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Numero do processo: 10825.721565/2017-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA.
Não se conhece do recurso especial quando as circunstâncias que levaram à conclusão nos acórdãos apontados como paradigma não encontram pontos de semelhança com as analisadas pelo Acórdão Recorrido.
Numero da decisão: 9101-007.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Assinado Digitalmente
Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator
Assinado Digitalmente
Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente).
Nome do relator: HELDO JORGE DOS SANTOS PEREIRA JUNIOR
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DE BATERIAS LTDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA. Não se conhece do recurso especial quando as circunstâncias que levaram à conclusão nos acórdãos apontados como paradigma não encontram pontos de semelhança com as analisadas pelo Acórdão Recorrido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Recursos Especiais. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior – Relator Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Fernando Fl. 6966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 2 Brasil de Oliveira Pinto, Jandir José Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro e Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente). RELATÓRIO Tratam-se de Recursos Especiais da Fazenda e do Sujeito Passivo, em face do Acórdão nº 1302-004.096 (fls. 5.380/5.457), que negou provimento ao recurso voluntário da contribuinte principal, INDÚSTRIA TUDOR SP DE BATERIAS LTDA (Tudor SP) e, quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em negar provimento ao recurso voluntário; em dar provimento ao recurso dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado; e, em dar provimento parcial aos recursos dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalio Bilches Medinas e José Carlos Caminha, para afastar a imputação com base no art. 124, inciso I do CTN, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. Assim restou assentado o Acórdão ora Recorrido: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. Nos termos sedimentos pela Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, o que não se confunde com a análise de eventual ilegalidade praticada no ato administrativo de lançamento. INTIMAÇÃO AO ADVOGADO. No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Tema pacificado no âmbito do CARF, com a edição da súmula nº 110. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ANÁLISE DE TODOS OS ARGUMENTOS E PRECEDENTES CITADOS PELO SUJEITO PASSIVO. DESNECESSIDADE. O julgador administrativo não é está obrigado a analisar e responder todos os questionamentos e julgados, administrativos ou judiciais, citados pelo sujeito passivo no Recurso Voluntário, mesmo após a entrada em vigor do artigo 489 do CPC/15. Entendimento em consonância com jurisprudência do Superior Tribunal Fl. 6967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 3 de Justiça, que entende pela necessidade de enfrentamento apenas das questões capazes de infirmar a conclusão da decisão recorrida. Só existe efeito vinculante, no âmbito do julgamento administrativo federal, quando os julgados e eventuais atos administrativos, invocados ou não pelo contribuinte, tiverem sido proferidos nos contornos das decisões e dos atos listados no artigo 62, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO FISCAL (TDPF). Suposta inobservância de ato regulamentar, que visa ao controle interno, não implica nulidade dos trabalhos praticados sob sua égide, tendentes à apuração e lançamento do crédito tributário. ABUSO DE AUTORIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. ABUSO DE AUTORIDADE. INCOMPETÊNCIA. O julgador administrativo não tem competência para declarar o abuso de autoridade supostamente cometido em operação realizada pela Polícia Federal e pela Receita Federal do Brasil, com a devida autorização do Poder Judiciário. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento tributário que se baseou em provas e elementos colhidos em procedimento alegado como abusivo pelo sujeito passivo. DA FALTA DE INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS ACERCA DAS MOVIMENTAÇÕES BANCÁRIAS. Não sendo o lançamento realizado com base no disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, não há necessidade de intimação prévia do contribuinte para se manifestar acerca das movimentações bancárias em conta de sua titularidade mantida junto a instituições financeiras, que não estava devidamente contabilizada. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório quando a contribuinte demonstra ter pleno conhecimento dos fatos imputados pela fiscalização, bem como da legislação tributária aplicável, exercendo seu direito de defesa de forma ampla nos apelos apresentados. MUDANÇA DA CRITÉRIO JURÍDICO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Somente o erro de direito tem o condão de impedir a ajuste do lançamento tributário já devidamente formalizado. Eventual mudança de critério jurídico do lançamento, não implica nulidade do lançamento, e, sim, sua improcedência. NULIDADE DE PROVAS OBTIDAS NO ÂMBITO DO PODER JUDICIÁRIO. PROVA EMPRESTADA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Fl. 6968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 4 O julgador administrativo não tem competência para declarar a ilicitude de provas obtidas no bojo de processo judicial, cujo compartilhamento com a Receita Federal do Brasil foi devidamente autorizado pelo Poder Judiciário. Não há empecilho para utilização das provas colhidas em âmbito judicial no processo administrativo fiscal, em especial quando há determinação de apuração de eventuais ilicitudes praticadas pelo sujeito passivo. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A preclusão consumativa impede que o sujeito passivo inove nos argumentos após a apresentação da Impugnação Administrativa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 DECADÊNCIA Constatado dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, I, do CTN, hipótese na qual o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012, 2013, 2014, 2015 OMISSÃO DE RECEITAS. A práticas de atos, comissivos ou omissivos, praticados de forma dolosa, com intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, caracteriza-se como sonegação e autoriza a constituição do crédito tributário pelo agente competente. LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação, como por exemplo, quando há declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis do sujeito passivo. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. LUCRO ARBITRADO. IMPRESTABILIDADE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS. OMISSÃO DE RECEITAS. A omissão de receitas, que se mostra relevante e feita de forma reiterada, sendo comprovada, inclusive, quando da análise de controles e planilhas apreendidos pela fiscalização e que eram mantidos à margem das demonstrações contábeis, autoriza a declaração de imprestabilidade da contabilidade e, por consequência, o arbitramento do lucro do contribuinte . Fl. 6969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 5 MULTA QUALIFICADA. Comprovadas condutas e omissões dolosas do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 72, da Lei 4.502/64, praticadas no sentido de ocultar, excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador, correta a qualificação da multa, nos termos definidos pela legislação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. Na imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, é dever da fiscalização comprovar o interesse comum dos responsáveis no nascimento da obrigação tributária. Não se admite a imputação de responsabilidade com base neste dispositivo apenas pelo fato da pessoa física ser sócia da entidade. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. GRUPO ECONÔMICO. Admite-se a imputação de responsabilidade tributária, com base no artigo 124, inciso I do Código Tributário Nacional, quando a fiscalização comprovar que a pessoa jurídica, pertencente ao mesmo grupo econômico do sujeito passivo, tiver praticado atos em conjunto com este, que deram causa ao nascimento da obrigação tributária. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. ART. 135, III DO CTN. Cabe à fiscalização demonstrar e comprovar condutas praticadas pelo sócio- administrador, nos termos definidos no artigo 135, inciso III do Código Tributário Nacional, para que possa ser atribuída a esse a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário. Não estando, no Auto de Infração lavrado, demonstradas aquelas condutas, deve ser afastada a responsabilidade atribuída pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário do contribuinte principal (Tudor SP); em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e, ainda, a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao recurso; e quanto aos recursos dos responsáveis solidários, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela empresa Indústria Tudor MG de Baterias Ltda; em dar provimento ao recurso dos responsáveis Milton José Tessari; Itamar Crivelli; Péricles José Ramos Mendes; Sérgio Luis Fioravante; Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado; e, em dar provimento parcial aos recursos dos responsáveis José Ricardo de Miranda; Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha, para afastar a imputação com base no art. 124, inc. I do CTN, mantendo a imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN.” Fl. 6970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 6 Todos os interessados (PGFN, sujeito passivo e coobrigados) apresentaram Recursos Especiais, sendo que, inicialmente, o único admitido foi o da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 5.478/5.484. RECURSO ESPECIAL DA PGFN A matéria admitida foi “Responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN - Necessidade de individualização da conduta ilícita praticada pelo sócio administrador”, tendo como paradigmas os Acórdãos nºs 1301-002.749 e 1302- 00.458. Em contrarrazões os responsáveis solidários (em petições separadas, mas com a mesma linha de argumentação) pugnam pelo não conhecimento do Recurso Especial da PGFN: (i) em razão da inexistência de similitude entre os Acórdãos Paradigmas admitidos e o Acórdão Recorrido, pois naqueles teriam havido imputações de responsabilidade do art. 135, III, do CTN, em razão da condenação dos responsáveis na esfera penal, com a individualização das condutas, pautada em sentença judicial penal condenatória; com interposição fraudulenta de pessoas; (ii) pois tanto o Acórdão Recorrido e os Acórdãos Paradigmas vão de encontro às decisões do STJ, mormente o REsp 1101728/SP (Tema 97) e o AgRg 1.359.231/SC, submetidos ao art. 543-C do CPC; (iii) o caso do Acordão Paradigma 1401-002.458 envolve a não apresentação de DIPJ, inexistindo pagamento ou confissão de qualquer tributo federal, ”individualizando a conduta do sócio gerente na omissão de escrituração e pagamento do tributo devido”. No mérito, alegam a “necessidade de individualização da suposta conduta dolosa praticada pelo sócio administrador”, “interesse comum”, citando diversos julgados do CARF e posição dos tribunais superiores no mesmo sentido. RECURSO ESPECIAL DA TUDOR SP A Tudor SP, irresignada com o não seguimento do seu Recurso Especial, impetrou Mandado de Segurança perante a 4ª Vara Federal Cível da SJDF - Secção Judiciária do Distrito Federal, autuado sob nº 1020945-68.2024.4.01.3400 (fls. 6.828/6.870), alegando, basicamente, a conexão entre o presente feito e o PAF nº 10825.721567/2017-20, no qual, apesar de neste último a Tudor SP figurar como responsável solidário, trata exatamente dos mesmos fatos, e que os processos administrativos teriam tramitados em conjunto até o julgamento do Recurso Voluntário. A seguir transcrevo parte das razões de decidir e do respectivo dispositivo do decisum em comento, em vigor até a presente data: “No presente caso, a parte impetrante almeja que se promova seguimento ao recurso especial interposto pela Impetrante, pela presença da conexão e reflexão amplamente demonstrada entre ambos os processos administrativos, sendo determinado o envio do processo administrativo n° 10825.721565/2017-31 para o CSRF, para o seu julgamento em conjunto e vinculado com o Recurso Especial que será julgado junto ao processo nº 10825.721567/2017-20. Fl. 6971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 7 Compulsando os autos, tem-se que o julgamento do processo nº 1082.721567/2017-20 interferirá de forma direta nos autos do processo nº 10825.721565/2017-31. Portanto, entendo que restou caracterizada a hipótese de vinculação prevista no art. 6º, § 1º, inciso I, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Assim, por certo que a pendência de julgamento no PA 10825.721567/2017-20 interfere no Processo Administrativo n.º 10825.721565/2017-31, atraindo a incidência do art. 151, III, do CTN para este último processo. Pelo exposto, DEFIRO a liminar pleiteada para determinar à autoridade coatora promova seguimento ao recurso especial interposto pela Impetrante, pela presença da conexão e reflexão amplamente demonstrada entre ambos os processos administrativos, sendo determinado o envio do processo administrativo n° 10825.721565/2017-31 para o CSRF, para o seu julgamento em conjunto e vinculado com o Recurso Especial que será julgado junto ao processo nº 10825.721567/2017-20. A PGFN, depois de cientificada, ofereceu contrarrazões (fls. 6.875/6.886), aduzindo que a “vinculação” determinada pelo Juízo da 4ª Vara Federal Cível deve ser entendida no sentido do julgamento dos “presentes autos está adstrito a matéria que subiu para exame da CSRF naquele processo, no caso o item nº 2.1: possibilidade de inovação de argumento da defesa do recurso apresentado por “INDÚSTRIA TUDOR SP DE BATERIAS LTDA. (NA CONDIÇÃO DE RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO)”. Pugna pelo não conhecimento de nenhum dos recursos, na mesma ordem de ideias das contrarrazões apresentadas no PAF nº 10825.721567/2017-20. No mérito, de acordo com a PGFN, “Os argumentos utilizados no voto acima citado1 são irretocáveis. Com efeito, a Administração Pública respeitou o direito da contribuinte de comparecer aos autos questionar a autuação. Nessas condições, o direito pune a desídia e o desrespeito aos prazos fixados para manifestar o inconformismo com a preclusão, que é “a perda de uma faculdade processual ou da possibilidade de se rediscutirem ou rejulgarem questões” (Freddie Diddier Júnior, Curso de Direito Processual Civil, Vol. 1, 11ª edição, Salvador, Editora Juspodvim, 2009, p. 54). A esse respeito, vejamos o que preceitua o Decreto nº 70.235, de 1972:”. Em 28/06/2024, Tudor MG solicitou juntada de petição para reafirmar que o ilustre relator do Acordão Recorrido não teria aceito as provas trazidas aos autos alegando que se referiam a argumento novo trazido em memoriais, e juntada de novo parecer técnico-jurídico (fls. 6.895/6.935) que teria analisado as provas trazidas aos autos, para sustentar o erro no lançamento por arbitramento, pois, dentre outras razões, haveria uma impossibilidade de se alcançar a receita bruta apurada pela fiscalização vis a vis o volume de ácido sulfúrico necessário para a produção da quantidade de baterias que gerariam tal receita bruta. Em 7 de agosto de 2024, o PAF nº 10825.721567/2017-20 foi convertido em Diligência, através da Resolução nº 9101-000.124, pois houve uma inversão de tópicos propostos 1 Referindo-se às razões de decidir do voto vencedor do Acórdão Recorrido. Fl. 6972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 8 na análise preliminar de admissibilidade original, bem como um dos paradigmas oferecidos pela Recorrente havia sido ignorado, em razão da inversão dos tópicos. Foi proferido Despacho de Admissibilidade complementar, que não foi objeto de Agravo por parte da Recorrente. O resultado dessa nova análise resultou no “SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, apenas quanto à matéria nº 2: admissão no processo de documento novo, unicamente quanto ao Acórdão paradigma nº 1401- 003.039”. Vale acrescentar que o resultado foi o mesmo daquele verificado no Despacho de Admissibilidade original do PAF nº 10825.721567/2017-20. Eis os excertos sobre a admissão desse único paradigma (grifos e negritos no original): Análise da demonstração da divergência jurisprudencial – Matéria nº 2: admissão no processo de documento novo Relativamente a esta matéria, a divergência suscitada pela Recorrente diz respeito à interpretação da norma contida no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, especificamente quanto à possibilidade de apresentação de provas após a impugnação ao lançamento: IV. DA INDICAÇÃO DE PARADIGMAS: Os paradigmas que embasam a interposição do presente Recurso Especial cumprem os aspectos formais em conformidade com os ditames do artigo 67, §§ 9º e 10º do RICARF, seguindo em anexo ao presente recurso a cópia do inteiro teor dos Acórdãos paradigmas, sendo tais Acórdãos extraídos diretamente da internet no sítio do CARF, conforme passa a demonstrar: DA CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL Para melhor demonstração da divergência jurisprudencial suscitada, em conformidade com o artigo 67, § 8º, do RICARF, segue abaixo comparativo referente a divergência de interpretação à legislação tributária, sendo a mesma demonstrada analiticamente, indicando os pontos divergentes entre o Acórdão recorrido e os Acórdãos paradigmas, conforme passa a demonstrar: [...] IV.2 – DA ADMISSÃO NO PROCESSO DE DOCUMENTO NOVO: ACÓRDÃO PARADIGMA I (reprodução parcial da ementa conforme possibilita o artigo 67, § 11, do RICARF): Processo nº 12448.726713/2016-01 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401-003.039 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Fl. 6973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 9 Matéria IRPJ Recorrente SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO • SESC ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA • IRPJ Ano-calendário: 2011 (...) INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS NO RECURSO. MEMORIAIS. Excepcionalmente, conhece-se de arguição apresentada em memoriais quando se trata de possibilidade de erro no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado. (...) ACÓRDÃO PARADIGMA II (reprodução parcial da ementa conforme possibilita o artigo 67, § 11, do RICARF): Processo nº 14098.000308/200974 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.781 – 1ª Turma Sessão de 06 de abril de 2017 Matéria IRPJ PERC Recorrente AGROMON S/A AGRICULTURA E PECUÁRIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de Impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. ACÓRDÃO RECURSO VOLUNTÁRIO DA RECORRENTE: PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A preclusão consumativa impede que o sujeito passivo inove nos argumentos após a apresentação da Impugnação Administrativa. Fl. 6974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 10 DA DIVERGÊNCIA: Restou decidido na fundamentação do Acórdão em Recurso Voluntário que a Recorrente somente após a apresentação de sua impugnação trouxe aos autos novos argumentos e documentos, até mesmo juntando em memoriais laudo pericial relativo a questão do ácido sulfúrico. Reitera-se que esta alegação não é verdadeira, posto que a Recorrente, como já demonstrado, em todas as suas peças processuais, discorreu sobre a necessidade de diligência, bem como de análise da composição das baterias. Assim, de forma contrária a realidade dos autos, foi afirmado na fundamentação do Acórdão que a Recorrente somente após a apresentação de recurso Voluntário acostou provas para comprovar seus argumentos, decidindo os julgadores que tal apresentação de documentos novos não poderia ocorrer em tal momento processual para a desconstituição do crédito tributário, ocorrendo a preclusão consumativa de tal meio de prova. Transcreve-se trecho do Acórdão (fls. 5431): “No presente caso, pela análise dos autos, fica fácil perceber que a discussão em comento só foi trazida pela Recorrente, após a apresentação do Recurso Voluntário, oportunidade em que a contribuinte trouxe suas razões para demostrar a fragilidade da imputação de omissão de receitas, bem como acostou aos autos prova documental para corroborar os seus argumentos. De fato, pela literalidade do dispositivo acima, não se mostra factível, neste momento processual, se inovar no argumento e trazer uma discussão nunca aventada no processo. É temerária essa medida, uma vez que vai de encontro com várias regras que regem o processo administrativo, dentre elas, por exemplo, a necessidade do duplo grau de julgamento. Lembre-se que, como alertado acima, a DRJ não se pronunciou sobre esse argumento, porque não foi desenvolvido na Impugnação Administrativa apresentada. Esse colegiado já se posicionou sobre a impossibilidade de se trazer novos argumentos em sede de Recurso Voluntário. (...) Assim, entende-se que não poderia, após a apresentação da sua Impugnação, a Recorrente trazer novos argumentos, que, de alguma forma, se prestariam a desconstituir o lançamento do crédito tributário.” - destacamos Portanto a divergência na decisão na fundamentação do Acórdão combatido, demonstra-se pelo teor dos Acórdãos Paradigmas acima colacionados, onde a Jurisprudência Uníssona desse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mantém entendimento o qual abarca Fl. 6975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 11 a proteção do princípio da formalidade moderada, onde possibilita ao contribuinte a juntada de documentos novos após a apresentação de Impugnação, bem como até mesmo a inovação de argumentos e provas em sede de MEMORIAIS, quando há visível possibilidade de erro ocorrido no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado, como de fato ocorreu no presente caso concreto. Vejamos. No acordão paradigma nº 1401-003.039, no qual tem-se que foi apresentado pelo contribuinte, em sede de memorias, novas alegações e documentos que foram capazes de anular a autuação fiscal, verbis: “Em sede de memoriais e realização de sustentação oral, a Recorrente chama a atenção para a necessidade de se enfrentar questão que vicia toda a autuação, no que diz respeito a necessidade de se reconhecer a isenção ampla à autuada independentemente do preenchimento de quaisquer requisitos.” Já no acórdão nº 9101-002.781 o contribuinte Recorrente discutiu a possibilidade de apresentação de provas posteriormente a fase de impugnação, o que foi concedido pela Turma Julgadora com fundamento nos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa e contraditório. Pertinente destacar a escorreita fundamentação do voto vencedor do acórdão nº 9101-002.781, a qual relata que “os processos administrativos devem atender a formalidade moderada, com adequação entre meios e fins, assegurando-se aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardando-se o cumprimento da estrita legalidade, para que só sejam mantidos os lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal”. Ademais, não se pode ignorar que a produção do laudo do ácido sulfúrico somente foi possível após a divulgação pela ABRABAT, em Julho de 2018, da planilha com método oficial de controle prático da produção de baterias no país baseado no consumo de ácido sulfúrico por baterias. Assim, pela ausência de critérios oficiais, era impossível a apresentação do laudo quando da impugnação. Tão logo divulgado o informativo da ABRABAT a Recorrente providenciou a elaboração, por empresa especializada, do laudo de consumo de ácido sulfúrico, o qual, por si só, é capaz de demonstrar a impossibilidade de serem produzidas as baterias supostamente comercializadas sem a respectiva documentação fiscal (sonegação). Enfatize-se ainda, conforme descrito alhures, a fundamentação do Acórdão Recorrido ainda vai ao desencontro da realidade ocorrida nos autos, onde a Recorrente, vem ratificando e justificando a necessidade da realização de Fl. 6976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 12 análise da composição dos custos da empresa pela autoridade julgadora, desde sua impugnação, sendo tal fato aventado novamente em sede de Recurso Voluntário, podendo tais pleitos serem verificados às folhas 3164 e 3221 da impugnação e folhas 4077/4078 e 4214 do Recurso Voluntário, caindo por terra os inverídicos fundamentos utilizados para alicerçar a preclusão consumativa combatida. Dessa forma, resta demonstrado pelo teor dos Acórdão Paradigmas acima descritos (Doc. Anexo), o cumprimento da exigência referente a demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que, há evidente confronto de situações similares com incidências especificas na legislação tributária divergente (art. 16 do Decreto 70.235/72) o qual esse r. Conselho mantém entendimento jurisprudencial divergente em cada caso concreto. Em relação ao primeiro paradigma (Acórdão nº 1401-003.039), entendo que assiste razão à Recorrente ao afirmar que há uma divergência jurisprudencial relativamente à questão da possibilidade de inovação nas razões de defesa. No presente caso, o Colegiado entendeu que restou materializada a preclusão consumativa quanto ao argumento formulado apenas em sede de Recurso Voluntário, no sentido de que os registros do estoque de ácido sulfúrico – insumo controlado pela Polícia Federal – evidenciariam que a produção de baterias seria incompatível com geração de receitas tidas por omitidas pela Autoridade Fiscal. Ocorre que, em memoriais, a Recorrente havia trazido aos autos Laudo Técnico contendo conclusão de que a quantidade de ácido sulfúrico adquirida nos anos de 2012 a 2015 de fato não permitiria a produção e venda de baterias além daquelas efetivamente contabilizadas. Quanto a esse ponto, no voto que conduziu a decisão recorrida, restou assentado que “a questão aqui não se resume, apenas, ao momento correto para a apresentação das provas nos autos”, mas principalmente quanto ao “momento para se trazer os argumentos necessários para desconstruir as ilações da fiscalização, ou seja, se houve ou não preclusão consumativa da discussão”. Depois de reproduzir o inciso III do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e de colacionar lição doutrinária do professor James Marins, o i. Relator concluiu que “não se mostra factível, neste momento processual, se inovar no argumento e trazer uma discussão nunca aventada no processo”, sendo “temerária essa medida, uma vez que vai de encontro com várias regras que regem o processo administrativo, dentre elas, por exemplo, a necessidade do duplo grau de julgamento”. Em síntese, no Acórdão recorrido concluiu-se que “não poderia, após a apresentação da sua Impugnação, a Recorrente trazer novos argumentos, que, de alguma forma, se prestariam a desconstituir o lançamento do crédito tributário”. Em seu apelo especial, a Recorrente alega que neste ponto o Acórdão recorrido diverge da decisão proferida no Processo nº 12448.726713/2016-01, julgado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento. Trata-se do Fl. 6977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 13 Acórdão nº 1401-003.039, cuja ementa segue abaixo reproduzida na parte pertinente à arguição de divergência: (...) Segundo a Recorrente, no Acórdão paradigma entendeu-se possível considerar argumentação levada aos autos apenas em sede de memoriais, pelo fato de representar a possibilidade de erro do lançamento. De fato, em análise ao interior teor do voto que conduziu a decisão paradigma, constata-se que a i. Relatora destacou que, “em sede de memoriais e realização de sustentação oral, a Recorrente chama a atenção para a necessidade de se enfrentar questão que vicia toda a autuação”, que até então não havia sido suscitada. Portanto, entendo que restou demonstrada a existência de divergência jurisprudencial quanto ao primeiro paradigma, haja vista que no Acórdão recorrido entendeu-se que, por força da preclusão consumativa, uma razão de defesa não apresentada na impugnação ao lançamento não poderia ser apreciada pelo órgão julgador de segunda instância; enquanto que no paradigma trazido pela Recorrente adotou-se entendimento diametralmente oposto diante de situação análoga, no sentido de que, excepcionalmente, deve ser conhecida razão de defesa formulada apenas em memoriais, quando se tratar de possibilidade de erro no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado. (...) Conclusão Encerrado este exame complementar de admissibilidade, proponho que seja dado seguimento parcial ao Recurso Especial em relação à matéria nº 2: admissão no processo de documento novo, mas unicamente quanto ao Acórdão paradigma nº 1401-003.039. Não houve agravo e nem oferecimento de contrarrazões ao Despacho de Admissibilidade complementar. É o relatório no que entendo essencial. VOTO Conselheiro Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Relator TEMPESTIVIDADE A tempestividade foi aferida quando do exame de Admissibilidade, tendo sido os recursos considerados tempestivos. Fl. 6978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 14 CONHECIMENTO RECURSO ESPECIAL DA PGFN No caso do primeiro Acórdão Paradigma (Processo nº 1301-002.749), este Conselheiro entende não haver similitude fático-jurídica. Nesse caso, não foi somente o fato da comprovação dos poderes das partes envolvidas. Tratou-se de um conjunto de transações complexas no âmbito da operação denominada “Operação Saqueador”, envolvendo o Sr. Carlos Ramos Cachoeira. Pela própria ementa do Acórdão Paradigma, pode-se concluir que o mesmo, em verdade, está em linha com o Acórdão Recorrido. Eis a ementa, com nossos grifos: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário.” No cotejamento entre as razões de decidir do Acórdão Recorrido e o primeiro Acórdão Paradigma, este Conselheiro chegou à mesma conclusão do arrazoado constante do voto da I. Conselheira Livia de Carli Germano, no Acórdão nº 9101-006.641, sessão de 11 de julho de 2023, de onde se extrai: “Quanto ao paradigma 1301-002.749, o despacho de admissibilidade observa que tal decisão “relativizou a necessidade de individualização de conduta, quando o responsável comprovadamente detenha poderes de administração da pessoa jurídica ao tempo dos fatos”. Analisando o julgado, não chego à mesma conclusão. Tal julgado analisou a responsabilização de sócias de direito administradoras, interpostas pessoas, de empresas que, segundo se apurou, eram administradas de fato pelo Sr. ADIR ASSAD, e foram investigadas no âmbito da chamada CPMI do Cachoeira e de operações da Polícia Federal. A ementa do julgado resume o entendimento manifestado no voto, de que “Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário.” A responsabilidade, no caso do paradigma 1301-002.749 foi mantida quanto ao administrador de fato, após se observar que este não necessariamente seria o administrador que constava dos documentos societários. Não houve relativização da necessidade de individualização da conduta para fins e apuração da Fl. 6979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 15 responsabilidade tributária -- pelo contrário, tanto houve que se responsabilizou quem efetivamente praticou os atos e não quem apenas constava nos documentos como tendo poderes de administração. No mesmo sentido, analisando este paradigma, a Conselheira Edeli Pereira Bessa conclui no acórdão 9101-005.751 (grifamos): Assim, têm razão os responsáveis quando apontaram nos autos do processo administrativo nº 10530.723584/2013-83 a existência de dessemelhança entre referido paradigma e o acórdão lá recorrido, que adota os mesmos fundamentos daquele exarado nestes autos, porque a manutenção da imputação de responsabilidade em face de demonstração de “efetiva gestão”, precedida de acusação em face da figura de uma única administradora, imputando-lhe as ações que resultaram na fraude constatada, não apresenta similitude fática com o recorrido, cuja acusação foi classificada como carente de descrição das condutas individuais, trazendo apenas a responsabilidade em razão de os imputados responsáveis serem diretores da contribuinte que praticou a conduta fraudulenta. Especial nota cabe aos esclarecedores apontamentos da I. Conselheira Edeli Pereira Bessa (em Declaração de Voto), cujos trechos a seguir muito bem podem ser reproduzidos para o presente caso: “ Os casos ali comparados, porém, não traziam dúvidas quanto à atuação dos imputados na administração das sociedades. Enquanto, de um lado, compreendeu-se que a atuação dos diretores deveria ter sido individualizada, não podendo a responsabilidade ser calcada na suposta tolerância ou omissão dos diretos às ações que levaram a empresa a infringir a legislação tributária, de outro invocou-se as reiteradas manifestações do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que mostra-se suficiente para tal individualização de conduta a comprovação de que o acusado detinha poderes de administração da pessoa jurídica. Daí o voto divergente desta Conselheira quanto à caracterização do dissídio jurisprudencial no referido precedente: se o recorrido não está calcado em circunstâncias específicas acerca da atuação dos imputados, e o debate se estabelece, apenas, quanto à necessidade de individualização das condutas dos administradores de pessoa jurídica contra a qual subsiste imputação de infração penal dolosa, a distinção entre as infrações imputadas mostra-se irrelevante. (...) Com respeito ao paradigma nº 1301-002.749, importa registrar que ele já foi revisitado por este Colegiado em razão de recursos especiais apreciados no Acórdão nº 9101- 006.116. No âmbito da responsabilidade tributária a pessoas físicas somente foi rediscutida a imputação feita a Soiany Coelho e Sibely Coelho, subsistindo a responsabilização de Adir Assad e Sônia Mariza Branco. No voto declarado no Acórdão nº 9101-006.116, esta Conselheira assim sintetizou os fundamentos para manutenção da responsabilização de todos os acusados no paradigma nº 1301-002.749: Fl. 6980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 16 (...) O voto condutor do paradigma, portanto, foi influenciado pela interposição de pessoas no quadro social que atuaram como efetivos administradores das pessoas jurídicas integrantes do “Grupo Rock Star”, em nome de Adir Assad, todos referidos em diversas operações policiais (“Operação Saqueador”, “Operação Monte Carlo” e “Operação Vegas”, além da “Operação Lava Jato”). Neste contexto, impõe-se a sua rejeição para caracterização do dissídio jurisprudencial porque, também aqui, a conduta dos responsáveis foi referida com características específicas que, com mais razão, não permitem isolar o entendimento do outro Colegiado do CARF sob a premissa de que a responsabilidade tributária do administrador se impõe na hipótese em que resta comprovado o intuito doloso (sonegação), dado que tal gravame foi afirmado mesmo sobre o crédito tributário cuja qualificação da penalidade foi afastada, a evidenciar que a interposição de pessoas e a atuação destas foi determinante para a decisão ora invocada pela PGFN.” Breve nota cabe apenas para lembrar que o Acórdão Paradigma nº 1301-002.749 foi reformado pelo Acórdão nº 9101-006.116, da 1ª Turma do CSRF, em sessão de 13 de maio de 2022, posterior à interposição do Recurso Especial da Fazenda. Assim restou ementado no que é pertinente ao presente feito: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIAS ADMINISTRADORAS. LARANJAS. IMPOSSIBILIDADE. Não se verifica adequada a inclusão de responsáveis no polo passivo da obrigação tributária quando não comprovados nem a prática de atos de administração ou gestão da empresa por parte de tais pessoas, nem o auferimento de qualquer benefício econômico na situação que constitua o fato gerador. Ausência dos pressupostos para a aplicação, respectivamente, dos artigos 135, III e 124, I, do CTN. E, quanto à decisão, temos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas em relação às matérias “multa qualificada” e “decadência”, nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, conhecer da matéria “multa qualificada”, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo não conhecimento; votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Andréa Duek Simantob; (ii) por voto de qualidade, conhecer da matéria “decadência”, vencidos os conselheiros Livia De Carli Germano (relatora), Luis Henrique Marotti Toselli, Alexandre Evaristo Pinto e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram pelo não conhecimento; (iii) por maioria de votos, não conhecer da matéria “multa agravada”, vencidos os conselheiros Livia De Carli Fl. 6981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 17 Germano (relatora), Alexandre Evaristo Pinto e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram pelo conhecimento; (iv) no mérito, em na parte conhecida, por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, negou-se provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Livia De Carli Germano (relatora), Alexandre Evaristo Pinto, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob que votaram por dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões do voto vencedor, cada um por fundamentos distintos, os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Gustavo Guimarães da Fonseca. Em relação ao Recurso Especial dos Coobrigados, acordam em: (a) por unanimidade de votos, conhecer dos recursos de Soiany Coelho e Sibely Coelho e não conhecer do recurso de Sônia Mariza Branco; (b) por maioria de votos, dar provimento aos recursos de Soiany Coelho e Sibely Coelho para excluí-las do polo passivo da obrigação tributária, vencidos os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Andréa Duek Simantob que votaram por negar-lhes provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa e Luis Henrique Marotti Toselli, e, por fundamentos distintos, o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Edeli Pereira Bessa, que manifestou ainda intenção de apresentar declaração de voto. Quanto ao Acórdão Paradigma nº 1302-000.458 (Caso Embalo Embalagens), sessão de 26 de janeiro 2011, o caso ali analisado era de falta completa de escrituração, apresentação de DCTF, DIPJ, não atendimento aos pedidos da fiscalização e as provas coletadas foram consideradas suficientes para atribuir a responsabilidade. Vejamos passagem do voto vencedor: Alega a recorrente que o sócio gerente não pode ser responsabilizado pelos tributos devidos pela empresa em caso de simples inadimplência, argumento com o qual concordo, em consonância com a jurisprudência dominante neste colegiado e também junto ao Poder Judiciário. No entanto, não é esse o caso dos autos. No presente caso, diante de uma receita de R$51.156.366,01 (apurada a partir do livros do ICMS), a recorrente não pagou nenhum centavo de tributos federais, não apresentou DIPJ e não reconheceu seus débitos pela apresentação de DCTF´s, além do fato de não registrar esses fatos na contabilidade. Não se trata de responsabilizar o sócio pela inadimplência da empresa, mas sim, por desrespeito à Lei (comercial, civil e tributária) e ao contrato social. Sobre a matéria manifestou-se a DRJ: A princípio, cabe esclarecer que a pessoa jurídica fiscalizada constitui-se numa sociedade limitada, com Capital Social de R$62.000,00, no qual as 62.000 quotas encontram-se distribuídas entre os sócios Gibrail Elias Mikhail Hanna, detentor de 61.380 quotas, e Kátia Arantes Romano Hanna, detentora de 620 quotas. Fl. 6982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 18 Por sua vez, o inciso VII da Consolidação Contratual da Embalo Embalagens Lógicas LTDA, fls. 184, discorre sobre o administrador da sociedade: “VII – A administração da sociedade é exercida somente pelo sócio GIBRAIL ELIAS MIKHAIL HANNA, ao qual se incumbe de todas as operações sociais, visando sempre um bom andamento dos negócios da empresa e representando a sociedade judicial e extrajudicialmente, de forma passiva e ativa, ficando-lhe autorizado o uso da empresa em negócios de seus interesses, como: endossos, avais, fianças, abonos ou qualquer outro fim gratuito por sua natureza, respondendo perante a sociedade e a terceiros, pelo excesso de mandato e pela violação da lei.” Resta demonstrado, portanto, que o sr. Gibrail Elias Mikhail Hanna detém poderes de administração sobre a pessoa jurídica. Tal constatação é fundamental, uma vez que o inciso III do art. 135 do CTN trata da responsabilidade dos administradores das pessoas jurídicas, ou seja, o fundamento da responsabilização repousa sobre as pessoas que detêm poderes de gerência, e não sobre aqueles que somente sejam sócios. Assim, o responsável pode ser tanto de um “sóciogerente”, quanto de um diretor contratado. Entretanto, a plena subsunção ao comando do art. 135 do CTN demanda constatar se as obrigações tributárias, cujo surgimento ensejaram o lançamento e originaram o crédito tributário, foram resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Ainda, cabe verificar se a conduta do agente foi dolosa, consubstanciando-se o elemento subjetivo, no qual a responsabilidade nasce apenas se o administrador agir intencionalmente, mesmo ele sabendo que o ordenamento jurídico proíbe tal comportamento. Dentre as obrigações previstas a que os empresários estão sujeitos, em termos gerais, incluem-se a de manter escrituração regular de seus negócios e a de levantar demonstrações contábeis periódicas. O dever de manter a escrituração dos negócios de que participam encontra-se previsto no art. 1179, caput, do novel Código Civil: “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.” Contudo, observese que o descumprimento de obrigação de escrituração marcou apenas o início de uma série de ações, promovidas pelo administrador, visando ocultar as receitas auferidas pela sociedade empresária. Não por acaso, optou por não enviar as declarações a que se encontram sujeitas as pessoas jurídicas sob o seu regime de tributação, DIPJ e DCTF. Fl. 6983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 19 Por conseqüência, não apurou nem efetuou o recolhimento dos tributos devidos. Observe-se que o caso concreto não trata de uma mera falta de pagamento de tributos. Constitui-se em uma série de atos tomados pelo administrador, desde a não manutenção de escrituração completa até o não envio de declarações das quais as pessoas jurídicas encontram-se obrigadas. Fosse a situação apenas o inadimplemento do recolhimento dos impostos e contribuições por notória incapacidade financeira da pessoa jurídica, a responsabilidade subsistiria apenas sobre a empresa. Contudo, verifica-se uma série de condutas, ordenadas e planejadas, com o claro intuito de ocultar as receitas auferidas, para não oferecê-las à tributação. A conduta dolosa do administrador encontra-se claramente caracterizada. Observe-se que o contrato social da contribuinte atribui, ao administrador, a incumbência de “todas as operações sociais, visando sempre um bom andamento dos negócios da empresa (...) respondendo perante a sociedade e a terceiros, pelo excesso de mandato e pela violação da lei.” Ou seja, não apenas a legislação fiscal e comercial, mas também o contrato social da contribuinte foi descumprido, tendo em vista que o administrador não cumpriu com suas obrigações, agindo em nítida discordância com o estatuto da empresa. Como visar pelo bom andamento dos negócios da empresa, conforme previsão expressa do estatuto da sociedade empresária, desobedecendo-se, sumariamente, a legislação vigente? Fica evidente que o sócio gerente, de forma consciente, pois não pode admitir que o sócio, diante de uma receita de mais de R$ 50 milhões, sem escrituração contábil, sem apresentação de DIPJ e, em especial sem o pagamento ou confissão de qualquer tributo federal, possa alegar que desconhecia tais situações e que não houve o elemento subjetivo da vontade consciente da prática de tais atos. Entendo que as provas trazidas pela fiscalização demonstram, de forma evidente e inquestionável, que o sócio gerente teve conhecimento e poder de decisão sobre os fatos acima descritos, violando, conscientemente, a lei comercial (falta de escrituração), a lei fiscal (omissão de receitas e falta de pagamento) e o contrato social. Quanto ao Acórdão Recorrido, na parte que afastou a responsabilidade solidária e que ora se recorre, temos: 4.1) DA ATRIBUIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES COM BASE NO ARTIGO 124, INCISO I DO CTN. No que tange à imputação de responsabilidade tributária com base no artigo 124, inciso I do CTN, este julgador tem uma visão mais restrita para a aplicação do dispositivo em comento, que tem a seguinte redação: Fl. 6984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 20 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; A leitura deste dispositivo leva o intérprete à conclusão de que o "interesse comum" está atrelado ao fato gerador da obrigação tributária. Assim, para ser responsável solidária pelos créditos tributários, a pessoa (seja ela física ou jurídica) tem que ter tido participação no fato que constitui a hipótese de incidência tributária. Ou seja, a expressão "interesse comum" se dirige às pessoas que, de alguma forma, participaram do fato (critério material) descrito no antecedente da regra matriz. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento fixado neste sentido, como se observa do julgado, cuja ementa segue citada abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). 2. "Para se concluir sobre a alegada solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento para fins de tributação do ISS, seria necessária a reapreciação do contexto fático-probatório, providência inadmissível em sede de recurso especial, consoante a Súmula 7/STJ" (AgRg no AREsp 94.238/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 16/10/2012). No mesmo sentido: AgRg no Ag 1.415.293/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/09/2012. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) (destacou-se) Assim, na imputação de responsabilidade com base no artigo 124, inciso I do CTN, é dever do agente que promove a autuação comprovar que os eventuais responsáveis, de alguma forma, tenham "interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal". Fl. 6985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 21 No presente caso, com relação às pessoas físicas elencadas como responsáveis, data venia, a fiscalização não trouxe aos autos, tampouco comprovou, qual seria o “interesse comum” a ensejar aquelas responsabilizações. (grifos nossos) Assim, de acordo com as premissas acima colocadas, no que tange ao artigo 124, inciso I do CTN, deve ser afastada a responsabilidade dos sócios da Recorrente. (...) 4.1) DA ATRIBUIÇÃO DAS RESPONSABILIDADES COM BASE NO ARTIGO 135, INCISO III DO CTN. (...) Como mencionado acima, este julgador tem convicção de que, quando o dispositivo legal fala em responsabilidade "pessoal" do agente, uma vez identificadas alguma das condutas elencadas no citado dispositivo, a responsabilidade pelo pagamento do tributo passa a ser apenas daquele agente, excluindo-se a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte, que, em última análise, é lesada pela conduta dolosa de quem a representa. Assim, não estaria correto em se falar em responsabilidade solidária, nem subsidiária e, sim, em responsabilidade pessoal, como a interpretação, não só literal, mas sistemática do ordenamento jurídico impõe. Independentemente dessa posição, que, diga-se, não prevalece nas decisões do Poder Judiciário e no âmbito do CARF (Súmula nº 130), no presente caso, entende-se que a fiscalização não conseguiu provar quais as condutas praticadas pela maioria sócios, que pudessem autorizar a responsabilização destes pelo pagamento dos créditos tributários. Explica-se. Quando se analisa o Termo de Verificação Fiscal e, especialmente o Relatório Fiscal, que foram, a princípio, suficientemente explorados no presente voto, o que se pode perceber é que as únicas condutas ilícitas, individualizadas e caracterizadas pela fiscalização, foram com relação aos sócios José Carlos Caminha, José Ricardo Miranda e Dalilo Bilches Medinas. (grifamos) De fato, com relação ao sócio José Carlos Caminha, a fiscalização demonstrou que as planilhas com os controles paralelos da contabilidade estavam em seu poder, além de ter transcritos diversas interceptações telefônicas, em que ficaram caracterizadas as condutas ilícitas praticadas pessoalmente por ele, com o fim de ocultar o nascimento da obrigação tributária. Não se pode perder de vista, inclusive, que naquelas escutas telefônicas ele era apontado pelos funcionários como a pessoa que dava o direcionamento de como a contabilidade deveria ser mascarada. Veja-se, neste sentido, o que constou do Relatório Fiscal: Fl. 6986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 22 A interceptação da conversa telefônica entre os contadores das duas indústrias, Anderson (SP) e Vagno (MG), demonstra bem tal situação, na qual os balanços de ambas eram “maquiados”, de acordo com as ordens do “TIO”, que, conforme informação da Polícia Federal, parece ser o sócio José Carlos Caminha: Já com relação ao sócio José Ricardo Miranda, a fiscalização demonstrou as condutas por ele praticadas, em especial, quando restou afirmado por um dos denunciantes, exfuncionário das entidades, para que ele abrisse, em seu nome, um dos depósitos de distribuição. Este fato ficou bem demonstrado pelo acórdão recorrido. Veja-se: O sócio administrador José Ricardo Miranda teria solicitado ao exfuncionário da Tudor MG, Antonio Francisco Xavier Filho, então chefe do Setor Financeiro, que "emprestasse" seu nome para constituição do depósito controlado Tudor Capital, conforme confissão deste último no termo de reinquirição nos autos do IPL, onde referido ex-funcionário Por fim, no que tange ao sócio Dalilo Bilches Medinas, a fiscalização demonstrou que este sócio que dava orientações e comandava dos depósitos de distribuição. Mais uma vez se vale do que restou demonstrado no acórdão da Turma Julgadora a quo. Confira-se: O sócio administrador Dalilo Bilches Medinas, por sua vez, conforme demonstrado acima, de acordo com as receptações autorizadas, teria determinado às empresas vinculadas ao Grupo Tudor orientações gerenciais de subordinação visando coibir inconsistências nas informações a serem prestadas à RFB pelos respectivos gerentes (sócios), a fim de não gerar reflexos indesejados nos depósitos controlados. Assim, entende-se que, com relação aos sócios José Carlos Caminha, José Ricardo Miranda e Dalilo Bilches Medinas houve a devida motivação no lançamento para imputação da responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. Contudo, com relação aos demais sócios, com toda venia, a fiscalização, no trabalho minucioso que fez, deixou de apontar as condutas por eles praticadas, o que torna imperioso o afastamento da responsabilidade tributária com base no já mencionado artigo 135, inciso III do CTN. Há de se ressaltar que não se concorda com o acórdão recorrido, quando afirma que a responsabilidade dos demais sócios estaria suficientemente caracterizada, uma vez que alguns deles “constam da ficha cadastral” da conta junto ao Bradesco, “mantida à margem de escrituração”. É que entende-se que o fato de constar na ficha cadastral é bem diferente de movimentar a conta. Neste caso, deveria, a fiscalização, ter apontado em que medida os demais sócios contribuíram com a prática dos ilícitos apurados. Contudo, isso não consta do trabalho da fiscalização ora em análise Fl. 6987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 23 Portanto, como se pode observar, foi da análise criteriosa das provas trazidas aos autos que o Colegiado do Acórdão Recorrido chegou à conclusão pelo afastamento ou manutenção das responsabilidades de cada agente, não se podendo afirmar que o Acórdão Paradigma em face da mesma situação pudesse resultar em uma decisão diferente. Com efeito, oriento meu voto para NÃO CONHECER do Recurso Especial da PGFN. RECURSO ESPECIAL DA TUDOR Esclareça-se, ab initio, o entendimento deste Conselheiro sobre a decisão judicial em sede de Mandado de Segurança tratado no Relatório. Entendo que este feito deve ter seu seguimento de acordo com os mesmos termos do despacho de admissibilidade do PAF nº 10825.721567/2017-20, pois a única forma de interferência direta nestes autos e oriunda daquele julgamento (conforme alegado no MS) só existe em razão das matérias que foram lá admitidas. Não há na decisão do Mandado de Segurança a ampliação do julgamento a se alcançar todas as matérias manejadas pela Impetrante no presente feito. Vejamos passagem do voto do Mandado de Segurança: Assim, por certo que a pendência de julgamento no PA 10825.721567/2017- 20 interfere no Processo Administrativo n.º 10825.721565/2017-31, atraindo a incidência do art. 151, III, do CTN para este último processo. Esse entendimento também pode ser corroborado pelas seguintes passagens constantes da inicial do “writ”: (...) Desta forma houveram decisões conflitantes sobre o mesmo fato, embasado sobre o mesmo Acórdão Paradigma, onde a principal e primeira acertada decisão (Empresa Ind. Tudor MG de Baterias no processo conexo nº 10825.721567/2017- 20), reconheceu a admissibilidade à matéria nº 2: possibilidade de inovação de argumento da defesa, tendo como paradigma o Acórdão nº 1401-003.039, devendo o mesmo racional ser aplicado ao caso do processo administrativo que ora é vítima do ato coator, tendo em vista a nítida conexão entre os processos; Pois com o julgamento pela CSRF do Recurso especial favorável ao contribuinte no processo nº 10825.721567/2017-20, o mesmo também será diretamente reflexo à situação da Impetrante, pois a análise das provas carreadas aos autos após a Impugnação, e aceita a admissibilidade para julgamento em Recurso Especial no processo conexo 10825.721567/2017-20, em especial o Laudo de consumo do ácido sulfúrico, para fabricação de baterias é inerente a ambos os contribuintes, atestando a capacidade de produção de ambas as empresas que utilizam a mesma matéria prima do citado laudo técnico. (grifos no original) (...) Fl. 6988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 24 Também encontra-se presente o risco de dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora), uma vez que, o julgamento fracionado de processos conexos pode gerar uma série de prejudicialidade à parte demandante, entre os quais as decisões contraditórias sobre o mesmo fato, e o que é pior, embasado sobre o mesmo Acórdão Paradigma, onde a principal e primeira acertada decisão (Empresa Ind. Tudor MG de Baterias no processo conexo nº 10825.721567/2017- 20), reconheceu a admissibilidade à matéria nº 2: possibilidade de inovação de argumento da defesa, tendo como paradigma o Acórdão nº 1401-003.039, devendo o mesmo racional ser aplicado ao caso do processo administrativo que ora é vítima do ato coator, podendo processos conexos e vinculados terem desfechos totalmente diferentes, sendo que, a decisão de um processo interfere diretamente até mesmo no fato gerador para quantificação do crédito tributário do outro processo. (...) VIII- CONCLUSÃO E PEDIDO Face ao todo arrazoado até aqui, possui a Impetrante direito líquido e certo a ver processado o recurso especial que interpôs no processo nº 10825.721565/2017- 31, a exemplo do que lhe foi assegurado pela mesma Primeira Sessão de Julgamento do CARF no processo conexo nº 10825.721567/2017-20, possuindo ambos processos o mesmo Acórdão Paradigma, prevenindo-se assim, decisões finais conflitantes. Afinal, sendo os dois recursos especiais processados e julgados pela mesma Câmara Superior de Recursos Fiscais, a solução dos conflitos será uma só, seja a favor da Impetrante – como se espera –, seja contra, mas, nos dois cenários, estará preservado um tratamento isonômico, exigência não só do princípio da igualdade mas, também, da segurança jurídica.” (grifos nossos) Como mencionado, no Despacho de Admissibilidade complementar no PAF nº 10825.721567/2017-20, houve seguimento do Recurso Especial apenas “quanto à matéria nº 2: admissão no processo de documento novo, unicamente quanto ao Acórdão paradigma nº 1401- 003.039”. No PAF nº 10825.721567/2017-20 este Conselheiro manifestou-se pelo não conhecimento da matéria em razão da inexistência de similitude fático-jurídica entre os Acórdãos comparados, cujas razões de decidir são abaixo reproduzidas: O Paradigma admitido pelo Despacho de Admissibilidade complementar foi o autuado sob o nº 1401-003.039, para a “matéria nº 2: admissão no processo de documento novo”, pois “no Acórdão recorrido entendeu-se que, por força da preclusão consumativa, uma razão de defesa não apresentada na impugnação ao lançamento não poderia ser apreciada pelo órgão julgador de segunda instância; enquanto que no paradigma trazido pela Recorrente adotou-se entendimento diametralmente oposto diante de situação análoga, no sentido de que, Fl. 6989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 25 excepcionalmente, deve ser conhecida razão de defesa formulada apenas em memoriais, quando se tratar de possibilidade de erro no lançamento que pode alterar a base do tributo lançado.” No caso do Acórdão Paradigma, um aspecto relevante que cabe destaque diz respeito à matéria da inovação. Vejamos (com grifos nossos): Erro de direito - Possibilidade de reconhecimento da isenção ampla do art. 12 da Lei nº. 2.613/55, independentemente de preenchimento de quaisquer requisitos. Em sede de memoriais e realização de sustentação oral, a Recorrente chama a atenção para a necessidade de se enfrentar questão que vicia toda a autuação, no que diz respeito a necessidade de se reconhecer a isenção ampla à autuada independentemente do preechimento de quaisquer requisitos. Isto porque, aponta que o SESC é um serviço social autônomo vinculado à promoção de atividades de interesse público, sendo o mesmo custeado pela arrecadação tributária através da contribuição social instituída no art. 3, §1º do DL nº. 9.853/1946, possuindo inúmeros privilégios próprios das pessoas jurídicas de direito público. Por tal razão, o patrimônio do SESC é equiparado por lei – plenamente vigente – ao patrimônio da própria União Federal - art. 12 e 13 da Lei nº. 2.613/55, e contemplado com ampla isenção fiscal: Art 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) Desta forma, verifica-se que a lei não condicionou às entidades do sistema ‘S’ ao cumprimento de determinados requisitos para o gozo da ampla isenção fiscal. O argumento da Recorrente encontra amparo em diversos julgados do STJ, que entendem pela irrelevância das entidades do Sistema S serem classificadas ou não como beneficentes de assistência social ou não, pois sua isenção decorre diretamente da lei (arts. 12 e 13 da Lei n. 2.613/55) e não daquela condição que se refere à imunidade constitucional (art. 195, §7º, da CF/88). O raciocínio também exclui a relevância de se verificar o cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009), notadamente, a existência de remuneração ou não de seus dirigentes (REsp 1430257 / CE, AgRg no REsp 1417601 / SE; REsp 1704826 / RS). Desta forma, descabe a atuação feita à Recorrente tendo por fundamento a exigência quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 55, da Lei n. 8.212/91 (agora dos arts. 1º, 2º, 18, 19, 29 da Lei n. 12.101/2009). Fl. 6990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 26 Neste seguir, por claro e objetivo, acolho o argumento quando à existência de erro de direito na acusação fiscal e julgo-a improcedente, dando provimento ao recurso voluntário. Neste caso, cabia à autoridade fiscal primeiro ter descaracterizado a Recorrente como entidade do sistema "S", em razão de eventual desvio de finalidade, caso constatadas provas suficientes neste sentido, análise que sequer foi realizada de forma exaustiva, sem leitura acurada dos documentos carreados na impugnação, como apontado pela Recorrente em seu Voluntário, de modo que em não tendo sido promovida esta descaracterização, não há como afastar a isenção estabelecida em lei específica. Ante o exposto, oriento meu voto para superar a alegação de nulidade, afastar a decadência e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário.” Já no Acordão Recorrido, temos (com grifos nossos): “No Recurso Voluntário, no tópico em que defende a nulidade do acórdão recorrido, por supostamente ter cerceado o seu direito de defesa, quando do indeferimento do pedido de realização de perícia ou diligência, a Recorrente sustenta ser “possível de forma prática analisar venda sem nota fiscal com a simples pesquisa do consumo de ácido sulfúrico por bateria em função de que esta matéria prima só pode ser adquirida com cadastro e controle do volume consumido mensal pela Polícia Federal, e não é possível adquirir sem documentação fiscal”. Posteriormente, no dia 25/09/2019, como já relatado acima, a Recorrente juntou aos autos 03 petições, às quais deu o nome de “memoriais”. Em uma delas (comprovante de juntada de fls. 4.567), a contribuinte apresentou laudo pericial por ela encomendado, que trata da questão do ácido sulfúrico (fls. 4.574 a 4.567). Nesta petição, a Recorrente defende, com base no que supostamente restou demonstrado no laudo pericial, que seriam irreais as ilações da fiscalização, em especial no que tange aos valores apurados como omissão de receita, uma vez que, na produção de baterias, o ácido sulfúrico é um insumo essencial e tem sua comercialização controlada pela Polícia Federal. Alega, assim, que não há respaldo na acusação fiscal, na medida em que todo o ácido sulfúrico “efetivamente adquirido e consumido pela empresa na produção de baterias”, estaria em consonância com as suas demonstrações contábeis, ou seja, a alegação da Recorrente é no sentido de que as vendas de baterias devidamente contabilizadas, juntamente com a aquisição e consumo daquele insumo (que é controlado pela PF), demonstrariam que não houve vendas à margem das demonstrações contábeis (omissão de receitas). De pronto, não se pode deixar de alertar que a Recorrente, quando da apresentação da Impugnação Administrativa não trouxe a presente discussão ao processo. Neste sentido, o acórdão recorrido não se posicionou sobre essa questão, uma vez que, reitere-se, não foi apresentada pelo contribuinte. Fl. 6991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 27 Já no Recurso Voluntário consta apenas um parágrafo – transcrito acima - em que a Recorrente, aduzindo pela nulidade do acórdão recorrido, alega que uma perícia ou diligência poderiam facilmente confirmar suas colocações. Assim, no dia 25/09/2019, sem qualquer justificativa pela extemporaneidade, a Recorrente trouxe aos autos petição e prova documental para análise deste colegiado. Pois bem. Como demonstrado alhures, o posicionamento pessoal deste relator é por uma efetividade máxima do Princípio da Verdade Material no âmbito do processo administrativo fiscal, o que impõe ao julgador buscar a realidade dos fatos efetivamente ocorridos, para que não haja a incidência de tributação fora dos contornos definidos pelo legislador. Contudo, sabe-se que este entendimento, em diversas ocasiões, não é acompanhado pelos demais integrantes da Turma de Julgadora, na composição até então vigente. Assim, por lealdade processual, se faz esse alerta, até mesmo para não induzir os demais julgadores a decidirem de forma contrária ao posicionamento por eles adotado em outros julgamentos. De toda forma, a questão aqui não se resume, apenas, ao momento correto para a apresentação das provas nos autos. A discussão é o momento para se trazer os argumentos necessários para desconstruir as ilações da fiscalização, ou seja, se houve ou não preclusão consumativa da discussão. É que, quando se analisa o artigo 16 do Decreto 70.235/72, pode-se perceber que o inciso III do dispositivo legal deixa bem claro que, na Impugnação, o contribuinte deverá apresentar os “motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Veja-se: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 6992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 28 § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O professor James Marins assim se pronuncia acerca da preclusão consumativa: “A preclusão consumativa dá-se quando o ato processual já foi praticado e impede a repetição ou complementação do expediente processual. Assim, uma mesma impugnação fiscal não pode ser deduzida duas vezes nem tampouco pode ser formulada e posteriormente complementada (mesmo que dentro do prazo fixado em lei), pois a formulação inicial exaure, isto é, consuma em definitivo a prática do ato." (MARINS, Marins. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 11ª ed. revista e atualizada. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2018. Pág. 275) (destacou-se) Fl. 6993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 29 No presente caso, pela análise dos autos, fica fácil perceber que a discussão em comento só foi trazida pela Recorrente, após a apresentação do Recurso Voluntário, oportunidade em que a contribuinte trouxe suas razões para demostrar a fragilidade da imputação de omissão de receitas, bem como acostou aos autos prova documental para corroborar os seus argumentos. De fato, pela literalidade do dispositivo acima, não se mostra factível, neste momento processual, se inovar no argumento e trazer uma discussão nunca aventada no processo. É temerária essa medida, uma vez que vai de encontro com várias regras que regem o processo administrativo, dentre elas, por exemplo, a necessidade do duplo grau de julgamento. Lembre-se que, como alertado acima, a DRJ não se pronunciou sobre esse argumento, porque não foi desenvolvido na Impugnação Administrativa apresentada. Esse colegiado já se posicionou sobre a impossibilidade de se trazer novos argumentos em sede de Recurso Voluntário. Veja-se: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO TRAZIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Não devem ser conhecidas matérias não aduzidas na defesa inicial em razão da preclusão consumativa. (...) (Acórdão nº 1302-003.887 – Julgamento em 15/08/2019) Assim, entende-se que não poderia, após a apresentação da sua Impugnação, a Recorrente trazer novos argumentos, que, de alguma forma, se prestariam a desconstituir o lançamento do crédito tributário. Desta feita, REJEITA-SE o argumento apresentado pelo Recorrente” O que tem em comum em ambos os Acórdãos é o fato das questões em julgamento terem sido trazidas em memoriais e em momento posterior à impugnação. Contudo, para a constituição do dissenso jurisprudencial neste caso, o aspecto importante a se ter em conta é o objeto subjacente. Nesse sentido, o Acórdão Recorrido entendeu haver uma inovação no argumento de defesa, a partir da apresentação do documento (laudo) após o oferecimento do Recurso Voluntário. No caso tratado pelo Acórdão Paradigma, a hipótese é diversa. Trata-se de alegação de erro de direito na acusação fiscal - erro na aplicação efetiva do comando legal. Em outras palavras, a autuação estava eivada de vício insanável em razão de equívoco na valoração jurídica dos fatos e status (qualificação de entidade isenta) do contribuinte. O que os memoriais no caso do Acórdão Paradigma produziram, ao meu sentir, foi o equivalente (guardadas as proporções e o caso em concreto, por óbvio) aquilo que observamos Fl. 6994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 30 nos procedimentos regimentais de órgãos judicantes conhecido como “Pela Ordem”2. Portanto, no caso do Acórdão Paradigma, ao meu sentir, não se trata de matéria relativa ao art. 16, do Decreto nº 70.235/72, esta sim, tratada no Acórdão Recorrido. Assim, oriento meu voto para NÃO CONHECER do Recurso Especial do Sujeito Passivo e do Responsável Solidário. CONCLUSÃO Diante de todo exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial da PGFN, e NÃO CONHEÇO do Recurso Especial da Contribuinte. Assinado Digitalmente Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa O procedimento fiscal em referência tem origem em denúncia que assim resumiu o esquema: "É feito uma venda por algum vendedor ou funcionário e é gerado um pedido, onde é passado para a expedição fazer o carregamento. Como a maior parte das vendas eram feitas sem notas e notas frias, havia um sistema de caixa dois, onde era lançado os valores reais". A investigação promovida constatou existência de "Centros de Distribuição" e "Revendedores Autorizados" formalizados com nomes "emprestados" de terceiras pessoas naturais, especialmente funcionários e/ou ex-funcionários das indústrias. Como sintetizado na decisão de 1ª instância, constatou-se que as indústrias, controlando os depósitos, decidiam "o quanto" era "vendido" para eles, com ou sem Notas Fiscais, com reflexos evidentes na tributação federal. Além de provas documentais desta gestão, também foram coletadas provas por interceptação telefônica e de mensagens eletrônicas, bem como apurada movimentação paralela de recursos, em substrato probatório que resultou na declaração de imprestabilidade da escrituração e consequente arbitramento dos lucros sobre as receitas correspondentes às empresas “Tudor MG” e “Tudor SP”, considerando também o inter-relacionamento delas. 2 Instituto este presente, inclusive no art. 7º, inciso X, da Lei nº 8.906/94: “Art. 7º São direitos do advogado: (...) X - usar da palavra, pela ordem, em qualquer tribunal judicial ou administrativo, órgão de deliberação coletiva da administração pública ou comissão parlamentar de inquérito, mediante intervenção pontual e sumária, para esclarecer equívoco ou dúvida surgida em relação a fatos, a documentos ou a afirmações que influam na decisão” Fl. 6995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 31 Diante das evidências de um grupo econômico de fato, estando ambas as empresas sob subordinação dos mesmos sócios administradores (José Carlos Caminha, Péricles José Ramos Mendes, Milton José Tessari, Cezar Augusto Pereira Machado, Dalilo Bilches Medinas, Itamar Crivelli, José Ricardo de Miranda, Sérgio Luis Fioravante e Edson David Marques da Silva), foram estes responsabilizados com fundamento nos arts. 124, inciso I e 135, inciso III do CTN. As pessoas jurídicas foram indicadas como responsáveis solidárias entre si, com fundamento no art. 124, inciso I do CTN e no art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91. A exigência foi integralmente mantida em 1ª instância. O Colegiado a quo decidiu no Acórdão nº 1302-004.096 afastar a responsabilidade tributária de Milton José Tessari, Itamar Crivelli, Péricles José Ramos Mendes, Sérgio Luis Fioravante, Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado, e manter a responsabilidade tributária de José Ricardo de Miranda, Dalilo Bilches Medinas e José Carlos Caminha com fundamento, apenas, no artigo 135, inciso III do CTN. O recurso especial da PGFN teve seguimento quanto à exigência de individualização das condutas de Milton José Tessari, Itamar Crivelli, Péricles José Ramos Mendes, Sérgio Luis Fioravante, Edson David Marques da Silva e Cezar Augusto Pereira Machado, admitindo-se os paradigmas nº 1301-002.749 e 1302-00.458, segundo os quais basta para tal individualização a comprovação de que o acusado detinha poderes de administração da pessoa jurídica e que a demonstração de fraude é suficiente para a responsabilidade tributária de tais administradores. Cezar Augusto Pereira Machado contestou apenas o mérito e Milton José Tessari, Sérgio Luis Fioravante, Itamar Crivelli, Péricles José Ramos Mendes e Edson David Marques da Silva também questionaram o conhecimento do recurso especial por ausência de similitude fática e por contrariar julgamento repetitivo do Superior Tribunal de Justiça (Ag no Agravo de Instrumento nº nº 1.359.231/SC). Houve embargos da Contribuinte apontando contradição por erro de fato quanto à qualificação indevida do Sr. Antonio Francisco Xavier Filho como denunciante, omissão quanto às contas bancárias da Tudor MG, contradição quanto à admissão de laudos juntados depois da impugnação e omissão quanto a efeitos do laudo, bem como acerca de indeferimento de diligência, além de confusão na aplicação dos regimes das contribuições sobre o faturamento e omissão quanto a desconsideração da apuração de alguns períodos e quanto ao cálculo do IPI. Também opôs embargos Dalilo Bilches Medinas e restaram ambos rejeitados em exame de admissibilidade. Posteriormente também opuseram embargos de declaração José Ricardo Miranda e José Carlos Caminha, sendo acolhidos os embargos de José Ricardo Miranda no ponto em que apontou lapso manifesto. No Acórdão nº 1302-006.228, os embargos foram rejeitados no mérito por não se identificar erro manifesto quanto a indicação dos fatos ilícitos apontados na acusação fiscal. Os recursos especiais da Contribuinte e da responsável Indústria Tudor SP de Baterias Ltda, bem como dos responsáveis tributários José Ricardo de Miranda, Dalilo Fl. 6996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 32 Bilches Medinas e José Carlos Caminha não tiveram seguimento. A Contribuinte requereu o julgamento conjunto, por conexão, destes autos com o processo administrativo nº 10825.721567/2017-20, e posteriormente impetrou o Mandado de Segurança nº 1020945- 68.2024.4.01.3400, na qual descreve, como ato coator: O que de fato pode-se notar é que houve, para os mesmos fatos, mesmas argumentações, mesmo acórdão paradigma apresentado e discorrido em RESP, mesmas provas apresentadas, tudo isso decorrente da mesma fiscalização e procedimento fiscal, entendimentos diversos sobre a admissibilidade recursal , a qual é inadmissível ocorrer, pois um processo administrativo está totalmente vinculado ao outro, por se tratarem dos mesmos fatos. Afirma a existência de conexão própria e a necessidade de julgamento conjunto das causas. Opina que foi acertado o reconhecimento da divergência jurisprudencial quanto à “possibilidade de inovação das razões de defesa em memoriais”, e defende que deve o mesmo racional ser aplicado ao caso do processo administrativo que ora é vítima do ato coator, complementando: [...] Pois com o julgamento pela CSRF do Recurso especial favorável ao contribuinte no processo nº 10825.721567/2017-20, o mesmo também será diretamente reflexo à situação da Impetrante, pois a análise das provas carreadas aos autos após a Impugnação, e aceita a admissibilidade para julgamento em Recurso Especial no processo conexo 10825.721567/2017-20, em especial o Laudo de consumo do ácido sulfúrico, para fabricação de baterias é inerente a ambos os contribuintes, atestando a capacidade de produção de ambas as empresas que utilizam a mesma matéria prima do citado laudo técnico. Embora invocando caso similar no qual a liminar, confirmada em sentença, determinou o seguimento do recurso especial porque a divergência jurisprudencial restara demonstrada em processo administrativo conexo, a Contribuinte concluiu em sua petição inicial do mandado de segurança que: Dessa forma Excelência, resta demonstrado o ato coator praticado, bem como o entendimento jurisprudencial uníssono sobre a necessidade de concessão de decisão liminar inaudita altera pars, para que seja determinado que o processo administrativo conexo e reflexo da Impetrante seja remetido ao CARF para o julgamento de seu recurso especial, em conjunto com o processo nº 10825.721567/2017-20, da empresa Ind. Tudor MG de Baterias LTDA, empresa essa do mesmo grupo econômico da Impetrante , pois os processos possuem os mesmos fatos, mesmo procedimento fiscal, mesmas partes, onde foram julgados desde a Delegacia de Julgamento de Primeiro Grau ambos em conjunto, por solidariedade recíproca. Outrossim, outra medida cabível seria a determinação da suspensão do trâmite processual e também do crédito tributário e sua inscrição em dívida ativa, pois a decisão que será tomada no processo nº 10825.721567/2017-20, será diretamente reflexa no processo da Impetrante, pois a quantidade de ácido sulfúrico adquirida por ambas empresas correspondem a fabricação de baterias em comum as mesmas empresas, podendo o resultado de Fl. 6997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 33 julgamento até mesmo resultar na anulação do lançamento fiscal, sendo essas medidas que se requerem desde já. [...] Por todo o exposto, demonstra-se imprescindível a concessão de medida liminar inaudita altera pars , para que cesse os efeitos do ato coator, nos termo do artigo 7º, III, da Lei 12.016/2009 sendo determinado à autoridade coatora que promova seguimento ao recurso especial interposto pela Impetrante, pela presença da conexão e reflexão amplamente demonstrada entre ambos os processos administrativos, sendo determinado o envio do processo administrativo n° 10825.721565/2017-31 para a CSRF, para o seu julgamento em conjunto e vinculado com o Recurso Especial que será julgado junto ao processo nº 10825.721567/2017-20. (destacou-se) Subsidiariamente foi requerida a suspensão do trâmite processual até o trânsito em julgado do processo administrativo nº 10825.721567/2017-20. O pedido definitivo foi no sentido de que fosse determinado que a autoridade coatora dê seguimento ao recurso especial interposto no processo administrativo fiscal nº 10825.721565/2017- 31, para que, saneada a sua admissibilidade, se dê ciência ao Procurador da Fazenda Nacional para oferecer contrarrazões ao Recurso Especial anteriormente interposto e se destina seu regular julgamento perante o CSRF. A liminar foi concedida nos seguintes termos: Numa análise perfunctória, própria desta fase de cognição sumária, vislumbro a presença de ambos os requisitos sobreditos. No presente caso, a parte impetrante almeja que se promova seguimento ao recurso especial interposto pela Impetrante, pela presença da conexão e reflexão amplamente demonstrada entre ambos os processos administrativos, sendo determinado o envio do processo administrativo n° 10825.721565/2017-31 para o CSRF, para o seu julgamento em conjunto e vinculado com o Recurso Especial que será julgado junto ao processo nº 10825.721567/2017-20. Compulsando os autos, tem-se que o julgamento do processo nº 1082.721567/2017-20 interferirá de forma direta nos autos do processo nº 10825.721565/2017-31. Portanto, entendo que restou caracterizada a hipótese de vinculação prevista no art. 6º, § 1º, inciso I, do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Assim, por certo que a pendência de julgamento no PA 10825.721567/2017-20 interfere no Processo Administrativo n.º 10825.721565/2017-31, atraindo a incidência do art. 151, III, do CTN para este último processo. Pelo exposto, DEFIRO a liminar pleiteada para determinar à autoridade coatora promova seguimento ao recurso especial interposto pela Impetrante, pela presença da conexão e reflexão amplamente demonstrada entre ambos os processos administrativos, sendo determinado o envio do processo Fl. 6998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 34 administrativo n° 10825.721565/2017-31 para o CSRF, para o seu julgamento em conjunto e vinculado com o Recurso Especial que será julgado junto ao processo nº 10825.721567/2017-20. Intime-se a autoridade impetrada, com urgência e via mandado, para ciência e cumprimento, ressaltando que o descumprimento da ordem importará em crime de desobediência, além de sanções administrativas e da aplicação da Lei n° 1.079, de 10 de abril de 1950, quando cabíveis (art. 26, Lei n° 12.016/2009), sem prejuízo de outras medidas determinadas com a finalidade de se alcançar o resultado prático da obrigação (art. 536, §1°, CPC), a exemplo da fixação de multa diária. Intimem-se, inclusive o órgão de representação judicial da pessoa jurídica interessada. Após, vista ao MPF. (destacou-se) Em contrarrazões, a PGFN contesta o conhecimento e o mérito da matéria admitida. Em 28/06/2024 a Contribuinte juntou aos autos parecer técnico-jurídico com vistas a ratificar todos os argumentos aduzidos em sua impugnação, recurso voluntário e recurso especial, motivo pelo qual aguarda seu provimento para que seja anulada a decisão recorrida, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para que se proceda a análise das provas carreadas aos autos, em especial o Laudo de consumo do ácido sulfúrico, matéria-prima básica e fundamental controlada pela Polícia Federal. Para além de afirmar a impossibilidade material do auferimento da receita bruta presumida pela Fiscalização em face das aquisições de ácido sulfúrico e dos cálculos de seu consumo na sua atividade de produção, referido parecer, preliminarmente, também questiona o procedimento que resultou no arbitramento dos lucros, bem como os critérios de aferição das receitas. O recurso especial da PGFN não merece ser conhecido. Para manter a responsabilidade tributária dos sócios administradores, o voto condutor do acórdão recorrido enuncia as constatações acerca da participação de José Carlos Caminha, José Ricardo Miranda e Dalilo Bilches, quanto a planilhas com os controles paralelos da contabilidade em poder do primeiro, solicitação de empréstimo do nome de um ex-funcionário para constituição de um dos depósitos do grupo pelo segundo, e orientações e comando dos depósitos de distribuição pelo terceiro. Já com respeito aos demais, o voto condutor do recorrido observa que não foram apontadas as condutas por eles praticadas e também rejeita o apontamento da autoridade julgadora de 1ª instância de que a responsabilidade dos demais sócios estaria suficientemente caracterizada, uma vez que alguns deles “constam da ficha cadastral” da conta junto ao Bradesco, “mantida à margem de escrituração”, por compreender que constar na ficha cadastral é bem diferente de movimentar a conta. Esta Conselheira, porém, já se manifestou acerca da rejeição do primeiro paradigma aqui admitido para caracterização de divergência jurisprudencial acerca da Fl. 6999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 35 desnecessidade de individualização da conduta dos administradores, vez que o outro Colegiado do CARF validou a aplicação do art. 135, III do CTN em contexto fático que trazia elementos adicionais aqui ausentes. Assim foi o voto declarado no Acórdão nº 9101-006.641, concordando com o entendimento dos demais membros deste Colegiado3: O recurso especial da PGFN teve seguimento em face dos dois paradigmas indicados – 1401-002.084 e 1301-002.749 – que exteriorizariam interpretação divergente da legislação tributária acerca da imputação de responsabilidade a administradores, na forma no art. 135, III do CTN. No recorrido, 1201-003.668, o Colegiado a quo, embora mantendo, por voto de qualidade, a responsabilidade imputada a Nelson Antonio Nave Maramaldo e a Nelson Cortonesi Maramaldo, decidiu por maioria, em afastar as responsabilidades solidárias de PAULO EDUARDO NAVE MARAMALDO, LUIZ FERNANDO NAVE MARAMALDO e ANA PAULA MARAMALDO CASSIANO. Vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Allan Marcel Warwar Teixeira (Relator) e Neudson Cavalcante Albuquerque. Com respeito a Nelson Antonio Nave Maramaldo (diretor gerente comercial) e a Nelson Cortonesi Maramaldo (presidente), prevaleceu o voto do relator (Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira), do qual destaca-se: [...] Do voto vencedor do Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior destaca-se a premissa de para fins de sujeição passiva solidária, não basta à autoridade fiscal provar a prática de atos ilícitos pela pessoa jurídica, é necessário provar a participação do responsável solidário na prática desses atos. Noutros termos, para a subsunção do fato ao artigo 135, III, do CTN é necessário provar que o administrador praticou, com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, atos que deram origem às obrigações tributárias então exigidas. E, diante da acusação fiscal pautada, apenas, na condição de administradores dos imputados, e na constatação de sonegação e fraude, observou que a fiscalizada somente informara os cargos exercidos pelos administradores da sociedade, nos seguintes termos da resposta apresentada: [...] A Contribuinte deixara, assim, de esclarecer quais administradores detinham poderes, de forma individual ou em conjunto, para: a) movimentar recursos financeiros e b) gerenciar a contabilidade da empresa. O voto vencedor, diante deste contexto, conclui que: [...] 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Luciano Bernart (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Fl. 7000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 36 A acusação fiscal foi de registro de despesas desnecessárias e sob comprovação inidônea, além da constatação de pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. As investigações, segundo relatado, tiveram em conta a participação da Contribuinte no consórcio liderado pela ENGEVIX, investigada na Lava Jato. Houve lançamento de IRPJ, CSLL e IRRF, sendo que na parte correspondente a despesas fraudulentas a penalidade foi qualificada. A autoridade julgadora de 1ª instância manteve integralmente as exigências e a imputação de responsabilidade, consignando quanto à qualificação da penalidade que restou caracterizada a simulação, pela seqüência de atos apenas formais, sem conteúdo econômico ou propósito negocial, com o intuito único de evitar o pagamento dos tributos devidos. A irresignação deduzida em recurso voluntário também foi afastada, concluindo-se evidenciada a fraude. [...] O paradigma nº 1301-002.749 foi rejeitado pela maioria deste Colegiado no Acórdão nº 9101-004.8354. A Conselheira Lívia De Carli Germano, redatora do voto vencedor, teve em conta a distinção entre os quadros fáticos dos acórdãos lá confrontados: [...] Os casos ali comparados, porém, não traziam dúvidas quanto à atuação dos imputados na administração das sociedades. Enquanto, de um lado, compreendeu-se que a atuação dos diretores deveria ter sido individualizada, não podendo a responsabilidade ser calcada na suposta tolerância ou omissão dos diretos às ações que levaram a empresa a infringir a legislação tributária, de outro invocou-se as reiteradas manifestações do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que mostra-se suficiente para tal individualização de conduta a comprovação de que o acusado detinha poderes de administração da pessoa jurídica. Daí o voto divergente desta Conselheira quanto à caracterização do dissídio jurisprudencial no referido precedente: se o recorrido não está calcado em circunstâncias específicas acerca da atuação dos imputados, e o debate se estabelece, apenas, quanto à necessidade de individualização das condutas dos administradores de pessoa jurídica contra a qual subsiste imputação de infração penal dolosa, a distinção entre as infrações imputadas mostra-se irrelevante. [...] Com respeito ao paradigma nº 1301-002.749, importa registrar que ele já foi revisitado por este Colegiado em razão de recursos especiais apreciados no Acórdão nº 9101-006.116. No âmbito da responsabilidade tributária a pessoas físicas somente foi rediscutida a imputação feita a Soiany Coelho e Sibely Coelho, 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Livia De Carli Germano, Edeli Pereira Bessa, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Viviane Vidal Wagner, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella, Andréa Duek Simantob (Presidente em Exercício), e divergiram no conhecimento as conselheiras Andréa Duek Simantob (relatora), Edeli Pereira Bessa e Viviane Vidal Wagner. Fl. 7001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 37 subsistindo a responsabilização de Adir Assad e Sônia Mariza Branco. No voto declarado no Acórdão nº 9101-006.116, esta Conselheira assim sintetizou os fundamentos para manutenção da responsabilização de todos os acusados no paradigma nº 1301-002.749: No mérito, o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto firmou como premissas para decisão da responsabilidade tributária: i) o fato de a pessoa jurídica encontrar-se em nome de interpostas pessoas justificam a responsabilização dos reais proprietários por força dos arts. 124, I e 135, III, do CTN; ii) que no presente caso a imputação se deu em relação aos sócios que constavam como efetivos administradores, ainda que não verdadeiramente sócios, e contra pessoas físicas proprietárias de fato da autuada, além de responsabilização a pessoas jurídicas que atuaram conjuntamente com a autuada ou prestaram-se a blindar patrimônio dos coobrigados; iii) fatos reunidos em operações policiais e processo judicial evidenciariam o controle de Adir Assad e Sônia Mariza Branco no “Grupo Rock Star”; e iv) a individualização de condutas para fins de qualificação da penalidade pode se dar mediante comprovação de que o acusado detinha poderes de administração da pessoa jurídica, o que também se aplica à apuração de responsabilidade tributária. Na sequência, foram adotados os fundamentos da decisão de 1ª instância para manter a imputação de responsabilidade tributária a todos os coobrigados [...] Importante atentar, ainda, que as exigências ali decorreram de arbitramento nos lucros tendo em conta receitas declaradas, receitas presumidamente omitidas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada e receitas de prestação de serviços não declaradas, sendo que a qualificação da penalidade foi mantida apenas em relação a esta segunda parcela, mas com a seguinte ressalva no afastamento da qualificação aplicada sobre as receitas presumidamente omitidas: Veja-se que o fato de a empresa estar em nome de terceiros em nada dificultou a seleção da pessoa jurídica para procedimento fiscal, ou seja, não impediu, dificultou ou retardou tanto o conhecimento da ocorrência do fato gerador por parte da autoridade fiscal (sonegação) quanto a própria ocorrência do fato gerador (fraude), uma vez que as contas bancárias a partir das quais se apurou a omissão de receita estavam em nome da própria pessoa jurídica autuada. Portanto, o fato de a fiscalização acusar o contribuinte de possuir interpostas pessoas, embora possa surtir efeitos no que atine à responsabilidade tributária de terceiros, em nada altera as características da ocorrência do fato gerador, este sim, elemento a ser levado em consideração para fins de dosimetria da penalidade a ser cominada. Neste mesmo sentido, já decidi que nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontra-se em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tenha Fl. 7002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 38 qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica. Assim, concluo que a fraude detectada tem a ver com a cobrança do crédito tributário, e não com sua constituição. Sob esta ótica, a apreciação da responsabilidade tributária no paradigma admitiu sua subsistência mesmo com o afastamento da multa qualificada, nos termos assim preambularmente expostos pelo relator: Conforme já me manifestei quando da análise da multa qualificada, nos lançamentos em que reste configurado que a pessoa jurídica autuada encontra-se em nome de interpostas pessoas, mas o fato gerador correspondente não tem qualquer correlação com tal interposição (por exemplo, depósitos bancários, sem comprovação de origem, nas próprias contas da pessoa jurídica autuada – art. 42 da Lei nº 9.430/96), não há incidência de multa qualificada, mas os reais proprietários de tal pessoa jurídica devem responder pelo crédito tributário correspondente, quer por força do art. 124, I, do CTN, quer pelo disposto no art. 135, III, do CTN quando demonstrados que administravam tal pessoa jurídica. [...] No caso concreto, há imputação de responsabilidade tributária tanto em relação aos sócios que constavam como efetivos administradores – e que, comprovadamente, se não eram sócios, ao menos administravam as operações levadas a efeito pela pessoa jurídica autuada – como por pessoas físicas que seriam as proprietárias de fato da autuada. Há ainda imputação de responsabilidade a empresas, da mesma titularidade dos sócios e/ou cobrigados em que se constatou atuação negocial conjunta ou ainda que teriam servido tão somente para tentar blindar o patrimônio dos sócios e coobrigados. O voto condutor do paradigma, portanto, foi influenciado pela interposição de pessoas no quadro social que atuaram como efetivos administradores das pessoas jurídicas integrantes do “Grupo Rock Star”, em nome de Adir Assad, todos referidos em diversas operações policiais (“Operação Saqueador”, “Operação Monte Carlo” e “Operação Vegas”, além da “Operação Lava Jato”). Neste contexto, impõe-se a sua rejeição para caracterização do dissídio jurisprudencial porque, também aqui, a conduta dos responsáveis foi referida com características específicas que, com mais razão, não permitem isolar o entendimento do outro Colegiado do CARF sob a premissa de que a Fl. 7003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 39 responsabilidade tributária do administrador se impõe na hipótese em que resta comprovado o intuito doloso (sonegação), dado que tal gravame foi afirmado mesmo sobre o crédito tributário cuja qualificação da penalidade foi afastada, a evidenciar que a interposição de pessoas e a atuação destas foi determinante para a decisão ora invocada pela PGFN. O presente caso, como visto, também decorreu de investigações no âmbito da “Operação Lava-Jato”, mas a imputação de responsabilidade foi feita aos administradores que exerciam as funções específicas de diretor gerente administrativo financeiro e diretora adjunta, bem como um dos diretores gerentes (comercial) acerca dos quais, distintamente do presidente e do outro diretor gerente comercial, a própria autoridade fiscal inquiriu sobre quais detinham poderes, de forma individual ou em conjunto, para: a) movimentar recursos financeiros e b) gerenciar a contabilidade da empresa, possivelmente em razão de a fraude ter se verificado na escrituração de despesas com base em documentação inidônea, e correlatos pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. Distintamente dos paradigmas, nos quais os poderes gerais de administração foram afirmados nas decisões, aqui constata-se que a divisão de funções no exercício da gerência da sociedade suscitou dúvidas à própria autoridade lançadora, em razão das infrações apuradas. Logo, a necessidade de individualização das condutas dos administradores excluídos do pólo passivo foi afirmada em um contexto fático específico, não sendo possível inferir se os Colegiados que proferiram os paradigmas também validariam a responsabilidade tributária aqui afastada. Em tais circunstâncias, o dissídio jurisprudencial não se estabelece. Por tais razões, esta Conselheira concorda com a I. Relatora em NEGAR CONHECIMENTO ao recurso especial da PGFN. O presente caso não evidencia dúvida semelhante à que havia no recorrido confrontado no precedente acima. Os sócios-administradores, aqui, foram arrolados sem distinção quanto às suas funções, e a decisão do recorrido está pautada na inexistência de prova da atuação de parte deles na investigação feita pela autoridade fiscal acerca das infrações cometidas pelo grupo empresarial. De toda a sorte, como acima demonstrado, o paradigma nº 1301-002.749, embora ressalve a desnecessidade de individualização da conduta dos administradores, mantém esta imputação com fundamento no art. 135, III do CTN mesmo em relação à parcela da exigência para a qual foi excluída a qualificação da penalidade por identificar interposição de pessoas no quadro social da autuada. Fl. 7004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 40 Com respeito ao paradigma nº 1302-00.458, esta Conselheira assim se manifestou no voto condutor5 do Acórdão nº 9101-006.322: Já com referência ao paradigma nº 1302-00.458, seu relato evidencia que a acusação fiscal teve em conta omissão de receitas escrituradas nos livros do ICMS da ordem de R$ 51.156.366,01, sem apresentação de DIPJ e DCTF no ano- calendário 2005, e sem qualquer recolhimento dos tributos sobre o lucro e o faturamento nos períodos, contexto do qual resultou o que mais assim relatado: A multa de ofício foi qualificada no percentual de 150%, uma vez que restou caracterizada a intenção dolosa na conduta da contribuinte, ao optar por prática reiterada e deliberada de não recolher nem declarar, em DIPJ/DCTF os tributos devidos. Por fim, de acordo com o contrato social, constatou a Fiscalização que a contribuinte tem como sócios o sr. Gibrail Elias Mikhail Hanna, CPF 026.984.041-91, detentor de 99% do capital social e Kátia Arantes Romano Hanna, CPF 290.330.121-20, com 1% do capital social. Por sua vez, na procuração pública de fls. 44, a contribuinte nomeou e constituiu como procuradores com amplos poderes para gerir os negócios da outorgante os srs. Nadim Gibrail Hanna, CPF 284.850.331-91 e Nabil Gibrail Hanna, CPF 307.302.871-49, tendo sido a procuração lavrada em 13/07/2005. Nesse sentido, decidiu a Fiscalização, com fulcro nos incisos II e III do art. 135 do CTN, lavrar Termos de Sujeição Passiva Solidária, fls. 37/39, em nomes dos responsáveis solidários pelo crédito tributário ora constituído, quais sejam, os srs. Gibrail Elias Mikhail Hanna, Nabil Gibrail Hanna e Nadim Gibrail Hanna, “tendo em vista que os mesmos, na gestão dos negócios da pessoa jurídica fiscalizada, na condição de sócio-gerente, diretores e/ou procuradores, infringiram a legislação tributária com o evidente intuito de furtar-se ao recolhimento dos tributos e contribuições federais devidos, conforme restou demonstrado”. Ausente contestação acerca dos motivos para qualificação da penalidade, o outro Colegiado do CARF apenas afastou a arguição de sua inconstitucionalidade e, quanto à responsabilização dos sócios, assim fundamentou sua manutenção: No presente caso, diante de uma receita de R$51.156.366,01 (apurada a partir do livros do ICMS), a recorrente não pagou nenhum centavo de tributos federais, não apresentou DIPJ e não reconheceu seus débitos pela apresentação de DCTF´s, além do fato de não registrar esses fatos na contabilidade. 5 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). Fl. 7005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 41 Não se trata de responsabilizar o sócio pela inadimplência da empresa, mas sim, por desrespeito à Lei (comercial, civil e tributária) e ao contrato social. Sobre a matéria manifestou-se a DRJ: A princípio, cabe esclarecer que a pessoa jurídica fiscalizada constitui-se numa sociedade limitada, com Capital Social de R$62.000,00, no qual as 62.000 quotas encontram-se distribuídas entre os sócios Gibrail Elias Mikhail Hanna, detentor de 61.380 quotas, e Kátia Arantes Romano Hanna, detentora de 620 quotas. Por sua vez, o inciso VII da Consolidação Contratual da Embalo Embalagens Lógicas LTDA, fls. 184, discorre sobre o administrador da sociedade: “VII – A administração da sociedade é exercida somente pelo sócio GIBRAIL ELIAS MIKHAIL HANNA, ao qual se incumbe de todas as operações sociais, visando sempre um bom andamento dos negócios da empresa e representando a sociedade judicial e extrajudicialmente, de forma passiva e ativa, ficando-lhe autorizado o uso da empresa em negócios de seus interesses, como: endossos, avais, fianças, abonos ou qualquer outro fim gratuito por sua natureza, respondendo perante a sociedade e a terceiros, pelo excesso de mandato e pela violação da lei.” Resta demonstrado, portanto, que o sr. Gibrail Elias Mikhail Hanna detém poderes de administração sobre a pessoa jurídica. Tal constatação é fundamental, uma vez que o inciso III do art. 135 do CTN trata da responsabilidade dos administradores das pessoas jurídicas, ou seja, o fundamento da responsabilização repousa sobre as pessoas que detêm poderes de gerência, e não sobre aqueles que somente sejam sócios. Assim, o responsável pode ser tanto de um “sócio-gerente”, quanto de um diretor contratado. Entretanto, a plena subsunção ao comando do art. 135 do CTN demanda constatar se as obrigações tributárias, cujo surgimento ensejaram o lançamento e originaram o crédito tributário, foram resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Ainda, cabe verificar se a conduta do agente foi dolosa, consubstanciando-se o elemento subjetivo, no qual a responsabilidade nasce apenas se o administrador agir intencionalmente, mesmo ele sabendo que o ordenamento jurídico proíbe tal comportamento. Dentre as obrigações previstas a que os empresários estão sujeitos, em termos gerais, incluem-se a de manter escrituração regular de seus negócios e a de levantar demonstrações contábeis periódicas. O dever de manter a escrituração dos negócios de que participam encontra- se previsto no art. 1179, caput, do novel Código Civil: Fl. 7006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 42 “Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico.” Contudo, observe-se que o descumprimento de obrigação de escrituração marcou apenas o início de uma série de ações, promovidas pelo administrador, visando ocultar as receitas auferidas pela sociedade empresária. Não por acaso, optou por não enviar as declarações a que se encontram sujeitas as pessoas jurídicas sob o seu regime de tributação, DIPJ e DCTF. Por conseqüência, não apurou nem efetuou o recolhimento dos tributos devidos. Observe-se que o caso concreto não trata de uma mera falta de pagamento de tributos. Constitui-se em uma série de atos tomados pelo administrador, desde a não manutenção de escrituração completa até o não envio de declarações das quais as pessoas jurídicas encontram-se obrigadas. Fosse a situação apenas o inadimplemento do recolhimento dos impostos e contribuições por notória incapacidade financeira da pessoa jurídica, a responsabilidade subsistiria apenas sobre a empresa. Contudo, verifica-se uma série de condutas, ordenadas e planejadas, com o claro intuito de ocultar as receitas auferidas, para não oferece-las à tributação. A conduta dolosa do administrador encontra-se claramente caracterizada. Observe-se que o contrato social da contribuinte atribui, ao administrador, a incumbência de “todas as operações sociais, visando sempre um bom andamento dos negócios da empresa (...) respondendo perante a sociedade e a terceiros, pelo excesso de mandato e pela violação da lei.” Ou seja, não apenas a legislação fiscal e comercial, mas também o contrato social da contribuinte foi descumprido, tendo em vista que o administrador não cumpriu com suas obrigações, agindo em nítida discordância com o estatuto da empresa. Como visar pelo bom andamento dos negócios da empresa, conforme previsão expressa do estatuto da sociedade empresária, desobedecendo-se, sumariamente, a legislação vigente? Fica evidente que o sócio gerente, de forma consciente, pois não pode admitir que o sócio, diante de uma receita de mais de R$ 50 milhões, sem escrituração contábil, sem apresentação de DIPJ e, em especial sem o pagamento ou confissão de qualquer tributo federal, possa alegar que desconhecia tais situações e que não houve o elemento subjetivo da vontade consciente da prática de tais atos. Fl. 7007DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 43 Entendo que as provas trazidas pela fiscalização demonstram, de forma evidente e inquestionável, que o sócio gerente teve conhecimento e poder de decisão sobre os fatos acima descritos, violando, conscientemente, a lei comercial (falta de escrituração), a lei fiscal (omissão de receitas e falta de pagamento) e o contrato social. A decisão do paradigma, nestes termos, tem em conta a infração cometida pelos sócios que, tendo conhecimento da receita auferida e escriturada em seu Livro de Registro de ICMS, deixa de promover a correspondente escrituração contábil, bem como de entregar as devidas DIPJ e DCTF, e de recolher todos os tributos devidos à União. O recorrido, por sua vez, não tem em conta responsabilização dos administradores por vícios na escrituração. Os livros fiscais são referidos como prova da prática de atos de comércio e auferimento de receitas vultosas, acerca das quais os responsáveis não podem negar conhecimento, a evidenciar que a prestação de declarações com informações incorretas reiteradamente prestar-se- ia a impedir o conhecimento dos fatos geradores pelo Fisco. Note-se, ainda, que o paradigma trata da hipótese de falta de apresentação de declarações. Evidente está que o paradigma concluiu pela violação da lei comercial, da lei fiscal e do contrato social por falta de escrituração dos livros contábeis e consequente falta de apresentação de declarações diante de receitas inequivocamente conhecidas e sabidamente tributáveis. Já a conduta nestes autos foi de prestar declarações inverídicas a partir de receitas reconhecidas na escrituração. Acrescente-se, também, que este segundo paradigma já foi rejeitado por este Colegiado para caracterização de dissídio jurisprudencial no Acórdão nº 9101- 005.4576, porque: Quanto ao paradigma 1302-000.458, também verifico contextos fáticos bem distintos. Veja-se: No recorrido, reitera-se, os fatos trazidos para exame estão calcados na infração de omissão de receita significativa, em razão de uma conta corrente não contabilizada, cuja origem não havia sido comprovada, com utilização de RMF, e o paradigma trata de exame junto à escrituração do ICMS, bem como a não apresentação pelo contribuinte da sua escrituração completa, que ensejou o arbitramento de lucro. Além disso, examinando-se o paradigma verifica-se que o fundamento para qualificação da multa centrou-se no fato de que o contribuinte não recolheu nem declarou em DIPJ/DCTF os tributos devidos de forma reiterada. E no que toca à responsabilidade tributária, traz o paradigma que: 6 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella, Andrea Duek Simantob (Presidente), e votaram pelas conclusões na matéria as Conselheiras Edeli Pereira Bessa e Lívia De Carli Germano. Fl. 7008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 44 “Constatou a fiscalização que a contribuinte tem como sócios o sr. (...) detentor de 99% do capital social e (...) com 1% do capital social. Por sua vez, na procuração pública de fls. 44, a contribuinte nomeou e constituiu como procuradores com amplos poderes para gerir os negócios da outorgante os srs. (...), tendo sido a procuração lavrada em 13/07/2005.” “Fica evidente que o sócio gerente, de forma consciente, pois não se pode admitir que o sócio, diante de uma receita de mais de R$ 50 milhões sem escrituração contábil, sem apresentação de DIPJ e, em especial sem o pagamento ou confissão de qualquer tributo federal, possa alegar que desconhecia tais situações e que não houve o elemento subjetivo da vontade consciente da prática de tais atos.” No Termo de Verificação Fiscal do acórdão recorrido aduz a fiscalização que: “Tendo em conta que a informação em DIPJ de receita bruta não considerou o valor correspondente às receitas omitidas e, como consequência, a apuração, declaração e recolhimento de tributos e contribuições em importância inferiores às devidas constituem a prática de atos de infração de lei, serão arrolados como pessoalmente responsáveis pelo crédito tributário constituído por auto de infração as pessoas físicas acima identificadas, ao amparo do que dispõe o artigo 135, incisos II e III da Lei n. 5.172/1966 – CTN...” (grifei) Ou seja, verifico que, a imputação da responsabilidade tributária no contexto entre recorrido e paradigma está calcada em situações diferentes. Outra vez, não tenho como aferir a forma pela qual o colegiado do paradigma decidiria diante da situação aventada no acórdão recorrido. Distintamente do referido precedente, no qual a infração que ensejou as exigências correspondia a omissão de receitas aferida a partir de conta bancária não contabilizada, no presente caso há alinhamento fático com o paradigma na reiteração de falta de recolhimento e de declaração em DIPJ e DCTF de valores sabidamente auferidos pelo sujeito passivo e, inclusive, há proximidade de valor entre os montantes anuais de receitas auferidas, indicado como evidência de que o sócio agiu conscientemente nesta omissão. Contudo, como dito, o paradigma traz em acréscimo a falta de escrituração contábil e a falta de apresentação de DIPJ como elementos tidos por determinantes para manutenção da responsabilidade tributária. Sendo outro o cenário fático nestes autos, o paradigma nº 1302-00.458 não se presta à caracterização do dissídio jurisprudencial. Fl. 7009DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 45 No Acórdão nº 9101-006.009 esta Conselheira também declarou voto, concordando com a relatora ex-Conselheira Lívia De Carli Germano, em rejeitar este paradigma sob os seguintes fundamentos7: VOTO [...] Quanto ao paradigma 1302-00.458, seu voto condutor manteve a responsabilização “diante de uma receita de R$51.156.366,01 (apurada a partir do livros do ICMS), a recorrente não pagou nenhum centavo de tributos federais, não apresentou DIPJ e não reconheceu seus débitos pela apresentação de DCTF´s, além do fato de não registrar esses fatos na contabilidade” (grifamos). Algumas circunstâncias fáticas que levaram à responsabilização em tal paradigma (volume da omissão, ausência de apresentação de declarações e de recolhimento de tributos e ausência de registro contábil) até poderiam ser consideradas juridicamente equivalentes às do presente caso -- sendo que, no presente caso, houve ainda a imputação de circunstâncias fáticas adicionais, mas que só contribuiriam para corroborar a responsabilização, eis que teoricamente mais graves (quais sejam: indícios de substituição irregular de sócios e de baixa irregular da filial). Não obstante, a hipótese que levou à autuação por omissão de receitas no paradigma 1302-00.458 é diversa da dos presentes autos, eis que lá tratou-se de tributação por apuração direta de omissão de receitas da atividade, operada a partir da verificação dos livros de ICMS, enquanto que o caso dos autos tratou de omissão de receitas apurada por presunção legal, ante a verificação e depósitos bancários de origem não comprovada. Não é possível a aplicação, ao caso dos autos, do racional constante do paradigma, eis que não se sabe o que a Turma do paradigma decidiria quanto à responsabilização do sócio/administrador se estivesse diante de hipótese de lançamento baseado em omissão de receitas apurada por presunção legal. [...] DECLARAÇÃO DE VOTO [...] Neste sentido, também não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, no tema da responsabilidade, quanto ao paradigma 1302-00.458. A decisão do paradigma, nestes termos, tem em conta a infração cometida pelos sócios que, tendo conhecimento da receita auferida e escriturada em seu Livro de Registro de ICMS, deixa de promover a correspondente escrituração contábil, 7 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimaraes da Fonseca (suplente convocado) e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício). Fl. 7010DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 46 bem como de entregar as devidas DIPJ e DCTF, e de recolher todos os tributos devidos à União. O recorrido, por sua vez, como antes demonstrado, analisou a imputação de responsabilidade aos sócios pela movimentação financeira da empresa, especialmente da filial baixada e o Colegiado a quo, ao concluir que a omissão de receitas, apesar de expressiva e dissociada da apresentação de declarações, para além da baixa da filial, não justificariam a qualificação da penalidade, também afastou a responsabilização dos sócios por ausência da necessária demonstração dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Evidente está que o paradigma concluiu pela violação da lei comercial, da lei fiscal e do contrato social por falta de escrituração dos livros contábeis diante de receitas inequivocamente conhecidas e sabidamente tributáveis. E esta realidade não foi exposta na acusação fiscal nestes autos, inclusive ensejando o afastamento da multa qualificada. Compreende-se que a ausência de registro contábil, assim como as condutas decorrentes de não apresentar declarações e não promover recolhimentos, está intrinsecamente relacionada ao fato de as receitas omitidas no paradigma terem sido aferidas a partir do Livro de Registro de ICMS do sujeito passivo, circunstância fática que não se assemelha ao recorrido, no qual a conduta dos sócios ficou limitada à movimentação bancária da Contribuinte, a partir da qual foram presumidas as receitas omitidas. Logo, também este paradigma não se presta à caracterização do dissídio jurisprudencial. O presente caso contempla vícios significativos na escrituração, os quais, inclusive, motivaram arbitramento dos lucros. Contudo, não houve debate no recorrido acerca da responsabilidade dos administradores excluídos pelo dever que lhes seria imposto em face da escrituração comercial das pessoas jurídicas autuadas. E este aspecto é relevante na medida em que a responsabilidade foi imputada a todos os sócios gerentes, ao passo que o paradigma contempla imputação ao único sócio gerente da pessoa jurídica, o que impede a cogitação de divisão de reponsabilidade com outros sócios. A acusação fiscal, nestes autos, como relatado no acórdão recorrido, traz que o núcleo diretivo das entidades, “mantinha, à margem da contabilidade oficial, controles paralelos, sintetizados em documentos intitulados APOSTILAS, que consolidavam os resultados da aliança operacional do Grupo. Tais resultados, em boa parte, eram provenientes do não pagamento dos tributos devidos, derivados da prática conjunta (pelas indústrias) de seus fatos geradores”. O voto condutor do acórdão recorrido, porém, despreza a afirmada “unidade diretiva” das empresas autuadas, e demanda individualização das condutas, sem cogitar da infração à legislação societária e comercial na forma vislumbrada no paradigma. Fl. 7011DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.457 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10825.721565/2017-31 47 Ocorre que, ao deixar de enfrentar a responsabilização dos excluídos sob esta ótica, para se afirmar a divergência jurisprudencial suscitada com base no paradigma nº 1302-00.458, necessário seria adentrar aos autos para aferir se os responsáveis excluídos detinham poderes semelhantes aos referidos pelo outro Colegiado do CARF, a evidenciar que a PGFN deveria ter oposto embargos ao acórdão recorrido para suscitar decisão acerca deste contexto fático, e assim constituir o prequestionamento do tema, indispensável à demonstração do dissídio jurisprudencial. Por tais razões, deve ser NEGADO CONHECIMENTO ao recurso especial da PGFN. O recurso especial da Contribuinte não teve seguimento. A decisão judicial, contudo, determinou seu seguimento pela presença da conexão e reflexão demonstrada entre ambos os processos administrativos. Por sua vez, no processo administrativo nº 10825.721567/2017-20, esta Conselheira votou pelo não conhecimento do recurso especial da Contribuinte, razão pela qual deve aqui subsistir o acórdão recorrido, na medida em que não restou demonstrada divergência jurisprudencial que suscite manifestação desta instância especial. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 7012DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13984.720775/2017-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE FLORESTAS NATIVAS E DE RESERVA LEGAL.
Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA. Além disso, a área de reserva legal deve constar em inscrição tempestiva no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou estar averbada tempestivamente na matrícula do imóvel ou constar em Termo de Ajustamento de Conduta, no caso de posse.
Numero da decisão: 2202-011.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Henrique Perlatto Moura – Relator
Assinado Digitalmente
Ronnie Soares Anderson – Presidente
Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE PERLATTO MOURA
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Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA. Além disso, a área de reserva legal deve constar em inscrição tempestiva no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou estar averbada tempestivamente na matrícula do imóvel ou constar em Termo de Ajustamento de Conduta, no caso de posse. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.690 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13984.720775/2017-77 2 Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Notificação de Lançamento lavrada para exigir da parte Recorrente Imposto Territorial Rural (ITR) do exercício de 2014 em razão de não ter sido comprovada a existência de áreas de Preservação Permanente (APP) de 400,2ha, Florestas Nativas (FN) de 719,6ha, que foram integralmente glosadas, além de ter sido arbitrado o “VTN médio por aptidão agrícola” (fls. 260-267). A Recorrente opôs impugnação em que alega que tanto as áreas como o valor das benfeitorias mediante laudo técnico elaborado nos termos da ABNT 14.653-3 pelo Engenheiro Evandro Boeira Machado, CREA 050178-3, ART 6033689-0, o que levaria à redução do VTN e reversão das glosas da área, com consequente impacto no grau de utilização da propriedade (fls. 269-273). Sobreveio o acórdão nº 101-016.682, proferido pela 1ª TURMA/DRJ01, que entendeu pela parcial procedência da impugnação (fls. 303-312), nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2014 DA REVISÃO DE OFÍCIO. DO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE FLORESTAS NATIVAS E DE RESERVA LEGAL. Essas áreas ambientais, para fins de exclusão do ITR, devem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do respectivo ADA. Além disso, a área de reserva legal deve constar em inscrição tempestiva no Cadastro Ambiental Rural (CAR) ou estar averbada tempestivamente na matrícula do imóvel ou constar em Termo de Ajustamento de Conduta, no caso de posse. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN). SUBAVALIAÇÃO. Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.690 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13984.720775/2017-77 3 Deve ser alterado o VTN arbitrado pelo Fisco, diante da apresentação de Laudo de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, em consonância com as normas da ABNT - NBR 14.653-3, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta do dispositivo da decisão, foi reestabelecida a área de RL de 301,5ha por estar averbada na matrícula do imóvel, questão que não impactou em alteração de faixa de utilização do imóvel para fixação da alíquota, além de ter sido reconhecido o VTN comprovado de R$ 2.609.478,37 (1.835,95/ha). Cientificada em 19/08/2022 (fl. 317), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/09/2022 (320-329) com os seguintes argumentos para a reforma da decisão recorrida: O grau de utilização da propriedade é acima de 80% considerando as áreas que foram ignoradas, o que leva à aplicação de alíquota de 0,30%; As áreas de FN perfazem 563,70, e está provada na pag. 54 do laudo técnico; As áreas de APP perfazem 348,74ha; Após a entrada em vigor do Código Florestal as áreas podem ser comprovadas por meio do CAR. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Perlatto Moura, Relator Conhecimento Conheço do Recurso Voluntário pois é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. A controvérsia remanescente recai sobre a possibilidade de exclusão de áreas de FN e APP não declaradas em ADA, não averbadas na matrícula do imóvel em data anterior ao fato Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.690 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13984.720775/2017-77 4 gerador (2014), mas declaradas em CAR no ano de 2015 e que constam de laudo técnico elaborado por engenheiro agrônomo. Da exigência legal de ADA para comprovação das áreas a serem excluídas de tributação A lide remanescente recai sobre a exigência do ADA em período posterior a 2012 para exclusão de áreas tributáveis não averbadas em matrícula em data anterior à ocorrência do fato gerador. Essa discussão decorre, primeiro, da exigência contida no artigo 17-O, caput e § 1º, da Lei nº 6.938, de 2000, assim redigido à época do lançamento: Art. 17-O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. É importante ressaltar que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu pela desnecessidade de apresentação do ADA, questão que veio a constar do Parecer PGFN/CRJ nº 1329/2016 que dispensou a apresentação de impugnação ou recurso em casos que versem sobre o ITR lançado antes da entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012. Este caso diz respeito a julgamento ocorrido em momento posterior, em que a legislação exigia o ADA para que fosse possível a exclusão de terras tributáveis pelo ITR. Inclusive, a exigência do ADA permaneceu até a entrada em vigor da Lei nº 14.932, de 2024, que revogou o artigo 17-O da Lei nº 6.938, de 2000, e autorizou a utilização do CAR para a comprovação das áreas a serem excluídas da base de cálculo do tributo. Este entendimento foi adotado por este Conselheiro quando da prolação do acórdão nº 2202-011.517, de relatoria do Conselheiro Marcelo Valverde, cuja ementa segue abaixo colacionada: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2016 CADASTRO AMBIENTAL RURAL – CAR. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL – ADA. REDUÇÃO DO ITR. IMPOSSIBILIDADE. Até a entrada em vigor da Lei nº 14.932/2024, o Cadastro Ambiental Rural – CAR não substitui o Ato Declaratório Ambiental – ADA para fins da redução do Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural, exceto para comprovar as áreas de Reserva Legal, desde que realizada anteriormente a ocorrência do fato gerador. Fl. 338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.690 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13984.720775/2017-77 5 RETROATIVIDADE BENIGNA TRIBUTÁRIA. NORMA DE CARÁTER SANCIONADOR. REQUISITOS DE ISENÇÃO. INAPLICABILIDADE. Aplica-se retroativamente a norma, quando resultar a alteração material mais benéfica da natureza da conduta infracional ou lhe comine penalidade menos severa, não se prestando na hipótese alteração de requisitos para gozo da isenção tributária. (Acórdão nº 2202-011.517, Processo nº 10183.721077/2020-21, Relator Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção, sessão de 06/10/2025, publicado em 04/11/2025) Feito este esclarecimento, passo à análise das razões específicas aduzidas pela defesa. Primeiro, embora esta alegue que haveria irregularidade no lançamento de ITR do exercício de 2013, neste caso se refere ao ITR de 2014, como se verifica das fls. 260-267. Ademais, quanto à alegação de que os fatos comprovam a utilização da propriedade acima de 80%, isso se verificaria apenas caso houvesse o acolhimento das razões recursais para afastar a glosa realizada pela fiscalização. Veja-se que a Recorrente alega que existiria 563,70ha de floresta nativa e 348,74ha de APP, tudo nos termos do laudo técnico elaborado. Ressalta-se que inicialmente havia sido declarado o importe de 400,2ha a título de APP e 719,6ha a título de Floresta Nativa. Como bem reconheceu a DRJ, neste caso a Recorrente não apresentou ADA tempestivo, mas transmitiu o CAR, o que levou ao acolhimento parcial de seu pleito para que fosse reestabelecido o importe de 301,5ha, nos termos abaixo: Como visto, já a partir do ITR/2001, observando-se, no caso, o princípio da anterioridade da lei tributária, a obrigatoriedade do ADA, para exclusão de tributação das áreas ambientais previstas e definidas no Código Florestal, passou a ser exigida por meio do citado texto legal (art. 1º, da Lei nº 10.165, de 27/12/2000). A protocolização do ADA também não pode ser dissociada de seu aspecto temporal, pois o prazo para essa providência foi estipulado por ato normativo da autoridade competente da Receita Federal, a quem se subordina este Colegiado (vinculação funcional), conforme art. 17 da Portaria - ME nº 340/2020. Para o exercício de 2014, o prazo expirou em 30/09/2014, data final para a entrega da DITR/2014, de acordo com a IN/RFB nº 1.483/2014 c/c a IN/IBAMA nº 05/2009, além de previsto na Solução de Consulta Interna nº 06/2012, item 10.1, que diz: (...) Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.690 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13984.720775/2017-77 6 A exigência específica de que a área de reserva legal esteja averbada à margem da matrícula do imóvel encontrava-se prevista no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771/1965 (até o exercício 2012) e, para exercícios posteriores, como é o caso do exercício 2014, nos artigos 18, 29 e 30 da Lei nº 12.651/2012; art. 11, § 1º, da IN/SRF nº 256/2002 e art. 12, § 1º do Decreto nº 4.382/2002 – RITR. Ressalte-se que a averbação ou a inscrição no CAR, se for o caso, deve ser realizada até 01/01/2014(data do fato gerador do ITR/2014, art. 1º da Lei nº 9.393/1996). O impugnante juntou aos autos cópias do Cadastro Ambiental Rural (fls. 282/283) e das matrículas do imóvel (fls. 80-89). Quanto ao Cadastro Ambiental Rural, nota-se que a data do registro foi 29/04/2015, portanto após a ocorrência do fato gerador do ITR/2014. Verifica-se que a Matrícula 4.854 tem 283,29 ha de reserva legal devidamente averbados (AV.6 – 4.854, à fl. 83), em 21/11/2011. Já a Matrícula 4.232 tem 18,2710 ha de reserva legal averbados (AV-12-4232, à fl. 88), em 21/11/2011. Em tempo, note-se que outras averbações de reserva legal existentes nas matrículas(como a AV-1 e a AV-2) são meras referências a outros imóveis, não podendo ser usadas na presente apuração de ITR. Dessa feita, no total se encontram averbados tempestivamente 301,5 ha (283,3 ha + 18,2 ha) de reserva legal, conforme alegado na impugnação. (...) Dessa feita, a despeito de não ter sido apresentado Ato Declaratório Ambiental, cumpre reconhecer a existência de 301,5 ha de reserva legal. Veja-se, portanto, que só seria possível reconhecer a validade da exclusão das áreas caso preenchidos os requisitos para a fruição da isenção, o que não ocorreu neste caso. Desta feita, entendo pela improcedência deste capítulo recursal e adiro aos fundamentos lançados pela DRJ, como autorizado pelo artigo 114, §12, inciso I, do RICARF. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Henrique Perlatto Moura Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2202-011.690 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13984.720775/2017-77 7 Fl. 341DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10983.909689/2021-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS E NORMAS APLICÁVEIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
Inexiste nulidade em auto de infração lavrado pela autoridade fiscal competente com a descrição clara do fato objeto da autuação e com o apontamento da legislação aplicável ao caso.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
A legislação estabelece que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restando configurada nenhuma dessas hipóteses, não cabe a decretação de nulidade da decisão recorrida.
DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE
É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
AJUSTES PARA APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. MULTA REGULAMENTAR. ART. 12, II, LEI 8.218/91. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE ILICITUDE.
Não houve omissão ou prestação de informação incorreta na apresentação dos arquivos digitais pelo contribuinte. A negativa de direito sobre o aproveitamento de créditos extemporâneos resulta na sua glosa e não em multa por omissão ou informação incorreta, deste modo, não há requisitos autorizadores para manutenção da multa regulamentar prevista no art. 12, II, da Lei 8.218/91.
CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
O conceito de insumo, para fins de reconhecimento de créditos da Cofins, na não-cumulatividade, deve ser considerado conforme estabelecido, de forma vinculante, pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, ou seja, atrelado à essencialidade e relevância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica da empresa.
Por serem essenciais ou relevantes no processo produtivo de uma empresa agroindustrial, que atua notadamente na exploração de alimentos (carne bovina, suína e de aves), se caracterizam como insumos, havendo direito de apropriação de créditos da Cofins, as locações de uniformes para os trabalhadores manipuladores de alimentos e a contratação de serviço movimentação cross docking.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO.
É vedada a apropriação de créditos da Cofins em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência
com alíquota zero ou com suspensão dessas contribuições, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO.
A autoridade fiscal deve glosar crédito presumido da Cofins quando verificada a ocorrência de fato previsto na legislação tributária como suficiente para vedar o direito ao crédito.
CRÉDITO SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA.
Os custos com fretes referentes à aquisição de produtos adquiridos para revenda, contratados de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, geram direito a crédito da Cofins não cumulativa.
CRÉDITO SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU COM CRÉDITO PRESUMIDO.
Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos tributados à alíquota zero ou com crédito presumido geram direito a crédito da Cofins não cumulativa, desde que estejam de acordo com o disposto na Súmula Carf 188.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. REGIME DA COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS DO PERÍODO DO FATO GERADOR DO CRÉDITO.
O creditamento extemporâneo das contribuições deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nos períodos de apuração relativos aos fatos geradores que lhes deram causa, e exige a retificação de declarações e demonstrativos, desde o período de apuração em que o crédito foi originado até o período de apuração em que o crédito será utilizado ou requerido em pedido de ressarcimento.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017
ALUGUEL DE EMPILHADEIRA, CAMINHÃO MUNCK E TRANSPALETEIRA UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Geram créditos da Cofins, o aluguel de empilhadeira, caminhão Munck e transpaleteira utilizados para movimentação de insumos e outros produtos, conforme disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017
DEPÓSITOS JUDICIAIS OU EXTRAJUDICIAIS CÍVEIS E TRABALHISTAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
No âmbito da apuração da Cofins, pelo regime não cumulativo, as variações monetárias ativas decorrentes de atualização de depósitos judiciais ou extrajudiciais devem ser reconhecidas, em regra, de acordo com o regime de competência. Excetuam-se as hipóteses em que houver determinação legal expressa que condicione, necessariamente, a atualização dos valores depositados a eventual sucesso na lide pelo depositante.
No caso dos depósitos judiciais ou extrajudiciais cíveis e trabalhistas, inexiste previsão legal de ocorrência de acréscimos ao montante depositado judicial ou administrativamente tão somente quando da solução favorável da lide ao depositante. Assim, a respectiva receita financeira deve ser incluída na base de cálculo da Cofins não cumulativa, observando-se o regime de competência.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS.
A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA.
O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00.
Numero da decisão: 3402-012.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e do Acórdão recorrido, e no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: (i) serviços de locação de empilhadeiras, guindastes e Munck; (ii) serviços de administração de vestiário; (iii) serviços portuários na importação; (iv) fretes contratados após da liberação (desembaraço) da mercadoria; (II) por unanimidade de votos, para: (i) reconhecer a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos, independentemente de retificação de DACON, desde que os créditos não tenham sido utilizados em duplicidade, com a observação do Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que condicionava o reconhecimento dos créditos, ainda, à apuração conforme os percentuais de rateio do período de origem; (ii) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009, e do art. 1º, inciso XIX, alínea a, da Lei nº 10.925, de 2004, quando os produtos vendidos no mercado interno resultarem em NCM diversa dos produtos adquiridos; (iii) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 56 da Lei nº 12.350, de 2010, quando os produtos forem vendidos para exportação; (iv) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS relativo à omissão de receitas decorrentes de variação monetária de depósitos judiciais; (v) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS e da multa regulamentar imposta, relativa a infrações relacionadas à EFD-Contribuições; (III) por maioria de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: (i) cross docking e repaletização, vencidos, neste ponto, os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertiam essas glosas; (ii) locação de uniformes, vencido, neste ponto, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essa glosa; (IV) por maioria de votos, para: (i) afastar o lançamento relativo às carnes, cuja classificação deve ser mantida na posição adotada pela Recorrente (0207), vencido, neste ponto, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que entendia que a classificação adotada pela Fiscalização estava correta; (ii) afastar o lançamento relativo aos “kit felicidade”, vencidos, neste ponto, os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que entendiam que as classificações adotadas pela Fiscalização estavam corretas; e (iii) manter a glosa sobre a emissão do certificado Halal, vencidas, neste ponto, as conselheiras Mariel Orsi Gameiro e Cynthia Elena de Campos, que revertiam essa glosa.
Assinado Digitalmente
Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta – Relatora
Assinado Digitalmente
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Honorio dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: ANNA DOLORES BARROS DE OLIVEIRA SA MALTA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e do Acórdão recorrido, e no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: (i) serviços de locação de empilhadeiras, guindastes e Munck; (ii) serviços de administração de vestiário; (iii) serviços portuários na importação; (iv) fretes contratados após da liberação (desembaraço) da mercadoria; (II) por unanimidade de votos, para: (i) reconhecer a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos, independentemente de retificação de DACON, desde que os créditos não tenham sido utilizados em duplicidade, com a observação do Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que condicionava o reconhecimento dos créditos, ainda, à apuração conforme os percentuais de rateio do período de origem; (ii) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009, e do art. 1º, inciso XIX, alínea a, da Lei nº 10.925, de 2004, quando os produtos vendidos no mercado interno resultarem em NCM diversa dos produtos adquiridos; (iii) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 56 da Lei nº 12.350, de 2010, quando os produtos forem vendidos para exportação; (iv) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS relativo à omissão de receitas decorrentes de variação monetária de depósitos judiciais; (v) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS e da multa regulamentar imposta, relativa a infrações relacionadas à EFD-Contribuições; (III) por maioria de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: (i) cross docking e repaletização, vencidos, neste ponto, os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertiam essas glosas; (ii) locação de uniformes, vencido, neste ponto, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essa glosa; (IV) por maioria de votos, para: (i) afastar o lançamento relativo às carnes, cuja classificação deve ser mantida na posição adotada pela Recorrente (0207), vencido, neste ponto, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que entendia que a classificação adotada pela Fiscalização estava correta; (ii) afastar o lançamento relativo aos “kit felicidade”, vencidos, neste ponto, os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que entendiam que as classificações adotadas pela Fiscalização estavam corretas; e (iii) manter a glosa sobre a emissão do certificado Halal, vencidas, neste ponto, as conselheiras Mariel Orsi Gameiro e Cynthia Elena de Campos, que revertiam essa glosa. Assinado Digitalmente Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Honorio dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS E NORMAS APLICÁVEIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade em auto de infração lavrado pela autoridade fiscal competente com a descrição clara do fato objeto da autuação e com o apontamento da legislação aplicável ao caso. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A legislação estabelece que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restando configurada nenhuma dessas hipóteses, não cabe a decretação de nulidade da decisão recorrida. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AJUSTES PARA APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. MULTA REGULAMENTAR. ART. 12, II, LEI 8.218/91. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Não houve omissão ou prestação de informação incorreta na apresentação dos arquivos digitais pelo contribuinte. A negativa de direito sobre o aproveitamento de créditos extemporâneos resulta na sua glosa e não em multa por omissão ou informação incorreta, deste modo, não há requisitos autorizadores para manutenção da multa regulamentar prevista no art. 12, II, da Lei 8.218/91. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O conceito de insumo, para fins de reconhecimento de créditos da Cofins, na não-cumulatividade, deve ser considerado conforme estabelecido, de forma vinculante, pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, ou seja, atrelado à essencialidade e relevância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica da empresa. Por serem essenciais ou relevantes no processo produtivo de uma empresa agroindustrial, que atua notadamente na exploração de alimentos (carne bovina, suína e de aves), se caracterizam como insumos, havendo direito de apropriação de créditos da Cofins, as locações de uniformes para os trabalhadores manipuladores de alimentos e a contratação de serviço movimentação cross docking. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da Cofins em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessas contribuições, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO. A autoridade fiscal deve glosar crédito presumido da Cofins quando verificada a ocorrência de fato previsto na legislação tributária como suficiente para vedar o direito ao crédito. CRÉDITO SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA. Os custos com fretes referentes à aquisição de produtos adquiridos para revenda, contratados de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, geram direito a crédito da Cofins não cumulativa. CRÉDITO SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU COM CRÉDITO PRESUMIDO. Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos tributados à alíquota zero ou com crédito presumido geram direito a crédito da Cofins não cumulativa, desde que estejam de acordo com o disposto na Súmula Carf 188. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. REGIME DA COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS DO PERÍODO DO FATO GERADOR DO CRÉDITO. O creditamento extemporâneo das contribuições deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nos períodos de apuração relativos aos fatos geradores que lhes deram causa, e exige a retificação de declarações e demonstrativos, desde o período de apuração em que o crédito foi originado até o período de apuração em que o crédito será utilizado ou requerido em pedido de ressarcimento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 ALUGUEL DE EMPILHADEIRA, CAMINHÃO MUNCK E TRANSPALETEIRA UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Geram créditos da Cofins, o aluguel de empilhadeira, caminhão Munck e transpaleteira utilizados para movimentação de insumos e outros produtos, conforme disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 DEPÓSITOS JUDICIAIS OU EXTRAJUDICIAIS CÍVEIS E TRABALHISTAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. No âmbito da apuração da Cofins, pelo regime não cumulativo, as variações monetárias ativas decorrentes de atualização de depósitos judiciais ou extrajudiciais devem ser reconhecidas, em regra, de acordo com o regime de competência. Excetuam-se as hipóteses em que houver determinação legal expressa que condicione, necessariamente, a atualização dos valores depositados a eventual sucesso na lide pelo depositante. No caso dos depósitos judiciais ou extrajudiciais cíveis e trabalhistas, inexiste previsão legal de ocorrência de acréscimos ao montante depositado judicial ou administrativamente tão somente quando da solução favorável da lide ao depositante. Assim, a respectiva receita financeira deve ser incluída na base de cálculo da Cofins não cumulativa, observando-se o regime de competência. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS. A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA. O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00.
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DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS E NORMAS APLICÁVEIS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. Inexiste nulidade em auto de infração lavrado pela autoridade fiscal competente com a descrição clara do fato objeto da autuação e com o apontamento da legislação aplicável ao caso. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. A legislação estabelece que são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não restando configurada nenhuma dessas hipóteses, não cabe a decretação de nulidade da decisão recorrida. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AJUSTES PARA APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. MULTA REGULAMENTAR. ART. 12, II, LEI 8.218/91. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE ILICITUDE. Não houve omissão ou prestação de informação incorreta na apresentação dos arquivos digitais pelo contribuinte. A negativa de direito sobre o Fl. 5244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 2 aproveitamento de créditos extemporâneos resulta na sua glosa e não em multa por omissão ou informação incorreta, deste modo, não há requisitos autorizadores para manutenção da multa regulamentar prevista no art. 12, II, da Lei 8.218/91. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. O conceito de insumo, para fins de reconhecimento de créditos da Cofins, na não-cumulatividade, deve ser considerado conforme estabelecido, de forma vinculante, pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.221.170/PR, ou seja, atrelado à essencialidade e relevância do bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica da empresa. Por serem essenciais ou relevantes no processo produtivo de uma empresa agroindustrial, que atua notadamente na exploração de alimentos (carne bovina, suína e de aves), se caracterizam como insumos, havendo direito de apropriação de créditos da Cofins, as locações de uniformes para os trabalhadores manipuladores de alimentos e a contratação de serviço movimentação cross docking. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da Cofins em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessas contribuições, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO. A autoridade fiscal deve glosar crédito presumido da Cofins quando verificada a ocorrência de fato previsto na legislação tributária como suficiente para vedar o direito ao crédito. CRÉDITO SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA. Os custos com fretes referentes à aquisição de produtos adquiridos para revenda, contratados de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, geram direito a crédito da Cofins não cumulativa. CRÉDITO SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU COM CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 5245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 3 Os custos com fretes sobre a aquisição de insumos tributados à alíquota zero ou com crédito presumido geram direito a crédito da Cofins não cumulativa, desde que estejam de acordo com o disposto na Súmula Carf 188. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. REGIME DA COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES E DEMONSTRATIVOS DO PERÍODO DO FATO GERADOR DO CRÉDITO. O creditamento extemporâneo das contribuições deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nos períodos de apuração relativos aos fatos geradores que lhes deram causa, e exige a retificação de declarações e demonstrativos, desde o período de apuração em que o crédito foi originado até o período de apuração em que o crédito será utilizado ou requerido em pedido de ressarcimento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 ALUGUEL DE EMPILHADEIRA, CAMINHÃO MUNCK E TRANSPALETEIRA UTILIZADOS NAS ATIVIDADES DA EMPRESA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Geram créditos da Cofins, o aluguel de empilhadeira, caminhão Munck e transpaleteira utilizados para movimentação de insumos e outros produtos, conforme disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 DEPÓSITOS JUDICIAIS OU EXTRAJUDICIAIS CÍVEIS E TRABALHISTAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. No âmbito da apuração da Cofins, pelo regime não cumulativo, as variações monetárias ativas decorrentes de atualização de depósitos judiciais ou extrajudiciais devem ser reconhecidas, em regra, de acordo com o regime de competência. Excetuam-se as hipóteses em que houver determinação legal expressa que condicione, necessariamente, a atualização dos valores depositados a eventual sucesso na lide pelo depositante. No caso dos depósitos judiciais ou extrajudiciais cíveis e trabalhistas, inexiste previsão legal de ocorrência de acréscimos ao montante Fl. 5246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 4 depositado judicial ou administrativamente tão somente quando da solução favorável da lide ao depositante. Assim, a respectiva receita financeira deve ser incluída na base de cálculo da Cofins não cumulativa, observando-se o regime de competência. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CARNES E MIUDEZAS COMESTÍVEIS. A classificação fiscal dos produtos carnes e miudezas comestíveis enquadram-se no Capítulo 2 quando se apresentam nas formas frescas, refrigeradas, congeladas e salgadas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KIT OU CONJUNTO FORMADO POR “CHESTER” MAIS BOLSA TÉRMICA. O “KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO” descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item “BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD” se refere a sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, a uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Assim, “CHESTER INTEIRO ELAB (CHT)”, com os temperos que fazem parte deste produto, classifica-se na posição 1602.32.00, e a sacola térmica, na posição 4202.92.00. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e do Acórdão recorrido, e no mérito, em dar parcial Fl. 5247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 5 provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (I) por unanimidade de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: (i) serviços de locação de empilhadeiras, guindastes e Munck; (ii) serviços de administração de vestiário; (iii) serviços portuários na importação; (iv) fretes contratados após da liberação (desembaraço) da mercadoria; (II) por unanimidade de votos, para: (i) reconhecer a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos, independentemente de retificação de DACON, desde que os créditos não tenham sido utilizados em duplicidade, com a observação do Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que condicionava o reconhecimento dos créditos, ainda, à apuração conforme os percentuais de rateio do período de origem; (ii) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009, e do art. 1º, inciso XIX, alínea a, da Lei nº 10.925, de 2004, quando os produtos vendidos no mercado interno resultarem em NCM diversa dos produtos adquiridos; (iii) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 56 da Lei nº 12.350, de 2010, quando os produtos forem vendidos para exportação; (iv) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS relativo à omissão de receitas decorrentes de variação monetária de depósitos judiciais; (v) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS e da multa regulamentar imposta, relativa a infrações relacionadas à EFD-Contribuições; (III) por maioria de votos, para, observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: (i) cross docking e repaletização, vencidos, neste ponto, os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertiam essas glosas; (ii) locação de uniformes, vencido, neste ponto, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não revertia essa glosa; (IV) por maioria de votos, para: (i) afastar o lançamento relativo às carnes, cuja classificação deve ser mantida na posição adotada pela Recorrente (0207), vencido, neste ponto, o conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que entendia que a classificação adotada pela Fiscalização estava correta; (ii) afastar o lançamento relativo aos “kit felicidade”, vencidos, neste ponto, os conselheiros Anselmo Messias Ferraz Alves e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que entendiam que as classificações adotadas pela Fiscalização estavam corretas; e (iii) manter a glosa sobre a emissão do certificado Halal, vencidas, neste ponto, as conselheiras Mariel Orsi Gameiro e Cynthia Elena de Campos, que revertiam essa glosa. Assinado Digitalmente Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta – Relatora Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Honorio dos Santos, Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta, Anselmo Messias Ferraz Alves, Mariel Orsi Gameiro, Cynthia Elena de Campos, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Fl. 5248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 6 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 105-010.050, proferido pela 4ª Turma da DRJ05 que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente os débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, e mantendo integralmente o valor lançado pela aplicação da multa regulamentar em virtude da apresentação de EFD-Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas. O v. Acórdão recorrido foi proferido com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 DIREITO CREDITÓRIO.COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência quando a sua realização revela-se prescindível para a formação da convicção da Autoridade julgadora. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 MULTA REGULAMENTAR. OMISSÃO, INCORREÇÃO OU INEXATIDÃO NO PREENCHIMENTO DA EFD-CONTRIBUIÇÕES. O sujeito passivo que apresentar a EFD-Contribuições com inexatidões, incorreções ou omissões sujeita-se, a partir da vigência da Lei nº 13.670, de 30 de maio de 2018, às multas previstas no art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO OBJETIVA. Constatado que os fatos, comprovadamente ocorridos, subsomem-se ao dispositivo legal que prevê a infração tributária, impõe-se a aplicação da multa correspondente, independentemente da intenção do agente. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. INAPLICABILIDADE. Distintos os fatos, a base de cálculo e os próprios bens jurídicos tutelados por cada uma das normas penais, é inaplicável o princípio da consunção. INSTRUÇÃO NORMATIVA. NORMA COMPLEMENTAR DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. As orientações e definições contidas em atos normativos, por constituírem normas complementares da legislação tributária, devem ser seguidas pelas Autoridades Fiscais. Fl. 5249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 7 Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias - NESH estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação da mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que a classificação de produtos na NCM é determinada de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. REGIME DA COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF DO PERÍODO DO FATO GERADOR DO CRÉDITO. O creditamento extemporâneo das contribuições deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nos períodos de apuração relativos aos fatos geradores que lhes deram causa, e exige a retificação de declarações e demonstrativos (DCTF, Dacon ou EFD-Contribuições, conforme aplicável), desde o período de apuração em que o crédito foi originado até o período de apuração em que o mesmo será utilizado ou requerido em pedido de ressarcimento. DEPÓSITOS JUDICIAIS OU EXTRAJUDICIAIS CÍVEIS E TRABALHISTAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INSTRUÇÃO NORMATIVA. NORMA COMPLEMENTAR DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. As orientações e definições contidas em atos normativos, por constituírem normas complementares da legislação tributária, devem ser seguidas pelas Autoridades Fiscais. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias - NESH estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação da mercadoria. Fl. 5250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 8 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que a classificação de produtos na NCM é determinada de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2017 a 31/03/2017 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. REGIME DA COMPETÊNCIA. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF DO PERÍODO DO FATO GERADOR DO CRÉDITO. O creditamento extemporâneo das contribuições deve seguir o regime da competência contábil, ou seja, deve ser realizado nos períodos de apuração relativos aos fatos geradores que lhes deram causa, e exige a retificação de declarações e demonstrativos (DCTF, Dacon ou EFD-Contribuições, conforme aplicável), desde o período de apuração em que o crédito foi originado até o período de apuração em que o mesmo será utilizado ou requerido em pedido de ressarcimento. DEPÓSITOS JUDICIAIS OU EXTRAJUDICIAIS CÍVEIS E TRABALHISTAS. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. No âmbito da apuração da Cofins pelo regime não cumulativo, as variações monetárias ativas decorrentes de atualização de depósitos judiciais ou extrajudiciais devem ser reconhecidas, em regra, de acordo com o regime de competência. Excetuam-se as hipóteses em que houver determinação legal expressa que condicione, necessariamente, a atualização dos valores depositados a eventual sucesso na lide pelo depositante. No caso dos depósitos judiciais ou extrajudiciais cíveis e trabalhistas, inexiste previsão legal de ocorrência de acréscimos ao montante depositado judicial ou administrativamente tão somente quando da solução favorável da lide ao depositante. Assim, a respectiva receita financeira deve ser incluída na base de cálculo da Cofins não cumulativa observando-se o regime de competência, sendo irrelevante, no caso desta contribuição, a efetiva disponibilidade de tal valor. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não cumulatividade, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam essenciais ou relevantes para a produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Fl. 5251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 9 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE BEM NO MERCADO INTERNO. DIREITO DE CRÉDITO DETERMINADO EM FUNÇÃO DO BEM ADQUIRIDO. Ante a ausência de previsão legal específica para a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins em relação aos dispêndios com serviço de transporte (frete) ocorrido na aquisição de bens no mercado interno, o crédito apurado, no caso, decorre da técnica contábil e fiscal que integra tais despesas ao custo de aquisição do bem. Tratando-se de valor que integra o custo de aquisição, a possibilidade de apropriação de crédito calculado sobre o gasto com frete deve ser determinada em função da possibilidade ou não de apropriação de crédito em relação aos bens transportados. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. VEDAÇÕES DE CREDITAMENTO. É vedada a apropriação de créditos da Cofins em relação a bens e serviços adquiridos em operações não sujeitas à incidência ou sujeitas à incidência com alíquota zero ou com suspensão dessa contribuição, independentemente da destinação dada aos bens ou serviços adquiridos. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. HIPÓTESES DE VEDAÇÃO. A Autoridade Fiscal deve glosar o crédito da Cofins informado pelo contribuinte quando verificada a ocorrência de fato previsto na legislação tributária como suficiente para vedar o direito ao crédito. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. EMPILHADEIRAS. CRÉDITO. INEXISTENTE. Não há direito a crédito da não cumulatividade da Cofins sobre os valores pagos a pessoa jurídica a título de aluguel de empilhadeiras, pois o aluguel de veículos não é abrangido pela hipótese de creditamento do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. Gastos com a movimentação portuária (capatazia e estiva) na importação das mercadorias não geram direito a crédito da não cumulatividade da Cofins, por não estarem incluídos no cálculo do imposto de importação e não se caracterizarem como insumo na atividade produtiva da pessoa jurídica. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. ALUGUEL DE TERRENO. POSSIBILIDADE. A legislação, ao tratar da possibilidade de apuração de crédito da Cofins em relação aos dispêndios com aluguéis de prédios, não fez qualquer restrição a que o prédio fosse edificado ou não, de modo que se pode concluir que o conceito de prédio abordado no inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, Fl. 5252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 10 de 2003, abrange tanto o prédio construído como uma área ou terreno sem quaisquer edificações CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. INSUMOS. A apuração do crédito presumido do artigo 56 da Lei nº 12.350, de 2010, é vedada pelo seu § 1º quanto às aquisições realizadas por pessoa jurídica que industrialize produtos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM. Por bem reproduzir os fatos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a Contribuinte acima identificada que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep relativas ao período de janeiro a março de 2017 (1º trimestre de 2017). Segundo consta da Informação Fiscal nº 139/2021 EQAUD3/DRFBLU/SRRF09/RFB às folhas 1461/1747, o procedimento fiscal abrangeu a verificação dos créditos e dos débitos do PIS/Pasep e da Cofins apurados no referido período, tendo sido detectados fatos que constituem infrações à legislação tributária e que acarretaram a glosa de créditos a descontar informados na EFD-Contribuições. Assim, ao final dos trabalhos foram apurados saldos devedores em todos os meses do trimestre. Nos Autos de Infração às folhas 1437/1455 relativo à Cofins e à Contribuição para o PIS/Pasep, as infrações apuradas foram assim descritas: “Insuficiência de Recolhimento”, “Omissão de Receita” e “Crédito de Aquisição no Mercado Interno Constituído Indevidamente”. Foi, ainda, lavrado Auto de Infração, às folhas 1456/1459, exigindo multa regulamentar em virtude da apresentação de EFD-Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas. Quanto às glosas dos créditos do PIS e da Cofins apurados no regime da não cumulatividade, os Autuantes inicialmente ressaltam que na definição do conceito de insumo foram adotadas as disposições da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, publicada nos termos do §4º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, e do Parecer Normativo Cosit nº 05, de 17/12/2018, vinculante no âmbito da RFB, onde são apresentadas as repercussões do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 - PR (2010/0209115-0) pelo Superior Tribunal de Justiça. Passam, então, a discriminar as glosas efetuadas, indicadas a seguir conforme itens do Relatório Fiscal. 4.3.1.1 Crédito Presumido das Atividades Agroindustriais As Autoridades Fiscais relatam que no item 23 da Intimação Fiscal nº 75-2021/EQAUD3/DRF BLU/SRRF09/RFB (fls. 02/11) pediram esclarecimentos à Fiscalizada acerca da origem de quaisquer valores informados nos registros de ajustes de crédito da EFD-Contribuições (M110 e M510), informando todos os dados necessários. Fl. 5253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 11 Solicitou-se, também, informações sobre as aquisições enquadradas nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil - RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009, e nº 1.157, de 16 de maio de 2011, devendo-se considerar as novas disposições dadas pela IN RFB nº 1.911, de 11 de outubro de 2019, de mesma inteligência. Com base nas informações obtidas, tratam as glosas como segue. 4.3.1.1.1 Créditos Presumidos da Lei nº 10.925/2004 e IN RFB nº 660/2006 (IN RFB nº 1.911/2019)Consta da Informação Fiscal que: A despeito das alterações na legislação que criaram microrregimes próprios associados às cadeias de produção de bovinos, de suínos e de aves, verificam-se ainda vigentes, créditos presumidos sob o pálio do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, que contemplam aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal. Nesse vértice, destacam- se no caso concreto os produtos processados do capítulo 16 da NCM. (...)Compulsando as EFD-Contribuições, verifica-se que a Interessada apropriou créditos a título de aquisição para revenda, à alíquota de 0,99% para a Contribuição para o PIS/Pasaep e 4,56% para a Cofins. Tais aquisições estão detalhadas na aba “4.3.1.1.1” do arquivo não-paginável denominado “Detalhamento das Glosas” (fls. 1.435) e demonstram que foram computados nas escriturações créditos relativos à revenda de ovo comercial, lenha de eucalipto por peso, maravalha seca pinus para integrados e maravalha seca pinus p/integ enfardada. Com fulcro na legislação supratranscrita, em especial o artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, tem-se clara a impossibilidade de créditos presumidos ora requeridos ao amparo de aquisições para revenda. Ainda em relação ao ovo comercial, constatou-se ajustes de redução informados nas abas “RESUMO BLOCO M JAN-2017”, “Ajuste Bloco M - Fev-2017” e “Ajuste Bloco M - 03-2017” dos arquivos não pagináveis denominados “ITEM 23 01 2017 Registro M110 e M510.xlsx”, ITEM 23 02 2017 Registro M110.xlsx” e “M510 ITEM 23 03 2017 Registro M110 e M510.xlsx” (fls. 639). Tais ajustes estão detalhados respectivamente nas abas “04”, “04” e “03” dos referidos arquivos não- pagináveis. Visando cotejar as operações de revenda informadas nas EFD-Contribuições com os estornos para evitar a glosa indevida, buscou-se no arquivo de notas fiscais eletrônicas emitidas pela Interessada tais operações, obtendo-se a planilha identificada na aba “4.3.1.1.1” do arquivo não-paginável denominado “Planilhas Auxiliares” (fls. 1.434). No arquivo em questão há informações detalhadas das notas fiscais eletrônicas emitidas pela empresa, em especial o número da nota que foi indicado nas abas “04”, “04” e “03” dos arquivos não pagináveis denominados “ITEM 23 01 2017 Registro M110 e M510.xlsx”, ITEM 23 02 2017 Registro M110.xlsx” e “M510 ITEM 23 03 2017 Registro M110 e M510.xlsx, que detalham as devoluções de ovos. Fl. 5254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 12 Assim, foi possível constatar que nenhuma das notas fiscais de revenda de ovo comercial informadas nas EFD-Contribuições foi estornada, motivo pelo qual todas as aquisições para revenda cujo crédito presumido foi computado deve ser objeto das glosas a seguir sintetizadas: (...)IV.III.1.1.2 Créditos Presumidos da Lei n° 12.058/2009 e IN RFB n° 977/2009 (IN 1.911/2019)Os Auditores Fiscais da RFB informam que no trimestre fiscalizado: – a Contribuinte adquiriu carnes bovinas das posições 02.01 e 02.02 e as industrializou, sendo enquadrada no disposto no art. 34, §1º, da Lei nº 12.058, de 2009, que vedava a apuração de crédito presumido para essa situação. Também o art. 37 da Lei nº 12.058, de 2009, excluía as carnes em tela da aplicação dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004. – foram adquiridas carnes tributadas à alíquota zero, que se enquadram na Lei nº 10.925, de 2004, art. 1º, inciso XIX, alínea “a”, não sendo também possível haver créditos básicos à alíquota de 1,65% para PIS/Pasep ou de 7,6% para a Cofins. – em relação ao crédito presumido do art. 5º da IN RFB nº 977 (art. 513 da IN RFB nº 1.911, de 2019), a Contribuinte não adquiriu bovinos vivos e não exportou qualquer dos produtos listados no caput do art. 33 da Lei nº 12.058, de 2009. – em relação ao crédito presumido do art. 6º da IN RFB nº 977 (art. 520 da IN RFB nº 1.911, de 2019), os valores presentes na EFD-Contribuições relativos a créditos decorrentes da aquisição de carnes devem ser glosados porque esse crédito era vedado na situação da Contribuinte. A Interessada, quando intimada a esclarecer como se operava o controle diferenciado de estoques e de registro dos créditos – previsto no art. 14 e art. 15 da IN 977, de 2009 –, respondeu que “quanto ao controle diferenciado de estoques, não há como segregar as aquisições dos bois vivos ...”. As Autoridades Fiscais acrescentam que a Interessada também não apresentou qualquer consulta ou medida judicial que pudesse justificar seu procedimento diante de tal obrigação imposta pela legislação. Concluem que, tendo em vista a obrigação de interpretação literal da legislação, e uma vez não cumprida a obrigação acessória, o crédito presumido não é passível de apropriação. Os Autuantes transcrevem a ementa da Solução de Consulta nº 46 - Cosit, de 17/01/2017, segundo a qual, para apuração do crédito presumido do art. 34 da Lei nº 12.058, exige-se que “a pessoa jurídica que pretende apurar o crédito presumido não utilize como matéria prima em seus processos industriais qualquer dos produtos classificados nas posições 01.02, 01.04, 02.01, 02.02 e 02.04 da NCM”, o que exclui, de pronto, a pretensão da Contribuinte. 4.3.1.1.3 Créditos Presumidos da Lei n° 12.350/2010 e IN RFB n° 1.157/2011 (IN RFB 1.911/2019)Em relação ao crédito presumido do art. 5º da IN RFB nº 1.157, de 2011, a Contribuinte incorreu na vedação destacada no parágrafo único do mesmo artigo (vedação mantida no Inciso I do § 2º do art. 523 da IN RFB 1.911, de Fl. 5255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 13 2019), qual seja: realizou operação de venda de bens da posição 01.03, 01.05, 10.05 e 2309.90, bens estes listados nos incisos I a III do caput do art. 2º. Em relação ao crédito presumido do art. 6º da IN RFB nº 1.157, de 2011 (art. 526 da IN RFB nº 1.911, de 2019), a Contribuinte incorreu na vedação destacada no parágrafo único do mesmo artigo, pois é notório que a Contribuinte está enquadrada como pessoa jurídica “que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM”, conforme preconizado no inciso III do caput do art. 3º e no §1º do art. 56 da Lei 12.350, de 2010. Essa constatação é confirmada inclusive pela resposta ao item nº 2 da Intimação Fiscal nº 75- 2021/EQAUD3/DRF BLU/SRRF09/RFB. As Autoridades Fiscais informam que a Interessada, quando intimada a esclarecer como se operava o controle diferenciado de estoques estabelecido como obrigação acessória pela IN RFB nº 1.157, de 2011, art. 13 (IN RFB nº 1.911, de 2019, §§ 8º e 9º do art. 501), respondeu que “quanto ao controle diferenciado de estoques, não há como segregar as aquisições previstas na IN 1.157/2011 ...”. Acrescentam que a Interessada também não apresentou qualquer consulta ou medida judicial que pudesse justificar seu procedimento diante de tal obrigação imposta pela legislação. Concluem que, tendo em vista a obrigação de interpretação literal da legislação, e uma vez não cumprida a obrigação acessória, não há crédito presumido algum no trimestre em tela, relativo à IN RFB nº 1.157/2011 (IN RFB nº 1.911/2019, artigos correspondentes). 4.3.1.2.1 Créditos Extemporâneos Presentes nos Ajustes A fiscalizada, em resposta à Intimação Fiscal nº 75-2021/EQAUD3/DRF BLU/SRRF09/RFB, item 6, forneceu uma série de arquivos (fl.637) contendo dados sobre créditos extemporâneos sobre as mais diversas alegações. Também, em resposta ao item 23 da referida Intimação Fiscal sobre os ajustes dos registros M110 e M510, apresentou o arquivo não paginável denominado “ITEM 23 03 2017 Registro M110 e M510.xlsx”, anexada na folha 639. A partir da análise das planilhas que compõem o referido arquivo não paginável, os Auditores Fiscais constataram que se trata de créditos relativos a itens que compuseram a construção de imobilizado da BRF S.A., e que passaram a integrar o ativo da empresa no período 2002 a 2016; e créditos de itens que compuseram a construção de imobilizado da incorporada “SHB Comércio e Indústria de Alimentos S.A.”, e que passaram a integrar o ativo da empresa no período 2003 a 2016. Segundo os Auditores, não é possível a apuração de créditos extemporâneos sem a retificação dos Dacon ou EFD-Contribuições correspondentes, e, se for o caso, das DCTF dos períodos em que se originaram. Esse é o “entendimento cristalino” da RFB, disposto na Solução de Consulta nº 355 – Cosit, de 13 de julho de 2017, que tem efeito vinculante no âmbito da RFB, nos termos do art. 9º da IN RFB nº 1.396, de 2013. Fl. 5256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 14 Aduzem que “o caso tratado neste processo é mais uma demonstração da necessidade de tratamento dos créditos extemporâneos na EFD-Contribuições do período correto. Os períodos afetados pelos supostos créditos extemporâneos já foram objeto de fiscalização. Se corretamente realizada a retificação, teriam sido analisados naquela ocasião caso as alterações tivessem ocorrido antes do início da fiscalização. Se ocorridas após, as retificações não seriam admissíveis, salvo se tivessem ocorrido em atendimento a intimação fiscal, conforme definido no art. 11 da IN RFB 1.252/2012”. De toda forma, os períodos afetados já foram objeto de exame em procedimento de fiscalização e de reconhecimento de direito creditório de valores objeto de Pedido de Ressarcimento ou de Declaração de Compensação nos processos citados no Relatório Fiscal, sendo vedada a retificação da EFD-Contribuições tendente a aumentar o crédito, conforme estabelece a IN RFB nº 1.252, de 2012, art. 11, §2º, inciso III. 4.3.1.2.2 Das Demais Alterações necessárias nos ajustes de acréscimo Assim consta da Informação Fiscal: Compulsando as diversas planilhas que compõem os arquivos “ITEM 23 01 2017 Registro M110 e M510.xlsx”, “ITEM 23 02 2017 Registro M110 e M510.xlsx” e “ITEM 23 03 2017 Registro M110 e M510.xlsx”, que detalham os créditos de ajustes de acréscimo, verifica-se em diversos casos a ausência de informações relativas às chaves das notas fiscais eletrônicas ou dos conhecimentos de transporte eletrônicos. Tais informações revestem-se de extrema importância para a auditoria do crédito, na medida em que se pode “autenticar” a operação a partir do cotejo entre a informação trazida aos autos pela Interessada e a informação produzida por terceiros. Por essa razão, no item 23 da Intimação Fiscal nº 75-2021/EQAUD3/DRF BLU/SRRF09/RFB solicitou-se todos os dados necessários para esclarecer a origem de quaisquer valores informados nos registros de ajustes de crédito. Saliente-se que nos casos em que as chaves dos documentos foram informadas, foi possível confrontar a informação prestada pela Interessada com a informação gerada por terceiros, e especificamente nos casos em que não foi informada a chave da nota fiscal eletrônica ou do conhecimento de transporte eletrônico, os créditos oriundos de ajustes foram glosados, (...). Dentre os demais ajustes, tem-se aqueles descritos como serviço de armazenagem/serviços portuários/monitoramento. Em se tratando de produtos acabados não há que se cogitar em considerá-los insumos, que são contextualizados pela lei em processos produtivos ou em prestações de serviços. Ainda que se desejasse apurar eventuais créditos decorrentes de serviços de armazenagem, não há detalhamento das operações nas planilhas referenciadas que descrevem apenas “EMBARQUE:XXXXXXX|1”, sem qualquer informação quanto à chave do documento fiscal correspondente ou mesmo do serviço efetivamente prestado. Fl. 5257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 15 Em relação ao crédito sobre produtos importados, destaca-se que nos termos do § 3º do artigo 15 da Lei nº 10.865, de 2004, é apurado mediante aplicação das alíquotas previstas no art. 8º da referida Lei, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Quanto aos créditos referentes às aquisições de produtos da posição 0209 da NCM visando à apuração de créditos do artigo 56 da Lei nº 12.350, de 2010, observou-se no item que tratou desse crédito que a empresa incidiu em hipótese de vedação, aplicando-se a mesma fundamentação para o caso em tela. No que diz respeito aos créditos presumidos previstos no artigo 31 da Lei nº 12.865, de 2014, constata-se o cômputo amparado pela venda de margarina classificada no Código 1517.10.00 da Tipi, e após o estorno relativo às aquisições de óleo de soja resultaram os seguintes valores: (...)Verificam-se, porém, algumas inconsistências na apuração, tais como: inclusão de fretes na base de cálculo das vendas para o mercado externo, inclusão de operações com CFOP 5124 – industrialização efetuada para outra empresa, de produtos classificados no código 15179090 da NCM e valores de vendas com cupom fiscal inferiores aos apurados nas EFD-Contribuições. Ante tais inconsistências, buscou-se nas notas fiscais eletrônicas emitidas pela Interessada os valores relativos às vendas de margarina classificada no Código 1517.10.00, detalhadas nas planilhas (...). (...)A diferença entre o crédito apurado pela Interessada e o crédito apurado pelo fisco é apresentada a seguir, representando glosa parcial dos créditos apropriados a título de ajustes de acréscimo do crédito básico à alíquota de 9,25%. (...)Tem-se também créditos de aluguéis de imóveis no mês de fevereiro, cuja planilha, aba “36” do arquivo “ITEM 23 02 2017 Registro M110 e M510.xlsx” demonstra que foram computadas despesas de aluguéis de imóveis, despesas de estacionamento e taxas de condomínio. Quanto às despesas de aluguéis de imóveis, de fato há previsão legal para o crédito no inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e no inciso IV do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003 que independe da utilização a ser empregada para o imóvel. Porém o mesmo não se pode dizer em relação às despesas de estacionamento e taxas de condomínio que não possuem previsão legal para o crédito. Ainda, no mês de fevereiro há aquisições de anti salmonela sujeitos à alíquota zero da posição NCM 3808, estabelecida pela Lei nº 10.925/2005, art. 1º, inc. II informadas na planilha “46” do arquivo não paginável denominado: “ITEM 23 02 2017 Registro M110 e M510.xlsx”. Todas as notas em tela, tem CST 6 - Operação Tributável (alíquota zero) de PIS e COFINS conforme apurou-se nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores. Consequentemente, a Interessada não faz jus ao crédito por força do disposto no inciso II, do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.637, de Fl. 5258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 16 2002 e de forma homóloga tem-se o disposto no inciso II, do § 2º do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003. (...)(...) Em razão das glosas, os ajustes foram recalculados e considerando-se que os ajustes positivos analisados neste tópico e no anterior se referem apenas a créditos básicos sujeitos às alíquotas de 7,6% e 1,65%, tem-se a consolidação a seguir: (...)4.3.1.3 Análise conforme a Natureza da Base de Cálculo do Crédito 4.3.1.3.1 Natureza da Base de Cálculo do Crédito 01 - Aquisição de bens para revenda 4.3.1.3.1.1 Aquisições com Alíquota Zero das Contribuições Sociais Não- cumulativas e Sujeitos à Incidência Monofásica – aquisições de bens sujeitos à alíquota zero e à tributação monofásica das contribuições, discriminados na aba “4.3.1.3.1.1” do arquivo não-paginável denominado “Detalhamento das Glosas”. Foram considerados insubsistentes os créditos pleiteados, ante a vedação verificada no inciso II do § 2º do 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso II do § 2º do 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que obsta o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições; e aquela verificada na alínea “b” do inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e na alínea “b” do inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que impede o cômputo de créditos apurados sobre a aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica. – no referido arquivo há registros de aquisições da mercadoria descrita “MIUDOS CONG FGO (MOELA) BDJ 1KG SADIA”, tendo sido informado o código NCM 05040090. Porém, em se tratando de moela de frango congelada, a correta classificação está inserida na posição 02.07 da NCM, e por conta disso não está sujeita à incidência das contribuições sociais, ante previsão de tributação à alíquota zero prevista no item “b”, do inciso XIX, do artigo 1º da Lei nº 10.925, de 2004. 4.3.1.3.2 Natureza da Base de Cálculo do Crédito 02 - Aquisição de Bens Utilizados como Insumo 4.3.1.3.2.1 Aquisições com Alíquota Zero das Contribuições Sociais Não-cumulativas – aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, listados na aba “4.3.1.3.2.1” do arquivo não-paginável denominado “Detalhamento das Glosas”, com a indicação do dispositivo legal que reduziu a zero as alíquotas das contribuições sociais (no caso de aquisição de açúcar, o bem é classificado no código 1701.99.00 da NCM, conforme notas fiscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores, tributado à alíquota zero, a despeito de na escrituração da Contribuinte constar o código NCM 1701.13.00, não sujeito à alíquota zero). 4.3.1.3.2.2 Aquisições com Suspensão das Contribuições Sociais Não-cumulativas – aquisições de bens classificados no código 2309.90.90 da NCM, que de acordo com o inciso II do artigo 54 da Lei nº 12.350, de 2010, devem ser vendidos com suspensão das contribuições. 4.3.1.3.2.3 Aquisições não Caracterizadas como Insumos – foram glosados créditos sobre as aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, parágrafos 64 e Fl. 5259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 17 68. Com fundamento no parágrafo 95 do Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018, foram glosados os créditos apurados sobre os gastos com “ferramentas, instrumentos de medição (assemelhados a ferramentas), suas partes e peças; e créditos sobre as aquisições de mudas de ipê amarelo, mudas de ipê roxo, chicletes plets tutti frutti loja BRF e rações para cães, que não demandam maiores comentários. 4.3.1.3.3 Natureza da Base de Cálculo do Crédito 03 - Aquisição de serviços utilizados como insumo 4.3.1.3.3.1 Diferença Entre o Valor do Crédito Apurado nos Registros M 105/505 da EFD Contribuições e o Valor do Crédito Apurado nos Blocos A, C, D e F Em relação a janeiro e a março de 2017, houve glosa do crédito motivada pela ausência de comprovação, uma vez que foi constatada uma diferença nas bases de cálculo informadas nos Registros M 105/505 da EFD- Contribuições no valor de R$10.609,95 e R$4.853,31, respectivamente, em confronto com os valores das bases informadas nos blocos A, C, D e F. 4.3.1.3.3.2 Aquisições de Serviços não Considerados Insumos Foram glosados os créditos calculados sobre diversos serviços, listados às folhas 105/106 da Informação Fiscal, que não se enquadram no conceito de insumo à luz do Parecer Normativo Cosit nº 05, de 2018, e do artigo 172 da Instrução Normativa RFB nº 1.911, de 2019. São serviços que, segundo os Auditores Fiscais, denotam utilização em atividades comerciais, atividades administrativas ou trata-se de despesas operacionais e não operacionais dissociadas de processos produtivos ou de prestações de serviços, requisito básico para a subsunção de qualquer item ao conceito de insumo. Em especial, teceram comentários a respeito de serviços (i) de movimentação cross docking, que ocorre entre o centro de distribuição e o cliente, em ponto sem estocagem, e que “compreende basicamente o transbordo da carga (a retirada da mercadoria da carreta de centro de distribuição e transferência para os carros menores que fazem a entrega dos produtos nos clientes”; (ii) de repaletização, considerando-se que há exigência de normas sanitárias quanto à utilização de paletes, mas não quanto à troca de paletes; (iii) com despesas portuárias que além de não se referirem a despesas de armazenagem em operações de venda, cujo crédito é previsto na legislação, também não estão contextualizadas no processo produtivo, requisito fundamental para que o serviço seja considerado um insumo. Também foram glosadas as locações de uniformes, por não haver base legal que permita o creditamento, tendo em vista que o creditamento sobre aluguéis somente é permitido em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, conforme inciso IV do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Foram ainda glosadas as locações de veículos, em especial de empilhadeiras, nos termos da Solução de Consulta – Cosit nº 355, de 13 de julho de 2017, publicada no DOU de 18/07/2017. Fl. 5260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 18 4.3.1.3.3.3 Fretes relativos às NBC 1 e 2 Trata-se dos fretes relativos aos itens glosados ou que tiveram admitido o crédito presumido, pois, conforme parágrafo 158 e seguintes do Parecer Normativo Cosit nº 5, de 2018, o valor do frete está incluído no custo de aquisição dos bens e deve receber o tratamento que for dado ao bem transportado. Se este teve direito a creditamento, então o frete deve ser somado ao preço e terá direito a crédito na mesma alíquota do bem adquirido. Caso contrário, se o bem não for admitido, o frete também não o será. Quanto ao frete de entrada das importações oriundas do ponto alfandegado de desembaraço aduaneiro até os estabelecimentos da empresa, não há base legal para o creditamento. Por sua vez, os fretes dos bens que fazem jus ao crédito presumido deverão ter reconhecido apenas o crédito presumido; se o bem teve seu crédito glosado, o frete também deverá ser glosado. 4.3.1.3.3.4 Diferença Entre o Valor do Crédito Informado nos Registros de Origem D101/D105 e o Valor do Frete Informado pelos Transportadores Segundo os Auditores Fiscais, constatou-se que alguns CTE relativos às operações geradoras de crédito foram computados em duplicidade, conforme se depreende da análise dos valores dos serviços prestados informados na aba “4.3.1.3.3.4” da planilha que compõe o arquivo não-paginável denominado “Planilhas Auxiliares” que contém informações relativas aos CTE disponibilizadas pelo transportadores. 4.3.1.3.4 Natureza da Base de Cálculo do Crédito 07 – Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda 4.3.1.3.4.1 Diferença Entre o Valor do Crédito Apurado nos Registros M 105/505 da EFD Contribuições e o Valor do Crédito Apurado nos Blocos A, C, D e F Em relação a janeiro de 2017, houve glosa do crédito do PIS/Cofins motivada pela ausência de comprovação, uma vez que foi constada uma diferença de R$325.991,35 entre o valor da base de cálculo (R$87.144.678,13) vinculada à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda informada nos Registros M 105/505 da EFD-Contribuições e o valor da base de cálculo informada nos blocos A, C, D e F (R$ 86.818.686,78). 4.3.1.3.4.2 Diferença Entre o Valor do Crédito Informado nos Registros de Origem D101/D105 e o Valor do Frete Informado pelos Transportadores Quanto aos registros de origem D101 associados à “Natureza de Base de Cálculo 07 – Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda” informados nas EFD-Contribuições, constatou-se que alguns CTE relativos às operações geradoras de crédito foram computados com valores superiores aos informados pelo transportadores ou mesmo foram utilizados em duplicidade, conforme se depreende da análise dos valores dos serviços prestados informados na aba “4.3.1.3.4.2” da planilha que compõe o arquivo não-paginável denominado “Planilhas Auxiliares”, que contém informações relativas aos CTE disponibilizadas pelo transportadores 4.3.1.3.5 Natureza da Base de Cálculo do Crédito 12 - Devolução de Vendas Sujeitas à Incidência Não-Cumulativa 4.3.1.3.5.1 Da Inexistência de Créditos Ressarcíveis a Título de Devolução de Vendas Segundo os Autuantes, “trata-se aqui da devolução de vendas sujeitas à incidência não Fl. 5261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 19 cumulativa. O direito ao crédito corresponde ao valor das contribuições apuradas por ocasião da saída da mercadoria. Caso a saída tenha sido beneficiada com alíquota zero, suspensão, isenção ou não incidência, nada haverá a ser creditado. Assim, só geram direito a creditamento, de fato, as devoluções de vendas tributadas no mercado interno. Caso existam devoluções de vendas não tributadas no mercado interno ou de exportações não há direito a creditamento algum porque não houve tributação quando da venda”. Assim, foram reclassificadas para o “CST 50 - Operação com Direito a Crédito - Vinculada Exclusivamente a Receita Tributada no Mercado Interno” as devoluções de vendas sujeitas à incidência não cumulativa das contribuições, que foram informadas pela Contribuinte com o “CST 56 - Operação com Direito a Crédito - Vinculada a Receitas Tributadas e Não-tributadas no Mercado Interno, e de Exportação”. 4.4 Da Apuração dos Créditos Após Glosas Nesse item, as Autoridades Fiscais trazem demonstrativos com a consolidação dos ajustes, considerando as incorreções nos ajustes de acréscimos apontados e os valores a estornar dos créditos. 5 Apuração dos Saldos Finais dos Créditos Neste item foram apurados os saldos finais dos créditos e o resumo da sua utilização para desconto das contribuições devidas, restando o saldo devedor objeto de lançamento de ofício. 6 DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS - DOS FATOS APURADOS Neste item da Informação Fiscal os Autuantes tratam da apuração de omissão de receitas decorrente de incorreção da classificação fiscal adotada pela Contribuinte em relação a alguns produtos que industrializa, cujas constatações do Fisco estão sintetizadas nos parágrafos a seguir. 6.1.1.2 Da Classificação Fiscal das Carnes Temperadas Foram totalizadas as notas fiscais eletrônicas (NFE) cujas classificações fiscais estão incorretas na EFD-Contribuições, excluindo-se o ICMS destacado das NFE dessas vendas após 15/03/2017. Os produtos foram informados com o código NCM 02, quando deveriam estar classificados no capítulo 16. Tendo em conta a NCM, alterada pela Resolução Camex n° 94, de 08/12/2011, e o texto das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias - NESH, aprovado pela IN RFB n° 807, de 2008, com as alterações da IN RFB n° 1.260, de 2012, vigentes à época dos fatos, a Fiscalização concluiu que toda a carne temperada (exceto se apenas com sal) deve ser classificada no Capítulo 16, pelo que a classificação fiscal das mercadorias listadas não é nas posições do capítulo 02 (já que temperadas com outros diversos produtos, e não só com sal). Logo, não podiam ser comercializadas com suspensão e não estavam incluídas no rol das mercadorias tributadas à alíquota zero. Fl. 5262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 20 O entendimento dos Autuantes fundamenta-se, em especial, pela citação expressa nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, no item relativo à “Distinção entre as carnes e miudezas deste Capítulo e os produtos do Capítulo 16”, que se encontra nas Considerações Gerais do Capítulo 02. São citadas, ainda, diversas Soluções de Consulta da 6ª Região Fiscal da RFB confirmando esse entendimento. Consta do Relatório Fiscal listagem com os diversos produtos que foram considerados com a classificação fiscal incorreta, acompanhados da lista de ingredientes fornecida pela Contribuinte, dentre os quais verifica-se a presença de pimenta ou antioxidante para temperados bovinos, ou realçador de sabor (glutamato monossódico), ou aromatizantes ou condimentos ou temperos diversos, como alho, cebola, salsa, proteína de soja, limão, óleo de soja, óleo de aipo, condimento embutido de carne de galinha, algumas vezes vinho, conservantes como nitrato e nitrito de sódio, corantes, estabilizantes e diversos produtos, diferentes de sal ou açúcar. 6.1.1.3 Dos Itens Identificados como KITS Relatam as Autoridades Fiscais que alguns itens da listagem relativa ao Capítulo 02 da NCM são identificados como kits, formados por itens diversos, além das carnes temperadas, como, por exemplo, bolsas térmicas e diversos outros produtos. Pontuam que, para os fins do Relatório Fiscal, o único interesse é demonstrar que os kits e as carnes temperadas que os compõem não se classificam no capítulo 02, e sim no capítulo 16, o que já foi demonstrado no subitem anterior, e que os demais itens dos kits que não se trata de carnes, por evidente, não se classificam no capítulo 02. Em relação aos kits que contém o item bolsa térmica, afirmam que a classificação fiscal segue cada uma das partes, não se constituindo num sortido para venda a retalho, porque este item tem características próprias, é reutilizável e não é uma embalagem. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02, se confeccionada de plástico, que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Mencionam a Solução de Consulta n° 138 -SRRF/9ª RF/Diana, de 5 de junho de 2008. 6.1.1.4 Dos Produtos informados com a Posição 19.02 da NCM Nesse item, os Autuantes trazem uma listagem de produtos (tortas salgadas) que foram informados na EFD-Contribuições como sendo classificados na posição 19.02 da NCM, que estava incluída no rol dos produtos tributados à alíquota zero. Trata-se de pães de queijo crus, fabricados com amido ou fécula de mandioca, queijo e outros ingredientes, que não se assemelham às massas da posição 19.02 da NCM, posição que se destina às “massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado.” As tortas salgadas, por sua vez, caracterizam-se como Fl. 5263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 21 produtos de pastelaria, e também não se assemelham às massas da posição 19.02. Com base na Resolução CAMEX n° 94/2011, seção 1, página 20, e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, os Autuantes concluem que os referidos itens efetivamente não se classificam na posição 19.02 e seus desdobramentos, pois se trata de produtos de pastelaria/padaria, e não de massas alimentícias utilizadas em refeições principais. Portanto, deveriam ter sido tributados normalmente, já que não estão amparados por qualquer comando legal que afaste a tributação. São mencionadas, ainda, diversas Soluções de Consulta que confirmam o entendimento da Fiscalização, e reiterada a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições lançadas de ofício, em face da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança de nº 5014051-95.2014.4.04.7208. No item “6.1.2 – Da Consolidação das Incorreções de Classificação Fiscal” da Informação Fiscal consta a consolidação das incorreções das classificações fiscais, onde estão demonstradas as bases de cálculo das contribuições omitidas dos meses do trimestre em questão. 6.2 Das Receitas Financeiras e Consequente Omissão de Receita Segundo os Autuantes, foi constatado que algumas receitas financeiras que deveriam ter sido tributadas não constam como base de cálculo do PIS e da Cofins no 1º trimestre de 2017. Na apuração dos valores omitidos, consideraram como tributáveis com alíquota positiva as atualizações a que se referem as contas de provisão de juros sobre depósitos judiciais cíveis ou trabalhistas. Afirmam que somente as provisões relativas a juros sobre depósitos judiciais tributários devem ser tributadas apenas quando da solução favorável do litígio ou do levantamento antecipado com acréscimos do depósito. Os depósitos judiciais cíveis e trabalhistas, por sua vez, devem ter as variações monetárias consideradas na base de cálculo do PIS e da Cofins conforme o regime de competência, independentemente da disponibilidade financeira, de acordo com a Solução de Consulta nº 166 – Cosit, de 09 de março de 2017. 6.3 Da Multa por Apresentação de EFD-Contribuições com Informações Inexatas, Incompletas ou Omitidas Este item foi assim descrito na Informação Fiscal, in verbis: Intimada no item 23 da Intimação Fiscal nº 75-2021/EQAUD3/DRF BLU/SRRF09/RFB a esclarecer a origem de quaisquer valores informados nos registros de ajustes de crédito da EFD-Contribuições (M110 e M510), a Interessada a Interessada apresentou as planilhas denominadas: “ITEM 23 01 2017 Registro M110 M510.xlsx”, “ITEM 23 02 2017” Registro M110 e M510.xlsx” e “ITEM 23 03 2017 Registro M110 e M510.xlsx”. Fl. 5264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 22 Da análise das referidas planilhas, verifica-se que houve o cômputo de créditos a título de ajustes de acréscimo, a seguir demonstrados com os respectivos valores, que deveriam ser informados em registros próprios dos blocos A, C, D e F. (...)Cientificada do lançamento, a Autuada apresenta IMPUGNAÇÃO, ilustrada com farta doutrina e jurisprudência administrativa e judicial, cujas razões de defesa estão sintetizadas nos parágrafos abaixo, seguindo-se a ordem dos itens por ela apresentados. III. DAS PRELIMINARES MERITÓRIAS DAS RAZÕES DE ANULAÇÃO III.1 Da Ausência de Busca da Verdade Material e da Indevida Inversão do Ônus da Prova. Em se tratando de lançamento tributário de ofício, formalizado através de Auto de Infração, o ônus da prova incumbe a quem alega o descumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte. Mas no presente caso o próprio Autuante é quem declara que o lançamento por ele formalizado fundamenta-se na inexistência de prova da Impugnante acerca da regularidade e cumprimento de obrigações tributárias, pelo que denota, desde logo, que a motivação da autuação padecerá de vício formal intransponível. Não se está a tratar de pedidos de ressarcimento, cujos créditos a Impugnante deve fazer prova, mas de lançamento de ofício de créditos tributários, pelo que se caracteriza a nulidade por erro de motivação da presente autuação, o que desde logo se requer. III.2 Da Ofensa ao Artigo 142 do CTN e da Ausência de Fundamentação Amparada por Laudo Técnico. Não houve por parte da Fiscalização qualquer esforço em verificar a ocorrência do fato gerador e em determinar a matéria tributável, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN. Muito pelo contrário, em relação à suposta omissão de receitas, apenas desconsiderou a classificação realizada pela Impugnante com base em meras presunções, sem apresentar qualquer motivação ou laudo técnico para tanto. A Fiscalização, na execução dos seus trabalhos, não se pautou por laudo ou definições técnicas para embasar as supostas incorreções das classificações das NCM adotadas pela Impugnante, embora seja uma tarefa árdua e que exige vasto conhecimento técnico sobre a mercadoria objeto de classificação. Além disso, as classificações apontadas pelo Fisco foram contrárias à opinião de laudos técnicos apresentados no curso da fiscalização, e que sequer foram mencionados no Relatório Fiscal, tendo sido apenas informada a sua juntada às fls. 369 a 614 dos autos (fls. 1485). Considerando o pleno desconhecimento fiscal sobre a natureza dos produtos autuados, a Fiscalização incluiu dentre os produtos autuados os hamburgueres do Mc Donald’s, que consistem em produtos constituídos de um único ingrediente – Fl. 5265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 23 carne crua bovina. Ou seja, não são produtos submetidos a qualquer tempero, como as demais carnes cruas autuadas. Os posicionamentos técnicos exarados pelo INT jamais poderiam ter sido ignorados, pois devem ser considerados em suas competências técnicas, nos termos do artigo 106 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, replicado pelo artigo 30 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Não fosse tal fato o suficiente, é importante ressaltar que a Fiscalização deixou de aplicar a correta metodologia para a classificação fiscal dos produtos na NCM, pois não indicou no seu Relatório Fiscal qual seria a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) que teria amparado o seu posicionamento, tendo se limitado a indicar os textos da NESH que, supostamente, dariam guarida à desclassificação realizada. Contudo, em matéria de classificação fiscal, a NESH é uma literatura subsidiária a ser aplicada para auxiliar a aplicação das RGIs, sempre que necessário, conforme dispõe o parágrafo único do artigo 94 do Regulamento Aduaneiro. Portanto, o procedimento adotado pela Fiscalização para a lavratura do presente lançamento é nulo, ante (i) ao inequívoco desrespeito ao artigo 142 do CTN, (ii) à falta de embasamento em laudo técnico e aplicação da correta metodologia para a classificação fiscal de produtos, (iii) indevida inversão do ônus da prova, e (iv) por ferir o princípio da verdade material ao deixar de avaliar as provas apresentadas pela Requerente. Este fato leva, ainda, à necessidade de aplicação do artigo 112 do CTN, que estabelece o princípio de que, na dúvida sobre aspectos factuais da situação, a fiscalização deveria interpretar de forma favorável ao contribuinte. III.3 Da Indevida modificação do critério jurídico – Hamburguer Mc Donald´s Há algum tempo a Impugnante vem sofrendo questionamentos sobre a correção da classificação fiscal das carnes cruas temperadas, inclusive com a lavratura de Autos de Infração para cobrança de valores a título de PIS/Cofins. Todavia, para a surpresa da Impugnante, ao lavrar o presente Auto de Infração, a Fiscalização incluiu no rol de produtos que estariam sujeitos à reclassificação fiscal o “HAMBURGUER QUARTEIRÃO MC DONALDS FS” e o “HAMBURGUER BOVINO MC DONALDS”, que não são produtos adicionados de outros ingredientes diferentes das carnes cruas. Esses hamburgueres são classificados pela Impugnante no código NCM 0202.30.00 e foram analisados anteriormente pela Fiscalização, sem que a classificação fiscal tenha sido objeto de questionamentos, tanto que estes produtos não constam de nenhuma das autuações fiscais anteriormente lavradas contra a Impugnante. Naquelas autuações, ao realizarem o lançamento de ofício de valores supostamente devidos a título de PIS/Cofins sobre os produtos carnes cruas temperadas, a Fiscalização indicou expressamente que não estava incluindo os Fl. 5266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 24 hambúrgueres constituídos apenas de carne crua bovina, por concordar com a NCM adotada pela Impugnante na comercialização de tais produtos. Esse fato demonstra, de forma cabal, que a RFB fixou um critério jurídico quanto à correção da NCM 0202.30.00 adotada para os produtos hamburgueres destinados à rede de fast food Mc Donald’s. A partir da análise do artigo 146 do Código Tributário Nacional (“CTN”), tem-se que as Autoridades Administrativas somente podem alterar os critérios jurídicos utilizados no lançamento de ofício, em relação ao mesmo sujeito passivo, quanto a fatos geradores posteriores à introdução desta modificação de critérios. Essa regra reverbera o princípio constitucional de proteção à segurança jurídica, evitando-se bruscas alterações das normas e entendimentos aplicáveis aos fatos tributários, evitando-se a frustração de legítima expectativa do particular. Resta evidenciado, assim, que o Auto de Infração em epígrafe denota uma flagrante tentativa de mudança de critério jurídico já adotado pelas Autoridades Fiscais para o produto hamburguer Mc Donald ‘s, e apenas nas hipóteses de cabimento do artigo 149 do CTN é que se poderia cogitar em alterações de lançamentos anteriores, o que, sabidamente, não é o caso dos autos. Portanto, no que se refere à cobrança de PIS/Cofins sobre os hamburgueres destinados ao Mc Donald’s, o Auto de Infração sob combate deverá ser declarado nulo. Minimamente, caso, por amor à argumentação, esta DRJ venha a ter entendimento distinto do acima exposto, é mister que se declare a improcedência da cobrança dos juros e da multa impostos contra a Impugnante, pela aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN, que estabelece que a observância de normas complementares pelos contribuintes afasta a imposição de penalidades, juros de mora e atualização monetária. III.4 Da Ofensa à coisa julgada administrativa, em face da essencialidade - Regime de Recursos Repetitivos REsp 1221170/PR Por fim, ainda no que diz com as preliminares de mérito, a lavratura do Auto de Infração foi ofensivo à norma individual e concreta administrativa à qual deve subsumir-se a Fiscalização, vez que várias das glosas havidas já restaram definitivamente afastadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que reconheceu, em decisão final, o direito creditório correspondente, em atenção ao critério da essencialidade, nos termos em que já assentadas as premissas em sede do Regime de Recursos Repetitivos, nos termos do REsp 1221170/PR 22. Várias já são as decisões favoráveis à Manifestante em diversos outros processos contenciosos igualmente levados à apreciação do CARF, sendo certo, contudo, para além dos fortes procedentes, que interessa ao caso aquele cujo trânsito em julgado já se concretizou, impondo-se, com isso, sua observação a todos os órgãos da administração, sob pena de prolação de decisões conflitantes para o mesmo contribuinte, o que não se concebe pelo sistema processual tributário. E este é o Fl. 5267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 25 caso de julgamento do processo nº 10925.905142/2010-77, conforme facilmente se comprova (Anexo 01), e que já foi saneado. Importante destacar que, não obstante o despacho ora impugnado ter como objeto de análises operações realizadas pela então empresa atualmente incorporada, a natureza das operações é de idêntico conteúdo daquela prolatada em face das de outa empresa incorporada ao grupo, a SADIA S/A, o que facilmente poderá ser identificado através das análises do fluxo das operações por todas as empresas sucedidas, as quais hoje são realizadas pela Impugnante, que passou a sucedê-las contratualmente, sem contudo, alterar a natureza de suas atividades fim. IV. DA DEFESA DIRETA MERITÓRIA – RAZÕES DE CANCELAMENTO IV. 1. PREMISSAS DE DEFESA Anteriormente ao enfrentamento tópico das motivações da autuação, segundo a Impugnante impende-se, ainda que brevemente, o estabelecimento das premissas e princípios que norteiam as normas de incidência desse particular tipo de apuração, quer de natureza de estrutura, que prescrevem os arquétipos constitucionais, quer as de conduta, que prescrevem as regra- matrizes tributárias, e sua correlação com a atividade social da Impugnante. Assim, discorre sobre a apuração da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep no regime da não cumulatividade. A Impugnante tece algumas considerações sobre o conceito de insumo adotado pela legislação do PIS/Pasep e da Cofins, com especial enfoque na recente pacificação do tema pelo STJ, à luz dos critérios da essencialidade ou relevância. Assim, conclui que todas as despesas e custos necessários à consecução do objetivo social garantem o direito ao desconto dos créditos das aludidas contribuições, e tendo em vista que a base imponível do PIS e da Cofins é composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica, todas as despesas necessárias para a geração desta grandeza econômica devem ser consideradas para fins de aproveitamento creditício. Dada a complexidade, e para fins de otimização da impugnação, e ainda, no exercício do princípio da economia processual, a Contribuinte se reportará às informações devidamente já prestadas nos respectivos atendimentos das Intimações formuladas no decorrer de todo o Procedimento Fiscal. IV.II DAS INFRAÇÕES AUTUADAS IV.II.1 INFRAÇÕES RELACIONADAS ÀS BASES DE CÁLCULO IV.II.1.1 Omissões sobre Receitas Financeiras A Impugnante afirma que, amparados apenas numa interpretação parcial da Solução de Consulta Cosit nº 166/2017, os Autuantes exigiram créditos de PIS e Cofins incidentes sobre supostas receitas financeiras de variações monetárias ativas de depósitos judiciais de origem trabalhista e cível, sob o argumento de que tais provisões de juros deveriam ser incluídas na base de cálculo das contribuições. Contudo, alega que os juros incidentes sobre depósitos judiciais de qualquer natureza não constituem receita nova, nos termos definidos pela atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal – STF, não se configurando a Fl. 5268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 26 materialidade da tributação do PIS e da Cofins. Nem todo aferimento de valores se constitui como receita tributável, à medida em que o arquétipo constitucional destas contribuições exige que “o ingresso financeiro deva se integrar no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, ainda que temporariamente”. Os montantes de juros e a correção monetária visam apenas reconstituir o poder da moeda, de maneira que o capital não sofra decréscimo monetário pelo transcurso do tempo. Logo, não se configuram como acréscimo, pelo que não se pode cogitar de receita nova a ensejar tributação Além disso, apenas por ocasião da efetiva solução de continuidade dos processos correlatos, decididos em favor do litigante e efetivamente a ele disponibilizados, é que se cogitaria da tributação, vez que a partir de então o crédito seria líquido e certo. Em se tratando, no presente caso, de créditos ilíquidos e incertos, a Impugnante conclui que não se pode cogitar de receitas, mas tão somente de expectativa de sua realização. IV.II.1.1.A A Ausência de Materialidade por Inexistência de Receita Tributável O escólio da suposta tributação viria da regra geral de ciência contábil, que titula como receita qualquer efeito credor lançado em conta de resultado. Contudo, nem tudo o que é receita para fins contábeis é receita tributável para fins de PIS e Cofins. Embora as Leis n° 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, tenham expandido a base de cálculo do “faturamento/receita bruta” para o “total de receitas”, não expandiu a abrangência do conteúdo e alcance do que se constitui como receita tributável, entendimento ratificado pelo STF, por ocasião do julgamento do RE 606.107/RS, proferido em sede de repercussão geral, no sentido de que o conceito de renda tem matriz constitucional, não se confundindo com demais normas, notadamente de caráter contábil. Em que pese o objeto daquele julgamento vinculante ser distinto do presente caso, estabelece critérios claros e incontestáveis, não somente na conceituação da receita tributável, como também, diretamente concernente ao presente caso, no sentido de que receitas advindas de reversão de custos ou despesas possuem os exatos efeitos da correção monetária, vale dizer, são meramente recompositoras de condição monetária (e patrimonial) anterior. IV.II.1.1.B Ausência de Materialidade por Expectativa de Receita Também se configuraria a ilegalidade do lançamento em razão de se verificar a inocorrência da incidência no que diz com seu critério temporal, à medida em que a disponibilidade jurídica sobre a respectiva receita somente ocorre no momento em que se torna líquida e certa. Há duas, e somente duas, formas de reconhecimento de resultado de operações contábeis: regime de caixa e regime de competência; e nenhuma das modalidades revela a expectativa de um direito. Em ambas, a receita decorre ou de um direito efetivamente realizado (regime de caixa), ou de um direito a ser realizado (regime Fl. 5269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 27 de competência), mas em ambos os casos a pré-constituição do direito é um requisito para reconhecimento do resultado. No caso de depósitos judiciais cujas demandas correlatas ainda se encontram em andamento, não há um direito, mas a expectativa de um direito ao qual corresponde uma expectativa de receita. Noutras palavras, inexiste a materialidade da regra-matriz de incidência, não sendo, por isso, tributável. IV.II.1.2 Omissões de Classificação Fiscal IV.II.1.2.1 Breve Resumo da Discussão – Carnes Segundo a Impugnante, a Fiscalização entende que, apenas por serem adicionadas de temperos, por meio de salmoura, as carnes cruas não podem ser classificadas do Capítulo 02 (“carnes e miudezas comestíveis), devendo ser classificadas no Capítulo 16 (“preparações de carne”), não sendo relevante a quantidade de temperos ou como eles interagem na carne. Assim, uma única gota de salmoura levaria ao desenquadramento das carnes do Capítulo 02 para enquadrá-las no Capítulo 16. Porém, a Impugnante afirma que o Capítulo 02 se aplica às carnes cruas em geral, enquanto o Capítulo 16 é apenas destinado às “preparações de carne”, no qual são classificados os produtos diversos que, após tratamentos industriais mais complexos, transformam-se em alimentos preparados para consumo. Aduz que seu posicionamento está fundamentadamente embasado (i) na natureza de seus produtos, demonstrada por meio de laudos do Instituto Nacional de Tecnologia (“INT”) e de outros institutos; (ii) nas Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação das Mercadorias (“RGIs/SH”); (iii) nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”); (iv) nos Pareceres da Organização Mundial das Aduanas (“OMA”); e (v) em práticas internacionais, exemplificadas por meio do posicionamento do México sobre o tema. Afirma que os posicionamentos nos laudos exarados pelo INT devem ser considerados em suas competências técnicas, nos termos do artigo 106 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, replicado pelo artigo 30 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972; e que os técnicos do INT concluíram, de modo inafastável, que a mera adição de temperos às carnes cruas, por meio da salmoura, não as transforma em outros produtos e não as torna aptas ao consumo. Considerações gerais sobre a aplicação da alíquota zero de PIS e COFINS para produtos da cesta básica A Impugnante alega que a aplicação da alíquota zero do PIS e da Cofins, ora discutida, foi concedida no âmbito do incentivo aos produtos da cesta básica, essenciais à alimentação humana, por força da Medida Provisória nº 609, de 8 de março de 2013, convertida na Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013, que acresceu o inciso XIX ao artigo 1º da Lei 10.925, de 23 de julho e 2004. Por essa razão, independentemente da efetiva classificação fiscal que seja dada à carne crua temperada, a norma buscou desonerar as carnes cruas do PIS e da Cofins de modo indistinto, e, como consequência direta e imediata, a inserção de Fl. 5270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 28 temperos nas carnes não faz com que elas deixem de ser produtos de primeira necessidade que compõem a cesta básica, pois continuam consistindo em carnes destinadas à alimentação humana. Neste sentido, cita parecer sobre o tema, que corroboraria os seus argumentos. Conclui ser aplicável, portanto, a adoção da alíquota zero na comercialização das carnes ora analisadas. Classificação Fiscal de Mercadorias A classificação fiscal deve nortear-se, em primeiro lugar, pelas RGIs, RGCs e Notas Complementares constante da TEC, conforme previsto no artigo 15 e seguintes do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7212/2010. Para que se realize a correta classificação fiscal dos produtos na NCM, as regras da NESH são adotadas como um balizador, sempre que houver uma lacuna a ser preenchida, porém, de forma subsidiária. Em hipótese alguma a NESH deve ser usada como primeira e principal fonte de classificação fiscal. IV.II.1.2.2 Carnes “Temperadas” Visando facilitar a diferenciação entre ambos os produtos, a Impugnante apresenta fotos de produtos que fabrica e os classifica na posição 16 da NCM; e a título exemplificativo, fotos de produtos classificados no Capítulo 02, nas posições 02.03 e 02.07 da NCM, com informações sobre os seus ingredientes antes de serem submetidos ao processo de conservação por congelamento, mas já submetidos à salmoura. Apresenta, também, as informações técnicas principais dos produtos comercializados, as quais serão adotadas como parâmetro para a classificação fiscal de todas as carnes constantes da autuação, independente de eventuais diferenças que elas possam ter de ingredientes, pois todos os produtos consistem em carnes in natura (cruas = não cozidas). Assim, está convicta de que o fato de serem adicionados temperos às carnes por ela comercializadas não as transforma em outro produto e não é fator determinante para a sua reclassificação fiscal, já que se trata de produtos cárneos, inteiros, cortados ou desossados, não cozidos, congelados e submetidos à salmoura, que não altera a natureza da carne e a mantém crua. Entende que o seu posicionamento resta esclarecido por laudos técnicos e periciais que traz em anexo, inclusive laudos técnicos atualizados sobre a natureza dos seus produtos e dos respectivos processos produtivos, obtidos pela Impugnante diante das recentes autuações fiscais sofridas. Em especial, cita relatórios do Instituto Nacional de Tecnologia (“INT”) que em 2020 elaborou minuciosa análise sobre 5 (cinco) produtos crus fabricados pela Autuada, a serem adotados pela Administração Pública nos termos de suas competências técnicas (art. 106 da Lei nº 4.502, de 1964, e art. 30 do Decreto nº 70.235, de 1972): (i) Relatório Técnico nº 286/20, referente ao Peru Temperado Congelado; Fl. 5271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 29 (ii) Relatório Técnico nº 287/20, referente ao Chester Temperado Congelado; (iii) Relatório Técnico nº 288/20, referente ao Frango Inteiro Congelado; (iv) Relatório Técnico nº 289/20, referente às Coxinhas das Asas de Frango Temperadas Congeladas; e(v) Relatório Técnico nº 290/20, referente ao Lombo Temperado Congelado. E para realçar a distinção entre os produtos temperados crus e outros produtos efetivamente preparados/transformados pela manifestante, apresenta, ainda, o Relatório Técnico nº 291/20, referente à Mortadela de Frango. Conclui que, nos 5 (cinco) laudos técnicos sobre os produtos temperados e crus, restou inequívoco que tais produtos (i) não passaram por etapas de produção que transformaram a sua natureza e seu estado cru; (ii) não são conservados por outro método, a não ser pelo congelamento; (iii) tiveram alguns ingredientes aplicados por meio de salmoura, os quais, considerados em sua base seca, representam percentuais ínfimos do produto comercializado; e, finalmente, (v) não podem ser consumidos na forma como apresentados para comercialização. Alega que segundo o Anexo I da Instrução Normativa nº 60, de 23 de dezembro de 2019, editada pela ANVISA, que trata dos Padrões Microbiológicos de Alimentos, com exceção dos alimentos comercialmente estéreis, fica evidenciado que a ANVISA concede o mesmo tratamento às carnes cruas, temperadas ou não, refrigeradas ou congeladas, distinguindo-as dos produtos cárneos (submetidos a processos adicionais), temperados ou não. IV.II.1.2.3 Hambúrgueres Mcdonald ´s Quanto aos produtos “HAMBURGUER QUARTEIRÃO MC DONALDS FS” e “HAMBURGUER BOVINO MC DONALDS”, classificados pela Impugnante no Capítulo 02, e para os quais a Fiscalização também entende ser correta a classificação no Capítulo 16, a Impugnante afirma que são compostos 100% por carne bovina, sem adição de qualquer ingrediente adicional, sujeito apenas ao processo de moagem, modelagem, porcionamento e congelamento. A adição de eventuais outros ingredientes, caso haja, será feita pelo McDonald’s em seus estabelecimentos, seguindo a receita específica para cada um de seus sanduíches, conforme fichas técnicas dos produtos que apresenta (Anexo 11 e 12). Logo, diferentemente dos demais produtos discutidos na impugnação, que consistem em carnes cruas temperadas, os hamburgueres vendidos ao Mc Donald`s não possuem nem ao menos sal em sua composição, restando demonstrados os equívocos da classificação fiscal cometidos pela Fiscalização. Classificação fiscal de mercadorias – análise jurídica Segundo a Impugnante, a correta classificação fiscal das mercadorias na NCM depende, conjuntamente, de dois fatores, quais sejam: (i) a precisa avaliação das características técnicas dos Fl. 5272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 30 produtos, no caso, a constatação de que se trata de carnes cruas (in natura), submetidas à salmoura e conservadas por congelamento; e, somente a partir dessa premissa fundamental, (ii) a escorreita aplicação das regras de classificação fiscal previstas na legislação. Logo, afirma que o Auto de Infração recorrido falhou ao não considerar aspecto fundamental para a compreensão técnica dos produtos que se pretende reclassificar, pois não teceu qualquer comentário sobre o tratamento de salmoura dos produtos, corte/desossa e congelamento, e não deu atenção ao fato de que a “salmoura”, corte/desossa e congelamento são processos expressamente previstos para tratamento das carnes cruas, classificadas no Capítulo 02, seja pela aplicação das RGIs, seja pela NESH. Diz que: (i) os textos do Capítulo 02 descrevem, literal e nominalmente, os produtos por ela comercializados; (ii) não há nenhuma Nota que invalide a classificação fiscal adotada para seus produtos, carnes bovinas, suínas, carnes e miudezas de aves, no Capítulo 02; e (iii) como decorrência da aplicação da RGI 1, em especial pelos textos das posições (02.03 e 02.07), dúvidas não restam quanto à correta classificação fiscal dos citados produtos nas posições onde se encontram originalmente classificados, não havendo que se cogitar da aplicação do Capítulo 16, como pretende a fiscalização. O equívoco cometido pela Fiscalização decorreu da análise descontextualizada do trecho das Considerações Gerais que dispõe que as carnes e miudezas incluem-se no Capítulo 16 “quando se apresentem cozidas de qualquer maneira (cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas), ou preparadas de outro modo, ou conservadas por qualquer processo não mencionado neste Capítulo”. A interpretação correta seria que, caso as carnes sejam conservadas ou preparadas por qualquer processo não mencionado no Capítulo 02, elas se enquadram no Capítulo 16. Uma vez que todos “os produtos comercializados pela Impugnante são congelados (modo de conservação), inteiros, cortados ou desossados (modos de preparo), e passam por salmoura”, não haveria que se perquirir se eles também são temperados de outra forma ou não, dado que irrelevante; e que não há uma previsão expressa no sentido de que as carnes temperadas não possam se enquadrar em referido Capítulo. Aduz que a Nesh não é capaz de infirmar a correção das NCMs adotadas pela Impugnante na comercialização de seus produtos, devendo ser mantidas as NCMs adotadas pela Impugnante, sendo legítima, portanto, a aplicação da alíquota zero de PIS/Cofins na sua comercialização. Para corroborar toda a análise realizada, a Impugnante também buscou uma assessoria em matéria de merceologia, a qual elaborou pareceres para os produtos: (i) Peru Temperado Congelado (Anexo 13); (ii) Chester Temperado Congelado (Anexo 14); (iii) Frango Inteiro Congelado (Anexo 15); (iv) Coxinhas das Asas de Frango Temperadas Congeladas (Anexo 16); e (v) Lombo Temperado Congelado (Anexo 17), todos amparados nos mencionados laudos técnicos do INT. Fl. 5273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 31 Comentários adicionais quanto à classificação fiscal dos hambúrgueres A Impugnante repete a alegação anteriormente apresentada, de que, quanto aos hambúrgueres fornecidos ao McDonald’s, por serem constituídos de 100% de carne bovina, não há qualquer dúvida quanto à correção do Capítulo 02, destacando que a Receita Federal, inclusive, já se manifestou a respeito, por meio das Soluções de Consultas Cosit nº 98.035/2018 e nº 98.310/2019 com efeito vinculante no âmbito da RFB. Portanto, conclui que o Auto de Infração deve ser cancelado neste quesito. IV.II.1.2.4 Kits A Impugnante se insurge contra o entendimento fiscal de que as carnes não poderiam estar enquadradas no Capítulo 02 e que a bolsa térmica deveria estar classificada na posição 42.02. Defende a adequação de sua classificação alegando que esta deve ser feita com base na RGI 3, conforme evidenciado pela RGI 2 b), e que assim sendo os artigos compostos devem ser classificados segundo a matéria que lhes confira a característica essencial, posto tratar o presente caso de “produtos acondicionados para venda a retalho”. Desta feita, defende que os kits de produtos alimentícios possuem, entre outros produtos, as carnes temperadas que são o produto mais importante dos kits, dando-lhes a característica essencial. Por essa razão, conclui que a classificação no Capítulo 02 é a adequada. Ainda que assim não se entenda, e se decida pela classificação individual de cada produto constante do kit, fato é que ao menos as carnes neles constantes deveriam receber o tratamento de PIS/Cofins com base nas posições 02.03 e 02.07, ou seja, as receitas decorrentes de suas vendas não estariam sujeitas a essas contribuições, conforme fartamente demonstrado acima. Posição 19.02 A Impugnante afirma que as classificações fiscais das mercadorias por ela praticadas, no Capítulo 19, são legítimas e estão de acordo com a correta interpretação do Sistema Harmonizado. Correta Classificação das Tortas Segundo a Impugnante, classificou as tortas recheadas de carne que comercializa na posição 19.02 (“Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”). Entretanto, a Fiscalização discordou entendendo que as tortas recheadas deveriam ser classificadas na posição 19.05 do Capítulo 19, referente a “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”; ou, subsidiariamente, na posição 16.02 do Capítulo 16, referente às “Preparações de carne, de peixes ou de crustáceos, de moluscos ou de outros invertebrados aquáticos”. Fl. 5274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 32 A Impugnante alega que a Fiscalização não se desincumbiu de sua função de comprovar o alegado, utilizando argumentos genéricos e assumidamente sem fundamento para a questão aqui tratada. Mas considerando que no texto das posições não há indicação literal dos produtos “torta recheada”, remete-se às notas do capítulo 19 e da seção IV (seguindo a RGI 1) para afirmar que “a presença de carnes na composição das tortas não invalida a classificação na NCM 19.02”. Assim, afirma que, com base na RGI 2 b), correto seria a manutenção dos produtos no Capítulo 19, “uma vez que a massa em si é a matéria mais relevante, “sendo o recheio de carne apenas um acessório que lhe é agregado”. Por existir uma dúvida razoável, para tais casos, a RGI 2 evidencia a necessidade da leitura da RGI 3; e a RGI 3 b), por sua vez, esclarece que, quando a mercadoria for composta por produtos misturados, a classificação se dará pela matéria que lhe configura a característica mais essencial. IV.II.2. Infrações Relacionadas ao Crédito IV.II.2.1 Créditos Presumidos Atividades Agro IV.II.2.1.1 Créditos Presumidos - Lei 10.925/04 Segundo a Impugnante, a Autoridade Fiscal glosou os créditos presumidos da atividade agroindustrial calculados com base na Lei nº 10.925, de 2004, tais como ovo comercial, lenha de eucalipto por peso, maravalha seca pinus para integrados e enfardada, com a justificativa de que não são insumos utilizados no processo produtivo e que parte seria para comercialização, não reconhecendo o direito de crédito da Autuada. Porém, é empresa do setor alimentício, por conta disso possui uma vasta variedade de produtos industrializados e comercializados, de origem animal e vegetal, e de acordo com o art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, pode efetuar o aproveitamento do crédito de PIS e da Cofins. Por fim, no que tange aos créditos originários da aquisição do ovo comercial, destaca que realizou o estorno do crédito no momento da realização da venda. A forma do estorno é realizada pelo custo da aquisição, sendo que este valor é informando nos Blocos M 110 e M510. A composição do estorno já consta nos autos, nos arquivos planilháveis denominados ITEM 23 01 2017 Registro M110 e M510, ITEM 23 02 2017 Registro M110 e M510 e ITEM 23 03 2017 Registro M110 e M510, que contém o detalhamento do estorno do item ovo vendido na sheet 04. IV.II.2.1.2 Créditos Presumidos - Lei 12.058/09 Segundo a Impugnante, os créditos por ela apropriados não foram admitidos pelo Fisco porque as Autoridades Fiscais entenderem que os parágrafos únicos dos artigos 5º e 6º da Instrução Normativa RFB nº 977/2009 vedariam a tomada de créditos, uma vez que a empresa vende e industrializa produtos classificados nas posições 02.01 e 02.02 da NCM, bem como não teria exportado bens classificados nos códigos 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM no período. Fl. 5275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 33 Ademais, os Autuantes também alegaram que a aquisição de bens com suspensão da incidência das contribuições vedaria a tomada dos créditos presumidos, e que não haveria controle de estoque específico para a destinação dos produtos. Quanto à tomada de crédito presumido sobre bens adquiridos com suspensão de pagamento das contribuições, a Impugnante alega que os artigos 7º e 8º da então vigente IN RFB nº 977/2009 autorizavam expressamente o creditamento. O legislador claramente se refere aos insumos adquiridos por empresa industrial, permitindo que mesmo os produtos adquiridos com tributação diferenciada, neste caso por suspensão, sejam passíveis de creditamento por seu adquirente. Quanto à alegação do Fisco de que a Autuada negociou produtos classificados nos códigos NCM 02.01, 02.02 e 15.02, a Impugnante defende que a vedação expressa no parágrafo único do artigo 6º da IN RFB nº 977/2009 diz respeito a produtos específicos, cuja industrialização resulta em produto cuja receita seja suspensa, e a BRF, neste caso, possui “enfoque do adquirente” destas mercadorias, e possui uma vasta gama de produtos adquiridos como insumos que não se encontram nas hipóteses de vedação previstas na legislação. No que tange à afirmação da Autoridade Fiscal de que a Impugnante não poderia ter se aproveitado dos créditos presumidos em decorrência da existência de alíquota zero dessas contribuições, a Impugnante declara que fez os ajustes e estornos necessários. No mais, alega que as Autoridades Fiscais também apresentaram um óbice inexistente: a falta de segregação das aquisições de gado vivo. No curso da fiscalização explicou que tal controle é “impraticável”, na medida em que partes de um mesmo animal são destinadas tanto para a exportação como para o mercado interno. Diante da impossibilidade prática de segregação de qual parte do animal é destinada a qual mercado, “compete à Autoridade fiscal fiar-se no elemento de prova mais óbvio e confiável: o percentual da receita auferido no mercado interno e aquele auferido em operações de exportação”. IV.II.2.1.3 Créditos Presumidos - Lei 12.350/10 Segundo a Impugnante, os créditos presumidos do PIS e da Cofins previstos na Lei nº 12.350/2010 e nos artigos 5º e 6º da IN RFB nº 1.157/2011, que regulamentou a referida lei, foram glosados porque a Autoridade Fiscal entendeu que tais créditos não poderiam ser aproveitados em razão das vedações contidas nos parágrafos únicos dos próprios artigos 5º e 6º. Contudo, a Autoridade Fiscal se equivocou, pois as vedações em questão alcançam apenas alguns produtos adquiridos ou industrializados pela empresa, e não toda gama de produtos. Em relação ao supracitado artigo 5º, a Impugnante afirma que tal vedação afeta tão somente as operações praticadas no mercado interno. O crédito presumido pode ser calculado sobre as aquisições vinculadas às exportações que a empresa realiza periodicamente e que não necessariamente Fl. 5276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 34 são realizadas na mesma competência dos créditos, até porque a legislação não impõe este requisito. Com relação ao crédito presumido previsto no artigo 6º da IN RFB nº 1.157/2011, ao fazer remissão ao artigo 2º, IV, o dispositivo em questão vedaria o cálculo de crédito presumido apenas sobre operações praticadas no mercado interno decorrentes da venda de produtos classificados nos NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1. Mas, novamente, a Autoridade Administrativa incorre em erro, pois a Impugnante aplicou as normas retro mencionadas que determinam as hipóteses de suspensão e incidências de PIS/Cofins em relação as operações de venda. Neste contexto, a Impugnante possui condição de adquirente dessas mercadorias para industrialização, as quais resultam produtos diversos, tributados ou não pelo PIS e Cofins. Uma vez mais, cumpre informar que os ajustes de estorno devidos, apurados pela empresa, foram realizados na sua apuração de crédito e declarados em EFD- Contribuições sob forma de estornos e ajustes. No mais, reitera o inexistente óbice criado pelas Autoridades Fiscais, e já mencionado no item anterior: a segregação das aquisições dos animais. A Impugnante balizou todo o seu procedimento para tomada e controle de créditos no Parecer realizado por empresa independente especializada, cuja cópia compõe o Anexo 09. IV.II.2.2 Créditos de Aquisições para Revenda, e de Insumos com alíquota zero e suspensão Por serem tributadas à alíquota zero, foram glosados os créditos apurados sobre as aquisições de itens para revenda, discriminados na aba “4.3.1.3.1.1” do arquivo não-paginável denominado “Detalhamento das Glosas”. Também foram glosados créditos apurados sobre as aquisições de bens utilizados como insumo tributados à alíquota zero. Segundo a Impugnante, por definição legal, a tributação com alíquota zero não significa não incidência ou isenção das contribuições. Em outras palavras, os produtos foram tributados. Independentemente da destinação destas mercadorias adquiridas e tributadas à alíquota zero, sem ônus financeiro, pelo princípio da regra matriz de incidência tributária tais aquisições sofreram a incidência das contribuições e, desta forma, geram direito ao creditamento nas operações. Destarte, solicita o cancelamento das glosas, uma vez que não ocorreu averiguação do movimento de registro de saídas dos produtos mencionados, a fim de comprovar que houve tributação nas saídas, bem como também os insumos foram “tributados” na entrada, mesmo que por alíquota igual a zero. Com relação ao creditamento do insumo “açúcar”, afirma que se trata de insumo que faz parte do seu processo produtivo, compondo um produto com saída Fl. 5277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 35 tributada pelo PIS/Cofins, restando o direito ao seu creditamento para que não gere um descompasso tributário. Em seguida, defende-se da acusação de que teria classificado o açúcar incorretamente no código NCM 1701.13.00 (açúcar de cana mencionado na Nota 2 de subposição), passível de creditamento, quando o procedimento correto seria manter o NCM informado nas notas fiscais, NCMs 1701.14.00 (outros açúcares de cana) ou 1701.99.00 (outros açúcares de cana ou de beterraba e sacarose quimicamente pura, no estado sólido), os quais impossibilitam o creditamento do PIS e da Cofins. A Impugnante alega que a reclassificação do açúcar para o NCM 1701.13.00 teve como pressuposto a característica e a especificidade do item mencionado nas notas fiscais do fornecedor, pois nelas é apresentado um código NCM genérico (1701.14.00 e 1701.99.00), tratado como “outros açúcares”, sem que haja um descritivo claro e definitivo para o açúcar refinado. Como fundamento para a glosa das aquisições relativas a MIUDOS CONG FGO (MOELA) BDJ 1KG SADIA NCM – 0504.00.90, o Auditor Fiscal apontou o inciso XIX do artigo 1° da Lei 10.925, e inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, que trata de carnes sujeitas à alíquota zero. Porém, tais aquisições de miúdos são classificadas no código 0504.00.90 da NCM, e, portanto, não se enquadram nos códigos da TIPI citados nos dispositivos mencionados pelo autuante. Em relação à glosa de crédito correspondente à aquisição do item “queijo processado”, o fornecedor realizou o destaque do valor vinculado ao PIS e à Cofins, conforme Anexo 20 com a relação de notas fiscais emitidas. Assim sendo, seguindo a regra da não cumulatividade, a Autuada realizou o aproveitamento do crédito PIS e COFINS. No que tange às aquisições de vacinas e medicamentos, tais itens são insumos essenciais e obrigatórios na fabricação dos produtos, integrando o processo produtivo da BRF. O regime de tributação monofásico gera direito ao crédito, quando os bens são utilizados como insumo do processo produtivo, conforme parecer de auditoria independente que corrobora o seu entendimento (Anexo 21). Mesmo que a operação anterior esteja enquadrada no regime monofásico, não seria coerente e nem razoável a BRF adquirir o produto para uso próprio, que não tem fins de revenda, sem poder tomar o devido crédito, já que será integrado ao custo do produto. Quanto às glosas dos créditos calculados sobre aquisição de ferramentas e instrumentos de medição, listados na aba “Não atende conc insumo” da planilha “GLOSAS 01 trimestre 2017”, a Impugnante destaca especificamente os produtos “MEDIDOR PH BOLSO 1A15” e “TESOURA AMR 8POL 5560/08MUN 25923/058TRA” e a sua aplicação. Afirma que as justificativas de glosa não devem prosperar, pois não houve uma análise minuciosa dos itens da lista de ferramentas, tendo sido negado o direito ao crédito simplesmente por uma verificação superficial e pela nomenclatura dos itens. Fl. 5278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 36 Esses bens são utilizados em seu processo produtivo, possuem a permanente necessidade para a produção e qualidade do produto final, tornando-se essencial à atividade da empresa, não tendo o Agente fiscal observado os princípios do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, dos quais dependem os critérios de essencialidade e relevância. IV.II.2.3 Créditos Não Permitidos de Serviços Os serviços utilizados pela Contribuinte, descritos no Relatório Fiscal às fls. 1564 a 1575 do Auto de Infração, são essenciais e relevantes para a atividade da empresa em todas as fases da produção. Como se vê, o Auto de Infração contraria o entendimento assentado em sede do regime de recursos repetitivos do STJ, na medida em que prescreve entendimento restritivo ao conceito de insumo, que se revela ilegal. Em especial, a Impugnante destaca os serviços de movimentação de cross docking, serviços portuários, serviços de vigilância, repalitização (refoma de pallets), locação de uniformes, administração de vestiários, locação de veículos e equipamentos e emissão de certificação Halal, analisados em itens específicos da impugnação. IV.II.2.3.1 Serviços Cross Docking Esse serviço é imprescindível, essencial e relevante para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Impugnante, e compreende o transbordo da carga de grandes caminhões para caminhões menores que fazem a entrega dos produtos, mantendo a refrigeração e a qualidade. IV.II.2.3.2 Reforma de Pallets São serviços intrinsicamente ligados ao processo produtivo da BRF, já que os pallets são destinados a suportar grandes e diárias movimentações de carga. A BRF também solicitou um relatório elaborado por auditoria independente para que fosse realizado o estudo e viabilidade, dentro das normas, do direito ao crédito (Anexo 23). IV.II.2.3.3 Locação de Uniformes Esses serviços foram glosados no Relatório Fiscal sob a alegação de que inexiste base legal para permitir o creditamento. Mais uma vez o cerne da questão é o conceito de insumos e o entendimento restritivo utilizado pela fiscalização. A Contribuinte atua no ramo alimentício, e assim os uniformes e demais materiais utilizados pelos funcionários são inequivocamente essenciais, relevantes e imprescindíveis no seu processo produtivo. É fato que a higiene e limpeza na indústria alimentícia é essencial para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Aplicando-se o teste de subtração, é fácil identificar que a eliminação do serviço implica na impossibilidade da realização de sua atividade empresarial ou, pelo menos, causa perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil, restando comprovada a imprescindibilidade e a essencialidade do serviço. Fl. 5279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 37 IV.II.2.3.4 Locação de Veículos e Equipamentos Ao defender-se da glosa dos créditos apurados sobre o serviço de locação de veículos, especialmente de empilhadeiras, a Impugnante alega que os Autuantes adotaram o simples, ultrapassado e restritivo argumento de que tal serviço não atende ao conceito de insumo. IV.II.2.3.5 Administração de Vestiários Os créditos deste item foram glosados em face do entendimento restritivo utilizado pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos. Porém, nos termos do contrato de prestação de serviços, entende-se por administração de vestiários a locação de uniformes profissionais, contratação de serviços de lavanderia, administração e limpeza de vestiários. A Contribuinte é pessoa jurídica que atua no ramo alimentício, de modo que, inequivocadamente, os uniformes e vestiários utilizados pelos funcionários são itens essenciais, relevantes e imprescindíveis no seu processo produtivo. É fato que a higiene e limpeza na indústria alimentícia é essencial para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela Contribuinte. Por fim, também aplicando o teste de subtração, é de fácil identificação que sua eliminação implica na impossibilidade da realização de sua atividade empresarial, ou, pelo menos, causa perda de qualidade substancial que torna o serviço ou produto inútil. IV.II.2.3.6 Emissão de certificação Halal A Impugnante afirma que a certificação Halal é obrigatória para o consumo dos produtos por clientes islâmicos, estando vinculada ao processo produtivo desde o início, até o produto acabado e o seu armazenamento. Desta forma, o serviço de certificação torna-se essencial para a empresa, assegurando o cumprimento de exigências desse mercado consumidor tão importante. Para complementar a análise e necessidade desta certificação, apresenta parecer técnico elaborado por empresa de consultoria (Anexo 24). IV.II.2.3.7 Serviços Portuários De acordo com o Relatório Fiscal, a glosa do crédito de serviços portuários está vinculada ao mesmo critério adotado em relação aos certificados, ou seja, são serviços realizados após a produção. Os procedimentos de handling in e out consistem na transferência do container do caminhão para o pátio do armazém para carregamento, e de sua realocação para o veículo, respectivamente. Por tratar-se de transferência do caminhão para um armazém, esse custo está incluso no processo de armazenamento dos produtos a serem exportados, e portanto a apuração do crédito prevista no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Conclui a Impugnante que são serviços essenciais e vinculados diretamente à receita tributável pelo PIS e pela Cofins, e também foram objeto de relatório elaborado por empresa de consultoria (Anexo 25). Fl. 5280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 38 IV.II.2.3.8 Serviços de Vigilância Pelo simples e ultrapassado argumento de que, supostamente, não atenderiam ao conceito de insumo, foram glosados os serviços de vigilância, assim identificados: sistema segurança/vigilância nr12, serviço de vigilante 24 hs desarmado, vigilância ronda 24 hs armado, serviço de vigilância Ronda 12 hs armado noite, serviço vigilância portaria 24 hs, serviço de vigilância locação moto ronda, serviço de vigilante 12 hs dia armado, serviço de vigilante 12 hs noite desarmado e serviço de vigilância portaria 12 hs noite. A Impugnante possui inúmeras unidades produtivas, sendo grande parte fazendas e grandes plantas industriais. Assim, concentra grande dispêndio financeiro com a finalidade de exercer preventivamente a proteção do patrimônio e das pessoas que se encontram nos limites da localidade a ser vigiada. Deste modo, os serviços são indiretamente ligados à produção dos bens, sendo indispensáveis e infelizmente necessários para a regular condução das atividades empresariais pela recorrente. Destarte, tais despesas se tornam indispensáveis à produção e são decorrentes de serviços utilizados diretamente neste, podendo ser consideradas insumos e gerar créditos de PIS e Cofins. Para tanto, anexa os contratos celebrados com seus prestadores de serviços. IV.II.2.3.9 Serviço de Aluguel de Imóvel Administrativo Segundo a Impugnante, conforme legislação de regência, é permitido o aproveitamento dos créditos em relação a aluguéis de prédios pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Assim, para fins de comprovação da origem destas locações, anexa os respectivos contratos, pelo que poderá ser comprovada a adequação com o permissivo legal de creditamento (Anexo 26). IV.II.2.3.10 Serviço de Arrendamento de Área de Terras para Plantio de Floresta (eucalipto) A Impugnante afirma que as despesas com o arrendamento agrícola se equiparam às despesas com aluguéis de prédios utilizados na atividade da empresa, tal como prevê o art. 3º, inciso IV, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, de modo que anexa cópia do contrato de arrendamento de propriedade rural para plantio de eucalipto, para fins de comprovação da origem do creditamento (Anexo 27). IV.II.2.4 Créditos Extemporâneos IV.II.2.4.1 Crédito Extemporâneo de Ativo Imobilizado Segundo a Impugnante, o creditamento extemporâneo é muito comum quando se trata de empresa de grande porte e com complexo e variado processo produtivo, pois é praticamente impossível determinar, na entrada das mercadorias, se elas serão utilizadas ou não no processo produtivo. Vários itens podem ter uma aplicação mista, ou seja, ser ou não aplicado no processo produtivo. Essa característica exige que de tempos em tempos a empresa contrate consultorias especializadas que fazem todo o levantamento, considerando não só a aplicação do material mas, e principalmente, a classificação contábil do custo. Fl. 5281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 39 Em relação aos serviços, dúvidas ou lapsos podem fazer com que o creditamento não seja aplicado em sua entrada, fazendo com que a análise mais apurada e um maior detalhamento da sua aplicação e essencialidade seja feita, do mesmo modo, por uma consultoria especializada, surgindo daí a necessidade e o direito ao crédito extemporâneo, nos moldes adotados pela Impugnante. Desta forma, identificou “aquisições e serviços que dão direito ao crédito extemporâneo, correspondente aos períodos de 2011 a 2016”, e aproveitou tais valores, declarando-os na EFD-Contribuições do 1º trimestre de 2017. Tal procedimento, se algum prejuízo causa, é para o próprio Contribuinte e não ao Fisco, até mesmo porque o crédito extemporâneo é realizado sem qualquer atualização. Afirma que atendeu a todas as intimações, detalhando e discriminando todos os seus procedimentos de apuração, apresentando inúmeras planilhas com todos as informações solicitadas, como listagem dos produtos e notas fiscais relacionadas aos créditos extemporâneos. Destaca a forma como atendeu às intimações formuladas durante o procedimento fiscalizatório, isso porque o Auditor Fiscal solicitou que a BRF apresentasse informações sobre todos os ativos de forma discriminada por nota fiscal. Embora a Autuada tenha atendido aos pedidos, essas informações podem mais confundir do que explicar, posto que a obrigação acessória relacionada – EFD-Contribuições – não exige a abertura dos créditos sobre os itens do Ativo Imobilizado por nota fiscal. Quanto à impossibilidade de alteração do critério para apuração dos créditos de PIS e Cofins, discorda da interpretação do Auditor Fiscal de que uma vez que o contribuinte efetue os cálculos com base num dos critérios, essa opção é irretratável. Cita o parágrafo 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 457, de 2004; mas no entender da Impugnante essa não é a correta interpretação do dispositivo regulamentador, citando o § 2º do artigo 2º da Instrução Normativa SRF nº 457, de 2004. Assevera que o disposto no artigo 7º determinou que, uma vez que a empresa tenha optado pelo cálculo com base nos prazos menores (1/48 ou 1/24), essa opção é irretratável, e não mais poderia voltar a calcular o crédito com base nas taxas de depreciação. Mas não há na legislação qualquer vedação para que a empresa a faça de forma retroativa. A regra geral não é uma opção, razão pela qual poderá fazê-la a qualquer tempo. Aduz que a RFB já se manifestou sobre essa questão em inúmeros processos de consulta, citando decisão proferida pela Superintendência Regional da Receita Federal - SRRF/6a. Região, além de apresentar relatório elaborado por empresa especializada que corroboraria os seus argumentos (Anexo 28). Alega que o Autuante “não nega tratar-se de aproveitamento de Crédito PISCOFINS sobre novas classe de produtos.xlsx” como parte do Ativo Imobilizado da BRF”. Mas a Impugnante tomava os créditos das contribuições com base nas taxas de depreciação aplicáveis, enquanto a legislação permitia a tomada desses Fl. 5282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 40 créditos em menor prazo. Houve, igualmente, um recálculo das apropriações com base no valor residual dos bens, o que resultou no registro extemporâneo, em março de 2017, dos créditos remanescentes sobre essa classe de produtos. A falta de pedido de esclarecimentos adicionais, contudo, fez com que o Auditor Fiscal concluísse que haveria registros cuja possibilidade de créditos estaria prescrita, o que não condiz com os fatos e os procedimentos adotados pela Impugnante, que observou, não só o período em que o registro poderia ser feito, como calculou o montante do crédito sobre a depreciação determinada pelas taxas permitidas pela legislação de regência, desprezando todos os meses que porventura já tivessem sido atingidos pelo instituto da decadência. A Impugnante entende que o deslinde em relação ao presente item somente será possível com a realização de diligências, que fatalmente concluirão pela correção dos procedimentos e cálculos efetuados pela Autuada. IV.II.2.4.2 Creditamento Extemporâneo sem retificação de DACON e EFD- Contribuições Ainda sobre o direito ao creditamento extemporâneo, a Impugnante rechaça a motivação apresentada pelas Autoridades Fiscais para não reconhecimento dos créditos, amparada na determinação de necessidade de retificação dos Dacon e EFD dos respectivos períodos de apuração, pois inexiste norma legal que imponha essa retificação para inclusão de créditos fora dos períodos de apuração a que se refiram. Afirma que, desde que a operação anterior esteja contemplada legalmente com possibilidade de crédito e seja tempestivo o registro, o direito ao crédito deve ser assegurado, independentemente de qualquer retificação de obrigações acessórias dos períodos relacionados com o crédito extemporâneo. IV.II.2.5. Créditos de Frete A Impugnante alega que, mesmo para os produtos transportados sujeitos à alíquota zero ou suspensão das contribuições, tem direito à tomada de créditos, pois não há uma vinculação entre os créditos admissíveis referentes aos fretes e aqueles que tratam dos produtos transportados. Mesmo os produtos que possuem tributação diferenciada, os fretes relativos a essas aquisições possuem incidência de PIS e Cofins e, portanto, permitem o direito ao crédito das contribuições. Conclui que os fretes contratados e os produtos transportados não guardam nenhum vínculo para fins de possibilidade de créditos, e não há qualquer menção desse fato nas leis que permeiam os tributos. A Impugnante também contesta a glosa de fretes contratados após o desembaraço aduaneiro, para transporte de bens importados até os seus estabelecimentos, alegando que são efetuados a pessoas jurídicas domiciliadas no país, e qualquer vinculação da contratação dos fretes, utilizados como insumos, com seus produtos transportados, ou ainda, vinculação com legislação específica Fl. 5283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 41 aplicáveis aos produtos importados, resulta em grave equívoco e falha na interpretação das bases legais. IV.II.2.5.1 Diferença Registro D101/D105 e M105/505 O Fisco identificou divergências de valores sobre aquisições informados na obrigação acessória EFD- Contribuição com relação aos documentos emitidos pelas transportadoras. Consequentemente, glosou 9 (nove) registros, identificados na impugnação. A Impugnante informa que, em procedimento interno, diante da análise das obrigações, realizou nos blocos de Ajuste apuração dos meses de maio e agosto de 2017 e fevereiro de 2018 o estorno de crédito de 4 registros, que relaciona, de modo que a glosa improcede. IV.II.2.6 Demais materiais utilizados como insumos Segundo a Impugnante, o Auditor Fiscal glosou créditos de PIS e Cofins calculados sobre a aquisição de diversos bens também utilizados para fins de execução de seus objetivos sociais, tais como ferramentas e peças, discriminados em planilha indicativa (Anexo 29), desatendendo o critério da essencialidade. As justificativas de glosa para tais itens não decorrem de análise minuciosa das operações, mas por uma verificação superficial, calcada exclusivamente em nomenclatura dos itens. Não obstante, acaso exercido o princípio da busca da verdade material, a essencialidade na obtenção da receita da Impugnante seria evidenciada, decorrendo o seu consequente direito ao creditamento. Para tanto, pugna pela realização de diligência, para o fim de que sejam submetidos ao denominado “teste da subtração”, conforme quesitos formulados ao final da impugnação. IV.II.3 DAS INFRAÇÕES RELACIONADAS À EFD-CONTRIBUIÇÕES No que tange à multa regulamentar lavrada, a Impugnante afirma que no presente caso não se verificam os pressupostos da materialidade de aplicação da multa, vez que a maneira como formalizado o creditamento extemporâneo não caracterizou o tipo apto à subsunção de incidência da penalidade. Em verdade, os créditos aproveitados extemporaneamente decorreram de revisão de apurações anteriormente formalizadas, pelo que, não há sequer que se falar em equívoco de lançamento, mas sim, da própria interpretação das normas de prescrição da tributação adotada pela Impugnante. que a Autoridade Fiscal se fundamentou em equivocada interpretação do Parecer Normativo RFB nº 03/2013, pois é conclusão da própria RFB de que, quer o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, quer os artigos 11 e 12 da Lei nº 8.212/1991, possuem como materialidade somente nos casos em que o contribuinte deixar de apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital. Não sendo este o caso verificado nos presentes autos, impõe-se que seja cancelado o lançamento da multa regulamentar. IV.II.3.1 Multa Isolada e Multa de Ofício. Ilegalidade de Aplicação Concomitante Em havendo lançamento de obrigações principais com as respectivas autuações Fl. 5284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 42 de multas de ofício, haverá excesso na aplicação da norma sancionatória se também lançada a multa isolada relativa à obrigação acessória correlata, posto que sobre o mesmo fato jurídico tributário recaem, arbitrariamente, duas modalidades punitivas. Assim, a Impugnante requer o cancelamento da multa regulamentar, também em caráter subsidiário, vez que lançadas as multas de ofícios relativas ao inadimplemento de obrigação principal, configurando a duplicidade de penalidade. IV.II.4 Das Demais Considerações Deve-se considerar os saldos credores acumulados de períodos anteriores para composição da apuração do 1º trimestre de 2017, tendo em vista o julgamento a ser procedente dos processos vinculados aos trimestres de 2015 e 2016. Por fim, ressalta que não há motivos para a glosa dos créditos de devolução de venda, de modo que a base utilizada pela Impugnante está correta. Caberia a Fiscalização refazer a recomposição das classificações. V. Das Diligências Na eventualidade de serem considerados insuficientes os diversos elementos de provas colacionados, a Impugnante requer que seja determinada a realização de diligências para a comprovação de suas alegações, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, formulando quesitos para fins de realização de diligência. VI. Dos Pedidos Ao final, requer a anulação dos lançamentos de PIS e Cofins e da Multa Isolada, ante as vicissitudes que maculam a autuação, consubstanciadas na ausência de observância do princípio da verdade material, em especial relativamente à (i) indevida inversão do ônus da prova, (ii) ausência de laudos técnicos para desqualificação das classificações fiscais adotadas pela Impugnante, culminando com a afronta ao art. 142 do CTN, (iii) indevida modificação de critério jurídico, bem como (iv) ofensa à coisa julgada administrativa material, relativamente ao direito creditório reconhecido, em caráter de trânsito em julgado, junto ao Processo nº 10925.905142/2010-77. Em não sendo acolhidas as defesas de caráter preliminar, requer, então, o cancelamento da integralidade do lançamento. Subsidiariamente, acaso não cancelados os lançamentos em seu mérito, seja cancelada a multa isolada lançada em face das supostas irregularidade na EFC- Contribuições, quer pela inexistência de materialidade, quer pela ilegalidade de duplicidade de aplicação concomitante à multa de ofício. Por fim, em homenagem ao princípio da verdade material, requer a posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários para a comprovação do quanto alegado. Intimado da decisão de 1º grau em 11/12/2023, apresentou recurso voluntário em 27/12/2023 o que fez com pedido para que esse processo administrativo seja julgado em conjunto Fl. 5285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 43 com os demais PAFs de número 10983.909690/2021-34 e 10983.909689/2021-18, bem como, no mérito, que todo o auto de infração seja integralmente cancelado. É o relatório. VOTO Conselheira Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Inicialmente, observa-se que a recorrente solicitou que este processo seja julgado em conjunto com os processos administrativos 10983.909690/2021-34 e 10983.909689/2021-18. Isso porque a Fiscalização, após o mencionado procedimento fiscal, lavrou autos de infração referentes à contribuição ao PIS e à Cofins (processo principal), em razão de glosas de créditos escriturados pela recorrente no 1º trimestre de 2017, bem como lançado valores da Cofins e da contribuição ao PIS em razão da omissão de receitas e aplicado multa em razão da prestação de informações inexatas na EFD-Contribuições. De fato, tratam-se, conforme já assinalado, de processos vinculados que devem ser julgados conjuntamente. Assim sendo, considerando que o julgamento realizado para este recurso voluntário referente deve ter a mesma fundamentação do acórdão para os processos de n° 10983.909690/2021-34 e 10983.909689/2021-18, aplicando-se, portanto, à matéria sob julgamento, a mesma decisão. 1. PRELIMINARES 1.1- DA AUSÊNCIA DE BUSCA DA VERDADE MATERIAL, DA INDEVIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA E DO CERCEAMENTO DE DEFESA POR INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS e DA AUTUAÇÃO NÃO AMPARADA POR LAUDO TÉCNICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA A DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL REALIZADA. Entendo que ambos os tópicos dizem respeito a temas similares, por isso, abordo no mesmo tópico. A Recorrente pede pela nulidade das glosas realizadas por falta de análise da atividade empresarial para verificação de cada item, gerando provas, em decorrência do princípio da verdade material, além de laudo pericial. Sem razão à defesa. Com relação ao ônus da prova, é importante frisar que não obstante se tratar de lançamento de ofício, é do Contribuinte o encargo de comprovar os requisitos sobre o direito Fl. 5286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 44 invocado para manutenção dos créditos glosados, na forma prevista pelo artigo 373, I do Código de Processo Civil. Com relação às omissões de receitas, entendo que não há o enquadramento nos casos previstos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, que assim estabelecem: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Por tais razões, afasto a preliminar invocada em defesa e passo à análise da controvérsia apresentada em relação ao mérito. 1.2. DA OFENSA À COISA JULGADA ADMINISTRATIVA Alega a recorrente que, em atenção ao critério da essencialidade, nos termos em que já assentadas, as premissas em sede do Regime de Recursos Repetitivos, nos termos do REsp 1221170/PR, o julgamento ofendeu a coisa julgada. Contudo, essa matéria se confunde com o próprio mérito da questão, postergo sua análise neste voto. Fl. 5287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 45 Antes de adentrar ao mérito, ressalto que o presente caso se trata de demanda similar ao caso julgado no acordão de n° 3402-012.121, prolatado em 21 de agosto de 2024, nesta mesma turma, com diferente composição, da relatoria da Conselheira Cynthia Elena de Campos, cujo voto, na oportunidade, acompanhei integralmente. Logo, passo a adotar partes das mesmas razões de decidir neste voto, no que tange à fundamentação de mérito do recurso voluntário. 2. Mérito 2.1 Da análise dos critérios de relevância e essencialidade sobre os insumos indicados pela Contribuinte 2.1.1. Do conceito de insumo Versa o presente litígio de Autos de Infração por meio dos quais são constituídos os créditos tributários da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não cumulativas. Igualmente foi lavrado “Auto de Infração OUTRAS MULTAS ADMINISTRADAS PELA RFB LAVRATURA”, lavrado pela “Apresentação de EFD-Contribuições com Informações Inexatas, Incompletas ou Omitidas”. A Recorrente tem como objeto social a atividade no mercado interno e externo de industrialização, comercialização varejista e atacadista, exploração de alimentos em geral, principalmente os derivados de proteína animal e produtos alimentícios que utilizem a cadeia de frio como suporte de distribuição; industrialização de rações, nutrimentos e suplementos alimentares para animais, de óleos vegetais, gorduras e laticínios; bem como, a exploração, conservação, armazenamento, ensilagem e comercialização de grãos; a prestação de serviços de alimentação em geral; a prestação de serviços de transporte, logística e distribuição de cargas e alimentos em geral, entre outros. Segundo a defesa, desenvolve suas atividades em maior escala com industrialização de produtos de origem animal, passando pela criação, abate, produção, até o transporte ao seu consumidor final (ou até o porto para a posterior exportação das mercadorias). A controvérsia posta neste litígio trata sobre a necessária análise sobre os insumos que deram origem ao direito creditório pleiteado, considerando o julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, pelo qual o Egrégio Superior Tribunal de Justiça concluiu que, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma do artigo 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, conforme a imprescindibilidade ou a importância de determinado item (bem ou serviço) para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Em síntese, a partir da decisão definitiva do STJ, restou pacificado que, no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS, o crédito deve ser calculado sobre os custos e despesas sobre bens e serviços intrínseco à atividade econômica da empresa. Fl. 5288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 46 A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, acatando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara uma interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." (sem destaques no texto original) Destaco, ainda, o Parecer Normativo Cosit nº 5, de17 de dezembro de 2018, proferido com a seguinte Ementa: Assunto. Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação Fl. 5289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 47 da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Por tais razões, para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, o conceito de insumos passou a abranger todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou impeça a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Delimitado o alcance do conceito de insumo que deverá ser considerado em julgamento ao presente caso, passo à análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente, o que faço adotando a premissa de que se trata de uma empresa que tem por atividade econômica a produção de alimentos para consumo humano e, portanto, que exige atenção especial às regras sanitárias específicas, sem as quais, por questões óbvias, resta impedida a efetividade de suas operações. Em razões recursais a Recorrente descreveu seu processo produtivo com relação aos insumos pleiteados. Fl. 5290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 48 Delimitado o alcance do conceito de insumo que deverá ser considerado em julgamento ao presente caso, passo à análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente, o que faço adotando a premissa de que se trata de uma empresa que tem por atividade econômica a produção de alimentos para consumo humano e, portanto, que exige atenção especial às regras sanitárias específicas, sem as quais, por questões óbvias, resta impedida a efetividade de suas operações. 2.1.2. Operações de movimentação, Serviços de Carga e Descarga – Cross Docking e Repaletização Após a diligência realizada pela Autoridade Fiscal da DRF, parte das glosas sobre as operações de movimentação, serviços de carga, descarga e operador logístico foi revertida. No entanto, as glosas referentes aos serviços de cross docking e repaletização foram mantidas. Em relação ao serviço de repaletização, relata a autoridade fiscal que intimada para tanto, a interessada informou: que o serviço ocorre no armazém destinatário das mercadorias e que é uma troca de paletes “com o objetivo de maximizar a ocupação das carretas frigoríficas e containers, carregando o máximo possível em cada veículo, às vezes não é utilizado o mesmo padrão de altura de pallets que os armazéns de destino utilizam ...”; que os produtos estão prontos, acabados, embalados com embalagem de apresentação e de transporte, mesmo há vários dias, e que os serviços são realizados no armazém destinatário. Menciona, ainda, que intimada a informar a “legislação que exija a utilização dos serviços”, a fiscalizada citou genericamente normas sanitárias. Conclui que, que muito embora haja exigência de normas sanitárias quanto a paletes, não há exigência legal de troca de paletes para casos como o informado pela interessada. Argumentou a defesa que o serviço de repaletização é indissociável das despesas com pallets que, por sua vez, são insumos entendidos como custos necessários para a atividade da empresa, o que lhe garante o direito aos créditos da contribuição. Argumentou, ainda, que os custos e despesas com a movimentação das mercadorias, serviços de carga e descarga e operador logístico, são inerentes ao serviço de armazenagem. Com relação ao cross docking, concluiu a Fiscalização que não há exigência legal tal movimentação, mas de manutenção do frio, o que pode ser obtido utilizando-se veículos refrigerados, pelo que conclui que a contribuinte utiliza o serviço de movimentação cross docking de forma discricionária, não sendo obrigada por lei a utilizar tal serviço. Por sua vez, sustenta a defesa que os serviços de cross docking são essenciais às atividades da Recorrente, uma vez que sua contratação é necessária para atender às obrigações sanitárias. Por industrializar produtos de origem animal destinados ao consumo humano, a Fl. 5291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 49 Recorrente deve transportá-los e acondicioná-los em temperaturas adequadas, sob risco de sofrer sanções administrativas das autoridades de fiscalização sanitária. Explicou a defesa que o cross docking é um sistema em que os bens entram e saem de um centro de distribuição de maneira célere, de maneira a otimizar a execução das atividades da empresa, em razão da desnecessidade de armazenar os produtos no centro de distribuição, de modo a permitir uma rápida passagem das mercadorias que chegam para a expedição destas para os clientes. Para melhor compreensão. Justificou que, além de acelerar a distribuição dos produtos – o que diminui a perda por perecimento –, o cross docking permite a expansão das atividades, tendo em vista o maior número de clientes (revendedores) e consumidores que poderão ser atendidos. Por outro lado, o ilustre Julgador a quo entendeu que tais bens e serviços são utilizados fora do processo de produção do bem destinado à venda e, portanto, não podem ser considerados como insumos. Assiste razão à defesa. Reitero o r. voto da Eminente Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considera-se o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância - considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. E, como já mencionado neste voto, reitero que os Itens 16 e 17 da NOTA SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, o qual direciona o conceito de insumos adotado pelo STJ, devendo ser observado o “teste de subtração” a que se refere o voto do Eminente Ministro Mauro Campbell Marques, sendo que a “definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo”. Considerando os fundamentos já demonstrados neste voto com relação às despesas com fretes e, diante da singularidade da cadeia produtiva da Recorrente, demonstrada nas explicações trazidas em razões recursais, é de flagrante constatação que os itens sob análise de Fl. 5292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 50 fato são utilizados para conservação dos produtos até a destinação para consumo humano, motivo pelo qual se enquadra nos critérios de essencialidade e essencialidade, cuja subtração resulta em perda da qualidade, além de infringir disposições legais sanitárias. Considerando a singularidade da cadeia produtiva da Recorrente, demonstrada nas explicações trazidas em razões recursais, bem como das exigências traçadas pelas normas sanitárias, é de flagrante constatação que os itens sob análise de fato são utilizados para proteção dos produtos até a destinação para consumo humano, motivo pelo qual se enquadra nos critérios de essencialidade e essencialidade, cuja subtração resulta em perda da qualidade, além de infringir disposições legais da ANVISA e MAPA. Outrossim, o reconhecimento do direito creditório sobre tais itens igualmente já foi reconhecido por este CARF através dos seguintes precedentes: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CREDITAMENTO A TÍTULO DE INSUMO (ART. 3° II, DA LEI 10.637/2002). EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE FRUTAS IN NATURA. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados como embalagem de transporte são insumos, conforme o art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por serem essenciais e relevantes na atividade de produção das frutas in natura e a consequente venda no mercado interno e exportação. Os pallets, cantoneiras e demais produtos utilizados como embalagem de transporte garantem a qualidade das frutas in natura, mantendo a integridade delas, em virtude de sua fragilidade. (Acórdão nº 3301-009.760 – Relatora: Conselheira Semíramis de Oliveira Duro) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com embalagens para proteção do produto durante o transporte, como plástico, papelão e espumas, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. Assim, embalagens utilizadas para o manuseio e transporte dos produtos acabados, por preenchidos os requisitos da essencialidade ou relevância para o processo produtivo, enseja o direito à tomada do crédito das contribuições. (Acórdão nº 3301-009.488 – Relator: Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 Fl. 5293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 51 RECURSO ESPECIAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA PARA CADA TEMA SUSCITADO. CONHECIMENTO PARCIAL. Para que o recurso especial seja conhecido em sua totalidade, é necessário que o recorrente comprove divergência jurisprudencial, mediante a apresentação de acórdão paradigma que, enfrentando questão fática semelhante, aplique de forma diversa a legislação apontada. No caso, o recurso especial interposto pelo Contribuinte não comprova o dissenso jurisprudencial em relação a “gastos com aquisições de partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes e de serviços de montagem e manutenção” e “direito à correção do valor do ressarcimento pela aplicação da Taxa Selic”. E o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional utiliza, no que se refere ao “conceito de insumos”, paradigma em sentido contrário à decisão vinculante do STJ, proferida na sistemática dos recursos repetitivos (Recurso Especial no 1.221.170/PR). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. CONCEITO DE INSUMO. CRÉDITOS DA NÃO- CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DE ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial no 1.221.170/PR, integrado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB no 5/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não-cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. CRÉDITOS. GASTOS COM PALLETS, PARA PROTEÇÃO E TRANSPORTE DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pallets para proteção e transporte dos produtos alimentícios, quando necessários à manutenção da integridade e natureza desses produtos, enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp no 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, aplicado no âmbito do CARF por força do disposto no § 2o do art. 62 do Anexo II do seu Regimento Interno. CRÉDITOS. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Somente são admitidas para fins de tomada de crédito da Contribuição para o PIS/PASEP as despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, não estando contempladas na legislação (inciso IV do art. 3º da Lei no 10.637/2002) aquelas Fl. 5294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 52 com locação de veículos de carga, o que se endossa na Solução de Consulta Cosit no 1/2014. CRÉDITOS. INSUMOS. DESPESAS COM GÁS GLP CILINDRO P-20. São admitidas para fins de tomada de crédito da Contribuição para o PIS/PASEP as despesas com gás GLP-cilindro P-20, utilizado em empilhadeiras alugadas, necessárias às operações no processo produtivo. (Acórdão nº 9303-014.369 - Relator: Conselheiro Rosaldo Trevisan) No v. Acórdão nº 9303-014.369, ao analisar o enquadramento no conceito de insumos sobre aquisição de pallets destinados tanto à proteção de mercadorias/produtos quanto ao seu transporte, o ilustre Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan esclareceu que a 3ª Turma da Câmara Superior deste CARF vem reconhecendo a possibilidade de tomada de créditos, o que fez citando o v. Acórdão nº 9303-011.407, no seguinte excerto: “...conforme razões bem delineadas no acórdão ora recorrido, integrado pelos acórdãos de embargos, há de ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito com relação aos itens listados no parágrafo anterior: ...(b) compras de pallets: utilizados em diversas etapas do processo produtivo, para a movimentação das matérias-primas, produtos intermediários e produtos acabados, evitando o contato com o solo e diminuindo o risco de contaminação, preservando-se a integridade e qualidade dos produtos. Também são utilizados como embalagem para produtos acabados. Diante da essencialidade e relevância, também deve ser concedido o crédito”. (Acórdão nº 9303-011.407, Rel. Cons. Vanessa Marini Cecconello, unânime em relação ao tema dos pallets, sessão de 15/04/2021) (grifo nosso) Portanto, deve ser revertida a glosa sobre tais itens. 2.1.3. Da locação de uniformes, serviços de Locação de Veículos e Equipamentos, Serviços de Administração de Vestiários. Após diligência realizada em primeira instância, foram mantidas as glosas sobre instrumentos utilizados pela Recorrente em seu processo produtivo, tais como: uniformes do funcionários, administração da limpeza dos vestiários, além de empilhadeiras, guindastes e Munck, que fazem parte do processo produtivo. Entendo que, de fato, para a indústria de alimentos é necessário vestiários apropriados, bem como limpezas específicas, até para que seja mantida o cumprimento às normas de vigilância sanitária. Já no que tange ao uso de empilhadeiras, guindastes e Munck, também não visualizo como organizar o processo produtivo industrial sem o uso desses equipamentos, claramente essenciais. Sendo assim, reverto essas glosas. Fl. 5295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 53 2.1.4. Da emissão do certificado Halal. Explica a recorrente que a emissão deste certificado é um documento fiel de garantia, emitido por uma instituição certificadora Halal, reconhecida por países islâmicos, para atestar que a empresa, processo e produtos seguem os requisitos legais e critérios determinados pela jurisprudência islâmica (Sharia). De fato, a Certificação Halal atesta que determinado produto respeitou estas regras em todas as suas etapas de produção e industrialização. Deste modo, quando um consumidor islâmico adquire um produto com a certificação Halal, saberá que ele foi produzido respeitando as regras estabelecidas por sua religião, mas isso para países islâmicos em nada sendo obrigatório para seu processo produtivo no Brasil. Em verdade, a dita certificação concede um “plus” comercial à indústria, em nada sendo necessária em seu processo produtivo. Sendo assim, mantenho essa glosa. 2.1.5. Serviços Portuários Explica a recorrente que as operações de Handling, consistem em procedimentos de handling in e out, que são transferências do container do caminhão para o pátio do armazém para carregamento e de sua realocação para o veículo, respectivamente, para que sejam evitados acidentes e para aumentar a possibilidade de que a carga chegue em segurança ao complexo portuário. De fato, para as empresas que utilizam insumos importados, os serviços portuários vinculados diretamente aos insumos importados são imprescindíveis para as atividades da Recorrente, onde ocorrerá efetivamente o processo produtivo de seu interesse. Inclusive, a subtração dos serviços de movimentação portuária privaria o processo produtivo da Recorrente do próprio insumo importado. Portanto, reverto essa glosa. 2.1.6. Serviços de vigilância A recorrente explica que foram glosados os créditos oriundos de serviços de: sistema segurança/vigilância nr12, serviço de vigilante 24 hs desarmado, vigilância ronda 24 hs armado, serviço de vigilância Ronda 12 hs armado noite, serviço vigilância portaria 24 hs, serviço de vigilância locação moto ronda, serviço de vigilante 12 hs dia armado, serviço de vigilante 12 hs noite desarmado e serviço de vigilância portaria 12 hs noite, ressaltando que os serviços são indiretamente ligados a produção dos bens, sendo indispensáveis e infelizmente necessárias para a regular condução das atividades empresariais pela Recorrente. Entendo que em um país com frágil segurança pública como o Brasil, é de extrema importância a atividade de vigilância em empresas de porte como a BRF. Contudo, em nada isso se Fl. 5296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 54 associa ao produtivo. Com ou sem vigilância, a indústria estaria apta a funcionar e produzir seus alimentos. Portanto, mantenho a glosa. 2.1.7. Créditos extemporâneos – do ativo imobilizado e sem a retificação dos DACONS e EFD-CONTRIBUIÇÕES. As autoridades fiscais aduziram que foram encontrados valores significativos de créditos extemporâneos incluídos nos ajustes positivos de crédito na EFD-Contribuições, classificados como Ajuste Oriundo de Outras Situações e Ajuste ref. créditos extemporâneos. Quanto aos créditos extemporâneos referentes à depreciação sobre novas classes de produtos, a Fiscalização aduz que a recorrente pretende aproveitar crédito sobre a depreciação de bens que devem ser incorporados ao ativo imobilizado, como tijolo, cimento, argamassa, materiais de construção e serviço de azulejo, no entanto, assevera que não há prova de que as notas fiscais em tela não tenham sido incorporadas ao ativo imobilizado e detalha, no Relatório Fiscal, que a recorrente não evidenciou a legitimidade e liquidez do crédito extemporâneo pretendido. A recorrente repisa os argumentos apresentados na impugnação, argumenta que houve um recálculo das apropriações com base no valor residual dos bens, o que resultou no registro extemporâneo dos créditos remanescentes, e que o deslinde em relação ao presente item somente será possível com a realização de diligências, que fatalmente concluirão pela correção dos procedimentos e cálculos efetuados pela autuada. Sem razão a recorrente. Quanto à alegação da recorrente sobre os valores dos créditos erroneamente informados no Relatório Fiscal, trata-se somente de equívoco no demonstrativo à folha 51, que nenhum prejuízo trouxe à defesa, conforme já assinalado. No mais, conforme consignado pela Fiscalização no Relatório Fiscal, e confirmado pelo acórdão recorrido, a recorrente não evidenciou o suposto crédito extemporâneo em questão, com a apresentação de documentos e de informações mínimas necessárias para a análise da legitimidade e liquidez do crédito e, em se tratando de crédito, cabe à recorrente comprovar a legitimidade e liquidez, não cabendo, conforme já destacado neste voto, a conversão do julgamento em diligência para produzir prova a seu cargo. Em relação aos créditos extemporâneos referentes à depreciação sobre novas classes de produtos, merece reforma a decisão recorrida. Conforme excelente voto proferido pelo Conselheiro Pedro Souza Bispo, Acórdão 3402-011.430. “Trata-se de matéria um tanto quanto pacificada nesta Egrégia Corte no sentido de se reconhecer que, além da forma indicada pela Receita Federal, no sentido da correção de erros na apuração da contribuição, por meio da realização de retificação do DACON, com a conseqüente apuração de contribuição paga a maior, se houver, ou alteração do saldo do trimestre a ser Fl. 5297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 55 repassado para o trimestre seguinte, existe outra possibilidade aceita, sem a necessidade de retificação desses demonstrativos, desde que a empresa comprove, por meio de documentação hábil, a existência do crédito e o não aproveitamento anterior do mesmo (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo), assegurando-se, dessa forma, a não ocorrência do duplo aproveitamento de créditos pelo contribuinte”. Neste voto ainda são citados importantes precedentes, tais como: Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e torna-lo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considera-se não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acorda-se com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da não cumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009. Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...)Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação Fl. 5298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 56 inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. Portanto, merece reforma a r. decisão. 2.1.8. Fretes Observa-se que foram glosados itens de fretes. Os argumentos trazidos pela contribuinte são basicamente: Fretes de aquisição de produtos glosados: traz argumentos completos acerca do fato da Autoridade Fiscal, equivocadamente ter efetuado a glosa dos créditos calculados sobre fretes contratados após o desembaraço aduaneiro para transporte de bens importados até os estabelecimentos da empresa. Da diferença Registro D101/D105 e M105/505: argumenta que o Fisco identificou divergências de valores sobre aquisições informados na obrigação acessória EFD-Contribuição com em relação aos documentos emitidos pelas transportadoras. Diante destas diferenças apontadas, os valores dos créditos utilizados geraram impacto nos blocos M105/M505, que referem-se ao Detalhamento da Base de Cálculo do Crédito Apurado no Período – PISPasep e COFINS; e no procedimento interno, realizou análises das obrigações entregues correspondente os meses de janeiro, fevereiro e março de 2017. Diante destas análises a CIA realizou o estorno de crédito de alguns registros. No que tange aos fretes contratados após o desembaraço aduaneiro reverto a glosa, adotando o mesmo raciocínio utilizado para reverter as glosas dos serviços portuários. 2.1.9. Dos créditos sobre demais materiais utilizados como insumos Restringe-se a recorrente a alegar que nesse ponto: “Referidos insumos encontram- se discriminados em planilha indicativa, conforme Anexo 29 da Impugnação, cumprindo-se destacar, desde logo, que inobstante o presente Recurso Voluntário não descrever item específico para cada um dos insumos, dada a sua enorme quantidade, ratifica sua integral inconformidade, vez que, em todas estas glosas, foram desatendidos os critérios da essencialidade para fins do exercócio de seu contrato social. Como se pode observar, as justificativas de glosa para tais itens não decorreram de análise minusiosa das operações. Não obstante, acaso exercído o princípio da busca da verdade material, a essencialidade na obtenção da receita da Recorrente seria evidenciada, decorrendo o seu consequente direito ao creditamento.” Fl. 5299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 57 Sem trazer qualquer explicação detalhada sobre o processo produtivo que corrobe sua tese, não há possibilidade desta Conselheira analisar os insumos à luz do critério da essencialidade e relevância, por isso mantenho a glosa. 2.2. Créditos de aquisições para revenda, e insumos alíquota zero e com suspensão. A recorrente aduz que independente da destinação das mercadorias adquiridas e tributadas a alíquota zero, pelo princípio da regra matriz de incidência tributária, tais aquisições sofreram a incidência e logo geram direito ao creditamento nas operações. Assevera que o produto queijo prato teve a saída para revenda tributada e, por isso mesmo, tem direito ao crédito referente à aquisição desse produto. Quanto à aquisição de açúcar, assinala que “é um insumo que faz parte do seu processo produtivo, e, dessa forma, considerando que, “no processo produtivo final estará compondo um produto com saída tributada pelo PIS e COFINS, resta o direito ao seu creditamento, para que não gere um descompasso tributário”. Quanto à aquisição de leite cru fornecido por pessoa física, a recorrente afirma que o argumento utilizado pela Fiscalização “está relacionado a Lei 10.925, art. 8º, §3º, inc. V e o valores glosados foram informados na planilha GLOSAS 04-trim 2015”, mas para fins de direito ao creditamento, o enquadramento correto está previsto no art. 8' da lei 10.925 de julho de 2004, relacionado ao crédito presumido. Aduz ainda a recorrente que as vacinas e os medicamentos integram o seu processo produtivo, e, dessa forma, são insumos essenciais e obrigatórios, bem como que em razão de estarem sob regime de tributação monofásico, gerariam o direito ao creditamento. Sem razão a recorrente. O § 2º do art. 3º da Lei 10.833/03 e da Lei 10.637/02 vedam expressamente a tomada de crédito referente à aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Assim sendo, não cabe a tomada de crédito de bens adquiridos e sujeitos à alíquota zero das contribuições em apreço. No que diz respeito à alegação no sentido de que o produto queijo prato teve a saída para revenda tributada, cumpre assinalar que a eventual revenda tributada, de forma equivocada, de produto adquirido, sujeito à alíquota zero, não permite a tomada de crédito na sua aquisição. As vacinas veterinárias, classificadas na subposição 3002.30 da NCM, estão sujeitas à incidência das contribuições à alíquota zero e, dessa forma, é vedada a apuração de créditos do regime não cumulativo calculados sobre os valores das aquisições. Com efeito, não se enquadram Fl. 5300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 58 na Lei 10.147/2000, não sendo submetidas à tributação monofásica, e sim à alíquota zero em toda a cadeia produtiva, sendo tratadas na Lei 10.925/2004, art. 1º, inciso VII. Quanto aos demais produtos, cujos créditos foram glosados porque, segundo a Fiscalização, sujeitos à alíquota zero, constatamos que as glosas estão corretas, conforme disposto no Relatório Fiscal e discriminado na planilha denominada “GLOSAS 01-trim 2016”, aba “Alíq Zero”, juntada à fl. 1446. Com efeito, a Fiscalização glosou créditos de produtos químicos sujeitos à alíquota zero, classificados no capítulo 29 da NCM, relacionados no Anexo I do Decreto 6.426/2008, com base no art. 1º, inciso I, do aludido decreto, bem como de produtos sujeitos à alíquota zero por força do disposto no art. 2º da Lei 10.147/2000. Quanto à aquisição de leite cru de pessoa física, correta a fundamentação e o procedimento levado a efeito pelas autoridades fiscais, conforme consignado no Relatório Fiscal: Ainda, em relação ao leite cru adquirido de pessoa física, a contribuinte apurou créditos de 0,99% de PIS e 4,56% de Cofins. Ocorre que neste trimestre entraram em vigor as alterações introduzidas pela Lei nº 13.137, de 19/06/2015, na Lei nº 10.925/2004 (alterações transcritas abaixo), excepcionando o leite in natura do inciso I do § 3º e criando o inciso V do mesmo parágrafo para tratar o caso. Informa-se que a BRF SA não era habilitada no programa instituído pelo art. 9º -A da mesma lei, fazendo jus apenas a 20% da alíquota do caput art. 2º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, sendo glosada a diferença. Por tais razões, mantenho o lançamento de ofício neste ponto. 2.3. Do Crédito Presumido Com relação ao crédito presumido, a Autoridade Fiscal informa que todos os valores creditados relativos aos bens tratados na Lei 12.058/2009 e IN RFB 977/2009 devem ser estornados porque ou havia suspensão na sua aquisição (obrigatória), conforme art. 4º da citada instrução normativa, acima transcrito, e todas as condições para a suspensão estavam presentes, ou tratava-se de bem sujeito a alíquota zero por força das alterações introduzidas na Lei nº 10.925/2004 pela MP 609/2013 ou pela Lei 12.839/2013. Por outro lado, o crédito presumido não era permitido porque a contribuinte estava enquadrada nas vedações à apropriação ao crédito previstas no art. 34, §1º, da Lei nº 12.058/2009, artigo 5º e 6º da IN RFB nº 977/2009, art. 5º e 6º da IN RFB nº 1.157/2011. De acordo com os arts. 34, § 1º, da Lei nº 12.058/2009, e 56, § 1º, da Lei nº 12.350/2010, é vedada a apuração de crédito presumido nas aquisições realizadas por pessoas jurídicas que revendam ou industrializem animais vivos das espécies bovina, suína e aves, classificados nas posições específicas da NCM. Essa vedação é justificada pelo fato de que tanto as receitas provenientes da revenda quanto da industrialização desses animais estão sujeitas ao regime de suspensão das contribuições, conforme disposto nos arts. 32, incisos I e II, da Lei nº 12.058/2009, e 54, incisos III e IV, da Lei nº 12.350/2010. Fl. 5301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 59 Assim, aplica-se a regra do art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que impede o crédito sobre bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. A Recorrente sustenta que seria possível apurar o crédito presumido sobre aquisições com suspensão das contribuições, desde que as saídas não estejam beneficiadas pelo mesmo regime. Contudo, esse argumento não procede, uma vez que o motivo das glosas não está relacionado à forma de apuração ou ao tratamento das saídas, mas sim à ocorrência de hipótese legal de vedação ao crédito, claramente estabelecida nos dispositivos citados. Portanto, a decisão da DRJ foi correta ao concluir que não há direito à apuração do crédito presumido, devendo-se manter as glosas efetuadas. 2.4 Das Omissões de Receitas decorrentes de depósitos judiciais O pleito do contribuinte deve ser provido, reformando-se a r. decisão recorrida, uma vez que estes valores, enquanto não disponíveis em benefício do recorrente, não integram o seu respectivo patrimônio. Com efeito, esta Egrégia Corte assim já se manifestou em inúmeros julgados, a saber: ACÓRDÃO: 3401003.072– VARIAÇÃO MONETÁRIA DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. INCIDÊNCIA. O PIS e a COFINS não incidem sobre as variações monetárias de depósitos judiciais que não foram liberados pela autoridade do Poder Judiciário em favor da contribuinte, pois elas ainda não podem ser consideradas receitas auferidas para integrar de pleno direito o patrimônio do depositante e possa delas dispor como lhe aprouver. Isto posto, dou provimento neste ponto a fim de afastar a acusação de omissão de receitas sobre a variação monetária dos depósitos judiciais. 2.5. Da Classificação Fiscal 2.5.1. Carne in natura Considerou o ilustre Auditor Fiscal que as carnes devem ser classificadas no capítulo 16 do Sistema Harmonizado, com enquadramento na posição da NCM 16.02. A autuação foi justificada pela conclusão de que “a correta classificação fiscal das mercadorias segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante na Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 08 de dezembro de 2011, não depende apenas da mercadoria ser ou não “in natura”, sendo necessário levar-se em conta todas as regras de classificação previstas na legislação”. Por sua vez, a Recorrente defende que a classificação fiscal dos produtos “carnes” se enquadra no Capítulo 2, sujeitas à alíquota zero, uma vez que são temperados com sal, condimentos e especiarias para conservação, sem adição de substâncias que alterariam a sua natureza química, mantendo seu estado “in natura". Fl. 5302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 60 Reclama a defesa que não foi apresentado pela Fiscalização qualquer embasamento técnico para a reclassificação fiscal, bem como não foi indicada a Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) adotada na reclassificação, além de não ter sido considerados fundamentos jurídicos relacionados ao tratamento diferenciado conferido aos produtos cárneos. Observo que a Requerente apresentou com o Recurso Voluntário um Laudo Técnico sobre as operações relativas às Linhas de Produção de sua atividade, especificando o ciclo de produção sobre os frangos, industrializados, bem como com relação ao leite e derivados, margarinas, perus, pratos prontos, rações, sobremesas, suínos, tortas salgadas, e normas sanitárias e demais exigências do Serviço de Inspeção Federal. Cumpre destacar que a classificação fiscal de mercadorias fundamenta-se nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, nas Regras Gerais Complementares da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC/NCM), na Regra Geral Complementar da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (RGC/TIPI), nos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA), nos ditames do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e, subsidiariamente, nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh)1. Por sua vez, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) representam a interpretação oficial do SH oriunda da Organização Mundial das Alfândegas. Pelo § único do art. 1º do Decreto nº 435/1992, “constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. De acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas, a RGI 1 deve ser analisada nos seguintes moldes: REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: NOTA EXPLICATIVA I) A Nomenclatura apresenta, sob uma forma sistemática, as mercadorias que são objeto de comércio internacional. Essas mercadorias são agrupadas em Seções, Capítulos e Subcapítulos que receberam títulos os mais concisos possíveis, indicando a categoria ou o tipo dos produtos que se encontram ali classificados. Em muitos casos, porém, foi materialmente impossível, em virtude da diversidade 1 Art. 2º - In RFB nº 2057/2021 Fl. 5303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 61 e da quantidade de mercadorias, englobá-las ou enumerá-las completamente nos títulos daqueles agrupamentos. II) A Regra 1 começa, portanto, por determinar que os títulos “têm apenas valor indicativo”. Desse fato não resulta nenhuma conseqüência jurídica quanto à classificação. III) A segunda parte da Regra prevê que se determina a classificação: a) de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e b) quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. IV) A disposição III) a) é suficientemente clara, e numerosas mercadorias podem classificar-se na Nomenclatura sem que seja necessário recorrer às outras Regras Gerais Interpretativas (por exemplo, os cavalos vivos (posição 01.01), as preparações e artigos farmacêuticos especificados pela Nota 4 do Capítulo 30 (posição 30.06)). V) Na disposição III) b) a frase “desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas”, destina-se a precisar, sem deixar dúvidas, que os dizeres das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo prevalecem, para a determinação da classificação, sobre qualquer outra consideração. Por exemplo, no Capítulo 31, as Notas estabelecem que certas posições só englobam determinadas mercadorias. Conseqüentemente, o alcance dessas posições não pode ser ampliado para englobar mercadorias que, de outra forma, aí se incluiriam por aplicação da Regra 2 b). (sem destaques no texto original) Como já mencionado, o ilustre Auditor Fiscal entendeu que as carnes devem ser classificadas no capítulo 16 do Sistema Harmonizado, com enquadramento na posição da NCM 16.02. Ocorre que o Capítulo 16 pertence à Seção IV, que trata de PRODUTOS DAS INDÚSTRIAS ALIMENTARES; BEBIDAS, LÍQUIDOS ALCOÓLICOS E VINAGRES; TABACO E SEUS SUCEDÂNEOS MANUFATURADOS. As Considerações Gerais do Capítulo 16 estão descritas da seguinte forma: O presente Capítulo compreende as preparações comestíveis de carne, miudezas (por exemplo: pés, peles, corações, línguas, fígados, tripas, estômagos) ou de sangue, bem como as de peixes (incluídas as peles), crustáceos, moluscos ou outros invertebrados aquáticos. O Capítulo 16 abrange os produtos desta espécie que tenham sido submetidos a uma elaboração de natureza diferente daquelas previstas nos Capítulos 2, 3 ou na posição 05.04 e que se apresentem: 1) Transformados em enchidos de qualquer espécie. 2) Cozidos por quaisquer processos: a água ou ao vapor, grelhados, fritos ou assados, com exceção, porém, dos peixes defumados, que podem ter sido cozidos Fl. 5304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 62 antes ou durante a defumação (posição 03.05), dos crustáceos simplesmente cozidos em água ou vapor, mas que conservem ainda a casca (posição 03.06) e das farinhas, pós e pellets, obtidos a partir de peixes, crustáceos, moluscos ou de outros invertebrados aquáticos, cozidos (posições 03.05, 03.06 e 03.07, respectivamente). 3) Preparados ou conservados, na forma de extratos, sucos ou em vinha- d'alhos, preparados a partir de ovos de peixe tais como o caviar e seus sucedâneos, simplesmente revestidos de pasta ou de pão ralado (panados), trufados, temperados (por exemplo, com sal e pimenta), etc. 4) Finamente homogeneizados, apenas com produtos do presente Capítulo (carne, miudezas, sangue, peixe ou crustáceos, moluscos ou outros invertebrados aquáticos, preparados ou conservados). Estas preparações homogeneizadas podem conter uma pequena quantidade de fragmentos visíveis de carne, peixe etc., bem como uma pequena quantidade de ingredientes para tempero, conservação ou outros fins. A homogeneização propriamente dita não é suficiente para tornar um produto uma preparação do Capítulo 16. (sem destaques no texto original) A posição 16.02 está definida com o seguinte texto: “Outras preparações e conservas de carne, miudezas ou de sangue”, ou seja, produtos que se enquadram em preparações alimentícias, do tipo “refeições prontas”, o que não representa o estado “in natura”, refrigerada ou congelada. Por sua vez, a Recorrente defende que a classificação fiscal dos produtos “carnes” enquadram-se no Capítulo 2, sujeitas à alíquota zero, uma vez que são temperadas com sal, condimentos e especiarias para conservação, sem adição de substâncias que alterariam a sua natureza química, mantendo seu estado “in natura". A classificação fiscal adotada pela Recorrente compreende as posições da NCM nº 0202.3000, 0203.2900, 0207.1200, 0207.1400, 0207.2500 e 0207.2700, com os seguintes desdobramentos: NCM DESCRIÇÃO 0202-30-00 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0202 - Carnes de animais da espécie bovina, congeladas 2 Subposição 0202.30.00 - Desossadas 2 Posição 0202 - Compreende as carnes congeladas dos animais da espécie bovina, domésticos ou selvagens, incluídos na posição 01.02. Fl. 5305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 63 0203-29-00 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0203 - Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas. Subposição 0203.29.00 – Congeladas; Outras. 0207.1200 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.1200 - Não cortadas em pedaços, congeladas. 0207.1400 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.1400 - Pedaços e miudezas, congelados. 0207.2500 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.2500 - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.2700 Seção I - Animais vivos e produtos do reino animal Capítulo 02 - Carnes e miudezas, comestíveis Posição 0207 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. Subposição 0207.2700 - Pedaços e miudezas, congelados. Fl. 5306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 64 Constam nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – NESH, aprovado pela IN RFB nº 807/2008, com as alterações da IN RFB nº 1.260/2012, vigente à época dos fatos, os seguintes esclarecimentos: Capítulo 2 Carnes e miudezas, comestíveis Nota. 1.- O presente Capítulo não compreende: a) no que diz respeito às posições 02.01 a 02.08 e 02.10, os produtos impróprios para a alimentação humana; b) as tripas, bexigas e estômagos, de animais (posição 05.04), nem o sangue animal (posições 05.11 ou 30.02); c) as gorduras animais, exceto os produtos da posição 02.09 (Capítulo 15). CONSIDERAÇÕES GERAIS O presente Capítulo compreende as carnes em carcaças (isto é, o corpo do animal com ou sem cabeça), em meias-carcaças (uma carcaça cortada em duas no sentido do comprimento), em quartos, em peças, etc., as miudezas e as farinhas e pós de carne ou de miudezas de quaisquer animais (exceto peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos do Capítulo 3), próprios para a alimentação humana. A carne e as miudezas, impróprias para a alimentação humana, estão excluídas (posição 05.11). As farinhas, pós e pellets, de carne ou de miudezas, impróprios para a alimentação humana, estão igualmente excluídos (posição 23.01). (...) Distinção entre as carnes e miudezas deste Capítulo e os produtos do Capítulo 16. Apenas se compreendem neste Capítulo as carnes e miudezas que se apresentem nas seguintes formas, mesmo que tenham sido submetidas a um ligeiro tratamento térmico pela água quente ou pelo vapor (por exemplo, escaldadas ou descoradas), mas não cozidas: 1) Frescas (isto é, no estado natural), mesmo salpicadas de sal com o fim de lhes assegurar a conservação durante o transporte. 2) Refrigeradas, isto é, resfriadas geralmente até cerca de 0°C, sem atingir o congelamento. 3) Congeladas, isto é, refrigeradas abaixo do seu ponto de congelamento, até o congelamento completo. 4) Salgadas ou em salmoura, ou ainda secas ou defumadas. Fl. 5307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 65 As carnes e miudezas levemente polvilhadas com açúcar ou salpicadas com água açucarada incluem-se também neste Capítulo. As carnes e miudezas apresentadas sob as formas descritas nos números 1) a 4) acima incluem-se neste Capítulo, mesmo que tenham sido tratadas com enzimas proteolíticas (por exemplo, a papaína), no intuito de as tornar tenras, e mesmo que se apresentem desmanchadas, cortadas em fatias ou picadas . Por outro lado, as misturas ou combinações de produtos que se classificam em diferentes posições do Capítulo (as aves da posição 02.07 guarnecidas de toucinho da posição 02.09, por exemplo) continuam incluídas no presente Capítulo. As carnes e miudezas, pelo contrário, incluem-se no Capítulo 16, quando se apresentem: a) Em enchidos e produtos semelhantes, cozidos ou não, da posição 16.01. b) Cozidas de qualquer maneira (cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas), ou preparadas de outro modo, ou conservadas por qualquer processo não mencionado neste Capítulo, compreendendo as simplesmente revestidas de pasta ou de farinha de pão (panados), as trufadas ou temperadas (por exemplo, com sal e pimenta), incluindo a pasta de fígado (posição 16.02). (...) 02.02 - Carnes de animais da espécie bovina, congeladas. 0202.10 - Carcaças e meias-carcaças 0202.20 - Outras peças não desossadas 0202.30 - Desossadas Esta posição abrange as carnes congeladas dos animais da espécie bovina, domésticos ou selvagens, incluídos na posição 01.02. 02.03 - Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas. 0203.1 - Frescas ou refrigeradas: 0203.11 - - Carcaças e meias-carcaças 0203.12 - - Pernas, pás e respectivos pedaços, não desossados 0203.19 - - Outras 0203.2 - Congeladas: 0203.21 - - Carcaças e meias-carcaças 0203.22 - - Pernas, pás e respectivos pedaços, não desossados 0203.29 - - Outras Esta posição abrange as carnes, frescas, refrigeradas ou congeladas, dos porcos das espécies domésticas ou selvagens (javalis, por exemplo). Inclui também o toucinho entremeado (isto é, o que apresenta ‘camadas de carne) e o toucinho com uma camada de carne aderente. (...) 02.07 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 0207.1 - De galos ou de galinhas: 0207.11 - - Não cortadas em pedaços, frescas ou refrigeradas 0207.12 - - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.13 - - Pedaços e miudezas, frescos ou refrigerados 0207.14 - - Pedaços e miudezas, congelados Fl. 5308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 66 0207.2 - De peruas ou de perus: 0207.24 - - Não cortadas em pedaços, frescas ou refrigeradas 0207.25 - - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.26 - - Pedaços e miudezas, frescos ou refrigeradosLu200619@ 0207.27 - - Pedaços e miudezas, congelados 0207.3 - De patos, de gansos ou de galinhas-d'angola (pintadas*): 0207.32 - - Não cortadas em pedaços, frescas ou refrigeradas 0207.33 - - Não cortadas em pedaços, congeladas 0207.34 - - Fígados gordos (“foies gras”), frescos ou refrigerados 0207.35 - - Outras, frescas ou refrigeradas 0207.36 - - Outras, congeladas A Recorrente trouxe aos autos Relatórios Técnicos emitidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), relacionados a produtos crus fabricados pela Requerente. Tomando como exemplo o Relatório Técnico nº 000.286/20, relativo ao produto frango inteiro temperado congelado (sem miúdos), destaco as seguintes conclusões: Da mesma forma, consta no Relatório Técnico nº 000.290/20, relativo ao produto Carne Temperada Congelada de Suíno (Lombo), a seguinte conclusão: Fl. 5309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 67 Igualmente consta nos autos RELATÓRIO EXPLICATIVO DAS OPERAÇÕES RELATIVAS ÀS LINHAS DE PRODUÇÃO DA BRF S.A., emitido pela Tyno Consultoria, no qual é possível verificar o processo industrial ocorrido sobre os frangos após a sangria (ITEM 1.2.4 do Relatório Tyno Consultoria). Vejamos: (...) (...) Fl. 5310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 68 (...) (...) Fl. 5311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 69 (...) (...) (...) (...) (...) Fl. 5312DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 70 (...) Ou seja, tanto o INT quanto a Tyno Consultoria demonstraram que o produto analisado não passou por processo de cozimento, na forma indicada para a Posição 16.02, o que afasta o Capítulo 16 sobre os itens em análise. Outrossim, cumpre observar que o NCM 1602.50.00 pertence à PREPARAÇÃO E CONSERVA DE CARNE DA ESPÉCIE BOVINA. A título de exemplos de produtos incluídos na Posição 16.02, vejamos as seguinte Soluções de Consultas referentes ao mesmo Código NCM: SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF10 Nº 9, DE 30 DE JANEIRO DE 2014: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI: 1602.50.00 Mercadoria: Carne bovina cozida em vapor, desidratada, cortada em cubos, própria para consumo humano, do tipo utilizada na preparação de alimentos DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 16.02) e 6 (texto da subposição 1602.50) da Tipi aprovada pelo Decreto nº 7.660, de 2011. (sem destaque no texto original) SOLUÇÃO DE CONSULTA DIANA/SRRF10 Nº 10, DE 30 DE JANEIRO DE 2014: ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: Código TIPI: 1602.50.00 Mercadoria: Carne bovina cozida em vapor (76%), desidratada, cortada em cubos, contendo proteína texturizada de soja, fécula de batata e aditivos, própria para consumo humano, do tipo utilizada na preparação de alimentos. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1 (texto da posição 16.02) e 6 (texto da subposição 1602.50) da Tipi aprovada pelo Decreto nº7.660, de 2011. (sem destaque no texto original) SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 98170, DE 31 DE AGOSTO DE 2022: Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 1602.50.00 Fl. 5313DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 71 Mercadoria: Preparação destinada à alimentação humana, constituída pela mistura e cozimento de trigo, água, leite, margarina e sal, com posterior sova e modelagem na forma de semicírculo, com recheio de carne (mais de 20%) e requeijão cremoso. O semicírculo assim obtido, denominado “risole de carne”, é mergulhado em água, empanado com farinha de rosca, congelado e apresentado em embalagens personalizadas de 1 kg. Dispositivos Legais: RGI 1 c/c Nota 1, ”a”, do Capítulo 19 e RGI 6, da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Dec. nº 435, de 1992, e consolidadas pela IN RFB nº 1.788, de 2018, com atualizações posteriores. (sem destaque no texto original) SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 98304, DE 08 DE DEZEMBRO DE 2022: Assunto: Classificação de Mercadorias Código NCM: 1602.50.00 Mercadoria: Empanada (pastel de forno) congelada, para consumo humano após cozimento, composta de farinha de trigo, gordura vegetal, água, sal e açúcar, ovo pasteurizado, corante amarelo gema, farinha de rosca e flocos de milho, recheada com carne moída bovina (38%, em peso) cozida ao molho de tomate, apresentada em pacote com dez unidades de 130 g cada, denominada "empanada bolonhesa". Dispositivos Legais: RGI 1 (Nota 1, 'a', do Capítulo 19 e Nota 2 do Capítulo 16) e RGI 6, da NCM constante da TEC, aprovada pela Res. Gecex nº 272, de 2021, e da Tipi, aprovada pelo Dec. nº 11.158, de 2022. (sem destaque no texto original) Por sua vez, o NCM 1602.41.00 pertence à PERNAS E RESPECTIVOS PEDAÇOS. Vejamos as seguinte Soluções de Consultas referentes ao mesmo Código NCM: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 98.093, DE 18 DE ABRIL DE 2018: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código NCM: 1602.49.00 Mercadoria: Pele de suíno cortada em pequenas tiras, salgada e frita, apresentada pronta ao consumo humano em embalagem plástica contendo 60 g, comercialmente denominada “torresmo suíno”. Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (texto da posição 16.02) e RGI/SH 6 (textos das subposições 1602.4 e 1602.49), da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 125, de 2016, e da Tipi, aprovada pelo Decreto nº 8.950, de 2016, e subsídios extraídos das Nesh, aprovadas pelo Decreto nº 435, de 1992, e atualizadas pela IN RFB nº 807, de 2008, e alterações posteriores. (sem destaque no texto original) Fl. 5314DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 72 Destaco as seguintes considerações que sustentam os fundamentos da Solução de Consulta em referência: 8. A Nota 1 do Capítulo 16 dispõe que este Capítulo não compreende as carnes e miudezas preparados ou conservados pelos processos descritos no Capítulo 2: Nota 1 do Capítulo 16. 1.- O presente Capítulo não compreende as carnes, miudezas, peixes, crustáceos, moluscos e outros invertebrados aquáticos, preparados ou conservados pelos processos enumerados nos Capítulos 2, 3 ou na posição 05.04. 9. Por sua vez, as Considerações Gerais das NESH do Capítulo 2 dispõem que as carnes e miudezas (que é o caso das peles comestíveis) não se incluem neste Capítulo, mas, no Capítulo 16, quando se apresentem cozidas de qualquer maneira – cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas (posição 16.02). “As carnes e miudezas, pelo contrário, incluem-se no Capítulo 16, quando se apresentem: a) Em enchidos e produtos semelhantes, cozidos ou não, da posição 16.01. b) Cozidas de qualquer maneira (cozidas na água, grelhadas, fritas ou assadas), ou preparadas de outro modo, ou conservadas por qualquer processo não mencionado neste Capítulo, compreendendo as simplesmente revestidas de massa ou de pão ralado (panados), as trufadas ou temperadas (por exemplo, com sal e pimenta), incluindo a pasta de fígado (posição 16.02).” (grifou-se) 10. Desta forma, a pele de suíno salgada e frita objeto da presente consulta se classifica, por aplicação da RGI/SH 1, na posição 16.02 cujo texto é: Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue. E esta posição apresenta os seguintes desdobramentos em nível de subposições. 16.02 Outras preparações e conservas de carne, de miudezas ou de sangue. 1602.10.00 - Preparações homogeneizadas 1602.20.00 - De fígados de quaisquer animais 1602.3 - De aves da posição 01.05: 1602.31.00 -- De peruas e de perus 1602.32 -- De aves da espécie Gallus domesticus 1602.39.00 -- Outras 1602.4 - Da espécie suína: 1602.41.00 -- Pernas e respectivos pedaços 1602.42.00 -- Pás e respectivos pedaços 1602.49.00 -- Outras, incluindo as misturas 1602.50.00 - Da espécie bovina 1602.90.00 - Outras, incluindo as preparações de sangue de quaisquer animais 11. Como se trata de uma preparação de miudeza (pele) da espécie suína, se enquadra na subposição de primeiro nível 1602.4 e, nesta, na residual 1602.49 – Fl. 5315DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 73 Outras, incluindo as misturas. Não estando tal subposição subdividida em itens ou subitens, a classificação do produto se encerra no código NCM 1602.49.00. Portanto, resta claro que a Posição 16.02, adotada pela douta Fiscalização, versa sobre preparações e conservas, abrangendo produtos como carne bovina cozida a vapor, rissoles de carne, empanada, torresmo, dentre outros, como demonstram as Soluções de Consulta acima citadas. Por tais razões, deve ser acatada a classificação fiscal adotada pela Contribuinte e, neste ponto, dar provimento ao recurso para manter a classificação das carnes no Capítulo 02 do Sistema Harmonizado. 2.5.2. Do Kit Felicidade (CHESTER) Perdigão Com relação à classificação fiscal do Kit Felicidade (CHESTER) Perdigão e Pão de queijo e Coxinha de Frango, peço vênia para reproduzir os fundamentos do r. voto condutor do v. Acórdão nº 3402-009.900, de relatoria do ilustre Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, proferido em julgamento ao PAF nº 11516.722531/2017-10, da mesma Contribuinte, cujas razões foram acompanhadas por esta relatora: V.2 DO KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGÃO E OUTROS Alega o Recorrente que a classificação fiscal por ele adotada diz respeito ao produto principal que compõe o kit, com alguns complementos para manutenção do produto até o seu consumidor final (sal extra fino, água, glicose milho, tripolifostato sódico, glutamato monossódico, etc.), das embalagens e acessórios que lhe dão sustentação, (como o filme strech, ribbon, grampo alumínio, adesivo, injetável alça) e para o transporte (contoneira papel), de modo que não faz sentido o entendimento de que cada componente do produto tenha uma classificação fiscal diferente. Sustenta ainda que estes kits nada mais são do que os produtos in natura com uma embalagem de apresentação diferenciada para datas especiais, como o Natal, por exemplo, tanto que a produção destes kits concentra-se no final do ano (no caso em análise, no 3º trimestre/2012) para comercialização nas datas festivas de fim de ano. As bolsas térmicas compõe os referidos kits e servem como embalagem do produto, não devendo ter classificação específica (NCM 4202.92.00) como sustenta a Fiscalização. Os auditores-fiscais, por outro lado, fundamentaram a imputação nos seguintes termos: Verifica-se que KIT FELICIDADE (CHESTER) PERDIGAO descreve um conjunto de materiais que não se enquadram na condição de sortido para venda a retalho e sim em um conjunto de produtos que devem ter classificação fiscal individual, porque o item 158367, BOLSA TERM TIRACOLO 430X320X120MM PERD, trata-se de sacola térmica que não se constitui, nos termos da RGI/SH nº 5, uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que ora acondiciona. Trata-se de um Fl. 5316DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 74 artigo reutilizável e que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, tendo capacidade, segundo as dimensões fornecidas, para mais de 16 litros. Desta forma, deve seguir regime próprio, cabendo classificá-la na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. (...) Assim, CHESTER INTEIRO ELAB (CHT), com os temperos que fazem parte DESTE produto, classifica-se na posição 1602.32.00 e a sacola térmica, na posição 4202.92.00. Os demais kits não foram informados na planilha Excel. A respeito de kits contendo aves, carnes e sacolas térmicas leia-se a Solução de Consulta nº 138 - SRRF/9ª RF/Diana, de 5 de junho de 2008, cuja ementa foi transcrita adiante, que trata de situação similar. Sem razão o Recorrente. Vejamos o que consta da RGI 5 e de suas respectivas notas explicativas: REGRA 5 Além das disposições precedentes, as mercadorias abaixo mencionadas estão sujeitas às Regras seguintes: a) Os estojos para câmeras fotográficas, instrumentos musicais, armas, instrumentos de desenho, joias e artigos semelhantes, especialmente fabricados para conterem um artigo determinado ou um sortido, e suscetíveis de um uso prolongado, quando apresentados com os artigos a que se destinam, classificam- se com estes últimos, desde que sejam do tipo normalmente vendido com tais artigos. Esta Regra, todavia, não diz respeito aos artigos que confiram ao conjunto a sua característica essencial. b) Sem prejuízo do disposto na Regra 5 a), as embalagens que contenham mercadorias classificam-se com estas últimas quando sejam do tipo normalmente utilizado para o seu acondicionamento. Todavia, esta disposição não é obrigatória quando as embalagens sejam claramente suscetíveis de utilização repetida. NOTA EXPLICATIVA REGRA 5 a) (Estojos e artigos semelhantes) I) A presente Regra deve ser interpretada como de aplicação exclusiva aos recipientes (receptáculos) que, simultaneamente: 1) Sejam especialmente fabricados para receber um determinado artigo ou sortido, isto é, sejam preparados de tal forma que o artigo contido se acomoda exatamente no seu lugar, podendo alguns recipientes (receptáculos), além disso, ter a forma do artigo que devam conter; 2) Sejam suscetíveis de um uso prolongado, isto é, sejam concebidos, especificamente, no que se refere à resistência ou ao acabamento, para ter uma duração de utilização comparável a do conteúdo. Estes recipientes (receptáculos) servem, frequentemente, para proteger o artigo a que se referem fora dos momentos de utilização (por exemplo, transporte, armazenamento, etc.). Estas características permitem diferenciá-los das simples embalagens; Fl. 5317DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 75 3) Sejam apresentados com os artigos aos quais se referem, quer estes estejam ou não acondicionados separadamente, para facilitar o transporte. Os recipientes (receptáculos) apresentados isoladamente seguem o seu próprio regime; 4) Sejam do tipo normalmente vendido com os mencionados artigos; 5) Não confiram ao conjunto a sua característica essencial. II) Como exemplos de recipientes (receptáculos) apresentados com os artigos aos quais se destinam e cuja classificação é determinada por aplicação da presente Regra, citam-se: 1) Os estojos para joias (guarda-joias) (posição 71.13); 2) Os estojos para aparelhos ou máquinas de barbear elétricos (posição 85.10); 3) Os estojos para binóculos, estojos para miras telescópicas (posição 90.05); 4) As caixas e estojos para instrumentos musicais (posição 92.02, por exemplo); 5) Os estojos para espingardas (posição 93.03, por exemplo). III) Pelo contrário, como exemplos de recipientes (receptáculos) que não entram no campo de aplicação desta Regra, citam-se as caixas de chá, de prata, que contenham chá ou as tigelas decorativas de cerâmica, que contenham doces. REGRA 5 b) (Embalagens) IV) A presente Regra estabelece a classificação das embalagens do tipo normalmente utilizado para as mercadorias que contêm. Contudo, esta disposição não é obrigatória quando tais embalagens são claramente suscetíveis de utilização repetida, por exemplo, certos tambores metálicos ou recipientes de ferro ou de aço para gases comprimidos ou liquefeitos. V) Dado que a presente Regra está subordinada à aplicação das disposições da Regra 5 a), a classificação dos estojos e recipientes (receptáculos) semelhantes, do tipo mencionado na Regra 5 a), rege-se pelas disposições desta última Regra. O próprio contribuinte reconhece que a sacola termina não é um recipiente/receptáculo do tipo normalmente vendido com alimentos como o Chester. Tanto que em seu recurso afirma literalmente que esta sacola é uma “embalagem de apresentação diferenciada para datas especiais, como o Natal, por exemplo, tanto que a produção destes kits concentra-se no final do ano”. As autoridades fiscais também fundamentaram suas conclusões na Solução de Consulta nº 138/2008, com Ementa a seguir transcrita: “Solução de Consulta nº 138 - SRRF/9ª RF/Diana, de 5 de junho de 2008 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Código TIPI - Mercadoria 1601.00.00 Lingüiça de carne suína, apresentada embalada a vácuo em pacotes de 240g, componente de conjunto não caracterizado como "sortido" denominado "Kit Ave Maria". Fl. 5318DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 76 1602.32.00 Frango temperado e congelado, peso aproximado de 2,9 a 3,1 kg, componente de conjunto não caracterizado como "sortido" denominado "Kit Ave Maria". 4202.92.00 Sacola térmica para acondicionamento de produtos alimentícios, com superfície exterior de PVC (policloreto de vinila) laminado, com alças, capacidade para 13 litros, componente de conjunto não caracterizado como "sortido" denominado "Kit Ave Maria". Dispositivos Legais: RGI/SH 1 (textos das posições 16.01, 16.02 e 42.02) e 6 (textos das subposições 1602.3, 1602.32, 4202.9 e 4202.92) da Tabela de Incidência do IPI/TIPI, aprovada pelo Dec. nº 6.006/2006, subsídios NESH, aprovadas pelo Dec. nº 435/92 e atualizadas pela IN/RFB nº 807/2008.” Pelo exposto, voto por negar provimento ao pedido. Não obstante a classificação fiscal acima adotada e, considerando que o Relatório Fiscal que motivou o auto de infração teve por conclusão o enquadramento na RGI/SH 1 (textos das posições 16.01, 16.02 e 42.02) e 6 (textos das subposições 1602.3, 1602.32, 4202.9 e 4202.92), quando deveria ter adotado a RGI5, cabe ser afastado o lançamento de ofício neste ponto. 2.5.3. Da classificação das tortas. A DRJ manteve a exigência do PIS e da COFINS sobre alguns produtos que, no ponto de vista da Autoridade Fiscal, concluindo que foram incorretamente classificados na posição 1902 da NCM, sujeitos à alíquota zero, nos termos do art. 1º, XVIII, da Lei nº 10.925/0418: Igualmente com relação a tais itens, peço vênia para reproduzir os fundamentos do r. voto condutor do v. Acórdão nº 3402-009.900, acima citado: Vejamos as classificações propostas pelo contribuinte (NCM 1902.11.00) e pela Receita Federal (NCM 1901.20.00): Em relação às tortas, por tudo quanto já exposto no tópico antecedente, resta bastante óbvio que não se enquadram na classificação NCM 1902.20.00, cujo texto da posição 19.02 é “Massas alimentícias, mesmo cozidas ou recheadas (de carne ou de outras substâncias) ou preparadas de outro modo, tais como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e canelone; cuscuz, mesmo preparado”. Ora, uma torta de iogurte com palmito e catupiry não é uma massa alimentícia “tal como espaguete, macarrão, aletria, lasanha, nhoque, ravioli e Fl. 5319DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 77 canelone ou cuscuz”. Logo, não há como ser classificada no código NCM 1902.20.00 - Massas alimentícias recheadas (mesmo cozidas ou preparadas de outro modo). A classificação fiscal correta é justamente aquela proposta pelas autoridades fiscais, na posição 19.05, cujo texto é “Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau; hóstias, cápsulas vazias para medicamentos, obreias, pastas secas de farinha, amido ou fécula, em folhas, e produtos semelhantes”. Isso porque, ao contrário do que afirma o Recorrente, as tortas são produtos de pastelaria. Vejamos a definição do termo “pastelaria” em links de dicionários acessíveis na internet: i) https://www.meudicionario.org/pastelaria substantivo feminino 1. ofício de pasteleiro 2. conjunto de iguaria feitos com massa de farinha recheada 3. estabelecimento onde se confeccionam e/ou vendem e consomem a mercadoria feita pelo pasteleiro (pastéis, empadas, tortas, etc) ii) https://edukavita.blogspot.com/2013/02/pastelaria.html 2. Definição de pastelaria Pastelaria refere-se ao estabelecimento onde são produzidos ou comercializados diferentes tipos de alimentos doces, como bolos, tortas, bolos, faturas e outros. iii) https://oquee.space/dicionario/pastelaria/ 1. Conjunto de bolos, doces ou outras iguarias doces ou salgadas feitas com massa de farinha (ex.: pastelaria doce; pastelaria salgada; a pastelaria exposta incluía bolos e salgados). 2. Arte, actividade ou ofício de confeccionar bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha (ex.: curso de pastelaria). 3. Estabelecimento de pasteleiro ou de quem faz bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha. iv) https://www.lexico.pt/pastelaria/ subst. f. 1. estabelecimento onde se fazem e/ou vendem bolos: comprar bolos na pastelaria. v) https://michaelis.uol.com.br/palavra/ne2n1/pastelaria/ 1 Conjunto de doces e salgados preparados com massa variada, prontos para o consumo. 2 Estabelecimento onde se fazem e/ou vendem esses produtos; pasteleiro, pâtisserie. vi) https://www.dicio.com.br/pastelaria/ substantivo feminino Fl. 5320DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 78 Pasta ou massa trabalhada, ornamentada de formas diversas e assada. [Por Extensão] Pastéis, tortas, empadas, massas cozidas em geral. Loja, mercadoria do pasteleiro. vii) https://dicionario.priberam.org/pastelaria substantivo feminino 1. Conjunto de bolos, doces ou outras iguarias doces ou salgadas feitas com massa de farinha (ex.: pastelaria doce; pastelaria salgada; a pastelaria exposta incluía bolos e salgados). 2. Arte, atividade ou ofício de confeccionar bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha (ex.: curso de pastelaria). 3. Estabelecimento de pasteleiro ou de quem faz bolos, doces e outras iguarias feitas com massa de farinha. 4. Local onde se pode tomar uma refeição ligeira. A NESH corrobora esse entendimento em diversas passagens, como por exemplo: i) Considerações gerais sobre o Capítulo 20 Estão excluídos deste Capítulo: (...) b) Os produtos de pastelaria (por exemplo, as tortas de fruta) que estão incluídos na posição 19.05. ii) NESH da posição 82.15 - Colheres, garfos, conchas, escumadeiras, pás para tortas, facas especiais para peixe ou para manteiga, pinças para açúcar e artigos semelhantes. A presente posição compreende especialmente: (...) 4) As pás para peixe, as pás para pastelaria (para tortas, etc.), para morangos, aspargos, sorvetes, etc. iii) NESH da posição 84.38, item I.- MÁQUINAS E APARELHOS PARA AS INDÚSTRIAS DE PANIFICAÇÃO, PASTELARIA, BOLACHAS E BISCOITOS 7) Os aparelhos de pastelaria para dosar massas ou ingredientes nas formas, para fabricação de tortas, bolos, doces, etc. Além disso, o item 10 da NESH da posição 19.05 especifica como se compõem os chamados “produtos de pastelaria”: A) Produtos de padaria, pastelaria ou da indústria de bolachas e biscoitos, mesmo adicionados de cacau. (...) Encontram-se compreendidos na presente posição: (...) Fl. 5321DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 79 10) Os produtos de pastelaria, em cuja composição entram substâncias muito variadas: farinhas, féculas, manteiga ou outras gorduras, açúcar, leite, creme-de- leite (nata*), ovos, cacau, chocolate, café, mel, fruta, licores, aguardente, albumina, queijo, carne, peixe, aromatizantes, leveduras ou outros fermentos, etc. Considerando as mesmas razões detidamente demonstradas no r. voto acima, mantenho as glosas com relação às tortas. 3. Das infrações relacionadas à EFD-Contribuições Sendo assim, com base na Lei nº 13.670/2018, imputou à Recorrente a multa do art. 12, inciso II, da Lei 8.218, de 1991, para o caso da escrituração com informações inexatas, omitidas ou incompletas”, por entender a fiscalização que não se tratava de ajustes. Por sua vez, a recorrente defende-se ao alegar que não se verificou os pressupostos da materialidade de aplicação da multa, pois a maneira como foi formalizado o creditamento extemporâneo não caracterizou o tipo apto à subsunção de incidência da penalidade. Prevê o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, regulamentado pelos artigos 11 e 12 da Lei nº 8.212/1991, a imputação de multa regulamentar pelo cumprimento das obrigações acessórias com incorreções ou omissões. Veja-se que, a imputação da multa regulamentar se dá pela apresentação declaração, demonstrativo ou escrituração digital com incorreções ou omissões. Todavia, a Recorrente prestou informações EFD-Contribuições créditos extemporâneos, como Ajuste Oriundo de Outras Situações, Ajuste referente Crédito Extemporâneo de medicamentos e vacinas, o que no meu entender, demonstra a espontaneidade da Recorrente para prestação a informação. Sendo assim, não vislumbro nos autos pressupostos de materialidade para imputação da referida penalidade, pois os créditos extemporâneos aproveitados pela Recorrente decorreram da revisão de apurações anteriormente formalizadas por ela perante à RFB. Trata-se de uma questão de direito, a Recorrente entende que faz jus aos créditos extemporâneos; à autoridade fiscal cabia o instituto da glosa, que é materialização da ausência do direito pleiteado, não cabendo, portanto, a glosa e a aplicação da multa concomitantemente. Nesse sentido, não há requisitos autorizadores para manutenção da multa regulamentar imputada prevista no art. 12, II, da Lei 8.218/91. Por isso, voto por dar provimento ao presente tópico recursal. 4. Do pedido de Diligência A recorrente assinala que, por meio de prova pericial, será possível a demonstração da natureza de todos os insumos por ela utilizados, e notadamente, a essencialidade destes relativamente à consecução de seu processo produtivo, pleiteia a realização de diligência para a comprovação de suas alegações, e, por fim, formula quesitos. Fl. 5322DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 80 Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72, “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”, já o art. 29 do mesmo diploma legal dispõe que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Assim sendo, a diligência pode ser deferida ou determinada pela autoridade julgadora se houver dúvida acerca de questão controversa, ao passo que a perícia se presta para dirimir questão para a qual se exige conhecimento técnico especializado. No caso sob análise, entendo desnecessária a diligência ou perícia, na medida em que há elementos suficientes para análise e julgamento do pleito, bem como porque cabe à recorrente comprovar que determinados bens adquiridos ou serviços contratados caracterizam insumos, mediante a juntada de informações e, até a apresentação da impugnação, de documentos comprobatórios, de modo que não cabe diligência para produção de provas a cargo da recorrente. 5. Dispositivo Ante o exposto, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: a) Observados os requisitos legais para o aproveitamento dos créditos das contribuições não cumulativas, reverter as glosas relativas às despesas com: serviços de locação de empilhadeiras, guindastes e Munck; serviços de administração de vestiário; serviços portuários na importação; fretes contratados após da liberação (desembaraço) da mercadoria; cross docking, repaletização e locação de uniformes; b) reconhecer a possibilidade de aproveitamento dos créditos extemporâneos, independentemente de retificação de DACON, desde que os créditos não tenham sido utilizados em duplicidade; c) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009, e do art. 1º, inciso XIX, alínea a, da Lei nº 10.925, de 2004, quando os produtos vendidos no mercado interno resultarem em NCM diversa dos produtos adquiridos; d) permitir a apuração de crédito presumido, nos termos do art. 56 da Lei nº 12.350, de 2010, quando os produtos forem vendidos para exportação; e) afastar o lançamento da Contribuição para o PIS e da COFINS relativo à omissão de receitas decorrentes de variação monetária de depósitos judiciais; f) Manter a classificação das carnes adotada pelo contribuinte; Fl. 5323DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-012.738 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10983.909689/2021-18 81 g) Afastar o lançamento sobre as glosas relativas ao “kit felicidade”; h) Afastar do lançamento de ofício a multa regulamentar imposta. É como voto. Assinado digitalmente Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta Fl. 5324DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 16682.720960/2022-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2017, 2018
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. ACOLHIMENTO, SEM EFEITOS INFRINGENTES.
Comprovado que o acórdão embargado incorreu em lapso relacionado ao período examinado pela autoridade fiscal, há de ser integrado a fim de ser sanado o vício.
Numero da decisão: 1202-002.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para retificar o Acórdão 1202-001.362 com alteração do campo período de autuação da ementa para “anos-calendário 2017 e 2018” e adequando se a redação da conclusão do voto condutor em relação à decadência (item 2 preliminares) para “não conhecer com base no art. 101, inciso III, do RICARF.
em 27 de novembro de 2025.
Assinado Digitalmente
Maurício Novaes Ferreira – Relator
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: MAURICIO NOVAES FERREIRA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2017, 2018 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO NO ACÓRDÃO EMBARGADO. ACOLHIMENTO, SEM EFEITOS INFRINGENTES. Comprovado que o acórdão embargado incorreu em lapso relacionado ao período examinado pela autoridade fiscal, há de ser integrado a fim de ser sanado o vício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para retificar o Acórdão 1202-001.362 com alteração do campo período de autuação da ementa para “anos-calendário 2017 e 2018” e adequando se a redação da conclusão do voto condutor em relação à decadência (item 2 preliminares) para “não conhecer com base no art. 101, inciso III, do RICARF. em 27 de novembro de 2025. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Fl. 1879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.232 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720960/2022-11 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Mauricio Novaes Ferreira, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 1202-001.362, de 13/08/2024, assim ementado e decidido: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2018, 2019 MATÉRIA NÃO ENFRENTADA PELA DRJ. APRECIAÇÃO ORIGINÁRIA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. NULIDADE PARCIAL DA DECISÃO RECORRIDA. A apreciação da matéria em segunda instância, sem que tenha sido apreciada em primeira instância, caracteriza supressão de instância, o que não se admite no direito processual administrativo tributário. No presente caso, deve ser cancelado o acórdão recorrido em parte para que a 1ª instância análise a procedência ou não das alegações veiculadas sob a rubrica “temas relativos aos tributos cobrados” na impugnação levada a julgamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da autuação, não conhecer da prejudicial de decadência com base no inciso III, do art. 101 do RICARF e acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão nº 103.013.173 proferido pela 4ª turma da DRJ3 para que aquele colegiado decida sobre as matérias entabuladas no item III.4.1. da impugnação.Este relator, ao elaborar o voto vencedor daquele julgado, limitou-se a apresentar as razões que levaram o Colegiado a considerar procedente a autuação fiscal pela indedutibilidade do ágio discutido nos autos. O voto vencedor, contudo, não apresentou os fundamentos para a desqualificação da multa de ofício. Cientificada do acórdão de recurso voluntário, a Fazenda Nacional manejou o recurso previsto no art. 115, inciso I do RICARF, apontando a omissão antes referida. O despacho de fls. 1.873 a 1.876 admitiu parcialmente os embargos valendo-se dos seguintes fundamentos: 1- INEXATIDÃO MATERIAL/ERRO DE ESCRITA: ANOS-CALENDÁRIO DA AUTUAÇÃO. Fl. 1880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.232 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720960/2022-11 3 A embargante apresenta os seguintes argumentos: 2. O presente processo administrativo trata da amortização fiscal de ágio nos anos-calendário de 2017 e 2018. No entanto, provavelmente por um lapso, a ementa do Acórdão Embargado faz referência aos anos-calendário de 2018 e 2019. 3. Há evidente inexatidão material/erro de escrita na ementa, o que justifica a apresentação dos presentes embargos, nos termos do art. 117 do RICARF. 4. A fim de evitar confusões posteriores, a Embargante pede, respeitosamente, a correção da inexatidão material na ementa do acórdão, para que se faça referência aos períodos de autuação corretos. Há necessidade de correção do erro alegado. Realmente, o presente processo cuida de lançamentos referentes aos anos- calendário de 2017 e 2018, mas a ementa do acórdão embargado faz referência aos anos-calendário de 2018 e 2019. É oportuno registrar que uma das questões em litígio abrange alegação de decadência, tema cuja análise demanda uma identificação precisa dos períodos autuados. Não bastasse isso, vê-se, também em relação à decadência, que o voto que orientou o acórdão embargado se manifestou no sentido de “afastar” a prejudicial de decadência, explicitando o lapso temporal transcorrido entre os fatos geradores e a formalização do lançamento, enquanto na parte dispositiva do acórdão, consta decisão de “não conhecer” da prejudicial de decadência, em razão do inciso III do art. 101 do RICARF, o que também precisa ser mais bem definido pelo colegiado. Desse modo, os embargos devem ser acolhidos para que sejam sanados os problemas acima apontados. Em seguida, o Sr. Presidente do Colegiado encaminhou os autos a este relator, já que fora responsável pela elaboração do voto vencedor do julgamento. [...] Conclusão Diante do exposto, com fundamento no art. 116 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023, ACOLHO PARCIALMENTE os embargos de declaração para que sejam sanados os problemas apontados no tópico “1- INEXATIDÃO MATERIAL/ERRO DE ESCRITA: ANOS-CALENDÁRIO DA AUTUAÇÃO”. E REJEITO os embargos em relação à matéria tratada no segundo tópico. [...] Em seguida, os autos foram remetidos a este Relator, para análise dos embargos acolhidos. Fl. 1881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.232 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720960/2022-11 4 É o relatório. VOTO Conselheiro Maurício Novaes Ferreira, Relator Os embargos foram opostos e acolhidos na forma regimental. Duas questões entabuladas como “inexatidão – erro material ou de escrita” foram devolvidas ao Colegiado para as devidas correções. A primeira delas diz respeito aos períodos a que se referem o contencioso. Compulsando-se a amenta do julgado, contata-se que consta que ele se reporta aos anos- calendário 2018 e 2019, quando os fatos se referem, concretamente, aos anos-calendário 2017 e 2018. Deste modo, há de se admitir os embargos, sem efeitos infringentes, para que a ementa traduza a verdade dos fatos e indique que eles são relativos aos anos-calendário 2017 e 2018. A segunda incorreção diz respeito a uma divergência entre o dispositivo do acórdão e o voto condutor do julgado no que respeita à preliminar de decadência. No dispositivo, restou assentada a seguinte decisão (com destaques acrescidos): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da autuação, não conhecer da prejudicial de decadência com base no inciso III, do art. 101 do RICARF e acolher a preliminar de nulidade parcial do acórdão nº 103.013.173 proferido pela 4ª turma da DRJ3 para que aquele colegiado decida sobre as matérias entabuladas no item III.4.1. da impugnação. Já no voto condutor do julgado, consta a seguinte conclusão quanto ao tema: Por estes fundamentos, afasto a preliminar de nulidade da autuação fiscal e a prejudicial de decadência do direito de examinar os ágios glosados. O referido art. 101, inciso III do RICARF ostenta a seguinte redação: Art. 101. Não se conhecerá de recurso interposto em face de decisão de primeira instância que adote como razão de decidir: I - decisão plenária transitada em julgado, proferida pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade, nos termos do §2º do art. 102 da Constituição Federal; II - Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; ou Fl. 1882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.232 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720960/2022-11 5 III - Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do §13 do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Como o acórdão recorrido decidiu sobre a matéria valendo-se da Súmula CARF nº 116, a alegação de decadência para a constituição do crédito tributário decorrente de amorização de ágio não deve ser conhecida, de modo que os fundamentos do voto condutor do julgado devem ser integrados pelos do presente acórdão. Pelo exposto, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, para que o acórdão 1202-001.362 seja integrado pelo presente acórdão, retificando-se o campo período de autuação da ementa para “anos-calendário 2017 e 2018” e adequando-se a redação da conclusão do voto condutor quanto à decadência (item 2 – preliminares) para “não conhecer, com base no art. 101, inciso III do RICARF”. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira Fl. 1883DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 18186.000857/2010-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jan 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PRELIMINAR DE NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Inexiste vício formal quando a notificação de lançamento atendeu a todos os requisitos legais, não se cogitando de nulidade do lançamento.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF
PENSÃO ALIMENTÍCIA. ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA. AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Para que seja possível a dedução pleiteada, o pagamento da pensão alimentícia deve ser realizado de acordo com as normas do direito de família, em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 733 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. Os documentos apresentados pelo Contribuinte para a comprovação da dedução realizada a título de pagamento de pensão alimentícia não atendem ao disposto no Regulamento do Imposto de Renda.
DESPESA MÉDICA. SÚMULA CARF Nº 40. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 2002-009.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
RAFAEL DE AGUIAR HIRANO – Relator
Assinado Digitalmente
Marcelo de Sousa Sateles – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente)
Nome do relator: RAFAEL DE AGUIAR HIRANO
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VÍCIO FORMAL. Inexiste vício formal quando a notificação de lançamento atendeu a todos os requisitos legais, não se cogitando de nulidade do lançamento. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 - RICARF PENSÃO ALIMENTÍCIA. ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA. AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Para que seja possível a dedução pleiteada, o pagamento da pensão alimentícia deve ser realizado de acordo com as normas do direito de família, em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 733 da Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 - Código de Processo Civil. Os documentos apresentados pelo Contribuinte para a comprovação da dedução realizada a título de pagamento de pensão alimentícia não atendem ao disposto no Regulamento do Imposto de Renda. DESPESA MÉDICA. SÚMULA CARF Nº 40. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente RAFAEL DE AGUIAR HIRANO – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente) RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Em procedimento de revisão interna de declaração de rendimentos correspondente ao ano-calendário de 2008, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 95 a 101, em que foram apuradas dedução indevida de dependentes (R$ 4.967,64), dedução indevida de despesas médicas (R$ 40.300,88), dedução indevida de pensão alimentícia (R$ 103.500,00) e dedução indevida de despesas com instrução (R$ 5.090,00). Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar de R$ 42.311,09, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares, perfazendo o crédito total de R$ 76.604,22. Após ter sido cientificado da notificação de lançamento de fls. 95 a 101, o Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 a 4, em 26/02/2010, valendo-se, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) os dependentes declarados Jorge Antônio Salomão Neto, Vera Márcia dos Santos Salomão e Maria Clara dos Santos Salomão são filhos menores do Contribuinte, conforme certidões de nascimento em anexo; 2) as despesa com instrução são relativas à educação dos filhos do Contribuinte; Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 3 3) as despesas médicas referem-se ao tratamento do Contribuinte e de seus dependentes, conforme recibos apresentados; 4) o valor de R$ 103.500,00 diz respeito à pensão alimentícia, conforme declarações em anexo. Em 13/02/2013 (fl. 222), o Interessado foi cientificado do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo (fl. 217) que determinou, com base no Termo Circunstanciado de fls. 210 a 216, a manutenção parcial da notificação de lançamento de fls. 95 a 101, alterando-se o imposto suplementar de R$ 42.311,09 para R$ 41.938,12. Intimado do Despacho Decisório de fl. 217, o Interessado apresentou a petição de fls. 223 a 234, alegando, em resumo, nulidade formal do lançamento por falta de detalhamento da autuação, existência de um acordo amigável que justificava o pagamento de pensões alimentícias e multa confiscatória. Em sessão de 10 de junho de 2014, a 18ª Turma da DRJ/RJ1 julgou, por unanimidade, rejeitar a preliminar de nulidade, e julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO. Cientificado da decisão, o contribuinte impetrou recurso voluntário tendo como pedido “que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, em virtude do bem estar e da dignidade dessas crianças”. É o relatório. VOTO Conselheiro RAFAEL DE AGUIAR HIRANO, Relator Em virtude da inexistência de comprovante de ciência do despacho decisório de 1ª instância, de fls. xxx, considera-se como data da ciência a da entrega do recurso voluntário de fls. xxx que será considerado tempestivo, devendo ser apreciado. Em sua defesa, tanto preliminarmente quanto no mérito, o recorrente repete os mesmos argumentos de sua impugnação à 1ª instância, sem apresentar quaisquer novas razões de defesa perante esta 2ª instância. Vale ressaltar que em seu recurso o recorrente apenas ratifica o entendimento e as decisões da Delegacia de Julgamento quanto à ilegalidade das deduções das despesas com dependentes, quando confirma que os quatro filhos “desde 2005 sempre estiveram sob a guarda da mãe”, e das deduções com pensão alimentícia, ao afirmar que “o autuado teve por acordo amigável a obrigação de pagamento aos alimentos”. Assim, conforme destaca o julgador de piso, não foi trazido aos autos qualquer elemento probatório capaz de invalidar o lançamento tributário ou que demandasse sua revisão. Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 4 Quanto às deduções com despesas médicas, como demonstra a fiscalização, os comprovantes apresentados além de insuficientes para comprovação dos gastos apresentam fortes dúvidas quanto à veracidade deles, preferindo o agente fiscal, entretanto, não aplicar a multa qualificatória. Outrossim, nada há que reparar na decisão de piso também quanto a essas deduções haja vista a existência da Súmula CARF nº 40, conforme abaixo: Súmula CARF nº 40 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 08/12/2009 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Diante do exposto, por não apresentar novas razões de defesa, em vista do disposto no inc. I, § 12, do art. 144, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023 – RICARF, adoto e reproduzo os fundamentos da decisão recorrida, in verbis: Da preliminar de nulidade A notificação de lançamento de fls. 95 a 101 foi objeto de alteração por parte do Despacho Decisório de fl. 217, com base no Termo Circunstanciado de fls. 210 a 216. Irresignado, o Interessado apresentou a petição de fls. 223 a 234 alegando nulidade formal por falta de detalhamento da autuação. Não assiste razão ao Interessado, haja vista que a notificação de lançamento cumpriu todos os requisitos formais estipulados no Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. A notificação de lançamento detalhou as infrações e as fundamentou de acordo com a legislação apropriada, inexistindo, tampouco, cerceamento do direito de defesa do Contribuinte. Rechaçando-se qualquer hipótese de nulidade formal no presente caso, não merece acolhida a preliminar suscitada pelo Contribuinte. Da dedução indevida de pensão alimentícia judicial O Interessado informou em sua declaração de ajuste anual do exercício 2009, R$ 103.500,00 a título de dedução indevida de pensão alimentícia. Contudo, não trouxe aos autos a sentença judicial ou o acordo homologado judicialmente determinando o pagamento de pensões alimentícias a Renata Celeste Escobar, Vera Márcia dos Santos Salomão e Jandeline Alves dos Santos. Frise-se que a legislação do imposto de renda apenas prevê a dedução de pensões alimentícias em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública. As declarações firmadas pelo próprio Contribuinte e por Renata Celeste Escobar, Vera Márcia dos Santos Salomão e Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 5 Jandeline Alves dos Santos (fls. 43, 45 e 47) não têm o condão de demonstrar que os pagamentos ocorreram a título de pensão alimentícia judicial, respaldada por decisão judicial ou por acordo homologado judicialmente ou por escritura pública. Isso posto, mantém-se a glosa da dedução indevida de pensão alimentícia judicial de R$ 103.500,00. Da dedução indevida de dependentes A Fiscalização glosou os dependentes declarados no exercício 2009, sob o argumento de que o Contribuinte não possuía a guarda judicial de seus filhos Jorge Antonio Salomão Neto e Vera Márcia dos Santos Salomão. O art. 35, III e §3º, da Lei nº 9.250, de 1995, estabelece: “Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; § 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.” No caso em tela, as certidões de nascimento de fls. 73 e 75, comprovam que Jorge Antonio Salomão Neto e Vera Márcia dos Santos Salomão são filhos do Contribuinte e possuíam menos de 21 anos de idade no ano-calendário de 2007. No entanto, o Interessado declarou pagar pensão alimentícia judicial às mães de Jorge Antonio Salomão Neto, Vera Márcia dos Santos e Maria Clara dos Santos Salomão. Tratando-se de filhos de pais separados, deveria estar comprovado nos autos que o Impugnante detinha a guarda judicial de seus filho para que pudesse informá-los como seus dependentes na declaração de rendimentos. Como essa condição não ocorreu, deve ser mantida a glosa de dependentes relativa aos filhos do Contribuinte Jorge Antonio Salomão Neto, Vera Márcia dos Santos e Maria Clara dos Santos Salomão, por falta da guarda judicial, nos termos do art. 35,§3º, da Lei nº 9.250, de 1995. Da dedução indevida de despesas com instrução Os documentos de fls. 76 a 79 apontam despesas com a instrução de Jorge Antonio Salomão Neto e Vera Márcia dos Santos Salomão. Como salientado nesse voto, os filhos do Contribuinte não podem ser deduzidos como dependentes em função de se tratar de filhos de pais separados, cuja guarda judicial o Contribuinte não logrou comprovar deter. Tampouco existe sentença judicial determinando que o Interessado arque com os custos relativos às despesas de instrução de Jorge Antonio Salomão Neto e Vera Márcia dos Santos. Desse modo, não podem ser deduzidos valores de despesas com instrução dos filhos do Contribuinte, no valor de R$ 5.090,00. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 6 Da dedução indevida de despesas médicas A Fiscalização glosou o valor de despesas médicas de R$ 40.300,88 declarados pelo Interessado para o ano-calendário de 2008. Com base no Termo Circunstanciado de fls. 210 a 216, foram aceitos os pagamento de plano de saúde Amil relativos ao próprio Interessado (R$ 1.374,26). No que tange aos recibos emitidos por Murilo Abel R. Carvalho (fls. 150 e 151), June Melles Megre (fls. 197 a 200), Ana Clélia Mattos (fls. 166 e 167), Ednei Eiji Oshima (fl. 162) e Yan Wing Wing (fl.191), o Contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento dessas importâncias. Em resposta, o Interessado sustentou que os pagamentos teriam sido em dinheiro e trouxe aos autos cópias de extratos bancários que não foram capazes de demonstrar a materialidade desses gastos, haja vista não ser possível estabelecer nenhuma relação lógica entre saques da conta bancária e os pagamentos indicados nos recibos. Ademais, os referidos profissionais da área de saúde foram intimados a confirmar os pagamentos e os serviços alegados pelo Impugnante, sendo que nenhum deles validou os recibos apresentados, sendo taxativos em negar sua veracidade e qualquer vínculo com o Contribuinte. (grifei) Tampouco podem ser aceitos os recibos emitidos por Tatiane Aparecida da Silva (fls. 158 e 159), Rejane Fátima de Souza (fls. 184 a 187) e Amarildo Pereira (fls. 173 e 174), pois não contêm os endereços profissionais dos emitentes, conforme pressupõe o art. 8º, §2º, III, abaixo transcrito: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: (...) II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º (...) § 2º - O disposto na alínea “a” do inciso II: I – (...) II - restringe-se aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 7 Como se isso não fosse suficiente, o Contribuinte não comprovou a materialidade dos pagamentos efetuados, não havendo nenhuma relação entre os pagamentos apontados nos recibos em questão e os extratos bancários juntados pelo Interessado. Há também sérias dúvidas acerca da autenticidade desses recibos, conforme apurado pela Fiscalização e descrito no Termo Circunstanciado de fls. 210 a 216. Também não pode ser deduzido o valor relativo ao Hospital Samaritano (R$ 2.469,04) haja vista que os documentos apresentados pelo Impugnante apontam Jandeline Alves dos Santos como paciente e beneficiária dos serviços prestados. Como essa pessoa física não consta como dependente do Interessado e apresentou declaração em separado para o anocalendário de 2008, não há que cogitar da dedução desse valor pelo Contribuinte. Com relação à dedução do plano de saúde Amil, a Fiscalização acatou o montante de R$ 1.374,26 relativo ao próprio Interessado. As parcelas relativas a Renata Celeste Escobar, Jorge Antônio Salomão Neto e Vera Márcia dos Santos Salomão não podem ser deduzidas por se tratar de pessoas que não podem ser dependentes do Contribuinte. Renata Celeste Escobar é beneficiária de pensão alimentícia paga pelo Interessado, inexistindo previsão em sentença judicial de que o Interessado teria que arcar com essas despesas médicas. Os dois filhos do Interessado não podem ser deduzidos como dependentes, em virtude de o Contribuinte não possuir a guarda judicial, não havendo provas de que o Interessado estava obrigado judicialmente a cobrir as despesas médicas de Jorge Antônio Salomão Neto e Vera Márcia dos Santos Salomão. Destarte, do total de despesas médicas declarado pelo Contribuinte (R$ 40.300,88), deve ser aceito apenas o valor de R$ 1.374,26. Da multa de 75% O Impugnante alega que a multa de 75% teria caráter confiscatório, devendo ser reduzida para 10%. Quanto à alegação de confisco, cumpre aduzir que o preceito do art. 150, IV, da Constituição Federal, não se destina ao aplicador administrativo da lei. Como norma programática, tal preceito se destina ao Poder Legislativo, que não pode desprezá-lo quando da confecção das leis. Já como norma proibitiva, o mesmo preceito está afeito ao controle de constitucionalidade, cujo exercício é de competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme majoritárias doutrina e jurisprudência. Portanto, não compete à instância administrativa a análise de tal matéria, uma vez que a vedação constitucional para a utilização de tributo com efeito confiscatório, dirige-se ao legislador, e não ao aplicador da lei. A multa de 75% foi aplicada corretamente, em consonância com a legislação tributária, inexistindo reparo a ser feito nesse tocante. Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.959 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18186.000857/2010-44 8 Conclusão Destarte, com base em todo o exposto supra, voto pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, mantendo-se o imposto suplementar de R$ 41.938,12, apontado no Termo de Circunstanciado de fls. 210 a 216, acrescido de multa de ofício e juros de mora regulamentares. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente RAFAEL DE AGUIAR HIRANO Fl. 294DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 12466.720168/2022-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Dec 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 16/01/2020 a 07/10/2020
CONCOMITÂNCIA PROCESSUAL.
Há concomitância processual (administrativa vs. judicial) sempre que o mérito da exação seja questionado em ambas as vias, devendo ser aplicada a Súmula CARF nº 1:
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Vinculante, conformePortaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021).
MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
Suspensa a exigibilidade sem depósito judicial tempestivo e integral, revertida a ação em desfavor do contribuinte, a mora e correção permanecem devidas.
Numero da decisão: 3001-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte relativa à inclusão da capatazia de destino no valor aduaneiro, por concomitância judicial, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Daniel Moreno Castillo – Relator
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Joana Maria de Oliveira Guimaraes (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MORENO CASTILLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/01/2020 a 07/10/2020 CONCOMITÂNCIA PROCESSUAL. Há concomitância processual (administrativa vs. judicial) sempre que o mérito da exação seja questionado em ambas as vias, devendo ser aplicada a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Vinculante, conformePortaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Suspensa a exigibilidade sem depósito judicial tempestivo e integral, revertida a ação em desfavor do contribuinte, a mora e correção permanecem devidas.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 16/01/2020 a 07/10/2020 CONCOMITÂNCIA PROCESSUAL. Há concomitância processual (administrativa vs. judicial) sempre que o mérito da exação seja questionado em ambas as vias, devendo ser aplicada a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Suspensa a exigibilidade sem depósito judicial tempestivo e integral, revertida a ação em desfavor do contribuinte, a mora e correção permanecem devidas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte relativa à inclusão da capatazia de destino no valor aduaneiro, por concomitância judicial, e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 607DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.887 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12466.720168/2022-61 2 Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo – Relator Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Joana Maria de Oliveira Guimaraes (substituto[a] integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO Adoto como relatório desse processo, o mesmo que foi elaborado pela DRJ quando do proferimento do seu acórdão, seja em razão da suficiência e adequação da narrativa dos fatos, seja em prestígio à eficiência administrativa: Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 535.931,06, referente a diferenças de imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasep-importação, Cofins-importação e juros de mora. Depreende-se da descrição dos fatos do Relatório Fiscal que a interessada ajuizou ação na qual foi expedida a sentença em sede do Agravo de Instrumento nº 15272- 44.2015.4.01.0000/DF (processo original n° 0010923-80.2015.4.01.3400) antecipando a tutela para autorizar a interessada a importar mercadorias sem recolher os tributos incidentes (imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, PIS/Pasep-importação e Cofins-importação) sobre a base de cálculo sem incluir as despesas de capatazia de destino no valor aduaneiro. A interessada importou mercadorias amparadas pelas declarações de importação de folhas 64 a 275 do p.p. Considerando que a base de cálculo dos tributos aduaneiros (II, PIS/Pasep- importação e Cofins-importação) é o valor aduaneiro e que a IN SRF nº 327/2003 estabelece, no art.4º, §3º, que nele estão incluídos os gastos relativos à descarga da mercadoria de transporte internacional, a diferença de tributos não recolhidos foi lançada por meio dos autos de infração (a diferença de IPI decorre dos reflexos devidos às diferenças de imposto de importação lançadas). Considerando o disposto no art.63 da Lei nº 9.430/1996 não foram lançadas as multas de ofício e de mora respectivas. Fl. 608DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.887 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12466.720168/2022-61 3 Cientificada dos autos de infração, a interessada apresentou impugnação na qual alega, em síntese, que: Os custos relativos a serviço de capatazia ocorridos depois da chegada da embarcação ao porto alfandegado são ilegítimos a compor o valor aduaneiro, conforme discussão levado ao Poder Judiciário, especialmente pelas seguintes razões: - Eficácia e Prevalência do Tratado Internacional na Legislação Brasileira - Ilegalidade e Inconstitucionalidade do § 3º do artigo 4º da IN 327/03 – Criação de novos critérios para cálculo do valor aduaneiro não previstos em Lei – Violação ao Tratado Internacional. - “Extrafiscalidade” dos Tributos incidentes na Importação x Invalidade da Base de Cálculo prevista no § 3º do artigo 4º da IN 327/03. Os juros de mora são indevidos pois, no caso concreto, houve suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Portanto, nos termos do §2º do art.63 da Lei nº 9.430/1996, em razão da medida liminar, fica afastada a mora e, por consequência a multa de mora e os juros de mora. Requer seja julgado improcedente o lançamento, cancelando-se os créditos tributários lançados ou, ao menos, afastada a incidência dos juros de mora. Em sede de recurso voluntário devolve plenamente os mesmos argumentos expandidos em defesa de primeiro grau administrativo. É o relatório. VOTO Conselheiro Daniel Moreno Castillo, Relator 1. Tempestividade. O presente recurso é tempestivo, sendo a matéria do mesmo de competência para essa Turma Extraordinária apreciar, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 2. Conhecimento. Cuidam os autos de lançamento para prevenir decadência, lavrado em 22/06/2022, relativamente a II (Imposto de Importação), IPI-vinculado, PIS/Pasep-Importação e Cofins- Importação, em razão de recomposição do valor aduaneiro pela inclusão de gastos de capatazia de destino, com reflexos nas respectivas bases de cálculo. Conforme assentado na decisão de 1ª instância, há concomitância de processos (administrativo e judicial) em relação ao núcleo material do litígio, que é a inclusão de capatazia Fl. 609DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.887 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12466.720168/2022-61 4 de destino no valor aduaneiro e seus reflexos em II/IPI/PIS-Importação/Cofins-Importação, pois o contribuinte ajuizou ação buscando, precisamente, a exclusão dessa rubrica. Nessa hipótese, incide a Súmula CARF nº 1, segundo a qual a opção pela via judicial implica renúncia à via administrativa quanto ao mérito idêntico, vinculante aos seus Conselheiros: Súmula CARF nº 1 Aprovada pelo Pleno em 2006 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Ressalvo, porém, que a existência de ação judicial não impede o conhecimento de tese autônoma e distinta, quando o objeto não se confunde com o da lide judicial. É o caso do tópico juros de mora na pendência de suspensão da exigibilidade (CTN, art. 151), matéria que permanece cognoscível por esta Turma por não integrar o pedido principal deduzido na ação. 3. Mérito. 3.1 Mora. A tese recursal pretende ver afastados os juros de mora com fundamento em que a exigibilidade do crédito esteve suspensa por decisão judicial (CTN, art. 151, V). Invoca-se, para tanto, o artigo 63, § 2º, da Lei nº 9.430/1996. A argumentação, todavia, não procede, pois o § 2º do artigo 63 trata de multa de mora ao dispor que a concessão de medida judicial favorável interrompe a incidência da multa de mora “desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo”. O dispositivo não alcança os juros de mora, os quais, no sistema da Lei nº 9.430/1996, têm disciplina própria no artigo 61 (SELIC acumulada), devidos “sobre os tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos no prazo legal”, até a extinção do crédito. Esse entendimento está consolidado na Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5 Aprovada pelo Pleno em 2006 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 610DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.887 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12466.720168/2022-61 5 A ratio da súmula é clara: a suspensão da exigibilidade impede a cobrança coercitiva, mas não transmuta a natureza do principal, nem fulmina a fluência dos acessórios legais, exceto quando o contribuinte neutraliza o custo financeiro da mora mediante depósito integral, hipótese inexistente no caso concreto. Observe-se, ademais, que o próprio lançamento expressamente consignou a natureza demonstrativa dos juros calculados até 06/2022, além da inexistência de multa de ofício, coerente com a finalidade de prevenir a decadência (Súmula CARF nº 17). A quantificação definitiva dos juros ocorrerá apenas com a extinção do crédito, por pagamento, compensação ou outra modalidade legal, momento em que se apuram os encargos na exata extensão devida, sem bis in idem e sem superposição com encargos eventualmente fixados na via judicial. Não conheço do recurso no que toca à inclusão da capatazia de destino no valor aduaneiro (e seus reflexos), por concomitância judicial, e no mérito nego provimento ao recurso na parte conhecida. É como voto. Assinado Digitalmente Daniel Moreno Castillo Fl. 611DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 19395.900779/2015-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Dec 31 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
APURAÇÃO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. DIREITO NÃO COMPROVADO.
Para que as deduções título de imposto de renda na fonte possam integrar a apuração do IRPJ e, caso se apure o saldo negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, faz-se necessário que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de IRRF e que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação.
Numero da decisão: 1002-004.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora
Assinado Digitalmente
Aílton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. APURAÇÃO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. DIREITO NÃO COMPROVADO. Para que as deduções título de imposto de renda na fonte possam integrar a apuração do IRPJ e, caso se apure o saldo negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, faz-se necessário que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de IRRF e que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Assinado Digitalmente Aílton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente).
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INAPLICABILIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. APURAÇÃO DO IRPJ. COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO. IRRF. DIREITO NÃO COMPROVADO. Para que as deduções título de imposto de renda na fonte possam integrar a apuração do IRPJ e, caso se apure o saldo negativo, o crédito possa se revestir da liquidez e certeza, faz-se necessário que o contribuinte faça prova de que efetivamente ocorreram as retenções de IRRF e que os correspondentes rendimentos tenham sido oferecidos à tributação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Assinado Digitalmente Aílton Neves da Silva – Presidente Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.042 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19395.900779/2015-91 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Conforme apontado no relatório do acórdão recorrido, a Contribuinte, por meio dos PER/DCOMP nº 32238.75313.220814.1.3.02-5844 (PER/DCOMP com demonstrativo de crédito) e demais, intenta compensar débitos próprios com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ, no valor original de R$ 170.999,98, relativo ao ano-calendário de 2013. Paralelamente às compensações acima descritas, a interessada requereu, através do PER nº 08282.06615.290618.1.6.02-3978, restituição de R$ 127.346,41 (saldo restante após as compensações) do crédito original (saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2013). A DRF MACAÉ, através do Despacho Decisório eletrônico nº 1078338372, de 05/08/2015, resolveu por não homologar as compensações declaradas nos referidos PER/DCOMPs, tendo em vista insuficiência do crédito reconhecido no procedimento de validação (R$ 0,00); e por meio do Despacho Decisório eletrônico nº 1350380183, de 10/07/2018, resolveu por indeferir o pedido de restituição, "uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi reconhecido direito creditório suficiente para atendimentos deste pedido.” De acordo com a análise do crédito, não foi comprovada parcela de IR Fonte do referido saldo negativo no valor de R$ 53.242,50. Cientificada do Despacho, a interessada apresentou manifestação (fls. 02/06) a qual foi julgada improcedente. Por meio do acórdão n º 104-006.249 a 3ª Turma da DRJ 04 concluiu que: 11. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2013 pleiteado no PER/DCOMP nº 32238.75313.220814.1.3.02- 5844 não foi reconhecido, no procedimento de investigação da certeza e liquidez do crédito suplicado, em virtude de confirmação parcial da única parcela informada (IR Fonte), no montante de R$ 127.346,41 insuficiente para além de quitar a contribuição devida formar o pretendido saldo negativo. 12. A interessada, quanto ao IR Fonte, confirma a própria conclusão do despacho, indicando apenas retenções no montante de R$ 127.346,41 e não R$ 180.588,91, conforme apresentado no PER/DCOMP. 13. No demais, a interessada apresenta, possivelmente, estimativas não informadas no PER/DCOMP com demonstrativo do crédito, as quais totalizam apenas R$ 130.316,27. No entanto, não há informação precisa sobre o P.A. e, pelo vencimento, parecem estar direcionadas ao ano calendário de 2014 e não 2013, Fl. 218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.042 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19395.900779/2015-91 3 que é o ano calendário do saldo negativo do direito creditório tratado no PER/DCOMP nº 32238.75313.220814.1.3.02-5844. 14. Ademais e de suma importância para o presente caso, mesmo que se referisse ao ano calendário de 2013, o que se cogita apenas pelo amor ao debate, seria insuficiente para, junto com o IR Fonte confirmado no despacho e alegado na manifestação (R$ 127.346,41), ser suficiente para quitar o IRPJ devido (R$ 433.951,95) e ainda formar algum saldo negativo. Intimado do acórdão em 13.09.2021 (fls. 150/151), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 13.10.2021 (fl.152/155 e 156/162), apresentando os seguintes argumentos: Da prescrição intercorrente no processo administrativo: paralisação do feito por mais de 03 anos por inércia do Fisco; restou demonstrado pela manifestação de inconformidade apresentada, que a recorrente possui o imposto retido na fonte no importe de R$ 127.346,41, valor este retirado do detalhamento de crédito do sítio da própria Receita Federal; há comprovação da retenção do imposto no valor de R$ 53.242,50 pelo cliente CNPJ nº 34.078.154/0001-18 no momento do pagamento e o não reconhecimento do direito da recorrente caracterizará Bis In Idem Tributário, pois uma vez já retidos na ocasião do pagamento não deve o Fisco reter novamente o valor. Não foram juntados documentos com o recurso. É o relatório. VOTO Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Da Admissibilidade: O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da Preliminar: Antes de entrar no mérito do Recurso necessário analisar pedido de aplicação ao caso da prescrição intercorrente. Fl. 219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.042 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19395.900779/2015-91 4 E quanto a este ponto, em que pese o fundamento apresentado no recurso, trata-se de matéria sumulada neste Tribunal dispensando mais esclarecimentos: Súmula CARF nº 11 Aprovada pelo Pleno em 2006 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 103-21113, de 05/12/2002 Acórdão nº 104-19410, de 12/06/2003 Acórdão nº 104-19980, de 13/05/2004 Acórdão nº 105-15025, de 13/04/2005 Acórdão nº 107-07733, de 11/08/2004 Acórdão nº 202-07929, de 22/08/1995 Acórdão nº 203-02815, de 23/10/1996 Acórdão nº 203-04404, de 11/05/1998 Acórdão nº 201-73615, de 24/02/2000 Acórdão nº 201-76985, de 11/06/2003 As súmulas aprovadas por este Tribunal Administrativo são de aplicação obrigatória pelo Conselheiro em razão da determinação constante do art. 85, VI da Portaria MF Nº 1.634/2023. Neste sentido rejeito a preliminar suscitada. Do mérito: Conforme exposto pelo acórdão recorrido, o presente processo tem como objeto pedido de compensação fundado em Saldo Negativo de IRPJ, o qual foi negado pelo Despacho Decisório, sob o argumento de parte dos créditos imputados ao saldo negativo não ter sido comprovada. No caso a diferença está relacionado, exclusivamente, com a parcela de retenção do imposto no valor de R$ 53.242,50 pelo cliente CNPJ nº 34.078.154/0001-18, supostamente ocorrida no momento do pagamento do contrato: Assim, no caso concreto a solução do litígio passa pela análise acerca das provas juntadas aos autos para comprovação da liquidez e certeza do crédito tributário, nos extamos temos em que exigido pelo art. 170 do CTN. Tal artigo admite a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo delegando à Lei Ordinária disciplinar as condições para sua utilização: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.042 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19395.900779/2015-91 5 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Percebemos que o CTN condiciona a extinção do crédito tributário à utilização de valores revestidos de certeza, por sua vez a Lei nº 9.430/95 em seu artigo 74 deixa claro que “compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, ou seja, cabe ao contribuinte – sob todos os aspectos – o ônus de comprovar o direito alegado na respectiva DCOMP. Por sua vez o saldo negativo de IRPJ ocorre quando os pagamentos de estimativas mensais ou recolhimentos efetuados ao longo do ano-calendário são superiores ao imposto devido na apuração anual. E é exatamente isso que não foi comprovado pelo Contribuinte. A decisão recorrida assim se manifesta: 11. No caso concreto, conforme se relatou, o saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2013 pleiteado no PER/DCOMP nº 32238.75313.220814.1.3.02- 5844 não foi reconhecido, no procedimento de investigação da certeza e liquidez do crédito suplicado, em virtude de confirmação parcial da única parcela informada (IR Fonte), no montante de R$ 127.346,41 insuficiente para além de quitar a contribuição devida formar o pretendido saldo negativo. 12. A interessada, quanto ao IR Fonte, confirma a própria conclusão do despacho, indicando apenas retenções no montante de R$ 127.346,41 e não R$ 180.588,91, conforme apresentado no PER/DCOMP. Ora, em sede recursal e ao logo de toda instrução processual não foi apresentado qualquer documento capaz de comprovar a alegada retenção da fonte pagadora de CNPJ nº 34.078.154/0001-18, nem mesmo foi apresentada a DIPJ da empresa. Ou seja, desde o início do processo deveria o contribuinte ter comprovado a certeza dos créditos informados na Dcomp em cumprimento ao art. 170 do CTN, entretanto, nenhuma prova foi juntada, razão pela qual mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Conclusão: Diante do exposto, conheço do recurso para afastando a preliminar arguida, no mérito negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.042 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19395.900779/2015-91 6 Fl. 222DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10600.731277/2023-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2018
IR PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. LIMITES INDIVIDUAIS PARA IRPJ E CSLL.
A dedução do imposto pago no exterior observa limites apurados de forma individual para o IRPJ, admitindo-se o aproveitamento do remanescente na CSLL, até o respectivo limite legal. Glosa mantida quanto ao excedente deduzido no IRPJ.
TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. CRÉDITO ORDINÁRIO. CÁLCULO DO LIMITE COMPENSÁVEL EM PERÍODO SUBSEQUENTE.
Para fins de apuração do montante do imposto pago no exterior compensável no Brasil em período subsequente (limite do “montante oferecido à tributação”), devem ser consideradas as alíquotas do IRPJ (25%) e da CSLL (9%).
COMPENSAÇÃO COM ESTIMATIVAS MENSAIS (JANEIRO A NOVEMBRO). VEDAÇÃO.
O tributo pago no exterior, relativo a anos anteriores, não pode ser compensado com as estimativas mensais de IRPJ e CSLL (janeiro a novembro), admitindo-se a dedução apenas em confronto com o imposto devido ao final do ano-calendário.
RELANÇAMENTO. ADEQUAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Glosa de compensação das estimativas demanda reapuração dos tributos, não aplicação direta das alíquotas sobre valor glosado. Redução do principal de IRPJ lançado de ofício de R$ 101.572.873,82 para R$ 97.746.078,13, com os ajustes correlatos.
Numero da decisão: 1201-007.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por voto de qualidade, manter a exigência relativa à glosa da dedução do IRPJ pago no exterior acima do limite legal permitido. Vencidos os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora), Lucas Issa Halah e Renato Rodrigues Gomes que exoneravam; b) por unanimidade de votos, levar em consideração tanto a alíquota do IRPJ (25%) como a da CSLL (9%) para fins de cálculo do imposto pago no exterior a ser compensável no Brasil em período subsequente, no que toca ao limite do montante oferecido à tributação; c) por maioria de votos, manter a exigência relativa à glosa da dedução indevida do IRPJ pago no exterior, em anos anteriores, compensado com estimativas mensais apuradas com base em balanço/balancete de suspensão/redução. Vencidos os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora) e Lucas Issa Halah que exoneravam; e d) por unanimidade de votos, reduzir o valor principal de IRPJ a pagar lançado de ofício de R$ 101.572.873,82 para R$ 97.746.078,13. Foi designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi.
Assinado Digitalmente
Isabelle Resende Alves Rocha – Relatora
Assinado Digitalmente
Marcelo Antonio Biancardi – Redator designado
Assinado Digitalmente
Raimundo Pires de Santana Filho – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Antonio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto[a] integral), Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Nilton Costa Simoes.
Nome do relator: ISABELLE RESENDE ALVES ROCHA
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018 IR PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. LIMITES INDIVIDUAIS PARA IRPJ E CSLL. A dedução do imposto pago no exterior observa limites apurados de forma individual para o IRPJ, admitindo-se o aproveitamento do remanescente na CSLL, até o respectivo limite legal. Glosa mantida quanto ao excedente deduzido no IRPJ. TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. CRÉDITO ORDINÁRIO. CÁLCULO DO LIMITE COMPENSÁVEL EM PERÍODO SUBSEQUENTE. Para fins de apuração do montante do imposto pago no exterior compensável no Brasil em período subsequente (limite do “montante oferecido à tributação”), devem ser consideradas as alíquotas do IRPJ (25%) e da CSLL (9%). COMPENSAÇÃO COM ESTIMATIVAS MENSAIS (JANEIRO A NOVEMBRO). VEDAÇÃO. O tributo pago no exterior, relativo a anos anteriores, não pode ser compensado com as estimativas mensais de IRPJ e CSLL (janeiro a novembro), admitindo-se a dedução apenas em confronto com o imposto devido ao final do ano-calendário. RELANÇAMENTO. ADEQUAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Glosa de compensação das estimativas demanda reapuração dos tributos, não aplicação direta das alíquotas sobre valor glosado. Redução do principal de IRPJ lançado de ofício de R$ 101.572.873,82 para R$ 97.746.078,13, com os ajustes correlatos. ACÓRDÃO Fl. 2741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) por voto de qualidade, manter a exigência relativa à glosa da dedução do IRPJ pago no exterior acima do limite legal permitido. Vencidos os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora), Lucas Issa Halah e Renato Rodrigues Gomes que exoneravam; b) por unanimidade de votos, levar em consideração tanto a alíquota do IRPJ (25%) como a da CSLL (9%) para fins de cálculo do imposto pago no exterior a ser compensável no Brasil em período subsequente, no que toca ao limite do montante oferecido à tributação; c) por maioria de votos, manter a exigência relativa à glosa da dedução indevida do IRPJ pago no exterior, em anos anteriores, compensado com estimativas mensais apuradas com base em balanço/balancete de suspensão/redução. Vencidos os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha (Relatora) e Lucas Issa Halah que exoneravam; e d) por unanimidade de votos, reduzir o valor principal de IRPJ a pagar lançado de ofício de R$ 101.572.873,82 para R$ 97.746.078,13. Foi designado como redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi – Redator designado Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Antonio Biancardi, Renato Rodrigues Gomes, Ricardo Pezzuto Rufino (substituto[a] integral), Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah e Raimundo Pires de Santana Filho (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Nilton Costa Simoes. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário contra decisão que manteve os autos de infração relativos a IRPJ e CSLL do ano calendário 2018, em decorrência de compensações indevidas de imposto pago no exterior. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF fl. 2.380) e foi resumido no acórdão recorrido (fl. 2.592), os lançamentos decorrem das infrações de “dedução a Fl. 2742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 3 maior do imposto de renda incidente no exterior no ano corrente” e de “compensação indevida do saldo do imposto de renda de controlada no exterior de anos anteriores”, que estão detalhadas a seguir. 1. Dedução a maior do IR no exterior no ano corrente (IRPJ): A Fiscalização constatou que a Contribuinte deduziu um valor superior ao limite permitido para o IRPJ incidente sobre os lucros do exterior auferidos em 2018. O limite individual de dedução para IRPJ era de R$ 15.955.745,81, mas a empresa utilizou R$ 16.042.326,69, resultando em uma glosa de R$ 86.580,88. 2. Compensação indevida de saldo de IR no exterior de anos anteriores (IRPJ e CSLL): Os lançamentos decorrentes desta infração totalizaram R$ 101.572.873,82 para IRPJ e R$ 35.813.534,07 para CSLL. O Fisco alegou que a compensação foi indevida com base nos seguintes pontos: Alíquota Incorreta no Cálculo do Saldo Acumulado: A contribuinte utilizou uma alíquota total de 34% (25% IRPJ + 9% CSLL) para calcular o montante do saldo de tributo pago no exterior a ser compensado em anos subsequentes, ao invés do limite de 25% previsto nas normas infralegais (IN SRF nº 213/02, § 17, e IN RFB nº 1.520/14, § 16). Isso gerou um saldo indevido de CSLL. Impossibilidade de Compensação com Estimativas Mensais: O saldo acumulado de imposto pago no exterior da controlada UNKI Venezuela foi utilizado para quitar as estimativas mensais de IRPJ e CSLL de janeiro a junho de 2018. O Fisco argumenta que a compensação em anos subsequentes só é permitida com o imposto devido e não com estimativas mensais (janeiro a novembro), pois o imposto devido só é apurado ao final do ano-calendário. Violação do Princípio da Individualização e Ausência de Adição de Lucro: A compensação do saldo do imposto pago pela UNKI Venezuela é indevida porque essa controlada não apurou resultado positivo em 2018 e, portanto, não houve adição de lucros dela à base de cálculo da controladora brasileira naquele ano. A legislação exige a individualização do aproveitamento, vinculado ao reconhecimento de parcelas positivas computadas no lucro real da mesma investida. Formação de Saldo Negativo/Vedação à Restituição: A inclusão dos valores de saldo de imposto pago no exterior levou à geração de um saldo negativo de IRPJ no ano de 2018 (R$ -3.826.795,70). O Fisco entende que essa é a principal vedação, pois a legislação não permite que o imposto pago a uma nação estrangeira seja transformado em tributo a ser restituído ou compensado com outros débitos no Fl. 2743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 4 Brasil. A dedução deve, no máximo, neutralizar o aumento do imposto devido no Brasil decorrente do cômputo dos rendimentos do exterior. Em sua impugnação (fls. 2.436), a Contribuinte contestou integralmente os fundamentos da autuação, aduzindo os seguintes argumentos: Observância do Limite Legal no Ano-Calendário de 2018 (Neutralização): A Impugnante reconheceu um equívoco ao utilizar um valor superior ao limite do IRPJ no exterior (R$ 86.580,88 a mais), mas argumentou que este excesso foi neutralizado porque deduziu um montante inferior do limite permitido na apuração da CSLL (R$ 86.577,04 a menos). Portanto, o limite global do IR no exterior dedutível no ano foi respeitado, sem prejuízo ao Erário. Inclusão da CSLL (9%) no Cálculo do Saldo Acumulado: A Impugnante defendeu que, para o cálculo do limite de aproveitamento do lucro no exterior, o percentual a ser utilizado é de 34% (25% IRPJ + 9% CSLL), visto que as regras de TBU e o método do crédito ordinário se aplicam a ambos os tributos. A omissão da alíquota da CSLL na regulamentação infralegal (IN 1.520/14, art. 30, § 16) é um mero lapso que precisa ser corrigido para dar efetividade ao método do crédito ordinário e evitar dupla tributação. Compensação com Estimativas Mensais Permitida: As antecipações mensais de IRPJ e CSLL (seja sobre a receita bruta ou balancete) são consideradas valores devidos em períodos subsequentes, conforme a Lei nº 9.430/96 (Arts. 2º e 6º). Portanto, a compensação do crédito de IR no exterior controlado na Parte B com essas antecipações é válida, conforme previsto na IN 1.520/14 (§ 14 e § 19 do art. 30). Inexigibilidade de Novas Adições/Individualização para Créditos Anteriores: Os créditos em Parte B do LALUR referem-se a lucros que já foram tributados anteriormente (mediante o consumo de prejuízos fiscais). Exigir novas adições de lucros do exterior (ou individualização por controlada) no ano da compensação para usar o saldo acumulado negaria o objetivo do método do crédito e levaria à dupla tributação. A utilização deve ocorrer sempre que IRPJ e CSLL sejam devidos em anos subsequentes. Formação de Saldo Negativo e Inocorrência de Restituição: A Impugnante afirmou que o saldo negativo de IRPJ apurado em 2018 não foi formado pelo crédito de IR no exterior, mas sim por deduções de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e antecipações pagas via DARF. Ademais, a compensação do crédito de IR no exterior, mesmo se levasse a um saldo negativo, não caracterizaria restituição de imposto pago no exterior, pois o crédito é sempre limitado à tributação brasileira, e o saldo negativo apenas indica que as quitações (incluindo o crédito de IR no exterior) excederam o imposto final devido. Fl. 2744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 5 O Acórdão 106-047.026, proferido pela 7ª TURMA/DRJ06 (fl. 2.592), julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário em litígio. Inicialmente, a decisão rejeitou o argumento da Contribuinte de que o excesso de dedução no IRPJ foi neutralizado pela dedução a menor na CSLL, visto que IRPJ e CSLL possuem bases de cálculo distintas e a apuração é independente. A norma prevê limites calculados de forma individual para IRPJ e CSLL e o aproveitamento da CSLL só é permitido para o valor residual do tributo pago no exterior, após ultrapassado o limite de dedução no IRPJ. Assim, o instrumento correto para compensar valores entre os dois tributos seria a Declaração de Compensação (DCOMP), conforme a Lei 9.430/96. Sobre a compensação indevida do saldo do imposto pago no exterior, o acórdão afirmou que o limite de IR pago no exterior passível de compensação está limitado à alíquota máxima de 25% (15% + 10% adicional, se exceder). Nos termos da Solução de Consulta nº 63/2004, norma não autorizaria a inclusão de “eventual contribuição social” paga no exterior (9% da CSLL) no cálculo do limite compensável do IR pago no exterior. Já em relação à vedação à compensação com estimativas, o Acórdão manteve o entendimento de que a compensação do saldo acumulado de IR no exterior em anos subsequentes só pode ser feita com o imposto devido, que “só se apura ao final do fato gerador complexivo do imposto de renda, ou seja, ao final de cada ano-calendário.”. Nesse sentido, o Manual da ECF (aprovado pelo Ato Declaratório Executivo Cofis nº 70 de 13/12/2019) confirmaria que o imposto de renda pago no exterior não pode ser compensado nos recolhimentos mensais referentes aos meses de janeiro a novembro. A dedução seria possível apenas na estimativa de dezembro (se apurada com balancete de suspensão ou redução), pois esta coincide com o imposto devido ao final do ano-calendário. Por fim, a DRJ reiterou o entendimento fiscal de que o aproveitamento do imposto pago no exterior deve servir apenas para neutralizar a dupla tributação, e não pode gerar um saldo negativo a ser restituído ou compensado pelo Brasil (o que ocorreria se as estimativas fossem compensadas com o saldo de IR no exterior), pois isso implicaria a restituição de imposto pago a nação estrangeira. A empresa interpôs Recurso Voluntário, em que, essencialmente reitera e aprofunda os argumentos apresentados na impugnação, buscando reformar a decisão da DRJ, acrescentando o seguinte: Sobre necessidade de DCOMP para neutralizar o excesso IRPJ compensado com IR no exterior, o CARF deve permitir essa compensação "extraordinária" (entre IRPJ e CSLL no contencioso administrativo), citando precedente do próprio Conselho, em que foi autorizada a compensação entre IRPF e IRPJ (tributos e pessoas distintas). No que se refere à compensação com estimativas, o Recorrente contesta diretamente a interpretação do Acórdão sobre o Manual da ECF, alegando que a restrição de uso de Fl. 2745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 6 crédito de IR no exterior para estimativas de janeiro a novembro se aplica apenas a créditos do próprio ano-calendário, e não aos saldos acumulados de anos anteriores (Parte B). Cita um Acórdão do CARF (1302-006.402) que confirmou explicitamente a possibilidade de compensação de saldos de anos anteriores com estimativas apuradas por balancete de suspensão. Pedido Subsidiário (Novo Pedido): Caso a compensação com estimativas seja rejeitada, requer a redução do valor autuado para R$ 97.746.078,13, que seria o montante correspondente à apuração anual ajustada A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, reforçando os fundamentos do acórdão recorrido. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Isabelle Resende Alves Rocha, relatora. 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 2 MÉRITO A controvérsia posta em debate se relaciona com as duas infrações originais, quais sejam, (i) dedução a maior do imposto de renda incidente no exterior no ano corrente (2018) e (ii) compensação indevida do saldo do imposto de renda de controlada no exterior de anos anteriores. Importante delimitar, quanto à segunda infração, que a controvérsia não reside na existência do crédito, que não foi questionada pela Fiscalização, nem na regra de teto proporcional a cada país e a cada controlada. O litígio incide sobre a temporalidade e a alocação do uso do crédito, notadamente se o aproveitamento de IR de períodos anteriores pode ocorrer durante o curso do ano-calendário seguinte, no momento das estimativas, e não apenas no ajuste do encerramento. Passo, então, à análise do recurso voluntário para cada uma delas. Fl. 2746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 7 2.1 LIMITE LEGAL PARA APROVEITAMENTO DO IR NO EXTERIOR DO PRÓPRIO ANO-CALENDÁRIO O Contribuinte reconhece que cometeu um equívoco na dedução do IR pago no exterior, ultrapassando o limite permitido em R$ 86.580,88. A controvérsia está na possibilidade de neutralizar esse excesso indevido com a dedução a menor do IR no exterior na apuração da CSLL, que a Recorrente defende ser possível e a DRJ não permitiu, especialmente porque “norma que rege a compensação do IR no exterior prevê que sejam calculados de forma independente os limites a se decotarem do IRPJ e da CSLL, tanto é que para a contribuição só pode ser aproveitado o valor residual, após ultrapassado o limite de dedução no IRPJ.” A norma que rege a matéria é o artigo 87 da Lei nº 12.973/14, que assim dispõe: Art. 87. A pessoa jurídica poderá deduzir, na proporção de sua participação, o imposto sobre a renda pago no exterior pela controlada direta ou indireta, incidente sobre as parcelas positivas computadas na determinação do lucro real da controladora no Brasil, até o limite dos tributos sobre a renda incidentes no Brasil sobre as referidas parcelas. (...) § 5º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. (...) § 8º O saldo do tributo pago no exterior que exceder o valor passível de dedução do valor do imposto sobre a renda e adicional devidos no Brasil poderá ser deduzido do valor da CSLL, devida em virtude da adição à sua base de cálculo das parcelas positivas dos resultados oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. (destaques meus) No que importa ao presente caso, entendo que a interpretação razoável do texto normativo em questão deve levar em conta que o montante de imposto pago sobre os lucros oriundos do exterior pode ser compensado com o IRPJ e a CSLL até o valor do IRPJ e da CSLL devidos no Brasil, visto que ela se utilizada da expressão “tributos sobre a renda incidentes no Brasil” para se referir ao limite da dedução. Tanto é assim, que a Instrução Normativa º 1.520/2014, que regulamenta o tema, orientou a considerar os dois tributos para o cálculo do limite de dedução permitido: § 4º O valor do tributo pago no exterior a ser deduzido não poderá exceder o montante do imposto sobre a renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor das parcelas positivas dos resultados, incluído na apuração do lucro real. (...) Fl. 2747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 8 § 7º Para efeito de dedução, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. (...) § 9º Para efeito do disposto no §8º, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I - do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada, direta ou indireta, ou coligada que houverem sido computados na determinação do lucro real; II - do imposto sobre a renda e CSLL devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros auferidos no exterior. § 10. Efetuados os cálculos na forma do § 9º, o tributo pago no exterior, passível de dedução, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto no inciso I do § 9º, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, conforme inciso II do § 9º. (destaques meus) Ou seja, a legislação permitiu a dedução do IR pago no exterior em toda a tributação incidente sobre a renda no Brasil, que, no caso das pessoas jurídicas, trata-se do IRPJ e da CSLL. Isso se deve aos objetivos da norma, que, como se sabe, visa a evitar dupla tributação da renda. Significa dizer que, num erro como o que foi cometido pela Contribuinte, não se pode recorrer a um formalismo excessivo de considerar as peculiaridades tributárias brasileiras, que diferenciam as espécies de tributos, neste caso, em imposto e contribuição. Não há dúvidas de que o IRPJ e a CSLL sejam tributos distintos, com bases de cálculos distintas e apurações independentes, tal como lembrou a DRJ, isso não se discute. Porém manter a autuação neste ponto com base nessa premissa significa atropelar uma parte das regras de TBU brasileiras, que adotou o método de crédito ordinário para evitar a indesejada dupla tributação sobre a renda. Se a lei permite deduzir o IR pago no exterior dos tributos que incidem sobre a renda no Brasil, não considerar a neutralização efetivada pelo contribuinte implica negar o direito à dedução e, por consequência, tributar novamente a renda já tributada em seu país de origem. Diferentemente do que alegou a DRJ, o fato de a lei prever que somente o saldo não compensado no IRPJ será deduzido da CSLL é apenas uma metodologia para a utilização do crédito ordinário, necessária justamente em razão da peculiaridade do nosso Sistema Tributário Nacional, que instituiu dois tributos de espécies distintas sobre a mesma base, que é a renda da pessoa jurídica (lucro). Não ignoro também que as bases de cálculo que representam o lucro para cada um dos tributos acabam tendo distinções pontuais, por serem tributos diferentes – existem, por exemplo, adições ao lucro real devidas no IRPJ, que não são previstas para a CSLL. Em razão disso, Fl. 2748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 9 é razoável afirmar que “o valor equivocadamente levado à base de cálculo de um não pode ser automaticamente compensado na base de cálculo de outro”, tal como fez o acórdão recorrido. Nesta situação específica, contudo, em que se trata de uma regra destinada a evitar dupla tributação internacional da mesma renda, não vislumbro como a dedução a menor da CSLL em R$ 86.577,04 não possa neutralizar uma dedução a maior do IRPJ em R$ 86.580,88. Além disso, trata-se de dedução realizada no tributo apurado, de modo que, matematicamente, o argumento da DRJ também não se sustenta. Se a dedução do IR pago no exterior fosse feita via exclusão do lucro real, por exemplo, talvez seriam encontradas diferenças no resultado apurado para o IRPJ e a CSLL, justamente em função das distinções pontuais que existem entre a base de cálculo de um e de outro. Mas, sendo a compensação realizada sobre o tributo devido após a aferição da base de cálculo e, levando em conta que o direito à dedução abrange toda a tributação da renda, entendo que não relevar o equívoco cometido pelo contribuinte seria contrariar todos os princípios que regem a TBU e o método do crédito ordinário para evitar a dupla tributação internacional da renda. Por isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. 2.2 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS COM SALDO DE IR PAGO NO EXTERIOR EM ANOS ANTERIORES Aqui, a lide posta em debate envolve, em suma, a possibilidade de utilizar o crédito do IR pago no exterior para quitar estimativas, bem como a de considerar para o cálculo do valor a deduzir a alíquota total de 34% (25% IRPJ + 9% CSLL). A DRJ entendeu que “imposto devido” com o qual se permite compensar o IR do exterior é apenas o resultado apurado ao final de cada ano-calendário, não se enquadrando nesse conceito as estimativas mensais antecipadas, e que a alíquota aplicada se restringe aos 25% totais do IRPJ. Ainda, o acórdão recorrido destacou que o IR pago no exterior não pode gerar saldo negativo, visto que isso implicaria restituição. A Recorrente, por outro lado, defende a legitimidade de utilizar o saldo de imposto estrangeiro, relativo a períodos anteriores, para abater as antecipações mensais de IRPJ e CSLL do período corrente. Sustenta que o ordenamento não contém vedação para tanto, que a medida preserva a neutralidade fiscal e que a compensação observa os limites legais do crédito. Ela argumenta, ainda, que a alíquota para cálculo do crédito deve considerar também a CSLL, além de trazer outras alegações que impugnam não apenas os fundamentos da decisão, mas aqueles que embasaram as autuações. Os temas que serão analisadas neste capítulo, portanto, são os seguintes: Inclusão da CSLL (9%) no Cálculo do Saldo Acumulado; Possibilidade de compensação com Estimativas Mensais; Fl. 2749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 10 Inexigibilidade de novas adições/individualização da controlada no exterior para deduzir créditos de períodos anteriores. Formação de saldo negativo e inocorrência de restituição; Pedido Subsidiário (Novo Pedido): Caso a compensação com estimativas seja rejeitada, requer a redução do valor autuado para R$ 97.746.078,13, que seria o montante correspondente à apuração anual ajustada. 2.2.1 PREMISSAS JURÍDICAS – PREJUÍZO FISCAL Antes de analisar os argumentos estritamente relacionados ao caso concreto, cabe estabelecer brevemente as premissas jurídicas sobre as quais o raciocínio será construído. O sistema brasileiro adota a tributação em bases universais para IRPJ e CSLL. O método escolhido pelo legislador para evitar a dupla tributação é o método da imputação ordinária, também chamado de crédito ordinário do imposto pago no exterior, limitado ao montante do tributo devido no Brasil sobre os mesmos lucros. Essa diretriz consta das leis de regência e de normas infralegais que detalham controles, limites e registros (art. 87, da Lei nº 12.973/2014 e art. 30, da IN 1.520/2014). A lógica, como já adiantei, é impedir que a mesma renda sofra dupla incidência econômica, respeitando as proporções por país de origem e por controlada. O tratamento do crédito pressupõe controles na Parte B do Lalur e mecanismos de vinculação por jurisdição e por empresa estrangeira. A legislação cuida de preservar o teto de imputação, sem criar crédito passível de restituição no Brasil, apenas garantido a neutralidade da tributação. O ponto sensível está na forma de aproveitar valores excedentes ao limite anual, admitindo-se a transportabilidade para exercícios posteriores, mas sem converter o saldo em indébito. Nesse sentido, são relevantes os esclarecimentos trazidos pela Recorrente a respeito da forma de carregamento do crédito de IR no exterior, na hipótese de o contribuinte não só não apurar imposto devido no Brasil, como gerar prejuízo fiscal. A Recorrente chamou a atenção para o fato de que o legislador ordinário apenas assegurou o crédito de imposto estrangeiro para lucros adicionados e não disciplinou a hipótese específica de prejuízo fiscal. Nessa lacuna, surgiram distorções interpretativas replicadas no acórdão recorrido, que teriam desconsiderado os efeitos econômicos da ordem de compensação adotada na regulamentação infralegal. Aponta que o método do crédito por imputação ordinária está no RIR de 1999 e foi detalhado pelas Instruções Normativas SRF 213 de 2002 e RFB 1.520 de 2014. Essas normas definem o que é imposto estrangeiro elegível, exigem quitação efetiva, impõem proporcionalidade ao lucro computado e fixam limites pelo diferencial entre o cálculo com e sem inclusão dos lucros externos. Tais normas infralegais determinam, ainda, que os limites sejam apurados antes da compensação de prejuízos acumulados. Fl. 2750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 11 Nesse sentido, a regulamentação ordenou que lucros do exterior adicionados ao resultado brasileiro sejam primeiro absorvidos por prejuízos e bases negativas locais. Somente depois se avalia o crédito de imposto estrangeiro apurado para o período. Quando há lucro no Brasil, o crédito se realiza normalmente. Quando há prejuízo fiscal, o crédito não pode ser utilizado naquele ano, embora parte desse prejuízo seja consumida pela adição dos lucros externos, criando uma carga econômica equivalente à tributação. O recurso exemplifica que, em cenário de prejuízo doméstico, a inclusão de lucros de controlada reduz o saldo de prejuízos que poderia abater lucros futuros. Isso reproduz efeito tributário, ainda que não haja desembolso imediato. Nesse sentido, merece destaque a Solução de Consulta COSIT nº 13/2024 em que a própria Receita Federal reconheceu esse efeito mencionado em relação à redução de prejuízo fiscal. De fato, a Solução de Consulta analisou a dedução prevista no art. 86 da Lei 12.973/2014 (adições decorrentes da aplicação das regras de preços de transferência), e concluiu que a adição de lucros oriundos do exterior, quando a empresa apura prejuízo fiscal, “(...) não afasta o fato de que há tributação destas grandezas, igualmente como ocorre no caso de apuração de base tributável”. Ou seja, a Receita Federal reconhece que, mesmo quando não há imposto a pagar, o valor adicionado ao lucro real sofre tributação efetiva. Nessa moldura, o direito de carregar e controlar em Parte B do Lalur o crédito não utilizado no ano de origem decorre do próprio método do crédito ordinário e da neutralidade que evita dupla tributação. Esse crédito carregado de períodos anteriores em decorrência da apuração de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL, portanto, deve ser compensável com a tributação da renda de exercícios subsequentes, respeitados os limites legais e a vinculação por jurisdição e controlada. Assim se evita uma dupla tributação temporária e se preserva a finalidade do método, sem transformar o crédito em restituição indevida. 2.2.2 INCLUSÃO DA CSLL (9%) NO CÁLCULO DO SALDO ACUMULADO Estabelecidas essas premissas, passo a analisar os temas atinentes à compensação de estimativas com IR do exterior de períodos anteriores, iniciando com a seguinte pergunta: a alíquota utilizada para calcular o crédito a ser deduzido deve abarcar o percentual de 9% referente à CSLL? A fundamentação que utilizei para afastar a infração do excesso de dedução do IR pela neutralização de aproveitamento a menor na CSLL já atrai a resposta de que sim, deve ser considerada a alíquota total dos dois tributos incidentes sobre a renda no Brasil. Da mesma forma que expus no capítulo 2.1 deste voto, entendo que restringir o crédito à alíquota de 25%, como sustenta o acórdão recorrido, esvazia a própria finalidade da norma. A dupla tributação que se pretende evitar subsistiria, ao menos em parte, porque, ainda que de modo indireto, os lucros já onerados no exterior sofreriam nova incidência no Brasil com a Fl. 2751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 12 cobrança da CSLL, seja quando se apura contribuição a pagar, seja pela via reflexa da redução das bases negativas de CSLL, que deixariam de ser aproveitadas integralmente em exercícios futuros. E para se reconhecer essa conclusão, não é necessário que as normas infralegais, especificamente a IN 1.520/2014, afirmem expressamente que a alíquota da CSLL deva ser considerada no cálculo. Trata-se de decorrência lógica do próprio sistema de TBU brasileiro. Esta Turma já teve a oportunidade de enfrentar essa discussão a e a decisão, tomada por unanimidade, foi a seguinte: COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. Para fins de cálculo do imposto pago no exterior a ser compensável no Brasil, o limite do montante oferecido à tributação deverá levar em consideração as alíquotas do IRPJ e da CSLL, quer seja para uso do imposto pago no exterior no mesmo exercício fiscal, quer seja para uso em período subsequente caso não seja possível utilizar todo o saldo no exercício fiscal atual. (Acórdão nº 1201-006.268, relator Alexandre Evaristo Pinto, sessão de 11 de março de 2024) Assim, classifico como correta a posição adotada pelo Contribuinte de utilizar o percentual de 34% para calcular seu crédito. 2.2.3 POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM ESTIMATIVAS MENSAIS As antecipações mensais têm natureza de pagamento por estimativa, que será confrontado no encerramento com o imposto efetivamente devido, não há dúvida quanto a isso. O ponto de divergência está em considerar, ou não, as estimativas mensais como “imposto devido” para fins de compensação dos créditos de IR do exterior. A Recorrente argumenta que, se o crédito de imposto externo compõe a estrutura de abatimento do tributo brasileiro, nada impede que seja usado para quitar as estimativas, desde que, no ajuste anual, os limites de proporcionalidade e de vinculação sejam rigorosamente observados. Esse entendimento evita sobreposição de pagamentos e reduz distorções de caixa sem afetar o resultado tributário consolidado. Entendo que assiste razão à Recorrente. A natureza provisória das estimativas mensais recomenda admitir meios de abatimento que preservem o princípio da neutralidade e a coerência com a carga final devida. O crédito do imposto estrangeiro não aumenta o passivo do contribuinte, mas substitui recolhimentos no Brasil na medida em que a renda subjacente já foi tributada no exterior. Permitir seu uso nos períodos subsequentes evita sobreposição de desembolsos que seriam neutralizados no ajuste, sem risco de gerar crédito negativo reembolsável. A interpretação que prestigia essa leitura concilia o método do crédito ordinário com a realidade financeira das empresas que operam internacionalmente. Mais uma vez: o Fl. 2752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 13 objetivo do crédito é neutralizar o risco de dupla tributação econômica sobre a mesma base. Negar o uso de crédito do IR pago no exterior em anos anteriores para quitar estimativas de anos seguintes produz custo financeiro artificial, pois o contribuinte paga no exterior, possui o crédito remanescente em razão e ter acumulado prejuízo fiscal e, ao mesmo tempo, antecipa imposto devido no Brasil para aquele ano subsequente, para depois neutralizar os pagamentos no ajuste. Trata-se de adiantamento de receita que não se justifica. Para além disso, entendo que não se pode excluir as estimativas mensais do conceito de imposto devido tratado pela legislação, abarcando nessa ideia apenas o resultado apurado no ajuste anual, tal como fez a DRJ. Não nego a plausibilidade dessa intepretação, já que, na apuração do lucro real anual, com pagamentos mensais por estimativa ou no balancete de suspensão e redução, apenas com o ajuste anual é que se apura o valor final devido pelo Contribuinte. No entanto, isso não embasa a intepretação de que as estimativas mensais não sejam também “imposto devido” e que, portanto, não possam ser quitadas com o IR do exterior. Ora, caso o Contribuinte apure seu lucro real com base em estimativa, se os adiantamentos mensais não forem recolhidos, ele estará sujeito à imputação da multa isolada prevista no artigo 44, II, alínea "b" da Lei nº 9.430/1996. O mesmo ocorrerá se o Contribuinte realizar sua apuração com base no balancete de suspensão e redução: caso se identifique resultado positivo a recolher naquele mês, o não pagamento da antecipação mensal atrairá a aplicação da multa isolada. Como afirmar, então, que uma conduta sujeita a penalidade, caso não realizada, não é devida? Por tudo isso, entendo que não se pode excluir as estimativas na referência ao “imposto devido” que é feita pelo art. 87, da Lei nº 12.973/2014 e pelo art. 30, da IN 1.520/2014. Reconheço, contudo, que esse não é um entendimento amplamente adotado no âmbito deste Conselho, havendo decisões em sentido contrário. Ainda assim, o posicionamento contrário não é unânime, de modo que referencio acórdão proferido 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara desta seção e o voto vencido recentemente proferido pela Conselheira Cristiane Pires McNaughton, para reforçar os fundamentos que expus acima: IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. O imposto pago no exterior pode ser compensado nos recolhimentos mensais referentes aos meses de janeiro a novembro e no caso de pagamento do imposto no mês de dezembro com base na receita bruta e acréscimos. (Acórdão nº 1101-001.369, redator do voto vencedor Conselheiro Jeferson Teodorovicz, sessão de 14 de agosto de 2024) Conforme visto acima, o artigo 26 da Lei n. 9.249/95 dispõe que a pessoa jurídica poderá compensar o Imposto de Renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do Fl. 2753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 14 Imposto de Renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Da literalidade do referido artigo 26 nota-se que é determinado: (i) o que pode ser compensado, isto é, o Imposto de Renda incidente no exterior obre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real e (ii) o seu limite, ou seja, o imposto de renda incidente, no Brasil, sobre tais lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Nem o caput do artigo 26, nem seus parágrafos definem com o que o IR pago no exterior pode ser compensado ou em qual período pode ser compensado. Na ausência de restrição legal, o direito subjetivo à compensação é amplo, não podendo a administração pública criar qualquer restrição, sob pena de ilegalidade. Observando-se, agora, a legislação infralegal, a Instrução Normativa RFB n. 213/02 ao regulamentar a matéria traz no § 15 do seu artigo 14 a possibilidade de o valor tributado no exterior ser compensado nos anos seguintes: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...)§ 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano-calendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anos-calendário subseqüentes. Diferentemente do dispositivo da lei, a Instrução Normativa indica com o que o Imposto de Renda pago no exterior pode ser compensado: ou bem (i) com o que for devido no Brasil (caput) ou (ii) na ausência de lucro real positivo, com o que for devido nos anos-calendários subsequentes (§15). Dúvida poderia surgir, porém, com o sentido da expressão empregada no referido §15, a saber: “o que for devido nos anos-calendário subseqüentes”. Poder-se-ia interpretar tal dispositivo como restringindo a compensação ao IR devido em um futuro “ano-calendário”, afastando períodos de apuração menores – como a estimativa ou o trimestral. Essa interpretação, porém, conquanto possível frente ao conteúdo semântico do dispositivo, cria uma restrição não prevista no artigo 26 da Lei n. 9.249/95. Pois bem. O artigo 6º da Lei n. 9.430/96, tratando das estimativas, prescreve o seguinte: Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. Note-se que o artigo 6º da referida lei designa expressamente de “imposto devido” o apurado na forma do artigo 2º, isto é, o imposto de renda mensal. E Fl. 2754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 15 nem se diga que a estimativa não se trata de “imposto de renda”, eis que o “Capítulo 1” da Lei n. 9.430/96 – onde estão situados os dispositivos que tratam da estimativa – é designado de “Imposto de Renda Pessoa Jurídica” ao passo que o artigo 2º, da mesma lei, ao tratar da estimativa diz que a pessoa jurídica poderá “optar pelo pagamento do imposto em cada mês”. Confira-se: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n o 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pela art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Não há dúvida, assim, que a estimativa é uma técnica de pagamento de imposto de renda e é assim tratado pela legislação. Nesse sentido quando o §15 utiliza a expressão “o que for devido” pode esta ser entendida “com o que for devido a título de estimativa” conforme inteligência do artigo 6º da Lei n. 9.430/96 – que também trata da estimativa como “imposto devido” – conforme demonstrado acima. De fato, a forma de arrecadação não tem o condão de alterar a natureza jurídica da exação recolhida em favor do Erário. A esse respeito, Misabel Abreu Machado Derzi ensina que a estimativa do IRPJ “não configura, em nenhum caso, tributo diferente do imposto de renda, mas antes deve ser analisado como mera antecipação de imposto que se presume devido.” Daí a conclusão de que a melhor interpretação do dispositivo da Instrução Normativa é que a alusão a “anos-calendários subsequentes” apenas se refere a Imposto de Renda devido após o término do ano-calendário a que se refere o pagamento ou a retenção, independente do período de apuração ser anual, trimestral, ou o próprio pagamento de estimativa. Em suma, se firma entendimento que o “imposto mensal”, ainda que seja mero adiantamento do IRPJ anual, não deixa de ser um “imposto devido” quando de seu vencimento, como se depreende do artigo 6º da Lei n. 9.430/96 e pode, por conta disso, ser alcançado pelo §15 do artigo 14 da IN 213/02. (Voto vencido da Conselheira Cristiane Pires McNaughton em acórdão nº 1102- 001.532, sessão de 10 de outubro de 2024) Outro ponto da decisão recorrida que entendo merecer reparo é a afirmação de que o manual da ECF não permite a compensação de estimativas com o IR pago no exterior. Acontece que a orientação mencionada não se aplica ao aproveitamento de IR do exterior relativo a períodos anteriores. Como bem expôs a Contribuinte: Fl. 2755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 16 77 Os valores controlados na Parte B eram imputados na linha 22 do Registro N620 da ECF (“Imposto Pago no Exterior sobre Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital”) em montante equivalente àquele inscrito na linha 20.01 (“Imposto de Renda Devido no Mês”), de forma a zerar a estimativa a ser paga. 78 O preenchimento da linha 22 de tal maneira é permitido pelo ADE COFIS 46/2016, que não distingue o uso do IR no exterior para compensação no ajuste anual ou nos balancetes mensais, desde que o valor de IR no exterior já tenha sido pago e os respectivos lucros incluídos nas bases de IRPJ e CSLL, que é o que ocorre no caso em tela. Confira-se: “No caso de levantamento de balanço ou balancete de suspensão ou redução referente ao mês de dezembro, pode ser informado, nesta linha, o valor do imposto pago no exterior, relativo aos lucros disponibilizados, e aos rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior no transcorrer do ano-calendário, os quais devem estar incluídos no lucro real apurado com base nesse balanço ou balancete (Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 1º; Lei nº 9.959, de 27 de janeiro de 2000, art. 3º ; MP nº 1.991- 15, de 10 de março de 2000, art. 35 e reedições; MP nº 2.158-34, de 2001, art. 74), desde que o imposto tenha sido pago até 31 de janeiro do ano-calendário subsequente àquele em que os rendimentos foram auferidos. Atenção: A pessoa jurídica que apurou o imposto de renda com base no lucro real anual pode deduzir o imposto pago, no exterior, após 31 de janeiro até 31 de março, no ajuste anual. Nesse caso, o valor deve ser informado na linha N630/19.” (destacado)79 A possibilidade da compensação também é reforçada pela orientação fazendária acerca do preenchimento da linha 25.01 do mesmo Registro (“Imposto Sobre a Renda Pago nº Exterior pela Controlada Direta ou Indireta, no Caso do Art. 87 da Lei nº 12.973/2014”): “De acordo com o art. 87 da Lei nº 12.973/2014, a pessoa jurídica poderá deduzir, na proporção de sua participação, o imposto sobre a renda pago no exterior pela controlada direta ou indireta, incidente sobre as parcelas positivas computadas na determinação do lucro real da controladora no Brasil, até o limite dos tributos sobre a renda incidentes nº Brasil sobre as referidas parcelas. (…)§ 3º No caso de não haver consolidação, a dedução de que trata o caput será efetuada de forma individualizada por controlada, direta ou indireta. (...)§ 8º O saldo do tributo pago no exterior que exceder o valor passível de dedução do valor do imposto sobre a renda e adicional devidos no Brasil poderá ser deduzido do valor da CSLL, devida em virtude da adição à sua base de cálculo das parcelas positivas dos resultados oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição” Importante apreciar argumento apresentado pela PGFN em suas contrarrazões, no sentido de que “O caput do art. 25 da Lei 9.249/1995 é expresso ao determinar que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior devem ser computados na determinação Fl. 2756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 17 do lucro real das pessoas jurídicas domiciliadas no País no balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano.”. Em função disso, não seria possível utilizar os créditos de IR no exterior ao longo do ano calendário, já que o lucro correspondente somente será computado em 31 de dezembro. Com a devida vênia, esse argumento não afasta a conclusão anterior, visto que o caso concreto trata de IR pago no exterior relativo a períodos anteriores, cujo lucro correspondente já havia sido computado na determinação do lucro real da Recorrente. Portanto, voto por dar provimento ao Recurso neste ponto. Ainda nesta temática, o Recorrente aduz um novo pedido subsidiário de redução do valor autuado, visto que “se forem excluídas as estimativas mensais compensadas com IR no exterior (no importe de R$ 101.572.873,82) das deduções na apuração anual do lucro real da Recorrente, o saldo de IRPJ a pagar corresponderia ao montante de R$ 97.746.078,13 e não de R$ 101.572.873,82.” Aqui também entendo assistir razão à Recorrente, visto que a Autoridade Fiscal não refez a apuração dos tributos para lavrar as autuações, mas aplicou diretamente as alíquotas sobre o valor das estimativas glosadas. Apesar de ser um pedido novo, como a matéria em si vem sendo discutida desde a impugnação, vislumbro ser possível enfrentar e prover, em atenção ao princípio da verdade material. Assim, na hipótese de este colegiado negar provimento ao pedido principal, voto por dar provimento ao pedido subsidiário. 2.2.4 INEXIGIBILIDADE DE NOVAS ADIÇÕES/INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONTROLADA NO EXTERIOR PARA DEDUZIR CRÉDITOS DE PERÍODOS ANTERIORES Embora a DRJ não tenha analisado este ponto, o tema deve ser apreciado por ter servido de fundamento para as autuações e pelo fato de, tanto a Recorrente, quanto a Procuradoria terem trazido a questão em suas peças de recurso e contrarrazões, respectivamente. A Recorrente afirma que a Fiscalização interpretou de modo restritivo as regras sobre crédito de imposto estrangeiro. Segundo o TVF, tais créditos não poderiam reduzir estimativas mensais de IRPJ e CSLL e somente se prestariam a compensar valores devidos quando houvesse novas adições de lucros do exterior. Alega-se que essa leitura desconsidera o desenho normativo e ignora a finalidade do método do crédito ordinário, que é afastar a dupla tributação econômica sobre a mesma renda. Para apreciar esse argumento, é preciso lembrar, mais uma vez, que os créditos de IR no exterior controlados na Parte B do Lalur correspondem a lucros de controladas já adicionados em anos anteriores. Não dizem respeito a lucros auferido quando das compensações com as estimativas. Logo, vinculá-los a novas adições esvazia a natureza do crédito. O crédito existe porque a renda estrangeira foi tributada lá fora e já integrou a base brasileira, apenas não tendo sido utilizado em anos anteriores por ter sido apurado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Exigir adição futura criaria condição alheia ao fato já ocorrido e à razão do abatimento. Fl. 2757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 18 Assim, a leitura feita pela Fiscalização, pela DRJ e pela PGFN em suas contrarrazões, contraria o método do crédito ordinário tal como desenhado. As normas definem elegibilidade, proporcionalidade e limites. Não condicionam o emprego do crédito acumulado ao reconhecimento de novos lucros. Ao contrário, todo o arcabouço normativo estrutura controles que permitem o uso em períodos seguintes justamente para neutralizar efeitos de dupla tributação da renda obtida no exterior. Relembrando a premissa que estabelecemos no início deste capítulo, nos casos de crédito de IR no exterior controlados na Parte B do Lalur, a carga tributária brasileira sobre aqueles lucros foi imputada mediante consumo de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL apurados antes da adição nos respectivos períodos. O crédito ficou sem débito para abater naquela ocasião. Há situações em que a sobra é total, quando o prejuízo persiste após a adição. Em outras, a sobra é parcial, quando a adição converte o prejuízo em lucro modesto. Em ambos os cenários, subsiste crédito que reflete renda já tributada. Diante disso, tem-se uma espécie de “devolução” do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL consumidos na data de reconhecimento dos lucros auferidos no exterior, quando há um efeito econômico de dupla tributação temporária. No exterior, ocorreu pagamento do imposto. No Brasil, há desgaste de prejuízos fiscais, que poderiam reduzir cargas em períodos futuros. Essa duplicidade só se desfaz quando os créditos em Parte B são compensados com débitos de IRPJ e CSLL de exercícios subsequentes. Não se trata de benefício novo. Trata-se da realização tardia da neutralidade prometida pelo método. Por essas razões, não podem ser exigidas novas adições de lucro auferido por controlada no exterior para que o contribuinte possa utilizar seus créditos remanescentes de IR recolhido no estrangeiro em períodos anteriores. 2.2.5 FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO E INOCORRÊNCIA DE RESTITUIÇÃO Por fim, a DRJ rejeitou os argumentos da impugnação também por entender que, ao permitir a quitação de estimativas com o IR do exterior, o crédito seria usado para compor saldo negativo do período que, por sua vez, é passível de compensação e restituição. De fato, essa preocupação é legítima quando se tenta transformar crédito não compensável em devolução pecuniária, o que a lei não autoriza. Contudo, autorizar a quitação de estimativas com o IR pago no exterior não implica restituição, automaticamente. A referida compensação permite abater pagamentos vincendos, mantendo o exame definitivo para o encerramento, quando os limites legais e as travas de proporcionalidade serão aplicados. Trata-se de equiparar a operação à compensação de dentro do próprio período, com ajuste externo no balanço final. A dedução das estimativas, portanto, não implica levar o crédito a um encontro de contas com tributos estranhos à base dos lucros no exterior. Tampouco provoca atualizar monetariamente saldo excedente. Fl. 2758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 19 O que se faz com a autorização ora encampada é sincronizar o uso do crédito com o calendário das obrigações da empresa, sem desbordar dos limites objetivos de abatimento. A distinção é relevante porque preserva os pilares do regime. O crédito continua vinculado à mesma renda e ao mesmo país de origem. O teto de imputação permanece inalterado no ajuste. Não se permite, em hipótese alguma, que o contribuinte receba de volta imposto externo pago. Apenas se antecipa um efeito que de qualquer modo ocorreria ao final do período. A prudência fiscal vem do ajuste final, não da imposição de um duplo desembolso provisório durante o exercício. Nesse arranjo, a utilização do crédito em antecipação mensal do IRPJ e da CSLL não desnatura o método. O crédito não migra para fora da base dos lucros externos. Não se converte em abatimento de tributos de outra natureza. Não retroalimenta saldo negativo. Apenas substitui recolhimentos provisórios sobre a mesma base, deslocando o efeito do abatimento para um momento anterior, com reconciliação obrigatória no encerramento. A estrutura normativa, inclusive as instruções da Receita, permanece atendida. Portanto, a compensação de estimativas com o crédito de IR no exterior de períodos anteriores implica apenas abatimento provisório, sem pretender devolução pecuniária. Outro ponto merece atenção neste raciocínio: ao utilizar o crédito de IR pago no exterior em anos anteriores para quitar estimativas, está-se realizando a neutralização da dupla tributação, “devolvendo-se” aquele prejuízo fiscal antes consumido. Logo, mesmo que a estimativa quitada dessa forma componha saldo negativo eventualmente gerado, isso não implicaria restituição do crédito do IR no exterior, visto que o referido crédito já terá sido realizado. No caso concreto, ainda, entendo que restou demonstrada a não composição do saldo negativo de 2018 pelas deduções de estimativas com IR no exterior, visto que o valor do saldo negativo apurado é consideravelmente menor que o total de retenções na fonte, somados aos pagamentos feitos via DARF, conforme demonstrativo que reproduzo a partir do recurso: Fl. 2759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 20 3 DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Isabelle Resende Alves Rocha VOTO VENCEDOR Marcelo Antonio Biancardi, redator designado Inicialmente, pedimos vênia para divergir do voto da ilustre relatora no que se refere ao limite legal para aproveitamento do IRPJ no exterior do próprio ano-calendário e a possibilidade de compensação entre IRPJ e CSLL, bem como e da quitação de estimativas com saldo de tributos pagos no exterior. 1 DO APROVEITAMENTO DO IR NO EXTERIOR 1.1 O PRINCÍPIO DA NEUTRALIDADE E A OPÇÃO METODOLÓGICA A neutralidade na exportação de capitais traduz o princípio segundo o qual a decisão de investimento, seja no território nacional, seja no exterior, deve fundar-se em razões estritamente mercadológicas, operacionais, logísticas ou de eficiência econômica. Trata-se de diretriz que busca afastar a interferência indevida da tributação sobre a racionalidade econômica dos agentes, ressalvadas hipóteses excepcionais em que motivos de extrafiscalidade impõem tal intervenção. A neutralidade, ademais, é expressão da soberania fiscal dos Estados, uma vez que cada país define se, quando, como e em que medida pretende assegurar tal neutralidade. A prática internacional revela que ela pode ser alcançada, em regra, mediante (i) isenção dos rendimentos já tributados no exterior ou (ii) concessão de crédito equivalente ao montante do imposto pago fora do país, incidente sobre resultados positivos ali tributados e submetidos à tributação segundo as regras da tributação em bases universais (TBU). O legislador brasileiro adotou esta segunda modalidade. Cumpre observar, todavia, que o alcance da neutralidade encontra limites precisos. Sendo o objetivo do creditamento evitar a dupla tributação, o limite máximo da dedução é o valor efetivo do tributo incidente no Brasil sobre os rendimentos estrangeiros, pois não é possível neutralizar para além da própria neutralidade. A tributação em bases universais, adotada pelo ordenamento jurídico-tributário brasileiro, tem como fundamento a neutralidade na exportação de capitais, princípio segundo o qual o investidor residente no país deve ser tributado de forma equitativa, independentemente de Fl. 2760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 21 o rendimento ser obtido no território nacional ou no exterior. Essa concepção busca evitar distorções econômicas decorrentes da localização do investimento, assegurando que a escolha do local de aplicação do capital se oriente por critérios de eficiência econômica e não por diferenças tributárias. Nesse contexto, o sistema brasileiro adota o método do crédito tributário como instrumento de mitigação da dupla tributação internacional. Por meio desse mecanismo, o contribuinte pode compensar, no Brasil, o imposto pago em jurisdição estrangeira sobre a mesma base de rendimentos. Tal procedimento garante que os lucros auferidos fora do país não sejam onerados duplamente, preservando a coerência do sistema e a competitividade dos investimentos internacionais realizados por residentes nacionais. O modelo consagrado na legislação brasileira corresponde ao crédito ordinário, que pode ser direto ou indireto, limitado ao valor do imposto de renda devido no Brasil sobre os lucros auferidos no exterior. Essa limitação tem por finalidade impedir que o crédito decorrente de tributos pagos a governos estrangeiros resulte em redução da carga tributária incidente sobre rendimentos de fonte interna, o que configuraria uma transferência indevida de benefícios fiscais. A política fiscal subjacente a esse regime busca equilibrar dois objetivos centrais: garantir a neutralidade do investimento internacional, por meio da eliminação da bitributação, e preservar a integridade da arrecadação nacional, evitando que o sistema de compensações gere incentivos fiscais desproporcionais ou estimule o deslocamento artificial de lucros para outras jurisdições. Dessa forma, o modelo brasileiro de tributação universal procura compatibilizar os princípios da neutralidade e da capacidade contributiva com as exigências de eficiência econômica e proteção da base tributável doméstica. Dessa forma, a política fiscal brasileira relativa à tributação em bases universais pauta-se nos seguintes fundamentos: I. Busca pela neutralidade na exportação de capitais; II. Prevenção da bitributação jurídica e econômica, mediante créditos equivalentes ao imposto pago no exterior pela investida e pela investidora residente; III. Limitação do direito ao crédito, observado que: o crédito é limitado ao tributo incidente no Brasil sobre o lucro auferido por meio da investida no exterior, sendo vedado ao país conceder créditos além do imposto devido internamente (crédito ordinário); resultados auferidos no país não podem ser compensados com prejuízos suportados em outras jurisdições. Tais premissas encontram respaldo expresso no art. 26 da Lei nº 9.249/1995 e no art. 87 da Lei nº 12.973/2014, que estabelecem, respectivamente: Fl. 2761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 22 Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Art. 87. A pessoa jurídica poderá deduzir, na proporção de sua participação, o imposto sobre a renda pago no exterior pela controlada direta ou indireta, incidente sobre as parcelas positivas computadas na determinação do lucro real da controladora no Brasil, até o limite dos tributos sobre a renda incidentes no Brasil sobre as referidas parcelas. Assim, o ordenamento jurídico brasileiro estabelece que o creditamento deve observar correlação direta entre o tributo pago no exterior e o rendimento oferecido à tributação no Brasil, limitando-se o crédito ao valor do imposto de renda brasileiro incidente sobre tais rendimentos. Em suma, a neutralidade tributária internacional não autoriza a neutralização ilimitada da carga tributária. O crédito do imposto pago no exterior destina-se exclusivamente a eliminar a dupla tributação da mesma base de cálculo, jamais podendo constituir instrumento de redução indevida da tributação nacional sobre rendimentos de origem doméstica. 1.2 DOS CRÉDITOS DE IMPOSTO SOBRE A RENDA RECOLHIDOS NO EXTERIOR NÃO APROVEITADOS NO ANO-CALENDÁRIO No regime brasileiro de tributação em bases universais, há uma peculiaridade normativa digna de nota. Diversas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRF/RFB, a exemplo das de nº 38/1996 (art. 13, §15), 213/2002 (art. 14, §15) e 1.520/2014 (art. 30, §14), estabeleceram a possibilidade de utilização, em exercícios subsequentes, do saldo do tributo pago no exterior não aproveitado no ano-calendário de apuração, desde que não tenha havido lucro real positivo no Brasil que permitisse o creditamento no período originário. Tais disposições regulamentares contemplam a hipótese em que as operações domésticas geram resultado negativo, resultando em base de cálculo nacional inferior à parcela de lucros obtida no exterior. Em consequência, o lucro auferido fora do país e computado na determinação do lucro real não é integralmente tributado no Brasil, impedindo o aproveitamento integral do crédito do imposto pago no exterior. Nessas situações, a legislação autoriza que o crédito não utilizado seja controlado na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), para eventual aproveitamento em exercícios futuros, nos termos do art. 30, §14, da IN RFB nº 1.520/2014, cujo teor dispõe: § 14. O tributo pago sobre lucros auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo ano- calendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anos-calendário subsequentes. Fl. 2762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 23 A correta interpretação do dispositivo exige a compreensão de que tais créditos não correspondem a parcelas já tributadas no Brasil. A norma apenas resguarda o direito potencial de aproveitamento futuro, condicionando-o ao aperfeiçoamento dos pressupostos legais, notadamente a existência de lucro real positivo no país, sobre o qual incida efetivamente o imposto. Com efeito, a incidência tributária é requisito indispensável à formação do direito ao crédito. A inexistência de lucro real positivo no exercício implica a ausência de fato gerador do imposto, razão pela qual não há incidência tributária nem se aperfeiçoa o direito à dedução. A Instrução Normativa, ademais, não cria direito novo, limitando-se a regulamentar a Lei nº 12.973/2014, cujo art. 87 exige expressamente a incidência do tributo no Brasil como condição para o creditamento. O próprio caput do art. 30 da IN RFB nº 1.520/2014 remete ao art. 25 da mesma norma, o qual reproduz fielmente o comando do art. 87 da Lei nº 12.973/2014: Art. 25. A pessoa jurídica poderá deduzir, na proporção de sua participação, o imposto sobre a renda pago no exterior pela controlada direta ou indireta, incidente sobre as parcelas positivas computadas na determinação do lucro real da controladora no Brasil, até o limite do IRPJ e da CSLL incidentes no Brasil sobre as referidas parcelas. Adicionalmente, o §15 e o §16 do mesmo art. 30 impõem o controle individualizado dos créditos a serem compensados, reforçando a necessidade de correlação direta entre o imposto pago no exterior e os lucros efetivamente tributados no Brasil: § 15. Para efeito do disposto no § 14, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anos-calendário subsequentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 16. O cálculo referido no § 15 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de 15% (quinze por cento), se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), se exceder. A exigência de controle individualizado por entidade (filial, sucursal, coligada ou controlada) confirma que o crédito do imposto pago no exterior apenas poderá ser utilizado para compensar tributos incidentes sobre lucros provenientes das mesmas investidas estrangeiras. Caso os créditos pudessem ser livremente utilizados, bastaria o controle global, e não haveria necessidade de detalhamento individual. Desse modo, a norma administrativa não confere direito de compensação imediata, mas apenas permite o transporte do crédito para exercícios futuros, condicionado ao efetivo surgimento de base tributável correlata. A utilização dos créditos dependerá, pois, da ocorrência posterior de lucros de fonte estrangeira sujeitos à incidência no Brasil. Fl. 2763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 24 Importa salientar que essa sistemática encontra respaldo na política fiscal de neutralidade limitada, já delineada neste voto. A dedução de imposto pago no exterior não se confunde com a compensação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, regulada pelos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/1996, que tratam de tributos pagos a maior ou indevidamente. São institutos de natureza jurídica diversa e finalidades distintas. A autorização legal para restituição ou compensação prevista na Lei nº 9.430/1996 restringe-se a tributos administrados pela RFB e pressupõe pagamento indevido ou excesso de recolhimento, hipótese inexistente no creditamento internacional, cuja função é apenas mitigar a dupla tributação da mesma base econômica. Assim, admitir que o crédito do imposto pago no exterior possa ser livremente utilizado para quitar tributos devidos no Brasil equivaleria a transmutar um mecanismo de evitação de bitributação em verdadeiro instrumento de compensação fiscal geral, em manifesta violação ao art. 26 da Lei nº 9.249/1995, ao art. 87 da Lei nº 12.973/2014, e às regras específicas da Lei nº 9.430/1996. Em conclusão, não há falar em “transmutação” dos créditos não aproveitados no ano-calendário de origem. Eles não se transformam em direito autônomo de compensação, mas permanecem como direito potencial, sujeito à condição suspensiva de futura tributação de lucros de fonte estrangeira. O aproveitamento desses créditos deve ocorrer exclusivamente quando aperfeiçoados os pressupostos legais, vale dizer, quando houver efetiva incidência tributária no Brasil sobre lucros provenientes do exterior, de modo a assegurar a neutralidade sem exceder seus próprios limites. Portanto, a utilização de créditos de imposto pago no exterior para compensar obrigações tributárias relativas a fatos geradores ocorridos no Brasil é juridicamente inviável, pois: I. Não se configurou a incidência tributária no Brasil sobre as parcelas de lucro estrangeiro; II. O creditamento violaria o limite legal estabelecido no art. 26 da Lei nº 9.249/1995; III. A compensação pretendida não se enquadra na hipótese do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; IV. O uso indiscriminado desses créditos implicaria erosão da base tributável e afronta à soberania fiscal nacional; V. A concessão de tal benefício configuraria renúncia fiscal sem amparo legal, em descompasso com o art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Fl. 2764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 25 Assim, o sistema de dedução de imposto pago no exterior deve ser interpretado de modo restritivo e finalístico, assegurando a neutralidade tributária internacional apenas até o limite da bitributação efetiva, sem permitir a neutralização além da própria neutralidade. 1.3 REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL Cumpre, inicialmente, afastar os argumentos recorrentemente suscitados que sustentam suposta “injustiça” decorrente do consumo indevido de prejuízo fiscal e, por conseguinte, de uma alegada bitributação. Tal raciocínio não se sustenta, pois parte de premissas jurídicas e econômicas equivocadas: (i) não houve consumo de prejuízo fiscal; (ii) ainda que houvesse, tal circunstância não configuraria hipótese legal de creditamento; e (iii) inexiste qualquer bitributação. A expressão “prejuízo fiscal” remete a um ativo fiscal diferido, que somente se consolida após a apuração do resultado do exercício e desde que haja resultado negativo conforme as regras do lucro real. Assim, antes da apuração final, não há direito adquirido a prejuízo fiscal, mas mera expectativa hipotética. Desse modo, não é juridicamente possível afirmar que os lucros auferidos no exterior “consumiram” prejuízos fiscais preexistentes. A adição dos lucros do exterior repercute apenas na apuração do resultado do exercício — ou seja, na formação do lucro real — não interferindo em eventuais prejuízos fiscais de exercícios anteriores. Nos termos do art. 6º, §§ 2º e 3º, do Decreto-Lei nº 1.598/1977, as adições e exclusões que determinam o lucro real ocorrem no mesmo momento da apuração, não havendo dois fatos jurídicos tributários distintos — um para as operações domésticas e outro para os lucros provenientes do exterior. A base de cálculo é única e apurada ao término do exercício. O “prejuízo fiscal” a que se referem os que o suscitam, portanto, é mero resultado hipotético, obtido mediante o cálculo do lucro real considerando apenas as operações nacionais, desconsiderando o regime de tributação em bases universais. Tal metodologia carece de amparo legal e não produz qualquer efeito jurídico. Em suma, não há consumo de prejuízo fiscal, mas apenas a constatação de que, após a adição dos lucros do exterior, o resultado consolidado foi positivo, afastando, portanto, a configuração de prejuízo fiscal naquele exercício. A expressão “prejuízo fiscal” remete a um ativo fiscal diferido, que somente se consolida após a apuração do resultado do exercício e desde que haja resultado negativo conforme as regras do lucro real. Assim, antes da apuração final, não há direito adquirido a prejuízo fiscal, mas mera expectativa hipotética. Desse modo, não é juridicamente possível afirmar que os lucros auferidos no exterior “consumiram” prejuízos fiscais preexistentes. A adição dos lucros do exterior repercute apenas na apuração do resultado do exercício — ou seja, na formação do lucro real — não interferindo em eventuais prejuízos fiscais de exercícios anteriores. Fl. 2765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 26 Nos termos do art. 6º, §§ 2º e 3º, do Decreto-Lei nº 1.598/1977, as adições e exclusões que determinam o lucro real ocorrem no mesmo momento da apuração, não havendo dois fatos jurídicos tributários distintos — um para as operações domésticas e outro para os lucros provenientes do exterior. A base de cálculo é única e apurada ao término do exercício. O “prejuízo fiscal” a que se refere o contribuinte, portanto, é mero resultado hipotético, obtido mediante o cálculo do lucro real considerando apenas as operações nacionais, desconsiderando o regime de tributação em bases universais. Tal metodologia carece de amparo legal e não produz qualquer efeito jurídico. Em suma, não há consumo de prejuízo fiscal, mas apenas a constatação de que, após a adição dos lucros do exterior, o resultado consolidado foi positivo, afastando, portanto, a configuração de prejuízo fiscal naquele exercício. Ainda que, por mera hipótese, se admitisse a existência de “consumo” de prejuízo fiscal, tal situação não se enquadra em qualquer das hipóteses legais de dedução de imposto pago no exterior. O direito ao creditamento só nasce diante da bitributação efetiva — isto é, quando há tributação tanto no país da fonte quanto no país de residência sobre a mesma base. Não há, no ordenamento jurídico, qualquer disposição que autorize a utilização de créditos de IR pago no exterior como compensação por eventual redução de prejuízo fiscal. A criação de tal direito exigiria previsão legal expressa, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária (art. 150, I, da Constituição Federal). A alegação de “injustiça” ou “quebra de isonomia” também não subsiste. A comparação feita entre empresas que operam exclusivamente no Brasil e aquelas com investimentos no exterior é falaciosa, pois parte de premissas distintas e ignora a natureza unitária da apuração do lucro real. Empresas com controladas no exterior apuram seus resultados com base no regime de equivalência patrimonial, incorporando os lucros das investidas à base de cálculo no Brasil. Já as empresas que operam apenas internamente estão sujeitas ao princípio da entidade, apurando e tributando os resultados de cada pessoa jurídica separadamente. Em ambas as hipóteses, a carga tributária final é equivalente, pois os lucros das controladas, sejam nacionais ou estrangeiras, são tributados uma única vez, e os eventuais créditos do imposto pago no exterior apenas evitam a bitributação. O sistema brasileiro, ademais, resguarda simetria de tratamento: a empresa que aufere prejuízo no Brasil pode transportar o saldo para exercícios futuros, nos termos do art. 15 da Lei nº 9.065/1995; a empresa com lucros no exterior pode transportar o saldo de créditos de IR pago no exterior, conforme o art. 30, §14, da IN RFB nº 1.520/2014. Fl. 2766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 27 Ambos os direitos, ao aproveitamento de prejuízos fiscais e ao creditamento de tributos pagos no exterior, são condicionais, dependendo da ocorrência de fatos futuros que permitam seu exercício. Não há, portanto, qualquer tratamento desigual ou “injustiça” no sistema. Permitir, como pretende o contribuinte, a utilização de créditos de IR pago no exterior para compensar tributos incidentes sobre rendimentos domésticos implicaria erosão da base tributável nacional, violação da soberania fiscal brasileira e afronta ao art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal, que veda concessão de benefícios fiscais sem prévia estimativa de impacto orçamentário. Em suma, a suposta “injustiça” não existe, pois: I. Não há bitributação, pois os lucros do exterior não sofreram incidência tributária no Brasil; II. Não há consumo de prejuízo fiscal, uma vez que este jamais se configurou; III. Não há previsão legal de creditamento com base em frustração de expectativa de prejuízo; IV. Não há violação à isonomia, dado que o sistema confere tratamento equitativo, preservando tanto o direito ao crédito de imposto estrangeiro quanto o direito à compensação de prejuízos fiscais, nos limites da lei. Conclui-se, portanto, que não há qualquer injustiça na aplicação estrita das regras de dedução e creditamento do imposto pago no exterior. O que o contribuinte busca, em verdade, é a conjugação indevida dos benefícios de dois regimes distintos, o da tributação doméstica e o da tributação universal, com o propósito de neutralizar integralmente sua carga tributária, em manifesta contrariedade aos princípios da legalidade e da capacidade contributiva. 1.4 QUITAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS COM CRÉDITOS DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR A Recorrente defende a possibilidade de escriturar, na Parte B do LALUR, os créditos de Imposto de Renda pagos no exterior que não puderam ser aproveitados nos períodos em que foram gerados, em virtude de prejuízos apurados antes da adição dos lucros auferidos no exterior. Sustenta, ainda, que a legislação autorizaria a compensação desses créditos com valores de IRPJ e CSLL devidos em exercícios subsequentes, argumentando que as antecipações mensais por estimativa corresponderiam a valores desses mesmos tributos devidos ao final do ano-calendário. Subsidiariamente, pleiteia a redução da autuação para o montante correspondente à apuração anual, mesmo que não se admita a compensação das estimativas. Alega, por fim, que inexiste exigência legal de adição de novos lucros oriundos do exterior para possibilitar a compensação dos créditos de IR pagos no exterior, devidamente escriturados na Parte B, com tributos devidos em exercícios posteriores. Fl. 2767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 28 Todavia, não assiste razão à Recorrente. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já analisou questão idêntica nos Processos Administrativos nº 16692.720872/2017-33 e nº 16692.720874/2017-22, julgados por meio dos Acórdãos nº 1401-004.116 e nº 1401-004.118, cujos fundamentos, de forma integralmente aplicável ao caso concreto, demonstram a absoluta improcedência da tese sustentada. Conforme destacado naqueles precedentes, o art. 25 da Lei nº 9.249/1995 dispõe que “os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano”. A Medida Provisória nº 2.158-35/2001, em seus arts. 21 e 74, reafirma a obrigatoriedade de que os lucros auferidos no exterior sejam reconhecidos no Brasil na data do balanço em que apurados pela controlada estrangeira, incidindo sobre eles tanto o IRPJ quanto a CSLL. Da conjugação desses dispositivos resulta que o imposto pago no exterior é aproveitável apenas quando os lucros correspondentes são computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, ou seja, exclusivamente no balanço de 31 de dezembro do respectivo exercício. Não há, pois, previsão legal que autorize a utilização desses créditos para compensar débitos mensais de estimativas de IRPJ e CSLL. O art. 26 da Lei nº 9.249/1995 delimita, ainda, que a compensação do imposto de renda pago no exterior é permitida “até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital”, sendo o imposto a compensar proporcional ao devido no Brasil (§1º). Logo, o aproveitamento do IR pago no exterior está restrito ao montante do imposto apurado sobre os lucros estrangeiros efetivamente adicionados ao lucro real e não se confunde com crédito genérico passível de compensação com quaisquer débitos tributários. A Lei nº 9.430/1996, ao disciplinar a apuração do IRPJ, manteve a sistemática de apuração anual com possibilidade de recolhimentos mensais por estimativa (arts. 1º e 2º), reafirmando que a apuração definitiva do lucro real ocorre apenas em 31 de dezembro. Assim, os valores pagos no exterior somente podem ser utilizados no ajuste anual, quando conhecidos o lucro real e os limites de compensação. A Instrução Normativa SRF nº 213/2002, em harmonia com o comando legal, determinou, em seu art. 2º, que os lucros auferidos no exterior seriam computados para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL no balanço levantado em 31 de dezembro do ano-calendário em que disponibilizados à pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Do mesmo modo, a Lei nº 12.973/2014, em seus arts. 76, 77, 79, I, 81 e 82, I, e a IN RFB nº 1.520/2014, em seu art. 8º, reiteraram que o reconhecimento de lucros no exterior e o aproveitamento dos respectivos tributos pagos devem ocorrer apenas no encerramento do exercício. Dessa forma, a utilização de créditos de tributos pagos no exterior para quitação de estimativas mensais revela-se incompatível com o regime jurídico vigente, pois implicaria admitir a dedução de valores cuja definitividade apenas se consolida ao término do ano-calendário. A Fl. 2768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 29 precariedade das estimativas, sujeitas a ajustes posteriores, impossibilita aferir, antes do balanço anual, o quantum de imposto efetivamente compensável, tornando eventual utilização prematura juridicamente inválida. A própria legislação infralegal (art. 14 da IN SRF nº 213/2002) confirma a impossibilidade de apuração definitiva do montante compensável antes de 31 de dezembro, uma vez que o limite de dedução depende da diferença entre o imposto devido com e sem a inclusão dos lucros do exterior, diferença essa apenas conhecida com o encerramento do exercício. Ademais, admitir a compensação de créditos de imposto pago no exterior com estimativas poderia gerar saldo negativo de IRPJ ou CSLL, hipótese em que se transformaria, indevidamente, tributo pago no exterior em crédito passível de restituição ou compensação no Brasil, o que é vedado. Tal conclusão decorre não só do art. 26 da Lei nº 9.249/1995, como também do art. 87 da Lei nº 12.973/2014, que condicionam o aproveitamento à adição dos lucros do exterior e ao limite do imposto devido no País. Por conseguinte, o aproveitamento do imposto pago no exterior antes do encerramento do exercício violaria a sistemática de apuração anual do lucro real e extrapolaria os limites legais, uma vez que os créditos somente podem ser utilizados para reduzir o IRPJ e a CSLL incidentes sobre lucros provenientes do exterior, nunca para quitar estimativas relativas a lucros auferidos no Brasil. Conforme assentado nos precedentes do CARF (Acórdãos nº 1401-004.116 e nº 1401-004.118), o uso de créditos de tributos pagos no exterior para formação de saldo negativo ou compensação de estimativas mensais equivaleria, na prática, a transformar tais créditos, que não são passíveis de restituição, em valores compensáveis no Brasil, hipótese não contemplada no art. 156 do CTN e contrária à soberania tributária nacional. Em reforço, o art. 6º, II, da Lei nº 9.430/1996 estabelece que eventual saldo negativo do imposto apurado ao final do exercício pode ser objeto de restituição ou compensação, nos termos do art. 74 da mesma lei. Assim, se se admitisse a utilização de créditos de IR pago no exterior para quitação de estimativas, estar-se-ia permitindo, por via transversa, a restituição de tributo recolhido em outro país, em afronta direta à política fiscal brasileira e à própria finalidade do mecanismo de crédito internacional, que é apenas evitar a dupla tributação, e não gerar crédito reembolsável. A impossibilidade de utilização dos créditos oriundos de tributos pagos no exterior para quitação de estimativas mensais decorre, em verdade, da própria sistemática legal de compensação desses créditos. O Brasil adota o método do crédito para evitar a dupla tributação internacional da renda, permitindo que o imposto pago no exterior seja deduzido do imposto devido no País, limitando-se, contudo, ao valor do tributo efetivamente incidente no Brasil sobre os lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior. Trata-se, portanto, de mecanismo de neutralização da bitributação, e não de geração de crédito fiscal autônomo. Fl. 2769DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 30 O art. 87 da Lei nº 12.973/2014 dispõe expressamente: Art. 87. A pessoa jurídica poderá deduzir, na proporção de sua participação, o imposto sobre a renda pago no exterior pela controlada direta ou indireta, incidente sobre as parcelas positivas computadas na determinação do lucro real da controladora no Brasil, até o limite dos tributos sobre a renda incidentes no Brasil sobre as referidas parcelas. Tal dispositivo, complementado por seus parágrafos, disciplina de modo exaustivo a forma e os limites da dedução: a dedução será proporcional à participação da controladora no exterior (§1º); poderá ser feita de forma consolidada ou individualizada, conforme a forma de reconhecimento dos lucros (§§2º e 3º); o valor do tributo pago no exterior não poderá exceder o montante do imposto devido no Brasil sobre as mesmas parcelas de resultado (§4º); e o excedente, caso exista, poderá ser deduzido apenas da CSLL incidente sobre as mesmas parcelas positivas (§8º). Assim, a legislação impõe duas limitações fundamentais: (i) o aproveitamento do imposto pago no exterior deve guardar relação direta e proporcional com os lucros tributados no Brasil; e (ii) a compensação deve respeitar o limite objetivo do imposto devido internamente sobre tais lucros. Esse regime, como se vê, reproduz e atualiza o que já dispunha o art. 26 da Lei nº 9.249/1995, segundo o qual: Art. 26 A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. Dessa forma, tanto o art. 26 da Lei nº 9.249/1995 quanto o art. 87 da Lei nº 12.973/2014 condicionam o aproveitamento do crédito à existência de lucro efetivamente adicionado ao lucro real da controladora, vedando sua utilização desvinculada da apuração de resultados no exterior. Fl. 2770DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 31 No mesmo sentido, o art. 30, §§ 14 a 17, da Instrução Normativa RFB nº 1.520/2014, ao regulamentar a compensação dos tributos pagos no exterior, prevê que o crédito não utilizado em determinado exercício, por ausência de lucro real positivo, poderá ser compensado apenas nos anos-calendários subsequentes, e sempre controlado na Parte B do LALUR. Em especial, o §16 determina que o cálculo do imposto a compensar deve ser efetuado individualmente por investida no exterior, aplicando-se a alíquota correspondente à faixa de tributação (15% ou 25%), e o §17 define o limite aplicável quando o lucro no Brasil for inferior à adição dos lucros do exterior. Nenhum desses dispositivos, todavia, autoriza a utilização do crédito de tributos pagos no exterior para compensar valores devidos a título de estimativas mensais de IRPJ ou CSLL, tampouco para formar saldo negativo passível de restituição ou compensação no Brasil. Trata-se de regime jurídico fechado, que admite o uso do crédito apenas em relação aos lucros oriundos do exterior, e somente quando verificada, no ajuste anual, a efetiva tributação desses lucros no Brasil. A pretensão de ampliar o alcance do crédito, permitindo seu uso livre na quitação de tributos incidentes sobre receitas auferidas internamente, desvirtua o próprio fundamento do mecanismo de crédito internacional. Tal entendimento transformaria o instituto de eliminação da bitributação em verdadeiro benefício fiscal não previsto em lei, hipótese que não encontra respaldo no art. 156 do Código Tributário Nacional, que enumera taxativamente as causas de extinção do crédito tributário. Cumpre ressaltar que, ainda que a legislação infralegal, IN RFB nº 1.520/2014, art. 30, §14, admita a dedução do saldo excedente em exercícios posteriores, tal faculdade restringe- se aos anos-calendários subsequentes e somente quanto aos lucros auferidos no exterior. A norma, em nenhum momento, autoriza a utilização desses créditos para quitação de tributos devidos em razão de lucros auferidos no território nacional ou para compensação de estimativas mensais. A tentativa da Recorrente de equiparar as antecipações mensais de IRPJ e CSLL a valores devidos sobre lucros do exterior implica interpretação extensiva e indevida dos dispositivos legais, contrariando frontalmente os arts. 26 da Lei nº 9.249/1995 e 87 da Lei nº 12.973/2014, que vinculam a dedução exclusivamente ao lucro efetivamente tributado no Brasil decorrente das operações externas. Conforme assentado pelo CARF no Acórdão nº 1401-004.116, “a lei permite uma única forma de utilização para o IR pago no exterior, que é reduzir o IRPJ e a CSLL sobre o lucro real, na proporção dos lucros do exterior reconhecidos, com os limites e requisitos já apresentados. Não há outro uso legal para o IR pago no exterior”. Deve-se observar, ainda, que admitir a compensação com estimativas importaria violação da soberania fiscal brasileira, pois resultaria, em última análise, na restituição de tributo pago a outro Estado soberano, consequência que afronta a própria razão de ser da regra de Fl. 2771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 32 crédito, a qual busca apenas evitar a bitributação, e não transferir receitas fiscais de um país a outro. Diante de todo o exposto, conclui-se que: a. os arts. 26 da Lei nº 9.249/1995 e 87 da Lei nº 12.973/2014 limitam o aproveitamento do tributo pago no exterior ao montante dos lucros do exterior adicionados ao lucro real, vedando sua utilização para compensação de estimativas mensais ou tributos devidos sobre receitas internas; b. o regime legal vigente permite o carreamento dos créditos para exercícios subsequentes, apenas para fins de compensação com tributos incidentes sobre lucros oriundos do exterior, nos termos do art. 30, §§14 a 17, da IN RFB nº 1.520/2014; c. qualquer uso diverso equivaleria à criação de benefício fiscal não autorizado por lei, transformando o imposto pago no exterior em crédito restituível no Brasil, o que é expressamente vedado pela legislação e pela jurisprudência administrativa consolidada. Portanto, a pretensão da Recorrente é juridicamente inviável. A legislação (arts. 25 e 26 da Lei nº 9.249/1995, art. 87 da Lei nº 12.973/2014, arts. 21 e 74 da MP nº 2.158-35/2001 e arts. 8º e 30 da IN RFB nº 1.520/2014) veda, de forma expressa e sistemática, a utilização de créditos de tributos pagos no exterior para compensação de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, admitindo seu aproveitamento apenas quando da apuração definitiva do lucro real no balanço de 31 de dezembro, e exclusivamente em relação a lucros auferidos no exterior. Por conseguinte, deve ser integralmente rejeitada a pretensão de utilizar créditos de tributos sobre a renda pagos no exterior para compensação de estimativas de IRPJ e CSLL ou para a formação de saldo negativo passível de restituição, mantendo-se hígido o lançamento fiscal efetuado. 2 LIMITE LEGAL PARA APROVEITAMENTO DO IR NO EXTERIOR Inicialmente é curial consignar que fazemos nossos os argumentos do item “2.2.2 INCLUSÃO DA CSLL (9%) NO CÁLCULO DO SALDO ACUMULADO” do voto da relatora no que se refere ao limite total de tributos pagos no exterior que pode ser compensado com o IRPJ e CSLL devidos no Brasil, devendo ser adicionadas as duas alíquotas (25% e 9%), totalizando na alíquota total de 34% para o cálculo do montante do crédito compensável. Como já visto no voto da relatora, a Recorrente reconhece que cometeu um equívoco na dedução do IR pago no exterior, ultrapassando o limite permitido em R$ 86.580,88. Fl. 2772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.324 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10600.731277/2023-77 33 A controvérsia está na possibilidade de neutralizar esse excesso indevido com a dedução a menor do IR no exterior na apuração da CSLL, que a Recorrente defende ser possível e a DRJ não permitiu, especialmente porque “norma que rege a compensação do IR no exterior prevê que sejam calculados de forma independente os limites a se decotarem do IRPJ e da CSLL, tanto é que para a contribuição só pode ser aproveitado o valor residual, após ultrapassado o limite de dedução no IRPJ.” Entendemos assistir razão ao julgador de piso, de forma que, nos termos do art. 114, §12, I do RICARF, fazemos nossos os argumentos da decisão recorrida no sentido de que o IRPJ e a CSLL possuem bases de cálculo distintas, definidas, respectivamente, pelas Leis nº 8.541/92 e nº 7.689/88, sendo apurados de forma independente. A própria norma sobre compensação do imposto de renda no exterior determina que os limites de dedução do IRPJ e da CSLL sejam calculados separadamente, permitindo o aproveitamento pela CSLL apenas do valor residual após atingido o limite de dedução no IRPJ. Dessa forma, um valor indevidamente incluído na base de cálculo de um tributo não pode ser automaticamente compensado na do outro, havendo mecanismos legais para se efetuar tal compensação (DCOMP), de maneira que o valor compensado a maior a título de IRPJ deve ser glosado. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi Fl. 2773DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 Admissibilidade 2 Mérito 2.1 LIMITE LEGAL PARA APROVEITAMENTO DO IR NO EXTERIOR DO PRÓPRIO ANO-CALENDÁRIO 2.2 COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS COM SALDO DE IR PAGO NO EXTERIOR EM ANOS ANTERIORES 2.2.1 Premissas Jurídicas – prejuízo fiscal 2.2.2 Inclusão da CSLL (9%) no Cálculo do Saldo Acumulado 2.2.3 Possibilidade de compensação com Estimativas Mensais 2.2.4 Inexigibilidade de novas adições/individualização da controlada no exterior para deduzir créditos de períodos anteriores 2.2.5 Formação de saldo negativo e inocorrência de restituição 3 DISPOSITIVO Voto Vencedor 1 DO APROVEITAMENTO DO IR NO EXTERIOR 1.1 O Princípio da Neutralidade e a Opção Metodológica 1.2 DOS CRÉDITOS DE IMPOSTO SOBRE A RENDA RECOLHIDOS NO EXTERIOR NÃO APROVEITADOS NO ANO-CALENDÁRIO 1.3 REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL 1.4 QUITAÇÃO DE ESTIMATIVAS MENSAIS COM CRÉDITOS DE TRIBUTO PAGO NO EXTERIOR 2 LIMITE LEGAL PARA APROVEITAMENTO DO IR NO EXTERIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13884.905842/2020-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Dec 31 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 01/07/2016, 30/09/2016
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
Numero da decisão: 1002-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relatora
Assinado Digitalmente
Ailton Neves da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 01/07/2016, 30/09/2016 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.
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DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO FORMADO POR IRRF. SÚMULAS CARF NºS 80 E 143. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó – Relatora Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Fl. 39DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.035 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13884.905842/2020-55 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (e-fls. 33-34) interposto por NOVAER CRAFT EMPREENDIMENTOS AERONÁUTICOS LTDA. contra a decisão da 5ª Turma da DRJ São Paulo (Acórdão nº 102-004.348, sessão de 24/07/2023 – e-fls. 18-22), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório de IRPJ, decorrente do PER/DCOMP nº 22776.34008.170217.1.3.02-2701 (e-fls. 6-10), referente ao 3º trimestre de 2016. A contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP) em 17/02/2017, informando crédito de R$ 238.967,97, oriundo de saldo negativo de IRPJ – 3º trimestre/2016, composto de imposto de renda retido na fonte (IRRF) sobre aplicações financeiras de renda fixa informadas na DIRF do Itaú Unibanco S.A. (CNPJ 60.701.190/0001-04). O despacho decisório nº 2962045 (e-fls. 11-14) não homologou a compensação, sob o fundamento de que não havia saldo negativo a restituir ou compensar, tendo a ECF do ano-calendário 2016 demonstrado IRPJ a pagar no valor de R$ 2.875.059,86, e não saldo negativo. Após a apresentação da Manifestação de Inconformidade, a DRJ, entretanto, manteve a decisão de não homologação, destacando que os rendimentos de aplicações financeiras não foram declarados na ECF/2017 (registro P200) e, portanto, o IRRF correspondente não poderia compor saldo negativo de IRPJ. Inconformada, a contribuinte interpôs o presente recurso voluntário (e-fls. 33-34), reiterando que as receitas financeiras foram apuradas sob regime de caixa e que o imposto retido não foi deduzido na apuração, pleiteando o reconhecimento do crédito e consequente homologação da compensação. Juntou ao recurso planilha de apuração do lucro presumido no período, de elaboração própria (e-fls. 35-36). O processo foi a mim distribuído e pautado para a presente sessão de julgamento. É o relatório. VOTO Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Relatora I – Admissibilidade Conheço do recurso, pois estão presentes os seus requisitos de admissibilidade. Fl. 40DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.035 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13884.905842/2020-55 3 II – Da análise do direito creditório O ponto central da controvérsia é a existência (ou não) de crédito de IRPJ a título de saldo negativo no 2º trimestre/2016, decorrente de retenção na fonte sobre aplicações financeiras, passível de utilização em declaração de compensação (PER/DCOMP). Nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a compensação de tributos federais pressupõe crédito líquido e certo do sujeito passivo, devidamente comprovado. Assim, para que o contribuinte possa utilizar como crédito o saldo negativo de IRPJ formado por meio de pagamentos de IRRF, ele deve apresentar documentação robusta e coerente, que inclua comprovantes de pagamento, declarações fiscais, registros contábeis, e outros documentos relevantes que comprovem que (i) realmente foram realizadas as retenções e que (ii) as receitas oriundas foram ofertadas à tributação. Tal conclusão é a que se extrai a partir da Súmula CARF nº 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. No caso dos impostos retidos na fonte, o direito creditório somente se aperfeiçoa se as receitas correspondentes forem computadas na base de cálculo do imposto devido. Portanto, a mera retenção na fonte – tal como afirmado pelo contribuinte em suas defesas - não confere, por si só, direito ao crédito; é imprescindível o oferecimento da receita à tributação. Da análise da ECF 2017 (ano-calendário 2016), a contribuinte não declarou rendimentos de aplicações financeiras na linha 11 do registro P200 (Rendimentos e Ganhos Líquidos de Aplicações de Renda Fixa). Verificou-se, contudo, que na DIRF do Itaú Unibanco, consta retenção de R$ 238.983,36, incidente sobre R$ 1.059.209,09 em rendimentos de renda fixa. Logo, as receitas correspondentes não foram computadas na base de cálculo do IRPJ, o que inviabiliza o aproveitamento da retenção. Embora a recorrente alegue erro de classificação (lançamento na linha 20 – “Demais Receitas e Ganhos de Capital”), não trouxe prova documental idônea que demonstre o efetivo cômputo dos rendimentos. A mera planilha interna anexada não substitui a escrituração contábil ou fiscal válida, tampouco corrige omissões declaradas em ECF regularmente transmitida. A ausência de correlação entre o rendimento tributável e o imposto retido afasta a liquidez do crédito, tornando inviável sua utilização para compensação. É necessário frisar que a Recorrente tentou provar o seu direito, contudo, o fez mediante a simples juntada de planilhas Fl. 41DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.035 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13884.905842/2020-55 4 elaboradas por ela mesma, sem lastro contábil idôneo, o torna inviável a aferição das apurações às e-fls. 35-36 como verdadeiras: Ao lado dessas apurações feitas de forma unilateral, a contribuinte sustenta que adota o regime de caixa, conforme art. 770 do RIR/1999, segundo o qual os rendimentos de aplicações financeiras devem ser adicionados ao lucro presumido apenas por ocasião do resgate ou alienação. Entretanto, a fiscalização e a DRJ corretamente observaram que o regime de caixa não se aplica ao IRPJ apurado trimestralmente no lucro presumido, salvo se comprovada a adoção contábil consistente e permanente desse método – o que não ocorreu. Fl. 42DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.035 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13884.905842/2020-55 5 Além disso, a análise documental (ECF e registros auxiliares) revela que a contribuinte não demonstrou os fluxos de caixa correspondentes, tampouco apresentou livros auxiliares ou extratos que comprovassem o momento do resgate das aplicações. Portanto, a alegação de regime de caixa não encontra respaldo fático nem documental, sendo inaplicável como fundamento para reconhecer crédito tributário. III – Conclusão Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó Fl. 43DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10711.720322/2015-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3002-000.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação dopresente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto.
Assinado Digitalmente
Neiva Aparecida Baylon – Relator
Assinado Digitalmente
Renato Camara Ferro Ribeiro Gusmao – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renan Gomes Rego (substituto [a], Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).
Nome do relator: NEIVA APARECIDA BAYLON
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-12-12T17:19:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-12-12T17:19:44Z; Last-Modified: 2025-12-12T17:19:44Z; dcterms:modified: 2025-12-12T17:19:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-12-12T17:19:44Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-12-12T17:19:44Z; meta:save-date: 2025-12-12T17:19:44Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-12-12T17:19:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-12-12T17:19:44Z; created: 2025-12-12T17:19:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2025-12-12T17:19:44Z; pdf:charsPerPage: 1198; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-12-12T17:19:44Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10711.720322/2015-09 RESOLUÇÃO 3002-000.568 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 6 de novembro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE OCEANUS AGENCIA MARITIMA SA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon – Relator Assinado Digitalmente Renato Camara Ferro Ribeiro Gusmao – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renan Gomes Rego (substituto [a], Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente). RELATÓRIO Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.568 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10711.720322/2015-09 2 Para fins de economia processual adoto o relatório da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Trata-se de Auto de Infração lavrado em face do contribuinte acima identificado para exigência de crédito tributário originário de R$ 225.000,00, em razão de descumprimento de obrigação acessória relativa à prestação de informações sobre veículo/carga transportada ou operações realizadas, no prazo fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação conferida pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003 (Processo 10711.720322/2015-09, Acórdão 107-020.283 – 10ª Turma/DRJ07, fl. 3). A autoridade fiscal consignou, às fls. 14/15, os fundamentos fáticos e normativos do lançamento, indicando a ocorrência de atraso/ausência de prestação tempestiva das informações devidas no Siscomex, em hipóteses enquadráveis na penalidade do dispositivo legal citado. Da impugnação Regularmente cientificada em 05/02/2015 (fl. 171), a interessada apresentou Impugnação em 03/03/2015 (fls. 174/214), na qual sustenta, em síntese: Preliminares 1. Ilegitimidade passiva – A multa não poderia ser aplicada à agência marítima (mera mandatária), mas apenas ao transportador marítimo ou, conforme o caso, ao agente de carga, responsáveis pelo registro das informações no Siscomex. 2. Denúncia espontânea – As informações objeto da intimação teriam sido prestadas antes da lavratura do auto e antes de qualquer procedimento fiscal, configurando a hipótese do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966. 3. Cerceamento de defesa – O Auto não traria descrição suficiente da suposta infração (navios, viagens, manifestos eletrônicos), o que inviabilizaria a verificação de eventual duplicidade de multas e prejudicaria o contraditório e a ampla defesa. 4. Legalidade e hierarquia normativa – Inaplicabilidade dos arts. 27-A, 27-B e 27-C da IN RFB nº 800/2007 para fins de penalidade por retificação de informações. Afirma que o DL 37/66 não teria previsto multa específica por retificações. 5. Unicidade por navio/viagem – Eventuais multas por atraso na retificação de informações deveriam ser aplicadas por navio/viagem, independentemente da quantidade de despachos de exportação, manifestos, CEs e NCMs, de modo a afastar multiplicidade sancionatória. 6. Razoabilidade e proporcionalidade – Inexistindo fraude, má-fé ou embaraço à fiscalização, e tendo havido registro/retificação das informações, a Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.568 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10711.720322/2015-09 3 multa aplicada seria excessiva e desproporcional diante da natureza formal da infração e da ausência de prejuízo ao controle aduaneiro. Em 13/07/2016 (fl. 223), a interessada protocolou petição reiterando o pedido de afastamento da multa sob o fundamento de denúncia espontânea no ato da prestação da informação e requereu a juntada da Solução de Consulta Interna nº 2, de 04/02/2016. É o Relatório. VOTO Conselheira Neiva Aparecida Baylon, Relatora. Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Trata-se de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, com a finalidade de exigir crédito tributário no valor originário de R$ 225.000,00, em razão do descumprimento de obrigação acessória relativa à prestação de informações sobre veículo ou carga transportada, ou ainda sobre operações realizadas, dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A autuação fundamenta-se no disposto no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com a redação conferida pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Entretanto, a controvérsia, neste momento, versa sobre a aplicabilidade ou não da tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob a sistemática dos recursos repetitivos, no julgamento do Tema nº 1.293, no qual restaram fixadas as seguintes conclusões jurídicas: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de três anos; 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário), quando a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação; 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 apenas se a obrigação descumprida, embora inserida no contexto aduaneiro, se destinar direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado.” Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3002-000.568 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10711.720322/2015-09 4 Conforme se depreende da tese fixada no Tema nº 1.293, há uma limitação material à aplicação da prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999, a qual decorre do próprio texto legal. O art. 5º da referida lei estabelece, de forma expressa, que suas disposições não se aplicam aos procedimentos de natureza tributária. Nesse contexto, o Superior Tribunal de Justiça foi categórico ao consignar, como ressalva na tese, que: a sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Muito embora o referido precedente – Tema nº 1.293 do STJ – ainda não tenha transitado em julgado, o que, nos termos do art. 100 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, impõe o sobrestamento do presente julgamento, vejamos: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. (grifos nossos). Diante do lapso temporal entre a apresentação da impugnação, em 02/2015, e o acórdão da DRJ, em 12/2022, e considerando, ainda, as disposições regimentais aplicáveis, proponho o sobrestamento do presente feito na origem até o trânsito em julgado do Tema nº 1.293, atualmente em apreciação pelo Superior Tribunal de Justiça. Assinado Digitalmente Neiva Aparecida Baylon Fl. 337DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
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