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Numero do processo: 13770.000075/2001-19
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 203-00.809
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento, o Dr. Marcus Vinicius Souza Mamede.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
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VISTO Recorrente : ARACRUZ CELULOSE S/A Recorrida : DRJ em Juiz de Fora - MG RESOLUÇÃO 1■12 203-00.809 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: ARACRUZ CELULOSE S/A. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento, o Dr. Marcus Vinicius Souza Mamede. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2007. I • f Antonio BeiLrra Neto Presidente Da to --e-s-ar- • - iro anda Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ivan Allegretti (Suplente), Silvia de Brito Oliveira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Odassi Guerzoni Filho e Dory Edson Marianelli. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eric Moraes de Castro e Silva. Eaal/inp Processo Recurso n51 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes : 13770.000075/2001-19 : 129.765 Recorrente : ARACRUZ CELULOSE S/ MIN DA FArENDA CC COVrilltri COV; Otiv..;INA 6RASILIA VISTO 22 CC-NIF Fl. RELATÓRIO A interessada, empresa que exerce atividades relativas à fabricação de celulose e outras pastas para fabricação de papel, formulou pedido de ressarcimento de IPI (artigo 11 da Lei n° 9.779/99). Aludido pedido administrativo foi parcialmente deferido (fls. 244/251), excluindo-se os insumos de fls. 242/243, que supostamente não integrariam ao produto final isento e/ou aliquota zero e/ou não se consumiriam no processo produtivo da interessada. Inconformada, a interessada impugnou referida decisão, sendo que a DRJ em Juiz de Fora, à unanimidade, manteve o parcial deferimento do pedido administrativo formulado, nos exatos termos do despacho decisório impugnado. Apela-se, então, a este Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com o objetivo de reformar o acórdão recorrido para buscar a revisão e reforma da manutenção da glosa dos insumos de fls. 242/243, pois que se referem a produtos/insumos que não se incorporam ao produto industrializado pela interessada. Os autos baixaram em diligência por determinação deste Colegiado, para que apurassem se os insumos glosados de alguma forma compunham os produtos finais fabricados pela interessada. o Relatório. t. DE MIRANDA OR Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo e : 13770.000075/2001-19 Recurso e : 129.765 corm, o PRA511 ,1 A f 2il CC-N1F FL VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA 0 Recurso Voluntário da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade, dai dele se conhecer. Como relatado, a discussão nestes autos limita-se ao seguinte tópico: a não consideração dos insumos de fls. 242/243. Os autos retornam para julgamento deste Colegiado após o cumprimento da diligência determinada. Em observação ao principio constitucional do contraditório e da ampla defesa, faz-se imperioso consignar que não foi dada oportunidade à recorrente para se manifestar, em prazo hábil, a propósito da Informação Fiscal de fls. 442 a 446. Em face do acima exposto e de tudo o mais que consta dos autos, voto por converter o julgamento do presente processo em diligência, para que a recorrente, em querendo e em prazo hábil a ser deferido, apresente manifestação (mica e tão somente a respeito da Informação Fiscal de fls. 442 a 446. Sala das Sessões, em 22 maio de 2007. DAçff,r0N-CES-A
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721323/2012-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS.
Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de IRPJ e CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada.
Recurso Improcedente
Crédito Tributário Mantido Integralmente
Numero da decisão: 1202-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
José André Wanderley Dantas de Oliveira – Relator
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz.
Nome do relator: JOSE ANDRE WANDERLEY DANTAS DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS. Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de IRPJ e CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada. Recurso Improcedente Crédito Tributário Mantido Integralmente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente José André Wanderley Dantas de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz.
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO SOBRE BASES DE CÁLCULO ESTIMADAS. Verificado a falta de recolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa mensal de IRPJ e CSLL apurada é cabível o lançamento da multa isolada nos termos previstos na legislação de regência, mesmo após o encerramento do ano-calendário e independentemente da aplicação da multa de ofício proporcional sobre a contribuição anual lançada. Recurso Improcedente Crédito Tributário Mantido Integralmente ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente José André Wanderley Dantas de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Leonardo de Andrade Couto, Maurício Novaes Ferreira, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Andre Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz. RELATÓRIO 1. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo BANCO SOCIÉTÉ GÉNÉRALE BRASIL S/A, em relação a Autos de Infração consignados no presente processo, relativos ao ano-calendário de 2008, resultantes de procedimento fiscal. O referido procedimento fiscal culminou com a constituição de créditos tributários relativos multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada, conforme abaixo transcrito: 2. O Banco Société Generale, doravante denominado BSG, apurou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica relativo ao ano calendário 2008 com base no lucro real anual e estimativas de IRPJ e CSLL com base em balancetes de suspensão/redução — DIPJ - ND 1776299. 3. Conforme o Termo de Verificação Fiscal e DOCs anexos ao processo, se verifica que nas fichas 11 e 16 da DIPJ acima mencionada, o BSG apurou em dezembro de 2008 estimativas de IRPJ e CSLL com base em balanço ou balancete de Suspensão ou Redução, nos respectivos valores de R$ 4.306.081,31 e R$ 3.161.236,37 (Vide fls. 21 e 26 do e-Processo). 4. Os supracitados valores não foram declarados nas respectivas DCTFs (Vide fls. 4 e 13 do e- Processo) e nem foram recolhidos através de DARF a título de estimativas — códigos 2319, IRPJ e 2469, CSLL, com vencimento em 31 de janeiro de 2009 (Vide fls. 14 e 16 do e-Processo) — mas sim como valores devidos na apuração de ajuste anual, códigos 2390, IRPJ e 6758, CSLL, vencimento em 31 de março de 2009 - conforme relatório do Sistema SINAL RFB (Vide fls. 15 e 17 do e- Processo). 5. Nas fichas 12B (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) linha 14 (Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa - Vide fl. 22 do e-Processo) e 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) linha 74 (CSLL Mensal Paga por Estimativa - Vide fl. 28 do e-Processo) os valores das estimativas foram recolhidos como ajuste anual, porém, compuseram os totais das estimativas ali indicados. 6. Regularmente intimado a esclarecer este procedimento — item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 1 - informou em expediente resposta datado de 04 de julho de 2012 o que segue: "No que Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 3 se refere ao questionamento constante no item "3" esclarece que o recolhimento não foi realizado por estimativa, mas sim com base no Lucro Real. Por conseguinte, resta prejudicado o envio do documento solicitado no Item supracitado, assim como a resposta ao Item "4 ". 7. Além dos DOCs (DIPJ, DCTF, Sistema Sinal - DARFs) acostados ao processo pela Autoridade Fiscal, a própria recorrente no expediente de resposta ao Termo de Intimação Fiscal supracitado, confirmou a ausência de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL relativas ao período de apuração dezembro de 2008, em infração ao ordenamento legal que regula a matéria (Vide fls. 41- 42 do e-Processo). Este foi o cerne que resultou na lavratura dos Autos de Infração consignados no presente processo. 8. Em seu Recurso Voluntário, a interessada confirma que recolheu, em 30/01/2009, valores à título de Estimativas Mensais do período de apuração de dezembro/2008, de acordo com os DARFs anexos (Doc. 03 - Vide fls. 137-138 do e-Processo), alegando que o entendimento sobre a ausência de pagamento decorre, exclusivamente, de equívocos no preenchimento (erro de fato) das declarações fiscais da Recorrente, notadamente da DIPJ 2009. 9. Assim, narrou a Recorrrente que, em dezembro de 2008, mesmo sem declarar, pagou estimativas de IRPJ e de CSLL, nos respectivos valores de R$ 1.294.416,00 e R$ 1.477.728,95; efetuando o recolhimento, conforme os DARFs anexos, recolhidos sob os códigos de receita 2319 (IRPJ- PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL - ENTIDADES FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL) e 2469 (CSLL - ENTIDADES FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL), com vencimento em 30/01/2009. 10. Contudo, precisamos destacar que os supracitados valores pagos, foram pagos em valores inferiores aos devidos nas estimativas calculadas, de IRPJ e de CSLL, para o mês de dezembro de 2008, constantes na DIPJ/2009 – AC 2008. Ratificamos, os DARFs supracitados evidenciam os seguintes valores: CSLL - 30/01/2009 / Código de Receita – 2469 / R$ 1.477.728,95 IRPJ - 30/01/2009 / Código de Receita – 2319 / R$ 1.294.416,00 11. A DCTF original que confessava valores a título de estimativa foi retificada e os valores acima foram utilizados para extinguir outros débitos por meio de compensação constituída em DCOMPs. Assim, antes da autuação por falta de recolhimento das estimativas, a contribuinte deu destinação aos pagamentos realizados a esse título, ao apresentar as DCOMPs. 12. Nas DCOMPs referentes a estimativa de CSLL, foi reconhecido o crédito relativo ao PGIM da estimativa da CSLL e homologada as compensações, com a extinção dos débitos declarados na DCOMP. 13. Para as DCOMPs referentes a estimativa de IRPJ constantes do processo 16327.721456/2013-97, foi reconhecido o direito creditório pleiteado no valor adicional de R$ 1.294.416,00, homologando, portanto, as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Conforme ementa do processo abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Comprovada a existência do crédito informado em DCOMP, há que se homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente Direito Creditório Reconhecido Fl. 204DF CARF MF Original javascript:visualizarProcesso('16327721456201397',%20'1%7c384%7c2%7c1%7c35',%20'01ª%20TURMA-DRJ-JFA-MG',%20'Para%20Relatar',%20'NaN') D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 4 14. Portanto, está demonstrado que a interessada não utilizou os valores pagos em códigos de estimativa mensal do IRPJ e da CSLL para quitar as estimativas de dezembro de 2008. Mas sim, utilizou esses valores para compensação de outros débitos. Ademais ratificamos, mesmo que houvesse essa intenção, o pagamento teria sido a menor. 15. A falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e de CSLL, de dez/2008, tiveram a sua consequência jurídica, qual seja, a aplicação da multa isolada. 16. Os valores de estimativas de IRPJ e de CSLL, de dezembro/2008, calculados e declarados na DIPJ/2009 – AC 2008, a serem pagos, seriam respectivamente: R$ 4.306.081,31 e R$ 3.161.236,37 (Vide DIPJ/2009 – AC 2008, fls. 21 e 26 do e-Processo), conforme já narrado no item (3) acima. 17. Assim, não obstante a Recorrente haver recolhido em março/2009 os valores de R$ 4.306.081,31 e R$ 3.161.236,37, a título de IRPJ e CSLL devidos no ano-calendário de 2008, é fato que deixou de recolher as estimativas devidas para o mês de dezembro, havendo assim subsunção à hipótese de aplicação da multa isolada. 18. Por sua vez, justifica a Recorrente que, mesmo tendo apurado e recolhido os valores de Estimativas Mensais, de dezembro/2008, ao preencher a DIPJ 2009, por um lapso, não incluiu estes recolhimentos na DIPJ 2009 e declarou como Estimativas Mensais os valores apurados e recolhidos na declaração de ajuste. Fato que levou a Autoridade Fiscal a crer que teria ocorrido a ausência de recolhimento das antecipações mensais de IRPJ e CSLL do mês de dezembro do ano- calendário de 2008. 19. Com base nas alegações acima, a interessada pugnou pelo conhecimento da Impugnação, para que fosse julgada procedente, a fim de determinar o cancelamento integral dos Autos de Infração. 20. Como resultado, o Acórdão 09-69.395 da 1ª Turma da DRJ/JFA, entendeu “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.” 21. Em função do resultado do julgamento de 1ª instância e ratificando a sua discórdia, a interessada ingressou com Recurso Voluntário, clamando preliminarmente pela nulidade do acórdão recorrido, alegando a “ausência de apreciação de fundamentos relevantes da Impugnação de fis., notadamente acerca do erro de fato no preenchimento da DIPJ 2009 ("AC 2008"), o que não acarretou a suposta ausência de recolhimento das Estimativas Mensais.”. E assim insistia que: 12. Ora, a Requerente esclareceu o erro de fato no preenchimento da DIPJ 2009, tendo anexado à sua Impugnação respectivos comprovantes dos recolhimentos realizados nos valores de R$ 1.294.416,00 e R$ 1.477.728,95, efetuados à títulos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, com vencimento em 30/01/2009 (Vide Doe. 03 da Impugnação), ou seja, do período de apuração de 12/2008, que não foram apreciados pela C. Turma Julgadora. 22. Na sequência, para fundamentar o seu pedido de nulidade da autuação, a Recorrente apresenta normas que tratam da nulidade de atos administrativos não motivados. Assim, exibe o art. 59, do Decreto n° 70.235/72; o artigo 50, da Lei n° 9.784/99; e, também clama pela observação do princípio da legalidade e da verdade material. 23. Também insiste na argumentação sobre o descabimento de multa isolada, aplicada ao caso em tela, pois, o que em sua opinião o que aconteceu, foi um mero erro de fato no preenchimento da DIPJ 2009, mas, sem a ocorrência de inadimplemento. Assim, defendia a ideia de que: Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 5 22. Com efeito, não merece prosperar a presente exigência, haja vista que a Recorrente não cometeu a infração tipificada no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96 (…). (…) 31. Veja-se que, uma análise superficial dos DARFs acostados na Impugnação de fls. já é suficiente à verificação da efetiva existência de recolhimentos das Estimativas Mensais em 12/2008, uma vez que, conforme exposto, tais pagamentos foram efetivados sob os códigos de receita 2319 (IRPJ - PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL - ENTIDADES FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL) e 2469 (CSLL - ENTIDADES FINANCEIRAS - ESTIMATIVA MENSAL), com vencimento em 30/01/2009, abaixo colacionados: 32. Logo, uma vez comprovada a existência de recolhimentos das Estimativas Mensais em 12/2018, é inconteste que não ocorreu a hipótese legal prescrita no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96, sendo certo que os Ais em tela decorrem de meros equívocos no preenchimento da DIPJ 2009. 24. Discordamos das alegações acima, pois, não houve a declaração das estimativas em DCTF, bem como, os valores das supostas estimativas pagas eram menores que os efetivamente devidos. Ademais, esses valores foram utilizados em pedidos de PerdComp homologados. 25. Alegando erro de forma, a Recorrente também clama pelo princípio da verdade material, argumentando que: 40. Com efeito, a necessidade de desconsideração do erro cometido pela Recorrente decorre, justamente, do dever da Administração Pública de buscar a verdade material, ou seja, buscar os fatos tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, inclusive a despeito de questões formais. 26. A Recorrente no item - III.2.2 DO DESCABIMENTO DE MULTA ISOLADA APÓS FINDO O EXERCÍCIO A QUE SE REFERE: INEXISTÊNCIA DE TRIBUTO DEVIDO – argumenta que: 48. Outrossim, ad argumentandum, na remota hipótese de não ser cancelada a autuação em tela pelos fatos até então expostos, também não merece prosperar a exigência em tela, haja vista tratar-se de imposição de multa por ausência/insuficiência de recolhimento de antecipações mensais do ano-calendário de 2008 após findo o referido período, mormente diante da reconhecida ausência de saldo devedor do IRPJ ou de CSLL. 27. E à continuação, a Recorrente trata no item - III.2.3 SUBSIDIARIAMENTE: DO NECESSÁRIO JULGAMENTO PROCEDENTE DESTA DEFESA EM CASO DE EMPATE DE VOTOS – alegando que: “61. Na hipótese de empate de votos no julgamento deste Recurso Voluntário, ad argumentandum tantum, o voto de qualidade do Presidente da Turma deverá ser utilizado para cancelar a autuação, com fulcro no art. 112 do CTN.”. 28. Na sequência, a Recorrente também trata no item - III.2.4 SUBSIDIARIAMENTE: DA NECESSIDADE DE AFASTAMENTO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA ISOLADA – quando apresenta o seu ponto de vista. 29. Por fim, a Recorrente apresenta o seu pedido, vejamos: IV. DO PEDIDO Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 6 80. Por todo o exposto, pugna-se pelo conhecimento e provimento do presente Recurso Voluntário, para reformar o v. Acórdão Recorrido, para cancelar o lançamento em tela e exonerar os pretensos débitos que consigna, tendo em vista: i. Preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão Recorrido; e, ii. O descabimento de multa isolada in casu, em razão do (i) Mero erro de fato no preenchimento da DIPJ 2009, evidenciando a inocorrência de inadimplemento; e, (ii) Inexistência de tributo devido findo o exercício a que se refere; 81. Subsidiariamente, pugna-se pelo: i. Cancelamento da autuação em caso de empate de votos no julgamento deste recurso; e, ii. Afastamento dos juros de mora sobre a multa isolada. 30. É o relatório. Passamos a votar. VOTO Conselheiro José André Wanderley Dantas de Oliveira, relator. DA ADMISSIBILIDADE 31. O Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte/Recorrente é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele conheço. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE 32. Após análise atenta e profunda dos argumentos e provas acostadas ao processo, discordamos da possibilidade de nulidade, decorrente da ausência de apreciação de fundamentos relevantes da Impugnação e do Recurso Voluntário. É verdade que aconteceu um erro no preenchimento da DCTF do período autuado. Contudo, com consequências infracionais capituladas na legislação do IRPJ e da CSLL. 33. Portanto, não se pode aceitar a ideia da pretensão da Recorrente de querer se eximir da multa isolada pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL, sobre base de cálculo estimada e da respectiva falta de pagamento desses tributos, incidentes sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, em virtude de um alegado erro material, no mês de dezembro de 2008. 34. Ademais destacamos, conforme análise da documentação acostada ao processo, o valor das estimativas que foram pagas em março, foram pagas como valores devidos na apuração de ajuste anual, códigos 2390, IRPJ e 6758, CSLL, vencimento em 31 de março de 2009 - conforme relatório do Sistema SINAL RFB (Vide fls. 15 e 17 do e-Processo). 35. E a suposta estimativa paga em janeiro/2009, além de não haver sido declarada em DCTF, não representava o efetivo valor da estimativa de dezembro/2008. Ademais, foi utilizada em processos de PerdComp, conforme já narrado no item (24) acima. 36. A verdade material, clamada pela Recorrente, reside na comprovação do não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL, não declaradas em DCTF. Fato infracional devidamente Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 7 identificado, comprovado, capitulado e autuado pela Autoridade Fiscal. DO MÉRITO 37. A multa isolada pela falta de pagamento da estimativa mensal está expressamente prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, oriunda da conversão da MP n° 351/2007. Tal disposição encontra-se plenamente eficaz no mundo jurídico, vinculando, assim, esta instância administrativa julgadora. 38. A lei estabelece a exigência isolada da multa “sobre o valor do pagamento mensal [...] que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente” [destaquei]. Portanto, a aplicação da multa isolada independe do encerramento do ano-calendário e do valor do tributo então apurado. 39. Sobre o tema, a Instrução Normativa SRF n° 93, de 24 de dezembro de 1997 - DOU de 29/12/19971, vigente à época dos fatos geradores, determina expressamente lançamento de ofício da multa isolada, após o término do ano-calendário, em razão da falta de pagamento da estimativa mensal. A saber: Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringir-se-á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos. § 1° As infrações relativas às regras de determinação do lucro real, verificadas nos procedimentos de redução ou suspensão do imposto devido em determinado mês, ensejarão a aplicação da multa de que trata o "caput" sobre o valor indevidamente reduzido ou suspenso. (...) Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá: I - a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II - o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. 40. No caso em tela, a fiscalizada optou pela apuração anual do IRPJ. Os dispositivos mandamentais do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), então vigentes, contidos especificamente os arts. 220 a 222, 230 e 858, dispõem: Art. 220. O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário. § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data do evento, observado o disposto nos §§ 1º a 5º do art. 235. § 2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento. Art. 221. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma desta Seção deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. Fl. 208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 8 Parágrafo único. Nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 220, o lucro real deverá ser apurado na data do evento. Art. 222. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Parágrafo único. A opção será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, observado o disposto no art. 232. Art. 230. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: I - deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário; II - somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto devido no decorrer do ano-calendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento mensal as pessoas jurídicas que, através de balanços ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano-calendário. § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano-calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base nas disposições das Subseções II a IV. § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para aplicação do disposto neste artigo. Art. 858. O imposto devido, apurado na forma do art. 222, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I - pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II - compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. § 2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 856, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. § 3º O prazo a que se refere o § 1º, inciso I, não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. 41. O pagamento mensal poderá ser reduzido ou suspenso, desde que seja demonstrado, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do Fl. 209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.250 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16327.721323/2012-30 9 imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. 42. Nesse caso, a interessada deveria ter apurado e pago a estimativa referente ao mês de dezembro e, posteriormente, efetuado o ajuste, caso houvesse alguma diferença a pagar, de modo que a interessada agiu em completo desacordo com as normas vigentes a época. 43. Se constata que a própria contribuinte apurou em dezembro de 2008 estimativas de IRPJ e CSLL com base em balanço ou balancete de Suspensão ou Redução, nos respectivos valores de R$ 4.306.081,31 e R$ 3.161.236,37, conforme DIPJ e livros de apuração. 44. Contudo, não confessou em DCTF tampouco recolheu os supracitados valores. A DCTF original que confessava valores a título de estimativa foi retificada e os respectivos valores foram utilizados para extinguir outros débitos por meio de compensação constituída em DCOMPs, já homologadas. 45. Assim, antes da autuação por falta de recolhimento das estimativas, a contribuinte deu destinação aos pagamentos realizados a esse título, ao apresentar as DCOMPs. 46. Nas DCOMPs referentes a estimativa de CSLL, foi reconhecido o crédito relativo ao PGIM da estimativa da CSLL e homologada as compensações, com a extinção dos débitos declarados na DCOMP. 47. As DCOMPs referentes a estimativa de IRPJ constam do processo 16327.721456/2013-97, e foram homologadas conforme Acórdão do supracitado processo. CONCLUSÕES 48. Considerando o exposto e tudo mais que do processo consta, VOTO POR: CONHECER do Recurso Voluntário; NEGAR PROVIMENTO à preliminar de nulidade; NEGAR PROVIMENTO INTEGRAL ao mérito; Assinado Digitalmente José André Wanderley Dantas de Oliveira Fl. 210DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15215.720144/2017-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
SUSPENSÃO PREVISTA NO ART. 29, §1º, I, A, DA LEI Nº 10.637/2002. AQUISIÇÕES. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO.
Estabelecimento que não se dedique, preponderantemente, à fabricação de componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere oart. 1oda Lei no10.485, de 3 de julho de 2002 não têm direito de adquirir matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com a suspensão prevista no art. 29, §1º, inciso I, alínea a, da lei nº 10.637/2002.
SUSPENSÃO PREVISTA NO ART. 29, §1º, I, A, DA LEI Nº 10.637/2002. SAÍDAS. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. EXIGIBILIDADE.
Comprovada a realização de saídas com suspensão para sociedades empresárias que, ou não se dedicavam à fabricação dos produtos elencados no artigo 29 da Lei 10.637/2002, ou, mesmo se dedicando à fabricação de tais produtos, não emitiram a carta de preenchimento de condições exigida pela legislação (§7º do já citado artigo 29), é de se exigir o imposto indevidamente suspenso.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. AUSENTES. INDEFERIMENTO.
Considera-se não formulado o pedido de perícia quando não apresentados os quesitos nem indicado o profissional que seria perito da recorrente, com base no § 1º inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72.
LEGITIMIDADE PROCESSUAL POSTULATÓRIA DA PESSOA JURÍDICA PARA RECORRER EM NOME E EM DEFESA DE SEUS SÓCIOS OU ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA.
A Pessoa Jurídica autuada não possui legitimidade processual para postular, recorrer e requerer em nome e em defesa de interesses próprios de seus sócio ou administradores, bem como de outros terceiros, arrolados como responsáveis pelo crédito tributário no lançamento de ofício.
RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO PRÓPRIA. FALTA DE INTERESSE NOS RECURSOS SUBSEQUENTES.
O responsável tributário que não apresenta impugnação à autuação perde o interesse para manejar os recursos subsequentes.
Numero da decisão: 3202-003.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário interposto por Jayde Ferreira de Almeida Junior e por conhecer, em parte, do recurso voluntário interposto por IMBA INDUSTRIA MINEIRA DE BENEFICIAMENTO DE AÇO LTDA, não conhecendo da parte em que se insurge contra a imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador, e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento, apenas para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%.
Assinado Digitalmente
Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL LUIZ BUENO DA CUNHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário interposto por Jayde Ferreira de Almeida Junior e por conhecer, em parte, do recurso voluntário interposto por IMBA INDUSTRIA MINEIRA DE BENEFICIAMENTO DE AÇO LTDA, não conhecendo da parte em que se insurge contra a imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador, e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento, apenas para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
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AQUISIÇÕES. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. Estabelecimento que não se dedique, preponderantemente, à fabricação de componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002 não têm direito de adquirir matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem com a suspensão prevista no art. 29, §1º, inciso I, alínea a, da lei nº 10.637/2002. SUSPENSÃO PREVISTA NO ART. 29, §1º, I, A, DA LEI Nº 10.637/2002. SAÍDAS. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. EXIGIBILIDADE. Comprovada a realização de saídas com suspensão para sociedades empresárias que, ou não se dedicavam à fabricação dos produtos elencados no artigo 29 da Lei 10.637/2002, ou, mesmo se dedicando à fabricação de tais produtos, não emitiram a carta de preenchimento de condições exigida pela legislação (§7º do já citado artigo 29), é de se exigir o imposto indevidamente suspenso. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. AUSENTES. INDEFERIMENTO. Considera-se não formulado o pedido de perícia quando não apresentados os quesitos nem indicado o profissional que seria perito da recorrente, com base no § 1º inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72. Fl. 3068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 2 LEGITIMIDADE PROCESSUAL POSTULATÓRIA DA PESSOA JURÍDICA PARA RECORRER EM NOME E EM DEFESA DE SEUS SÓCIOS OU ADMINISTRADORES. INEXISTÊNCIA. A Pessoa Jurídica autuada não possui legitimidade processual para postular, recorrer e requerer em nome e em defesa de interesses próprios de seus sócio ou administradores, bem como de outros terceiros, arrolados como responsáveis pelo crédito tributário no lançamento de ofício. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO APRESENTAÇÃO DE IMPUGNAÇÃO PRÓPRIA. FALTA DE INTERESSE NOS RECURSOS SUBSEQUENTES. O responsável tributário que não apresenta impugnação à autuação perde o interesse para manejar os recursos subsequentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário interposto por Jayde Ferreira de Almeida Junior e por conhecer, em parte, do recurso voluntário interposto por IMBA INDUSTRIA MINEIRA DE BENEFICIAMENTO DE AÇO LTDA, não conhecendo da parte em que se insurge contra a imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador, e, no mérito, na parte conhecida, em dar-lhe parcial provimento, apenas para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha – Relator Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Wagner Mota Momesso de Oliveira, Juciléia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO Fl. 3069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 3 Cuida-se de Auto de Infração (fls. 2707-2756) lavrado para exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e seus consectários legais relativamente ao período de apuração 01/01/2013 a 31/12/2015, em virtude da constatação das seguintes infrações à legislação tributária: (i) Compras com suspensão indevida do IPI; (ii) IPI destacado em documentação fiscal, mas não declarado em DCTF nem recolhido; (iii) Saídas com suspensão indevida do IPI; (iv) Glosas de crédito de IPI; (v) Ajustes a débito em notas fiscais complementares. Houve ainda a aplicação de multa de ofício e, especificamente para os lançamentos relativos a “utilização indevida de suspensão (setor automotivo/produtos autopropulsados)” e “descumprimento das condições da suspensão (setor automotivo/ produtos autopropulsados)”, a multa referida foi qualificada. Além disso, foi imputada responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao sócio administrador à época dos fatos, Jayde Ferreira de Almeida Junior. Apenas a autuada IMBA INDUSTRIA MINEIRA DE BENEFICIAMENTO DE AÇO LTDA apresentou impugnação à autuação, não tendo havido contestação do solidário Jayde Ferreira de Almeida Junior. Em brevíssima síntese, os argumentos da impugnação da IMBA foram de que: i. A autuada sustenta que o equiparado a industrial e o industrial devem ter o mesmo tratamento para os fins da suspensão do art. 29 da Lei nº 10.637/2002; ii. A falta de destaque do IPI em algumas notas se deveu ao fato de os produtos se destinarem ao fim específico de exportação; iii. Parte das saídas tinha como objeto sucata, não tributadas na TIPI; iv. As compras com suspensão que realizou se basearam em orientação do fornecedor Usiminas; v. O IPI destacado em notas fiscais, mas não declarado em DCTF e nem recolhido se deveu a equívoco do sistema operacional; vi. A sanção aplicadas (multa qualificada) se revela incompatível com o princípio da proporcionalidade. A 3ª Turma da DRJ/JFA, por meio do Acórdão nº 09-69.537, considerou a impugnação improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 31/12/2015 Fl. 3070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 4 FATO GERADOR. OCORRÊNCIA.OPERAÇÃO DE BENEFICIAMENTO. O texto da Autoridade Fiscal é detalhado, preciso e exaustivo quanto à caracterização da Imba como estabelecimento industrial. A trilha operacional segue à risca o conceito de beneficiamento com a utilização de maquinário complexo que atua sobre a matéria prima (bobinas de aço) para a obtenção de um semi-elaborado a ser destinado aos encomendantes em suas respectivas linhas de produção. DAS COMPRAS COM SUSPENSÃO. ILEGITIMIDADE COMPROVADA. De forma absolutamente correta não vislumbrou a Fiscalização qualquer possibilidade de utilização da legislação para legitimação do expediente de suspensão do IPI em se tratando da linha de produção da Interessada. Não estamos tratando de um fabricante de componentes, chassis, carroçarias ou partes e peças, mas sim de um industrial que se dedica ao corte de bobinas ou chapas de aço/alumínio/cobre/latão em fitas, chapas, e blanks; ao aplainamento; à laminação de bordas; ao enrolamento em novelo, estiramento de fitas e relaminação de aços planos a frio conforme especificação do cliente ou norma regulamentada. Ou seja, não há sintonia entre o permissivo legal e a situação de fato. Norma e fatos não se encontram; ao contrário, se chocam e de forma alguma se harmonizam. DAS VENDAS COM SUSPENSÃO. ILEGITIMIDADE COMPROVADA. Comprovada a presença de saídas com suspensão para sociedades empresárias que, ou não se dedicavam à fabricação dos produtos elencados no artigo 29 da Lei 10.637/2002, ou, mesmo se dedicando à fabricação de tais produtos, não emitiram a carta de preenchimento de condições exigida pela legislação (§7º do já citado artigo 29), é de se exigir o imposto indevidamente suspenso. DAS PENALIDADES APLICADAS. CABIMENTO. Segundo o disposto no art. 80 da Lei nº 4502/64, a falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. DO AGRAVAMENTO DA MULTA APLICADA. CABIMENTO. Falsear a verdadeira natureza do negócio jurídico entabulado, seja na compra de matérias-primas, seja na venda de produtos elaborados, constitui fraude nos termos do artigo 72 da Lei nº 4502/64, com qualificação da penalidade nos termos do artigo 80, §6º, inciso II, do mesmo diploma legal. PEDIDO DE PERÍCIA Não há razão para que se defira a solicitação de perícia. A auditoria anexou aos autos inúmeras planilhas, que demonstraram de forma cabal a pertinência da exigência fiscal em todos os seus termos ao mesmo tempo em que possibilitaram Fl. 3071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 5 ampla defesa por parte da Interessada. Nada restou obscuro, incompleto ou omisso. Perícia indeferida nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72 por absoluta desnecessidade. DEFESA DO SOLIDÁRIO É entendimento pacífico na Terceira Turma que a solidariedade na exigência realizada pelo Fisco deve ser contraposta por aquele que foi seu objeto. Ou seja, só está legitimado a apresentar sua insurgência aquele que compartilha com a pessoa jurídica a responsabilidade de quitação do crédito tributário. Impugnação Improcedente A IMBA foi cientificada da decisão em 22/05/2019. Irresignada, em 21/06/2019 interpôs o Recurso Voluntário de fls. 2972-3012, em que se limita a reproduzir os argumentos já trazidos em sua impugnação. Em 05/2019, também foi emitida a Intimação nº 131/2019-RFB/VR06A/CONTEC (fls. 2963-2968)) para cientificar o solidário Jayde do resultado do julgamento, mas, à época, não foi feita a juntada do comprovante de ciência aos autos. Dessa forma, em 31/01/2025, foi emitido o Despacho de Saneamento de fls. 3016-3017, o qual destinava-se justamente à juntada do comprovante de ciência, pelo sujeito passivo solidário, do acórdão recorrido. Conforme Aviso de Recebimento juntado à fl. 3022, a ciência se deu em 28/02/2025. Em 28/03/2025, o responsável solidário Jayde apresentou Recurso Voluntário (fls. 3025-3048) próprio. É o relatório. VOTO Conselheiro Rafael Luiz Bueno da Cunha, Relator Foram interpostos dois recursos voluntários, um pela IMBA e outro pelo solidário Jayde Ferreira de Almeida Junior. A análise de cada um será feita a seguir de modo individualizado. 1. RECURSO VOLUNTÁRIO – IMBA 1.1. Admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. 1.2. Preliminar A recorrente postula em seu recurso a realização de perícia. Ainda que se trate de pedido subsidiário, a pretensão deve ser analisada em sede preliminar. A recorrente afirma que a perícia requerida teria como finalidade: Fl. 3072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 6 [...] para que reste constatado que todos os equipamentos presentes no parque industrial da mesma são equipamentos de desbobinamento e corte, não havendo qualquer função adicional nos mesmos que possa dar ensejo à interpretação da prática de industrialização. Trata-se de procedimento prescindível, vez que a fiscalização trouxe aos autos diversos elementos de prova, como documentos fiscais com IPI destacado emitidos pela recorrente, declaração da recorrente de que é preponderantemente industrial, análise da inserção da IMBA na cadeia de produção do aço etc. A simples irresignação com o entendimento da autoridade fiscal é matéria de mérito e não justifica a realização de perícia. Além disso, a recorrente sequer formulou quesitos e indicou o profissional para a realização do trabalho, requisitos presentes no art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1976. Por si só, o não atendimento de tais requisitos é suficiente para que se considere o pedido de perícia não formulado, conforme §1º do mencionado art. 16, abaixo transcrito, na parte em que nos interessa. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] §1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Assim sendo, voto pelo indeferimento da perícia requerida. 1.3. Mérito No mérito, a lide cinge-se às seguintes matérias: Compras com suspensão indevida do IPI; IPI destacado em documentação fiscal, mas não declarado em DCTF nem recolhido; Saídas com suspensão indevida do IPI; Ajustes a débito em notas fiscais complementares; Qualificação da multa de ofício aplicada. Passemos à análise do que remanesce controverso. 1.4. Compras com suspensão indevida do IPI Fl. 3073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 7 A autoridade fiscal verificou que a recorrente realizou aquisições do fornecedor Usiminas com suspensão do IPI que somaram R$ 237.681.813,03 no período fiscalizado. O total do imposto suspenso foi de R$ 12.343.191,36. Conforme consta do Relatório de Auditoria Fiscal, os produtos adquiridos foram: - Chapa Quente Decapada; Chapa Grossa Tiras; Chapa Grossa do LTQ Decapada; Chapa Grossa do LTQ; Chapa Grossa do LCG; Chapa Grossa; Chapa Fina a Quente; Chapa de Piso; Bobina Quente Decapada; Bobina não Revestida, Bobina Grossa Decapada, Bobina Grossa de Piso, Bobina Grossa, Bobina Galvanizada a Quente, Bobina Fina de Piso, Bobina Eletrogalvanizada, Bobina Elétrica, Bobina a Quente Decapada, Bobina a Quente, Bobina a Frio – Full Hard, Bobina a Frio As compras com suspensão do IPI se deram com base em declaração efetuada pela IMBA ao seu fornecedor de que era “estabelecimento industrial fabricante preponderantemente de partes e peças dos produtos a que se refere o Artigo 1º da Lei 10.485/02” e que atendia aos requisitos do art. 29 da Lei nº 10.637/2002 para que os produtos fosse faturados com suspensão do imposto. Ocorre que a autoridade lançadora constatou que a recorrente não é fabricante de "componentes, chassis, carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002” e, portanto, não atende os requisitos do art. 29 da Lei nº 10.637/2002. Em sua impugnação, a recorrente contestou o lançamento, sustentando que: [...] a empresa faz desbobinamento de aço por encomenda, assim o aço que lhe é remetido é adquirido por empresas que solicitam o desbobinamento em chapas, ou pela própria Recorrente para o corte e fornecimento das chapas necessárias predominantemente para o setor automotivo. Sendo assim, a Recorrente sempre entendeu que o produto adquirido da Usiminas deveria gozar de suspensão de IPI uma vez que o mesmo após o desbobinamento passaria para empresas que integram a cadeira de industrialização. O acórdão recorrido consignou que: [...] não há sintonia entre o permissivo legal e a situação de fato. Norma e fatos não se encontram; ao contrário, se chocam e de forma alguma se harmonizam. A suspensão do IPI de que usufruiu a Imba não tem respaldo legal de nenhuma espécie, e por isso aplicou-se com acerto o disposto no artigo 42 do RIPI/2010: “quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornar-se-á imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse”. A recorrente se insurgiu contra a decisão, repisando os argumentos da impugnação. Sem razão a recorrente. A suspensão do IPI pretendida é voltada às saídas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridas por fabricantes de “componentes, chassis, Fl. 3074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 8 carroçarias, partes e peças dos produtos a que se refere o art. 1º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002” (máquinas, implementos e veículos classificados nos códigos 73.09, 7310.29, 7612.90.12, 8424.81, 84.29, 8430.69.90, 84.32, 84.33, 84.34, 84.35, 84.36, 84.37, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05, 87.06 e 8716.20.00 da TIPI). No entanto, como bem observou a decisão recorrida, a recorrente não se dedica à fabricação de máquinas, implementos ou veículos, mas sim ao corte de bobinas ou chapas de aço/alumínio/cobre/latão em fitas, chapas, e blanks; ao aplainamento; à laminação de bordas; ao enrolamento em novelo, estiramento de fitas e relaminação de aços planos a frio. Portanto, não merece reparo a decisão. A recorrente alega ainda que “a apuração contábil apresentada está eivada de inconsistências, que totalizam o montante de R$ 493,197,18”, limitando-se a colacionar uma planilha com os supostos erros de valores em cada mês de apuração. A despeito da alegação da recorrente, a fiscalização elaborou planilha de apuração (fls. 1887-2219) contendo data de emissão, descrição da mercadoria, NCM, código CFOP, CST do IPI, chave da nota fiscal eletrônica, valor dos itens e o valor do IPI não destacado. Ou seja, as informações são detalhadas no sentido de se demonstrar como foi obtido o valor lançado. Ao alegar erro na apuração, mas não apontar, concretamente, quais notas ou valores foram incluídos indevidamente no lançamento, a recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar sua alegação, que lhe é atribuído pelo art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e pelo art. 373, inciso I, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Assim, nego provimento a este capítulo recursal. 1.5. IPI destacado em documentação fiscal, mas não declarado em DCTF nem recolhido A fiscalização também lançou valores relativos a IPI destacado em notas fiscais de saída emitidas pela recorrente, mas que não foi declarado em DCTF e nem recolhido. A recorrente impugnou o lançamento, sustentando que “o i. fiscal recebeu a informação da empresa que devida a um equívoco do sistema operacional que foi modificado, as notas fiscais foram emitidas de forma errônea”. Além disso, afirma ter constatado “diferenças na apuração apresentada quando da lavratura do auto de infração” e apresenta uma planilha com uma suposta diferença de R$ 18.562,17. Como já visto anteriormente, ao alegar “equívoco do sistema operacional” e “diferenças na apuração”, mas não esclarecer, concretamente, qual foi o erro de sistema, qual teria sido a maneira correta de emitir os documentos fiscais, bem como quais notas ou valores foram incluídos indevidamente no lançamento, carreando documentação que lastreasse tais afirmações, a recorrente não se desincumbiu do ônus de comprovar suas alegações, que lhe é atribuído pelo art. 36 da Lei nº 9.784/1999 e pelo art. 373, inciso I, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Fl. 3075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 9 Por fim, a recorrente lista algumas notas fiscais em relação às quais afirma que “na verdade trata-se de notas fiscais que se referem a complemento de valores e cobrança de fretes”. Como bem observou a decisão recorrida, não é possível sequer deduzir o que a recorrente pretende com tal afirmação. Ante o exposto, nego provimento ao recurso também nesse ponto. 1.6. Saídas com suspensão indevida do IPI Outra parcela do lançamento refere-se a saídas promovidas pela recorrente com suspensão do IPI com base no art. 29, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 10.637/2002. A autoridade fiscal constatou que “Nos três anos fiscalizados, [...] R$ 155.558.216,18 estão registrados em notas que saíram com suspensão do IPI com base no art.29, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.637 de 2002”. Ocorre que, intimada a apresentar a declaração de seus adquirentes de que eles cumprem os requisitos para comprar com suspensão do IPI, conforme preveem o inciso II do §7º do art. 29 da Lei nº 10.637/02, a empresa apresentou apenas declarações de apenas 3 clientes, de um total de 289 para os quais deu saída com suspensão do IPI. Além disso, a autoridade lançadora verificou que parte dessas saídas se deu para empresas do Simples Nacional, para as quais há expressa vedação de suspensão, conforme art. 27, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 948/2009. A empresa impugnou o lançamento, mas o acórdão recorrido manteve a exigência. Em seu recurso voluntário, a recorrente volta a se insurgir, alegando apenas que “a empresa entende que todas foram feitas nos termos legais e com a suspensão por lei concedida às faturas emitidas para empresas do segmento automotivo não havendo, repisa-se, que se falar em saídas com suspensão indevida”. Mais uma vez, não tem razão a recorrente. Apesar de a recorrente afirmar que “entende que todas foram feitas nos termos legais e com a suspensão por lei concedida”, o inciso II do §7º do art. 29 da Lei nº 10.637/02 impõe expressamente que as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Não tendo havido declaração prevista em lei como condição para a fruição do benefício da suspensão, por óbvio, as saídas não foram feitas nos termos legais. Em suma, a recorrente não poderia ter dado saída com suspensão do IPI. Mais uma vez, volta a alegar supostas imprecisões nos cálculos da fiscalização, sem apontar quais notas ou valores foram incluídos indevidamente no lançamento, a recorrente incide em alegação genérica sem lastro probatório mínimo, não se desincumbindo do ônus probatório que lhe é imposto. Assim, não merece reparos a decisão recorrida nesse ponto. 1.7. Qualificação da multa de ofício Fl. 3076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 10 A autoridade fiscal aplicou multa de ofício pelo não lançamento (destaque) do IPI nas notas fiscais emitidas com suspensão e também relativamente ao saldo devedor de IPI lançado, mas não declarado em DCTF e não recolhido, à glosa de crédito, a ajustes das notas complementares ao mês das notas originais (Débito Escriturado Depois do PA exigível) e ao IPI lançado não escriturado. A multa foi qualificada para o percentual de 150% nos casos em que a recorrente emitiu documentos fiscais com suspensão em desconformidade com a legislação e em que realizou aquisições de seus fornecedores com suspensão do IPI. A autoridade lançadora entendeu que a recorrente agiu de forma fraudulenta ao suspender o IPI, de forma reiterada, em documentos fiscais que emitiu para clientes que não cumpriam os requisitos legais, bem como ao fornecer declaração falsa para que seus fornecedores lhe vendessem com suspensão. Em sua peça de defesa, a recorrente contesta a qualificação da multa de ofício, aplicada no percentual de 150%. Sustenta se tratar de “voracidade fiscal”, invocando os princípios da proporcionalidade e da vedação ao confisco. Como visto, nas compras efetuadas pela IMBA com suspensão do IPI, ela prestou, por pelo menos três anos consecutivos, declaração ao seu fornecedor em que afirma ser “estabelecimento industrial fabricante preponderantemente de partes e peças dos produtos a que se refere o Artigo 1º da Lei 10.485/02”, o que restou demonstrado ser falso. Além disso, no período fiscalizado, a recorrente emitiu notas de saída com suspensão do IPI para 289 clientes e não apresentou à fiscalização as declarações de que eles cumpriam os requisitos, o que é legalmente estipulado (Art. 29, §7º, inciso II, da Lei nº 10.637/02). Soma-se a isso o fato de que parte desses clientes eram empresas enquadradas no regime do Simples, em relação às quais a suspensão é vedada. O trecho abaixo, extraído do Relatório de Auditoria Fiscal, dá a dimensão da representação dessas notas com suspensão indevida do IPI no faturamento da recorrente. Para que se tenha ideia do comportamento da empresa, das fiscais colhidas do SPED Nfe com filtro em receita bruta nos três anos fiscalizados, cuja soma é da ordem de R$ 260.000.000,00, a fiscalizada emitiu cerca de 75% com suspensão nas modalidades que mencionou (art.29 da lei 10.637 e art.43, inciso VII do RIPI), de 22% com destaque do IPI e somente 3% das notas fiscais de venda que compõem o faturamento foram emitidas sem destaque do IPI. Em síntese, como destacou o acórdão recorrido, “ora não havia condição de fruição por parte da Imba (não era produtora dos produtos beneficiados pela suspensão), ora não havia de haver fruição por inadequação de seus clientes”. Em ambos os casos, há elementos suficientes para se afirmar com convicção de que não se trata de mero erro, mas de verdadeira fraude nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Correta, portanto, a qualificação da multa nesses casos. A despeito disso, mister trazer à baila o art. 14 da Lei nº 14.689/2023, o qual dispõe: Fl. 3077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 11 Art. 14. Com fundamento no disposto no inciso IV do caput do art. 150 da Constituição Federal, referendado por decisões do Supremo Tribunal Federal, fica cancelado o montante da multa em autuação fiscal, inscrito ou não em dívida ativa da União, que exceda a 100% (cem por cento) do valor do crédito tributário apurado, mesmo que a multa esteja incluída em programas de refinanciamentos de dívidas, sobre as parcelas ainda a serem pagas que pelas referidas decisões judiciais sejam consideradas confisco ao contribuinte. Trata-se, portanto, de norma superveniente à autuação que limita, em regra, as multas em autuações fiscais ao patamar de 100% do valor do crédito tributário apurado. Tratando-se de penalidade, entendo que cabe a aplicação da retroatividade benigna prevista no artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional – CTN, que determina que a lei se aplica a ato ou fato pretérito ainda pendente de julgamento quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: [...] II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido: Acórdão 3401-013.523, de 16/10/2024, Rel. Cons. Leonardo Correia Lima Macedo Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 [...] PENALIDADE TRIBUTÁRIA. REDUÇÃO. LEI Nº 14.689, DE 2023. Conforme dispõe o art. 14 da Lei nº 14.689, de 2023, fica cancelada a parcela da multa que exceder 100% do montante do crédito tributário apurado. Pelo exposto, voto pela redução da multa qualificada ao patamar de 100%, em função da retroatividade benigna do art. 14 da Lei no 14.689/2023. 1.8. Responsabilidade solidária do sócio administrador Em seu recurso voluntário, a recorrente se insurge contra a imputação de responsabilidade solidário pelo crédito tributário ao sócio administrador à época dos fatos, Jayde Ferreira de Almeida Junior. Fl. 3078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 12 Em relação a esse ponto, estando a conclusão do órgão julgador de primeira instância em consonância com o entendimento deste Relator, com fundamento no art. 50, §1º, da Lei nº 9.784/1999, e no art. 114, §12º, inciso I, da Portaria MF nº 1.634/2023 (RICARF), adoto os fundamentos da decisão recorrida, transcrevendo, abaixo, o voto ao qual me filio: [...] só está legitimado a apresentar sua insurgência aquele que compartilha com a pessoa jurídica a responsabilidade de quitação do crédito tributário. No caso presente, o sócio-administrador JAYDE FERREIRA DE ALMEIDA JUNIOR, identificado no auto de infração como responsável solidário, não apresentou qualquer peça de insurgência, falecendo legitimidade à pessoa jurídica para que o fizesse em seu nome, a não ser em caso de representação legal, o que não aconteceu. No mesmo sentido: Acórdão 9101-005.394, de 11/03/2021, Rel. Cons. Caio Nader Quintella ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2005, 2006 RECURSO ESPECIAL. ILEGITIMIDADE PROCESSUAL POSTULATÓRIA DA PESSOA JURÍDICA PARA RECORRER EM NOME E EM DEFESA DE SEUS SÓCIOS OU ADMINISTRADORES. CONHECIMENTO INDEVIDO DOS TEMAS DE RESPONSABILIDADE PELA TURMA ORDINÁRIA. ANULAÇÃO DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL INDEVIDA. PREJUDICIALIDADE DA ANÁLISE MERITÓRIA DAS MATÉRIAS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. A Pessoa Jurídica autuada não possui legitimidade processual para postular, recorrer e requerer em nome e em defesa de interesses próprios de seus sócio ou administradores, bem como de outros terceiros, arrolados como responsáveis pelo crédito tributário no lançamento de ofício. Na medida em que o Acórdão recorrido julgou os temas de responsabilidade dos sócios da Contribuinte, exonerando sua responsabilidade tributária, a reforma de tal entendimento, pelo reconhecendo da ilegitimidade recursal da arguição e do atendimento ao pleito formulado, implica no reestabelecimento da sujeição passiva e na prejudicialidade da apreciação do mérito de tais matérias pela C. Instância especial. Assim, tendo em vista a falta de legitimidade processual da recorrente para apresentar defesa em nome do responsável solidário, voto por não conhecer do tópico “II.7 — INEXISTENCIA DE MÁ-FÉ OU DOLO POR PARTE DO SÓCIO ADMINISTRADOR” do recurso voluntário. 2. RECURSO VOLUNTÁRIO – JAYDE FERREIRA DE ALMEIDA JUNIOR 2.1 Admissibilidade Fl. 3079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 13 Com relação ao recurso voluntário do responsável solidário Jayde Ferreira de Almeida Junior, entendo que não merece ser conhecido. Explico. No presente caso, como há pluralidade de sujeitos no polo passivo da relação processual, mas o destino dos litisconsortes no plano material pode ser distinto (por exemplo, em tese, poderia haver a exclusão da responsabilidade do solidário Jayde com a manutenção da exigência para a IMBA), estamos diante de um litisconsórcio simples. Assim sendo, nos termos do art. 117 do CPC, cada parte deve ser considerada como litigante distinto. Como visto, apenas a IMBA apresentou impugnação à autuação; o solidário Jayde não apresentou impugnação, mas apenas recurso voluntário. Nesse contexto, ainda que eventual resultado favorável pudesse beneficiar o sujeito passivo solidário1 (conforme art. 1.005, parágrafo único, do CPC), não tendo ele apresentado impugnação à autuação, entendo que perdeu o interesse nos recursos subsequentes. É nesse sentido a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 1.449.736 – MT (2019/0041076-8) EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. RECURSO DE APELAÇÃO DE APENAS UM LITISCONSORTE. COISA JULGADA FORMAL PARA O LITISCONSORTE QUE NÃO APELOU. FALTA DE INTERESSE NOS RECURSOS SUBSEQUENTES. EM JUÍZO DE RETRATAÇÃO, AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. DECISÃO [...] Da acurada análise dos autos, constata-se que o Condomínio Civil do Pantanal Shopping não apelou da sentença, havendo apelação apenas da litisconsorte MSA Empresa Cinematográfica Ltda. Todavia, interpôs o presente recurso especial contra a decisão que julgou a apelação da referida litisconsorte. Ocorre que a jurisprudência desta Corte é no sentido de que há trânsito em julgado formal para o litisconsorte que não apela da decisão de primeiro grau, ficando tal litisconsorte carente de interesse para manejar os recursos subsequentes. 1 Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO E REVISÃO CONTRATUAL COMBINADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 373, II, DO CPC/2015 E 441 DO CC/2002. SÚMULAS 284/STF E 7/STJ. JULGAMENTO ULTRA OU EXTRA PETITA. NÃO CONFIGURAÇÃO. EFEITO EXPANSIVO SUBJETIVO DOS RECURSOS. ART. 1.005 DO CPC. APLICABILIDADE ÀS HIPÓTESES DE LITISCONSÓRCIO UNITÁRIO E ÀS DEMAIS QUE JUSTIFIQUEM TRATAMENTO IGUALITÁRIO DAS PARTES. [...] 4. A regra do art. 1.005 do CPC/2015 não se aplica apenas às hipóteses de litisconsórcio unitário, mas, também, a quaisquer outras hipóteses em que a ausência de tratamento igualitário entre as partes gere uma situação injustificável, insustentável ou aberrante. Precedentes. [...] (REsp n. 1.993.772/PR, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 7/6/2022, DJe de 13/6/2022.) Fl. 3080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 14 Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. NÃO-PROVIMENTO. 1. Litisconsorte passivo necessário que não recorre de decisão de primeiro grau que foi desfavorável à parte principal e, conseqüentemente, contra ele. Recurso interposto só pela parte demandada - União Federal. 2. Acórdão que transita em julgado em relação à União - parte principal demandada. 3. Recurso interposto contra o acórdão só pelo litisconsorte passivo necessário. 4. Trânsito em julgado consolidado em dois momentos: a) para o litisconsorte passivo necessário quando não recorreu da decisão de primeiro grau; b) para a parte passiva principal quando não recorreu do acórdão de segundo grau. 5. O art. 48 do CPC determina que "salvo disposição em contrário, os litisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa, como litigantes distintos; os atos e as omissões de um não prejudicarão nem beneficiarão os outros. 6. "Como o litisconsorte não recorreu, ou praticou ato incompatível com a vontade de recorrer (renúncia, desistência ou aquiescência), para ele a decisão transitou em julgado (coisa julgada formal), ou seja, não mais é impugnável" (Neri, p. 732, Código de Processo Civil Comentado, RT). [...] (AgRg no REsp 947.593/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/04/2008, DJe 04/06/2008); PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO DE IMÓVEL RURAL PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA. INTERVENÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA Nº 7/STJ. TERMO A QUO DO TRÂNSITO EM JULGADO. LITISCONSÓRCIO FACULTATIVO. [...] II - Em litisconsórcio facultativo a sentença contra a qual foi interposto recurso por um dos litisconsortes transita em julgado para o litisconsorte que não recorreu. [...] (AgRg no REsp 362.142/PR, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/11/2003, DJ 22/03/2004, p. 201). Dessa forma, não há como conhecer do recurso, em respeito à coisa julgada formal. [...] Fl. 3081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.346 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15215.720144/2017-94 15 Brasília, 19 de setembro de 2019. MINISTRO MARCO AURÉLIO BELLIZZE, Relator (AgInt no AREsp n. 1.449.736, Ministro Marco Aurélio Bellizze, DJe de 04/10/2019.) Nesse contexto, frise-se que o fato de o processo ter sido remetido para saneamento visando à juntada da ciência do acórdão recorrido pelo sujeito passivo solidário teve como único objetivo informá-lo sobre o andamento e o conteúdo da decisão proferida no processo, não lhe conferindo o direito de recorrer da decisão. Assim, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto por Jayde Ferreira de Almeida Junior. 3. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário interposto por Jayde Ferreira de Almeida Junior e por conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto por IMBA INDUSTRIA MINEIRA DE BENEFICIAMENTO DE AÇO LTDA, não conhecendo da parte em que se insurge contra a imputação de responsabilidade solidária ao sócio administrador, e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada para 100%. É como voto. Assinado Digitalmente Rafael Luiz Bueno da Cunha Fl. 3082DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1. RECURSO VOLUNTÁRIO – IMBA 1.1. Admissibilidade 1.2. Preliminar 1.3. Mérito 1.4. Compras com suspensão indevida do IPI 1.5. IPI destacado em documentação fiscal, mas não declarado em DCTF nem recolhido 1.6. Saídas com suspensão indevida do IPI 1.7. Qualificação da multa de ofício 1.8. Responsabilidade solidária do sócio administrador 2. RECURSO VOLUNTÁRIO – JAYDE FERREIRA DE ALMEIDA JUNIOR 3. DISPOSITIVO
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Numero do processo: 10805.912395/2021-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 18/01/2019
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA.
Não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido, em razão de suposta omissão, quando não violado o direito ao contraditório e a ampla defesa do contribuinte, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972.
O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF).
DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO.
Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTFWEB. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO.
Considerando que o pagamento indicado na declaração de compensação (PER/DCOMP Web) como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, correta a não homologação diante da ausência de pagamento indevido.
DCTFWEB. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXISTÊNCIA DE ERROS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO.
Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora.
A não apresentação de DCTFWeb retificadora para formalizar a existência do pagamento indevido, precedida, quando necessário, da apresentação de retificação da escrituração eSocial e EFD-Reinf, comprometem a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constituem óbice à homologação da compensação.
Uma vez instaurado o contencioso administrativo, não poderá ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTFWeb Retificadora quando desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTFWeb anterior.
Numero da decisão: 2201-012.561
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-012.556, de 23 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10805.912403/2021-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. Não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido, em razão de suposta omissão, quando não violado o direito ao contraditório e a ampla defesa do contribuinte, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF). DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Fl. 250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 2 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTFWEB. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o pagamento indicado na declaração de compensação (PER/DCOMP Web) como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, correta a não homologação diante da ausência de pagamento indevido. DCTFWEB. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXISTÊNCIA DE ERROS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora. A não apresentação de DCTFWeb retificadora para formalizar a existência do pagamento indevido, precedida, quando necessário, da apresentação de retificação da escrituração eSocial e EFD-Reinf, comprometem a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constituem óbice à homologação da compensação. Uma vez instaurado o contencioso administrativo, não poderá ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTFWeb Retificadora quando desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTFWeb anterior. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201- 012.556, de 23 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10805.912403/2021-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Fl. 251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 18/01/2019 DCOMP. DARF ALOCADO A DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE SALDO PARA A COMPENSAÇÃO DECLARADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em declaração (DCTFWeb) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, a compensação declarada resta não homologada. DCTFWEB. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXISTÊNCIA DE ERROS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora. A não apresentação de DCTFWeb retificadora para formalizar a existência do pagamento indevido, precedida, quando necessário, da apresentação de retificação da escrituração eSocial e EFD-Reinf, comprometem a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constituem óbice à homologação da compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Fl. 252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 4 Cientificado do resultado do julgamento, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual além de repisar os mesmos fundamentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, suscitou preliminar de nulidade da decisão de primeira instância diante da ausência de apreciação dos fundamentos de mérito pela DRJ. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo – o Recorrente foi intimado da decisão em 06/06/2023 e apresentou Recurso em 04/07/2023 – e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares (a) Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em sede de preliminar, o Recorrente suscita acerca da nulidade da decisão de primeira instância que – supostamente – não teria analisado as alegações de mérito trazidas na Manifestação de Inconformidade, especialmente no que tange a não incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas: vale-transporte, vale-refeição/alimentação, assistência médica/odontológica e previdência privada. Entretanto, em que pese os argumentos expostos pelo Recorrente, não comportam acolhimento. Em sede de processo administrativo fiscal, as nulidades encontram-se preconizadas pelo artigo 59 do Decreto n. 70.235/1972, recepcionado pelo artigo 12 do Decreto 7.574/2011, trazendo o artigo 60 do mesmo diploma legal, também recepcionado pelo artigo 13 deste último diploma legal, outras irregularidades, senão vejamos, in verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em Fl. 253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 5 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No presente caso, não vislumbro a nulidade do acórdão recorrido, tampouco a caracterização de cerceamento ao direito de defesa do Recorrente. Isso porque, conforme se constata da decisão de piso, os argumentos expostos pelo contribuinte, ainda que analisados de maneira perfunctória, foram rechaçados pelo julgador de primeiro grau, conforme se observa dos fundamentos que a seguir reproduzo: 6.9. Demais do tratado, no atinente às alegações e documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade quanto à existência de recolhimentos indevidos incidentes sobre vale-transporte, vale- refeição/alimentação, assistência médica ou odontológica, valores de previdência privada e remuneração paga a expatriados, tendo em vista que tais alegações não encontram aderência na respectiva escrituração (eSocial), revelam-se como alegações desprovidas de respaldo probatório. 6.10. Não sobra repisar que o eSocial, quando entregue sem ressalvas, corresponde ao cumprimento da obrigação acessória de entrega das folhas de pagamentos, com base em que são aferidas as contribuições sociais previdenciárias devidas. 6.11. Dito de outra forma, a partir da escrituração digital entregue à RFB, contendo a interpretação adotada pelo próprio contribuinte quanto à subsunção das rubricas de sua folha de pagamento às respectivas hipóteses de incidência previdenciárias, são apuradas as contribuições previdenciárias devidas e, com efeito, confere-se legitimidade aos débitos incluídos na DCTFWeb. 6.12. Consequencialmente, verificada a existência de equívocos na escrituração eSocial entregue, tornar-se-ia imprescindível a retificação desta, dando conhecimento ao Fisco das informações da folha de pagamento que entendesse por correta e, sendo o caso, justificar a origem de tais retificações, com a apresentação dos elementos necessários e suficientes para a comprovação da acurácia dos procedimentos realizados. 6.12.1. Diante de tudo quanto entretecido, deixa-se de analisar as alegações específicas erigidas na Manifestação de Inconformidade quanto à potencial existência de outros pagamentos indevidos, tendo em vista não encontrarem respaldo na escrituração suporte (eSocial) ativa e válida, confeccionada e declarada pelo próprio contribuinte à RFB. Outrossim, no que tange ao exame pormenorizado de cada uma das argumentações jurídicas ou provas trazidas na defesa, assim como também o racional utilizado na decisão de origem, enquanto sucinto, destaco desde já o decidido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, em sede de repercussão geral – AI 791.292, com a fixação do Tema nº 339, cuja tese a seguir transcrevo: Tema 339 – STF Fl. 254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 6 O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Dito isto, rejeito a preliminar suscitada no Recurso Voluntário, dada a ausência de nulidade do acórdão recorrido. (b) Nulidade do Despacho Decisório: Da – Suposta – Ausência de Motivação A compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os PER/DCOMP Web se prestam a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, o contribuinte pretende a compensação dos débitos informados nos PERD/DCOMP Web vinculados ao mesmo direito creditório apontado no documento de arrecadação (DARF Unificado) de valor R$ 1.672.830,87. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP Web como origem do crédito, não havia saldo disponível para liquidação dos débitos tributários declarados pelo ora Recorrente. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o valor total do crédito requerido no PER não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débitos declarados pelo contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do exato valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado em DCTFWeb. A conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos sistemas da RFB, que decorrem das informações prestadas através de declarações fiscais próprias (tais como EFD-Reinf, eSocial, DCTFWeb), válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Conforme se verifica no corpo do citado despacho, não havia qualquer incongruência entre os débitos Fl. 255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 7 declarados em DCTFWeb e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF Unificado. Outrossim, conforme já dito anteriormente, em sede de processo administrativo fiscal as nulidades estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, ao passo que o artigo seguinte, traz as hipóteses de outras irregularidades, passíveis de serem sanadas, e que não acarretam nulidade do despacho decisório. A mera discordância do recorrente em relação ao conteúdo do despacho decisório, não tem o condão de torná-lo nulo, mesmo porque, uma vez lavrado, abre-se ao contribuinte a possibilidade de se defender nesta via administrativa, como de fato fez. O inconformismo do recorrente volta-se, na realidade, contra o mérito do lançamento, o que se passa a analisar na sequência. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Do Mérito (a) Da Compensação Tributária O instituto da compensação tributária está previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), constituindo-se em uma das formas de extinção do crédito tributário: conforme expressa o art. 156, inc. II, do CTN. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II - a compensação; [...] Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Embora a compensação conste como modalidade de extinção do crédito tributário desde a publicação do CTN, a regulamentação do art. 170 se deu apenas com a publicação da Lei nº 8.383/91 que disciplinou os aspectos gerais da compensação em âmbito federal, determinando que somente poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie (art. 66, § 1º). Nota-se que, à época da publicação da Lei nº 8.383/91, a Lei nº 8.212/91, que disciplina a organização da Seguridade Social e regula o seu custeio, não apresentava regras próprias de compensação de indébitos relacionados às contribuições previdenciárias, mas apenas previa a possibilidade de sua restituição. Somente com o advento da Lei nº 9.032/95, com as alterações que produziu na Lei nº 8.212/91, a compensação de indébitos relacionados às contribuições Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 8 previdenciárias passou a ser prevista em sua legislação específica. Por oportuno, transcreve-se os artigos pertinentes da Lei nº 8.212/91 na sua redação atual: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Com a publicação da Lei nº 11.457/07, a competência para “planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias passou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme dispõe o art. 2º. O parágrafo único do art. 26 da mesma lei, no entanto, vedou expressamente a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, à compensação das contribuições previdenciárias. Por conseguinte, na compensação das contribuições previdenciárias manteve-se a aplicação das regras expressas no art. 66 da Lei nº 8.383/91, combinadas com as previstas no art. 89 da Lei nº 8.212/91. No entanto, as regras aplicadas à compensação previdenciária foram impactadas com a publicação da Lei nº 13.670/18 que possibilitou a aplicação da chamada “compensação cruzada” aos indébitos relacionados às contribuições previdenciárias ao revogar o parágrafo único do art. 26 e incluir o art. 26-A na Lei nº 11.457/07: Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no prazo máximo de 30 (trinta) dias úteis, contado da data em que ela for promovida de ofício ou em que for apresentada a declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. (Parágrafo único revogado pela Lei nº 13.670, de 2018) Art. 26-A. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 9 I - aplica-se à compensação das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei efetuada pela sujeito passivo que utilizar o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), para apuração das referidas contribuições, observado o disposto no § 1º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) [...] § 1º Não poderão ser objeto da compensação de que trata o inciso I do caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) I - o débito das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) a) relativo a período de apuração anterior à utilização do eSocial para a apuração das referidas contribuições; e (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) b) relativo a período de apuração posterior à utilização do eSocial com crédito dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil concernente a período de apuração anterior à utilização do eSocial para apuração das referidas contribuições; e (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) II - o débito dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) a) relativo a período de apuração anterior à utilização do eSocial para apuração de tributos com crédito concernente às contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) b) com crédito das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei relativo a período de apuração anterior à utilização do eSocial para apuração das referidas contribuições. (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) Os dispositivos legais anteriormente destacados delimitam as condições para que os contribuintes possam adotar a nova modalidade da chamada “compensação cruzada”, considerada aquela que possibilita, aos contribuintes que utilizarem o eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas) para declarar os débitos previdenciários e de outras entidades e fundos, a compensação desses débitos com créditos relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB. Importante destacar que, para os fins do disposto na legislação, atendem ao requisito de apuração das contribuições previdenciárias por meio do eSocial aquelas empresas que transmitam a DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos). Assim, em síntese: (a) só é permitida a compensação de crédito fazendário com débito previdenciário e vice-versa, se ambos forem referentes a períodos em que o contribuinte estava obrigado à entrega da DCTFWeb; b) quanto aos créditos previdenciários, é permitida a sua compensação com débitos previdenciários Fl. 258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 10 declarados em DCTFWeb, mesmo quando referentes a períodos anteriores à DCTFWeb (períodos de GFIP). Com a unificação do regime de compensação dos tributos administrados pela RFB, as regras gerais de compensação previstas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 passaram a ser aplicáveis também às compensações de indébitos relacionados às contribuições previdenciárias e as destinadas a Outras Entidades e Fundos, respeitadas as limitações temporais relacionadas à obrigatoriedade da apresentação da DCTFWeb para a adoção do novo regime: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Nesse sentido, a IN RFB nº 1.810/18 modificou a IN RFB nº 1.717/17 com o fim de regulamentar as alterações promovidas pela Lei nº 13.670/18. Com isso, os procedimentos específicos previstos na IN RFB nº 1.717/17 sobre restituição e compensação de indébitos relacionados às contribuições previdenciárias e as destinadas a Outras Entidades e Fundos passaram a ser aplicáveis apenas àqueles contribuintes que não utilizarem o eSocial para apuração dessas contribuições, aplicando aos demais contribuintes que utilizarem o eSocial as regras gerais de restituição e compensação previstas para os indébitos relacionados aos demais tributos administrados pela RFB: IN RFB nº 1.717/07: Art. 2º A RFB poderá restituir as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; [...] Art. 7º A restituição poderá ser efetuada: I - a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou [...] Fl. 259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 11 § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo por meio do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, por meio do formulário Pedido de Restituição ou de Ressarcimento, constante do Anexo I desta Instrução Normativa. [...] Art. 11. A restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração, exceto quando o requerente for segurado ou terceiro não responsável por essa declaração. [...] Art. 30-A. A empresa contratada que utilizar o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) para apuração das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, e possuir saldo de retenção em seu favor, após a dedução de que trata o art. 88-A, poderá pleitear a sua restituição, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada na Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) Parágrafo único. Na falta de destaque do valor da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá receber a restituição pleiteada somente se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) [...] Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. [...] Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. [...] Fl. 260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 12 Seção VII – Da Compensação de Contribuições Previdenciárias pelo Sujeito Passivo que Não Utilizar o eSocial para Apuração das Contribuições (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) [...] Art. 88-A. Na hipótese de utilização do eSocial para apuração das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, a empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá deduzir o valor retido das contribuições devidas na respectiva competência, desde que a retenção esteja: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) I - declarada na EFD-Reinf na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) II - destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 1º A dedução a que se refere o caput deverá ser efetuada na DCTFWeb. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 2º Para fins de dedução da importância retida, será considerada como competência da retenção o mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 3º O sujeito passivo poderá requerer a restituição do saldo remanescente, na forma estabelecida no art. 30-A, ou utilizá-lo em declaração de compensação, na forma estabelecida no art. 65. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) Para possibilitar a “compensação cruzada” e a compensação de indébitos relacionadas a contribuições declaradas por meio da DCTFWeb, foi disponibilizado ao contribuinte nova versão de declaração de compensação chamada de PER/DCOMP Web, acessado diretamente no Portal e-CAC. Assim, desde 27/08/2018, com a utilização desse sistema os contribuintes poderiam (i) compensar débitos previdenciários oriundos da DCTF Web, sendo que os saldos a pagar dos débitos apurados serão importados automaticamente da DCTF Web para o PER/DCOMP Web, limitando a compensação a esses valores; (ii) fazer pedido de restituição ou declaração de compensação informando crédito de pagamento indevido ou a maior de eSocial, ou seja, pagamento do DARF gerado pela DCTF Web em duplicidade ou que se tornou indevido em razão de retificação da DCTF Web; (iii) fazer compensação cruzada, ou seja, compensar débitos fazendários com créditos previdenciários e vice versa, desde que tanto o crédito quanto o débito sejam apurados a partir de agosto de 2018. Fl. 261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 13 Depreende-se do quanto exposto até o momento que, embora o contribuinte alegue possuir direito creditório disponível para utilização mediante compensação, tal fato não foi confirmado a partir do confronto de sua declaração DCTFWeb e o respectivo DARF Unificado. Assim, as alegações apresentadas pela Recorrente de que seu direito creditório seria originado de recolhimentos indevidos oriundos de recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas indenizatórias só podem ser entendidas como supostos erros cometidos na declaração DCTFWeb que se encontra ativa e válida. Ressalta-se que a DCTFWeb, elaborada a partir das informações prestadas nas escriturações dos módulos eSocial e EFD-Reinf (Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais), ambos integrantes do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), substitui a GFIP como instrumento de confissão de dívida e de constituição do crédito previdenciário, conforme cronograma previsto na IN RFB n° 1.787/18 e alterações posteriores, sendo de entrega obrigatória em relação aos tributos cujos fatos geradores ocorrerem nas competências indicadas para cada grupo de contribuintes: IN RFB nº 1.787/182: Art. 4º A DCTFWeb deverá ser elaborada a partir das informações prestadas nas escriturações do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) ou da Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf), módulos integrantes do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). [...] Art. 6º A DCTFWeb conterá informações relativas às contribuições previdenciárias: I - previstas nas alíneas “a” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991; II - instituídas a título de substituição às incidentes sobre a folha de pagamento, inclusive as referentes à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB)de que trata a Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011; e III - destinadas a outras entidades ou fundos. § 1º Os valores relativos às contribuições exigidas em lançamento de ofício poderão ser informados na DCTFWeb como créditos, para fins de vinculação aos débitos apurados. § 2º Os valores retidos pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra na forma prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, integrarão as informações da DCTFWeb da empresa tomadora de serviços. [...] Art. 13. A DCTFWeb substitui a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) como instrumento de Fl. 262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 14 confissão de dívida e de constituição do crédito previdenciário. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1819, de 26 de julho de 2018) [...] § 4º Os fatos geradores referentes a períodos anteriores aos mencionados nos §§ 1º e 3º, conforme o caso, continuarão a ser declarados por meio de GFIP, de acordo com as orientações previstas na Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, e no manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16 de outubro de 2008. Na nova sistemática da declaração DCTFWeb, são de suma importância as informações prestadas pelo contribuinte por meio das escriturações eSocial e EFD-Reinf, vez que é mediante essas escriturações que são prestadas todas os dados necessários para a apuração das contribuições sociais previdenciárias. O eSocial é o instrumento de unificação da prestação das informações referentes à escrituração das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas e tem por finalidade padronizar sua transmissão, validação, armazenamento e distribuição e, juntamente com a EFD-Reinf e a DCTFWeb, substituirá a obrigação de entrega dessas informações em GFIP. Além de serem de apresentação obrigatória pelos contribuintes a elas submetidas, tais escriturações têm o condão de comprovar o cumprimento de parte das obrigações acessórias a que estão sujeitos, conforme previsto na IN RFB nº 971/09 e alterações posteriores: Art. 47. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: [...] III - elaborar folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de forma coletiva por estabelecimento, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização e resumo geral, (...) [...] VIII - informar mensalmente, à RFB e ao Conselho Curador do FGTS, em GFIP emitida por estabelecimento da empresa, com informações distintas por tomador de serviço e por obra de construção civil, os dados cadastrais, os fatos geradores, a base de cálculo e os valores devidos das contribuições sociais e outras informações de interesse da RFB e do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, na forma estabelecida no Manual da GFIP; [...] XI - comunicar ao INSS acidente de trabalho ocorrido com segurado empregado e trabalhador avulso, até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato; [...] Fl. 263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 15 XIII - elaborar e manter atualizado Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) abrangendo as atividades desenvolvidas por trabalhador exposto a agente nocivo existente no ambiente de trabalho e fornecer ao trabalhador, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, conforme disposto no inciso VI do art. 291 e no art. 295; [...] § 1º-A Durante a implementação progressiva do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) e da Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf), conforme calendário fixado por Resolução do Comitê Diretivo do eSocial e por Instrução Normativa da RFB: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) [...] II - a obrigação acessória prevista no inciso III do caput será cumprida na forma prevista no citado inciso e mediante o envio, com sucesso, dos eventos S-1200, S 1202 e S-1210 ao eSocial; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) III - a obrigação acessória prevista no inciso VIII do caput será cumprida na forma prevista no citado inciso e mediante o envio, com sucesso, dos eventos S-1299 - Fechamento dos Eventos Periódicos ao eSocial e R-2099 - Fechamento dos Eventos Periódicos à EFD-Reinf; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) IV - as obrigações acessórias previstas nos incisos XI e XIII do caput serão cumpridas nas formas previstas nos citados incisos e mediante o envio, com sucesso, dos eventos S-1060, S-2210, S-2220, S-2240 e S-2241, relativos a Saúde e Segurança do Trabalhador (SST), ao eSocial. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) § 1º-B Após a implementação do eSocial e da EFD-Reinf, em conformidade com o disposto no § 1º do art. 2º do Decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, será emitido ato normativo da RFB fixando o termo a quo, a partir do qual as obrigações acessórias previstas nos incisos I, II, III, VIII, XI e XIII do caput passarão a ser cumpridas integralmente mediante o envio dos eventos pertinentes ao eSocial e à EFD-Reinf. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) § 1º-C A partir da competência julho de 2018 (para o 1º grupo), janeiro de 2019 (para o 2º grupo) e julho de 2019 (para o 3º grupo), conforme calendário de implementação progressiva do eSocial e da EFD-Reinf, publicados, respectivamente, em Resolução do Comitê Diretivo do eSocial e em ato da RFB, as contribuições sociais previdenciárias serão recolhidas por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), gerado no sistema Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb), conforme disciplinado em ato específico da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) Fl. 264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 16 Emerge como consequência do procedimento adotado na criação da DCTFWeb, que não permite a indicação manual dos débitos vez que essas informações são automaticamente obtidas das escriturações eSocial e EFD-Reinf já apresentadas pelo contribuinte, que eventual retificação de débitos sociais previdenciários já declarados não poderá ser corrigido mediante entrega, unicamente, de DCTFWeb retificadora. Uma vez que a apuração das contribuições sociais previdenciárias é realizada nas escriturações eSocial e EFD-Reinf, sua retificação se mostra necessária e imprescindível para que a declaração DCTFWeb retificadora passe a informar o débito corretamente. É de se observar que o Recorrente não alegou ter efetuado quaisquer retificações na escrituração fiscal eSocial e na DCTFWeb, embora tenha apresentado alegações da existência de recolhimentos indevidos incidentes sobre verbas entendidas como não integrantes do salário de contribuição, além de erro na alíquota de RAT Ajustado. Nos termos da legislação pertinente, cumpria ao contribuinte a incumbência de realizar as alterações que entendesse necessárias na citada declaração, cabendo ao Fisco apenas a conferência do quanto declarado e sua adequação as demais informações constantes dos sistemas informatizados à disposição da RFB: IN RFB nº 1.787/18: Art. 10. A alteração das informações prestadas em DCTFWeb, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTFWeb retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTFWeb retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. [...] § 5º O direito de o sujeito passivo pleitear a retificação da DCTFWeb extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Considerando o exposto, uma vez que a declaração DCTFWeb ativa não permitiu a confirmação da existência do direito creditório indicado em PER/DCOMP Web e não há notícia de que o contribuinte tenha providenciado a retificação das declarações pertinentes (eSocial e DCTFWeb), correto o Despacho Decisório recorrido que informou não existir saldo disponível no DARF Numerado para sustentar a totalidade das compensações intentadas. Em suma, o Recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório (artigo 373, CPC), in casu, comprovar a existência da certeza e liquidez do seu direito creditório, especialmente porque não foi possível a apuração de saldo disponível para realização da compensação intentada pelo sujeito passivo, correta, portanto, a glosa parcial da compensação tributária. Fl. 265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.561 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912395/2021-16 17 Logo, não há reparos a serem feitos na decisão de piso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, NEGAR-LHE provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Redator Fl. 266DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720290/2018-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constatam vícios na decisão embargada como omissões sobre pontos que deveriam ser apreciados.
Numero da decisão: 3301-014.854
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, integrando o acórdão com as razões relativas ao indeferimento da diligência e à possibilidade de revisão de ofício, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-014.834, de 17 de dezembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 13971.720087/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Marcelo Enk de Aguiar (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente(s) o conselheiro (a Rodrigo Kendi Hiramuki, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcelo Enk de Aguiar.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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HERING INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constatam vícios na decisão embargada como omissões sobre pontos que deveriam ser apreciados. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher, parcialmente, os embargos de declaração, integrando o acórdão com as razões relativas ao indeferimento da diligência e à possibilidade de revisão de ofício, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-014.834, de 17 de dezembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 13971.720087/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Marcelo Enk de Aguiar (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente(s) o conselheiro (a Rodrigo Kendi Hiramuki, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Marcelo Enk de Aguiar. Fl. 2242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de embargos de declaração opostos pelo contribuinte, em face de Acórdão de Recurso Voluntário, nos quais alega os seguintes vícios: 1. Erro na premissa de que não teriam sido apresentados os documentos que comprovassem o direito creditório e que a discussão é eminentemente conceitual; 2. Erro na premissa adotada pelo acórdão que teria afirmado que a Embargante teria anexado documentos que não guardariam relação com a competência ora em análise; 3. Contradição entre o indeferimento do pedido de diligência, por desnecessidade, e a conclusão de validade do despacho decisório, por supostamente ter analisado os documentos e concluído que não se caracterizariam como insumos, para fins de crédito de PIS e Cofins; 4. Contradição quanto à suficiência dos documentos que comprovam as despesas objeto do recurso voluntário, pios se os documentos apresentados pela embargante durante o procedimento de Fiscalização foram suficientes para o julgamento da DRJ porque não seriam supostamente suficientes para o julgamento do CARF; 5. Omissão quanto ao fato de que todos os documentos foram apresentados perante a Fiscalização; 6. Omissão quanto à análise dos documentos apresentados por amostragem em relação aos bens importados para revenda; 7. Omissão quanto aos fundamentos que demonstraram a nulidade da revisão de ofício. O despacho de admissibilidade admitiu parcialmente os embargos, para sanar a obscuridade quanto à validação do despacho decisório, a contradição quanto à rejeição da diligência e a omissão quanto aos fundamentos que demonstraram a nulidade da revisão de ofício”. É o relatório. Fl. 2243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A embargante tomou ciência do acórdão embargado em 03/02/2023, opondo os embargos em 08/02/2023, dentro do prazo de cinco dias previsto no artigo 116 do Anexo do Regimento Interno do CARF, sendo, portanto, tempestivos. Passo à análise dos vícios alegados. Contradição entre o indeferimento do pedido de diligência, por desnecessidade, e a conclusão de validade do despacho decisório, por supostamente ter analisado os documentos e concluído que não se caracterizariam como insumos, para fins de crédito de PIS e Cofins Quanto à validade do despacho decisório, a embargante alega obscuridade na afirmação de que o Despacho Decisório teria avaliado a essencialidade e relevância dos bens e serviços tomados pela embargante como insumos, conforme o excerto abaixo da decisão: “No despacho decisório consta expressamente que a certeza e liquidez do indébito pleiteado, decorrente de desconto de créditos do PIS, foram analisadas a partir da documentação apresentada pela recorrente. No entendimento daquela autoridade, os custos/despesas com bens e/ ou serviços cujos créditos foram glosados não constituem insumos e/ ou não são essenciais nem relevantes ao desenvolvimento de sua atividade econômica.” Contudo, no tópico “2. FUNDAMENTOS, item 2.1 – O Conceito de Insumos” do Despacho Decisório, a autoridade fiscal avaliou os insumos da embargante com base nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, com a seguinte conclusão feita: “Muito embora tal conceito suscite entre contribuintes e esta Secretaria discussões quanto a seu alcance, em sede administrativa tais controvérsias há muito perderam sentido. Por meio das Instruções Normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, ficou claro que por insumos devem ser entendidos aqueles bens e serviços que sejam diretamente utilizados no processo produtivo, em detrimento de teorias que defendam ser insumo todo e qualquer ônus suportado pela pessoa jurídica, como claramente demonstram as normas a seguir: [...] Fl. 2244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 4 Como se depreende, tanto um bem quanto um serviço podem ser considerados insumos, desde que atendidos os requisitos abaixo: a) Quando se trata de um bem utilizado na fabricação de produtos, ele deve: • exercer ação direta sobre o produto em fabricação; • sofrer alteração sob a forma de desgaste, dano ou perda de propriedade física ou química e; • não estar incluído no ativo imobilizado. b) Quando se trata de um bem utilizado na prestação de serviços, ele deve: • ser consumido na prestação deste serviço e; • não estar incluído no ativo imobilizado. c) Quando se trata de um serviço utilizado na fabricação de produtos, ele deve: • ser prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e; • ser aplicado ou consumido na produção ou fabricação do produto. d) Quando se trata de um serviço utilizado na prestação de serviços, ele deve: • ser prestado por pessoa jurídica domiciliada no país e; • ser aplicado ou consumido na prestação do serviço.” Destarte, é evidente que o Despacho Decisório não avaliou a essencialidade e/ou a relevância dos insumos, pois estava sob a égide das instruções normativas, posteriormente, declaradas ilegais pelo STJ no REsp 1.221.170/PR. Assim, o excerto acima transcrito da decisão deve ser alterado para: “No despacho decisório consta expressamente que a certeza e liquidez do indébito pleiteado, decorrente de desconto de créditos do PIS, foram analisadas a partir da documentação apresentada pela recorrente. No entendimento daquela autoridade, os custos/despesas com bens e/ ou serviços cujos créditos foram glosados não constituem insumos, nos termos das IN SRF nº 247/2002 e 404/2004, às quais estava a autoridade fiscal vinculada à época.” Contudo, o fato de o Despacho Decisório ter adotado um conceito de insumos, posteriormente declarado ilegal, não o torna ato nulo, nos termos do artigo 591 do Decreto nº 70.235/72. Apenas que deve ser reformado, para que os insumos sejam apreciados sob os critérios adotados no REsp 1.221.170/PR. 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 2245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 5 Assim, acolho os embargos nesta parte, para sanar a obscuridade, sem imprimir-lhes efeitos infringentes. Quanto ao indeferimento do pedido de diligência, a decisão embargada fundamentou a desnecessidade de diligência nos seguintes termos: “A recorrente requereu a baixa dos autos em diligência para verificar se foi observado o conceito de insumos dado pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR. No entanto, trata-se de pedido desnecessário, tendo em vista que o julgamento nesta fase recursal levará em conta o conceito de insumos dado pelo STJ naquele julgamento.” A meu ver, não há contradição, pois se o pedido de diligência é apenas para fazer a subsunção dos itens glosados ao conceito definido pelo STJ e a decisão iria realizar a subsunção, não haveria motivo para o deferimento da diligência. Já a questão relativa à documentação juntada aos autos ser suficiente, ou não, à subsunção do conceito de insumo não é fundamento à realização de diligência, se a recorrente teve oportunidade para juntar essa documentação aos autos. Por certo, quando da interposição da manifestação de inconformidade, não havia decisão do STJ proferida no REsp 1.221.170/PR. Contudo, na interposição do recurso voluntário, em 18/12/2019, já havia sido proferida a decisão do STJ, inclusive emitido o Parecer Cosit nº 5/2018, o que possibilitou à recorrente juntar quaisquer outros documentos que entendesse necessário para a subsunção dos insumos glosados aos critérios de essencialidade e relevância definidos no REsp 1.221.170/PR, nos termos da alínea “b”2 do §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 Assim, o acórdão deve ser integrado com o fundamento acerca da função da diligência no processo administrativo fiscal. Neste sentido, o ônus da prova, como já mencionado em outros capítulos, cabe a quem alega o direito. Destarte, deve ser aplicado o artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 e o artigo 373 do CPC, ou seja, caberia ao contribuinte juntar em recurso 2 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 2246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 6 voluntário os documentos suficientes à subsunção das glosas de insumos aos critérios do REsp 1.221.170/PR, não destinando a diligência a suprir deficiência probatória que já poderia ter sido suprida por ocasião da interposição da peça recursal. Portanto, acolho os embargos neste tópico, devendo o acórdão embargado ser integrado com as razões acima delineadas, sem efeitos infringentes. Omissão quanto aos fundamentos que demonstraram a nulidade da revisão de ofício A embargante alega que o acórdão embargado não apreciou os fundamentos aduzidos no recurso voluntário sobre a nulidade da revisão de ofício das compensações homologadas tacitamente, em desacordo com os arts. 145, 146 e 149 do CTN. No item 2.2 do recurso voluntário, a embargante aduziu que a revisão de ofício com base no artigo 149, inciso VIII do CTN, não seria aplicável à situação dos autos, tendo em vista o julgamento do REsp 1.130.545/RJ, sob a sistemática de recursos repetitivos, esclarecendo que somente fatos novos, desconhecidos pelo Fisco quando do lançamento ensejariam a possibilidade de revisão do lançamento anterior realizado. Alegou que houve alteração de critério jurídico quanto à essencialidade e relevância dos bens/serviços utilizados como insumos, ensejando a nulidade da revisão de ofício. Por sua vez, a decisão embargada consignou que “Ao contrário do entendimento da recorrente, a decisão revisora da autoridade administrativa está amparada no art. 145 c/c o art. 149, inciso VIII, ambos do CTN.” O caso concreto diz respeito à revisão de ofício da DCOMP 24023.41817.250912.1.7.04-3178, conforme excerto do Despacho Decisório: “Consta nos sistemas da Receita Federal do Brasil que a Declaração de Compensação no 24023.41817.250912.1.7.04-3178 encontra-se homologada, motivo pelo qual, no que tange a esta Declaração, a presente análise tem natureza de revisão de ofício.” Quanto à possibilidade de revisão de despacho decisório, entendo que a Administração Pública possui o poder-dever de anular de ofício os próprios atos eivados de ilegalidade, decorrente do princípio da autotutela. Neste sentido as Súmulas nº 346 e 473 do STF e os artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784, de 1.999: Fl. 2247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 7 Súmula nº 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula nº 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Lei nº 9.784/99: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogá-los por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé. O caso diz respeito a declaração de compensação, cujos créditos pleiteados devem ser líquidos e certos, a teor do artigo 170 do CTN. Ademais, não se trata de lançamento para constituição de crédito tributário, nos termos do artigo 149 do CTN, uma vez que os tributos objeto da declaração de compensação consistem em confissão de dívida e já estão lançados. Não houve lançamento de crédito tributário anterior ou posterior, sendo inaplicáveis ao caso os artigos 146 e 149 do CTN. Ademais, o art. 146 do CTN diz respeito à alteração de critério jurídico pela Administração Tributária de forma geral a ser aplicada a fatos futuros e não a decisões individuais no âmbito do contencioso administrativo, as quais não prospectam efeitos para os contribuintes em relação a fatos geradores futuros. Diante do exposto, voto para acolher, parcialmente, os embargos de declaração, integrando o acórdão com as razões relativas ao indeferimento da diligência e à possibilidade de revisão de ofício, sem, contudo, atribuir- lhes efeitos infringentes. Fl. 2248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.854 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.720290/2018-11 8 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher, parcialmente, os embargos de declaração, integrando o acórdão com as razões relativas ao indeferimento da diligência e à possibilidade de revisão de ofício, sem, contudo, atribuir-lhes efeitos infringentes. Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Redator Fl. 2249DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10715.006271/2010-56
Data da sessão: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3004-000.023
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após, retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após, retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3004-000.023 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.006271/2010-56 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 12-101.839, da 4ª Turma da DRJ/RJO, proferido em 20 de setembro de 2018, que assim relatou o feito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de multa no valor de R$ 5.000,00 referente à multa aplicada pela falta da prestação de informações sobre operações executadas, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. De acordo com a descrição dos fatos do Auto de Infração, a transportadora informou os dados de embarque no Siscomex, após o prazo de 7 dias. O artigo 107 do Decreto-Lei nº 37/1966 traz em seu bojo que embaraçar, dificultar ou impedir a ação da fiscalização aduaneira por qualquer meio ou forma constitui embaraço à fiscalização. Nesse caso, a própria IN RFB nº 28/2004, expressamente no artigo 44, enquadra esse descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque como embaraçço, cabendo, portanto, a multa prevista no Regulamento Aduaneiro. Devidamente cientificada, a interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, ilegitimidade passiva, cerceamento ao direito de defesa, imprecisão dos dados da autuação, ausência de anexação de provas pela RFB da infringência ao prazo para a prestação de informações A Turma Julgadora a quo, por unanimidade de votos, votou por “DEIXAR DE ACOLHER A IMPUGNAÇÃO, e considerar devida a exação no montante de R$ 5.000,00”, em acórdão sem redação de ementa, na forma da Portaria RFB nº 2724/2017. O Recurso Voluntário do Contribuinte reitera os argumentos da Impugnação pela ilegitimidade da multa aplicada. É o relatório. VOTO Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, Relatora O presente feito decorre da exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003, portanto, trata-se de processo administrativo de apuração de infração aduaneira. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3004-000.023 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.006271/2010-56 3 A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema nº 1293)1, que a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme seguinte tese firmada: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Dispõe o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Ou seja, nos termos da legislação, considera-se paralisado o processo durante o período em que não houver julgamento ou despacho. Na presente hipótese, o Contribuinte Recorrente apresentou sua Impugnação em 01/12/2010 (fl. 18). A decisão de primeira instância foi proferida em 20/09/2018 (fl. 46). Intimado da decisão de 1ª Instância em 07/05/2019 (fl. 57), o Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário em 15/05/2019 (fl. 71), que está sendo incluído em pauta de julgamento prevista para junho de 2025. Desse modo, há indicativo da paralização do processo por prazo superior a 3 (três) anos, portanto, com indicação da ocorrência de prescrição intercorrente, nos termos do julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, em decisão proferida sob o rito do recurso repetitivo. 1 REsp 2147578/SP e REsp 2147583/SP, ambos com acórdãos publicados em 27/03/2025. D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3004-000.023 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10715.006271/2010-56 4 Nos termos do RICARF/2023: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. Parágrafo único. O sobrestamento do julgamento previsto no caput não se aplica na hipótese em que o julgamento do recurso puder ser concluído independentemente de manifestação quanto ao tema afetado. Assim, proponho o sobrestamento do presente feito. Assinado Digitalmente Tatiana Josefovicz Belisário Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18239.001007/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 2202-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Unidade de Origem, para fins de que a Confederação Brasileira de Tênis seja intimada a informar o montante dos rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte, assim como as respectivas retenções de imposto de renda efetuadas no ano calendário 2004, sendo, na sequência, intimado o contribuinte para manifestar-se sobre o resultado dessa providência.
Assinado Digitalmente
Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator
Assinado Digitalmente
Ronnie Soares Anderson – Presidente
Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, encaminhar os autos à Unidade de Origem, para fins de que a Confederação Brasileira de Tênis seja intimada a informar o montante dos rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte, assim como as respectivas retenções de imposto de renda efetuadas no ano calendário 2004, sendo, na sequência, intimado o contribuinte para manifestar-se sobre o resultado dessa providência. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino – Relator Assinado Digitalmente Ronnie Soares Anderson – Presidente Participaram da reunião de julgamento os conselheiros Andressa Pegoraro Tomazela, Henrique Perlatto Moura, Marcelo Valverde Ferreira da Silva, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ronnie Soares Anderson (Presidente). RELATÓRIO Por brevidade, transcrevo o relatório elaborado pelo órgão julgador de origem, 14ª Turma da DRJ/RJ1, de lavra da auditora-fiscal Denise Moutinho dos Santos (Acórdão 12-44.169): Fl. 94DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2202-001.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18239.001007/2008-86 2 Trata-se de impugnação apresentada pelo interessado contra a Notificação de Lançamento de fls. 12/15 do e-processo, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2005, ano-calendário de 2004, em decorrência de compensação indevida de IRRF pelo contribuinte, que resultou em crédito tributário no montante de R$ 7.981,11, acrescido de multa de ofício e dos juros legais, referente à fonte pagadora CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TÊNIS – CNPJ 33.909.482/0001-56, como consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que integra a Notificação de Lançamento. Regularmente notificado, em 28/01/2008, AR à fl. 49 do e-processo, o interessado apresentou impugnação em 21/02/2008, aduzindo, em síntese, o que se segue: a) Que, em todos os atos do procedimento fiscal, o impugnante foi invariavelmente intimado, via postal, inclusive quando do recebimento da presente Notificação de Lançamento; b) Que, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a autoridade fiscal, simplesmente, glosa o valor do imposto de renda retido na fonte, declarado pelo impugnante em sua Declaração de Ajuste do exercício de 2005, sem levar em conta os diversos documentos apresentados em resposta ao Termo de Intimação nº 2005/60716028311090; c) Que, muito embora a fonte pagadora, Confederação Brasileira de Tênis, CNPJ 33.909.482/0001-56, não tenha emitido seu comprovante de rendimentos e retenção do imposto de renda, relativo ao ano-calendário de 2004, o impugnante, ciente de seus deveres, declarou ter recebido o valor total de R$ 50.000,00, como rendimentos tributáveis; d) Que, da mesma forma, ciente de seus direitos, tratou de informar à Receita Federal o total do imposto de renda, no valor de R$ 7.981,11, que lhe foi retido na fonte, no ano de 2004; e) Que, em nenhum momento, a autoridade fiscal exigiu que fosse apresentado qualquer comprovante da fonte pagadora; f) Que, o impugnante apresentou documentação farta que comprova ter recebido honorários da Confederação Brasileira de Tênis, em valores líquidos do Imposto de Renda, pois se tivesse recebido seus honorários em valores brutos, certamente que não seriam em valores quebrados, inclusive com centavos, como constam nos documentos internos da fonte pagadora, ora anexados; g) Que, a autoridade fiscal deveria ter diligenciado à fonte pagadora, levando consigo os documentos e as informações prestadas pelo impugnante; h) Que, no entender do impugnante, ao ignorar o seu requerimento, protocolado em 26/11/2007, deixando de atender ao pedido de diligência na Confederação Brasileira de Tênis, a autoridade fiscal causou, de uma forma mais contundente, prejuízo ao seu constitucional direito de defesa; Fl. 95DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2202-001.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18239.001007/2008-86 3 i) Que, tais rendimentos foram auferidos, a título de honorários, da Confederação Brasileira de Tênis, portanto, são originados do trabalho não-assalariado do livre exercício da profissão de contador, conforme preceitua o artigo 45, inciso I, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99); j) Que, a responsabilidade pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda, sobre rendimentos do trabalho não-assalariado percebido por pessoa física é da FONTE PAGADORA, conforme preceitua o artigo 717, do Decreto nº 3.000/99; k) Que, a Receita Federal com a edição do Parecer Normativo nº 1, de 24/09/2002 – DOU 25/09/2002, define conclusivamente a respeito do sujeito passivo da obrigação tributária e do responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos por pessoa física; l) Que, o impugnante agiu exatamente como dispõe o item 17 do Parecer Normativo nº 1, pois ofereceu à tributação o valor de seus honorários, recebidos durante o ano de 2004 e compensou o imposto de renda que lhe foi retido; m) Que, para fins de comprovação estão sendo anexados os extratos bancários do Banco Itaú, referentes à conta-corrente nº 00039-5, de titularidade do impugnante, onde os valores líquidos recebidos foram depositados; n) Que, junta, também, para fins de comprovação, a seguinte documentação: Recibos de honorários, no valor de R$ 6.000,00, emitidos em 04/02/2004, 01/06/2004, 06/07/2004 e no valor de R$ 8.000,00, emitido em 08/09/2004. E cópias de cheques emitidos pela fonte pagadora em favor do impugnante, todos de valor igual a R$ 5.064,73, emitidos em 05/04/2004, 12/04/2004 e 05/05/2004, bem como as respectivas cópias dos recibos de depósito em conta-corrente; o) Que, requer o Impugnante a anulação da Notificação de Lançamento por cerceamento de defesa, o deferimento da diligência na CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TÊNIS, requerida nesta impugnação, com a consequente anulação de todo o lançamento, a devolução do seu Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 1.615,52, corrigidos de acordo com a legislação fiscal, conforme DIRPF do exercício de 2005, ano-calendário de 2004. Caso venha a remanescer ainda alguma parcela do crédito tributário lançado, que seja excluída do seu cômputo a Taxa SELIC exigida a título de juros de mora. E protesta ainda, pela juntada de novas provas documentais, demonstrativos e outros elementos que venham se demonstrar necessários à comprovação das alegações ora articuladas. Referido acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2004 Imposto de Renda Retido Na Fonte – IRRF. Compensação. Fl. 96DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2202-001.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18239.001007/2008-86 4 Do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual pode ser deduzido o imposto de renda efetivamente retido pela fonte pagadora, desde que devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. Processo Administrativo Fiscal. Prova. Momento de Apresentação. Cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos que comprovem as alegações de defesa. Juros de Mora. Taxa Referencial SELIC. Havendo previsão legal para a aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do resultado do julgamento em 25/04/2013, uma quinta-feira (fls. 71– 73), a parte-recorrente interpôs o presente recurso voluntário em 21/05/2013, uma terça-feira (fls. 75), no qual se sustenta, sinteticamente: a) A ausência de diligência na fonte pagadora ofende o direito constitucional à ampla defesa, porquanto o pedido de diligência formulado pelo contribuinte foi ignorado tanto pela autoridade fiscal quanto pela autoridade julgadora, impedindo a apuração dos fatos relevantes à comprovação da retenção do imposto de renda na fonte. b) A autoridade fiscal violou o princípio da lealdade processual ao não esclarecer, no Termo de Intimação, que o verdadeiro objeto da fiscalização era a retenção do imposto de renda, limitando-se a solicitar documentos genéricos, como comprovantes de rendimentos, sem possibilitar defesa específica sobre a glosa realizada. c) A compensação glosada foi corretamente informada pelo contribuinte, em consonância com o item 17 do Parecer Normativo CST nº 1/2002, pois este ofereceu à tributação os rendimentos recebidos e declarou o valor do imposto de renda retido na fonte, conforme valores líquidos efetivamente creditados. d) A responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda é exclusiva da fonte pagadora nos casos de rendimentos do trabalho não assalariado, conforme artigo 717 do RIR/1999, sendo indevido imputar ao contribuinte a obrigação de comprovar o recolhimento, especialmente quando houve retenção e declaração da base tributável. e) A negativa de realização de diligência na Confederação Brasileira de Tênis, requerida reiteradamente pelo contribuinte, contraria o dever da Administração Fl. 97DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2202-001.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18239.001007/2008-86 5 de buscar a verdade material, uma vez que a comprovação da retenção depende de documentos em poder da fonte pagadora. f) Em caso semelhante, referente ao ano-calendário de 2003, a mesma fonte pagadora confirmou, em diligência promovida em outro processo, o pagamento e a retenção do imposto de renda, sendo incoerente que, para o ano seguinte, a autoridade tenha ignorado pedido idêntico, resultando em glosa do imposto. g) O conjunto probatório apresentado, incluindo extratos bancários, cópias de cheques, recibos de honorários e de depósito, comprova que os rendimentos recebidos já eram líquidos de imposto, o que indica, segundo o contribuinte, a efetiva retenção na fonte. h) A exigência de juros de mora calculados pela Taxa SELIC ofende o princípio da legalidade material, à medida que o lançamento seria indevido, pois o imposto já teria sido retido na fonte, e a dívida inexistente, tornando incabível a incidência da referida taxa. Diante do exposto, pede-se, textualmente: “[...] seja acolhido o presente recurso para, após a realização da diligência reiteradamente requerida, seja cancelado o débito fiscal reclamado.” É o relatório. VOTO O Conselheiro Thiago Buschinelli Sorrentino, relator: Encaminho o voto pela conversão do julgamento em diligência, para boa compreensão do quadro fático-jurídico. Os autos indicam uma peculiaridade, consistente na existência de outra decisão proferida por uma DRJ, em lançamento pertinente a diversos ano-calendário e exercício, que confirmaria a retenção. A existência dessa decisão é citada pelo recorrente (fls. 86-90). Assim devem os autos serem encaminhados à Unidade de Origem, para fins de que a Confederação Brasileira de Tênis seja intimada a informar o montante dos rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte, assim como as respectivas retenções de imposto de renda efetuadas no ano calendário 2004, sendo, na sequência, intimado o contribuinte para manifestar-se sobre o resultado dessa providência. Fl. 98DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 2202-001.045 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18239.001007/2008-86 6 É como voto. Assinado Digitalmente Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 99DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10845.720101/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO.
O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no v. acórdão recorrido não gera por si só a sua nulidade, especialmente, quando as questões decididas pelo r. decisum foram devidamente motivadas, observando o princípio da livre convicção fundamentada.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE.
Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos.
INSUMOS. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não dão direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS, tendo em vista que as contribuições não incidem sobre as receitas provenientes das vendas de estoques públicos.
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. APÓS ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PARA ANÁLISE DO PEDIDO. TAXA SELIC.
O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), nos termos do julgamento do REsp nº 1.767.945, em sede de Recurso Repetitivo, pelo STJ.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ.
Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores.
Numero da decisão: 3102-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade, para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, a fim de reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco; ii) por qualidade, para manter as glosas efetuadas sobre créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator), Joana Maria de Oliveira Guimarães e Francisca das Chagas Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral.
Assinado Digitalmente
Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente
Assinado Digitalmente
Jorge Luís Cabral – Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Francisca das Chagas Lemos (substituto[a] integral), Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ACÓRDÃO RECORRIDO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no v. acórdão recorrido não gera por si só a sua nulidade, especialmente, quando as questões decididas pelo r. decisum foram devidamente motivadas, observando o princípio da livre convicção fundamentada. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. INSUMOS. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). IMPOSSIBILIDADE. As aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não dão direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS, tendo em vista que as contribuições não incidem sobre as receitas provenientes das vendas de estoques públicos. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. APÓS ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PARA ANÁLISE DO PEDIDO. TAXA SELIC. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), nos termos do julgamento do REsp nº 1.767.945, em sede de Recurso Repetitivo, pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade, para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, a fim de reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco; ii) por qualidade, para manter as glosas efetuadas sobre créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator), Joana Maria de Oliveira Guimarães e Francisca das Chagas Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Francisca das Chagas Lemos (substituto[a] integral), Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. MERO INCONFORMISMO. O mero inconformismo do contribuinte com o entendimento exarado no v. acórdão recorrido não gera por si só a sua nulidade, especialmente, quando as questões decididas pelo r. decisum foram devidamente motivadas, observando o princípio da livre convicção fundamentada. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. INSUMOS. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). IMPOSSIBILIDADE. As aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não dão direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS, tendo em vista que as contribuições não incidem sobre as receitas provenientes das vendas de estoques públicos. DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. APÓS ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PARA ANÁLISE DO PEDIDO. TAXA SELIC. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido Fl. 673DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 2 administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), nos termos do julgamento do REsp nº 1.767.945, em sede de Recurso Repetitivo, pelo STJ. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade, para conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, a fim de reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco; ii) por qualidade, para manter as glosas efetuadas sobre créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas. Vencidos os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues (relator), Joana Maria de Oliveira Guimarães e Francisca das Chagas Lemos. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Luís Cabral. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues – Relator Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral – Redator designado Fl. 674DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Francisca das Chagas Lemos (substituto[a] integral), Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Jorge Luis Cabral, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP): Trata-se de Manifestação de Inconformidade apresentada pela empresa acima identificada contra o Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento e/ou não homologou a Declaração de Compensação. O Pedido de Ressarcimento - PER foi analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos e o crédito deferido/indeferido está demonstrado abaixo: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação - DCOMP para compensar parcialmente os créditos do PER com débitos próprios vencidos. A autoridade fiscal — após discorrer sobre a apuração e utilização dos créditos de contribuições, reguladas pela Lei nº 10.637/2002, e sobre a interpretação restritiva desta, por se tratar de benefício fiscal — apresentou os motivos para não conhecer a totalidade dos créditos formulados no Pedido de Ressarcimento, conforme a seguir reproduzido: "(...) 1) No que diz respeito às compras realizadas de cooperativas, em face das regras específicas, estabelecidas no artigo 15 da MP 2.158/2001, abaixo, foi necessário intimá-las para que informassem sua atividade social e quanto de sua receita foi excluída da tributação do Pis/Pasep e da Cofins, por ter sido repassada aos associados, finalidade precípua desse tipo de instituição. "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2a e 3º da Lei n° 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do Pis/Pasep: l — os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; Considerando suas respostas, aquelas que excluíram das bases de cálculo das contribuições os valores repassados, tiveram seus créditos glosados na contribuinte, com exceção das cooperativas agropecuárias, as quais tiveram seus créditos Fl. 675DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 4 convertidos em presumido, conforme prevê o artigo 9º da Lei n° 10.925/2004. (Grifei) 2) Foram feitas aquisições de produtos em bolsa de mercadorias operadoras das negociações com estoques públicos. De acordo com regulamentação promovida pelo Ofício SPC/MA n° 01-170/00, de 14.07.2000, não há recolhimento das contribuições relativas às vendas efetuadas, tendo sido os créditos registrados, integralmente glosados. 3) Foi adquirido café de empresas, discriminadas no mesmo Relatório Fiscal, cuja situação cadastral perante a RFB está registrada como inapta, suspensa, ou baixada. Alguns dos motivos que levaram ao cancelamento dessas empresas são: inexistência de fato, ausência de apresentação da DIRPJ ou apresentadas com receita zerada, declaração de inatividade, etc. Todas as pessoas jurídicas mencionadas no relatório não recolheram, nos períodos cm estudo, nenhum valor a título de Pis/Pasep e Cofins. Tais indícios corroboram as notícias de irregularidades que emergem desse mercado, no que tange à obtenção de créditos ilícitos de Pis e de Cofins. Cumpre lembrar, por oportuno, diante da ocorrência já comprovada, de operações fictícias e fraudulentas, montadas para esse fim c tidas como de conhecimento comum por quem atua nesse ramo, que a RFB, juntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal desencadearam as Operações "Broca" e "Robusta", revelando sua fraude mais comum: as vendas de café, realizadas efetivamente por pessoas físicas, eram dissimuladas através da constituição de interpostas pessoas jurídicas, as quais, na verdade, atuam como "empresas laranjas" ou "noteiras", de maneira a adequar suas operações ao disposto no artigo 3º, §3° da Lei n° 10.637/2002, gerando créditos de Pis e Cofins. (...) Sob o amparo dessa convicção, construída pela análise das divergências encontradas, e, ainda, ao abrigo do princípio da responsabilidade objetiva, estabelecida no artigo 136 do CTN, acima transcrito, resguardando sua responsabilidade funcional, a autoridade fiscal, responsável pelo diligenciamento do crédito, entendeu que, naqueles casos, expressamente listados no seu relatório, o crédito a ser concedido é o presumido, cuja previsão legal decorre do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. (...) Ressalte-se que a mudança na conceituação do crédito altera o dispositivo legal em que é inserido, cujo reflexo incide no seu montante e na sua utilização, ou seja: enquanto as compras feitas de pessoas jurídicas são remetidas ao inciso I do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, gerando um crédito à alíquota de 1,65%% sobre a integralidade da fatura, o crédito presumido reduz-se a 35% do crédito básico e, a despeito da exportação das mercadorias, só dava direito, na época dos fatos, a descontar a própria contribuição, não podendo ser ressarcido ou compensado com outros tributos." Fl. 676DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 5 A ciência do deferimento parcial do PER foi dada à contribuinte em 31/05/2012 (fl.54) e, dentro do prazo regulamentar — 28/06/2012 (fl.71), a contribuinte apresentou sua defesa. Na Manifestação de Inconformidade, após fazer um breve resumo dos fatos, a contribuinte abre o tópico "2.1 Preliminarmente: Nulidade Parcial do Decisório e Termo de Verificação Fiscal Respectivo", no qual, suscita a nulidade parcial do despacho decisório, sob o argumento de preterição do direito de defesa, em face de: i) existência de diligências externas realizadas (intimação de sociedades cooperativas e de fornecedores) sem oportunidade de vista antes da glosa efetivada; ii) a autoridade administrativa não ter dado conhecimento de todas as informações "lançadas" no Despacho Decisório e no Termo de Verificação Fiscal (apenas citação, sem anexos); e iii) "nos fundamentos do Termo de Verificação Fiscal", referir-se a um número superior de empresas consideradas inaptas/suspensas/baixadas, no período em questão. Para corroborar com o seu entendimento e defender a nulidade do Despacho Decisório, cita o inciso LIV do art. 5º da Constituição Federal, o art. 2º da Lei nº 9.784/199, o inciso II do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 e uma ementa do CARF sobre cerceamento do direito de defesa. Discorre também sobre a ilegalidade do uso da prova emprestada no caso concreto. No mérito, tópico denominado "Aquisições de Pessoas Jurídicas Inaptas, Suspensas e Baixadas, posteriormente: O direito ao Crédito Fiscal Integral", a contribuinte apresentou um extenso arrazoado acerca: i) dos "pressupostos da boa-fé previstos na Legislação Tributária devidamente cumpridos pela Manifestante: O pagamento do preço, recebimento da mercadoria e a escrituração dos documentos"; ii) da "Não-cumulatividade do PIS/PASEP e da Cofins: O Método Indireto Subtrativo de Apropriação dos Créditos; iii) "dos registros contábeis: os créditos foram devidamente escriturados pela Manifestante". e iv) da "prevalência da boa-fé: ausência de nexo de causalidade das diligências realizadas pela fiscalização sob denominação "Operação Tempo de Colheita" e "Operação Robusta". Extinção da Ação Penal pertinente à "Operação Broca"". No tópico seguinte, "Aquisições Realizadas de Pessoas Jurídicas Supostamente Inaptas/Inexistentes: O direito ao Crédito Fiscal Integral" — após narrar que a fiscalização glosou os créditos da contribuição para o PIS e da Cofins de aquisições da pessoa jurídica denominada São Sebastião Ltda e apresentar as razões que não justificariam a glosa de créditos, quais sejam: além das listadas no item anterior, o fato da inscrição do CNPJ do fornecedor ainda estar/permanecer ativa — assevera que não há razões críveis para afastar a sua boa-fé, bem como manter a glosa realizada pela fiscalização. No tópico "Aquisições do Ministério da Agricultura e Abastecimento(Conab): O Direito ao Crédito Fiscal Integral", inicialmente, a contribuinte comenta que a fiscalização glosou créditos de contribuições nas compras de café da CONAB, por intermédio do Banco do Brasil, e, na sequência, apresenta, num extenso Fl. 677DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 6 arrazoado, os motivos que justificariam o aproveitamento de créditos nessas operações/compras. Já no tópico "Das Aquisições de "Café Cru" de Sociedades Cooperativas de Produção que exercem Atividade Agroindustrial: Direito ao Crédito Fiscal Integral", abre-o discorrendo sobre o papel das sociedades cooperativas para a promoção da qualidade do café no mercado internacional e sobre o fenômeno econômico da "descommoditização" do café. Explica a cadeia produtiva do café e as diferenças em cada etapa de produção. Cita os pontos incontroversos da discussão e apresenta os motivos (de fato e de direito) que justificariam manter o crédito fiscal integral nas aquisições de sociedades cooperativas agroindustriais (equiparação às demais pessoas jurídicas). Por fim, no tópico "A Incidência da Taxa Selic: O entendimento do CARF", a manifestante, após citar o art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e uma decisão do CARF para corroborar com o seu entendimento, conclui: "Cabível, portanto, a incidência da Taxa SELIC, a contar do protocolo do pedido de ressarcimento em destaque. A Receita Federal do Brasil, depois de reformada a decisão, de acordo com a legislação de regência, deverá ressarcir todos os valores de créditos fiscais integrais da Contribuição para o P1S/PASEP e COFINS, inclusive aqueles já ressarcidos, com base em valores devidamente atualizados, não só como forma de corrigir os danos ocasionados com a sua mora, mas também com o fim de evitar o enriquecimento sem causa". Em face da afirmativa da contribuinte de que "a intimação de ciência do despacho decisório veio desacompanhada das principais informações, limitando-se a referir o número de outro processo, sem anexar ao procedimento em epígrafe" e da necessidade desta Turma de Julgamento saber se as aquisições de café das cooperativas foram submetidas à atividade agroindustrial (exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial), o processo foi convertido em diligência para que a delegacia de origem: i) segregasse as operações de compra de café das cooperativas que se enquadram no inciso III do §1º do art. 3º da Instrução Normativa nº 660/20062 (cooperativa de produção) das que se enquadram nº inciso II do art. 6º da mesma normativa (cooperativa agroindustrial); e iii) cientificasse, caso ainda não feito, de todos os termos constantes do Despacho Decisório e do Termo de Verificação Fiscal. Retornando os autos à DRF de origem, a autoridade a quo: i) cientificou a manifestante do Termo de Verificação Fiscal - TVF e seus anexos; e ii) esclareceu que nº período 07/2006 a 09/2006 não houve aquisições de cafés das cooperativas de produção pela contribuinte. Cientificada do TVF, a contribuinte apresentou a "Manifestação de Inconformidade Complementar" com os seguintes comentários a seguir sintetizados: Fl. 678DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 7 No tópico denominado "Anexos I e II: Aquisições de Pessoas Jurídicas Supostamente Irregulares, após o Período das Operações Objeto de Glosa", inicia- o dizendo que os pressupostos previstos na legislação de regência — apresentação de notas fiscais dos fornecedores e os comprovantes de pagamentos (extratos bancários) — foram atendidos para o fim de legitimar o direito ao crédito fiscal integral da contribuição. Discorreu sobre a validade dos depoimentos colhidos sem a sua oitiva, disse que continua sem acesso ao Termo de Encerramento da Ação Fiscal nº 06-110/2010 e apresenta os seguintes questionamentos: "Os depoimentos colhidos, sem a participação da Manifestante, referem-se a fatos relevantes ao caso concreto. E neste caso, questiona-se: qual a validade dessas declarações? A Manifestante foi intimada para prestar informações e/ou mesmo teve a oportunidade de contraditá-las? Está claro nos autos que não". Ainda sobre os depoimentos, afirma que "sequer tem conhecimento de qual processo judicial — ou até mesmo administrativos" constam os depoimentos colhidos e se há decisão definitiva acerca dos fatos narrados. Cita o art. 342 do Código Penal e traz à baila jurisprudências sobre o falso testemunho. Reitera a afirmação de que o CNPJ da Cafeeira São Sebastião continua ativo em 2017. Cita o inciso I do art. 29 da Instrução Normativa da RFB nº 1.634/2016 e questiona: "se há irregularidade com relação à empresa Cafeeira São Sebastião Ltda, o cadastro perante da Receita Federal do Brasil não deveria ser o espelho desta situação?". Por fim, encerra o tópico requerendo a reforma do Despacho Decisório "para o fim de reconhecer o direito ao crédito fiscal integral da contribuição em destaque - ou, ao menos, com relação às aquisições da Cafeeira São Sebastião Ltda. sejam revertidas as glosas da contribuição em destaque-o que se admite para inserir o pedido parcial". No tópico seguinte "Anexo III: Aquisições Junto aos Estoques Reguladores", reitera e complementa os motivos apresentados na primeira manifestação que justificariam o direito aos créditos integrais das contribuições nas aquisições de café da CONAB. Já no tópico "Anexo IV: Aquisições Junto às Sociedades Cooperativas" e na manifestação datada de complementar — após citar Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 e o Parecer PGFN/CAT nº 1.425/2014 e transcrever a afirmação da DRF de origem de que "não houve aquisições de cooperativa de produção no período de 07/2006 a 09/2006" — conclui: "Portanto, todas as aquisições de sociedades cooperativas do período são decorrentes de sociedades cooperativas agroindustriais, assim entendidas aquelas que exerceram, em etapa anterior "o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma Fl. 679DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 8 e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial" [Fato Incontroverso nos autos]". No pedido, requer a "aplicação da Solução de Consulta COSIT n°. 65, de 2014, com efeitos vinculantes, ratificada pelo Parecer PGFN/CAT n°. 1.425, de 2014, que reconhecem o direito ao crédito integral nas aquisições de café de sociedade cooperativa de produção agroindustrial do período, COM A CONSEQUENTE LIBERAÇÃO IMEDIATA DESTES CRÉDITOS". É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), por meio do Acórdão nº 14.75.764, de 23 de janeiro de 2018, decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, conforme entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NULIDADE. CONTRADITÓRIO NA APURAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Os princípios do contraditório e da ampla defesa não têm incidência na fase de apuração. Descabe sustentar nulidade do despacho decisório que respeitou os requisitos legais previstos e proporcionou amplo direito de defesa. Descabe sustentar nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição, e proporcionou amplo direito de defesa. JURISPRUDÊNCIA DO CARF. NÃO VINCULAÇÃO. Os acórdãos do CARF não possuem caráter vinculante para a DRJ. COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA. Não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento analisar e decidir originariamente sobre pedido de ressarcimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA. Glosa-se o crédito básico calculado sobre as aquisições de café de pessoas jurídicas cuja inexistência de fato ou a incapacidade para realizarem as vendas foi comprovada em processo administrativo que resultou nº cancelamento ou suspensão da inscrição no cadastro de pessoas jurídicas. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes à aquisição de café da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. Fl. 680DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 9 PIS/PASEP. CRÉDITOS DE COOPERATIVAS. A aquisição de café junto à cooperativa agroindustrial não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa do PIS/ COFINS, observados os limites e condições previstos na legislação. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei nº 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de COFINS/PIS de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A recorrente Sumatra – Comércio Exterior Ltda interpôs Recurso Voluntário, pleiteando, em breve síntese, o seguinte: 131. Ante o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência dos fundamentos que levaram à improcedência parcial da Manifestação de Inconformidade, requer-se: A) Preliminarmente, a nulidade parcial do acórdão recorrido, na parte em que mantém a glosa nas aquisições das pessoas jurídicas inaptas/suspensas e, ainda, com CNPJ ativo, por persistência do cerceamento do direito de defesa (artigo 59, inciso II, do Decreto nº. 70.235, de 1972; A.1) Em caso de não atendido o item “A” – o que se admite apenas para argumentar – ao menos, seja declarada nula a glosa das pessoas jurídicas que sequer foram citadas no acórdão recorrido, por ausência de motivação (cf. artigo 50 da Lei nº. 9.784, de 1999, c/ artigo 489 do CPC/15); e/ou sejam sanadas as omissões/obscuridades apontadas (cf. item 2.3, alíneas “a” a “d”); B) Caso não atendidos os pedidos pertinentes à nulidade - o que se admite apenas argumentar - que tais fundamentos sejam revertidos ao mérito, de modo a reformar o acórdão recorrido, em especial para reconhecer o direito: B.1) ao crédito fiscal integral nas aquisições de pessoas jurídicas declaradas inaptas, suspensas, baixadas, após o período de aquisições, e, inclusive, com CNPJ ativo; B.2) ao crédito fiscal integral nas aquisições do Ministério da Agricultura e Abastecimento (CONAB) em razão da sua natureza jurídica enquanto empresa pública; B.2.1) Em caso de persistir as glosas do item B.2 - o que se admite apenas para argumentar – que se aponte, especificamente, o fundamento legal da não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS com relação às operações praticadas pelo Ministério da Agricultura e Abastecimento (CONAB). Fl. 681DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 10 B.2) à atualização monetária pela Taxa SELIC, com relação aos créditos da contribuição em destaque já deferidos (incontroversos), bem como dos créditos deferidos por ocasião da reforma da decisão ora recorrida; B.3) à compensação com outros tributos administrados pela SRFB e/ou o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos reconhecidos e incontroversos, nos termos do artigo 7º-A da Lei nº. 12.599, de 2012; B.4) o reconhecimento da tributação reflexa com relação ao IRPJ e CSLL, em caso de manutenção da glosa dos créditos fiscais em discussão. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. 1 DA PRELIMINAR DE PERSISTÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou a nulidade parcial do despacho decisório e do Termo de Verificação Fiscal, por cerceamento de defesa, com base nos seguintes motivos: i) diligências externas da fiscalização realizadas sem oportunidade de vista à requerente — intimações direcionadas às sociedades cooperativas e aos fornecedores; ii) nos fundamentos do Termo de Verificação Fiscal, há mais empresas consideradas inaptas/suspensas/baixadas do que no período em discussão; iii) não se deu conhecimento de todas as informações "lançadas" no Despacho Decisório e no Termo de Verificação Fiscal, e (iv) a fiscalização não pode aproveitar prova emprestada de outro processo e imputar-lhe, a prática de atos de terceiros. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, assim se manifestou o v. acórdão recorrido: Quanto à alegação da contribuinte de que as diligências externas da fiscalização foram realizas sem oportunidade de vista à requerente, esta não se sustenta, pois os princípios do contraditório e da ampla defesa não têm incidência na fase de apuração, conforme entendimento majoritário do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: [...] Fl. 682DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 11 Com relação à alegação de cerceamento do direito de defesa em face de "nos fundamentos do Termo de Verificação Fiscal, a d. autoridade administrativa refere um número superior de empresas consideradas inaptas/suspensas/baixadas, no período em questão. Basta contraditar os fundamentos com o Anexo 1 (correto) para verificar que as aquisições destas pessoas jurídicas foram inferiores ao relatado na informação fiscal", esta também é improcedente, uma vez que o Termo de Verificação faz referência às operações do ano-calendário 2006 e, no Anexo 1, faz referência apenas ao trimestre do pedido de ressarcimento. Portanto, não há que se falar em contradição/incongruências no Despacho Decisório, muito menos em cerceamento do direito de defesa. Já quanto à alegação de preterição do direito de defesa em face de a autoridade não ter dado conhecimento de todas as informações "lançadas" no Despacho Decisório e no Termo de Verificação Fiscal, fez-se necessário converter o processo em diligência para a autoridade a quo cientificar a contribuinte, se ainda não tivesse feito. Uma vez cientificada a contribuinte das demais peças processuais e dos documentos acostados ao processo administrativo nº 15983.720184/2012-21, inclusive com direito a apresentar nova manifestação de inconformidade, em tese, não haveria mais que falar em cerceamento do direito de defesa. Contudo, na Manifestação de Inconformidade Complementar apresentada, a contribuinte alegou que continuou sem acesso ao Termo de Encerramento da Ação Fiscal nº 06-110/2010 da empresa Custódio Forzza Com. Exp. Ltda, no qual constam os depoimentos sobre o "modus operandi" de "empresas noteiras". Asseverou também que não foi intimada para prestar informações sobre aquela fiscalização nem teve a oportunidade de contraditar as testemunhas. Antes de enfrentar a questão apontada pela contribuinte, importa esclarecer que: primeiro, os depoimentos que a manifestante alega não ter acesso encontram-se parcialmente transcritos no "Anexo 2 - Cafeeira São Sebastião - Informação Fiscal"; segundo, os depoimentos são relatos de sócios de empresas e produtores de café colhidos em procedimento de fiscalização de outra empresa; a fiscalização, por meio destes depoimentos, apenas citou/identificou o/as "modus operandi"/características das "empresas noteiras" em geral; e, terceiro, as glosas de créditos das contribuições, nas aquisições de café da Cafeeira São Sebastião Ltda, ocorreram apenas no 2º, 3º e 4º trimestre de 2006. Esta preliminar também não merece ser acolhida. Explico: Durante o procedimento fiscal, a autoridade fiscal, por meio de indícios robustos, demonstrou que a Cafeeira São Sebastião atuava como mera intermediária nas compras de cafés de pessoas físicas pela contribuinte, caracterizando-a como empresa "noteira". Quais sejam (principais indícios): i) vendas sem a obtenção de lucro, ou com valor insignificante; ii) emissão de notas fiscais em substituição às emitidas por pessoas físicas, sem a movimentação física da mercadoria pelo seu estabelecimento; e, iii) depoimentos prestados pelas pessoas físicas, produtores Fl. 683DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 12 rurais e procuradores, dos quais a contribuinte teve acesso(processo nº 15983.720184/2012/21). No Anexo 2 da Informação Fiscal, a autoridade fiscal disse: Nessa condição, a Cafeeira São Sebastião tem as características das empresas consideradas como "Noteiras" e para embasar tal situação, reproduzo a seguir o modus operandi extraído do Termo de Encerramento da Ação Fiscal nº 06- 1109/2010, da empresa: CUSTÓDIO FORZZA COM. EXP. LTDA, emitido pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Vitória - ES (...) Do exposto acima, verifico que o fato de a autoridade fiscal relatar o modus operandi de evasão fiscal de outra empresa com o mesmo ramo de atividade, por meio de depoimentos ocorridos/colhidos em outra fiscalização, foi apenas para embasar o seu entendimento de que as compras da empresa São Sebastião tinham as mesmas características de compras de (outras) empresas "noteiras". Informo que a contribuinte teve acesso a depoimentos e respostas às intimações da fiscalização colhidos durante o procedimento de fiscalização para apurar o quantum de crédito a ressarcir da Sumatra. Destaco também que a fiscalização, antes de citar o modus operandi da empresa Custódio Forzza Com. Exp. Ltda, já dispunha, naquele momento, de indícios suficientes para provar que a Cafeeira São Sebastião possuía as características de empresa "noteiras" e atuava como mera intermediária na comercialização de café. Entendo que o fato de a fiscalização não intimar a contribuinte para prestar informações sobre os depoimentos ocorridos naquela fiscalização, nem oportunizá-la a contradita das testemunhas, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, uma vez que a base da fundamentação utilizada pela fiscalização para glosar os créditos de contribuições não é o fato concreto discutido naqueles autos, mas sim as características gerais de empresas "noteiras". Diante disso, e permitida à interessada exercer o seu direito de defesa por meio desta Manifestação de Inconformidade, entendo que a alegação de cerceamento de direito de defesa aventado pela contribuinte não merece prosperar. Por fim, a contribuinte entende que a autoridade fiscal utilizou-se ilegalmente de provas emprestadas colhidas nas operações "Tempo de Colheita" e "Broca". Tal afirmativa não merece prosperar, explico: Consta no Despacho Decisório: Tais indícios corroboram as notícias de irregularidades que emergem desse mercado, no que tange à obtenção de créditos ilícitos de Pis e de Cofins. Cumpre lembrar, por oportuno, diante da ocorrência já comprovada, de operações fictícias e fraudulentas, montadas para esse fim e tidas como de conhecimento comum por quem atua nesse ramo, que a RFB, juntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal desencadearam as Operações "Broca" e "Robusta", Fl. 684DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 13 revelando sua fraude mais comum: as vendas de café, realizadas efetivamente por pessoas físicas, eram dissimuladas através da constituição de interpostas pessoas jurídicas, as quais, na verdade, atuam como "empresas laranjas" ou "noteiras", de maneira a adequar suas operações ao disposto no artigo 3°, §3° da Lei n° 10.637/2002, gerando créditos de Pis e Cofins. Da análise do trecho do Despacho Decisório, verifico que a Delegacia da Receita Federal em Santos fez apenas citações das operações "Tempo de Colheita" e "Broca" para informar que essas operações, à época dos fatos, eram de conhecimento nacional e que a contribuinte, provavelmente, teria conhecimento. Assim, a metodologia das fraudes dessas operações, embora não devam ser desconsideradas/ignoradas na apuração das operações da manifestante, não há falar em contraditório dessas, uma vez que neste processo não as discute. A discussão se restringe a apuração do crédito de PIS/Cofins pela contribuinte utilizando a metodologia/características das operações "Tempo de Colheita" e "Broca". No ano-calendário de 2006, a autoridade fiscal glosou os créditos básicos das compras de café de 28 (vinte e oito) fornecedores — cuja inexistência de fato e/ou a incapacidade para realizarem as vendas foram comprovadas em processos administrativos(suspensão/inaptidão) nos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010 e detalhadas (reproduzidas)no processo administrativo nº 15983.720184/2012/21— e de 1 (um) fornecedor, Cafeeira São Sebastião, que atuava como mero intermediário nas compras de café. Em relação às compras desses fornecedores, não existiu empréstimo de prova, pois a contribuinte foi cientificada dos fatos, das constatações e das irregularidades apuradas (Despacho Decisório e PA nº 15983.720184/2012/21). Portanto, não há em falar em prova emprestada e, caso se entenda diferente, a contribuinte, após as diligências, foi cientificada de todos os fatos, possibilitando assim exercer o contraditório. Ciente dos fatos que levaram a autoridade fiscal a declarar simuladas/dissimuladas as operações de compra, não se sustenta a afirmação de cerceamento do direto de defesa no âmbito da ação fiscal/apuração do crédito. Diante do exposto, entendo que esta preliminar também merece ser rejeitada, pois não houve preterição ao direito de defesa e a decisão combatida cumpriu todos os requisitos da lei, sobretudo pelo Decreto nº 70.235/1972. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente pleiteia o reconhecimento da nulidade do v. acórdão recorrido, uma vez que “[a]lém da ausência de especificação/individualização dos processos administrativos e/ou judiciais onde foram colhidos os depoimentos, dois pontos persistiram, em flagrante preterição ao direito de defesa da Recorrente, com relação ao direito ao crédito fiscal integral nas aquisições de pessoas jurídicas alegadamente “irregulares”: (a) persistência da ilegalidade do uso da prova emprestada e; (b) generalização apressada das Fl. 685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 14 operações. Tudo isso, sem adentrar no fato de flagrantes contradições a serem sanadas por este e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”. Para corroborar sua alegação, menciona doutrina e jurisprudência, apresentando, em breve síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito: 2.1 Cerceamento do direito de defesa: a ilegalidade do uso da prova emprestada (ausência do pressuposto identidade das partes) 11. O direito de produzir prova engloba o direito à adequada oportunidade de requerer a sua produção, o direito de participar na sua realização e o direito de falar sobre os seus resultados. A forma de obtenção das provas foi indireta e não houve a participação da Recorrente na sua concepção, constituindo falta grave e motivo bastante para se constituir em cerceamento ao direito de defesa. Tanto é verdade que a Recorrente insistiu em obter nos números dos processos (administrativos ou mesmo judiciais) para o fim de adentrar na relação fática destes e entender como o seu nome foi inserido, sem que tivesse oportunidade de contraditar as acusações. 12. Admitir a utilização, tão somente, de elementos probatórios indiretos, colhidos à mercê da participação da Recorrente na produção e obtenção destas provas, para se presumir o seu suposto envolvimento ou conhecimento dos mencionados esquemas fraudulentos, seria legitimar uma prática abusiva da fiscalização, desprovida de qualquer respaldo legal. 13. Isto porque, são convicções baseadas em presunções construídas a partir de uma frágil correlação de eventos que, aparentemente, se aproximam em virtude da posição comercial e do tipo de operação praticada pela Recorrente, porém não conferem a necessária clareza ou certeza para suportar as conclusões do fisco, de modo que não são minimamente suficientes a embasar a glosa de referidos créditos. 14. É necessário que o fisco demonstre a inequívoca participação da Recorrente no esquema fraudulento que levou à glosa dos créditos, com clara demonstração do dolo, elemento volitivo necessário para configurar a figura da fraude e/ou simulação, o que está longe do caso concreto. 15. Assim, não basta estender as conclusões de provas obtidas de fatos apurados em processos em relação aos quais a Recorrente sequer foi parte do inquérito, sendo que nos autos não há nada que aponte para a sua participação ou conhecimento do esquema, tampouco que ateste, com base em provas incontroversas, qualquer relação de conluio com os fornecedores neste sentido. Tanto é verdade que se trata de fato incontroverso, conforme afirmado pelo i. Relator do acórdão recorrido: Fl. 686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 15 Além disso, adentrar no mérito de prova emprestada - tal como o caso concreto, a exemplo das informações cobertas por sigilo “Tempo de Colheita”, “Robusta” e “Broca”, ou mesmo operações de fiscalização das empresas Exportadora de Café Centro Oeste e Cafeeira São Sebastião - pressupõe um cuidado redobrado por parte da Administração Tributária. A despeito do legislador, que não costuma impor requisitos procedimentais à utilização da prova emprestada, a esta se aplicam as exigências processuais inerentes a essa modalidade probatória. [...] Em caso análogo ao presente, isto é, envolvendo a glosa de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, já houve manifestação do CARF no sentido de que a prova emprestada de outro processo, do qual o contribuinte autuado não tenha participado, não pode prevalecer. [...] 19. Disso se conclui que, se as partes envolvidas participaram do processo original, no qual foi produzida a prova a emprestar, é admissível que esta prova tenha a mesma eficácia do processo original. Contudo, a divergência ocorre quando no processo original não teve o contraditório entre as partes do processo em que se pretende tomar a prova emprestada, devendo a fiscalização proceder e instaurar o devido processo administrativo. [...] 20. De fato, não se deve ignorar o fato de que a prova emprestada processual não pode ser recebida com a mesma valoração obtida no processo que foi originariamente produzida, visto que “as circunstâncias do segundo processo, as particularidades do empréstimo e mesmo a variação na efetivação do contraditório, podem impor valoração diferente à prova, caso comparada com a força que lhe foi atribuída no primeiro processo.” 21. Como se verifica, as provas obtidas de fatos apurados nessas operações e pelas diligências fiscais não foram produzidas em processo envolvendo a Recorrente como parte. Em outras palavras, esse ponto é mais uma demonstração incontestável de que resta ausente a demonstração de causalidade entre o fato considerado como ilícito e a participação e/ou colaboração da Recorrente. [...] Fl. 687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 16 24. Ora não se trata, assim, de simples ausência de contraditório na fase de apuração, mas muito antes, da necessária intimação da Recorrente naqueles processos para o fim de justificar, nestes autos, o uso da prova emprestada. Dessa forma, reforça-se que o aproveitamento da prova emprestada, a qual, diga-se, sequer pode ser tratada como prova sob a perspectiva da Recorrente, não merece prosperar por absoluta irracionalidade ao se imputar a esta, a prática de atos que teriam sido praticados por terceiros. 2.2 Cerceamento do direito de defesa: generalização das operações 25. De forma indistinta, a utilização da(s) prova(s) emprestada(s) foi motivadora para a manutenção da glosa dos créditos da contribuição em destaque com relação às aquisições das pessoas jurídicas alegadamente “irregulares”. Melhor explicando. Primeiramente, verificam-se quais foram as empresas fornecedoras do período em questão: 26. O certo é que as motivações do acórdão recorrido partem de diligências específicas – exclusivas - nos fornecedores “Exportadora de Café Centro Oeste Ltda” e “Cafeeira São Sebastião”, persistindo sem motivação as glosas dos demais fornecedores. Ignorar a veracidade das operações, para partir da generalização apressada dos acontecimentos a justificar as glosas dos créditos da contribuição em destaque com relação aos demais fornecedores, é sim, persistir em flagrante preterição do direito à ampla defesa em sede de processo administrativo fiscal. Glosa sem motivação, é glosa com preterição do direito de defesa! 2.3 Contradições/Obscuridades a serem sanadas 27. Algumas afirmações constantes no Acórdão recorrido deverão ser registradas em decisão deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para o fim de sanar vícios de contradição/obscuridades, a saber: a. Afirmação: “os depoimentos são relatos de sócios de empresas e produtores de café colhidos em procedimento de fiscalização de outra empresa” [...]: se são registros de outra empresa da qual a Recorrente não foi intimada para participar/contraditar as testemunhas, qual o fundamento legal para partir de prova emprestada ou mesmo efetuar a glosa dos créditos da contribuição em Fl. 688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 17 destaque? Seria o artigo 167 do Código Civil? O dolo tornou-se irrelevante para fins de incidência da legislação? b. Como, exatamente, participou a Recorrente do suposto esquema fraudulento / simulado / dissimulado constatado pela fiscalização? c. Neste caso, para que o negócio jurídico seja considerado simulado, qual a amplitude desse entendimento, mais especificamente é possível desconsiderar todas as aquisições do período, independente da particularidade do fornecedor? d. Sobre a afirmação: “a metodologia das fraudes dessas operações, embora não devam ser desconsideradas/ignoradas na apuração das operações da manifestante, não há o que falar em contraditório dessas, uma vez que neste processo não as discute”. Negar o contraditório aos depoimentos de pessoas físicas (“testemunhas”), não seria flagrante cerceamento do direito de defesa? 28. Por todos os ângulos, a nulidade do acórdão por cerceamento do direito de defesa é incontestável, seja diante da ilegalidade do uso da prova empestada, seja diante da generalização das glosas sem fundamentação legal, devendo-se, no mínimo, obter com o julgado deste e, CARF, a resposta aos quesitos de itens “a” a “d” para fim de serem sanadas as contradições/obscuridades apontadas na forma de alegações. 29. Para o fim de evitar novo cerceamento do direito de defesa - por precaução - caso Vossa Senhoria entenda não ser o caso de nulidade da glosa proposta pelo acórdão recorrido, que tais fundamentos sejam revertidos ao mérito, para o fim de procedência do presente Recurso Voluntário. Com a devida vênia, entendo que não assiste razão à recorrente. Conforme bem aduzido no v. acórdão recorrido, uma vez cientificada a contribuinte das demais peças processuais e dos documentos acostados ao PAF nº 15983.720184/2012-21, inclusive com direito a apresentar nova manifestação de inconformidade, não haveria mais que se falar em cerceamento do direito de defesa. Ademais, as provas tidas como emprestadas pela recorrente serviram apenas para a autoridade fiscal relatar o modus operandi de evasão fiscal de outras empresas do mesmo ramo de atividade, por meio de depoimentos ocorridos/colhidos em outra fiscalização, para embasar o seu entendimento de que as compras realizadas pela recorrente tinham as mesmas características de compras de (outras) empresas "noteiras". De igual modo, sem adentrar no mérito da controvérsia, não houve generalização das glosas sem fundamento legal, uma vez que a situação de cada uma das empresas, cujas aquisições foram alvo de glosa fiscal, está resumida na Informação Fiscal da fiscalização e seus anexos. As notas fiscais, os comprovantes de pagamentos, as diligências efetuadas, os Atos Declaratórios de Inaptidão, as informações de terceiros, o dossiê das empresas e os demais documentos estão juntados ao relatório denominado "Informação Fiscal" constante do processo nº 15983.720184/2012-21. Fl. 689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 18 Ou seja, em relação às compras desses fornecedores, não existiu empréstimo de prova, sendo a contribuinte devidamente cientificada dos fatos, das constatações e das irregularidades apuradas, os quais, no entendimento da fiscalização, justificavam as glosas dos créditos. Cumpre observar também que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o exercício pleno do direito à ampla defesa e ao contraditório está assegurado aos sujeitos passivos na faculdade de que dispõem de contestar o Despacho Decisório e recorrer do acórdão da DRJ, sendo descabido propugnar pelo seu exercício prévio. Neste sentido, Alberto Xavier leciona que: Em matéria de lançamento tributário a garantia de ampla defesa não atua necessariamente pela via do direito de audiência prévia à pratica do ato primário (pretenninatio hearing), mas no 'direito de recurso' deste mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa de uma impugnação em que seu direito de audiência assumirá força plena (posttenninatio hearing) . Tal matéria também foi objeto da Súmula CARF nº 162, cuja observância é obrigatória pelos Conselheiros do CARF, ex vi do art. 123, §4º do Regimento Interno do CARF (RICARF): Súmula CARF nº 162. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Da mesma forma, não há que se falar em nulidade do v. acórdão recorrido, quando as questões decididas pelo r. decisum foram devidamente motivadas, observando o princípio da livre convicção fundamentada, devendo as razões de insurgência da recorrente serem apreciadas em sede de julgamento do mérito do recurso. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido. 2 DO DIREITO AO CRÉDITO FISCAL INTEGRAL: AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS POSTERIORMENTE DECLARADAS INAPTAS/SUSPENSAS Neste tópico do Recurso Voluntário, a recorrente contesta os fundamentos adotados pelo v. acórdão recorrido para manter a glosa sobre os créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas, questionando, especialmente, a falta de provas de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas e de que o contribuinte teria participado de algum modo desse esquema. Para corroborar suas alegações, apresenta, em breve síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito: 37. Ao invés de justificar o inexplicável afastamento da boa-fé da Recorrente, fruto de presunção legal (artigo 82 da Lei nº 9.430, de 1996 e artigo 48 da Instrução Normativa RFB nº 1634, de 2016 - regulamentação semelhante vigente à época) e Fl. 690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 19 de todo conjunto probatório apresentado pela Recorrente(“veracidade das operações”), busca construir uma cortina de fumaça com base nas operações realizadas, restritamente, em 2 (dois) fornecedores, esquivando-se do embate jurídico da questão. 38. Recorre ao apelo dramático de números relacionados às investigações realizadas no contexto das referidas operações, mencionando fornecedores investigados da Recorrente, na tentativa de vinculá-la a ilícitos cometidos por terceiros. Não pode haver dúvida: diferentemente de outros casos analisados por este e. CARF, a Recorrente nunca foi intimada, investigada ou parte nas Operações Tempo de Colheita, Broca e Robusta, ou mesmo em outras operações de fiscalização de seus fornecedores. 39. Basta notar que o acórdão recorrido não afasta os argumentos da Recorrente e tampouco responde à própria questão que levanta: há prova de que o contribuinte, ora autuado, participou desse esquema? 40. O silêncio é eloquente e somente confirma aquilo que não requer esforço para ser notado: não há nenhum elemento que permita imputar a prática de fraude ou simulação à Recorrente, e nada do que é dito no acórdão tem aptidão para ser considerado o mais superficial indício de conduta típica e antijurídica que possa a ela ser atribuída. 41. Nem se diga que a questão “preço do café” e “quantidades” de um só fornecedor teria o condão de configurar fraude por parte da Recorrente. Basta conhecer as funcionalidades do mercado: o preço do café é fixado pelas regras do próprio mercado, o que não é estranho o fato de ser um ativo negociável na bolsa de mercadorias. O que importa é o produto em si, e não o seu fornecedor, sob pena de inviabilizá-lo como uma commodity. 42. Sem delongas, o certo é que o Acórdão busca fundamento em considerações genéricas, em “presunções” questionáveis e em meras conjecturas, tal como reconhecido pelo i. julgador. Conforme será exposto a seguir, tal expediente tenta conduzir à conclusão de que a Recorrente participou de esquema ilícito, sem, no entanto, que fosse feita qualquer análise detida dos fatos pertinentes a este caso ou das provas acerca da efetividade das operações de compra e de venda, bem como da boa-fé da Recorrente. Ressalta que não é parte em nenhum dos processos mencionados pela fiscalização, bem como, não lhe é imputada qualquer uma das acusações neles aduzidas, destacando “não ser possível exigir que a Recorrente produza provas que atestem a existência real dos fornecedores considerados inidôneos pela fiscalização e pelo acórdão recorrido. Isso porque, a Recorrente não possui qualquer ingerência com relação a esses fornecedores, podendo apenas provar – como já o fez – que tomou todas as precauções necessárias para verificar a idoneidade dessas empresas à época em que realizaram negócios e que estes foram realmente realizados (fato incontroverso)”. Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 20 Neste sentido, reforça que, nos termos da legislação pátria, mantém-se o direito ao crédito do terceiro interessado, adquirente de mercadorias de entidade cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta ou baixada, quando comprovado o pagamento do preço respectivo e o recebimento das mercadorias. Defende que a acusação fiscal se baseia no “conhecimento geral acerca das fraudes”, presumindo ser provável que a recorrente também soubesse e tenha colaborado com as fraudes, sustentando, com base em doutrina e jurisprudência, ser inafastável a necessidade de a fiscalização provar a infração à legislação tributária. No que se refere à efetividade das aquisições de mercadorias e à sua boa-fé, sustenta que adotou todas as precauções que lhe eram exigidas quanto à verificação da regularidades de seus fornecedores, ressaltando que, no período compreendido pela fiscalização, os fornecedores da recorrente encontravam-se em situação regular. Destaca, ainda, que tanto o v. acórdão recorrido quanto a fiscalização não contestam as aquisições de café cru beneficiado pela recorrente, nem que os respectivos preços foram pagos aos fornecedores, sustentando que a ausência de dúvida quanto a estes fatos é relevante, por estarem cumpridos os dois requisitos objetivos do artigo 82 da Lei nº 9.430/96 para que documentos emitidos por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ seja declarada inapta pela Receita Federal produzam efeitos tributários em favor de terceiros. Menciona também julgamentos deste e. CARF e o julgamento do REsp nº 1.148.444, em sede de Recurso Repetitivo, pelo C. STJ, em que foi reconhecido o direito ao aproveitamento de créditos de ICMS decorrentes de operações lastreadas em nota fiscal posteriormente declarada inidônea pelo adquirente de boa-fé. Ademais, especificamente sobre a empresa alegadamente irregular “Cafeeira São Sebastião Ltda” ressalta que seu CNPJ continua ATIVO nos cadastros públicos da Receita Federal do Brasil, questionando que: Se há a certeza da fraude nas operações, por que a Receita Federal do Brasil ainda mantém ativo o cadastro da pessoa jurídica em questão? Por fim, tece considerações acerca da sistemática não-cumulativa das contribuições ao PIS e da COFINS, para defender que a inexistência de recolhimento na operação anterior não inquina o crédito a ser apropriado pelo adquirente, bastando que tal operação esteja submetida à incidência das referidas contribuições. É o que passo a apreciar. Ao apreciar a manifestação de inconformidade, assim se manifestou o v. acórdão recorrido: A fiscalização glosou créditos de contribuições de aquisições de empresas com situações cadastrais perante a RFB registradas como inaptas ou suspensas, sob a alegação de que no mercado de café "não se pode aceitar a alegação da "boa-fé" relacionada à compra de café de empresas sem aporte financeiro ou mesmo logístico, que amparem as grandes quantidades de mercadorias e de dinheiro Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 21 envolvidas, já que segundo testemunhos, a fraude era de conhecimento geral". Os Atos Declaratórios de Inaptidão e de Suspensão foram emitidos nos períodos de 2008, 2009 e 2010. Esclareceu ainda que os principais motivos que levaram à inaptidão ou à suspensão das empresas são: "inexistência de fato, ausência de apresentação da DIRPJ ou apresentadas com receita zerada, declaração de inatividade, etc. Todas as pessoas jurídicas mencionadas no relatório não recolheram, nos períodos em estudo, nenhum valor a título de Pis/Pasep e Cofins". Já a contribuinte, para justificar que tem direito ao crédito, sustenta que diante da comprovação do recebimento e do pagamento do preço da mercadoria adquirida(café), da situação regular das empresas no momento da aquisição do café, comprovou sua boa-fé; e discorre sobre: o Método Indireto Subtrativo de Apropriação de Créditos das Contribuições; a ausência de nexo de causalidade das diligências realizadas pela fiscalização sob denominação "Operação Tempo de Colheita" e "Operação Robusta"; a extinção da Ação Penal pertinente à "Operação Broca"; a ausência da comprovação de que a manifestante tinha conhecimento de que as empresas inaptas/suspensas não recolhiam tributos. Em síntese, a controvérsia consiste em definir se há boa-fé da contribuinte nas aquisições de cafés de pessoas jurídicas (fornecedores) com situação “inapta” ou “suspensa” no CNPJ, mesmo que esta situação seja declarada posteriormente a emissão das notas fiscais, e se essas empresas atuaram como mera intermediária na venda de café de pessoas físicas com fim de gerar maiores créditos de contribuições de PIS e Cofins para a interessada. Antes de enfrentar o mérito, importa destacar/esclarecer que, no direito tributário, em face do princípio da primazia da realidade sobre a forma, permite- se que as relações jurídicas tributárias existentes no campo meramente formal sejam desconsideradas por não refletirem a realidade dos fatos, ou seja, deve prevalecer o que acontece realmente e não o que está no papel. Do mesmo modo, o Código Civil diz que é “nulo o negócio jurídico simulado” e subsistente o dissimulado, verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I - aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II - contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III - os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós-datados. § 2º Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Fl. 693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 22 Neste processo, embora não exista uma prova direta sobre a situação fática(interposição de pessoas), a autoridade fiscal indicou diversos indícios que atestam a materialidade do fato. Marcus Vinícius Rios Gonçalves, na sua obra "Novo Curso de Direito Processual Civil", ensina que indícios são sinais indicativos da existência ou veracidade de um fato, mas que, por si só, seriam insuficientes para prová-los. Contudo, a soma de vários indícios, ou a sua análise em conjunto com as demais circunstâncias, pode levar à prova do fato. Resumida a controvérsia e discorrido brevemente sobre o princípio da primazia da realidade sobre a forma e sobre a validade das provas indiciárias, passo a analisar os principais fatos acostados aos autos e ao processo nº 15983.720184/2012-21. Como relatado alhures, a auditoria não admitiu a apuração de créditos integrais calculados sobre as aquisições efetuadas de pessoas jurídicas com situação cadastral dos tipos “inapta” ou “suspensa” pela Administração Fiscal, por entender que houve interposição fraudulenta de pessoas jurídicas entre as pessoas físicas produtoras de café e a contribuinte. Assim, em outras palavras, o que se discute aqui é se a manifestante, ao adquirir café de empresas inidôneas — mesmo que declaradas posteriormente pela Receita Federal do Brasil - RFB, agiu em conluio com os fornecedores e com o objetivo de fraudar/lesar a União, ou se agiu de boa-fé. A situação de cada uma das empresas, cujas aquisições foram alvo de glosa fiscal, está resumida na Informação Fiscal da fiscalização e seus anexos. As notas fiscais, os comprovantes de pagamentos, as diligências efetuadas, os Atos Declaratórios de Inaptidão, as informações de terceiros, o dossiê das empresas e os demais documentos estão juntados ao relatório denominado "Informação Fiscal" constante do processo nº 15983.720184/2012-21. A fiscalização esclarece que as empresas inaptas e suspensas "registraram vultuosa movimentação financeira nos últimos períodos examinados (cinco anos) e não fizeram recolhimentos a título de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL nos períodos. Portanto, tais fatos ratificam os registros da Representação de Inaptidão, por serem empresas omissas contumazes e inexistentes de fato e os documentos emitidos por elas foram considerados inidôneos, nos termos do art. 48, da IN RFB n° 748/2007, e também, não poderiam ser utilizados por Terceiros para gerarem créditos das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins Não Cumulativos". Além dos fatos gerais relatados nos parágrafos anteriores (as empresas inaptas/suspensa não recolhiam tributos, eram inexistentes de fato etc), a fiscalização, de forma pormenorizada, destacou fatos relevantes das maiores empresas (inaptas ou suspensas) fornecedoras de café ou de notas fiscais à contribuinte no ano-calendário de 2006. Antes de prosseguir na análise, abro um parêntese e reproduzo a informação/conclusão da autoridade a quo sobre os créditos na aquisição de café Fl. 694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 23 no regime não cumulativo: "enquanto as compras feitas de pessoas jurídicas são remetidas ao inciso I do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, gerando um crédito à alíquota de 1,65% sobre a integralidade da fatura, o crédito presumido reduz-se a 35% do crédito básico e, a despeito da exportação das mercadorias, só dava direito, na época dos fatos, a descontar a própria contribuição, não podendo ser ressarcido ou compensado com outros tributos". Da conclusão acima, com a qual eu concordo, fica evidente que, caso as condições para a aquisição do café de pessoa jurídica sejam as mesmas de pessoa física, é vantajoso para a contribuinte adquiri-lo de pessoa jurídica. Contudo, não existindo nenhuma evasão fiscal por parte dos fornecedores, dificilmente, para não dizer impossível, estes terão melhores condições/preços do que os oferecidos pelos produtores rurais, uma vez que esses, alem de terem que recolher a contribuição para o PIS e a Cofins (1,65% do PIS e 7,6% do Cofins) incidentes sobre as suas receitas, possuem custos operacionais e não operacionais. Nos subtópicos da manifestação denominados de: i) "dos pressupostos da boa-fé previstos na Legislação Tributária devidamente cumpridos pela Manifestante: O pagamento do preço, recebimento da mercadoria e a escrituração dos documentos"; ii) "da prevalência da boa-fé: ausência de nexo de causalidade das diligências realizadas pela fiscalização sob denominação "Operação Tempo de Colheita" e "Operação Robusta". Extinção da Ação Penal pertinente à "Operação Broca""; e, iii) "dos registros contábeis: os créditos foram devidamente escriturados pela Manifestante" — a contribuinte defende que agiu com boa-fé na aquisição das mercadorias e que não tinha conhecimento das ilegalidades cometidas por seus fornecedores. Em face de a contribuinte não possuir o poder de polícia (de fiscalização), em tese, não seria possível esta conhecer as irregularidades de seus fornecedores. Contudo, no caso em tela, como a fiscalização demonstrou que os fornecedores da Sumatra figuravam como meros intermediários na comercialização de café (pessoa física ⇒ fornecedor ⇒ Sumatra) — pois, emitiam notas fiscais em substituição as emitidas pelas pessoas físicas e sem obtenção de lucro, ou com lucro insignificante — não há falar em evasão fiscal do fornecedor sem o conhecimento da adquirente de café (Sumatra), nem presunção de boa-fé deste. Tudo que a fiscalização constatou não é ficção, nem afirmação sem prova. Demonstro: No Anexo 1 do TVF, a fiscalização — com relação ao 2º maior fornecedor de café (créditos glosados) no ano-calendário de 2006, Exportadora de Café Centro Oeste — diz: Da análise dos documentos apresentados pela empresa Exportadora de Café Centro Oeste Ltda. e pelos produtores rurais acima citados constata-se que a empresa nas transações comerciais com a Sumatra Ltda., simplesmente atuou como intermediária, sem a obtenção de lucro e emitindo as notas fiscais nas aquisições de café, em substituição as emitidas pelas pessoas físicas. Estes fatos evidenciam o Fl. 695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 24 motivo pelo qual a empresa não efetuava os recolhimentos dos impostos e contribuições determinantes nessas transações comerciais, referente os períodos, ratificando os registros assinalados no Ato Declaratório que determinou a sua suspensão (Inaptidão). Cabe ressaltar os seguintes fatos: (Grifei) 1)- As aquisições de café da Exportadora de Café Centro Oeste Ltda., das pessoas físicas produtores rurais: José Hamilton Lajara e Edilberto Antonio Meneghetti, perfazem o total de R$1.656.000,00, conforme as notas fiscais especificadas no Demonstrativo nº 1. 2)- Comparando as notas fiscais emitidas pela empresa tendo como destinatário a Sumatra, com as emitidas pelas pessoas físicas citadas, constata-se que as notas fiscais têm os mesmos registros, ou seja, as datas, as quantidades de sacas e o total das notas fiscais são idênticos, caracterizando a inexistência de lucro e simplesmente mera transferência de fornecedor - de pessoa física para pessoa jurídica, conforme identificado nos Demonstrativos nº 1 e 2, e o seu total abaixo reproduzido. 3)- Da análise constata-se que as aquisições dessas pessoas físicas, produtores rurais, correspondem a 65,40% das vendas de café efetuado pela Exportadora de Café Centro Oeste Ltda. a Sumatra, ou seja, das notas fiscais emitidas no total de R$2.531.896,05, o montante de R$1.656.000,00, corresponde ao fornecimento dessas pessoas físicas. 4)- Que no mesmo período, ou seja, em 31/10/2006, a Sumatra adquiriu Café Beneficiado diretamente do produtor rural Edilberto Antonio Meneghetti, pelos mesmos valores época das transações, conforme a NF de Produtor Rural nº 40, de 31/10/2006 e NF nº 013523 da Sumatra Ltda. acima citadas. Como o fito de verificar a veracidade das alegações da fiscalização, procurei e identifiquei, no processo administrativo nº 15983.720184/2012-21, as notas fiscais emitidas pelo produtor rural Edilberto Antônio Meneguetti (item 2) para a Exportadora de Café Centro Oeste Ltda e as notas fiscais desta para a Sumatra, vejam-nas: Notas Fiscais de venda de café emitidas pela Exportadora de Café Centro Oeste Ltda. -Destaques: 1- Local da coleta (Dois Côrregos / Edilberto); 2-Destinatário (Sumatra) Fl. 696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 25 Fl. 697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 26 Notas Fiscais de venda de café emitidas por Edilberto Antônio Meneghetti e Outro e a respectiva nota fiscal de entrada emitida pela empresa Exportadora de Café Centro Oeste Ltda. Destaques: 1- Local de coleta (Dois Córregos / Edilberto); 2-Destinatário (Sumatra) Fl. 698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 27 Fl. 699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 28 Identifiquei também, no processo administrativo nº 15983.720184/2012-21, a declaração prestada pelo produtor rural Edilberto Antônio Meneghetti informando que o frete da venda do café era por conta do destinatário, vejam-na: Diante das notas fiscais acima reproduzidas e da declaração do produtor rural, fica evidente que a Exportadora de Café Centro Oeste Ltda simplesmente atuou como mera intermediária na comercialização de café (pessoa física ⇒ fornecedor ⇒ Sumatra), sem a obtenção de lucro e apenas emitindo as notas fiscais nas aquisições de café, em substituição às emitidas pelas pessoas físicas. Além do mais, como o café é um bem comum, inclusive caracterizado como commodities e comercializado na bolsa de mercadorias, não há presunção de boa- fé na aquisição de café de pessoa jurídica pelo mesmo valor do preço cobrado por Fl. 700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 29 pessoas físicas, conforme afirmado e demonstrado pela fiscalização e abaixo novamente reproduzido: 4)- Que no mesmo período, ou seja, em 31/10/2006, a Sumatra adquiriu Café Beneficiado diretamente do produtor rural Edilberto Antonio Meneghetti, pelos mesmos valores época das transações, conforme a NF de Produtor Rural nº 40, de 31/10/2006 e NF nº 013523 da Sumatra Ltda. acima citadas. Lembro ainda que a situação acima relatada/demonstrada não é nem foi um caso isolado aplicado a uma única empresa, esse modus operandi era também aplicado em outros fornecedores, vejam o que diz a fiscalização: Conclusão constando do Anexo 1 - Informação Fiscal Dos documentos apresentados pela Sumatra Ltda., tendo como fornecedores de sacas de café as empresas consideradas INAPTAS e a SUSPENSA, e também, pelas informações prestadas pelas pessoas físicas, produtores rurais e procuradores, acima citadas, ratificadas pelas emissões das notas fiscais, constata-se que as empresas Inaptas e a Suspensa atuaram como mera intermediária na transação, sem a obtenção de lucro, emitindo as notas fiscais em substituição as emitidas por pessoas físicas, sem a movimentação física da mercadoria pelo seu estabelecimento. As empresas Inaptas e a Suspensa não efetuavam os recolhimentos dos impostos e contribuições dessas transações comerciais (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) e apresentaram as Declarações de Rendimentos da Pessoa Jurídica na situação fiscal de Inativas, ou pelo regime tributário do Lucro Presumido(DIPJ). Na maioria dos casos da opção pelo regime de tributação do Lucro Presumido as Declarações dos períodos que foram objeto de análise continham os valores zerados, ratificando os registros assinalados nos Atos Declaratórios que determinaram a sua Inaptidão e Suspensão, ou seja, por serem empresas omissas contumazes e inexistentes de fato. Portanto, conclui-se que os fatos acima citados são determinantes para a glosa dos créditos integrais das Contribuições do PIS e da COFINS Não Cumulativos, pois as referidas empresas não fizeram os recolhimentos das contribuições nos períodos examinados, cujos documentos emitidos por elas foram considerados inidôneos, nos termos da legislação citada e, também não poderiam ser utilizados por terceiros para gerar créditos. No Anexo 2 da Informação Fiscal — "Glosas de créditos de contribuições nas aquisições de café da Cafeeira São Sebastião", verifiquei que a Cafeeira São Sebastião tinha também as mesmas características de empresas "noteiras" e agia da mesma forma dos fornecedores referenciados ano Anexo 1, mas com um agravante, o pagamento de 64,32% do total das vendas de café foi feito diretamente às pessoas físicas. Vejam as informações da fiscalização: - que a empresa Cafeeira São Sebastião adquiriu das pessoas físicas acima citadas, produtores rurais, a quantidade de 6.396 sacas de café do período de 2006, pelo valor de R$1.434.434,15, conforme demonstrado no Anexo 2-C, cujos totais foram consolidados e o seguir reproduzidos. Fl. 701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 30 - que da comparação de parte das notas fiscais apresentadas pelas pessoas físicas com as notas fiscais de vendas de café emitidas pela Cafeeira São Sebastião, tendo como destinatário a empresa Sumatra Ltda., constata-se as datas de aquisição e venda (transferência) para a Sumatra são próximas e os registros das quantidades de sacas são idênticos. Com relação aos totais das notas fiscais as diferenças a favor da Cafeeira São Sebastião são mínimas, inferiores a 1% (um por cento), caracterizando a mera transferência de fornecedor - de pessoa física para pessoa jurídica, conforme identificado nº Anexo 2-D, e os seus totais a seguir reproduzidos. (Grifei) - que, também constam no referido Anexo, as aquisições dessas pessoas físicas cujas quantidades de sacas fazem parte de lotes das notas fiscais emitidas contra a Sumatra Ltda. Existindo, também, a transferência de café com a emissão de nota fiscal pela Cafeeira São Sebastião (NF nº 750) de valor inferior a aquisição de sacas efetuada de Ernesto Barbosa Neto, conforme os dados extraídos dos pagamentos por procuração e especificados no Anexo 2-D(item 2); (Grifei) - que, as aquisições de café pela Sumatra Ltda., decorrentes dos fornecimentos da Cafeeira São Sebastião tiveram parte dos seus pagamentos como beneficiários as pessoas físicas acima citadas, como produtores rurais, ou como representantes destes, conforme demonstrado no Anexo 2-E e cujas quitações foram autorizadas pelo sócio/representante legal da Cafeeira São Sebastião, Sr. SEBASTIÃO CARLOS LADEIRA, através de procurações, cujas cópias fazem parte do presente. (Grifei) - que, na consolidação desses pagamentos do período de 2006, constata-se que a Cafeeira São Sebastião recebeu diretamente da Sumatra o total de R$1.643.497,67, ou seja, somente 35,68% do total do período, cujo montante corresponde ao valor de R$4.606.809,47, o restante foi destinado às pessoas físicas acima citadas e a seguir demonstrado: (...) - que, foi destinado o montante de R$1.446.615,92, a pessoa física, Sr. Clóvis Barbosa da Silva, não localizada no endereço de cadastro da Secretaria da Receita Federal, cujo Aviso de Recebimento - AR retornou do Correio com a informação Fl. 702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 31 "Endereço Insuficiente", cujo montante corresponde a 31,40% do total recebido pela Cafeeira São Sebastião no período. - Conforme os registros no Anexo 2-D, as diferenças entre as notas fiscais emitidas pelas pessoas físicas, produtores rurais e as notas fiscais da Cafeeira São Sebastião para a venda de café para a Sumatra Ltda., na maioria dos casos, tem como base os valores unitários de R$1,50 e R$2,00, por sacas de café, cujo lucro na transação é insignificante e não arcaria com o ânus das contribuições do PIS e da COFINS Não- Cumulativos incidentes, ou seja, 9,25% do valor da transação, 1,65% e 7,6%, respectivamente. As afirmações da fiscalização não são meras ilações sem prova. Os fatos estão/são detalhados e demonstrados nos autos, a título de exemplo reproduzo uma das procurações da Cafeeira São Sebastião cedendo créditos a produtor rural: Entendo que o fato de os fornecedores terem as suas inscrições no CNPJ declaradas irregulares apenas nos anos-calendário 2007, 2008 e 2009, e a requerente consultar a situação cadastral dos fornecedores antes das compras de café (situação regular) e demonstrar o pagamento não é o suficiente para demonstrar a boa-fé da adquirente, nos casos em que a fiscalização demonstre, por meio de fatos robustos, que as operações foram simuladas/dissimuladas. Dos fatos colhidos durante o procedimento fiscal — declarações de produtores rurais que venderam café aos fornecedores declarados inidôneos pela fiscalização; pagamentos diretamente aos produtores rurais, e não aos fornecedores; vendas de café pelos fornecedores sem a obtenção de lucro, ou com valor insignificante; emissão de notas fiscais em substituição às emitidas pelas pessoas físicas, os valores de venda ter praticamente o mesmo valor pago aos produtores rurais; os fornecedores não possuírem uma estrutura gerencial, operacional, patrimonial e Fl. 703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 32 financeira típica — não há como presumir a boa-fé da adquirente, nem que não tinha conhecimento das irregularidades dos fornecedores. Diante disso, entendo que a contribuinte agiu em conluio com os fornecedores para se beneficiar de créditos de contribuições superiores ao que teria se adquiridos cafés de pessoa física, motivo pelo qual a alegação da interessada de que adquiriu o café de boa-fé de fornecedores (pseudo) não se confirma, de modo que o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996 não se aplica ao caso em discussão. Quanto à alegação da contribuinte que a Cafeeira São Sebastião figura ainda como ativa no CNPJ, entendo que se trata de apenas um fato isolado (de boa-fé) no meio de um universo de indícios probatórios em sentido contrário e que a autoridade fiscal pode desconsiderar o negócio jurídico simulado sem necessariamente de desconsiderar a personalidade jurídica da pessoa interposta ou declarar a inaptidão da pessoa jurídica. Assim, demonstrado o negócio simulado (compra do café direto dos produtores rurais, agindo as empresas pseudo-atacadistas como meras vendedoras de notas fiscais de pessoas jurídicas) e afastada a alegação de boa fé da contribuinte, o negócio jurídico(compras de café dos atacadistas declarados inidôneos), independentemente da situação cadastral dos fornecedores, deve ser declarado nulo e subsistente o dissimulado (compra de café de pessoa física), nos termos do art. 167 do Código Civil e do princípio da primazia da realidade sobre a forma. Portanto, diante do exposto, entendo que a requerente adquiriu café de pessoa física (não de atacadistas) e não faz jus aos créditos da contribuição para PIS e da Cofins dessas operações. Cumpre destacar que as irregularidades apontadas pela fiscalização no PAF nº 15983.720184/2012-21 deram suporte às glosas efetuadas em diversos pedidos de ressarcimento realizados pela recorrente, tendo sido objeto de análise pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, deste e. CARF, no julgamento dos seguintes PAFs nº 15987.000270/2009- 88, 15987.000267/2009-64, 15987.000267/2009-64, 15987.000268/2009-17. Por pertinente, reproduzo o voto da i. Relatora Denise Madalena Green, no v. acórdão nº 3302-013.727, no qual àquela C. Turma decidiu, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter a glosa em relação às aquisições de café das empresas listadas no Anexo 1 da Informação Fiscal (relativas à COFINS do período de apuração 01/04/2006 a 30/06/2006),nos seguintes termos: A Autoridade Administrativa, com base no que restou constatado na Ação Fiscal decorrente do processo administrativo nº 15983.720184/2012-21, desconsiderou os créditos básico/integrais de PIS e Cofins não cumulativos pleiteado pela contribuinte, relativo à aquisição de café junto a pessoas jurídicas irregulares, das quais foram emitidos Atos Declaratórios de Inaptidão e de Suspensão, nos anos-calendário 2008, 2009 e 2010. Fl. 704DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 33 Segundo a informação fiscal Constante no Anexo I, os principais motivos que levaram à inaptidão ou à suspensão das empresas são: "inexistência de fato, ausência de apresentação da DIRPJ ou apresentadas com receita zerada, declaração de inatividade, etc. Todas as pessoas jurídicas mencionadas no relatório não recolheram, nos períodos em estudo, nenhum valor a título de Pis/Pasep e Cofins". Informa o Fisco, que de acordo com o que foi apurado no PA nº 15983.720184/2012-21, restou constatado que tais fornecedores atuaram como mera intermediária na transação, sem obtenção de lucro, emitindo notas fiscais em substituição as emitidas pelas pessoas físicas, não ocorrendo a movimentação física da mercadoria pelo seu estabelecimento. No julgamento da DRJ, o processo foi convertido em diligência para que a delegacia de origem cientificasse a contribuinte de todos os termos constantes do Despacho Decisório e do Termo de Verificação Fiscal, e dessa forma foram juntados os Anexos constantes da Informação Fiscal, contendo a conclusão do trabalho fiscal analisado nesse tópico. Oportuna a transcrição: [...] No Anexo 2 da Informação Fiscal, tem-se apuradas as glosas de créditos das contribuições nas aquisições realizadas da empresa Cafeeira São Sebastião, com as mesmas características das empresas fornecedoras referenciadas no Anexo 1. Ainda, restou constatado pela análise dos documentos apresentados pela recorrente, que parte dos pagamentos efetuados pelas aquisições realizadas da Cafeeira São Sebastião, tiveram como destinatários pessoas físicas, autorizados por procuração. Consta do Relatório Fiscal as seguintes informações prestadas pela fiscalização: [...] Na sequência a DRJ utiliza como fundamento para negar o crédito da recorrente uma provável (por semelhança de modus operandi) ilicitude nas operações que antecederam a venda – e consequentemente, a formação dos créditos. Isto é, a decisão de piso afirma tais indícios corroboram as notícias de irregularidades que emergem desse mercado, no que tange à obtenção de créditos ilícitos de Pis e de Cofins, diante da ocorrência já comprovada, de operações fictícias e fraudulentas, montadas para esse fim e tidas como de conhecimento comum por quem atua nesse ramo, que a RFB, juntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal desencadearam as Operações “Broca” e “Robusta”. Sobre o tema, a decisão de primeira instância afirma que “no caso em tela, como a fiscalização demonstrou que os fornecedores da Sumatra figuravam como meros intermediários na comercialização de café (pessoa física ⇒ fornecedor ⇒ Sumatra) — pois, emitiam notas fiscais em substituição as emitidas pelas pessoas físicas e sem obtenção de lucro, ou com lucro insignificante — não há falar em Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 34 evasão fiscal do fornecedor sem o conhecimento da adquirente de café (Sumatra), nem presunção de boa-fé deste.” Em contrapartida, defende a recorrente “que o Fisco não provou a efetiva participação do contribuinte em esquema de venda de notas fiscais, nem na constituição ou manutenção de um esquema com pseudoempresas a fim de obter vantagem no creditamento de tributos”. Afirma que “não existem provas, indícios ou presunções válidas que relacionem a Recorrente a suposto esquema ilícito, seja qual for a qualificação jurídica adota pelo acórdão recorrido (fraudulento, simulado ou dissimulado)”. Ainda aduz que: “Conquanto a inscrição no CNPJ de alguns dos fornecedores da Recorrente tenha sido declarada inapta (posteriormente), não há dúvidas de que a esta pagou o preço pelas mercadorias adquiridas e efetivamente as recebeu (fato incontroverso nos autos). Assim, atendidos os requisitos do artigo 82 da Lei nº 9.430, de 1996, está assegurado o direito da Recorrente ao valor integral dos créditos do PIS/PASEP e da COFINS decorrentes das aquisições de pessoas jurídicas, mormente quando não existem provas concretas da sua participação em supostos esquemas ilícitos”. Cita jurisprudência do STJ no julgamento do REsp 1.148.444/MG que deu origem à Súmula 509 do Superior Tribunal de Justiça. Nesse sentido cita julgados deste Conselho. Ressalta, que em diligência Fiscal requerida pela DRJ, no intuito de averiguar a regularidade dos fornecedores da recorrente, deixou de observar que a empresa Cafeeira São Sebastião Ltda, em 2018 encontrava-se ativa no sistema da Receita Federal, e que esse fato sequer foi mencionado pelo Auditor Fiscal encarregado da diligência e pela DRJ. Em relação ao crédito decorrente de aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas, inativas, baixadas relacionadas no Anexo 1, entendo assistir razão à recorrente. De fato, é de profundo conhecimento desse Colegiado os deslindes das operações denominada “Tempo de Colheita” e “Operação Robusta”. No entanto, a existência de uma fraude nacional no setor de atividade da recorrente não pode se levar à conclusão de que esta sabia ou tomou parte do esquema fraudulento, cabendo ao fisco indicar sua efetiva participação, ao menos com indícios, do suposto vínculo da recorrente com as fraudes apontadas naquelas investigações. Contudo, pelos elementos dos autos, que não há prova de que a recorrente tinha conhecimento de que as empresas das quais adquiriu o café funcionavam apenas de fachada e emitiram notas fiscais falsas, tampouco logrou êxito a fiscalização em demonstrar que a contribuinte mantinha relações comerciais com empresas de fachada, dolosamente, para fins de geração de créditos inexistentes. Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 35 Igualmente, a decisão de primeiro grau acabou se baseando em tais elementos circunstanciais para firmar sua convicção de que as aquisições de algumas empresas envolvidas naqueles ilícitos demandaria a glosa dos demais fornecedores da recorrente. Ainda, segundo a DRJ “embora não exista uma prova direta sobre a situação fática (interposição de pessoas), a autoridade fiscal indicou diversos indícios que atestam a materialidade do fato”. O que se extrai é que, no caso específico dos autos, não há provas de que a recorrente tenha participado nos eventos fraudulentos identificados, condição sine qua non para que se possa atribuir a responsabilidade tributária. Ainda, apesar da decisão de primeira instância entender que o caso concreto não segue o previsto no parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.430/96, não há que se restringir a aplicação do dispositivo, nos casos em que se discute a impossibilidade do desconto do crédito decorrentes da inidoneidade do documento fiscal que acobertou a operação, em que o adquirente dos bens/insumos comprova a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens. Quanto à questão já esta pacificado no STJ, em acórdão proferido em sede de repetitivos (Tema 272), a situação do adquirente de boa fé, nada há que se objetar. De fato, o STJ apenas ressaltou, no referido julgado, que a tão-somente declaração de inidoneidade das notas fiscais não opera efeitos ex tunc com relação ao adquirente de boa fé. No caso analisado pelo STJ, ficou evidente que não havia dúvidas quanto à efetiva realização do negócio jurídico, o que se pode facilmente comprovar pela leitura da ementa do acórdão proferido que abaixo se transcreve: [...] Apesar de tratarmos de espécies tributárias distintas, o tema julgado por este Tribunal é o mesmo do que nos é posto, aproveitamento de crédito não cumulativo decorrente de operação com empresa declarada inidônea e da pressuposta boa-fé da contribuinte. Aliás, a boa-fé e a veracidade da compra e venda são os dois requisitos que permitem o aproveitamento do crédito. Inexistindo qualquer deles, impossível o aproveitamento do crédito. [...] No presente caso, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Despacho Decisório, a informação de que foram apresentados os seguintes documentos: notas fiscais, comprovantes de pagamento, os conhecimentos de transporte rodoviário de carga e os extratos de contas correntes bancárias (fl.17): Fl. 707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 36 Nesse ponto, não há como negar que não se discute, nos autos, a existência do crédito, o que atrairia o ônus probatório para a contribuinte. A aquisição ocorreu e, nos termos da legislação de regência, esta aquisição gera, efetivamente, direito à crédito para o adquirente. Imputar à recorrente o ônus de comprovar que não participou da fraude é imputar a produção de prova negativa, o que é absolutamente rechaçado pelo sistema jurídico pátrio. Ultrapassada a questão relativa à ocorrência ou não de fraude, já que, como ressaltei, esta prova se faz despicienda na hipótese dos autos, é preciso analisar, exclusivamente, eventuais elementos de prova quanto à participação da recorrente na suposta fraude. Alega a Fiscalização, essencialmente, que as empresas vendedoras não apresentaram DIPJ no período objeto da autuação, e que se encontravam com o CNPJ baixado. Ora, quanto às DIPJs, entendo não ser possível a utilização desse meio de prova em face da recorrente, uma vez que esta não tem qualquer forma de acesso à tais documentos, protegidos pelo sigilo fiscal. Quanto ao fato dos CNPJs terem sido baixados, consta do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante o Despacho Decisório à fl.15, a informação de que os “Atos Declaratórios de Inaptidão e de Suspensão foram emitidos nos períodos de 2008, 2009 e 2011”, em momento posterior ao período de apuração em litígio. Portanto, de igual modo não há como legitimar tal argumento, uma vez que, no caso dos autos, os créditos glosados são relativos ao ano de 2006. No presente caso, a recorrente está sendo responsabilizada pelo fato de não ter fiscalizado a regularidade de seus fornecedores, o que, a meu ver, não pode ser chancelado, sob pena de subversão à própria segurança jurídica. Alias, a despeito da fraude, a adquirente suportou o ônus do crédito na aquisição das mercadorias, não sendo legítima a exclusão destes de sua escrita fiscal. Desse modo, não se pode manter as glosas efetuadas pela Fiscalização em relação ao ANEXO 1, na hipótese específica dos autos, uma vez que ausente demonstração fiscal quanto à participação da recorrente em qualquer ato ensejador da pretendida descaracterização das aquisições realizadas, devendo- se manter a presunção de boafé do adquirente. De outro lado, em relação ao crédito decorrente de aquisições junto a empresa Cafeeira São Sebastião Ltda., relacionado no Anexo 2, há prova nos autos de que parte do pagamento foram realizados diretamente a produtores rurais. Conforme colacionado acima, consta dos autos que desses pagamentos do período de 2006, Fl. 708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 37 constatou-se que a Cafeeira São Sebastião recebeu diretamente da Sumatra o total de R$ 1.643.497,67, ou seja, somente 35,68% do total do período, cujo montante corresponde ao valor de R$ 4.606.809,47, o restante foi destinado às pessoas físicas/produtores rurais, fato este que não foi questionado pela recorrente. Assim, por absoluta ausência de previsão legal, não há que se autorizar o creditamento na forma pretendida pela recorrente, em relação à aquisição da empresa Cafeeira São Sebastião. [...] Diante da convicção acima, deve ser mantida a glosa em relação à Cafeteira São Sebastião e revertidas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de empresas tidas como inidôneas relacionadas no Anexo 1, em obediência ao parágrafo único, do artigo 82, da Lei Federal 9.430/1996. (Grifamos) Diante disto, por concordar com os fundamentos expostos no r. decisum, adoto-os como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99, no sentido de manter as glosas efetuadas pela fiscalização apenas em relação às aquisições das empresas Cafeeira São Sebastião e Exportadora de Café Centro Oeste Ltda, tendo em vista a demonstração de indícios convergentes da participação da recorrente na fraude perpetrada, os quais abalam a higidez do direito creditório pleiteado. Ressalte-se que compartilhamos o receio de legitimar a apropriação de créditos obtidos por meios irregulares, ocorre que, em relação às demais glosas, além de todas as irregularidades terem sido apuradas apenas em face das empresas fornecedoras, não houve uma investigação mais aprofundada para o fim de comprovar eventual conluio ou participação da recorrente nas fraudes apontadas, existindo mera presunção de que a recorrente teria conhecimento das práticas perpetradas por aquelas. Assim, inexistindo qualquer comprovação de fraude, simulação ou conluio por parte da recorrente, e estando previsto em lei que a comprovação da efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias permite a manutenção dos efeitos tributários, em favor de terceiros, de documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta, entendo que deve ser reconhecido o crédito pleiteado, vez que comprovado, através das provas constantes dos autos, o cumprimento dos requisitos legais. Neste sentido, não tendo sido afastada a boa fé da recorrente, merece destaque a Súmula 509 do Superior Tribunal de Justiça, que demonstra o alinhamento do entendimento ora manifestado com a jurisprudência judicial, ao dispor que: “É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda”. No mesmo sentido, cito os seguintes julgados deste e. CARF: Fl. 709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 38 ADQUIRENTE DE BOA-FÉ. COMPROVAÇÃO DA EFETIVA AQUISIÇÃO DE MERCADORIA. Inexistindo nos autos elementos, ainda que indiciários, de que atos ou negócios jurídicos com as fornecedoras emitentes das notas fiscais glosadas tenham sido praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária ou que demonstrassem que o contribuinte estava plenamente ciente de que estava comprando o café de empresas consideradas “de fachada”, simulando aquisições de pessoas jurídicas, para se aproveitar do creditamento integral, quando na realidade o eram de pessoas físicas, apenas com direito ao crédito presumido, admite-se o desconto de créditos nos casos em que o adquirente de bens comprovar a efetivação do pagamento do preço e o recebimento dos bens. (Processo nº 13656.720273/2010-91; Acórdão nº 3401-010.478; Rel. Conselheiro Luis Felipe de Barros Reche, Sessão de 14/12/2021). NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INAPTAS, BAIXADAS OU SUSPENSAS. GLOSA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO DA RECORRENTE. Não restando comprovada a participação da Contribuinte na criação de pessoas jurídicas de fachada, tampouco a existência ou indícios de má-fé na aquisição dos insumos, ilegítima a glosa dos créditos. (Processo nº 10845.003528/2004-94; Acórdão nº 3201-003.650; Redatora Designada Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário; sessão de 18/04/2018) Da mesma forma, com o devido acatamento, não merece subsistir o entendimento de que a suposta ausência de contrapartida, ou seja, do recolhimento dos tributos na operação anterior, poderia gerar a glosa dos créditos pleiteados, uma vez que o direito ao crédito surge em razão da ocorrência da operação anterior e da previsão legal de aproveitamento do respectivo crédito, inexistindo qualquer condicionamento ao efetivo cumprimento da legislação tributária pelo sujeito passivo da operação antecedente. Ressalte-se que o condicionamento do direito ao crédito ao efetivo recolhimento dos tributos na operação anterior configura ônus desproporcional e, até mesmo, impraticável, aos adquirentes, que teriam que fiscalizar o cumprimento da legislação tributária por todos os seus fornecedores, criando indesejável e ilegal óbice a concretização do princípio da não- cumulatividade. Diante disto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas efetuadas sobre créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas, excetuadas as aquisições realizadas das empresas Cafeeira São Sebastião e Exportadora de Café Centro Oeste Ltda, em relação as quais devem ser mantidas as glosas. Fl. 710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 39 3 DO DIREITO AO CRÉDITO FISCAL INTEGRAL: AQUISIÇÕES DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO (CONAB) Conforme se extrai do Despacho Decisório, foram glosados os créditos apropriados pela recorrente sobre aquisições de produtos em bolsa de mercadorias operadoras das negociações com estoques públicos, uma vez que “[d]e acordo com regulamentação promovida pelo Ofício SPC/MA nº 01-170/00, de 14/07/2000, não há recolhimento das contribuições relativas às vendas efetuadas”. No mesmo sentido, assim se manifestou o v. acórdão recorrido: Através dos documentos abaixo reproduzidos, Ofícios do Banco do Brasil, do Departamento do Café da Secretária de Produção e Agroenergia e do Comunicado DIGES/SUOPE/GECOM N° 158/2006, da Gerência de Comunicação/CONAB, fica claro que não houve incidência da contribuição para o PIS e da Cofins nas transações entre a CONAB, por intermédio do Banco do Brasil, e a Sumatra: Fl. 711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 40 Em relação à não incidência de PIS e Cofins nas vendas de estoques reguladores pela Conab, a DISIT da 1ª Região Fiscal da RFB, por meio da Solução de Consulta nº 54/2012, já se posicionou que a aquisição de produtos agrícolas da Conab não dá direito ao desconto de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), tendo em vista que a referida contribuição não incide sobre as receitas provenientes das vendas de estoques públicos realizadas pela companhia. Por ter o mesmo entendimento, adoto como razões de decidir as fundamentações constantes nesta: 8. A Conab, apesar de ser uma pessoa jurídica de direito privado, é uma empresa pública encarregada de gerir políticas agrícolas e de abastecimento do Governo Federal. Essa função de gestora não lhe permite dispor livremente dos recursos Fl. 712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 41 auferidos com a venda dos estoques reguladores e estratégicos, devendo, sim, perseguir os seus objetivos básicos legalmente definidos, quais sejam: Lei nº 8.029/90 Art. 19. É o Poder Executivo autorizado a promover: (...) II - a fusão da Companhia de Financiamento da Produção, da Companhia Brasileira de Alimentos, e da Companhia Brasileira de Armazenamento, que passarão a constituir a Companhia Nacional de Abastecimento, vinculada ao Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Parágrafo único. Constituem-se em objetivos básicos da Companhia Nacional de Abastecimento: a) garantir ao pequeno e médio produtor os preços mínimos e armazenagem para guarda e conservação de seus produtos; b) suprir carências alimentares em áreas desassistidas ou não suficientemente atendidas pela iniciativa privada; c) fomentar o consumo dos produtos básicos e necessários à dieta alimentar das populações carentes; d) formar estoques reguladores e estratégicos objetivando absorver excedentes e corrigir desequilíbrios decorrentes de manobras especulativas; e) (Vetado). f) participar da formulação de política agrícola; e g) fomentar, através de intercâmbio com universidades, centros de pesquisas e organismos internacionais, a formação e aperfeiçoamento de pessoal especializado em atividades relativas ao setor de abastecimento. h) assistir, mediante a doação de alimentos disponíveis em seus estoques, às comunidades e famílias atingidas por desastres naturais em Municípios em situação de emergência ou estado de calamidade pública reconhecidos pelo Poder Executivo federal, na forma do regulamento. (...)(grifado) 9.Por essa razão, o resultado positivo obtido pela Conab com a venda de estoques reguladores e estratégicos do Governo Federal não sofre incidência de PIS/Pasep e de Cofins. Do contrário, a União estaria tributando a si própria. 11.Assim, em decorrência do entendimento acima, a consulente não tem o direito de apurar créditos na forma das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Segue: Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 Art. 3º (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como Fl. 713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 42 insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...)(grifado) Por fim, importa destacar que — diferentemente do entendimento da contribuinte de que a fundamentação utilizada pela fiscalização para glosar os créditos de compras de café da CONAB, bem como as constantes do Acórdão nº 201- 77.555/2004 do 2º Conselho de Contribuinte, não é aplicável em períodos de apuração de 2006 e posteriores, em face do advento da Lei nº 9.718/1998 — continua vigente a interpretação dada pela RFB em 2004, tanto é que Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), em 2017, continua com o mesmo entendimento de 2004, verbis: Acórdão nº 3301-003.937 - 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária - CARF, de 26 de julho de 2017 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. Diante disso, como não houve incidência de contribuições do PIS e da Cofins nas aquisições de café da Conab, a glosa merece ser mantida, em face do disposto no inciso II do §2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que o v. acórdão recorrido não aponta o fundamento legal da não incidência das contribuições ao PIS e da COFINS com relação à CONAB, pressuposto essencial para justificar a aplicabilidade do inciso II do §2º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02, destacando, em breve síntese, o seguinte: 120. Certo é que tanto a nível constitucional quanto a nível infraconstitucional (Leis nº. 9.718, de 1998, 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003), inexiste regra jurídica de imunidade e isenção de impostos e contribuições. Portanto, resta evidente que CONAB não pode usufruir da imunidade recíproca referente aos impostos, constante no artigo 150, VI, “a” da CF/88, muito menos isentiva, eis que inexiste previsão legal nesse sentido. Tanto é assim, que nessas operações incide Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços(ICMS). 121. Portanto, não se trata de hipótese de não incidência como refere o relator do acórdão recorrido. As empresas públicas, inclusive a CONAB, e a sociedade de economia mista, o Banco do Brasil S.A, são contribuintes do imposto de renda pelo regime de tributação pelo lucro real, sujeitando-se ao recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, pelo regime não cumulativo e regime cumulativo, respectivamente. 122. Por essas razões, a Recorrente tem o direito aos créditos fiscais integrais, a que aludem os artigos 3º das Leis nº. 10.637, de 2002 e nº. 10.833, de 2003, ao adquirir o café dos estoques governamentais, produto que, ao longo da cadeia Fl. 714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 43 produtiva, teve sim a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, valor este agregado ao custo de produção. Com a devida vênia, não assiste razão à recorrente. Apesar de inexistir uma norma expressa excetuando as vendas de estoques governamentais de café através do Banco do Brasil, pela CONAB, da incidência das contribuições ao PIS e da COFINS, restou plenamente demonstrado o reconhecimento o reconhecimento de uma hipótese de não-incidência de fato (por se tratar de venda de estoques públicos) que impede a tributação de tais receitas, conforme indicado nos Ofícios do Banco do Brasil, do Departamento do Café da Secretária de Produção e Agroenergia e do Comunicado DIGES/SUOPE/GECOM N° 158/2006, da Gerência de Comunicação/CONAB, bem como, nos acórdãos nº 201-77.555 e 203- 09.733, do Segundo Conselho de Contribuintes, do Ministério da Fazenda, nos processos nº 10166.012497/2001-69 e 10166.012498/2001-11, cujos recursos interpostos pela CONAB foram providos, no sentido de excluir da base de cálculo das contribuições ao PIS e da COFINS os resultados de vendas de estoques reguladores e estratégicos do Governo Federal, entendimento este adotado também pela DISIT da 1ª Região Fiscal da RFB, por meio da Solução de Consulta nº 54/2012. Neste sentido, cito os seguintes julgados deste e. CARF: INSUMOS. CRÉDITO. AQUISIÇÕES DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). IMPOSSIBILIDADE. As aquisições da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) não dão direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS, tendo em vista que as contribuições não incidem sobre as receitas provenientes das vendas de estoques públicos. (Processo nº 15987.000267/2009-64; Acórdão nº 3302-013.727; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 27/09/2023) PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. (Processo nº 11040.720233/2010-52; Acórdão nº 3301-008.720; Relatora Conselheira Liziane Angelotti Meira, sessão de 22/09/2020) REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. BENS ADQUIRIDOS DA COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). GLOSA. Os valores referentes a insumos adquiridos da CONAB não geram créditos para o adquirente no regime não cumulativo. (Processo nº 10845.000399/2006-44; Acórdão nº 3201-003.204; Relator Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, sessão de 24/10/2018) Fl. 715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 44 Assim, sendo reconhecida a não incidência das contribuições ao PIS e da COFINS sobre as aquisições de estoques governamentais de café pela recorrente, aplica-se ao caso a vedação ao direito de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade prevista no artigo 3º, §2º, inciso II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, razão pela qual deve ser negado provimento ao recurso neste tópico, a fim de manter a glosa efetuada pela fiscalização. 4 DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC: O ENTENDIMENTO DO CARF Quanto à atualização monetária, pela Taxa Selic, do direito creditório reconhecido, merece provimento o pleito da recorrente, nos termos da Tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 1.767.945/PR, em sede de Recurso Repetitivo, abaixo transcrita: O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco (art. 24 da Lei n. 11.457/2007). Destaque-se que, em 22 de setembro de 2022, foi aprovada a Portaria CARF/ME nº 8451/2022, que, considerando o julgamento do REsp nº 1.767.945/PR e a Nota Técnica SEI n° 42950/2022/ME, revogou a Súmula CARF nº 125, que estabelecia que “[n]o o ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003”. Neste sentido, cito os seguintes julgados deste e. CARF: COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA APLICAÇÃO DA SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, após escoado o prazo de 360 dias para a análise do correspondente pedido administrativo pelo Fisco. (Processo nº 10954.000050/2004-11; Acórdão nº 9303-014.843; Relator Conselheiro Alexandre Freitas Costa; sessão de 14/03/2024) PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS e da Cofins sob o regime não cumulativo. Fl. 716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 45 (Processo nº 15987.000267/2009-64; Acórdão nº 3302-013.727; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 27/09/2023) Pelo exposto, deve ser dado provimento ao recurso neste tópico, para reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco. 5 DO DIREITO À COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS Em seu Recurso Voluntário, a recorrente sustenta que o v. acórdão recorrido deixou de aplicar a legislação de regência ao negar “[...] o direito à compensação com outros tributos administrados pela RFB ou ressarcimento, em espécie, dos créditos presumidos da contribuição em destaque [créditos incontroversos]”. Neste sentido, defende que os créditos presumidos deverão ser passíveis de compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, ou então, ressarcidos em espécie, de acordo com o artigo 7ª-A da Lei nº 12.599/12, incluído pelo artigo 23 da Lei nº. 12.995/14, abaixo transcrito: Art. 7º-A. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Não assiste razão à recorrente. Conforme se verifica do dispositivo legal supratranscrito, o art. 7ºA se refere ao saldo apurado até 1º de janeiro de 2012. Em outras palavras, apenas o saldo credor que foi sendo acumulado na escrita até 1º de janeiro de 2012 é que pode ser aproveitado na compensação ou no ressarcimento em dinheiro e não o saldo credor existente em cada um dos trimestres calendário anteriores. Isso porque, a partir de 2012, em relação aos exportadores, o legislador vedou o aproveitamento de crédito “cheio” nas aquisições de café, uma vez que, ao mesmo tempo em que instituiu a suspensão da incidência das contribuições não cumulativas sobre o café (art. 4º da Lei nº 12.599/2012), instituiu também um novo crédito presumido específico para o setor (artigos 5º e 6º da Lei nº 12.599/2012). Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 46 Em outros termos, em relação aos exportadores de café, a partir da Lei nº 12.599/2012, houve uma ruptura em relação ao regime jurídico anterior, pois o legislador substituiu o crédito “cheio” de PIS e COFINS por um crédito presumido específico para o setor, autorizando a tríplice forma de aproveitamento desse novo crédito presumido e estendendo a mesma possibilidade de aproveitamento ao saldo de crédito presumido da agroindústria que estava acumulado na escrita em 01/01/2012. Ou seja, o dia 01/01/2012 é um marco para o setor de exportação de café, pois foi o dia em que desapareceram o crédito cheio e o crédito presumido da agroindústria e nasceu o direito ao crédito presumido específico do setor. E como consequência dessa ruptura, o legislador permitiu que o saldo de crédito presumido da agroindústria existente em 01/01/2012 fosse utilizado da mesma forma que o novo crédito presumido que acabara de criar. Neste sentido, cito os seguintes julgados deste e. CARF: CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos corredores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. (Processo nº 15987.000267/2009-64; Acórdão nº 3302-013.727; Relatora Conselheira Denise Madalena Green; sessão de 27/09/2023) CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. MODALIDADES DE APROVEITAMENTO. EXPORTAÇÃO DE CAFÉ. Até o advento do art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 o crédito presumido da agroindústria só podia ser aproveitado pelos exportadores de café para a dedução das contribuições devidas. A autorização para o aproveitamento do crédito presumido para compensação ou ressarcimento, contida no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 se aplica somente ao saldo credor apurado em 1º de janeiro de 2012 e não aos saldos credores eventualmente existentes nos trimestres calendários anteriores. (Processo nº 16366.000285/2010-50; Acórdão 3402-004.144; Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim; Sessão de 24/05/2017) CRÉDITO PRESUMIDO ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. O crédito presumido de PIS para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 só pode ser compensados com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 47 objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. (Processo nº 10930.721698/2014-67; Acórdão 3301-005.430; Relator Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior; Sessão de 25/10/2018) Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso neste tópico. 6 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA COM RELAÇÃO AO IRPJ E CSLL, EM CASO DE MANUTENÇÃO DA GLOSA DOS CRÉDITOS FISCAIS EM DISCUSSÃO Em seu Recurso Voluntário, a recorrente pleiteia o reconhecimento da tributação reflexa com relação ao IRPJ e CSLL, em caso de manutenção da glosa dos créditos fiscais em discussão. Conforme bem apontado pelo v. acórdão recorrido, não cabe a DRJ e a este Conselho apurar e calcular originariamente o quanto a restituir de IRPJ e de CSLL, mas tão- somente julgar a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário contra a decisão constante do Despacho Decisório, nos termos do §9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso neste tópico. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido, e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, a fim de: a) reverter as glosas efetuadas sobre créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas, excetuadas as aquisições realizadas das empresas Cafeeira São Sebastião e Exportadora de Café Centro Oeste Ltda, em relação as quais devem ser mantidas as glosas; e b) reconhecer o direito à correção monetária do crédito reconhecido, pela Taxa Selic, a partir do primeiro dia seguinte ao escoamento do prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo pelo Fisco. Assinado Digitalmente Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 48 VOTO VENCEDOR Conselheiro Jorge Luís Cabral, redator designado Acompanho o relator em quase toda a integralidade do mérito, divirjo apenas em relação ao reconhecimento da boa-fé da Recorrente, tema sobre o qual apresento esta divergência. O relator apresentou a seguinte conclusão sobre o tópico: DO DIREITO AO CRÉDITO FISCAL INTEGRAL: AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS POSTERIORMENTE DECLARADAS INAPTAS/SUSPENSAS. Neste tópico do Recurso Voluntário, a recorrente contesta os fundamentos adotados pelo v. acórdão recorrido para manter a glosa sobre os créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas, questionando, especialmente, a falta de provas de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas e de que o contribuinte teria participado de algum modo desse esquema. Para corroborar suas alegações, apresenta, em breve síntese, os seguintes argumentos de fato e de direito: (...) Diante disto, por concordar com os fundamentos expostos no r. decisum, adoto-os como razões para decidir, conforme autorizado pelo artigo 50, §1º, da Lei nº 9.784/99, no sentido de manter as glosas efetuadas pela fiscalização apenas em relação às aquisições das empresas Cafeeira São Sebastião e Exportadora de Café Centro Oeste Ltda, tendo em vista a demonstração de indícios convergentes da participação da recorrente na fraude perpetrada, os quais abalam a higidez do direito creditório pleiteado. Ressalte-se que compartilhamos o receio de legitimar a apropriação de créditos obtidos por meios irregulares, ocorre que, em relação às demais glosas, além de todas as irregularidades terem sido apuradas apenas em face das empresas fornecedoras, não houve uma investigação mais aprofundada para o fim de comprovar eventual conluio ou participação da recorrente nas fraudes apontadas, existindo mera presunção de que a recorrente teria conhecimento das práticas perpetradas por aquelas. Assim, inexistindo qualquer comprovação de fraude, simulação ou conluio por parte da recorrente, e estando previsto em lei que a comprovação da efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias permite a manutenção dos efeitos tributários, em favor de terceiros, de documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta, entendo que deve ser reconhecido o crédito pleiteado, vez que comprovado, através das provas constantes dos autos, o cumprimento dos requisitos legais. Neste sentido, não tendo sido afastada a boa fé da recorrente, merece destaque a Súmula 509 do Superior Tribunal de Justiça, que demonstra o alinhamento do entendimento ora manifestado com a jurisprudência judicial, ao dispor que: “É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda”. (...) Da mesma forma, com o devido acatamento, não merece subsistir o entendimento de que a suposta ausência de contrapartida, ou seja, do recolhimento dos tributos na operação anterior, poderia gerar a glosa dos créditos pleiteados, uma vez que o direito ao crédito surge em razão da ocorrência da operação anterior e da previsão legal de aproveitamento do respectivo crédito, inexistindo qualquer condicionamento ao efetivo cumprimento da legislação tributária pelo sujeito passivo da operação antecedente. Ressalte-se que o condicionamento do direito ao crédito ao efetivo recolhimento dos tributos na operação anterior configura ônus desproporcional e, até mesmo, impraticável, aos adquirentes, que teriam que fiscalizar o cumprimento da legislação tributária por todos os seus fornecedores, criando indesejável e ilegal óbice a concretização do princípio da não-cumulatividade. Fl. 720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 49 Diante disto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas efetuadas sobre créditos relativos às aquisições de pessoas jurídicas posteriormente declaradas inaptas/suspensas, excetuadas as aquisições realizadas das empresas Cafeeira São Sebastião e Exportadora de Café Centro Oeste Ltda, em relação as quais devem ser mantidas as glosas. Utilização de Documentos Fiscais Posteriormente Considerados Inidôneos e a Aplicação do Princípio da Boa Fé A fraude que apurada foi a interposição de pessoas sem substância econômica, apenas para aproveitar créditos integrais de PIS/COFINS, deslocando a venda direta entre produtores rurais pessoas físicas e empresas exportadoras, e tendo como benefício econômico a apropriação de créditos integrais em contraposição aos créditos presumidos decorrentes da aquisição diretamente de pessoas físicas. De fato, a Autoridade Tributária consigna neste processo que diversos fornecedores da Recorrente foram considerados inaptos em decorrência das referidas operações de fiscalização e, com base nesta constatação, negou os créditos pretendidos pela Recorrente, recalculando-os para os valores que seriam devidos em razão do crédito presumido. No entanto, vemos que as operações que evidenciaram a fraude são posteriores às aquisições da Recorrente, de forma que a alegação da Recorrente de que as empresas fornecedoras tinham situação ativa é perfeitamente plausível à época da aquisição do café, que teria gerado os créditos pretendidos, dado que a Autoridade Tributária somente poderia ter imposto a inaptidão das empresas fornecedoras da Recorrente após a conclusão das já citadas operações de fiscalização, nas quais a Autoridade Tributária baseia-se e empresta provas da interposição de pessoas para motivar suas decisões no presente processo, e apensos. Vemos na legislação, porém, que a inaptidão da empresa não invalida necessariamente a documentação fiscal por ela emitida. O artigo 82, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece o alcance dos efeitos da inaptidão e da consideração de inidoneidade de documentos fiscais, onde chamo atenção especial ao determinado no parágrafo único, como podemos ler a seguir: “Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstas na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.” Também encontramos na Instrução Normativa RFB nº 1.863, de 27 de dezembro de 2018, os efeitos e o alcance da declaração de inaptidão: “Art. 48. É considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por entidade cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta ou baixada. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não podem ser: (...) Fl. 721DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2021/Lei/L14195.htm#art19 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 50 III - utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; IV - utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considera-se terceiro interessado, para fins do disposto neste artigo, a pessoa física ou a entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplica-se em relação aos documentos emitidos: (...) IV - desde a data da ocorrência dos fatos que deram causa à baixa de ofício. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta ou baixada não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços.” Neste caso, os efeitos da inaptidão tornam inidôneos os documentos desde a data de ocorrência dos fatos que deram causa à baixa de ofício, o que seria a inexistência de fato, alcançando assim desde a constituição da empresa emissora das notas fiscais. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já enfrentou o tema, em relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), tendo emitido a Súmula 509, que transcrevo a seguir: “Súmula 509 – É lícito ao comerciante de boa fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda.” O REsp 1.148.444/MG, julgado no STJ, em 14 de abril de 2010, segundo a sistemática de Recursos Repetitivos, nos termos do artigo 543C, do Código do Processo Civil, Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, na relatoria do Ministro Luiz Fux, trouxe decisão idêntica à súmula já reproduzida acima. “1. O comerciante de boa fé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não-cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Assim, ainda que a decisão acima mencionada refira-se a créditos do ICMS, está muito claro de que o seu alcance aproveita a qualquer sistemática de apuração de valor de tributo devido pela sistemática da não cumulatividade, em razão de tratar de princípio norteador do Direito, relacionado à presunção de boa-fé nas relações comerciais, quando amparadas por documento fiscal idôneo, e a consideração da declaração posterior de inidoneidade e o alcance de seus efeitos. Fl. 722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 51 A Recorrente argumenta que não haveria provas da participação da sua na montagem do esquema, e que a afirmação da Autoridade Tributária implicaria dizer que as empresas adquirentes teriam planejado e agido em conluio com outros atores apontados como responsáveis pela montagem de atacadistas de fachada para se beneficiarem com créditos indevidos de PIS/COFINS, mas ao que parece não haveria estas provas contra a Recorrente. No entanto, o mercado de café em grãos para exportação é um mercado muito específico, onde a relação com pequenos produtores rurais, e a escolha da qualidade e disponibilização das quantidades necessárias a cumprir os objetivos de vendas destas empresas exportadoras, ocupa papel fundamental da atividade econômica, na medida que a questão da qualidade dos grãos está intimamente ligada à produção dos mesmos. Trata-se de um mercado relativamente pequeno, envolvendo os próprios produtores rurais, corretores, maquinistas e atacadistas, e que o conhecimento pessoal dos partícipes e dos seus representantes acaba ocupando posição de destaque, tanto na garantia do fornecimento, como no atingimento dos níveis de qualidade pretendidos. Desta forma, temos dois aspectos muito importantes na análise da presunção de boa-fé da Recorrente, na medida da ausência de provas materiais de sua participação no esquema de fraude, que seriam: se a Recorrente sabia, ou deveria saber, que as empresas que estavam lhe fornecendo café em grãos de fato existiam, ou se eram apenas uma fachada para gerar créditos tributários indevidos e; se a Recorrente obteve benefícios que fossem parte dos objetivos do esquema de fraude. O Princípio da Boa-Fé está consignado no próprio Código Civil, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, dentro dos termos de interpretação do negócio jurídico, conforme podemos verificar a seguir: “Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua celebração. § 1º A interpretação do negócio jurídico deve lhe atribuir o sentido que: (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) I - for confirmado pelo comportamento das partes posterior à celebração do negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) II - corresponder aos usos, costumes e práticas do mercado relativas ao tipo de negócio; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) III - corresponder à boa-fé; (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) IV - for mais benéfico à parte que não redigiu o dispositivo, se identificável; e (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) V - corresponder a qual seria a razoável negociação das partes sobre a questão discutida, inferida das demais disposições do negócio e da racionalidade econômica das partes, consideradas as informações disponíveis no momento de sua celebração. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º As partes poderão livremente pactuar regras de interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas previstas em lei. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019)” Chamo atenção para o fato de que não se trata de um mercado em que há uma série de fornecedores com os quais a adquirente não possua qualquer proximidade ou conhecimento, ou que não possua usos e costumes muito típicos que fossem desconhecidos da Fl. 723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 52 Recorrente. Desta forma, não há como interpretar a aquisição de grãos de café, nos termos do artigo 113, acima, sem levarmos em conta o comportamento posterior das partes à celebração do negócio; se o negócio corresponde ou não aos usos, costumes e práticas do mercado relativos ao tipo de negócio; ou o que está muito bem expresso no inciso IV, do artigo 113, do Código Civil, de se o negócio corresponde ao que seria razoável àquele tipo de negociação. Assim, fica prejudicada a afirmação de total desconhecimento das práticas de seus fornecedores pela Recorrente, na medida em que adquiriam o seu principal e único produto, sujeito a elevados requisitos de qualidade para a competição no mercado internacional, de pessoas jurídicas que se apresentavam como fornecedores atacadistas e que nunca possuíram infraestrutura de depósitos, ou mesmo funcionários, e que passariam a intermediar compras dos seus fornecedores originais sujeitos a considerações importantes sobre a qualidade dos grãos de café. Por fim, não há como negar que a Recorrente pretendeu beneficiar-se dos créditos indevidos de aquisições de pessoas jurídicas, e que apesar de não haver provas de ter participado do planejamento da operação fraudulenta, teria obtido os benefícios pretendidos pelos envolvidos no esquema de simulação para si própria, tendo em vista ser este o único resultado favorável de se introduzir em sua cadeia de suprimentos o custo adicional da contratação de empresas atacadistas inexistentes de fato. Desta forma, da análise do negócio jurídico “aquisição de grãos de café” fica claro que o mesmo, na forma em que é alegado pela Recorrente, destoa dos usos, costumes e das práticas de mercado relativas ao tipo de negócio, não corresponde ao que seria razoável nas negociações deste tipo de operação, consideradas as demais disposições negociais e a racionalidade econômica das partes. Assim, entendo que não há como se considerar a situação da Recorrente como adquirente de boa-fé, o que afasta a aplicação da Súmula STJ nº 509, e o resultado do julgado no STJ, referente ao REsp 1.148.444/MG. Com relação ao previsto no parágrafo único, do artigo 82, da Lei nº 9.430/1996, entendo que apesar da inaptidão da pessoa jurídica não produzir efeitos em relação a transações efetivamente ocorridas entre adquirente e seu fornecedor, o fato é que não há como ocorrer transações com uma pessoa jurídica cujo único objetivo negocial seja a operação de uma fraude contra o fisco e cujos documentos fiscais produzidos apenas substanciavam a simulação de transações comerciais que eram efetivamente realizadas entre o adquirente e outra pessoa diferente do fornecedor da nota fiscal, conforme já comentado nos parágrafos anteriores. O CTN, em seu artigo 116, parágrafo único, dá a base legal para a desconsideração dos efeitos tributários dos negócios jurídicos. “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais nesse. II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Fl. 724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.013 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.720101/2010-01 53 Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)” Entendo que os atos e negócios jurídicos relacionados às operações que davam suporte aos créditos tributários pretendidos pela Recorrente foram praticados de forma a dissimular elementos constitutivos da obrigação tributária relacionada ao PIS/COFINS. De forma que considero sem razão à Recorrente neste ponto. Voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, acompanhando o relator nos demais tópicos. Assinado Digitalmente Jorge Luís Cabral Fl. 725DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido 1 DA PRELIMINAR DE PERSISTÊNCIA DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 2 DO DIREITO AO CRÉDITO FISCAL INTEGRAL: AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS POSTERIORMENTE DECLARADAS INAPTAS/SUSPENSAS 3 DO DIREITO AO CRÉDITO FISCAL INTEGRAL: AQUISIÇÕES DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO (CONAB) 4 DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC: O ENTENDIMENTO DO CARF 5 DO DIREITO À COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE DOS CRÉDITOS PRESUMIDOS 6 DA TRIBUTAÇÃO REFLEXA COM RELAÇÃO AO IRPJ E CSLL, em caso de manutenção da glosa dos créditos fiscais em discussão Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 11020.721188/2017-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012, 2013
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE.
Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio).
Numero da decisão: 9101-007.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo para exame das matérias prejudicadas aduzidas em sede de recurso voluntário (“fundamentos específicos aduzidos pelo contribuinte contra a exigência de CSLL” e “multa qualificada”) vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior e Jandir José Dalle Lucca que votaram por negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Semíramis de Oliveira Duro.
Assinado Digitalmente
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator
Assinado Digitalmente
Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli PereiraBessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir Jose Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro, Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente)
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio).
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HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. INVESTIDOR E INVESTIDA. MESMA UNIVERSALIDADE. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997 se dirigem às pessoas jurídicas (1) real sociedade investidora, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura, decidiu pela aquisição e desembolsou originariamente os recursos, e (2) pessoa jurídica investida. Deve-se consumar a confusão de patrimônio entre essas duas pessoas jurídicas, ou seja, o lucro e o investimento que lhe deu causa passam a se comunicar diretamente. Compartilhando do mesmo patrimônio a controladora e a controlada ou coligada, consolida-se cenário no qual os lucros auferidos pelo investimento passam a ser tributados precisamente pela pessoa jurídica que adquiriu o ativo com mais valia (ágio). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, com retorno dos autos ao colegiado a quo para exame das matérias prejudicadas aduzidas em sede de recurso voluntário (“fundamentos específicos aduzidos pelo contribuinte contra a exigência de CSLL” e “multa qualificada”) vencidos os Conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior e Jandir José Dalle Lucca que votaram por negar provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Semíramis de Oliveira Duro. Fl. 4921DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 2 Assinado Digitalmente Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator Assinado Digitalmente Carlos Higino Ribeiro de Alencar – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli PereiraBessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonca Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Junior, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Jandir Jose Dalle Lucca, Semiramis de Oliveira Duro, Carlos Higino Ribeiro de Alencar (Presidente) RELATÓRIO A recorrente, inconformada com a decisão proferida, por meio do Acórdão nº 1201- 006.281, interpôs, tempestivamente, recurso especial de divergência com julgados de outros colegiados, relativamente ao tema: “aproveitamento fiscal de ágio originado em reorganização societária envolvendo ‘empresa-veículo’”. A ementa do acórdão recorrido apresenta a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012, 2013 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. A Lei 9.532/97, na redação anterior à vigência da Lei nº 12.973/2014, permitia ao contribuinte adquirir participações societárias mediante a interposição de empresas veículo, assegurando-lhe a amortização fiscal do ágio, inexistindo razões para demonizar sua utilização. A opção pela realização de investimentos societários mediante a interposição de empresa veículo necessária ou útil à estratégia de negócios do contribuinte não representa, por si só, infração à lei, com ou sem os reflexos tributários decorrentes da amortização do ágio. Defenestrar a opção do contribuinte à realização de ato jurídico que a lei assegura efeitos lícitos próprios, de natureza tributária ou não, baseado na premissa de artificialidade ou de inexistência de propósito ou vício de intensão, desborda no desestímulo à realização de ato que a própria legislação assegura ser praticado. Buscar o ágio não é ilícito, salvo nos casos de demonstração de simulação ou outro tipo de patologia intencional que justifique a desconstituição do ato em si. Fl. 4922DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 3 O combate à artificialidade de mecanismos jurídicos apontados pela administração tributária para coibir a evasão fiscal é importante e deve pautar a proteção à legalidade e à boa-fé das relações jurídicas, mas não autoriza a administração tributária a valer-se de instrumentos antijurídicos para pretender alcançar fatos econômicos não relacionados com o contribuinte, atribuindo-lhe a pecha da simulação, fraude, conluio, abuso de direito, artificialidade de condutas ou falta de propósito. Foram apresentados dois paradigmas Acórdãos nº 9101-003.608 e nº 9101-002.188. Por meio do despacho específico para esse fim, foi dado seguimento ao recurso em relação ao referido paradigma nos seguintes termos: No Acórdão recorrido, prevaleceu o entendimento de que “não havia qualquer impedimento à realização do negócio em questão, pois a legislação autorizava o aproveitamento do ágio quando a pessoa jurídica intermediária absorvesse patrimônio de outra em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detivesse participação societária adquirida com expectativa de rentabilidade futura”. Restou assentado, ainda, que “o caso dos autos ocorreu entre 2004 e 2007, com ágio aproveitado 2012 e 2013, antes da vigência da Lei nº 12.973/2014”, concluindo-se que eram plenamente aplicáveis os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, que à época permitiam o aproveitamento fiscal em questão. Registre-se, também, que no voto condutor do Acórdão recorrido sustentou-se que “o argumento trazido pela administração tributária para impedir a realização do negócio não encontra fundamento no Ordenamento Jurídico nacional”, acrescentando-se que “os dispositivos legais não continham nenhum dispositivo que convergisse para a tese do real adquirente trazida no TVF, por pretensa artificialidade do negócio”. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o apelo especial cuja admissibilidade ora se examina, suscitando a existência de divergência jurisprudencial em torno do tema, apontando como paradigma os Acórdãos nº 9101-003.608 e nº 9101- 002.188. O primeiro paradigma (Acórdão nº 9101-003.608) foi proferido no julgamento de recurso especial fazendário, no âmbito de processo que abriga a discussão concernente a lançamento fiscal lavrado em face da mesma contribuinte (RIO GRANDE ENERGIA S/A), e em razão dos mesmíssimos fatos, apenas com referência a período diverso. Dessa forma, resta clara a similitude fática com o Acórdão recorrido. No referido paradigma prevaleceu entendimento diverso daquele que fundamentou a decisão recorrida, conforme evidencia o excerto abaixo reproduzido, extraído do voto vencedor daquela decisão com os destaques do original: Fl. 4923DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 4 (...) Em análise à fundamentação acima reproduzida, entendo que restou demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada em relação ao primeiro paradigma. De um lado, sob o mesmo cenário fático, no Acórdão recorrido prevaleceu o entendimento de que “o argumento trazido pela administração tributária para impedir a realização do negócio não encontra fundamento no Ordenamento Jurídico nacional”, acrescentando-se que “os dispositivos legais não continham nenhum dispositivo que convergisse para a tese do real adquirente trazida no TVF, por pretensa artificialidade do negócio”. Por outro lado, no primeiro paradigma restou assentado que a “a incorporação de CPFL Serra imediatamente após o aumento de capital desta pessoa jurídica, efetuado mediante a entrega da participação societária em RGE (aí incluído o ágio pago por CPFL Paulista), desvela que essa conferência do ativo representado pela participação societária em RGE (com ágio) teve o único propósito de aparentar o implemento das condições objetivas ao exercício do direito de deduzir o ágio amortizado, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1996”. Assinalou-se, ainda, que “o argumento determinante para a glosa da despesa de amortização do ágio diz respeito ao fato de que CPFL Serra, a incorporada, não suportou o ágio amortizado (isto é, não era a investidora), como também não foi o objeto do investimento adquirido com a mais valia (isto é, não era a investida)”, o que afasta a aplicação dos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, haja vista que “a dedutibilidade da amortização do ágio está condicionada à extinção do investimento (pelo qual se pagou o sobrepreço), por força da confusão entre os patrimônios da investidora e da investida”. Referindo-se ao segundo paradigma (Acórdão nº 9101-002.188), a Recorrente sustentou que nele também prevaleceu o entendimento de que “a dedutibilidade do ágio só pode ser reconhecida quando houver a confusão patrimonial entre a investida e a real investidora (adquirente de fato), afastando a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas, ainda que com propósito negocial”. Depois de realizar o cotejamento do segundo paradigma com a decisão recorrida, a Recorrente sintetizou a divergência ora suscitada nos termos a seguir reproduzidos: (...) De fato, em análise ao inteiro teor do segundo paradigma, entendo que a Recorrente logrou êxito em demonstrar a existência da divergência jurisprudencial ora suscitada. Naquela decisão, diante de situação fática análoga e à luz do mesmo marco normativo, a solução que ali foi alcançada diverge do entendimento que prevaleceu no Acórdão recorrido. Fl. 4924DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 5 Naquele caso, em síntese, a “real investidora” (ACHÉ LABORATÓRIOS FARMACÊUTICA S/A) adquiriu diretamente participações na investida (BIOSINTÉTICA FARMACÊUTICA LTDA), que posteriormente foram transferidas para “empresa-veículo”(DELTA PARTICIPAÇÕES FARMACÊUTICAS S/A) que restou incorporada pela investida BIOSINTÉTICA. Trata-se, portanto, de arranjo similar àquele que compõe o objeto de análise da decisão recorrida. Mas a despeito da similitude fática, chegou-se no paradigma a conclusão diametralmente oposta àquela alcançada no Acórdão recorrido, no que tange à legitimidade na utilização de empresa veículo e à necessidade da confusão patrimonial entre a investida e a real investidora, conforme evidencia a própria ementa do Acórdão nº 9101-002.188, abaixo reproduzida na parte pertinente ao presente exame de admissibilidade: (...) Dessa forma, em se tratando de cenários fáticos análogos, e tendo as decisões recorrida e paradigmas chegado a conclusões diametralmente opostas quanto à legitimidade do aproveitamento das amortizações de ágio originado em reorganização societária levada a efeito por meio da utilização de empresa veículo, entendo que restou demonstrada a divergência jurisprudencial suscitada pela Recorrente. Foram apresentadas contrarrazões tempestivas pelo contribuinte, por meio das quais questiona o conhecimento e o mérito do recurso. Quanto ao conhecimento, aduz ausência de similitude fática com os acórdãos paradigmas invocados (nº 9101-003.608 e nº 9101-002.188). O primeiro teria ignorado o contexto regulatório da Lei 10.848/2004 e considerado a CPFL Serra mera empresa-veículo; o segundo envolveria caso totalmente distinto, do setor farmacêutico (Aché/Biosintética), alheio às regras da ANEEL. Assim, não haveria divergência interpretativa sobre os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/1997, mas apenas diferença de premissas fáticas. No mérito, as contrarrazões defendem que o grupo atuou licitamente ao cumprir exigências da ANEEL e realizado reorganização necessária ao processo de desverticalização, sem intuito de evasão fiscal. A legislação vigente à época permitiria a amortização do ágio quando o investimento e o próprio ágio eram transferidos conjuntamente, conforme os arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97 e o art. 386 do RIR/99. O ágio, como ativo intangível, deveria seguir o investimento que o originou (“o acessório segue o principal”), e sua amortização seria jurídica e economicamente coerente. É o relatório do essencial. VOTO Fl. 4925DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 6 Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Relator Conhecimento Não vejo reparos a fazer ao despacho que deu seguimento ao recurso. O AC nº 9101-003.608 tratou exatamente da mesma empresa e do mesmo contexto fático, diferindo apenas quanto aos anos-calendário da amortização do ágio. Já no AC nº 9101-002.188, apesar de dizer respeito a outro ramo de negócio, houve também o fundamento de necessidade da operação em face de autorizações regulatórias da Anvisa. Tal argumento foi rechaçado por se considerar a inexistência de previsão legal que autorize a intermediação do ágio por empresa-veículo, mesmo que existam razões de natureza regulatória ou societária. Desse modo, a posição adotada pelo paradigma é apta a reformar o recorrido. Por essas razões, conheço do recurso especial quanto aos dois paradigmas. Mérito Como se aduziu anteriormente, a mesma operação foi enfrentada por este Colegiado por meio do Acórdão nº 9101-003.608. O voto vencedor foi da lavra do Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Abaixo, transcrevo seu teor: Ressalte-se, antes de tudo, que o voto vencedor circunscreve-se à verificação da compatibilidade entre os preceitos normativos que regulam a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL e o ágio que fora amortizado pela recorrida. Desde logo, traz-se à luz o esquema das reorganizações societárias engendradas no âmbito do planejamento tributário ora em foco, reproduzindo-se aqui, por sua clareza, o relatório da DRJ, com vistas ao exame da legalidade da dedução do ágio amortizado, na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL: "De acordo com o Relatório Fiscal de folhas 3245 a 3319, a composição societária inicial do contribuinte era a seguinte: No ano-calendário de 2001 (13/07) a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) Paulista adquire a participação societária que a Serra da Mesa e a 521 Participações detinham junto à RGE, pagando um ágio de R$ 755.585.030,22, sob o fundamento da rentabilidade futura. A nova composição societária passou a ser a seguinte: Fl. 4926DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 7 Até o ano-calendário de 2006 a CPFL Paulista amortizou o valor aproximado de R$ 268 milhões do ágio pago. Em agosto de 2002 foi constituída a CPFL Energia Holding, que passou a deter 100% do capital da CPFL Paulista, conforme abaixo: Em maio de 2006 a CPFL Energia adquire a Ipê Energia (esta registrava um ágio anterior de 8 milhões). Por alteração contratual a Ipê Energia passou a se denominar CPFL Serra. A composição societária ficou da seguinte maneira: Em março de 2007 a CPFL Paulista efetua a transferência do investimento que detinha na RGE para a CPFL Holding, ficando a composição societária da seguinte maneira: Fl. 4927DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 8 Logo em seguida, a CPFL Holding efetua a capitalização da CPFL Serra mediante a transferência das ações da RGE, ficando a composição societária da seguinte forma: Passo seguinte foi a incorporação pela RGE de sua controladora, a CPFL Serra, ficando a composição societária da seguinte forma: Conforme demonstrado acima, no ano-calendário de 2001 a CPFL Paulista adquiriu a participação societária que a Serra da Mesa e a 521 Participações detinham junto Fl. 4928DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 9 à RGE, pagando um ágio de 756 milhões. Até o ano-calendário de 2006 a CPFL Paulista havia amortizado contabilmente o montante de R$ 268 milhões desse ágio, mas adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, neutralizando, com isso, os efeitos tributários para fins de IRPJ. Essa neutralização não foi efetivada para fins de CSLL. Em maio de 2006 a CPFL Energia adquire a Ipê Energia, alterando a denominação social para CPFL Serra. Em março de 2007 a CPFL Paulista efetua a transferência do investimento que detinha na RGE para a CPFL Holding. Logo em seguida, a CPFL Holding efetua a capitalização da CPFL Serra mediante a transferência das ações da RGE. Com essa operação, a CPFL Serra passa a deter 100% das ações da RGE. Passo seguinte, a RGE incorpora a sua controladora, a CPFL Serra, passando a realizar o ágio de R$ 756 milhões pagos pela CPFL Paulista quando da aquisição da participação societária que Serra da Mesa e a 521 Participações detinham junto à RGE. O LALUR (fls. 1281/1282) registra o crédito do referido ágio segregando os valores R$ 268 milhões (R$ 278.660.248,45), que havia sido adicionado ao lucro líquido pela CPFL Paulista, e de R$ 488 milhões (R$ 478.070.108,25). Entre os anos-calendário de 2007 e 2011, o contribuinte excluiu do Lucro Líquido e da base de cálculo da CSLL a título de ágio em incorporação CPFL Serra os seguintes valores: [...] O autuante entende que essas exclusões foram efetuadas indevidamente, porque a capitalização da CPFL Serra pela CPFL Holding, mediante a transferência das ações da RGE e a incorporação reversa da CPFL Serra pela RGE, teria se dado, não por questões negociais, mas como um ato pensado para proporcionar a dedução do montante de R$ 488 milhões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na forma prevista no art. 386, inc. III, do RIR/99, e não para atender a Lei nº 10.848, de 2004, que introduziu o § 5º, inc. IV e V, no art. 4º da Lei nº 9.074, de 1995, e impôs a necessidade de segregação societária do Grupo CPFL e a participação de forma direta da CPFL Energia no capital da RGE, pois proibiu que as concessionárias, as permissionárias e as autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica, atuantes no Sistema Interligado Nacional, participassem em outras sociedades de forma direta ou indireta e a desenvolver atividades estranhas ao objeto da concessão, permissão ou autorização. Esse processo iniciou [sic] durante o ano de 2004, por força da Lei nº 10.848, quando, depois de uma série de tratativas com a ANEEL, o Grupo CPFL enviou para aquela agência proposta de Modelagem para Segregação de Participações Acionárias, apresentando detalhes de como seriam implementadas as novas imposições legais (ver Oficio 30/R – fls. 255/285). A configuração societária final ficaria na forma demonstrada a seguir (ver Nota Técnica ANEEL 306 – fls. 295/298): Fl. 4929DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 10 Por solicitação do Grupo CPFL, que alegou representativos impactos tributários, a ANEEL prorrogou até 14 de março de 2007 o prazo para a execução do programa de segregação das participações societárias (ver Nota Técnica ANEEL 306 – item 9 – fls. 295/298 – Resolução Autorizativa 305 – fls. 314/315). Em dezembro de 2006, o Grupo CPFL encaminhou à ANEEL, sem nexo algum no contexto das informações enviadas como modelagem da segregação societária, novo pedido de anuência para implementação das duas novas operações: (i) capitalização da CPFL Serra com o investimento e o ágio detido junto à RGE (67%), e (ii) em seguida, a incorporação reversa da CPFL Serra pela RGE. Tais operações não haviam sido cogitadas na modelagem anuída inicialmente pela ANEEL. Em 2007, por meio de nota técnica, a ANEEL anuiu com as novas propostas, justificando que ao final das operações os efeitos seriam idênticos ao plano original de descruzamento societário. Então foram implementadas as operações de (i) transferência do investimento da CPFL Paulista para a CPFL Energia; (ii) a transferência do investimento que CPFL Energia detinha junto à RGE para a CPFL Serra e, (iii) incorporação da CPFL Serra pela RGE. Em razão desses fatos, o autuante concluiu que a capitalização da CPFL Serra, mesmo sendo lícita sob o aspecto formal, sob a intencionalidade do negócio jurídico praticado foi acéfala, sem substância. Visou de forma exclusiva atender o disposto no inc. III do art. 386 do RIR/99 e não, de fato, a participação nas atividades da RGE por meio da CPFL Serra. No momento da capitalização, inexistiam vontade e ânimo efetivo do Grupo CPFL em exercer atividade econômica de participação societária por meio de tal empresa. A intenção sempre foi manter o investimento direto da CPFL Energia na RGE, conforme as imposições legais trazidas pela Lei nº 10.848, de 2004, e detalhado no plano originalmente enviado à ANEEL em 2004. Mesmo antes das operações serem anuídas pela ANEEL, já havia expressa manifestação da incorporação reversa implementada (ver Ofício 47/R – fls. 404/464), a qual levou o ágio de R$ 488 milhões para dentro da RGE e foi a última parte do planejamento tributário. Inexistiria atendimento ao inc. III do art. 386 do RIR/99 se o investimento na RGE permanecesse mantido de forma direta pela CPFL Energia, conforme planejado deste o início do processo de descruzamento e desverticalização societária. A invocação da capitalização no cenário apresentado foi um mero artifício para aproveitamento do referido ágio." Segundo a PGFN: Fl. 4930DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 11 1) o cerne da presente demanda envolve a análise e os efeitos da Lei 10.848/2004, que proibiu que as concessionárias, as permissionárias, e as autorizadas de serviço público de distribuição de energia elétrica, atuantes no Sistema Interligado Nacional, participassem em outras sociedades de forma direta ou indireta, e que desenvolvessem atividades estranhas ao objeto da delegação do serviço público essencial; 2) com a edição da Lei nº 10.848/2004, as pessoas jurídicas do setor elétrico só poderiam ter uma atividade, e não poderiam participar do capital de nenhuma outra empresa do setor elétrico; 3) portanto, se CPFL Paulista incorporasse diretamente RGE (para amortizar fiscalmente o ágio), incorreria na proibição legal, eis que CPFL Paulista exerceria duas atividades relativas ao setor elétrico de forma cumulativa (as atividades originais, mais a atividade de RGE); 4) nesse contexto legislativo regulatório do setor de energia elétrica, o ágio originado quando CPFL Paulista adquiriu, de Serra da Mesa e 521, o controle acionário de RGE, não seria dedutível em CPFL Energia (Holding), na forma do art. 386, III, do RIR/99. O ágio somente seria dedutível se CPFL Paulista incorporasse RGE ou vice-versa, situação vedada pela Lei nº 10.848/2004; 5)em tal cenário, o Grupo CPFL buscou uma “fórmula” que lhe permitisse deduzir o ágio. Essa “fórmula” consistiu em (i) retirada do controle direto de CPFL Paulista, por meio de redução de capital correspondente as ações de RGE, passando-o para a CPFL Energia (Holding); (ii) capitalização de CPFL Serra com o investimento e ágio recebido de CPFL Paulista (operação objeto da Fiscalização); e (iii) incorporação reversa de CPFL Serra pela RGE; 6) resta evidente que a recorrida, para cumprir as exigências da Lei nº 10.848/2004, praticou atos formais, sem conteúdo econômico ou negocial, e desnecessários, com o único e exclusivo intuito de reduzir de forma ilegal a base de cálculo dos tributos devidos; 7) é flagrante que a incorporação de CPFL Serra por CPFL Energia ou por RGE era a opção mais simples e prática para a reorganização do grupo. Entretanto, a capitalização de CPFL Serra foi uma operação produzida diante da impossibilidade do aproveitamento do ágio por CPFL Energia. Qual a utilidade/necessidade de capitalizar CPFL Serra, se, logo depois, ela seria incorporada por sua controlada? 8) o Grupo CPFL modelou juridicamente uma reestruturação societária de forma não usual, desnecessária ao processo de desverticalização societária exigido pela Lei nº 10.848/2004, sem conteúdo econômico ou negocial, e com o único e exclusivo intuito de reduzir de forma ilegal a base de cálculo dos tributos devidos. Em contrarrazões, a recorrida expôs o seguinte: 1) o único fundamento para a glosa do ágio oriundo da aquisição de 67% de RGE, ora recorrida, por CPFL Paulista foi, no entender do agente fiscal, que "a operação Fl. 4931DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 12 de capitalização na CPFL Serra, mesmo sendo lícita sob o aspecto formal, sob o aspecto da intencionalidade do negócio jurídico praticado foi acéfala, sem substância"; 2) assim sendo, dentre todas as operações societárias realizadas pelo Grupo CPFL, apenas aquela ocorrida em 2007, correspondente à transferência do investimento detido em RGE, no percentual de 67%, por CPFL Energia, a CPFL Serra, seria objeto de questionamento; 3) nota-se, de plano, que houve o trânsito em julgado em relação as matérias objeto do recurso de ofício, da "Qualificação da multa imposta na autuação decorrente de uso de empresa veículo, por incorporação reversa, para fins de dedução indevida de ágio" e , por consequência, da decadência referente ao ano- calendário de 2007; 4) o Grupo CPFL agiu de forma plenamente legítima, cumprindo todos os requisitos necessários à aquisição da recorrida, como também atendeu às regras impostas pelo processo de desverticalização, e por consequência às regras que regulamentam o aproveitamento fiscal da dedução do ágio efetivamente pago na operação em questão; 5) a própria PGFN reconhece, no Recurso Especial, que a recorrida está sujeita ao cumprimento de tais normas, as quais vedam a possibilidade de uma geradora de energia elétrica controlar uma distribuidora de energia elétrica, ou viceversa, afastando, inclusive, a hipótese de CPFL Paulista incorporar RGE ou viceversa, em razão de vedação legal; 6) com a edição da Lei nº 10.848/2004, as pessoas jurídicas do setor elétrico só poderiam ter uma atividade, e não poderiam mais participar do capital de nenhuma outra pessoa jurídica do setor elétrico; 7) todos os atos executados pelo Grupo CPFL, desde o início, guardam estreita relação de coerência com o contexto de desverticalização e descruzamento societário imposto pela Lei n° 10.848/2004, e não teve por intuito a redução da carga tributária, já que, quando da compra da participação remanesceste da recorrida (33%) o Grupo CPFL, antes de adotar qualquer medida, submeteu à ANEEL todas as operações que impactariam a conclusão da reestruturação das pessoas jurídicas do Grupo, dentre elas a capitalização, que foi, insistase, devidamente aprovada por esse órgão regulador; 8) não há qualquer fundamento na alegação da recorrente, no sentido de que a operação realizada pelo Grupo CPFL é "não usual", "desnecessária ao processo de desverticalização societária exigido pela Lei 10.848/2004"; 9) toda a reestruturação societária do Grupo CPFL buscou atender, além de interesses regulatórios, interesses íntimos de cunho negocial dos acionistas e administradores do Grupo, sobre os quais o Fisco não possui qualquer ingerência; Fl. 4932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 13 10) a lógica da permissão da dedutibilidade do ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, nada mais é do que o reconhecimento de que o ágio deverá, sempre, acompanhar o investimento que lhe é subjacente o qual justificou seu pagamento; 11) é totalmente coerente, do ponto de vista econômico (que também é jurídico, pois representa a conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos, nos termos do artigo 177 da Lei das S/A), que o valor do ágio esteja contabilizado na mesma pessoa jurídica que é detentora do investimento, pois só assim será possível a amortização desse ágio contra os lucros futuros que o justificaram; 12) o ágio somente existe em função do ativo que lhe é subjacente. Trata-se de um acessório (ágio) que necessariamente deve seguir o principal (investimento). Sua amortização, como mencionado, decorre do fundamento econômico a ele subjacente (nº presente caso, o lucro gerado pelo desenvolvimento das atividades da recorrida); 13) apenas para tornar claro esse conceito, cabe destacar que a amortização do ágio é a forma contábil de se registrar a perda de valor no tempo de um ativo intangível em função de seu uso. O mesmo ocorre com os ativos tangíveis da sociedade, que têm seu valor ajustado no tempo pela depreciação ou pela exaustão; 14) portanto, o único procedimento correto é que o ágio seja amortizado na pessoa jurídica que detém o investimento; 15) qualquer outra hipótese seria absurda, pois não há como se amortizar o ágio em uma pessoa jurídica (despesa) e registrar a rentabilidade futura em outra (receita). O ágio deverá sempre seguir o investimento, da mesma forma que a depreciação da máquina sempre será registrada na empresa que a detém; 16) a legislação societária e os princípios de contabilidade geralmente aceitos consolidam a validade da transferência do ágio entre empresas, na medida em que o próprio investimento também é transferido. Na verdade, trata-se de uma exigência lógica e necessária do próprio conceito de ágio; 17) no tocante à influência do ágio amortizado na apuração CSLL devida, inexiste dispositivo legal que determine a adição dessa despesa à base de cálculo de tal contribuição, ao contrário do que alega a PGFN; 18) o legislador estabeleceu a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2º e §§, da Lei n° 7.689/1988), sem inserir, dentre as adições ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo MEP; Fl. 4933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 14 19) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei n° 11.638/2007, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível; 20) caso o Recurso Especial da PGFN venha a ser conhecido e provido, reformando-se o acórdão recorrido, deverão os autos ser remetidos à 1ª Turma Ordinária da 3a Câmara da Primeira Seção para que sejam analisados os demais argumentos trazidos pela recorrida, na instância a quo, que não foram apreciados em decorrência do provimento integral do Recurso Voluntário. Postos os fatos e diante dos argumentos da recorrida e da recorrente, decido. Equivocadamente, a recorrida supôs que os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 lhe dariam suporte para deduzir, no cálculo do lucro real, o ágio amortizado que fora transferido a CPFL Serra, quando esta pessoa jurídica recebeu de CPFL Energia a participação societária no capital de RGE. Eis a redação dos dispositivos precitados: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decreto-lei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos- calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; Fl. 4934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 15 b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Depreende- se dos aludidos dispositivos que a dedutibilidade do ágio amortizado, no cômputo do lucro real, fundado em expectativa de rentabilidade futura, requer que se confirme a confusão patrimonial entre investida e investidora. E mais: os dispositivos precedentemente indicados formulam que a dedutibilidade do ágio amortizado deve decorrer de sacrifício patrimonial da pessoa jurídica incorporada ou da pessoa jurídica incorporadora. Tal conclusão provém do caput do artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, ao endereçar a dedutibilidade da amortização do ágio, fundado em expectativa de rentabilidade futura, para fins de cálculo do lucro real, à reivindicação de que a participação societária na pessoa jurídica incorporada tenha sido adquirida com esse ágio pela incorporadora. Impende observar que tal artigo se refere ao ágio previsto no artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977, e este dispositivo trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor de patrimônio líquido na época da aquisição. Já o artigo 8º da Lei nº 9.532/1997 permite a dedução da despesa de amortização do ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura, nos casos em que a pessoa jurídica incorporadora adquirir a participação societária na incorporada com o antedito sobrepreço. Acima, patenteou-se o conteúdo normativo que se projeta da interpretação dos aludidos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1996. Diante dessa perspectiva exegética, assume relevância o fato de que CPFL Serra, CPFL Energia, RGE e CPFL Paulista Fl. 4935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 16 expediram, em conjunto, o Ofício nº 047, de 15 de dezembro de 2006, às efls. 404 e seguintes, enviado à Superintendência da Aneel, com o objetivo de "instruir a etapa 2.5 do anexo 01 do Ofício nº 030/R, de 10 de agosto de 2005", detalhando, para tanto, o descruzamento societário de CPFL Paulista relativo aos investimentos que esta detinha em RGE e em CPFL Piratininga, a ser implementado mediante a realização das seguintes operações societárias: a) redução de capital de CPFL Paulista com a restituição à acionista CPFL Energia do ativo correspondente à participação de 67% no capital de RGE, além do montante do ágio líquido de amortização relativo à aquisição de participação na RGE; b) aumento de capital em CPFL Serra pelo acionista controlador CPFL Energia, por intermédio da conferência de ativos representados pela participação societária em RGE recebida de CPFL Paulista, de tal forma a consolidar, em CPFL Energia, 99,76% do capital de RGE; c) incorporação de CPFL Serra por RGE. Com efeito, as operações societárias precedentemente mencionadas, uma vez implementadas, como o foram, de fato, conforme atestam as provas coligidas, traduzem, de modo irretorquível, que CPFL Serra (uma holding), no contexto das reorganizações societárias então empreendias, serviu de empresa veículo do ágio originário da aquisição da participação no capital de RGE por CPFL Paulista. A incorporação de CPFL Serra imediatamente após o aumento de capital desta pessoa jurídica, efetuado mediante a entrega da participação societária em RGE (aí incluído o ágio pago por CPFL Paulista), desvela que essa conferência do ativo representado pela participação societária em RGE (com ágio) teve o único propósito de aparentar o implemento das condições objetivas ao exercício do direito de deduzir o ágio amortizado, nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1996. Uma vez transferido o ágio para CPFL Serra, o passo seguinte seria a incorporação de CPFL Serra pela pessoa jurídica operacional RGE. E assim se procedeu, com o intento de ostentar a obediência aos ditames da Lei nº 9.532/1997. Esclareça-se que o presente julgamento é indiferente à Lei nº 10.848/2004. O que cabe a esta Turma é o exame de compatibilidade entre os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e a dedução do ágio amortizado, no âmbito da complexidade fática compreendida no planejamento tributário relativo às operações societárias engendradas. O argumento determinante para a glosa da despesa de amortização do ágio diz respeito ao fato de que CPFL Serra, a incorporada, não suportou o ágio amortizado (isto é, não era a investidora), como também não foi o objeto do investimento adquirido com a mais valia (isto é, não era a investida), pois, à luz dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, a dedutibilidade da amortização do ágio está condicionada à extinção do investimento (pelo qual se pagou o sobrepreço), por força da confusão entre os patrimônios da investidora e da investida. Fora Fl. 4936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 17 dessa hipótese, a amortização do ágio só é dedutível em caso de alienação ou liquidação do investimento avaliado pela equivalência patrimonial, situação em que o ágio contabilizado se soma ao valor de patrimônio líquido do investimento para compor o valor contábil a ser considerado na apuração do ganho de capital, reduzindo-o (artigo 33 do Decreto-Lei nº 1.598/1977, na redação da época dos fatos, inscrito no artigo 426 do RIR/1999). Em face do exposto, não se pode admitir a dedução da despesa do ágio amortizado, no cômputo do lucro real. No tocante à acusação de infração à legislação da CSLL, impõe-se salientar que o ágio pago com lastro em rentabilidade futura deve ser contabilmente amortizado ao longo do tempo, conforme orienta o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI: "11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio [...] c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor)que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. [...] 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio a) CONTABILIZAÇÃO V Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio líquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente). (...)" (grifei) Portanto, o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura, na aquisição de investimento, é despesa amortizável; como tal, está sujeita à norma veiculada pelo artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995: Fl. 4937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 18 "Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] III – de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; Isso porque, como é cediço, as ações são bens móveis, conforme previsão do artigo 82 do vigente Código Civil. Nesses termos, o ágio pago sob a justificativa de rentabilidade futura, na aquisição de ações, constitui gasto que deve ser amortizado, como despesa, dentro do período pelo qual se pagou por lucros futuros. Nessas circunstâncias, tal despesa de amortização não pode afetar a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a teor do já mencionado artigo 13, inciso III, da Lei nº 9.249/1995. Ademais, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 instituíram regras específicas às hipóteses de fusão, cisão e incorporação que são exclusivas ao âmbito do IRPJ, como bem explicitam os incisos III e IV do caput do antedito artigo 7º, ao estabelecerem que as influências da amortização do ágio baseado na alínea "b" do § 2º do artigo 20 do Decreto-lei nº 1.598/1977 estão restritas à apuração do lucro real, uma vez ausente da redação de tais dispositivos da Lei nº 9.532/1997 qualquer referência à apuração da base de cálculo da CSLL. Por conseguinte, com fulcro nos fundamentos supracitados, deve-se prover o Recurso Especial fazendário. É como voto. O referido voto se alinha com minha compreensão quanto ao enquadramento da situação da contribuinte no disposto nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, que abaixo reproduzimos: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I - deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata aalínea "a" do § 2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II - deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata aalínea "c" do § 2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; Fl. 4938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 19 III - poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2°do art. 20 do Decreto-lei n°1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;(Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV - deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata aalínea "b" do § 2º do art. 20 do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos- calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplica-se, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Fl. 4939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 20 Em diversos acórdãos da Câmara Superior, como no AC nº 9101-004.383, de 10/09/2019, o ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, teceu acalentadas lições acerca da interpretação dos dispositivos acima. Dessas lições, com as quais me alinho, colho o trecho em que analisa o critério subjetivo dessas regras: E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, coordenou e comandou os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utiliza-se de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucede-se evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deu-se pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontram-se situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro polo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. Fl. 4940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 21 São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 torna-se impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. As razões acima aduzidas implicam a necessidade de que haja o encontro patrimonial do real adquirente com o real adquirido. Se a empresa veículo interposta tiver por finalidade fazer as vezes de um (real adquirente) ou outro (real adquirido), não se caracteriza, do ponto de vista subjetivo, a situação legal que autoriza a amortização do ágio com efeitos tributários. Ademais, entendo que eventual questão regulatória é irrelevante. No caso, a contribuinte sustenta que as operações decorreram da Lei nº 10.848/2004, que impôs a desverticalização do setor elétrico e proibiu que uma mesma empresa controlasse atividades de geração e distribuição. Todavia, a finalidade regulatória ou a anuência da ANEEL não dispensam o atendimento às normas tributárias. A licitude societária não implica a dedutibilidade tributária. O papel da CPFL Serra poderia ter sido legítimo do ponto de vista regulatório, mas, para efeitos tributários, sua interposição quebrou o aspecto subjetivo da hipótese legal. A legislação tributária exige o sacrifício patrimonial da investidora originária (CPFL Paulista) na incorporação da investida (RGE), o que não se verificou. Não deve prevalecer, desse modo, o entendimento do acórdão de piso. Todavia, a Fazenda Nacional pediu a reforma completa do recorrido e o restabelecimento da decisão de primeiro grau. No recurso voluntário, houve pedido específico quanto à CSLL e à aplicação da multa qualificada, que ficaram prejudicados, o que impede o provimento integral do recurso. Conclusão Fl. 4941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.494 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 11020.721188/2017-68 22 Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso da Fazenda Nacional, para, no mérito, dar-lhe provimento parcial com o fito de reformar o acórdão recorrido e devolver à instância de piso para que, em novo julgamento, enfrente os fundamentos específicos aduzidos pelo contribuinte contra a exigência de CSLL e da multa qualificada, que haviam ficado prejudicados. Assinado Digitalmente Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 4942DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723980/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
IRPF. AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. SÚMULA CARF N° 223.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), exigido a partir da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, é complexivo, operando-se em 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, ainda que apurado em bases mensais ou objeto de antecipações no decorrer do período.
DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO.
A qualificação da multa evidencia o dolo e atrai a parte final do §4° do art. 150 do CTN, a implicar na incidência do prazo do art. 173, I, do CTN.
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO E DE DIREITO. ÔNUS DA PROVA. EFEITOS.
Não tendo o recorrente se desincumbido do ônus de apresentar prova documental a demonstrar suas alegações, de modo a infirmar os pressupostos de fato e de direito do lançamento, lastreados nos elementos colhidos durante o procedimento fiscal, e nem demonstrado fato modificativo, impeditivo ou extintivo, não prosperam as alegações do recorrente, não tendo o pedido de prova pericial, ainda mais a desnecessária e protelatória, o condão de afastar o ônus de o autuado produzir sua prova documental com a impugnação.
RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%.
A Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%.
Numero da decisão: 2401-012.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas em relação à infração 0001, principal e respectiva multa, na parte em que não objeto da desistência veiculada na petição de e-fls. 1569/1572, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para aplicar a retroação da multa da Lei 9.430 de 1996, art. 44, § 1º, VI, incluído pela Lei 14.689, de 2023, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 100%.
Assinado Digitalmente
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator
Assinado Digitalmente
Miriam Denise Xavier – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Elisa Santos Coelho Sarto, Marcio Henrique Sales Parada, Leonardo Nunez Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (substituto integral) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR COMPLEXIVO. SÚMULA CARF N° 223. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), exigido a partir da omissão de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, é complexivo, operando-se em 31 de dezembro do correspondente ano-calendário, ainda que apurado em bases mensais ou objeto de antecipações no decorrer do período. DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. A qualificação da multa evidencia o dolo e atrai a parte final do §4° do art. 150 do CTN, a implicar na incidência do prazo do art. 173, I, do CTN. PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO E DE DIREITO. ÔNUS DA PROVA. EFEITOS. Não tendo o recorrente se desincumbido do ônus de apresentar prova documental a demonstrar suas alegações, de modo a infirmar os pressupostos de fato e de direito do lançamento, lastreados nos elementos colhidos durante o procedimento fiscal, e nem demonstrado fato modificativo, impeditivo ou extintivo, não prosperam as alegações do recorrente, não tendo o pedido de prova pericial, ainda mais a desnecessária e protelatória, o condão de afastar o ônus de o autuado produzir sua prova documental com a impugnação. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. LEI Nº 14.689/2023. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA REDUZIDA A 100%. A Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, alterou o percentual da multa qualificada, reduzindo-a a 100%. Fl. 1720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, apenas em relação à infração 0001, principal e respectiva multa, na parte em que não objeto da desistência veiculada na petição de e-fls. 1569/1572, para, na parte conhecida, afastar a preliminar de decadência e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para aplicar a retroação da multa da Lei 9.430 de 1996, art. 44, § 1º, VI, incluído pela Lei 14.689, de 2023, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 100%. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Elisa Santos Coelho Sarto, Marcio Henrique Sales Parada, Leonardo Nunez Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (substituto integral) e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 1657/1677) interposto em face de Acórdão (e- fls. 1611/1652) que julgou improcedente impugnação contra Auto de Infração (e-fls. 1398/1418), referente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anos-calendário 2007, 2008 e 2009, por omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (2007 e 2008, 150%; e 2009, 75%), por omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de bancários de origem não comprovada (75%) e por omissão/apuração incorreta de ganhos de capital (06/2008, 75%; e 09 e 10/2009, 150%). O lançamento foi cientificado em 06/12/2013 (e-fls. 1416). O Termo de Verificação Fiscal consta das e-fls. 1342/1377. Na impugnação (e-fls. 1425/1444), foram abordados os seguintes capítulos: (a) Decadência do ano-calendário de 2007. (b) Inexistência de valores recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste. (c) Necessidade de perícia para aferir existência de lucros compatíveis. (d) Infrações 0002 (ganho de capital) e 0003 (depósitos bancários) - presunção simples sem supedâneo legal. (e) Multa agravada. Fl. 1721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 3 Em 25/08/2014, o impugnante apresenta desistência parcial (e-fls. 1569/1572), sendo emitido Termo de Transferência de Crédito Tributário (e-fls. 1580/1583). A seguir, transcrevo do Acórdão recorrido (e-fls. 1611/1652): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 DESISTÊNCIA PARCIAL DA IMPUGNAÇÃO. PARCELAMENTO. Uma vez exercida expressamente pelo Contribuinte ou seu representante legal, a desistência parcial da impugnação, acompanhado de pedido de parcelamento do crédito tributário, encerra-se nesta parte a lide. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO. endo o IRPF tributo sujeito ao lançamento por homologação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é a data da ocorrência do fato gerador. Contudo, nas hipóteses de falta de recolhimento prévio do IRPF ou de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial obedece à regra contida no art. 173, I, do CTN, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES DE JULGADOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência/produção de provas quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do IRPF, considerando-se isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei, cabendo ao Contribuinte a comprovação da natureza dos valores recebidos. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1722DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 4 O Acórdão foi cientificado em 03/06/2015 (e-fls. 1653/1655) e o recurso voluntário (e-fls. 1657/1677) interposto em 02/07/2015 (e-fls. 1657), em síntese, alegando: (a) Tempestividade. Intimado em 06/12/2013, apresenta recurso, nos termos do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972. (b) Decadência do ano-calendário 2007. Cientificado o lançamento em 06/12/2013, há decadência em relação ao fato gerador ocorrido em 31/12/2007 (CTN, art. 150, §4°; e REsp 973.733/SC). Assim, estão atingidos os rendimentos indiretos, consubstanciados em pagamentos em 2007 de parcelas para aquisição de casa. (c) Infração 0001 - Valores recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste. Com relação aos valores lançados pela fiscalização para os anos de 2008 e 2009, identificados como infração "0001", há equívoco por parte do autuante, vez que são lucros distribuídos da empresa. Muito embora dispusesse de lucros acumulados e os disponibilizasse costumeiramente aos sócios, referidos repasses não eram levados à registro contábil, ou mesmo eram informados aos responsáveis pelas declarações de imposto de renda dos sócios. Apesar da ausência de contabilização e de informação à Receita Federal, possuindo a empresa lucros acumulados, há que prevalecer a verdade material, conforme entendimento jurisprudencial consolidado. Foram apresentados os seguintes anexos: i. planilha com a evolução dos lucros acumulados na JAW; ii. os extratos bancários da JAW demostrando as transferências financeiras bancárias realizadas para os sócios, e a correlação dos depósitos nas contas bancárias dos sócios com as saídas da JAW; iii. as declarações de Imposto da JAW dos anos de 2008 e 2009; iv. os registros contábeis retificados da JAW, com os lançamentos dos repasses de valores para os sócios; e v. a demonstração dos lucros acumulados existentes na JAW. Acrescenta ao recurso os seguintes anexos: vi. Demonstrações Financeiras referentes aos Exercícios 2013/2014, comprovando que os Adiantamentos à GCR Participações encontram-se devidamente contabilizados na Empresa JAW; e vii. Planilha com demonstrativo do "Auto de Infração", com detalhamento dos valores "parcelados" incluídos no REFIS da COPA (Artigo 2' da Lei 12.996/2014) e dos valores "mantidos impugnação". O mero equívoco no preenchimento das informações fiscais e registros contábeis, por si só, não lhes retira o direito à isenção do imposto sobre os lucros distribuídos. Procedidas as retificações na contabilidade quanto aos lucros efetivamente distribuídos aos sócios tem-se o seguinte saldo de lucros acumulados. O Contencioso Administrativo Junto à Receita Federal do Brasil possui entendimento consolidado no sentido de que, demonstrado o erro no preenchimento de declarações ou registros contábeis deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Manifesta interesse na realização de perícia técnico contábil para confirmar a existência de lucros na empresa, em montante Fl. 1723DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 5 compatível com os valores considerados pela fiscalização como rendimentos tributáveis, de modo que a seguir serão apresentados os quesitos e assistente técnico. Como a obrigação tributária somente decorre de lei, nos termos do art. 50, 117, e 150, 18, da Constituição Federal, artigos 309, 97, I e 11110, 13911, 14012 e 14113, todos do CTN, somente com a demonstração inconteste por parte da Receita Federal do Brasil de que os valores disponibilizados pela empresa, o Recorrente não eram lucros passíveis de distribuição, o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física nos termos dos arts. 30, §4° da Lei n° 7.713/88, arts. 37, 38, 43, 55, I a V, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do Decreto n° 3.000/99, pode ser mantido. Assim, os pagamentos para aquisição de apartamentos e vagas de estacionamento nada mais eram do que os lucros a que fazia jus como sócio da empresa, bem como os valores repassados pela empresa para a conta bancária do recorrente. As retificações de lançamentos contábeis e demonstrações fiscais realizadas pela referida empresa a fim de confirmar as operações de disponibilização de lucros não se sujeitam aos dispostos no art. 138 do Código Tributário Nacional, relativos à denúncia espontânea, vez que, não importaram no reconhecimento tardio de qualquer nova obrigação tributária. (d) Perícia. Há necessidade de perícia sobre a existência de lucros em montante compatível com os valores repassados ao recorrente. Logo, apresenta quesitos e indica assistente técnico. (e) Infrações 0002 (depósitos bancários) e 0003 (ganho de capital) - presunção simples sem supedâneo legal. Sem provas robustas de suas alegações, a fiscalização presume infrações à legislação com base em simples conjecturas (CTN, arts. 112, II, e 142). Não pode ser admitida a avaliação subjetiva da fiscalização para a suposição do valor de venda de imóvel sem qualquer elemento concreto a lhe dar suporte, máxime, 3 (três) avaliações diferentes de corretores com registro avaliando o imóvel que se presumiu ter sido vendido por valor superior ao registrado. As presunções pessoais ainda não encontram eco no direito tributário, cuja viga mestre ainda é o princípio da legalidade, previsto nos arts. 97, III e V, e 112 do CTN. Especificamente com relação ao alegado ganho de capital sobre a alienação do apartamento 1001 e boxes de garagem 2, 18 e 19 do Edifício P., releva notar que o agente autuante afirma apenas que, por "convicção" um dos pagamentos realizados em benefício do Recorrente para a aquisição do apartamento do edifício A., decorreria da venda do apartamento do Edifício P.. Todavia, desconsidera completamente o Auditor Fiscal que o Recorrente possuía caixa suficiente para fazer frente ao montante pago, tendo em conta os valores sacados da empresa, a título de lucros nos anos de 2008 e 2009, conforme anexa planilha “Relatório Lucros Distribuídos – Valores Retirados pela Sócia (controle mensal)”. Ademais, a fiscalização Fl. 1724DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 6 motivou apenas na mera "convicção", não autorizando a legislação presunção simples. O mesmo fundamento se aplica à omissão de ganho de capital na alienação do apartamento 206 e da garagem 12 do Edifício B.. devendo também o respectivo lançamento ser cancelado. Sobre os depósitos bancários em sua conta, o recorrente possuía lastro financeiro para os valões depositados, vez que ou se referem a lucros da empresa ou a valores em espécie que o recorrente possuía. (f) Multa Qualificada. Não restou em nenhum momento comprovada a existência de conduta dolosa por parte do Recorrente. O que se constatou foi que os valores disponibilizados a títulos de lucros pela empresa aos seus sócios apenas não foram devidamente registrados na contabilidade da empresa. Provado restou, contudo, que os lucros disponibilizados existiam e podiam ser creditado em favor dos sócios, de modo que dessa conduta (ausência de registro contábil) não decorreu qualquer prejuízo ao fisco. Sendo assim, a conduta do Recorrente não está tipificada no art. 72 da Lei 4502/64 (CTN, art.112, II e IV). Deste modo, requer-se desde já, e em observância aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade, o cancelamento da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) aplicada ao Recorrente, ante a ausência de conduta dolosa por parte do Recorrente. É o relatório. VOTO Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 03/06/2015 (e-fls. 1653/1655), o recurso interposto em 02/07/2015 (e-fls. 1657) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Conforme Requerimento de Desistência Parcial de Manifestação de Inconformidade (e-fls. 1569/1572), subsiste lide apenas em parte da infração 0001. Para uma rápida conferência, confrontar e-fls. 1570 com e-fls. 1399/1401. Assim, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário apenas em relação à infração 0001, principal e respectiva multa, na parte em que não foi objeto da desistência, estando a exigibilidade suspensa (CTN, art. 151, III). Decadência do ano-calendário 2007. Ao tempo da impugnação total, o Auto de Infração (e-fls. 1398/1418) tinha por objeto as infrações: 0001 - omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica (2007 e 2008, 150%; e 2009, 75%); 0002 - omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de bancários de origem não Fl. 1725DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 7 comprovada (2008 e 2009, 75%); e 0003- omissão/apuração incorreta de ganhos de capital (06/2008, 75%; e 09 e 10/2009, 150%). Antes da prolação do Acórdão de Impugnação, conforme Requerimento de Desistência Parcial (e-fls. 1569/1572), o contribuinte desistiu expressamente do inconformismo a envolver principal e multa em relação às infrações 0002 e 0003 e parcialmente em relação à infração 0001, sendo didática a tabela apresentada na introdução do voto condutor da decisão recorrida com a especificação mensal dos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica omitidos e da respectiva multa a permanecer impugnados: Inicialmente insta registrar que o presente julgamento se restringe aos créditos tributários remanescentes da apresentação do Requerimento de Desistência Parcial de Manifestação de Inconformidade de fls. 1569 a 1571. Assim, resta analisar os seguintes créditos tributários (todos decorrentes da infração Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica): Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 30/10/2007 375.000,00 150,00 31/11/2007 375.000,00 150,00 31/12/2007 500.000,00 150,00 31/01/2008 500.000,00 150,00 30/06/2008 200.000,00 150,00 31/07/2008 150.000,00 150,00 30/09/2008 200.000,00 150,00 31/12/2008 175.000,00 150,00 31/01/2009 325.000,00 75,00 Os rendimentos em questão sujeitam-se ao ajuste anual e, portanto, o fato gerador complexivo se aperfeiçoa no último dia do ano-calendário, ou seja, 31/12/2007, 31/12/2008 e 31/12/2009, conforme jurisprudência pacífica (Súmula CARF n° 223). Além disso, a qualificação da multa evidencia o dolo e atrai a parte final do §4° do art. 150 do CTN, a implicar na incidência do prazo do art. 173, I, do CTN em relação aos anos-calendário 2007 e 2008. Logo, cientificado do lançamento em 06/12/2013 (e-fls. 1416), não prospera a alegação do recorrente de o fato gerador ocorrido em 31/12/2007 estar atingido pela decadência. Infração 0001 - Valores recebidos de pessoa jurídica sujeitos ao ajuste. Perícia. O recorrente sustenta que dispunha de lucros acumulados e que os disponibilizou costumeiramente aos sócios, apesar de não os levar a registro contábil e apesar de não informados pelos sócios em declaração de renda. Argumenta que, conforme jurisprudência, a verdade material deve prevalecer, tendo apresentado: (i) planilha com a evolução dos lucros acumulados na JAW; (ii) extratos bancários da JAW demostrando as transferências para os sócios e a correlação dos depósitos nas contas bancárias dos sócios com as saídas da JAW; (iii) as declarações de Imposto da JAW dos anos de 2008 e 2009; (iv) os registros contábeis retificados da JAW, com os lançamentos dos repasses de valores para os sócios; (v) a demonstração dos lucros acumulados existentes na JAW; e (vi) Demonstrações Financeiras referentes aos Exercícios 2013/2014, comprovando que os Adiantamentos à GCR Participações encontram-se devidamente contabilizados na Empresa JAW. Fl. 1726DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 8 Arremata que, procedidas às retificações na contabilidade quanto aos lucros efetivamente distribuídos aos sócios, resta saldo de lucros acumulados, devendo prevalecer a verdade material sobre o erro formal de preenchimento das declarações e registros contábeis. Para provar a existência de lucros acumulados e a sua regular distribuição nos anos-calendário de 2008 e 2009, deveria o recorrente, antes de tudo, ter carreado aos autos prova da existência de deliberação pela distribuição dos lucros acumulados, de modo a alicerçar o argumento de que os registros contábeis e as declarações de ajuste anual dos sócios se distanciaram da realidade dos fatos. Na ausência de tal prova, a apresentação de planilhas, extratos, demonstrativos e a retificação da contabilidade, bem como das declarações de renda, não têm o condão de gerar convencimento de mero erro formal. Ainda que perito elaborasse laudo no sentido de evidenciar a anterior existência de lucros passíveis de distribuição e respaldasse a retificação dos lançamentos contábeis, isso seria insuficiente para demonstrar que houve efetivamente distribuição de lucros ao invés do pagamento indireto de rendimentos, eis que a impugnação não foi instruída com prova da anterior deliberação dos sócios pela distribuição dos lucros, sendo da defesa o ônus de instruir a impugnação com a prova documental de suas alegações (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 15, III, §4°); não interferindo em tal análise do conjunto provatório constante dos autos a jurisprudência, as regras e os princípios invocados pelo recorrente. Indefere-se o pedido de perícia, eis que desnecessária e meramente protelatória. Destarte, não merece reforma a decisão recorrida. Infrações 0002 (depósitos bancários) e 0003 (ganho de capital) - presunção simples sem supedâneo legal. Como já dito, não se conhece das alegações atinentes às infrações 0002 e 0003 em razão da desistência. Multa Qualificada. Em relação à infração 0001, houve qualificação da multa apenas para os fatos geradores pertinentes anos-calendário de 2007 e 2008, subsistindo lide apenas em relação aos seguintes fatos geradores: Fato Gerador Valor Apurado (R$) 30/10/2007 375.000,00 31/11/2007 375.000,00 31/12/2007 500.000,00 31/01/2008 500.000,00 30/06/2008 200.000,00 31/07/2008 150.000,00 30/09/2008 200.000,00 31/12/2008 175.000,00 Para os três valores referentes ao ano-calendário de 2007, a fiscalização apresentou a seguinte motivação (e-fls. 1363): A multa para essa infração foi qualificada, face ao evidente intuito de fraude para disfarçar o recebimento indireto de rendimentos, caracterizado por: pagamento direto pela pessoa jurídica das parcelas para a aquisição de imóvel de propriedade das pessoas físicas, sem passar pelas contas das pessoas físicas, e sem escrituração dos pagamentos efetuados; os pagamentos feitos por transferências bancárias foram executados pessoalmente pela sócia Shirley Correa Peixoto Gershenson, conforme se verifica nos documentos das folhas 1108, 1109, 1113 a Fl. 1727DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 9 1115, demonstrando que os sócios tinham total controle sobre as operações feitas pela empresa para disfarçar e não contabilizar os pagamentos; não retenção de imposto de renda na fonte sobre os pagamentos efetuados e não apresentação de DIRF - Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - relativa a esses pagamentos, tendo em vista que não se referiam a distribuição de lucros e, portanto não se tratavam de rendimentos isentos; não informação desses pagamentos na resposta às Intimações nº 203/13 e 204/13; não informação na escritura lavrada (fls. 1317 a 1319) de que houve pagamentos em 2007; e não informação da aquisição desse imóvel nas Declarações de Ajuste Anual de 2008 a 2010 das pessoas físicas. Para os cinco valores referentes ao ano-calendário de 2008, a fiscalização apresentou a seguinte motivação (e-fls. 1366/1367): A multa para essa infração, em relação ao ano-calendário de 2008, foi qualificada, face ao evidente intuito de fraude para disfarçar o recebimento indireto de rendimentos, caracterizado por: pagamento direto das parcelas pela pessoa jurídica, sem passar pelas contas das pessoas físicas e sem escrituração dos pagamentos efetuados; não retenção de imposto de renda na fonte sobre os pagamentos efetuados e não apresentação de DIRF - Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - relativa a esses pagamentos, tendo em vista que não se referiam a distribuição de lucros e, portanto não se tratavam de rendimentos isentos; não informação desses pagamentos na resposta às Intimações nº 203/13 e 204/13; e não informação da aquisição desses imóveis nas Declarações de Ajuste Anual de 2009 das pessoas físicas (os bens do casal foram informados na Declaração de Ajuste Anual do Sr. Arion, fls. 25 a 39, onde não constam esses imóveis). Destacamos ainda: que o Sr. Arion e a Sra Shirley, são os únicos sócios da empresa Cirúrgica Jaw e que os pagamentos feitos por transferências bancárias foram executados pessoalmente pela sócia Shirley Correa Peixoto Gershenson, conforme se verifica nos documentos das folhas 368 a 374, demonstrando que os sócios tinham total controle sobre as operações feitas pela empresa para disfarçar e não contabilizar os pagamentos. Em ambos os anos-calendário, houve o mesmo proceder, ou seja, a transferência de valores de conta da empresa para terceiros em pagamento de parcelas do preço de imóveis adquiridos pelo recorrente e pela sócia, sem registro na contabilidade da empresa e sem o recorrente informar na declaração de ajuste anual tratar-se de lucros ou de rendimento tributável e sem nem mesmo declarar a aquisição dos imóveis, tendo a sócia executado pessoalmente os pagamentos a beneficiar ambos os sócios. A situação em tela gera firme convicção de que não houve uma simples omissão de rendimentos, sendo evidente o intento doloso e o cabimento da qualificação da multa, nos termos da legislação de regência, impondo-se apenas a limitação da multa ao percentual de 100%, em face do advento da Lei n° 14.689, de 2023. Isso posto, voto por CONHECER EM PARTE do recurso voluntário, apenas em relação à infração 0001, principal e respectiva multa, na parte em que não objeto da desistência Fl. 1728DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.480 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11516.723980/2013-51 10 veiculada na petição de e-fls. 1569/1572, AFASTAR a PREJUDICAL DE DECADÊNCIA e, no merito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para aplicar a retroação da multa da Lei 9.430 de 1996, art. 44, § 1º, VI, incluído pela Lei 14.689, de 2023, reduzindo a multa qualificada ao percentual de 100%. (documento assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 1729DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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