada sucessora tributária, por alegada inexistência de correlação lógica entre a causa e o efeito. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 12 A seu ver, tal fato “se revela absurdamente ininteligível”, visto que a intimação destinada à apresentação dos livros e demais documentos fiscais, cuja não apresentação motivou o arbitramento, assim como aquela em que foi exigida a comprovação da origem individualizada dos depósitos bancários, em que a ausência de resposta motivou a presunção legal de omissão de receita, foram direcionadas à empresa tida como sucessora, uma terceira que não teria como atender às demandas fiscais. Por fim, na improvável hipótese de nada disso prevalecer, pugna a impugnante pela dedutibilidade dos tributos pagos pela sucedida, apurados pela sistemática do Simples, na apuração final do crédito tributário neste processo exigido. A parte final da impugnação bem sintetiza sobre o que versa o imbróglio a ser apreciado, sendo de bom alvitre a sua integral reprodução: Por todo o exposto, resultam os créditos tributários [...] totalmente desprovidos dos imprescindíveis fundamentos de validade, e, conseqüentemente, improcedentes as multas (sanções) aplicadas, razão pela qual pugna o contribuinte autuado seja provida a presente IMPUGNAÇÃO, para: (i) acolhendo a preliminar suscitada, pronunciar a perda do direito da Fazenda Pública proceder ao lançamento (principal + multa + juros) do IRPJ e da CSLL, quanto aos 1º a 4º trimestres de 2003, e, 1º a 3º trimestres de 2004, bem como do PIS e da COFINS, relativos aos fatos geradores de JANEIRO/2003 a AGOSTO/2004, considerandose,por conseguinte, extintos os respectivos créditos tributários pela decadência (CTN, art. 156, V c/c art. 150, § 4º); (ii) no mérito, à míngua de qualquer comprovação pelo Fisco da ocorrência do fenômeno translativo de direito privado (aquisição de fundo de comércio, estabelecimento industrial, comercial ou profissional), indispensável à deflagração dos efeitos da regra disposta no art. 133 do Código Tributário Nacional, seja reconhecida a ilegitimidade da malsinada responsabilidade por sucessão imputada à impugnante, com sua subseqüente exclusão do campo da sujeição passiva das obrigações tributárias em mira (IRPJ, PIS, COFINS, e CSLL) ou, caso admitida a sucessão: (ii.a) reconheça que a imputada responsabilidade por sucessão limitase aos tributos cujo pressuposto fático esteja, de alguma forma, relacionada à atividade econômica pela empresa sucedida (tais como o ICMS, o IPI e as contribuições previdenciárias decorrentes do trabalho realizado no âmbito do estabelecimento), não extensível, por consectário lógiconatural, ao IRPJ e tributação reflexiva de PIS, COFINS, CSLL, que estão ligados à disponibilidade jurídica e econômica de rendimentos e/ou acréscimo patrimonial experimentado pelo transmitente (empresa sucedida); (ii.b1) seja reconhecido que a multa punitiva (de ofício ou qualificada) não se aplica à sucessora, quer porque sua responsabilidade, nos precisos termos do art. 133 do CTN, cingese apenas aos tributos relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido; quer porque o lançamento das multas fiscais punitivas apenas fora formalizada após o evento Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.400 13 da sucessão; quer porque os débitos tributários em questão não foram declarados em DCTF, DIPJ ou DAS à Secretaria da Receita Federal do Brasil; ou, sucessivamente, (ii.b2) seja reduzida/desclassificada a multa de ofício de 150% para 75%, quer em razão da inteligência da Súmula nº 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes; quer em detrimento de que se alguém incorreu em evidente intuito de fraude ou conduta dolosa ao omitir receite, esse alguém foi a empresa sucedida; quer em razão de que a causa determinante da sucessão, centrada na dissolução irregular da sociedade BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (CNPJ 03.992.561/000102), é exclusivamente imputável a seus sócios; e, ainda, (ii.c) requer seja considerado inexigível em relação à impugnante o crédito tributário de IRPJ apurado mediante regime do lucro arbitrado, ante a inexistência de correlação lógica entre a causa e efeito, pois ninguém pode ser penalizado pelo não atendimento de prestações impossíveis ad impossibilita nemo tenetur, no caso vertente, por não entregar extratos e prestar informações relativas a movimentação bancária da empresasucedida (e que obviamente não possuía!); (ii.d) por fim, que os tributos pagos pela empresasucedida no regime do SIMPLES e declarados à SRFB, devem ser deduzidos dos tributos que ora são exigidos da Impugnante, a título de responsável por sucessão”. Cientificada da decisão de primeira instância e, novamente irresignada apresenta o contribuinte Recurso Voluntário, protocolizado em 04/11/2013, em cujo arrazoado de fls. 1351 e seguintes, repisando os mesmos argumentos acostados quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Na dicção da recorrente, estariam decaídos os lançamentos correspondentes aos fatos geradores compreendidos entre os meses de janeiro/2003 a agosto/2004, visto que a ciência dos lançamentos ocorreu apenas em 24/08/2009. Para analisar a preliminar de decadência argüida pela recorrente para os fatos geradores ocorridos no período em questão, teremos que considerar um aspecto primordial para a contagem deste prazo qüinqüenal e, para tanto, tornase necessário superar no mérito a questão da existência ou não do evidente intuito de fraude, capitulado pelo fisco no artigo 44 inciso II da Lei 9.430/96. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 14 Assim, se considerada a existência de elementos que caracterizem o evidente intuito de fraude, estabelecido no artigo 71 da Lei 4.502/64, aplicarseia o prazo decadencial contido no artigo 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, como considerado pela autoridade recorrida. Se considerada a inexistência do intuito de fraude, o prazo decadencial seria aquele contido no parágrafo 4o do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Pelos procedimentos adotados e relatados pelo fisco, o fato determinante da qualificação da multa de ofício em 150% foi assim descrito na folha de continuação do Auto de Infração: “Os fatos apurados demonstram de forma inequívoca a intenção da autuada e seus dirigentes em fraudar a Administração Tributária simulando a mudança de endereço da sucedida e o seu funcionamento e endereço fictício para escapar à responsabilidade por sucessão, bem como através da constituição de empresas valendose de interpostas pessoas” Assim, tenho como procedente a aplicação de multa qualificada, pois além de prova inequívoca da intenção do contribuinte, o sóciogerente da sucessora detinha uma vasta gama de poderes de gestão na sucedida, conforme podese verificar pelo documentos apresentado à Fiscalização pelas instituições financeiras com as quais a sucedida mantinha relação. Ademais, a sucedida se mostrou impregnada de interpostas pessoas em seu quadro social, podendo, desta maneira concluir que o referido sóciogerente esteve o tempo todo por trás da administração da atividade de comércio atacadista de produtos químicos industriais em geral, comum a ambas sucedida e sucessora, sendo o responsável intelectual por toda a engrenagem montada, voltada para dificultar a ação da Fazenda Pública Federal na apuração e na cobrança dos tributos devidos pela autuada, com o que tenho por caracterizado o evidente intuito de fraude. Dito isto, passo agora a apreciar a preliminar de decadência, sendo aqui aplicável o artigo 173 inciso I do CTN, pois, no meu entender, comprovada a fraude. Desta feita, tendo o lançamento sido cientificado ao sujeito passivo em 24/08/2009, o mesmo se deu dentro dos cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser efetuado. Observese que o termo inicial para contagem do prazo decadencial foi 01/01/2005 considerado que, no que toca ao anocalendário 2003, o mais antigo dentre os constantes da autuação, o lançamento somente poderia ser efetuado a partir de 2004, com o que o termo inicial do prazo decadencial passou a ser o dia 01/01/2005. Assim, sendo 05 (cinco) anos o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, por meio do lançamento, o termo final do prazo decadencial foi o dia 01/01/2010. Como a sua ciência se deu em 24/08/2009, há que se concluir pela inocorrência da decadência do direito de lançar, afastandose a pretensão da defendente. Por conseguinte, rejeito a preliminar de decadência levantada, passando a avaliar abaixo as pretensões no seu mérito. Quanto ao mérito, o cerne da discussão diz respeito à atribuição da responsabilidade tributária a um terceiro, em face da aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, nos termos delimitados pelo art. 133 do Lei nº 5.172, de 1966, o Código Tributário Nacional (CTN): Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.401 15 Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I – integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II – subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses, a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. [...] A ação fiscal ostentava no pólo passivo a pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, CNPJ 03.992.561/000102. Por entender configurada a hipótese prevista no dispositivo acima apresentado, ou seja, a aquisição, por parte da BSC QUÍMICA LTDA, CNPJ 07.920.916/000109, do fundo de comércio da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, CNPJ 03.992.561/000102, a autuação foi efetivada em nome da adquirente, empresa que se encontrava em funcionamento à Rua Antônio Mafezzoli, nº 95, Brusque/SC, endereço cadastral da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA nos sistemas de controle da RFB, por ocasião da fiscalização. Destaquese, ainda, que ambas as empresas, além da razão social assemelhada, dedicavamse à mesma atividade, o comércio atacadista de produtos químicos industriais em geral. Para a defendente, no entanto, para que possa ser considerada sucessora tributária deveria o fisco, “sem apelo a utilização de provas indiciárias indiretas e presumidas”, comprovar “a ocorrência dos pressupostos necessários à sua aplicação, dentre as quais, configurandose como a mais relevante questão jurídica subjacente: a prova da ocorrência da aquisição de fundo de comércio ou de estabelecimento profissional, comercial ou industrial”. Nesse tom, a principal argumentação da defesa pode ser resumida nos seguintes termos – não havendo a comprovação formal da aquisição do fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional não haverá a subsunção dos fatos ao comando legal considerado pela autoridade lançadora, devendo o lançamento ser cancelado por este órgão julgador. Além do que, por ser o fundo de comércio uma universalidade de bens, não poderia a autoridade fiscal enquadrar nesse conceito a simples aquisição de matériaprima pela autuada perante a BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. A razão social parecida e a instalação no mesmo endereço são fatores que não se mostrariam suficientes para configurar a aquisição do fundo de comércio. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 16 Para o deslinde da problemática posta em apreciação, urge que se perquira o conceito de fundo de comércio, prestandose, para tanto, o ensinamento do ilustre RUBENS REQUIÃO, segundo a qual O fundo de comércio ou estabelecimento comercial é o instrumento da atividade do empresário. Com ele o empresário comercial aparelhase para exercer sua atividade. Forma o fundo de comércio a base física da empresa, constituindo um instrumento da atividade empresarial. [...] Compõese o estabelecimento de elementos corpóreos e incorpóreos, que o empresário comercial une para o exercício de sua atividade. Passemos, então, à análise da principal tese da defesa, referente à necessidade da formal comprovação da aquisição do ponto de comércio. Aqui não nos parece haver uma uniformização de entendimento, existindo duas correntes distintas versando sobre a questão: para uma das correntes, para que se caracterize a sucessão tributária deve ser efetivamente demonstrada a comprovação da aquisição do estabelecimento comercial ou fundo de comércio por parte da sucessora. Na segunda, contudo, o fato de se tratar do mesmo local, das mesmas instalações, do mesmo maquinário e da mesma clientela seria o bastante para se configurar a aquisição do fundo de comércio. A meu ver, entendo que melhor sorte assiste à segunda corrente pois, como sabido, quem busca se eximir da tributação através de critérios heterodoxos não documenta o seu modus operandi, restando à autoridade fiscal se servir dos fatos indiciários para enquadrar o caso concreto em apreciação como uma sucessão empresarial decorrente da aquisição do fundo de comércio. Em que pese, como já dito anteriormente, não haver uniformidade na doutrina quanto à necessidade ou não da efetiva comprovação da aquisição do fundo de comércio (formalismo), também não há uma jurisprudência pacífica quanto ao tema, seja no judiciário ou no âmbito administrativo. Contudo, há farto número de decisões, administrativas e judiciais, em que foram consideradas as situações fáticas como sendo o bastante para se configurar a responsabilidade tributária da sucessora. Assim, evidenciado que a sucessora se encontrava no mesmo local, no exercício da mesma atividade, utilizando as mesmas instalações, com os mesmos clientes e aproveitando o potencial de lucratividade do negócio anteriormente exercido pela empresa sucedida, restaria configurado a sucessão, ainda que de forma indireta, malgrado a existência de documento formal que a comprovasse. Ante o que foi exposto e alinhandome à linha de raciocínio adotada por aqueles que consideram desnecessária a comprovação da aquisição formal do fundo de comércio, bastando para tanto a conjugação de uma série de fatores capazes de evidenciar a transferência e utilização do fundo de comércio, entendo como configurada a situação delineada no art. 133 do CTN, devendose, por conseguinte, manter a sujeição passiva da pessoa jurídica BSC QUÍMICA LTDA, CNPJ 07.920.916/000109, em relação ao crédito tributário exigido. Alcance da Responsabilidade Tributária Foi requerido pela recorrente, na hipótese de não ser acolhida a sua pretensão principal, que seja reconhecido que a sucessão deve ser restrita aos tributos cujos fatos geradores estejam relacionados à atividade econômica da pessoa jurídica sucedida, a exemplo do ICMS, do IPI e das contribuições previdenciárias decorrentes do trabalho realizado no Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.402 17 âmbito do estabelecimento comercial, pelo que não estariam alcançados pela tributação o IRPJ e as contribuições sociais reflexas. Assim não entendo pois o art. 133 do CTN não restringe o alcance da tributação da sucessão empresarial. Com efeito, referido dispositivo apregoa que a pessoa jurídica que adquirir de outra o fundo de comércio ou o estabelecimento comercial, industrial ou profissional e prosseguir na mesma exploração, sob a mesma ou outra razão social, responde pelos tributos devidos, até a data do ato da aquisição, concernentes ao fundo ou estabelecimento adquirido. Nesse diapasão, a responsabilidade pelos tributos contida no dispositivo em tela diz respeito aos tributos em geral, sem fazer qualquer restrição no sentido de que tal regra alcançaria apenas os tributos sobre a produção e a circulação, como entende a recorrente. Em assim sendo, a responsabilidade tributária por sucessão em análise abarcará tudo aquilo que diz respeito à atividade comercial do contribuinte, e todos os tributos que com ele se relacionem, sem restrições de qualquer natureza, com o que se tem por afastada a pretensão da defesa. Alcance das Penalidades Pecuniárias Discorda a recorrente da autuação contemplar a imposição de penalidade pecuniária, visto tal gravame possuir índole eminentemente punitiva, razão pela qual, em se tratando de multa, afigurarseia descabida pretensa imputação de responsabilidade a uma sociedade empresária tida por sucessora e que não deu azo à infração praticada. Não comungo desse entendimento em que pese o fato do art. 133 do CTN utilizarse do vocábulo tributo e não obrigação ou crédito tributário. Certo é que tributo abarca tão somente a obrigação tributária principal, não estando contido na definição de tributo os seus acessórios, ou seja, as multas, sejam elas de mora ou punitivas. Assim, se se adotar uma leitura isolada do art. 133, as multa aí não se encaixariam, uma vez que o conceito adotado pelo artigo em comento é o de tributos e não o de obrigação tributária ou crédito tributário. Contudo, especial atenção deve ser dada ao preconizado pelo art. 129 do CTN, verbis: Art. 129 O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.(Grifos meus) Assim, a partir da leitura do dispositivo legal acima, que se refere a todos artigos contidos na Seção II – Responsabilidade dos Sucessores, inserida no Capítulo V – Responsabilidade Tributária, é possível se inferir que o alcance a ser dado ao vocábulo“tributos”, tal como empregado nos artigos 131, 132 e 133 do CTN, seja o de “créditos tributários” na forma utilizada pelo artigo 129, com o que também estariam contempladas as multas regularmente constituídas desde que surgidas até a data do evento ou ato que ensejou a responsabilização de terceiro. Nesses termos, a responsabilidade tributária por sucessão, prevista no artigo 133 do mesmo código, aplicase tanto aos “tributos”, em função da interpretação meramente Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 18 literal do próprio artigo, como também às multas, em face da extensão interpretativa dada por força de uma leitura sistêmica que se faça deste, conjugandoo com o teor do artigo 129, o qual preceitua que para fins da Seção II devese utilizar à expressão “créditos tributários”. No caso concreto, os créditos tributários foram constituídos em data posterior à sucessão. todavia, dizem respeito a fatos geradores ocorridos até referido evento, nos anos calendário 2003, 2004 e 2005, configurando a responsabilidade tributária da impugnante não somente em relação aos impostos, mas também no que tange às multas de ofício cominadas pelo fisco. É como tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, como observado nas ementas abaixo: AgRg no REsp 1452763 / SP. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2014/01061841 MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. T2 – SEGUNDA TURMA 10/06/2014 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. SUCESSÃO EMPRESARIAL (INCORPORAÇÃO). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. PRECEDENTES. 1. "Os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo" (Resp 670.224/RJ, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 13.12.2004). No caso, considerando que o fato gerador foi praticado pela pessoa jurídica sucedida, inexiste irregularidade na "simples substituição da incorporada pela incorporadora", como bem observou o Tribunal de origem. Nesse sentido: REsp 613.605/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 22.8.2005; REsp 1.085.071/SP, 1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 8.6.2009. 2. Agravo regimental não provido. Qualificação da Multa de Ofício Não tendo prevalecido a tese da impossibilidade da cobrança da penalidade pecuniária diretamente da pessoa jurídica sucessora, manifestase a recorrente pela não possibilidade do agravamento da multa de ofício, aplicada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). A penalidade pecuniária em discussão encontrase prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, que tratam, respectivamente da sonegação, fraude e conluio. Portanto, que para que a multa seja lançada no percentual de 150%, o procedimento do sujeito passivo deve se encontrar contaminado por qualquer das figuras estatuídas pela Lei nº 4.502, de 1964, cumprindo à autoridade fiscal comprovar que a sonegação, a fraude ou o conluio se mostram presentes no caso em consideração, demonstrando o evidente intuito de fraude na atuação do sujeito passivo. Para que fique patente o dolo na atuação do sujeito passivo, de modo a configurar o evidente intuito de fraude, necessário que restem demonstradas as presenças dos dois elementos essenciais à sua caracterização: a consciência de que o agente encontravase operando de forma contrária ao regramento legal e a vontade livre e deliberada de assim proceder. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.403 19 Voltandose ao caso em apreciação, a conclusão a que chegou a autoridade fiscal, consignada no Termo de Verificação Fiscal, foi a de que “os fatos apurados demonstram de forma inequívoca a intenção da autuada e seus dirigentes em fraudar a Administração Tributária simulando a mudança de endereço da sucedida e o seu funcionamento e endereço fictício para escapar à responsabilidade por sucessão”, daí advindo o lançamento da multa no percentual de 150%. Defendese a autuada afirmando nada ter a ver com as alegadas simulações perpetradas no bojo da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, que se tais situações de fato existiram, teriam sido perpetradas por seus dirigentes, que não se confundem com os representantes da BSC QUÍMICA LTDA. Quanto ao fato de a sucedida BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA haver sido constituída em nome de interpostas pessoas, relacionadas ainda que de forma indireta com o Sr. LAERT KOHLER, dúvida não há, pois os fatos relatados na autuação, a esse respeito, a seguir discorridos, mostramse contundentes e, na minha opinião, claramente demonstrados pela fiscalização, podendose cogitar que estes seriam indícios fortes da intenção dolosa do contribuinte, mas ainda assim estes seriam insuficientes, ao meu ver, para a qualificação da multa, pois, ainda não se tinha nenhuma prova da ligação direta do Sr. LAERTE KOHLER com a pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Ocorre, todavia, que a documentação encaminhada pelas instituições financeiras Banco do Estado de Santa Catarina (“BESC”) e Banco do Brasil (“BB”) desmente, de forma peremptória, a versão da recorrente, uma vez que o Sr. LAERTE KOHLER aparece nesses documentos como sendo Procurador da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, com poderes para abrir, movimentar ou encerrar a conta da empresa, assinar propostas de contrato de abertura de crédito, caucionar ou descontar duplicatas, emitir cheques, emitir duplicatas, receber e passar recibo e até mesmo reconhecer saldos. Ora, se o sóciogerente da sucessora BSC QUÍMICA LTDA detinha toda essa gama de poderes na sucedida BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, empresa que se mostrou impregnada de interpostas pessoas em seu quadro social, há que se concluir que referido senhor esteve o tempo todo por trás da administração da atividade de comércio atacadista de produtos químicos industriais em geral, comum a ambas as empresas, sendo o responsável intelectual por toda a engrenagem montada, voltada para dificultar a ação da Fazenda Pública Federal na apuração e na cobrança dos tributos devidos pela autuada, com o que tenho por caracterizado o evidente intuito de fraude, o que demonstra a correção do lançamento da multa de ofício, aplicada no percentual qualificado de 150%. Responsabilidade pelo Arbitramento do Lucro O lançamento, que tem por sujeito passivo a empresa BSC QUÍMICA LTDA (sucessora), tomou por base movimentação financeira da pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (sucedida), se pautou em omissão de receita caracterizada pelo fato de a pessoa jurídica sucessora não haver justificado, de forma individualizada, a origem de volumosos depósitos bancários observados em contas correntes da titularidade da sucedida (art. 42, Lei nº 9.430, de 1996), tendo o lucro sido arbitrado em razão da não apresentação, por parte da sucessora, dos livros e demais documentos da escrituração comercial e fiscal da sucedida (art. 530, inc. III, Decreto nº 3.000, de 1999). Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 20 A pessoa jurídica sucedida vinha declarando à RFB valores sobejamente inferiores aos informados à Fazenda Estadual. Também se mostraram menores que os apurados a partir dos extratos bancários, apresentados pelas instituições financeiras em que a empresa mantinha contas bancárias. A BSC QUÍMICA LTDA (sucessora), ora recorrente, por seu lado, não se conformou com a autuação nos moldes em que foi processada, que teria se revelado “absurdamente ininteligível” pelo fato de a exigência para a apresentação do documentário contábil e fiscal, assim como para a justificação individualizada dos depósitos bancários, haverem sido dirigidos a quem não teria como apresentar tais documentos, tampouco justificar a origem dos créditos bancários. Seria destempero exigir de alguém documentos e livros fiscais pertencentes a terceiros. Também seria irracional exigir que uma pessoa jurídica preste informações detalhadas e individualizadas, quanto à origem de depósitos bancários mantidos junto a instituições financeiras por outra sociedade, afirmou a litigante. Devese, contudo, pontuar que a autoridade fiscal não logrou localizar a pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, tampouco as pessoas naturais constantes de sua última alteração contratual, em razão do que a intimação do início do procedimento fiscal se deu pela via do Edital, como observado à fl. 100. Quanto ao fato de a empresa considerada sucessora tributária haver sido intimada para a apresentação dos livros e demais documentos fiscais e contábeis, como também para justificar a origem dos depósitos bancários, decorreu do fato de que, no momento em que as intimações se efetivaram, a autoridade fiscal já dispunha de elementos suficientes para considerar que a BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA fora constituída em nome de interpostas pessoas em proveito do Sr. LAERT KOHLER, sócioadministrador da BSC QUÍMICA LTDA (sucessora). Observese que no Termo de Ciência e de Solicitação de Documentos nº0007, fl. 181, direcionado à pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA (sucessora), a autoridade fiscal tratou o Sr. LAERT KOHLER como “responsável de fato” pela empresa sucedida. Em concreto, a autoridade fiscal visava cientificar a pessoa jurídica sucessora do Ato Declaratório Executivo nº 49, de 3 de setembro de 2008, expedido pela DRF Blumenau nos autos do processo 13971.004163/200891, que tratou da exclusão da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA do Simples Nacional (Lei nº 9.317, de 1996), com efeitos retroativos a 17/08/2000, data do registro da empresa, posto que desde a sua constituição já contava com a presença de interpostas pessoas em seu quadro societário. Junto com o acima referido Termo, também objetivou disponibilizar uma cópia da Representação Administrativa, fls. 168/179, que motivou a expedição do Ato Declaratório Executivo nº 49, de 2008, documento em que foi afirmado pela autoridade fiscal que “Os diversos fatos constatados comprovam que a BSC PRODUTOS QUÍMICOS foi constituída por interpostas pessoas para beneficiar, dentre outros, o Sr. LAERTE KOHLER e GERMANO FARINA ALVES. Conforme argumentado na peça recursal, não haveria como a pessoa jurídica autuada atender a demando do fisco por se tratar de empresa distinta da BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR Processo nº 13971.001959/200973 Acórdão n.º 1302001.445 S1C3T2 Fl. 1.404 21 Acontece que, consoante informado pelo BESC, aspecto não contraditado nas defesas apresentadas pela BSC QUÍMICA LTDA, o Sr. LAERT KOHLER era detentor de Procuração da pessoa jurídica BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, documento que lhe outorgou amplos poderes perante a instituição financeira. Se o Sr. LAERT KOHLER era detentor de documento que o autorizava a assinar cheques, contrair obrigações e até mesmo encerrar a conta bancária, como já visto neste julgado, era de se esperar que tivesse acesso ao documentário exigido pela fiscalização, podendo apresentálo ao AFRFB responsável pelo procedimento, com o que poderia evitar o arbitramento do lucro, mas não o fez, preferindo manterse inerte. Pelo mesmo motivo teria como justificar de forma individualizada a origem dos depósitos bancários relacionados no Termo de Intimação Fiscal nº 0009 e em seu anexo, fls. 610/733, sem que efetivamente viesse a fazêlo. Nesse contexto, a despeito de ter condição de atender às demandas do fisco, em face da Procuração informada pela instituição financeira, a BSC QUÍMICA LTDA, na pessoa de seu sóciogerente Sr. LAERT KOHLER, optou por apresentar o documento de fl. 734 em que é afirmada a “impossibilidade fática e jurídica de apresentação” dos referidos documentos “em razão da BSC Química Ltda não ser o responsável tributário daquela a qualquer título (sucessora integral, subsidiária, etc)”. Nesse diapasão, não há que se falar em irregularidade na receita considerada omitida, assim como no arbitramento do lucro, procedimento que foi adotado em total conformidade com os fatos apurados e com a legislação que rege a matéria. Tributação Reflexa Quanto aos demais lançamentos, considerados reflexos ou decorrentes, pertinentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, aplicase o que foi decidido quanto à exigência matriz, correspondente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, devido à íntima relação de causa e efeito entre eles, em face do que tais lançamentos também deverão ser mantidos, sem qualquer alteração. Dedução dos Valores Recolhidos pelo Simples A defesa postula, ainda, que sejam excluídos do total lançado de ofício os valores já pagos pela BSC PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, a título de Simples. Analisandose os autos de infração em apreço é possível que se conclua que, de fato, a autoridade fiscal não considerou os valores pagos ou declarados pelo contribuinte, segundo o regramento determinado aos optantes pelo Simples. Neste sentido temos aqui matéria já sumulada por este CARF, súmula que é de aplicação obrigatória por este julgador, razão que, por si só, já dispensa maiores digressões sobre os fundamentos da minha decisão. Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR 22 percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Nesse sentido, entendo que razão assiste à recorrente e, portanto, procedente o pedido para que os tributos pagos pela empresa sucedida no regime do SIMPLES e declarados à SRFB, sejam deduzidos dos tributos que ora são exigidos da Impugnante, a título de responsável por sucessão. Conclusão Isso posto, tendo presentes os fatos e a legislação colacionados no presente julgado, VOTO pela procedência parcial do recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica BSC QUÍMICA LTDA, determinando que os tributos pagos pela empresa sucedida no regime do SIMPLES e declarados à SRFB, sejam deduzidos dos tributos que ora são exigidos da Recorrente, a título de responsável por sucessão, até o limite dos primeiros. Sala de Sessões, 29 de julho de 2014 (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo – Relator Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 0 4/08/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO S OUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10140.003635/2004-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 11/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente ADILSON APPARECIDO DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 11/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Versam os presentes autos sobre recurso voluntário interposto de decisão a quo que julgou procedente a ação fiscal, derivada de Auto de Infração lavrado em virtude de omissão de rendimentos constatada mediante cruzamento de dados de CPMF e cuja movimentação financeira foi entregue “espontaneamente” ao Fisco pelo contribuinte. Em apertada síntese, o recorrente: a) assevera que toda a documentação constante no presente processo – administrativo tributário, bem como a declaração de renda e 2001, relativa ao ano base de 2000, fornecem justificativas bastantes para os questionados RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .0 03 63 5/ 20 04 -5 0 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10140.003635/200450 Resolução nº 2802000.113 S2TE02 Fl. 3 2 depósitos, não persistindo situação de omissão de receita ou de rendimentos.; b) pondera que é pecuarista e que em suas constas circulam recursos de terceiros;c) nem sempre o volume de depósitos injustificados leva a um rendimento omitido. Há que haver o nexo causal entre o depósito e o fato que representa a omissão; d) a presunção prevista no art. 42 da Lei n. 9.430/1996 é inadequada, uma vez que não há relação entre omissão de rendimentos e os depósitos bancários por diversos motivos e o tempo decorrido, aproximadamente cinco anos, o que impossibilita ao contribuinte a produção de provas exigidas pelo Fisco; A presente ação fiscal decorre da análise de informações fiscais fornecidas à RFB mediante utilização de dados da CPMF. Após intimação indicando o total da movimentação financeira do período fiscalizado, o contribuinte apresentou , em atendimento a intimação fiscal, extratos bancários de alguns bancos. Os extratos relativos ao Banco Bradesco S/A foram obtidos por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (f. 132 a 173). Irrelevante a entrega “espontânea” de parte dos extratos bancários pelo sujeito passivo, sem a necessidade de obtenção das informações financeiras por ordem administrativa, diante da possibilidade da criação de situação desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. Isso porque, a obtenção dos dados bancários após regular intimação da fiscalização, não pode ser chamada de “espontânea”, por decorrente de enunciado legal provido de presunção de validade, portanto, cogente para todos contribuintes. Logo, a aplicação de futuro precedente do Sumo Pretório sobre a obtenção dados bancários sem autorização judicial deve ser isonômica tanto para os contribuintes que confiaram na presunção de validade da legislação vigente, quanto para aqueles que simplesmente decidiram por sua conta e risco não entregar, após regular intimação, os extratos bancários solicitados. As intimações fiscais, por se tratarem de atos administrativos, se revestem de presunção de legalidade, bem como a lei que fundamenta o acesso às informações bancárias (LC 105/2011), possui presunção relativa de constitucionalidade. Daí a colaboração do contribuinte na colheita de provas na fase fiscalizatória, não pode ser chamada de “espontânea”. A negativa na entrega dos extratos bancários, de acordo com a legislação vigente e válida por ocasião da realização dos atos preparatórios do lançamento, implicaria na inevitável, por vinculada, expedição de RMF. Logo, a não entrega dos dados bancários solicitados, se tornaria medida apenas protelatória. Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral pelo pleno STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa naqueles autos pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que, em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n.1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: Fl. 328DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10140.003635/200450 Resolução nº 2802000.113 S2TE02 Fl. 4 3 DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verifica se que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publique se. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discute se nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verifica se que o Fl. 329DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10140.003635/200450 Resolução nº 2802000.113 S2TE02 Fl. 5 4 Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publique se. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõe se o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Fl. 330DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10140.003635/200450 Resolução nº 2802000.113 S2TE02 Fl. 6 5 Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao disposto no art. 62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF( Portaria 256/2009) c/c Portaria CARF Nº 1/2012,, ratificado pelas decisões acima transcritas, de modo a impedir a apreciação do mérito do presente feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 331DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10384.003142/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2009 a 01/01/2010
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA
A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo.
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada.
INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA.
A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação.
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 01/01/2010 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA A impugnação intempestiva impede o inicio do contencioso administrativo. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitar-se a apreciar a preliminar levantada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade deve limitarse a apreciar a preliminar levantada. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Em virtude do disposto no art. 17 do Decreto n º 70.235 de 1972 somente será conhecida a matéria expressamente impugnada. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. RECEBIMENTO POR PESSOA NÃO AUTORIZADA. A intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 31 42 /2 01 0- 03 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10384.003142/201003 Acórdão n.º 2302003.098 S2C3T2 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 67 e seguintes) interposto contra despacho decisório que reconheceu a intempestividade da impugnação da recorrente, na qual não se alegou tempestividade, indeferindo a revisão de ofício do lançamento (fls. 63/64). Conforme relatório fiscal de fls. 17 e seguintes, o Auto de Infração no valor R$ 7.521,53 referese: a) Contribuição do segurado empregado, destinada à Seguridade Social, prevista no art. 20 da Lei n° 8.212/1991, de responsabilidade da empresa, nos termos do art. 30, I, "a" e "b" combinado com o art. 33, § 5o, ambos, da Lei n ° 8.212/1991. b) Contribuição do segurado contribuinte individual, destinada à Seguridade Social, prevista no art. 21 e § 1o da Lei n° 8.212/1991, observado o § 4o do art. 30 da Lei n° 8.212/1991 e art. 4o da Medida Provisória n° 83, de 12/12/2002, convertida na Lei n° 10.666, de 08/05/2003; de responsabilidade da empresa, nos termos do Art. 30, I, "b" combinado com o art. 33, § 5o, ambos, da Lei n° 8.212/1991. Em seu recurso, alega a recorrente, em apertada síntese, que: * O Aviso de Recebimento – AR não foi juntado aos autos, constando apenas extrato do Serviço de Rastreamento de Objetos, o que não constitui prova do recebimento do Auto de Infração, nos termos do art. 23, II, e § 2°, do Decreto n° 70.235/72. Sendo assim, deve ser considerada a dilação de quinze dias após a expedição da intimação para o início da contagem do prazo para apresentação de impugnação. Acrescenta a dificuldade em impugnar um total de vinte e um Autos de Infração; * O Auditor Fiscal, apesar de ter sido alertado pela recorrente no curso da fiscalização, não levou em consideração o Pedido de Parcelamento Débito PEPAR, nem os valores correspondentes às verbas indenizatórias; * Nulidade da autuação por descumprimento do art. 32A, II, § 2° da Lei n° 8.212/91, pois a recorrente somente poderia ser autuada após a intimação fiscal, conforme entendimento firmado pela leitura do § 2°, no instante em que o legislador estabelece como requisito para redução da multa a "apresentação da declaração no prazo fixado em intimação". * A multa aplicada é ilegal e inconstitucional, além da ocorrência de denúncia espontânea; * A taxa SELIC é inaplicável. É o relatório. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi O recurso voluntário apresentado pela autuada é tempestivo e está sendo conhecido, por força de decisão judicial, uma vez que não há decisão de primeira instância recorrida. Conforme se pode ver da análise dos autos, a autuada apresentou impugnação intempestiva argüindo questões de fato e de direito. As questões de fato foram analisadas de ofício pelo Fisco, por se referirem a suposto bis in idem, já que a impugnante alegava a existência de parcelamento dos valores lançados. DespachoDecisório informou ao contribuinte que os valores lançados no auto de infração não constavam de qualquer parcelamento junto à Receita Federal do Brasil. Contra este decisório é que a autuada interpôs este recurso, o qual está sendo examinado por força de decisão judicial. Quanto à alegada tempestividade da impugnação, a recorrente não possui razão, posto que constam a postagem dos autos de infração e a situação de entregues pelos Correios, documento hábil e verídico, não cabendo a desconfiança por parte do recorrente, que sequer apontou vício no procedimento levado a termo pelos Correios. Conforme entendimento jurisprudencial, em face da teoria da aparência e em busca do aprimoramento dos serviços judiciários, a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Em casos de pessoas jurídicas, admitese a entrega da correspondência, inclusive, para pessoas estranhas ao seu corpo funcional (p. ex.: porteiros, vigilantes etc.). Corroborando, citamos o art.1.178 do Código Civil, que dispõe, in verbis: Art. 1.178. Os preponentes são responsáveis pelos atos de quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito. Assim, a alegação da recorrente de que as autuações encaminhadas por via postal foram recebidas por pessoa não autorizada não constitui razão para conhecimento de impugnação intempestiva, com ou sem argüição de tempestividade, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. REQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. VIA POSTAL. POSSIBILIDADE. Não merece provimento recurso carente de argumentos capazes de desconstituir a decisão agravada. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10384.003142/201003 Acórdão n.º 2302003.098 S2C3T2 Fl. 116 5 “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo.” É possível a citação da pessoa jurídica pelo correio, desde que entregue no domicílio da ré e recebida por funcionário, ainda que sem poderes expressos para isso. (AgRg no Ag 711722 / PE ; AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2005/01614041, Ministro Humberto Gomes de Barros, 3ª Turma, DJ 27/03/2006, p. 267) Ademais,tal assunto já se encontra sumulado por este colegiado, Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Quanto à referência ao artigo 23, §2º, II do Decreto 70.235/72, para dizer que deveria ser considerada feita a intimação após 15 dias da postagem, é de se ver que tal dispositivo contempla as situações em que não há data do recebimento da correspondência, o que não ocorreu no caso em tela, onde a recorrente recebeu as vias relativas aos autos de infração lavrados. É também improcedente a alegação de que o número excessivo de autuações impediu que a recorrente prontamente apresentasse suas impugnações, porquanto os prazos processuais vem definidos em lei, sendo defeso à administração pública descumprilos ou ampliálos a fim de beneficiar um ou outro contribuinte. Conforme consta da legislação vigente, mais precisamente no Decreto n.º 70.235/72, artigo 15, o contribuinte tem o prazo de trinta dias para impugnar o lançamento, o que não ocorreu no presente processo: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O termo inicial para contagem do prazo é o primeiro dia útil posterior à ciência do contribuinte, de forma que se exclui o dia do começo e incluise o do vencimento. A decisão que julgar impugnação intempestiva com argüição de tempestividade, em auto de infração apreciará tãosomente a tempestividade argüida, tendo em vista que não foi instaurada a fase litigiosa em relação às demais matérias constantes da peça impugnatória, as quais não serão conhecidas, a teor do disposto pelo artigo 14 do Decreto 70.235/72: Decreto n.º 70.235/72 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Portanto está correto o DespachoDecisório ao se pronunciar pela intempestividade da impugnação, que nesta condição não se prestou a iniciar a fase contenciosa do procedimento administrativo. Ressalto, ainda que de ofício foi examinada a questão relativa ao bis in idem, com a possível existência de parcelamento dos valores lançados , o que não restou configurado. Assim, foi correta a manutenção do crédito lançado na sua totalidade. Todavia, em obediência à decisão judicial que determinou o conhecimento do recurso interposto, me manifesto sobre os demais aspectos nele trazidos. A recorrente alega a existência de parcelas ilegais constantes do lançamento, como 1/3 de férias, horas extras e auxíliodoença. Entretanto, a base de cálculo do crédito apurado foi tomada com base nos registros contábeis da autuada, documentos por ela elaborados, que não demonstrou que tais parcelas efetivamente compuseram o salário de contribuição apurado. Alegar sem provar, é o mesmo que não alegar. Ademais, é de se observar que a matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições socais. Nessa linha, da análise dos autos, verificase que os valores pagos pela recorrente aos segurados não se enquadram nas hipóteses previstas em Lei como isentas de contribuições sociais; mais precisamente no parágrafo 9º, do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a)os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10384.003142/201003 Acórdão n.º 2302003.098 S2C3T2 Fl. 117 7 d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 9 recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10384.003142/201003 Acórdão n.º 2302003.098 S2C3T2 Fl. 118 9 v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Quanto à alegação de nulidade da autuação por descumprimento do art. 32A, II, § 2° da Lei n° 8.212/91, pois a recorrente somente poderia ser autuada após a intimação fiscal, conforme entendimento firmado pela leitura do § 2°, no instante em que o legislador estabelece como requisito para redução da multa a "apresentação da declaração no prazo fixado em intimação", cumpre ressaltar que tal multa não foi objeto do presente Auto de Infração. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 01/ 04/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10882.901810/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 01 81 0/ 20 08 -1 6 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 07/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Da Notificação de Lançamento Por meio da PER/DCOMP n° 25495.23296.310304.1.3.042769 transmitido em 31/3/2004 (fls.126/130), o contribuinte informou a existência de crédito correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ no valor original de R$ 169.369,24, que teria apurado no recolhimento efetuado para o período de abril/2003. Pretendeu compensar referido crédito com débito do mesmo tributo, ou seja, IRPJ, período de apuração 05/2003 . Por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fls. 132), emitido em 18/07/2008, não foi homologada a compensação requerida, sob o argumento de que o contribuinte não dispunha de crédito disponível para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. Da Impugnação Cientificada do Despacho Decisório em 29/07/2008, o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 28/08/2008 (fls. 01/09, acompanhada dos documentos de fls. 10/122), alegando, em síntese: que no anocalendário de 2003,ao elaborar sua DIPJ, verificou que havia cometido equívocos no cálculo das estimativas mensais de alguns dos períodos de 2003, tendo apurado, de fato, valor inferior àquele declarado em DCTF e pago por meio de Darf, para o período de abril de 2003; que efetuou recolhimento a maior de estimativa de IRPJ, no período de abril de2003, e pleiteou a compensação desse crédito, mediante a apresentação de DCOMP que, a despeito de ter deixado de retificar a DCTF, a administração haveria de se pautar pelo princípio da verdade material, sob pena de nulidade do ato administrativo, para, revendo o ato de não homologação da compensação declarada, considerar a diferença entre o valor recolhido em DARF e aquele constante de sua DIPJ, como pagamento indevido ou a maior, formador do crédito pleiteado; que a única razão do indeferimento residiu na utilização do valor total do DARF informado como origem do crédito de IRPJ na quitação do respectivo débito informado em DCTF; que é dever da Administração Pública, à vista dos fatos ocorridos, investigar a existência do crédito pleiteado; que reconhece ser passível de compensação o saldo negativo apurado em DIPJ e não eventual pagamento indevido ou a maior de estimativa. Porém, independentemente da forma de requerimento (pagamento indevido ou saldo negativo), o resultado teria sido o mesmo, pois o valor dessa estimativa comporia o saldo negativo do imposto de renda, sendo, da mesma maneira, passível de restituição ou compensação; Fl. 236DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 07/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10882.901810/200816 Resolução nº 1802000.507 S1TE02 Fl. 4 3 que pode ter havido equívoco de pleito de pagamento indevido ou a maior ao invés de pleito de saldo negativo apurado no final do período mas que tal erro, de natureza formal, não inviabilizaria seu direito, em atendimento ao Princípio da Verdade Material; que a estimativa mensal decorreu de erro na determinação da base de cálculo mensal e que seu valor não guarda qualquer correspondência com a base de cálculo mensal corretamente informada em DIPJ, tendo, ainda, deixado de informar o pagamento da(s) estimativa(s) na Ficha 11 da DIPJ, por entender que a melhor forma de pleitear a restituição seria a de apresentar a Declaração de Compensação sob a modalidade de pagamento indevido ou a maior, o que, embora pudesse ser questionado seu procedimento sob o aspecto meramente formal, tem o mesmo resultado daquele proposto pelas autoridades fiscais, qual seja, a restituição de valores indevidamente pagos. que a compensação pleiteada foi apresentada no anocalendário posterior ao do recolhimento das estimativas mensais, de forma que a Defendente já havia finalizado a apuração do IRPJ para o anobase de 2003, sendo, portanto,certo, líquido e exigível o direito ao crédito, no momento da apresentação da DCOMP e, ainda, pelo fato de não ter declarado os recolhimentos indevidos em sua DIPJ terseia como garantido que não houve dupla utilização do crédito pleiteado. Do Acórdão da DRJ Na primeira análise do caso, os autos foram remetidos à Delegacia de Santo André, SP, para validação do Despacho Decisório emitido em 18/07/2008, tendo em vista que a autoridade administrativa que o expedira, não mais detinha a competência para tal ato, em razão da mudança de jurisdição do domicílio tributário da interessada. Cumpriuse a diligência,ratificandose a decisão anterior. Ao analisar os dados, a autoridade fiscal concluiu que, “mais do que informar o valor total do pagamento da DCTF, o contribuinte confessou a existência de débito de valor equivalente. E, se algum erro houve nestas informações, ele não foi esclarecido na manifestação de inconformidade”. Alegou a autoridade fiscal, também, que “o contribuinte deveria, minimamente, fazer prova da base de cálculo minorada informada em sua DIPJ, para suportar a arguição de erro veiculada em sua defesa”. Para suportar seus argumentos, a autoridade fiscal invoca o Decreto n° 70.235/72. A autoridade fiscal concluiu que o contribuinte precluiu do direito de apresentar documentos em momento outro que não o da impugnação/manifestação de inconformidade; recebeu a manifestação de inconformidade – por tempestiva , mas julgoua improcedente para ratificar a NÃOHOMOLOGAÇÃO das compensações declaradas Em 22 de novembro de 2010 a 4ª Turma da DRJ/CPS proferiu Acórdão 05 31.437, no qual ratifica a decisão anterior, nos seguintes termos: “Diante da decisão que expressa a inexistência de direito creditório para compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, cabe ao contribuinte anexar à sua defesa as provas documentais referentes aos fatos por ele alegados. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 07/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10882.901810/200816 Resolução nº 1802000.507 S1TE02 Fl. 5 4 Direito Creditório Não Reconhecido”. Do Recurso Voluntário O contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 18/08/11 alegando, em síntese, que a não homologação foi declarada sob o argumento – único – de que o pagamento do IRPJ foi integralmente vinculado a débito declarado em DCTF e, portanto, não estaria apto a gerar crédito. Alega, entretanto, que o IRPJ foi de fato pago a maior e que a informação incorreta em DCTF não pode afetar o direito creditório. Informa que a autoridade fiscal tinha plenas condições de extrair dos fatos a verdade material, tendo em vista a existência dos DARF demonstrando pagamento a maior, da DIPJ demonstrando o IR devido (de valor inferior ao dos DARFs), bem como de planilha demonstrando a recomposição dos valores após a compensação do crédito alegado. Esse o Relatório. Passo ao Voto. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 07/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10882.901810/200816 Resolução nº 1802000.507 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Da Tempestividade A ciência do Acórdão deuse em 21/7/11 e o Recurso Voluntário foi apresentado em 18/8/11. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade Portanto, dele tomo conhecimento. Do Mérito É fato que há divergência entre a Receita e os contribuintes de forma geral, quanto à forma de se requerer a restituição (ou compensação) de créditos decorrentes de pagamentos indevidos de estimativa mensal de Imposto de Renda, vez que os contribuintes entendem que o valor indevidamente pago a título de estimativa mensal de Imposto de Renda é passível de restituição direta (através de apresentação de Declaração de Compensação sob a modalidade de "pagamento indevido ou a maior"), ao passo que a autoridade fiscal entende que o valor das estimativas mensais mesmo que sabidamente indevido deve integrar a apuração anual do Imposto de Renda, ser traduzido em saldo negativo de Imposto de Renda e, só então, ser passível de restituição ou compensação. No presente caso, o contribuinte, ao invés de informar o pagamento indevido em sua DIPJ na composição do saldo negativo de IRPJ, informou nesse documento somente o valor efetivamente devido e pleiteou diretamente a restituição da estimativa mensal indevidamente paga. A despeito da controvérsia acima, é de se notar que, até 29 de outubro de 2004, havia a possibilidade das pessoas jurídicas pleitearem diretamente a restituição e/ou compensação de estimativas mensais pagas indevidamente ou a maior, sem a necessidade de inclusão desses valores na formação de saldo negativo de IRPJ.A esse respeito, o contribuinte trouxe em seu Recurso trechos do Manual de Instruções de Preenchimento do PER DCOMP 4.3 (atualmente vigente, mas que repete a orientação trazida em versões anteriores), como segue: "A partir de 29 de outubro de 2004, a legislação tributária restringiu a utilização de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda a título de estimativa mensal na dedução do IRPJ a pagar do final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Assim, a partir dessa data, a ficha "Pagamentos " deverá ser preenchida com os dados de todos os pagamentos de imposto de renda efetuados pelo contribuinte, inclusive os pagamentos de estimativa de IRPJ efetuados indevidamente ou em valor maior que o devido. " Uma vez que a Declaração de Compensação em exame foi transmitida em 31 de março de 2004 (ainda sob a égide da Instrução Normativa n° 210/2002), devese acolher como válida a forma utilizada pelo contribuinte, qual seja, a de se utilizar como objeto de pedido de restituição e/ou compensação, as estimativas mensais de IRPJ. Dito isto, uma vez que a Recorrente não informou o pagamento a maior das estimativas mensais em sua DIPJ e, portanto, esse valor não foi utilizado para compor saldo Fl. 239DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 07/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10882.901810/200816 Resolução nº 1802000.507 S1TE02 Fl. 7 6 negativo de IRPJ no final do anocalendário de 2003, a única alternativa viável era a de recuperar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal. É fato, ademais, que o valor da estimativa mensal de IRPJ comporia o saldo negativo do Imposto de Renda daquele período e, da mesma forma, seria passível de restituição e/ou compensação, trazendo, na prática, (ou, ao menos, deveria trazer) o mesmo resultado, independentemente da forma utilizada. Por fim, notase há nos autos elementos relevantes para análise do alegado crédito, quais sejam, o DARF de pagamento do IRPJ por estimativa, o lançamento do IRPJ devido na DIPJ de 2004, bem como planilha demonstrativa informando o valor do IRPJ devido em cada mês, o valor das estimativas mensais pagas, e, portanto, o valor do crédito de IRPJ que seria apurado no final do anocalendário, todos apresentados por ocasião da Manifestação de Inconformidade. É meu entendimento, que, em atendimento ao princípio da verdade material, o erro formal não pode afetar o direito creditório que, neste caso concreto, em tese, pode existir. E, se tiver a autoridade fiscal condições de apurar sua existência – neste caso, através da análise dos DARFs, da DIPJ e, subsidiariamente, da planilha demonstrativa apresentada pelo contribuinte, para preservação de todos os direitos invocados, talvez seja aconselhável fazêlo. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de que sejam os autos encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil competente para comprovar, à luz da DIPJ/2004, escrituração contábil e fiscal e documentação que lhe deu lastro, qual o saldo do crédito passível de compensação, se é que o mesmo. Elaborado o relatório fiscal de praxe, dar ciência à recorrente para sua manifestação, se interessar. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Fl. 240DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 07/09/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000079/00-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO.
A lide é definida pelo pedido inicial (art. 128/CPC). Desse modo, ao proferir a sentença o julgador deve ater-se aos limites do que foi pedido pelo autor (art. 459/CPC). Tais dispositivos legais determinam as regras de conexão entre o pedido e a sentença, de modo que o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na inicial e o julgador, por sua vez, deve decidir dentro desses limites, nem mais nem menos.
Conceder ressarcimento de crédito presumido em valor maior do que o pedido na inicial, seria proferir uma decisão ultra petita, ou seja, além do que foi pedido pelo contribuinte, o que é expressamente vedado pelo próprio CPC (art. 460), aqui aplicado supletivamente.
O chamado princípio da congruência das sentenças, consagrado em nosso ordenamento jurídico, impõe que decisão deve ter estrita relação com as pretensões do autor estabelecidas no pedido inicial.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB/SP nº. 257.862.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. A lide é definida pelo pedido inicial (art. 128/CPC). Desse modo, ao proferir a sentença o julgador deve ater-se aos limites do que foi pedido pelo autor (art. 459/CPC). Tais dispositivos legais determinam as regras de conexão entre o pedido e a sentença, de modo que o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na inicial e o julgador, por sua vez, deve decidir dentro desses limites, nem mais nem menos. Conceder ressarcimento de crédito presumido em valor maior do que o pedido na inicial, seria proferir uma decisão ultra petita, ou seja, além do que foi pedido pelo contribuinte, o que é expressamente vedado pelo próprio CPC (art. 460), aqui aplicado supletivamente. O chamado princípio da congruência das sentenças, consagrado em nosso ordenamento jurídico, impõe que decisão deve ter estrita relação com as pretensões do autor estabelecidas no pedido inicial. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB/SP nº. 257.862. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
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RESSARCIMENTO. Recorrente LÍNEA PARANÁ MADEIRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. A lide é definida pelo pedido inicial (art. 128/CPC). Desse modo, ao proferir a sentença o julgador deve aterse aos limites do que foi pedido pelo autor (art. 459/CPC). Tais dispositivos legais determinam as regras de conexão entre o pedido e a sentença, de modo que o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na inicial e o julgador, por sua vez, deve decidir dentro desses limites, nem mais nem menos. Conceder ressarcimento de crédito presumido em valor maior do que o pedido na inicial, seria proferir uma decisão ultra petita, ou seja, além do que foi pedido pelo contribuinte, o que é expressamente vedado pelo próprio CPC (art. 460), aqui aplicado supletivamente. O chamado “princípio da congruência das sentenças”, consagrado em nosso ordenamento jurídico, impõe que decisão deve ter estrita relação com as pretensões do autor estabelecidas no pedido inicial. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Adriene Maria de Miranda Veras. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Daniela Cristina Ismael Floriano, OAB/SP nº. 257.862. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 79 /0 0- 59 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 358 2 Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de créditos presumidos do IPI, protocolizado em 31/01/2000 (efl. 1), para o ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre aquisições no mercado interno de insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, de que trata a Lei nº 9.363/96, regulamentada pela Portaria MF nº 38, de 1997, e Instruções Normativas SRF nº 21/97, 23/97 e 103/97, para o período de apuração do 3º trimestre de 1998, no valor (original) de R$ 51.272,20. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (Acórdão nº 14.41.067 – efls. 329/ss), verbis: Relatório O estabelecimento acima identificado requereu o ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao anocalendário de 1998 (3º trimestre), no valor de R$ 51.272,20, conforme pedido de Ressarcimento de fl. 1. O pleito foi deferido parcialmente, reconhecendose a legitimidade do crédito presumido solicitado, no valor de apenas R$ 35.227,67. O cálculo do crédito foi alterado em decorrência de irregularidades constatadas no curso da diligência (omissão de receitas). Apresentada contestação, os autos foram analisados pela DRJ em Porto Alegre que decidiu pela anulação do despacho decisório, já que havendo omissão de receitas, restou constatado crime contra ordem tributária, devendo ser aplicado o artigo 59 da Lei nº 9.069/95. Contra o acórdão da DRJ/POA, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao 2º Conselho de Contribuintes, que considerou que a peça processual motivadora do litígio desapareceu do mundo jurídico com a decisão de 1ª instância, não tendo quaisquer efeitos os atos processuais dela decorrentes e, por conseguinte, deveria ser proferido novo despacho pela autoridade administrativa. Assim, em 11/07/2007, a DRF em Ponta Grossa prolatou novo despacho decisório indeferindo integralmente o pleito, sob o fundamento de que o artigo 59 da Lei nº 9.069/95 veda o ressarcimento à pessoa jurídica que tenha praticado atos que configurem crime contra a ordem tributária. Tendo o interessado sofrido representação fiscal para fins penais, formalizada no processo nº 10940.002588/200410, por prática, em tese, de sonegação e fraude, não teria o direito ao ressarcimento solicitado. Contra referido despacho a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando em suma que: Fl. 358DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 359 3 É descabida a aplicação da perda do direito a incentivos fiscais, quando não comprovada a prática, no ano calendário de referência, de fato tipificado como crime contra a ordem tributária; Inexiste decisão transitada em julgado que pudesse dar guarida à incidência do comando previsto no artigo 59 da Lei nº 9.069/9; Não poderia ter sido indeferido o pedido de ressarcimento sem antes ser julgado o processo administrativo nº 10940.002540/200401 (lançamento de ofício); Incabível conceder ao simples ato administrativo de lançamento a função equivalente àquela reservada à autoridade judicial que exerce a prerrogativa de processar e julgar; A decisão concessiva do crédito não pode ser anulada da forma como ocorreu nos presentes autos A 2ª Turma de Julgamento desta delegacia, ao analisar os autos, verificou que o processo no 10940.002540/200401, em cuja autuação (omissão de receitas) se baseavam as glosas efetuadas no presente, já havia sido apreciado pela Delegacia de Julgamento em Curitiba e de acordo com o Acórdão 0616.436, da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento, prolatado em 20 de dezembro de 2007, a ação fiscal foi considerada improcedente, tendo a empresa demonstrado a origem dos recursos empregados nos depósitos bancários tidos como não comprovados: “Acórdão 0616.436, da 1ª Turma da DRJ/CTA: (...) MÉRITO Em face de toda a abundante documentação apresentada pela autuada buscando comprovar a origem dos depósitos efetuados em sua conta bancária no exterior (fls. 874 a 2.298, e 2.305 a 6.002), detidamente analisada por este relator, e, ainda, tendo em vista, principalmente, o contido no Relatório de Diligência Fiscal, de fls. 6.003 a 6.006, de seguinte teor (grifouse): Da análise da documentação complementar apresentada um ano após a autuação, isto é, em 28/12/2005 (fls. 2.303 a _____), constatamos que houve a comprovação, embora tardia para o procedimento fiscal, de todas as origens dos recursos depositados na conta bancária nº 1.2675 junto ao BANESTADO em Nova Iorque. Tais recursos são, de fato, oriundos de pagamentos de exportações regulares da autuada. Somente neste momento, um ano depois da autuação, é que a autuada preencheu a lacuna por ela deixada pela falta da regular escrituração contábil da conta bancária no exterior, bem como pela nãoapresentação, no curso do procedimento fiscal, dos demonstrativos, documentos e memórias destas transações. sou pelo cancelamento da presente exigência. Esse entendimento se reforça em vista dos seguintes fatos: a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por depósitos bancários se fundamenta, não na falta de escrituração da conta bancária, mas na ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, o pressuposto dessa prova indiciária é a falta de comprovação perante o Fisco da efetiva origem dos recursos ingressados em conta bancária, e não a mera existência dessa conta, não contabilizada; Fl. 359DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 360 4 constatação de que foram localizados, pelo Banco Central, para o período de 01/01/1998 a 31/12/1998, registros de contratos de câmbio de exportação no valor total de USD 11.184.365,45 (fls. 6.020); informação da fiscalização de que, conforme informação do Banco Central e do Siscomex, todos os 236 contratos de câmbio possuem vinculação a uma ou mais DDE, no total de US$ 11,18 milhões (fls. 6.034, item 4); a receita bruta total com exportações declarada pela autuada, no ano calendário de 1998, alcançou a cifra de R$ 14.200.123,29 (fls. 56); o total de depósitos questionados quanto à sua origem na conta da impugnante na agência do Banco Banestado em Nova York corresponderam a US$ 8.682.581,38 (fls. 6.035, item 9), sendo, pois, compatível com as vendas ao exterior realizadas pela empresa (R$ 14.200.123,29); e comprovação de que valores saídos da conta bancária no exterior efetivamente ingressaram no País (fls. 329 a 333 e 874 a 1.107). É de se observar, por oportuno, que, de conformidade com os documentos de fls. 749 e 750, estava de posse da fiscalização, até cinco dias antes do término do prazo para impugnação (27/01/2005), três caixas contendo notas fiscais de saída e três caixas contendo demonstrativos de embarque, ambos relativos ao ano de 1998. Esse fato, aliado, ainda, à circunstância da inegável complexidade dos levantamentos que foram procedidos para a perfeita vinculação dos depósitos efetuados com as exportações feitas, recomenda, para o caso, o abrandamento do rigor contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, acrescido pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Esclareçase, por fim, que, nesta oportunidade, não estão sendo objeto de qualquer exame, por parte deste colegiado, eventuais infrações cometidas no âmbito cambial ou que, de alguma forma, envolvam as operações de exportação apontadas, como subfaturamento e outras, uma vez que o procedimento fiscal limitouse, como já se disse anteriormente, tãosomente, a exigir a comprovação da origem dos recursos ingressados em conta bancária no exterior, dandose, nesse ponto, por plenamente satisfeita a fiscalização (fls. 6003 a 6.006). CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar argüida de decadência do lançamento, por incabível, e, no mérito, JULGAR IMPROCEDENTE a ação fiscal, exonerando as exigências de R$ 2.487.373,46 (IRPJ), R$ 803.639,50 (CSLL), R$ 132.682,42 (multa de ofício isolada do IRPJ), R$ 72.327,55 (multa de ofício isolada da CSLL), R$ 187.814,48 (Cofins), e R$ 61.291,31 (Pis) , e, em conseqüência, a multa de ofício e os juros de mora correspondentes. É o voto”. E, embora a decisão da DRJ/Curitiba, não tivesse aplicação imediata, por conta do recurso de ofício, ficou evidente que passou a existir dúvida razoável quanto à comprovação da prática do ato crime contra a ordem tributária, fundamento fático em que se baseou a decisão da autoridade administrativa no presente processo. Como, tanto o direito creditório como o valor do crédito presumido, em análise, sofreram influência da omissão de receitas discutida no processo administrativo nº Fl. 360DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 361 5 10940.002540/200401, identificouse no presente processo a presença de questão prejudicial, colocada como antecedente lógico da decisão a ser proferida pelo 2º Conselho de Contribuintes, pelo que os autos retornaram à unidade de origem, ficando no aguardo da decisão a ser proferida pelo Conselho de Contribuintes no processo administrativo nº 10940.002540/200401. Em 15 de dezembro de 2010, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF preferiu o Acórdão nº 140200349, negando o recurso de ofício e, por conseguinte, mantendo a decisão recorrida que considerou improcedente o lançamento. Desta forma, seguiram os autos para confirmar o montante do crédito presumido a ser ressarcido para o contribuinte. O contribuinte foi cientificado da nova apuração e dos valores envolvidos, momento em que lhe foi concedido prazo para manifestação, conforme determinado pela Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 44. Observase que até o momento não houve pronunciamento da empresa sobre os novos cálculos efetuados. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão n.º 1441.067 de 26 de março de 2013 (efolhas 329/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 ACÓRDÃO REVISOR. Este Acórdão retifica e substitui o de nº 1440.795, de 12/03/2013, por contradição no acórdão. CRÉDITO PRESUMIDO. GLOSAS DECORRENTES DE AUTO DE INFRAÇÃO IMPROCEDENTE. Tendo o motivo da glosa do crédito presumido sido considerado improcedente pelo CARF, na análise do auto de infração (PAF no 10940.002540/200401), a apuração deve ser revista para excluir o valor da omissão de receitas . Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido Destarte, a decisão de primeira instância reconheceu o direito do crédito presumido pleiteado, nos seguintes termos: Conforme planilha de cálculo anexa às fls. 316, verificase que o Fisco apurou, para o 3º Trimestre de 1998, crédito presumido no montante de R$ 60.103,16, sendo que o valor solicitado pela contribuinte se refere somente ao valor de R$ 51.272,20. Desta forma, voto pela procedência da manifestação, para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI no valor R$ 51.272,20. A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Ribeirão Preto em 15/04/2013 (efolha 339) interpôs Recurso Voluntário em 14/05/2013 (efls. 346/ss), onde argumenta, em síntese: que a decisão recorrida incorreu em ilegalidade, ao afastar o seu direito de ser ressarcido no montante integralmente devido, ou seja, R$ 60.103,16; este valor é incontroverso e foi apurado pela própria Administração Fazendária; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 362 6 é inconcebível reconhecer um direito do contribuinte para então negálo, de forma calcada em sofismas, posto que seria no mínimo incoerente que o órgão com competência para gerir a arrecadação tributária reconheça credito c opte por não ressarcir ao Contribuinte; não se pode manter uma decisão que, apesar de reconhecer um direito creditório de que o contribuinte é titular, negalhe, sob o argumento de que o montante que foi anteriormente pedido é inferior ao efetivamente apurado; requer, por fim, que a decisão recorrida seja reformada para poder utilizar se da integralidade do montante creditório já reconhecido pela SRRF. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O presente processo, após idas e vindas, em síntese, referese a um pedido de crédito presumido do IPI, protocolizado em 31/01/2000 (efl. 1), para o ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre aquisições no mercado interno de insumos utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação, para o período de apuração do 3º trimestre de 1998, no valor (original) de R$ 51.272,20 (vide efolha 3/ss). Pois bem, após a anulação do primeiro acórdão proferido pela DRJ – Porto Alegre, pelo Conselho de Contribuintes, foi proferido novo Despacho Decisório pela autoridade preparadora, denegando o pedido de ressarcimento. Dessa decisão a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade. Posteriormente, em cumprimento à Resolução nº 1057, da 2ª Turma da DRJ – Ribeirão Preto, o processo retornou à unidade de origem para aguardar decisão administrativa do Conselho de Contribuintes em outro processo (nº 10940.002540/200401), onde se discutia a suposta omissão de receitas que compuseram o cálculo para apuração do crédito presumido. Afastada a cobrança do crédito lançado nesse outro processo, deveriam ser refeitos os cálculos do crédito presumido a ser ressarcido. O lançamento objeto do processo nº 10940.002540/200401 foi julgado improcedente pelo CARF, de modo que os cálculos foram refeitos pela unidade de origem. Conforme despacho de efls. 317 foi apurado um crédito no montante de R$ 51.272,20, o que coincide com o valor pleiteado pela Recorrente na inicial. É certo, contudo, que na planilha de cálculo de efls. 316 constam as seguintes informações: Crédito presumido apurado (2728): 60.103,16; Crédito presumido pleiteado (19): 51.272,20. Em função desta divergência de valores, apontada na planilha de cálculo, a Recorrente apresentou recurso sob o argumento de que a decisão a quo incorreu em Fl. 362DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 363 7 ilegalidade, ao afastar o seu direito de ser ressarcido no montante que entende devido, ou seja, R$ 60.103,16. A meu ver, não assiste razão a Recorrente. Isto porque, o que define a lide é o pedido, consoante dispõe o art. 128 do CPC, aqui aplicado supletivamente, verbis: Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. (negritei) É certo também que, ao proferir a sentença o julgador deve aterse ao que foi pedido pelo autor, nos termos do que dispõe o art. 459 do CPC. Confirase: Art. 459. O juiz proferirá a sentença, acolhendo ou rejeitando, no todo ou em parte, o pedido formulado pelo autor. Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito, o juiz decidirá em forma concisa. (negritei) Os dispositivos acima citados determinam as regras de conexão entre o pedido e a sentença, de modo que o autor fixa os limites da lide e da causa de pedir na inicial e o julgador, por sua vez, decide de acordo com esse limite. Dentro dos limites do pedido, portanto, é que o julgador deve manifestarse, nem mais nem menos. Adotar a tese defendida pela Recorrente, concedendo o ressarcimento de crédito presumido em valor maior do que o pedido na inicial, seria proferir uma decisão ultra petita, ou seja, além do que foi pedido pelo contribuinte, o que é expressamente vedado pelo próprio CPC, conforme dispõe o art. 460: Art. 460. É defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. (negritei) Desses artigos do CPC, segundo a melhor doutrina, decorre a construção do chamado “princípio da congruência das sentenças”, consagrado em nosso ordenamento jurídico, segundo o qual a decisão deverá ter estrita relação com as pretensões do autor estabelecidas no pedido inicial. A não observância desse princípio gera, por conseguinte, sentenças ultra petita (além do pedido, em quantidade), extra petita (fora do pedido) ou citra petita (aquém do pedido). Este princípio decorre da necessidade da inércia do julgador, uma vez que ele deve respeitar os limites impostos pela causa de pedir constante da inicial e, também, do próprio princípio do contraditório, uma vez que a parte contrária elaborará sua argumentação de defesa nos limites estabelecidos pelo autor do pedido, de modo que não se defendeu do que não havia sido pedido pela parte contrária. Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 363DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10940.000079/0059 Acórdão n.º 3202001.259 S3C2T2 Fl. 364 8 Fl. 364DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 05/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11020.911454/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO.LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 14 54 /2 01 2- 38 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 11 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto mos autos do processo nº 11020.911453/201293, contra o acórdão nº 0250.260, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 29 de outubro de 2013, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$3.677,23, decorrente de recolhimento com DARF efetuado em 20/03/08. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: Preliminarmente, defende a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e motivação e porque não foi intimado a esclarecer os motivos que o levaram a postular a compensação de débitos com os créditos dos pagamentos que considerou indevidos. Afirma que o procedimento foi eletrônico e que houve preterição do direito de defesa. Acrescenta que o despacho decisório não se presta a instaurar de forma legítima o contraditório administrativo, que não houve Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 13 4 diligência por parte da fiscalização com o intuito de verificar a natureza do crédito postulado e que isso prejudica a ampla defesa. Solicita a posterior juntada de documentos que comprovem suas alegações em respeito ao princípio da verdade material. Defende a ilegalidade e a inconstitucionalidade da multa aplicada sobre o montante do tributo supostamente devido que fere os princípios do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Requer a nulidade do despacho decisório e a procedência da manifestação de inconformidade.. A DRJ de Belo Horizonte (DRJ/BHE) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, dizendo ainda que foi prejudicado o contraditório e ampla defesa, alegando também a aplicabilidade da verdade material e, por fim, a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 14 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado determina, a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no tópico “DÉBITO CONFESSADO”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando com a manifestação de inconformidade documentos idôneos e suficientes para comprovação de crédito líquido e certo como escrituração contábil e fiscal do período, para fins de confrontar possível erro no sistema da RFB em compensar o crédito com débito confessado em DCTF. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 15 6 Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto a necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 16 7 “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11020.911454/201238 Acórdão n.º 3801004.177 S3TE01 Fl. 17 8 “Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. “ Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001149/2002-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2000
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72 e denotando o sujeito passivo ter perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento através da defesa apresentada, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa.
IMUNIDADE. COFINS. RECEITA DE ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88.
São imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, afastar-se a nulidade suscitada pelo relator. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o Conselheiro Marcos Antonio Borges. No mérito, por unanimidade, reconheceu-se a decadência para o ano-calendário 1996; e, por maioria, deu-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e José Luiz Feistauer de Oliveira que reconheceram a incidência da Cofins nos períodos anteriores à vigência da MP 1.926, de 1.999, em relação às receitas de bingo auferidas por entidades desportivas. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2000 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72 e denotando o sujeito passivo ter perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento através da defesa apresentada, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. IMUNIDADE. COFINS. RECEITA DE ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. São imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2389; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 346 1 345 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001149/200203 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.158 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria COFINS Associação sem Fins Lucrativos Recorrente TIJUCA TÊNIS CLUBE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2000 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72 e denotando o sujeito passivo ter perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento através da defesa apresentada, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. IMUNIDADE. COFINS. RECEITA DE ATIVIDADES NÃO PRÓPRIAS. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. São imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, afastarse a nulidade suscitada pelo relator. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Maria Inês e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o Conselheiro Marcos Antonio Borges. No mérito, por unanimidade, reconheceuse a decadência para o anocalendário 1996; e, por maioria, deuse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Borges e José Luiz Feistauer de Oliveira que reconheceram a incidência da Cofins nos períodos anteriores à vigência da MP 1.926, de 1.999, em relação às receitas de bingo auferidas por entidades desportivas. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 11 49 /2 00 2- 03 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 347 2 Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 348 3 Relatório Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração com a exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor correspondente a R$ 38.462,27, a título da contribuição, mais multa de oficio de 75% e juros de mora, para os fatos geradores de 01/01/1996 a 30/11/2000. Segundo o Termo de Verificação o lançamento é decorrente da falta de recolhimento da Cofins incidente sobre as receitas auferidas decorrentes das atividades do jogo de bingo. Consta ainda do citado termo que a pessoa jurídica objeto da presente ação fiscal é uma entidade, sem fins lucrativos, que aufere receitas diversas, tais como mensalidades, inscrições, não suscetíveis de inclusão na base de cálculo da COFINS, mas que as receitas oriundas da atividade de bingo possuem cunho contraprestacional, ou seja, não estão arroladas dentre aquelas em que a lei define ou declara literalmente como isentas. Cientificado em 29/05/2002 (fl. 150), o autuado apresentou, em 27/06/2002, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 217/222, argumentando, em síntese, que: (1) Em fiscalização anterior, a Receita Federal já havia autuado o Bingo Tijuca Ltda. através do processo 15374.001497/0059, ocorrendo a duplicidade de lançamento sobre a mesma base de cálculo; (2) que por ser uma entidade sem fins lucrativos a impugnante está isenta do pagamento da Cofins no que se refere às receitas usuais para a consecução de suas atividades. No elenco dessas receitas incluise, sem dúvida, aquela decorrente da exploração do bingo, visto que tal receita foi criada por lei, visando dar condições às entidades desportivas de aplicarem recursos no desenvolvimento do esporte amador; (3) que a taxa Selic é de natureza remuneratória sendo indevidamente aplicada como juros moratórios.. Assim, mesmo sabendo que não compete ao julgador de 1ª instância decidir sobre inconstitucionalidades, registra o pleito a fim de salvaguardar direitos futuros, no momento em que os tribunais começarem a acatar a presente tese. A DRJ de Belo Horizonte/MG julgou improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/1996 a 30/11/2000 Ementa: Para as entidades sem fins lucrativos, somente as receitas das atividades próprias são isentas da Cofins. Lançamento Procedente Apresenta a Recorrente o presente recurso voluntário com os mesmos fundamentos que a impugnação. É o que importa relatar. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 349 4 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Antes de examinar a matéria de mérito, tenho que apontar para a nulidade do presente auto de infração. Os motivos que dão base a esse entendimento estão no fato de não haver no auto de infração indicação correta do dispositivo legal infringido e na falta de clareza dos fundamentos do auto, que implicaram na necessidade da DRJ fazer um ajuste no lançamento, o que é defeso. Conforme consta do Termo de Verificação de fls. 136/139 o fiscal lançou a contribuição entendendo que a Recorrente é contribuinte da COFINS conforme legislação tributária vigente, artigo 2º. Lei Complementar 70/91, c/c artigo 77, inciso III, do DecretoLei n. 5.844/43, artigo 149 da Lei 5.172/66; artigo 1º. da Lei Complementar n. 70/91 isso considerando que o Clube percebe outras (receitas), relativamente a proporção que lhe destinada como entidade credenciada pela Loterj, como operadora de bingo permanente. Uma vez que as receitas oriundas da atividade de bingo possuem cunho contraprestacional, ou seja. não estão arroladas dentre aquelas em que a lei define ou declara literalmente como isentas, serão tais valores objeto de lançamento de ofício, para a cobrança do tributo, com os devidos encargos legais. Paralelamente aponta como fundamento do lançamento as seguintes normas (fls. 153): a) Artigos 1º e 2° da Lei Complementar n.º 70/91; b) Artigo 1° da Lei Complementar n.° 70/91, artigos 2°, 3° e 8° da Lei n.° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n.° 1.807/99 e reedições; c) Artigos 2°, 3° e 8°, da Lei n.º 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n ° 1.807/99 e reedições; d) Artigos 2°, 3° e 8°, da Lei n.° 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n.° 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. Pelo cotejo desses elementos fica claro que o lançamento não apontou qualquer dispositivo legal que implicasse em lançamento da COFINS em decorrência da percepção de receitas oriundas da atividade de bingo que, conforme a fiscalização, possuem cunho contraprestacional. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 350 5 A alegação foi genérica e imprecisa, tanto que a DRJ no julgamento da Impugnação da Recorrente ajustou os elementos apontados no lançamento “explicando” o porquê do mesmo utilizandose do teor da Decisão SRRF/8ª RF n.° 179, de 21 de julho de 2000 para justificar o lançamento e apontando como fundamento o inciso X do artigo 14 da Medida Provisória 1.19116/2000, (o que justifica o presente lançamento, fls. 255, 3º §) e se utilizando o teor da Instrução Normativa SRF n.º 247, de 21/11/2002, de data posterior ao lançamento para justificar o que sejam “receitas das atividades próprias” (constante do § 4º das fls. 255). Apontese que o termo “receita das atividades próprias” somente surge com a Medida Provisória n.º 1.8586, de 29 de Junho de 1999, ficando sem qualquer definição própria até a edição da IN 247/2002. O período de apuração do presente auto se encerra no exercício de 2000, ou seja, antes da existência dessa normativa. No mais pecou o lançamento pela falta de especificidade quanto aos seus motivos. Explico: consta do processo idêntico lançamento realizado em face da totalidade das receitas do Bingo Tijuca (CNPJ 00.730.245/000174), elemento inclusive apontado na defesa da Recorrente, a base de cálculo do tributo é a totalidade das receitas percebidas pelo Bingo e os fundamentos legais são os mesmos. Os montantes aqui em discussão são parte daquele montante. No lançamento do tributo na forma da Lei n.º 9.718/1998 e com base na Lei Complementar n.º 70/1991 a base imponível a ser lançada é a incidente sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Não há uma pista sequer no auto de infração acerca da origem do tributo lançado. O auto simplesmente aponta que o Clube recebeu valores a título de repasses de atividades de bingo (fls. 136, último §)... A expressão “a título de” referese e significa “a pretexto de”. Isso significa que o clube recebeu repasses a pretexto da atividade do Bingo. Mas o que nos parece é que a atividade do Bingo não é da Recorrente, mas do Bingo. A origem dos montantes não está clara e seria de responsabilidade da fiscalização explicitála. O montante poderia ter sido recebido em face da sessão do espaço para o Bingo (locação); da permissão de uso da concessão para operação dos jogos para o Bingo Tijuca; a título de participação nos lucros em Sociedade em Conta de Participação (SCP), ou qualquer outra motivação. Porém, isso não está claro e caberia à fiscalização apontar com clareza a origem desses valores a fim de esclarecer qual é o fato imponível, mesmo porque alguns desses fatos podem não ser enquadráveis no fato imponível da obrigação tributária. A invalidade do ato administrativo processual regulado pelo Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e alterações posteriores, está prescrita nos art.59 e 60, sendo que o primeiro trata de nulidade e o segundo de irregularidades, conforme se observa na transcrição destes: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 351 6 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O artigo 59 supra citado aponta expressamente que é causa de nulidade do ato administrativo (de lançamento) quando efetuado com preterição do direito de defesa, ou seja, quando acarretam o cerceamento de defesa. No presente caso a falta de especificidade quanto ao objeto de tributação obrigou à contribuinte a defenderse genericamente, o que constitui cerceamento do direito à defesa, quer dizer, não se trata de mera imprecisão na descrição do enquadramento legal, porque não permite à contribuinte uma razoável compreensão dos motivos de fato e de direito do lançamento. Somente o conhecimento exato do entendimento dado pela fiscalização acerca da base de cálculo do tributo lançado permitiria tanto à contribuinte quanto à essa Turma conhecer adequadamente os motivos do lançamento. Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foilhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação fática e jurídica. Nesse sentido cito o entendimento já apontado pela CSRF desse Conselho, assim expresso: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE MATERIAL. (...) Ocorre vício material quando o lançamento não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada,quer pela insuficiência na decisão dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, é igualmente nulo por falta de materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. (...) Quando nos deparamos com um vício de natureza formal o princípio pás de nullité sans grief ou o princípio do prejuízo deve ser amplamente aplicado, isto porque, a adoção de sistemas Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 352 7 rígido de invalidação processual impede a eficiente atuação da Administração Pública. Cabe a autoridade lançadora o ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível, conforme descrito no art. 142 do CTN. A declaração de nulidade ante a ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, decorre do fato de a autoridade fiscal não ter se desincumbido do ônus de descrever a ocorrência do fato gerador da obrigação, o que faz com que o prejuízo ao contribuinte seja intrínseco à declaração de nulidade por vício material. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Processo n. 36944.005076/200612, recurso n. 248.835, sessão de 06 de novembro de 2012). Tratase de vício material considerando que está relacionado com a própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questão relacionada à situação fática apurada pela fiscalização que nem sequer razoavelmente descrita. Conforme o que dispõe o art. 142, do Código Tributário Nacional o lançamento tributário deve ser demonstrar claramente quais são os seus fundamentos fáticos e jurídicos, sob pena de nulidade. Tenho, assim, que o auto é nulo por falta de descrição adequada do fato e disposições legais infringidas a teor dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235/1972. No mérito, vencido o entendimento acima, tenho que é preciso decidir, nos termos apontados, se essas receitas são susceptíveis de tributação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Portanto, a questão aqui em foco é decidir se as receitas da Recorrente apesar de não haver clareza acerca de sua natureza – receitas oriundas da atividade de bingo –, são receitas isentas ou não da COFINS, ou seja, a discussão travada no caso referese ao sentido de Receitas relativas às atividades próprias, eis que definir o que são atividades próprias. Conforme o preceito do artigo 13 da MP nº 2.15835/2001 as instituições de educação e de assistência social a que se refere o artigo 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997 e as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o artigo 15 da Lei no 9.532, de 1997 recolhem o PIS/Pasep com base na folha de salários, à alíquota de um por cento e são isentas da COFINS as receitas relativas às suas atividades próprias. O artigo 14 expressase da seguinte forma: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 353 8 (…) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. (Grifei) Apesar do artigo 55 da Lei 8.212/1991 ter sido expressamente revogado pela Lei nº 12.101/2009 essa mesma lei trouxe os requisitos para que as entidades usufruam da isenção de contribuições para a seguridade social1, o que altera pouco o raciocínio que aqui será apresentado. O primeiro problema apresentado, portanto, é definir com clareza o que são receitas das atividades próprias. A Fazenda Nacional procurou através da IN SRF nº 247/2002 explicitar, em seu artigo 472, § 2º, que as receitas referentes às atividades próprias da entidade recreativa e cultural “somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento de seus objetivos sociais”. Ocorre que uma instrução normativa, norma complementar, prevista no artigo 100, inciso I, do Código Tributário Nacional, não tem o condão de limitar isenção concedida por lei em sentido estrito, tampouco a imunidade prevista em dispositivo constitucional. É evidente que a expressão “receitas próprias”, contida na MP n.º 2.158 35/2001, não se refere apenas àquelas receitas enumeradas na Instrução Normativa acima mencionada. Vejase que a norma referese a todas as entidades expressas no artigo 13, ou seja, I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o artigo 12 da Lei n.o 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o artigo 15 da Lei n.o 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de 1 Art. 1º A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. 2 Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 354 9 profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e, X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no artigo 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. A Constituição Federal elegeu, entre as fontes de contribuição, por parte do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada, para financiamento da seguridade social, a receita, conforme redação alterada do artigo 195, I, “b”. Receita é um termo plurívoco mesmo na linguagem comum. Tem diversos significados e alcances. Pode referirse à culinária aonde corresponde a indicação minuciosa sobre a quantidade dos ingredientes e a maneira de preparar um prato salgado ou doce; pode se referir à farmácia aonde compreende uma fórmula para preparação de um medicamento; à medicina, que corresponde à própria prescrição; ou, àquilo que nos interessa, ao conceito jurídico/contábil. De acordo com referidas legislações, a base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS é o faturamento, este considerado o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil3. O termo ‘receita’, assim como o termo ‘faturamento’, deve ser analisado à luz dos conceitos de Direito Positivo, conforme artigo 110 do Código Tributário Nacional4. Tenho que receita, na acepção natural do termo, tomada tanto em termos contábeis, quanto na seara jurídica a ‘receita’ referese ao ingresso que integrará o patrimônio da entidade, seja qual for a sua origem. Comparativamente ao disposto na expressão em análise, “receitas das atividades próprias”, pareceme haver uma evidente impropriedade que confunde elementos incomunicáveis, que, por meio da interpretação devemos buscar um sentido lógico. Sendo receita um ingresso de valores que se integram ao patrimônio da entidade, não há como vinculála a alguma atividade anterior da entidade para darlhe validade, afinal, receita será sempre receita, se cumpridos os elementos intrínsecos do instituto. 3 PIS: Lei 10.637/02: “Artigo 1º. A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. §2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput”. COFINS: Lei 10.833/03: “Artigo 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. §1º. Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º. A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput.” 4 Neste sentido, José Antônio Minatel, ao comentar o artigo 110 do CTN, in Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação, São Paulo: MP Editora, 2005. p. 95, assim se manifestou: “(...). Parecenos que a leitura mais adequada abrangeria, no mínimo, referência a ‘institutos, conceitos e formas do direito positivo’, com o que estariam preservados também os institutos reconhecidos no âmbito do direito público e não só os do direito privado.” Fl. 354DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 355 10 Vejamos que a expressão “caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações”, utilizada no inciso IV do artigo 13, diz respeito à necessidade de as entidades prestarem serviços “para os quais houverem sido instituídas e os colocarem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, nos teros expressos no caput do artigo 15 da Lei n.o 9.532/1997, referenciada no referido inciso. Nada impede, todavia, a cobrança de determinado valor daqueles que podem pagar pelos serviços, isto é, daqueles que não se enquadram no conceito de hipossuficientes. Daí não ser razoável limitar as receitas próprias dessas entidades somente aos recebimentos de caráter não contraprestacionais (mensalidades, contribuições e doações), na forma da IN SRF n.º 247/2002. Tal limitação, é aplicável às outras entidades discriminadas nos incisos I, II e V em diante do artigo 13 da MP nº 2.15835/2001, mas não aos incisos III e IV”. Isso por que as outras entidades enumeradas no referido artigo 13, possuem objetos específicos, a limitar as suas “receitas próprias”. Assim, as “receitas próprias” dos templos (inc. I) são somente os dízimos e doações diversas; dos partidos políticos (inc. II), as contribuições permitidas por lei; dos sindicatos, federações e confederações (inc. V), a contribuição sindical fixada em assembléia e a prevista em lei (conforme o artigo 8°, IV, da Constituição Federal), além de outros recebimentos previstos em estatutos tudo; dos serviços sociais autônomos, conhecidos por Sistema "S", bem como dos conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas (incisos VI e VII), as mensalidades e contribuições previstas em lei; das fundações de direito privado instituídas ou mantidas pelo Poder Público (inc. VIII), bem como das fundações de direito público, os valores dos repasses orçamentários, além de contribuições e doações autorizadas em estatuto; dos condomínios (inc. IX), as mensalidades dos condôminos; e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e das Organizações Estaduais de Cooperativas (inc. X), as contribuições dos seus associados, além de outras receitas próprias. Quanto às entidades de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e associações (incisos III e IV do artigo 13 da MP n.° 2.15835/2001), se suas receitas são todas condizentes com o seu objeto social, nada obriga sejam tributadas as receitas oriundas da prestação de serviços. O importante, para que a isenção (ou imunidade) desonere também as receitas contraprestacionais, é que, primeiro, sejam atendidas as qualificações legais que as enquadrem como entidades assistenciais e os requisitos do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, substituídos pelos expressos na Lei 12.101/20095, e segundo, que os serviços prestados por conta dessas contribuições se relacionem direta ou indiretamente com o objeto social da entidade. Cabe ressaltar, ainda, a despeito do que foi acima expendido, que o principal fundamento para afastamento da exigência está no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal, qual seja, a própria previsão de imunidade, que impede a exigência de contribuição social das entidades beneficentes de assistência social. Referido dispositivo tem o seguinte teor: 5 Que não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; e que aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais não distribuindo resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto, entre outros. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 356 11 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. É certo que o dispositivo constitucional, na esteira do entendimento da jurisprudência e da doutrina consolidada, trata de imunidade, e não de isenção. Outrossim, também não há dúvida de que referido dispositivo, quando aponta as exigências estabelecidas em lei, o faz remetendo a lei complementar, que no caso é o artigo 14 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, são imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Em resumo, apurado o status de imune da entidade pelo cumprimento dos requisitos legais previstos no § 7º do artigo 195 da Constituição Federal, não há como se exigir a COFINS, pois, o referido dispositivo constitucional não dispôs que a lei poderia definir sua extensão, de modo a incluir ou excluir as receitas de atividades próprias ou impróprias, diretas ou indiretas, ou o que mais seja de equivalente a isso, mas, pelo contrário, apenas outorgou, de forma expressa e limitada, ao legislador a competência para fixar as condições, os requisitos ou, enfim, como literalmente indicado, as exigências para o seu gozo, e nada mais. Com relação às entidades expressas no inciso IV – instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o artigo 15 da Lei n.o 9.532, de 1997 – é preciso examinar, ainda, a vinculação apontada, ou seja, o próprio artigo 15 da Lei n.º 9572/1997, assim expresso: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. O que diz o referido artigo é que essas instituições são consideradas isentas quando prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Em nenhum momento o auto de infração apontou que os serviços prestados foram de natureza diversa daqueles decorrentes dos objetivos da Recorrente ou que visaram lucro, ou melhor, .que eventual superávit tenha sido aplicado em atividade que não a própria entidade. Nesse sentido entendo adequado esclarecer: A imunidade das instituições privadas a que nos referimos, tem os requisitos para seu gozo definidos pelo artigo 14 do Código Tributário Nacional, assim redigido: “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 357 12 II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Tais requisitos, de rigor, são de 3 ordens, ou seja, 1. não distribuir lucros, patrimônio a qualquer título; 2. aplicar integralmente os recursos na obtenção de seus objetivos institucionais; 3. manter escrituração perfeita para que seja determinada a exatidão de suas receitas e despesas. Acrescentese o § 1º, segundo o qual a imunidade dos recursos vigora apenas para aqueles diretamente relacionados aos objetivos sociais da entidade6. O objetivo de um Clube Social é permitir que os associados se beneficiem de sua estrutura e de seu patrimônio, desfrutando das condições ofertadas por sua sede para convívio, o desenvolvimento de atividades de natureza social esportiva, cultural, de lazer. Quando o São Paulo Futebol Clube aluga o Estádio do Morumbi para espetáculos de multidões, ou a Federação do Comércio/SP loca sua sede para a realização de congressos, os recursos gerados dessa atividade são destinados aos objetivos sociais, gozando, em face da orientação pretoriana, da desoneração tributária. Necessário se faz, todavia, para gozar da imunidade, que não haja distribuição de lucros ou rendas, nem remessas para o Exterior, além de a entidade manter escrituração regular, nos termos da lei. A característica maior de uma entidade sem fins lucrativos, acacianamente concluindo, é não ter fins lucrativos. É não beneficiar seus instituidores, criadores ou detentores do controle. É preencher suas finalidades estatutárias, sem que haja benefício pecuniário para seus fundadores, senão aqueles decorrenciais do objetivo que as fez surgir7. Nesse sentido, nada aqui me faz crer que houve violação dos objetivos sociais da Recorrida que permitiria o lançamento em discussão. Diante do exposto, voto por dar provimento ao presente recurso. 6 O § 1º tem a seguinte redação “Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio.” 7 O artigo 53 do Código Civil define o que seja uma Associação “Constituemse as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direito e obrigações recíprocos.” (Código Civil Brasileiro Comparativo, Ed. América Jurídica, 2003, p.7). Fl. 357DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 358 13 (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 358DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 359 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Redator Designado Com o devido acatamento, permito me divergir do voto do Ilmo. Sr. Relator em relação à nulidade do auto de infração. As nulidades no processo administrativo fiscal são aquelas constantes do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os requisitos para lavratura do auto de infração, por sua vez, se encontram no art 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Segundo o relator o auto seria nulo por falta de descrição adequada do fato e disposições legais infringidas a teor dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235/1972. No caso vertente, no entanto, não vislumbro a nulidade suscitada pelo relator. O auto de infração foi lavrado por falta de recolhimento da Cofins. Conforme consta no Termo de Verificação, parte integrante do Auto de Infração, o contribuinte não ofereceu a tributação receitas oriundas da atividade de bingo que pelo seu caráter contraprestacional não estariam arroladas dentre aquelas em que a lei define ou declara literalmente como isentas. Quanto ao enquadramento legal da infração cometida este igualmente se encontra discriminado no referido auto de infração, qual seja, arts. 1º e 2° da Lei Complementar nº 70/91 e arts. 2°,3° e 8°, da Lei n° 9.718/98, com as alteracões da Medida Fl. 359DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 18471.001149/200203 Acórdão n.º 3801003.158 S3TE01 Fl. 360 15 Provisória n° 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições. O art 2° da Lei Complementar nº 70/91 previa a incidência da Cofins sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com a edição da Medida Provisória 1.724, de 29/10/1998, convertida na Lei 9.718, de 27/11/1998, a base de cálculo da Cofins passou a ser a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A exploração de jogos de bingo é uma atividade econômica promovida por agentes privados, clubes e entidades desportivas, conforme disposto na Lei n. 8.672/93 e posteriormente, na Lei n. 9.615/98, mediante inclusive contratação de empresas administradoras, como no caso vertente, mas que não afastava a responsabilidade daquelas pelo pagamento de todos os tributos e encargos da seguridade social incidentes sobre as respectivas receitas obtidas com essa atividade, situação essa que veio a se alterar, nesse aspecto, a meu ver, com a edição da MP 1.9261, de 1.999. O fato que deu margem à tipificação legal e à autuação, sem adentrar no mérito, me parece claro, é o recebimento de receitas decorrentes da exploração de jogos de bingo que, a princípio, se amolda na hipótese abstrata constante da norma jurídica. A corroborar a inocorrência de eventual cerceamento do direito de defesa verificase que o contribuinte apresentou alentada impugnação contra as imputações que lhe foram feitas, denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e tendo oportunidade de rebatêlas na instalação do contraditório. No mais, a recorrente em nenhum momento argüiu sobre a nulidade do lançamento nos termos apresentados, atendose não só a outras questões preliminares como também às razões de mérito. Sendo assim, entendo que não se configura nos autos as hipóteses que possam conduzir o auto de infração a sua nulidade, principalmente, quando o procedimento fiscal foi realizado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional e dos arts. 9º e 10 do PAF. Com estas considerações, voto no sentido de afastar a preliminar de nulidade do auto de infração suscitada pelo relator, mantendose os demais itens acatados pela Turma, conforme fundamentação do Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 360DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 08/05/201 4 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 15374.928032/2009-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 80 32 /2 00 9- 47 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido por relatar suficientemente a lide. “Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 15013.97596.190406.1.7.045557, em 19/04/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 14/06/2002, a título de PIS, PA 05/2002 com débito(s) de Cofins relativo(s) a março de 2006. A Deinf Rio de Janeiro, por meio do despacho decisório de fl. 08, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 13 a 17, na qual preliminarmente requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN, providência esta já atendida pela Delegacia de origem. No mérito, alega que do DARF informado, no valor originário de R$662,67, constatou ter pago a maior o montante de R$ 20,00, montante este que corrigido pela Selic até a data da compensação satisfaz integralmente o débito compensado. Solicita homologação da compensação, da forma declarada.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/06/2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido, sem o que não pode ser homologada a compensação efetuada. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual afirma que o crédito pleiteado decorre de recolhimento da contribuição sobre receitas financeiras, o que poderia ser comprovado por mera diligência fiscal. Com base em argumentos de cunho constitucional, afirma que a lei nº 9.718, de 1998, não poderia equiparar faturamento a receita. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora, logo, não há prova de que o recolhimento de tributo foi indevido ou maior que o indevido. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. A contribuinte sabe, desde a ciência do despacho decisório, que não havia comprovado existência de pagamento indevido ou a maior. Também com a manifestação de inconformidade, não foram apresentadas provas que contraditassem os valores informados na DCTF. O relator do acórdão recorrido afirma que consultou e anexou aos autos as últimas DCTF e DIPJ e que elas “indicam que o valor recolhido corresponde ao débito informado nestas, sendo portanto correta a informação constante do despacho decisório combatido, de que não restam créditos disponíveis para compensação.” Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 6 5 E não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Caberia à interessada provar o direito à restituição e a liquidez e certeza do crédito, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Apesar de ciente da necessidade de provar o crédito pleiteado, até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Apenas por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 7 6 A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 8 7 DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 (..). PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15374.928032/200947 Acórdão n.º 3801003.299 S3TE01 Fl. 9 8 LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição sobre receitas financeiras. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre tais receitas. Limitome a assentar que no caso presente a contribuinte enquadrase na definição de instituição financeira, estabelecida no art. 17 da Lei nº 4.595, 1964, logo, suas receitas financeiras devem ser tributadas. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 e 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e não homologou a compensação. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.962371/2008-38
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 71 /2 00 8- 38 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 163DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962371/200838 Acórdão n.º 3802002.255 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA PIS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962371/200838 Acórdão n.º 3802002.255 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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