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Numero do processo: 10835.721212/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Aug 29 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. Comprovada a simulação de uma operação de aquisição de diversos bens do ativo permanente, para fruição indevida do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, verifica-se a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SUMULA CARF N° 4. Os juros de mora em percentuais equivalentes à taxa Selic decorrem de expressa previsão legal quando o sujeito passivo descumpre a obrigação principal de forma tempestiva. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS FINANCEIRAS. EMPRÉSTIMOS REPASSADOS SEM ÔNUS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O patrimônio da entidade e, por conseqüência, a atividade empresarial organizada em seu entorno, não se deve confundir com o patrimônio e o empreendimento de seus sócios, sob pena de completa descaracterização da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e seus sócios. As empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico podem e devem se relacionar, visando a um objetivo comum, mas isso não autoriza que uma entidade contábil assuma os encargos da atividade empresarial de outra, sob pena de descaracterização de sua autonomia. Para fins de apuração do lucro tributável, apenas são dedutíveis as despesas necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas financeiras assumidas pela pessoa jurídica, mas que beneficiaram, exclusivamente, a atividade e o empreendimento da controladora, não se encontram abrangidas pelo preceito normativo. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE RURAL. AGROINDÚSTRIA. Os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. No caso de Agroindústria que detém toda a cadeia produtiva e que aufira receita exclusivamente da venda do produto final industrializado, considera-se que não explora atividade rural e por consequência não faz jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 6º da Medida Provisória nº 2.159-70 de 2001, ainda que quaisquer das etapas anteriores à industrialização refiram-se a atividade rural. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. SIMULAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. Comprovado em Laudos elaborados por empresas especializadas, que os veículos, objeto de depreciação acelerada incentivada, já integravam o patrimônio da contribuinte, e diante da ausência de comprovação da regularidade das baixas contabilmente registradas, seguidas de novos registros dos mesmos veículos, com base em notas fiscais emitidas pela controladora, resta configurada a simulação absoluta da aquisição dos bens, porque, de fato, nenhuma operação ocorreu. ART. 195 DO CTN. DEPRECIAÇÃO. GUARDA DE DOCUMENTOS. FATOS DE EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. PRAZO. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, quando eles repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros ainda não decaídos ou prescritos, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência ou prescrição do direito de a Fazenda Pública constituir e exigir os créditos tributários relativos a esses exercícios afetados. Os encargos de amortização, depreciação ou exaustão decorrem de registro pretérito de gastos efetuados pela pessoa jurídica, gastos esses que devem ser comprovados na forma da lei. O contribuinte está obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração contábil e os documentos que se refiram a fatos que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL calculados por estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. Como são distintas e autônomas as hipóteses de incidência, as bases de cálculo e os fatos sobre os quais incidem a multa isolada de 50%, por falta de recolhimento das estimativas mensais, e a multa de ofício de 75%, por falta de pagamento do IRPJ e CSLL devidos no Ajuste Anual, não se caracteriza a duplicidade de penalidade sobre o mesmo fato. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 8 DA LEI 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base no artigo 106, II, “c” do CTN e no artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, o qual prevê nova redação para a qualificação da multa, menos gravosa para o contribuinte sancionado, deve haver a aplicação da retroatividade benigna
Numero da decisão: 1401-007.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso no tocante à glosa de R$ 8.874.536,84 pelo aproveitamento indevido do benefício fiscal de depreciação acelerada rural de bens do ativo permanente imobilizado; vencidos os conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Gustavo de Oliveira Machado e Andressa Paula Senna Lísias; Por maioria de votos, negar provimento ao recurso no tocante à exigência da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL; vencidos os conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Andressa Paula Senna Lísias que lhe davam provimento. Por unanimidade de votos, (i) negar provimento ao recurso no tocante às demais glosas e em relação à qualificação da multa de ofício e a incidência de juros sobre a multa; (ii) de ofício reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%, haja vista a retroatividade benigna posta pela Lei nº 14.689/2023. Sala de Sessões, em 12 de agosto de 2024. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Claudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado)
Nome do relator: FERNANDO AUGUSTO CARVALHO DE SOUZA

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Comprovada a simulação de uma operação de aquisição de diversos bens do ativo permanente, para fruição indevida do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, verifica-se a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SUMULA CARF N° 4. Os juros de mora em percentuais equivalentes à taxa Selic decorrem de expressa previsão legal quando o sujeito passivo descumpre a obrigação principal de forma tempestiva. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS FINANCEIRAS. EMPRÉSTIMOS REPASSADOS SEM ÔNUS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O patrimônio da entidade e, por conseqüência, a atividade empresarial organizada em seu entorno, não se deve confundir com o patrimônio e o empreendimento de seus sócios, sob pena de completa descaracterização da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e seus sócios. As empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico podem e devem se relacionar, visando a um objetivo comum, mas isso não autoriza que uma entidade contábil assuma os encargos da atividade empresarial de outra, sob pena de descaracterização de sua autonomia. Para fins de apuração do lucro tributável, apenas são dedutíveis as despesas necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas financeiras assumidas pela pessoa jurídica, mas que beneficiaram, exclusivamente, a atividade e o empreendimento da controladora, não se encontram abrangidas pelo preceito normativo. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE RURAL. AGROINDÚSTRIA. Os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. No caso de Agroindústria que detém toda a cadeia produtiva e que aufira receita exclusivamente da venda do produto final industrializado, considera-se que não explora atividade rural e por consequência não faz jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 6º da Medida Provisória nº 2.159-70 de 2001, ainda que quaisquer das etapas anteriores à industrialização refiram-se a atividade rural. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. SIMULAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. Comprovado em Laudos elaborados por empresas especializadas, que os veículos, objeto de depreciação acelerada incentivada, já integravam o patrimônio da contribuinte, e diante da ausência de comprovação da regularidade das baixas contabilmente registradas, seguidas de novos registros dos mesmos veículos, com base em notas fiscais emitidas pela controladora, resta configurada a simulação absoluta da aquisição dos bens, porque, de fato, nenhuma operação ocorreu. ART. 195 DO CTN. DEPRECIAÇÃO. GUARDA DE DOCUMENTOS. FATOS DE EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. PRAZO. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, quando eles repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros ainda não decaídos ou prescritos, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência ou prescrição do direito de a Fazenda Pública constituir e exigir os créditos tributários relativos a esses exercícios afetados. Os encargos de amortização, depreciação ou exaustão decorrem de registro pretérito de gastos efetuados pela pessoa jurídica, gastos esses que devem ser comprovados na forma da lei. O contribuinte está obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração contábil e os documentos que se refiram a fatos que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL calculados por estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. Como são distintas e autônomas as hipóteses de incidência, as bases de cálculo e os fatos sobre os quais incidem a multa isolada de 50%, por falta de recolhimento das estimativas mensais, e a multa de ofício de 75%, por falta de pagamento do IRPJ e CSLL devidos no Ajuste Anual, não se caracteriza a duplicidade de penalidade sobre o mesmo fato. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 8 DA LEI 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base no artigo 106, II, “c” do CTN e no artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, o qual prevê nova redação para a qualificação da multa, menos gravosa para o contribuinte sancionado, deve haver a aplicação da retroatividade benigna

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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. Comprovada a simulação de uma operação de aquisição de diversos bens do ativo permanente, para fruição indevida do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, verifica-se a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Fl. 1712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 2 O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SUMULA CARF N° 4. Os juros de mora em percentuais equivalentes à taxa Selic decorrem de expressa previsão legal quando o sujeito passivo descumpre a obrigação principal de forma tempestiva. INFRAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI SUPERVENIENTE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei superveniente à vigente à época do fato gerador que venha a cominar penalidade menos severa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS FINANCEIRAS. EMPRÉSTIMOS REPASSADOS SEM ÔNUS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O patrimônio da entidade e, por conseqüência, a atividade empresarial organizada em seu entorno, não se deve confundir com o patrimônio e o empreendimento de seus sócios, sob pena de completa descaracterização da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e seus sócios. As empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico podem e devem se relacionar, visando a um objetivo comum, mas isso não autoriza que uma entidade contábil assuma os encargos da atividade empresarial de outra, sob pena de descaracterização de sua autonomia. Para fins de apuração do lucro tributável, apenas são dedutíveis as despesas necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas financeiras assumidas pela pessoa jurídica, mas que beneficiaram, exclusivamente, a atividade e o empreendimento da controladora, não se encontram abrangidas pelo preceito normativo. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE RURAL. AGROINDÚSTRIA. Os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. Fl. 1713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 3 No caso de Agroindústria que detém toda a cadeia produtiva e que aufira receita exclusivamente da venda do produto final industrializado, considera-se que não explora atividade rural e por consequência não faz jus ao benefício da depreciação acelerada incentivada, previsto no art. 6º da Medida Provisória nº 2.159-70 de 2001, ainda que quaisquer das etapas anteriores à industrialização refiram-se a atividade rural. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. SIMULAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. Comprovado em Laudos elaborados por empresas especializadas, que os veículos, objeto de depreciação acelerada incentivada, já integravam o patrimônio da contribuinte, e diante da ausência de comprovação da regularidade das baixas contabilmente registradas, seguidas de novos registros dos mesmos veículos, com base em notas fiscais emitidas pela controladora, resta configurada a simulação absoluta da aquisição dos bens, porque, de fato, nenhuma operação ocorreu. ART. 195 DO CTN. DEPRECIAÇÃO. GUARDA DE DOCUMENTOS. FATOS DE EXERCÍCIOS PRETÉRITOS. REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. PRAZO. O contribuinte está sujeito à fiscalização de fatos ocorridos em períodos passados, quando eles repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros ainda não decaídos ou prescritos, devendo conservar os documentos de sua escrituração, até que se opere a decadência ou prescrição do direito de a Fazenda Pública constituir e exigir os créditos tributários relativos a esses exercícios afetados. Os encargos de amortização, depreciação ou exaustão decorrem de registro pretérito de gastos efetuados pela pessoa jurídica, gastos esses que devem ser comprovados na forma da lei. O contribuinte está obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração contábil e os documentos que se refiram a fatos que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL calculados por estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. Como são distintas e autônomas as hipóteses de incidência, as bases de cálculo e os fatos sobre os quais incidem a multa isolada de 50%, por falta de recolhimento das estimativas mensais, e a multa de ofício de 75%, por Fl. 1714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 4 falta de pagamento do IRPJ e CSLL devidos no Ajuste Anual, não se caracteriza a duplicidade de penalidade sobre o mesmo fato. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 8 DA LEI 14.689/23. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO PARA 100%. Com base no artigo 106, II, “c” do CTN e no artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, o qual prevê nova redação para a qualificação da multa, menos gravosa para o contribuinte sancionado, deve haver a aplicação da retroatividade benigna ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso no tocante à glosa de R$ 8.874.536,84 pelo aproveitamento indevido do benefício fiscal de depreciação acelerada rural de bens do ativo permanente imobilizado; vencidos os conselheiros Daniel Ribeiro Silva, Gustavo de Oliveira Machado e Andressa Paula Senna Lísias; Por maioria de votos, negar provimento ao recurso no tocante à exigência da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL; vencidos os conselheiros Daniel Ribeiro Silva e Andressa Paula Senna Lísias que lhe davam provimento. Por unanimidade de votos, (i) negar provimento ao recurso no tocante às demais glosas e em relação à qualificação da multa de ofício e a incidência de juros sobre a multa; (ii) de ofício reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%, haja vista a retroatividade benigna posta pela Lei nº 14.689/2023. Sala de Sessões, em 12 de agosto de 2024. Assinado Digitalmente Fernando Augusto Carvalho de Souza – Relator Assinado Digitalmente Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Claudio de Andrade Camerano, Fernando Augusto Carvalho de Souza, Andressa Paula Senna Lísias, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado) Fl. 1715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 5 RELATÓRIO Trata o processo de Auto de Infração de irregularidades apuradas, no ano- calendário 2011, exigindo da Recorrente acima identificada, o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas –IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no valor total de R$ 5.699.904,83, incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e 150%, a multa isolada de 50% (falta de recolhimento das estimativas mensais), e os juros de mora devidos até a data da lavratura. A descrição dos fatos e o enquadramento legal, presentes no Auto de infração e no Relatório de Fiscalização (fls. 1355/1375) indicam que a fiscalização identificou a dedução indevida do lucro líquido na determinação do lucro real de encargos de depreciação acelerada incentivada rural e de excesso de despesas financeiras, que culminaram na recomposição da base de cálculo do IR e CSLL e a posterior exigência via lançamento de ofício. O resumo da descrição dos fatos pela autoridade fiscal é a seguinte (Fls. 1.355/1.358):  Em 25/02/2014, o contribuinte é cientificado, por via do domicílio tributário eletrônico, do início do procedimento fiscal do IRPJ, sendo na ocasião intimado a apresentar: a) Lalur de 01/01/2011 até 31/12/2013; b) Livro de Atas de Assembléias Gerais de 01/01/2011 até 24/02/2014; c) Atos constitutivos da pessoa jurídica de 01/01/2011 até 24/02/2014; d) Balanços ou balancetes mensais de suspensão ou redução de 01/01/2011 até 31/12/2011.  Em 24/03/2014, lavrado Termo de Intimação Fiscal nº 02, sendo exigido o descrito abaixo. O atendimento ocorreu em 05/05/2014 e de forma parcial: a) LALUR de 01/01/2008 até 31/12/2010; b) Atos constitutivos da pessoa jurídica de 01/01/2006 até 31/12/2010; c) Atas de assembleias gerais de 01/01/2006 até 31/12/2010; d) Arquivos de Registros Contábeis em meio digital de 01/01/2007 até 31/12/2007 e) Contratos de mútuo celebrados com a empresa Central de Álcool Lucélia LTDA, destacar as taxas de juros; Fl. 1716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 6 f) Demonstrativo em planilha eletrônica de cálculo das receitas financeiras dos mútuos concedidos à empresa controladora; g) Demonstrativo de apuração e controle dos saldos dos empréstimos/financiamentos obtidos; h) Demonstrativo de valores excluídos no LALUR (Parte A), sob o título "Aquisição Bens Ativ. Rural IN 257/02", perfazendo em 31/12/2011 R$ 17.632.780,23. i) Laudo de Reavaliação de Bens comprobatório das Reservas de Reavaliação; j) Demonstrar individualizadamente a origem, causa dos depósitos bancários, que são contabilizados como devolução de mútuo (Planilha – Anexo I); k) Demonstrar individualizadamente o beneficiário, o documento e a operação ou causa dos pagamentos, contabilizados como pagamentos de obrigações da empresa controladora sob o título de mútuo (Planilha - Anexo II); l) Justificar o excesso de dedução decorrente de despesas financeiras de empréstimos obtidos e a inexistência de receitas financeiras dos mútuos concedidos à controladora, sob o risco do valor do excesso das despesas será considerado indedutível, por serem desnecessárias.  Em 24/03/2014, lavrado Termo de Intimação Fiscal nº 05, sendo exigido: a) Laudo de Avaliação de bens da Central de Álcool Lucélia LTDA (R$ 30.391.647,00), que serviu de base para aumento e integralização de capital social da fiscalizada pela controladora; b) Demonstrativo complementar ao Laudo de Avaliação referido no item anterior, identificando os bens de forma a identificá-los inequivocadamente; c) Demonstrativo de composição dos saldos das contas contábeis, identificando pormenorizadamente cada veículo (Anexo II); d) Justificar, por que consta a aquisição de bens pela fiscalizada da Central de Álcool Lucélia LTDA (R$ 10.757.763,45 em 2011 – Anexo II), que já eram de propriedade e posse da fiscalizada, conforme Laudo de Reavaliação de bens de 28/12/2007 e Laudo de Avaliação de 30/09/2006 no valor de R$ 30.319.647,00, que serviu de base para aumento de capital social da fiscalizada; Fl. 1717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 7 e) Justificar, por que deduziu do lucro real a depreciação acelerada rural integral (R$ 17.632.780,23 – Anexo I), quando a sua atividade não se equipara a exploração da atividade rural f) Justificar, por que deduziu do lucro real a depreciação acelerada rural integral (R$ 8.758.243,39 – Anexo I), tendo em vista tratar-se de bens que já eram de propriedade da fiscalizada desde o ano 2006/2007, significativamente depreciados, não tendo a possibilidade de haver nova transmissão de domínio.  Em 05/06/2014, complemento do Termo de Intimação Fiscal nº 02: a) Apresenta Demonstrativos de controle dos empréstimos/financiamentos (Fl. 983); b) Para o Demonstrativo de Cálculo das receitas financeiras dos mútuos concedidos à empresa controladora, informa que “ (...) não incide qualquer espécie de correção monetária ou juros”. c) Quanto as despesas financeiras dos empréstimos e a inexistência de receitas financeiras, responde que “não há qualquer espécie de correção monetária ou taxa de juros incidentes sobre a transferência de valores, bens ou direitos entre controlada e controladora, conforme constata-se de cópia do contrato de conta corrente enviado outrora”. (Fls. 976 a 977)  Em 16/06/2014, atentendo ao Termo de Intimação Fiscal nº 05: (Fls. 979 a 982) a) Informa que não apresentará: a) Laudo de Avaliação de bens da Central de Álcool Lucélia LTDA, b) Demonstrativo complementar ao Laudo de Avaliação referido anteriormente, c) Demonstrativo de composição dos saldos da conta contábil denominada Veículos, em 01/01/2007 (Anexo III da intimação); b) Alegação para não entrega: “em razão de espaço físico e volume de documentos, mantém em seus arquivos somente documentos referentes aos últimos 5 (cinco) exercícios”; c) Quanto as explicações sobre a aquisição de bens que já eram de propriedade, não apresenta nenhuma documentação, alegando apenas: “os bens mencionados no item 4 do termo de intimação fiscal n. 5 foram adquiridos no ano de 2011 pela fiscalizada, em virtude dos mesmos não serem de sua propriedade, diferentemente do alegado pelo Auditor Fiscal” Fl. 1718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 8 d) Quanto a justificativa para depreciação acelerada rural no valor de R$ 17.632.780,23 (Anexo I), alega “a atividade preponderante da empresa é a agrícola, compreendida em preparo de solo, plantio, cultivo, corte, carregamento, transporte e moagem da cana-de- açúcar, que representa aproximadamente 75% do custo do seu produto final, álcool ou açúcar”. Ao final da fiscalização foram constatadas as seguintes infrações: a) Depreciação Incentivada Acerada Rural Indevida: a.1) Glosa de encargos de depreciação acelerada rural (Aquisição de veículos da empresa controladora de forma simulada); a.2) Glosa dos encargos de depreciação acelerada de bens do ativo permanente imobilizado b) Excesso de dedução de despesas financeiras c) Multa Isolada, nos termos da Lei nº 9.430/1996, art 44 A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício qualificada no percentual de 150% sobre tributos exigidos de ofício em razão do entendimento de que houve a prática de atos previstos no art. 44, §1º, da Lei 9.430/1996. A Recorrente tomou conhecimento do teor do Auto de Infração, junto com o Relatório de Fiscalização e de seus anexos em 22/07/2014, sendo a ciência formalizada através do Termo de Ciência por Decurso de Prazo, em 06/08/2014 (15 dias a contar da disponibilização dos documentos). A impugnação (fls. 1404/1449) foi encaminhada via Correios em 19/08/2014 (fls. 1568) e visado a celeridade processual, transcrevo abaixo a parte do relatório da decisão de primeira instância sobre as alegações da Recorrente em sede de impugnação: (Griffos do original) DA GLOSA DAS DESPESAS FINANCEIRAS – REPASSE DE EMPRÉSTIMOS À CONTROLADORA SEM ÔNUS Preliminarmente, argumenta que em ofensa ao art. 142 do CTN, não teria sido efetuada, no lançamento de ofício, a demonstração e a comprovação dos valores tomados como empréstimos pela Impugnante, e que foram repassados sem ônus à controladora. Se não acatada a irregularidade como suficiente para cancelar a exigência, que ao menos sejam excluídas do lançamento as despesas financeiras relativas aos juros dos empréstimos que não foram repassados à controladora. No mérito, diz que o caso concreto e as suas peculiaridades seriam fundamentais para a adequada solução da discussão. E prossegue nos seguintes termos: Isto porque, é preciso lembrar que a impugnante foi criada (subsidiária integral - controlada) em razão de problemas entre acionistas em sua Fl. 1719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 9 controladora (Central de Álcool Lucélia Ltda), revelando-se referida operação de natureza societária de extrema necessidade para a própria viabilidade da atividade empresarial do grupo e, por conseguinte, da fonte produtora. A constituição da impugnante, naturalmente, gerou diversas conseqüências entre a controladora (Central de Álcool Lucélia) e a controlada (Bioenergia - impugnante), no tocante à atividade, ativos, créditos e débitos. Dentro desta perspectiva houve a confecção de um contrato de conta corrente entre as empresas, tendo por objeto ‘entre si créditos mútuos correspondentes a bens, títulos ou dinheiro remetidos uma a outra’, em virtude de diversas razões (doc. nos autos): Esta contextualização fática e jurídica é de fundamental importância para se compreender a essência e origem dos empréstimos e, por conseguinte, avaliar a necessidade destes para a atividade empresarial e manutenção da fonte produtora. Diante da peculiaridade existente no caso concreto, entendemos que as despesas financeiras deduzidas pela impugnante (controlada) são plenamente legítimas e se caracterizam como necessárias. Depois, argumenta que não se deveria partir da premissa de que a despesa seja indedutível, mas ao contrário, na medida em que o se tributa é a renda ou acréscimo patrimonial, nos termos do art. 153 da CF e art. 43 do CTN. Na perspectiva adotada pela Impugnante, a glosa de uma despesa corresponderia à tributação sobre o patrimônio. Numa outra linha assevera que não haveria impedimento legal a que as empresas estruturadas em grupo econômico se relacionassem, visando um objetivo comum, qual seja, a execução de sua atividade empresarial em sentido amplo, inclusive mediante celebração de contratos de conta corrente, como no caso sob análise. Fl. 1720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 10 Defende que a presunção de ausência de necessidade da despesa em contratos celebrados entre empresas ligadas não teria fundamento legal. Conclui que as despesas financeiras deduzidas pela Impugnante eram necessárias à atividade empresarial e manutenção da fonte produtora. Em suas palavras: Isto porque, conforme exposição de motivos descritas no contrato de conta corrente, sem qualquer questionamento do Fisco, a celebração deste, como consequência da reorganização societária, era essencial e necessário para se permitir a manutenção da atividade empresarial (fonte produtora), inclusive, não se olvidando de que a Central de Álcool Lucélia (controladora) possuía passivos que, obrigatoriamente, deveriam ser cumpridos, todavia, não teria mais recursos para referida finalidade, uma vez que os negócios foram transmitidos à impugnante (Bioenergia). Como descreve o contrato: ‘CONSIDERANDO a existência de passivo em nome da CONTRAENTE Central de Álcool Lucélia Ltda. e a ausência de recursos para atendê-lo já que os novos negócios pertencerão à sua subsidiária integral, BOENERGIA DO BRASIL S/A’. O respeito pela subsidiária integral (impugnante) aos ditames da reorganização societária, que envolve, inclusive, quanto ao contrato de conta corrente elaborado, é uma condição inexorável do negócio jurídico e, sobretudo, da própria manutenção desta como fonte produtora. Daí porque, a existência de alguns empréstimos - não todos - que permitiram à impugnante repassar valores à Central de Álcool Lucélia (controladora), sem juros, conforme contrato de conta corrente, não se deu por mera liberalidade. Ao contrário, trata-se de condição imprescindível à manutenção da atividade empresarial da Impugnante, já que a não realização de repasse, nos moldes avençados, geraria graves conseqüências na controladora perante terceiros e acionistas, com a conseqüente inviabilidade de toda a operação, em especial, da subsidiária integral (Bioenergia - impugnante). Vale lembrar que a controladora possui inúmeros acionistas, inclusive, com conflitos societários levados ao Poder Judiciário, conforme documentos existentes nos autos. Percebe-se, portanto, que a criação da Impugnante e o estabelecimento de certas condições foram essenciais à continuidade da atividade empresarial e manutenção da fonte produtora. Bem por isso, o repasse de alguns valores à controladora, mesmo sem a cobrança de juros, em cumprimento ao contrato de conta corrente firmado, decorre de circunstâncias peculiares e excepcionais claramente evidenciadas neste caso concreto, sem qualquer intuito de evasão ou Fl. 1721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 11 mesmo elisão fiscal, porém, inexorável e necessário à própria sobrevivência da atividade empresarial da impugnante. Sem o repasse de tais valores, cumprindo-se o determinado em contrato de conta corrente, a consequência natural seria a inviabilidade da atividade empresarial do grupo, principalmente, da impugnante. Não há dúvida, deste modo, que para o presente caso concreto tais despesas financeiras eram necessárias, uma vez que estão totalmente vinculadas à atividade da impugnante, em especial, com o objetivo de manutenção da fonte produtora. Isto porque, eram transações ou operações lícitas e verdadeiras, exigidas pela própria atividade e existência da empresa Bioenergia (impugnante). Professa que devido às peculiaridades acima, as decisões do CARF não se aplicariam ao caso concreto. DA DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA Nesse tópico, destaca a Impugnante que o único fundamento da autuação seria o fato de a contribuinte não exercer atividade rural, com a finalidade de limitar os pontos controvertidos, e impedir qualquer inovação pelos julgadores durante o processo, tendente a buscar outras justificativas não utilizadas para eventual tentativa de manutenção da exigência tributária. Segundo a contribuinte, a atividade rural teria dois incentivos fiscais: (i) a depreciação acelerada incentivada; e (ii) a compensação de prejuízos fiscais sem a limitação de 30% do lucro tributável apurado. A depreciação acelerada incentivada estaria prevista no art. 6º da Medida Provisória nº 2.159-70, de agosto de 2001, verbis: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. E explica os procedimentos a serem adotados: Assim: (i) - calcula-se à taxa normal e será registrado na escrituração comercial, sendo que o complemento para atingir o valor integral do bem constituirá exclusão para fins de determinação da base de cálculo do imposto correspondente à atividade rural; (ii) - o valor a ser excluído, correspondente à atividade rural, será igual à diferença entre o custo de aquisição do bem do ativo permanente destinado à atividade rural e o respectivo encargo de depreciação normal escriturado durante o período de apuração do imposto, e deverá ser controlado na Parte B do Lalur; (iii) - a partir do período de apuração seguinte ao da aquisição do bem, o encargo de depreciação normal que vier a ser registrado na escrituração comercial Fl. 1722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 12 deverá ser adicionado ao resultado líquido correspondente à atividade rural, efetuando-se a baixa do respectivo valor no saldo da depreciação incentivada controlado na Parte B do Lalur; (iv) - o total da depreciação acumulada, incluindo a normal e a complementar, não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem. (...) Dentro desta perspectiva, surge a controvérsia existente no presente caso, pois, a partir do exercício do direito concedido da depreciação acelerada incentivada fiscais para as pessoas jurídicas que explorem a atividade rural, a fiscalização buscou apreciar se a Impugnante cumpria os requisitos que a configuravam como tal. Sendo assim, entendeu a fiscalização que a impugnante não adicionou valores ao lucro real, uma vez que se utilizou indevidamente da depreciação acelerada incentivada. Por sua vez, excluiu do lucro real o valor de R$ 8.874.536,84 tanto para IRPJ como para CSLL, a título de depreciação incentivada acelerada no ano de 2011. Isto porque, conforme termo de verificação, a impugnante não exerceu atividade rural, o que impediria de utilizar da depreciação acelerada incentivada, já que ‘(...) não explora atividade rural’. Fácil notar as razões que fundamentaram o lançamento e delimitam o objeto da presente discussão: exercício ou não da atividade rural pela impugnante. Faz um histórico da legislação sobre a tributação da atividade rural (...). Defende que a interpretação e aplicação da legislação, para a solução de um caso concreto, deveria partir do texto, mas se preocupar com sua adequação e pertinência com todo o sistema jurídico, bem como valores e princípios vigentes, sem ignorar, ainda, a realidade fática e a evolução social. Assim, não se trataria de alterar a legislação, mas, simplesmente, torná-la útil e adequada aos seus fins, interpretando-a inteligentemente e à luz da realidade social, para que não se tornasse inócua. Com base em abalizada doutrina, professa que a noção de atividade rural não poderia ser rígida e imutável, mas sujeita à alternância, segundo a realidade, diante de uma interpretação finalística, sistemática e evolutiva. E prossegue: Isto não significa total liberdade de criação, uma vez que toda interpretação deve partir do texto e se limitar ao próprio Direito. Em razão disso, a noção de atividade rural é extraída atualmente do art. 2º da Lei n. 8.023/90, porém, mediante uma interpretação que não se divorcie dos demais dispositivos legais, sobretudo, aqueles advindos posteriormente, bem como da natureza finalística do texto normativo e a realidade social. Fl. 1723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 13 Bem por isso, entendemos que, segundo a legislação vigente (inclusive à época dos fatos do lançamento), a noção de atividade rural envolve a interpretação dos seguintes elementos: (i) - exploração de atividade descrita como rural no art. 2º, da Lei n. 8.023/90 (incisos I a V); (ii) - tais atividades descritas em lei, não são exaustivas, permitindo-se outras assemelhadas; (iii) - podem ser exercidas por pessoa física como também jurídica. Portanto, em um primeiro momento, pode-se reconhecer a atividade rural como toda aquela exercida, por pessoa física e/ou jurídica, nos casos exemplificativamente descritos em lei, tais como agricultura, pecuária, avicultura, entre outras. Por força de nosso caso concreto, delimitaremos nossa análise ao art. 2°, inciso I, da Lei n. 8.023/90. Dentro desta perspectiva, aquela pessoa física e/ou jurídica que exerce agricultura obtém receita considerada de atividade rural. Equivale dizer: se agricultura é a arte cultivar os campos; cultivo da terra; lavoura; cultura, toda pessoa física ou jurídica que exerça economicamente a atividade de cultivo ou lavoura, como regra, pratica uma atividade rural. No caso, a cana-de-açúcar. Convém, neste ponto, assinalar que a lei não impõe exclusividade no exercício desta atividade, o que permite a prática de outra, mesmo que não caracterizada como rural. Mais do que isso, inexiste qualquer impedimento para que se faça por meio de parceria ou outro meio não vedado em lei de associação. Também não existe qualquer proibição ou imposição quanto aos meios que se utilizará para o exercício desta atividade. Portanto, qualquer meio de permita o cultivo da cana-de-açúcar permite ser considerado pela lei como atividade rural. Por fim, este dispositivo não exige que se exerça como pessoa física, podendo ser pessoa jurídica. A mais disso, dentro desta perspectiva, a partir de uma interpretação sistemática, o art 22-A, da Lei n. 8.212/91, considera a agroindústria produtor rural pessoa jurídica. Na medida em que a lei expressamente reconhece que agroindústria é produtor rural pessoa jurídica, significa afirmar que exerce atividade rural. Aliás, este dispositivo legal é de alta relevância para o deslinde do presente caso concreto. Possível reconhecer, portanto, que a atividade rural não possui uma noção totalmente delimitada, cabendo sua análise, a partir do caso concreto e realidade social, tendo por parâmetro normativo o disposto especialmente na Lei n. 8.023/90 (art. 2º), sem, no entanto, ignorar outros elementos Fl. 1724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 14 normativos, como, por exemplo, o art. 22-A, da Lei n. 8.212/91, bem como a necessidade de uma interpretação finalística, sistemática e evolutiva. Faz menção a precedentes do antigo Conselho de Contribuintes como do atual CARF, no sentido de que a agroindústria (cana de açúcar) pode explorar atividade rural, o que torna possível a fruição do benefício da depreciação acelerada incentivada. Com base no Acórdão nº 101-96.867, relatado pela Ilma. Conselheira Sandra Maria Faroni, defende: (i) - O primeiro aspecto a ser observado é que o benefício fiscal em discussão está previsto no art. 6º da Medida Provisória 2.159-70 (originalmente, no art. 7º da MP 1.459, de 21 de maio de 1996). Não se trata, pois, de analisar a legislação do benefício previsto no § 2º do art. 12 da Lei n. 8.023/90, revogado pela Lei n. 9.249, de 1995; (ii) - Diferentemente da Lei n. 8.023, que trata da tributação dos resultados provenientes da atividade rural, o art. 6° da MP n. 2.159-70, de 2001, não faz qualquer referência a resultados nem remete à Lei 8.023/90. A norma em questão não limitou o benefício a empresas que explorem exclusivamente ou predominantemente atividade rural. De acordo com o dispositivo transcrito, o benefício destina-se a qualquer empresa que explore atividade rural, e a única limitação é bem a ser depreciado seja adquirido para uso nessa atividade. Segundo a defesa, esta decisão revela que o direito ao benefício fiscal da depreciação acelerada, previsto no art. 6º da Medida Provisória n. 2.159-70/2001 não se restringiria às pessoas dedicadas exclusivamente à atividade rural, prevista na Lei n. 8.023/90, podendo abranger também a agroindústria. Menciona também a existência de decisões do CARF (Acórdãos nº 1402-00.914 e 1202-000.796) reconhecendo a validade de fruição do benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada à agroindústria, quanto à formação da lavoura canaviera. Transcreve os seguintes excertos: (i) - O artigo 22-A da Lei n. 8.212/91 é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializam bens de sua propriedade ou de produção própria e adquiridas de terceiros, podendo beneficiar-se integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural, (ii) - A tributação beneficiada dos resultados obtidos na atividade rural, não é privativa apenas do setor primário da economia. Nos termos da Medida Provisória n. 2.159-70/2001, é possível a depreciação de ativo imobilizado quando da exploração da atividade rural. Para a Impugnante, o precedente estaria a dizer que: (i) - a noção de atividade rural deveria ser extraída do art. 22-A da Lei n. 8.212/91, no qual a agroindústria é definida como produtor rural pessoa jurídica; (ii) - a depreciação acelerada Fl. 1725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 15 incentiva (art. 6º da MP 2.159/70-2001) não se resumiria ao setor primário, sendo possível também para as agroindústrias. Em seu entender, é a exploração da atividade rural que viabilizaria o gozo da depreciação acelerada incentivada, e nela estaria incluída a agroindústria, não havendo preceito a restringir a aplicação do benefício fiscal apenas às pessoas que se dedicassem exclusivamente à atividade rural. Novamente reitera que o único fundamento da autuação seria o fato de que a Impugnante não exerceria atividade rural, e passa a esclarecer pontos que teriam se tornado incontroversos, porque não questionados pela fiscalização, nos seguintes termos: Neste sentido, a fiscalização, em momento algum, questionou os valores e itens depreciados. Além disso, a própria fiscalização reconheceu expressamente que a impugnante exerce atividade rural, pois, no termo de verificação fiscal, pois, esclareceu o contribuinte (impugnante) que a atividade preponderante da empresa é agrícola, compreendida entre o preparo de solo, plantio, cultivo carregamento, corte, transporte e moagem da cana-de-açúcar, representando aproximadamente 75% do custo de seu produto final. Sem embargo disso, a impugnante junta aos autos diversos documentos que reforçam a atividade rural exercida, além de já constar dos autos diversos documentos, como, por exemplo, balancetes descrevendo diversos materiais e insumos totalmente vinculados à atividade agrícola. Em momento algum a fiscalização questiona tais informações, tornando-se incontroverso fato de que a impugnante exerce atividade agrícola. Sem embargo disso, a impugnante junta aos autos diversos documentos que reforçam a atividade rural exercida, além de já constar dos autos diversos documentos, como, por exemplo, balancetes descrevendo diversos materiais e insumos totalmente vinculados à atividade agrícola. O ponto controvertido e que gera a discussão no presente lançamento de ofício é o fato de que a agroindústria não exerce tal atividade com exclusividade, já que, ao mesmo tempo, possui o processo industrial. Em razão disso, o objeto da presente discussão é somente se a impugnante, por não exercer exclusivamente atividade rural, sendo uma agroindústria poderia gozar da depreciação incentivada acelerada. Pelo próprio relatório fiscal, não há dúvida de que a impugnante exerce atividade rural (ponto incontroverso). A questão a ser solucionada diz respeito ao fato de não exercer com exclusividade, existindo processo industrial. (...) Fl. 1726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 16 Embora seja incontroverso o fato de que a impugnante exerce atividade rural, é importante frisar que: (i) - entre as atividades da impugnante está o cultivo da cana-de-açúcar, com todas etapas de seu cultivo (juntamos aos autos, além das informações existentes - insumos utilizados, contratos de parcerias, recolhimento de ITR, entre outros docs); (ii) - durante a fiscalização, a impugnante esclareceu que atividade preponderante da empresa é agrícola, compreendida entre o preparo de solo, plantio, cultivo carregamento, corte, transporte e moagem da cana-de-açúcar, representando aproximadamente 75% do custo de seu produto final e não houve qualquer refutação, questionamento, muito menos prova em sentido contrário). Razão pela qual, é possível afirmar que a Impugnante exerce atividade de exploração rural. Em complemento ainda às ponderações apresentadas, não devemos olvidar que o art. 22-A da Lei n. 8.212/91 reconhece expressamente a agroindústria como produtor rural pessoa jurídica, como já assinalado pelo CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, pois, referido dispositivo legal ‘é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializam bens de sua propriedade ou de produção própria e adquiridas de terceiros, podendo beneficiar-se integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural’, não se cuidando a depreciação acelerada incentivada de benefício exclusivo do setor primário, se torna cabível a aplicação deste direito à Impugnante. Por fim, refutando a interpretação da fiscalização, o direito à depreciação acelerada incentivada (art. 6º da Medida Provisória n. 2.159-70, de agosto de 2001) não remete à Lei n. 8.023/90, tornando possível uma interpretação mais ampla e menos restritiva, como bem concluiu a Conselheira SANDRA MARIA FARONI no sentido de que não se cuida ‘de analisar a legislação do benefício previsto no § 2º do art. 12 da Lei n. 8.023/90, revogado pela Lei nº 9.249, de 1995’, de maneira que o texto normativo da medida provisória não limitou o benefício a empresas que explorem exclusivamente ou predominantemente atividade rural, uma vez que tal benefício ‘destina-se a qualquer empresa que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para uso nessa atividade’. DA GLOSA DA DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS POR SIMULAÇÃO Contra a acusação de simulação, invoca a ocorrência de equívoco por parte da autoridade fiscal na interpretação dos documentos e fatos ocorridos. Reconhece que teria errado apenas com relação a um único veículo: carreta de carregar cana frota (NF 407) no valor de R$ 46.000,00. De fato, nesse caso, teria havido duplicidade, todavia, sem qualquer intuito de fraude ou simulação, Fl. 1727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 17 tratando-se de mera irregularidade ou equívoco no controle de informações e lançamentos. No presente caso, a discussão envolveria a impossibilidade de depreciação de diversos veículos, por suposta simulação de uma operação de reavaliação e aquisição dos bens reavaliados, quando já pertenciam à Impugnante desde 2006 e 2007. Destaca que a prova da existência da simulação, com o intuito de reduzir a carga tributária, seria de incumbência do Fisco, inclusive diante do princípio de presunção de boa-fé. In casu, a prova de que se os veículos já eram de propriedade da Impugnante e que se teria simulado uma nova depreciação, visando economizar tributos (IRPJ/CSLL). Segundo a defesa, no presente caso, a autoridade administrativa teria lavrado o auto de infração com base exclusivamente em mera presunção, sem demonstrar os elementos que comporiam os vícios (simulação e preço ficto) e, por conseguinte, o fato jurídico tributário. Nas palavras da defesa: (...): é preciso prova efetiva da simulação, ou seja, que a impugnante reavaliou os bens e depreciou em duplicidade tais veículos visando reduzir fraudulentamente a carga fiscal. E conclui: Em tais condições, ressaltamos como premissas elementares: (i) - incumbe ao fisco totalmente o ônus da prova cabal dos vícios alegados, especialmente, a simulação (reavaliação com duplicidade de depreciação) com fim de redução da carga fiscal; (ii) - não é admitida a desconsideração de negócios jurídicos por mera presunção ou indício, sem lastro em ampla produção probatória, especialmente, aquela reconhecida como ‘ad hominis’; (iii) - a única presunção possível é a de boa-fé, de maneira que todos os atos são verdadeiros até prova cabal em contrário, não bastando mera alegação e presunção pessoa e ad hominis. Passa a discorrer sobre o conceito de simulação, e afirma que a Impugnante não teria tido a intenção de simular uma operação de reavaliação de bens e promover uma dupla depreciação acelerada, para fraudulentamente reduzir a carga tributária. E prossegue: A primeira observação a ser feita é no sentido de que a criação da impugnante (controlada) se deu por razões claramente de natureza não tributária, mas em decorrência de aperfeiçoamento da gestão e própria sobrevivência do grupo empresarial. Aliás, como se pode notar pela leitura do acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA do Estado de São Paulo, tal operação de reorganização societária era essencial para a manutenção da atividade econômica, sobretudo, em virtude da grande quantidade de sócios e divergências existentes. Fl. 1728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 18 Portanto, a reorganização societária realizada não pode ser reconhecida como simulada. Ao contrário, trata-se de operação totalmente lícita, cumprindo todos os requisitos formais e materiais, sendo, inclusive, vaticinada pelo Poder Judiciário. Mais do que isso, a própria fiscalização não faz qualquer questionamento, muito menos comprova, qualquer ato simulado em referida operação. Esta observação é de extrema relevância para o caso concreto, pois, diante desta reorganização societária, como procedimento lícito e usual, houve a conseqüente estruturação dos bens (veículos) que pertenciam à Central de Álcool Lucélia (controladora), mediante reavaliação e integralização ou aquisição pela impugnante (Bioenergia - controlada), uma vez que a atividade econômica, inclusive, rural (agrícola) seria de incumbência desta última. Deste modo, temos mais um ponto a ser fixado: a reavaliação de bens e reestruturação do ativo, no caso, veículos, era uma consequência natural, normal e lícita da reorganização societária (criação da subsidiária integral - Bioenergia). Ademais, diante do fato de que a atividade econômica, em específico, a atividade rural, seria exercida doravante pela impugnante, nada mais razoável e lícito do que os bens serem objeto de integralização nesta ou aquisição. Inclusive, é importante esclarecer que a fiscalização em momento algum questiona ou faz prova quanto à inexistência dos bens ou o valor contabilizado a título de depreciação. Fatos incontroversos. Não resta dúvida, portanto, de que a única questão a ser enfrentada seria quanto à titularidade dos bens (veículos) e o momento desta configuração (integralização ou aquisição) a fim de legitimar a depreciação realizada. De forma didática e esclarecedora, desde o início, esclarecemos que realizamos a juntada de planilha (DOC.) com a descrição da data de aquisição dos bens (2011), nota, CPF, valor, bem como detalhamento a respeito do veículo a fim de demonstrar o equívoco da fiscalização, salvo quanto ao veículo já apontado e que está em vermelho (Anexo V). Assim, de forma breve, podemos afirmar que tais operações foram totalmente lícitas, transparentes, devidamente formalizadas, anteriores ao fato gerador, sem qualquer intuito de fraude ou mesmo com fim exclusivo de economia tributária. Nesse sentido, com fundamento na planilha anexada e em CD juntado, esclarecemos que: (i) - ANEXO I - cor cinza na planilha: bens integralizados ao capital social e adquiridos mediante reavaliação em 24/10/2011. Inclusive, os documentos no DETRAN permaneceram em nome da vendedora até referida data, quando se deu a aquisição pela impugnante; Fl. 1729DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 19 (ii) - ANEXO II - cor verde na planilha: adquiridos em 24/10/2011 pela impugnante. Tais bens pertenciam à Central de Álcool. Houve um equívoco no relatório de reavaliação que não fez a correta distinção entre os bens da impugnante e da Central. Porém, tais bens eram da Central. A fiscalização, todavia, pautou-se exclusivamente pelo laudo sem avaliar outros documentos e informações. (iii) - ANEXO III - cor azul na planilha: são bens que não constaram do laudo de avaliação ou reavaliação e eram de propriedade da Central de Álcool, havendo a transferência para a impugnante em 24/10/2011 (nota fiscal). (iv) - ANEXO IV - cor amarela na planilha: tais bens foram integralizados na impugnante, mediante laudo de avaliação em 2006, porém, as transferências somente ocorreram em 2011, quando então se baixou os bens da contabilidade e efetuou a entrada, conforme notas fiscais de venda da Central para a Bioenergia. Somente em 2011, após regularização houve a depreciação dos bens para fins de IRPJ/CSLL. Não houve duplicidade. A fiscalização, por equívoco, somente se pautou pela data do laudo, deixando de apreciar demais documentos e informações. Em conclusão, podemos afirmar peremptoriamente, diante de todas as ponderações ventiladas de que não houve simulação pela Impugnante. O que nota é efetivamente equívocos na interpretação dos fatos e dos documentos por parte da fiscalização, uma vez que todas as operações foram lícitas, verdadeiras, anteriores ao fato gerador, transparentes e sem propósito exclusivo de economia fiscal. Requer a produção de novas provas, laudos, inclusive, a conversão do julgamento em diligência para melhor análise dos documentos e fatos ora esclarecidos, caso ainda perdure dúvida quanto às informações apresentadas. Com base na doutrina abaixo transcrita assevera que comprovado motivo, finalidade e causa extratributária, não poderia o Fisco desqualificar o negócio: Neste sentido é o que sustenta o MARCO AURÉLIO GRECO, pois, afirma que: (i) - cabe ao Fisco o ônus da prova da finalidade predominantemente fiscal do negócio para que, aí sim, possa justificar a desqualificação (ii) - não afirmo que o Fisco possa a seu bel-prazer, desqualificar as operações realizadas; afirmo, isto sim, e peremptoriamente, que cabe ao Fisco o ônus da prova de que o motivo predominante da operação foi a busca de menor carga tributária. (iii) - A prova da causa predominante não é do contribuinte, pois ele no exercício de um direito constitucionalmente garantido, este ônus probandi cabe ao que se julgar prejudicado (o Fisco), que deverá demonstrar o excesso (ou abuso) no seu exercício, embora a prova do respectivo motivo caiba ao contribuinte por dizer respeito ao fato constitutivo do seu direito. Fl. 1730DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 20 (...) Assim, defende que se houve uma razão de cunho administrativo, de mercado, societária, pessoal, técnica, entre outras, que justificou a conduta do contribuinte, os atos jurídicos não poderiam ser desconsiderados para o fim de exigir tributos. E prossegue: Dentro da motivação extratributária, ainda, não é possível ao Fisco, muito menos no presente diante das alegações apresentadas, desconsiderar negócios jurídicos quando, eventualmente, por força do planejamento estratégico e de sobrevivência da empresa, houve reflexo indireto que culminou na redução lícita da carga fiscal. Esta situação não permite a desconsideração de negócios jurídicos. DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA A multa qualificada de 150% pela caracterização de simulação quanto à depreciação acelerada de veículos deveria ser reduzida para 75%, haja vista que a qualificação da multa seria exceção da exceção, não podendo ser aplicada mediante ilações subjetivas, em especial, quando se tem a presunção de boa-fé, bem como o princípio do in dúbio pro reo. Nas palavras da defesa: A primeira razão para a redução decorre de a fiscalização não ter no auto de infração, no tocante à multa qualificada, descrito de forma pormenorizada quais seriam as condutas praticadas pela impugnante, por meio de seu administrador, a fim de tipificar o evidente intuito de fraude, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Mais do que isso, é preciso também demonstrar claramente em qual dos artigos da Lei n. 4.502/64 as supostas condutas se tipificam. A fiscalização somente fez uma justificativa genérica, com fundamento no fato de que haveria, na operação entre as empresas controladora e controlada, uma suposta simulação quanto à depreciação de veículos. Conforme exposto no mérito de tal operação, tudo se deu de forma lícita, transparente, com a devidamente contabilização e demais documentos. Mais do que isso, demonstrou-se a veracidade da operação, tornando evidente a ausência de qualquer pretensão fraudulenta. Vê-se, deste modo, que: (i) - não houve descrição da conduta que caracterizasse o evidente intuito de fraude; (ii) -inexistiu a tipificação em um dos artigos da Lei n. 4.502/64, já que descreveu genericamente e citou todos. Traz jurisprudência do CARF no mesmo sentido. De outro lado, defende a licitude da conduta da empresa que teria praticado atos devidamente registrados, com transparência plena, e atendido às solicitações da Fl. 1731DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 21 Receita federal, tendo por premissa a licitude, a legitimidade e a veracidade de sua conduta e de seus atos. Nesse aspecto, colaciona decisões do CARF em que reduzida a multa qualificada quando comprovado que a conduta do contribuinte foi pautada em convicções legais - que podem ser controvertidas -, mas que não induzem à situação de dolo: PENALIDADE QUALIFICADA - INOCORRÊNCIA DE VERDADEIRO INTUITO DE FRAUDE - ERRO DE PROIBIÇÃO - ARTIGO 112 DO CTN - SIMULAÇÃO RELATIVA - FRAUDE À LEI - Independentemente da patologia presente no negócio jurídico analisado em um planejamento tributário, se simulação relativa ou fraude à lei, a existência de conflitantes e respeitáveis correntes doutrinárias, bem como de precedentes jurisprudências contrários à nova interpretação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal, implica em escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie o erro de proibição. Pelo mesmo motivo, bem como por ter o contribuinte registrado todos os atos formais em sua escrituração, cumprindo todas as obrigações acessórias cabíveis, inclusive a entrega de declarações quando da cisão, e assim permitindo ao fisco plena possibilidade de fiscalização e qualificação dos fatos, aplicáveis as determinações do artigo 112 do CTN. Fraude à lei não se confunde com fraude criminal. Para a Impugnante seria necessário dolo específico. Vale dizer: o agente deveria agir de forma livre e consciente com a finalidade de lesar o Fisco pelo não recolhimento de tributos, utilizando-se para isso de meios fraudulentos e maliciosos, como a falsificação de documentos, empresas de fachada, sócios laranjas, entre outros. Em suas palavras: Entendemos, destarte, que a conduta meio é elemento fundamental à configuração da multa qualificada. É o elo entre a simples busca consciente do contribuinte pela redução da carga fiscal e aquela que emprega meios ilícitos e fraudulentos para chegar a este mesmo fim. Se o modus operandi é fraudulento, daí se pode chegar ao dolo específico que tem o condão de qualificar a multa. A configuração da sonegação, fraude ou conluio exige dolo, como sendo aquele praticado, de forma consciente, por conduta ilícita (meio) com o objetivo de obter a vantagem de não recolher tributos. Portanto, ‘a incidência do § 1º do artigo 44 da Lei n. 9.430/96, que leva à multa mais onerosa, supõe a ocorrência inequívoca de dolo no seu mais puro sentido penal’ Diante da exigência inexorável do dolo específico, não há duvida de que a busca consciente por alternativas legais que permitam a exclusão, redução ou postergação do tributo não pode conduzir à imposição de multa qualificada. O ato que exige a lei para a duplicação da multa em virtude de sonegação, fraude ou conluio não é a finalidade consciente de que sua Fl. 1732DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 22 conduta leva à redução de tributo. Como já afirmado, tem-se a necessidade de dolo específico, que se verifica através de atos fraudulentos utilizados como o instrumento que conduz à redução do tributo. A finalidade de redução da carga fiscal não compreende, por si só, o elemento subjetivo (dolo) caracterizador da sonegação, fraude e conluio capaz duplicar a multa de ofício para o patamar de 150%. Equivale dizer: o objetivo de excluir, reduzir ou postergar a incidência tributária não é causa suficiente para a imposição de multa qualificada. Embora no caso concreto, nem mesmo se possa falar em planejamento tributário, pois a aquisição de bens e reavaliação se deu em decorrência de reorganização societária por força de problemas entre os sócios. Numa outra linha argumentativa destaca que não se poderia confundir a conduta dolosa (fraudulenta/meio) a ser coibida mediante a duplicidade da multa de ofício, com a requalificação dos fatos pela fiscalização tributária para fins de exigência de tributos, utilizando-se para tal finalidade dos institutos da simulação, fraude à lei, abuso de direito, abuso de forma, entre outros. Para a defesa, as patologias constatadas (simulação, fraude à lei, abuso de direito, abuso de forma) até poderiam dar fundamento à desconsideração dos atos / negócios realizados, mas não levariam, automaticamente, à imputação de multa qualificada. Isto porque, tais institutos seriam empregados pela fiscalização em sentido amplo, sem critérios legais específicos e definidos, com a finalidade exclusiva de justificar a desconsideração de negócios jurídicos voltados para a redução da carga fiscal. Distingue, assim, a Impugnante a fraude à lei para fins fiscais da fraude dolosa (fraude penal), como também, a mera simulação da simulação fraudulenta. E menciona o seguinte acórdão do CARF (104-23.129): A simulação, por si só não é causa autorizadora da aplicação da multa qualificada, nos termos do inciso II, do art. 44. da Lei nº 9.430/96, para o qual é necessária a caracterização de sonegação, fraude ou conluio com identificação do evidente intuito de fraude. O elemento doloso não está contido na caracterização da simulação, para efeitos penais-tributários. E prossegue: A mais disso, um ponto que, na prática, facilita a avaliação da pertinência ou não da aplicação da multa qualificada, inclusive a coibindo, é a avaliação se, no caso concreto, o contribuinte agiu segundo a lei, de forma transparente, pública, mediante a interpretação das leis por pessoas habilitadas, colaborando com o fisco no esclarecimento da operação durante eventual fiscalização. Trata-se de um forte indício da impossibilidade de aplicação da multa de 150%. Aliás, o único esclarecimento não prestado foi decorrente da exigência de documentos superiores 05 anos e que, infelizmente, não existiam. Fl. 1733DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 23 Finaliza argumentando que o percentual da multa qualificada de 150% ofenderia aos princípios da razoabilidade e da proibição de confisco, e menciona decisão do Supremo Tribunal Federal no mesmo sentido. Requer o cancelamento da multa de ofício ou a sua redução para 20%, conforme previsto no art. 61, §2º da Lei nº 9.430, de 1996. DAS DEMAIS MATÉRIAS LITIGIOSAS Da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais Questiona a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais, após o encerramento do período de apuração, quando somente seriam devidos o IRPJ e a CSLL apurados no ajuste anual. Advoga também pela improcedência da exigência por configurar dupla penalidade sobre a mesma infração. Traz jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do CARF a referendar a interpretação adotada. Da cobrança de juros com base na variação da Taxa Selic e dos juros de mora sobre as multas de ofício Defende que o limite máximo dos juros de mora estaria definido no art. 161 do CTN (1%), e qualquer outro percentual deveria ser estipulado em lei, em observância ao princípio constitucional da legalidade e ao próprio preceito do art. 161, §1º do CTN. Contrapõem-se também à cobrança de juros de mora sobre as multas de ofício, por ofensa ao disposto nos art. 61 e 43 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na medida em que não há previsão legal. Colaciona jurisprudência do CARF. Requer que a presente impugnação seja julgada procedente, com o reconhecimento da nulidade ou improcedência do lançamento, e pela juntada posterior de documentos, laudos, pareceres, caso necessário ao deslinde da questão. Em seguida foi juntada a documentação apresentada juntamente com a impugnação às fls. 1479/1567. Às fls. 1569 tem-se um documento de uma única folha designado “CD Planilha Relação dos Veículos Depreciação”, e na seqüência, às fls. 1570, uma cópia da tela de computador em que verifica que não há arquivos a visualizar no CD. Em 11/12/2014, a autoridade preparadora assim se manifestou no processo (fls. 1571): 1. A interessada tempestivamente remeteu a esta unidade, por via postal, a impugnação acompanhada de seus anexos, cujas imagens foram juntadas às folhas 1404 a 1569 do presente processo administrativo. Fl. 1734DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 24 2. Junto a referidos documentos, mais especificamente dentro do envelope correspondente à imagem juntada à folha 1569 destes autos, a interessada encaminhou um CD (compact disk). 3. Quando da análise do conteúdo do CD mencionado, verificou-se, como se demonstra pela observação da imagem da tela impressa juntada à folha 1570 deste processo, que se encontrava ele vazio, sem possuir qualquer arquivo gravado. 4. Diante dessa ocorrência, esta unidade preparadora, por bem, deverá informar o ocorrido à contribuinte, disponibilizando-lhe prazo de 10 (dez) dias para juntada, caso queira, dos arquivos que se pretendia encaminhar gravados em referida mídia. 5. Ajuntada acima mencionada deverá ser realizada, preferencialmente, sob a forma digital, nos moldes especificados pela Instrução Normativa RFB - Secretaria da Receita Federal do Brasil - n° 1.412, de 22 de novembro de 2013, devendo, se possível, prevalecer o modo de anexação mencionado no capítulo I (artigo 3º) de referida instrução. 6. Importante, contudo, esclarecer que, a rigor do disposto nos §§ 4º e 5º do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 (incluído pelo artigo 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997), a prova documental que se pretende produzir deve sempre ser apresentada na impugnação do lançamento realizado, precluindo-se o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que, na ocorrência das condições previstas nas alíneas do § 4º do artigo 16 do Decreto n° 70.235/1972, acima mencionado, essa juntada extemporânea seja requerida à autoridade julgadora e por ela seja aceita. 7. Não menos importante é frisar que o CD acima mencionado foi juntado, por esta repartição, ao processo administrativo (físico) de n° 13846.720399/2014-52, que permanecerá localizado nesta unidade à disposição das unidades julgadoras, ou outras que a ele necessitem ter acesso, bem como à disposição da interessada, para vista, nos moldes legais. 8. Decorrido o prazo concedido, apresentando ou não a interessada os arquivos aqui tratados, acompanhados, em sendo sua vontade, da requisição mencionada no sexto parágrafo deste despacho, remetam-se estes autos para julgamento da impugnação apresentada. A intimação foi efetuada (fls. 1572), tendo sido formalizado o Termo de Abertura de Documento (fls. 1573) para comprovar que a ciência se deu em 11/12/2014, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal e-CAC) na opção Consulta Comunicados/Intimações. Fl. 1735DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 25 Em resposta, postada em 22/12/2014 (fls. 1576) a contribuinte afirma estar procedendo a juntada de novo CD, com planilha (fls. 1575), tendo sido providenciada a anexação de arquivo não paginável – fls. 1577. Em 20/01/2015, a autoridade preparadora ainda se manifestou nos seguintes termos sobre o atendimento à intimação pela contribuinte: 1. Em atenção ao contido no despacho juntado à folha 1571 do presente processo administrativo, à interessada foi expedida, por meio de cientificação eletrônica, a intimação juntada à sua folha 1572. 2. A despeito do pedido de preferência, exarado por esta unidade no despacho acima mencionado, pela adoção do modo de juntada digital de documentos, o tempestivo atendimento a referida intimação foi efetuado por via postal, conforme demonstra o envelope de postagem anexado à folha 1576, através da apresentação dos documentos juntados às folhas 1575 e 1577 destes autos digitais. 3. Importante salientar que o arquivo juntado à folha 1577 deste processo foi encaminhado a esta repartição gravado em CD (compact disk) conforme demonstra a tela da imagem correspondente ao conteúdo de referida mídia anexada à sua folha 1578. 4. Importante, ainda, destacar que este segundo CD encaminhado também será juntado, por esta repartição, ao processo administrativo (físico) de n° 13846.720399/2014-52, que permanecerá localizado nesta unidade à disposição das unidades julgadoras, ou de outras que dele necessitem ter acesso, bem como à disposição da interessada, para vista, nos moldes legais. 5. Por fim, cabe frisar que o documento (folha 1575) que encaminhou o arquivo acima referido, objeto da intimação realizada à contribuinte, foi assinado por signatário não participante da procuração juntada à folha 1474 deste processo, sem representação, portanto, nos autos. Também em relação a esse signatário, não foi encaminhada cópia autêntica de seu documento de identificação para conferência de sua assinatura. A 13ª Turma da DRJ/POR, através do Acordão 14-61.346 (fls.1583/1650), na sessão de 22 de junho de 2016, julgou, por unanimidade, improcedente a impugnação, adotando a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, a menos que o ato tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal - STF. Fl. 1736DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 26 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS FINANCEIRAS. EMPRÉSTIMOS REPASSADOS SEM ÔNUS. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. O patrimônio da entidade e, por conseqüência, a atividade empresarial organizada em seu entorno, não se deve confundir com o patrimônio e o empreendimento de seus sócios, sob pena de completa descaracterização da autonomia patrimonial da pessoa jurídica e seus sócios. As empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico podem e devem se relacionar, visando a um objetivo comum, mas isso não autoriza que uma entidade contábil assuma os encargos da atividade empresarial de outra, sob pena de descaracterização de sua autonomia. Para fins de apuração do lucro tributável, apenas são dedutíveis as despesas necessárias à atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora. As despesas financeiras assumidas pela pessoa jurídica, mas que beneficiaram, exclusivamente, a atividade e o empreendimento da controladora, não se encontram abrangidas pelo preceito normativo. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE RURAL. Os bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. A exploração da atividade rural se caracteriza pela obtenção de resultados do exercício da atividade rural. No caso da agroindústria dedicada à produção e comercialização de açúcar e álcool, ainda determinadas atividades na cadeia produtiva se insiram na atividade rural - tais como o preparo de solo, plantio, cultivo, carregamento, corte, transporte e moagem da cana-de-açúcar - só haverá exploração de atividade rural, caso haja receita decorrente dessas atividades. Do contrário, não se caracteriza o exercício da atividade rural, devendo essas etapas anteriores à produção do açúcar e do álcool, ser incluídas nos custos de produção destes produtos. Comprovado que a pessoa jurídica não aufere receitas da atividade rural, não tem direito ao benefício fiscal da depreciação acelerada incentivada previsto no art. 6º da Medida Provisória nº 2.159-70 de 2001. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. SIMULAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. Comprovado em Laudos elaborados por empresas especializadas, que os veículos, objeto de depreciação acelerada incentivada, já integravam o patrimônio da contribuinte, e diante da ausência de comprovação da regularidade das baixas contabilmente registradas, seguidas de novos registros dos mesmos veículos, com base em notas fiscais emitidas pela controladora, resta configurada Fl. 1737DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 27 a simulação absoluta da aquisição dos bens, porque, de fato, nenhuma operação ocorreu. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A falta de recolhimento mensal do IRPJ e da CSLL calculados por estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada. Como são distintas e autônomas as hipóteses de incidência, as bases de cálculo e os fatos sobre os quais incidem a multa isolada de 50%, por falta de recolhimento das estimativas mensais, e a multa de ofício de 75%, por falta de pagamento do IRPJ e CSLL devidos no Ajuste Anual, não se caracteriza a duplicidade de penalidade sobre o mesmo fato. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SONEGAÇÃO. Comprovada a simulação de uma operação de aquisição de diversos bens do ativo permanente, para fruição indevida do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, verifica-se a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, configurando-se regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL. Na medida em que a exigência reflexa têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, e não houve impugnação específica, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão do auto de infração decorrente. Inconformada com a r. decisão, a empresa interpôs recurso voluntário aduzindo, em suma, os mesmos argumentos expostos na peça impugnatória. O processo nº 10835.721301/2014-15 em que formalizada a Representação Fiscal para fins Penais encontra-se juntado por apensação. É o relatório. Fl. 1738DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 28 VOTO Conselheiro Fernando Augusto Carvalho de Souza, relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. As matérias controvertidas nos presentes autos podem ser resumidas nos seguintes tópicos, que serão detidamente abordados na sequência do presente voto: a) Excesso de dedução de despesas financeiras; b) Depreciação Incentivada Acerada Rural Indevida; b.1) Glosa dos encargos de depreciação acelerada de bens do ativo permanente imobilizado; b.2) Glosa de encargos de depreciação acelerada rural na aquisição de veículos da empresa controladora de forma simulada; c) Multa de Ofício Qualificada por ter praticado os atos previstos no art. 44, §1º, da Lei 9.430/1996; d) Multa isolada pelo recolhimento a menor de IRPJ e CSLL calculados com base em balancetes mensais. a) EXCESSO DE DEDUÇÃO DE DESPESAS FINANCEIRAS Esse ponto da autuação decorre de a fiscalização ter considerado indedutíveis os encargos financeiros sobre empréstimos/financiamentos tomados junto ao mercado e ao longo do período ter repassado/concedido a empresa controladora mútuos sem qualquer encargo financeiro. A lógica que funda a autuação é a ação da Recorrente em obter no mercado empréstimos/financiamentos, sem, contudo, aplicar todos os recursos em suas atividades operacionais, repassando parte à empresa controladora sem encargo financeiro. O valor da autuação não consiste na glosa integral de toda despesa financeira com encargos financeiros obtidos pela Recorrente ao longo do período, mas sim da diferença apurada na proporção entre o saldo médio de empréstimos/financiamentos tomados e o saldo médio mensal dos mútuos concedidos à controladora, de modo que ao final, a diferença foi considerada indedutível na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Os dados que subsidiaram a autuação constam dos anexos XX, XXI e XXII ao Auto de Infração (planilhas eletrônicas) com informações das contas contábeis da escrituração da própria Fl. 1739DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 29 Recorrente de fatos contábeis relacionadas aos empréstimos/financiamentos, bem como seus encargos financeiros. O critério adotado pela fiscalização foi estabelecer um percentual mensal entre o valor dos mútuos concedidos à controladora e o total de empréstimos/financiamentos, de modo que as despesas de juros, no percentual obtido foi considerado indedutível. O demonstrativo consta da fl. 1372: A defesa da Recorrente se baseia em duas premissas, sendo a primeira na alegação de que somente há que se tributar a renda e a segunda na falta de impedimento legal para que empresas de um grupo econômico possam executar sua atividade empresarial de forma ampla. O Recurso Voluntário nesse ponto das despesas financeiras é uma cópia literal da impugnação, inclusive em relação à arguição da falta de demonstração pela fiscalização dos valores apurados, sendo que, claramente as informações foram obtidas dos próprios registros contábeis da Recorrente. No mérito, a Recorrente defende que o caso concreto e as peculiaridades de situação é que determinarão a necessidade ou não da despesa e assevera que a origem da despesa de juros glosadas reside na própria criação da Recorrente como subsidiária integral, conforme trecho do Recurso Voluntário abaixo: Conforme ensinamento de Edmar Oliveira Andrade Filho, no Livro Imposto de Renda das Empresas, 12ª edição, fl. 299: “Ao eleger o critério da necessidade, a lei requer a demonstração, em cada caso, de um vínculo de inerência entre os bens e serviços adquiridos e a atividade explorada pela pessoa jurídica e que constituir a fonte produtora dos rendimentos. Essa ideia de inerência se estabelece a partir da identificação de uma relação de Fl. 1740DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 30 causa e efeito, de modo que a despesa será dedutível se a causa do gasto é uma demanda (exigência) pelo emprego dos bens e serviços nas atividades da pessoa jurídica. A verificação, em cada caso, do atendimento ao critério, inerência, requer a demonstração de que os mesmos tenham produzido benefício direto ou indireto para o patrimônio social do sujeito passivo que faz o desembolso de recursos e não de outra pessoa. Em face do princípio da separação entre sócios e sociedades e da individualidade tributária de cada pessoa jurídica, não é admissível a dedução de um gasto feito em benefício de outrem, porque isso denuncia o caráter “desnecessário” da despesa.” (Griffou-se) Ou seja, a necessidade de despesas eventualmente realizadas em benefício de outrem, ainda que integrante do mesmo grupo econômico, não seriam dedutíveis na base de cálculo do imposto de renda, por serem desnecessárias. A legislação utilizada pela fiscalização (também pela Recorrente) sobre o assunto está disposta nos art. 299 e 374 do RIR/1999: Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplica-se também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.” (...) Despesas Art. 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): I - os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis, nos períodos de apuração a que competirem; II - os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e pré- operacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Fl. 1741DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 31 Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § 3º) Em relação ao art. 299, que tem por base o art. 47 da Lei nº 4.502, de 1964, ressaltando que o legislador não revogou expressamente esse artigo ao introduzir disposições novas e especiais sobre despesas financeiras por meio do art. 17 do Decreto-lei n° 1.598, de 1977. O que ocorre é que o art. 47 (1964), contém uma norma de caráter geral que se aplica a qualquer despesa para se enquadrar como operacional e o art. 17 (1977), tem um alcance mais restrito, tratando apenas das despesas financeiras, embora ainda trate, expressamente, de despesa operacional. Para o art. 374, temos que começar pela análise do art. 17 do Decreto-lei 1.598/1977, que após as alterações introduzidas pela Medida Provisória 627/2013, convertida na Lei 12.973/2014, passou a ter a seguinte redação: Art. 17 - Os juros, o desconto, a correção monetária prefixada, o lucro na operação de reporte e o prêmio de resgate de títulos ou debêntures, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do exercício social, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. § 1º Sem prejuízo do disposto no art. 13 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas: (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Griffou-se) a) os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, a correção monetária prefixada e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata tempore, nos exercícios sociais a que competirem; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) b) os juros e outros encargos, associados a empréstimos contraídos, especificamente ou não, para financiar a aquisição, construção ou produção de bens classificados como estoques de longa maturação, propriedade para investimentos, ativo imobilizado ou ativo intangível, podem ser registrados como custo do ativo, desde que incorridos até o momento em que os referidos bens estejam prontos para seu uso ou venda. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) E a menção no § 1º do dispositivo acima transcrito faz expressa ressalva quanto ao disposto no art. 13 da Lei n° 9.249/1995. Este último preceito, por sua vez, tem a seguinte dicção: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, Fl. 1742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 32 independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (Griffou-se) I - de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimo-terceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; II - das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III - de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV - das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V - das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI - das doações, exceto as referidas no § 2º; VII - das despesas com brindes. VIII - de despesas de depreciação, amortização e exaustão geradas por bem objeto de arrendamento mercantil pela arrendatária, na hipótese em que esta reconheça contabilmente o encargo. Temos que o art. 17 foi base para o art. 374 do RIR/99, notadamente no seu inciso II, quando trata dos juros de empréstimos, trazendo uma ressalva para o não afastamento dos requisitos previstos no art. 47 da Lei n° 4.506/1964, ao citar o art. 13 da Lei n° 9.249/1995. Esse assunto tem jurisprudência pacificada no CARF, quando em vários Acórdãos indicam que a inobservância do requisito da necessidade afasta a aplicação do art. 17 do Decreto- lei nº 1.598, de 1977, fonte legal do artigo 374 do RIR 1999. ENCARGOS FINANCEIROS DESNECESSÁRIOS. TRANSFERENCIAS A TÍTULO DE ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. Revelam-se desnecessários á atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora e, portanto, indedutiveis, os encargos financeiros decorrentes de captação externa junto à entidades financeiras quando, simultaneamente, a pessoa jurídica transfere dinheiro à sua controlada, sem incidência de qualquer encargo, ainda que tal transferência se faça a titulo de adiantamento para aumento de capital, e mormente quando evidenciado que sequer as transferências efetuadas reuniam as características necessárias para serem tratados como Fl. 1743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 33 verdadeiros adiantamentos para futuro aumento de capital. (1° Câmara / 2° Turma Ordinária/ Acordão: 1102-00.395. Sessão de 21 de fevereiro de 2011) IRPJ - DESPESAS FINANCEIRAS - São consideradas não necessárias aquelas correspondentes a empréstimos repassados a empresa ligada sem qualquer encargo financeiro. Os juros e variações correspondentes a valores repassados a empresas ligadas, representam despesas destas últimas em suas atividades (3° Câmara / 2° Turma Ordinária/ Acordão: 1302-002.306. Sessão de 25 de julho de 2017) Dessa forma, a necessidade é um requisito aplicável à dedutibilidade das despesas financeiras, de modo que uma pessoa jurídica somente pode deduzir aquilo que pertença à sua própria atividade, às suas próprias operações, não podendo excluir de sua base de cálculo despesas incorridas por terceiros. In casu, verifica-se que a Recorrente obtinha recursos através de empréstimos/financiamentos com juros de mercado e repassava os valores através de contrato de mútuo com empresa controladora, sem os devidos encargos. Tal conjunto fático, gera a certeza suficiente para concluir-se que aqueles que efetivamente desfrutaram dos benefícios decorrentes do valor disponibilizado foi a empresa controladora. A Recorrente alega ainda que as transações ocorreram por contratos de conta corrente, contudo é imperioso observar que os encargos financeiros suportado pela Recorrente e contabilizados como despesas financeiras, não se referiam às suas atividades operacionais, como bem descrito pela autoridade julgadora de primeira instância, que com a máxima vênia, reproduzo a parte da decisão que trata dos atos constitutivos das empresas envolvidas: Na Escritura do Constituição da Bioenergia do Brasil S.A. como subsidiária integral da Central de Álcool Lucélia Ltda., de 03/04/2006 (cópias às fls. 453/468), tem-se que teria sido constituída com um capital social de R$ 9.908.000,00, mediante a transferência pela controladora dos seguintes bens: (a) móveis e utensílios para escritório R$ 230.485,87; (b) equipamentos de telecomunicação R$ 73.744,62; (c) máquinas e equipamentos/indústria R$ 6.378.530,45; (d) máquinas e equipamentos para fabricação de açúcar R$ 1.894.471,25; (e) máquinas e equipamentos cooger energia R$ 1.180.064,66; (f) utensílios e ferramentas R$ 118.140,95; (g) máquinas e equipamentos fabrica levedura R$ 11.566,32; e (h) sistemas de software R$ 20.995,88. Tem-se que tais bens foram transferidos à subsidiária para o desempenho de suas atividades autônomas, devidamente descritas no objeto social da empresa constituída: (i) exploração do ramo industrial de produção de açúcar e álcool de cana e/ou outras matérias-primas e seus subprodutos, obedecidos os atos normativos traçados pelo plano nacional de álcool, sua comercialização, inclusive importação e exportação; (ii) representação comercial por conta própria de mercadorias em geral; (iii) exploração e operação, em imóveis próprios ou de terceiros, de atividades agrícolas, pastoris e de outras matérias-primas, para Fl. 1744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 34 produção de álcool e outras em geral; (iv) prestação de serviços de assistência técnica para os acionistas e terceiros em geral; (v) execução de serviços de transportes de cana e outros em geral; (vi) comércio de combustível, lubrificantes, posto, serviços, peças e acessórios; (vii) importação de bens, serviços e insumos utilizados na empresa; (viii) geração e comercialização de energia elétrica própria; (ix) produção e comercialização de levedura para nutrição animal; e (x) participação como sócia, acionista ou quotista de outras sociedades ou empresas. De observar que, na Ficha Cadastral Completa da Junta Comercial do Estado de São Paulo – Jucesp, a atividade econômica da Central de Álcool Lucélia Ltda., a partir de 12/09/2000 (Registro 175.568/00-5), encontrava-se assim descrita: fabricação de álcool, geração de energia elétrica, comércio a varejo de peças e acessórios novos para veículos automotores, comércio varejista de combustíveis para veículos automotores, outras atividades de prestação de serviços de informação não especificadas anteriormente. Após a criação da subsidiária integral (Bioenergia), em 27/03/2007 (registro 098.347/07-0) constou ainda a alteração do objeto social da controladora para fabricação de açúcar em bruto, outras sociedades de participação, exceto holdings, e a abertura de filiais, dedicadas ao cultivo de cana-de-açúcar e a depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis. Diante desse quadro, não se pode dizer que, com a constituição da subsidiária, a controladora tenha transferido a esta última toda a sua atividade empresarial, como quer fazer crer a defesa, mas que ambas se dedicavam a negócios do mesmo ramo de atividade. Ademais, por mais que existam razões operacionais para existência do sistema de conta corrente alegado pela Recorrente, esta não está dispensada de escriturar adequadamente as operações, notadamente em cumprimento aos Princípios da Entidade e da Continuidade. Os motivos empresariais alegados pela Recorrente não se sobrepõem aos princípios contábeis, a autonomia patrimonial das empresas deve estar preservada, sob pena de se incentivar real confusão patrimonial. Outro aspecto que deve ser ressaltado é que, apesar de ser relativamente usual e normal a celebração de contratos de mútuo entre empresas integrantes de um grupo econômico, a contabilização deve seguir regras rígidas, principalmente na identificação de todas as informações que deram origem ao fato contábil, como valores e taxas de juros praticada e o mais importante, qual o destino dos recursos captados e qual a sua aplicação para operação da empresa. Constando que os recursos financeiros não foram empregados na atividade operacional da empresa que os captou, resta patente sua desnecessidade, bem como os juros relacionados a operação financeira e dessa forma as despesas excedentes são consideradas desnecessárias, vez que não trariam nenhum benefício à empresa que captou os recursos financeiros. Fl. 1745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 35 Por fim, por mais que Recorrente tenha se esforçado demonstrar que a figura do sistema de conta corrente efetivado entre as empresas através dos mútuos, as circunstâncias fáticas indicam que a operação culminou na dedução de despesas juros de terceiros na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL próprios. Assim sendo, deve ser mantida a respectiva glosa do excesso de dedução de despesas financeiras consideradas desnecessárias relativas a juros de empréstimos/financiamentos tomados. b) DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA ACERADA RURAL INDEVIDA Seguindo na autuação, a autoridade fiscal considerou indevida a utilização do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada da atividade rural para reduzir, através de exclusão da Parte A do LALUR, o valor de R$ 17.632.780,23 da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Foram identificadas infrações que estavam em desacordo com o art. 6º da Medida Provisória nº 2.159-70, de 24 de agosto de 2001, reproduzido no art. 314 do RIR/99, que menciona o art. 58 para definição de atividade rural. Ambos os dispositivos legais são transcritos abaixo: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. ... Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.749-37, de 1999, art. 5º) (Griffou-se) O montante de R$ 17.632.780,23 constitui-se em duas parcelas: a) R$ 8.874.536,84 pelo aproveitamento indevido do benefício fiscal de depreciação acelerada rural de bens do ativo permanente imobilizado (item b.1), e b) R$ 8.758.243,39 referente a bens que já eram de propriedade e posse da Recorrente e que foram, no entendimento da fiscalização, objeto de “compra simulada” (item b.2). b.1) GLOSA DOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE IMOBILIZADO Fl. 1746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 36 Inicio a análise pelo componente da glosa no valor de R$ 8.874.536,84 que ocorreu devido ao fato da Recorrente ser uma empresa agroindustrial produtora de açúcar e álcool para venda e que não aufere receita de nenhuma das etapas anteriores à produção do açúcar e álcool, caracterizadas como atividade rural, mas a aufere receita pela venda de açúcar e álcool industrializados, ou seja, não explora a atividade rural. O ponto principal da acusação reside no fato da Recorrente deter toda cadeia produtiva, desde o preparo de solo, plantio, cultivo, corte e o carregamento da cana-de-açúcar à unidade fabril, até se chegar ao produto final que é o açúcar ou o álcool comercializado, como pode ser observado em sua resposta a intimação quando questionada sobre a atividade preponderante afirmando: “agrícola, compreendida em preparo de solo, plantio, cultivo, corte, carregamento, transporte e moagem da cana-de-açúcar, que representa aproximadamente 75% do custo do seu produto final, álcool ou açúcar”. O ponto principal para análise reside na identificação da exploração da “atividade rural” nos termos do art. 6° da Medida Provisória nº 2.159-70 para caracterizar como suscetível de aproveitamento do benefício fiscal de realizar a depreciação acelerada. O dispositivo legal é claro em indicar que o contribuinte só pode aplicar a depreciação acelerada em bens que estejam no ativo permanente e que sejam utilizados por pessoa jurídica que explore uma “atividade rural”. O benefício expresso na lei foi reproduzido no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3000 de 1999) no art. 314, sendo que no texto há remissão ao art. 58, no qual há a definição do que se considera “atividade rural”: Art. 58. Considera-se atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): I - a agricultura; II - a pecuária; III - a extração e a exploração vegetal e animal; IV - a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V - a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; (Grifou-se) VI - o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Fl. 1747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 37 (...) O inciso V está em destaque porque é nesse ponto que reside a lide, isso porque para caracterizar uma “atividade rural”, para fins de aproveitamento do benefício fiscal, a transformação de produtos decorrentes da “atividade rural” não pode alterar a composição e as características do produto em natura, que seja feita pelo próprio agricultor e com maquinário usual de “atividade rural”. O legislador, no texto legal, ainda permitiu algumas exceções como a pasteurização, o acondicionamento de leite, mas que não estão em discussão no presente processo. Como descrito anteriormente, a Recorrente é uma agroindústria que detém toda cadeia de produção e ao final comercializa álcool e açúcar proveniente da transformação da cana de açúcar em natura, ou seja, há uma etapa de industrialização na cadeia de produção, modificando o produto in natura e de acordo com o a legislação, não poderia usufruir do benefício fiscal de ter seus bens do ativo permanente sofrendo depreciação incentivada. A RFB até tratou das atividades relacionadas a cana de açúcar na letra b do inciso VIII do art. 2° da Instrução Normativa n° 257 no ano de 2002 (vigente à época dos fatos) quando permitiu que a moagem da cana de açúcar (transformação) fosse caracterizada como atividade rural: Art. 2º A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades consideradas rurais: I - a agricultura; II - a pecuária; III - a extração e a exploração vegetal e animal; IV - a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; VI - o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; VII - a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes; VIII - a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na área rural explorada, tais como: a) beneficiamento de produtos agrícolas: (...) b) transformação de produtos agrícolas: 1. moagem de trigo e de milho; Fl. 1748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 38 2. moagem de cana-de-açúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura; 3. grãos em farinha ou farelo; c) transformação de produtos zootécnicos: (...) d) transformação de produtos florestais: (...) e) produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos, em propriedade rural, independentemente de sua destinação (reprodução ou comercialização). (Griffou-se) Ainda na IN n° 257/2002, o legislador fez constar a necessidade de segregação da receita bruta de outras atividades não relacionadas à “atividade rural”. RECEITA BRUTA Art. 4º Considera-se receita bruta da atividade rural aquela decorrente da exploração das atividades relacionadas no art. 2º. Parágrafo único. O regime tributário estabelecido para a pessoa jurídica rural não permite a inclusão de receitas e despesas de outras atividades, as quais, se existentes, deverão ser segregadas nos termos do art. 8º SEGREGAÇÃO DE RECEITAS Art. 8º A pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades e demonstrar, no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), separadamente, o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. (...) (Griffou-se) Ocorre que compulsando os autos, constata-se que a Recorrente comercializa açúcar ou o álcool, que são produtos que modificaram a matéria prima que é a cana de açúcar, sem que essa transformação fosse permitida pela legislação para obtenção do benefício fiscal de depreciação acelerada da atividade rural. Á época dos fatos, a RFB, através da Solução de Consulta DISIT 8° RF n° 140/2013, já tratava de impossibilidade de utilização do benefício fiscal da depreciação acelerada para agroindústrias que detém toda cadeia produtiva e que tenha receita exclusiva do produto final industrializado, como é o caso do presente processo "AGROINDÚSTRIA. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. ATIVIDADE RURAL. Fl. 1749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 39 Em se tratando de pessoa jurídica do ramo agroindustrial, detentora de toda a cadeia produtiva até o produto final industrializado e que aufira receita decorrente exclusivamente da venda do referido produto, a mesma não explora atividade rural, não fazendo jus ao benefício da DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA, ainda que quaisquer das etapas anteriores à industrialização refiram-se a atividade rural." Importante registrar que a depreciação acelerada foi opção do legislador objetivando a implantação, renovação ou modernização de instalações e equipamentos, conforme se depreende do art. 313 do RIR/99: Art. 313. Com o fim de incentivar a implantação, renovação ou modernização de instalações e equipamentos, poderão ser adotados coeficientes de depreciação acelerada, a vigorar durante prazo certo para determinadas indústrias ou atividades (Lei nº 4.506, de 1964, art. 57, § 5º). A Recorrente alega que a expressão “atividade rural” não deveria ser interpretada restritiva, sendo necessária uma interpretação finalística, sistêmica e evolutiva, conforme trechos abaixo da peça recursal: (...) Equivocada a alegação da Recorrente, benefícios fiscais devem ter interpretação teleológica, conforme art. 111 do CTN, pois representam exceções ao Princípio da Capacidade Contributiva, de modo que a expressão “interpreta-se literalmente” do caput deve ser entendida como “interpreta-se restritivamente”. Essa restrição deve objetivar fins econômicos visando uma vantagem conforme pode ser depreendido do art. 313 do CTN supracitado, como pode ser observado nos demais artigos da Subseção III do RIR/99 no qual o art. 313 está inserido. Desta foram, é o critério econômico, e não o puramente semântico, que deve ser trazido na solução desta controvérsia, pois, este é parâmetro que menos restringirá a capacidade contributiva e, por conseguinte, a igualdade tributária. Fl. 1750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 40 Em outro, tanto na impugnação como no recurso voluntário a Recorrente alega como precedente para reconhecer a validade do benefício fiscal para agroindústrias o Acordão CARF n° 1402-00.914 e 1202-000.796, que tratam do art. 22-A da Lei 8.212/91: (...) Acertada a decisão de primeira instância em relação ao ponto, no qual tomo a liberdade de reproduzir e adotar como minhas razões para decidir esse ponto: Defende ainda que, segundo o art. 22-A da Lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001 – abaixo transcrito, a agroindústria é considerada produtor rural pessoa jurídica, e portanto, exerce atividade rural, verbis: Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001) – destaques acrescidos. Todavia, há clareza de que a aplicação da definição legal de “agroindústria, como sendo o produtor rural pessoa jurídica (...)” restringia-se apenas aos efeitos da Lei nº 8.212, de 1990, ou seja, para fins de instituição das contribuições a cargo da empresa, destinadas à Seguridade Social. A aplicação desta definição normativa fora deste campo de incidência não tem amparo normativo. Fl. 1751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 41 De outro lado, o mesmo dispositivo legal deixa claro que a agroindústria é pessoa jurídica, cuja atividade econômica é a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, atividade que não pode ser interpretada sob qualquer ótica como atividade rural. Diante do exposto, acertada a glosa de encargos referentes a depreciação acelerada de bens do ativo permanente imobilizado b.2) GLOSA DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO ACELERADA RURAL NA AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS DA EMPRESA CONTROLADORA DE FORMA SIMULADA O outro ponto relacionado a glosa de encargos de depreciação acelerada foi a caracterização como indedutível o montante de R$ 8.758.243,39 referente a veículos que já haviam sido transferidos pela empresa controladora por ocasião da subscrição e integralização de capital no ano de 2006, ou seja, não foram adquiridos no ano de 2011, quando, supostamente, poderiam ter sua depreciação incentivada. Reforçando ainda a autuação, conforme item anterior, a Recorrente não explora atividade rural nos termos da legislação para fins de fruição do benefício fiscal. Basicamente a fiscalização conseguiu comprovar que alguns bens que tiveram a contabilização da depreciação acelerada no ano de 2011, já estavam de posse da Recorrente antes de 2011 (ano da despesa), seja por transferência via integralização de aumento da controladora, seja por reavaliação via laudo por empresa especializada. A fiscalização detalha dois momentos que deram origem a infração, denominando de “etapas de criação ardilosa dos encargos”, descritas da seguinte forma As etapas de criação artificiosa dos encargos de depreciação compreenderam: registro contábil em 24/10/2011 de alienação de veículos integrantes do ativo permanente imobilizado, baixando-os, sem emissão de nota fiscal de saída ou venda, pelo valor contábil que é irrisório, e anulando-se os efeitos tributários da reavaliação de 28/12/2007 dos bens a valor de mercado; aquisição simulada da controladora dos mesmos veículos, no mesmo dia de 24/10/2011, por valores mais próximos do Laudo de Reavaliação de 28/12/2007, ou seja, registro do ingresso simulado de bens pelo valor de mercado e subsequente aproveitamento integral dos encargos de depreciação acelerada incentivada. (Griffou-se) A fiscalização obteve êxito em provar que os bens adquiridos (etapa: “aquisição simulada da controladora dos mesmos veículos, no mesmo dia de 24/10/2011”), conforme Notas Fiscais acostados aos autos e que foram objeto de aproveitamento integral dos encargos de depreciação acelerada incentivada rural, já eram de propriedade da Recorrente. Conforme detalhamento nos autos, a administração da Recorrente aprovou em 2007, a contabilização da reavaliação de bens, conforme laudo elaborado por empresa especializada, sendo esses bens, após a reavaliação, transferidos pela controladora (Central de Fl. 1752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 42 Álcool Lucélia Ltda) por ocasião da subscrição e integralização de capital no ano de 2006, situação bem descrita pela autoridade fiscal no trecho do Relatório Fiscal: “Essa operação de integralização de capital social na fiscalizada mediante conferência de bens pela controladora caracteriza uma alienação”. A fiscalização constatou que os bens das NFs com data de 24/10/2011, que subsidiaram a contabilização dos encargos de depreciação incentivadas, já constavam do laudo de reavaliação de 2007, ou seja, já eram de propriedade da Recorrente. Ocorre que nem todos os bens das NFs puderam ser cotejados com o laudo, pois havia omissões em relação ao número da placa e chassi, por exemplo, de modo que a Recorrente foi instada, via Termo de Intimação, a suprir as lacunas. A Recorrente não atendeu a fiscalização, deixando de apresentar o demonstrativo requisitado alegando “que em razão de espaço físico e volume de documentos, mantém em seus arquivos somente documentos referentes aos últimos 5 (cinco) exercícios, razão pelo qual deixa de apresentar os documentos solicitados”. Para etapa de “registro contábil em 24/10/2011 de alienação de veículos integrantes do ativo permanente imobilizado”, a fiscalização provou que não houve a emissão de nenhuma nota fiscal de saída dos bens, seja porque a Recorrente não apresentou no curso da fiscalização, seja porque não foram encontradas na base de dados do SPED, adicionando-se o fato de que não consta nos registros contábeis da controladora essa aquisição de bens. O processo de “criação artificial de encargos de depreciação” foi extremamente detalhado pela autoridade fiscal no Relatório Fiscal (fls. 1362/1368), com a apresentação dos registros contábeis que comprovaram a infração. A Recorrente em sua defesa questiona premissas do lançamento em relação a legislação de depreciação incentivada ligada a “atividade rural”, jurisprudência do CARF, alega que no caso concreto a fiscalização “...reconheceu expressamente que a recorrente exerce atividade rural, pois no termo de verificação fiscal, pois, esclareceu o contribuinte (recorrente) que a atividade preponderante da empresa é agrícola ....”. Apresenta uma planilha (arquivo não paginável – planilha Excel: “Outros.xlsx” – Folha 1577) dividindo suas alegações em 04 (quatro) situações, em que entende que houve equívoco da fiscalização na autuação: 1) “Bem está na Bio, porém o recibo (Detran) está na Central. Baixa do bem em 24/10/2011 na Bioenergia e entrada do bem conforme esta nota de venda da Central”. (COR CINZA) 2) “O relatório de reavaliação está com o nome da Bioenergia, mas o bem e a reavaliação foi contabilizado na Central. No dia 24/10/2011 foi vendido para Bioenergia conforme esta nota fiscal”. (COR VERDE) Fl. 1753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 43 3) “Entrada na Bioenergia em 24/10/2011 por esta nota de venda da Central”. (COR AZUL) 4) “Bem não consta no Patrimônio da Central, por estar no laudo de integralização do Capital da Bioenergia em 2006. Baixa do bem em 24/10/2011 na Bioenergia e entrada do bem conforme esta nota de venda da Central”. (COR AMARELA) Item 1, com explicação: “Bem está na Bio, porém o recibo (Detran) está na Central”, ou seja, não houve a transferência formal do bem, mas já constava do aumento de capital, objeto de Laudo de reavaliação, mas que a Recorrente alega que foram adquiridos apenas em 2011, contudo não há nota fiscal de transferência. Para o item 2, “O relatório de reavaliação está com o nome da Bioenergia, mas o bem e a reavaliação foi contabilizado na Central”, essa alegação só reforça a tese da fiscalização da utilização indevida do benefício fiscal. No item 4, “Bem não consta no Patrimônio da Central, por estar no laudo de integralização do Capital da Bioenergia em 2006”, nesse caso a Recorrente confirma que o bem foi transferido na integralização de capital, e que foi dada a baixa e a nova entrega em 2011, uma comprovação cabal da simulação!!!! Para os bens listados na COR AZUL (“Entrada na Bioenergia em 24/10/2011 por esta nota de venda da Central”), a Recorrente alega que deram entrada em 2011 mediante NF de compra da controladora. Contudo, além da fiscalização no curso do procedimento fiscal questionar acerca da impossibilidade de comparação entre alguns bens que constavam do laudo e as notas fiscais, a Recorrente alegou decadência para não apresentar documentação que poderia sanear a dúvida, adicionado ao fato das Notas Fiscais de venda não constarem do SPED de modo que caberia a Recorrente comprovar a situação de transferência dos bens. Observa-se nos autos que a glosa por parte da fiscalização partiu de informações da contabilidade da empresa, e que mesmo após regular intimação para apresentação da documentação, hábil e idônea, para justificar/comprovar a escrituração contábil, não o fez de modo que a fiscalização procedeu o lançamento da exigência. Em relação a decadência alegada pela Recorrente para não apresentação da documentação. Nesse ponto, vale citar o art. 264 do RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto-Lei nº 486, de 1969, art. 4º). Fl. 1754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 44 Como se vê, os lançamentos podem gerar reflexos fiscais que podem se estender por exercícios futuros, como no caso de despesas com depreciação, que é o objeto do presente processo. Nesses casos, o contribuinte deve manter a guarda dos documentos que deram origem ao lançamento contábil enquanto existir a possibilidade de constituir crédito tributário decorrente de irregularidades identificadas pela fiscalização na contabilização. Corroborando ainda com esse entendimento, o art. 37 da Lei 9.430/96 determina que os documentos devem ser conservados até que decai o direito da fazenda de constituir crédito tributário: Guarda de Documentos Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Mesmo o art. 195 do CTN citado no recurso voluntário, vai nesse mesmo sentido, pois determina que o contribuinte mantenha em boa ordem a documentação comprobatória do lançamento contábil até a prescrição dos créditos tributários dela decorrentes: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibi-los. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. O contribuinte estava obrigado a manter a documentação comprobatória que deu origem a despesa de depreciação de bens do ativo imobilizado, no caso, o Laudo de Avaliação, de forma que a comprovar a regularidade da despesa deduzida na apuração do lucro líquido. Diante de todo exposto, entendo que a descaracterização efetuada pela fiscalização em relação a depreciação incentivada acelerada no valor de R$ 17.632.780,23 deve ser mantida. Confirmando a decisão de primeira instância c) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A contribuinte questiona nesta instância recursal à qualificação da multa de ofício para 150%, ocorre que a decisão recorrida enfrentou adequadamente na primeira instância. Cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 12, inciso, I, do Art. 114 do Novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Fl. 1755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 45 Art. 114. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes, ausentes e impedidos ou sob suspeição, especificando-se, se houver, os conselheiros vencidos, a matéria em que o relator restou vencido e o voto vencedor. (...) §12. A fundamentação da decisão pode ser atendida mediante: I - declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida; Desta forma, proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerando-se aqui transcrito o voto da decisão recorrida, na parte que se aplica: (Griffos do original) Da multa qualificada Quanto à imputação da multa qualificada, cumpre fazer remissão aos fundamentos fáticos e jurídicos que ensejaram a sua aplicação, previstos no art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; .................................................................................... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ..................................................................................” Conforme expressamente definido na legislação, a imputação da fraude latu sensu vincula-se às hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, que dispõem: “Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 46 Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72”. Note-se que se adotada a perspectiva de que a ocorrência do fato gerador somente se dá a conhecer por meio da conversão em linguagem competente dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, não pode subsistir a distinção legal entre os conceitos de sonegação (impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador) e fraude (impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador). Como a incidência de tributação somente se dá sobre o fato gerador conhecido, tanto na sonegação, quanto na fraude, o que está em questão é a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, das condições pessoais de contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Contraditando entendimentos divergentes, poder-se-ia até argumentar que se a conduta do sujeito passivo realmente fosse hábil a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador (conforme a prescrição contida no art. 72), não haveria fato a ser tributado, ou tributado no momento. Decorre daí que, no âmbito da legislação tributária, a interpretação da fraude lato sensu – a abranger tanto a sonegação (art. 71), como a fraude stricto sensu (art. 72) –, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu (art. 72) denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador; (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em apreço, a fundamentação fática da aplicação da multa de ofício qualificada pelo evidente intuito de fraude encontra-se assim descrita no termo já acima transcrito: O sujeito passivo agiu de forma dolosa tendendo a impedir a ocorrência do fato gerador, ou seja, evitando a sua realização, ao realizar negócio jurídico Fl. 1757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 47 simulado de compra de veículos, que já integravam o seu patrimônio desde anteriormente à data de 28/12/2007. A vontade consciente do contribuinte na prática do delito consumado de redução do montante do IRPJ e a CSLL devidos, impedindo fraudulentamente, parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deu-se mediante as condutas descritas a seguir: •Excluir do lucro líquido para determinação do lucro real valores fictícios de depreciação acelerada incentivada rural. •Prestar informação falsa à fiscalização tributária ao inserir valores fictícios de encargos de depreciação acelerada incentivada rural no LALUR. •Empregar nota fiscal para simular a aquisição de veículos, pois estes anteriormente já integravam o patrimônio da fiscalizada, visando apropriação dos custos integralmente de imediato, com finalidade de induzir em erro a administração tributária. •Negar a fornecer descrição complementar dos veículos constantes do Laudo de Avaliação que serviu de base para aumento do capital social com vistas à permitir a perfeita caracterização e inequívoca dos veículos recebidos. •Fazer declaração falsa na DIPJ sobre o montante dedutível de encargos de depreciação acelerada incentivada rural. Assim sendo, diante do fato do sujeito passivo ter dolosamente impedido, parcialmente, a ocorrência do fato gerador do IR e CSLL, de modo a reduzir o montante dos tributos devidos, conforme previsto nos arts. 71 e 72 da lei 4.502/64, mediante simulação de negócio jurídico com a empresa controladora, é cabível a aplicação de multa qualificada. Contrariamente ao defendido na impugnação, as condutas dolosas praticadas pela Impugnante, e que configuram fraude e/ou sonegação, encontram-se perfeitamente descritas no Relatório Fiscal. Nesse aspecto, cumpre também prestigiar a descrição dos fatos bem elaborada pela fiscalização no tópico relativo à glosa da despesa: Está claro que o sujeito passivo criou artificiosamente um negócio jurídico não verdadeiro, que aparenta ser real, de reaquisição de veículos com intuito de aproveitar-se dos encargos de depreciação acelerada incentivada rural para exclusão do lucro líquido na determinação do lucro real. A operação de novo ingresso dos veículos que já integravam o patrimônio da fiscalizada, desde anteriormente à data de 28/12/2007, não teve outro propósito senão gerar por meio de artifício e ardil um encargo de depreciação acelerada, pois não representa a realidade. É evidente que o Fl. 1758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 48 negócio engendrado para a consecução de redução do lucro real não corresponde à veracidade da transação. A prática artificiosa de dar baixa aos veículos da contabilidade da fiscalizada, sem amparo de nota fiscal e sem reconhecimento contábil das receitas de vendas, bem como sem dar entrada na contabilidade da controladora, e, na mesma data, o veículo ser comercializado pela controladora (...). No direito tributário penal, é possível reconhecer dois tipos de conduta e, conseqüentemente, de ilícitos fiscais: aqueles decorrentes de erro, aos quais deve ser aplicada a multa de ofício de 75%; e aqueles decorrentes de dolo, apenados com a multa de ofício qualificada de 150%. No caso, comprovado que os veículos, objeto de depreciação acelerada incentivada, já integravam o patrimônio da contribuinte, que não conseguiu comprovar a regularidade da operação de baixa contábil, para subseqüente novo registro, com base em notas fiscais emitidas pela controladora, resta configurada a simulação absoluta da aquisição dos bens, porque, de fato, nenhuma operação ocorreu. Vejam as prescrições do art. 167, § 1º do Código Civil – Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. No caso, o negócio jurídico de aquisição, respaldado nas notas fiscais emitidas pela controladora, apenas aparentou conferir ou transmitir os veículos à subsidiária, quando, na verdade, tais bens já integravam o patrimônio desta último, conforme laudos de avaliação de subscrição e integralização de capital (2006), e laudo de reavaliação de bens (2007). Nesse aspecto, as notas fiscais contiveram declarações não verdadeiras, e a escrituração contábil da baixa, assim como da reaquisição dos mesmos veículos, teria se baseado em documentação inábil. Apesar dos protestos da defesa, o fato é que, a prova de que os veículos já integravam o patrimônio da autuada foi regularmente feita pela fiscalização, e a Impugnante não conseguiu comprovar a regularidade das operações registradas de baixa contábil e de reaquisição. Fl. 1759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 49 Nesse aspecto, talvez fosse oportuno lembrar que a escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, se comprovados por documentos hábeis. Vejam-se os preceitos do art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, verbis: Art 9º - A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º - A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º - Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º - O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. In casu, diante dos laudos apresentados que comprovaram que os veículos já integravam o patrimônio da fiscalizada, desde a data de sua constituição (2006), ou ao menos, desde a data da reavaliação de bens (2007), e na ausência de documentação hábil de suporte para a operação de baixa contabilmente registrada em 2011, conclui-se por comprovada a inveracidade da operação de reaquisição dos veículos escriturada com base nas notas fiscais de venda, emitidas pela controladora. Por outro lado, caso exercesse atividade rural beneficiada, o que não se aplica conforme razões acima, seria ônus da contribuinte fazer a prova da regular aquisição dos veículos, em 2011, para a fruição do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada. Oportuno aqui esclarecer que não houve qualquer questionamento da fiscalização com relação à reorganização societária do grupo empresarial, que teria levado à constituição da contribuinte, como subsidiária integral da Central de Álcool Lucélia Ltda. Também não se reputou como simulada a operação de subscrição e integralização de capital da subsidiária com bens, entre os quais muitos dos veículos que interessam à matéria ora em discussão. Ao contrário, justamente devido à validade dessa operação de alienação de bens, realizada em 2006, é que deveria a autuada fazer a prova da regularidade da suposta reaquisição em 2011 dos mesmos veículos. Fl. 1760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 50 Não foi contestada também a operação de reavaliação dos bens contabilizada pela autuada em 2007, na qual já estava incluída a maioria dos veículos supostamente readquiridos em 2011. Deve restar claro, assim, que as operações consideradas simuladas foram a baixa injustificada e a reaquisição de veículos, com base nas notas fiscais de emissão da controladora, operações que teriam respaldado a escrituração das despesas de depreciação acelerada incentivada em 2011. Comprovada a simulação de fatos (baixa, seguida de reaquisição) que amparam o benefício fiscal (depreciação acelerada incentivada), não há que se discorrer sobre propósito negocial ou causa extratributária. Simplesmente a aquisição foi desconsiderada porque, segundo a documentação do processo, não ocorreu. Da mesma forma, a configuração da sonegação ou da fraude fiscal não pode ser desconstituída simplesmente porque a pessoa jurídica cumpriu com o seu dever de colaborar com o procedimento fiscal. Comprovada a simulação de uma operação de aquisição de diversos bens do ativo permanente, para fruição indevida do benefício fiscal de depreciação acelerada incentivada, verifica-se a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido. Se a simulação visou modificar as características essenciais do fato gerador, para reduzir o montante do tributo devido, mediante a escrituração de despesas de depreciação indevidas, resta configurada a sonegação e/ou fraude fiscal, impondo-se a manutenção da multa qualificada. De outro lado, não se pode acatar a tese de erro de proibição, porque não se localizou qualquer jurisprudência do CARF que amparasse o procedimento adotado pela empresa de dar baixa, sem qualquer justificativa, em bens do ativo imobilizado, e depois registrar uma nova aquisição, com base em notas fiscais emitidas pela controladora, para dar entrada em bens que, comprovadamente, já integravam o seu patrimônio. Nesse aspecto, completamente desarrazoada a argumentação de que a contribuinte teria agido segundo a lei. Também não há que se falar em fraude à lei, abuso de direito ou abuso de forma. A acusação é de simulação absoluta, ou seja, de não ocorrência dos fatos contábeis registrados de baixa e reaquisição de veículos. A autoridade fiscal foi, até mesmo, didática em comprovar as irregularidades cometidas pela Recorrente, como por exemplo do Ônibus MB Mod. OF1315, Chassi 9BM384098KB851676, ano 89/90, placa AHY1554. A fiscalização, diligentemente, descreveu todos os registros contábeis da fraude desde o recebimento do veículo no momento da integralização do capital em 01/10/2006, a baixa em 24/10/2011 e o novo ingresso, no mesmo dia, 24/10/2011. (fl. 1364) Fl. 1761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 51 Foi comprovado que a Recorrente promoveu a baixa integral ou parcial dos saldos da conta de reavaliação do ativo imobilizado sem reconhecer a receita de venda ou mesmo emissão de nota fiscal, para em seguida contabilizar a aquisição dos mesmos bens, na conta de veículos, para em seguida se beneficiar dos encargos da depreciação acelerada. Não há dúvidas que a fraude foi comprovada e a qualificação da multa foi acertada pela autoridade fiscal. Ocorre que houve alteração na legislação que se impõe ao caso em relação ao percentual da multa qualificada, já que a publicação da Lei n° 14.689, alterou substancialmente o § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, reduzindo a alíquota de 150% para 100%. Assim sendo, aplica-se ao presente a retroatividade benigna de que trata o art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. D) MULTA ISOLADA PELO RECOLHIMENTO A MENOR DE IRPJ E CSLL Em relação a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais, esse assunto é controverso no CARF, mas o julgador de primeira instância foi perfeito na abordagem. A multa de ofício ocorre para preservar o crédito tributário apurado ao final do período e de forma diversa, a multa isolada é uma penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja, a quitação de antecipação mensal por estimativa. Fl. 1762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 52 Ressalta-se a literalidade da obrigação presente na alínea “b” do inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 que incide inclusive quando apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. É possível uma situação em que não há incidência da multa de ofício (prejuízo ou base de cálculo negativa), mas em contrapartida o contribuinte seja obrigado a pagamento mensal sobre uma base estimada mensal. O que o legislador fez foi determinar sanção específica para o descumprimento desse mandamento legal previsto no art. 44 da Lei 9430/1996, com as alterações promovidas pela Lei 11.488/2007. Cito as ementas dos acórdãos abaixo: ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período base de incidência (Acordão 1201-003.581 - Sessão de 11 de fevereiro de 2020) ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. CONSUNÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL posteriores à Lei nº 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada mesmo após o encerramento do período-base de incidência. Na consunção um dos crimes apresenta-se tão somente como meio necessário ao cometimento do crime fim, ocasião em que o fato previsto em norma mais abrangente é absorvido por outra menos abrangente. Na espécie, não há falarse em consunção, haja vista a multa isolada não ser absorvida pela multa de ofício, tampouco pelo tributo devido ao final do período, porquanto tem suporte fático e legal distinto. (Acordão 1201- 003.615 - Sessão de 10 de março de 2020) Desta forma, deve ser mantida a cobrança da multa isolada. JUROS SOBRE A MULTA E JUROS SELIC De acordo com o art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. Se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, Fl. 1763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 53 aplicando-se a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN), logo a cobrança de juros de mora encontra fundamento no CTN. Valendo-se da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13). A Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61) Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Acresça-se que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF, como nos acórdãos abaixo:  Acórdão 9101-002.180, CSRF, 1ª Turma  Acórdão 9202-003.821, CSRF 2ª Turma  Acórdão 9303-003.385, CSRF, 3ª Turma Em relação aos juros SELIC, a matéria já está decidida em nível deste Colegiado, posto que devidamente sumulada (Súmula CARF nº 4): Assim, nego provimento nesse ponto TRIBUTAÇÃO DE CSLL Aplica-se ao lançamento de CSLL o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e efeito que o vincula O art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, estabelece aplicar-se a essa contribuição as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, ou seja, o decidido quanto ao IRPJ aplica-se à CSLL em relação à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. DILIGÊNCIA Em vários pontos do Recurso Voluntário a Recorrente requer a realização de diligência, ocorre que ao longo do procedimento fiscal, não faltaram oportunidades para trazer os elementos suficientes e necessários para desconstituir a tese da fiscalização, não se justificando a realização de diligência para suprir injustificada omissão probatória, especialmente de provas documentais que já poderiam ter sido juntadas aos autos Fl. 1764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1401-007.123 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10835.721212/2014-79 54 Além disso, quando presentes os elementos de convicção necessários à solução da lide, são suficientes para a formação da convicção deste julgador, não se justifica o deferimento do pedido de diligência para constatações dos fatos alegados pelos Recorrentes, da mesma forma que decidiu o julgador de primeira instância. REDUÇÃO DA MULTA QUALIFICADA (RETROATIVIDADE BENIGNA) PARA 100% A alteração promovida pela Lei nº 14.689, publicada em 20 de setembro de 2023, estabelece que a multa qualificada de 150%, disposta no art. 44 da Lei 9.430/96, deverá ser lançada no montante de 100% sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício. A multa permanece no percentual de 150% apenas nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. A alteração acima, ao reduzir a multa de 150% para 100% atrai a aplicação do art. 106, II, “c”, do CTN, porquanto lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. A imputação de penalidades tributárias são matérias de ordem pública, nos termos do art. 2°, parágrafo único, I, VI e IX da Lei nº 9.784/992 e, portanto, o julgador tem a prerrogativa da conhecê-las de ofício. Dessa forma, não tendo sido identificada a prática reiterada, concluo que a multa de ofício deve ser reduzida para alíquota de 100%. CONCLUSÃO Diante do exposto conduzo meu voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e de ofício reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%, haja vista a retroatividade benigna posta pela Lei nº 14.689/2023. É como voto (documento assinado digitalmente) Fernando Augusto Carvalho de Souza Fl. 1765DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10621861 #
Numero do processo: 10435.720574/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/05/2011 MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.”
Numero da decisão: 3101-002.118
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA

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MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.118 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720574/2011-11 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento, relativo ao Auto de Infração decorrente de multa isolada por compensação não-homologada. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A DRJ julgou a Impugnação improcedente e manteve a aplicação da multa. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual alega, em síntese, a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme ADI nº 4905. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de Notificação de Lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.° 9.430/1996. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não do crédito nos autos do processo administrativo que se discute o crédito, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.° 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.118 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720574/2011-11 3 “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.118 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10435.720574/2011-11 4 inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.° 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 143DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10945.004447/2007-26
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n° 70.235/72). Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3402-000.157
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO ANAN JÚNIOR

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INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n° 70.235/72). Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. lb. / 1 . - . 4‘ e (//g NE ON' Yr. vi ' (— residente 1,41,11/ 04• I) PE P Ó ANAN J Iii IOR — Relator MilE1-1 lieFORMALIZADO EM: Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Heloísa Guarita Souza, Antonio Lopo Martinez, Rayana Alves de Oliveira França, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Suplente Convocada), Pedro Anan Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann ( Presidente ). 1 Processo n° 10945.004447/2007-26 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.157 Fl. 2 Relatório Contra o contribuinte FOUAD TOUFIC EL SAFADI, inscrito no CPF sob n° 903.609.239-68, foi lavrado o Auto de Infração de Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF de fls. 72 a 74, do qual fazem parte os demonstrativos de apuração de fls. 69 e 70, o demonstrativo de multa e juros de mora de fl. 71, o termo de encerramento de fl. 75, o termo de verificação fiscal de fls. 64 a 68 e os demais documentos e demonstrativos constantes dos autos, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 742.455,39, sendo R$ 309.430,05 de imposto e R$ 232.072,53 de multa de oficio de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, além de R$ 200.952,81 de juros de mora calculados até 31/07/2007. Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas, conforme detalhado no termo de verificação fiscal de fls. 64/68 e no auto de infração à fl. 73, referente a valores mantidos no exterior junto ao Audi Bank, que não foram informados na sua declaração de rendimentos. Cientificado do lançamento, em 15/08/2007 (fl. 79), o contribuinte apresentou, em 13/09/2007, por meio de representante (procuração à fl. 100), a impugnação de fls. 81 a99. Preliminarmente, diz que o auto de infração é nulo porque "não teve acesso no processo de fiscalização, dos documentos e/ou informações que foram enviados, cuja autoridade fiscalizadora afirma ser a prova material das operações financeiras realizadas". Acrescenta que "trabalha em uma empresa paraguaia, que realiza diversas transações bancárias, inclusive no Brasil, em nome de seus funcionários", concluindo que o fato de os "documentos não serem apresentados ou fornecidos ao contribuinte, constitui cerceamento de defesa, e não pode ter validade para embasar o crédito tributário ora impugnado, tendo em vista ser ônus da autoridade fiscalizadora, a comprovação de que as referidas operações foram realizadas pelo contribuinte autuado (a mera coincidência do nome do titular da conta corrente no exterior não é motivo para autuação, ou indicação de irregularidade tributária)". No mérito, aduz a inexistência de subsunção dos fatos narrados às hipóteses de incidência das exações apontadas na autuação, não havendo "relação dos valores apontados com o patrimônio do Impugnante". Alega que em "autuação anterior, as movimentações financeiras eram de responsabilidade das empresas do grupo CEDAR, com sede na Ciudad Del Este, no Paraguai", que "efetuou algumas transferências financeiras em conta no exterior, mas as referidas contas estão em nome da empresa Gloria Center, e o contribuinte figura nos cadastros das instituições financeiras como funcionário da referida empresa", e "tentou localizar informações da referida conta, bem como dos depósitos identificados pela autoridade fiscalizadora, sem qualquer sucesso", concluindo que "não há qualquer relação entre o contribuinte e a referida conta no exterior, pois se o mesmo realizou operações no exterior, foi no exercício de seu trabalho, e em nome da empresa Gloria, do grupo Cedar". Acrescenta que no ano de 2001 possuía domicilio no Paraguai, tendo a autoridade fiscal confundido domicílio com residência. Diz que é uma "situação específica de fronteira, que deve ser levado em consideração pela autoridade julgadora, pois o contribuinte somente 2 Processo n° 10945.004447/2007-26 S3-C4T2 Acórdão n°3402-00.157 Fl. 3 transferiu seu domicilio para o Brasil, em 2002, guando apresentou sua declaração do imposto de renda exercício 2003". Conclui que possuía "domicílio no Paraguai até 2002, estava isento da entrega da declaração do imposto de renda nos anos anteriores" Argúi que "inexiste no presente processo qualquer identificação da ocorrência do critério material da regra-matriz de incidência tributária pelo Impugnante, qual seja o acréscimo patrimonial, visto que nem toda a movimentação financeira representa acréscimo patrimonial". Alega que o "imposto sobre a renda não tem como base de cálculo as supostas movimentações financeiras, como lançou o Senhor Agente Fiscal, o qual aplicou a alíquota do imposto de renda sobre os depósitos bancários, o que é inadmissível". Transcreve jurisprudência administrativa para embasar essas assertivas. Alega que houve afronta aos princípios da segurança jurídica, da estrita tipicidade em matéria tributária e da capacidade contributiva. Aduz que nunca dispôs do montante que constituiu a base de cálculo, tendo constado que "os depósitos foram computados como proventos", não tendo sido deduzidos os valores correspondentes às suas saídas, concluindo que "é cediço em nosso ordenamento jurídico positivo, a impossibilidade de lançar-se o imposto sobre a renda sobre o montante totalizado de movimentações financeiras". Cita jurisprudência administrativa. Insurge-se contra a aplicação da multa de oficio, que considera confiscatória, ofendendo os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e da vedação de confisco, e não foi provado a tentativa de fraudar ou omitir informações ao fisco. Contesta a aplicação da taxa SELIC no cálculo dos juros de mora, por ter caráter remuneratório e ser ilegal e inconstitucional. Diz que está havendo dupla tributação, pois "o contribuinte Fouad Toufic El Safadi, CPF n° 903.609.239-68, no processo administrativo n° 10945.004447/2007-26, foi autuado pelo mesmo motivo, mesmos documentos, mesmos depósitos, mesma conta corrente no exterior, enfim, pelos mesmos fatos geradores que o impugnante fora autuado". Contesta o arrolamento de imóvel, afirmando que é bem de família e está protegido pela legislação, requerendo o cancelamento do procedimento. Requer seja julgado totalmente improcedente o lançamento e, eventualmente, a redução da multa para o máximo de 20%, a aplicação da taxa de 1% a título de juros moratórios, tudo isso aplicado somente em relação a valores que possuam relação com o seu patrimônio, e não sobre a soma das movimentações. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela procedência do lançamento através do acórdão da 4' Turma da DRJ/CTA n° 15.905, de 30/10/2007, às fls. 140/153, cuja ementa está abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. p3 Processo n° 10945.004447/2007-26 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.157 Fl. 4 As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE PREPA-RATÓRIA. AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. Na fase preparatória do lançamento não há litígio, que só passa a existir com a interposição da impugnação, termo inicial da incidência das garantias do contraditório e da ampla defesa, podendo a autoridade formular a exigência fiscal independentemente de manifestação do contribuinte, facultando- se-lhe, entretanto, requerer, a qualquer momento, vistas de documentos que considera necessários à defesa dos seus direitos. CONTRIBUINTE. RESIDÊNCIA PERMANENTE. REGIÃO DE FRONTEIRA. Caracteriza a residência permanente, para fins de enquadramento como contribuinte do imposto de renda, o fato da pessoa física manter sua família morando no país, deslocando-se a trabalho para país da região fronteiriça, com tempo de ida e vinda compatível com o que se verifica em grandes cidades, e com inscrição regular no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há duplicidade no lançamento que apropriou os depósitos proporcionalmente à quantidade dos titulares da conta corrente conjunta, que fazem declaração do imposto de renda de forma separada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430 de 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFICIO. CARÁTER CONFISCA TÓRIO. PROPORCIONALIDADE. A multa de oficio é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, e nem pode ter suposta ofensa ao princípio da proporcionalidade analisada, na esfera administrativa, em face da submissão ao princípio da legalidade, que é preponderante. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. 4 Processo n° 10945.004447/2007-26 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.157 Fl. 5 Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento, com fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, serão acrescidos na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes, a partir de 01/04/1995, à taxa referencial do Selic para títulos federais. Devidamente cientificado dessa decisão em 13/11/2007, ingressou o contribuinte com recurso voluntário em 17 de dezembro de 2007, onde reitera os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório 5 Processo n° 10945.004447/2007-26 S3-C4T2 Acórdão n.° 3402-00.157 Fl. 6 Voto Conselheiro PEDRO ANAN JÚNIOR, Relator Antes de mais nada devemos analisar se o recurso apresentado pelo contribuintes atende aos pressupostos de admissibilidade. Nos termos do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 o contribuinte tem o prazo de 30 dias da ciência da decisão de primeira instância para ingressar com o recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão Podemos verificar que o Recorrente foi devidamente cientificado da decisão da DRJ/CTA em 13 de novembro de 2007 fls 153, ingressando com recurso voluntário em 17 de dezembro de 2007, às fl. 155, ou seja o recurso foi intempestivo. - s forma, ÃO CONHEÇO do recurso pela sua intempestividade. 'al s.. Sessi . s, em 02 de junho de 2009 . I I 19)PE 11 O ANA ÚNIOR 6

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Numero do processo: 16327.003579/2003-71
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2006
Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Recurso provido.
Numero da decisão: 204-01.132
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Flávio de Sá Munhoz, Roberto Velloso (Suplente), Mauro Wasilewski (Suplente) e Adriene Maria de Miranda votaram pelas conclusões
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-12T13:12:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-12T13:12:14Z; Last-Modified: 2009-08-12T13:12:15Z; dcterms:modified: 2009-08-12T13:12:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-12T13:12:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-12T13:12:15Z; meta:save-date: 2009-08-12T13:12:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-12T13:12:15Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-12T13:12:14Z; created: 2009-08-12T13:12:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-12T13:12:14Z; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-12T13:12:14Z | Conteúdo => • • . • 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 16327.003579/2003-71 ciai do União PublijãolD Recurso n2 • 129.891 do n Acórdão n2 : 204-01.132 Ruma, N nzkdeic ContribuintesIF-Segundo Co Recorrente : BANCO ALVORADA S/A. Recorrida : DRJ em São Paulo - SP MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda CONFERE COM O ORIGINAL Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o 'Brasia 2 )1- /0 aí Programa de Integração Social — PIS é de 05 anos, contado a partir da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento do tributo devido. Neev Balista dos Reis timpe 91806 .Recurso provido. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BANCO ALVORADA S/A. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Os Conselheiros Flávio de Sá Munhoz, Roberto Velloso (Suplente), Mauro Wasilewski (Suplente) e Adriene Maria de Miranda votaram pelas conclusões. _ Sala das Sessões, em 28 de março de 2006. - .4f/ -7 -efir. e /**:?... 4:4•• enrigúe Pinheiro Torres.''' Presidente e Relator • Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Nayra Bastos Manatta e Júlio César Alves Ramos. r-- 1 f t, Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO C ONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF CONFERE COMO ORIGINAL FI. - Segundo Conselho de Contribuinte • Brasília• , Processo n2 : 16327.003579/2003-71 Recurso n2 : 129.891 NeC) Eim;sta dos Reis Acórdão n2 : 204-01.132 Shipe 918116 • Recorrente : BANCO ALVORADA S/A. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos em tela, adoto e transcrevo o Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento: Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 21/10/2003, contra a instituição financeira contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de . • Integração Social - PIS para formalização do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 24.853,67 (vinte e quatro mil, oitocentos e cinqüenta e três reais e sessenta e sete centavos), incluindo os juros de mora, referente aos fatos geradores ocorridos no período de 31/07/1997 a 28/02/1998 (fls. 05/06). 2. De acordo com o disposto no Termo de Verificação Fiscal (fls. 09 a 12) e na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06), o crédito tributário é decorrente de FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS (INSTITUIÇÕES • FINANCEIRAS E EQUIPARADAS). 2.1. Consta no Termo de Verificação Fiscal (TVF —fls. 09 a 12) que, a interessada: • sujeita-se ao pagamento da contribuição para o PIS em obediência ao disposto no inciso V do artigo 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) com a redação dada pelo artigo 2° da Emenda Constitucional (EC) n° 17, de 22/11/1997; • A Corretora BCN S/A. — Valores Mobiliários foi incorporada pelo Banco BCN S/A., tomando-se este responsável pelos tributos devidos pela incorporada até a data da incorporação (art. 132 da Lei n°5.172/66) • interpôs Mandado de Segurança Preventivo n° 97.0059133-6 com pedido de liminar visando assegurar o direito de calcular e recolher a contribuição ao PIS, em relação • aos fatos geradores ocorridos entre 01/07/97 e até 90 dias da data da publicação da EC n° 17/1997 (meses de competência julho/I997 a fevereiro/1998), de acordo com a Lei Complementar n° 7/70. Liminar deferida em 17/12/1997 e sentença prolatada em 19/11/1998 concedendo a segurança; • em resposta à intimação feita em 18/09/2003, apresentou planilha informando que o valor de R$ 11.488,10, concernente ao PIS — fatos geradores julho/I997 a fevereiro/1998 -, cuja exigibilidade foi suspensa por força do MS n° 97.0059133-6, diz respeito ao PIS RECEITA OPERACIONAL BRUTA naquilo que excede ao PIS REPIQUE. 2.2. Com base no artigo 72 do ADCI; com a redação dada pelo art. 2° da Emenda Constitucional n°17/1997, Lei Complementar n°7/70 e art. 22, § 1°, da Lei n° 8.212, de 24/06/1991, o autuante informa que o lançamento, mediante auto de infração, deve ser efetuado para prevenir a decadência, sem imposição de multa de ofício e com exigibilidade suspensa (art. 63 da Lei n° 9.430/1996 c/c art. 151, inciso IV, do Código Tributário Nacional). /1( 2 ; . Ministério da Fazenda NIF • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 CC-MF • fr'::"=".A.] Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Brasília, /e? od Processo n2 : 16327.003579/2003-71 Recurso n2 : 129.891 Necy Batista dos Reis Acórdão n2 : 204-01.132 Mal. Siape 918(u, 2.3. Os valores de base de cálculo da Contribuição para o PIS apurados no período de julho/1997 a fevereiro/1998 encontram-se àfl. 11 e 15. • 3. Irresignada com o lançamento a instituição financeira interessada, por intermédio de seu advogado e procurador (vide docs. de fls. 66 a 74), apresentou, em 20/11/2003, a impugnação de fls. 53 a 62, acompanhada dos documentos de fis. 64 a 145. 3.1. Na referida peça de defesa, após relato da autuação, a impugnante, em preliminar, • argúi a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos nos meses de julho/1997 a fevereiro/1998, defendendo que a Contribuição em apreço está sujeita ao regime de lançamento por homologação, devendo, portanto, reger-se pelo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, que • estabelece o prazo de 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Entende ser inaplicável ao caso o prazo decadencial de 10 anos previsto na Lei n° 8.212/1991. Cita, para embasar seu entendimento, julgados do Conselho de Contribuintes e do • Tribunal Regional Federal — 5a. Região e entendimentos de renomados doutrinadores sobre o instituto da decadência. 3.2 Contesta, também, a interessada a aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC como índice para efeitos do cômputo dos juros de mora, defendendo que: 3.2.1. a rigor sequer os juros de mora poderiam ser exigidos no caso presente, posto que o impugnante jamais incorreu em mora. 3.2.1. a taxa SEL1C, além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é • fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o • percentual de I% previsto no artigo 161 do CTN como vem reconhecendo o C. Superior Tribunal de Justiça ao apreciar a matéria. • Acordaram os julgadores da 8 Turma de Julgamento da DRJ/SPO-I, por unanimidade de votos, em rejeitar a decadência argüida e considerar PROCEDENTE o • lançamento, mantendo-se integralmente o crédito tributário. A deliberação adotada recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998, 28/02/1998 Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito relativo às contribuição PIS decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. JUROS DE MORA. TAXA SEL1C. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas degarantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Lançamento Procedente /r 3 . . . • • Ministério da Fazenda MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CC-MF Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Brasilia, 2 10 1 ei _ . Processo n2 : 16327.003579/2003-71 Recurso n2 : 129.891 O/"Neey batist9rios Reis Acórdão n2 : 204-01.132 Mat Siape 91806 Não conformada com a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a contribuinte recorreu a este Conselho, reeditando, em síntese, os mesmos argumentos expendidos na impugnação. É o relatório./.../? 4 • - Ministério da Fazenda SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 22 CC-MF - r. Segundo Conselho de Contribuinte CONFERE COM O ORIGINAL Fl. Brasília, Processo d : 16327.003579/2003-71 Recurso d : 129.891 Necy Batista dos Reis Acórdão : 204-01.132 slape 91806 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR HENRIQUE PINHEIRO TORRES O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A contribuinte argüiu a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário objeto deste lançamento por já haver decorrido o prazo de cinco anos previsto no § 40 do artigo 150 do Código Tributário Nacional. Sobre esta questão, o meu posicionamento é no sentido de que a Contribuição para ao Programa de Integração Social - PIS, sujeita-se ao prazo decadencial estabelecido no • artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, como assim votei até a sessão de julgamento de junho de 2004. Todavia, em respeito a assentada jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais que tem decido reiteradamente pelo prazo qüinqüenal, resguardo minha posição e curvo-me ao entendimento da superior instância administrativa de julgamento e passo a adotar, também, o prazo limite de cinco anos para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário pertinente à contribuição para o PIS. O termo inicial deve ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, quando o sujeito passivo tenha antecipado o pagamento, e do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, quando não tiver havido antecipação de pagamento ou ainda se for verificada a existência de dolo, fraude ou sfinulação. Por parte do sujeito passivo, neste caso, independe de ter havido ou não pagamento. O caso em análise enquadra-se na hipótese do § 4° do artigo 150 do CTN, já que houve pagamento parcial, (pagamento do PIS-Repique), daí o termo inicial ser a data de ocorrência do fato gerador. Posto isso, e considerando que o lançamento foi efetuado em 21/10/2003 e a ciência dada nessa data, é de se reconhecer a decadência do crédito tributário lançado, já que este abrange os fatos geradores ocorridos nos meses de julho de 1997 a fevereiro de 1998. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de março de 2006. T7-7- ENRUIQE PINHEIRO T RRES. 5

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Numero do processo: 11080.732963/2018-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 21/06/2013 MULTA ISOLADA. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.”
Numero da decisão: 3101-002.267
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA

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MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. TEMA 736 STF. “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-002.109, de 23 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.730920/2018-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Dionisio Carvallhedo Barbosa, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Marcos Roberto da Silva (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.267 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732963/2018-87 2 nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância, que, apreciando a Impugnação do sujeito passivo, julgou procedente o lançamento, relativo ao Auto de Infração decorrente de multa isolada por compensação não-homologada. As circunstâncias da autuação e os argumentos de Impugnação estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A DRJ julgou a Impugnação improcedente e manteve a aplicação da multa. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no qual alega, em síntese, a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme ADI nº 4905. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de Notificação de Lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.° 9.430/1996. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não do crédito nos autos do processo administrativo que se discute o crédito, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.° 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.267 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732963/2018-87 3 “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que Fl. 210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.267 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.732963/2018-87 4 inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.° 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. (Documento Assinado Digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente Redator Fl. 211DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 12709.000210/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 13/04/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL. REGIME AUTOMOTIVO. ART. 5º DA LEI No 10.182/01. EQUIPAMENTOS DE REFRIGERAÇÃO. PRODUTOS ACABADOS. Deve ser mantido o lançamento do auto de infração quando não há o enfrentamento em sede de impugnação e de recurso voluntário das questões afetas ao enquadramento da mercadoria importada (equipamento de refrigeração) como produto intermediário e sua aplicação no processo industrial da recorrente para fins de fruição do benefício fiscal (qualificação dos bens importados).
Numero da decisão: 3101-002.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 20 de junho de 2024. Assinado Digitalmente MARCOS ROBERTO DA SILVA – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Dionisio Carvallhedo Barbosa, Laura Baptista Borges, Rafael Luiz Bueno da Cunha (suplente convocado (a)), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente(s) o Conselheiro Renan Gomes Rego.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA

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BENEFÍCIO FISCAL. REGIME AUTOMOTIVO. ART. 5º DA LEI No 10.182/01. EQUIPAMENTOS DE REFRIGERAÇÃO. PRODUTOS ACABADOS. Deve ser mantido o lançamento do auto de infração quando não há o enfrentamento em sede de impugnação e de recurso voluntário das questões afetas ao enquadramento da mercadoria importada (equipamento de refrigeração) como produto intermediário e sua aplicação no processo industrial da recorrente para fins de fruição do benefício fiscal (qualificação dos bens importados). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, em 20 de junho de 2024. Assinado Digitalmente MARCOS ROBERTO DA SILVA – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Dionisio Carvallhedo Barbosa, Laura Baptista Borges, Rafael Luiz Bueno da Cunha (suplente convocado (a)), Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente(s) o Conselheiro Renan Gomes Rego. Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 2 RELATÓRIO Por economia processual e por relatar a realidade dos fatos de maneira clara e concisa, reproduzo trechos do conteúdo da Resolução nº 3401-002.516, complementando-o ao final com o necessário: 1.1. Trata-se de lançamento de ofício de tributos aduaneiros, supostamente devidos por ocasião de registro de declaração de importação para consumo. 1.2. Narra o lançamento de ofício que em ato de conferência aduaneira, constatou que a Recorrente não faz jus ao benefício descrito no artigo 5° da Lei 10.182/02, isto porque os equipamentos foram importados acabados e não por montar – como alegava a Recorrente. Ao receber a exigência de recolhimento complementar, a Recorrente interpôs Mandado de Segurança efetuando o depósito do montante exigido na presente autuação. 1.3. Intimada, a Recorrente apresentou Impugnação em que argumenta: 1.3.1. Nulidade do auto de infração por descrição incorreta dos fatos, uma vez que a interrupção do despacho foi motivada por não apresentação de certidão negativa e não por não enquadramento dos equipamentos nos termos descritos no artigo 5° da Lei 10.182/02; 1.3.2. Nulidade da autuação pois “na data do registro da Declaração de Importação originária, havia decisão plenamente válida e eficaz de antecipação dos efeitos da tutela na Ação Declaratória n.° 5002310-08.2011.404.7000, na qual o D. Juizo da 5ª Vara Federal de Curitiba declara expressamente estarem "suspensos os efeitos da Solução de Consulta n° 337/2010 (PAF n.° 10930.001727/2010 -47), de modo a obstar o inicio ou retomada de procedimento fiscal de lançamento de imposto de importação que não contemple o desconto previsto no art. 5 da Lei n° 10.182/01"; 1.3.2.1. Além, o crédito encontrava-se suspenso por depósito judicial, logo, descabido o lançamento; 1.3.3. Cabe ao SECEX, e não à SERFB fiscalizar o cumprimento das condições do denominado Programa do Regime Automotivo; 1.3.4. Decisão proferida em Mandado de Segurança movido pela Recorrente confirma que a competência para fiscalizar o cumprimento das obrigações legais para usufruto do benefício fiscal é do SECEX e que ela cumpre os requisitos para usufruir o benefício; 1.3.5. Nos termos de Jurisprudência consolidada desta Casa, é ilegal a exigência de certidões negativas para usufruir de benefício fiscal; 1.3.6. O lançamento deveria ter sido realizado apenas para evitar a decadência porém foi lavrado para cobrança de valores; 1.3.7. Impossibilidade de cobrança dos encargos moratórios pelo depósito judicial. 1.4. A DRJ São Paulo manteve íntegro o lançamento, porquanto: Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 3 1.4.1. A decisão judicial proferida no processo 5002310-08.2011.4.04.7000 teve como objeto apenas e tão somente o desembaraço das mercadorias ante depósito judicial da diferença em discussão; 1.4.2. “O cerne da questão tratada na mencionada Ação Ordinária nº 5002310- 08.2011.404.7000, ao referir-se a obrigações decorrentes da Solução de Consulta nº 337/2010, a questão diz respeito à qualidade do importador, nada se relaciona à natureza da mercadoria importada, quanto ao produtos ser acabado ou não, de modo que a discussão levada ao crivo do Juízo da 5ª Vara Federal de Curitiba, relativamente aos equipamentos de refrigeração teria sentido apenas para definir sua utilização no processo produtivo, para efeito de determinar a condição da impugnante como fabricante”; 1.4.3. “Na verdade, a autuação fiscal decorreu do fato de que a fiscalização, ao constatar que as mercadorias importadas, tratavam-se de produtos acabados, elas não se inseriam no conceito de “peças, componente e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos”, vez que devem destinar-se aos processo produtivos”; 1.4.4. “O que se verificou, na ação fiscal, o apontamento de que a lavratura do presente auto de infração procedeu-se para efeito de constituição do crédito tributário com vistas a prevenir a decadência, porquanto a exação é legítima, mas com suspensão de sua exigibilidade em razão do depósito judicial da exigência fiscal”; 1.4.5. “Como aduz a impugnante, pode-se afirmar que a descrição dos fatos carece de alguns elementos, porque a fiscalização simplesmente afirma que os equipamentos de refrigeração apresentam-se acabados, sem indicar as razões para este efeito (...) destarte a ação fiscal parece carecer de cabal comprovação da qualificação da mercadoria importada, quanto à sua caracterização como produto acabado ou não; essa questão, entretanto, em nenhum momento, foi objeto de questionamento pela impugnante”. 1.5. Em voluntário a Recorrente reitera com outras palavras o descrito em Impugnação (salvo, nulidade por divergência entre o solicitado em despacho e o auto de infração, nulidade por não se tratar de auto para evitar a decadência e afastamento dos consectários da mora) e destaca que: 1.5.1. O processo que discute seu enquadramento como industrial e a competência da Receita para fiscalizar o regime automotivo encontra-se no Superior Tribunal de Justiça aguardando julgamento – fato que, em seu entender, não impede a execução do julgado, ante o efeito meramente devolutivo do Recurso Especial; 1.5.2. Apenas se pode falar em concomitância (e renúncia a esfera administrativa) se a Ação Judicial é posterior à lavratura do auto de infração; 1.5.3. Houve prescrição intercorrente pelo transcurso de sete anos entre a data da lavratura do auto e a data da prolação da decisão da DRJ. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção, por intermédio da Resolução no 3401-002.516, em sessão realizada em 16/12/2021, resolveu converter o julgamento em diligência “para que a unidade preparadora traga aos autos cópia integral do PAF 10930.001727/2010-47 bem como do processo judicial 5002310-08.2011.404.7000”. Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 4 Isto posto, a unidade de origem procedeu a juntada de cópias do PAF 10930.001727/2010-47 e do processo judicial 5002310-08.2011.404.7000 (e-fls. 335 a 588). Em seguida o presente processo retornou para julgamento pela 3ª Seção deste CARF. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria tendo em vista que o Relator da Resolução não mais compunha colegiado de Turma Ordinária deste Conselho. É o relatório. VOTO Conselheiro MARCOS ROBERTO DA SILVA, Relator Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente processo se refere a auto de infração com vistas a efetuar o lançamento de parcela complementar do Imposto de Importação e, por reflexo, das Contribuições para o PIS e da COFINS, acrescidos de multa de ofício, concernente à DI no 11/0646477-1, registrada em 08/04/2011, em virtude da utilização equivocada do benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei no 10.182/01. Segundo a fiscalização, o presente lançamento decorre da constatação de erro na utilização do benefício fiscal e da decisão obtida pela Recorrente junto à Justiça Federal através do Mandado de Segurança no 5007431-17.2011.404.7000/PR, na qual autorizou o importador (recorrente) a efetuar o depósito judicial da parcela complementar deste processo. Conforme se depreende do relatório acima, a Recorrente apresentou impugnação argumentando a respeito de diversos pontos afetos a: 1) nulidade do auto de infração por descrição incorreta dos fatos (o correto seria a não apresentação de CND e não pelo incorreto enquadramento do benefício fiscal do art. 5º da Lei no 10.182/2001); 2) nulidade da autuação em virtude da decisão judicial declarando estarem suspensos os efeitos da SC no 337/2010 (PAF 10930.001929/2010-47) de modo a obstar o lançamento do imposto de importação sem o benefício fiscal do art. 5º da Lei no 10.182/2001; 3) competência da SECEX e não da RFB para fiscalização do “Programa do Regime Automotivo”; 4) decisão proferida no MS confirmando competência da SECEX; 5) ilegal exigência de CND para usufruir de benefício fiscal; 6) que o Fl. 627DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 5 lançamento deveria ter sido realizado apenas para evitar a decadência; 7) impossibilidade de cobrança de encargos moratórios. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias trazidas em sede de impugnação, concluindo, em síntese, que o lançamento decorre do fato de a importação não se enquadrar no benefício fiscal do art. 5º da Lei no 10.182/2001 por se tratar de equipamentos de refrigeração acabados, nada mencionando a respeito de exigência de CND. Destaca que a ação mandamental autorizou o depósito do valor da ação para fins de suspensão da exigibilidade, na qual tratou da condição do importador para fruição do benefício, aferidos pela SECEX e não pela RFB. A decisão foi ainda no sentido de que a constituição do crédito tributário teve por objetivo a prevenção da decadência em razão do depósito judicial da quantia aferida pela fiscalização. Já em sede de Recurso Voluntário a interessada volta a afirmar que em função da exigência da autoridade fiscal da necessidade de apresentação de CND (conforme tela do SISCOMEX anexada no recurso), se viu obrigada a impetrar MS com o objetivo de realizar o desembaraço aduaneiro. Além do MS, ajuizou ainda a ação declaratória no 5002310- 08.2011.4.04.7000 com vistas a sobrestar os efeitos da SC SRRF09/DISIT 337/2010 (PAF no 10930.001929/2010-47) para fins de fruição do benefício fiscal do art. 5º da Lei no 10.182/2001. Diante da decisão proferida pela DRJ, a Recorrente afirma que, em virtude de ter passado tantos anos da impugnação, a mencionada ação declaratória já teve sentença de procedência proferida pela 2ª Vara Federal de Curitiba declarando a “inexistência de relação jurídico-tributária que implique em obrigações à autora derivadas da Solução de Consulta no 337/2010 (PAF no 10930.001929/2010-47), enquanto mantida a sua habilitação junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio - MDIC/SECEX/DECEX, por ser beneficiária da redução do imposto de importação de que trata a Lei n° 10.182/01”. Destacando que a referida sentença foi mantida na totalidade pelo TRF da 4ª Região conforme Acórdão proferido em 19/06/2013 e que, na data da apresentação do recurso, o feito aguardava o julgamento no STJ (REsp. 1464271/PR) sem efeito suspensivo, existindo plena aplicação do acórdão do TRF no qual reconheceu a mencionada incompetência da RFB. Portanto, em face da decisão deve o acórdão recorrido ser integralmente reformado. Ressalta a Recorrente que já havia o deferimento da tutela antecipada a seu favor e anterior a lavratura do auto de infração, não podendo se falar em renúncia à esfera administrativa por suposta concomitância. Somente caberia se falar em renúncia da recorrente se o auto de infração tivesse sido formalizado antes da concessão da tutela antecipada perante a esfera judicial. Acrescenta o argumento de Prescrição Intercorrente devido ao fato de o processo ter permanecido adormecido por mais de sete anos “nos escaninhos dos Julgadores da DRJ especializada”, devendo-se efetivar os princípios constitucionais da eficiência, segurança jurídica e duração razoável do processo, previstos nos artigos 5º, LXXVIII, e, 37 caput, da Constituição Federal. Fl. 628DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 6 A Resolução no 3401-002.516 converteu o julgamento em diligência com vistas a proceder a juntada de cópia integral do PAF no 10930.001929/2010-47 e do processo judicial 5002310-08.2011.404.7000 de modo que se possa confrontar a questão afeta ao cumprimento do requisito subjetivo do regime automotivo (se a Recorrente é ou não fabricante nos termos da lei) e o enquadramento da mercadoria importada como produto intermediário e sua aplicação no processo industrial para fins de fruição do benefício fiscal no art. 5º da Lei no 10.182/2001. Juntadas as cópias dos processos administrativo e judicial, passo a análise do conteúdo de ambas as decisões. O PAF no 10930.001929/2010-47 trata da tramitação da consulta administrativa acerca da intepretação da legislação tributária envolvendo o Imposto de Importação relativo ao benefício fiscal do regime automotivo previsto no art. 5º da Lei no 10.182/2001, requerida pela Recorrente junto à SRRF09 e protocolada em 16/04/2010. Como resposta foi proferida a Solução de Consulta no 337/2010 na qual entendeu que a Consulente não fazia jus ao benefício fiscal tendo em vista que a mesma não se enquadraria no conceito estabelecido pela lei como “fabricante” de autopeças, considerando que o conceito de “fabricante” de autopeças é distinto do conceito de industrialização previsto no RIPI. Conclui ainda que as operações procedidas pela Consulente também não o caracteriza como “fabricante” de autopeças, afastando-o definitivamente da possibilidade de obtenção do benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei no 10.182/2001. Já em relação a ação declaratória no 5002310-08.2011.4.04.7000, a Recorrente buscou junto ao poder judiciário afastar o entendimento apresentado pela Receita Federal em relação ao art. 5º da Lei no 10.182/2001, especialmente no que concerne ao conceito de “processo produtivo” (industrialização), na qual afasta o conceito legal de industrialização extraído da legislação do IPI com vistas a autuar e cobrar o Imposto de Importação. Na mesma petição inicial da referida ação declaratória a Recorrente afirma que a Receita Federal usurpou a competência da DECEX/MDIC. Neste sentido, a Recorrente vindica na ação declaratória o afastamento da SC no 337/2010, determinando a plena aplicação da redução do Imposto de Importação previsto no art. 5º da Lei no 10.182/2001 por se enquadrar no conceito de industrialização previsto no IPI e para se qualificar nas condições do Regime Automotivo. Adicionalmente apresenta provas de que faz jus ao benefício fiscal por produzir aparelhos de refrigeração e ar condicionado destinados à equipagem de veículos (trailers, conteiners e vagões de estrada de ferro, automóveis, ônibus e embarcações), juntando o mesmo laudo técnico que comprova a atividade de industrialização desenvolvida. Reforça seu pleito com a afirmação de que a competência homologatória e rescisória da sua habilitação ao regime cabe ao DECEX/MDIC e não à RFB. A 2ª Vara Federal de Curitiba entendeu que, para julgamento da demanda, seria necessário o preenchimento dos requisitos afetos a qualificação da importadora como fabricante de veículos e autopeças e que os produtos importados venham a integrar os processos produtivos da empresa importadora. No que concerne ao primeiro ponto, entendeu o magistrado de primeiro grau que ocorreu a usurpação por parte da Receita Federal da competência atribuída pelo legislador à SECEX/DECEX/MDIC para fins de expedição da certidão de habilitação, descabendo Fl. 629DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 7 qualquer ato da RFB que obstasse a fruição do benefício ao argumento de que a autora não seria “fabricante”. Neste sentido, deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela para suspender os efeitos da SC no 337/2010 com vistas a obstar o início ou retomada de procedimento fiscal de lançamento do imposto de importação que não contemple o desconto previsto no art. 5º da Lei no 10.182/2001. No mesmo sentido, por ocasião julgamento da lide, a sentença foi pela procedência do pedido para “declarar a inexistência de relação jurídico-tributária que implique obrigações à autora derivadas da Solução de Consulta no 337/2010 (PAF No 10930.001727/2010-47), enquanto mantida a habilitação junto ao MDIC/SECEX/DECEX, por ser beneficiária da redução do imposto de importação de que trata a Lei no 10.182/01”. Em sede de 2ª Instância o TRF da 4ª Região manteve a sentença proferida em primeiro grau, negando provimento à apelação da União, exatamente no sentido de que a certidão de habilitação emitida pelo SECEX/MDIC atesta o cumprimento do requisito subjetivo de qualificação como empresa montadora ou fabricante, não cabendo à RFB proferir qualquer ato que obste a sua fruição. Diante do conteúdo das decisões proferidas no PAF no 10930.001929/2010-47 e na ação declaratória no 5002310-08.2011.404.7000, passo a análise da procedência ou não dos argumentos apresentados em sede de Recurso Voluntário. Inicio meu voto com o afastamento do argumento afeto a prescrição intercorrente aplicando-se a Súmula CARF no 11, cuja observância é obrigatória para os Conselheiros deste Tribunal Administrativo. Entendo ainda que no presente caso o lançamento fiscal, além de ser afeto a questões ligadas à fruição do benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei no 10.812/01, as quais serão tratadas mais adiante, está tratando também de constituição de crédito para fins de prevenção da decadência em virtude de a autoridade fiscal ter tido conhecimento do depósito judicial e, mesmo assim, lavrou o auto de infração com a exigibilidade suspensa. Adentrando nas questões afetas a possibilidade de fruição do benefício fiscal previsto no art. 5º da Lei no 10.182/01, necessário inicialmente analisar se estamos diante de concomitância entre os processos judiciais e o presente auto de infração. Os fundamentos constantes do lançamento fiscal foi no sentido de que os equipamentos de refrigeração importados pela Recorrente já se apresentaram acabados e, via de consequência, não se enquadraria no benefício fiscal em discussão. O Mandado de Segurança no 5007431- 17.2011.404.7000/PR teve por objetivo afastar a exigência de CND para fins de prosseguimento do desembaraço aduaneiro. Já a ação declaratória no 5002310-08.2011.404.7000 discutiu-se as questões afetas a competência para emissão de certidão de habilitação por parte da SECEX/MDIC tendo em vista o cumprimento do requisito subjetivo de qualificação como empresa montadora ou fabricante. Diante da síntese dos fundamentos do presente processo administrativo e dos fundamentos e objetivos do mandado de segurança e da ação declaratória, fica evidente não haver qualquer concomitância entre as discussões presentes neste processo e nas ações judiciais. Fl. 630DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 8 Passemos, então, à análise dos argumentos afetos às questões de mérito do recurso voluntário. Conforme já delineado acima, o lançamento fiscal foi no sentido de que os equipamentos de refrigeração importados pela Recorrente já se apresentaram acabados e, via de consequência, não se enquadrariam no benefício fiscal em discussão. Ou seja, aqui não houve acusação por parte da autoridade fiscal de que a Recorrente não possuía certidão de habilitação emitida pela SECEX, tampouco que a referida habilitação estava sendo também aferida no procedimento fiscal, pelo menos esse tema não consta do presente processo na descrição dos fatos e do enquadramento legal do auto de infração. Destaque-se ainda que também não houve na mesma descrição dos fatos qualquer menção a respeito da utilização dos fundamentos utilizados na Solução de Consulta no 337/2010. Ou seja, estamos diante de lançamento fiscal no qual a autoridade autuante adentrou na questão relacionada ao enquadramento da mercadoria importada como produto intermediário e sua aplicação no processo industrial para fins de fruição do benefício fiscal (qualificação dos bens importados), tal qual suscitado pelo I. Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto no seu voto da Resolução no 3401-002.516. E, sobre este aspecto, em nenhum momento o Recurso Voluntário ataca/enfrenta o requisito relacionado a acusação de que “os Equipamentos de Refrigeração, classificados na NCM 8418.69.40, por se apresentarem acabados, não se enquadra no dispositivo legal, acima citado” (reprodução de trecho do auto de infração da e-fl. 96). Repare que este mesmo entendimento foi proferido pela decisão de piso no trecho abaixo reproduzido: A conclusão é a de que, na verdade, a autuação fiscal decorreu do fato de que a fiscalização, ao constatar que as mercadorias importadas, tratavam-se de produtos acabados, elas não se inseriam no conceito de “peças, componente e suibconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos”, vez que devem destinar-se aos processo produtivos, conforme estabelece o art. 5º, §1º, da Lei nº 10.180/2001: “Art. 5º O Imposto de Importação incidente na importação de partes, peças, componentes, conjuntos e subconjuntos, acabados e semiacabados, e pneumáticos fica reduzido em: (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) § 1º O disposto no caput aplica-se exclusivamente às importações destinadas aos processos produtivos das empresas montadoras e dos fabricantes de: I - veículos leves: automóveis e comerciais leves; II - ônibus; III - caminhões; IV - reboques e semi-reboques; Fl. 631DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 9 V - chassis com motor; VI - carrocerias; VII - tratores rodoviários para semi-reboques; VIII - tratores agrícolas e colheitadeiras; IX - máquinas rodoviárias; e X - autopeças, componentes, conjuntos e subconjuntos necessários à produção dos veículos listados nos incisos I a IX, incluídos os destinados ao mercado de reposição.” Há, pois, dissonância entre os termos da ação fiscal e os da impugnação, sendo questionável a descrição dos fatos, porquanto, na ação fiscal, nada esclarece acerca de como a fiscalização concluiu que os equipamentos de refrigeração tratavam-se de produtos acabados; não se verifica qualquer menção a respeito na ação judicial e nem na presente impugnação; diante da afirmação categórica da fiscalização, na ação fiscal, que a exigência de tributos decorre do fato de as mercadorias importadas apresentarem-se acabados; com efeito, o que restou apontado no auto de infração não foi a exigência de apresentação de certidão negativa de tributos federais – CND, porque a autoridade fiscal afirma que os equipamentos de refrigeração apresentam-se acabados; e a impugnante ao questionar o não desembaraço das mercadorias importadas peticionou ao Juízo federal a exigência da certidão negativa, o que não é verdade, tanto que na ação mandamental, especificamente tratando da DI 11/0646477-1, negou-se a concessão de liminar e, para a suspensão da exigibilidade autorizou-se o depósito do valor da exação questionada, declarando a legitimidade do procedimento da autoridade fiscal; de outra sorte, a concessão da tutela antecipada nos autos da Ação Ordinária, cujo objeto da lide refere-se à condição do importador para fruição do benefício de que se trata afirma que os requisitos para tal é aferida por exclusiva competência da SECEX e não da Receita Federal, sendo a decisão liminar – antecipação da tutela relacionada tão somente à condição subjetiva do importador e, não da mercadoria; entretanto, o que se verificou, na ação fiscal, o apontamento de que a lavratura do presente auto de infração procedeu-se para efeito de constituição do crédito tributário com vistas a prevenir a decadência, porquanto a exação é legítima, mas com suspensão de sua exigibilidade em razão do depósito judicial da exigência fiscal; não se vislumbra, portanto, ocorrência de concomitância de matéria entre os processos judiciais mencionados com a ação fiscal; não se acolhe, pois, o argumento de qualificar a presente ação fiscal como não ordinário; contudo, como aduz a impugnante, pode-se afirmar que a descrição dos fatos carece de alguns elementos, porque a fiscalização simplesmente afirma que os equipamentos de refrigeração apresentam-se acabados, sem indicar as razões para esse efeito, quando no pleito do benefício fiscal perante a SECEX, supõe-se que o importador tivesse comprovado os requisitos para tanto; destarte a ação fiscal parece carecer de cabal comprovação da qualificação da mercadoria importada, quanto à sua caracterização como produto acabado ou não; essa questão, entretanto, em nenhum momento, foi objeto de questionamento pela impugnante, seja na impugnação, seja na ação mandamental, bem como na ação ordinária. Fl. 632DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-002.067 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12709.000210/2011-71 10 Portanto, não há como acatar os argumentos da recorrente com o intuito de julgar procedente o Recurso Voluntário e afastar o lançamento fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente MARCOS ROBERTO DA SILVA Fl. 633DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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8109548 #
Numero do processo: 10660.003698/2006-07
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS INOMINADOS LAPSO MANIFESTO Verificada no julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher os Embargos Inominados. Embargos acolhidos em parte. Acórdão rerratificado.
Numero da decisão: 2202-000.977
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os Embargos apresentados para, rerratificando o Acórdão n.º 340200.098, de 07/05/2009, sanando o vicio apontado, manter a decisão anterior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ

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FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  EMBARGOS  INOMINADOS  ­  LAPSO  MANIFESTO  ­  Verificada  no  julgado a existência de incorreções devidas a lapso manifesto, é de se acolher  os Embargos Inominados.  Embargos acolhidos em parte.  Acórdão rerratificado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  parcialmente  os  Embargos  apresentados  para,  rerratificando  o  Acórdão  n.º  3402­00.098,  de  07/05/2009, sanando o vicio apontado, manter a decisão anterior.  (Assinado digitalmente)  Nelson Mallmann – Presidente  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Relator  Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros Maria  Lúcia Moniz  de Aragão Calomino Astorga,  João Carlos  Cassuli  Junior,  Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente,  justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.      Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/03/2011 por NELSON MALLMANN, 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2   Relatório  Trata­se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte, sob alegação  de existência de uma omissão no acórdão.   Aduz o Embargante,  que notam­se pontos omissos no Acórdão embargado,  dentre  os  quais  destaca:  i)  que  na  análise  da  decadência,  o  acórdão  não  se  manifestou  expressamente sobre o parágrafo 4 do art. 42 da Lei No. 9.430/96;ii) que o acórdão ao rejeitar a  preliminar  de  nulidade  do  auto  de  infração,  o  fez  de  maneira  equivocada,  os  conselheiros  deixaram de analisar os fundamentos da autoridade lançadora; iii) solicita que se esclareça qual  o  procedimento  criminal  instaurado  em Varginha,  pois  não  há  procedimento  criminal  sob  o  número mencionado; iii) que o acórdão embargado deixou de considerar a decisão liminar que  assegurou  o  sigilo  bancário  do  embargante;  iv)  Finalmente  solicita  a  possibilidade  de  sobrestamento até o julgamento definitivo da questão do sigilo bancário pelo STF.  Registre­se  no  acórdão  embargado,  o  voto  manifestado  foi  no  sentido  de  REJEITAR as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.  O relator ao apreciar o embargo, propôs o acolhimento do embargo pelo fato  da omissão ser evidente um vício no acórdão por lapso manifestos. A presidência da Câmara,  as  fls.  1206,  solicitou  que  o  processo  fosse  encaminhado  ao  Conselheiro  para  inclusão  em  pauta.   É o relatório.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/03/2011 por NELSON MALLMANN, 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10660.003698/2006­07  Acórdão n.º 2202­00.977  S2­C2T2  Fl. 2          3     Voto             Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator  Os  presentes Embargos  foram opostos  objetivando  a manifestação  desta C.  Câmara quanto a omissão existente no acórdão embargado.  De  acordo  com  o  embargante,  os  pontos  omissos  e  obscuros  no  acórdão  foram:  i) que na análise da decadência, o acórdão não se manifestou expressamente  sobre o parágrafo 4 do art. 42 da Lei No. 9.430/96.  ii) que o acórdão ao rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, o  fez de maneira equivocada, os conselheiros deixaram de analisar os fundamentos da autoridade  lançadora.  iii)  solicita  que  se  esclareça  qual  o  procedimento  criminal  instaurado  em  Varginha, pois não há procedimento criminal sob o número mencionado.   iv)  que  o  acórdão  embargado  deixou  de  considerar  a  decisão  liminar  que  assegurou o sigilo bancário do embargante   As  considerações  do  recorrente  não  caracterizam  omissões  ou  contradições  no  acórdão,  mas  apenas  pontos  que  na  avaliação  do  recorrente  mereceriam  ser  dado maior  destaque.  Naturalmente,  o  recorrente  sustenta  suas  teses  para  caracterizar  a  decadência  e  a  nulidade,  entretanto  as  mesmas  não  são  acolhidas  ao  acórdão  indicar  como  apreciou  esses  pontos.  Acrescente­se,  por  pertinente,  que  o  processo  se  direcionou  a  analisar  os  autos  nas  condições  nas  quais  foi  estabelecido,  e  dentro  dos  limites  legais  prescritos  quando  do  julgamento.  Inobstante, as divergências de opinião manifestadas, não há como ignorar o  lapso manifesto de que ocorreu na identificação do Processo Criminal (item iii)  Na  realidade  através  do  Ofício  no.  OSE  0042.002416­0/2005  da  Justiça  Federal,  5a  Vara  Federal  Criminal,  de  04/11/2005,  referente  ao  Inquérito  Policial  No.  2004.51.01.513031­1  (IPL  06/2004­  DELEFIN/SR/DPF/RJ),  a  mm  Juíza  Federal  Substituta  determina que a Delegacia da Receita Federal em Varginha/MG informe à Dra. Andreá Silva  Araujo,  Procuradora  da  República,  no  endereço  Av.  Nilo  Peçanha,  No.  31,  Centro,  Rio  de  Janeiro/RJ CEP 20020­100, se há compatibilidade entre a movimentação financeira e a receita  declarada por PEDRO PAIM TELES, CPF 096.345.416­15  Houve efetivamente uma  lapso  ao  equivocadamente  realizar­se  referência  a  uma  Vara  Federal  Criminal  em  Varginha,  equivoco  esse  inegável,  mas  que  em  nada  compromete o entendimento firmado.   Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/03/2011 por NELSON MALLMANN, 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     4 Em  razão  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de  acolher  parcialmente  os  Embargos  apresentados  para,  rerratificando  o  Acórdão  n.º  3402­00.098,  de  07/05/2009,  sanando o vicio apontado, manter a decisão anterior.  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez                                Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 23/03/2011 por NELSON MALLMANN, 22/03/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

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10605950 #
Numero do processo: 14098.000083/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PARECER/PGFN/CRJ/N. 2132/2011. CEBAS. EFEITOS. RETROATIVIDADE À DATA DO PROTOCOLO DE ENCAMINHAMENTO. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, que reconhece a entidade como filantrópica, é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc. Contudo, o requerimento não retroage se protocolado após o período de apuração.
Numero da decisão: 2201-011.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-011.354, de 07/11/2023, alterar a decisão original para negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 9 de julho de 2024. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Debora Fofano dos Santos,Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital,Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO GOMES FAVACHO

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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PARECER/PGFN/CRJ/N. 2132/2011. CEBAS. EFEITOS. RETROATIVIDADE À DATA DO PROTOCOLO DE ENCAMINHAMENTO. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, que reconhece a entidade como filantrópica, é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc. Contudo, o requerimento não retroage se protocolado após o período de apuração.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-011.354, de 07/11/2023, alterar a decisão original para negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 9 de julho de 2024. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Debora Fofano dos Santos,Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital,Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).

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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-08-26T13:00:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-08-26T13:00:05Z; Last-Modified: 2024-08-26T13:00:05Z; dcterms:modified: 2024-08-26T13:00:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-08-26T13:00:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-08-26T13:00:05Z; meta:save-date: 2024-08-26T13:00:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2024-08-26T13:00:05Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-08-26T13:00:05Z; created: 2024-08-26T13:00:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2024-08-26T13:00:05Z; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-08-26T13:00:05Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 14098.000083/2010-90 ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 9 de julho de 2024 RECURSO EMBARGOS RECORRENTE CONSELHEIRO INTERESSADO FUNDACAO EDUCACIONAL CLAUDINO FRANCIO E FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 30/11/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, bem como, quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PARECER/PGFN/CRJ/N. 2132/2011. CEBAS. EFEITOS. RETROATIVIDADE À DATA DO PROTOCOLO DE ENCAMINHAMENTO. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, que reconhece a entidade como filantrópica, é meramente declaratório, de modo que possui efeitos ex tunc. Contudo, o requerimento não retroage se protocolado após o período de apuração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-011.354, de 07/11/2023, alterar a decisão original para negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 9 de julho de 2024. Fl. 269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.000083/2010-90 2 Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Debora Fofano dos Santos,Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital,Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Trata-se do DEBCAD n. 37.235.432-7, consolidado em 17/05/2010 relativo às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração dos empregados e contribuintes individuais. O período de apuração é 01/04/2006 a 30/11/2008. Conforme Relatório Fiscal (fls. 43 a 48) as contribuições não foram declaradas em GFIP, em decorrência da informação indevida do cód. FPAS 639, próprio para determinar o cálculo das contribuições devidas por entidade isenta da quota patronal por se tratar de CEBAS-Entidade Beneficente de Assistência Social. Em 18/06/2010 a Contribuinte apresentou Impugnação (fls. 86 a 102), em que aduz: (1) A informação prestada em GFIP, relativamente ao código FPAS, não foi equivocada, estando em concordância com a orientação ditada pelo Poder Judiciário; (2) A Justiça Federal em Sinop/MT proferiu sentença de mérito, em ação que a impugnante moveu contra o INSS, reconhecendo a imunidade tributária prevista no parágrafo 70 do art. 195 da CF, considerando que se trata de entidade beneficente de assistência social, tendo, assim, acolhido seu pedido e reconhecido seu direito de informar em suas GFIP o código FPAS 639; (3) Entendendo o Poder Judiciário que a impugnante possui o direito a imunidade, enquanto não reformada a decisão que lhe garante o direito, qualquer procedimento tendente a exigir tributos tidos como imunes, configura abuso e flagrante desrespeito aos ditames constitucionais; (4) Embora o legislador não tenha dito expressamente que as instituições de educação sem fins lucrativos são beneficiárias da imunidade do art. 195, § 70, da Constituição, Fl. 270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.000083/2010-90 3 também não as excluiu, não podendo a legislação infraconstitucional prever a exclusão, muito menos limitações ao gozo da imunidade tributária; (5) A lei infraconstitucional igualmente reconhece que a atividade educacional sem fins lucrativos é uma atividade de assistência social, de acordo com o que dispõe o art. 55, III da Lei n. 8.212/1991, em redação original; (6) As entidades beneficentes educacionais, para que possam, efetivamente, gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7 devem respaldar, tão somente, os requisitos estabelecidos pelo art. 14 do CTN; (7) A legislação, doutrina e jurisprudência pátria, preconizam que é vedado à lei infraconstitucional disciplinar a imunidade de forma a retirar, restringir "ou invalidar a desoneração tributária que a constituição visa proteger. A disciplina fica a cargo da lei complementar, que pode regulamentar a matéria constitucional, porém, em hipótese alguma, impor limitação ao gozo da imunidade. (8) A legislador federal vem se valendo da legislação ordinária com o objetivo de aumentar a arrecadação, impondo requisitos ao gozo da imunidade, que "de longe" se compatibilizam com o conceito de beneficência e assistência social preconizados pela Constituição Federal. (9) As alegações de que a impugnante dependeria de cadastro junto a CNAES para aproveitar-se da imunidade, pelo mesmo fundamento, não merece prosperar, eis que, trata-se de exigência prevista em lei infraconstitucional desprovida de competência para disciplinar matéria constitucional. (10) Requer, ao final, que seja o Auto de Infração suspenso, a fim de que aguarde a decisão definitiva a ser proferida no processo judicial. O Acórdão n. 04-21.324 (fls. 181 a 189) da 4ª Turma da DRJ/CGE, em Sessão de 04/08/2010, julgou a impugnação improcedente. Entendeu-se que as alegações de inconstitucionalidade quanto à aplicação da legislação tributária não podem ser oponíveis na esfera administrativa e que, por falta de previsão legal., não se suspende o julgamento ou a cobrança de créditos tributários em razão de ações judiciais propostas pelo contribuinte, até o seu trânsito em julgado, além do que, a alegada medida judicial visa a anulação de outro crédito tributário lançado e a exclusão do seu nome do CADIN, não guardando, assim, identidade com o lançamento ora em questão. E ainda, considerando que o impugnante não cumpriu as imposições legais prescritas pelo artigo 55 da Lei 8.212/1991, conforme Relatório Fiscal (fls. 43 a 48), não há o que falar em isenção ou imunidade relativa à Fundação Educacional Claudino Frâncio. Cientificada em 03/09/2010 (fl. 201), a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 202 a 207) em 22/09/2010 (fl. 202). Alega que não se trata de pretensão que seja declarada Fl. 271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.000083/2010-90 4 ilegalidade ou inconstitucionalidade no processo administrativo, como julgou a DRJ, mas sim de respeito à interpretação determinada pelo Poder Judiciário. Requer a suspensão do processo administrativo até que haja decisão definitiva no processo judicial, que trata da imunidade da fundação e, alternativamente, requer que seja o recurso provido para desobrigar a recorrente ao pagamento dos valores indicados no auto de infração. Consta Termo De Apensação (fl. 217) em que foi juntado a estes autos o processo de n. 14098.000082/2010-45. Mediante a Resolução n. 2201-000.514 (fls. 218 a 225) de 01/12/2021, o julgamento foi convertido em diligência para saber se o requerimento (fls. 52) foi atendido pelo órgão competente e, em caso afirmativo, saber a que período foi concedido. A Contribuinte manifestou Resposta (fls. 232 e 233) ao Termo de Intimação Fiscal – nº 01.2.01.00-2022-00197-5, para apresentar cópia do CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICIENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CEBAS (fl. 239- Declaração). Consta Relatório de Diligência, de 09/03/2023 (fls. 247 e 248) em resposta à solicitação da 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF, em que se constatou: (fls. 247 e 248) (...) em 15/09/2022, o contribuinte em tela foi intimado, por via postal com AR, a apresentar cópia do seu CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CEBAS. Atendendo à intimação, a entidade diligenciada sustentou, em síntese, o que se segue: 1. que, com relação à Certificação da FUNDAÇÃO junto ao CEBAS, esta foi concedida pela Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, do Ministério da Educação, por meio da Portaria nº 267, de 21/06/2013, exarada no Processo n' 71010.002449/2006-35, pelo período de 24/06/2013 a 23/06/2016, conforme consta da respectiva Declaração (doc. 02), a qual foi publicada no Diário Oficial da União – Seção 1, n' 119, de 24/06/2013, pág. 35 (doc. 03); 2. que, o ano de 2016, ao final da vigência do Certificado, a FUNDAÇÃO apresentou requerimento de sua renovação junto ao CEBAS, ocasião em que foram enviados os documentos necessários à tal finalidade (conforme Protocolo/Processo n' 23000.020734/2016-86 - doc.04); porém, até o presente momento ainda não houve a conclusão da análise do requerimento de renovação do Certificado (conforme relatório do protocolo/processo da renovação - doc. 05); 3. que, por diversas vezes, a FUNDAÇÃO buscou entrar em contato com o órgão competente via e-mail e/ou telefone visando obter resposta quanto ao requerimento de renovação do Certificado do CEBAS, e em todas as ocasiões recebeu apenas a informação de que o processo de renovação de sua certificação ainda estaria em análise (conforme e-mail recebido este ano de 2022 - doc. 06), Fl. 272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.000083/2010-90 5 sendo que recentemente realizou novo requerimento via sistema buscando, mais uma vez, informações a respeito (conforme print da solicitação - doc. 07); (fl. 248) 4. que, por todo o exposto, se encontra em vigência o Certificado do CEBAS emitido através do Processo n' 71010.002449/2006-35, publicado no Diário Oficial da União – Seção 1, n' 119, de 24/06/2013; e, atualmente está no aguardo da conclusão da análise do requerimento de renovação de sua Certificação apresentado no ano de 2016 (Processo n' 23000.020734/2016-86). De início, insta observar que, compulsando a publicação do Diário Oficial da União – Seção 1, Fls. 16 e 17, datada de 04/03/2013, referente à Portaria n' 85, de 1' de março de 2013, da SECRETARIA DE REGULAÇÃO E SUPERVISÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR, verifica-se que requerimento em tela, formalizado no processo n' 71010.002449/2006-35, que pleiteou a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, foi indeferido em razão do descumprimento das Normas Brasileiras de Contabilidade NBC T 10.19.2.5 e NBC T 10.19.2.6, nos termos da Resolução CNAS n' 66, de 16 de abril de 2003. Todavia, de fato, em consulta ao DOU – Seção 1, n' 119, de 24/06/2013, Fl. 35, por meio da Portaria n' 267/2013, que teve fulcro nos fundamentos constantes no Parecer Técnico n' 111/2013-CGCEBAS/DPR/SERES/MEC, exarado nos autos do processo n' 71010.002449/2006-35, a entidade foi certificada (reformando, com efeito, a decisão de indeferimento exarada na Portaria n' 85, de 1' de março de 2013, no bojo do mesmo processo) como Entidade Beneficente de Assistência Social pelo prazo de 3 (três) anos, a contar da publicação do ato administrativo concessivo em questão. Vale dizer, foi concedido o CEBAS para o período de 24/06/2013 a 24/06/2016. Por sua vez, cumpre sublinhar que foi confirmada, no sítio na internet do protocolo integrado do governo federal (https://protocolointegrado.gov.br/Protocolo/), a informação prestada pelo contribuinte quanto ao seu requerimento (processo n' 23000.020734/2016-86) de renovação do CEBAS, registrado em 03/05/2016 junto ao Ministério da Educação. Com efeito, ante o exposto, mormente pelo disposto na mencionada Portaria n' 267/2013, dessume-se que o requerimento em fls. 52 foi, de fato, atendido pelo órgão competente, tendo sido concedido o CEBAS para o período de 24/06/2013 a 24/06/2016, encontrando-se, atualmente, a referida certificação pendente de decisão por parte do Ministério das Educação, quanto ao seu pedido de renovação protocolado em 03/05/2016. Vale sublinhar que a certificação permanece válida até a data da decisão por parte do órgão competente, nos termos do que preceitua o § 2' do art. 24 da Lei n' 12.101/2009, diploma legal então vigente na data do requerimento da entidade em tela.” O Acórdão n. 2201-011.354 (fls. 260 a 265) da 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, em Sessão de 07/11/2023, deu provimento ao recurso voluntário: Fl. 273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.000083/2010-90 6 (fl. 264) Em virtude das decisões reiteradas do STJ de que o CEBAS possui efeito ex-tunc, a PGFN passou a desistir das demandas em que a contribuinte tenha pedido renovação do certificado, mas cujo deferimento tenha sido dado somente após o período fiscalizado. Os efeitos do CEBAS, dessa forma, retroagem à data do protocolo do requerimento. Quanto ao protocolo do requerimento: Consta (fl. 52 e 176) a Certidão datada de 30/04/2009: protocolizou pedido de Concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEAS no Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, pelo processo n. 71010.00244912006-35, o qual estava sem julgamento pelo CNAS até a data da Medida Provisória no 446/2008 publicada - no DOU de 10111/2008, tendo sido encaminhado para o Ministério da Educação em 09/12/2008. Consta, logo após, Embargos de Conselheiro (fls. 266 e 267), dado que se constatou que o período de apuração é de 01/04/2006 a 30/11/2008, é dizer, após o protocolo de encaminhamento do CEBAS. O que, portanto, contradiz a tese sustentada da retroatividade da data do protocolo do requerimento. É o relatório. VOTO Conselheiro Fernando Gomes Favacho, Relator. Admissibilidade. Inicialmente, reconheço a admissibilidade dos embargos de declaração, nos termos do Despacho de admissibilidade. Certificado de entidade beneficente de assistência social – CEBAS. A fiscalização foi originada da ausência de declaração em GFIP, em decorrência da informação indevida do cód. FPAS 639, próprio para determinar o cálculo das contribuições devidas por entidade isenta da quota patronal por se tratar de CEBAS-Entidade Beneficente de Assistência Social. Nos autos consta Certidão do CEBAS datada de 30/04/2009: (fl. 52) Atendendo a requerimento do(a) Interessado(a) CERTIFICAMOS, com. fundamento no Inciso IV do art. 18 da Lei n. 8.742, de dezembro de 40 1993, que a entidade FUNDAÇÃO EDUCACIONAL CLAUDINO FRANCIO, com sede em SORRISO - MT, Inscrita no CNPJ sob o n. 01.392.80210001-57, protocolizou pedido de Concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEAS no Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, pelo processo n. Fl. 274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-011.815 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14098.000083/2010-90 7 71010.00244912006-35, o qual estava sem julgamento pelo CNAS até a data da Medida Provisória no 446/2008, tendo sido encaminhado para o Ministério da Educação em 09/12/2008. No Acórdão n. 2201-011.354 (fls. 260 a 265), em Sessão de 07/11/2023, considerou- se erroneamente que o CEBAS possuía efeito retroativo. No entanto, a retroatividade se dá à data do protocolo do requerimento. Consta (fls. 52 e 176) a Certidão do CEBAS datada de 30/04/2009: protocolizou pedido de Concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEAS no Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS, pelo processo n. 71010.00244912006-35, o qual estava sem julgamento pelo CNAS até a data da Medida Provisória no 446/2008 publicada no DOU de 10/11/2008, tendo sido encaminhado para o Ministério da Educação em 09/12/2008. Ocorre que o período de apuração é de 01/04/2006 a 30/11/2008, é dizer, após o protocolo de encaminhamento. O que, portanto, contradiz a tese sustentada da retroatividade da data do protocolo do requerimento. Conclusão. Ante o exposto, acolho dos Embargos de Declaração para, com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-011.354, de 07/11/2023, alterar a decisão original para negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Fernando Gomes Favacho Conselheiro Fl. 275DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10711.722669/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/04/2008 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especialdispostonoart.139doDecretoleinº37/66,que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração.
Numero da decisão: 3401-013.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando o Auto de Infração, em razão da decadência. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Mateus Soares de Oliveira (Relator), George da Silva Santos, Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente).
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA

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INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especialdispostonoart.139doDecretoleinº37/66,que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando o Auto de Infração, em razão da decadência. (documento assinado digitalmente) Ana Paula Pedrosa Giglio - Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Leonardo Correia Lima Macedo, Mateus Soares de Oliveira (Relator), George da Silva Santos, Ana Paula Pedrosa Giglio (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto as fls. 71-83, em face da r. decisão de fls. 51-61 que manteve o lançamento da multa como consequência da infração tipificada no art. 107, IV, “e” do Dec. 37/1966. Em suas razões recursais, sustenta, basicamente: - Nulidade do Auto de Infração pelo fato de que na época do fato gerador os prazos previstos no art. 22 da IN 800/2007 não eram obrigatórios, cuja vigência se deu a partir de 1º de Abril de 2009; AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 26 69 /2 01 3- 16 Fl. 131DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-013.129 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.722669/2013-16 - Denúncia Espontânea e associação a ACTC; - Violação Principiológica da proporcionalidade, legalidade e retroatividade benigna. A decisão recorrida da DRJ manteve a autuação, adotando os mesmos fundamentos do Auto de Infração no sentido de que infrações pautadas em registros extemporâneos não comportam discussão sobre denúncia espontânea e violações principiológicas. Em sede de julgamento, este mesmo relator, com fulcro no dever geral de cautela, converteu votou pela conversão do julgamento em diligencia, fato que foi acompanhado pelo colegiado, por unanimidade e resultou na Resolução nº 3002-000.296. Quanto ao retorno da diligencia, o Auditor Sr. MARCOS EIDI YAMAMURA, cumpriu a determinação da Resolução e apresentou inúmeros registros de desconsolidação realizados no período objeto da diligencia. Todavia não explicou porque constava no documento de fls. 24, intitulado de relação de Bloqueios/Desbloqueios CE o bloqueio automático na data de 03/04/2008 do sistema do Siscomex Carga as 23:15:09 hs. Vale lembrar que na página 25, nota-se que houve o desbloqueio automático aos 05/04/2008 com a seguinte justificativa: DESBLOQUEIO REALIZADO POR DETERMINAÇÃO DO COORDENADOR DA COREP, EM FUNÇÃO DOS AJUSTES DO SISTEMA CARGA, REALIZADO ENTRE OS DIAS 31/03/2008 A 04/04/2008. Dada a prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal, houve a proposta, acatada de forma unamime pelo colegiado, de conversão do julgamento em diligência. Ao obedecer e retornar a diligência com a tela de funcionamento do sistema do Siscarga, cumpriu com os seus afazeres e o processo encontra-se pronto para julgamento. Eis o relatório. Voto Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. 1 Do Conhecimento. O Recurso é tempestivo e reúne as demais condições de admissibilidade motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 132DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-013.129 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.722669/2013-16 2 Da Decadência. Compulsando os autos observa-se que o direito da Fazenda Pública autuar o contribuinte encontra-se decaído. A essência do auto de infração é matéria eminentemente aduaneira, infração tipificada no artigo 107, IV , “e” do Dec. 37/1966. Eis a sua redação: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a-porta, ou ao agente de carga; O auto de infração encontra-se devidamente documentado, cujas informações sobre a infração praticada pelo contribuinte encontra-se amparada pelos Extratos de Escala do Navio e do Conhecimento Eletrônico. Sendo assim, não resta a menor duvida de que a informação da desconsolidação prestada pelo recorrente encontra-se a destempo. Para fins de conclusão acerca da aplicabilidade do instituto da decadência no presente caso é necessário trazer aos autos a redação do artigo 139 do Decreto 37/1966, legislação esta que rege, dentre outras matérias, o que se discute neste processo. Art.139 - No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Em relação as datas dos autos, tem-se que o fato gerador ocorreu aos 04/04/2008. O Auto de Infração foi lavrado aos 01/04/2013. Mas a intimação do sujeito passivo somente se deu aos 09/04/2013, consoante fls. 30. Portanto, trata-se de mais um caso onde a Administração Pública, observando a proximidade do prazo decadencial, menos de três dias, lavrou um Auto de Infração no ano de 2013, sabedora de que não haveria tempo hábil para fins de intimação do sujeito passivo (ainda mais por correspondência por aviso de recebimento) e movimentou todo o aparato público para que agora, ano de 2024, se reconheça a decadência. Diante de tal prova irrefutável, restam-se prejudicadas a análise das demais matérias. 3 Do Dispositivo. Isto posto, conheço do recurso posto que tempestivo e, preliminarmente, reconheço ex officio a decadência e cancelo o Auto de Infração. (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Fl. 133DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-013.129 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10711.722669/2013-16 Fl. 134DF CARF MF Original

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4835583 #
Numero do processo: 13808.000818/99-47
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: COFINS. Comprovando o contribuinte que houve pagamentos no período abarcado pelo lançamento, devem eles ser abatidos da exação. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 204-01.525
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JORGE FREIRE

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