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Numero do processo: 10935.908903/2021-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2020
MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2020
PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-011.647
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2020 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2020 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS não cumulativo.
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DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2020 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 89 03 /2 02 1- 86 Fl. 132DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.647 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908903/2021-86 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente Ao crédito de PIS/PASEP . Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 6ª Turma da DRJ-08, através do Acórdão nº 108-028.333, proferido na sessão de 5 de setembro de 2022, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão restou assim ementada: “Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2020 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE. O direito de calcular créditos de despesas com frete está restrito às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A despesa com frete na aquisição de bens não gera crédito por si só, mas sim porque integra o custo da mercadoria revendida e do bem utilizado como insumo.” Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.647 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908903/2021-86 A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente reitera as razões contidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, passando-se à sua análise. Alegações genéricas e matérias não impugnadas O Recurso Voluntário ficou adstrita aos créditos vinculados às despesas do frete contratado (serviço de transporte oneroso), sustentando: (a) de forma específica, o direito integral ao crédito da não cumulatividade sobre o frete vinculado a aquisição de produtos não tributados ou sujeitos à alíquota zero (que geram direito ao crédito presumido); e (b) de forma genérica, o direito ao crédito sobre o frete relativo a todo e qualquer serviço oneroso de transporte contratado, porque vinculados às suas atividades econômicas. O presente acórdão, portanto, ficará adstrito aos pontos de inconformismo da Recorrente discutidos em seu Recurso Voluntário e que enfrentam a decisão atacada, pois a argumentação genérica impede o conhecimento da matéria, como reiteradamente decidido por esta Turma Julgadora: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 DEFESA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. EQUIPARAÇÃO A MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente questões de fato ou de direito.” (CARF, Processo nº 10983.909312/2016-93, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.790 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de julho de 2023, Relatora Ana Paula Giglio) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.647 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908903/2021-86 A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.” (CARF, Processo nº 10880.925509/2017-17, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.795 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de julho de 2023, Presidente Redator Hélcio Lafetá Reis) Cumpre pontuar, ademais, que o Recurso Voluntário, apesar de admitir fundamentação livre e ser tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos, conforme precedente deste CARF: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal extrínseco dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição.” (CARF, Processo nº 10840.910720/2009-93, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.492 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de abril de 2023, Relator Márcio Robson Costa) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/05/2007 DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso que não ataca os fundamentos da glosa não deve ser conhecido por malferir a dialeticidade descrita no artigo 58 do Decreto 7.574/2011.” (CARF, Processo nº 15504.010684/2010-34; Acórdão nº 3401-007.923; Relator Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; sessão de 30/07/2020) Desse modo, deixo de conhecer do Recurso Voluntário na parte relativa a alegações genericamente formuladas. Superados os pontos acima, passa-se a analisar o direito creditório da Recorrente no que se refere frete vinculado a aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Frete vinculado a aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.647 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908903/2021-86 O acórdão recorrido, interpretando o teor do artigo 167, inciso I, da IN RFB nº 1911/2019, concluiu que somente o valor do frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis de creditamento pode ser creditado. Ainda de acordo com o acórdão recorrido, se o insumo ou produto adquirido não está sujeito ao pagamento da contribuição, é vedada a possibilidade de calcular créditos em relação a eles, de acordo com o disposto no artigo 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Da mesma forma, não seria possível calcular créditos em relação ao valor do frete correspondente. Ao contrário do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido, o entendimento que vem prevalecendo no âmbito deste CARF é no sentido de ser possível o creditamento em relação ao frete tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado: “FRETES NA COMPRA DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Nos moldes firmados no julgamento do REsp 1.221.170 / STJ, se o frete em si for relevante e essencial à atividade econômica do contribuinte, independentemente da alíquota do produto que o frete carregou, deve gerar o crédito.” (CARF, Processo nº 10650.902228/2017-91, Acórdão nº 3201-009.200 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Presidente-Redator Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 21 de setembro de 2020) “COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido, geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.” (CARF, Processo nº 12585.000534/2010-71, Acórdão nº 3201-008.123 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Redator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Sessão de 24 de março de 2021) (g.n.) “CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei.” (CARF, Processo nº 16692.721239/2017-62, Acórdão nº 3201-009.744 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Presidente- Redator Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 25 de julho de 2022) Neste sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais também já por inúmeras vezes se pronunciou, como se exemplifica pela transcrição da ementa do Acórdão nº 9303-013.649: “PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.647 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908903/2021-86 custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. Reflexos do decidido no processo principal (10183.904484/2013-43) sobre o processo apensado.” (CARF, Processo nº 10183.725237/2016-25, Acórdão nº 9303-013.649 – CSRF / 3ª Turma, Redator Designado Rosaldo Trevisan, Sessão de 14 de dezembro de 2022) Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo sobre o frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, e observados os demais requisitos exigidos em lei. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 137DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13982.720324/2011-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2008
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO.
São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. Falta de comprovação do efetivo pagamento na espécie.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. SUMULA CARF 180.
Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2008
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1.972.
Numero da decisão: 2201-011.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Alvares Feital - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. Falta de comprovação do efetivo pagamento na espécie. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. SUMULA CARF 180. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1.972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Aurelio de Oliveira Barbosa - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 72 03 24 /2 01 1- 64 Fl. 116DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.698 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13982.720324/2011-64 (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata-se de Notificação de Lançamento (fls. 05 e ss) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas a(s) seguinte(s) infração(ões): 1. Dedução Indevida de Despesas com Instrução, no valor de R$ 1.505,64, conforme fl.07; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 20.500,00 conforme fl. 08. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 02/04, em que alega, em síntese, o seguinte: · o contribuinte não foi devidamente intimado; · que apresenta documentação comprobatória em relação às despesas médicas declaradas. Com base no procedimento regulamentado na Instrução Normativa RFB n.° 958, de 15 de julho de 2009, a autoridade lançadora analisou a impugnação apresentada e, através do Termo Circunstanciado de fls. 63/64, confirmado pelo Despacho Decisório de fls. 65, decidiu pela manutenção total da Notificação de Lançamento. O contribuinte foi cientificado sobre a decisão da revisão de ofício e apresentou manifestação de inconformidade, às fls. 80/86, em que contesta o resultado da revisão de ofício e defende a possibilidade de cobrança de honorários entre os cônjuges. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 NULIDADE. REQUISITOS ESSENCIAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. A fase litigiosa do procedimento administrativo somente se instaura com a impugnação do sujeito passivo ao lançamento já formalizado. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal. Fl. 117DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.698 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13982.720324/2011-64 DEDUÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Uma vez não comprovadas as deduções informadas pelo contribuinte na declaração de rendimentos, conforme previsão contida na legislação pertinente, há de se manter os respectivos valores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 17/11/2016, o sujeito passivo interpôs, em 13/12/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas médicas estão comprovadas nos autos, por documentos que cumprem com os requisitos legais e são hábeis a aferir a prestação dos serviços e efetivo pagamento, além de identificar o beneficiário. Argumenta, ainda, que as presunções contidas na decisão da DRJ, no sentido de que não seria crível que um dos cônjuges pudesse exigir do outro o pagamento pelos serviços prestados, são desprovidas de fundamento legal. Além disso, a decisão recorrida modificou o fundamento eleito para a glosa do crédito, alterando-o da inexistência de recibos válidos para a ausência de comprovação do pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Alvares Feital - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre a dedução de despesas com instrução, no valor de R$ 1.505,64 e com despesas médicas, no valor de R$ 20.500,00. Inicialmente, em relação à preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente, verifico que esta não merece prosperar. Ao contrário do que o recorrente argumenta, não houve alteração do fundamento eleito para a glosa das despesas, o que se pode demonstrar da mera leitura do Termo de Intimação Fislca n.º 180/2014 SAFIS/DRF-JOA/SC à fl. 44 dos autos, o qual determina a apresentação de “documentos comprobatórios do Efetivo Pagamento dos serviços médicos prestados pelos profissionais abaixo relacionados, conforme recibos e NF apresentados à RFB, juntando cópias de cheques nominativos, ordens de pagamento, extratos de transferência bancária e/ou comprovantes de depósitos bancários, ao respectivo beneficiário, e demais esclarecimentos necessários: CAMILA FAVERO COLOMBI - 004.602.639-86”. Em relação aos demais pontos invocados na peça recursal, tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: A impugnação é tempestiva e foi apresentada por parte legítima, devendo, pois, ser conhecida. Da Preliminar de Nulidade Fl. 118DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.698 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13982.720324/2011-64 Inicialmente, deve ser destacado que a lei restringe a aplicação da nulidade no processo administrativo fiscal apenas às hipóteses de atos e termos lavrados por pessoa incompetente e de despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do PAF). O exame dos autos evidencia que não se caracterizou nenhuma das situações arroladas no supracitado dispositivo, inexistindo dúvidas quanto à competência da autoridade lançadora, nem havendo que se falar em preterição do direito de defesa em se tratando de atos administrativos de lançamento. Estes são impugnáveis na forma da legislação em vigor, garantindo-se, assim, a observância dos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. A ação fiscal constitui fase de natureza inquisitória, não sendo exigida a intimação do contribuinte para manifestar-se sobre o fim da instrução. Ao sujeito passivo cabe oferecer suas contestações em momento oportuno, quando da impugnação ao lançamento, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972. Desta forma, não deve ser reconhecida a preliminar de nulidade suscitada, devendo o mérito do lançamento ser analisado. Dedução de Despesas Médicas De análise aos autos, constata-se que a fiscalização, após a verificação da documentação apresentada, procedeu à glosa de despesas médicas declaradas pelo Contribuinte. Destaca-se que foram glosadas, inicialmente, por falta de atendimento à intimação e, após a análise realizada em sede de revisão de ofício, pela impossibilidade de dedução de despesa odontológica realizada com cônjuge e pela falta de comprovação do efetivo pagamento, as seguintes despesas declaradas pelo contribuinte: CPF/CNPJ/NIT Obs. Nome do Beneficiário Código Valor Pago 004.602.639-86 Tit. CAMILA FAVERO COLOMBI 10 20.500,00 Com o intuito de comprovar as despesas, o contribuinte reapresentou os documentos já analisados pela Fiscalização, em sede de revisão de ofício. O contribuinte se limitou a informar que havia apresentado recibos e que não há nenhum impedimento legal para cobrança entre cônjuges de honorários de serviços profissionais. A Lei nº 9.250, de 1995, prevê, no art. 8º, inciso II, as deduções permitidas na apuração da base de cálculo do imposto, entre as quais figuram as despesas médicas. O § 2º, inciso II, desse mesmo artigo, dispõe que as despesas dedutíveis são aquelas relativas ao próprio tratamento do contribuinte e de seus dependentes. Cabe destacar que na hipótese em que o contribuinte pleiteia deduções referentes a pagamentos efetuados a título de despesas odontológicas, deve comprovar que realmente efetuou tais pagamentos, para que fiquem caracterizadas tanto a prestação do serviço como a efetividade da despesa passível de dedução. Nesse sentido, Antônio da Silva Cabral in Processo Administrativo Fiscal, sustenta, à pág. 302, que “a) a autoridade lançadora deve provar ter o sujeito passivo omitido rendimentos; b) cabe ao sujeito passivo provar abatimentos, deduções e isenções”. Importante frisar que cabe à autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova, que não apenas recibos e notas fiscais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. Por sua vez, quando do exame do processo para fins de julgamento, deve o julgador, na busca da verdade material – princípio esse informador do processo administrativo fiscal –, formar o seu convencimento, por vezes, não a partir de uma prova única, concludente por si só, mas de um conjunto de elementos que, se isoladamente restariam insuficientes, agrupados têm o condão de estabelecer a evidência de uma dada situação de fato. Isto porque o julgador administrativo não está adstrito a uma pré-estabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo estabelecer sua convicção a partir do Fl. 119DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.698 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13982.720324/2011-64 cotejamento de elementos de variada ordem – desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. A prova definitiva e incontestável da despesa médica é feita com a apresentação de documentos que comprovem a efetividade da prestação do serviço e do pagamento, cabendo salientar que, ao se fazer pagamentos de despesas onde se pleiteará, a posteriori, a dedução para fins de cálculo do imposto de renda, o contribuinte tem que se cercar de precauções para a eventualidade de comprovação. Há de se destacar que o contribuinte não informou, na DIRPF/2008, rendimentos recebidos de pessoas físicas, que poderiam justificar os alegados pagamentos de despesas médicas em espécie. Também não foram apresentados extratos/cheques bancários que dariam azo aos alegados pagamentos de despesas médicas. As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar, visto que é assente em Direito que alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Acrescente-se que, conforme preceitua o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos que fundamentem os argumentos de defesa. Portanto, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Acerca do tema, vale transcrever ementas de Acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “IRPF – DESPESAS MÉDICAS/ODONTOLÓGICAS – GLOSA – Não logrando o contribuinte comprovar através de documentação hábil, a efetivação das despesas médicas/odontológicas, e respectivos pagamentos, lícito é a glosa do valor deduzido a esse título na declaração de rendimentos.” (Ac. 1º CC 104-16830/1999). “IRPF - DEDUÇÕES - DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS - COMPROVAÇÃO - O pagamento de despesas médicas, para fins de dedução do Imposto de Renda, não se comprova apenas com a exibição de recibos emitidos por profissionais. Diante de dúvidas quanto à efetividade da prestação dos serviços e/ou dos pagamentos, deve a autoridade administrativa solicitar elementos adicionais de comprovação, sem os quais é legítima a glosa das deduções.” (Acórdão 104-21076, 20/10/2005, QUARTA CÂMARA.) “IRPF -DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato.”( Acórdão 102-46489 de 16/09/2004) “IRPF - DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÃO - Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe.” (Ac. 1º CC 104-16647/1998) Assim, com base no Princípio da Livre Convicção na Apreciação da Prova, entendo que os documentos apresentados pelo impugnante não são suficientes para suprir as deficiências apontadas na peça fiscal e comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas. Dessa forma, não há reparos a serem efetuados no presente lançamento, devendo permanecer, na íntegra, as infrações apuradas. […] Fl. 120DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.698 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13982.720324/2011-64 Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeito a prefacial e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Thiago Alvares Feital Fl. 121DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10830.009334/00-94
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
A Competência para julgar os lançamento de IPI decorrentes de suposto erro na classificação fiscal de mercadorias, a partir da edição do Decreto nº 2.562/1998, passou a ser do 3º CC.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 204-00.231
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de oficio, para declinar competência ao Terceiro Conselho de Contribuintes.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: JORGE FREIRE
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ementa_s : IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. A Competência para julgar os lançamento de IPI decorrentes de suposto erro na classificação fiscal de mercadorias, a partir da edição do Decreto nº 2.562/1998, passou a ser do 3º CC. Recurso não conhecido.
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Numero do processo: 13706.001708/2003-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESTRIÇÃO DE MEIOS DE
PROVA. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal não admite a restrição da prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais. O art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo
tributário, é claro no sentido de que são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Também obram a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto, bem como os arts. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários e o 413 do indigitado RIPI.
Numero da decisão: 3101-000.959
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais e determinar a devolução dos autos do processo ao órgão julgador a quo, para apreciar as demais questões de mérito.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESTRIÇÃO DE MEIOS DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. A legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal não admite a restrição da prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais. O art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo tributário, é claro no sentido de que são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Também obram a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto, bem como os arts. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários e o 413 do indigitado RIPI.
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RESTRIÇÃO DE MEIOS DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE. A legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal não admite a restrição da prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais. O art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo tributário, é claro no sentido de que são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito. Também obram a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto, bem como os arts. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários e o 413 do indigitado RIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais e determinar a devolução dos autos do processo ao órgão julgador a quo, para apreciar as demais questões de mérito. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. Fl. 447DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 EDITADO EM: 20/11/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Leonardo Mussi da Silva e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: A interessada apresentou à fl. 29 pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI referente ao 4º trimestre de 2000, no valor de R$7.725,00, constando do campo 15 do formulário a indicação “INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO” e do arrazoado de fls. 01/03 a menção ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e à Instrução Normativa (IN) SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, além da informação de que a denominação anterior da interessada era Smithkline Beecham Brasil Ltda. As fls. 19/28 tratam de cópias do livro fiscal de registro de apuração do IPI (RAIPI) e de planilha de cálculo do valor requerido em ressarcimento. As fls. 102/105 referemse à declaração de compensação (DCOMP) de débito próprio da COFINS relativa ao período de apuração nov/2003 com o saldo credor do IPI objeto do ressarcimento. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) no Rio de JaneiroRJ, por meio do despacho decisório de fls. 107/113 e com base no termo de constatação fiscal de fls. 88/95 efetuado pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização (DEFIC) no Rio de Janeiro – Divisão de Fiscalização (DIFIS) I, não reconheceu o direito creditório solicitado pela interessada, indeferindo integralmente o pedido de ressarcimento, tendo, por conseguinte, não homologada a compensação declarada na DCOMP mencionada no parágrafo supra. A seguir, transcrevese parte do despacho decisório: “(...) A DEFIC, solicitada a pronunciarse, constatou, após diligência fiscal de fl. 88 a 95, ilegitimidade parcial dos créditos de IPI, cuja compensação é requerida, informando, em síntese, que: o presente processo trata de solicitação de ressarcimento de pretenso saldo credor do IPI escriturado em razão da aquisição de Fl. 448DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13706.001708/200333 Acórdão n.º 310100.959 S3C1T1 Fl. 354 3 insumos utilizados na fabricação de produtos de que trata o artigo 11 da Lei nº 9.779/99 e IN SRF nº 210/02; o estabelecimento é industrial, de forma a permitirlhe o direito de crédito; durante o trabalho fiscal de verificações para apurar a legitimidade do saldo credor pleiteado, foram glosados alguns créditos no montante de R$451.402,44, listados às fls. 92 a 94, por conta de que as respectivas Notas Fiscais originais (1ª via) não foram apresentadas; das notas fiscais efetivamente apresentadas para exame a autoridade fiscal constatou a existência de créditos não ressarcíveis, no valor de R$43.713,34, listados às fls. 90 e 91, tais como: créditos por produtos recebidos em transferência de outra filial, créditos por devoluções; do total dos créditos escriturados no livro RAIPI, Mod 8, relativo ao período em análise, no valor de R$638.715,54, foi diminuída a quantia de R$495.115,78 relativa aos créditos glosados acima mencionados apurandose, por fim, um total de créditos ressarcíveis no valor de R$143.599,76; utilizandose esses créditos para abatimento dos débitos apurados exoficio no valor de R$587.277,20 (que correspondem aos débitos escriturados do imposto de R$630.990,54 compensados pelos créditos de IPI não ressarcíveis de R$43.713,34), não restou saldo credor no período de apuração, pois o valor dos débitos é maior que o valor dos créditos efetivamente comprovados; e por ser materialmente impossível o deferimento do Pedido de Ressarcimento em pauta, opina pelo seu total indeferimento. É O RELATÓRIO. (...) (...) o documento que confere legitimidade à escrituração dos créditos pleiteados é a Nota Fiscal que acompanha os produtos e deve permanecer em poder do destinatário no caso, o adquirente, consoante os artigos 321 e 322 do RIPI/98 abaixo transcritos: (...) No caso em tela, a não apresentação das Notas Fiscais listadas foi fator determinante e fundamental para a glosa de R$451.402,44 referentes a créditos a elas vinculados. A outra glosa, igualmente demonstrada, às fls. 90 e 91, no valor total de R$43.713,34, decorre do fato da requerente ter escriturado créditos por produtos recebidos em transferência de outra filial, créditos por devoluções, entre outros, em cristalino confronto à legislação retro citada, motivo pelo qual devem ser excluídos do presente pedido, por não serem passíveis de ressarcimento, embora sejam admissíveis como crédito para compensação com os débitos próprios do IPI. Fl. 449DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 O procedimento da autoridade fiscal foi norteada pelo princípio da nãocumulatividade, onde foram deduzidos do somatório do somatório dos débitos apurados (que correspondem aos débitos do imposto escriturados no Livro RAIPI – Mod 8 compensados pelos créditos não ressarcíveis) os valores correspondentes ao somatório dos créditos efetivamente passíveis de ressarcimento em cada período. Logo, se houve apuração de saldo devedor do imposto – os débitos superaram os créditos no período em análise – inexiste, por decorrência, saldo credor do imposto. Em suma, havia créditos do IPI, mas não saldo credor.Portanto, não há que se falar em ressarcimento de algo que inexiste. Dessa forma, restando comprovada a inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Ressarcimento de fl. 29 e, por conseqüência, DEIXO DE HOMOLOGAR A DECOMP ELETRÔNICA (...) de fls. 102 a 105 do presente processo, bem como quaisquer outras DCOMP que se lastreiem no mencionado pleito de Ressarcimento.” A interessada tomou ciência do despacho decisório por via postal em 05/05/2006 (“AR” de cópia à fl. 117), sextafeira, manifestando em 05/06/2006, por meio de procuradores, sua inconformidade de fls. 126/132. Em síntese, aduziu que: a decisão proferida no despacho decisório glosara créditos de IPI no valor total de R$43.713,34, tendo apenas listado os créditos no termo de constatação fiscal, sem, contudo, mencionar de modo exaustivo e específico todas as razões por que os créditos foram considerados como nãopassíveis de ressarcimento, ensejando, com isso, manifesto cerceamento do direito de defesa da reclamante e, conseqüentemente, a nulidade da glosa; “Destacado e suportado o imposto, surge, automaticamente, o direito de crédito nos termos do artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição Federal, ainda que o produto seja isento ou tributado à alíquota zero, de acordo com a Lei nº 9.779/99. A Lei 9.779/99 não previu um benefício fiscal, mas apenas realçou a nãocumulatividade do IPI, razão pela qual não encontra respaldo jurídico a distinção entre as operações, como pretende o Fisco. Com efeito, tendo ocorrido a operação, cujo imposto foi recolhido pela Impugnante, há direito de crédito, sendo o ressarcimento mera decorrência deste. Se não pela Lei nº 9.779/99, certamente pela Constituição Federal”; “Feitos os esclarecimentos e tratada a nulidade da glosa no montante de R$43.713,34, passase a tratar da glosa no valor de R$451.402,44, efetuada por não ter a Impugnante apresentado, em relação a todos os créditos, a 1ª via da nota fiscal, mas sim cópia ou 3ª via”. (...) A legislação não exigia a “apresentação da 1ª via da nota fiscal como condição sine qua non para o ressarcimento. De acordo com a legislação citada, o exame dos créditos se dá nos livros fiscais do contribuinte, devidamente apresentados no caso em comento. A nota fiscal consiste apenas em mais um elemento capaz de corroborar a existência da operação. (...) a autenticidade da operação pode ser aferida pelo conjunto de elementos, não sendo possível cingirse apenas a um. (...) a impossibilidade de se apresentar, em todos os casos, a Fl. 450DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13706.001708/200333 Acórdão n.º 310100.959 S3C1T1 Fl. 355 5 primeira via da nota fiscal ocorre por uma infinidade de razões, tal como: por estar a nota em tesouraria, dentre outros”; todas as notas apresentadas encontravamse devidamente carimbadas, o que, por si só, individualizava os documentos, fazendo as vezes de primeiras vias. Citou ementa de julgado do Terceiro Conselho de Contribuintes que entendeu corroborar sua assertiva; “(...) para que não restem dúvidas quanto à impossibilidade de se excluir o referido montante, a Impugnante pede vênia para juntar a primeira via das notas fiscais que respaldam o seu direito de crédito (...), como se constata dos documentos anexos (docs. 01 a 110)”; Ao final, solicitou o reconhecimento da “nulidade da glosa no montante de R$43.713,34, bem como a insubsistência da exclusão do valor de R$451.402,44 de seu crédito, reconhecendose, por fim, o seu direito de ressarcimento”. A DRJ em JUIZ DE FORA/MG indeferiu a solicitação, ementando assim o acórdão: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO DO IPI. LEGITIMIDADE. A primeira via da nota fiscal conformase no documento imprescindível para conferir certeza e liquidez (legitimidade) a créditos do IPI aproveitados na escrita fiscal da interessada. Além disso, especificamente para as operações de importação, também é fundamental para a legitimidade acima a comprovação do pagamento do IPI no desembaraço aduaneiro de importação. Isso considerado e demonstrada, na manifestação de inconformidade, a legitimidade de créditos do IPI anteriormente glosados pelo Fisco, devem eles ser restabelecidos na escrita fiscal da interessada para determinação dos saldos credores/devedores nos períodos de apuração correspondentes, integrando, se passíveis de ressarcimento consoante os ditames do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, e da IN SRF nº 33, de 1999, a apuração do saldo credor acumulado ao final do trimestrecalendário. ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. CRÉDITO PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO. Para o estabelecimento industrial interessado, apenas são passíveis de ressarcimento os créditos do IPI decorrentes de aquisições de insumos compreendidos na conceituação de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem estabelecida pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Fl. 451DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A atividade administrativa de julgamento deve ser pautada segundo os ditames da legislação tributária, porquanto esta, uma vez publicada, integra o ordenamento jurídico revestida da presunção tanto de constitucionalidade quanto de legalidade. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 287 e seguintes, onde aduz preliminar de nulidade da decisão a quo, por cerceamento do direito de defesa, ao ratificar o despacho decisório (que excluiu possibilidade de ressarcimento dos créditos de IPI no valor de R$43.713,34, sem mencionar exaustivamente todas as razões, nota por nota, ensejando a nulidade da exclusão); no mérito, reafirma os argumentos apresentados em primeira instância, quanto à falta de 1ª via de nota fiscal (lei não exige apresentação da 1ª via da nota fiscal como condição sine qua non para ressarcimento e todas as notas apresentadas estão carimbadas, não havendo qualquer risco de duplicidade de utilização dos créditos); quanto às notas fiscais de produtos importados acabados, alega que a Lei nº 9.779/99 não representa beneficio fiscal, apenas ratificou o princípio da não cumulatividade do art. 153, §3º, II, da CF; quanto às notas fiscais de produtos acabados adquiridos/recebidos de 3ºs e destinados a revenda, alega o mesmo acerca da Lei nº 9.779/99, e que a nota fiscal de fl. 174 deve ser aceita, pois emitida por estabelecimento industrial, e o que há é erro no CNAE constante da RFB; quanto às operações de devolução de produtos, diz que o crédito da devolução neutraliza o débito da saída e restabelece o crédito pelos insumos utilizados nos produtos devolvidos. Ao final pede a procedência do recurso voluntário, para reconhecer o direito aos créditos pleiteados e, via de consequência, a homologação da compensação encetada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 452DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13706.001708/200333 Acórdão n.º 310100.959 S3C1T1 Fl. 356 7 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em preliminar, cumpre atentar para uma questão que terminou por perpetrar um vício do despacho decisório que veio de ser ratificado pela r. decisão recorrida tratase do fato de considerar como inexistentes as notas fiscais que não foram apresentadas por suas primeiras vias. O despacho decisório manifestou o seguinte sobre a matéria: (...) durante o trabalho fiscal de verificações para apurar a legitimidade do saldo credor pleiteado, foram glosados alguns créditos no montante de R$451.402,44, listados às fls. 92 a 94, por conta de que as respectivas Notas Fiscais originais (1ª via) não foram apresentadas; (...) A decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento ratificou o despacho decisório assim: Passase, a seguir, para a apreciação, agora sim, da glosa do crédito escritural de IPI no valor de R$451.402,44 efetuada pela citada DERATRio de Janeiro relativamente ao imposto destacado nas notas fiscais relacionadas nas fls. 92/94, glosa esta que refletiu no indeferimento do ressarcimento solicitado pela interessada. Reiterese que, aqui, houve realmente glosa, na concepção da palavra, do crédito escritural no valor acima, uma vez que a interessada, quando da verificação fiscal da legitimidade do direito creditório, não apresentou ao Fisco as primeiras vias das notas fiscais respectivas. Nesse contexto, cumpre destacar que não merece acato a argumentação da reclamante no sentido de que a legislação tributária considera a apresentação da nota fiscal de aquisição de insumos utilizados nos produtos industrializados como requisito prescindível para o deferimento de pedido de ressarcimento de saldo credor do IPI, bastando para tanto que Fl. 453DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 8 sejam apresentados pela interessada os livros fiscais a instruir o seu pedido. Ora, os livros fiscais do IPI, dentre os quais o registro de entradas (RE), o registro de saídas (RS) e o registro de apuração do IPI (RAIPI) fazem parte do documentário fiscal exigido pela legislação de regência (arts. 290, 345/375 do RIPI/98), conformandose em instrumentos de controle e registro de operações (bem como de apuração do imposto respectivo) que se encontrem devidamente lastreadas pela emissão de nota fiscal. Nesse sentido, preciso o esclarecimento prestado no termo de constatação fiscal, à fl. 91: “O documento comprobatório do crédito é a nota fiscal de aquisição com destaque do imposto, conforme os Arts. 109 c/c Art. 110, Inc. II c, que deverá a seguir ser contabilizada no Livro Registro de Entradas, Mod. 1, sendo ao final do período de apuração transpostos os totais por CFOP para o Livro RAIPI, Mod. 8, para o confronto de saldo credor e devedor. O crédito deve ser escriturado nos livros à vista do documento que lhe confira legitimidade, ou seja, a nota fiscal (Art. 171 c/c Art. 178, Par. 2º do RIPI/98).” Assim, é a nota fiscal que lastreia (confere veracidade) os registros constantes dos livros fiscais, comprovando, portanto, a legitimidade dos registros a crédito e a débito do IPI e, por conseguinte, dos saldos credores ou devedores do imposto nos respectivos períodos de apuração. Corrobora a assertiva acima o fato de que, por um lado, se houver o aproveitamento escritural nos livros fiscais de crédito do IPI decorrente de operação nãolastreada em nota fiscal ou que esteja relacionada à nota fiscal inidônea, tal crédito não se revela legítimo, pelo que deve ser glosado. De outro lado, se houver operação lastreada em nota fiscal idônea a ensejar crédito do IPI, mesmo que este não tenha sido aproveitado na escrita fiscal à época própria, poderá, dentro do qüinqüênio prescricional, ser aproveitado extemporaneamente. (...) Deveras, apesar de a análise do pleito de ressarcimento de saldo credor trimestral de IPI abranger os registros efetuados em livros fiscais, tal análise não pode prescindir da nota fiscal como o elemento comprobatório efetivamente capaz de conferir certeza e liquidez aos créditos do imposto aproveitados na escrita da interessada. Cumpre, ainda, ressaltar, como bem assinalado no termo de constatação fiscal (à fl. 91) e no despacho decisório (às fls. 111/112), que, a teor do que dispõem os arts. 321 e 322 do RIPI/98, a primeira via da nota fiscal é a que acompanha os produtos e a que deve permanecer em poder do destinatário, configurandose, portanto, no documento fiscal essencial, imprescindível para conferir legitimidade ao aproveitamento escritural do crédito de IPI pela contribuinte. Com efeito, revelamse destituídas da força comprobatória acima as outras vias da nota fiscal, sejam terceiras, quartas ou demais. Fl. 454DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13706.001708/200333 Acórdão n.º 310100.959 S3C1T1 Fl. 357 9 Deveras, na ausência da primeira via na nota fiscal, resta impraticável o reconhecimento do direito creditório intentado pela interessada. Atentese que as demais vias das notas fiscais têm cada qual, à luz dos arts. 321/329 do RIPI/98, finalidades específicas e distintas da primeira via, sendo vedada expressamente (art. 326) a substituição de uma(s) pela(s) outra(s): “Art. 326. As diversas vias das notas fiscais não se substituirão em suas respectivas funções e a sua disposição obedecerá ordem seqüencial que as diferencia, vedada a intercalação de vias adicionais.” (grifo acrescido) Além disso, a legislação do IPI prevê hipótese específica até para a utilização de cópias reprográficas da primeira via da nota fiscal, conforme o parágrafo único do art. 327 do RIPI/98: “Art. 327. As Unidades da Federação poderão autorizar a confecção da nota fiscal em três vias. Parágrafo único. O contribuinte poderá utilizar cópia reprográfica da primeira via da nota fiscal, para: I substituir a quarta via, quando realizar operação interestadual ou de exportação a que se refere o art. 325; II utilizála como via adicional, quando a legislação a exigir, exceto quando ela deva acobertar o trânsito do produto.” Ao meu sentir, a recorrente tem razão em seus reclamos, porquanto tal conduta está dissociada da melhor exegese da legislação que trata do conjunto probatório no processo administrativo fiscal, e configurou, s.m.j., cerceamento do direito de defesa da recorrente, na medida em que restringiu a prova das operações de aquisições de insumos a uma só forma a primeira via das notas fiscais quando não há dispositivo legal que preveja tal imperativo. Ao contrário do propalado pelas dignas autoridades administrativas, temse o art. 24 do Decreto nº 7.574/2011, que consolidou a legislação afeta ao processo administrativo tributário, no sentido de que: são hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito (Lei nº 5.869/73, art. 332 Código de Processo Civil). Esse é o dispositivo que inaugura o Capítulo referente às Provas, do Título I Das Normas Gerais. Também obra a favor da não restrição das provas no processo administrativo o art. 23 do aludido Decreto Os órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, no uso de suas atribuições legais, poderão solicitar informações e esclarecimentos ao sujeito passivo ou a terceiros, sendo as declarações, ou a recusa em prestálas, lavradas pela autoridade administrativa e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354/54, art. 7º; DecretoLei nº 1.718/79, art. 2º; Lei nº 5.172/66 Código Tributário Nacional, arts. 196 e 197; Lei nº 11.457/2007, art. 10). Esse dispositivo trata do dever de Fl. 455DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 10 prestar informações, que não é adstrito ao sujeito passivo, e sim extensivo a terceiros, cujas informações podem e devem ser utilizadas no procedimento relativo ao sujeito passivo. Essas normas processuais gerais já são suficientes para afastar a restrição aposta pelo Fisco, no sentido de que as operações efetuadas pelo contribuinte somente são passíveis de prova mediante a exibição da primeira via da nota fiscal. Nada obstante, há outras no campo da legislação do IPI, para ficar na esfera da legislação referida na decisão recorrida, que também se amoldam à ampliação dos meios de prova no âmbito dos procedimentos fiscais, tais como o art. 293 do RIPI/98 elementos subsidiários constituem elementos subsidiários da escrita fiscal os livros da escrita geral, as faturas e notas fiscais recebidas, documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, e outros efeitos comerciais, inclusive aqueles que, mesmo pertencendo ao arquivo de terceiros, se relacionarem com o movimento escriturado (Lei nº 4.502/64, art. 56, § 4º, e Lei nº 9.430/96, art. 34). O art. 413 do RIPI/98 pessoas obrigadas a prestar informações mediante intimação escrita, são obrigados a prestar aos Auditores Fiscais todas as informações de que disponham com relação aos produtos, negócios ou atividades de terceiros (Lei n.º 4.502/64, art. 97, e Lei nº 5.172/66, art. 197): (...) VIII as demais pessoas, naturais ou jurídicas, cujas atividades envolvam negócios que interessem à fiscalização e arrecadação do imposto. Nesse contexto, a leitura dos arts. 326 1 e 327 2 do RIPI/98 feita pela decisão recorrida também não se me afigura a mais escorreita, pois o fato de uma via da nota fiscal não substituir outra para fins de função fiscal e destinação não significa que qualquer uma delas não represente fidedignamente a mesma operação subjacente. E a previsão de utilização de cópia reprográfica de nota fiscal, do art. 327, para as hipóteses elencadas, não quer dizer finalidade única e específica; ao revés, configura adaptação da legislação da nota fiscal do IPI para novas necessidades (numerus apertus), excetuando apenas o trânsito dos produtos e mercadorias. Dito isso, estou por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a limitação de prova exclusivamente mediante apresentação da primeira via das notas fiscais e determinar a devolução dos autos do processo ao órgão julgador de primeiro grau, para apreciar as demais questões de mérito. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 1 Art. 326. As diversas vias das notas fiscais não se substituirão em suas respectivas funções e a sua disposição obedecerá ordem seqüencial que as diferencia, vedada a intercalação de vias adicionais. 2 Art. 327. As Unidades da Federação poderão autorizar a confecção da nota fiscal em três vias. Parágrafo único. O contribuinte poderá utilizar cópia reprográfica da primeira via da nota fiscal, para: I substituir a quarta via, quando realizar operação interestadual ou de exportação a que se refere o art. 325; II utilizála como via adicional, quando a legislação a exigir, exceto quando ela deva acobertar o trânsito do produto. Fl. 456DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13706.001708/200333 Acórdão n.º 310100.959 S3C1T1 Fl. 358 11 Fl. 457DF CARF MF Emitido em 20/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/12 /2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 10935.908902/2021-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2020
MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.
ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2020
COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE.
Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei
COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o COFINS não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-011.646
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2020 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2020 COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o COFINS não cumulativo.
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DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A matéria recorrida de maneira genérica não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. ÔNUS DA PROVA. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de ressarcimento/compensação, a comprovação do direito creditório incumbe ao contribuinte, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2020 COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO RELATIVO AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido geram direito integral ao crédito das contribuições para o COFINS não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 89 02 /2 02 1- 31 Fl. 134DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-011.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908902/2021-31 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-011.641, de 19 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 10935.908897/2021-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Márcio Robson Costa, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Mateus Soares de Oliveira, Joana Maria de Oliveira Guimarães e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Ricardo Sierra Fernandes, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcos Antônio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Manifestação de Inconformidade improcedente, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente Ao crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A 6ª Turma da DRJ-08, através do Acórdão nº 108-028.332, proferido na sessão de 5 de setembro de 2022, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. A decisão restou assim ementada: “Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2020 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE. O direito de calcular créditos de despesas com frete está restrito às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. A despesa com frete na aquisição de bens Fl. 135DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-011.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908902/2021-31 não gera crédito por si só, mas sim porque integra o custo da mercadoria revendida e do bem utilizado como insumo.” A referida decisão foi objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente reitera as razões contidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, passando-se à sua análise. Alegações genéricas e matérias não impugnadas O Recurso Voluntário ficou adstrita aos créditos vinculados às despesas do frete contratado (serviço de transporte oneroso), sustentando: (a) de forma específica, o direito integral ao crédito da não cumulatividade sobre o frete vinculado a aquisição de produtos não tributados ou sujeitos à alíquota zero (que geram direito ao crédito presumido); e (b) de forma genérica, o direito ao crédito sobre o frete relativo a todo e qualquer serviço oneroso de transporte contratado, porque vinculados às suas atividades econômicas. O presente acórdão, portanto, ficará adstrito aos pontos de inconformismo da Recorrente discutidos em seu Recurso Voluntário e que enfrentam a decisão atacada, pois a argumentação genérica impede o conhecimento da matéria, como reiteradamente decidido por esta Turma Julgadora: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 DEFESA. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. EQUIPARAÇÃO A MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido contraditada de forma pontual, sobre a qual o recorrente se restringe a fazer afirmações genéricas, sem atacar diretamente questões de fato ou de direito.” (CARF, Processo nº 10983.909312/2016-93, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.790 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de julho de 2023, Relatora Ana Paula Giglio) “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 Fl. 136DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-011.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908902/2021-31 MATÉRIA RECORRIDA GENERICAMENTE. A matéria recorrida de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. DIALETICIDADE. AUSÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada.” (CARF, Processo nº 10880.925509/2017-17, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.795 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de julho de 2023, Presidente Redator Hélcio Lafetá Reis) Cumpre pontuar, ademais, que o Recurso Voluntário, apesar de admitir fundamentação livre e ser tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos, conforme precedente deste CARF: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal extrínseco dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição.” (CARF, Processo nº 10840.910720/2009-93, Recurso Voluntário, Acórdão nº 3201-010.492 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 27 de abril de 2023, Relator Márcio Robson Costa) “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/05/2007 DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso que não ataca os fundamentos da glosa não deve ser conhecido por malferir a dialeticidade descrita no artigo 58 do Decreto 7.574/2011.” (CARF, Processo nº 15504.010684/2010-34; Acórdão nº 3401-007.923; Relator Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto; sessão de 30/07/2020) Desse modo, deixo de conhecer do Recurso Voluntário na parte relativa a alegações genericamente formuladas. Superados os pontos acima, passa-se a analisar o direito creditório da Recorrente no que se refere frete vinculado a aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 137DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-011.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908902/2021-31 Frete vinculado a aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero O acórdão recorrido, interpretando o teor do artigo 167, inciso I, da IN RFB nº 1911/2019, concluiu que somente o valor do frete pago nas aquisições de insumos ou mercadorias passíveis de creditamento pode ser creditado. Ainda de acordo com o acórdão recorrido, se o insumo ou produto adquirido não está sujeito ao pagamento da contribuição, é vedada a possibilidade de calcular créditos em relação a eles, de acordo com o disposto no artigo 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Da mesma forma, não seria possível calcular créditos em relação ao valor do frete correspondente. Ao contrário do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido, o entendimento que vem prevalecendo no âmbito deste CARF é no sentido de ser possível o creditamento em relação ao frete tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado: “FRETES NA COMPRA DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO. POSSIBILIDADE. Nos moldes firmados no julgamento do REsp 1.221.170 / STJ, se o frete em si for relevante e essencial à atividade econômica do contribuinte, independentemente da alíquota do produto que o frete carregou, deve gerar o crédito.” (CARF, Processo nº 10650.902228/2017-91, Acórdão nº 3201-009.200 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Presidente-Redator Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 21 de setembro de 2020) “COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Os custos com fretes sobre a aquisição de produtos sujeitos ao crédito presumido, geram direito integral ao crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos.” (CARF, Processo nº 12585.000534/2010-71, Acórdão nº 3201-008.123 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Redator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Sessão de 24 de março de 2021) (g.n.) “CRÉDITO. FRETE TRIBUTADO. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Por se tratar de serviços despendidos durante a aquisição de insumos a serem aplicados na produção, ainda que se referindo a produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, admite-se o desconto de crédito da contribuição, observados os demais requisitos da lei.” (CARF, Processo nº 16692.721239/2017-62, Acórdão nº 3201-009.744 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Presidente- Redator Hélcio Lafetá Reis, Sessão de 25 de julho de 2022) Neste sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais também já por inúmeras vezes se pronunciou, como se exemplifica pela transcrição da ementa do Acórdão nº 9303-013.649: “PIS. COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao Fl. 138DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-011.646 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.908902/2021-31 crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. Reflexos do decidido no processo principal (10183.904484/2013-43) sobre o processo apensado.” (CARF, Processo nº 10183.725237/2016-25, Acórdão nº 9303-013.649 – CSRF / 3ª Turma, Redator Designado Rosaldo Trevisan, Sessão de 14 de dezembro de 2022) Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer parcialmente o Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito de PIS/PASEP não cumulativo sobre o frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, e observados os demais requisitos exigidos em lei. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer de parte do Recurso Voluntário, por alegações genéricas de matérias não impugnadas, e, na parte conhecida, em lhe dar parcial provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição não cumulativa em relação ao frete vinculado à aquisição de produtos e insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, desde que o serviço de transporte tenha sido tributado e prestado por pessoa jurídica residente no País, observados os demais requisitos exigidos em lei. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 139DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11128.000143/2006-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 04/10/2004
Ementa: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA
DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE
EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART.
102, §2º DO DECRETO-LEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI
N° 12.350, DE 20/12//2010. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do Decreto-Lei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3101-000.995
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntario.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida DRJSÃO PAULO/SP Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 04/10/2004 Ementa: MULTA ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO RELATIVA A NAVIO OU A MERCADORIAS NELE EMBARCADAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.. POSSIBILIDADE. ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. APLICAÇÃO RETROATIVA. Uma vez satisfeitos os requisitos ensejadores da denúncia espontânea deve a punibilidade ser excluída, considerando que a natureza da penalidade é administrativa, aplicada no exercício do poder de polícia no âmbito aduaneiro., em face da incidência do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, cuja alteração trazida pela Lei n° 12.350/2010, passou a contemplar o instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntario. Henrique Pinheiro Torres Presidente Fl. 87DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000143/200603 Acórdão n.º 3101000.995 S3‐C1T1 Fl. 74 2 Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que manteve o lançamento da multa isolada com base na tipificação dada pela alínea “c”, do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/66, por entender a Fiscalização que a Recorrente apresentou intempestivamente os dados relativos ao embarque das mercadorias descritas no Conhecimento de Transporte Marítimo (BL) nº ST003448, ocorrido em 03/10/2004. Segundo consta no Auto de Infração, a Recorrente registrou os dados desse embarque somente em 08/10/2004, o que fundamentou o entendimento fiscal de que fora desrespeitado o prazo disposto pelo art. 37 da IN/SRF nº 28/1994. A impugnação interposta pela empresa foi julgada improcedente pela decisão de primeira instância, proferida pela DRJSão Paulo/SP, segundo os fundamentos exarados na seguinte ementa (fls. 48): ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 04/10/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no Siscomex, dentro do prazo previsto na legislação aduaneira. O desatendimento constitui embaraço à fiscalização. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O contraditório e a ampla defesa devem ser assegurados no curso do processo administrativo fiscal, que se instaura com a lavratura do auto de infração. Não há que se falar em contraditório e ampla defesa na fase de mera investigação de atos ilícitos que antecede a lavratura do correspondente auto de infração Lançamento Procedente Intimada dessa decisão em 30/03/2009 a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 17/04/2009, aduzindo, em síntese que: Fl. 88DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000143/200603 Acórdão n.º 3101000.995 S3‐C1T1 Fl. 75 3 i) as informações referentes ao embarque em tela foram entregues com atraso, o que não significa que tenha ocorrido embaraço, dificuldade ou impedimento à atividade de fiscalização aduaneira, protestando, por isso, pela atipicidade do fato que praticou; iii) a matéria encontrase disciplinada pelo art. 41 da IN/SRF nº 28/94 que estipula o prazo de 72 horas para que o transportador entregue à unidade da SRF local uma cópia do Manifesto de Carga e uma via não negociável de cada um dos respectivos conhecimentos de Transporte, informando que esse prazo foi ampliado pela COANA para 7 dias; iii) as DDE´s não puderem ser entregues dentro do prazo, tendo em vista o atraso na entrega das informações por parte dos exportadores; iv) a entrega das DDE´s à repartição aduaneira foi anterior ao início de qualquer procedimento fiscal, o que justifica a aplicação do instituto da denúncia espontânea ao presente caso, conforme disposição do art. 138 do CTN; v) merece reforma o entendimento da decisão de primeira instância, segundo o qual a denúncia espontânea não se aplica ao caso por não se tratar de penalidade de natureza tributária, pois, segundo seus argumentos a obrigação tributária é tanto principal quanto acessória (fls. 62) e que o descumprimento de obrigação acessória, ou seja, a desobediência a prazo estabelecido por norma administrativa, enseja natureza tributária da penalidade, sujeitandoa à denúncia espontânea [...] (fls. 62); vi) é empresa de agenciamento marítimo e não transportadora e, por conta disso, não pode ser penalizada na forma do disposto no art. 107 do DecretoLei 37/66. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa agência marítima e não transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000143/200603 Acórdão n.º 3101000.995 S3‐C1T1 Fl. 76 4 Ocorre que sua responsabilização é expressamente determinada pelo §1º do art. 37 do DecretoLei nº 37/66, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Igualmente afasto o argumento de que a matéria em tela é regida pelo art. 41 da Instrução Normativa nº 28/94, haja vista não guardar relação alguma com os fatos narrados no Auto de Infração, que descreve o atraso na entrega das informações ao SISCOMEX a respeito do embarque de mercadorias destinadas ao exterior, o que se subsume adequadamente à hipótese do art. 37 dessa mesma Instrução Normativa, não havendo, quanto a esse aspecto específico, qualquer inexatidão nos fundamentos da autuação. Ultrapassados tais argumentos, contudo, entendo que a penalidade em tela deve ser afastada, por força da retroatividade da norma mais benigna prevista pelo art. 106, II, “a” do CTN. Vencida essa etapa, contudo, entendendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. É que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela estamos diante de uma excludente da punibilidade, haja vista estar a Recorrente perfeitamente amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Dispõe o art. 102 (caput §2º) do DecretoLei nº 37/66 que: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Fl. 90DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000143/200603 Acórdão n.º 3101000.995 S3‐C1T1 Fl. 77 5 Com isso recompensase a boafé do administrado, que espontaneamente declara ao Poder Público a prática de infrações que poderiam trazer conseqüências negativas a bem da atividade administrativa. Leandro Paulsen1 leciona no sentido de que a denúncia espontânea tem a virtude de apontar para o Fisco determinadas pendências que sequer seriam percebidas no contexto das infinitas relações jurídicas das quais ele deve dar conta. O sistema é falível e o contribuinte, imbuído de boafé, não pode ser responsabilizado quando corrobora com o trabalho da administração, suprindolhe lacunas estruturais, vejamos: O objetivo da norma é de estimular o contribuinte infrator a colocarse em situação de regularidade, resgatando as pendências deixadas e ainda desconhecidas por parte do Fisco [...] A previsão legal é absolutamente consentânea com uma estrutura tributária incapaz de proceder à fiscalização efetiva de todos os contribuintes e que precisa, demais, estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, seja tempestiva, seja tardiamente. Na medida em que a responsabilidade por infrações resta afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservase a higidez do sistema [...] Para esse autor, tal instituto tem a função de estimular o cumprimento espontâneo das obrigações, quando já inadimplente o contribuinte. Isso nos permite ver emergir um aspecto de relevada importância. É que o jurisdicionado, confiante na exclusão da penalidade, fornece as informações ao Fisco, permitindolhe a ciência de fatos, que poderiam até passar despercebidos. Transportando esses argumentos para o caso em tela, percebemos que as condicionantes para aplicabilidade dos efeitos da denúncia espontânea estão satisfeitos. Está evidenciado que o procedimento fiscalizatório iniciouse depois que o contribuinte apresentou à autoridade competente as retificações noticiadas, muito embora estivessem fora do prazo determinado pela IN/SRF nº28/94. Foi a denúncia espontânea que permitiu ao fisco autuálo pelo atraso na entrega das informações e/ou retificações, conforme exigido por lei, bem como foi a denúncia espontânea que forneceu à administração as informações necessárias para que identificasse a regularidade ou não dos atos declarados. Tal constatação se reveste de grande relevância para o caso, haja vista que as mercadorias já embarcadas, depois de sete dias, estarão em altomar e sua conferência física é impossível, não havendo diferença substancial se a entrega foi tempestiva ou não. Ademais, o contribuinte não foi impedido de apresentar as informações relativas ao embarque antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório, o que não 1 PAULSEN, Leandro. DIREITO TRIBUTÁRIO – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 9ª Ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado: ESMAFE, 2007, p. 927. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11128.000143/200603 Acórdão n.º 3101000.995 S3‐C1T1 Fl. 78 6 acontece, por exemplo, com as DCTF´s entregues em atraso, pois o próprio sistema da Receita Federal condiciona sua entrega extemporânea à automática ciência da autuação. Com isso, sabendo que a Recorrente informou o embarque antes de qualquer ato de ofício por parte da autoridade aduaneira ou do auto de infração, estando satisfeita a condição temporal da denúncia espontânea, ou seja, sua apresentação antes de qualquer procedimento fiscal. Além disso, por ser legalmente possível a denúncia espontânea nos casos de infrações de natureza administrativa (§2º do art. 102 d DecretoLei nº 37/66), entendo pela incidência desse instituto ao caso, impondo a imediata exclusão da penalidade lavrada nos autos. Ressaltese que a alteração do art. 102, § 2º, do DecretoLei n° 37/66, que permite a aplicação do instituto da denúncia espontânea para as obrigações administrativas, só ingresso para o sistema de direito positivo com a publicação da Lei n°12.350/2010. Contudo, o regime jurídico das penas impõe sua aplicação retroativa, haja vista que vige princípio excludente da punibilidade sempre que a norma nova é mais benéfica ao acusado (princípio positivado no âmbito tributário no art. 106 do CTN).. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10920.008013/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 03/01/1990 a 23/06/1992
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E
JUDICIAL.
“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.”
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3101-000.929
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em face de renúncia à via administrativa.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, em face de renúncia à via administrativa. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 2 2 Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo e Tarásio Campelo Borges. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 1268 verso e 1.269 dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, por meio do voto do relator Marcelo de Camargo Fernandes, nos seguintes termos: “ Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Joinvile/SC – DRF que indeferiu o pedido de restituição do créditoprêmio apurado no período em questão, decorrente de Ação Declaratória processo judicial nº 91.00032760, impetrada pela empresa e transitada em julgado em 17/11/2003, que concedeu a impetrante o direito de escriturar CréditoPrêmio de IPI. A DRF, ao analisar o crédito, verificou que este já havia sido compensado no processo administrativo nº 10920.000066/200411, que se referia ao créditoprêmio relativo as exportações efetuadas sob o Programa Especial de Exportação (BEFIEX), embarcadas no período compreendido entre 06/01/1990 e 14/06/1992, portanto, o presente pedido se refere a crédito suplementar ao já anteriormente deferido, similar ao indicado no processo nº 10920000997200592 e no processo100345200737, o qual já foi pago ao contribuinte, não restando saldo que possa amparar qualquer outra restituição sendo, portanto, inexistente. Regularmente cientificada, a empresa apresentou sua manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • A empresa ajuizou ação ordinária declaratória de existência de relação jurídica contra a União Federal a qual obteve decisão favorável, transitada em julgado, que lhe reconheceu o direito de continuar a gozar do benefício fiscal do créditoprêmio de IPI, na forma preconizada pelo Decretolei nº 491/69, bem como o direito de compensar o referido crédito com outros impostos federais; • Equivocase a administração ao limitar o alcance temporal da decisão judicial, restringindoa somente ao período correspondente ao Programa Especial de Exportação – BEFIEX, sob o argumento de que a decisão judicial ultrapassou os limites do pedido, ao definir erroneamente o alcance da expressão “sem qualquer definição de tempo”, utilizandose, inclusive, de decisões outras proferidas em processos totalmente estranhos à requerente, ao discutir o mérito de uma decisão judicial transitada em julgado, atentando aos princípios da coisa julgada, da segurança jurídica e da própria separação de poderes; • Insurgese contra a violação a seus direito judicialmente reconhecidos e cujo exercício está sendo arbitrária e ilegalmente tolhida pela autoridade administrativa; • O pedido inserto na petição inicial é bastante claro e não se restringe ao contrato BEFIEX, até porque este sequer foi mencionado; Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 3 3 • A autoridade administrativa escolheu reproduzir somente trechos relativos ao BEFIEX, não fazendo qualquer menção aos demais fundamentos jurídicos aduzidos pela requerente, tanto em sua peça inicial, quanto em suas manifestações posteriores, criando uma falsa premissa de que sua causa de pedir restringiase somente ao BEFIEX; • Diferentemente do alegado pela autoridade fiscal, a causa de pedir da requerente não se restringiu ao contrato relativo ao BEFIEX, tendo aduzido em sede de argumentação a inconstitucionalidade das Portarias Ministeriais nºs 279/81 e 176/82 e do artigo 1º do Decretolei nº 1.724/1979, em face do princípio constitucional da indelegabilidade da competência tributária; • Há que se destacar que a sentença julgou procedente o pedido da requerente, tendo em vista os precedentes do TRF 1ª Região, para declarar seu direito ao créditoprêmio do IPI sem a eficácia do artigo 1º do DL 1.724/79. Portanto não pode ser acolhida a fundamentação da autoridade administrativa de que a causa de pedir da ação é restrita ao contrato BEFIEX; • A requerente terá direito ao beneficio do créditoprêmio de IPI, nos moldes do DL 491/69 enquanto não se alterar o quadro normativo, o que só poderá ocorrer pela revogação do dispositivo legal. Até lá, a coisa julgada continuará a produzir efeitos para a requerente; • A autoridade administrativa não possui qualquer prerrogativa legal para desconstituir decisão judicial transitada em julgado, não cabendo a ela qualquer alegação a vícios na decisão. Notese que não se determinou o termo final de fruição do créditoprêmio do IPI. Se o benefício não foi extinto, por óbvio continua em pleno vigor; • O TRF se manifestou de forma expressa no sentido de que a lide foi decidida dentro dos limites em que proposta a ação, não havendo qualquer nulidade na decisão judicial; • Restou evidenciado que a questão relativa à data final do benefício do créditoprêmio de IPI foi, devidamente e expressamente analisada no curso do processo judicial, ao longo dos vários recursos interpostos pela Fazenda Nacional; • A decisão judicial proferida nos autos da ação nº 91.00032760, não comporta qualquer questionamento ou interpretação, sobretudo, no intuito de limitar um direito que foi reconhecido por meio de decisão transitada em julgado, fazendo coisa julgada formal e material, impedindo inclusive que o judiciário se manifeste sobre a matéria já decidida; • O MS preventivo foi impetrado para que a empresa pudesse efetuar compensações de seus créditos de IPI, tendo em vista que a Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001 introduziu o artigo 170A do código Tributário Nacional, que veda a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. • Faz considerações a respeito dos processos administrativos nº 10920.000066/200411 e nº 10920.000997/200592, bem como sobre Resolução nº 71/2005 do Senado Federal. Encerrou pleiteando o reconhecimento do crédito.” Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 4 4 A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1429.385 de fls. 1268 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 03/01/1990 a 23/06/1992 DECISÃO JUDICIAL. LIMITES. Em respeito ao Princípio da Demanda pelo qual o juiz somente decidirá a lide nos limites em que foi proposta, o efeito da sentença está restrito ao prazo estabelecido no Termo de Aprovação de Programa Especial de Exportação nº 112 /1982, convalidado pela comissão para concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de Exportação BEFIEX.. Manifestação de Inconformidade Improcedente “ Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 1282 a onde alega em suma o seguinte: I – os fatos – repete os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a abrangência e o alcance do pedido e da decisão judicial com trânsito em julgado proferida no Processo nº. 91.00032760; sobre a incorreta interpretação dada (pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida) à expressão “sem definição de prazo”sobre a Ação Rescisória nº. 3.446, protocolizada em 14 de novembro de 2005 e que foi julgada por unanimidade improcedente pela Primeira Seção do STJ, transitado em julgado em 17/09/2009; II – do Direito – que os créditos indeferidos tem por base créditos constituídos em razão de decisão judicial transitada em julgado, em 17/11/2003 a favor da Recorrente e que é indiscutível que a decisão judicial transitada em julgado faz lei entre as partes e deve ser cumprida nos exatos termos do discutido. Que o acórdão ora recorrido não poderia apreciar novamente matéria já devidamente decidido pelo judiciário, como o fez , concluindo inclusive pela extinção do benefício em 30 de junho de 1983. Quanto a prescrição dos créditos, a Recorrente assevera que os pedidos de restituição em questão tem por base decisão judicial transitada em julgado, datada de 17/11/2003 e os pedidos em voga tem por base embarques compreendidos entre 5/1999 a 09/2008. Assim, o seu prazo encerraria em 17/11/2008, portanto, não há que se falar em prescrição ou decadência. Também, que a decisão recorrida está restringindo o alcance da decisão transitada em julgado ao “determinar quais os limites e efeitos da decisão judicial, limitandoa à vigência do Programa Especial de Exportação celebrado com a União, quando tal limitação não consta do pedido inserto na petição inicial, nem tampouco de qualquer decisão judicial proferida nos autos. Ainda, que o Agravo Regimental (fls.388/394 da Ação nº. 91.00032760) impõese a aplicação do Decretolei 491/69, que restaurou o benefício do créditoprêmio do IPI, sem qualquer definição acerca de prazo. Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 5 5 Continuando, a Recorrente, repetindo vários argumentos já relatados em fls. 1297 dos autos, faz a seguinte conclusão: “ A questão ora alegada pelas autoridades julgadoras de primeira instância administrativa para fundamentar o acórdão ora combatido é exatamente idêntica à alegada em sede de contestação, embargos de declaração, recurso especial, agravo de instrumento e agravo regimental em recurso especial pela Fazenda Nacional, qual seja a tentativa de limitação temporal do benefício, entretanto, a Procuradoria sustentava a extinção do benefício em 1983 e, surpreendentemente, a autoridade fiscal sustenta a limitação temporal ao prazo de vigência do Programa Especial de Exportação – BEFIEX da Recorrente, ou seja, 15/06/1992.” Também, a Recorrente, continua a relatar a longa disputa jurídica do caso, entendendo que restou evidenciado que a questão relativa à data final do benefício do crédito prêmio de IPI foi, devida e expressamente, analisada no curso do processo, sobretudo, ao longo dos vários recursos interpostos pela Fazenda Nacional, que explicitamente pugnou pela extinção do benefício em 1983, não assistindo razão à fiscalização ao afirmar que a expressão “sem qualquer definição acerca de prazo” teria sido genérica e indiscriminadamente empregada pelo Superior Tribunal de Justiça. A Recorrente entendeu, portanto, em seu recurso que não existe qualquer dúvida junto ao judiciário quanto ao objeto da ação e decisão prolatada, transitada em julgado, sendo uma inovação totalmente indevida e abusiva a assertiva de que a decisão judicial da Recorrente se limita ao período de fruição do Termo de Aprovação de Programa Especial de Exportação BEFIEX. Assim, a limitação ao prazo do contrato BEFIEX, no entender da Recorrente é totalmente infundada. A Recorrente, prossegue no seu recurso com alegações a respeito da “Petição Inicial e da Causa de Pedir no Processo nº. 91.00032760” esclarecendo que sempre pretendeu ver reconhecido seu direito ao créditoprêmio de IPI, face à inconstitucionalidade do Decreto lei nº. 1.724/79 e das Portarias 279/81 e 176/82. Portanto, entende que não pode ser acolhida a fundamentação da fiscalização de que a causa de pedir da ação é restrita ao contrato BEFIEX, que como foi dito e visto não foi a alegação exclusiva e que o direito da Recorrente ao créditoprêmio de IPI, nos moldes do Decretolei 491/69 e sem definição acerca de prazo foi confirmado pelo acórdão transitado em julgado em 17 de setembro de 2010 em sede de rescisória, por unanimidade de votos. Na seqüência a Recorrente comenta sobre a Ação Rescisória nº. 3.446 proposta pela Fazenda Nacional e que foi posterior aos Despachos Decisórios exarados nos Processos Administrativos nº. 10920.000066/200411 e 10920.000997/200592 e que foi confirmado e mantido a decisão judicial proferida nos autos do Processo nº. 91.00032760. Em seguida a Recorrente faz alegações a cerca do Mandado de Segurança nº. 2002.72.01.006725, interposto em fevereiro de 2002, contra o Delegado da Receita Federal de Joinville, fundado no justo receio de ver contra si praticado ato ilegal e abusivo de lançar e fazer cobrar o IPI, uma vez que a Recorrente pretendia proceder ao registro contábil e fiscal do créditoprêmio de IPI, que seria utilizado em compensações próprias e para transferências para terceiros, conforme pedidos postulados na peça exordial. Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 6 6 Entretanto, afirma a Recorrente, que quando houve o trânsito em julgado da decisão nos autos nº. 91.00032760 a mesma desistiu do recurso, bem como requereu a desistência do próprio mandado de segurança, cujo único objeto era assegurar o direito à compensação do crédito antes do trânsito em julgado da decisão e a transferência a terceiros. Também, a Recorrente dedica mais um item no seu recurso voluntário para tratar do “Processo Administrativo nº. 10920.000066/200411 e da Alíquota do Benefício do Créditoprêmio de IPI, esclarecendo que a mesma em um primeiro momento, solicitou o ressarcimento do créditoprêmio de IPI, com base na decisão judicial nº. 91.00032760, do período compreendido entre janeiro de 1990 a 24 de junho de 1992, período correspondente ao contrato BEFIEX da Recorrente, cujo PER/DCOMP foi transmitida, em 09 de janeiro de 2004, e que fora parcialmente deferido, uma vez que não foi reconhecida a correção pela SELIC, porque era o único período que a Recorrente dispunha de todos os documentos que comprobatórios do cumprimento e encerramento do BEFIEX. Em outros itens do seu recurso voluntário a Recorrente trata da Pacificação de entendimentos do STJ acerca do benefício ao créditoprêmio de IPI, dos efeitos prospectivos, da Ação Rescisória nº. 3.446, da Coisa Julgada, da Resolução nº. 71 do Senado Federal e do Ônus da Prova, concluindo que: “ Não apenas os juízes não poderão alterar o comando sentencial passado em julgado, como também, a autoridade administrativa e o legislados não poderão mudar a normatização concreta da relação.” Ainda, a Recorrente dedica um capitulo no seu Recurso Voluntário ao tema “Do Direito à Correção Monetária dos Créditos”, tese amplamente conhecida desse conselho, entendendo restar, pois, incontroverso que o STJ tem reconhecido de forma uníssona a correção monetária do créditoprêmio de IPI em conformidade com a tabela única aprovada pela Primeira Seção daquela Corte após a devida conversão do benefício em moeda nacional, e até a sua efetiva devolução, inclusive, com a aplicação da SELIC. Do seu pedido final a Recorrente reitera os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e requer o recebimento e o provimento de seu Recurso Voluntário para o fim de que se dignem Vossas Senhorias, em deferir os Pedidos de Restituição objeto do Processo Administrativo em questão, determinando, ainda, que se proceda a baixa dos autos para a devida restituição dos créditos nele consubstanciados. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo, mas dele NÃO tomo conhecimento, apesar de conter todos os requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de declarações de compensação, utilizando créditos reconhecidos por decisão judicial proferida nos autos da ação declaratória n° 91.00032760, que tramitou na Seção Judiciária do Distrito Federal, constando 17/11/2003 como data do trânsito em julgado. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 7 7 O créditoprêmio do IPI desse processo é oriundo de exportações realizadas no período de maio de 1999 a setembro de 2008. A DRF, ao analisar os pleitos, verificou que o crédito decorrente da ação n° 91.00032760 já havia sido compensado no PAF nº 10920.000066/200411, no montante de R$ 2.048.748,41. Esclareceu que o direito reconhecido judicialmente abrigava apenas as exportações efetuadas sob o Programa Especial de Exportação (BEFIEX), embarcadas no período compreendido entre 06/01/1990 e 14/06/1992. Segundo a autoridade fiscal, a ação judicial em comento foi proposta apenas para que fosse reconhecido o direito ao créditoprêmio do IPI relativo ao período compreendido entre a data de suspensão dos depósitos bancários efetuados pela CACEX e o termo final estipulado no Programa Especial de Exportação (BEFIEX) – 1992 e que não existe “crédito suplementar” a ser calculado com base nas exportações realizadas a partir de 24/06/1992. Ao final, todos os pedidos administrativos foram indeferidos, nos seguintes termos: “(...), tendo em vista a inexistência de crédito suplementar ao já anteriormente deferido no âmbito do processo administrativo n° 10920.000066/200411, em cumprimento à decisão transitada em julgado nos autos do processo n° 91.00032760, concernente a crédito prêmio de IPI, não homologo as Declarações de Compensação a ele vinculadas, listadas no relatório do presente despacho decisório”. Cientificada, a empresa apresentou manifestações de inconformidade. A Delegacia da Receita Federal de Ribeirão Preto/SP que rejeitou as alegações, confirmando a inexistência de crédito. Inconformada com as decisões, a empresa interpôs recursos, insistindo na tese de que a ação judicial n° 91.00.032760 lhe reconheceu o direito de continuar gozando do créditoprêmio do IPI, na forma preconizada pelo Decretolei nº. 491/69, bem como o direito de compensar o crédito com outros impostos federais. Diz que o acórdão do STJ que transitou em julgado (AgRg no Ag 484.819/DF) concedeu o direito ao benefício fiscal, sem definição de prazo. Entretanto, Com efeito, a Busscar propôs reclamação no STJ, contra atos do Srs. Delegado da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC, Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF e 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, os quais negaram pedidos de compensação da reclamante, referente ao créditoprêmio de IPI, reconhecido por decisão anterior transitada em julgado, no Agravo de Instrumento/STJ nº 484.819/DF (ação declaratória nº 91.00032760). Aliás, essa é a razão da propositura da reclamação, a contribuinte entende que as autoridades acima listadas estão desrespeitando a decisão judicial transitada em julgado, que lhe reconheceu direito ao créditoprêmio do IPI, sem impor qualquer restrição temporal para o gozo do benefício. Ao final, requereu a concessão da liminar inaudita altera pars para que seja determinada a imediata suspensão das decisões proferidas nos processos administrativos nº 10920.000997/200592, 10920.001345/200737, 10920.000511/200869, 10920.005159/2008 Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 8 8 58, 10920008013/200864, 10920.004143/200917 e 10920.000066/200411, e a extinção dos débitos tributários compensados, com a declaração de regularidade fiscal da empresa. Apenas para ressaltar, os processos cujos recursos estão em julgamento por essa Corte Administrativa estão relacionados na mencionada reclamação. O STJ, porém, julgou a reclamação improcedente, confirmando que a coisa julgada formada nos autos n° 91.00032760 abriga somente as exportações realizadas durante o contrato de BEFIEX, cuja extinção ocorreu em 24/06/1992. Confira se: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. STJ. GARANTIA DA AUTORIDADE DE SUAS DECISÕES. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PROGRAMA BEFIEX. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 741, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. 1. A ação reclamatória, que situase no âmbito do direito constitucional de petição (artigo 5.º, inciso XXXIV, da CF/1988), constitui o meio adequado para assegurar a garantia da autoridade das decisões desta Corte Superior em face de ato de autoridade administrativa ou judicial, à luz do disposto no artigo 105, inciso II, alínea f, da Carta Magna. (Precedentes: Rcl 2.559/ES, Rel. Ministro Barros Monteiro, Corte Especial, julgado em 02/04/2008, DJe 05/05/2008; Rcl 502/GO, Rel. Ministro Adhemar Maciel, Primeira Seção, julgado em 14/10/1998, DJ 22/03/1999 p. 35). 2. In casu, a reclamante sustenta que a decisão proferida por este Sodalício, nos autos do agravo de instrumento nº 484.819/DF, garantelhe a utilização do crédito prêmio do IPI indefinidamente, vale dizer, sem qualquer limitação temporal, e que as autoridades reclamadas estariam criando óbices ilegítimos à compensação administrativa dos seus créditos. 3. É cediço que é o dispositivo da sentença que faz coisa julgada material, abarcando o pedido e a causa de pedir, tal qual expressos na petição inicial e adotados na fundamentação do decisum, compondo a res judicata. Esse o posicionamento do STJ, porquanto "A coisa julgada está delimitada pelo pedido e pela causa de pedir apresentados na ação de conhecimento, devendo sua execução se processar nos seus exatos limites" REsp nº 882242/ES, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 01.06.2009. Podemos citar ainda: AgRg no Ag 1024330/SP, Rel. Min. Fernando Gonçalves, DJe 09.11.2009; REsp nº 11.315/RJ, Rel. Min. Eduardo Ribeiro, DJU 28.09.92; Resp 576926/PE, Rel. Min. Denisa Arruda, DJe 30.06.2006; Resp 763231/PR, Rel Min. Luiz Fux, DJ 12.03.2007; REsp 795724/SP, Rel Min Luiz Fux, DJ 1503.2007. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 9 9 4. Nesse sentido, valioso e atual revelase o escólio de Humberto Theodoro Junior, o qual assentou em artigo publicado em revista especializada, verbis: "É na conjugação dos atos das partes e do juiz que se chega aos contornos objetivos da coisa julgada. São, pois, as pretensões formuladas e respectivas causa de pedir (questões litigiosas) julgadas pelo Judiciário (questões decididas) que se revestirão da eficácia da imutabilidade e indiscutibilidade de que trata o art. 468 do CPC". (...) "Ressaltese, mais uma vez, que o dispositivo da sentença não se confunde com o texto final do julgado, mas deve ser localizado em todos os momentos da sentença em que o julgador deu solução às questões que integram a causa petendi, seja da demanda do autor, seja da defesa do réu, como adverte Liebman na seguinte passagem: "Em conclusão, é exata a afirmativa de que a coisa julgada se restringe à parte dispositiva da sentença. A expressão, entretanto, deve ser entendida em sentido substancial e não apenas formalístico, de modo que compreenda não apenas a fase final da sentença, mas também tudo quanto o juiz porventura tenha considerado e resolvido acerca do pedido feito pelas partes. Os motivos são, pois, excluídos por essa razão, da coisa julgada, mas constituem amiúde indispensável elemento para determinar com exatidão o significado e o alcance do dispositivo " (in "Notas sobre a sentença, coisa julgada e interpretação", Revista de Processo nº 167, ano 34, janeiro de 2009). 5. No mesmo sentido, a doutrina de José Frederico Marques, verbis: "A coisa julgada material tem como limites objetivos a lide e as questões pertinentes a esta, que foram decididas no processo. (...) O que individualiza a lide, objetivamente, são o pedido e a causa petendi, isto é, o pedido e o fato constitutivo que fundamenta a pretensão. Portanto, a limitação objetiva da coisa julgada está subordinada aos princípios que regem a identificação dos elementos objetivos da lide" (Manual de Direito Processual Civil, Volume III, 3ª Ed, São Paulo:Saraiva, 1975, p. 237). 6. In casu o fato constitutivo do direito da reclamante, deduzido nos autos da ação ordinária nº 91.00032760, é o termo de contrato para exportação vinculado ao programa especial de exportação n. 112/81 (BEFIEX), com prazo de vigência de dez anos a contar de 24.06.1982, com termo ad quem em 24.06.1992, consoante se denota pela leitura da peça exordial às fls. 48/74. O direito da empresa ao créditoprêmio do IPI não pode extrapolar, portanto, a data limite de 24.06.1992. Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 10 10 7. Com efeito, as autoridades reclamadas não impuseram qualquer óbice à compensação levada a efeito pela reclamante a título de crédito prêmio do IPI no tocante às exportações realizadas até 24.06.92, data limite do contrato firmado com a União através do programa BEFIEX. 8. Por seu turno, o mandado de segurança nº 2002.72.01.0006725 não versa a mesma pretensão deduzida na ação ordinária supracitada, uma vez que no mandamus o título jurídico e a causa de pedir que ampararam a pretensão da impetrante foi a violação pura e simples ao disposto no Decretolei 491/69 e o reconhecimento do direito ao créditoprêmio do IPI, sem limitação temporal, conforme se extrai da peça exordial (fls. 2406/2432), razão pela qual inexiste o conflito de coisas julgadas entre as ações referidas, porquanto, embora haja identidade de partes e similitude de pedidos, resta evidenciado que a causa de pedir de uma ação é bem distinta da outra. Enquanto na primeira, a relação jurídica base é o contrato, na segunda, o suposto direito afirmado em juízo decorre diretamente da lei. 9. Ademais, esta Corte Superior ao apreciar o pedido de desistência no REsp 719.921/SC, homologou tãosomente o requerimento de desistência do recurso especial, nos termos do artigo 501, do Código de Processo Civil (fls. 2491/2501), recusandose a homologar a desistência da própria ação mandamental, transitando em julgado o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, favorável à União. 10. Consectariamente, a desistência homologada do recurso faz transitar em julgado o decisum , consoante doutrina Barbosa Moreira: "Importa determinar o efeito da desistência sobre a decisão recorrida. Na Alemanha, outrora, era controversa a questão: parte da doutrina entendia que, não estando preclusa por outro motivo (notadamente, decurso do prazo de interposição) a via recursal, conservava o desistente a possibilidade de recorrer de novo; mas havia quem sustentasse o contrário. A redação do § 515, 3ª alínea (hoje, § 516, 3ª alínea), da ZPO, foi entretanto, modificada, e o texto passou a referirse unicamente à perda do recurso interposto ("des eingelegten Rechtsmittels"); daí haverse generalizado entre os alemães o primeiro entendimento – o que significa que, por si só, a desistência não basta para fazer transitar em julgado a decisão de que se recorrera. Já na Áustria domina a tese oposta. Entre nós, o Código de 1973 silencia sobre o ponto. Ao nosso ver, deve entender se em princípio que com a desistência do recurso, validamente manifestada, passa em julgado a decisão recorrida, desde que o único obstáculo erguido ao Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 11 11 trânsito em julgado fosse a interposição de recurso pelo desistente. Não nos parece que fique salva a este a possibilidade de recorrer novamente, ainda que o prazo não se haja esgotado. Isso não importa desconhecer a diferença conceptual entre a desistência e renúncia ao direito de recorrer. Focalizamos o problema a outro ângulo: o da preclusão. O recorrente já tinha exercido, de maneira válida, o direito de impugnar a decisão; com o exercício, tal direito consumouse, e não é a circunstância de vir a desistirse do recurso que o faz renascer" In Comentários ao Código de Processo Civil, Ed. Forense, Volume V, 10ª Edição, Rio de Janeiro, 2002, p. 333/334. 11. Ad argumentandum tantum, ainda que subsistentes duas decisões trânsitas, a segunda prevalece sobre a primeira, e desafia, se for a hipótese, ação rescisória por violação do caso julgado (art. 485, IV, do CPC). Precedentes: REsp 598148/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009; AgRg no REsp 643.998/PE, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 15/12/2009, DJe 01/02/2010; Resp 400104/CE, Rel. Ministro PAULO MEDINA, SEXTA TURMA, julgado em 13/05/2003, DJ 09/06/2003, p. 313. Sobre o tema, pertinente a lição de Pontes de Miranda, in verbis: "A decisão inconciliável com o julgado anterior, porém que, não obstante, já se tornou irrescindível, prevalece. O fundamento disso não é a renúncia à sentença anterior ou a aquiescência à posterior. Não é, por si, ato jurídico ou de consequências jurídicas individuais. A segunda toma lugar da primeira, porque a lei a fez só rescindível no lapso bienal. Não prevalece, porque a primeira se desvaleça, e sim porque convalescendose inteiramente, tornandose inatacável, irrescindível, tornandose impossível o que lhe é contrário. O direito moderno repudiou o princípio romano da perenidade da exceção à sentença que viola a coisa julgada, o ipso iure nullam esse posteriorem sententiam quae contraria sit priori. A segunda sentença, ou outra, que após ela veio, torna indefectível a segunda, ou outra posterior prestação jurisdicional; e o primeiro julgado é como se não tivesse havido. Assim havia de ser pela descategorização que processualmente ocorreu: o que era inexistente, então dito nullum, para o direito romano, passou a ser, nos nossos dias, apenas rescindível” In Tratado da Ação Rescisória das Sentenças e de Outras Decisões, 5ª Edição, Rio de Janeiro: Forense, 1976, p. 254/255. 12. Deveras, não há execução judicial em curso ou pedido de compensação administrativa que motive a aplicação do art. 741, parágrafo único, do CPC, que Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 12 12 declara ser inexigível "o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretarão da lei ou ato normativo tidos pelo Supremo tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal" , porquanto a hipótese não é de conformação à conclusão do Pretório Excelso nos julgamentos dos RREE 561.485/RS e 577.348/RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, mas, ao revés, é de fixação dos limites objetivos e eficácia temporal da res judicata que se formou em favor da reclamante, nos estritos termos do pedido que se enunciou no processo de conhecimento. 13. Reclamação improcedente. O acórdão acima transcrito ainda não transitou em julgado, pois a contribuinte interpôs embargos de declaração, estando atualmente aguardando julgamento. Assim, entendo que o Recorrente levou a discussão dos autos ao poder judiciário e, portanto, renunciou a esfera administrativa, portanto, está caracterizada a concomitância entre o processos administrativo s e a Reclamação em curso no STJ, razão pela qual reconheço a renúncia à instância administrativa. Nesse sentido, diversas são as decisões do CARF, a exemplo dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Existe concomitância quando no processo administrativo se discutir o mesmo objeto da ação judicial, hipótese em que a autoridade administrativa julgadora não deve conhecer o mérito do litígio. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DL Nº 491/69. DCOMP. Inexiste possibilidade de efetuar a compensação na via administrativa de crédito que ainda está sendo apurado e liquidado na via judicial. Enquanto não reconhecido o direito creditório na via eleita (administrativa ou judicial), não se homologa a decorrente Declaração de Compensação. Recurso não conhecido. D.O.U. de 15/02/2007, Seção 1, pág. 95 (grifei)1 NORMAS PROCESSUAIS – CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÕES NA VIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL Prevalece – Na instância administrativa a discussão intentada na via judicial, mesmo antes do lançamento de ofício, de tal maneira que a submissão da matéria tributável ao âmbito do Poder Judiciário antes da anunciação do crédito tributário é suficiente para formar a 1 Segundo Conselho, Primeira Câmara, Processo: 10930.002299/200341, Relator: Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça , Acórdão 20179275. Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.008013/200864 Acórdão n.º 3101 00929 S3C1T1 Fl. 13 13 concomitância de discussões e assim impedir a instância administrativa de conhecer da matéria diretamente submetida à discussão judicial. Aquilo que vier a prevalecer na instância judicial haverá de ser assumido pela autoridade lançadora encarregada da eventual execução do acórdão contra o sujeito passivo.2 (grifei) Como o litígio sobre a existência do crédito (limite da coisa julgada formada na ação declaratória n° 91.00032760) e a conseqüente homologação das compensações será resolvido pelo STJ, na Reclamação n° 4.421/DF, reconheço a renúncia à instância administrativa, pela concomitância. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro 2 Primeiro Conselho, Terceira Câmara, Processo: 13887.000437/9906, Relator: Victor Luís de Salles Freire Decisão: Acórdão 10321674. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 24 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10880.933265/2013-12
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 1003-000.468
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à DRF de Origem para que a autoridade preparadora se manifeste, confirmando ou não, o suposto pedido de transação controlado no DDA nº 13031193547202329.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Gustavo de Oliveira Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Faria e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: GUSTAVO DE OLIVEIRA MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à DRF de Origem para que a autoridade preparadora se manifeste, confirmando ou não, o suposto pedido de transação controlado no DDA nº 13031193547202329. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo de Oliveira Machado, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Márcio Avito Faria e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 12-97.178 (e-fls. 223/227), proferido pela 12ª Turma da DRJ/RJO que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Contribuinte afirmou que transmitiu a PER/DCOMP nº. 23709.00819.260511.1.3.04-0689, com a utilização de pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2484 através do DARF nº. 4748775132 recolhido no dia 31/maio/2010 referente ao ano calendário de 2010, no valor total de R$ 80.941,73. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 33 26 5/ 20 13 -1 2 Fl. 253DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1003-004.468 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933265/2013-12 Após a análise dos documentos apresentados pela Recorrente, a DRF não homologou a compensação declarada no valor total de R$ 73.204,07 a título de CSLL pago indevidamente ou a maior no ano calendário de 2010. A autoridade julgadora de 1ª Instância fundamentou no acórdão proferido (e-fls. 175/187): “(...) Ademais, os referidos lançamentos contábeis relativos às estimativas do ano- calendário 2010, de um modo geral, divergem dos valores constantes da Ficha 11 da DIPJ de fls. 67/70, pelo que se afigura frágil para comprovar os fatos alegados. Releva registrar, ainda, que a escrituração contábil do contribuinte somente faz prova a seu favor quando suportada por documentação hábil e idônea, conforme art. 923 do RIR/99, o que não se verificou na espécie, quer pela falta da documentação de suporte dos lançamentos analisados, quer pela divergência entre os valores escriturados, os valores informados na DIPJ e os valores confessados em DCTF. Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há reparo a ser feito no Despacho Decisório ora combatido. Pelo exposto, voto no sentido de considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando a compensação declarada. É como voto”. Inconformada com a decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 239/250), destacando em síntese que: “CAMBUCI S.A, já qualificada nos autos em referência, neste ato representada por seus advogados ao final identificados, vem respeitosamente à presença de V. Sa., em resposta à Intimação 2.489/2018, que noticia a ocorrência de problemas técnicos no primeiro envio dos arquivos virtuais via E-CAC, ocorrido em 06/0/2018, interpor novamente RECURSO VOLUNTÁRIO contra o Acórdão 12-97.178, proferido na sessão de 26/03/2018, pela unanimidade dos membros da 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Brasil no Rio de Janeiro, e o faz com base nas relevantes razões de fato e de direito a seguir expostos. Nestes termos, Pede deferimento. Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1003-004.468 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933265/2013-12 São Paulo, 11 de outubro de 2018. HÉLCIO HONDA RENATA SOUZA ROCHA OAB/SP 90.389 OAB/SP Nº 154.367 RECORRENTE: CAMBUCI S/A RECORRIDA: RECEITA FEDERAL DO BRASIL- UNIÃO FEDERAL PROCESSO: 10880.933265/2013-12 E. CONSELHO I. CONSELHEIROS RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO I- FATOS A Recorrente é pessoa jurídica de direito privada, nacionalmente conhecida sob o nome fantasia “PENALTY” e que tem como objeto social a industrialização, comercialização, importação, exportação e representação de artigos esportivos e produtos em geral destinados à prática de esportes e atividades recreativas, fios, tecidos, armarinhos, artigos de vestuário, bolas, chapéus, calçados e acessórios de qualquer espécie, dentre outras atividades ligadas a fabricação de produtos esportivos, tal como dá conta seu estatuto social. Tais atividades, por óbvio, estão sujeitas a uma série de tributos federais, dentre eles a CSLL, o qual é apurado pela Recorrente através do regime do lucro real, e recolhido mensalmente por estimativa. Após um processo interno de auditoria, a Recorrente identificou um pagamento a maior exatamente a este título, referente à competência de 03/2010, no valor de R$ 73.204,07, acrescido de juros e multa, equivocadamente informada em sua DCTF do período e efetivamente recolhido em DARF. A inexistência de um saldo devedor no mês de 03/2010 é constada na Ficha 11- Pág. 09 da versão original da sua DIPJ exercício 2011, ano-calendário 2010 (Doc. 03 da manifestação de inconformidade). Tratando-se de pagamento indevido, a Recorrente o recuperou na forma de compensação com débitos próprios, ato formalizado na DCOMP 23709.00819.280511.1.3.04-0689 (Doc. 06 da Manifestação de Inconformidade). Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1003-004.468 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933265/2013-12 Ocorre, todavia, que a Receita Federal do Brasil não aceitou o encontro de contas, por supostamente já existir um débito em nome da Recorrente para o qual o pagamento em questão havia sido alocado. Ou seja, por ter havido, equivocadamente, a declaração do débito em DCTF, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação. (...) III- DO PEDIDO Diante de todo o exposto, a Recorrente requer o provimento integral do presente Recurso Voluntário, para o fim de (i) reformar o Acórdão 12-97.178, proferido na sessão de 26/03/2018, pela 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Brasil no Rio de Janeiro; (ii) homologar a DCOMP 23709.00819.280511.1.3.04-0689; e (iii) afastar a cobrança do débito tributário, acrescido de multa e juros, decorrente da compensação supostamente indevida. Nestes termos, Pede deferimento. São Paulo, 11 de outubro de 2018. HÉLCIO HONDA RENATA SOUZA ROCHA OAB/SP 90.389 OAB/SP Nº 154.367”. É o relatório. Voto Conselheiro Gustavo de Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento inclusive para os efeitos do inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do acórdão de piso sob o argumento de que tem direito ao reconhecimento do direito creditório integral para que seja homologada a declaração de compensação n.º 23709.00819.260511.1.3.04-0689, com a utilização de pagamento indevido ou a maior de CSLL, código 2484 através do DARF nº. 4748775132 recolhido no dia 31/maio/2010 referente ao ano calendário de 2010, no valor total de R$ 80.941,73. Todavia, ao examinar os autos o e-processo, constatei a seguinte NOTA DE PROCESSO: Alerta de possível TRANSAÇÃO: o interessado no presente processo possui pedido de transação controlado no DDA nº . Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 1003-004.468 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.933265/2013-12 Sobre a questão, a Portaria Conjunta SRFB/PGFN nº 01, de 12 de janeiro de 2023, que institui o Programa de Redução de Litigiosidade Fiscal - PRLF, medida excepcional de regularização fiscal por meio da realização da transação resolutiva de litígio administrativo tributário no âmbito de Delegacia da Receita Federal de Julgamento - DRJ, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF e de pequeno valor no contencioso administrativo ou inscrito em dívida ativa da União, prevê: Art. 6º A adesão ao PRLF poderá ser formalizada das 8h de 1º de fevereiro de 2023 até às 19h, horário de Brasília, do dia 31 de julho de 2023.(Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 8, de 31 de maio de 2023) [...] § 4º O requerimento de adesão apresentado validamente suspende a tramitação dos processos administrativos fiscais referentes aos débitos incluídos na transação enquanto o requerimento estiver sob análise. Por tal motivo, entendo ser mais prudente converter o julgamento do presente recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de que seja ratificado o referido pedido de transação. Ante o exposto, tendo em vista a prova produzida pela Recorrente nos autos e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem para que a autoridade administrativa se pronuncie, confirmando ou não, acerca de suposto pedido de transação controlado no DDA nº 13031193547202329. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes (inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e art. 35 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). (documento assinado digitalmente) Gustavo de Oliveira Machado. Fl. 257DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10980.005267/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2006
CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. – Extinto por decisão definitiva do STF em
04/10/1990, logo a Recorrente não tem direito ao crédito-prêmio
do IPI do período pleiteado.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-000.978
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2006 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. – Extinto por decisão definitiva do STF em 04/10/1990, logo a Recorrente não tem direito ao crédito-prêmio do IPI do período pleiteado. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1687; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 1 1 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.005267/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101 978 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2012 Matéria IPI CRÉDITO PREMIO RESSARCIMENTO Recorrente BRASLAR DO BRAISL LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2006 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. – Extinto por decisão definitiva do STF em 04/10/1990, logo a Recorrente não tem direito ao créditoprêmio do IPI do período pleiteado. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado,Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 53 verso dos autos emanados da decisão DRJ/RPO, por meio do voto do relator Marcelo de Camargo Fernandes, nos seguintes termos: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.005267/200905 Acórdão n.º 3101 978 S3C1T1 Fl. 2 2 “O interessado acima identificado pediu o reconhecimento do direito de utilização do crédito prêmio do IPI (art. 1º do DL 491/69), decorrente das exportações realizadas no período em epígrafe, inclusive com atualização monetária calculada à taxa SELIC. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente indeferiu o pleito, demonstrando que o para o período em questão o créditoprêmio de IPI já havia sido revogado. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que não teria ocorrido qualquer decadência ou prescrição e que o benefício ainda está em vigor, inclusive corrigido monetariamente, conforme legislação e julgados que cita. Encerrou solicitando o integral ressarcimento pleiteado” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1429.381 de fls. 53 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2006 CRÉDITO PRÊMIO DO IPI. Indeferese a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido benefício fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. RESSARCIMENTO DE IPI. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 65 a 162) onde alega em suma o seguinte: I – os fatos – Protocolou junto a Receita Federal do Brasil ARF São João da Boa Vista/SP Pedido de Ressarcimento de Crédito de IPI para ressarcimento de créditopremio nos termos do artigo 1º, do DecretoLei nº. 491/69 relativo as exportações realizadas no período de 15/08/1997 a 15/08/2004, no montante atualizado pela taxa Selic de R$ 16.661.550,74, juntando para isso as respectivas planilhas contendo a relação dos Registros de Embarque das exportações realizadas, valor do crédito atualizado e outros dados; II – PRELIMINARMENTE – Da inexistência de períodos prescritos, observando que, em se tratando de IPI, tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o contribuinte efetua o pagamento do tributo para que o fisco o homologue ou o retifique, tem se que a compensação ou restituição dos valores pode se dar no prazo de 10(dez) anos. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.005267/200905 Acórdão n.º 3101 978 S3C1T1 Fl. 3 3 III – Da Evolução Histórica do créditoprêmio; IV – Da Não Revogação do Benefício Pelo Art. 41, § 1º Do ADCT Da Constituição Federal de 1988; V – Da Lei nº. 8.402/92; Sua Interpretação, caso se entenda que a Constituição revogou o créditoprêmio; VI – Dos Beneficiários do Incentivo; VII – Das Operações e Produtos Beneficiados com o crédito; VIII – Da Correção Monetária; V – Do Pedido – requer seja admitido o presente recurso, remetendose os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que conheça, julgue e dê provimento, autorizando o pedido de restituição dos valores pagos indevidamente a título de créditoprêmio exportação de IPI, devidamente atualizados pela taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro. O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do créditoprêmio de IPI do período de 01/03/2004 a 30/04/2006. Assim, inicialmente cabe observar que o créditopremio do IPI, benefício fiscal instituído pelo governo federal aos exportadores há 40 anos, foi extinto em 1990. Essa foi a interpretação do Supremo Tribunal Federal que, em decisão unânime dada na quintafeira (13/8/2009), frustrou as expectativas das indústrias que vendem produtos para o exterior. Os contribuintes pretendiam que a corte declarasse que o incentivo continuava vigente até hoje. A tese vencedora foi a de que, como o benefício foi criado antes da Constituição Federal de 1988, teria de ser revalidado por uma lei em até dois anos depois da promulgação do texto constitucional. Como isso não aconteceu, o direito aos créditos expirou em 5 de outubro de 1990. Para os contribuintes, no entanto, a regra — prevista no artigo 41, parágrafo 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias — só se aplica a benefícios setoriais, o que exclui os exportadores por não serem um setor. O créditoprêmio do IPI foi instituído pelo Decretolei 491 em 1969, durante o regime militar, para incentivar as exportações de produtos industrializados, permitindo que Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.005267/200905 Acórdão n.º 3101 978 S3C1T1 Fl. 4 4 empresas compensassem o imposto recolhido por meio de créditos no mercado interno. O decreto isentava de IPI os produtos exportados e permitia que as indústrias se creditassem do imposto pago na compra de matériasprimas. O crédito foi mantido até 1983, quando expirou o prazo previsto pelos Decretoslei 1.658 e 1.722, de 1979. As normas definiam uma redução trimestral de 5% do benefício, até sua extinção. No entanto, esses decretos foram revogados pelos Decretoslei 1.724/79 e 1.894/81, que acabaram não estipulando uma nova data para a extinção, mas deram ao ministro da Fazenda o poder de fazêlo. Como o IPI só incide sobre produtos industrializados e as indústrias compõem o setor secundário da economia, o créditoprêmio é um benefício setorial, extinto em 1990 com base na determinação do ADCT. O raciocínio levou o ministro relator dos casos, Ricardo Lewandowski, a negar provimento a dois dos três recursos que ocuparam toda a tarde do Plenário do Supremo, e a não admitir o outro. “O ADCT reviu todos os incentivos fiscais, exceto os regionais”, disse. Sobre a possibilidade de compensação dos créditos entre 1983 e 1990, o ministro disse que os casos deverão ser analisados isoladamente, mas que o período a se levar em conta é o da prescrição qüinqüenal prevista no Código Tributário. Assim, a Recorrente NÃO tem direito ao créditoprêmio do IPI do período pleiteado (a partir de 2004), porque o mesmo está extinto a partir de 05/10/1990, razão suficiente para desconsiderar demais razões recursais, principalmente quanto a prescrição, que conforme já adiantado acima o período a se levar em conta no caso é o da prescrição qüinqüenal prevista no Código Tributário, conforme as decisões jurisprudências a seguir destacadas, apesar de pessoalmente apreciar a tese levantada pela Recorrente. 1. Tratase de agravo regimental interposto por Canguru Embalagens S/A em face de decisão que negou provimento ao agravo de instrumento por entender prescrito o benefício fiscal do créditoprêmio de IPI, consoante posicionamento jurisprudencial dominante neste Tribunal. Defende a permanência do benefício fiscal do crédito prêmio de IPI até os dias atuais, conforme os arts. 1º do DL n. 491/69, 1º da Resolução n. 71/05. 2. A Primeira Seção desta Corte uniformizou entendimento no sentido da extinção do créditoprêmio de IPI em outubro de 1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT (EResp 396.836/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. p/ acórdão Min. Castro Meira, DJ 05.06.2006). 3. Tendo sido a ação proposta em 08.06.2005, estão prescritos os créditos os quais se busca o aproveitamento. 4. Agravo regimental nãoprovido. (STJ – 1ª T., AgRg no Ag nº 933.630/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ 21.05.2008, p. 1) ____________________ TRIBUTÁRIO – IPI – CRÉDITOPRÊMIO – EXTINÇÃO EM 4.10.1990 – PACIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO – ERESP 738.689/PR – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. 1. A Primeira Seção desta Corte, na assentada de 27.6.2007, em julgamento do EREsp 738.689/PR, de relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, pacificou o entendimento no sentido de que o referido benefício fiscal foi extinto em 4.10.1990 por força do art. 41, § 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, segundo o qual considerarseão "revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Assim, por constituirse o créditoprêmio de IPI em benefício de natureza setorial (já que destinado apenas ao setor exportador) e não tendo sido confirmado por lei, fora extinto no prazo a que alude o ADCT. 2. Ficou consolidado o Prazo prescricional Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10980.005267/200905 Acórdão n.º 3101 978 S3C1T1 Fl. 5 5 qüinqüenal para as ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do artigo 1º do Decreto n. 20.910/32. 3. O mandado de segurança foi ajuizado em 23.10.2000, ficando prescritos eventuais créditos titularizados pela recorrente, porque decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício e a do ajuizamento da ação. Agravo regimental improvido. (STJ – 2ª T., AgRg no REsp nº 696.523/PE, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 27.04.2008, p. 1) ____________________ TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOSLEIS 491/69, 1.724/79, 1.722/79, 1.658/79 E 1.894/81. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. VIGÊNCIA DO ESTÍMULO FISCAL ATÉ 04 DE OUTUBRO DE 1990. RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. Contudo, não acato a preliminar argüida, pelas próprias razões de decidir quanto ao mérito. Quanto as demais razões de mérito, não reside a Recorrente com razão, pela decisão do STF pela extinção do créditoprémio do IPI em 04/10/1990. Isto posto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 21 /03/2012 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15504.006586/2008-88
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2005
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 2004-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, dada a indevida inovação recursal.. Votou pelas conclusões a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira.
(documento assinado digitalmente)
Régis Xavier Holanda Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente).
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Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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DO BRASIL COMERCIO E REPRESENTACAO LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2005 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, dada a indevida inovação recursal.. Votou pelas conclusões a conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira. (documento assinado digitalmente) Régis Xavier Holanda – Presidente (documento assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira e Regis Xavier Holanda (Presidente). . Relatório Cuida o presente de lançamento para cobrança de multa por ter a empresa apresentado a GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação - CFL 91. O relatório fiscal encontra-se às fls. 11/12. O sujeito passivo impugnou o lançamento às fls. 21/0/30. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG julgou procedente em parte o lançamento às fls. 47/52, por meio do acórdão a seguir ementado: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 65 86 /2 00 8- 88 Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2004-000.127 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.006586/2008-88 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/10/2005 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO EM DESACORDO COM A NORMA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DE CORESPONSÁVEIS. NÃO CABIMENTO. MULTA. NORMA APLICÁVEL. Constitui infração à legislação previdenciária, a empresa apresentar a GFIP em desacordo com as formalidades especificadas no respectivo Manual de Orientação. O lançamento inclui no pólo passivo somente a pessoa jurídica que tenha relação direta com o fato gerador da obrigação tributária. Não compete à autoridade julgadora a discussão sobre ilegalidade de normas legais em vigor. Cientificado do acórdão de impugnação, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário às fls. 57/69. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator. Do conhecimento O contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação em 2/12/09 (fl. 56) e apresentou seu recurso tempestivamente em 9/12/09 (fl. 57). Contudo, o recurso não deve ser conhecido, como adiante exposto. Cabe destacar que da ação fiscal aqui tratada resultaram os seguintes lançamentos: Al n. 37.056.696-3 - Código 68 - por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 combinado com o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4°., do Regulamento da Previdência Social- _ RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99). Al n. 37.056.697-1 - Código 69 - por apresentar com dados incorretos e omissos campos da GFIP (infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 6°. da Lei 8.212/19 combinado com o artigo 225, inciso IV, parágrafo 4°., do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99). Al n. 37.056.698-0 - Código 91 ›- por apresentar documentos em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação (infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafos 1°. e 3°. da Lei 8.212/91 combinado com o artigo 225, inciso lV do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99). ' Al n. 37.056.699-8 - Código 38 - por não exibir qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 (infração ao artigo 33, parágrafo 2°. da Lei 8.212/91) NFLD n. 37.056.695-5 - Refere-se às contribuições previdenciárias não recolhidas em época própria parte empresa, SAT, terceiros e pro labore. NFLD n. 37.056.694-7 – Refere-se às contribuições previdenciárias descontadas/arrecadadas dos contribuintes individuais, mas não recolhidas ao erário. Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2004-000.127 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.006586/2008-88 Como relatado, trata-se de lançamento para cobrança de multa por ter a empresa apresentado a GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Pode-se extrair do relatório fiscal que a multa foi aplicada no valor fixo de R$ 1.156,95, forte nos artigos 283, caput e § 3º e 373, ambos do RPS. Não obstante, o recorrente suscitou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração pelo suposto cerceamento de seu direito à defesa, na medida em que o lançamento não teria individualizado os valores apontados como descontados, arrecadados e não recolhidos. Quanto ao mérito, creditou as divergências apontadas/apuradas na ação fiscal a supostos erros e/ou incompatibilidade relacionados aos programas que utiliza para a geração da bases de dados que alimentará o SEFIP, aplicativo da CEF responsável pela geração da GFIP. Por fim, no que tange à multa, sustentou que a penalidade aplicada, no patamar de 100% sobre a contribuição não declarada em GFIP, mostrar-se-ia absurdamente exagerada. Em relação a este último ponto, parece ter havido um equívoco por parte do recorrente na avaliação daquilo que foi objeto do lançamento. Não se tratou, nestes autos, de lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias (CFL68) no patamar de 100%, como imaginou o autuado. Veja-se excerto de seu recurso, com o destaque deste relator: Noutro giro, mesmo se o erro cometido fosse de responsabilidade da Recorrente, vale ressaltar que o preenchimento de GFIP constitui obrigação acessória do contribuinte, sendo certo que seu descumprimento não pode acarretar aplicação de multa isolada em valor exacerbado (100% do valor relativo à contribuição não declarada), face a eventual erro de escrituração cometido, tendo em vista que não houve prejuízo ao erário. Mais a mais, compulsando as razões de defesa que constaram da defesa/impugnação, é de se notar que tais matérias não foram lá veiculada, consoante exige o inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72, o que fez com que sequer houvessem sido abordadas pela decisão de primeira instância, que não teve a oportunidade de trazer ao contencioso a análise acerca dessas alegações. Tenho, portanto, que não é lícito inovar no recurso para inserir questões diversas daquelas originalmente deduzidas na impugnação, devendo as inovações serem afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Forte no exposto, NÃO CONHEÇO do recurso dada a indevida inovação recursal. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2004-000.127 - 2ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.006586/2008-88 Fl. 94DF CARF MF Original
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