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Numero do processo: 13876.000998/2003-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1997 a 28/02/1999
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9.715/98. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS.
Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9.715/98. A MP 1.212/95 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1997 a 28/02/1999 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9.715/98. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9.715/98. A MP 1.212/95 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98. Recurso negado.
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ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei 9.715/98. A MP 1.212/95 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 09 98 /2 00 3- 46 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento (fl. 2e) de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), indicando como crédito a totalidade dos valores que recolheu a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação aos fatos geradores ocorridos nos períodos entre dezembro de 1997 e fevereiro de 1999 (fl. 44). Alega que o seu direito de crédito teria decorrido do julgamento da ADIN nº 1.417 pelo Supremo Tribunal Federal, em que houve a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98. Sustenta que as alterações veiculadas pela Medida Provisória nº 1.212/95 apenas começaram a surtir efeito depois da sua conversão na Lei nº 9.715, devendo ser contada a anterioridade nonagesimal a partir da publicação desta Lei, em 25/11/1998. A Delegacia da Receita Federal em Sorocaba/SP (DRF) proferiu Despacho Decisório (fl. 70/72e) indeferindo o pedido de restituição com base no entendimento resumido na seguinte ementa: Assunto: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Ementa: PIS. Inconstitucionalidade. Competência das Instâncias Administrativas. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade Pedido de Restituição Indeferido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 77/94e) na qual discorre sobre o direito de restituição "relativamente às parcelas excedentes ao estabelecido pela Lei Complementar n° 7", de 1970, em razão da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF e Resolução do Senado Federal. Trata da nova disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep instituída pela MP n° 1.212, convertida na Lei n° 9.715 após sucessivas reedições, e pela Lei n° 9.718, cuja alteração promovida na base de cálculo foi declarada inconstitucional pelo STF. Ressalta a suspensão da eficácia dos Decretos Leis n°s 2.445 e 2.449, de 1988 por Resolução do Senado Federal, o que implicou prevalência da Lei Complementar n° 7 e alterações posteriores para todo o período anterior à Lei n° 9.715, de 1998. Discorre sobre questão da semestralidade da contribuição, para concluir pela correção de se adotar o faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária, como base de cálculo até a vigência da Lei n° 9.715. No tocante à MP n° 1.212, salienta que a retroatividade de seus efeitos a 01/10/1995 é inconstitucional, ferindo ainda o primado da anterioridade mitigada. Assim, não pode haver exigência no período compreendido entre 01/10/1995 e 01/03/1996. Com relação à alteração da base de cálculo, argumenta que o legislador usou de "veículo normativo impróprio para tanto", sendo que a Constituição prevê a possibilidade de cobrança das contribuições sociais somente após noventa dias da publicação da lei que as houver instituído ou majorado. Como a conversão da MP 1.212 só correu em 25/11/1998, pela Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000998/200346 Acórdão n.º 3403002.573 S3C4T3 Fl. 157 3 Lei n° 9.715, todos os recolhimentos efetuados com base nas reedições desta MP "foram inconstitucionais, na medida em que não respeitaram o prazo da anterioridade mitigada". Por fim, defende o prazo de dez anos para a restituição do indébito, citando o CTN e diversos julgados dos Conselhos de Contribuintes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1433.466, de 26 de abril de 2011 (fls. 114/121e), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1997 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. O direito de pleitear restituição e/ou compensação de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. INCONSTITUCIONALIDADE. MP 1.212/95 E SUAS REEDIÇÕES, CONVERTIDA.NA LEI N° 9.715/98. O STF afastou apenas a regra específica que pretendia dar aplicação retroativa às disposições da MP 1.212/95. Decorrido o prazo nonagesimal, as demais normas contidas na Medida Provisória n° 1.212/95, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98, aplicamse aos fatos geradores ocorridos a partir de I o de março de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 124/147e), reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi interposto em 07/06/2012 (fl. 124e), dentro do prazo de 30 dias contados da data da notificação do acórdão da DRJ, em 17/05/11, conforme Aviso de Recebimento (fl. 123e). Por ser tempestivo, conheço do recurso. A decisão do STF que afastou os efeitos retroativos pretendidos pelo artigo 18 da Lei n° 9.715/98 não criou uma lacuna, ou uma “vacatio legis”, na incidência do PIS. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O STF não declarou a inconstitucionalidade da sistemática instituída pela MP 1.212/95 (convertida na Lei n° 9.715/98), mas apenas do efeito retroativo por ela pretendido. Recordese que a MP 1.212 foi publicada em 28/11/95, mas pretendia lançar efeitos a partir de 01/10/95. Em razão disso, o STF assegurou que, em respeito ao princípio da anterioridade nonagesimal (artigo 195, § 7° da CF), as disposições desta MP apenas passariam a surtir efeito a partir de março de 1996. Assim, a decisão do STF apenas projetou para frente o início dos efeitos da MP n° 1.212 (convertida na Lei n° 9.718/98), não havendo qualquer razão em alegar que isto tenha implicado numa lacuna temporal, na qual não haveria qualquer lei surtindo efeito. Postergado o início dos efeitos da Medida Provisória n° 1.212 (ao final convertida na Lei n° 9.715/98), permaneceu surtindo seus regulares efeitos, neste período, a LC n° 7/70. Ou seja, até o fim da fluência do prazo da anterioridade nonagesimal – momento em que a nova sistemática começaria a surtir seus efeitos –, continuou surtindo seus regulares efeitos a sistemática anterior, prevista na LC n° 7/70. É neste mesmo sentido a reiterada jurisprudência deste Conselho: PIS. MP 1.212/95. ADIN 1.4170. RESTITUIÇÃO DOS VALORES REFERENTES AOS FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS A VACATIO LEGIS. O STF declarou a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da sistemática de apuração do PIS instituída pela MP 1.212/95 e posteriores reedições, convertida na Lei nº 9.715/98. Referida sistemática de apuração passou a surtir efeitos noventa dias após a publicação da MP 1.212/95, ou seja, a partir do período de apuração de março de 1996 até a entrada em vigor da Lei nº 9.715/98. DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELA LEI COMPLEMENTAR Nº 07/70. A declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, pelo STF, objeto de Resolução do Senado nº 49/95, importa na aplicação da sistemática prevista na Lei Complementar nº 07/70.Recurso negado (Acórdão 20402.371, Relator Cons. Leonardo Siade Manzan, j. 26/04/2007) PRAZO DE RECOLHIMENTO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Inocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade de parte do artigo 18 da Lei nº 9.715/98. Aplicável, nos fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo afeiçoado à LC nº 7/70 e a partir daí as regras da Lei nº 9.715/98 (MP nº 1.212/95 e reedições).(...) Recurso negado. (Acórdão n° 20179.786, Rel. Cons. Walber Jose da Silva, j. 08/11/2006) PIS. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Não ocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade de parte do artigo 18 da Lei nº 9.715/98. Aplicável, nos fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo afeiçoado à LC nº 7/70 e, a partir daí, as regras da Lei nº Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13876.000998/200346 Acórdão n.º 3403002.573 S3C4T3 Fl. 158 5 9.715/98 (MP nº 1.212/95 e reedições). Recurso negado. (Acórdão n° 20179.408, Rel. Cons. Fabíola Cassiano Keramidas, j. 26/06/2006) A própria Administração Tributária, por meio da Instrução Normativa SRF nº 06/2000, cuidou de esclarecer que a Contribuição para o PIS nos períodos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996 seria devida com base na Lei Complementar nº 7/70, como forma de observância do prazo nonagesimal das contribuições, e a partir daí o PIS seria exigido com fundamento na MP nº 1.212 e suas sucessivas reedições. É categoricamente improcedente a alegação do contribuinte de que a MP 1.212 não teria surtido qualquer efeito válido antes de sua conversão na Lei 9.715/98. Isto porque, conforme definido pelo próprio STF no julgamento do RE 232.896, a Medida Provisória equivale à Lei para o efeito de atendimento do princípio da legalidade, de modo que "contase o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória", definindo ainda que "não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de nova medida provisória, dentro de seu prazo de validade de trinta dias". Ou seja, a MP 1.212 surtiu plenos efeitos depois do decurso da anterioridade nonagesimal, contada a partir da edição desta MP. Nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 160DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 15/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 20/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.920687/2009-29
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte inaugurando a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente trazida em sede de recurso constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
Numero da decisão: 3803-004.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte inaugurando a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente trazida em sede de recurso constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
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INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte inaugurando a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente trazida em sede de recurso constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 92 06 87 /2 00 9- 29 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Tratase de PER/DCOMP transmitido em 15/02/2007, que buscou compensar credito de COFINS alegadamente pago indevidamente ou a maior de período de apuração setembro de 2002, com débitos de PIS/Pasep e COFINS, ambos de período de apuração maio de 2007, no valor de R$ 10.386,46. A DRF em Campinas não homologou a declaração através de Despacho Decisório alegando que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP.” Irresignado o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em) onde alega, em suma, que o credito é oriundo de um pagamento indevido ou a maior e que “ouve excesso de sanha arrecadatória por parte da Autoridade Fiscal e pouco empenho quer na análise do direito creditório quer no lastreamento com qualquer PERD/COMP” e pede o cancelamento por nulidade da decisão administrativa, pela obscuridade e confusão. A DRJ em Campinas negou o pedido da manifestante, pela inexistência de nulidade do Despacho Decisório. Ressaltou que o referido despacho é eletrônico e se faz com as informações disponíveis nos sistemas da Receita Federal, destaca que o credito informado já havia sido declarado em DCTF e que os valores declarados e não compensados são passiveis de cobrança, ementou como se segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Válido o Despacho Decisório em que foi demonstrada a utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no Per/Dcomp em débito declarado pelo próprio contribuinte em DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, através do qual reconhece erro no preenchimento da DCTF alegando que estaria impossibilitada de retificála pelo lapso temporal. Alega que o credito advêm de medida judicial que declarou a inexistência de relação tributaria que a obrigasse a recolher PIS e COFINS com base de cálculo determinado pela lei no 9.718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004 respectivamente, que autoriza o sujeito passivo a compensar o credito. Anexa sentença favorável publicada no D.O.E(SP) em 01/11/2006. Alega que resta claro pela DIPJ do período e das demais informações a que tem acesso a Receita Federal a existência do credito. Pede a homologação do PER/DCOMP apresentado. É o Relatório. Voto Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10830.920687/200929 Acórdão n.º 3803004.566 S3TE03 Fl. 11 3 Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo, porém dele não tomo conhecimento, pois há argumentos que só foram aduzidos nesta instância recursal, os quais não podem ser conhecidos por força do disposto no artigo 17 do Decreto no 70.235/72, segundo o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. A contribuinte apresentou PER/DCOMP que não foi homologada devido a inexistência do credito apontado, o valor já havia sido declarado em DCTF, como apontou o acórdão da DRJ/CPS e ratificado pelo próprio sujeito passivo em Recurso Voluntário. Verificamos que o sujeito passivo em Manifestação de Inconformidade, de 29/08/2009, apenas questiona a validade do despacho decisório que negou provimento ao seu pedido de compensação como já dito em relatório supra. A contribuinte, em recurso voluntário, afirma ter direito ao crédito apontado, por força medida judicial que recebeu decreto de provimento declarando a inexistência de relação tributaria que a obrigasse a recolher PIS e COFINS com base de cálculo determinado pela lei no 9.718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004 respectivamente, e autoriza o sujeito passivo a compensar o credito. Ocorre que a sentença judicial anexada no presente foi publicada no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 01/11/2006, ou seja, já era de conhecimento do sujeito passivo antes da apresentação da manifestação de inconformidade. Esta omissão de argumentos por parte do sujeito passivo torna esta turma julgadora impossibilitada de tomar conhecimento do recurso, pois resta caracterizada a inovação processual pela alteração substancial na causa de pedir. Ademais, após consulta ao Diário Eletrônico da Justiça federal da 3ª região, verificamos que em 27/07/2012 a Desembargadora Federal Regina Costa, em decisão monocrática, deu parcial provimento a remessa oficial no sentido de reconhecer o afastamento a aplicação do § 1°, do art. 3º, da Lei n. 9.718/98, negar o direito a compensação das parcelas do PIS e COFINS exigidas com base no art. 3º, §1º da Lei n. 9718/98 pela falta de material probatório suficiente. Assim, a sentença em que se baseou o contribuinte em sua defesa foi reformada, não sendo possível efetuar as compensações requeridas. Ressaltamos que ainda, que, por hipótese, conhecêssemos do recurso apresentado, este deveria vir acompanhado de provas suficientes a comprovar suas alegações. A contribuinte anexa tão somente extrato do processo judicial e afirma estarem erradas informações em DCTF, porem, nenhuma prova colaciona ao seu favor, o que, por força dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, não haveria como reconhecer o seu direito creditório. Pelo exposto voto por NÃO CONHECER do recurso e manter a decisão contra a qual se opôs. É como voto. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 13/ 12/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2013 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 35368.002370/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 8. 00 23 70 /2 00 6- 09 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de exigência de contribuições sobre as remunerações pagas a microempresários, que teriam prestado serviços à Contribuinte de forma habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva, considerandose configurado o vínculo empregatício estabelecido nos artigos 2° e 3º da CLT. Como fundamento, a autuação indica que na maioria são funcionários demitidos em 31/12/1998 e readmitidos em 2001, que prestaram serviços ligados a planejamento, consultoria e outros, e que nos recibos de pagamentos constam descontos relativos a farmácia, grêmio, Unimed, Uniodonto, adiantamento, vale, refeição, etc. Em sessão plenária de 25/01/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 148.040, prolatandose o Acórdão 240200.402 (fls. 408 a 412), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2003 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI NI' 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2003 VÍNCULO DE EMPREGO DEMONSTRAÇÃO INOCORRÊNCIA A descaracterização do vínculo pactuado entre a empresa e o prestador de serviço é possível, desde que reste cabalmente demonstrada pela auditoria fiscal a existência dos pressupostos da relação de emprego. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NFLD. CARACTERIZAÇÃO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DOS FATOS. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 689 3 I Representa vício material à descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora. PROCESSO ANULADO." A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em anular o lançamento, por vício existente. Quanto ao vício, por voto de qualidade, reconhecêlo como material, conforme voto do relator designado. Relator designado: Rogério de Lellis Pinto.” Cientificada do acórdão em 05/05/2010 (fls. 413), a Fazenda Nacional opôs, em 06/05/2010, os Embargos de Declaração de fls. 416 a 418, que foram rejeitados. Intimada da rejeição de seus Embargos em 09/08/2010 (fls. 420), a Fazenda Nacional interpôs, na mesma data, o Recurso Especial de fls. 422 a 450, contendo os seguintes argumentos, em síntese: inicialmente, cumpre ressaltar que a Fazenda Nacional prequestionou a matéria consoante os embargos de declaração apresentados às fls. 416/418. segundo resulta da disciplina dos artigos 59 c/c 60 do Decreto n.9 70.235/72, a notificação e demais termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa â parte. a propósito, confirase a redação dos dispositivos supra citados: "Art. 59. Sao nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providencias necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio".(sublinhouse). sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que "Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo" (Recurso: 203112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/0202.301). nesta mesma linha o seguinte julgado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. OBSCURIDADE DA PEÇA VESTIBULAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. Deve ser rejeitado o pedido de nulidade do auto de infração fundado na deficiência da descrição dos fatos, quando os elementos contidos no lançamento, em especial os anexos que contêm os cálculos do crédito tributário devido, deixam evidenciada a origem das diferenças apuradas pelo Fisco. Aplicação do principio da economia processual. Preliminar rejeitada. PIS. PAGAMENTOS EFETUADOS COM BASE NOS DECRETOSLEIS NS 2.445 E 2.449, DE 1988.(...). PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL PREVISTO NO § 6° DO ART. 195 DA CARTA MAGNA. PAGAMENTOS EFETUADOS COM BASE NA MP Nº 1.212/95.(...). SEMESTRALIDADE.(...). Recurso provido em parte. Processo n: 13808.001100/9903/ACORDÃO 20308588 por sua vez, o art. 11 do Decreto 70.235/72 estabelece como requisitos obrigatórios da notificação de lançamento fiscal os seguintes elementos, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do credito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico".(grifouse). na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão guerreado decidiu por anular a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, sob os argumentos de que não há descrição pormenorizada dos elementos fáticos que ensejaram o lançamento, sobre os quais deveria o contribuinte se defender; é, portanto, cristalino o equívoco perpetrado pela v. decisão recorrida, pois de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 11 do Decreto n.`2 70.235/72; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado ao contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual insurge Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 690 5 se contra o procedimento de apuração adotado pela fiscalização, dentre outros argumentos, em fls. 168/188 e 214/240; como citamos acima, a jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por vicio insanável, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; na doutrina, é tranqüila a prevalência desses princípios (cita doutrina de Hely Lopes Meirelles) não se vislumbra a ocorrência de prejuízo à defesa do contribuinte neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; portanto, consoante o comando do art. 59 do Decreto n° 70.235/72, nenhuma causa subjaz para a decretação da nulidade do presente lançamento, a uma porque não há que se falar na incompetência da autoridade administrativa, a duas, porque não houve qualquer ofensa ao direito â ampla defesa do contribuinte, e ausente esses dois pressupostos, cabe concluir pela manutenção do lançamento; entretanto, ainda que se entenda por manter a decisão da Câmara no que se refere â nulidade do auto de infração, o que se admite apenas por argumentar, não há que se falar em existência de vicio material, como será demonstrado a seguir; a decisão ora recorrida anulou o lançamento, porque reconheceu que o relatório fiscal não descreveu com precisão os fatos sobre os quais deveria o recorrente defenderse, vício que qualificou como sendo de natureza material; sabese que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos que devem fazer parte do auto de infração no seu art. 10, nos seguintes termos: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (destaquei) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Por sua vez, o art. 37, da Lei n. (28.212/91 prescreve, in verbis: "Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento." pela leitura dos dispositivos dantes transcritos (art. 10, inciso III, do Decreto 70.235/72 e art. 37, Lei n.° 8.212/91 ) percebese que os requisitos neles elencados, dentre eles, a descrição do fato, possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o lançamento, deve exteriorizarse. com efeito, tal disciplina tem por objetivo uniformizar o procedimento de autuação da fiscalização, de maneira a conferir garantias ao contribuinte, em especial da ampla defesa e do contraditório (cita doutrina de Lidia Maria Lopes Rodrigues Ribas, Marcelo Caetano e Luiz Henrique Barros de Arruda); assim, um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, a deficiência na exteriorização das razões de fato que levaram a autoridade fiscal a lançar o credito tributário, por ausência de recolhimentos relativos às diferenças de contribuições sociais, eis que reconhecido o vínculo empregatício, vício apontado pelo colegiado como causa de nulidade do lançamento, a toda vista, não pode ser considerado como de natureza material, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu; nesse sentido, demonstrando ser requisito formal o requisito da descrição dos fatos, não ensejando a declaração de nulidade por cerceamento de defesa, mormente quando o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, defendendose, portanto; citese: Acórdão 10420731 Tributo / Matéria IRPF ação fiscal omissão de rendimentos PF/PJ e Exterior Decisão Pelo voto de qualidade, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento em face da utilização de dados obtidos com base na informação da CPMF, vencidos os Conselheiros Paulo Roberto de Castro (Suplente convocado), Meigan Sack Rodrigues, Oscar Luiz Mendonça de Aguiar e Remis Almeida Estol e, por unanimidade de votos, as demais preliminares. No mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto de Castro (Suplente convocado), Meigan Sack Rodrigues, Oscar Luiz Mendonça de Aguiar e Remis Almeida Estol, que proviam parcialmente o recurso para que os valores tributados em um mês constituíssem origem para os depósitos do mês subseqüente. Ementa Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 691 7 NORMAS PROCESSUAIS MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO Estando o procedimento fiscal autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL DESCRIÇÃO DOS FATOS LOCAL DA LAVRATURA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA ACESSO AS INFORMAÇÕES BANCARIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar IV. 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. DADOS DA CPMF INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO PROCESSO FISCAL – O lançamento se rege pelas leis vigentes ã época da ocorrência do fato gerador, porem os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vicio de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização. INSTITUIÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO OU PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas (§ 1°, do artigo 144, da Lei n°. 5.172, de 1966 CTN). OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminares rejeitadas. Recurso negado." "No Acórdão 30239395 Tributo / Matéria IRPF ação fiscal Dep.Bancario de origem não justificada Decisão Por unanimidade de votos, rejeitouse a preliminar argüida pela recorrente e no mérito, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Ementa Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A preliminar de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, não merece guarida, haja vista que o enquadramento legal consta do auto de infração, no qual também se encontra a perfeita descrição dos fatos, narrando todo o procedimento fiscal. Sem mencionar que o Demonstrativo que discrimina a diferença de imposto apurada (entre o que foi declarado e o apurado), é autoexplicativo. E de todo modo, a alegação restou superada no decorrer do contencioso, pois o vicio formal convalesce quando a parte dá mostras de que bem entendeu a imputação e se defende amplamente. AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Comprovada a averbação, no registro público, da área de reserva legal antes da data da ocorrência do fato gerador do imposto, e havendo Ato Declaratório Ambiental hábil, não há como prosperar o lançamento a titulo de glosa de reserva legal correspondente ao aludido exercício.ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. Comprovada a existência de Ato Declaratório Ambiental hábil, não há como prosperar o lançamento a titulo de glosa de área de preservação permanente correspondente ao aludido exercício. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (grifos nossos) contudo não é essa a situação retratada nos autos, pois resta devidamente evidenciado na NFLD, bem como no Relatório Fiscal (fls. 162/163) a infração praticada pelo recorrido; Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 692 9 com efeito, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas na NFLD em testilha as remunerações pagas, a qualquer título, aos segurados caracterizados como empregados que prestaram serviços ã. empresa notificada como microempresários, porque reinem as condições que configuram vinculo empregatício entre a empresa e os prestadores de serviço; assegurou a auditoria fiscal que os microempresários prestaram serviços de forma habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva para a empresa, configurando o disposto nos artigos 2º e 3º da Consolidação das Leis Trabalhistas; indicou também a fiscalização que na maioria, os segurados caracterizados como empregados são funcionários demitidos em 31/12/1998 e readmitidos em 2001. ou que tais pessoas prestaram serviços ligados a planejamento, consultoria, dentre outros, assim como nos recibos de pagamento constam descontos relativos a farmácia, grêmio, UNIMED, UNIODONTO, adiantamento, vale, refeição, etc.; cabe anotar que os contratos de fls. 271/276 que o voto vencido considerou que levavam a inferir que os serviços não seriam necessariamente realizados mediante subordinação foram juntados em momento processual inoportuno, extemporâneo, consoante as disposições do art. 16 do Decreto nº 2 70.235/72; observese que a empresa notificada foi intimada pela fiscalização previdenciária a apresentar os referidos contratos no momento oportuno, contudo não o fez; a mesma oportunidade lhe foi conferida quando da apresentação da defesa de fls. 168/188, contudo, mais uma vez a empresa em epígrafe quedouse inerte; a apresentação da documentação que lhe aproveitaria na demonstração de suas alegações somente ocorreu em sede de recurso voluntário, despida de qualquer justificativa nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº. 70.235/72, portanto, tais documentos devem ser totalmente desconsiderados; não é possível fazer valer aqui o princípio da verdade material, dando privilégios à torpeza da parte e subvertendo todo o processo administrativo fiscal, fazendo do art. 16 e seus parágrafos, do Decreto nº 70.235/72 letra morta; noutra linha, não há que se confundir falta de motivo com falta ou deficiência de fundamentação/motivação; a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram, já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato; no caso em debate, o voto condutor é veemente ao afirmar que a descrição fática não é clara o suficiente (segundo suas palavras, ao explicitar os requisitos configuradores da relação de emprego, o relatório fiscal é superficial); tratase, portanto, de motivação deficiente do ato administrativo, portanto, vício de forma; Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 a propósito, a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF é farta em decisões que, ao determinarem o cancelamento do lançamento por falta de preenchimento de alguns dos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN, consideraram que se tratava de nulidade por vício de forma: 1) Acórdão nº 10610.087, de 15/04/1998: "NORMAS PROCESSUAIS AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS O ato administrativo deve se revestir de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vicio de forma o auto de infra cão que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo artigo 10, do Decreto n 70.235/72. Acolher a preliminar de nulidade do lançamento." 2) Acórdão n° 20217752, de 27/02/2007: "NORMAS PROCESSUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS ESSENCIAIS. O ato administrativo de lançamento deve revestirse de todas as formalidades exigidas em lei, sendo nulo por vicio de forma o auto de infração que não contiver todos os requisitos prescritos como obrigatórios pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do CTN. Processo anulado. 3) Acórdão nº 10417279, de 07/1211999: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa" (destaquei) alias, é esse o teor do voto vencido proferido pela il. ConselheiraRelatora Ana Maria Bandeira que merece prevalecer, de forma subsidiária, no caso de decretação de nulidade, ao afirmar que "não obstante não ter restado demonstrada nos autos a existência da relação de emprego entre a recorrente e os prestadores de serviços, não significa que a mesma não ocorra" (fl. 411v). por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a deficiência na descrição dos fatos ensejadores do lançamento constitui vício material, eis que se vicio existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo; ora, e tratandose de vício relacionado à motivação, este que se revela como requisito atinente A forma do ato administrativo fiscal, revelase correto dizer que referido Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 693 11 vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99, verbis: "Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." ( cita doutrina de Celso Antonio Bandeira de Mello); assim, patente no caso que, não houve o vício proclamado pela decisão recorrida e, se vicio houve no lançamento, o que se admite apenas por amor ao debate, este seria de natureza formal e não material. Ao final, a Fazenda Nacional pede o provimento do recurso, restabelecendo se a decisão de primeira instância. Eventualmente, caso não seja acolhido o pedido formulado, por concluir o Colegiado pela existência de deficiência na descrição do fato gerador da contribuição previdenciária lançada, requer, sucessivamente, que se dê provimento ao recurso, para declarar que se trata de mero vício de natureza formal, permitindose a lavratura de relatório fiscal complementar. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho n° 2400 363/2010, de 18/10/2010, entendendose que somente ocorreu a demonstração de divergência em relação ao segundo paradigma, representado pelo Acórdão 10513.892, o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame n° 2400374R/2010, de 26/10/2010 (fls. 456). Cientificada do acórdão, do recurso e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 29/03/2011 (AR de fls. 462), a Contribuinte ofereceu, em 13/04/2011, as ContraRazões de fls. 471 a 483, contendo os seguintes argumentos, em resumo: a Nobre Relatora reconheceu que autoridade fiscal não procedeu a exposição fática clara e precisa não sendo possível constatar a existência de uma obrigação tributária no caso, todavia entendeu que se tratava de nulidade formal; por sua vez, o voto vencedor foi no sentido de que está presente sim a nulidade, porém essa é de natureza material, uma vez que não houve a correta identificação e demonstração da ocorrência do fato gerador, justificador da imposição fiscal, como exige o art 142 do CTN, e o próprio art. 37 da Lei nº 8.212/91, no que tange especificamente a constituição do credito fiscal de natureza previdenciária; como referido, na dicção do art. 12, inciso I, da Lei n° 8.212/91, é segurado obrigatório da Previdência Social, na condição de empregado: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural A empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; já a legislação trabalhista, que cuida da relação jurídica conexa à de natureza previdenciária, realça os elementos pessoalidade, subordinação, não eventualidade e onerosidade; com efeito, dispõe o artigo 3º da CLT: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. da analise dos artigos 2 e 3 da CLT, verificase as características do contrato de trabalho são as seguintes: 1) pessoalidade; 2) onerosidade; 3) nãoeventualidade; 4) subordinação: 5) continuidade (arts. 2° e 3° da CLT). não integram tais conceitos legais a exclusividade e a formalização de acordo laboral; a subordinação pressupõe atividade fiscalizadora e obediência hierárquica, e a eventualidade opõese à habitualidade da prestação laboral; esses elementos, que variam de acordo com a natureza do trabalho e as exigências de qualificação, devem ser sopesados caso a caso, considerando a afinidade com outras figuras contratuais; não é possível considerar um ou dois elementos do contrato de trabalho e abstrair os demais, presumindo a relação de emprego, sem a cumulatividade dos elementos, e em especial da subordinação, não existe relação de emprego (cita doutrina de Délio Maranhão, Orlando Gomes e Elson Gottschalk); acresce destacar, ainda, a perfeita caracterização dos contratos que existiram entre a Impugnante e as empresas prestadoras de serviços foram de natureza civil, o ordenamento jurídico autoriza e até incentiva, a contratação de serviços dessa natureza (cita doutrina de Arnaldo Süssekind); o critério da natureza dos serviços prestados – se associados ou não à atividade fim da empresa – não é em si absoluto, só se, somado a outros, permitir inferir a não eventualidade da colaboração do trabalhador, um dos requisitos do contrato laboral; o relatório fiscal que acompanha a NFLD é vago e genérico nesse ponto, não houve a explicitação das supostas infrações, apenas breves referências; vale destacar aqui os fundamentos do voto vencedor quanto à questão: Dos argumentos trazidos à baila pela douta Relatora, não podemos discordar do fato de que nos autos, especialmente no Relatório Fiscal, existe uma flagrante imprecisão da autoridade fiscal em demonstrara a existência da relação de emprego para justificar o enquadramento por ela efetuado. Na esteira desse ideal, em reiteradas oportunidades tenho me posicionado no sentido de que nos lançamentos decorrentes de caracterização de vínculo de emprego, somente tem lugar se, e somente se, houver sido expostos os elementos que lhe dão essência ou ainda a existência de simulação. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 694 13 A douta Relatora bem viu que dos autos não consta essa exposição, optando pela declaração de nulidade. Contudo, o que não posso concordar é o fato de que a nulidade seja de natureza formal, uma vez que o vicio encontrado não diz respeito a mero elemento formal do auto, mas sim a sua própria essência. É preciso lembrar que entre os deveres da fiscalização ao lavrar uma autuação fiscal, nos termos do art. 142 do CTN, está o de descrever adequadamente o fato a ser tributado, ou seja, um dos pilares da atuação estatal relacionada ao lançamento de oficio, 6 a demonstração de que a hipótese de incidência foi realizada pelo contribuinte, e que por essa razão lhe será cobrado o tributo correspondente. Quando a autoridade fiscal faz uma exposição frágil e sem conteúdo do fato tributável, como no caso em tela, não apenas uma formalidade está sendo desprezada, mas sim a própria certeza de que a obrigação tributaria existe, e se assim o é, a materialidade do lançamento reportase insustentável. todavia, como bem explanado, não bastam esses elementos para caracterizar a relação de emprego à luz do art. 3° da CLT, além do que o INSS não a demonstrou cabalmente, o ônus que lhe cabe, e não à Impugnante, que não pode ser constrangida a fazer prova negativa; ora, afirmar que os serviços têm natureza empregatícia por estarem relacionados, direta ou indiretamente, com a atividade da empresa, é o mesmo que afirmar a impossibilidade da existência de serviço autônomo prestado a uma empresa; é óbvio que uma empresa pode ter contrato para prestação de serviços ligados à atividade da empresa, podendo tais contratos ser perfeitamente celebrados com ex empregados, não sendo tais fatores suficientes para caracterizar a existência de relação de emprego; o essencial, para caracterizar o vínculo empregatício, é a subordinação, acima de tudo, daí a expressão "dependência" do art. 30. da CLT; repitase, por oportuno, que a Fiscalização tem a obrigação de apoiar em provas robustas na perseguição do credito tributário (cita doutrina de Alberto Xavier); a rigor, conforme se observa do relatório da fiscalização, não existem provas para sustentar o lançamento, a Fiscalização deveria, na busca da verdade real, buscar outros elementos para compor o lançamento do tributo que entende devido, não o fazendo, acabou por contaminar todo o lançamento; não obstante, na hipótese, quanto à subordinação, nada foi mencionado na atuação fiscal, portanto, tomandose em conta que a autuação teve como base premissa falsa, imediata a conclusão de que ela é viciada; em situações idênticas à discutida, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região assim se pronunciou: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CTN, ART. 173, I. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. RELAÇÃO DE EMPREGO. INEXISTÊNCIA DE PROVA CONCRETA E INEQUÍVOCA. TRABALHADOR AUTÔNOMO. SERVIÇO DE FRETE. (...) 4. Compete a fiscalização previdenciária, no momento da autuação, apresentar elementos capazes de comprovar a existência de vinculo empregatício entre o suposto empregado e a empresa, de modo a tornar legitima a imposição fiscal. Na falta de prova acerca dos requisitos necessários ao reconhecimento da relação de emprego, não ha como subsistir a autuação realizada. 5. A indispensabilidade da atividade realizada pelo trabalhador aos objetivos normais da empresa não basta como elemento caracterizador da relação de emprego, devendo estar conjugada com outros elementos, investigandose a presença, principalmente, da subordinação, a qual constitui o elemento fundamental que distingue o empregado do trabalhador autônomo. 6. A definição do itinerário, do local de saída e da entrega das cargas é inerente a contratação do FRETE, não representando o exercício do poder de direção pelo empregador. 7. Embora seja tormentosa a comprovação do trabalho sob dependência, cumpre ao INSS produzir essa prova, verificando a quantidade e a intensidade das ordens permanentes de serviço, dadas pelo empregador, que deverão ser cumpridas pelo trabalhador. (TRF e Região, la Turma, AC 2004.04.01.002965 0RS, Rel. Des. Wellington Mendes de Almeida, j. 30.03.05, DJU 06.04.05, p. 421) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. EMPRESA DE TRANSPORTE INTERESTADUAL. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ENTRE A TRANSPORTADORA E CAMINHONEIROS AUTÔNOMOS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. PROVA. 1... 2. Não configuração do vínculo empregatício, à luz da moldura do art. 30 da CLT. 3. Se, de regra, os caminhoneiros contratados para prestação de serviços de transporte não são empregados, mas autônomos, pode ocorrer, eventualmente, que essa regra não encontre correspondência no caso concreto. Mas daí, o ônus de demonstrar a exceção cabe ao Fisco, e não ao contribuinte, que não pode ser constrangido a fazer prova negativa. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 695 15 4. Apelação e remessa oficial improvidas. (TRF 4a Região, in Turma, Rel. Juiza Eloy Bernst Justo, AC 1998.04.01.0585919 RS, j. 08.08.00, DJ 20.09.00, p. 171). Ainda: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MAODEOBRA NA CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. AUSÊNCIA DE PROVA. 1. A responsabilidade solidária imposta pela Lei ao tomador de serviços/empreiteiro permite ao Fisco exigir o cumprimento da obrigação (de pagar as contribuições) de qualquer dos co obrigados, o que é característica da solidariedade. Não ha beneficio de ordem, tampouco, a exigir primeiramente de um, antes que de outro (art. 124 do CTN). Essa responsabilidade só elidida quando a prestadora de serviço comprovadamente não possuir empregados, ou já tiverem sido efetuados os recolhimentos exigíveis. Se não realizar as obrigações acessórias (§§ 3° e 4° do art. 31 da Lei 8.212/91) relativas à fiscalização do pagamento das exações devidas pelas empresas que lhe prestavam serviços, a tomadora destes não tomará ciência de que as mesmas não estão cumprindo com suas obrigações perante o Fisco. Contudo, é requisito fundamental para a exigibilidade do crédito, pela autarquia previdenciária, a existência de um débito. Não basta que os agentes da fiscalização apurem junto ao empreiteiro/construtor, com base em sua condição de responsável solidário, a inexistência de comprovantes de pagamento das contribuições. E certo que este deve exigir do contratado que os recolha, mas a mera falta dessa comprovação não significa que as contribuições não tenham sido recolhidas, nem autoriza a que o Fisco assim conclua. 2. A qualificação dos trabalhadores nominados autônomos como empregados pressupõe elementos que permitam inferir o implemento das condições previstas no art. 12, I, da Lei n° 8.212. A existência de vinculo empregatício não pode ser presumida, com base no lançamento de pagamentos efetuados pela empresa na conta "mãodeobra subempreiteiras", sem a identificação do tipo de atividade efetivamente exercida pelos aludidos profissionais. Ainda que tenham atuado junto á obra fiscalizada, não ha subsídios, sequer indiciários, que respaldem uma convicção acerca da natureza da relação jurídica estabelecida com a empresa, seja no tocante à subordinação jurídica, seja quanta ao caráter não eventual da prestação de serviços. AC APELAÇÃO CÍVEL, Processo: 2003.04.01.0313346, UP: RS, Data da Decisão: 25/01/2006 Orgao Julgador: PRIMEIRA TURMA, Inteiro Teor: Fonte:DJU DATA:01/03/2006 PAGINA: 252 Relator VIVIAN JOSETE PANTALEÂO CAMINHA Decisão: A TURMA, POR Fl. 15DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 UNANIMIDADE, NEGOU PROVIMENTO A APELAÇÃO E A REMESSA OFICIAL, NOS TERMOS DO VOTO DO RELATOR). não basta, portanto, os agentes da fiscalização presumirem uma relação de emprego, é preciso fazer prova da relação que constitua crédito tributário, e nesse aspecto, a NFLD guerreada não logrou êxito; destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei n° 9.784199, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [..] §1º A motivação deve ser explicita, clara e congruente [..] a jurisprudência do CARF é explícita em reconhecer a nulidade material em tais situações: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 Ementa: CUSTEIO PREVIDENCIÁRIO – CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO PRESSUPOSTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO COMPROVAÇÃO. I Tendo o lançamento observado a regra comida no art. 37 da Lei n°8212191, não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa.Preliminar de nulidade rejeitada. 2 A caracterização de segurados como empregados pela fiscalização está condicionada A plena demonstração pela auditoria fiscal dos pressupostos da relação de emprego. Recurso Voluntário Provido. (Sexta Câmara do Segundo Conselho, Recurso n° 141.489 — Acórdão n° 20600310, Sessão de 12/12/2007) Processo n. 15885.000145/200835 Recurso n° 158.535 Voluntário Matéria CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Acórdão n° 20601.829 Sessão de 05 de fevereiro de 2009 Recorrente INSTITUIÇÃO TOELDO DE ENSINO – ITE Recorrida SRP SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 30/11/2004 a 31/08/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS – CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 696 17 A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo 6 inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade é prevista no art. 22, II da Lei n° 8.212/1991, alterada pela Lei n° 9.732/199. 0 INSS possui competência para arrecadar e fiscalizar as contribuições destinadas a terceiros, conforme art. 94 da Lei 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DO FATO GERADOR. NULIDADE POR VICIO MATERIAL. Representa vicio material a descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora. Recurso Voluntário Provido em Parte. Processo n° 35474.000201/200619 Recurso n° 146.594 Voluntário Acórdão n° 240100.544 — 4 Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2009 Matéria DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA CARACTERIZAÇÃO SEGURADO EMPREGADO Recorrente HDS MECPAR INDÚSTRIA E COMERCIO LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/07/2004 NORMAS PROCEDIMENTAIS. DESCONSIDERAÇÃO PERSONALIDADE JURÍDICA E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. Somente nas hipóteses em que restar constatada a efetiva existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto "tomador de serviços" e os "prestadores de serviços", poderá o Auditor Fiscal caracterizar o contribuinte individual (autônomo) como segurado empregado, ou mesmo promover a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com fulcro no artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048/99. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios Fl. 17DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a nulidade material da notificação, mormente tratandose de caracterização de segurados empregados, onde os requisitos do vínculo empregatício devem restar circunstanciadamente comprovados. PROCESSO ANULADO. "(..) A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação.." (Recurso n. 131.449, Acórdão n. 10807556, 8ª Câmara, Relato, Conselheiro Mario Junqueira Franco Júnior, sessão de julgamento de 15/10/2003). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO EX OFFICIO — É nulo o Ato Administrativo de Lançamento, formalizado com inegável insuficiência na descrição dos fitos, não permitindo que o sujeito passivo pudesse exercitar, como lhe outorga o ordenamento jurídico, o amplo direito de defesa, notadamente por desconhecer, com a necessária nitidez, o conteúdo do ilícito que lhe esta sedo imputado. Tratase, no caso, de nulidade pro vício material, na medida em que falta conteúdo ao ato, o que implica inocorrência da hipótese de incidência." (Recurso n. 132.213, Acórdão n. 101 94049, 1° Camara,Relator Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, sessão de julgamento de 06/1212002); "LANÇAMENTO — NULIDADE VICIO MATERIAL — DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vicio de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, 4°, do CIN. (RV 138595, Acórdão no. 10247201, 2°. Câmara do 1º Conselho, julgado em 1011 2005)." como visto, é farta a jurisprudência do CARF para reconhecer a existência de nulidade material nos casos similares ao enfrentado no presente processo, isso porque, conforme referido, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade; deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada de forma individualizada a existência dos pressupostos legais da relação empregatícia, sob pena de nulidade do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte; é o que determina o artigo 37, da Lei n° 8.212/91, nos seguintes termos: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrara notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos Fl. 18DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 697 19 fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. com efeito, não logrou a Recorrente demonstrar a divergência existente e, quanto ao mérito, é a jurisprudência dominante do CARF no sentido de que em situações está se diante de nulidade material e não formal como pretende a Recorrente. Ao final, a Contribuinte requer o não conhecimento do Recurso Especial manejado pela Fazenda Nacional e, na hipótese de ser conhecido, a negativa de provimento, mantendose o acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de exigência de contribuições sobre as remunerações pagas a microempresários, que teriam prestado serviços à Contribuinte de forma habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva, considerandose configurado o vínculo empregatício estabelecido nos artigos 2° e 3º da CLT. Como fundamento, a autuação indica que na maioria são funcionários demitidos em 31/12/1998 e readmitidos em 2001, que prestaram serviços ligados a planejamento, consultoria e outros, e que nos recibos de pagamentos constam descontos relativos a farmácia, grêmio, Unimed, Uniodonto, adiantamento, vale, refeição, etc. No acórdão recorrido, foi declarada a nulidade do lançamento, por vício material, considerandose que teria havido descrição deficiente do fato gerador que teria justificado a exigência. Confirase a respectiva ementa, na parte em que trata do tema: “(...) CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NFLD. CARACTERIZAÇÃO. DESCRIÇÃO DEFICIENTE DOS FATOS. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. I Representa vício material à descrição deficiente do fato gerador que justifica a imposição fiscal levada a efeito pela autoridade lançadora. PROCESSO ANULADO.” A Fazenda Nacional, por sua vez, entende que teria havido vício formal, indicando dois paradigmas, sendo que apenas um eles foi aceito como apto a demonstrar divergência jurisprudencial. Tratase do Acórdão 10513.892. Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações similares, são adotadas soluções diversas. Assim, de plano verificase que, em se tratando de discussão acerca da espécie de vício que teria nulificado um lançamento – se formal ou material – não há como Fl. 19DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 20 compararse situações diferentes, envolvendo defeitos de diferentes espécies, portanto tornase imprescindível a análise de cada um dos julgados, a ver se os defeitos apontados no lançamento efetivamente seriam similares. Compulsandose a NFLD correspondente, verificase o seguinte registro (fls. 162/163): “1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a contribuição dos empregados, da empresa, financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho SAT para competências até 06/97 e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho para competências a partir de 07/97, e as destinadas aos Terceiros de acordo com o FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social. 2. PERÍODO DE LANÇAMENTO DO DÉBITO: 01/1996 a 06/2003. 3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas ou creditadas aos segurados caracterizados empregados no período em que prestaram serviços como microempresários, porque reúnem as condições que configuram o vínculo empregatício existente entre a empresa e as pessoas físicas tidas como microempresários. O empregador e os empregados, são os sujeitos de uma relação empregatícia, conforme definidos nos arts. 2° e 3° da CLT, in verbis: Art. 2° Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Art. 3° Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. 4. Tratase de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração de segurados caracterizados como empregados. Foram caracterizados como empregados as pessoas físicas tidas como microempresários, em razão da existência dos elementos que constituem a relação empregatícia entre a empresa tomadora de serviços e o tido "microempresário", tendo em vista que: a) Prestaram serviços de forma direta, habitual, remunerada, pessoal, subordinada e exclusiva para a empresa. As notas fiscais seqüenciais emitidas mensalmente, caracterizam os serviços prestados com exclusividade e com habitualidade pelos mesmos; b) A maioria das microempresas, são compostas de microempresários, exempregados da empresa com a função de Gerentes, Supervisores e Outros, que realizaram atividades ligadas a Planejamento, Consultoria e Outros, de maneira não Fl. 20DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 698 21 eventual e exclusiva. Na maioria são funcionários, dispensados em 31/12/1998 e readmitidos em 2001; c) Foi verificado que houve pagamento de estadas para alguns, houve também, desconto de despesas referente farmácia, grêmio, unimed, uniodonto, adiantamento, vale, refeição, etc. 5. Em suma, caracterizouse como empregados, os microempresários (pessoas físicas) por estes prestarem serviços de natureza não eventual, sob a dependência da empresa e mediante pagamento de salário, em consonância com o art. 3° da CLT. 6. Os contratos de prestação de serviços não foram apresentados, as notas fiscais de alguns prestadores também não foram apresentados, sendo emitido o Auto de Infração n.35.775.1523. 7. os fatos geradores foram apurados com base nos documentos examinados: Livros Diários, Livros Razão, Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento, cujos valores encontram se demonstrados na planilha anexa, no Discriminativo Analítico do Débito – DAD e outros relatórios anexos.” A leitura da autuação não deixa dúvidas acerca da acusação que pesa sobre a Contribuinte: efetuar contratos de prestação de serviços com microempresas, que na verdade constituiriam relações de trabalho com vínculo empregatício, previstas nos artigos 2º e 3º da CLT. Em face de tal acusação, inúmeras perguntas surgem, sobre quais teriam sido os fundamentos que conduziram a tal conclusão e, caso esses sejam considerados insuficientes – como efetivamente o foram – não se configura cerceamento de direito de defesa, mas sim abrese ao Contribuinte a possibilidade de apresentação de defesa centrada exatamente na ausência de fundamentação/provas, como rotineiramente ocorre em procedimentos que tramitam no CARF. E foi exatamente isso que ocorreu no presente caso. Com efeito, tanto na Impugnação como no Recurso Voluntário, em momento algum a Contribuinte alega nulidade da autuação, mas sim ausência de fundamento às acusação apresentada, ou seja, falta de provas que dessem suporte à autuação. Confirase trechos do Recurso Voluntário, por meio do qual a Contribuinte reitera os argumentos da impugnação e, além de rebater ponto por ponto as acusações, registra: “DA FALTA DE PROVAS (...) A rigor, conforme se observa do relatório da fiscalização, não existem provas para sustentar o lançamento. A Fiscalização deveria, na busca da verdade real, buscar outros elementos para compor o lançamento do tributo que entende devido, não o fazendo, acabou por contaminar todo o lançamento. (...) Todavia, não bastam esses elementos para caracterizar a relação de emprego à luz do art. 3° da CLT, além do que o INSS Fl. 21DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 22 não a demonstrou cabalmente – ônus que lhe cabe, e não à Recorrente, que não pode ser constrangido a fazer prova negativa.” Quanto ao paradigma considerado apto a demonstrar a alegada divergência – Acórdão 10513.892 – a Recorrente traz à colação os seguintes trechos: Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO DE OFÍCIO NULIDADE O lançamento, por constituirse em um ato administrativo de formalização do crédito tributário, como previsto no art. 142 do CTN, Lei n° 5.172/66, c/c o art. 10 do PAF, Decreto n° 70.235/72, exigiu o legislador, obrigatoriamente, certos requisitos intrínsecos e extrínsecos, que são concorrentes e cumulativos à sua eficácia. A inobservância de tais exigibilidades concorre para a sua nulidade, mormente quando a descrição dos fatos motivadores da exação não contempla a totalidade das matérias nele consignadas, em atendimento ao princípio da unicidade do ato de lançamento. Lançamento nulo." (grifei) Voto "A Recorrente traz ao debate preliminar de nulidade do auto de infração por inobservância de requisitos indispensáveis a sua formação, e esta preliminar, ainda que sob outros fundamentos, se fez retratada desde a inauguração do litígio, e tendo o Julgador Monocrático, de ofício, ter levantado a preliminar de nulidade por vício formal, passo a examinála na conformidade da Lei de estrutura do nosso Sistema Tributária, o CTN, e da norma reguladora do Processo Administrativo Fiscal. De início, destaco parte da Fundamentação da Decisão guerreada que cuidou dessa temática, a qual está vazada nos seguintes termos: FUNDAMENTAÇÃO 7. A impugnação é tempestiva, dela tomo conhecimento e passo a decidir. 8. Preambularmente verificase que nas autuações 1 (Receitas da Atividade, Imposto de Renda Mensal Devido, Calculados sobre Receitas, Falta de Recolhimento do Imposto fls. 04), 2 (Receitas da Atividade, Imposto de Renda Devido, Calculado sobre Receitas, Insuficiência de Recolhimento fls. 04/05) e 5 (Omissão de Receitas, Valor apurado conforme planilha Peromis 1.XLS fls. 06108), os fatos não foram descritos sequer sucintamente, constando nas autuações 1 e 2 apenas o título e na autuação 5 remessa à planilha, o que contraria frontalmente o disposto no art. 10, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAP), a saber: 'Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: ... III – a descrição do fato.” (grifei). Fl. 22DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35368.002370/200609 Acórdão n.º 9202002.980 CSRFT2 Fl. 699 23 A leitura dos trechos acima permite concluir que, sem adentrar ao mérito do vício apontado no Auto de Infração – se formal ou material – ocorreu um vício, consistente na ausência de descrição de algumas das infrações que compuseram a exigência. Destarte, concluise que várias são as espécies de defeitos que podem estar presentes em uma autuação, seja durante a ação fiscal, em que são reunidas as respectivas provas, seja após essa fase, quando cabe ao Auditor elaborar a peça acusatória, relatando as infrações detectadas e fornecendo a respectiva base legal. No caso do paradigma, em momento algum se menciona a eventual ausência de provas, mas sim um defeito quando da elaboração da peça acusatória, que consistiu na ausência de descrição de alguns dos itens que integraram a exigência, considerandose que a totalidade da autuação estaria contaminada pelo vício. De forma diversa, no caso do acórdão recorrido, o defeito apontado, embora verbalizado como vício na descrição dos fatos, na verdade consiste na carência de provas, eis que a acusação não foi fundamentada de forma consistente. Assim, embora a infração tenha sido perfeitamente descrita, aparentemente verificouse falha na instrução probatória, o que constituiu o principal argumento de defesa. Destarte, entendo que as situações contidas nos acórdãos recorrido e paradigma não tratam da mesma espécie de defeito, de sorte que não há como comparar as respectivas consequências, para efeito de demonstração de divergência jurisprudencial. No paradigma, sem dúvida houve um vício na elaboração da peça acusatória, cuja consequência foi a nulidade, sem perquirirse se esta seria formal ou material. No caso do acórdão recorrido, o defeito foi a falta de suporte probatório para a acusação formulada, o que rotineiramente gera não a nulidade do Auto de Infração, mas sim a improcedência da autuação. Do contrário somente existiriam duas categorias de Autos de Infração: os perfeitos e acabados, que obviamente seriam mantidos, ou os nulos, restando apenas decidir se a Fiscalização teria ou não a chance de corrigilos ou complementálos, mesmo que isso significasse angariar novas provas ou argumentos que sustentassem a autuação inicial. Com efeito, não é isso que ocorre rotineiramente, já que as autuações, sem serem declaradas nulas, podem ser consideradas improcedentes, ou procedentes em parte. Resta esclarecer que, embora no acórdão recorrido a decisão tenha sido pela nulidade por vício material, e não pelo provimento do recurso adentrando ao mérito, tal particularidade não tem o condão de igualar a situação nele retratada à situação do paradigma, que de forma alguma a ela se assemelha. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 23DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 24 Fl. 24DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/11/2 013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15471.000362/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, inclusive complementação, percebidos por pessoa física portadora de moléstia grave.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Eivanice Canário da Silva.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 20/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RENDIMENTOS ISENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, inclusive complementação, percebidos por pessoa física portadora de moléstia grave. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Eivanice Canário da Silva. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 20/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário da Silva, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 03 62 /2 00 7- 14 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15471.000362/200714 Acórdão n.º 2102002.733 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 50/51: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada notificação de fls. 5 a 7, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, para formalização de imposto a restituir ajustado de R$2766,24. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal à fl.6 foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos da fonte pagadora INSS no valor de RS21.042,21 e omissão de rendimentos a título de resgate de contribuições à previdência privada no valor de R$13.025,83 da GEAP Fundação de Seguridade Social. A contribuinte não concorda com o lançamento alegando que sofreu desconto do imposto de renda até o mês de abril de 2003, apesar de a Portaria de aposentadoria retroagir a fevereiro de 2003. Informa que os valores considerados omissos pela fiscalização foram declarados no campo de rendimentos isentos e não tributáveis.Alega que cometeu erro no preenchimento ao informar o valor referente ao AFA no campo relativo a pecúlio recebido de entidade de previdência privada em decorrência de morte ou invalidez permanente.Por fim, menciona que não houve má fé ou glosa de qualquer montante e que informou todos os valores recebidos em sua declaração de ajuste anual. Para comprovação do alegado anexou os documentos de fls.8 a 24. Em abril de 2010, foram anexados os documentos de fls. 33 a 35, com solicitação de prioridade na tramitação do processo. Em 13 de abril de 2010, o processo foi baixado em diligência, para que fossem anexados os seguintes documentos: 1. laudo medico pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios; 2. comprovante de rendimentos relativo ao GEAP; 3. documento que demonstre a natureza do valor recebido de R$13.025,83 (GEAP) em junho de 2003, informado por meio de DIRF como sendo resgate de previdência privada (fl.37). Em resposta, foram juntados documentos de fls.42 a 48. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que sem a apresentação de laudo médico comprovando a moléstia grave e atestado da origem dos recursos como de aposentadoria, não é possível conceder a isenção pleiteada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA D E PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante Fl. 88DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15471.000362/200714 Acórdão n.º 2102002.733 S2C1T2 Fl. 4 3 laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 53, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso, uma vez que tem direito à isenção do IR por ser portadora de moléstia grave e os referidos valores lançados como omissos tem natureza de aposentadoria. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre os rendimentos lançados por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa/SRF/nº 25, de 29/04/1996, que já dispunha sobre a matéria anteriormente ao Decreto n. 3.000/99, determina, em seu art. 5º, parágrafos 1º e 2º, o seguinte: Art. 5º (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: ... b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Fl. 89DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 15471.000362/200714 Acórdão n.º 2102002.733 S2C1T2 Fl. 5 4 Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.” Ao cuidar deste tema, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, fixou as seguintes regras: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Como se vê, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar a moléstia. Nessa linha para comprovar as suas razões trouxe vasta documentação, dentre os quais destaco os documentos de fls 15, 16, 55 a 59. Da análise destas provas resta inconteste que a contribuinte é portadora de moléstia grave e que os rendimentos autuados são provenientes de aposentadoria e sua complementação. Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço médico oficial e rendimento de aposentadoria estão presentes e assim a contribuinte faz jus ao benefício da isenção pleiteada. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelada a autuação. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 20/11/ 2013 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10950.900766/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Numero do processo: 10950.907739/2011-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 77 39 /2 01 1- 20 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907739/201120 Acórdão n.º 3803005.170 S3TE03 Fl. 79 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição/Ressarcimento (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório, do PER, da DCOMP e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 31/01/2003 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 79DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907739/201120 Acórdão n.º 3803005.170 S3TE03 Fl. 80 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907739/201120 Acórdão n.º 3803005.170 S3TE03 Fl. 81 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Além disso, mesmo que a preclusão não tivesse ocorrido neste processo, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum documento hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito argüido. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.907739/201120 Acórdão n.º 3803005.170 S3TE03 Fl. 82 5 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. Dessa forma, mesmo que preclusão não houvesse, não se poderia reconhecer o direito creditório pleiteado por total ausência de prova de sua existência. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 82DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15956.000470/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.284
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Elias Sampaio Freire Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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Elias Sampaio Freire – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .0 00 47 0/ 20 07 -3 6 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000470/200736 Resolução nº 2401000.284 S2C4T1 Fl. 252 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pelo COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA, irresignado com o acórdão de fls. 93/101, por meio do qual fora mantida a integralidade do Auto de Infração n. 37.041.9238, lavrado para a cobrança de multa aplicada por ter a empresa apresentado as GFIP´s com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias a que estava sujeita a recorrente. Conforme se depreende do Relatório Fiscal da Infração, a recorrente, por se considerar isenta da incidência de contribuições sociais, apresentou GFIP´s: a) com o FPAS 639 nas competências, porém, em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 001/2007 da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, à partir de 01/2001 o FPAS correto é 574 (estabelecimento de ensino), situação que gerou erro de informação dos campos relativos à contribuição da empresa e ao RAT e acabou por alterar o valor das contribuições devidas à Previdência Social, ou seja, com isso deixou de fazer parte do documento o cálculo da cota patronal (20%) e riscos ambientais do trabalho – Rat (1%) Não obstante, as GFIP´s apresentadas também omitiram informações de contribuições sociais devidas à Seguridade Social incidentes sobre as verbas pagas, devidas ou creditadas ao Reclamante José Antônio Russo Ferrari no Processo Trabalhista 1562/03.8 da Quarta Vara do Trabalho de Ribeirão Preto, além de, na competência de 12/2003, não terem sido informadas as contribuições relativas ao 13o salário. A multa lançada compreende o descumprimento de obrigações acessórias no período de 06/2003 a 07/2007, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 28/09/2007 (fls. 01). Em seu recurso, alega o recorrente que está amparado pelos institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito uma vez que o mesmo conforme os documentos acostados aos autos é detentor do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos permanente, por força do Decretolei n o 1572/77. Afirma, por conseguinte, ter por finalidade a assistência social por meio da educação, da cultura e da assistência social, como instrumento de promoção, defesa e proteção da infância, da adolescência, da juventude e de adultos, em consonância com a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), a Lei de Diretrizes e Bases da Educa cão Nacional (LDB) e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como aplica a totalidade de seus recursos econômicofinanceiros integralmente na consecução de suas finalidades institucionais dentro do Território Nacional e os seus diretores, presidente e membros do conselho exercem seus cargos gratuitamente, sem qualquer tipo de remuneração, não distribuindo lucros ou dividendos. Defende se considerada como instituição de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal, além de ser inscrita no CNAS e declarada como de fins filantrópicos desde 1975. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000470/200736 Resolução nº 2401000.284 S2C4T1 Fl. 253 3 Sustenta que impetrou junto ao Superior Tribunal de Justica STJ, o Mandado de Segurança 11.393/DF contra ato do Senhor Ministro de Estado da Previdência Social, estando, portanto, o equivocado cancelamento de seu Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS, pendente de julgamento, motivo pelo qual o presente auto de infração deve ser cancelado. Relata que a segurança fora denegada pelo Superior Tribunal de Justica STJ, estando o mesmo pendente de julgamento de recurso interposto ao Supremo Tribunal Federal – STF, que através do Min. Marco Aurélio de Mello, concedeu medida liminar suspendendo a exigibilidade da cota patronal em favor da recorrente. Por fim, defende que o Auto de Infracão e acórdão ora impugnados contrariam ordem judicial emanada do Mandado de Segurança 1999.61.00.0291982, o qual, em sentença proferida pelo Juízo da 2 a Vara da Justiça Federal da Segunda Subseção Judiciária de Ribeirão Preto confirmada em acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região TRF 3a REGIÃO, concedeu segurança a fim de isentar o recorrente do recolhimento da contribuição incidente sobre a folha de salários, por ser portador do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS) " junto Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o necessário relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 15956.000470/200736 Resolução nº 2401000.284 S2C4T1 Fl. 254 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator No presente caso a lançamento se deu em decorrência da emissão de Ato Cancelatório da Isenção ao pagamento das contribuições patronais em desfavor da recorrente. Em suas razões de recurso, sustenta que no Mandado de Segurança 1999.61.00.0291982, foi proferida sentença pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal da Segunda Subseção Judiciária de Ribeirão Preto confirmada em acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3a Região TRF 3a REGIÃO, a qual concedeu segurança a fim de isentar o recorrente do recolhimento da contribuição incidente sobre a folha de salários, por ser portador do "Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEAS/CEBAS) " junto Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS De tal sorte, ao analisar os autos do presente processo, não verifiquei dele constarem informações seguras acerca do andamento atualizado das ações que se relacionam com o presente lançamento. Assim, entendo que antes mesmo da análise das alegações de mérito objeto do recurso voluntário, que exista providência a ser tomada para o devido esclarecimento acerca do andamento e objeto das ações judiciais indicadas no presente processo. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos baixem a origem e que a ilustre autoridade fiscal informe a este Conselho, o andamento atualizado do MS 1999.61.00.0291982 e MS 11.393/DF, fazendo juntar aos autos cópia de suas iniciais e das decisões que nele porventura já tiverem sido proferidas. Após devidamente cientificado o contribuinte das providências tomadas, que os autos sejam novamente enviados a este Eg. Conselho. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 08/11/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 10980.722215/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009, 2010
ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, deve-se cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado.
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009, 2010 ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Constatado erro no enquadramento legal e descrição de fatos, devese cancelar a exigência. Se a infração apontada pelo Fisco diz respeito a exclusões indevidas do Lucro Real, mas a real irregularidade cometida foi a contabilização de despesas indedutíveis, o crédito tributário deve ser cancelado. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA DO IRPJ E CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 22 15 /2 01 2- 94 Fl. 4878DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 4879DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório BOTICA COMERCIAL FARMACÊUTICA LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 77.388.007/000157, com domicílio fiscal na cidade de São José dos Pinhais Estado do Parará Bairro Afonso Pena, Av. Rui Barbosa, nº 3450, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 3885/3937, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 3950/4055. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba PR, em 11/04/2012, os Autos de Infrações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 1164/1190), com ciência por AR, em 12/04/2012 (fl. 1165), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 24.670.505,96, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social, acrescidos de multa de lançamento de oficio qualificada de 150%; da multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre a base cálculo estimada e dos juros de mora, de no mínimo de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuição, relativo aos exercícios de 2009 e 2010, correspondente aos anos calendário de 2008 e 2009, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS: Valores relativos a ágios excluídos indevidamente do Lucro Real nos anoscalendários 2008 e 2009, constantes nos Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) e das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, 1995 e arts. 247 e 250, do RIR/99. 2 – MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Falta ou insuficiência de pagamento de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, conforme o Termo de Verificação e Encerramento de ação Fiscal. Infração capitulada nos arts. 222 e 843, do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007. Por decorrência foi lavrado o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base nas seguintes infrações: 1 – EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL – EXCLUSÕES INDEVIDAS: Valores relativos a ágios excluídos indevidamente do Lucro Real nos anoscalendários 2008 e 2009, constantes nos Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) e das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Infração capitulada no art. 2° da Lei n° 7.689, de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de Fl. 4880DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 1995; art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995; art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. 2 – MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE A BASE ESTIMADA: Falta ou insuficiência de pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa, conforme o Termo de Verificação e Encerramento de ação Fiscal. Infração capitulada no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário esclarecem o lançamento através do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 1192/1242. Em sua peça impugnatória de fls. 2823/2969, instruída pelos documentos de fls. 2972/2980, apresentada, tempestivamente, em 11/05/2012, a autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que no tópico “Da operação de incorporação de ações: uma opção empresarial legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no grupo Boticário” aduz que no começo de 2006 o organograma do grupo Boticário era integrado pelas seguintes empresas operacionais: O Boticário Franchising (OBF, a holding mista), Botica Comercial Farmacêutica Ltda. (Botica, a interessada), Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza Ltda. (Cálamo) e Empresa Brasileira de Logística Ltda. (Embralog) (doc. 2); que os acionistas do grupo Boticário também possuíam investimentos no Estação Empreendimentos e Participações, Shopping Estação Ltda. e Estação Convention Center Ltda.; que obstante a boa performance empresarial do grupo no segmento de cosméticos, as empresas do setor de shopping Center e centro de convenções vinham operando de forma deficitária; que como a função de holding do grupo Boticário desviava a OBF de seu foco empresarial principal (negócio de franquia), decidiuse pela criação de uma holding pura para as empresas operacionais do grupo, para estabelecer as políticas de governança corporativa e gestão estratégica e ser a receptora do investimento do provável novo acionista; que as participações societárias na Embralog, Botica e Cálamo foram retiradas do patrimônio da OBF e transferidas para as pessoas físicas dos acionistas; a Estação Empreendimentos e Participações Ltda. (EE) foi incorporada pela Cálamo, que passou a ser controladora do Shopping Estação (SE) e da Estação Convention Center Ltda. (ECC) (doc. 3); que, em 18/09/2006, foi constituída uma holding pura, a G&K Holding S/A (G&K); em 01/11/2006 a ECC foi incorporada pela Cálamo (doc. 3); em 18/12/2006 a G&K incorporou a totalidade das ações das empresas operacionais, transformandoas em subsidiárias integrais (art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976), com aprovação do novo Estatuto Social e assinatura de Acordo de Acionistas (doc. 6); que constou do Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações da Botica que: “A operação de incorporação de ações ora proposta representa a continuidade de uma ampla reestruturação societária e patrimonial já iniciada pelo grupo Boticário, a qual tem por principais objetivos a obtenção de uma melhor conformação das estruturas de capital e patrimonial das empresas envolvidas e a segregação dos distintos segmentos de negócio do grupo”; em 28/02/2007 a Cálamo efetuou a venda dos ativos (principalmente imóveis e equipamentos) do SE e ECC a terceiros e em 02/05/2007 incorporou totalmente o acervo líquido remanescente do SE (doc. 3); Fl. 4881DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 4 5 que no tópico “Apuração do ágio: uma consequência do processo de incorporação de ações determinada em lei e plenamente aplicável ao caso concreto” assevera que o critério adotado na avaliação das ações apresenta sólida justificação empresarial e trata se de um dos elementos inerentes ao instituto jurídico da incorporação de ações; que a avaliação do valor das ações é consequência do processo de incorporação, como um elemento necessário e indispensável a sua realização, mas não o objetivo ou finalidade do processo; que as ações foram avaliadas com base na efetiva capacidade econômica do negócio, dimensionada pela perspectiva de rentabilidade futura segundo o critério do fluxo de caixa descontado; que, concomitantemente, à incorporação de ações ocorrida em 18/12/2006, o IGPFundo de Investimento em Participações (IGP), administrado pela GP Administração de Recursos S/A, subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K ao preço total de R$ 50 milhões (doc. 4); que a definição do percentual de participação de 2,41% do IGP no capital da G&K foi estabelecida com base no valor econômicofinanceiro das empresas operacionais do grupo apurado no laudo de avaliação (art. 8º da Lei das S/A) elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (KPMG); que a relação de substituição das ações da Botica pelas da G&K foi definida com base no valor econômicofinanceiro de ambas as companhias, tendo o laudo de avaliação da KPMG estabelecido para cada ação da Botica o valor de R$ 2,31, perfazendo o montante de R$ 344.499 mil, com ágio de R$ 206.481.363,56; que no tópico “Das razões empresariais que motivaram a cisão parcial e seletiva da G&K em 03/11/2008: a amortização do ágio como consequência expressa da lei tributária” argumenta que o ingresso do novo sócio e a implementação da reestruturação implicou no incremento do desempenho empresarial alcançado por todas as empresas do grupo Boticário nos anos de 2007 e 2008 (doc. 3); em 09/10/2008 as quotas do Fundo IGP foram transferidas para a Votorantim Asset Management DTVM Ltda., passando o fundo a ser denominado de Votorantim G&K Fundo de Investimento em Participações (Votorantim); que a cisão parcial seletiva desta holding foi motivada por divergências na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista minoritário estratégico; que os acionistas controladores da G&K decidiram que o grupo deveria crescer não apenas de forma “orgânica” (via operações próprias), mas também através de aquisições de outras marcas e exploração de outros canais de venda, mas o Votorantim manifestou discordância, porquanto tais aquisições iriam comprometer a rentabilidade de curto prazo do investimento; em consequência, foi idealizada a cisão parcial seletiva e desproporcional do patrimônio da G&K em quatro parcelas, seguida de respectivas incorporações pelas empresas operacionais; que, com base em projeções de resultados futuros, foi acordado que, na relação de substituição das ações que detinha na G&K, caberia ao Votorantim a participação de 3,11% das ações representativas do capital da OBF e da Cálamo, as quais não seriam utilizadas no projeto de novas aquisições; que a G&K manteve 1% de participação no capital de cada uma das empresas operacionais; que coube às empresas operacionais (incorporadoras) o registro contábil de ativos representados pela parcela do investimento e respectivo ágio, tal como cindida do patrimônio da G&K; que as incorporações inversas ensejaram, como consequência expressamente prevista na legislação tributária, a possibilidade de amortização do ágio de forma dedutível e a reversão, contra o resultado do exercício, de correspondente montante da provisão do ágio; Fl. 4882DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que no tópico “Da efetiva implementação do plano de expansão” argúi que a cisão parcial e seletiva da G&K permitiu que o grupo iniciasse o processo de expansão mediante aquisições e entrada no canal de venda direta (venda “porta a porta”); que a cisão parcial e seletiva da G&K foi norteada por razões empresariais sólidas; que a amortização do ágio na Impugnante foi mais uma decorrência dessa etapa, que faz parte de um processo muito mais amplo de reestruturação societária e empresarial envolvendo os acionistas originais do grupo Boticário e outros acionistas totalmente independentes, não relacionados; que as operações em questão não foram casuísticas, temporárias, inconsistentes, contraditórias ou efetivadas com base em atos societários e contratuais sucessivos e cronologicamente próximos, de forma a desnaturar a efetiva vontade das partes envolvidas ou com uso abusivo de institutos jurídicos ou mediante fraude a alguma lei que proibisse as operações e seus efeitos decorrentes; que no tópico “Das infundadas alegações das autoridades fiscais para glosar os encargos de amortização de ágio nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL” relata que as autoridades fiscais embasaram seu entendimento exclusivamente sob o enfoque contábil de estudos relacionados ao ágio (com base em entendimentos emitidos pela CVM, assim como pelo Professor Eliseu Martins): (a) os pressupostos do ágio seriam a aquisição de participação societária e o fundamento econômico; (b) embora seja uma sociedade devidamente constituída e ainda ativa, a G&K teria funcionado como uma “espécie de empresa veículo” e que cada uma das quatro investidas do grupo teriam recebido de volta o ágio produzido na operação anterior de incorporação de ações; (c) se contabilmente o “ágio interno” não é aceito, não deveria ser aceito também para efeitos tributários; (d) a despesa com o ágio não era necessária e, portanto, não dedutível, nos termos do art. 299 do RIR de 1999; (e) somente quem despende recursos para fazer frente a um ágio, terá direito a amortizálo e deduzilo da base de cálculo dos tributos; que no tópico “Aspectos prejudiciais a toda a linha de acusação desenvolvida pela fiscalização” aduz, em preliminar, que já decaiu o direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 (incorporação de ações) e sua respectiva dedução após a cisão parcial e seletiva da G&K em 2008; que muito embora o dedução tenha sido efetuada em 2008, o Fisco não poderia mais questionála por meio do presente auto de infração, lavrado em 11/04/2012, eis que transcorrido o prazo de decadência de cinco anos contados do fato “originário” do ágio; que também alega mudança de critério jurídico (art. 146 do CTN), ao argumento de que, em 29/06/2011 e 20/10/2011, duas outras empresas integrantes do grupo Boticário, a Embralog e a Cálamo, foram autuadas exatamente pelas mesmas razões (incorporação de ações em 2006 e a cisão parcial da G&K em 2008) e pelos mesmos Agentes Fiscais, com o acréscimo da multa de ofício de 75%; ocorre que, agora, no presente auto de infração, os Agentes Fiscais modificaram o seu entendimento no que se refere à qualificação da conduta da Impugnante e aplicaram a multa qualificada de 150%, por entenderem que teria havido dolo, fraude e abuso de direito; que esta modificação de entendimento não significa outra coisa senão uma nova interpretação dos fatos e da legislação, com vistas à subsunção destes mesmos fatos a normas distintas daquelas aplicadas nos lançamentos efetuados contra a Embralog e a Cálamo; que se os fatos já eram de pleno conhecimento das autoridades fiscais e se a situação requeria a aplicação de multa qualificada, esta interpretação já deveria ter sido aplicada desde o lançamento efetuado contra a Embralog ou mesmo no primeiro lançamento efetuado contra a Cálamo; considerando que não restou comprovado nestes autos a presença de novos fatos e elementos que justificassem a aplicação da multa qualificada e a inclusão dos acionistas da Impugnante como responsáveis solidários do crédito tributário exigido, uma vez Fl. 4883DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 5 7 que não houve qualquer fato novo apurado em exames ou diligências realizadas no curso do processo que justificasse qualquer alteração em relação aos fatos já conhecidos quando da lavratura dos autos de infração contra a Embralog e a Cálamo, é certo e inquestionável que houve a modificação dos critérios jurídicos do lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no mesmo período; que, no mérito, argúi que a figura do ágio interno é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária que envolveu a Impugnante; que a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legítimo movimento de reestruturação muito mais abrangente; que a figura do ágio interno era, até muito recentemente (até o advento dos Comitês de Pronunciamentos ContábeisCPC, decorrentes da Lei nº 11.638, de 2007) uma construção meramente teórica, exclusiva da Ciência Contábil; todavia, mesmo segundo os conceitos da construção teórica não há como se considerar que o ágio apurado nas operações realizadas no grupo Boticário tenha conotação de ágio interno; que a operação de incorporação das ações da Impugnante viabilizou o ingresso do IGP como novo acionista estratégico do grupo Boticário e o critério de avaliação (valor econômicofinanceiro) dessas ações resultou de um legítimo processo de negociação entre os acionistas da G&K e o IGP; indaga como uma operação que se alega ter sido realizada “intragrupo” pode, ao final de várias etapas, resultar em configuração societária pela qual um terceiro, totalmente independente e não vinculado a qualquer das empresas ou acionistas do grupo passa a participar do capital social destas empresas através da holding G&K; que o ágio decorre da aquisição de participações societárias, ato que pode ser realizado pelas mais variadas formas previstas em lei, sendo que a compra e venda – única forma que pressupõe pagamento – é apenas mais uma delas; no presente caso, a aquisição se deu por meio de uma incorporação de ações, cujo custo de aquisição é o valor das ações conferidas aos titulares das ações incorporadas, tendo como contrapartida contábil a constituição de um passivo na conta capital social; que a norma da CVM que regula a constituição da provisão do ágio tem dois propósitos distintos: um deles é de natureza exclusivamente contábil e diz respeito ao reconhecimento do ágio na incorporadora pelo montante do efeito tributário esperado com a sua amortização (34% do valor do ágio como ativo fiscal diferido); o outro propósito é de natureza societária e diz respeito à política de preservação e incentivo de pagamento de dividendos aos acionistas minoritários; que, em atendimento ao CPC 04, regulamentado pelo OCPC 02, o ágio fundamentado em rentabilidade futura passou a ser classificado no Ativo Intangível, razão pela qual no período de abril a dezembro/2009 deixou de contabilizar a apropriação desse ágio no Ativo Diferido, com estorno da apropriação feita nos meses de janeiro a março/2009; que foi a G&K quem efetivamente apurou o ágio na Botica e teve parcela do seu patrimônio incorporada por esta última; a G&K não funcionou como empresa veículo, pois não transferiu o ágio de nenhuma outra entidade para a Impugnante; que a G&K é uma sociedade holding ainda ativa, que nasceu com suficientes propósitos empresariais e não teve vida efêmera, tendo sua cisão sido embasada em sólidas razões empresariais; que é descabida a tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, por versar sobre a glosa de exclusões procedidas no LALUR e cujo valor havia sido anteriormente adicionado quando da constituição da Fl. 4884DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 provisão; que, tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da referida provisão deve ser excluído do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de tributação em duplicidade; que no tópico “Do direito que ampara a amortização do ágio pela Impugnante independentemente da caracterização que possa lhe ser atribuída pela ciência contábil” alega que a distinção entre Ciência Contábil e Direito Contábil é da maior relevância à identificação do melhor Direito a ser aplicado ao caso, pois à época das reorganizações societárias envolvendo a Impugnante, a figura do ágio interno era uma mera construção teórica da Ciência Contábil, sem qualquer respaldo normativo no Direito Societário, bem como e principalmente, como ocorre até os dias atuais, sem qualquer respaldo normativo no Direito Tributário; que a Ciência Contábil é uma ciência social que tem por objeto o estudo do registro das informações econômicofinanceiras de determinada entidade, com a finalidade de se apurar o seu patrimônio e respectivas variações no decorrer do tempo; que o Direito Contábil tem por objeto a materialização das construções da Ciência Contábil sob o âmbito normativo, tornandoas de observância obrigatória por parte das entidades jurídicas; que o Direito Contábil divide: (i) Direito Contábil Societário; e (ii) Direito Contábil Fiscal (Tributário); que o arcabouço das normas contábeis está previsto na legislação comercial/societária, mas as regras e práticas contábeis acabaram sofrendo grande influência da legislação tributária; que a definição de muitos tributos dependem de conceitos formados a partir da Ciência Contábil, desde que necessariamente positivados pelo Direito Contábil Fiscal (Tributário); que para a apuração do lucro real (contabilidade fiscal) partese do lucro líquido (regras da legislação societáriacontabilidade societária) para então serem feitas as adições, exclusões ou compensações; há muitos pontos de intersecção entre a Ciência Contábil, o Direito Contábil Societário e o Direito Contábil Fiscal, especialmente no que tange às regras de apuração da base de cálculo do IRPJ, mas nem todas as regras são coincidentes; que à época da incorporação das ações da Interessada pela G&K a figura do ágio interno era, de fato, uma construção exclusivamente teórica da Ciência Contábil; que o OfícioCircular CVM/SNC/SEP n° 01/2007, da CVM só veio a abordar o tema do “Ágio gerado em operações internas” em momento posterior, sem representar Instrução de observância obrigatória; a norma que, de fato, passou a dispor e a regular o ágio gerado internamente só veio a integrar o Direito Contábil Societário com a aprovação do CPC n° 04/10, introduzida em nosso ordenamento na esteira das normas da Lei n° 11.638, de 2007; que no tópico “Da distorcida interpretação da fiscalização quanto ao entendimento do professor Eliseu Martins e da Comissão de Valores Mobiliários. Da inexistência de ‘empresa veículo’ no caso concreto” argúi que o cerne do parecer de autoria de Eliseu Martins, citado pela Fiscalização, consiste no questionamento da aplicação do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002; que, conforme afirma o próprio Professor Eliseu Martins em seu parecer, as sociedades veículo são criadas e extintas em curto intervalo de tempo, sem qualquer propósito negocial; que esse parecer concluiu no sentido de que a operação possuía respaldo na legislação tributária; que no tópico “Das diversas formas de aquisição de bens reguladas pelo Direito” assevera que a Lei das S/A não aborda expressamente a temática do ágio na aquisição Fl. 4885DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 6 9 de participação societária, mas a CVM já se manifestou a esse respeito, por meio da Instrução CVM n° 247/96; que, ao analisar o caso concreto, as autoridades fiscais concluíram, equivocadamente, que o ágio gerado seria inválido, pois teria sido gerado em uma operação na qual não houve “pagamento”, com exceção daquele feito pelo IGP, e ter sido realizada entre partes vinculadas; que no tópico “Negócio jurídico de incorporação de ações” explica que na incorporação de ações ocorre, regra geral, o aumento do capital da sociedade incorporadora, que passa a ter a outra sociedade como sua subsidiária integral; que os acionistas da incorporada subscrevem aumento de capital da incorporadora com as ações de sua propriedade, tornandose acionistas da incorporadora; na incorporação de ações, não há “pagamento”, que é uma contraprestação do negócio jurídico de venda e compra, e que o valor das ações incorporadas corresponde ao valor das ações da incorporadora que serão recebidas pelos titulares das ações incorporadas, desde que tal valor esteja suportado por laudo de avaliação (art. 252, §§ 1º e 3°, da Lei das S/A); que no tópico “Natureza jurídica do ágio para o Direito Contábil Fiscal/Tributário – Novamente as diversas formas de aquisição” ressalta que a legislação tributária brasileira (Direito Contábil Fiscal/Tributário) confere o mesmo tratamento ao ágio e ao deságio na aquisição de participação societárias que o previsto na legislação societária (Direito Contábil Societário), conforme art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1977; que o custo de aquisição das ações incorporadas é o valor das ações conferidas aos titulares dessas ações, tendo como contrapartida da contabilização desse ativo a constituição de um passivo na conta capital social; em nenhum momento o art. 20, II do DL n° 1.598, de 1977, menciona a palavra “pagamento” ou “desembolso”, mas sim custo; que o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição (v.g. permuta, dação em pagamento, doação, conferência de bens para integralização de capital e incorporação de ações); que acerca da existência de “partes relacionadas”, aduz que para fins do Direito Societário não há qualquer óbice na legislação à realização da operação de incorporação de ações entre pessoas que possuam algum tipo de vinculação; a existência de partes vinculadas pode ensejar um tratamento diferenciado para os efeitos da operação pelo Direito Tributário, como ocorre com as regras de Distribuição Disfarçada de Lucros, Preços de Transferência e subcapitalização; contudo, no presente caso, não há qualquer dispositivo previsto na legislação tributária que estabeleça algum tratamento diferenciado para a incorporação de ações entre partes vinculadas; que no tópico “Isonomia com tratamento fiscal do deságio” afirma que, caso a aquisição da participação societária tivesse se dado por valor inferior ao valor de patrimônio líquido, a Impugnante teria reconhecido um deságio nos termos do art. 385, II do RIR de 1999, cujo valor o Fisco entende configurar receita tributável; que no tópico “Do lançamento manifestamente contrário à Lei – violação aos arts. 142 do CTN e 8º, b, da Lei n° 9.532/97” alega que a expressão “ágio de si mesmo” embute em si um argumento de pura retórica, pois contraria frontalmente o que dispõe a legislação vigente; que o art. 7º, III da Lei n° 9.532, de 1997, com a redação dada pela Lei n° Fl. 4886DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 9.718, de 1998, disciplina o aproveitamento do ágio nos casos de incorporação, fusão ou cisão da investida com absorção da totalidade ou parte de seu patrimônio pela investidora; todavia, o art. 8º, “b” dessa lei também dispensa o mesmo tratamento no caso de operação inversa, hipótese em que sempre haverá o denominado “ágio de si mesmo”, pois sempre a incorporada, fundida ou cindida será a investidora e não a investida; que o que importa para fins fiscais é que o ágio apurado na aquisição de investimento e baseado em rentabilidade futura seja amortizado com o lucro produzido pela mesma entidade que recebeu o investimento, seja através da incorporação, fusão ou cisão da investida com absorção de seu patrimônio pela investidora (art. 7º da Lei n° 9.532, de 1997), seja através do inverso (art. 8º); que, o art. 142 do CTN dispõe que o lançamento é atividade vinculada à lei e não às Instruções e OficiosCirculares da CVM, mas as autoridades fiscais adotam conduta justamente contrária, fundamentando o lançamento nas normas da CVM e, quando invocam a lei, utilizando dispositivo totalmente inaplicável, qual seja, o art. 299 do RIR de 1999, ao invés dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997; que no tópico “Do equívoco cometido pelas autoridades fiscais com relação às normas aplicáveis à dedutibilidade de despesas” argumenta que o disposto no artigo 299 do RIR de 1999 é uma norma geral de dedutibilidade que não pode se sobrepor à norma específica de dedutibilidade dos encargos de amortização do ágio, prevista no art. 386, III, § 2º, do RIR, de 1999; ainda que fosse aplicável o art. 299 do RIR de 1999 ao caso concreto, as autoridades fiscais não esclareceram razão pela qual a amortização do ágio não seria necessária; por outro lado, ao capitular o lançamento no art. 299 do RIR de 1999, as autoridades fiscais admitem que o ágio seria plenamente dedutível, independentemente de se tratar de ágio interno ou externo; que no tópico “Da legalidade da conduta da impugnante. Da inexistência de step transactions ou ‘operações estruturadas em sequência’” argúi que os Agentes Fiscais concluíram equivocadamente que estariam diante daquilo que se convencionou chamar de “operações estruturadas em sequência” ou step transactions, com finalidade única e exclusiva de obter redução de tributos; que um primeiro aspecto a ser refutado é a inferência de que a declaração contida no Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações de 18/12/2006 não seria verdadeira, mas em nenhum momento as autoridades tomaram o cuidado de apresentar qualquer comprovação, documento, indício ou prova de que o objetivo ali declarado não era de fato verdadeiro; que no auto de infração anterior nenhuma palavra foi escrita a respeito de step transaction, mas agora, tudo se encaixaria nesse conceito; que alega que se esqueceram os Agentes Fiscais de mencionar muitas operações praticadas antes e depois da incorporação de ações, assim como antes e depois da cisão parcial, as quais não mantém qualquer relação de interdependência; embora essas operações possam e devam ser interpretadas no mesmo contexto maior de reorganização societária, elas tinham propósitos negociais específicos e a amortização do ágio não dependia de nenhuma delas; que é possível identificar “omissões” dos Agentes Fiscais: (i) não foi feita nenhuma menção à relevância dos recursos aportados pelo IGP (R$ 50 milhões = 42,85% da disponibilidade financeira de todo o grupo e 86% do capital social consolidado); (ii) também não se encontra nenhuma referência ao Acordo de Acionistas firmado entre o IGP e a G&K; que a cisão da G&K foi motivada por divergências na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista estratégico; que após cisão parcial e seletiva da G&K, foram praticadas as seguintes operações: constituição da empresa GKDS Assessoramento em Produtos de Beleza Ltda., aquisição da Frajo Internacional de Cosméticos Ltda. pela Lourabe Cosméticos e Perfumaria Fl. 4887DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 7 11 Ltda. (controlada pelos acionistas pessoas físicas do grupo) e aquisição de participação minoritária na empresa Scalina S/A; que os Agentes Fiscais também deixaram de fazer referência ao desfazimento dos negócios relacionados às atividades de shopping center e centro de convenções e a incorporação dessas empresas pela Impugnante; indaga como se pode falar em step transactions na presença de um investidor externo – cujo comportamento não está sob o controle da Impugnante – que ingressou como acionista estratégico do grupo Boticário dois anos antes e que veio a discordar da forma de expansão dos seus negócios, dando ensejo a um processo de cisão parcial seletiva na holding da qual participava; que, no tópico “Da inexistência de abuso de direito” aduz que o art. 187 do Código Civil considera o abuso de direito como um ato ilícito, mas apenas quando o ato praticado exceder manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes; que o conceito de abuso de direito previsto no art. 187 do Código Civil não pode ser construído sem uma leitura conjugada com o art. 188, I, do mesmo diploma, segundo qual o exercício regular de um direito não constitui ato ilícito; que é descabida a tese defendida pelos Agentes Fiscais de que os eventos societários em questão teriam sido praticados com o objetivo exclusivo de economizar tributos, mas, mesmo que assim fosse, a economia de tributos não pode e não deve ser considerado um ato ilícito; também, não há excesso à boafé da pessoa, e não é enganada a boafé do Fisco, quando o contribuinte age às claras, sem nada esconder, expondo ao crivo da fiscalização tudo o que fez, exatamente como ocorreu no caso aqui analisado; que no tópico “Da ausência de dolo e fraude no caso concreto” afirma que os Srs. Agentes Fiscais não comprovaram as presenças de dolo e de fraude; que não comprovaram, através de documentos hábeis ou da demonstração de patologias nos documentos hábeis que lhes foram apresentados (falsificações, adulterações, etc.), que as declarações de vontade constantes dos documentos societários não eram efetivas; que o montante do ágio e o valor dos dividendos e juros sobre capital próprio recebidos pelos acionistas não têm qualquer relação com eventual dolo na apuração dos tributos da pessoa jurídica e nada mais representa do que o exercício de um direito previsto na legislação societária e tributária; que no tópico “Da inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização” assevera que os ajustes na base de cálculo da CSL sempre foram feitos através de lei; que o regime jurídico de apuração da base de cálculo da CSL está dissociado daquele previsto para o IRPJ; que ao mesmo tempo em que o legislador, através do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995, determinou a aplicação das mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ à CSL, ele também determinou que fossem mantidas a base de cálculo e alíquotas da CSL previstas na legislação em vigor; que em nenhum momento a legislação posterior (Leis n°s 9.249, de 1995, e 9.430, de 1996) determinou que os encargos com amortização do ágio ou mesmo as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real fossem adicionados à base de cálculo da CSLL; que no tópico “Do cancelamento do multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN” afirma que os Agentes Fiscais socorreramse das lições do Prof. Marco Aurélio Greco a respeito de como a realidade de um planejamento tributário pode ser visualizada, mas se esqueceram que o referido doutrinador sustenta posição radicalmente oposta no que se refere Fl. 4888DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 à aplicação de multas qualificadas no lançamento relacionado a planejamentos tributários; que o que ocorre, na verdade, é dúvida na interpretação e aplicação da legislação tributária pelos Agentes Fiscais; que, segundo o Prof. Marco Aurélio Greco, não há qualquer espaço para o cabimento da multa qualificada, na medida em que há um alto grau de incerteza na qualificação jurídica da conduta; que, pelo princípio da “benigna ampliada”, consagrado no artigo 112 do CTN, deve prevalecer a seguinte diretriz: em caso de dúvida, deverá ser a lei tributária interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte; que no tópico “Da impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com a multa de ofício – dupla penalidade sobre a mesma suposta infração” alega que a aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada prevista no artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, configura o denominado bis in idem, absolutamente inadmissível em nosso ordenamento jurídico; que o art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 93, de 1997, ao disciplinar o art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, impede a exigência do tributo principal não pago no vencimento, bem como outra multa que a não a de ofício; que no tópico “Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício” argúi que os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal; que ao final, protestando desde logo provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, requer: (a) seja reconhecida a decadência/preclusão do direito do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio apurado em 2006 e suas respectivas amortizações; (b) o cancelamento da multa qualificada por afronta ao art. 146 e 112 do CTN ; (c) cancelamento do lançamento em relação à CSLL, uma vez que não há previsão legal que determine que os encargos com amortização de ágio ou mesmo as despesas não dedutíveis para fins de apuração do lucro real deverão ser adicionados à base de cálculo da CSLL; (d) cancelamento da multa isolada aplicada concomitantemente com a multa de ofício, por configurar dupla penalidade sobre a mesma infração; e (e) exclusão dos juros sobre a multa de ofício aplicada ao caso concreto, por ausência de previsão legal. Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner, por intermédio de seus representantes legais (mandatos às fl. 13221329 e 20972104), também apresentaram, em 11/05/2012, as tempestivas impugnações de fls. 1272/1320 e 2048/2096, instruídas com os documentos de fls. 1331/2047 e 2105/2822, nas quais reiteram as alegações de defesa apresentadas pela impugnante aos autos de infração de IRPJ e CSLL e acrescentam as seguintes considerações: a) argúi a impossibilidade de se atribuir responsabilidade solidária pelos créditos de IRPJ e CSLL associados ao ágio apurado quando da integralização de capital na G&K Holding em 2006 e amortizado pela Botica em decorrência da cisão ocorrida em 2008, por absoluta ausência de motivação e fundamentação quanto à suposta ilicitude de tais atos (ausência de dolo, fraude e abuso de direito) e, consequentemente, da ausência de qualquer ilicitude na conduta dos Impugnantes enquanto sócios administradores; b) que os Agentes Fiscais entenderam que o simples fato de os Impugnantes serem acionistas da Botica e dela receber dividendos e JCP seria suficiente para caracterizar o “interesse comum” a que se refere o art. 124, I, do CTN; que esse interesse comum, para fins de atribuição de responsabilidade solidária, não está relacionado com eventual “interesse econômico” (efetivação do negócio), mas sim com o interesse jurídico na constituição do fato gerador, ou seja, quando duas ou mais pessoas pratiquem conjuntamente um determinado fato gerador e sejam, todas elas, sujeitos passivos do mesmo tributo; que os acionistas não podem ser automaticamente considerados coobrigados solidários de sociedades das quais participem, Fl. 4889DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 8 13 posto não serem sujeitos passivos do IRPJ e CSLL e não terem a menor condição ou capacidade jurídica de praticar o fato gerados desses tributos; c) que a solidariedade não é um tipo de sujeição passiva por responsabilidade indireta, nem tampouco é uma forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária; os devedores solidários não são terceiros, mas sim aqueles que efetivamente realizam o fato gerador de forma conjunta e que sejam, ambos, sujeitos passivos do mesmo tributo; d) que com relação ao art. 135, III, do CTN, aduz que não há a menor possibilidade de as operações em questão serem consideradas como step transactions, uma vez que: (i) os Agentes Fiscais omitiram muitas outras operações que estavam inseridas no contexto maior de reestruturação das empresas; (ii) as operações não foram encadeadas em sequência e eram independentes uma da outras; (iii) todas as operações ostentavam propósito negocial específico, devidamente declarado e comprovado; (iv) houve plena vivência dos efeitos das operações e congruência em outros ambientes; e) que os Impugnantes não praticaram qualquer abuso de direito, mas, supondo que a tal lei tida por violada seja o art. 187 do Código Civil, ele não se presta a justificar a atribuição de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, pois as condutas ali descritas são típicas do direito societário, ou seja, a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza exclusivamente societária, pela prática de atos contrários ao interesse da sociedade. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba – PR concluíram pela procedência do lançamento e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que trata o presente processo de exigências de IRPJ e CSLL decorrentes da glosa de despesas com amortização de ágio interno e de multas de ofício isoladas em decorrência da falta ou insuficiência de pagamento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa; que a impugnante argúi a preliminar de nulidade do lançamento fiscal, ao argumento de mudança de critério jurídico (art. 146 do CTN) em face de os Agentes Fiscais terem modificado o entendimento no que se refere à qualificação da conduta da Impugnante, porquanto aplicaram a multa qualificada de 150% ao entenderem que no presente caso teria havido dolo, fraude e abuso de direito, enquanto nos lançamentos efetuados contra duas outras empresas integrantes do grupo Boticário – a Embralog e a Cálamo –, em decorrência da mesma infração, foi aplicada a multa de ofício não qualificada de 75%; que, contudo, cabe destacar que a vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo, o que não é o caso em tela; que, por conseguinte, além de ser totalmente irrelevante o fato de duas outras empresas do grupo Boticário terem sido autuadas com aplicação da multa de ofício não qualificada, em decorrência da mesma infração e, cabe salientar que a Cálamo Distribuidora de Produtos de Beleza S/A, uma das empresas citadas pela impugnante, já sofreu lançamento Fl. 4890DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 complementar justamente para exigência da multa de ofício qualificada de 150%, nos autos do processo nº 10980.725496/201156; que, realmente, o prazo decadencial de cinco anos para a constituição de ofício do crédito tributário iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme disposto no art. 173, I, do CTN, exceto para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, cuja norma de contagem do prazo decadencial é deslocada da regra geral para a regra especial prevista no art. 150, § 4º, do mesmo diploma legal, ou seja, de cinco anos contados a ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; que, embora, os fatos ora discutidos tenham origem em 18/12/2006, quando foi constituído o ágio de R$ 206.481.363,56 sobre o patrimônio da Botica Comercial Farmacêutica S/A (a interessada) – cujas ações haviam sido entregues por seus sócios para integralização do aumento do capital da G&K Holding S/A, também pertencente aos mesmos sócios, e em operação de cisão realizada em 03/11/2008 o valor de tal ágio acabou integrando o patrimônio da interessada –, cabe destacar que os efeitos tributários contestados pela autoridade fiscal ocorreram somente em 31/12/2008 e 31/12/2009, quando a interessada excluiu do Livro de Apuração do Lucro RealLALUR os encargos com sua amortização; que, o ágio de R$ 193.298.809,52 amortizado pela interessada é oriundo do ágio de R$ 206.481.363,56 constituído pela G&K Holding S/A, em 18/12/2006, na incorporação de ações da interessada; que, em sua impugnação, a interessada alegou que não trata o caso de ágio gerado artificialmente, por meio da constituição de uma empresa veículo, pois a criação da G&K Holding S/A tinha real propósito negocial; que a reorganização societária, mediante incorporação de ações, na qual esteve envolvida não pode ser caracterizada como uma operação intragrupo, pois foi legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no grupo Boticário; que o ingresso desse novo sócio e a implementação da reestruturação societária implicou no incremento do desempenho empresarial alcançado por todas as empresas do grupo Boticário nos anos de 2007 e 2008; que a apuração do ágio é conseqüência desse processo, não o seu objetivo ou finalidade, tendo a avaliação do valor da ações sido efetuada com sólida justificação empresarial; que o custo de aquisição das ações incorporadas é o valor das ações conferidas aos titulares dessas, sendo que o direito privado traz diversas formas jurídicas possíveis de aquisição e qualquer uma delas será válida, e não apenas mediante pagamento; que inexiste óbice na legislação à realização da operação de incorporação de ações entre pessoas que possuam algum tipo de vinculação e que a posterior cisão parcial seletiva da G&K Holding foi motivada por divergências na condução da gestão estratégica das operações do grupo entre os acionistas controladores e o acionista minoritário estratégico; que a impugnante observa haver pontos de intersecção entre a Ciência Contábil, objeto do cientista da contabilidade, e o Direito Contábil, objeto do mundo jurídico, dividido em Direito Contábil Societário e Direito Contábil Fiscal; que, realmente, a lei tributária determina que a base imponível do IRPJ tem como ponto de partida o lucro líquido que, por sua vez, deve ser apurado com observância das leis comerciais e, em especial, da Lei nº 6.404, de 1976 (Lei das Sociedades por Ações), consoante dispõem os artigos 248, 251 e 274 do RIR de 1999; que, portanto, a contribuinte é obrigada, pela lei tributária, a apurar o lucro líquido de acordo com a lei societária que, por seu turno, determina que este lucro é obtido através da observância da escrituração e dos preceitos da Ciência Contábil. Logo, se a Fl. 4891DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 9 15 contabilidade não aceita um determinado registro contábil, no caso, o ágio na aquisição de participações societárias, esse registro, em princípio, também será rejeitado pela lei comercial e pela lei tributária, na medida em que ele trará reflexos na apuração do lucro líquido da pessoa jurídica; que, quando a autoridade fiscal desconsidera a amortização pela interessada do ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, em transações dos sócios com os próprios sócios, não está incorrendo em “confusão” entre conceitos da Ciência Contábil e do Direito Contábil, como alega a impugnante. Na realidade está corretamente aplicando o Direito Positivo ao verificar, inicialmente, se a apuração do lucro líquido foi efetuada de acordo com as regras do direito que determinam a aplicação dos instrumentos e princípios da Ciência Contábil e, depois, se o procedimento extra contábil de apuração do lucro real foi efetuado de acordo com os preceitos da legislação tributária; que, contudo, o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias; que, no presente caso, a G&K Holding não suportou sacrifício econômico algum que justificasse a constituição do ágio de R$ 206.481.363,56 por ocasião da incorporação das ações da interessada, em 18/12/2006, porquanto recebeu as 149.192.800 ações ordinárias nominativas de emissão da Botica, pertencentes aos acionistas Miguel Gellert Krigsner e Artur Noemio Grynbaum, e em contrapartida emitiu 149.192.800 novas ações ordinárias nominativas do seu capital social, atribuídas a esses mesmos acionistas na proporção das participações por eles anteriormente detidas na interessada, conforme Ata de AGE (fls. 577/588), Protocolo e Justificação de Incorporação de Ações Para Conversão de Botica Comercial e Farmacêutica S/A em Subsidiária Integral da G&K Holding S/A (fls. 631/636), Laudo de Avaliação elaborado pela KPMG Corporate Finance Ltda. (fls. 638/648) e Boletim de Subscrição de Ações (fls. 734/735); que quanto à alegação da impugnante de que a incorporação de ações em 18/12/2006 não poderia ser caracterizada como uma operação intragrupo, pois foi legitimada pelo ingresso de um novo acionista estratégico no grupo Boticário, cabe reconhecer que o IGP Fundo de Investimento em Participações, administrado pela GP Administração de Recursos S/A (CNPJ nº 02.888.152/000106), realmente subscreveu e integralizou 4.613.618 novas ações ordinárias nominativas da G&K Holding S/A, conforme Boletim de Subscrição de Ações de fls. 796/797, mas não subscreveu e nem integralizou aumento do capital algum na Botica; que, e também descabida a alegação de que, tendo sido adicionado o valor da despesa com a constituição da provisão, o valor das receitas incorridas contabilmente com a reversão da provisão constituída com base nas Instruções CVM nºs 319 e 349 deve ser excluído do lucro real, sob pena de tributação em duplicidade; que, portanto, nos termos da Instrução CVM nº 319, de 1999, com as alterações da Instrução CVM nº 349, de 2001, nas incorporações reversas o ágio com fundamento em perspectiva de rentabilidade futura deve ser reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora pelo montante do benefício fiscal esperado, cujo valor pode ser Fl. 4892DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 dimensionado com base na diminuição futura do imposto de renda e da CSLL em decorrência da possibilidade de amortização desse ágio; que, como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas); que a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando e apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja em conformidade com o modelo arquetípico estabelecido pelos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964; que, e certo que realmente houve uma reestruturação societária no grupo Boticário e foi criada a G&K Holding S/A, com o ingresso de um investidor externo, o IGP Fundo de Investimento em Participações. Sem entrar no mérito acerca da necessidade e dos propósitos da reorganização societária efetuada pelo grupo Boticário, o fato é que as operações realizadas criaram uma situação conveniente para justificar a criação de ágio interno, com finalidade de gerar ganhos indevidos de natureza tributária; que o art. 124, I, do CTN é aplicável ao caso em face desses acionistas terem interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, haja vista serem os sócios controladores e efetivos detentores do comando das empresas integrantes do grupo Bocitário. Logo, estavam ativamente vinculados às situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão ou administração, de modo que participaram diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, razão pela qual devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário; que no lançamento fiscal foi também exigida multa de ofício isolada de 50% incidente sobre estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas ou recolhidas a menor nos anoscalendário de 2006 a 2009, cujos valores foram recalculados no presente voto em função do valor tributável analisado nos tópicos anteriores e mantido no presente voto; que, portanto, a exigência da multa isolada, prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996, independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher as estimativa mensais e nada tem a ver com a exigência da multa incidente sobre o valor do imposto ou contribuição apurados no encerramento do anocalendário; que sendo a impugnação a mesma do IRPJ e ante a íntima relação de causa e efeito, mantémse, igualmente, a exigência de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido; que a falta de fundamento, tanto nos seus aspectos contábeis como no âmbito tributário, para o ágio constituído com base em expectativa de rentabilidade futura tornam indedutíveis os encargos com sua amortização; que, dessa forma, considerando que a própria existência do ágio não foi aceita no presente processo, a dedução da sua amortização na apuração da base de cálculo da CSLL também não pode ser permitida. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 4893DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 10 17 Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. NULIDADE. MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. A vedação à modificação dos critérios jurídicos anteriormente adotados pela autoridade administrativa aplicase apenas a lançamento fiscal efetuado contra um mesmo sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma mais valia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. ADIÇÃO AO LALUR. DESPESA COM CONSTITUIÇÃO DE PROVISÃO NÃO EXPRESSAMENTE AUTORIZADA. EXCLUSÃO POR OCASIÃO DA REVERSÃO NO PERÍODO EM QUE A DESPESA PROVISIONADA FOR EFETIVAMENTE PAGA OU INCORRIDA. DESPESA NECESSÁRIA, USUAL E NORMAL. Fl. 4894DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 A despesa com constituição de provisão não expressamente autorizada deve ser adicionada ao LALUR para ser excluída por ocasião da reversão da provisão no período em que a despesa provisionada for efetivamente paga e/ou incorrida, porquanto tal despesa seria nesse momento dedutível, desde que atendido o requisito da necessidade para realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, além de ser usual e normal no tipo de transação, operação ou atividades desenvolvidas pela empresa. TRIBUTAÇÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO INSTRUÇÃO CVM 319349. INOCORRÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE. A tributação do valor correspondente à reversão de Provisão Instrução CVM 319349 provisão não expressamente autorizada que foi constituída e adicionada ao LALUR pela excontroladora e acabou sendo transferida para a interessada em operação de incorporação reversa não acarreta tributação em duplicidade, porquanto relativo à reversão de despesa inexistente decorrente da amortização indevida de ágio interno constituído sem qualquer substância econômica, efetivo pagamento e indispensável independência entre as partes envolvidas. PROVISÃO INSTRUÇÃO CVM 319349. Nos termos da Instrução CVM nº 319, de 1999, com as alterações da Instrução CVM nº 349, de 2001, nas incorporações reversas o ágio com fundamento em perspectiva de rentabilidade futura deve ser reconhecido nas demonstrações contábeis da incorporadora pelo montante do benefício fiscal esperado (parcela com substância econômica); esse reconhecimento se opera mediante constituição da Provisão Instrução CVM 319349, no valor do ágio não recuperável (diferença entre o valor do ágio apurado e o benefício fiscal decorrente da sua amortização), que deve ser apresentada como redutora da conta na qual o ágio foi escriturado; como o valor do ágio constituído pela excontroladora (empresa veículo) foi integralmente anulado pela Provisão Instrução CVM 319349, verificase que parcela alguma do ágio tinha substância econômica e, em consequência, valor algum pode ser recuperado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Os sócios controladores devem compor o rol dos responsáveis solidários pelo crédito tributário em face de terem participado diretamente de todas as operações que possibilitaram à interessada amortizar o ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, além de terem sido diretamente beneficiados, mediante distribuição de lucros e dividendos, com os ganhos indevidos de natureza tributária decorrentes da amortização desse ágio interno. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 Fl. 4895DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 11 19 POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da exclusão no LALUR dos encargos com amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado o intuito de fraude para possibilitar à contribuinte a amortização de ágio gerado artificialmente sobre o seu próprio patrimônio líquido, pois ela estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial do ágio gerado em operações realizadas intragupo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Impugnação Improcedente Fl. 4896DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 Crédito Tributário Mantido Após ser cientificado da decisão de Primeira Instância, em 12/09/2012, conforme Termo constante à fl. 3951, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (11/10/2012), o recurso voluntário de fls. 3950/4055, instruído pelos documentos de fls. 4056/4059, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a Recorrente demonstrou em sua Impugnação que o ágio em questão resultou de uma ampla reorganização societária envolvendo as empresas do grupo Boticário (ou “grupo”), realizada com base em sólidas razões empresariais. O r. acórdão afirmou expressamente que não avaliaria tais razões empresariais, todavia, tendo em vista a complexidade e relevância de tais aspectos para o adequado entendimento da questão; que, conforme já mencionado anteriormente, em 29 de junho de 2011 e 20 de outubro de 2011, duas outras empresas integrantes do mesmo grupo da Recorrente, quais sejam a Embralog e a Cálamo, foram autuadas exatamente pelas mesmas razões e pelos mesmos Agentes Fiscais que lavraram o auto de infração contra a Recorrente. Em ambos os processos, os critérios jurídicos adotados foram o de aplicação de entendimento de natureza exclusivamente contábil da CVM a respeito do ágio, assim como a violação ao art. 299 do RIR/99, tendo sido aplicada a multa de oficio normal, ou seja, a de 75%; que, no que diz respeito a decadência do direito do Fisco questionar o ato societário que ensejou a apuração do ágio em 2006 e sua respectiva dedução subseqüente, mediante auto de infração lavrado, é de se dizer que o recorrente alegou em sua Impugnação a decadência do direito de o Fisco questionar a legalidade do ato societário que deu origem ao ágio apurado em 2006 e sua subseqüente dedução pela Recorrente em 2008, mediante auto de infração lavrado somente em 11/04/12, portanto quando já transcorridos 5 (cinco) anos do fato jurídico originário do ágio (incorporação de ações); que, com base na jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes, não se pode olvidar que ocorreu, no presente caso, a decadência do direito do Fisco questionar a legitimidade do ágio apurado quando da incorporação das ações da Recorrente, ocorrida em 18/12/2006, pela G&K, ainda que os efeitos decorrentes desse fato ou do exercício desse direito, qual seja, a dedução do ágio, surgiram somente a partir de 03/11/2008, com a cisão parcial seletiva, seguida de versão do patrimônio cindido da G&K pela Recorrente (fato posterior)m eis que já transcorrido o prazo decadencial (preclusão) de cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do ágio (18/12/2006) e a lavratura do auto de infração (11/04/12); que, no que diz respeito da nulidade do lançamento referente à multa qualificada de 150% por violação ao art. 146 do CTN, é de se dizer que conforme já mencionado anteriormente, em 29 de junho de 2011 e 20 de outubro de 2011, duas outras empresas integrantes do mesmo grupo da Recorrente, quais sejam a Embralog e a Cálamo, foram autuadas exatamente pelas mesmas razões e pelos mesmos Agentes Fiscais que lavraram o auto de infração contra a Recorrente. Em ambos os processos, os critérios jurídicos adotados foram o de aplicação de entendimento de natureza exclusivamente contábil da CVM a respeito do ágio, assim como a violação ao art. 299 do RIR/99, tendo sido aplicada a multa de oficio normal, ou seja, a de 75%; que, no que diz respeito a impossibilidade de tributação da receita de reversão da provisão constituída com base nas Instruções 319 e 349 da CVM, é de se dizer, que a provisão que foi adicionada quando de sua constituição. Portanto, a Recorrente alegou em sua Fl. 4897DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 12 21 Impugnação a impossibilidade de tributação da receita da provisão constituída com base nas melhores práticas societárias incentivadas pelas Instruções n° 319 e 349 da CVM, uma que vez esta já teria sido adicionada quando de sua constituição na G&K em 18/12/06 e, portanto, não poderia mais ser tributada na Recorrente (tributação em duplicidade); que, agora, o acórdão combatido sustentar que a desconsideração da exclusão da reversão da provisão indedutível da Recorrente teria o mesmo efeito ou também serviria ao propósito de se glosar as despesas com a amortização do ágio, representa um fundamento totalmente novo para o lançamento efetuado, o que também resultaria em uma nítida mudança no seu critério jurídico, de forma obviamente contrária à proteção assegurada pelo art. 146 do mesmo CTN; que os efeitos finais da “Provisão Instrução CVM 319349” estão expressamente assegurados pela própria legislação tributaria, ou seja, não bastassem todos os fundamentos até aqui apresentados cabe, por derradeiro, demonstrar que o procedimento adotado pela Recorrente em constituir a provisão em questão encontra pleno respaldo na legislação tributaria. Como será comprovado a seguir, o efeito final da provisão adotada pela Recorrente em nada difere de procedimento expressamente já previsto na legislação tributaria, previsão esta absolutamente distinta e independentemente dos requisitos contábeis que (ao lado dos propósitos societários) também fundamentam a constituição da provisão; que esta constatação vem, portanto, afastar por completo qualquer pretensão em utilizar a “Provisão Instrução CVM 319349”, existente na Recorrente, para tentar desqualificar os efeitos tributários inerentes ao ágio apurado pela G&K por ocasião da incorporação de suas ações. Afinal, uma tal pretensão – ainda que por hipótese admitase poder estar baseada no Direito Contábil Societário – esbarra frontalmente nos claros preceitos da legislação tributaria especial para reger a matéria (Direito Contábil Fiscal/Tributário); que, no que diz respeito a questão prejudicial ao mérito objeto do acórdão recorrido, que apresentou mera reprodução das razoes contidas no termo de verificação fiscal, é de se dizer, que, no entanto, a figura do ágio interno é incompatível com a essência empresarial e econômica da reorganização societária que envolveu a Recorrente:a operação de incorporação de ações não pode ser considerada isoladamente, mas sim como uma das etapas de um legitimo movimento de reestruturação muito mais abrangentes, motivado por uma transação envolvendo terceiros independentes; que, todavia, ainda que se considere, numa remota hipótese, que se trata de “ágio interno”, nos termos como assim caracterizado exclusivamente pela Ciência Contábil, passa a Recorrente a demonstrar que a amortização do ágio por ela apurado encontra total amparo no Direito Tributário, e que, portanto, esperase seja reconhecida como adequada por este E. CARF; que do direito que ampara a amortização do ágio pela recorrente, independentemente da caracterização que possa lhe ser atribuída pela ciência contábil, a recorrente apresentou em sua Impugnação os diversos pontos de aproximação e distancia entre o Direito Contábil e seus subramos: o Direito Contábil Societário e o Direito Contábil Fiscal/Tributário, assim como a intersecção entre esses subramos e a legislação tributaria para fins de apuração das bases de cálculos do IRPJ e CSL, demonstrando que o ordenamento jurídico vigente à época da apuração do ágio em questão, bem como o atual, asseguram à Recorrente o pleno direito à amortização do ágio registrado em seu patrimônio; Fl. 4898DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 que, a vista de todo o exposto, demonstrado o Direito que ampara a amortização do ágio pela Recorrente, passase a refutar a alegação do acórdão recorrido no sentido de que não teria havido um preço ou custo de aquisição que justificasse a apuração do ágio amortizado; que, no que diz respeito as equivocadas considerações feitas pelo acórdão recorrido quanto às diversas formas de aquisição de bens reguladas pelo direito, é de se dizer, que, neste sentido, ao analisar o caso concreto, o acórdão recorrido também concluiu, equivocadamente, que o ágio gerado seria invalido, pois (i) seria condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço, ou seja, um dispêndio de recursos para se obter algo de terceiro; (ii) não teria havido um sacrifício econômico suportado pela G&K que justificasse a constituição do ágio em questão e que, portanto (iii) a operação carece de substancia econômica, haja vista ganho algum ter sido realizado no caso em questão, conforme se verifica dos itens 67 a 72 do referido acórdão; que, entretanto, tal conclusão é contraditória com a própria forma de calculo do ágio, pois, se o critério e a rentabilidade futura com base na metodologia do fluxo de caixa descontado, esta só poderá ocorrer por mera expectativa, a qual, no caso concreto, veio a se concretizar nos anos subseqüentes. Alias, conforme expressamente reconhecido no laudo de avaliação emitido pela KPMG e transcrito no próprio acórdão recorrido, “tais possibilidades não constituem vicio da avaliação e são reconhecidas pelo mercado como parte da natureza do processo de avaliação de uma empresa pela metodologia do fluxo de caixa descontado”, ou seja, não há nada que possa descredenciar a utilização desse critério para a operação objeto do caso concreto; que, no que diz respeito ao negocio jurídico de incorporação de ações: efetiva aquisição de ações no caso concreto, é de se dizer, que consoante já demonstrado na Impugnação apresentada, o ágio gerado no presente caso decorre do desdobramento do custo de aquisição de participação societária em decorrência de um negocio jurídico de incorporação de ações, previsto no artigo 252 da Lei das S/A, tendo a exposição de motivos do Projeto da Lei das S/A se expressado no sentido de que “A incorporação de ações é meio de tornar a companhia subsidiaria integral, e equivale a incorporação de sociedade sem extinção da personalidade jurídica da incorporada. A disciplina legal da operação e necessária porque ela implica – tal como na incorporação de uma companhia por outra – em excepcionar o direito de preferência dos acionistas da incorporada de subscrever o aumento de capital necessário para efetivar a incorporação; que, uma vez demonstrado, a verdadeira natureza jurídica dos atos praticados, sua total conformidade com o Direito Contábil Societário vigente à época dos fatos, e a conseqüente desnecessidade de pagamento, fazse necessário agora analisar as normas tributarias que tratam dessa mesma operação; que, no que diz respeito a natureza jurídica do ágio para Direito Tributário, é de se dizer, que tendo em vista que o acórdão recorrido que a G&K não teria efetuado pagamento ou assumido qualquer ônus cujo valor devesse ser recuperado mediante amortização do ágio, conforme se observa do item 76. Referido entendimento foi extraído do mesmo equivoco constante do TVF elaborado pelos Srs. Agentes Fiscais, ao afirmarem que o ágio gerado no presente caso não seria dedutível em razão de decorrer de um ativo que supostamente não teria tido nenhum custo; que o procedimento adotado pela Recorrente esta em total conformidade não somente com as normas de Direito Contábil Societário vigentes à época, como, também, com as normas de Direito Tributário, estando equivocado o r. acórdão em suas conclusões, Fl. 4899DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 13 23 motivos pelo esperase que este E. CARF cancele as autuações objeto do presente processo administrativo; que, no que diz respeito a inexistência de previsão legal para a adição, na base de cálculo da CSL, da amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização nos termos do art. 299 do RIR/99, é de se dizer, que a Impugnação apresentada, o lançamento efetuado no caso concreto pela suposta impossibilidade de dedução, na base de calculo do IRPJ acerca das despesas com amortização do ágio, também o foi realizado em relação à CSL; que, no que diz respeito a indevida aplicação da multa qualificada ao caso concreto, é de se dizer, que, neste sentido, a aceitação tácita pelo acórdão recorrido de todos os argumentos de propósitos negocial e motivação empresarial apresentados pela Recorrente em sua Impugnação, alem da inexistência de step transactions, tal qual evidenciado no presente recurso, já seria suficiente para afastar de plano qualquer aplicação de multa qualificada no caso concreto. Nada obstante, pelo principio da eventualidade, a Recorrente passa a demonstrar, de forma pormenorizada, todos os demais aspectos suficientes para afastar a pretensão de aplicação de multa qualificada tal como equivocadamente pretendido pelo acórdão; que não há como prosperar a acusação de que a Recorrente teria agido com dolo e praticado qualquer fraude no caso concreto a justificar a aplicação da multa qualificada, uma vez que nem as autoridades fiscais e tampouco o acórdão recorrido comprovaram efetivamente a existência dessas patologias, razão pela qual e também por tudo quanto foi exposto, deve a referida multa ser integralmente canceladas, em respeito à legislação, à doutrina sobre o assunto e à própria jurisprudência deste E.CARF; que, no que diz respeito ao cancelamento da multa qualificada por aplicação do art. 112 do CTN, é de se dizer, que podese notar, que a ausência de dolo e fraude no caso concreto, cabe relembrar que, na tentativa de justificar a multa qualificada e a responsabilidade solidaria dos acionistas da Recorrente, os Srs. Agentes Fiscais socorreramse das lições do Prof. Marco Aurélio Greco a respeito de como a realidade de um planejamento tributário pode ser visualizada (item 79 do TVEAF anexo ao auto de infração); que seja integralmente cancelada a multa de oficio qualificada, por estarem configuradas todas as hipóteses previstas nos incisos do art. 112 do CTN; que, no que diz respeito a impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com a multa de oficio, é de se dizer, que a dupla penalidade sobre a mesma suposta infração, se depreende dos demonstrativos de calculo dos Autos de Infração, as autoridades fiscais exigem da Recorrente a multa isolada sobre as diferenças de antecipação que supostamente não teriam sido recolhidas por ela, em decorrência da dedução e amortização dos ágios com base em balancetes mensais nos períodos base de 2006, 2007, 2008 e 2009; que se por um mero acaso quaisquer das exigências relacionadas ao IRPJ e CSL forem entendidas por esta Colenda Turma deste E. CARF como sendo devidas no caso concreto, a multa isolada sobre as antecipações não poderá prevalecer; que, no que diz respeito a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de oficio, é de se dizer, que podese, notar que de acordo com o acórdão recorrido, não seria possível conhecer da matéria relativa à cobrança de juros sobre a multa de oficio, uma vez que tal exigência inexiste nos autos de infração de IRPJ e CSL objeto dos presentes autos. Fl. 4900DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 Em 30 de novembro de 2012, a Fazenda Nacional, por intermédio do seu representante legal apresenta, tempestivamente, com fundamento no § 2º do art. 48 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, as suas Contrarrazões ao Recurso Voluntário interposto (fls. 4765/4830) baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que diz respeito a inexistência de “decadência”, é de se dizer, que a possibilidade de se rever fatos ocorridos no passado que geraram efeitos tributários no presente. A recorrente suscita a decadência dos créditos tributários, sob o argumento de que ultrapassado o termo decadencial para lançamento, conforme regra do art. 150, §4º do CTN. afirma que as exclusões questionadas são mero efeito do ágio apurado e contabilizado em 2006, sendo que o auto de infração foi lavrado somente em 11/04/2012; que, com efeito, o prazo decadencial é aplicável à atividade tributante do Estado. Isto é, ocorrida a materialização da hipótese de incidência tributária prevista em lei (fato gerador), o Fisco tem o prazo de cinco anos para constituir a correspondente obrigação tributária por meio do lançamento; que, para a contagem da decadência, devese ter em mira o fato gerador da obrigação tributária que será constituída. Sem a materialização de alguma hipótese de incidência prevista em lei, não há que se falar em constituição de crédito fiscal, o que, por sua vez, afasta a possibilidade de contagem do prazo decadencial. Em resumo, não havendo fato gerador, não haverá prazo decadencial a ser contado; que, no caso do IRPJ da CSLL, por exemplo, não ocorrendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e o resultado ajustado positivo do exercício (antes da provisão para o imposto de renda), não haverá prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir as respectivas obrigações tributárias; não haverá o que lançar; que tange aos tributos aqui discutidos, a legislação aplicável ao IRPJ e a CSLL não admite o enquadramento do pagamento de um ágio como a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza ou de resultado positivo da atividade empresarial. Pelo contrário, a aquisição de um ágio significa a aquisição de uma expectativa de ganho futuro. Quando do efetivo pagamento do ágio, não há qualquer ganho auferido pela adquirente, apenas uma despesa, uma diminuição patrimonial; que, no que tange a fluência do prazo decadencial nesse caso, o Fisco possui cinco anos para constituir os créditos de IRPJ e CSLL decorrentes da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e do resultado ajustado positivo auferidos pela empresa em determinado anobase. O ágio utilizado na apuração das respectivas bases de cálculo não compõe a hipótese de incidência dos referidos tributos, apenas afeta quando da sua efetiva utilização o cálculo do montante a ser pago (benefício fiscal); que, com efeito, em face do ágio registrado pelo contribuinte, o Fisco pode, ao averiguar a sua regularidade, concordar ou não com a sua amortização na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Se concluído que o registro contábil se adequou aos requisitos impostos pelo benefício fiscal concedido pela legislação, a amortização será homologada. Caso contrário, a amortização será glosada, sendo mantido, porém, a existência contábil do ágio registrado; Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 14 25 que anuir com o raciocínio defendido pelo contribuinte significa abrir um caminho livre para a fraude, pois será dado aos contribuintes o melhor de dois mundos. Primeiro, ele poderá registrar um ágio fraudulento em face do qual a Autoridade Fazendária nada poderá fazer contra (pois não é fato gerador de nenhum tributo). Segundo, depois de ultrapassado o interregno de cinco anos do registro desse ágio fraudulento, o contribuinte poderá deduzir a despesa com a sua amortização livre de qualquer fiscalização, pois, não obstante o fato de somente agora ele o estar usando para influenciar na apuração dos débitos fiscais que contra ele foram constituídos, este CARF considerará que o direito de a Fazenda glosar aquele registro já decaiu; que somente quando o contribuinte deduz o ágio na apuração do IRPJ e da CSLL a serem recolhidos, o Fisco tem algo a homologar (no presente caso, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL apuradas pelo sujeito passivo no ano de 2008 e 2009). Antes disso, o Estado não tem qualquer fato tributário que envolva o ágio pago pela empresa; que, no caso dos presentes autos, embora o ágio tenha surgido de uma operação societária realizada em 2006, os seus efeitos tributários se prolongaram durante vários anos. Aqui se discute a utilização das despesas com amortização de ágio nos anos calendário de 2008 e 2009; que, por oportuno, registrase, a título de analogia, o entendimento jurisprudencial acerca da possibilidade de a Administração Tributária revisar os prejuízos fiscais utilizados pelos contribuintes para reduzir sua tributação futura. Conforme poderá ser visto, é uníssono nos Tribunais pátrios que, não sendo fatos geradores tributários, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial, e que, o prazo decadencial para o lançamento deve ser contado a partir do tributo apurado pelo sujeito passivo, não do registro da rubrica que será utilizada no futuro como benefício fiscal; que, no caso dos presentes autos, o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado em si. O prazo decadencial corre em face do fato gerador apurado, não do ágio contabilizado. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos dados que dão origem aos créditos que serão constituídos; que nos registros contábeis não corre prazo decadencial tributário. Independentemente de quando esses registros foram realizados pelo sujeito passivo, o Fisco pode realizar ajustes neles quando eles forem efetivamente utilizados para afetar a tributação devida pelo contribuinte; que o lançamento ora discutido tem por objeto as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas pelo contribuinte nos anoscalendário de 2008 e 2009, não o ágio registrado no ano de 2006. Em que pese esse ágio poder reduzir a tributação devida pelo sujeito passivo, ele, por si só, não é fato gerador de nenhum tributo. O que constitui fato gerador do IRPJ e da CSLL é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e a obtenção de resultado ajustado positivo, respectivamente. O ágio previsto nos artigos 385 e 386 do RIR/99 constitui um mero benefício fiscal em potencial, mera expectativa de um direito condicional do contribuinte que o registra contabilmente; que da inexistência de vício no lançamento, neste sentido, a recorrente sustenta a nulidade do lançamento referente à multa de ofício aplicada no percentual de 150%, Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 porquanto houve nova interpretação dos fatos e da legislação, quando da subsunção desses mesmos fatos em relação a outras empresas do grupo BOTICÁRIO, no caso a EMBRALOG e CÁLAMO, violandose o art. 146, do CTN; que além de ser irrelevante o fato de duas empresas do grupo BOTICÁRIO terem sido autuadas pelos mesmos fatos, com aplicação de multa de ofício no percentual de 75%, é importante destacar que uma das empresas citadas, no caso a CÁLAMO, sofreu lançamento complementar para lançamento da multa de ofício qualificada, o que faz cair por terra a tese da recorrente; que da indedutibilidade do ágio registrado, aduz a recorrente que a dedução das despesas com a amortização do ágio na apuração do lucro real e do resultado do exercício ajustado para fins de incidência da CSLL obedeceu a todos os requisitos impostos pela legislação tributária. O ágio registrado decorreu de um efetivo dispêndio financeiro e de operações com inegável propósito negocial, assim como foram absorvidos por meio de operações societárias válidas. Dessarte, verificadas todas as condições necessárias, a dedução das despesas com amortização dos respectivos ágios na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL é devida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997; que, no entanto, a análise das operações de reorganização societária do grupo BOTICÁRIO revela uma sequência de atos praticados com o único objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por meio de amortização de despesas de ágio criado ficticiamente, exorbitando do alegado propósito negocial; que entendese por ágio ou deságio a diferença entre o valor de patrimônio líquido de uma participação societária (proporcional à participação do sócio no capital social da empresa) e o seu custo de aquisição (montante pelo qual ela é negociada entre as partes contratantes). Se o valor de aquisição for maior que o patrimonial, o adquirente terá pago um ágio, se for menor, deságio; que quanto à apuração do lucro real e do resultado do exercício ajustado para fins de incidência da CSLL, usualmente, a amortização do ágio ou deságio não é deduzida ou tributada. Via de regra, a dedução ou tributação dessa amortização no âmbito do IRPJ e da CSLL somente ocorrerá quando o investimento que lhe deu origem for alienado ou liquidado (arts. 391 e 426 do RIR/99), na apuração de eventual ganho ou perda de capital, quando então o ágio ou deságio é incluído (somado ou diminuído) no preço de aquisição do investimento que está sendo extinto; que a aquisição de um investimento por meio de mera escrituração artificial, sem a sua real materialização no mundo econômico, e sem observar os requisitos impostos pela lei que concede o benefício fiscal, não é hábil a gerar um ágio cuja despesa de amortização será dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL; que da indedutibilidade do ágio decorrente das operações de reorganização societária praticadas pelo grupo BOTICÁRIO Quanto ao ágio amortizado pela empresa autuada, acertada fora a constatação da Autoridade Fiscal de que ele não existe, pois fora criado artificialmente, não sendo possível, portanto, a sua dedução na conta de resultado da empresa; que além de não ser dedutível nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, o ágio utilizado pelo recorrente não é passível de integrar a conta de resultado por nenhum outro dispositivo que autoriza a dedutibilidade de despesas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A despesa amortizada pelo sujeito passivo na apuração de seu lucro líquido não se Fl. 4903DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 15 27 enquadra em nenhuma das hipóteses de dedutibilidade previstas pelos artigos 324 a 327 do RIR/99; que da previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL da amortização de ágio considerada indedutível. Ou seja, a recorrente a inexistência de previsão legal para adição na base de cálculo da CSLL da amortização de ágio considerada indedutível, pois não se aplicaria a esse tributo a previsão contida no art. 299, do RIR/99; que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL tem como fundamento constitucional o art. 195, I, “c”, da Constituição Federal, o qual prevê a incidência da contribuição social sobre o lucro do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei; que, nessa ordem de idéia, é inverídico que o art. 299 do RIR não se aplica à CSLL, para efeito de apuração da base tributável da CSLL. Logo, não há qualquer equívoco na autuação; que da devida qualificação da multa de ofício no que tange à qualificação da multa aplicada, entendeu o fiscal que a contribuinte autuada reduziu o montante dos impostos devidos por meio de artifícios dolosos, realizando uma série de atos societários sem nenhuma substância. Para tanto, o lançamento constatou que o sujeito passivo teria incorrido em evidente intuito de fraudar a fazenda nacional. Tal entendimento fora ratificado pela autoridade julgadora de primeira instância; que verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Repitase, para consolidar a memória, a afirmação do autor sobre o pressuposto de fato captado pelo dispositivo tributário: é um pressuposto de fato que também se enquadra em norma penal; que quanto a multa por estimativa a recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação da multa de ofício isolada no percentual de 50% (multa por estimativas), por configurar dupla penalidade pela mesma infração. Entretanto, não procede a argumentação; que, analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de ofício no percentual de 150 % tem por base o inc. I, do art. 44, c/c §1º do mesmo artigo da Lei 9.430/96, e resulta da falta de recolhimento do tributo por parte da contribuinte. Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, ‘b’ da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento, pela empresa, da sistemática de recolhimento por estimativa mensal antecipado do IR e CSLL; que, sob essa ótica, percebese que o não recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa é infração bastante diversa daquela consistente na omissão de receitas apurada ao final do ano calendário. Sendo assim, nada impede que dessas infrações resultem penalidades distintas: da omissão de rendimentos, decorre a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, enquanto que, do descumprimento do regime de recolhimento de estimativa, decorre a multa isolada prevista no atual art. 44, inciso II, alínea “b”, da mesma Lei; Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 que a multa isolada deve incidir sobre as antecipações que não foram pagas pela empresa no decorrer do ano. Essas antecipações, como o próprio nome diz, não equivalem ao tributo efetivamente devido, mas, consoante a jurisprudência pacificada do CARF, são meros adiantamentos do que será calculado ao final do ano. Como se sabe, nem sempre o conjunto dessas antecipações pagas equivalerá ao tributo efetivamente devido; que, por fim, necessário esclarecer que uma vez constatada a falta de pagamento do imposto devido por estimativa, após o término do anocalendário, há que ser aplicada a multa isolada sobre os valores devidos e não recolhidos pela pessoa jurídica. Frise se que não existe qualquer limitação no sentido de que a multa isolada somente pode ser aplicada antes da apuração definitiva do imposto. A lei não dispensa a cobrança da penalidade nesses casos; que, portanto, não existe qualquer ilegalidade na aplicação conjunta de multa isolada e de ofício, pois cada uma penaliza infrações distintas. E mais, a aplicação da multa isolada independe da apuração definitiva do imposto, e o encerramento do ano calendário não é óbice para a sua aplicação, conforme legislação acima transcrita; que quanto a cobrança de juros sobre a multa de ofício é de se dizer, que a questão, quanto a este particular, é a incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa por lançamento de ofício; que, entretanto, uma interpretação efetivamente literal conduz a uma conclusão diferente, autorizando a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque não pode olvidar do termo “decorrente de”, aposto antes das palavras “tributos e contribuições” no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Dizer que “os débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ou seja, “débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições”, se sujeitam a juros de mora não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora”; que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. O prazo necessário à conclusão do processo administrativo, somado ao tempo de uma posterior fase judicial acabariam por aniquilar o impacto punitivo ou educativo da multa, dada a corrosão pela inflação; que ainda há outro grave comprometimento da administração tributária. A partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção desse montante total. É o relatório. Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 16 29 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise preliminar dos autos do processo se verifica, que a ação fiscal em discussão versa sobre a ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor de despesa indedutível, computada na apuração do lucro líquido, relativa a amortização de ágio em aquisição de participações societárias. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal constantes dos Autos de Infrações lavrados (fls.1164/1190), o lançamento foi realizado sob o entendimento de que ausência da adição ao lucro liquido do período, na determinação do lucro real, do valor de despesa indedutivel, computada na apuração do lucro liquido, relativa a amortização de ágio em aquisição de participações societárias, feriu a legislação de regência a época dos fatos geradores apurados, diante disso apurouse as irregularidades abaixo transcritas: 1 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL EXCLUSÕES INDEVIDAS: Valores relativos a ágios excluídos indevidamente do Lucro Real nos anoscalendários 2008 e 2009, constantes nos Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) e das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, 1995 e arts. 247 e 250, do RIR/99. 2 – MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA: Falta ou insuficiência de pagamento de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, conforme o Termo de Verificação e Encerramento de ação Fiscal. Infração capitulada nos arts. 222 e 843, do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007. Por decorrência foi lavrado o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com base nas seguintes infrações: 1 – EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL – EXCLUSÕES INDEVIDAS: Valores relativos a ágios excluídos indevidamente do Lucro Real nos anoscalendários 2008 e 2009, constantes nos Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) e das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Infração capitulada no art. 2° da Lei n° 7.689, DE 1988; ART. 57 DA Lei nº 8.981, de 1995; art. 2º da lei nº 9.249, de 1995; art. 1º da lei nº 9.316, de 1996 e art. 37 da lei nº 10.637, de 2002. 2 – MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE A BASE Fl. 4906DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 ESTIMADA: Falta ou insuficiência de pagamento Da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Mensal por Estimativa, conforme o Termo de Verificação e Encerramento de ação Fiscal. Infração capitulada no art. 44, inciso II, alínea b, da lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Deixo de analisar as preliminares suscitadas em razão da decisão de mérito. Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade lançadora pode ser contestada, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização. Ou seja, qualquer fato e/ou qualquer presunção utilizada pela fiscalização pode ser contestada, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato que se pretende provar. Reproduzo a seguir o brilhante voto proferido pelo ilustre Conselheiro desta colenda 2ª Turma Ordinária 4ª Câmara Fernando Brasil de Oliveira Pinto, do qual faço minhas as suas palavras: “2.2. Da exclusão da provisão para ajuste do valor do ágio: Conforme já relatado, a Recorrente alega que constituiu provisão para ajuste do valor do ágio e que tal falto não teve qualquer repercussão no resultado fiscal do período de sua formação. Posteriormente, quando de sua reversão, os valores foram lançados a crédito em conta de resultado e, a fim de manter a neutralidade fiscal, excluídos do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Aduziu ainda que o procedimento adotado pela Fiscalização em glosar a exclusão da reversão da citada provisão contraria a legislação vigente. Razão assiste à Recorrente quanto a não ocorrência de infração em relação à exclusão realizada, exclusão essa relativa à anulação da reversão da provisão para realização de ágio. Equivocada, pois, a interpretação da Fiscalização quanto a relação entre a reversão da provisão sobre realização de ágio ("receita") e a despesa de amortização de ágio contabilizadas. Tais lançamentos não possuem qualquer relação. Muito menos o efeito de anulação recíproca, ainda que matemática. A contabilização dessa provisão decorre da observância ao disposto no art. 6°, § 1°, da Instrução CVM n° 319, de 3 de dezembro de 1999, com a redação que lhe foi dada pela Instrução CVM n° 349, de 6 de março de 2001. Essa norma pauta a contabilização, na incorporadora excontrolada, do ágio apurado pela incorporada excontroladora quando da aquisição do investimento na excontrolada. Em síntese, o regramento citado objetiva circunscrever os efeitos contábeis do ágio aos seus aspectos fiscais diante da incorporação de uma sociedade controladora por sua controlada. Confirase os termos do art. 6° antes referido: "Art. 6° O montante do ágio ou do deságio, conforme o caso, resultante da aquisição do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora será contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: [...] Fl. 4907DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 17 31 III. em conta específica do ativo diferido (ágio) ou em conta específica de resultado de exercício futuro (deságio) quando o fundamento econômico tiver sido a expectativa de resultado futuro. § 1° O registro do ágio referido no inciso I deste artigo terá como contrapartida reserva especial de ágio na incorporação, constante do patrimônio líquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento: a. constituir provisão, na incorporada, no mínimo, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização, que será apresentada como redução da conta em que o ágio foi registrado; b. registrar o valor líquido (ágio menos provisão) em contrapartida da conta de reserva referida neste parágrafo; c. reverter a provisão referida na letra "a" acima para o resultado do período do ágio; e d. apresentar, para fins de divulgação das demonstrações contábeis, o valor líquido referido na letra "a" no ativo circulante e/ou realizável a longo prazo, conforme a expectativa da sua realização. A Comissão de Valores Mobiliários CVM buscou expurgar das demonstrações financeiras valores que não tivessem significação econômica. Por esse motivo, determinou a constituição, na incorporada, de provisão (redução concomitante do ativo e do patrimônio líquido) em montante equivalente à diferença entre o valor do ágio e o do benefício fiscal decorrente da sua amortização (§ 1° , "a"). O valor líquido remanescente dessa operação (ágio provisão) deveria ser registrado em conta do patrimônio líquido da incorporadora denominada "Reserva Especial de Ágio" (§ 1°, "b"), enquanto o ativo da incorporadora deveria registrar esse mesmo valor líquido no circulante ou no realizável a longo prazo de acordo com a expectativa de realização do ágio (§ 1°, "d"). Vejamos como o Manual de Contabilidade trata do assunto: O próximo passo do processo de incorporação reversa é promover a incorporação da sociedade veículo (Cia. "Y") pela Cia. "B", sua controlada direta, a qual utilizará a despesa fiscal de amortização do ágio [...] Ocorre que esse ágio, se fosse amortizado contabilmente também (o que acontecia até 2008), produziria uma redução do lucro de "B"[...] Por isso determinou a CVM em sua Instrução n° 319/99, com as alterações promovidas pela Instrução CVM n° 349/01, que precisavam ser feitos ajustes nas rubricas de ativo (ágio por rentabilidade futura incorporado) e de reserva especial de ágio na Cia. "B" no sentido de que se contabilizasse, a crédito do referido ágio uma conta retificadora, a débito da conta de patrimônio líquido criada com a incorporação, normalmente uma reserva para futuro aumento de capital; o valor desse lançamento devia corresponder ao total do ágio diminuído do benefício fiscal decorrente de sua amortização, fazendo com que assim o ativo correspondesse apenas ao valor desse benefício. Essa conta retificadora só era transferida para o resultado à medida da baixa do ágio a que se referia. E a reserva só podia ser incorporada ao capital à medida do efetivo aproveitamento fiscal da amortização do ágio. Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 (IUDÍCIBUS, Sérgio de... [et. al.]. Manual de Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas, 2010, p. 446) No tocante à contabilização da provisão para realização do ágio, assim procedeu o contribuinte, ressaltandose que o valor da provisão constituída foi de 100% do ágio contabilizado. Desse modo, as amortizações mensais do ágio (cuja contrapartida constitui despesa) passaram a ter o mesmo valor da reversão da provisão constituída (cuja contrapartida é uma receita). Ocorre que, na constituição da provisão, não houve reflexo no resultado contábil apurado, uma vez que sua contrapartida se deu diretamente em conta do patrimônio líquido, sem transitar pelo resultado. Vejase, a seguir, excertos dos lançamentos contábeis relativos à amortização do ágio (fl. 282): (...) Considerandose que a contabilização da provisão não gerou efeitos fiscais no momento de sua constituição, quando de sua reversão também não o poderia. Essa reversão é realizada com lançamentos a crédito de conta de resultado, os quais resultam, por consequência, um aumento do lucro real e da base de cálculo de CSLL. Logo, o procedimento de exclusão, via Lalur, dos valores contabilizados como receita, era o único caminho que o contribuinte poderia ter seguido a fim de manter a neutralidade da constituição provisão e de sua reversão. Conforme se observa, a exclusão do Lalur neutraliza a reversão da provisão para realização de ágio. Assim, o que de fato diminuiu a base de cálculo do IRPJ e CSLL foram as despesas com amortização de ágio, e não as exclusões realizadas no Lalur. Desse modo, incorreta a conclusão final da autoridade fiscal de que a exclusão realizada no Lalur caracteriza a infração. Concluo assim, no mérito, a exigência fiscal deve ser cancelada. 3. Conclusão: Por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de "preclusão" da possibilidade do Fisco questionar a formação do Ágio, cancelando integralmente os autos de infração. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, bem como dar provimento aos recursos dos sócios para afastar a responsabilidade solidária de Artur Noemio Grynbaum e Miguel Gellert Krigsner. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 4909DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10980.722215/201294 Acórdão n.º 1402001.521 S1C4T2 Fl. 18 33 Fl. 4910DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 13646.000430/2010-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Fabiana Carsoni Alves Fernandes da Silva, OAB/SP nº. 246.569.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Gilberto de Castro Moreira Junior - Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Fez sustentação oral, pela recorrente, a advogada Fabiana Carsoni Alves Fernandes da Silva, OAB/SP nº. 246.569. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Gilberto de Castro Moreira Junior Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de autos de infração, formalizando crédito tributário relativo ao Programa de Integração Social – PIS e à Contribuição Social sobre o lucro Líquido – Cofins, nos valores respectivos de R$ 467.217,30 e de R$ 2.152.025,23. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 46 .0 00 43 0/ 20 10 -6 8 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 497 2 Trata o processo da lavratura de autos de infração para exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), totalizando os valores exigidos de R$467.217,30 e de R$2.152.025,23, respectivamente, incluídos o principal, a multa de oficio e os juros de mora devidos até 30/11/2010 (fls. 209 a 212 e 219 a 222). Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", constante dos Autos de Infração, foram relatadas as infrações a seguir: Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. • 001— PIS (FATURAMENTO) INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA1INSUFICIÊNCL4 DE RECOLHIMENTO DO PIS E AJUSTE DA BASE DE CÁLCULO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF n° 06.1.05.002010002412, código de acesso n° 12738141, lavramos o presente Auto de Infração com a finalidade de glosar o crédito da contribuição do PIS, nos termos dos Relatórios Fiscais: PISCOFINS 2006 e Final PISCOFINS não cumulativo 1º e 2° trimestres 2006, e de lançar a Contribuição do PIS apurada a menor no período de 0112006 a 0612006, [..] Os referidos Relatórios Fiscais, que integram o presente Auto de Infração, foram elaborados em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal MPFD n° 06.1.05.002008001978, expedido para verificação das compensações/ressarcimento das contribuições efetuadas pelo Contribuinte. Eles descrevem os créditos ora glosados, demonstram, por competência, as bases de cálculo ajustadas, citam os fundamentos de fato e de direito que impuseram o ajuste e a glosa. Quanto às contribuições ora lançadas, os citados Relatórios demonstram a base de cálculo, o valor da contribuição, o valor de crédito deduzido pelo Contribuinte e, de oficio, pela Auditoria Fiscal, restando o saldo aqui registrado. Fato Gerador Val. Tributável ou Contribuição Multa(%) 31/01/2006 R$ 10.128, 94 75,00 28/02/2006 R$ 8.241,23 75,00 31/03/2006 R$ 25.203,50 75,00 30/04/2006 R$ 1.455,47 75,00 31/05/2006 R$ 34.203,35 75,00 30/06/2006 R$ 130.702,48 75,00 • ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1º, 3° e 4° da Lei n° 10. 637/2002. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 498 3 Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, foi(ram) apurada(s) infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 COFINS INCIDÊNCL4 NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCL4 DE RECOLHIMENTO DA COFINS No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal MPFF n° 06.1.05.002010002412, código de acesso n° 12738141, lavramos o presente Auto de Infração com a finalidade de glosar crédito da contribuição da Cofins, nos termos dos Relatórios Fiscais: PIS COFINS — 2006 e Final PISCOFINS não cumulativo 1º e 2° trimestres 2006, e de lançar a Contribuição da Cofins apurada a menor no período de 0112006 a 0612006,[..] Os referidos Relatórios Fiscais, que integram o presente Auto de Infração, foram elaborados em cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal MPFD n° 06.1.05.002008001978, expedido para verificação das compensações/ressarcimento das contribuições efetuadas pelo Contribuinte. Eles descrevem os créditos ora glosados, demonstram, por competência, as bases de cálculo ajustadas, citam os fundamentos de fato e de direito que impuseram o ajuste e a glosa. Quanto às contribuições ora lançadas, os citados Relatórios demonstram a base de cálculo, o valor da contribuição, o valor de crédito deduzido pelo Contribuinte e, de oficio, pela Auditoria Fiscal, restando o saldo aqui registrado. Fato Gerador Val. Tributável ou Contribuição Multa(%) 31/01/2006 R$ 46.652,05 75,00 28/02/2006 R$ 37.959,58 75,00 31/03/2006 R$ 116 088,79 75,00 30/04/2006 R$ 6.703, 99 75,00 31/05/2006 R$ 157.542,73 75,00 30/06/2006 R$ 602.023,38 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1º, 3° e 5° da Lei n.º 10.833/03. Encontramse às fls. 91 a 205, os Relatórios Fiscais: PISCOFINS — 2006 e Final PISCOFINS não cumulativo 1° e 2° trimestres 2006, parte integrante dos autos de infração. Cientificada da autuação, em 17/12/2010 (fls. 210 e 220), a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 238 a 267, na qual, após as argumentações de fato e de direito expendidas, requer o seguinte: Por todo o exposto, demonstrada a insubsistência dos argumentos apresentados pela fiscalização para fundamentar as suas conclusões, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 499 4 requerse o julgamento procedente desta impugnação e a consequente desconstituição dos lançamentos em referência. Protesta a impugnante provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e ajuntada de documentos. E em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 7023511972, a impugnante informa que a matéria objeto desta impugnação não foi submetida à apreciação judicial. É o relatório. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 09 37.523 (fls. 353 e ss), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31103/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006 PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indeferese pedido de juntada de novas provas e, uma vez que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/Pasep. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS/Pasep constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/Pasep. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS.INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 500 5 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a Cofins. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 501 6 A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 376/433, por meio da qual aduz: I. A Cessão de créditos de ICMS – Os ingressos financeiros resultantes dessas transferências de créditos não guardavam natureza jurídica de receita. Tais valores constituem ingressos financeiros, mas não se amoldam ao conceito de receita. – O Conselho de Contribuintes proferiu diversas decisões unânimes, cancelando lançamentos de ofício da contribuição para o PIS, que pretendiam tributar os ingressos decorrentes de cessões de créditos de ICMS. Logicamente, o mesmo raciocínio vale para a Cofins (fundamentase também em ementa de decisão do TRF da 4ª Região); II. Glosa dos insumos – A conceituação de insumo, usada pela fiscalização nas glosas em tela, baseou se nas disposições constantes do art. 66, § 5º, inciso I, da Instrução Normativa SRF n.º 247, de 11/11/2002, e no art. 8º, § 4º, inciso I, da Instrução Normativa SRF n.º 404, de 12/3/2004, os quais se utilizam de conceitos importados da legislação do IPI e não têm amparo legal. O entendimento de que o conceito de insumo posto pelo ordenamento para regrar a não cumulatividade do ICMS e do IPI não é o mesmo daquele adotado pela legislação do PIS e da Cofins também logrou aceitação, tal como se vê do Acórdão n.º 320200226, proferido em 8/12/2010, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF; – A palavra "insumo", empregada pelas Leis n.º 10637, de 2002, e 10833, de 2003, possui abrangência muito maior do que lhe pretende dar a Secretaria da Receita Federal do Brasil nas instruções normativas referidas (fundamentase em decisões proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF e pelo Superior Tribunal de Justiça STJ); – Um critério seguro, embora mínimo, para verificação do que seja insumo é o critério contábil de custo por absorção, o qual está descrito pelo Parecer Normativo CST n.º 6, de 2/2/1979, relativo à avaliação de estoques com vistas à obtenção do custo de produção e do custo de vendas para apuração do lucro real tributável pelo Imposto de Renda, e tendo em mente que a lei possui uma relação de custos que atualmente está refletida nos art. 290 e 291 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Além dos custos absorvidos, outros dispêndios, que segundo a prática contábil sejam debitados à despesa, podem ser considerados insumos, quando relacionados à produção, tais como os seguintes gastos, que muitas vezes estão contabilizados fora do custo, mas podem estar dentro dele: vigilância da fábrica, tratamento de efluentes e esgotos da fábrica, e outros semelhantes; – Não procede uma possível objeção a esta conceituação ampla do que seja insumo, objeção esta que seria baseada nos incisos IV e VI do art. 3º das Leis n.º 10637, de 2002 e 10833, de 2003, relativos a gastos que também são insumos. Segundo esta possível objeção, não haveria razão sistemática para estes dois outros incisos se a conceituação de insumo fosse abrangente de outros itens que não as matériasprimas, os produtos intermediários, as embalagens e outros bens que sofrem alteração; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 502 7 – A recorrente é a principal empresa de extração e elaboração de produtos finais de nióbio no Brasil desde os anos 60. O depósito de nióbio explorado possui forma circular, com aproximadamente 4,5 km de diâmetro. O minério de pirocloro, que apresenta teor de óxido de nióbio de aproximadamente 3%, é lavrado a céu aberto com a utilização de trator de esteira, escavadeira, carregadeira e caminhões. Após a lavra, o minério é transportado para a Unidade de Concentração, através de uma correia transportadora de longa distância, onde ocorrem as operações de moagem, separação magnética, deslamagem e flotação, com intuito de obter um concentrado rico em óxido de nióbio. Devido à existência de algumas impurezas nocivas à fabricação do aço, o concentrado proveniente da Unidade de Concentração passa por um refino pirometalúrgico em fornos de alta temperatura para retirada de impurezas, através dos processos de sinterização (retirada de enxofre e água) e de desfosforação (retirada de fósforo e chumbo), nas Unidades de Sinterização e Desfosforação. Após passar pelos processos de pirometalurgia, uma parte substancial do concentrado é destinada à produção de liga de ferronióbio (utilizada pela indústria siderúrgica), enquanto a parte restante segue para a produção de óxido de nióbio de alta pureza (HP), o qual também é transformado noutros produtos, como o óxido de nióbio grau ótico, a liga níquelnióbio ou nióbio metálico puro. Na Unidade de Metalurgia, a produção da liga de ferronióbio é obtida por meio de processo metalúrgico realizado em forno elétrico a arco, no qual o concentrado é misturado a pó de alumínio e a pó de ferro. Depois da fusão desta mistura, o ferro nióbio é retirado do forno, britado, classificado por tamanho e embalado para ser enviado aos mais diversos clientes da Recorrente ao redor do mundo. Para a produção de óxidos de nióbio de alta pureza (HP), o concentrado é transferido para a planta de óxido de nióbio, onde ocorrer a purificação química. Os processos químicos de produção do óxido de nióbio de lata pureza (HP) e grau ótico utilizam, em várias de suas etapas, evaporação de soluções aquosas, sendo a geração do vapor superaquecido feito em caldeira. Feita essa breve descrição da atividade desenvolvida pela Recorrente, passemos agora propriamente a analisar o direito de crédito em cada caso específico, seguindo a ordem de análise do próprio acórdão; II.1. Aquisições de óleo diesel e GLP – O acórdão atacado manteve a glosa fiscal quanto às aquisições de óleo diesel e GLP. Pautase a decisão no entendimento de que o legislador ordinário não teve a intenção de desonerar totalmente a tributação dos produtos previstos no § 1º do art. 2º das Leis n. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, impondo algumas vedações ao direito de crédito do art. 3º. Entre elas, estaria a vedação ao crédito, constante do inciso II, § 2º do art. 3º das duas leis, quando da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, inclusive nos casos de alíquota zero, como é o caso dos autos, dado que a fiscalização excluiu os créditos calculados sobre a aquisição dos itens ora em análise, apropriados após o advento dos arts. 46, inciso I, e 53 da Lei n.º 10865, de 30/4/2004, o qual acrescentou a mencionada barreira ao creditamento. Com o advento da Lei n.º 9718, de 1998, a apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes das vendas de derivados de petróleo, que incluem o GLP e o óleo diesel, passou a ser com base nos regimes de tributação denominados "incidência monofásica" e "alíquota concentrada", respectivamente. Portanto, não se pode dizer que tais produtos não estavam sujeitos à incidência do PIS e da Cofins, porque sofreram a incidência antecipada da exação; – O entendimento esposado pelos julgadores a quo, acerca do alcance do inciso II do § 2º do art. 3º das Leis n. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, restringe por demais a aplicação do inciso II do "caput" desses artigos, o quais determinam que a pessoa jurídica pode descontar créditos calculados em relação aos "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 503 8 inclusive combustíveis e lubrificantes (...)" (destaques da Recorrente). Se, para a lei, os combustíveis devem seguir a regra geral dos insumos, não haveria necessidade de mencioná los expressamente no inciso II do art. 3º da Lei n. 10637, de 2002, pois dúvida não haveria de que aqueles produtos, quando consumidos no processo produtivo, gerariam direito ao creditamento; – Considerando que os combustíveis estavam sujeitos a regras específicas de tributação pela Contribuição ao PIS e da Cofins, é mais do que razoável admitir que, no momento em que as Leis n. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 foram editadas, ao se fazer referência expressa a esses produtos, a "mens legis" foi de evitar qualquer discussão acerca do direito ao crédito sobre tais insumos; II.2. Conservação patrimonial, segurança e meio ambiente – O Fisco aplicou o conceito restritivo de insumo, pois considerou apenas os gastos que mantêm contato direto como produto ou que sofram desgastes no processo produtivo; – No caso da manutenção, os gastos são utilizados rotineiramente na conservação das instalações produtivas. As melhorias em segurança destinamse a conferir maior segurança dos funcionários que trabalham na produção. Já os gastos com a manutenção de barragens são necessários, pois nelas são depositados os rejeitos da produção; II.3. Pesquisas, melhorias e experiências – A Fiscalização afirmou que tais gastos são investimentos, não insumos. No entanto, estão relacionados com a produção, pois objetivam introduzir inovações, tornar mais eficiente o processo produtivo, melhorar a qualidade do produto; II.4. Bens não consumidos no processo. Gastos ativados inseridos nos serviços utilizados como insumos e Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. – Conforme relacionado na planilha acostada à manifestação de inconformidade, a qual descreve os materiais que a recorrente utiliza para o procedimento denominado "tamponamento de forno elétrico", verificase tratarse de itens utilizados para vedar os fornos elétricos utilizados no processo produtivo, tal qual o ferro discriminado na referida planilha, evitando a perda de calor, tornandoos mais eficientes. Realmente, os vergalhões designados como "ferros mecânicos, aço carbono e/ou ferro construção" são utilizados no processo produtivo para o tamponamento dos chamados "furos de corrida" dos fornos elétricos da Metalúrgica e da Desfosforação. No forno, existem dois furos por onde a escória e o metal são retirados (vazados) na forma líquida. Ao final de cada corrida, estes furos precisam ser fechados (tamponados) para receber a carga de insumos para a produção subsequente. Completado o processo de fusão, os furos de corrida são abertos com lanças de oxigênio, que consomem os vergalhões utilizados no tamponamento. Portanto, estes vergalhões são insumos indispensáveis ao processo de fusão em forno elétrico a arco. As fotos abaixo ilustram os vergalhões preparados, próximos ao local de utilização (furo de corrida). – Quanto a este item (aluguéis), a fiscalização sustentou que, a despeito de deverem ser ativados e, portanto, gerarem direito ao crédito, estes dispêndios foram aproveitados em duplicidade: (i) como insumos e (ii) por meio das correspondentes quotas de depreciação. Contudo, ao contrário do que alega a fiscalização, a Recorrente não tomou qualquer crédito em duplicidade, tendo o respectivo valor sido reconhecido, exclusivamente, Fl. 503DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 504 9 no momento da aquisição do respectivo serviço, no que se apoiou nas informações constantes de planilha que anexou aos autos quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade; – A esse respeito, o acórdão recorrido apontou que não poderia acatar a prova apresentada pela Recorrente, que demonstrava não ter se apropriado de qualquer crédito sobre quotas de depreciação, mas apenas quando da aquisição do serviço, a título de insumos, pois a planilha anexada aos autos "referese ao período de setembro a dezembro de 2006, diferente do período em exame, não se prestando, por óbvio, à comprovação do alegado". No entanto, uma análise mais atenta da planilha anexada a estes autos demonstra que, abaixo da planilha referente ao último trimestre de 2006, a qual foi levada em consideração pela recorrida, existe outra planilha onde podem ser vistos os valores referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março daquele ano e que os mesmos não geraram crédito de PIS/Cofins sobre quotas de depreciação, mas tão somente quando de sua aquisição (doc. 1). Pede vênia para também acostar aos autos cópias de imagens tiradas dos seus sistemas onde pode ser visto que não foi computado nenhum registro a título de depreciações referentes aos dispêndios ora em tela. Observese que quando não há depreciação não ocorre nenhum lançamento e o sistema lança uma observação "Não existem depreciações" (doc. 2); II.5. Conservação patrimonial e melhoria de processos – Nesta parte da autuação, limitouse a defender o direito ao crédito quanto ao insumo referente a troca de mangas do FT06 (filtro de mangas), uma vez que utilizado na manutenção dos equipamentos de produção. Este procedimento está intimamente ligado à produção, pois visa coletar o pó arrastado pelo sistema de exaustão. Conforme já decidiu o CARF, as despesas com obras necessárias ao cumprimento da legislação ambiental são necessárias II.6. Glosa de créditos sobre encargos de depreciação – Sob esta rubrica, o v. acórdão manteve a glosa fiscal sobre os seguintes itens: (i) encargos de depreciação das máquinas e equipamentos alocados nos centros de custo "AGU" (Abastecimento e Tratamento de Água), "ENE" (Subestação de Energia Elétrica), "MIN" (Mineração); (ii) sobre móveis e equipamentos que, apesar de alocados em centros produtivos de custo, não são utilizados na fabricação dos produtos vendidos; e (iii) bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/4/2004. A r. decisão recorrida reconhece a importância dos bens em questão no processo produtivo, mas paradoxalmente alega que tais itens do ativo da Recorrente não são utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. É justamente em razão da reconhecida importância dos referidos bens no processo produtivo da Recorrente, e de sua efetiva utilização neste processo, que os respectivos encargos de depreciação geram créditos do regime não cumulativo; – Tanto as máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e bombeamento da água, como os empregados na adequação dos níveis de tensão e corrente de energia elétrica, são itens indispensáveis à produção de nióbio pela Recorrente. Vale destacar que esses insumos, água e energia elétrica, são empregados exclusivamente em seus centros produtivos, não sendo consumidos em seus departamentos administrativos. É importante que se diga que as máquinas e os equipamentos utilizados no sistema de abastecimento de água são necessários para bombeála às diversas etapas do processo de produção, a saber: concentração, Fl. 504DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 505 10 moagem, separação magnética, flotação e transporte dos rejeitos à bacia de sedimentação. Além disso, visando otimizar os recursos existentes e eliminar desperdícios a Recorrente trata e recircula cerca de 90% da água utilizada em seu processo produtivo; – O mesmo ocorre com as máquinas e equipamentos da subestação de energia elétrica que são utilizados para adequar a tensão e a corrente da energia elétrica recebida da concessionária CEMIG, aos níveis exigidos pelo processo industrial da Recorrente. Em outras palavras, o recebimento e a distribuição da energia elétrica diretamente da concessionária é tecnicamente inviável, pois os seus equipamentos industriais não operam com o nível de tensão, em que a energia lhe é entregue por aquela concessionária; – Considerando que a água e a energia elétrica são indispensáveis no processamento do minério realizado pela Recorrente, é possível afirmar que as máquinas e equipamentos necessários ao tratamento desses insumos e a sua adequação às suas especificações técnicas são itens utilizados no processo produtivo, estando abrangidos pela hipótese do inciso VI do art. 3º das Leis n. 10637, de 2002 e 10833, de 2003. O dispositivo legal em foco permite o creditamento do PIS e da Cofins sobre os encargos de depreciação das máquinas, equipamentos e outros itens do ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados pela pessoa jurídica que sejam utilizados em seu processo produtivo. Forçoso concluir que os encargos de depreciação das máquinas e equipamentos, alocados nos centros de custos AGU e ENE, devem compor o cálculo do crédito da Cofins na sistemática não cumulativa; II.7. Encargos de depreciação de outros itens do ativo imobilizado – Muito embora possam surgir dúvidas acerca da utilização de alguns desses itens no processo de produção do minério que é vendido pela Recorrente, se se investigar a fundo esse processo, verificarseá que eles são, nos dizeres da norma legal, "máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado (...) para utilização na produção de bens destinados à venda". Tomese, por exemplo, os equipamentos de ar condicionado que são utilizados para garantir o funcionamento de equipamentos eletro eletrônicos em salas de comando que necessitam de temperatura controlada para o seu regular funcionamento. Os demais itens do ativo imobilizado, cujos encargos de depreciação foram glosados pela fiscalização, tais como móveis, caixa d'água, rádios de comunicação, motoserra, etc., também são utilizados nos departamentos produtivos da Recorrente, sendo necessários à produção dos minérios por ela vendidos; II.8. Bens do ativo imobilizado, adquiridos antes de 30.4.2004. – Confirmou o v. acórdão recorrido que os encargos de depreciação do Forno Feixe de Elétrons II, do Forno Elétrico Túnel para Calcinação Óxido de NB e do Sistema de Briquetagem Reciclagem de Finos Gerados, descritos no item 6.3 do Relatório Fiscal, não podem ser computados na apuração dos créditos do PIS e da COFINS, nos termos do art. 31 da Lei n.º 10.865, de 2004, visto que as partes e peças desses equipamentos foram adquiridas antes de 31/8/2004. O referido dispositivo legal possui a seguinte redação: "é vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do parágrafo 1o do art. 3o das Leis n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004". Muito embora a redação do art. 31 da Lei n. 10865, de 2004, não levante dúvida acerca da real intenção do legislador ao editálo, a análise criteriosa do ordenamento jurídico conduz à conclusão de que esse dispositivo legal não pode ser aplicado, sob pena de ofender o direito adquirido da Recorrente ao desconto de créditos de PIS/Cofins calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado em foco. Não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10.865, de Fl. 505DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 506 11 2004, ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado que tenham sido adquiridos antes de 30/4/2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n.º 2005.70.00.0005940/PR, em 26.6.2008. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Nesta sessão, preliminarmente suscitouse, pelos demais membros deste colegiado, a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de dirimir dúvidas sobre o processo produtivo da interessada e sobre a utilização dos produtos por ela referidos. Entendo, entretanto, que tal diligência se mostra de todo desnecessária, em face do entendimento que adoto quanto ao conceito de insumos para fins de creditamento do PIS/Cofins e das informações colacionadas aos autos com a apresentação do recurso voluntário. Desse modo, voto por NÃO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Voto Vencedor Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Redator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Para o deslinde da questão entendo necessária a diligência para se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente Diante disso, converto o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: Fl. 506DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13646.000430/201068 Resolução nº 3202000.109 S3C2T2 Fl. 507 12 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucinto acerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 507DF CARF MF Impresso em 24/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11618.006042/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO.
Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Caso em que a hipótese dos autos (consultor independente) se subsume à situação tratada no recurso repetitivo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 28/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp n 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n. 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD . No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Caso em que a hipótese dos autos (consultor independente) se subsume à situação tratada no recurso repetitivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 60 42 /2 00 8- 88 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 11 2 Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 28/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos (Presidente), Alice Grecchi, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 34 a 44: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida a Notificação de Lançamento, fls. 21/25, em decorrência das informações constante dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal, prestadas pelas fontes pagadoras, constatouse omissão de rendimento sujeito A tabela progressiva, no valor de R$ 16.237,35, da fonte pagadora Caixa Econômica Federal e dedução do imposto de renda na fonte de R$ 487,12 e R$ 36.000,00, oriundo de Organismo Internacional. Em decorrência foi apurado IRPF/2006 Suplementar de R$ 13.878,15, multa de oficio e juros de mora, total R$ 27.666,71, atualizado até 29/02/2008, 2. Tendo sido cientificada do indeferimento da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, sendo indeferido, conforme documento de fls. 20. 3 .Tendo sido cientificada do indeferimento da Solicitação de Retificação de Lançamento SRL , fl. 32, e insurgindose contra a Notificação de Lançamento o contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese, que: 3.1 quanto aos valores pago pela Caixa Econômica Federal, reconhece que ocorreu a omissão descrita, decorrente de pagamento de ação judicial, foi decorrente de esquecimento, pois o documento não encontravase juntos aos demais. Inclusive houve retenção de imposto de renda na fonte, não havendo qualquer razão para omitilo. Se compromete a pagar qualquer diferença que porventura seja apurada por essa RFB. 3.2 em relação a segunda infração, não concorda pois tratase de rendimentos isentos e não tributáveis devidamente informado em sua declaração de ajuste anual, alega que o contrato firmado entre a requerente e a Unesco para prestação de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 12 3 serviços está amparado pelos tratados Internacionais que estipulam o Acordo Básico de Assistência com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agencia Internacional de Energia Atônica, estabeleceu em seu art. 1° n° 3 que para assessorar e prestar assistência ao Governo ou por intermédio deste" Mais a frente ratificado pelo Decreto 59.308/66, que, por sua vez, determina a aplicação da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, ratificada pelo decreto 27.784/50 pelo decreto 52.288/63. Assim, que deve ser revisto o lançamento impugnado, por tratar como tributáveis rendimentos, isentos por força de Tratados Internacionais. 3.3 Transcreveu a ementa 309913/SC do Superior Tribunal de Justiça, sobre a obrigação tributária. 3.4 Diante do texto da ementa o contribuinte, entende que não resta duvida que, • caso não houve isenção tributária, como realmente há, a UNESCO faria a retenção do imposto de renda na fonte, como determina a legislação tributária, não fazendo, a responsabilidade seria do órgão Internacional e não o contribuinte. Por isso, não entende a aplicação da multa de oficio de 75%, sobre o valor do imposto apurado, quando não houve omissão dolosa, malicia ou mifé e sobre a aplicação da SELIC. Pois o valor em questão, encontrase informado em sua DIRPF, como isentos e não tributáveis. 3.5 Diante do exposto, requer o requerente, que seja acatada sua impugnação, pela improcedência do lançamento cancelando o débito fiscal reclamado, ou em parte, o cancelamento da multa de oficio Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando a ausência de previsão legal para deferir o pedido de isenção pleiteada, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. UNESCO. A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pela UNESCO é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vinculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos contratados a serviço da Organização Internacional, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Súmula CARF n° 39: "Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vinculo contratual, não são isentos do imposto sobre a renda da pessoa fisica." MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Aplicável a multa de oficio de 75% nos casos de infração definidos na legislação tributária. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 13 4 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Súmula n° 4 CARF: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 51 a 59, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido: a) cancelamento do débito fiscal reclamado no ano calendário 2005, sobre os rendimentos de R$ 36.000,00 recebidos da UNESCO pelo Recorrente. b) restituição de todos os valores recolhidos indevidamente a título de imposto de renda, multa e juros pagos pelo autor, na forma de REPETIÇÃO DO INDÉBITO, devidamente acrescidos da TAXA SELIC até a data da quitação, referentes a tributos 'sobre rendimentos auferidos da UNESCO pelo Recorrente nos anos de 2006,2007 e 20 , respectivamente R$ 33.000,00, R$ 46.000,00 e R$ 13.000,00. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. A questão da omissão de rendimentos recebidos de Organismo em decorrência de contrato celebrado com o PNUD, é conhecida e já foi objeto de julgamento Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 14 5 nesta Segunda Seção, qual seja, o Acórdão do recurso 2101002.156, de 16 de abril de 2013, tendo como relator do voto o conselheiro José Raimundo Tosta Santos, cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizo seus fundamento para a presente decisão, de forma livre a seguir. Inicialmente, vejamos o que dispõe o artigo 5 da Lei n 4.506, de 1964, reproduzido no art. 22 do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n 3.000, de 1999: Art. 5º. Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por: I Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; II Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; (gn) III Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no país de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções. Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e III deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país. (sublinhado) Observese que a matéria de direito aqui versada foi submetida ao procedimento estabelecido no art. 75 do Regimento Interno deste Conselho, resultando na edição da Súmula CARF n 39, com efeito vinculante para toda a administração tributária federal (Portaria MF n 383, de 12/07/2010): Súmula CARF nº 39 Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Contudo, a Primeira Seção do STJ, em julgado submetido ao rito do art. 543C do CPC (acórdão publicado em 07/11/2012), decidiu, por unanimidade, de forma contrária ao entendimento pacificado administrativamente pela Súmula CARF n 39, em acórdão assim ementado: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 15 6 atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ – de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional –, e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (RESP nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012) Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.(grifos acrescidos) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar o entendimento manifestado pelo STJ no julgamento do REsp n 1.306.393/DF, em que o Ministro Relator, Mauro Campbell Marques, após ressalvar o seu entendimento pessoal no sentido de que são tributáveis os rendimentos em questão, curvouse ao entendimento da maioria e consolidou, em decisão unânime, a orientação pretérita da 1 Seção do próprio Tribunal, que já havia pacificado que tais rendimentos são isentos (REsp n. 1.159.379/DF, relatado pelo então Ministro do STJ TEORI ZAVASCKI). Ainda que o Regimento Interno do CARF assim não dispusesse, entendo que o princípio da eficiência, legalidade e moralidade administrativa impõem a observância do entendimento do STJ, que vincula todas as instâncias inferiores do poder Judiciário. (...) Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Considerando a função precípua do Superior Tribunal de Justiça de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal consignado no voto vista que proferi no REsp Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 16 7 1.159.379/DF, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. Segue a ementa daquele julgado: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RENDIMENTOS RECEBIDOS POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AO PNUD. ISENÇÃO. MULTA. SÚMULA 98/STJ. 1. O Acordo Básico de Assistência Técnica firmado entre o Brasil, a ONU e algumas de suas Agências, aprovado pelo Decreto Legislativo 11/66 e promulgado pelo Decreto 59.308/66, assumiu, no direito interno, a natureza e a hierarquia de lei ordinária de caráter especial, aplicável às situações nele definidas. Tal Acordo atribuiu, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas, os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50. 2. O autor prestou serviços de assistência técnica especializada, na condição de Técnico Especialista, ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD, de quem recebia a correspondente contraprestação. Assim, os valores recebidos nessa condição estão abrangidos pela cláusula isentiva de que trata o inciso II do art. 23, do RIR/94, reproduzida no art. 22, II, do RIR/99. 3. Nos termos da Súmula 98/STJ, embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório. 4. Recurso especial provido (REsp 1.159.379/DF, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8.6.2011).” No caso em tela, a Cláusula IV do Contrato de Prestação de Serviço à fl. 10, informa que o recorrente é um consultor independente do PNUD. De se ver também que a Cláusula III dispõe que O CONTRATADO não estará isento do pagamento de imposto em virtude deste contrato, obrigandose ao pagamento de impostos, encargos, taxas e outros tributos devidos em função das importâncias recebidas sob este contrato, conforme Legislação aplicável. (grifos acrescidos) É evidente que cláusula contratual não pode estabelecer a tributação ou a não incidência de determinada verba. Somente a legislação tributária pode dispor nesse sentido, e os textos legais aplicáveis ao caso, conforme entendeu o Superior Tribunal de Justiça intérprete maior da legislação federal infraconstitucional em julgamento submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n 8/08 (REsp n 1.306.393/DF), estabelece a isenção do imposto de renda sobre os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No que tange à subsunção fática e normativa do que foi decidido pelo STJ ao caso em exame, observo que o voto do Ministro Relator analisou a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, refletiu acerca da natureza da relação jurídica mantida entre a ONU e o contribuinte, no âmbito do PNUD, e as conseqüências jurídicas dessa relação regidas pela legislação brasileira, ainda que provenientes de acordos internacionais, bem assim sobre a distinção entre a qualidade de funcionário (que advém da existência de um vínculo permanente com a ONU ou organismo internacional), e a qualidade de "perito", que deriva de um contrato temporário com período préfixado ou por empreita a ser realizada (apresentação ou execução de projeto e/ou consultoria), ainda que o contrato do perito tenha sido renovado por diversas vezes, concluindo que tal convenção não retira a qualidade de perito do contratante. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11618.006042/200888 Acórdão n.º 2102002.799 S2C1T2 Fl. 17 8 (...) Tais considerações, que estão no centro das discussões dos acórdãos que deram suporte à edição da súmula CARF n 39 e do REsp n 1.306.393/DF (representativo da controvérsia), não foram óbices para que a Primeira Seção do STJ, em votação unânime, desse provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, para considerar isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Finalizada a transcrição do voto condutor supra, cumpre apontar que às fls. 05 a 10, foi juntado o contrato de Serviço do contribuinte com a UNESCO/FUNASA/CORE/PB, atestando que o recorrente foi contratado para realizar pareceres técnicos de análises de projetos e acompanhamento das obras de saneamento ambiental. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja cancelada a omissão de rendimentos no valor de R$36.000,00, conforme estabelecido à fl. 06 do contrato com a UNESCO/FUNASA/CORE/PB. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 29/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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