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Numero do processo: 10580.000119/2002-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/1997
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprovado.
Numero da decisão: 9303-006.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprovado”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380301.313, de 1º/03/2011, proferido pela 3ª Turma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 01 19 /2 00 2- 22 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.000119/200222 Acórdão n.º 9303006.677 CSRFT3 Fl. 153 2 Especial da 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO NULIDADE ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte, e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes." No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, que o fundamento utilizado para o lançamento foi "a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata"; o contribuinte entendeu o fundamento da autuação, já que suas manifestações traz maiores informações sobre a ação judicial intentada por ele e que, a seu ver, serviria como fundamento para a compensação dos débitos, objetos do lançamento em discussão; só existe nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, se caracterizado o óbice ao exercício do seu direito; assim, deve ser mantido o lançamento para prevenir a decadência, com base no art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Por meio do despacho às fls. 133/136, o Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Voto Conselheiro Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria oposta nesta instância especial se restringe ao cancelamento do lançamento por falta e/ ou alteração da motivação e fundamentação legal. O auto de infração em discussão decorreu da auditoria interna da DCTF do primeiro trimestres de 1997, conforme consignado à fl. 15, onde consta: "4 Demonstrativo de Crédito Tributário"; "4.1 Contribuição (ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.000119/200222 Acórdão n.º 9303006.677 CSRFT3 Fl. 154 3 TRIBUTÁRIO A PAGAR"; "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL PIS/1997". No campo intitulado "Descrição", temse "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III", "DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTADO A PAGAR, em anexo". Na sequência, consta todo o enquadramento legal. Já no "Anexo I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS" (fl. 16) consta, na coluna "OCORRÊNCIA", o fundamento "Proc. jud. não comprovado". O colegiado da Câmara baixa entendeu que a substituição da fundamentação fática não era correta, devido a alteração da motivação e falta de competência legal para sua realização, dando provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. Conforme demonstrado no acórdão recorrido e se verifica do auto de infração, sua fundamentação está incompleta e equivocada. O processo judicial nº 95.00.003775 indicado na DCTF, de fato existe. Se o contribuinte não pode apresentar as razões corretas para sua defesa, em ambas as instâncias administrativas, não pode a autoridade julgadora superior suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência ou modificando os argumentos, fundamentos e motivação, implicando em inovação. A motivação do ato administrativo, no ordenamento pátrio é obrigatória como pressuposto de existência ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmada por meio da norma positiva, nos termos do art. 2º da Lei nº 4.717/1965. Mais recentemente, a Lei nº 9.784/1999 corroborou a imprescindibilidade da motivação como sustentáculo do ato administrativo, literalmente: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...). § 1ª A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Também a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do e seu resultado, invalidao por completo. Disto resulta a teoria dos motivos determinantes. Segundo Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Ed. Lumen Juris, 1999, pág. 81). Assim, demonstrado e comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e que a compensação foi amparada nele, mostrase incorreto o pressuposto fático Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.000119/200222 Acórdão n.º 9303006.677 CSRFT3 Fl. 155 4 que deu suporte ao auto de infração, em relação ao débito lançado sob o fundamento de "Proc jud não comprovado". Neste mesmo sentido, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito abaixo: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (Ac. nº 9303002.326, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20/06/2013). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do crédito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso negado.” (Ac. nº 9303.002.914, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Maria Teresa Martínez López, unânime, sessão de 10/04/2014). À luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 155DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730062/2016-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012, 2013
CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF.
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada.
MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
Numero da decisão: 1402-003.203
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012, 2013 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas.
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COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 62 /2 01 6- 99 Fl. 281DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 282 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: Tratase o presente de uma notificação de lançamento de multa isolada, no valor total de R$ 125.934.201,57, referente a não homologação de compensações tratadas no processo administrativo nº 10166.905166/201570, com base na fundamentação legal do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração promovida pela Lei nº 12.249/2010. O valor não homologado no processo administrativo nº 10166.905166/2015 70 foi de R$ 251.868.403,14, que vem a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). As Dcomps não homologadas foram as seguintes: DCOMP Valor não homologado (R$) 061252880527091213020397 139.089.687,85 079108237829051313020496 101.478.356,46 270667048430081213029282 11.300.358,83 Total não homologado 251.868.403,14 Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificada da Notificação de Lançamento em 05/12/2016 (Termo de Ciência à fl. 07, a interessada apresentou em 19/12/2016 (fl. 08) a impugnação de fls. 09 a 18, acompanhada dos documentos de fls. 19 a 224, onde alega, em síntese: solicita o apensamento dos autos ao processo n° 10166.905166/201570; que o fato gerador da presente autuação não mais subsiste em relação à Dcomp n° 27066.70484.300812.1.3.029282, a qual foi homologada em parte; a nulidade da autuação por vício, omissão ou incorreção; Fl. 283DF CARF MF 4 que a penalidade aplicada é injusta, desarrazoada e totalmente desproporcional, havendo duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, pois aplica multa moratória sobre os débitos não homologados e também agora cobra vultosa multa de ofício diante da não homologação das Dcomps e cita a Súmula/CARF n° 105; a inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, por violar o exercício regular do direito de petição e o devido processo legal assegurados pela CF/88, traduzindose em sanção política, cuja cobrança abusiva e desarrazoada atenta contra o direito de propriedade e o postulado da proporcionalidade, conforme jurisprudência citada; que a imposição da multa seria cabível somente em caso de máfé por parte do contribuinte, e que nem de longe é a situação fática vivenciada no presente feito; que a multa aplicada em face da não homologação das Dcomps apresentadas, além de indevida tem intuito nitidamente arrecadatório, violando preceitos constitucionais. Ao final requer seja acolhida a impugnação para reconhecer a improcedência da autuação lavrada, declarando insubsistente a crédito tributário impugnado, diante da decisão proferida pela própria DRF que reconheceu parcialmente o direito creditório declarado em uma das Dcomps objurgadas, estando assim comprometido tanto o enquadramento legal da autuação quanto a inexigibilidade da multa aplicada. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal STF. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Deve ser aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada. MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa isolada exigida em face da não homologação de compensações, concomitantemente com a cobrança de multa de mora Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 283 5 incidente sobre os tributos cujas compensações não foram homologadas, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto a solicitação de anexação do presente processo ao processo administrativo nº 10166.905166/201570, nos termos do art. 3º da Portaria RFB nº 1668/2016, a autoridade julgadora a quo entendeu que não era cabível, pois o art. 4º da mesma portaria disciplina que a apensação processo só valeria a partir da data da formalização, o que não seria o caso. Ademais, enquanto não julgado em definitivo o processo que base ao presente, haverá suspensão da exigibilidade de ambos; no que tange a alegação da impugnante que a Dcomp n° 27066.70484.300812.1.3.029282 foi parcialmente homologada, o que diminuiria a base de cálculo da autuação presente, ao que a autoridade julgadora a quo informa que o lançamento já levou em consideração a homologação parcial; a autoridade julgadora a aquo rebateu também as alegações de que houve nulidade por conta da autuação conter vício, omissão ou incorreção, pois não houve comprometimento do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, e nem que houve cerceamento de defesa; quanto à alegação de que a multa isolada viola os princípios da razoabilidade, não confisco, proporcionalidade, direito de petição e direito de propriedade, rebateu a autoridade julgadora a quo que está adstrito ao art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 e da súmula CARF nº 2; quanto à alegação que não agiu de máfé, coube decidir que o §17 do art. 74 da lei nº 9.430/1996 não estabelece máfé como condição para a imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. A única ressalva é por conta de falsidade, o que a qualifica; quanto à alegação de duplicidade de autuações cumulação na cobrança de multas, pois haveria moratória sobre os débitos não homologados e a multa isolada de ofício diante da não homologação. A autoridade julgadora a quo entendeu que a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, enquanto a multa isolada sobre compensação não homologada está prevista em lei, tendo ambas hipóteses de incidência distintas. Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 22/06/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 19/07/2017, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: Fl. 285DF CARF MF 6 quanto a anexação do presente processo ao processo base da autuação 10166.905166/201570, deve ser revista a posição da DRJ, pois a Portaria vigente na época da formalização do processo1 também continha o mesmo comando de apensação; quanto a discussão da dcomp nº 27066.70484.300812.1.3.029282, que a DRJ entendeu que o lançamento já levara em consideração a homologação parcial, insurgese a recorrente pois no seu entender o fato de ter sido parcial, afastaria a incidência do § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996, pois no seu entender, agiu com boafé ao buscar a compensação; houve nulidade da autuação, por vício, omissão ou incorreção, bem como é uma penalidade injusta, não razoável e desproporcional, ofendendo a legalidade pertinente; há uma violação aos princípios constitucionais pela aplicação da multa isolada, quais sejam, da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco, direito de propriedade e direito de petição, pois é necessário a máfé para ocorrer o lançamento da multa prevista no § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996, citando excertos de uma decisão do STF sobre o tema2; houve no caso duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, ao aplicar sobre o mesmo fato gerador, multa moratória sobre os débitos não homologados e, também, fazer incidir multa isolada diante da não homologação das Dcomps e parcial de uma delas. Adiciona nos seus argumentos da proibição da concomitância de multa de ofício nos termos da Súmula CARF nº 105. É o relatório. 1 Portaria RFB n.° 354, de 11.3.2016 2 AD1173, JOAQUIM BARBOSA, STF AC 000179205.2012.4.01.4300/TO, TRF1, 7a Turma, Rel. Des. Federal Ângela Catão, eDJFl 14.08.2015 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 284 7 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte, objeto do processo n° 10166.905166/201570, que levou à lavratura da notificação de lançamento para imposição da multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação pela Lei nº 12.249/2010. Na sua impugnação, a recorrente solicita o apensamento dos autos ao processo objeto da não homologação, bem como alega que uma das Dcomps foi homologada parcialmente, o que não teria sido considerado no lançamento. Ademais, suscita argumentos de nulidade da autuação por vício, omissão e incorreção, e também uma penalidade injusta, desarrazoada e desproporcional, pela duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas. Igualmente, suscita inconstitucionalidade do §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, por violação do exercício regular do direito de petição e o devido processo legal. Na decisão a quo, houve o entendimento que a necessidade do apensamento só vigeria após os processos formalizados em litígio, e ademais, a multa isolada fica suspensa até o trânsito em definitivo do processo objeto do lançamento 10166.905166/201570. Que a homologação parcial foi sim considerada no lançamento. Não conhece das alegações em relação à constitucionalidade, razoabilidade, proporcionalidade ou restrição ao direito de petição, por não serem matérias de competência administrativa. Quanto a alegação de não agiu de máfé, entendeu a autoridade a quo que a legislação pertinente não estabelece máfé ou ilicitude do ato como condições para imposição da multa, e a ressalva remete a caso de multa isolada qualificada. A súmula nº 105 do CARF não se aplica ao caso, e há previsão legal para ambas multas impostas de mora e isolada. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando nos mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada relevante acrescentar. Da questão da multa isolada aplicada e sua legalidade Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada que está sob discussão no presente processo. Fl. 287DF CARF MF 8 O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação, à época da transmissão da declaração de compensação e vige até hoje, assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. No parágrafo seguinte, há uma vinculação do processo da exigência da multa isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Primeiramente, há que se observar que o §17 do art. 17 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos3: 3 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 285 9 Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. Há que se analisar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 289DF CARF MF 10 multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalho pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a aplicação multa isolada cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 286 11 Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminares da alegação de nulidade da autuação A recorrente se insurge na sua peça recursal, alegando a nulidade da autuação fiscal, por vício, omissão ou incorreção. Agrega que há ofensa ao art. 149 do CTN, o qual o ente fiscal tem o dever de revisar de ofício o lançamento tributário. Contudo, não vislumbro a nulidade suscitada pela recorrente, a qual repete na sua peça impugnatória. Há ali no seu teor argumentativo alegações de ordem constitucional, e nenhuma de ordem material. Sua irresignação insurge a não aceitação do lançamento fiscal sofrido, pois não houve nenhuma situação capitulável como ensejador de nulidade. Todos os requisitos legais foram atendidos, e não houve cerceamento de defesa. E não se aplica ao caso o dever de revisar de ofício pretendido, pois a exigência está sendo aplicada dentro da determinação legal pertinente. Dito isto, NEGO PROVIMENTO às alegações de nulidade suscitadas no recurso voluntário. da alegação de apensamento ao processo objeto da dcomp não homologada Como já exposto no relatório, a presente notificação de lançamento decorre do processo nº 10166.905166/201570, que trata das Dcomps não homologadas. A recorrente Fl. 291DF CARF MF 12 solicita que o presente processo seja anexado a este processo, na sua peça impugnatória, nos termos do art. 3º da Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016. A autoridade julgadora a quo entendeu que a vigência da Portaria RFB nº 1668, de 29/11/2016 é posterior à data formalização do presente processo (ocorrida em 24/11/2016), e por consequência, também, ao processo 10166.905166/201570. Agregou que naquele momento do julgamento, ambos os processos estavam em instâncias de julgamento distintas, o que inviabilizaria o apensamento. No seu recurso voluntário, a recorrente alega que a portaria vigente na época da formalização do presente processo Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016 também continha o mesmo comando de apensação da Portaria RFB nº 1.668, de 29/11/2016, o que entende o bastante para ocorrer o solicitado. Primeiramente, analisando a Portaria RFB nº 354, de 11/03/2016, há ali a redação que os autos serão juntados por apensação nas circunstâncias do presente caso. Contudo, o processo que denegou a compensação 10166.905166/201570 foi protocolizado em 25/09/2015, em vigia outra Portaria RFB que dispõe sobre a formalização de processos relativos a seus tributos a Portaria RFB nº 666, de 24/04/2008, com alterações promovidas pela Portaria RFB nº 2.324, de 02/12/2010, e nesta não há nenhum comando de apensamento para as circunstâncias envolvidas no presente caso. Após a formalização do processo 10166.905166/201570, ele já passa a seguir seu rito própria, tendo a recorrente nele apresentado sua manifestação de inconformidade em 15/01/2016. O presente processo de notificação de lançamento foi formalizado somente em 24/11/2016, ou seja, não foram nem proximamente temporalmente, estando em esferas distintas, e já etapas processuais administrativas distintas. Nestes casos, apesar da dependência de um processo ao decidido no outro, há uma discussão aqui no presente própria. A própria legislação protege os contribuintes na redação do parágrafo seguinte § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido). Ademais, na data do presente julgamento, o processo 10166.905166/201570 está decisão prolatada em 10/04/2018, pela 1ª Turma Ordinária, da Segunda Câmara da Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 287 13 Primeira Seção, conforme ata já que a resolução ainda não foi publicada, para conversão do julgamento em diligência. Agregase a tudo isso o fato que as Portarias que dispõem sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela RFB não tem o caráter tão imperativo assim, tendo o caráter mais administrativo interno, pois o que importa é materialidade inserta nos processos, e eventuais divergências ao seu teor não causariam, tiradas raríssimas exceções, nenhum prejuízo ao contribuinte envolvido, sendo facilmente sanáveis. No presente caso, mesmo nos casos de apensados, haveria a necessidade de discussão próprias das matérias de ambos processos, o que já está ocorrendo. Como já frisado, há uma proteção já prevista em lei quanto a exigibilidade do lançado, até definição da sua base de cálculo. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao pleito de apensamento dos processos da recorrente. quanto à homologação parcial caracterizar boafé e não sujeitaria ao lançamento Alega a recorrente que quanto a discussão da Dcomp nº 27066.70484.300812.1.3.029282, a autoridade julgado a quo ao decidir que o lançamento se baseara em uma homologação parcial, este fato, o de ter sido parcial, afastaria a incidência do § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996, pois no seu entender, agiu com boafé ao buscar a compensação. Contudo, conforme já exposto anteriormente, na análise da legislação aplicável ao caso, o § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996 não estabelece, para sua aplicação, a máfé, bastando a não homologação da compensação declarada, ressalvando apenas os casos de falsidade, que remeteria a uma penalidade maior. Ou seja, considerando a taxatividade da imputação legal ao caso, não há esta margem de consideração em prol ao alegado pela recorrente. E nem o fato de ter sido parcial a homologação poderia criar dúvidas quando cotejado com o teor do texto legal, pois ali fala em valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada (...), ou seja, não é uma multa em decorrência de uma declaração totalmente não homologada, podendo ser parcial a quitação do débito pretendido, remanescendo o restante novamente em pendência após a decisão de não homologação parcial. Ademais, o crédito também não é único, e em muitas circunstâncias, a sistemática de apuração do seu direito creditório pode ser entendida a adequada pela recorrente, mas não aceita pela autoridade administrativa fiscal, remanescendo um crédito menor. Nesta sistemática, que pode surgir em várias circunstâncias de embates de posicionamento contribuinte x fisco, é relativamente comum haver direito parcial em parte do pleito, e ela será utilizado para extinção do débito, e não será base de cálculo da apuração da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996. Fl. 293DF CARF MF 14 Assim, entendo que mesmo nos casos de homologação parcial, aplicase a multa isolada sobre a parte da compensação não compensada. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao pleito da recorrente de que ao ter tido uma Dcomp homologada parcialmente estaria agindo com boafé, e não se sujeitaria à imputação legal em comento. quanto à alegação de concomitância e cumulação na cobrança de multas Alega a recorrente que houve, no caso, duplicidade de autuações e cumulação na cobrança de multas, ao aplicar sobre o mesmo fato gerador, multa moratória sobre os débitos não homologados e, também, fazer incidir multa isolada diante da não homologação das Dcomps e parcial de uma delas. Adiciona nos seus argumentos da proibição da concomitância de multa de ofício nos termos da Súmula CARF nº 105. Tal pleito já ocorrera na sua peça impugnatória, a qual foi negado pela autoridade a quo, pelo argumento de que a multa de mora prescinde de lançamento de ofício, sendo um mero acréscimo legal decorrente de falta de pagamento do tributo no prazo de vencimento. Há previsão legal distinta para ambas as situações, e as circunstâncias motivadoras são distintas, e isto não bastaria para aplicação da súmula CARF nº 105 ao caso. Quanto à questão da súmula CARF nº 105, salientese ser inaplicável no caso, posto que a mesma trata da falta de recolhimento de estimativas, concomitante com a multa de ofício, e ademais, ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Ou seja, não é aplicável ao caso, em nenhuma circunstância. Mesmo usandoa como eventual referência de contexto jurídico, a respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício ou de mora (o que é o presente caso), de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de mora devida aplicável ao caso, conforme já analisado no item deste voto sobre a legislação aplicável ao caso. Pelos motivos elencados, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. quanto às alegações de ilegalidade, não razoável, desproporcional, e de violação a princípios constitucionais A recorrente, na sua peça recursal, se insurge, trazendo uma série de alegações de cunho constitucional, permeado em praticamente todos os tópicos alegados. No seu entender, é uma penalidade injusta, não razoável e desproporcional, ofendendo a legalidade pertinente, bem como há uma violação aos princípios constitucionais pela aplicação da multa isolada, quais sejam, da razoabilidade, proporcionalidade, não confisco, direito de propriedade e direito de petição. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.730062/201699 Acórdão n.º 1402003.203 S1C4T2 Fl. 288 15 Contudo, compreendo que tal questão afastase das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, não conheço desta matéria do recurso voluntário. Conclusão: Destacandose a previsão legal do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, voto por NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 295DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934792/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.604
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 79 2/ 20 09 -2 1 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06035.929. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10980.934792/200921 Resolução nº 3301000.604 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.666376/2011-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA.
Tendo o despacho decisório eletrônico adequada fundamentação, motivação e demonstrativo quanto às questões decididas, não restou configurado o alegado cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO.
Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária.
O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16).
Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória.
A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas.
DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO .
O saldo negativo, passível de compensação tributária, é aquele apurado ao final do período a partir do confronto entre o imposto devido ou contribuição devida e as parcelas já antecipadas.
O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condiciona-se à demonstração de sua certeza e liquidez,o que inclui a comprovação das retenções na fonte levadas à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência.
Admite-se a utilização das retenções na fonte como dedução na apuração do da exação fiscal ao final do período, quando comprovada a ocorrência da retenção por meio dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras em nome do beneficiário, o que pode ser suprido pela confirmação em DIRF, e desde que comprovado, ainda, o oferecimento à tributação dos correspondentes rendimentos que sofreram as retenções.
Numero da decisão: 1301-002.901
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR REJEITADA. Tendo o despacho decisório eletrônico adequada fundamentação, motivação e demonstrativo quanto às questões decididas, não restou configurado o alegado cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORME DE RENDIMENTOS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA REJEITADO. Nos autos do processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de compensação tributária. O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório pleiteado, consoante Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015, art. 373, I) de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário federal, e com observância do Decreto nº 70.235/72 (arts. 15 e 16). Incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis e idôneas, da existência do crédito que alega possuir contra Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Os requisitos ou atributos de liquidez e certeza quanto ao crédito objetado contra a Fazenda Nacional devem estar preenchidos ou satisfeitos quando da transmissão da DCOMP, data em que a compensação tributária se efetiva, sob condição resolutória. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 63 76 /2 01 1- 38 Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 3 2 DCOMP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO . O saldo negativo, passível de compensação tributária, é aquele apurado ao final do período a partir do confronto entre o imposto devido ou contribuição devida e as parcelas já antecipadas. O reconhecimento de direito creditório, relativo a saldo negativo apurado no final do período, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez,o que inclui a comprovação das retenções na fonte levadas à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. Admitese a utilização das retenções na fonte como dedução na apuração do da exação fiscal ao final do período, quando comprovada a ocorrência da retenção por meio dos respectivos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras em nome do beneficiário, o que pode ser suprido pela confirmação em DIRF, e desde que comprovado, ainda, o oferecimento à tributação dos correspondentes rendimentos que sofreram as retenções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e o pedido de diligência, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Nelso Kichel, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Cuidase do Recurso Voluntário apresentado contra decisão da DRJ/São Paulo que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, homologando a compensação até o limite do crédito deferido. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 4 3 O presente processo decorre de pedido de compensação, que tem como crédito pleiteado saldo negativo de CSLL. A DERAT/São Paulo deferiu, em parte, o saldo negativo de CSLL, conforme Despacho Decisório Eletrônico. Ciente do Despacho Decisório Eletrônico, que não reconhecera parte do direito creditório pleiteado, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, suscitando: 1) Nulidade do despacho decisório por desrespeito aos princípios da motivação e da ampla defesa: que autoridade administrativa não teria apontado os motivos que a levaram a glosar parte do direito creditório pleiteado e, ainda, que o enquadramento legal indicado também não explicaria a glosa; que a falta de entrega de DIRF, eventual erro cometido pela fonte pagadora no preenchimento dessa declaração ou o não fornecimento do informe de rendimentos não podem, em desfavor do beneficiário, ser motivo de glosa do imposto ou da contribuição retidos na fonte, cabendo à autoridade fiscal no exercício de seu poderdever, exigir da fonte pagadora as explicações necessárias, conforme se depreende dos artigos 8º e 9º da IN/SRF nº 119/2000; que, ainda, a falta de intimação da contribuinte ou das fontes pagadoras para que pudessem apresentar documentos e/ou esclarecimentos sobre o direito pleiteado torna nulo o Despacho Decisório Eletrônico por cerceamento do direito de defesa. 2) Pedido de diligência: que a glosa procedida pela DERAT/São Paulo originouse de uma conjugação de situações: a) fontes pagadoras que não entregaram DIRF ou as entregaram com divergências em relação aos Informes de Rendimentos: b) diferenças entre regime de caixa e competência nas declarações apresentadas ao fisco e entrega de DIRF pelas fontes pagadoras em nome das filiais da manifestante e não em nome da matriz, o que, diante do princípio da verdade material, indica a necessidade de uma análise mais profunda das informações prestadas na DCOMP; que, quanto à documentação fiscal do período de apuração objeto do crédito pleiteado, a manifestante não tem dúvida de que os valores escriturados a título de CSLL retida na fonte, informados na respectiva DIPJ e na DCOMP, em tela, refletem fielmente as notas fiscais emitidas e os valores recebidos das fontes pagadoras, o que a autoridade julgadora, em respeito ao princípio da verdade material, poderia apurar por meio de diligência fiscal. A DRJ/São Paulo (1ª Turma), enfrentando as questões suscitadas pela contribuinte e analisando as provas carreadas aos autos, julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte ao: rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 5 4 a) indeferir o pedido de diligência (ônus de produção da prova do direito constitutivo do crédito pleiteado é do autor do pedido); b) reconhecer, em parte, o saldo negativo de CSLL, relativo ao 1º trimestre de 2007, além do valor original que fora reconhecido pelo despacho decisório eletrônico recorrido, e homologar parcialmente a compensação. Ciente desse decisum, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário da parte que restou vencida, reiterando, em síntese, as razões já aduzidas na primeira instância, ou seja,: suscitou, preliminarmente, nulidade do Despacho Decisório Eletrônico e retorno dos auto à DERAT/São Paulo para proferir nova decisão, pois foram olvidados princípios basilares da Administração Pública, a saber motivação e razoabilidade; que, antes da emissão do referido despacho, a unidade de origem da RFB deveria ter intimado a ora recorrente e as fontes pagadoras; que houve preterição do direito de defesa. pedido de diligência fiscal: que cabe à fonte pagadora, além da obrigação de reter e recolher a CSLL, fornecer ao beneficiário o competente comprovante de informe de rendimentos e entregar ao fisco a DIRF; que as fontes pagadoras nem sempre cumprem corretamente as obrigações acessórias (cometem erros no preenchimento) e até deixam de entregar DIRF; que há divergências (eventuais diferenças) em face de regime de caixa x regime de competência; que a recorrente indicou na DIPJ as fontes responsáveis pela retenção da CSLL/pagamentos; que, em suma, busca a comprovação fática dessas retenções na fonte/pagamentos, mediante solicitação de diligência, para prevalecer o princípio da verdade material, em relação aos valores ainda não deferidos; que, caso seja superada na preliminar suscitada, invocando o princípio da verdade material, pediu a realização de diligência fiscal para a produção de provas (intimação das fontes indicadas na DIPJ, responsáveis pela retenção do imposto e/ou contribuição a apresentar informes de rendimentos, DIRF e comprovantes de pagamentos. Por fim, a recorrente, com essas razões, pediu a reforma da decisão recorrida na parte que restara vencida. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 6 5 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.898, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.997366/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.898): "O Recurso Voluntário, por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade, merece ser conhecido; logo, dele conheço. Conforme relatado, a lide versa acerca do crédito pleiteado pela contribuinte na DCOMP objeto dos autos saldo negativo do imposto ou contribuição, na parte que restou vencida. A parcela do crédito denegado pela decisão recorrida corresponde, juntamente, ao valor da CSLL, quanto ao PA objeto dos autos, para o qual não há prova idônea, cabal, nos autos de que fora retido/recolhido e os rendimentos oferecidos à tributação pela ausência de informes de rendimentos e inexistência de DIRF. Preliminar de Nulidade do Despacho Decisório Eletrônico: Assim como fizera na primeira instância de julgamento, a recorrente voltou a suscitar nulidade do Despacho Decisório Eletrônico da DERAT/São Paulo, argumentado que fora emitido com inobservância dos princípios da motivação e da ampla defesa, que teria implicado cerceamento do direito de defesa ou prejuízo à defesa. Rechaço, peremptoriamente, a preliminar suscitada. Primeiro, como é sabido, na teoria geral dos recursos, a decisão posterior substitui a anterior, mesmo quando confirma a anterior. Assim, a decisão a quo substituiu o Despacho Decisório Eletrônico quanto enfrentou as questões deduzidas na Manifestação de Inconformidade (preliminar e mérito). Então, não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório, quando a decisão posterior o substituiu. Não obstante, no caso não há vício algum, seja na decisão a quo, seja no despacho decisório, que pudesse macular de nulidade essas decisões. Como é sabido, também, no processo de compensação tributária a fase litigiosa instaurase com o oferecimento da manifestação de inconformidade contra o despacho decisório. Fl. 708DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 7 6 Assim, não cabe objetar cerceamento do direito defesa na fase préprocessual. Antes da ciência do despacho decisório não há lide, nem processo. Não há imputação de fato, ou acusação fiscal. Fase préprocessual. No caso de pedido de crédito em compensação tributária, a pretensão resistida (lide) surge após ciência do despacho decisório (que denegou total ou parcialmente o direito creditório), mediante apresentação da manifestação de inconformidade. Os cânones constitucionais da ampla defesa e do contraditório aplicamse na fase processual (processos administrativo e judicial), e não na fase préprocessual que tem caráter de investigação, vale dizer, que tem natureza inquisitória. Logo, não tem plausibilidade jurídica a objeção da recorrente de que teria ocorrido cerceamento do direito de defesa na faseprocessual, pois o fisco, antes da emissão do Despacho Decisório Eletrônico, não teria dado oportunidade da contribuinte para se defender, ou seja, que não teria intimado a contribuinte e as fontes responsáveis pela retenção do imposto/contribuição na fonte de fornecer os informes de rendimentos e de entregar as DIRF respectivas. Na fase préprocessual, que é de interesse exclusivo do fisco, de caráter inquisitorial, não há obrigatoriedade de intimações, quando a autoridade administrativa entender que não deva fazêlo, ou pelo fato de já possuir os elementos de prova para embasar a expedição do ato administrativo. Diversamente do alegado pela recorrente, o Despacho Decisório está fundamentado, motivado, fatos devidamente narrados, inclusive consta informação, expressa, no seu corpo (anverso), endereço do Sítio da RFB, local onde o demonstrativo completo das retenções da exação fiscal na fonte (relação das retenções deferidas e relação das retenções não aceitas) restou disponibilizado, acessível (disponível para consulta, a partir da expedição do Despacho). Quanto ao acesso ao citado demonstrativo completo das retenções na fonte aceitas e as não deferidas, consta o seguinte texto no corpo do Despacho (anverso) e que transcrevo a seguir, in verbis: (...) Fl. 709DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 8 7 Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Art. 168 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). Inciso II do Parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da IN RFB 900, de 2008. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 36 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. (...) Como demonstrado, não tem plausibilidade jurídica a preliminar suscitada, pois o Despacho Decisório e a decisão recorrida não têm vício algum que os pudesse inquinar de nulidade. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. Pedido de Diligência Fiscal. Direito Creditório. Ônus da Prova. Falta de Comprovação da Liquidez e Certeza. Na primeira instância já foram analisadas, exaustivamente, todas as provas juntadas aos autos, conforme se pode constatar do voto condutor do acórdão recorrido. Nesta instância ordinária recursal, a contribuinte não juntou outras provas, além das juntadas na primeira instância e já apreciadas pela decisão recorrida. Ou seja, quanto ao direito creditório não deferido pela decisão a quo, a contribuinte não trouxe outras provas nesta instância de julgamento. A recorrente, então, simplesmente pediu a realização de diligência fiscal, ou seja, conversão do julgamento em diligência para que se intime as fontes pagadoras a apresentar informes de rendimentos e DIRF respectiva, para buscar a verdade material. Ora, no processo administrativo de compensação tributária, a contribuinte é autora do pedido de crédito contra o fisco, ao utilizar o crédito para saldar, quitar o débito confessado na DCOMP (compensação tributária, sob condição resolutória). Sendo autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito é da contribuinte, consoante Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/2015, art. 373, I, de aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 710DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 9 8 (...) E o momento para produção das provas, fazer a juntada aos autos, é por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art.15.A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art.16.A impugnação mencionará: Ia autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (RedaçãodadapelaLeinº8.748,de1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados,assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Ainda, a contribuinte, para efeito de compensação tributária (para fazer o encontro de contas) tem o ônus de comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional – CTN, cujos requisitos citados devem estar atendidos, preenchidos, na data de transmissão da DCOMP. A compensação tributária informada na DCOMP consideráse efetivada, sob condição resolutória, na data da transmissão. A utilização de crédito contra o fisco na DCOMP para compensação de débitos vencidos ou vincendos condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação da CSLL retida na fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação de regência. Quanto ao pedido de restituição de crédito/compensação, a prova hábil para comprovar os rendimentos obtidos e a CSLL retida na fonte é o comprovante de que trata a específica legislação tributária, ou seja, os informes de rendimentos emitidos pela fonte pagadora, em nome do beneficiário. Na sua ausência, por interpretação razoável, são admitidos os valores apresentados em Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF). Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 10 9 Assim, a CSLL retida na fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, que não é o caso. Ainda, apenas para argumentar, caso fossem juntadas notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte temse como prova indiciária mas não comprovam a retenção no período, e muito menos têm o condão de afastar o comprovante de que trata a legislação tributária. Entretanto, a recorrente não trouxe outras provas aos autos, quando da apresentação do recurso nesta instância recursal, além das já analisadas e aproveitadas pela decisão recorrida, pois limitouse a pedir diligência. Ora, a produção de provas do fato constitutivo do direito de crédito alegado, como já frisado alhures, é ônus da alçada da recorrente. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. Como já dito, o ônus probatório do crédito alegado contra a Fazenda Nacional é da Contribuinte. Diligência fiscal não se presta para produzir prova cujo ônus probatório é da recorrente. Nesse sentido, é o entendimento jurisprudencial deste CARF. Aproveito para trazer à colação os seguintes precedentes: PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA—A diligência ou perícia não é meio próprio para comprovação de fato que possa ser feita mediante a mera apresentação ou juntada de documentos, cuja guarda e conservação compete à contribuinte, mas sim para esclarecimento de pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados.Tendo a decisão devidamente apreciado o pedido formulado, motivadamente, sendo considerada prescindível, incabível a argüição de nulidade da decisão proferida.(Acórdão CC n°10708.709, Sessão de 17/08/2006). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao autor do pedido a demonstração, acompanhada de provas hábeis e idôneas, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidos os atributos de certeza e liquidez pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.Rejeito o pedido de realização de diligência fiscal. (Acórdão 1802001.435, sessão de 07/11/2012, Relator Nelso Kichel). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDI CA IRPJ Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 11 10 CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. A compensação, encontro de débitos e créditos, é forma de extinção do crédito tributário. Para a concretização da compensação tributária deve ser comprovada, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do direito creditório utilizado. A prova do fato constitutivo do direito creditório compete ao autor do pedido. Para que a autoridade administrativa possa reconhecer o direito creditório pleiteado pelo contribuinte e, por via de conseqüência, considerar as compensações tributárias informadas, é necessário que sejam carreados aos autos documentos que demonstrem, de forma inequívoca, a certeza e liquidez do crédito alegado, ex vi do disposto no art.170 do CTN. (Acórdão 180201.885, sessão de 05/11/2013, Relator Nelso Kichel). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDI CA IRPJ Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO SALDO NEGATIVO DO IRPJ. RESTITUIÇÃO. O reconheci mento de direito creditório, relativo a saldo negativo do IRPJ, para ulterior compensação com débitos vencidos ou vincendos, condicionase à demonstração de sua certeza e liquidez, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras,nos termos da legislação de regência.FATO CONSTITUTIVO. ÔNUS PROBATÓRIO. O ônus probatório, quanto a fato constitutivo direito creditórioé do autor do pleito, no caso o contribuinte. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratificálos por outros meios probatórios cuja produção não decorra exclusiva mente de seu próprio ato de vontade. (Acórdão nº 1802000.998, sessão de 04/10/2011, Relator Nelso Kichel). Portanto, rejeito o pedido de diligência. No mérito, a recorrente não comprovou a existência do direito creditório demandado contra a Fazenda Nacional, nesta instância recursal ordinária. Por tudo que foi exposto. voto para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, rejeitar o pedido de realização de diligência fiscal e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade suscitada e o pedido de realização de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10880.666376/201138 Acórdão n.º 1301002.901 S1C3T1 Fl. 12 11 Fl. 714DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.694840/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 84 0/ 20 09 -6 1 Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10880.694840/200961 Resolução nº 1201000.378 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 29/08/2006. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.694840/200961 Resolução nº 1201000.378 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730075/2016-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada encontra-se expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastá-la.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal
Numero da decisão: 1402-003.204
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada encontra-se expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastá-la. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1769; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 186 1 185 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730075/201668 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.204 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2018 Matéria PENALIDADES/DIVERSOS COMPENSAÇÃO: CRÉDITO OU DÉBITO OBJETO DE DCOMP NÃO HOMOLOGADA Recorrente BANCO BRADESCO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos, em primeira votação, os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, que votaram por sobrestar o processo até a resolução no mérito, em mesma instância, sobre a homologação da compensação referente à multa isolada aplicada. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 75 /2 01 6- 68 Fl. 186DF CARF MF 2 Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11080.730075/201668 Acórdão n.º 1402003.204 S1C4T2 Fl. 187 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 10a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação da agora recorrente. Da autuação: Tratase o presente de uma notificação de lançamento de multa isolada, no valor total de R$ 356.051.044,15, referente a não homologação de compensações tratadas no processo administrativo nº 16327.904109/201306, com base na fundamentação legal do § 17 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, com a alteração promovida pela Lei nº 12.249/2010. O valor não homologado no processo administrativo nº 16327.904109/2013 06 foi de R$712.102.088,29, que vem a ser a base de cálculo da multa isolada ora aplicada (50%). As Dcomps não homologadas e respectivos valores foram as que constam na folha 03 do presente processo. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificada da autuação em 06/12/2016 (fls. 7), a contribuinte apresentou, em 27/12/2016 (fls. 8) , a impugnação de fls. 9 a 29, acompanhada dos documentos de fls. 30 a 129, consistentes em cópia de: i) instrumento de procuração, substabelecimento e documentos societários, e ii) documento comprobatório da data do recebimento da notificação de lançamento. A impugnante alega que a multa prevista no art. 74, §17, da Lei n° 9.430/96 pode ser aplicada somente nas hipóteses em que o contribuinte efetua compensação que sabe ser indevida ou inviável. Sustenta que somente se faz razoável a imposição da penalidade caso verificada a efetiva máfé do contribuinte, sob pena de restarem penalizados de forma desproporcional meros erros ou divergências de interpretação, prejudicando o direito de petição assegurado pela Constituição Federal. Alega que a norma teve a intenção de punir os contribuintes que compensassem créditos sabidamente inexistentes para obter certidão negativa ou não pagar o crédito tributário devido. Acrescenta que esse entendimento está manifestado na exposição de motivos EM Interministerial n° 00180/2009 MF/MDIC, no parecer de plenário proferido na Câmara dos Deputados, de autoria Fl. 188DF CARF MF 4 do Deputado Marcelo Ortiz, e também no parecer do Senado Federal, elaborado pelo Senador Romero Jucá. A impugnante sustenta que se trata de multa de natureza punitiva, que só pode ser imposta em razão da ocorrência de um ato ilícito, sendo certo que a mera apresentação pelo contribuinte de declaração de compensação, expressamente prevista no art. 74, §1°, da Lei n° 9.430/96, não pode ser considerada um ilícito posteriormente à sua apresentação só pelo fato de a compensação vir a ser não homologada. Alega que o fato de o elemento objetivo do tipo penal apresentação de declaração de compensação não homologada estar descrito sem qualquer ressalva aparente no art. 74, §17, da Lei n° 9.430/96 não significa que a multa deva ser aplicada em relação a toda e qualquer compensação não homologada, mas só nas situações em que estiver também presente o elemento subjetivo do tipo, qual seja, a consciência da ilicitude e a intenção de praticála. Ressalta que, ausente o elemento subjetivo do tipo, a pura e simples ocorrência dos fatos descritos no seu elemento objetivo não caracteriza o ilícito e, consequentemente, não permite a aplicação da penalidade. A impugnante alega que, no presente caso, jamais se poderia cogitar de máfé na sua conduta. Relata que transmitiu o Per n° 22508.05370.240413.1.6.030805 para obter a restituição de valores apurados a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2011, no valor de R$885.735.372,27, tendo posteriormente apresentado Dcomps incidentais àquele pedido, dando origem ao processo administrativo n° 16327.904109/201306. Informa que foi reconhecida a parcela de R$228.775.704,11 do direito creditório pleiteado, sendo que a parcela não reconhecida do saldo negativo de CSLL se refere a estimativas dos meses de julho, agosto e outubro de 2011, cujas compensações não foram homologadas no processo administrativo n° 16327.00190/201183. A impugnante alega que a não homologação de compensações de estimativas não pode produzir reflexo no saldo negativo pleiteado, visto que o efeito da não homologação das compensações é a cobrança do débito declarado, sob pena de cobrança em duplicidade. Acrescenta que esse entendimento foi manifestado pela Cosit na Solução de Consulta n° 18/2006 e pela própria Deinf/SPO em processo semelhante. Sustenta que, independentemente da decisão final relativa ao processo administrativo n° 16327.00190/201183, é inconteste seu direito de ter integralmente deferidos seus pedidos de restituição/compensação objetos do processo administrativo n° 16327.904109/201306. Alega que, não havendo máfé na apresentação das compensações posteriormente não homologadas, não houve qualquer ato ilícito a justificar a aplicação da multa isolada ora contestada. A impugnante também alega que, nos autos do processo administrativo n° 16327.904109/201306, estão sendo exigidos os débitos não compensados, acrescidos de juros e de multa de mora de 20%, que já são suficientes para recompor os interesses da Administração, não podendo ser penalizada com mais uma multa de 50%. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11080.730075/201668 Acórdão n.º 1402003.204 S1C4T2 Fl. 188 5 Sustenta que, diante de sua inequívoca boafé no caso concreto, admitirse o cabimento da multa isolada implicaria manifesta violação aos princípios da boafé da Administração Pública, da moralidade e da razoabilidade/proporcionalidade (artigos 5°, LIV, e 37 da Constituição Federal). Ad argumentandum, caso se entenda cabível a aplicação da multa, ressalta que sua cobrança está suspensa até decisão final do processo administrativo n° 16327.904109/201306, nos termos do art. 74, §18, da Lei n° 9.430/96. Assim, alega ser necessário ao menos se aguardar o julgamento final do referido processo, a fim de se evitar decisões conflitantes e promover economia processual, tendo em vista a relação de prejudicialidade e dependência entre os mesmos. Por todo o exposto, requer seja acolhida a impugnação, para o fim de se reconhecer a insubsistência da notificação de lançamento, caso antes não reconhecida sua nulidade. Caso assim não se entenda, requer seja suspensa a exigibilidade da multa em questão até o julgamento final do processo administrativo n° 16327.904109/2013 06. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, houve por bem NEGAR integralmente a impugnação da recorrente, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: da análise então, o processo administrativo 16327.904109/201306, que trata da não homologação de compensações objeto do presente lançamento, está com seu julgamento suspenso, até o encerramento do processo judicial de execução fiscal referente ao processo administrativo n° 16327.000190/201183, nos termos da resolução n° 1401000349, Fl. 190DF CARF MF 6 proferida pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do Carf (fls. 134 a 140). Ou seja, ainda se encontra em litígio administrativo. Ademais, o presente processo está com sua exigibilidade suspensa pela apresentação da sua impugnação, nos termos do art. 151, III do CTN e pelo litígio ainda em trâmite do processo que lhe motivou, nos termos do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; a autoridade julgadora a quo no seu voto expõe dos limites do procedimento administrativo, e da necessidade da observância do art. 26A do Decreto 70.235/1972 e da Súmula CARF nº 02; o §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 não estabelece a máfé por parte da contribuinte ou a ilicitude do ato como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. A única ressalva feita no dispositivo em questão se refere ao caso de falsidade da declaração, caso em que se aplica penalidade mais gravosa; cita acórdãos deste CARF sobre o tema, que acompanham sua posição acórdão 1402002247, sessão de 06/07/2016 e acórdão 3302002768, sessão de 12/11/2014; Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 07/06/2017, a recorrente apresentou recurso voluntário em 06/07/2017, repisando praticamente os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese: entende inaplicável a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.4301/1996, evocado questões da fundamentação da lei, baseandose em trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações de uso indevido doloso da Dcomp, o que não acontece no caso concreto, posto que as compensações foram efetuadas com base em decisão judicial transitada em julgado; analisa vários aspectos de que a multa deve ser aplicada apenas a casos de máfé, citando ementas e excertos de decisões judiciais a respeito; houve inequívoca boafé do recorrente no caso concreto, conforme análise constante nos processos administrativos nºs 16327.000190/201183 e 16327.904109/201306. Faz uma análise do mérito da matéria envolvida nestes processos; a aplicação da multa no caso implica manifesta violação aos princípios da boafé da administração, moralidade pública e razoabilidade/proporcionalidade, pois há além da multa isolada, a cobrança de multa de mora, e esta já seria mais que suficientes para recompor o interesse da Administração. É o relatório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11080.730075/201668 Acórdão n.º 1402003.204 S1C4T2 Fl. 189 7 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso foi apresentado tempestivamente, e atendeu os demais pressupostos para sua admissibilidade, do qual conheço, ressalvando a matéria de inconstitucionalidade alegada, conforme abaixo descrito. Da síntese dos fatos: O caso acima relatado versa sobre a não homologação das compensações declaradas pela contribuinte, objeto do processo n° 16327.904109/201306, que levou à lavratura da notificação de lançamento para imposição da multa isolada prevista no §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação pela Lei nº 12.249/2010. Na sua impugnação, a recorrente suscita que a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 só pode ser aplicada nas hipóteses em que o contribuinte efetua compensação que sabe indevida ou inviável, ou seja, agiu com máfé, o que não seria o caso concreto. Ademais, o processo 16327.904109/201306 tem seu direito inconteste, pois apesar de suspenso o julgamento até a definição judicial do processo 16327.00190/201183, independente do resultado deste, prevalecerá o seu direito pleiteado naquele. Ademais, nos autos do processo 16327.904109/201306 estão sendo exigidos os débitos não compensados, acrescidos de juros e multa de mora de 20%, o que já seria suficiente para recompor os interesses da administração. Na decisão a quo, houve o entendimento que independente do decidido, o presente processo administrativo está com a sua exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, III do CTN e do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. O §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 não estabelece a máfé por parte da contribuinte ou a ilicitude do ato como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Ademais, há limites do procedimento administrativo pela necessidade da observância do art. 26A do Decreto 70.235/1972 e da Súmula CARF nº 02. No seu recurso voluntário, a recorrente ataca a decisão recorrida, se manifestando nos mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada relevante acrescentar. Da questão da multa isolada aplicada e sua legalidade Antes de adentrar no mérito da peça recursal apresentada, cabe uma análise da multa isolada aplicada que está sob discussão no presente processo. Fl. 192DF CARF MF 8 O foco da questão é a Lei n 9.430, de 1996, em seu artigo 74, § 17, cuja redação atual assim dispõe: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, que, com exatamente o mesmo texto legal, foi decorrente da Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014) Aplicando a norma supra, autoridade fiscal exige do sujeito passivo a multa de 50%, no caso isolada, sobre o valor do débito de compensação que deixou de ser homologada. Atentar a ressalva aposta ao final do comando legal, para os casos de falsidade, que leva para outro enquadramento legal. A redação imediatamente anterior, com a redação promovida pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 (convertida da MP nº 472, de 15 de dezembro de 2009), do § 17 (e suas remissões legais diretas) era o seguinte: § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.” (NR) A Medida Provisória nº 656, de 07 de outubro de 2014 revogou os §§ 15 e 16 imediatamente acima citados, que na sua conversão na Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015 foi excluído da redação, sendo reiterada esta posição pela revogação na MP nº 668, de 20 de janeiro de 2015, convertida na Lei nº 13.137, de 19 de junho de 2015. Notese que com esta alteração ocorrida no § 17 com a MP 656/2014 (convertida na Lei nº 13.097/2015), mudouse a apuração da base de cálculo da multa isolada antes era sobre o crédito pleiteado, e passou para o débito objeto da declaração de compensação. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 11080.730075/201668 Acórdão n.º 1402003.204 S1C4T2 Fl. 190 9 Importante para o contexto da análise geral o teor do parágrafo seguinte, §18 do art. 74 da Lei n° 9.430/96, em que há uma vinculação do processo da exigência da multa isolada do processo que o motivou, o de objeto de declaração de compensação não homologada: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Transposto estes momentos de alteração legislativa, e já adentrando na análise meritória envolvida e necessária, há que se observar que o §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, na redação da sua primeira parte, não estabelece condições especiais, baseadas na máfé por parte do contribuinte ou ilicitude do ato, como condições para imposição da multa, bastando a não homologação da compensação declarada. Na sua redação, ao excluir a declaração não homologada em virtude de falsidade (uma das espécies de fraude ou irregularidade dolosa), o legislador decidiu não deixar impune tal hipótese, mas aplicar sobre ela uma sanção mais onerosa. Com efeito, sendo comprovada falsidade, a multa elevase a 150% do valor do débito, conforme a legislação consolidada na Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, artigo 45, § 1º, inciso II, legislação vigente à época dos fatos aqui discutidos1: Art. 45. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada; ou I de 50% (cinquenta por cento), sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; (Redação dada 1 Esta Instrução Normativa foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1717, de 17 de julho de 2017, publicada no DOU em 18/07/2017. Contudo, a redação desta matéria ficou praticamente inalterada: Art. 74. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os acréscimos legais previstos na legislação. § 1º Sem prejuízo do disposto no caput, será exigida do sujeito passivo, mediante lançamento de ofício, multa isolada, nos seguintes percentuais: I de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada; ou II de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando ficar comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 194DF CARF MF 10 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1573, de 09 de julho de 2015) II de 150% (cento e cinquenta por cento), sobre o valor total do débito tributário indevidamente compensado, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Ou seja, há uma previsão legal bem clara a respeito dos fatos inerentes à imposição da multa isolada por conta da declaração de compensação não homologada, qual seja, de 50% se o pleito de compensação foi indeferido, independente da máfé do contribuinte, e 150% se comprovada a máfé, no caso, ipsis litteris, falsidade da declaração do sujeito passivo. Analisando todo o contexto histórico jurídicoadministrativo para a construção do comendo normativo do §17 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 , há que se ressaltar que o uso de uma Dcomp como meio extintivo do crédito tributário pode gerar outros efeitos além da eventual inadimplência envolvida do débito ao não ser aceito o crédito pleiteado. A sua apresentação, realizada pelo contribuinte, pressupõe a existência de um crédito apurado, e tem efeitos constitutivos sob condição resolutiva de posterior homologação da compensação. A decisão da autoridade administrativa fiscal que a homologa, ao reconhecer o direito creditório, é meramente declaratória. Não ocorrendo a decisão da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita, por decurso do prazo decadencial de 5 anos. Neste ínterim, entre a apresentação da Dcomp e a sua homologação, já passa a ocorrer efeitos positivos ao contribuinte, pois os seus débitos ficam como extintos, podendo ocorrer a retirada a certidão negativa, por exemplo. Ou seja, a Dcomp não é um mero pedido, pois desde a sua apresentação já gera efeitos jurídicos. Então, falar em desrespeito ao direito de petição envolvido é querer limitar o seu alcance quando da apresentação, pois isso extravasa um mero pedido. Ademais, não nenhuma coibição ao direito de petição envolvido, pois eventuais erros ocorridos no seu pleito, poderão ser sanados no transcorrer da discussão do processo administrativo da matéria que ensejou a multa isolada, o que há muito e comumente ocorre no âmbito administrativo. Assim, a multa isolada objetiva penalizar o contribuinte por ter criado esta situação tributária benéfica a si, e ao ser melhor analisado pela autoridade administrativa fiscal a sua declaração de compensação, verifica como indevido seu pleito. Aqui não se confunde a multa isolada aplicada com o débito que passa a ficar exigível, cabendo seu pagamento por os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo do contribuinte: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/1996. A multa isolada não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, como se ele não estivesse declarado, e sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da Dcomp como meio de extinção do crédito tributário. Destarte, a multa isolada por compensação indevida é uma infração que o legislador entendeu merecer uma penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Tal tema foi brilhantemente trabalho pela ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, no acórdão 1101001.261, sessão de 03 de março de 2015, apesar de ser em redação Fl. 195DF CARF MF Processo nº 11080.730075/201668 Acórdão n.º 1402003.204 S1C4T2 Fl. 191 11 anterior do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em que a previsão legal para a aplicação multa isolada cingiase mais aos casos da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964 (redações anteriores à Lei nº 12.249/2010), mas qual aproveito o seguinte excerto, em que analisa a materialidade da Dcomp e seus efeitos jurídicos: E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Contudo, a partir de 2010, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 ao § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, quis legislador aplicar outra tônica ao pleito do contribuinte inerente às Dcomps apresentadas. Ao longo dos anos seguintes, apesar de algumas alterações no texto, passouse a ter uma mesma essência de a Dcomp apresentada não sendo homologada, passarseia à imposição da penalidade da multa isolada, pelo conjunto de efeitos jurídicos envolvidos na sua apresentação além de meramente ressuscitar um débito que se presumia extinto de quando da sua extinção. Notese, com importante relevância ao tema, a penalidade sobre o pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, apesar de ter surgido concomitante ao da não homologação da compensação, no teor da redação ao § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela Lei nº 12.249/2010, foi revogado a partir Medida Provisória nº 656/2014, com retroatividade benigna, dadas as discussões e decisões judiciais próprias de tipo de pleito do contribuinte, acatando a jurisprudência formada a respeito. O Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento, Reembolso PER, como o próprio nome diz, é um pedido, sendo que o ato que altera sua condição jurídica é somente o despacho que o defere (este que terá efeitos constitutivos). Até ocorrer uma decisão a respeito do PER, não há geração de nenhum efeito. E ademais, com a revogação do § 15, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, todo o contribuinte tem o direito de pleitear o ressarcimento. Se cumular este pedido de ressarcimento com uma compensação é que poderão advir os efeitos do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, são duas situações distintas, com efeitos jurídicos próprios. Fl. 196DF CARF MF 12 Cabe, adicionalmente, em caráter informativo, pois até ocorrer a repercussão geral necessária aos julgamentos desta corte administrativa não geram efeitos, tal tema, qual seja, da constitucionalidade dos §§ 15 (agora prejudicado pela sua revogação) e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010 estão sendo objeto de apreciação de sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, através dos ADI 4905 e RE 796.936, ambos com relatores distintos, mas sem posicionamento ainda a respeito da matéria. Por conseguinte, não há que se falar em efeitos erga omnes perante a esta Corte Administrativa. Exposto o acima, para contextualizar a legislação aplicável, vamos à análise dos pontos suscitados na peça recursal. Das questões suscitadas na peça recursal Preliminarmente, antes de adentrar no mérito do presente processo e das alegações da recorrente, cabe destacar que não é objeto rediscutir o que já está sendo discutido no processo administrativo 16327.904109/201306, o qual se encontra na condição de sobrestado pela resolução 1401000.349, sessão de 08/12/2015, aguardando decisão final no processo administrativo nº 16327.000190/201183, que já transitou administrativamente, estando em fase de execução judicial em dívida ativa, conforme consta na resolução. Contudo, não nenhuma atualização e nenhum evento adicional no processo administrativo 16327.904109/201306, após o julgamento no ano de 2015. Em relação ao processo administrativo nº 16327.000190/201183, que gerou o sobrestamento do anterior, há como último evento um despacho da PFN de 22 de novembro de 2017, mencionando uma decisão liminar concedida e requerendo a unidade local da recorrente adote as providências administrativas e judiciais de sua competência. Entendo que tais circunstâncias não prejudicam o presente processo e seu julgamento, pois nestes casos, apesar da dependência de um processo ao decidido no outro, há uma discussão aqui no presente bem própria e específica. A própria legislação protege os contribuintes na redação do § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, como já citado anteriormente, e que não custa repetir para reforçar este ponto: (...) § 18. No caso de apresentação de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, fica suspensa a exigibilidade da multa de ofício de que trata o § 17, ainda que não impugnada essa exigência, enquadrandose no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Ou seja, não importa o decidido no presente processo de multa isolada, sua exigibilidade ficará suspensa até a decisão definitiva do processo que não homologou compensação via Dcomp. Não haverá prejuízo algum ao recorrente nestas circunstâncias, pois se numa eventualidade o presente processo foi decidido em definitivo na esfera administrativa, ao retornar para iniciar os procedimentos de cobrança, ficará sobrestado aguardando o decidido no processo principal, e se for o caso, até sofrer recálculo (no caso do presente processo ter seu lançamento mantido) ou sofrer exoneração total Fl. 197DF CARF MF Processo nº 11080.730075/201668 Acórdão n.º 1402003.204 S1C4T2 Fl. 192 13 Isto posto, partese às alegações da recorrente, sendo que algumas já foram tratadas incidentalmente quando discorri sobre a legislação aplicável ao caso. quanto à alegação de máfé no uso da Dcomp para ocorrer o lançamento, e houve inequívoca boafé da recorrente Alega a recorrente que seria inaplicável a multa prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.4301/1996, evocado questões da fundamentação da lei, baseandose em trechos da sua exposição de motivos. Alega que a multa em discussão foi criada para situações de uso indevido e doloso da Dcomp, o que não acontece no caso concreto, posto que as compensações foram efetuadas com base em decisão judicial transitada em julgado. Agrega a recorrente, ao longo da sua peça recursal, que houve inequívoca boafé no caso concreto, conforme análise constante nos processos administrativos nºs 16327.000190/201183 e 16327.904109/201306, perfazendo uma análise do mérito da matéria envolvida nestes processos. Como já frisei anteriormente, o presente processo não deve ser usado para rediscutir o que já está sendo discutido nos demais. A proteção já está dada a recorrente, de haver somente a repercussão necessária neste do que for decidido no qual o lançamento da multa isolada foi objeto. No tocante às arguições de boafé pela recorrente, e a multa isolada só deve ser aplicada em casos de máfé quando da apresentação da dcomp, conforme já exposto anteriormente, na análise da legislação aplicável ao caso, o § 17 do art. 74 da Lei n.° 9.430/1996 não estabelece, para sua aplicação, a máfé, bastando a não homologação da compensação declarada, ressalvando apenas os casos de falsidade, que remeteria a uma penalidade maior. Ou seja, considerando a taxatividade da imputação legal ao caso, não há esta margem de consideração em prol ao alegado pela recorrente, como já discorrido anteriormente. Dado o todo acima exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. quanto às alegações de que a multa no caso implica manifesta violação aos princípios da boafé da administração, moralidade pública e razoabilidade/proporcionalidade A recorrente, na sua peça recursal, se insurge, trazendo uma série de alegações de cunho constitucional, permeado em praticamente todos os tópicos alegados. No seu entender, é uma penalidade que implica manifesta violação aos princípios da boafé da administração, moralidade pública e razoabilidade/proporcionalidade. Agrega que além da multa isolada, a cobrança de multa de mora já seria mais que suficiente para recompor o interesse da Administração. Contudo, compreendo que tal questão afastase das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto Fl. 198DF CARF MF 14 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, não conheço desta matéria do recurso voluntário. Conclusão: Destacandose a previsão legal do §18 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, voto por NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 199DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.010936/2002-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1998
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 543-C DO CPC.
A questão referente à ocorrência de denúncia espontânea já foi matéria controversa no âmbito do STJ, prevalecendo o entendimento, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543-C, do CPC (REsp's n. 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco"
In casu, consoante consignado no acórdão recorrido (fl.246/verso), o contribuinte efetuou o pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação extemporaneamente o que afasta a aplicação do benefício da denúncia espontânea, com a conseqüente impossibilidade de exclusão da multa moratória.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.640
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ART. 543C DO CPC. A questão referente à ocorrência de denúncia espontânea já foi matéria controversa no âmbito do STJ, prevalecendo o entendimento, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n. 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco" In casu, consoante consignado no acórdão recorrido (fl.246/verso), o contribuinte efetuou o pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação extemporaneamente o que afasta a aplicação do benefício da denúncia espontânea, com a conseqüente impossibilidade de exclusão da multa moratória. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 09 36 /2 00 2- 09 Fl. 345DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 14/05/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire., Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão n.º 220100.744, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção em 17/06/2010, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício; por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Segue abaixo sua ementa: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE MORA. ESPONTANEIDADE. A aplicação dos efeitos da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN se limita à exclusão da responsabilidade por infração à legislação tributária, que não é o caso da multa de mora, cuja natureza é indenizatória. PAGAMENTO DE TRIBUTO COM ATRASO SEM MULTA DE MORA. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. MP N° 303, DE 2006, RETROATIVIDADE BENIGNA. Em virtude do princípio da retroatividade benigna, cancelase, somente no montante que exceder o valor devido de multa moratória, os valores de multa exigida isoladamente calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo pago após o vencimento do prazo, quando verificado que esse pagamento se deu sem o acréscimo de multa moratória. Recurso De Oficio Negado. Recurso Voluntário Negado.” O contribuinte afirma que, embora seja completamente induvidoso o fato de a denúncia espontânea importar na não imposição de penalidades, considerou o acórdão recorrido que parte dos tributos recolhidos em atraso estariam desacompanhados dos juros de mora correspondentes, inviabilizando assim a aplicabilidade do art. 138 do o CTN. Fl. 346DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.010936/200209 Acórdão n.º 9202002.640 CSRFT2 Fl. 8 3 Considera que tal entendimento não deve prevalecer, pois a diferença apurada pela RFB decorreu de mero erro de processamento quanto aos pagamentos realizados, vez que, do valor pago pela Recorrente (principal e juros de mora), uma parte foi considerada como sendo multa e outra parte como sendo juros de mora. Ressalta que o débito no montante de R$11.875,84 (Código DARF 916, referente ao período de apuração da 4ª semana de agosto de 1997), corresponde à DCTF relativa ao terceiro trimestre de 1997, cujo período de apuração foi inicialmente informado como mês de julho, mas que posteriormente foi objeto de retificação, sendo corrigido para agosto, conforme já exaustivamente comprovado nos autos. Observa que não deve suportar o pagamento de um valor decorrente de mero erro de processamento e que foi devidamente retificado, simplesmente porque a Autoridade fiscal Receita Federal do Brasil desconsiderou tal fato. Nesse ponto, afirma que a decisão em comento diverge dos paradigmas que apresentas, cujas ementas serão reproduzidas a seguir: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo obscuridade e omissão do julgado sobre ponto a que se devia pronunciar, cabível a. apresentação de embargos de declaração. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS E PROVIDOS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA — ART. 138 CTN — MULTA DE MORA —IMPROCEDÊNCIA. A denúncia espontânea de infração fiscal/tributária, estabelecida no art. 138 do CTN, alcança todas as penalidades, punitivas ou compensatórias, decorrentes de descumprimento de obrigações principais e%u acessórias, sem distinção. A multa de mora, por conseguinte, é excluída pela denúncia espontânea, desde que efetuado o pagamento do tributo devido, se for o caso, acompanhado dos juros de mora incidentes. Incabível, neste caso, a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, § 1 0 da Lei no 9.430196. EMBARGOS ACOLHIDOS.” (AC 30238.917) “TRIBUTO RECOLHIDO FORA DO PRAZO — DENÚNCIA ESPONTÂNEA — INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE MORA — O Código Tributário Nacional não distingue entre multa punitiva e multa simplesmente moratória; no respectivo sistema, a multa moratória constitui penalidade resultante de infração legal. Considerase espontânea a denúncia que procede o início de ação fiscal, e eficaz quando acompanhada do recolhimento do tributo,na forma prescrita em lei, se for o caso. Desta forma, o contribuinte que denúncia espontaneamente ao fisco o seu débito fiscal em atraso, recolhendo o montante devido com juros de mora, está exonerado da multa moratória, nos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional — CTN.” (AC 10421.264) Explica que o aresto recorrido adota a distinção de multa moratória em caráter punitivo ou indenizatório de um Parecer Normativo CST de 1979, entendimento que já está manifestamente ultrapassado, conforme se depreende da doutrina e jurisprudência dominantes atuais. Fl. 347DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Conclui que deve ser declarada insubsistente a autuação em tela, haja vista que a multa moratória imposta pela autoridade fiscal constitui penalidade e deve ser afastada em razão do que dispõe o art. 138 do CTN. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 220000.422, foi dado seguimento ao pedido em análise. A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, contrarazões. Entende que resta inequívoco que o art. 138 do CTN não se aplica a mero pagamento de tributo fora do prazo legal, por não configurar tal conduta ilícito penal a ensejar responsabilidade pessoal do agente que deixou de recolher o tributo. Conclui que a norma do art. 138 do CTN não exonera o contribuinte do pagamento da multa de mora nos casos de pagamento do tributo fora do seu prazo de vencimento. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial interposto pelo contribuinte. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, acerca da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, fixou entendimento consubstanciado no Resp nº 1.149.022 – SP, submetido ao regime do artigo 543C do CPC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de Fl. 348DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.010936/200209 Acórdão n.º 9202002.640 CSRFT2 Fl. 9 5 tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Ademais, O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento pela Primeira Seção dos REsps 886.462/RS e 962.379/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, representativos de Fl. 349DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 controvérsia (art. 543C do CPC), firmou o entendimento de que, de acordo com a Súmula 360/STJ, aos tributos sujeitos a lançamento por homologação pagos fora do prazo não se aplica o benefício da denúncia espontânea, assim ementados: “TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (REsp 962379/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe 28/10/2008) “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (REsp 962379/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/08/2008, DJe 28/10/2008) Portanto, a questão referente à ocorrência de denúncia espontânea já foi matéria controversa no âmbito do STJ, prevalecendo o entendimento, em sede de recursos repetitivos, na forma do art. 543C, do CPC (REsp's n. 1.149.022, 962.379 e 886.462), no sentido de que "a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da Fl. 350DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10768.010936/200209 Acórdão n.º 9202002.640 CSRFT2 Fl. 10 7 multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco" In casu, consoante consignado no acórdão recorrido (fl.246/verso), o contribuinte efetuou o pagamento de tributo sujeito a lançamento por homologação extemporaneamente o que afasta a aplicação do benefício da denúncia espontânea, com a conseqüente impossibilidade de exclusão da multa moratória. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 351DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0518.11357.4J0K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 14/05/2013 13:37:19. Documento autenticado digitalmente por AFONSO ANTONIO DA SILVA em 14/05/2013. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 11/06/2013 e ELIAS SAMPAIO FREIRE em 22/05/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 28/05/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP28.0518.11357.4J0K Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 8915FD54284461D94B3FBCE1A97718A3D943A830 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10768.010936/2002-09. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 18043.720146/2017-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL.
O laudo pericial comprobatório de moléstia grave, apresentado para fins de gozo de isenção de IRPF, deve conter a identificação do serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.095
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para que seja extinto o crédito tributário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. O laudo pericial comprobatório de moléstia grave, apresentado para fins de gozo de isenção de IRPF, deve conter a identificação do serviço médico oficial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para que seja extinto o crédito tributário. (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil.
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO. SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. O laudo pericial comprobatório de moléstia grave, apresentado para fins de gozo de isenção de IRPF, deve conter a identificação do serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para que seja extinto o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgilio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 04 3. 72 01 46 /2 01 7- 91 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 18043.720146/201791 Acórdão n.º 2002000.095 S2C0T2 Fl. 59 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 4): Rubrica Valor em reais Imposto 5.245,28 Multa de ofício 3.933,96 Juros de mora 678,21 Total à época 9.857,45 As origens do lançamento foram rendimentos de R$ 34.066,92 da fonte pagadora Fundo do Regime Geral de Previdência Social e rendimentos de R$ 2.276,04 da fonte pagadora Instituto Infraero de Seguridade Social, ambos com tributação motivada por laudo apresentado sem carimbo de identificação do serviço médico oficial (fl. 7). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 3) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 09/05/2017 (fl. 27) e protocolou sua peça no dia 18/05/2017 (fl. 2), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação, em síntese, o contribuinte alega que (fl. 2 e ss) o valor de R$ 34.066,92 e valor de R$ 2.276,04 são isentos por se tratar de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão e suas respectivas complementações recebidas por portador de moléstia grave. Alega ainda que anexa documento emitido por médico atestando doença grave, documento de identidade do signatário, comprovante de todos os rendimentos recebidos, documento que comprova data de início da aposentadoria e laudo pericial oficial. Declara ainda que não está discutindo judicialmente a matéria objeto deste processo e pede prioridade na análise em razão de doença grave. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: cópia da notificação de lançamento (fl. 4 e ss); termo de recepção de requerimento (fl. 9 e ss); documento de identidade do contribuinte (fl. 11); carta de concessão de aposentadoria (fl. 12 e ss); certidão PIS/PASEP/FGTS (fl. 14 e ss); 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 18043.720146/201791 Acórdão n.º 2002000.095 S2C0T2 Fl. 60 3 comprovante rendimentos Instituto Infraero de Seguridade Social (fl. 16); comprovante rendimentos Fundo Regime Geral Previdência Social (fl. 18); relatório médico Prefeitura de Sumaré (fl. 20); comunicado deferimento de pedido de isenção de imposto de renda (fl. 21); laudo pericial (fl. 22); declaração médica (fl. 23); receituário controle especial (fl. 24 e 25). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente (fl. 35 e ss), porque o laudo apresentado não traz identificação de nenhum serviço médico oficial, falha esta que motivou o lançamento e não foi sanada em sede de impugnação (fl. 37). Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 45) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 09/08/2017 (fl. 41) e protocolou sua peça no dia 10/08/2017 (fl. 45), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 45) é portador, desde de 2010, de doença de Parkinson (moléstia grave), tendo sido submetido a colocação de eletrodo cerebral profundo e segmentos no ano de 2013 e tem direito a ser isento de imposto de renda pela Lei 7.713/88. O lançamento pode ser anulado, pois de acordo com a lei é isento por conta da doença que possui. Segue em anexo laudo pericial, declaração médica, receituário da secretaria de saúde em Sumaré e documento de identificação. Por fim, requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 46); laudo pericial (fl. 47); comunicado deferimento de pedido de isenção de imposto de renda (fl. 48); 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 18043.720146/201791 Acórdão n.º 2002000.095 S2C0T2 Fl. 61 4 relatório médico Prefeitura de Sumaré (fl. 49); declaração da médica Rafaela de que é funcionária do município de Sumaré SP, atuando como médica generalista na USF Vasconcelos (fl. 55) carimbo UBS Vasconcelos SUS nº 20.50.633 (fl. 56). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão de moléstia grave. Assim, considerando que o pedido do recorrente já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Mérito A motivação do lançamento foi a apresentação de laudo pericial sem carimbo de identificação do serviço médico oficial (fl. 7). O laudo apresentado em sede de recurso voluntário (fl. 47) é idêntico ao anterior (fl. 22) só que agora contém carimbo de identificação do serviço médico, qual seja, PACS Vasconcelos, Rua João de Vasconcelos , 777, Vasconcelos, Sumaré/SP que é Unidade de Saúde da Prefeitura de Sumaré de acordo com informação contida no site deste órgão3. Dessa forma, verificase que foi sanada a falha que 3 http://www.sumare.sp.gov.br/novo/content.php?id=3867&idm=3867 PACS VASCONCELOS [...] A Unidade de Saúde também realiza um mutirão de coleta de CO, com agendamento prévio. Mias informações devem ser obtidas junto a equipe da Unidade de Saúde, localizada na Rua João de Vasconcelos, nº 777, no Parque João de Vasconcellos. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 18043.720146/201791 Acórdão n.º 2002000.095 S2C0T2 Fl. 62 5 motivou o lançamento com a inclusão da identificação do serviço médico oficial no laudo pericial. Assim, merece acolhida o recurso voluntário. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe provimento, para que seja extinto o crédito tributário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.720007/2006-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016.
Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL.
A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS.
Cabe manter o Valor da Terra Nua (VTN) médio atribuído pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), em detrimento do VTN declarado pelo contribuinte, quando aquele reflete melhor o preço de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se refere a declaração.
Numero da decisão: 2401-005.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para restabelecer a área de preservação permanente de 750,0 ha e reconhecer uma área de utilização limitada (reserva legal) de 4.574,9 ha. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. Cabe manter o Valor da Terra Nua (VTN) médio atribuído pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), em detrimento do VTN declarado pelo contribuinte, quando aquele reflete melhor o preço de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se refere a declaração.
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Recorrente ZUER SOARES LEMOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão estadual conveniado. Tal entendimento alinhase com a orientação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. ÁREA DE RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL RURAL. A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. Cabe manter o Valor da Terra Nua (VTN) médio atribuído pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), em detrimento do VTN declarado pelo contribuinte, quando aquele reflete melhor o preço de mercado de terras apurado em 1º de janeiro do ano a que se refere a declaração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 72 00 07 /2 00 6- 45 Fl. 928DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 929 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para restabelecer a área de preservação permanente de 750,0 ha e reconhecer uma área de utilização limitada (reserva legal) de 4.574,9 ha. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 930 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0416.203, de 05/12/2008, cujo dispositivo considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 582/598): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ARGUIÇÃO DE NULIDADE PELA AUSÊNCIA DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A ausência de Mandado de Procedimento Fiscal na revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não acarreta a nulidade do lançamento. Somente serão nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA A alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do lançamento do crédito tributário é incabível, pois, o direito do contraditório é exercido quando da impugnação da autuação, momento este em que, de fato, se instaura a fase litigiosa. PEDIDO DE PERÍCIA. Há de ser indeferido o pedido de perícia que visa unicamente, levantar provas a favor do contribuinte, as quais poderiam ser produzidas por ele, por outros meios. CONSTITUCIONALIDADE/LEGALIDADE. Durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade da lei. PRESERVAÇÃO PERMANENTE/RESERVA LEGAL. ADA Não reconhecidas como de interesse ambiental nem comprovada a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório junto ao IBAMA ou órgão conveniado, incide o imposto sobre as áreas declaradas a título de preservação permanente e reserva legal. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 931 4 VALOR DA TERRA NUA VTN Deverá ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, por falta de documentação hábil para comprovar o valor declarado do imóvel e suas características particulares desfavoráveis, que o justificassem. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Para aceitação da área utilizada com exploração extrativa declarada na DITR é necessário que o contribuinte faça prova com o plano de manejo sustentado devidamente autorizado pelo órgão competente e que o cronograma físico financeiro esteja sendo cumprido no período a que se referir. Lançamento Procedente 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 01301/00462/2006, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativa ao exercício de 2005, vinculada ao imóvel denominado "Fazenda Nossa Senhora da Medalha Milagrosa", localizado no município de Aripuanã (MT), com área total de 27.464,5 ha (fls. 426/432). 2.1 A autoridade tributária considerou não comprovada a isenção das seguintes áreas declaradas pelo sujeito passivo (fls. 429): (i) Área de Preservação Permanente: 750,0 ha; e (ii) Área de Utilização Limitada (Reserva Legal): 21.971,6 ha. 2.2 Ademais disso, o agente fazendário procedeu também ao arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com base nas informações do Sistema de Preços de Terras (SIPT), desprezando o valor declarado. 2.3 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração Anual, exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. O contribuinte foi cientificado da autuação por via postal, em 23/10/2006, e impugnou a exigência fiscal no dia 22/11/2006 (fls. 434/435, 436/486 e 565/566). 4. Intimado em 13/01/2009, também por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 11/02/2009, em que faz considerações a respeito da validade do acordão recorrido e repisa os argumentos de impugnação, a seguir resumidos (fls. 601/603 e 606/680): (i) nulidade do lançamento, porque a Notificação foi expedida por agente público que não detinha a condição de chefe do órgão fazendário, além de não conter assinatura do responsável pela emissão; Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 932 5 (ii) há também vício de nulidade porque a constituição do crédito tributário deveria resultar de lavratura de auto de infração, instrumento destinado à apuração de infração, bem como imposição de penalidade; (iii) invalidade do lançamento devido à negativa de realização de diligência fiscal para averiguar a verdade material, em especial o fato de que o recorrente não tinha a posse nem o domínio útil do imóvel rural no exercício fiscal de 2005; (iv) o recorrente não poderia integrar o polo passivo da relação tributária pretendida pelo Fisco, dado que o imóvel rural foi invadido pelos integrantes do Movimento dos Sem Terra no dia 25/08/1998, configurando, desde então, uma propriedade meramente sob o aspecto formal, eis que ausente qualquer uma das faculdades asseguradas ao proprietário pelo direito civil; (v) é descabida a exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) relativamente às áreas declaradas de preservação permanente e de reserva legal, as quais são existentes e estão comprovadas nos autos, cuja exclusão da base de cálculo tributável do imposto advém diretamente do texto de lei; (vi) o imóvel rural é formado por 11 (onze) glebas, com respectivas certidões de matrícula, sendo que 4 (quatro) delas com área de reserva legal regularmente averbada, enquanto as demais estavam com os procedimentos encerrados, prontas para averbação, quando deuse a ocupação da fazenda pelo Movimento dos Sem Terra; (vii) desde o ano de 1987, o recorrente possuía projeto de manejo florestado sustentado aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); (viii) o laudo de avaliação mostra, fundamentalmente, o baixo valor da terra nua do imóvel; e (ix) os diversos atos praticados pela Secretaria da Receita Federal (RFB) e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) trouxeram para o recorrente inúmeros prejuízos que se traduzem em verdadeiro confisco. Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 933 6 5. Algum tempo depois do protocolo do recurso voluntário, em 30/03/2011, o recorrente apresentou requerimento em que solicitou prioridade na tramitação do processo administrativo, assim como o julgamento em conjunto dos Processos nº 10183.003873/2006 21, 10820.720005/200656, 10820.720006/200609 e 10820.720007/200645, tendo em vista referiremse ao mesmo imóvel e matéria tributável, diferenciandose apenas quanto ao exercício fiscal (fls. 418/420). 6. Por meio do Acórdão nº 210202.809, de 22/01/2014, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para afastar a exigência fiscal, rejeitando as preliminares e, no mérito, reconhecendo a ilegitimidade passiva (fls. 753/766). 7. A Fazenda Pública, por intermédio da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), interpôs recurso especial contra o Acórdão nº 210202.809, de 22/01/2014, o qual foi devidamente admitido, tendo o sujeito passivo apresentado contrarrazões (fls. 768/778, 781/782 e 833/838). 8. Através do Acórdão nº 9202004.586, de 24/11/2016, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, afastando a ilegitimidade passiva e determinando o retorno dos autos ao colegiado "a quo" para análise das demais questões deduzidas pelo interessado no recurso voluntário (fls. 858/869). 9. O contribuinte foi cientificado do provimento do recurso especial da Fazenda Nacional e opôs, no prazo legal, embargos de declaração contra o acórdão, os quais não foram admitidos (fls. 875/902 e 910/912). Ao receber a notícia do resultado, o sujeito passivo manifestouse pela necessidade de intimação do novo julgamento do recurso voluntário, oportunizando ao patrono a sustentação oral no dia da sessão designada (fls. 919/922). 10. Por fim, tendo em vista que Turma de origem foi extinta, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo administrativo para o julgamento do recurso voluntário (fls. 925/926). É o relatório. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 934 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 11. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Considerações Iniciais 12. Como visto, foi provido o recurso especial da Fazenda Nacional para manter a sujeição passiva do contribuinte, na condição de proprietário do imóvel, com determinação de retorno dos autos à instância anterior para julgamento das demais questões objeto do recurso voluntário. 13. Desse modo, superada a alegação da impossibilidade do lançamento do crédito tributário em nome do recorrente, um dos argumentos ventilados na peça recursal, passo ao exame das outras matérias de mérito apresentadas. 14. Cumpre destacar, nesse propósito, que o Acórdão nº 210202.809, de 22/01/2014, analisou as questões preliminares da peça recursal e decidiu, fundamentadamente, pela inexistência de cerceamento de defesa, assim como de qualquer nulidade no lançamento fiscal. 15. Esclareço também que os Processos nº 10820.720005/200656 e 10820.720007/200645, distribuídos para minha relatoria, estão sendo julgados nesta mesma sessão do colegiado, juntamente com o Processo nº 10183.003873/200621 sorteado para a relatoria do conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, o que possibilita, em tese, a prolatação de decisões uniformes. 15.1 Por fim, no tocante ao Processo nº 10820.720006/200609, foi negado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e mantida, por consequência, a decisão que afastou a sujeição passiva do contribuinte em relação ao crédito tributário lançado. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 935 8 Mérito a) Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal 16. A autoridade fiscal efetivou a glosa das áreas declaradas pelo recorrente a título de preservação permanente e utilização limitada, equivalentes, respectivamente, a 750,0 ha e 21.971,6 ha (fls. 426/432). Quanto a essas áreas do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. 17. Pois bem. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) 18. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Ibama por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 18.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 936 9 § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) 19. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 20. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 21. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que aprovou o novo Código Florestal, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 937 10 comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 21.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensado, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 22. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. 23. Se o poder regulamentar da União acabou extrapolando o que lhe era permitido, impondo uma exigência não prevista na lei ordinária, tal como defende o recurso voluntário, tratase de discussão acerca da ilegalidade da norma emanada pelo chefe do Poder Executivo, o que exorbita, em minha ótica, o âmbito de atuação do contencioso administrativo federal. 23.1 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é um órgão de natureza administrativa, ainda que dotado de função judicante. A vigilância que exerce sobre a legalidade dos atos encontra limite, via de regra, nas ações de controle que poderiam ser exercidas pelo Ministro da Fazenda. 23.2 Por isso, considerando o atual modelo do sistema brasileiro de controle administrativo de legalidade, penso que escapamlhe os atos emitidos pelo Presidente da República, os quais são chancelados também pelo Ministro de Estado, em que o Poder Executivo os baixa com o propósito de fiel execução das leis, com fundamento constitucional no inciso IV do art. 84 da Carta Política de 1988. 24. No entanto, a despeito da opinião acima, o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24.1 Com essa finalidade, inclusive, a PGFN, órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 24.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 938 11 25. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo coerência, desse modo, com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 26. Assinalo também que, segundo o Laudo Agronômico de Fiscalização elaborado por técnicos do Incra, utilizando o período de set/2003 a ago/2004, para fins do processo de classificação fundiária e desapropriação do imóvel rural, atestouse uma área aproximada de 20.954 ha do imóvel rural com vegetação nativa, incluindo áreas sem uso, inaproveitáveis a atividade agropastoril, e as áreas de preservação permanente (fls. 544/549). 26.1 De modo mais específico, o documento faz referência a uma área de preservação permanente de 1.136,9 ha, o que sinaliza para a plausibilidade da existência, no início do ano de 2005, de uma área de preservação permanente de 750,0 ha, conforme declarado pelo contribuinte. 27. Desse modo, cabe restabelecer a Área de Preservação Permanente de 750,0 ha declarada pelo sujeito passivo. 28. Quanto à área de reserva legal, entretanto, a solução é distinta. É que a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, alhures reproduzida, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) 29. É de verse do texto em destaque que, diferentemente da área de preservação permanente, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de comprovar formalmente a área preservada destinada à reserva legal. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 939 12 29.1 O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva, condicionante do direito de usufruir a isenção fiscal. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Em outros dizeres, a averbação deverá ocorrer até a data da ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal. Senão vejamos, o § 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (...) 30. Os documentos que instruem os autos revelam que o imóvel rural é composto por 11 glebas contíguas com as seguintes matrículas constantes do 6º Serviço Notarial e Registro de Imóveis de Cuiabá (MT): nº 23.377, de 27/12/1985; nº 22.748, de 23/10/1985; nº 16.823, de 24/10/1983; nº 16.822, de 24/10/1983; nº 16.820, de 24/10/1983; nº 16.821, de 24/10/1983; nº 24.868, de 05/06/1986; nº 15.660, de 29/04/1983; nº 15.656, de 29/04/1983; nº 15.657, em 29/04/1983; e nº 21.867, de 15/08/1985 (fls. 489/515). 31. Contudo, referente à área de reserva legal, encontravase averbada tão somente em 4 matrículas, a saber: AV3/15.660 (1.242,9 ha), AV3/16.821 (1.250,0 ha), AV3/21.867 (832,0 ha) e AV3/24.868 (1.250/0 ha), totalizando uma área de 4.574,9 ha (fls. 504/505, 507/508, 510/511 e 515). 31.1 Em todos os casos, a área de reserva legal foi anotada à margem da inscrição da matrícula do imóvel rural antes da ocorrência do fato gerador do lançamento fiscal, ou seja, antes de 01/01/2005. 32. Logo, independentemente da apresentação do ADA, cabe reconhecer uma Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) igual a 4.574,9 ha. 33. Por outro lado, é irrelevante para a redução da base de cálculo a argumentação de que o reclamante só não ultimou a averbação das demais áreas em razão do seu desapossamento, na medida em que já haviam sido objeto de levantamento topográfico, realizado por técnico habilitado, bem como providenciada a assinatura de Termos de Responsabilidade de Averbação Legal junto ao Ibama, expedidos em 26/10/1998 (fls. 516/522). 34. Como acima justificado, a averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário e/ou possuidor como reserva legal é ato constitutivo do direito à exclusão da tributação. Quero dizer que somente após a realização do ato de averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 940 13 b) Valor da Terra Nua (VTN) 35. Por fim, no que pertine ao VTN declarado, foi alterado, com base nas informações do SIPT, por falta de comprovação por meio de Laudo de Avaliação com os requisitos estabelecidos na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 36. Pois bem. O VTN será declarado pelo contribuinte e deve corresponder ao valor de mercado das terras na data do fato gerador, conforme prescreve o § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) (GRIFEI) 37. Na hipótese de arbitramento do VTN, é obrigatório considerar o critério de aptidão agrícola do imóvel rural para avaliação do preço da terra, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996: Lei nº 9.393, de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) (GRIFEI) Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 941 14 Lei nº 8.629, de 1993, (com a redação da Medida Provisória nº 2.18356, de 24 de agosto de 2001) Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (GRIFEI) 38. O VTN utilizado pelo agente fazendário para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, todavia não levou em conta a aptidão agrícola, consistindo no valor médio apurado com base nas declarações fiscais processadas no exercício de 2003 para o município de localização do imóvel (fls. 581). 39. Em tais circunstâncias, em que o valor do VTN não considera a aptidão agrícola das terras que compõem o imóvel avaliado, isto é, sem plena observância aos requisitos legais, caberia, via de regra, acolher o valor da terra nua declarado ou, alternativamente, o valor apurado em Laudo de Avaliação apresentado pelo sujeito passivo, desde que revestido das formalidades indispensáveis a sua validade, e contemporâneo ao fato gerador. 40. Acontece que o Laudo Técnico de Avaliação colacionado aos autos pelo recorrente, o qual, ressaltase, não está acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), é datado de 21/09/1998, tendo sido elaborado por engenheiro agrônomo com a finalidade de determinar o valor de mercado da Fazenda "Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" em 31/12/1994, chegando a um VTN de R$ 31,27/ha. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 942 15 41. Além de tudo, o próprio recorrente trás a informação nos autos da existência de um Laudo de Avaliação, subscrito por peritos federais agrários designados pelo Incra para fins do processo de desapropriação do imóvel rural, no qual foi estimado um preço de mercado da fazenda, no ano de 2006, equivalente a R$ 15.003.965,28, que após aplicado o coeficiente de ancianidade de 40%, estabelecido na legislação, resultou na importância de R$ 6.133,844,85 (fls. 668/670). 42. É razoável, assim, admitir que houve subavaliação do VTN declarado, na medida em que o valor total do imóvel rural informado pelo sujeito passivo foi igual a apenas R$ 2.882.390,00, com baixo valor de avaliação para benfeitorias e pastagens, representando um VTN igual a 100,0/ha (fls. 429). 43. Nesse cenário, cabe manter o VTN médio atribuído pela fiscalização, no valor exato de R$ 184,19/ha, equivalente a um valor total do imóvel de R$ 5.194.626,26, mais próximo de espelhar, ao que tudo indica, a avaliação do preço de mercado da terra nua em 01/01/2005. 44. Por outro lado, aduz o recorrente que, em contrariedade à legislação aplicável, ocorreu modificação de ofício no critério jurídico utilizado na realização do lançamento tributário referente aos exercícios de 2003 a 2005, quando comparado com o lançamento do imposto efetuado no mesmo dia, e para o mesmo imóvel, relativo ao exercício de 2002. 45. Não lhe assiste razão, porque a fiscalização não alterou o entendimento de forma retroativa para a revisão de lançamentos já efetuados. 45.1 O fato gerador do ITR é fixado no primeiro dia de cada ano, devendo o VTN refletir o preço de mercado das terras nesse momento. No exercício de 2002, o agente fiscal aceitou o valor declarado pelo contribuinte, segundo sua avaliação dos fatos. Todavia, nos exercícios seguintes, o agente lançador exigiu a comprovação de que o valor declarado não estava subavaliado, considerando, em relação a esses anos, as informações sobre preços de terras obtidas no SIPT. 46. A título de considerações finais, anoto que a ocupação do imóvel rural, ocorrida em agosto de 1998, e os percalços e dissabores dela resultantes no que diz respeito ao recebimento de indenização pela desapropriação da Fazenda "Nossa Senhora da Medalha Milagrosa" certamente acarretaram ao recorrente, como narra o recurso voluntário, prejuízos de ordem econômicofinanceiro. 47. Contudo, uma vez ultrapassada a questão da ilegitimidade passiva para responder pelo crédito tributário objeto do lançamento fiscal, segundo decidido em sede de recurso especial, a avaliação das demais matérias controvertidas põe em evidência a exigência de comprovação da regularidade dos dados informados pelo recorrente na DITR/2005, sendo que os impactos financeiros suportados pelo contribuinte não influenciam a valoração do conjunto probatório. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10820.720007/200645 Acórdão n.º 2401005.440 S2C4T1 Fl. 943 16 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL para restabelecer a Área de Preservação Permanente de 750,0 ha e reconhecer uma Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) de 4.574,9 ha. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 943DF CARF MF
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Numero do processo: 13617.001048/2008-02
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL.
Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 7. 00 10 48 /2 00 8- 02 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 51 2 A Recorrente formalizou em 26.08.2008, fls. 0102, o Pedido de Inclusão no Simples Nacional alegando que: A Empresa acima não providenciou o pedido de inclusão no Simples Nacional, no prazo de 10 dias pelo seguinte motivo; conforme o resumo em anexo, feito pelo consultor, Ricardo Paz Gonçalves, da Affectum, referente a Resolução CGSN n° 29, de 21 de Janeiro de 2008, em que a opção pelo simples nacional se dará automaticamente a partir de 1° de Janeiro de 2008, a partir da data da abertura do CNPJ. Observando que esta Empresa está com seus cadastros paralisados na Caixa e Inss, e com pendências na Receita Estadual , devido a falta dessa inclusão. Tal inclusão se faz urgente para que a mesma possa iniciar suas atividades. No Despacho Decisório de Inclusão no Simples Nacional DRF/Sete Lagoas/MG, de 05.02.2009, fls. 1112, consta que o pedido foi indeferido fundamentado no fato de que: Trata o presente processo de pedido de inclusão, a partir da data de abertura da empresa no CNPJ (10/04/2008), no Simples Nacional, formalizado em 26/08/2008. [...] Em verificação ao Portal do Simples Nacional, constatouse que a única solicitação de inclusão por parte do contribuinte foi feita em 06/01/2009, incluindoo a partir de 01/01/2009. No Sistema CNPJ, verificouse que a data do pedido de inscrição no CNPJ foi 15/04/2008 e o processamento se deu em 29/04/2008. O contribuinte anexou, à fl. 04, uma noticia com o título “Empresas com CNPJ a partir de janeiro são automaticamente incluídas no SuperSimples”, que informava que o CGSN aprovou, em 21/01/2008, uma medida que incluía automaticamente as empresas no Simples Nacional inscritas no CNPJ a partir de 2008. Salientase que a informação, ou ao menos sua interpretação, está equivocada. Ressaltase que o próprio contribuinte anexou a Resolução CGSN n° 29, de 21/01/2008, à fl. 07, onde constam as verdadeiras alterações ocorridas. O Requerimento de Empresário, relativo ao ato de inscrição da empresa, à fl. 02, foi registrado na junta comercial em l0/04/2008, que é a data de abertura da empresa no CNPJ. A Lei Complementar n° 123, de l4 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, dispõe que: [...] De acordo com a Resolução CGSN n° 004, de 30 de maio de 2007: [...] A Resolução CGSN n° 29, que modificou a Resolução CGSN n° 004, não informou em nenhum momento que as empresas seriam automaticamente incluídas no Simples Nacional a partir de 2008. A legislação informa, de forma clara, que a opção é feita via internet, e que a modificação foi em relação à data em que as empresas passaram a ser consideradas como optantes pelo Simples Nacional. Em 2007, era a data da última inscrição (federal, estadual, municipal). Em 2008, passou a ser considerada a datada abertura da empresa no CNPJ. Ante o exposto, proponho o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0227.301, de 24.06.2010, fls. 2931: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 52 3 PRAZO PARA OPÇÃO. INICIO DE ATIVIDADES. INCLUSÃO DE OFICIO. Para as pessoas jurídicas em inicio de atividades, a opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2008 deveria ser feita por meio da internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de previstos para a opção, dentro dos prazos determinados pela legislação, “inscrição. Caso não tenham sido adotados todos os procedimentos l não ha amparo legal para atendimento a pedido de inclusão de ofício. Impugnação Improcedente Notificada em 24.01.2011, fl. 33, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.02.2011, fl. 34, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos cumulativos para deferimento da inclusão retroativa pelo Simples Nacional no caso de início de atividades aduz que: Solicita que seja revisto o indeferimento do Pedido de Inclusão no SIMPLES NACIONAL do ano calendário 2008, pois a única maneira que a Pessoa Jurídica, depois de inscrita no CNPJ tem de optar pelo regime de tributação SIMPLES NACIONAL é pela internet. Todavia o Cadastro Sincronizado Nacional estava em fase de implantação, e por alguma falha no sistema o processo não foi concluído emitindo a mensagem que a opção estava fora do prazo. Foram feitos vários contatos com a ARF/Diamantina, em busca de uma solução, mas infelizmente não tinham nenhuma orientação como resolver tal situação, na ocasião foi informado que haviam várias Empresas recém inscritas na mesma situação. Discordase do indeferimento da Impugnação ao Termo de Indeferimento da Opção pelo SIMPLES NACIONAL, pelo fato da Empresa ter feito tudo o que estava ao seu alcance dentro do prazo de 10 dias a partir da inscrição no CNPJ. Portanto conclui se que é injusto a Empresa ser prejudicada, por um problema do sistema, e também pelo fato da RFB, não disponibilizar outro meio para a adesão ao SIMPLES NACIONAL. Concernente ao pedido expõe que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose os débitos de tributos e cobranças de obrigações fiscais, que tenham originado pela não opção ao SIMPLES NACIONAL, no anocalendário de 2008. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 53 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional no início de atividade. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...]§ 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 54 5 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 55 6 (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/BHE/MG nº 0227.301, de 24.06.2010, fls. 2931: Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, com a redação vigente à época em que ocorreram os fatos aqui tratados: [...] Como se vê, para as pessoas jurídicas em início de atividades, a opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2008 deveria ser formalizada por meio da internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de inscrição. Em sua defesa, a impugnante admite não ter apresentado a opção pela internet, por acreditar que a opção seria feita automaticamente, de acordo com o disposto no art. 1° da Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008, que estabelece: [...] De acordo com o dispositivo transcrito, as modificações introduzidas alteraram tão somente a data em que a opção pelo Simples Nacional por parte de empresas em início de atividade passou a produzir efeitos. Ocorre que, para produzir efeitos, a opção pelo Simples Nacional teria necessariamente de ser formalizada, pois não houve modificação nesse sentido. Não há como interpretar que a Resolução CGSN nº 29, de 2008, viesse a promover a inclusão automática de empresas em início de atividade, deixando de exigir que fossem atendidos todos os requisitos e adotados os procedimentos previstos para tal fim. Por oportuno, cabe lembrar que as informações divulgadas por empresas de consultoria não gozam do status de legislação tributária, nos temos dos arts. 96 e 100 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Conforme cópia do requerimento do empresário juntado às fls. 2, a pessoa jurídica em epígrafe foi constituída em 10 de abril de 2008. De modo contraditório, a impugnante afirma, ainda, que “mesmo dentro do prazo dos 10 dias, em todas as tentativas foi emitida a seguinte mensagem: “Opção pelo Simples Nacional fora do prazo”. Contudo, não foi juntado aos autos nenhum documento que comprove tal alegação, e que pudesse configurar a existência de erro no processamento da solicitação. Tampouco consta dos autos qual teria sido a data do último deferimento de inscrição ou qualquer outro documento que, eventualmente, pudesse fazer prova em favor da interessada. Como visto, a legislação determina que a opção seja feita pela internet, no prazo de até dez dias, contados do último deferimento de inscrição. Por se tratar de procedimento previsto em lei, é imprescindível a observância do critério da legalidade. Assim sendo, caso a pessoa jurídica não comprove ter adotado todos os procedimentos previstos para a opção, dentro dos prazos determinados na legislação, Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 56 7 não há amparo legal para acatar o pedido de inclusão no regime especial para o ano calendário de 2008. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) teve sua abertura em 10.04.2008, conforme registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais JUCEMG, fl. 02; (b) iniciou suas atividades junto a RFB em 10.04.2008, de acordo com o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 24; (c) a inscrição municipal emitida pela Prefeitura Municipal de Carbonita/MG não consta nos autos; (d) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 26.08.2008, fls. 0102. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) não se pode averiguar os dez dias contados do último deferimento de inscrição formal; (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 08.10.2008 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: 19 dias em abril + 31 dias em maio + 30 dias em junho + 31 dias em julho + 31 dias agosto + 30 dias em setembro + 8 dias em outubro do ano de 2008. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tão somente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional no dia 26.08.2008, fls. 0102, ou seja, após 08.03.2008. Além disso, mesmo que a condição de 10 dias do último deferimento formal de inscrição nos entes federados não possa ser verificada, tão somente a apresentação do pleito após 180 dias da inscrição do CNPJ já é circunstância suficiente para não atender a petição. A ilação designada na peça recursal, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. Pertinente a informações obtidas junto a terceiros, cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A dedução esclarecida na peça recursal, então, não está evidenciada. Relativamente às alegações pertinentes ao Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples, observese que essa matéria não é objeto da lide específica no presente processo que trata do Pedido de Inclusão no Simples Nacional de formalizado em 26.08.2008, fls. 0102. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13617.001048/200802 Acórdão n.º 1003000.019 S1C0T3 Fl. 57 8 Por essa razão essa questão não pode ser examinada nos presente autos por existir um rito especial para esse fim previsto no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, com redação vigente à época. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 57DF CARF MF
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