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Numero do processo: 10120.727531/2015-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que o processo seja redistribuído, por conexão, à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara desta Terceira Seção. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.902921/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1301-001.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para sobrestamento do feito até decisão definitiva quanto ao direito creditório no âmbito dos processos 19679.006987/2005-44 e 13807.005408/2005-57.
(documento assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente
(documento assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Rafael Taranto Malheiros, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: ILIANA ZAVALA DAVALOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para sobrestamento do feito até decisão definitiva quanto ao direito creditório no âmbito dos processos 19679.006987/2005-44 e 13807.005408/2005-57. (documento assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente (documento assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Rafael Taranto Malheiros, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo e Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório (e-fls. 02/13) que indeferiu crédito e compensação invocado pela contribuinte, que consta das DCOMP nº 38200.92576.131207.1.7.02-7929 e 20244.25174.270706.1.3.02-2336 (e-fls. 2/6), que não reconheceu direito creditório a título de saldo negativo do IRPJ referente ao ano calendário 2005, que pretendia compensar débitos das estimativa de IRPJ (maio/2006 e junho/2006) e de CSLL (maio/2006). O Despacho Decisório indeferiu o pedido de compensação, pois apesar de confirmar parte da retenção e parte da estimativa, não foi suficiente para dar origem ao saldo negativo pleiteado. Por bem resumir o litígio peço vênia para reproduzir parcialmente o relatório da decisão recorrida (e-fls. 299 e ss): Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório nº 912671232, emitido sob a jurisdição da Derat São Paulo, para não homologar as RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 02 92 1/ 20 11 -6 5 Fl. 507DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1301-001.039 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902921/2011-65 compensações formalizadas nas DCOMP nº 38200.92576.131207.1.7.027929 e 20244.25174.270706.1.3.022336,com o saldo negativo de IRPJ do Exercício 2006 (ano- calendário 2005), no valor original de R$ 537.705,19. Segundo a decisão recorrida, não foram homologadas as compensações de parte das estimativas, conforme abaixo: Por conseguinte, as antecipações confirmadas no valor total de R$ 1.065.885,75 (R$ 749.684,54 de IRRF + R$ 242.932,82 de Estimativas Pagas + R$ 73.268,39 de Estimativas Compensadas) não se revelaram suficientes para a apuração do saldo negativo no período, tendo em conta o IRPJ devido de R$ 1.705.218,96. Cientificada da decisão pelo Edital, de fls. 09/13, afixado em 05/04/2011, e intimada a pagar os débitos cuja compensação fora não homologada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 28/38, em 27/12/2011, na qual invoca em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Afirma que teria tomado ciência do despacho decisório apenas em 28/11/2011. Diz que as compensações formalizadas nas DCOMP nº 16504.00408.220705.1.7.023776 (jan/2005) e 11619.11874.220705.1.7.029902 (fev/2005) teriam sido apreciadas no âmbito do processo nº 10880.900266/201020. Tais compensações, assim como as apreciadas nos processos nº 19679.006987/200544 (mai/2005) e 13807.005408/200557 (jun/2005) teriam sido não homologadas, mas foram objeto de manifestações de inconformidade, ainda não apreciadas pela autoridade julgadora de 1ª instância. Professa que como os processos administrativos ainda estariam em andamento, os valores compensados estariam extintos, até que sobreviesse decisão definitiva de não homologação. Apenas as decisões definitivas de não homologação poderiam retirar o efeito extintivo das DCOMP apresentadas. Contrapõe-se às cobranças dos débitos compensados nos presentes autos, porque representam créditos tributários em discussão em outros processos. No entendimento da contribuinte, as compensações formalizadas nas DCOMP em litígio jamais poderiam ter sido desconsideradas, posto que a exigibilidade do crédito tributário permaneceria suspensa pela apresentação das manifestações de inconformidade (e eventual recurso ao CARF). Para a defesa a DRF não poderia ter lançado de ofício os débitos extintos por compensação, nem exigir o seu pagamento, por força da suspensão da exigibilidade. Assevera que ao desconsiderar as manifestações de inconformidade apresentadas, a DRF não teria observado os ditames do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com ofensa ainda à ampla defesa, ao contraditório e ao direito à compensação. Menciona ainda a possibilidade de decisões contraditórias naqueles processos e no presente, se a compensação for homologada naqueles autos, e vigorar a glosa das estimativas compensadas no saldo negativo do presente processo. Fl. 508DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1301-001.039 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902921/2011-65 Faz referência a decisão do STJ em que teria sido afirmada a impossibilidade de execução fiscal (assim como de negativa de emissão de CND) de crédito tributário, com exigibilidade suspensa, por conta de recurso apresentado contra pedido de compensação indeferido. Para a Impugnante, cumpre reconhecer o crédito decorrente das compensações não homologadas, por conta da suspensão da exigibilidade, e da inexistência de decisão administrativa definitiva. Acrescenta ainda que o pagamento a maior ou indevido, é o fato que confere direito à compensação, sendo irrelevante a modalidade da extinção. Requer a homologação das compensações ou, ao menos, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até que encerrados aqueles processos. Em 23/01/2012, a contribuinte foi cientificada (cópia de AR de fls. 146) da Intimação nº 59/2012 da DIORT da Derat São Paulo (fls. 145) de seguinte teor: (...) Por intermédio do Ofício nº 04/2012 (fls. 179) da 9ª Vara Federal Cível de São Paulo, de 13/01/2012, foi encaminhada à RFB cópia de decisão liminar no Mandado de Segurança nº 002287067.2011.403.6100 (fls. 176/177), impetrado pela Bahiana Distribuidora de Gás Ltda., contra a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributaria – Derat São Paulo, em que aquele juízo assim se pronunciou, em 13/01/2012, verbis: (...) Conforme termo da autoridade preparadora, de 09/02/2012 (fls. 183), não teria sido possível informar a data real do protocolo da manifestação de inconformidade (27/12/2011), no SIEF, pois já teria sido dada ciência do comunicado de intempestividade (23/01/2012). Como a contribuinte teria impetrado Mandado de Segurança, a manifestação de inconformidade teria sido encaminhada como tempestiva. Às fls. 184, em 23/02/2012, a mesma autoridade ainda informa que, apesar de intempestiva, a manifestação de inconformidade foi encaminhada para apreciação da autoridade julgadora, em atendimento à liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança nº 0022870.67.2011.4.03.6100. Em 27/02/2012, foi apresentada uma petição aditiva (fls. 186/187) para regularização da representação processual e para apresentar recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF contra a decisão da DIORT que julgou intempestiva a manifestação de inconformidade. Em 11/04/2012, este órgão julgador devolveu o processo à autoridade preparadora para juntada da sentença proferida nos autos do MS. Às fls. 196/201, foi juntada cópia da sentença no MS, datada de 27/03/2012, em que a segurança foi concedida em parte, porque não constava dos autos cópia do Aviso de Recebimento AR dos Correios a fazer prova da tentativa de ciência, por via postal. Segundo a decisão judicial, a autoridade impetrada teria apenas informado que não teria recebido o AR, com o motivo da devolução. Diante de tal quadro fático, a intimação por edital teria ficado prejudicada, devendo ser considerado nulo o ato de intimação, com o consequente recebimento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Todavia, o pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos não teria sido concedido, “uma vez que a suspensão da exigibilidade nos casos de apresentação de manifestação Fl. 509DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1301-001.039 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902921/2011-65 de inconformdidade, quando preenchidos todos os requisitos legais necessários, decorre da própria norma, nos termos do parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96”. No dispositivo da sentença, constou: (...) O processo foi devolvido à autoridade julgadora em 17/04/2012. Por ordem judicial, a manifestação de inconformidade foi recebida como tempestiva, sendo dotada dos pressupostos de admissibilidade, foi também conhecida. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, homologando tacitamente por decurso de prazo a PERDCOMP 20244.25174.270706.1.3.022336 e, no mérito, não homologando a PERDCOMP 38200.92576.131207.1.7.027929. Assim resumiu o julgamento: Cientificada em 16/11/2013 (e-fl. 309) da decisão de primeira instância a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 05/12/2013 (e-fl. 310), em que aduz: - os dois processos administrativos acima referidos ainda se encontram em andamento na esfera administrativa e, portanto, não podem ser parâmetro de fundamento para a negativa do crédito da Recorrente, na medida em que qualquer decisão neles proferidas é passível de reversão. - na remota hipótese de que as compensações levadas a efeito pela Recorrente – que, reitere-se, ainda permanecem em discussão nos autos do Processos Administrativos nº 10880.958904/2013-44 e 10880.900266/2010-20 – sejam definitivamente julgadas improcedentes, o montante exigido (isto é, o débito então compensado) será recolhido, espontaneamente ou por meio de cobrança judicial, eis que já foi, inclusive, confessado por meio das referidas DCOMP. É o Relatório Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa - Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Limita-se o litígio à parte do crédito de saldo negativo de IRPJ do Ex. 2006 (ano- calendário 2005), no valor de R$ 732.196,26, formado pelas estimativas cuja compensação foram não homologadas nos processos administrativos nº 10880.900266/2010-20 (jan/05 e fev/05), 19679.006987/2005-44 (mai/05) e 13807.005408/2005-57 (jun/05), este último apensado ao anterior. Fl. 510DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1301-001.039 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.902921/2011-65 O processo administrativo nº 10880.900266/2010-20 foi apreciado por esta Turma de Julgamento, nesta sessão, dando-se provimento ao recurso voluntário. Já o processo nº 19679.006987/2005-44 (e o a ele apensado de nº 13807.005408/2005-57), de competência da 3ª Seção, já que tratam de pedido de crédito de PIS e Cofins, encontram-se no âmbito deste CARF na atividade “a distribuir”. Infiro que os processos são vinculados, sendo aqueles (10880.958904/2013-44 e 13807.005408/2005-57) os principais, já que tratam de crédito utilizado nos presentes autos e este (10880.902921/2011-65) o decorrente. Deve-se, portanto, aguardar o resultado do julgamento dos principais (10880.958904/2013-44 e 13807.005408/2005-57), na forma do inciso II do §1º do art. 6º do RICARF. Desta forma, voto para converter o julgamento em diligência para a vinculação dos processos e o sobrestamento do julgamento destes autos no âmbito desta 3ª Câmara, para aguardar o julgamento dos processos principais. (processo nº 19679.006987/2005-44 (e o a ele apensado nº 13807.005408/2005-57)). Assinado digitalmente Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 511DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.906624/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS SUJEITOS AO REGIME MONOFÁSICO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
Os produtos que estão submetidos ao regime monofásico, mas adquiridos para serem reintroduzidos no processo produtivo, utilizados como insumos na fabricação de produtos a serem colocados à venda ou na prestação de serviços, são passíveis de apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições.
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, pallets e cantoneiras, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições.
FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
A transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma empresa, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002.
Numero da decisão: 3301-010.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.627, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.906609/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.627, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.906609/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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INSUMOS SUJEITOS AO REGIME MONOFÁSICO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE Os produtos que estão submetidos ao regime monofásico, mas adquiridos para serem reintroduzidos no processo produtivo, utilizados como insumos na fabricação de produtos a serem colocados à venda ou na prestação de serviços, são passíveis de apuração de créditos na sistemática não cumulativa das contribuições. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, pallets e cantoneiras, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. FRETE. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. A transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos da mesma empresa, apesar de ser após a fabricação do produto em si, integra o custo do processo produtivo do produto, passível de apuração de créditos por representar insumo da produção, conforme inciso II do art. 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. Divergiu o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, que negava provimento ao recurso voluntário neste tópico. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 66 24 /2 01 2- 19 Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 decidido no Acórdão nº 3301-010.627, de 28 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.906609/2012-62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (Suplente), Juciléia de Souza Lima, Marco Antonio Marinho Nunes, José Adão Vitorino de Morais, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de PER/DCOMP transmitida para compensação de créditos da PIS não cumulativa apurados sobre despesas de insumos vinculadas às receitas não tributadas e auferidas no mercado interno, nos termos do art. 17 da Lei n. 11.033/2004. Para análise dos créditos pleiteados o PER/DCOMP recebeu tratamento manual, na qual a fiscalização realizou a apuração dos créditos e do processo produtivo da contribuinte. Nos termos da informação fiscal, a empresa produzia e vendia frutas “in natura”, tanto para o mercado interno como para o exterior. No mercado interno, as receitas de vendas das frutas (capítulo 8 da TIPI) estão sujeitas à alíquota zero da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins, conforme art. 28, III da Lei nº 10.865/2004. Para a apuração dos insumos, a fiscalização utilizou como fundamento na Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e realizou as glosas sobre pallets e cantoneiras utilizados como materiais de embalagem no transporte dos produtos, sustentando que somente dão direito ao crédito da Cofins as aquisições de embalagens que acondicionam diretamente os produtos. A fiscalização também realizou a glosa dos combustíveis e lubrificantes adquiridos de revendedores, mas não porque não são insumos, mas sim, porque estes produtos não são tributados quando comercializados pelo revendedor, já que sujeita à incidência monofásica no revendedor. Assim, por não ser tributado na compra, aplicou o disposto no art. 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002 para vedar o crédito. A fiscalização detectou diferenças nas despesas de depreciação na comparação realizada entre o DACON e a escrituração contábil (conta 3131.0006), realizando a glosa da diferença encontrada para refletir o montante escriturado na contabilidade. Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 A fiscalização também glosou créditos sobre fretes nas transferências de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se enquadrar no artigo 3º, IX, e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003, mantendo crédito apenas sobre o frete relacionado com operações de venda. Com as glosas realizadas, a fiscalização reconheceu apenas parte do crédito pleiteado. Com base na informação fiscal, o despacho decisório homologou parcialmente a compensação, sem saldo remanescente para o ressarcimento. Notificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade objetivando reverter as glosas, mas não se manifestou sobre a glosa realizada sobre as despesas de depreciação do ativo. A manifestação foi julgada improcedente pela Turma da DRJ. Apesar de tratar os insumos à luz do REsp n. 1.221.170/PR e Parecer Normativo Cosit n. 05/2018, sustentou que o material de embalagem utilizado no transporte não pode ser considerado insumo, pois aplicado pós processo produtivo, na fase comercial do produto acabado. Assim, não é qualquer despesa que será considerada insumo, mas tão somente aquelas relacionadas com bens e serviços que sejam essenciais e relevantes para o processo produtivo ou na prestação de serviços. Quanto aos combustíveis e lubrificantes, utilizou a Solução de Consulta Cosit nº 496/2017 para sustentar que não existe vedação legal para o crédito de produtos com a incidência monofásica, desde que os produtos sejam utilizados como insumos no processo produtivo. Assim, apesar de reconhecer a possibilidade de creditamento sobre essas aquisições, mesmo sem tributação no posto de gasolina, tendo em vista que houve a incidência concentrada na refinaria, manteve as glosas, mas desta vez pelo argumento de falta de comprovação sobre qual equipamento do processo produtivo esses combustíveis foram utilizados. Também foram mantidas as glosas dos créditos apurados sobre fretes de produtos entre estabelecimentos, por apenas ser possível quando o frete for na operação de venda, conforme artigo 3º, IX e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003. As despesas de frete para transferência de produtos entre estabelecimentos não dão direito à crédito. Notificada da r. decisão a contribuinte interpôs recurso voluntário para devolver a matéria, conforme síntese abaixo: Em PRELIMINAR, argumenta inovação de fundamento para manutenção da glosa sobre combustíveis e lubrificantes; - Sustenta que na informação fiscal, bem como no despacho decisório, o fundamento para a glosa de créditos sobre as aquisições de Combustíveis e Lubrificantes ocorreram em razão da vedação legal, nos termos do inciso II, §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002; - Por sua vez, a DRJ, ao apreciar a matéria, utilizou fundamentação jurídica totalmente diversa da Decisão de origem, mantendo as glosas de combustíveis e lubrificantes a Fl. 156DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 necessariamente de comprovar, nos autos, que os produtos teriam sido utilizados no processo produtivo; - Assim, a DRJ, apesar de reconhecer a possibilidade de creditamento nas aquisições de produtos com alíquota zero ou sem incidência de contribuição nas entradas, pois submetidas ao regime monofásico, lubrificantes e combustíveis, manteve a decisão da Fiscalização por suposta “falta de provas no processo” - Ressalta que, apesar de ser ônus do contribuinte a comprovação de que os lubrificantes e combustíveis foram utilizados em máquinas e equipamentos da produção, no curso da Fiscalização essa comprovação não foi solicitada à Recorrente, realizando-se a glosa por uma questão puramente de direito, restando caracterizando o cerceamento do direito de defesa; - Na Informação Fiscal, que fundamentou o Despacho Decisório, consta como causa do indeferimento somente a interpretação por parte da decisão singular na existência de vedação legal de ressarcimento sobre aquisições de produtos de incidência monofásica; - Diante da inovação na fundamentação para manutenção da glosa, requer a nulidade da decisão da DRJ/CTA, por cerceamento do direito defesa da Recorrente; - Subsidiariamente requer conversão dos autos em diligência para que a Fiscalização solicite à Recorrente todos os documentos que demonstrem a utilização dos lubrificantes e combustíveis nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, em observância ao princípio da verdade material. No MÉRITO, trata do conceito de insumos e do entendimento do STJ proferido no Recurso Especial nº 1.221.170/PR e Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 para tratar dos critérios de relevância e essencialidade dos insumos pra o processo produtivo; - Sustenta que a configuração de um gasto como insumo depende da análise do ramo da atividade do contribuinte, a pertinência do item no processo produtivo, a essencialidade do insumo no processo e a possibilidade de emprego direto ou indireto na produção ou serviço; - Afirma que a mercadoria produzida, transportada e acondicionada pela Recorrente é sensível ao meio externo, devendo esta atender as normas de higiene, limpeza e segurança estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); - Os pallets e cantoneiras são embalagens para o acondicionamento da mercadoria no transporte, obedecendo-se as regras de higiene, limpeza e conservação dos produtos, estabelecidos pela Anvisa e o MAPA; - A utilização das embalagens para transportes é uma exigência legal, tendo em vista o que dispõe Instrução Normativa Conjunta da Anvisa e MAPA, INC n. 02/2018, que veio disciplinar e regular os procedimentos de aplicação de rastreabilidade de transportes; - Esses insumos se enquadram no critério b, b.1 e b.2 do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, qual seja: “(...) b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o Fl. 157DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 processo de produção, seja: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2)”por imposição legal”.(...)”; - Os produtos da Recorrente não podem ter qualquer contato com o chão, ou qualquer impacto, tudo para evitar a contaminação ou lesão à fruta, o que o tornaria inconsumível ou fora do padrão de qualidade exigido pelas autoridades sanitárias; - Há pertinência da solicitação dos créditos referentes aos pallets, cantoneiras ou qualquer outra embalagem para transporte, uma vez que a embalagem para transporte é relevante e essencial à atividade produtiva da Recorrente; - Quanto ao frete de produtos entre estabelecimentos, sustenta a possibilidade do crédito como insumo, diante da pertinência ao processo produtivo para o escoamento de sua produção para suas filiais em vários pontos do País - Os fretes de produtos entre estabelecimentos tornam viável a produção e a comercialização do produto, representando um encargo de emprego indireto no processo produtivo, pois se trata de um serviço do qual a produção depende para o escoamento da produção e para a comercialização; - Requer correção monetária dos créditos objeto do pedido de ressarcimento; - Cita decisão do STJ que trata da oposição por parte do Fisco no reconhecimento do crédito pleiteado, impedindo que contribuinte utilize o referido crédito, sendo legítima a atualização monetária do crédito pleiteado, caso contrário estará caracterizado o enriquecimento sem causa do Fisco. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos da legislação. Cinge a controvérsia na análise de créditos de Cofins apurados sobre despesas de insumos utilizados na fabricação de produtos vendidos no mercado interno e tributados por alíquota zero. Conforme relato acima, quase a totalidade dos créditos pleiteados foram reconhecidos, restringindo-se a fiscalização em realizar apenas duas glosas: 1 – material de embalagem utilizados para o transporte das frutas, como pallets e cantoneiras; 2 – combustíveis e lubrificantes adquiridos de postos de gasolina; 3 – frete de produtos entre estabelecimentos. Fl. 158DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 Preliminarmente, deve-se analisar a glosa número 2, tendo em vista o requerimento de nulidade formulado pela Recorrente. A Recorrente argumenta inovação realizada pela d. DRJ ao julgar sua manifestação de inconformidade. Isso porque o fundamento jurídico para a glosa presente no despacho decisório foi tão somente o artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002, que veda a apuração de crédito sobre a aquisição de bens ou serviços não sujeitos à contribuição. Por sua vez, continua a Recorrente, a d. DRJ inovou os fundamentos da glosa. Apesar de reconhecer a possibilidade de créditos de combustíveis e lubrificantes adquiridos de posto de gasolina, mesmo sem tributação já que houve incidência monofásica no produtor, os nobres julgadores mantiveram a glosa por outros argumentos, quais sejam, falta de demonstração de que os produtos foram utilizados no processo produtivo. Assiste razão à Recorrente e a inovação operada pela d. DRJ representa grave ofensa ao direito de defesa e contraditório, já que em nenhum momento a fiscalização solicitou essa demonstração, realizando a glosa por argumentos estritamente de direito: vedação legal para apuração de crédito sobre aquisições não sujeitas à incidência das contribuições. Em nenhum momento foi franqueada ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos para fins de demonstrar a vinculação dos combustíveis ao processo produtivo. Isso nem mesmo foi cogitado pela fiscalização, satisfazendo-se com uma fundamentação puramente jurídica. A fiscalização afirmou que os combustíveis e lubrificantes estão sujeitos ao regime de incidência monofásica das contribuições. Com isso, quando o posto de gasolina revende o combustível, na operação não há incidência das contribuições, visto que a tributação ficou concentrada no produtor. Como a Recorrente adquiriu os combustíveis e lubrificantes no posto de gasolina, tais produtos estavam com alíquota zero, aplicando-se a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002. O argumento é bem sucinto, sem maiores detalhes sobre se o produto é insumo ou não, vejamos: Também foram glosados os créditos referentes a despesas com combustíveis e lubrificantes adquiridos de revendedores (postos de gasolina). Tais produtos são sujeitos à incidência monofásica no produtor, não havendo a incidência de contribuição na sua revenda. De acordo com o inciso II, §2º do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002, o direito ao crédito está condicionado à incidência de PIS na aquisição. Os créditos glosados referentes à aquisição de combustíveis e lubrificantes foram evidenciados na Planilha II, representando R$ 888,30 (oitocentos e oitenta e oito reais e trinta centavos). Na análise da manifestação de inconformidade, a d. DRJ trouxe à lume a Solução de Consulta Cosit nº 496/2017 para sustentar a possibilidade de crédito na aquisição de insumos submetidos ao regime monofásico, mesmo que adquirido do revendedor (sem tributação). Isso porque há tributação na cadeia produtiva, embora no regime monofásico, e vedar o aproveitamento de crédito se o produto for utilizado como insumo representa ofensa à não cumulatividade: Fl. 159DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 51. Deveras, caso a pessoa jurídica adquira, para utilização como insumo ou para incorporação ao seu ativo imobilizado, o bem sujeito à cobrança concentrada das contribuições de atacadista ou varejista (geralmente contemplados por alíquota zero) haveria alguma possibilidade de aplicação da vedação de desconto de créditos em comento, dada a desoneração do elo comercial imediatamente anterior. Todavia, não se pode olvidar que a sistemática de cobrança concentrada das contribuições não promove desoneração das contribuições na cadeia econômica total dos produtos contemplados, mas apenas concentra a tributação que seria aplicada em toda a cadeia em um elo escolhido (exatamente por isso as alíquotas da concentração tributária geralmente são superiores às alíquotas modais). Assim, na hipótese em análise, conquanto ocorra o incidente de a etapa imediatamente anterior ser contemplada por alíquota zero das contribuições, deve prevalecer a possibilidade de apuração de créditos em relação aos bens adquiridos (não se aplicando a vedação em lume), sob pena de onerar duplamente a cadeia econômica dos produtos contemplados pela concentração tributária (por meio da imposição de alíquotas majoradas em um determinado elo e por meio da vedação de desconto de créditos). Assim, como no caso dos veículos acima relatado, não se pode dizer que combustíveis e lubrificantes não estejam sujeitos ao pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ainda que essas contribuições não incidam na aquisição de combustíveis e lubrificantes pelo interessado. Existe, sim, a incidência em etapa anterior a essa operação. Portanto, despesas com combustíveis e lubrificantes, comprovadamente utilizados na condição de insumos, observadas as demais prescrições legais, geram direito a crédito dessas contribuições. Nota-se, assim, que a d. DRJ afastou a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002, desde que sejam insumos. Essa vedação foi o único fundamento do Despacho Decisório. Em flagrante inovação jurídica, a d. DRJ manteve a glosa sob o argumento de que a contribuinte não demonstrou que os combustíveis e lubrificantes foram utilizados no processo produtivo, isto é, em quais etapas ou quais equipamentos foram utilizados. Desta forma, o direito aos créditos da não-cumulatividade, utilizados para desconto da contribuição devida, ou para ressarcimento ou compensação nas situações permitidas pela legislação, exige que o contribuinte comprove a existência dos fatos que geram este direito. Ou seja, a simples aquisição de combustíveis e lubrificantes não gera direito ao creditamento. O contribuinte tem que comprovar a sua utilização em máquinas e/ou equipamentos de produção, para serem considerados insumos. Exige-se, portanto, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório; documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Essa inovação, como dito, ofende o contraditório e ampla defesa. Todavia, entendo não ser o caso de nulidade, na medida em que a decisão de mérito no presente julgamento será favorável à contribuinte neste ponto, aplicando-se o disposto no artigo 59, § 3º do Decreto n. 70.235/1972. Entendo que o motivo da glosa, qual seja, a vedação para o crédito prevista no artigo 3º, § 2º, II, da Lei n. 10.637/2002, já foi revertida pela d. DRJ, não se sustentando os demais argumentos sobre falta de comprovação. Fl. 160DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 Estou de acordo com o disposto na Solução de Consulta Cosit nº 496/2017. A vedação de apuração de créditos para as compras submetidas ao regime monofásico são aplicáveis para os bens adquiridos para revenda. Quando os produtos submetidos ao regime monofásico são adquiridos para serem utilizados no processo produtivo como insumos, é possível a apuração do crédito no regime da não cumulatividade da contribuição. Os créditos das contribuições são apurados sobre as compras, sua base de cálculo, e não sobre o tributo que incidiu na fase anterior. Assim, se o fornecedor for submetido ao SIMPLES NACIONAL ou lucro presumido, apura-se crédito sobre as compras pelas alíquotas da não cumulatividade (9,25% somadas), mesmo que a compra tenha sido submetida a outra carga tributária. Quando o produto adquirido para ser utilizado no processo produtivo for sujeito ao regime monofásico, com a incidência concentrada na indústria, o raciocínio é o mesmo, ainda que o insumo tenha sido adquirido do varejista (no caso, posto de gasolina), quando já não há mais tributação. Isso porque a incidência monofásica onerou o produto que será utilizado como insumo, realizando-se a reintrodução do combustível no processo produtivo. O racional da incidência monofásica, conforme reconhecido pela solução de consulta mencionada e pela r. decisão da DRJ, é construído para a incidência concentrada na indústria sobre os produtos acabados. Esses produtos não sofrerão novas industrializações, passando de comerciante em comerciante sem novas incidências das contribuições. No momento que esse produto sujeito ao regime monofásico é adquirido por um industrial, utilizando esse produto como insumo de seu processo produtivo, reintroduzindo-o no processo industrial, deve-se permitir a apuração do crédito na sistemática não cumulativa das contribuições, sob pena de cumulatividade. Exemplo desse racional é extraído, por exemplo, da incidência monofásica sobre a venda de auto peças, nos termos do artigo 3º da Lei n. 10.485/2003. Caso o produto seja vendido para uma indústria, aplica-se as alíquotas do regime não cumulativo; caso o produto seja vendido para comerciante (atacadista, varejista) ou mesmo direito para o consumidor, aplica-se o regime monofásico. Com isso, reverto a glosa de crédito sobre combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo ou prestação de serviços. CONCEITO DE INSUMOS O conceito de insumos adotado pela fiscalização, como dito, estava alinhado com a IN SRF n. 404/2004 e 247/2002, vinculando-se à concepção de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem e prestação de serviços utilizados na produção, devendo-se integrar ao produto final ou ser utilizado diretamente no produto produzido. Assim, neste ponto, as glosas efetuadas foram levadas a efeito em decorrência de uma questão jurídica: a adoção pela fiscalização de um conceito de insumos mais restrito, inspirado na legislação do IPI, assim entendido como a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto ou serviço, desde que os mesmos não estejam incluídos no ativo imobilizado da empresa. Este conceito, no entanto, resta superado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento, em sede de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR, que Fl. 161DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 julgou como ilegais as Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 ao firmar a seguinte tese: “O conceito de insumo deve ser aferido a luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte” (grifei): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifei) Da leitura do voto da lavra da Ministra Regina Helena Costa, extrai-se que sua decisão se fundamenta em decisões da Câmara Superior da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, destacando que o contexto da essencialidade ou relevância de uma despesa deve sempre ser analisada em relação à imprescindibilidade para a atividade produtiva (leia-se produção de bens) ou para a prestação de serviços, para que possa ser considerado insumo: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Fl. 162DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (...) Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. (grifei) Assim, quando a ementa, ou a tese fixada no recurso repetitivo, afirma que o critério da essencialidade ou relevância de determinado gasto para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte, deve-se vincular o termo “atividade econômica” para a atividade produtiva e prestação de serviços (própria Ministra Regina Helena Costa menciona este quesito em suas razões de decidir). Caso contrário, qualquer despesa que seja essencial para o desenvolvimento da atividade econômica (genericamente falando), como despesas para o setor administrativo ou comercial, por exemplo, seriam considerados insumos, transmutando novamente o conceito e levando a discussão para o conceito de despesa operacional (necessária) aplicada ao IRPJ. O Ministro Mauro Campbell Marques, acrescenta um critério que denomina de “teste de subtração”, assim entendido como uma despesa relacionada com a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, devendo ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo, de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto. Aliás, entendo que entre meu voto e o voto da Min. Regina Helena há apenas uma incongruência entre signos e significados, pois dentro do critério da relevância (defendido pela Min. Regina Helena) compreendo estar (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Já dentro do critério da essencialidade está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o Fl. 163DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Por fim, no critério da pertinência está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Para o somatório das três situações dei o signo de "pertinência e essencialidade", que agora a Min. Regina Helena batizou de "essencialidade e relevância", mas o conteúdo é idêntico, de modo que não vejo prejuízo algum em denominarmos pela tríade "pertinência, essencialidade e relevância", a abarcar as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos. (grifos do original) Trata-se o insumo, portanto, de um gasto incorrido para a aquisição de um bem ou de um serviço essencial ou relevante para a produção ou para a prestação de serviço, não se incluindo aí uma essencialidade para o comércio ou para a administração da empresa. Veja que são despesas “na” produção /prestação de serviços, o que afasta também a consideração como insumo quaisquer outras despesas ou encargos incorridos, como publicidade, representante comercial, comissão de vendas e que tais, já que esta despesa não é incorrida NA produção ou NA prestação de um serviço. Ou se produz um serviço ou se produz um produto, assim é possível verificar quais foram os insumos desta produção. Este é o teor do quanto previsto no artigo 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ao estabelecer que os créditos serão apurados sobre bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Art. 3º (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes Após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR a RFB publicou o Parecer Normativo nº 05/2018 para consolidar alguns pontos do conceito de insumo fixado pelo entendimento jurisprudencial. Com isso, em razão das glosas terem sido efetivadas por questões de direito, o presente julgamento também será pautado por questões jurídicas, sobre o conceito de insumos fixado pelo STJ, bem como na análise dos argumentos e Parecer Normativo RFB n. 05/2018. DA GLOSA SOBRE MATERIAL DE EMBALAGEM PARA TRANSPORTE – pallets, cantoneiras e tambores de suco. Conforme se extrai da informação fiscal, a glosa sobre os materiais de embalagem de transporte foram realizadas com base no conceito de insumo fixado pela IN SRF n. 247/2002: Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 A empresa produzia e vendia frutas “in natura”, tanto para o mercado interno como para o exterior. [...] É importante ressaltar que além de as receitas de exportação serem isentas de PIS e COFINS, a partir de 01/05/2004 as receitas de vendas de frutas (capítulo 8 da TIPI), no mercado interno, estão sujeitas à alíquota zero de PIS e COFINS, conforme art. 28, inciso III da Lei nº 10.865/2004. [...] Conforme art. 3º da Lei nº 10.637/2002, c/c o §5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, somente dão direito ao crédito de PIS as embalagens que acondicionam diretamente os produtos. As embalagens que se destinam apenas ao transporte de produtos não geram direito ao crédito de PIS. [...] Também foi feita a glosa com a aquisição de tambores de suco (capacidade de 200L e de ferro), que também não se enquadram como embalagem de acondicionamento. Como os pallets, cantoneiras e tambores de suco destinam-se ao transporte das caixas de frutas e outros produtos, não se enquadrando no conceito de embalagem de acondicionamento, efetuamos glosas no valor de R$ 10.784,85 (dez mil, setecentos e oitenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos) [...] Por sua vez, a d. DRJ, fundando-se no conceito de insumos consolidado no REsp n. 1.221.170/PR e Parecer Normativo RFB n. 05/2018, manteve as glosas sob o argumento de que o material de embalagem para transporte não é essencial ou relevante para o processo produtivo, na medida em que é aplicado para o transporte do produto acabado nas operações de venda, ou seja, após o fim do processo produtivo: Portanto, os materiais de embalagem utilizados no transporte de produtos acabados não se enquadram na definição de insumos elaborada pelo STJ, ainda que importantes para a atividade desenvolvida pela manifestante, uma vez que não integram o processo de produção. São, outrossim, utilizados em fase posterior ao processo produtivo, quando da comercialização do produto acabado, constituindo-se em despesa operacional. No caso em apreciação, os pallets (ou estrados), as cantoneiras e os demais produtos têm como finalidade a acomodação das caixas que contém as frutas frescas em unidades maiores, viabilizando a eficiente movimentação da mercadoria em, por exemplo, empilhadeiras, assim como o carregamento nos containers, quando da realização do transporte terrestre e marítimo até os destinatários finais. Logo, tais acessórios somente se agregam aos produtos depois de encerrado o ciclo produtivo, ocasião em que as frutas já se encontram devidamente embaladas. (grifei) Em sede de defesa, a Recorrente sustenta que os pallets e cantoneiras são embalagens para o acondicionamento da mercadoria no transporte, e os tambores de suco acondicionam o próprio produto, obedecendo-se as regras de higiene, limpeza e conservação dos produtos, estabelecidos pela Anvisa e o MAPA. Sustenta que a utilização das embalagens para transportes é uma exigência legal, tendo em vista o que dispõe Instrução Normativa Conjunta da Anvisa e MAPA, INC n. 02/2018, que veio disciplinar e regular os procedimentos de aplicação de rastreabilidade de transportes, satisfazendo os requisitos da essencialidade ou relevância do insumo para o processo produtivo, inclusive diante da imposição legal por normas da ANVISA para manuseio, transporte e proteção destes produtos. Trata-se, a meu ver, de despesas essenciais para a manutenção da qualidade do produto, em que pese não integre fisicamente o produto produzido e tenha sido adicionado para acondicionamento para transporte após o processo produtivo. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 Em que pese posterior à produção do produto em si, já que os produtos estão acabados, ainda está ligado ao processo produtivo, na medida em que ainda está no âmbito interno da indústria, representando uma despesa que será adicionada ao custo de produção, configurando insumo. Com isso, não há como negar a natureza de insumos para tais dispêndios. Portanto, a aquisição destes produtos são custos relacionados ao seu processo produtivo, essenciais para o desenvolvimento desta atividade e transporte de sua produção. Com isso, é possível a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre tais gastos, nos termos do artigo 3º, II das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Reverte-se as glosas com embalagens para transporte e tambores de suco. DA GLOSA SOBRE MATERIAL SOBRE O FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS A fiscalização também glosou créditos sobre fretes nas transferências de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, por não se enquadrar no artigo 3º, IX e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003, mantendo crédito apenas sobre o frete relacionado com operações de venda. A d. DRJ endossou o entendimento, apenas acrescentando que seria possível apurar créditos sobre frete no transporte de insumos, por compor o custo de aquisição dos produtos. No entanto, como o caso é de frete de produtos entre estabelecimentos, sem vinculação com operações de venda para terceiros, manteve a glosa por não se enquadrar no artigo 3º, IX e artigo 15, II, da Lei n. 10.833/2003. A Recorrente argumenta que o frete entre estabelecimento representa um encargo indireto ao seu processo produtivo, sendo essencial para o escoamento da produção para suas filiais e a viabilização de futuras operações de venda, representando insumo do processo produtivo. Entendo que as glosas devem ser revertidas. Em que pese posterior à produção do produto em si, já que os produtos estão acabados, ainda está ligado ao processo produtivo, na medida em que ainda está no âmbito interno da indústria, representando uma despesa que será adicionada ao custo de produção, configurando insumo. Esse entendimento já foi manifestado pela Câmara Superior nos acórdãos 9303- 009.736, 9303-009.734, 9303-009.982, conforme ementa abaixo: Acórdão 9303-009.736. Relator Rodrigo da Costa Pôssas. Publicação 11/12/2019 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS/DESPESAS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS, EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, FERRAMENTAS E MATERIAIS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. LIMPEZA E INSPEÇÃO SANITÁRIA CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes entre estabelecimentos para transporte de produtos acabados, com embalagens para transporte dos produtos acabados, com ferramentas e materiais utilizados nas máquinas e equipamentos de produção/fabricação e com limpeza e inspeção sanitária enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. É de se reconhecer, portanto, o direito à apuração dos créditos das contribuições sobre as despesas incorridas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa. Ainda, informo a existência de um entendimento diverso, no sentido de que o crédito é possível, mas como um frete das operações de venda, representando serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, em que pese ainda não tenha uma venda relacionada, permitindo o crédito nos termos do art. 3º, IX, Lei n. 10.833/2003, como se vê dos acórdãos 9303-010.123, 9303-010.147. De todo modo, seja pelo inciso II ou pelo inciso IX, há possibilidade de crédito de frete de produtos acabados entre estabelecimentos ou para depósitos e armazéns. Desta forma, reverto as glosas de frete de produtos acabados para outro estabelecimento. Correção Monetária A Recorrente requer a correção monetária de seus créditos diante da oposição ilegítima do FISCO em reconhecer os créditos, devendo-se aplicar os precedentes do STJ no trato da matéria. Não merecem prosperar os argumentos. Já concedi correção monetária de créditos da não cumulatividade de PIS e COFINS quando objeto de pedido de ressarcimento, a exemplo do acórdão n. 3301-010.096. No entanto, para que seja possível a correção monetária, deve-se estar diante de um pedido de ressarcimento de créditos. No caso, ao PER foi vinculada uma declaração de compensação, compensando-se os créditos pleiteados para extinção de débitos administrados pela RFB. Não há que se falar em oposição ilegítima nesses casos. Isso porque a compensação é modalidade de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, II, CTN, a exemplo do pagamento, extinguindo o débito declarado na compensação por meio de um encontro de contas entre créditos e débitos recíprocos, nos termos do artigo 170, CTN. Justamente por isso, a declaração de compensação representa um pagamento antecipado, sujeito à ulterior homologação da administração tributária, nos termos do artigo 74 da Lei n. 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 2 o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com isso, no caso de declaração de compensação, não há como afirmar oposição ilegítima do FISCO para o reconhecimento dos créditos, na medida em que os créditos já foram utilizados como moeda para pagamento dos débitos confessados na compensação. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-010.635 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.906624/2012-19 É no momento da declaração de compensação que o encontro de contas entre créditos e débitos é aferido, extinguindo-se antecipadamente o crédito tributário (débito) confessado. Eventual não homologação da compensação, assim, não representa oposição ilegítima. Não merece provimento este ponto do recurso. Diante de todo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas de crédito sobre o material de embalagem para transporte e tambores de suco, bem como combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. E dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas dos fretes de produtos entre estabelecimentos da mesma empresa. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.903680/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 19/01/2005
PAGAMENTO INDEVIDO. IOF. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO.
Uma vez confirmada a ocorrência de pagamento indevido de IOF, decorrente do cancelamento da operação da qual se originara, deve-se reconhecer o direito creditório utilizado para compensar débito da titularidade do mesmo sujeito passivo.
Numero da decisão: 3201-008.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos da confirmação efetuada pela autoridade fiscal.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos da confirmação efetuada pela autoridade fiscal. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
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IOF. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. Uma vez confirmada a ocorrência de pagamento indevido de IOF, decorrente do cancelamento da operação da qual se originara, deve-se reconhecer o direito creditório utilizado para compensar débito da titularidade do mesmo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos da confirmação efetuada pela autoridade fiscal. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis (Relator), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (Suplente convocada), Laércio Cruz Uliana Junior, Márcio Robson Costa e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em contraposição ao acórdão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado, recurso esse decorrente da não homologação da compensação declarada, relativa a crédito de IOF, que, segundo a repartição de origem, já havia sido utilizado para quitar outro débito do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 36 80 /2 00 9- 19 Fl. 458DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.924 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903680/2009-19 Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando, em síntese, o seguinte: a) a não homologação da compensação decorrera da falta de demonstração do direito creditório na DCTF, fato esse que não invalidava a efetiva ocorrência de pagamento indevido, por se tratar de mero erro formal; b) em 19/01/2005, o cliente Merril Lynch Pierce Fenner efetuara a compra de Letras do Tesouro Nacional (LTN) nos valores de R$ 7.135.672,84 e R$ 6.351.158,75, vindo o Requerente a efetuar operação de recompra desses papéis, gerando IOF nos montantes de R$ 20.019,06 e R$ 3.875,68, operação essa que veio a ser cancelada, razão pela qual o pagamento do imposto devia ser devolvido; c) inocorrência das circunstâncias que a lei estabelecia como necessárias a gerar incidência tributária. O acórdão da DRJ denegatório do direito restou ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF Data do fato gerador: 19/01/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, aduzindo, ainda, que os documentos contábeis indicavam a realização de duas operações distintas de recompra dos papéis, nos dias 7 e 12/01/2005, sendo que o recolhimento do IOF incidente em ambas as operações se dera por meio de um único DARF, no montante de R$ 34.235,96. Junto ao recurso, o contribuinte trouxe aos autos, mais uma vez, cópia de parte de sua escrituração e do comprovante de pagamento. Em 23/04/2013, a 3ª Turma Especial da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que a autoridade administrativa, de posse dos documentos presentes nos autos, confirmasse, junto à escrituração contábil do Recorrente, bem como aos documentos que a lastreavam, a efetiva existência do direito creditório pleiteado, tendo por base os argumentos de defesa até então trazidos aos autos. Os resultados da diligência foram registrados no relatório presente às fls. 446 a 448, não tendo o Recorrente, devidamente intimado, se manifestado nos autos. Fl. 459DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.924 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903680/2009-19 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O recurso é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório em que não se homologou a compensação declarada pelo Recorrente, relativa a crédito do IOF decorrente do cancelamento de recompra de Letras do Tesouro Nacional (LTN). Convertido o Julgamento do recurso em diligência, a autoridade administrativa de origem assim concluiu acerca do pleito: [Em] 18/03/2009, o Recorrente já havia apresentado a DCTF retificadora nº 100.0000.2009.1820338598 (fls. 134 a 284), com o valor declarado para o débito sob código de receita 6584, referente à 3ª semana de janeiro de 2005, de R$ 10.341,22, conforme informação de fls. 196. Neste caso, o encontro de contas entre o constante no DARF e o declarado em DCTF resultou em um saldo de R$ 23.894,74, como demonstrado no extrato SIEF/FISCEL, anexado em fls. 445, indicando ter havido um pagamento a maior. Observe-se que a DCTF ativa, de nº 100.0000.2010.1810420894, apresentada em 08/03/2010 (fls. 285 a 440), mantém os mesmos valores para o código de receita 6854 referentes ao período de apuração janeiro de 2005. Sendo assim, há crédito disponível em favor do Recorrente passível de ser utilizado na compensação pretendida. Pelo exposto, e com base nos argumentos de defesa, na documentação apresentada e nas informações constantes nos sistemas da RFB, confirmo a existência do direito creditório pleiteado. (fls. 447 a 448 – g.n.) Nesse sentido, tendo o Recorrente pleiteado em DComp o valor originário de R$ 23.894,74 (e-fls. 26 e 29) e vindo esse crédito a ser confirmado pela autoridade administrativa de origem, vota-se por dar provimento ao Recurso Voluntário. É o voto. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Fl. 460DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.924 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.903680/2009-19 Fl. 461DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10680.004762/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2005
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COTEJO DE PROVAS.
Se ao apreciar as provas produzidas pelo contribuinte, puder se alcançar a verdade processual, autoriza-se a construção do provimento, com fundamento nas declarações do imposto, mesmo que de forma tecnicamente incorretas quanto a sua forma.
PRECATÓRIO. CESSÃO DE DIREITO. GANHO DE CAPITAL. A cessão de direitos representados por precatórios está sujeita à apuração de ganho de capital.
Numero da decisão: 2301-009.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Sheila Aires Cartaxo Gomes (presidente), que deram provimento parcial apenas para afastar a glosa de IRRF de R$ 9.186,96.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Letícia Lacerda de Castro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: LETICIA LACERDA DE CASTRO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. COTEJO DE PROVAS. Se ao apreciar as provas produzidas pelo contribuinte, puder se alcançar a verdade processual, autoriza-se a construção do provimento, com fundamento nas declarações do imposto, mesmo que de forma tecnicamente incorretas quanto a sua forma. PRECATÓRIO. CESSÃO DE DIREITO. GANHO DE CAPITAL. A cessão de direitos representados por precatórios está sujeita à apuração de ganho de capital.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Sheila Aires Cartaxo Gomes (presidente), que deram provimento parcial apenas para afastar a glosa de IRRF de R$ 9.186,96. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Lacerda de Castro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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COTEJO DE PROVAS. Se ao apreciar as provas produzidas pelo contribuinte, puder se alcançar a verdade processual, autoriza-se a construção do provimento, com fundamento nas declarações do imposto, mesmo que de forma tecnicamente incorretas quanto a sua forma. PRECATÓRIO. CESSÃO DE DIREITO. GANHO DE CAPITAL. A cessão de direitos representados por precatórios está sujeita à apuração de ganho de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as conselheiras Monica Renata Mello Ferreira Stoll e Sheila Aires Cartaxo Gomes (presidente), que deram provimento parcial apenas para afastar a glosa de IRRF de R$ 9.186,96. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Lacerda de Castro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do acórdão que julgou improcedente a Impugnação do Recorrente, mantendo o lançamento tributário, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física, exercício 2005, ano-calendário 2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 47 62 /2 00 8- 92 Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 Consoante a descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 14, a fiscalização constatou a compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, pelo Recorrente, no valor de R$79.402,79, referente às seguintes fontes pagadoras: a) Departamento de Viação e Obras Públicas, CNPJ 03.480.761/0001-86 - IRRF glosado de R$70.215,83; b) Departamento de Estradas de Rodagem, CNPJ 43.052.497/0001-02 - IRRF glosado de R$9.186,96. O acórdão recorrido foi assim ementado: CESSÃO DE PRECATÓRIOS. GANHO DE CAPITAL. INOCORRÊNCIA. Inexistindo nos autos a prova de ocorrência de ganho de capital decorrente da cessão de precatórios, não há que se falar em tributação exclusiva diferenciada para a espécie, na forma da legislação tributária. GLOSA DO IRRF. O imposto de renda retido por uma pessoa jurídica não pode ser aproveitado pelo autuado quando a sua prestação de serviços se vincula a outra fonte. pagadora, distinta daquela que efetuou a retenção do tributo. CARNÊ LEÃO. Quando uma pessoa física recebe rendimentos de outra pessoa física, é a responsável por efetuar o recolhimento do imposto devido, pois, neste caso, não há retenção do imposto pela fonte pagadora. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão. Foram juntados os seguintes documentos na Impugnação: DIRF (destaque para a fl. 20); escritura pública de cessão de direitos creditórios (fl. 23); memória de cálculo do precatório emitido pela PGE do Estado, com distribuição entre os advogados (fl. 26); extrato bancário demonstrando uma TED (fl. 28); mandado de levantamento judicial (Poder Judiciário de SP) (fl. 30); Guia de Arrecadação Estadual (IRRF) (fl. 31); TED’s (fls. 32 a 39); declaração do advogado Wilson Carlos Vilani (fl. 41); recibo (fl. 43) Apresentado Recurso Voluntário em que se sustenta, em síntese: (i) Em relação à glosa de R$9.186,96, que recebeu, em condomínio, com mais quatro advogados, honorários de sucumbência na ação movida contra o Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo; que o valor liquido de R$194.278,43 (valor bruto de R$267.774,12 - 73.495,69 IRRF) foi pago ao Dr. Wilson Carlos Vilani, tendo a própria fonte pagadora determinado o pagamento a esse único advogado, tendo sido em seu nome retido o imposto; que existe uma relação de confiança entre os patronos da causa, sendo que os honorários são rateados, após o desconto pelo Poder Judiciário dos impostos devidos; o Recorrente incorreu em equívoco, pois deveria ter lançado a sua cota parte de R$ 33.471,76 na coluna “rendimentos isentos e não tributáveis”, já que tanto os honorários advocatícios judiciais, como o IRRF, recolhido em nome do advogado Wilson Carlos Vilani, foram partilhados entre os advogados do departamento jurídico da Mendes Júnior. (ii) Quanto à glosa de R$70.215,83, alega que na Declaração de Ajuste Anual, no quadro “Declaração de Bens e Direitos”, na coluna “Discriminação”, o Recorrente esclareceu que do rendimento tributado declarado da pessoa jurídica Departamento de Estradas de Rodagem do Mato Grosso, o valor Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 líquido do referido direito foi efetivado pela escritura pública de cessão de direitos creditórios (livro 331, fls. 180, Cartório do Primeiro Serviço Notarial e Registral de Cuiabá), sendo efetivamente recebido R$ 51.750,00, através da Cooperativa Agropecuária Mista Vale Sepotuba Ltda. – COOMIVALE. Que há apenas erro material na escritura, quanto à numeração do Precatório Requisitório, originário da Ação de Cobrança nº 21503/1991. Que é preciso diferenciar a data contida no rodapé do documento de nº 3, eis que a data de 7 de dezembro de 2004, que se reporta o acórdão recorrido, encontra-se em campo de preenchimento de observações. Por outro lado, o débito foi apurado em 01/03/98, nas fls. 566 do processo, atualizado em 01/04/2004. Alega que os créditos da escritura pública de cessão que foram negociados, referem-se a honorários advocatícios, que os cedentes receberiam do DVOP do Estado do Mato Grosso. Que essa escritura pública, em sua cláusula terceira, certifica que foi retido na transação o imposto de renda na fonte, “correspondente a 27,5% do total cedido”. Que até a presente data do recurso a adquirente dos créditos não forneceu o mencionado comprovante aos cedentes, bem como deixou de informar ao Fisco a retenção que realizou quando do pagamento da cessão de direitos. De fato, o Recorrente não deveria ter lançado, a título de rendimento recebido do órgão público, o valor de R$ 255.426,89, no quadro “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”. Isso porque não recebeu efetivamente esse valor, e sim o montante de R$ 51.750,00, como foi indicado na Declaração de Bens e Direitos. (iii) Alega que o acórdão recorrido desconsiderou a documentação apresentada. Que o fisco deveria ter provado o lançamento. Que o acusador é o Fisco, ao presumir que o contribuinte teria declarado valor inexistente de retenção do imposto de renda, desconsiderando a documentação existente nos autos. Que lhe caberia confirmar a informação com a fonte pagadora, pois o contribuinte não tem poder de polícia para fazê-lo. Que o processo administrativo deve obediência ao princípio da verdade material. Indaga se a escritura pública de cessão de direitos e a memória de cálculo emitida pela Procuradoria Geral do Estado do Mato Grosso não teriam valor probatório. Que o acórdão recorrido desconsiderou a TED emitida em 22/12/2004, no valor de R$ 51.750,00, tendo como remetente o Dr. Clóvis de Mello, advogado que recebeu os valores em nome de seus colegas, nomeados na “Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios”. Que essa escritura confirma a origem do depósito bancários de R$ 51.750,00. (iv) A presença de erro de direito no lançamento, pois a figura de tributação seria outra (trata-se de ganho de capital). Tratando-se de cessão de direitos representados por precatório, a tributação pelo imposto de renda se dá a título de ganho de capital, conforme a legislação prevê. A NFLD padece de erro de direito insanável, ao confundir as figuras de tributação. O art. 145 do CTN consagra o princípio da inalterabilidade do lançamento, tornando-se definitivo com a notificação regular, exceto nas hipóteses do art. 149 do CTN. Deve ser, portanto, cancelado o lançamento. É certo que houve erro no preenchimento da Declaração, mas esse erro não pode Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 ensejar vultosa exigência de imposto. Não poderia o Recorrente lançar o valor de rendimento recebido de R$ 255.426,89, porque, de fato, não recebeu efetivamente esse valor (recebeu R$ 51.750,00, como declarou ao Fisco em sua Declaração de Bens e Direitos). Que esse valor foi depositado em sua conta corrente, conforme extrato bancário juntado aos autos. Tratando-se de cessão de direitos representado por precatório, a tributação pelo imposto de renda se dá a título de ganho de capital (art. 117, RIR/99). Não se trata de honorários advocatício recebidos de órgão público, mas de valor relativo à cessão de crédito. Cita, ainda, a Solução de Consulta nº 86 de 27 de abril de 2007 do Ministério da Fazenda. Cita a incoerência da NFLD, que de um lado desconsiderou o imposto de renda retido na fonte por falta de informação da fonte pagadora, sendo que de outro manteve o rendimento tributado, a partir do mesmo documento. Que o valor recebido como parte integrante do ganho de capital não deve constar dos rendimentos tributados na Declaração de Ajuste, eis que a tributação nesse caso é definitiva e em separado dos demais rendimentos (art.117, §2º do RIR). Que descabe a cobrança do imposto de renda, porque não houve a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nos termos do art. 43 do CTN. Que o deságio na alienação do direito representado pelo precatório configura perda, não ganho, não devendo haver pagamento de imposto. Em seu recurso foram juntados os seguintes documentos: procurações de diversas datas, em sua maioria com poderes gerais, diversas e gerais; atas das assembleias gerais e anotações da CTPS. O julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, “para que a unidade preparadora juntasse aos autos as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte referentes ao ano calendário 2004, em que constem como beneficiário o recorrente”. Às fls. 140 a 143 há o resultado da diligência, demonstrando que na competência do lançamento houve duas DIRF’s, ambas tendo como declarante a Mendes Júnior Engenharia. A primeira relacionada a rendimento do trabalho assalariado, a segunda referente a rendimento do trabalho sem vínculo empregatício. É o relatório. Voto Conselheiro Letícia Lacerda de Castro, Relator. Conheço do presente recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. O presente lançamento tem o seguinte recorte, traçado pela fiscalização: houve a compensação indevida do IRRF, no valor de R$79.402,79, referente às seguintes fontes pagadoras: a) Departamento de Viação e Obras Públicas, CNPJ 03.480.761/0001-86 - IRRF glosado de R$70.215,83; b) Departamento de Estradas de Rodagem, CNPJ 43.052.497/0001-02 - IRRF glosado de R$9.186,96. Instaurada a fase litigiosa, o Recorrente alega erro no preenchimento de sua declaração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ressaltando que se a fiscalização Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 desconsiderou o valor declarado como compensado pelo IRRF, também não pode ter o rendimento declarado como verdade. Passo a enfrentar os rendimentos referente às seguintes fontes pagadoras: a) Departamento de Viação e Obras Públicas e; b) Departamento de Estradas de Rodagem. Rendimentos relacionados à fonte pagadora Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo (honorários advocatícios) O Recorrente ratificou sua Impugnação no sentido de que atuara em uma ação judicial em condomínio com outros advogados do departamento jurídico da Construtora Mendes Júnior. Para provar o alegado, juntou em sede do presente recurso várias procurações, genéricas, de diversas competências, que a Construtora outorgava poderes a ele, para patrocínio jurídico, bem com a outros advogados. Também juntou prova de seu vínculo contratual com a Mendes Júnior (CTPS). Conheço desses documentos, mesmo que juntados fora do espaço processual da Impugnação, porquanto se foi necessária sua juntada na lógica decisória do acórdão recorrido. Lado outro, é incontroverso que o valor dos honorários de sucumbência fora depositado ao procurador Dr. Wilson Carlos Vilani, consoante o mandado de levantamento judicial, emitido pelo Poder Judiciário de São Paulo, de fl. 30; e a Guia de Arrecadação Estadual (IRRF), de fl. 31. O valor dos honorários, em seu importe líquido, teria sido repartido entre outros advogados da equipe jurídica da Mendes Júnior, conforme TED’s de fls. 32 a 39. Nelas, constata-se que Wilson Carlos Vilani transferiu, por TED, os seguintes valores: (i) Jose Reinaldo Santos – R$ 24.278,24; (ii) José Lacerda Machado Júnior – R$ 24.278,24; (iii) Vicente de Paulo Cândido (Recorrente) – R$ 24.278,24; (iv) Transferência para o próprio Wilson Carlos Vilani – R$ 24.278,24; (v) Pedro Ivan Rezende – R$ 97.112,97. Essas transferência estão em consonância com a declaração de fl. 41. Em se considerando: a) a que ação judicial que decorreu os honorários de sucumbência tem como parte a Construtora Mendes Júnior; b) que o Recorrente provou seu vínculo como advogado do jurídico da construtora; c) que houve a retenção do imposto devido na fonte, e posterior distribuição dos honorários entre os advogados da construtora, entendo que a glosa do imposto de R$9.186,96 deve ser excluída. Assinalo que a DRJ, ao manter a glosa, o fez por não ter o Recorrente provado que representava a construtora em juízo, na ação movida contra o DER/SP, a Construtora Mendes Júnior S/A. Nesse sentido, transcrevo excerto do acórdão recorrido: No que se refere à sustentação de que atuou em regime de condomínio com outros advogados na ação movida contra o DER/SP, vislumbro que o ora impugnante está a se referir a uma prestação de serviços de pessoa física para pessoa física, ou seja, que o autuado prestou serviços diretamente para o Sr. Wilson Carlos Vilani. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 A conclusão do parágrafo anterior baseia-se no fato de que o Sr. Wilson Carlos Vilani foi o beneficiário dos honorários de sucumbência, consoante documento de fls. 30, além da constatação de que o contribuinte não comprovou que representava a Construtora Mendes Junior S/A na ação movida contra o DER/SP. Com esteio no raciocínio anteriormente desenvolvido, o imposto de renda retido na fonte decorrente dos honorários sucumbenciais pagos pelo DER/SP não pode ser aproveitado pelo ora Impugnante, pois se vincula, única e exclusivamente, à atundo do patrono daquela causa, Sr. Wilson Carlos Vilani. Do rendimento que o autuado recebeu do Sr. Wilson Carlos Vilani, pessoa natural, no valor deAl$33 -47176, conforme o recibo de fls. 43, a própria pessoa física beneficiária do rendimento deveria ter efetuado o recolhimento do imposto devido, pois, neste caso, não há retenção do . imposto pela fonte pagadora. E o que prevê a legislação do imposto de renda (Lei n° -7:713, -de 22 de dezembro de 1.988) Art.8- Fica-sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei, a pessoa fisica que receber de outra pessoa fisica, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no Pais. Regulamento do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, aprovado pelo Decreto n°3.000, de 26 de março de 1.999, Tenho entendimento diverso do acórdão recorrido, diante da prova apresentada pelo Recorrente de que, em conjunto a outros advogados e, em especial, ao Sr. Wilson Carlos Vilani, fazia parte do jurídico da Construtora Mendes Júnior, sendo razoável concluir que os honorários de sucumbência sejam a essa equipe jurídica distribuídos. Nessa linha de raciocínio, não vejo como defensável que o Recorrente tenha prestado um serviço ao Sr. Wilson Carlos Vilani. É dizer, pelo cotejo das provas apresentadas, a verdade processual construída – e buscada neste procedimento administrativo – é pelo patrocínio em conjunto da ação, pelo fato de os patronos integrarem um jurídico de uma empresa, ao revés de se admitir a relação de prestação de serviços entre um advogado e outro que faça parte desta mesma equipe jurídica. Portanto, quanto a essa fonte pagadora, voto para que a glosa de R$9.186,96 seja excluída. Rendimentos relacionados à fonte pagadora Departamento de Estradas de Rodagem do Mato Grosso Quanto à glosa de R$70.215,83, observo que o Recorrente procedeu à sua declaração, indicando como rendimento tributário o recebido pela fonte pagadora em questão, destacando o valor de R$ 255.426,69, com a retenção de R$ 70.215,83. Nessa mesma declaração, fez constar, no campo “discriminação” da declaração de bens e direitos (fl. 20), que “os rendimentos tributado declarados de p. jurídico do Departamento de Estradas de Rodagem do Mato Grosso, CNPJ 03.480.761/0001-86, o valor líquido do referido direito, foi efetivado escritura pública de cessão de direitos creditórios conf. Livro 331, fls. 188, caty. 1º Serv. Not. E Registral de Cuiabá, recebendo efetivamente o valor de R$ 51.750,00 d/Cooperativa Agropecuária Mista Vale do Seputuba- COOMIVALE CNPJ 14.937.767/0001-56”. Sustenta o Recorrente que, esse valor de R$ 255.426,69, trata-se da cessão de direitos do precatório Requisitório, à COOMIVALE, originário da Ação de Cobrança nº 21503/1991, sendo fruto de honorários sucumbenciais. Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 Essa operação de cessão estaria retratada em escritura pública de direitos creditórios (fl.23). Em relação à memória de cálculo do “Precatório nº 21/99”, relacionado ao processo nº 21.503/91 (fl. 260), aclara que essa memória de cálculo é do dia 4 de dezembro de 2004, embora conste o dia 01/04/2004 como data da atualização. À fl. 28, consta um extrato bancário, sem se especificar o titular da conta, que reproduz a operação de TED no valor exato de R$ 51.750,00, em 20/12. Entendo que o Recorrente demonstrou, pelo cotejo dos documentos apresentados, que houve a cessão do precatório indicado, o que afastaria a tributação do rendimento como honorários advocatícios, na forma lançada pela autoridade fiscal. Importante destacar que o lançamento tributário se pautou nas declaração apostas pelo próprio Recorrente em sua Declaração de Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física. Ou seja, não constatou a fiscalização o efetivo recebimento dos R$ 255.426,69. É que se verificou, pelo trabalho fiscal, que não houvera para a correspondência dessa declaração, o imposto retido na fonte informado, no valor de R$ 70.215,83. Portanto, se é irrefutável que o Recorrente fez tal declaração de recebimento de R$ 255.426,69, tendo sido retido na fonte R$ 70.215,83, também o é que o Recorrente, nesta mesma declaração, aclarou no campo “discriminação” da declaração de bens e direitos (fl. 20), que teria recebido R$ 51.750,00, juntando um extrato com a indicação exata desse valor, e que se tratava de uma operação de cessão de precatória, em consonância com a escritura de cessão juntada aos autos. Disso decorre a realidade fática: operação de cessão de precatório, que se referem aos honorários advocatícios que receberia do DVOP do Estado do Mato Grosso, conforme é prova a escritura pública, memória de cálculo e a TED relacionado ao valor. Na lógica do Recurso Voluntário, a hipótese de incidência tributária se amolda ganho de capital, nos termos do art. 117, RIR/99 e Solução de Consulta nº 86 de 27 de abril de 2007 do Ministério da Fazenda. Nesse sentido, é a jurisprudência do CARF: (...) PRECATÓRIO. CESSÃO DE DIREITO. GANHO DE CAPITAL. A cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatório) está sujeita à apuração de ganho de capital, com tributação exclusiva na fonte, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste. (processo: 13706.002280/2009-31) Portanto, tratando-se de ganho de capital decorrente da cessão do precatório, caso é de exclusão do rendimento, porquanto inexistente a hipótese de lançamento fiscal (rendimentos de honorários advocatícios). Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Letícia Lacerda de Castro Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.356 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.004762/2008-92 Fl. 155DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10803.720334/2013-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.720334/201334 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1201000.522 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de julho de 2018 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO Recorrentes FAZENDA NACIONAL JSL S/A Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foram constatadas, nos anoscalendário de 2007 e 2008, as seguintes infrações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 03 .7 20 33 4/ 20 13 -3 4 Fl. 3855DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 3 2 1) Dedução, no anocalendário de 2007, de despesas não necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora. 2) Falta de contabilização, no anocalendário de 2008, do ganho de capital apurado na alienação de bem do ativo permanente, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação. 3) Falta de recolhimento da estimativa do mês de agosto de 2008. Foram lavrados os autos de infração exigindo os seguintes valores: O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Consta no Termo de Verificação de Infração Fiscal (TVIF) que o procedimento foi instaurado inicialmente em nome da empresa JÚLIO SIMÕES LOGÍSTICA S/A, nova razão social de JÚLIO SIMÕES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. (doravante JSTS), conforme Ata de Assembléia Geral realizada em 01/10/2008 (registro JUCESP 354.663/082 doe. 38). Relata o autuante que atualmente a empresa Júlio Simões Logística S/A tem a razão social JSL S/A. Informa que, depois do início da ação fiscal em nome do sujeito passivo, foi expedido o MPFDíligência 081900020090055966, também em nome da Júlio Simões Logística S/A, a fim de que fossem coletadas informações relativas à empresa TRANSCEL TRANSPORTES E ARMAZÉNS GERAIS (doravante TRANSCEL), CNPJ 50.692.334/0001 41, empresa incorporada pela fiscalizada em 28 de fevereiro de 2007. Relata, ainda, o que segue: Foram apresentados instrumentos particulares de alterações e consolidações de Contrato Social da JSTS. Destas alterações temse como relevantes a 93ª, de 16/11 /2005 e a 94a de 30/12/2005 (doc. 39 e 40). Verificase nessas alterações que as sócias da JSTS são as empresas JÚLIO SIMÕES PARTICIPAÇÕES S/A (doravante JSP nova razão social SIMPAR S/A), CNPJ 07.415.333/000120, e TRANSCEL, representadas naqueles atos pelos seus diretores os Srs. Júlio Simões, CPF 105.233.91820 (diretor presidente da JSP) e Fernando Antônio Simões, CPF 088.366.61890 (diretor vicepresidente da TRANSCEL). Em 16/11/2005 a sócia JSP detinha 91,38% do capital social da JSTS, enquanto que a participação da TRANSCEL era equivalente a 8,62%. Em 30/12/2005, após cisão parcial da JSTS o seu capital social passa a ter 90,37% de participação da JSP e 9,63% da TRANSCEL. Fl. 3856DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 4 3 Os contratos trazem como testemunhas os Srs. Mauro Tomaz Postali, CPF 395.395.98834 e Luís Antônio de Souza, CPF 722.176.50734. O Sr. Mauro Tomaz Postali, segundo o CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais do INSS, foi admitido pela JSTS em 02/01/2004, permanecendo até 01/03/2008, tendo como CBO Código Brasileiro de Ocupação 1231 a função de Diretor Administrativo e Financeiro. A consulta base CPF em nome desta testemunha confirma que no anocalendário de 2006 foram pagos pela JSTS rendimentos tributáveis a título de trabalho assalariado código 0561 (doc. 41). Por outro lado, o Sr. Luís Antonio de Sousa, segundo o mesmo CNIS, foi admitido pela JSTS em 04/10/2004, lá permanecendo até julho/2008, tendo como ocupação a função de contador, CBO 2522. Este contribuinte também recebeu rendimentos do trabalho assalariado da JSTS, durante o anocalendário de 2006 (doc. 42). DAS ALTERAÇÕES DO CONTRATO SOCIAL EM NOME DA TRANSCEL: Destacamse entre as alterações do Contrato Social da TRANSCEL apresentadas a 34a, datada de 30/12/2003, onde é noticiada a cisão parcial da JSTS e o aumento do Capital Social da TRANSCEL, com a integralização da parcela patrimonial vertida da cindida (doc. 43). Outra alteração, a 37a de 30/12/2005, aponta nova cisão parcial da JSTS, agora com a parcela patrimonial vertida para a TRANSCEL de R$ 21.522,00 (doc. 44). Nesta alteração contratual, o Sr. Fernando Antônio Simões assina pela empresa ORIGINAL VEÍCULOS LTDA. (doravante ORIGINAL) e pela JSP, sócias da TRANSCEL, na condição de vicepresidente destas sócias. A JSP tem 99,99% de participação no capital social da TRANSCEL, cabendo à ORIGINAL apenas 0,01%. Os Srs Mauro Tomaz Postali e Luís Antônio de Sousa, já identificados, são testemunhas dessa alteração. I No dia 28/02/2007, é assinada a 38ª alteração do Contrato Social da TRANSCEL onde foi consignada a aprovação unânime de incorporação da TRANSCEL pela JÚLIO SIMÕES TRANSPORTES E SERVIÇOS LTDA. Anexo à alteração encontrase o Laudo de Avaliação Contábil, de responsabilidade da empresa Terço Grant Thornton Auditores Independentes Sociedade Simples (doc. 45). DAS CONSULTAS AOS DOSSIÊS DOS CPF DOS SRS. JÚLIO SIMÕES E FERNANDO SIMÕES: Efetuada a busca pelos CPF dos principais sócios e diretores das empresas JSTS, TRANSCEL, JSP e ORIGINAL, temos que o Sr. Júlio Simões tem uma relação de participações societárias com diversas empresas, dentre elas as sócias das empresas JSTS e TRANSCEL (fonte: sistema Radar doc. 46). O Sr. Júlio Simões foi administrador da empresa TRANSCEL, desde 01/03/1999, até a data de sua incorporação pela JSTS, em 28/02/2007. Em todo este período foi o responsável da empresa perante o CNPJ. O Sr. Júlio Simões também foi sócioadministrador da ORIGINAL no período de 10/03/1995 a 10/06/2005 e presidente da JSP, de 02/06/2005 a 27/05/2009. Fl. 3857DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 5 4 Em relação à JSTS (atual JSL S/A) presidiu a empresa no período de 10/07/1998 a 27/05/2009, foi o responsável por ela perante o CNPJ no período de 10/12/1969 a 27/05/2009 Quanto ao Sr. Fernando Antônio Simões, também é extensa a lista das empresas das quais participa, como presidente, diretor, sócio e administrador (doe. 47). Atualmente é o presidente da JSL S/A (antiga JSTS), sócio da ORIGINAL desde 25/07/1997 e atual presidente da SIMPAR. É o responsável perante o CNPJ da SIMPAR e da JSL S/A desde 27/05/2009. DAS FICHAS CADASTRAIS COMPLETAS JUCESP DAS EMPRESAS JSTS, TRANSCEL, JSP E ORIGINAL: Os documentos arquivados pelas empresas junto à JUCESP, reforçam as informações constantes dos dossiês CPF acima e da base do CNPJ (doc. 48) , no sentido de que os Srs. Júlio Simões e Fernando Antonio Simões dirigiram e administraram as empresas sócias da JSTS e da TRANSCEL, durante todo o processo que resultou na cisão parcial da JSTS, formalizada em 30/12/2005 e, posteriormente, durante o ano calendário de 2006. (doc. 49 a 52). DO PROTOCOLO DE CISÃO E JUSTIFICAÇÃO DA JSTS: Em 10/12/2005 as empresas JSP sócia da JSTS e da TRANSCEL; a TRANSCEL, sócia da JSTS, e a ORIGINAL, sócia da TRANSCEL, resolveram, de comum acordo, firmar o PROTOCOLO e respectiva JUSTIFICAÇÃO, visando à cisão parcial da JSTS, segundo o protocolo, nos termos do artigo 224 da Lei 6.404/76 (doc. 53). Destacamse as seguintes cláusulas: a.4) a parcela patrimonial líquida a ser destacada da JSTS e vertida para a TRANSCEL é do valor de R$ 21.522,68 (vinte e um mil, quinhentos e vinte dois reais e sessenta e oito centavos), e é constituída pelos seguintes ativos e passivos: b.l) Os sócios da JSTS decidiram promover a cisão dentro de um processo de reorganização que implique em incremento das atividades da TRANSCEL, mediante a transferência de bens integrantes do ativo e de parcelas do passivo, sem, em nada, prejudicar os negócios da JSTS. Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 6 5 b.2) Nessas condições, as sócias da JSTS entendem ser a cisão de parcela do patrimônio líquido desta e a subseqüente conferência de tal parcela à TRANSCEL a melhor forma de atingir os objetivos propostos, atendendo aos interesses, de ambas as empresas, com o que as sócias da TRANSCEL, quer sejam, JULIO SIMÕES PARTICIPAÇÕES e ORIGINAL expressamente concordam. Assina pelas empresas JSP, TRANSCEL e ORIGINAL o Sr. Fernando Antônio Simões. As testemunhas deste Protocolo são os Srs. Mauro Tomaz Postali e Luís Antônio de Sousa, já flexionados neste Termo. ATA DA REUNIÃO DE QUOTISTAS REALIZADA EM 30/12/2005: Em 30/12/2005 os Srs. Júlio Simões e Fernando Simões, presidente e secretário, reuniramse e deliberaram aprovar o Protocolo de Cisão e Justificação, de 10/12/2005, e ratificaram a nomeação da empresa "avaliadora", a fim de proceder à avaliação da parcela patrimonial a ser vertida. Ato contínuo, o Sr. Júlio Simões apresentou à mesa (entendase Fernando Antônio Simões) o Laudo de Avaliação. Nesta reunião, apenas os Srs. Júlio Simões e Fernando Antônio Simões estavam representando os sócios quotistas da JSTS, ou seja, as empresas JSP e TRANSCEL, respectivamente (doc. 54). Destacase: 5.3. Aprovada, em conseqüência, a cisão parcial da sociedade, com a conseqüente redução do capital social desta, de R$ 91.409.770,00 (noventa e um milhões, quatrocentos e nove mil, setecentos e setenta reais) para R$ 91.388.248,00 (noventa e um milhões, trezentos e oitenta e oito mil, duzentos e quarenta oito reais), com a extinção de 21.522 (vinte e uma mil, quinhentas e vinte duas) quotas, todas pertencentes à sócia JULIO SIMÕES PARTICIPAÇÕES S/A, que, em conseqüência, teve a sua participação nesta sociedade reduzida. Assim, a sociedade passará a ter o seguinte quadro social: LAUDO DE AVALIAÇÃO n° 66620067: A empresa Terço Grant Thornton Auditores Independentes Sociedade Simples elaborou Laudo de avaliação dos ativos e passivos da JSTS, adotando o saldo contábil constante das demonstrações contábeis encerradas em 30/11/2005 (doc. 55). A seguir reproduzimos a avaliação do acervo líquido da JSTS a ser incorporado pela TRANSCEL e a conclusão: Fl. 3859DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 7 6 V Avaliação do acervo líquido O acervo líquido da Julio Simões Transportes e Serviços Ltda., a ser incorporado pela Transcel Transportes e Armazéns Gerais Ltda., foi avaliado segundo os critérios previstos na Lei das Sociedades por Ações (Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976), com base no balanço levantado em 30 de Novembro de 2005. Com base nos critérios anteriormente referidos, apresentamos a seguir as parcelas ativa e passiva deste acervo líquido: Exigível a longo prazo Conclusão: Em face dos valores e critérios supracitados concluímos que o acervo líquido incorporado pela Transcel Transportes e Armazéns Gerais Ltda., atinge a cifra de R$ 21.522,68 (Vinte e dois mil, quinhentos e vinte e dois Reais e sessenta e oito centavos) a valores contábeis na data base de 30 de Novembro de 2005. O laudo está acompanhado das composições sintética e analítica do imobilizado líquido, bem como dos empréstimos e financiamentos vinculados aos bens relacionados, aí incluídos os números dos contratos vinculados aos financiamentos. A Fiscalização observa que o laudo em comento foi encaminhado à TRANSCEL (aos cuidados do Sr. Mauro Tomaz Postali) pela empresa avaliadora, por intermédio de correspondência datada de 04/01/2006. O laudo recebeu a numeração n° 66620067. Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 8 7 DOS CONTRATOS DE LOCAÇÃO FIRMADOS ENTRE AS EMPRESAS TRANSCEL E JSTS: CONTRATO DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS, DATADO DE 16/02/2004 (doc. 56): Por intermédio do contrato acima as empresas TRANSCEL representada pelo diretor Sr. Júlio Simões e JSTS representada por procuradores (Manoel Fernandes Filho e Mauro Tomaz Postali contrataram a locação de bens, pelo prazo de 36 (trinta e seis) meses, destacandose as seguintes cláusulas: Cláusula 03 DO VALOR DA LOCAÇÃO Fica certo e ajustado que o valor mensal do aluguel corresponderá ao valor das parcelas mensais dos financiamentos bancários relacionados com os bens ora locados acrescido do PIS, da Cofins e de uma taxa de administração de 3%. Cláusula 06 DOS GASTOS COM OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DOS BENS MÓVEIS Serão de responsabilidade da LOCATÁRIA: 1 Todas as despesas diretas ou indiretas, como os motoristas e auxiliares para a operação dos bens; 2. Os gastos com combustíveis; 3. As despesas com o licenciamento e todas as despesas decorrentes das renovações anuais, inclusive todos os tributos incidentes sobre os bens ora dados em locação; Os custos dos seguros de RCF DP e RCF DM; 4. As despesas com os serviços de manutenção, tais como consertos gerais, fornecimento de óleos, lubrificantes, peças, acessórios e pneus. A Fiscalização registra que em 30/12/2003, na 34a Alteração do Contrato Social da TRANSCEL, foi consignada cisão parcial da JSTS, com a integralização de capital correspondente à parcela patrimonial vertida. CONTRATO DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS DE 01/01/2006 (doc.57): Neste contrato, imediatamente após a data da cisão parcial da JSTS, ocorrida em 31/12/2005, a TRANSCEL representada pelo Sr. Luís Antônio de Sousa e outra pessoa não identificada, e a JSTS pelo Sr. Mauro Tomaz Postali, acordaram em locar os bens relacionados no LAUDO DE AVALIAÇÃO n° 66620067. Reproduzimos adiante as cláusulas mais relevantes: Considerando que: (i) a LOCADORA, em 31 de dezembro de 2.005, por força de cisão parcial da LOCATÁRIA, desta adquiriu os bens descritos no Anexo I; (ii) referidos bens estão alocados e comprometidos na execução de contratos e operações desenvolvidas pela LOCATÁRIA junto a seus clientes, que não podem sofrer solução de continuidade, em razão do que a LOCATÁRIA têm interesse em locar da LOCADORA tais bens; Fl. 3861DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 9 8 As partes acima elencadas, de comum acordo, têm entre si justo e contratado o presente Contrato de Locação de VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, que mutuamente aceitam e outorgam, mediante as cláusulas e condições abaixo: CLÁUSULA PRIMEIRA DOS VEÍCULOS, MAQUINAS E EQUIPAMENTOS 1. A LOCADORA dá em locação à LOCATÁRIA os veículos, máquinas e equipamentos descritos no Anexo I (doravante apenas designados "Bens Locados"), nos termos e condições constantes do presente contrato. CLÁUSULA QUARTA DO VALOR 4.1. A LOCATÁRIA pagará à LOCADORA, a titulo de aluguel mensal, quantia que corresponderá ao valor da prestação mensal do financiamento bancário relativo à aquisição de cada um dos Bens Locados, no mesmo mês da locação, acrescidos de 6,90% (seis vírgula noventa por cento) sobre o mesmo valor. CLAUSULA QUINTA DO PRAZO 5.1. O presente contrato entra em vigor na data de sua assinatura e permanecerá válido pelo prazo de 36 (trinta e seis) meses. CLÁUSULA SÉTIMA DAS DISPOSIÇÕES GERAIS 7.5. Durante a vigência deste contrato, todas as despesas e encargos relativos aos Bens Locados, incluindo seguro obrigatório, IPVA, taxa de licenciamento junto aos órgãos de trânsito, conserto por avarias, etc, correrão por conta da LOCATÁRIA, que se obriga a liquidálos nas datas dos respectivos vencimentos. ANÁLISE DOS ATOS QUE LEVARAM À CISÃO DA JSTS Em virtude dos elementos coletados neste procedimento a Fiscalização constata que: As empresas JSP e TRANSCEL, com 91,38% e 8,62% do capital social da JSTS, resolveram em 10/12/2005 firmar Protocolo e respectiva Justificação, visando à Cisão Parcial da JSTS. A TRANSCEL, à época, tinha como sócias as empresas JSP, com 99,99% do capital social e a ORIGINAL, com 0,01% de participação. Logo, podemos inferir que a JSP era a dona das empresas JSTS e TRANSCEL. O Srs. Júlio Simões e Fernando Antonio Simões, desde os atos constitutivos da holding, foram nomeados Diretor Presidente e VicePresidente e Diretor, respectivamente, e, nestas condições, entenderam que deveriam promover os atos necessários à reestruturação das empresas. Portanto, ambos detinham poderes para determinar à TRANSCEL que recebesse as parcelas dos ativos e dos passivos da JSTS. Com os mesmos poderes, e nas condições por eles estabelecidas, decidiram que a JSTS deveria entregar parte de seus ativos e dos passivos à TRANSCEL. A Justificação para tal reestruturação foi assim definida pelos Srs. Júlio Simões e Fernando Antônio Simões: Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 10 9 b.l) Os sócios da JSTS decidiram promover a cisão dentro de um processo de reorganização que implique em incremento das atividades da TRANSCEL, mediante a transferência de bens integrantes do ativo e de parcelas do passivo, sem, em nada, prejudicar os negócios da JSTS. b.2) Nessas condições, as sócias da JSTS entendem ser a cisão de parcela do patrimônio líquido desta e a subseqüente conferência de tal parcela à TRANSCEL a melhor forma de atingir os objetivos propostos, atendendo aos interesses, de ambas as empresas, com o que as sócias da TRANSCEL, quer sejam, JULIO SIMÕES PARTICIPAÇÕES e ORIGINAL, expressamente concordam. Assim foi decidido, assim foi feito, formalizandose a cisão parcial da JSTS em 30/12/2005. DA ANÁLISE DO CONTRATO DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS, DE 01/01/2006: Contrariando a decisão dos Srs. Júlio Simões e Fernando Antônio Simões que levaram à justificação e à formalização da cisão parcial da JSTS (itens "b.1" e "b.2" acima), os funcionários da empresa JSTS Mauro Tomaz Postali e Luis Antônio de Sousa entabularam o Contrato de Locação de Veículos , Máquinas e Equipamentos, de 01/01/2006. Tal contrato tem o testemunho de Vânia de Siqueira, CPF 063.831.18889 e de Marcel Encarnação Barbosa, CPF 100.850.83810, também funcionários assalariados da JSTS, segundo os dados constantes do sistema CPF da RFB. É óbvio que a locação dos veículos e outros bens, ato contínuo e contrário à cisão, formalizada por funcionários assalariados da JSTS, não foi ato de desobediência aos Srs. Júlio Simões e Fernando Antônio Simões. DE OUTROS ELEMENTOS ANALISADOS PELA FISCALIZAÇÃO RELACIONADOS COM A CISÃO E COM A LOCAÇÃO DOS BENS: Outro aspecto que merece registro é que a TRANSCEL não teria capacidade humana em absorver a frota dos veículos constantes do Laudo de Avaliação 6662006 7, que seriam utilizados para o incremento das atividades da empresa. No anocalendário de 2005, a empresa declarou em DIRF que pagou rendimentos tributáveis a 233 (duzentos e trinta e três) trabalhadores. Em 2006 a DIRF identifica 231 funcionários que receberam rendimentos tributáveis (doc. 58). No que se refere aos bens ativos que deveriam ser transferidos à TRANSCEL o que verificouse neste procedimento é que a propriedade das centenas de veículos relacionados à cisão permaneceram na posse/propriedade da JSTS. Não houve qualquer tradição dos veículos à TRANSCEL, fato declarado por ela e pela JSTS. Os pagamentos de IPVA, seguros, licenciamentos junto aos órgãos de trânsito, todos foram providenciados pela JSTS. DA ANÁLISE TRIBUTÁRIA DA OPERAÇÃO Diante dos elementos coletados neste procedimento ficou claro que a única pretensão da JSTS com a cisão foi alugar bens dela própria, criando despesas indevidas. Fl. 3863DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 11 10 É importante consignar que os veículos e os equipamentos estavam alocados nas atividades rotineiras da JSTS, em cumprimento a contratos em andamento, gerando receitas operacionais próprias desta. O incremento das atividades da TRANSCEL se dariam com a transferência por parte da JSTS dos contratos de locação dos veículos e outros bens, com terceiros, em andamento (ou parte destes), e não a simples criação de uma receita de aluguel destes bens para a primeira pessoa jurídica. Com a cisão e posterior locação dos bens, a JSTS passou a registrar despesas em valores correspondentes àqueles financiados na aquisição do mesmos bens, acrescidos de "6,90%" ao mês, quando sem a referida cisão apenas os encargos financeiros dos financiamentos e a depreciação seriam desta forma apropriados. Outro fato que não deve ser desprezado diz respeito ao prazo de 36 (trinta e seis) meses estipulado em 01/01/2006 para a locação dos bens. Um ano e dois meses depois, a TRANSCEL veio a ser incorporada pela JSTS (28/02/2007). Assim, temos que a única finalidade da cisão parcial da JSTS, com posterior locação dos bens da própria JSTS, foi a de diminuir a tributação e o recolhimento de tributos devidos por parte desta. DA INFRAÇÃO Á LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA QUANTO ÀS DESPESAS DE "LOCAÇÃO DE VEÍCULOS": Registramos neste tópico, inicialmente, a demonstração de que o único objetivo da cisão parcial foi a redução da carga tributária da JSTS, senão vejamos: IRPJ 1. Transcel Lucro Presumido R$ 47.335.735,42 x 32 % = R$ 15.147.435,33 IRPJ R$ 15.040.000,00 x 15 % = R$ 2.272.115,30 Adicional (R$ 15.040.000,00 R$ 240.000,00) x 10 % = R$ 1.490.743,53 IRPJ + Adicional = R$ 2.272.115,30 + R$ 1.490.743,53 = R$ 3.762.858,83. 2. JSL S/A Lucro Real R$ 47.335.735,42 x 15 % = R$ 7.100.360,31 (R$ 47.335.735,42 R$ 240.000,00) x 10 % = R$ 4.709.573,54 IRPJ + Adicional que seria pago sem a despesa: R$ 11.809.933,86. A operação de cisão gerou a economia de IRPJ na importância 8.047.075,02 (R$ 11.809.933,86 R$ 3.762.858,83). CSLL 1.Transcel R$ 47.335.735,42 x 12 % x 9 % R$ 511.225,94. 2.JSL S/A R$ 47.335.735,42 x 9 % = R$ 4.260.216,19 (importância que teria que ser paga sem as despesas de locação). Aqui a operação gerou a economia de CSLL de R$ 3.748.990,25. PIS/COFINS Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 12 11 1. Transcel R$ 47.335.735,42 x 3,65 % = R$ 1.727.754,34. 2. JSL S/A – R$ 47.335.735,42 x 9,25 % = R$ 4.378.555,53 (importância que deixou de ser paga com o crédito da não cumulatividade decorrente das despesas de locação). Quanto a estes contribuições, a redução dos valores devidos alcançou R$ 2.650.801,19. Portanto, não foram recolhidos aos cofres públicos em decorrência da cisão parcial realizada entre a JSTS e a TRANSCEL, o montante de R$ 14.344.400,00 (diferenças de IRPJ + CSLL + PIS + Cofins). Na DIPJ 2007, anocalendário 2006, ND 0001585553, retificadora, apresentada pelo sujeito passivo em 29/12/2011, constou na Ficha 04 A CUSTO DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS PJ EM GERAL verificase na linha 37.Outros Custos que foi informado a este título a importância total de R$ 96.294.245,67 (doc. 59). Durante a ação fiscal a empresa apresentou um demonstrativo contendo a relação das contas contábeis e valores que compõem a linha 37.Outros Custos da DIPJ (doc. 60). A conta 4.1.1.04.0041 reduzida 4.340 Locação de Veículos registra o valor de R$48.944.741,55. Obtido junto a empresa o Razão Analítico da mencionada conta, constatamos que foram escriturados, mensalmente, os seguintes valores, com o seguinte histórico : "APROPRIAÇÃO REF ALUGUEL EQUIP.D/MÊS/06 CF.CONTRATO EM 16/02/04 TRANSCEL" Os valores lançados à débito da aludida conta são os seguintes: Por intermédio do Termo de Intimação Fiscal n° 022, de 30/09/2011 (doc. 14) o sujeito passivo foi intimado a comprovar com documentação hábil e idônea (contratos, Fl. 3865DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 13 12 notas fiscais dos prestadores dos serviços, prova dos efetivos pagamentos ou esclarecimentos adicionais quanto às quitações dos valores lançados, se fosse o caso. No dia 17/10/2011 a Fiscalização recebeu a solicitação de dilação de prazo requerida pela empresa, que, em 28/10/2011 encaminhou sua resposta, apresentando com ela cópias dos contratos citados no item 10 deste Termo: • Contrato de Locação de Bens Móveis Locadora TRANSCEL Locatária JSTS datado de 16/02/2004 e • Contrato de Locação de Veículos, Máquinas e Equipamentos Locadora TRANSCEL Locatária JSTS datado de 01/01/2006. A resposta insatisfatória da empresa levou a Fiscalização a exigir do sujeito passivo todos os comprovantes dos pagamentos dos valores lançados na conta contábil 4.1.1.04.0041 Locação de Veículos, segregandoos por contrato (Termo de Intimação Fiscal n° 023, de 01/12/2011 doc. 16). Os contratos relativos aos financiamentos bancários dos bens locados também foram exigidos. Ainda, foram solicitados os comprovantes dos pagamentos do IPVA, seguro obrigatório e licenciamento junto aos órgãos de trânsito dos veículos locados, pagos no decorrer do anocalendário de 2006, além de planilha contendo a relação de todos os veículos, identificados por placas, chassi, etc, com os valores correspondentes pagos. No dia 21/12/2011 a empresa respondeu, sem apresentar qualquer comprovante de pagamento dos valores que teriam sido pagos correspondentes às despesas lançadas na conta contábil 4.1.1.04.0041 (doc. 17). Quanto às despesas de licenciamento, seguro obrigatório e aos pagamentos do IPVA dos veículos locados, declarou que todos as despesas questionadas pela Fiscalização foram suportadas pela empresa, em virtude do estipulado nos contratos de 16/02/2004 e 01/01/2006 (doc. 18) Foram apresentados 12 (doze) Recibos de Locação, aparentemente assinados pelo Sr. Luís Antônio de Sousa, contendo os valores apropriados como despesas na conta 4.1.1.04.0041, durante os meses do anocalendário de 2006 (doc. 19). Foi apresentada planilha contendo a identificação de diversos veículos. Analisando tal planilha com aquela constante do Laudo de Avaliação 6662006 7, verificase a inconsistência da listagem, vez que, à guisa de exemplo, os AUTOMÓVEIS FIAT PÁLIO FIRE A/M 2004/05 COR PRATA BARI, relacionados nas folhas 23 a 25 do mencionado laudo, não constam da planilha apresentada (doc. 20). Por outro lado, a fiscalizada e incorporadora da TRANSCEL foi intimada em duas oportunidades (Termo de Intimação Fiscal n° 013, de 09/12/2011 e Termo de Reintimação Fiscal n° 014, de 31/01/2012 doc. 33 e 36) a discriminar os bens e as rubricas que compuseram os valores dos aluguéis recebidos pela incorporada, nos termos das cláusulas 03 e 4ª, respectivamente dos contratos de 16/02/2004 e de 01/01/2006. O sujeito passivo nada comprovou e, ainda que houvesse a comprovação, tais despesas seriam desnecessárias à atividade operacional da empresa, e a manutenção da fonte produtora, por resultantes de operações realizadas entre a mesmas pessoas. Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 14 13 Todas as operações acima relatadas, cisão e locação de bens, ainda que válidas e formalizadas nos termos das disposições legais aplicáveis, foram realizadas entre pessoas físicas e jurídicas pertencentes a um mesmo grupo. Por realizadas entre as mesmas pessoas, referidas operações não podem produzir resultados negativos a terceiros, inclusive à União, prejudicando a sociedade como um todo. Daí, demonstrado o prejuízo à União, nos termos acima, impõese a glosa dos valores apropriados como despesas de locação de veículos, decorrentes do contrato firmado com a TRANSCEL, na importância de R$ 47.335.735,42. Considerando que as operações realizadas trouxeram prejuízo à União e foram realizadas, como acima demonstrado, exclusivamente, objetivando a redução de forma irregular do montante de tributos e contribuições administrados pela RFB, restam caracterizadas as hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Em conseqüência, na constituição do crédito tributário, será aplicada a penalidade prevista no inciso II do artigo 957 do RIR/99. Registrese que, por reflexo, serão constituídos créditos tributários relativos às contribuições PIS e COFINS, tendo em vista que a contribuinte apropriou indevidamente créditos decorrentes das operações de locação de veículos (doc. 63). DA INFRAÇÃO 1 – CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS NÃO NECESSÁRIAS À ATIVIDADE DA EMPRESA E À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA – ANOCALENDÁRIO DE 2007 Nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, a empresa JSTS (nova razão social JSL S/A) lançou em sua contabilidade conta contábil 4.1.1.04.0041 4.340 LOCAÇÃO DE VEÍCULOS as importâncias de R$ 3.719.714,29 e R$ 3.653.383,38. Tais valores, foram declarados na linha 37 da Ficha 04A Outros Custos da DIPJ/2008, anocalendário 2007 (fl.1.896). O Demonstrativo e as folhas do Razão Analítico foram apresentados pelo sujeito passivo em sua resposta de 20/03/2013 ao Termo de Intimação Fiscal, de 28/02/2013 (fl. 1249/1266). O sujeito passivo foi intimado a comprovar com documentação hábil e idônea os pagamentos dos valores acima, bem como a se manifestar sobre se tais lançamentos estariam vinculados ao Contrato de Locação de bens móveis de 16/02/2004 e/ou Contrato de locação de veículos, máquinas e equipamentos, de 01/01/2006, mantidos com a empresa TRANSCEL (TIF, de 25/10/2013 fl. 1.267/1.354). Na resposta de 07/11/2013 foram ratificadas as informações prestadas relativamente ao anocalendário de 2006: Vimos pelo presente INFORMAR, em atendimento aos sub~itens 1.1; 1.2; 1.3 e 1.4 do item 1 do Termo de) Intimação Fiscal recebido em 29/10/2013, que os valores mencionados no item 1 se referem a veículos alugados da empresa TRANSCEL ARMAZÉNS GERAIS LTDA, vinculados aos contratos de locação de bens móveis de 16/02/2004 e locação de veículos, máquinas e equipamentos de 01/01/2006, ambos já apresentados à fiscalização e que suportamos, nos meses de janeiro e fevereiro de 2007, todas as despesas junto aos Fl. 3867DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 15 14 órgãos de trânsito, pagamentos de IPVA e Seguros Obrigatórios dos veículos locados em cumprimento ao disposto nesses contratos. Por intermédio da resposta de 04/12/2013, foram apresentadas cópias dos recibos firmados em nome da TRANSCEL, dando conta de recebimento dos valores acima questionados. Tais valores teriam sido recebidos em virtude de aluguel de máquinas, veículos e equipamentos. Nenhuma prova do recebimento e/ou do pagamento foi apresentada pela JSL S/A. Portanto, considerandose o relato constante de parte do TVIF, de 27/12/2012, a fiscalização efetuou a glosa dos valores indevidamente apropriados como outros custos (com reflexos na CSLL, PIS e COFINS) não comprovados. Ainda que tivessem sido comprovados seriam considerados como desnecessários à atividade operacional da empresa. INFRAÇÃO 2 RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Conclusão da Fiscalização sobre a alienação do imóvel matrícula 163.488 e seus aspectos tributários: a) Em 28/12/2007 a legislação tributária foi alterada pela Lei n° 11.638/2007, a qual vedou a possibilidade de avaliações espontâneas de bens do ativo imobilizado e, conseqüentemente, extinguiu a figura da Reserva de Reavaliação, a partir de 1º de janeiro de 2008; b) Já na vigência da referida lei, a JSTS encomendou à COLLIERS um laudo de avaliação para determinação do valor de mercado para venda do imóvel matrícula 163.488, fazendo dele constar a data de 28/12/2007, como se houvera sido produzido nessa data, com o fim de constituir uma Reserva de Reavaliação, retroativamente, simulando que a dita reserva houvesse sido constituída em dezembro de 2007; c) A constituição da referida reserva se justificaria, alguns poucos meses mais tarde, por ocasião da cisão parcial da JSTS, quando o imóvel em questão foi alienado à empresa resultante da cisão, a JULIO SIMÕES AMBIENTAL SA, pelo valor constante do laudo de avaliação, tendo sido a Reserva de Avaliação ilegalmente constituída transferida para a JS AMBIENTAL, com afronta à lei; d) Nos balancetes analíticos elaborados pela empresa JSTS dos meses de novembro e dezembro do anocalendario de 2007, impressos e entregues à Fiscalização em resposta à intimação, não consta o registro da conta contábil "2.4.2.02.0002 Reserva de Reavaliação"; e) No balancete do mês de janeiro de 2008 a empresa inclui a conta "2.4T2.02T0002 Reserva de Reav. de Terrenos" e lança à crédito, como saldo anterior, o valor de R$ 54.763.004,04, simulando ter efetuado a reavaliação do imóvel anteriormente à vigência da Lei n° 11.638/2007, o que de fato não ocorreu; f) No balancete analítico do mês de dezembro de 2007, a conta 1.3.2.01.0009 Terrenos apresenta um saldo devedor final no valor de R$ 390.620,55; g) No mês de Janeiro de 2008 a mesma conta foi alterada para registrar um saldo anterior de R$ 60.910.620,55, que não constava do balancete de dezembro de 2007, e saldo final de R$ 60.850.000,00, coincidentemente mesmo valor da avaliação da COLLIERS, constante do laudo que seria produzido somente no mês de março de 2008; Fl. 3868DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 16 15 h) Em 08 de agosto de 2008, os quotistas da JSTS deliberaram pela cisão parcial desta em favor da nova empresa JÚLIO SIMÕES AMBIENTAL S/A, bem como pela alienação do imóvel matrícula n° 163.488 para a esta última, pelo valor contábil de R$ 60.845.275,86, correspondente ao custo de aquisição do bem contabilizado na cindida de R$ 6.082.271,82, acrescido da "Reserva de Reavaliação" ilegalmente constituída no valor de R$ 54.763.004,04; i) O procedimento adotado pelo sujeito passivo teve o claro e evidente intuito de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o pagamento do montante do imposto devido sobre o resultado não operacional, correspondente ao ganho de capital na alienação de bem do ativo imobilizado; j) Para obter o seu intento, o sujeito passivo encomendou e utilizou documento inidôneo, contendo informação ideologicamente falsa, com o fim de alterar direito; k) A Reserva de Reavaliação assim constituída não pode produzir qualquer efeito tributário, seja por que constituída na vigência da Lei n° 11.638/2007, seja por que baseada em documento inidôneo. Omissão de Ganho de Capital da Alienação de Bem do Ativo Imobilizado Desconsiderada a "Reserva de Reavaliação" de R$ 54.763.004,04, ilegalmente constituída, na forma do item anterior, o sujeito passivo deveria ter apurado o ganho de capital por ocasião da alienação do imóvel matrícula n° 163.488, em 08/08/2088, quando de sua transferência para a Júlio Simões Ambiental S/A , adicionando o ganho apurado ao resultado não operacional e oferecendo à tributação, como segue: A empresa optou pela apuração do IRPJ com base no Lucro Real Anual. A alienação do bem ocorreu em 08/08/2008, data da ata em que os sócios deliberaram a transferência do imóvel para a Júlio Simões Ambiental S/A. Tal data está compreendida no período de 01/08/2008 a 10/11/2008, correspondente à DIPJ 2008, anocalendário 2008 ND 1953563 Retificadora Ativa apresentada à RFB em 15/12/2010 (fls. 2.071/ 2.134). A empresa não apresentou os balanços referentes às cisões parciais ocorridas em 31/07/2008 e 10/11/2008, solicitado no Termo de Intimação Fiscal de 19/12/2013. O ganho de capital omitido foi adicionado ao Lucro Real apurado pelo sujeito passivo, na Ficha 09A da DIPJ mencionada. Infração 3 Multa Isolada de 50% sobre o IRPJ devido base estimada, relativo ao mês de agosto de 2008. Foi também exigida multa regulamentar isolada de 50% sobre o valor da base de calculo estimada do IRPJ que deixou de ser recolhido em agosto/2008, conforme demonstrativo que adiante se vê: Fl. 3869DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 17 16 Aplicação da multa de ofício qualificada: Em virtude dos fatos mencionados neste Termo de Verificação de Infração e de Encerramento de Procedimento Fiscal, a fiscalização exigiu o crédito tributário com a multa qualificada, prevista no art. 957, inciso II, do RIR/99, por ter sido comprovado o evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Cientificada da autuação, a contribuinte ingressou com a impugnação, na qual alega: ● Vale registrar que com base na cisão parcial referida neste processo, a mesma fiscalização já havia realizado, um ano antes, outra autuação, relativamente ao ano calendário de 2006 (doc. 03), que foi objeto de impugnação (doc, 04), pendente de análise e julgamento (doc. 05). ● Partindo da infundada alegação de que as operações realizadas trouxeram prejuízo à União e foram realizadas exclusivamente objetivando a redução de forma irregular do montante de tributos e contribuições administrados pela RFB, a fiscalização, no tocante ao crédito tributário decorrente da glosa das despesas com aluguéis e encargos que foram apropriadas pela impugnante em razão da existência de contrato de locação firmado com a Transcel, aplicou a multa de ofício em percentual equivalente a 150% do montante dos créditos principais constituídos, invocando o disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. ● Acerca das despesas de locação apropriadas a fiscalização aduz que elas decorreriam da operação de cisão parcial da Impugnante e da celebração de contrato de locação com o único intuito de “diminuir a tributação e o recolhimento dos tributos". ● Tal premissa é manifestamente falsa, não encontrando respaldo na realidade. A cisão parcial da Impugnante, realizada no final do ano de 2005, consistiu em uma operação de reestruturação societária absolutamente legítima justificada não para gerar economia tributária, mas, sim, pela necessidade que a Impugnante tinha, à época dos fatos, de melhorar sua situação financeira e, consequentemente, seus índices contábeis e suas demonstrações financeiras, que são exigidos, por exemplo, à participação em procedimentos licitatórios e para obtenção de empréstimos e financiamentos etc. Fl. 3870DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 18 17 ● Referida cisão implicou a versão de ativos efetivamente relacionados às atividades operacionais da Transcel (dentre as quais a de locação de bens móveis, conforme expressamente definido em seu objeto social), o que condiz com a justificativa apresentada no protocolo de cisão e justificação da Impugnante, anexado ao presente processo administrativo; e propiciou à Impugnante importante melhoria em sua situação financeira, com reflexos favoráveis em seus índices contábeis, o que era, naquele momento, fundamental à prática de suas atividades negociais, sobretudo junto à área pública. Antes da realização da cisão parcial, em 10.12.2005, a Impugnante não possuía índices contábeis equilibrados, que lhe dessem a segurança de participar de procedimentos licitatórios de seu interesse. Após sua cisão parcial, realizada em 10.12.2005, a Impugnante passou a possuir índices contábeis equilibrados, caracterizadores de sua saúde financeira, permitindolhe, consequentemente, participação cm procedimentos licitatórios. ● A posterior celebração de contrato de locação entre a impugnante e a Transcel: (i) não acarretou qualquer prejuízo à Transcel, na medida em que as receitas de locação foram suficientes (a) à amortização dos encargos dos financiamentos que foram a ela vertidos em razão da cisão parcial da impugnante; e (b) à obtenção de lucro com a operação (vide cláusula 03 do contrato de locação); e (ii) propiciou à impugnante, para a exploração de suas atividades operacionais, a indispensável utilização, como locatária, dos veículos, máquinas e equipamentos vertidos à Transcel e posterior locação. ● A simples imputação de que a cisão parcial da impugnante e a celebração de contrato de locação teriam sido realizadas com o único intuito de "diminuir a tributação e o recolhimento dos tributos" é manifestamente inepta para os fins desejados nas autuações. ● De acordo com os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64: a) para que se possa falar em "sonegação", a que se refere o artigo 71, deve haver "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária" acerca da ocorrência do fato gerador ou de circunstâncias pessoais do contribuinte, capazes de "afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente"'. Nenhuma dessas condutas, no entanto, foi sequer atribuída à impugnante. A cisão foi realizada de forma regular, transparente, levada a registro público (JUCESP) e ao conhecimento da Secretaria da Receita Federal desde sua ocorrência. De igual modo, a locação foi devidamente reconhecida na contabilidade e seus efeitos tributários foram declarados à Receita Federal do Brasil, com o oportuno e tempestivo recolhimento dos tributos daí decorrentes; b) no tocante à "fraude", prevista e definida no artigo 72, exigese a caracterização de ação ou omissão dolosa, destinada a impedir ou retardar "total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento". No caso, nem a operação de cisão nem o contrato de locação consistiram em ação (muito menos omissão) dolosa. A cisão, conforme já enfatizado, foi concretizada de forma regular, legítima e transparente, objetivando, no contexto de uma reorganização societária, melhorar a situação financeira da Impugnante, transferindo à Transcel vultosa dívida financeira Fl. 3871DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 19 18 atrelada à aquisição de ativos. Aliás, cm nenhum momento a fiscalização explicitou, muito menos comprovou, que qualquer desses atos cisão e celebração do contrato de locação de ativos —teria sido um ato fraudulento; c) o artigo 73 referese a "conluio", como tal entendido "o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72", que não ocorreu no caso. As autuações sequer cogitam de conluio e, tampouco, a cisão parcial ou a contratação da locação buscaram os efeitos referidos nos artigos 71 e 72. ● Conforme pacificamente entendido pela doutrina e pela jurisprudência, sonegação, fraude e conluio são condutas típicas e distintas, ainda que afinadas em seu objetivo final. A cada um desses tipos corresponde determinada e específica ação ou omissão, cabendo ao fisco, quando os invoca como fundamento para o agravamento da multa de ofício, apontar concretamente os fatos e as circunstâncias que os caracterizam. Não basta a alegação vaga e indeterminada. Muito menos se pode admitir que genericamente a autuação invoque o disposto nos apontados artigos 71, 72 e 73, porque não se pode confundir a narrativa dos fatos e circunstâncias caracterizadoras da conduta ilícita imputada com o mero enquadramento legal. ● No caso não se observou o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, porque efetivamente não havia como descrever qualquer fato caracterizador seja da sonegação, seja da fraude, seja do conluio. Pura e simplesmente, no tocante à glosa das despesas de locação, as autuações reportamse genérica e cumulativamente aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, numa inócua tentativa de justificar o agravamento da multa, olvidandose que seria imprescindível esclarecer se a hipótese era de sonegação, fraude ou conluio, apontando quais os fatos caracterizadores do tipo imputado. ● Aliás, a cisão parcial, que é origem da transferência dos ativos cindidos que posteriormente foram locados pela Transcel que os incorporou —, sequer teve sua regularidade e efetividade contestadas pela fiscalização, e nem poderia porque ocorreu em dezembro de 2005, estando inquestionavelmente caduco o direito de o fisco desconsiderála para qualquer efeito. ● Em síntese, é simplesmente absurda e despida de qualquer base legal a alegação de que a cisão e os contratos de locação teriam sido realizados única e exclusivamente para "diminuir a tributação e o recolhimento dos tributos" e que, por isso, seria cabível a multa agravada com fundamento nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. ● Os tributos que foram constituídos através dos autos de infração estão sujeitos ao denominado lançamento por homologação, que está disciplinado no art. 150, caput, do CTN. Assim, o prazo decadencial, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Exceção a essa regra dáse em casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, hipóteses em que é aplicado o disposto no art. 173,1, do CTN. Aplicandose a regra do artigo 150, §4º, do CTN, porquanto não houve no presente caso qualquer dolo, fraude ou simulação, a fiscalização tinha o prazo de 5 (cinco) anos, contados da data do fato gerador (31.12.2007) ou seja, até 31.12.2012 , para, através do lançamento de ofício, constituir os créditos tributários de IRPJ e da CSLL aqui impugnados. Fl. 3872DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 20 19 ● Considerando que a impugnante foi intimada da lavratura dos autos de infração em 30.12.2013, QUASE UM ANO APÓS O DECURSO DO PRAZO PREVISTO NO §4° DO ART. 150 DO CTN, está irremediavelmente atingido pela decadência o direito ao lançamento dos créditos de IRPJ e da CSLL aqui impugnados. ● E o mesmo resultado é verificado para a COFINS e para a contribuição ao PIS. Para efeito de decadência, a diferença das referidas contribuições (PIS/COFINS) em relação ao IRPJ e à CSLL decorre da forma de apuração e do momento em que se caracteriza o fato gerador da obrigação tributária. No regime do lucro real anual, a apuração do IRPJ e da CSLL é realizada em 31 de dezembro de cada anocalendário, data do respectivo fato gerador, ao passo que o fato gerador e a respectiva apuração da contribuição ao PIS e da COFINS são mensais, consoante disposto no art. 1o da Lei 10.637/02 (que dispõe sobre a não cumulatividade da contribuição ao PIS) e no art. 1° da Lei 10.833/03 (que dispõe sobre a não cumulatividade da COFINS), com idêntica redação: Mas, ainda que se pudesse cogitar da aplicação, ao presente caso, do disposto no art 173, I, do CTN o que só se admite por mera argumentação—, mesmo assim os créditos tributários constituídos na autuação em foco estariam atingidos pela decadência, pois o respectivo prazo quinquenal iniciarseia a partir, inclusive, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, que corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, neste caso, em 1º de janeiro de 2008, tendo se encerrado em 31 de dezembro de 2012. ● Mesmo considerandose a data da entrega da DIPJ como termo inicial do prazo decadencial, ainda assim teria ocorrido a decadência, pois o termo final ocorreu em 28/06/2013. ● Cisão Parcial envolvendo a JSTS e a Transcel: De acordo com a fiscalização, referida operação de reestruturação, ou seja, a cisão parcial da Impugnante, teria sido realizada com o único objetivo de economia fiscal. Todavia, referida premissa é, data venta, absolutamente equivocada, o que se reflete na própria validade do trabalho fiscal realizado. Deveras, a Impugnante desenvolvia, à época dos fatos, atividades voltadas à iniciativa pública e privada (vide cláusula relativa ao objeto social contida nas alterações de contrato social da Impugnante que estão anexadas no processo administrativo fiscal). Como exemplos de atividades de iniciativa pública podem ser citadas a limpeza pública, o transporte coletivo de passageiros, o transporte de coleta e destinação de resíduos etc. As contratações com o Poder Público são precedidas de procedimentos licitatórios que estão disciplinados na legislação, especialmente na Lei n° 8.666/93, que determina os pressupostos que os interessados devem atender para serem habilitados e, assim, poderem participar dos referidos certames. Uma dessas exigências é a qualificação econômicofinanceira, conforme disciplinado no art. 31 da Lei 8.666/93. Os editais das licitações devem obrigatoriamente exigir que as empresas participantes dos procedimentos licitatórios contenham índices contábeis mínimos (tais como índice de liquidez geral, índice de Fl. 3873DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 21 20 liquidez corrente, etc) que demonstrem terem condição financeira suficiente à execução do objeto licitado. Outro requisito exigido pela Lei de Licitações, para fins de atendimento à qualificação econômicofinanceira, corresponde à necessidade de apresentação, pelas licitantes, de suas demonstrações financeiras, incluindo balanço patrimonial encerrado no último exercício social, já exigível e apresentado na forma da legislação, consoante o disposto no art. 31,1, da Lei 8.666/93. Assim, para que a Impugnante pudesse exercer parcela importante de sua atividade operacional (atividades voltadas à iniciativa pública) durante o anocalendário de 2006, seu balanço patrimonial, encerrado em 31/12/2005 (último exercício social), deveria demonstrar no mínimo uma situação de equilíbrio financeiro. Ademais, seria através de suas demonstrações financeiras, encerradas no anocalendário de 2005, que a Impugnante demonstraria que possui índices contábeis equilibrados para efeito de comprovação de sua qualificação econômicofinanceira, propiciando sua participação nos procedimentos licitatórios que fossem de seu interesse. Com base nas informações acima, demonstrarseá que: (i) antes da realização da cisão parcial, em 10/12/2005, a Impugnante não possuía índices contábeis equilibrados, que lhe dessem a segurança de participar de procedimentos licitatórios de seu interesse; e (ii) após sua cisão parcial, realizada em 10/12/2005, a Impugnante passou a possuir índices contábeis equilibrados, caracterizadores de sua saúde financeira, permitindolhe, consequentemente, participação cm procedimentos licitatórios. Deveras, antes da cisão parcial da Impugnante, realizada cm 10/12/2005, sua situação financeira, considerando seu ativo e passivo, estava refletida da seguinte forma, conforme balancete levantado em 30/11/2005, especificamente para a realização da referida operação de reestruturação societária (doc. 08): (i) o Ativo Circulante da Impugnante era de RS 95.136.555'; (ii) o Realizável a Longo Prazo da Impugnante era de R$ 24.249.722; (iii) o Passivo Circulante da Impugnante era de R$ 97.659.560; (iv) o Exigível a Longo Prazo3 da Impugnante era de RS 78.989.848. Considerando as informações acima apresentadas, a Impugnante possuía os seguintes índices Contábeis: (i) ILG = 0,67 Resultado: o índice de Liquidez Geral da Impugnante, anteriormente à sua cisão parcial realizada em 10/12/2005, indicava uma situação financeira deficitária (<1,0), que lhe prejudicaria na condução de suas atividades voltadas às futuras participações em procedimentos licitatórios, objetivando contratações com o Poder Público. (ii) ILC = 0,97 Resultado: o índice de Liquidez Corrente da Impugnante, anteriormente à sua cisão parcial realizada em 10/12/2005, indicava uma situação financeira deficitária (<1,0), que lhe prejudicaria na condução de suas atividades voltadas às futuras Fl. 3874DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 22 21 participações em procedimentos licitatórios, objetivando contratações com o Poder Público. Conforme já antes referido neste arrazoado, com a realização da cisão parcial da JSL que foi questionada pela fiscalização, foram vertidas: (i) a parcela do Ativo Imobilizado, no montante total de R$ 62.598.029; e (ü) a parcela no Passivo Circulante, no valor de R$ 29.533.576, e a parcela do Exigível a Longo Prazo, no valor de R$ 33.042.930, totalizando R$ 62.576.507. Ao final do exercício de 2005, com a cisão parcial já realizada (doe. 09): (i) o Ativo Circulante da Impugnante passou a ser de R$ 79.728.888; (ii) o Realizável a Longo Prazo da Impugnante passou a ser de R$ 47.965.846; (iii) o Passivo Circulante da Impugnante passou a ser de R$ 69.934.544; (iv) o Exigível a Longo Prazo da Impugnante passou a ser de R$ 36.597.004. Assim, os Índices Contábeis da Impugnante passaram a ser os seguintes: (i) ILG = 1,19 Resultado: o Índice de Liquidez Geral da Impugnante, após sua cisão parcial realizada cm 10/12/2005, indicava uma situação financeira equilibrada (>1,0), que lhe permitiria competir em futuras licitações, objetivando contratações com o Poder Público. (ii) ILC = 1,14 Resultado: o índice de Liquidez Corrente da Impugnante, após sua cisão parcial realizada em 10/12/2005, indicava uma situação financeira equilibrada (>1,0), que lhe permitiria competir em futuras licitações, objetivando contratações com o Poder Público. Como se vê, a cisão parcial da Impugnante, realizada no final do ano de 2005, não tinha como objetivo gerar uma economia fiscal, ainda que tal efeito tenha sido constatado em função da realização do referido ato societário. Tratou se, isto sim, de legítima operação de reestruturação, entre empresas pertencentes a um mesmo grupo empresarial, com uma finalidade absolutamente idônea, qual seja, a melhoria da situação financeira da Impugnante, o que se revelava absolutamente vital ao desenvolvimento de importantes atividades contempladas em seu objeto social. Prova disso são as inúmeras contratações realizadas com o Poder Público, decorrentes de licitações das quais a Impugnante participou justamente porque sempre comprovou boa saúde financeira. A Impugnante junta por amostragem cópias de documentos (doc. 10), relativos às licitações e às contratações com o Poder Público, que lhe geraram Fl. 3875DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 23 22 receitas relevantes, infinitamente superiores à suposta economia tributária gerada. Importante destacar que, além de assegurar a Participação em licitações, a boa saúde financeira da Impugnante também era fundamental para que ela obtivesse empréstimos durante o anocalendário de 2006, que eram imprescindíveis ao financiamento de suas atividades. Prova disso é o comparativo de sua conta de empréstimos e financiamentos refletiva nos balanços patrimoniais encerrados em 31/12/2005 e em 31/12/2006. Com efeito, em 31/12/2005, o montante de empréstimos e financiamentos da Impugnante era de R$ 16.836.644,00 (com vencimento a curto prazo) e de RS 6.876.709,00 (com vencimento a longo prazo), conforme balanço patrimonial encerrado na referida data (cf. doc. 09). Já em 31/12/2006, o montante de empréstimos e financiamentos da Impugnante era de R$ 67.631.243 (com vencimento a curto prazo) e de R$ 39.921.776 (com vencimento a longo prazo), conforme balanço patrimonial encerrado na referida data (doc. 11). Referidas demonstrações financeiras comprovam que, mercê da cisão parcial em foco, realizada em 10/12/2005, foi possível à Impugnante, com a consequente melhoria de seus índices econômicos, contrair empréstimos e financiamentos durante o ano de 2006 para o desenvolvimento de suas atividades operacionais. O cenário acima apresentado serve para demonstrar o quanto era necessária a reorganização societária do grupo empresarial ao qual pertenciam a Impugnante e a Transcel, ao final do ano de 2005, restando comprovado que a cisão parcial na Impugnante teve como fatos determinantes outros que não a economia fiscal. Outro ponto importante, que também afasta a ocorrência de qualquer irregularidade, está no fato de que a cisão parcial obedeceu a todos os seus requisitos legais, refletindo uma legitima operação de reestruturação entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Tal fato (reestruturação entre empresas do mesmo grupo empresarial) justifica, obviamente, a prática dos atos por representantes comuns às empresas, não havendo qualquer fundamento para a fiscalização questionar as operações em virtude de que elas teriam sido realizadas entre pessoas comuns. Ademais, é absolutamente desprovida de qualquer justificativa a alegação, feita pela fiscalização, de que os efeitos da cisão não corresponderam ao Protocolo de Justificação da referida operação societária. Ao mesmo tempo em que a cisão parcial propiciou à Impugnante o incremento de suas atividades regulares pela melhoria de sua situação financeira, a versão dos veículos, máquinas e equipamentos à Transcel, para posterior locação à Impugnante, também representou o incrementado das atividades da Transcel, haja vista que o contrato social desta empresa, cujas alterações foram anexadas ao processo administrativo fiscal, demonstram que ela desenvolvia, dentre outras atividades, justamente a locação de bens. E como resultado da locação dos bens e equipamentos, a Transcel auferiu receitas, que reconhecidamente foram oferecidas à tributação. Fl. 3876DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 24 23 Vale ressaltar que o preço da locação acordada entre as partes era composto pelo valor correspondente às despesas com os financiamentos dos veículos, máquinas e equipamentos acrescido do percentual de 6,9% (margem de lucratividade). A composição do aluguel mensal recebido comprova que, efetivamente, a Transcel auferiu lucro com a locação dos equipamentos. Descontados os tributos incidentes sobre a receita da atividade, o lucro da Transcel com as locações atingiu uma média aproximada de 5,9%. Como se vê, fica cristalina a demonstração de que o efeito almejado pela cisão parcial da Impugnante não foi a economia tributária, ainda que ela tenha sido gerada a partir da referida operação societária, não, todavia, no valor calculado pela fiscalização, frisese. Não há negar, diante de todos esses fatos, que a cisão parcial teve um propósito negocial legitimo, fruto de um processo de reestruturação de um grupo empresarial, que acarretou o incremento das atividades de ambas as empresas envolvidas na operação. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem, sistematicamente, afastado lançamentos tributários em situações como a presente, quando a operação questionada pelo fisco tem efetiva materialidade e substância negocial, sendo irrelevante a eventual economia tributária dessa decorrente. Além disso, cabe ao fisco a produção de prova inequívoca da ilicitude da conduta do contribuinte, não podendo se presumir a prática de sonegação, fraude ou simulação, muito menos e apenas porque determinada operação trouxe redução da carga tributária. Em consequência ao reconhecimento do propósito negocial da cisão realizada e da consequente versão, à Transcel, dos veículos, máquinas e equipamentos que posteriormente foram por ela locados à Impugnante, não há negar a necessidade das despesas glosadas à atividade operacional desta última e à manutenção da respectiva fonte produtora. Afinal, é inerente à exploração das atividades da Impugnante a utilização de veículos, máquinas c equipamentos, sejam próprios ou locados. ● Além de necessárias, as despesas glosadas foram devidamente comprovadas. Como claramente disposto no contrato de locação juntado ao presente processo administrativo, o valor locatício ajustado entre a impugnante e a locadora, Transcel, correspondeu "ao valor das parcelas mensais dos financiamentos bancários relacionados com os bens ora locados acrescido do pis, da cofins e de uma taxa de administração de 3%" (cláusula 03), ficando, ainda, sob a responsabilidade da Impugnante, na qualidade de locatária, o pagamento, diretamente a quem de direito, das despesas de IPVA, de licenciamento e seguro, (cláusula 06 do contrato de locação). ● Pois bem. A impugnante, por conta do aluguel, e para maior praticidade, tal como expressamente previsto na cláusula 03 do referido contrato de locação, pagou mensalmente, aos agentes financeiros, os encargos dos financiamentos dos bens vertidos, conforme ampla documentação a que os auditores tiveram acesso. O restante do aluguel (valor do COFINS/PIS mais "taxa" de administração de 3%, totalizando 6,9%) foi pago mensalmente mediante encontro de contas entre a Impugnante e a Transcel, como empresas do mesmo grupo econômico, tudo conforme lançamentos e documentos aos quais o fisco também teve amplo e total acesso, e a locadora emitiu os devidos recibos, cuja apresentação à fiscalização foi expressamente reconhecida no Termo de Verificação de Infração e de Encerramento do Procedimento Fiscal. Fl. 3877DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 25 24 Ademais, no que toca às despesas com o IPVA, licenciamento e seguro dos veículos locados, não houve, na autuação, qualquer glosa, num evidente reconhecimento, pela fiscalização, não só da prova de seu pagamento pela Impugnante como da necessidade desses encargos. Diante de todo exposto, ficam completamente afastadas as premissas em que se pautou a fiscalização para a realização dos autos de infração na parte acima analisada (glosa de despesas). CÁLCULO EQUIVOCADO APRESENTADO PELA FISCALIZAÇÃO ● Outra questão importante diz respeito aos cálculos realizados na autuação quanto ao valor da economia tributária que teria sido consequente da cisão em foco. A fiscalização ignorou as despesas com a depreciação e com os encargos financeiros do financiamento que seriam apropriadas pela impugnante caso os veículos, máquinas e equipamentos, que foram vertidos à Transcel na operação de cisão parcial, tivessem sido mantidos em seu ativo imobilizado. Para a apuração do montante que teria sido economizado pela JSL, comparativamente à tributação das despesas com a locação, na Transcel, pelo regime do lucro presumido, houve simplesmente a glosa das despesas decorrentes da locação e aplicação das alíquotas dos tributos. ● O correto seria a fiscalização apurar os valores das despesas com a depreciação e com os encargos financeiros para, então, proceder à correta análise da economia tributária decorrente da operação de cisão parcial da impugnante, com a posterior celebração do contrato de locação. Afinal, se o efeito fiscal da cisão não foi reconhecido, a fiscalização não poderia simplesmente ignorar as despesas que seriam auferidas pela impugnante com a depreciação e com os encargos financeiros. ● A impugnante, ao contrário da fiscalização, levou em conta referidas despesas, elaborando uma planilha de cálculo que é apresentada com a presente impugnação (doc. 12). Num cálculo conservador, restaram apuradas as despesas sobre as depreciações dos bens (considerando o preço dos respectivos custos de aquisição), e os encargos financeiros relativos à aquisição financiada desses mesmos bens, utilizando, para tanto, juros remuneratórios de 10% (dez por cento) ao ano. Como resultado do critério utilizado pela impugnante, apurouse uma despesa com depreciação e com encargos de financiamento para o anocalendário de 2007, caso não tivesse ocorrido a sua cisão parcial, no montante de R$ 3.844.624,00 (três milhões, oitocentos e quarenta e quatro mil, seiscentos e vinte e quatro reais). Referida despesa, que seria dedutível para fins de apuração do lucro real, geraria uma redução, de IRPJ e de CSLL, no montante total de R$ 1.307.172,16 (um milhão, trezentos e sete mil, cento e setenta c dois reais e dezesseis centavos). E dizer: por ter sido realizada a cisão parcial, a impugnante deixou de economizar o apontado valor. Somandose referidos valores ao IRPJ e à CSLL pagos pela Transcel, no valor de R$ 669.477,27 (seiscentos e sessenta e nove mil, quatrocentos e setenta e sete reais e vinte e sete centavos), chegase ao valor de R$ 1.976.649,43 (um milhão, novecentos e setenta e seis mil, seiscentos c quarenta e nove reais e quarenta e trás centavos). Esse é o valor (RS 1.976.649,43) que a fiscalização deveria ter considerado em seus cálculos de verificação da economia fiscal decorrente da operação de cisão. Se a própria fiscalização reconheceu que a Impugnante poderia apropriar as despesas com a depreciação e com os encargos financeiros, ela nunca poderia deixar de acrescentar a Fl. 3878DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 26 25 economia tributária que referida despesa geraria à impugnante, caso sua cisão parcial não tivesse sido realizada. Diante disso, a efetiva economia tributária gerada com a cisão parcial da Impugnante, no tocante ao IRPJ e à CSLL, não seria de RS 2.506.853,21 (dois milhões, quinhentos e seis mil, oitocentos e cinquenta e três reais e vinte e um centavos), tal como apontado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, mas, sim, de apenas R$ 530.203,78 (quinhentos e trinta mil, duzentos c três reais e setenta e oito centavos). ● O mesmo cenário pode ser verificado para a COFINS e para a contribuição ao PIS. Considerando que as despesas com a depreciação gerariam créditos de COFINS e contribuição ao PIS, referidas despesas acarretariam à Impugnante uma redução, relativamente às referidas contribuições, no montante total de RS 259.12238 (duzentos e cinqüenta e nove mil, cento e vinte e dois reais e trinta c oito centavos). Somandose referidos valores à COFINS e à contribuição ao PIS pagos pela Transcel, no valor de R$ 269.118,06 (duzentos c sessenta e nove mil, cento e dezoito reais e seis centavos), seria atingido o valor de RS 528.240,44 (quinhentos e vinte e oito mil, duzentos e quarenta reais e quarenta e quatro centavos). Diante disso, a efetiva economia tributária gerada com a cisão parcial da impugnante, no tocante à contribuição ao PIS e à COFINS, não seria de R$ 682.011,53 (seiscentos e oitenta e dois mil, onze reais e cinqüenta e três centavos), tal como apontado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, mas, sim, de RS 153.771,09 (cento e cinqüenta e três mil, setecentos e setenta e um reais e nove centavos). Destarte, a economia tributária total da operação de cisão realizada não foi de R$ 3.811.864,74 (três milhões, oitocentos e onze mil, oitocentos e sessenta e quatro reais e setenta e quatro centavos), mas, sim, de R$ 683.974,87 (seiscentos e oitenta e três mil, novecentos e setenta e quatro reais e oitenta e sete centavos), muito menor do que a apontada no Termo de Verificação Fiscal. Esse fato, aliás, também influencia no valor dos créditos tributários constituídos, na improvável hipótese de manutenção dos autos de infração, conforme se pleiteará em item próprio. Ainda que se entenda, por qualquer motivo, haver algum questionamento quanto ao cálculo apresentado pela ora impugnante em comparação ao cálculo apresentado pela fiscalização, eventual controvérsia exigiria que o julgamento desta autuação fosse convertido em diligência, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/72, na medida em que a própria fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal, reconheceu que "sem a referida cisão apenas os encargos financeiros dos financiamentos e a depreciação seriam desta forma apropriados". Esta afirmação no mínimo revela o equívoco no cálculo apresentado pelos auditoresfiscais responsáveis pela autuação, autorizandose a realização de diligência, caso, repitase, haja alguma dúvida em relação ao cálculo apresentado nesta impugnação pela Impugnante. Necessidade de afastamento da multa qualificada ● Mesmo que por qualquer outro motivo fossem mantidas as glosas efetuadas sobre as despesas com a locação dos veículos, máquinas e equipamentos, mera argumentação, ainda assim as multas qualificadas impostas pela fiscalização deveriam ser afastadas. Fl. 3879DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 27 26 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem decidindo que a qualificação da multa para aplicação do percentual de 150% depende, necessariamente, (i) da intenção do agente e (ii) da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. A aplicação da multa qualificada pressupõe a presença de um elemento subjetivo, consistente na intenção de o agente praticar alguma ilicitude. No caso, está mais do que demonstrada a ausência de intenção do agente em burlar a fiscalização, tendo em vista que a sua cisão parcial e a posterior celebração do contrato de locação resultaram de um processo de reestruturação com outras finalidades que não a economia fiscal. A ausência de qualquer finalidade ilegítima, por si só, já é suficiente para afastar, no presente caso, a incidência da multa qualificada que a fiscalização imputou contra a impugnante. Por fim, os próprios elementos trazidos com a presente impugnação afastam qualquer prova fiscal de ocorrência de fraude, sonegação fiscal ou de conluio. Por isso, ainda que a glosa das despesas não pudesse ser afastada por qualquer motivo, mera argumentação, as multas qualificadas aplicadas contra a Impugnante deveriam ser reduzidas ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do crédito tributário constituído. Redução do valor dos créditos lançados. ● Admitindose, ad argumentandum, que estaria correta a glosa das despesas de locação, o montante dos créditos tributários constituídos pela fiscalização estaria incorreto no tocante, especificamente, à glosa das despesas de aluguel dos veículos, máquinas e equipamentos. Para autuar a impugnante em relação aos referidos fatos, a fiscalização desconsiderou os efeitos da cisão parcial por ela realizada no final do ano de 2005. Se a fiscalização desconsiderou tais efeitos, ela não só deveria glosar as despesas de aluguel e encargos contraídos pela impugnante durante o anocalendário de 2007, como também a fiscalização deveria considerar, para cálculo dos tributos por ela devidos, as despesas de depreciação e dos encargos financeiros dos financiamentos que a Impugnante teria assumido não tivesse ocorrido sua cisão parcial. O que não se pode aceitar é que a premissa da fiscalização valha para a glosa das despesas de locação e não valha, ao mesmo tempo, para a devida apropriação das despesas com a depreciação e com os encargos do financiamento. Diante disso, a Impugnante, efetuou um cálculo conservador, apurando as despesas sobre as depreciações dos bens, considerando o preço dos respectivos custos de aquisição, e aplicando sobre as despesas com os financiamentos (que equivale ao valor dos aluguéis subtraído o percentual de 6,90%), juros remuneratórios de 10% (dez por cento) ao ano. Como resultado da adoção de um critério correto, a impugnante apurou uma despesa com depreciação e com encargos de financiamento para o anocalendário de 2007, caso não tivesse ocorrido a sua cisão parcial, no montante de RS 3.844.624,00 (três milhões, oitocentos e quarenta e quatro mil, seiscentos e vinte e quatro reais). Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 28 27 Referida despesa, que seria dedutível para fins de apuração do lucro real, geraria a ela uma economia, de IRPJ e de CSLL, no montante total de R$ 1.307.127,16 (um milhão, trezentos e sete mil, cento e vinte e sete reais e dezesseis centavos). Referido valor, portanto, deveria ser deduzido da apuração dos créditos tributários de IRPJ e de CSLL, que foram constituídos em razão da glosa das despesas com a locação dos veículos, máquinas e equipamentos que foram vertidos à Transcel, o que impacta tanto no valor dos créditos principais lançados como, por via de consequência, no valor da multa de ofício e dos juros de mora apurados. Da mesma forma, as despesas de depreciação, que geram créditos de COFINS e de contribuição ao PIS, impactam no valor dos créditos tributários constituídos pela fiscalização em relação às referidas contribuições. Considerando que as despesas com a depreciação gerariam créditos de COFINS e contribuição ao PIS, referidas despesas acarretariam a impugnante uma economia, relativamente às referidas contribuições, no montante total de R$ 259.122,38 (duzentos e cinquenta e nove mil, cento e vinte e dois reais e trinta e oito centavos). O valor, portanto, deveria ser deduzido da apuração dos créditos tributários de COFINS e de contribuição ao PIS que foram apurados pela fiscalização em razão da glosa das despesas com a locação, pela Impugnante, dos veículos, máquinas e equipamentos que foram vertidos à Transcel, o que impacta tanto no valor dos créditos principais lançados como, por via de consequência, no valor da multa de ofício e dos juros de mora apurados. Desta feita, ainda que a glosa das despesas com a locação estivesse correta, mera argumentação, o valor dos créditos tributários deveria ser reduzido, considerandose, na apuração de tais créditos, os efeitos tributários resultantes das despesas com a depreciação dos veículos, máquinas e equipamentos, tivessem referidos bens permanecido no ativo imobilizado da impugnante. B) Quanto ao ganho de capital. ● O auto de infração, no tocante aos créditos apurados em virtude do suposto ganho de capital na transferência de bem do ativo imobilizado, é absolutamente nulo, porquanto indevida a forma de apuração realizada pela fiscalização. Com efeito, de acordo com a autuação, haveria um ganho de capital apurado no ato de cisão e que não foi considerado pela Impugnante e, em virtude disso, foram apurados o IRPJ e a CSLL ao final do período de apuração que seria, de acordo com os demonstrativos que compõem o auto de infração, 30/12/2008. Em primeiro lugar, o cálculo do imposto ao final do período de apuração é indevido, na medida em que o suposto ganho de capital deveria ser objeto de apuração mensal dos tributos calculado por estimativa. De acordo com o disposto no art. 418 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, "Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação..." De acordo com os arts. 223 e 225 do mesmo regulamento, o ganho de capital deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto no respectivo mês de apuração. Mas, como se verifica dos demonstrativos de apuração que compõem os autos de infração, as autoridades autuantes procederam em desacordo com a legislação, não Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 29 28 efetuando a apuração no mês em que teria sido realizado o suposto ganho de capital, ou seja, em agosto de 2008. Além do vício acima apurado, a fiscalização considerou, para efeito de apuração do ganho de capital, o período encerrado em 31/12/2008. Ocorre que o suposto ganho de capital teria ocorrido por conta do evento de cisão que, de acordo com a legislação fiscal (art. 810 do RIR/99), encerra o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, considerado que o suposto ganho de capital decorreria da cisão parcial da Impugnante, o resultado tributável deveria ser considerado no mês em que ocorreu tal evento (agosto de 2008) e não em 30/12/2008, lembrando que, em obediência à norma regulamentar retrotranscrita, a Impugnante encerrou o exercício relativo ao ano calendário de 2008 em 08 de agosto 2008 (data da cisão), tanto que a DIPJ foi entregue no dia 29 de setembro do mesmo ano (doc. 13). O equívoco cometido pela fiscalização é absolutamente relevante, na medida em que se o ganho de capital tivesse sido lançado no período de apuração correto: (i) a CSLL a ser recolhida corresponderia a R$ 4.223.925,62 (quatro milhões, duzentos e vinte e três mil, novecentos e vinte e cinco reais e sessenta e dois centavos), e não R$ 4.928.670,63 (quatro milhões, novecentos e vinte e oito mil, seiscentos e setenta reais e sessenta e três centavos), tal como apurado pela fiscalização; (ii) o IRPJ a ser recolhido corresponderia a RS 12.323.363,73 (doze milhões, trezentos e vinte e três mil, trezentos e sessenta e três reais e setenta e três centavos), e não R$ 13.426.622,23 (treze milhões, quatrocentos e vinte e seis mil, seiscentos e vinte e dois reais e vinte e três centavos). Há, nesse ponto, manifesta ofensa ao disposto no art. 142 do CTN, o que enseja a nulidade dos autos de infração de IRPJ e de CSLL no que tange aos créditos relativos ao suposto ganho de capital apurado. Desta feita, deverá ser reconhecida a nulidade das autuações no que tange à tributação do hipotético ganho de capital. E se assim não se entender, há de ser reconhecida a decadência, porque o prazo quinquenal, na esteira de jurisprudência já acima citada, deve ser contado desde a data do respectivo fato gerador (agosto de 2008), nos termos do §4° do art. 150 do CTN, ou, na pior das hipóteses, da data da entrega da DIPJ resultante da cisão (29.09.2008). ● A possibilidade de constituição de reserva, relativamente a fato anterior a 31/12/2007, enquanto pendente a divulgação das demonstrações financeiras do exercício de 2007 – Aspectos contábeis e legais. Ainda que o laudo tenha sido contratado posteriormente ao encerramento do exercício de 2007, ele (i) se refere a uma situação fática anterior a 1º de janeiro de 2008 (a efetiva valorização do imóvel reavaliado), e (ii) foi realizado dentro do período de divulgação das demonstrações financeiras e a database da reavaliação foi dezembro de 2007, período, portanto, anterior ao início de vigência da Lei 11.638/07. Diante das colocações feitas pela fiscalização, a Impugnante consultou o Professor L. Nelson Carvalho, que analisou, sob o aspecto contábil, legal e fiscal, a constituição da reserva de reavaliação do imóvel pela Impugnante por meio do incluso parecer (doc. 14). Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 30 29 No trabalho realizado pelo referido parecerista, a questão foi analisada com base nos seguintes aspectos: • A normalidade de finalizar balanços de 31 de dezembro nos primeiros meses do ano imediatamente subsequente, dentro da permissão legal de 120 dias; • Inexistência de impedimento legal, normativo ou regulamentar para registro contábil, no exercício fiscal de 2007, de laudo de reavaliação de um bem do ativo imobilizado, elaborado em 2008, mas tendo como database da reavaliação o exercício fiscal de 2007; • A normalidade da prática de providenciar ajustes às demonstrações contábeis de 31 de dezembro apurando tais ajustes nos 120 dias subsequentes e registrandoos contabilmente no balanço sob finalização; • A ausência de consequências tributárias que tenham beneficiado a empresa em detrimento do Fisco, e; • A aparente incoerência em desconsiderar a reavaliação e depois tributála como "valor de mercado" em cisão que, por sinal, foi feita pelo valor de livros. Em continuidade aos ensinamentos tratados no tópico anterior, o ilustre parecerista passa a discorrer a respeito da existência, ou não, de impedimento legal, normativo ou regulamentar para registro contábil, no exercício fiscal de 2007, de laudo de reavaliação de um bem do ativo imobilizado, elaborado em 2008, mas tendo como database da reavaliação o exercício fiscal de 2007. Nesse sentido, o parecerista, em princípio, demonstra ser absolutamente comum e previsível a geração de diversos ajustes de registros contábeis após o encerramento do exercício, para que as demonstrações auditadas reflitam efetivamente a situação patrimonial e financeira da empresa, os resultados gerados e outras informações que serão divulgadas aos usuários: O Prof. L. Nelson Carvalho conclui que a Lei 11.638/07 não impediria a constituição da reserva de reavaliação, com a database de dezembro de 2007, ainda que com laudo de avaliação realizado em 2008, sendo que qualquer tentativa da autoridade fiscal administrativa de ampliar os efeitos da vedação trazida pela Lei n° 11.638/2007, para atingir situação que não está regulada pela norma legal invocada, implicará violação frontal e direta ao princípio e garantia constitucional da legalidade, nas suas diversas vertentes. Como se verifica da posição defendida pelo Prof. L. Nelson Carvalho posição essa que demonstra a absoluta inconsistência do trabalho fiscal desenvolvido: (i) está absolutamente adequado à prática contábil e à legislação o procedimento de efetuar, em período subsequente à data de encerramento do exercício social, ajustes contábeis ás demonstrações financeiras; (ii) considerando os prazos definidos na legislação, considerando a data de encerramento do exercício social e a de finalização e divulgação das demonstrações financeiras, é manifesta a existência de um período mínimo de apuração, mensuração e registro contábil, exatamente para que a situação patrimonial reinante À DATA DO BALANÇO seja efetivamente refletida; Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 31 30 (iii) a Lei 11.638/07, ao eliminar, a partir de 01/01/2008, a possibilidade de REAVALIAÇÃO DE ATIVOS, não vedou direta nem indiretamente o direito a que tal reavaliação fosse registrada com database de 31/12/2007, ainda que a avaliação tenha sido realizada em 2008, dentro do período de ajustes para o fechamento das demonstrações financeiras (no caso o Balanço Patrimonial). As conclusões acima estão devidamente refletidas no parecer ora anexado e servem para afastar a conclusão a que chegou a fiscalização, no sentido de que a constituição da reserva de reavaliação seria ilegal porque constatado que a reavaliação fora realizada em 2008. Aliás, aqui também é importante ressalvar que o fato de o laudo estar assinado com data de dezembro de 2007 não afasta a idoneidade das informações nele contidas nem constitui qualquer irregularidade. Com efeito, o laudo de reavaliação foi realizado visando a apuração do valor do imóvel no final de 2007, e bem por isso todos os elementos comparativos utilizados para a apuração do valor atualizado referemse a operações de venda ou de oferta de venda ocorridos em 2007 (leiase o Laudo de Avaliação). Dito de outra forma, conquanto formalizada depois do dia 1o de janeiro de 2008, a avaliação retrata e se refere a uma situação fática reinante anteriormente. Só por isto já se torna absolutamente válida e regular a assinatura do laudo com data de 28 do dezembro de 2007, praticamente o último dia útil daquele ano. Aliás, se assim não fosse, nenhum balanço patrimonial poderia ser datado de 31 de dezembro do exercício social encerrado, haja vista que, pela própria legislação, as sociedades tem prazo de até 120 (cento e vinte) dias para levantar e aprovar seu balanço patrimonial e as demais demonstrações financeiras, fazendoo, sempre, com a data pretérita do encerramento do respectivo exercício. Sendo assim, por que o laudo de avaliação, que também se refere a um efetivo evento ocorrido dentro do exercício findo (apuração do valor atualizado do bem), não poderia ter sido firmado com a data relativa a essa situação? A rigor, o aludido laudo poderia ter sido assinado com a data de 31 de dezembro de 2007, a exemplo do balanço patrimonial. Portanto, para fins de validade da constituição da reserva, pouco importa se a avaliação foi feita em dezembro de 2007 ou no inicio de 2008; o que importa é a reavaliação referese, de forma real e efetiva, à situação patrimonial do referido imóvel, em período anterior à vigência da Lei nº 11.638/07. Importante destacar que, ao contrário do apontado pela fiscalização, a reserva foi sim refletida corretamente em sua contabilidade, constando em seus balancetes. ● A RESERVA NÃO FOI CONSTITUÍDA PARA PAGAR MENOS TRIBUTO. A RESERVA DE REAVALIAÇÃO EM NENHUM MOMENTO FOI REALIZADA NEUTRALIDADE FISCAL A fiscalização adotou a premissa de que "...O procedimento adotado pelo sujeito passivo teve o claro e evidente intuito de impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o pagamento do montante do imposto devido sobre o resultado não operacional, correspondente ao ganho de capital na alienação de bem do ativo imobilizado;..." A reserva de reavaliação constituída não teve, em nenhum momento, o intuito de impedir o fato gerador de qualquer obrigação tributária. Na verdade, o tratamento contábil dado à reavaliação do imóvel na sucessora foi absolutamente o mesmo conferido pela Impugnante enquanto o imóvel integrou seu ativo imobilizado. Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 32 31 E aqui não podemos deixar de expor os efeitos tributários da reserva de reavaliação em eventos de reestruturação societária (como é o caso da cisão). Com efeito, a legislação tributária, desde o advento do Decretolei 1598/1977 (e alterações posteriores), cuidou de disciplinar a figura da reavaliação de bens e direitos, cujas regras básicas foram detalhadas nos artigos 434 a 441 do RIR/1999. Especificamente no que se refere a eventos de cisão, o Decretolei 1.598/1977 dispôs que a reavaliação, desde que mantida em conta de reserva na sociedade cindida e na resultante da cisão, não deve ser computada no lucro real, obedecendo, quanto à tributação, as regras gerais de realização da reserva de reavaliação. É o que expressamente dispõe o art. 440 do RIR/99. Mais ainda: em razão da natureza da operação de cisão, que tem a característica de sucessão universal dos bens e direitos vertidos no processo, em razão do disposto no art. 229, §3°, da Lei 6.404/76, o legislador estipulou, no artigo 441 do RIR/1999, que "As reservas de reavaliação TRANSFERIDAS POR OCASIÃO DA INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO TERÃO, NA SUCESSORA, O MESMO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO QUE TERIAM NA SUCEDIDA." Vale dizer, se no evento de cisão as reservas de reavaliação existentes forem simplesmente transferidas à sociedade destinatária do acervo cindido, estas, sem solução de continuidade, devem receber o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida, isto é, não devem sofrer imediata tributação. Inegável, assim, que, a reavaliação de bens, enquanto não realizada a respectiva reserva pela respectiva sociedade, inserese no tratamento de absoluta neutralidade fiscal. E mesmo que a reavaliação seja realizada no âmbito da cisão (o que não foi o caso), ainda assim haverá neutralidade fiscal, enquanto mantida na conta de reserva. A apresentação dos argumentos acima é absolutamente relevante para demonstrar que o objetivo da reserva não foi, em nenhum momento, impedir a incidência tributária. Em primeiro lugar, a Impugnante e a empresa constituída a partir de sua cisão parcial (Julio Simões Ambiental S/ A) possuíam o mesmo regime de tributação (lucro real). Tal fato é relevante porque, em ambas as empresas, o controle das obrigações fiscais era feito da mesma forma e, diante disso, não haveria o risco de a fiscalização perder o controle sobre o tratamento conferido à reavaliação pela sucessora em virtude, por hipótese, da opção pelo regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido. Em segundo lugar, a legislação tributária estabelece claramente a neutralidade fiscal quanto aos efeitos fiscais da reserva de reavaliação. Por último, e não menos importante, o tratamento da reserva de reavaliação conferido pela sucessora após a realização da cisão parcial consiste em prova inequívoca de que a constituição da reserva não teve objetivo fiscal. Deveras, Impugnante, conforme se observa de suas DIPJ relativas aos anos calendário de 2007 e 2008, teve lucro fiscal nos apontados períodos de apuração (cf. documentos anexados). Por outro lado, a então Julio Simões Ambiental S/A (hoje denominada Serb Saneamento e Energia Renovável do Brasil S/A, "SERB"), nos anoscalendário subsequentes ao de sua constituição, teve prejuízo fiscal e não realizou a reserva, conforme prova documental que a Impugnante está diligenciando para obter junto Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 33 32 àquela Companhia, protestando pela sua posterior juntada. Em outras palavras, na sucessora, a reserva de reavaliação não gerou qualquer benefício fiscal àquela sociedade. Essa constatação é importante para a presente defesa porque, não havendo intuito de lesão ao fisco, a premissa considerada pela fiscalização cai por terra. ● Manifesta contradição da posição defendida na autuação que ora declara a absoluta ineficácia da reserva de reavaliação e ora considera que o respectivo valor importa ganho de capital A fiscalização, ao sustentar a suposta inidoneidade do laudo de avaliação realizado pela Colliers do Brasil International Consultoria Ltda., entendeu que a Reserva de Reavaliação não poderia produzir qualquer efeito tributário. Ora, se a reserva de reavaliação "não pode produzir qualquer efeito tributário" conforme solenemente proclamado na autuação, é óbvio que ela não poderia ser considerada para fins de apuração de ganho de capital. Em primeiro lugar, adotando a premissa da fiscalização, a reserva de reavaliação não poderia ser sido lançada após 31/12/2007 e, diante disso, o respectivo registro contábil efetuado na JSTS não geraria qualquer efeito jurídico. Em segundo lugar, a própria fiscalização afirmou que a reserva de reavaliação não produz efeito fiscal e que o laudo de avaliação que daria a cia suporte "seria inidôneo"; assim, há uma completa contradição da fiscalização, pois ao mesmo tempo em que afasta os efeitos da reserva por considerar o laudo de avaliação inidôneo, ela considera o valor da reavaliação para fins de apuração de ganho de capital, sendo que a avaliação feita para fins de cisão adotou o critério "contábil". Ora, como a reavaliação "não pode produzir qualquer efeito tributário" e, ao mesmo tempo, seu valor pode ser considerado para fins de apuração do ganho de capital? E simplesmente impossível!!! Em terceiro lugar, e não menos importante, a cisão realizada pela Impugnante foi feita a valor contábil. Assim, desconsiderado o efeito fiscal da reserva de reavaliação constituída, a cisão do imóvel, pelo critério contábil, farseia, apenas, pelo valor do custo de aquisição do imóvel (RS 6.085.271,86), de modo que não haveria, na operação de cisão, a tributação do IRPJ e da CSLL pelo ganho de capital. A consequência jamais poderia ser de reconhecimento de ganho de capital na cisão, mas, isto sim, de retificação do valor da parcela cindida. A extinta Terço Grand Thorton Auditores Independentes Sociedade Simples, ao realizar a avaliação do acervo líquido cindido, expressamente considerou o valor refletido na contabilidade da Impugnante. Portanto, sendo desconsiderado "qualquer efeito tributário" e jurídico da reserva de reavaliação e tendo a cisão sido feita a valor de livros, a consequência inexorável é que o valor da cisão, para efeitos tributários, corresponderia, apenas, ao montante relativo ao custo de aquisição do imóvel (R$ 6.082.271,82), sendo impossibilitada, no presente caso, a apuração de qualquer ganho de capital. Afinal, a apuração de ganho de capital em operação de cisão necessariamente dependeria de prévio laudo de avaliação do bem a valor de mercado, o que não existe no presente caso porque, repetindo, o laudo que acompanhou a cisão adotou o valor de livros e o laudo que deu à constituição da reserva de reavaliação foi considerado "inidôneo" pela fiscalização. Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 34 33 Mesmo diante da cisão parcial ocorrida—o que, segundo a Receita Federal do Brasil, justificaria a constituição da reserva de reavaliação extemporânea, quando o imóvel objeto da reavaliação foi transferido a sociedade resultante da cisão pelo valor constante do laudo de avaliação, com transferência da reserva de Reavaliação ilegalmente constituída —, a conclusão é igualmente que tal operação não trouxe qualquer beneficio tributário para a JSL, independentemente de ser considerada legítima ou não a constituição da reserva de reavaliação na sociedade cindida. Portanto, o valor da reavaliação realizada pela Impugnante, desconsiderados os efeitos jurídicos (incluindo o tributário), nunca poderia ser considerado para fins de apuração de ganho de capital, seja porque a cisão foi efetuada a valor de livros seja porque, se feita a valor de mercado, dependeria de laudo de avaliação que, no caso, jamais inexistiu. Destarte, ainda que fosse inidôneo o laudo de avaliação realizado pela Colliers do Brasil International Consultoria Ltda. e mesmo que fossem desconsiderados os efeitos tributários da reserva de reavaliação constituída —mera argumentação—, ainda assim seriam totalmente improcedentes a incidência (i) do IRPJ e da CSLL em virtude do suposto (mas inexistente) ganho de capital, bem assim (ii) da multa isolada aplicada em decorrência da não inclusão do ganho de capital na base de cálculo estimada para o período de agosto de 2008. INEXISTÊNCIA DE REFLEXOS PELA IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DE FRAUDE OU DE SIMULAÇÃO Como já visto em anterior argumentação desenvolvida, a multa qualificada (150%) pressupõe a prática das condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 (sonegação, fraude e conluio). Referidas condutas, conforme se observa da leitura dos dispositivos referidos, pressupõem o objetivo do agente de impedir ou retardar a ocorrência da obrigação tributária principal. De acordo com os fundamentos acima expostos, ficou claro que a constituição da reserva de reavaliação, pela Impugnante, não teve em nenhum momento intuito de impedir ou retardar a ocorrência de qualquer obrigação tributária. A reserva de reavaliação não foi constituída para que, em posterior evento de cisão, o imóvel fosse vertido para nova sociedade constituída sem que o referido evento ensejasse a apuração do IRPJ e da CSLL pelo ganho de capital. A Impugnante demonstrou que, posteriormente à cisão parcial, a empresa sucessora conferiu à reavaliação o mesmo tratamento que anteriormente era dado pela sucedida (Impugnante), mesmo tendo a possibilidade de realizar a reserva de reavaliação sem pagar qualquer tributo em razão dos prejuízos fiscais apurados pela empresa sucessora no anocalendário da cisão e nos anoscalendário subsequentes. É nítido, portanto, que a reserva não teve o intuito de impedir ou retardar a ocorrência da obrigação tributária. Aliás, tratando da questão envolvendo a suposta simulação com o intuito de lesar o Fisco, o Prof. L. Nelson Carvalho apresenta as seguintes considerações, absolutamente relevantes para o exame do presente caso: "...antes de adentrar na análise pormenorizada dos procedimentos adotados pela JSL e dos termos do lançamento fiscal para, em seguida, apresentar as conclusões em relação a questão apresentada, com avaliação da caracterização ou não de vantagem fiscal e consequências tributárias que tenham beneficiado a empresa em detrimento do fisco, é imperioso tratar brevemente sobre o instituto da simulação no âmbito tributário, Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 35 34 estabelecendo suas condições e parâmetros, o que será indispensável para auxiliar na avaliação do caso concreto. Segundo a doutrina, haverá, em princípio, ato simulado quando 'determinado tipo de negócio seja utilizado para a consecução de fim não correspondente exatamente a sua causa'. Edmar Oliveira Andrade Filho elucida o tema por meio da doutrina especializada: 'na definição de Francesco Ferrara, negócio simulado é o que tem uma aparência contrária a realidade, ou porque não existe em absoluto, ou porque é diferente da sua aparência, para Homero Prates, 'o fim de enganar é característica fundamental de todas as formas de simulação. as partes, em geral, recorrem a um tal de expediente, a um tal artifício, com o intuito de fazer crer na existência de ato que ou não se realizou ou e diverso do que efetivamente praticado'.' Portanto, para aferir a ocorrência ou não da simulação ê preciso identificar a finalidade e a causa do negocio realizado, bem como identificar qual o negócio que se tentou simular e, ainda, identificar qual a vantagem que as partes auferiram ao realizar o negócio simulado. O instituto da simulação em matéria tributária foi regulado mais recentemente, por meio do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, introduzido após o advento da Lei complementar nº 104, de 10/01/2001, que assim es1abelece: (...) COM BASE NAS DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, VERIFICASE QUE TAMBÉM NA SEARA TRIBUTÁRIA É PERMITIDO QUE A AUTORIDADE FISCAL DESCONSIDERE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO PATO GERADOR DO TRIBUTO OU A NATUREZA CONSTITUTIVA DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Veja que o dispositivo legal é categórico em afirmar a possibilidade DE DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO TRIBUTO OU A NATUREZA DOS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. COM O PROPÓSITO DE OBTER VANTAGEM FISCAL EM DETRIMENTO DO FISCO. O jurista Marco Aurélio Greco é bastante claro ao afirmar que a autoridade somente poderá desconsiderar ato ou negócio jurídico mediante com pro v ação do fato gerador do tributo e da finalidade da dissimulação: 'Mas, além da prova da ocorrência do fato gerador, o parágrafo único do art. 116 impõe um segundo ônus a cargo do fisco, qual seja, demonstrar que o ato ou negócio jurídico foi praticado 'com a finalidade de dissimular'. a existência desta finalidade é elemento constitutivo da hipótese de incidência da competência para desconsiderar; portanto, a este elemento aplicase o mesmo critério de caber ao fisco o ônus da prova desse fato constitutivo, ou seja, a sistemática do CTN como um todo exige, no caso específico, um duplo ônus da prova a cargo do fisco: a) Provar a ocorrência do fato gerador: e b) PROVAR que a finalidade do ato ou negócio jurídico foi dissimulálo. Sem esta dupla prova é inaplicável a desconsideração. Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 36 35 Prova certamente muito complexa, pois se houve dissimulação, o fato gerador não estará às claras, mas sim encoberto, nebuloso, disfarçado.' Para desconsiderar o negócio jurídico, a autoridade fiscal necessariamente deverá apontar a finalidade da dissimulação. sem finalidade, a autoridade fiscal não possui competência para desconsiderar o negócio jurídico praticado pelo administrado. e mais: a autoridade fiscal tem a obrigação de provar que a finalidade do ato foi dissimular outro ato ou negócio de modo a disfarçar a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos que provocam o nascimento da obrigação tributária. VALE DIZER, PARA QUE SEJA CARACTERIZADA E LEGITIMAMENTE IMPUTADA A PRÁTICA DE SIMULAÇÃO PREVISTA NO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL, DEVEM ESTAR PRESENTES DETERMINADOS REQUISITOS INDISPENSÁVEIS PARA A SUA COMPROVAÇÃO, INCLUSIVE A FINALIDADE DO ATO, NÃO SENDO ADMITIDO PELA LEGISLAÇÃO QUE A PRÁTICA DA SIMULAÇÃO SEJA ATRIBUÍDA COM BASE EM PRESUNÇÃO OU MEROS INDÍCIOS. Impossibilidade de aplicação da multa isolada Sendo indevido o IRPJ, também é indevida a aplicação da multa isolada, considerando que a penalidade pressupõe a ausência de recolhimento do IRPJ por estimativa, conforme exposto pela fiscalização. Mas ainda que devido fosse o IRPJ, mera argumentação, seria indevida a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício. Com efeito, tanto a multa de ofício quanto a multa isolada foram aplicadas sobre o mesmo fato (falta de pagamento do IRPJ em suposta apuração de ganho de capital), o que denota a manifesta abusividade e ilegalidade na conduta da fiscalização de aplicar duas penalidades (multa de ofício e multa isolada) em decorrência de um único evento. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se debruçado sobre o tema, havendo diversas decisões, inclusive decisões recentes proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a favor da ilegalidade da aplicação concomitante das duas penalidades. Diante do exposto, a multa isolada aplicada não se justifica. AFASTAMENTO PARCIAL DO LANÇAMENTO Por fim, ainda que os argumentos pela nulidade e pelo afastamento integral da autuação não venham a ser acolhidos, mera argumentação, ao menos deverá ser determinada à autoridade fiscal que apure os créditos de IRPJ e de CSLL (pelo suposto ganho de capital), considerando as seguintes premissas que não foram respeitadas pela fiscalização e que foram devidamente demonstradas na argüição de nulidade feita acima, quais sejam: (i) o ganho de capital apurado deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto no respectivo mês de apuração; e (ii) considerado que o suposto ganho de capital decorreria da cisão parcial da Impugnante, o resultado tributável deveria ser considerado no período compreendido entre o início do anocalendário de 2008 e a data do evento (cisão) e não em 30.12.2008, que correspondente ao encerramento do período de apuração subsequente ao da cisão. Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 37 36 Assim, ainda que não se pudesse afastar a autuação do IRPJ e da CSLL constituídos a partir do suposto ganho de capital apontado pela fiscalização, o valor dos tributos e dos respectivos encargos deverão ser apurados considerando as premissas apontadas no item precedente. CONCLUSÃO. Diante de todo o exposto, pede e espera a Impugnante o acolhimento da presente impugnação, com o consequente afastamento total das exigências contidas nos autos de infração, ou, na pior das hipóteses, para acolher os pedidos subsidiários formulados. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 GLOSA DE DESPESAS. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. Configurada a simulação de locação de seus próprios bens, mantémse a glosa das respectivas despesas. CISÃO PARCIAL. IMÓVEL VERTIDO. CUSTO DE AQUISIÇÃO. GANHO DE CAPITAL. A transferência de bem do ativo permanente a outra pessoa jurídica, por ocasião de cisão parcial, configura hipótese de alienação, devendo ser apurado o ganho de capital, tendo como custo de aquisição o valor contábil do bem registrado na escrituração da pessoa jurídica, diminuído, conforme o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. REAVALIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. A partir de 1º de janeiro de 2008, é vedada a reavaliação de bens do ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECADÊNCIA. DOLO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 38 37 A contagem do prazo decadencial para o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa regese pelo art. 173, I, do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão proferida no lançamento principal é aplicável aos demais lançamentos reflexivos, face à relação de causa e efeito que os vincula. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. Mantémse a multa por infração qualificada quando reste inequivocamente comprovado o intuito de fraude. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 DILIGÊNCIA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Rejeitase o pedido de diligência desnecessária ao julgamento da lide. Dessa decisão, houve recurso de ofício. No acórdão constou ainda: "Após o prazo para apresentação de recurso voluntário, encaminhese o presente processo para julgamento em conjunto com o processo nº 10803.720003/201302." Protocolado o recurso voluntário, nele são aduzidas as seguintes razões: a) ocorreu decadência quanto aos lançamentos em virtude da glosa das despesas de locação por não ter havido fraude ou sonegação fiscal, aplicandose portanto o artigo 150, § 4º, do CTN e, mesmo que aplicado o artigo 173, inciso I, desse mesmo instrumento legislativo, também teria ocorrido a decadência; a.1) o prazo decadencial, se aplicado o artigo 173, inciso I, do CTN, tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência dos fatos imponíveis, conforme decisão do e. STJ segundo a sistemática do artigo 543C do CPC. No caso, é o dia 1º de janeiro de 2008, sendo o termo final o dia 31 de dezembro de 2012; a.2) ainda, segundo entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, para o IRPJ e a CSLL o termo inicial do prazo decadencial é deslocado para o da data da entrega da DIPJ, mesmo tendo havido fraude ou simulação, o que não ocorreu no caso. Assim, tendose em vista a entrega da DIPJ/2007 em 29 de junho de 2008, o termo final do prazo decadencial foi o dia 28 de junho de 2013, anterior à data relativa à intimação dos lançamentos que ocorreu em 30 de dezembro de 2013. O fato de ter sido entregue DIPJ Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 39 38 retificadora posteriormente em nada interfere na situação, uma vez que a retificação não guardou nenhuma relação com as despesas glosadas; a.3) quanto à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, uma vez que a apuração é mensal, mesmo em se aplicando o artigo 173, inciso I, do CTN, o prazo teria início em 1º de janeiro de 2008, encerrandose em 31 de dezembro de 2012; b) "a cisão parcial da Recorrente, realizada no final do ano de 2005, NÃO tinha o objetivo de gerar uma economia fiscal, ainda que tal efeito tenha ocorrido. Tratouse, isto sim, de legítima operação de reestruturação entre empresas pertencentes a um mesmo grupo empresarial, com uma finalidade absolutamente idônea, qual seja, a melhoria da situação financeira da Recorrente, o que a levou, inclusive, (a) a realizar inúmeras contratações com o Poder Público, decorrentes de licitações das quais a Recorrente participou justamente porque, em razão da operação de cisão em foco, pôde comprovar boa saúde financeira, conforme cópias de contratos anexados com a impugnação apresentada; e (b) a contrair empréstimos e financiamentos durante o ano de 2006 para o desenvolvimento de suas atividades operacionais, o que está refletido nas próprias demonstrações financeiras que retratam o encerramento do exercício social de 2006"; b.1) "... cisão parcial da Recorrente obedeceu a todos os seus requisitos legais, refletindo uma legítima operação de reestruturação entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial"; b.2) os fatos demonstram que houve efetividade e propósito negocial na cisão ocorrida; b.3) "... o risco e o controle sobre os bens envolvidos na operação de cisão continuariam com a Recorrente independentemente de ela ser a proprietária ou a locatária, na medida em que ela manteve a posse direta sobre os bens, o que também aconteceria, por exemplo, se a Recorrente tivesse locado bens similares de qualquer terceira empresa com a qual não mantivesse qualquer tipo de vínculo societário. Tais riscos, como é cediço, são ínsitos à posse direta dos bens e ao respectivo uso e, consequentemente, estão indistintamente presentes quando o usuário é mero locatário ou quando é o proprietário"; b.4) "... preço locativo ajustado entre a Recorrente e a locadora, Transcel, correspondeu 'ao valor das parcelas mensais dos financiamentos bancários relacionados com os bens ora locados acrescido do Pis, da Cofins e de uma taxa de administração de 3%' (cláusula 03), ficando, ainda, sob a responsabilidade da Recorrente, na qualidade de locatária, o pagamento, diretamente a quem de direito, das despesas de IPVA, de licenciamento e seguro (cláusula 06 do contrato de locação)"; b.5) "... A Recorrente, por conta do aluguel, e para maior praticidade, tal como expressamente previsto na cláusula 03 do referido contrato de locação, pagou mensalmente, aos agentes financeiros, os encargos dos financiamentos dos bens vertidos, conforme ampla documentação a que os srs. Auditores tiveram acesso. O restante do aluguel (valor do COFINS/PIS mais "taxa" de administração de 3%, totalizando 6,9%) foi pago mensalmente mediante encontro de contas entre a Recorrente e a Transcel, o que é absolutamente comum em se tratando de empresas do mesmo grupo econômico, tudo conforme lançamentos e documentos aos quais os srs. Auditores Fiscais também tiveram amplo e total acesso, tendo a Transcel, como locadora, emitido os devidos recibos, cuja apresentação à fiscalização foi expressamente reconhecida no Termo de Verificação de Infração e de Encerramento do Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 40 39 Procedimento Fiscal. E "encontro de contas" nada mais é do que compensação, que é, nos termos dos arts. 368 e seguintes do CC, uma das formas de extinção de obrigação pecuniária, tanto quanto é o pagamento"; b.6) "... no que toca às despesas com o IPVA, licenciamento e seguro dos veículos locados, não houve, na autuação, qualquer glosa, num evidente reconhecimento, pela fiscalização, não só da prova de seu pagamento pela Recorrente como da necessidade desses encargos. Aliás, é absolutamente normal que, em contratos de locação, as despesas e encargos relativos ao bem locado sejam integralmente assumidos pela locatária. Referido fato em nada contribuiria para a conclusão de que a operação de cisão realizada seria artificial"; b.7) "... a Transcel, conforme restou reconhecido pela própria fiscalização, ofereceu à tributação as receitas de locação por ela auferidas"; b.8) "... é absolutamente comum que empresas, para se capitalizar ou, em última análise, para melhorar sua situação financeira, vendam ativos operacionais para, no mesmo ato, locálos dos adquirentes. Os Bancos já fizeram, e seguem fazendo isso"; c) "... a Recorrente demonstrou que a melhoria de sua situação financeira, que decorreu de sua cisão parcial, de fato a levou (i) a participar e a vencer licitações, com a respectiva celebração de contratos com o Poder Público; e (ii) a obter inúmeros financiamentos que incrementaram seus investimentos e, consequentemente, suas atividades. Ou seja, a cisão parcial teve uma consequência positiva, que não a simples economia fiscal. A melhoria da situação financeira da Recorrente, pois propiciou o incremento de suas atividades operacionais e, consequentemente, o aumento da receita, da lucratividade e da própria arrecadação de tributos"; d) "foi totalmente em vão a tentativa, contida no acórdão recorrido, de desqualificar o propósito negocial da cisão parcial realizada. Claramente, o objetivo de tal operação societária, que não foi fiscal, está absolutamente demonstrado pela (i) melhoria da situação financeira da Recorrente; e (ii) pelas provas documentais das consequências advindas dessas melhorias (celebração de contratos com o Poder Público; obtenção de empréstimos e financiamentos; incremento de suas atividades operacionais etc.). Aliás, não há na legislação qualquer vedação à realização de operação de reestruturação entre empresas do mesmo grupo que tenham por objetivo melhor a situação financeira de uma das empresas envolvidas, não cabendo ao intérprete restringir o que a lei não restringe" e) "... no tocante à glosa das despesas de locação, as autuações reportamse genérica e cumulativamente aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, numa inócua tentativa de justificar o agravamento da multa, olvidandose que lhes cabia esclarecer se a hipótese era de sonegação, fraude ou conluio, apontando quais os fatos caracterizadores do tipo imputado"; e.1) "... a cisão parcial, que é origem da transferência dos ativos cindidos que posteriormente foram locados pela Transcel que os incorporou , sequer teve sua regularidade e efetividade contestadas pela fiscalização, e nem poderia porque ocorreu em dezembro de 2005, estando inquestionavelmente caduco o direito de o fisco desconsiderála para qualquer efeito"; e.2) "... é simplesmente absurda e despida de qualquer base legal a alegação de que a cisão e os contratos de locação teriam sido realizados única e exclusivamente para Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 41 40 "diminuir a tributação e o recolhimento dos tributos" e que, também por isso, seria cabível a multa agravada com fundamento nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64"; f) "... Na autuação foram injustificadamente ignoradas as despesas com a depreciação e com os encargos financeiros do financiamento que seriam apropriadas pela Recorrente caso os veículos, máquinas e equipamentos, que foram vertidos à Transcel na operação de cisão parcial, tivessem sido mantidos em seu ativo imobilizado. A despeito de ter sido demonstrado na impugnação, esse elementar equívoco—a exemplo dos demais cometidos nos lançamentos em foco não foi eliminado no julgamento de primeiro grau. "; f.1) "... O correto seria a fiscalização apurar os valores das despesas com a depreciação e com os encargos financeiros para, então, proceder à correta análise da economia tributária decorrente da operação de cisão parcial da Recorrente, com a posterior celebração do contrato de locação. Afinal, se o efeito fiscal da cisão não foi reconhecido como legítimo, a fiscalização não poderia simplesmente ignorar as despesas que seriam deduzidas pela Recorrente com a depreciação e com os encargos financeiros, no cenário em que a cisão não tivesse sido realizada. "; f.2) essa reapuração deveria ocorrer para todos os tributos envolvidos: IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; f.3) a recorrente apresenta cálculos quanto a esses efeitos, que deveriam ter sido considerados para fins da redução dos valores lançados ou, se houvesse dúvidas quanto a eles, os autos deveriam ter baixado em diligência para a conferência; g) deve ser afastada a multa qualificada (150%); g.1) para que haja a qualificação há a necessidade de prova quanto à intenção do agente e à "ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim"; g.2) "a cisão parcial e a posterior celebração do contrato de locação resultaram de um processo de reestruturação societária com outras finalidades, absolutamente corretas, que não a economia fiscal"; g.3) "A ausência de qualquer finalidade ilegítima, por si só, já é suficiente para afastar, no presente caso, a incidência da multa qualificada que a fiscalização imputou contra a Recorrente"; h) quanto à parte do lançamento relativo ao ganho de capital, "a Lei nº. 11.638/07, que estabeleceu novas regras contábeis, somente extinguiu a reavaliação espontânea de ativos a partir do ano calendário de 2008. Não impediu, portanto, reavaliação e a consequente constituição da respectiva reserva relativamente ao ano calendário de 2007, ainda que a respectiva formalização de tais atos tenha ocorrido na pendência da elaboração e divulgação das demonstrações financeiras do exercício de 2008, o que, legalmente, poderia ocorrer até o término do primeiro quadrimestre de 2008"; h.1) "dentro do prazo legal para a elaboração e divulgação do balanço patrimonial e das demonstrações financeiras (ou seja, dentro do quadrimestre de 2008), a Recorrente realizou todos os lançamentos contábeis relativamente ao anocalendário de 2007, aí incluída a reavaliação espontânea do indigitado bem imóvel, com a consequente e obrigatória constituição da respectiva Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 42 41 reserva, com fiel observância da ordem cronológica de dia mês e ano de cada dos lançamentos, segundo as normas de contabilidade"; h.2) com base em parecer técnico emitido por consultor especializado, conclui se que: h.2.1) "está absolutamente adequado à prática contábil e à legislação o procedimento de efetuar, em período subsequente à data de encerramento do exercício social, ajustes contábeis às demonstrações financeiras"; h.2.2) "considerando os prazos definidos na legislação, considerando a data de encerramento do exercício social e a de finalização e divulgação das demonstrações financeiras, é manifesta a existência de um período mínimo de apuração, mensuração e registro contábil, exatamente para que a situação patrimonial reinante À DATA DO BALANÇO seja efetivamente refletida"; h.2.3) "a Lei nº 11.638/07, ao eliminar, a partir de 01.01.2008 (exercício social de 2008), a possibilidade de REAVALIAÇÃO DE ATIVOS, não vedou direta nem indiretamente o direito a que tal reavaliação fosse registrada com database de 31.12.2007, ainda que o respectivo laudo de avaliação tenha sido confeccionado em 2008, desde que dentro do período de elaboração e divulgação das demonstrações financeiras do exercício social de 2007 (no caso, o Balanço Patrimonial)"; h.3) "O laudo de reavaliação foi realizado visando à apuração do valor do imóvel em dezembro de 2007, e bem por isso todos os elementos comparativos utilizados para a apuração do valor atualizado referemse a operações de venda ou de oferta de venda ocorridos em 2007 (leiase o Laudo de Avaliação). Dito de outra forma, conquanto materialmente formalizada depois do dia 1º de janeiro de 2008, a avaliação retrata e se refere a uma situação fática e patrimonial reinante anteriormente. Só por isto já se torna absolutamente válida e regular a assinatura do laudo com data de 28 de dezembro de 2007, praticamente o último dia útil daquele ano. Aliás, se assim não fosse, nenhum balanço patrimonial poderia ser datado de 31 de dezembro do exercício social encerrado, haja vista que, pela própria legislação, as sociedades têm prazo de até 120 (cento e vinte) dias para levantar e aprovar seu balanço patrimonial e as demais demonstrações financeiras, fazendoo, sempre, com a data pretérita do encerramento do respectivo exercício. Sendo assim, por que o laudo de avaliação, que também se refere a um efetivo evento ocorrido dentro do exercício findo (apuração do valor atualizado do bem), não poderia ter sido firmado com a data relativa a essa situação? A rigor, o aludido laudo poderia, SIM, ter sido assinado com a data de 31 de dezembro de 2007, a exemplo do balanço patrimonial"; h.4) "... para fins de validade da reavaliação e da constituição da respectiva reserva, pouco importa se a avaliação foi feita em dezembro de 2007 ou no início de 2008; o que importa é que a reavaliação referese, de forma real e efetiva, à situação patrimonial do referido imóvel, em período anterior à vigência da Lei nº 11.638/07. Importante destacar que, ao contrário do apontado pela fiscalização, a reserva foi sim refletida corretamente em sua contabilidade, constando em seus balancetes"; i) "Pelas regras do RTT fica clara, claríssima, a prevalência do princípio da neutralidade dos efeitos das modificações dos critérios contábeis em relação à legislação tributária. Como se pode verificar do disposto no art. 16 da Lei 11.941/09, as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638/2007, que modificaram o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício, não terão Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 43 42 efeitos para fins de apuração do lucro real da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007"; i.1) "Ainda, a Lei nº 11.941/09, prestigiando o princípio da neutralidade, modificou, em seu artigo 39, a redação dos §§2º e 3º do art. 8º do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, prevendo a necessidade de registros auxiliares para os registros contábeis que forem necessários à observância das disposições tributárias relativas à determinação da base de cálculo do imposto de renda e demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração." i.2) "... a Lei nº 11.638/07 não é uma norma de direito tributário—como equivocadamente afirmado pelos agentes autuantes, mas, sim, de natureza societária. Logo, as modificações e limitações impostas pela referida Lei e pelas demais normas contábeis a elas correspondentes dizem respeito, única e exclusivamente, a aspecto societário, com absoluta neutralidade fiscal"; i.3) "... do ponto de vista fiscal, a reavaliação espontânea, ainda que tivesse sido realizada pela Recorrente quando não mais admitida pela Lei 11.638/07 – o que, como já demonstrado, não aconteceu, foi absolutamente legítima, sem qualquer reflexo ou consequência tributária, na medida em que a legislação fiscal, à época dos fatos relacionados à autuação, estava sujeita aos métodos e critérios contábeis anteriores a 31.12.2007, ou seja, anteriores à vigência da Lei 11.638/07"; i.4) "... Os efeitos da reavaliação realizada pela Recorrente, se de fato a reavaliação estivesse vedada, mera argumentação, poderiam ser desconsiderados apenas e tão somente para efeitos societários, não para efeitos fiscais"; i.5) "... como não havia, do ponto de vista fiscal, qualquer empecilho para a reavaliação espontânea e a consequente constituição da reserva de reavaliação do Imóvel por parte da Recorrente, em razão da neutralidade fiscal das regras trazidas pela Lei nº 11.638/07, fica clara e evidenciada, nesse ponto, a absoluta improcedência das autuações em foco"; j) "Se a reserva de reavaliação “não pode produzir qualquer efeito tributário” – conforme solenemente proclamado na autuação –, é óbvio que ela não poderia ser considerada para fins de apuração de ganho de capital"; j.1) "A própria fiscalização afirmou que a reavaliação não produz efeito fiscal e que o laudo que a ela daria a ela suporte 'seria inidôneo', sendo que o acórdão recorrido, em referência ao apontado laudo, afirma que ele contém 'declaração falsa'"; j.2) "Assim, há uma clara e completa contradição da fiscalização, indevidamente desconsiderada pelo acórdão recorrido: ao mesmo tempo em que os efeitos da reserva de reavaliação são afastados em virtude de o laudo de reavaliação ser supostamente inidôneo, essa mesma reavaliação é levada em consideração para fins de apuração de ganho de capital em subsequente operação de cisão parcial da Recorrente, a despeito de o critério de avaliação adotado para referida operação de reestruturação societária ter sido o “contábil” e não o “a valor de mercado”. Perguntase: como a reavaliação “não pode produzir qualquer efeito tributário” e, ao mesmo tempo, o valor dessa reavaliação pode ser considerado para fins de apuração do ganho de capital em uma operação de cisão que foi realizada a valor contábil? É simplesmente impossível!!!"; Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 44 43 j.3) "Uma vez que a cisão foi realizada sob o critério de avaliação dos bens vertidos a valor contábil – fato incontroverso, resulta inquestionável que, tendo sido afastada a validade da reavaliação espontânea da parcela cindida, do ponto de vista tributário, a consequência lógica, nesse contexto, necessariamente seria: (i) a desconsideração da reserva de reavaliação constituída, que deixaria de existir para todos os efeitos tributários; e (ii) o valor contábil da parcela deixaria de contemplar a mais valia decorrente da reavaliação expurgada, voltando a ser aquele anterior à reavaliação; (iii) consequentemente, o imóvel seria vertido sem se considerar a referida reavaliação, dado que, repetindo, a avaliação se dera a valor contábil, ou seja, pelo valor do custo de aquisição do imóvel (R$ 6.085.271,86). Disso decorre, claramente, que não haveria se falar em ganho de capital, pois, nos termos legislação fiscal, nas operações de cisão, fusão e incorporação somente se apura resultado quando realizadas a valor de mercado, e jamais quando a valor contábil. Portanto, neste caso, em face desconsideração da reavaliação espontânea, jamais se poderia cogitar de reconhecimento de ganho de capital na cisão, mas, isto sim, de retificação do valor da parcela cindida"; j.4) "Não há esquecer que a apuração de ganho de capital em operação de cisão necessariamente dependeria de avaliação do bem a valor de mercado, o que não existiu no presente caso porque, repetindo, o laudo que acompanhou a cisão adotou o valor de livros e o laudo que deu suporte à constituição da reserva de reavaliação foi considerado “inidôneo” pela fiscalização"; k) "O laudo de avaliação realizado a valor de livros, como sucedeu no presente caso, não pode ser confundido, em absoluto, com avaliação a valor de mercado, que pressupõe a elaboração de laudo voltado a precificação do ativo para efetiva venda a terceiros, segundo as condições de mercado. Só pode haver ganho de capital em operações de cisão de sociedades quando, nestas, o patrimônio é transferido a valor de mercado, em montante superior ao valor contábil do patrimônio da cindida. No caso concreto isso não aconteceu, já que na operação de cisão levada a efeito não houve qualquer avaliação a mercado, mas, sim, mera transferência de ativos a valor contábil, nesta considerado o valor resultante da reavaliação"; k.1) "Nesse sentido, a fiscalização não poderia simplesmente considerar que a cisão fora realizada a valor de mercado porque, antes do evento, a reavaliação havia sido, de forma pretensamente ilegítima, realizada, com a constituição, em contrapartida, da respectiva reserva"; k.2) "A própria diferença entre a “avaliação a mercado” nos eventos de cisão, fusão e incorporação e a já extinta “reavaliação espontânea” demonstram que a autoridade fiscal não poderia, por ocasião da cisão, considerar como de mercado o ativo expressamente avaliado a valor contábil, com o cômputo do valor da reavaliação anteriormente realizada"; k.3) "Como visto, no evento de cisão o contribuinte tem a opção de avaliar o patrimônio da sociedade objeto da cisão a valor contábil ou a de mercado. Caso opte pela avaliação dos bens e direitos pelo valor contábil (valores de livros), que foi o caso da Recorrente, nenhuma repercussão haverá na órbita do IRPJ e da CSLL, ao passo que se optar pela avaliação pelo valor de mercado, e tal valor ultrapassar o valor contábil, a mais valia comporá o resultado tributável do balanço de cisão"; l) "A reserva de reavaliação não teve, em nenhum momento, o intuito de impedir o fato gerador de qualquer obrigação tributária. A constituição da respectiva reserva, por sua vez, foi mera consequência da reavaliação, com absoluta neutralidade fiscal. Na verdade, o tratamento contábil dado à reavaliação do imóvel na sucessora foi absolutamente o mesmo conferido pela Recorrente enquanto o imóvel integrou seu ativo imobilizado"; Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 45 44 m) "... a reavaliação e a consequente constituição da respectiva reserva, pela Recorrente, não foram promovidas com o intuito de impedir ou retardar a ocorrência de qualquer obrigação tributária, nem o contrário foi demonstrado seja na autuação seja no acórdão recorrido"; m.1) "A reserva de reavaliação não foi constituída para que, em posterior evento de cisão, o imóvel fosse vertido para nova sociedade constituída sem que o referido evento ensejasse a apuração do IRPJ e da CSLL pelo ganho de capital. Em nenhum momento haveria um planejamento nesse sentido, na medida em que a própria legislação do imposto de renda define regra de neutralidade fiscal aos eventos de reestruturação com a versão de ativos reavaliados, desde que a empresa sucedida confira à reavaliação o mesmo tratamento que anteriormente era dado pela sucedida (a Recorrente)"; m.2) "... a ausência de vantagem fiscal afastaria a ocorrência de simulação/fraude, desnaturando a premissa em que a fiscalização e o próprio órgão julgador recorrido se pautaram na autuação e no acórdão recorrido, respectivamente, sendo manifesta a necessidade de provimento ao presente recurso para afastamento da autuação no que tange ao ganho de capital apurado"; n) não há como ser aplicada, concomitantemente, a multa isolada pelo não recolhimento de estimativa com a multa de ofício, sendo invocada a Súmula CARF nº 105; o) "...ainda que os argumentos pelo afastamento integral da autuação relativa ao suposto ganho de capital não venham a ser acolhidos, mera argumentação, ao menos deverá ser determinada à autoridade fiscal que apure os créditos de IRPJ e de CSLL, considerando as seguintes premissas que não foram respeitadas pela fiscalização: o.1) "o ganho de capital apurado deverá ser adicionado à base de cálculo do imposto no respectivo mês de apuração"; o.2) "considerado que o suposto ganho de capital decorreria da cisão parcial da Recorrente, o resultado tributável deveria ser considerado no período compreendido entre o início do anocalendário de 2008 e a data do evento (cisão) e não em 30.12.2008, que correspondente ao encerramento do período de apuração subsequente ao da cisão"; o.3) "... deverá ser reconhecido o descabimento da forma de apuração realizada na autuação em foco, e, feito isto, a consequência será o reconhecimento da decadência, porque o prazo quinquenal, na esteira de jurisprudência já acima citada, deve ser contado desde a data do respectivo fato gerador (agosto de 2008), nos termos do §4º do art. 150 do CTN, ou, na pior das hipóteses, da data da entrega da DIPJ resultante da cisão (29.09.2008)". Ao final do recurso, há uma conclusão quanto às alegações e o pedido, conforme abaixo: Diante de todos os fatos e fundamentos acima expostos, podese seguramente concluir que: (i) todos os créditos tributários objeto das autuações em foco estão alcançados pela decadência, e não apenas aqueles assim reconhecidos na decisão recorrida; (ii) as alegações constantes das autuações, e acatadas na decisão recorrida, no sentido de que a Recorrente teria agido com fraude não têm qualquer amparo legal nem suporte na prova existente, isso porque: a) a cisão parcial, da qual decorreu a versão de ativos para a Transcel teve efetivo e legítimo propósito negocial, conforme amplamente Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 46 45 comprovado de forma documental; b) a posterior locação dos bens vertidos pela Transcel à Recorrente também se deu de forma efetiva, regular e legítima, sendo afastada qualquer hipótese de artificialismo ou simulação; c) de igual modo, a reavaliação de ativo imobiliário e a constituição da respectiva reserva ocorreram de forma regular, sem violação à Lei nº 11.638/07; o laudo de avaliação que deu respaldo a essa reavaliação não é fruto de falsidade tampouco é inidôneo, não se podendo falar aí em qualquer fraude ou sonegação. Consequentemente, não há nenhuma justificativa legal para a imposição das multas qualificadas (150%) em foco; (iii) a imputação de fraude decorre, única e exclusivamente, do censurável propósito dos srs. agentes autuantes de, com isso, evitar o reconhecimento da decadência da totalidade dos créditos fiscais que foram lançados; vale destacar que a fiscalização, no caso, demorou mais de 4 (quatro) anos e, somente no penúltimo dia do ano de 2013, é que houve a lavratura dos autos (quando já superado o prazo decadencial); a imputação de conduta fraudulenta foi, com certeza, a única forma encontrada para tentar (inutilmente) afastar o reconhecimento da decadência!; (iv) no que se refere especificamente à glosa das despesas de locação, a improcedência da autuação é manifesta na medida em que: (a) foi necessária a realização da cisão parcial, com versão de bens à Transcel, como única e válida forma de melhorar a situação financeira da cindida, o que se fazia indispensável para que pudesse seguir participando de licitações junto ao Poder Público bem assim para obter linhas de financiamento para o incremento de suas atividades; (b) a posterior locação dos bens vertidos foi, igualmente, realizada com evidente e justificado propósito negocial, em condições usuais de mercado; (c) é praxe de mercado que as empresas, buscando se capitalizar ou melhorar sua situação financeira, alienem bens de seu ativo, com a condição de o adquirente, ato contínuo, locálos ao próprio alienante; muitas vezes esse mesmo efeito é obtido em operações de lease back; no caso, ao invés de alienar os ativos a terceiros, optou a Recorrente por realizar a cisão parcial, por meio da qual atingiu esse mesmo e legítimo efeito prático; (d) ainda que a glosa das despesas fosse possível, mera argumentação, houve evidente erro de cálculo na sua quantificação pelos srs. agentes autuantes; (v) quanto ao ganho de capital, também a autuação é notoriamente improcedente pois: (a) a reavaliação de bem imóvel atacada e desconsiderada pela fiscalização e na decisão recorrida não se deu com violação à Lei nº 11.638/07; (b) dita reavaliação ocorreu efetivamente no âmbito do exercício social de 2007, antes, portanto, do inicio da vigência da referida Lei; (c) irrelevante que o laudo de reavaliação tenha sido elaborado em fevereiro de 2008, porque se reportou à situação patrimonial efetivamente existente em dezembro de 2007 (database da avaliação); (d) a lei expressamente permite que o balanço patrimonial e as demonstrações financeiras sejam elaborados e divulgados dentro do primeiro quadrimestre do ano posterior ao do encerramento do exercício; mesmo assim, tais documentos são datados de 31 de dezembro do ano anterior, sem que, por isso, se possa falar em falsidade; essa mesma regra deve valer para o laudo de avaliação que, no caso, foi elaborado em fevereiro de 2008, retratando a situação patrimonial do bem avaliado em dezembro do ano anterior e, por isso, datado de dezembro de 2007; (e) ainda que, por mera argumentação, a reavaliação tivesse sido realizado em ofensa à Lei nº 11.638/07 – mas não foi –, disso decorreria mera irregularidade do ponto de vista societário, sem reflexos tributários, uma vez que, no referido período, os eventos fiscais estavam sujeitas ao RTT, lembrando que referida Lei é de natureza societária/contábil, não dispondo sobre matéria tributária; (f) a postura adotada pelos srs. agentes autuantes, e encampada pela decisão recorrida, é no mínimo contraditória na medida em que, de um lado, não reconhece a eficácia da reavaliação e da respectiva reserva, e, de outro lado, adota essa mesma reavaliação para utilizar a respectiva mais valia como ganho de capital na operação de cisão parcial em que o Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 47 46 imóvel reavaliado foi vertido pelo critério do valor contábil, com a transferência da reserva de reavaliação, que comprovadamente recebeu, na empresa incorporadora, o mesmo tratamento fiscal que vinha recebendo na cindida; dessa forma, a Recorrente não obteve nenhum benefício fiscal, tampouco o Fisco teve qualquer prejuízo; (vi) a multa isolada, ainda que tivesse havido infração fiscal – mera argumentação –, não poderia ter sido aplicada cumulativamente com as multas de ofício. Da mesma forma, a forma de apuração dos créditos constituídos foi manifestamente equivocada, o que causa reflexos que devem ser reconsiderados no julgamento deste recurso. PEDIDO Diante de todo o exposto, pede e espera a recorrente seja dado provimento ao presente recurso voluntário para, em reforma ao acórdão recorrido, afastar totalmente das exigências contidas nos autos de infração, ou, na pior das hipóteses, para acolher os pedidos subsidiários formulados. O processo havia sido distribuído no âmbito da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste CARF. Todavia, tendose em vista que a glosa de despesas levada a efeito no anocalendário 2007, nestes autos, decorre de idênticos fatos relativos ao anocalendário 2006, com procedimento fiscal que resultou no lançamento de ofício que está controlado por meio do processo administrativo nº 10803.720003/201302, cujos recursos também se encontram sob exame deste Conselho no âmbito desta Turma (relatoria deste conselheiro), já tendo inclusive sido tomada a Resolução nº 1201000.265, de 25 de julho de 2017, considerando o disposto no art. 6º, § 1º, inc. I e § 3º do Ricarf, e ainda, tendo em conta os princípios da uniformidade das decisões e da celeridade processual, o processo foi redistribuído, por prevenção, a este mesmo relator. Em 13 de junho de 2018, foi protocolada petição em que a recorrente "requer seja determinado o sobrestamento do julgamento do processo 10803720.334/201334, aguardandose o retorno do processo principal (de nº 10803720.003/201302) para julgamento conjunto, considerando (i) a conexão existente entre esses dois processos, (ii) que o processo principal encontrase na unidade fiscal responsável pela diligência designada por esta Turma, e, finalmente, (iii) a disciplina contida nos dispositivos ... do Regimento Interno deste Conselho". É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos da legislação, devendo, pois, ser conhecido. No que tange ao recurso de ofício, apenas para registro, o valor exonerado relativo às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins foi no montante de R$ 1.705.028,80, nele incluídos o principal e a multa (150%). Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 48 47 Recurso voluntário. Após o julgamento em primeira instância, quanto à infração relativa à glosa de despesas de locação de veículos, restaram os lançamentos de IRPJ e CSLL. No processo nº 10803.720003/201302 que trata dessa mesma infração, mas relativa ao anocalendário 2006, na decisão de primeira instância assim se pronunciou o i. julgador Luís Mário Monteiro Teixeira, da DRJ/SDR, em sua declaração de voto (fls. 3.630 e 3.631 daquele processo): Acompanho o voto do relator no que toca tanto à constatação da decadência de parte do lançamento, como também da qualificação da multa de ofício em todos os casos por ele analisados. Todavia, peço vênia para dele divergir quanto ao mérito do lançamento da infração decorrente da glosa de despesas de locação de veículos. Entendo que o fundamento principal para a autuação nesse ponto decorreu do entendimento fiscal de que a única finalidade da cisão parcial sofrida pela impugnante, por meio da qual veículos de seu uso e propriedade foram vertidos para o patrimônio de empresa do mesmo grupo (Transcel), era gerar uma economia tributária, mediante a dedução de despesas de locação desses mesmos veículos antes cindidos. Pelo que se viu nos autos, entendeu a fiscalização que a operação foi um mero ardil para criar despesas. Pois bem, a relatoria, mediante aprofundado estudo sobre os fundamentos jurídicos e econômicos de tal operação societária intragrupo, deu provimento às conclusões da fiscalização no ponto. Esse entendimento é por mim igualmente acatado. Nesse contexto, uma vez confirmado pelos fatos que a referida cisão foi um mero artifício, um mero ardil, a glosa de custos decorrentes da locação dos veículos, concordamos, é uma conseqüência natural daquela conclusão. Contudo, não é essa a única. Como destacou o impugnante, uma vez requalificado o fato, há que se reapurar todos os efeitos decorrentes da conclusão de que não houve uma real cisão. Assim, entendo que caberia à fiscalização, tão logo concluísse pela desconsideração daquele ato societário, refazer a apuração dos tributos do período, considerandose, nesse mister, além da glosa dos custos em si, os encargos de depreciação e financeiros correspondentes, como se não tivesse ocorrido a cisão. Só assim poderíamos conhecer a extensão correta do benefício fiscal artificialmente almejado. Pelo que vejo nos autos, não houve movimento algum da fiscalização nesse sentido, limitandose o lançamento à glosa da despesa. Por isso, entendo que o lançamento, nesse ponto, padece de vício que atinge sua própria materialidade, impossibilitando que se conheça realmente os valores devidos de IRPJ e de CSLL. Dessa forma, data vênia as judiciosas considerações do relator, entendo que, nessa parte, é improcedente o lançamento. Ainda, na Resolução tomada naquele processo ficou assentado: Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 10803.720334/201334 Resolução nº 1201000.522 S1C2T1 Fl. 49 48 Com a devida vênia do i. julgador, é de se concordar com ele apenas em parte. Houve sim, um erro quanto à apuração da base de cálculo que, no entanto, poderia e pode ser corrigido com o fim de se adequar o valor do tributo a ser exigido. Para tanto, basta o reconhecimento das despesas de depreciação relativamente aos veículos que, em face da cisão desconsiderada, foram vertidos indevidamente ao patrimônio de outra Pessoa Jurídica. Tendose em vista que o caso que se apresenta nos presentes autos é o mesmo daquele já tratado anteriormente, a solução a ser adotada também deve ser idêntica. Conclusão. Em face de todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que o presente processo seja remetido à unidade de origem da circunscrição da recorrente, para que seja efetuada a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo a mesma sistemática adotada para o lançamento de ofício, considerandose no entanto, adicionalmente, os encargos de depreciação e financeiros a serem também apurados. Poderão ser consideradas para início dessas apurações as planilhas apresentadas junto com a impugnação (doc. 12), assim como os cálculos oferecidos no voluntário (fls. 3.716 e 3.717), após a devida confirmação, pelo que a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos para esse fim. As conclusões deverão constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência à recorrente para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Esgotado o prazo acima, o processo deverá retornar ao CARF para julgamento conjunto com nº 10803.720003/201402, já em procedimento de diligência conforme Resolução nº 1201000.265, de 25 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 3902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917704/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.858
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 08031.422, prolatado pela DRJ Fortaleza/CE, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade em que se pleiteou a reforma do despacho decisório da repartição de origem que não homologara a Declaração de Compensação de crédito da Cofins com débito da titularidade do mesmo sujeito passivo. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação, alegando que (i) o débito de fato era menor que o informado na DCTF, conforme planilha anexada aos autos, (ii) a vinculação do DARF na DCTF não era causa suficiente para a negativa do pedido de restituição e que (iii) seu direito creditório se originara RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 70 4/ 20 11 -6 5 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10830.917704/201165 Resolução nº 3201000.858 S3C2T1 Fl. 211 2 do alargamento indevido da base de cálculo promovido pelo artigo 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A decisão da DRJ Fortaleza/CE, denegatória do direito pleiteado, fundamentou se na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse comprovar o alegado erro cometido no preenchimento da DCTF, dada a ausência de retificação tempestiva dessa declaração. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.848, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 10830.917695/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.848): O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. (...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS pelo regime não cumulativo (alargamento da base de cálculo declarada inconstitucional pelo STF). De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento a maior de COFINS realizado por meio do recolhimento de DARF. Consoante Despacho Decisório proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, justificando exatamente que o recolhimento a maior decorre da revisão da base de cálculo da COFINS diante da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e apresentando respectivo demonstrativo da base de cálculo apurada. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.917704/201165 Resolução nº 3201000.858 S3C2T1 Fl. 212 3 Embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado, entendendo ter precluído o direito de fazêlo posteriormente. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, apresenta (i) nova cópia do demonstrativo de apuração da COFINS; e (ii) Balancete mensal da COFINS, extraído do seu Livro Diário devidamente registrado. Com base nisso, postula pela aplicação do Princípio da Verdade Material e requer a realização de diligência para que demais documentos julgados necessários pela Fiscalização possam ser apresentados pelo contribuinte. Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, em prol do princípio da verdade material, e considerando que o contribuinte trouxe aos autos diversos documentos comprobatórios do seu direito, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandolhe, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10830.917704/201165 Resolução nº 3201000.858 S3C2T1 Fl. 213 4 Da mesma forma que no processo do paradigma, nestes autos, o contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, novos documentos comprobatórios com vistas a demonstrar o alegado direito creditório (balancete e demonstrativo). Desta forma, os elementos que justificaram a conversão em diligência do paradigma, também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte, intimandoo, se necessário, para a apresentação de documentos adicionais. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902693/2012-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA INICIAL DO CONTRIBUINTE
Conforme determinação Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, Art 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito.
COMPENSAÇÃO - CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO
Não tendo o contribuinte logrado comprovar a existência do direito creditório disponível, com base em suposta desvinculação de pagamento em DCTF retificadora, indefere-se a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 3201-008.618
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recuso Voluntário. O conselheiro Hélcio Lafetá Reis votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.608, de 21 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.902688/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recuso Voluntário. O conselheiro Hélcio Lafetá Reis votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.608, de 21 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.902688/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA INICIAL DO CONTRIBUINTE Conforme determinação Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, Art 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é inicialmente do contribuinte ao solicitar seu crédito. COMPENSAÇÃO - CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO Não tendo o contribuinte logrado comprovar a existência do direito creditório disponível, com base em suposta desvinculação de pagamento em DCTF retificadora, indefere-se a compensação pleiteada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recuso Voluntário. O conselheiro Hélcio Lafetá Reis votou pelas conclusões. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.608, de 21 de junho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13502.902688/2012-05, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Hélcio Lafetá Reis, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Mara Cristina Sifuentes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Ausente o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 90 26 93 /2 01 2- 18 Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.618 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.902693/2012-18 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. O presente procedimento administrativo fiscal tem como objeto o julgamento do Recurso Voluntário apresentado em face da decisão de primeira instância, proferida no âmbito da Delegacia regional de Julgamento (DRJ), que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório eletrônico que não homologou as compensações solicitadas. O processo trata de Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação declarada através de DCOMP, utilizando como tipo de crédito Pagamento Indevido ou a Maior. A Receita Federal do Brasil, emitiu Despacho Decisório. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP . foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte tomou ciência do Despacho Decisório, apresentando Manifestação de Inconformidade, no qual informa que discorda do indeferimento da compensação considerando que os créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior já haviam sido devidamente disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs dos respectivos períodos de apuração. Conclui solicitando o reconhecimento do direito ao crédito, com a homologação do PER/DCOMP sob análise. Após julgamento, o direito creditório não foi reconhecido. Em Recurso o contribuinte nem mesmo reforçou os argumentos apresentados anteriormente e se ateve a pedir dilação de prazo. Relatório proferido. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.618 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.902693/2012-18 Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Conforme determinação Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, Art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar seu crédito. Neste caso em concreto, em Recurso Voluntário o contribuinte sequer reforçou os argumentos da Manifestação de Inconformidade e se limitou a afirmar que errou em sua defesa e solicitou dilação de prazo, pedido que deve ser negado pelas razões expostas a seguir. O contribuinte não cumpriu com que foi determinado no Art. 16 do Decreto 70.235/72. Ao solicitar o reconhecimento de um crédito, conforme Art. 165 e 170 do CTN, os créditos devem ser líquidos e certos, ônus que compete inicialmente ao contribuinte. Reproduzo as razões de decidir antecedentes, para também constar no presente voto, como fundamentos decisórios: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, dela, pois, tomo conhecimento. O processo trata da não homologação de compensação que utiliza crédito de Pagamento Indevido ou Maior, no valor de R$ 81.518,72, referente ao Período de Apuração (PA) set10 e código de receita 6912 – PIS não cumulativo. A não homologação se justifica pela indisponibilidade do crédito, pois este se encontra totalmente vinculado a débito declarado de PIS , em DCTF relativa ao PA set10. Muito embora o contribuinte alegue em sua Manifestação de Inconformidade, fls.14/15 , que o crédito sob análise está disponível “em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”, tal fato não se confirma pela consulta aos Sistemas Informatizados da RFB. Seguem as telas de consulta aos Sistemas Sief Documento de Arrecadação, DCTF e DACON: 1) Tela do Sistema Sief Documento de Arrecadação – verifica-se que o pagamento, no valor de R$ 81.518,72, código de receita 6912 – PIS não cumulativo, referente ao PA set10 está totalmente alocado a débito do contribuinte, não havendo qualquer saldo disponível para utilização em compensações. Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.618 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.902693/2012-18 2)Telas do Sistema DCTF – verifica-se que a DCTF ativa, que inclui o PA set10, foi recepcionada em 19/05/2011, sendo R$ 81.518,72 o valor do débito de PIS declarado e estando totalmente vinculado a pagamento do mesmo valor. Entende-se por DCTF ativa a última declaração entregue pelo contribuinte para o período de apuração, seja ela original ou retificadora. 3) Telas do Sistema DACON – observa-se que o Dacon ativo, que inclui o PA set10, foi entregue em 28/10/2010, sendo o valor informado do PIS a pagar de R$ 81.518,72. Entende-se por DACON ativo o último demonstrativo entregue pelo contribuinte, seja ele original ou retificador. Portanto confirma-se que o valor de R$ 81.518,72, arrecadado em 25/10/2010, referente ao ´PA set10, Código de Receita 6912, está totalmente alocado a débito com as mesmas características, não havendo assim qualquer valor disponível para compensação. Como é possível observar, a decisão a quo analisou os detalhes do pedido do contribuinte, apresentado em seu primeiro recurso, e demonstrou que não havia a Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.618 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13502.902693/2012-18 suposta desvinculação de pagamento em DCTF. Após, o contribuinte confirma o erro em sua defesa e se ateve à solicitar a dilação de prova. Diante do exposto, com base nos mesmos motivos da decisão de primeira instância, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recuso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902573/2008-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-005.592
Decisão: Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 25 73 /2 00 8- 40 Fl. 523DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Trata-se de recurso especial do sujeito passivo em face do acórdão de Turma Ordinária do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O sujeito passivo apresentou recurso pretendendo questionar as seguintes matérias: (1) “possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ”; e (2) “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”. Em um primeiro momento o recurso especial teve o seguimento negado pelo Presidente de Câmara por meio do despacho. Após agravo do sujeito passivo, interposto exclusivamente quanto à não admissibilidade da primeira matéria acima referida, a Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso especial quanto ao tema ali exposto, em despacho assim fundamentado: [...] O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às seguintes matérias: i) "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ"; e ii) "necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material". A contribuinte interpôs Agravo tão somente em relação à matéria descrita no item "i" acima, ou seja, quanto à POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO DE IRPJ RECOLHIDO A MAIOR APÓS A RETIFICAÇÃO DA DIPJ. Extrai-se, primeiramente, os seguintes fragmentos do exame agravado: [...] Com relação a essa matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”, e que, portanto, teria havido equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32%, e não 8%), no acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1101-000.848, de 2013), ao contrário, tratou-se de existência de débito de estimativa de IRPJ, ao passo que o recolhimento montara [...]. Ou seja, na decisão recorrida tratou-se de alegado erro de direito [erro na aplicação da norma jurídica]; já no acórdão paradigma apontado, de alegado erro de fato [erro na análise dos fatos ocorridos]. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questão de direito, e nunca a questão de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. Fl. 524DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial, nessa matéria, caberia à Recorrente apresentar acórdão paradigma apreciando situação semelhante à abordada na decisão recorrida (mesmo em se tratando de alegado erro de direito, e não de fato...) e decidindo em sentido contrário a ela (...não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP). Argumenta a Agravante que, ao contrário do assinalado no despacho contestado, a divergência jurisprudencial é evidente, relativamente à interpretação da Lei nº 9.784, de 1999, e da Lei nº 9.430, de 1996. Afirma que na situação enfrentada pelo acórdão paradigma nº 1101-00.848 a Autoridade Administrativa não desconstituiu as informações prestadas em DIPJ retificadoras, bem como não desenvolveu qualquer procedimento para tanto, de modo que o crédito com base na DIPJ deve ser aceito e a compensação homologada, em respeito ao Princípio da Verdade Material. Alega que a similaridade do acórdão paradigma é evidente, visto que no caso em exame o acórdão recorrido reconhece expressamente que houve a retificação da DIPJ, sendo este um dos procedimentos exigidos para reconhecimento do indébito, mas alega ausência de outros procedimentos, como retificação da DCTF e a juntada integral da documentação contábil, enquanto o paradigma entendeu que "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF)", e ainda, que diante do indébito apurado com base nas informações em DIPJ, deveria a autoridade preparadora desenvolver procedimento para desconstituir tal realidade, caso contrário deve ser reconhecido o pagamento a maior e, por consequência, deve ser admitida a sua compensação. Nos presentes autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação, por meio da qual indicou crédito decorrente de alegado pagamento a maior ou indevido. Tal indébito teria decorrido do fato de ter utilizado o coeficiente de presunção de 32% (prestação de serviços) ao invés de 8% (industrialização por encomenda). Embora não tenha promovido a retificação da DCTF, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora em data anterior à apresentação da Declaração de Compensação, na qual consignou o valor do tributo que considerava devido. A compensação não foi homologada, haja vista que o valor indicado como crédito já havia sido alocado a um determinado débito. Considerados os termos do seu voto condutor, o acórdão recorrido fincou a negativa de provimento ao recurso voluntário impetrado pela ora Agravante nos seguintes fundamentos: i) tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a apresentação de DIPJ retificadoras não é suficiente para o acolhimento do pedido, sendo necessário que o contribuinte ofereça informações com substância, consistência e devidamente comprovadas; ii) na defesa inaugural (Manifestação de Inconformidade), não foram apresentadas provas capazes de demonstrar que, por realizar industrialização por encomenda, a contribuinte estava sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (e não 32%, como alegou que aplicou), e as que foram carreadas ao processo por meio do recurso voluntário são constituídas por "cópias esparsas de notas fiscais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura"; iii) superadas as dificuldades para identificação dos valores, os montantes retratados nas cópias de notas fiscais trazidas ao processo correspondem a percentuais ínfimos quando comparados com a receita total informada na DIPJ; iv) tratando-se de certeza e liquidez de direito creditório, a comprovação é ônus do contribuinte; e Fl. 525DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 v) se a contribuinte alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se à “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento, bem como os livros contábeis ou fiscais que demonstrassem tal fato. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação indicando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, e, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, a compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência de disponibilidade do referido crédito, vez que ele já havia sido alocado a determinado débito da contribuinte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a DIPJ indicava o efetivo valor devido e noticiou a retificação da DCTF. O voto condutor do paradigma em referência assinala inicialmente que, "ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito". Em que pese tal consideração, adiante, o referido voto condutor assinala, verbis: [...] Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir daí, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Imperioso, assim, a demonstração de fatos anteriores à ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. E, neste sentido, a contribuinte junta aos autos cópia da DIPJ referente ao ano-calendário [...]. Veja-se que a Relatora do acórdão recorrido não fez reparos à informação desta declaração, inclusive valendo-se de seus dados para afirmar o reconhecimento parcial do indébito, mas nesta parte restando vencida. Assim, está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: [...] Esta é a interpretação que se extrai deste dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: [...] Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Fl. 526DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: [...] Dessa forma, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: [...] Todavia, o descumprimento daquela obrigação não pode ensejar, como penalidade, o perecimento do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: [...] Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Fl. 527DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Assim, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a "erro de direito" ou a "erro de fato" como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Em apertada síntese, temos o seguinte: a) nos presentes autos, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na aplicação de percentuais de presunção, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que não foi homologada por se entender que, no caso, não houve comprovação do erro alegado; e b) no caso do paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na apuração de estimativa, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que foi homologada por se entender que, "diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada .... não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado" (nos exatos termos do voto condutor correspondente, "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada". Identifica-se, portanto, similitude entre os fatos apreciados pelos acórdãos comparados, eis que, em ambos, analisou-se a situação em que o contribuinte, constatando erro na apuração do tributo devido, mesmo sem retificar a DCTF, altera primeiramente a DIPJ e, em momento posterior, apresenta Declaração de Compensação. No que diz respeito às decisões veiculadas pelos referidos acórdãos, entretanto, extrai-se sem maiores esforços um conflito interpretativo, visto que, enquanto o acórdão recorrido entende que, tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de documentação comprobatória, para o acórdão paradigma nº 1101- 000.848, presente a divergência entre a DIPJ e a DCTF, instrumentos declaratórios que Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 se encontravam na base de dados da Receita Federal, cabia à autoridade administrativa que primeiro analisou a Declaração de Compensação questionar tal fato para fins de definição acerca da informação que deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ". A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que questiona a admissibilidade do recurso especial, transcrevendo trechos do despacho do Presidente de Câmara que não reconheceu como caracterizada a divergência jurisprudencial entendendo trata-se de situações fáticas distintas. Aduz, ainda, que o recurso não merece seguimento haja vista que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base em fundamentos autônomos que não foram, em sua totalidade, abordados em sede de recurso especial. Questiona também o mérito do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese os judiciosos argumentos da ilustre relatora, Conselheira Livia De Carli Germano, ouso discordar de seu voto quanto ao conhecimento do Recurso Especial. Em seu Apelo, o Contribuinte pretendeu trazer à discussão deste colegiado a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ, tendo o Despacho de Admissibilidade não admitido o recurso, tendo sido posteriormente reformado em sede de Agravo. Relativamente à matéria “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”, o recurso não foi admitido no Despacho de Admissibilidade, não tendo o Contribuinte se insurgido contra tal decisão. No aresto recorrido (Acórdão nº 1402-002.537), assim consta em seu voto condutor: No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”. [...]. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. [...]. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Já no paradigma colacionado pela Recorrente, o voto condutor consigna o contexto da discussão travada naqueles autos: Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração do débito de estimativa de IRPJ em janeiro/2007 e, por consequência, o recolhimento a maior arguido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cabe observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito. [...]. [...]. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Analisando ambos os julgados, inicialmente conclui-se, de fato, que ambos discutem matéria idêntica: a possibilidade, ou não, de caracterização de indébito decorrente de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ com a consignação do valor que, a seu ver, seria o real débito do tributo. Se analisado sob essa circunstância, poder-se-ia identificar divergência entre os referidos acórdãos, contudo, as conclusões distintas devem-se ao fato de estarem sendo analisadas circunstâncias fáticas com contextos fáticos significativamente distintos: enquanto no acórdão recorrido a recorrente alega que sua atividade, seu objeto social, e sua real operação empresarial seria de “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento” (sujeita à determinação da base de cálculo do lucro presumido mediante utilização de coeficiente de presunção de 8%), e não “prestação de serviços” (cujo coeficiente para apuração do lucro presumido seria de 32%), o acórdão paradigma analisou contexto em que, pela simples analise da DIPJ Retificadora, chegar-se-ia à conclusão de que restaria confirmado o recolhimento a maior. Veja-se que, no acórdão paradigma, consta em seu voto condutor que “as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, tratava-se de simples erro de fato cometido no preenchimento da DIPJ, não envolvendo questões probatórias, no entender daquele colegiado demandasse qualquer esforço adicional. Já no acórdão recorrido o relator entendeu que haveria de ter comprovação das atividades desenvolvidas pelo contribuinte para se demonstrar que, efetivamente, sua atividade era a de industrialização de encomenda, apta, portanto, a atrair a aplicação do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Confira-se: Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e ue, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, [...] Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõem-se de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegar-se à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 - Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. [destaques da decisão recorrida] Em relação à confrontação dessas duas decisões, assim consta no Despacho em Agravo: Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há, no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a “erro de direito” ou a “erro de fato” como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Com a devida vênia, entendo que razão assistia ao decidido no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial: a comprovação de erro de fato de que trata o acórdão paradigma é significativamente diferente de comprovação de erro de direito. Observa-se, de início, que o acórdão paradigma — nesse ponto concordando com o acórdão recorrido — afirma que, “ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito”. Contudo, naquele caso específico, com suas peculiaridades fáticas, o acórdão paradigma decidiu diferentemente do que afirmara, como segue: “Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada.” Ou seja, no caso específico do acórdão paradigma, como se tratou de um alegado “erro de fato” facilmente comprovável com a só apresentação de DIPJ, demonstrando a apuração das bases de cálculo mensais, o entendimento foi pelo provimento do recurso voluntário interposto para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Já na situação do acórdão recorrido, tratando-se de um suposto “erro de direito”, que dependeria da comprovação da atividade exercida pela empresa - se “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, ou “prestação de serviços” - não seria possível prever como decidiria aquele acórdão paradigma, ou seja, se este se contentaria, tão somente, com a mera mudança do preenchimento de linha relativa ao percentual de presunção na DIPJ para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, não é possível afirmar que o paradigma reformaria o acórdão recorrido. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso Especial somente é cabível se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste E. Conselho. No caso concreto, contudo, não há como se afirmar que haja uma divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado pelo Contribuinte, uma vez que os fatos tratados em cada um dos julgados possuem distinções significativas. Desse modo, tratando-se de situações fáticas distintas, envolvendo, inclusive, nuances jurídicas próprias, as decisões em sentido contrário nos acórdãos recorrido e paradigma não decorrem de divergência de interpretação de lei, condição prévia a ensejar a uniformização de entendimento por meio do Recurso Especial de divergência. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.592 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.902573/2008-40 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Fl. 533DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10280.720120/2007-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 20 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/05/2007
MULTA POR VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA.
A multa estabelecida no art. 107, inciso VI, do Decreto- Lei nº 37/1966 é aplicável para cada violação de dispositivo de segurança (lacre).
Numero da decisão: 9303-011.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que dava provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semiramis de Oliveira Duro e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semiramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que dava provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semiramis de Oliveira Duro e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semiramis de Oliveira Duro.
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A multa estabelecida no art. 107, inciso VI, do Decreto- Lei nº 37/1966 é aplicável para cada violação de dispositivo de segurança (lacre). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que dava provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Semiramis de Oliveira Duro e Vanessa Marini Cecconello. Ausente a conselheira Erika Costa Camargos Autran, substituída pela conselheira Semiramis de Oliveira Duro. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 137/143), admitido pelo despacho de fls. 175/179 em relação à matéria “APLICAÇÃO DE MULTA PARA CADA VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO DE SEGURANÇA (LACRE)”, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 01 20 /2 00 7- 66 Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-011.604 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10280.720120/2007-66 face do acórdão 3301-001.381, de 14/10/2020, o qual foi assim ementado na matéria controvertida: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. MULTA. COMETIMENTO. QUANTITATIVO. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto- Lei nº 37/1966 é aplicável para cada violação de dispositivo de segurança (lacre). Insurge-se o contribuinte contra a aplicação da multa a que se refere o art. 107, VI, do DL 37/66. Entende que, nos termos do paragonado 3401-005.386, deveria ser aplicada apenas uma vez por viagem, independente do número de contêineres em que houve o rompimento do lacre, o que resultaria da aplicação do mesma no valor de R$ 2.000,00, em vez da penalidade aplicada de R$ 28.000,00, por rompimento de 14 lacres. Argui que “caso o legislador pretendesse que a multa fosse aplicada “por contêiner” ou “por unidade”, como sustenta a decisão recorrida, teria o feito expressamente, como fez por diversas vezes no mesmo Decreto-Lei 37/66”. De sua feita, a Fazenda Nacional, em contrarrazões (fls. 164/169), pugna pela manutenção do recorrido, ao argumento de que a norma em que se arrima a exação, estabelece a multa de R$ 2.000,00 por cada violação de dispositivo de segurança. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Conheço do recurso especial do contribuinte nos termos em que admitido. O contribuinte foi autuado para exigência da multa prevista no art. 107, inc. VI, do Decreto-lei nº 37/66, com redação dada pela Lei 10.833/2003, por violação de dispositivo(s) de segurança (14 Lacres), no valor de R$ 2.000,00 por lacre violado, totalizando um crédito de R$ 28.000,00, conforme Auto de Infração, lavrado em 21/05/2007, pela ALF PORTO DE BELÉM (às fls. 02-09). A descrição dos fatos (à fl. 4) dispõe: 001 - VIOLAÇÃO DE VOLUME, UNIDADE DE CARGA OU DISPOSITIVO DE SEGURANÇA Aos 19 dias do mês de abril de 2007, em operação de descarga do NAVIO MV "KARINA", procedente de Manaus, conforme termo de entrada n ° E-077/07 (doc.01), a Companhia Docas do Pará constatou várias ocorrências de erro nos lacres informados no Manifesto de carga. Do total de 389 (trezentos oitenta nove) contêineres a serem descarregados neste Porto, dos quais 326 (trezentos e vinte e seis) vazios, 14 (quatorze), dentre os cheios, estavam com a numeração diversa do informado no Manifesto (doc. 03 e 04). O navio "Karina", anteriormente à atracação no Porto de Belém, já havia passado por dois (2) Portos brasileiros (Macapá e Manaus), conforme Portos de escala entregues a essa Alfândega (doc.02). Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-011.604 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10280.720120/2007-66 (...) ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 107, inciso VI do DL 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833/03, impedindo situações que possam suscitar dúvidas quanto à obediência às leis do Comércio Internacional. A decisão de piso (fls. 55/69) julgou parcialmente procedente a impugnação por entender que não restou caracterizada a violação do lacre de nº 225987 (contêiner TRLU8882073). Assim, manteve a autuação em relação a 13 lacres. Examinando-se os autos, resta inconteste que os 13 (três) contêineres em questão foram descarregados com Lacres diversos daqueles originalmente postos, o que caracteriza, à evidência, a violação. Veja-se o trecho da autuação a seguir transcrito: Andou bem a fiscalização ao aplicar a penalidade prevista pelo art. 107, inc. VI, do Decreto-lei nº 37/1966, que estabelece a multa de R$ 2.000,00 no caso de ocorrer violação de dispositivo de segurança. Veja-se o teor da norma: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: ... VI - de R$ 2.000,00 (dois mil reais), no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança;(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) A norma é expressa no sentido de que a multa será aplicada por violação de volume ou unidade de carga. Assim, resta evidente que a cada volume ou unidade de carga violada será aplicada uma multa, não havendo que se falar em infração continuada, argumento que se afasta, pois os ilícitos apontados não se confundem com infração continuada. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-011.604 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10280.720120/2007-66 Observa-se que as infrações relativas às violações dos 13 (treze) dispositivos de segurança pertencentes aos 13 contêineres descarregados provenientes do navio procedente do exterior se deram de forma autônoma e independente, de modo que embora sejam ilícitos da mesma espécie (ou seja, violação de dispositivos de segurança/lacres), e atribuídos ao mesmo infrator em um mesmo processo, não há entre eles a ocorrência de um subsequente ser havido como continuação do primeiro. Com efeito, cada uma das violações feitas aos dispositivos de segurança (lacres) constituiu-se em infração à legislação aduaneira, de forma independente e desvinculada. Portanto, é de ser mantido o recorrido. DISPOSITIVO Ante o exposto, conheço do recurso especial de divergência do contribuinte, mas nego-lhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital
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