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10974469 #
Numero do processo: 10711.727660/2014-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3401-002.897
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator e Vice-presidente. Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até a ocorrência do trânsito em julgado dos Recursos Especiais 2147578/SP e 2147583/SP, afetos ao Tema Repetitivo 1293 (STJ), nos termos do disposto no artigo 100, do RICARF/2023. Após retornem-se os autos, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Assinado Digitalmente LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR – Relator e Vice-presidente. Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo de auto de infração aduaneira decorrente da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Fl. 267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.897 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10711.727660/2014-82 2 Foi apresentado o recurso voluntário pela contribuinte tempestivamente, repisando os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. Em caso análogo foi proferido o voto abaixo no PAF nº 12689.000598/2009-71, acórdão nº 3401-002.882, da lavra do Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, vejamos: Conforme relatado a sanção lançada no auto de infração instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto-lei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Trata-se de uma sanção de cunho aduaneiro. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema n. 1293), que a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras que permaneçam paralisados por mais de três anos: A Primeira Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Foram aprovadas, por unanimidade, as seguintes teses, no tema repetitivo 1293: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Fato inconteste que da decisão proferida fez distinção da natureza das infrações aduaneiras para as tributárias, nesse aspecto já me posicionei anteriormente: No entanto, é mais adequado deixar de lado a classificação principal ou acessória, posto que a natureza jurídica da obrigação aduaneira sempre estará vinculada ao bem jurídico protegido pelo Direito Aduaneiro, ou seja, o controle aduaneiro. Por conseguinte, toda obrigação aduaneira é acessória e essencial à efetivação do controle previsto no art. 237 da Constituição Federal, não se confundindo, pois, com a obrigação tributária, a qual está vinculada à arrecadação do tributo, esta sim classificada como principal ou acessória. Fl. 268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.897 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10711.727660/2014-82 3 Conclui-se, assim, que o ponto chave para diferenciar as obrigações está na motivação de sua criação. Enquanto as obrigações acessórias são instituídas com a finalidade de arrecadação e fiscalização dos tributos, as aduaneiras têm sua criação ligada às medidas de controle das operações de comércio exterior, não vinculados a fins tributários. Ao adentrar no regime jurídico da infração aduaneira, é imprescindível analisar, novamente, a Convenção de Quioto Revisada, a qual, em seu anexo H.2, definiu Infrações Aduaneiras como qualquer violação ou tentativa de violação da legislação aduaneira. Além disso, infração aduaneira caracteriza-se, também, por qualquer oposição ou obstrução à estância aduaneira em cumprimento das medidas de controle necessárias, bem como a apresentação às autoridades aduaneiras de faturas ou outros documentos falsos. (...) Primeiramente, é fundamental a compreensão da natureza das obrigações aduaneiras: que são sempre aduaneiras, mas podem ser integradas pela relação administrativa, tributária, penal. Assim, se a relação for aduaneira-tributária, a obrigação principal figurará no pagamento de tributo ou de multa pecuniária e/ou a obrigação acessória versará sobre a prestação de interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos (...) Outra conceituação falha, visto que todas as obrigações aduaneiras também possuem natureza administrativa, mas que foi consolidada pelo legislador quando definiu a denúncia espontânea em matéria aduaneira. Assim, as obrigações que surgem a partir de uma relação aduaneira-tributária possuem natureza tributária e as obrigações que surgem de uma relação aduaneira não tributária possuem natureza administrativa. 1 No entanto, diante da imposição regimental nos termos do RICARF/2023: Art. 100. A decisão pela afetação de tema submetido a julgamento segundo a sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos não permite o sobrestamento de julgamento de processo administrativo fiscal no âmbito do CARF, contudo o sobrestamento do julgamento será obrigatório nos casos em que houver acórdão de mérito ainda não transitado em julgado, proferido pelo Supremo Tribunal Federal e que declare a norma inconstitucional ou, no caso de matéria exclusivamente infraconstitucional, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça e que declare ilegalidade da norma. Parágrafo único. O sobrestamento do julgamento previsto no caput não se aplica na hipótese em que o julgamento do recurso puder ser concluído independentemente de manifestação quanto ao tema afetado. Assim, proponho o sobrestamento do presente feito, nos termos do art. 100, do RICARF. 1 ULIANA JUNIOR, Laércio Cruz. Sanções aduaneiras decorrentes da importação de mercadoria e a proteção ao direito fundamental a livre-iniciativa: uma perspectiva da Análise Econômica do Direito. https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o- LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf Fl. 269DF CARF MF Original https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o-LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o-LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3401-002.897 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10711.727660/2014-82 4 Dessa forma, adoto como razões de decidir o voto acima e proponho o sobrestamento desse processo nos termos do art. 100 do RICARF>=. Assinado Digitalmente LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Fl. 270DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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10975807 #
Numero do processo: 12448.727120/2016-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. ISENÇÃO. ADI nº4480. REQUISITOS. Aplicam-se os requisitos do art. 14 do CTN para reconhecimento da situação de isenção/imunidade. A ocorrência dos incisos III, IV, VII e VIII da Lei nº12.101/2009 não implica, necessariamente, a ocorrência do disposto no inciso III, art. 14 do CTN.
Numero da decisão: 2302-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa e Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo votaram pelas conclusões. Vencido o conselheiro Johnny Wilson Araújo Cavalcanti que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Redator Designado Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araújo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ROSANE BEATRIZ JACHIMOVSKI DANILEVICZ

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa e Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo votaram pelas conclusões. Vencido o conselheiro Johnny Wilson Araújo Cavalcanti que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Redator Designado Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araújo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Marcelo Freitas de Souza Costa.

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ISENÇÃO. ADI nº4480. REQUISITOS. Aplicam-se os requisitos do art. 14 do CTN para reconhecimento da situação de isenção/imunidade. A ocorrência dos incisos III, IV, VII e VIII da Lei nº12.101/2009 não implica, necessariamente, a ocorrência do disposto no inciso III, art. 14 do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa e Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo votaram pelas conclusões. Vencido o conselheiro Johnny Wilson Araújo Cavalcanti que negou provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Redator Designado Fl. 902DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 2 Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araújo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Marcelo Freitas de Souza Costa. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração (efls. 2 a 121) relativo à exigência de Contribuições Sociais Previdenciárias: Contribuições Previdenciárias da Empresa, GILRAT e as devidas a outras Entidades e Fundos: SESC, INCRA, SEBRAE e Salário Educação – FNDE do período de apuração de 01/01/2012 a 31/12/2012. Reproduzo trechos do Relatório da decisão de piso, que bem descreve o processo (fl.2 e 3 do Acórdão de Impugnação): - Auto de Infração referente às Contribuições Previdenciárias da Empresa e GILRAT1, no valor total de R$ 5.896.976,48. - Auto de Infração relativo às Contribuições devidas a outras Entidades e Fundos: SESC, INCRA, SEBRAE e Salário Educação - FNDE, no montante de R$ 1.236.217,41. - Auto de Infração de Contribuições Previdenciárias dos Segurados do Regime Geral de Previdência Social - RGPS, R$ 8.813,49. - Auto de Infração pelo descumprimento de obrigações acessórias, R$ 46.646,30. Noticia o Relatório Fiscal, fls. 122/153, que: A Interessada não cumpriu três exigências legais, contidas no art. 29 da Lei 12.101/09, para o gozo da imunidade condicionada contida no § 7º, art. 195 da Constituição Federal. (...) Não foi apresentado o CEBAS - Certificado de Entidades Beneficente de Assistência Social concedido pelo Ministério da Educação - MEC, com validade para o ano de 2012. Em razão disso, o Setor Fiscal solicitou esclarecimentos ao Ministério da Educação, que informou sobre a inexistência de certificado ativo em 2012; há um pedido que se encontra em análise e o último certificado válido que a entidade possui abrange o período de janeiro de 2007 a dezembro de 2009. (...) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 6, a Interessada declarou que não foram localizados documentos de despesa que deram causa aos lançamentos contábeis de honorários profissionais - Conta 51702-2. No que diz respeito as despesas lançadas na conta contábil 51111 - Manutenção e Conservação, foram apresentados documentos ilegíveis, conforme anexo 09. Fl. 903DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 3 (...) Destaca as obrigações acessórias não cumpridas: Entrega de GFIP5 com omissão de informações; não apresentação de todos os documentos solicitados; empresa não preparou folha de pagamento para todos os segurados contribuintes individuais (autônomos), que lhe prestaram serviço; a empresa não efetuou o desconto da contribuição de segurado de todos os contribuintes individuais (autônomos), que lhe prestaram serviço e não lançou em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em razão da perda da isenção o Setor Fiscal realizou o reenquadramento do FPAS, de 639 (Entidades beneficentes de assistência social, com isenção concedida na forma do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991) para 574 (Estabelecimento de Ensino - Sociedade Cooperativa no qual explora atividade econômica relacionada neste código). As Contribuições declaradas em GFIP (empregados e Contribuintes Individuais) não foram objeto de lançamento de ofício, já que a GFIP constitui o crédito tributário nos termos do § 7º do art. 33 da Lei 8.212/91. O lançamento foi impugnado e os autos foram encaminhados à DRJ. Os membros da 4ª Turma DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação mantendo todos os Autos de Infração. Cientificado do acórdão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, sustentando, a aplicação da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 566.622/RS – Tema 32 de Repercussão Geral. Sustenta também que possuía CEBAS válida na época do lançamento, em razão do seu pedido de renovação do CEBAS estar pendente de decisão definitiva pelo MEC, que não descumpriu o disposto nos incisos VI e VII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 e que os autos de infração são nulos em face da isenção previdenciária e do pedido de renovação do CEBAS protocolado antes da publicação da Lei nº 12.101/2009. Posteriormente, na petição protocolada em 29/11/2024, a Recorrente traz ao conhecimento fatos supervenientes à interposição do recurso voluntário: a) que tem nova denominação social - ASSOCIAÇÃO PBCM DE EDUCAÇÃO E ASSISTÊNCIA SOCIAL; b) que obteve o deferimento do CEBAS para o período (retroativo) de 01/01/2010 a 31/12/2014, juntando a Portaria MEC-SERES nº 292 de 26/04/2018 (DOU de 27/04/2018, Seção i, pág. 57). É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Relatora 1. Admissibilidade Fl. 904DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 2. Razões do Recurso A Recorrente alega que o caso atrai a aplicação da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 566.622/RS – Tema 32 de Repercussão Geral: Reserva de lei complementar para instituir requisitos à concessão de imunidade tributária às entidades beneficentes de assistência social. Na linha do decidido pelo STF ao julgar o RE nº 566.622, atendidos os requisitos dispostos no artigo 14, do CTN, o que ocorre no caso da recorrente, não poderiam ser exigidas as contribuições previdenciárias. Como se sabe, o §7º do art. 195 da Constituição Federal determina que as entidades beneficentes de assistência social serão "imunes" da contribuição para a seguridade social desde que atendidas as exigências previstas em lei. O Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal com força normativa de lei complementar veda à União cobrar imposto sobre o patrimônio, a renda ou serviços das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos (art. 9º, inciso IV, alínea "c"). Ainda, traz em seu artigo 14 os requisitos necessários à fruição do benefício que lhes é assegurado. É ver: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. No âmbito da legislação ordinária, inicialmente a Lei nº 8.212/91 trouxe, em seu artigo 55, exigências para a concessão de isenção às entidades beneficentes de assistência social. O dispositivo foi analisado pelo Supremo Tribunal Federal, por meio do RE nº 566.622/RS (Tema 32), à luz do artigo 146, inciso II, da Constituição Federal, que restringe à lei complementar a regulação das limitações constitucionais ao poder de tributar. Em resumo, o STF entendeu que os aspectos procedimentais da imunidade, relacionados à certificação (CEBAS), à fiscalização e ao controle das entidades beneficentes de assistência social podem ser regulamentados por lei ordinária. Fl. 905DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 5 Lado outro, é exigível a lei complementar para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas no artigo 195, § 7º da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. Na oportunidade, foi fixada a seguinte tese: A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. Posteriormente, o mencionado art. 55 da Lei n º 8.212/91 foi revogado pela Lei nº 12.101/09, que embasa o presente lançamento. Nos termos do artigo 3º da referida lei, a concessão da certificação deveria observar o cumprimento dos requisitos dispostos nas Seções I a IV do seu Capítulo II, as quais estabeleciam também contrapartidas de atuação necessárias ao usufruto da isenção, como é o caso do previsto no art. 29, fixando critérios que ultrapassam o previsto pelo Código Tributário Nacional. A Lei nº 12.101/09 foi objeto de julgamento na ADI 4480. O STF foi instado a se pronunciar acerca da (in)constitucionalidade de diversos dispositivos da novel legislação, entre eles o referido inciso ‘VII’ que sustenta o lançamento. Em sessão de julgamento finalizada em 26/03/2020, o Tribunal Supremo declarou a inconstitucionalidade de diversos dispositivos, nos seguintes termos: Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação direta de inconstitucionalidade para declarar a inconstitucionalidade formal do art. 13, III, §1º, I e II, §§ 3º e 4º, I e II, §§ 5º, 6º e 7º; do art. 14, §§ 1º e 2º; do art. 18, caput; do art. 29, VI, e do art. 31 da Lei 12.101/2009, com a redação dada pela Lei 12.868/2013, e declarar a inconstitucionalidade material do art. 32, § 1º, da Lei 12.101/2009. Como se vê, não houve a declaração de inconstitucionalidade formal do art. 29, VII da Lei nº 12.101/09. Contudo, merece especial atenção o trecho do voto do Min. Relator Gilmar Mendes, detalhando a motivação adotada e a compreensão acerca do referido artigo: Quanto ao art. 29 e seus incisos e ao art. 30, reitero que só deverão ser considerados inconstitucionais na hipótese de estabelecerem condições inovadoras, não previstas expressamente pela legislação complementar, no caso, o art. 14 do Código Tributário Nacional, ou que dela não puderem ser identificadas como consequências lógicas. Eis o teor dos referidos dispositivos: (...) Transcrevo novamente o art. 14 e incisos do Código Tributário Nacional: “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) Fl. 906DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 6 II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Nesse contexto, entendo que os incisos I e V do artigo 29 se amoldam ao inciso I do artigo 14 do CTN (“não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título”); e o inciso II do artigo 29 ajusta-se ao inciso II do artigo 14 do CTN (“aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais”). E, como consequências dedutivas do inciso III do artigo 14 do CTN (“manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”), tem-se os incisos III, IV, VII e VIII do artigo 29 da Lei 12.101/2009. Portanto, não vislumbro a alegada inconstitucionalidade formal do artigo 29 e incisos I, II, III, IV, V, VII e VIII. Da leitura verifica-se que, reafirmando o entendimento consignado no Tema 32, não foi declarada a inconstitucionalidade formal do dispositivo (inciso ‘VII’ do art. 29), vez que, na compreensão da Corte, encontra respaldo na legislação complementar (art. 14 do CTN). Não obstante, observa-se que o Ministro vai além ao fazer a correspondência expressa dos incisos do artigo 29 da Lei nº 12.101/09 com aqueles previstos no artigo 14 do CTN. Conclui que o dispositivo seria equivalente, por “consequência dedutiva”, ao inciso III do artigo 14 do CTN. Assim, em interpretação ao decidido pelo STF no Tema 32 de Repercussão Geral, bem como por ocasião da análise da ADI 4480, tem-se as seguintes premissas: a) Os requisitos a serem verificados como contrapartida para a fruição da imunidade das contribuições previdenciárias por entidades beneficentes são aqueles previstos no artigo 14 do CTN; b) O inciso VII do artigo 29 da Lei n. 12.101/09 é correspondente ao que determina o inciso III do artigo 14 do CTN. Superada tal ponto, passo ao exame da questão relativa ao fato de o auto de infração ter sido lavrado em razão de a Recorrente deixar de apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS com validade para o ano de 2012. Assim entendeu a decisão recorrida (fl. 6): No vertente caso o recurso da Interessada foi intempestivo, conforme relata o item 4 do Ofício nº 2637/2014 - CGCEBAS/DPR/SERES/MEC, de 22 de julho de 2014, fl. 816. Em razão da intempestividade o recurso não foi conhecido, assim foi mantido na íntegra a decisão contida na Portaria SEB nº 190, de 18 de março de 2011, da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação, que indeferiu o pedido - fl. 818, Diário Oficial da União nº 110, de 12 de junho de 2015. Referida Portaria foi Publicada no Diário Oficial da União em 22/03/2011 - fl. 126, item 18, "b". Portanto, não há que falar em imunidade condicionada sem a exigida certificação, tampouco na aplicação do § 2º do art. 24 da Lei 12.101/2014, pois, como visto há permissão legal para o lançamento e sobrestamento do julgamento até a decisão do recurso, com efeito ex tunc. No iter processual atual, já se tem Fl. 907DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 7 decisão, inclusive em grau de recurso, sobre a renovação do CEBAS, como visto, desfavorável à Interessada. Em seu recurso a Recorrente sustenta que possuía certificação válida na época, nos termos do art. 24 da Lei nº 12.101/2009, visto que em face do indeferimento do seu pedido de renovação do CEBAS pelo MEC apresentou recurso que estava pendente de decisão. E agora, na petição protocolada em 29/11/2024, a Recorrente informa que através da Portaria MEC/SERES nº 292/2018, de 26/04/2018 (DOU de 27/04/2018, Seção I, p. 57) teve deferido o seu pedido de renovação do CEBAS, objeto do Processo MEC nº 23123.001851/2011- 40, válido para o período de 01/01/2010 a 31/12/2014. Além de ter anexado ao processo a referida portaria, a Recorrente também anexou o Ofício 918/2018, através do qual o Ministério da Educação lhe comunicou o deferimento do seu pedido de renovação do CEBAS, acompanhado da respectiva Nota Técnica nº 507/2018, igualmente anexada. Assim consta na Nota Técnica nº 507/2018: I – RELATÓRIO 1. Trata-se de pedido de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, protocolado pela requerente neste Ministério da Educação – MEC, em 24/09/2010 (Doc. SEI nº. 0268244, pág. 01), para análise quanto ao cumprimento dos requisitos exigidos na Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013, no Decreto nº 7.237, de 20 de julho de 2010, no Decreto nº 8.242, de 23 de maio de 2014, e de critérios técnicos previstos nas Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC, nos Princípios Fundamentais de Contabilidade e na legislação aplicada à matéria. (...) II – ANÁLISE (...) 4. Preliminarmente, cumpre informar que a requerente possuía certificado anterior, válido no período de 01/01/2007 a 31/12/2009, conforme Portaria nº 190, de 18/03/2011, expedida pelo Ministério da Educação, e publicada no Diário Oficial da União de 22/03/2011 (Doc. SEI nº. 0268244, pág. 234). 5. Considera-se, portanto, tempestiva a solicitação de renovação, protocolada em 24/09/2010 conforme disposto no parágrafo único, do art. 12, da Lei nº 12.868, de 2013. Diante do exposto, não resta dúvida de que a Recorrente possuía CEBAS válida na época da lavratura do auto de infração. Todavia, cabe ressaltar que ele não se deu tão somente em razão do CEBAS. Assim aponta a decisão recorrida: As outras duas exigências, descumpridas, contidas nos incisos VI e VII do art. 29 da Lei 12.101/09, dizem respeito à localização de documentos de despesa que deram causa aos lançamentos contábeis de honorários profissionais - Conta 51702-2 e em relação a conta contábil 51111 - Manutenção e Conservação, foram apresentados documentos ilegíveis. Também são destacadas várias obrigações Fl. 908DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 8 acessórias não cumpridas: Transmissão de GFIP com omissão de informações; não apresentou todos os documentos solicitados; empresa não preparou folha de pagamento para todos os segurados contribuintes individuais (autônomos), que lhe prestaram serviço; a empresa não efetuou o desconto da contribuição de segurado de todos os contribuintes individuais (autônomos), que lhe prestaram serviço e não lançou em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A Impugnante reconhece não ter entregue todos os documentos e que alguns se apagaram com o passar do tempo. Mesmo assim, entende que não é razoável, tampouco proporcional utilizar tais fatos para fins de afastar a imunidade condicionada. No caso em comento, não se observa nenhuma desproporcionalidade ou irrazoabilidade no ato de aplicação da Lei 8.101/09, uma vez que as autoridades fiscais são vinculadas às normas e a situação fática da Interessada se subsome as regras contidas no caput do art. 29 da Lei 12.101/2009 e nos seus incisos VI, VII, conforme as provas existentes nos autos, somados ao reconhecimento, pela própria Interessada, do não cumprimento parcial das obrigações acessórias. Não se pode deixar de consignar que a opção da Interessada em realizar espontaneamente o pagamento do Auto de Infração relacionado ao descumprimento de obrigações acessórias, quando tinha a oportunidade de impugnar, só reforça o que antes já estava evidenciado, o não atendimento dos requisitos estampados nos incisos VI, VII do art. 29 da Lei 12.101/2009 e o pagamento do referido Auto de Infração não altera a situação de motivou sua lavratura. Como a Recorrente efetuou o pagamento da parte do auto de infração relativa ao descumprimento de obrigações acessórias e restou comprovado que possuía CEBAS válida quando da lavratura do auto de infração, entendo que não há motivo para mantê-lo. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e dou-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz VOTO VENCEDOR Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, redator designado Parabenizo a ilustre relatora pelo brilhante voto, o qual concordo com as conclusões, todavia, divirjo dos fundamentos adotados. Fl. 909DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 9 Entendeu a relatora que o contribuinte possuía CEBAS válido para o período autuado, e que a ausência do CEBAS teria sido o fundamento do auto de infração. Logo, deu provimento ao Recurso Voluntário por não vislumbrar fundamento remanescente para mantê-lo. Identifico que o Relatório Fiscal descreve em seu item III (e-fls. 125 e seguintes) que o contribuinte teria descumprido três requisitos da lei nº 12.101/2009, quais sejam: artigo 29, caput e incisos VI e VII. O caput do artigo 29 da Lei nº 12.101/2009 remete diretamente ao CEBAS, porém, com a devida vênia , seus incisos VI e VII possuem autonomia do CEBAS, tendo também se constituído em fundamentos do auto de infração. Em mesmo sentido entendeu o acórdão a quo, do qual destaco e seguinte trecho: (...) Tampouco se verifica, no caso concreto, afronta aos dispositivos contidos no art. 9º da Lei 12.868/2013 e art. 53 do Decreto nº 8.242/2014, pois o afastamento da imunidade condicionada está também ancorado nos incisos VI e VII do art. 29 da Lei 12.101/09 e não apenas no caput do referido artigo. (grifos deste redator) A questão aqui tratada, da isenção/imunidade das contribuições previdenciárias, é tema que passou por diversas alterações legislativas, bem como apreciação de nosso Supremo Tribunal Federal (STF), nos últimos anos. A apreciação pelo STF, ocorrida após a decisão de DRJ aqui recorrida, deu novos contornos ao tratamento da matéria. Me valho de trecho do acórdão de nº 2302-003.802, de minha relatoria, no qual resumi as alterações ocorridas sobre o tratamento da matéria. O artigo 55 da Lei nº8.212/1991 foi revogado pela Lei nº12.101/2009. Posteriormente a Lei nº 12.101/2009 foi revogada pela Lei Complementar nº187, de 16 de dezembro de 2021, a qual dispôs o seguinte em seu artigo 41. Art. 41. A partir da entrada em vigor desta Lei Complementar, ficam extintos os créditos decorrentes de contribuições sociais lançados contra instituições sem fins lucrativos que atuam nas áreas de saúde, de educação ou de assistência social, expressamente motivados por decisões derivadas de processos administrativos ou judiciais com base em dispositivos da legislação ordinária declarados inconstitucionais, em razão dos efeitos da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nºs 2028 e 4480 e correlatas. O Supremo Tribunal Federal (STF), em exame conjunto com as ADI’s 2.028, 2.036, 2.228, e 2.621, decidiu sobre o RE Nº566.622/RS, o qual seguiu sob o rito da repercussão geral, Tema nº32. Foi exarada a seguinte decisão: Fl. 910DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 10 Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu parcialmente os embargos de declaração para, sanando os vícios identificados, i) assentar a constitucionalidade do art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação original e nas redações que lhe foram dadas pelo art. 5º da Lei nº 9.429/1996 e pelo art. 3º da Medida Provisória n. 2.187-13/2001; e ii) a fim de evitar ambiguidades, conferir à tese relativa ao tema n. 32 da repercussão geral a seguinte formulação: "A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas", nos termos do voto da Ministra Rosa Weber, Redatora para o acórdão, vencido o Ministro Marco Aurélio (Relator). Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Presidência do Ministro Dias Toffoli. Plenário, 18.12.2019. (grifo meu) Esclarecedor destacar o seguinte trecho do relatório do acórdão de embargos de declaração à decisão proferida. A Senhora Ministra Rosa Weber (Relatora): Na sessão do dia 02.03.2017, esta Suprema Corte, por maioria, conheceu das ações diretas de inconstitucionalidade nºs 2028, 2036, 2228 e 2621 como arguições de descumprimento de preceito fundamental, vencidos os Ministros Roberto Barroso, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Marco Aurélio. No mérito, por unanimidade, o Tribunal julgou procedentes os pedidos deduzidos nas ADIs 2028 e 2036 para declarar a inconstitucionalidade (a) do art. 1º da Lei nº 9.732/1998, na parte em que alterada a redação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/1991 e lhe foram acrescidos os §§ 3º, 4º e 5º) e (b) dos arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/1998; bem como julgou parcialmente procedentes os pedidos deduzidos nas ADIs 2621 e 2228. Essas ações foram julgadas em conjunto com o RE 566.622, sob a Relatoria do Ministro Marco Aurélio. Destaque-se também os seguintes trechos do voto da Ministra Rosa Weber (Relatora), nos quais há uma consolidação dos objetos das várias ADIs apreciadas: Na ADI 2028, ajuizada pela CNS, foi requerida a declaração da inconstitucionalidade (i) do art. 1º da Lei nº 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/1991 e lhe acresceu os §§ 3º, 4º e 5º; e (ii) dos arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/1998. Em sua extensão está integralmente contido o objeto da ADI 2036, ajuizada pela CONFENEN, em que requerida a declaração da inconstitucionalidade (i) do art. 1º da Lei nº 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/1991 e lhe acresceu os §§ 3º, 4º e 5º; e (ii) dos arts. 4º e 5º da Lei nº 9.732/1998. Fl. 911DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 11 Quase coincidentes, os objetos das citadas ações somente não são idênticos porque, na ADI 2036, ao contrário da ADI 2028, não há impugnação específica ao art. 7º da Lei nº 9.732/1998. Na ADI 2228, pede-se a declaração da inconstitucionalidade: (i) do art. 55, II, da Lei 8.212/1991, tanto na redação original quanto na redação que lhe foi dada pelo art. 5º da Lei 9.429/1996; (ii) do art. 55, III, da Lei 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pela Lei 9.732/1998; e (iii) do art. 18, III e IV da Lei 8.742/1993; (iv) dos arts. 2º, IV, e 3º, VI e §§ 1º e 4º, e 4º, caput e parágrafo único do Decreto 2.536/1998 e, subsidiariamente, dos arts. 1º, IV, 2º, IV, e §§ 1º e 3º, e 7º, § 4º, do Decreto nº 752/1993. Na ADI 2621 foram veiculados os pedidos de: (i) declaração de inconstitucionalidade do art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001, na parte em que alterou o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991; (ii) declaração de inconstitucionalidade parcial, sem redução de texto, dos arts. 3º e 5º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001, na parte em que alteraram o art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991 e os arts. 9º e 18, III e IV, da Lei nº 8.742/1993, a fim de fixar a exegese de que “o Conselho Nacional de Assistência Social, ao proceder o registro e a concessão de certificado de entidade beneficente de assistência social, está sujeito tão-somente à exigência de prova de que: a) a entidade atende aos requisitos do art. 14 do CTN; b) tem por objetivo as atividades enumeradas no art. 203 da CF ou qualquer outra destinada a assegurar os meios de vida à população em geral; c) independentemente de exercer sua atividade institucional mediante remuneração, atende também gratuitamente a carentes, na medida dos recursos disponíveis da própria entidade”; e (iii) declaração de inconstitucionalidade dos arts. 2º, IV, 3º, VI, e §§ 1º e 4º, e 4º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 2.536/1998 e, subsidiariamente, dos arts. 1º, IV, 2º, IV, e §§ 1º e 3º, e 7º, § 4º, do Decreto nº 752/1993/1998. Os pedidos deduzidos nestas duas (ADI 2228 e ADI 2621) ações diretas sobrepõem-se nos seguintes pontos: art. 18, III e IV da Lei 8.742/1993 e arts. 2º, IV, e 3º, VI e §§ 1º e 4º, e 4º, caput e parágrafo único do Decreto 2.536/1998, e, subsidiariamente, arts. 1º, IV, 2º, IV, e §§ 1º e 3º, e 7º, § 4º, do Decreto nº 752/1993. Apresentados de forma consolidada, os seguintes dispositivos normativos foram impugnados no conjunto das ações: (i) art. 55, II, da Lei 8.212/1991, na redação original; (ii) art. 55, II, da Lei 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pelo art. 5º da Lei 9.429/1996; Fl. 912DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 12 (iii) art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001; (iv) art. 18, III e IV da Lei 8.742/1993, na redação original; (v) arts. 9º, § 3º, e 18, III e IV, da Lei nº 8.742/1993, na redação dada pelo art. 5º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001; (vi) art. 1º da Lei nº 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/1991 e lhe acresceu os §§ 3º, 4º e 5º; (vii) arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/1998. (viii) arts. 2º, IV, e 3º, VI e §§ 1º e 4º, e 4º, caput e parágrafo único do Decreto 2.536/1998 e, subsidiariamente, os arts. 1º, IV, 2º, IV, e §§ 1º e 3º, e 7º, § 4º, do Decreto nº 752/1993. (...) Considerado o que estampado nos dispositivos transcritos, o Plenário desta Corte, em jurisdição abstrata e objetiva, declarou a inconstitucionalidade dos seguintes preceitos normativos: (i) art. 1º da Lei nº 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, III, da Lei nº 8.212/1991 e lhe acresceu os §§ 3º, 4º e 5º; (ii) arts. 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/1998; (iii) arts. 2º, IV, e 3º, VI e §§ 1º e 4º, e 4º, caput e parágrafo único do Decreto 2.536/1998; (iv) arts. 1º, IV, 2º, IV, e §§ 1º e 3º, e 7º, § 4º, do Decreto nº 752/1993. Não há referência, nas aludidas certidões, todavia, aos seguintes preceitos, impugnados nas ADIs 2.621 e 2.228: (i) art. 55, II, da Lei 8.212/1991, na redação original; (ii) art. 55, II, da Lei 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pelo art. 5º da Lei 9.429/1996; (iii) art. 55, II, da Lei nº 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.187-13/2001; (iv) art. 18, III e IV da Lei 8.742/1993, na redação original; (v) arts. 9º, § 3º, e 18, III e IV, da Lei nº 8.742 (...) Em sede da ADI 4480 a decisão foi a seguinte: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, acolheu parcialmente os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para complementar a decisão embargada a fim de fazer constar o art. 29, VI, da Lei nº 12.101/2009 no dispositivo da decisão embargada, cuja Fl. 913DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 13 redação passa a ser a seguinte: "Ante o exposto, julgo parcialmente procedente a presente ação direta de inconstitucionalidade para declarar a inconstitucionalidade formal do art. 13, III, §1º, I e II, §§ 3º e 4º, I e II, §§ 5º, 6º e 7º; do art. 14, §§ 1º e 2º; do art. 18, caput; do art. 29, VI, e do art. 31 da Lei 12.101/2009, com a redação dada pela Lei 12.868/2013, e declarar a inconstitucionalidade material do art. 32, § 1º, da Lei 12.101/2009”, tudo nos termos do voto do Relator. Plenário, Sessão Virtual de 18.12.2020 a 5.2.2021. (grifo meu) A decisão do acórdão da ADI 4480, supra, considerou inconstitucional o inciso VI do art. 29, da Lei nº12.101/2009. Restou assim verificar se, do conjunto de alterações legislativas, decisões administrativas e judiciais, o descumprimento do inciso VII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 seria fundamento suficiente a afastar a pretendida isenção/imunidade condicionada. As condutas que ensejaram a referida capitulação legal pela fiscalização estão elencadas no item 23 do Relatório Fiscal, à e-fl. 127. Tratou-se de descumprimentos de obrigações acessórias como: omissões em GFIP, ausência ou desconformidade de alguns dos documentos de despesa apresentados, incompletude da folha de pagamento, erros em alguns descontos da contribuição do segurado, e erro em alguns lançamentos contábeis. Cotejando-se as condutas descritas, frente ao disposto à época pelo Código Tributário Nacional (CTN) em seu artigo 14, não se encontra correspondência. LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Os descumprimentos de obrigações acessórias relatados encontram-se no campo do erro corriqueiro, conforme demonstrado na peça recursal às e-fls. 868 e seguintes, não sendo Fl. 914DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 14 capazes de atrair a capitulação no inciso III do art. 14 do CTN. Neste sentido também foi o entendimento que apresentei em voto do acórdão de nº 2302-003.802, e que ora reproduzo parcialmente. O entendimento do Ministro do STF, Gilmar Mendes, exposado no trecho do acórdão da ADI 4480, acima transcrito neste voto, pode sugerir entendimento contrário à alegação do contribuinte. Em entendimento possível, o descumprimento da obrigação acessória previsto no inciso VII do art. 29 da Lei nº 12.101/2009, se amoldaria, segundo o entendimento do Ministro no trecho acima, como consequência dedutiva do mandamento do inciso III do art. 14 do CTN. Desta forma, ficaria caracterizado o descumprimento de requisito previsto em lei complementar para que o contribuinte mantivesse sua condição de imunidade no ano-calendário de 2009, validando a premissa da fiscalização nas presentes autuações. Contudo, esse não é o melhor entendimento, no sentido de que o Ministro já teria assente a interpretação de que a ocorrência dos incisos III, IV, VII e VIII do artigo 29 da Lei 12.101/2009, mesmo ocorrendo de forma isolada, implicariam necessariamente na aplicação do inciso III do artigo 14 do CTN, como consequência dedutiva. Os incisos III, IV, VII e VIII do artigo 29 da Lei 12.101/2009 descrevem uma pluralidade de situações, por certo a do inciso VII se amolda à conduta da recorrente, porém, não há uma correspondência direta, deste inciso isolado, com a situação prevista no inciso III do artigo 14 do CTN. Dentre os incisos III, IV, VII e VIII do artigo 29, há incisos que, isoladamente, se amoldam ao III do artigo 14 do CTN. É o caso dos incisos IV e VIII. Já em relação aos incisos III e VII, não se vislumbra essa relação direta e automática. Seja ocorrendo isoladamente, seja ocorrendo em conjunto, é necessário uma análise mais detalhada do caso concreto. No caso em tela, tivemos a ocorrência do inciso VII: descumprimento de obrigação acessória estabelecida na legislação tributária. Analisemos qual foi a obrigação acessória descumprida. O contribuinte não declarou nem mesmo no código, indevido, de entidades isentas, a quase totalidade das remunerações auferidas pelos contribuintes individuais, que foram objeto de levantamento fiscal e obtida com base nas remunerações constantes da DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE-DIRF- ano calendário de 2009. O Tema 32 do STF assentou a seguinte tese: A lei complementar é forma exigível para a definição do modo beneficente de atuação das entidades de assistência social contempladas pelo art. 195, § 7º, da CF, especialmente no que se refere à instituição de contrapartidas a serem por elas observadas. Fl. 915DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 15 A conduta do contribuinte foi no sentido de descumprir um dever instrumental, com aspecto meramente procedimental. Para estes casos, o próprio STF decidiu que podem ser estabelecidos por lei ordinária. Do voto supracitado da Ministra Rosa Weber (Relatora) podemos também extrair o seguinte trecho: (...)Acompanharam, de fato, o relator do RE no provimento do apelo, quanto à solução do caso concreto, sem, no entanto, deixar de reconhecer a existência de um espaço de conformação disponível à legislação ordinária (pertinente aos aspectos meramente procedimentais). Entender que o voto do Ministro Gilmar Mendes, na ADI 4480, autorizaria o enquadramento direto, da presente ocorrência do inciso VII do artigo 29 da Lei 12.101/2009, no inciso III do art. 14 do CTN, seria extrair um entendimento que iria de encontro ao entendimento geral firmado no Tema 32 do STF. Assim, o entendimento plausível, é de que a presente infração não implica o inciso III do artigo 14 do CTN, não sendo hábil a afastar a imunidade da recorrente. Por outra via argumentativa, e que nos leva à mesma conclusão, temos o fato de como tais condutas são tratadas atualmente pela legislação. A infração cometida não foi albergada, explicitamente, em legislação complementar existente à época, ou mesmo superveniente. Pelo contrário, a conduta descrita segue até o presente momento regulada por lei ordinária, conforme entendimento do STF. Isso reforça o entendimento de seu caráter procedimental, instrumental, acessório. Nas palavras do Ministro Luís Roberto Barroso em seu voto, a lei ordinária pode normatizar “requisitos subjetivos associados à estrutura e funcionamento da entidade beneficente”, não podendo avançar em “interferência com o espectro objetivo das imunidades”. Ou seja, a mesma conduta ora em análise, se realizada atualmente, não seria suficiente para levar à perda da imunidade da entidade. Neste ponto, assiste razão à recorrente. A conduta praticada não é hábil a afastar a imunidade da entidade. O mero descumprimento de obrigações acessórias tem recebido tratamento legislativo cada vez menos gravoso ao longo dos anos. As condutas descritas são atualmente passíveis simplesmente de multas de pequena monta, não ameaçando nem de longe a isenção/imunidade condicionada de uma entidade. Diferente tratamento ocorre quando o descumprimento das obrigações acessórias, de forma isolada ou associada a outros fatores, nos remete à insegurança trazida pela inexatidão do registro de receitas e despesas, conforme descrito no inciso III do art. 14 do CTN. Fl. 916DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.928 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 12448.727120/2016-53 16 Pelos fundamentos exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa Fl. 917DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 10920.722794/2011-07
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 1004-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor, vencido o Conselheiro Jandir José Dalle Lucca (relator) que votou por rejeitar a proposta de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto vencedor, vencido o Conselheiro Jandir José Dalle Lucca (relator) que votou por rejeitar a proposta de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa – Redatora designada Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 2 RELATÓRIO 1.Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do v. acórdão de fls. 308/315, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio. 2.Para melhor compreensão da matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o relatório da r. decisão recorrida: Trata-se de impugnação contra Autos de Infração por meio dos quais se formaliza a exigência de crédito tributário de IRPJ e CSLL nos montantes, respectivamente, de R$ 1.009.271,73 e R$ 363.337,82, atualizados até 11/2011, decorrentes da constatação, pela autoridade fiscal, da omissão de Rendimentos e Ganhos Líquidos de Renda Fixa/Variável relativos ao segundo trimestre de 2008. 1 TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Ao analisar a escrituração contábil e sistemas da Receita Federal, o contribuinte foi intimado a justificar divergências entre as receitas escrituradas/declaradas e as DIRF elaboradas por terceiros (fontes pagadoras) em que o autuado consta como beneficiário. Foram prestadas as seguintes informações: Esclareceu que o valor divergente apurado pela fiscalização refere-se as retenções da Centrais Elétricas do Brasil que não foram incluídas na ficha 54 da DIPJ, no qual na contabilidade foi lançado pelo valor líquido. Apresentou detalhe das informações lançadas na DIPJ, nas fichas 14 A— linha 06, totalizando R$2.197.096,14, e ficha 14 A, linha 15, totalizando R$389.996,05, esclarecendo ainda, que o valor de R$14.725,62 referente a juros do capital próprio foi diminuído erroneamente na linha 15 da ficha 14 do 2º semestre de 2008, na qual deveria ter sido diminuído da linha 06 da ficha 14, sendo o valor informado separadamente na linha 07 da ficha 14. A empresa apresentou, juntamente com o demonstrativo das receitas de aplicações financeiras, os comprovantes fornecidos pelas fontes pagadoras. Neste contexto, apurou-se omissão de receitas segundo quadro abaixo: Fl. 379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 3 Destacou-se pela fiscalização que a empresa apurou os tributos pelo regime de competência, enquanto as receitas foram declaradas pelas instituições financeiras sob regime de caixa. Cientificado em 08/12/2011, o contribuinte protocolou impugnação em 22/12/2011. 2 IMPUGNAÇÃO 2.1 REVISÃO DE OFÍCIO Inicia a sua peça por crer haver provado a idoneidade de seus procedimentos em esclarecimentos relativos à apuração do IRPJ e CSLL para os anos 1998 a 2000. Por sua vez, deu-se tal prestação em análise de compensações efetuadas, as quais, alega, tiveram decisões desfavoráveis revertidas em procedimento de ofício e, desta leva, requer o mesmo tratamento às presentes autuações. 2.2 MÉRITO No tocante ao mérito da autuação, informa que reconheceu as receitas pelo regime de competência, e, por outro lado, aproveitou-se das retenções conforme realizadas pelas fontes pagadoras, as quais utilizaram do regime de caixa para fazê-lo. Em outras palavras, o IRRF se deu no momento do resgate, todavia, os rendimentos já haviam sido devidamente reconhecidos e declarados em períodos anteriores. Aponta, portanto, que o fisco estaria ilegalmente lhe obrigando a reconhecer as receitas financeiras pelo regime de caixa. Requer, portanto, o cancelamento da exigência. 3.A 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2008 LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. O lucro presumido será determinado, via de regra, pelo regime de competência. Todavia, excetuam-se da regra os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável, os quais devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 AUTUAÇÃO. REVISÃO. HIPÓTESES. No caso de lançamento de ofício regulamente notificado ao sujeito passivo, a impugnação instaura a fase litigiosa administrativa, em que compete à Delegacia de Julgamento a apreciação da lide em primeira instância e eventual revisão da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4.Inconformada, a Recorrente manejou o Recurso Voluntário de fls. 323/334, via do qual reedita parcialmente e reforça os argumentos da sua impugnação, assim resumidos: 1. Regime de competência versus regime de caixa: Sustenta que adotou corretamente o regime de competência para escrituração contábil e fiscal, conforme determina o artigo 177 da Lei 6.404, de 1976 (Lei das S/A), que estabelece que as sociedades anônimas devem "registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência". Procura Fl. 380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 4 demonstrar, através de documentação anexada (Razões Contábeis, DIRFs e DIPJs dos anos 2004 a 2008), que os rendimentos de aplicações financeiras foram tributados antecipadamente pelo regime de competência. 2. Análise comparativa dos valores tributados: Apresenta quadro demonstrativo para evidenciar que antecipou os efeitos tributários das aplicações financeiras, não causando prejuízo ao erário:  Valor oferecido à tributação pelo regime de competência (DIPJ): R$ 9.462.992,31  Valor que seria devido pelo regime de caixa (Informes de Rendimentos): R$ 6.882.220,67  Diferença: R$ 2.580.771,64 tributados antecipadamente 3. Princípio da verdade material: Argumenta que a autoridade fiscal deve buscar todos os elementos para apurar a regularidade das operações e que, se o Fisco tivesse analisado as DIRFs e DIPJs dos anos anteriores, teria constatado que os tributos já haviam sido recolhidos antecipadamente. Ressalta que tributou aproximadamente R$ 2,5 milhões a maior nos anos anteriores, demonstrando não apenas o cumprimento das obrigações, mas pagamento antecipado. 4. Vedação ao enriquecimento ilícito e bitributação: Sustenta que exigir novamente tributos já recolhidos configuraria bitributação e enriquecimento ilícito da União, práticas vedadas pelo ordenamento jurídico brasileiro. 5. Juntada de documentos: Junta comprovantes de recolhimento de IRPJ/CSLL dos anos 2006, 2007 e 2008, reconhecendo que o momento processual não seria o mais adequado, mas fundamentando-se em precedente do CARF (Acórdão nº 2201-003.357) que admite a juntada de documentos em recurso voluntário com base no princípio da verdade material. 5.É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. 6.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. Fl. 381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 5 7.Como se depreende do TVF de fls. 143/149, trata-se de autos de infração lavrados em decorrência da identificação de omissão de receitas financeiras que resultou em insuficiência na declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL do ano-calendário de 2008. A ação fiscal foi desencadeada após análise de divergências entre os valores informados pelas fontes pagadoras por meio da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e as receitas efetivamente declaradas pela empresa em sua Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ). 8.A Recorrente, classificada no CNAE 13.11-1/00 como atividade de preparação e fiação de fibras de algodão, optou pelo regime de tributação do lucro presumido no período em análise. 9.O núcleo da autuação reside na constatação de que a empresa omitiu receitas financeiras no montante de R$ 1.692.663,01, apurada mediante confronto entre as receitas financeiras declaradas, no valor de R$ 2.197.096,14, e aquelas informadas por terceiros através das DIRF, totalizando R$ 3.829.514,69. A análise fiscal revelou que a discrepância decorreu de diferenças metodológicas na apuração das receitas. Enquanto a empresa utilizou o regime de competência para reconhecimento das receitas financeiras, as instituições financeiras informaram os valores pelo regime de caixa, ou seja, considerando efetivamente as datas de liquidação das respectivas aplicações. 10.A concentração das divergências ocorreu predominantemente no segundo trimestre de 2008, período em que se verificou omissão de receitas no valor de R$ 2.528.814,25. Paradoxalmente, no primeiro trimestre houve declaração de receitas superiores às efetivamente recebidas em R$ 601.251,67, situação que se repetiu no terceiro e quarto trimestres, com valores a maior de R$ 182.108,85 e R$ 52.790,72, respectivamente. 11.Durante a fiscalização, a contribuinte reconheceu que determinadas retenções das Centrais Elétricas do Brasil não foram adequadamente incluídas na ficha 54 da DIPJ, tendo sido lançadas pelo valor líquido na contabilidade. Adicionalmente, foi identificado erro na classificação de juros sobre capital próprio no valor de R$ 14.725,62, que foi incorretamente diminuído na linha 15 da ficha 14 do segundo semestre, quando deveria ter sido reduzido da linha 6 da mesma ficha. 12.Foram também identificados valores adicionais não declarados, incluindo juros sobre capital próprio de R$ 17.324,25 com imposto retido na fonte de R$ 2.598,63, além de aplicações financeiras no valor de R$ 939,85 com retenção de R$ 187,97. 13.O crédito tributário apurado totalizou R$ 1.372.609,55, distribuído entre Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (R$ 1.009.271,73) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (R$ 363.337,82). A CSLL foi calculada aplicando-se as mesmas normas do IRPJ, conforme determina o artigo 28 da Lei 9.430, de 1996. 14.Em apertada síntese, a Recorrente defende que os tributos foram correta e antecipadamente recolhidos mediante aplicação do regime de competência, sem qualquer sonegação ou prejuízo aos cofres públicos. Fl. 382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 6 15.Pois bem, é importante notar que os regimes de tributação com base no lucro real, lucro presumido e lucro arbitrado possuem regras distintas para a apuração do IRPJ e da CSLL. O regime do lucro real, por sua natureza, exige a apuração do resultado do período com base na escrituração contábil, geralmente seguindo o regime de competência para receitas e despesas. Em contraste, o lucro presumido e o lucro arbitrado são regimes simplificados, onde a base de cálculo é, em regra, determinada pela aplicação de percentuais sobre a receita bruta. 16.Contudo, a legislação prevê que certos valores, incluindo os rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras, sejam adicionados à base de cálculo calculada pelos percentuais, tanto no lucro presumido quanto no lucro arbitrado. Confiram-se os arts. 29 e 51 da Lei nº 9.430, de 1996, na sua redação vigente à época dos fatos: Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I - de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pela inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. (...) Art. 51. Os juros de que trata o art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como os rendimentos e ganhos líquidos decorrentes de quaisquer operações financeiras, serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, para efeito de determinação do imposto de renda devido. Parágrafo único. O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de que trata este artigo será considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. 17.A questão central em debate nos autos consiste em definir o momento em que deve ocorrer o reconhecimento das receitas financeiras, no regime de apuração do lucro presumido. A Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, que dispõe sobre a apuração do IRPJ e CSLL a partir do ano-calendário de 1997, estabelece explicitamente para o regime de lucro presumido:  Os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável excetuam-se da regra geral de determinação do lucro presumido (que se baseia nos percentuais aplicados sobre a receita bruta) [art. 37, I, II].  O §1º do art. 37 determina expressamente: "Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação". 18.Esta mesma regra é replicada para o regime do lucro arbitrado, de acordo com o § 1º do art. 42: "Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro arbitrado por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação". Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 7 19.Adicionalmente, para a base de cálculo da CSLL nos regimes presumido e arbitrado, o § 4º do art. 56 da mesma IN SRF 93, de 1997, também estabelece a exceção ao regime de competência para esses rendimentos: "Excetuam-se da regra estabelecida no parágrafo anterior os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável, que serão acrescidos à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação". 20.Portanto, a Instrução Normativa nº 93, conforme bem anotado pela decisão de piso, efetivamente prevê que o momento de inclusão desses rendimentos e ganhos na base de cálculo do lucro presumido e arbitrado (tanto para IRPJ quanto para CSLL) é o da realização, ou seja, alienação, resgate ou cessão, o que configura um regime de caixa/realização para esses itens específicos, distinto do regime de competência geralmente aplicado no lucro real. 21.Como visto anteriormente, rememore-se que a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 51, determina que os rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, e que o imposto retido na fonte sobre eles será considerado antecipação do devido. O mesmo diploma legal, e a Lei nº 9.249, de 1995, em seu art. 29, preveem a inclusão desses valores na base de cálculo da CSLL para estes regimes. 22.Anteriormente, a Lei nº 8.981, de 1995, indicava que o Imposto de Renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras seria definitivo para as pessoas jurídicas não submetidas ao lucro real (art. 76, II1). No entanto, a legislação posterior, especialmente a Lei nº 9.430, de 1996, nos termos do art. 51 anteriormente reproduzido, alterou esse tratamento para o lucro presumido/arbitrado, tornando o imposto retido uma antecipação. Esta mudança legislativa sinalizou a intenção do legislador de que esses rendimentos fossem incluídos na base de cálculo trimestral do lucro presumido/arbitrado, e não tributados exclusivamente na fonte de forma definitiva. 23.A Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, especifica o momento dessa adição legalmente exigida. Embora a legislação possa prever o regime de competência como regra geral para apuração de resultados (especialmente no lucro real), o regime presumido/arbitrado é, por definição, um regime simplificado que dispensa a apuração detalhada do lucro contábil pela competência. A legislação que rege o lucro presumido e o lucro arbitrado foca na receita bruta (regime de caixa para a maioria das atividades) e prevê a adição de outras receitas e ganhos, como os financeiros. A IN, ao determinar que a adição dos rendimentos financeiros ocorra na sua realização (alienação, resgate ou cessão), alinha o tratamento desses itens específicos com a natureza simplificada e, em muitos aspectos, baseada em fluxo de caixa ou realização, desses regimes de tributação (presumido/arbitrado). 1 L. 8.981/95: “Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) (...) II - definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. (...)” Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 8 24.Não há um dispositivo legal claro e explícito que determine o regime de competência especificamente para o reconhecimento de rendimentos financeiros na base de cálculo do lucro presumido ou arbitrado. A legislação exige que esses rendimentos e ganhos sejam adicionados à base, e que o imposto retido seja considerado como antecipação, superando a regra anterior que os tornava definitivos. A Instrução Normativa, como já observado, especifica o momento dessa adição para esses regimes, que é a realização. 25.A princípio, do ponto de vista da hierarquia das normas, uma Instrução Normativa não poderia, em regra, contrariar uma Lei. No entanto, a Lei nº 9.430, de 1996, já alterou o tratamento desses rendimentos para o lucro presumido/arbitrado, exigindo sua adição e tratando a retenção como antecipação. A IN SRF 93, de 1997 parece, neste ponto específico, meramente regulamentar o momento dessa adição dentro da sistemática do lucro presumido/arbitrado, que é diferente do lucro real. Não há, nos excertos legislativos, uma proibição legal expressa ao regime de realização (caixa) para a inclusão desses rendimentos específicos na apuração do lucro presumido/arbitrado. 26.Em suma, a Instrução Normativa nº 93 é expressa ao prever que os rendimentos e ganhos líquidos de aplicações financeiras componham o lucro presumido/arbitrado somente por ocasião da alienação, resgate ou cessão, regra que não está em contradição com nenhuma determinação legal expressa sobre o timing de inclusão desses itens específicos nestes regimes simplificados, mas sim com o princípio geral do regime de competência aplicado ao lucro real. Nesse ponto, tem-se que a Lei nº 9.430, de 1996, que alterou o tratamento legal prévio para esses regimes, exigindo a inclusão e tornando a retenção antecipação, constitui a base para a regulamentação do momento pela IN. 27.Nesse sentido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. As receitas de aplicações financeiras devem ser adicionadas ao lucro presumido quando da alienação, resgate ou cessão do titulo ou aplicação (regime de caixa). (...) (Acórdão nº 1001-002.856) 28.Quanto às alegações relativas à vedação ao enriquecimento ilícito e bitributação, o próprio TVF foi enfático ao asseverar que “Os valores pagos a maior ou declarados como compensados na DIPJ, nos 3º e 4º trimestres no ano calendário de 2008, poderão ser objeto de compensação futura, após a retificação das DIPJ e DCTF apresentadas”, indicando a possibilidade de a interessada perseguir o seu crédito que, àquela altura, não se encontrava prescrito. 29.Nesse passo, é importante atentar que as disposições dos §§ 5º e 6º do art. 6º do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, aplicam-se apenas ao regime do lucro real, não se estendendo ao lucro presumido. Confira-se: Fl. 385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 9 Art 6º - Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 5º - A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer período-base. § 6º - O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período-base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. (...) 30.Portanto, considerando o caráter cogente das disposições da Instrução Normativa nº 93, isto é, não se podendo falar em faculdade de aplicação do regime de competência para o registro das receitas decorrentes de aplicações financeiras, que devem necessariamente seguir o regime de caixa, não se vislumbra utilidade de realização de diligência com o escopo de investigar se ocorreu, de fato, o alegado oferecimento à tributação em períodos pretéritos. CONCLUSÃO 31.Por via de consequência, rejeito a proposta de diligência. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca VOTO VENCEDOR Conselheira Edeli Pereira Bessa, redatora designada A maioria do Colegiado compreendeu o julgamento do recurso voluntário deveria ser convertido em diligência. A Contribuinte foi intimada, no curso do procedimento fiscal, a esclarecer as divergências verificadas entre os rendimentos de aplicações de renda fixa informados nos quatro trimestres do ano-calendário 2008 em DIPJ – R$ 2.197.096,14 -, em sua escrituração contábil – R$ 2.124.724,69 e pelas fontes pagadoras em DIRF – R$ 3.846.838,94 (e-fl. 49). Em sua resposta esclareceu, apenas, a divergência entre a escrituração contábil e a informação em DIPJ, indicando as demais receitas que foram alocadas juntamente com rendimentos de aplicação financeira, reconhecidos no montante total de R$ 2.124.724,69 (e-fls. 117/123). Fl. 386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 10 No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora assim demonstrou os períodos nos quais constatou declaração a menor de receitas financeiras, considerando o que informado em DIRF: Apurou, dessa forma, IRPJ e CSLL devidos no 2º trimestre/2008, recompondo o lucro presumido de todos os trimestres do ano-calendário 2008 e deduzindo o excedente recolhido no 1º trimestre na apuração do 2º trimestre/2008. Em impugnação, a Contribuinte invocou a aplicação de revisão de ofício promovida em 2007, quando da análise de processos administrativos que trataram da compensação de saldos negativos apurados nos anos-calendário 1999 e 2000. Disse que a autoridade fiscal inicialmente discordou do procedimento por ela adotada, mas, diante dos esclarecimentos prestados em manifestação de inconformidade, foi cancelada a exigência feita. Na sequência, informou que observou o art. 274 do RIR/99, apurando o lucro tributável pelo regime de competência, bem como os art. 373 e 729 do RIR/99, antecipando o reconhecimento dos rendimentos que somente se submetem à retenção na fonte no momento do resgate, sendo compensável com o IRPJ apurado a partir deste fato. Como prova, apresentou Comprovantes Anuais de Rendimentos e Retenção na Fonte, os Razões Contábeis das Contas de Receitas Financeiras e DIPJ´s dos períodos de 2006 a 2008. A autoridade julgadora de 1ª instância, porém, declarou improcedente a impugnação, por não vislumbrar margem para reinterpretação da conclusão da autoridade quanto à apuração do lucro presumido pelo contribuinte no curso do ano fiscalizado, sob a compreensão do artigo 100, I, do CTN, vez que a Instrução Normativa SRF nº 93/97 assim dispõe: Art. 36. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: Fl. 387DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 11 I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a receita bruta de cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral; II - os ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior, auferidos no mesmo período; III - os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável; IV - os juros sobre o capital próprio auferidos; V - 3/120, no mínimo, do saldo do lucro inflacionário acumulado existente ao final do período de apuração anterior, caso a pessoa jurídica já estivesse apurando o imposto com base no lucro presumido no ano-calendário de 1996; VI - os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou tenha optado pela tributação na forma do art. 1º do Decreto-lei No 2.397/87 ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado; VII - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 3º, sobre a parcela das receitas auferidas em cada atividade, no respectivo período de apuração, nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa, na forma da Instrução Normativa SRF Nº 38, de 1997; VIII - o valor dos encargos suportados pela mutuária que exceder o limite calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América, pelo prazo de seis meses, acrescido de três por cento anuais a título de "spread", proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros, quando pagos ou creditados a pessoa vinculada no exterior e o contrato não for registrado no Banco Central do Brasil; IX - a diferença de receita correspondente ao valor calculado com base na taxa a que se refere o inciso anterior e o valor contratado, quando este for inferior, caso o contrato, não registrado no Banco Central do Brasil, seja realizado com mutuária definida como pessoa vinculada domiciliada no exterior; X - as multas ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 32. § 1º A receita bruta de que trata o inciso I compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia, excluídas as vendas canceladas, as devoluções de vendas e os descontos incondicionais concedidos. § 2º O lucro presumido será determinado pelo regime de competência. Fl. 388DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 12 Art. 37. Excetuam-se da regra estabelecida no § 2º do artigo anterior: I - os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa; II - os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável. § 1º Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. (destacou-se) Em seu recurso voluntário, a Contribuinte reafirma o cabimento do regime de competência, e apresenta o seguinte comparativo dos valores apurados entre 2006 e 2007: Entende evidenciado, dessa forma, que a Recorrente, na realidade, antecipa os efeitos tributários das aplicações financeiras, comprovando a adoção do Regime de Competência, atinente às Sociedades Anônimas, e o não prejuízo ao erário, e conclui que exigir estes tributos, uma vez já recolhidos pela empresa, como faz prova pelos comprovantes anexos, qualificaria bitributação e o enriquecimento ilícito da União, o que é vedado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Cita o Acórdão nº 1803-002.516 no qual foi reconhecido que os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes das demais receitas devem ser acrescidos à base de cálculo do lucro presumido observado o regime de competência. Do exposto constata-se que a autoridade fiscal desconhecia o agora alegado oferecimento dos rendimentos à tributação em anos-calendário anteriores. Importa, assim, determinar os efeitos da prova trazida pela Contribuinte e que, em recurso voluntário, também contempla a alegação de que estão sendo exigidos tributos já recolhidos pela empresa. Esta Conselheira já se manifestou acerca dos regimes de reconhecimento de receitas para determinação do lucro presumido, em declaração de voto no Acórdão nº 9101- 004.360, no qual estava em discussão a possibilidade de tributação de ganho de capital segundo o regime de caixa, na hipótese de a pessoa jurídica ter optado por esta modalidade na determinação do lucro presumido a partir das receitas de sua atividade. A divergência jurisprudencial se situava na necessidade, ou não, de autorização legal específica para reconhecimento de ganho de capital em regime de caixa, à semelhança do Fl. 389DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 13 que vislumbrado nas Instruções Normativas SRF nº 93/97 e 104/98 com respeito aos rendimentos de aplicações financeiras e receitas da atividade. Naquela ocasião, depois de historiar os debates acerca do tema, esta Conselheira ponderou que: É certo que, na forma do art. 36, §2º da Instrução Normativa SRF nº 93, de 1997, o lucro presumido será determinado pelo regime de competência, pois esta é a regra aplicável na apuração contábil a que se sujeitam todos as pessoas jurídicas. Contudo, o fato de outras normas legais imporem o regime de caixa para registro de rendimentos de aplicações de renda fixa e variável não permite concluir que a adoção deste regime depende de expressa previsão legal para cada tipo de receita. Recorde-se que na vigência da Lei nº 8.981, de 1995 os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa ou variável, auferidos por optantes pelo lucro presumido, eram tributados exclusivamente na fonte: Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) I - deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II - definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. [...] Todavia, este regime foi alterado com a Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispôs: Art.51. Os juros de que trata o art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como os rendimentos e ganhos líquidos decorrentes de quaisquer operações financeiras, serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, para efeito de determinação do imposto de renda devido. Parágrafo único. O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de que trata este artigo será considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Assim, para viabilizar a dedução do imposto incidente no momento em que os rendimentos eram pagos, sua inclusão no lucro presumido passou a ser feita também neste momento, ou seja, segundo o regime de caixa. Esta a razão, portanto, para haver disciplina legal específica acerca do regime de reconhecimento destes rendimentos na sistemática do lucro presumido. De outro lado, a partir do momento em que a legislação fiscal permite aos optantes pelo lucro presumido a escrituração, apenas, do Livro Caixa, é razoável concluir que em relação às pessoas jurídicas que adotem esta forma simplificada de escrituração, a tributação de todas as receitas observe o regime de caixa, sob pena, inclusive, de restar dificultada a aplicação de presunções legais como a Fl. 390DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 14 prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que toma por referência a movimentação financeira do sujeito passivo. Isto porque, se um depósito bancário de origem não comprovada fosse tributado como omissão de receita no momento do crédito, bastaria ao sujeito passivo, depois de ocultar a prova da origem durante o procedimento fiscal, demonstrar, ao longo do contencioso, a sua correspondência com o recebimento de um ganho de capital para pretender o deslocamento do momento do fato gerador e a desconstituição do lançamento, que sob a ótica da tese defendida pela recorrente, deveria se dar, sempre, segundo o regime de competência2. Ademais, como bem destaca o Conselheiro Relator, as Instruções Normativas RFB nº 1.515, de 2014, (art. 122, §6º) e 1.700, de 2017, (art. 215, §9º) permitiram a apuração do lucro presumido (expressão que reúne o resultado da aplicação dos coeficientes sobre a receita bruta e os demais acréscimos) pelo regime de competência ou de caixa. Inexistindo alteração legislativa que autorize esta nova interpretação, conclui-se que a permissão dada pelo art. 45, parágrafo único da Lei nº 8.981, de 1995, no sentido de que o optante pelo lucro presumido, para fins tributários, mantenha apenas a escrituração do Livro Caixa, autoriza que todas as receitas e rendimentos da pessoa jurídica sejam reconhecidos pelo regime de caixa. As Instruções Normativas SRF nº 93/97 e 104/98 são revogadas pela Instrução Normativa SRF nº 1515/2014, mas o regime de caixa subsiste aplicável aos rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa: Art. 122. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 4º, sobre a receita bruta definida pelo art. 3º, relativa a cada atividade, auferida em cada período de apuração trimestral, deduzida das devoluções e vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos; II - os ganhos de capital, demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso I, auferidos no mesmo período; III - os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e renda variável; IV - os juros sobre o capital próprio auferidos; V - os valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive com perdas no recebimento de créditos, salvo se a pessoa jurídica comprovar não os 2 Esclareça-se, porém, que, em tais circunstâncias, esta Conselheira não admite a exoneração da exigência apenas em razão da prova da origem do depósito bancário. Se o sujeito passivo foi regularmente intimado a apresentar esta prova e intencionalmente deixa de apresentá-la à autoridade fiscal, para afastar a presunção de omissão de receitas daí decorrente cumpre-lhe não só provar a origem do recebimento no curso do contencioso administrativo, como também demonstrar que a operação não se sujeitava a tributação ou, em caso contrário, sua regular tributação. Fl. 391DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 15 ter deduzido em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado; VI - o valor resultante da aplicação dos percentuais de que tratam os §§ 1º e 2º do art. 4º, sobre a parcela das receitas auferidas em cada atividade, no respectivo período de apuração, nas exportações às pessoas vinculadas ou aos países com tributação favorecida que exceder ao valor já apropriado na escrituração da empresa, na forma prevista na Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 28 de dezembro de 2012; VII - a diferença de receita financeira calculada conforme disposto no Capítulo V e art. 58 da Instrução Normativa RFB nº 1.312, de 2012; VIII - as multas ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 30. [...] § 6º O lucro presumido será determinado pelo regime de competência ou de caixa. [...] § 11. O ganho de capital nas alienações de ativos não circulantes investimentos, imobilizados e intangíveis corresponderá à diferença positiva entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. [...] § 24. O imposto sobre a renda incidente na fonte, retido até o encerramento do correspondente período de apuração, poderá ser deduzido do imposto calculado com base no lucro presumido. [...] Art. 123. Excetuam-se da determinação pelo regime de competência a que se refere o § 6º do art. 122: I - os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa; II - os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável. § 1º Os rendimentos e ganhos líquidos de que tratam os incisos I e II do caput deste artigo serão acrescidos à base de cálculo do lucro presumido por ocasião da alienação, resgate ou cessão do título ou aplicação. § 2º Relativamente aos ganhos líquidos a que se refere o inciso II, o imposto sobre a renda sobre os resultados positivos mensais apurados em cada um dos 2 (dois) meses imediatamente anteriores ao do encerramento do período de apuração será determinado e pago em separado, nos termos da legislação específica, Fl. 392DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 16 dispensado o recolhimento em separado relativamente ao terceiro mês do período de apuração. § 3º Os ganhos líquidos referidos no inciso II, relativos a todo o trimestre de apuração, serão computados na determinação do lucro presumido, e o montante do imposto pago na forma prevista no § 2º será considerado antecipação, compensável com o imposto sobre a renda devido no encerramento do período de apuração. Ocorre que a inobservância do expresso nos atos normativos em referência resulta na antecipação do oferecimento à tributação dos rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa, localizando-os em período de apuração no qual ainda não há a retenção na fonte correspondente a ser deduzida na determinação do IRPJ incidente sobre o lucro presumido. Este contexto fático evidencia que a imposição de regime de caixa para tributação dos rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa, por optantes pelo lucro presumido, se presta a aproximar a incidência definitiva daquela que se verificará no recebimento dos rendimentos. Apesar de ser uma imposição que favorece o sujeito passivo – por postergar a incidência tributária definitiva - e melhor viabiliza o controle da dedução das retenções na fonte pela Administração Tributária, sua inobservância não enseja, necessariamente, omissão de rendimentos se estes foram oferecidos à tributação em momento anterior. Pertinente consignar que a 1ª Turma da CSRF tem acompanhado, à unanimidade3, o entendimento manifestado por esta Conselheira em favor da dedução de retenções correspondentes a rendimentos oferecidos à tributação em períodos anteriores, nos termos do voto condutor do Acórdão nº 9101-006.680: Aqui, importa decidir se a legislação tributária invocada pelo Colegiado a quo autoriza a conclusão de a dedução das retenções na fonte estar limitada ao período no qual os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação. O Colegiado que proferiu o paradigma, como visto, admitiu a dedução das retenções mediante comprovação do cômputo dos rendimentos no lucro tributável de períodos anteriores. Como adiantado na transcrição ao norte, e inclusive pode ser considerado incontroverso nestes autos, a incidência de imposto de renda na fonte sobre determinados rendimentos de aplicações financeiras está prevista no momento da liquidação da operação, ao passo que os rendimentos correspondentes devem ser registrados segundo o regime de competência. Daí o alegado ”descasamento” entre a apropriação da receita financeira e a retenção do IRRF. Tais retenções, porém, não estão previstas como incidentes exclusivamente na fonte, admitindo-se a sua dedução na apuração final do sujeito passivo. E, no 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Luciano Bernart (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício), e votaram pelas conclusões os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luciano Bernart e Fernando Brasil de Oliveira Pinto, mas no ponto de mérito anterior ao tema aqui tratado. Fl. 393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 17 entender do Colegiado a quo, esta dedução somente pode ser promovida no período de apuração em que os correspondentes rendimentos foram oferecidos à tributação. Embora o acórdão recorrido não se estenda neste aspecto, infere-se desta premissa que a retenção na fonte sofrida no futuro, em relação a rendimentos reconhecidos contabilmente em períodos pretéritos, deveria ser aproveitada na apuração passada, mediante sua retificação para aumento do saldo negativo originalmente apurado, ou para constituição de indébito, caso a apuração tenha resultado em imposto a pagar. Na compreensão desta Conselheira, exteriorizada em diversas resoluções e acórdãos acerca do tema, a questão é solucionada a partir do que dispõe a Lei no 9.430/96: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I - dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II - dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III - do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV - do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou-se) Nestes termos, demanda-se, apenas, que a retenção corresponda a receita computada na determinação do lucro real, o que significa dizer que a receita deve ser oferecida à tributação até a determinação do lucro real na qual se pretende a Fl. 394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 18 dedução da retenção, ou seja, em período de apuração presente ou passado. Se a pessoa jurídica auferiu rendimentos e os reconheceu contabilmente segundo o regime de competência, integrando-os ao lucro líquido a partir do qual é apurado o lucro real e o imposto de renda devido, mas somente em momento futuro sofre a retenção na fonte do imposto de renda sobre tais rendimentos, este valor pode ser deduzido no período de apuração de ocorrência da retenção, porque a lei não faz qualquer restrição neste sentido. A dedução no período de apuração de ocorrência da retenção também se justificaria sob a lógica financeira, porque permitir o deslocamento desta antecipação para período passado resultaria na formação de um indébito antes do ingresso da retenção nos cofres públicos e, em consequência, atrairia a cogitação da aplicação de juros compensatórios desde aquele momento, anterior ao desembolso da antecipação. O Colegiado a quo também invoca o disposto no art. 64, §3º da Lei nº 9.430/96 que, ao tratar da dedução de retenções sofridas no fornecimento de bens e na prestação de serviços a órgãos públicos, especifica que o valor do imposto e das contribuições sociais retidos será considerado como antecipação do que for devido pela contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições. Contudo, a peculiaridade destas retenções é agregar diversos tributos, incidentes sobre o lucro e o faturamento, contexto no qual a referência a mesmo imposto e mesmas contribuições presta-se, apenas, a limitar a dedução da antecipação na apuração do correspondente imposto ou contribuição, segundo a parcela que a lei define como destinada a cada um deles. Não há, nestes termos, qualquer restrição ao período de apuração no qual a receita de fornecimento de bens ou de prestação de serviços foi oferecida à tributação. Ou seja, também nesta hipótese, se a receita foi computada pelo regime de competência na base de cálculo dos tributos incidentes sobre o faturamento e o lucro, e somente em momento futuro ocorre seu pagamento pelo órgão público, com a correspondente retenção, o sujeito passivo poderá distribuir a dedução desta retenção entre o mesmo imposto e as mesmas contribuições no período de apuração em que sofrer a retenção. Ainda, o Colegiado a quo também invoca a Súmula CARF nº 80 para firmar o dever da Contribuinte comprovar que todas as receitas correspondentes às retenções na fonte tenham sido levadas à tributação. De fato, a jurisprudência deste Conselho consolidou-se nos seguintes termos: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Contudo, mais uma vez se nota a indeterminação do período de apuração no qual se faz a prova do cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do Fl. 395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 19 imposto. A exigência é de prova da retenção e deste cômputo, mas não de que eles tenham ocorrido, necessariamente, no mesmo período de apuração. Assim, por todo o exposto, impõe-se reformar a premissa que, adotada pelo Colegiado a quo, resultou na confirmação da decisão de 1ª instância e na não apreciação das provas apresentadas pela Contribuinte em recurso voluntário para demonstrar que as receitas correspondentes às retenções deduzidas, e que subsistiram glosadas, foram oferecidas à tributação. Não merece acolhida integral, portanto, o pedido principal do recurso especial, no sentido de reconhecimento integral do direito creditório, devendo ser atendido, apenas, o pedido subsidiário de baixa dos autos à Turma Ordinária para novo julgamento do Recurso Voluntário. O presente voto, assim, é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Contribuinte, reformando-se o acórdão recorrido, com RETORNO dos autos ao Colegiado a quo para apreciação das demais alegações de defesa sob a premissa de que é possível a dedução das retenções na fonte se as receitas correspondentes foram computadas no lucro tributável em períodos passados. (destaques do original) As disposições equivalentes ao art. 6º da Lei nº 9.430/96 – aplicável ao lucro real –, referentes à apuração do IRPJ devido sobre o lucro presumido, estão assim expressas na referida Lei: Art. 51. Os juros de que trata o art. 9º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, bem como os rendimentos e ganhos líquidos decorrentes de quaisquer operações financeiras, serão adicionados ao lucro presumido ou arbitrado, para efeito de determinação do imposto de renda devido. Parágrafo único. O imposto de renda incidente na fonte sobre os rendimentos de que trata este artigo será considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Nestes termos, não se vê omissão de rendimentos no seu oferecimento à tributação segundo o regime de competência, ou dedução indevida da retenção no período em que esta ocorre segundo o regime de caixa. Também aqui, demanda-se, apenas, que a retenção corresponda a receita computada na determinação do lucro presumido, o que significa dizer que a receita deve ser oferecida à tributação até a determinação do lucro presumido na qual se pretende a dedução da retenção, ou seja, em período de apuração presente ou passado. Se a pessoa jurídica auferiu rendimentos e os reconheceu contabilmente segundo o regime de competência, integrando-os ao lucro presumido, mas somente em momento futuro sofre a retenção na fonte do imposto de renda sobre tais rendimentos, este valor pode ser deduzido no período de apuração de ocorrência da retenção, porque a lei não faz qualquer restrição neste sentido. Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 20 Assim, a dedução das retenções sofridas no momento do recebimento dos rendimentos não impõe, necessariamente, que a tributação destes rendimentos seja deslocada para o mesmo período de apuração. Para além disso, nos termos do Decreto-lei nº 1.598/77: Art 6º - Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. [...] § 5º - A inexatidão quanto ao período-base de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou b) a redução indevida do lucro real em qualquer período-base. § 6º - O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período-base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º - O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. Ainda que tal dispositivo tenha sido editado no âmbito do lucro real, e tome por base o regime de competência como regra de escrituração, há uma racionalidade financeira que pode ser aqui cogitada: a inexatidão quanto ao período-base de escrituração de rendimento, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou a redução indevida do lucro tributável em qualquer período- base. No caso, a Contribuinte diz ter antecipado o oferecimento dos rendimentos à tributação, e no âmbito do lucro presumido isso poderia representar uma redução indevida do lucro tributável, por exemplo, se tal antecipação se prestasse a burlar os limites para permanência naquela sistemática de apuração, ou se a alíquota dos tributos no momento do oferecimento à tributação fosse inferior, com expectativa de aumento no período subsequente. Contudo, descabe cogitar desta inovação neste ponto do contencioso administrativo, devendo se tomar por base que a acusação fiscal não traz qualquer objeção ao oferecimento pretérito dos rendimentos alocados nos períodos fiscalizados, mesmo diante das evidências de que essa antecipação já teria ocorrido dentro dos trimestres do ano-calendário fiscalizado. Fl. 397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 1004-000.013 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.722794/2011-07 21 Mesmo admitindo-se que a Instrução Normativa SRF nº 93/97 determina, validamente, o momento da incidência do IRPJ e da CSLL definitivos sobre os rendimentos de aplicações financeiras para os optantes pelo lucro presumido, não se pode afirmar que há omissão de rendimentos na hipótese de seu oferecimento anterior segundo o regime de competência. Por tais razões, e considerando que a Contribuinte trouxe início de prova suficiente para evidenciar que teria adotado a prática de oferecer os rendimentos aqui tributados segundo o regime de competência, necessário se faz CONVERTER o julgamento em diligência para confirmar que todos os valores aqui acrescidos ao lucro presumido dos trimestres do ano-calendário 2008 foram computados no lucro presumido de períodos pretéritos, segundo o regime de competência. Ao final, deve ser elaborado relatório circunstanciando, cientificando-se a Contribuinte com a concessão de prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 398DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

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Numero do processo: 10380.729529/2017-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO INEXISTENTE. FALSIDADE DECLARATÓRIA. CANCELAMENTO VOLUNTÁRIO APÓS INTIMAÇÃO FISCAL. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 14.689/2023. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE. É cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, quando demonstrada a falsidade das informações constantes das declarações de compensação transmitidas via PER/DCOMP, com indicação de créditos tributários sabidamente inexistentes. A tentativa de cancelamento voluntário das declarações somente é válida se realizada antes da ciência da intimação fiscal, não sendo admitida sua retratação após o início do procedimento de apuração. A ausência de comprovação documental do direito creditório, somada à não apresentação de provas requeridas pela fiscalização, legitima a não homologação das compensações e a lavratura do auto de infração com aplicação da penalidade agravada. A alegação de confisco, por se fundar em eventual inconstitucionalidade da norma, não pode ser conhecida pela instância administrativa, nos termos do art. 26-A da Lei nº 70.235/1972 e da Súmula CARF nº 2. Inaplicável, ademais, a retroatividade benigna prevista na Lei nº 14.689/2023 aos casos regidos pelo § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e pelo § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, dispositivos que permaneceram inalterados. Recurso voluntário desprovido. Crédito tributário mantido integralmente.
Numero da decisão: 1302-007.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. Assinado Digitalmente Natália Uchôa Brandão – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Izaguirre da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Izaguirre da Silva (Presidente), Henrique Nimer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandao, Sérgio Magalhães Lima.
Nome do relator: NATALIA UCHOA BRANDAO

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MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO INEXISTENTE. FALSIDADE DECLARATÓRIA. CANCELAMENTO VOLUNTÁRIO APÓS INTIMAÇÃO FISCAL. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 14.689/2023. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE. É cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, quando demonstrada a falsidade das informações constantes das declarações de compensação transmitidas via PER/DCOMP, com indicação de créditos tributários sabidamente inexistentes. A tentativa de cancelamento voluntário das declarações somente é válida se realizada antes da ciência da intimação fiscal, não sendo admitida sua retratação após o início do procedimento de apuração. A ausência de comprovação documental do direito creditório, somada à não apresentação de provas requeridas pela fiscalização, legitima a não homologação das compensações e a lavratura do auto de infração com aplicação da penalidade agravada. A alegação de confisco, por se fundar em eventual inconstitucionalidade da norma, não pode ser conhecida pela instância administrativa, nos termos do art. 26-A da Lei nº 70.235/1972 e da Súmula CARF nº 2. Inaplicável, ademais, a retroatividade benigna prevista na Lei nº 14.689/2023 aos casos regidos pelo § 2º do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e pelo § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, dispositivos que permaneceram inalterados. Recurso voluntário desprovido. Crédito tributário mantido integralmente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. Assinado Digitalmente Natália Uchôa Brandão – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo Izaguirre da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Izaguirre da Silva (Presidente), Henrique Nimer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natália Uchoa Brandao, Sérgio Magalhães Lima. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por FA2F ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., inscrita no CNPJ nº 03.563.322/0001-37, em face do Acórdão nº 15-45.965, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte e manteve integralmente o Auto de Infração lavrado para exigência de multa isolada no valor de R$1.013.481,42, com fundamento no art. 18, caput e § 2º, da Lei nº 10.833/2003, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em razão da não homologação de compensações declaradas via PER/DCOMP e tidas como indevidas por conterem informações consideradas falsas pela fiscalização. O lançamento se deu em decorrência da apuração, por meio de auditoria interna da RFB, de suposta utilização de crédito inexistente de IRPJ, a título de saldo negativo, nos períodos de apuração do 1º e 2º trimestres de 2014, nas PER/DCOMP nº 06670.06522.251115.1.3.02-3522 e nº 42660.33895.121115.1.3.02-9906, respectivamente. A Fiscalização concluiu pela falsidade das declarações tendo em vista as seguintes incongruências (fls. 2 a 11): 1. No tocante à PER/DCOMP nº 06670.06522.251115.1.3.02-3522, a contribuinte declarou crédito de R$185.000,00 oriundo de saldo negativo de IRPJ – Lucro Presumido – 1º trimestre de 2014. Contudo, na ECF da empresa consta apuração de IRPJ a pagar no valor de R$66.564,93. Ademais, não houve indicação de retenções na fonte na DIRF do mesmo período. A fonte pagadora indicada, VIP CLINIQUE EXPRESS LTDA, não declarou qualquer pagamento à contribuinte. Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 3 2. No tocante à PER/DCOMP nº 42660.33895.121115.1.3.02-9906, foi informado crédito de R$1.000.000,00 referente ao 2º trimestre de 2014, mas a ECF da empresa registrava IRPJ a pagar de R$173.272,01. Igualmente, a fonte pagadora informada, FASTCRED-RIO AGÊNCIAS DE CRÉDITO LTDA, tampouco declarou retenções na DIRF. Intimada mediante os termos nº 249/2017 e 250/2017, a Contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação ao Auto de Infração (fls. 173 e ss), arguindo, em sede preliminar, a tempestividade de suas manifestações no curso do procedimento fiscal, bem como o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade, invocando o art. 151, inciso III, do CTN. Sustenta que os lançamentos realizados na forma das PER/DCOMP foram objeto de retificação ou cancelamento voluntário anteriormente à emissão das intimações fiscais, motivo pelo qual a aplicação de penalidade com fundamento em suposta falsidade declaratória careceria de razoabilidade, proporcionalidade e substrato fático. Argumenta também que não há respaldo normativo para aplicação da multa de 150% em contexto de simples erro material, mormente quando houve retratação espontânea por parte do contribuinte, em atendimento às diretrizes previstas na Instrução Normativa SRF nº 1.717/2017, especialmente o art. 93, que trata do direito ao cancelamento voluntário da declaração. Requereu, em consequência, o reconhecimento da nulidade do lançamento, por cerceamento de defesa, excesso de exação e vício de motivação, bem como o reconhecimento da legitimidade do direito creditório declarado, por ausência de dolo e por demonstração documental do cancelamento tempestivo das declarações de compensação. Aponta ainda que a multa aplicada assume caráter confiscatório, em violação ao art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. O Acórdão da DRJ/Salvador, ora recorrido, entendeu que a ausência de comprovação do crédito legitimava a não homologação das compensações e a consequente lavratura da multa isolada, sob o fundamento de falsidade declaratória, razão pela qual manteve integralmente o lançamento: Acórdão 15-45.965 - 5ª Turma da DRJ/SDR Sessão de 14 de fevereiro de 2019 Processo 10380.729529/2017-91 Interessado FA2F ADMINISTRACAO E SERVICOS LTDA CNPJ/CPF 03.563.322/0001-37 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CABIMENTO. Fl. 238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 4 Enseja o lançamento de multa isolada de ofício em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso voluntário (fls. 222 e seguintes) reiterou os fundamentos de inaplicabilidade da multa em razão do cancelamento do pedido antes da lavratura da intimação fiscal, com ênfase na ausência de intenção fraudulenta e na inadequação da multa de 150% para hipóteses de glosa sem lançamento de ofício prévio, especialmente ante a inexistência de comprovação de dolo, fraude ou simulação. Invoca, para tanto, o princípio da capacidade contributiva, e vedação ao confisco a jurisprudência do STF (ADIMC 2.010/DF) e julgados do TRF1 que reconhecem a nulidade de autos lavrados sem prévia consideração das manifestações do contribuinte. É o relatório. VOTO Conselheira Natália Uchôa Brandão, Relatora I. DAS PRELIMINARES 1. Da tempestividade do recurso voluntário Preliminarmente, observo que o Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual dele conheço. 2. Do cerceamento de defesa A Contribuinte afirma que houve cerceamento de sua ampla defesa, nos seguintes termos: A lavratura do AIIM se mostra um instrumento de perseguição, calcado em uma mera presunção erigida malsinadamente após cancelamento das mencionadas PERD/COMP´s. Por conseguinte, o AIIM balizado nas citadas intimações fiscais afrontam o devido processo legal, desde seu seio administrativo, porque conotam uma situação que na realidade não aconteceu. O modus operandi adotado pelo agente fiscal fere o embasamento principiológico da ampla defesa, desprestigiando a discussão quanto à constituição do pretenso Fl. 239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 5 crédito tributário já que tudo era objeto de esclarecimento e prova no âmbito das peças de respostas voluntárias antecedendo a lavratura do AIIM. Analisando os autos, verifico não assistir razão a Contribuinte. Observo que houve oportunidade, desde a investigação fiscal, para manifestação da contribuinte (Intimações Fiscais n. 249/2017 e 250/2017 – ambas reitimadas). Ainda, a Contribuinte pleiteou, ainda à Autoridade Fiscal, a revisão de ofício do lançamento (fls. 193), que foi analisada (196-201), com a seguinte resposta: O sujeito passivo teve conhecimento do lançamento, regularmente notificado, e lhe foi oportunizado se manifestar e apresentar suas provas e razões que entende impeditivas ou modificativas do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário, na forma das disposições Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Logo, foram observados, em sua plenitude, os direitos ao contraditório e à ampla defesa na forma da legislação aplicável ao PAF. Considerando que no caso em espécie foram cumpridas as exigências legais acima destacadas, não há que se falar em improcedência da autuação devido à sua forma de aplicação como pretende a Impugnante. Ainda, houve oportunidade de análise de suas razões de impugnação, pela DRJ e de recurso voluntário, ora em apreço. Importante frisar que a nulidade, para ser reconhecida, exige a comprovação do prejuízo à defesa, o que não se verifica no presente processo. O cerceamento do direito de defesa do contribuinte se configura quando há obstáculo ao seu acesso aos autos do processo, impedindo-o de tomar conhecimento dos fatos, provas e fundamentos legais que embasam a acusação. Tal prática viola o princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa, ao negar ao recorrente a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos e de contestar as alegações do agente autuador. Não só isso, mas o cerceamento de defesa no âmbito tributário ocorre quando há violação aos procedimentos previstos no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972. A consequência da inobservância desses requisitos, aliada à violação do contraditório e da ampla defesa, que impede o contribuinte de se defender adequadamente, é o verdadeiro motivo de nulidade. Pois bem, com relação à nulidade aduzida, importa-nos o embate com o que determina a legislação (Decreto nº 70.235, de 1972), veja-se Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 6 III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Da análise dos dispositivos normatizadores, verifica-se, no presente caso, a não ocorrência de quaisquer dos incisos do artigo 10 que são aptos a ensejar a nulidade do despacho decisório, ou do artigo 59 que ocasione a nulidade do procedimento. Assim se pronuncia a jurisprudência administrativa: Processo nº 13839.909809/2012-30 Recurso Voluntário Acórdão nº 3002-000.794 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 17 de julho de 2019 Recorrente NOVA - INJEÇÃO SOB PRESSÃO E COMÉRCIO DE PEÇAS INDUSTRIAIS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Descabe a arguição de nulidade do despacho decisório quando resta evidenciada a descrição dos fatos e a fundamentação da não homologação da compensação, por meio de ato administrativo emitido pela autoridade competente para fazê-lo. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/01/2008 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 7 Ora, se o Contribuinte afirma ter direito creditório a pleitear, deve manter em boa guarda todos os documentos referentes ao período do crédito, pelo prazo legal e que for necessário à análise do seu pedido, sendo seu o ônus probatório do fato constitutivo do alegado direito creditório, na forma do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil e arts. 15 e 16 do Decreto n. 70.235/72. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. II. DO MÉRITO 1. Da alegada falsidade na declaração de compensação (PER/DCOMP) O ponto central da controvérsia reside na qualificação, por parte da fiscalização, das declarações de compensação como falsas, ensejando o lançamento da multa de 150% nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833/2003. Nos termos da jurisprudência pacificada deste Conselho, o lançamento da multa isolada de 150% exige a comprovação de dolo, fraude ou simulação na conduta do sujeito passivo, nos termos do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Simples divergência entre a ECF, a DIRF e o PER/DCOMP não é suficiente, por si só, para configurar falsidade. No caso, alega a contribuinte expressamente, nas respostas às intimações fiscais, que houve erro material na eleição do código de tributo e nas informações constantes das declarações, e que, por essa razão, promoveu o cancelamento tempestivo das PER/DCOMP antes da lavratura do auto de infração (fls. 225 e 226 do Recurso Voluntário): O contribuinte requereu, em sede dos esclarecimentos a cada resposta daquelas intimações fiscais suso destacadas, sempre em juízo de retratação, a revisão/reanálise por parte do agente fiscal do teor das intimações fiscais objetivando evitar qualquer apenamento indevido – justificando a sua retidão ao procedimento adotado à luz do preceituado na IN 1717/2017. E bem por isso destaca a dicotomia de interpretação entre o escopo do texto das intimações recebidas e o teor do artigo 93, da IN 1717/2017, donde se infere permissivo a cancelamento voluntário da PERD/COMP por parte do contribuinte. A então impugnante, ora recorrente novamente acentua o erro material na eleição dos créditos e dos códigos que trouxeram essa descrição às exações lançadas em compensação nas PER/DCOMP´s. [...] Coube à então impugnante, ora recorrente, desde a primeira intimação recebida, destacar o erro material e buscar corrigir o lançamento, aplicadas até as penalidades de lei ao ato, entretanto NUNCA uma incorreção ao procedimento oficial que culminou no indeferimento liminar do cancelamento da(s) Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 8 PER/DCOMP(s) e, a posteriori, pavimentando esse lançamento de ofício milionário, quase confiscatório. Conforme consta dos Autos, a Recorrente transmitiu PER/DCOMP final 3522 em 25/11/2025 e final 9906 em 12/11/2015. Houve, para os dois pedidos de compensação, respectivamente, as Intimações Fiscais n. 249/2017 e 250/2017, com sua ciência em 02/06/2017, e resposta em 07/06/2017, em que a contribuinte apresentou resposta, em ambas, requerendo o que segue: Destarte, a peticionante reitera pela diligência do agente fiscal na condução do procedimento deferindo juntada de documentação superveniente a retificação no PER/DCOMP, adotadas as providências atinentes ao esclarecimento da intimação. Há Termo de Reintimação Fiscal nos seguintes termos: Pedido Final 3522 Pedido Final 9906 A Contribuinte, em resposta (22/08/2017) a ambos, cingiu-se aos seguintes argumentos: A peticionante, acautelatoriamente, informa que a contabilidade é terceirizada e cometeu o deslize de enviar PER/DCOMP com dados imprecisos lançados a título de compensação, como já de sabença corrente à luz da intimação fiscal supra mencionada, sendo certo e provado anteriormente que a materialidade do fato Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 9 reside no preenchimento do documento eletrônico já objeto de pedido de cancelamento no próprio sistema da SRFB. O contribuinte não possui documentos aptos a mostrar como encontrou o cálculo objeto da glosa porque houve erro material de eleição da coisa, como aqui persegue a reiterada explicação junto ao ilustre agente fiscal. Em juízo de retratação, à luz da leitura do teor da resposta à Reintimação Fiscal, bastante REQUER pelo deferimento do cancelamento da(s) PER/DCOMP(s) impedindo qualquer apenamento indevido acerca da retidão do ato voluntário consumado. Outrossim, ao ensejo, mais esclarece que detém direitos oriundos da interpretação legal da tributação do PIS e da COFINS, notadamente vinculados à ação judicial dotada de repercussão geral (exclusão do ICMS da base de cálculo das citadas contribuições já judicializada) e ao debate já no STF da exclusão do ICMS da base de cálculo da CPRB, em vias de judicialização. Por fim, a Autoridade não-homologou as compensações objeto da DCOMP final 3522 e 9906, sob os seguintes argumentos: Pedido Final 3522 Pedido Final 9906 Em sua manifestação de inconformidade (fls. 166), a Contribuinte cinge-se a informar que requereu o cancelamento dos pedidos e que, supostamente, seria detentora de “créditos” de PIS e COFINS, ambos judicializados na JFCE, entretanto, não informa a relação com os pedidos efetuados: Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 10 Tanto essa(s) PER/DCOMP, como as demais, foi(ram) objeto de pedido de cancelamento pelo contribuinte à luz do preceituado na IN SRFB de regência da matéria, como bem explorado foi nas respostas às citadas intimações. A SRFB, de sua feita, simplesmente deu de ombros aos esclarecimentos e, surpreendentemente lavra o AIIM sem apreciar as provas imateriais. O contribuinte detém direitos oriundos da interpretação legal da tributação do PIS e da COFINS, notadamente vinculados às ações judiciais, uma dotada de repercussão geral (exclusão do ICMS da base de cálculo das citadas contribuições) e, a segunda, ao debate já no STF da exclusão do ICMS da base de cálculo da CPRB, ambos judicializados na Justiça Federal da Seção Judiciária do Ceará. Interessante mencionar que os postulados da ampla defesa e do contraditório, que são corolários do princípio mais amplo do ‘due process of law’, foram consagrados expressamente na Lei Maior. Considerando que se encontra pendente de julgamento definitivo um procedimento administrativo em que se discute a homologação de uma compensação requerida através de PER/DCOMP, configurada está uma das hipóteses legais de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A Contribuinte, ainda, pleiteou a revisão de ofício do lançamento (fls. 193), analisada pela Autoridade Fiscal (196-201), com a seguinte resposta: É cediço que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito (art.373, I, Lei nº 13105/2015 -CPC). Caso não consiga prová-lo, a demanda está fadada ao descabimento. Na presente situação, não há nos autos registros contábeis contemporâneos, demonstrativo da base de cálculo tributária, comprovação do serviço prestado ensejador da suposta retenção de tributo na fonte, e, por conseguinte, do suposto crédito reivindicado. Assim, não há nos autos elementos probatórios suscetíveis a desvanecer o Decisório ora contestado, ou pelo menos, não restou demonstrado pelo contribuinte. Ademais, a empresa traz argumento sem nexo, desprovido de sentido lógico/racional com a matéria em foco (exclusão de ICMS etc.) na falta de argumento plausível Ressalte-se que, sobre a possibilidade de o declarante retificar sua própria confissão de dívida, no sentido de reduzi-la ou excluí-la, o caminho existente seria mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, o que não se vislumbra na presente situação (CTN, art. 147, §1º: “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”). Esclareça-se que a revisão de ofício não se trata de uma via alternativa ao contencioso administrativo regido pelo PAF (Decreto nº 70.235/72), de modo que Fl. 245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 11 descabe esta pretensão depois de transcorrido o prazo para apresentação da contestação, bem menos após o trânsito em julgado administrativo, após decisão definitiva desfavorável ao sujeito passivo. Ademais, repise-se, o contribuinte não traz nenhum fato novo ou desconhecido que justifique uma revisão de ofício (art. 65 da Lei nº 9.784/99). A Delegacia da Receita Federal, por sua vez, ao analisar os pedidos, assim se pronunciou: Uma vez configurada a ocorrência de falsidade nas declarações apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme extensamente descrito e comprovado pela Autoridade Tributária encarregada do lançamento, a qual tem o dever de efetuar o lançamento da multa prevista nos dispositivos legais acima destacados, coube a lavratura do Auto de Infração. Com efeito, nos termos do parágrafo único do art. 142 da Lei n° 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN), a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Observa-se nos autos que a empresa FA2F, ao deixar de prestar os esclarecimentos e apresentar os documentos comprobatórios dos dados constantes das mencionadas DCOMP, conforme solicitado nas Intimações Fiscais n° 249/2017 e n° 250/2017 (fls. 18/19 e 93/94), ambas reiteradas, eximiu-se de comprovar a veracidade das informações prestadas, o que levou a Autoridade Tributária a concluir pela ocorrência de falsidade no preenchimento dos documentos e não mero erro de preenchimento/cálculo ou divergência de interpretação da legislação tributária. A auditoria-fiscal, em consulta ao ambiente Sped, constatou que na ECF do ano- calendário 2014 a empresa informou, no Registro P300 - Cálculo do imposto de renda sobre o lucro presumido, ter apurado, no 1° trimestre de 2014, IRPJ a pagar de R$ 66.564,93, e não Saldo Negativo de IRPJ. Constatou, ainda, que, com relação ao 2° trimestre de 2014, a empresa informou IRPJ a pagar de R$ 173.272,01, e não Saldo Negativo de IRPJ. A declarante não logrou êxito em comprovar ou justificar a veracidade das informações prestadas nas DCOMP, não obstante ter sido intimada e reintimada a fazê-lo. Não conseguiu prestar esclarecimentos plausíveis tampouco apresentar a documentação probatória correspondente. Destarte, considerando a ausência de informação em Dirf das fontes pagadoras indicadas (FASTCRED-RIO AGENCIAS DE CREDITOS LTDA, CNPJ n° 09.109.985/0001-62 e VIP CLINIQUE EXPRESS LTDA, CNPJ n° 05.636.744/0001-10), aliada às informações prestadas pela própria empresa em sua ECF, concluiu-se, com acerto, pela ocorrência de falsidade nas declarações prestadas nas DCOMP n° 06670.06522.251115.1.3.02-3522 e n° 42660.33895.121115.1.3.02-9906, fato que justifica a lavratura do Auto de Infração em litígio. [...] Fl. 246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 12 Por todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação, para afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, manter integralmente o crédito tributário. (grifou-se) Entendo não assistir razão à Contribuinte. As decisões fiscais não merecem reparos. A análise dos fatos e provas constantes dos autos demonstram de forma clara que, em verdade, a Recorrente apresentou declaração sabidamente falsa, com suposto saldo negativo oriundo de retenções na fonte inexistentes e, quando intimada, quedou-se a requerer somente o cancelamento do pedido, bem como alegar que existiriam outros créditos junto à RFB sem, entretanto, relacioná-los com o caso concreto. Dolo não se presume, se comprova. Entendo, no caso dos autos, que restou comprovado o dolo, porquanto a defesa, por quatro oportunidades, informou que o motivo das informações seria incorreto por “erro de código” ou “contabilidade terceirizada” sem, ao menos, informar qual seria o código devido, ou qual a sua relação fática-jurídica com as empresas FASTCRED-RIO AGENCIAS DE CREDITOS LTDA, CNPJ n° 09.109.985/0001-62 e VIP CLINIQUE EXPRESS LTDA, CNPJ n° 05.636.744/0001-10. Ainda, deixa de informar, como reconhece a inexatidão e requer o cancelamento do pedido, se o pagamento dos tributos devidos que seriam compensados foi realizado, com os consectários legais, o que reforça seu intuito doloso no processo administrativo em liça. Reforço, assim, os argumentos da DRJ: Observa-se nos autos que a empresa FA2F, ao deixar de prestar os esclarecimentos e apresentar os documentos comprobatórios dos dados constantes das mencionadas DCOMP, conforme solicitado nas Intimações Fiscais n° 249/2017 e n° 250/2017 (fls. 18/19 e 93/94), ambas reiteradas, eximiu-se de comprovar a veracidade das informações prestadas, o que levou a Autoridade Tributária a concluir pela ocorrência de falsidade no preenchimento dos documentos e não mero erro de preenchimento/cálculo ou divergência de interpretação da legislação tributária. (grifou-se) Para além da Contribuinte não lograr êxito na sua defesa em combater as alegações do fisco, observa-se que deixou para argumentar a hipótese de cancelamento somente quando reintimada, em ambos os casos, e somente depois de quase dois anos depois da realização do lançamento. Sendo assim, o dolo de informar falsamente dados em pedido de compensação, neste caso concreto, a meu ver, restou confirmado, não havendo como superar a incidência da multa de ofício isolada e, ainda, sua qualificação. A jurisprudência do CARF já se manifestou, inclusive, nesse sentido: PROCESSO 10980.722718/2020-70 ACÓRDÃO 1401-007.397 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA Fl. 247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 13 SESSÃO DE 18 de fevereiro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CARLU MANUFATURADOS EIRELI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 22/10/2018, 08/11/2018, 28/11/2018 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE. DECLARAÇÃO FALSA. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A inserção de dados falsos em declarações de compensação, relativas a crédito sabidamente inexistentes, configura fraude, passível de aplicação de multa isolada, nos termos do artigo 18, caput e § 2º da Lei nº 10.833/2003 c/c artigo 44, § 2º, inciso I da Lei nº 9.430/96. INTIMAÇÃO. NÃO ATENDIMENTO. MULTA AGRAVADA. A não apresentação de documentos solicitados em intimação enseja o agravamento da multa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A mera alegação de erro no preenchimento do PER/DCOMP que demonstre a ocorrência do erro não pode ser admitida, ainda mais quando os elementos dos autos demonstram o contrário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE CANCELAMENTO APÓS INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a Declaração de Compensação poderão ser cancelados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. No entanto, o cancelamento não será admitido quando formalizado após a intimação para apresentação de documentos comprobatórios. APLICAÇÃO DO ART. 114 § 12º, INC. I DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. DECLARAÇÃO DE CONCORDÂNCIA COM OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. PROCESSO Nº 10980.736612/2020-53 Recurso Voluntário Acórdão nº 1004-000.067 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Turma Extraordinária Fl. 248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 14 Sessão de 21 de fevereiro de 2024 Recorrente JUNTAS SANTA CRUZ LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/02/2018 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. Demonstrada a inserção de informações falsas em Declaração de Compensação e caracterizado o intuito doloso na conduta do interessado, nos termos do art. 18 da Lei 10.833/2003, com suas atualizações legais, deve ser mantida a aplicação da multa isolada qualificada por fraude. (grifou-se) No mais, apesar de não requerida pela Contribuinte, ressalvo que no presente caso não se aplica a retroatividade benigna decorrente da Lei nº 14.689/2023 que alterou o dispositivo do §1º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, que trazia a previsão da multa duplicada. Assim se manifestou o Acórdão recorrido: Equivoca-se a Impugnante ao almejar a redução da multa aplicada por esta não se tratar de multa de mora. De fato, não se trata de multa de mora nos autos, mas de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 18 da Lei n° 10.833, de 2003, como já ressaltado. A valoração da multa obedeceu à especificação da norma legal que rege a matéria, sendo irreparável nesse aspecto. Isto porque, em que pese estejamos falando do mesmo percentual de multa até então aplicável (150%), no caso concreto, o dispositivo legal que enseja a aplicação duplicada da multa de 75% é o §2º do art. 18 da Lei 10.833/2003. Por sua vez, o agravamento em 50% da multa aplicável está previsto no§ 2º do art. 44 da Lei 9.430/1996. Portanto, nenhum dos dois dispositivos foi alterado pela Lei n. 14.689/2023. Portanto, mantenho a decisão recorrida nesse ponto. 2. Da alegação de confisco A Contribuinte alega excesso de exação na aplicação das multas, ferindo princípios constitucionais da capacidade contributiva e do não confisco. Quanto suas alegações, assim se manifestou a DRJ: Importa esclarecer que as alegações acerca de eventual afronta a princípios constitucionais, tais como os da vedação ao confisco, proporcionalidade, razoabilidade e capacidade contributiva, não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, que não dispõe de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Tais princípios são dirigidos ao legislador e não ao aplicador da lei, ao agente fiscal do poder executivo, em sua atividade de Fl. 249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 15 lançamento e julgamento, cuja ação é estritamente vinculada, nos termos do que dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional. [...] Ademais, a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade Há entendimento no âmbito deste Tribunal de que a aplicação da multa não configura confisco porque (i) está prevista expressamente em lei; (ii) a penalidade não impede o funcionamento da empresa e (iii) não há direito subjetivo à redução da multa quando aplicada dentro dos limites legais. A tese da recorrente sobre o caráter confiscatório da multa não pode ser analisada na via administrativa, pois a discussão de inconstitucionalidade é matéria reservada ao Poder Judiciário, conforme prevê o art. 26-A da Lei 70.235/1972: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ainda, tal matéria, foi consolidada na Súmula nº 2 do CARF, que assim dispõe: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejamos o seguinte precedente: PROCESSO Nº 10932.720015/2011-91 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-011.361 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2024 Recorrente KTK INDUSTRIA, IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO DE EQUIPAMENTOS HOSPITALARES LTDA - EM RECUPERACAO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 30/06/2007 NÃO CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). JUROS SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Fl. 250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.439 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.729529/2017-91 16 Federal são devidos, nº período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Súmula CARF nº 08) MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. Assim, mantenho a multa conforme previsto no acórdão recorrido. III. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo os termos do acórdão impugnado. É como voto. Assinado Digitalmente Natália Uchôa Brandão Fl. 251DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16682.720658/2022-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jul 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2018 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA. O recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais deve ser suportado por aquele que pagou ou creditou tais valores. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA. VALORES PAGOS EM DECORRÊNCIA DO CUMPRIMENTO DE METAS OU RESULTADOS ALCANÇADOS. INCIDÊNCIA. O pagamento de verbas ajustadas referentes ao cumprimento de metas ou atingimentos de resultados tem ínsita característica remuneratória, pois pressupõe um incremento laboral para o atingimento de tais objetivos. Havendo o caráter contraprestacional na verba, há, nos termos da lei, incidência das contribuições sociais previdenciárias. PAGAMENTO DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE SAÚDE PREVENTIVA PREVISTOS EM ACT. NÃO INCIDÊNCIA. Para que haja incidência de contribuição previdenciária as importâncias pagas não podem ter natureza de reembolso, mas sim remuneratórias (art. 22, inciso III, da Lei n. 8.212/91). AUXÍLIO-CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 64. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DA VERBA. NECESSIDADE. AL. “S” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/1991. Embora disponha a súmula CARF nº 64 acerca da não incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio-creche, certo é que a tributação há de ser afastada apenas quando haja a efetiva comprovação da despesa, nos termos da al. “s” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2018 PROVAS EXTEMPORÂNEAS. NECESSIDADE DE JUSTIFICATIVA. ART. 16, $$ 4º e 5º do Decreto 70.235/1972. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que incorra nas hipóteses mencionadas no Art. 16, $4º do Decreto 70.235/1972, atendido o requisito exigido pelo $5º do mesmo diploma legal. Justificativa genérica não contempla a exigência legal. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Enunciado Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2102-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar do recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores a título de “auxílio academia”. Vencidos os conselheiros Carlos Marne Dias Alves e Cleberson Alex Friess, que negaram provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que deu provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Yendis Rodrigues Costa e Cleberson Alex Friess. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente).
Nome do relator: JOSE MARCIO BITTES

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RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA. O recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais deve ser suportado por aquele que pagou ou creditou tais valores. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA. VALORES PAGOS EM DECORRÊNCIA DO CUMPRIMENTO DE METAS OU RESULTADOS ALCANÇADOS. INCIDÊNCIA. O pagamento de verbas ajustadas referentes ao cumprimento de metas ou atingimentos de resultados tem ínsita característica remuneratória, pois pressupõe um incremento laboral para o atingimento de tais objetivos. Havendo o caráter contraprestacional na verba, há, nos termos da lei, incidência das contribuições sociais previdenciárias. PAGAMENTO DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE SAÚDE PREVENTIVA PREVISTOS EM ACT. NÃO INCIDÊNCIA. Para que haja incidência de contribuição previdenciária as importâncias pagas não podem ter natureza de reembolso, mas sim remuneratórias (art. 22, inciso III, da Lei n. 8.212/91). AUXÍLIO-CRECHE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 64. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DA VERBA. NECESSIDADE. AL. “S” DO § 9º DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/1991. Embora disponha a súmula CARF nº 64 acerca da não incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio-creche, certo é que a tributação há de ser afastada apenas quando haja a efetiva comprovação da despesa, nos termos da al. “s” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 1874DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 2 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2018 PROVAS EXTEMPORÂNEAS. NECESSIDADE DE JUSTIFICATIVA. ART. 16, $$ 4º e 5º do Decreto 70.235/1972. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que incorra nas hipóteses mencionadas no Art. 16, $4º do Decreto 70.235/1972, atendido o requisito exigido pelo $5º do mesmo diploma legal. Justificativa genérica não contempla a exigência legal. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Enunciado Súmula CARF nº 2. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar do recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento os valores a título de “auxílio academia”. Vencidos os conselheiros Carlos Marne Dias Alves e Cleberson Alex Friess, que negaram provimento. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess, que deu provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Yendis Rodrigues Costa e Cleberson Alex Friess. (documento assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente (documento assinado digitalmente) José Márcio Bittes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Eduardo Fagundes de Paula, Carlos Marne Dias Alves, Jose Marcio Bittes, Vanessa Kaeda Bulara de Andrade, Yendis Rodrigues Costa, Cleberson Alex Friess (Presidente). Fl. 1875DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 3 RELATÓRIO Trata-se de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto em face do Acórdão 108-037.486 – 13ª TURMA/DRJ08 de 30 de março de 2023 que, por MAIORIA, considerou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação apresentada e RECURSO DE OFÍCIO em razão do limite do valor exonerado ter ultrapassado o limite previsto na Portaria MF nº 2/2023. Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (FLS. 1639/1642): Trata-se de impugnação contra lançamento realizado pela Divisão de Fiscalização da Delegacia de Maiores Contribuintes da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro/RJ, DEMAC/RJO, pelo qual foi constituído crédito tributário, no valor total de R$ 44.270.766,47, devidamente atualizado até setembro de 2022, relativo ao período de janeiro a dezembro de 2018, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa sobre a folha de salários de empregados e contribuintes individuas, além das contribuições devidas aos terceiros. Os motivos fáticos do lançamento estão descritos no Relatório Fiscal (fls. 358), e podem ser resumidos pelo seguinte excerto: " II - DO PROCEDIMENTO FISCAL 2. O procedimento fiscal foi instaurado pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização (TDPF-F) nº 07.1.85.00-2021-00063-2, no âmbito da Delegacia de Maiores Contribuintes da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro - Demac/RJO, em 18/02/2021, e sua última prorrogação é válida até 07/10/2022. 3. Lavrou-se neste procedimento fiscal três autos de infração. 3.1. O AUTO DE INFRAÇÃO de CONTRIBUICÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR refere-se as seguintes infrações: a) Rubrica a Contribuinte Individual não oferecida a tributação. b) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Reembolso Academia - FPAS 540. c) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Reembolso Academia - FPAS 507. d) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Abono PCR – FPAS 540. e) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Abono PCR – FPAS 507. f) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Auxílio Creche e Auxílio Pré-escolar – FPAS 540. Fl. 1876DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 4 g) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Auxílio Creche e Auxílio Pré-escolar – FPAS 507. 3.2. As INFRAÇÕES descritas no item anterior tipificam-se na apuração das seguintes contribuições a cargo da empresa: a) Contribuição Previdenciária sobre remuneração de Segurado Contribuinte Individual, nas competências de 01 a 04, 11 e 12 de 2018. b) Contribuição Previdenciária sobre remuneração de Segurado Empregado, nas competências de 01 a 12 de 2018. c) Contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) sobre remuneração de Segurado Empregado, nas competências de 01 a 12 de 2018. 3.3. O AUTO DE INFRAÇÃO de CONTRIBUICÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS refere-se as seguintes infrações: a) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Reembolso Academia - FPAS 540. b) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Reembolso Academia - FPAS 507. c) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Abono PCR – FPAS 540. d) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Abono PCR – FPAS 507. e) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Auxílio Creche e Auxílio Pré-escolar – FPAS 540. f) Rubrica a segurado empregado não oferecida a tributação – Auxílio Creche e Auxílio Pré-escolar – FPAS 507. 3.4. As INFRAÇÕES descritas no item anterior tipificam-se na apuração das seguintes contribuições a cargo da empresa, nas competências de 01 a 12 de 2018: a) Contribuição para o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária sobre remuneração de Segurado Empregado. b) Contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE (Salário Educação) sobre remuneração de Segurado Empregado. c) Contribuição para o SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas sobre remuneração de Segurado Empregado. d) Contribuição para o SESI – Serviço Social da Indústria sobre remuneração de Segurado Empregado. DJ DRJ08 SP Fl. 1640 Original PROCESSO 16682.720658/2022-63 ACÓRDÃO 108-037.486 – 13ª TURMA/DRJ08 5 e) Fl. 1877DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 5 Contribuição para o SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial sobre remuneração de Segurado Empregado. f) Contribuição para a DPC – Diretoria de Portos e Costas – sobre remuneração de Segurado Empregado. 3.5. O AUTO DE INFRAÇÃO de CONTRIBUICÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS refere-se as seguintes infrações: a) SEBRAE - contribuições devidas b) SESI - contribuições devidas c) SENAI - contribuições devidas 3.6. As INFRAÇÕES descritas no item anterior tipificam-se na apuração das seguintes contribuições a cargo da empresa, nas competências de 01 a 04 de 2018: a) Contribuição para o SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas sobre remuneração de Segurado Empregado. b) Contribuição para o SESI – Serviço Social da Indústria sobre remuneração de Segurado Empregado. c) Contribuição para o SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial sobre remuneração de Segurado Empregado. (...)” O contribuinte foi cientificado do lançamento, por meio de seu domicílio tributário eletrônico, DTE, em 06 de setembro de 2022 (fls. 1527). Tempestivamente, consoante despacho de folhas 1621, o mesmo apresenta impugnação (fls. 1535) São, em síntese, seus argumentos:  que houve um equívoco de interpretação pelo Fisco posto que conforme reconhecido expressamente pela Autoridade Lançadora, os segurados contribuintes individuais tiveram as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores por eles percebidos, declaradas e recolhidas pela Petrobras Distribuidora;  que, pelo dito, eventual divergência entre valores pagos e declarados e recolhidos devem ser cobrados da Petrobrás Distribuidora que era com quem os segurados mantinham o vínculo de trabalho;  que os valores pagos aos contribuintes individuais, a título de remuneração variável, não sofrem incidência de contribuição previdenciária em razão de sua total ausência de habitualidade;  que os valores reembolsados a título de ‘auxílio academia’ eram devidos em razão de contrato coletivo de trabalho o que afasta o caráter remuneratório da verba;  que os valores denominados ‘Abono PCR’ não tem natureza salarial posto que não remuneram o trabalho, não foram pagos com habitualidade e são expressamente desvinculados do salário; Fl. 1878DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 6  que os valores pagos à título de ‘auxílio creche’ e ‘auxílio pré-escola’ não integram a remuneração do empregado posto que, além de previstos no acordo coletivo, há entendimento pacífico do STJ sobre o tema;  que a penalidade aplicada tem natureza de confisco;  por todo o exposto, pugna pela nulidade e improcedência do auto de infração e protesta pela produção de provas, bem como pela concessão de prazo para apresentação de documentação física que pode ser obtida em razão da pandemia de Covid-19. Subsidiariamente pede o afastamento da multa aplicada em razão dos efeitos confiscatórios que ostenta. É o relatório do necessário. Acórdão 1ª Instância (fls.1637/1669) No Acórdão recorrido consta decisão cuja ementa é transcrita a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2018 a 31/12/2018 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RENDIMENTOS PAGOS OU CREDITADOS A CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. INCIDÊNCIA. O recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos contribuintes individuais deve ser suportado por aquele que pagou ou creditou tais valores. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIA. VALORES PAGOS EM DECORRÊNCIA DO CUMPRIMENTO DE METAS OU RESULTADOS ALCANÇADOS. INCIDÊNCIA. O pagamento de verbas ajustadas referentes ao cumprimento de metas ou atingimentos de resultados tem ínsita característica remuneratória, pois pressupõe um incremento laboral para o atingimento de tais objetivos. Havendo o caráter contraprestacional na verba, há, nos termos da lei, incidência das contribuições sociais previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VERBAS SEM NATUREZA REMUNERATÓRIA. BENEFÍCIOS. NÃO INCIDÊNCIA. A incidência tributária previdenciária se dá, nos termos do permissivo constitucional, sobre rendimentos decorrentes do trabalho. Ausente o caráter remuneratório da verba, não há incidência tributária. Os benefícios trabalhistas, assim entendidos os bens ofertados igualmente, ressalte-se em igual quantidade e qualidade, a todos os trabalhadores não ostentam tal natureza, posto que não diferenciam o trabalho realizado e, portanto, não sofrem incidência das contribuições sociais previdenciárias. Fl. 1879DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 7 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VERBAS SEM NATUREZA REMUNERATÓRIA. VALORES PAGOS COMO INCENTIVO A ADESÃO A CLÁUSULA INTEGRATIVA DE CONTRATO DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. Não se vislumbra natureza remuneratória em verba paga a empregados que aderiram a programa de cargos e salários ofertado pela empresa. Trata-se de incentivo para prática de ato volito, totalmente desvinculado do salário, o que se pode afirmar em razão da ausência das características presentes em verbas remuneratórias. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Havendo lançamento de ofício a Autoridade Lançadora deve, sob pena de responsabilidade funcional, aplicar a multa de ofício no percentual previsto na Lei nº 9.430/96. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário (fls.1681/1715) Irresignado o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 09/06/2023 em que sustenta, desde o início, que o processo administrativo fiscal em questão encontra-se eivado de nulidades que comprometem a higidez do lançamento, a começar pela indevida rejeição de seu pedido de produção de provas e concessão de prazo para apresentação de documentos físicos, anteriormente inacessíveis em virtude das limitações impostas pela pandemia da Covid-19. Fundamenta que tal indeferimento afronta diretamente os princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material, assegurados pelo artigo 2º, parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, sendo manifesta a necessidade de retorno dos autos à instância de origem para regular instrução probatória, conforme precedentes do próprio CARF. Defende, ainda, que a autuação relativa aos pagamentos efetuados aos Srs. Manoel Roberto Batista Lopes e Antonio Rubens Silva Silvino é manifestamente indevida, pois tais valores correspondem à remuneração de empregados cedidos pela Petrobras Distribuidora S.A., que permaneceu como responsável pelas declarações em GFIP e pelo recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes. Sustenta, com base nos artigos 22, III, e 32, IV, da Lei nº 8.212/91, que eventual diferença entre valores pagos e declarados não pode ser imputada à Recorrente, uma vez que o vínculo empregatício e a obrigação legal competem exclusivamente à empresa cessionária. Quanto à verba relativa à Remuneração Variável Anual, a Recorrente demonstra que se trata de pagamento eventual, desvinculado de habitualidade e de contraprestação direta ao trabalho prestado, estando, por isso, expressamente excluído do conceito de salário de contribuição, nos termos do artigo 28, § 9º, alínea “z”, da Lei nº 8.212/91. Invoca farta jurisprudência administrativa e judicial, inclusive do STJ, no sentido de que verbas pagas de forma eventual e sem caráter retributivo não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, não Fl. 1880DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 8 integrando a base de cálculo do tributo. Reforça, com apoio doutrinário e em julgados do próprio CARF, que a ausência de habitualidade impede a caracterização da verba como salarial, ainda que vinculada ao cumprimento de metas. Em relação à rubrica denominada “Auxílio Academia”, a Recorrente argumenta que sua natureza indenizatória é inequívoca, por tratar-se de verba prevista em Acordo Coletivo de Trabalho, com o exclusivo propósito de estimular a saúde e o bem-estar dos empregados, sem qualquer correlação com o desempenho funcional. Aponta que o benefício é concedido mediante reembolso condicionado à comprovação da despesa e à efetiva prática de atividade física, configurando-se, assim, como mera indenização e não como parcela remuneratória. Requer, com base no artigo 112 do Código Tributário Nacional, que se aplique a interpretação mais favorável ao contribuinte diante da dúvida quanto à natureza da verba, sendo descabida a pretensão fiscal de tributar um reembolso fundado em cláusula convencional de estímulo à saúde. Quanto ao auxílio creche e ao auxílio pré-escolar, a Recorrente pontua que tais benefícios decorrem de obrigações assumidas em Acordo Coletivo de Trabalho, destinando-se exclusivamente ao custeio de despesas com a assistência aos filhos dos empregados, sem qualquer vinculação à remuneração ou retribuição direta pelo trabalho prestado. Sustenta que a jurisprudência pacífica do CARF e do STJ reconhece que, ausente o caráter salarial, tais parcelas não integram o salário de contribuição, especialmente quando o pagamento decorre de cláusula convencional e está condicionado a regras específicas para sua concessão, tal como ocorre no presente caso. Por fim, a Recorrente impugna de forma expressa a multa aplicada pela fiscalização, destacando que sua fixação no percentual de 75% ultrapassa o limite do razoável e proporcional, assumindo contornos de verdadeiro confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Argumenta que o valor exigido supera a função estritamente sancionatória da penalidade, afetando a própria continuidade das atividades empresariais e violando o princípio da capacidade contributiva. Sustenta que, diante da ausência de dolo, fraude ou simulação, o percentual aplicado deveria ser reduzido, ainda que mantido o crédito principal, o que, de todo modo, não se admite no caso concreto. Diante de todos os fundamentos expostos, a Recorrente requer o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a consequente reforma do acórdão recorrido, a anulação do lançamento fiscal e o afastamento da exigência das contribuições previdenciárias sobre as verbas discutidas, inclusive com o reconhecimento da impossibilidade jurídica de responsabilização por valores já declarados e recolhidos por terceiro. Subsidiariamente, requer o retorno dos autos à instância de origem para abertura de fase instrutória, com a devida produção de provas, a fim de assegurar o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. Não houve contrarrazões por parte da PGFN. Eis o relatório. Fl. 1881DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 9 VOTO Conselheiro José Márcio Bittes, Relator Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. O mesmo ocorre com o RECURSO DE OFÍCIO que atende os limites de valor de alçada previstos na Portaria MF Nº 02/2023. Preliminar Em sede de preliminar a RECORRENTE alega nulidade do procedimento fiscal por afrontar diretamente os princípios do contraditório, da ampla defesa e da verdade material ao rejeitar o seu pedido de produção de provas e concessão de prazo para apresentação de documentos físicos, anteriormente inacessíveis em virtude das limitações impostas pela pandemia da Covid-19. Embora tenha feito tal pedido em sede de impugnação, e o Acórdão recorrido sobre ele não se manifestou, é certo que as provas devem ser juntadas na Impugnação nos termos do Art. 16, §4º e ss, do Decreto 70.235/1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 1882DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 10 A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que incorra nas hipóteses mencionadas. Destaca-se que a justificativa genérica não é apta para desincumbir da obrigação esculpida no $5º acima descrito. A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processuais. A busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dela decorrentes. Ocorre que não se encontram nos autos o pedido de quais provas se pretendia juntar e nem a justificativa da impossibilidade de juntá-las de forma a convencer o julgador da sua imprescindibilidade. Não há como conceder tal pretensão tendo como fundamento a alegação genérica de impossibilidade devido às restrições da COVID19, até porque a maioria das provas poderia ter sido obtida por meio digital e, ainda, poder-se-ia ter solicitado prorrogação de prazos para a fiscalização, o que não ocorreu. Atesta o relatório fiscal (fl.362) que: 7. Todos os termos fiscais emitidos foram enviados ao Domicílio Tributário Eletrônico – DTE – do sujeito passivo através do Dossiê de Comunicação ao Contribuinte – DCC nº13031.149262/2021-99. O contribuinte anexou, em resposta as intimações, declarações/petições, documentos e planilhas no DCC. 8. Anexou-se, ao processo nº 16682.720658/2022-63, somente os termos fiscais e a documentação apresentada pelo contribuinte pertinente à apuração do crédito destacado neste relatório. Também, ainda que se admitisse a inclusão de provas extemporâneas estas já deveriam estar juntadas ao RECURSO VOLUNTÁRIO ora interposto com as devidas justificativas, o que não foi feito. Assim, rejeito a preliminar de nulidade suscitada pela RECORRENTE. Mérito Em relação ao MÉRITO do RECURSO DE OFÍCIO, por concordar com as razões da exoneração do crédito constantes no voto vencedor, adoto e transcrevo as razões de decidir do Fl. 1883DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 11 voto condutor do julgamento de origem como fundamento de sua decisão nos termos do Art. 114, §12, I da PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21 DE DEZEMBRO DE 2023 (fls. 1656/1661): ABONO PCR – RUBRICA 1495 Segundo o Fisco, o sujeito passivo não indicou as verbas pagas sob a rubrica ‘abono PCR’ com passível de incidência. Consta do relatório fiscal (fls. 389): “100. A TRANSPETRO enquadra a rubrica de folha de pagamento “1495 - Abono PCR” como de não incidência da contribuição previdenciária nas informações prestadas na folha de pagamento, em formato MANAD, e no eSocial. 101. Os códigos utilizados no eSocial para esta rubrica são: “1495P - Abono PCR” e “1495D – Estorno Abono PCR”. 102. Intimou-se a TRANSPETRO, no termo nº 05, item 6, a prestar as seguintes informações sobre a rubrica “1495 – Abono PCR”: • a) O significado de PCR. • b) O que motivou o pagamento do abono. • c) Como é calculado o valor do abono. • d) A cláusula do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) que estipula o pagamento do abono. • e) A cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que estipula o pagamento do abono. 103. A empresa esclarece, na carta TP/DIFIN/CONTRIB/TRIBUTARIO 0066/2021, de 04/10/2021, apenas que o “PCR é Plano de Carreira e Remuneração e este abono foi pago aos empregados que optaram por mudar para o novo plano de cargos da empresa, conforme o regramento em anexo. O cálculo foi baseado na remuneração mínima de nível e regime (RMNR), que o empregado estava enquadrado, tendo este valor multiplicado por 1,96.” (sic) (grifo nosso) 104. As características do abono PCR e da forma como ocorre a adesão para o novo plano de caros estão nos itens VI e VII do Plano de Carreiras e Remuneração (PCR), anexado ao processo. (sic) “VI – Adesão ao PCR A adesão ao PCR será de forma voluntária, mediante manifestação do interesse individual de cada empregado através do Serviço de Atendimento ao Empregado (SAE). ... Para aqueles que estiverem com contrato de trabalho suspenso ou em gozo de benefício previdenciária, o Termo de Adesão poderá ser firmado em até 60 (sessenta) dias após o retorno ao trabalho. Esta condição também se aplica aos empregados em Licença sem Vencimentos. Para estes casos, o pagamento do Fl. 1884DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 12 “abono PCR” somente será efetuado em até 60 (sessenta) dias após o retorno ao trabalho. Para os empregados admitidos por força de decisão judicial (contrato de trabalho precário – subjudice) o Termo de Adesão poderá ser firmado até 14/11/18, mas o “abono PCR” só poderá ser pago em até 60 (sessenta) dias após o trânsito em julgado da decisão que determinou a contratação. Empregados em curso de formação poderão firmar o Termo de Adesão, mas o “abono PCR” só será pago em até 60 (sessenta) dias após o término do curso. Empregados da Companhia aprovados em novo Processo Seletivo Público poderão realizar a adesão no prazo estabelecido no regramento, porém o pagamento do “abono PCR” ocorrerá com base no cargo anterior. Empregados admitidos após o dia 01 de outubro de 2018, inclusive, serão enquadrados no PCR no momento de sua admissão, não se tratando de adesão e não sendo cabível o pagamento do abono PCR. Empregados cedidos para órgãos ou empresas fora do Sistema Petrobras poderão firmar o Termo de Adesão, mas o “abono PCR” só será pago em até 60 (sessenta) dias pós o término da cessão. VII – Abono PCR A companhia concederá um Abono PCR, cujo valor poderá ser consultado no Simulador do PCR, pago em parcela única e não incorporável aos respectivos salários, exclusivamente para os empregados que aderirem ao PCR. Os empregados que aderirem até o dia 10 do mês de outubro ou até o dia 10 do mês de novembro receberão o pagamento do Abono PCR no dia 25 o mês da adesão. Os empregados que aderirem a partir do dia 11 de cada um desses meses, receberão o pagamento no mês subsequente. Ficam mantidas as condições de pagamento do “abono PCR” nos termos estabelecidos no item “VI – Adesão ao PCR”. Empregados que aderirem ao PCR devem permanecer na Companhia por um prazo mínimo de 90 dias após o término do prazo de adesão ao PCR, sob pena de ser descontado o valor pago a título de abono.” 105. O abono PCR concedido apresenta características distintas de um abono, que são: • Estar condicionado a adesão do trabalhador ao novo plano de carreira proposto pela empresa. (item VII do PCR) • Poder ser revogado (descontado do segurado), caso o trabalhador permaneça na empresa por menos de 90 dias do término do prazo de adesão. (item VII do PCR) • Ser pago apenas quando o trabalhador retorna ao serviço laboral, desde que tenha optado pelo PCR no período de adesão, isto é, não recebe o “abono PCR” Fl. 1885DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 13 enquanto estiver com contrato de trabalho suspenso, em gozo de benefício previdenciário, em licença sem vencimento, em curso de formação e cedidos a órgão ou empresas fora do sistema Petrobrás. (item VI do PCR) • O valor do abono PCR tem por base a faixa de remuneração em que o cargo do trabalhador se encontra enquadrado. (item V do PCR e carta TP/DIFIN/CONTRIB/TRIBUTARIO 0066/2021) 106. O abono PCR concedido não está previsto em Acordo Coletivo de Trabalho, nem em Convenção Coletiva de Trabalho. (...) 108. O abono PCR é um incentivo a adesão ao novo plano de cargos da empresa, que pode ser retirado do trabalhador caso peça demissão antes de 90 (noventa) dias após o prazo de término de adesão ao PCR. 109. Trata-se de uma gratificação paga ao segurado empregado somente quando ele está em atividade laboral na empresa, pois seu recebimento fica suspenso sob certas condições, conforme visto acima. 110. Esta auditoria considerou o pagamento efetuado sob a rubrica “1495 - Abono PCR”, pelos motivos já expostos, fato gerador da obrigação tributária, integrando o conceito de remuneração e, desta forma, abarcado pelo conceito de salário de contribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias.”(todos os destaques não constam do original) Se insurgindo contra a imputação da Autoridade Notificante, a contribuinte alega (fls. 1550): “4) Entretanto, ao contrário do que entendeu a Ilustre Fiscalização, referido abono não pode em hipótese alguma ser tributado, simplesmente porque não integra o salário dos empregados que optaram por aderir ao Plano. 5) Quando a norma legal diz que não integram o salário-de-contribuição as importâncias “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”, tratou de fazer referência ao termo expressamente, aquilo que induvidosamente tem essa natureza, e não se referiu à prova do ato, tudo a revelar que é da Administração. 6) Trata-se de questão absolutamente importante, pois o legislador utilizou o termo “expressamente” de modo a indicar que a declaração do contribuinte em relação à natureza dos pagamentos realizados a seus colaboradores prescinde de qualquer outra forma ou fórmula legal para ser qualificado como isento da pretendida exação. A proteção à presunção de boa-fé e a própria falta de indicação nos autos de infração e também (sic) nos documentos processuais sobre indícios de que a natureza dos pagamentos seria salarial veda a que a Ilustre Autoridade Fiscal pudesse adotar outra solução, que nesse momento importa em mera tentativa de enriquecimento sem justa causa. Fl. 1886DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 14 7) As contribuições de natureza previdenciária são espécies de tributos previstas no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, pelo qual “A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;.” 8) Ao especificar o conteúdo e alcance na matriz constitucional, a Lei nº 8.212/1.991, prescreveu em seu artigo 22, inciso I, que a contribuição devida para custeio da seguridade social tem como base de cálculo as remunerações pagas como remuneração para o trabalho de forma habitual. Veja- se o que dispõe a norma legal: (...) 9) A existência de uma norma que indica ser base de cálculo da contribuição apenas e tão somente os valores pagos para o trabalho – a remuneração propriamente dita – e de forma habitual, assim como a existência de uma norma dizendo que asverbas “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário” não fazem parte da base de cálculo, aliados à existência do termo expressamente (em oposição a comprovadamente), afasta por completo a pretensa imputação fiscal. 10) Não é toda contraprestação decorrente de uma relação de trabalho que gera o dever de a parte pagar, sobre esse recebimento, a contribuição previdenciária. Apenas as parcelas estritamente salariais é que geram esse dever, sendo que presentemente até mesmo a eventualidade é dispensada pelo legislador, o que em nada afeta o caso, pois aqui foram realizados pagamentos a título de abono, sem habitualidade. 11) Não se perca de vista que a lei fala em isenção das importâncias “recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário”, descabe dizer sobre a prova da eventualidade, pois esse ônus é da fiscalização. 12) A infração lavrada pela fiscalização em nenhum momento menciona acerca da prova da habitualidade, sendo que do próprio Relatório Fiscal é possível constatar que não houve habitualidade nos pagamentos realizados em parcela única. (...) 14) O próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já decidiu que os valores pagos sem a demonstração (pela fiscalização)de que o foram em decorrência da prestação dos serviços (salário em sentido estrito) não compõem a base de cálculo, indicando que o ônus dessa prova é da fiscalização (“Diante do exposto, entendo que não restou demonstrado o caráter retributivo da prestação de serviço exigido pelo artigos 28, I da Lei n' 8.212/91 e 201, II, §1' do Regulamento da Fl. 1887DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 15 Previdência Social que pudesse legitimar a incidência de contribuições sociais sobre tais verbas.”): (...)”(destaques nossos) Novamente, aqui, cabe razão ao impugnante. Não se vislumbra caráter remuneratório na verba paga em razão da adesão, pelo empregado, a plano de carreira e remuneração, proposto pelo empregador. Não se discute a motivação do pagamento. O próprio Auditor-Fiscal, encarregado da lavratura do auto de infração, reconhece o porquê do adimplemento do valor. Ora, trata-se de verba paga uma única vez, e totalmente desvinculada de qualquer atividade laboral! Não se pode entender que um incentivo financeiro dado ao empregado para que ele adote determinado comportamento - no caso, que firme adesão à proposta de cláusula integrativa ao seu contrato de trabalho - ostente natureza remuneratória. Assim sendo, ou seja, afastada a natureza remuneratória da verba, posto que patente a desvinculação do pagamento ao salário do empregado, resta claro a não incidência das contribuições previdenciárias sobre verba paga a título de ‘abono PCR’ Imperioso o provimento à impugnação neste ponto. Portanto, nega-se provimento ao RECURSO DE OFÍCIO. Passa-se a análise das questões devolvidas no RECURSO VOLUNTÁRIO para apreciação por este CONSELHO: 1. Da penalidade aplicada – Percentual abusivo – Confisco – Necessidade de provimento do presente Recurso Voluntário: A RECORRENTE questiona a multa aplicada pela fiscalização, destacando que sua fixação no percentual de 75% ultrapassa o limite do razoável e proporcional, assumindo contornos de verdadeiro confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Quanto a este ponto não há o que se debater, uma vez que se trata de previsão legal e eventuais inconstitucionalidades de normas constitucionais são de competência exclusiva do Poder Judiciáiro, restando qualquer espaço para o seu questionamento na esfera administrativa. Vide Súmula CARF: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, resta improcedente tal pleito. Fl. 1888DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 16 2. Contribuintes Individuais - Srs. Manoel Roberto Batista Lopes e Antonio Rubens Silva Silvino A Recorrente procura demonstrar que a autuação que lhe foi imposta é absolutamente incabível, uma vez que os valores apontados decorrem de remunerações de empregados formalmente vinculados à Petrobras Distribuidora S.A., a qual, de forma incontroversa, permaneceu responsável pelas declarações em GFIP e pelos recolhimentos das contribuições previdenciárias. Sustenta, com base nos artigos 22, inciso III, e 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, que não lhe compete qualquer obrigação tributária sobre tais valores, não sendo admissível a responsabilização de quem apenas se beneficiou, temporariamente, da cessão de mão de obra. Ressalta, ademais, que a tese foi expressamente veiculada na impugnação administrativa e sequer foi enfrentada no acórdão recorrido. Alega que a própria fiscalização reconhece que a Petrobras Distribuidora efetuou os recolhimentos previdenciários devidos e declarou os respectivos segurados, ainda que, segundo alegado, de forma supostamente incompleta. Não há, portanto, como imputar à Recorrente a responsabilidade pelo alegado recolhimento a menor, visto que a obrigação é exclusiva da empresa cessionária, que constou, inclusive, como real empregadora nos contratos de trabalho. Sobre esta alegação, importante revisitar o Acórdão recorrido se manifestou como se segue (fls. 1644 e ss): A leitura do excerto do relatório fiscal deixa claro que no tocante ao segurado Manoel Roberto Batista Lopes a impugnante, em resposta a intimação realizada pela Autoridade Lançadora, admite a ausência de declaração – e consequente recolhimento – das contribuições devidas pela empresa. Importante realçar que, sobre esse ponto específico, consta da peça impugnatória, consoante o acima reproduzido: "1) Extrai-se do Relatório Fiscal que a Ilustre Fiscalização teria constatado uma diferença entre o valor pago para o segurado Manoel Roberto Batista Lopes e a sua remuneração informada na GFIP. 2) Intimada para prestar esclarecimentos, a Impugnante esclareceu que tratava-se de empregado emprestado da Petrobrás Distribuidora S.A, sendo todos os encargos recolhidos por sua real empregadora” Ora, ao se insurgir sucintamente contra o lançamento - alegando que as contribuições devidas em razão do trabalho prestado pelo segurado contribuinte individual que lhe prestou serviço foram recolhidas por empresa integrante do mesmo grupo econômico com quem o segurado mantinha relação de emprego – Fl. 1889DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 17 não rebateu a acusação fiscal que, expressamente, aponta divergência entre os valores pagos e os valores declarados e sobre os quais houve recolhimento. A isso, soma-se a resposta à intimação que reconhece tanto o valor como devido como também a ausência de declaração, tudo conforme o que consta do relatório fiscal. Logo, não se pode dar provimento à impugnação nessa parte. Passemos agora a analisar a acusação fiscal no tocante aos valores pagos ao Sr. Antônio Rubens Silva Silvino. Voltemos ao termo de verificação fiscal (fls. 370): “VIII.1.2 - Segurado: Antônio Rubens Silva Silvino – CPF: 619.164.048-04 – NIT 1.039.541.304-1 Período GFIP: 42. O segurado Antônio Rubens Silva Silvino, lotado no estabelecimento CNPJ 02.709.449/0001-59, exerce o cargo de presidente da TRANSPETRO, e está enquadrado na GFIP na categoria “11 – contribuinte individual - diretor não empregado sem FGTS”. 43. O contribuinte declara, nas GFIP´s de 01 a 04/2018, a seguinte remuneração do segurado: (...)44. O contribuinte esclarece a situação particular do segurado na carta TP/DFIN/CONTRIB/TRIBUTARIO 0027/2021, de 23/04/2021 (sic): DJ DRJ08 SP Fl. 1644 Original PROCESSO 16682.720658/2022-63 ACÓRDÃO 108- 037.486 – 13ª TURMA/DRJ08 9 “a) Item 2 – único contribuinte que vinha tendo esta rubrica era o Sr. Antonio Rubens Silva Silvino, CPF 619.164.048- 04, pois a época ele tinha vínculo empregatício com a empresa PETROBRAS DISTRIBUIDORA S/A, CNPJ nº 34.274.233/0001-02, e estava ocupando a função de Presidente da TRANSPETRO. Porém por continuar com empregado da Petrobras Distribuidora, todos os encargos eram recolhidos por esta empresa, e a Transpetro ressarcia esses valores à Petrobras Distribuidora.” (grifo nosso)45. O segurado, portanto, no início de 2018, possuía vínculo empregatício com duas empresas de um mesmo grupo econômico, que acertaram entre elas que a remuneração do segurado seria declarada pela Petrobras Distribuidora nas GFIP´s. 46. Verificou-se que a Petrobras Distribuidora S/A declara, nas GFIP´s de 01/2018 a 04/2018, como base de cálculo mensal do segurado exatamente o valor da rubrica “1051 – Honorário fixo no mês” da folha de pagamento da TRANSPETRO. (...)47. Entretanto, o segurado recebe, neste período, pagamento por outras três rubricas apuradas na folha de pagamento, em formato MANAD, do contribuinte (relacionadas no quadro abaixo), enquadradas pela TRANSPETRO na sua folha de pagamento como base de cálculo previdenciária, mas que não foi informado nas GFIP´s enviadas pela Fl. 1890DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 18 TRANSPETRO, nem pela Petrobrás Distribuidora. (...)”(grifos nossos, negritos originais) Recordemos o que alega o impugnante (fls. 1538): 4) Cabe lembrar que, conforme reconhecido pela própria Autoridade Fiscal ainda na esfera administrativa, a Petrobras Distribuidora permaneceu declarando segurados em GFIP e efetuando o recolhimento das respectivas contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos diretores. 5) Considerando que as remunerações dos dois dirigentes estavam sendo declaradas na GFIP da Petrobras Distribuidora e as respectivas contribuições previdenciárias também estavam sendo recolhidas por esta empresa, a Impugnante não procedeu à mesma declaração em GFIP, tampouco ao recolhimento em duplicidade das contribuições. (...) 7) Não é demais repetir que a Petrobras estava realizando todas as declarações e recolhimentos devidos, o que foi reconhecido na Fiscalização. No entanto, de acordo com a Autoridade Fiscal, a Petrobras não declarou a totalidade dos valores e, consequentemente, não recolheu a integralidade das contribuições devidas, razão pela qual estão sendo exigidas da Requerente as diferenças não recolhidas. 8) Ora, é evidente que, em sendo os dirigentes considerados vinculados à Petrobras Distribuidora, em havendo declaração da remuneração dos mesmos na GFIP daquela empresa, cabe tão somente a ela o recolhimento das contribuições devidas, não havendo o que se falar em responsabilidade da Impugnante, razão pela qual o lançamento tributário deveria ter sido feito em face da Petrobras, que declarou incorretamente e recolheu a menor.”(grifamos) Mais uma vez assiste razão ao Fisco. A própria impugnante reconhece a existência de recolhimento a menor, e, ao invés de providenciar o adimplemento do crédito tributário alega ser de responsabilidade de outra empresa tal procedimento. Não se pode concordar com tal argumento uma vez que, conforme apurado pelo Auditor-fiscal Notificante, os valores pagos constam dos registros da contribuinte e que ela reconhece serem passíveis de incidência. Logo, por serem por ela creditados ao segurado, devem ser, por ela, adimplidos. Impugnação improcedente quanto ao lançamento de valores devidos em razão da remuneração paga aos segurados contribuintes individuais. Portanto, diante do exposto, verifica-se que o Acórdão não só enfrentou os argumentos da RECORRENTE, como fundamentou a sua decisão nas provas juntadas aos autos e nas respostas dadas à FISCALIZAÇÃO pelo próprio SUJEITO PASSIVO. Não cabe aqui, avaliar a Fl. 1891DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 19 responsabilidade de outra empresa, uma vez que a RECORRENTE não se desincumbiu de suas obrigações. Vide antecedentes: Numero do processo: 13888.004738/2008-15 Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2021 Data da publicação: Tue Apr 27 00:00:00 UTC 2021 Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço e recolher o produto arrecadado. Numero da decisão: 2402-009.729 3. V. Remuneração Variável Anual – Ausência de Habitualidade – Pretensão infundada: A Recorrente alega que a cobrança da contribuição previdenciária sobre a verba de Remuneração Variável Anual não se sustenta, uma vez que o pagamento, ainda que condicionado ao atingimento de metas, foi realizado de forma manifestamente eventual, como reconhecido pela própria fiscalização. A ausência de habitualidade, requisito indispensável para a caracterização da verba como salário de contribuição, sequer foi analisada pela decisão recorrida, o que compromete o acerto do julgamento. Ressalta que a legislação de regência, em especial o artigo 28, §9º, alínea "z", da Lei nº 8.212/91, exclui expressamente os pagamentos não habituais da base de cálculo da contribuição, sendo certo que o bônus em questão não possui caráter retributivo ou contraprestativo. A Recorrente destaca, ainda, que o entendimento fixado pela fiscalização e acolhido pelo acórdão recorrido destoa da jurisprudência consolidada do CARF e do Superior Tribunal de Justiça, que reconhecem, de forma inequívoca, que a ausência de habitualidade e de contraprestação direta ao serviço prestado afastam a incidência da contribuição previdenciária. Sustenta que, no caso concreto, não há proporcionalidade ou expectativa regular de recebimento da verba pelos empregados, razão pela qual o bônus não se confunde com salário e deve ser excluído integralmente da base de cálculo, impondo-se, portanto, o provimento do recurso para afastar a exigência indevida. Contudo, parece contraditório pactuar pela ausência de contraprestação, uma vez que tal verba era devida mediante o atingimento de metas, algo que não foi negado pela RECORRENTE. Desta forma, o Acórdão RECORRIDO concluiu (fl. 1652): Patente o caráter remuneratório da verba uma vez que ínsita a natureza contraprestacional. Ou pode discordar que para que se atinja determinada meta, Fl. 1892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 20 determinado resultado, o trabalhador possua outra maneira que não a de trabalhar mais ou trabalhar mais e melhor? Alguém que conheça, ainda que minimamente, a administração das relações de trabalho, pode vislumbrar que o empregador, que o contratante, fixe ou proponha metas que não se coadunem com o desiderato social ou que não busquem uma maior produtividade empresarial? Alguém que conheça, ainda que minimamente, a administração das relações de trabalho, pode imaginar que o atingimento de tais resultados ou metas seja alcançável sem que o trabalhador se empenhe na prestação de serviços que seu contrato de trabalho (aqui em sentido amplo), prevê? Decerto que não! Pode-se asseverar: o atingimento de metas denota, indubitavelmente, a natureza contraprestacional de eventual pagamento de verba que venha a ser pactuada entre o empregador e o trabalhador. E é justamente isso que se verifica no caso em apreço. Por todo o exposto, forçoso reconhecer a improcedência da impugnação neste ponto. Outro ponto a destacar é se a mera ausência de habitualidade enseja o afastamento da incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos eventuais e, se, no caso concreto, vislumbra-se tal ausência. Quanto ao requisito da habitualidade, a simples ausência, desde que verificada de forma objetiva, é suficiente para afastar a incidência da contribuição previdenciária sobre determinadas verbas, conforme reconhecido pela legislação, pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e por decisões reiteradas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O fundamento legal principal está no artigo 28, §9º, da Lei nº 8.212/91, que exclui expressamente do salário de contribuição: “§ 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) z) os prêmios e os abonos não habituais;” Ou seja, a própria lei positivou que os pagamentos que não sejam habituais, ainda que tenham relação indireta com o contrato de trabalho, não integram o salário de contribuição. O requisito central para o afastamento da incidência da contribuição é justamente a ausência de habitualidade e não a contraprestação em si. O CARF, por sua vez, vem reiterando o mesmo raciocínio, destacando que a ausência de habitualidade impede o enquadramento da verba como salário de Fl. 1893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 21 contribuição. Exemplo clássico é o Acórdão nº 2402-005.813, da 2ª Turma Ordinária, que decidiu: “As importâncias pagas sem habitualidade – o que revela a sua eventualidade – e desvinculadas do salário, não constituem base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social.” Contudo, segundo constatado pela fiscalização, o pagamento desta verba não se revestia do aspecto de eventualidade, nos seguintes termos (fls. 373 e ss): 53. A rubrica “2014-Remuneração variável anual” não é enquadrada pela TRANSPETRO como de incidência da contribuição previdenciária (CP) no eSocial enviado e na folha de pagamento, em formato MANAD. 54. O código utilizado no eSocial para esta rubrica é: “2014P-Remuneração variável anual”. 55. As seguintes informações foram solicitadas à empresa pelo termo nº 04:  a)O motivo pelo qual o segurado fez juz ao pagamento da rubrica.  b)A memória de cálculo dos valores pagos.  c)A fundamentação legal utilizada para a não incidência da contribuição previdenciária na rubrica.  d)Cópia do documento pactuado (acordo coletivo, regimento interno, contrato de trabalho, ou outro documento) que garanta ao segurado o pagamento da rubrica. 56. A TRANSPETRO esclareceu, na TP/DFIN/CONTRIB/TRIBUTARIO 0056/2021, de 09/08/2021, os seguintes pontos (sic):  “a)O programa de Remuneração Variável (RVA) dos Dirigentes é regido pela Lei 6.404/76, que dispõe sobre as Sociedades por Ações, e pelo Decreto nº 8.945/16, o qual dispõe que o atendimento das metas e dos resultados na execução do plano de negócios e da estratégia de longo prazo deverá gerar reflexo financeiro para os Diretores das empresas estatais, sob forma de remuneração variável. No ano de 2018, foram pagos os valores referentes ao Programa de Remuneração Variável Anual(RVA) 2017, baseado nos resultados apurados no referido exercício, mediante as regras aprovadas pelo Conselho de Administração da TRANSPETRO e pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST).  b)Os valores da RVA de 2017, pagos no ano de 2018, foram baseados no resultado de indicadores e metas aprovados pelo Conselho de Administração da TRANSPETRO e ratificados pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais(SEST), com base na Fl. 1894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 22 régua de apuração definida no programa e referente ao período de atuação de cada membro da Diretoria em 2017.  c)A fundamentação legal utilizada para a não incidência da contribuição previdenciária na rubrica são os art. 28, §9º, alínea “z”, da Lei nº 8.212/91 e art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91.  d)Temos o regramento e o pagamento se dá mediante aprovação do Conselho de Administração (CA), após o fim do exercício, conforme o anexo “Regulamento_do_Programa_de_Remuneração_Variável_2017.pdf”. 57. Conclui-se, pelo item “c”, que o contribuinte classifica a RVA como um prêmio ou um ganho eventual ou um abono. 58. Destaca-se do Programa da RVA (PRVA) de 2017, anexo ao processo, as seguintes características:  Cláusula primeira - O PRVA é regido pela Lei nº 6.404/76 e pelos Decretos nº 89.309/84 e nº 8.818/16.  Cláusula segunda – Os participantes do PRVA são os membros da Diretoria da TRANSPETRO durante o ano de 2017.  Cláusula terceira - A remuneração variável percebida pelos dirigentes é limitada, conforme o art. 152 da Lei nº 6.404/76, ao menor valor entre 10% do lucro líquido contábil do período e 100% da remuneração fixa anual dos administradores.  Cláusula quarta - O pagamento da RVA é condicionado, dentre outros, ao pagamento do Programa de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR dos segurados empregados em 2018, a existência de lucro contábil positivo em 2017 e ao pagamento de dividendos e/ou Juros sobre Capital Próprio aos acionistas em 2018.  Cláusula sexta - A quantidade de honorários de cada participante é um percentual de atingimento das metas de cada indicador, tendo por base o resultado aferido no final do exercício. Em seu parágrafo quarto, tem-se que o pagamento de 60% da RVA se dá no ano seguinte ao período aquisitivo, e os demais 40% são pagos nos quatro anos seguintes. Do total a ser pago como bônus diferido, 25 serão pagos nº segundo ano, 25% no terceiro ano, 25% no quarto ano e 25% no quinto ano.  Cláusula nona - O participante que se desligar da empresa por iniciativa própria, não terá direito ao recebimento da parcela do ano vigente, nem das demais parcelas.  Cláusula décima – O participante que for desligado da empresa por iniciativa da TRANSPETRO terá direito ao recebimento da parcela do ano Fl. 1895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 23 vigente e das demais parcelas, de forma proporcional, exceto nos casos de exoneração por justa causa.  Cláusula décima primeira – A quantidade de honorários pode variar de 0 até 8 honorários, de acordo com o atingimento das metas estipuladas. 59. A CLT (Decreto nº 5.452/1943), em seu art. 457, §4º, define prêmio como sendo “as liberalidades concedidas pelo empregador em forma de bens, serviços ou valor em dinheiro a empregado ou a grupo de empregados, em razão de desempenho superior ao ordinariamente esperado no exercício de suas atividades.” 60. O verbete “liberalidade” é definido no Dicionário Houaiss da língua portuguesa como “toda disposição ou ato de caráter espontâneo e a título gratuito (doação, legado, etc.) que venha a favorecer ou beneficiar economicamente outrem.” O pagamento da RVA é pactuado entre a TRANSPETRO e seus participantes através do PRVA, logo, perde a característica de ser espontâneo, e se torna uma obrigação do contratante. Os participantes, ao atingirem suas metas, recebem, em contrapartida, o valor da RVA, logo a verba não pode ser tida como um prêmio, mas uma remuneração recebida em contrapartida ao atingimento de metas no trabalho executado. 61. A RVA, também, não pode ser caracterizada como algo recebido à título de ganho eventual. A característica da eventualidade, segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, é de ser fortuita, de ocorrência inesperada, de algo incerto. O pacto firmado entre a TRANSPETRO e os participantes, estabelecendo metas a serem cumpridas para que se configure o direito a receber a RVA, acaba com a eventualidade na relação. 62. O abono é uma verba paga ao empregado por liberalidade do empregador, por exemplo, para compensar um reajuste salarial não concedido ou para complementá-lo, quando insuficiente. Costumeiramente, eram chamadas de abonos as antecipações das remunerações, feitas, em sua maioria, em função das perdas pela alta inflação. Abono é um benefício pago a uma pessoa que tenha direitos adquiridos. A RVA não é um abono. (...) 66. A RVA, também, não pode ser caracterizada como um prêmio por desempenho de função, porque, o direito adquirido com o cumprimento de metas relacionadas ao trabalho, não garante seu pagamento, uma vez que, se o participante do programa pedir desligamento da empresa, ele perde toda a RVA ainda não paga. Caso a RVA fosse um prêmio, o atingimento das metas de trabalho estabelecidas, seria suficiente para o participante do programa receber seu pagamento. Portanto, conclui-se que a eventualidade alegada pelo RECORRENTE não se sustenta, uma vez que tal direito integra a remuneração do trabalhador, posto que o seu pedido de demissão implica na perda do seu direito, e não se pode Fl. 1896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 24 admitir como EVENTUAL um evento que o EMPREGADO tem firme expectativa de fazer jus, desde que atendidos certos requisitos. 4. Auxílio Academia – Previsão Expressa no Acordo Coletivo – Voto do Ilustre Relator que deve prevalecer nesse ponto – Artigo 112, do Código Tributário Nacional – Princípio in dubio pro contribuinte: A Recorrente afirma que o valor pago a título de Auxílio Academia não possui natureza salarial e, portanto, não pode compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias, pois se trata de verba prevista expressamente em Acordo Coletivo de Trabalho com finalidade exclusiva de fomentar a saúde e o bem-estar dos empregados. Esclarece que, embora o acórdão recorrido tenha mantido a autuação, prevalecendo o voto de que a previsão convencional não especificaria de forma literal o reembolso de despesas com academia, o voto vencido, que melhor se coaduna com a legislação aplicável e com o próprio acordo coletivo, reconhece que o incentivo à prática de atividades físicas abrange, de forma inequívoca, o reembolso dessas despesas. A Recorrente reforça que a verba não decorre de contraprestação pelo trabalho, mas sim de política de qualidade de vida pactuada coletivamente, sendo devida apenas mediante a apresentação de comprovantes de despesas pelos empregados. Ressalta que o benefício, ao contrário do alegado pela fiscalização, não configura complemento salarial, nem gera expectativa habitual de recebimento, uma vez que o reembolso somente se concretiza se houver efetiva realização da atividade física e apresentação da despesa correspondente. A Recorrente invoca o artigo 112 do Código Tributário Nacional, sustentando que, diante da dúvida razoável, deveria prevalecer a interpretação mais favorável ao contribuinte, afastando a incidência da contribuição. Aponta, ainda, a similitude do caso com verbas já reconhecidas como não integrantes do salário de contribuição, como auxílio creche e auxílio educação, cujo tratamento isonômico se impõe. Por fim, destaca que a manutenção da autuação desestimula a celebração de cláusulas coletivas voltadas à promoção da saúde dos trabalhadores e requer o provimento do recurso para que prevaleça o voto do relator, com o cancelamento integral do auto de infração neste ponto. Neste ponto houve divergência na Turma Julgadora da 1ª Instância, tendo o relator, que dava provimento ao RECORRENTE, sendo vencido. Portanto, faz-se necessário a análise dos fundamentos de ambos os votos. O voto vencido reconhece que o chamado “auxílio academia” não ostenta natureza salarial, mas sim de indenização ou benefício, dado que seu pagamento decorre de política de saúde pactuada em ACT e que o reembolso só ocorre mediante a comprovação de despesas pelos empregados. O relator fundamenta de forma técnica ao distinguir verbas de natureza retributiva daquelas indenizatórias ou de simples benefício social, afastando a incidência de contribuição por ausência de contraprestação ao trabalho e pela inexistência de habitualidade e incorporação ao salário, aplicando corretamente o disposto no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 e art. 214, §9º do Decreto nº 3.048/99. Fl. 1897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 25 Além disso, o voto vencido adere à orientação do CARF, que, em casos análogos, como no Acórdão nº 2302-003.758, reconheceu que, Para que haja incidência de contribuição previdenciária cota patronal sobre os valores pagos a contribuintes individuais, o serviço deve ser prestado diretamente à empresa, bem como as importâncias pagas não podem ter natureza de reembolso, mas sim remuneratórias (art. 22, inciso III, da Lei n. 8.212/91). Já o voto vencedor restringe-se a afirmar que a inexistência de previsão expressa no ACT para o reembolso direto da academia e o alegado caráter contraprestacional justificariam a tributação, desconsiderando o conteúdo econômico-social da verba, o caráter de reembolso e a jurisprudência consolidada. A interpretação adotada ignora o artigo 112 do CTN, que impõe, em caso de dúvida, solução mais favorável ao contribuinte, e contraria a lógica consolidada pelo STJ e pelo CARF, que afastam a incidência de contribuição sobre reembolsos decorrentes de benefícios coletivos vinculados a políticas de saúde, desde que desvinculados de retribuição pelo trabalho. Assim, pactuo do mesmo entendimento do voto vencido no sentido de se considerar a verba aqui discutida como possuidora de caráter indenizatório nos termos da ACT convencionada, não há como se afastar tal entendimento exigindo uma previsão literal do benefício no referido Acordo. Logo, acato o pleito da RECORRENTE neste item. 5. AUXÍLIO CRECHE E AUXÍLIO PRÉ-ESCOLAR – Súmula 310, do Superior Tribunal de Justiça: A Recorrente tenta demonstrar que a decisão que manteve a autuação relativa ao auxílio creche e auxílio pré-escolar incorreu em flagrante cerceamento de defesa, pois não analisou os argumentos expostos nem permitiu a produção de provas solicitada, inclusive o acesso aos documentos físicos impossibilitado pelas restrições sanitárias da época. Ressalta que a verba discutida foi regularmente prevista em cláusula expressa do Acordo Coletivo de Trabalho, conforme autorizado pela Portaria nº 3.296/86 do Ministério do Trabalho, e destinada ao cumprimento de obrigação legal imposta pelo artigo 7º da Constituição Federal e artigo 389 da CLT. Sustenta que o procedimento adotado para a concessão do benefício, inclusive com a previsão de desconto dos valores pagos caso o empregado não comprove, no ano seguinte, o enquadramento para o recebimento, reforça a inexistência de qualquer caráter remuneratório da verba, afastando, de plano, a hipótese de incidência da contribuição. Reforça, ainda, que o entendimento fiscal destoa da jurisprudência consolidada do CARF e do Superior Tribunal de Justiça, que reconhecem que o auxílio creche e o auxílio pré-escolar, quando previstos em normas coletivas e vinculados à assistência social do trabalhador, não integram o salário de contribuição. Acrescenta que todas as informações prestadas durante a fiscalização foram acompanhadas de documentos que demonstram a correção dos procedimentos adotados, sendo incabível a tributação pretendida. Diante disso, pleiteia o provimento integral do recurso, com o consequente cancelamento do Auto de Infração no tocante às referidas rubricas. Fl. 1898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 26 Em relação a este questionamento, o Acórdão recorrido se manifestou pela sua improcedência, considerando que não foram juntadas provas suficientes que sustentassem os fatos alegados (fl. 1661): Segundo o Fisco, os valores pagos a título de ‘auxílio creche e auxílio pré-escolar’, pagos na forma de reembolso, devem ser considerados como base de incidência em razão da não comprovação, pelo sujeito passivo, da totalidade das despesas reembolsadas. Vejamos (fls. 395): 119. Embora a idade dos filhos(as) dos segurados esteja em conformidade com o limite imposto, o contribuinte não comprovou a totalidade das despesas com auxílio creche e auxílio pré-escola de 12 (doze) segurados empregados, portanto o valor do reembolso não justificado é considerado rendimento pago pela empresa ao segurado, e é salário de contribuição sujeito à contribuição previdenciária. 120. Tem-se no anexo nº 04, os dados das rubricas obtidos na folha de pagamento, em formato MANAD, e, no anexo nº 05, os dados obtidos no eSocial. 121. O anexo nº 06 destaca o total anual (2018) das despesas comprovadas por segurado e filho, e o anexo nº 07, a consolidação anual (2018) das diferenças apuradas entre o valor do reembolso e as despesas comprovadas. 122. A base de cálculo da CP é a diferença entre o valor pago ao segurado pelas rubricas e a despesa comprovada, e está destacada no anexo nº 08. Verificou-se que, em algumas competências, a despesa comprovada é maior que o valor pago. Essa diferença negativa é aproveitada nas competências imediatamente anteriores ou posteriores, reduzindo o valor da base de cálculo. Este aproveitamento está demonstrado no anexo nº 08. Nos quadros abaixo, tem-se o resultado final da apuração da base de cálculo. (...)” O que se depreende da decisão recorrida, é que a RECORRENTE não se desincumbiu do ônus probatório que lhe competia. A alegação genérica de impossibilidade de juntada de provas devido a Epidemia COVID19 já foi analisada em sede de preliminar, e pelas mesmas razões lá elencadas, não devem prosperar neste momento. Assim, em que pese não haver dúvida quanto ao direito, que inclusive encontra-se sumulado (Súmula CART nº 64), o fato não restou comprovado, o que justifica, por si só, a manutenção do lançamento. Portanto, diante de tudo que foi analisado, deve-se conceder provimento parcial ao recurso no sentido de afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica AUXÍLIO ACADEMIA. Conclusão Diante do exposto, conheço o RECURSO DE OFÍCIO e, no mérito, nego provimento. Conheço o RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, dou provimento parcial para excluir do lançamento os valores a título de “auxílio academia”. É como voto. Fl. 1899DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2102-003.754 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720658/2022-63 27 Assinado Digitalmente José Márcio Bittes 1 RE nº 1.072.485/PR (Tema 985/STF), relator Ministro Marco Aurélio. Fl. 1900DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.918728/2015-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. DIREITO SUPERVENIENTE. ERRO DE FATO. SÚMULA CARF Nº 168. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1001-003.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações da Súmula CARF nº 168 e no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014, para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito a título de pagamento a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre do ano-calendário de 2012, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva. Ausente o conselheiro José Anchieta de Sousa.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO INDÉBITO. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. DIREITO SUPERVENIENTE. ERRO DE FATO. SÚMULA CARF Nº 168. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações da Súmula CARF nº 168 e no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014, para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito a título de pagamento a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre do ano-calendário de 2012, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Fl. 189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva. Ausente o conselheiro José Anchieta de Sousa. RELATÓRIO Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 26532.27909.191214.1.6.02-4532, em 19.12.2014, e-fls. 89-91, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$763.866,30 do primeiro trimestre do ano-calendário de 2012 apurado pelo lucro real trimestral para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório, e-fls. 92-97: No curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas no documento acima identificado, constatou-se que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da pessoa jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado nº PER/DCOMP, consta imposto a pagar. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 763.866,30 Valor do imposto a pagar na DIPJ: R$ 19.163.054,15 Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 37879.77708.230913.1.3.02-3160 39533.70640.200913.1.3.02-0382 41901.06211.130913.1.3.02-6020 11472.12843.290813.1.3.02-7650 02267.21223.290813.1.7.02-6853 15105.84493.160813.1.3.02-0323 01160.63372.310713.1.3.02-4056 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 26532.27909.191214.1.6.02-4532[...] Enquadramento Legal: parágrafo 1º do art. 6º da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Fl. 190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 3 Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado no Acórdão da 5ª Turma DRJ/SPO/SP nº 16-80.946, de 06.12.2017, e-fls. 100-107: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA DO CRÉDITO PLEITEADO. NOVO PER/DCOMP. A modificação do tipo de crédito implica alteração da sua natureza, o que não configura erro formal, nem inexatidão material, mas sim, erro no critério jurídico. Impossível em sede de julgamento analisar a existência de crédito relativo a pagamento a maior se o despacho decisório e a decisão recorrida trataram de saldo negativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE QUESITOS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considera-se não formulado o pedido de diligências, diante da ausência de formulação de quesitos. JUNTADA DE PROVAS. PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Notificada em 20.03.2018, e-fl. 126, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.04.2018, e-fls. 129-144, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: III - RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO - Do Cabimento da Compensação (Existência Do Crédito) - Erro De Fato 8. Conforme mencionado, o acórdão recorrido julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da RECORRENTE, sob o entendimento de que: (i) Fl. 191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 4 se trataria de matéria fora do objeto do processo e não analisada na instância originária; (ii) teria havido erro nº critério jurídico; (iii) os juros incidiriam em momentos diferentes para saldo negativo ou pagamento a maior; e (iv) se acatada a Manifestação de Inconformidade implicaria na retificação de PER/DCOMP, o que seria vedada após o despacho decisório. 9. Contudo, tal entendimento merece reforma nos termos a seguir expostos. 10. Inicialmente, conforme demostrado nos autos, a RECORRENTE apura e recolhe IRPJ e CSLL na modalidade Lucro Real Trimestral, sendo que no 1º Trimestre de 2012 houve o pagamento do IRPJ pago a maior. 11. Com base nessa premissa, a RECORRENTE utilizou tal crédito, contabilmente declarado, para realizar compensações, mas equivocadamente, como esclarecido, indicou a origem do crédito nos PER/DCOMPs como sendo decorrente de "Saldo Negativo". 12. Posteriormente, a RECORRENTE confirmou ter realmente cometido um equívoco quanto ao preenchimento dos PER/DCOMPs, uma vez que o referido crédito não decorre de "Saldo Negativo", mas de "Pagamento a Maior". 13. Assim, não pode ser mantida por este egrégio CARF a alegação de suposta impossibilidade de análise do pedido tal como decidiu a DRJ/SPO, uma vez que restou comprovado se tratar de mero equívoco no preenchimento dos PER/DCOMPs. [...] 15. Percebe-se que não há que se falar em suposta supressão de instância, vez que a DRJ possui competência para o julgamento do feito, bem como deve pautar sua decisão observando os fatos descritos na Manifestação de Inconformidade. [...] 16. Ademais, o acordão recorrido entendeu pela existência de suposto erro de critério jurídico na apresentação dos PER/DCOMPs, o que, segundo a DRJ/SPO, impediria a retificação requerida pela RECORRENTE. 17. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer, na medida em que, conforme demonstrado nos autos, é nítido que no presente caso houve mero equívoco no preenchimento das PER/DCOMPs, por parte da RECORRENTE. 18. Ou seja, a RECORRENTE não se eximiu do seu equívoco, mas tal fato, por si só, não pode afastar seu direito creditório. 19. Cabe destacar que, ainda que haja erro na informação da obrigação acessória, qual seja: de preenchimento nos PER/DCOMPs, o Pagamento a Maior ocorreu e não pode ser anulado, devendo o crédito ser reconhecido e as homologações compensadas até o limite do crédito pleiteado. 20. Ademais, o procedimento administrativo está pautado pela busca da verdade material estabelecidos nos arts. 22 e 37 da CF/88 e, no caso concreto, para que o referido direito seja levado a efeito, cabe à autoridade fiscal esgotar as Fl. 192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 5 possibilidades de comprovação do crédito antes de optar por não o homologar [...] 21. Conclui-se que o Princípio da Verdade Material determina que, havendo indício da não ocorrência do fato gerador ou da existência de prova ou documento capaz de ilidir a exigência fiscal, a Autoridade Administrativa deve diligenciar no sentido de apurar a verdade dos fatos, isto é: "pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar" a procedência daquilo que se alega [...]. 22. Frisa-se, também, que de acordo com o art. 147, § 2º do CTN c/c art. 32 do Decreto 70.235/72, o Princípio da Verdade Material que norteia o Processo Administrativo Fiscal, deve se sobrepor a qualquer equívoco presente nas obrigações acessórias, podendo/devendo ser corrigidos ainda que de ofício [...]. 23. Assim, significa dizer que a autoridade administrativa competente não pode ficar adstrita a uma única forma de comprovação, podendo e devendo buscar considerar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. 24. Isso porque, em hipótese alguma o contribuinte pode ser prejudicado pela ausência de cruzamento eletrônico das declarações prestadas ou pela sua deficiência, que o tenha tornado incapaz de identificar o crédito pleiteado e o erro de fato. 25. Destaca-se que por meio do Parecer Normativo COSIT nº 8/2014, item 81, foi pacificado o entendimento sobre a possibilidade de retificação de ofício de débito confessado em declaração entregue por contribuinte desde que decorrente de erro de fato. 26. Nesse contexto, este Egrégio CARF firmou o entendimento no sentido de que os erros de fato ocorridos nº preenchimento das declarações não podem impedir o direito do contribuinte ao crédito existente. [...] 27. Diante disso, verifica-se que houve de fato o equívoco cometido pela RECORRENTE no preenchimento das informações contidas nas PER/DCOMPs, contudo não deve prosperar o entendimento do acórdão recorrido, o qual busca obstar o direito da RECORRENTE à compensação do crédito existente, uma vez que vai de encontro ao entendimento deste Egrégio CARF. 28. Ademais, não se pode alegar ainda que a forma de contabilização dos juros para afastar o direito creditório da RECORRENTE, pois, conforme o próprio acórdão reconhece, no pagamento a maior a incidência ocorre da data do recolhimento (31/07/2012), diferentemente na hipótese da apuração do saldo negativo em que sua incidência será ao término do exercício (30/06/2012). 29. Mesmo que se admita que há a defasagem de 30 dias entre uma data e outra, isto não pode ser razão suficiente para negar a existência do indébito tributário. Fl. 193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 6 30. Nesse sentido, comprova-se a necessidade da reforma do acórdão proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPO, uma vez que é patente a existência do crédito pleiteado, bem como o cabimento da compensação requerida pela RECORRENTE. IV - NECESSIDADE DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA 31. Embora o acórdão recorrido tenha mencionado a suposta impossibilidade da realização de diligência no caso em tela, pois segundo o entendimento da DRJ/SPO, a RECORRENTE teria deixado de demonstrar os motivos que justificariam seu pedido, a diligência é de suma necessidade para verificação do crédito pleiteado. 32. Nesse sentido, destaca-se que a conversão em diligência é prevista no art. 18 do Decreto 70.235/72, e coaduna-se com os Princípios da Eficiência e Legalidade que regem a administração pública (art. 37 da CF/88) e pode ser realizada in casu para a averiguação da apuração do crédito realizada pela RECORRENTE, com base em todas as declarações apresentadas por ela, confirmando-se o seu direito creditório. 33. Dessa forma, é fundamental que esse Egrégio Órgão Julgador, diferentemente do entendimento do acórdão recorrido, determine a conversão do julgamento em diligência para que possa adequadamente formar sua convicção [...]. 34. Comprova-se a necessidade da conversão em diligência sempre que for necessária para garantir a correta solução ao litígio, cabendo destacar, inclusive, que a não observância desse preceito, pode acarretar nulidade do lançamento e violação ao art. 142 do CTN, conforme entendimento deste Egrégio CARF. [...] 35. Ademais, segundo disciplina o § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, bem como o posicionamento jurisprudencial deste Egrégio CARF, deve ser atendido o pedido da RECORRENTE quanto à eventual necessidade de produção de provas [...]. 36. Destarte, o acórdão recorrido merece ser reformado quanto ao cabimento de eventual produção de provas, nos termos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: V — DO PEDIDO 37. Diante do exposto, requer seja recebido, processado e acolhido o presente RECURSO VOLUNTÁRIO, a fim de reformar integralmente o acórdão nº 16-80.946, proferido pela 5ª Turma da DRJ/SPO, reconhecendo a ocorrência de mero erro de fato cometido nº preenchimento do PER n-º 13111.41527.221214.1.6.02-5206 e, consequentemente, homologando a totalidade das compensações dos débitos de Fl. 194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 7 Retenções de CSLL/PIS/COFINS Cód. Receita 5952", IRRF, Retenções de CSLL/PIS/COFINS Cód. Receita 5952, Retenções de CSLL/PIS/COFINS Cód. Receita 5952, IRRF e PIS e COFINS. 38. Contudo, caso este não seja o entendimento deste Egrégio CARF, em observância ao disposto no art. 18 do Decreto 70.235/72, bem como em respeito aos Princípios da Eficiência e Legalidade que regem a administração pública (art. 37 da CF/88) e, atendendo ao Princípio da Verdade Material, requer-se a conversão do presente julgamento em diligência, com a consequente a baixa dos autos ao órgão de origem para verificação do direito creditório da RECORRENTE. 39. Por se tratar de matéria idêntica à que a RECORRENTE também discute em seus Recursos Voluntários nos processos administrativos nºs 10880- 918.727/2015-70, 10880-918.729/2015-14 e 10880-918.730/2015-49, requer-se a apreciação conjunta dos recursos voluntários aqui referidos, nos termos do artigo 9º, § 1º, do Decreto 70.235/72 c/c § 3º do art. 18 da Lei nº 10.833/03. 40. Por fim, a RECORRENTE requer a imediata suspensão da exigibilidade dos créditos tributários autuados, nos termos do art. 151, inc. III do CTN, e do art. 74, § 112 da Lei nº 9.430/96, de forma que o presente expediente administrativo não represente óbice para a sua regularidade fiscal. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Necessidade de Comprovação da Liquidez e Certeza do Indébito A Recorrente discorda do procedimento fiscal ao argumento de que foi “cometido um equívoco quanto ao preenchimento dos PER/DCOMPs, uma vez que o referido crédito não decorre de "Saldo Negativo", mas de "Pagamento a Maior". O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Fl. 195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 8 Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos, de modo que em regra a retificação somente é possível se encontrar pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e o seu cancelamento é procedimento cabível ao sujeito passivo na forma, no tempo e lugar previstos na legislação tributária (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que o Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega até a intimação válida do despacho decisório. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo como condição absolutamente essencial para fins de verificação da precisão dos dados informados. Cabe a averiguação dos livros de registros obrigatórios pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Devem ser detalhados os motivos de fato e de direito em que se baseiam com exposição de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões. A peça de defesa deve ser instruída com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). A “escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Nesse sentido, a legislação Fl. 196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 9 exige que a Recorrente produza prova de suas alegações que demonstrem a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado (art. 170 do Código Tributário Nacional). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias” (art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária (Parecer PGFN nº 591, de 17 de abril de 2014). Em se tratando da necessidade de se demonstrar a liquidez e certeza do crédito que a Recorrente pretende utilizar no Per/DComp, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou que: “10. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN)” (Agravo Regimental no Recurso Especial nº 862572/CE e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Nesse sentido, em caso de Per/DComp inverte-se o ônus da prova, cabendo à Recorrente comprovar seu direito líquido e certo. É dever da autoridade fiscal, ao analisar os valores informados em Per/DComp para fins de decidir homologação ou não da compensação, investigar a exatidão do indébito apurado pela Recorrente. Para a análise do argumento recursal de que foi cometido um equívoco quanto ao preenchimento do Per/DComp, uma vez que o referido direito creditório não decorre de saldo negativo, mas sim de pagamento a maior, cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 168 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Sobre o erro de fato e erro de direito, a Solução de Consulta Interna Cosit nº 08, de 08 de março de 2013, orienta: O vício formal está no elemento forma do ato administrativo, enquanto o vício material está no objeto. [...] [O] vício formal decorre do erro de fato [e o vício] material decorre do erro de direito. [...] [No erro de fato] há um desajuste dentro do ato normativo concreto [...] entre o que consta dele e os fatos ocorridos no mundo fenomênico. [...] Fl. 197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 10 No erro de direito há incorreção no cotejo entre a norma tributária [...] com o fato jurídico tributário em um dos elementos do consequente da regra-matriz de incidência [...]. Erro de fato é aquele relacionado ao “conhecimento da existência de determinada situação”, que “reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário”, “um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado”. Recai sobre as circunstâncias do caso em exame e sobre os elementos essenciais da feitura do ato administrativo (art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Erro de direito é “consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma”, “um equívoco na valoração jurídica dos fatos”, um “vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta”. Reside no plano da interpretação e aplicação das normas, nos critérios e conceitos jurídicos que fundamentam o lançamento de ofício consubstanciado no ato administrativo (art. 142 do Código Tributário Nacional). Estes entendimentos extraem-se do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.347.324/RS, do Recurso Especial nº 741.314/MG do Recurso Especial Repetitivo nº 1.130.545/RJ e do Parecer PGFN/CAT nº 278, de 14 de fevereiro de 2014. Especificamente sobre o Per/Dcomp, o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014, determina: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. COMPETÊNCIA PARA EFETUAR A REVISÃO DE OFÍCIO. Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as hipóteses de tributação previdenciária. REVISÃO DE OFÍCIO – ATO INSTRUMENTO DA REVISÃO. O despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão Fl. 198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 11 de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada. No presente caso, consta na Ficha 12A - Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real - PJ em Geral da DIPJ do ano-calendário de 2012: Discriminação 1º Trimestre Valor [...] 22.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 19.163.054,15 [...] Está registrado a DCTF de março do ano-calendário de 2012: GRUPO DO TRIBUTO: IRPJ - IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS CÓDIGO RECEITA: 0220-01 PERIODICIDADE: Trimestral PERÍODO DE APURAÇÃO: 1° Trimestre /2012 DÉBITO APURADO 19.163.054,15 CRÉDITOS VINCULADOS - PAGAMENTO 17.738.184,11 - COMPENSAÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR 1.424.870,04 [...] SOMA DOS CRÉDITOS VINCULADOS: 19.163.054,15 SALDO A PAGAR DO DÉBITO: 0,00 [...] Pagamento com DARF - R$ Total: 17.738.184,11 Relação de DARF vinculado ao Débito. PA: 31/03/2012 CPF/CNPJ: 11.094.546/0001-75 Código da Receita: 0220 Data do Vencimento 30/04/2012 [...] Valor Total do DARF: 9.999.999,99 Valor Pago do Débito: 9.999.999,99 [...] Compensação Pagamento Indevido ou a Maior - R$ Total: 1.424.870,04 Valor Compensado do Débito: 394.382,93 Formalização do Pedido: DComp N° do Processo: 35660.32976.040914.1.3.04- 0302 Valor Compensado do Débito: 381.696,35 Formalização do Pedido: DComp N° do Processo: 19624.45604.040914.1.3.04- 6478 Valor Compensado do Débito: 307.545,76 Fl. 199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 12 Formalização do Pedido: DComp N° do Processo: 10163.54278.040914.1.3.04- 8085 Valor Compensado do Débito: 185.667,33 Formalização do Pedido: DComp N° do Processo: 19889.53472.040914.1.3.04- 0014 Valor Compensado do Débito: 131.053,43 Formalização do Pedido: DComp N° do Processo: 35716.38841.040914.1.3.04- 3090 Valor Compensado do Débito: 24.524,24 Formalização do Pedido: DComp N° do Processo: 32665.83830.300914.1.3.04- 7083 A partir da matéria de insurgência recursal dialogando com a decisão de primeira instância cabe esclarecer que restou comprovado o erro de fato equívoco quanto ao preenchimento do Per/DComp, uma vez que o referido direito creditório não decorre de saldo negativo, mas sim de pagamento a maior de IRPJ referente ao primeiro trimestre do ano- calendário de 2012, e-fls. 28-43. Tendo em vista as divergências identificadas no recurso voluntário é possível analisar a possibilidade de deferimento do indébito pleiteado nos presentes autos a título de pagamento a maior de IRPJ referente ao primeiro trimestre do ano-calendário de 2012 em cotejo com as informações constantes nos sistemas da RFB e aquelas originárias dos registros contábeis e fiscais e respectivos documentos que a Recorrente deve apresentar para fins de comprovação do indébito indicado no Per/DComp, conforme a Súmula CARF nº 168 e Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014. Os efeitos da aplicação do direito superveniente fixam a relação de causalidade com a possibilidade de deferimento da Per/DComp. Esta legislação impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido. Devem ser averiguadas a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. O procedimento previsto no rito do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pode ser revisto no caso em que foi instaurada a fase litigiosa no procedimento. A autoridade administrativa deve apreciar fato não conhecido ou não provado por ocasião ao ato original decorrente de fato ou a direito superveniente, e ainda se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, caso em que é elaborado ato administrativo complementar com efeito retroativo ao tempo de sua execução. Assim, no rito do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, sendo afastado o óbice do despacho decisório original em que a Fl. 200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 13 compensação não foi homologada na sua integralidade, cabe a autoridade preparadora retomar a verificação do indébito. Registre-se que não se tratar de nova lide, mas sim a continuação de análise do direito creditório pleiteado considerando o saneamento no seu exame. Por conseguinte, não há que se falar em perda do direito de a Fazenda Pública analisar o Per/DComp nesse segundo momento, já que da ciência deste ato complementar não ocorre a homologação tácita, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa desde a instauração do litígio. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Diligência A Recorrente diz que o prazo de produção de provas deve ser devolvido. Sobre a diligência, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelecem que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito com inserção de todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar. Opera-se a preclusão do direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, nos termos do art. 15, art. 16, art. 17 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que determinam critérios de aplicação do princípio da verdade material. Assim, tendo em vista o princípio da concentração da defesa, a manifestação de inconformidade deve conter todas as matérias litigiosas e instruída com os elementos de prova em que se justificar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. A lei prevê meios instrutórios amplos para que o julgador venha formar sua livre convicção motivada na apreciação do conjunto probatório mediante determinação de diligências quando entender necessárias com a finalidade de corrigir erros de fato e suprir lacunas probatórias. As autoridades administrativa e julgadora de primeira instância analisaram detidamente todos os elementos constantes nos registros internos da RFB e aqueles colacionados em sede de manifestação de inconformidade. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Cabe a aplicação do enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Fl. 201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 14 Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). A realização desse meio probante é prescindível, uma vez que os elementos produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio e formação do livre convencimento motivado do julgador no sentido de que os autos devem retornar à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. Processo Vinculados A Recorrente requer a “apreciação conjunta dos recursos voluntários aqui referidos, nos termos do artigo 9º, § 1º, do Decreto 70.235/72”. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, d termina: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. O Código de Processo Civil (CPC) previsto na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, determina: Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. [...] Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. § 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. [...] § 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. O Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, determina: Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 15 Art. 47 Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando- se o disposto neste artigo. § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. O processo nº 10880.918728/2015-70 trata de PER/DComp com utilização do direito creditório do primeiro trimestre do ano-calendário de 2012. O processo nº 10880.918727/2015-25 trata de PER/DComp com utilização do direito creditório do segundo trimestre do ano-calendário de 2012. O processo nº 10880.918730/2015-49 trata de PER/DComp com utilização do direito creditório do terceiro trimestre do ano-calendário de 2012. O processo nº 10880.918729/2015-14 trata de PER/DComp com utilização do direito creditório do quarto trimestre do ano-calendário de 2012. Verifica-se que não se verifica a necessária vinculação entre estes diversos processos para que sejam reunidos em um único processo, pois tratam de direitos creditórios de períodos de apuração diferentes. Logo, o pedido da Recorrente não pode ser acolhido. Responsabilidade por Infrações Tem-se que “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” (art. 136 do Código Tributário Nacional). Ressalte-se que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” (art. 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (art. 3º do Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942). Jurisprudência e Doutrina No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). O Parecer Normativo Cosit nº 23, de 06 de setembro de 2013, determina “que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-003.945 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.918728/2015-70 16 da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo”. “As decisões proferidas pelo CARF não podem ser enquadradas como práticas reiteradamente observadas e aceitas pelas autoridades administrativas, previstas no art. 100, III, do CTN” (Agravo em Recurso Especial nº 2554882/SP). Inconstitucionalidade de Lei Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 e Súmula CARF nº 2). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação do direito superveniente previsto nas determinações da Súmula CARF nº 168 e no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 08, de 03 de setembro de 2014, para fins de reconhecimento da possibilidade de formação de indébito a título de pagamento a maior de IRPJ referente ao 1º trimestre do ano-calendário de 2012, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF de Origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp devendo o rito processual ser retomado desde o início. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva Fl. 204DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10166.903714/2014-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 59 da Lei nº 9.784/1999 somente são nulos os atos administrativos e despachos decisórios proferidos por autoridade incompetente ou que tenham sido produzidos com preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA INAPLICÁVEL À COMPENSAÇÃO DECLARADA. O prazo para o Fisco analisar os valores compensados, somente se iniciam quando é efetivada a compensação. O prazo para que o Fisco analise a compensação declarada é de 5 anos a contar da data de entrega da declaração, não sendo atingida pela homologação tácita de que tratou o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
Numero da decisão: 3002-003.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.627, de 25 de junho de 2025, prolatado no julgamento do processo 10166.903712/2014-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Renato Câmara Ferro Ribeiro Gusmão (Presidente).
Nome do relator: RENATO CAMARA FERRO RIBEIRO DE GUSMAO

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IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do artigo 59 da Lei nº 9.784/1999 somente são nulos os atos administrativos e despachos decisórios proferidos por autoridade incompetente ou que tenham sido produzidos com preterição do direito de defesa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA INAPLICÁVEL À COMPENSAÇÃO DECLARADA. O prazo para o Fisco analisar os valores compensados, somente se iniciam quando é efetivada a compensação. O prazo para que o Fisco analise a compensação declarada é de 5 anos a contar da data de entrega da declaração, não sendo atingida pela homologação tácita de que tratou o § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3002-003.627, de 25 de junho de 2025, prolatado no julgamento do processo 10166.903712/2014-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Fl. 254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.628 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.903714/2014-46 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Gisela Pimenta Gadelha, Neiva Aparecida Baylon e Renato Câmara Ferro Ribeiro Gusmão (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS-PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento da compensação. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tempestividade Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Despacho Decisório que indeferiu, o pedido de Ressarcimento de saldo credor da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, referente ao 3° do ano calendário de 2004. Preliminares Nos termos do artigo 59 da Lei nº 9.784/1999, somente são nulos os atos administrativos, inclusive os despachos decisórios, quando proferidos por Fl. 255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.628 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.903714/2014-46 3 autoridade incompetente ou quando praticados com preterição do direito de defesa. No presente caso, não se verifica qualquer vício de competência ou cerceamento defesa que possa ensejar a nulidade do despacho decisório ora recorrido. Assim, eventual inconformismo quanto ao mérito da decisão deve ser analisado sob o prisma da legalidade e da correta apuração dos créditos pleiteados, não cabendo falar em nulidade processual. Inexiste, ademais, qualquer vício no acórdão da DRJ, que se mostra devidamente fundamentado, não havendo motivos que justifiquem sua reforma. Verdade material No âmbito do processo administrativo fiscal, vigora o princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade administrativa tem o dever de buscar a exta correspondência dos fatos com a realidade, não se limitando às alegações formais ou documentais apresentadas, mas sim apurando a efetiva ocorrência dos fatos que fundamentam a exigência tributária. Nos termos da legislação aplicável, é de responsabilidade do contribuinte o ônus de comprovar a efetiva constituição do crédito objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, cabendo-lhe demonstrar, de forma robusta documental, tanto a ocorrência do fato gerador do direito creditório quanto a sua legitimidade e aderência aos requisitos legais. O artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, estabelece que: “ art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao ato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Portanto, a insuficiência, ausência ou inadequação da documentação apresentada, bem como a falta de comprovação dos elementos que ensejam o crédito pleiteado, impedem a homologação do ressarcimento, cabendo à autoridade fiscal indeferi-lo, em observância ao princípio da legalidade estrita que rege a Administração Pública. Homologação Tácita A Recorrente alega, ainda, que, no presente caso, já se teria operado a homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, nos Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.628 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.903714/2014-46 4 termos da legislação de regência, motivo pelo qual entende ser indevido o indeferimento proferido pela autoridade fiscal. Deveras, no caso presente, a Recorrente transmitiu seu Pedido de Ressarcimento e/ou Restituição em 05.03.2009, OPERANDO-SE A HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, PORTANTO, EM 05.03.2014. 99. O Despacho Decisório ora combatido, por sua vez, foi proferido apenas em 06.04.2015, tendo a Recorrente apenas sido cientificada de seu teor em 15.04.2015, após, portanto, o transcurso do prazo estabelecido pelo art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. 100. Dessa forma, considerando-se a data em que foi proferido o Despacho Decisório ou a data de sua ciência pela Recorrente, tem-se como inegável o decurso do prazo de 5 (cinco) anos estabelecido pela legislação vigente, em relação ao qual inexiste qualquer previsão legal relativa à sua suspensão ou interrupção. No que tange à alegação de homologação tácita, não assiste razão à Recorrente. A aplicação desse instituto no presente caso revela-se totalmente descabida, haja vista que o ordenamento jurídico não prevê a incidência da homologação tácita nos pedidos de restituição ou ressarcimento. Conforme bem delineado na legislação de regência, mais especificamente no artigo 74 da Lei n° 9.430/1996, o pedido de restituição ou ressarcimento constitui procedimento administrativo de natureza própria, distinto do lançamento por homologação, razão pela qual não se submente ao regime previsto no artigo 150, §4°, do CTN. A chamada homologação tácita, disciplinada no referido dispositivo do CTN, aplica-se exclusivamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, situação que não se confunde com os pedidos de restituição, ressarcimento ou compensação. Com efeito, o artigo 74, §5°, da Lei n° 9.430/96, disciplina apenas o prazo de cinco anos para que Administração Tributária homologue ou não a compensação declarada pelo contribuinte, sendo este um instituto diferente do ressarcimento, que depende de análise prévia e formal da autoridade fiscal. Nesse sentido, é firme a jurisprudência administrativa do CARF: “Não se aplica o instituto da homologação tácita aos pedidos de ressarcimento, visto que não se confundem com o lançamento por homologação, sendo vedada, portanto, a analogia entre institutos jurídicos distintos. (Acórdão n° 3302-006-067, de 25/05/2021). Portanto, a tese da Recorrente deve ser rejeitada, eis que absolutamente dissociada da legislação aplicável e da jurisprudência consolidada. Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-003.628 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.903714/2014-46 5 Regime monofásico Nos termos da legislação vigente, o regime monofásico de incidência das contribuições sociais ao PIS e à Cofins caracteriza-se pela concentração da tributação em uma única etapa da cadeia econômica, com aplicação de uma alíquota majorada desonerando-se as etapas subsequentes de circulação. Portanto, não há previsão legal de ressarcimento, compensação ou restituição dos valores recolhidos na etapa anterior da cadeia, uma vez que a sistemática monofásica não gera direito à apropriação de créditos, tampouco à recuperação dos valores recolhidos na etapa concentrada. Nesse sentido, a pretensão da interessada em solicitar o ressarcimento de valores a título de PIS/Cofins, sob a alegação de receitas submetidas ao regime monofásico, não encontra respaldo na legislação de regência, uma vez que a própria sistemática do regime concentra a incidência tributária em apenas um elo da cadeia produtiva, afastando qualquer hipótese de creditamento nas etapas subsequentes. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Redator Fl. 258DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16366.720569/2015-71
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Jul 28 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. CRÉDITO. ART. 3° II, DA LEI N° 10.637/2002. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com embalagens para transporte de produtos alimentícios são insumos, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por garantirem a qualidade dos produtos, mantendo a sua integridade. FRETE TRIBUTADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO OU DESONERADOS. CREDITAMENTO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NA SÚMULA CARF N° 188. Os gastos com fretes pagos a pessoa jurídica na aquisição de bens que se enquadram no conceito de insumo (leite in natura) compõem o seu custo e, considerando que, sem o transporte, o insumo não chega ao produtor, este serviço é essencial, pelo que cabe o direito ao crédito integral sobre o seu valor, ainda que o insumo esteja sujeito ao crédito presumido das contribuições ou desonerado, mas desde que atendam às condições estabelecidas na Súmula CARF n° 188 (registro de forma autônoma e efetiva tributação do frete na aquisição). TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovadapela3ª Turma da CSRF,em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.”
Numero da decisão: 3004-000.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas do crédito sobre as embalagens de transporte e as glosas sobre os fretes de compra de leite in natura, desde que atendam às condições estabelecidas na Súmula CARF n° 188 (registro de forma autônoma e efetiva tributação do frete na aquisição). Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Assim, são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS. CRÉDITO. ART. 3° II, DA LEI N° 10.637/2002. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com embalagens para transporte de produtos alimentícios são insumos, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002, por garantirem a qualidade dos produtos, mantendo a sua integridade. FRETE TRIBUTADO NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO OU DESONERADOS. CREDITAMENTO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES ESTABELECIDAS NA SÚMULA CARF N° 188. Os gastos com fretes pagos a pessoa jurídica na aquisição de bens que se enquadram no conceito de insumo (leite in natura) compõem o seu custo e, considerando que, sem o transporte, o insumo não chega ao produtor, este serviço é essencial, pelo que cabe o direito ao crédito integral sobre o seu valor, ainda que o insumo esteja sujeito ao crédito presumido das contribuições ou desonerado, mas desde que atendam às condições estabelecidas na Súmula CARF n° 188 (registro de forma autônoma e efetiva tributação do frete na aquisição). Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 2 TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N° 217. A negativa do crédito de frete de produtos acabados resta pacificada no âmbito deste Conselho, em razão da edição da Súmula CARF n° 217, aprovada pela 3ª Turma da CSRF, em sessão de 26/09/2024 (vigência em 04/10/2024): “Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas.” ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas do crédito sobre as embalagens de transporte e as glosas sobre os fretes de compra de leite in natura, desde que atendam às condições estabelecidas na Súmula CARF n° 188 (registro de forma autônoma e efetiva tributação do frete na aquisição). Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Assinado Digitalmente Rosaldo Trevisan – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Dionísio Carvallhedo Barbosa, Semíramis de Oliveira Duro, Tatiana Josefovicz Belisário e Rosaldo Trevisan (Presidente). RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte qualificada à epígrafe, insurgindo-se contra o deferimento parcial do seu pedido de ressarcimento de nº 05314.67253.250615.1.1.18-1701 e a consequente homologação parcial das compensações declaradas com o referido crédito. O pedido formulado refere-se a créditos básicos da Contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativo, relativos a operações vinculadas a receitas não tributadas no mercado interno do 1º trimestre de 2015, apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002. A autoridade fiscal aponta como inconsistências identificadas no procedimento fiscal as seguintes circunstâncias: Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 3 - Apropriação de créditos sobre aquisições de bens não enquadrados como insumos (embalagens de transporte); - Apropriação de créditos sobre despesas de fretes na aquisição de leite; - Apropriação de créditos sobre despesas de fretes nas transferências de produto acabado e - Créditos presumidos não passíveis de ressarcimento informados como ajustes de acréscimo do crédito básico. Cientificada do despacho decisório em 18/09/2019, a Manifestante apresentou sua Manifestação de Inconformidade em 17/10/2019 mediante solicitação de juntada. Em defesa da sua perspectiva, assevera que: - As embalagens de papelão não são simplesmente embalagens de transporte, configurando-se como um segundo acondicionamento dos produtos produzidos pela empresa requerente. Tanto é assim que as unidades de venda dos produtos são as caixas em que foram acondicionados e não o produto isolado; - Pelo conceito de essencialidade e relevância firmados pelo REsp 1.221.170, em sede de repercussão geral, toda despesa que for essencial e relevante para o processo econômico da empresa deve ser considerada como geradora de crédito de PIS/COFINS. Nessa seara, as embalagens em questão, mesmo se forem apenas consideradas como embalagens de transporte, são essenciais à venda, manuseio, transporte e identificação dos produtos fabricados pela empresa requerente e, por esta razão, são elegíveis como despesas geradoras de crédito das referidas contribuições, posto que integram o produto, consomem-se no processo de venda e não são retornáveis ao estabelecimento industrial; - Quanto ao frete na aquisição de leite, a empresa requerente não efetua a venda de leite in natura, nem tampouco o adquire de pessoa jurídica. O art. 92, inciso II, da Lei nº 11.925/2004 suspende a incidência do PIS e da COFINS nos casos de venda de leite in natura, por pessoa jurídica "que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura". Isto é, toda pessoa jurídica que atue como agente intermediário do comércio de leite in natura, ao vender tal produto, é beneficiada com a suspensão da exigência do tributo. Ocorre que, no caso em tela, a empresa requerente adquire o leite in natura do produtor pessoa física; - Além disso, o leite in natura é apenas matéria-prima para a industrialização de laticínios e bebidas lácteas, os quais são os produtos que integram a atividade econômica da empresa. Assim, o art. 9º, II, da Lei nº 10.925/2004 mencionado pela autoridade fiscal não se aplica ao caso em tela, razão pela qual o frete despendido pela empresa requerente, realizado para o transporte do leite in natura direto do produtor para a atividade industrial, integra o seu custo de produção, representando verdadeira atividade essencial da empresa. Afinal, se ninguém for buscar o leite, não há como produzir laticínios e bebidas lácteas; Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 4 - O segundo ponto que precisa ser mencionado nesta defesa reside no fato de que boa parte dos créditos que foram glosados pela autoridade fiscal são créditos oriundos de despesas referentes ao serviço de armazenagem de produtos acabados. Os laticínios e bebidas lácteas fabricados pela empresa requerente são produtos perecíveis e que demandam armazenamento refrigerado. Como não possui condições de manter todo o seu estoque refrigerado por conta própria, em todas as suas filiais, acaba por contratar serviços de câmara fria de terceiros, para a conservação dos produtos até o momento da venda, despesas essenciais à atividade econômica da requerente, devendo os referidos créditos serem mantidos na escrita fiscal da empresa; - Quanto à glosa de despesas com fretes nas transferências de produto acabado, deve-se considerar que as atividades da empresa envolvem a fabricação de laticínios e bebidas lácteas na cidade de Ribeirão Claro/PR, onde é a sua planta industrial. Como atende praticamente todo o país e, considerando que industrializa produtos perecíveis, sua atividade econômica exigiu a abertura de diversas filiais em diversos Estados da Federação, como forma, inclusive, de facilitar o armazenamento, venda e distribuição de seus produtos; - Nesse contexto, impõe-se observar que o STJ, ao decidir o REsp 1.221.170, definiu que toda despesa que for essencial e relevante para a atividade econômica da empresa deve ser passível de geração de crédito de PIS/COFINS, posto que o tributo incide sobre o faturamento, então o crédito deve decorrer - e somente pode decorrer - das despesas, sendo essa conclusão de clareza ofuscante ou brilhante como a do sol nordestino; - Com relação ao que foi objeto de glosa sob o título "Créditos presumidos não passíveis de ressarcimento", a autoridade fiscal entendeu que a empresa requerente pretendeu compensar créditos presumidos de PIS/COFINS decorrentes do leite in natura, com outros tributos administrados pela receita federal, glosando todo e qualquer crédito presumido apurado pela empresa durante os dois trimestres de 2015. Contudo, a empresa requerente não inseriu os créditos presumidos no sistema PER/DCOMP. Pelo contrário, usou seus créditos presumidos para a compensação com débitos próprios de PIS/COFINS, em total consonância com a legislação de regência, tendo inserido no PERD/DCOMP somente os créditos ordinários de PIS/COFINS oriundos dos insumos por ela adquiridos, os quais são passiveis de compensação; - A empresa requerente se utiliza dos créditos presumidos para amortização do saldo devedor do PIS e da COFINS apurado em cada uma das competências do trimestre, para somente depois passar a utilizar ou não os créditos ordinários para amortização ou apuração de saldo credor. Se não há previsão legal para ressarcimento, mas há a previsão legal de utilização para amortização, então é evidente que a planilha de contas precisa, em primeiro lugar, amortizar os débitos de PIS e COFINS com os créditos presumidos e, somente depois de seu esgotamento, passar a utilizar os créditos ordinários; Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 5 - Verifica-se que, na competência de janeiro de 2015, há uma pequena parcela de créditos presumidos de COFINS e PIS que acabam sendo inseridas no pedido de ressarcimento/compensação, em relação aos quais deve ser mantida a sua glosa (R$10.860,83 e R$2.357,94). Quanto ao mês de fevereiro, também há crédito presumido de COFINS (R$2.843,79) lançado no PER/DCOMP, o qual também deve ser glosado. Já em relação às demais hipóteses, o pedido de ressarcimento foi inferior aos créditos ordinários a que teria direito de ressarcir/compensar; - É necessário revisar a compensação acima identificada, refazendo a planilha de débitos, com vistas a homologá-la parcialmente, de modo que sejam novamente apurados os créditos utilizados pela empresa requerente, com exceção dos acima indicados, e posterior amortização dos valores descritos na planilha acima, nos termos da fundamentação, e - Com a revisão da homologação e, consequentemente, com a drástica redução dos débitos que estariam ainda pendentes de homologação, a multa isolada também precisa ser reduzida, o que requer desde já. A 4ª Turma da DRJ/SDR, Acórdão n° 15-48.755, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2015 a 31/03/2015 CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. UNIDADE DE VENDA. Não geram direito ao crédito da Contribuição para o Pis/Pasep os dispêndios com embalagens de transporte, uma vez que elas são incorporadas ao produto após a finalização do processo de produção. CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETE. AQUISIÇÃO DE LEITE. PRODUTOR RURAL. A apuração de crédito básico sobre o valor do frete na aquisição de bens somente é possível quando esse valor integra o custo do bem adquirido e se o bem for sujeito ao pagamento da Contribuição para o Pis/Pasep. CRÉDITOS. DESPESAS DE FRETE. TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS. MESMA PESSOA JURÍDICA. Não podem ser considerados insumos os gastos com transporte (frete) de produtos acabados de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, mesmo mediante a contratação de transportadoras. DEDUÇÃO/DESCONTO. TIPO DE CRÉDITO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Ressalvada a ocorrência de erro, cabe ao contribuinte escolher o tipo de crédito a ser utilizado na dedução/desconto do valor da contribuição devida mês a mês, não sendo possível à autoridade fiscal substituí-lo nesse mister. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 6 Em Recurso Voluntário, a Recorrente ratifica as razões da manifestação de inconformidade e, ao final, requer: (i) O reconhecimento de todos os créditos referentes ao PIS e à COFINS que foram indevidamente glosados pela autoridade fiscal, com a reversão das glosas sobre eles, mantendo-se a glosa tão somente dos créditos de COFINS JAN./15-R$10.860,83; PIS JAN./15 – R$2.357,94; COFINS FEV./15 – R$2.843,79, pois:  As embalagens secundárias e/ou de transporte geram direito a crédito;  Os fretes nas aquisições e vendas de mercadorias geram direito a crédito;  As despesas de armazenagem de produtos acabados geram direito a crédito;  As despesas de frete para deslocamento de mercadorias geram direito a crédito; e  Não foram lançados créditos presumidos nos PER/DCOMP, tendo em vista que os créditos presumidos foram utilizados para a amortização dos débitos correntes (ordinários) de PIS e COFINS em cada uma de suas respectivas competências, limitando-se os pedidos de compensação aos créditos ordinários. (ii) Caso este Conselho entenda que há alguma antinomia nos documentos apresentados pela empresa recorrente, que lhe seja oportunizada o saneamento das EFD’s e demais documentos fiscais, tendo em vista que a empresa comprovou possuir créditos ordinários e presumidos de PIS e de COFINS, em valores suficientemente consistentes para os pedidos de compensação por ela realizados, de forma a se respeitar a legislação fiscal e, principalmente, a justiça fiscal. (iii) Homologação das compensações. (iv) Reconhecimento da inconstitucionalidade da penalidade imposta com base no §17 do art. 74 da Lei nº 9430/1996, por ofensa ao art. 5º, XXXIV, “a” da CF, e seu cancelamento. Não traz novos documentos junto ao Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de interposição, devendo ser conhecido. Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 7 CONCEITO DE INSUMO NO REGIME NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR pelo STJ, foram fixadas as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando- se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Tal decisão é vinculante, nos termos do art. 99, do RICARF/2023 (art. 62, do RICARF/2015). Assim, o limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de PIS/COFINS é dado pelo Recurso Especial nº 1.221.170-PR, configurando-se então nessa qualidade os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. No caso, a empresa tem como atividade a fabricação de laticínios (bebidas lácteas, iogurtes, leite fermentado, leite UHT, queijos e requeijão), e a receita decorrente das vendas dos produtos fabricados têm redução da alíquota de PIS/Pasep e COFINS a zero, conforme previsto no art. 1º, incisos XI e XII, da Lei nº 10.925/2004. Postas essas premissas, passa-se à análise das glosas de crédito efetuadas pela fiscalização na origem. CRÉDITO DE EMBALAGENS DE TRANSPORTE A autoridade fiscal entendeu que as embalagens de transporte não podem ser consideradas insumos, não sendo possível a apuração dos créditos sobre suas aquisições. O Contribuinte sustenta a legitimidade dos créditos, nesses termos: (...) a empresa recorrente negocia seus produtos, tendo como unidade padrão de venda as caixas que acondicionam seus produtos. Vale dizer, a venda dos produtos é realizada em caixa, porque isto permite uma maior facilidade no controle dos estoques, bem como no carregamento, conferência e entrega dos produtos aos clientes da empresa recorrente. Além disso, surgem como segunda proteção aos produtos acabados, garantindo uma maior longevidade aos mesmos, principalmente pelo fato de serem produtos perecíveis (laticínios e bebidas lácteas). Deve-se também ter em conta que essas embalagens acabam por acompanhar o produto, já que não são retornáveis ao estabelecimento industrial e, ainda por cima, identificam o tipo de produto que acondicionam; identificam o seu fornecedor e; ainda, identificam o nome do cliente. Isto significa dizer que estas embalagens secundárias integram o produto que acomodam, participando Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 8 diretamente do processo produtivo estabelecido pela empresa e, portanto, podem ser consideradas como insumos do processo produtivo, conforme descrito no inciso II do art. 3º das Leis de nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Posto isso, considerando que o Contribuinte sustentou ao longo do processo a essencialidade de tais dispêndios para a indústria de alimentação e que a natureza de embalagem de transporte não é controvertida, o creditamento é permitido. As embalagens de transporte são consideradas insumos e, nessa condição, geram créditos básicos das referidas contribuições. Isso porque são utilizados para transporte de produtos alimentícios, tendo a finalidade de manter a qualidade destes e evitar a contaminação. Além disso, parte das embalagens são personalizadas com a marca do cliente, encomendante de marca própria. Nesse sentido: Acórdão n° 9303-015.868 (j. 10/09/2024, Cons. Rel. Semíramis de Oliveira Duro) “As despesas incorridas com embalagens de transporte são insumos, nos termos do art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003, por garantirem a qualidade dos produtos, mantendo a sua integridade.” Acórdão n° 9303-015.322 (j. 12/06/2024, Cons. Rel. Rosaldo Trevisan) “As despesas incorridas com embalagens para transporte de produtos alimentícios, destinadas à manutenção, preservação e qualidade do produto, enquadram-se na definição de insumos dada pelo STJ, no julgamento do REsp n° 1.221.170/PR.” Assim, as glosas do crédito sobre as embalagens de transporte devem ser revertidas. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE FRETES NA AQUISIÇÃO DE LEITE A autoridade fiscal apontou que: Verificou-se que o contribuinte apropriou créditos básicos sobre despesas com fretes na aquisição de leite in natura. Considerando que a venda de leite in natura é suspensa do pagamento de PIS/Pasep e COFINS (art. 9º, inciso II, da Lei nº 10.925/2004), não é possível a apuração de créditos básicos pelo adquirente. O mesmo se aplica às despesas com os fretes, que compõem o custo de aquisição da mercadoria. A apuração indevida dos créditos ocorreu nas rubricas “Armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda” e em “Outras operações com direito a crédito”. As informações foram obtidas por meio dos Conhecimentos de Transporte eletrônicos (CT-e) informados na EFD-Contribuições, e nas respostas aos Termos de Intimação Fiscal nº 002, de 08/04/2019, e nº 003, de 18/06/2019. Já o Contribuinte contrapõe que: Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 9 E este frete se trata de transporte de produto essencial e relevante para o desempenho da atividade econômica da empresa, pelo simples fato de que o leite é a principal matéria-prima para sua atividade econômica e, ainda, como ele não é produzido dentro da planta industrial, precisa ser devidamente transportado das fazendas até a unidade industrial para o início do processo de industrialização. Vale dizer, o transporte do leite é fundamental para a realização da atividade industrial da recorrente e, diante disso, pode e deve ser considerado como despesa capaz de gerar crédito de PIS e de COFINS, ante a sua essencialidade e relevância para a atividade econômica da empresa em questão. Acrescenta que não efetua a venda de leite in natura, tampouco o adquire de pessoa jurídica, mas sim faz aquisições de leite diretamente do produtor pessoa física. Para o crédito básico na aquisição de leite in natura, há vedação expressa a aquisições de pessoas físicas, por conta do § 3º, art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como é suspensa a aquisição desse insumo junto a pessoas jurídicas, nos termos do inciso II do art. 9º-A da Lei nº 10.925/2004. Consequentemente, não dariam direito a crédito em razão do disposto no inciso II do § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Entretanto, não há impedimento para o tratamento segregado dos valores acessórios despendidos na operação do valor do bem adquirido desonerado do recolhimento das contribuições, sendo possível o crédito básico em relação aos fretes. Os gastos com fretes pagos a pessoa jurídica na aquisição de bens que se enquadram no conceito de insumo (leite in natura) compõem o seu custo e, considerando que, sem o transporte, o insumo não chega ao produtor, este serviço é essencial, pelo que cabe o direito ao crédito integral, ainda que o insumo esteja sujeito ao crédito presumido ou desonerado das contribuições. Sobre o mérito da referida glosa, cita-se o Acórdão n° 9303-014.916, de Relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO OU SUSPENSÃO. POSSIBILIDADE. CONDIÇÕES. Os fretes de aquisição de insumos que tenham sido registrados de forma autônoma em relação ao bem adquirido, e submetidos a tributação (portanto, fretes que não tenham sido tributados à alíquota zero, suspensão, isenção ou submetidos a outra forma de não-oneração pelas contribuições) podem gerar créditos básicos da não cumulatividade, na mesma proporção do patamar tributado. No caso de crédito presumido, sendo o frete de aquisição registrado em conjunto com os insumos adquiridos, receberá o mesmo tratamento destes. No entanto, havendo registro autônomo e diferenciado, e tendo a operação de frete sido submetida à tributação, caberá o crédito presumido em relação ao bem adquirido, e o crédito básico em relação ao frete de aquisição, que também constitui “insumo”, e, portanto, permite a tomada de crédito (salvo nas Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 10 hipóteses de vedação legal, como a referida no inciso II do § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003). Ademais, cita-se a Súmula CARF n° 188: Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 - vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348. Dessa forma, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas sobre os fretes de compra de leite in natura, desde que atendam às condições estabelecidas na Súmula CARF n° 188 (registro de forma autônoma e efetiva tributação do frete na aquisição). Por fim, o Contribuinte tece considerações sobre o direito ao crédito de armazenagem de laticínios e bebidas lácteas fabricados pela empresa, por serem produtos perecíveis e que demandam refrigeração. Para tanto, aponta duas notas fiscais que não seriam relativas a serviço de frete. Todavia, não consta no relatório fiscal a glosa de serviços de armazenagem. A glosa decorreu em relação aos fretes que foram registrados nas contas “Armazenagem de mercadorias e frete na operação de venda” e “Outras operações com direito a crédito”. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS DE FRETES NAS TRANSFERÊNCIAS DE PRODUTO ACABADO A autoridade fiscal apontou que, a partir dos dados dos CT-e informados em EFD- Contribuições, o Contribuinte se creditou sobre despesas de fretes em operações de transferências de produtos acabados. Já o contribuinte sustenta o direito ao crédito como insumo: As atividades da empresa envolvem a fabricação de laticínios e bebidas lácteas na cidade de Ribeirão Claro/PR, onde é a sua planta industrial. Como atende praticamente todo o país e, considerando que industrializa produtos perecíveis, sua atividade econômica exigiu a abertura de diversas filiais em diversos Estados da Federação, como forma, inclusive, de facilitar o armazenamento, venda e distribuição de seus produtos. Para tanto, é necessário deslocar seus produtos da matriz para as filiais e isto é feito por meio da contratação de fretes de terceiros, o que acaba por gerar uma despesa relevante para a empresa em questão. Esta despesa, por óbvio, é essencial para o desempenho de sua atividade econômica posto que, além de Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 11 posicionar o produto mais perto do mercado consumidor, permite que o preço deste produto seja mais competitivo, já que o frete para tal situação está mais próximo do mercado consumidor. Vê-se que a natureza de produto acabado não é controvertida. Logo, aplica-se a Súmula CARF n° 217: Súmula CARF nº 217 Aprovada pelo Pleno da 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Por isso, as glosas devem ser mantidas. CRÉDITOS PRESUMIDOS NÃO PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO INFORMADOS COMO AJUSTES DE ACRÉSCIMO DO CRÉDITO BÁSICO A Recorrente sustenta que não efetuou pedido de compensação de créditos presumidos de PIS e de COFINS, já que utilizou dos referidos créditos para amortização dos débitos correntes em cada uma das competências em questão. Sobre isso, constou no relatório fiscal que: A empresa foi intimada a apresentar o memorial de apuração dos ajustes de acréscimo dos créditos básicos de PIS/Pasep e COFINS informados em EFD- Contribuições, tendo em vista seu alto valor (Termo de Intimação Fiscal nº 001, de 08/03/2019). Em resposta, encaminhou planilha com os dados solicitados. Verificou-se que a maior parte do valor dos ajustes não se tratava de crédito básico, mas sim de crédito presumido na aquisição de leite in natura, previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Ocorre que não era permitido o ressarcimento desse crédito à época do pedido. Somente com a edição da Lei nº 13.137/2015, o saldo dos créditos presumidos em questão passou a ser passível de ressarcimento, nos termos do art. 9º-A, da Lei nº 10.925/2004. (...) O ato de que trata o § 8º do art. 9º-A da supracitada lei é o Decreto nº 8.533, de 30 de setembro de 2015. Assim, os créditos presumidos na aquisição do leite apurados entre 01/01/2014 e 30/09/2015 somente poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento ou declaração de compensação a partir de 01/01/2019 (art. 9º-A, §1º, inciso V, da Lei 10.925/2004). Dessa forma, foram glosados os créditos presumidos abaixo (que foram objeto do pedido como se fossem créditos básicos) por não serem passíveis de ressarcimento ou compensação. O valor dos créditos presumidos não foi objeto de verificação. (...) Fl. 294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 12 Por sua vez, o Contribuinte defende: (...) que, em nenhum momento, efetuou pedido de compensação com créditos presumidos de PIS e COFINS referentes ao leite “in natura”. Pelo contrário, sua compensação foi realizada entre créditos ordinários de PIS e COFINS referente à aquisição de despesas ordinárias ao processo produtivo, posto que os créditos presumidos foram devidamente utilizados para compensar os débitos ordinários de tributos federais, pelo simples fato de que este era o único mecanismo previsto em lei. Vale dizer, a empresa recorrente não inseriu os créditos presumidos no sistema PER/DCOMP. Pelo contrário, usou seus créditos presumidos para a compensação com débitos próprios de PIS/COFINS, em total consonância com a legislação de regência, tendo inserido no PER/DCOMP somente os créditos ordinários de PIS/COFINS oriundos dos insumos por ela adquiridos, os quais são passíveis de compensação. (...) Assim, as glosas dos créditos realizadas pela autoridade fiscal, nos valores lá lançados, necessitam de reparos, posto que somente os valores descritos acima (COFINS JAN/15-R$10.860,83; PIS JAN/15 – R$2.357,94; COFINS FEV/15 – R$2.843,79), é que se trata de créditos presumidos. Os demais, são créditos ordinários que, por sua vez, podem e devem ser utilizados para compensação de outros tributos administrados pela Receita Federal, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste ponto, não constam novos argumentos ou novos documentos postos em Recurso Voluntário, por isso adoto as razões da decisão recorrida, que bem tratou do tema: Cabe primeiramente salientar que o crédito utilizado no PERDCOMP sob análise é o crédito básico, tratado no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e que a autoridade fiscal expressamente ressalvou que o valor dos créditos presumidos não foi objeto de verificação da sua regularidade. Assim, releva notar que a identificação de crédito presumido na composição do crédito objeto do pedido fez com que fosse aquele glosado por não ser passível, à época, de ressarcimento ou compensação e ter integrado o pedido como se fosse crédito básico. Além disso, através da planilha juntada ao presente processo sob o título "UTILIZAÇÕES PRÓPRIO PA", observa-se que, diferentemente do que alega a Manifestante, os valores por ela utilizados para a dedução (desconto) da contribuição devida apurada mensalmente referem-se ao "Crédito vinculado à receita não tributada no mercado interno – Alíquota Básica", não ao crédito presumido. Vale destacar que a referida informação foi extraída da EFD Contribuições elaborada pela própria Manifestante, no livre exercício que a legislação lhe confere de escolher o tipo de crédito a ser utilizado nessa dedução/desconto. Fl. 295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3004-000.030 – 3ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 16366.720569/2015-71 13 Portanto, em que pese se afigurem razoáveis suas alegações, no sentido de que a utilização do crédito presumido para desconto seria o mais recomendável, diante da restrição existente à época de sua utilização para compensação com os demais tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal não pode substituir o contribuinte na escolha do tipo de crédito a ser utilizado nesse mister. Impende destacar que a Manifestante não cogitou a ocorrência de erro em sua escrituração, nem sugeriu que já tivesse comandado eventual correção, a merecer deliberação deste Órgão Julgador nesse sentido. Dessa forma, mantém-se as glosas. DA MULTA DO ART. 74, §17 DA LEI Nº 9.430/1996 – NECESSIDADE DE REVISÃO Requer a revisão da compensação e sua homologação, com a consequente redução dos débitos que estariam ainda pendentes e o afastamento da multa isolada. Ocorre que a multa não é objeto deste processo. Logo, não há o que se deferir. Conclusão Do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas do crédito sobre as embalagens de transporte e para reverter as glosas sobre os fretes de compra de leite in natura, desde que atendam às condições estabelecidas na Súmula CARF n° 188 (registro de forma autônoma e efetiva tributação do frete na aquisição). Assinado Digitalmente Semíramis de Oliveira Duro Fl. 296DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10985163 #
Numero do processo: 10245.721057/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA DETERMINADA POR DECISÃO JUDICIAL. Determinada a quebra do sigilo bancário por decisão judicial, fica prejudicada a alegação de nulidade da autuação em face dessa ofensa do sigilo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI 9.430 DE 1996, ART. 42. Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, presumem-se tributáveis os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. APLICABILIDADE. ARGUIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Uma vez que não houve o atendimento, ou atendimento parcial, aos Termos de Intimação lavrados para apresentação de documentos e prestar os esclarecimentos solicitados é cabível o agravamento da multa de ofício aplicada. A alegação de que a multa é confiscatória e de violação dos princípios constitucionais e legais não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, a qual o julgador administrativo é vinculado.
Numero da decisão: 2201-012.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: LUANA ESTEVES FREITAS

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-08-01T12:46:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-08-01T12:46:04Z; Last-Modified: 2025-08-01T12:46:04Z; dcterms:modified: 2025-08-01T12:46:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-08-01T12:46:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-08-01T12:46:04Z; meta:save-date: 2025-08-01T12:46:04Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-08-01T12:46:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-08-01T12:46:04Z; created: 2025-08-01T12:46:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2025-08-01T12:46:04Z; pdf:charsPerPage: 1709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-08-01T12:46:04Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10245.721057/2015-11 ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 23 de julho de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ANTONIO ALCEMIR PINHO BEZERRA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. VIOLAÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA DETERMINADA POR DECISÃO JUDICIAL. Determinada a quebra do sigilo bancário por decisão judicial, fica prejudicada a alegação de nulidade da autuação em face dessa ofensa do sigilo. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI 9.430 DE 1996, ART. 42. Nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996, presumem-se tributáveis os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, Fl. 440DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 2 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. A demonstração da origem dos depósitos deve se reportar a cada depósito, de forma individualizada, de modo a identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a natureza da transação, se tributável ou não. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. APLICABILIDADE. ARGUIÇÃO DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Uma vez que não houve o atendimento, ou atendimento parcial, aos Termos de Intimação lavrados para apresentação de documentos e prestar os esclarecimentos solicitados é cabível o agravamento da multa de ofício aplicada. A alegação de que a multa é confiscatória e de violação dos princípios constitucionais e legais não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, a qual o julgador administrativo é vinculado. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas – Relatora Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Debora Fófano dos Santos, Fernando Gomes Favacho, Weber Allak da Silva, Luana Esteves Freitas, Thiago Álvares Feital, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente). Fl. 441DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 3 RELATÓRIO Do Auto de Infração Trata-se de Auto de Infração (fls. 02 a 11) lavrado em face do Recorrente, por meio do qual são exigidos R$ 1.450.217,94 (um milhão, quatrocentos e cinquenta mil, duzentos e dezessete reais e noventa e quatro centavos), de imposto de renda, além da multa agravada no percentual de 112,5% (cento e doze e meio por cento) e demais acréscimos legais. Conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal (fls. 13 a 29), a autuação decorreu da apuração da omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, arbitramento do resultado da atividade rural e omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Da impugnação Cientificado do Auto de Infração na data de 15/07/2015, por via postal, conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 331, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 344 a 359), na data de 07/08/2015 (fl. 344), na qual alegou, em apartada síntese, as razões sintetizadas nos tópicos abaixo: (i) A improcedência do agravamento da multa de 75% para 112,5%; (ii) A Não Incidência do IRPF sobre Rendimentos Isentos e Não Tributáveis (Vale Alimentação/Vale Solidariedade); (iii) Comprovação da Origem dos Valores Depositados em Conta Mantida em Instituição Financeira. Pugnou, ao final, pela nulidade parcial do Auto de Infração, em razão de vício insanável e tipificação errônea, bem como pelo seu cancelamento, e a concessão de efeito suspensivo ao crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. Da decisão de primeira instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS – DRJ/POA, em sessão realizada em 27/02/2018, por meio do acórdão nº 10-61.516 - (fls. 385 a 400), julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme ementa a seguir transcrita (fls. 385 a 386): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2010 ESTATUTO DO IDOSO. PRIORIDADE NO JULGAMENTO. Constatando-se que o contribuinte tenha mais de 60 anos, concede-se a ele o direito assegurado no artigo 71 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que assegura prioridade na tramitação dos processos e procedimentos e na execução dos atos e diligências judiciais em que figure como Fl. 442DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 4 parte ou interveniente pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos, em qualquer instância. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO. A aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do IRPF, considerando-se isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. RECEITAS ORIUNDAS DA ATIVIDADE RURAL. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte tem a pretensão de associá-los a receitas oriundas da atividade rural, deve estabelecer vinculação individualizada de data e valores e, necessariamente, comprovar a receita de tal atividade por intermédio de documentos usualmente utilizados, tais como nota fiscal do produtor, nota fiscal de entrada e documentos reconhecidos pela fiscalização estadual. ATIVIDADE RURAL. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Por disposição legal expressa, a ausência de escrituração implica o arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Comprovado que o contribuinte não respondeu intimações que lhe foram feitas para prestar esclarecimentos, sobre o imposto lançado aplica-se a multa agravada de 112,5%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário Fl. 443DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 5 Cientificado do acórdão proferido pela DRJ na data de 17/05/2018, conforme Termo de Ciência (fl. 402), o contribuinte, na data de 14/06/2018 (fl. 404), interpôs Recurso Voluntário (fls. 404 a 435), traz novas alegações não aduzidas anteriormente, as quais sintetizo nos tópicos abaixo: (i) Nulidade do MPF por vício formal – Afirma que não houve omissão de rendimentos, uma vez que teria ocorrido movimentações financeiras entre contas do mesmo titular, houve empréstimos, não houve ganhos, de modo que não deve haver a incidência do IRPF; (ii) Nulidade do Auto de Infração por Cerceamento do direito de Defesa; (iii) Princípio da legalidade tributária; (iv) Violação ao sigilo bancário: a inconstitucionalidade do art. 6º da LC 105/2001 (v) Da idoneidade dos valores lançados como “omissões de rendimentos provenientes de depósitos bancários mantidos em instituição financeira”; (vi) Da proporcionalidade e da razoabilidade da multa aplicada – Do afronto ao Princípio da Proibição de confisco (vii) Da ofensa à capacidade contributiva – afirma que a não apresentação de documentos que respaldassem suas justificativas para a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias não obsta a atividade fiscal, razão pela qual pugna pelo desagravamento da multa de ofício. Ao final, pugna pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, até que haja o julgamento do recurso voluntário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Luana Esteves Freitas, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Da suspensão do crédito tributário O recorrente, requer seja reconhecida a suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso III do CTN. A tempestiva interposição de impugnação ao lançamento tributário, gera efeitos de suspender a exigibilidade do crédito tributário e postergar, consequentemente, o vencimento da Fl. 444DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 6 obrigação para o término do prazo fixado para o cumprimento da decisão definitiva no âmbito administrativo. Deste modo, a Impugnação e o Recurso Voluntário interpostos nos termos das leis que regulamentam o processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito tributário em litígio, consoante artigo 151, inciso III do CTN combinado com o artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972. Preliminar: Da Nulidade do Auto de Infração Preliminarmente, suscita o recorrente a nulidade do Auto de Infração por – suposta – violação ao direito de defesa, com fundamento no inciso II do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, bem como no artigo 2º, caput e inciso X da Lei nº 9.784/1999. Em sede de processo administrativo fiscal as nulidades estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, ao passo que o artigo seguinte, traz as hipóteses de outras irregularidades, passíveis de serem sanadas, e que não acarretam nulidade do auto de infração, senão vejamos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. O Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, contém a descrição dos fatos, acompanhada da capitulação legal, e cumpriu com todos os requisitos insculpidos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, observando estritamente o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), não se cogitando tampouco, a hipótese de cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Ainda, o recorrente foi devidamente cientificado do Auto de Infração, tendo-lhe sido facultado o prazo regulamentar para apresentar impugnação com as razões de defesa que entendeu pertinente, inclusive a produção das provas admitidas em direito (art. 36 da Lei nº 9.784/1999 c/c 373, inciso II do CPC), tudo de acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Desse modo, o lançamento tributário atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, havendo a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte, de modo que restam afastadas quaisquer hipóteses de nulidade do lançamento. Fl. 445DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 7 Assim, rejeito a preliminar suscitada. Da Quebra do Sigilo Fiscal Primeiramente, vale destacar que o recorrente não impugna o mérito propriamente dito do lançamento tributário, e não traz quaisquer alegações e documentos aptos a desconstituir o Auto de Infração, mas limita-se, no que tange à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, à alegação de inconstitucionalidade do artigo 6º da LC 105/2001. Note-se, neste caso, que, conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 15 e 16), o recorrente foi devidamente intimado em diversas ocasiões a fim de que apresentasse o Livro Caixa da Atividade Rural, bem como os extratos de todas as suas contas bancárias mantidas junto às instituições financeiras, as quais restaram desatendidas pelo sujeito passivo, que limitou-se a incontáveis pedidos de dilação de prazo, e, por fim, afirmou que não seria obrigado a produzir prova contra si, sendo ônus da Fazenda Nacional comprovar os fatos. Destarte, em razão da omissão do Sujeito Passivo em atender a solicitação da fiscalização, e considerando a imprescindibilidade dos mesmos para as averiguações fiscais, foi formalizado REPRESENTAÇÃO à Procuradora da Fazenda Nacional em Roraima (PFN-RR), visando a quebra do sigilo bancário, pela via judicial (fl. 16). Portanto, a quebra do Sigilo Fiscal do recorrente ocorreu por ordem judicial deferida nos autos do nº 004524-94.2014.4.01.4200, em 24 de setembro de 2014, pelo juiz federal Hélder Girão Barreto, em relação ao Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia, para o ano-base 2010, conforme item 13 do Termo de Verificação Fiscal (fl. 16). Desse modo, determinada a quebra do sigilo bancário por decisão judicial, resta prejudicada a alegação de nulidade da autuação em face da – suposta – violação do sigilo, de modo que restam afastadas as alegações tecidas pelo recorrente. Por fim, no que tange a alegação de inconstitucionalidade do artigo 6º da LC 105/2001, aplica-se aqui a Súmula CARF n.º 02, sendo impossível a este julgador afastar a aplicação de dispositivo legal a pretexto de ser inconstitucional. Omissão de rendimentos – depósitos bancários de origem não comprovada Nos casos de lançamento por presunção legal, previstos no 42 da Lei 9.430/1996, cabe ao contribuinte demonstrar de forma cabal através de documentação idônea a origem dos recursos. Assim, basta à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência do fato que gerou a presunção legal, invertendo-se o ônus probatório. Neste sentido, cabe citar a Súmula nº 26 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Fl. 446DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 8 Analisando a documentação presente nos autos, constata-se que durante o procedimento fiscal foi dada oportunidade ao contribuinte no sentido de apresentar as explicações e comprovações para os valores depositados. Em nenhuma fase do Processo Administrativo Fiscal o Recorrente apresentou documentos comprobatórios da origem dos depósitos bancários. A justificativa apresentada pelo contribuinte desprovida de elemento probatório que a corrobore não pode ser oposta ao fisco para elidir a presunção legal de omissão de rendimentos. Caberia ao Recorrente demonstrar de forma individual as origens de todos os depósitos, apresentando a documentação comprobatória. Não sendo juntados aos autos tal documentação, não há como aferir a validade dos argumentos apresentados na peça recursal. Da Multa de Ofício Agravada O recorrente se insurge em face da aplicação da multa de ofício com agravamento de 50%, totalizando 112,5%, aduzindo que a multa aplicada tem caráter confiscatório. Em que pese os argumentos expostos, não assiste razão ao recorrente. O artigo 44 da Lei nº 9.430 traz as hipóteses de aplicação da multa, nos casos de lançamento de ofício, bem como define seus respectivos percentuais, senão vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) Os §§1º e 2º do referido dispositivo legal preconizam as hipóteses de agravamento da multa de ofício, e definem seus respectivos percentuais: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. Fl. 447DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 9 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. A multa de ofício foi agravada em 50% (cinquenta por cento), totalizando 112,5%, apenas e tão somente em relação à infração omissão de rendimentos recebimentos de pessoas jurídicas, diante da ausência reiterada de atendimento às intimações expedidas pela fiscalização, “que demonstram um verdadeiro descaso do contribuinte com a Fiscalização, os pedidos de prazos desarrazoados, prestação de informações genéricas, desacompanhadas de documentos, levando a necessidade de se promover diligências junto a terceiros, em busca da verdade material, retardando a conclusão do procedimento fiscal”. Conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal – TVF (fls. 18) o recorrente foi intimado, em mais de uma ocasião, para prestar esclarecimentos acerca da atividade desenvolvida – uma vez que apresentou Notas Fiscais de Produtor Rural, com a descrição dos produtos fornecidos contendo apenas a informação VALE ALIMENTAÇÃO / VALE SOLIDÁRIO, que obviamente não são produtos rurais, mas, até o final da fiscalização, não houve o atendimento das intimações. Por conseguinte, considerando a não apresentação dos arquivos digitais, bem como os esclarecimentos solicitados, além dos pedidos desarrazoados e sem quaisquer justificativas plausíveis para dilação de prazo para atendimento das intimações, houve a aplicação da penalidade do agravamento em 50% da multa de 75% do lançamento de ofício, apenas em relação à infração omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, totalizando a multa agravada em 112,5%, na forma do artigo 44, §2º da Lei nº 9.430/1966. No que diz respeito aos argumentos acerca do caráter confiscatório da multa aplicada e da violação aos princípios constitucionais e legais é de se salientar que a instância administrativa não é fórum adequado a estas discussões, devendo a Administração cumprir a lei, sob pena de responsabilidade funcional, restando impossível o acolhimento da tese de que a multa, no caso, teria sido excessiva, tendo sido esta lançada de acordo com a legislação aplicável. Diante disso, uma vez demonstrada nos autos a atitude reiterada de omissão do contribuinte em não atender as solicitações do fisco, é motivo suficiente a ensejar a aplicação da multa agravada prevista no artigo 44, § 2º, inciso I da Lei nº 9.430 de 1996. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 448DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.093 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10245.721057/2015-11 10 Assinado Digitalmente Luana Esteves Freitas Fl. 449DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10983372 #
Numero do processo: 10880.916041/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2025
Numero da decisão: 3101-000.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relator Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-07-30T18:27:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-07-30T18:27:29Z; Last-Modified: 2025-07-30T18:27:29Z; dcterms:modified: 2025-07-30T18:27:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-07-30T18:27:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-07-30T18:27:29Z; meta:save-date: 2025-07-30T18:27:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-07-30T18:27:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-07-30T18:27:29Z; created: 2025-07-30T18:27:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2025-07-30T18:27:29Z; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-07-30T18:27:29Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10880.916041/2013-38 RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 24 de junho de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relator Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Em defesa da economia processual, adoto o relatório do Acórdão Recorrido para retratar os fatos desencadeados no litígio, a seguir reproduzido: Trata-se do Pedido de Ressarcimento nº 13217.24056.030611.1.1.09-8525 (fls. 499/508), no valor de R$ 2.488.003,73, referente a créditos na apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), auferidos no 4º trimestre de 2010, vinculados a receitas de exportação. A esse crédito a contribuinte vinculou Declarações de Compensação. Fl. 779DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 2 A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – Derat-SP, por meio do despacho decisório de fl. 527, e com base na Informação Fiscal de fls. 509/526, deferiu em parte o pedido de ressarcimento, no montante de R$ 2.324.536,22, e em consequência homologou parcialmente a compensação declarada no PER/Dcomp 28602.30974.290212.1.3.09-0276 e não homologou a compensação declarada no PER/Dcomp nº 13217.24056.030611.1.1.09-8525. Na citada Informação Fiscal o auditor fiscal assim descreveu as análises efetuadas: BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (...) 16. De acordo com a descrição do processo produtivo apresentado pelo contribuinte, onde relata os principais bens utilizados na produção do suco de laranja, observamos existirem bens aplicados na produção que, apesar de fazerem parte do seu custo, não se enquadram no conceito de insumo previsto no art. 66, § 5°, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 247/2002 e art. 8°, § 4°, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 404/2004, por não exercerem ação direta sobre o produto fabricado. Listamos os principais abaixo: “- Quaternário de Amônia (Higienização dos caminhões); - Solução de Soda Cáustica (Limpeza da área, linhas e equipamentos); - Solução Alcalina (Limpeza de pisos e paredes); - Graxa Food Grade (Eixos); - Gás GLP (Empilhadeiras); - Solução Ácida C500 (Limpeza dos Evaporadores) - Ácidos; - Bases; - Vidrarias; - Reagentes químicos diversos; - Bagaço de Cana (Geração vapor e energia elétrica); - Óleo Combustível (Geração vapor); - Lenha; - Solução Alcoólica - Propileno Glicol - Amônia; - Cal Virgem Micropulverizada (Correção de pH); - Nitrofos” (...) Fl. 780DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 3 23. Neste pleito, observa-se que na aquisição dos produtos identificados nas planilhas intituladas “Alíquota Zero”, anexas a este processo eletrônico, não houve pagamento da Contribuição do PIS nem da Cofins, pois tais produtos estão sujeitos à alíquota zero em toda a cadeia econômica, consequentemente, essa operação não gera direito ao crédito das contribuições em exame por pessoa jurídica sujeita ao regime não cumulativo das contribuições; ou seja, não existe crédito a ser mantido na cadeia produtiva. ENERGIA ELÉTRICA 24. Extraímos dos arquivos magnéticos de notas fiscais da IN SRF 86/2001 os valores mensais das faturas de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da empresa e encontramos no mês de dezembro de 2010 um valor inferior ao informado no respectivo DACON. Assim sendo, consideramos como passível de crédito o montante existente nos arquivos magnéticos, cujos totais se encontra anexo a este processo pela planilha “ENERGIA ELÉTRICA” ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (...) 26. Na sistemática da não cumulatividade, podem ser descontados créditos em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos, desde que utilizados nas atividades da empresa. 27. Na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte confirmamos que os montantes informados na rubrica dos DACONs tiveram como base os saldos mensais das contas contábeis “48102008 Aluguel de Equipamentos” e “48121003 Alug. de Equipamentos”. Porém, analisando-se o Livro Razão, identificamos despesas escrituradas nessas contas cuja natureza da despesa descrita impossibilita o enquadramento como aluguéis de máquinas e equipamentos, os quais transcrevemos os principais abaixo “ - SERVICO DE INSTALACAO E MONTAGEM; - SERVICO DEDETIZACAO; - SERVICO FOTOCOPIA; - SERVICO LOCACAO BEM IMOVEL; - SERVICO LOCACAO BEM MOVEL; - SERVICO LOCACAO BEM MOVEL DESPESA;” 28. Anexamos a este processo sob o título de “ALUGUÉIS MÁQ E EQPTO - RAZÃO GLOSA” os valores das glosas mensais extraídos do Livro Razão. ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA Fl. 781DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 4 29. Com o advento da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que criou o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), o legislador, além de permitir a apuração de créditos calculados sobre o valor dos bens adquiridos para revenda e dos bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, passou a admitir também o aproveitamento de créditos sobre o valor do gasto efetuado com a armazenagem de mercadoria e frete, na operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece em seu art. 3º, caput, e incisos I, II e IX, que assim dispõem: (...)31. Assim sendo, chega-se à conclusão de que o dispositivo legal permite apenas o crédito em relação as despesas realizadas com armazenagem e frete na operação de venda, com a finalidade de colocar referidos bens mais próximos de seus clientes (compradores). Identificamos na memória de cálculo apresentada pelo contribuinte despesas de fretes com materiais de uso e consumo interno da empresa no mês de outubro de 2010, sobre cujo montante efetuamos a glosa devida (anexo a este processo sob o título de “FRETES - GLOSA”), por falta de previsão legal. Quanto ao mês de novembro de 2010, contatamos uma diferença de R$ 916,02 entre a memória de cálculo e o valor informado na rubrica do DACON ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO 32. O inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.833 de 2003 e 10.637 de 2002 autorizam à pessoa jurídica sujeita à apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS pelo regime não-cumulativo, que constituam crédito sobre a depreciação ou amortização de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços. Vê-se que a aquisição de bens para o ativo imobilizado, por si só, não gera o direito ao crédito de PIS/PASEP e COFINS. O que possibilita a tomada de créditos é a depreciação ou a amortização desses bens incorrida no mês (§ 1º inciso III do art. 3º das Leis 10.833 de 2003 e 10637 de 2002) e utilizados nas atividades de fabricação de produtos destinados à venda (indústria), na prestação de serviços, e na locação de bens a terceiros. (...) 33. De acordo com a memória de cálculo apresentada pelo contribuinte, identificamos que parte dos montantes informados na rubrica dos DACONs não são encargos de depreciação sobre bens do ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda, mas sim sobre móveis, utensílios Fl. 782DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 5 e computadores, sobre os quais aplicamos as glosas precisas, anexas a este processo com o nome de “DEPRECIAÇÃO –RAZÃO - GLOSA”. DEVOLUÇÕES DE VENDAS 34. A apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quando este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno tributado, como se depreende do art. 3° da Lei 10.833/2003: (...) 35. Para que o contribuinte possa se creditar desta devolução, os seguintes requisitos devem ser atendidos: a) que seja uma devolução de venda; b) que a venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, tendo sido tributada conforme disposto na Lei respectiva contribuição. 36. Como decorrência, esse crédito deve ser tratado a parte já que deve existir uma relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de crédito em mesmo montante e tipo no caso de eventual devolução desta venda. Não há, portanto, que se falar em rateio proporcional nesta rubrica. 37. Verificamos que o contribuinte distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo, incorretamente. 38. Para verificarmos a correção dos valores, segregamos dos arquivos magnéticos de notas fiscais da IN SRF 86/2001 somente as devoluções de vendas ocorridas no mercado interno (vide anexos a este processo sob o título de “DEVOLUÇÕES DE VENDAS”) e em seguida aplicamos sobre os montantes calculados o percentual de rateio proporcional apenas das receitas do mercado interno tributadas. CRÉDITO PRESUMIDO DESCONTOS (...) 51. Pelas análises efetuadas concluímos que estão corretos os cálculos do contribuinte, que utiliza saldos suficientes de crédito presumido de períodos anteriores. CONCLUSÃO (...) 53. Considerando todo o exposto e tudo mais que no processo consta, proponho o DEFERIMENTO PARCIAL do Pedido de Ressarcimento constante do PER/DCOMP nº 13217.24056.030611.1.1.09-8525, de LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S/A, CNPJ 00.831.373/0001-04, referente Fl. 783DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 6 ao saldo credor da COFINS INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA do 4° TRIMESTRE DE 2010, vinculado às receitas de exportação, no valor de R$ 2.324.536,22. Cientificada do despacho decisório em 11/09/2013 (fl. 529), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 11/10/2013 (fls. 532/541), na qual, em relação à glosa de créditos utilizados como insumos alega que: auditor fiscal parte da premissa de que o direito ao desconto dos créditos está adstrito à aplicação dos bens em contato direto com os produtos resultantes do processo produtivo; Alcalina são utilizados para garantir estado de sanitização apropriado aos silos onde são armazenadas as frutas (laranja e limão) recebidas na fábrica. Após procedimentos de análise e da variedade das frutas, estas são enviadas para os silos, onde são utilizados os produtos acima referidos, para adequado armazenamento. Esse procedimento garante que as frutas armazenadas permaneçam em condições apropriadas para posterior industrialização; essenciais à cogeração de energia. Por meio da queima desses produtos em caldeiras, ocorre a geração de vapor superaquecido que é enviado para uma turbina que aciona o gerador de energia, que é distribuída para a fábrica. Após o acionamento da turbina o mesmo vapor também é utilizado nos controles térmicos da fábrica. No mesmo sentido, o óleo combustível e a lenha são utilizados na geração de energia; ligados à etapa de resfriamento do suco produzido, bem como ao resfriamento das câmaras frigoríficas (tank farm e tambores). Essa fase é essencial para que o produto final esteja em condições hábeis de apresentação; tambores onde o suco é acondicionado, para posterior comercialização; tem restringido indevidamente o rol de insumos para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins no regime não cumulativo. Bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviço são todos aqueles bens e serviços essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa, devendo ser entendidos todos os custos diretos ou indiretos incorridos para a produção de bens e serviços de produção, abrangendo também outras despesas consideradas como essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa; administrativo nº 11020.001952/2006-22 pelo alargamento do conceito de Fl. 784DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 7 insumo que gera direito a créditos de PIS/Pasep e Cofins no regime não cumulativo; Quanto à energia elétrica do período de apuração dezembro/2010, a interessada alega que o auditor fiscal não considerou todas as notas fiscais de aquisição, como, por exemplo, a nota fiscal nº 483 do fornecedor Ombriras Energet, registrada sob o CNPJ 00.831.373/002-95. Em relação ao aluguel de máquinas e equipamentos e ao rateio das receitas ela disse que apresentaria, no prazo de trinta dias, memórias de cálculo das diferenças, tendo em vista a dificuldade encontrada para identificar nos autos as planilhas elaboradas pelo auditor fiscal. A interessada termina sua manifestação de inconformidade requerendo, se não acolhidas suas alegações, a realização de diligência com vistas à correta aferição do crédito pleiteado Em 04/02/2014, a contribuinte apresentou complementação a sua manifestação de inconformidade (fls. 582/593), na qual, além de ratificar as alegações de sua manifestação original, alega em relação à glosa de crédito referentes a insumos que: crédito da Cofins estão relacionados intrinsecamente com seu processo produtivo. Não é preciso grandes debates para se verificar que, por exemplo, a solução de soda cáustica é utilizada na sanitização dos silos para garantir o adequado armazenamento das frutas adquiridas, as quais são utilizadas em seu processo produtivo; esse raciocínio vale para todos os bens adquiridos no período em questão, que foram e sempre serão utilizados no processo produtivo, ensejando, assim, o direito de considerar os respectivos custos na base de cálculo dos créditos da Cofins não cumulativa; a fiscalização promoveu a glosa indevida de créditos por levar em conta conceitos de insumos extraídos da legislação do IPI, assim como das Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, ao desconsiderar, da base de cálculo, os montantes de R$ 1.357.486,95 no mês de outubro e R$ 410.235,17 no mês de dezembro/2010, o que, evidentemente, deve ser revisto, conforme orientação que vem sendo adotada pelo Carf, mediante diligência fiscal, a qual se prestará a rever, inclusive e se for o caso, o processo produtivo da requerente e a relação direta dos bens em questão dentro da sua cadeia de produção. No que tange aos créditos de aquisição de energia elétrica no período de apuração dezembro/2010, a manifestante alega que: fiscais a esse título, tal como, por exemplo, a nota fiscal de aquisição de energia elétrica nº 483 (CFOP 2.252) do fornecedor Ombreiras Energética S.A, anexada Fl. 785DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 8 aos autos. Veja-se que essa nota fiscal foi emitida pelo fornecedor dentro do mês de novembro/2010, mas foi lançada dentro do mês de dezembro/2010; como premissa o mês de emissão da nota fiscal, o que não corresponde, necessariamente, ao mês do lançamento fiscal e contábil da referida despesa. Tal fato não impede que a despesa em comento seja utilizada na apuração de créditos em dezembro/2010, pois, além de se tratar de mero dever instrumental, este não interfere em nada no reconhecimento do crédito seja em novembro, seja em dezembro; Cofins devem ser apurados observando-se as despesas incorridas no mês – o que, de plano, demonstra a correção no lançamento no Dacon no mês de assunção da despesa (dezembro de 2010) por mais que a respectiva nota fiscal tenha sido emitida no mês anterior – os referidos créditos não aproveitados em um mês, podem sê-lo nos meses subsequentes, ficando, também por isso, comprovado que não será a divergência entre o mês de emissão da nota fiscal e o mês de lançamento da respectiva despesa no Dacon que impedirá o desconto de crédito; a conversão do julgamento do presente processo em diligência, para que se analisem os créditos aqui pleiteados de acordo com a metodologia adotada pela contribuinte, qual seja, apuração com base no mês em que a respectiva despesa foi incorrida e assumida. Quanto às glosas referentes às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, a manifestante alega que não encontrou a planilha que teria sido elaborada pelo auditor fiscal, que, se existente, denotaria os motivos que levaram à desconsideração de parte dessas despesas da base de cálculo dos créditos da Cofins, motivo pelo qual, segundo ela, mais uma vez, ficaria demonstrada a necessidade da conversão do julgamento em diligência, em prestígio aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Ela afirma ainda que, da forma como está lançada a argumentação do auditor fiscal, torna-se impossível oferecer sua defesa em face da referida glosa. A manifestante alega ainda que o procedimento administrativo está pautado pela busca da verdade material e, no caso concreto, para que referido direito seja levado a efeito, devem ser afastadas supostas e alegadas divergências formais/procedimentais, especialmente porque está cabalmente comprovada, por exemplo, a despesa incorrida com energia elétrica, necessária ao seu processo produtivo, como demonstra a nota fiscal e planilha relativas aos lançamentos no Dacon do período em questão. Diz também que para esse direito ser levado a efeito, o auditor fiscal deve proceder à revisão de toda a documentação fiscal dela, inclusive referente a todos os insumos/serviços considerados na apuração do crédito, que são úteis e relacionados a seu processo produtivo. Com isso, reitera seu pleito de que o julgamento seja convertido em diligência. Fl. 786DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 9 Ao final, a contribuinte, além de reiterar mais uma vez o pedido de diligência, requer que seja considerada totalmente procedente sua manifestação de inconformidade, solicitando ainda que, por economia processual, este processo seja analisado em conjunto com o de nº 10880.916040/2013-93, no qual foi pleiteado ressarcimento de PIS/Pasep não cumulativo exportação, tendo em vista que se refere ao mesmo período e estão presentes as mesmas questões de direito e de fato. Conforme despacho anexado às fls. 666/667, o presente processo administrativo foi, em 15/07/2016, baixado em diligência, para que o auditor fiscal fornecesse à contribuinte as planilhas que contemplavam os valores glosados relativos às despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos. Ao final da diligência, o auditor fiscal, no despacho juntado à fl. 681, informa: 2. Inicialmente anexamos as planilhas fornecidas pelo contribuinte contendo a composição dos valores das bases de cálculos mensais informadas nas fichas 06A e 16A dos DACONs do 4° trimestre de 2010: a) Outubro/2010, fls. 668/671; b) Novembro/2010, fls. 673/675; c) Dezembro/2010, fls. 677/679. 3. Em seguida anexamos as planilhas contendo as glosas aplicadas por esta fiscalização, extraídas das planilhas fornecidas pelo contribuinte (item 2): a) Outubro/2010, fl. 672; b) Novembro/2010, fl. 676; c) Dezembro/2010, fl. 680 Cientificada do resultado da diligência em 02/08/2016 (fl. 683), a contribuinte apresentou, em 29/08/2013 (fl. 685), a manifestação de fls. 686/689, na qual alega: 5. Ao efetuar a diligência requisitada pela DRJ, a equipe de fiscalização, apresentou seu despacho de diligência, fls. 681, por meio do qual informou às fls. em que se verificam as citadas planilhas. 6. Nesse sentido, a despeito da apresentação da relação sobre onde se deu a glosa dos valores, também não se verifica qualquer disposição sobre os motivos que levaram a d. fiscalização a tal conclusão. 7. Segundo se verifica dos valores em que se deram as glosas, além de constar outros elementos que não apenas locações de máquinas e equipamentos (serviços prestados por pessoa jurídica, locação de bem imóvel e outros), o que já demonstra, de início, parcial erro da d. Fl. 787DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 10 fiscalização, constam também despesas como locação de equipamentos de informática e locação de bem móvel, os quais são necessários no processo industrial da Recorrente. 8. Vejam, a locação de bem imóvel é necessária ao regular funcionamento do processo industrial da Recorrente visto que, sem referido bem, não teria as instalações necessárias para o desenvolvimento de seus processos fabris. No mesmo sentido se verifica na prestação de serviços realizada por pessoa jurídica terceira. 9. A legislação autorizativa da tomada de créditos em ponto algum veda a possibilidade de creditamento de despesas com prestação de serviços realizados por outra pessoa jurídica. 10. Desta forma, tendo entendido a D. fiscalização que tal despesa deve ser glosada deveria, ao menos, expor as razões que motivaram a tanto, situação não verificada in caso. 11. Com isso, inexistem razões para a glosa de tais valores, assim como, pela ausência de motivação na decisão, o cerceamento de defesa da Recorrente ainda é manifesto. 12. Assim, nesse tocante, inexistem razões para a glosa de tais valores, razão pela qual a Recorrente reitera suas razões de inconformismo. 13. De igual modo, a locação de equipamentos de informática e locação de bens móveis são despesas integralmente necessárias ao processo industrial da Recorrente. Por oportuno, vale reiterar que o processo industrial da Recorrente é quase que integralmente automatizado, se valendo de máquinas e equipamentos computadorizados para a produção de cítricos. 14. Com isso, por certo que a locação de equipamentos de informática, no que correspondente a atividade da Recorrente, implica apontar que, em verdade, se equipara a locação de máquinas do seu pátio industrial já que, sem o auxilio da informática, a industrialização da Recorrente é inerte. 15. Assim, tal como tratado com relação a despesas com prestação de serviços por terceiros e com locação de bem imóvel, a glosa de valores relativos a locação de bens móveis e equipamentos de informática também é infundada. 16. A D. Fiscalização justifica de maneira estritamente subjetiva resolve promover glosas nos valores passíveis de creditamento e se omite com relação aos motivos que a fizeram concluir pela glosa. 17. Assim, novamente, não se verificam razões que demonstrem os motivos para glosa de tais valores, razão pela qual a Recorrente reitera suas alegações expostas em sede de Manifestação de Inconformidade. 18. Desta forma, em relação às glosas mantidas pela equipe de fiscalização, a Recorrente reitera todos os argumentos de defesa apresentados em sua Fl. 788DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 11 manifestação de inconformidade e demais manifestações apresentadas, requerendo, novamente, que esta DRJ reforme a conclusão fiscal alcançada no sentido de ver reconhecida a integralidade do crédito requerido pela Recorrente. Travada a lide sobre o conceito de insumos e sua implicação na atividade operacional da recorrente, restou decidido pelo juízo a quo a improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela ora recorrente sendo mantidas as glosas atinentes aos insumos sem comprovação da essencialidade e/ou relevância, decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 INSUMO. CONCEITO. Insumo é a matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e qualquer outro bem adquirido de terceiros, não contabilizado no ativo imobilizado, que sofra alteração em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou então seja aplicado ou consumido na prestação de serviços. Consideram-se insumo também os serviços prestados por terceiros aplicados na produção do produto ou prestação de serviço. CRÉDITO. ALUGUEL DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. ATIVIDADE DA EMPRESA. Gera direito a crédito na apuração da Cofins não cumulativa o aluguel de máquinas e equipamentos, desde que estes sejam utilizados nas atividades da empresa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado em pedido de ressarcimento é da contribuinte. Não sendo essa prova produzida nos autos, indefere-se o pedido e não se homologa a compensação a ele vinculada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A matéria submetida a este juízo, mediante recurso voluntário, possui relação com os seguintes temas: II – DO DIREITO II.1 – DOS BENS UTILIZADOS COMO INSUMO II.2 - DA EXCLUSÃO DE VALORES REFERENTES A DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA II.3 - DA EXCLUSÃO DE VALORES REFERENTES A DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS A recorrente encerra sua peça recursal requerendo: Fl. 789DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 12 III – DO PEDIDO Ante ao exposto, a Recorrente requer sejam conhecidas as razões recursais e providas, em sua integralidade, para reformar o Acórdão 16-76.499 ora recorrido, para o fim de reconstituição do crédito passível de ressarcimento, no valor total pleiteado de R$ R$ 2.488.003,73 (dois milhões, quatrocentos e oitenta e oito mil e três reais e setenta e três centavos). Posteriormente, a recorrente atravessou petição complementar ao recurso voluntário trazendo esclarecimentos acerca das despesas contraídas com aluguéis de máquinas e equipamentos. É o relatório. VOTO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. Cumpridos os requisitos formais necessários de validade do recurso voluntário interposto pela recorrente, decido pelo seu conhecimento e processamento. Antes de enfrentar qualquer glosa incorrida no procedimento fiscal, de já, entendo que o processo não está maduro para julgamento. Consoante narrado, a recorrente que atua no ramo da agroindústria, formalizou pedido de ressarcimento do crédito de COFINS não-cumulativo, concernente ao 1º trimestre de 2018, cumulativamente transmitiu declaração de compensação. Os créditos têm como origem os custos e despesas incorridos sobre bens para revenda; bens e serviços utilizados como insumos; aluguéis de máquinas e equipamentos; armazenagem e fretes sobre vendas; devolução de vendas; energia elétrica; dentre outros. Os motivos que embasam o indeferimento de parcela do crédito da contribuição pela fiscalização estão firmados na IN SRF nº 247/2002 e IN RFB nº 404/2004, ao depois, corroborados pelo juízo a quo. Pautada no posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no bojo do REsp nº 1.221.170/PR, julgado na sistemática dos Recursos Repetitivos (alínea ‘b’, inciso II do art. 98 e art. 99, ambos da Portaria MF nº 1.634/2023), posteriormente objeto do Parecer Normativo COSIT/RFB Nº 05/2018, consolidado pela IN RFB nº 2.121/2022, não há espaço para discussões em torno das condições para fruição do crédito das contribuições sobre o PIS e a COFINS no regime não cumulativo; em consequência, pertinente a irresignação da recorrente. Às disposições abrigam como hipótese legal para dedução na base de cálculo das contribuições as despesas com bens e/ou serviços utilizados como insumos e que sejam essenciais ou relevantes ao processo produtivo ou fabricação do produto destinado à venda ou na prestação de serviços, igualmente aquelas impostas em lei ou ato infralegal. Fl. 790DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3101-000.540 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.916041/2013-38 13 Conclui-se assim que a essencialidade e/ou relevância do insumo será(ão) apreciada(s) pelo julgador caso a caso de acordo com a atividade desempenhada pelo contribuinte (objeto societário) bem como, a partir da demonstração do emprego ou consumo do insumo no processo produtivo ou na prestação dos serviços pelo contribuinte (etapas e nuances na cadeia produtiva a teor dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Além disso, em homenagem ao princípio da verdade material e para manter a coerência com o posicionamento que adoto nos processos nº 10880.916041/2013-38, 10880.916049/2013-13, 10880.916051/2013-73, 10880.916052/2013-18, 10880,916053/2013-62, 10880944857/2013-51, 10880.944858/2013-04 e 10880.944859/2013-41, entendo necessário converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem confirme a manutenção das glosas efetuadas com base na legislação em voga. Nesse sentido, decido pela conversão do julgamento em diligência para que à Unidade de Origem, com base no REsp nº 1.221.170/PR-RR e Parecer Normativo COSIT nº 05/2018, bem como na IN RFB nº 2.121/2022, tome as seguintes providências: (a) Informe se houve glosa de crédito extemporâneo, se sim, indique a origem, natureza, período se houve o aproveitamento em duplicidade e o cumprimento do prazo decadencial e; (b) Informe se os bens e serviços glosados pela autoridade fiscal são necessários ou essenciais ao processo produtivo da recorrente; (c) Sendo necessário, intime a recorrente intimada para prestar esclarecimentos adicionais e/ou documentação; (d) Ao final, seja elaborado relatório conclusivo de diligência, e nele seja indicado novo saldo passível de ressarcimento e as compensações homologadas, sendo o caso; e, (e) Dê-se ciência a recorrente do teor do referido relatório para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Com ou sem resposta, retornem os autos ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É como voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa Fl. 791DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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