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Numero do processo: 10725.720811/2016-84
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO. INOBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA DE CONSEQUÊNCIA/SANÇÃO.
Não há qualquer lei aplicável ao processo administrativo fiscal que estabeleça sanção em razão do descumprimento da razoável duração do processo, assim como, não há qualquer fundamento legal que embase a extinção do processo em razão da demora em seu julgamento.
SÚMULA CARF Nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. FLEXIBILIZAÇÃO.
Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (PARECER PGFN/CAT/Nº 591, de 17 de abril de 2014).
PROVA. ADMISSÃO. RESTITUIÇÃO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Em se tratando de compensação/restituição, pode-se flexibilizar a preclusão no que refere a apresentação de provas, no intuito de demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributários, em vista do disposto no art. 170 do Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional - CTN.
A admissão de provas, ainda que apresentadas somente em fase recursal, mostra-se razoável, ao passo em que se pretende comprovar direito subjetivo de que é titular o Sujeito Passivo, desde que estabelecida a correlação das provas apresentadas (defesa) com a pertinência ao debate inaugurado no litígio (contraditório).
Numero da decisão: 1003-004.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, rejeitando a preliminar suscitada, e no mérito, sob pena de supressão de instância e em razão da necessidade de exame da prova dos autos, devolver o processo à Unidade de Origem para análise do caso à luz da legislação aplicável e provas documentais, devendo o rito processual ser retomado desde o início.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: MARCIO AVITO RIBEIRO FARIA
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INOBSERVÂNCIA. AUSÊNCIA DE CONSEQUÊNCIA/SANÇÃO. Não há qualquer lei aplicável ao processo administrativo fiscal que estabeleça sanção em razão do descumprimento da razoável duração do processo, assim como, não há qualquer fundamento legal que embase a extinção do processo em razão da demora em seu julgamento. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. FLEXIBILIZAÇÃO. Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (PARECER PGFN/CAT/Nº 591, de 17 de abril de 2014). PROVA. ADMISSÃO. RESTITUIÇÃO. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Em se tratando de compensação/restituição, pode-se flexibilizar a preclusão no que refere a apresentação de provas, no intuito de demonstrar a certeza e liquidez do crédito tributários, em vista do disposto no art. 170 do Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional - CTN. A admissão de provas, ainda que apresentadas somente em fase recursal, mostra-se razoável, ao passo em que se pretende comprovar direito subjetivo de que é titular o Sujeito Passivo, desde que estabelecida a correlação das provas apresentadas (defesa) com a pertinência ao debate inaugurado no litígio (contraditório). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, rejeitando a preliminar suscitada, e no mérito, sob pena de supressão de instância e em razão da necessidade de exame da prova dos autos, devolver o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 08 11 /2 01 6- 84 Fl. 60DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 processo à Unidade de Origem para análise do caso à luz da legislação aplicável e provas documentais, devendo o rito processual ser retomado desde o início. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Gustavo de Oliveira Machado e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão, nº 106-002.728 (fls. 21/24), proferido pela 9ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 06, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação. O litigio foi instaurado com a apresentação tempestiva de Impugnação contra Notificação de Lançamento – NL (fls. 4/7), referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2013, ano-calendário 2012. O crédito tributário apurado foi assim constituído: Na descrição dos fatos e enquadramento legal da referida notificação, a infração apurada foi, em síntese, assim descrita: 1) Omissão de Rendimentos Recebido de Pessoa Jurídica (Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício ou de Aposentadoria ou Pensão): constatou-se omissão de rendimentos no total de R$ 53.716,27 recebidos de Agrisa Agroindustrial São João. Em sede de Impugnação afirmou que o valor lançado refere-se aos 60% dos rendimentos que seriam isentos uma vez que seriam provenientes do transporte autônomo de carga. Fl. 61DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 A d. DRJ esclareceu que a legislação exige os requisitos comprobatórios, condição indispensável para seu acolhimento, sendo que apenas Comprovante de Rendimentos enviado pela fonte pagadora (folha 08), não seria hábil para comprovação: Pra que se usufrua da isenção em comento, a legislação exige os requisitos comprobatórios citados acima. Sob o aspecto tributário, a isenção de parte do rendimento têm por efeito reduzir a base de cálculo do tributo, daí a razão por que a comprovação documental é condição indispensável para seu acolhimento. Ao sujeito passivo cabe apresentar todos os documentos necessários que demonstrem a efetividade do direito alegado. Para comprovação, o contribuinte apresenta apenas o Comprovante de Rendimentos enviado pela fonte pagadora (folha 08). Não houve a comprovação dos requisitos exigidos na legislação para que se possa considerar a isenção pleiteada. Dessa forma, manteve-se o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Regularmente cientificado, por via postal, em 7.1.2021, conforme AR dos correios, à fl. 27, enviou seu Recurso Voluntário, pelos correios em 5.2.2021 (conforme envelope de postagem de fl. 36), assim sintetizado (fls. 31/35 e anexos): Em sede de preliminar o Recorrente defendeu o reconhecimento da prescrição intercorrente, “...afinal o julgamento durou cerca de 7 anos para acontecer”, requerendo que fosse declarada a prescrição da ação punitiva da Administração Pública Federal, com fundamento nas legislações apontadas. No mérito, o Recorrente afirmou que seria proprietário do caminhão Mercedes/EL-2318 placa KFM 6798, conforme comprovantes anexados, portanto cumpriria o requisito de ter o veículo para prestar o serviço de transporte de cana, estando as condições para aplicação da tributação na forma do art. 47 do RIR/99 cumpridas. Noticiou que a propriedade do caminhão teria constado na declaração de imposto de renda. Sustentou também ser motorista de caminhão, não possuir frota e nem empregados, “...conforme se pode observar na sua declaração de imposto de renda”. Segundo o Recorrente os fretes eram feitos por ele próprio, “...que cuidava pessoalmente da embarcação da mesma no caminhão e dirigia até a entrega no local determinado pela Usina, conforme fora contratado para fazer” e, que, “Qualquer alegação divergente neste sentido, deve ser provada por quem alega, afinal, e impossível produzir prova negativa do trabalho”. Afirmou que na relação de trabalho se pressupõe: se houve pagamento é porque houve prestação do serviço. Ademais, asseverou que ao final de cada nota fiscal emitida consta seu nome como motorista, ou seja, concluindo que o próprio contribuinte proprietário do veículo era o transportador da cana. Fl. 62DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 Ao final, pugnou pelo conhecimento da preliminar para declarar a prescrição na forma do art. 12, §1º da Lei 9.873/1999, e, no mérito, a reforma da decisão recorrida com base nas provas e alegações de mérito apresentadas, “nas quais constam que o contribuinte recorrente era o proprietário do caminhão utilizado no transporte de cana e que prestava pessoalmente o serviço, não possuindo sócio e nem possuindo mão de obra especializada para ajudá-lo no serviço”. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. Submete-se à apreciação desta Turma de Julgamento o recurso voluntário oferecido pela contribuinte ALENCAR NASCIMENTO PINTO. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal – PAF, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional – CTN. Assim, dele toma-se conhecimento. Conforme princípio de adstrição do julgador aos limites da lide, a atividade judicante está constrita ao exame do mérito da exigência do IRPF suplementar, ano-calendário de 2011, em relação à omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, no valor de R$ 33.559,79 (art. 15, art. 141 e art. 492 do Código de Processo Civil, que se aplica supletiva e subsidiariamente ao PAF). Pois bem. DA PRELIMINAR O Recorrente defendeu a ocorrência de prescrição intercorrente, contudo, em que pese o seu esforço argumentativo, não lhe assiste razão. Vejamos. É entendimento pacificado no âmbito deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF que a prescrição intercorrente não se aplica no processo administrativo fiscal, a teor da Súmula nº 11, Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A aplicação da Súmula em destaque, além de vinculante, é de observância obrigatória, nos termos do art. 123 1 do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. 1 Art. 123. A jurisprudência assentada pelo CARF será compendiada em Súmula de Jurisprudência do CARF. Fl. 63DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 Por sua vez, a Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, no Capítulo II estabelece as atribuições da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional da seguinte forma: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Contudo, o princípio da especialidade revela que a norma especial afasta a incidência da norma geral (§ 2º do art. 2º do Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 – Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro). O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1973, regula especificamente o processo administrativo fiscal e foi recepcionado como lei ordinária pelo inciso I do art. 22 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Esta é a legislação processual a ser aplicada no presente caso. Assim, ficam afastadas as alegação de prescrição intercorrente e as determinações constantes no art. 24 da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. DO MÉRITO O Recorrente defendeu que todo o rendimento, por ele auferido, constante da sua Declaração de Imposto de Renda (ano 2012), seria fruto de serviços de transporte de cana de açúcar realizados para a empresa Agrisa - Agro Industrial São João S/A. Para comprovar a sua defesa carreou aos autos documento de propriedade de veiculo (caminhão) utilizado na prestação do serviço Mercedes/EL-2318, placa KFM6798. Juntou as Notas fiscais da prestação dos serviços (08, 09, 10,11,12,13,14,15,16 e 17), comprovante de recolhimento do IPVA do caminhão Mercedes PLACA KFM-6798; o DUT de compra do caminhão Mercedes PLACA KFM-6798; o Contrato de financiamento do caminhão Mercedes PLACA KFM-6798. Para o Recorrente todos os elementos trazidos aos autos demonstrariam o cumprimento das condições para aplicação da tributação na forma do art. 47 do RIR/99. Afirmou categoricamente ser o motorista de caminhão, não possuir frota e nem empregados e que os fretes eram feitos por ele próprio, “que cuidava pessoalmente da embarcação da mesma no caminhão e dirigia até a entrega no local determinado pela Usina, conforme fora contratado para fazer” e, que, “Qualquer alegação divergente neste sentido, deve ser provada por quem alega, afinal, e impossível produzir prova negativa do trabalho”. A d. DRJ, por sua vez, manteve a autuação ante a ausência de prova documental indispensável para seu acolhimento (embora tenha analisado as provas trazidas pelo ora Recorrente): § 1º Compete ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais a edição de enunciado de súmula quando se tratar de matéria que, por sua natureza, for de competência de todas as Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais. § 2º As turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais poderão aprovar enunciado de súmula que trate de matéria concernente à sua competência. § 3º A súmula entrará em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. § 4º As Súmula de Jurisprudência do CARF deverão ser observadas nas decisões dos órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 64DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 Para comprovação, o contribuinte apresenta apenas o Comprovante de Rendimentos enviado pela fonte pagadora (folha 08). Não houve a comprovação dos requisitos exigidos na legislação para que se possa considerar a isenção pleiteada. Pois bem. Vejamos o que nos diz a legislação de regência (art. 47, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, que regulamentou a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza – RIR/99): Art. 47. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º): I - quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga; II - sessenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de passageiros. § 1º O percentual referido no inciso I aplica-se também sobre o rendimento total da prestação de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º, parágrafo único). § 2º O percentual referido nos incisos I e II constitui o mínimo a ser considerado como rendimento tributável. No caso dos autos (prestação de serviços de transporte), a norma exige, para que sejam tributáveis os rendimentos, no percentual (Lei nº 7.713, de 1988, art. 9º) de quarenta por cento do total, tão-somente que a prestação do serviço seja feita em veículo próprio, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária. Nesta toada, foram juntados, em sede de Impugnação, a Declaração de Ajuste Anual – DAA do ora Recorrente, onde consta à fl. 14 a declaração do Caminhão, bem como o comprovante de rendimentos tributáveis de trabalho sem vinculo empregatício (fl. 8). Os demais documentos comprobatórios foram juntados somente em sede recursal, sendo que o conjunto probatório produzido nos autos busca demonstrar que os serviços teriam sido prestados pelo proprietário do veiculo (nas condições imposta pela legislação), garantido, em tese, o direito à tributação de quarenta por cento do rendimento total. Vejamos que a legislação de regência exige condições mínimas para a fruição da redução na base de cálculo, que, conforme destacado no r. acórdão, não teriam sido comprovadas em sede de impugnação. In casu, como parte dos documentos comprobatórios somente foram trazidos aos autos em sede recursal, a decisão final passa, necessariamente, pela aceitação da documentação comprobatória juntada nesta fase processual. Como é sabido o PAF 2 , no art. 16, §§ 4º e 5º, rigorosamente admite a juntada de provas e documentos em momento posterior a impugnação nos casos em que a) ficar 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 65DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, b) refira-se a fato ou a direito superveniente; e; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Contudo, a admissão de provas apresentadas após a Impugnação/ Manifestação de Inconformidade vem sendo objeto de muitos debates, conquanto sem jurisprudência consolidada/pacificada no âmbito deste e. CARF 3 , vejamos (grifo nosso): Desse modo, limitar a produção probatória em âmbito administrativo, de forma absoluta e estanque, pode trazer inúmeros prejuízos à correta aplicação da legislação tributária unicamente em razão de deficiente instrução do processo administrativo, o que não parece se coadunar com o direito fundamental à prova e ao devido processo legal (pg. 12). Não por outra razão – e em boa hora – vêm surgindo decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), forte na aplicação do artigo 38 da Lei nº 9.784/19993, que mitigam a rigidez do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972 para possibilitar a juntada de documentos após a apresentação da impugnação, homenageando, desta feita, o direito fundamental à prova (pg. 12). (...) Embora o entendimento ainda não tenha sido sedimentado como posição dominante no CARF, à vista de outros tantos julgados que aplicam as regras legais sem maiores ponderações, inclusive apontando expressamente a preclusão, é louvável que, no âmbito administrativo, busque-se reconhecer a necessidade de superar padrões legais rígidos e possibilitar ao contribuinte a adequada produção probatória, conferindo às rígidas regras do Decreto nº 70.235/1972 interpretações consentâneas com o direito fundamental à prova (pg. 13). No campo doutrinário o tema está sempre em voga, a discussão remete à necessidade de flexibilização da norma para a devida aderência do processo administrativo ao princípio da verdade material nas palavras de Leandro Paulsen 4 , A prova documental deve ser apresentada já com a impugnação, sob pena de preclusão, salvas as hipóteses de força maior, fato ou direito superveniente, ou, ainda, contraposição a fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Porém, tendo em conta que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material, cabe ao Fisco reconhecer eventual nulidade ou excesso, inclusive para evitar que tal se dê mediante ação judicial com encargos sucumbenciais. Ademais, pode ser determinada, inclusive de ofício, a realização de provas para a elucidação dos fatos. Tenha-se em conta, ainda, que os documentos que dizem respeito ao cumprimento de obrigações são do conhecimento de ambas as partes. Tudo isso justifica que a autoridade leve em consideração documentação acostada posteriormente à impugnação. Não é por outra razão que o art. 3º, III, da Lei 9.784/99, que cuida do processo § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 In, Estudos Tributários e Aduaneiros do V Seminário CARF / Brasil. Ministério da Economia. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Coordenação de Marcus Lívio Gomes, Francisco Marconi de Oliveira e Alexandre Evaristo Pinto. Brasília: CARF, 2020. 4 Paulsen, Leandro. Curso de direito tributário: completo. 4. ed. rev. atual. e ampl. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2012. Fl. 66DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 administrativo em geral, autoriza expressamente a consideração da documentação acostada até o momento do julgamento. Neste cenário, a aplicação literal do PAF vem ganhando outros contornos, a partir da aplicação conjunta do direito fundamental à prova, ao devido processo legal, e, principalmente, do principio da Verdade Material, a exemplo do PARECER PGFN/CAT/Nº 591, de 17 de abril de 2014 5 : Não se pode perder de vista que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Desse modo, respondendo a consulta formulada pelas Procuradorias Regionais da 3ª e 4ª Regiões, quanto a necessidade de correção do lançamento, entendemos que a melhor interpretação quanto à correção do erro no lançamento previsto no Art. 149, Inciso VIII do CTN, em função de fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, é de que esse erro deve ser entendido em sua concepção mais ampla, relativa ao fato como um todo que ensejou a incidência, incluindo aquele decorrente da não apresentação tempestiva de documentos legítimos que alterem o montante devido, devendo a administração promover a correção do erro, ainda que tenha sido ocasionado pelo administrado (grifo nosso). Vejamos que o Recurso Voluntário passa ao largo de ser uma revisão de ofício, porém, há que admitir que a flexibilização na interpretação do citado dispositivo do PAF, em conjunto com as disposições contidas no CTN, nos princípios, na Lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (Lei nº 9.784/1999, em seu art. 38), no Código de Processo Civil de 2015, estaria mais consentânea com o ordenamento jurídico vigente, conquanto ainda não ocorrido o exaurimento das possibilidades legais de alteração do lançamento, “dando-se maior amplitude ao direito fundamental à prova”, com a consequente “redução de custos, litígios e repetição de atos desnecessários em juízo 6 ”. Não se pode perder de vista, a rigor do PAF, que o julgador não pode se furtar de colher os elementos necessários a formação do seu juízo de valor (art. 18 do PAF 7 ). A premissa é de que “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção” (art. 29 do PAF 8 ), tal dispositivo foi regulamentado pelo Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, assim determinado (art. 63): Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36 ( Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 29 e 18, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). 5 http://dados.pgfn.fazenda.gov.br/dataset/pareceres/resource/5912014 6 In, Estudos Tributários e Aduaneiros do V Seminário CARF / Brasil. Ministério da Economia. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Coordenação de Marcus Lívio Gomes, Francisco Marconi de Oliveira e Alexandre Evaristo Pinto. Brasília: CARF, 2020 (pg. 19). 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) 8 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 67DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-004.351 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10725.720811/2016-84 Ora, se ao julgador é permitido requerer a produção das provas que julgar importante, deve-se concluir que as provas juntadas pelas partes e que se relacionam com o lançamento podem ser conhecidas se essenciais à formação da sua convicção. Os documentos juntados, pelo Recorrente, trazem para o debate a comprovação de que restariam cumpridos todos os requisitos previstos no art. 47, do RIR/99, para a redução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, sendo, razoável sua admissão, ao passo em que se pretende comprovar direito subjetivo de que é titular o Recorrente, mesmo que apresentados somente em fase recursal, e, principalmente, quando estabelecida a correlação das provas apresentadas (defesa) com a pertinência ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela. Nesse caminhar, em se tratando de compensação/restituição, a flexibilização da preclusão, no que refere a apresentação de provas, visa dar condições para que o Recorrente demonstre a certeza e liquidez do crédito tributário (imposto a restituir), em vista do disposto no art. 170 do CTN 9 . Nessas condições, sob pena de supressão de instância e em razão da necessidade de exame da prova dos autos, o processo deve retornar à Unidade de Origem para análise do caso à luz da legislação aplicável e provas documentais. Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos da fundamentação. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria 9 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 68DF CARF MF Original
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Numero do processo: 12219.000068/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2005
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento de defesa quando nos autos se encontram a descrição dos fatos, o enquadramento legal e todos os elementos que permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive na forma da Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme a modalidade de lançamento.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. SÚMULA CARF Nº 148.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN (Súmula CARF nº 148).
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. REFLEXOS DO PROCESSO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
Deve ser excluída da base de cálculo da multa a parcela da contribuição previdenciária (obrigação principal) cuja cobrança foi julgada improcedente, exceto em relação à decadência.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL-68). APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória aludida no artigo 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212 de 1991, a aplicação da retroatividade benigna dá-se a partir da comparação da multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68) com aquela prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212 de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009.
Numero da decisão: 2201-011.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (i) reconhecer a decadência dos lançamentos das competências até 11/1999, inclusive; (ii) aplicar os reflexos decorrentes das desonerações das obrigações principais, com exceção da decadência; iii) aplicar a retroatividade benigna, mediante a comparação entre a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, com a que seria devida a partir do art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/91.
(documento assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2005 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento de defesa quando nos autos se encontram a descrição dos fatos, o enquadramento legal e todos os elementos que permitem ao contribuinte exercer seu pleno direito de defesa. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive na forma da Súmula Vinculante nº 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme a modalidade de lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, CTN. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN (Súmula CARF nº 148). OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. REFLEXOS DO PROCESSO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 21 9. 00 00 68 /2 00 9- 69 Fl. 496DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 Deve ser excluída da base de cálculo da multa a parcela da contribuição previdenciária (obrigação principal) cuja cobrança foi julgada improcedente, exceto em relação à decadência. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA (CFL- 68). APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Em relação à multa por descumprimento de obrigação acessória aludida no artigo 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, da Lei nº 8.212 de 1991, a aplicação da retroatividade benigna dá-se a partir da comparação da multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 68) com aquela prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212 de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941 de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (i) reconhecer a decadência dos lançamentos das competências até 11/1999, inclusive; (ii) aplicar os reflexos decorrentes das desonerações das obrigações principais, com exceção da decadência; iii) aplicar a retroatividade benigna, mediante a comparação entre a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, com a que seria devida a partir do art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/91. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Francisco Nogueira Guarita, Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Thiago Alvares Feital e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face da Decisão-Notificação da Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas/SP (fls. 411/417), a qual, julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado contra a contribuinte acima identificada auto de infração, por ter deixado de informar corretamente as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIPs. As referidas guias foram apresentadas com informações incompletas ou omissas, em relação às competências 01/1999 a 05/2005. Foi informado que a autuada não incorreu em nenhuma circunstância agravante. A multa aplicada foi a mínima prevista no § 5º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, regulamentada pelos artigos 284, II, e 373 do Regulamento da Previdência Social, atualizada pela Portaria MPAS nº 822/2005, correspondendo a R$ 52.768,39. Fl. 497DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte contestou o lançamento, com as seguintes alegações, em breve síntese: O relatório fiscal é omisso e lacunoso, tolhendo o direito de ampla defesa. Restou violado o artigo 50, II, da Lei nº 9.784/99, ante a inobservância aos princípios da legalidade e finalidade. Foi efetuada a devida correção da falta, devendo a multa ser relevada. Em face do pedido de relevação da multa, foi efetuada diligência fiscal, que concluiu que ocorreu correção parcial da falta em relação aos valores pagos aos contribuintes individuais. A Delegacia Previdenciária em Campinas/SP julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, cuja decisão foi assim ementada (fls. 411/417): PREVIDÊNCIA SOCIAL. GFIP INCORRETA. AUTO DE INFRAÇÃO. A informação incompleta ou omissa, através da GFIP/GRFP, em relação a fatos geradores de contribuições previdenciárias, constitui infração à legislação previdenciária. A decisão de primeira instância relevou parte da multa em relação ao período de 03/1999 a 06/2001, tendo em vista a inexistência de agravante e a correção parcial da falta, reduzindo-a ao valor de R$ 46.188,79. Cientificada dessa decisão em 22/12/2005, por via postal (A.R. de fl. 419), a Contribuinte apresentou, em 23/01/2006 (segunda-feira), o Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CPRS) de fls. 420/430, alegando, de início, a prescrição dos créditos tributários do período de 01/1999 a 06/2000, e repisando as alegações da Impugnação quanto ao cerceamento de defesa. Consoante despacho de fls. 436/437, os autos foram encaminhados à Procuradoria Geral Federal, para inscrição dos créditos na dívida ativa, tendo em vista a ausência do depósito recursal. Em virtude de decisão judicial favorável à Contribuinte, ocorreu baixa na inscrição da dívida ativa e os autos retornaram à Receita Federal do Brasil para dar prosseguimento ao julgamento do recurso administrativo (despacho de fl. 489). Posteriormente, o processo foi encaminhado ao CARF e foi sorteado a este Relator, para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Fl. 498DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a Recorrente cerceamento do direito de defesa, sob o argumento de que o relatório fiscal é resumido e lacunoso, deixando de consignar a modalidade de apuração da base de cálculo e omitindo o fato gerador do tributo. Não cabe razão à Recorrente. Verifica-se que, no Auto de Infração (fl. 2) e no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 15), encontram-se os dispositivos legais da multa aplicada, de forma clara e completa, permitindo a perfeita compreensão dos fatos geradores, bem como da capitulação legal à qual se refere. Ademais, o relatório Fiscal e planilhas anexas (fls. 14/38) demonstram com clareza os valores apurados. Cabe esclarecer que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. O art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa. O relatório fiscal, além de conter a descrição dos fatos que são imputados ao sujeito passivo, expõe de forma clara e objetiva os elementos que levaram a Fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos geradores do tributo. A Fiscalização motivou o ato de lançamento e descreveu os elementos comprobatórios da ocorrência dos fatos jurídicos, assim como das circunstâncias em que foram verificados, respaldando, por conseguinte, o nascimento da relação jurídica por meio das provas. Ademais, os anexos que acompanham o relatório fiscal possibilitam ao fiscalizado o exercício do direito à defesa e ao contraditório, consoante previsão da Constituição Federal. Tais documentos de apoio estão organizados por competência e fato gerador, contendo todas as informações necessárias à perfeita compreensão da autuação. Fl. 499DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 O ato administrativo foi adequadamente motivado, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, conforme exigido pelos incisos III e IV do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, e pelo art. 142 do CTN, de modo que proporcionou ao sujeito passivo a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos que invoca como fundamento à sua pretensão recursal. Diferentemente do alegado, os fatos foram descritos corretamente no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, assim como foram mencionadas as disposições legais infringidas. Também não se identificou violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente, o autuado foi devidamente qualificado, foram mencionados os dispositivos legais infringidos e as penalidades aplicáveis, foram discriminados os valores da exigência fiscal, assim como o conteúdo da autuação está especificado no relatório fiscal e seus anexos. Em resumo, encontram-se satisfeitos todos os requisitos legais. Observa-se, ainda, que foi concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito de defesa, tendo todos eles apresentado impugnação ao lançamento, exercendo o seu direito ao contraditório. O sujeito passivo autuado revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, cuja impugnação e recurso voluntário contestaram o lançamento. Logo, ausentes os vícios quanto aos pressupostos e elementos do ato administrativo, afasta-se a preliminar de nulidade do lançamento fiscal. DECADÊNCIA Cabe aqui analisar a questão da decadência, pois o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada no D.O.U. de 20/06/2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5° do Decreto-Lei n° 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. De acordo com a Lei 11.417/2006, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Fl. 500DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Assim, a nova súmula alcança todos os créditos pendentes de pagamento e constituídos após o lapso temporal de cinco anos previsto no CTN. O Superior Tribunal de Justiça, nos autos do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática dos recursos especiais repetitivos representativos de controvérsia (art. 543-C, do CPC/73), fixou o entendimento no sentido de que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se: a) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando a lei prevê o pagamento antecipado, mas ele inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte; b) A partir da ocorrência do fato gerador, nos casos em que ocorre o pagamento antecipado previsto em lei. Dessa forma, a regra contida no artigo 150, § 4°, do CTN, é regra especial, aplicável apenas nos casos em que se trata de lançamento por homologação, com antecipação de pagamento, de modo que, nos demais casos, estando ausente a antecipação de pagamento ou mesmo havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, a regra aplicável é a prevista no artigo 173, I, do CTN. No presenta caso, como se trata de descumprimento de obrigação acessória previdenciária, aplica-se a regra do artigo 173, I, CTN, conforme Súmula CARF nº 148, transcrita a seguir: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Para as competências até 11/1999, aplicando-se a regra do art. 173, I, do CTN, inicia-se a contagem do prazo decadencial em 1º/01/2000, indo até 31/12/2004. Como a ciência do lançamento fiscal se deu em 20/07/2005 (fl. 2), restam decaídos os lançamentos relativos aos fatos geradores até a competência 11/1999, inclusive. REFLEXOS DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS No presente caso, relativo à multa CFL-68, há uma nítida correlação entre a existência da obrigação principal e a exigência da obrigação acessória, pois tal multa só é aplicável sobre aqueles fatos geradores das contribuições previdenciárias que deixaram de ser incluídos em GFIP; se eles já foram incluídos em GFIP (mesmo sem pagamento da contribuição) ou se chegar à conclusão de que determinados valores não são fatos geradores de obrigações previdenciárias não há que se falar em aplicação da multa CFL 68, pois não havia obrigação de incluí-los em GFIP. Logo, existe identidade entre a base de cálculo do lançamento das obrigações principais e o lançamento por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, o montante do tributo não declarado em GFIP. Desse modo, o entendimento dado às obrigações principais deve, necessariamente, ser aplicado a esse auto de infração, que envolve a multa por descumprimento Fl. 501DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 de obrigação acessória sobre os mesmos fatos. Ou seja, sendo reconhecida a improcedência da base de cálculo da obrigação principal, é imperioso reconhecer a improcedência da base de cálculo deste, pois os débitos são intimamente relacionados. Portanto, deve-se aplicar, em relação à multa CFL-68, os reflexos decorrentes das desonerações das obrigações principais, com exceção da decadência, quais sejam: pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho (competências 03/2000 a 05/2005) – processo nº 12219.000075/2009-61. RETROATIVIDADE BENIGNA Sobre a aplicação da retroatividade benigna, no caso específico de lançamentos associados por descumprimento de obrigação principal e acessória a manifestação reiterada dos membros deste Conselho resultou na edição da Súmula Carf nº 119, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, tal enunciado de súmula foi cancelado, por unanimidade, em particular a partir de encaminhamento neste sentido da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, em reunião da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais levada a termo no dia 06 de agosto de 2021, com base na manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional sobre a tema, que o incluiu em Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer (Art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016), o que se deu nos seguintes termos: A jurisprudência do STJ acolhe, de forma pacífica, a retroatividade benigna da regra do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, em relação aos lançamentos de ofício. Nessas hipóteses, a Corte afasta a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, que prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, por considerá-la mais gravosa ao contribuinte. O art. 35- A da Lei 8.212, de 1991, incide apenas em relação aos lançamentos de ofício (rectius: fatos geradores) realizados após a vigência da referida Lei nº 11.941, de 2009, sob pena de afronta ao disposto no art. 144 do CTN. Precedentes: AgInt no REsp 1341738/SC; REsp 1585929/SP, AgInt no AREsp 941.577/SP, AgInt no REsp 1234071/PR, AgRg no REsp 1319947/SC, EDcl no AgRg no REsp 1275297/SC, REsp 1696975/SP, REsp 1648280/SP, AgRg no REsp 576.696/PR, AgRg no REsp 1216186/RS. Referência:Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME,ParecerSEI Nº 11315/2020/ME O referenciado Parecer SEI nº 11315/2020 trouxe, dentre outras, as seguintes considerações: Fl. 502DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 [...] 12. Entretanto, o STJ, guardião da legislação infraconstitucional, em ambas as suas turmas de Direito Público, assentou a retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação da Lei nº 11.941, de 2009, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício. 13.Na linha de raciocínio sustentada pela Corte Superior de Justiça, anteriormente à inclusão do art. 35-A pela Lei nº 11.941, de 2009, não havia previsão de multa de ofício no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991 (apenas de multa de mora), nem na redação primeira, nem na decorrente da Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da Medida Provisória nº 449, de 2008). Ainda que não vinculante, a observação da manifestação da PGFN impõe-se como medida de bom senso, já que não parece razoável a manutenção do entendimento então vigente acerca da comparação das exações fiscais sem que haja, por parte do sujeito ativo da relação tributária, a intenção de continuar impulsionando a lide até que se veja integralmente extinto, por pagamento, eventual crédito tributário mantido. Neste sentido, considerando que a própria representação da Fazenda Nacional já se manifestou pela dispensa de apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões e interposição de recursos, bem como recomenda a desistência dos já interpostos, para os períodos de apuração anteriores à alteração legislativa que aqui se discute (Lei nº 11.941, de 2009), deve- se aplicar, para os casos ainda não definitivamente julgados, os termos já delineados pela jurisprudência pacífica do STJ e, assim, apurar a retroatividade benigna a partir da comparação do quantum devido à época da ocorrência dos fatos geradores com o regramento contido no atual artigo 35 da lei .8.212/91, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, mesmo em se tratando de lançamentos de ofício. Deve-se, ainda, destacar que na vigência da legislação anterior, havia previsão de duas penalidades, uma de mora, esta já tratada no parágrafo precedente, e outra decorrente de descumprimento de obrigação acessória, esta prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, em razão da não apresentação de GFIP ou apresentação com dados não correspondentes aos fatos geradores, imposições que, a depender o caso concreto, poderiam alcançar a alíquota de 100%, sendo certo que tal penalidade não foi objeto do citado Parecer SEI 11.315/2020. A MP 449/08 inseriu o art. 35-A na Lei 8.212/91, e, assim, passou a prever, tal qual já ocorria para tributos fazendários, penalidade a ser imputada nos casos de lançamento de ofício, em percentual básico de 75% (art. 44 da Lei 9.430/96). Porém, como a tese encampada pelo STJ é pela inexistência de multas de ofício na redação anterior do art. 35 da Lei 8.212/91, resta superado o entendimento deste Conselho Administrativo sobre a natureza de multa de ofício de tal exigência. Desse modo, não se aplicando aos períodos anteriores à vigência da Lei nº 11.941/09 o disposto no art. 35-A, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória relativo à apresentação da GFIP com dados não correspondentes (declaração inexata), já não pode ser considerada incluída na nova penalidade de ofício. Considerando, assim, a mesma regra que impõe a aplicação a fatos pretéritos da lei que comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração, conforme art. alínea “c”, inciso II do artigo 106 da Lei 5.172/66 (CTN), deve-se efetuar Fl. 503DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-011.708 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12219.000068/2009-69 a comparação entre a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, da Lei 8.212/91, com a nova penalidade por apresentação de declaração inexata contida no artigo 32-A da mesma Lei. Portanto, no caso presente, entendo que deve ser aplicada a retroatividade benigna, mediante a comparação entre a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei 8.212/91, com a que seria devida a partir do art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: (i) reconhecer a decadência dos lançamentos das competências até 11/1999, inclusive; (ii) aplicar os reflexos decorrentes das desonerações das obrigações principais, com exceção da decadência; iii) aplicar a retroatividade benigna, mediante a comparação entre a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, com a que seria devida a partir do art. 32-A da mesma Lei nº 8.212/91. (documento assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 504DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002492/2004-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA
RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA
DE EXPORTAÇÃO.
A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo
confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto.
“IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE
PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito
presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se
a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas,
produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de
cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 3101-000.779
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2)
desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de
cooperativas; 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito.Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e
Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS-PASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere-se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
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E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRE/RS “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PISPASEP E COFINS. CONCEITO DE RECEITA DE EXPORTAÇÃO. A norma jurídica instituidora do benefício fiscal atribui ao Ministro de Estado da Fazenda a competência para definir “receita de exportação” e para o período pleiteado a receita deve corresponder a venda para o exterior de produtos industrializados, conforme fato gerador do IPI, não sendo confundidos com produtos “NT” que se encontram apenas fora do campo abrangido pela tributação do imposto. “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada refere se a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002492/200479 Acórdão n.º 3101 00779 S3C1T1 Fl. 2 2 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: 1) afastar o impedimento ao uso do benefício em face da saída de produtos NT; 2) desconsiderar a vedação de se incluir na base de cálculo do crédito presumido as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas ou de cooperativas; 3) determinar o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para apreciar as demais questões de mérito.Vencidos os conselheiros Corintho Oliveira Machado e Henrique Pinheiro Torres. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Luiz Roberto Domingo. . Relatório Por bem relatar, adotase o Relatório de fls. 85 a 86 dos autos emanados da decisão DRJ/POA, por meio do voto do relator Carlos Alberto Donassolo, nos seguintes termos: “O estabelecimento acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (CP), instituído pela Lei nº. 9.363, de 13 de dezembro de 1996, para se ressarcir das contribuições da Cofins e do PIS/PASEP, incidentes sobre as aquisições , no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, empregados na fabricação de produtos exportados durante o período de 01/01/2003 a 31/03/2003, no valor de R$ 15.492,36, conforme pedido de ressarcimento PER/DCOMP, de fls. 02 e 03. 1.1 A verificação prévia do pedido foi feita pela fiscalização que, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 08 e 09, concluiu que o requerente não teria direito ao ressarcimento pleiteado, em razão de que as exportações efetuadas pelo requerente são referentes a produtos classificados no código 7103.10.00 da TIPI, com a notação NT (não tributável) e, portanto, ditos produtos se encontram fora do campo de incidência do IPI, desatendendo a condição para a fruição do benefício fiscal, prevista no art. 1º da Lei nº. 9.363, de 1996, ou seja, de que o produto deve ser industrializado sujeito à incidência desse imposto. Não bastasse isso, prossegue o agente fiscal, a maior parte das matériasprima adquiridas são provenientes de pessoas físicas, que não sofreram o gravame das contribuições para o Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002492/200479 Acórdão n.º 3101 00779 S3C1T1 Fl. 3 3 PIS/PASEP e Cofins a que o benefício fiscal visa ressarcir e, dessa forma, essas aquisições também não dariam direito ao crédito presumido. 1.2 O Delegado da DRF/Passo Fundo, acolhendo a proposição da Fiscalização, indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento, conforme teor do Despacho Decisório, de fls. 11. 2 Regularmente intimado do Despacho Decisório referido, mas discordando daquele entendimento, o requerente apresentou a manifestação de inconformidade, de fls. 16 a 30, alegando, em síntese, o que segue: a) que realiza uma operação de beneficiamento da pedra denominada “ametista”, caracterizada como sendo uma operação típica de industrialização, uma vez que a matéria prima adquirida (ametista) passa por todo um processo de tratamento/acabamento antes de ser comercializada, operação essa caracterizada como sendo de industrialização pelo Regulamento do IPI; b) que no caso da não admissão na base de cálculo das aquisições de insumos de pessoas físicas houve ofensa ao princípio da legalidade estrita, previsto no art. 150, I, da Constituição Federal/88, de forma que a fiscalização não poderia impor restrições na composição do cálculo com base em atos infralegais, posto que tanto o conceito insculpido na Lei nº 9.363, de 1996 quanto na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, estendem o benefício para toda a cadeia produtiva e não somente para a última etapa desta. Transcreve jurisprudência administrativa em apoio à sua tese; 2.1. Finaliza, requerendo a procedência de sua manifestação de inconformidade para que seja reformado o Despacho Decisório e que se defira integralmente o crédito presumido do IPI pleiteado, acrescido de juros pela taxa Selic, desde a protocolização do pedido.” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 1015.475 de fls. 84 traz a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. Inexiste direito ao crédito presumido do IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributado). IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo do benefício as aquisições de matérias primas de pessoas físicas, por não terem sofrido a incidência das contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002492/200479 Acórdão n.º 3101 00779 S3C1T1 Fl. 4 4 ABONO DE JUROS SELIC. DESCABIMENTO. Por falta de previsão legal, é incabível o abono de correção monetária e de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Solicitação Indeferida “ Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF (fls. 93 a 109) onde faz as mesmas alegações antes apresentadas e finalmente requer: a) a reforma do acórdão recorrido, com escopo de que seja declarado o direito integral pleiteado, relativo ao crédito presumido do IPI; b) acrescido da respectiva correção monetária e, por conseguinte, homologada a compensação tributária levada a cabo pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Valdete Aparecida Marinheiro, O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Inicialmente, cabe destacar que o motivo principal de controvérsia no presente processo se deve ao fato da fiscalização ter considerado que os produtos exportados pelo interessado estariam classificados na TIPI com a notação “NT” (nãotributado), ou seja, são produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, portanto, sem direito ao crédito presumido do IPI. Nesse sentido, a decisão recorrida, analisou a classificação fiscal dos produtos exportados e concluiu “... que se tratam de produtos que se encontram fora do campo de incidência do IPI, ou seja, indicação típica de produtos que não são considerados industrializados pela legislação do IPI e, por essa razão, sem direito ao crédito presumido do IPI pela legislação que trata do benefício fiscal”. Assim, não obstante, demais considerações é importante lembrar que o IPI é um imposto seletivo em virtude da essencialidade do produto, e não cumulativo conforme artigo 153 § 3º da CF/88, logo, por imposição constitucional, o IPI deve ser seletivo, não cumulativo e não poderá incidir sobre produtos industrializados, destinados ao exterior. Esses são os limites mínimos a serem respeitados pelo legislador infraconstitucional. Verificase na TIPI, que inumeros produtos ficaram sem tributação, outros tantos, reduzidos à alíquota zero, outros, ainda, tiveram isenções decretadas por leis específicas. No caso concreto, como o produto exportado está na TIPI como produto não tributado, significa que o objeto encontrase fora do campo abrangido pela tributação, isto é, é o fato de não estar contemplado na norma jurídica definidora do fato gerador da obrigação Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002492/200479 Acórdão n.º 3101 00779 S3C1T1 Fl. 5 5 tributária. Acontece que o fato gerador do IPI é a industrialização e a lei definiu o que seja produto industrializado (artigo 46 do CTN e art. 3º da Lei nº 4.502/64). Assim, uma tabela aprovada por mero decreto ao promover enumeração de produtos não tributados, motivados tãosomente pelo caráter da seletização gradual do imposto, não pode implicar em alteração do fato gerador, a ponto de excluir os produtos não tributados do rol de produtos industrializados, abrangidos pela definição do fato gerador do IPI. Logo, produto classificado na TIPI como NT, não significa necessáriamente tratarse de produto não industrializado. Portanto, o relevante é que a Recorrente tenha exportado produtos industrializados, ainda que esses produtos estejam classificados na TIPI como NT, nada considerável, também, que seus insumos sejam classificados como NT, pois, não estamos tratando de créditos normais de IPI, mas um crédito pressumido, uma ficção, onde as bases para sua apuração estão contempladas pela Lei 9.363/96. Também, a Recorrente pretende ver incluído no seu pedido de ressarcimento crédito referente a aquisições de pessoas físicas e cooperativa e nesse sentido discordando da decisão recorrida, corroboro com o entendimento exposto pelo nosso Presidente Dr. Henrique Pinheiros Torres no Recurso nº 201116199 da CSRF – 2º Turma nos seguintes termos: “IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO – AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – A base de cáculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1º da Lei nº 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2º da Lei nº 9.363/96). A lei citada referese a “valor total” e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas nºs 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei nº 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN nº 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN nº 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam.” Diante do todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO determinando afastar a exclusão na receita bruta de exportação, os produtos exportados pela Recorrente, ainda que classificados como NT na TIPI, por estar afastados do campo de tributação, mas, não afastados do fato gerador do IPI; afastar a glosa dos créditos referentes a aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem de pessoa físicas e cooperativas, e determinar o retorno do processo ao órgão julgador de primeira instância para análise dos demais pressupostos a garantir o crédito pleiteado. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11030.002492/200479 Acórdão n.º 3101 00779 S3C1T1 Fl. 6 6 Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11 /11/2011 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19613.727877/2021-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2020
COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. FALSIDADE. ADMINISTRADOR. RESPONSABILIZAÇÃO POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. POSSIBILIDADE.
A responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN reclama, no caso de falsidade em DCOMP não homologada, a presença de dois requisitos: a) que a pessoa responsabilizada se qualifique como diretor, gerente ou representante da empresa contribuinte ao tempo da apresentação das DCOMP não homologadas; e b) que os créditos indevidamente compensados decorram de atos praticados pelo administrador com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos.
IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIRAS PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS.
Ocorrendo atuação conjunta de diversas pessoas relacionadas a ato, a fato ou a negócio jurídico vinculado a um dos aspectos da regra-matriz de incidência tributária (principalmente mediante atuação ilícita), está presente o interesse comum a ensejar a responsabilização tributária solidária, nos termos do art. 124, I do CTN.
Numero da decisão: 1302-007.024
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.023, de 12 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 19613.727876/2021-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de de julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Savio Salomao de Almeida Nobrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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FALSIDADE. ADMINISTRADOR. RESPONSABILIZAÇÃO POR ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO À LEI. POSSIBILIDADE. A responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN reclama, no caso de falsidade em DCOMP não homologada, a presença de dois requisitos: a) que a pessoa responsabilizada se qualifique como diretor, gerente ou representante da empresa contribuinte ao tempo da apresentação das DCOMP não homologadas; e b) que os créditos indevidamente compensados decorram de atos praticados pelo administrador com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIRAS PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. Ocorrendo atuação conjunta de diversas pessoas relacionadas a ato, a fato ou a negócio jurídico vinculado a um dos aspectos da regra-matriz de incidência tributária (principalmente mediante atuação ilícita), está presente o interesse comum a ensejar a responsabilização tributária solidária, nos termos do art. 124, I do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-007.023, de 12 de março de 2024, prolatado no julgamento do processo 19613.727876/2021-50, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de de julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Marcelo Oliveira, Savio Salomao de Almeida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 3. 72 78 77 /2 02 1- 02 Fl. 470DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 Nobrega, Miriam Costa Faccin (suplente convocada), Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Estamos diante de caso que trata da aplicação de multa isolada qualificada por falsidade de declaração em DCOMPs. Segundo o TVF, a Recorrente transmitiu eletronicamente DCOMPs, que indicavam suposto crédito de IRRF-Cooperativa. Após a intimação para esclarecimentos, atravessou pedido de cancelamento de quase todas as DComps alegando ter ocorrido erro de fato no preenchimento e envio do documento. Assim, a Autoridade Fiscalizadora entendeu que o crédito indicado nunca existiu, pois não houve resposta adequada à intimação, além de proceder ao respectivo cancelamento das DCOMPs na tentativa de estancar o procedimento fiscal já iniciado. Por se compreender que teria ocorrido fraude, conforme preceitua o art. 72 da Lei nº 4.502/64, em razão da inserção de elementos inverídicos na declaração para evitar a cobrança de débitos confessados, foi aplicada a multa prevista no art. 18, §2º da Lei nº 10.833/03, sobre a parcela não homologada da compensação declarada, conforme legislação de regência à época da transmissão das DCOMPs. Considerando tais ilícitos, foi atribuída responsabilidade solidária pelo art. 135, III, do CTN o Sr. Francisco de Assis Júnior, titular da Órbita, Sr. Carlos Roberto dos Santos Souza, detentor da procuração com poderes para transmissão; e, pelo art. 124, I, ADOT BUSINESS CONSULTING EIRELI, André Luiz Ferraz de Oliveira e Antônio Carlos da Silva – os quais teriam sido responsáveis pela apresentação de 54 PER/DCOMPs, e que havia sido contratado pela Órbita com a finalidade de diminuir sua carga tributária, podendo compensar tributos. Na época foram apresentadas impugnações pela Órbita (sujeito passivo), e pelos responsáveis: Sr. Carlos, ADOT, Sr. André e Sr. Antônio. O Sr. Francisco teve a sua revelia verificada e declarada em razão de não contestar seu vínculo. Assim, considerou-se definitiva a responsabilidade a ele atribuída. O Acórdão Recorrido julgou todas as impugnações improcedentes, mantendo-se na integralidade o crédito tributário exigido, assim como os vínculos com os solidários. Em síntese, os argumentos trazidos pelas Impugnantes em sede de contestação não foram capazes de elidir a constatação do fato principal dos autos, que dizia respeito ao processamento de declarações falsas, ou da ausência da responsabilidade dos solidários. Foram apresentados Recursos Voluntários por Adot e o Sr. André, reiterados dentro destes autos. O principal argumento de defesa está centrado no fato de que não teria ocorrido interesse comum (art. 124, I do CTN), pois não havia contratação entre as sujeito passivo e Recorrentes, nem com a empresa DEMARCCHI, que realizou as declarações de Fl. 471DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 compensação. O Sr. Carlos apresentou interpelação extrajudicial e Recurso Voluntário. Sua principal linha de argumentação está contida no fato de que ele não estaria envolvido nos atos fraudulentos e que seus argumentos de defesa não teriam sido levados em conta. O Sr. Francisco não apresentou recurso, conforme termo de revelia, e igualmente Orbita e Sr. Antonio, conforme termos de perempção. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: I – Tempestividade Os Recursos Voluntários da Adot e o Sr. André (fls. 432-453) foram apresentados em 15/09/2022, com novo protocolo em 19/09/2022, sendo que intimação do Sr. André em 01/09/2022 (fl. 422) via AR e da Adot via AR139402705PO, cuja data está ilegível e o rastreio não foi possível de ser realizado via site Correios (“objeto não encontrado na base de dados”). Assim, considerando que em preliminar de Recurso Voluntário é alegada a intimação em 26/08/2022, por falta de provas contrárias acato tal data como termo inicial de intimação. Assim, conheço dos Recursos Voluntários. O Sr. Carlos foi intimado em 24/11/2022 (fls. 423) via edital e apresentou Recurso Voluntário em 26/12/2022. Assim, também conheço da sua tempestividade. II – Do Recurso Voluntário de Adot e Sr. André A responsabilização da Adot e do Sr. André está fundamentada no art. 124, I, do CTN. O principal argumento de defesa desses solidários está sintetizado nos seguintes parágrafos (fls. 435 e 441): “Note-se que a imputação da responsabilidade se deu com base no item 13 do Parecer Normativo Cosit nº 4/2018, que se refere à consulta sobre o “interesse comum” do art. 124, I, do CTN, e, sob o argumento de um suposto e inexistente “interesse financeiro” das pessoas físicas indicadas: Antônio Carlos da Silva; André Luiz Ferraz de Oliveira, e da empresa ADOT, foilhes imputada a responsabilidade solidária. (...) Dentro dessa argumentação, narra o Termo de Imposição, que os RECORRENTES teria sido contratados, segundo imagem parcial de um contrato inserido no documento (sem assinatura), e que, com base em um suposto e Fl. 472DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 inexistente mandato tácito, presumido, teria agido no sentido de realizar as Declarações de Compensação, tidas como ilícitas e fraudulentas.” Importante lembrarmos que o Termo de Imputação de Responsabilidade Solidária (fls. 248-258) veio à tona após o sujeito passivo alegar em Impugnação que outras pessoas estavam envolvidas no esquema de assessoramento tributário em que se indicam créditos falsos para burlar o sistema arrecadatório federal. Os elementos de prova trazidos para indicar a relação entre os partícipes é apenas refutado por meio de argumentos pelas Recorrentes, que não trouxeram aos autos provas capazes de elidir o que lhe fora atribuído. O contrato, ainda que não assinado, está juntado às fls. 170-173, com uma sequência de e-mails que demonstram que houve negociação entre as partes, e indica a contratação dos serviços: Fl. 173 Fl. 176: Fl. 177 Fl. 473DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 Fl. 180: Considerando que não foram trazidos elementos aos autos capazes de afastar as provas de prestação de serviços pela Adot, Sr. André e Sr. Antônio e da sua relação com a submissão de dezenas de DCOMPs com informações falsas, não há como reformar a decisão a quo. O interesse comum, nos termos do art. 124, I, CTN, cuja interpretação é corroborada pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 04/2018, nos indica que não é apenas um vínculo jurídico que atrai a responsabilidade, mas sim um vínculo ligado ao fato gerador. Conforme item 13 do Parecer: “É responsável solidário tanto quem atua de forma direta, realizando individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que constitui o fato gerador, como o que esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que deu origem ao fato jurídico tributário mediante cometimento de atos ilícitos que o manipularam. Mesmo nesta última hipótese está configurada a situação que constitui o fato gerador, ainda que de forma indireta. Considerando que há nos autos elementos inequívocos da prestação de serviços da Adot à Órbita, cujo objetivo contratual (ainda que não assinado formalmente, mas de fato contratado) consistia expressamente (e com negrito original) em “estruturação da diminuição de sua carga tributária” (fl. 170) e que os honorários pactuados seriam pagos até 24 horas da comprovação da realização das declarações de compensação (fl. 171), entendo que havia interesse comum e direto dos Recorrentes no fato gerador. Fl. 474DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 O contexto de que, a apresentação de DCOMP com informação falsa – ainda que por empresa subcontratada para serviço de contabilidade para a Adot nesse serviço maior de “consultoria” – que lhe gerava o pagamento de honorários, não deixa outra conclusão se não entender pelo seu interesse comum no fato gerador. Assim, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário de Adot e Sr. André. III – Do Recurso Voluntário do Sr. Carlos A responsabilização do Sr. Carlos está fundamentada no art. 135, II, do CTN. O seu principal argumento de defesa está sintetizado no seguinte parágrafo (fl. 489): “A r.decisão recorrida registrou que a empresa contribuinte autuada ORBITA, foi representada por uma procuradora DEMARCCHI, cujo responsável legal, PAULO LIMA, apresentaria um perfil incompatível com a condição de empresário. A partir disso, conclui com base em nomes de empresas similares e endereços semelhantes, que o ora recorrente seria o “verdadeiro” procurador. E mesmo sem prova de que a Declaração de Compensação falsa partiu de sua autoria, aplicou-lhe a multa penal qualificada. Porém, não andou bem a r.decisão nesse particular, pois os poderes da fiscalização deverão ser exercidos com fulcro nos princípios constitucionais administrativos (art. 37 da CF/88), bem como no princípio do devido processo legal (art. 5º, LIV da CF/88) e no princípio da razoabilidade, que é corolário do devido processo legal em seu aspecto material. E a respeito de tais critérios jurídicos, nada há nos autos. São apontados somente fatos, mas nenhuma subsunção a norma jurídica da conduta do ora recorrente é feita nos fundamentos da r.decisão ora recorrida.” Novamente, as razões recursais trazem apenas argumentos sem prova para tentar elidir os elementos levantados e verificados no âmbito do TVF, e confirmados no Acórdão Recorrido, sobre o responsabilidade xxx com o fato gerador. Os mesmos argumentos são trazidos tanto para fundamentar que a autuação padeceria de nulidade, quanto para atacar o mérito. Assim, por economia processual, analiso tais argumentos de forma integral. As DCOMPs enviadas com informações falsas foram encaminhadas à RFB pelo certificado digital pertencente ao Sr. Paulo Lima de Oliveira, CPF: 139.401.004-47, que seria o titular da empresa DEMARCCHI SOLUÇÕES EMPRESARIAIS EIRELI, CNPJ: 36.444.632/0001-91. Ocorre que a Autoridade Fiscal verificou que o Sr. Paulo não passaria de uma espécie de laranja e que a referida empresa seria liderada, na prática pelo Sr. Carlos. No TVF há longa explicação a respeito do que fora verificado pela Autoridade Fiscal, inclusive com busca aos perfis sociais do envolvido: “27. Continuando as pesquisas, agora no sistema Portal CNIS, tem-se que o Sr. Paulo Lima de Oliveira, CPF: 139.401.004-47, é, na verdade, pessoa muito Fl. 475DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 simples, nascido em abril de 2000 no município de Solanea-PB e que trabalhou como cozinheiro no restaurante Tiziano Cappai (CNPJ: 19.904.866/0001-55), em São Paulo, nos primeiros meses de 2020, com salário mensal correspondente ao mínimo nacional, indo de encontro a qualquer lógica sua efetiva participação na enormidade de casos que surgem Brasil afora. 28. Do sistema VIA, tem-se que o Sr. Paulo Lima de Oliveira é titular de uma pessoa jurídica, a DEMARCCHI SOLUÇÕES EMPRESARIAIS EIRELI, CNPJ: 36.444.632/0001-91. De se notar que se hoje a Demarcchi Soluções Empresariais Eireli tem sua sede na Av. Paulista, 37, Conj, 41, até outubro de 2020 era domiciliada na Av. Moaci 395, Conj. 95, Planalto Paulista, São Paulo-SP. Esse endereço físico é chave para desvendar o esquema aqui tratado, sendo seu porquê pormenorizado mais a frente. 29. O Sr. Paulo Lima de Oliveira teve domicílio tributário, em parte dos anos de 2019 e 2020 - enquanto cozinheiro e percptor de salário mínimo, portanto - na Av. Moaci, 395, Conj. 95 – como dito, endereço cadastral inicial da Demarcchi da qual é titular -, passando a partir de então a residir na Alameda dos Nhambiquaras, 1770, Moema, São Paulo-SP5. Ambos os locais distinguem-se por serem edifícios de padrão elevado, de cunho eminentemente comercial e em bairros nobres da capital paulista. 30. Ou seja, a história de vida do Sr. Paulo não se coaduna com o personagem exteriorizado pelos sistemas cadastrais da RFB. 31. Deveras, o caso que se apresenta no momento é o clássico uso de documentos de terceiros para fins fraudulentos. O certificado fora tirado pelo Sr. Paulo Lima de Oliveira, mas não é ele quem o usa. Nessa linha, ao considerarmos “laranja” o Sr. Paulo Lima de Oliveira, temos que sua pessoa jurídica, Demarcchi Soluções Empresariais Eireli, trata-se, então, de empresa constituída com fraude, por meio de interposta pessoa. 32. Contudo, ao afirmar-se não ser o Sr. Paulo Lima de Oliveira o real proprietário da pessoa jurídica Demarcchi Soluções Empresariais Eireli, uma pergunta exsurge, dessarte: Quem seria o seu real proprietário, que usaria, consequentemente, seu certificado digital nas muitas operações tidas por fraudulentas Brasil afora? 33. Ora, uma busca cadastral nas pessoas físicas e jurídicas domiciliadas nesse endereço da Av. Moaci, 395, 9º andar, retornou a existência de, entre outras que não vem ao caso comentar no bojo desse procedimento, as pessoas físicas CARLOS ROBERTO DEMARCCHI, CPF: 386.090.128-16, e KAREN CRISTINA BARBOSA, CPF: 357.679.598-70, e a jurídica BRASIL BROOKS SOLUTIONS EMPRESARIAL EIRELI, CNPJ: 18.921.203.0001-86, de titularidade do Sr. CARLOS ROBERTO DOS SANTOS SOUSA, CPF: 300.738.888-00. 34. Carlos Roberto Demarcchi seria filho de Leonice Demarcchi (não encontrada nos sistemas cadastrais da RFB) e teria nascido em 01/01/1980. 35. Karen é titular da Karen Cristina Barbosa Eireli, CNPJ: 31.935.358/0001-30, que possui nome da fantasia Instituto de Beleza Demarcchi´s Hair. De se notar, por relevante, que no momento da abertura o e-mail fornecido à JUCESP fora o karenbarbosa@brasilbrooks.com.br (que a atrela à Brasil Brooks, de titularidade do Sr. Carlos Roberto dos Santos Sousa). 36. A Brasil Brooks Solutions Empresarial (antiga Brasil Brooks Eventos e Promoções Eireli) tem como e-mail de contato o carlos@demarcchi.com.br. Fl. 476DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 37. A coincidência de termos uma pessoa jurídica cujo titular chamase Carlos (Carlos Roberto dos Santos Sousa) e e-mail de contato carlos@demarcchi.com.br, funcionando na mesma localidade em que reside o Sr. Carlos Roberto Demarcchi e já fora domiciliado o escritório, com titular “laranja”, Demarcchi Soluções Empresariais Eireli, é de chamar a atenção. Ademais, a Sr. Karen, que conforme informações de compra de mercadorias convive com o Sr. Carlos Roberto dos Santos Sousa, é titular de pessoa jurídica que também carrega Demarcchi em seu nome de fantasia, o que levantou fortes suspeitas de estarmos diante de uma única pessoa (Carlos Roberto), com dois nomes e CPFs distintos. 38. As suspeitas firmaram-se mais robustas quando, ao inserirmos no dia 20/05/2021 o contato de celular do Sr. Carlos Roberto dos Santos Sousa, constante da base de dados da RFB, no aplicativo de mensagens Whatsapp, a seguinte imagem apareceu: (...) Assim, de todo o exposto, conclui-se que o real proprietário da Demarcchi Soluções Empresariais Eireli, CNPJ: 36.444.532/0001-91 é, na verdade, o Sr. Carlos Roberto dos Santos Sousa, CPF: 300.738.888- 00, que utiliza em seu odioso intento fraudulento, o certificado digital de seu titular (interposta pessoa) Paulo Lima de Oliveira. 49. Dessarte, o Sr. Carlos Roberto dos Santos Sousa, sendo o real procurador da pessoa juridica ÓRBITA ELETRICIADDE MONTAGEM DE PAINÉIS E AUTOMAÇÃO EIRELI, deve responder solidariamente a ela e a seu titular, Francisco de Assis Júnior, pela plenitude do crédito tributário aqui constituído, a teor do que reza o art. 135, II, do CTN.” A responsabilidade atribuída ao Sr. Carlos se dá em razão de ter sido considerado o responsável que transmitiu as DCOMPs. Foi desse fato que decorreu infração à lei devidamente comprovados (inserção de informações sabidamente inverídica em declarações de compensação). Não há no Recurso Voluntário prova de que (i) o Sr. Paulo (representante formal da Demarcchi) não era mera pessoa interposta, e (ii) de que o Sr. Carlos não tinha vínculo e gestão de fato da Demarcchi. Por essas razões, não há como reformar a decisão de primeira instância. Assim, deve ser negado provimento também ao Recurso Voluntário do Sr. Carlos. IV – Da apelação extrajudicial interposta Deixo de conhecer a interpelação extrajudicial interposta, em razão da competência estrita deste Conselho em apenas conhecer matérias que são objeto de recursos administrativos tipificadamente previstos na legislação. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Fl. 477DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-007.024 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19613.727877/2021-02 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 478DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000033/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2024
Numero da decisão: 2301-001.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: FLAVIA LILIAN SELMER DIAS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Flavia Lilian Selmer Dias - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 16-58.797 que julgou procedente o crédito tributário. A NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO é relativa ao IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA – ano calendário 2007 – por verificar: omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora CANELA PRODUTOS OTICOS LTDA (informou indevidamente como se a fonte pagadora fosse o INSS) glosa do IRRF relativo a fonte pagadora INSS. O contribuinte tomou ciência do Acordão do julgamento de primeira instância em 15/07/2014 (e-fl. 64). Em 23/07/2014, apresentou Recurso Voluntário anexado às e-fl. 47, acompanhado de cópia dos DARF relativo ao pagamento das parcelas do parcelamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .0 00 03 3/ 20 11 -1 8 Fl. 69DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2301-001.051 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13839.000033/2011-18 A fiscalização informa que foram declarados indevidamente os valores relativos à da fonte pagadora como se fossem do INSS, motivo pelo qual faz o ajuste no valor declarado e a glosa o IRRF relativo à fonte pagadora INSS. A contribuinte é sócia da pessoa jurídica omitida, e, portanto, responsável pelos pagamentos dos tributos da empresa, deste modo, teria que comprovar o efetivo recolhimento do IRRF para que pudesse aproveitar os valores na sua DIRPF. Na impugnação e no recurso alega que houve pagamento do IRRF do mês de janeiro no vencimento e dos demais meses os valores foram pagos no âmbito do processo de parcelamento nº 13839.400603/2010-87 ( o pedido de parcelamento foi após o encerramento da ação fiscal). A decisão de piso considerou a apresentação de Negociação de Pedido de Parcelamento como insuficiente de demonstrar o “efetivo pagamento”, por isso não ajustou o crédito tributário. No recurso é apresentado cópia de DARF’s com fim de demonstrar o efetivo pagamento. Os documentos apresentado na impugnação (recibo de pró-labore), totalizam R$ 2.239,64 de retenção de IR no ano-calendário de 2007. Na verdade R$ 2.054,17 se desconsiderar janeiro, para qual não foi apresentado comprovante de pagamento. Os pagamentos feitos no parcelamento, relativo ao ano de 2007 (exceto janeiro), totaliza R$ 2.906,83. A decisão da DRJ no processo nº 13839.000034/201154, que trata da mesma questão mas para o ano-calendário de 2006, atesta que o parcelamento feito no processo nº 12839.400603/201087 foi quitado: Em consulta ao SIEF WEB verifica-se que o processo no. 12839.400603/201087está na situação “Extinto – Quitação de Parcelamento”.: Tendo em vista a juntada dos documentos comprobatórios e as informações prestadas no processo nº12839.400603/201087, solicito parecer fiscal conclusivo sobre a quitação integral do valor do IRRF desconsiderado no ano calendário de 2007. Fl. 70DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720416/2019-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2016
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a retenção e o recolhimento do imposto, nem os rendimentos que lhe deram origem, não é possível a sua compensação na Declaração de Ajuste Anual.
Numero da decisão: 2202-010.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, João Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: SARA MARIA DE ALMEIDA CARNEIRO SILVA
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COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a retenção e o recolhimento do imposto, nem os rendimentos que lhe deram origem, não é possível a sua compensação na Declaração de Ajuste Anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, João Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino e Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório Trata-se de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) suplementar do ano-calendário de 2016 apurada em decorrência glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte indevidamente compensado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório proferido pelo julgador de piso (e- fls. 60): Contra o sujeito passivo acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 45, em 05/09/2017, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do exercício 2017, ano-calendário 2016, na qual o valor do imposto a restituir apurado na ajuste anual foi ajustado de R$ 191.569,03 para R$ 0,00. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 04 16 /2 01 9- 36 Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720416/2019-36 O lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual, tendo sido apuradas as seguintes infrações à legislação tributária, à vista de o contribuinte não ter atendido intimação para comprovar os valores declarados (fl. 46): Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Sobre Rendimentos Declarados Como Isentos por Moléstia Grave ou por Acidente em Serviço ou por Moléstia Profissional – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista, ou Reformado ou não comprovação da retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos Isentos – compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos declarados como Isentos e Não Tributáveis em decorrência de proventos de aposentadoria, pensão, ou reforma por moléstia grave, ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço ou por moléstia profissional, no valor de R$ 191.569,03, glosa esta referente às fontes pagadoras: BANCO DO BRASIL SA – IRRF Declarado: R$ 191.569,03; IRRF Apurado: R$ 0,00; Glosa de IRRF: R$ 191.569,03. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Regularmente intimado a apresentar os documentos referentes ao processo que gerou o imposto de renda retido declarado, ciência em 20/11/2018, o contribuinte não atendeu à intimação até a presente data. Cientificado do lançamento por via postal em 01/01/2019 (fl. 48), o interessado impugnou a exigência na data de 23/01/2019, por intermédio do instrumento de fl. 4/8. A defesa alega que, ao contrário do registrado na notificação de lançamento, o interessado entregou os documentos solicitados pela fiscalização. Afirmou que o interessado é portador de moléstia grave, e que o imposto retido incidiu sobre proventos de aposentadoria, sendo por isso isentos. Foram juntados documentos à impugnação, com o fim de comprovar a isenção dos rendimentos. O Interessado solicitou prioridade no julgamento da impugnação, com base no art. 71 da Lei nº 10.471 (Estatuto do Idoso), de 1º de outubro de 2003. O Colegiado da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente, uma vez que, embora havendo comprovação de que o contribuinte é aposentado e portador de neoplasia maligna, “isentos são os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das enfermidades indicadas na legislação, e não os enfermos propriamente”, de forma que outros rendimentos que não os proventos de aposentadoria são tributados normalmente e, no caso, não constam dos autos qualquer documento que pudesse comprovar nem a natureza dos rendimentos sobre os quais o IRRF foi retido, nem a retenção do imposto que o interessado pretende ver restituído, de forma que “a restituição pleiteada pelo contribuinte não pode ser reconhecida, pela falta de comprovação tanto de que os rendimentos sobre os quais o IRRF foi retido se tratavam de proventos de aposentadoria, como da retenção em si”. Recurso Voluntário O contribuinte foi cientificado da decisão de piso em 21/11/2019 (fl. 64) e, inconformado, apresentou o presente recurso voluntário em 20/12/2019 (fls. 68 a 71), por meio do qual reitera ter apresentado comprovantes de todos os rendimentos por ele recebidos no ano em questão, bem como comprovação de ser aposentado e portador de moléstia grave; que foi surpreendido pelo resultado da Notificação de Lançamento, na qual foi informado não ter direito à compensação do IRRF por não apresentar documentos que comprovassem tais condições, documentos esses que apresentou novamente em impugnação, porém não aceitos pelo julgador de piso sob o argumento de não ter sido demonstrado serem provenientes de aposentadoria; porém, agora em recurso, apresenta anexo, utilizando do benefício do art. 16, III, § 4º, ‘c’, documento que comprova que o valor recebido é decorrente de proventos de aposentadoria, por meio de decisão judicial. Requer a reforma da decisão recorrida. Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720416/2019-36 É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. A lide gira em torno de glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) indevidamente compensado na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário de 2016. Conforme cópia da Declaração de Ajuste Anual (fls. 24 e ss), o contribuinte declarou no campo rendimentos isentos e não tributáveis ter recebido da fonte pagadora PREVI – CAIXA PREVIDENCIÁRIA DO BB o valor de R$ 2.120.311,78, sobre o qual foi retido Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 191.569,03, valor esse que pleiteia a restituição por ser o contribuinte portador de moléstia grave isentiva e se referirem a proventos de aposentadoria. Conforme consta da Notificação de Lançamento (Complementação da Descrição dos Fatos): Complementação da Descrição dos Fatos Regularmente intimado a apresentar os documentos referentes ao processo que gerou o imposto de renda retido declarado, ciência em 20/11/2018, o contribuinte não atendeu à intimação até a presente data. O Termo de Intimação Fiscal está à fl. 18, no qual é possível perceber que de fato o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente: planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, com a comprovação do número de meses declarados (quando for o caso), planilha com discriminação das parcelas de previdência patronal e do empregado, quando for o caso; atualização de cálculos; Alvará de Levantamento com autenticação mecânica do banco ou extrato da conta corrente judicial ; DARF do recolhimento do IRRF; e recibos de honorários advocaticios. Tais documentos seriam necessários para verificar a natureza do rendimento recebido e até mesmo os valores tanto dos rendimentos, quanto do imposto retido, já que, conforme informado pelo julgador de piso Os proventos de aposentadoria recebidos pelos portadores de neoplasia maligna são isentos do imposto de renda, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Porém, devo fazer a ressalva, aqui, de que a referida isenção é objetiva, isto é, isentos são os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das enfermidades indicadas na legislação, e não os enfermos propriamente. Assim, outros rendimentos recebidos que não os proventos de aposentadoria, como aluguéis, rendimentos de aplicação financeira, rendimentos do trabalho etc., devem ser normalmente tributados de acordo com sua natureza. No caso concreto, não constam destes autos qualquer documento que pudesse comprovar nem a natureza dos rendimentos sobre os quais o IRRF foi retido, nem a retenção do imposto que o interessado pretende ver restituído. Nos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), consta um único rendimento em nome interessado informado em Dirf pelo Banco do Brasil SA, no valor de R$ R$ 563,76, com código de receita 8053 – Aplicações Financeiras de Renda Fixa, exceto em Fundos de Investimento. Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720416/2019-36 Sendo assim, a restituição pleiteada pelo contribuinte não pode ser reconhecida, pela falta de comprovação tanto de que os rendimentos sobre os quais o IRRF foi retido se tratavam de proventos de aposentadoria, como da retenção em si. ... não tendo a impugnação sido instruída com os documentos que pudessem comprovar que a compensação pretendida pelo contribuinte seria devida, deve ser mantido o lançamento. Em recurso o contribuinte informa estar apresentando documento que comprova que o valor recebido é decorrente de proventos de aposentadoria, por meio de decisão judicial, qual seja cópia da sentença judicial por meio da qual foi determinado que o Banco Reu pagasse ao contribuinte complementação dos proventos de aposentadoria. Inicialmente informo que não conheço do documento apresentado em recurso. Em que pese alegar o recorrente que sua apresentação se enquadraria na exceção prevista na alínea ‘c’ do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, pois visaria contrapor fatos ou razões trazidas posteriormente aos autos pelo julgador de piso, tal informação não é verídica. Conforme relatado acima, já desde o período de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, os abaixo citados, quedando-se silente, de forma que não há que se falar em contraposição de fatos ou razões novos. Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente: planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, com a comprovação do número de meses declarados (quando for o caso), planilha com discriminação das parcelas de previdência patronal e do empregado, quando for o caso; atualização de cálculos; Alvará de Levantamento com autenticação mecânica do banco ou extrato da conta corrente judicial ; DARF do recolhimento do IRRF; e recibos de honorários advocaticios. E mesmo que se conhecesse do referido documento, trata-se de cópia de sentença datada de 25/11/2011 sem que haja qualquer planilha das verbas contendo os cálculos de liquidação de sentença, ou ainda Alvará de Levantamento com autenticação mecânica do banco ou extrato da conta corrente judicial ou ainda DARF do recolhimento do IRRF, ou seja, qualquer documento que permitisse verificar a exatidão dos valores requeridos. Continua sem comprovação a alegação de que os valores declarados em 2017 (ano-calendário 2016) seriam provenientes de tal sentença, permanecendo portanto a falta de comprovação tanto que os rendimentos sobre os quais o IRRF foi retido se tratavam de proventos de aposentadoria (que seriam de fato oriundos do processo judicial cuja sentença foi anexada aos autos), como – e principalmente- da retenção em si, de forma que não há como prover o recurso. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.633 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10580.720416/2019-36 Fl. 94DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10480.009331/2002-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
Ementa: CRÉDITO DE IPI.. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
RESSARCIMENTO INDEVIDO. FATO GERADOR DO ISS.
As operações de prestação de serviço a encomendante, ainda que realizadas por industrial, por não estarem no campo de incidência do IPI, não qualificam a aquisição para conferir o direito ao crédito. Indevido, portanto, o crédito escritural e a apuração do saldo credor para percepção dos créditos acumulados de IPI, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-000.712
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 Ementa: CRÉDITO DE IPI.. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESSARCIMENTO INDEVIDO. FATO GERADOR DO ISS. As operações de prestação de serviço a encomendante, ainda que realizadas por industrial, por não estarem no campo de incidência do IPI, não qualificam a aquisição para conferir o direito ao crédito. Indevido, portanto, o crédito escritural e a apuração do saldo credor para percepção dos créditos acumulados de IPI, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RESSARCIMENTO INDEVIDO. FATO GERADOR DO ISS. As operações de prestação de serviço a encomendante, ainda que realizadas por industrial, por não estarem no campo de incidência do IPI, não qualificam a aquisição para conferir o direito ao crédito. Indevido, portanto, o crédito escritural e a apuração do saldo credor para percepção dos créditos acumulados de IPI, nos termos do art. 11 da Lei 9.779/99. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relatório de fls.268/270 por satisfatoriamente descrever os fatos que embasam a autuação: O estabelecimento acima identificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, decorrente de insumos empregados na industrialização de produtos tributados pela alíquota zero, com base no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, relativo ao período de 01/10/2001 a 31/12/2001, no valor de R$ 142.375,26, conforme pedido da fl. 01, cumulado com pedido de compensação, da fls. 93,95,100 e 106. No Termo de Informação Fiscal, fls. 160 a 176, a fiscalização: (i) discorre sobre a apuração do valor do IPI relativo ao ressarcimento na sistemática prevista no art. 11, da Lei 9.779, de 1999 e quanto a escrituração fiscal do IPI para apuração do saldo credor acumulado prevista no art. 347 do RIPI/1998 e art. 371 RIPI/2002; (ii) faz análise detalhada dos produtos, reclassificados (rótulo, imagem adesiva, notas fiscais, pasta persona e mala direta); (iii) informa que excluiu os créditos oriundos dos insumos aplicados na industrialização de produtos amparados pela imunidade, no valor de R$19.107,63, com base nas planilhas apresentadas pela contribuinte, fls. 50 a 52, e, ao final, propõe: o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado pela contribuinte no valor de R$ 87.597,62; e homologação das compensações declaradas pela interessada, fls. 93, 95, 100 e 106, até o limite do direito creditório reconhecido. A Delegacia da Receita Federal em Recife deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de crédito, no valor de R$ 87.597,62, e homologou parcialmente os pedidos de compensação, até o limite do crédito apurado, e determinou a cobrança dos débitos cujas compensações foram declaradas, mas não foram integralmente cobertos pelo crédito reconhecido. Cientificada da decisão em 08/03/2007, fl. 178, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de folhas 178 a 194, alegando, em síntese: i) seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário enquanto pendente de julgamento a presente manifestação de inconformidade, tal como ordena o § 11, da Lei n° 9.430, de 1996, com redação pela Lei n° 10.833, de 2003, ao enquadrar tal expediente no inciso III, do art. 151 do CTN; ii) as notas fiscais e blocos estão enquadrados na posição 4820.40.00, pois outra opção não há senão subsumilos na tipificação "formulários contínuos com dizeres impressos"; iii) as pastas personalizadas possuíam classificação 4920.10.00 (atualmente esta subposição não existe mais), com alíquota de 0%, tratavase de "blocos de papel para cartas com dizeres impressos"; iv) os envelopes, os que são impressos pela impugnante são sim "com dizeres impressos", isto é, timbrados, razão pela qual a subposição correta seria 4817.10.00, inexistindo qualquer incorreção também neste particular; v) requer produção de prova pericial para confirmar a classificação na TIPI correta para os produtos acima mencionados. Em atendimento ao inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235, de 1973, formula quesitos a serem submetidos à perícia, referentes a classificação e alíquota dos produtos: imagem adesiva, notas fiscais, pastas personalizadas e envelopes, nomeia a gerente administrativa, Sra. Sandra Gláucia Teixeira Bonifácio, CPF 004.987.34587, para assistir a impugnante na prova pericial; vi) caso seja superado o fundamento de defesa anteriormente elencado, devese considerar outro fundamento que se sobrepõe à questão da classificação dos produtos na TIPI, pois se trata da não incidência do IPI sobre os produtos tributados no despacho decisório (valores conseqüentemente subtraídos do crédito requerido), frutos da prestação de serviço gráfico, submetido exclusivamente ao Imposto Sobre Serviço (ISS); vii) o serviço gráfico encontrase arrolado no item 77 da lista de serviços anexa ao Decretolei n° 406, de 1968, logo, fica afastada a incidência de qualquer outro imposto, inclusive o IPI, conforme disciplinava o § 1°, do art. 8°, do citado Decreto. Afirma que diante da caudalosa jurisprudência, o entendimento pela não incidência do IPI no caso em foco foi Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10480.009331/200283 Acórdão n.º 310100.712 S3C1T1 Fl. 303 3 sedimentado nas súmulas 156 do STJ e 143 do TRF. Cita diversas decisões do STJ, e decisão do 2° Conselho de Contribuintes que corroboram com a tese de incidência isolado do ISS nos serviços gráficos; viii) diz que os produtos foram industrializados a pedido dos seus clientes, sob encomenda, e que está sujeita isoladamente à incidência do ISS, afastada a incidência do IPI, inexiste valores a serem subtraídos do crédito submetido à homologação, em conformidade com o § 1°, do art. 8° do Decretolei n° 406, de 1968; xix) por fim, pede a homologação total do credito submetido a compensação neste processo, seja por: a) constatar a correta classificação na TIPI adotada pela impugnante e, conseqüentemente, inexistindo IPI a recolher nas cogitadas operações; b) constatar a não incidência pura do IPI sobre os produtos base da autuação, posto se tratar de produtos decorrentes da prestação de serviço gráfico, personalizados e sob encomenda, submetidos isoladamente ao ISS; e c) requer a produção de prova pericial. [grifamos e destacamos] A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ Salvador/BA, conforme a seguinte ementa (fls. 267): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. SERVIÇOS GRÁFICOS. ISS. Irrelevante para determinar a incidência do IPI o fato de que serviços prestados por contribuinte estão catalogados em lista anexa ao Decretolei n.° 406, de 31 de dezembro de 1968, visto que a hipótese de incidência do ISS não se confunde com a do IPI operação que se caracteriza dentre as modalidades de industrialização previstas nos Decretos n° 2.092, de 1996, n° 3.777, de 2001 e n.° 4.544, de 2002. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Dentre os produtos industrializados pela contribuinte, as notas fiscais classificamse no código 4820.9000, os blocos, no código 4820.1000, pasta personalizada, no código 4820.9000 e o Envelope ,no código 4817.1000, com alíquota de 15%. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Constando nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência. Solicitação Indeferida Intimada dessa decisão em 08/04/2008 (fls, 280), a Recorrente manejou Recurso Voluntário em 25/04/2008 (fls. 282/298), repisando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade, apenas acrescentando que a decisão de primeira instância deve ser anulada por desrespeitar o princípio da ampla defesa ao denegar o pedido de realização de diligência para determinar as características das mercadorias produzidas a fim de que se obtenha sua correta classificação fiscal, segundo a TIPI. É o relatório Voto Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. O ponto fulcral da lide cingese ao direito de a Recorrente creditarse do IPI relativo às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem relativos a serviços gráficos, por encomenda de produtos rótulos, imagens adesivas, notas fiscais, pastas personalizadas, envelopes com impressos. É de notarse que a industrialização de produtos para uso direto do encomendante não se qualificam como campo de incidência do IPI, mas sim do ISS. Esta autorizado a creditarse do IPI relativa a tais aquisições o sujeito passivo desse imposto nas operações de industrialização que estejam no campo de incidência do IPI. Em verdade o que qualifica o direito ao crédito é a saída submetida à incidência. Ressaltese que o saldo credor de IPI passível de ressarcimento decorre da aplicação da norma de nãocumulatividade cujo direito a crédito advém da venda de produtos industrializados sob a incidência do IPI. A materialidade da norma da nãocumulatividade, assim como é em todas as normas, é composta por um verbo e um complemento. Do enunciado normativo constitucional podemos buscar os conteúdos de significação para construção desse conceito. Vejamos: “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. De antemão percebese que a norma da nãocumulatividade é implicada pela norma de incidência, ou seja, somente é admissível falar em nãocumulatividade se e quando a operação (identificada como “em cada operação”) estiver ontologicamente sob o campo constitucional de incidência do IPI. Para exercer suas atividades é inegável que a industrial necessita realizar aquisições de matériasprimas, insumos e outros materiais, aos quais denominaremos genericamente de insumos. A aquisição de bens, realizada por qualquer pessoa, não gera a automática incidência da norma da nãocumulatividade. É necessário que essa pessoa esteja qualificada como industrial e não somente industrial na acepção daquele realize o ato de industria (que “submete um produto a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo” – art. 46, parágrafo único, do CTN), mas, também, aquele que a legislação fictamente o equipare. Aquele sujeito que está habilitado a ser considerado contribuinte do IPI. Essa “operação” é a objetivada pela Constituição. Não se prestará relevante, o fato de a “operação” ser objeto da incidência de outra norma (que modifique ou desfigure a incidência da norma tributária do IPI). Relevante, sim, a inclusão do fato jurídico (operação) no âmbito do alcance da competência tributária do IPI. Outro conteúdo de significação possível de ser retirado do enunciado constitucional é que a nãocumulatividade é uma norma que se volta para um momento anterior à incidência da norma tributária e que se conecta às “operações anteriores” pela aquisição de bens e insumos necessários ao desempenho da atividade industrialização. As operações anteriores do enunciado em apreço, passam a ser representados para a “operação” pelos insumos que são adquiridos pelo sujeito focalizado pela tributação do IPI. Frisese que a interpretação da norma constitucional referese às operações imediatamente anteriores que fazem nascer o dever de aplicar a nãocumulatividade . Dáse um tratamento genérico a possibilitar a dosagem segundo as variantes factuais e fiscais que se inserem no momento de cada fase da cadeia produtiva. Quadra à norma (da nãocumulatividade) contrapor às operações jurídicas que promovam a saída de produtos industrializados do estabelecimento industrial, transferindo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10480.009331/200283 Acórdão n.º 310100.712 S3C1T1 Fl. 304 5 lhes a propriedade, os impostos cobrados nas operações anteriores, ou seja, as entradas de bens e insumos que foram necessários para as referidas saídas. Ao apreciarmos a materialidade da norma da nãocumulatividade, já damos cabo, do critério subjetivo de sua hipótese de incidência, em especial o Sujeito Ativo que será, sempre, o Sujeito Passivo da norma de incidência do IPI, e viceversa, invertendose os pólos para possibilitar a compensação. Desta forma, as operações de prestação de serviço ao encomendante, ainda que realizadas por industrial, não estando no campo de incidência do IPI não qualificam a aquisição para conferir o direito ao crédito. Não havendo direito ao crédito, não há que falarse em ressarcimento. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário Sala das Sessões, em 03 de maio de 2011 LUIZ ROBERTO DOMINGO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, 12/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000083/2005-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO
CONTRIBUINTE.
O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoria-fiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos
pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. TRANSFERÊNCIAS
INTERNAS DE MERCADORIAS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
A falta de previsão legal para o creditamento levado a efeito pela recorrente de transferências de mercadorias acabadas de um estabelecimento para outro é, de per si, o bastante para afastar a defesa da recorrente, que aliás confessa o conhecimento da carência de base legal para o seu procedimento.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES
DE CREDITAMENTO.
As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão-somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES.
CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM
COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE
CREDITAMENTO.
Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM
DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não-cumulatividade.
CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS
VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não
necessariamente a receita total sujeita à incidência não-cumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoria-fiscal
provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência não-cumulativa.
Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo
apresentado pela recorrente é da auditoria-fiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON (versão 1.3), inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente
às receitas de exportação.
Numero da decisão: 3101-000.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso no tocante aos créditos relativos às embalagens, vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luiz Roberto Domingo; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso no tocante ao cálculo do rateio proporcional dos custos vinculados às receitas de exportação; e negar provimento quanto aos pedidos remanescentes.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores pudessem analisar tais comprovantes. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE MERCADORIAS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. A falta de previsão legal para o creditamento levado a efeito pela recorrente de transferências de mercadorias acabadas de um estabelecimento para outro é, de per si, o bastante para afastar a defesa da recorrente, que aliás confessa o conhecimento da carência de base legal para o seu procedimento. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 1121DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da nãocumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. CÁLCULO DO RATEIO PROPORCIONAL DOS CUSTOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A rubrica Outras receitas integram o total das receitas, mas não necessariamente a receita total sujeita à incidência nãocumulativa. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, fossem sujeitas à incidência não cumulativa. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores do DACON (versão 1.3), inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas, e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso no tocante aos créditos relativos às embalagens, vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luiz Roberto Domingo; por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso no tocante ao cálculo do rateio proporcional dos custos vinculados às receitas de exportação; e negar provimento quanto aos pedidos remanescentes. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Fl. 1122DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 714 3 Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Corintho Oliveira Machado. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS nãocumulativa, relativos ao segundo trimestre de 2005. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial (Despacho Decisório, às folhas 616 e 617, e Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal, às folhas 590 a 615), fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que, dentre as embalagens adquiridas, estariam incluídas algumas que se destinariam apenas ao transporte de produtos elaborados, o que as descaracterizaria como "embalagens de apresentação" e justificaria sua exclusão da lista de embalagens passíveis de gerarem créditos; (b) aquisição de serviços de transportes não vinculados a operações de venda: a autoridade fiscal glosou os créditos apropriados pela contribuinte relativos a aquisição de serviços de transporte vinculados a compra de produtos, a transporte de funcionários, a fretes de documentos e a fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros. Afirma a autoridade fiscal que apenas o transporte associado às operações de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, é que dá direito ao creditamento a título da contribuição; Fl. 1123DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 (c) aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo: a autoridade fiscal glosou os créditos relativos às aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, com base da afirmação de que só dão direito ao creditamento as aquisições de combustíveis e lubrificantes aplicados diretamente no cultivo da maçã; (d) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: em relação aos créditos apurados, foram eles glosados em razão de que estariam associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". Além das glosas de créditos acima indicadas, constatou a autoridade fiscal, ainda, outra irregularidade: a incorreta apuração do rateio proporcional destinado à segregação dos créditos relativos às operações de exportação dos créditos relativos às operações no mercado interno. É que a contribuinte, ao efetuar o cálculo dos percentuais relativos ao mencionado rateio proporcional, teria deixado de incluir na receita bruta total os valores lançados nas linhas 07 e 09 das Fichas 07 e 13 da DACON a título de "outras receitas", distorcendo, com isso, a apuração dos percentuais. Irresignada com o indeferimento de seu pleito, encaminhou a contribuinte, por meio de seu procurador, a manifestação de inconformidade às folhas 619 a 642, na qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. Inicialmente, no item 3.1.1., às folhas 621 a 628, contesta a contribuinte a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens, discordando da assertiva fiscal de que as mesmas foram utilizadas unicamente no transporte de produtos e que não serviram à valorização da apresentação dos produtos ou a indicação promocional. Assim se expressa (folha 622): Na realidade, as embalagens utilizadas, tanto internas como externas, além da proteção à integridade de seu conteúdo (no caso específico a maçã), ainda tem objetivo promocional, tanto do produto como da marca utilizada pela requerente, o que conseqüentemente vem a valorizar o produto, elevam os insumos na elaboração dos produtos (veja‐se os valores expressivos glosados), motivam a compra do produto, inclusive pela marca apresentada, e, caracterizando inclusive embalagem de apresentação, conforme se infere nas fotos anexas (Doc. 1). Inclusive porquê, a marca da requerente é valorizada e conhecida, e ainda divulgada tanto no mercado interno como no mercado externo. A prova disso é a nova marca e embalagem que passou a ser usada no mercado externo a partir de 2007 para atrair novos clientes internacionais, de nome "snow apple", anexa foto ao Doc. 1. Fl. 1124DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 715 5 Alega, também, que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Faz expressa remissão aos artigos 3.o e 5.o da Lei n.o 10.637/2002, ao artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002 e ao artigo 8.o da Instrução Normativa SRF n.o 404/2004, para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Menciona a contribuinte, ainda, disposições de outros tributos (IPI e ICMS) e de outra figura jurídicotributária (o crédito presumido do IPI) que, a seu juízo, também autorizariam uma acepção ampla para o conceito de insumo. E faz referência a manifestações administrativas (consulta respondida pela SRRF da 2.a Região Fiscal e decisão da DRJ/Salvador/BA) que estariam a respaldar seu entendimento. Na seqüência, no item 3.1.2, às folhas 628 a 633, insurgese a contribuinte contra a glosa dos créditos relativos à aquisição de serviços de transportes. Entende que "todos os bens e serviços utilizados como insumos, na fabricação de bens e produtos destinados à venda, são autorizados a escrituração de créditos, tendo o contribuinte / requerente agido de acordo com os ditames legais" (folhas 628). Alega que em relação aos serviços em geral utilizados como insumos, que englobam os serviços de transportes utilizados para o transporte das compras dos insumos, o direito de crédito está expressamente garantido pelo inciso II do artigo 3.o e pelo artigo 5.o da Lei n.o 10.637/2002; também os incisos II e IX do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, trariam esta garantia. Em relação especificamente ao inciso IX do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, argumenta a contribuinte que (folhas 630): O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviços utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo para a fabricação / produção do produto, é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação / produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes, esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã, fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte Fl. 1125DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda. Ao final deste item de sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que seu entendimento está corroborado não apenas por soluções de consulta prolatadas por algumas SRRF (transcritas no texto), mas também pelos próprios termos das instruções de preenchimento da DACON e da alínea "b" do inciso I do parágrafo 5.o do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002, que orientam no sentido de que os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, são tidos como insumos para fins de direito a crédito. Em outro item de sua manifestação de inconformidade. o 3.1.3, às folhas 633 a 635, contesta a contribuinte a glosa de créditos relativos à aquisição de combustíveis e lubrificantes. Afirma que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso II do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003 quanto no inciso II do artigo 3.o da Lei n.o 10.637/2002, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". Cita, ainda, os termos da alínea "b" do inciso I do artigo 66 da Instrução Normativa SRF n.o 247/2002, que reproduz a autorização legal posta naquelas Leis. A partir destes atos legais, argumenta a contribuinte que o Despacho Decisório da DRF/Joaçaba/SC impôs restrições não legalmente postas. Reafirma seu direito aos créditos, "mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda" (folha 635). Já no item 3.1.4 de sua manifestação de inconformidade, às folhas 635 a 637, discorda a contribuinte da glosa dos créditos vinculados aos encargos com depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Assim se expressa: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram subtraídos da linha 9/10 da ficha 6 da DACON (encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado), o valor de R$ 15.217,67 (...), relativo encargos de depreciação, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS. Conforme consta no anexo I do Despacho Decisório em questão, segue alguns exemplos outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura Fl. 1126DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 716 7 (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Entende a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso de forma literal tanto no inciso III do parágrafo 1.o do artigo 3.o da Lei n.o 10.637/2002 quanto no inciso III do parágrafo 1.o do artigo 3.o da Lei n.o 10.833/2003, dispositivos estes que determinam o direito dos contribuintes de se aproveitarem de créditos calculados em relação a "encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês". Cita, ainda, os termos do artigo 4.o do Ato Declaratório SRF n.o 02/2003, no qual está expresso que "a apuração dos créditos decorrentes de depreciação e de amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do art. 3.o da Lei n.o 10.637, de 2002, alcança os encargos incorridos em cada mês, independentemente da data de aquisição desses bens". Alega, assim, que "a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte" (folha 637). No item 3.1.5 de sua manifestação de inconformidade, às folhas 637 e 638, contesta a contribuinte o critério adotado pela autoridade fiscal para o cálculo do rateio proporcional dos créditos vinculados a operações de exportação e a operações no mercado interno. Entende que aplicou o critério segundo as instruções de preenchimento da DACON, razão pela qual pleiteia a manutenção do cálculo original. Ao final de sua manifestação de inconformidade, às folhas 639 e 640, resume a contribuinte suas razões de discordância, nos seguintes termos: a) Das embalagens utilizadas como insumos: as embalagens foram consideradas pela análise fiscal como destinadas somente ao transporte dos produtos. Porém, as embalagens utilizadas pela requerente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação valorizando a marca e produto da requerente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. b) Das aquisições de serviços de transportes utilizados como insumos: pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorando‐se os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento. Nesse caso, também a legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. Fl. 1127DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 8 c) Das aquisições de combustíveis e/ou lubrificantes: pela análise fiscal, os combustíveis e lubrificantes não fazem parte do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS, e por esse motivo foram desconsiderados. Porém, sendo a atividade da requerente / contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia formação e produção do produto, sendo necessário utilizar‐se de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. A legislação argumentada e apresentada não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. d) Dos encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, foram desconsiderados os encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, pois foram considerados que mencionados encargos não fazem parte de máquinas do processo produtivo para efeito de apuração dos créditos de PIS. Conforme consta no anexo I do Despacho Decisório em questão, segue alguns exemplos outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). A legislação argumentada e apresentada está em vigor, e não fazem as restrições apontadas pela análise fiscal. Motivo pelo qual é legítimo o direito do contribuinte. e) Cálculo do Rateio Proporcional: pela análise tributária, houve alteração da forma de cálculo do Rateio Proporcional, porém, o cálculo do contribuinte foi de acordo com instruções de preenchimento da DACON, e a autoridade administrativa não apresentou base legal para alteração do cálculo. Em face do todo exposto, a requerente agiu em conformidade com a lei, na apropriação dos créditos pleiteados no processo administrativo, objeto de julgamento pelo despacho decisório em questão, motivo pelo qual, requer, o deferimento total dos créditos pleiteados com a reforma da decisão no despacho decisório. A DRJ em FLORIANÓPOLIS/SC julgou procedente o lançamento, ementando assim o acórdão: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE Fl. 1128DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 717 9 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 1129DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 10 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 678 e seguintes, onde não aponta preliminares, e no mérito, diz que: i) não transferiu para o julgador o ônus da prova, pois as provas já faziam parte do processo administrativo. Na manifestação de inconformidade não foi apresentada a composição dos créditos porque a contribuinte já havia apresentado todos os elementos necessários para a auditoriafiscal, tanto é que parte do pedido foi deferida e outra, indeferida, mencionando inclusive o quantum deferido; ii) as embalagens utilizadas pela recorrente, além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação do PIS não faz as restrições apontadas; iii) pela análise fiscal, apenas os fretes relativos a armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda autorizam o crédito do imposto, ignorandose os fretes pagos quando da aquisição de insumos e prestação de serviços aplicados nos produtos das vendas e também de transferência de insumos entre um e outro estabelecimento; iv) sendo a atividade da recorrente, o cultivo de maçã, é necessária a preparação do solo, a drenagem, entre outras atividades, para garantir a formação do produto, e para tanto utilizase máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes; v) foram desconsiderados, erroneamente, encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, ao argumento de que não fazem parte de máquinas do processo produtivo, segue alguns exemplos: carretão c/ rolete (transporte maçãs), seladoras (embalagens), marcas utilizadas no produto da venda, registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas), entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda; e Fl. 1130DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 718 11 vi) houve alteração, por parte do Fisco, da forma de cálculo do Rateio Proporcional, sem base legal, pois o cálculo do contribuinte foi feito de acordo com as instruções de preenchimento da DACON. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Após alguma tramitação, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segunda instância. É o relatório. Fl. 1131DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 12 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. CONSIDERAÇÕES INICIAIS Embora não haja preliminares neste contencioso, tanto a decisão recorrida como o recurso voluntário apresentam algumas considerações iniciais que têm repercussão direta na solução dos demais pontos controversos. A decisão a quo tece comentários acerca do ônus da prova e do conceito de insumos; o recurso voluntário, por seu turno, comenta somente o ônus da prova. Em síntese apertada, a decisão recorrida disse: Ônus da prova (...) No caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas, não lhe sendo lícito simplesmente juntar uma massa de documentos ao processo, sem indicação individualizada de a quais registros se referem. A atividade de "provar" não se limita, no mais das vezes, a simplesmente juntar documentos aos autos; nos casos Fl. 1132DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 719 13 em que se tem inúmeros registros associados a inúmeros documentos, provar significa associar registros e documentos de forma individualizada, do mesmo modo que, no caso das provas indiciárias, exigese a contextualização dos fatos por via do cruzamento dos indícios. Não é tarefa do julgador contextualizar os elementos de prova trazidos pelo contribuinte no caso de um pedido de restituição, compensação ou ressarcimento, tanto quanto não é contextualizar os elementos de prova trazidos pela autoridade fiscal no âmbito de um lançamento de ofício. Quem acusa deve provar, contextualizando os elementos de prova que evidenciam a infração; da mesma forma, quem pleiteia repetição deve provar a existência do direito creditório, contextualizando os elementos de prova que evidenciam o indébito. (...) A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se quer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus onus probandi) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Conceito de insumos (...) Como se percebe, as transcritas Instruções Normativas SRF ( nº 247/2002 e nº 404/2004) estabeleceram, de forma explícita, que se deve ter por insumos aqueles bens "que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado". Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária e que, como já dito, têm efeito vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal. É importante ressaltar que a acima posta delimitação do conceito de insumos não fere a Constituição Federal, como afirma parte da doutrina, em razão de que o regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins não tem assento constitucional como o têm o IPI e o ICMS. Em verdade, a não cumulatividade destas contribuições está, toda ela, prevista em legislação ordinária, tendo, inclusive, uma sistemática de apuração diversa, por exemplo, do Imposto sobre Produtos Fl. 1133DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 14 Industrializados IPI. No caso do IPI, a nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período; já no caso do PIS e da Cofins, a legislação vigente permite atribuir créditos não apenas sobre os valores das aquisições efetuadas no mês, mas também sobre despesas e custos incorridos no mês. De outro lado, os créditos, no âmbito do PIS e da Cofins, são apenas aqueles expressamente previstos na legislação, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Assim, como se vê, não há impeditivos constitucionais que impeçam a adoção de contornos delimitados para o conceito de insumo. Por conta destas considerações é que não pode prosperar o argumento de que é da natureza da nãocumulatividade que qualquer custo ou despesa que concorra para a formação da receita deva gerar direito ao crédito. Em verdade, o conceito e o alcance da nãocumulatividade do PIS e da Cofins encontramse definidos em lei, e a terse por correto o argumento posto, terse ia de rejeitar, no mesmo diapasão, qualquer exclusão da base de cálculo das contribuições, já que estas, em princípio, incidem sobre o total das receitas. De outro lado, não se pode dizer, igualmente, que as Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004 tenham extrapolado seus limites legais, criando ou definindo limitações ao uso e gozo de créditos da contribuição. Com efeito, a leitura do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, acima transcritos, já faz perceber que tais dispositivos definem os limites dos créditos a serem aproveitados, deixando claro o escopo dos mesmos, ou seja, os bens e serviços "utilizados no processo produtivo". Portanto, não são as Instruções Normativas que impõem um limite injustificado ao exercício pleno da não cumulatividade que seria o de permitir o creditamento sobre toda e qualquer despesa , mas, ao contrário, essa é uma limitação decorrente de lei, conforme acima visto. Assim, o legislador adotou o critério de enumerar os bens e serviços capazes de gerar crédito, vinculandoos a determinadas atividades e usos, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições. Portanto, as Instruções Normativas apenas esclareceram aquilo que as Leis já previam; em relação, especificamente, ao conceito de insumo, somente elucidam que este deve ser entendido como os bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, não podendo ser considerados como tais, bens ou serviços prestados por pessoas jurídicas que não foram aplicados diretamente na produção. (...) De tal sorte, nos itens seguintes deste voto adotarseá o conceito de insumo resultante do cruzamento dos artigos 3ºs das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 com o artigo 66 da Instrução Normativa SRF nº 247/2002 e com o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Em outras palavras, não serão considerados como insumos passíveis de geração de Fl. 1134DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 720 15 créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Da mesma forma, por coerência lógica, não serão admitidos com bens passíveis de gerarem créditos a título de depreciação, aqueles que, apesar de constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. O recurso voluntário diz o seguinte sobre ônus da prova: Ônus da Prova: O contribuinte não transferiu para o julgador o ônus da prova. Ref. o ônus da prova: provas já faziam parte do processo administrativo (Doc. 1). O pedido de ressarcimento efetuado pelo contribuinte, conforme instruções da Receita Federal do Brasil, funciona da seguinte maneira: 1º o contribuinte faz o pedido conforme normas da Receita Federal, declarando os valores dos créditos. 2º o auditor fiscal intima o contribuinte para fornecer informações e composições que lhe auxiliem na análise do pedido. 3º O contribuinte apresenta as composições e provas de acordo com pedido do auditor fiscal. 4º o auditor fiscal defere / indefere os créditos apurados e apresentados. Vejase que o pedido do contribuinte é de ressarcimento, e não de restituição. Mesmo se fosse de restituição, a Instrução Normativa nº 600 assim estipula: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...) § 3º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do Programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 2º serão apresentados à SRF após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. Grifo Nosso. Regularmente intimado, a contribuinte apresentou composição de todos os créditos apurados, nota a nota, tanto é que o auditor fiscal em sua análise, pode quantificar o que iria deferir e o que não seria deferido. Salientase que intimação enviada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba ao contribuinte foi totalmente cumprida pelo contribuinte (Doc. 1), tanto é que no Despacho Decisório o auditor fiscal não se decidiu pelo indeferimento parcial por falta de documentos ou provas, muito Fl. 1135DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 16 pelo contrário, com os documentos e provas apresentados o auditor fiscal quantificou conforme o entendimento do mesmo, do que seria ou não de direito de crédito ao contribuinte. Portanto, a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não se tratava em discutir primariamente o montante do crédito em si, mas sim o direito ao crédito, pois em algumas situações apresentadas pela contribuinte, apesar de ter a composição de todos os créditos, o auditor entendeu que ela não teria direito. Na manifestação de inconformidade não foram apresentados composição dos créditos (sic), em vista que, quando do início do processo administrativo, com a intimação pelo auditor fiscal, tudo constante nos autos, a contribuinte apresentou todos os elementos necessários para análise fiscal, tanto é que o auditor fiscal, com base nas informações da contribuinte, deferiu parte do pedido, e indeferiu outra parte, mencionando inclusive o quantum deferido. Os créditos desconsiderados pelo auditor fiscal (totalmente apurados e demonstrados), não foram desconsiderados por falta de demonstração da origem, porém, por interpretação do auditor que tais créditos não seriam de direito do contribuinte. No despacho decisório constante nos autos, o auditor não mencionou falta de provas, porém o indeferimento foi pelo entendimento do mesmo, de que em algumas situações, mesmo com provas do valor, o contribuinte não teria o direito ao crédito. Nesse Norte, o nobre julgador equivocouse quando diz que a contribuinte não demonstrou seu crédito. Pelo contrário a mesma demonstrou, inclusive demonstrando conforme intimação do auditor fiscal. (...) O que se percebe no Acórdão em questão, é que o Julgador menciona folhas do processo administrativo sempre de um determinado número para frente. Ora, para se analisar e decidir, certamente antes dessas folhas existem elementos de prova que auxiliam na decisão que não foram utilizados. A partir desse raciocínio, a recorrente tratou de rebater em cada ponto controverso a seguir, passível de comprovação, (embalagens, serviços de transporte, combustíveis e lubrificantes, depreciação do ativo imobilizado) a carência de comprovação de seus créditos, porquanto ao trazer a documentação para a auditoriafiscal, seus créditos ficaram provados, tanto que o Fisco pôde quantificálos em corretos e incorretos. Pois bem, declinadas as premissas das partes, cabe dizer que as considerações expendidas pelo i. julgador a quo, ao meu sentir, estão bastante razoáveis, tanto no que tange ao ônus da prova como no que diz com o conceito de insumos para fins das contribuições do Fl. 1136DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 721 17 PIS e da COFINS nãocumulativas, e nesse último aspecto, acorde com a jurisprudência dos tribunais. 1 O raciocínio formulado pela recorrente apresenta equívoco evidente ao dizer que demonstrou seus créditos conforme intimação da auditoriafiscal, e bem por isso não apresentou a comprovação de seus créditos na manifestação de inconformidade. Ora, a manifestação de inconformidade é o recurso manejável contra o despacho decisório que apontou a ilegitimidade da comprovação apresentada pela recorrente com pertinência aos créditos pleiteados. Cumpria à manifestante apontar nos autos os documentos que eventualmente comprovariam seus créditos, ou trazer cópia deles, de forma organizada, para que os julgadores, e não a auditoriafiscal, pudessem analisar tais comprovantes. Também poderia têlo feito agora, em sede recursal, porém optou por dizer que tudo está nos autos e basta os integrantes deste Colegiado acreditarem que esse trabalho já foi feito pela auditoriafiscal, que glosou os créditos por interpretação errônea do direito, e não porque não estavam devidamente provadas as origens dos créditos. Esse erro da defesa, que já teve repercussão negativa para a manifestante, ao meu ver, nesta instância certamente terá, novamente, péssimas conseqüências para a recorrente. DAS EMBALAGENS A recorrente diz que suas embalagens, mesmo servindo para transporte das maçãs que produz, não se caracterizam como tal, pois além de proteger o produto, tem efeitos promocionais, elevam as despesas, motivam a compra do produto em vista da marca apresentada, e servem de embalagem de apresentação, valorizando a marca e produto da recorrente, entre outros efeitos. Ademais, a legislação do PIS não faz as restrições apontadas. Relativamente à diferenciação entre embalagem de apresentação e embalagem de transporte, já cristalizada pela legislação do IPI, penso que tais conceitos são aplicáveis também às contribuições do PIS e COFINS não cumulativas, pois as leis instituidoras dos tributos quando tratam dos créditos passíveis de desconto das contribuições apuradas, no que tange aos insumos dos bens ou produtos destinados à venda, utiliza os verbos 1 (...) o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. (...) TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (...) II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; (...) TRF3 AMS 200561000285868; JUIZ CONVOCADO SOUZA RIBEIRO; DJF3 CJ2 DATA:07/04/2009 PÁGINA: 442 Fl. 1137DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 18 PRODUÇÃO e FABRICAÇÃO desses bens ou produtos, o que não autoriza pensar em insumos para diante dessas etapas comercialização e entrega (transporte). Essa matéria já foi tratada inclusive em nível de Tribunal Regional Federal da 4ª Região, e a lição passada é a que segue: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. LEIS NºS 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DE INSUMOS. 1. A orientação da nãocumulatividade do PIS e da COFINS foi dada pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, por meio de concessão de créditos taxativamente previstos em seus preceitos para que sejam aproveitados por meio de dedução da contribuição incidente sobre o faturamento apurado na etapa posterior. 2. Nessa ordem, o legislador estabeleceu a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS calculados em relação aos "insumos" adquiridos pela pessoa jurídica, assim considerados os bens e serviços utilizados na prestação de serviços e na fabricação de mercadorias destinadas à venda, nos termos do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. 3. Podese entender como insumo, portanto, todo bem que agrupado a outros componentes, qualifica, completa e valoriza o produto industrializado a que se destina. Logo, as embalagens utilizadas especificamente para acondicionar mercadorias para transporte não estão abrangidas pela definição de insumos, porquanto não foram utilizadas no processo de industrialização e transformação do produto final. 4. A aplicação do princípio da nãocumulatividade do PIS e da COFINS em relação aos insumos utilizados na fabricação de bens e serviços não implica estender sua interpretação, de modo a permitir que sejam deduzidos, sem restrição, todos e quaisquer custos da empresa despendidos no processo de industrialização e comercialização do produto fabricado. 5. Apelação e remessa oficial providas. TRF4 APELREEX 200772010002444; JOEL ILAN PACIORNIK; D.E. 25/11/2008 (Grifouse). Quanto às glosas a título de embalagens utilizadas pela recorrente, notase, à evidência, o creditamento de elementos de transporte, tais como pallets de madeira bruta, bandejas plásticas, traypacks, grampos, colas, fundos de papelão, tampas de papelão, lâminas de plástico e fitas adesivas, e outros bens sequer caracterizáveis como embalagens (como mudas de pinus para replantio e os termógrafos registradores de temperatura) que não podem ser classificados como material de embalagem de apresentação do produto. De outra banda, a recorrente, mais uma vez, não se esforçou para provar quais itens glosados seriam passíveis de serem classificados como embalagens dos bens produzidos por ela, cingindose a reforçar que o contribuinte provou todos os valores de seus Fl. 1138DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 722 19 créditos, tanto é que o auditor fiscal quando de sua análise, separou todos os créditos, ou seja, aqueles que ele entendia de direito ao contribuinte, e aqueles que o mesmo entendia que não davam direito ao crédito, valorando os mesmos. Se o contribuinte não tivesse provado todos os créditos que estava requerendo, não haveria possibilidade dessa valoração pelo auditor fiscal. Para evidenciar a impossibilidade de reconhecimento do direito pleiteado pela recorrente, no particular, vale a pena reproduzir excerto da decisão recorrida afeta ao assunto: É certo que a contribuinte anexa à sua manifestação de inconformidade algumas fotos e amostras de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas constantes da planilha às folhas 596 a 598. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. Primeiro, apesar de as fotos de caixas de papelão, à folha 650, evidenciarem que se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Segundo, as amostras dos guardanapos para enrolar maçãs (folhas 646) são irrelevantes para o presente processo, uma vez que, dentre as aquisições objeto de glosa, não consta qualquer aquisição de guardanapos de papel ou bens assemelhados. DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTES A decisão recorrida deixou claro que não concordava totalmente com as assertivas da auditoriafiscal, no sentido de que todos os fretes apontados: fretes na aquisição de produtos, fretes de transporte de funcionários, fretes de documentos, fretes de produtos entre matriz e filial, entre outros, não seriam passíveis de serem insumo. Nada obstante, manteve as glosas porque as informações fornecidas acerca da natureza das operações de frete que adquiriu são inconclusivas (dada a descrição genérica) ou evidenciadoras da aquisição de fretes não aptos à geração de créditos nos termos da lei. À fl. 681 constam os detalhes das operações glosadas, trazidos pela autoridade julgadora de primeiro grau: Como da listagem das despesas com fretes glosadas se pode inferir (folhas 599 a 602), a contribuinte usava escriturar, sob dois CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 1352 (Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial Entradas ou aquisições de serviços do Estado) e 2352 (Aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial Entradas ou aquisições de serviços de outros Estados) operações com fretes de variada ordem, muitas delas descritas genericamente como "transportes diversos" e outras Fl. 1139DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 20 tantas como transporte de funcionários, fretes de envelopes/documentos, transporte impressora para conserto, serviços de terceiros Variglog, transporte de equipamentos diversos, etc. Como se percebe, para além das descrições genéricas ("transportes diversos"), os registros da contribuinte que permitem a identificação da natureza dos transportes realizados evidenciam a inclusão, dentre as operações que a contribuinte quer ver como geradoras do direito ao crédito, de despesas com fretes que não estão incluídas entre aquelas, já anteriormente indicadas no presente item deste voto, que efetivamente dão ensejo a tal direito. Com efeito, transporte de documentos e de funcionários, de impressoras e equipamentos, de malote e de mercadoria de informática, bem como de outros bens não intrinsecamente ligados à produção dos produtos, não geram créditos a título de fretes pagos. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte reclama do critério restritivo adotado pela autoridade fiscal, defendendo uma acepção ampla para o creditamento relacionado com as despesas com fretes. Entretanto, é preciso dizer que, como já acima exposto, não é qualquer despesa com frete que dá direito a crédito. Mesmo que, como se expôs neste voto, os critérios não sejam tão restritos quanto o adotado pela autoridade fiscal, verdade é que, mesmo diante do critério mais largo aqui adotado, as operações em relação às quais há identificação da natureza da operação na planilha às folhas 599 a 602, não se mostram como aptas a gerarem créditos (repetindose: despesas com transporte de documentos, de funcionários, de impressoras, de equipamentos, de malote, de mercadoria de informática, de outros bens não intrinsecamente ligados à produção dos produtos). Como a contribuinte defende o direito ao crédito em relação aos fretes vinculados às operações de aquisição de insumos e de transporte de produtos entre seus estabelecimentos, é de se deduzir, na falta de indicação, na planilha às folhas 599 a 602, que as operações descritas como "transportes diversos" (que são a maioria dos registros lá postos) representem estas operações. Ocorre, porém, que como as hipóteses de creditamento relativas a fretes estão especificamente previstas na legislação, não se estendendo a todo e qualquer frete, tornase imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, da minudente identificação da natureza dos fretes em relação aos quais é pleiteado o crédito. Ora, na medida em que a operação é descrita genericamente como "transportes diversos", inviabilizado resta o reconhecimento do direito; e isto mesmo que, em tese, se concorde que algumas despesas com fretes de aquisição de produtos e com fretes entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica dêem direito a crédito. No recurso voluntário, a recorrente discorre acerca do direito de crédito de fretes, trazendo a letra da lei, Soluções de consulta da RFB, Instruções Normativas, instruções de preenchimento do DACON Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, e diz que entre seus créditos estão fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã. fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entretanto, quando Fl. 1140DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 723 21 se trata de apontar seus créditos, de fato, no processo, repete o desnecessário que está tudo provado perante a auditoriafiscal, etc. Ao meu sentir, despiciendo alongar nesta questão, pois conforme já explicitado no item CONSIDERAÇÕES INICIAIS, supra, a prova até pode estar no processo, porém deve ser apontada pela defesa, inclusive com sua localização, sob pena de inviabilizar sua apreciação e consequente demonstração, porquanto não cabe ao julgador/conselheiro compulsar todas as folhas do processo em busca de alguma prova que se encaixe no modelo alegado pela parte. DOS COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES A ratificação da glosa a título de combustíveis e/ou lubrificantes, pela decisão recorrida, teve o seguinte teor, no que diz respeito aos elementos de fato: Como da listagem das aquisições de combustíveis e lubrificantes objeto de glosas se pode inferir (folhas 603 a 606), a contribuinte escriturou, sob dois CFOP (Código Fiscal de Operações e Prestações) 1407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária Entradas ou aquisições de serviços do Estado) e 2407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária Entradas ou aquisições de serviços de outros Estados) aquisições de bens de variada ordem que evidenciam, por seus conteúdos, duas conclusões: (a) primeiro, dentre as aquisições aparecem muitos produtos e serviços que sequer se caracterizam como combustíveis e lubrificantes, como é o caso de pneus, lâmpadas, câmaras de ar, cimento, medicamentos, material para manutenção, tintas, peças diversas, materiais diversos; (b) segundo, observandose as aquisições de combustíveis listadas, percebese que a quase totalidade delas referese a aquisições de gasolina comum efetuadas em postos de abastecimento da cidade, em quantidades pequenas destinadas, no mais das vezes, ao abastecimento de automóveis. Nada há que permita inferir o uso destes combustíveis no processo produtivo da contribuinte. Ora, as aquisições relativas ao primeiro grupo não podem ser objeto de creditamento, pelo simples fato de que não se referem a aquisições de combustíveis e lubrificantes. As do segundo também não podem gerar créditos, em razão de que não há evidência de que os combustíveis adquiridos tenham sido utilizados como insumo pela pessoa jurídica; como o creditamento relativo a combustíveis e lubrificantes não se Fl. 1141DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 22 estende a toda e qualquer aquisição efetuada a este título, torna se imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das aquisições em relação às quais é pleiteado o crédito. E o ônus de comprovar a natureza destas aquisições é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de forma genérica, sem que a natureza destas operações e a sua identificação sejam definidas/produzidas. Deste modo, evidenciada a imprecisa definição das operações, inviabilizado resta o reconhecimento do direito. Em sua peça recursal, a recorrente não trouxe nada de concreto para apreciação, apenas o discurso de que as provas estão todas nos autos, e a lei, a legislação infralegal e os atos normativos do Fisco (individuais, como soluções de consulta, e genéricos, como soluções de divergência) prevêem os combustíveis e lubrificantes como modalidade de insumo. DA DEPRECIAÇÃO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO As glosas de créditos sob a rubrica encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado efetuadas pela auditoriafiscal ocorreram em razão de os créditos apurados estarem associados a "máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã". O decisum guerreado elenca as condições para o direito ao crédito relativo aos encargos de depreciação: a) os bens incorporados ao ativo imobilizado devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo; b) para períodos de apuração até julho de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, independentemente das datas de suas aquisições; c) para períodos de apuração a partir de agosto de 2004, os bens do ativo imobilizado geram créditos, desde que adquiridos a partir de 01/05/2004. E pondera que independentemente da data de aquisição do bem do ativo imobilizado, uma condição deve sempre estar presente: os bens que geram os créditos relacionados com a depreciação, devem ser aqueles envolvidos diretamente com o processo produtivo. Agora, focando o recurso voluntário como um todo, notase que a recorrente defende, mais uma vez, sua visão de ônus da prova (seus créditos foram provados perante a auditoriafiscal) e reprisa sua insurgência, tal qual apresentada na manifestação de inconformidade, contra a glosa dos equipamentos e máquinas não utilizados na produção de maçã, razão pela qual me sinto a vontade para adotar as razões de fato apontadas pela decisão recorrida, uma vez que as razões de direito, relativas ao ônus da prova, foram em itens anteriores sobejamente declinadas: Fl. 1142DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 724 23 Neste sentido, compulsandose a planilha onde constam os bens que geraram os créditos relacionados à depreciação Compulsandose a planilha onde constam os bens que geraram os créditos relacionados à depreciação (Anexo I, às folhas 611 a 615), percebese que, à luz das informações ofertadas pela contribuinte acerca da natureza e forma de aplicação dos bens do ativo imobilizado que estariam a dar direito ao crédito relativo à depreciação, não há como acatar a contestação posta na manifestação de inconformidade. É que, como a seguir se verá, da planilha de bens confeccionada com base nas informações trazidas pela contribuinte, inferese que os bens listados se conformam como: (a) máquinas e equipamentos que não guardam qualquer relação com o processo produtivo; e (b) bens descritos de forma genérica e/ou sem identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados. Ou seja, o conjunto de dados fornecidos pela contribuinte demonstra um alto grau de incorreções técnicas (caracterizadas pelo expressivo volume de bens claramente impassíveis de gerarem créditos) e de imprecisões relativas a questões de fato (descrição genérica dos bens e de sua utilização), que impedem a consideração de tal conjunto de dados como elemento apto a justificar o reconhecimento do direito ao crédito pretendido pela contribuinte. A clarificação do que consta dos dados fornecidos pela contribuinte serve à consubstanciação do que se afirma. Como se disse no parágrafo anterior, os bens listados pela contribuinte podem ser classificados em dois grupos, tendose em conta o conteúdo da descrição de cada bem. O primeiro grupo mostra que a expressiva maioria das máquinas e equipamentos listados não guardam, inequivocamente, qualquer relação com o processo produtivo, por mais larga que fosse a acepção de processo produtivo que se pudesse adotar. Com efeito, lá constam: aparelhos de ar condicionado, aparelhos de telefone, automóveis de passeio (Gol e Santana), câmeras fotográficas, calculadoras financeiras, microcomputadores, notebooks, aparelho celular, registro de marcas, etc. Como se vê, tais itens se conformam como bens que, apesar de poderem estar regularmente incluídos do ativo imobilizado de qualquer empresa, não podem ser considerados como diretamente associados ao processo produtivo da contribuinte, ou seja, como estritamente vinculados à produção dos produtos que a empresa posteriormente destina a venda, nos termos do exigido pelo inciso VI do artigo 3.o, tanto da Lei n.o 10.637/2002 quanto da Lei n.o 10.833/2003 ("máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços"). O segundo grupo é o que inclui itens que, em face de sua descrição genérica e da absoluta falta de identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados, não podem igualmente ser acatados como aptos a gerarem o direito ao creditamento. Exemplos deste tipo de bens são: registradores eletrônicos de temperatura, esticadores, esmirilhadeiras, seladoras, bombas, conversor de freqüência, etc. A ausência de Fl. 1143DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 24 maiores informações acerca da forma e do local de uso destes bens, inviabiliza a aferição inequívoca de suas naturezas e de suas conexões com a atividade produtiva da contribuinte stricto sensu e, por extensão, o reconhecimento do direito ao crédito relativo a suas depreciações. Como se percebe, o direito pretendido pela contribuinte não pode ser acatado porque, primeiro, ela classifica incorretamente grande parte dos bens do ativo imobilizado que gerariam créditos (inclui bens que não estão associados ao processo produtivo ou que sequer se mostram como bens do ativo imobilizado) e, segundo, porque descreve de forma excessivamente sumária outra boa parte dos bens (deixa de definir a função do bem dentro da empresa). Em outras palavras, o pleito não pode ser provido, parcialmente em face de impossibilidade legal e parcialmente em face de falta de comprovação da forma de utilização dos bens. Em verdade, dado o alto grau de imprecisões técnicas relacionadas com a apropriação de créditos pretendida pela contribuinte e exteriorizada nas informações prestadas constante da planilha às folhas 611 a 615, não se pode ter tais informações como instrumento suficiente à comprovação do direito pretendido. DO RATEIO PROPORCIONAL A imputação, quando se refere à Inclusão de Receitas não Consideradas pelo Contribuinte no Rateio Proporcional, diz o seguinte: A administração tributária ao regulamentar a matéria determina que a pessoa jurídica que efetuar, concomitantemente, operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno e exportação de produtos para o exterior, ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, com pagamento em moeda conversível, ou de vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação, deve segregar os custos vinculados às receitas de exportação, utilizandose em sua determinação, a critério da pessoa jurídica, os métodos de: a) apropriação direta, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual entre os custos vinculados à receita de exportação e os custos totais incorridos no mês, apurados por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b) rateio proporcional, aplicandose ao valor dos bens utilizados como insumos, aos custos, às despesas e aos encargos comuns, adquiridos no mês, a relação percentual existente entre a receita bruta de exportação e a receita bruta total, auferidas no mês. Fl. 1144DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13986.000083/200555 Acórdão n.º 310100.740 S3C1T1 Fl. 725 25 Os valores "Outras Receitas" informados nos campos 07 e 09, Ficha 07 da DACON, não foram considerados no cálculo de rateio e tais valores modificam a participação proporcional das receitas decorrentes de operações com o mercado externo e o total global das receitas auferidas pela empresa, e deveriam ter sido considerados pela requerente quando do preenchimento da DACON. O contribuinte repete, em sede recursal, o quanto dito na manifestação de inconformidade: Na análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte, a autoridade administrativa alterou a forma de distribuição das receitas pelo Rateio Proporcional, porém, não apresentou base legal para tal alteração. Tendo em vista que o contribuinte efetuou o cálculo de acordo com preenchimento da DACON, através da versão 2.0, disponibilizada pela Receita Federal, requer o contribuinte que seja mantido o cálculo original, elaborado pelo contribuinte, de acordo com orientações de preenchimento da DACON. A decisão recorrida, após breve digressão acerca das normas legais que regulam a questão, pontifica: Como se percebe, pelo critério legal posto só poderia haver exclusão de receitas do montante da receita bruta total no cálculo do rateio proporcional, caso tais receitas não tivessem sido objeto de recolhimento das contribuições, o que não é o caso das "outras receitas" registradas pela contribuinte, pelo menos a partir do que da DACON e dos autos consta. Correta mostrase, portanto, a medida adotada pela DRF/Joaçaba/SC. Com isso, fica mantido o recálculo efetuado no âmbito do despacho decisório contestado. Em princípio, tem razão a recorrente quando afirma que o seu cálculo foi de acordo com as instruções de preenchimento do DACON, porquanto na ajuda da Ficha 06 da versão 2.0 do DACON, quando são tratadas as receitas de exportação e os custos vinculados às receitas de exportação, o critério de rateio apontado é o percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas no mês. Pois bem, ao meu ver, Outras receitas integram o total das receitas (a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), mas não necessariamente a receita bruta total, que vem a ser a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia, Fl. 1145DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 26 nos dizeres da Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 1º. Para que ficasse evidenciada a impropriedade do cálculo apresentado pela recorrente, devia a auditoriafiscal provar que as Outras receitas eram decorrentes de operações que, por suas naturezas, consubstanciassem venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia. Em outras palavras, aqui o ônus de provar o erro do cálculo apresentado pela recorrente é da auditoriafiscal, pois Outras receitas é rubrica residual, que engloba todas as demais receitas não incluídas nas linhas anteriores, inclusive as decorrentes de venda de bens do ativo permanente, sendo irrelevante a classificação contábil adotada para essas receitas (nos dizeres da ajuda da Ficha 07 do DACON versão 2.0), e assim não devem entrar automaticamente na parcela do denominador para que se encontre o percentual de rateio referente às receitas de exportação. Ante o exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, tão somente no que diz respeito ao cálculo do rateio proporcional para chegar aos custos vinculados às receitas de exportação. Sala das Sessões, em 03 de maio de 2011. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 1146DF CARF MF Emitido em 13/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Assinado digitalmente em 25/05/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, 16/05/2011 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 17227.720148/2020-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2015
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI 9.430 DE 1996, ART. 42.
Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, presumem-se tributáveis os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações.
Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO DE MÚTUO. REEMBOLSO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PARENTES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A efetividade da ocorrência dos empréstimos não pode ser comprovada a partir de meros instrumentos particulares realizados por quem possui a livre disposição e administração dos bens societários, devendo ser demonstrada a ocorrência das operações decorrentes de tais contratos através de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, coincidente em datas e valores, além de a informação ter que constar dos Livros escriturados pela empresa.
A alegação de reembolso de valores exige a correta comprovação das despesas realizadas e a identificação da transferência correspondente, não sendo possível a apresentação de valores e despesas genéricas.
QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
Para desconstituir o lançamento de ofício é imprescindível que as alegações contrárias venham acompanhadas de provas consistentes.
Devida comprovação da origem de parte dos valores, o que enseja o acolhimento do recurso.
Numero da decisão: 2202-010.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para corrigir erro material no somatório do valor referente aos saques com cartão de crédito, de R$ 4.500,00 para R$ 7.500,00, e determinar a exclusão de R$ 9.000,00 da base de cálculo do lançamento.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Ricardo Fahrion Nüske - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente).
Nome do relator: JOAO RICARDO FAHRION NUSKE
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI 9.430 DE 1996, ART. 42. Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, presumem-se tributáveis os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE OPERAÇÃO DE MÚTUO. REEMBOLSO. TRANSFERÊNCIA ENTRE PARENTES. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A efetividade da ocorrência dos empréstimos não pode ser comprovada a partir de meros instrumentos particulares realizados por quem possui a livre disposição e administração dos bens societários, devendo ser demonstrada a ocorrência das operações decorrentes de tais contratos através de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário emprestado, coincidente em datas e valores, além de a informação ter que constar dos Livros escriturados pela empresa. A alegação de reembolso de valores exige a correta comprovação das despesas realizadas e a identificação da transferência correspondente, não sendo possível a apresentação de valores e despesas genéricas. QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. Para desconstituir o lançamento de ofício é imprescindível que as alegações contrárias venham acompanhadas de provas consistentes. Devida comprovação da origem de parte dos valores, o que enseja o acolhimento do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 22 7. 72 01 48 /2 02 0- 64 Fl. 2318DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para corrigir erro material no somatório do valor referente aos saques com cartão de crédito, de R$ 4.500,00 para R$ 7.500,00, e determinar a exclusão de R$ 9.000,00 da base de cálculo do lançamento. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) João Ricardo Fahrion Nüske - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto nos autos do processo nº 17227.720148/2020-64, em face do acórdão nº 105-010.240 (fls. 2257 e ss), julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ05), em sessão realizada em 18 de janeiro de 2023, na qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Trata o presente processo de Auto de Infração-AI (e-fls.1511/1518) lavrado em face do contribuinte identificado supra, para constituição de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física-IRPF, no montante de R$ 864.997,20 que, acrescido de multa e juros, totaliza R$ 1.806.892,65 de crédito tributário, em razão de Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal, de e-fls. 1519/1563, em anexo. De acordo com o relato da fiscalização, a contribuinte, após ser regularmente intimada reiteradas vezes, não vinculou os depósitos descritos nos subitens 3.1.1, 3.1.2 e 3.1.3 do TVF, relativos às contas corrente no 21796-7, agência 3106 da Caixa Econômica Federal; nº 50024-0, agência 6476 do Banco Bradesco; e nº 30259-7, agência 2509 do Banco Bradesco, todas mantidas em conjunto com FRANCISCO CUNHA, com documentos que justificassem a origem e natureza desses depósitos/créditos, apurando-se omissão de rendimentos caracterizada por meio de depósitos/créditos bancários, cuja origem não foi comprovada. Os extratos bancários das referidas contas foram entregues por FRANCISCO CUNHA e IRACI CUNHA, em resposta às intimações lavradas. Nos itens 3.1.1, 3.1.2 e 3.1.3 foram detalhados todos os valores apurados relativos aos Fl. 2319DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 depósitos bancários de origem não comprovada, referentes ao ano-calendário 2015, tendo a fiscalização consolidado, na Tabela 4 a seguir, esses valores mensalmente, em reais, que foram levados à tributação, relativos à infração “depósitos bancários de origem não comprovada”: (...) Cientificada em 08/12/2020, conforme Edital Eletrônico 006884034, de e-fls. 1567, a contribuinte apresentou, em 07/01/2021, sua impugnação de e-fls. 1573/1594, onde alega improcedência da cobrança pelos motivos abaixo suscintamente resumidos; 1) Em razão de nulidade no TDPF, tendo em vista a substituição da auditora fiscal e de ter ultrapassado o prazo de 120 dias; 2) Em razão da comprovação de depósitos realizados pela Sique Engenharia Ltda, da qual ela e seu esposo são sócios; 3) Em razão da comprovação de depósitos realizados por seu filho Bernardo Junqueira Alves da Cunha; 4) Em razão da comprovação de outros depósitos de origens diversa pelas razões que explicita; 5) Em razão da Súmula 61 do CARF. Em 03/03/2020, a contribuinte apresenta petição complementar, apresentando novos documentos para justificar alguns depósitos. É o relatório Inconformada, os contribuintes apresentaram recurso voluntário, às fls. 2276 e ss sob alegação de: 1) Nulidade no TDPF, tendo em vista a substituição da auditora fiscal e de ter ultrapassado o prazo de 120 dias; 2) Comprovação da Origem dos Depósitos Bancários Realizados; Voto Conselheiro João Ricardo Fahrion Nüske, Relator. Sendo tempestivo e preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. 1. DA PRELIMINAR RECURSAL 1.1. NULIDADE NO TDPF, TENDO EM VISTA A SUBSTITUIÇÃO DA AUDITORA FISCAL E DE TER ULTRAPASSADO O PRAZO DE 120 DIAS Sustenta o recorrente, em caráter preliminar, a nulidade do auto de infração, sob a alegação de que o mesmo ultrapassou o prazo de 120 dias para sua conclusão bem como houve a alteração da auditora-fiscal responsável. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é documento utilizado para distribuir atividades de fiscalização e diligências a Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, relativos a tributos administrados pela Receita Federal e dá início ao procedimento de fiscalização, no prazo de 120 dias, podendo o mesmo ser prorrogado. Como já apreciado por este Conselho, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, e eventuais vícios não invalida o procedimento, nem macula o lançamento dele decorrente: Fl. 2320DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTROLE. VÍCIOS. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais vícios a ele relativos não invalida o procedimento fiscal, nem macula o lançamento tributário dele decorrente. (Acórdão nº 1302-005.356, Julgado em 14.04.2021) Ainda, a Súmula 171 deste CARF assim dispõe: Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Todavia, ainda que se pudesse vislumbrar alguma inobservância do procedimento fiscal, o que não se observa, ainda assim não seria possível acolher a preliminar de nulidade. Isto porque não é possível a declaração de nulidade sem que seja de fato comprovado o prejuízo causado e, em análise do Recurso Voluntário, não foi apontado nenhum prejuízo concreto ao contribuinte. Rejeito, por esses motivos, a preliminar. 2. DO MÉRITO 2.1. DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS REALIZADOS PELA SIQUE ENGENHARIA LTDA. Informa a recorrente que os depósitos efetuados pela Sique Engenharia LTDA. Foram feitos parte em decorrência de empréstimos à Recorrente e parte para o pagamento das despesas da pessoa jurídica, pela pessoa física. Sustenta que por se tratar de uma empresa familiar, nada mais normal que os sócios realizem pagamentos em nome da pessoa jurídica, por meio de suas contas pessoais, com posterior reembolso. Conforme informado em sede de recurso a Recorrente e seu cônjuge realizaram retiradas no exercício de 2015, sendo R$ 1.366.670,00 (um milhão, trezentos e sessenta e seis mil) para o pagamento de despesas da Sique Engenharia LTDA. Exemplifica que o pagamento feito pela recorrente, no valor de R$3.991,56 se destinava ao pagamento de negócios realizados a empresa Ainda Kartin ME, fabricante de produtos de metal, em nome da Sique Engenharia LTDA. Com relação aos demais valores, afirma a recorrente que os contratos de mútuos apresentados teriam o condão de justificar os depósitos realizados pela Sique Engenharia LTDA, bem como que a Recorrente teria utilizado os lucros a que faria jus ao recebimento para compensar os valores que eram devidos por ela à empresa. Referidos mútuos somam a monta de R$3.917.019,98 Fl. 2321DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 A legislação sobre o tema, em especial a Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42 dispõe sobre a omissão de rendimentos, que fundamentou a presente autuação: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Cumpre salientar que a existência de depósitos bancários em nome do contribuinte consiste em um indício de que os mesmos se realizaram a partir de rendimentos do contribuinte. Por se tratar de indício, deve o contribuinte ser ouvido para indicar a origem destes depósitos e, portanto, cabe ao contribuinte provar por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores tiveram origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva e/ou já tributados na fonte. Considera-se como comprovação a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a determinar a natureza da transação, se tributável ou não. Deve ser apresentado pelo contribuinte uma relação direta entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com com coincidência de datas e valores, não Fl. 2322DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 cabendo a “comprovação” feita de forma genérica fundada em meras alegações e apresentação de documentos sem a correlação dos valores com os depósitos. Considerando a fundamentação acima, passo a análise do caso concreto. Do mútuo Com relação ao mútuo feito pela empresa em que a recorrente e seu cônjuge eram sócios, que somaram R$3.917.019,98, foi apresentado tão somente um contrato particular de mútuo no valor de R$3.870.519,98 datado de 29 de dezembro de 2015. Ainda, afirma em recurso que os referidos valores seriam devolvidos quando da distribuição de lucros (letra b do contrato). Todavia, apresenta em fls. 1639 e 1655, recibos de devolução de empréstimos em nome da recorrente e de seu cônjuge, assinados, pela própria Senhora Iraci e com data anterior ao contrato de mútuo de Doc. 8 da impugnação. Por fim, refere-se ao documento de fls. 2.111 e seguintes, onde consta a distribuição de lucros da empresa nos anos de 2016 e seguintes. Em uma breve análise do referido documento, identifica-se um lucro apurado em 2016 de R$6.612.273,61, tendo sido distribuído R$6.576.636,52, restando um saldo de lucro de apenas R$35.637,09. Idêntico fato ocorreu no ano de 2017, com distribuição total dos lucros apurados. Percebe-se, assim que quando da distribuição de lucros não houve a devolução dos valores recebidos à título de Mútuo, conforme afirma a recorrente e conforme pactuado em instrumento particular de mútuo. Diante dos fatos acima narrados, percebe-se que o contrato particular de mútuo não possui condão de afastar a autuação. Isto porque o registro público mostra-se como requisito essencial para dar efetividade e credibilidade perante terceiros, evitando que as partes os realizem com base em interesses particulares, especialmente quando mutuante e mutuário são ao mesmo tempo pessoa física e sócio da própria empresa. Assim, para serem oponíveis a terceiros, especialmente quando se trata de Fazenda Pública e a finalidade é comprovar uma operação não incidente de tributos, é indispensável o registro dos mesmos, conforme art. 221 do Código Civil Brasileiro: Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Ainda, conforme acima mencionado, sequer foi demonstrado que os valores recebidos à título de mutuo foram minimamente devolvidos à empresa, sendo que os únicos Fl. 2323DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 documentos apresentados são assinados pela própria recorrente e datados em momento ao contrato firmado. Neste sentido, as decisões proferidas por este Conselho: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CONTRATOS DE MÚTUO. FORMALIDADES CONTRATUAIS. REGISTRO DO CONTRATO. As operações de mútuo, para serem opostas ao Fisco, requerem o registro do instrumento de manifestação de vontades. Operações de mútuo entre partes relacionadas, especialmente entre pessoa jurídica e respectivos sócios, requerem formalidades mínimas. A ausência de cláusula de devolução do valor mutuado e a falta de comprovação do pagamento do empréstimo descaracterizam a operação de mútuo. ( Acórdão 2301-006.006 de 11/04/2019) OPERAÇÃO DE MÚTUO. REQUISITOS DE PROVA. Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação.(Acórdão 2201-004.781, de 08/11/2018) Desta forma, não sendo passível de utilização o contrato particular apresentado, não restou comprovada a origem e natureza dos valores recebidos pela Sique Engenharia Ltda, não merecendo reforma a decisão recorrida neste ponto. DOS VALORES RECEBIDOS PARA PAGAMENTO DE DESPESAS DA SIQUE ENGENHARIA LTDA Afirma a recorrente que ela e seu cônjuge realizaram retiradas no exercício de 2015, sendo R$ 1.366.670,00 (um milhão, trezentos e sessenta e seis mil) para o pagamento de despesas da Sique Engenharia LTDA. Cumpre salientar que a existência de centenas de documentos apresentados junto da impugnação, consistindo em: - Notas Fiscais emitidas pela Pessoa Jurídica Sique Engenharia, sem a correspondente movimentação financeira da recorrente - Recibos de pagamento de salário, todos com pagamentos pela pessoa física de Francisco - Recibos de pagamento como nome Sique Engenharia - DANFE sem a correspondente saída financeira – fls. 1.636 - Pagamentos de contas da Sique Suit Locações Ltda - Diversos comprovantes de pagamentos de boletos - Comprovante de pagamento de R$5.313,42 em nome de Iraci à SEFAZ/SC sem referência à SIQUE] - Boletos em nome da Tim Celular S/A Fl. 2324DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 - Diversos recibos em nome da Sique Engenharia com anotações a mão “Pago dia 11/06/2015 R$1.500,00/ R$3.500,00 em espécie” Em que pese a grande quantidade de documentos apresentados, em nenhum momento a contribuinte conseguiu demonstrar a relação direta entre os valores recebidos da Pessoa Jurídica Sique Engenharia, com o respectivo pagamento de despesa da empresa. Somente foi demonstrado que a Sique Engenharia emitiu Notas Fiscais e Recibos em nome da pessoa jurídica, o que não serve para demonstrar a natureza dos valores recebidos pela contribuinte. Assim, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder – dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis, efetuando o lançamento do imposto correspondente. A questão já foi apreciada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através da Súmula nº 26, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 26. A presunção estabelecida no art. 42, da Lei 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Desta forma, não tendo sido comprovada a natureza dos valores recebidos, deve ser mantida a decisão de piso com relação a este ponto. DOS DEPÓSITOS REALIZADOS POR BERNARDO JUNQUEIRA ALVES CUNHA Afirma a recorrente que os valores depositados por Bernardo Junqueira Alves Cunha na conta da ora recorrente referem-se a devolução de parte dos valores que a mesma despendeu em favor do filho, ou por pagamentos diversos, caracterizando-se como reembolso. A decisão de piso foi clara em afirmar que a contribuinte não aponta de forma individualizada que depósitos pretende comprovar a origem: Ressalta que, ao contrário do que afirma a fiscalização, foram apresentados no curso do procedimento fiscal diversos documentos que comprovam que houve transferências da Impugnante para o filho, assim como que houve o pagamento de diversas despesas de Bernardo Junqueira Alves Cunha. E prossegue dizendo: Veja-se a título exemplificativo, conforme documentos anexos (Doc. 09), que entre os anos de 2014 e 2016 foram feitas diversas transferências e pagamento de despesas pelos pais para o filho, as quais eram devolvidas por Bernardo Junqueira Alves Cunha à medida em que obtinha recursos. Aduz que, além disso, houve também a aquisição de veículo automotor no ano de 2014, em nome dos pais para o filho, em que a Impugnante e seu cônjuge arcaram com os valores das parcelas e no exercício seguinte o valor foi reembolsado pelo filho, e que, não havia um controle rigoroso em relação às transferências que eram feitas entre ambos. Ora um possuía crédito em relação ao outro e vice-versa, como em qualquer relação comum. Apesar da linha de construção argumentativa, a contribuinte não aponta de forma individualizada que depósitos pretende comprovar a origem, apresentando mais Fl. 2325DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 uma vez, uma defesa genérica, desprovida de provas sob o argumento de que se trata de relação familiar, razão pela qual não acolho a argumentação pelos mesmos motivos expostos no item anterior. Salienta-se que mesmo em sede recursal a própria recorrente afirma que não há comprovação específica da origem dos valores depositados por Bernardo. Por se tratar de uma relação familiar, pautada na confiança mútua, não houve o controle de rigoroso das transferências que eram feitos entre pais e filhos e, por possuírem créditos em relação ao outro e vice-versa, como em qualquer relação comum entre pais e filhos, é justificável o fato de os valores não serem declarados como empréstimo no IR Nesse ponto, cabe destacar que é descabido a exigência de comprovações específicas de cada movimentação feita entre ambos, por parte da fiscalização, eis que tenta transformar uma simples relação de afeto e apoio financeiro entre pais e filhos em uma operação comercial, o que não ser aceito Assim como ocorreu nos depósitos do tópico anterior, as devoluções dos valores pelo Bernardo não necessariamente foram realizadas no mesmo valor que seus pais lhe disponibilizaram, mas sim em diversos pagamentos parcelados, o que explica a não correspondência exata entre os valores transferidos ao Bernardo – ou das suas despesas que foram pagas pelos seus pais, com os valores dos depósitos que o filho fez em favor da Recorrente e de seu cônjuge. A ausência de comprovação específica da natureza dos valores resta evidente da manifesta divergência nos documentos e argumentos apresentados. Exemplo disto é a afirmação recursal de que o valor de R$117.000,00 depositado por Bernardo em 20.07.2015 seria reembolso pela aquisição de um veículo automotor em 2014, pago pela recorrente e seu cônjuge e que posteriormente, no valor de R$117.000,00 foi reembolsado por Bernardo à vista. Todavia da documentação apresentada referente ao veículo em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 10 constata-se que: - O veículo foi financiado pelo cônjuge da recorrente, Sr. Francisco - O documento do veículo está em nome do cônjuge da recorrente, Sr. Francisco - Conforme apólice de seguro o mesmo está em nome da Pessoa Jurídica Sique Engenharia, da qual Bernardo é sócio - Em momento algum da documentação do veículo consta o nome de Bernardo, nem mesmo como condutor principal. Ainda, é apresentado também um instrumento de confissão de dívida com instituição financeira, dívida esta que teria sido paga por Iraci e posteriormente reembolsada por Bernando, porém o documento carece de qualquer segurança, não possuindo sequer assinatura por parte da instituição financeira ou autenticação. Com isso, percebe-se que a recorrente se desincumbiu de seu ônus de comprovar a natureza dos valores, nem sua finalidade, sob o argumento de se tratar de uma relação familiar Fl. 2326DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 DA COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS DE ORIGEM DIVERSA Com relação aos depósitos de valores de origem diversa, apresenta o recorrente tabela e alega a devida comprovação de todas as origens. Neste pontos acolho parcialmente a irresignação e, na parte em que nego provimento ao recurso, transcrevo o voto proferido no acórdão da DRJ, conforme faculta o artigo 114, §12º, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634/2023, haja vista não haver novas razões de defesa no recurso voluntário além daquelas já analisadas pela decisão de primeira instância que abaixo transcrevo e que, desde logo, acolho como minhas razões de decidir Da comprovação de outros depósitos de origens diversas Neste ponto, a contribuinte apresenta uma tabela onde relaciona uma série de depósitos considerados de origem não comprovada, tendo, em uma das colunas, a informação do motivo pelo qual a fiscalização assim considerou conforme o TVF, a seguir transcrita: Neste ponto, embora apresente a sua defesa de forma individualizada, isto é, depósito a depósito, as explicações não são suficientes para justificar os depósitos, quais sejam: presente de Natal e de aniversário efetuado em dinheiro por sua mãe já falecida (itens 1, 2 e3); venda de cadeira e mesa para ex-funcionária que alega não poder comprovar devido ao lapso temporal (item 26); depósito em dinheiro feito por ela mesma (item 28), parte com saque em banco parte com espécie que tinha em casa; estorno de cartão de crédito cujo extrato não conseguiu obter pelo lapso temporal (item 31). Sobre os demais valores e as respectivas provas apresentadas, temos as seguintes considerações: a) Itens 4 e 5 – sobres os depósitos de R$ 4.500,00 cada, a contribuinte alega se tratar de ressarcimento de dano a veículo pela empresa responsável, anexando Recibo de Quitação e Transação assinado pelas partes e, na sequência, dois comprovantes de depósito, sendo apenas um deles feito pela Viação Nossa Senhora. O outro é um depósito em dinheiro onde consta que o depositante é o próprio favorecido, seu marido e cotitular da conta: b) Item 6 – sobre o depósito de R$ 85.000,00, a contribuinte alega se tratar de empréstimo feito a terceiros, anexando uma declaração assinada pelo suposto mutuário dizendo que adquiriu o empréstimo em 2015 neste valor e pagou em 2016, uma parte através de venda de gado e outra parte em dinheiro em espécie. Sobre o contrato de mútuo, o mesmo sequer foi registrado e não se encontra lastreado por elementos que atestem a efetividade do negócio entre as partes, a exemplo da prova do trânsito de numerário entre as partes compatível em datas e valores e informação tempestiva na declaração de IR de ambos, dentre as mais relevantes a destacar; c) Item 7 – o valor de R$ 6.531,00 a contribuinte alega que foi empréstimo a irmã, apresentando dois comprovantes de depósito na conta da mesma totalizando R$ 6.500,00, portanto não faz prova do mútuo; d) Item 8 - o valor de R$ 12.000,00 a contribuinte alega que foi empréstimo ao seu funcionário rural, apresentando uma declaração simples desse funcionário dizendo que tomou o empréstimo; e) itens 9, 11, 12, 13, 14, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23 e 24- a contribuinte alega que decorrem de saques feitos no cartão de crédito entre os dias 30/09/2015 a 16/11/2015 e creditados na conta corrente da Impugnante e anexa extratos do cartão de crédito Fl. 2327DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 MasterCard Black, onde confirmo que houve saques com coincidência de data e valor dos itens 9, 11, 12, 13, 14, 18, 19, 20, 23 e 24 apenas, totalizando R$ 500,00 a ser excluído da base de cálculo do mês de setembro, R$ 3.000,00 da base de cálculo do mês de outubro e R$ 4.500,00 da base de cálculo do mês de novembro; (grifos nossos) f) itens 10 e 27 – Os valores de R$ 35.339, 10 e R$ 59.980,00, respectivamente, a contribuinte alega referem-se aos depósitos feitos por Adilson Rosa e Afrânio Fonseca, em decorrência da aquisição de equipamentos agrícolas usados, quais sejam, tanque de leite e ordenha mecânica, bem como trator Massey Ferguson com arado e grade, destacando que se trata de equipamentos antigos e que na zona rural não é comum registrar este tipo de operação, razão pela qual apresenta tão-somente uma declaração de ambos compradores, desacompanhada de quaisquer outras provas inclusive do trânsito do numerário entre as partes, ainda mais na quantia considerável para um pagamento em espécie; g) item 15- Sobre o valor de R$ 9.000,00, a contribuinte alega se tratar de devolução de empréstimo feito ao pai de Francisco Soares Alves Cunha, Sr. Francisco Alves Cunha, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), cujo valor foi acrescido de valor de R$ 1.000,00 (um mil reais) relativo a presente de aniversário para o filho. Anexa comprovante de depósito no valor de R$ 8.000,00 na conta do Sr. Francisco Alves Cunha, no valor de R$ 8.000,00, que, além de não coincidir em valores, não é suficiente para comprovar um contrato de mútuo pelas considerações que já expus exaustivamente ao longo do voto; h) item 16 – Sobre o valor de R$ 300,00 alega ser referente ao depósito de cheque pela Iraci Junqueira Alves Cunha, conforme comprovante emitido pelo Banco Bradesco em anexo. Entendo comprovado esse valor de R$ 300,00 que deve ser excluído da base de cálculo de novembro;(grifos nossos) i) itens 25, 33, 34, 35 e 36 – a contribuinte alega se tratar de devoluções de empréstimos feitos pelo Francisco Soares Alves Cunha. Anexa declaração apresentada por Ricardo Velleda de Fraga Rocha atestando o mútuo e comprovantes de depósito na conta do suposto mutuário, não logrando assim êxito em comprovar um contrato de mútuo pelas considerações que já expus exaustivamente ao longo do voto; j) itens 29 e 32 – a contribuinte alega se trata de pagamentos feitos no caixa do Bradesco com cartão de débito no valor de R$4.843,20 (quatro mil, oitocentos e quarenta e três reais e vinte centavos) e R$ 1.889,30 (um mil, oitocentos e oitenta e nove reais e trinta centavos) e como algumas contas não podiam ser pagas no caixa do Bradesco, o crédito foi estornado para a conta. Anexa extratos bancários, mas os valores não coincidem com os depósitos considerados não justificados, razão pela qual não logrou êxito a contribuinte; k) item 30- a contribuinte alega que o valor se refere a sobra de saque no valor de R$ 19.000,00 (dezenove mil reais) efetuado na conta corrente da Caixa Econômica Federal, que por não ter sido integralmente utilizado, a quantia de R$ 3.500,00 foi depositada na conta, anexando extratos. Porém, não logra êxito em justificar os depósitos Portanto, não assiste razão ao contribuinte Com relação ao argumento de que os itens 17, 21 e 22 da tabela apresentada pelo recorrente também se referem a saques com cartão de crédito e, assim, mereceriam o mesmo tratamento adotado aos demais saques, entendo que também não merece prosperar a alegação. Isto porque, somente foram excluídos os valores devidamente comprovados em extrato do cartão de crédito apresentado e, conforme se percebe, não constam do referido documento os saques constantes dos itens 17, 21 e 22 da planilha. Pelo contrário, constam, no Fl. 2328DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 dia 13.11, três saques de R$1.000,00, e não cinco saques como leva a crer a planilha do recorrente. DO PROVIMENTO PARCIAL Contudo, entendo que merece provimento o recurso tão somente para corrigir os valores referentes aos itens 9, 11, 12, 13, 14, 18, 19, 20, 23 e 24, já que os mesmos somam R$7.500,00, diferentemente do que constou da decisão da DRJ (R$4.500,00). Com relação a comprovação dos valores referentes ao itens 4 e 5, consistindo em dois depósitos de R$4.500,00 supostamente realizado pela Viação Nossa Senhora de Lourdes S.A, em decorrência de acidente com o veículo, entendo que merece razão ao recorrente. Consta de Fls. 980 e ss Recibo de Quitação Geral e Transação entre a Viação Nossa Senhora de Lourdes e o Sr. Francisco Cunha, cônjuge da recorrente, referente a acordo firmado com a Viação Nossa Senhora no valor de R$9.000,00 a serem pagos em duas parcelas de R$4.500,00, com datas de pagamento em 14.01 e 13.02. 2015. Trata-se de documento particular, reconheço, porém com assinatura de duas testemunhas. Ainda, comprovando o efetivo cumprimento do acordo, consta de fls. 983 comprovante de depósito em Conta Corrente em 13.01.2015, no valor de R$4.500,00. Em que pese a afirmação pela DRJ de que se trata de valor depositado pelo próprio Sr. Francisco, saliento que se trata de depósito de Cheque, sendo Favorecido o cônjuge da recorrente. Posteriormente, em fls. 984, comprova-se a realização de TED da Viação Nossa Senhora de Lourdes no valor de R$4.500,00 em 12.02.2015. Com isso, apresentado instrumento particular, firmado por duas testemunhas, comprovados os pagamentos de forma idônea e, constando fotos da colisão, entendo por comprovada a origem do valor de R$4.500,00 em 13.01.2015 e em 12.02.2015. Desta forma, assiste razão ao recorrente quanto ao somatório dos itens 9, 11, 12, 13, 14, 18, 19, 20, 23 e 24, que totalizam R$7.500,00 bem como a comprovação dos depósitos de R$4.500,00 em 13.01.2015 e em 12.02.2015. Quanto aos demais pontos, mantenho a decisão da DRJ por seus próprios fundamentos. Conclusão. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para corrigir erro material no somatório do valor referente aos saques com cartão de crédito, de R$ 4.500,00 para R$ 7.500,00, e determinar a exclusão de R$ 9.000,00 da base de cálculo do lançamento. (documento assinado digitalmente) Fl. 2329DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-010.660 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 17227.720148/2020-64 João Ricardo Fahrion Nüske Fl. 2330DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10280.001743/2005-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. VALOR APURADO PELO FISCO.
SUPERIOR AO PEDIDO DO CONTRIBUINTE.
A competência para o julgamento de qualquer processo está circunscrita pela norma de outorga, bem como pelo objeto da lide instaurada, ou seja, a pretensão resistência, como também os fundamentos da pretensão e os fundamentos da resistência, é que delimitam a lide. De modo que o julgador nem pode ampliar o objeto do pedido nem trazer argumentos de direito que excluam o duplo grau de jurisdição.
REGIME LEGAL PARA TRANSFORMAÇÃO DA NATUREZA
JURÍDICA DO CRÉDITO ESCRITURAL. LIMITE OBJETIVO.
O Pedido de Ressarcimento é a instrumentalização legalmente instituída para que o saldo credor de IPI (crédito escritural) mude sua natureza jurídica para “crédito tributário” passível de restituição pelo contribuinte.
RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
Numero da decisão: 3101-000.714
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. VALOR APURADO PELO FISCO. SUPERIOR AO PEDIDO DO CONTRIBUINTE. A competência para o julgamento de qualquer processo está circunscrita pela norma de outorga, bem como pelo objeto da lide instaurada, ou seja, a pretensão resistência, como também os fundamentos da pretensão e os fundamentos da resistência, é que delimitam a lide. De modo que o julgador nem pode ampliar o objeto do pedido nem trazer argumentos de direito que excluam o duplo grau de jurisdição. REGIME LEGAL PARA TRANSFORMAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO ESCRITURAL. LIMITE OBJETIVO. O Pedido de Ressarcimento é a instrumentalização legalmente instituída para que o saldo credor de IPI (crédito escritural) mude sua natureza jurídica para “crédito tributário” passível de restituição pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO
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Recorrida DRJBELÉM/PA Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. VALOR APURADO PELO FISCO. SUPERIOR AO PEDIDO DO CONTRIBUINTE. A competência para o julgamento de qualquer processo está circunscrita pela norma de outorga, bem como pelo objeto da lide instaurada, ou seja, a pretensão resistência, como também os fundamentos da pretensão e os fundamentos da resistência, é que delimitam a lide. De modo que o julgador nem pode ampliar o objeto do pedido nem trazer argumentos de direito que excluam o duplo grau de jurisdição. REGIME LEGAL PARA TRANSFORMAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO ESCRITURAL. LIMITE OBJETIVO. O Pedido de Ressarcimento é a instrumentalização legalmente instituída para que o saldo credor de IPI (crédito escritural) mude sua natureza jurídica para “crédito tributário” passível de restituição pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO IMPROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001743/200574 Acórdão n.º 310100.714 S3C1T1 Fl. 433 2 Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Corintho Oliveira Machado, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 373/398), contra decisão de primeira instância (fls. 363/365) que deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade, na qual se discute a glosa referente a alguns dos produtos declarados como insumos pela Recorrente na contabilização de seu crédito presumido de IPI – relativo ao quarto trimestre de 2004 – e que a Fiscalização entendeu não estarem compreendidos no rol do inciso I do art. 147 do RIPI/98. Através de PERD/COMP (fls. 02/15), a Recorrente pleiteou a compensação do crédito presumido de IPI, no valor de R$1.387.970,95 (um milhão, trezentos e oitenta e sete mil, novecentos e setenta reais e noventa e cinco centavos), referente à incidência das contribuições do PIS e da COFINS nas aquisições, no mercado interno, de insumos para emprego em sua produção exportada. Inicialmente, a Fiscalização glosou parte do crédito pleiteado sob o fundamento de que sua apuração levou em conta mercadorias que não atendiam aos requisitos da Lei nº 9.363/96, segundo fundamentado às fls 75/78: ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS (Diesel) — Apesar do processo se referir ao 3º trimestre de 2004, de acordo com o despacho do SEORT/DRRBEL às fls. 16, o pedido se fundamenta na Portaria MF n° 38/97, de 27/02/1997, que não admite gastos com energia elétrica ecombustíveis, motivo pelo qual efetuamos a glosa destes insumos; b. OXIGÊNIO — De acordo com as informações apresentadas pelo contribuinte, onde detalha o seu processo industrial, os produtos intermediários servem basicamente para movimentação da matéria prima pelas etapas de industrialização. Isto posto, efetuamos a glosa considerando que não se integram ao produto final; c. FRETE — Não se integram ao produto final por intermédio de qualquer um dos processos de industrialização, por se tratar de serviços; d. CLASSIFICAÇÃO — Esta espécie foi glosada por não especificar o tipo de insumo. A Recorrente insurgiuse (fls. 80/84) demonstrando que seu pedido se deu com base na Lei nº 10.276/2001 e que por isso a Fiscalização errou ao excluir valores relativos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001743/200574 Acórdão n.º 310100.714 S3C1T1 Fl. 434 3 à energia elétrica e combustíveis, além de ter adotado a metodologia de cálculo prevista pela Lei nº 9.363/96. O Fisco reconsiderou seu posicionamento e passou a incluir os valores glosados o que resultou, ainda, num valor menor do que o requerido pela Recorrente, atingindo o montante de R$515.410,62 (quinhentos e quinze mil, quatrocentos e dez reais e sessenta e dois centavos). Insatisfeita, a Recorrente interpôs Manifestação de Inconformidade (fls. 146/170) aduzindo que: i) apesar da inclusão do cálculo com base nas aquisições de energia elétrica e combustíveis, a Fiscalização ainda manteve a metodologia da Lei nº 9.363/96, enquanto que o correto deveria ser o da Lei 10.276/2001; ii) é indevida a glosa com base na exclusão do frete relativo ao transporte de MatériasPrimas, fundamentando que o valor desse serviço integrase ao preço final do insumo utilizado na produção que será exportada, deitando por terra a razão de ser do crédito presumido de IPI, já que as mercadorias seguem para o exterior oneradas com o PIS e a COFINS; iii) é indevida a glosa do crédito com base na exclusão das aquisições de material de embalagens, argumentando que se baseia em autorização expressa do inciso I, do §1º do art. 1º da Lei 10.276/2001; iv) os serviços de industrialização, por expressa autorização do inciso II do §1º do art. 1º da Lei 10.276/2001, deve ser levado em conta no cálculo do crédito pleiteado; v) existem insumos reconhecidos pela Fiscalização e que não foram contabilizados no momento da apuração dos créditos, e vi) é devida a atualização de seu crédito com a incidência da SELIC; Inicialmente a DRJ converteu o julgamento em diligências (fls. 319/324) para que a repartição de origem: i) revisse a glosa sobre o frete nos transportes de matériasprimas realizados por pessoa jurídica contribuinte do PIS e da Cofins e, ii) refizesse o cálculo do crédito presumido conforme a metodologia da Lei nº 10.276/2001. Cumpridas as diligências, o valor do crédito reconhecido em favor da Recorrente aumentou para o montante de R$1.567.590,67 (mil quinhentos e sessenta e sete, quinhentos e noventa reais e sessenta e sete centavos) – fls. 360. Os autos retornaram para a DRJ (fls. 363/364), que proferiu seu julgamento, dando parcial provimento à Manifestação de Inconformidade, conforme os fundamentos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, como é exemplo a edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972 (incluído pela Lei n° 11.196/2005). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001743/200574 Acórdão n.º 310100.714 S3C1T1 Fl. 435 4 INCONSTITUCIONALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais. Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 JUROS SELIC. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento e créditos do IPI. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do argumento apresentado pela DRJ é importante destacar que (fls 364 verso) há expresso reconhecimento de que a Fiscalização apurou valor de crédito maior do que o requerido pela Recorrente. Nesse sentido, posicionouse a DRJ para que a homologação nos autos fosse concedida nos exatos limites do pedido de compensação, ou seja, no importe de R$1.387.970,95 (um milhão, trezentos e oitenta e sete mil, novecentos e setenta reais e noventa e cinco centavos) e não no valor de . R$1.567.590,67 (mil quinhentos e sessenta e sete, quinhentos e noventa reais e sessenta e sete centavos). Disso, seguiuse a compensação com base nos valore concedidos pela decisão de primeira instância, conforme o Demonstrativo de Compensação (fls. 371). E depois do confronto de contas, restou em favor da Recorrente um crédito no valor de R$22.327,82 (vinte e dois mil, trezentos e vinte e sete reais e oitenta e dois centavos) Intimada da decisão de primeira instância em 08/09/2009, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 23/09/2009 (fls. 373/378), oportunidade em que rebate os argumentos da DRJ, requerendo a homologação da totalidade do crédito reconhecido pela Fiscalização, sem se limitar ao pedido originariamente formulado, além de protestar pela possibilidade de ressarcimento em espécie dos valores que não puderem ser compensados, fundamentando seu posicionamento no art. 4º da Lei º 9.363/96, bem como requer a atualização monetária dos valores com base na SELIC. Finalmente, a Recorrente peticiona (fls.414/415) requerendo o depósito em conta corrente do excedente apurado nas compensações demonstradas às fls. 371, no importe de R$ 22.327,82. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001743/200574 Acórdão n.º 310100.714 S3C1T1 Fl. 436 5 Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. A questão fulcral da demanda, que surge após a conversão do julgamento de primeira instância em diligência é a identificação de valor a ressarcir superior ao valor requerido, de modo que é cabível a aplicação de normas processuais para deslinde da matéria recursal. A competência para o julgamento de qualquer processo está circunscrita pela norma de outorga, bem como pelo objeto da lide instaurada, ou seja, a pretensão resistência, como também os fundamentos da pretensão e os fundamentos da resistência, é que delimitam a lide. De modo que o julgador nem pode ampliar o objeto do pedido nem trazer argumentos de direito que excluam o duplo grau de jurisdição. Nestes autos, percebese que, após a conclusão da diligência determinada pela DRJ/BelémPA, a Recorrente foi intimada do resultado, em 26/05/2009, momento em que deveria ter solicitado aditamento ao pedido inicial para obter a restituição integral do saldo credor de IPI apurado a título de ressarcimento de PIS e de COFINS e que era passível de restituição, haja vista que, até então, seu pedido estabelecia limite objetivo à administração para o ressarcimento. Como tenho entendido, é através do pedido formulado pelo contribuinte que o chamado crédito escritural pode ser convertido em “crédito tributário”, é o pedido que instrumentaliza a mudança de natureza jurídica desse crédito. O crédito de natureza escritural tem a finalidade de viabilizar o princípio da nãocumulatividade, de modo que o contribuinte que adquirir matériaprima, material de embalagem ou produto intermediário, que tenham sofrido a incidência do IPI, deverá subtrair daquilo que já pagou a título desse imposto, o montante que for devido no ato de comercialização de sua produção, de modo que o imposto efetivamente incidente será o verificado apenas no último elo do ciclo produtivo. Mesmo que sua produção seja tributada à alíquota zero ou isenta, persistirá em favor do contribuinte o direito à manutenção do crédito escritural pago na entrada, por força do que determina o art. 11 da Lei nº 9.779/99. Do mesmo modo é que se processa a escrituração do crédito presumido de IPI para ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos utilizados para industrialização de produtos destinados à exportação. É de notarse que o sistema de direito positivo estabelece a forma para que um crédito tributário transformese em crédito escritural – com o destaque do imposto na nota fiscal de saída e conseqüente ingresso no estabelecimento industrial do adquirente, aquele imposto devido pelo fornecedor passa a ser direito creditório escritural pelo adquirente contribuinte do IPI. Da mesma maneira, estabelece a forma para que um crédito escritural Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001743/200574 Acórdão n.º 310100.714 S3C1T1 Fl. 437 6 transformese em “crédito tributário”, ou seja, direito creditório que o contribuinte tem em face do Fisco por acúmulo de saldo credor na conta gráfica: Art. 256. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3o, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2o (Lei no 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei no 9.779, de 1999, art. 11). § 2o O saldo credor de que trata o § 1o, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento, tributado à alíquota zero, ou ao abrigo da imunidade em virtude de se tratar de operação de exportação, nos termos do inciso II do art. 18, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 268 e 269, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 9.779, de 1999, art. 11). Ora, dado o fato de o contribuinte acumular saldo credor no trimestre, deve ser o direito à ressarcimento, na forma de pedido de compensação ou na forma de pedido de ressarcimento/restituição. Os aspectos temporal, espacial e material das normas de incidência que confere a transformação da natureza jurídica do crédito escritural em direito creditório tributário contra o Fisco, se revelam no exato momento em que o contribuinte protocoliza seu pedido de ressarcimento/restituição/compensação. Nesse instante, aquilo que era crédito escritural passa a ser um dever que o Fisco tem de adimplir a restituição. É esse o fundamento que autoriza a atualização do crédito a restituir desde a data do pedido até a efetiva restituição. Assim, ainda que seja incontroverso nos autos o direito ao crédito presumido de IPI no valor expresso pela Fiscalização, o limite da conversão desse crédito escritural em crédito tributário passível de restituição está grafado no pedido de restituição requerido por meio da PERD/COMP de fls.02/15. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10280.001743/200574 Acórdão n.º 310100.714 S3C1T1 Fl. 438 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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