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Numero do processo: 11065.100162/2006-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
REP Negado e REC Negado
Numero da decisão: 9303-005.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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INCIDÊNCIA DA SELIC NO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS Recorrentes CALÇADOS MALU LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. REP Negado e REC Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 62 /2 00 6- 11 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11065.100162/200611 Acórdão n.º 9303005.302 CSRFT3 Fl. 378 2 mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra o Acórdão 20403.439, cuja ementa transcrevo abaixo: PREJUDICIAL DE MÉRITO SUSCITADA DE OFÍCIO PELO CONSELHEIRO RELATOR. Não se tratando de matéria de ordem pública, nem havendo expressa autorização legal para que seja conhecida de oficio, a prejudicial de mérito, não argüida pela contribuinte, não deve ser conhecida por este Colegiado. Prejudicial rejeitada. COFINS. NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. FATURAMENTO. BASE DE CALCULO. Não incide PIS e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Em face de expressa vedação legal, não é permitida a atualização dos créditos de PIS e Cofins apurados sob o regime não cumulativo. (arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003) Recurso voluntário provido em parte. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão no que tange à cessão onerosa de créditos do ICMS ao argumento de que se trata de operação que se equipara à verdadeira alienação de direitos a título oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo de PIS/Cofins, conforme dispõe o art. 1°, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Já a divergência suscitada pelo contribuinte diz respeito ao direito à atualização monetária dos créditos das contribuições sociais apuradas sob a sistemática não cumulativa. Requer conhecimento e provimento ao apelo para o fim de se reconhecer o direito Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11065.100162/200611 Acórdão n.º 9303005.302 CSRFT3 Fl. 379 3 de atualização pela variação da taxa Selic de seus ressarcimentos de créditos de PIS e Cofins, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até aquela em que o respectivo numerário foi ou será disponibilizado. Os apelos fazendário e do contribuinte foram admitidos, respectivamente, por meio dos despachos do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de fls. 309/310 e 366/367. Contrarrazões às fls. 317/329 e 369/374. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir os Recursos Especiais foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. A matéria tratada no recurso interposto pela PGFN referese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo das Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11065.100162/200611 Acórdão n.º 9303005.302 CSRFT3 Fl. 380 4 VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11065.100162/200611 Acórdão n.º 9303005.302 CSRFT3 Fl. 381 5 manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte a divergência jurisprudencial é de rápido deslinde. É que há expressa disposição legal sobre a matéria no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. O art. 15, inc. VI, da lei acima citada estendeu a vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.100632/2006-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-005.607
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.100632/200638 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.607 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado H. KUNTZLER & CIA. LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os gastos realizados com os equipamentos de proteção individual. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para excluir o creditamento sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 06 32 /2 00 6- 38 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11065.100632/200638 Acórdão n.º 9303005.607 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3301002.153, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para: · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre as aquisições de equipamentos de proteção individual; · reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais. No recurso especial, a PFN insurgese contra o reconhecimento do direito de crédito sobre os itens acima identificados. Seu principal argumento é o de que tais insumos não foram diretamente utilizados na fabricação do produto, não podendo, desta forma, originar créditos da contribuição. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido mediante despacho do Presidente da Câmara competente e a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.601, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 11065.003652/200581, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.601): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido aplicou o conceito intermediário de insumos, de molde a permitir o creditamento sobre alguns gastos realizados pela contribuinte, o segundo paradigma, o Acórdão de nº 20219.127, aplicou o conceito mais estrito, nos moldes em que adotado nos atos normativos expedidos pela RFB. Conhecido, passamos à análise do mérito do litígio. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11065.100632/200638 Acórdão n.º 9303005.607 CSRFT3 Fl. 4 3 Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorro me dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.100632/200638 Acórdão n.º 9303005.607 CSRFT3 Fl. 5 4 Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Câmara baixa reconheceu o crédito de PIS/Cofins sobre os gastos com o tratamento de resíduos industriais e com os equipamentos de proteção individual. A contribuinte dedicase à atividade de fabricação de calçados. Para tanto, sustenta ser obrigada, por lei, a fazer tratamento de seus resíduos industriais, o que faz através da contratação de empresa especializada. Ora, o fato de ser obrigada, por lei, a fazer o adequado tratamento de seus resíduos industriais – muitas outras obrigações legais têm as pessoas jurídicas, nem por isso podem se enquadrar como insumos –, não acarreta, por consequência lógica inarredável, o creditamento sobre os gastos assim realizados. Ainda que não se aplique, no conceito de insumos, o próprio da legislação do IPI, não se pode adotar, como regra, aquele que alcance gastos só efetuados após a conclusão do processo produtivo, dado que não aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de seus produtos. Insumo, é até desnecessário enfatizar, só pode ser, como regra, aquilo que vem antes, não depois de concluído o processo. Contudo, concordamos, pelos motivos que aqui vimos de adotar, que os gastos realizados na aquisição de equipamentos de proteção individual sejam considerados insumos para o efeito da legislação do PIS/Cofins não cumulativo, conforme esta mesma Turma recentemente decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/2002 a 31/01/2005 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente na prestação de serviços, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. No caso uniformes e materiais de segurança de uso obrigatório na prestação dos serviços, são bens que se consomem gradualmente com o tempo na prestação dos serviços executados pelo contribuinte. (CSRF/3ª Turma, rel. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.192, de 17/05/2017). Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais." Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.100632/200638 Acórdão n.º 9303005.607 CSRFT3 Fl. 6 5 A declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello não foi transcrita neste voto, pois o entendimento defendido foi vencido na votação, não se aplicando à solução do litígios deste processo (entendimento no sentido de reconhecer o direito de crédito das contribuições sobre os gastos incorridos com o tratamento de resíduos industriais, em razão de atender ao critério da necessidade/essencialidade com o processo produtivo). Todavia, a declaração de voto consta, na sua íntegra, do acórdão do processo paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, a fim de excluir o creditamento apenas sobre os gastos realizados com o tratamento de resíduos industriais. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.721623/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 16 23 /2 01 1- 18 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 18470.721623/201118 Acórdão n.º 1001000.250 S1C0T1 Fl. 64 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), mediante o Acórdão nº 1245.746, de 25/04/2012 (efls. 35/39), objetivando a reforma do referido julgado. Em 03/01/2011, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional” (efl. 18), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito: 391789031 2)Débito: 391789040 A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando que efetuou a quitação imediata dos débitos mediante a emissão de guia de GPS (anexada) e que não há motivos que impeçam a mudança de tributação. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 Simples Nacional. Termo de Indeferimento de Opção. Débito Pendente. Mantémse o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional se não elidido o fato que lhe deu causa dentro do prazo determinado por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 27/06/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 43, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 24/07/2012 (efls. 46/52), conforme carimbo aposto à efl. 46. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 64DF CARF MF Processo nº 18470.721623/201118 Acórdão n.º 1001000.250 S1C0T1 Fl. 65 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, ou seja, que quitou os débitos nos prazos legais, o que garantiria a mudança de tributação para o Simples Nacional. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: Fl. 65DF CARF MF Processo nº 18470.721623/201118 Acórdão n.º 1001000.250 S1C0T1 Fl. 66 4 8. Não cabe razão à empresa Manifestante, pois, ocorre que, de acordo com a informação de fl.30 do eprocesso, informação também confirmada pelo sistema informatizado da Receita Federal, o Contribuinte, somente em 18/05/2011 efetuou o recolhimento dos valores dos débitos de natureza previdenciária, constantes do Termo de Indeferimento, referente à Solicitação de Opção do anocalendário de 2011. 9. No presente caso, a consulta ao sistema informatizado da RFB confirma não ter havido a regularização do débito dentro do prazo legal, pois, consta das telas DÍVIDA ATIVA – CONSULTA AS INFORMAÇÕES DO CRÉDITO, que os débitos 39.178.9031 e 39.178.9040, listados no Termo de Indeferimento, constam na Fase 940 – CRÉDITO LIQUIDADO POR GUIA, com data da Fase em 18/05/2011, e através das telas CONSULTA AOS PAGAMENTOS DE UM CRÉDITO – CONSULTA A GUIA DE PAGAMENTO, constam pagamentos em 18/05/2011, como se verifica às fls. 25 a 29 do eprocesso. 10. Assim sendo, restou comprovado que os referidos débitos foram regularizados em 18/05/2011, ou seja, fora do prazo legal para a regularização das pendências relativas à solicitação de opção referente ao anocalendário 2011. 11. Ressaltese, portanto, que vencido o prazo para solicitação da opção, em 31/01/2011, o Contribuinte não havia regularizado as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional. 12. De acordo com a legislação vigente, o contribuinte pode regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção (31/01/2011), voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11309.000971/2008-77
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação equivalente tenha aplicado a legislação de forma diferente.
Hipótese em que a decisão paradigmática apresentada apresenta entendimento idêntico ao do recorrido para a aplicação da legislação ao caso.
Numero da decisão: 9202-006.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação equivalente tenha aplicado a legislação de forma diferente. Hipótese em que a decisão paradigmática apresentada apresenta entendimento idêntico ao do recorrido para a aplicação da legislação ao caso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício)
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PEIXOTO COMERCIO INDUSTRIA SERVICOS E TRANSPORTES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. REQUISITOS Para conhecimento do Recurso Especial, é necessária a comprovação de divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigmática em que outro colegiado, enfrentando situação equivalente tenha aplicado a legislação de forma diferente. Hipótese em que a decisão paradigmática apresentada apresenta entendimento idêntico ao do recorrido para a aplicação da legislação ao caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 30 9. 00 09 71 /2 00 8- 77 Fl. 2100DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício) Relatório Trata o presente processo de auto de infração de obrigação primcipal NFLD DEBCAD nº 35.278.8796, à efl. 03, cientificado à empresa contribuinte em 17/06/2005, com relatório de notificação fiscal de lançamento às efls. 146 a 148. O lançamento é referente a contribuições devidas à seguridade social, correspondente à parte da empresa (patronal), seguro acidente do trabalho até 06/97 e a partir de 07/97 para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas aos terceiros(SAL.EDUCAÇÃO, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de pagamentos efetuados a segurados empregados, a título de "Ajuda de Custo", "Manutenção de Veículos" e "Diárias excedentes de 50% do valor da remuneração" constantes da Folha de Pagamento. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 4.461.115,24, referindose ao período de apuração de 01/04/1995 a 31/12/2004. A NFLD foi impugnada, às efls. 753 a 771, em 01/07/2005. Em 21/07/2005, a Seção do Contencioso Administrativo da DRP em Uberlândia encaminhou o processo em diligência (efls. 1135 e 1136) para a Seção de Fiscalização, para que essa complementasse os levantamentos apresentados no auto de infração, bem como, correções de cálculos identificadas em análise preliminar e, posteriormente cientificasse a contribuinte para apresentação de nova impugnação ou aditamento da anterior. Atendida à diligência, foi apresentada informação fiscal às efls. 1305 a 1306, foi novamente cientificada a contribuinte sobre as complementações e cálculos efetuados. A contribuinte não havia apresentado de nova impugnação ou complementação no prazo que lhe fora concedido, por isso foi encaminhada a impugnação anterior para julgamento (efl. 1310). Já em 03/10/2005, a fiscalização constatou que houvera ainda um equívoco em relação às apurações dos débitos que demandou nova retificação do demonstrativo dos débitos (efls. 1312 a 1384). O Chefe da Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRF Previdenciária em Uberlândia, em 21/11/2015, exarou a DecisãoNotificação nº 11.430.4/0065/2005, às efls. 1385 a 1399, pela qual considerou o lançamento procedente em parte, em face da retificação do Discriminativo Analítico de Débitos Retificado após diligências da fiscalização. A retificação implicou recurso de ofício com base no art. 306 do Regulamento da Previdência Social Decreto nº 3.048/1999. Inconformada, em 30/12/2005, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 1403 a 1425, trazendo argumentos relativos às seguintes matérias: · nulidade do auto de infração por ausência de adequada motivação do ato; Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 9202006.004 CSRFT2 Fl. 2.101 3 · nulidade do processo por cerceamento de defesa em face do indeferimento do pedido de prova pericial; · despesas de manutenção por utilização do veículo próprio como simples reembolso e não verba remuneratória; · ajuda de custo paga aos motoristas para eventuais despesas de custo variável; e · tributação de diárias que excediam a 50% dos salários dos empregados. O recurso voluntário foi admitido por despacho do Delegado da RFB em Uberlândia em 14/09/2011, em cumprimento à decisão judicial favorável à contribuinte para que se prosseguisse o andamento do processo apesar da inexistência do depósito de 30% do valor recorrido. O recurso voluntário foi julgado sem que a contribuinte fosse cientificada da admissão do recurso e aquele julgamento, sem essa ciência, acarretou um imbróglio processual, resultando na anulação do primeiro acórdão que o apreciou. Posteriormente, houve a intimação da admissão do recurso à contribuinte e novo julgamento pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 13/05/2014, resultando no acórdão 240103.515, às efls. 2027 a 2043, que teve as seguintes ementas: VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. APRESENTAÇÃO DE COMPROVANTES DE DESPESAS. NECESSIDADE. Para que se afaste a incidência de contribuições previdenciárias de verbas pagas supostamente a título de indenização, a empresa necessariamente deve apresentar os comprovantes das despesas efetuadas pelos empregados. UTILIZAÇÃO DE VEÍCULO PRÓPRIO. RESSARCIMENTO MEDIANTE O PAGAMENTO DE VALOR PROPORCIONAL AOS QUILÔMETROS RODADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO PELO FISCO DE QUE OS VALORES PAGOS ESTÃO ACIMA DOS GASTOS INCORRIDOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não sofrem incidência de contribuições os pagamentos destinados a ressarcir os empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução dos serviços, ainda que sejam calculados em razão dos quilômetros rodados, a menos que o fisco demonstre que os valores pagos são desproporcionais aos gastos efetuados, devendose tributar o excesso. DIÁRIAS DE VIAGEM EXCEDENTES DE 50% DA REMUNERAÇÃO DOS EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Fl. 2102DF CARF MF 4 As diárias para viagem, quando excedem a cinqüenta por cento da remuneração mensal do segurado empregado, integram o salário de contribuição pelo seu valor total. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 PRAZO DECADENCIAL. CONCLUSÃO ACERCA DE ANTECIPAÇÃO DE RECOLHIMENTO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Quando se conclui, com esteio nos elementos constantes dos autos,que houve antecipação de pagamento das contribuições, aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/2004 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES, A QUANTIFICAÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL E OS FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco, ao narrar os fatos geradores e as circunstâncias de sua ocorrência, a base tributável e a fundamentação legal do lançamento, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo a esse direito ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide, não representando cerceamento ao direito de defesa do administrado a negativa de requerimento neste sentido, desde que motivada pelo órgão julgador. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) declarar a decadência até a competência 05/2000; II) afastar as preliminares de nulidade do lançamento e da decisão de primeira instância; III) indeferir o pedido de perícia; e IV) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja excluído o levantamento "FP2 ¿ Manutenção de Veículos". No voto, foi admitido o caráter indenizatório do ressarcimento de despesas de manutenção com o uso de veículo próprio do segurado em trabalho pela empresa, em face desses serem realizados mediante a comprovação da quilometragem rodada a serviço. Caberia ao fisco demonstrar que os valores estariam eventualmente excedendo aos custos incorridos e, nesses casos, cobrar apenas o tributo sobre tais excessos. Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 9202006.004 CSRFT2 Fl. 2.102 5 RE da Fazenda Nacional Intimada do acórdão, em 09/06/2014 (efl. 2044), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 10/07/2014, manejou recurso especial de divergência àquele acórdão às efls. 1837 a 1840. O Procurador responsável aponta divergência quanto à incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores referentes ao ressarcimento aos empregados pelas despesas realizadas com veículo próprio para execução de serviços no interesse do empregador. Defende essa divergência em face do acórdão paradigma nº 2301002.790 que, para situação fática similar, afirmaria que a caracterização da natureza indenizatória desses valores pagos dependeria da comprovação efetiva, pelo contribuinte, que se destinariam à compensação dos gastos feitos com os veículos. Afirma que a turma que prolatou o acórdão a quo entendeu, entretanto, que caberia ao fisco comprovar que o valor pago por quilômetro rodado era desproporcional aos custos incorridos, apesar daquelas despesas não serem minimamente comprovadas. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do recurso especial de divergência para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose, nesse ponto, o lançamento. O RE da Fazenda foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2400831/2014, às efls. 2056 a 2059, datado de 20/10/2014. Nesse despacho, o Presidente entendeu por ver reconhecida a divergência apontada, dando seguimento ao recurso especial. Contrarrazões da contribuinte Intimada (efl. 2061) do acórdão nº 240103.515, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho que o admitiu em 26/11/204 (efl. 2063), na mesma data a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial do Procurador, às efls. 2065 a 2069. De início, a contribuinte questiona o atendimento ao requisito de demonstração da divergência sobre a matéria trazida pelo paradigma da Procuradoria da Fazenda Nacional. Afirma que, no acórdão paradigma se trata de inexistência dos gastos, pois lá as despesas não teriam sido minimamente comprovadas. Já no acórdão recorrido, defende que está afirmado que gastos houve, mas não foi comprovada a proporcionalidade entre os valores gastos e aqueles efetivamente ocorridos. Assim, argumenta que haveria falta de similitude fática entre ambos, condição para prosseguimento do recurso de divergência. Além disso, defende ter havido a correta instrução processual, com apresentação dos documentos necessários a comprovar a quilometragem rodada pelo pessoal Fl. 2104DF CARF MF 6 de vendas da empresa, não mais cabendo a apreciação da idoneidade das provas nessa quadra do processo, assim, as despesas estariam incorridas e comprovadas. Além disso, a tese de poder ou não ser admitido o critério de efetuar o pagamento com base no quilômetro rodado não foi discutida no acórdão a quo, quando a Fazenda limitase a invocar divergência sobre quadros fáticos distintos. Por fim, requer que seja mantido o acórdão recorrido na matéria reclamada no recurso especial de divergência da Fazenda. RE da contribuinte Também em 26/11/2014, a contribuinte apresentou recurso especial de divergência, às efls. 2072 a 2076. Nesse instrumento, propõe a existência de divergência no tocante à ajuda de custo paga aos motoristas para eventuais despesas de custo variável. Afirma que o pagamento de tais despesas era previsto em convenção coletiva de trabalho, sem exigência de comprovantes específicos e isso não foi admitido pelo acórdão recorrido. Já n acórdão paradigma nº 9202003.105, admite a força vinculativa de tais acordos coletivos para definir as condições para recebimento de participação nos lucros e resultados das empresas, reconhecendo assim as particularidades das empresas. Partido dessa alegada divergência, requer a admissão de seu recurso especial para que seja provido no tocante à matéria exposta. O RE da Contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho nº 2400997/2014, às efls. 2095 a 2097, datado de 09/12/2014. Nesse despacho, o Presidente da 4ª Câmara concluiu por não reconhecer a divergência suscitada, pois o recorrido não teria desconsiderado a eficácia da convenção coletiva e trabalho, mas apenas "entendeu que a verba denominada 'ajuda de custo' não deve ser considerada ressarcitória por não ter havido apresentação de comprovantes de despesas". O Presidente do CARF, em reexame do despacho acima referido, conforme disposição do art. 71 do Anexo II do RICARF, no despacho nº 24000005R/2015, proferido em 17/03/2015, à efl. 2098, decidiu por manter totalmente o despacho do Presidente da 4ª Câmara, negando seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. É o relatório. Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 9202006.004 CSRFT2 Fl. 2.103 7 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Conhecimento Em contrarrazões a contribuinte afirma inexistir similitude fática entre o recorrido e o paradigma, levando a que não se conheça do recurso especial da Procuradoria. Na verdade, entendo que a similitude fática decorre de ambos abordarem a necessidade de comprovação das despesas com a utilização de veículo próprio. Mas, apesar de haver situação fática similar, o entendimento também é o mesmo, inexistindo divergência, pois, ao apreciar o voto condutor do acórdão paradigma, observase que, apesar de nele afirmarse a necessidade de comprovação das despesas, também afirmase que é aceitável a utilização de reembolso calculado em função da quilometragem rodada; senão vejamos, à fl. 08 do acórdão nº 2301002.790: É que, como o próprio nome diz, tratase do reembolso das despesas que o empregado teve na utilização do veículo para a execução de serviços externos relacionados aos assuntos da empresa. Tratase, portanto, de verba eminentemente indenizatória, vez que se presta a subsidiar as despesas com o veículo tais como abastecimento, manutenção, pneus, trocas de óleo, seguro, taxas e outras despesas inerentes à execução do trabalho. Há, inclusive, uma ampla gama de critérios objetivos que podem ser utilizados no cálculo do valor a ser pago ao empregado a título de ressarcimento pelas despesas em razão do uso de veículo próprio nas atividades da empresa. Pode ser acordada, por exemplo, um valor de reembolso calculado em função do quilômetro rodado, ou seja, multiplica se o total da quilometragem percorrida durante a semana, quinzena ou mês pelo valor pago por quilômetro. O valor pago por quilômetro rodado pode variar de empresa para empresa ou de região para região, os quais são revisados periodicamente, com base nas variações, principalmente, do custo do combustível. Normalmente é utilizada a média de mercado como parâmetro para definir o valor interno. Existe, também, a possibilidade de ser estabelecida uma taxa de depreciação, calculada a partir da diminuição do valor do bem, no caso o veículo do empregado, decorrência do desgaste, perda de utilidade, ação da natureza ou obsolescência. A taxa de depreciação paga aos empregados, portanto, funcionaria como uma substituição do fornecimento de Fl. 2106DF CARF MF 8 equipamentos a serem utilizados no local de trabalho, sendo nítido o seu caráter indenizatório, razão pela qual sobre elas não incide contribuição previdenciária. E mais adiante (fl. 09 do acórdão paradigma) se esclarece que, naquele caso concreto, não teria sido trazida aos autos qualquer prova objetiva da despesa pretensamente reembolsada: Todavia, ainda que considerem diferentes situações fáticas, todos os critérios utilizados no contexto em comento exigem, necessariamente, que sejam comprovadas, de maneira cabal e efetiva, a destinação das verbas e as despesas realizadas, de forma a não constituírem tais valores objeto de incidência de contribuição previdenciária. Destarte, a configuração do caráter indenizatório dos valores descritos na alínea “s” do §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 depende da comprovação efetiva de que se destinaram tais verbas a compensar os gastos, devidamente comprovados, com os quais teve que arcar o empregado quando da utilização de veículo próprio na execução de atividades da empresa, o que não ocorreu no caso concreto. Diante disso, não há que se falar em revisão da basedecálculo considerada para a determinação do valor devido pela Recorrente ao Fisco, uma vez que, no que tange aos valores em comento, não foi juntado aos autos qualquer prova apta à comprovação de seu caráter indenizatória, razão pela qual sobre eles deve incidir a contribuição previdenciária. Assim, entendo que o paradigma, apesar de tratar de matéria com similitude fática, admitia em seu voto que poderia ser acordado um valor de reembolso com base na quilometragem rodada, sendo este o mesmo entendimento do acórdão a quo. Logo, o paradigma não se prestava a comprovar divergência de entendimento quanto a matéria recorrida, por isso, não deve ser conhecido o recurso especial de divergência da Procuradoria com base nele. Assim, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2107DF CARF MF Processo nº 11309.000971/200877 Acórdão n.º 9202006.004 CSRFT2 Fl. 2.104 9 Fl. 2108DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.916790/2009-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
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PRECLUSÃO. OCORRÊNCIA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 67 90 /2 00 9- 87 Fl. 109DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro (efl. 52 e ss): Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada em PER/DCOMP, apresentada em 30/11/2006, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 15/06/2004, a titulo de COFINS, atinente ao período de apuração 05/2004, com débito da CSLL, período de apuração 10/2006, no valor de R$ 38.393,05 (fl .16/20). Por meio do Despacho Decisório n° 848527570, emitido eletronicamente (fl. 21), o Delegado da DRF — VitóriaES, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para guitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada ingressou, em 18/11/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 01/3, acompanhada da documentação de fls. 04/25, na qual alega, em síntese, que: 1. Do DARF localizado no valor originário de R$ 65.417,27 foi detectado um pagamento indevido ou a maior de R$ 31.144,41 que corrigido pela taxa selic acumulada no PER/DCOMP importou em R$ 42.717,67; 2. Desta forma, do DARF identificado pela inconformada e localizado pela RFB, foi destacado o pagamento indevido ou a maior de R$ 31.144,41, que após corrigido ficou apto a compensar o débito da CSLL na forma como realizado; 3. 0 procedimento da contribuinte, portanto, foi realizado dentro da mais estrita legalidade; 4. Assim, o DARF então identificado tendo registrado pagamento indevido ou a maior de tributo, resta legitimada a compensação realizada pela inconformada, devendo ser homologada na forma da legislação de regência. A DRJ/Rio de Janeiro ementou da seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10783.916790/200987 Acórdão n.º 3001000.042 S3C0T1 Fl. 3 3 No Recurso Voluntário (efl. 66 e ss.) a Recorrente alega que: A questão constante da decisão recorrida carece de produção de provas, pois tratase da incidência de COFINS sobre receitas financeiras, exigência fiscal declarada inconstitucional pelo STF. A Recorrente passa, então, a discorrer sobre essa inconstitucionalidade e , com base nela, solicita a desconstituição da exigência fiscal É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é, segundo o relatório do tribunal a quo, de R$ 38.393,05 (efl. 52), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A declaração de improcedência da Manifestação de Inconformidade por parte do tribunal a quo baseouse na ausência de provas que sustentassem as alegações da Recorrente. O Recurso Voluntário, entretanto, é todo baseado na alegação de inconstitucionalidade da incidência de COFINS sobre receitas financeiras. Verificando os autos deste processo, não localizei, nas impugnações apresentadas, qualquer menção a tais questões, o que prejudica o conhecimento da matéria exclusivamente em segunda instância, ex vi dos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 111DF CARF MF 4 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Uma vez que a matéria não foi expressa e especificamente contestada em impugnação, configurouse a preclusão consumativa em relação às questões agora trazidas ao processo. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000484/2003-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário.
(Súmula Carf nº 2)
CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35.
O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência.
(Súmula Carf nº 35)
Numero da decisão: 2401-005.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário. (Súmula Carf nº 2) CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplica-se a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35)
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente MIGUEL NADDEO JÚNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE DADOS PELA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ACESSO E UTILIZAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que possibilita o acesso a dados da movimentação bancária do contribuinte obtidos junto à instituição financeira sem prévia autorização do Poder Judiciário. (Súmula Carf nº 2) CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA (CPMF). EXERCÍCIOS ANTERIORES. UTILIZAÇÃO DE DADOS PARA LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001, que autorizou o uso de informações da CPMF para a constituição de crédito tributário relativo a outros tributos, aplicase a fatos geradores pretéritos à sua vigência. (Súmula Carf nº 35) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 84 /2 00 3- 76 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 215 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 216 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), cujo dispositivo julgou procedente o lançamento fiscal, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0810.603 (fls. 173/185): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 SIGILO BANCÁRIO. LC 105/201. USO DE DADOS DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA PELAS AUTORIDADES FAZENDÁRIAS. POSSIBILIDADE. 1. A Lei 9.311/1996 ampliou as hipóteses de prestação de informações bancárias (até então restritas art. 38 da Lei 4.595/64; art. 197, lI, do CTN; art. 8° da Lei 8.021/1990), permitindo sua utilização pelo Fisco para fins de tributação, fiscalização e arrecadação da CPMF (art. 11), bem como para instauração de procedimentos fiscalizatórios relativos a qualquer outro tributo (art. 11, § 3º, com a redação da Lei 10.174/01). 2. Também a Lei Complementar 105/2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de sigilo bancário, permitiu, sob certas condições, o acesso e utilização, pelas autoridades da administração tributária, a documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras (arts. 5° e 5°). 3. A exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Lançamento Procedente Fl. 216DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 217 4 2. Extraise do Termo de Constatação Fiscal, acostado às fls. 139/143, que o processo administrativo é composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros de mora e multa de ofício agravada, no percentual de 112,5%, em virtude de omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários, efetuados em conta corrente, de origem não comprovada. 2.1 Segundo o agente lançador, a verificação fiscal restringiuse à movimentação financeira de contas bancárias, relativamente ao anocalendário 1998, a partir dos recolhimentos de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). 2.2 O Auto de Infração encontrase juntado às fls. 144/149, enquanto a relação de depósitos não comprovados, por data e valor, está acostada às fls. 119/138. 3. A ciência da autuação se deu por via postal em 26/02/2003, conforme fls. 151, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 155/166). 4. Intimado da decisão de piso por via postal em 16/11/2007, segundo as fls. 189/190, o recorrente apresentou recurso voluntário em 14/12/2007, com os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal (fls. 193/204): (i) a utilização de dados protegidos pelo sigilo bancário para o lançamento de ofício, obtidos pela Administração Tributária sem prévia autorização do Poder Judiciário, não encontra respaldo na Carta Política de 1988; (ii) a despeito das prescrições da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, é inconstitucional a aplicação pela autoridade fiscal do § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 9 de janeiro de 2001; e (iii) a alteração promovida no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, que permitiu o uso de informações da CPMF para fins de instauração de procedimentos fiscalizatórios, é dotada de aplicação prospectiva, em atendimento ao princípio da irretroatividade da lei tributária, isto é, não pode alcançar os fatos geradores do ano de 1998. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 218 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A peça recursal não contesta especificamente o mérito da autuação fiscal, consistente na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos creditados. 6.1 Em outras palavras, o recorrente deixou de trazer quaisquer elementos de prova da origem dos valores que transitaram por suas contas bancárias, discriminados pelo agente fiscal como de origem não comprovada, de maneira tal a identificálos como decorrentes de renda já oferecida à tributação, na forma da lei, ou como rendimentos isentos de tributação ou não tributáveis. 7. O recurso voluntário opõese, segundo relatado, tão somente a aspectos prévios ao lançamento de ofício, atinentes ao uso de dados pela autoridade tributária obtidos mediante requisição às instituições bancárias sem prévia autorização do Poder Judiciário, ainda que com fundamento em lei tributária. Para simplificar a análise processual, as matérias controvertidas são tratadas como mérito, na medida em que representam as únicas questões de fundo do recurso voluntário. 8. Pois bem. O procedimento fiscal encontrase amparado nos seguintes dispositivos de lei: Lei Complementar nº 105, de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (..) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 219 6 III – o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Lei nº 9.311, de 1996, que instituiu a CPMF, com a redação da Lei nº 10.174, de 2001 Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. § 1° No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2° As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores (...) 8.1 Além dos preceptivos de lei, o trabalho fiscal respeitou também o Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, o qual regulamentou o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Receita Federal do Brasil, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras, com preservação rigorosa do sigilo dos dados obtidos. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 220 7 9. O art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações ou dados acerca da movimentação financeira do contribuinte nas instituições financeiras, desde que instaurado previamente o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos seja indispensável à instrução, preservado o caráter sigiloso da informação. 9.1 Uma vez cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, a requisição de dados bancários pelo Fisco, sem prévia intervenção judicial, está autorizada pela lei, quando justificada pela autoridade administrativa a indispensabilidade do respectivo exame. 10. O afastamento da presunção de constitucionalidade de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. 10.1 Escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária, por violação ao sigilo bancário previsto na Constituição da República de 1988, em decorrência do repasse de dados e/ou informações à Administração Tributária pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial. Argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 11. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 12. Quanto à utilização de informações da CPMF para o fim do lançamento de ofício relativo a outros tributos, como na hipótese da exigência do Imposto sobre a Renda, ao amparo do prescrito no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, na redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001, foi editada a Súmula nº 35, também deste Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. 12.1 O enunciado, de observância obrigatória pelos Conselheiros, representa o entendimento reiterado e uniforme no âmbito da segunda instância do contencioso administrativo tributário no que toca à possibilidade de aplicação retroativa do dispositivo de lei ordinária, para alcançar os fatos geradores anteriores à vigência da nova redação, por tratar se de norma de cunho procedimental, que apenas concedeu poderes adicionais de investigação ao Fisco (art. 144, §1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional CTN). 13. Por outro lado, é verdade que o afastamento ou a não aplicação de lei no âmbito administrativo, sob fundamento de inconstitucionalidade, é medida possível na hipótese de que já tenha havido a sua declaração por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) e obrigatória quando houver decisão definitiva em sede de julgamento realizado na sistemática da repercussão geral (art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e suas modificações). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 221 8 14. Ocorre que a linha argumentativa exposta pela recorrente, em sua essência jurídica, foi objeto de recente apreciação pelo Tribunal Constitucional, na sessão do dia 24/02/2016, por meio do Recurso Extraordinário (RE) nº 603.314/SP, de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado sob a sistemática da repercussão geral. 14.1 A Corte Suprema concluiu, em síntese, que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, na sua atividade fiscalizatória, pode acessar dados bancários fornecidos diretamente pelas instituições financeiras sem necessidade de prévia ordem judicial, com base no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, não havendo, nessas hipóteses previstas em lei, ofensa ao direito ao sigilo bancário protegido pela Constituição da República de 1988. 14.2 Além do mais, também restou consignado pela maioria dos Ministros que a modificação promovida pela Lei nº 10.174, de 2001, no § 3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, não teve o condão de induzir a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma jurídica, consoante o § 1º do art. 144 do CTN. 14.3 Para melhor visualização do decidido pelo STF, reproduzo na sequência parte da ementa do RE nº 603.314/SP: (...) 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (DESTAQUES DO ORIGINAL) Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.000484/200376 Acórdão n.º 2401005.065 S2C4T1 Fl. 222 9 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.006528/2010-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
Numero da decisão: 9202-006.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/08/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configura-se a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. No caso de pedido de parcelamento nos moldes da Lei nº 11.941/2009, configurase a desistência e a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, na forma em que lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 65 28 /2 01 0- 97 Fl. 200DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Recorrente requer que a retroatividade benigna seja aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação de fls. 186, este processo encontravase apenso ao Processo 10950.006527/201042, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. Inicialmente pautado para a sessão de julgamento de 27/06/2017, por meio da Resolução nº 9202000.120, o Colegiado converteu o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que essa prestasse informações oficiais acerca da existência e, também, abrangência de eventual pedido de parcelamento apresentado pelo Contribuinte. Às fls. 196/197 foi juntado aos autos resposta elaborada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maringá/PR à diligência solicitada, oportunidade em que se atestou a existência de parcelamento integral do débito requerido pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme descrito no relatório, estamos diante de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional o qual foi recebido para rediscussão do critério de aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades lançadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Embora de fato haja uma divergência jurisprudencial na tese apresentada pela Recorrente, nos termos em que fixado pelo respectivo despacho de admissibilidade, há nos autos incidente processual que merece ser apreciado. Estamos falando da renúncia apresentada pelo contribuinte em razão de adesão à programa de parcelamento especial instituído pelo Poder Executivo. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10950.006528/201097 Acórdão n.º 9202006.140 CSRFT2 Fl. 201 3 Conforme resposta fornecida pela Delegacia da Receita Federal de maringá/PR Às fls. 196/197, em cumprimento à Resolução nº 9202000.120, o Contribuinte renunciou expressamente ao direito sobre o qual versa a lide haja vista sua adesão ao programa especial de parcelamento de débitos instituído pela Lei nº 11.941/2009, com modificações promovidas pela Lei nº 12.996/2014. Vale transcrever parte do conteúdo do documento: Diante disto, não há mais qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado em sua totalidade, razão pela qual deve ser declarada a definitividade do crédito tributário nos termos do art. 78 do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Fl. 202DF CARF MF 4 § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário nos moldes em que apurado pelo auto de infração originalmente lavrado, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.722803/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/10/2012
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ACOLHIMENTO.
Constatado a ocorrência de inexatidão material no acórdão, acolhem-se os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado.
ERRO NO RELATÓRIO DO ACÓRDÃO. RETIFICAÇÃO.
Não havendo no relatório da decisão embargada referência a todas as autuações relacionadas ao processo administrativo fiscal, esse relatório deve ser retificado de modo que fique expressamente consignado a que autos de infração o acórdão se refere.
Numero da decisão: 2402-006.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para retificar o primeiro parágrafo do Relatório do Acórdão nº 2402003.156, de 17/10/12, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 17/10/2012 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. ACOLHIMENTO. Constatado a ocorrência de inexatidão material no acórdão, acolhem-se os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado. ERRO NO RELATÓRIO DO ACÓRDÃO. RETIFICAÇÃO. Não havendo no relatório da decisão embargada referência a todas as autuações relacionadas ao processo administrativo fiscal, esse relatório deve ser retificado de modo que fique expressamente consignado a que autos de infração o acórdão se refere.
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INEXATIDÃO MATERIAL. ACOLHIMENTO. Constatado a ocorrência de inexatidão material no acórdão, acolhemse os embargos inominados para que seja sanado o vício apontado. ERRO NO RELATÓRIO DO ACÓRDÃO. RETIFICAÇÃO. Não havendo no relatório da decisão embargada referência a todas as autuações relacionadas ao processo administrativo fiscal, esse relatório deve ser retificado de modo que fique expressamente consignado a que autos de infração o acórdão se refere. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 28 03 /2 01 1- 10 Fl. 221DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para retificar o primeiro parágrafo do Relatório do Acórdão nº 2402003.156, de 17/10/12, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10665.722803/201110 Acórdão n.º 2402006.033 S2C4T2 Fl. 222 3 Relatório Por bem refletir o objeto da contenda, para relatório da presente decisão, adotaremos partes do despacho de admissibilidade: "Tratase de Embargos de Declaração apresentados pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) do Brasil de Divinópolis MG contra acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, porém, recebidos como Embargos Inominados. Do acórdão embargado A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão nº 2402 003.156, em 17/10/12, fls. 187 a 195, negando provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/08/2011 AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CRÉDITO UTILIZADO INSUFICIENTE PARA QUITAR OS DÉBITOS. GLOSA. MANUTENÇÃO. Para que a compensação venha a ser aceita pela SRFB deverá a interessada possuir em seu favor crédito próprio suficiente à quitação dos débitos que pretende compensar. Em não havendo suficiência de crédito, merece ser mantida a glosa levada a efeito pela fiscalização. ALÍQUOTA RAT MODIFICADA PELO DECRETO 6.042/07. INOBSERVÂNCIA DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. ARTIGO 17 DO DECRETO 70.235/72. Uma vez que o lançamento se pautou exclusivamente no fato de o contribuinte ter deixado de observar a superveniência de legislação que alterou o grau de risco da alíquota do RAT, a exigência fiscal merece prosperar, sobretudo quando tal matéria deixou de ser versada no bojo da impugnação interposta conta o Auto de Infração. MULTA. CONFISCO.INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Fl. 223DF CARF MF 4 Dos Embargos de Declaração Cientificado da decisão, o Delegado da DRF de Divinópolis MG opôs os Embargos de Declaração de fls. 208 a 210, em 22/3/16, fundamentando no Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, artigos 64, 65 e 66, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/09, e alegando o seguinte: Tendo tomado ciência do Acórdão nº 2402003.156 – 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido por esta egrégia Câmara, em sessão de 17 de setembro de 2012, com fulcro no artigo 64, 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF Nº 256, de 22 de junho de 2009, na qualidade de autoridade executora apresento, tempestivamente, os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO pelos fatos e fundamentos a seguir expostos. [...] Entendemos que o acórdão merece ser revisto. Tendo em vista que constatamos a ocorrência de vício no corpo do acórdão uma vez que tratase o presente processo de crédito lançado contra o Município de Quartel Geral – Prefeitura Municipal (AI 51.009.7189) no valor de R$1.565.540,80, que, de acordo com relatório fiscal de fls. 28/36, referese à glosa de valores indevidamente compensados a título de pagamento a agentes políticos, de 01/2009 a 13/2009, de compensações efetuadas e não justificadas de 03/2010 a 07/2011, bem como diferenças de alíquota RAT de 01/2009 a 07/2011. E o auto de infração 51.009.7197 (descumprimento de obrigação acessória) por ter o Município apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência SocialGFIP competência 11/2008, com informação incorreta no campo RAT, tendo informado 1% sendo o correto 2%. A GFIP desta competência foi entregue em 5/12/2008, após a vigência da MP 449/2008. Dispositivo Legal Infringido: Lei nº 8.212/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. E não como constou no primeiro parágrafo do relatório: “Trata se de Recurso Voluntário interposto por MUNICÍPIO DE QUARTEL GERAL PREFEITURA MUNICIPAL em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.302.1968, (grifo nosso), lavrado para o lançamento glosa de valores indevidamente compensados a título de pagamentos a agentes políticos, de 01/2009 a 13/2009, de compensações efetuadas não justificadas de 03/2010 a 07/2011, bem como diferença de alíquota RAT de 01/2009 a 07/2011. O Ai nº 37.302.1968 está formalizado no Processo nº 10665.722802/2011 75 e não no presente processo. (Grifos no original) (...) Do alegado vício no corpo do acórdão Segundo o Embargante, o acórdão recorrido apresenta vício em seu corpo, pois informa, no primeiro parágrafo do relatório, tratarse de Recurso Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10665.722803/201110 Acórdão n.º 2402006.033 S2C4T2 Fl. 223 5 Voluntário apresentado em face do Auto de Infração nº 37.302.1968, quando, na verdade, se trata de recurso interposto contra os Autos de Infração nº 51.009.7189 e 51.009.7197. O Embargante alega, ainda, que o Auto de Infração nº 37.302.1968 não foi formalizado neste processo, mas no processo 10665.722802/201175. Pois bem, compulsando o presente processo, constatase que, de fato, assiste razão ao Embargante. O Auto de Infração nº 37.302.1968, realmente, não segue neste processo, as sim no processo 10665.722802/201175, o qual é mencionado no item 19 do Relatório Fiscal, fls. 28 a 36. Acontece que o contribuinte elaborou um único Recurso Voluntário, ou seja, um único texto, abarcando os 3 (três) autos de infração, e juntou uma via desse recurso em cada processo. Dessa forma, deveria ter sido especificado, no presente acórdão, que o mesmo trataria do Recurso Voluntário interposto contra os Autos de Infração nº 51.009.7189 e 51.009.7197, todavia, além de não ter mencionado os DEBCADs dessas autuações, informou, no primeiro parágrafo do relatório, apenas o Auto de Infração nº 37.302.1968, nos seguintes termos: Tratase de Recurso Voluntário interposto por MUNICÍPIO DE QUARTEL GERAL PREFEITURA MUNICIPAL em face de acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.302.1968, lavrado para o lançamento glosa de valores indevidamente compensados a título de pagamentos a agentes políticos, de 01/2009 a 13/2009, de compensações efetuadas não justificadas de 03/2010 a 07/2011, bem como diferença de alíquota RAT de 01/2009 a 07/2011. Portanto, temse por demonstrada a presença de inexatidão material e/ou erro de escrita no acórdão embargado, por não dizer que se trata de Recurso Voluntário interposto contra os Autos de Infração nº 51.009.7189 e 51.009.7197, mas apenas mencionar o Auto de Infração nº 37.302.1968, que não é objeto do presente processo." É o relatório. Fl. 225DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Admissibilidade Votamos por receber a manifestação em questão na condição de Embargos Inominados, previsto no RICARF, art. 66, já que se destina ao saneamento de inexatidões materiais e erros de escrita ou de cálculo, sendo que, para tal recurso, não há prazo para interposição. No Mérito Compulsando os autos, verificamos que assiste razão a Embargante, pois, o acórdão recorrido apresenta vício em seu corpo, uma vez que informa, no primeiro parágrafo do relatório, tratarse de Recurso Voluntário apresentado em face do Auto de Infração nº 37.302.1968, quando, na verdade, se trata de recurso interposto contra os Autos de Infração nº 51.009.7189 e 51.009.7197. Segundo registra o Embargante, ainda, que o Auto de Infração nº 37.302.196 8 não foi formalizado neste processo, mas no processo 10665.722802/201175. O Auto de Infração nº 37.302.1968, realmente, não segue neste processo, mas sim no processo 10665.722802/201175, o qual é mencionado no item 19 do Relatório Fiscal, fls. 28 a 36. A confusão decorreu do fato de o Recorrente ter elaborado Recurso Voluntário único, ou compreendendo os elementos dos 3 (três) autos de infração. O crédito lançado através do AI 51.009.7189 contra o Município de Quartel Geral – Prefeitura Municipal no valor de R$1.565.540,80, de acordo com relatório fiscal de fls. 28/36, referese à glosa de valores indevidamente compensados a título de pagamento a agentes políticos, de 01/2009 a 13/2009, de compensações efetuadas e não justificadas de 03/2010 a 07/2011, bem como diferenças de alíquota RAT de 01/2009 a 07/2011. Já o auto de infração 51.009.7197 referese a descumprimento de obrigação acessória por ter o Município apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência SocialGFIP competência 11/2008, com informação incorreta no campo RAT, tendo informado 1% sendo o correto 2%. Apesar do erro em questão, a decisão em sí é clara e reflete o ocorrido no processo, eis que, quando trata do mérito o voto, em nosso sentir, está plenamente adequado, merecendo ajuste tão somente o primeiro parágrafo do relatório da decisão embargada. Conclusão Ante ao exposto voto por acolher os embargos inominados, para sanando o vicio apontando, alterar o primeiro parágrafo do Relatório do Acórdão nº 2402003.156, de 17/10/12, passa a vigorar com a seguinte redação: "Tratase de recurso voluntário interposto por MUNICÍPIO DE QUARTEL GERAL PREFEITURA MUNICIPAL em face de acórdão que manteve a integralidade do crédito lançado através do AI 51.009.7189 no valor de Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10665.722803/201110 Acórdão n.º 2402006.033 S2C4T2 Fl. 224 7 R$1.565.540,80, de acordo com relatório fiscal de fls. 28/36, referente à glosa de valores indevidamente compensados a título de pagamento a agentes políticos, de 01/2009 a 13/2009, de compensações efetuadas e não justificadas de 03/2010 a 07/2011, bem como diferenças de alíquota RAT de 01/2009 a 07/2011 e do auto de infração 51.009.7197 referente a descumprimento de obrigação acessória por ter o Município apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência SocialGFIP competência 11/2008, com informação incorreta no campo RAT, tendo informado 1% sendo o correto 2%." (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.003586/2006-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-006.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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Ressarcimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARÁ PIGMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PIS/PASEP E COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 86 /2 00 6- 12 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 387 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 289 a 307) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 380302.773 (fls. 281 a 285) proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 24/04/2012, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo relativo às despesas efetivamente comprovadas com serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento. O acórdão recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 388 3 implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Os serviços de terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e bombeamento guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo de lavra, beneficiamento e embarque do caulim e ensejam o creditamento com base nos gastos efetivamente comprovados. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 289 a 307), alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de PIS/Pasep nãocumulativo com relação aos serviços antes enumerados. Colacionou como paradigma(s) o(s) acórdão(s) nº(s) 20312.448. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que deve ser adotado conceito mais restritivo de insumo, ficando adstrito às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados diretamente na produção, não contabilizados no ativo permanente, e que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto. Em síntese, requer seja adotado o conceito da legislação do IPI e restabelecidas as glosas realizadas pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho s/nº, de 20 de julho de 2015 (fls. 309 a 312), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 318 a 365) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 389 4 A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de COFINS os gastos incorridos com os serviços de terraplanagem e topografia ligados à terraplanagem, realizado no curso da lavra da mina, sondagem, levantamento topográfico e os serviços de bombeamento de PIG no mineroduto. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 390 5 fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 391 6 Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 392 7 receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 393 8 A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica mineradora, que tem como atividade econômica principal a extração do minério caulim, utilizado na produção de cerâmica, tintas, cimento, etc, e o seu beneficiamento, procedendo ao seu transporte da mina para a unidade industrial através de um mineroduto. Portanto, tem por objeto social: Artigo 2º: A Sociedade tem por objeto social a pesquisa de depósitos minerais, a realização do aproveitamento de jazidas minerais, através da exploração, extração, o beneficiamento de minérios, a transformação industrial e comercialização de produtos minerais, no mercado doméstico e no exterior, a operacionalização de terminais portuários ou quaisquer outras Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 394 9 atividades comerciais que se relacionarem com seu objeto social, podendo ainda participar de outras sociedades. Os custos de lavra, transporte ou de beneficiamento do minério não são investimentos, e por isso não estão contabilizados no ativo permanente da empresa. Tratase de gastos que integram a produção do capim caulim, devendo, portanto serem reconhecidos como insumos, gerando o direito ao crédito de PIS e de COFINS nãocumulativos. Além disso, a Contribuinte demonstrou a essencialidade/pertinência dos serviços de terraplanagem, topografia, sondagem e bombeamento no processo produtivo do minério caulim. Pertinente a transcrição de trechos dos laudos técnicos para demonstrar a relação dos serviços com o processo produtivo: LAUDO TÉCNICO – Uso atividades de Terraplanagem e Topografia na IPPSA (fl. 274) [...] 3.0 Conclusão Para dar andamento às atividades acima enumeradas, e, portanto, para viabilizar a extração do minério destinado à produção, tornase imprescindível o uso de equipamentos de terraplanagem. A existência destes facilita e é necessário ao procedimento de lavra e ao movimento entre os vários pontos da mina em estradas bem regularizadas que reflete na economia de combustível e custo de manutenção. Sem esses equipamentos não poderíamos remover capeamento e lavrar minério na escala de produção que atendesse o processo industrial, uma vez que não há produção sem a matériaprima necessária. Da mesma forma a topografia. Sem ela não poderíamos avaliar com o grau de certeza exigido as quantidades removidas e transportadas por período de tempo de um plano de lavra. [...] LAUDO TÉCNICO – Processo de Sondagens e Topografia na IPPSA (fls. 275 a 276) [...] 2.0. Sondagem Para atender a produção, precisamos lavrar grandes quantidades de minério cru e com ele fazer outras operações de processo de modo enviálo à usina de Barcarena, por se tratar de matériaprima indispensável para o processo de beneficiamento. A avaliação da quantidade de minério existente e do material não aproveitável como o capeamento e o estéril é feita por operações de sondagem. [...] 2.2. Operação de Sondagem Fl. 394DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 395 10 Com base em mapas de localização do minério é estabelecida rede de sondagem que norteará o trabalho. As malhas de sondagem são quadradas e as distâncias entre os furos dependem do grau de acerto que se quer saber sobre o minério. A topografia então lança em campo as picadas guias para marcação dos furos e acompanha os tratores de esteiras que abrem estradas de acesso exatamente sobre as picadas. Estas, depois de prontas têm os furos marcados, niveladas a cada 25 metros e abertas clareiras nos pontos de sondagem para movimentação de sondas e pipas. [...] 2.2.3 Topografia da Sondagem O trabalho de topografia que acompanha a sondagem é feito por equipe constituída por Topógrafo Agrimensor, acompanhado de funcionários destacados para este serviço. Tanto na marcação dos furos em campo como após sondagens conferir a verdadeira localização do furo em campo, precisou do trabalho de topografia. A avaliação da jazida tem como uma de suas bases a exatidão dos trabalhos de sondagem e de topografia. [...] 3.0 Conclusão As sondagens são atividades base para o trabalho de avaliação de um corpo mineral, necessárias para verificar a viabilidade de extração e utilização do minério como matériaprima ao processo de produção e beneficiamento. Desta forma, em a atividade de sondagem não seria possível a lavra e, consequentemente, a atividade de produção. O Ministério das Minas só autoriza a lavra se a instituição concessionária da área comprovar a existência de substancial quantidade de minério o suficiente para ser alvo de exploração econômica. Para tanto o modelamento geológico é feito com base nestas sondagens. Mesmo depois de concedida a lavra os trabalhos de sondagem não são paralisados. A cada avanço da mina um novo detalhamento é programado e concluído com auxílio insubstituível dos equipamentos de perfuração. LAUDO TÉCNICO (fls. 277 a 279) [...] DAS PROTEÇÕES E MONITORAMENTO DO MINERODUTO Ao longo do percurso do mineroduto existem placas educativas contendo telefones da empresa e advertências contra escavações ou quaisquer tipos de ações que possam afetar a integridade da tubulação enterrada. Foram realizadas várias palestras durante a construção do mineroduto, visando, entre outros itens, informar a população sobre as obras que estavam sendo realizadas. O mineroduto é protegido e monitorado por sistema de proteção catódica, passagem de PIG inteligente que detectam corrosão, amassamentos e falhas Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10280.003586/200612 Acórdão n.º 9303006.096 CSRFT3 Fl. 396 11 no revestimento e sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial no material bombeado na Mina. DA ASSEPSIA DO MINERODUTO Na entrada do mineroduto foi instalado lançador de PIG (material esponjoso utilizado em limpeza da tubulação). O PIG será utilizado em caso de entupimento da tubulação, sendo acionado (empurrado) através de bombeamento em alta pressão através das bombas de pistão e com o sistema de injeção de inibidor de corrosão e dosagem de agente químico antimicrobial durante o todo o procedimento. [...] Com base nessas considerações, devem ser considerados como insumos os gastos incorridos com os seguintes itens, por se integrarem ao processo produtivo do caulim: (a) Serviços de terraplanagem; (b) Serviços de sondagem; (c) Levantamento topográfico; e (d) Serviço de bombeamento de PIG no mineroduto da empresa Pará Pigmentos. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000211/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL - ALÍQUOTA
Pneumáticos novos de borracha com banda de rodagem flexível, utilizados em implementos agrícolas, com nome comercial de Bandas de Compactação e Anéis de Borracha classificam-se no código NCM/SH 4011.92.90.
Molas helicoidais cilíndricas, de aço, utilizadas em implementos agrícolas classificam-se no código NCM/SH 7320.20.10.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Molas helicoidais cilíndricas, de aço, utilizadas em implementos agrícolas classificamse no código NCM/SH 7320.20.10. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro, Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 02 11 /2 00 7- 13 Fl. 2228DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.229 2 Relatório Por bem relatar os fatos e atos processuais, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Tratase de lançamento de oficio, fls. 04 a 06, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 644.336,93, incluídos multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/05/2007. Na Descrição dos Fatos, fl. 05, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi apurada a falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com falta ou insuficiência de lançamento de imposto por erro de classificação fiscal e, em conseqüência, erro de alíquota. Consta do termo de verificação fiscal, fls. 12 a 35, em síntese, que foram reclassificadas pela fiscalização as mercadorias, abaixo relacionadas, da seguinte forma: “7. Consta na 1ª Alteração Contratual (fls. 1159 a 1163), registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob n° 323.659/032, em 30/11/2003, os objetivos da contribuinte, os quais estão a seguir descritos: A Sociedade tem o objetivo da exploração do ramo de: indústria e comércio de molas helicoidais agrícolas e industriais; artefatos de borracha agrícolas e industriais; peças e produtos de aço em geral e da prestação de serviços em artefatos de borracha e aço." Portanto, da descrição de mercadorias, constatase que as Bandas Compactadoras e Anéis de Borracha são artefatos de composto de borracha vulcanizadas flexíveis, portanto, não endurecidas. Observase, também, das figuras ilustrativas e dos catálogos apresentados, que os artefatos de borracha, em tela, são aros de borrachas envoltos em rodas de metal. (fls. 24/25) Concluindo, constatase que as mercadorias produzidas e vendidas, pela contribuinte fiscalizada, não podem estar classificadas na posição 8432, tendo em vista as exclusões das Notas Explicativas da Seção XVI e das Notas do Capítulo 40. (fl. 23) Verificase, das Notas do Capítulo 40, que somente as partes de borracha endurecida, utilizadas em máquinas, podem ser remetidas à Seção XVI (Máquinas e Aparelhos,...). (fl. 23) Os dois números relativos às medidas, indicadas na Classif. Fiscal 4011.92.10, estão expressos em polegadas. O segundo número corresponde ao diâmetro do artefato. Verificase, na classificação fiscal 4011.92.10, que o menor diâmetro, das Fl. 2229DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.230 3 medidas relacionadas, é de 15 polegadas, correspondente a 38,10 cm. Observandose os catálogos dos produtos fabricados pela contribuinte fiscalizada, constatase que todos possuem diâmetro menor que 38,10 cm. Portanto, não sendo possível a classificação na posição 4011.92.10, resta unicamente a classificação fiscal "4011.92.90 Outros", na qual os produtos BANDAS DE COMPACTAÇÃO e ANÉIS DE BORRACHA serão classificados na TIPI.” 1. BANDAS DE COMPACTAÇÃO: 4011.92.90 2. ANÉIS DE BORRACHA: 4011.92.90 3. MOLAS, MOLAS HELICOIDAIS AGRÍCOLAS: 7320.20.10 São molas constituídas de aço, são helicoidais e possuem forma cilíndricas. Os textos da Posição nas quais as molas de aço se enquadram, temos: "7320 MOLAS E FOLHAS DE MOLAS, DE FERRO OU AÇO 7320.20 Molas helicoidais 7320.20.10 Cilíndricas 7320.20.90 Outras" Constam na Nota Explicativa da Posição 7320, conforme dispõe a IN SRF n° 157, de 2002, a inclusão nesta posição as molas de ferro ou aço de qualquer espécie, exceto as molas para relógio da posição 91.14. Portanto, não há qualquer dúvida quanto a classificação fiscal das MOLAS HELICOIDAIS no código 7320.20.10. 4. CONDUTOR HELICOIDAL: 7320.20.10 Tratase de condutores helicoidais com finalidade de dosar o adubo nas plantadeiras. É derivado das molas, por ser confeccionado do mesmo material, Aço SAE 1080, ou DIN 17223. Classificase como molas no código 7320.20.10. 5. HASTE COLETORA: 7320.20.10 Proporciona espalhamento e enfileiramento perfeitos, graças a ação do eficiente sistemas de molas horizontais. Trabalha por força centrífuga, reduz os efeitos do vento e possui capacidade perfeita de adaptação ao solo. Observando a figura ilustrativa à folha 1753, constatase que seu formato é realmente de uma mola helicoidal ligada a uma haste reta. A Nota Explicativa da posição "7320 Molas e Folhas de Molas, Ferro ou Aço" descreve os produtos ali incluídos, conforme o disposto na página 1273 da IN SRF n° 157/2002: Fl. 2230DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.231 4 “As molas podem encontrarse providas de braçadeiras (sobretudo as molas de folhas), de pinos ou pernos e de outros dispositivos de ligação." No presente caso, o dispositivo de ligação à mola é exatamente a haste reta. Portanto, as hastes coletoras são enquadradas na mesma classificação de molas, 7320.20.10. Não foi destacado o IPI nas notas fiscais de saída nº 2389, 2396 e 2400. Portanto, além da reclassificação destas mercadorias, fui apurado o imposto não destacado nas referidas notas fiscais. PERÍODO DE APURAÇÃO DO IPI: 32.A escrituração contábil/fiscal da contribuinte fiscalizada, especificamente os Livro Registros de Saídas de Mercadorias (f/s. 113 a 204) e o Livro Registro de Apuração do IPI (fl. 205 a 242), demonstram que foi adotada a apuração decendial, em obediência à IN SRF n° 394, de 05/02/2004, em razão dos produtos elaborados serem, pela contribuinte fiscalizada, classificados na posição 8432. 33.Tendo em vista que todos os produtos foram reclassificados de ofício por esta Fiscalização, necessária se faz a alteração do período de apuração, conforme dispõe os incisos I e II do art. 1o da IN SRF n° 394, de 05/02/2004, ou seja, de 01/01/2004 a 30/09/2004 o período de apuração deverá ser quinzenal, e de 01/10/2004 a 31/12/2004 deverá ser mensal. 34. A fim de adequarmos as entradas e saídas de mercadorias aos períodos de apuração corretos, foram elaboradas as seguintes Tabelas: TABELA 3 (fls. 1913 a 1947) Notas Fiscais de Saídas de Mercadorias Períodos de Apuração Quinzenal (01/01/04 a 30/09/04) e Mensal (01/10/04 a 31/12/04); TABELA 4 (fls. 1948 a 1952) Notas Fiscais de Entradas de Mercadorias Períodos de Apuração Quinzenal (01/01/04 a 30/09/04) e Mensal (01/10/04 a 31/12/04); 35. Com o intuito de evidenciar os saldos quinzenais e mensais da apuração do IPI, foi elaborado, por esta Fiscalização, a TABELA 5 (fls. 1953 a 1955), onde constam (...) IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES PAGOS CONFORME PERÍODO DE APURAÇÃO DECENDIAL: 37. Foram aproveitados, após o reenquadramento nos novos períodos de apuração (quinzenal e mensal), os recolhimentos do IPI (f/s. 1838 a 1869), tomandose o cuidado de haver coincidência do período de apuração anterior com o novo período, e sem postergação de vencimento. Contestado o lançamento (fls. 1967/2020), a DRJ/SDR, em 29/05/2013, julgou improcedente a impugnação (fls. 2113/2125). Não resignada com a r. decisão, a empresa interpôs o presente recurso voluntário (fls. 2131/2148), no qual, em síntese, alega: 1 Que sua atividade é "a fabricação de artefatos de máquinas e equipamentos agrícolas, dentre os quais materiais de borracha endurecida, as chamadas bandas limitadoras de profundidade e bandas compactadoras, e de aço, tais como condutor helicoidal e haste coletora", sendo que "todos equipamentos por ela fabricados destinamse, Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.232 5 exclusivamente, à implantação em máquinas e equipamentos agroindustriais fabricados pelos seus clientes". Acresce que uma vez instaladas nas máquinas plantadeiras, as bandas limitadoras têm a função de limitar o despejo de sementes durante a semeadura, enquanto as bandas compactadoras têm a função de compactar o solo e cobrir de terra as sementes despejadas. Já o condutor helicoidal tem a função de dosar o adubo despejado no plantio, e a haste coletora proporciona a coleta e o enfileiramento de feno, por exemplo, em equipamento de fenação. Averba que "sempre enquadrou tais mercadorias no código 8432.90.00, justamente porque são partes de MÁQUINAS E APARELHOS DE USO AGRÍCOLA OU FLORESTAL, PARA PREPARAÇÃO OU TRABALHO DO SOLO OU PARA CULTURA; ROLOS PARA GRAMADO OU PARA CAMPOS DE ESPORTE, sujeitos à alíquota de 5% do IPI". 2 Quanto aos produtos de borracha, entende que sua classificação decorre da regra excludente de materiais de borracha endurecida do Capítulo 40 e da convergente inclusão de parte, peças e acessórios de borracha endurecida de máquinas agrícolas no Capítulo 84, justamente porque todas as peças e acessórios são feitos de borracha endurecida. Conclui, no ponto, que "estando fora do nicho do Capítulo 40 e por se tratarem exatamente de partes de borracha endurecida de máquinas e aparelhos agrícolas do Capítulo 84, as mercadorias fabricadas pela recorrente sempre foram classificadas no código 8432.90.00". Consigna que a fiscalização reclassificou tais produtos por entender que essas mercadorias seriam constituídas de borracha não endurecida e, ainda, de natureza pneumática, daí seu reenquadramento para a NCM/TIPI 4011.92.90, que discrimina "outros pneumáticos novos de borracha" "dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais". Entende a recorrente que as borrachas não podem ser consideradas pneumáticos por serem constituídas de borracha endurecida, não podendo ser entendidas como material pneumático "pois não utilizam ar comprimido para sua estruturação". Transcreve nota 2 (O presente Capítulo não compreende:) d, do Capítulo 40 da TIPI, a qual dispõe que "as partes de borracha endurecida, para máquinas e aparelhos mecânicos ou elétricos, bem como todos os objetos ou partes de objeto de borracha endurecida, para uso eletrotécnico, da Seção XVI". E conclui: "partes e acessório de borracha endurecida para máquinas não estão compreendidas pelo capítulo 40". De outro turno, consigna que no Capítulo 84 há regra inversa "que abarca as partes e acessórios de borracha endurecida de máquinas (Nota 1 a, da Seção XVI): Conclui que tal regra é que motivou o enquadramento por si adotado. Na sequência, tece comentários acerca do Parecer Técnico do IPT em relação à medida de dureza dos materiais, para concluir com base naquele que a borracha que produz é "borracha endurecida", eis que a dureza é qualidade industrial crucial na produção da borracha. Afirma que todas as bandas limitadoras e bandas compactadoras que produz, "especialmente as Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.233 6 glosadas", possuem dureza entre 70 a 80 Shore A, conforme documentos que anexa (1 e 2), concluindo que "tratamse de materiais constituídos de borracha endurecida na ordem de 70 a 80 Shore A". 3 Que as bandas limitadoras e compactadoras "não se subsumem ao conceito técnicocientífico de material penumática". Acresce que o Laudo conclui que "as mercadorias glosadas não possuem natureza pneumática", o que a leva a concluir que "se as mercadorias não são material pneumático, por óbvio, não podem ser classificadas 'como pneumáticos novos de borracha'", e que por tal razão é incompatível a classificação fiscal 4011.92.90, adotada pelo Fisco, "uma vez que além das bandas serem feitas de borracha endurecida, não podem ser consideradas pneumáticas"; 4 Quanto ao condutor helicoidal, afirma tratarse de mercadorias fabricadas como partes e acessórios de máquinas agrícolas, com destinação específica, tendo o julgado a quo associado tal mercadoria aos produtos do gênero mola, "exclusivamente em virtude do fato de ser fabricado com a mesma matéria prima aço", e que por tal deveriam se enquadrar no Capítulo 73, das molas. Contesta essa conclusão ao argumento de que "é improcedente e desguarnecida de qualquer fundamentação técnicoindustrial que lhe dê respaldo", averbando que não se pode conceber "que o enquadramento na TIPI de determinada mercadoria seja feito em razão da coincidência de sua matéria prima com a de outra mercadoria", o que, a seu juízo, evidenciaria "a inconsistência da alteração da classificação feita pelo Fisco"; 4 No que diz respeito à haste coletora, refere que o acórdão recorrido afirmou que o formato da mercadoria seria de uma mola helicoidal se ligada a uma haste. No entanto, afirma: i "a haste coletora em si não é uma mola, não exerce função de mola nem tem flexibilidade de mola, portanto, não pode ser considerada uma mola"; ii "é absurda a decisão nesse ponto, pois visualiza a haste coletora acoplada a uma mola para considerála uma mola, quando na realidade se desacompanhada de qualquer artefato é meramente uma haste destinada a máquinas agrícolas". E conclui que "a ausência de fundamento válido e a vagueza do acórdão são as próprias razões do recurso aptas a infirmar o julgado e demonstrar a inconsistência da alteração da classificação fiscal das mercadorias". É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. Emerge do relatado, que o objeto dos autos é exigência de crédito tributário resultante da apuração de diferença de IPI por erro de classificação fiscal e/ou erro de alíquota, uma vez que todos os produtos fabricados pela contribuinte por ela classificados no código 8432.90.00 e reclassificados pela fiscalização para os códigos 4011.92.90 (Bandas de Compactação e Anéis de Borracha) e 7320.20.10 (Molas, Molas Helicoidais Agrícolas; Condutor Helicoidal e Haste Coletora). Valhome, também, da motivação da decisão recorrida, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei 9.784/99, para a conclusão a que chego ao final deste voto. Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.234 7 A contribuinte, em sua impugnação, afirma que seus produtos têm finalidade específica, para máquinas e equipamentos agrícolas, não é de uso geral e não podem ser classificados como pneumático, devendo, portanto, serem classificados como a própria máquina, mas adotou a classificação “84.32.9000 – Partes”, por considerála a mais correta. Consta do relatório fiscal que a recorrente adotou a classificação fiscal 8432.9000 para todos os seus produtos, independentemente de serem constituídos por materiais diferentes (borracha, aço). Consta ainda, com base nos catálogos e declarações apresentadas pela contribuinte, que as bandas de compactação e os anéis de borracha são artefatos de borracha utilizados em máquinas agrícolas enquadrados na posição 4011, enquanto os produtos molas helicoidais, condutor helicoidal e haste coletora classificamse na posição 7320 – molas e folhas de molas, de ferro ou aço. Consabido que o enquadramento de produtos na TIPI, baseada no Sistema Harmonizado (TEC/NCM/SH), obedece às regras específicas de classificação. São seis Regras Gerais de Interpretação (RGI) e uma Regra Geral Complementar (RGC), Notas de Seção, de Capítulo e de Subposição, bem como, utilizamse subsidiariamente as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), de forma que a cada mercadoria sempre corresponderá um único código correto para enquadramento na tabela de classificação, correspondendo a um indicativo da posição, subposição de 1º nível, subposição de 2º nível, item e subitem (08 dígitos). Com razão a r. decisão ao afirmar que os argumentos científicos que municiam laudos ou pereceres técnicos não prevalecem sobre as regras do Sistema Harmonizado, servindo apenas subsidiariamente para instruir o processo a ser examinado e decidido pela autoridade competente. Em resposta ao termo de início de fiscalização a contribuinte informa que produziu, em 2004, os produtos bandas compactadoras, anel de borracha (lingüiça), bandas limitadoras e molas helicoidais agrícolas, classificados no código 8432.90.00. Sobre o produto Banda Compactadora descreve que são bandas de borracha, flexíveis, trabalham murchas, possuem paredes finas, não tem câmaras de ar, e sua função é limitar a profundidade das sementes e compactar uma pequena camada do solo, por onde foi feito o plantio. Cada fabricante de plantadeiras e semeadeiras de grãos tem seu próprio design de bandas compactadoras e bandas limitadoras, resultando numa diversidade de modelos (fls. 1.120/1.123.). Informa o relatório fiscal (fl. 24), ademais, que a contribuinte já havia formalizado consulta sobre a classificação fiscal do produto Banda Compactadora e Limitadora de Profundidade para Plantadeira/Semeadeira de Grãos, mediante processo nº 10840.002017/200667, fls. 87 a 97, onde consta a descrição do mencionado produto: (...) IV Princípio e descrição do funcionamento; Ao iniciar o plantio, as Bandas compactadoras/Limitadoras entram em contato com o solo. Como são ocas e flexíveis; ao entrar em contato com o solo regulam a profundidade da semente e compactam a terra. Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.235 8 V Aplicação, uso ou emprego (incluindo a configuração de uso ou montagem e instalação, se for o caso; Usada em Plantadeiras e Semeadeiras de GRÃOS de todas as culturas. VI Forma de acoplamento ou ligação a motores, outras máquinas ou aparelhos, quando for o caso; Montada em dois semiaros, ficando entreposta por quatro parafusos. VII Dimensões e peso líquido; Peso mínimo de 0,500 kgs. e máximo de 8,0 kgs VIII Peso molecular, ponto de fusão e densidade do composto da Borracha 1,17 g/cm IX Forma e apresentação Cilíndrica com encaixe interno para fixar os semiaros X Matéria ou materiais de que é constituída a mercadoria e suas percentagens em peso ou em volume ou a configuração de fornecimento (componentes) no caso de máquinas, instrumentos ou aparelhos: Borracha Natural(geb 1) 50 phr Negro de Fumo ( vulcano 339) 35 phr Antioxidante; ( TMQ) 1.5 phr Antiozonante: (Parafina)1,5 phr Aceleradores (Mbts, Tmtd, Enxofre ) 4 phr XI Processo industrial detalhado de obtenção; As matériasprima são devidamente pesadas, conforme Phr's acima. Depois são misturadas. Dentro do banbury (misturador fechado) onde os componentes são agregados para gerar o composto. Em seguida para um misturador aberto para transformar em mantas. A seguir são conformados de acordo com o diâmetro e formato pelo processo de estrusão, em um equipamento denominado extrusora. Dentro de 40 minutos iniciase o processo de vulcanização , dentro de 15 minutos a Banda compactadora/Limitadora estará pronta para acabamento, embalagem e expedição. XII Classificação fiscal adotada e pretendida, com os correspondentes critérios utilizados; 8432.90.00. O despacho decisório da DIANA/SRRF/8ª RF nº 130, de 15/09/2006, fls. 104/105, que declarou ineficaz a referida consulta, observa, no entanto, que “a consulta não comporta dúvida razoável” e que “é descabida a pretensão da interessada de classificação na posição 8432 uma vez que a Nota 1 da Seção XVI, que engloba o Cap. 84, determina: “1. A presente Seção não compreende: a) as correias transportadoras ou de transmissão, de plásticos do Capítulo 39, as correias transportadoras ou de transmissão, de borracha vulcanizada (posição 40.10), bem como os artefatos Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.236 9 para usos técnicos, de borracha vulcanizada não endurecida (posição 40.16);" E as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da Seção XVI, em suas Considerações Gerais, esclarecem: "B) De um modo geral, a natureza da matéria constitutiva não altera a classificação na presente Seção. Na prática, esta Seção compreende principalmente os artefatos de metais comuns, engloba também artefatos de outras matérias, tais como bombas de plásticos e partes de plásticos, de madeira, de metais preciosos, etc. Constituem, todavia, exceção a esta regra: a) As correias transportadoras ou de transmissão, de plástico (Capitulo 39), bem como os artefatos de borracha vulcanizada não endurecida, tais como as correias transportadoras ou de transmissão (posição 40.10), os pneumáticos, as câmaras de ar e bandas de rodagem (posições 40.11 a 40.13) e os artefatos para usos técnicos, tais como discos, juntas, etc. (posição 40.16)" Vejase a classificação adotada pela recorrente (8432.90.00): CAPÍTULO 84 REATORES NUCLEARES, CALDEIRAS, MÁQUINAS, APARELHOS E INSTRUMENTOS MECÂNICOS, E SUAS PARTES 84.32 MÁQUINAS E APARELHOS DE USO AGRÍCOLA, HORTÍCOLA OU FLORESTAL, PARA PREPARAÇÃO OU TRABALHO DO SOLO OU PARA CULTURA; ROLOS PARA GRAMADOS (RELVADOS), OU PARA CAMPOS DE ESPORTE 8432.90.00 Partes Já a fiscalização entende que as mercadorias bandas de compactação e anéis de borracha devam ser classificadas no código NCM 4011.92.90 CAPÍTULO 40 BORRACHA E SUAS OBRAS 40.11 PNEUMÁTICOS NOVOS DE BORRACHA 4011.9 Outros 4011.92 Dos tipos utilizados em veículos e máquinas agrícolas ou florestais 4011.92.90 Outros Já as molas, molas helicoidais agrícolas, condutor helicoidal e haste coletora, entende o Fisco que devam ser classificados na NCM 7320.20.10. CAPÍTULO 73 OBRAS DE FERRO FUNDIDO, FERRO OU AÇO 73.20 MOLAS E FOLHAS DE MOLAS, DE FERRO OU AÇO Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.237 10 7320.20 Molas helicoidais 7320.20.10 Cilíndricas Como descrito no relatório fiscal, os produtos fabricados pela contribuinte poderiam ser classificados na posição correspondente às próprias máquinas, desde que não estivessem no grupo de mercadorias excluídas no item I da Nota Explicativa da Seção XVI, que abrange os Capítulos 84 e 85: "NOTAS EXPLICATIVAS DA SEÇÃO XVI 1 ALCANCE GERAL DA SEÇÃO A) Ressalvadas as exclusões previstas nas Notas Legais da presente Seção e dos Capítulos 84 e 85 e das relativas a certos artefatos incluídos mais especificamente em outros Capítulos, a presente Seção compreende, nos seus dois Capítulos, o conjunto das máquinas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e diversos materiais mecânicos ou elétricos; compreende, ainda, certos aparelhos que podem não ser nem mecânicos nem elétricos, tais como caldeiras e seus aparelhos auxiliares, aparelhos para filtração ou depuração, etc. Classificamse também nesta Seção, com as mesmas ressalvas acima mencionadas, as partes das máquinas, máquinasferramentas, aparelhos, dispositivos, instrumentos e materiais diversos nela compreendidos. Excluemse da presente Seção, entre outros: (...) b) As partes e acessórios de uso geral, na acepção da Nota 2 da Seção XV, tais como os artefatos de ferro fundido, ferro ou aço das posições 73.12 (cabos, etc), 73.15 (correntes), 73.18 (parafusos e porcas, etc), 73.20 (molas) e artefatos semelhantes de outros metais comuns (Capítulos 74 a 76 e 78 a 81), as fechaduras da posição 83.01, as guarnições, ferragens e artefatos semelhantes da posição 83.02, para portas, janelas, etc. Excluemse igualmente da presente Seção os artigos semelhantes de plásticos (Capítulo 39). B) De um modo geral, a natureza da matéria constitutiva não altera a classificação na presente Seção. Na prática, esta Seção compreende principalmente os artefatos de metais comuns, mas engloba também artefatos de outras matérias, tais como bombas de plásticos e partes de plásticos, de madeira, de metais preciosos, etc. (...) Constituem, todavia, exceção a esta regra: a) As correias transportadoras ou de transmissão, de plástico (Capítulo 39), bem como os artefatos de borracha vulcanizada não endurecida, tais como as correias transportadoras ou de transmissão (posição 40.10), os pneumáticos, as câmaras de ar e Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.238 11 bandas de rodagem (posições 40.11 a 40.13) e os artefatos para usos técnicos, tais como discos, juntas, etc. (posição 40.16). Assim, considerandose as características dos produtos Bandas de Compactação e os Anéis de Borracha e as regras do sistema harmonizado de classificação de mercadorias, concluise que os produtos referidos se enquadram na posição 4011– Pneumáticos Novos de Borracha. As Notas Explicativas, da referida posição 4011, descreve os produtos ali incluídos, conforme dispõe a página 767 da IN SRF n° 157/2002: "Os artigos aqui incluídos são destinados a equipar as rodas de veículos e de veículos aéreos de qualquer espécie, bem como as rodas e rodinhas de brinquedos, de máquinas, material de artilharia, etc. Podem encontrarse ou não providos de câmara de ar." Portanto, o fato de a borracha ser endurecida e obtida por vulcanização, por si só não a exclui dessa posição. Assim, considerando que os mencionados produtos são dos tipos utilizados em máquinas agrícolas com diâmetro menor que 38,10 cm, concluise que a fiscalização reclassificou corretamente os referidos produtos (Bandas de Compactação e os Anéis de Borracha) no código NCM/SH 4011.92.90. Em relação aos produtos Molas Helicoidais Agrícolas, Condutor Helicoidal e Haste Coletora reclassificados da posição 8432 para a posição 7320, em função das características dos produtos, que foram descritas detalhadamente no termo de verificação fiscal nos seguintes termos: 1. Molas helicoidais agrícolas: São usadas para pressionar a vareta de regulagem dos carinhos das bandas de profundidade... com o objetivo de garantir uma maior pressão sem perder o curso necessário para o plantio em diversos tipos de solo. Foi apresentada, pela contribuinte fiscalizada, a Relação de Insumos Utilizados nas fabricação das Molas Helicoidais (fl. 1139): ARAMES DE AÇO SAE 1070. Observase nos catálogos apresentados (fls. 1136 a 1139), que as molas produzidas apresentam as seguintes características principais: são helicoidais de pressão e torção. Conforme visto nos supracitados itens 15 e 16, as Notas Explicativas da Seção XVI excluem as molas (73.20) da referida Seção, portanto não havendo qualquer possibilidade de classificálas em 8432.90.00. Conforme catálogos apresentados pela fiscalizada, todas as molas produzidas e vendidas são constituídas do material aço, são helicoidais e possuem forma cilíndrica. 2. Condutor Helicoidal: Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.239 12 Os condutores helicoidais tem a finalidade de dosar o adubo nas plantadeiras. É derivado das molas, por ser confeccionado do mesmo material, Aço SAE 1080, ou DIN 17223. Observando a figura ilustrativa à folha 1752, constatase que o formato é realmente de uma mola helicoidal, inclusive com distância entre as faces paralelas(passo) de 25 mm. 3. Haste Coletora: "Proporciona espalhamento e enfileiramento perfeitos, graças a ação do eficiente sistemas de molas horizontais. Trabalha por força centrífuga, reduz os efeitos do vento e possui capacidade perfeita de adaptação ao solo." Observando a figura ilustrativa à folha 1753, constatase que seu formato é realmente de uma mola helicoidal ligada a uma haste reta. As molas podem encontrarse providas de braçadeiras (sobretudo as molas de folhas), de pinos ou pernos e de outros dispositivos de ligação." No presente caso, o dispositivo de ligação à mola é exatamente a haste reta. Estreme de dúvida que os referidos produtos não poderiam ser classificados como partes de máquinas agrícolas, posição 8432, pois as Notas Explicativas da Seção XVI excluem as molas (73.20) da referida Seção, portanto não havendo qualquer possibilidade de classificálas em 8432.9000: Excluemse da presente Seção, entre outros: (...) b) As partes e acessórios de uso geral, na acepção da Nota 2 da Seção XV, tais como os artefatos de ferro fundido, ferro ou aço das posições 73.12 (cabos, etc),73.15 (correntes), 73.18 (parafusos e porcas, etc), 73.20 (molas) e artefatos semelhantes de outros metais comuns (Capítulos 74 a 76 e 78 a 81), as fechaduras da posição 83.01, as guarnições, ferragens e artefatos semelhantes daposição 83.02, para portas, janelas, etc. Excluemse igualmente da presente Seção os artigos semelhantes de plásticos (Capítulo 39). De sua feita, na Nota Explicativa da Posição 7320 as molas de aço ou ferro são incluídas nesta posição, conforme disposto na IN SRF nº 157, de 2002: "Incluemse na presente posição as molas de ferro ou aço de qualquer espécie, dimensão ou aplicação, exceto as molas para relógio da posição 91.14." Ante o exposto e considerando as características dos mencionados produtos e as regras do sistema harmonizado de classificação de mercadorias, concluise que a fiscalização reclassificou corretamente os referidos produtos (Molas Helicoidais Agrícolas, Condutor Helicoidal e Haste Coletora) no código NCM/SH 7320.20.10. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 15956.000211/200713 Acórdão n.º 3402004.760 S3C4T2 Fl. 2.240 13 CONCLUSÃO Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 2240DF CARF MF
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