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Numero do processo: 10930.002051/2004-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRADIÇÃO ENTRE O VOTO E A DECISÃO. Constatada a ocorrência de contradição entre o que constou no voto condutor da decisão e
o texto da decisão prolatada, procede-se à correção da última para que retrate com fidelidade o quando decidido pela Câmara. O texto da decisão passa a ser:
Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso do
contribuinte para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional às exigências relativas a fatos geradores ocorridos entre abril de 1997 e junho de 1999, inclusive.
Embargos acolhidos
Numero da decisão: 204-03.606
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para reconhecer a decadência até 25.06.99.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Constatada a ocorrência de contradição entre o que constou no voto condutor da decisão e o texto da decisão prolatada, procede-se à correção da última para que retrate com fidelidade o quando decidido pela Câmara. O texto da decisão passa a ser: Por unanimidade de votos, deu-se parcial provimento ao recurso do contribuinte para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional às exigências relativas a fatos geradores ocorridos entre abril de 1997 e junho de 1999, inclusive. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para reconhecer a decadência até 25.06.99. / /HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente a - J IOC A ALVES • MOS R.:1$tor Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Rodrigo Bernardes de Carvalho, Nayra Bastos Manatta, Ali Zraik Junior, Silvia de Brito Oliveira, Marcos Tranchesi Ortiz e Leonardo Siade Manzan. Processo n° 10930.002051/2004-61 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.606 Fls. 1.034 Relatório Opõe a Procuradoria da Fazenda Nacional embargos à decisão proferida pela Câmara em 09 de abril de 2008. No recurso, aponta a ocorrência de contradição entre a decisão e o Voto em que se baseou no tocante ao último mês atingido pela decadência. • De fato, na primeira constou: "...por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência no período de abril/97 a julho/99, inclusive." Já no voto se lê: "O seu exame há de começar pela alegação de que parte dos créditos foi constituída após extinto o direito da Fazenda Nacional em face do transcurso do prazo previsto no art. 150 § 4° do CTN". E embora no particular tenha posição concorde com a que embasou o julgamento em primeiro grau, isto é, de que a contribuição ao PIS se insere entre as destinadas a financiamento da Seguridade Social, motivo pelo que a ela também se aplica a alteração promovida pela Lei n° 8.212/91, tenho-me curvado ao entendimento oriundo da Câmara Superior de Recursos Fiscais que há muito fixou-se pela não aplicação dessa alteração ao PIS. Com isso, comprovado haver recolhimentos parciais da contribuição, o prazo decadencial deve ser contado a partir das datas dos respectivos fatos geradores, consoante preconizado no § 4° do art. 150 do CTN. E, em conseqüência, restam decaídos os períodos de apuração anteriores a junho de 1999. Voto, com isso, pelo provimento do recurso quanto à primeira de suas alegações, para considerar decaído o direito da Fazenda às exigências relativas aos períodos de apuração de abril de 1997 a junho de 1999 inclusive". O lançamento de que então se recorria fora cientificado ao contribuinte em 25 de junho de 2004 e englobara períodos de apuração ocorridos entre abril de 1997 e abril de 2001 além do mês de agosto de 2003. É o relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS, Relator O recurso há de ser conhecido e acolhido para sanar a contradição verificada. De fato, o último período atingido pela decadência é junho de 1999 como constara no voto. A decisão deve passar para: 2 (-) çf Processo n° 10930.002051/2004-61 CCO2/C04 Acórdão n.° 204-03.606 Fls. 1.035 " ...por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional às exigências relativas a fatos geradores ocorridos entre abril de 1997 e junho de 1999". É como voto. Sala das Sessões, em 07 de novembro de 2008 • G/~7 J k. CÉSAR ALVES MOS 3
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000260/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
Recurso de Ofício
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS A PARTIR DA DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RICARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, constatada ausência de antecipação de pagamento, ainda que parcial, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento
exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RICARF.
COFINS. ISENÇÃO CONDICIONAL. PROUNI. TERMO INICIAL.
Tratando-se de isenção que foi concedida pela lei sob condição de que houvesse ratificação do Termo de Adesão por parte do MEC, a qual se materializou deixando expresso o início da produção dos efeitos quanto a
referida ratificação, deve-se conceder a isenção a partir do termo em que vigorou a ratificação, pois que a isenção se interpreta literalmente (art. 111, do CTN)
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Recurso Voluntário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006
COFINS. INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS. ARTIGO 195, § 7º, DA
CF/88. IMUNIDADE OU ISENÇÃO. RECEITAS PRÓPRIAS.
CONTRAPRESTAÇÃO.
São imunes quanto à contribuição a COFINS as entidades beneficentes de assistência social, dentre elas as instituições de ensino, que atendam às exigências estabelecidas em lei (arts. 9º e 14, do CTN).
IMUNIDADE OU ISENÇÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 14, inc. X, da MP n° 2.15835, de 2001, alcança as receitas decorrentes das atividades próprias da instituição sem fins lucrativos ainda que seu recebimento decorra da contraprestação de serviços pela instituição.
Numero da decisão: 3402-001.704
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Fará declaração de voto o conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Leonardo Zaponi Teixeira, OAB/DF 33899.
Nome do relator: JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 Recurso de Ofício DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS A PARTIR DA DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RICARF. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, constatada ausência de antecipação de pagamento, ainda que parcial, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RICARF. COFINS. ISENÇÃO CONDICIONAL. PROUNI. TERMO INICIAL. Tratando-se de isenção que foi concedida pela lei sob condição de que houvesse ratificação do Termo de Adesão por parte do MEC, a qual se materializou deixando expresso o início da produção dos efeitos quanto a referida ratificação, deve-se conceder a isenção a partir do termo em que vigorou a ratificação, pois que a isenção se interpreta literalmente (art. 111, do CTN) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recurso Voluntário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 COFINS. INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. IMUNIDADE OU ISENÇÃO. RECEITAS PRÓPRIAS. CONTRAPRESTAÇÃO. São imunes quanto à contribuição a COFINS as entidades beneficentes de assistência social, dentre elas as instituições de ensino, que atendam às exigências estabelecidas em lei (arts. 9º e 14, do CTN). IMUNIDADE OU ISENÇÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 14, inc. X, da MP n° 2.15835, de 2001, alcança as receitas decorrentes das atividades próprias da instituição sem fins lucrativos ainda que seu recebimento decorra da contraprestação de serviços pela instituição.
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TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS A PARTIR DA DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, constatada ausência de antecipação de pagamento, ainda que parcial, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte a ocorrência do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RICARF. COFINS. ISENÇÃO CONDICIONAL. PROUNI. TERMO INICIAL. Tratandose de isenção que foi concedida pela lei sob condição de que houvesse ratificação do Termo de Adesão por parte do MEC, a qual se materializou deixando expresso o início da produção dos efeitos quanto a referida ratificação, devese conceder a isenção a partir do termo em que vigorou a ratificação, pois que a isenção se interpreta literalmente (art. 111, do CTN) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 1DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Recurso Voluntário Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 COFINS. INSTITUIÇÕES EDUCACIONAIS. ARTIGO 195, § 7º, DA CF/88. IMUNIDADE OU ISENÇÃO. RECEITAS PRÓPRIAS. CONTRAPRESTAÇÃO. São imunes quanto à contribuição a COFINS as entidades beneficentes de assistência social, dentre elas as instituições de ensino, que atendam às exigências estabelecidas em lei (arts. 9º e 14, do CTN). IMUNIDADE OU ISENÇÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 14, inc. X, da MP n° 2.15835, de 2001, alcança as receitas decorrentes das atividades próprias da instituição sem fins lucrativos ainda que seu recebimento decorra da contraprestação de serviços pela instituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário. Fará declaração de voto o conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Leonardo Zaponi Teixeira, OAB/DF 33899. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator (assinado digitalmente) Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (suplente), Silvia de Brito Oliveira e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.335 3 Relatório O processo é decorrente de Auto de Infração, lavrado em desfavor do interessado, que foi cientificado em 26.02.2008, constituindo um crédito tributário no montante de R$ 53.475.442,92 (cinqüenta e três milhões, quatrocentos e setenta e cinco mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e noventa e dois centavos), incluindose tributo, multa e juros de mora calculados até 31.01.2008, referente à Cofins do período de janeiro de 2001 a dezembro de 2006. No Termo de Constatação de Irregularidades, a autoridade fiscal informa que a OSEC apresenta DCTF apenas para PIS sobre a folha de salários e o IRRF sobre os rendimentos por ele pago ou creditado, não apresentando para os demais tributos, por ser imune, nem para a Cofin, no qual a contribuinte possui uma variedade de receitas. Intimada, a contribuinte esclareceu que as receitas de “Convênios” e “Hospitalar”, referemse a verbas recebidas de Órgãos Públicos para custeio das despesas dos hospitais públicos administrados pela OSEC por meio de contratos de gestão, razão pela qual foram excluídas da base de cálculo de Cofins; quanto às receitas educacionais, estão subdivididas em “de mensalidades”, “serviços e produtos”, “outras receitas”, “aluguéis” e “doações”, sendo que de todas, apenas as receitas de doações não possuem caráter contraprestacional, estando, as demais, sujeitas a tributação de Cofins; no que tange as receitas de doação educacional, o contribuinte reconheceu que em alguns casos tratavase de receita e não de doação, razão pela qual tais receitas, indevidamente classificadas, foram incluídas na base de cálculo da Cofins; quanto às receitas financeiras, foram excluídas da base de cálculo da Cofins, as variações monetárias ativas e rendimentos de aplicação financeira. Já as receitas que foram tributadas, conforme demonstrativos de fls 3.004 a 3.011, são as receitas efetivas, que diferem, em alguns casos, das receitas apresentadas pelo contribuinte nas planilhas anexas aos autos, por trataremse de saldo de contas. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou impugnação em 27.03.2008 e, em virtude da DRJ ter sintetizado de maneira clara e eficiente, transcrevo a síntese dos fatos e argumentos articulados pelo sujeito passivo: 6.1 – O auto de infração foi fruto de fiscalização iniciada por meio do MPF nº. 0819000/00409/07, realizada pela fiscal Araci Dias Santos, para verificação das obrigações tributárias da impugnante relativas a entidade de educação e assistência social. Percebe que a presente fiscalização tem o mesmo objeto da encerrada em 10.01.2007, iniciada pelo MPF nº. 08190002005019744, também procedida pela Sra. Araci Dias Santos, que chegou a conclusão diametralmente oposta as conclusões da fiscalização ora impugnada (fls. 3.040). A primeira defesa da impugnante foi feita pela acusadora em janeiro de 2008, quando ao examinar exatamente a mesma documentação que agora fiscalizou e lançou, reconheceu a completa ausência de irregularidades nos recolhimentos tributários da impugnante; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 6.2 – A fiscalização fazendária é incapaz de distinguir impostos de contribuições sociais, imunidade de isenção. Classifica o PIS e a COFINS como imposto e fundamenta a imunidade deles no art. 150, VI, “c”, que trata da imunidade de impostos, passando ao largo do disposto no artigo 195, § 7º (imunidade das contribuições) e de regulamentação e depois de afirmar que a impugnante é imune a trata como isenta. A quantidade de erros na técnica jurídico tributária da presente notificação é suficiente para tornar nulo o presente lançamento, por ausência de motivação clara e congruente, nos termos do exigido para o ato administrativo nos artigos 2º, inciso VII e 50, § 1º da lei nº. 9.784/99; 6.3 – No presente caso, considerando que houve uma fiscalização em janeiro de 2007 sobre o mesmo objeto da presente, e que naquela ocasião nenhum crédito suplementar foi apurado, estáse diante de um quadro de verdadeira refiscalização, que só seria válida se justificada nos termos do artigo 149 do CTN. Diante da completa omissão do relatório fiscal em motivar tal refiscalização, temos que o presente procedimento é nulo. Cita ainda o art. 570 da IN SRP nº. 3/2005; 6.4 – O termo de encerramento da ação fiscal ora combatida deixa claro que o presente lançamento foi procedido por amostragem, numa confissão de que houve arbitramento da fiscalização, adotando o mecanismo de aferição indireta, não havendo qualquer alegação nos documentos que compõe o processo fiscalizatório dos motivos para uso da aferição indireta. O uso de técnicas de aferição indireta como a amostragem por força de lei pressupõe que a fiscalização justifique os motivos pelos quais vai desconsiderar a contabilidade do contribuinte, conduta inexistente no Auto de Infração ora impugnado, logo o uso da amostragem é ilegal para que haja a descrição clara e precisa dos fatos geradores da notificação fiscal de lançamento de débito ora em comento, é imprescindível a definição de critérios reais e não fictícios, fruto de arbitramento, sendo, portanto, nulo o presente lançamento por adotar indevidamente a aferição indireta; 6.5 – Alega a ocorrência de decadência no presente Auto de Infração, pois, consoante entendimento já consolidado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e no próprio Conselho de Contribuintes em relação à COFINS e PIS, tratandose de contribuições sociais, o prazo decadencial decorre do transcurso de 5 (cinco), contados do fato gerador, haja vista se estar tratando de créditos que se constituem mediante o lançamento por homologação, sob a égide do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, e não a o art. 45 da Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991. Todas as parcelas indicadas em período anterior a 26 de fevereiro de 2003 estão sob o manto da decadência; 6.6 – O lançamento referese a PIS e COFINS, notadamente contribuições sociais, portanto, errou a fiscalização ao afirmar que a imunidade em questão é a do artigo 150, VI, “c”, que a instituição apesar de ser também detentora é aplicável em matéria de impostos. No caso, a imunidade que impede o lançamento de PIS e COFINS contra a impugnante é a prevista no artigo 195, § 7º da Constituição Federal e a legislação de regência dessa imunidade que deveria ter se reportado o relatório fiscal, o que não o fez, eivando de vício insanável suas conclusões. Nos termos do artigo 195, § 7º da CF, impugnante tem imunidade pessoal em face da condição de entidade beneficente de assistência social. Ora, a imunidade pessoal não é isenção, ela se opõe ao nascimento do tributo contra o seu beneficiário, não há nessa imunidade hipótese de exceção a determinados fatos geradores; 6.7 – Traz histórico da OSEC, de suas atividades. Alega que a educação é direito de todos e é um dever do Estado promovêla. Entretanto, o particular por diversas ocasiões faz às vezes do Estado na contribuição para a realização do acesso à educação. E é nesse ponto que atuam as associações educacionais, sem fins lucrativos, cuja finalidade estatutária seja o social, como é o caso da autora. Sendo assim, não restam dúvidas quanto ao caráter assistencial e filantrópico da Fl. 4DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.336 5 Organização Santamarense de Educação e Cultura (OSEC) que, por conseqüência disso, goza do benefício da imunidade tributária disciplinada no artigo 195, parágrafo 7º, da Constituição da República, regulamentada pelos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº. 5.172, de 25 de outubro de 1966; 6.8 – A impugnante possui os benefícios fiscais destinados a entidades assistenciais desde a Lei nº. 3.577/59, e as sucessivas alterações, que acabaram por gerar uma espécie de direito adquirido às instituições portadoras do certificado de fins filantrópicos à época. Embora o DecretoLei nº. 1.572, de 1977, tenha revogado expressamente a isenção concedida pela legislação anterior, protegeu as instituições que à época preenchiam os requisitos autorizados pelo benefício fiscal, inclusive àquelas que estivessem prestes a obter a certificação de entidade de fins filantrópicos e utilidade pública federal, deixando claro que a entidade continuaria gozando de tal garantia até a decisão do Poder Executivo, como se deu no caso da OSEC. Muito antes do DecretoLei nº. 1.572/77, a OSEC tinha formalizado o pedido de utilidade pública federal. Portanto, não há qualquer dúvida acerca de seu direito; 6.9 – A própria fiscalização reconhece que instituição é imune, logo, o lançamento realizado não poderia ser procedido se não fosse precedido de um processo administrativo com escopo específico de cancelar a imunidade da impugnante concedida em 1978, o que invalida automaticamente qualquer crédito pretendido pela fazenda pública. Tal procedimento está previsto na Portaria MPS nº. 3.015/96 e na IN SRP nº. 3/2005. Qualquer decisão de suspensão da isenção, sem a emissão do Ato Cancelatório, tornase nula de pleno direito, por infringir o devido processo legal, preterindo o direito da autora a ampla defesa e ao contraditório; 6.10 – A imunidade constante no § 7º, do art. 195 da Constituição só pode ser regulamentada por lei complementar, no caso, o Código Tributário Nacional – CTN, que é tido como tal desde a nova ordem constitucional estabelecida pela Constituição de 1988. Portanto, os requisitos para a limitação ao poder de tributar estão previstos no art. 14, c/c art. 9º do CTN. A OSEC, tendo sempre cumprido com as exigências legais, conforme documentos anexos, é sujeito ativo do direito a imunidade, não podendo a administração negarlhe o referido direito, sob pena de negar vigência a Constituição de República, o que, evidentemente, não é uma hipótese possível, principalmente para a administração pública, que está regida pelo princípio da estrita legalidade; 6.11 – A recorrente, embora tenha o direito adquirido ao Certificado concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, tem plena convicção de que é suficiente o preenchimento dos requisitos do artigo 14 do CTN e, com efeito, tem imunidade tributária nos termos do parágrafo 7º, artigo 195, da Constituição da República, desde a data de sua instituição, ou melhor, de sua criação. Desta forma, tornase absolutamente relevante a discussão sobre as receitas consideradas para o cálculo da COFINS têm ou não caráter contraprestacional, pois diante da imunidade tributária não há o nascimento do Tributo, logo não há que se falar em base de cálculo de algo que não existe; 6.12 – Não bastasse a imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da Constituição, a instituição aderiu ao Programa Universidade para Todos (PROUNI), inicialmente com a MP nº. 235/05 em 2/12/2004. Conforme documentos em anexo, a impugnante aderiu ao referido programa em 3/12/2004, em conformidade com a referida MP e seu texto convertido na Lei nº. 11.096, de 13 de janeiro de 2005, e por tal razão, ainda que não fosse aplicada a imunidade do art. 195, § 7º, da CF/88, a instituição faria jus à isenção prevista no artigo 8º, incisos III e IV, da referida lei. Dessa forma, também por essa razão é improcedente o recolhimento da COFINS e do PIS a partir Fl. 5DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 da data de isenção do PROUNI. Todas as parcelas indicadas em período posterior a 02.12.2004 estão, nos termos da Lei nº. 11.096/2005, sob o manto da isenção. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na defesa apresentada, a Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP, proferiu o Acórdão de nº. 1618.057, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2006 REFISCALIZAÇÃO. DESCABIMENTO. MATÉRIAS DISTINTAS. Sendo os objetos das fiscalizações distintos, descabe a preliminar de refiscalização sobre a mesma matéria. REEXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. POSSIBILIDADE. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) expedido regularmente pelo delegado da unidade jurisdicionante do sujeito passivo assegura, por si só, a possibilidade de reexame de período anteriormente fiscalizado. LANÇAMENTO. NULIDADE. Somente será considerado nulo o lançamento, se presente qualquer uma das situações previstas no art. 59 do Decreto nº. 70.235/1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inocorre cerceamento do direito de defesa quando o Auto de Infração descreve corretamente a infração cometida e o sujeito passivo impugna a exigência demonstrando que entendeu a impugnação. CRITÉRIO DE AMOSTRAGEM. É cabível a verificação por amostragem para confirmação de valores de tributos devidos fornecidos à fiscalização. Ao contribuinte, que forneceu os valores devidos, carece interesse em infirmar tal confirmação. COFINS. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº. 8.212/91 por meio de Súmula Vinculante nº. 08, o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, conforme regras previstas no CTN. COFINS. RECEITA DE ATIVIDADE PRÓPRIAS. ISENÇÃO. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.337 7 A isenção da COFINS para as instituições de assistência social, sem fins lucrativos, se restringe às receitas derivadas de suas atividades próprias. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias dessas entidades somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. PROUNI. COFINS. ISENÇÃO. A instituição privada de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que aderir ao PROUNI ficará, no período de vigência do Termo de Adesão, isenta da COFINS sobre as receitas auferidas decorrentes da realização de atividades de ensino superior, provenientes de cursos de graduação e seqüenciais de formação específica. Lançamento Procedente em Parte. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado foi superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu, de Ofício, ao Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do art. 34, I, do Decreto nº. 70.235/72. No que tange a alegação de refiscalização, destaca que a fiscalização anterior (MPF 08190002005019744), teve por objeto a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas a imunidade de instituições de educação e assistência social, restrito ao IRPJ (anocalendário 2001) e verificações preliminares dos períodos 09/2000 a 09/2006; já o Auto de Infração, que é decorrente da citada fiscalização anterior, teve como objeto a apuração detalhada das bases de cálculo da COFINS dos períodos de apuração 01.2001 a 12.2006, descabendo, assim, a alegação de refiscalização, pois que os objetos das fiscalizações são distintos. Ressalta, ainda, que a Portaria MPS nº. 3.015/96 e a IN SRP nº. 3/2005, citadas pela impugnante, seriam aplicadas somente em processos envolvendo contribuições previdenciárias, que não se trata do caso em discussão. Quanto a alegação de ausência de motivação clara e congruente, na qual a contribuinte aduz que a quantidade de erros na técnica jurídico tributária da notificação seria suficiente para ensejar a nulidade do lançamento, a DRJ destaca que, de acordo com o art. 59 do Decreto nº. 70.235/72, o Auto de Infração é passível de anulação somente quando sua lavratura for feita por pessoa incompetente, o que não se verifica no caso. Admite haver equívoco no Termo de Constatação, quanto à fundamentação constitucional de imunidade/isenção do PIS e da COFINS, porém, como a entidade foi considerada imune/isenta pela fiscalização, entende não ter havido prejuízo algum à impugnante. Destaca que não é válida a alegação de que a Notificação não seria clara, pois, tanto é assim, que foi apresentada impugnação coerente com os fatos, demonstrando que Fl. 7DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 o sujeito passivo possuía total conhecimento das razões da autuação, ficando, assim, afastada a nulidade pretendida pela impugnante. No tocante a alegação de fiscalização por amostragem, aduz que tal critério não foi utilizado para calcular os montantes devidos, mas sim para ratificar ou retificar os valores das receitas informados pela própria contribuinte durante a fiscalização. Restaria claro, assim, que a fiscalização confrontou a escrituração fiscal e contábil da empresa com as planilhas elaboradas pelo contribuinte para aceitar ou não os valores constantes nesta. Além disso, tal amostragem figura em favor da empresa, legitimando a regularidade dos dados informados pelo próprio contribuinte e, a par do cabimento legal da utilização do referido método, carece, a impugnante, de interesse de agir ao levantar sua inaceitabilidade. Quanto a decadência, por não ter havido pagamento antecipado, o lançamento passa a ser de ofício, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para o previsto no artigo 173, I do CTN, contandose o qüinqüênio, portanto, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazêlo. Assim, para o fato gerador de novembro de 2002, o prazo final para o Fisco exercitar seu direito de lançar a Cofins seria 31.12.2007 e, para o fato gerador de dezembro de 2002, seria 31.12.2008. Como o lançamento se deu em 26.02.2008, encontravase decaído o direito da Fazenda para o fato gerador de novembro de 2002 e, consequentemente, todos os fatos geradores anteriores (01.2001 a 11.2002). Quanto a alegação de que é irrelevante a discussão sobre se as receitas consideradas para cálculo da Cofins têm ou não caráter contraprestacional, pois diante da imunidade tributária não haveria o nascimento do tributo, não havendo porque se falar em base de cálculo de algo que não existe, a decisão recorrida concluiu que as receitas não derivadas de atividades próprias, auferidas pelas entidades educacionais e assistenciais estão sujeitas à incidência da Cofins. Aduz, ainda, que o fato de a contribuinte buscar refúgio no art. 195, § 7º da Constituição Federal, em nada lhe favorece, na medida em que os tratamentos especiais conferidos no âmbito das contribuições sociais não são ilimitados e as receitas que não sejam derivadas de atividades próprias não contam como qualquer tratamento especial. Referente ao à isenção advinda do PROUNI, a DRJ destaca que o alcance da isenção concedida pela adesão ao programa, se restringe aos valores contratados para a prestação do ensino superior proveniente de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica. Consequentemente, tendo a contribuinte aderido ao PROUNI, estão isentas de Cofins, a partir de 01.01.2005, as receitas auferidas referentes as mensalidade de ensino superior, concernentes aos cursos de graduação e cursos seqüenciais de formação específica, devendo, portanto, serem exonerados da base de cálculo da Cofins, tais receitas lançadas nos períodos de apuração de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. Conclui a parte dispositiva da decisão no sentido de: “i) Exonerar os valores de COFINS dos períodos de apuração de 01.2001 a 11.2002, e as respectivas multas de ofício, tendo em vista o reconhecimento da preliminar de decadência; ii) Exonerar os valores de COFINS relativos às mensalidades de cursos de graduação e seqüenciais dos períodos de apuração de 01.2005 a 12.2006, e as respectivas multas de ofício, tendo em vista a isenção prevista no art. 8º da Lei nº. 11.096/2005 (PROUNI); iii) Manter os demais valores, e julgar PROCEDENTE EM PARTE o lançamento da contribuição para a COFINS ...” Fl. 8DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.338 9 DO RECURSO Ciente em 17/09/2008 do Acórdão acima mencionado, o contribuinte apresentou em 13/10/2008 Recurso Voluntário a este Conselho, alegando que a parte do crédito mantida pela decisão da DRJ, no montante de R$18.286.263,34 (dezoito milhões, duzentos e oitenta e seis mil, duzentos e sessenta e três reais e trinta e quatro centavos), não merece prosperar, pois que: a) é fruto de um processo eivado de nulidade, pois refiscaliza a mesma situação sem qualquer motivaçao; e b) lança créditos sobre fatos geradores albergados na imunidade do artigo 195, § 7º da Constituição Federal. Ressalta que, caso o Conselho não entenda por tornar o crédito totalmente insubsistente, deve reformar o valor cobrado pela decisão da DRJ para: c) excluir o montante cobrado das competências 12/02, 01/03 e 02/03, pois estão abrangidos pela decadência, em face de ser aplicável ao caso a regra de contagem da decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN; e d) expurgar do total do crédito o cobrado na competência 12/04, relativo às receitas isentas no termos do art. 8 da Lei nº. 11.096/2005, por ter a recorrente aderido ao PROUNI em 02/12/2004, ainda sob a égide da MP nº. 213/2004. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 17 (dezessete) Volumes, numerado o último deles até a folha 3.364 (três mil, trezentos e sessenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende os pressupostos de admissibilidade e tempestividade, de modo que dele tomo conhecimento. Havendo recursos tanto de ofício quanto voluntário, analiso as questões motivadoras das irresignações separadamente. I. DO RECURSO DE OFÍCIO Tratase de recurso de ofício, manejado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPOI), haja vista que em julgamento de impugnação apresentada contra Auto de Infração, houve por bem em acolher parcialmente a decadência quanto a parte dos períodos lançados, especificamente relativo aos períodos de 01/2001 a 11/2002, bem como, afastou do lançamento os créditos tributários decorrentes de receitas que não compunham a base de cálculo da COFINS, relativas às mensalidades de cursos de graduação e seqüenciais dos períodos de 01/2005 a 12/2006, e as respectivas multas de ofício, tendo em vista a isenção prevista no artigo 8º da Lei 11.096/2005 (PROUNI). Considerando que os valores exonerados superam a alçada, atualmente fixada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), pelo que dispõe a Portaria MF nº. 03/2008, conheço do recurso do ofício e passo a análise dos temas cujo provimento foi concedido pela DRJ, abordandoos cada um de per si. 1 Da Decadência: A exoneração (em virtude da decadência) de considerável quantia do crédito tributário lançado, ocorreu em face da aplicação, por parte da DRJ ora recorrente, da Súmula Vinculante nº. 8, de 20/06/2008. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 e a conseqüência jurídica quanto à contagem do prazo decadencial nela tratado afetam diretamente o lançamento discutido no processo, de forma excluem do lançamento períodos que não poderiam ter sido exigidos em face do respeito ao prazo qüinqüenal considerado pelo STF. O entendimento Sumulado pelo Pretório Excelso é horizonte obrigatoriamente observado por este Conselho e pelos demais Tribunais deste país, pelo que, assiste razão o reconhecimento concedido pela DRJ, na decisão recorrida, em favor do sujeito passivo neste processo, não merecendo guarida o recurso de ofício manejado pelo Órgão Administrativo. O procedimento adotado pela DRJ recorrente além de correto é também reflexo do regimento interno deste Conselho que assim determina: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.339 11 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Assim, em sendo o julgamento da DRJ ora recorrente baseado em entendimento sedimentado pelo STF, a observação da Súmula Vinculante nº. 8 é questão de ordem a ser observada, de forma que nego provimento ao recurso de ofício cuja pretensão contraria o que nela foi disposto. 2 – Da isenção no âmbito do PROUNI: Ainda na análise das matérias recorridas de ofício pela DRJ/SPOI, em relação à exoneração de crédito tributário relativo à inclusão de receitas isentas abrangidas pelo PROUNI na base de cálculo da COFINS (entendida como necessária pela autoridade autuante), tenho que, neste tocante, também não merece guarida o recurso de ofício perpetrado pela mencionada Delegacia. Ainda que discutirseá adiante a questão relativa a imunidade ou de isenção, bem assim quanto aos seus limites e alcance, com relação às receitas decorrentes de atividades próprias auferidas pelo sujeito passivo deste processo, e do fator de ter ou não havia contraprestação, a bem da verdade, o curso que tal discussão tomará em nada reflete o julgamento a ser dado no caso das receitas decorrentes da realização de atividades de ensino superior, provenientes de curso de graduação ou cursos seqüenciais de formação específicas, enquadradas no Programa Universidade para Todos (PROUNI), pois que o mesmo confere legalmente à instituição que à ele aderir, isenção da COFINS. Independentemente de ser atribuído, ou não, à entidade considerada como sujeito passivo nestes autos o status de “entidade beneficente de assistência social”, ou mesmo se ela preencheria ou não os requisitos legais (arts. 9º e 14, do CTN), a adesão aos ditames estabelecidos pela Lei 11.096/2006, que institui, sob a gestão do Ministério da Educação, o PROUNI, confere à respectiva instituição a expressa isenção de impostos e contribuições, dentre os quais, notadamente, a COFINS, in verbis: "Art. 8° A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; II Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, instituída pela Lei nº. 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social,instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição vara o Programa de Integração Social. Instituída pela Lei Complementar nº. 7, de 7 de setembro de 1970; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 §1º A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida. nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo decorrentes da realização de atividades de ensino superior proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias.” A Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: “60. Para com,provar a adesão ao ROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). [...] Portanto, tendo o contribuinte aderido ao PROUNI, estão isentas de COFINS, a partir de 01.01.2005, as receitas auferidas decorrentes da realização de atividades de ensino superior (mensalidades), provenientes de cursos de graduação e seqüenciais de formação específica.” Sucintamente, a DRJ/SPOI tomou acertada decisão em exonerar o crédito tributário referente às receitas suscetíveis de enquadramento ao programa PROUNI, pois que a legislação de regência e suas correspondentes regulamentações (muito bem citadas no Acórdão recorrido e que aqui não merecem ser repetidas) conferem ao sujeito passivo ISENÇÃO quanto às Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. Na esteira das considerações acima, voto por negar provimento ao recurso de ofício, em sua integralidade. II. DO RECURSO VOLUNTÁRIO: Superada a análise do Recurso de Ofício, passo a apreciação dos termos e fundamentos trazidos pela recorrente em seu Recurso Voluntário. Porém, por questão de prejudicialidade e relação de “causa e efeito” quanto as matérias relativas a nulidade, decadência e termo inicial ao gozo dos benefícios do PROUNI, em relação a questão central do processo, passo diretamente a análise do mérito, para após passar a análise das demais questões trazidas pela Recorrente, em sendo assim necessário. Como se pode verificar pela análise dos autos, sinteticamente se conclui que a Autoridade Fiscal entendeu que embora a Recorrente seja imune no tocante aos impostos, com base no art. 150, VI, “c”, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – CRFB88, por atender aos requisitos legais para gozar desta posição perante o Estado, esta situação não se aplica à COFINS, de modo que entendeu que o cumprimento daqueles citados requisitos não lhe socorre, pois que não haveria direito ao gozo da isenção, já que conforme §7º, do art.195, da CRFB88, a expressão “nos termos da Lei” condiciona a dispensa do pagamento a que as receitas sejam próprias e que não tenham natureza contraprestacional. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.340 13 Daí porque houve a manutenção, pela DRJ, do lançamento do crédito tributário da COFINS decorrente de receitas educacionais, no caso subdivididas em “de mensalidades”, de “serviços e produtos”, de “outras receitas”, de “aluguéis” e de “doações”. Como se vê, a questão central sobre a qual controvertem fisco e contribuinte, pode ser resumida nas razões expostas na própria Ementa da decisão recorrida, assim expressa: “COFINS. RECEITA DE ATIVIDADE PRÓPRIAS. ISENÇÃO. A isenção da COFINS para as instituições de assistência social, sem fins lucrativos, se restringe às receitas derivadas de suas atividades próprias. Consideramse receitas derivadas das atividades próprias dessas entidades somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” Portanto, embora reconheça o direito a desoneração (tratando referido direito como “isenção”), tanto que deixou de autuar receitas classificadas como “Convênios” e “hospitalares”, no que diz respeito a receitas “educacionais”, efetuou o lançamento, sob o fundamento de que não seriam elas decorrentes de “atividades próprias” da entidade de assistência social, tendo ainda natureza contraprestacional. Portanto, a questão fulcral reside em decidir se as receitas advindas de mensalidades recebidas de alunos seriam ou não receitas desoneradas pela COFINS, sendo que para tanto, necessário delimitar a definição, o alcance e o sentido da expressão “atividades próprias”, contido na legislação. Inicialmente, entendo pertinente definir se a pretendida exoneração tributária seria uma imunidade ou uma isenção, situação essa que aparentemente poderia ser despropositada em efeitos práticos, mas entendo que não o seja, pois que a interpretação que se dispensa a isenção é literal (art. 111, do CTN), enquanto que à imunidade é ampliativa, como reiteradamente sustentam a doutrina e o próprio STF. Nesse sentido, tenho que o principal fundamento para afastamento da exigência emana do §7º, do art. 195, da CRFB88, qual seja, a própria previsão de imunidade, que impede a exigência de contribuição social das entidades beneficentes de assistência social. Referido dispositivo tem o seguinte teor: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” É certo que o dispositivo constitucional trata de imunidade, e não de isenção, embora tenha empregado equivocadamente a segunda expressão. É uníssono na doutrina e jurisprudência que as limitações ao poder de tributar, constantes da Constituição, são essencialmente imunidades, mesmo que o texto tenha rotulado de isenção ou de não incidência, ou ainda, de outra expressão com sentido de desoneração. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 Outrossim, também não há dúvida de que referido dispositivo, quando aponta as exigências estabelecidas em lei, o faz remetendo a Lei Complementar, que no caso sãos os arts. 9º e 14, do CTN. Nessa linha ainda, de que a expressão “nos termos da lei”, não transmuda a imunidade em isenção, temos a decisão do próprio Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN 1.802, movida contra a pretensão do §1º, do art. 12, da Lei 9.532/97, que objetivou atingir com a tributação da COFINS os rendimentos e ganhos de capital de aplicações financeiras das entidades beneficentes de assistência social, cujo despacho que suspendeu a vigência do citado dispositivo, consignou que: “1. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. 11. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, 11): ‘instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei’: delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir daí, dos preceitos impugnados (L. 9.53219 7, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Munoz, RTJ 1021304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é afixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2° (salvo a alínea f) e 3° assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2°, f; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1' do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida – como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestados ou à compreensão ou não das instituições beneficentes de clientelas restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532197 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta.” (sem destaques no original) Fl. 14DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.341 15 Nesse sentido, são imunes quanto às contribuições para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei, cabendo a Lei Complementar regular os requisitos de funcionamento da entidade, mas não os limites da base de cálculo dos tributos imunizados. É dizer: a previsão de remeter a Lei, não transmuda imunidade em isenção, e a legislação apenas tem competência para fixar os lindes de constituição e funcionamento da entidade de assistência social. E quem fixou esses lindes foram os arts. 9º e 14, do CTN, assim dispostos: “Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV cobrar imposto sobre: a) o patrimônio, a renda ou os serviços uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) §1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. §2º O disposto na alínea a do inciso IV aplicase, exclusivamente, aos serviços próprios das pessoas jurídicas de direito público a que se refere este artigo, e inerentes aos seus objetivos.” “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 §2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Assim sendo, tenho que as receitas auferidas pela recorrente estão alinhadas com os “objetivos institucionais” para os quais foi constituída a entidade educacional, não havendo desvirtuamento desses objetivos pelo fato de prestar serviços educacionais de modo gratuito para pessoas carentes e auferindo retribuição a título de mensalidades escolares daqueles que detiverem condições para efetuarem o pagamento das mensalidades. O indispensável é perquirir o que a entidade educacional faz com as receitas auferidas da cobrança das mensalidades, sendo evidente – no caso que as aplica em suas atividades próprias, sendo que o resultado não poderá ser distribuído, conforme limites legalmente previstos (art. 14, I e II, do CTN). Nessa esteira, a aplicação da receita é que definirá se haverá a desoneração via imunidade, e não a forma de obtenção da receita. Assim, tenho que a imunidade seja suficiente ao provimento do recurso. Porém, é importante considerar que há quem sustente, assim como fez a decisão recorrida, de que a desoneração da tributação da COFINS das entidades educacionais, tenham natureza de isenção, e como tal, devem atender a mais requisitos além daqueles previstos na Lei Complementar (CTN), aplicando igualmente outros preceitos da legislação tributária. Sobre essa forma de abordagem da questão, entendo que o voto proferido pela Ilustre Conselheira Silvia de Brito Oliveira, nos autos do Processo nº 13811.000666/00 48, Recurso Voluntário nº 237.309, em sessão de 02 de junho de 2011, a é bastante esclarecedor, pelo que o transcrevo aqui também como razões de decidir: “Inicialmente, considerando que o motivo do indeferimento do pedido inicial foi o descumprimento do art. 12, § 2°, “g”, da Lei n° 9.532, de 1997; que a decisão recorrida está calcada no alcance da isenção concedida pelo art. 14 da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001; e que, no voto da Resolução n° 203 00.905, de 03 de julho de 2008, à fl. 217, houve manifestação sobre estarse tratando de hipótese de imunidade e também para esclarecer porque prescindo da realização da diligência antes solicitada, é necessário, primeiro, definir se estamos aqui tratando de imunidade ou de isenção. Notese que o precitado art. 12, literalmente, possui aplicabilidade para efeito do disposto no art. 150, inc. VI, alínea “c”, da Constituição Federal, ou seja, tal dispositivo legal é aplicável apenas à hipótese de imunidade de impostos. O caso concreto em exame diz respeito a instituição de educação, sem fins lucrativos, que presta os serviços para os quais foi instituída e os coloca à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, enquadrandose, portanto, na norma isentiva do art. 14, inc. X, c/c art. 13, inc. III, da MP n° 2.15835, de 2001. Estáse, pois, diante de hipótese de isenção e não de imunidade e, dessa forma, entendo que a recorrente não está sujeita à Fl. 16DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.342 17 observância do disposto no art. 12, 2°, da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tampouco aos ditames do art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991, pois não se trata de entidade filantrópica nem de entidade beneficente de assistência social, a quem destinase a prescrição do art. 17 da MP n° 2.15835, de 2001. Tratandose então de isenção da Cofins aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999 conferida às receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação e de assistência social referidas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997, as condições a que estão sujeitas essas instituições para gozo dessa isenção são aquelas previstas no art. 14 do CTN, que, com a redação dada pela Lei complementar n° 104, de 10 de janeiro de 2001, transcrevese: (...) Nesse ponto, convém observar que, no Termo de Constatação Fiscal integrante do auto de infração lavrado para formalizar a exigência da Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro de 1996 a setembro de 2001, a fiscalização afirmou que a ora recorrente goza da imunidade referida no art. 12 da Lei n° 9.532, de 1997, e que, para aquele período, não fora observada nenhuma irregularidade quanto ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Ora, se não foi observada irregularidade quanto ao IRPJ, está se atestando o cumprimento dos requisitos do precitado art. 12 e, tendo em vista que as alíneas “a” a “c” do § 2º do art. 12 da Lei 9.532, de 1997, equivalem aos incs. I a III do art. 14 do CTN, dispensável é a realização da diligência que, requerida pela Terceira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, não foi realizada por não ter a contribuinte apresentado os livros contábeis relativos ao período objeto do seu pleito inicial. Por fim, quanto à questão de tratarse ou não de receitas decorrentes de atividades próprias da contribuinte, observese que o texto legal, ao conceder a isenção, não define o que são atividades próprias, tampouco afasta a norma isentiva das receitas obtidas como contraprestação a serviços prestados.” No caso dos autos, é incontroverso o atendimento aos citados requisitos dos incisos I a III, do art. 14, do CTN, pois que a fiscalização anterior (cuja existência inclusive dá azo para a preliminar de “refiscalização” suscitada pela recorrente), teve por objetivo justamente a verificação do cumprimento, pela entidade educacional em questão, dos tais requisitos para o gozo da imunidade, tendo, no Termo de Encerramento de Ação Fiscal, concluído que: “Encerramos nesta data, a ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, tendo sido verificado, por amostragem, o cumprimento das obrigações tributárias relativas a imunidade de instituição de educação e assistência social – operação 24103, referente ao ano calendário de 2.001 e Fl. 17DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 18 operação 91121 – Verificações Preliminares, para o período de set/2000 a set/2006, nada encontrando de irregular relativamente às operações e períodos verificados” Em resumo, apurado o status de imune da entidade pelo cumprimento dos requisitos legais previstos no art. 14, do CTN, atendendo, assim, ao comando do § 7º do art. 195 da CRFB88, não há como se exigir a COFINS, pois o referido dispositivo constitucional não dispôs que a lei poderia definir sua extensão, de modo a incluir ou excluir as receitas de atividades próprias ou impróprias, diretas ou indiretas, contraprestacionais ou não, ou o que mais seja de equivalente a isso, mas, pelo contrário, apenas outorgou, de forma expressa e limitada ao legislador, a competência para fixar as condições, os requisitos ou, enfim, como literalmente indicado, as exigências para o seu gozo. Nas palavras do STF, outorgou competência para delimitação dos termos de constituição e funcionamento da entidade. De outro modo, mesmo para quem sustente que estamos diante de ISENÇÃO de COFINS, a conclusão igualmente deve ser pela desoneração, já que restaram comprovadas as exigências legais contidas nos incisos I a III, do art. 14, do CTN, e, como tal, merece guarida o pleito de dispensa do pagamento do tributo em questão. Esse, aliás, é o entendimento que vem sendo sufragado por este Conselho: “COFINS. INSTITUIÇÕES DE ENSINO. IMUNIDADE. PODER JUDICIÁRIO. DECLARAÇÃO. Entidade beneficente, assim declarada pelo Poder Judiciário, que a ela declarou o reestabelecimento de Certificado exigido pela Lei nº 8.212/91, está desobrigada de recolher a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS.” (2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 20216.356 em 18.05.2005). “COFINS. INSTITUIÇÕES DE ENSINO. IMUNIDADE. PODER JUDICIÁRIO. DECLARAÇÃO. Entidade beneficente, assim declarada pelo Poder Judiciário, que a ela declarou o reestabelecimento de Certificado exigido pela Lei nº 8.212/91, está desobrigada de recolher a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS.” (2º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 20216.356 em 18.05.2005). “(...) COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. Obedecidos os requisitos estabelecidos pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, a entidade educacional faz jus à isenção aplicável às instituições de educação e de assistência social.” (2º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 20311.338 em 20.09.2006) Assim,voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para desonerar da exigência as receitas educacionais, subdivididas, no caso, em “de mensalidades”, de “serviços e produtos”, de “outras receitas”, de “aluguéis” e de “doações”, conforme termo de autuação fiscal. II.b – Demais questões suscitadas pela Recorrente: Fl. 18DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.343 19 Em caso de ser provido o recurso, restam prejudicadas as análises das demais situações, pois que não se decreta a nulidade se se for dar provimento ao recurso voluntário manejado pelo contribuinte (DecretoLei nº 70.235/72, §3º, do art. 59), além do que, quanto a período não atingido pela decisão favorável a decadência ou pela isenção nos termos das normas do PROUNI, acabam sendo absorvidas pelo provimento, em maior extensão, concedido pelo reconhecimento do direito a imunidade ou isenção das receitas como um todo. III. Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, e, quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 19DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 20 Declaração de Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Pedi vista desses autos para melhor me inteirar da matéria em debate e, bem examinandoos, acompanho as conclusões do ínclito relator pelas razões que passo a expor. Inicialmente anoto ser assente na jurisprudência deste Conselho que a autoridade administrativa não é competente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo, salvo se a respeito dela já houver pronunciamento do STF, cuja orientação tem efeito vinculante e eficácia subordinante, eis que a desobediência à autoridade decisória dos julgados proferidos pelo STF importa na invalidação do ato que a houver praticado (cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 1.770RN, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 187/468; cf. Ac. do STFPleno na Reclamação nº 952, rel. Min. Celso de Mello publ. in RTJ 183/486). Nessa ordem de idéias, verificase que na interpretação do § 7º do art. 195 da CF/88, ao proclamar a inconstitucionalidade da exigência contribuição previdenciária sobre a quota patronal de entidade beneficente educacional, a Suprema Corte definitivamente assentou que: “A cláusula inscrita no art. 195, § 7º, da Carta Política não obstante referirse impropriamente à isenção de contribuição para seguridade social , contemplou as entidades beneficentes de assistência social com o favor constitucional da imunidade tributária, desde que por elas preenchidos os requisitos fixados em lei (Roque Antonio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário. p. 349 nota de rodapé nº 144, 5ª ed., 1993, Malheiros; José Eduardo Soares de Meio, Contribuições Sociais no Sistema Tributário, pp. 171175, 1995, Malheiros; Sacha Calmon Navarro Coêlho, Comentários à Constituição de 1988— Sistema Tributário, pp. 4142, item n0 22, 4ª ed., 1992, Forense; Wagner Balera, Seguridade Social na Constituição de 1988, p. 71, 1989, RT, v.g.). Convém salientar que esse magistério doutrinário refletese na própria jurisprudência constitucional do Supremo Tribunal Federal, que já identificou, na cláusula inscrita no art. 195, § 7º da Carta Política, a existência de uma típica garantia de imuni dade estabelecida em favor das entidades beneficentes de assistência social (RTJ 137/965, Rel. Mm. Moreira Alves). O fato irrecusável é que a norma constitucional em questão, em tema de tributação concernente às contribuições destinadas à seguridade social, revestese de eficácia subordinante de toda atividade estatal, vinculando não só os atos de produção normativa, mas também condicionando as próprias deliberações administrativas do Poder Público, em ordem a préexcluir a possibilidade de imposição estatal dessa particular modalidade de exação tributária. Esse privilégio de ordem constitucional justificase, plenamente, pelo elevado interesse de natureza pública que qualifica os Fl. 20DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.344 21 relevantes serviços prestados à coletividade pelas entidades beneficentes de assistência social (Manoel Gonçalves Ferreira Filho, Comentários à Constituição Brasileira de 1988, vol. 4/54, 1995, Saraiva). A análise da norma inscrita no art. 195, § 7º, da Constituição permite concluir que a garantia constitucional da imunidade pertinente à contribuição para a seguridade social só pode validamente sofrer limitações normativas, quando definidas estas em sede legal, como requisitos necessários ao gozo da especial prerrogativa de caráter jurídicofinanceiro em questão. Sendo assim, tratandose de imunidade que decorre, em função de sua natureza mesma, do próprio texto constitucional , revela se evidente a absoluta impossibilidade jurídica de a autoridade executiva, mediante deliberação de índole administrativa, restringir a eficácia do preceito inscrito no art. 195, § 7º, da Carta Política, para, em função de exegese que claramente distorce a teleologia da prerrogativa fundamental em referência, negar, à ora recorrente, o beneficio que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo.” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no RMS nº 22.192DF, rel. Min. Celso de Mello, publ. in RTJ 186/900) Da mesma forma a Suprema Corte já assentou que a imunidade prevista no art. 195, §7º da CF/88 “se estende às entidades que prestam assistência social no campo da saúde e da educação” (cf. Ac. do STFPleno na MC em ADIn nº nº 2.546, rel. Min. Ellen Gracie, publ. in RTJ 184/947), sendo certo que tudo “o que diga respeito aos lindes da imunidade, (...), quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar”(cf. Ac. do STF – Pleno na ADIn nº 1.8023, rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. no DJU de 13/02/04 e in RDDT vol. 103/199). Nessa ordem de idéias, no que toca à imunidade das contribuições sociais assegurada no § 7º do art. 195 da CF/88, verificase que na interpretação dos dispositivos da legislação infraconstitucional, que regulamentou os requisitos da imunidade constitucional, a Suprema Corte suspendeu a eficácia dos arts. 1º, 4º , 5º e 7º da Lei nº 9.732/98 (cf. Ac. do STF – Pleno na ADIn MC nº 2.0285DF, em sessão de 11/11/99, Rel. Min. Moreira Alves, publ. in DJU de 16/06/00, pág. 30), bem como dos arts. 12, §§ 1º e 2º, alínea “f”, caput e 14 da Lei nº 9.532/97 (cf. Ac. do STF – Pleno na ADIn nº 1.8023DF, em sessão de 27/08/98, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 13/02/04), aos judiciosos fundamentos de que os referidos dispositivos desvirtuariam “o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social”, limitando indevidamente “a própria extensão da imunidade” constitucional. Como é curial e também já assentou a Suprema Corte: o “Supremo Tribunal Federal dispõe de competência para exercer, (...), o poder geral de cautela de que se acham investidos todos os órgãos judiciários, independentemente de expressa previsão constitucional. A prática da jurisdição cautelar, nesse contexto, achase essencialmente vocacionada a conferir tutela efetiva e garantia plena ao resultado que deverá emanar da decisão final a ser proferida no processo objetivo de controle abstrato. (...). O provimento cautelar deferido, pelo Supremo Tribunal Federal, (...), além de produzir eficácia "erga omnes", revestese de efeito vinculante, relativamente ao Poder Executivo e aos demais órgãos do Poder Judiciário. (...). A eficácia vinculante, que qualifica tal decisão precisamente por derivar do vínculo Fl. 21DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 22 subordinante que lhe é inerente , legitima o uso da reclamação, se e quando a integridade e a autoridade desse julgamento forem desrespeitadas.” (cf. Ac. do STF Pleno na ADCMC nº 8 DF, em sessão de 13/10/99, Rel. Min. CELSO DE MELLO publ. in DJU de 04/04/03, pág. 38 e in EMENT vol. 0210501, pág. 001) Assim, em decorrência das decisões da Suprema Corte, constatase que o critério legal objetivamente estabelecido para o gozo da imunidade de impostos e contribuições assegurada às instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos (cf. art.14, incs. I e II do CTN; art. 12, § 2º, alíneas “b” e § 3º da Lei nº 9.532/97), em conformidade com a Constituição vinculase fundamentalmente ao adimplemento de cinco condições legalmente estabelecidas e consubstanciadas nas obrigações cumulativas de: a) aplicação final e integral dos recursos financeiros da entidade no país e em prol de suas finalidades institucionais não lucrativas e de interesse público; b) não distribuição qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas a titulo de lucro ou participação no seu resultado c) “não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados”; d) “conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial”, documentos estes capazes de assegurar a exatidão de suas contas, e; e) “apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal”. Por conseguinte, desde logo verificase que carecem de embasamento legal as pretensões fiscais de tributar as receitas “educacionais”, sob o pretexto de que não seriam elas decorrentes de “atividades próprias” da entidade de assistência social, tendo ainda natureza contraprestacional, não havendo como exigilas da Recorrente como requisito para fazer jus à imunidade, eis que como é curial e exigem os Princípios da Legalidade Tributária e da Tipicidade cerrada, a obrigação tributária somente surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei ( arts. 113, §§ 2º e 3º e 115 do CTN), o que obviamente pressupõe a plena eficácia desta última, no caso inocorrente. Nesse sentido tem reiteradamente proclamado a Jurisprudência do E. STJ que: “o ato administrativo, no Estado Democrático de Direito, está subordinado ao princípio da legalidade (CF/88, arts. 5º, II, 37, caput, 84, IV), o que equivale assentar que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei determina. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, instrução, portaria, etc.), não pode a Administração inovar na ordem jurídica, impondo obrigações ou limitações a direitos de terceiros. (...) Consoante a melhor doutrina, ‘é livre de qualquer dúvida ou entredúvida que, entre nós, por força dos arts. 5º, II, 84, IV, e 37 da Constituição, só por lei se regula liberdade e propriedade; só por lei se impõem obrigações de fazer ou não fazer. Vale dizer: restrição alguma se impõem à liberdade ou à propriedade pode ser imposta se não estiver previamente delineada, configurada e estabelecida em alguma lei, e só para cumprir dispositivos legais é que o Executivo pode expedir decretos e regulamentos.’ (Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de Direito Administrativo. São Paulo, Malheiros Editores, 2002, págs. 306/331)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 584.798PE, Reg. nº 2003/01571957, em sessão de 04/11/04, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. in DJU de 06/12/2004 p. 205). Delimitadas as questões constitucionais já assentadas pela Suprema Corte, constatase que ao regulamentar a incidência das contribuições sociais do PIS e da Cofins, os arts. 13 e 14 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24/08/01 (DOU 27/08/01 antiga MP no 1.8586/99), desoneraram as atividades das instituições de educação beneficiárias da imunidade constitucional, nos seguintes termos: Fl. 22DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.345 23 “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei No 9.532, de 10 de dezembro de 1997; (...) “Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do ‘caput’ O Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, reproduziu a desoneração das atividades das referidas associações civis nos arts. 9º e 46 dispondo que: “Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.1535 de 2001. art. 13): (...) III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; (...)” “Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal. art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento: e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...)” Por seu turno ao estabelecer objetivamente os requisitos necessários para o gozo da imunidade, os §§ 2º e 3º do art. 12 da Lei nº 9.532/97 expressamente dispõem que: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da Fl. 23DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 24 população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...) § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) (vigência suspensa); g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. §3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998)” Dos preceitos expostos resulta claro que a imunidade (impropriamente denominada de isenção) de PIS e COFINS foi concedida “intuitu personae” às “instituições de educação” que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, assim consideradas as que destinem seu “resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais” e as que atendam àqueles requisitos previstos na lei (cf. art. 12, § 2º, alíneas “a” a “h” e § 3º da Lei nº 9.532/97), donde cumpre desde logo identificar as pessoas às quais a mesma se dirige. Nesse particular, inicialmente releva notar que é unânime na Doutrina (cf. Ives Gandra da Silva Martins in RDDT vol. 37 págs. 97/117) a opinião de que, traduzindo uma exceção aos princípios da generalidade, da igualdade e da uniformidade da tributação, a exoneração tributária assegurada às “instituições de educação” somente se justifica sob o Fl. 24DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.346 25 primordial “interesse público” existente na sua atividade e nos serviços educacionais por elas desinteressadamente prestados à coletividade, serviços estes que, por corresponderem ao atendimento de um “direito social” a todos assegurado pela Constituição (arts. 6º. e 205 da CF/88), o Estado tem o dever de prestar e de estimular (arts. 205, 208 e 217 da CF/88), e que se viesse a prestar com as mesmas amplitude e eficiência, ou a subvencionar na mesma medida, como deveria, incorreria em custos financeiros certamente superiores ao valor da tributação inibida. No caso concreto, diante da incontroversa qualificação da recorrente como entidade educacional “sem fins lucrativos” (assim nominada pela própria r. decisão recorrida), que a insere no conceito de “instituições de educação” estabelecido pela Lei Complementar (arts. 9º e 14 do CTN) e, portanto, a ressalva da tributação das contribuições sociais previstas no art. 195 da CF/88 pela imunidade constitucional prevista no § 7º do art. 195 da CF/88, nos expressos termos da decisão da Suprema Corte acima transcrita, parece não haver dúvida quanto à evidente e absoluta impossibilidade jurídica de o lançamento excogitado prosperar, eis que, pretendendo exigir suposta diferença de COFINS que se caracteriza como “contribuição para a seguridade social”, o referido lançamento na realidade pretendeu “restringir a eficácia do preceito inscrito no art. 195, § 7º, da Carta Política, para, em função de exegese que claramente distorce a teleologia da prerrogativa fundamental em referência, negar, à ora recorrente, o beneficio que lhe é assegurado no mais elevado plano normativo”, assim incidindo em manifesta ilegalidade, tal como já denunciada e proclamada pela decisão do E. STF. Nesse sentido, ao assentar os princípios de hermenêutica que devem nortear a interpretação da imunidade constitucional das instituições de educação, a melhor Doutrina é uníssona em afirmar que: “..., prevalece o entendimento de que as imunidades não devem ser interpretadas restritivamente. São desta opinião, entre outros, Bernardo Ribeiro De Morais: ‘não sendo uma exceção, a imunidade não deve ser interpretada através de processo restritivo. Ao contrário, sua interpretação não pode restringir o alcance da constituição" ("Sistema Tributário da Constituição de 1969", vol. 1, R.T. Editora, pág. 467). Conseqüentemente, o legislador ordinário, de todos os níveis de governo, está obrigado a obedecer ao mandamento constitucional. Jamais poderá legislar restritivamente, pois isto equivaleria a ampliar o campo da tributação e criar imposto expressamente vedado pelo estatuto magno. (...) Ainda Bernardo Ribeiro De Morais, ilustre Procurador da Prefeitura de São Paulo, já afirmava que ‘ninguém é imune apenas em parte ou em certo ponto. Se o poder tributante, na imunidade, deixa de receber competência para legislar sobre o imposto em relação a certas pessoas, fatos ou coisas, é evidente que o instituto acobertará tudo, não comportando fracionamento algum’ (cf. ob cit., pág. 467).” (cf. Ruy Barbosa Nogueira e colegas in “Debates Tributários” CoEd. IBDT e Resenha Tributária, 1975, págs. 40 e 42) Nessa ordem de idéias, a rigor a própria expressão “instituição sem fins lucrativos”, utilizada no texto constitucional seria redundante, pois há muito já se pacificaram Doutrina (cf. Ruy Barbosa Nogueira in “Imunidades contra impostos na Constituição anterior e sua disciplina na Constituição de 1988”, Coedição IBDT/ Resenha tributária, 1990, pág. 92) e Jurisprudência (Cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 93.463RJ, em sessão de 16/04/82, Rel. Min. Cordeiro Guerra, publ. in RTJ vol. 10102, págs. 769775) no sentido de que o conceito de “instituição” é reservado unicamente àquelas entidades essencialmente “no profit”, que desinteressadamente prestam à coletividade os serviços de utilidade ou de interesse públicos e que ao Estado cumpre prover e estimular, na sua função institucional de tutelar os direitos individuais e sociais assegurados pela Constituição. Entretanto, a especificação “sem fins Fl. 25DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 26 lucrativos”, evidencia que o Legislador Constituinte pretendeu reforçar que a imunidade constitucional concedida àquelas instituições, vinculase exclusivamente não só ao seu objeto social (atividades e serviços desenvolvidos nas áreas sociais de saúde, educação, assistência social, cultura, habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência, desenvolvimento científico, artístico e tecnológico, desporto e lazer, etc.), mas à sua finalidade institucional (“sem fins lucrativos”), pouco importando a forma de pessoa jurídica que adotem (associação, sociedade civil, fundação pública ou privada, organização religiosa, organização não governamental ONG, Organização da Sociedade Civil de Interesse Público OSCIPS, etc.), ou o caráter que se lhes atribua (beneficente, filantrópico, recreativo, cultural, científico, religioso, etc.), evidentemente desde que forma e caráter, sejam lícitos, e justifiquem a destinação e aplicação da propriedade privada e suas instrumentalidades, às finalidades institucionais para as quais foram criadas. Referendando esses ensinamentos da Doutrina, a Jurisprudência torrencial do Pretório Excelso (cf. Acórdãos do STF: RTJ 38/182, 57/274, 66/257, 101/769, 111/694) já pontuou que a cláusula “no profit” não traduz nenhuma proibição ou exclusão de exercício de atividade econômica e financeira, nem de cobrança de serviços pela instituição, mas sim a condição de que essas atividades sejam exercidas como instrumentos à consecução de suas finalidades institucionais de interesse público, condição esta cujo adimplemento é, à final, aferido pela comprovação do fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros, e da conseqüente aplicação integral no País e nas aludidas finalidades, de todos os resultados líquidos não distribuídos. De fato, coerente com esta linha de raciocínio, a Suprema Corte tem reiteradamente proclamado que a “característica” das entidades sem fins lucrativos imunizadas de tributação, “não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros” (cf. Ac. STF Pleno na ADIMC n. 1802DF, em sessão de 27/08/1998, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. In DJU de 13/02/04, pág. 10, EMENT VOL0213901 pág. 64), razão pela qual não perdem a imunidade “as instituições (...) pela remuneração de seus serviços” (cf. Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 93.463RJ, em sessão de 16/04/82, Rel. Min. Cordeiro Guerra, publ. in DJU de 14/05/82, pág. 4568 e in RTJ vol. 10102, pág.769), eis que, sendo “instituição de assistência social, (...) goza da imunidade tributaria (...), mesmo na operação de prestação de serviços de diversão pública (cinema), mediante cobrança de ingressos aos (...) seus filiados e ao público em geral” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no RE nº116.188SP, em sessão de 20/02/90, Rel. Min. OCTAVIO GALLOTTI, publ. in DJU de 16/03/90, pág. 1869,EMENT VOL0157301, pág. 162), pois “a finalidade pública da entidade e a generalidade de sua atuação, não se acham comprometidas pelo fato de se destinarem ao universo de beneficiários constituídos por todos quantos são ou venham a ser empregados de uma empresa ou da própria fundação” (cf. Ac. da 1ª turma do STF no RE nº116631RS, em sessão de 30/08/88, Rel. Min. OCTAVIO GALLOTTI, publ. in DJU de 23/09/88, pág. 24175, EMENT VOL0151604, pág. 750). Mais recentemente o Pleno do STF pacificou o entendimento segundo o qual “a imunidade tributária do patrimônio das instituições de assistência social (CF, art. 150, VI, c)” se aplica “de modo a préexcluir a incidência do IPTU sobre imóvel de propriedade da entidade imune, ainda quando alugado a terceiro, sempre que a renda dos aluguéis seja aplicada em suas finalidades institucionais” (cf. Ac. do STF Pleno no RE nº 237.718SP, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, publ. in DJU de 06/09/01; no mesmo sentido cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp nº 717.308MG, Reg. nº 2004/01685302, em sessão de 19/05/2005, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 01/08/05 p. 420). Portanto resulta claro que a expressão “instituição sem fins lucrativos” utilizada no texto constitucional, para delimitar o âmbito ou núcleo de atuação da imunidade tributária – este último exclusivamente vinculado ao objeto social (atividades e serviços Fl. 26DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.000260/200879 Acórdão n.º 3402001.704 S3C4T2 Fl. 1.347 27 desenvolvidos nas mais diversas áreas sociais de saúde, educação e etc.) e à finalidade institucional (“sem fins lucrativos”) da pessoa jurídica não está de nenhuma forma vinculada à produção dos recursos financeiros por ela obtidos no desempenho de suas atividades institucionais, mas única e exclusivamente vinculada à aplicação, gestão e destinação final dos referidos recursos financeiros (fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros) e, portanto, não pressupõe, nem impõe qualquer obrigação de gratuidade, seja na prestação dos serviços sociais que desinteressadamente prestam à coletividade, seja na destinação ou alocação integral de seu patrimônio e respectivas instrumentalidades nas finalidades a que se destinam. Nesse sentido a Suprema Corte em memorável voto do Min. Cordeiro Guerra já assentou que: “não procede o argumento de que a expressão ‘instituição de educação esteja empregada no texto constitucional no sentido de prestação de serviços, sempre gratuitos, sem aferição de rendas para a sua manutenção. A instituição pode ter rendas e cobrar serviços. A condição para a imunidade é que essas rendas ou recebimento da prestação de serviços sejam aplicadas integralmente no país, para as respectivas finalidades. Se a lei fala em aplicação de rendas no país, é porque admite a existência destas, e, consequentemente, o ensino retribuído. Com a imunidade, quis o Estado atrair a iniciativa particular para o terreno da educação, suprindolhe as deficiências e secundandolhe a ação nesse setor de magna importância social” (Ac. da 2ª Turma do STF no RE nº 93.463RJ, em sessão de 16/04/82, Rel. Min. Cordeiro Guerra, publ. in DJU de 14/05/82, pág. 4568 e in RTJ vol. 10102, pág.769). Acolhendo esses preceitos de inegável juridicidade e, tendo por objeto exigência de COFINS, já se pronunciou a CSRF, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: “COFINS IMUNIDADE DE ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL ART. 195, § 7º, CF/88. A própria lei que previu a instituição do SESI o caracterizou como instituição de educação e assistência social, de acordo com o que preceitua a Constituição. Não procede a exigência da contribuição, tendo em vista que a Lei Complementar nº 70/91, com base na norma constitucional, reitera a imunidade dessas entidades (Art. 6º, inciso III). Recurso especial negado.” (cf. Ac. CSRF/0202.014 Rec. da Procuradoria nº 201108331 da 2ª Turma da CSRF, Rel. Henrique Pinheiro Torres, em sessão de 05/07/05; no mesmo sentido e mesma turma em sessão cf. Ac. CSRF/0202.016) Releva finalmente notar que, nos termos da legislação de regência (art. 32 da Lei nº 9.430/96 e art. 13 da lei nº 9532/97) a imunidade somente pode ser suspensa mediante ato administrativo expresso cuja validade está vinculada à comprovação da existência dos motivos legalmente estabelecidos para a suspensão, sem os quais o ato de suspensão deixa de ser legítimo, válido ou lícito, eis que, como já assentou a Jurisprudência Administrativa “a suspensão de imunidade de instituição (...), para que seja eficaz, deve estar calcada em sólidas provas do desvio de finalidade de que trata o art. 14 do CTN” (cf. Acórdão 10809630 da 8ª Câm. do 1ºCC, Rec. nº 157302, Proc. nº 10735.003475/200530, em sessão de 25/06/08, Rel. Cons. João Francisco Bianco) e, “somente após o ato formal de suspensão da imunidade pela autoridade competente é que se abre ao auditor fiscal, que detém a prerrogativa de constituição do lançamento tributário, a possibilidade de agir”, pois “a legislação nunca Fl. 27DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 28 contemplou a possibilidade de suspensão de imunidade pelo próprio auditor fiscal” (cf. Acórdão nº 10707720 da 7ª Câm. do 1º CC, Rec. nº 138982, Proc. nº 13805.000465/9329, em sessão de 11/08/04, Rel. Cons. Luiz Martins Valero) Isto posto, com base nestes fundamentos, acompanho as conclusões do ínclito relator, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício e DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar as exigências fiscais consubstanciadas no lançamento. É como voto (assinado digitalmente) Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça Fl. 28DF CARF MF Impresso em 26/04/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/0 3/2012 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10218.722596/2019-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016
MULTA COM EFEITO CONFISCATÓRIO. Enunciado Súmula CARF nº 2.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. MOTIVAÇÃO E DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA.
Não há vício ensejador de nulidade em auto de infração cujo relatório expressa consigna o motivo do lançamento e determina, com exatidão, a base de cálculo adotada.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. DISTINÇÃO.
O lançamento tributário se dá em desfavor do sujeito passivo, aquele definido no artigo 121 do CTN. Não havendo imputação de responsabilidade pessoal de terceiro, eventuais argumentos sobre o tema não devem ser conhecidos pelo julgador administrativo, posto que inexiste controvérsia instaurada.
REDUÇÃO DA MULTA PARA 20%. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 35 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 e § 2º da Lei nº 9.430/96, só é aplicado para limitar a multa de mora em 20%, não havendo previsão para a sua aplicação quando se trata de multa de ofício.
Numero da decisão: 2102-003.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Márcio Bittes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: JOSE MARCIO BITTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
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Enunciado Súmula CARF nº 2. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. MOTIVAÇÃO E DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. Não há vício ensejador de nulidade em auto de infração cujo relatório expressa consigna o motivo do lançamento e determina, com exatidão, a base de cálculo adotada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. DISTINÇÃO. O lançamento tributário se dá em desfavor do sujeito passivo, aquele definido no artigo 121 do CTN. Não havendo imputação de responsabilidade pessoal de terceiro, eventuais argumentos sobre o tema não devem ser conhecidos pelo julgador administrativo, posto que inexiste controvérsia instaurada. REDUÇÃO DA MULTA PARA 20%. IMPOSSIBILIDADE. O art. 35 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 e § 2º da Lei nº 9.430/96, só é aplicado para limitar a multa de mora em 20%, não havendo previsão para a sua aplicação quando se trata de multa de ofício. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 11381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 2 (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Marcio Bittes, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Rodrigo Alexandre Lazaro Pinto, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto em face do Acórdão 16-94.463 - 1ª Turma da DRJ/SPO de 29 de abril de 2020 que, por unanimidade, considerou improcedente a impugnação apresentada. Relatório Fiscal (fls 16/57) Trata-se de procedimento fiscal abrangendo as competências de 01/2015 a 13/2015 e 01/2016 a 13/2016. O procedimento foi iniciado em 12/06/2019 com a emissão de um Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), seguido por um Termo de Reintimação Fiscal em 06/08/2019, ambos solicitando informações e documentos ao RECORRENTE. A auditoria fiscal identificou que o CONTRIBUINTE não declarou corretamente as contribuições previdenciárias nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP). As inconsistências foram observadas tanto nas contribuições da empresa (parte patronal e riscos ambientais do trabalho) quanto nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais. Diante da falta de resposta aos Termos Fiscais, a fiscalização utilizou as informações da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) para apurar as bases de cálculo das contribuições previdenciárias. Foram constatadas omissões nas bases de cálculo de contribuições previdenciárias, resultando na lavratura de Autos de Infração. O total de crédito tributário devido foi de R$ 32.942.061,65, incluindo contribuições previdenciárias e multas. Houve omissão significativa de bases de cálculo nas GFIP apresentadas sendo que o RECORRENTE não possui Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), devendo recolher as contribuições devidas ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). As diferenças entre os valores declarados em GFIP e os apurados pela fiscalização foram detalhadas nos Anexos do relatório e revelaram-se significativas. Fl. 11382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 3 Foram constatadas as infrações de Omissão de Contribuições Previdenciárias e Não Exibição de Documentos com fundamento nas Leis 8212/1991 e 11.941/2009 e o Decreto-Lei 1.598/1977 c/c a Lei 9.430/1996. Foi lavrado auto de infração relativo às seguintes infrações: 1. VALORES PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS NÃO OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO; 2. RUBRICAS A SEGURADOS EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO e; 3. GILRAT SOBRE RUBRICAS DE EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO. Impugnação (fls 11.186/11.197) Inconformado o RECORRENTE apresentou impugnação em 29/11/2019, na qual em síntese alega: 1. Nulidade do Auto de Infração Falta de Motivo: Alega-se que o Auto de Infração carece de motivo, pois não houve verificação ou comprovação da base de cálculo do imposto. Cita doutrina de Celso Antônio Bandeira de Mello e Alberto Xavier sobre a importância do motivo para a validade dos atos administrativos. Afirma que houve divergências entre os dados do SICONFI e da Receita Federal, não apreciadas pela autoridade fazendária e que a fiscalização não apontou claramente o fato gerador do tributo e que o lançamento fiscal foi feito de forma aleatória, sem comprovação da base de cálculo do imposto. 2. Inviabilidade do Auto de Infração, pois se trata de Atos de Gestões Anteriores que ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Mauro Alexandre Santos de Souza, que não apresentou os balanços gerais dos exercícios de 2015 e 2016. O município ajuizou uma ação judicial para obter os documentos necessários e responsabilizar o ex-gestor. Cita precedentes que respaldam a não aplicação de sanções à atual gestão por atos de gestores anteriores. 3. Argumenta que a multa aplicada possui efeito confiscatório, violando a Constituição Federal e pede a redução da multa para 20%, caso sejam confirmadas as omissões. Conclui, solicitando o cancelamento do Auto de Infração e a desconstituição do crédito tributário correspondente e apresenta provas anexas que suportam as alegações. Acórdão 1ª Instância (fls.11.235/11.247) No Acórdão recorrido consta decisão cuja ementa é transcrita a seguir: Fl. 11383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. NULIDADES. MOTIVAÇÃO E DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INOCORRÊNCIA. Não há vício ensejador de nulidade em auto de infração cujo relatório expressa consigna o motivo do lançamento e determina, com exatidão, a base de cálculo adotada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. DISTINÇÃO. O lançamento tributário se dá em desfavor do sujeito passivo, aquele definido no artigo 121 do CTN. Não havendo imputação de responsabilidade pessoal de terceiro, eventuais argumentos sobre o tema não devem ser conhecido pelo julgador administrativo, posto que inexiste controvérsia instaurada. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Havendo lançamento de ofício a Autoridade Lançadora deve, sob pena de responsabilidade funcional, aplicar a multa de ofício no percentual previsto na Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário (fls.11.270/11.359) Irresignado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 29/07/2021 (ciência em 22/07/2021 – Fl. 11.256) com as seguintes alegações e fundamentos: 1. Nulidade do Auto de Infração por inexistência de motivo, uma vez que a fiscalização não comprovou a ocorrência do fato gerador do tributo nem a base de cálculo, tornando o lançamento fiscal arbitrário pois, a falta de justificativa para a escolha da base de cálculo e a ausência de clareza na descrição do fato tributável configuram nulidade do Auto de Infração; 2. Inviabilidade do Auto de Infração devido à responsabilidade do ex-prefeito, uma vez que as supostas infrações ocorreram durante a gestão anterior (2015-2016) e que a atual gestão não teve acesso a todos os documentos necessários para a defesa. Alega que o ex-prefeito é o responsável pelas infrações e que o município está tomando medidas para apurar o débito e responsabilizá-lo. Cita jurisprudência para corroborar a tese de que as administrações públicas não devem ser penalizadas por atos de gestões anteriores; 3. Questiona o caráter confiscatório da multa aplicada e solicita sua redução para 20%, caso as omissões sejam confirmadas. Por fim, requer o provimento integral do recurso, julgando os autos de infração insubsistentes e arquivando o processo administrativo e informa que a Administração atual está tomando medidas para sanar ou minimizar os danos causados pela gestão anterior e que o Fl. 11384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 5 eventual bloqueio de recursos ou inscrição do valor no CADIN/SIAFI resultará em graves prejuízos à população do município. Finaliza, pedindo o cancelamento do auto de infração e desconstituição total do crédito tributário correspondente. Não houve contrarrazões da PGFN. Eis o relatório. VOTO Conselheiro, José Márcio Bittes – Relator. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Preliminar Em sede de preliminar a RECORRENTE alega que o auto de infração lavrado é nulo, por carecer de motivação adequada, e inválido por representar uma responsabilização da atual gestão por atos praticado pela anterior. Quanto a estas alegações verifico que são as mesmas apresentadas em sede de impugnação, cujos fundamentos da decisão recorrida da decisão recorrida coincidem com o entendimento deste relator, razão pela qual adoto as razões de decidir do voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão nos termos do Art. 114, §12, I da PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2023, novo regimento do CARF, o que passo a fazer: DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM QUE SE FUNDA A COBRANÇA - INEXISTÊNCIA DE MOTIVO PARA LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO Segundo o sujeito passivo há vício em enseja nulidade do auto de infração. São seus argumentos (fls.11187): “Inicialmente deve-se reconhecer a nulidade do Auto de Infração lavrado pela autoridade fazendária, tendo em vista que o lançamento fiscal carece de motivo para a sua lavratura, já que não se verificou, nem se comprovou a base de calculo do imposto, tendo o lançamento sido praticado de forma manifestamente aleatória. Ainda acerca da nulidade do auto de infração ora argumentada, não é demais diferenciar motivo e motivação: o motivo é o pressuposto de fato e de direito que procede o próprio ato administrativo, ou seja, é o supedâneo para que a Fl. 11385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 6 Administração Pública realize o ato administrativo. Já a motivação é a formalização do ato administrativo ou, em outras palavras, a exposição dos fatos e fundamentos que levaram à prática do ato administrativo. Sobre a importância do “motivo” para a validade do ato administrativo, esclarecedora é a lição do célebre professor Celso Antônio Bandeira de Mello, vejamos: (...) Assim, um lançamento efetuado sem fundamentação ou com fundamentação insuficiente, pela não exteriorização clara e precisa dos pressupostos de fato e da lei aplicável, é nulo por vício de forma. (XAVIER, Alberto. Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro. 3. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 158 e 178-182). No caso em tela, podemos observar que de acordo com tudo o que consta nos documentos que seguem em anexo, existem divergências entre os valores constantes na base de dados do SICONFI e da Receita Federal, acessível a primeira, pela segunda. Ambas deveriam ter sido apreciadas pela autoridade fazendária, conjuntamente às GFIP's, confrontando-se todas as informações à disposição, vez que consubstanciam-se sem exclusão, umas das outras, em ferramentas adequadas para obtenção dos fatos geradores das contribuições postas sob procedimento fiscal. No entanto, não obstante a análise conjunta ora referida, tendo a autoridade fiscal deixado de apresentar justificativas sobre o que a levou a adotar como base de cálculo o valor estabelecido em uma base de dados e não em outra, maculou a autuação levada a efeito. A Autoridade Fiscal atribui a responsabilidade tributária ao impugnante sem, para tanto, apontar com clareza o fato gerador do tributo que pretende seja recolhida, o que, por si só, configura a nulidade ora debatida.” (destaques nossos) Não assiste razão ao impugnante. Não se verifica o vício apontado. Ao lançarmos os olhos sobre o auto de infração, encontramos logo na introdução do relatório fiscal o motivo do lançamento (fls. 32): I - INTRODUÇÃO 1. Este relatório é parte integrante do presente processo fiscal e se refere a Autos de Infração lavrados em auditoria realizada no Sujeito Passivo acima destacado, levando-se em conta que ele não declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP todos os fatos geradores e contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados da previdência social (parte da empresa e do segurado) e deixou de exibir a documentação solicitada pela fiscalização. Fl. 11386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 7 Sendo assim, as infrações se referem a: a. Segurados Empregados - empresa e riscos ambientais do trabalho (patronal) e contribuição do segurado. b. Segurados Contribuintes Individuais – contribuição patronal. c. Descumprimento de obrigação acessória, conforme consta nesta peça fiscal. d. O procedimento fiscal refere-se à unidade orçamentária da Prefeitura de Vigia. (...) Patente a explicitação do motivo do ato administrativo, verdadeiro procedimento administrativo segundo o Códex Tributário. Falta de declaração da ocorrência do fato gerador tributário e descumprimento de obrigações acessórias. Logo, expresso o motivo do lançamento, não se observa o primeiro vício apontado pelo impugnante. Quanto à explicitação da base de cálculo, verifico às folhas 36 a exata determinação da base imponível adotada pela Autoridade Fiscal: “10. Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nesses Autos as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados da Previdência Social - empregados - de acordo com definição na Lei nº 8.212/91 e alterações, legislação de custeio da previdência social, valores não declarados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP. 11. As bases de cálculos consideradas pela fiscalização são as verificadas nas informações prestadas pelo próprio contribuintes na Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). 12. No caso aqui analisado, as informações coletadas da DIRF foram essenciais para pôr fim ao procedimento fiscalizatório, levando-se em conta que o Município foi instado a apresentar a documentação necessária aos serviços fiscais, porém, nada foi apresentado, mesmo tendo sido reintimado a fazê-lo. 13. É importante frisar o quesito divergências entre os dados informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e os dados colhidos da DIRF, pois os termos destacam divergências entre o que foi confessado em GFIP e o que consta na DIRF. 14. Vencido o prazo concedido pela Fiscalização para o atendimento ao Termo de Reintimação de 06/08/2019, no qual se solicita o esclarecimento das divergências apontadas entre as informações apresentadas na DIRF e as GFIP apresentadas, nada foi apresentado e nenhum esclarecimento foi externado pelo sujeito passivo, ou seja, houve omissão total quanto ao chamamento fiscal, mesmo tendo sido concedido dilação temporal de 20 dias por meio do Termo de Reintimação Fiscal. Frise-se que entre o recebimento do Termo de Início de Fiscalização e o prazo Fl. 11387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 8 concedido no termo de Reintimação Fiscal de 06/08/2019 passaram-se 3 meses, tempo mais que suficiente para atendar às exigências da Fiscalização. 15. A Fiscalização não pode ficar refém do contribuinte, pelo fato de que exibir documentos é obrigação legal. Mesmo no silêncio da empresa, a Delegacia da Receita Federal em Marabá (PA) possui ferramentas adequadas para obtenção dos fatos geradores das contribuições postas sob procedimento fiscal, conforme já mencionado. Dito de outro modo: a omissão documental e/ou apresentação deficiente de elementos não é óbice aos serviços de fiscalização, haja vista que os fatos geradores podem ser identificados ou mesmo confirmados com utilização de outras fontes, neste caso as DIRF apresentadas.” (sublinhados e sublinhados negritados não constam do original) Absolutamente consignado, com o perdão da repetição, com expressa determinação – em dois parágrafos distintos do relatório fiscal - a base de cálculo adotada: DIRF’s apresentadas pelo próprio contribuinte. Vício inexistente. Auto de infração hígido. Impugnação improcedente neste ponto. INVIABILIDADE DO AUTO – INCONSISTÊNCIAS REALIZADAS NOS EXERCÍCIOS DE 2015 E 206 – RESPONSABILIDADE DO EX-PREFEITO – PROCEDIMENTOS ADOTADOS PARA REPARAR OS DANOS AO ERÁRIO – IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE SANÇÕES À ADMINISTRAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE ATOS DE GESTÕES ANTERIORES. Segundo a peça de insurgência, as práticas apuradas pela Fiscalização foram praticadas por gestões anteriores da Administração Municipal o que imputaria aos integrantes da administração anterior a responsabilidade de apresentar os documentos solicitados pela Autoridade Lançadora (fls. 11190): Conforme destacado, as supostas infrações objeto de apuração pela fiscalização empreendida foram praticadas nos exercícios de 2015 e 2016, período em que o ex-Prefeito ainda estava à frente da gestão municipal. Fato é que ao se sagrar eleita no pleito eleitoral de 2016, a atual prefeita, por diversas vezes, tentou uma aproximação com o antigo gestor no intuito de dar início a um processo de transição de governo. Contudo, as tentativas envidadas pela atual Prefeita foram em vão, ao passo que a mesma não logrou êxito em acessar nenhum dos documentos que diziam respeito à Prefeitura Municipal. De igual modo, após tomar posse do cargo, a atual Prefeita se deparou com a ausência de documentos com informações e históricos de diversos pontos cruciais à gestão do Município impugnante, dentre os quais os que deram origem ao presente auto de infração. Fl. 11388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 9 Como se vê pela Certidão nº 1.412/2017 expedida pelo Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará (v. Doc_Comprobatorios), até pelo menos 26/06/2017 o ex-Prefeito do Município de Vigia de Nazaré, Sr. Mauro Alexandre Santos de Souza, não havia ainda apresentado os Balanços Gerais referentes aos exercício de 2015 e 2016. Desta forma, percebe-se claramente um eventual cometimento de infrações por parte do ex-gestor, o qual, agindo dolosamente, eliminou documentos pertencentes à prefeitura municipal, além de ter dado causa as infrações descritas no auto de infração, caso os argumentos do auto tenham de fato ocorrido. Destarte, há de se destacar desde já a total responsabilidade pessoal do exgestor no presente caso, devendo ser atribuído a este o dever de apresentar os documentos que retirou do poder municipal no período em que exerceu o cargo de Prefeito Municipal. Neste sentido, citamos o precedente jurisprudencial abaixo: AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. MULTA. ART. 41 DA LEI Nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO GESTOR PÚBLICO. ART. 137, I, DO CTN. APLICABILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CULPABILIDADE DO AGENTE PÚBLICO. MP Nº 449 (CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/09). ART. 106, II DO CTN. 1 - A questão tratada nestes autos diz respeito ao reconhecimento da responsabilidade tributária pessoal do autor, que, ao desempenhar o cargo de Diretor do Instituto Estadual de Saúde Pública (IESP), deixou de cumprir obrigação acessória concernente à exigência de certidões negativas de débitos previdenciários quando da contratação com determinadas empresas. 2 - A responsabilidade pessoal do agente público por força das obrigações tributárias só incide quanto pratica atos com excesso de poder ou infração à Lei atuando com dolo o que é diverso do exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego. Inteligência do art. 137, I do CTN. 3 - Mesmo que possível fosse a extensão da responsabilidade, por meio de lei ordinária, a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça orienta no sentido de que o artigo 41 da Lei nº 8.212/91 deve ser interpretado em conjunto com o disposto no artigo 137, I, do CTN, vez que"a multa de que trata o art. 41 da Lei 8.212/91 somente deve ser imputada pessoalmente ao agente público se demonstrado o excesso de mandato ou o cometimento da infração com dolo ou culpa, já que essa regra deve ser interpretada em harmonia com o disposto no art. 137, I do CTN, que expressamente exclui a responsabilidade pessoal daqueles que agem no exercício regular do mandato." Precedentes do STJ. 4. A responsabilização do gestor público por multas relativas à violação dos dispositivos da Lei n. 8.212/1991 (art. 41) foi revogado pela MP 449/2008 (convertida na Lei n. 11.941/2009). Referida revogação traduz-se em benefício ao contribuinte e alcança os fatos geradores anteriores à vigência da MP Fl. 11389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 10 se ainda pendente de julgamento definitivo, conforme dispõe o art. 106, II, 'c', do CTN. 5. Apelação do autor provida. Remessa necessária e apelação da União Federal/Fazenda Nacional improvidas. (TRF-2 - APELREEX: 200850010151893 RJ 2008.50.01.015189- 3, Relator: Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, Data de Julgamento: 14/08/2012, QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, Data de Publicação: E-DJF2R - Data: 23/08/2012 - Página::315) Por isso é importante frisar que quando do conhecimento das informações a atual gestão iniciou para apurar internamente o débito questionado o qual, caso seja confirmado, poderá gerar uma transação na forma legal com a sua consequente suspensão, na forma do art. 151, VI, do CTN. De igual modo, cumpre esclarecer que no intuito de reaver todas as informações, documentos e dados necessários à plena gestão municipal, foi ajuizada perante o Juízo da Comarca de Vigia de Nazaré demanda judicial (processo nº 0000681- 18.2017.8.14.0063 - v. Doc_Comprobatorios) de tutela provisória de urgência de natureza cautelar (v. Doc_Comprobatorios) pela qual se obteve o comando judicial que obriga o ex- Prefeito a apresentar “a entrega em Juízo dos documentos listados na inicial, no prazo de 05 (cinco) dias, sob pena de reconhecimento de ato atentatório à dignidade da justiça e inscrição de seu nome nos órgãos de proteção ao crédito (art. 400, parágrafo único, NCPC), sem prejuízo das sanções penais por crime de desobediência”, conforme determinou (decisão em anexo - v. Doc_Comprobatorios) o à época Juiz Titular da Vara Única de Vigia de Nazaré. (...) Desta forma, percebemos que é exatamente o que ocorre no caso em tela, uma vez que presentes provas suficientes nos autos de que o ente público ora impugnante está tomando todas as providências que estão ao seu alcance objetivando o ressarcimento ao erário e a responsabilização do ex-gestor que deixou efetuar os recolhimentos dos recursos públicos devidos, não é cabível aplicação de sanções à municipalidade que possam resultar até mesmo na retenção de recursos ou, ainda, que se proceda à sua inscrição em cadastros como o CADIN, pois agir de forma contrária implicaria em nítida ocorrência de risco que possa comprometer, de modo grave e/ou irreversível, a continuidade da execução de políticas públicas ou a prestação de serviços essenciais à coletividade.” (destacamos) Novamente os argumentos do sujeito passivo não se prestam a atender ao pleito do contribuinte, que se recorda, pugna pela inviabilidade da autuação. Fl. 11390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 11 A leitura atenta das argumentos constantes desse item da peça impugnatória permite (sic) afirmar que a discussão proposta não contesta o lançamento e sim eventual responsabilidade pelos ilícitos cometidos. Importa ressaltar que não há discussão sobre tal tema no presente processo administrativo posto que não houve imputação pessoal de responsabilidade por parte do Fisco. Forçoso recordar que o lançamento tributário, por expressa determinação do Código Tributário Nacional se faz em desfavor do sujeito passivo, no caso o Município de Vigia de Nazaré. Assim, incontroverso o ponto, não há que se conhecer dessa parte da impugnação. Logo, diante do exposto, rejeito as preliminares suscitadas, não havendo nulidade e, nem tão pouco, invalidade do auto de infração contestado. No Mérito Quanto ao mérito resta avaliar a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, por possuir caráter confiscatório, e o pedido de redução da multa para 20%. Em relação ao juízo de constitucionalidade da norma aplicada, resta pacífico neste Conselho e na jurisprudência pátria que tal juízo é competência privativa do Poder Judiciário. Segue enunciado de Súmula CARF que possui efeito vinculante: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, incabível a apreciação de tal pleito. Alternativamente, pede ainda que seja aplicada a multa de 20% em conformidade com o art. 35 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 61 e § 2º da Lei nº 9.430/96. Porém, tal dispositivo só é aplicado para limitar a multa de mora em 20%, não sendo cabível a sua aplicação à multa de ofício, conforme reza os dispositivos transcritos: LEI Nº 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991 Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 11391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.454 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10218.722596/2019-29 12 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Portanto, sem razão o contribuinte. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, voto por NEGAR-LHE provimento. É como voto. Assinado Digitalmente José Márcio Bittes - Relator Fl. 11392DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11621.000107/2010-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO
A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento.
Numero da decisão: 2002-009.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
Assinado Digitalmente
Marcelo de Souza Sateles - Presidente
Assinado Digitalmente
Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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DESCABIMENTO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde e antes de notificado o lançamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário Assinado Digitalmente Marcelo de Souza Sateles - Presidente Assinado Digitalmente Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 96 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 88 e ss.) que considerou, por Fl. 175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.049 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11621.000107/2010-47 2 unanimidade de votos, procedente em parte a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 04 e ss.), lavrada pela constatação de Dedução Indevida de Despesas com instrução, Dedução Indevida de Previdência Privada e FAPI, Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Dependentes. Adota-se o Relatório da DRJ, abaixo transcrito, por esclarecer os fatos ocorridos: Contra ILTON REGO CUNHA, CPF 003.156.213-20, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 11, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, ano-calendário 2008, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$6.368,78, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O lançamento reporta-se aos dados informados na declaração de ajuste anual do sujeito passivo, entre os quais foram alterados os seguintes valores: contribuição à previdência privada e FAPI de R$1.270,92 para R$0,00, dependentes de R$11.591,16 para R$0,00, despesas de instrução de R$13.905,00 para R$0,00 e despesas médicas de R$14.340,32 para R$0,00. Inconformado, em 24/05/2010, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 2 e 3, na qual alega, em síntese, que por desconhecimento efetuou o preenchimento incorreto da declaração informando como despesas médicas valor pago a título de pensão alimentícia à Maria de Jesus Moreira Cunha, conforme contrato firmado em cartório e extrato bancário juntados aos autos. Requer revisão dos valores de acordo com os documentos apresentados. No Despacho Decisório à fl. 82 e Termo Circunstanciado à fl. 81, manteve-se em parte a exigência formalizada na notificação, apurando-se imposto suplementar de R$4.171,30. Foram consideradas deduções relativas a dois dependentes (R$3.311,76) e deduções de despesas médicas de R$4.679,08. Cientificado, o contribuinte apresenta a petição de fls. 84 e 85, na qual requer que sejam consideradas as deduções de instrução do filho Luciano Almeida Cunha, devidamente comprovadas, e de pensão alimentícia paga a Maria de Jesus Moreira Cunha. O Acórdão guerreado, de procedência parcial, foi prolatado com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 Deduções. São admitidas as deduções pleiteadas com a observância da legislação tributária e que estejam devidamente comprovadas nos autos. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/08/2014 (AR de e-fls. 94), o sujeito passivo interpôs, em 17/09/2014 (protocolo de e-fl. 96), Recurso Voluntário parcial, alegando a improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: Fl. 176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.049 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11621.000107/2010-47 3 - a verdade material motivadora para o pagamento de pensão alimentícia para a Sra. Maria de Jesus Moreira Cunha está comprovada nos autos, bem como seus pagamentos, no valor de R$37.000,00; - reitera o pedido de “retificação” da Notificação de Lançamento através da consideração das deduções de pensão judicial, dependentes, instrução e despesas médicas. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio remanescente recai sobre dedução indevida de despesas com instrução no valor de R$11.445,00, dedução indevida de despesas médicas no valor de R$9.661,24 e de dedução indevida de dependentes no valor de R$8.279,40. Não há questões preliminares a serem apreciadas. Neste diapasão, verifique-se o conteúdo enriquecedor dos seguintes excertos da decisão de piso para a formação do arcabouço decisório desta lide: ... O art. 8º, inc. II, “b” e “f”, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: Fl. 177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.049 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11621.000107/2010-47 4 2. R$ 2.592,29 (dois mil, quinhentos e noventa e dois reais e vinte e nove centavos) para o ano-calendário de 2008;(Redação dada pela Lei nº 11.482, de 2007) [...] f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973- Código de Processo Civil;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) grifos acrescidos Ante a legislação transcrita e considerando-se o documento à fl. 70, acata-se a dedução de despesas de instrução relativa ao filho Luciano Almeida Cunha, no valor de R$2.460,00. Cumpre salientar que despesas de pensionato do estudante não são dedutíveis por falta de previsão legal. Os valores pagos à Maria de Jesus Moreira Cunha não são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do imposto do ano-calendário em questão, eis que não se enquadram no disposto na legislação transcrita, ou seja, não foram pagas em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no 5.869, de 1973. ... Deve ser ressaltado que não houve lançamento relativo a dedução indevida de pensão alimentícia judicial, cf. Notificação de Lançamento. Claro está em suas manifestações que o interessado busca a inclusão de deduções em sua Declaração de Ajuste, mas aponte-se como impertinente a aceitação da Declaração Retificadora neste momento da contenda, diante do cristalino enunciado da Sumula CARF n. 33, abaixo apresentado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Verifica-se, portanto, que apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida. Conclusão Isso posto, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 178DF CARF MF Original http://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.049 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11621.000107/2010-47 5 Fl. 179DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10920.900473/2011-41
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE
DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE À ESCRITA CONTÁBIL.
A escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que amparada por sua documentação de suporte.
PROVA DE RETENÇÕES. DARF ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE
RECOLHIMENTO
A apresentação das guias DARF acompanhadas dos respectivos
comprovantes de recolhimento atesta ter o contribuinte sofrido as
retenções correspondentes.
Numero da decisão: 1201-006.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. Este julgamento
seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.780, de 15 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.900474/2011-96,
paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE À ESCRITA CONTÁBIL. A escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que amparada por sua documentação de suporte. PROVA DE RETENÇÕES. DARF ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO A apresentação das guias DARF acompanhadas dos respectivos comprovantes de recolhimento atesta ter o contribuinte sofrido as retenções correspondentes. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201- 006.780, de 15 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.900474/2011-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Alexandre Evaristo Pinto, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Gustavo de Oliveira Machado. Fl. 2855DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.781 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.900473/2011-41 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao possível crédito de saldo negativo de IRPJ do ano de 2008, no valor de R$ 69.010,15. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE IR-FONTE. Não comprovada parte das retenções de IR que compõem o saldo negativo, reputa-se correta a glosa destas parcelas. Verificada a insuficiência de crédito para compensar integralmente os débitos informados, há que se decidir pela homologação das compensações somente até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificado, o contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário no qual basicamente reiterou os argumentos postos em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo ser comum em seu ramo de atuação que as retenções sofridas superem o valor dos tributos efetivamente devidos e que não pode ser penalizada pelo descumprimento das obrigações acessórias por seus tomadores de serviços. A Resolução CARF nº 1401-000.924 vislumbrou a necessidade de conversão do julgamento em diligência. Em razão disso, determinou a remessa dos autos à autoridade de origem para que esta, em síntese: a. Intimasse o contribuinte a apresentar documentos complementares, como Livro Diário acompanhado de seus Termos de Abertura e Encerramento, devidamente autenticados pela Junta Comercial, bem como extratos bancários demonstrando o recebimento dos montantes líquidos e notas fiscais das operações em questão, além de outros que se entenderem necessários; b. Providenciasse a origem a juntada aos autos da DIPJ do contribuinte relativa ao ano-calendário em questão, a fim de verificar-se a compatibilidade das retenções informadas com as receitas oferecidas à tributação pelo contribuinte (Súmula CARF nº 80); e Fl. 2856DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.781 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.900473/2011-41 3 c. Elaborasse relatório conclusivo sobre a liquidez e certeza do direito creditório considerando o Livro Razão apresentado, bem como os comprovantes de recolhimento e comprovantes de rendimentos anexados ao Recurso Voluntário e, ao final, concedesse prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Em resposta, o contribuinte acostou aos autos o Livro Diário em PDF com recibo de entrega da ECD pelo sistema SPED, alegando que não conseguiu obter a cópia do arquivo enviado pelo sistema SPED em virtude de alterações do sistema SPED ao longo dos vários anos que se passaram. A autoridade de origem acostou aos autos a DIPJ do ano-calendário em questão e exarou o Relatório, no qual asseverou que o contribuinte não apresentou os extratos bancários e as notas fiscais solicitados, razão pela qual não foi possível fazer a verificação solicitada pela Resolução CARF relativamente às retenções não confirmadas pelo Despacho Decisório e também quanto ao oferecimento à tributação na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos rendimentos correspondentes às retenções não confirmadas. É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: MÉRITO Infelizmente, o Contribuinte, muito embora tenha envidado esforços para promover a evolução probatória ao longo de todo o processo até a interposição do Recurso Voluntário, deixou de se atentar para elemento fundamental na comprovação do direito creditório, qual seja, a apresentação das notas fiscais e dos extratos bancários indicando que recebera apenas o montante líquido de suas fontes pagadoras e comprovando assim ter sofrido as retenções que pretendeu fazer compor seu direito creditório. Os livros Diário e Razão, muito embora tragam elementos de convicção fortes sobre as retenções sofridas, não bastam a sua comprovação, pois, nos termos do art. artigo 923 do RIR/991, vigente à época, que nada mais faz do que repetir as 1 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)." Fl. 2857DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.781 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.900473/2011-41 4 disposições do art. 9º parágrafo 1º do Decreto-Lei nº 1.598/77, a escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que amparada pelos documentos que lhes dão suporte, que no caso seriam as notas fiscais e extratos bancários. Entretanto, o Contribuinte trouxe aos autos com seu Recurso Voluntário documentos adicionais que merecem análise pormenorizada neste momento. Quais sejam: 1) Comprovante de rendimentos emitido pela tomadora COMPANHIA ULTRAGAZ S/A, CNPJ 61.602.199/0001-12 indicando o pagamento de R$ 6.016,86 e a retenção de R$ 279,78 sob o código 5952. O comprovante de rendimentos de fls. 185, nos termos da legislação vigente, basta à comprovação do direito creditório (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). 2) Comprovante de rendimentos emitido pela tomadora Ass Micro Peq Emp Vale Itapocu, CNPJ 83.785.030/0001-88 indicando o pagamento de R$ 14.137,00 e a retenção de 657,37 sob o código 5952. O comprovante de rendimentos de fls. 186, nos termos da legislação vigente, basta à comprovação do direito creditório (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). 3) 12 DARFs e acompanhados de 12 comprovantes de recolhimento, pagos pelo tomador CONDOMINIO VILLAGGIO Dl CAPRI, CNPJ 03.964.345/0001-53 indicando o recolhimento sob o código de arrecadação 5952 informando no campo de observações a nota fiscal correspondente e indicando como prestador a Recorrente. A documentação de fls. 187 a 198 comprova a retenção relativa às competências mensais de janeiro a dezembro de 2008 e merece integrar o direito creditório na proporção da CSLL, considerando que dos 4,65% da alíquota de retenção feita sob o código 5952, 1 ponto percentual corresponde à CSLL. Verifica-se do detalhamento da análise do direito creditório (fl. 57), que as retenções efetuadas por esta fonte pagadora não foram admitidas na composição do direito creditório, tendo sido glosado o montante de R$ 1.091,06. E somando as retenções comprovadas chegamos a esta exata quantia, conforme cálculos abaixo demonstrados: Fl. 2858DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.781 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.900473/2011-41 5 Considerando-se existir comprovação da ocorrência das retenções e que a DIPJ do Contribuinte informa ter ele auferido no ano-calendário receita da prestação de serviços no montante de R$ 26.664.058,35, suficiente para fazer frente às retenções totais pleiteadas (R$ 221.451,17) acima comprovadas, reconheço retenções adicionais de R$ 1.091,09, Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário já admitido nos termos da Resolução, para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, no montante de R$ 1.091,09, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Retenção total 4,65% CSLL 1% jan/08 397,94R$ 85,58R$ fev/08 397,94R$ 85,58R$ mar/08 427,77R$ 91,99R$ abr/08 427,77R$ 91,99R$ mai/08 427,77R$ 91,99R$ jun/08 427,77R$ 91,99R$ jul/08 427,77R$ 91,99R$ ago/08 427,77R$ 91,99R$ set/08 427,77R$ 91,99R$ out/08 427,77R$ 91,99R$ nov/08 427,77R$ 91,99R$ dez/08 427,77R$ 91,99R$ Total: 5.073,58R$ 1.091,09R$ Fl. 2859DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12452.MPI3. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 17/12/2024 15:35:07 por Neudson Cavalcante Albuquerque. Documento assinado digitalmente em 17/12/2024 15:35:07 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/12/2024. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: EP18.1224.12452.MPI3 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 504FFF5090635B0881EFA4753499AC7D4417DCF13732FCF3B0AC62933423D77A página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.900473/2011-41. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Acórdão Relatório Voto Mérito
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Numero do processo: 15504.723418/2013-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DECADÊNCIA.
O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN.
Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, ou quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I.
Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99.
PRELIMINAR. NULIDADE INEXISTÊNCIA
Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário.
IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
No julgamento do RE 601.314 pelo STF, julgado em sede de repercussão geral, foi fixado entendimento sobre a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar 105, de 2001, bem como da aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001, para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA.
A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações da defesa, devendo ser indeferido pedido de perícia para obtenção de provas que a contribuinte deveria produzir.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade
Numero da decisão: 2001-007.569
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilsom de Moraes Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a] integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: WILSOM DE MORAES FILHO
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FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38 O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DECADÊNCIA. O direito da fazenda pública constituir o crédito tributário da contribuição previdenciária extingue-se com o decurso do prazo decadencial previsto no CTN. Na hipótese de lançamento de ofício de crédito tributário que o sujeito passivo não tenha antecipado o pagamento, ou quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I. Caso tenha havido antecipação do pagamento, aplica-se o disposto no CTN, art. 150, § 4º, conforme súmula CARF nº 99. PRELIMINAR. NULIDADE INEXISTÊNCIA Não vislumbro no caso em exame, a ocorrência de qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. O Auto de infração foi lavrado por autoridade competente, com observância aos requisitos previstos no art. 142, do Código Tributário Nacional, tendo sido oportunizado ao contribuinte a ampla defesa, tanto por ocasião da impugnação, como do Recurso Voluntário. IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. No julgamento do RE 601.314 pelo STF, julgado em sede de repercussão geral, foi fixado entendimento sobre a constitucionalidade do art. 6º da Lei Fl. 416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 2 Complementar 105, de 2001, bem como da aplicação retroativa da Lei nº 10.174, de 2001, para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE PERÍCIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações da defesa, devendo ser indeferido pedido de perícia para obtenção de provas que a contribuinte deveria produzir. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a] integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Fl. 417DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 3 RELATÓRIO Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 03-11), acompanhado de Termo de Verificação Fiscal - TVF (14- 36), referente ao exercício 2009, ano-calendário 2008, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores: O lançamento foi decorrente das seguintes infrações: (...) (...) Fl. 418DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 4 O contribuinte apresenta impugnação (fls. 284-288 e 300-320), com base nos seguinte tópicos: (Fls. 284-288) 2. Do Auto de Infração; 3-Da Impugnação; (Fls. 300-320) I-Preliminar de Decadência; II-Nulidade Auto de Infração-Necessidade Equiparação Pessoa Jurídica-Atos de Comércio; III-Preliminar de Nulidade do Lançamento-Quebra do Sigilo Bancário. Foi proferido o acórdão 03-84.318 - 3ª Turma da DRJ/BSB (fls. 323 e segs.) que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação. A seguir transcrevo a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Fl. 419DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 5 Crédito Tributário Mantido Cientificado do Acórdão em 02/05/2019, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 23/05/2019, fls. 350 e segs., que alega, em síntese: I-Dos Fatos; II-Da tempestividade do Recurso Voluntário; III-Preliminar de Decadência; O lançamento já se encontra decaído em relação aos meses de 01/2008 a 03/2008, pois somente foi formalizado através de auto de infração em 11/04/2013. Não houve a ocorrência de indícios de fraude, como a própria autoridade lançadora reconheceu ao aplicar a multa de ofício de 75%. IV-Da nulidade do auto de infração- Necessidade Equiparação Pessoa Jurídica-Atos de Comércio Parte substancial dos valores depositados nas contas bancárias do contribuinte encontra supedâneo na intermediação de contratos de prestação de serviços firmados entre a empresa União Comércio, Importação Ltda. e o escritório de advocacia Assrauy Carvalho Consultores e Advogados, auferindo o autuado percentual referente à comissão pela referida intermediação. O contribuinte, pessoa física, exerce atividade comercial, auferindo uma comissão de , em média, 1/3 do valor do contrato firmado, em que fora o intermediário. O próprio fiscal autuante confirma a atividade de intermediação no Termo de Verificação Fiscal. Confirmada a habitualidade da atividade comercial não resta outra alternativa ao fisco senão promover a equiparação a Pessoa Jurídica, arbitrando o lucro pela ausência de escrituração contábil. Requer a realização de perícia na documentação colacionada aos autos e declarações de imposto de renda, no sentido de comprovar a efetiva atividade comercial do recorrente. No caso de equiparação a PJ o fisco deveria arbitrar os lucros ou admitir ainda a movimentação bancária como capital de giro utilizado nas intermediações dos serviços, lançando apenas a diferença referente ao lucro médio de 1/3 auferido na atividade comercial desenvolvida pelo autuado. V-Preliminar de Nulidade do Lançamento- Quebra do Sigilo bancário. O fisco não satisfeito com as informações apresentadas pelo recorrente achou por bem requerer junto às instituições financeiras os Extratos Bancários relativamente ao período fiscalizado. Fl. 420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 6 A receita obteve junto aos estabelecimentos bancários, informações privilegiadas pertencentes exclusivamente a essas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial. Houve cerceamento de defesa quer pela provas obtidas ilegalmente, quer pela irregular formalização do lançamento, sobretudo por não serem observados os requisitos indispensáveis a sua constituição. A lei determina forma, a inobservância do ato que tenha formado por uma declaração de vontade expressa pro forma que exiba desconformidade com a prescrição legal. Descabe em matéria de ordem pública de qualquer discussão envolvente da significação de tem jurídico atinente à forma de que se deve revestir a declaração expressa de vontade. A obtenção de informações de contas corrente sem a autorização judicial revestiu o lançamento “ex-ofício” de vício insanável suficiente para se determinar a sua nulidade. VI-Razões de Direito-Depósitos Bancários. O lançamento não pode decorrer de uma simples presunção. Que não podem servir por base para o lançamento fiscal (Artigo 108,§ 1º, c/c com o Art. 142 do CTN, bem como dos princípios da legalidade e tipicidade cerrada da tributação, consagrados pela CF, Art. 5º, inciso II e 150, inciso I) O lançamento há uma confusão e inversão de conceitos aplicando o critério in dúbio pro fiscum. As presunções em relação a legislação tributária são juris tantum, admitindo prova em contrário. Na construção do crédito se desatendeu o princípio da legalidade e da verdade material. O lançamento tomou por base indícios de omissões sem conquanto observar que sinais exteriores de riqueza sem a devida comprovação não se constitui meio legal para se exigir tributo. A movimentação bancária não se presta a justificar imposto de renda, por não se constituir disponibilidade econômica. È impossível a pessoa física justificar individualmente os depósitos , pois não está sujeito a contabilidade regular ou mesmo escrituração em Livro Caixa. A fiscalização ao promover o lançamento deveria considerar os valores tributados no mês anterior como renda comprovada para o mês subsequente. VII-Mérito. A fiscalização abandou o princípio da Razoabilidade. VII.1-Da comprovação da origem da movimentação bancária. Fl. 421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 7 Em 09 de janeiro de 2008 foi firmado contrato (fl. 52 e 53), prevendo remuneração de R$ 600.000,00, a ser paga, em parcelas a cada die 14 dos meses de janeiro a agosto de 2008; em 02 de junho de 2008, foram formado dois contratos (fl. 50,51,54 e 55), prevendo uma remuneração total de R$ 207.000,00, a ser liquidada em 30 de julho de 2008. Parte dos valores pagos pela empresa União Comércio Importação e Exportação Ltda, em quitação de parcelas firmados com o escritório de advocacia, foram feitos com a interferência da recorrente, através de depósitos feitos em uma de suas contas bancárias. A remuneração do recorrente foi retomada pelo escritório, ou por intermédio de seu sócio Sr. Assrauy Faiçal Carvalho através de sua conta corrente bancária. Por conta da intermediação do negócio firmado entre a empresa União Comércio Importação e Exportação Ltda. e o escritório Faical Assrauy Sociedade de advogados, recebeu a comissão de 1/3 dos pagamentos firmados em contrato. Ocorre que, tais comissões não foram pagas pelo escritório Faical Assrauy Sociedade de Advogados ao recorrente, mas sim, quando dos pagamentos estabelecidos em contratos, os valores eram depositados na conta do recorrente, que retinha parte da comissão e repassava o quinhão à referido escritório. Daí porque inexiste comprovante de pagamento do escritório Faical Assrauy Sociedade de Advogados ao recorrente. Apresenta planilha às fls. 385. Desprezando toda as justificativas a autoridade lançadora entendeu por bem tributar os depósito realizados em sua conta corrente, os caracterizando como Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica. No anexo 1 Créditos/Depósitos com origem não comprovada estão listados os valores de todos os depósitos constantes dos extratos de contas correntes, exceto aqueles abaixo de determinado valor e os originados em transferências feitas pela citada empresa União. No anexo 03- Demosntrativo consolidade dos crédito/depósitos bancários líquidos com origem não comprovada, estão listados todos as transferências de valores feitas pela empresa União, em liquidação dos contratos de prestação de serviços firmados com o escritório de advocacia, destacando-se a percentagem que tocou ao recorrente. A som do total do Anexo 01 com o valor do anexo 03 resulta o percentual de participação do recorrente sobre as importâncias transferidas pela empresa União. Verifica-se uma duplicidade de valores, porque no anexo 01, estão relacionados todos os valores retomados pelo escritório de advocacia em favor do recorrente. No anexo 3 ocorreu a repetição dos mesmos valores no anexo 01, inflacionando a base do imposto exigido. Cita alguns exemplos às fls. 388. Fl. 422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 8 Os depósitos feitos em contas correntes existem valores que representam simples restituição feita em reembolso de despesas. Outro fato relevante se refere a depósitos, em moeda, decorrente de saques anteriores em conta bancária. As operações são nominais e usuais, sem significar rendimentos do correntista. Indicando o contribuinte a origem do depósito cabe ao fisco se suscitar dúvidas aprofundar a fiscalização intimando os terceiros envolvidos nas operações. VII.2- Das disponibilidades concernentes aos rendimentos informados na DIRPF 2009/2008, submetidos, portanto, a tributação-Origem depósitos bancários-Necessidade dedução do lançamento. O contribuinte possui sobras de valores auferidos no ano de 2008 a título de rendimentos recebidos de pessoas físicas, além de outros rendimentos declarados na DIRPF, inclusive lucros e dividendos recebidos da empresa RM Consultoria e Assessoria, no importe de R$ 150.000,00, passíveis de serem aproveitados para efeito de comprovação da origem dos depósitos bancários. É defesa a manutenção dos rendimentos da DIRPF no presente auto sobe pensa de bis in idem. O aproveitamento encontra guarida no princípio da razoabilidade, pois a pessoa física não tem obrigação de manter escrita contábil e/ou outros documentos fiscais. É o relatório. VOTO Conselheiro Wilsom de Moraes Filho, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Da Decadência. O recorrente alega que o lançamento se encontra decaído em relação aos meses 01/2008 a 03/2008. O fato gerador do imposto de renda (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II) é complexivo, ou seja, ainda que devida antecipação à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, o fato gerador só se aperfeiçoa definitivamente no dia 31 de dezembro do ano-calendário (Lei n° 8.134, de 1990, arts. 2° e 11). A norma em questão se aplica inclusive em relação ao lançamento com lastro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 ( Súmula CARF nº 38). Fl. 423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 9 Nos lançamentos por homologação, para se apurar a decadência, na hipótese de existência de pagamento parcial e inexistência de dolo, fraude ou simulação, aplica-se a regra do CTN, art. 150, § 4º: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, inexistindo pagamento parcial e existindo a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a situação atrai a regra prevista no CTN, art. 173, I, contando-se o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente caso a ciência do auto de infração ocorreu em 11/04/2013 (fls. 281), logo não há que se falar em decadência pela regra do art. 150, § 4º e nem pela regra do art. 173, I, ambos do CTN. Do Sigilo Bancário. A constitucionalidade da obtenção de informações junto à instituição financeira é matéria que já foi decidida definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 601.314, com repercussão geral: Tema 225 - a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. Fl. 424DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 10 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe198 DIVULG 15-09-2016 PUBLIC 16-09-2016). Não prospera, destarte, a alegação de ofensa ao sigilo bancário em virtude de necessidade de concessão da ordem judicial, logo não há que se falar em prova obtida ilegalmente. Fl. 425DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 11 Cabe registrar que no presente caso os extratos bancários foram entregues pelo próprio sujeito passivo (fls. 37-140 e 177-198). Caso o contribuinte não tivesse atendido às intimações a fiscalização poderia requere-las às instituições financeiras (art. 6º da LC 105/01). Tanto no art. 198 do CTN, bem como no art. 5º, § 5º, da LC 105/2001, que “as informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor”, denotando que o sigilo continua a subsistir, ocorrendo apenas a transferência da responsabilidade às Autoridades Fiscais. Nesse ponto não assiste razão ao recorrente. Da Nulidade. Em processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972. O presente lançamento tributário atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, havendo a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte, de modo que restam afastadas quaisquer hipóteses de nulidade do lançamento(Art. 59. , inciso II, do Decreto nº 70.235/1972). Estando o auto de infração formalmente perfeito, com a discriminação precisa do fundamento legal sobre o que determina a obrigação tributária, os juros de mora, a multa e a correção monetária, revela-se inviável falar em nulidade, não se configurando qualquer óbice ao desfecho da demanda administrativa, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada ou anulação do crédito fiscal. No presente caso não há que se falar em cerceamento de direito de defesa, pois o contribuinte apresentou duas petições de impugnação(fls. 284-288 e 300-320), que foram analisadas no acórdão de piso, e um extenso recurso voluntário, onde pôde expor todos os seus argumentos, que estão sendo analisados nesse voto. Em relação a necessidade de equiparação Pessoa Jurídica-atos de comercio não se trata de nulidade e será analisado adiante. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. O referido dispositivo legal estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, condicionada à falta de comprovação dos Fl. 426DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 12 recursos. Permitiu-se que se considerasse ocorrido o fato gerador quando o sujeito passivo não comprovasse os créditos efetuados em sua conta bancária. Desta forma, presume-se o rendimento quando o titular da conta não comprova a origem dos créditos efetuados, caracterizando o fato gerador e, consequentemente, sobre tais rendimentos deve incidir o imposto sobre a renda. Esclarece-se que o que se tributa não são os depósitos bancários, mas a omissão de rendimentos por eles representados, o qual configura inegável disponibilidade econômica. A comprovação da origem a que aduz o legislador deve ser de modo a revelar a natureza dos valores depositados, possibilitando à autoridade fiscal auditar o cumprimento das obrigações tributárias pelo beneficiário dos depósitos, averiguando se eles foram submetidos às normas de tributação específicas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos. É necessário que a comprovação da origem possibilite determinar, com certeza, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física, uma vez que a norma legal determina que, na hipótese de comprovação da origem, o agente do Fisco deve verificar se os valores são tributáveis, e sendo tributáveis, se foram submetidos à tributação pelo contribuinte. Deste modo, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes devem ser considerados como rendimentos omitidos. Quanto aos sinais exteriores de riqueza, a Súmula CARF nº 26, assim dispõe: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Os rendimentos e recursos declarados não são suficientes em si mesmos para comprovar a origem dos depósitos, uma vez que a presunção legal é de que os depósitos de origem não comprovada correspondem a rendimentos omitidos. O que foi declarado não foi omitido. Logo, mesmo para os rendimentos e recursos declarados é indispensável que o responsável comprove individualizadamente, com documentação hábil e idônea, como deram origem aos depósitos em sua conta bancária. Considerando a minha concordância com os fundamentos do Colegiado a quo; utilizo como razões de decidir as do voto condutor do acórdão de primeira instância( artigo 114, §12, inciso I, do RICARF), a seguir transcritas: Feita essa preleção, no caso concreto, o impugnante tinha pleno conhecimento de que tal correlação era necessária, uma vez que foi intimado a manifestar-se quanto à origem dos depósitos várias vezes, a exemplo das fls. 37-40. Quedou-se inerte em relação a essa obrigação, limitando-se a trazer à baila questões que o distanciam da efetiva comprovação da origem e natureza dos recursos depositados em suas contas correntes, alegando: dificuldade na produção de provas, em razão do tempo transcorrido; que os depósitos decorrem de Fl. 427DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 13 pagamentos de comissões ou para liquidação de parcelas das obrigações contratuais; que decorrem de saques em espécie anteriores para atender despesas ou para manter em mãos, visando eventual negócio, depois novamente depositados quando não realizados; que são reembolsos de despesas com viagens, feitas pelos contratantes de seus serviços. Emitiu todos esses argumentos não se dignando a acompanhá-los de um elemento hábil e idôneo probatório sequer em seu nome, o que produz o mesmo efeito de nada ter falado. Acrescenta ainda que deve ser equiparado a pessoa jurídica, em face de suposta atividade de intermediação habitual nos autos provada: “restou demonstrado nos esclarecimentos prestados durante a ação fiscal, que parte substancial dos valores depositados nas contas bancárias encontra supedâneo na intermediação de contratos de prestação de serviços firmados entre a empresa União Comércio, Importação Ltda e o escritório de advocacia Assrauy Carvalho Consultores e Advogados, auferindo o autuado um percentual referente à comissão pela referida intermediação (1/3). Não há dúvida quanto a habitualidade do negócio praticado pelo contribuinte. Por outro lado, incontroversa a atividade comercial do impugnante, exercida com habitualidade, outra alternativa não restaria ao fisco senão promover a equiparação a pessoa jurídica, arbitrando o lucro pela ausência de escrituração contábil, que na condição de pessoa física, não teria a obrigação de mantê-la de forma regular. Conclui, dizendo que ou é pessoa física e teria nas receitas das intermediações de negócios a origem de sua movimentação financeira, ou se trata de pessoa jurídica equiparada. Nesse caso o fisco deveria arbitrar os lucros ou admitir ainda a movimentação bancária como capital de giro utilizado nas intermediações dos serviços, lançando apenas a diferença referente ao lucro médio de 1/3 (um terço) auferido na atividade comercial desenvolvida". Não procede a argumentação. Primeiramente, os documentos bancários de fls. 94-125, 133-140 e 179-198 somente asseguram que parte dos créditos/depósitos foram realizados pela empresa União Comércio Importação e Exportação Ltda [conforme Anexos I, II e Anexo III dos Termos de Intimação Fiscal nº33/2012 (fls. 141-147) e 057/2012 (fls. 150- 156)], não sendo suficientes, por si sós, para esclarecer a natureza e origem de todas transações, ou seja, a motivação para pagamento ao contribuinte, de forma a obrigar ao Fisco a dar o tratamento específico exigido pelo §2º do art 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Note-se que não há nos autos nada além da própria assertiva do interessado de que os repasses realizados pela pessoa jurídica supracitada derivaram de pretensa intermediação habitual. O fato de a autoridade fiscal apor no Termo de Verificação Fiscal que houve depósitos da União Comércio Importação e Exportação Ltda e o pagamento de comissões não implica, como quer crer o impugnante, que restou atestada a suposta atividade de intermediação habitual de negócios (fl. 30). Não é demais registrar que não foram apresentados quaisquer contratos em seu nome com as pessoas que supostamente intermediava negócios, muito menos houve identificação das pessoas jurídicas ou mesmo físicas que Fl. 428DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 14 supostamente tiveram operações negociais intermediadas e que lhe fizeram depósitos em cheques ou em dinheiro como pagamentos por sua pretensa atividade. A propósito, sequer a empresa Faical Assrauy Sociedade de Advogados reconheceu qualquer pagamento a título de honorários por prestação de serviços de assessoria para a pessoa do impugnante. A bem da verdade, sequer lhe reconheceu, esclarecendo apenas que ele, em nome da União Comércio Importação e Exportação Ltda, fez pagamentos ao escritório. Nada além disso (fls. 251-264): No mais, reconhece-se que o art 150 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR regulou a prerrogativa de equiparação da pessoa física à pessoa jurídica trazida pelo art 41 da Lei nº 4.506, de 1964. Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto-Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). § 1º São empresas individuais: I - as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "a"); II - as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b"); III - as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (Decreto-Lei nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, arts. 1º e 3º, inciso III, e Decreto-Lei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). § 2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I - médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº 4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); II - profissões, ocupações e prestação de serviços não comerciais (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "b"); III - agentes, representantes e outras pessoas sem vínculo empregatício que, tomando parte em atos de comércio, não os pratiquem, todavia, por conta própria (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "c"); Fl. 429DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 15 IV - serventuários da justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "d"); V - corretores, leiloeiros e despachantes, seus prepostos e adjuntos (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "e"); VI - exploração individual de contratos de empreitada unicamente de lavor, qualquer que seja a natureza, quer se trate de trabalhos arquitetônicos, topográficos, terraplenagem, construções de alvenaria e outras congêneres, quer de serviços de utilidade pública, tanto de estudos como de construções (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "f"); VII - exploração de obras artísticas, didáticas, científicas, urbanísticas, projetos técnicos de construção, instalações ou equipamentos, salvo quando não explorados diretamente pelo autor ou criador do bem ou da obra (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 6º, alínea "g"). Atente-se para a condição necessária para conferir tal equiparação à pessoa física: a exploração da atividade comercial deve ser explorada habitual e profissionalmente. Estes requisitos, anteriormente utilizados pelo Código Comercial para definir o conceito de comerciante, são tão importantes que foram adotados pela Novo Código Civil, Lei nº 10.406, de 2002, para conceituar a figura do empresário. Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. Ora, como já se viu, o próprio escritório de advocacia sequer reconhece o impugnante; não houve a comprovação da origem e natureza dos créditos/depósitos, somente alegações genéricas, desprovidas de provas concretas; não foram apresentados contratos/documentos negociais de intermediação em nome do impugnante, o que, portanto, não permite sequer saber qual é realmente a sua atividade, tampouco possível é presumir qualquer habitualidade. Atente-se também que a equiparação da pessoa física à pessoa jurídica não se presta apenas a reduzir a base de cálculo em caso de lançamento de ofício, muito antes impõe a esta obrigações principais e acessórias, tais como escrituração, emissão de documentos fiscais e apresentação de declarações peculiares às empresas, na forma do art 4º e art 65, ambos da IN RFB nº 1.700, de 2017, que não foram nem de longe cumpridas pelo recorrente: Art. 4º São contribuintes do IRPJ e da CSLL: I - as pessoas jurídicas; e II - as empresas individuais. § 1º As disposições deste artigo aplicam-se independentemente de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Fl. 430DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 16 § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista, bem como suas subsidiárias, são contribuintes nas mesmas condições das demais pessoas jurídicas. § 3º Sujeita-se à tributação aplicável às pessoas jurídicas o Fundo de Investimento Imobiliário nas condições previstas no art. 2º da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. § 4º O consórcio constituído na forma prevista nos arts. 278 e 279 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as pessoas jurídicas consorciadas deverão observar o disposto em legislação específica. § 5º Salvo disposição em contrário, a expressão pessoa jurídica, quando empregada nesta Instrução Normativa, compreende todos os contribuintes a que se refere este artigo. ... Art 65. A pessoa jurídica sujeita à tributação do IRPJ com base no lucro real deverá manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. § 1º A pessoa jurídica sujeita à tributação do IRPJ com base no lucro real é obrigada a adotar a Escrituração Contábil Digital (ECD) e transmiti-la ao Sistema Público de Escrituração Digital (Sped) nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.420, de 19 de dezembro de 2013. § 2º A ECD compreenderá a versão digital dos livros Diário e Razão. Curiosamente, o impugnante quer ser equiparado às pessoas jurídicas, contudo, não quer cumprir a legislação tributária, citada acima, por exemplo, que lhe imporia a manutenção de escrituração contábil. Paradoxalmente, nesse instante diz ser pessoa física, alegando que “a comprovação, da forma como é exigida, raia o absurdo”, acrescentando que a exigência é descabida para um pessoa física e “é uma forma de impor uma dificuldade que impossibilita a defesa”. Nada há de absurdo. Como já colacionado acima, a determinação da comprovação da origem individualizada dos depósitos é de Lei, independentemente de se é pessoa jurídica ou física. Tal obrigação não lhe foi imposta sem qualquer base legal pela Fazenda Pública, portanto. Além disso, ainda que não houve a disposição da obrigatoriedade da comprovação para as pessoas físicas, que há, se quer ser equiparado às pessoas jurídicas, necessário então amoldar-se não apenas aos benefícios, mas também ao ônus que lhes é imposto pela legislação tributária, isto é, a manutenção de registro e controle rígido de todas operações. Por fim, quanto à duplicidade alegada, de que o Anexo III repete valores já presentes no Anexo I, “inflacionando a base do imposto exigido”, esta não ocorreu, haja vista os Anexos I e II relacionarem-se aos créditos sem origem comprovada pelo impugnante. Os valores dos depósitos da União Comércio Importação e Exportação Ltda, referentes a honorários advocatícios posteriormente repassados a Assrauy Carvalho Consultores e Advogados, fazem parte do anexo III e foram excluídos de tributação, servindo apenas para o cálculo da comissão de 1/3 não declarada na DIRPF 2009 (fls. 29, 32-36). Em suma, não há qualquer mácula nos elementos probatórios produzidos pela autoridade fiscal, muito menos prova robusta hábil e idônea que permita ilidir as infrações, parcial ou integralmente. Subsistem as omissões de rendimentos lavradas, por conseguinte. Fl. 431DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 17 Com já foi explicado os Anexos I e II se referem aos créditos de origem não comprovada. Os valores dos depósitos da União Comércio Importação e Exportação Ltda, referentes a honorários advocatícios posteriormente repassados a Assrauy Carvalho Consultores e Advogados, fazem parte do anexo III e foram excluídos de tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, servindo apenas para o cálculo da comissão de 1/3 não declarada na DIRPF 2009 (fls. 29, 32-36). Estes valores foram tributados como Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, logo procedeu corretamente a fiscalização, pois todos os valores em que se identificou que tinham origem recebida de PJ foram tributados como Omissão deste rendimento. O recorrente não demonstrou efetivamente a existência de nehum valor que tenha sido tributado mais de uma vez. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Da Perícia. A perícia não serve para o fim de suprir material probatório a cuja apresentação está a parte pleiteante obrigada. Em outras palavras, pretende o contribuinte, por via da perícia, que sejam produzidas as provas que embasam as informações, cujo ônus cabe a ele próprio. Os elementos de prova a favor do Recorrente, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos, apresentados à fiscalização no curso do procedimento fiscal, ou, então, na fase impugnatória, com a juntada de todos os documentos e o que mais quisesse para sustentar seus argumentos, não podendo o pedido de perícia ser utilizado como forma de postergar a produção probatória, dispensando-o de comprovar suas alegações. Além do mais o § 1º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 diz que se considera não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. No presente caso não houve a formulação dos quesitos e nem a indicação do nome, endereço e qualificação do perito. Dessa forma indefiro o pedido de perícia. Das alegações de inconstitucionalidade. Quantos às alegações de ofensa aos princípios da legalidade, verdade material, tipicidade cerrada, razoabilidade e demais princípios constitucionais, não podem ser apreciadas por este conselho, conforme legislação abaixo transcrita: Ademais, o Decreto 70.235/72, dispõe que: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E a Súmula CARF nº 2 determina: Fl. 432DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.569 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.723418/2013-18 18 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONCLUSÃO Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, rejeito as preliminares, e , no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho Fl. 433DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903021/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.716
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 31 de outubro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de julho de 2000. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 3402001.716 S3C4T2 Fl. 2 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 3402001.716 S3C4T2 Fl. 3 5 Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 3402001.716 S3C4T2 Fl. 4 7 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 12448.910049/2021-35
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 3101-000.474
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Câmara até que os processos nos 16682-900.239/2020- 41 e 16682-901.297/2020-92 sejam distribuídos à relatora.
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Câmara até que os processos nos 16682-900.239/2020- 41 e 16682-901.297/2020- 92 sejam distribuídos à relatora. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Marcos Roberto da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Laura Baptista Borges, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha (substituto[a] integral), Wilson Antonio de Souza Correa (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Luciana Ferreira Braga, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Wilson Antonio de Souza Correa, o conselheiro(a) Renan Gomes Rego, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha. RELATÓRIO Trata de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório, que não Fl. 1385DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 2 reconheceu o direito ao crédito objeto do Pedido de Ressarcimento n.° 06622.96779.140317.1.5.19-8368, no que se refere a crédito de COFINS não cumulativo do 4º trimestre de 2016. O despacho decisório que indeferiu o direito ao crédito se utilizou da Informação Fiscal n.° 132/PISCOFINS-EQAUD/DRFRJ2, que assim dispôs: “Trata-se de auditoria de PIS e Cofins do período de 04/2016 a 12/2016, conforme RPF nº 07.1.09.2021.00425.3. Os Pedidos de Ressarcimento (PER) auditados são os abaixo elencados: 01087.37929.090317.1.5.18-5092 - PIS – 2º trim/2016 – Fls. 16876 a 16879 24495.77972.300117.1.1.18-4002 – PIS – 3º trim/2016 – Fls. 16880 a 16883 15574.48178.140317.1.5.18-8079 – PIS – 4º trim/2016 – Fls. 16884 a 16888 30804.93996.090317.1.5.19-2630 – Cofins – 2º trim/2016 – Fls. 16889 a 16893 40045.37824.300117.1.1.19-0248 – Cofins – 3º trim/2016 Fls. – 16894 a 16897 06622.96779.140317.1.5.19-8368 – Cofins – 4º trim/2016 – Fls. 16899 a 16903 INFRAÇÃO I - NÃO CONSIDERAÇÃO DE RESULTADOS DE AUDITORIAS SOBRE PERÍODOS ANTERIORES Às fls. 3443 a 3454, o contribuinte foi cientificado na Intimação 6059/2022. Em seu item 04, solicitou-se: “(...) Quanto à utilização de créditos de períodos anteriores, tem-se o seguinte: (..) b) Para os anos de 2015 e 2016, conforme Termo de Verificação Fiscal do Processo nº 17227.720022/2022-51, foram feitas verificações nos registros 1100 (PIS) e 1500 (Cofins) da EFD Contribuições, nos processos de análise de ressarcimentos nº 16682.900239/2020-41 e 16682.901297/2020-92, além dos Pedidos de Ressarcimento. Como resultado, foi elaborada a planilha anexa (ANEXO III e ANEXO IV), em que se verificou que em 31/12/2016, o contribuinte possuía saldo devedor de PIS e Cofins, independente das análises que aqui são feitas.” Em resposta, o contribuinte argumentou o seguinte: “(...) Resposta: Em atenção ao item 04, a Peticionária informa que as conclusões dos Termos de Verificação Fiscal nºs 16682.721185/2018-35 e 17227.720022/2022-51 ainda não se aperfeiçoaram, vez que ainda não Fl. 1386DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 3 transitadas em julgado administrativamente. Com efeito, assim como se depreende do andamento dos citados PA’s nºs 16682.900239/2020-41 e 16682.901297/2020-92, em ambos pende de julgamento recurso voluntário interposto pelo contribuinte, com a consequente suspensão de exigibilidade assegurada pelo inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional. Dessa forma, a Peticionária entende que os supostos saldos devedores da Contribuição ao PIS e da COFINS verificados em 31/12/2016, por dependerem da confirmação das premissas lançadas nos Termos de Verificação Fiscal n's 16682.721185/2018-35 e 17227.720022/2022-51, os quais foram devidamente impugnados pelo contribuinte e ainda não definitivamente julgados (processos administrativos em curso), não gozam de qualquer exigibilidade neste momento (art. 151, III, do CTN), sendo certo que serão automaticamente afastados na hipótese da Peticionária lograr-se vencedora nos recursos interpostos.” De fato, os ditos processos ainda não alcançaram seu trânsito em julgado, vez que ainda em contencioso administrativo. Contudo, os respectivos Despachos Decisórios são atos administrativos que gozam de presunção de veracidade, até que se prove o contrário. Além disso, compulsando os referidos autos, concluo por concordar com as conclusões da auditoria ali expressas. Ademais, considerar as conclusões daquelas auditorias neste processo não prejudica o devido processo legal, vez que não mitiga o direito do contribuinte ao contraditório e ampla defesa. Assim, as alegações do contribuinte não devem prosperar quanto a esta infração. Ou seja, neste processo serão levadas em consideração as conclusões daqueles processos. Observa-se dos anexos I.A e I.B, deste Termo, que para o período auditado, o contribuinte não poderia usar crédito algum de períodos passados. Há de se observar no anexo I.B que houve um erro de fato na sua elaboração, vez que o saldo negativo de dezembro de 2015 foi levado positivo para janeiro de 2016. Contudo, ressalvada essa incongruência, resta evidente que para abril a dezembro de 2016, o contribuinte não poderia usar créditos de períodos anteriores a abril de 2016 para deduzir PIS e Cofins. INFRAÇÃO II – DESPESAS GETNET O contribuinte alega que a relação coma GETNET se faz fundada em contrato. Diz também que os referidos custos foram lançados na conta contábil 41010020. Infere- se que lançados na ECD. Alega, por fim, que os valores lançados na contabilidade foram feitos com base em notas de débito e relatórios gerenciais. Contudo, não juntou essas notas de débito nem os relatórios gerenciais ou qualquer outro documento emitido pela GETNET, mesmo devidamente intimado a tanto. Ora, a ECD faz prova a favor do contribuinte, porém, deve ser corroborada pelos documentos Fl. 1387DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 4 que derem base aos respectivos lançamentos. Não apresentando esses documentos, mesmo após regularmente intimado, conclui-se, por presunção legal, não ter comprovado as referidas despesas para fins de ressarcimento de PIS e Cofins. Assim, as despesas GETNET devem ser glosadas. INFRAÇÃO III – CRÉDITOS SOBRE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA A argumentação do contribuinte em face das entradas isentas procede, vez que lastreada no Tema Repetitivo nº 1093 do STJ. Ou seja, os referidos créditos não poderem ser objeto de pedido de ressarcimento, mas somente serem mantidos na escrituração para efeito de dedução com os débitos das contribuições. Já as entradas de produtos sujeitos à tributação monofásica não têm melhor sorte. A despeito do contribuinte ter se creditado das contribuições nessas entradas, ele não o deveria. A esse respeito, o contribuinte sequer contra-argumentou. Assim, não podem ser ressarcidos, e sequer podem ser mantidos na escrituração para efeito de dedução. INFRAÇÃO IV – DESPESAS DE MARKETING Em suma, o contribuinte alega uma essencialidade peculiar ao seu ramo de atuação em relação às despesas com marketing. De início, deve-se salientar que o entendimento oficial da RFB é que despesas de marketing não dão azo a creditamento de PIS e Cofins, haja vista Solução de Consulta Cosit nº 141/2020. O marketing é importante em qualquer negócio, mas em nenhum deles, possui densidade em termos de essencialidade para atrair a classificação de insumo para si. Do contrário, uma norma que foi aclarada sua aplicação pelo STJ, volta a ser obscura e sujeita a interpretações para as quais se aplica critérios imprecisos e obscuros. Desse modo, as despesas com marketing devem ser glosadas. INFRAÇÃO V – EMBALAGENS COMO INSUMO NUMA OPERAÇÃO DE REVENDA O contribuinte procura refutar as conclusões da auditoria meramente alegando tratar-se de produtos para revenda. Para refutar de forma eficaz as conclusões da auditoria, deveria indicar itens de NFe de saída em que essas embalagens são vendidas separadamente. De fato, não foram vendidas separadamente, mas incorporadas ao produto principal, servindo como insumo. E insumos não geram crédito em operações de venda. Além disso, não geram direito a creditamento as devoluções de vendas desses insumos. INFRAÇÃO VI – DESPESAS COM ALUGUEL DE IMÓVEIS QUE JÁ TRANSITARAM NO ATIVO Fl. 1388DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 5 O contribuinte já houvera sido auditado em relação a outros períodos, tendo sido apurado que se creditou de despesas de aluguel sobre imóveis de terceiros, mas que já houveram transitado no seu ativo. Tais constatações foram formalizadas nos processos nº 16682.721185/2018-35 (fls. 6049 a 6052 do referido processo) e 16682.721499/2013-23. A relação de imóveis que constantes desses processos é a seguinte: (...) Estando tais constatações já feitas em outros autos administrativos tributários, nos quais foram corroboradas depois de contraditório e ampla defesa num contencioso administrativo tributário, não restam maiores dúvidas que impeçam de glosar todos os aluguéis referentes aos imóveis da planilha acima que foram usados pelo contribuinte como geradores de créditos das contribuições. INFRAÇÃO VII – CT-E SEM CHAVE Em resposta de fls. 16784, o contribuinte informou ter juntado as chaves que houvera encontrado até aquele momento, os quais vieram no anexo de fls. 16.875. Aproveitou o ensejo para solicitar 20 dias adicionais de prazo para juntar o restante. Esse pedido foi feito em 09/01/2023, contudo, até o momento, não juntou o restante. Assim, os CTe que não juntou a respectiva chave, devem ser glosados. INFRAÇÃO VIII – RECEITAS FINANCEIRAS O contribuinte foi cientificado da Intimação n' 14.878/2022 que, em seu item 6, requereu-se o seguinte: “(...) No anexo VI, são elencados os lançamentos de receitas financeiras das ECD do contribuinte. Já no anexo VII, tais lançamentos são consolidados em rubricas e comparados com as mesmas rubricas da EFD. No caso dos meses de agosto a dezembro de 2016, na EFD, o contribuinte não discriminou por rubrica, e a comparação com a EFD se deu pelo valor total das receitas com tributação diferenciada na EFD. Observa se, no anexo VII, as divergências entre as receitas financeiras da ECD e da EFD. Reiteradamente, ao longo dos meses, o contribuinte ofereceu à tributação do PIS e Cofins, receita financeira menor que a escriturada nas ECD, devendo tais valores serem considerados na apuração desta auditoria, gerando os débitos de PIS e Cofins correspondentes. Assim, o contribuinte deve apresentar suas contra razões a tal conclusão.” . Em resposta de fls. 16.616 a 16.619, o contribuinte afirmou que a divergência encontrada pela auditoria decorre do fato de ter considerado somente os lançamentos a crédito da conta contábil 61030001 – DESCONTOS OBTIDOS Fl. 1389DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 6 FORNECEDORES/OUTRO, mas não somente o saldo da conta, em que se deve diminuir os lançamentos a débito dos lançamentos a crédito, vez que se referem a despesas e receitas financeiras, respectivamente. Contudo, a argumentação do contribuinte não merece prosperar, vez que a tributação das receitas financeiras se faz pelos lançamentos a crédito, sem se descontar eventuais custos ou despesas. Assim, as referidas diferenças devem ser tributadas como receitas financeiras. CONCLUSÃO As glosas representativas das oito infrações acima discriminadas vêm compiladas nas planilhas I a VIII, em anexo. As planilhas de apuração dos blocos A, C, D e F trazem os valores de base de cálculo de créditos e de débitos dos referidos blocos, ajustados pelas glosas dos anexos I a VIII. Já a planilha Consolidação Créditos x Débitos traz os cálculos de consolidação, rateio proporcional e dedução dos créditos nos débitos. Ao final, todo o crédito 101 foi utilizado, tanto para PIS quanto para Cofins. Dos créditos código 201, que são os ressarcíveis, sobraram os seguintes valores: (...) Cientificada do despacho decisório a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela C. 17ª Turma da DRJ07, em acórdão assim ementado: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. REsp nº 1.221.170-PR. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. EFEITOS. INAPLICABILIDADE. Impossibilidade de extensão dos efeitos da decisão proferida pelo STJ, no âmbito do REsp nº 1.221.170-PR, a outros tipos de créditos que não o vinculado à aquisição de insumos, previsto no art. 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em se tratando de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação, cabe a empresa demonstrar cabalmente a certeza e liquidez do seu direito creditório, com base em documentação e informações idôneas, amparadas pela legislação correlata. Fl. 1390DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 7 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS. Na atividade de comércio não é possível a apuração de créditos da não cumulatividade do PIS ou da Cofins, com base no inciso II do art. 3º das Leis n°s 10.637/02. e 10.833/03, pois a hipótese prevista em tais dispositivos destina-se às atividades industriais ou de prestação de serviços. CRÉDITOS COM DESPESAS DE ALUGUÉIS. BENS ANTERIORMENTE PERTENCENTES AO PATRIMÔNIO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 1º/08/2004, é vedada a apropriação de créditos da não cumulatividade das contribuições relativo a despesas de aluguéis de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2016 a 31/12/2016 VERIFICAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DE TRIBUTOS. LANÇAMENTO VERSUS RECONHECIMENTO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. A verificação da base de cálculo do tributo não é cabível apenas para fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez do crédito invocado pelo sujeito passivo, para extinção de outros débitos fiscais. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação informada em DCOMP, que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo da declaração. DIREITO CREDITÓRIO JÁ ANALISADO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não é cabível a rediscussão de direito creditório vinculado a pedido de ressarcimento, cuja matéria já foi analisada em outro processo administrativo fiscal, no qual foi indeferido. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, exceto nos casos especificados em lei. DOCUMENTOS. TEMPO DE GUARDA. OBRIGATORIEDADE. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, Fl. 1391DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 8 enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Inconformada, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, os mesmos argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Conforme se verifica do Termo Fiscal que amparou o Despacho Decisório, os créditos dos saldos acumulados de períodos anteriores foram glosados com base nos seguintes fundamentos: “a) Conforme Termo de Verificação Fiscal do Processo nº 16682.721185/2018-35, que versa sobre ação fiscal em face do contribuinte, o saldo anterior de créditos passíveis de dedução em 31/12/2014 é zero; b) Para os anos de 2015 e 2016, conforme Termo de Verificação Fiscal do Processo nº 17227.720022/2022-51, foram feitas verificações nos registros 1100 (PIS) e 1500 (Cofins) da EFD Contribuições, nos processos de análise de ressarcimentos nº 16682.900239/2020-41 e 16682.901297/2020-92, além dos Pedidos de Ressarcimento. Como resultado, foi elaborada a planilha anexa (ANEXO III e ANEXO IV), em que se verificou que em 31/12/2016, o contribuinte possuía saldo devedor de PIS e Cofins, independente das análises que aqui são feitas. (...) Observa-se dos anexos I.A e I.B, deste Termo, que para o período auditado, o contribuinte não poderia usar crédito algum de períodos passados. Há de se observar no anexo I.B que houve um erro de fato na sua elaboração, vez que o saldo negativo de dezembro de 2015 foi levado positivo para janeiro de 2016. Contudo, ressalvada essa incongruência, resta evidente que para abril a dezembro de 2016, o contribuinte não poderia usar créditos de períodos anteriores a abril de 2016 para deduzir PIS e Cofins.” Fl. 1392DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 9 Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente alegou que: i) Não existe decisão definitiva em relação aos processos que analisaram créditos de períodos anteriores a 2016; ii) Os processos citados nºs 16682-900.239/2020-41 e 16682-901.297/2020-92, em verdade, cuidam apenas de decidir pedidos de ressarcimento da COFINS, sem relação com o PIS do 4º trimestre de 2016; e iii) Ainda que não obtenha decisão favorável em relação aos processos de PA anteriores, o saldo credor glosado em períodos anteriores será, ao cabo, confirmado via pagamento. Em que pese as alegações da Recorrente, a DRJ negou provimento ao recurso com base no seguinte entendimento: “Em relação aos processos acima citados, referentes ao ano 2015, cabe registrar que foram proferidos acórdão unanimes pelos membros desta 17ª Turma de Julgamento em 24/05/2021 e em 07/06/2021, em que, por unanimidade de votos, manteve-se o “INDEFERIMENTO do PER e a NÃO HOMOLOGAÇÃO das DCOMP, por não restar crédito disponível”. Sendo assim, este colegiado já demonstrou seu entendimento sobre a questão levantada que está em consonância o esposado na Informação Fiscal no sentido de que o contribuinte não possui nenhum saldo de créditos do PIS e da Cofins de períodos anteriores a transferir para 01/01/2016. Mas, ainda, que estas questões não tivessem sido apreciadas e decididas, de forma unânime, por este colegiado, não caberia a reabertura das discussões nestes autos, uma vez que elas já foram analisadas anteriormente nos referidos processos. Seria incongruente a fiscalização (e esta instância de julgamento) aceitar qualquer saldo positivo de créditos de períodos anteriores, quando restou atestado não haver crédito disponível. E quanto a possibilidade de o contribuinte futuramente quitar os débitos informados nas DCOMPs não homologadas nos processos relativos a 2015, este fato não tem o condão de confirmar saldo residual desse período, que é o que se pretende utilizar em 2016.” Como se vê, a DRJ reafirma o entendimento fiscal no sentido de que o saldo credor do período anterior foi negado em razão da discussão tratada em outros processos administrativos, quais sejam: 16682-900.239/2020-41 (3º trimestre de 2015) e 16682- 901.297/2020-92 (4º trimestre de 2015). Em consulta ao sistema de acompanhamento processual do CARF, é possível observar que ambos os processos encontram-se aguardando sorteio de Relator para o Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte. Confira-se Fl. 1393DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 10 Entendo, assim, tal como mencionado no Despacho Decisório e vinculado no acordão da DRJ, que a matéria tratada nestes autos está estritamente ligada aos processos acima mencionados Portanto, percebo que os processos n.°s 16682-900.239/2020-41 e 16682- 901.297/2020-92 devem necessariamente ser julgado antes do presente caso na medida em que eles impactam no crédito de período anterior a ser considerado no pedido de ressarcimento sob análise. Ante o acima exposto, para que haja compatibilidade e coerência nas decisões a serem proferidas sobre o tema, especialmente no que consiste na existência de saldo credor do período anterior, proponho que o presente processo fique sobrestado na Câmara até que os processos n.°s 16682-900.239/2020-41 e 16682-901.297/2020-92 sejam a mim distribuídos e Fl. 1394DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.474 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.910049/2021-35 11 pautado para julgamento, nos termos do artigo 47, §2° e §3°, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.° 1.634/2023). É a resolução. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 1395DF CARF MF Original Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.1224.11268.R40K. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 09/10/2024 07:56:56 por Marcos Roberto da Silva. Documento assinado digitalmente em 09/10/2024 07:56:56 por MARCOS ROBERTO DA SILVA e Documento assinado digitalmente em 28/09/2024 16:12:03 por LAURA BAPTISTA BORGES. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/12/2024. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: EP16.1224.11268.R40K 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 5BD6EB15B4CC3F800BF652481E2F9BFB1CDF625EA038406C224CB6C4C4F18126 página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12448.910049/2021-35. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000524/2005-41
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
EXERCÍCIO: 2002,2003, 2004
MULTA REGULAMENTAR. APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE, PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A falta ou atraso na apresentação da DIF- Papel Imune ensejava, à época dos fatos, a imposição da multa R$ 5.000,00, por mês-calendário, para quem deixasse de fornecer, nos prazos estabelecidos as informações através da entrega da DIF Papel Imune, prevista no artigo 57, I, da MP 2.158-35, de 2001. Entretanto, a Lei No. 11.945, de 04/06/2009 estabeleceu penalidade mais específica para os casos de não apresentação, nos prazos estabelecidos, da DIF - Papel Imune. A lei especial revoga a geral no que esta tem de especial
Deve ser aplicada, portanto, a retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea "c", do CTN, uma vez que a penalidade prevista no artigo 1º, parágrafo 4°., inciso II, da Lei 11.945/2009 é menos severa que aquela prevista no artigo 57, I, da MP 2.158-34/2001, vigente ao tempo de sua prática.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Alegações acerca de inconstitucionalidade das normas tributárias não podem ser apreciadas na esfera administrativa, por transbordarem os limites de sua competência legal. O que <|£ve ser verificado no contencioso administrativo é a correta aplicação da norma, não a sua validade, visando o controle da legalidade do lançamento tributário. Neste sentido a Súmula CARF Nº. 02.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-000.605
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Numero do processo: 15746.720190/2020-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017
AUTO DE INFRAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTOS E COMPENSAÇÕES REALIZADAS ANTES E DEPOIS DO LANÇAMENTO FISCAL.
O Auto de Infração é meio de constituição do crédito tributário. Tendo sido identificados pagamentos e/ou compensações anteriores ao lançamento tributário, essa forma de constituição do crédito se mostra indevida.
Contudo, se ocorrerem pagamentos e/ou compensações posteriores ao lançamento tributário, tem-se, no caso, modalidades de extinção do crédito constituído via Auto de Infração, cuja lavratura se mostra correta e deve ser mantida.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO.
A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determina-se pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum appellatum.
O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC). No mesmo sentido, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72.
APRESENTAÇÃO DE FATOS NOVOS JÁ CONHECIDOS. PRECLUSÃO CONSUMATIVA.
Se o recorrente altera completamente suas razões de defesa, invocando fatos novos, que não constavam do recurso analisado pela 1ª instância, tem-se evidente caso de preclusão consumativa e, assim sendo, tal matéria não deve ser conhecida pelo Colegiado, pois trata-se de inovação recursal, tendo em vista que tais fatos não foram apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o que determina o art. 16, inciso III e § 4º do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 17 do mesmo diploma legal. Como este argumento se refere a motivos de fato, e não de direito, também não é possível que seja conhecido de ofício.
Numero da decisão: 3302-014.843
Decisão: : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria referente à “duplicidade de lançamentos referentes aos pagamentos de Licence Fee Fev17” e, na parte conhecida, negar provimento.
Assinado Digitalmente
Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Sílvio José Braz Sidrim, Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTOS E COMPENSAÇÕES REALIZADAS ANTES E DEPOIS DO LANÇAMENTO FISCAL. O Auto de Infração é meio de constituição do crédito tributário. Tendo sido identificados pagamentos e/ou compensações anteriores ao lançamento tributário, essa forma de constituição do crédito se mostra indevida. Contudo, se ocorrerem pagamentos e/ou compensações posteriores ao lançamento tributário, tem-se, no caso, modalidades de extinção do crédito constituído via Auto de Infração, cuja lavratura se mostra correta e deve ser mantida. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determina-se pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum appellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC). No mesmo sentido, o art. 17 do Decreto nº 70.235/72. APRESENTAÇÃO DE FATOS NOVOS JÁ CONHECIDOS. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Se o recorrente altera completamente suas razões de defesa, invocando fatos novos, que não constavam do recurso analisado pela 1ª instância, tem-se evidente caso de preclusão consumativa e, assim sendo, tal matéria não deve ser conhecida pelo Colegiado, pois trata-se de inovação recursal, Fl. 13158DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 2 tendo em vista que tais fatos não foram apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o que determina o art. 16, inciso III e § 4º do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 17 do mesmo diploma legal. Como este argumento se refere a motivos de fato, e não de direito, também não é possível que seja conhecido de ofício. ACÓRDÃO : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria referente à “duplicidade de lançamentos referentes aos pagamentos de Licence Fee Fev17” e, na parte conhecida, negar provimento. Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Martinez Piccini, Marina Righi Rodrigues Lara, Sílvio José Braz Sidrim, Francisca das Chagas Lemos, José Renato Pereira de Deus e Lázaro Antônio Souza Soares (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo de Impugnação apresentada pelo contribuinte acima identificado contra o Auto de Infração de fls. 12591/12597, por meio do qual foi exigida a importância de R$45.909.658,34 a título de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (instituída pela Lei nº 10.168, de 2000) referente a fatos ocorridos ao longo dos anos de 2016 e 2017, acrescida de multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais, totalizando R$91.679.388,04. O procedimento fiscal teve início em 10/05/2019 e tinha como objeto os tributos de IRRF, IRPJ e CIDE-Remessas relativos ao ano-calendário de 2016, período que foi posteriormente estendido para o ano de 2017. Como resultado da ação fiscal também foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL, multa por apresentação da escrituração contábil fiscal (ECF) com dados incompletos e IRRF. A autoridade tributária elaborou um único Termo de Verificação Fiscal (fls. 12.583- 12.588) que abordou as irregularidades detectas em relação a todos os tributos. Foram apurados, com base na contabilidade do interessado, os valores de CIDE relativos a pagamentos de royalties e serviços técnicos, e realizado o cotejamento com os débitos correspondentes declarados em Fl. 13159DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 3 DCTF, bem como os depósitos judiciais de CIDE, efetuando o lançamento das diferenças devidas, conforme demonstra a planilha de fl. 12.590 (arquivo não-paginável). Cientificado da autuação em 28/10/2020, o interessado apresentou, em 26/11/2020, sua Impugnação. Inicialmente, reconhece que parte dos valores lançados resultou, de fato, de insuficiência de recolhimento em decorrência de erro de procedimento interno. Assim, quitou R$871.991,26 via compensação através da Dcomp nº 20513.76532.241120.1.3.57-6117 de fls. 12.662/12.671. Todavia, discorda dos demais lançamentos tributários, afirmando que as supostas insuficiências de recolhimento apontadas decorrem de equívocos cometidos pelo Auditor-Fiscal. A 15ª Turma da DRJ-07, em sessão datada de 25/05/2021, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação parcialmente procedente, cancelando em parte o lançamento de CIDE, conforme quadro demonstrativo a seguir: Foi exarado o Acórdão nº 107-008.562, às fls. 13104/13120, com a seguinte Ementa: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Considera-se definitivamente constituído na esfera administrativa o crédito tributário objeto de lançamento não impugnado. CIDE. ROYALTIES. SERVIÇOS TÉCNICOS. RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR. REMESSAS. CRÉDITO CONTÁBIL REPRESENTATIVO DE PAGAMENTO. REGISTRO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Estão sujeitas à incidência na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de serviços técnicos e royalties, a qualquer título. Correto o procedimento fiscal de efetuar os lançamentos tributários com base nos créditos contábeis representativos dos efetivos pagamentos de royalties. A Fl. 13160DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 4 contabilidade não cria fatos, mas os reproduz em linguagem competente, demonstrando, no caso, a ocorrência do fato gerador do imposto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO JÁ DECLARADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos créditos tributários nela consignados, não havendo necessidade de lançamento de ofício para a constituição do crédito tributário. JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 11/06/2021 (conforme TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM, à fl. 13129), apresentou Recurso Voluntário em 08/07/2021, juntado às fls. 13132/13141, cujos argumentos serão analisados ao longo do voto. Em razão do valor exonerado, também foi apresentado Recurso de Ofício. É o relatório. VOTO Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. I – DO RECURSO DE OFÍCIO I.1 - ADMISSIBILIDADE A decisão de piso cancelou crédito tributário no valor de R$42.788.293,56. Em razão do montante exonerado, o Colegiado a quo recorreu de ofício a este Conselho. O limite de alçada para a admissibilidade de Recurso de Ofício está estabelecido na Portaria/MF nº 02, de 17/01/2023: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento de Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$15.000.000,00 (quinze milhões de reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Fica revogada a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Art. 3º Esta Portaria entrará em vigor em 1º de fevereiro de 2023. Fl. 13161DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 5 Assim, conheço do Recurso de Ofício, em razão do valor exonerado ser superior ao limite de alçada de R$15.000.000,00, estabelecido no artigo 1º da Portaria/MF nº 02/2023. I.2 – DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO DA DRJ A decisão da DRJ foi exarada com a seguinte fundamentação: Primeiramente, cabe frisar que a peça impugnatória é parcial, visto que a defesa não combateu parte dos lançamentos tributários efetuados, os quais foram compensados através da Dcomp nº 20513.76532.241120.1.3.57-6117 de fls. 12.662-12.671. (...) No mérito, o interessado apontou dois supostos equívocos que teriam sido cometidos pelo auditor-fiscal. O primeiro diz respeito ao momento do fato gerador da CIDE. (...) Portanto, verifica-se que o auditor-fiscal apurou a base de cálculo da CIDE, embasado nos lançamentos contábeis relativos aos pagamentos dos royalties, sendo certo que o pagamento é fato gerador do tributo, conforme indicou no Termo de Verificação Fiscal (arts. 2º e 3º da Lei nº 10.168/2000): (...) Logo, reputo improcedentes os argumentos da defesa neste ponto. Por outro lado, cabe razão em parte às alegações do interessado relativo ao que chama de 2º equívoco cometido pela Fiscalização, ou seja, de ter ignorado o valor de compensações realizadas para quitar os débitos de CIDE, como se verá. A defesa juntou aos autos um relatório detalhado com explicações mês a mês das diferenças apontadas pela autoridade fiscal, demonstrando que os lançamentos tributários são improcedentes (fls. 12.672-12.688). Assim, foi realizado o exame deste relatório, bem como dos documentos que o amparam. Primeiramente, cabe dizer que questionamentos sobre as bases de cálculo apuradas pela Fiscalização já foram tratados anteriormente neste voto, sendo consideradas corretas; com isso, não há nada a acrescentar sobre os argumentos do relatório trazido pela defesa em relação ao mês de março de 2017, cujo lançamento tributário deve ser mantido. No que tange ao mês de dezembro de 2017, o interessado argumenta que não foi considerado pela autoridade fiscal o depósito judicial no valor de R$ 680.037,80 (fls. 12.688 e 13.065). Em consulta aos sistemas foi possível atestar esta quantia, conforme tela a seguir: Fl. 13162DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 6 (...) Tendo em vista que esta quantia é superior a diferença apurada pela Fiscalização, concluo que o lançamento tributário referente a este período deve ser cancelado. Em relação aos demais meses, o contribuinte indicou os débitos de CIDE que foram objeto de Declarações de Compensação, os quais não foram considerados pela Fiscalização. Pois bem, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), verificou- se que o interessado, de fato, declarou os débitos constantes do relatório nas Dcomps indicadas (fls. 13.069-13.092). Destaca-se que as Dcomps nº 36747.43671.130616.1.3.04-6305, nº 04141.19492.150816.1.3.04-4318, nº 02441.68905.150816.1.3.03-1429 e nº 23547.09169.131216.1.3.02-1517, foram retificadas pelas Dcomps nº 17993.90022.200716.1.7.04-2733, nº 25265.54285.140916.1.7.04-4201, 25873.92347.220916.1.7.03-1341 e 34759.55998.210618.1.7.02-6943, respectivamente (fls. 13.093-13.103). Todavia, com exceção da Dcomp retificadora nº 25265.54285.140916.1.7.04-4201 em que houve redução do débito de CIDE de R$ 4.172.029,78 para R$ 3.403.191,63, as demais Dcomps retificadoras mantiveram os débitos de CIDE com o mesmo código de arrecadação, período de apuração e valor, logo, tem o mesmo efeito das declarações retificadas no que importa à presente análise. Quanto à Dcomp retificadora nº 25265.54285.140916.1.7.04-4201, apesar da redução do débito, considerada a soma dos débitos de CIDE de julho de 2016 das demais Dcomps apontadas pela defesa, o valor é superior a diferença apurada pela Fiscalização. Neste aspecto, é necessário atentar-se para o §6º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que estabelece que a Declaração de Compensação constitui confissão de dívida: (...) Deste modo, os débitos oriundos dos lançamentos tributários, que, na data da autuação, já constavam como objeto de Declaração de Compensação, não deveriam ser lançados, haja vista que já estavam constituídos. Assim, em vista das verificações realizadas, concluo que devem ser cancelados os débitos lançados constantes do quadro demonstrativo ao final deste voto. Não há como divergir da decisão da DRJ, e nada a acrescentar. De fato, “os débitos oriundos dos lançamentos tributários, que, na data da autuação, já constavam como objeto de Declaração de Compensação, não deveriam ser lançados, haja vista que já estavam constituídos”. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. II – DO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 13163DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 7 II.1 - ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. II.2 – FUNDAMENTAÇÃO Neste tópico, o Recorrente apresenta seus argumentos nos seguintes termos: 8. Em sessão de julgamento do dia 25/05/2021, a 15ª Turma da DRJ 07, por unanimidade, julgou a Impugnação da Recorrente procedente em parte, a fim de cancelar em parte os lançamentos tributários efetuados, ante o reconhecimento das compensações realizadas pela Recorrente e que não foram consideradas pela Autoridade Fiscal. 9. Veja-se a íntegra da ementa do v. acórdão de fls. 13104/13121: (...) 10. Com o julgamento, a DRJ 07 elaborou o seguinte quadro: 11. Ou seja, o r. acórdão recorrido manteve apenas o crédito tributário de CIDE relativo ao período de março/2017. 12. Desde já, a Recorrente informa que, na data de hoje, apresentou petição requerendo a extinção do crédito tributário a título de CIDE supostamente não impugnado, relativo aos períodos de janeiro, abril, maio e junho/2016 e de abril/2017 e compensado por meio da DCOMP nº 20513.76532.241120.1.3.57- 6117, com fundamento no artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. (...) 15. Nesse contexto, a Recorrente demonstrou em sua Impugnação que a Autoridade Fiscal cometeu dois equívocos no lançamento dos supostos débitos. 16. O 1º equívoco decorreu da utilização pela Autoridade Coatora, como referência para se determinar a base de cálculo da CIDE, do valor do lançamento Fl. 13164DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 8 contábil realizado pela Recorrente, e não o valor da remessa efetivamente formalizada em contrato de câmbio, o que levou a identificação de supostas diferenças em determinados meses do período autuado. 17. Isso porque, em face da aplicação do regime de competência na apuração de receitas e despesas, ao qual a Impugnante está submetida, o lançamento contábil da despesa de royalties não irá coincidir necessariamente com o momento das remessas dos recursos. Trata-se do efeito prático causado pelo regime contábil: a despesa deverá ser escriturada quando incorrida, independentemente de haver o efetivo pagamento (efeito caixa). 18. Em relação ao 2º equívoco, a Autoridade Fiscal desconsiderou as compensações realizadas pela Recorrente para quitar os débitos de CIDE, compensações essas que foram regularmente declaradas e processadas, sendo formas regulares de quitação do débito tributário, nos termos do art. 156, inciso II, do CTN. (...) 20. Submetida a Impugnação a julgamento, o v. acórdão decidiu o seguinte: (...) 21. Assim, passa a Recorrente a expor as razões de reforma parcial dos entendimentos acima. III.A - FALHAS NA ANÁLISE DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DA RECORRENTE PELA D. AUTORIDADE FISCAL – MÊS DE MAR/2017 22. Como demonstrado acima e na tabela acostada no v. acórdão recorrido, o v. acórdão recorrido manteve apenas o lançamento relativo à CIDE do período de apuração de março/2017, no valor de R$2.607.546,64, na medida que considerou como correta a base de cálculo apurada pela D. Autoridade Fiscal. 23. Como lembrança, a Autoridade Fiscal lançou o débito de CIDE no valor de R$2.607.546,64, nos termos abaixo: (...) 24. No entanto, merece reforma o v. acórdão recorrido, na medida que a D. Autoridade Fiscal não considerou o lançamento contábil no valor de R$23.978.383,28 a crédito (Pagamento de Licence Fee Fev17), a título de estorno contábil do valor do débito de mesmo valor anteriormente lançado na conta contábil, considerando que houve lançamento em duplicidade: (...) 25. Como se vê acima e com base na planilha juntada pela própria Autoridade Fiscal, houve duplicidade de lançamentos referentes aos pagamentos de “Licence Fee Fev17”, razão pela qual a Recorrente procedeu com o estorno, o qual foi desconsiderado pela Autoridade Fiscal em seus cálculos. Fl. 13165DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 9 26. Em outras palavras, no lugar de considerar a base de cálculo da CIDE como sendo equivalente a R$29.378.211,82, tal como demonstrado acima, o valor incorretamente considerado pela Autoridade Fiscal foi de R$57.588.074,51, o que levou ao erro aqui apontado. 27. Diante disso, não subsiste o lançamento de CIDE relativo a março/2017, no valor de R$ 2.607.546,64, devendo o crédito tributário ser extinto pelo pagamento, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional. IV - IMPOSSIBILIDADE DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA 28. Além de todo o exposto, cumpre esclarecer que, como é cediço, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procede à cobrança do crédito tributário em montante composto pelo valor principal do tributo, multa e juros de mora sobre o principal e sobre a multa. 29. Este também foi o entendimento do v. acórdão recorrido, afastando os argumentos da Recorrente, trazendo à baila a Súmula CARF nº 108. 30. Ocorre que, não há disposição legal que positive a incidência dos juros de mora sobre a multa, o que inclusive vem sendo reconhecido por recentes julgamentos do CARF. Conforme consta do relatório deste acórdão, após o julgamento na DRJ, remanesceram duas questões a serem apreciadas, em razão da negativa de provimento: (i) petição requerendo a extinção do crédito tributário relativo aos períodos de janeiro, abril, maio e junho/2016 e de abril/2017, em razão de ter sido compensado por meio da DCOMP nº 20513.76532.241120.1.3.57-6117; e (ii) alegado equívoco da Autoridade Tributária decorrente da utilização, como referência para se determinar a base de cálculo da CIDE, do valor do lançamento contábil realizado pelo recorrente, e não o valor da remessa efetivamente formalizada em contrato de câmbio, o que levou à identificação de supostas diferenças em determinados meses do período autuado. Em relação a este 2º tópico, verifico que o recorrente, apesar de informar que trouxe essa alegação na Impugnação, não a reiterou no presente Recurso Voluntário; pelo contrário, abandonou completamente esse fundamento e passou a advogar a tese de que, com base na planilha juntada pela Fiscalização, houve duplicidade de lançamentos referentes aos pagamentos de “Licence Fee Fev17”, razão pela qual procedeu com o estorno, o qual foi desconsiderado pela Autoridade Fiscal em seus cálculos. Como se verifica na Impugnação, acostada às fls. 12610/12618, essa matéria não foi sequer ventilada pelo contribuinte; na decisão da DRJ, não há qualquer menção sobre esse fundamento de defesa. Trata-se, de forma evidente, de inovação recursal; nesse contexto, não há como tomar conhecimento deste argumento. Fl. 13166DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 10 Como essa alegação se refere a matéria fática, e não sobre questões exclusivamente “de direito”, também não há como se aventar o conhecimento de ofício desse fato, pois não se constitui em matéria de ordem pública, cognoscível em qualquer fase processual. Trata-se de inovação recursal, tendo em vista que tais fatos não foram apresentados na Impugnação. É o que determina o art. 16, inciso III e § 4º do Decreto nº 70.235/72, c/c o art. 17 do mesmo diploma legal: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. No mesmo sentido o art. 1.013, § 1º, da Lei nº 13.105/2015 (CPC): Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. Fl. 13167DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 11 § 1º Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. Esse também é o entendimento doutrinário, conforme lecionam Fredie Didier Jr. et alii na obra Curso de Direito Processual Civil, 13ª ed., vol. 03, 2016, págs. 142: 10.3. Efeito devolutivo: extensão e profundidade (efeito translativo) (...) A interposição do recurso transfere ao órgão ad quem o conhecimento da matéria impugnada. O efeito devolutivo deve ser examinado em duas dimensões: extensão (dimensão horizontal) e profundidade (dimensão vertical). Podem variar, de recurso para recurso, a extensão e a profundidade do efeito devolutivo. O estudo da profundidade do efeito devolutivo é examinado por alguns autores como se se tratasse de efeito diverso: denominam o fenômeno de efeito translativo. A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determina-se pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum appellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC). Sobre o tema, convém ressaltar que as normas que cuidam da apelação funcionam como regra geral. A extensão do efeito devolutivo determina o objeto litigioso, a questão principal do procedimento recursal. Trata-se da dimensão horizontal do efeito devolutivo. Portanto, essa matéria foi atingida pela preclusão consumativa, razão pela qual não pode ser conhecida. Quanto ao 1º tópico, no qual, relembro, o contribuinte requer a extinção do crédito tributário relativo aos períodos de janeiro, abril, maio e junho/2016 e de abril/2017, em razão de ter sido compensado por meio da DCOMP nº 20513.76532.241120.1.3.57-6117, devo trazer as razões do Colegiado a quo para negar provimento ao pedido, verbis: Primeiramente, cabe frisar que a peça impugnatória é parcial, visto que a defesa não combateu parte dos lançamentos tributários efetuados, os quais foram compensados através da Dcomp nº 20513.76532.241120.1.3.57-6117 de fls. 12.662-12.671. Logo, tais créditos tributários restaram definitivamente constituídos na esfera administrativa: Fl. 13168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 12 Com razão a DRJ. Observe-se que, no tópico sobre o Recurso de Ofício, restou decidido que o Auto de Infração é meio de constituição do crédito tributário. Tendo sido identificados pagamentos e/ou compensações anteriores ao lançamento tributário, essa forma de constituição do crédito se mostra indevida. Contudo, se ocorrerem pagamentos e/ou compensações posteriores ao lançamento tributário, tem-se, no caso, modalidades de extinção do crédito constituído via Auto de Infração, cuja lavratura se mostra correta e deve ser mantida. O Auto de Infração foi lavrado em 26/10/2020, com ciência em 27/10/2020 (fl. 12606); a Dcomp nº 20513.76532.241120.1.3.57-6117, por sua vez, foi transmitida em 24/11/2020, posteriormente à referida ciência. Logo, não há como dar provimento ao pedido pela extinção do crédito tributário, uma vez que sua constituição via lançamento fiscal se mostrou correta, tendo sido, inclusive, a razão para a compensação realizada. Conforme informado pelo contribuinte, a DCOMP nº 20513.76532.241120.1.3.57- 6117, ainda pende de análise pela Secretaria da Receita Federal. Caso o crédito lhe seja concedido, deverá ser feita a imputação proporcional quando da liquidação desta decisão. Essa questão foge à competência deste Colegiado, que deve se limitar a decidir se a constituição do crédito tributário em litígio foi correta ou não. Perceba-se que há clara distinção em relação ao que foi decidido no tópico sobre o Recurso de Ofício: lá, como dito acima, a constituição do crédito não deveria ter sido realizada, pois o crédito já estava constituído previamente à lavratura da autuação; aqui, ao contrário, tal ato administrativo era indispensável, pois quando da lavratura o crédito não estava constituído, pouco importando para esse julgamento se houve pagamento/compensação em seguida, pois essa questão é de competência da unidade preparadora da Receita Federal. III – DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria referente à “duplicidade de lançamentos referentes aos pagamentos de Licence Fee Fev17” e, na parte conhecida, negar provimento. Fl. 13169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3302-014.843 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15746.720190/2020-91 13 Assinado Digitalmente Lázaro Antônio Souza Soares Fl. 13170DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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