Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 15504.011684/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
ALIMENTAÇÃO IN NATURA
Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2403-002.584
Decisão:
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílio-alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15504.011684/2009-18
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363411
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.584
nome_arquivo_s : Decisao_15504011684200918.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 15504011684200918_5363411.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5544859
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811678081024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.011684/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.584 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VITRAN TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 ALIMENTAÇÃO IN NATURA Sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 16 84 /2 00 9- 18 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011684/200918 Acórdão n.º 2403002.584 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, Acórdão 0230.906 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente, conforme ementa abaixo transcrita. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Deixar a empresa de preparar folha ae pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente constitui infração legislação previdencidria. Deverão ser incluídas em folha de pagamento todas as parcelas pagas ou creditadas aos trabalhadores quer integrem ou não a base de cálculo das contribuições sociais. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PEDIDO DE INTIMAÇÃO ENDEREÇADA A PROCURADOR. INDEFERIMENTO. O DOMICÍLIO tributário do sujeito passivo é o endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de infringência ao artigo 32, inciso I, da Lei n° 8.212, de 1991, c/c o artigo 225, inciso I, § 9º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048, de 1999, por ter deixado o contribuinte de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente, no período de 01/2004 a 12/2004. Conforme Relatório Fiscal, item 5, fls. 04, foram constatados através da conta contábil 4.2.01.03.0014, valores gastos a titulo de alimentação que não foram incluídos nas folhas de pagamento da autuada. A ação fiscal foi precedida do Mandado de Procedimento Fiscal n° 0610100.2008.00749, Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, fls. 09/10, Termos de Intimação Fiscal, fls. 11 a 15, tendo sido encerrada em 02/07/2009, conforme Termo de Fl. 227DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Encerramento do Procedimento Fiscal, fls. 40/41 do processo 15504.011681/200984, a que este está apensado. Em decorrência da infração, foi aplicada a penalidade prevista nos artigos 283, inciso I, alínea "a", e 373 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048, de 1999, no valor de R$1.329,18 (um mil trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). A empresa teve ciência da autuação, em 24/07/2009, fls. 82, e apresentou impugnação, em 20/08/2009, fls. 86 a 98. Diz ser tempestiva a impugnação apresentada. Aduz que as ilegalidades dos débitos lançados estão detalhadas nos itens 4.1 e seguintes da peça impugnatória. Porém, no item III — QUESTÃO PRELIMINAR, por entender importante, destaca características que norteiam a Administração Tributária na relação fiscocontribuinte, na busca de uma reforma na mentalidade dos atores envolvidos na indevida polarização dessa relação que é marcada por um combate de interesses negativamente competitivo. Quanto ao mérito, alega é indevida a exigência de contribuição previdência sobre o fornecimento de alimentação in natura ao trabalhador, sendo prescindível sua inscrição no PAT, como já pacificado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Requer: Sejam consideradas as questões preliminares postas nos itens 3.1 e seguintes; Seja reconhecido como nulo ao auto de infração; Seja a presente impugnação julgada em conjunto com as impugnações relacionadas ao mesmo procedimento fiscal (37.266.1221, 37.203.8573, 37.203.858 1, 37.266.1248 e 37.266.1256); Seja o resultado do julgamento endereçado ao signatário da impugnação. Acrescenta que provará o alegado por meio de provas documentais, periciais e testemunhais, bem como pela juntada de novos documentos. Requer como meio de prova, a exibição de documentos Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · a fiscalização realizada padece de erro material e vicio de legalidade Fl. 228DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011684/200918 Acórdão n.º 2403002.584 S2C4T3 Fl. 4 5 · segundo entendimento pacificado pelos Tribunais pátrios, não incide contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação IN NATURA esteja ou não o empregador inscrito no PAT · incidência só ocorreria se o pagamento fosse em pecúnia. · afigurase açodada e equivocada a lavratura do AI objeto destes autos e, também, dos demais acima citados. · requer seja este recurso julgado em conjunto com os outros relacionados aos processos da mesma natureza: 15504.011.678/2009 61 (AI DEBCAD 37.203.8573); 15504.011.680/200930 (AI DEBCAD 37.203.8581); 15504.011.681/200984 (AI DEBCAD 37.226.1221); 15504.011.683/200973 (AI DEBCAD 37.2261248); 15504.011684/200918 (AI DEBCAD 37.2261256). É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Segundo a Autuação e Relatório Fiscal, a autuação deuse por a empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas a todos segurados a seu serviço, de acordo com as normas. A fiscalização entendeu que, por ter fornecido alimentação a seus empregados, sem estar inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, essas despesas deveriam constar como remuneração nas folhas de pagamento. DESCRIÇÃO SUMARIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e parágrafo 9., do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. ... DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 283, I, "a e art. 373. Relatório Fiscal: II DOS FATOS 3 Analisando a contabilidade durante a ação fiscal, verificou se que a empresa acima identificada fornecia alimentação a seus empregados, sem estar inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 4 De acordo com a Lei 8212/91, é necessário que a empresa instituidora de auxilio alimentação para seus empregados seja inscrita no programa aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, participando do Programa de Alimentação do Fl. 230DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011684/200918 Acórdão n.º 2403002.584 S2C4T3 Fl. 5 7 Trabalhador PAT, para que estas parcelas deixem de integrar o salário de contribuição. 5 0 Anexo I demonstra os valores gastos a titulo de alimentação, contabilizados na conta 4.2.01.03.0014 Alimentação, e que não foram incluídos nas folhas de pagamento no período de 01/2004 a 12/2004. Os créditos previdenciários incidentes sobre essas verbas foram apurados nos AIOP 37.226.1221 (parte patronal) e 37.203.8573 (segurados). 6 Ressaltamos a impossibilidade de efetuar a discriminação nominal dos segurados empregados que receberam as verbas relativas à alimentação, visto que os registros contábeis não discriminam os segurados empregados que receberam tais verbas. 7 Anexamos, por amostragem, cópias de documentos de caixa contabilizados na conta Alimentação, que comprovam o fornecimento de alimentação por parte da auditada a seus empregados. III DA INFRAÇÃO 8 0 fato descrito constitui infração ao disposto no Art. 30, I, "a" e alterações posteriores da Lei 8.212 de 24/07/1991 e art. 40 "caput", da Lei 10.666, de 08/05/2003 e art. 216, inciso I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048. A recorrente afirma que a alimentação fornecida foi in natura e que há entendimento pacificado pelos Tribunais pátrios que não incide contribuição previdenciária sobre o fornecimento de alimentação in natura esteja ou não o empregador inscrito no PAT. A incidência só ocorreria se o pagamento fosse em pecúnia. Nos Autos de Infração das obrigações principais, associadas a esta autuação, a fiscalização, com base no artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 considerou que a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Ocorre que no final do ano 2011 a PGFN editou o Ato Declaratório Nº 03/2011 que estabeleceu que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. CONCLUSÃO Voto por dar provimento ao recurso. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15504.011684/200918 Acórdão n.º 2403002.584 S2C4T3 Fl. 6 9 Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 9/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918349/2012-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.918349/2012-15
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358564
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.496
nome_arquivo_s : Decisao_11080918349201215.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080918349201215_5358564.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5515392
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811715829760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1635; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918349/201215 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.496 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente ELIPSE SOFTWARE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2010 a 30/11/2010 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 49 /2 01 2- 15 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918349/201215 Acórdão n.º 3801003.496 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918349/201215 Acórdão n.º 3801003.496 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918349/201215 Acórdão n.º 3801003.496 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918349/201215 Acórdão n.º 3801003.496 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918349/201215 Acórdão n.º 3801003.496 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901299/2006-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2003
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-003.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10855.901299/2006-18
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362334
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.041
nome_arquivo_s : Decisao_10855901299200618.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10855901299200618_5362334.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
dt_sessao_tdt : Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5533891
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811795521536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1519; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 178 1 177 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.901299/200618 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.041 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria DCOMPCOFINS Recorrente CHEMYUNION QUÍMICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2003 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 12 99 /2 00 6- 18 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação DCOMP transmitida em 14/08/2003 (fls. 2 a 4)1 objetivando utilizar crédito de COFINS, no valor de R$ 3.509,06 (DARF no valor total de R$ 104.917,53), recolhido indevidamente em 15/05/2003, para compensar com débitos do mesmo tributo, referentes a maio e julho de 2003. No Despacho Decisório Eletrônico no 745569034 (fls. 5 e 6), proferido em 14/02/2008, as compensações não são homologadas tendo em vista que o pagamento efetuado teria sido utilizado para quitação de outros débitos da empresa. Cientificada do teor do Despacho Decisório em 27/02/2008 (fl. 7), a recorrente apresenta manifestação de inconformidade em 27/03/2008 (fls. 8 a 10), buscando a homologação das compensações realizadas por meio do sistema PER/DCOMP e argumentando, em síntese, que não foi possível verificar a certeza e liquidez do seu crédito na época da análise da compensação porque a DCTF relativa ao 2o trimestre de 2003 não havia sido retificada na época, e que apresentou, em 17/03/2008, DCTF retificadora (fls. 38 a 41), de modo a indicar o débito apurado da COFINS corretamente. A decisão de primeira instância, proferida em 25/08/2011 (fls. 46 a 48), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório do contribuinte. A turma julgadora acordou que “os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza”, explicitando que: (a) na data da análise da Declaração de Compensação o débito informado correspondia ao total recolhido e que somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação é que a contribuinte promoveu a retificação do valor informado na DCTF; (b) a manifestação de inconformidade, por ocasião de sua apresentação, deveria estar instruída com documentos contábeis que identificassem a base de cálculo da contribuição no período de apuração de abril de 2003, bem como a expressão desse direito em balanços ou balancetes, o Livro Diário, etc., tudo de forma a ratificar a base de cálculo considerada, o pagamento efetuado e o indébito pleiteado; e (c) a contribuinte não apresentou qualquer prova documental e contábil que abrigasse o alegado erro de base de cálculo do tributo. Cientificada da decisão em 28/09/2011 (AR à fl. 51), a recorrente apresenta Recurso Voluntário (fls. 52 a 59), em 28/10/2011, no qual busca, preliminarmente, o cancelamento do julgamento e do acórdão contestado, eis que houve cerceamento do seu direito de defesa quando a DRJ não baixou o processo em diligência para apurar a veracidade das informações constantes da DCTF retificadora. E, no mérito, que sejam analisados os documentos comprobatórios anexados ao recurso, que fundamentam a DCTF retificadora e a Declaração de Compensação, e que seja reconhecido o indébito objeto da compensação. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10855.901299/200618 Acórdão n.º 3403003.041 S3C4T3 Fl. 179 3 Em 29/11/2012 este colegiado unanimemente converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 3403000.412, para que a unidade local informasse conclusivamente se os documentos apresentados no Recurso Voluntário, verificando seus originais, amparariam ou não a retificação de DCTF efetuada pela recorrente. Pela informação fiscal de fls. 171/172, a unidade local atesta que os documentos apresentados pelo interessado em conjunto com os sistemas da RFB levam à conclusão de que o interessado detém o direito creditório no montante pleiteado (de R$ 3.509,06). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Impendese inicialmente esclarecer que na data da transmissão da compensação (14/08/2003), com os documentos à época apresentados, realmente não existia saldo a compensar, pois o valor pago (R$ 104.917,56, comprovante à fl. 42) era exatamente o declarado na DCTF. Após o indeferimento eletrônico da compensação pela inexistência de crédito (14/02/2008) é que a empresa esclarece que a DCTF referente ao segundo trimestre de 2003, foi preenchida erroneamente, retificandoa (em 17/03/2008, fl. 41), e afirmando que o débito, na verdade, era de R$ 101.408,47. Daí o montante de R$ 3.509,06, que se deseja utilizar em compensação. O julgador a quo, ao indeferir a manifestação de inconformidade da recorrente, entendeu que não havia liquidez e certeza no pedido, e que não se apresentavam documentos que amparassem a retificação posterior da DCTF. Diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar que cometeu um erro, sem especificar a origem de tal erro, em argumentação ao desamparo de documentos justificativos (ou com amparo documental deficiente). É o que ocorre no presente processo. E é em sede de recurso voluntário que se compreende que a análise humana efetuada pela DRJ é diferente daquela efetuada massivamente por máquinas no despacho decisório, sendo necessários à análise humana os documentos justificativos, e não a simples Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 retificação da DCTF (que, se efetuada anteriormente ao despacho decisório, seria suficiente para a máquina). É inegável que incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Disso decorrem três possibilidades na apreciação da manifestação de inconformidade: (a) efetuada a prova, cabível a compensação; (b) não se atestando na manifestação de inconformidade um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim; (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (endossandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). E a DRJ corretamente verificou, diante dos elementos apresentados pela empresa à época, à situação descrita acima como “b”. Contudo, diante dos documentos acostados em sede de recurso voluntário, e da verdade material, esta turma evidenciou a situação “c”, a demandar a diligência. E como resultado da diligência, a unidade local atesta a existência do crédito, o que se acolhe no seio deste julgamento, restando comprovada a liquidez e a certeza do direito creditório, em atendimento ao comando do caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) Assim, em face do reconhecimento do direito creditório pela própria unidade fiscalizadora, no montante pleiteado pela recorrente (R$ 3.509,06), revelase procedente a argumentação expressa no recurso voluntário. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 181DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 19647.011180/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.100
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 19647.011180/2006-81
conteudo_id_s : 5361886
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 07 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2802-000.100
nome_arquivo_s : Decisao_19647011180200681.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 19647011180200681_5361886.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
id : 5533625
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811798667264
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2224; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.011180/200681 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2802000.100 – Turma Especial / 2ª Turma Especial Data 19 de setembro de 2012 Assunto Sobrestamento Recorrente ABRAHAO VALERIO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012 (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. EDITADO EM: 16 de outubro de 2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 05/08, inclusive demonstrativos), mediante o qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física IRPF no valor de R$ 561.735,73, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2006, relativamente ao exercício de 2002, anocalendário 2001. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do Auto de Infração (fls.06), na qual se encontra descrito o respectivo enquadramento legal, foi detectada a infração identificada como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Segundo a AuditoraFiscal autuante, esta infração caracterizouse "(...) por valores creditados, no anocalendário 2001, em conta(s) de depósito ou de investimento mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos Fl. 828DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19647.011180/200681 Resolução n.º 2802000.100 S2TE02 Fl. 2 2 recursos utilizados nessas operações, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal de fls.507 a 523, que é parte integrante do presente Auto de Infração. Verificase, assim, que o caso em pauta envolve o tema depósitos bancários de origem não comprovada, com dados obtidos mediante Requisição de Movimentação Financeira (RMF). Entretanto, é de conhecimento deste colegiado que o STJ reconheceu a existência de repercussão geral do tema. A Portaria MF nº 586, de 2010, alterou o Regimento Interno do CARF, o qual passou a assim dispor em seu artigo 62A: “Art. 62A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” É cristalino que a Portaria MF 586, de 2010, introduziu a necessidade de adoção nos julgamentos do CARF das sistemáticas de Repercussão Geral (STF) e de recursos repetitivos (STJ), as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, considerando que a matéria objeto deste processo versa sobre IRPF sobre depósitos bancários de origem não comprovada e sobre esta matéria, já foram encaminhados ao STF recursos representativos da controvérsia, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil, entendo que se deve, de ofício, sobrestar o julgamento do recurso voluntário objeto do presente processo. Brasília/DF, Sala de Sessões, 19 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros – Relator Fl. 829DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722598/2013-98
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010
PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DA EMPRESA. ACORDOS/CONVENÇÕES ASSINADOS NO ANO SEGUINTE AO DO EXERCÍCIO A QUE O LUCRO SE REFERE. SITUAÇÃO AUSENTE E SEM AMPARO NA LEI QUE REGULA O PROGRAMA. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDA. NORMA EXACIONAL CONSIDERADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. MULTA DE MENOR PATAMAR. RETROAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A LEI PREVÊ REDUÇÃO DA MULTA PARA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SITUAÇÃO QUE DEIXA DE INCIDIR EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO, POIS AUSENTE A ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO À MULTA A SER APLICADA. DEVENDO INCIDIR A QUE ESTAVA EM VIGOR NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da extinção do DEBCAD 37.343.367-0, pelo pagamento, e determinar a exclusão dos levantamentos C - COOP - TRABALHO; C1- COOP - TRABALHO; C2 - COOP - TRABALHO do DEBCAD 37.343.368-9.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DA EMPRESA. ACORDOS/CONVENÇÕES ASSINADOS NO ANO SEGUINTE AO DO EXERCÍCIO A QUE O LUCRO SE REFERE. SITUAÇÃO AUSENTE E SEM AMPARO NA LEI QUE REGULA O PROGRAMA. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDA. NORMA EXACIONAL CONSIDERADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. MULTA DE MENOR PATAMAR. RETROAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A LEI PREVÊ REDUÇÃO DA MULTA PARA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SITUAÇÃO QUE DEIXA DE INCIDIR EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO, POIS AUSENTE A ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO À MULTA A SER APLICADA. DEVENDO INCIDIR A QUE ESTAVA EM VIGOR NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.722598/2013-98
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5367459
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.414
nome_arquivo_s : Decisao_11080722598201398.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11080722598201398_5367459.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da extinção do DEBCAD 37.343.367-0, pelo pagamento, e determinar a exclusão dos levantamentos C - COOP - TRABALHO; C1- COOP - TRABALHO; C2 - COOP - TRABALHO do DEBCAD 37.343.368-9. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5562595
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811801812992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2125; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 432 1 431 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722598/201398 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.414 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria CP: SALÁRIO INDIRETO: PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS CONTRIBUINTE INDIVIDUAL; COOPERATIVA DE TRABALHO e TERCEIROS e AUTO DE INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES. Recorrente RICETEC SEMENTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/01/2010 PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS DA EMPRESA. ACORDOS/CONVENÇÕES ASSINADOS NO ANO SEGUINTE AO DO EXERCÍCIO A QUE O LUCRO SE REFERE. SITUAÇÃO AUSENTE E SEM AMPARO NA LEI QUE REGULA O PROGRAMA. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÃO INDEVIDA. NORMA EXACIONAL CONSIDERADA INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. MULTA DE MENOR PATAMAR. RETROAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A LEI PREVÊ REDUÇÃO DA MULTA PARA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SITUAÇÃO QUE DEIXA DE INCIDIR EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO, POIS AUSENTE A ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA QUANTO À MULTA A SER APLICADA. DEVENDO INCIDIR A QUE ESTAVA EM VIGOR NO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, em razão da extinção do DEBCAD 37.343.3670, pelo pagamento, e determinar a exclusão dos levantamentos C COOP TRABALHO; C1 COOP TRABALHO; C2 COOP TRABALHO do DEBCAD 37.343.3689. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 25 98 /2 01 3- 98 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 433 2 (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 434 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.343.3689, que objetiva o lançamento da contribuição social previdenciária, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores das categorias de empregados, contribuintes individuais e da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, relativamente, a cota patronal em razão dos empregados, contribuinte individuais e cooperados e ao SAT/RAT para os empregados, bem assim o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.343.3697, que objetiva a exigência da contribuição destinada a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada ao trabalhador empregado, como, também, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.343.3670, CFL. 68, apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 18 a 21, com período de apuração de 01/2008 a 12/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 43 e 48. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 25/03/2013, conforme Folha de Rosto do Autos de Infração, de fls. 03; 10 e 15. Consta, as fls. 98 e 99, o Termo de Apensação (1) para o processo 11080.722601/201373, bem como o Termo de Apensação (1) para o processo 11080.722724/201312, ambos de juntada por apensação realizada, em 26/03/2013. O contribuinte apresentou suas defesas/impugnações, petições com razões impugnatórias, acostada, as fls. 102 a 112; 185 a 193, recebida, em 23/04/2013, estando acompanhada dos documentos, de fls. 113 a 184; 194 a 248. As impugnações foram consideradas tempestivas, fls. 249 e 252. No despacho, de fls. 252, a SECAT da DRF – Porto Alegre, informa que o DEBCAD 37.343.3670, ou seja, o Auto de Infração de Obrigação Acessória – CFL.68, não foi objeto de impugnação e encontrase baixado pelo pagamento, no SICOB. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0732.646 5ª, Turma DRJ/FNS, em 12/09/2013, fls. 254 a 272. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 25/09/2013, conforme AR, de fls. 274. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 435 4 Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 278 e 289, recebido, em 23/10/2013, de fls. 278, acompanhados dos documentos, de fls. 290 a 426, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Mérito · que a PLR dos empregados é desvinculada da remuneração, artigo 7º, XI, da CF/88, sendo norma de eficácia plena, não podendo a lei específica modificar esta condição, sob pena de ferir a regra constitucional, cabendo a ela apenas eleger os requisitos para a participação, o que foi feito pela MP 794/1994, convolada na Lei 10.101/2000, as quais preveem que tal verba não serve de base de cálculo para encargos trabalhista e previdenciários; · que o Acordo de PPR estabelecido entre a recorrente e o sindicato está registrado no MTb sob nº 46218.001150/200851, de 23/01/2008, e atende a todas as exigências legais, não violando a lei o fato do PPR assinado em 2008, também, servir para a avaliação dos resultados de 2007, pois livre e espontaneamente pactuado entre os interessados, assim considerandose o acordo realizado válido deve ser o lançamento na parte do PPR anulado; · que não foi considerada na contribuição em razão da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho os redutores de 30% para serviços médicos e de 60% para serviços odontológicos, sobre o valor das faturas ou notas fiscais; · que deve ser aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao artigo 106, II, do CTN, retroagindo a legislação mais favorável, cita jurisprudência do STJ, uma vez que o artigo 35, da Lei 8.212/91 foi recentemente alterado pela Lei 11.941/2009, devendo, assim, ser aplicada a multa de 20%, sendo prudente salientar que a multa, ainda, que no lançamento de ofício pode ser reduzida, artigo 35A, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009; · que o artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação anterior a Lei 11.941/2009, somente estabelecia multa de mora, ainda, que o lançamento fosse de ofício, sendo irrelevante para o legislador para a aplicação de multa de mora, a existência de informação ou não em GFIP, pois tal conduta era apenada, pelo artigo 32, §§ 4º e seguintes, da Lei 8.212/91; · que havendo dúvida sobre a penalidade a ser aplicada multa de mora ou de ofício, a legislação deve ser interpretada da forma mais favorável ao contribuinte, nos termos do artigo 112, do CTN, devendo, desta forma ser a multa reduzida; · Dos pedidos e requerimentos: a) acolhimento do recurso: b) que os débitos fiscais representados pelos autos 37.343.3689 e 37.343.369 Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 436 5 7, sejam anulados pelas razões expostos; c) ou alternativamente que a multa seja reduzida. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade do recurso, mas a indicou, fls. 430. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho, de fls. 430. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 23/01/2014, fls. 431, Lote 03. É o Relatório. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 437 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Inicialmente, cabe ressaltar que o DEBCAD 37.343.3670, não foi objeto de impugnação em primeiro grau, bem como consta a informação de que ele foi baixado pelo pagamento e assim encontrase fora do contencioso, devido sua extinção pelo pagamento, artigo 156, I, da Lei 5.172/66. É certo que o texto constitucional deixou claro que a participação nos lucros e resultados é desvinculada da remuneração, porém nos termos definidos em lei, isto é, cuidase de norma de eficácia limitada que dependia de lei futura para a sua regulamentação e produção de efeitos. Também, é certo que após a MP 794/94 e da Lei 10.101/2001 esta questão restou ultrapassada. Porém, deixou a norma uma lacuna imensa ao dizer que “deverão constar regras claras e objetivas” nos acordos, mas não estabelecendo quais são, apenas indicando poucas delas, ficando, assim, ao critério e subjetividade dos interessados, o que seriam essas regras e quase sempre são elas que causam, dissenso entre os interessados empresários, trabalhadores e fisco. TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NFLD ANULATÓRIA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS LEI 10.101/2002 ASSINATURA DO SINDICATO NO ACORDO CELEBRADO AUSÊNCIA IRREGULARIDADE FORMAL HONORÁRIOS REDUÇÃO. Para que a verba paga pela empresa possa caracterizarse como participação nos lucros e, consequentemente, tornarse isenta da contribuição previdenciária, exigese a observância de um dos procedimentos descritos no art. 2º da Lei 10.101/2000, vale dizer, comissão escolhida pelas partes ou acordo coletivo, devendo constar dos documentos decorrentes da negociação "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A intervenção do sindicato, na negociação, tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como, fixação de resultados atingíveis, metas que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 438 7 participação, dentre outros. Por sua vez, o arquivamento do instrumento, no sindicato, visa comprovar a participação e possibilitar a exigência do cumprimento na forma acordada. Funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, incentivo à produtividade de resultados positivos; O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Se o Sindicato se afastou, deixando de opor sua assinatura no acordo, os instrumentos são nulos, nos termos do art. 166, do CC. Assim, a empresa e os empregados não deveriam ter concluído a negociação mediante comissão, e sim, optado por convenção ou acordo coletivo, nos termos do inciso II, do art. 2º da lei de regência. A empresa juntou nos autos, tãosó, em relação ao ano de 2004, apuração dos votos da eleição dos representantes dos empregados para integrar a comissão, deixando de anexar a apuração dos outros anos. Também não há menção aos empregados lotados nas filiais de Triunfo (RS) e Cabo São Agostinho (PE). Os empregados, ao que parecem, são todos lotados na filial de Duque de Caxias RJ. Portanto, a Comissão Negociadora não representa todos os empregados da empresa, visto que só composta por trabalhadores de um estabelecimento. Não ser possível atribuir efeito ex tunc aos contratos de participação dos lucros da empresa, às competências anteriores à data de assinatura do instrumento de negociação celebrado em 29/07/2005. A uma, porque, como visto anteriormente,o referido instrumento é nulo, por inexistir assinatura do representante do sindicato. A duas, porque, embora a Lei nº 10.101/2000 não faça menção a este fato, é nítido que as regras só têm validade a partir de julho de 2005, pois é a partir desta data que se inicia o cumprimento das metas estabelecidas. Precedentes do STJ. É possível, a fixação dos honorários advocatícios em percentual sobre o valor da causa ou em quantia determinada, porquanto o art. 20, § 4º, do CPC não proíbe nem distingue essa possibilidade e tampouco, faz qualquer referência ao limite a que se deva vincular o julgador ao realizar o arbitramento da verba honorária. Remessa necessária e apelação providas. (APELRE 200651010145497, Desembargador Federal JOSE FERREIRA NEVES NETO, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::06/03/2014.) CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA QUANDO TODOS OS ARGUMENTOS RELEVANTES SÃO APRECIADOS. A nulidade da decisão de primeira instância é declarada naqueles casos nos quais o decisório a quo deixa de apreciar argumento relevante da recorrente, em obediência ao disposto nos arts. 31 e 59, inciso II do Decreto 70.235/72. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 439 8 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EVENTUAIS VÍCIOS NO MPF NÃO AFETAM RELAÇÃO JURÍDICA FISCO X CONTRIBUINTE. O Mandado de Procedimento Fiscal não é instrumento que outorga ou retira competência, uma vez que esta necessita de lei que lhe defina os contornos e aquele foi instituído por Decreto. Contraria o bom senso e a razoabilidade dos atos normativos exigir que o servidor dependa de determinação de autoridade superior para desempenhar atribuição que lhe é outorgada por lei. É evidente que a autoridade da lei tem que prevalecer sobre a vontade da autoridade administrativa. A utilização do Mandado de Procedimento Fiscal restringese aos interesses da administração tributária em controlar a atuação dos servidores legalmente competentes para efetuar o lançamento. Assim, o MPF é um instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fisco contribuinte que permite ao sujeito passivo assegurarse de que a fiscalização foi iniciada segundo critérios objetivos e impessoais, e que o agente fiscal nele indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar aquela ação fiscal. Da mesma forma que no caso dos demais tributos, nos lançamentos relativos a contribuições previdenciárias, a existência de quaisquer vícios em relação ao MPF não gera efeitos quanto à relação jurídica fisco contribuinte estabelecida com o ato administrativo do lançamento, podendo aqueles ensejar, se for o caso, apuração de responsabilidade administrativa dos servidores envolvidos, mas sem afetar a relação jurídica tributária fisco contribuinte. MATÉRIA OBJETO DE ATO DECLARATÓRIO DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL DISPENSANDO A CONTESTAÇÃO JUDICIAL. ART. 19 DA LEI 10.522/2002 QUE NÃO VINCULA O CARF. Ato da PGFN que dispensa a contestação de matérias em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o ato não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 440 9 mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que diz respeito ao direito processual tributário. SEGURO DE VIDA PAGO PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO SUJEITA A REQUISITOS. Os pagamentos de seguros de vida quando habituais estão compreendidos no campo de incidência da contribuição previdenciária por serem ganhos habituais sob a forma de utilidade. A isenção concedida pela legislação exige que o benefício esteja previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e seja disponibilizado à totalidade de seus empregados e dirigentes. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A norma imunizante e a lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PRESENTES NO ACORDO. O Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ademais, o cumprimento das metas precisa ser aferível. Se a empresa não se mostra capaz de comprovar o atingimento das metas e o cálculo da PLR individual, o requisito legal do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000 resulta violado. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DATA DE ASSINATURA E ARQUIVAMENTO DO ACORDO NO SINDICATO DA CATEGORIA. Diante da ausência de expressa determinação legal e da necessidade de o intérprete garantir o atingimento das finalidades da norma imunizadora e de sua respectiva regulação, a razoabilidade impõe que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 441 10 acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO ANTIGO 3º CC E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 3 do antigo 2º Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. MULTA. ALTERAÇÃO LEGAL. CONHECIMENTO DE OFICIO. POSSIBILIDADE. VALOR. LIMITAÇÃO. 20%. LEI N.º 9.430/96. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, limitada o percentual a vinte por cento. Recurso Voluntário Provido em Parte. PROC: 14485.000150/200715. Acórdão 2301002.627. Data da sessão 12/03/2012 Rel. MAURO JOSE SILVA A jurisprudência do CARF, no que tange, a celebração do acordo/convenção vem se firmando no sentido de que tais instrumentos devem ser celebrados no curso do exercício do qual se pretende que seja o lucro ou o resultado distribuído. O julgado acima transcrito diz que “até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados” ou então desta outra forma “o prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo passa para o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados”, o que permite inferir que tal assinatura e depósito ocorram até 30/06/XX ou 30/09/XX. Porém, no presente caso essa assinatura e depósito se deu dentro do transcurso do ano seguinte como a própria recorrente reconhece em seu recurso janeiro/2008, mas com aplicação retroativa a 2007. Além disso, a decisão judicial transcrita não deixa dúvidas de que só a partir da assinatura é que os instrumentos passam a ter validade, embora se refira a contratos e não acordos/convenção, mas é taxativa quanto a sua aplicação ao que disciplinado pela Lei 10.101/2000, bem como ao conhecimento e cumprimento das metas. Com esses esclarecimentos não há razões para excluir do lançamento o levantamento referente ao PPR. Passo a questão relativa a incidência de contribuição social previdenciária sobre exercício de atividade por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, contudo por razões distintas das apresentadas pela recorrente, as quais nem serão apreciadas. A exação em tela vinha sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até pouco tempo atrás me posicionava ao lado de sua validade. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 442 11 Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos passei a adotar novo entendimento, o qual discorro e explicito a seguir. Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como bem disse a recorrente os serviços não são prestados a ela recorrente, mas sim aos seus trabalhadores. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma empresa transportadora. Ora a transportadora vai contratar e a cooperativa colocará nas dependências desta ou de terceiros indicados por aquela, os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, serviços esses que trarão à contratante desempenho e desenvolvimento de suas atividade operacionais, com a consequente geração de riqueza, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22. IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que disponibilizará os cooperados que prestarão os serviços, nos seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos trabalhadores pessoas físicas e não a empresa contratante, que não terá nenhum benefício direito decorrente da prestação dos serviços pelos cooperados e muito menos produção de riqueza. Além disso, ainda, se pode indagar, por que a contratação de uma cooperativa ensejaria a contribuição do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 e a contratação de uma empresa comercial de assistência a saúde não ensejaria esta contribuição, mas apenas as contribuições convencionais. E por que a empresa que fornece assistência à saúde a seus empregados por intermédio de cooperativa não pode beneficiarse da isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, sendo que a que contrata empresa comercial de assistência à saúde faria jus a esta isenção. Destarte, penso que se tem duas possibilidades que excluem a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos empregados ou a empresa que presta assistência à saúde a seus trabalhadores dentro das determinações legais independentemente do tipo de prestador contratado, faz jus a isenção do artigo 28, § 9º, alínea “q”, como citado. Qualquer que seja a tese que se abrace a exação tornase indevida, isto é, deixa de ter suporte e substrato a sua exigência. Não fosse o que disse acima suficiente a solucionar a questão, o Supremo Tribunal Federal em recentíssimo julgado considerou tal exação inconstitucional. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 443 12 · RE 595.838 – SP Ministro Relator – Dias Toffoli Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Assim sendo, os levantamentos C – COOP – TRABALHO; C1– COOP – TRABALHO; C2 – COOP – TRABALHO devem ser excluídos do DEBCAD 37.343.3689. A recorrente não tem direito a aplicação da multa de 20% como determinado na nova redação do artigo 35, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, uma vez que tal situação referese a denúncia espontânea, ou seja, quando o contribuinte por iniciativa própria e antes de qualquer procedimento do fisco cálculo e recolhe o tributo que estava atrasado. No caso dos autos o tributo foi lançado pelo fisco em 25/03/2013 e assim para as competências de 12/2008 em diante a multa a incidir é a de setenta e cinco por cento como previsto no artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009. Para as demais competências acaso remanescentes no crédito e que se refiram até 11/2008, a multa a ser aplicada é a do artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela lei 9.528/97 e 9.878/99, isto é, multa de mora escalonada de 24% a 100% dependendo da fase do processo, porém nessa caso a multa deve ser limitada a 75% nos termos do novo artigo 35A, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009. Como bem disse a recorrente o legislador antes da entrada em vigor da Lei 11.941/2009 não fazia distinção entre a qualidade das multas, todavia depois da edição de tal lei fez essa distinção e a nova multa de 20% não se aplica a lançamento de ofício, cabendo apenas a aplicação da multa em vigor à época dos fatos geradores em observação ao artigo 144, da Lei 5.172/66, como acima esclarecido. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11080.722598/201398 Acórdão n.º 2803003.414 S2TE03 Fl. 444 13 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente, rejeitando todos os pedidos, exceto pela exclusão dos levantamentos C, C1 e C2 – todos de cooperativas, ainda, que por motivos diversos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento parcial do recurso em razão da extinção do DEBCAD 37.343.3670, pelo pagamento, para no mérito darlhe provimento parcial para determinar a exclusão dos levantamentos C – COOP – TRABALHO; C1– COOP – TRABALHO; C2 – COOP – TRABALHO do DEBCAD 37.343.3689. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.004505/2004-64
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO.
O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS.
Constatado o contraditório e a ampla defesa não há nulidade na utilização de provas colhidas em outros procedimentos.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS INTERPOSTA PESSOA.
Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS.
Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos.
MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2.
A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 34.
Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas.
Recurso negado
Numero da decisão: 2802-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO. O MPF constitui-se em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. Constatado o contraditório e a ampla defesa não há nulidade na utilização de provas colhidas em outros procedimentos. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS INTERPOSTA PESSOA. Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 34. Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Recurso negado
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11543.004505/2004-64
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351046
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.855
nome_arquivo_s : Decisao_11543004505200464.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 11543004505200464_5351046.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5471306
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811807055872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2129; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 2.380 1 2.379 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.004505/200464 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.855 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ AUGUSTO SIMÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 NULIDADES DECORRENTES DO MPF. NÃO CABIMENTO. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. Constatado o contraditório e a ampla defesa não há nulidade na utilização de provas colhidas em outros procedimentos. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOVIMENTAÇÃO DE RECURSOS INTERPOSTA PESSOA. Comprovado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiros, evidenciando interposição de pessoas, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação aos terceiros, na condição de efetivos titulares da conta de depósito ou de investimento. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. MULTA. CONFISCO. SUMULA CARF Nº 2. A multa de ofício é prevista em lei. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 45 05 /2 00 4- 64 Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSTA PESSOA. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 34. Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Contra o recorrente foi lavrado auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física, referente ao exercício 1999, anocalendário 1998, em virtude da apuração de omissão de rendimentos caracterizados por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em nome de interposta pessoa, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas operações. Foi exigido o tributo acrescido de multa de ofício qualificada (150%) O procedimento fiscal foi instaurado em decorrência de fatos constatados no procedimento fiscal do contribuinte Jacy Brandão Leite CPF 049.599.30772, detalhados no Termo de Verificação de Infração de fls. 1.805 a 1.975 e, sinteticamente, relatados a seguir. No ano de 2001, o contribuinte Jacy Brandão Leite foi incluído em programa de fiscalização, em razão de se ter constatado que o mesmo era titular de direito de contas bancárias cuja movimentação financeira (base CPMF), durante o anocalendário 1998, atingiu o montante de R$ 3.310.721,14, ao passo que se declarou isento do imposto de renda do respectivo exercício. Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.381 3 O primeiro procedimento de fiscalização sobre Jacy Brandão Leite iniciouse com a ciência do Termo de Inicio de Fiscalização n° 7500, de 30/03/2001, mediante o qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos de movimentação bancária e comprovar a origem dos recursos depositados. Em razão de liminar concedida em Mandado de Segurança interposto pelo fiscalizado, a mencionada ação fiscal foi interrompida. Somente em 07/03/2003, após o trânsito em julgado de sentença de mérito que denegou a segurança pleiteada, foi iniciado novo procedimento fiscal com a ciência do Termo de ReIntimação Fiscal nº 159/2003, às fls. 10/12, que além de mencionar ter sido ultrapassada a fase judicial, trazia, essencialmente, os mesmos termos da primeira intimação. As informações sobre a movimentação financeira de Jacy Brandão Leite foram inicialmente obtidas a partir do processo judicial n° 2001.50.01.0072172, decorrente de inquérito policial instaurado na Policia Federal, paralelamente à interrupção do primeiro procedimento fiscal. Respaldada pela decisão da Juíza Federal da 2ª Vara da Seção Judiciária do Espírito Santo, que deferiu a extensão do afastamento do sigilo bancário à Receita Federal, a fiscalização teve acesso aos autos do processo judicial e dele extraiu cópias de cheques, depósitos, depósitos eletrônicos e DOC encaminhados pelo Banco Bradesco àquele Juízo. Por considerar indispensável o exame completo das informações sobre as contas bancárias mantidas por Jacy Brandão Leite e tendo em vista a não apresentação dos extratos bancários pelo contribuinte, a fiscalização solicitou a emissão de Requisição de Movimentação Financeira — RMF (fls. 56/58), nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.274/2001. Foram então emitidas RMF às seguintes instituições: Banco Rural S/A, Banco do Brasil S/A, Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A e Banco Bradesco S/A (fls. 59/70). Posteriormente, foram emitidas outras RMF para obtenção de informações complementares. De posse dos documentos obtidos das instituições financeiras e do processo judicial, a fiscalização efetuou diversas diligências de circularização com o objetivo de rastrear a movimentação bancária na contacorrente n° 574511/agência 04146 do Banco Bradesco, já que esta concentrava a quase totalidade da movimentação financeira do ano de 1998. A citada contacorrente fora aberta em nome de Jacy Brandão Leite, por procuração, pelo Sr. José Augusto Simão, que detinha, ainda, autorização para movimentála juntamente com o seu irmão, Edmilson Firme Simão. Nas diligências de circularização foram intimados diversos beneficiários de cheques ou DOC sacados da aludida contacorrente para que informassem e comprovassem as operações que deram origem aos pagamentos, bem como foram intimadas as pessoas que fizeram depósitos na referida conta. Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 A partir dos resultados obtidos, a fiscalização considerou existir fortes indícios de que o fiscalizado Jacy Brandão Leite era interposta pessoa do Sr. José Augusto Simão, ora recorrente, este sim o titular de fato da contacorrente n° 57451/agência 04146 do Banco Bradesco, doravante denominada CONTA CORRENTE. Consequentemente, o procedimento fiscal direcionouse contra José Augusto Simão (ora recorrente). A ação fiscal teve inicio com a ciência, em 12/12/2003, do Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 407/409), por meio do qual o interessado foi cientificado da suposição de que seria o titular de fato da CONTA CORRENTE e instado a apresentar extratos de movimentação financeira, a informar e comprovar as origens dos créditos efetuados nas contas bancárias, bem como a prestar outras informações e apresentar documentos a respeito do imposto de renda pessoa física no anocalendário de 1998. Em 09/02/2004 o recorrente responde aos termos da intimação, apresentando diversos documentos e alguns esclarecimentos, mas deixa, no entanto, de apresentar os extratos bancários solicitados. Em virtude disto e por reputar presentes hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto n° 3.724/2001 (fl. 531/540), a fiscalização, em 17/02/2004, expediu Requisições de Movimentação Financeira RMF (fls. 541/555) dirigidas ao Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Banco Bradesco e Banco Boavista, para obtenção dos dados cadastrais e de movimentação financeira em nome do interessado, bem como os respectivos documentos que alicerçaram cada lançamento nas contascorrentes. Em 02/07/2004 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 008 3/2004 (fls. 861/912). Nesse termo foram retratados os fatos que levaram à conclusão de que o recorrente era o titular de fato da CONTA CORRENTE, e Jacy Brandão Leite uma interposta pessoa. Na seqüência, o recorrente foi intimado a contestar os elementos de prova ou a comprovar as origens dos recursos creditados na citada conta, assumindo sua titularidade sozinho ou em conjunto com terceiros. No Oficio entregue à fiscalização em 10/08/2004 (fls. 1099/1128), o recorrente alegou que Jacy Brandão Leite atuou como produtor, criando alguns bovinos, além de intermediar compra e venda de animais para as fazendas de sua propriedade em condomínio com Edmilson Firme Simão Junior e demais irmãos, bem como para outros produtores; em tais operações de intermediação, Jacy Brandão Leite transacionava, na CONTA CORRENTE, recursos que não lhe pertenciam, ficando tão somente com os rendimentos dessa mediação; no que diz respeito à movimentação financeira decorrente da comercialização de seus bovinos, ressalta que todas as operações foram devidamente escrituradas em livro próprio e levadas à tributação na DIRPF, "mesmo que o recurso proveniente da operação não tenha circulado na conta corrente do contribuinte"; as notas fiscais de produtor rural relativas aos pagamentos efetivados em cheque ou DOC da CONTA CORRENTE foram escrituradas em Livro Caixa a título de despesas de aquisição de bovinos e o resultado da atividade levado a tributação na respectiva declaração do IRPF. Quanto à intimação para comprovar a origem dos recursos depositados, declarou não possuir legitimidade alegando que o responsável direto pelas informações solicitadas é o contribuinte Jacy Brandão Leite, por ser o titular da CONTA CORRENTE. Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.382 5 Somente em 10/08/2004, no curso do procedimento fiscal em nome do Sr. José Augusto Simão, é que Jacy Brandão Leite se pronunciou quanto aos itens da intimação de que foi cientificado em 07/03/2003, assumindo a titularidade da CONTA CORRENTE e informando que os recursos nela creditados provêm em sua grande parte de serviço de intermediação de compra e venda de bovinos que prestava a José Augusto Simão e Edmilson Firme Simão Junior e também de sua atuação no segmento financeiro (fls. 996/1020). Em 30/08/2004 foi lavrado o Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 225/2004 (fls. 1162/1187), no qual as autoridades fiscais apontaram as incoerências e lacunas nos esclarecimentos e informações até então fornecidos e intimaram Jacy Brandão Leite a demonstrar, individualizadamente, as operações que deram origem a cada crédito efetuado na CONTA CORRENTE, bem como comprovar que, por meio dela, recebia recursos dos compradores de bovinos e os repassava aos respectivos vendedores, nas alegadas operações em que atuou como intermediário. Em 06/10/2004, atendendo à mencionada intimação, Jacy Brandão Leite entrega novo Oficio (fls. 1235/1271) no qual reafirma ser o efetivo titular da CONTA CORRENTE e responde aos questionamentos da fiscalização, apresenta documentos e argumentos que, no entanto, foram considerados insatisfatórios pela fiscalização para comprovar que de fato tinha relação direta e pessoal com a movimentação financeira. Nas diligencias de "circularização" a fiscalização constatou que: a) com recursos procedentes da CONTA CORRENTE foram adquiridos bovinos destinados a fazendas que o recorrente e seus irmãos possuíam em condomínio ou destinados à Frimavil Frigorifico e ao Matadouro Viana Ltda, onde os animais foram abatidos, e a carne remetida ao supermercado Carone e Cia Ltda; com cheque da CONTA CORRENTE houve pagamento pela aquisição de carne destinada ao Supermercado Carone, que em contrapartida fez pagamentos em cheques que foram depositados em conta mantida em nome do recorrente e seu irmão Edmilson Firme Simão Júnior. b) o abatedouro Frimavil Frigorifico e Matadouro Viana Ltda. eram controlados pelo recorrente; c) com recursos da CONTA CORRENTE José Augusto Simão adquiriu bens incorporados ao patrimônio de sua pessoa física e serviços prestados a seus dependentes e a pessoas de suas relações próximas; d) a CONTA CORRENTE foi abastecida com recursos provenientes de vendas feitas de couro cru salgado, proveniente de bovinos saídos das fazendas de propriedade do recorrente, de Edmilson Firme Simão Junior e irmãos; vendas essas realizadas pelo abatedouro Frimavil; e) o recorrente e Edmilson Firme Simão Junior utilizaram a CONTA CORRENTE para movimentar recursos da Factoring A.C.S. Fomento Mercantil Ltda., na qual eram os verdadeiros titulares, sob a interposta pessoa de Marcio Geraldo Mônico. Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Por considerar que as respostas às intimações foram vagas, imprecisas, contrárias à realidade dos fatos e por não estarem respaldadas por documentação hábil e idônea, a fiscalização firmou convencimento de que o José Augusto Simão era o titular de fato da CONTA CORRENTE, juntamente com seu irmão Edmilson Firme Simão Júnior, os quais foram intimados a comprovar documentalmente, individualizadamente, a origem dos recursos depositados na CONTA CORRENTE. A Fiscalização elaborou Termo de Verificação de Infração – José Augusto Simão (fls. 1804/1975) no qual consta, entre outras informações, que considerou não comprovada a origem dos recursos, razão pela qual efetuou o lançamento de oficio por omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, observandose o § 6°, em razão de se tratar de conta conjunta em que o outro titular era o contribuinte Edmilson Firme Simão Junior. A fiscalização aplicou a multa de oficio de 150% por entender que o interessado, ao efetuar movimentação bancária em nome de terceiro, teve o propósito deliberado de impedir o conhecimento, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Foi formulada representação fiscal para fins penais. A ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2004 (fl. 1.996). Na impugnação, o contribuinte alegou, em síntese: a) irregularidade no procedimento fiscal (falta de prorrogação dos MPF e assinatura pelo Delegado da Receita Federal) e falta de motivação especifica para a prorrogação dos trabalhos fiscalizatórios; b) decadência em relação a todos os fatos geradores, conforme §4º do art. 150 do CTN; ainda que seja aplicada a regra do artigo 173, inciso I do CTN, o presente lançamento estaria fulminado pela decadência, uma vez que o termo a quo seria o dia 1º de janeiro de 1999, tendo como dies ad quem 31 dezembro de 2003; e) invalidade do lançamento por presunção equivocada de que uma das contas do contribuinte Jacy Brandão Leite pertencia de fato ao impugnante; inexistência de interposição fictícia ou fraudulenta de pessoa, uma vez que havia instrumento de procuração outorgando poderes aos mandatários; f) bis in idem, pois a materialidade ora tributada foi objeto de investida fiscal já encerrada que resultou na constituição de um crédito tributário em nome de Jacy Brandão Leite, amortizado mediante parcelamento; g) ilícita utilização de prova emprestada; h) a circularização realizada pelo fisco violou o direito ao sigilo bancário e à intimidade do contribuinte; i) inexistência de hipótese de indispensabilidade para que fosse solicitada a expedição de Requisições de Movimentação Financeira; j) aplicação retroativa da lei 10.174/2001, contrariando jurisprudência deste Conselho; Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.383 7 l) considerar ocorrido o fato gerador com base em depósitos bancários contraria o enunciado da Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos e ementas do Conselho de Contribuintes; m) os recursos não poderiam ser considerados rendimentos, pois apenas passaram transitoriamente pela contacorrente, sendo, em sua grande parte, oriundos de operações de intermediações, que foram efetivamente escrituradas em livro caixa e cujos tributos foram devidamente recolhidos; m) não foram levadas em consideração pela fiscalização as planilhas que comprovariam a origem dos recursos utilizados na comercialização de bovinos, em que o Sr. Jacy Brandão Leite teria atuado como intermediário para os irmãos Simão e outros; e n) incabível a qualificação da multa por não ter sido comprovado o dolo ou intuito de fraude do agente. O órgão de primeira instância julgou o lançamento procedente, por meio de acórdão com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). NULIDADES DECORRENTES DO MPF. O MPF constituise em instrumento de controle da administração tributária, não podendo eventual inobservância das normas que o disciplinam gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. No caso, sequer se confirmou a irregularidade alegada relativamente ao MPF. LANÇAMENTO BASEADO EM PROVA EMPRESTADA, ORIUNDA DE OUTRO PROCEDIMENTO FISCAL. Em se tratando de procedimento fiscal, não cabe suscitar violação do contraditório para invalidar provas emprestadas que valem, igualmente, como as provas originais. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. É incabível falarse em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse principio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a legislação autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERTENCENTES A TERCEIROS. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964 Lançamento Procedente O recorrente tomou ciência do acórdão em 10/05/2006 e interpôs recurso voluntário em 05/06/2006. A peça recursal, com mais de cem laudas, contém, em síntese, os seguintes argumentos: 1. vícios formais no auto de infração que o tornam ilegal: ação fiscal não concluída no prazo estipulado no Mandado de Procedimento Fiscal, não houve ato legal de prorrogação da Ação Fiscal MPFComplementar assinado pelo Delegado da Receita Federal – nem a ciência ao contribuinte (nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72); a juntada de documentos fornecidos pelas instituições financeiras ocorreu quando já havia vencido o prazo do MPF; implicando nulidade do procedimento e da prova colhida; não foram indicados motivos que justificassem o prosseguimento da ação fiscal; 2. decadência, pois a ciência do lançamento ocorreu após mais de 5 anos da ocorrência de todos os fatos geradores, apontando acórdãos desse Conselho e lições doutrinárias, alegando que o acórdão recorrido negou aplicação ao §4º do art. 150 do CTN ilegal quebra do sigilo fiscal do recorrente; 3. ilegal utilização de provas emprestadas de inquérito policial e de procedimentos fiscal; 4. indevidas presunções fiscais que levaram a fiscalização a concluir que uma das contas (CONTA CORRENTE) do Sr. Jacy Brandão Leite, então fiscalizado, pertencia de fato ao recorrente, com isso a fiscalização passou a fiscalizar o recorrente; 5. notório bis in idem, entre outras diversas ilegalidades, caracterizada pela ilegal refiscalização, alega estar claro que as movimentações financeiras da CONTA CORRENTE, já foram objeto de fiscalização e tributação, razão pela qual a nova autuação caracteriza bis in idem, pois a União pretende tributar acréscimo patrimonial já tributado em outra ação fiscal, frisando que o crédito apurado na fiscalização do contribuinte Jacy Brandão Leite foi devidamente parcelado e está sendo quitado em dia; 6. ilegitimidade do recorrente para figurar como sujeito passivo pois houve presunção ilegal de que é o titular de fato da CONTA CORRENTE de Jacy Brandão Leite que é seu parente, inexistindo renda que tenha integrado o patrimônio do recorrente; 7. ad argumentandum, a materialidade ora discutida já foi objeto de outra investida fiscal na qual foi constituído crédito tributário de R$643.999,15, como se extrai do Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.384 9 Termo de Verificação (fls. 4/170) e do Anexo I do auto de infração; crédito tributário que é objeto de parcelamento; 8. ilicitude da prova emprestada de outro procedimento administrativo no qual o recorrente não participou ; 9. violação do direito ao sigilo bancário e à intimidade do recorrente, à privacidade, à honra e à imagem do recorrente, pois a fiscalização intimou várias pessoas físicas e jurídicas para prestarem esclarecimentos sobre o recorrente, causando grande constrangimento ao mesmo; 10. ilegalidade da Requisição de Movimentação Financeira RMF, a uma por inconstitucionalidade, a duas porque o recorrente não estava incluído em qualquer das hipóteses previstas no Decreto nº 3.724/2001; 11. a motivação para expedição da RMF foi embaraço à fiscalização, porém as informações e documentos solicitados ao contribuinte estavam sendo disponibilizados à fiscalização (vide itens 51.3 e 5.1.4 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 141/170), não é razoável afirmar que por demora das instituições financeiras se impute ao recorrente a conduta de embaraçar a fiscalização; 12. irretroatividade da Lei 10.174/2001, mencionando acórdãos desse Conselho e decisão judicial em Apelação em Mandado de Segurança julgado pelo TRF da 4ª Região; 13. inexistência de interposição fraudulenta de pessoa; o Sr. Jacy Brandão Leite não era interposta pessoa do recorrente e do Sr. Edmilson Firme Simão; não houve a ocultação dolosa de uma das partes, pois havia instrumento procuratório outorgando poderes aos mandatários; os AuditoresFiscais ignoraram as afirmações e informações prestadas pelo Sr. Jacy Brandão Leite, as quais comprovam que ele era, de fato e de direito, o efetivo titular da CONTA CORRENTE; o próprio acórdão recorrido reconhece que não há provas da interposição fraudulenta; 14. depósitos bancários não constituem renda, como reconhece jurisprudência desse Conselho e Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, sendo necessário comprovar a utilização dos valores como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; 15. tais recursos não se incorporaram ao patrimônio do recorrente, primeiro por que a CONTA CORRENTE é de outro contribuinte, segundo porque, na hipótese de se entender que o recorrente era supostamente titular de fato da CONTA CORRENTE, devese reconhecer que parte dos recursos que nela transitavam referemse a intermediações, cujos tributos correspondentes foram devidamente recolhidos, conforme planilha apresentada em face de impugnação, a qual não foi levada em conta pela fiscalização, apesar de demonstrar que os recursos decorreram da comercialização de bovinos em que o Sr. Jacy Brandão Leite atuou como intermediário para os irmãos Simão e outros, conforme escriturado em Livro Caixa retido pela Fiscalização; 15. a multa é confiscatória; Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 16. não foi comprovada a existência de fraude ou dolo, de forma que não é cabível a aplicação da multa qualificada, mencionando lições doutrinárias, acórdãos desse Conselho e decisões judiciais. O presente processo foi distribuído para julgamento de recurso voluntário em que uma das matérias a ser decidida é a licitude da prova obtida com utilização de informações bancárias obtidas pela Secretaria da Receita Federal diretamente às Instituições Financeiras. Em razão de o Supremo Tribunal Federal ter admitido a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, cujo mérito será julgado no Recuso Extraordinário 601314, ainda pendente de julgamento, primeiramente houve o sobrestamento do julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010. Posteriormente, foi editada a Portaria CARF nº 01/2012, na qual foram estabelecidos procedimentos acerca de sobrestamento de julgamentos no CARF, razão pela qual o processo foi incluído em pauta de julgamento para deliberação pelo Colegiado. O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.092, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Já na Resolução constaram as seguintes conclusões do Colegiado: O valor do crédito tributário em litígio (tributo e multa ) está dentro do limite de competência dessa Turma Especial. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A solução do litígio exige que se enfrente a discussão acerca do acesso da Receita Federal à informações financeira por meio de Requisição de Movimentação Financeira – RMF. Não se desconhece a decisão proferida no RE389.808/PR, em sistema de controle difuso de constitucionalidade, porém se trata de matéria submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do CPC, com repercussão geral admitida, porém ainda pendente de julgamento, cujo recurso paradigma é o de nº 601.314. A documentação bancária foi obtida com autorização judicial contida no processo n° 2001.50.01.0072172. Anotese que as decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.385 11 De outro giro, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I do parágrafo único do art. 62 do RICARF) a decisão dada no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314, este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória. Por estas razões, não haveria nulidade do lançamento por falta de autorização judicial para obtenção de dados bancários do contribuinte. A Requisição de Movimentação Financeira – RMF baseouse em dispositivo legal, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Requisições feitas com base em lei e intimações a terceiros para aferir a verdade material quanto à titularidade da CONTA CORRENTE e a natureza das operações não constituem violação do direito ao sigilo bancário e à intimidade do recorrente, à privacidade, à honra e à imagem do recorrente. Alegações recursais rejeitadas. O recorrente sustenta não ter ocorrido qualquer das hipóteses previstas no Decreto 3.724/2001 que autorizariam a expedição de RMF, alega que a requisição teria ocorrido por embaraço à fiscalização. Não é correto reduzir a questão à ausência de embaraço à fiscalização. Eis excerto do Termo de Constatação Fiscal (fls. 861): “...porquanto foi constatada hipótese de ser imprescindível tal procedimento, prevista no art. 3° do Decreto n° 3.724, já que o citado Sr. José Augusto Simão, regularmente intimado mediante o Termo de Inicio de Fiscalização n° 7581/2003, deixou de nos apresentar os extratos de suas contas bancárias, além de outros documentos e informações referentes ao anocalendário de 1998, e havia indícios de interposição de pessoa.” Ademais, duas foram as hipóteses relacionadas para justificar a RMF (fls. 531): art. 33 da Lei 9.430/1996 e presença de indícios de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. O recorrente alega existirem vícios formais no auto de infração decorrentes de vencimentos de prazos de MPF e falta de ciência de MPFComplementar. Consolidouse na jurisprudência desse Conselho que a falta do Mandado de Procedimento Fiscal não é causa de nulidade, com muito mais razão falhas de formalidade nos MPF ou vencimento do seu prazo não invalidam o lançamento, conforme se pode extrair da leitura dos excertos de acórdãos abaixo reproduzidos: Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO NÃO COMUNICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte e objetiva informar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se correrem problemas com a prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(acórdão nº 10249346, de 0910 2008, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Moises Giacomelli Nunes da Silva) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2000 (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. (...) (acórdão nº 19200107, de 18122008, da 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Rubens Maurício Carvalho) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998, 1999 NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF não se constitui ato essencial à validade do lançamento, de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei.(acórdão nº 10249388, de 06112008, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) José Raimundo Tosta Santos) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002 NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão nº 40202898, de 28/01/2008, 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim) Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.386 13 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 Ementa: MANDATO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) Irregularidades no MPF não tem o condão de causar nulidade no procedimento fiscal. No caso, mera falta de intimação de prorrogações. (Acórdão 0106.028, de 10/11/2008 da 1ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso) A autoridade fiscal não precisa relacionar motivos para o prosseguimento da ação fiscal. Preliminar rejeitada. No curso da fiscalização e do contencioso administrativo o recorrente teve plena possibilidade de contraditar as provas colhidas em investigação policial e na fiscalização do contribuinte Jaci Brandão Leite e de defenderse das imputações fiscais. A doutrina e a jurisprudência se posicionam de forma favorável à “prova emprestada”, quando constatado o exercício do contraditório e da ampla defesa (MS 9850/DF STJ, Terceira Turma, DJ 09/05/2005; AgRg no AREsp 392472/PI, julgado em 08/04/2014; Inq 2774/MG STF, julgado em 28/04/2011; HC 114074 / SC, julgado em 07/05/2013). Desta forma, não há nulidade na utilização de provas. Não houve bis in idem. O recorrente foi autuado por não comprovar origem de recursos na CONTA CORRENTE, em relação à qual lhe foi imputada a titularidade de fato, ao passo que o Sr. Jacy Brandão Leite foi autuado por outra razão que não se refere aos depósitos na CONTA CORRENTE. Desta forma, aquela autuação não produz reflexos sobre a presente autuação. Rejeitamse as alegações fundadas na irretroatividade da Lei 10.174/2001. É aplicável a Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Da decadência, do dolo, da titularidade da CONTA CORRENTE Por se tratar de anocalendário 1998 e lançamento notificado em 2004, o respeito ao prazo decadencial depende de estarem presentes uma dentre as duas hipóteses que autorizam aplicar o inciso I do art. 173 do CTN: inexistência de antecipação de pagamento ou dolo. Como a Fiscalização imputou o dolo, a análise da obediência ou não ao prazo decadencial será realizada após a deliberação acerca do dolo. Já o dolo, neste caso, está estritamente relacionado à legitimidade passiva, pois consiste na imputada utilização da CONTA CORRENTE em nome de interposta pessoa. Desta maneira, a análise de mérito, consiste em: Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 a) legitimidade passiva decorrente da titularidade de fato da CONTA CORRENTE; b) comprovação da origem de parte dos recursos que nela transitavam como intermediação na comercialização de bovinos, nas quais o Sr. Jacy Brandão Leite teria atuado como intermediário, e cujos tributos correspondentes supostamente foram recolhidos, conforme alegase ter sido escriturado em Livro Caixa retido pela Fiscalização e em planilha apresentada em face de impugnação, que supostamente não teria sido levada em conta pela Fiscalização; e c) necessidade de comprovar sinais exteriores de riqueza ou renda consumida para autorizar lançamento com base em depósitos bancários. Da titularidade da CONTA CORRENTE e correspondente legitimidade ativa A utilização de contas em nome de interposta pessoa é espécie de conduta dolosa que, em regra, não é comprovada com uma única prova e sim com um conjunto indiciário, sendo certo que “indícios vários, convergentes e concordantes são prova” (RE nº68006, Relator Ministro Aliomar Baleeiro, julgado em 09/10/1969). A alegação de que a existência de procuração conferindo poderes ao recorrente para movimentar a conta corrente não serve de prova de que não houve ocultação dolosa. Como o recorrente usa em sua defesa a manifestação do Sr. Jacy Brandão Leite, que é seu tio, cabe registrar que a consciência de que há uma conta corrente aberta em seu nome e da movimentação por terceiros, por si só, não descaracteriza a interposição de pessoa. A declaração do Sr. Jacy Brandão Leite de que é o titular de direito e de fato da CONTA CORRENTE também não afasta a prova indiciária produzida pelo Fisco. Não é correta a alegação recursal de que os AuditoresFiscais ignoraram as afirmações e informações prestadas pelo Sr. Jacy Brandão Leite, posto que o resultado da análise feita pela Fiscalização constou do minucioso Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 225/2004 (fls. 1162/1187), com destaque para os itens 15 a 39, bem como o Termo de Verificação de Infração – José Augusto Simão (fls. 1805/1975, com destaque para fls. 1866 em diante que se reportam às considerações acerca da manifestação de Jacy Bandrão Leite em razão do Termo de Constatação 225/2004). Anotese que a Fiscalização concluiu que o recorrente era titular de fato, conjuntamente, com seu irmão, Edmilson Firme Simão Júnior, de forma que ambos foram autuados na proporção de 50% e que o CARF negou provimento ao recurso voluntário interposto no processo de Edmilson Firme Simão Júnior (Acórdão 330100136, de 03/06/2009, da 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento). A questão central é aferir se os indícios reunidos pela Fiscalização são fortes o suficiente para comprovar que o recorrente era titular de fato da CONTA CORRENTE. A resposta é afirmativa. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.387 15 Para adequada compreensão das conclusões da Fiscalização e em razão dos extensos Termos Fiscais, Respostas, Termos de Constatação, Termo de Verificação de Infração Fiscal e Recurso Voluntário, partindo do Sumário de fls. 1804 (que no processo digitalizado recebeu o nº 1870) analisouse, no Termo de Verificação Fiscal, a dialética havida entre Fisco e contribuintes, confrontandose as conclusões da autoridade fiscal (ratificadas pelo acórdão recorrido) e as alegações do contribuinte . Passase a apresentar uma síntese. Os indícios estão consignado no Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 1804/1975, do qual foram extraídos os excertos abaixo. 12) Em 28/09/2004 o Bradesco, enviou oficio, em anexo, respondendo a RMF no 07201002004002458 expedida em 25/08/2004, anexando as fichas de abertura de conta corrente e de assinaturas, referentes à aludida conta 574511, e dois instrumentos de procuração. Na primeira destas procurações o Sr. Jacy Brandão Leite outorga poderes ao Sr José Augusto Simão para, em seu nome, abrir e movimentar quaisquer contas bancárias, enquanto que, na segunda, outorga os mesmos poderes ao Sr. Edmilson Firme Simão Junior. E de acordo com as mencionadas fichas, a conta foi aberta pelo Sr. José Augusto Simão, e só podia ser movimentada por estes dois procuradores, ao passo que o próprio Sr. Jacy Brandão Leite não tinha poderes junto ao banco para movimentar a conta, em razão der não possuir ficha de assinaturas. (fls. 1964) – grifos acrescidos 5.5.1. O contribuinte EDMILSON FIRME SIMÃO JUNIOR movimentava a conta corrente 574511 em foco, assinando cheques e DOC's, conforme comprovam as cópias destes documentos bancários arroladas anteriormente neste trabalho; 5.5.2. O contribuinte EDMILSON FIRME SIMÃO JUNIOR movimentava a aludida conta porque tinha cartão de autógrafos junto à agência bancária (fl. 1203), em razão de poderes que lhe foram outorgados mediante instrumento de procuração (fls. 1207/8), por JACY BRANDÃO LEITE, que por seu turno, apesar de figurar como titular de direito cada conta, estava impedido de fazer saques por não possuir cartão de autógrafos, conforme informado pelo BRADESCO em oficio de 28/09/2004 (fl 1201), em resposta a RMF n° 0720100 2004 000245 8 (fl. 1201). 5.5.3. Ressaltase que no extrato de movimentação da conta 574511 em pauta possui um total de 994 lançamentos de "cheque", "cheque compensado" e "transferência fundos DOC". E tivemos a oportunidade de analisar, uma a uma, um total 920 cópias de cheques e DOCs desta conta, obtidas com autorização judicial do processo n° 2001.50.01.0072172, conforme já mencionado anteriormente, sendo que em 797 delas encontramos a assinatura de JOSÉ AUGUSTO SIMAO e em 148 encontramos a assinatura de EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR. Assim, não encontramos único cheque ou DOC ou outro documento bancário qualquer, sacando fundos desta Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 conta, que contivesse a assinatura de Jacy Brandão Leite, no meio desta amostra, representando 93% do total de documentos bancários deste tipo, até porque, conforme informado pelo banco acima, o Sr. Jacy Brandão Leite sequer tinha ficha de assinaturas junto à conta. 5.5.3. O contribuinte EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR esteve direta ou indiretamente envolvido em diversas operações de compra bovinos destinados a fazendas de sua propriedade, em condomínio com JOSÉ AUGUSTO SIMAO e demais irmãos, com o pagamento feito aos vendedores através de cheques ou DOC's da referida conta 574511, vários dos quais assinados pelo citado EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR, conforme demonstrado nos resultados das diligências de "circularização" mencionadas no ITEM 3, sendo que nas operações realizadas com os produtores rurais IZIDORO QUARESMA SALOMÃO e CASTOR COSTA SALOMÃO seu nome é citado na respectiva nota fiscal como sendo destinatário da mercadoria. (...) JOSÉ AUGUSTO SIMAO e EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR, conforme relatado no item 4.30, usaram a aludida conta para movimentar recursos da factoring A.C.S. FOMENTO MERCANTL LTDA, da qual eram os verdadeiros titulares, sob a interposta pessoa de MARCIO GERALDO MONICO. Outrossim, EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR, informado que se tinha constatado que o mesmo era efetivo titular da conta e intimado regularmente a comprovar a origens dos recursos creditados na mesma, em razão dos fatos acima expostos (fls. 1335/1402), sob diversas alegações se recusou a atender a intimação (fls. 1415/23). Dessa forma, efetuamos sobre o contribuinte JOSÉ AUGUSTO SIMAO o lançamento de oficio por omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei 9.430/96, abaixo transcrito, inclusive aplicando o § 6 ° , em razão de se tratar de conta conjunta em que o outro titular era o contribuinte EDMILSON FIRME SIMÃO JUNIOR: fls. 1967/1971 O uso da CONTA CORRENTE para movimentar recursos da A.C.S. FOMENTO MERCANTL LTDA foi mencionado item no 4.30 (fls. 1941/1943) , que a seguir é transcrito: 4.30.1. Tratase de uma empresa de Factoring, inscrita em dez/1995 no CNPJ sob o no 00.977.9801000187, e declarada inapta em fev/2003, com endereço informado no CNPJ à Rua Henrique Novaes 88, sala 806 — Edifício Chambord, Centro, Vitória/ES (f1s1641/5); 4.30.2. Conforme o respectivo contrato social e alterações (fls. 886/898), a empresa foi fundada em 21/12/1995 por MARCIO GERALDO MONICO CPF 884.868.44791e ROSEMERY CLAUDIA PAULO DA SILVA — CPF 002.943.867 50. Na alteração contratual de 03/04/1995 o Sr. JACY BRANDÃO LEITE foi admitido como sócio. Na alteração contratual de Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.388 17 15/09/1997 se retiraram os sócios JACY BRANDÃO LEITE e ROSEMERY CLAUDIA PAULO DA SILVA, e ingressou na sociedade o sócio JOSE CARLOS MARTINELLI FILHO CPF • 002.371.04709. Assim, no anocalendário 1998 fiscalizado, segundo as referidas alterações contratuais, compunham o quadro societário da A.C.S. FOMENTO MERCANTIL LTDA, os senhores MARCIO GERALDO MÔNICO e JOSÉ CARLOS MARTINELLI FILHO, com 97,5% e 2,5% do capital, respectivamente, de modo que JACY BRANDÃO LEITE não mais pertencia ao quadro social; 4.30.3. Esta factoring A.C.S, ressaltase, não por coincidência, segundo informado no Sistema CNPJ (fls. 1616145), situavase no mesmo endereço ou era vizinha de estabelecimentos empresa pertencentes aos senhores JOSÉ AUGUSTO SIMÃO e EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR, além dos irmãos destes e seus irmãos, a saber: • situavase no mesmo endereço da filial n° 5 da AGRO PASTORIL SAO PEDRO LTDA; • era vizinha da matriz da Fronteira Táxi Aéreo Ltda e das filiais n° 2 da AGRO PASTORIL SÃO PEDRO LTDA, FRINORSA FRIGORIFICO • NORTE CAPIXABA SA e AGRO PASTORIL QUATRO IRMÃOS LTDA, nas salas 808 a 810 e 1105 do mesmo prédio (Edifício Chambord); 4.30.4. Ademais, consta no cadastro CNPJ (fls. 1647/52), situada na Rua Henrique Novaes 88, sala 806, ou seja, no mesmo endereço da A.C.S. e filial n° 5 da Agro Pastoril Sao Pedro Ltda, a empresa CAPITAL — ASSESSORIA DE COBRANÇAS S/C Ltda, inscrita no CNPJ em 02/04/1997 sob o n° 01.816.487/000187 e declarada inapta em 22/02/2003, ressaltandose que seus respectivos sócios informados no CNPJ — JAILTON SOARES RIBEIRO CPF 017.317.05794, e REJANE VITOR LACERDA CPF 079.769.90748, receberam diversos cheques da citadas contacorrente 574511 em foco; 4.30.5. CARLOS EDUARDO MENEZES CARNEIRO gerente do BRADESCO responsável pela conta bancária 574511 disse em depoimento de 22/09/2004 (fls. 1196/1200) que a A.C.S. pertencia a JOSE AUGUSTO SIMAO, e que MARCIO GERALDO MONICO (titular que consta no CNPJ e no Contrato Social) era o gerente da firma, conforme o item 4.25; 4.30.6. ADMILSON BONINE, em depoimento de 04/12/2003 (fls. 402/6), ALCY TARCISIO DE ALMEIDA, em oficio de 20/11/2004 (fl. 401), e GIOVANNI NUNES SANTACHIARA, em oficio de 10/11/2004 (fl. 384), informaram que tomaram empréstimos ou que sofriam cobranças por parte da A.C.S. e que pagaram suas dividas para com esta empresa mediante cheques ou transferências de fundos que foram creditados na conta bancária 574511 em foco, conforme descrito nos itens 3.31, 3.32 e 3.33, respectivamente; Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 4.30.7. Foram utilizados cheques da aludida conta bancária, assinados por JOSÉ AUGUSTO SIMAO ou EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR, para pagar funcionários da A.C.S. no período fiscalizado, como no caso de FABIANA BRANDÃO SANT'ANA (fls. 1223/6) e ARNALDO SAULO DAS NEVES (fls. 1227/34), e este último, inclusive, hoje em dia trabalha na AGRO PASTORIL SAO PEDRO LTDA, sociedade de JOSÉ AUGUSTO SIMAO e EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR. Provavelmente este seria também o caso de LUIZ CARLOS DALFIOR que evitou nos prestar depoimento, certamente em razão de também trabalhar nesta mencionada empresa, Estas casos estão relatados nos itens 4.26, 4.28 e 4.29; 4.30.8. EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR trabalhava na A.C.S. e também era dono da mesma, segundo depoimento de 04/10/2004 de FABIANA BRANDÃO SANT'ANA, exfuncionária desta firma, que trabalhava diretamente subordinada ao mesmo, a qual também disse que MARCIO GERALDO MONICO era o gerente da firma, e não o dono da mesma, conforme o item 4.26.1; 4.30.9. A principal atividade da A.C.S. era trocar cheques de comerciantes ou outras pessoas quaisquer, cobrando um ágio ou comissão pelo serviço, conforme descrito no item 4 do depoimento da citada FABIANA BRANDÃO SANT'ANA; 4.30.10. Como prova desta atividade de troca de cheques, juntamos cópias das guias de depósito discriminadas no quadro abaixo, acompanhadas de cheques de terceiros que foram através das mesmas depositados na conta 574511 (fls. 1715/71), alguns deles apresentando características típicas de cheque usado para pagamento de mercadorias no comércio a varejo, observandose no caso dos depósitos de R$ 2.007,78 (fls. 1732/4) e R$ 2,282,00 (fls. 1738/40), que os cheques estão com a anotação Acs no verso. (relação de cheques...) 4.30.11. A conta 574511 em questão teve 445 (quatrocentos e quarenta e cinco) cheques devolvidos, conforme se verifica na Planilha "CHEQUES DEVOLVIDOS" anexa, que faz parte integrante deste relatório, fato comum no caso de conta bancária de uma factoring e incomum para uma conta bancária do tipo alegado pelos senhores JOSÉ AUGUSTO SIMAO e JACY BRANDÃO LEITE; 4.30.12. Ressaltase novamente que todos os cheques e DOC's sacando fundos da conta 574511 em foco eram assinados pelos contribuintes JOSÉ AUGUSTO SIMAO ou EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR; 4.30.13. Constatase, assim, que a A.C.S. FOMENTO MERCANTIL LTDA usava a mencionada conta 574511 para realizar suas operações, e os donos de fato da A.C.S. FOMENTO MERCANTIL LTDA. eram os senhores JOSÉ AUGUSTO SIMAO e EDMILSON FIRME SIMAO JUNIOR, sendo MARCIO GERALDO MONICO apenas uma pessoa que estes dois senhores interpuseram ("LARANJA") entre si e a A.C.S. para não cumprir suas obrigações tributárias. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.389 19 Apesar das explicações que o contribuinte desenvolveu desde a fase de fiscalização (retratadas no Termo de Verificação Fiscal a partir do item 4.22.1; fls 1.906) não há como afastar as inúmeras evidências da interposição de pessoa comprovadas pelas autoridades fiscais, dentre as quais, a título de exemplo citamse: a) o Sr. Jacy Brandão Leite não tinha acesso à movimentação da CONTA CORRENTE; b) com recursos da CONTA CORRENTE o recorrente adquiriu bens incorporados ao seu patrimônio (ex.: cotas de consórcios), realizou gastos seus dependentes e parentes próximo, pagou transações em favor de empresas em que é sócio juntamente com seu irmão Edmilson Firme Simão Júnior (ex: cotas de condomínios de diversas salas e vagas de garagem) e comprou animais bovinos vivos destinados a fazendas que possuía em condomínio com seus irmãos; c) em diversas operações operadas com uso da CONTA CORRENTE os terceiros diligenciados informaram não conhecer o Sr. Jacy Brandão Leite; d) a CONTA CORRENTE foi abastecida com recursos provenientes de vendas feitas pelo Sr. José Augusto Simão ao supermercado Carone e Cia Ltda e à Couropel Sociedade Comercial de Couros Ltda, respectivamente, de carne e de couro proveniente de bois saídos de fazendas que o mesmo possuía em condomínio com seus irmãos ou de fazendas de terceiros; e) com cheque da CONTA CORRENTE houve pagamento pela aquisição de carne destinada ao Supermercado Carone, que em contrapartida fez pagamentos em cheques que foram depositados em conta mantida em nome do recorrente e seu irmão Edmilson Firme Simão Júnior; f) o recorrente e Edmilson Firme Simão Junior utilizaram a CONTA CORRENTE para movimentar recursos da Factoring A.C.S. Fomento Mercantil Ltda., na qual eram os verdadeiros titulares, sob a interposta pessoa de Marcio Geraldo Mônico; g) diversamente do que alegou o recorrente acerca da dificuldade de seu tio Jacy Brandão Leite atuar na zona urbana e gerenciar conta em banco, na tentativa de justificar porque tinha total controle da CONTA CORRENTE, ficou demonstrado que o Sr. Jacy Brandão Leite movimentava outras contas e apresentou à Fiscalização controle de atividade econômica e financeira; h) o Sr. Jacy Brandão Leite não obteve êxito em comprovar a origem de qualquer dos depósitos na CONTA CORRENTE. No Termo de Verificação de Infração Fiscal são registradas as inúmeras diligências que permitiram às autoridades fiscais acertadamente firmar convicção acerca da titularidade de fato da CONTA CORRENTE, bem como foi consignado no item 4 a exaustiva dialética entre o Fisco e o Sr. José Augusto Simão (recorrente) em relação às alegações que visavam a demonstrar que o recorrente não era o titular de fato da conta corrente. Rejeitase a alegação de ilegitimidade passiva. Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 Quanto à presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, não são aplicáveis os precedentes apontados pelo recorrente, notadamente a Súmula TFR 182 que se reportava à legislação anterior. O lançamento amparado no referido dispositivo de lei não exige a comprovação do consumo ou de sinais exteriores de riqueza. Aplicável a Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Também por decorrência da Súmula CARF nº 2 e da vedação ao órgão Administrativo de afastar aplicação de lei, não cabe ao CARF adentrar no exame de compatibilidade entre o referido artigo de lei e a Constituição e o CTN, o que é uma das linhas de defesa do recorrente. Uma vez intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada, conforme assentado na jurisprudência desse conselho e disposto no §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Vejamos: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1998 (...)IRPF LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. A alegação de que as origens dos depósitos foram cheques omitidos por uma empresa deve ser comprovada com a demonstração de que os depósitos se referem aos referidos cheques, não bastando para tanto a mera existência de proximidade de datas entre as emissões dos cheques e os depósitos. Embargos acolhidos.Recurso parcialmente provido.(acórdão nº 10423276, de 2562008, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 (...) Ementa: IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. O contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que esses são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.390 21 DEPÓSITOS BANCÁRIOS – IMPOSSIBILIDADE DE O DEPÓSITO DE UM MÊS SERVIR COMO COMPROVAÇÃO PARA O DEPÓSITO DO MÊS SEGUINTE Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. Permitir que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte.(...)Recurso voluntário parcialmente provido.(acórdão nº 10616977, de 2662008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: (...)IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.(...)OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL CONSTRUÍDA PELO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 IMPOSSIBILIDADE DA DESCONSTRUÇÃO DA PRESUNÇÃO A PARTIR DA VARIAÇÃO DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COTITULARIDADE NO ANO AUTUADO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE CADA DEPÓSITO, INDIVIDUALIZADAMENTE Não se deve confundir a tributação prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 com a referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, na forma do art. 3º, § 1º (parte final), da Lei nº 7.713/88. Nesta, utilizamse os saldos das contas correntes e de aplicações financeiras, como origem e aplicação de recursos, apontandose, se for o caso, o acréscimo patrimonial a descoberto. No tocante à presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, devese comprovar a origem dos depósitos bancários individualizadamente, não sendo possível efetuar a comprovação a partir da variação dos saldos de aplicações financeiras. Sendo comprovada a origem do depósito, este deve ser excluído da base de cálculo da omissão dos rendimentos. Ausente a comprovação de cotitularidade na conta de depósito, afastase as conseqüências dessa realidade. Recurso voluntário provido parcialmente.(acórdão nº 106 17092, de 8102008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Giovanni Christian Nunes Campos) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 1999 Ementa: (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita documentalmente e de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. Recurso negado (Acórdão 2802002.004, 2ª Turma Especial, de 20/11/2012.Relator Conselheiro Jorge Cláudio Duarte Cardoso) Os depósitos de origem não comprovada constam às fls. 1976 e ss. Ao negar a titularidade de fato da CONTA CORRENTE, o recorrente não apresenta defesa em relação à exigida comprovação individualizada da origem dos depósitos efetuados na CONTA CORRENTE, limitouse a afirmar que parte dos recursos são do Sr. Jacy Brandão Leite e que se referem a intermediação na comercialização de gado e que os tributos correspondentes teriam sido pagos. Não obstante a menção à escrituração em Livro Caixa não houve sequer um depósito que tenha sido vinculado objetivamente, o que implica em inexistir comprovação individualizada. Ressaltese que essa exigência já fora feita tanto pela Fiscalização quanto pelo acórdão recorrido, deste último colhese o excerto abaixo: Ressaltese que o art. 42 exige a comprovação da origem com documentação hábil e idônea, sendo o seu § 3° bem elucidativo quando determina que os depósitos serão analisados individualizadamente. Assim, cabe exclusivamente ao contribuinte demonstrar a exata correlação entre cada valor depositado em sua conta bancária e a correspondente origem do recurso. Dizer, de forma genérica, que determinados recursos são oriundos de operações de intermediação não basta, pois falta o tratamento individualizado previsto na lei. (fls. 1211) A multa de ofício aplicada decorre de previsão legal, como não cabe ao CARF apreciar inconstitucionalidade de lei, portanto rejeitase o apelo que se ampara na alegação de confisco. Como decorrência da comprovação de utilização da CONTA CORRENTE em nome de interposta pessoa, aplicase a Súmula CARF nº 34 e se reconhece a legitimidade da qualificação da multa de ofício. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.004505/200464 Acórdão n.º 2802002.855 S2TE02 Fl. 2.391 23 Súmula CARF nº 34 : Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Desta forma, correta a aplicação do art. 173, I do CTN para aferir a contagem do prazo decadencial. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000323/2010-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2008
ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. AUSÊNCIA. PREVISÃO LEGAL À ÉPOCA DO FATO GERADOR. PRESSUPOSTO FÁTICO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO. AUSÊNCIA DE CAUSA PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO.
O ato cancelatório de isenção esteve previsto durante a vigência do art. 55 da Lei 8.212/91 e deve ser expedido sempre para os fatos geradores que abarquem o período de sua vigência. A ausência de expedição do ato enseja a nulidade do auto de infração por inexistir motivos para sua lavratura, ante a falta de pressuposto fático de sua existência.
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-002.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento para anular o lançamento por vício material na obrigação principal.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2008 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. AUSÊNCIA. PREVISÃO LEGAL À ÉPOCA DO FATO GERADOR. PRESSUPOSTO FÁTICO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO. AUSÊNCIA DE CAUSA PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O ato cancelatório de isenção esteve previsto durante a vigência do art. 55 da Lei 8.212/91 e deve ser expedido sempre para os fatos geradores que abarquem o período de sua vigência. A ausência de expedição do ato enseja a nulidade do auto de infração por inexistir motivos para sua lavratura, ante a falta de pressuposto fático de sua existência. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11634.000323/2010-43
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5362097
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2403-002.473
nome_arquivo_s : Decisao_11634000323201043.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 11634000323201043_5362097.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento para anular o lançamento por vício material na obrigação principal. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Marcelo Magalhães Peixoto - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5533654
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811815444480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2054; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11634.000323/201043 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.473 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ADEFILASSOCIACAO DOS DEFICIENTES FISICOS DE LONDRINA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2008 ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. AUSÊNCIA. PREVISÃO LEGAL À ÉPOCA DO FATO GERADOR. PRESSUPOSTO FÁTICO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO. AUSÊNCIA DE CAUSA PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O ato cancelatório de isenção esteve previsto durante a vigência do art. 55 da Lei 8.212/91 e deve ser expedido sempre para os fatos geradores que abarquem o período de sua vigência. A ausência de expedição do ato enseja a nulidade do auto de infração por inexistir motivos para sua lavratura, ante a falta de pressuposto fático de sua existência. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 03 23 /2 01 0- 43 Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento para anular o lançamento por vício material na obrigação principal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA, DEBCAD nº 37.272.8642, lavrado em 06/04/2010 (fl. 3 da numeração digital), cuja notificação ocorreu em 15/04/2010 (fl. 60 da numeração digital), em face da ASSOCIAÇÃO DOS DEFICIENTES FÍSICOS DE LONDRINA – ADEFIL, no valor de R$ 2.821,58 (dois mil, oitocentos e vinte e um reais e cinquenta e oito centavos), por ter a empresa, supostamente, apresentado GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias. Foi aplicada a multa por competência no valor de R$ 70,54 (setenta reais e cinqüenta e quatro centavos), calculada a multa por cada campo informado incorretamente em cada competência, correspondendo a multa a 5% do valor mínimo previsto no art. 283 do RPS, equivalente, à época, a R$ 1.410,79, conforme art. 284, inc. III do RPS e art. 32, parágrafo 6º da Lei 8.212/91 vigentes à época. O valor foi calculado de acordo com a Portaria PT/MPS/MF n. 350, de 30/12/2009. Segundo o Relatório Fiscal da Infração de fl. 07, in verbis: “a) GFIP's das competências 11/05 a 11/2008 o campo ‘Código outras entidades’ não foi informado; b) GFIP's das competências 11/05 a 11/2008 o campo ‘Código Pagamento GPS’ foi informado incorretamente. A informação foi ‘2305 Entidades Filantrópicas com Isenção Total ou Parcial CNPJ’, quando deveria ser ‘2100 Empresas em geral – CNPJ’. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 66/94. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaPR, por meio da 5a Turma da DRJ/CTA, prolatou o Acórdão n° 0633.355 de fls. 178/193, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, in verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 AIOA 37.272.8642 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. IMUNIDADE. AÇÃO JUDICIAL. CEAS COM PRAZO DE VALIDADE EXTINTO. FALTA DE RENOVAÇÃO Fl. 224DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Extinto o prazo de validade do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, no qual se baseou a sentença judicial que garantia a imunidade tributária ao sujeito passivo, cessaram os efeitos dessa sentença. A falta de renovação do CEAS acarreta a perda da imunidade, sujeitando o contribuinte ao recolhimento das contribuições previdenciárias patronais a partir do transcurso da data de validade desse certificado. MEDIDA PROVISÓRIA 446/2008. A rejeição da Medida Provisória 446, de 2008, pelo Congresso Nacional afasta a sua aplicação aos casos pendentes de julgamento no Conselho Nacional de Assistência Social, sujeitandose a entidade, para o gozo da imunidade, ao cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55, da lei 8.212, de 1991, até a edição da Lei 12.101, de 2009. ENTIDADE NÃO ISENTA. PREENCHIMENTO DE GFIP COM INFORMAÇÕES PERTINENTES A ENTIDADE ISENTA. INFRAÇÃO. Por não deter, o sujeito passivo, a condição de entidade beneficente de assistência social, imune/isenta das contribuições previdenciárias, incide ele em infração à legislação de custeio da previdência social, ao apresentar a GFIP com os campos correspondentes aos dados não relacionados com essas contribuições preenchidos com informações pertinentes à condição de entidade imune/isenta. MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, cuja emissão é feita de forma exclusivamente eletrônica, ficando disponível na internet para consulta pelo sujeito passivo. Não é nulo o procedimento fiscal amparado por MPF válido, cuja ciência foi dada ao sujeito passivo por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal. PROVA DA CIENTIFICAÇÃO DOS ATOS DO PROCESSO Estando juntado o processo ‘principal’, ao qual se encontra apensado o processo objeto da impugnação em exame, os Avisos de Recebimento comprovantes da cientificação ao sujeito passivo dos atos e termos do processo, não há que se cogitar de nulidade desse processo. MULTA POR ENTREGA DE GFIP COM ERRO NOS DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE NULIDADE A entrega de GFIP com erro nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias enseja a penalização do infrator com a multa prevista no parágrafo 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991. Não é nulo o auto de infração cuja multa foi aplicada de acordo com os parâmetros estabelecidos nessa disposição legal. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 4 5 REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Não compete ao julgador administrativo de primeira instância reconhecer ou declarar a legalidade ou ilegalidade nem a improcedência da Representação Fiscal para Fins Penais instaurada em face do sujeito passivo. RETRATAÇÃO FISCAL Não compete à autoridade julgadora nem As Turmas de Julgamento impor à Auditora Fiscal autuante qualquer retratação em decorrência de informações prestadas no curso do procedimento fiscal ou no auto de infração resultante desse procedimento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. OPORTUNIDADE. Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. Precluso o direito, devese indeferir o pedido genérico de apresentação de provas. PROVA TESTEMUNHAL Prescinde da apresentação de prova testemunhal quando o deslinde da questão, em processo administrativo fiscal, depender exclusivamente da prova documental. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 180/194, com os seguintes argumentos, em suma: I. Pelo Mérito – Inconsistência e Ilegalidade da Apreciação e Decisão no Acórdão Recorrido Segundo a Recorrente, o relatório da DRJ foi omisso e evasivo, descontextualizando a sua impugnação. O relatório busca dar uma nova interpretação à sentença de mérito proferida no Mandado de Segurança que reconheceu a imunidade a partir de novembro de 2002, supondo que caberia à AFTN e também à DRJ o “julgamento” do direito da Recorrente à imunidade, mesmo ela tendo sido declarada pelo Sr. Delegado da RFB em Londrina (fl. 81). I.I. Quanto à suposta ausência de comprovação do direito da Recorrente à Imunidade Para a Recorrente, o Relator elaborou uma tese equivocada para averiguar a inexistência do direito da Recorrente à imunidade. Com isso, desviouse do objeto do MPF que, em nenhum momento, teve como objeto a análise da existência ou não do direito à imunidade da Recorrente. Com isso, o Sr. Relator feriu a garantia constitucional do devido processo legal. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Segundo a Recorrente, a análise do seu direito à imunidade só poderia ter sido realizada em procedimento fiscal próprio, o que não foi o caso. No AI atacado, a AFRFB ignorou o Ato Declaratório do seu superior hierárquico que reconheceu a imunidade da Recorrente. I.II. MPF – Nulidade pela ausência de juntada Sustenta a Recorrente que o entendimento do Sr. Relator, no sentido de que a juntada do MPF é dispensável, é equivocado e corporativista, pois tem a clara intenção de acobertar o erro grosseiro da Sra. AFRFB. A Recorrente alega que o MPF passou a ser indispensável por força da disposição contida no art. 2º do Decreto nº 3.724/01, que regulamentou a LC nº 105, com as alterações do Decreto nº 6.104/07. Tanto que a Portaria RFB nº 11.371/07, invocada pelo Sr, Relator na sua fundamentação, atribui a validade do MPF ao válido e vigente Procedimento Fiscal, acarretando a sua extinção se não for requerida a prorrogação do MPF, nos termos dos arts. 11 a 15 da referida norma. O MPF é o ato que autoriza e dimensiona a instauração do processo administrativo fiscal. Sem ele o processo fiscal é nulo, por ausência de legalidade, nos termos da LC nº 105, combinada com os Decretos nºs 70.235/72 e 3.724/01. Sendo o § 1º do art. 2º do Decreto nº 3.24/01 que atribuiu ao MPF o ato que demarca o termo inicial do procedimento fiscal que trata o art. 7º do Decreto nº 70,235/72. Daí a obrigatoriedade da sua juntada aos autos como requisito de validade do processo fiscal, nos termos do art. 8º do Decreto nº 70.235/72. Não há no âmbito do direito brasileiro a possibilidade de haver dois processos distintos e paralelos sobre os mesmos fatos, ainda mais sendo um virtual e outro físico, como equivocadamente afirma o Sr. Relator. Essa impossibilidade emana dos princípios da segurança jurídica e do devido processo legal. I.III. Quanto à inexistência de termo de continuidade da ação fiscal Segundo a Recorrente, o Sr. Relator continuou com a mesma linha de proteção corporativa em relação às irregularidades e defeitos praticados pela Sra. AFRFB, vez que considerou irrelevante a inexistência do termo de continuidade de ação fiscal. Para a Recorrente esse entendimento é equivocado e deve ser reformado. Tendo em vista que a Sra. AFRFB não formalizou corretamente os ilegais AI que lavrou, posto que não laborou com atenta observância as elementares regras do devido processo legal, pois, ainda que contenham conexão com outros processos, deve conter todos os elementos e documentos que lhe assegurem plena validade e proporcionem o correto e amplo exercício do direito de defesa do Sujeito Passivo. A Recorrente conclui que se trata de má formação do processo, ensejando o reconhecimento e declaração de sua total nulidade em homenagem ao devido processo legal. I.IV. Quanto à inexistência do CAGED e da prova dos fatos geradores A Recorrente se insurge em face de outro vício insanável, qual seja, a ausência de documento suficiente para embasar o lançamento, vez que juntado apenas em outro AI. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 5 7 Em relação às fundamentações, razões e pedidos vertidos na impugnação, requer o reconhecimento e declaração da nulidade do AI por inexistência de demonstração da materialidade dos fatos geradores do crédito tributário injustamente lançado, para assim, reformar o acórdão recorrido e reconhecer e declarar a total nulidade e insubsistência do AI. I.V. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais e Inconsistência (falsidade) da narrativa fática A Recorrente se insurge em face da não apreciação do mérito da representação para fins penais, sob o argumento de que o Sr. Relator “abordou o tema de maneira totalmente equivocada e corporativa.” Segundo a Recorrente, não se verifica no contexto do procedimento fiscal, decorrente do MPF nº 09.1.02.002009017144, de 02/12/2009, a configuração de quaisquer das figuras dos arts. 168A ou 337A do Código Penal, muito menos a obrigatoriedade da Recorrente de apurar e recolher os tributos ali fiscalizados. Logo, se a Sra. AFRFB pratica ato que não contém os pressupostos legais, cabe à autoridade superior administrativa analisar, julgar a anular o ato ilegal. A Recorrente sustenta que o Sr. Relator se equivocou ao negar validade ao Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina para dizer que o sistema CONFILAM é soberano e infalível, com poder para desconstituir qualquer ato específico praticado por um delegado da RFB. Para a Recorrente, da mesma forma que a DRJ se julgou incompetente para analisar eventuais falsidades praticadas por Autoridades Fiscais, julgouse competente para desenvolver atividade típica judicial, quando decretou que a sentença de mérito obtida do Mandado de Segurança e o Ato Declaratório expedido pelo Sr. Delegado da RFB de Londrina, perderam as validades em 18/10/2005. Por esses motivos, entende que o AI deve ser anulado. I.IV. Quanto à multa Sustenta a Recorrente que, neste tópico, o Sr. Relator condensou seu julgamento dos tópicos III.V e III.VI da impugnação. A Recorrente se insurge em face do argumento utilizado pelo Sr. Relator no sentido de que ela teria demonstrado reconhecer os motivos discriminados no Discriminativo de Débito. Segundo a Recorrente, essa atitude do Sr. Relator é corporativa e visa “justificar” a incauta e desastrosa autuação da Sra. AFRFB e, sem qualquer justo motivo, negar provimento à impugnação da Recorrente. Por esse motivo, pleiteia a nulidade do AI. I.VII. Quanto ao tópico “Pedido genérico de juntada de Provas” Sustenta a Recorrente que o Sr. Relator faz extenso arrazoado para negar o pedido formulado ad cauletam de produção de provas formulado com base no seu direito à Fl. 228DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 ampla defesa e contraditório, inclusive consoante previsão específica dos §§ 4º, 5º, e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Para a Recorrente, a argumentação do Sr. Relator dá a entender que os diversos documentos apresentados com a impugnação não são passíveis de serem acatados e juntados aos autos. A Recorrente questiona: se a DRFB, no Ato Declaratório Executivo nº 19 reconhece a imunidade, como poderia a DRJ/CTA desconhecer e não acatálo? Sustenta a Recorrente que não houve qualquer ato decretando ou comunicando a perda da isenção ou imunidade. Por esse motivo, deve o AI ser anulado. I.VIII. Quanto ao Excesso de Lançamento – Enquadramento do FPAS Segundo a Recorrente, o acórdão recorrido reconheceu o excesso de lançamento no AI, justificando que a Sra. AFRB aplicou incorretamente alíquotas do FPAS em desfavor da Recorrente. Por conta disso, determinou o refazimento do cálculo do tributo lançado para excluir a alíquota referente à SESCOOP, majorando o cálculo em mais 2,5%. Para a Recorrente essa análise do Sr. Relator foi equivocada, assim como vem a corroborar as afirmações de que a Sra. AFRFB laborou em completa desatenção à Lei e aos elementares princípios legais quando empreendeu a ilegal fiscalização. Por tais motivos, requer a nulidade do AI. DA BAIXA EM DILIGÊNCIA – DA RESOLUÇÃO Diante das informações trazidas pela Recorrente, foi proferida a Resolução nº. 2403000.118, fls. 212/221, na qual converteu o julgamento em diligência para determinar à Receita Federal que informasse eventual processo administrativo de cancelamento do gozo dos benefícios da imunidade, e caso positivo, instruísse os presentes autos com cópia integral do dito processo. DA INFORMAÇÃO FISCAL Ato contínuo, foi anexado aos autos do processo principal nº. 11634.000321/201054, informação fiscal consignando a inexistência de processo próprio de cancelamento, afirmando, inclusive, a ausência de qualquer procedimento tendente ao ato cancelatório no bojo dos autos do processo nº. 10930.005924/200811 (processo administrativo que reconheceu, através de Ato Declaratório Executivo, a isenção da empresa para o período de 10/2002 a 10/2005), entretanto esclarecendo que à época da autuação já não mais havia previsão para expedição de Ato Cancelatório de Isenção, previsto no art. 55, § 4º, da Lei nº. 8.212/91, porém revogada pela Lei nº. 12.101/09, mas que não macula a validade dos certificados que a Recorrente detém. É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 196 e 197, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A Recorrente pleiteia a nulidade do Auto de Infração em tela, ante a falta do Mandado de Procedimento Fiscal. Ocorre que a ausência do MPF no Auto de Infração não é causa de nulidade, até porque o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, constante na fl. 28, traz o Número do MPF e o Código de Acesso para se constatar a autenticidade do mesmo, por meio do sítio da RFB. Ademais, o lançamento deve atender as exigências contidas no art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Tendo, portanto, o lançamento atendido aos requisitos constantes no supracitado artigo, não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, vez que o MPF não é elemento essencial do lançamento. DA FALTA DO CAGED A Recorrente pleiteia a nulidade do AI em face da suposta inexistência do CAGED nos autos do processo em tela. Ocorre que este processo está apensado ao Processo Principal de nº 11634.000321/201054, conforme consta no Termo de Apensação (2), constante na fl. 194. Analisando o Processo Principal, verifico a presença do CAGED na fl. 92, assim como, nas fls. 93/94 estão os quadros comparativos entre a quantidade de empregados existentes na empresa, informado no CAGED e a quantidade de empregados informado pela empresa nas suas GFIP. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Logo, restou demonstrada a materialidade dos fatos geradores. Razão pela qual, não há como prevalecer o pleito da Recorrente. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Insurge a Recorrente em face da não apreciação do mérito por parte da DRJ da Representação Fiscal para Fins Penais. Ocorre que a DRJ agiu de forma correta, vez que a Súmula nº 28 do CARF dispõe nesse sentido, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nesse diapasão, não compete ao CARF se manifestar sobre esse tema, vez que, as Súmulas do CARF têm efeito vinculante, nos termos do art. 72, § 4º do RICARF, in verbis: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) § 4° As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. DAS PROVAS Sustenta a Recorrente que da leitura do acórdão, chegase à conclusão de que a DRJ desprezou a documentação juntada em sede de impugnação. Ocorre que não assiste razão à Recorrente, pois, da leitura do acórdão da DRJ, chegase à conclusão de que ela analisou a documentação, contudo, não verificou a presença do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEAS válido. No que se refere ao argumento de que não houve nenhum ato cancelando a imunidade, o mesmo será devidamente apreciado no mérito. DO EXCESSO NO LANÇAMENTO A Recorrente sustenta que o reconhecimento, por parte da DRJ, no excesso do lançamento e a exclusão da alíquota de 2,5%, destinada ao SESCOOP é causa de nulidade do Auto de Infração pois “o equívoco apontado vem confirmar e corroborar as afirmações da Recorrente de que a Sra. AFRFB laborou em completa desatenção à Lei e aos mais elementares princípios legais quando empreendeu a ilegal fiscalização.” Como se vê, não há como prosperar a alegação da Recorrente, vez que o reconhecimento no excesso do lançamento por parte da DRJ ocorreu em conformidade com o disposto no art. 145, I do CTN, in verbis: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; Ou seja, o fato da Fiscalização ter incluído uma contribuição indevida no lançamento, não tem o condão de macular todo o Auto de Infração. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 7 11 DO MÉRITO DO VÍCIO MATERIAL – DA FALTA DE ATO CANCELATÓRIO Em razão da estrita relação da presente autuação com o processo de obrigação principal, nº 11634.000320/201018, temse que as disposições ali contidas devem ser também aplicadas ao processo em epígrafe. Isso porque uma vez exonerado o crédito tributário da obrigação principal não há razões para persistir a exigência da obrigação acessória, eis que esta, no caso em tela, é oriunda das faltas verificadas naquela. Portanto, cabe fazer as seguintes considerações. A Recorrente sustenta que a autuação é indevida tendo em vista que é imune ao pagamento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 195, parágrafo 7o da CF, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (sem destaques no original) Da leitura do artigo, verificase que as “entidades beneficentes de assistência social” precisam atender às exigências estabelecidas em lei para serem imunes à contribuição previdenciária. Nesse diapasão, assim disciplinava a norma infralegal (art. 55 da Lei n. 8.212/91), vigente à época do fato gerador (11/2005 a 10/2009), in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) Fl. 232DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 20285) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (sem destaques no original) Percebese também que o INSS poderá “cancelar a isenção”, se verificado o descumprimento do disposto no artigo acima, o qual se realizava, à época dos fatos geradores, mediante procedimento administrativo próprio, o qual não foi realizado. O fiscal em atendimento à diligência solicitada por esta câmara no processo principal 11634.000321/201054, informou que à época da realização da auditoria fiscal, que gerou o processo em questão, auto lavrado em 06/04/2010, já não mais havia previsão para expedição de Ato Cancelatório de Isenção o qual era previsto no Art. 55, parágrafo 4º da Lei 8.212/91 e, a partir da sua revogação pela Lei 12.101/2009, no seu entendimento não seria mais necessário, inclusive, conforme ratificado na Instrução Normativa RFB n. 971/2009, in verbis: Art. 233. A partir de 30 de novembro de 2009, deixam de ser emitidos ato declaratório e ato cancelatório de isenção. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010 ) § 1º Os pedidos de reconhecimento de isenção pendentes de apreciação no âmbito da RFB serão encaminhados à unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos de isenção vigentes na data do fato gerador. § 2º Verificado o direito à isenção anterior a 30 de novembro de 2009, certificarseá o direito à restituição do valor recolhido desde o protocolo do pedido de isenção até 29 de novembro de 2009. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 8 13 O fato gerador compreendeu as competências de 01/11/2005 a 30/11/2008 e a Recorrente possuía certificado expresso desde o período de 18/10/2002, portanto, deveria ter sido realizado “ato cancelatório de isenção” para que só assim, fosse formalizado qualquer auto de infração em face da associação, em razão do período do fato gerador compreender aquele vigente quando da redação do art. 55 da Lei 8.212/91. Dessa forma, não tendo havido processo específico para discussão da imunidade, à época dos fatos geradores, entendo que o lançamento foi realizado sem estar presente o seu pressuposto fático, qual seja, a ausência do gozo da imunidade, uma vez que não fora realizado ato administrativo próprio previsto legalmente para o caso, eivando de vício um dos elementos do ato, o motivo (chamado por causa por parte da doutrina administrativista). Nos termos da Lei de Ação Popular, o vício relativo ao motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, para tanto, vejase a sua redação: Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: (...) d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido Portanto, atestado que o pressuposto do fato jurídico tributário no caso concreto não existiu ou que existiu de forma diversa daquela indicada no veículo introdutor da norma individual e concreta, estarseá diante de vício no motivo e, consequentemente, de legalidade. A Instrução Normativa deve ser interpretada de forma a determinar que a partir dos fatos geradores posteriores à revogação do art. 55 da Lei 8.212/91 é que não serão mais expedidos atos cancelatórios de isenção e seu respectivo processo próprio. Por fim, com relação à extensão da declaração de nulidade, destaquese que o vício em questão é material, por atingir um dos pressupostos do art. 142 do Código Tributário Nacional, in casu, a determinação da matéria tributável. Nesse sentido, esta Segunda Seção já julgou desta forma no Recurso Voluntário n. 151.240, nos autos do Processo n. 36474.007407/200632, em 21 de setembro de 2010, que resultou no Acórdão n. 240201.175, advindo da 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Da mesma forma foi o julgamento do Acórdão n. 10808.174 de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. Também, há de se destacar o julgamento no Recurso 129.310, Processo 10247.000082/0091 em 09 de julho de 2002, Acórdão n. 10706.695, ementado da seguinte forma: (...) RECURSO EX OFFICIO NULIDADE DO LANÇAMENTO VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido a indentificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, são elementos fundamentais intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem o são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por função e o número de matrícula, a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) No decorrer do voto condutor do acórdão, o relator, Dr. Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz , afirma: Mal comparando, poderíamos dizer que o vício substancial está para a constituição do crédito tributário assim como o cálculo estrutural está para a edificação, no ramo da construção civil, enquanto que a forma seria, para o lançamento de ofício, o equivalente ao acabamento, à "fachada", na edificação civil. Deduzse daí que o vício substancial pressupõe a ocorrência de defeito na estrutura que é o sustentáculo de toda edificação, seja na construção civil ou na constituição do crédito tributário, possuindo sua ocorrência, assim, efeito demolidor, que joga por terra a obra erigida com esse insanável vício. Em outro passo, o defeito de forma, de acabamento ou na "fachada", não possui os tais efeitos devastadores causados pelo vício de estrutura, sendo contomáveis, sem que dano de morte cause à edificação. Fazemse os acertos ou até mesmo as modificações Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11634.000323/201043 Acórdão n.º 2403002.473 S2C4T3 Fl. 9 15 pertinentes, porém, sem reflexo algum sobre as bases em que a obra tenha sido erigida ou à sua própria condição de algo que existe, apesar dos defeitos. e, a meu ver, são esses "defeitos menores"que o legislador quis contemplar quando admite que tais vícios, apenas eles, podem e devem ser sanados e que somente a partir da decisão que declarar a nulidade desse ato é que passaria a fluir o prazo de decadência para o sujeito ativo da obrigação tributária, exercer o direito a novo lançamento de ofício. No mesmo norte, é o julgamento do Acórdão n. 19200 015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura da auto, ou seja, da maneira de sua realização. Vêse, pois, que à época dos fatos geradores ainda se fazia necessária a formalização de ato cancelatório de isenção em processo próprio, o que não ocorreu no caso em tela, razão pela qual tal falta eivou de nulidade o processo principal. Portanto, uma vez anulado o lançamento contido no processo nº 11634.000320/201018 por vício material, e considerando que a presente autuação está intimamente vinculado ao seu resultado, temse que a presente autuação não merece prosperar, razão pela qual deve ser anulado o lançamento em epígrafe por vício material verificado na constituição do crédito tributário referente à obrigação principal. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento do recurso para anular o lançamento por vício material na obrigação principal. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720696/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DESPESAS. GLOSA.
Devem ser glosadas as despesas reconhecidas na contabilidade quando não estão acompanhadas de documentos comprobatórios.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
São dedutíveis os tributos e contribuições, segundo o regime de competência, não provado que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN.
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. DESCUMPRIMENTO.
Verificado que o lançamento a destempo da perda no recebimento de crédito, em exercício seguinte àquele em que houve a receita, deu-se por conservadorismo, para assentar o lançamento da perda em bases mais vigorosas, e não havendo prejuízo ao Fisco, nem indicação segura de que o atraso foi praticado com base em planejamento tributário, tendo por objetivo reduzir o lucro no ano-calendário do lançamento da perda, deve ser cancelada a glosa.
DESPESAS. GLOSA. REGIME DE COMPETÊNCIA.
As despesas comprovadas com multas de mora por atraso no recolhimento de tributos, incorridas e não apropriadas ao resultado em períodos anteriores, podem ser deduzidas mesmo após o período de competência. Incumbiria ao Fisco demonstrar que o registro de despesas após o período de competência provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência.
DESPESAS. GLOSA. ESTORNO NO ANO-CALENDÁRIO SUBSEQUENTE.
Ao restar comprovado que a despesa questionada pelo Fisco foi estornada no ano-calendário subsequente àquele em que foi apropriada ao resultado, incumbiria ao Fisco demonstrar que tal procedimento provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência.
Numero da decisão: 1302-001.185
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o lançamento quanto à base tributável no valor de R$ 325.091,20 (item 03 da infração 001), vencido o Conselheiro Frizzo que negava provimento; b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário: b.1) por unanimidade, para cancelar a glosa de R$16.186.203,15 - despesa não comprovada relativa ao Funttel (item 002 da infração 001); b.2) por maioria, para cancelar a glosa relativa a despesas com multas de mora de que trata o item 007 da infração 001, vencidos os conselheiros Alberto e Eduardo; b.3) por maioria, para cancelar a glosa de despesas relativas ao item 009 da infração 001, vencido o Conselheiro Eduardo; b.4) por unanimidade, para cancelar o item o 002 do auto de infração. O Conselheiro Alberto acompanhou o relator pelas conclusões. Os Conselheiros Cristiane, Frizzo e Pollastri acompanharam o relator pelas conclusões no julgamento do item 10 da infração 001. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DESPESAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas reconhecidas na contabilidade quando não estão acompanhadas de documentos comprobatórios. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São dedutíveis os tributos e contribuições, segundo o regime de competência, não provado que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. Verificado que o lançamento a destempo da perda no recebimento de crédito, em exercício seguinte àquele em que houve a receita, deu-se por conservadorismo, para assentar o lançamento da perda em bases mais vigorosas, e não havendo prejuízo ao Fisco, nem indicação segura de que o atraso foi praticado com base em planejamento tributário, tendo por objetivo reduzir o lucro no ano-calendário do lançamento da perda, deve ser cancelada a glosa. DESPESAS. GLOSA. REGIME DE COMPETÊNCIA. As despesas comprovadas com multas de mora por atraso no recolhimento de tributos, incorridas e não apropriadas ao resultado em períodos anteriores, podem ser deduzidas mesmo após o período de competência. Incumbiria ao Fisco demonstrar que o registro de despesas após o período de competência provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência. DESPESAS. GLOSA. ESTORNO NO ANO-CALENDÁRIO SUBSEQUENTE. Ao restar comprovado que a despesa questionada pelo Fisco foi estornada no ano-calendário subsequente àquele em que foi apropriada ao resultado, incumbiria ao Fisco demonstrar que tal procedimento provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16682.720696/2011-63
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352624
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.185
nome_arquivo_s : Decisao_16682720696201163.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 16682720696201163_5352624.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o lançamento quanto à base tributável no valor de R$ 325.091,20 (item 03 da infração 001), vencido o Conselheiro Frizzo que negava provimento; b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário: b.1) por unanimidade, para cancelar a glosa de R$16.186.203,15 - despesa não comprovada relativa ao Funttel (item 002 da infração 001); b.2) por maioria, para cancelar a glosa relativa a despesas com multas de mora de que trata o item 007 da infração 001, vencidos os conselheiros Alberto e Eduardo; b.3) por maioria, para cancelar a glosa de despesas relativas ao item 009 da infração 001, vencido o Conselheiro Eduardo; b.4) por unanimidade, para cancelar o item o 002 do auto de infração. O Conselheiro Alberto acompanhou o relator pelas conclusões. Os Conselheiros Cristiane, Frizzo e Pollastri acompanharam o relator pelas conclusões no julgamento do item 10 da infração 001. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
id : 5485418
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811826978816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 57; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.851 1 3.850 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720696/201163 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302001.185 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2013 Matéria GLOSA DE DESPESA Recorrentes EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES S/A EMBRATEL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas reconhecidas na contabilidade quando não estão acompanhadas de documentos comprobatórios. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. São dedutíveis os tributos e contribuições, segundo o regime de competência, não provado que estejam com sua exigibilidade suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. Verificado que o lançamento a destempo da perda no recebimento de crédito, em exercício seguinte àquele em que houve a receita, deuse por conservadorismo, para assentar o lançamento da perda em bases mais vigorosas, e não havendo prejuízo ao Fisco, nem indicação segura de que o atraso foi praticado com base em planejamento tributário, tendo por objetivo reduzir o lucro no anocalendário do lançamento da perda, deve ser cancelada a glosa. DESPESAS. GLOSA. REGIME DE COMPETÊNCIA. As despesas comprovadas com multas de mora por atraso no recolhimento de tributos, incorridas e não apropriadas ao resultado em períodos anteriores, podem ser deduzidas mesmo após o período de competência. Incumbiria ao Fisco demonstrar que o registro de despesas após o período de competência provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 96 /2 01 1- 63 Fl. 3852DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.852 2 DESPESAS. GLOSA. ESTORNO NO ANOCALENDÁRIO SUBSEQUENTE. Ao restar comprovado que a despesa questionada pelo Fisco foi estornada no anocalendário subsequente àquele em que foi apropriada ao resultado, incumbiria ao Fisco demonstrar que tal procedimento provocou postergação no pagamento de tributo ou a redução indevida do lucro real e, sendo o caso, efetuar o lançamento com observância das disposições do art. 273 do Regulamento. Não sendo essa a hipótese dos autos, é de se cancelar a exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por maioria, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o lançamento quanto à base tributável no valor de R$ 325.091,20 (item 03 da infração 001), vencido o Conselheiro Frizzo que negava provimento; b) em dar provimento parcial ao recurso voluntário: b.1) por unanimidade, para cancelar a glosa de R$16.186.203,15 despesa não comprovada relativa ao Funttel (item 002 da infração 001); b.2) por maioria, para cancelar a glosa relativa a despesas com multas de mora de que trata o item 007 da infração 001, vencidos os conselheiros Alberto e Eduardo; b.3) por maioria, para cancelar a glosa de despesas relativas ao item 009 da infração 001, vencido o Conselheiro Eduardo; b.4) por unanimidade, para cancelar o item o 002 do auto de infração. O Conselheiro Alberto acompanhou o relator pelas conclusões. Os Conselheiros Cristiane, Frizzo e Pollastri acompanharam o relator pelas conclusões no julgamento do item 10 da infração 001. A Conselheira Cristiane Silva Costa apresentou declaração de voto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Cristiane Silva Costa. Fl. 3853DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.853 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face de acórdão proferido nestes autos pela 8ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por maioria de votos, dar provimento parcial à impugnação, para exigir o crédito abaixo, acrescido de juros de mora quando do efetivo pagamento (vencido o julgador Guilherme Henrique da Silva Ribeiro): IRPJ: R$57.299.093,13 com multa de ofício de 75%; CSLL: R$20.627.673,53 com multa de ofício de 75%. O julgamento seguiu assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DESPESAS. GLOSA. Devem ser glosadas as despesas reconhecidas na contabilidade quando não estão acompanhadas de documentos comprobatórios. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REGIME DE COMPETÊNCIA. DESCUMPRIMENTO. LESÃO AO FISCO. O Fisco tem o ônus de comprovar que, especificamente em determinado exercício financeiro, a não utilização das perdas a ele apropriáveis em decorrência das regras dos artigos 9o a 12, da Lei n° 9.430/96, e ao regime de competência, acarretou lesão ao Fisco, isto é, em determinado anocalendário, houve recolhimento a menor de IRPJ e/ou CSLL. Fl. 3854DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.854 4 Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido (grifos, por utilização de negrito, meus): Trata o processo de autos de infração lavrados pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro, Demac/RJ, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), nos valores de R$146.382.097,73 e R$52.697.555,18, acrescidos, de multa de ofício de 75% com juros de mora calculados até 29.07.2011. No auto de infração, consta que houve duas infrações à legislação do IRPJ. Infração 001 Na descrição dos fatos, consta que a Interessada, em 2006, reconheceu custos ou despesas não comprovados, tendo sido os mesmos glosados. Em relação a esta infração, no Termo de Verificação, consta o que segue. A Interessada foi intimada e reintimada, termos de números 14, 17, 23, 29, 30 e 31, a apresentar elementos que atendessem aos critérios de dedutibilidade dos custos e despesas apurados no anocalendário de 2006. Verificouse que, em diversas situações, não existiu correlação direta entre os lançamentos e as notas fiscais correspondentes, tendo em vista os critérios de alocação dos custos dos serviços prestados pela Interessada. Determinados lançamentos estavam fundamentados em várias notas fiscais, e, outros, em valores distribuídos em notas fiscais distintas. Portanto, a correspondência entre vários lançamentos contábeis e a documentação comprobatória não é direta, ou seja, um determinado registro pode ter como suporte distintos conjuntos de notas fiscais que com ele não coincidem em datas e valores. Em grande parte, os lançamentos contábeis foram efetuados enquanto as operações encontramse pendentes de aceitação e/ou de documentação a ser recebida, de forma que foram registrados com base em valores estimados. Nestes casos, quando confirmado o valor e/ou recepcionada a documentação, os valores inicialmente lançados eram estornados e os registros eram realizados com base nos valores efetivos. Ocorreram estornos de valores registrados no exercício anterior, inclusive em relação a receitas e despesas. Tal procedimento gerou a situação de uma receita ou despesa registrada em período anterior ser estornada no seguinte e, conseqüentemente, gerar um saldo devedor [na receita] ou credor [na despesa]. Neste cenário, foi admitido como condição para a dedutibilidade dos gastos, a equivalência entre as datas e valores dos lançamentos e as datas e montantes descritos na documentação correlata, notas fiscais. Assim, para a despesa correspondente ao registro contábil ser considerada dedutível deve o conjunto de documentos de suporte (notas fiscais), totalizar o valor constante no lançamento e com ele coincidir em data. Não sendo desta forma, qualquer conjunto de notas fiscais (com quaisquer valores e datas de emissão), poderia ser utilizado para compor a documentação relativa a qualquer registro contábil. Fl. 3855DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.855 5 Após todos os prazos de prorrogação solicitados, constatouse que em relação a diversas contas, a Interessada não logrou comprovar os dispêndios por meio de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, bem como a efetiva ocorrência e os respectivos pagamentos relativos aos fatos que ensejaram os registros contábeis concernentes aos custos e despesas computados no resultado do exercício, e não adicionados no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, do período em análise. Desta forma, foram glosadas as seguintes despesas: Item 1: Serviços de suporte à importação, conta 63002601, R$8.885.674,69; Item 2: FUNTTEL, Fundo para o desenvolvimento tecnológico das telecomunicações, conta 67077086, R$16.186.203,15; Item 3: Outsourcing IBM, conta 60002021, R$1.409.013,75; Item 4 : Serviços de suporte a TI, conta 0060002022, R$ 2.226.478,08; Item 5: Serviços de suporte a TI, conta 0060002022, R$ 822.925,10; Item 6: Auditoria/Consultoria/ Assessoria, conta 63002001, R$ 633.509,11; Item 7: Multas, Linha 19, Ficha 05A da DIPJ/2007 Ac 2006, R$47.793.634,54; Item 8: Outras Despesas Operacionais, DIPJ/2007, Cobilling, conta 63001105, R$2.590.093,35, R$2.258.982,45, R$3.021.874,42, R$825.397,25, Total: R$8.696.347,47; Item 9: Cobrança, outras operadoras, comercial, conta 0060001106, R$2.384.934,83 de 31/07/2006, R$3.454.722,70 de 31/07/2006, R$3.164.931,76 de 31/08/2006, R$3.299.201,16 de 31/08/2006, R$6.234.397,28 de 31/12/2006, Total: R$ 18.538.187,73; Item 10: Outras despesas operacionais, DIPJ/2007, conta 63002401, comissões a representantes prépago, R$8.018.922,84 de 05/09/2006, R$1.335.863,42 de 05/09/2006, R$ 68.236,32 de 14/09/2006, Total: R$ 9.423.022,58; Item 11: Outras Despesas, conta 0067059900, R$ 32.024.435,89; Item 12: Outras Despesas, conta 0067059900, R$ 1.698.424,80. Infração 002. Na descrição dos fatos consta que a Interessada realizou exclusões não autorizadas pela legislação do imposto de renda de valores do lucro líquido do exercício. Em relação a esta infração, no Termo de Verificação, consta o que segue. Conforme linha 37 da FICHA 09A DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL da DIPJ 2007, foram excluídos do lucro líquido para fins de apuração do Lucro Real o montante de R$1.247.120.924,46, sob denominação de “OUTRAS EXCLUSÕES”. Fl. 3856DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.856 6 Conforme o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (fls. 5/12), verificou se que do montante acima, R$884.373.203,33 referiamse à exclusão em virtude de Reversão de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). Dentro do montante de R$884.373.203,33, excluído a título de reversão de PDD, R$552.560.621,49 teriam sido relativos a perdas efetivas no recebimento de valores dos clientes da Interessada. Tal montante de R$552.560.621,49 foi debitado da conta contábil 11290200 PROV P/CRED DE LIQUID DUVIDOSA RET (ANEXO 8), cujas contrapartidas a crédito foram na conta valores faturados voz básica (conta n° 0011210500). Ocorre que a Interessada acumulou créditos com clientes que, de acordo com a sistemática estabelecida pela Lei n°.9.430/96, já poderiam ter sido baixados como perdas efetivas durante os anoscalendário de: 2002, no valor de R$110.763.068,25; 2003, no valor de R$133.891.116,69; 2004, no valor de R$98.858.270,36; 2005, no valor de R$96.461.175,51; conforme demonstrado no Termo de Verificação, fls.2.313. Violando a sistemática de baixa contábil das perdas efetivas de créditos prevista na Lei n°.9.430/96, a Interessada constituiu nos anos de 2002 a 2005, um “estoque de perdas”, o qual foi integralmente excluído no LALUR no ano calendário de 2006. Tal procedimento teve o evidente propósito de reduzir a carga tributária relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, computandose as perdas acumuladas no momento mais favorável à Interessada, de forma a evitar a limitação legal referente ao limite de compensação de 30% do Lucro Real com Prejuízos Fiscais de períodos anteriores, o que acarretou na redução indevida do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Assim, do total de R$552.560.621,49, R$437.190.534,09 foram indevidamente baixados no ano de 2006. As infrações refletiram na CSLL. O enquadramento legal consta nos autos de infração. Inconformada com o crédito tributário originado da ação fiscal da qual teve ciência do lançamento em 22082011, a Interessada apresentou em 21092011, impugnação instruída por documentos na qual argui o que a seguir se expõe. Quanto à infração 001, alegou o que a seguir se transcreve. Quanto ao item 1, serviços de suporte à importação, conta 63002601, valor de R$8.885.674,69, e ao 6, Auditoria/Consultoria/Assessoria, conta 63002001, R$633.509,11, entende que as despesas em questão foram efetivamente incorridas, razão pela qual reitera todos os argumentos e documentos comprovados no curso da fiscalização. Quanto ao item 2, FUNTTEL, Fundo para o desenvolvimento tecnológico das telecomunicações, conta 67077086, R$16.186.203,15, alegou que: o artigo 41 da Lei n.° 8.981/95 estabeleceu que os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência; Fl. 3857DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.857 7 assim, por competência, incorreu na despesa de FUNTTEL, apurada consoante a Lei 10.052/00, no montante de R$33.371.607,98, no anocalendário de 2006; ainda que tenha pago tal contribuição apenas parcialmente, a dedução fiscal é feita por competência e não por regime de caixa; a dedução em regime de caixa fere comando literal do artigo 41 da Lei 8.981/95; não é o mero fato de o tributo estar suspenso em sua exigibilidade, para fins de cobrança administrativa ou execução fiscal, que afasta sua qualidade de contas a pagar. A exigibilidade suspensa não afasta a aplicabilidade da Lei, o lançamento ou a existência do tributo a pagar, apenas adia a atividade de cobrança do fisco. Essas obrigações tributárias contas a pagar devem, portanto, ser contabilizadas e deduzidas pelo regime de competência, exceto em caso de manifestação legal e específica quanto à eventual indedutibilidade. Quanto ao item 3, Outsourcing IBM, conta 60002021, R$1.409.013,75, acosta aos autos cópia da nota fiscal n°.031184 emitida pela IBM Brasil Indústria a Máquinas de Serviços, no valor de RS1.083.922,55, bem como demonstrativo da composição analítica de todos os registros contábeis em 20/12/2006 e 26/12/2006, relativos ao reconhecimento do custo incorrido com serviços de outsorsing da IBM. Quanto ao item 4, serviços de suporte a TI, conta 0060002022, R$ 2.226.478,08, alegou que: a obrigação de emissão da nota fiscal é exclusivamente do prestador de serviço, ou seja, tratase de ato declaratório que compete exclusivamente a quem presta o serviço; o tomador de serviços é obrigado apenas a proceder ao registro dessa despesa em sua contabilidade no momento em que a despesa for incorrida, pela efetiva verificação do serviço prestado e da obrigação pela sua retribuição. Tal obrigação pode se configurar antes ou depois da emissão da nota fiscal pelo prestador do serviço; foge da competência do tomador de serviço o momento da emissão da nota fiscal pelo prestador, de forma que o registro contábil de suas despesas jamais deve estar vinculado à emissão de nota fiscal pelo prestador de serviço; a nota fiscal serve para comprovar a existência da despesa, mas o momento de sua contabilização pode, pelo princípio da competência, ocorrer antes ou depois; muitas vezes o prestador de serviço emite a nota fiscal, enviaa ao tomador do serviço que, operacionalmente, demora ainda um tempo para processar tal correspondência, verificar a efetividade do serviço e da retribuição, conferir se já não há registro da despesa em seus sistemas contábeis, que pode ter sido feito em virtude de competência, e, caso negativo, aceitar ou não a dívida e registrar a despesa correspondente; assim, não cabe rejeitar as notas fiscais comprobatórias das despesas e dos registros contábeis que foram realizados tempestivamente pelo regime de competência, uma vez que tais registros foram efetuados em época compatível com a emissão das notas fiscais pelos prestadores de serviços, porém, datas exatas um pouco diferentes dessas, na medida em que a despesa foi incorrida ao longo da prestação do serviço e, por isso, anteriormente à emissão de nota fiscal; Fl. 3858DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.858 8 junta aos autos os registros de seu sistema de gestão de pagamentos, SAP, e as respectivas notas fiscais, demonstrando a relação precisa entre os registros em seus sistemas de gestão de pagamentos e contábeis e os documentos fiscais relativos aos serviços a ela prestados por diversos prestadores de serviço, (Doc. 04), no valor de R$ 2.226.478,08. Quanto ao item 5, serviços de suporte a TI, conta 0060002022, R$ 822.925,10, alegou que as referidas despesas podem ser comprovadas pela análise das notas fiscais e respectivos lançamentos contábeis, que totalizam o valor de R$ 822.925,10, que é o valor glosado pela Fiscalização. Quanto ao item 7, multas, Linha 19, Ficha 05A da DIPJ/2007 Ac 2006, R$47.793.634,54, alegou que: do montante glosado de R$47.793.634,54, R$10.718.798,05 referese à multa compensatória, decorrente de pagamento em atraso de tributos e, a parte restante, isto é, R$37.074.836,49, é relativa ao ressarcimento à Claro, de multas suportadas pela Interessada, quando da desativação de circuitos (cancelamentos de contratos) de uso pela Claro de redes de outras operadoras; tal pagamento teve como objetivo possibilitar à Claro a migração de circuitos para a Interessada e, com isso, esta pode contratar toda a capacidade de rede de telecomunicações para interligar as suas estações de telecomunicações; em razão disso, foi celebrado um Contrato de Aquisição de Capacidade de Backbone entre a Claro e a Impugnante, (Doc. 05); o item 3.2.4 da cláusula terceira do referido contrato comprova que a Interessada assumiu o ônus das multas pagas pela Claro em virtude da rescisão de contratos com seus outros parceiros comerciais e clientes, já que essa rescisão viabilizou à Claro contratar a Interessada o que lhe trouxe benefícios. conforme realizadas as desativações dos circuitos de determinadas regiões do país (NE, RJ, MG, etc), por força da cláusula acima, a Interessada reembolsava à Claro a multa incorrida junto a terceiros; as notas de débito enviadas à Interessada, que totalizam o R$27.293.278,47 (Doc. 05), a título exemplificativo, comprovam o alegado; todos os valores pagos à Claro têm base no contrato assinado com esta e anexado a este processo; o montante de R$10.718.798,05, referese às multas de mora, decorrentes de pagamento espontâneo porém em atraso de tributos, devendo ser dedutíveis, como custo ou despesa operacional, pois são multas de natureza compensatória, impostas por infrações que não resultaram em falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Quanto ao item 8, outras despesas operacionais, DIPJ/2007, Cobilling, conta 63001105, valores de R$2.590.093,35, R$2.258.982,45, R$3.021.874,42, R$825.397,25, no total de R$8.696.347,47, alegou que: na verdade, o custo se refere ao serviço de cofaturamento ou faturamento realizados pela Claro/Brasil Telecom; no setor de telecomunicações as empresas têm a rede interligada e os clientes, independentemente de serem de uma ou outra operadora, tem a faculdade Fl. 3859DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.859 9 de optar por utilizar, por exemplo, o serviço de DDD ou DDI ou outros oferecidos pela Interesada ou aqueles serviços oferecidos por outras operadoras; a operadora que tem o contato direto com o cliente envolvido, efetua a cobrança de todos os serviços prestados pelas empresas de telefonia a ele e posteriormente efetua o repasse dos valores cobrados; nesse sentido, a Interessada tem direitos, obrigações e perdas nesse faturamento: direitos de receber o valor faturado; obrigação de consistir seu direito com os arquivos de outras operadoras sob pena de não recebimento; custos relativos à cobrança executada por essas terceiras empresas e pagos pela Interessada a título de serviços recebidos, etc.; os valores que foram questionados têm direta e exata relação com a sua atividade operacional; quanto ao valor de R$2.590.093,35, apresenta o seu registro contábil e a relação das notas fiscais correspondentes que corroboram seus registros contábeis, (Doc. 07); quanto ao valor de R$825.397,25, apresenta planilha analítica e cópia das notas fiscais para a comprovação dessa despesa com comissões pagas a Brasil Telecom S/A (Doe. 8); quanto ao valor de R$2.258.982,45, tal despesa sequer existiu e não gerou impacto no lucro tributável da empresa em 2006, isso porque, em 31.07.06, a Interessada já havia revertido tal despesa a crédito de resultado na conta 11214080 relativo ao estorno do serviço de CoBilling, no valor de R$ 2.258.982,45 (Doc. 09). O valor líquido da despesa foi portanto zero; quanto ao valor de R$3.021.874,42, junta notas fiscais no montante de R$3.021.874,41, (Doc. 10); requer oportunidade para apresentar outra documentação neste processo ou em diligência. Quanto ao item 9, cobrança, outras operadoras, conta 60001106, alegou que: tratase de estorno de receita relativa a serviços faturados a clientes de outras operadoras; embora tenha reconhecido a receita de prestação de serviços, não realizou essa receita na prática, tendo recebido das operadoras envolvidas valor inferior; tal prática faz parte de sua atividade, que tem que acertar com as operadoras os procedimentos para recebimento e cobrança dos valores faturados sendo que, por vezes, esses acertos implicarão no não recebimento do valor total da receita, quer seja porque clientes não confirmam os serviços tomados, quer seja porque não são localizados, quer seja porque não pagam, quer seja porque a operadora não confirma que houve o serviço prestado; desta forma, precisa acertar os valores a receber com as operadoras correspondentes e, por vezes, recebe valor inferior ao faturado; tratase, portanto, de perda efetiva no recebimento dos valores faturados e/ou estorno da receita outrora reconhecida; Fl. 3860DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.860 10 reitera todos os argumentos e documentos comprovados no curso da fiscalização e protesta por outros meios de prova suficientes para comprovar que as despesas em questão foram efetivamente incorridas e têm relação com receitas outrora tributadas. Quanto ao item 10, outras despesas operacionais, comissões a representantes, prépago, alegou que: dentre seus produtos e serviços, comercializa cartões de telefones pré pagos; para facilitar a compra dos cartões por seus clientes, autoriza a venda dos referidos cartões, por instituições financeiras que, em contrapartida, cobram uma tarifa de R$0,60 por cartão comercializado; firmou o contrato de prestação de serviço com as instituições financeiras Banco do Brasil S.A, Caixa Econômica Federal e HSBC Bank Brasil S.A (Doc. 11); em razão disso, nos meses de janeiro a agosto de 2006, contabilizou, a título de Comissão a Representantes, os montantes de R$8.018.922,84 e R$ 1.335.863,42; as planilhas analíticas de apoio contábil anexas (Doc. 11), e os lançamentos contábeis relativos à reclassificação destas despesas para a conta contábil n.° 63002401 (conta contábil mencionada pela fiscalização), bem como os comprovantes de pagamento para os respectivos meses, extratos bancários, comprovam que todas as despesas contabilizadas foram a esse título. Quanto ao item 11, outras despesas, conta 0067059900, alegou que: tratase de estorno de receitas faturadas à Claro; referemse a chamadas telefônicas transitadas pelas redes da Interessada (centrais de trânsito), através dos terminais dos clientes pertencentes a Claro, conforme contrato firmado entre as partes, (Doc. 14); as chamadas (receitas de faturamento) foram encaminhadas para a Claro para serem faturadas e arrecadados os valores dos serviços aos usuários; contudo, jamais chegou a receber o valor dessas ligações pois a Claro não conseguiu fazer a respectiva cobrança junto a clientes, pois, em geral, essas ligações foram rejeitadas pela Claro tendo como principal motivo o de serviço não reconhecido pelo cliente; salientese que é comum a rejeição de chamadas, que isso faz parte da sua atividade operacional, sendo que os valores correspondentes são devidamente e tempestivamente objeto de registro contábil, passível de auditoria interna e externa periódica; com a rejeição das respectivas chamadas pelos clientes, a Claro não efetuou o pagamento do montante correspondente à Interessada; diante desse cenário, não restou outra alternativa senão, estornar esta receita não faturada dos seus livros contábeis; Fl. 3861DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.861 11 no site da ABRTelecom, (Doc.14), que desde 2007 é a entidade que, dentre outras atividades, administra a portabilidade numérica e coordena diversos grupos das operadoras, dentre os quais, o Grupo de Cobilling, constam todos os procedimentos entre as operadoras, inclusive “lay out” de arquivos de retorno de chamadas; a título ilustrativo (Doc. 14), requer a juntada de relatórios diários das chamadas rejeitadas pela Claro, pois, em razão do enorme número de relatórios (mais de 20 milhões), deixa de juntálos nessa oportunidade, contudo disponibiliza tais documentos para análise a qualquer momento, se assim entender necessário; o que não se admite é que tal despesa seja glosada, na medida em que efetivamente não corresponde a despesa mas sim a estorno de receita, não havendo razão para glosa de estorno de receita, já que tal receita foi devidamente contabilizada e tributada, sendo que, efetivamente, não recebeu o valor dessas receitas. Quanto ao item 12, outras Despesas, conta 0067059900, alegou que: tratase de estorno de PIS a recuperar, semestralidade; de julho de 1988 a agosto de 1995, recolheu o PIS/PASEP, considerando as regras estabelecidas na Lei Complementar n° 7/70 e respectiva regulamentação. Durante este período, a referida contribuição foi recolhida em consonância com os DecretosLeis n° 2.445/88 e n° 2.449/88; com a inconstitucionalidade dos referidos diplomas legais, ajuizou a Ação Ordinária 99.00177029 visando a repetição de indébito dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS, tendo sido em 24 de agosto de 2005, ocorrido o trânsito em julgado da decisão a ela favorável, (Doc. 12); posteriormente, em 15 de fevereiro de 2006, ingressou com o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos autos do Processo Administrativo n°.10768.001049/200665, o qual foi deferido em 23 de outubro de 2006, (Doc. 12); desta forma, procedeu a atualização do valor habilitado, (Doc. 12), bem como a compensação de parte desse crédito; em 31 de outubro de 2006, o saldo remanescente na conta 11363030 PIS a recuperar – Semestralidade, equivalia a R$19.896.547,01, conforme se verifica do extrato anexo (Doc. 12); no mês seguinte, em 14 de novembro de 2006, compensou parte deste saldo, no valor de R$ 16.999.902,91 com débitos de COFINS relativa à competência de outubro de 2006; nessa oportunidade, verificou que, equivocadamente, atualizou a maior o saldo existente na conta, com base na taxa SELIC; desta forma, a diferença entre a atualização correta e o valor que foi atualizado a maior foi devidamente contabilizada na conta contábil n° 67059900; Fl. 3862DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.862 12 a conta glosada mencionada no Termo de Verificação Fiscal foi a de n°.67059900, que aponta o valor estornado de R$1.698.424,80, decorrente da atualização a maior de crédito a título de PIS na conta n° 11363030; registrou ao longo do tempo a atualização monetária e juros do seu crédito de PIS a recuperar, o que contribuiu para incremento de seu lucro; posteriormente, identificou que a atualização monetária antes reconhecida à receita fora excessiva; verificando o equívoco, prontamente ajustou a sua contabilidade para estornar este valor, pois, se a receita é tributável o estorno é dedutível, ambos operacionais e necessários, vinculados a sua atividade operacional; o estorno não pode ser glosado, inclusive, nos casos em que o Fisco não consiga comprovar a sua indedutibilidade, ou seja, fazendose referência no lançamento de estorno ao lançamento da provisão do recebimento e não comprovando o Fisco o recebimento da parcela estornada, devem ser aceitas as explicações, cancelandose a glosa. No que se refere à infração 002, alegou que: a comparação das tabelas extraídas do próprio TVF (fls.65 dos autos) demonstra cabalmente que houve o pagamento de tributos sobre o lucro nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005; enquanto a autoridade fiscal, ao deduzir as perdas em crédito naqueles anos, não encontrou tributos a pagar sobre o lucro, a Interessada apurou lucro real positivo nos anos de 2003, 2004 e 2005 e efetuou o pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social; caso estivesse deliberadamente postergando a dedução de perdas para evitar o pagamento de tributos, porque então teria calculado e pagado esses tributos desnecessariamente nos anos anteriores a 2006? Porque não teria deduzido as perdas a que tinha direito nesses anos, total ou parcialmente, e assim evitado o pagamento de tributos? não se tratou de planejamento tributário, mas sim de diferença no conceito objetivo adotado para a baixa à perda do crédito e correspondente dedução das perdas em crédito, entre a autoridade fiscal e a Impugnante; nos anos de 2003, 2004 e 2005 essa diferença de conceito gerou mais tributos a pagar para a Impugnante, ou seja, confirmouse que não houve motivação de economia tributária, apenas diferença de critério com relação ao momento de registro de despesas na apuração do lucro real; houve antecipação do imposto e não postergação do pagamento de imposto; houve erro de critério jurídico no lançamento decorrente da aplicação incompleta do artigo 273, do RIR/99, uma vez que, deveriam ter sido aplicados os parágrafos 1º. e 6º., deste artigo, bem como o Parecer Normativo da COSIT n°. 02 de 28.08.1996, uma vez que, quanto muito, poderia vir a ser mera postergação de imposto; segundo o critério adotado pelos autuantes, a Interessada obrigatoriamente teria pago imposto de renda e contribuição a maior nos anoscalendários de 2003, Fl. 3863DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.863 13 2004 e 2005, pois não deduziu as perdas em crédito que a autoridade fiscal entendeu fazerem parte dessas competências; assim, na realidade, houve antecipação de tributos, incidentes sobre o valor do lucro tributável apurado nos anos de 2003, 2004 e 2005, lucro esse que, segundo a autoridade fiscal, inexistiria; caberia portanto à autoridade fiscal apurar os efeitos da eventual postergação de despesa e, na medida do lucro cuja tributação foi antecipada, consignar que não houve prejuízo ao fisco, assim, a perda em crédito deduzida em 2006 não poderia ter sido glosada; além disto, ao deduzir as perdas em crédito em 2003, 2004 e 2005, a autoridade fiscal apurou prejuízo fiscal que não tinha sido apurado pela Interessada; logo, necessariamente teria que ter recomposto o lucro real que serviu de base para a autuação fiscal em 2006 e compensar aquele prejuízo fiscal, no limite de 30%, desse novo lucro que apurou, pois também até esse limite a suposta postergação das perdas para 2006 não gerou efeitos no montante de tributo que seria calculado como devido no ano de 2006; a autoridade fiscal não verificou se o imposto e a contribuição social que deixaram de ser pagos em 2006, pelos procedimentos adotados pela Interessada, eventualmente foram pagos em 2007, 2008, 2009 e 2010; a autoridade fiscal só teria autorização legal para autuar eventual diferença de imposto que deixou de ser pago em 2006, após as reduções de prejuízo fiscal e da postergação de imposto, referente aos valores que não foram de outra sorte pagos nos anos seguintes, no que se refere apenas a eventuais encargos moratórios de postergação; não foram considerados os prejuízos fiscais acumulados registrados no Livro de Apuração do Lucro Real, originários de suas Declarações de Imposto de Renda, e controlados no SAPLI; a Lei 9.430/96 trouxe as condições mínimas aceitáveis segundo as quais a empresa poderá considerar os créditos incobráveis e dedutíveis na apuração de imposto de renda e contribuição social, sem prejuízo da a empresa adotar um critério mais conservador para apurar suas perdas efetivas; caso a empresa não exerça sua faculdade, sempre poderá deduzir a perda posteriormente e de forma alinhada à regra geral de dedutibilidade quando, após esforços de cobrança, exaurir sua expectativa de recebimento e assim conhecer a perda efetiva. A dedução das perdas, nessa linha, é aceita se as condições mínimas de dedutibilidade já tiverem sido alcançadas; não deduziu como despesas as perdas no recebimento de créditos nos anos calendários de 2002, 2003, 2004 e 2005, na medida em que estava insegura quanto às informações de faturamento; não acreditava ter os melhores dados dos clientes para proceder às cobranças, não acreditava na eficiência do sistema de crédito utilizado, bem como do seu próprio sistema de cobrança, ou seja, estava insegura quanto à existência das perdas efetivas e das documentações para sua dedutibilidade quando fosse o caso; Fl. 3864DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.864 14 a estatística de cobrança demonstrava que havia um índice de inadimplência acima do normal e desejável e um índice de recuperação de crédito bastante alto, inclusive no caso de contas inadimplentes há muito tempo. Essas estatísticas sugeriam que tais perdas não eram efetivas, mas sim decorrentes de dificuldades de cadastro e localização de clientes para cobrança; tal fato pode ser comprovado através da análise das campanhas desenvolvida pela Impugnante nos anos de 2005 e 2006 visando à diminuição do nível de inadimplência. Por outro lado, a Impugnante contratou empresas especialistas de cobrança para também colaborar com a cobrança de seus clientes em atraso (Doc. 13); deduziu as perdas em 2006 quando suas evidências de cobrança efetivamente demonstraram que tais perdas podiam ser aceitas como efetivas, consistindo em perdas incorridas; somente em 2006 as estatísticas de cobrança demonstraram que era factível considerar as perdas como efetivas; a despesa contábil da provisão para perda em créditos de liquidação duvidosa foi devidamente constituída e adicionada nos anos anteriores e, em 2006, foi parcialmente considerada perda efetiva; tornandose efetiva a perda, a provisão foi realizada e passível de exclusão; no máximo tratouse de uma exclusão no lucro real feita em ano posterior ao que a autoridade fiscal entendeu ser cabível e, portanto, não se trata de uma antecipação de despesa contábil; o artigo 9o da Lei n.° 9.430/96 conferiu uma faculdade e não uma obrigação, de forma que a empresa não está obrigada a lançar o crédito como despesa, mas a opção de deduzir como perda poderá ser exercida a qualquer tempo, mesmo após decorridos cinco anos e antes ou depois do trânsito em julgado; enquanto durar a ação judicial a perda não é efetiva e com isso não há que se falar em regime de competência. Finalizou a Interessada alegando da impossibilidade de aplicação de juros de mora sobre multa de ofício, visto que, os débitos tributários exigidos nos autos de infração são acrescidos de multa de ofício, sendo que, na prática, após a lavratura dos autos de infração, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros SELIC, fato este que revela uma ilegalidade, uma vez que se sustenta no Parecer MF n.° 28, de 02 de abril de 1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), o qual viola o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96. Consta nos autos que o julgamento foi convertido em diligência, para que a Fiscalização se pronunciasse acerca dos seguintes documentos acostados pela Interessada: Doc.11, referente à autuação do Item 10, da Infração 001, “Outras despesas operacionais, DIPJ/2007, conta 63002401, Comissões a Representantes Prépago”, nos valores de R$8.018.922,84, R$1.335.863,42, R$ 68.236,32, total de R$ 9.423.022,58; Doc.12, referente à autuação do item 12, da Infração 001, “Outras Despesas, conta 0067059900”, valor de R$1.698.424,80. Fl. 3865DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.865 15 Em decorrência da diligência consta relatório fiscal dando conta que: em relação ao Doc.11, referente à autuação do Item 10, da Infração 001, “Outras despesas operacionais”, no total de R$ 9.423.022,58, foi comprovada a parcela de R$14.112,60, relativa às despesas incorridas junto ao Banco do Brasil nos meses de abril e julho do anocalendário de 2006, conforme detalhado às fls.3.474/3.481; as glosas relativas às comissões pagas às instituições financeiras tiveram como base a ausência de documentação comprobatória ou, quando apresentada, estava impossibilitada de estabelecer a vinculação das despesas consignadas com os documentos de suporte; em relação ao Doc.12, referente à autuação do item 12, da Infração 001, “Outras Despesas, conta 0067059900”, não foi comprovada a despesa no valor de R$1.698.424,80, conforme detalhado às fls.3.482/3.485; assim, a Interessada estornou como despesa, no anocalendário de 2006, valores relativos a supostas receitas de períodos anteriores, deixando de observar princípios contábeis, especificamente o Princípio da Competência do Exercício; em relação à autuação da Infração 002, não foram comprovados os prejuízos fiscais acumulados registrados no Livro de Apuração do Lucro Real, nas Declarações de Imposto de Renda e no SAPLI, pelas razões constantes às fls.3.486/3.501; quanto aos demais itens referentes à autuação fiscal, a Fiscalização pronunciouse às fls.3.502/3.517. A Interessada, após tomar ciência do relatório de diligência, apresentou aditivo à impugnação, nos seguintes termos: a Fiscalização no relatório de diligência teceu considerações adicionais quanto ao direito aplicável e a interpretação dos fatos; mais do que se pronunciar sobre documentos, teceu, na verdade, um contra lançamento com novos argumentos não constantes do lançamento original; não há previsão no Regulamento do PAF Processo Administrativo Fiscal para essa espécie de manifestação processual da autoridade fiscal preparadora em matéria de direito e, segundo o Código Tributário Nacional, todos os argumentos em que se fundam o lançamento devem ser parte do mesmo, sob pena de nulidade, o que desde já requer seja reconhecido; em relação à autuação do Item 10, da Infração 001, “Outras despesas operacionais”, no total de R$9.423.022,58, tal valor diz respeito à conta n° 63002401, que abrange os valores pagos às instituições financeiras, pela venda de cartões prépagos de telefonia (da Interessada); as instituições financeiras, como deveria ser de ciência desta autoridade, não emitem nota fiscal pelos serviços que prestam e limitamse a prestar contas desses serviços por meio de débito no extrato bancário; a contabilidade concilia o extrato bancário e aloca devidamente o débito à conta de comissões por venda de cartões prépagos, uma vez que é empresa dedicada ao ramo de telecomunicação e, dentre seus produtos e serviços, Fl. 3866DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.866 16 comercializa cartões de telefones prépagos, inclusive por meio das instituições financeiras credenciadas para efetuarem tal venda; desta forma, para facilitar a compra dos cartões por seus clientes, autoriza a venda dos mesmos por instituições financeiras que, em contrapartida, cobram uma tarifa de R$0,60 por cartão comercializado; por este motivo, à época da Impugnação, juntou os contratos de prestação de serviço que firmou com as respectivas instituições financeiras e, por amostragem, demonstrou que, nos meses de janeiro a agosto de 2006, contabilizou, a título de Comissão a Representantes, os montantes de R$8.018.922,84 e R$1.335.863,42; tanto isso é verdade, que foram anexadas à Impugnação planilhas analíticas de apoio contábil, as quais comprovam que todas as despesas contabilizadas são a esse título, bem como os lançamentos contábeis relativos à reclassificação destas despesas para a conta contábil n.° 63002401 (conta contábil mencionada pela fiscalização); a congruência de tal suporte analítico com os fatos concretos está comprovada por extratos bancários apresentados para os respectivos meses. Neste sentido, a documentação acostada comprova a despesa operacional no montante de R$9.423.022,58; quanto à glosa no valor de R$1.698.424,80, o mesmo se refere a estorno de atualização do crédito fiscal de PIS; tal estorno diz respeito à atualização monetária e juros de crédito de PIS a recuperar, o qual decorreu do Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos autos do Processo Administrativo n°. 10768.001049/200665, o qual foi deferido em 23102006; por este motivo, procedeu, ao longo do tempo, à atualização de seu crédito fiscal nos termos que entendeu aplicáveis, face à legislação, e ofereceu a receita à tributação naqueles períodos; apenas em 2006 tomou ciência de que a autoridade fiscal não corroborava do mesmo entendimento quanto à atualização do valor habilitado; realizou a compensação de parte desse crédito, sendo que, em 31102006, o saldo remanescente na conta "11363030 PIS a recuperar — Semestralidade" equivalia ao montante de R$19.896.547,01, conforme comprovado na Impugnação; a integralidade dos valores creditados nessa conta teve como contrapartida o valor do PIS pago e a receita de atualização monetária; no mês seguinte, em 14112006, compensou parte deste saldo, mais precisamente o valor de R$16.999.902,91 com débitos de COFINS relativa à competência de outubro de 2006. Nessa oportunidade, verificou que, equivocadamente, atualizou a maior o saldo existente na conta, com base na taxa SELIC; desta forma, a diferença entre a atualização correta e o valor que foi atualizado a maior foi devidamente contabilizada na conta contábil n° 67059900; Fl. 3867DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.867 17 assim, a conta fiscalizada mencionada no Termo de Verificação Fiscal foi a de n° 67059900, que aponta o valor estornado de R$1.698.424,80, decorrente da atualização a maior de crédito a título de PIS na conta n° 11363030; portanto, não se pode glosar essa dedução como despesa desnecessária à atividade, pois não se trata de despesa, mas sim de estorno de receita, antes oferecida à tributação; diante do deferimento do crédito em 2006, essa é a competência adequada para a conciliação dos saldos e o estorno do crédito não deferido e inexistente; ainda que a autoridade viesse a entender que o estorno dos juros deveria ser alocado aos anos pretéritos, o motivo do lançamento fiscal não poderia ser glosa de despesa desnecessária; mais ainda, terseia que apurar se o erro no reconhecimento antecipado de receita de atualização monetária do crédito fiscal, que ao final não se concretizou, gerou qualquer prejuízo ao fisco, pois essa antecipação, em si, sequer é incapaz de gerar postergação de tributo; dessa forma, o valor estornado em 2006 decorre de atualização monetária de créditos fiscais efetuada em anos anteriores e oferecida a tributação; em 2006 foi deferido o crédito pela autoridade fiscal, mas, avaliando a decisão e recompondo seus cálculos pelas orientações da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Interessada notou que havia uma aplicação divergente da atualização monetária, visto que a autoridade reconhecia uma atualização menor; verificou que o valor do crédito que tinha constituído em sua contabilidade havia apenas em parte sido confirmado, merecendo a diferença ser estornada, por atualização monetária reconhecida além do que provia a autoridade fiscal; o estorno de receita não se confunde com despesa e não há que se falar em desnecessidade do estorno, diante da inexistência do crédito, do que tomou ciência a empresa em 2006; a receita fora tributada e, uma vez estornada, é incapaz de gerar novo acréscimo patrimonial ou ser base de lançamento fiscal; em relação à infração 002, a Fiscalização não calculou o efeito da compensação do prejuízo fiscal existente no lançamento; por seu lado, a Interessada exerceu a opção pela compensação na DIPJ; a Fiscalização apurou tributo, juros e multa além do que seria devido, ainda que mantidas as glosas por ela realizadas; a Fiscalização computou o valor das despesas que deveria ser deslocado para anos anteriores, contudo, deixou de verificar se a dedução destas despesas, nos anos anteriores, versus a sua dedução em 2006, gerou efetivo prejuízo ao Fisco e qual a exata medida desse prejuízo; a dedução das despesas em 2003, 2004 e 2005, teria reduzido o lucro, que foi oferecido à tributação. Nessa medida, a postergação da despesa para 2006 não teria gerado prejuízo ao Fisco, pelo contrário, o beneficiou; Fl. 3868DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.868 18 a dedução da despesa nesses anos e em 2002 teria aumentado ainda o estoque de prejuízos fiscais, 30% dos quais seriam compensáveis em 2006; o deslocamento da dedução entre exercícios fiscais não gerou qualquer prejuízo ao fisco ou qualquer redução indevida do lucro tributável; a autoridade fiscal simplesmente tributou adições e glosas, sem computar efetivamente o montante do prejuízo ao Fisco, o lucro real correspondente e compensar os prejuízos; houve violação ao artigo 273, parágrafo 1º., do RIR/99; nos termos deste artigo, em caso de postergação de despesa, a autoridade fiscal deve analisar efetivamente se tal fato implicou na redução do tributo devido em algum determinado anocalendário; no presente caso, relativamente a aqueles três anoscalendário, houve a antecipação do pagamento do imposto, pelo menos em parte, isto é, até o montante para zerar o resultado fiscal desses períodos, conseqüentemente, não houve em relação a estes limites, prejuízo ao fisco; conforme a própria autoridade fiscal identificou, em 2003, 2004 e 2005, havia lucro real e base de cálculo positiva da CSLL, antes da compensação de prejuízos fiscais, razão pela qual, até o montante desses valores positivos, a eventual postergação da despesa para 2006 não ocasionou qualquer prejuízo ao fisco; não se trata de pedir para compensar crédito de imposto pago no passado, em 2006, mas simplesmente de verificar devidamente os efeitos da eventual desobediência da competência para dedução da despesa e demonstrar em que medida houve qualquer prejuízo ao fisco; ao considerar o lucro real referente ao anocalendário de 2006, antes da compensação de prejuízos, no montante de R$698.044.275,75, deveria a Fiscalização ter considerado a compensação do prejuízo fiscal no limite de 30% do referido lucro fiscal [R$698.044.275,71 x 30% = R$ 209.413.282,71], o que resultaria no lucro ajustado de R$488.630.993,00); após isto, caberia o abatimento do lucro tributado em 2003, 2004 e 2005, já que o lançamento tributário realizado em relação ao anocalendário de 2006 geraria reflexos a transformação dos lucros dos aludidos períodos em prejuízos fiscais; tendo por base que as autoridades reconheceram que foi caso de postergação de pagamento, deveriam considerar a análise dos anos subseqüentes ao da autuação, para verificar eventual diferença de imposto a recolher ou, eventualmente, deixar de lançar o imposto que já tiver sido pago, ou a contribuição social. além disso, a apuração do tributo e a capitulação legal a ser utilizada no lançamento fiscal na hipótese de postergação do tributo são distintas da que se aplicam numa mera glosa do reconhecimento de perdas em um único exercício; a errônea compreensão do direito aplicável caracteriza vício material. Quanto aos demais itens referentes à autuação, a Interessada alegou o que consta às fls.3.546/3.571, reiterando a peça de defesa inicial. Fl. 3869DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.869 19 Às fls.3.655/3.656, consta que a Interessada, em 20072012, requereu a juntada de relatório elaborado pela KPMG Assessores Tributários Doc.01, fls.3.657/3.674, cujo objeto foi: analisar o processo interno de recuperação de créditos adotado, por amostragem, com o propósito de demonstrar que de fato a Interessada buscou exaurir todas as possibilidades de recebimento das faturas não pagas tempestivamente pelos clientes, e que somente reconhece a perda no recebimento dos respectivos créditos quando esgotadas as ações de cobrança; demonstrar que o reconhecimento das perdas no recebimento de créditos a posteriori, como alega a Fiscalização, não gerou, em grande medida, prejuízo aos cofres públicos ou postergação do pagamento dos tributos; quanto aos custos e despesas não comprovadas, após analisar a documentação apresentada na defesa, ratificar que tais documentos foram suficientes para suportar, devidamente, o atendimento à Fiscalização e verificar a necessidade de apresentação de documentos adicionais. A parcela exonerada não mereceu remanescer, no entender do colegiado a quo, por diversos motivos, tendose em vista que a autuação do item 1 se desdobrou em 12 subitens. Eilos: (i) Infração 001 item 3 – a despesa restou demonstrada; item 7 (provimento parcial) – comprovação (parcial) da dedutibilidade das despesas; item 10 (provimento parcial) – comprovação (parcial) da dedutibilidade das despesas; (ii) Infração 002 A glosa de R$552.560.621,49 foi reduzida para o montante de R$110.763.068,25 devido ao fato de que as perdas no recebimento de crédito relativas aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005 representaram mera antecipação de pagamento, não causando qualquer prejuízo ao Erário. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação. É o relatório. Fl. 3870DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.870 20 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Recurso de Ofício O recurso de ofício satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. Passo ao exame das matérias exoneradas pelo colegiado a quo. Infração 001 Item 3 Glosa das despesas referentes à rubrica Outsourcing IBM, conta 60002021, no valor de R$1.409.013,75. A autoridade fiscal glosou o valor de R$1.409.013,75, pois as notas fiscais apresentadas pela recorrente para comprovar a despesa totalizavam R$1.406.447,53 (composto de R$322.524,98 – NF 40643 e de R$1.083.922,55 – NF 031184), e portanto divergiam em valor do total lançado como despesa. Afirma a DRJ: Alegou a Interessada que a cópia da nota fiscal n°.031184 emitida pela IBM Brasil Indústria a Máquinas de Serviços, no valor de RS1.083.922,55, bem como demonstrativo da composição analítica de todos os registros contábeis em 20/12/2006 e 26/12/2006, relativos ao reconhecimento do custo incorrido com serviços de outsoursing da IBM, comprovam as despesas. Mais detalhadamente, acrescentou a Interessada que efetuou: um lançamento a débito na conta 21155901 relativo à transferência de material e serviços, no valor de R$1.409.013,75; na sequência, um lançamento a crédito na conta 21155901 relativo à transferência de material e serviços, no valor de R$1.409.013,75; um lançamento a débito na conta 60002021 relativo à outsourcing IBM, no valor de RS1.409.013,75; e um lançamento a crédito na conta 60002021 relativo à outsourcing IBM, no valor de R$325.091,20. Fl. 3871DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.871 21 Finalizou afirmando que, em 26.12.06, já havia revertido em parte tal despesa a crédito de resultado na conta 60002021 relativo ao estorno de parte do serviço de outsourcing IBM, no valor de R$325.091,20, de tal forma que o valor líquido da despesa confere com a nota fiscal emitida pela IBM no valor R$1.083.922,55, (R$1.409.013,7 – R$325.091,20). A emissão da nota fiscal e os respectivos registros contábeis ocorreram todos em dezembro de 2006. O documento Doc.03, acostado aos autos comprova esta alegação. Ora, se de fato, como afirma a recorrente, o valor de R$325.524,98 foi revertido por lançamento a crédito na conta de despesa, restando tão somente R$1.083.922,55 lançado como despesa, e este último valor está devidamente comprovado por documentação idônea (fls.121/122), não haveria glosa a ser feita. Assim, a exoneração do lançamento decorrente da glosa estaria correta. Ocorre que dentre os documentos de fls. 2746/2752, acostados pela recorrente na impugnação, há telas de seu sistema computacional atestando o que diz, mas, contudo, não foram juntadas as folhas do diário ou razão que comprovam: a) que o lançamento de estorno foi contabilizado; b) que tal contabilização teve o efeito de – como alega a recorrente – acrescer à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Demais disso, a autoridade fiscal lançadora afirma no termo de verificação fiscal que a recorrente, embora intimada, não apresentou a escrituração dos lançamentos no livro razão (fls.2286). E, além deste fato, durante o procedimento fiscal alegou a recorrente à autoridade que não estava encontrando a nota fiscal no valor de R$2.566,22 (relativa à diferença entre R$1.409.013,75 e R$1.406.447,53), demonstrando que pelo menos até aquele momento não tinha conhecimento da versão alegada na impugnação. Tal contradição aparente, adicionada a provas inconclusivas apresentadas impedem, a meu ver, o reconhecimento da parcela de despesa acima do valor de R$1.083.922,55. Assim, dou provimento parcial ao recurso de ofício, neste ponto, para manter o lançamento de R$325. 091,20 (equivalente a R$ 1.309.013,75 – R$ 1.083.922,55). Item 7 Glosa do valor de R$47.793.634,54, referente a multas, constante na DIPJ/2007. Afirma a DRJ que: Quando da ação fiscal, a Interessada foi intimada a apresentar relatório conclusivo, bem como a indicação das contas, relativos ao valor lançado a título de despesa com multas, no montante de R$54.627.632,41, que constou na linha 19 da Ficha 05A da DIPJ, em relação ao qual somente a parcela de R$ 6.833.997,87 não seria dedutível. Alegou a Interessada que, do montante glosado, R$37.074.836,49, referiamse a ressarcimento à Claro, de multas por ela, (a Interessada), suportadas quando da Fl. 3872DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.872 22 desativação de circuitos (cancelamentos de contratos) de uso da Claro nas redes de outras operadoras. Acrescentou que tal pagamento teve como objetivo possibilitar a migração de circuitos da Claro para ela e, com isso, ela pôde contratar toda a capacidade de rede de telecomunicações para interligar as suas estações de telecomunicações. Em razão disso, foi celebrado um Contrato de Aquisição de Capacidade de Backbone com a Claro, conforme Doc. 06. Finalizou informando que o item 3.2.4 da cláusula terceira do referido contrato comprova que assumiu o ônus das multas pagas pela Claro em virtude da rescisão de contratos com seus outros parceiros comerciais e clientes, já que essa rescisão viabilizou à Claro contratála, fato este que lhe trouxe benefícios. Assim, conforme foram realizadas as desativações dos circuitos de determinadas regiões do país (NE, RJ, MG, etc), por força da cláusula acima, ela reembolsou à Claro a multa incorrida junto a terceiros. Concluiu a Interessada que as notas de débito recebidas, que totalizaram R$27.293.278,47 (Doc. 06), a título exemplificativo, comprovam o alegado. O item 3.2.4, do contrato apresentado pela Interessada tem o seguinte texto: Pagar à CLARO valores limitados àqueles listados no Anexo IV, referentes a quaisquer multas, incluindo impostos aplicáveis, devidos por conta da desativação de circuitos, a partir do cancelamento decorrente da migração de tais circuitos para o Backbone Embratel. Os documentos denominados notas de débito emitidos pela Claro demonstram que os respectivos pagamentos estão em consonância com o que diz o item 3.2.4 acima analisado, bem como, com os argumentos apresentados pela Interessada. Da análise das referidas notas de débito, constatase que a Claro comunicou à Interessada a desativação de circuitos relacionados e que, por força do item 3.2.4 da Cláusula Terceira do Contrato de Aquisição de Capacidade de Backbone, a Interessada era devedora da CLARO no valor de R$27.332.419,65, relativos às diversas regiões do Pais, resultante da soma dos valores das notas de débito. Quanto às multas de mora, do exame das respectivas guias de recolhimento acostadas aos autos pela Interessada, constatase que, além das que se referem ao ano de 2006, também constam guias referentes a tributos cujo fato Fl. 3873DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.873 23 gerador ocorreu nos anos de 2001, 2002, 2004 e 2005, que não foram recolhidas em 2006. Assim, o total de multa de mora que consta nas guias de recolhimento de tributos, que, pelo regime de competência, pode ser deduzida em 2006, é de R$1.149.003,63. Voto por dar provimento parcial à impugnação para considerar a redução da glosa de R$47.793.634,54 para R$19.312.211,26, exonerandose, pois, R$28.481.423,28. Vêse, assim, que a glosa relativa às multas pagas por desativação de circuitos à Claro (R$27.332.419,65) restaram comprovadas tanto pelo contrato da recorrente com a Claro, bem como por meio das notas de débito emitidas pela Claro para esta finalidade (além do seu pagamento). A assunção de responsabilidade por multas devidas por terceiros, de forma a venderlhes produtos ou serviços (no caso, a utilização do sistema de Backbone Embratel pela Claro), é prática legal e visa ao incremento dos negócios, sendo, neste sentido, vantajosa ao tomador da responsabilidade, que certamente espera receber mais pelo contrato celebrado do que as multas que se responsabiliza por meio dele. Fica, então, demonstrado que a despesa é necessária às atividades da empresa, não se caracterizando, conforme alegado pela fiscalização, como mera liberalidade. Assim, é acertada sua dedutibilidade, como bem decidiu o colegiado a quo. Por outro lado, no que tange às multas de mora, a glosa somente foi reduzida no montante de R$1.149.003,63, valor equivalente às multas (não recolhidas) relativas ao ano calendário de 2006, permanecendo glosadas aquelas relativas aos anoscalendário anteriores, porque, segundo o regime de competência, deveriam ter sido deduzidas naqueles mesmos anos calendário. A dedutibilidade das multas devidas pelo pagamento em mora é assegurada pelo §5º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, reproduzido no art. 344 do RIR/99, verbis: Art. 41. ... § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. De acordo com o parecer normativo CST nº 61/79 tais multas são consideradas compensatórias, opondose às multas punitivas, aplicadas em procedimento de ofício. O parecer ainda aduz que a multa é considerada compensatória quando, cumulativamente: a) não for excluída pela denúncia espontânea; b) guardar equivalência com a lesão provocada, o que é revelado pela própria lei ao fixar a taxa de cálculo em função do tempo de atraso (por exemplo, 1% ao mês; 10% ao semestre, etc). A classificação adotada no parecer merece reservas, posto que a multa de mora é aplicada pela violação da conduta de pagar no prazo, e, portanto, é uma sanção à conduta de ingressar e de permanecer na situação de mora, que, por sua vez, é uma conduta Fl. 3874DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.874 24 antijurídica, tanto que sancionada por uma penalidade. Assim, nada tem de compensatória a penalidade, que é verdadeira punição. Todavia, não obstante este particular, pareceme que o parecer está em conformidade com o que pretendeu regrar o §5º do art. 41. Assim sendo, deve ser mesmo exonerado o crédito pela glosa das multas de mora deduzidas, uma vez que a dedutibilidade delas é assegurada por lei. Desta forma, não vejo reparos a efetuar ao quanto decidido, no tocante ao item 7 da infração 001. Item 10 – Glosa dos valores referentes aos seguintes lançamentos ocorridos na conta 63002401, comissões a representantes prépago: R$8.018.922,84 em 05/09/2006; R$1.335.863,42 em 05/09/2006; R$ 68.236,32 em 14/09/2006. Reproduzo, por oportuno, trecho do voto condutor da DRJ que cuida da matéria. Alegou a Interessada que firmou contrato de prestação de serviço referente a recebimento de pagamentos na venda de créditos de serviço prépago com o Banco do Brasil S.A, Caixa Econômica Federal e HSBC Bank Brasil S.A, e em razão disso, nos meses de janeiro a agosto de 2006, contabilizou, a título de Comissão a Representantes, os montantes de R$8.018.922,84 e R$1.335.863,42, sendo que a venda dos respectivos cartões, por aquelas instituições financeiras, redundavam na cobrança de R$0,60 por cartão comercializado. Acrescentou que as planilhas analíticas de apoio contábil anexas (Doc.11), e os lançamentos contábeis relativos à reclassificação destas despesas para a conta contábil 63002401, bem como os comprovantes de pagamentos para os respectivos meses, extratos bancários, comprovam que todas as despesas contabilizadas foram a esse título. Conforme relatado, em relação a este item, foi determinado que houvesse diligência para que a Fiscalização se pronunciasse acerca dos documentos acostados aos autos pela Interessada, Doc.11. Tais documentos compõemse de: contrato entre o HSBC e a sociedade VÉSPER SÃO PAULO S/A; contratos de prestação de serviços e extratos bancários do Banco do Brasil; contrato de prestação de serviços Venda de Créditos de Telefonia PréPaga com a Caixa Econômica Federal; Fl. 3875DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.875 25 extratos do Bradesco. Quanto ao contrato entre o HSBC e a VÉSPER SÃO PAULO S/A, consta nos autos que tal sociedade era subsidiária integral da Interessada quando do período objeto da ação fiscal, fato este não negado nas peças de defesa. A Resolução CFC 750/93, de 29121993, que dispõe sobre os princípios de contabilidade, com a redação dada pela Resolução CFC 1.282/2010, impõe no seu artigo 4º., que o Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Por sua vez, o parágrafo único daquele artigo determina que o patrimônio pertence à entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônios autônomos não resulta em nova entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. Assim, apesar de a participação da Interessada ser integral no capital da VÉSPER SÃO PAULO S/A, tratamse de entidades distintas. Tendo por base que a despesa fundada em contrato realizado pela controlada não pode ser deduzida no resultado da controladora, não há como considerar o documento acima mencionado como elemento de prova a favor da Interessada. Quanto aos contratos de prestação de serviços e extratos bancários do Banco do Brasil, informou a Fiscalização que em relação aos extratos bancários da referida instituição financeira, só foram apresentados os relativos aos meses de abril (conta bancária n° 63614) e julho (contas bancárias n° 63614 e 6362 2). Assim, em decorrência dos fatos relatados às fls.3.476/3.478, foram considerados como comprovadas apenas as parcelas de R$6.622,20 e R$7.493,40. Em contrarazões, alegou a Interessada que as instituições financeiras não emitem nota fiscal pelos serviços que prestam e limitamse a prestar contas desses serviços por meio de débito no extrato bancário, sendo que a contabilidade concilia o extrato bancário e aloca devidamente o débito à conta de comissões por venda de cartões prépagos. Continuando, afirmou que os contratos de prestação de serviço que firmou com as respectivas instituições financeiras e, por amostragem, os demais documentos, cujos valores constaram nas planilhas analíticas de apoio contábil acostadas aos autos, comprovam que todas as despesas contabilizadas o foram a esse título, uma vez que os lançamentos contábeis apontam a reclassificação destas despesas para a conta contábil 63002401, revelandose claro que, nos meses de janeiro a agosto de 2006, contabilizou, a título Fl. 3876DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.876 26 de Comissão a Representantes, os montantes de R$8.018.922,84 e R$1.335.863,42. Neste contexto, cabem as seguintes observações. O artigo 923 do RIR de 1999, estabelece que “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (Grifado agora). Os documentos hábeis, segundo sua natureza, que são exigidos neste dispositivo, são aqueles que contêm uma prova direta acerca do fato alegado, cuja existência ali se materializa, devem ter, por isto, os requisitos de autenticidade e legitimidade, uma vez que, o seu conteúdo deve conduzir à convicção da efetiva realização dos atos alegados. A autenticidade do documento é alcançada pela participação de terceiros na sua produção. Ressaltese que o dispositivo acima mencionado também prevê que a enunciação, por si só, dessas operações nos livros fiscais não constitui meio de prova, se não estiverem amparados por estes tipos de documentos. E não poderia ser de outro modo, uma vez que a relação entre fisco e contribuinte não é informal; é formal e vinculada à lei, sem exceção. Logo, a forma convencionada entre as partes diz respeito somente às partes; não exime o contribuinte de apresentar a prova da efetiva realização dos negócios jurídicos em toda a sua extensão. Na espécie, os extratos bancários, por serem documentos da lavra de terceiros, no caso, as instituições financeiras, seriam os instrumentos apropriados a comprovar a efetividade dos contratos acostados aos autos, tendo em vista a correlação dos fatos e valores neles contidos. Ocorre que a Interessada apresentou tãosomente os extratos mencionados no relatório fiscal, portanto, atuou corretamente a Fiscalização quando aproveitou apenas os valores ali consignados. Quanto ao contrato de prestação de serviços de venda de créditos de telefonia prépaga com a Caixa Econômica Federal, a Fiscalização reportou o que a seguir se transcreve: “No contrato apresentado, (Contrato de Prestação de Serviços Venda de Créditos de Telefonia PréPaga), há menção à existência da relação comercial desde o ano de 2001 e à intenção de se efetuar um acerto de pendências comerciais surgidas entre 2002 e 2004 no montante de R$ 2.309.259,36. Tal contrato está datado de outubro de 2007 [não há menção ao dia]. No contexto, o referido contrato foi apresentado como meio de prova para justificar a despesa relativa a créditos de telefonia Fl. 3877DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.877 27 prépaga. Partindo de tal pressuposto lógico, constatase que, no entendimento da Impugnante, o mencionado valor de R$2.309.259,36 integraria o montante da despesa objeto da presente análise. Como consta no próprio contrato, tal valor representaria pendências ocorridas entre os anoscalendário 2002 e 2004. Ao apropriar como despesa operacional no anocalendário de 2006 valores relativos a ajustes de exercícios anteriores, a Impugnante ignora o Princípio da Competência dos exercícios. Conforme estabelece a legislação no Brasil em consonância com os padrões contábeis internacionais, ajustes de exercícios anteriores devem ser efetuados em contrapartida à conta do patrimônio líquido, não transitando pelo resultado do período. Assim, no que tange ao valor consignado [R$ 2.309.259,36], de plano, já se revela improcedente a sua apropriação como despesa operacional relativa ao anocalendário 2006. No entanto, em relação aos débitos incorridos junto à CEF, o mais relevante na análise referese às informações contidas nos extratos bancários apresentados. Inicialmente, destacase a péssima qualidade das cópias, o que, em algumas situações, impossibilita a leitura das informações. Observando as datas registradas no rodapé das páginas, verificase que os dados abrangem os períodos de 04/04/2006 a 03/05/2006 e 04/07/2006 a 01/08/2006, ou seja, apenas dois meses, quando a despesa considerada é relativa ao período de janeiro a agosto de 2006, conforme informado pela própria Impugnante. Não obstante a precariedade das cópias apresentadas, é possível identificar a rubrica "DEB TARIFA" em todos os registros assinalados pela Impugnante como referentes à despesa em análise, muito embora, em vários desses, os respectivos valores estejam inelegíveis. Também fica claro que a mesma rubrica DEB TARIFA está presente em vários outros registros não assinalados. Ou seja, a rubrica "DEB TARIFA" é utilizada de forma genérica e imprecisa, não permitindo, assim, o reconhecimento dos gastos aos quais estejam vinculados. Tal situação impossibilita o estabelecimento da correlação dos valores assinalados nos extratos com os "Gastos de Telefonia Prépagos", e, conseqüentemente, não se prestam para a comprovação da despesa operacional em análise. Como já foi exaustivamente mencionado no Termo de Verificação Fiscal, a utilização de rubricas genéricas nos documentos apresentados tornamse sem efeito para comprovarem gastos específicos na escrituração do contribuinte. Tal inconsistência revela a impossibilidade de se estabelecerem Fl. 3878DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.878 28 os vínculos entre as diversas fontes das informações contábeis no que tange aos respectivos valores, naturezas e momentos de ocorrência dos fatos econômicos. Tal situação, reiterese, torna os elementos apresentados insuficientes e inexatos e, portanto, inválidos para comprovarem as despesas intituladas "Comissões a Representantes Pré pago". Além dos extratos e do mencionado contrato relativo a pendências comerciais de anos anteriores ao fiscalizado, não foi apresentado qualquer outro documento emitido pela Caixa Econômica Federal em relação ao item em pauta. Em contrarazões, a Interessada alegou que as instituições financeiras limitamse a prestar contas dos serviços que prestam por meio de débito no extrato bancário; a contabilidade concilia o extrato, alocando o débito à conta de comissões por venda de cartões prépagos, uma vez que é empresa dedicada ao ramo de telecomunicação e, neste tipo de atividade, é praxe nas operações comerciais com cartões de telefones prépagos, assim agir, sendo certo que os contratos de prestação de serviço que firmou com a Caixa Econômica, as planilhas analíticas de apoio contábil, os lançamentos contábeis relativos à reclassificação das despesas para a conta contábil 63002401 e os extratos apresentados por amostragem, comprovam que, nos meses de janeiro a agosto de 2006, contabilizou, a título de Comissão a Representantes, as despesas informadas. Cumpre registrar que a Interessada nada contrapôs em relação ao fato de ter violado o Princípio da Competência dos exercícios, nos termos acima expostos, uma vez que, consta nos autos que a Interessada procurou utilizar em 2006, despesas que, pelo regime de competência, seriam de 2002 e 2004, e mais, com base num acordo datado de outubro de 2007. Quanto aos documentos apresentados, deve ser esclarecido à Interessada que não cabe a apresentação dos mesmos por amostragem, mas, sim, todos devem ser fornecidos, uma vez que, revelouse correta a informação da Fiscalização que somente foram apresentados documentos do período de 04/04/2006 a 03/05/2006 e 04/07/2006 a 01/08/2006, apenas dois meses, quando a despesa considerada é relativa ao período de janeiro a agosto de 2006, conforme informado pela própria Interessada. Em relação ao fato de as cópias apresentadas serem ilegíveis e a rubrica "DEB TARIFA" ser utilizada de forma genérica e imprecisa, não permitindo, assim, o reconhecimento dos gastos aos quais estejam vinculados, a Interessada tãosomente insistiu que as planilhas juntadas aos autos permitiriam tal vínculo. Ocorre que, tais planilhas, por si só, não comprovam a correspondência dos valores contidos nos extratos com as despesas contabilizadas, pois, as mesmas deveriam vir acompanhadas de todos os documentos pertinentes ao período analisado. Fl. 3879DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.879 29 Como já mencionado, a Interessada apresentou tãosomente os extratos mencionados no relatório fiscal, que não cobrem todo o período objeto da autuação. Neste sentido, atuou corretamente a Fiscalização quando aproveitou apenas os valores consignados nos extratos, confirmandose neste julgamento que, além dos extratos e do contrato relativo a pendências comerciais de anos anteriores ao fiscalizado, não foi apresentado qualquer outro documento hábil e idôneo a comprovar as alegações da Interessada. Quanto aos extratos do Bradesco, reportou a Fiscalização que os mesmos não vieram acompanhados dos respectivos contratos. Cientificada deste fato, a Interessada, no aditivo à impugnação, alegou que a congruência dos valores dos extratos com os fatos concretos estaria comprovada por si só, isto é, pelos próprios extratos bancários. Equivocase a Interessada uma vez que os extratos apresentam tãosomente rubricas genéricas do tipo: “TAR. S/REC. DIVER” com observações manuscritas com os dizeres “Tarifa Pré Pago”. Portanto, tais documentos não são suficientes para comprovar a despesa operacional, uma vez que não há como correlacionar as informações genéricas dos extratos bancários com a rubrica contábil que constou na escrituração, sendo certo que o respectivo contrato poderia vir a ser este elo. De todo o exposto, devese dar provimento parcial à impugnação ao lançamento do presente item, para retirar da glosa realizada o valor de R$14.115,60. A DRJ, portanto, exonerou apenas a parcela de R$14.115,60, composta das parcelas de R$6.622,20 e R$7.493,40, relativas aos contratos de prestação de serviços e extratos bancários do Banco do Brasil apresentados, relativo aos meses de abril (conta bancária n° 63614) e julho (contas bancárias n° 63614 e 63622). Tais parcelas foram efetivamente comprovadas por meio de contrato de prestação de serviços e por débitos inequívocos em extrato bancário, e, portanto, é correta sua exoneração. Anteriormente ao julgamento, a DRJ o converteu em diligência para que fossem analisados os documentos apresentados pela recorrente, posto que durante o procedimento fiscal nada havia sido apresentado. A fiscalização, então, concluiu que o contrato de prestação de serviços com o Banco do Brasil apresentava as condições para a intermediação de venda dos cartões prépagos e os extratos permitiam inferirse trataremse os valores efetivamente de pagamento da comissão a representantes. No que tange aos valores, foram aceitos aqueles correspondentes aos extratos bancários em conformidade com a planilha apresentada (R$7.493,40) ou os efetivamente comprovados por extratos, na presença de divergência entre a planilha e os extratos (R$6.622,20), conforme fls.3476/3478. Não vejo reparos a efetuar neste item, no que tange ao provimento parcial. Fl. 3880DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.880 30 Infração 002 (exclusões não autorizadas) Tal como procedido, quanto aos itens 7 e 10, a matéria relativa à infração 002 é objeto de recurso de ofício e de recurso voluntário. Todavia, contrariamente aos itens 7 e 10, em que se questiona matéria de fato e de direito, a apreciação da infração 002 não permite o desdobramento feito anteriormente, posto que a matéria autuada exige análise geral. Assim, apreciarei esta matéria quando da análise do recurso voluntário. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo, e portanto, dele também conheço. O lançamento efetuou glosa de despesas, consideradas não dedutíveis (Infração 001 itens 1 a 12) e adicionou valores relativos a exclusão indevida em 2006 com perdas no recebimento de crédito relativas aos anos de 2002 a 2005 (Infração 002). Tendo em vista que são muitos os pontos objeto de lançamento e, posteriormente, questionados, a apreciação está divida conforme os itens do auto de infração. Infração 001 Item 1 – Despesa de serviços de suporte à importação conta 63002601 (R$8.885.674,69) Alegou a recorrente que este valor se referia à retificação da receita da prestação de serviços de prépago, decorrente da revisão de disputas de tráfego com a operadora Claro, acrescentando que após a contabilização desta retificação foi escriturada uma nova receita no valor de R$ 17.074.977,40, posteriormente à Claro aprovar e reconhecer o correto valor da prestação de serviços prépago. A DRJ entendeu que, do exame dos registros contábeis apresentados, não houve prova da receita no valor de R$17.074.977,40, e além disso, a conta glosada era de despesa, o que afastaria a alegação de que o valor glosado seria relativo à retificação de receita de prestação de serviços, a qual se dá por meio dos instrumentos contábeis adequados, e não por meio de contas de despesa. Não houve, assim, prova do alegado. Na peça recursal a recorrente nada trouxe de novo, limitandose a reiterar que havia confirmado os fatos alegados durante a fiscalização. No entanto, não apontou ou acostou qualquer novo documento que militasse no sentido do que afirma. Vale lembrar que no Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal ressalta que após virem respostas não esclarecedoras sobre a exclusão do valor de R$8.883.983,07 da conta de serviços de suporte à importação (63002601), reintimou por duas vezes a recorrente (termos nº14 e 30fls.2271/2272) a apresentar documentos comprobatórios para sustentar as alegações, sendo que notou mudança de conteúdo entre as justificativas a cada um deles. Fl. 3881DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.881 31 Mas a fiscalização não se deteve apenas nisso, tendo verificado cada uma das contas envolvidas nas justificativas, e verificado que as explicações fornecidas não se compatibilizavam com os lançamentos, pois: a) não houve a migração do valor de R$8.883.983,07 da conta 3104499100OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS para a conta 600002019OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS; b) os registros do valor de R$8883.983,07 nas contas 600002019OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS e 63002601 SERVIÇOS DE SUPORTE À IMPORTAÇÃO se anularam mutuamente; c) não foi justificado o saldo inicial da conta 63002601, no valor de R$8.884.043,00, a qual, de acordo com informações do contribuinte, foi constituída com migração de parte do saldo da conta nº 310290000, no valor de R$60,00; d) não foi comprovada através de registros contábeis a alegada retificação de receita; e) não foi comprovada a despesa denominada SERVIÇOS DE SUPORTE À IMPORTAÇÃO. Desta forma, e considerando que eventual retificação de receita, nos patamares envolvidos, haveria de ser lastreada em forte documentação e estar contabilizada devidamente em registros contábeis, especialmente porque a retificação de receitas não se dá por novo lançamento a débito de conta de despesa, mas em conta da respectiva receita indevidamente lançada, entendo que não merece reparos o acórdão recorrido, nesta matéria. Item 2 – FUNTTEL – Fundo para Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações despesa de serviços de suporte à importação Conta 63002601 Trata de glosa de despesas referentes ao Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações, FUNTTEL, conta 67077086, valor de R$16.186.203,15. A Interessada aduziu que os tributos e contribuições são dedutíveis na determinação do lucro real segundo o regime de competência. Assim, tendo incorrido a despesa de FUNTTEL, no montante de R$33.371.607,98, no anocalendário de 2006, ainda que tenha pago tal contribuição apenas parcialmente, os valores são dedutíveis. Completou a alegação no sentido de que não seria o mero fato de o tributo estar suspenso em sua exigibilidade que afastaria sua qualidade de contas a pagar. A DRJ entendeu que a alegação acima seria confissão de ter a recorrente ingressado com alguma medida no sentido de contestar a exigibilidade do tributo, e, com base no art. 344 do RIR, que estabelece a indedutibilidade dos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 do CTN, do acórdão nº 910100.592, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que dispõe no mesmo sentido e da SCI Cosit nº 09/12, manteve a glosa. Na peça recursal, todavia, a recorrente insurgese contra a decisão recorrida, afirmando que não se provou que a exigibilidade estivesse suspensa, mas tão somente que a recorrente não havia recolhido a contribuição para o FUNTTEL integralmente. A recorrente aduziu que não há depósito, defesa administrativa ou concessão de liminar em mandado de segurança que houvesse determinado a suspensão da exigibilidade da contribuição. De fato, no Relatório de Diligência (fls.3501/3501), a autoridade fiscal repisa sua conclusão pelo lançamento pelo fato de não ter havido sacrifício de nenhum ativo para o lançamento da despesa, posto que o tributo, embora lançado por competência não restou recolhido. Assim, não o fez por ter comprovado a situação de suspensão da exigibilidade do tributo. Fl. 3882DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.882 32 De acordo com o termo de verificação fiscal (fls.2281), a fiscalização intimou a recorrente para explicar o motivo do recolhimento parcial da contribuição, o que foi atendido, tendo, inclusive a recorrente fornecido a matéria tributável (receita bruta) na planilha que demonstra os valores devidos e os efetivamente pagos. O art. 4º da Lei nº 10.052/2000 prescreve que é devida a contribuição de 0,5% sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, efetuadas as exclusões à base de cálculo, além de outras formas de ingresso, verbis: Art. 4o Constituem receitas do Fundo: III – contribuição de meio por cento sobre a receita bruta das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, nos regimes público e privado, excluindose, para determinação da base de cálculo, as vendas canceladas, os descontos concedidos, o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), a contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Neste sentido, informada, inclusive a matéria tributável, seria possível à autoridade fiscal, verificar a correção da apuração, e, sendo o caso, verificandoa correta, adotar os meios para comunicar o fato à autoridade competente para a cobrança dos valores devidos e não pagos. Todavia, não vejo como ser possível a manutenção da glosa, pela mera incompatibilidade entre o regime de caixa e o regime de competência derivado do pagamento meramente parcial da contribuição devida. Inexistindo uma das hipóteses dos incisos II a IV do art. 151 do CTN há que ser adotado de forma peremptória o regime de competência, o mesmo utilizado pela pessoa jurídica para registrar os demais atos e fatos contábeis. Concordo que causa espécie o fato de: a) a Lei nº 10.052 não atribuir de pronto a arrecadação da contribuição à Administração Tributária Federal e nem a qualquer outro órgão; b) a recorrente computar e deduzir do IRPJ e CSLL a contribuição devida pelo total, mas recolhêla de forma parcial, sabendose que são mínimas as chances de ser surpreendida por alguma fiscalização específica neste sentido. Todavia, uma vez que os livros fazem prova da obrigação devida, a contribuição pode ser deduzida pelo valor efetivamente devido, ainda que o pagamento tenha sido parcial, posto ser cogente a adoção do regime de competência. O julgador, há que se ressaltar, é aplicador do direito posto, não lhe cabendo legislar positivamente, substituindo o legislador, para produzir decisão que entenda mais justa. Este é um limite imposto pelo próprio Direito. Desta forma, voto no sentido de dar provimento ao recurso neste item, para cancelar a glosa de R$16.186.203,15 relativa a despesa não comprovada relativa ao Funttel. Item 4 – glosa dos valores referentes a lançamento a débito na conta 0060002022, no valor de R$2.226.478,08, ocorrido em 31052006, referente a serviços de suporte a TI. Fl. 3883DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.883 33 Verificase, quanto a este item, que a recorrente acostou aos autos registros de seu sistema de gestão de pagamentos, e as respectivas notas fiscais relativas aos serviços a ela prestados por diversos prestadores de serviço, (DOC. 04), no valor de R$ 2.226.478,08. A DRJ negou provimento ao pedido, porque na comprovação juntada, destinada a comprovar o lançamento a débito ocorrido em 31052006, naquela conta de despesa, foram elencadas sete notas fiscais cujas datas de emissão são: 27032006, 25042006, 05052006, 05062006, 06062006, não mantendo, portanto, relação temporal com o registro da despesa por serem de mêscalendário anterior (27032006, 25042006, 05052006) ou posterior (06 062006). Além disso, para aceitar a composição feita há que se conceber que uma parcela, no valor de R$60.000,00, do lançamento contábil cujo total foi de R$2.226.478,03, utilizou parte do valor de uma nota fiscal cujo montante foi de R$241.084,59. Em síntese, na composição do lançamento, consta como comprovante uma nota fiscal de valor totalmente diferente. Não bastasse isso, na primeira página do referido documento consta como datas de lançamento para aquela notas fiscais os dias 14062006, 05042006, 13102006, 0708 2006 e 03102006, e não 31052006, que é a data do lançamento que se analisa. Ora, verificase que a justificativa não foi aceita porque ela é de composição incompatível com os valores lançados e com as justificativas apresentadas. A recorrente, por seu turno, alega que a emissão da nota fiscal de serviço é de responsabilidade do prestador, e a despesa pode ser lançada mesmo antes da emissão da nota, se já tiver sido incorrida. Este, o motivo da incompatibilidade. Alega, ainda, que os lançamentos têm datas distintas, e não, conforme dito pela DRJ, a data de 31.05.06. Tal assertiva vem fundada em uma planilha acostada ao recurso voluntário. Todavia, quanto a este ponto, verificase do termo de verificação fiscal (fl.2287), em que o auditorfiscal copia o lançamento efetuado, que a data do lançamento – ao contrário da planilha acostada – é efetivamente 31/05/2006, senão vejamos: O momento em que a despesa deve ser registrada é aquele em que é incorrida. Contudo, o conservadorismo impõe que o registro seja feito somente de posse do documento que prova o serviço e o dever obrigacional constituído, exceto se optado por forma diversa em contrato (mas, ainda assim, esta particularidade deverá estar descrita no contrato). Assim, o registro anterior carece de substância e o registro posterior viola princípios contábeis. Não bastasse isso, a questão se agrava quando – como no caso vertente – a composição prestada e a documentação de suporte não é coincidente nem em data nem em valor com o lançamento contábil. Fl. 3884DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.884 34 As provas devem guardar identidade com os fatos para proválos. Quando esta identidade está ausente, elas perdem o poder de a ele se aderirem, e dessa forma, provar a realidade, perdendo, assim, seu poder de prova. Eis o que ocorre no caso presente. Desta forma, nego provimento a este item e mantenho o quanto decidido no acórdão recorrido. Item 5 – glosa da parte das despesas que constaram no item 04, prestação de serviço por pessoa jurídica da Ficha 05A Despesas Operacionais da DIPJ/2007. A parcela glosada referiuse à despesa com serviços de suporte a TI realizado em 30/06/2006, no valor de R$822.925,10. Afirmou a DRJ, quanto a este ponto: Alegou a Interessada que apresentou notas fiscais e respectivos lançamentos contábeis, no valor de R$822.925,10. Ocorre que parcela no valor de valor de R$185.525,10, que compôs o total glosado de R$822.925,10, não correspondeu à soma das notas fiscais apresentadas. A Interessada afirmou que o valor de R$185.525,10 corresponde ao somatório do valor de R$148.571,56 (inserido nas notas fiscais n°s 91322/91323) e de R$36.953,54 (NF n° 92795), conforme documento que anexou. Acrescentou que o valor de R$148.571,56 seria resultante de parcelas contidas nas notas fiscais 91322/91323, cujos valores são R$67.816,56 e R$192.452,38. Analisandose as mencionadas notas fiscais não se verifica qualquer menção que sustente as alegações da Interessada. Em relação às demais parcelas que compuseram o valor de R$822.925,10, ocorreu a mesma discrepância de data e valor entre o registro contábil e as notas fiscais que teriam lhe servido de base. Em algumas notas fiscais os valores não conferem e em outras, as datas são de 05072006 e 17072006. No recurso voluntário, a recorrente nada aduziu, tendo apenas reiterado que as notas fiscais provam o valor de R$822.925,10. Pelas mesmas razões aduzidas no item anterior, relativamente à precariedade das provas colacionadas, nego provimento a este item e mantendo a decisão recorrida. Item 6 – glosa dos valores referentes a lançamento ocorrido em 1810 2006, a débito da conta 63002001, no valor de R$633.509,11, referente a serviços de auditoria/consultoria/assessoria. A glosa feita neste item se refere à não comprovação do lançamento abaixo: Fl. 3885DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.885 35 Para sua comprovação, a recorrente tão somente acostou uma carta (fls.347) sem assinatura, encaminhada à Brasil Telecom S/A, na qual menciona um contrato de interconexão e apresenta uma demonstrativo, no qual consta o item “Repasse de Consultoria Desp. 47 Anatel”, no valor em questão. Nenhum documento que comprovasse o efetivo pagamento ou sua prestação foram apresentados. Em resposta a reintimação, afirmou a recorrente que o pagamento desta despesa ocorreu em um encontro de contas entre a Embratel e a operadora Brasil Telecom (termo de verificação fiscal, fls.2294). A recorrente, na peça recursal entende que a carta deve ser entendida como documento hábil e idôneo. Com tal assertiva não se pode concordar, vez que as despesas, para serem dedutíveis, devem estar lastreadas em documentos que demonstrem tanto o pagamento quanto a efetividade da prestação do serviço. Nenhuma destas duas comprovações pode ser obtida da carta apresentada. Neste sentido, voto para negar provimento e manter a exigência lançada. Item 7 – glosa do valor de R$47.793.634,54, referente a multas, constante na DIPJ/2007. Este item já foi objeto de apreciação no recurso de ofício, vez que a DRJ deu provimento parcial ao pedido para exonerar, dos R$47.793.634,54 o montante de R$28.481.423,28. Com relação a esta matéria, votei no recurso de ofício, para manter a exoneração já efetuada no acórdão recorrido. A recorrente, no recurso voluntário, em que pese o cancelamento de R$28.481.423,28, entende que deva ser exonerado mais. Isto porque afirma que a documentação apresentada no montante de R$27.332.419,65 e exonerada pela autoridade julgadora a quo, foi meramente exemplificativa. Afirma que o valor total ressarcido à Claro e suportado foi efetivamente de R$37.074.836,49. Todavia, não promoveu a juntada da documentação que comprovaria o pagamento da parcela restante, nem de qualquer notificação feita pela Claro no sentido de cobrar a parcela restante, e, por conseguinte, não demonstrou que incorreu na despesa, condição necessária de sua dedutibilidade. Assim, deve ser mantida a exoneração tão somente da parcela efetivamente comprovada (R$27.332.419,65). Com relação às multas de mora, entende que deva ser exonerado o total, incluindo aquelas cujo fato gerador ocorreu nos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005 (não recolhidas em 2006), que restaram com sua glosa mantidas pela fiscalização. Isto porque, como não houve falta ou insuficiência de tributos, mas apenas atraso, devem ser deduzidas integralmente. Todavia, resta asseverar que o montante restou glosado não pelo fato de as multas em questão serem relativas a falta ou insuficiência de tributo, mas por não competirem Fl. 3886DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.886 36 ao período em que foram pagas, e, portanto, não poderem, por isso, ser deduzidas naquele mesmo período. De fato, a mora do devedor é caracterizada (art. 394, Código Civil) no momento em que expira o prazo previsto para pagamento na lei ou convenção estabelecida. No caso de tributos e contribuições, este prazo sempre é previsto pela legislação tributária. Sendo a multa de mora a penalidade cominada em lei para punir a mora, seu fato gerador se dá assim que caracterizada a mora. É verdade que o montante devido pode sofrer acréscimos, caso prolongada a mora, como no caso da legislação federal (Lei nº 9.430/96, art 61.). Todavia, as parcelas já incorridas hão de estar devidamente computadas quando do acréscimo verificado. Neste sentido, segundo o exemplo da legislação federal, ultrapassados 60 dias do prazo para pagamento, referidas multas já haveriam de estar integralmente computadas como incorridas, nada restando para ser deduzido após este período, em obediência ao princípio da competência. Desta forma, nego provimento e mantenho a decisão recorrida no tocante a este item. Item 8 – glosa dos valores referentes aos seguintes lançamentos: R$825.397,25 em 28042006, ocorrido na conta 0060001106; R$2.590.093,35 em 31072006, ocorrido na conta 63001105; R$2.258.982,45 em 29092006 ocorrido na conta 63001105; e R$3.021.874,42 em 31122006, ocorrido na conta 63001105. Quanto ao valor de R$825.397,25, mencionou a DRJ que o total das notas fiscais apresentadas pela recorrente não corresponde ao que constou no lançamento contábil. Na peça recursal afirma a recorrente que os valores questionados pela fiscalização têm relação exata e direta com sua atividade operacional. Afirma, ainda, que o tempo para levantar a documentação foi exíguo. No que tange ao valor de R$2.590.093,35 afirma a DRJ que a nota fiscal apresentada pela Interessada no DOC.07, foi emitida em 18052006 e o lançamento contábil ocorreu em 31072006. Além disso, o total da nota fiscal não corresponde ao valor que constou no lançamento contábil. Relativamente ao valor de R$2.258.982,45, a recorrente alegou que a despesa não gerou impacto no lucro tributável, pois em 31/07/2006 já havia restituído seu valor a crédito de resultado na conta 11214080, relativo ao estorno do serviço de Cobilling. Em resposta à fiscalização (fls.2300) a recorrente alegou que a documentação estava em processo de localização. A DRJ, todavia, concluiu que não é possível chegarse à conclusão que chegou a recorrente, posto que não há como verificar na escrita que a alegada reversão foi efetivamente realizada na escrituração da recorrente. Demais disso, o Doc 9 não prova que a alegada reversão foi efetivamente realizada na escrita da recorrente. No recurso voluntário, a recorrente nada aduziu em complemento à sua alegação inicial. Fl. 3887DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.887 37 Sobre o valor de R$3.021.874,42 a recorrente informa que acostou notas fiscais no referido montante. Todavia, além das notas fiscais estarem ilegíveis, os valores não coincidem com o lançamento contábil. Novamente, no recurso voluntário, nenhum novo dado foi oferecido à análise. A prova das despesas lançadas deve ser feita por meio de documentos hábeis e idôneos. Além disso, os documentos apresentados devem guardar identidade, em data e valor, com os lançamentos contábeis efetuados. Na sua inexistência, ou na presença de documentos que não satisfaçam tais condições, é cabível a glosa pela autoridade fiscal. Desta forma, voto por negar provimento e manter o quanto decidido, nesta matéria. Item 9 – glosa dos valores referentes aos seguintes lançamentos ocorridos na conta 0060001106 Cobrança, outras operadoras, comercial: R$2.384.934,83 em 31072006; R$3.454.722,70 em 31072006; R$3.164.931,76 em 31082006; R$3.299.201,16 em 31082006; R$6.234.397,28 em 31122006. Sobre esta glosa, assim se pronunciou a DRJ: Alegou a Interessada que tratase de estorno de receita relativa a serviços faturados a clientes de outras operadoras, e que embora tenha reconhecido a receita de prestação de serviços, não realizou essa receita na prática, tendo recebido das operadoras envolvidas valor inferior. Os estornos apresentados pela Interessada nos autos já foram considerados pela Fiscalização, devendose reiterar que o estorno de lançamento efetuado no ano de 2006, deve ocorrer no mesmo ano, sob pena de violação do princípio da competência. Na peça recursal, a recorrente não aduziu novas razões, limitandose a afirmar que as despesas foram efetivamente incorridas. Verificase, de fato que a fiscalização considerou os estornos já defendidos pela recorrente, e os retirou da glosa, senão se veja (termo de verificação fiscal, fls.2304): Fl. 3888DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.888 38 O estorno relativo ao lançamento de R$3.299.201,16 não foi aceito pois o estorno apresentado data de 28/02/2007, e, portanto, no anocalendário em questão o suposto estorno não teve qualquer reflexo. Desta forma, correta a manutenção da glosa. Item 10 – glosa dos valores referentes aos seguintes lançamentos ocorridos na conta 63002401, comissões a representantes prépago: R$8.018.922,84 em 05/09/2006; R$1.335.863,42 em 05/09/2006; R$ 68.236,32 em 14/09/2006. Este item também já foi objeto de apreciação no recurso de ofício, vez que a DRJ deu provimento parcial ao pedido para exonerar a parcela de R$14.115,60, composta das parcelas de R$6.622,20 e R$7.493,40, relativas aos contratos de prestação de serviços e extratos bancários do Banco do Brasil apresentados, relativo aos meses de abril (conta bancária n° 63614) e julho (contas bancárias n° 63614 e 63622). Com relação a esta matéria, manifesteime no sentido de manter a exoneração feita no acórdão recorrido. A recorrente, no recurso voluntário, em que pese a exoneração de R$14.115,60, entende que deva ser exonerado mais. Todavia, não apresenta novos argumentos. Reitera, apenas, que as instituições financeiras não emitem nota fiscal e limitamse a prestar contas desses serviços por meio de débito no extrato bancário. Com relação aos extratos, reitera, também, que apresentou os documentos por amostragem dado o exíguo tempo que teve para buscar a documentação. Do relato da DRJ, vêse que o valor pago às instituições financeiras é igual para todas elas, R$0,60 (sessenta centavos). Preliminarmente, vêse, portanto, que a recorrente logrou fixar a remuneração das instituições financeiras, não se podendo acatar, assim, sua impotência diante delas, e sua resignação em aceitar como documento fiscal tão somente os extratos bancários. Tratase de uma gigante das telecomunicações, e não de mero e pequeno correntista, à quem simplesmente resta aderir às cláusulas contratuais estipuladas pela instituição financeira. No que tange ao fato de terem sido apresentados documentos de apenas dois meses, é cediço que a prova das despesas deduzidas, se destinada a alçar a condição de dedutibilidade do lucro real, não pode ser, jamais, feita por amostragem. Há que se comprovar item a item os valores deduzidos mediante apresentação dos comprovantes que lastreiam o lançamento da despesa. Ao fiscalizado não é dada a prerrogativa de trabalhar por amostragem, Fl. 3889DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.889 39 tendo ele o dever de armazenar e de apresentar a documentação de suporte sempre que requisitado pela fiscalização (art. 251, 927 e 928, RIR/99). Não há falar, ainda, em falta de oportunidade de defesa. A recorrente não apresentou documentos durante o procedimento fiscal, mas tão somente na impugnação. Ainda assim, a DRJ converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização analisasse os documentos acostados. Esta oportunidade não foi aproveitada pela recorrente para complementar a documentação, e mesmo posteriormente, no curso do processo administrativo, não foram acostados documentos suplementares, limitandose a recorrente a repetir as razões já deduzidas na peça impugnatória. Especificamente, no que tange às despesas contraídas pela Vésper São Paulo S/A com o HSBC não há como aceitar sua dedutibilidade, vez que deverão ser deduzidas da base de cálculo dessa subsidiária. Quanto às despesas contraídas junto à Caixa Econômica Federal (98% da despesa glosada), verificou a fiscalização que no contrato (datado de 2007) apresentado, há menção à existência da relação comercial desde o ano de 2001 e à intenção de se efetuar um acerto de pendências comerciais surgidas entre 2002 e 2004 no montante de R$ 2.309.259,36. Assim, como consta no próprio contrato, tal valor representaria pendências ocorridas entre os anoscalendário 2002 e 2004, que não podem ser apropriadas em 2006. Além disso, a recorrente sequer demonstrou que tais valores não haviam sido deduzidos naqueles anos calendário. No que tange aos extratos bancários, as cópias apresentadas são de péssima qualidade, impossibilitando em algumas situações a própria leitura, além do que abrangem somente o período de 04/04/2006 a 03/05/2006 e 04/07/2006 a 01/08/2006. Além disso, a rubrica "DEB TARIFA", presente nos registros assinalados pela recorrente como referentes à despesa em análise, também está presente em vários outros registros não assinalados, sendo utilizada, assim, de forma genérica e imprecisa, não possibilitando o reconhecimento preciso do gasto como pagamento de comissão por venda de prépagos. Por fim, nenhum outro documento emitido pela Caixa Econômica Federal foi apresentado em relação a este item. A contabilidade deve estar alicerçada em provas inequívocas das despesas a que se busca deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Documentos ilegíveis não se prestam a tanto. Documentos que trazem dizeres genéricos precisam ser aclarados, pois podem, em tese, ser deduzidos em diversas outras contas contábeis, havendo o dever de precisar sua natureza, que deverá estar de acordo com a conta contábil que o registra. Documentos de despesas relativas a períodos anteriores não podem ser deduzidos no anocalendário corrente. Por fim, o dever de apresentar prova documental não pode ser atendido por amostragem. Relativamente às despesas relativas ao Bradesco, não foi apresentado o contrato de prestação de serviços. A recorrente pretende a dedutibilidade tão somente alicerçada nos extratos bancários. Todavia, estes apresentam apenas rubricas genéricas do tipo “TAR. S/REC. DIVER” completadas por observações manuscritas com os dizeres “Tarifa Pré Pago”. Desta forma, não são suficientes para comprovar a despesa, posto ser impossível correlacionar as informações genéricas dos extratos bancários com a rubrica contábil que constou na escrituração. Desta forma, voto por negar provimento e manter o lançamento quanto a este item. Fl. 3890DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.890 40 Item 11 – glosa dos valores referentes aos seguintes lançamentos ocorridos na conta 0067059900, “Outras Despesas”, no valor de R$32.024.435,89. Tais despesas, segundo a recorrente referemse a estorno de receitas faturadas à Claro decorrentes de chamadas telefônicas transitadas por suas centrais de trânsito, através dos terminais dos clientes pertencentes a Claro, conforme contrato firmado entre as partes, (Doc. 14). Todavia, alega a recorrente, tais receitas de faturamento houveram de ser estornadas pois a Claro não logrou êxito em cobrar os valores correspondentes de seus clientes, que rejeitaram as chamadas. Assim se manifestou a DRJ sobre esta matéria: Do exame dos registros contábeis apresentados, constatase que a Fiscalização já considerou parte dos estornos, uma vez que na escrituração consta que foi debitado o valor de R$42.200.808,70 e creditado/estornado o valor de R$10.176.372,81 na conta 0067059900 OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, objeto da autuação, restando o valor autuado de R$32.024.435,89 na mencionada conta 0067059900 em contrapartida a uma conta de ativo cuja denominação é VALORES FATURADOS COBILLING – CLARO. Registrese que a Interessada não acostou aos autos qualquer documento emitido pela Claro. Os documentos acostados pela Interessada, Doc. 14, em nada lhe beneficia uma vez que trata de informações operacionais genéricas ligadas a cofaturamento e repasses entre as empresas ali denominadas de compromissadas e compromissária no âmbito dos serviços de telecomunicações. A parte final do Doc.14, que a Interessada referese a relatórios diários das chamadas rejeitadas pela Claro, não são conclusivos, pois, não há como vincular as informações que ali residem com a contabilidade. Além disto, a Interessada não comprovou que a receita tida como estornada foi anteriormente contabilizada e tributada. Reitera a recorrente no recurso voluntário que nunca recebeu da Claro o valor de R$32.024.435,89. Aduziu, ainda, que demonstrou todos os procedimentos entre as operadoras, inclusive o lay out de arquivos de retorno de chamadas. Novamente, vêse que permanecem sem explicação: a) o registro de um estorno de receitas em conta de despesa; b) a efetiva demonstração de que anteriormente levou ao resultado a receita de R$32.024.435,89; c) a inexistência de qualquer documento emitido pela Claro. Desta forma, nego provimento e mantenho a glosa deste item. Fl. 3891DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.891 41 Item 12 – glosa dos valores referentes aos seguintes lançamentos ocorridos na conta 0067059900, Outras Despesas, no valor de R$1.698.424,80. Este item trata da glosa de valores, segundo a recorrente, relativos a estorno de atualização do seu direito de crédito tributário do PIS, obtido com base no trânsito em julgado de decisão judicial para repetição de indébitos, que lhe afastou a aplicação dos Decretos nº 2445/88 e 2449/88, em obediência aos quais alega a recorrente, foi efetuado o recolhimento da contribuição no período de 07/1988 a 08/1995. Em 24/08/2005 foi certificado o trânsito em julgado da decisão favorável à recorrente. Em 15/02/2006, ingressou com Pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado perante a Receita Federal. O pedido foi deferido em 23/10/2006. Assim procedeu à compensação de parte do crédito. Restou o saldo remanescente de R$19.896.547,01, o qual estava eivado de erro, por atualização a maior com base na taxa Selic. Desta forma, conforme prossegue a recorrente, o valor de R$1.698.424,80 correspondeu ao valor estornado decorrente da atualização a maior do crédito de PIS. A fiscalização glosou o dito estorno, pois não verificou o lançamento original equivocado que teria dado causa ao estorno. Vejamos (termo de verificação fiscal, fls.2310): Quanto a este item, afirma, primeiramente, a recorrente que Fl. 3892DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.892 42 Ora, está claro que a Recorrente registrou ao longo do tempo a atualização monetária e juros do seu crédito de PIS a recuperar, o que contribuiu para incremento de seu lucro. Isso fez de boafé e respaldada em opiniões técnicas contundentes. Posteriormente, identificou também de boa fé que a atualização monetária antes reconhecida à receita fora excessiva. Verificando o seu equívoco, prontamente ajustou a sua contabilidade para estornar este valor. Se a receita é tributável, o estorno é dedutível, ambos operacionais e necessários, vinculados à atividade da contribuinte. Posteriormente, e de forma contraditória, afirma adiante que: Ora, conforme já exposto acima, não há que se falar em tributação de valores estornados, vez que os mesmos não produzem qualquer efeito contábil, motivo pelo qual a decisão recorrida ao alegar que o valor corrigido monetariamente não foi tributado não merece prosperar. Ocorre que se o lançamento atual é feito para corrigir o lançamento anterior, e – conforme afirmado pela recorrente inicialmente – este valor do lançamento anterior, computado como receita (a contrapartida do aumento do direito de crédito de PIS) é afirmado tributado, então deveria a recorrente demonstrar que efetivamente o levou à tributação. Este é o sentido do que afirmou a DRJ ao dizer que constatase do exame do mencionado Doc.12, que a Interessada não comprovou que, anteriormente ao alegado estorno, não tributou o montante que corrigido monetariamente, correspondeu ao valor glosado, isto é, ao valor objeto do estorno, R$1.698.424,80. A DRJ foi além, e constatou que Do exame dos documentos de fls.3.249/3.255, não há como se concluir que a diferença da correção foi no valor alegado, os R$1.698.424,80. Em outras palavras, do exame dos documentos acostados aos autos, não há como se verificar como foi apurado o valor de R$1.698.424,80, uma vez que não constam os períodos que ocorreram as alegadas diferenças com os respectivos cálculos parciais e percentuais de correção. Assim: a) o lançamento original que deu causa ao estorno não foi encontrado; b) também não foi demonstrado que o valor supostamente contabilizado a maior, relativamente à atualização do crédito, foi efetivamente tributado; c) não foram fornecidos os referidos cálculos que demonstram o erro a que diz ter chegado a recorrente, de maneira que não há como se concluir que a diferença da correção estabeleceuse no patamar alegado, ou seja, R$1.698.424,80. Neste sentido, voto para negar provimento e manter o lançamento efetuado. Infração 002 (exclusões não autorizadas) Fl. 3893DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.893 43 (i) Fatos Afirma a DRJ no voto condutor do acórdão recorrido: Conforme relatado, a Fiscalização reportou que a Interessada realizou exclusões não autorizadas pela legislação do imposto de renda de valores do lucro líquido. Consta no Termo de Verificação que, conforme linha 37 da FICHA 09A DEMONSTRAÇÃO DO LUCRO REAL da DIPJ 2007, a Interessada excluiu do lucro líquido para fins de apuração do Lucro Real o montante de R$1.247.120.924,46, sob denominação de “OUTRAS EXCLUSÕES”, sendo que, conforme o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (fls.5/12), verificouse que do montante acima, R$884.373.203,33 referiam se à exclusão em virtude de Reversão de PDD (Provisão para Devedores Duvidosos). Dentro do montante de R$884.373.203,33, excluído a título de reversão de PDD, R$552.560.621,49 teriam sido relativos a perdas efetivas no recebimento de valores dos clientes da Interessada. Tal montante de R$552.560.621,49 foi debitado da conta contábil 11290200 PROV P/CRED DE LIQUID DUVIDOSA RET (ANEXO 8), cujas contrapartidas a crédito foram na conta valores faturados voz básica (conta n° 0011210500). Concluiu a Fiscalização que a Interessada acumulou créditos com clientes que, de acordo com a sistemática estabelecida pela Lei n°.9.430/96, já poderiam ter sido baixados como perdas efetivas durante os anoscalendário de 2002, no valor de R$110.763.068,25; 2003, no valor de R$133.891.116,69; 2004, no valor de R$98.858.270,36; 2005, no valor de R$96.461.175,51; conforme demonstrado no Termo de Verificação, fls.2.313. Assim, do total de R$552.560.621,49, R$437.190.534,09 foram indevidamente baixados no ano de 2006. Por seu turno, alegou a Interessada que a autoridade fiscal, ao deduzir as perdas em crédito nos anos de 2003, 2004 e 2005, não encontrou tributos a pagar sobre o lucro. Por outro lado, a Interessada apurou lucro real positivo nestes anos e efetuou o pagamento de Imposto de Renda e Contribuição Social. Portanto, houve, na realidade, antecipação de imposto, sequer postergação do pagamento do mesmo, sem nenhum prejuízo ao Fisco. Traçado o litígio, cabem as seguintes observações. Conforme Termo de Verficação, fls.2.323, item “Tratamento Contábil e Fiscal Adotado pelo Contribuinte relativo às Perdas de Créditos”, a Fiscalização consignou que a Interessada quando constituíu provisão na escrituração, efetuou a correspondente adição no LALUR, e quando, a provisão era debitada, isto é, baixada na escrituração, efetuou a correspondente exclusão no LALUR. Tal procedimento foi Fl. 3894DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.894 44 acolhido pela Fiscalização conforme observações feitas às fls.2.323/2.324 do referido Termo de Verificação. Contudo, às fls.2.324/2.325, no Termo de Verificação, a Fiscalização registrou que a Interessada realizou um planejamento tributário representado pela constituição de um “estoque de perdas”, para exclusão no LALUR no momento mais favorável, e com vistas a provocar significativa redução de sua carga tributária, nos termos já acima mencionados. Portanto, no ponto de vista da Fiscalização, a ilegalidade residiu no momento em que foram registradas as perdas de crédito. É incontroverso que a Interessada utilizou perdas de créditos em 2006, que poderiam ter sido utilizadas em 2002, 2003, 2004 e 2005. A legislação que rege as perdas no recebimento de créditos, artigos 9o a 12, da Lei n° 9.430/96, determina: Art. 9o As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo.(Grifado agora) § 1o Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; Fl. 3895DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.895 45 IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordataria, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5o. § 2o No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3o Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. § 4o No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. § 5o A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordataria poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6o Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1o do artigo anterior; II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1o Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2o Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3o Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a Fl. 3896DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.896 46 receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. § 4o Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor. Art. 11. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo. § 1º Ressalvadas as hipóteses das alíneas a e b do inciso II do § 1° do art. 9o, o disposto neste artigo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito. § 2o Os valores excluídos deverão ser adicionados no período de apuração em que, para os fins legais, se tornarem disponíveis para a pessoa jurídica credora ou em que reconhecida a respectiva perda. § 3o A partir da citação iniciai para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro líquido, para determinação do lucro real, os encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data. § 4o Os valores adicionados a que se refere o parágrafo anterior poderão ser excluídos do lucro líquido, para determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma. Do texto legal acima reproduzido, é de se concluir que as perdas no recebimento de créditos somente poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, se forem observados os requisitos ali previstos. Em outras palavras, somente após consolidadas todas as situações fáticas previstas na referida Lei é que o contribuinte pode reconhecer como despesas os créditos não honrados pelos respectivos devedores. Uma vez ocorrido o preenchimento dos requisitos, o contribuinte poderá utilizar as despesas, que, como regra geral, são de uso facultativo. Assim, não havendo lesão ao Fisco, a utilização das despesas pode ocorrer quando aprovier ao contribuinte, uma vez que, a não utilização no momento que foram preenchidos os requisitos não tem o condão de extinguir o direito a sua dedução. No presente caso, a Fiscalização, tanto no Termo de Verificação, fls.2.324/2.326, quanto no Relatório de Diligência Fiscal, fls.3.488/3.489, sustentou que, a Interessada com base num planejamento tributário que levou em conta os efeitos gerados Fl. 3897DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.897 47 em um significativo lapso temporal, optou por não deduzir as perdas no recebimento de créditos no período em que deveriam ter sido deduzidas, (anos de 2003 a 2005), mas, tãosomente em 2006, em decorrência da perspectiva de que, a médio ou longo prazo, a sistemática adotada resultaria em expressiva economia tributária, em prejuízo do Fisco. Neste sentido, no entendimento da Fiscalização, a lesão ao Fisco revelouse no fato de o total do Lucro Real antes da Compensação de Prejuízos acumulado entre os anos de 2003 a 2006, na forma calculada pela Interessada, foi de R$359.849.569,26, fls.3.487, do Relatório de Diligência Fiscal, ao passo que, se as perdas tivessem sido reconhecidas, respectivamente, nos anos de 2002 a 2005, o total daquele lucro de 2003 a 2006, teria sido de R$698.044.275,71. Quanto a esta conclusão, há de se considerar a observância do princípio da autonomia dos exercícios financeiros na apuração e tributação do lucro real do ano, para fins de qualquer tipo de análise objetivando imposição tributária. É bem verdade que, por expressa disposição legal, a compensação de prejuízos excepciona o mencionado princípio. Contudo, tal fato não é suficiente para que se passe a analisar o somatório de lucros de um período composto de mais de um exercício financeiro para se concluir sobre o cometimento ou não de infração tributária num dado anocalendário. O lucro tributável é apurado num exercício específico, a partir do lucro líquido, com as adições e exclusões autorizadas em lei, sob pena de o lucro real, trimestral ou anual, não mais restar vinculado a fato gerador trimestral ou anual. Assim, qualquer análise que inclua, de forma acumulativa, mais de um anocalendário, viola o princípio da autonomia dos exercícios financeiros, devendo, pois, a Fiscalização, na espécie, ter o ônus de comprovar que, especificamente em determinado exercício financeiro, a não utilização das perdas a ele apropriáveis em decorrência dos ditâmes dos artigos 9o a 12, da Lei n° 9.430/96, houve lesão ao Fisco, isto é, em determinado anocalendário, houve recolhimento a menor de IRPJ e/ou CSLL. Do exame dos demonstrativos de fls.2.325, do Termo de Verificação Fiscal, constatase que nos anos de 2003, 2004 e 2005, a Interessada apurou Lucro Real com recolhimento de IRPJ e CSLL. Por outro lado, considerando as perdas nestes mesmos anos, conforme os referidos demonstrativos a Interessada teria apurado prejuízo fiscal, que por certo, em qualquer circunstância, teria direito à compensação de ofício pela Autoridade Fiscal. Portanto, em relação aos mencionados anos, a Fiscalização não comprovou que a conduta da interessada logrou lesão ao Fisco, sendo certo que, além da compensação dos prejuízos, Fl. 3898DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.898 48 também teria direito à restituição/compensação dos tributos se fosse mantido o entendimento da Fiscalização. Por outro lado, para o ano de 2002, revelase clara a lesão ao Fisco na medida em que, a Interessada ciente do prejuízo do referido ano, optou por não utilizar as perdas de crédito referentes a 2002. Neste sentido, voto por dar provimento parcial à impugnação para glosar o valor de R$110.763.068,25, exonerando o valor de R$326.427.465,80. Da CSLL. Tratandose dos mesmos fatos, a decisão da autuação da CSLL segue a mesma sorte do que foi decidido quanto ao IRPJ. (grifos meus) Optou, portanto, a DRJ por exonerar, do montante de R$552.560.621,49 relativo à conta 11290200 PROV P/CRED DE LIQUID DUVIDOSA, o valor de R$326.427.465,80, mantendo, todavia, a glosa de R$110.763.068,25, que corresponde às perdas no recebimento de crédito referentes a 2002, ano em que a recorrente experimentou prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Por outro lado, a parcela exonerada (R$326.427.465,80) é relativa a perdas no recebimento de crédito relativas aos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, anos em que a recorrente obteve resultado positivo. (ii) Possibilidade de aplicação do art. 9º da Lei nº 9.430/96 em exercício fiscal posterior àquele em que ocorre o fato gerador da receita Antes de ingressar na matéria fática constante dos autos, há que se decidir primeiramente sobre a possibilidade de se aplicar no ano X+N o referido art. 9º, no que tange a perdas relativas a receitas computadas no ano X. Isto porque uma consideração inicial que deve ser feita é a de que tanto o IRPJ quanto a CSLL estão vinculados a um exercício fiscal. Isto deriva da própria noção de renda, como fluxo, como acréscimo patrimonial verificado em determinado intervalo de tempo. Ora, de se crer que o intervalo de tempo é primordial para que se estabeleça os limites em que se deva considerar o patrimônio, no seu montante inicial e montante final. A legislação federal foi totalmente moldada sob esta perspectiva. Assim, as receitas e as despesas devem ser computadas sob regime de competência, logo que, respectivamente, auferidas e incorridas. Todavia, o legislador previu algumas exceções a este molde. Nele se inclui, por exemplo, a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL em períodos distintos daqueles em que se apura a renda e os proventos de qualquer natureza. Tais exceções se justificam com base na continuidade da pessoa jurídica, que não é criada para se extinguir ao final do exercício, mas para permanecer no tempo. Fl. 3899DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.899 49 O caso vertente cuida do registro de perda no recebimento de crédito (art.9º da Lei nº 9.430/96) cujo registro é sujeito a condições. Vejamos. Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. Desde logo, verificase que as condições têm por finalidade impedir que créditos ainda passíveis de recebimento sejam computados como perda. Assim, ou bem a condição de dedutibilidade sujeitase à manifestação do Poder Judiciário quanto à insolvência do devedor (incisos I e IV), ou bem sujeitase ao atendimento de uma condição dupla: a) decorrer do tempo e; b) tomada de medidas pelo credor (incisos, II e III). Relativamente à tomada de medidas pelo credor, uma exceção é feita (alínea “a”) e se justifica na praxis dos negócios, pois a adoção de medidas mais efetivas para a cobrança amigável de créditos de valor inferior a R$5.000,00 tornaria mais cara a cobrança que a perda. O decorrer do tempo, por sua vez, também se justifica com base na praxis dos negócios. Isto porque, em diversas situações, para se receber são necessárias concessões de prazo para o pagamento e além disso, o esgotamento da cobrança amigável também passa pela a adoção infrutífera de várias tentativas sucessivas no tempo. Fl. 3900DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.900 50 Assim, nos incisos II e III do §1º do art. 9º são criadas condições mínimas de decurso de prazo para que se possa computar o valor não recebido como perda. O estabelecimento desses prazos (seis meses, um ano, ou dois anos) obrigatoriamente impõe a aplicação da norma de dedutibilidade em exercício diverso daquele do cômputo da receita. Assim, como conclusão inicial, vêse que obrigatoriamente deve o aplicador, em algumas hipóteses, aplicar da regra de dedutibilidade em exercício futuro ao do cômputo da receita, para que sejam atendidas as regras de dedutibilidade estabelecidas no art. 9º da Lei nº 9.430/96. Notase, assim, que é a própria redação do dispositivo que obriga a esta conduta. (iii) O caso dos autos Uma segunda questão aventada nos autos trata da existência de prazo máximo para a dedutibilidade. Neste caso, há que se ressaltar primeiramente que, em princípio, o retardo no registro da perda não é, em tese, prejudicial ao Fisco, pois posterga eventual redução do lucro real e de tributo a receber. Todavia, a autoridade fiscal entende que neste caso o postergamento foi deliberado, planejado, com vistas a possibilitar a dedução de despesas no momento de obtenção de lucro elevado. Tal situação, se de fato comprovada, não pode escapar à sensibilidade do julgador. Ocorre que, no caso vertente, alguns fatos parecem infirmar esta hipótese. A primeira delas é a existência de lucro real nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005. Ora, se verificou ocorrência de lucro, e portanto, de tributo a pagar nestes exercícios não há motivo para a recorrente manter parte das perdas fora desta condição. A ausência de racionalidade empresarial desta decisão causa estranheza. Tal existência de lucro nesses exercícios motivou a decisão do julgado a quo em exonerar, do crédito lançado, a parcela de perdas relativas a tais anoscalendário. Todavia, no anocalendário de 2002 a recorrente obteve prejuízo, e, portanto, relativamente à parcela de perdas deste exercício foi mantida, por ter entendido o colegiado que neste caso houve prejuízo ao Erário. Ora, a contrario sensu, vejo que, aparentemente, o dito “planejamento tributário”, se efetivamente ocorrido, não parece ter sido dos melhores, coisa rara de se ver para contribuintes deste porte. Além disso, embora a decisão a quo tenha sido, de certa forma, salomônica, incomodame mantêla, posto que para isto deveria concordar com o casuísmo por ela criado. Assim, sabendose que nos anoscalendário em que se verificaram as perdas houve tanto lucro nuns como prejuízo noutros, entendo que ou era ou não era possível manter a dedutibilidade, mas sempre pelo seu total, independentemente dos resultados obtidos. A idéia de se segregar a dedutibilidade pela efetiva existência de lucro ou prejuízo no anocalendário respectivo depende da aplicação de uma norma que necessariamente tem de ser criada pelo julgador, porque não está positivada. Além disso, ela parte do pressuposto de que o planejamento tributário não ocorreu, porque muito ruim, o que infirma a tese adotada pela fiscalização. Fl. 3901DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.901 51 A recorrente afirma que deixou de deduzir nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005 as perdas pois não havia segurança nas informações de faturamento. Aduz, ainda, que a estatística de cobrança demonstrava um índice de inadimplência acima do normal e desejável e um índice de recuperação de crédito bastante alto, o que sugeria que as perdas não eram efetivas, mas decorrentes das dificuldades de cadastro e localização dos clientes para cobrança. Segundo ressalta, tal fato pode ser provado pelas campanhas desenvolvidas nos anos de 2005 e 2006, visando à diminuição do nível de inadimplência. Além disso, a recorrente contratou especialistas em cobrança para colaborar na ação de cobrança. Deste modo, somente em 2006 percebeu estabilidade nas estatísticas de cobrança. A recorrente também contratou a KPMG Assessores Tributários Ltda, que constatou inconsistências que retratam que em 2003 e 2004, havia grande número de faturas ditas “em atraso” relativas aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 que foram efetivamente liquidadas no mesmo período, conforme relatório conclusivo acostado aos autos. Da tabela coligida pela recorrente, verificase que houve sensível redução da arrecadação de valores não recebidos, a partir dos anoscalendário de 2005 e 2006, sendo que a partir de 2007 verificase uma estabilização da arrecadação deles. Reproduzoa, pelo seu valor explicativo: Além disso, o relatório de auditoria feita pela KPMG retrata que os prazos mínimos estabelecidos no art. 9º da Lei nº 9.430/96 são bastante inferiores àqueles em que a recorrente logra recuperar os créditos de seus clientes (fl.3663), chegando, em certos períodos, ao prazo médio de 559 dias para recebimento de faturas de clientes inadimplentes. O relatório, ainda, concluiu que a recorrente busca exaurir todas as possibilidades de recebimento das faturas não pagas e que somente reconhece as perdas no recebimento dos respectivos créditos quando esgotadas as ações de cobrança. De outro lado, a afirmação da fiscalização de que a recorrente deliberadamente criou, mediante planejamento, um “estoque de perdas” para utilização futura, não se baseia em elementos adicionais, mas tão somente da interpretação que fez dos fatos apurados em fiscalização, relativamente ao cômputo tardio das perdas no anocalendário de 2006. O professor Eurico de Santi, contratado pela recorrente para formular parecer sobre o caso, mostrou que o vocábulo “poderão” utilizado no caput do art. 9º (norma de Fl. 3902DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.902 52 conduta) diverge daquele utilizado no §1º (norma de presunção). Isto porque, de acordo com o referido §1º, o fato presumido da “perda no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica” (F2) relacionase com os fatos presuntivos F1’, F1”, F1’” e F1””. De fato, conforme mencionei acima, é condição para o registro como perda o atendimento das condições estabelecidas nos incisos I a IV (F1’, F1”, F1’” e F1””). E como bem observado no parecer, tais fatos, uma vez verificados, embora autorizem o registro como perda e sua dedutibilidade, são meras presunções da perda, já que a perda em si, real, ainda depende de outros elementos para ser configurada. Nessa linha está a própria disciplina da matéria, vez que o art.12 da mesma Lei nº 9.430/96 prescreve o cômputo no lucro real dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados. Destarte, por todos os elementos acima, não me parece, ou ao menos, não restou provado, que a recorrente tenha deliberadamente formado os tais “estoques de perda”, conforme alega a fiscalização. Em sentido contrário desta afirmação, a recorrente acostou provas que demonstram – sem que assim o tenha dito – alguma desorganização interna, que a levou a não deduzir, nos anos de 2003, 2004 e 2005 as perdas computadas somente em 2006. Além disso, segundo as provas acostadas, promoveu grande cobrança nos anos de 2003 e 2004 (conforme tabelas e relatório da KPMG), possuía incoerência de dados no seu sistema de controle interno (relatório da KPMG), que a levava a crer que detinha perdas que já haviam sido liquidadas, e não confiava no seu sistema de cobrança. Entendo, pois, que deva ser aceito o fato de que somente teve certeza de que referidas perdas revestiam esta qualidade no anocalendário de 2006. Adotada esta premissa, deve ser abandonada a idéia de que o reconhecimento postergado baseouse em planejamento tributário. Tal conclusão, somada ao fato de que deve ser reconhecida a produção de efeitos da norma de dedutibilidade em ano posterior ao do exercício fiscal em que computada a receita (conforme acima apreciei) leva à conclusão de que a perda deva ser considerada como dedutível no anocalendário de 2006. Assim, voto para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, quanto à esta matéria, para que seja integralmente exonerado o crédito relativo à infração 002. Desta forma, voto para: a) dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a glosa relativa ao item 3 da infração 001, no valor de R$325.091,20; b) dar provimento parcial ao recurso voluntário para: b.1) exonerar a parcela mantida, relativa à infração 002, no valor de base de cálculo de R$ R$110.763.068,25, que corresponde às perdas no recebimento de crédito referentes ao anocalendário de 2002; b.2) exonerar a parcela correspondente à glosa de R$16.186.203,15, com relação à despesa não comprovada relativa ao Funttel (item 2 da infração 001). Sala das Sessões, 08 de outubro de 2013. Fl. 3903DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.903 53 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Voto Vencedor Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Redator Designado Em que pese o bem elaborado e fundamentado voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou a conclusão diversa, exclusivamente no que tange ao recurso voluntário: (i) item 7 da infração 001; e (ii) item 9 da infração 001. Passo a tratar de cada um dos pontos acima, expondo os fundamentos da divergência e as conclusões às quais chegou o Colegiado. i) Infração 001 – Item 7 – glosa do valor de R$47.793.634,54, referente a multas, constante na DIPJ/2007. Ao discutir a glosa de que trata este item, ficou evidenciado que parte dos valores glosados se refere a multas de mora por atraso/insuficiência no recolhimento de tributos, da competência dos anos de 2002, 2003, 2004 e 2005, apropriados ao resultado apenas em 2006, caracterizando assim a inobservância do regime de competência. Tal situação é disciplinada pelo art. 273 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), in verbis: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 6º, §5º): I – a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II – a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. §1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no §2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §6º). §2º O disposto no parágrafo anterior e no §2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Fl. 3904DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.904 54 O que ocorreu, no caso concreto, foi a apropriação de despesas em período posterior àquele em que incorridas, o que, salvo prova em contrário, não causa qualquer prejuízo à Fazenda Pública. Não há nos autos qualquer afirmação no sentido de que as multas não tenham sido incorridas ou comprovadas. Ao contrário, o único fundamento para negar sua dedutibilidade foi a inobservância do regime de competência. Não tendo sido o lançamento feito de acordo com as disposições legais acima transcritas, nem constando dos autos qualquer tentativa de aprofundamento no sentido de provar a postergação no pagamento de imposto ou a redução indevida do lucro real, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, quanto a este item 7 da infração 001, para acolher a dedutibilidade das multas de mora de períodos de competência anteriores a 2006. ii) Infração 001 – Item 9 – glosa de valores referentes a lançamentos ocorridos na conta 0060001106 Cobrança, outras operadoras, comercial. Quanto a este item, a divergência surgiu exclusivamente no que tange à glosa de despesa no valor de R$3.299.201,06, lançado contabilmente em 31/08/2006. A defesa alegou e provou que o lançamento contábil foi estornado em 28/02/2007, diante do que pediu o cancelamento da glosa. A justificativa não foi aceita, por considerar o julgador em primeira instância que “o estorno de lançamento efetuado no ano de 2006, deve ocorrer no mesmo ano, sob pena de violação do princípio da competência”, com o que concordou o ilustre relator do processo em segunda instância. Com o devido respeito, o colegiado divergiu. Mais uma vez, o Fisco não observou que à redução do resultado no anocalendário 2006 (pela apropriação da despesa) correspondeu um acréscimo no resultado do anocalendário seguinte (pelo estorno da despesa, sobre o qual não há discussão). Em sendo assim, também quanto a este item caberia aprofundar as investigações e, se fosse o caso, efetuar o lançamento em conformidade com as disposições do art. 273 do RIR/99, acima transcrito. Diante disso, o colegiado decidiu por cancelar a exigência, quanto à glosa de despesa de R$3.299.201,06, neste item 9 da infração 001. iii) Conclusão No mais, a decisão se deu conforme o bem fundamentado voto do ilustre Relator. Em conclusão, a decisão do Colegiado foi: a) dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o lançamento quanto à base tributável no valor de R$ 325.091,20 (item 03 da infração 001); b) dar provimento parcial ao recurso voluntário: b.1) para cancelar a glosa de R$16.186.203,15 despesa não comprovada relativa ao Funttel (item 002 da infração 001); b.2) para cancelar a glosa relativa a despesas com multas de mora de que trata o item 007 da infração 001; Fl. 3905DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.905 55 b.3) para cancelar a glosa de despesas relativas ao item 009 da infração 001, no que se refere à despesa glosada de R$3.299.201,06; b.4) para cancelar o item o 002 do auto de infração. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 3906DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.906 56 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Apresento a presente declaração para clarificar a razões pelas quais acompanhei o Ilustre Conselheiro Relator pelas conclusões no que toca à prova de despesas deduzidas pela contribuinte, demonstradas por amostragem, quanto ao item 10 da autuação fiscal (Glosa dos valores relativos às Comissões a Representantes – PréPago, conforme lançamentos na conta 63002401). Com efeito, do voto do nobre Relator transcrevese que “No que tange ao fato de terem sido apresentados documentos de apenas dois meses, é cediço que a prova das despesas deduzidas, se destinada a alçar a condição de dedutibilidade do lucro real, não pode ser, jamais, feita por amostragem. Há que se comprovar item a item os valores deduzidos mediante apresentação dos comprovantes que lastreiam o lançamento da despesa. Ao fiscalizado não é dada a prerrogativa de trabalhar por amostragem, tendo ele o dever de armazenar e de apresentar a documentação de suporte sempre que requisitado pela fiscalização (art. 251, 927 e 928, RIR/99)” Divirjo de tal entendimento, na medida em que uma amostragem robusta apresentada pela contribuinte pode comprovar as despesas a serem deduzidas, inclusive quanto às perda no recebimento de créditos de liquidação duvidosa, tratados pelos artigos 9º e 10º, da Lei nº 9.430/1996. Em sentido similar, foi o julgamento na 3ª. Turma Ordinária da 1ª. Câmara em julgamento de relatoria do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, do qual participei. Destaquese do citado acórdão: “Também, como antedito, na diligência, foram apresentadas cópias de faturas dos débitos em dissídio, por amostragem, e que apresentavam correspondência com os débitos constantes nas relações mensais. Tanto que não foram impingidos no relatório de diligência. Diante disso tudo, impõese rechaçar a glosa das despesas deduzidas como perdas relativas a créditos de valor não superior a R$ 5.000,00, de modo que, sobre a questão, dou provimento ao recurso. (...) Conforme relação mensal das contas transferidas para prejuízo, quando da dedutibilidade dos valores, todos os créditos estavam vencidos há mais de um ano. Ademais, quanto aos créditos de valor acima de R$ 5.000,00, até R$ 30.000,00 por operação, sempre foi mantida cobrança administrativa mediante remessa de cartas e avisos de cobrança e, em havendo desatendimento ou não pagamento dos débitos, ocorria através do encaminhamento dos nomes e dos CPF dos clientes ao SPC e ao Serasa, conforme demonstrado por amostragem em documentação anexa. (...) Sendo assim, restaram cumpridos os requisitos para a dedutibilidade destas perdas, previstos no art. 340 do RIR/99, Fl. 3907DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA Processo nº 16682.720696/201163 Acórdão n.º 1302001.185 S1C3T2 Fl. 3.907 57 não havendo que se falar em manutenção do lançamento procedido quanto a este item. ” Em que pese tal entendimento, não coincidente com o Ilustre Relator no presente caso, o Conselheiro Eduardo de Andrade, acompanho o voto diante das inconsistências na amostragem trazida aos autos. A esse respeito, destaquese trecho do voto do Relator, verbis: “No que tange aos extratos bancários, as cópias apresentadas são de péssima qualidade, impossibilitando em algumas situações a própria leitura, além do que abrangem somente o período de 03/05/2006 e 04/07/2006 a 01/08/2006. Além disso, a rubrica "DEB TARIFA", presente nos registros assinalados pela recorrente como referentes à despesa em análise, também está presente em vários outros registros não assinalados, sendo utilizada, assim, de forma genérica e imprecisa, não possibilitando o reconhecimento preciso do gasto como pagamento de comissão por venda de prépagos. Por fim, nenhum outro documento emitido pela Caixa Econômica Federal foi apresentado em relação a este item. (...)” Relativamente às despesas relativas ao Bradesco, não foi apresentado o contrato de prestação de serviços. A recorrente pretende a dedutibilidade tão somente alicerçada nos extratos bancários. Todavia, estes apresentam apenas rubricas genéricas do tipo “TAR. S/REC. DIVER” completadas por observações manuscritas com os dizeres “Tarifa PréPago”. Desta forma, não são suficientes para comprovar a despesa, posto ser impossível correlacionar as informações genéricas dos extratos bancários com a rubrica contábil que constou na escrituração.” Por tais razões, acompanho o relator pelas conclusões, ressalvando a possibilidade de prova por amostragem para comprovação da despesa relacionada à perda no recebimento de créditos de liquidação duvidosa. É como voto. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 3908DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalm ente em 11/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por CRISTIANE SILVA COSTA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002154/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2402-003.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Embargos Rejeitados
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13896.002154/2010-21
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366770
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-003.997
nome_arquivo_s : Decisao_13896002154201021.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIO CESAR VIEIRA GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 13896002154201021_5366770.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5560897
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811858436096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2.692 1 2.691 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002154/201021 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2402003.997 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2014 Matéria SALÁRIO INDIRETO Embargante CPM BRAXIS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 21 54 /2 01 0- 21 Fl. 7676DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pelo contribuinte contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante que o acórdão teria incorrido em omissão, contradição e obscuridade. Segue transcrição: DA OMISSÃO Do INDEVIDO LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO Essa C. Turma foi omissa quanto ao pedido da Recorrente, ora Embargante, de nulidade formal do lançamento em razão da indevida utilização de presunção. Conforme demonstrado nos autos, o lançamento tributário impugnado desconsiderou a contabilidade, as declarações fiscais e os lançamentos realizados nos livros fiscais da Embargante, tudo para descaracterizar a real natureza dos pagamentos feitos, considerandoos indevidamente como contraprestação dos serviços prestados pelos seus empregados. ... E pior, conforme se depreende da análise dos autos, não obstante a vasta demonstração do direito defendido pela Embargante nas mais de 6.500 folhas deste processo, a D. Autoridade Fiscal não justificou solidamente, com base documental e legal, a presunção que fundamenta o lançamento. Diante do exposto, impõese a análise dos argumentos apresentados em sede de recurso voluntário para seja reconhecida a nulidade formal do lançamento em razão da evidente utilização indevida de presunções, não sendo possível admitir validamente a desconsideração dos livros e documentos fiscais da Embargante, por mero subjetivismo da D. Autoridade Fiscal. ... DA CONTRADIÇÃO Do INDEVIDO LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO/AFERIÇÃO INDIRETA Conforme se depreende da r. decisão embargada, supostamente não se teria configurado o lançamento por arbitramento/aferição indireta única e exclusivamente em razão do fato de que a D. Autoridade Fiscal não teria desconsiderado os valores escriturados. Fl. 7677DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002154/201021 Acórdão n.º 2402003.997 S2C4T2 Fl. 2.693 3 Ora D. Julgadores, é fato que o lançamento, para se viabilizar, teve que desconsiderar todos os registros contábeis e livros fiscais da Embargante. Assim, em complemento a nulidade apontada no item anterior, restou evidenciada a utilização indevida do arbitramento e da aferição indireta. ... Portanto, impõese a reforma do v. acórdão recorrido para reconhecer a nulidade formal do lançamento, nos termos defendidos no recurso voluntário. DA CONTRADIÇÃO E DA OBSCURIDADE Do DIREITO À COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO Essa C. Turma entendeu que não há de se falar em compensação de ofício, visto que a Embargante protocolizou pedido de restituição, sob o fundamento de que "quando se opta pela restituição, não cabe mais a compensação''. Data máxima vénia, nesse ponto, o v. Acórdão padece de contradição e obscuridade. Isso porque, sendo a Embargante titular de crédito a ser restituído peia Receita Federal, esta entidade tem a obrigação de verificar se dá débitos em abertos antes de efetivar a restituição do montante devida ao contribuinte, nos termos do art. 7o, do DecretoLei no 2.287/ 1986: ... Nesse sentido, se o contribuinte é credor do Fisco em determinada montante e este se torna credor do primeiro de igual quantia, as duas dívidas extinguemse automaticamente por dever de o Fisco proceder à compensação de ofício, necessariamente. ... Necessário, pois, a aclaramento do entendimento dessa C. Turma acerca do ponto acima exposto para que não restem dúvidas acerca de seu posicionamento e do possível direito da Embargante ao final deste processo. DA OMISSÃO DA INDEVIDA APLICAÇÃO DA MULTA E DA NECESSÁRIA EXCLUSÃO PROPORCIONAL No Recurso Voluntário, a Embargante demonstrou ser indevida a aplicação da multa ante a ausência de irregularidade fiscal. Entretanto, caso não fosse esse o entendimento de Vossas Senhorias, pugnou pela redução da multa. Ocorre que o V. Acórdão quedouse silente sobre a questão da multa. Ainda que a C. Turma tenha entendido pela manutenção de parte do auto de infração, é certo que a o valor da multa deveria ter sido revisto. Fl. 7678DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 DA OMISSÃO DA INDEVIDA EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA O r. Acórdão também não se manifestou quanto ao apontado da Embargante sobre a indevida exigência de juros sobre multa. ... Dessa forma, necessário a manifestação da C. Turma, para que reste sanada a presente omissão e, consequentemente, para que seja declarada indevida a exigência dos juros sobre a multa lançada.” É o Relatório. Fl. 7679DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002154/201021 Acórdão n.º 2402003.997 S2C4T2 Fl. 2.694 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos, e portanto, passo a examinálos. Ao analisar a decisão embargada, observo que o primeiro ponto apontado como omisso pela recorrente foi aquele afeto ao pretenso lançamento por presunção efetuado pela autoridade lançadora, segundo a recorrente, sem a devida comprovação de sua necessidade. Tal alegação da recorrente foi abordado pelo acórdão como se pode observar no seguinte excerto do acórdão: Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados e tão pouco se faz necessária a realização de diligência ou perícia, já que os autos estão devidamente instruídos para exame e julgamento: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ... Quanto ao suposto lançamento por aferição indireta, também não procedem as alegações. Não se equipara a arbitramento o cumprimento do artigo 4° do CTN: Art. 4° A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: a denominação e demais características formais adotadas pela lei; a destinação legal do produto da sua arrecadação. A fiscalização constatou na verdade que os pagamentos teriam natureza salarial e, portanto, sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, independentemente da denominação atribuída pelo recorrente. Tudo com base na documentação apresentada. O arbitramento ou aferição ocorreria caso fossem desconsiderados os valores escriturados e as contribuições fossem apuradas através de cálculos indiretos, conforme artigo 33, §3° da Lei n° 8.212/91: Fl. 7680DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 ... Tal transcrição comprova que o ilustre relator enfrentou a questão da alegada tributação por presunção, afastando as questões levantadas no recurso voluntário e mais, ao fazêlo, ainda esclareceu que o lançamento não foi realizado por aferição indireta, ao reverso, foi lançada a contribuição devida por terse constatado o pagamento de verba de natureza salarial. Ao assim decidir, o Conselheiro Relator não se contradiz, ao reverso confirma sua acertada decisão sobre a ausência de presunção no lançamento. Logo, não há no acórdão embargado a contradição apontada. Também não se verifica a aventada contrariedade e obscuridade quanto ao direito de compensação de ofício. Como se observa no trecho abaixo colacionado (fls 7634), a decisão explicitamente afasta o alegado direito à compensação, contrariando, assim, as alegações do recurso voluntário: Quanto à suposta existência de crédito reconhecido em juízo, a recorrente protocolou pedido de restituição que uma vez deferido será objeto de restituição. Não há qualquer relação dos supostos créditos com a falta de pagamento das contribuições previdenciárias sobre essas parcelas. Quando se opta pela restituição, não cabe mais a compensação. Passando às próximas alegadas omissões, quanto à indevida aplicação da multa e a incidência de juros, melhor sorte não resta ao embargante. Como abaixo transcrito, o r. Acórdão enfrenta a questão (fls 7.632v), decidindo em sentido contrário ao alegado no recurso voluntário: “Portanto, entendo acertada a decisão recorrida e improcedentes as alegações reiteradas pela recorrente quanto à duplicidade, valor principal e acréscimos legais.” Em suma, não se verificam as omissões, contradições e obscuridades alegadas no presente embargo de declaração, pois todos as questões supostamente suprimidas da decisão foram enfrentadas, seja diretamente, seja de forma englobada, deixando claro que as alegações da recorrente fizeram parte da análise da decisão colegiada porém restando parcialmente vencidas. Assim, voto no sentido de rejeitar os embargos opostos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 7681DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13896.002154/201021 Acórdão n.º 2402003.997 S2C4T2 Fl. 2.695 7 Fl. 7682DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/07/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.914924/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.914924/2012-18
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352993
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.238
nome_arquivo_s : Decisao_10830914924201218.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830914924201218_5352993.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5490247
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046811902476288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 66 1 65 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.914924/201218 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.238 – 3ª Turma Especial Sessão de 04 de junho de 2014 Matéria PER/DCOMP Recorrente INDASEG CORRETORA DE SEGUROS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 NULIDADE. As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 24 /2 01 2- 18 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 40645.24660.140812.1.3.047844, em 14.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.199,52 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.199,52 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.809, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.199,52 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.809, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914924/201218 Acórdão n.º 1803002.238 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
