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Numero do processo: 11030.902232/2012-13
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 32 /2 01 2- 13 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902232/201213 Acórdão n.º 3801003.164 S3TE01 Fl. 66 2 Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902232/201213 Acórdão n.º 3801003.164 S3TE01 Fl. 67 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins cujo pagamento ocorreu em 15/07/2002, relativo ao período 01/06/2002 a 30/06/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902232/201213 Acórdão n.º 3801003.164 S3TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902232/201213 Acórdão n.º 3801003.164 S3TE01 Fl. 69 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902232/201213 Acórdão n.º 3801003.164 S3TE01 Fl. 70 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 37071.001093/2007-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/12/2006
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA
não restou configurada a divergência, tendo em vista que: i) o acórdão recorrido concluiu que o auto de infração decorrente da obrigação acessória deveria ser nulo em virtude da nulidade da NFLD que dispunha sobre a obrigação principal; ii) e o acórdão paradigma em nenhum momento abordou a questão acerca da nulidade do auto de infração da obrigação acessória em virtude da declaração da nulidade do lançamento da obrigação principal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 09/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 13/12/2006 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA não restou configurada a divergência, tendo em vista que: i) o acórdão recorrido concluiu que o auto de infração decorrente da obrigação acessória deveria ser nulo em virtude da nulidade da NFLD que dispunha sobre a obrigação principal; ii) e o acórdão paradigma em nenhum momento abordou a questão acerca da nulidade do auto de infração da obrigação acessória em virtude da declaração da nulidade do lançamento da obrigação principal. Recurso especial não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 09/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
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ADMISSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA não restou configurada a divergência, tendo em vista que: i) o acórdão recorrido concluiu que o auto de infração decorrente da obrigação acessória deveria ser nulo em virtude da nulidade da NFLD que dispunha sobre a obrigação principal; ii) e o acórdão paradigma em nenhum momento abordou a questão acerca da nulidade do auto de infração da obrigação acessória em virtude da declaração da nulidade do lançamento da obrigação principal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 09/05/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 07 1. 00 10 93 /2 00 7- 41 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 2401 00.409, integrado pelo Acórdão n.º 230102.870, proferidos, respectivamente, pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção e 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção em 5 de junho de 2009 e 19 de junho de 2012 interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Acórdão n.º 240100.409, por unanimidade de votos, anulou o Auto de Infração. O Acórdão n.º 230102.870, por unanimidade de votos, acolheu em parte os embargos, somente na tipificação do vício, e conceituou o vício existente como formal. Segue abaixo a ementa das decisões em comento: Acórdão n.º 240100.409 “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO. 0 julgamento do auto de infração lavrado pelo não registro, em folhas de pagamento, de remuneração de segurados, depende do julgamento do mérito da NFLD que lançou as contribuições incidentes sobre as referidas remunerações. Tendo sido julgada nula a NFLD, o Auto de Infração também deve ser considerado nulo. PROCESSO ANULADO.” Acórdão n.º 230102.870 “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. AUTO DE INFRAÇÃO – DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO. O julgamento do auto de infração lavrado pelo não registro, em folhas de pagamento, de remuneração de segurados, depende do julgamento do mérito da NFLD que lançou as contribuições incidentes sobre as referidas remunerações. Tendo sido julgada nula a NFLD por vício formal, o Auto de Infração também deve ser considerado nulo pelo mesmo vício.” Afirma a Fazenda Nacional que a decisão recorrida diverge do paradigma que apresenta: “PREVIDENCIÁRIO — CUSTEIO — AUTO DE INFRAÇÃO — GFIP —APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social Fl. 640DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37071.001093/200741 Acórdão n.º 9202003.075 CSRFT2 Fl. 9 3 GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, no caso, anotase que houve o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inc. IV e §§ 3'' e 59, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV e § 4°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. II, e art. 373. PREVIDENCIÁRIO — REMUNERAÇÃO CARTÕES DE PREMIAÇÃO —PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRECEDENTES. Integram o salário de contribuição os valores pagos a titulo de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o premio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado, razão pela qual, possui natureza jurídica CUSTEIO — AUTO DE INFRAÇÃO — ARTIGO 32, IV, § 5Q, LEI NI° 8.212/91— APLICAÇÃO DO ART. 32, IV, LEI NQ 8.212/91 C/C ART. 32A, LEI Ni' 8.212/91 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA — ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO ART. 106, II, C, CTN. Conforme determinação do art. 106, II, c do Código Tributário Nacional —CTN a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Desta forma, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei rf 8.212/1991 c/c art. 32, § 5°, Lei if 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei n.º 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Recurso Voluntário provido em Parte.” (AC 240301.169) Destaca o seguinte trecho do paradigma: “(i) Julgamento conjunto e simultâneo deste processo administrativo com os processos 17546.000868/200720 e 17546.000872/200798 "Analisemos. A argumentação da Recorrente não prospera porque alem de encontrar óbices no procedimento operacional da Secretaria da Receita Federal do Brasil e também do Ministério da Fazenda, temse que o art. 9º do Decreto 70.235/1972 apenas estabelece que a exigência do credito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os Fl. 641DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Ou seja, conforme se depreende do art. 9º, Decreto 70.235/1972, não há, na legislação de regência do processo administrativo fiscal, dispositivo que obrigue a tramitação de processos conexos para julgamento conjunto. (...) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO Em relação ao Mérito, a argumentação da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação as operações decorrentes do cartão de Premiação INCENTIVE HOUSE. Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), no há que se falar em no incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem corno salário de contribuição, impondo a manutenção do feito".” Explica que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que o julgamento do auto de infração dependeria do julgamento de mérito da NFLD e, com base nessas razões, anulou o lançamento por vicio formal à semelhança do que havia ocorrido com a NFLD, o acórdão paradigma adotou posicionamento contrário. Diz que, muito embora diante de alegação de que deveria ocorrer o julgamento conjunto da NFLD e do Auto de Infração, o acórdão paradigma entendeu que a legislação não obriga o julgamento conjunto ou prévio. No mérito, entende que o acórdão recorrido anulou o presente auto de infração por vicio formal, por entender que, em razão da conexão existente entre os dois documentos de constituição do crédito tributário, e considerando que o julgamento do auto em questão depende do julgamento do mérito da referida NFLD, tendo sido declarada a nulidade daquela por vicio formal, também deveria ser declarada a nulidade do lançamento de obrigação acessória. Observa que. nesse caso, se o Colegiado entendia que o julgamento do presente auto de infração dependeria do julgamento de mérito da NFLD conexa, deveria, com as devidas vênias, suspender o julgamento do feito e não anular o lançamento tãosomente porque a NFLD foi anulada, tendo em vista que os vícios que culminaram com essa declaração não estão presentes no AI. Argumenta que a legislação que disciplina o processo administrativo fiscal não exige o julgamento prévio do lançamento da obrigação principal, e nem mesmo o seu julgamento conjunto com o lançamento da obrigação acessória. Cita o art. 9ª do Decreto n.º 70.235/72. Ressalta que não há qualquer influência da declaração de nulidade da NFLD por vicio formal no presente lançamento, porque tratase de autuação levada a efeito contra o contribuinte por apresentar folhas de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS. Em contraponto, frisa que a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes anulou o lançamento de obrigação principal apenas por vicio nas formalidades de Fl. 642DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37071.001093/200741 Acórdão n.º 9202003.075 CSRFT2 Fl. 10 5 lavratura e não pela ausência de ocorrência do fato gerador. Conclui que nada impediria, portanto, o julgamento do presente AI. Afirma que a apresentação de folhas de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, por si só, caracteriza a conduta tipificada na legislação, não havendo que se falar em exoneração de parcela da multa por conta da derrubada da obrigação principal. Salienta que a obrigação acessória é autônoma e independente da ocorrência do fato gerador. Destaca que tanto as obrigações acessórias não são dependentes das obrigações principais que o Código Tributário Nacional, no §3º do seu art. 113, dispõe que a sua inobservância as converte em obrigação principal própria relativa a penalidade pecuniária. Ao final, requer o provimento do seu recurso. Nos termos do Despacho n.º 2300056/2013, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões. Afirma que a presente autuação referese a aplicação de multa pelo fato do contribuinte não ter registrado na sua folha de pagamento gastos decorrentes do cartão Flexcard, oriundos da empresa Incentive House. Diz que não negou, em momento algum, que deixou de incluir tais valores em sua folha de pagamento porque entende que a referida inclusão é indevida, tendo em vista que os pagamentos realizados pela empresa contratada não possui caráter de remuneração e, consequentemente, não pode integrar o salário de contribuição. Entende que se o recurso (n° 146379) que tratava justamente da desnecessidade do registro dos pagamentos do cartão Flexcard na sua folha de pagamentos foi julgado nulo, por lógica, não há como prosseguir a presente autuação, sob pena de gerar decisões administrativas conflitantes. Ademais, destaca que não há divergência entre o paradigma indicado e o acórdão recorrido, por terem sido prolatados em contextos distintos. Explica que o caso em tela trata de multa decorrente de obrigação principal que foi julgada nula. Ou seja, diante da existência de vícios formais, entendeuse pela nulidade do lançamento oriundo da NFLD 37.045.8885, não sendo julgado o mérito do recurso, o qual tratava justamente se era devido, ou não, o registro dos pagamentos na contribuição de salários dos empregados da Recorrida, referente ao cartão flexcard adquirido da empresa Incentive House. Observa que o paradigma, por outro lado, apresenta situação adversa, pois o mesmo referese a decisão onde julgouse o mérito referente ao processo administrativo que tratava do crédito principal, motivo que a decisão nesse caso foi no sentido de que não haveria necessidade de um julgamento em conjunto. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Ao final, requer o não provimento do recurso especial da Fazenda Nacional. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Na tentativa de demonstrar o dissídio jurisprudencial a recorrente transcreveu o seguinte trecho do acórdão recorrido: "E em razão da conexão existente entre os dois documentos de constituição do credito tributário, e considerando que o julgamento do auto em questão depende do julgamento do mérito da referida NFLD, entendo que deve ser declarada a nulidade do presente Auto de Infração." Ou seja, tendo em vista a declaração de nulidade do lançamento que continha a obrigação principal, o acórdão recorrido decidiu que o auto de infração que consubstanciava a obrigação acessória decorrente também deveria ser anulada, em decisão que foi assim ementada: Acórdão n.º 240100.409 “PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO. O julgamento do auto de infração lavrado pelo não registro, em folhas de pagamento, de remuneração de segurados, depende do julgamento do mérito da NFLD que lançou as contribuições incidentes sobre as referidas remunerações. Tendo sido julgada nula a NFLD, o Auto de Infração também deve ser considerado nulo. PROCESSO ANULADO.” A seguir aponta que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma, acórdão n.º 2403001.169, do qual transcreve as seguintes passagens: (i) Julgamento conjunto e simultâneo deste processo administrativo com Os processos 17546.000868/200720 e 17546.000872/200798 "Analisemos. A argumentação da Recorrente n5o prospera porque alem de encontrar óbices no procedimento operacional da Secretaria da Receita Federal do Brasil e também do Ministério da Fazenda, tem se que o art. 9o do Decreto 70.235/1972 apenas estabelece que a exigência do credito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37071.001093/200741 Acórdão n.º 9202003.075 CSRFT2 Fl. 11 7 Ou seja, conforme se depreende do art. 9o, Decreto 70.235/1972, não há, na legislação de regência do processo administrativo fiscal, dispositivo que obrigue a tramitação de processos conexos para julgamento conjunto. (...) Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. DO MÉRITO Em relação ao Mérito, a argumentação da Recorrente foi no sentido de descabimento de incidência de contribuição social previdenciária em relação as operações decorrentes do cartão de Premiação INCENTIVE HOUSE. Neste sentido, tendo a Recorrente concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), no há que se falar em no incidência de contribuições previdenciária sobre referidas verbas, por se caracterizarem corno salário de contribuição, impondo a manutenção do feito". (GRIFOS DO RECORRENTE) E conclui afirmando que: Enquanto o acórdão recorrido entendeu que o julgamento do auto de infração dependeria do julgamento de mérito da NFLD e, com base nessas razões, anulou o lançamento por vicio formal ci semelhança do que havia ocorrido com a NFLD, o acórdão paradigma adotou posicionamento contrário. É justamente com esta conclusão que não concordo, por entender que não restou configurada a divergência, tendo em vista que: i) o acórdão recorrido concluiu que o auto de infração decorrente da obrigação acessória deveria ser nulo em virtude da nulidade da NFLD que dispunha sobre a obrigação principal; ii) e o acórdão paradigma em nenhum momento abordou a questão acerca da nulidade do auto de infração da obrigação acessória em virtude da declaração da nulidade do lançamento da obrigação principal. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 645DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2 014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10909.004068/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/02/2006 a 11/11/2006
REGISTRO DAS INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE.
Atende à tipicidade da norma prevista pelo art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66 aquele que prestar informações acerca de operações de embarque de mercadorias fora do prazo determinado pela Secretaria da Receita Federal.
RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA.
O art. 37, § 1º, do Decreto-Lei n" 37/66 responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA
Não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-002.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/02/2006 a 11/11/2006 REGISTRO DAS INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Atende à tipicidade da norma prevista pelo art. 107, IV, "e" do Decreto-Lei 37/66 aquele que prestar informações acerca de operações de embarque de mercadorias fora do prazo determinado pela Secretaria da Receita Federal. RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA. O art. 37, § 1º, do Decreto-Lei n" 37/66 responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.004068/201078 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.420 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AGENTE MARÍTIMO INFORMAÇÕES À SRF MULTA Recorrente UNIMAR AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/02/2006 a 11/11/2006 REGISTRO DAS INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Atende à tipicidade da norma prevista pelo art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66 aquele que prestar informações acerca de operações de embarque de mercadorias fora do prazo determinado pela Secretaria da Receita Federal. RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA. O art. 37, § 1º, do DecretoLei n" 37/66 responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 40 68 /2 01 0- 78 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Pedro Sousa Bispo (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o v. Acórdão/DRJ/FNS nº 0728.909 de 23/05/12 (fls. 76/83) exarado pela 1ª Turma da DRJ de Florianópolis SC que, por unanimidade de votos, houve por bem julgar “procedente em parte” a impugnação ao lançamento original de Multa Regulamentar (MPF nº 0920600/00495/10 fls. 01/09), notificado em 03/11/10 (fls. 02), no valor total de R$ 20.000,00 (Multa regulamentar), que acusou a ora Recorrente de suposta falta por descumprimento de obrigação acessória no Despacho de Exportação, ocorrida em 16/01/07, 10/01/07, 10/07/06 e 15/11/06, nos seguintes termos: “II — INFRAÇÃO Em procedimento de auditoria efetuada no SISCOMEX, relativa aos despachos de exportação registrados durante o ano de 2.006, verificamos que o autuado em epígrafe informou o embarque de mercadorias fora do prazo estabelecido pela RFB conforme relação anexa ao presente Auto. Deste modo foram retiradas as telas dos despachos que poderiam ensejar a aplicação da multa em comento, referente aos despachos relacionados na planilha, conforme abaixo descrito. Os dados constantes na planilha provêm do SISCOMEX Exportação e especial atenção deve ser dispensada ao cotejo entre a data do embarque informada pelo transportador e a data em que as informações relativas ao embarque foram registradas no SISCOMEX. Esta segunda data o sistema armazena automaticamente para controle e pode ser checada na função de consulta ao histórico de registros relativos ao despacho de exportação. As telas impressas do SISCOMEX contendo os dados de embarque das mercadorias (inclusive a data do embarque) e os históricos dos despachos de exportação (onde consta a data em que os dados de embarque foram registrados no sistema) encontramse igualmente anexadas ao processo. Na planilha contendo o nome da embarcação consta apenas um dos despachos de exportação em que o autuado teria informado os dados de embarque após o prazo, caracterizando a infração. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10909.004068/201078 Acórdão n.º 3402002.420 S3C4T2 Fl. 3 3 Por oportuno, ressaltese, é entendimento desta aduana que a infração deva ser aplicada uma vez por transportador e por veiculo, sendo irrelevante o número de despachos de exportação que tiveram seus dados informados após o prazo, nos termos da legislação, em cada embarque. Basta uma informação fora do prazo para configurar a infração. No caso em pauta poderia caracterizarse o embaraço à fiscalização aduaneira uma vez que a informação do embarque das mercadorias é essencial para a averbação do respectivo despacho de exportação. Quando informado pelo transportador o embarque temse a confirmação de que determinada mercadoria desembaraçada pela SRFB efetivamente foi exportada, em outras palavras, fica confirmada a sua saída física do território nacional. A averbação é o ato final do despacho de exportação. Outro aspecto que reforça a importância do registro dos dados de embarque para fiscalização aduaneira é que as quantidades exportadas das mercadorias serão definidas, em regra, pelas quantidades que o transportador informou que recebeu a bordo de seu veiculo. Desta forma o conhecimento de carga emitido pelo transportador é o principal documento que instrui o despacho de exportação, e a informação dos dados que ele contém, no SISCOMEX, é de fundamental importância para o completo e correto controle da operação de exportação. Esse é o entendimento disposto nos artigos 46 e 51 da IN SRF N° 28/94: "Art. 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. § 1° Nas exportações por via aérea ou marítima, a averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37. § 2° Nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre, a averbação darse6 no momento da transposição de fronteira da mercadoria, na forma do inciso III do art. 39." "Art. 51. Somente será considerada exportada, para fins fiscais e de controle cambial, a mercadoria cujo despacho de exportação estiver averbado, no SISCOMEX, nos termos dos arts. 46 a 49. Parágrafo único. É irrelevante, para os efeitos deste artigo: I a simples apresentação de documentos fiscais e de embarque, não registrados no Sistema, mesmo que visados pela fiscalização aduaneira; e Fl. 184DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 II a inexistência do comprovante de exportação, desde que sejam fornecidos aos órgãos e entidades competentes para efetuar a fiscalização e o controle dessas operações, os dados necessários à identificação do despacho averbado no Sistema." 0 artigo 44 da IN SRF N° 28/94 assim prevê: "Art. 44. 0 descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3° do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei n° 37/66 com a redação do art. 5° do Decretolei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." A Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, que resultou na conversão da lei 10.833/03, foi publicada no Diário Oficial da União em 31 de dezembro de 2003 e, como não houve alteração do artigo 44 quando da conversão dessa Medida Provisória na lei, a multa a ser aplicada ao caso em questão, para as infrações cometidas a partir de 31 de dezembro de 2003 é a que se refere à alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei n 2 37, de 1966, com a redação dada pela Lei n 2 10.833, de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (..) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada á empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (....) A penalidade é aplicável, em qualquer caso, à empresa de transporte internacional. Nesse sentido, o que o art. 44 da IN SRF n2 28, de 1994, considerou, à época, como embaraço atividade de fiscalização aduaneira foi o fato de o transportador não promover o registro de dados do embarque, no prazo estabelecido. A obrigação do transportador encontrase estabelecida no art. 37 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Fl. 185DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10909.004068/201078 Acórdão n.º 3402002.420 S3C4T2 Fl. 4 5 Art. 37. 0 transportador deve prestar 5 Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veiculo procedente do exterior ou a ele destinado. Tendo em vista o acima exposto, concluise que a tipificação legal atualmente em vigor para a imposição de penalidade é a alínea "e" do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. A multa é aplicada por cada infração cometida, ou seja, por cada operação de embarque em que seu registro no SISCOMEX ocorreu fora do prazo, conforme demonstrativo abaixo: Valor total da multa = R$ 5.000,00 X 4(n° de embarques/veículos) = R$ 20.000,00 III ENQUADRAMENTO LEGAL Alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei N° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei N° 10.833/03.” Nas razões de Recurso de Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas a ora Recorrente sustenta e insubsistência do lançamento e da r. decisão de 1ª instância que o manteve tendo em vista: a) a sua ilegitimidade passiva; vez que a infração somente poderia ser cometida pelo transportador b) a atipicidade da conduta vez que teria prazo superior para prestar as informações do veículo reclamadas pela d. Fiscalização; c) a denuncia espontânea da infração. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade, mas no mérito não merece provimento Realmente, a r. decisão de decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos eis que, responde com maestria e vantagem as objeções recursais e que, por amor à brevidade, me permito reproduzir e adoto como razões de decidir: “Em razão das alegações ofertadas pela interessada, cumpre, preliminarmente apresentar alguns esclarecimentos. O caso dos autos não se trata de obrigação relacionada à entrega de cópia de manifestos ou conhecimentos de embarque na repartição aduaneira, obrigação notadamente diversa daquela objeto de autuação. A entrega de tais documentos na repartição é obrigação distinta daquela relacionada à prestação de informação no sistema Siscomex dos “dados de embarque”. Vale dizer, o atendimento de uma das distintas obrigações não Fl. 186DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 supre a falta de outra, ou seja, ambas as obrigações devem ser cumpridas, na forma e no prazo estabelecido pela norma de regência. A entrega dos documentos (cópias de manifesto e conhecimento) segue o preceituado no artigo 41 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, já o registro no Siscomex dos “dados de embarque” segue o estabelecido no artigo 37 da mesma Instrução Normativa. O caso em apreço não trata da entrega de documentos, mas da prestação de informação, no Siscomex, dos dados de embarque das mercadorias objeto de exportação, portanto os documentos citados pela interessada não se prestam a comprovar a regular prestação de informação no sistema, nem a atestar a ocorrência de qualquer denúncia espontânea da infração objeto de autuação, nem afastam a imposição da presente penalidade. Igualmente não prosperam as alegações relacionadas à impossibilidade de prestação da informação em razão do fato de a declaração de exportação ser responsabilidade de terceiro. O registro dos dados de embarque, pelo transportador, deve ser realizado com base nos documentos por ele emitidos (artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 2 8/94) e não com base em informações prestadas por terceiros, como o exportador. A “espera” por informações de terceiros acaba por esvaziar de sentido o próprio procedimento estabelecido na orientação normativa, que busca fazer o batimento entre a informação prestada pelo exportador em sua declaração de exportação e os dados pertinentes ao efetivo embarque realizado pelo transportador. O transportador deve informar no sistema os dados relacionados à mercadoria que efetivamente embarcou, não existindo motivos para que o transportador aguarde, do exportador, informações relacionadas ao embarque ou transporte da mercadoria. Nas operações normais (quando não há embarque antecipado), o embarque da mercadoria a ser exportada somente é permitido após o registro da declaração de exportação pelo exportador, confirmação da presença de carga por parte de depositário, e competente desembaraço por parte da autoridade aduaneira. Logo, ao embarcar a mercadoria para transporte em seu veículo, deve o transportador, além de todas as cautelas que o caso requer, se assegurar de que todas as informações da carga estão disponíveis, foram apresentadas, e ainda, que todos os procedimentos inerentes ao caso foram rigorosamente cumpridos, dado que é sua obrigação fazer o competente registro no Siscomex das informações relacionadas aos dados do embarque da mercadoria objeto de exportação. Por sua vez, o transportador não entrega despacho ou declaração de exportação, não é documento de sua emissão, como bem citado na peça de defesa. Contudo, os autos não tratam de exigência da apresentação de despacho ou declaração de exportação, mas sim da prestação da informação dos “Dados de Embarque” das mercadorias embarcadas no veículo transportador. É obrigação do transportador providenciar o registro do embarque na forma e no prazo estabelecido pela Instrução Normativa SRF n° 28/94. Não é possível acatar a excludente de responsabilidade em razão do alegado desconhecimento do número da declaração ou despacho de exportação, não há qualquer previsão legal neste sentido, é sua Fl. 187DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10909.004068/201078 Acórdão n.º 3402002.420 S3C4T2 Fl. 5 7 responsabilidade manter o devido controle das cargas que transporta nas operações de exportação. Quanto à alegada nulidade em razão da sujeição passiva, os documentos de folhas 12 a 19, extratos do Sistema Siscomex, indicam no campo “CNPJ/CPF TRANSPORTADOR” os dados correspondentes aos da interessada, fato que demonstra que, ao menos no presente caso, a interessada desenvolveu perante a administração tributária e aduaneira as atividades típicas relacionadas às obrigações dos transportadores estrangeiros. A alegação de que não era o transportador marítimo das mercadorias embarcadas para o exterior, e de que atuava na condição de agente marítimo, sendo mera representante deste transportador não prospera. Não restou caracterizado que a interessada tenha exercido apenas as atribuições próprias de “agente marítimo”. Os documentos acostados demonstram que as atividades desenvolvidas pela interessada estão para muito além das meras atribuições de “agente marítimo”, tratandose pois de verdadeira representante, perante a administração tributária e aduaneira, do transportador estrangeiro. Vale observar que as disposições legais vigentes não laboram em prol de sua defesa. O artigo 32 do Decretolei nº 37/66, com redação dada pelo Decretolei nº 2.472/1988, em seu parágrafo único, alínea “b”, estabelece que: Art. 32–É responsável pelo imposto: I – o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; II–(...) Parágrafo único – É responsável solidário: a)(...); b)o representante, no País, do transportador estrangeiro. (grifos acrescidos) Notese que a regra do parágrafo único, inciso II acima, foi introduzida pelo Decretolei nº 2.472, de 01/09/1988, e mantida na redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001. Ademais, a responsabilização pela prática de infrações também é estendida a todo aquele que concorra para a sua prática, é o que preceitua o artigo 95 do Decretolei nº 37/66: Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 ... (Grifos acrescidos) Como já citado, analisando os extratos emitidos no Siscomex “Consulta Dados de Embarque”, constante dos autos, verifica se que a empresa autuada consta em tais documentos como transportadora, sendo, portanto, a responsável pelo transporte internacional. Como se observa, o Agente Marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Evidenciase, assim, o instituto da solidariedade tributária passiva, conforme dispositivos legais relacionados ao assunto, ou seja, os artigos 121, parágrafo único, inciso II, 124, inciso II, e 128 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) e artigos 94 e 95 do DecretoLei nº 37/1966. Logo, não prospera a alegação de erro na sujeição passiva da autuação, é responsabilidade da interessada prestar a informação em apreço, na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. A presente autuação está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 3 7/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03. Traz a seguinte redação: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ... .... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa¬porta, ou ao agente de carga; e ...(Grifos acrescidos) Observese que a Lei claramente estabeleceu que a informação deve ser prestada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, a redação do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 2 8/94, com redação da IN SRF n° 5 10/05 assim estabeleceu: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro Fl. 189DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10909.004068/201078 Acórdão n.º 3402002.420 S3C4T2 Fl. 6 9 de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo. (Grifos acrescidos) A falta ou omissão de informação dos dados de embarque no SISCOMEX por prazo superior a sete dias tipifica sim a infração, pois impossibilita a confirmação do efetivo embarque da mercadoria no veículo transportador para o exterior, impossibilitando a sua averbação. É o que preceitua o artigo 46 da Instrução Normativa SRF n° 2 8/94: Art. 46. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque ou da transposição de fronteira da mercadoria. § 1º Nas exportações por via aérea ou marítima, a averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes, pelo transportador, na forma do art. 37. A multa em trato, que pune a omissão do transportador, na sua obrigação de informar os “dados de embarque” dentro de determinado prazo, pretende disciplinar a apresentação tempestiva do registro das informações no sistema por parte do transportador que, deveria fazêlo até a data estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para sua apresentação. A infração está plenamente caracterizada na conduta realizada pela interessada, havia prazo certo para apor no sistema a informação. A interessada deixou de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O argumento apresentado, no sentido de que o erro cometido não acarretou em dano ao Erário ou de que houve boafé, não pode ser acatado. Ocorre que no presente caso a responsabilidade é objetiva, independe da intenção do agente ou responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. É o que preceitua o artigo 136 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (Grifos acrescidos) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 10 Como se sabe, a administração pública regese pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, caput), especialmente em matéria de administração tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, artigos 3o e 142, parágrafo único). Portanto, considerando o erro cometido, e a disposição legal, há que se registrar que os fatos se subsumem à hipótese legal. Em relação à espontaneidade suscitada pela interessada, em virtude de ter prestado a informação antes da lavratura do auto de infração, é de se esclarecer que tal alegação não encontra abrigo na legislação invocada, visto que a espontaneidade não alcança o descumprimento de prazos para satisfação de atos de natureza essencialmente formal. O caso trata de responsabilidade acessória autônoma, não alcançada pelo instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN. A multa em trato, que pune a omissão do transportador, na sua obrigação de informar os “dados de embarque” dentro de determinado prazo, pretende disciplinar a apresentação tempestiva do registro das informações no sistema por parte do transportador que, deveria fazêlo até a data estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para sua apresentação. Ademais, a prestação da informação dos “dados de embarque” no Siscomex, fora do prazo regular, não se confunde com a denúncia espontânea da infração dela decorrente. Quanto à alegação de existência de casos de embarque antecipado, a interessada não logrou demonstrar a ocorrência desta hipótese em qualquer um dos despachos em apreço. Tratandose de mera alegação genérica desprovida de qualquer embasamento fático, o que não cabe no presente caso, dado que incumbe à interessada, como se sabe, ao apresentar a impugnação, trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, conforme disposto no inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Neste aspecto, não trouxe qualquer elemento que pudesse laborar a seu favor, não trouxe à luz provas de fatos ou argumentos que pudesse excluir a sua responsabilidade nos termos da legislação.” Ressaltese que a r. decisão recorrida não somente se acha plenamente justificada e conforme com a legislação de regência, mas se conforma plenamente com a Jurisprudência Administrativa, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 18/07/2004 REGISTRO DAS INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. PRAZO. PENALIDADE. TIPICIDADE. Atende à tipicidade da norma prevista pelo art. 107, IV, "e" do DecretoLei 37/66 aquele que prestar informações acerca de operações de embarque de mercadorias fora do prazo determinado pela Secretaria da Receita Federal por meio da Instrução Normativa n° 28/94. Recurso Voluntário Negado.” (cf. Acórdão nº 310100.477 da 1ª Câm. da 1ª Turma da 3ª Seção do Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10909.004068/201078 Acórdão n.º 3402002.420 S3C4T2 Fl. 7 11 CARF, Rec. nº 512438,Proc. nº 13901.000042/200802, em sessão de 29/06/10, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo) “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Data do fato gerador: 24/01/2004 RESPONSABILIDADE DO AGENTE DE CARGA. O art. 37, § 1º, do DecretoLei n" 37/66 responsabiliza o agente de carga pela prestação de informações à Receita Federal do Brasil. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações. Recurso Voluntário Negado.” (cf. Acórdão nº 310200.689 da 1ª Turma Ord. da 1ª Câm. da 3ª Seção, Rec. nº 517.070, Proc. nº 11128.003468/200630, em sessão de 30/06/10, Rel. Cons. Beatriz Veríssimo de Sena) Isto Posto voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a r. decisão recorrida, por seu próprios e jurídicos fundamentos. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 31/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10384.720490/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2009 a 01/08/2010
AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DA MATÉRIA DIFERENCIADA. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO A DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA FAZER POR OUTRO MEIO E EM OUTRO MOMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente EMPRESA BARROSO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2009 a 01/08/2010 AÇÃO JUDICIAL. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO APENAS EM FUNÇÃO DA MATÉRIA DIFERENCIADA. AS MATÉRIAS JUDICIALIZADAS ESTÃO FORA DO ALCANCE DA “JURISDIÇÃO” ADMINISTRATIVA. COMPENSAÇÃO. DESRESPEITO A DIVERSAS NORMAS LEGAIS E A DETERMINAÇÃO JUDICIAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA APURAÇÃO DO MONTANTE COMPENSADO E DAS RUBRICAS INTEGRANTES. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. PROVAS QUE SE PODERIA E DEVERIA FAZER POR OUTRO MEIO E EM OUTRO MOMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTOS QUE SE CONFORMAM AS EXIGÊNCIAS LEGAIS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE. PREVISÃO LEGAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 04 90 /2 01 2- 01 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 185 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 186 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 51.018.9679, que objetiva a glosa de compensação realizada indevidamente, bem como o Auto de Infração de Multa Isolada – AIMI DEBCAD 51.018.9687, que objetiva o lançamento de multa isolada, conforme Relatório Fiscal do Processo Administrativo Fiscal – PAF, de fls. 06 a 11, com período de apuração de 05/2009 a 07/2010, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 34 e 35. O sujeito passivo foi cientificado dos lançamentos, em 27/02/2012, conforme Folhas de Rosto dos Autos de Infração, de fls. 12 e 13. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões impugnatórias, acostada, as fls. 70 a 86, recebida, em 19/03/2012, estando acompanhada dos documentos, de fls. 87 a 123. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 15033.491 5ª, Turma DRJ/SDR, em 17/09/2013, fls. 127 a 138. A impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 12/11/2013, conforme AR, de fls. 140. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 142, relativamente aos dois DEBCAD’s 51.018.9679 e 51.018.9687, recebida, em 14/11/2013, com as razões recursais, as fls. 143 a 174, acompanhada dos documentos, de fls. 175 a 179, onde se alega em síntese, o que abaixo segue. Preliminar. · que o recurso é tempestivo, pois intimada em 11/11/2013, encerrando se o prazo em 11/12/2013; Mérito. · que houve equivoco na atuação, pois a compensação foi realizada sob o manto da sentença do MS 2009.40.00.0021874, referendada pelo TRF5 e nos termos previstos no artigo 66 da Lei 8.383/91 c/c o artigo 74 da Lei 9.430/96; · que as declarações do contribuinte feitas em GFIP estão embasadas na lei e na decisão judicial, não devendo o contribuinte sofrer fiscalização e nem ser submetido ao pagamento de suposta infração, uma vez que as decisões judiciais vinculam o fisco, devendo tais cobrança serem consideradas indevidas; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 187 4 · que o direito da recorrente à compensação decorre do recolhimento indevido de contribuição previdenciária sobre os 15 dias iniciais do auxíliodoença, férias e terço constitucional, buscando a recorrente o amparo legal e judicial para realizar a compensação, o que foi judicialmente reconhecido; · que a compensação foi realizada nos termos da lei, que não exige outorga administrativa ou judicial, uma vez que realizada sob a égide do 66 da Lei 8.383/91 c/c o artigo 74 da Lei 9.430/96, com valores recolhidos nos últimos dez anos com débitos próprios vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, devido a integração realizada pela Lei 11.457/99, pois a aplicação do artigo 66, da Lei 8.383/91 foi pacificado pelo STJ ED em RESP 78.301 – BA, não buscado a recorrente autorização administrativa ou judicial para a realização da compensação, pois a lei já a autoriza a fazêlo, buscando apenas garantir judicialmente a realização da compensação, cita HBMS e HBM; · que não se pode condicionar a compensação ao artigo 170A, do CTN, cita decisão do TRF1, sendo inaplicável tal restrição; · que houve equivoco na atuação, pois a compensação foi realizada sob o manto da sentença do MS 2009.40.00.0021874, referendada pelo TRF5, não havendo dúvidas da possibilidade da utilização de MS para a declaração do direito à compensação, estando os procedimentos do contribuinte lastreados em decisões dos tribunais superiores, não havendo razão para a não homologação das declarações feitas pelo contribuinte, estando os tributos discutidos com a exigibilidade suspensa com previsão judicial e legal; · que a decisão de primeiro grau cerceou o direito de defesa da recorrente, pois indeferiu pedido de perícia para averiguação do aproveitamento do crédito com base na decisão judicial, uma vez que não foi fundamentada tal recusa, sendo a perícia essencial, pois o lançamento referese a supostas diferenças apuradas entre os valores declarados em GFIP’s e os efetivamente pagos, devendo a Administração buscar a verdade material, nos termos do artigo 29, do Decreto 70.235/72, não podendo a apreciação do pedido de diligência se confundir com o arbítrio, cita SCHOUERI, ficando assim demonstrada a nulidade da decisão recorrida; DEBCAD – 51.018.9679 · que o contribuinte recolheu contribuição previdenciária sobre férias, 1/3 constitucional sobre férias, fazendo jus a compensação, com débitos próprios vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, 66 da Lei 8.383/91 c/c o artigo 74 da Lei 9.430/96; Fl. 188DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 188 5 · que o fisco entendendo não haver impedimento legal ou jurídico formalizou o lançamento exigindo débito com a exigibilidade suspensa; · que a contribuição previdenciária decorre da prestação de serviços pelos segurados, artigo 195, I, “a”, da CF/88, inciso I, do artigo 22, da Lei 8.212/91 e alínea “a”, do inciso III, do artigo 51 e 52, bem como do inciso, I, do artigo 57 e 72, todos, da IN/RFB Nº 971/2009, estando consagrado pelo STF que a contribuição patronal só incide sobre os valores destinados a retribuir o trabalho, sendo que a tentativa de ampliar a hipótese de incidência pelas MP’s 152313 e 1.59614 foi declarada inconstitucional pela ADIN 1.6596, sendo finalmente rejeitada quando da conversão da MP 1.59614 na Lei 9.528/97; · que o fisco federal em ofensa ao princípio da legalidade estrita e do histórico legislativo e jurisprudencial exige contribuição sobre os 15 primeiros dias do afastamento, salário maternidade, férias gozadas e 1/3 constitucional de férias, situações que não há prestação de trabalho e nem fica o trabalhador a disposição da empresa, sendo inadmissível, ilegal e inconstitucional as disposições da IN sobre a matéria, não havendo trabalho nas férias, cita decisão do TRF5 que exclui da base de cálculo – auxílio doença, auxílio acidente, férias gozadas, salário maternidade e o terço constitucional de férias, ocorrendo ofensa ao princípio constitucional da legalidade tributária exigir contribuição sobre tais valores; · que a exigibilidade da contribuição sobre as férias gozadas está suspensa em razão das novas decisões do STJ em 2012 e 2013 AgRg 1.420.247 e RE 1.322.945 – DF, visto que não é mais pacífica a jurisprudência a favor da União, cita PBC, sendo que a recorrente procedeu a informação em GFIP por esse motivo e em razão da interposição de RE no STJ; · que seja assegurado a recorrente o direito liquido e certo da recorrente e não ser compelida a recolher de forma indevida a contribuição previdenciária patronal sobre as férias até decisão final do STJ ou até o trânsito em julgado do MS 2009.40.00218704; · que não há incidência de contribuição previdenciária sobre os 15 primeiros dias do auxílio doença ou acidente, sendo pacífica a jurisprudência do STJ sobre a questão, transcreve decisões, estendendose esse entendimento ao salário maternidade e ao terço constitucional de férias, pois nestes casos, também, na há remuneração ao trabalho, implicando o presente lançamento em flagrante desrespeito a decisão judicial favorável a recorrente; DEBCAD – 51.018.9687 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 189 6 · que o fisco está exigindo multa de 150%, sob o argumento de que em momento algum tinha o contribuinte direito a tal compensação, sendo tal multa escorchante e afrontadora dos princípios basilares do direito, não podendo a imposição prosperar; · que a compensação foi realizada com base na lei, independendo de autorização judicial, motivo pelo qual é improcedente a autuação, só sendo possível a glosa para evitar a decadência, razão pela qual a multa deve ser excluída, cita decisão da DRJ/SDR; · que para se caracterizar a fraude necessitase que o contribuinte aja com máfé e com intuito de lesar os cofres públicos, o que não ocorre no caso, não cabendo a incidência da multa isolada, pois tal exigência é arbitrária, uma vez que o fisco procedeu a cobrança contrariando princípios comezinhos do direito e a jurisprudência pátria, o que torna a autuação nula; · que entende a recorrente que a CSRF reconhece que a multa fiscal não pode violar princípios constitucionais e cita decisões, para a recorrente a divergência não poderia ser mais clara, pois enquanto a decisão a quo negou a redução da multa isolada os paradigmas citados entendem que a multa por entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela MP 449/2008 que acrescentou o artigo 32A, na Lei 8.212/91; · que traz decisões do CARF sobre a não incidência da multa qualificada, as quais transcreve, citando, também, HBM, ofendendo a razoabilidade e proporcionalidade a aplicação da multa, o que não pode ocorrer; · que a recorrente não praticou fraude como entendeu o fisco, quando muito a conduta do contribuinte se configura e mero erro ou equívoco, não estando demonstrado o dolo específico para a configuração do tipo delituoso; · que a Lei 4.502/64 define o que é fraude, mas o fisco não indicou a ação ou omissão dolosa no presente caso, tendente a impedir ou retardar total ou parcialmente o conhecimento do fato gerador pelo fisco e os demais elementos, pois tudo foi feito às claras sem ocultação; · que atecnias contábeis, acaso existente, não podem ser consideradas fraudes, cita decisões do CARF, não havendo no caso o evidente intuito de fraude ou sonegação exigência legal para permitir a qualificação da multa, devendo a multa ser afastada; · Dos pedidos: a) conhecimento e provimento ao recurso, reformando se a decisão a quo; b) julgando improcedente a ação fiscal e os DEBCAD’ 51.018.9679 e 51.018.9687; c) intimação dos advogados Fl. 190DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 190 7 para comparecerem a sessão se julgamento, visando a sustentação oral. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade do recurso. Os autos foram remetidos ao CARF/MF, despacho de fls. 183. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 19/02/2014. É o Relatório. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 191 8 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Delimitação da lide. Inicialmente, cabe ressaltar o que pode ser objeto de conhecimento nesta decisão e o que não pode vir a ser conhecido na via administrativa em razão da concomitância de demanda administrativa e judicial – MS 2009.40.00.0021874 TRF1 , ainda, em curso, em razão de RESP e de RE da Fazenda Nacional, impetrados em 21/03/2012, que encontramse sobrestados no TRF1 em razão dos artigos 543 – B, § 1º e 543 – C, § 1º, da Lei 5.869/73, bem como em decorrência de RESP e RE da Empresa Barroso, impetrados em 12/03/2012 e 04/05/2012, respectivamente, portanto, sem a ocorrência do trânsito em julgado do Acórdão do TRF1 no MS, basta ver a tela colacionada. Entendo, pois, que não pode ser objeto de apreciação na via administrativa, no atual momento e estágio processual: 1. o próprio direito a restituição/compensação, porém não de forma absoluta, uma vez que o judiciário, em prestígio à lei, disse que: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 192 9 “Assim, ressalvo entendimento pessoal e adentro ao mérito da questão, ressalvando na execução administrativa do julgado a conferência dos valores compensados.”, Ou seja, verificar a regularidade do procedimento compensatório do contribuinte é direito e dever do fisco. 2. Prescrição – devese observar três procedimentos, conforme abaixo transcrito: Assim, a repetição dos valores recolhidos deve observar o seguinte: a) créditos anteriores à vigência da LC n. 118/05 cujas homologações foram expressas aplicase o prazo prescricional de 5 anos contados da homologação; b) créditos anteriores à vigência da LC n. 118/05 cujas homologações foram tácitas o prazo prescricional se inicia após o prazo de homologação tácita (5 anos), ou seja, segue a tese dos cinco mais cinco, limitado o prazo prescricional a 5 (cinco) anos após 09/06/2005; c) créditos posteriores à vigência da LC n. 118/05 tem o prazo prescricional de 5 anos contados do recolhimento indevido. 3. Incidência e não incidência da contribuição previdenciária, observese a transcrição do Acórdão do TRF1; Em relação à remuneração paga pelo empregador durante os primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente, mantenho o decidido na sentença, tendo em vista que a jurisprudência encontrase pacificada no sentido de que tal verba não tem natureza salarial e sim previdenciária: Assim, ressalvado o entendimento pessoal, porque a premissa é tirada da hipótese do regime previdenciário do servidor e não do RGPS, em que toda contribuição repercute nos proventos de aposentadoria, mantenho o decidido na sentença que reconheceu ser indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. No tocante ao saláriomaternidade e às férias, a jurisprudência é pacífica no sentido de que tais verbas possuem natureza salarial, integrando, assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. Mantenho, portanto, a sentença neste ponto. Desta forma, o julgado decidiu que: a) NÃO INCIDE contribuição previdenciária nos 15 primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença ou acidente; b) NÃO INCIDE a contribuição previdenciária sobre o 1/3 constitucional de férias; c) INCIDE contribuição previdenciária sobre salário maternidade e sobre as férias. 4. submissão da compensação ao artigo 170 – A, da Lei 5.172/66: Sendo assim, correta a sentença que aplicou a regra do art. 170 A do CTN, não merecendo provimento o apelo da impetrante neste ponto. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 193 10 5. compensação com qualquer espécie de tributo. No caso a compensação é para o futuro e sendo as contribuições incidentes sobre a remuneração paga, estão abrangidas pela vedação de compensação pelo art. 74 da Lei 9.430/96 e só podem ser compensadas com contribuições de mesma espécie, a saber, aquelas previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91. 6. obediência à IN/900/2008 quanto a regras de compensação. De outro lado, considerando que a compensação será devida nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (art. 170 do CTN e art. 89 da Lei 8.212/91), devem ser observadas as regras infralegais relativas ao procedimento da compensação que, nos termos dos arts. 34 a 39, 44 a 47 e 70 a 71 da IN 900/2008, demandam prévia habilitação administrativa. Como se vê, as condições e exigências impostas pela aludida instrução normativa são de todo razoáveis e não podem ser inquinadas de ilegais porque buscam identificar e certificar a existência do crédito e as condições em que foi reconhecido e a legitimidade do contribuinte, informações que devem ser predefinidas ao pedido de compensação 7. que a compensação não fica sujeita à limite: Limitação do § 3º do art. 89 da Lei n. 8.212/91 e Lei 9.129/95 Merece provimento o apelo da impetrante, porque se aplica à compensação a lei vigente quando do encontro de contas e como ela se dará no futuro, não se pode aplicar a norma, porque revogada pelo art. 79 da Lei 11.941/09. Por fim , o dispositivo do Acórdão do TRF1, assim fixou. DISPOSITIVO Ante ao exposto: a) dou parcial provimento à apelação da impetrante para afastar a limitação do § 3º do art. 89 da Lei 8.212/91 e Lei 9.129/95. b) dou parcial provimento à apelação da Fazenda e à remessa oficial para: b.1) determinar a prescrição quinquenal dos créditos anteriores à vigência da LC 118/05 homologados expressamente pela SRF, a ser objeto de conferência administrativa; b.2) limitar a compensação com contribuições de mesma espécie; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 194 11 b.3) determinar a observância das regras administrativas do procedimento da compensação previstas na IN 900/2008. É o voto. Esses são os pontos que entendo não comportam mais discussão na via administrativa e assim não serão objeto de decisão, mas apenas de análise da conformação de sua observação, nos termos dos artigos artigo 126, § 3º, da Lei 8.213/91 c/c artigo 38, parágrafo único, da Lei 6.830/80 c/c o artigo 87 e seu parágrafo único, do Decreto 7.574/2011. Preliminar. A tempestividade foi reconhecida tanto é assim que o recurso está comportando apreciação pelo colegiado. Mérito. O fisco lançou o crédito constante do presente PAF porque o contribuinte não respeitou o que decidido na sentença judicial é o que consta do REFISC, de fls. 06 a 11, nos parágrafos que ora transcrevo. O fisco entendeu como eu, também, entendo que a compensação realizada antes do trânsito em julgado da sentença, isto é, com a não observação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66 é procedimento irregular, pois não há direito consagrado ao contribuinte, mas, ainda, suposto direito em discussão judicial. Aliás, o fisco demonstrou que o Douto MM Juiz Federal ao receber a apelação, assim se manifestou, veja a transcrição. Recebo os recursos de apelação de fls. 280/292 e 309/327 somente no efeito devolutivo (art. 12, parágrafo único da Lei nº 1.533/51) e, no que tange à compensação, nos efeitos suspensivo e devolutivo, nos termos do art. 170A do código Tributário Nacional. Intimemse. A União (Fazenda Nacional) já apresentou suas contrarrazões às fls. 296/308. Abrase vista ao impetrante, também apelado, para apresentar as contrarrazões no prazo legal. Em seguida, não sendo Fl. 195DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 195 12 interposto(s) recurso(s) adesivo(s), nem havendo questões relativas a pressupostos de admissibilidade do(s) recurso(s), remetamse os autos ao colendo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 1 (o destaque é meu) Fica evidente da leitura do despacho judicial que a compensação não comportava “execução provisória”, pois a eficácia da sentença judicial estava suspensa quanto a essa parte. Assim sendo, o contribuinte recorrente não podia efetivar a compensação, bem como não podia declarála em sua GFIP, pois não havia direito reconhecido ao contribuinte para tanto, como ficou consignado no REFISC dos lançadores, segue mais um trecho do citado documento. Assiste razão ao contribuinte quando diz que a decisão judicial vincula o fisco e foi isso que o fisco fez respeitou a decisão judicial que diferiu o direito à compensação das contribuições para após ocorrido o trânsito em julgado da sentença. A recorrente não está correta quando diz que o direito a compensação decorre do recolhimento indevido de contribuição previdenciária sobre os 15 dias iniciais do auxílio doença, férias e terço constitucional, pois é fácil verificar que a sentença, a qual foi confirmada pelo Acórdão nesse ponto apenas excluiu a contribuição em razão do recolhimento indevido de contribuição previdenciária sobre os 15 dias iniciais do auxíliodoença e terço constitucional de férias e nada mais, porém limitando esse direito as condições estabelecidas na sentença, o que não foi atendido pela recorrente. Embora o contribuinte não tenha buscado autorização judicial ou administrativa para realizar da compensação o contribuinte buscou judicialmente a 1 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL TRF1. Seção Judiciária do Piauí. Disponível em: <http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php>. Acesso em 26 jun. 2014 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 196 13 reconhecimento do direito à compensação, pois o suposto direito creditório era de natureza controvertida e este não poderia ser usufruído sem que o contribuinte obtivesse provimento judicial a seu favor para deixar de efetuar o recolhimento da exação e muito menos para poder promover a cobrança do indébito dos valores recolhidos anteriormente à decisão judicial. Todavia, apesar de ter sido reconhecido parcialmente o direito à compensação de parte das contribuições previdenciárias, esse reconhecimento foi condicionado. Assim, o fisco não está pondo em dúvida o direito do contribuinte de se compensar sem a necessidade desta ou daquela autorização, mas que o direito a tal compensação não existia e não existe, haja vista que a sentença o condicionou ao trânsito em julgado, o que, ainda, não se deu. O artigo 74, da Lei 9.430/96 não se aplica as contribuições previdenciárias e o artigo 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 é expresso nesse sentido e o contribuinte fez vistas grossas no que tange a vedação, pois está não lhe favorece. O artigo 66, da Lei 8.383/91 se submete as demais determinações legais que são posteriores e que tratam da matéria referente a compensação, assim o artigo 170 – A, introduzido na Lei 5.172/66 pela LC 104/2001, não pode ser afastado. A decisão judicial suscitada ED em RESP 78.301 – BA não tem aplicabilidade ao presente caso. A uma, porque não se cuida de decisão a favor do contribuinte recorrente em processo que ele seja parte e a sentença é lei entre as partes e somente entre as partes. A duas, porque muito anterior a alteração legislativa da LC 104/2001 e Lei 11.457/2007, uma vez que a decisão judicial é de 28/04/1997 e assim prolatada sobre lastro legal, hoje, ultrapassado. As doutrinas suscitadas não se aplicam, uma porque o contribuinte, ainda, não é credor de nada, pois o direito de crédito não existe e a outra porque não se refere ao dispositivo legal aplicável. A restrição a compensação se dá pela aplicação do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66, que existe, é vigente e eficaz, assim, de observação obrigatória pelo fisco artigo 37, caput, da CRFB/88, bem como pela própria sentença e acórdão judicial e do que diz o artigo 468, da Lei 5.869/73. As GFIP’s apresentadas em função da compensação com a inclusão dos valores compensados estão desrespeitando a lei, uma vez que não existe tal direito creditório e muito menos o direito a compensação, assim sendo não há razão para o fisco homologar compensação que entende ilegal e irregular. Após leitura da impugnação, ainda, que perfunctória não verifiquei menção a perícia/diligência muito menos sua inclusão nos pedidos, veja a transcrição. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 197 14 Assim sendo, não pode haver cerceamento de defesa, de defesa que não foi explicitada e para a qual não houve pedido, e, ainda, que o tivesse sido, tal pedido por certo não atende ao artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72 e mesmo que atendesse pode o julgador indeferir tal pedido, quando o entender desnecessário, protelatório, prescindível ou impraticável, nos termos do artigo 18, do citado diploma legal. No presente caso a perícia é desnecessária, uma vez que não existem supostas diferenças entre o que efetivamente pago e o que declarado em GFIP, pois não é essa a origem do lançamento. A origem do lançamento é a declaração em GFIP de compensação inexistente, uma vez que o direito creditório, não está configurado no MS impetrado, pois dependente do trânsito em julgado da sentença, a busca da verdade material se dá em razão dos meios de prova e essas se dirigem ao julgador para formar a sua livre convicção. Desta forma, não há nulidade na decisão a quo. DEBCAD 51.018.9679. Na presente decisão já foi esclarecido que o contribuinte não teve reconhecido pelo judiciário direito a compensação sobre o valor de férias regulares, mas apenas do terço constitucional de férias. O artigo 66, da Lei 8.383/91 se submete as demais determinações legais que são posteriores e que tratam da matéria referente a compensação, assim o artigo 170 – A, introduzido na Lei 5.172/66 pela LC 104/2001, não pode ser afastado. O artigo 74, da Lei 9.430/96 não se aplica as contribuições previdenciárias e o artigo 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 é expresso nesse sentido e o contribuinte fez vistas grossas no que tange a vedação, pois está não lhe favorece. Entendo que o fisco está correto não há impedimento jurídico ou legal para o lançamento, haja vista que o contribuinte, não poderia ter se compensado. Não há crédito com exigibilidade suspensa, pois não estamos diante de uma das possibilidades do artigo 151, incisos I a VI, da Lei 5.172/66 e muito menos havia crédito lançado para ter a exigibilidade suspensa, o lançamento se deu depois da decisão judicial, logo essa não pode ser referir a esse lançamento. A hipótese de incidência da contribuição previdenciária não está em discussão nesses autos, pois como dito no início essa matéria está definida na decisão judicial, assim fora do âmbito de aplicação dessa decisão administrativa. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 198 15 O alargamento da hipótese de incidência com base nas MP’s 1.52313 e 1.59614, bem como a decisão da ADIN 1.6596 é irrelevante, pois não existe nos autos lançamento com base nesses atos jurídicos. O fisco só exige o que o legislativo em se poder normatizador determinou, pois não é o fisco que deve apreciar a validade, regularidade e constitucionalidade da norma, uma vez que esse e mero aplicador das normas existentes, válidas e eficazes. Aliás, não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: Fl. 199DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 199 16 “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. As decisões judiciais de qualquer tribunal em ações subjetivas que não possuam a eficácia de ADIN; ADC; SÚMULA VINCULANTE e outras só possuem eficácia entre as partes envolvidas e não se prestam a suspender os efeitos da norma legal com eficácia erga omnes e ex tunc. A divergência jurisprudencial, também, não possui o efeito de suspender a eficácia da lei, esta mesma divergência não autoriza o contribuinte a declarar compensação inexistente em sua GFIP e muito menos o fato de ter impetrado Recurso Especial e REXT – adesivo, pois estes recursos não lhe asseguram o direito pleiteado, mas apenas a possibilidade de discutilo. O Superior Tribunal de Justiça – STJ vem decidindo que incide contribuição sobre as férias e o salário maternidade. EMEN: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 22, INCISO I, DA LEI N. 8.212/91. SALÁRIO MATERNIDADE E FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. 1. A Primeira Seção, no julgamento do REsp 1.230.957/RS, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/2008, firmou a orientação no sentido de que incide contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade. 2. O pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição. Precedentes desta Corte Superior: AgRg no REsp 1.355.135/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, DJe 27/2/2013; e AgRg nos EDcl no AREsp 135.682/MG, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14/6/2012. 3. Consoante entendimento pacificado na jurisprudência, o disposto no art. 170A do CTN, que exige o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da Lei Complementar n. 104/01, ou seja, a partir de 11/1/2001, o que se verifica na espécie. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. EMEN: (AGRESP 201100422106, OG FERNANDES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:02/05/2014 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE. FÉRIAS. INCIDÊNCIA. MATÉRIA JULGADA SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.230.957RS, da relatoria do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, sob o regime do artigo 543C do CPC, Dje 1832014, reiterou o entendimento de que incide Fl. 200DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 200 17 contribuição previdenciária sobre o salário maternidade. 2. "A respeito dos valores pagos a título de férias, esta Corte vem decidindo que estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária. Precedentes:AgRg no Ag 1424039/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 21/10/2011; AgRg nos EDcl no REsp 1040653/SC, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 15/09/2011." (AgRg no AREsp 90.530/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/03/2014, DJe 04/04/2014) Agravo regimental improvido. EMEN:(AGARESP 201200165986, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:29/04/2014 ..DTPB:.) (todos os realces são meus). A recorrente não tem direito líquido e certo a deixar de contribuir sobre os valores pagos a título de férias, pois a divergência jurisprudencial do STJ não lhe dá esse direito, e a sentença do MS, bem como o acórdão do TRF1 decidiram que tal rubrica é base de cálculo da contribuição, assim, a contribuição é exigível. Assiste razão a recorrente ao dizer que sobre os quinze primeiros dias iniciais do afastamento em razão de doença ou acidente e do terço constitucional de férias não incide contribuição previdenciária. EMEN: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIO DOENÇA. QUINZE PRIMEIROS DIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.230.957RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.230.957RS, da relatoria do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, sob o regime do artigo 543C do CPC, Dje 1832014, fixou o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio doença durante os primeiros quinze dias de afastamento do empregado, bem como sobre o terço constitucional de férias. 2. Agravo regimental não provido. EMEN: (AGA 201101951156, BENEDITO GONÇALVES, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:27/05/2014 ..DTPB:.) (os destaques são meus). Neste contexto como tal questão foi decidida no rito do artigo 543 – C, da Lei 5.869/73 é de aplicação obrigatória nesse colegiado, artigo 62 – A, do Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, veja a transcrição. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} Mas, diferentemente do que alegado pela recorrente tal situação não se aplica ao salário maternidade, pois o STJ tem jurisprudência pacifica de que tal verba e base de Fl. 201DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 201 18 cálculo da contribuição previdenciária e acima já transcrevi decisões desse tribunal sobre a questão. O lançamento não encerra desrespeito a decisão judicial, pois o lançamento é decorrência de compensação realizada de forma indevida, estando suspenso o direito a realização da compensação pelo contribuinte, por força da decisão judicial, em razão da necessidade de atendimento do artigo 170 – A, da Lei 5.172/66. DEBCAD – 51.018.9687 A multa isolada prevista em lei, não é escorchante e muito menos afrontadora dos princípios basilares do direito, tendo em vista que o projeto de lei que possibilitou sua instituição passou pelo processo legislativo como determinado na CRFB/88, obtendo a sanção presidencial e promulgação. Além do que, tal multa visa penalizar conduta que a lei considera mais gravosa ante a ocorrência de falsidade na declaração, como prevista no artigo 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. O Superior Tribunal de Justiça – STJ em diversos julgados já se pronunciou sobre multa nesse patamar e as tem consideradas validadas em decorrência de aspectos diversos de cada caso, veja as ementas dos arestos. EMEN: TRIBUTÁRIO. FRAUDE. NOTAS FISCAIS PARALELAS. PARCELAMENTO DE DÉBITO. REDUÇÃO DE MULTA. LEI Nº 8.218/91. APLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE CONFISCO. TAXA SELIC. LEI Nº 9.065/95. INCIDÊNCIA. 1. Recurso Especial contra v. Acórdão que considerou legal a cobrança da multa fixada no percentual de 150% (cinto e cinqüenta por cento) e determinou a incidência da Taxa SELIC sobre os débitos objeto do parcelamento. 2. A aplicação da Taxa SELIC sobre débitos tributários objeto de parcelamento está prevista no art. 13, da Lei nº 9.065, de 20/07/1995. 3. É legal a cobrança de multa, reduzida do percentual de 300% (trezentos por cento) para 150% (cinto e cinqüenta por cento), ante a existência de fraude por meio de uso de notas fiscais paralelas, comprovada por documentos juntados aos autos. Inexiste na multa efeito de confisco, visto haver previsão legal (art. 4º, II, da Lei nº 8.218/91). 4. Não se aplica o art. 920, do Código Civil, ao caso, porquanto a multa possui natureza própria, não lhe sendo aplicável as restrições impostas no âmbito do direito privado. 5. A exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. 6. Recurso não provido. EMEN: (RESP 200200278487, JOSÉ DELGADO, STJ PRIMEIRA TURMA, DJ DATA:10/06/2002 PG:00162 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. EXTRAVIO. RECINTO ALFANDEGADO. TRIBUTOS ADUANEIROS. PENALIDADE. ART. 44, I, DA LEI 9.430/1996. APLICAÇÃO. 1. Hipótese em que o TRF reconheceu a responsabilidade do titular do recinto alfandegado pelos tributos aduaneiros e pela penalidade por ausência de recolhimento (questões incontroversas). No entanto, Fl. 202DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 202 19 entendeu que a sanção aplicada com base no art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (75%) não é razoável, pois superior à multa para conduta mais grave (50% para evasão fraudulenta – art. 44, II, da mesma Lei). 2. Por ocasião do extravio e da autuação (2003), a multa para o caso de fraude, prevista no 44, II, da Lei nº 9.430/1996, era de 150%. O dobro da penalidade de 75% aplicada pela fiscalização. 3. Posteriormente, à época do acórdão recorrido (maio de 2007), o dispositivo legal deixou de prever a multa de 150% para fraude, mas, diferentemente do que decidiu o TRF, não fez referência à conduta dolosa para a aplicação da multa de 50% (redação dada pela MP 351, de 22.1.2007, convertida na atual Lei 11.488/2007). 4. Houve a criação de penalidade (art. 44, II, da Lei 9.430/1996 – redação atual), fixada em 50%, para ilícito completamente diverso e específico, sem referência ao intuito de fraude, o que afasta o fundamento do acórdão recorrido. 5. É inviável desconsiderar norma federal expressa (art. 44, I, da Lei 9.430/1996) sem declaração de inconstitucionalidade, nos termos da Súmula Vinculante 10/STF. 6. Recurso Especial provido. ..EMEN: (RESP 200702176976, HERMAN BENJAMIN, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:27/08/2009 ..DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. ART. 74, §12, "A" E "B", DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.051/2004). APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE AO TEMPO DO AJUIZAMENTO DA DEMANDA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. ART. 18, §2º, DA LEI N. 10.833/2003 (REDAÇÃO DADA TAMBÉM PELA LEI N. 11.051/2004). 1. Segundo a jurisprudência do STJ, aplicase aos pedidos de compensação a legislação vigente na data do ajuizamento da demanda. Em se tratando de PER/DCOMP transmitida em 14.01.2005 já estava em vigor art. 74, §12º, II, "a" e "b", da Lei n. 9.430/96 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que considerou não declaradas as compensações efetuadas com crédito de terceiros. 2. Cabível a multa de ofício para o caso, a teor do também vigente (em 14.01.2005) art. 18, §2º, da Lei n. 10.833/2003 (redação dada pela Lei n. 11.051/2004), que trazia completa a hipótese de incidência da multa, mencionando a violação ocorrida (compensação não declarada) e o percentual da multa aplicável (150%). 3. Recurso especial não provido. EMEN: (RESP 201100395684, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:16/05/2011.DTPB:.) EMEN: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO NÃO ANTECIPADO PELO CONTRIBUINTE. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. IMPOSTO DE RENDA. ARBITRAMENTO. DEPÓSITOS E EXTRATOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182/TFR. REEXAME. SÚMULA 7/STJ. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA DO ART. 44, I E II, DA LEI N. 9.430/96. ACÓRDÃO RECORRIDO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. VIOLAÇÃO Fl. 203DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 203 20 DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. 1. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para a modificação do julgado que se apresentar omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. 2. O art. 112 do CTN, que preconiza que a legislação tributária que comine sanção ao contribuinte deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, conforme hipóteses ali previstas, é aplicável "em caso de dúvida", o que não ocorreu na espécie, haja vista o convencimento do magistrado a quo acerca da serventia e suficiência de documentos que comprovam a remessa de quantias à conta bancária mantida pela contribuinte no exterior, considerando que restou incontroversa nos autos a ocorrência de acréscimo patrimonial a descoberto. 3. É assente nesta Corte que, quando da revisão da declaração de ajuste anual apresentada a Administração Fazendária constatar a omissão de rendimentos e, consequentemente, apurar existência de imposto de renda a pagar, o prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter sido lançado o tributo, nos termos do art. 173, I, do CTN. 4. A jurisprudência desta Corte inaugurou novo entendimento no sentido da inaplicabilidade da Súmula 182/TFR (''é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários''), e da possibilidade de autuação do Fisco com base em demonstrativos de movimentação bancária, em decorrência da aplicação imediata da Lei n. 8.021/90 e Lei Complementar n. 105/2001, como exceção ao princípio da irretroatividade tributária. 5. Uma vez assentado, inclusive na sentença, a presença do intuito de fraude, requisito indispensável à incidência da multa de 150%, o órgão julgador manteve sua aplicação com base no art. 44, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação vigente à época dos fatos. 6. Uma análise mais acurada acerca da pretendida redução da multa moratória pelo princípio do não confisco e princípio da proporcionalidade, além de ensejar o reexame de fatos e provas, vedado pela Súmula 7/STJ, atrai a interpretação e aplicação de dispositivos constitucionais, o que não é possível na via especial, nem à guisa de prequestionamento, porquanto matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal, nos termos dos arts. 102, III e 105, III, da Carta Magna. Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos modificativos, apenas para sanar as omissões apontadas. EMEN: (EDAGRESP 201201925073, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:13/12/2012 ..DTPB:.) (todos os grifos são meus). Assim sendo, nada há de irregular na aplicação de multa com percentual previsto em lei, onde o fisco verificou a ocorrência da situação prevista em lei que autoriza tal sanção, conforme se depreende dos dois trechos do relatório fiscal, abaixo transcritos. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 204 21 A compensação como demonstrado foi realizada sem lastro jurídico, ou seja, de forma irregular. O lançamento são se presta, exclusivamente, para prevenir a decadência, mas principal e especialmente para exigir o direito do Estadofisco em prol da sociedade lesada pelo contribuinte, ante a irregularidade de sua conduta, de se compensar de crédito inexistente. A decisão da DRJ/SDR citada pela recorrente não se aplica, pois não se amolda ao presente caso, uma vez que ela cuida da situação prevista no artigo 63, da Lei 9.430/96 e o presente lançamento se fundamenta no artigo 89, § 10, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Afinal de contas o lançamento é de outro lado, na modalidade de ofício, este é direito potestativo do Estadofisco e o contribuinte não tem participação em sua produção, assim diz a lei, a jurisprudência e a doutrina, observemse as transcrições abaixo. Lei 5.172/66 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Fl. 205DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 205 22 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. PIS. OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ATO FINAL. LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO E NOTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando o sujeito passivo omitese no cumprimento dos deveres que lhe foram legalmente atribuídos, deve a autoridade fiscal proceder ao lançamento de ofício (CTN, art. 149), iniciandose o prazo decadencial de cinco anos no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito (art. 173, I, do CTN). 2. Se a Fazenda Pública notifica o contribuinte do auto de infração no prazo de cinco anos a que alude o art. 173, I, do CTN, não há que se falar em decadência do direito à constituição do crédito tributário. 3. O direito de lançar é potestativo. Logo, iniciado o procedimento fiscal com a lavratura do auto de infração e a devida ciência do sujeito passivo da obrigação tributária no prazo legal, desaparece o prazo decadencial. 4. Súmula TFR 153: "Constituído, no qüinqüênio, através de auto de infração ou notificação de lançamento, o crédito tributário, não há que se falar em decadência, fluindo, a partir daí, em princípio, o prazo prescricional, que, todavia, fica em suspenso, até que sejam decididos os recursos administrativos". 5. Embargos de declaração acolhidos com efeitos infringentes, para dar provimento ao recurso especial. (EDRESP 200900655845, CASTRO MEIRA, STJ SEGUNDA TURMA, 14/02/2011) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo Fl. 206DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 206 23 de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que " o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do atrtigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 207 24 execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. (AGRESP 201001395597, LUIZ FUX, STJ PRIMEIRA TURMA, 24/11/2010) TRIBUTÁRIO IOF DECADÊNCIA TERMO INICIAL FATO GERADOR DRAWBACK SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE IRRELEVÂNCIA PARA O EXERCÍCIO DO DIREITO POTESTATIVO AO LANÇAMENTO. 1. O IOF não é tributo inerente à atividade de importação/exportação e não integra, em regra, o Termo de Compromisso, forma de constituição do crédito tributário prevista na legislação aduaneira. 2. O fato gerador do IOF na operação de câmbio é a a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este, nos termos do art. 63, II, do CTN. 3. A decadência, direito potestativo, não se interrompe, nem se suspende, de modo que o regime aduaneiro de drawback é irrelevante na fixação do termo inicial do prazo para a constituição do crédito tributário. 4. Recurso especial provido. (RESP 200702726133, ELIANA CALMON, STJ SEGUNDA TURMA, 18/02/2009) xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Para uma melhor compreensão, podese citar o estado de sujeição em que se encontra o contribuinte ao lançamento tributário, não lhe sendo possível impedir o direito de a Fazenda Pública lançar o tributo. Efetuado o lançamento, no entanto, o sujeito passivo poderá simplesmente não realizar o pagamento, frustrando, então, a pretensão da Fazenda. Nesse caso, o prazo para o Fisco efetuar o lançamento tributário (direito potestativo), segundo essa tese, seria de decadência. Já o prazo para a cobrança do crédito tributário não pago (direito a uma pretensão) de prescrição. 2 xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx O processo de determinação e exigência do crédito tributário, ou processo de acertamento, ou simplesmente o lançamento tributário, dividise em duas fase: (a) unilateral ou não contenciosa e (b) bilateral, contenciosa ou litigiosa. 2 HABLE, José. Decadência e prescrição no direito civil em confronto com o direito tributário. Jus Navigandi, Teresina, ano 13, n. 1941, 24 out. 2008. Disponível em: http://jus.uol.com.br/revista/texto/11878. Auditor tributário da Secretaria de Fazenda do Distrito Federal, graduado em Agronomia pela UFPR, Administração de Empresas pela FAE e em Direito pela CEUB, pósgraduado em Direito Tributário pelo ICAT, mestre em Direito Internacional Econômico pela UCB, professor de Direito Tributário é autor do livro: "A Extinção do Crédito Tributário por Decurso de Prazo" Fl. 208DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 208 25 Este processo também tem recebido a denominação de ação fiscal. A fase não contenciosa é essencial no lançamento de ofício de qualquer tributo. A fase não contenciosa ou unilateral termina com o termo de encerramento de fiscalização, que será acompanhado de um auto de infração nos casos em que alguma infração da legislação tributária tenha sido constatada. Denominase auto de infração o documento no qual o agente da autoridade da Administração tributária narra a infração ou as infrações da legislação tributária atribuídas por ele ao sujeito passivo da obrigação tributária, no período abrangido pela ação fiscal. 3 (todos os grifos são meus). A lei não exige a ocorrência de fraude, mas sim a falsidade na declaração de compensação apresentada. O artigo 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 prevê que o percentual do inciso I, do caput, do artigo 44, da Lei 9.430/96 será aplicada em dobro em caso de comprovada falsidade da declaração apresentada. No entanto, em momento algum remete tal qualificação, ao que está estabelecido no parágrafo 1º, do artigo 44, da Lei 9.430/96, que por sua vez remete aos artigo 71, 72 e 73, da Lei 4.502/64. A lei previdenciária apenas manda utilizar o percentual de setenta e cinco por cento e dobrálo em caso de falsidade da declaração e nada mais. Não há nulidade alguma no lançamento promovido pelo fisco. Os precedentes invocados e transcritos da CSRF não são aplicáveis ao presente caso e muito menos há divergência entre o acórdão a quo e as decisões citadas. O artigo 32 – A, introduzido na Lei 8.212/91 pela Lei 11.941/2009 oriunda da conversão da MP 449/2008 cuida de descumprimento de obrigação acessória, dever instrumental e a respectiva sanção por está infração. Porém o presente auto de infração e a decisão da DRJ a ele referente cuidam de obrigação principal exigência de tributo indevidamente compensado é certo que esse conduta, também, implicaria no lançamento de um segundo auto de infração, qual seja aquele estabelecido no artigo 32 – A, acima, citado, contudo se aplica duas penalidades pelo mesmo fato. Ficou consignado linha atrás que a exacerbação da multa isolada nada tem a ver com a aplicação dos artigo 71; 72 e 73, da Lei 4.502/64, uma vez que o artigo 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, não faz tal exigência, mas apenas prevê a aplicação do percentual do inciso I, do caput, do artigo 44, da Lei 9.430/96 que será aplicado em dobro em caso de comprovada falsidade da declaração apresentada, como consta em sua redação. Assim, os dois precedentes do CARF citados e apoiados na Lei 4.502/64 não se ajustam ao presente caso, Acórdão nº 10616779 e 10322893, também, inaplicável ao caso a lição doutrinaria trazida, pois a multa esta sendo cobrada junto com o tributo indevidamente compensado, bem como cabe ao fisco cumprir o que diz o artigo 142, parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 37, caput, da CRFB/88. 3 Machado, Hugo de Brito Curso de Direito Tributário 13 Edição Editora Malheiros 1998, pág. 336 e 337. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 209 26 O fisco não disse que o contribuinte praticou fraude, em momento algum li isso no REFISC do auto de infração. Consta do REFISC os motivos da aplicação da multa ao contribuinte: “A aplicação da multa isolada em dobra tem por finalidade a falsidade das informações das compensações declaradas...” em outra passagem os agentes lançadores enquadraram, em tese, a conduta da recorrente no artigo 1º, inciso I, da Lei 8.137/90, que tem a redação, abaixo, transcrita, e que nada fala em fraude, mas sim em declaração falsa. Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; (fiz o destaque). O lançamento nada tem a ver com atecnias contábeis, pois a declaração de compensação irregular foi verificada nas GFIP’s e não na contabilidade da recorrente, devido a não observação das disposições legais e do que decidido na sentença do MS impetrado pela recorrente. Desta forma, o fisco considerou as compensações realizadas irregulares e indevidas, pois o direito creditório não está cristalizado. Novamente, a questão de fraude ou sonegação nada tem a ver com a aplicação da multa isolada em dobro, pois como explicitado em várias passagens, o artigo 89, parágrafo 10, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, não faz tal exigência, mas apenas prevê a aplicação do percentual do inciso I, do caput, do artigo 44, da Lei 9.430/96 que será aplicado em dobro em caso de comprovada falsidade da declaração apresentada, como consta em sua redação, sendo isso que o fisco entendeu ter ocorrido e comprovado. Os precedentes do CARF citados aqui tiveram sua aplicação e incidência afastada e novo precedente citado, também, não se aplica, pois o Acórdão 2401002.866, mantém a fraude como seu pressuposto, o que não é o caso dos autos. Indefiro o pedido de intimação para sustentação oral, uma vez que o artigo 55, parágrafo único, da Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF estabelece que a pauta de julgamento será publicada no DOU com dez dias de antecedência a data da sessão de julgamento, bem como publicada no site do CARF na internet, cabendo ao contribuinte diligenciar sobre o assunto. Ressalvo, que no caso das contribuições sociais previdenciárias sobre os quinze primeiros dias iniciais do auxílio doença ou auxílio doença acidentário, bem como do terço constitucional de férias e que estão reconhecidos na sentença do MS e no Acórdão de Apelação do MS no TRF1 como fora do campo da incidência da contribuição, os quais, também, vem sendo consideradas fora da incidência da contribuição pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ e decidido no rito do artigo 543 – C, da Lei 5.869/73, que é de aplicação obrigatória nesse conselho, artigo 62 – A, do Portaria MF 256/2009 Regimento Interno do CARF, conforme transcrição, abaixo. EMEN: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIO DOENÇA. QUINZE Fl. 210DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 210 27 PRIMEIROS DIAS. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1.230.957RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.230.957RS, da relatoria do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, sob o regime do artigo 543C do CPC, Dje 1832014, fixou o entendimento de que não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílio doença durante os primeiros quinze dias de afastamento do empregado, bem como sobre o terço constitucional de férias. 2. Agravo regimental não provido. EMEN: (AGA 201101951156, BENEDITO GONÇALVES, STJ PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:27/05/2014 ..DTPB:.) (os destaques são meus). Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Permiteme entender assistir razão ao contribuinte que tais rubricas não podem ser dele exigidas e nem constar como parcela integrantes da glosa da compensação realizada. Todavia, ficou explicitado no lançamento que apesar de a recorrente ter sido intimada, via TIPF, de fls. 34 e 35 a apresentar os documentos relativos aos valores compensados que possibilitaram averiguar quais parcelas estavam incluídas efetivamente na compensação, a recorrente não apresentou tais documentos, bem como não o fez na impugnação e nem mesmo na fase recursal. Assim sendo, deixou o contribuinte de fazer prova a seu favor, bem como não atendeu ao artigo 333, II, da Lei 5.869/73 c/c o artigo 16, §4º, do Decreto 70.235/72. Essa situação foi explicitada pelo julgador a quo observese o que disse o I Julgador da DRJ. O crédito da autora, entretanto, não advém da simples declaração de que não há incidência. Para que restasse comprovada a existência do crédito, seria necessário comprovar o montante dos recolhimentos efetuados a este título e a data em que cada um deles foi realizado. No presente caso, estes documentos foram requeridos ao impugnante por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF. Não há nos autos elementos que comprovem o atendimento à intimação. A sentença proferida não é líquida. O montante do eventual crédito detido pelo contribuinte não foi objeto de discussão judicial. Do mesmo modo, em nenhum momento ao longo do procedimento de fiscalização ou no processo administrativo fiscal, a empresa trouxe elementos para comprovar a liquidez e certeza dos créditos utilizados na compensação. Como visto, sobejam razões para o reconhecimento da ilegalidade do procedimento de compensação adotado pelo Fl. 211DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10384.720490/201201 Acórdão n.º 2803003.375 S2TE03 Fl. 211 28 impugnante e, consequentemente, para a glosa dos valores compensados. (novamente estes realces são meus). A não apresentação por parte do contribuinte dos documentos necessários a verificar o quantum da compensação, como este foi obtido, o que nele incluído e como corrigido, não permitiu ao fisco essa verificação, assim sendo toda a compensação foi glosada. Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente em preliminar e em mérito, rejeitando todos os pedidos, exceto quanto ao conhecimento do recurso, o que fiz. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento, para no mérito negarlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 11020.901533/2012-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-002.778
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn ,Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 15 33 /2 01 2- 31 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela primeira instância. Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Compensação enviada pela empresa, nos quais não foi homologado seu pedido por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra o Fisco. A empresa contesta a decisão administrativa alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por ausência de fundamentação, por desvio de finalidade e por prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal. No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material, bem como alega o caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, bem como a inaplicabilidade da taxa Selic como juros de mora. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta que não concorda pela não homologação por falta de direito creditório, bem como insiste que o despacho decisório deve ser anulado por estar sem motivação. E, pela não aplicação da multa, em face do princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim como, a imputação dos juros moratórios seriam ilegais e inconstitucionais. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901533/201231 Acórdão n.º 3802002.778 S3TE02 Fl. 94 3 Antes de adentrar no mérito, inicialmente, em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente em alegar que o Despacho Decisório deve ser anulado, já que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para a sua validade. O despacho decisório possui todos os elementos necessários para que a empresa possa se defender, não obstante, de forma sintética. Consta a base legal, a declaração de compensação enviada pela empresa, a data do envio, o crédito oposto pela empresa, oriundo de determinado pagamento apontado pela empresa na Dcomp, bem como o período de apuração a que se refere, assinado pela autoridade competente. No tocante à motivação/fundamentação pela não homologação da compensação há a indicação que os pagamentos tidos como indevidos foram localizados, mas já se encontram “integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp”. Enfim, o alegado pagamento indevido não fora compensado/restituído, pois já tinha sido usado para quitar outros débitos. Quanto aos argumentos relacionados à legalidade ou constitucionalidade a qualquer ato legal, o CARF, assim se posicionou através do enunciado nº 2 de sua Súmula consolidada, publicada no DOU de nº 244, de 22.12.2009: SÚMULA CARF Nº 2 O Carf não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, no que diz respeito ao caráter confiscatório da multa de ofício, como alega a empresa; cabe observar que não foi aplicada a multa de ofício, e sim a multa de mora de 20% sobre os valores indevidamente compensados. Assim sendo, a multa de mora aplicada está correta sua exigência. Quanto à exigência de juros de mora, também está sendo efetuada na forma da lei, ao contrário do entendimento da empresa, pois o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina: “ Artigo 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia prevista nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ( um por cento ) ao mês.” Foi editada a lei específica, a de Lei nº 9.065/95, que em seu artigo 13 previu que os débitos tributários junto à Fazenda Nacional, originados a partir 1° de abril de 1995, teriam seus juros de mora e correção segundo a taxa Selic: Art. 13. A partir de julho de abril de 1995, os juros de mora de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981/1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Aplicado o disposto no artigo 61 da Lei 9.430/96, que trata da exigência de juros de mora à taxa Selic, ou seja, a exigência está prevista em normas legais em pleno vigor, não competindo a este julgador apreciar sua constitucionalidade, função reservada ao poder judiciário, como já comentado. Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito da empresa, incide na hipótese a Súmula CARF n° 4, in verbis: Súmula CARF nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Passando ao mérito, o cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. Para a verificação do direito creditório afirmado, a recorrente não traz ao processo nenhuma comprovação da efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais teriam sido realizados. Inclusive, apenas indica julgados e doutrinas sobre nulidades. Ocorre que nos sistemas da Receita Federal constam que os valores recolhidos já foram utilizados para quitar outros débitos e nada a recorrente contrapõe sobre isso, dessa forma, não há o que reconsiderar ou anular. Não procede a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, socorrendolhe o Princípio da Verdade Material, pois não se está diante de lançamento de ofício. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, i.e., submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. Assim sendo, é ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. Em razão dos motivos acima expostos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 11020.901533/201231 Acórdão n.º 3802002.778 S3TE02 Fl. 95 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 18471.002180/2007-68
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
Associação Sem Fins Lucrativos. Suspensão do Benefício da Isenção
As entidades sem fins lucrativos, como regra geral, são isentas do recolhimento da COFINS. Descaracterizada sua condição, tais entidades ficam sujeitas ao recolhimento da referida contribuição, que será calculada com base no seu faturamento.
Deficiência na Escrituração. Arbitramento.
A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e, nos termos da legislação em vigor, fica sujeita ao arbitramento dos lucros quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real
Numero da decisão: 1801-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 Associação Sem Fins Lucrativos. Suspensão do Benefício da Isenção As entidades sem fins lucrativos, como regra geral, são isentas do recolhimento da COFINS. Descaracterizada sua condição, tais entidades ficam sujeitas ao recolhimento da referida contribuição, que será calculada com base no seu faturamento. Deficiência na Escrituração. Arbitramento. A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e, nos termos da legislação em vigor, fica sujeita ao arbitramento dos lucros quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO Implica em perda do benefício fiscal da isenção conferido às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e às associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, a remuneração, por qualquer forma ou título, de seus dirigentes. DEFICIÊNCIA NA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica sujeita à tributação pelo lucro real, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e, nos termos da legislação em vigor, fica sujeita ao arbitramento dos lucros quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO A suspensão da isenção das entidades sem fins lucrativos, determinada em relação ao imposto de renda, alcança, também, a contribuição social sobre o lucro. ( § 1º do artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO As entidades sem fins lucrativos, como regra geral, são isentas do recolhimento da COFINS. Descaracterizada sua condição, tais entidades AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 80 /2 00 7- 68 Fl. 953DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 ficam sujeitas ao recolhimento da referida contribuição, que será calculada com base no seu faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 4a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que manteve a suspensão do gozo do benefício da isenção de que era beneficiária a interessada e manteve, em parte, as exigências de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS consubstanciadas nos autos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: Em 17/03/2006, a Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro DEFIS/RJ instaurou procedimento fiscal contra a Interessada, com o objetivo de subsidiar outra fiscalização, já em curso, contra a pessoa jurídica PNCQ Programa Nacional de Controle de Qualidade Ltda (CNPJ 73.302.879/000108) — cfr. Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo, à fl. 04 do Anexo III do processo administrativo n° 18471.001492/200754 (em apenso). Em 10/09/2007, após longa investigação, o AuditorFiscal responsável pela execução do procedimento notificou a Interessada, na forma do art. 32, § 1o., da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, da existência de fatos capazes de determinar a suspensão de sua isenção de imposto de renda no anocalendário de 2002 — cfr. Termo de Notificação, às fls. 05/06 do processo administrativo n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópia às fls. 08/09 do presente processo: "No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, no curso da ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização n° 07.1.90.002007011078, e de acordo com nos artigos 904 e parágrafos, 905, 910, 911, 913, 927, 928 e parágrafo 1o. do artigo 172, todos do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, Decreto n.° 3.000/99, NOTIFICAMOS O CONTRIBUINTE: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 3 3 1. QUE o contribuinte em atendimento ao Termo de Solicitação de Esclarecimentos lavrado em 29/jun/2.007, ratificou o fato de ter constituído e mantido duas pessoas jurídicas, com fins lucrativos, quais sejam Programa Nacional de Controle de Qualidade, CNPJ 73.302.879/000108 e DICQ Sistema Nacional de Acreditação Ltda CNPJ 07.263.522/000125. Em conseqüência, face o acima descrito verificamos o descumprimento dos requisitos previstos no inciso II parágrafo 3o. do art. 170 combinado com parágrafo 3° do art. 174 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR) aprovado pelo Dec. 3.000/99. 2. QUE embora o contribuinte em atendimento ao Termo de Solicitação de Esclarecimentos lavrado em 29/jun/2.007 tenha afirmado não haver remuneração aos dirigentes, afirma outrossim que os dirigentes recebem 'bolsas de ajuda' por serviços de 'pesquisas e desenvolvimento de ações'; de 'atividade intelectual'; de 'administração de aulas cursos e palestras'; de 'publicação de livros'. Sendo válido lembrar que tais pagamentos no ano calendário de 2.002 se encontram contabilizados a conta 409010 Coordenador Geral que totalizava em 31 dez2.002 o valor de R$ 776.727,00 apenas para os associados. Em conseqüência, face o acima descrito verificamos o descumprimento dos requisitos previstos no inciso I parágrafo 3° do art. 170 combinado com parágrafo 3° do art. 174 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR) aprovado pelo Dec. 3.000/99. Face o acima descrito descumprimento dos requisitos, sujeitase o contribuinte às sanções da legislação federal de regência dos regimes de isenção e de incidência tributária, quais sejam a suspensão do beneficio de isenção tributária e o decorrente lançamento de oficio por apuração do Lucro Arbitrado, considerandose intimado a apresentar em até 30 (trinta) dias, contados da ciência deste termo, provas e alegações em contrário, conforme parágrafo 1o. do artigo 172 do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, Decreto n.° 3.000/99. " Esgotado o prazo para a apresentação de contrarazões, sem que, supostamente, tivesse havido qualquer manifestação da Interessada, o Delegado da DEFIS/RJ resolveu suspender o benefício, em decisão assim ementada — vide fl. 529 do processo administrativo de n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópia à fl. 574 do presente processo: "IRPJ Anocalendário 2002 Suspendese a isenção do tributo quando a entidade beneficiada deixa de observar os requisitos legais para sua fruição. FALTA DE MANIFESTAÇÃO DO INTERESSADO QUANTO AOS FATOS RELATADOS EM NOTÍFICAÇÃO FISCAL, EMITIDA COM BASE NO ART. 32, § 1o. DA LEI 9.430. " Em 18/12/2007, a Interessada tomou ciência da referida decisão, bem assim dos autos de infração lavrados em decorrência da suspensão do benefício — fls. 573/603 do processo administrativo de n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópias às fls. 577/609 do presente processo. Fl. 955DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Nesta mesma data, todavia, chegou ao conhecimento da DEFIS/RJ que a Interessada havia protocolizado junto ao CAC/TIJUCARJ, em 09/10/2007, uma contestação referente aos fatos descritos no Termo de Notificação supracitado — cfr. alegações da entidade, às fls. 530/542 do processo administrativo n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópia às fls. 534/546 do presente processo. Em face do exposto, o feito retornou àquela Delegacia para que fossem apreciadas as razões de defesa da Interessada. Reconhecendo a existência do vício processual, o Delegado da DEFIS/RJ anulou seu pronunciamento anterior e emitiu uma nova decisão, assim ementada — vide fls. 619/620 do processo administrativo n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópia às fls. 623/624 do presente processo: "IRPJ Anocalendário 2002 Suspendese a isenção do tributo quando a entidade beneficiada deixa de observar os requisitos legais para sua fruição. IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES APRESENTADAS. O lançamento é revisto de oficio pela autoridade administrativa quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial (art. 149, IX do CTN). ALEGAÇÕES DO SUJEITO PASSIVO NÃO APRECIADAS POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ORIGINAL. " Em 27/12/2007, a Interessada foi cientificada desta segunda decisão — cfr. Termo de Ciência, à fl. 621 do processo administrativo n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópia à fl. 640 do presente processo. Na mesma data, tomou ciência dos novos autos de infração, que foram lavrados em substituição aos primeiros, afinal declarados nulos — fls. 623/650 do processo administrativo n° 18471.001492/200754 (em apenso), com cópias às fls. 641/668 do presente processo: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ........................... R$ 161.496,73 Multa de ofício (art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996).............. R$ 121.122,31 Juros de mora (calculados até 30/11/2007)............................... R$ 135.833,20 TOTAL...................................................................................... R$ 418.451,94 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL................ R$ 20.868,31 Multa de ofício (art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996).............. R$ 15.651,22 Juros de mora (calculados até 30/11/2007).............................. R$ 17.540,35 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 4 5 TOTAL..................................................................................... R$ 54.059,88 Contribuição p/ o Financ. da Seguridade Social – COFINS.... R$ 57.967,57 Multa de ofício (art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996)............. R$ 43.475,63 Juros de mora (calculados até 30/11/2007).............................. R$ 49.509,24 TOTAL..................................................................................... R$ 150.952,44 Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS....... R$ 12.559,59 Multa de ofício (art. 44, inc. I, da Lei n° 9.430/1996).............. R$ 9.419,66 Juros de mora (calculados até 30/11/2007)............................... R$ 10.726,92 TOTAL...................................................................................... R$ 32.706,17 Inconformada com o ato decisório que determinou a suspensão de sua isenção, a Interessada apresentou, em 25/01/2008, impugnação dirigida a esta Delegacia de Julgamento, alegando o seguinte — fls. 654/665 do processo n° 18471.001492/200754 (em apenso): QUE a entidade foi constituída como uma associação sem fins lucrativos, voltada para o desenvolvimento científicoprofissional, conforme indicado no seu estatuto social (fl. 670): — "Artigo 3o. A SBAC tem por objetivo: a) congregar os profissionais de nível universitário, que se dediquem às análises clínicas; b) amparar e defender os legítimos interesses de seus associados, amparandoos pelo simples ato de filiação, independente de outorga específica, junto aos órgãos federais, estaduais e municipais, bem como para os efeitos do inciso XXI do artigo 5 o da Constituição da República Federativa do Brasil;... g) manter intercâmbio cultural, profissional, técnicocientífico e social com entidades congêneres do país e do exterior; h) realizar e estimular a pesquisa nas análises clínicas, de controle e gestão da qualidade podendo conferir diplomas e certificados; ... j ) colaborar com os órgãos públicos Federais, Estaduais e Municipais no âmbito de suas atividades; k) promover ou coordenar programas e gestão de qualidade, destinados aos laboratórios de Análises Clínicas no país, e órgãos prestadores de serviços de saúde ..."; QUE as atividades descritas no artigo 3o. , alíneas "g", "h" e " j " do estatuto social demonstram que a entidade, além de defender os interesses de seus associados, também atua no sentido de promover a integração ao mercado de trabalho, o que a caracteriza, pois, como instituição de assistência social, nos termos do art. 203, inciso III, da Constituição Federal; Fl. 957DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 QUE sendo uma instituição de assistência social, a entidade goza, não propriamente de isenção, mas sim de imunidade, conforme previsto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal; QUE é nula, portanto, a decisão proferida pelo Delegado da DEFIS/RJ, porque tratou a entidade como beneficiária de isenção, em vez de imunidade; QUE não é correta, por outro lado, a afirmativa de que a entidade mantém escrituração contábil pelo regime de lucro real; seus controles, a bem da verdade, são feitos pelo regime de imunidade, conforme consta da Declaração de Rendimentos apresentada à Receita Federal QUE a entidade não remunera e nem distribui lucros aos seus dirigentes; o que ocorre, na verdade, é o pagamento de bolsas de estudo e de pesquisa, para custear a aquisição de materiais de estudo e a participação em congressos, cursos de especialização e aperfeiçoamentos técnicos; QUE o erro material cometido na contabilização dos referidos pagamentos não justifica a suspensão da imunidade, o que só seria admissível em caso de tentativa de fraude ou de omissão de receitas e/ou despesas; QUE o fato de a entidade ser controladora da pessoa jurídica PNCQ – Programa Nacional de Controle de Qualidade Ltda também não é causa de suspensão da imunidade; afinal, não existe, na legislação tributária, nenhuma norma que proíba uma associação sem fins lucrativos de ser mantenedora de uma sociedade com fins lucrativos. Na mesma data, impugnou os autos de infração, reiterando a sua condição de entidade imune, e alegando, ademais — fls. 683/692; fls. 705/714; fls. 727/730; e fls. 749/758: QUE o arbitramento do lucro, no caso em questão, é descabido, pois não se sustenta em nenhuma das hipóteses previstas no art. 47 da Lei n° 8.981/1995; QUE, ao elaborar o demonstrativo de cálculo dos tributos, o AuditorFiscal autuante considerou, como receita tributável, todo o valor investido em aplicações financeiras, quando o certo seria computar, apenas, os rendimentos decorrentes das referidas aplicações; QUE o coeficiente de arbitramento aplicado pelo AuditorFiscal autuante está muito acima do percentual previsto na Lei n° 8.981/1995. Uma vez instaurada a fase contenciosa, o Relator do feito intimou a Interessada a apresentar: a) comprovantes anuais de rendimentos pagos e de retenções de imposto na fonte relativos às aplicações financeiras efetuadas no anocalendário de 2002; b) relação dos membros que compuseram o Conselho Deliberativo durante o ano de 2002; e c) ata de posse dos membros da Diretoria Executiva eleita para o ano de 2002 — cfr. Intimação DRJ/RJOI n° 010, de 10/06/2009, à fl. 773 do presente processo. Em resposta à intimação, a Interessada forneceu: a) cópias de extratos bancários e de aplicações financeiras referentes ao ano de 2002; b) lista de presença de reunião do Conselho Deliberativo realizada em 2002; e c) atas de posse dos membros da Diretoria Executiva eleitos para os biênios 2000/2002 e 2002/2004 — does. fls. 774/815 do presente processo. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 5 7 Ao analisar o litígio a 4a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, relativamente às alegações de defesa apresentadas contra a perda do benefício da isenção, afastou a argüição de nulidade do ato declaratório do delegado da DEFIS/RJ afirmando tratar, o caso, de isenção e não de imunidade, como aventara a defesa. No que toca ao mérito das razões que levaram o delegado da DEFIS/RJ suspender o benefício da isenção, afastou aquelas relacionadas à participação da entidade na sociedade sem fins lucrativos denominada DICQ – Sistema Nacional de Acreditação Ltda., e como mantenedora da sociedade com fins lucrativos denominada PNCQ – Programa Nacional de Controle de Qualidade Ltda. Contudo, as razões que levaram a suspensão do benefício relacionadas aos pagamentos efetuados aos seus dirigentes foram validadas por aquela turma de julgamento. Em razão da manutenção da suspensão do benefício da isenção, os lançamentos formalizados para exigência dos tributos foi mantido nos moldes do arbitramento, contudo, dos valores que serviram de base para exigência foram excluídos aqueles relativos a receitas financeiras, por não integrarem a base de cálculo. Aquela turma julgadora também efetuou ajustes nos percentuais de arbitramento de algumas receitas, razão pela qual a exigência do IRPJ foi mantida parcialmente. A exigência da CSLL se deu por reflexo do IRPJ, uma vez que a ela se aplicam as mesmas regras de apuração, tendo sido mantida parcialmente. A exigência de COFINS também foi mantida parcialmente e a de PIS, exonerada também na parte em que reconhecida a decadência. Notificada da decisão, em 13/01/2012 (AR fl. 924), apresentou a interessada, em 07/02/2012, recurso voluntário. Inicia as razões de defesa por reproduzir o que dispõe o estatuto social, para concluir se revestir de entidade educacional sem fins lucrativos e de assistência social. E nessas condições, alega, teria direito constitucional ao gozo do benefício da imunidade. Reafirma não remunerar seus dirigentes, mas apenas pagarlhes bolsas de estudo e pesquisa para participação em congressos, especializações e aperfeiçoamento técnico e alguns pagamentos por serviços prestados. Aduz que a regra do art. 14 do CTN se refere a proibição da entidade em “distribuir” parcela de seu patrimônio ou de sua renda, o que significaria vedação a distribuição de lucros, e não pagamentos por serviços prestados. Salienta que o CTN, por ter “status’ de lei complementar, se sobreporia à Lei 9.532/97, razão pela qual mais uma vez develhe ser reconhecido o benefício da imunidade, e não da isenção. Colaciona excerto jurisprudencial que admite a remuneração dos dirigentes de sociedades imunes e isentas, como forma de criar profissionais competentes para melhor desempenhar as funções de dirigentes. Qualifica de “burrocratas” aqueles que insistem em na falsa idéia de que seria proibido remunerar os dirigentes de sociedades imunes ou isentas. E prossegue, com suas palavras: Além equivocadas, tais opiniões nos levam a uma triste e comum constatação do que poderíamos chamar de hipocrisia coletiva, vez que afirmam não poder existir remuneração, mas admitem, por exemplo, que: o diretor da "mantenedora" – Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 não remunerado seja contratado pela mantida (médico, professor, consultor etc.); que o diretor não pode receber salário, mas empresa (especialmente cooperativa) da qual ele faça parte possa contratar com a entidade. Além de inúmeros outros subterfúgios que geram renda mensal para o dirigente não remunerado, quando não ilicitudes. Afirma que o CTN foi recepcionado pela CF, adquirindo status de lei complementar, a ela cabendo, "estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária" . Assim, os exigidos "requisitos da lei" seriam aqueles estabelecidos no art. 14 do CTN , dentre os quais não se encontraria a proibição de remuneração de quem presta serviço Assim, as imunidades tributárias, para serem reconhecidas, não necessitariam de outros atos por parte do Estado, tais como declaração de utilidade pública ou certificado de entidade beneficente ou filantrópica, bastando a comprovação do preenchimento dos requisitos acima mencionados e de só tais requisitos. Invoca a nulidade dos autos de infração pois, segundo alega, o fiscal autuante não teria sequer mencionado a infração e o dispositivo legal do benefício de isenção que a Entidade Recorrente teria descumprido e a fez perder o benefício Depois de colacionar estudos sobre os institutos da imunidade e da isenção, afirma ser nula a decisão que lhe suspendeu o benefício da isenção Consigna que o STF decidiu que as entidades sem fins lucrativos educacionais que atendam ao SUS, mas não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimentos a pessoas carentes, continuam gozando a isenção das contribuições para a seguridade social, inclusive da COFINS, independentemente de qualquer proporcionalidade. Invoca a decadência dos lançamentos de IRPJ, CSLL e COFINS, ao argumento de todos se ajustarem à sistemática do lançamento por homologação e assim, conseqüentemente, seriam colhidos pela mesma decadência que colheu o lançamento do PIS. Ao final pede pelo acolhimento do recurso e exoneração dos lançamentos. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 6 9 1 Preliminarmente 1.1 NULIDADE DOS AUTOS DE INFRAÇÃO Invoca, a recorrente, a nulidade dos autos de infração ao argumento de que a autoridade autuante não teria sequer mencionado a infração e o dispositivo legal do benefício de isenção que a Entidade Recorrente teria descumprido. Cumpre assinalar que os autos de infração se prestaram a constituir crédito tributário a favor da Fazenda Nacional, de tributos que deixaram de ser apurados e recolhidos pela entidade. Nos autos de infração, portanto, devem ser especificados os enquadramentos legais referentes às infrações tributárias específicas de cada tributo constituído. Dessa forma, o enquadramento legal da suspensão do benefício da isenção não deve ser consignado nos autos de infração, uma vez que não foi esse o instrumento que levou à suspensão do benefício. A isenção foi suspensa por ato do Delegado da DEFIS do Rio de Janeiro/RJ (fl. 631/632 do processo digital): DECIDO: Suspender a isenção do Imposto de Renda do interessado no ano de 2002, tendo em vista a improcedência das alegações apresentadas pela entidade, com base no artigo 32, §§3° e 10 da Lei n° 9.430/96 (correspondentes aos artigos 172, §3°, e 174, §5°, do Decreto n° 3.000/99) Na Representação Fiscal para Fins de Sanções Administrativas no Regime de Isenção Tributária, que serviu de base para edição do ato do Delegado da DEFIS/RJ constou que a recorrente teria descumprido, no ano de 2002, requisitos para o regime de isenção tributária descritos no art. 170, $ 3o. , incisos I e II do RIR/99 (fls. 6/7 p.d.): IIILÍCITO: Descumprimento dos requisitos descritos no art. 170 parágrafo 3o , incisos I e II do Decr. 3.000/99 , para o regime de isenção tributária (art. 174 do Decr. 3.000/99), pelo fato de ter constituído e mantido duas empresas com fins lucrativos e ter remunerado seus dirigentes e associados , conforme descrição constante no Termo de Notificação , cientificado ao contribuinte em 10/09/2007 , e que até a presente data não foi apresentada qualquer justificativa. Não havendo, portanto, qualquer irregularidade que determine a nulidade dos autos de infração, deve ser afastada a preliminar suscitada. 1.2 DECADÊNCIA A recorrente alega que as exigências de IRPJ, CSLL e COFINS foram colhidas pela decadência, da mesma forma que admitida pela turma Julgadora de 1a. instância, Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 pois a sistemática do lançamento por homologação se aplicaria indistintamente a todos os tributos lançados. Com efeito, tem razão a recorrente, no que toca a sistemática dos lançamentos. Todos os tributos exigidos no presente feito se submetem à sistemática do lançamento por homologação. O prazo decadencial do IRPJ e demais tributos federais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4o., a respeito de prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O IRPJ, dentre outros tributos, está sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Não basta, entretanto, a atribuição, ao sujeito passivo, pela legislação, do dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. Para que referido regra seja aplicada é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura IRPJ devido e nos casos em que apesar de apurar IRPJ devido, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 7 11 A interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), com efeitos de Repetitivo, julgado em 12 de agosto de 2009, no acórdão relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso a recorrente, por ter usufruído do benefício da isenção, não apurou nem pagou qualquer valor a título de IRPJ e de CSLL no anocalendário 2002. Também não apurou nem pagou qualquer valor a título de COFINS, pois as instituições sem fins lucrativos também são isentas dessa contribuição no tocante às receitas próprias. Diante da inexistência de pagamento, a regra de contagem do prazo decadencial é a geral, prevista no art. 173, I, ou seja, o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Relativamente aos tributos devidos no anocalendário 2002, o lançamento somente poderia ter sido efetuado a partir de janeiro de 2003. O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, então, é o 1o. de janeiro de 2004. Esse é o dies a quo do prazo de cinco anos que se exauriu em 31/12/2008. Considerando se que a ciência dos lançamentos ocorreu em 27/12/2007 concluiuse que não se operou a decadência em relação ao IRPJ, CSLL e COFINS. 2 Mérito 2.1 SUSPENSÃO DO BENEFÍCIO DA ISENÇÃO A recorrente teve suspenso o gozo do benefício da isenção por descumprir requisitos legais necessários à sua fruição. Contudo, alega ter direito ao gozo da imunidade tributária prevista na Constituição Federal nos artigos 150, inciso VI, alínea “c” e 195, parágrafo 7o, por considerarse uma instituição de educação sem fins lucrativos e de assistência social. Vejamos os dispositivos constitucionais que asseguram o benefício: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e ao Municípios: ... VI – instituir impostos sobre: Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 8 13 ... c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: ... § 7o. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências previstas em lei. (*) destaques acrescidos Vêse, pois, que a imunidade prevista no artigo 150, VI, “c” da CF é exclusiva para impostos, enquanto que a imunidade do artigo 195, § 7o é dirigida às contribuições sociais. Cumpre assinalar, inicialmente, o que se considera instituição de educação sem fins lucrativos e entidade beneficente de assistência social e as diferenças entre elas. São instituições de educação sem fins lucrativos todas aquelas entidades que prestam serviços de ensino em qualquer grau e em qualquer área do conhecimento humano, com vistas a promover os fins elencados no artigo 205 da CF: Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho A imunidade prevista para esse tipo de instituição é aquela descrita no art. 150, VI, “c” da CF e foi instituída pelo Poder Constituinte originário porque a educação é reconhecida, pelo art. 205, como direito público subjetivo do cidadão, além de ser um pilar para a construção da sociedade idealizada pelo artigo 3o. da Magna Carta. De outro lado o conceito de entidade beneficente de assistência social é muito mais amplo, não se confundindo com o conceito de instituição de educação sem fins lucrativos. A entidade beneficente de assistência social é aquela que presta serviços relevantes, de cunho social, à parcela carente da população. Pode prestar qualquer tipo de serviço de natureza social, como por exemplo, nas áreas de saúde, educação, espiritual, dentre outras. A assistência social está assim prevista na CF, art. 203: Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente da contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; III a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispuser a lei. Assim, para que uma instituição de educação sem fins lucrativos seja, ao mesmo tempo, uma entidade beneficente de assistência social que preste serviços na área de educação é necessária a presença do caráter gratuito dos serviços prestados. Tal caráter, contudo, não se encontra presente no estatuto social da entidade. Vejamos, a propósito, o que é previsto como objetivo social no estatuto: "Artigo 3o. A SBAC tem por objetivos: a) congregar os profissionais de nível universitário, que se dediquem às análises clinicas; b) amparar e defender os legítimos interesses de seus associados, amparandoos pelo simples ato de filiação, independente de outorga específica, junto aos órgãos federais, estaduais e municipais, bem como para os efeitos do inciso XXI do artigo 5o. da Constituição da República Federativa do Brasil; c) promover e incentivar o desenvolvimento técnicocientífico no campo das análises clínicas, controle e gestão de qualidade; d) promover a realização de cursos, conferências, mesas redondas, simpósios, jornadas e congressos nacionais e internacionais sobre análises clinicas, de controle e gestão de qualidade; e) divulgar em revista própria ou outros veículos, qualquer assunto de interesse das análises clínicas e controle e gestão da qualidade; f) orientar a preparação, atualização e seleção dos profissionais e seus auxiliares nas áreas de análises clínicas, de controle e gestão da qualidade; g) manter intercâmbio cultural, profissional, técnicocientífico e social com entidades congêneres do pais e do exterior; h) realizar e estimular a pesquisa nas análises clínicas, de controle e gestão da qualidade podendo conferir diplomas e certificados; i) outorgar Título de Especialista em Análises Clínicas (TEAC) aos profissionais que preencham os requisitos exarados em regulamento próprio; j) colaborar com os órgãos públicos Federais, Estaduais e Municipais no âmbito de suas atividades; k) promover ou coordenar programas e gestão de qualidade, destinados aos laboratórios de Análises Clínicas no país, e órgãos prestadores de serviços de saúde; I) criar e administrar empresas mantidas, destinadas aos programas constantes dos objetivos da sociedade; e m) capacitarse através da Unidade Mantida como organismo de acreditação, gerenciamento e de certificação da qualidade, em conformidade com normas regulamentadoras estabelecidas, nacionais e internacionais para Laboratórios de Análises Clínicas e órgãos prestadores de serviços de saúde. " A instituição de educação sem fins lucrativos possui enorme relevância social porque fomenta atividades essenciais ao desenvolvimento do país, daí a imunidade prevista no artigo 150, VI, ;”c” da CF. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 9 15 Por sua vez, a entidade beneficente de assistência social que presta serviços de educação possui uma relevância social ainda maior, uma vez que, além de fomentar atividades na valiosa área da educação, ainda o faz em caráter de beneficência, qual seja, de forma gratuita, para atender à população de baixa renda, daí a imunidade prevista no artigo 195, § 7o., da CF. Portanto, pelos atos constitutivos da entidade recorrente, não se vislumbra o caráter assistencial necessário à qualificação da imunidade constitucional reclamada. A entidade era agraciada, em verdade, com o benefício da isenção, previsto no Código Tributário Nacional: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; ... Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. ... (*) destaques acrescidos Ocorre que para gozo ou fruição do benefício da isenção é necessário que a entidade beneficiária cumpra determinados requisitos previstos em lei. O mesmo se dá em relação ao benefício constitucional da imunidade. Tanto o artigo 150, VI “c”, como o artigo 195, § 7o, ambos da CF, que estabelecem o benefício da imunidade, e o artigo 176 do CTN que prevê o benefício da isenção, determinam que para gozo de qualquer dos benefícios as entidades devem “atender os requisitos ou exigências da lei” Tratandose, pois, o caso, do benefício da isenção, e, embora possa tornar o presente voto extenso e cansativo, convém transcrever os dispositivos legais que emolduram a matéria. A isenção das associações civis sem fins lucrativos remonta ao tempo da edição do Decretolei n º 5.844, de 1943, que estabelece, em seu artigo 28: DecretoLei nº 5.844, de 1943 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 Art. 28 Estão isentas do imposto de renda: (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997) a) as sociedades e fundações de caráter beneficente, filantrópico, caritativo, religioso, educativo, cultural, instrutivo, científico, artístico, literário, recreativo e esportivo; (..). Art. 29. As isenções de que trata o artigo anterior serão reconhecidas mediante requerimento das interessadas, provando: a) personalidade jurídica; b) finalidade; c) natureza das atividades; d) caráter dos recursos e condições em que são obtidos; e) aplicação integral dos lucros na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais. Por sua vez, esta é a redação do art. 30 da Lei nº 4.506, de 1964, dispositivo que enumera os requisitos para a fruição da isenção do IRPJ pelas entidades referidas no artigo 28 do Decretolei nº 5.844, de 1943: Lei nº 4.506, de 1964. Art. 30. As sociedades, associações e fundações referidas nas letras a e b do art. 28 do Decretolei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, gozarão de isenção do imposto de renda, desde que: I Não remunerem os seus dirigentes e não distribuam lucros, a qualquer título; II Apliquem integralmente os seus recursos na manutenção e desenvolvimento, dos objetivos sociais; III Mantenham escrituração das suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; IV Prestem à administração do imposto as informações determinadas pela lei e recolham os tributos arrecadados sobre os rendimentos por elas pagos. § 1º As pessoas jurídicas referidas neste artigo que deixarem de satisfazer às condições constantes dos itens I e II perderão, de pleno direito, a isenção. § 2º ........................................... § 3º Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a administração do imposto suspenderá, por prazo não superior a dois anos, a isenção de pessoa jurídica prevista neste artigo que for coautora de infração a dispositivo da legislação sobre imposto de renda, especialmente no caso de informar ou declarar recebimento de contribuição em montante falso ou de outra forma cooperar para que terceiro sonegue impostos. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 10 17 § 4º Nos casos do parágrafo anterior, se a pessoa jurídica reincidir na infração a autoridade fiscal suspenderá sua isenção por prazo indeterminado. (destacamos). Fica claro, portanto, que já há bastante tempo, ainda sob a égide da Lei nº 4.506, de 1964, era requisito fundamental para a fruição da isenção do IRPJ que as associações civis sem fins lucrativos não remunerassem seus dirigentes sob qualquer título e mantivessem a escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades legais, a fim de assegurar a exatidão desses registros. Essa situação não se modificou com a evolução da trama legislativa. Agora, sob a égide da Lei nº 9.532, de 1997, o art. 15 desse diploma legal concede isenção de IRPJ e de CSLL às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e às associações civis que coloquem os serviços para os quais houverem sido instituídas à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, desde que cumpridos os requisitos nele estabelecidos. Esse artigo faz remissão aos artigos 12, 13 e 14 da própria Lei nº 9.532, de 1997, razão porque todos eles são a seguir reproduzidos: Lei nº 9.532, de 1997: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea ‘c’, da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 18 f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos calendário em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido , observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas ‘a’ a ‘e’ e § 3° e dos arts. 13 e 14. § 4º O disposto na alínea ‘g’ do § 2º do art. 12 se aplica, também, às instituições a que se refere este artigo.” (Parágrafo revogado pelo art. 18, IV, da Lei nº 9.718, de 1998.) Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 11 19 (destaquei) No Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), a isenção dessas entidades está regulada nos arts. 170, §§ 2º e 3º, incisos I a V, 172, 174 e 181, tendo por base esses mesmos artigos da Lei nº 9.532, de 1997. Assim, essencial ao gozo do benefício da isenção a não remuneração de seus dirigentes. E não há dúvidas de que a entidade remunerou seus dirigentes. Esse fato foi admitido pela própria defesa que afirmou que a instituição pagou “bolsas de estudo e pesquisa para participação em congressos, especializações e aperfeiçoamento técnico e alguns pagamentos por serviços prestados”. Como se viu, pouco importa a que titulo seja feita a remuneração. A Lei não faz qualquer distinção nesse sentido. E de mais a mais, pagamentos de bolsas de estudo ou para participação em congressos é forma de remuneração, ainda que indireta. Mas a entidade admitiu que também efetuou pagamentos por serviços prestados. Portanto, deixou de observar o primeiro dos requisitos que lhe permitiriam usufruir do benefício da isenção: não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados (art. 12, § 2º, “a” da Lei n º 9.532, de 1997). Todas as considerações aqui feitas em referência à isenção do IRPJ são igualmente válidas para a CSLL, em atendimento ao disposto no § 1º do artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Deve ser mantida, portanto, a suspensão do gozo do benefício da isenção de que usufruía a entidade. As entidades que usufruem do benefício da isenção por se enquadrar nos ditames dos artigos 12 e 15 da Lei n º 9.532, de 1997, também são isentas da COFINS, desde que também respeitem os requisitos estabelecidos naquele mesmo diploma legal. Uma vez constatada a inobservância de qualquer dos requisitos, perdem a isenção à contribuição, da mesma forma como ocorre com o IRPJ e a CSLL e, no caso em apreço, a recorrente também perdeu o benefício da isenção da COFINS. A alegação de que o STF decidiu que as entidades sem fins lucrativos educacionais que atendam ao SUS, mas não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimentos a pessoas carentes, continuam gozando a isenção das contribuições para a seguridade social, inclusive da COFINS, independentemente de qualquer proporcionalidade não se aplica ao caso da recorrente que não presta qualquer tipo de serviço ao SUS. 2.2 AUTOS DE INFRAÇÃO Em razão da suspensão do gozo da isenção fiscal, a recorrente se sujeita às mesmas regras de apuração e pagamento de tributos impostas às demais sociedades em geral, ou seja, sujeitase a apuração de seus resultados de acordo com as regras do lucro real, devendo manter e apresentar a autoridade fiscal escrituração contábil de acordo com as leis comerciais e fiscais. Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 20 Intimada a recorrente apresentou sua escrituração. Mas a escrituração apresentada continha deficiências que prejudicaram a apuração do IRPJ e da CSLL pelas regras do lucro real. Nesse sentido, a entidade não possuía nenhum controle dos bens móveis e imóveis que integravam o seu patrimônio e tal fato foi admitido pelo próprio presidente da entidade, em resposta às solicitações da auditoria fiscal, conforme fl. 17 do Anexo I do processo administrativo de n° 18471.001492/200754 , em apenso: Em resposta ao Termo de Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos n º 001, informamos que por desconhecimento da necessidade de declarar os bens móveis e imóveis, os mesmos não foram declarados. Não tendo sido informado pelo contador, sobre tal necessidade. A assertiva foi confirmada pelo contador e procurador da entidade, conforme fl. 20 do Anexo III do processo administrativo de n° 18471.001492/200754, em apenso: Os Balanços Patrimoniais constantes das Declarações de Rendimentos da Sociedade não apresentavam quaisquer bens móveis e imóveis, por inobservância por parte do contador. Como bem ressaltou a Turma Julgadora de 1a. Instância, a falta de controle contábil sobre os bens do ativo permanente, além de ocultar as baixas, as aquisições e as transferências patrimoniais, mascara as movimentações financeiras decorrentes de tais operações e impossibilita, também, a verificação de eventuais ganhos e perdas de capital, e o próprio cálculo das despesas com depreciação, inviabilizando, dessa forma, a apuração do lucro real. Tendo em conta que a Turma Julgadora de 1a. Instância já efetuou os devidos ajustes nas receitas submetidas à tributação e aos percentuais do arbitramento do lucro exonerando os valores indevidamente exigidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e, considerando que a recorrente não questionou especificamente qualquer dos ajustes efetuados, devem ser mantidas as exigências remanescentes. Em razão de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 972DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 18471.002180/200768 Acórdão n.º 1801002.007 S1TE01 Fl. 12 21 Fl. 973DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 07/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10850.909110/2011-42
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 09 11 0/ 20 11 -4 2 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909110/201142 Resolução nº 3801000.714 S3TE01 Fl. 127 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Pedido de Restituição de créditos de Cofins, referentes a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração fevereiro de 2002, no valor de R$ 1.029,59.. O pedido foi transmitido através do PER nº 14884.62871.071206.1.2.040541, fls. 2/4, em 07/12/2006.. O despacho decisório de fls. 5, indeferiu o pedido, pois o pagamento indicado no PER teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O despacho foi encaminhado para ciência do contribuinte, conforme comprovante constante à fl. 6. Irresignado, o recorrente apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 7/15, para alegar que: I. O Despacho Decisório não teria examinado o motivo real dos recolhimentos a maior, por não ter aventado a possibilidade de que tais pagamentos seriam devido à ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins de que trata a Lei nº 9.718/98; dessa forma, deveria ser reformado, em desrespeito ao artigo 65 da IN RFB nº 900/2008, e ao artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN; II. O pagamento indevido, objeto da restituição, seria devido à inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins; a discussão de tal matéria estaria superada pelo STF, pois já teria sido aplicada a repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008; III. Outra prova da pacificação de tal entendimento seria a edição da Lei nº 11.941/2009, que teria revogado o parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98; IV. O entendimento do STF deveria ser aplicado às decisões administrativas, conforme os seguintes dispositivos: inciso I do parágrafo 6º, do artigo 26A, do Decreto nº 72.235/72 – PAF; inciso I, do artigo 59, do Decreto n° 7.574/2011; inciso I, parágrafo 1º, do artigo 62 e caput do artigo 62A., ambos do RICARF; Concluiu argumentando que na base de cálculo do PIS e da Cofins deveriam ser incluídos os valores correspondentes apenas às receitas de vendas de mercadorias e serviços. Solicitou comprovar as alegações através da realização de diligência, perícia e juntada de documentos. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909110/201142 Resolução nº 3801000.714 S3TE01 Fl. 128 3 Requereu ainda a reunião dos processos elencados na manifestação de inconformidade, já que teriam as mesmas partes e tratariam de matéria idêntica. Apensou planilha e balancete contendo as receitas financeiras da empresa (fls. 39/40). A Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado, em momento anterior, para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2002 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação e juntando documentação comprobatória. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909110/201142 Resolução nº 3801000.714 S3TE01 Fl. 129 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A questão posta em discussão cingese ao direito ao crédito de COFINS pago com base no art. 3º, § 1, da Lei n° 9.718, de 1998, que foram posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Preliminarmente, entendo que deve ser considerada a documentação comprobatória apresentada em sede de Recurso Voluntário, que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, em obediência aos princípios da ampla defesa e da verdade material, conforme entendimento prevalente nesse colegiado e que foram juntadas em complemento aos documentos comprobatórios apensados anteriormente, os quais, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No mérito, vejamos o alegado: A Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e Fl. 129DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909110/201142 Resolução nº 3801000.714 S3TE01 Fl. 130 5 faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. No mais, o STF, no julgamento do RE nº 585.235, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Segue a ementa, in verbis: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.909110/201142 Resolução nº 3801000.714 S3TE01 Fl. 131 6 Atentese que em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, essa discussão deixou de ser pertinente, vez que as normas em questão instituíram nova base de cálculo, desta feita com amparo na Constituição Federal, pela redação da Emenda Constitucional 20, de 1998. Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), verificase que outras receitas compuseram a base de cálculo da contribuição COFINS em desacordo com o conceito de faturamento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Com efeito, é incontroverso o bom direito da recorrente em relação aos recolhimentos à título de Cofins no período de apuração apontado no pedido de restituição, tendo em vista que esse litígio administrativo tem como objeto principal a restituição de contribuição paga a maior com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins). Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, Constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar a correta composição da base de cálculo da contribuição da Cofins e eventuais pagamentos a maior. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem: a) apure a composição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com base na documentação apresentada e na escrita fiscal e contábil, relativo aos períodos de apuração apontados nos pedidos de restituição, e a correção dos valores inicialmente pleiteados correspondentes à indevida ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 131DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10380.730693/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
OPTANTE DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO SEM NOTIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA OPÇÃO.
Da consulta ao Portal do Simples Nacional, confirmou-se que o contribuinte não era optante do Simples Nacional, quer no período fiscalizado, quer em períodos anteriores. Assim também, não cabe a esta corte a análise do mérito da exclusão do Simples. O contribuinte é sim sujeito passivo das obrigações tributárias.
BOLSAS DE ESTUDO DEPENDENTES. FATO GERADOR PARA A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Devida a contribuição previdenciária, vez que as utilidades (no caso, "bolsas de estudo" concedidas não apenas a funcionários e professores, mas também, a dependentes deles) e seus respectivos valores representam auxílio-financeiro decorrente de relação de emprego, não motivado em educação básica ou aperfeiçoamento do empregado.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
AUTUAÇÃO RELATIVA AO 13° SALÁRIO.INCIDÊNCIA DA MULTA
a alegação genérica do contribuinte de que recolheu todas as contribuições devidas como optante pelo Simples não afasta a ocorrência do fato gerador, pois, como verificado pela fiscalização, a empresa não declarava na GFIP toda a sua folha de pagamento, e o objeto do lançamento é justamente a divergência entre a folha de pagamento e a GFIP. Quanto à competência 13/2010. Porquanto, a Autuação relativa ao 13° salário e a multa aplicada são procedentes.
NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IMPORTANTES. OMISSÃO. MULTA CABÍVEL.
A materialidade da infração está circunstanciada pelos fatos descritos no Relatório Fiscal, e, em face da ausência de provas do alegado pelo contribuinte.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.184
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário considerando que o contribuinte não é optante do SIMPLES , que os valores pagos a título de Bolsa de Estudo integram o salário de contribuição e para manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns° 51.012.513-1, 51.012.514-0, 51.012.515-8, 51.012.516-6, 51.012.517-4 e 51.012.518-2.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 OPTANTE DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO SEM NOTIFICAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS DA OPÇÃO. Da consulta ao Portal do Simples Nacional, confirmouse que o contribuinte não era optante do Simples Nacional, quer no período fiscalizado, quer em períodos anteriores. Assim também, não cabe a esta corte a análise do mérito da exclusão do Simples. O contribuinte é sim sujeito passivo das obrigações tributárias. BOLSAS DE ESTUDO DEPENDENTES. FATO GERADOR PARA A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Devida a contribuição previdenciária, vez que as utilidades (no caso, "bolsas de estudo" concedidas não apenas a funcionários e professores, mas também, a dependentes deles) e seus respectivos valores representam auxíliofinanceiro decorrente de relação de emprego, não motivado em educação básica ou aperfeiçoamento do empregado. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. AUTUAÇÃO RELATIVA AO 13° SALÁRIO.INCIDÊNCIA DA MULTA a alegação genérica do contribuinte de que recolheu todas as contribuições devidas como optante pelo Simples não afasta a ocorrência do fato gerador, pois, como verificado pela fiscalização, a empresa não declarava na GFIP toda a sua folha de pagamento, e o objeto do lançamento é justamente a divergência entre a folha de pagamento e a GFIP. Quanto à competência 13/2010. Porquanto, a Autuação relativa ao 13° salário e a multa aplicada são procedentes. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS IMPORTANTES. OMISSÃO. MULTA CABÍVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 06 93 /2 01 2- 37 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 3 2 A materialidade da infração está circunstanciada pelos fatos descritos no Relatório Fiscal, e, em face da ausência de provas do alegado pelo contribuinte. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescindese de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário considerando que o contribuinte não é optante do SIMPLES , que os valores pagos a título de Bolsa de Estudo integram o salário de contribuição e para manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns° 51.012.5131, 51.012.5140, 51.012.5158, 51.012.5166, 51.012.5174 e 51.012.5182. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.012.5131,: lavrado em 23/10/2012, em face de K. R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP., no valor de R$ 16.579,70 (dezesseis mil, quinhentos e setenta e nove mil e setenta centavos), referente à contribuições previdenciárias dos segurados empregados, descontadas e não repassadas à Seguridade Social em época própria, abrangendo as competências 02/2010 a 05/2010, 10/2010 e 13/2010. Consoante o Relatório Fiscal da Infração, tais valores foram apurados mediante comparação entre os valores constantes da folha de pagamento e os declarados em GFIP. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 4 3 Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 52.012.5140, em face de K. R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP, lavrado em 23/10/2012, no valor de R$ 12.918,27 (doze mil, novecentos e dezoito reais e vinte e sete centavos), referente a contribuições previdenciárias (parte segurados) incidentes sobre as remunerações, pagas ou creditadas aos segurados empregados, tendo como base de cálculo as bolsas de estudos concedidas aos professores. Segundo Relatório Fiscal, tal levantamento foi feito por aferição indireta, posto a não apresentação de documentação que demonstrasse os valores corretos das bolsas concedidas no ano de 2010. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 51.012.5158, em face de K. R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP, lavrado em 23/10/2012, no valor de R$ 616.092,91 (seiscentos e dezesseis mil, noventa e dois reais e noventa e um centavos), referente às contribuições previdenciárias, parte patronal, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que prestaram serviços ao Autuado. Informa o relatório fiscal que o referido auto de infração é integrado pelos levantamentos A – Folha de pagamento declarada em GFIP, F – Folha de pagamento não declarada em GFIP e BO – Bolsa de estudo concedida a filhos de professores empregados do Autuado. Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal DEBCAD n° 51.012.5166, em face de K. R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP, lavrado em 23/10/2012, no valor de R$ 129.663,68 (cento e vinte e nove mil, seiscentos e sessenta e três mil e sessenta e oito centavos), referente a contribuições previdenciárias destinadas a terceiros. E mais, tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 51.012.5174, em face de K. R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP, lavrado em 23/10/2012, no valor de R$ 16.170,98 (Dezesseis mil, cento e setenta reais e noventa e oito centavos) relativo à multa por deixar a empresa de apresentar quaisquer documentos ou livros relacionados com a contribuição previdenciária. Por fim, tratase Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 51.012.5182, em face de K. R. ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL S/C LTDA EPP, lavrado em 23/10/2012, no valor de R$ 1.617,12 (um mil, seiscentos e dezessete reais e doze centavos) referente à multa por deixar a empresa de preparar folha de pagamento com todos os segurados a seu serviço. Apresentada impugnação pela empresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUSÊNCIA DE OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. Constatado que o contribuinte não é optante pelo Simples Nacional, não faz jus ao tratamento jurídico tributário previsto na Lei Complementar nº 123, de 2006. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os pagamentos legalmente considerados como salário de contribuição, para fins previdenciários, compõem a base de cálculo da contribuição à Seguridade Social. BOLSA DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A bolsa de estudo concedida aos filhos e dependentes do empregado não está fora do campo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 LIVROS RELACIONADOS COM CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. NÃO EXIBIÇÃO OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. Constitui infração deixar a empresa de exibir livros relacionados com as contribuições sociais previdenciárias, ou apresentálos de maneira deficiente. AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO INCLUSÃO DE REMUNERAÇÃO EM FOLHADEPAGAMENTO. Constitui infração à legislação previdenciária, deixar a empresa de incluir em folha de pagamento todos os valores de remunerações pagas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE INEXISTENTE. O Auto de Infração e seus anexos discriminam de forma clara os fatos geradores, as bases de cálculo, as contribuições devidas, os períodos a que se referem e os fundamentos legais das contribuições lançadas, não havendo que se falar em nulidade. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 6 5 PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. PERÍCIA. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindo se a entender desnecessária, protelatória ou impraticável, ou ainda, não conhecê lo quando o requerimento não preencher os requisitos legais. ENDEREÇO PARA CIÊNCIA POSTAL. PREVISÃO LEGAL. A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. Inexiste previsão legal para envio ao endereço do procurador. SUSTENTAÇÃO ORAL. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Nos termos da legislação processual administrativa fiscal, a sustentação oral só é cabível em segunda instância, perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a Empresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese que: a) deve ser declarado nulo o Auto de Infração, haja vista que a empresa não foi notificada da exclusão do simples Nacional, e, sendo assim, o procedimento adotado por ela para o recolhimento das obrigações tributárias foi o legalmente previsto para as empresas optantes do Programa aqui referido. Agiu, porquanto, corretamente, adimplindo suas obrigações fiscais; b) A Lei 12.531/11 deve ser aplicada, na medida em que ela não traz fato novo, mas, tão somente, esclarece a composição da base de cálculo das contribuições; c) As bolsas de estudo concedidas a filhos e dependentes de empregados não constituem salário in natura, ou qualquer tipo de remuneração. Não devem, pois, ser consideradas fato gerador para a incidência de contribuições previdenciárias A própria Lei 10.243, em seu art. 2°, ao dar nova redação ao art. 458 da CLT as exclui daquilo que constitui salário; d) O Auditor fiscal se utilizou da aferição indireta de maneira indevida, vez que o contribuinte forneceu toda documentação solicitada; e) Improcedente é a Autuação relativa ao 13° salário, e a multa aplicada, posto que, embora não se tenha informado os valores referentes ao 13° Fl. 184DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 7 6 salário em GFIP, esses foram recolhidos, conforme as regras para os optantes do Simples Nacional; f) Há que se considerar que, sendo optante do Simples Nacional, o único livro obrigatório é o Livro Caixa, contudo, a recorrente foi erroneamente autuada por não ter apresentado o Livro Diário, o Livro Razão, Recibos de pagamento de Autônomos, etc. e não ter preparado folha de pagamento com todos os seus segurados a seu serviço. Ademais, incompreensível se faz a alegação de que não houve a inclusão da folha de pagamento das retiradas de prólabore dos sócios e remunerações, haja vista que as folhas de pagamento apresentam todos os dados e valores. A empresa pugnou, ainda, que, no caso de não serem aceitas as argumentações acima, seja o julgamento convertido em diligência e determinado o exame pericial na documentação fiscal, bem como pleiteou a Sustentação Oral de suas razões. Sem contrarazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da Alegação de Não Cientificação do Ato de Exclusão do Simples Nacional. Aduz o contribuinte, em preliminar, que não foi cientificado do ato de exclusão do Simples Nacional, motivo pelo qual, no período lançado, procedeu ao recolhimento das obrigações tributárias conforme a previsão legal para as empresas optantes pelo Simples. Em face disso, defende que não há que se falar em ausência de recolhimento de contribuições patronais e de terceiros, porquanto efetuou o recolhimento corretamente. Tais alegações não merecem prosperar, pelos motivos a seguir expostos: Primeiramente, da consulta ao Portal do Simples Nacional, confirmouse que o contribuinte não era optante do Simples Nacional, quer no período fiscalizado, quer em períodos anteriores, e, compulsando os autos, verificase que nada há que reste comprovado o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 8 7 contrário. Não se pode, portanto, aduzirse pela falta de notificação da exclusão de situação que sequer provese ter ocorrido. De outra parte, ainda que prosperasse a irresignação, não caberia a esta corte a análise do mérito da exclusão do Simples, vez que a competência para excluir de ofício ME ou EPP do Simples Nacional é da RFB e das Secretarias de Fazenda ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento, e, tratando se de prestação de serviços incluídos na competência tributária municipal, a competência será também do respectivo Município. Ademais, avultase que do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006, será notificado ao contribuinte (art. 29, parágrafo 8º), o qual, desejando, e, desde que cumpridos os prazos legais, dentre eles a tempestividade, estabelecidos pelo Decreto nº 70.235, de 1972, poderá instaurar o contencioso administrativo, mediante a apresentação de manifestação de inconformidade, oportunidade em que deverá expor e comprovar as razões do seu inconformismo junto ao ente que indeferiu sua inscrição, onde também deve ser analisado eventual inobservância quanto à formalidade na cientificação do ato. Desta feita, o contribuinte é sim sujeito passivo das obrigações tributárias previdenciárias em análise, dentre telas, as contribuições devidas pela empresa (parte patronal) e para as Terceiras Entidades, incidentes sobre as diferenças de remuneração apuradas pela fiscalização, objeto das autuações em análise. Das Bolsas de Estudo como Fato Gerador para a incidência de contribuições previdenciárias (DEBCAD nº 51.012.5140, 51.012.5158 e 51.012.5166 – Levantamento BO – Bolsa de Estudo) Alega a recorrente que as bolsas de estudo, concedidas a filhos e dependentes de empregados, não constituem salário in natura ou qualquer tipo de remuneração, não devendo, pois, ser consideradas fato gerador para a incidência de contribuições. Em que pese a irresignação da recorrente, razão não lhe assiste. É bem verdade que a legislação previdenciária afasta da incidência da contribuição social valores pagos em planos educacionais, porém quando se referir à educação básica ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, e desde que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Isso é o que preceitua o artigo 28, inciso I e § 9º, alínea “t”, da Lei nº 8.212/1991: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 9 8 [...] §9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Dito de outra forma, o dispositivo legal, vigente à época dos fatos ora tratados, prevê que despesas com educação e capacitação são inerentes a segurados empregados e dirigentes, e não integram o salário de contribuição apenas quando não sejam utilizados em substituição de parcela salarial, e desde que todos tenham acesso. Não se identifica, na regra, extensão aos benefícios análogos concedidos aos filhos e familiares dos empregados e dirigentes. O "auxílioeducação" pago pela empresa que não pode ser tributado pela contribuição patronal é somente aquele pago pelo empregador diretamente a quem presta ensino ao empregado, ou sob a forma de reembolso, quando relativo à educação básica ou se se reverte em aperfeiçoamento do trabalhador. O que se prestigia para fins de tributação é o investimento feito pela empresa na qualificação dos seus empregados, e não, ao contrário do que supõe a recorrente, a formação educacional dos seus dependentes. Avultase, no presente caso, que não se trata de plano educacional que visa à educação básica, nem tampouco de curso de capacitação e qualificação profissional do próprio empregado, cogitados no artigo suso transcritos como capítulos que não integram o saláriode contribuição. Assim sendo, a concessão de bolsas de estudos aos funcionários, professores e dependentes destes, por parte da recorrente, é um meio de retribuição financeira aos seus empregados, uma vez que o recebimento do auxílio faz com que o funcionário evite um gasto a mais em seu orçamento. Não implicam em qualquer vantagem para o empregador, mas apenas para os seus empregados, constituindo, portanto, salárioutilidade. A recorrente aduz, também, que a Lei 12.531/11 deve ser aplicada ao caso, na medida em que ela não traz fato novo, mas, tão somente, esclarece a composição da base de cálculo das contribuições. Todavia, em que pese o artigo transcrito acima tenha sido alterado pela Lei nº 12.513, de 2011, passando a excluir da base de cálculo do lançamento o pagamento de “valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de seus empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996”. No entanto, não cabe aplicação retroativa desse dispositivo legal para os fatos geradores lançados,já que não se trata de nenhuma das hipótese alcançada pelo art. 106 do Código Tributário Nacional1, que trata da retroatividade da lei, in verbis: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 10 9 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. De todo o exposto, concluise ser devida a contribuição previdenciária, vez que aquelas utilidades (no caso, "bolsas de estudo" concedidas não apenas a funcionários e professores, mas também, a dependentes deles) e seus respectivos valores representam auxílio financeiro decorrente de relação de emprego, não motivado em educação básica ou aperfeiçoamento do empregado. Da Regular Aferição Indireta – Levantamentos BO Aduz o contribuinte que o Auditor fiscal se utilizou da aferição indireta de maneira indevida, vez que ele forneceu toda documentação solicitada Todavia, o Relatório Fiscal deixa claro que tal procedimento decorreu da não apresentação da contabilidade ou de outro documento que demonstrasse os valores corretos das bolsas de estudos concedidas no ano de 2010. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil,o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que reputar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art.148 do CTN, do qual o art. 33, §§3º, 4ºe 6° da Lei n° 8.212/91 são corolários: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 11 10 a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Lei 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Porquanto, os lançamentos feitos por aferição indireta do salário de contribuição, repetindo em 2010 os valores levantados pela fiscalização anterior para o ano de 2009, estão fundamentados nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, os quais autorizam a fiscalização a proceder o arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa de apresentação ou apresentação deficiente da documentação necessária. Da Autuação relativa ao 13° salário, e multa aplicada Aduz a recorrente ser improcedente a Autuação relativa ao 13° salário, e a incidência da multa disso decorrente, posto que, embora não se tenha informado os valores referentes ao 13° salário em GFIP, esses foram recolhidos, conforme as regras para os optantes do Simples Nacional Não obstante tal alegação, contribuinte não apresentou documentos comprobatórios de que efetuou o recolhimento. Ademais, Verificase pelo DD do AI DEBCAD nº 51.012.513 1, que a ausência de repasse das contribuições descontadas dos segurados empregados se verificou nas competências 02/2010, 03/2010, 05/2010, 10/2010 e 13/2010. O Fl. 189DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 12 11 fato gerador, consoante item 17.2 do REFISC, foi apurado no comparativo entre os valores constantes na folha de pagamento com os valores declarados na GFIP. Assim também, a alegação genérica do contribuinte de que recolheu todas as contribuições devidas como optante pelo Simples não afasta a ocorrência do fato gerador, pois, como verificado pela fiscalização, a empresa não declarava na GFIP toda a sua folha de pagamento, e o objeto do lançamento é justamente a divergência entre a folha de pagamento e a GFIP. Quanto à competência 13/2010. Porquanto, a Autuação relativa ao 13° salário e a multa aplicada são procedentes. Da Não Apresentação de Documentos DEBCAD nº 51.012.5174 (AI 38) e DEBCAD N° 51.012.5182 (AI 30) Segundo o Relatório Fiscal, o contribuinte deixou de apresentar, para o período de 01/2010 a 12/2010, o Livro Diário, o Livro Razão, Recibos de Pagamento de Autônomos – RPA e a relação por professor com filho(s) bolsista(s), por competência, com os respectivos valores das bolsas concedidas pela empresa. Deixou, também, de preparar as folhas de pagamento com todos os segurados a seu serviço, no período de 01/2010 a 12/2010 com todos os segurados a seu serviço, e, não incluiu na folha de pagamento as retiradas de prólabore dos sócios e remunerações. O contribuinte contesta expressamente as infrações, afirmando: I) que, sendo optante do Simples Nacional, o único livro obrigatório é o Livro Caixa, II) ter preparado folha de pagamento com todos os seus segurados a seu serviço. III) houve a inclusão da folha de pagamento das retiradas de prólabore dos sócios e remunerações, haja vista que as folhas de pagamento apresentam todos os dados e valores. Primeiramente, a empresa tem o dever legal de apresentar à Fiscalização, quando solicitada, os livros e documentos obrigatórios relacionados às contribuições previdenciárias, conforme previsto no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212/1991, in verbis: Lei nº 8.212/91: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/7/2001) (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 13 12 síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) De acordo com o Termo de Início de Procedimento Fiscal, o sujeito passivo foi intimado a apresentar documentos, dentre eles o Livro Diário, Livro Razão e Recibos de Pagamento de Autônomos. Inferese dos autos e do relato da fiscalização, que o contribuinte não apresentou a documentação mencionada. No que concerne a relação de professores com filhos bolsistas, registra o REFISC que o contribuinte apresentou, apenas, cópias de correspondências enviadas a professores, onde consta o nome do filho bolsista e extrato com os valores pagos, que alega tratarse de matrícula correspondente a 10% da anuidade e que o restante da anuidade seria o valor da bolsa, todavia, o fiscalizado não concordou em prestar por escrito tal situação. Desta feita, compulsando os autos, vêse que a alegação genérica de que não deixou de apresentar qualquer documentação à fiscalização, não se coaduna com a realidade, ainda mais que desacompanhada de qualquer prova nesse sentido. Em se tratando dos livros fiscais, o contribuinte não contrapõe a informação de que não apresentou os Livros Diário e Razão, tão somente afirma que como empresa optante pelo Simples Nacional, o único livro obrigatório, dentre os solicitados pelo Agente Fiscal, é o Livro Caixa. Ocorre que, como já mencionado nesse voto, a empresa não era optante do Simples Nacional no período lançado, estando obrigada a apresentar a escrituração contábil conforme solicitado pela Fiscalização. Portanto, deve ser mantido o presente auto de infração. Sobre a alegação de que as folha de pagamento apresentam todos os dados e valores, esta também não merece êxito, posto que, segundo as provas dos autos, o contribuinte sequer apresentou as folhas de pagamento contemporâneas à data da fiscalização, contemplando a remuneração de todos os segurados a seus serviços, especialmente as remunerações de contribuintes individuais autônomos e o pró labore pago aos sócios. Outrossim, de acordo com o Relatório Fiscal, essas remunerações foram declaradas na GFIP, contudo, não integraram a folha de pagamento, ensejando a lavratura do auto de infração por descumprimento dessa obrigação acessória. Portanto, a materialidade da infração está circunstanciada pelos fatos descritos no Relatório Fiscal, e, em face da ausência de provas do alegado pelo contribuinte. Determinação de Perícia. No que se refere ao pedido de realização de perícia contábil, julgo não sêla necessária, na medida em que, no caso ora tratado, não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Ademais, prescindese de perícia nos casos em que os elementos Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10380.730693/201237 Acórdão n.º 2302003.184 S2C3T2 Fl. 14 13 de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica. Constatase estar presente nos autos todos os elementos essenciais para o julgamento. Assim sendo, não há que se falar em perícia, por desnecessária esta à elucidação do que no presente processo se apresenta. Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE TOTAL PROVIMENTO e manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns° 51.012.5131, 51.012.5140, 51.012.5158, 51.012.5166, 51.012.5174 e 51.012.5182. É como voto. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI
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Numero do processo: 10830.907390/2011-92
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PIS/PASEP. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 90 /2 01 1- 92 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 56 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 65), interpondo recurso tempestivo em 12/11/2013 (fls. 56). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907390/201192 Acórdão n.º 3802002.910 S3TE02 Fl. 68 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720060/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/1989 a 31/12/1999
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF.
Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.238
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/12/1989 a 31/12/1999 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF. Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Recurso voluntário não conhecido.
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SICOBE Recorrente RAGI REFRIGERANTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/1989 a 31/12/1999 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. SÚMULA N.1 DO CARF. Verificada a identidade da matéria debatida nos processos administrativo e judicial, na forma do parágrafo único do artigo 38 da Lei n° 6.830/80 e da Súmula CARF n° 1, inafastável a renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Cardozo Miranda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 60 /2 01 2- 27 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10932.720060/201227 Acórdão n.º 3202001.238 S3C2T2 Fl. 727 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls.211255) interposto por RAGI REFRIGERANTES LTDA contra decisão proferida pela Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO) (fls. 191205) que, por unanimidade de votos, declarou procedente o lançamento. Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, SP (DRJ/RPO), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade constante do presente processo, in verbis: “Consoante capitulação legal consignada à fl. 24, foi lavrado o auto de infração de fl. 23, em 17/05/2012, pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Luciano Cresta, para exigir R$ 38.569.670,87 de multa regulamentar. Segundo o termo de verificação fiscal, de fls. 28/41, a contribuinte é empresa que atua, conforme o contrato social, na área de industrialização de refrigerantes, importação de máquinas, equipamentos para uso na industrialização de refrigerantes, refrigerantes e bebidas em geral, serviços de envasamento, empacotamento e armazenagens de bebidas, próprias e de terceiros. Os refrigerantes produzidos, segundo a TIPI, têm as posições NCM 2201 e 2202, com e sem adição de açúcar. A instalação de equipamentos contadores de produção para as pessoas jurídicas que industrializam, inclusive, os sobreditos refrigerantes, foi determinada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 58T, c/c arts. 58A e 58V, e disciplinada pela Instrução Normativa RFB nº 869, de 12 de agosto de 2008. A instalação de instrumentos contadores de produção é obrigatória e houve a publicação do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 42, de 22/09/2009, com a exigência de utilização do SICOBE no prazo de 30 dias (termo final em 22/10/2009), tendo sido caracterizada a ocorrência descrita na Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Descumprido o sobredito prazo, foram desencadeados os procedimentos administrativos que deram azo à constituição de crédito tributário pela falta de instalação do SICOBE nos processos nº 10932.000408/201002 e 10932.720028/201161. Posteriormente às exigências fiscais mencionadas, a contribuinte adotou medidas em abril de 2011 tendentes à instalação pela Casa da Moeda do Brasil para a instalação dos equipamentos contadores do SICOBE, o que Fl. 749DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10932.720060/201227 Acórdão n.º 3202001.238 S3C2T2 Fl. 728 3 resultou na publicação do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 08, de 26/04/2011, com a revogação do ato normativo anterior e com a exigência de utilização do SICOBE a partir de 1º/05/2011, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 869, de 2008. Aduz a autoridade fiscal: “Os equipamentos contadores que compõem o SICOBE efetuam o registro fotográfico das unidades produzidas e aplicam sobre as mesmas um jato de tinta que produz um carimbo identificador da origem do produto. A remuneração pela aplicação do carimbo do SICOBE consiste em ressarcimento a ser efetuado a Casa da Moeda do Brasil no mês seguinte ao da produção mediante pagamento por meio de "DARF" com código de receita 0075 e a base legal que disciplina a sua cobrança encontrase descrita no artigo 58T da Lei 10.833 de 29 (vinte e nove) de dezembro de 2003 e no parágrafo 3° do artigo 28 da Lei n° 11.488 de 15 (quinze) de junho de 2007”. (destaque do original) Desde o mês de abril de 2011 a empresa não efetuou o recolhimento dos valores devidos alusivos ao ressarcimento da Casa da Moeda do Brasil pelos serviços prestados pelo SICOBE, conforme o Relatório Técnico de Ocorrências – SICOBE nº 06/2011 da CMB transcrito no termo de verificação fiscal à fl. 34. Consequentemente, foi publicado o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 68, de 18/11/2011, com a caracterização da anormalidade do funcionamento do SICOBE da empresa epigrafada. O valor da multa regulamentar foi determinado conforme o disposto na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 30, II e § 1º: 100% do valor comercial da mercadoria produzida se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, com o valor global não inferior a R$ 10.000,00. Tudo conforme o demonstrativo encartado no próprio termo de verificação fiscal (fls. 39 e 40), com os totais mensais de vendas escriturados no livro Registro de Apuração do IPI, de janeiro a março de 2012, conforme segue: Período de Apuração Valor em Reais Janeiro 11.226.951,07 Fevereiro 16.092.830,29 Março 11.249.889,51 Total 38.569.670,87 Regularmente cientificado da peça acusativa em 21/05/2012 por via postal, conforme o aviso de recebimento de fl. 42, apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 49/89 em 18/06/2012, subscrita pelo patrono Fl. 750DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10932.720060/201227 Acórdão n.º 3202001.238 S3C2T2 Fl. 729 4 devidamente constituído, em que, basicamente, sustenta que: a) cumpriu a determinação constante do Caderno de Requisitos de Instalação (RQI) em abril de 2011; b) apesar das custosas alterações na planta industrial, foi imposta multa pela DRFB em São Bernardo, SP; c) é exorbitante a taxa de manutenção de integração do SICOBE exigida como ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, sendo impossível o respectivo recolhimento sem o comprometimento da atividade da empresa; d) a declaração de anormalidade e a imposição da multa espúria são ilegais e arbitrárias: d.1) a declaração de anormalidade e posterior desligamento do SICOBE implica violação do princípio da livre iniciativa e é uma forma de coação ilegal imposta à empresa para a exigência de tributo; d.2) a taxa cobrada a título de ressarcimento viola os princípios da legalidade e da tipicidade, sendo inconstitucional; representa ofensa à proporcionalidade da Lei nº 11.488/2007 tendo em conta a capacidade produtiva da empresa; também constitui ofensa à isonomia tributária prevista na Constituição Federal, pois não reflete a capacidade contributiva dos diversos fabricantes de refrigerantes controlados pelo SICOBE; e) a exigência é improcedente, pois representa uma violação do princípio da estrita legalidade porque uma instrução normativa não pode prever penalidade para a infração, indo muito além do preconizado na lei; f) há nítida violação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois a cobrança da taxa de ressarcimento e da multa em 100% do valor comercial das operações não refletem os verdadeiros custos incorridos pela CMB para a instalação e manutenção do sistema; g) há, outrossim, evidente violação do princípio do nãoconfisco, pois a multa equivale à própria base de cálculo do IPI; h) deve ser assegurada a compensação da taxa de ressarcimento à CMB com créditos relativos a insumos provenientes da Zona Franca de Manaus declarados em PER/DCOMP; i) há decisão proferida no âmbito do TRF da 2ª Região infensa à cobrança da taxa de ressarcimento à CMB pela instalação/manutenção do SICOBE, com cópia juntada aos autos. Por fim, repisa a argumentação e requer o conhecimento da impugnação e que esta seja julgada procedente ao final, sendo afastada integralmente a multa imposta, com a produção de todos os meios de prova admitidos em direito para a demonstração da veracidade das alegações, notadamente a oferta de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e outras providências porventura necessárias, além da juntada das cópias anexas de documentos, declaradas autênticas pelo patrono e necessários à instrução da impugnação”. A ementa do acórdão da DRJ/POR é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 751DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10932.720060/201227 Acórdão n.º 3202001.238 S3C2T2 Fl. 730 5 Data do fato gerador: 31/01/2012, 29/02/2012, 31/03/2012 MULTA. FALTA DE INSTALAÇÃO DO SICOBE NO PRAZO ESTIPULADO. Na falta de instalação do SICOBE, apesar de instado a tal, o estabelecimento industrial envasador de bebidas incide em multa correspondente a 100% do valor comercial da mercadoria produzida em cada período de apuração, a partir do término do prazo estipulado, em montante global não inferior a R$ 10.000,00. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2012, 29/02/2012, 31/03/2012 IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou de perícia, e, outrossim, que não apresente seus motivos e não contenha a formulação dos quesitos e a indicação do perito. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente tempestivamente apresentou recurso voluntário, reafirmando as alegações trazidas na impugnação, em breve síntese, quais sejam: a) elevada a taxa de manutenção de integração do SICOBE exigida como ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil; b) a declaração de anormalidade e a imposição da multa são ilegais e arbitrárias, violando o princípio da livre iniciativa e é uma forma de coação ilegal imposta à empresa para a exigência de tributo; c) a taxa cobrada é inconstitucional, pois viola os princípios da legalidade, tipicidade, proporcionalidade, isonomia tributária; d) a multa representa uma violação ao princípio da estrita legalidade porque uma instrução normativa não pode prever penalidade para a infração, indo muito além do preconizado na lei; e) violação ao princípio do nãoconfisco, pois a multa equivale à própria base de cálculo do IPI; f) seja reconhecida a compensação da taxa de ressarcimento à CMB com créditos relativos a insumos provenientes da Zona Franca de Manaus declarados Fl. 752DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10932.720060/201227 Acórdão n.º 3202001.238 S3C2T2 Fl. 731 6 Após verificar a existência de Mandado de Segurança, impetrado pela ora Recorrente em 21.11.11, em face de ato coator do Delegado da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo, São Paulo, autuada sob o n° 000888586.2011.4.03.6114, em que se discute questões relacionadas ao SICOBE, esta 2ª Turma determinou, através da Resolução 3202000.101, a conversão do julgamento em diligência para que fossem juntados aos presentes autos, cópias da petição inicial, informações da autoridade coatora, sentença, acórdãos, eventuais agravos de instrumento e certidão de objeto e pé dos autos do Mandado de Segurança n° 000888586.2011.4.03.6114, impetrado pela ora Recorrente, em trâmite perante a 1ª Vara Federal da Comarca de São Bernardo do Campo, bem como demais peças processuais relevantes para o deslinde da questão. Após a juntada dos documentos requeridos, o PAF retornou a este Colegiado para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Da análise das peças processuais juntadas aos autos, é possível verificar que a Recorrente impetrou o mandado de segurança n° 000888586.2011.4.03.6114 para afastar a cobrança do ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela instalação, integração e manutenção do Sicobe, bem como para que a autoridade coatora se abstenha de desligar os equipamentos do Sicobe e de praticar atos coercitivos para a exigência da taxa em questão. A sentença foi denegada pelo Juízo de primeiro grau e o recurso de apelação da impetrante, a despeito da interposição do agravo de instrumento n.º 0028536 79.2012.4.03.0000 para que fosse concedido o efeito suspensivo ao sobredito recurso, foi recebido apenas em seu efeito devolutivo. Por outro lado, a Recorrente também impetrou mandado de segurança n° 000401998.2012.403.6114 para a concessão de medida liminar determinando que “a autoridade impetrada se abstenha de lavrar autos de imposição de multa com fundamento na suposta anormalidade do Sicobe, e consequentemente a suspensão dos efeitos do art. 13, caput c/c § 2° da IN RFB n° 869/2008, em razão das inconstitucionalidades acima demonstradas, até o julgamento definitivo do presente mandamus.”, requerendo, por fim, a concessão e segurança declarar inconstitucional e ilegal o art. 13, caput c/c § 2° da IN RFB n° 869/2008. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10932.720060/201227 Acórdão n.º 3202001.238 S3C2T2 Fl. 732 7 A segurança também foi denegada neste mandado de segurança e o recurso de apelação do contribuinte, também recebido apenas no seu efeito devolutivo, aguarda por julgamento pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Diante disso, constato a existência de concomitância dos processos administrativo e judiciais, já que a Recorrente, além de visar afastar a cobrança do ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil pela instalação, integração e manutenção do Sicobe, requer também o afastamento da imposição de multa com fundamento na suposta anormalidade do Sicobe e consequentemente a suspensão dos efeitos do art. 13, caput c/c § 2° da IN RFB n° 869/2008. Não resta, portanto, outra alternativa senão o cumprimento do disposto na Sumula n° 1 do CARF, verbis: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário, em vista da concomitância entre os processos administrativo e judiciais. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 754DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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