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Numero do processo: 13433.000432/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PORCINO FERNANDES DA COSTA JUNIOR.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e relator.
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Redatora-designada.
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente), Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Jimir Doniak Junior (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PORCINO FERNANDES DA COSTA JUNIOR. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Redatora-designada. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente), Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Jimir Doniak Junior (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e relator. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Redatoradesignada. Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (presidente), Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Jimir Doniak Junior (suplente convocado). Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 34 33 .0 00 43 2/ 20 09 -1 9 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório PORCINO FERNANDES DA COSTA interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 674) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 04/14, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2005 e 2006 , no valor de R$ 868.891,68, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 1.879.551,95. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários sem comprovação de origem, conforme detalhada descrição dos fatos do auto de infração. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o processo administrativo fiscal deve respeitar o principio da legalidade previsto no inciso II do art. 5° da Constituição Federal em consonância com o art. 7° da Declaração de Direitos de 1789, bem como no art. 2° da Lei n° 9.784/1999; que o referido princípio foi violado face à inexistência no processo de vários documentos indispensáveis, como Termo de Início de Ação Fiscal, Termo de reintimação fiscal, dentre outros; que o Termo de Inicio de Ação Fiscal teve sua validade extinta em 15/10/2008 por força do prazo de MPF F 04.2.02.002008.001905, conforme art. 14, II, c/c art. 11, I da Portaria RFB no 11.371/07; que, não tendo havido prorrogação do referido Mandado de Procedimento como previsto no art. 12 da citada Portaria, não é válida a reintimação ocorrida em 19/12/2008, nem tampouco seria possível a ciência em 17/06/2008, visto que a emissão do documento de fls. 396 se deu em 23/10/2008; que, consequentemente, todos os atos praticados após o dia 15/10/2008 devem ser declarados nulos; que solicitou cópia integral do processo — composto por três volumes com folhas numeradas até 486 por meio de requerimento protocolado em 14/05/2009, não tendo tido acesso aos documentos supra citados; que, em face do previsto no art. 267, III e IV do CPC e no art. 59, II do Decreto n° 70.235/1972, deve o processo ser extinto sem julgamento de mérito em razão da ausência de documentos na cópia recebida pelo contribuinte, importando em cerceamento a seu direito de defesa e em lesão ao direito ao contraditório, previstos no art. 5°, inciso LV da CF/1988, e também em razão da "caduquice" do Termo de Inicio de Fiscalização; que o contraditório exige a notificação dos atos processuais à parte interessada, a possibilidade de exame das provas constantes do processo, o direito de assistir inquirição de testemunhas e o direito de apresentar defesa escrita; que participa de várias pessoas jurídicas com amplos e diversos objetos sociais, notadamente a compra e venda de veículos novos e usados, como consta de suas declarações de ajuste anual dos anoscalendário de 2004 e de 2005, a saber: Povel Porcino Veículos Ltda, CNPJ 08.378.861/000110, Canal Automóveis Ltda, CNPJ 08.248.924/000113, Porcino Import's Automóveis Ltda, CNPJ 70.147.152/000105; Porcino Fernandes da Costa Junior, CNPJ 04.675.869/000197; que seu patrimônio pessoal declarado revela e garante solvabilidade junto às instituições financeiras resultando em "contratos de custodia de cheques e outros contratos de operações financeiras firmados com aqueles bancos" e em "obtenções de vantajosos contratos de descontos, custodias e outros benefícios junto aquelas instituições"; Que isso significa "afirmar que os movimentos financeiros realizados pela PESSOA FÍSICA do impugnante como restará provado, não implica as condições e pressupostos de ingresso de receitas ou mesmo de disponibilidade econômica em proveito próprio"; que todas as operações de crédito vinculadas às contas correntes "decorrem de operações financeiras que envolvem trocas de cheques, créditos rápidos (CDC) e outras Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 4 3 operações financeiras em que o contribuinte ora autor realizou em seu nome, todavia, em decorrência das operações de compra e venda de veículos realizados pelas empresas das quais é, ele impugnante, sócio administrador e titular" (fls. 522); que nos documentos de fls. 130 a 132 podese perceber haver custódia de cheques e nos documentos de fls. 134 a 199 e de fls. 202 a 225, também relacionados às custódias de cheques decorrentes da compra e venda de veículos, consta o carimbo da Povel Porcino Veículos Ltda, com assinatura do responsável pelo setor financeiro, comprovando as operações de desconto de títulos por meio da conta do sócio; que sempre houve o repasse dos valores para os legítimos detentores dos direitos creditórios, conforme fls. 227 a 229; que da análise do processo se verifica a existência de diversas transferências da conta bancária do contribuinte com destino a contas correntes de empresas das quais ele é participante societário, totalizando R$ 686.128,76, entre as quais enumera várias; que apesar desses fatos o auditor fiscal informou no item 2.4 de fls. 05 que as informações de fls. 330 a 334, 337, 343, 345 a 348, 356 a 362, 372 a 376, 384 a 386 e 395 não se referiam ou não se vinculavam as operações questionadas; que é fantasioso admitir que um empresário desta região, por mais bem sucedido que seja individualmente, seja capaz de gerar tão vultosa riqueza; que atribuir ganhos de tão alta monta a uma pessoa física seria o mesmo que negar a necessidade da existência das pessoas jurídicas. O Impugnante requereu a realização de perícia nas contas correntes para que "se esclareça a existência de todas as operações de depósitos ali realizadas são correlacionadas com operações de comercialização de veículos, novos e usados pelas empresas JCI informadas, ou seja, Povel Ltda, Canal Ltda, Porcino Import's Automóveis Lida, Porcino Fernandes da Costa Júnior e outras", indica o perito e formula quesitos. Também alegou que o lançamento afronta o principio da presunção da inocência, por não haver um mínimo necessário de provas produzidas por meio de um devido processo legal e com a garantia da ampla defesa, e cita a súmula 182 do extinto TRF e transcreve jurisprudência do STF no sentido do aplicação do referido principio, associado ao principio do in dubio pro Reo; que não houve qualquer acréscimo patrimonial e, portanto, não houve renda nos termos do art. 153, III, §2° da CF/1988 e dos arts. 43 a 45 do Código Tributário Nacional; que os valores depositados junto ao Bradesco devem ser excluídos, pois contêm recursos próprios já declarados pelo contribuinte; que os referidos recursos totalizam R$ 220.403,75, no anocalendário de 2004, conforme fls. 51, enquanto foi declarada, a título de rendimentos isentos, a quantia de R$ 234.027,37, conforme declaração de ajuste anual apresentada em 29/04/2005; que as cópias das folhas 133 e 228 não foram entregues aos contribuinte pela SRFB; que, requer, alternativamente, caso sejam considerados devidos os valores apurados, que o lançamento deve ser direcionado à pessoa jurídica, visto que decorrentes de atividade empresarial nos termos da lei civil e da jurisprudência judicial; que o contribuinte não deve ser tributado como pessoa física, mas como empresário individual, em razão de sua atividade econômica de compra e venda de veículos, já devidamente registrado na JUCERN sob NIRE 24100830439, em 18/09/2001, CNPJ 04.675.869/000197, como previsto no art. 150 do RIR/1999, forma menos gravosa de lançamento; que a conta bancária do contribuinte pessoa física foi utilizada "com o objetivo de movimentar recursos derivados da atividade exercida pela pessoa jurídica denominada de PORCINO FERNANDES DA COSTA JUNIOR —já qualificada linhas acima — importando, portanto, tratarse de caso de equiparação et RI" (fls. 555); que o contribuinte "não incorporou os valores creditados, pois, nem podia, pois de duas uma: (i) os valores retornaram para as empresas POVEL LTDA, CANAL LTDA e PORCINO IMPORT'S, corno já anteriormente em decorrência de 'Mica e exclusiva movimentação conforme já expandido, ou (ii) tratase tão somente de operações decorrentes da atividade do empresário individual PORCINO FERNANDES DA COSTA JUNIOR" (fls. 555); transcreve ementas do então Conselho de Contribuintes em favor de sua equiparação a pessoa jurídica que consta do Anexo I elaborado Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 5 4 pela fiscalização a emissão de diversos cheques pelo contribuinte destinados As operações comerciais realizadas pelas pessoas jurídicas; que esses desembolsos da pessoa física, tendo como destino os créditos das pessoas jurídicas se não justificados pelas explanações ora apresentadas, somente se justificariam se tivesse havido repetidas aquisições de cotas de capital daquelas sociedades; que a penalidade aplicada, no percentual de 75%, contraria os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pois representa sanção em medida superior àquela necessária ao atendimento do interesse público; que o lançamento é ato administrativo vinculado, razão pela qual a Administração, no exercício de seu poder de autotutela, deve fazer controle da legalidade e da constitucionalidade, inclusive vedando a aplicação confiscatória da tributação; que o Supremo Tribunal Federal já decidiu, ao julgar a ADI 551, que o principio da proibição do confisco, previsto no inciso IV do art. 150 da CF/1988, é aplicável as multas e não apenas aos tributos. Que, de acordo com o art. 26A do Decreto n° 70.235/1972, as declarações de inconstitucionalidade de lei, ato normativo, tratado ou convenção internacional proferidas por decisão plenária definitiva do STF devem ser observadas pela administração tributária; que o próprio Direito Penal não admite que a sanção venha a ser igual ou próxima à exação inicial. Que o próprio Direito Penal não admite que a sanção venha a ser igual ou próxima à exação inicial; que a aplicação da multa fere aditivamente o principio da capacidade contributiva, conforme §1° do art. 145 da Constituição. A DRJRECIFE/PE julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJRECIFE/PE rejeitou a alegação de cerceamento de direito de defesa pela ausência de documentos essenciais do processo. Observou que, ao contrário do que fora afirmado pelo Impugnante, todos os documentos referidos constam dos autos. Sobre a alegada extinção do Termo de Início da Ação Fiscal, a DRJ também demonstra que, ao contrário do que afirmado pela defesa, não ocorreu a alegada caducidade; que o Mandado de Procedimento Fiscal foi prorrogado antes do prazo de sua validade original. Também ressaltou a DRJ a regularidade na emissão dos MPF. Daí concluiu pela ausência de vícios no procedimento fiscal. Sobre a alegação de que o Contribuinte requereu cópia integral do processo sem ter obtido o documento, a DRJ demonstra que, diferentemente do alegado, o processo esteve à disposição do Contribuinte e que este se valeu dessa informação para formatar sua impugnação, e que, tanto é assim, que na impugnação cita várias folhas do processo. E especificamente sobre os documentos de fls. 133 a 228 a DRJ observa que estes documentos foram apresentados pelo próprio contribuinte. E concluiu que o Contribuinte teve acesso aos autos do processo, não vislumbrando qualquer vício no procedimento quanto a este aspecto. Quanto à alegada violação do princípio do contraditório e ampla defesa, registrou a DRJ que não identificou no procedimento fiscal qualquer mácula quanto a este aspecto. Quanto ao mérito, sobre a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, após expor sobre a regularidade deste tipo de lançamento, que tem previsão legal expressa, a DRJ rejeitou as alegações genéricas contrárias ao lançamento com base em depósitos bancários, passando a examinar as alegadas origens dos depósitos. Sobre a alegação de que os valores depositados no Bradesco devem ser excluídos porque são recursos próprios já declarados como rendimentos isentos, a DRJ observa Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 6 5 que não identificou na declaração do contribuinte o valor por ele referido, e, portanto, não procede a alegação. Relativamente à alegação de que os depósitos referese a movimentações das empresas das quais o Contribuinte era sócio, especialmente por meio de operações de depósitos de cheques (custodiados), a DRJ concluiu que tais operações, por si só, não demonstram que os valores em questão referemse a renda auferida por terceiros, no caso, a empresa POVEL – Porcino Veículos Ltda.; que as razões apresentadas pela defesa estão desacompanhadas de prova documental que vinculassem os valores correspondentes aos cheques custodiados e as operações das empresas; que, como exemplo, se a Soagri emitiu seis cheques em favor do contribuinte deveria ficar demonstrado que não foi realizado um negócio jurídico entre ele, a pessoa física, e a empresa, e sim um negócio entre aquela empresa e a POVEL. E para tanto, deveria ser apresentadas as notais fiscais correspondentes, o que não se deu. A DRJ reconhece que o Contribuinte comprovou a realização de custódias de cheques e de transferência de recursos, mas diz que este deveria ter comprovado que tais operações eram realizadas em benefício de terceiros, o que, observa, não ocorreu. Em reforço das conclusões sobre este ponto, a DRJ invoca a Súmula nº 32 do CARF. A DRJ manteve a exigência da multa de ofício sob o fundamento, em síntese, de que a mesma tem previsão legal expressa e sobre as manifestações que atacavam a constitucionalidade da aplicação da penalidade, a DRJ anotou que falece competência aos órgãos julgadores administrativos para enfrentar este tipo de alegação. Finalmente, a DRJ indeferiu o pedido de perícia, observando que o objetivo da perícia seria a produção de provas que são de responsabilidade da parte. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 13/10/2011 (fls. 935) e, em 10/11/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 937/998, que ora se examina, e no qual argúi que a decisão de primeira instância não se manifestou sobre matéria questionada na impugnação a respeito da equiparação da pessoa física à pessoa jurídica e, no mais, reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: 1. Que diante da ausência da apreciação de parte da meteria discutida na defesa apresentada pelo contribuinte, que se aplique o disposto no art. 67 do Dec. Nº 7574/2011, determinando assim que se baixe o processo ao órgão julgador de primeira instância e assim ser proferido a manifestação precisa sobre o ponto ausente de apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento do direito plena e defesa contraditório (sic). 2. Que seja a recorrente intimada da data do julgamento deste recurso, para querendo apresentar os memoriais que serão os fundamentos da sustentação oral necessária para a defesa de sua tese, a fim de não configurar embargos ao disposto no art. 5º, LV da Constituição Federal de 1988. 3. No tocante às razões recursais, que o presente recurso seja recebido e processado na forma de suspensão do crédito tributário, para ao final ter seu provimento total, determinando assim a improcedência do auto de infração e consequente reforma da decisão de primeiro grau, tendo em vista as matérias aqui veiculadas, em especial no que diz Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 7 6 respeito ao deferimento da realização da perícia ou, se entender o Excelentíssimo Relator, a baixa dos autos para realização de diligência a fim de analisar os documnentos das empresas a) POVEL PORCINO VEÍCULOS LTDA, empresa brasileira, com sede na av. Lauro Monte, nº 451 – Abolição I – Mossoró RN – CEP 59.619000, com inscrição no CNPJ MF sob o nº 08.378.861/000110; b) CANAL AUTOMÓVEIS LTDA. empresa do direito privado, com se de na av. LaURO Monte, nº 475 – Abolição I – Mossoró RN – CEP 59.619.000, inscrita no CNPJ MF sob o nº 08.248.924/000113; c) FORCINO IMPORT’S AUTOMÓVEIS LTDA com sede na avenida Lauro Monte, nº 381 no bairro Abolição I, na cidade de Mossoró, estado do Rio Grande do Norte, CEP 59.618000, com inscreição no CNPJ MF nº 70.147.152/000105, e; d) PORCINO FERNANDES DA COSTA JUNIOR, constituída sob a forma de sociedade unipessoial e inscrita no CNPJ MF sob o nº 04.675.869/000197. Mantendo assim a designação do profissional Sr. RAIMUNDO FALCÃO FREIRE NETO, com inscrição no CPF 369.177.70500 e inscrito na categoria CONTADOR junto ao Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Rio Grande do Norte sob o nº de registro CRC 3722/06, com endereço Av. Dix Seot Rosado, 274 – Centro – 59.6120050 – Mossoró – RN, como sendo o perito do ora Recorrente. 4. Excluir ainda do lançamento todo o valor movimentado pela conta corrente mantida junto ao Banco Bradesco S/A, tendo em vista que tais valores correspondem ao rendimento isento e declarado pelo contribuinte, conforme documentos dos autos. 5. Por outro lado, que o Excelentíssimo Sr. Relator convençase pela inabilidade das provas colhidas por meio das Requisições de Informações sobre Movimentação ?Financeira (fls. 53 r 57 dos autos), tudo por se tratar de decisão proferida pelo pretório Excelso na forma da repercussão geral e, portanto, in casu, cabível a sua aplicação, sobretudo na forma do art. 26A do Dec. 70.235/72 e art. 59, I do Dec. 7.574/2011, tudo conforme já amplamente demonstrado pelo Recorrente. 6. Que diante da ausência da apreciação de matéria especificamente determinada em defesa apresentada e, caso não se atenda o preceito do art. 67 do Dec. 7.574/2011, que por ocasião do julgamento do presente recurso, que seja aplicada a equiparação a pessoa jurídica, e assim invalidado o lançamento produzido nos autos contra a pessoa física do ora recorrente. 7. Que a multa de ofício aplicada no caso presente, seja reconhecida desproporcional e desarrazoada conforme exposições acima e em atendimento aos preceitos constitucionais já informados. 8. Que sejam deferidos todos os meios de provas legalmente aceitos, em especial a determinação da perícia ou da diligência, tudo conforme já explanado, pois, este é o único meio viável em demonstrar que os movimentos bancários realizados em conta particular do ora recorrente não são de titularidade do mesmo e sim das empresas já informadas e, portanto, que todos os tributos e contribuições foram ali devidamente tributados pelos legítimos titulares. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 8 7 9. Que no julgamento final de todas as argumentações seja reformada totalmente a decisão a quo para declarar improcedente a ação fiscal e todos seus efeitos produzidos pelo lançamento tributário constante do Auto de Infração. 10. Que as intimações ou notificações acerca deste recurso sejam encaminhadas para o endereço que consta no rodapé deste, sob pena de nulidade de outra via adotada pela ADMINISTRAÇÃO. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Cumpre examinar, preliminarmente, a proposta de sobrestamento do julgamento feita pelo Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Como é sabido, o sobrestamento do julgamento de recursos no âmbito do CARF se dá por imposição e nos termos do seu Regimento Interno, cujo artigo 62A reza o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Cumpre às turmas julgadoras do CARF, portanto, verificarem, em cada caso, as situações em que o julgamento deva ser sobrestado, seja por provocação da parte, seja por iniciativa que qualquer dos Conselheiros da Turma. Pois bem, o artigo 62A, acima reproduzido, é claro ao referirse ao sobrestamento do recursos, “sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Ora, a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo CivilCPC cuida dos processos com repercussão geral, e define três situações distintas, veiculadas nos artigos 543A, 543B e 543C, a saber: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 9 8 § 1o Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal, a existência da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Se a Turma decidir pela existência da repercussão geral por, no mínimo, 4 (quatro) votos, ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o Negada a existência da repercussão geral, a decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 6o O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 7o A Súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no Diário Oficial e valerá como acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 10 9 § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 11 10 § 9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Como se vê, o artigo 543A cuida de situação envolvendo recursos extraordinários que chegam ao Supremo Tribunal Federal, e que somente serão conhecidos pela Corte quando a questão constitucional nele versada for reconhecida como de repercussão geral, definida pela existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. O § 2º do mesmo artigo determina que o recorrente deve demonstrar, em preliminar do recurso, a existência da repercussão geral. Já o artigo 543B cuida de situação em que os tribunais de origem selecionam um ou mais recursos representativos da controvérsia e os encaminha ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando o julgamento dos demais recursos até o pronunciamento definitivo da Corte, cabendo ao Supremo Tribunal Federal – STF, nestes casos, negar ou confirmar a existência da repercussão geral. Negada a existência da repercussão geral, os recursos que ficaram sobrestrados nos tribunais consideramse automaticamente não admitidos;. acatada a repercussão geral, estes permanecem sobrestados até julgamento do mérito pelo STF. Um terceira situação está disciplinada no artigo 543C, e assemelhase à situação definida no artigo 543B, porém envolvendo recursos especiais. Cuidase, portanto, vale repisar, de três situações distintas: as duas primeiras envolvendo recursos extraordinários, a última, recurso especial. E mais, em relação às situações tratadas nos artigos 543A e 543B há uma clara distinção, especialmente, quanto ao sobrestamento dos recursos pelos tribunais de origem. No caso tratado no artigo 543A, o reconhecimento da repercussão geral é examinada como condição para a admissibilidade do recurso, pelo STF, não implicando no sobrestamento, pelos tribunais de origem, dos recursos que versem sobre matéria idêntica, o que é evidente, pois, se assim não fosse, o artigo 543A seria inócuo, pois não subiriam recursos relativamente a tais matérias, para terem sua admissibilidade, quanto à repercussão geral, examinada pelo STF. Diferentemente, no caso do 543B, o reconhecimento da repercussão geral pelo STF implica, necessariamente, no sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem até decisão pelo STF. O próprio STF expediu orientações com vistas à padronização de procedimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos do Poder Judiciário, em que deixa clara essa distinção. Vejamos: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS I) Verificase se o RE trata de matéria isolada ou de matéria repetitiva (processos múltiplos). a) Quanto às matérias isoladas, realizase diretamente o juízo de admissibilidade, exigindose, além dos demais requisitos, a presença de preliminar de repercussão geral, sob pena de inadmissibilidade. b) Quanto aos recursos extraordinários múltiplos: b.1) Selecionamse em torno de três recursos extraordinários representativos da controvérsia, com preliminar de repercussão geral e Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 12 11 que preencham os demais requisitos para sua admissibilidade, os quais deverão ser remetidos ao STF, mantendose sobrestados todos os demais, inclusive os que forem interpostos a partir de então (§ 1º do art. 543B do CPC). Não há necessidade de prévio juízo de admissibilidade dos recursos que permanecerão sobrestados. b.2) Os recursos extraordinários múltiplos que forem remetidos ao Supremo Tribunal Federal em desacordo com o art. § 1º do art. 543B do CPC, ou seja, em número além do necessário para que o Tribunal tenha conhecimento da controvérsia, serão devolvidos aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais, nos termos da Portaria 138/2009 da Presidência do STF. b.3) Se a seleção ainda não foi feita para um assunto específico, mas já houve pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso, é desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, podendo ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o tema. A identificação dessa hipótese se dá pela consulta às matérias com repercussão geral reconhecida, no portal do Supremo Tribunal Federal. II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de 1maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Notese que o STF distingue as “matérias isoladas” dos “recursos extraordinários múltiplos”, tratados, respectivamente, nos artigos 543A e 543B do CPC, e define procedimentos específicos para cada situação. Pois bem, a questão central para o deslinde da controvérsia ora examinada, no que diz respeito ao CARF, é que o RICARF definiu explicitamente que o sobrestamento do julgamento dos recursos deveriam ocorrer nos casos em que a repercussão geral foi reconhecida pelo STF na sistemática estabelecida no artigo 543B do CPC, e, no caso sob exame, o RE nº 601.314/SP, tido como leading case, foi admitido como se repercussão geral 1 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 13 12 pela “relevância jurídica da questão constitucional”, nos termos do artigo 543A do CPC c/c o artigo323, § 1º do RISTF. Eis a conclusão do voto do Relator, Ministro Ricardo Levandovski: Isto posto, manifestome pela existência da repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do artigo 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º do RISTF. Ora, reconhecida como de repercussão geral, ainda que na sistemática do art. 543A do CPC é natural que o julgamento de recursos extraordinários versando matéria idêntica sejam sobrestado no âmbito do próprio STF, até o julgamento do RE 601.314, mas esta decisão não implica no sobrestamento, nos tribunais de origem, dos processos versando matéria idêntica. E, com mais razão ainda, não se justifica o sobrestamento dos processos no âmbito do CARF. Diferentemente, quando a repercussão geral é reconhecida com amparo no artigo 543B, § 1º do CPC, o STF determina o sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem, até decisão do mérito. É o que ocorreu, por exemplo, no RE 614.232, que trata de rendimentos recebidos acumuladamente. Vejamos: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIUO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados, se por regime de caixa ou de competência, vinha sendo considerado por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição dói recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. #. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da uniformidade e da isonomia geográfica. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do artigo 543B, § 1º do CPC. Aqui, o STF determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários versando sobre a mesma matéria, o que não ocorreu, coerentemente, no caso do RE 601.316. Conclusão Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 14 13 Nestas condições, penso que não se aplica ao presente caso a orientação veiculada no artigo 62A do RICARF, razão pela qual rejeito a proposta de sobrestamento do julgamento deste processo. É como voto. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 15 14 Voto vencedor Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Redatora Designada Em que pese o merecido respeito a que faz jus o Ilustre Relator, peço vênia para dele discordar. A apreciação do presente recurso encontrase prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Tratase de lançamento relativo aos anoscalendário 2004 e 2005 decorrente da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Observase os extratos bancários que compõe o presente processo foram entregues diretamente pela instituição financeira, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, com base no art. 3o do Decreto no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, conforme consignado no Auto de Infração de fls. 2 a 9. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, em que o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1o, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1o, do Regimento interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6o da Lei Complementar no 105, de 2001, no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 16 15 por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou o art. 11, §3o da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Como se percebe, parte da discussão no presente processo referese à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal e, portanto, cabe examinar se o julgamento administrativo deve ser ou não sobrestado, nos termos do art. 62A, §1o, do RICARF. A Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), definiu duas situações distintas na apreciação dos recursos extraordinários quanto à análise da repercussão geral, nos arts. 543A e 543B (matéria isolada e matéria repetitiva), assim resumidos pelo Relator vencido: Como se vê, o artigo 543A cuida de situação envolvendo recursos extraordinários que chegam ao Supremo Tribunal Federal, e que somente serão conhecidos pela Corte quando a questão constitucional nele versada for reconhecida como de repercussão geral, definida pela existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. O § 2º do mesmo artigo determina que o recorrente deve demonstrar, em preliminar do recurso, a existência da repercussão geral. Já o artigo 543B cuida de situação em que os tribunais de origem selecionam um ou mais recursos representativos da controvérsia e os encaminha ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando o julgamento dos demais recursos até o pronunciamento definitivo da Corte, cabendo ao Supremo Tribunal Federal – STF, nestes casos, negar ou confirmar a existência da repercussão geral. Negada a existência da repercussão geral, os recursos que ficaram sobrestrados nos tribunais consideramse automaticamente não admitidos; acatada a repercussão geral, estes permanecem sobrestados até julgamento do mérito pelo STF. Defende o Conselheiro Relator que “o RICARF definiu explicitamente que o sobrestamento do julgamento dos recursos deveriam ocorrer nos casos em que a repercussão geral foi reconhecida pelo STF na sistemática estabelecida no artigo 543B do CPC, e, no caso sob exame, o RE no 601.314/SP, tido como leading case, foi admitido como se repercussão geral pela “relevância jurídica da questão constitucional”, nos termos do artigo 543A do CPC c/c o artigo 323, § 1o do RISTF. “ Com o resultado do julgamento do RE no 389.808, de 15/12/2010, em que o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, sem prévia autorização judicial, gerando, para alguns, dúvidas quanto ao rito processual a ser adotado nos casos em que a matéria objeto de recurso no CARF tivesse sido reconhecida como de repercussão geral, com fulcro no art. 543A do CPC, sem que a decisão de mérito tivesse sido proferida pelo STF. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 17 16 Nessa ocasião, o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Portaria CARF no 001, de 03 janeiro de 2012, sendo oportuno transcrever o art. 1o (grifos nossos): Art. 1o Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Convém ressaltar que o RE no 389.808 tratase de uma situação excepcional, pois o próprio relator do Recurso Especial no 601.314/SP, de 22/10/2009, que reconheceu a existência de repercussão geral, no que diz respeito ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei no 10.174, de 9 de janeiro de 2001, mencionou expressamente em seu voto que o tema era objeto de discussão em diversos processos, dentre eles, a “AC 33/PR, esta com julgamento já iniciado pelo Plenário, e por meio da qual se quer busca dar efeito suspensivo ao RE 389.808/PR.” (grifei). Além disso, conforme consulta ao site do STF, a PFN embargou o RE no 389.808/PR, encontrando o processo “conclusos ao(à) Relator(a)”, desde 09/11/2011. Entendo que o reconhecimento da repercussão geral pelo STF tem como conseqüência direta o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários que versem sobre a mesma matéria, sendo oportuno transcrever orientação contida no site da Suprema Corte nesse sentido2 (grifos nossos): PROCEDIMENTO NOS TRIBUNAIS E TURMAS RECURSAIS DE ORIGEM [...] RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS I) Verificase se o RE trata de matéria isolada ou de matéria repetitiva (processos múltiplos). a) Quanto às matérias isoladas, realizase diretamente o juízo de admissibilidade, exigindose, além dos demais requisitos, a presença de preliminar de repercussão geral, sob pena de inadmissibilidade. 2 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo acessado em 13/08/2012 Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 18 17 b) Quanto aos recursos extraordinários múltiplos: b.1) Selecionamse em torno de três recursos extraordinários representativos da controvérsia, com preliminar de repercussão geral e que preencham os demais requisitos para sua admissibilidade, os quais deverão ser remetidos ao STF, mantendose sobrestados todos os demais, inclusive os que forem interpostos a partir de então (§ 1º do art. 543B do CPC). Não há necessidade de prévio juízo de admissibilidade dos recursos que permanecerão sobrestados. b.2) Os recursos extraordinários múltiplos que forem remetidos ao Supremo Tribunal Federal em desacordo com o art. § 1º do art. 543B do CPC, ou seja, em número além do necessário para que o Tribunal tenha conhecimento da controvérsia, serão devolvidos aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais, nos termos da Portaria 138/2009 da Presidência do STF. b.3) Se a seleção ainda não foi feita para um assunto específico, mas já houve pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso, é desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, podendo ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o tema. A identificação dessa hipótese se dá pela consulta às matérias com repercussão geral reconhecida, no portal do Supremo Tribunal Federal. II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de maio de 2007 (§2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestandose recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminha se o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). No item “b.3” acima transcrito, é clara a orientação no sentido de que se não foi feita a seleção para um assunto específico, nos termos do art. 543B do CPC e se já existir pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso (art. 543A do CPC), tornarse desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia e, no caso de reconhecimento da repercussão geral, deve ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o tema, de forma semelhante ao previsto no já mencionado art. 543B. Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 19 18 Em outras palavras, havendo o reconhecimento da repercussão para uma determinada matéria na sistemática do art. 543A do CPC, desnecessária tornase a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, devendo os recursos extraordinários e agravos que versem sobre o tema serem sobrestados. Não é por outro motivo que o STF tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no tocante ao tema em discussão, citandose como exemplo o RE 488993, julgado em 09/02/2011, e o RE 602945, julgado em 01/08/2011. Concluise, assim, que no caso de controvérsias sobre o acesso direto do fisco às informações bancárias do contribuinte, sem prévia autorização judicial e a retroatividade da Lei no 10.174, de 2001, os julgamentos dos processos administrativos no âmbito do CARF devem ser sobrestados. Por fim, cabe trazer a colação a Resolução no 220200.200, de 17/04/2012, em que este Colegiado, por unanimidade, decidiu pelo sobrestamento do julgamento de caso semelhante, cujo relator foi o Conselheiro Rafael Pandolfo, a quem peço vênia para parte do voto condutor em que ele trata aborda com muita propriedade a matéria: Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua conseqüência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as conseqüências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal. Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 20 19 (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO –AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em Dje213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificasse que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA –RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13433.000432/200919 Resolução nº 2202000.493 S2C2T2 Fl. 21 20 origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em Dje158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em Dje100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62A, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 08/ 08/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por PE DRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13855.000536/2006-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003
CRÉDITOS BÁSICOS.
A obrigação de debitar o imposto na saída e o direito ao crédito na entrada não estão subordinados à onerosidade da operação.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-003.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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A obrigação de debitar o imposto na saída e o direito ao crédito na entrada não estão subordinados à onerosidade da operação. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor de escrita do IPI acumulado durante os trimestres do ano de 2003, amparado no art. 11 da Lei nº 9.779/99, e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 05 36 /2 00 6- 10 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 formalizado em janeiro de 2004. Ao pedido de ressarcimento foram vinculadas declarações de compensação. Por meio da informação fiscal e despacho decisório de fls. 64/69, notificado ao contribuinte em 24/03/2006 (fl. 89), a autoridade administrativa glosou parte dos créditos e homologou parcialmente as compensações declaradas. A fiscalização glosou os créditos escriturados com base em notas fiscais de entrada de mercadorias a título de amostras grátis; garantia; demonstração e bonificação. Em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que à luz do art. 38 do RIPI/2002 e o vocábulo "aquisição" existente no art. 11 da Lei nº 9.779/99 deve ser entendido como qualquer aquisição independentemente de ter ocorrido em caráter oneroso ou não. Por meio do Acórdão 24.154, de 20 de maio de 2009, a 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, entendeu que a interpretação do contribuinte é viável, pois o direito de crédito do imposto decorre do princípio constitucional da nãocumulatividade e independe do título jurídico das aquisições (amostra grátis, garantia, demonstração e bonificação). Entretanto, o direito de crédito não poderia ser reconhecido porque não existe nenhuma prova no processo de que os produtos glosados se constituíam em matériasprimas ou materiais de embalagem, ou que se consumiram em contato físico direto com produtos industrializados pela empresa. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 29/07/2009 (fl. 124), o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reprisou as alegações de impugnação. Por meio da Resolução 3402000.467 o feito foi convertido em diligência, a fim de que fosse produzida informação detalhada sobre o processo produtivo da recorrente e sobre a participação dos insumos glosados. O processo retornou com a informação fiscal de fls. 156/160 e com a manifestação do contribuinte de fls. 161/162. Tendo em vista que relatora originária deste processo, Conselheira Silvia Brito Oliveira, não mais intregra o CARF, o processo entrou em novo lote de sorteio e foi sorteado a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Embora não tenha localizado o aviso de recebimento por meio do qual o contribuinte tomou ciência do acórdão de primeira instância, a autoridade administrativa atestou a tempestividade do recurso na fl. 146. Considerando que o recurso preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, deve ser conhecido pelo colegiado. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13855.000536/200610 Acórdão n.º 3403003.347 S3C4T3 Fl. 4 3 A questão a ser dirimida pelo colegiado é se entradas de insumos ocorridas a título gratuito dão direito ao crédito do imposto. O art. 38 do RIPI/2002 estabelece que "O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor." Por seu turno, o art. 11 da Lei nº 9.779/99, estabelece o seguinte: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda." Da conjugação desses dois dispositivos legais, verificase que não há como se negar ao contribuinte o direito de crédito pela entrada de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem a título gratuito, pois tanto a obrigação de debitar o imposto na saída, quanto o direito de escriturar o crédito na entrada independem da onerosidade da operação. Reforça esta interpretação o fato de o art. 11 da Lei nº 9.779/99 ter utilizado o vocábulo "aquisição". Aquisição é um termo genérico, que caracterizam entras sob os mais diversos títulos. A "aquisição" pode ocorrer por compra, por incorporação, por doação, etc. Ou seja, o vocábulo "aquisição" engloba não só entradas de insumos a título oneroso, mas também entradas a título gratuíto. O óbice oposto pela DRJ e que no fundo caracteriza alteração do fundamento do despacho recorrido, foi a inexistência de prova de que os insumos glosados participaram do processo produtivo. Considerando que o resultado da diligência foi favorável ao contribuinte e que a fiscalização confirmou a legitimidade dos créditos, deixo de pronunciar a nulidade da decisão de primeira instância, com base no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72. Na informação fiscal após o retorno de diligência, a fiscalização informa que o processo produtivo é de embalagens plásticas destinadas a produtos alimentícios; que os insumos glosados compõem o processo produtivo na qualidade de produtos intermediários; que os créditos estão escriturados; que a empresa faz jus à manutenção e utilização do crédito com base no art. 29, § 5º, da Lei nº 10.637/2002; que a escrituração e as declarações estão em ordem (fls. 156/160) Em sua manifestação de fls. 161, o contribuinte manifesta sua concordância com o resultado da diligência. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reverter as glosas efetuadas pela fiscalização. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 168DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 15540.720516/2012-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62-A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araujo, Nara Cristina Takeda Taga, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: Não se aplica
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Omissão de receitas com base em depósitos bancários não comprovados. Insuficiência de valores declarados em DCTF. Recorrente ESTALEIRO CASSINU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, determinar o sobrestamento do julgamento do recurso, à luz do art. 62A do Anexo II, do RICARF, e do § único do art. 1º da Portaria CARF nº 1, de 03.01.2012. Vencido o Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que prosseguia no julgamento. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, José Evande Carvalho Araujo, Nara Cristina Takeda Taga, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de autos de infração cujos lançamentos fundaramse em omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada e na falta de recolhimento de valores apontados em DCTF comparados à DIPJ retificadora. A partir desses RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 51 6/ 20 12 -8 6 Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.159 2 fatos foram lançados os correspondentes IRPJ e CSLL referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. Consoante o que consta no relatório da decisão recorrida, haja vista a conduta de não terem sido apresentados os extratos bancários solicitados, nos termos do artigo 33 da Lei nº 9.430/96, foram solicitados aos estabelecimentos bancários os extratos da movimentação financeira do contribuinte no ano de 2008. A partir dos depósitos constantes destes extratos, cuja origem não teria sido comprovada, é que ficou configurada a mencionada receita omitida. Dentre outros argumentos, a impugnação frisou a impossibilidade de acesso pelo Fisco às informações bancárias protegidas pelo sigilo de dados sem a devida autorização judicial. O Acórdão nº 1254.266 da 4ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou integralmente procedentes os lançamentos e, quanto ao argumento destacado, assim se pronunciou: Ementa: QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. As informações prestadas por instituições financeiras à Fazenda Nacional, quando indispensáveis à instrução de processo administrativo fiscal e observadas as garantias individuais previstas na Constituição Federal, não configuram quebra de sigilo bancário. Cientificada da decisão e com ela inconformada, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual, relativamente ao sigilo bancário, robustece o argumento exposto na impugnação. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Quanto à impossibilidade de acesso aos dados bancários, pelo Fisco, sem autorização judicial, este Colegiado tem decidido pelo sobrestamento dos feitos, em obediência ao que determina o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com as alterações das Portarias MF nº 446/2009 e 556/2010. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.160 3 Neste sentido, transcrevo trecho do voto condutor da decisão contida no processo nº 10630.720364/200721 (Resolução no 110200.088), da lavra do Ilustre Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, a qual firmou o entendimento deste Colegiado: Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários por parte da autoridade fiscal, que, no presente caso, se deu, ao menos parcialmente, por meio da emissão de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições financeiras, sem ordem judicial. Neste aspecto, sirvome das preciosas considerações feitas pelo conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva em excelente estudo sobre o tema, as quais abaixo transcrevo: “Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.161 4 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.162 5 § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.163 6 artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o MinistroRicardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.164 7 detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62A. ( ...) Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15540.720516/201286 Resolução nº 1102000.168 S1C1T2 Fl. 1.165 8 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B, do CPC. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf.” Em razão dos fundamentos acima expostos e na esteira do entendimento deste Colegiado, entendo que se deva proceder ao sobrestamento do julgamento do presente feito até que transite em julgado a decisão a ser proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 543B, do Código de Processo Civil, acerca do acesso aos dados bancários, pelo Fisco, sem autorização judicial. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 16/07/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 19515.722146/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2008
Ementa:
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITA EM UM ÚNICO ANO-CALENDÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DA INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ademais, não se pode admitir que, em sede de recurso, o contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. O conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não cabendo, assim, falar em matéria de ordem pública.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional).
INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2).
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4).
Numero da decisão: 1301-001.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Antonio Carlos F. de Souza Junior, OAB/PE nº 27646.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
(Assinado digitalmente)
WILSON FERNANDES GUIMARÃES - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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OMISSÃO DE RECEITA EM UM ÚNICO ANO CALENDÁRIO. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA DA INFRAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ademais, não se pode admitir que, em sede de recurso, o contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. O conceito de prática reiterada é contaminado de indeterminação, não cabendo, assim, falar em matéria de ordem pública. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a teor do parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, a regra de decadência ali prevista não opera. Nesses casos, a melhor exegese é aquela que direciona para aplicação da regra geral estampada no art. 173, I, do mesmo diploma legal (Código Tributário Nacional). INCONSTITUCIONALIDADES. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 46 /2 01 2- 80 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.039 2 O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (SÚMULA CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Antonio Carlos F. de Souza Junior, OAB/PE nº 27646. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. (Assinado digitalmente) WILSON FERNANDES GUIMARÃES Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonsecea de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.040 3 Relatório Por bem descrever as circunstâncias fáticas contidas nos autos, adoto o relatório apresentado pela r. decisão de origem, especificamente no que destaco: AUTUAÇÃO 1. Trata o presente de crédito lançado pela Fiscalização contra o contribuinte acima identificado, optante pelo Simples Nacional (Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) em relação ao período 01/07/2007 a 31/12/2007, vez que no procedimento fiscal foi constatada omissão de receitas que resultou na lavratura dos Autos de Infração referentes a Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social e Contribuição para Seguridade Social – INSS, todos datados de 17/10/2012. 1.1. O valor exigido no presente processo administrativo, na data de consolidação, totaliza R$ 2.100.933,73 (dois milhões, cem mil, novecentos e trinta e três reais e setenta e três centavos), conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo anexado às fls. 5/6. 2. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 1778/1783), a Autoridade Lançadora descreve os fatos relevantes verificados no decorrer da ação fiscal, o procedimento de apuração da omissão de receitas e a respectiva motivação. Deste termo, de forma resumida, destacamse as seguintes informações: 2.1. O sujeito passivo apresentou Declaração Anual do Simples Nacional (DASN/2008) referente ao 2º semestre do anocalendário de 2007. As receitas declaradas na PJSI 2008 estão de acordo com os registros constantes dos livros de Registro de Saída e Caixa. 2.1.1. No entanto, o AuditorFiscal constatou que os valores lançados no Livro de Registro de Saídas são inferiores aos valores que constam nas notas fiscais analisadas. Tais divergências estão demonstradas no Anexo 1 – DEMONSTRATIVO LIVRO REGISTRO DE SAÍDAS x NOTAS FISCAIS. Os dados da coluna “Diferença NF – livro” do citado anexo evidenciam que os valores foram escriturados no Livro de Registro de Saídas, durante todo o período analisado, em valores expressivamente menores do que aqueles constantes nas notas fiscais. 2.1.2. Quanto às notas fiscais de prestação de serviços apresentadas, relacionadas no Anexo 2 RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS APRESENTADAS, ressalta a Autoridade Autuante que estas foram lançadas no Livro Caixa n° 3 em valores inferiores ao constante da própria nota. O comparativo realizado no Anexo 3 RELAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS x LIVRO CAIXA N° 3, demonstra que os valores foram escriturados no livro Caixa n° 3, reiteradamente, em valores expressivamente menores que aqueles constantes nas notas fiscais. Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.041 4 2.1.3. A partir das análises realizadas, foi confirmada a omissão de receitas caracterizada pela declaração em DASN/2008 de valores de receitas mensais inferiores àqueles resultantes da soma das notas fiscais de venda de mercadorias e de prestação de serviços. 2.1.4. Constam do Termo de Verificação Fiscal planilhas resumo da omissão de receitas decorrente da venda de mercadorias (fls. 1779), da omissão de receitas decorrente da prestação de serviços (fls. 1780) e da nova composição da base de cálculo dos tributos incluídos nos regimes simplificados do Simples Federal e do Simples Nacional (fls. 1780/1781). 2.1.5. As omissões de receitas com vendas estão enquadradas no Anexo I da Lei Complementar nº 123/06 por referiremse à atividade de revenda de mercadorias, exceto paro o exterior sem substituição tributária, enquanto que as omissões de receitas de serviços estão enquadradas no Anexo III do mesmo diploma legal, sem retenção/substituição tributária do ISS. 2.2. Os fatos verificados pela Autoridade Fiscal foram considerados como artifício fraudulento de omitir receitas mediante o calçamento dos valores escriturados no livro Registro de Saídas e no livro Caixa. Verificou que a empresa tentou ludibriar o fisco, agrupando diversas notas fiscais em um único lançamento no Registro de Saídas e no livro Caixa, mas consignando apenas parte do somatório, prática esta verificada em todo o período abrangido pela ação fiscal (anoscalendário 2007, 2008 e 2009) o que demonstra a inocorrência de eventuais erros de fato. 2.2.1. Ressalta que as receitas consideradas como omitidas na presente autuação (período de apuração 01/07/2007 a 31/12/2007) importaram em R$ 5.613.939,82, cerca de 10,33 vezes superior ao faturamento do período declarado em DASN/2008 que totalizou R$ 543.407,79. 2.3. Constatado que o contribuinte apresentou declaração, a menor, das receitas efetivamente auferidas, utilizandose de um padrão de procedimento sistemático e reiterado, entendeu a Autoridade Fiscal que o sujeito passivo deixou evidente a voluntariedade da conduta adotada e o escopo de exonerarse do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública, o que inclui a ação perpetrada na categoria delituosa de sonegação fiscal, que encontra definição no art. 71 da Lei n° 4.502/64. 2.3.1. Reforça que o cerne do comportamento delituoso, exigido pelo comando veiculado no inciso I deste dispositivo legal, encontrase na prática adotada pelo sujeito passivo ao declarar e pagar, sistematicamente, valores menores que aqueles consignados nas notas fiscais, agindo de forma a encobrir do Fisco os verdadeiros aspectos da situação de fato, com o intuito de dificultar ou impedir que a Autoridade Fiscal detectasse o pagamento de valores menores que os devidos. 2.3.2. Conclui que a declaração e recolhimento de valores inferiores ao efetivo débito tributário, de forma reiterada, configuram a existência do dolo. 2.4. Tendo em vista a constatação de circunstâncias qualificativas das infrações apuradas na presente ação fiscal, situação que, em tese, configura o crime definido nos artigos 1º e 2º da Lei n° 8.137/90, foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, conforme determinado na Portaria RFB n° 2.439/10, alterada pela Portaria RFB n° 3.182/11, que estabelece procedimentos a serem observados na comunicação ao Ministério Público Federal de fatos que configurem crimes relacionados com as atividades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.042 5 2.5. O lançamento tributário relativo ao 1º semestre de 2007, referente ao Simples Federal, foi efetuado em apartado (processo nº 19515.721381/201234) face à alteração legislativa que instituiu o Simples Nacional (Lei Complementar nº 123/06) em substituição ao regime simplificado anterior. 2.6. Foram anexados ao Termo de Verificação Fiscal os seguintes discriminativos e documentos: (a) Anexo 1 – Demonstrativo do Livro Registro de Saídas x Notas Fiscais (fls. 1784/1808); (b) Anexo 2 – Relação das Notas Fiscais de Prestação de Serviços Apresentadas (fls. 1809/1810); (c) Anexo 3 – Relação das Notas Fiscais de Prestação de Serviços x Livro Caixa (fls. 1811/1813) (d) Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta, Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, Demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, Demonstrativos de multa e juros de mora referentes aos tributos incluídos na sistemática do Simples Nacional, Demonstrativos de valores devidos referentes aos tributos incluídos na sistemática do Simples Nacional, Autos de Infração e respectiva fundamentação legal, todos referentes às receitas de revenda de mercadorias, exceto para o exterior, sem substituição tributária, enquadrada no Anexo I (fls. 1814/1865); (e) Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a Receita Bruta, Demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, Demonstrativo de apuração do imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, Demonstrativos de multa e juros de mora referentes aos tributos incluídos na sistemática do Simples Nacional, Demonstrativos de valores devidos referentes aos tributos incluídos na sistemática do Simples Nacional, Autos de Infração e respectiva fundamentação legal, todos referentes às receitas de prestação de serviços sujeitas ao Anexo III, sem retenção/substituição tributária de ISS (fls. 1867/1918). 2.7. Dos atos constitutivos dos Autos de Infração ora discutidos, foi a autuada cientificada, por intermédio de seu representante legal, em 17/10/2012, conforme Autos de Infração, Termo de Verificação Fiscal (fls. 1783) e Termos de Encerramento (fls. 1866 e 1919). IMPUGNAÇÃO 3. Dentro do prazo regulamentar, o contribuinte impugnou as autuações incluídas no presente processo administrativo por meio do instrumento de fls. 1925/1946, anexando exclusivamente documentos de representação processual, apresentando as alegações que seguem, em síntese: 3.1. Inicialmente, alega que, nos autos de infração impugnados, foram imputadas multas de 150% (cento e cinquenta por cento) em desrespeito à vedação constitucional de instituir tributos com efeito do confisco (art. 150, inciso IV). 3.1.1. Apresenta argumentos doutrinários e jurisprudência para apoiar sua tese de que o princípio da vedação ao confisco seria extensível às multas tributárias. Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.043 6 3.2. Relembra que a multa de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, seria aplicável no caso de constatação de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/64. 3.2.1. Afirma que, no entanto, o conceito de evidente intuito de fraude não se presume, e escapa à simples omissão de rendimentos quando ausente conduta material bastante para sua caracterização. Seria necessária a descrição, e inconteste comprovação, da ação ou omissão dolosa na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. 3.2.2. Cita as Súmulas 14 e 25 do CARF e apresenta jurisprudência. 3.3. Discorda da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, vez que inconstitucional sua aplicação para correção dos créditos de natureza tributária. 3.3.1. Afirma que esta taxa não tem instituição legal, sendo somente prevista em circulares do Banco Central do Brasil. 3.3.2. Ressalta que não está discutindo o fato da taxa Selic ser desprovida de definição legal e sim a ausência de lei que a tenha criado para fins de incidência nos débitos/créditos fiscais. 3.3.3. Acrescenta que a previsão de sua aplicação na seara fiscal em diversos diplomas legais não dispensa a sua definição legal. Tal falta acaba por infringir vários princípios constitucionais como o da legalidade, da segurança jurídica e indelegabilidade da competência constitucional nessa matéria. 3.3.4. Sustenta que a cobrança de juros com base na Selic contraria o comando constitucional estampado em seu art. 192, § 3º, que limita os juros ao percentual de 12% ao ano. 3.4. Alega que a Autoridade Lançadora, durante o procedimento fiscalizatório, não procedeu com a devida veracidade, requerendo a reanálise dos atos à luz da verdade dos fatos (verdade material) e não baseados em meras suposições. 3.5. Por fim, sustenta que o termo inicial do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se inicia com a ocorrência do fato gerador, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Não poderia o interprete convolar esse lançamento por homologação em lançamento de ofício para, então, concluir que deve ser somado o prazo decadencial de cinco anos do § 4º do art. 150 do CTN ao prazo referido no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. 3.5.1. Afirma que as Autoridades Fiscais ignoraram as atividades realizadas pelo contribuinte e as regras do CTN, exigindo tributos do período 07/2007 a 09/2007 que já se encontravam decaídos. 3.5.2. Requer, enfim, a improcedência das autuações. Apreciando as razões de defesa apresentadas pela contribuinte, então, manifestouse a douta 13a Turma da DRJ/SP1 pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO, em acórdão assim então ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.044 7 Nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, por expressa ressalva legal plasmada no citado § 4º do art. 150 do CTN, a regra para contagem do prazo decadencial será aquela estabelecida pelo art. 173, I. INCOMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS PARA JULGAR INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe, em sede administrativa, o reconhecimento de ilegalidade ou inconstitucionalidade. O julgador da esfera administrativa está obrigado à observância da legislação tributária vigente no País, cabendo, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS. RECEITAS COMPROVADAS. Os valores creditados em contas bancárias para os quais a Auditoria lograr êxito em vinculálos com as atividades da empresa, quer por meio de documentos, quer por meio de esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo, são considerados como receita comprovada. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada, pela contribuinte foi então interposto o competente Recurso Voluntário, redargüindo, assim, todas as razões antes apresentadas em sua Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.045 8 impugnação, e, agora, pretendendo a reforma da decisão de primeira instância, e, com isso, o reconhecimento da invalidade do lançamento, com a sua total desconstituição. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.046 9 Voto Vencido Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. Sendo tempestivo o recurso, dele conheço. A matéria tratada nos autos, pelo que se verifica, referese à identificação, pelos agentes da fiscalização, de conduta dolosa, praticada pela contribuinte, com o objetivo de reduzir a base tributável em suas operações, encobrir a materialização de fatos tributáveis e, por conseqüência, reduzir o montante do recolhimento do tributo devido, tomando como rotina e procedimento a contabilização de apenas parte de suas atividades. A partir dessa verificação, foi então lavrado o auto de infração aqui analisado, apurandose, especificamente, todos os montantes que foram “reiteradamente” omitidos pela contribuinte naquele exercício (2007), promovendose a incidência dos tributos devidos e, ainda, a incidência das respectivas penalidades aplicáveis, no caso, de forma qualificada, ante a constatação dos fatos apontados. A contribuinte, em seu recurso, destaca que, de fato, a conduta apontada teria sido sim efetivamente materializada, apontando, entretanto, a existência de “matéria de ordem pública” a ser enfrentada por este Conselho, que, no caso, referese ao devido e adequado tratamento dos fatos imputados, com a adequada aplicação da sistemática de apuração dos tributos devidos. Tal apontamento, vale destacar, referese ao fato de que, tanto a fiscalização, quanto a decisão de primeira instância, expressamente reconhecem que a atividade da contribuinte fora promovido de forma “reiterada”, o que, no seu entender, atrairia então a aplicação das disposições do Art. 29, inciso V da Lei Complementar no 123/2006, que assim então expressamente aponta: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; (...) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. (...) Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.047 10 A leitura dessas disposições impõem, de fato, a conclusão de que, identificada pela fiscalização a realização de “prática reiterada de infração” pela contribuinte, a sua exclusão do regime do SIMPLES deve ser realizada de ofício, apurandose, então, os montantes dos tributos devidos segundo os critérios aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos, inclusive, expressamente determinados pelas disposições do Art. 32 daquele mesmo diploma normativo. No presente caso, como se verifica, os agentes da fiscalização, mesmo reconhecendo que, na hipótese, tratouse de materialização da referida condição, fizeram a quantificação dos tributos devidos de acordo com as normas gerais aplicáveis dentro da sistemática do SIMPLES, o que, a rigor, indicaria o descumprimento das disposições do referido dispositivo. A jurisprudência do CARF deixa perfeitamente assente essa matéria, verificandose, a esse respeito inclusive, pronunciamentos já proferidos por esta Turma, conforme se verifica, inclusive, no seguinte e específico precedente, da lavra do douto conselheiro VALMIR SANDRI: Número do Processo 10410.006626/200906 Contribuinte LEITE & FEITOSA LTDA ME Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/04/2012 Relator(a) PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS Nº Acórdão 1301000.890 Tributo / Matéria Decisão Os membros da turma acordam, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Redator designado. Vencidos o Conselheiro Relator, Paulo Jakson e o Conselheiro Wilson Guimarães. Designado redator o Conselheiro Valmir Sandri. Ementa SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 Ementa: SIMPLES — EXCLUSÃO PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA A omissão de receita comprovada por pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, praticada em meses sucessivos, caracteriza a prática reiterada de infração à legislação tributária, bastante para a exclusão da optante do SIMPLES, devendo a tributação se sujeitar às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, a partir do próprio anocalendário da reiterada infração. TRIBUTAÇÃO REFLEXA SIMPLES – PIS/COFINS/CSLL/INSS. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima relação de causa e efeito que s vincula. Na linha do precedente destacado, a respeito do qual, inclusive, alinhome desde o seu julgamento, entendo que, restando comprovado nos autos que o fundamento do lançamento seria a de prática reiterada de infração (elemento esse, inclusive, utilizado pela fiscalização para a qualificação da penalidade aplicada), é de se reconhecer que a exclusão de Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.048 11 ofício, a teor do que expressamente determinam as disposições do Art. 29, inciso V da LC 123/2006, é matéria de observância obrigatória pelos agentes da fiscalização, sendo, portanto, inválido o lançamento realizado sem a adequada aplicação das respectivas disposições de regência. Em face dessas razões, entendo caber reparo à decisão de primeira instância e, também, ao lançamento objurgado, sobretudo porque, conforme aqui apontado, deveria a contribuinte ser considerada como excluída de ofício a partir do primeiro mês da ocorrência da referida prática reiterada, promovendose a tributação dos fatos apontados a partir dos critérios gerais aplicados às demais pessoas jurídicas, o que, no presente caso, efetivamente não se verificou. Não bastassem as considerações aqui apontadas, é relevante ainda destacar que, acaso assim não se entendesse e, eventualmente, pudesse ser mantido o lançamento efetivado, necessário ainda seria destacar a completa invalidade da imposição da qualificação da penalidade aplicada, sobretudo porque, restando demonstrado nos autos que o lançamento fundarase, exclusivamente, na apontada omissão de receitas pela contribuinte, perfeitamente aplicável, entendo, seriam as disposições da Súmula CARF no 14, que, ao considerar a invalidade da qualificação da penalidade pela simples verificação da prática de omissão de receitas, assim então, inclusive, expressamente destaca: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, acaso eventualmente mantido o lançamento, entendo, ainda, pela necessária desqualificação da penalidade aplicada, nos termos, inclusive, aqui então expressamente destacado. Diante desses apontamentos, encaminho o meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, reconhecendo, no caso, a insubsistência do lançamento, especificamente em face da inobservância, pelos agentes da fiscalização, das específicas disposições de regência relativas à verificação da materialização de prática reiterada de infração pela contribuinte, nos termos e fundamentos aqui então devidamente apresentados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.049 12 Voto Vencedor Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES, redator designado. Em que pese os valiosos argumentos trazidos pelo Ilustre Relator em seu pronunciamento, o Colegiado, pelo voto de qualidade, apreciando os fatos retratados nos autos, divergiu in totum das conclusões ali esposadas. O entendimento majoritário do Colegiado foi no sentido de que a apreciação acerca da ocorrência ou não de PRÁTICA REITERADA não diz respeito à matéria de ordem pública, motivo pelo qual os argumentos trazidos pela fiscalizada por meio da peça recursal sequer deveriam ser conhecidos, eis que o enquadramento legal utilizado nas peças acusatórias não foi impugnado, o que atrairia a aplicação da norma contida no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo reproduzido. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. À evidência, a alegação de que, no caso, a questão relativa a ocorrência ou não de prática reiterada é matéria de ordem pública, objetivou tão somente superar a preclusão, eis que, como já dito, o fato sequer foi suscitado em sede de impugnação. Não obstante, cumpre registrar que, ao sustentar que praticou de forma reiterada a infração imputada pela autoridade fiscal, a Recorrente busca, em última análise, beneficiarse da sua própria torpeza, o que, convenhamos, não se pode admitir. De fato, não é admissível que, em sede de recurso, a contribuinte possa argüir a prática de infração mais gravosa do que a imputada pela autoridade fiscal com o exclusivo intuito de tornar insubsistentes as exigências tributárias formalizadas. Merece destaque também o fato de o conceito de PRÁTICA REITERADA ser contaminado de indeterminação, vez que a lei não o explicitou e a jurisprudência é vacilante quanto à sua caracterização. Na situação versada nos autos, em que pese a referência à existência de procedimentos fiscais relativos a outros períodos de apuração, a ação fiscal limitou a um único semestre do ano, circunstância que, caso a autuação fosse promovida com base na denominada prática reiterada, isto é, a contribuinte fosse excluída do SIMPLES NACIONAL já no próprio segundo semestre de 2007 e submetida à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas, o argumento de defesa certamente seria a de que não encontravamse presentes nos autos elementos capazes de caracterizar a imputação de prática reiterada. Ademais, como bem destacado por ocasião dos debates que antecederam o julgamento, o agente fiscal não detém competência para, a partir da caracterização de uma suposta prática reiterada de infrações, decretar a exclusão do contribuinte da sistemática do SIMPLES. Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.050 13 Entendeu também o Ilustre Relator que, no caso vertente, ultrapassada a questão da prática reiterada, não caberia a exasperação da penalidade, haja vista o disposto na súmula CARF nº 14, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Quando se trata de aplicação de súmulas, o confronto entre os fatos retratados nos autos e o verbete deve ser feito de forma cuidadosa. No caso dos autos, à evidência, não estamos diante de “simples apuração de omissão de receitas”, mas, sim, de constatação, por meio de prova direta, de que receitas auferidas foram intencionalmente mantidas à margem da escrituração. A prova direta em referência está representada pelo que foi apurado a partir do confronto entre as notas fiscais de saída e o Livro Registro de Saídas. Demonstra a autoridade autuante que a Fiscalizada escriturou valores expressivamente inferiores aos consignados nas notas fiscais em todos os meses submetidos à auditoria. A expressividade dos valores que não foram submetidos à tributação encontrase retratada nos quadros demonstrativos apresentados às fls. 2 e 3 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.778/1.783 do processo). Os quadros demonstrativos em referência revelam de forma clara o caráter intencional da fiscalizada de submeter à tributação parcela significativamente menor das receitas auferidas, tornando absolutamente inverossímil a ocorrência de simples erro de escrituração. O fato de a apuração ter sido feita com base em documentos disponibilizados pela Recorrente não é capaz de trazer mácula ao juízo acerca da conduta dolosa na prática da infração. Presente o dolo na conduta da fiscalizada, descabe falar em aplicação das disposições contidas no parágrafo 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional para fins de caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário. No caso, a decadência em referência é regida pela norma geral estampada no inciso I do art. 173 do referido diploma legal. Assim, na medida em que a Recorrente foi cientificada do lançamento em 17 de outubro de 2012 e os fatos geradores alcançados ocorreram no período de julho a dezembro de 2007, a constituição do crédito tributário foi efetuada dentro do prazo previsto para tanto, eis que ela poderia ser realizada até 31 de dezembro de 2012. Relativamente à apreciação em seara administrativa de eventuais inconstitucionalidades de leis e à aplicação da taxa de selic, em virtude de reiteradas decisões no mesmo sentido, foram editadas as súmulas nºs 2 e 4, abaixo reproduzidas, que são de adoção obrigatória pelos membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do parágrafo 4º do art. 72 do Regimento Interno (ANEXO II). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 19515.722146/201280 Acórdão n.º 1301001.529 S1C3T1 Fl. 2.051 14 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelas razões expostas, decidiu o Colegiado NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Redator designado Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 02/1 0/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por CARLOS AUGUSTO DE AND RADE JENIER, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 35413.001199/2007-09
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2006
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - NFLD. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ARTIGOS 3º E 142 DO CTN. RETENÇÃO DE 11%. PREVISÃO LEGAL. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91.
Ao contrário das alegações do contribuinte, não há dúvida de que restou caracterizada a existência de grupo econômico. O detalhamento contido na decisão recorrida é mais do que suficiente para sustentar o lançamento. Portanto, não se vislumbra qualquer pré-conceito em relação à matéria e muito menos tratar-se de fato consumado sem o devido aprofundamento na análise dos elementos existentes.
No cumprimento de suas obrigações, a fiscalização pautou o trabalho em estrita observância aos artigos 3º e 142 do CTN. Não houve qualquer mácula no trabalho levado a cabo pelo fisco e muito menos negativa de vigência a qualquer dispositivo legal em vigor.
No caso de cessão de mão-de-obra (art. 31 da Lei nº 8.212/91), a empresa contratante de serviços executados nessa modalidade, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mão-de-obra. Não tendo sido respeitado os comandos da lei pela empresa tomadora de serviços, correto o lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ARTIGOS 3º E 142 DO CTN. RETENÇÃO DE 11%. PREVISÃO LEGAL. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91. 1. Ao contrário das alegações do contribuinte, não há dúvida de que restou caracterizada a existência de grupo econômico. O detalhamento contido na decisão recorrida é mais do que suficiente para sustentar o lançamento. Portanto, não se vislumbra qualquer préconceito em relação à matéria e muito menos tratarse de fato consumado sem o devido aprofundamento na análise dos elementos existentes. 2. No cumprimento de suas obrigações, a fiscalização pautou o trabalho em estrita observância aos artigos 3º e 142 do CTN. Não houve qualquer mácula no trabalho levado a cabo pelo fisco e muito menos negativa de vigência a qualquer dispositivo legal em vigor. 3. No caso de cessão de mãodeobra (art. 31 da Lei nº 8.212/91), a empresa contratante de serviços executados nessa modalidade, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mãodeobra. Não tendo sido respeitado os comandos da lei pela empresa tomadora de serviços, correto o lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 3. 00 11 99 /2 00 7- 09 Fl. 970DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35413.001199/200709 Acórdão n.º 2803003.708 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35413.001199/200709 Acórdão n.º 2803003.708 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previstas no artigo 31 da Lei 8.212/91, correspondentes a 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida pela prestadora, retidas pela notificada e não recolhidas. Integram a NFLD os levantamentos R01, R02, R03, R04, R05, R06 e R07 correspondentes aos serviços de limpeza e vigilância prestados pelas empresas relacionadas no quadro de fls. 67. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 22 de junho de 2012 e ementada nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2001 a 30/09/2006 GRUPO ECONÔMICO DE FATO OU DE DIREITO. CARACTERIZAÇÃO. O Grupo Econômico pode ser de Fato ou de Direito, exigindose na primeira hipótese a comprovação dos requisitos fáticos que demonstrem estarem as empresas sob a direção, controle ou administração comum na segunda, além da existência de empresas controladora e controladas, também a convenção na qual as sociedades se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. PROCEDIMENTOS FISCAIS. FASE OFICIOSA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. OPORTUNIDADE. Na fase oficiosa os procedimentos que antecedem o ato de lançamento são praticados pela fiscalização de forma unilateral, não havendo que se falar em processo, assegurandose o contraditório e a ampla defesa aos litigantes, só se podendo falar na existência de litígio após a impugnação do lançamento. CESSÃO DE MÃODEOBRA. RETENÇÃO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mãodeobra. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGUIÇÃO. AFASTAMENTO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35413.001199/200709 Acórdão n.º 2803003.708 S2TE03 Fl. 5 4 A instância administrativa é incompetente para afastar a aplicação da legislação vigente em decorrência da arguição de sua inconstitucionalidade ou ilegalidade. SELIC. A aplicação da Selic encontra respaldo na legislação vigente. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. RECOLHIMENTO PARCIAL. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previstos no Código Tributário Nacional, contados a partir da ocorrência do fato gerador, vez que se verifica o seu recolhimento parcial. MULTA. A multa aplicada encontra respaldo na legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A evidenciada decisão, muito embora tenha reconhecido a ocorrência da decadência quinquenal no lançamento tributário em análise, por força do disposto na Súmula Vinculante nº 08 do E. STF, bem como pela aplicação do § 4º do artigo 150 do CTN, é merecedora de reforma, mormente por ostentar aspectos intrínsecos em seu bojo, que, conforme restará demonstrado no decorrer desta explanação divorciamse da realidade fática ocorrida. O acórdão recorrido, é merecedor de reforma também, pois, engendra situações tendenciosas a satisfazer suas alegações de existência de grupo econômico no presente caso, sem, contudo, evidenciar de forma concreta os elementos previstos na legislação de regência para a caracterização de tal situação, demonstrando novamente, a necessidade intrínseca de reforma do v. Acórdão proclamado. Não existe o pretenso grupo econômico, tendo em vista ainda a superficialidade da fiscalização, além do cerceamento de defesa, notadamente no que diz respeito à desconsideração da personalidade jurídica. Há que se decretar a nulidade dos débitos lançados, em razão da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade. Sob as novas diretrizes normativas inerentes à constituição do crédito previdenciário por solidariedade, e, conforme anotado no RF/NFLD, o contribuinte tido como solidário in casu, será chamado para manifestarse sobre os termos desta NFLD. Desta manifestação, deverseá abrir vistas ao contribuinte ora manifestante, para o exercício de sua plena defesa, sob pena de nulidade decorrente do cerceamento de defesa. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35413.001199/200709 Acórdão n.º 2803003.708 S2TE03 Fl. 6 5 Resta consignado no v. Acórdão proclamado, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data da ciência do contribuinte, que ocorreu, conforme indicado no próprio acórdão em 01/06/2007. Sob esse aspecto, importante frisar, que o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data da efetiva constituição do suposto crédito tributário, e não a data de cientificação do contribuinte do lançamento em questão. É inconstitucional a utilização da Taxa SELIC. Os recursos apresentados pelos solidários contêm o mesmo teor do recurso apresentado pelo devedor principal. Requerse o acolhimento e julgamento de procedência da impugnação interposta para o escopo de reconhecimento de total nulidade desta NFLD, ante todos os argumentos suscitados. Aguardase, pois, seja o presente recurso administrativo formulado recebido e regularmente processado, com a consequente e imediata suspensão da exigibilidade da dita contribuição à Seguridade Social, até o final julgamento da presente lide administrativa, a teor do disposto no art. 151, III, do CTN, onde, diante de tudo aquilo que restou demonstrado, resultará no cancelamento definitivo do débito. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35413.001199/200709 Acórdão n.º 2803003.708 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Ao contrário das alegações do contribuinte, não há dúvida de que restou caracterizada a existência de grupo econômico. O detalhamento contido na decisão recorrida é mais do que suficiente para sustentar o lançamento. Portanto, não se vislumbra qualquer pré conceito em relação à matéria e muito menos tratarse de fato consumado sem o devido aprofundamento na análise dos elementos existentes. No ponto que dispôs sobre a existência de grupo econômico não vislumbro a possibilidade de fazer qualquer reparo. Correto o lançamento, bem com o posicionamento contido na decisão recorrida. No cumprimento de suas obrigações, a fiscalização pautou o trabalho em estrita observância aos artigos 3º e 142 do CTN. Não houve qualquer mácula no trabalho levado a cabo pelo fisco e muito menos negativa de vigência a qualquer dispositivo legal em vigor. De igual modo, também não restou configurado nos autos, qualquer hipótese de lançamento em duplicidade, como também não presunção quanto ao não recolhimento de contribuições previdenciárias. O trabalho da fiscalização, como já referido, foi realizado em estrita observância á legislação que rege o processo administrativo fiscal. O lançamento é valido, líquido e certo e está em conformidade com os princípios da legalidade e da verdade material. Sobre a taxa SELIC, é sabido que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). No que se refere ao critério de contagem de prazo para a aplicação da regra decadencial nos moldes do § 4º do art. 150 do CTN, entendo, a exemplo do contido no acórdão recorrido, que o início se dá a partir da data da cientificação do sujeito passivo, e não na forma pretendida pelo contribuinte. No concernente à multa aplicada, correta as considerações contidas no acórdão recorrido. No caso de cessão de mãodeobra (art. 31 da Lei nº 8.212/91), a empresa contratante de serviços executados nessa modalidade, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mãode obra. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 35413.001199/200709 Acórdão n.º 2803003.708 S2TE03 Fl. 8 7 Não tendo sido respeitado os comandos da lei pela empresa tomadora de serviços, correto o lançamento. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 5/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/10/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000872/2006-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA DO ILÍCITO.
Não subsiste o lançamento efetuado sem elementos que comprovem a prática do ilícito.
Numero da decisão: 3401-002.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício.
ROBSON JOSE BAYERL - Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA DO ILÍCITO. Não subsiste o lançamento efetuado sem elementos que comprovem a prática do ilícito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSE BAYERL - Presidente. ANGELA SARTORI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA.
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PROVA DO ILÍCITO. Não subsiste o lançamento efetuado sem elementos que comprovem a prática do ilícito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA ROBSON JOSE BAYERL, ÂNGELA SARTORI, BERNARDO LEITE DE QUEIROZ LIMA E JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 72 /2 00 6- 91 Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Contra o interessado foi lavrado auto de infração de IPI no valor total de R$ 1.639.600,54 (fls. 108 e seguintes), em função das irregularidades descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 94 e seguintes. A empresa apresenta impugnação (fls. 807 e seguintes), na qual alega, em síntese, que o auto de infração foi lavrado com base em seus arquivos magnéticos, sem análise de sua escrita fiscal, além das DI's, Notas Fiscais de Entrada e Saída. Assim, a fiscalização considerou que foram comercializadas "lentes multifocais acabadas" quando na verdade tratavase de "lentes multifocais semiacabadas (também denominadas acabadas de um lado só AC liado)". Foi requerida diligência por meio do Despacho n° 74/2009 2a Turma da DRJ/JFA.Em resposta à diligência requerida, a autoridade fiscal emitiu o despacho de fls. 1.889/1891, no qual informa que "concluise que não existem elementos que corroborem as alegações da Autuada e possibilitem acatarse como verdade absoluta a descrição contida nas notas fiscais de saída para os códigos de mercadorias LPOl G28, JP01G2Q, JP11G30, LP11 G31, LP21G32, LG01H73, L4Í2041 e LB11241, visto que a nomenclatura das mercadorias/produtos/equipamentos discriminada no Livro Registro de Inventário da empresa não pode estar incompleta, sob pena de considerarse como verdadeiras as informações ali inseridas, pois a lei fiscal determina que sejam especificados de forma pormenorizada os inventários das matériasprimas, das mercadorias, dos produtos em fabricação, dos bens em almoxarifado e dos produtos acabados na época do balanço"; A empresa apresenta razões adicionais à impugnação (fls. 1893 e seguintes), na qual repete basicamente as mesmas argumentações trazidas anteriormente; A DRJ decidiu em síntese; “A s s u n t o : I m p o s t o s o b r e P r o d u t o s Industrializados IPI Anocalendário: 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. PROVA DO ILÍCITO. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 18471.000872/200691 Acórdão n.º 3401002.779 S3C4T1 Fl. 6 3 Não subsiste o lançamento efetuado sem elementos que comprovem a prática do ilícito. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado.” O Recurso subiu de ofício ao CARF para análise. E o breve relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade por isto dele tomo conhecimento. A Empresa em sua defesa alega que que a fiscalização considerou que foram comercializadas "lentes multifocais acabadas" quando na verdade tratavase de "lentes multifocais semiacabadas (também denominadas acabadas de um lado só ACI lado)'', cuja alíquota é 0% (zero por cento). Analisando o processo concordo com a DRJ que não existem elementos de prova suficientes para garantir que as lentes multifocais comercializadas pela autuada no período de janeiro a setembro de 2002 eram "acabadas". O Termo de Verificação Fiscal esclarece que "pela leitura do meio magnético (nascedouro de todo os registro contábil e fiscal da empresa, principalmente Nota Fiscal), constatamos que o contribuinte dá saída à 'Lentes Multifocais' na condição de 'acabadas', qual seja: sem indicação se semiacabadas ou acabadas de um lado". A autoridade fiscal anexa às fls. 184/782 "Relatório de NFs de vendas /saídas" no qual relacionas as notas fiscais que, segundo seu entendimento, contém somente lentes multifocais acabadas. Porém, em muitas notas fiscais de saída acostadas aos autos, que se encontram no relatório acima citado, encontramos vendas de lentes multifocais com a indicação de semiacabadas ou acabadas de um lado (exemplo fls. 1520/1810). Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 A empresa demonstra que importou no período, lentes multifocais semiacabadas e afirma que todas essas lentes foram comercializadas neste estado, ou seja, ela não efetuou nenhum processo de industrialização para transformálas em lentes acabadas. Instada, por meio do pedido de diligência formulado pelo Despacho n° 74 2a Turma DRJ/JFA, a comprovar "quais os itens constantes do Relatório de NFs de vendas/saídas de fls. 184/782, são efetivamente 'lentes multifocais acabadas', a autoridade fiscal, depois de comparar os códigos usados pela empresa no Registro de Inventário, no Registro de Controle de Estoques e no arquivo digital tabela de Mercadoria, concluiu que "não existem elementos que corroborem as alegações da Autuada e possibilitem acatarse como verdade absoluta a descrição contida nas notas fiscais de saída". Na verdade, o que não existem são elementos de provas que permitam mudar a classificação fiscal das mercadorias relacionadas nas notas fiscais de saída emitidas pela empresa autuada. No relatório da diligência efetuada, consta também que, nos livros da empresa "encontramse relacionados itens utilizados na industrialização das lentes, tais como, lixas, rebolos de corte, rebolos de acabamento e rebolos de polimento etc". Essa constatação por si só não é suficiente para afirmar que a empresa não comercializou as lentes multifocais semiacabadas, relacionadas nas notas fiscais de saída. Registrase que não foi efetuada a circularização com os adquirentes das mercadorias, o que poderia demonstrar ou não, que não foram comercializadas lentes multifocais semiacabadas, como afirma a autoridade fiscal. Portanto, entendo que não estão presentes os requisitos exigidos no artigo 9o do Decreto 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), que estabelece que "a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Angela Sartori Relator Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10746.904221/2012-31
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 22 1/ 20 12 -3 1 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.870, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 127DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 128DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 129DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 131DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904221/201231 Resolução nº 3803000.595 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 132DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10850.905400/2011-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA
EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre os combustíveis incluídos o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrado nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exoneradas as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 54 00 /2 01 1- 17 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Antônio Elmo Gomes Queiroz. OAB/PE nº 23.878. Antecipado o julgamento para o período matutino a pedido do recorrente. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo, contra o acórdão exarado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto (DRJ/RPO), na Sessão de Julgamento do dia 25 de março de 2013, em que foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade, deixado de conhecer o direito creditório sobre aquisição de combustíveis. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciado Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP), por intermédio da qual o contribuinte pretende ver ressarcido crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo, concernente a PIS/PASEP (PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO – MERCADO INTERNO), período de apuração: 1º trimestre de 2008. Por meio de despacho decisório de fl. 5, com fundamento na informação fiscal de fls. 46/48, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar do produto sair com alíquota zero, à tributação do PIS/PASEP, referente ao óleo diesel, ocorre de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, como não foi constatado o auferimento de receitas não tributadas no mercado interno, passíveis de ressarcimento, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. Regularmente cientificado do Despacho Decisório em 14/5/2012 (fl. 6), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 07/38. Contudo, como se observa da Manifestação de Inconformidade de fls. 07/38, as folhas 10 a 16 da peça impugnatória não foram juntadas aos autos. A fim de evitar qualquer prejuízo ao contribuinte, juntouse cópia dessas folhas (fls. 49/55), extraídas da manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente no processo, cujo conteúdo é idêntico. Assim, insurgindose contra o teor do despacho decisório de fl. 5, acompanhado de Informação Fiscal, o contribuinte alega, em síntese, que: a) por entender ter direito ao crédito de PIS/COFINS nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; b) não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo Fl. 139DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 14 4 diesel, doravante englobados pelo termo combustível; c) as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à não cumulatividade; d) a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei nº 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e da Lei nº 10.833/2003 (COFINS não cumulativa), já que não se enquadra nas exceções; e) é de se consignar que os distribuidores já constaram expressamente como jungidos à comutatividade, mas houve uma mutação na redação original que instituiu como substituto a refinaria e substituídos os distribuidores; f) a Lei nº 9.990/00 retirou a distribuidora da incidência; g) há ainda uma menção residual aos distribuidores de combustíveis, mas totalmente esvaziada, pois já não existe mais a substituição tributária aventada; h) há norma latente para os distribuidores enquanto substitutos, mas não há como contribuintes diretos, pois não estão mais na comutatividade; i) quem se encontra em limbo tributário são os produtores não os distribuidores, já que passaram a ser submetidos às chamadas alíquotas diferenciadas; j) essa mixórdia se refere a “produtor” e “importador”, não arrastando para a balbúrdia os “distribuidores”; k) a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na não cumulatividade; l) cita os artigos que foram apresentados como fundamento para vedação definitiva dos créditos aqui discutidos; m) na cadeia produtiva de combustíveis, as distribuidoras estão em uma etapa que está sob a incidência da legislação do PIS/COFINS nãocumulativos e, para completar os critérios da regramatriz de incidência, já tinha ficado estabelecido que os distribuidores operariam com alíquota zero, conforme MP nº 2.15835/01; n) é descabido confundir alíquota zero com não incidência, pois são fenômenos distintos; o) quando a lei estabelece a tributação dita monofásica, ela expressamente coloca a incidência em uma única fase que não se confunde com a nãocumulatividade que pressupõe a tributação em várias fases mesmo que em uma ou alguma delas a incidência se dê à alíquota zero; p) nesse caso, não há direito a creditamento para outras fases, porque o resto da cadeia está fora do campo de incidência do tributo, uma vez que a tributação ficou inteiramente concentrada em um único contribuinte, independente da sistemática dos demais elos da cadeia produtiva. Nestes específicos casos, descabe falar em cumulatividade ou nãocumulatividade. Todavia, se incidir, ainda que com alíquota zero, não é o caso de tributação monofásica, o que não ocorreu com os combustíveis aqui discutidos: gasolina A e Diesel; q) é constrangedora a frequência com que se repete, até em atos regulamentares inferiores, que os combustíveis estão sob o sistema de monofásica, porém não há tributação monofásica justamente porque todos estão submetidos à incidência da tributação das Fl. 140DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 15 5 citadas contribuições (alíquota zero); r) por meio da MP nº 206, publicada e vigente em 09/08/2004, surgiu o artigo 16, que virou o artigo 17, quando convertida na Lei nº 11.033/2004, criando condições para a plena nãocumulatividade no que tange ao PIS/COFINS, como expresso na Exposição de Motivos da referida MP; s) a MP que introduziu o artigo 17 é norma politemática; t) a Lei nº 11.116/2005 veio para dar maior efetividade ao creditamento como instrumento da não cumulatividade; u) a autoridade administrativa usou o argumento equivocado para negar o direito da empresa, citando as disposições da IN SRF nº 594/2005, que teria expressamente introduzido a vedação, e mais, com efeito retroativo. No Estado Democrático de Direito, as limitações e restrições ao agir dos contribuintes somente podem estar previstas em lei; v) pela normatização do PIS/COFINS nãocumulativos, o método escolhido pelo legislador foi o indireto subtrativo, ou seja, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou se o elo anterior estava no regime da não cumulatividade, pois se baseia somente em incidência da alíquota base sobre as aquisições, independente se a aquisição seja decorrente de creditamento sobre etapas não tributadas, ou tributadas com alíquota diferente; x) em 03/01/2008, foi editada a MP nº 413, que alterou o permissivo de creditamento das leis da nãocumulatividade, porém tal dispositivo não foi aprovado; y) após toda a exposição, transcreve as seguintes premissas: 1) se a contribuinte é distribuidora de combustíveis; 2) se a contribuinte é tributada pelo Lucro Real (regime nãocumulativo para o PIS/COFINS); 3) o único instrumento com poderes para criar restrições é a lei; 4) existe norma que previu expressamente que a contribuinte deveria tributar o PIS/COFINS com alíquota zero sobre seu faturamento, e não em monofásica ou não incidência; 5) o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 prevê expressamente que todos os contribuintes da nãocumulatividade, mesmo que faturem com alíquota zero, podem creditarse de PIS/COFINS; 6) a Lei nº 11.033/2004 é politemática; 7) o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 fez foi dotar de mais garantias a previsão do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 8) sempre se ressalva, nas novas normas, o que fica ainda regulado em outra norma anterior, o que não aconteceu com a possibilidade de creditamento para a contribuinte, sendo certo que normas infralegais não tem tal condão; 9) o creditamento é coerente com a técnica de nãocumulatividade empregada no PIS/COFINS, em consonância com a prescrição constitucional; 10) o Poder Executivo, via medida provisória, tentou restaurar a vedação ao creditamento, mas por intuitiva inconstitucionalidade, não foi mantida no ordenamento jurídico; z) repisese, creditamento sobre a aquisição de Gasolina A e óleo Diesel, como consta de seu pedido. Ao final, requer a procedência da Manifestação de Inconformidade para o fim de se deferir o creditamento pretendido e homologado a compensação efetuada. É o relatório. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 16 6 A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, conforme pode ser conferido pela ementa do acórdão, abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da nãocumulatividade. É incontroverso que a Lei nº 9.990/2000 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da COFINS sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, aludindo os mesmos argumentos trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o sucinto relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Não obstante tenha entendimento vencido sobre o tema, e por alterar o meu entendimento, passo a adotar as razões do voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, ilustre colega de sessão, em julgamento pretérito sobre a mesma matéria, consolidado no Acórdão n. 3801002.958. As operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, realizamse em três etapas bem definidas e distintas, a saber: as refinarias, as distribuidoras e os varejistas. Historicamente as receitas decorrentes da venda desses produtos ocorreram de forma concentrada e simplificada, inicialmente na modalidade de substituição tributária para frente e posteriormente sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência do PIS e COFINS se deu da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à COFINS, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/PASEP, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. Nesse modelo adotouse o modelo de substituição tributária para frente, com a definição das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras e varejistas. No caso de não ocorrer a venda na última fase da cadeia comercialização, foi assegurado ao consumidor final, contribuinte substituído, o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS. Esse entendimento foi expresso no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 18 8 Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º,multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Os artigos 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000 aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindoa pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Nessa sistemática as refinarias passaram a recolher na condição de contribuinte de fato e direito, deixando a categoria de contribuintes substitutos dos demais, distribuidoras e os varejistas, intervenientes nas etapas de comercialização seguintes. As receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram Fl. 144DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 19 9 excluídas do pagamento das referidas Contribuições, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: Igasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; A tributação das refinarias, das distribuidoras e varejistas passou a ser realizada de forma autônoma sob a sistemática monofásica, não havendo mais a figura da antecipação do que seria devido nas etapas subsequentes. Os pagamentos passam a ser considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. A MP n.º 1.99115, de 2000 extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Como conseqüência o regime monofásico de tributação não previu a possibilidade de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, em face de sua incidência única e definitiva. Sustenta o contribuinte o direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Em mudança de posicionamento entendo que não assiste razão a Recorrente. A sistemática legal não fundamenta tal entendimento, assim vejamos: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo pela possibilidade de manutenção de créditos exclusivamente quanto aqueles calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, segundo sistemática da nãocumulatividade. Igualmente, com base no artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. A referência normativa à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou não incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, se dirige unicamente aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente admitidas. Por outro lado, a alínea “b” do I inciso do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, dentre eles o monofásico. Cabe esclarecer que a própria exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002 ressaltou a especificidade desses regimes especiais, da seguinte forma: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.905400/201117 Acórdão n.º 3801004.163 S3TE01 Fl. 20 10 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/PASEP, foram excluídas do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Assim, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero não há que se cogitar direito a crédito por ausência de expressa determinação legal. Por outro lado, entendo pela existência de restrição para os créditos de produtos adquiridos para revenda. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 146DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 30/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 12267.000386/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 31/12/2004 a 31/05/2007
CRÉDITO. RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO DE OBRA
De acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91 há um procedimento específico para que os valores retidos sejam compensados por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamentos dos seus segurados (§ 1º do artigo 31 da Lei 8.212/91).
Após essa compensação, se ainda houver saldo em favor do contribuinte, deverá requerer a restituição do restante. Tal restituição, hodiernamente, é regulada pelos artigos 18, 19 e 19 da Instrução Normativa nº 1.300, mediante o preenchimento de PER/Dcomp, em que o contribuinte demonstra as retenções sofridas, a compensação realizada e o saldo em seu favor.
MULTA. RETROATIVIDADE.
Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte.
Numero da decisão: 2301-004.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Andrea Brose Adolfo e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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RETENÇÃO NA CESSÃO DE MÃO DE OBRA De acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91 há um procedimento específico para que os valores retidos sejam compensados por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamentos dos seus segurados (§ 1º do artigo 31 da Lei 8.212/91). Após essa compensação, se ainda houver saldo em favor do contribuinte, deverá requerer a restituição do restante. Tal restituição, hodiernamente, é regulada pelos artigos 18, 19 e 19 da Instrução Normativa nº 1.300, mediante o preenchimento de PER/Dcomp, em que o contribuinte demonstra as retenções sofridas, a compensação realizada e o saldo em seu favor. MULTA. RETROATIVIDADE. Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 03 86 /2 00 8- 73 Fl. 952DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Andrea Brose Adolfo e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de crédito lançado contra o contribuinte acima identificado, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD DEBCAD n° 37.123.2830, no valor de R$ 445.345,04 (quatrocentos e quarenta e cinco mil, trezentos e quarenta e cinco reais e quatro centavos), que acrescido de multa e juros corresponde ao valor consolidado em 26/09/2007 de R$ 568.758,28 (quinhentos e sessenta e oito mil setecentos e cinqüenta e oito reais e vinte e oito centavos). O presente credito se refere à contribuição devida a Previdência Social pelos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços A empresa, descontada de suas remunerações e abrange a matriz e as filiais. Engloba as seguintes competências: 13/2004, 13/2005, 04/2006 a 13/2006 e 01/2007 a 05/2007. Aponta o relatório fiscal que a fiscalização se baseou nas folhas de pagamento apresentadas confrontadas com as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações da Previdência Social — GFIP e recolhimentos efetuados. Devidamente intimado do lançamento o sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que o auto de infração não merece prosperar na medida em que o sujeito passivo tem crédito relativo à retenção de 11%. A instância a quo julgou improcedente a impugnação, o que motivou a interposição de Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 12267.000386/200873 Acórdão n.º 2301004.071 S2C3T1 Fl. 1.103 3 Basicamente sustenta a recorrente que detém crédito em favor do Fisco, o qual surgiu com as retenções sofridas na prestação de serviços mediante cessão de mão de obra. Ocorre que nesses autos, a recorrente, com o fim de sustentar o argumento de que é credora e, por isso, nada seria devido a título de contribuição previdenciária, traz planilha produzida unilateralmente, a qual, a meu ver, não tem o condão de refutar o levantamento efetuado nesses autos pelo autoridade fiscalizadora. Como se vê tratase de débitos referentes a segurados empregados e contribuintes individuais devidamente declarados em GFIP, porém não recolhidos aos cofres públicos. Em momento algum se questionou eventual crédito que possa deter a recorrente, mas de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91 há um procedimento específico para utilizálos. Em suma, os valores retidos serão compensados por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamentos dos seus segurados (§ 1º do artigo 31 da Lei 8.212/91). Após essa compensação, se ainda houver saldo em favor do contribuinte, deverá requerer a restituição do restante. Tal restituição, hodiernamente, é regulada pelos artigos 18, 19 e 19 da Instrução Normativa nº 1.300, mediante o preenchimento de PER/Dcomp, em que o contribuinte demonstra as retenções sofridas, a compensação realizada e o saldo em seu favor. Logo há, sem dúvida, todo um arcabouço jurídico e procedimental a ser percorrido como forma de reconhecer eventual crédito decorrente da retenção de contribuição previdenciária na cessão de mão de obra, a qual não se limita a mera elaboração de planilha. Multa Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 caput acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de Fl. 954DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar, se mais benéfica ao contribuinte, que a multa seja calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 955DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/09/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10882.723812/2011-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Callijuri. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituída no colegiado pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .7 23 81 2/ 20 11 -6 3 Fl. 55133DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Para os efeitos deste julgamento é bastante que restrinjamos o relatório a um ponto crucial: a lavratura dos autos de infração foi levada a efeito a partir das informações contidas em extratos bancários, que foram obtidos por meio de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Tratase dos autos de infração, lavrados em 29/11/2011, na sistemática do Lucro Arbitrado, abrangendo o anocalendário de 2007, e relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, e à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, cientificados à 4 contribuinte em 01/12/2011, para constituição do crédito tributário no valor total de R$ 89.622.436,33, com juros de mora calculados até 31/10/2011, multa regulamentar por omissão/erro nos dados fornecidos por meio magnético e multa de ofício aplicada no percentual de 150%. A ação fiscal iniciouse com o Termo de Início do Procedimento Fiscal datado de 13/01/2011, no qual o Fisco comunicou o início do procedimento e requisitou a apresentação ou disponibilização dos seguintes Livros e documentos. Na mesma data e mediante “Termo de Intimação – Arquivos Digitais”o Fisco requisitou “Arquivos Magnéticos – Contábeis” e “Arquivos Magnéticos Notas Fiscais”, sempre com observância do Sistema “SINCO” e de acordo com o Ato Declaratório Executivo Cofis nº 15, de 23/10/2001. Em razão do não atendimento por parte da fiscalizada, o condutor do feito solicitou ao Chefe da Unidade da DRF/Osasco, a expedição das Requisições de Informações Sobre Movimentações Financeiras (RMF). Fl. 55134DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.723812/201163 Resolução nº 1101000.095 S1C1T1 Fl. 4 3 De posse dos dados auferidos por meio da RMF, a Fiscalização lavrou Auto de Infração. Depois, tratou da sujeição passiva solidária, escrevendo: Ciente da conclusão do procedimento fiscal e da lavratura dos autos de infração, a contribuinte, através procurador devidamente constituído, apresentou a impugnação, juntando, ainda, outros documentos. Na mesma data e pelos mesmos mandatários, os sujeitos passivos, a) “Atra Prestadora de Serviços em Geral Ltda. – CNPJ nº 45.180.072/000104” b) Gelre Trabalho Temporário S/A – CNPJ nº 47.192.091/000178; c) PGP Planejamento e Gestão de Processos Ltda. – CNPJ nº 08.045.743/000190; e, d) Geldria Participações e Serviços Ltda. CNPJ nº 60.837.275/000106, apresentaram suas impugnações, juntaram instrumentos de mandatos e anexaram documentos. Passase, inicialmente, à apreciação da peça impugnatória da contribuinte Gelre Trabalho Temporário S/A. Na contestação aos lançamentos perpetrados pelo Fisco, depois de fazer um resumo dos fatos e dissertar que sempre atendeu às exigências da Fiscalização para apresentação dos arquivos digitais, alegou em sua defesa a ilegalidade do procedimento administrativo que implicou a quebra de sigilo bancário, além de outros argumentos quanto à falta de provas para instruir o Auto de Infração, assim como trouxe argumentos em relação à não procedência da qualificação e do agravamento da multa. Os sujeitos passivos solidários apresentaram impugnações, em que contestam a sujeição passiva sob o argumento de que o “interesse comum” existente na dicção do art. 124 do CTN não diz respeito ao interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal; decorre, porém, continuam as impugnantes solidárias, da realização conjunta do fato gerador por mais de um sujeito. Pedem sua exclusão do pólo passivo. A DRJ julgou improcedente as impugnações, rejeitou a argüição de nulidade e o pedido de diligência/perícia e manteve o crédito tributário formalizado. A seguir foram interpostos Recursos Voluntários pelo sujeito passivo da obrigação principal e pelos sujeitos passivos solidário, em que reiteram os argumentos e pedidos da peça impugnatória. É o relatório. Voto Fl. 55135DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.723812/201163 Resolução nº 1101000.095 S1C1T1 Fl. 5 4 Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo e, assim, dele tomo conhecimento. É absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve – dentre outros temas – lançamento de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários (art. 42 da Lei n. 9.430/96). Ocorre que o Fisco teve acesso à movimentação financeira de suas contas da Recorrente sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Frisese que o contribuinte expressamente pleiteia o reconhecimento da nulidade do lançamento em virtude de dito procedimento, o que se verifica pela leitura do trecho do inconformismo supratranscrito. Entendo que a análise do presente feito não pode ter lugar no momento presente, revelandose imperioso o seu sobrestamento, na esteira do §1o do art. 62A do Regimento Interno deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que reza, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. No que tange ao tema em referência, é inquestionável que o Supremo Tribunal vem sobrestando feitos que versam sobre a questão em análise – ante o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n. 601.314/SP –, o que se depreende da leitura do seguinte decisum, prolatado nos autos do Agravo de Instrumento n. 765.714/SP, litteris: “No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6o). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3o, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a Fl. 55136DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10882.723812/201163 Resolução nº 1101000.095 S1C1T1 Fl. 6 5 outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria)”. Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (AI 765.714/SP; Min. Ricardo Lewandowski; DJ 22/10/2010; sem grifos no original) Nessa senda, diante da hialina incidência do supracitado §1o do art. 62A, determino o SOBRESTAMENTO do vertente feito até deslinde final do Recurso Extraordinário n. 601.314, em que se reconheceu a Repercussão Geral da quaestio iuris de que se cuida. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 55137DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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