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11241028 #
Numero do processo: 11128.732371/2013-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2008 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária.
Numero da decisão: 3401-014.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Regimes Aduaneiros Ano-calendário: 2008 DIREITO ADUANEIRO. MULTA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO ADUANEIRA DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI Nº 9.873/1999. TEMA REPETITIVO Nº 1.293 DO STJ. PARALISAÇÃO PROCESSUAL POR MAIS DE TRÊS ANOS. OCORRÊNCIA. A prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras de natureza não tributária que permaneçam paralisados por mais de três anos, conforme definido pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema Repetitivo nº 1.293. A natureza jurídica da multa imposta com fundamento no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/1966 é administrativa (não tributária), pois decorre de obrigação aduaneira vinculada ao controle do trânsito internacional de mercadorias, e não direta e imediatamente à arrecadação ou fiscalização tributária. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laércio Cruz Uliana Junior – Relator e Vice-presidente Fl. 224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.379 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.732371/2013-67 2 Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Paula Pedrosa Giglio, Laercio Cruz Uliana Junior, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de auto de infração de multa prevista no art. 107, IV, e, do Decreto-Lei nº 37/1966. Foi apresentado o recurso voluntário pela contribuinte tempestivamente, repisando os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior, Relator. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu, sob o rito dos recursos repetitivos (Tema n. 1293), que a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.873/1999 incide nos processos administrativos de apuração de infrações aduaneiras que permaneçam paralisados por mais de três anos: A Primeira Seção, por unanimidade, deu provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Foram aprovadas, por unanimidade, as seguintes teses, no tema repetitivo 1293: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.379 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.732371/2013-67 3 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Fato inconteste que da decisão proferida fez distinção da natureza das infrações aduaneiras para as tributárias, nesse aspecto já me posicionei anteriormente: No entanto, é mais adequado deixar de lado a classificação principal ou acessória, posto que a natureza jurídica da obrigação aduaneira sempre estará vinculada ao bem jurídico protegido pelo Direito Aduaneiro, ou seja, o controle aduaneiro. Por conseguinte, toda obrigação aduaneira é acessória e essencial à efetivação do controle previsto no art. 237 da Constituição Federal, não se confundindo, pois, com a obrigação tributária, a qual está vinculada à arrecadação do tributo, esta sim classificada como principal ou acessória. Conclui-se, assim, que o ponto chave para diferenciar as obrigações está na motivação de sua criação. Enquanto as obrigações acessórias são instituídas com a finalidade de arrecadação e fiscalização dos tributos, as aduaneiras têm sua criação ligada às medidas de controle das operações de comércio exterior, não vinculados a fins tributários. Ao adentrar no regime jurídico da infração aduaneira, é imprescindível analisar, novamente, a Convenção de Quioto Revisada, a qual, em seu anexo H.2, definiu Infrações Aduaneiras como qualquer violação ou tentativa de violação da legislação aduaneira. Além disso, infração aduaneira caracteriza-se, também, por qualquer oposição ou obstrução à estância aduaneira em cumprimento das medidas de controle necessárias, bem como a apresentação às autoridades aduaneiras de faturas ou outros documentos falsos. (...) Primeiramente, é fundamental a compreensão da natureza das obrigações aduaneiras: que são sempre aduaneiras, mas podem ser integradas pela relação administrativa, tributária, penal. Assim, se a relação for aduaneira-tributária, a obrigação principal figurará no pagamento de tributo ou de multa pecuniária e/ou a obrigação acessória versará sobre a prestação de interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos (...) Outra conceituação falha, visto que todas as obrigações aduaneiras também possuem natureza administrativa, mas que foi consolidada pelo legislador quando definiu a denúncia espontânea em matéria aduaneira. Assim, as obrigações que Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.379 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11128.732371/2013-67 4 surgem a partir de uma relação aduaneira-tributária possuem natureza tributária e as obrigações que surgem de uma relação aduaneira não tributária possuem natureza administrativa.1 Nesse sentido, é fato que o presente caso trata de multa de natureza administrativa decorrente do art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei nº 37/1966. Assim, considerando que o feito permaneceu paralisado por mais de 3 (três) anos entre o protocolo da impugnação e o acórdão da DRJ, deve ser reconhecida a prescrição intercorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR 1 ULIANA JUNIOR, Laércio Cruz. Sanções aduaneiras decorrentes da importação de mercadoria e a proteção ao direito fundamental a livre-iniciativa: uma perspectiva da Análise Econômica do Direito. https://www.unibrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Dissertac%CC%A7a%CC%83o- LA%C3%89RCIO-CRUZ-ULIANA-JUNIOR.pdf Fl. 227DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto CONCLUSão

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11234631 #
Numero do processo: 13971.902634/2018-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2026
Numero da decisão: 3102-000.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à unidade de origem, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Lazaro Antônio Souza Soares (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lazaro Antônio Souza Soares.
Nome do relator: Joana Maria de Oliveira Guimarães

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Conversão do Julgamento em Diligência RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à unidade de origem, nos termos do voto da relatora. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Joana Maria de Oliveira Guimarães, Lazaro Antônio Souza Soares (substituto[a] integral), Sabrina Coutinho Barbosa, Wilson Antônio de Souza Correa, Pedro Sousa Bispo (Presidente) Ausente(s) o conselheiro(a) Jorge Luis Cabral, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Lazaro Antônio Souza Soares. RELATÓRIO Fl. 3455DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão proferido pela DRJ: Trata o presente processo de “PER/DCOMP com demonstrativo de crédito” nº 11872.41598.230318.1.5.17-4291 (retificador), transmitido em 23/03/2018, por meio do qual a contribuinte acima identificada pleiteia o ressarcimento do crédito de R$ 369.668,03, originado do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (REINTEGRA), referente ao 2º Trimestre de 2017. Conforme Despacho Decisório (DD) nº 133002038, o pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente, com o reconhecimento do crédito no valor de R$ 152.640,86. O crédito reconhecido foi utilizado para homologar parcialmente a compensação declarada no(s) DCOMP nº(s)37673.80894.210917.1.3.17-7789. O detalhamento das parcelas confirmadas encontra-se no anexo Despacho Decisório -Análise do Crédito, de acordo com o qual, a partir da análise das informações prestadas no Pedido de Ressarcimento e daquelas constantes da base de dados da Secretaria da Receita Federal, foram apuradas as inconsistências a seguir relacionadas, que motivaram o deferimento parcial do pleito da contribuinte: - Declaração de Exportação não confirmada ou cancelada - Nota Fiscal não relacionada à DE - Exportação direta - Registro de Exportação não vinculado à Declaração de Exportação - Nota Fiscal não confirmada - Produto informado não está discriminado em Nota Fiscal válida Cientificada do DD em 17/05/2018, a interessada apresentou manifestação de inconformidade 15/06/2018, instruída com documentos comprobatórios, na qual alega: Com relação às nas Notas Fiscais (NF) 93310 e 93311, esclarece que de fato foi informada na PER/DCOMP uma Declaração de Exportação (DE) que foi cancelada, sendo correta a DE de n° 2175673381/3 (Doc. 04). Com relação à nota fiscal 95397, alega que se trata de exportação por meio de Declaração Simplificada de Exportação – DSE, e neste caso também foi informada a DSE cancelada, sendo a correta de n° 2170126282/4 (Doc. 05). Quanto à NF n° 95440, foi indeferido pelo fato de ela não estar relacionada no campo específico nas Declarações de Exportação vinculadas no PER/DCOMP representativas de operação de exportação direta correspondentes aos produtos exportados. Neste caso também houve um equívoco no preenchimento da PER/DCOMP e o número correto da Declaração de exportação é o 2170440118/6 e do Registro de Exportação é o 17/1030256-001, conforme documentação anexa (Doc. 06). Fl. 3456DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 3 Quanto ao indeferimento do crédito referente às notas fiscais n° 90548, 90745, 91348, 91350, 92073, 93307, 93316, 93317, 93318, 93319, 93320 e 94264 sob o argumento de que o Registro de Exportação informado no PER/DCOMP não está vinculado à Declaração de Exportação indicada, também houve erros de digitação ao preencher a PER/DCOMP. Que na nota fiscal n° 90548 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto (2175451569/0) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0549890-001 (foi informado o 17/0459890-001, invertendo o 4 pelo 5), conforme documentação anexa (Doc. 07). Na nota fiscal n° 90745 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto(2175482492/7) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0631466-001 (foi informado o 17/0631566-001, trocando o 4 pelo 5), conforme documentação anexa (Doc. 08). Na nota fiscal n° 91348 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto(2175510494/4) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0708605-001 (foi informado o 17/0718605-001, trocando o 0 pelo 1), conforme documentação anexa (Doc. 09). Na nota fiscal n° 91350 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto(2175493505/2) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0665627-001 (foi informado o 17/0655327-001, trocando o 656 pelo 553), conforme documentação anexa (Doc. 10). Na nota fiscal n° 92073 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto(2175496334/0) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0671819-001 (foi informado o 17/0671519-001, trocando o 8 pelo 5), conforme documentação anexa (Doc. 11). Na nota fiscal n° 93307 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto(2170420804/1) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0981848-001 (foi informado o 17/0981484-001, trocando o 848 pelo 484), conforme documentação anexa (Doc. 12). Nas notas fiscais n° 93316, 93317, 93318, 93319 e 93320 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto (2175669505/9) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0992784-001 (foi informado o 17/0922784-001, trocando o 9 pelo 2), conforme documentação anexa(Doc. 13). Já na nota fiscal n° 94264 o número da Declaração de Exportação foi informado o correto(2175646229/1) mas o Registro de Exportação foi equivocado, já que o correto é 17/0958570-001 (foi informado o 17/1958570-001, trocando o 0 pelo 1), conforme documentação anexa (Doc. 14). Com relação ao indeferimento pelo fato de a nota fiscal não ter sido confirmada, houve um grande equívoco por parte do sistema da Manifestante que ao importar a chave de acesso da nota fiscal, importou um número errado. Anexa as notas Fl. 3457DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 4 fiscais corretas (Doc. 15), que podem ser facilmente comprovadas em nova análise. Assevera, ainda, que não procede a negativa de aproveitamento de créditos pelo fato de o produto informado não estar discriminado em nota fiscal válida, pois após todas as correções supra citadas não restará nenhuma nota fiscal inválida, de modo que todos os produtos estarão ancorados em notas fiscais válidas. Diz que para corrigir estas informações equivocadas, a Manifestante entende que antes de se prolatar o despacho decisório indeferindo parte dos créditos informados, e homologando parcialmente a compensação realizada, deveria lhe ser feito um comunicado informando as inconsistências, e lhe permitindo corrigi- las por meio de PER/DCOMP retificadora e que “ao se prolatar o despacho decisório, sem antes se oportunizar a correção da PER/DCOMP, faz com que o sistema não aceite uma correção, conforme tela em anexo (Doc. 16)”. Diz que anexa na presente manifestação PER/DCOMP retificadora que soluciona todas as inconsistências apontadas no despacho decisório (Doc. 17), corrigindo todos os erros na forma supra descrita, bastando que se determine que a Receita Federal faça o seu processamento para validar integralmente o crédito apontado na PER/DCOMP e homologar integralmente a compensação realizada. Ao final, requer “(...)seja revisto o despacho decisório, anulando-o de forma a permitir que a Manifestante protocole a PERDCOMP retificadora anexa à presente manifestação (Doc. 17), corrigindo todos os erros formais, que foram em sua maioria de digitação, ou por uma importação de informação incorreta do sistema da Manifestante, sendo que esta falha já foi detectada e devidamente corrigida. Alternativamente, requer-se que a seja determinado que os próprios auditores da Delegacia da Receita Federal em Blumenau façam o processamento da PERDCOMP retificadora ora apresentada para validar integralmente o crédito apontado na PERDCOMP e homologar integralmente a compensação realizada. Por fim, requer-se que esta autoridade julgadora analise toda a documentação anexada à presente manifestação, que comprova a existência integral do crédito pleiteado e que só houve meros erros formais no preenchimento da PERDCOMP, que não invalidam o crédito pleiteado, deferindo-se integralmente o pedido e a homologação integral da declaração de compensação”. A 14ª Turma da DRJ09 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 109-003.626. Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em breve síntese: Fl. 3458DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 5 - Ao pleitear a utilização de créditos do Reintegra por meio de PER/DCOMP para a compensação de outros tributos devidos à Receita Federal do Brasil, teve o seu pedido homologado parcialmente, sob o argumento de que parte do crédito pleiteado apresentou inconsistências. - A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, entendendo pela impossibilidade de retificação de PER/DCOMP após decisão administrativa, com base na IN 1300/2012. A Recorrente defende que deve prevalecer o princípio da verdade material. - Com relação ao indeferimento do crédito pelo fato de a declaração de exportação não ter sido confirmada, ou ter sido cancelada, nas notas fiscais 93310 e 93311, realmente foi informada na PERDCOMP que a Declaração de Exportação que foi cancelada. A Declaração de Exportação correta é a de n° 2175673381/3, conforme se comprovou nos autos. - Com relação à nota fiscal 95397 trata-se de exportação por meio de Declaração Simplificada de Exportação – DSE, e neste caso também foi informada a DSE cancelada, sendo a correta de n° 2170126282/4, anexada nos autos. - Em relação à nota fiscal nº 95440 também houve um equívoco no preenchimento da PERDCOMP, uma vez que o número correto da Declaração de exportação é o 2170440118/6 e do Registro de Exportação é o 17/1030256-001, conforme documentação anexada aos autos. - Quanto ao indeferimento do crédito referente às notas fiscais n° 90548, 90745, 91348, 91350, 92073, 93307, 93316, 93317, 93318, 93319, 93320 e 94264 sob o argumento de que o Registro de Exportação informado no PERDCOMP não está vinculado à Declaração de Exportação indicada, também houve erros de digitação ao preencher a PERDCOMP, conforme comprovado na documentação acostada aos autos. - Antes de se prolatar o despacho decisório indeferindo parte dos créditos informados, e homologando parcialmente a compensação realizada, a Recorrente deveria ter sido comunicada acerca das inconsistências, possibilitando a correção por meio de PERDCOMP retificadora, o que, apesar de ter sido alegado no acórdão recorrido que foi realizado, não há qualquer prova nos autos neste sentido. É o relatório. VOTO Conselheira Joana Maria de Oliveira Guimarães, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 3459DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 6 O acórdão recorrido sustenta a impossibilidade de retificação do pedido de ressarcimento após decisão administrativa, entendendo que “por força do disposto no art. 88 da IN SRF nº 1.300, de 2012, não pode ser aceito, em sede de contencioso administrativo, o pleito de reconhecimento do direito creditório com base na alegação de que o Pedido de Ressarcimento foi preenchido com erros e lapsos de preenchimento.” A Recorrente defende a observância do princípio da verdade material, tendo comprovado que “as inconsistências que geraram o indeferimento do crédito pleiteado decorreram de erros formais no preenchimento da PERDCOMP e que o direito ao crédito pleiteado existe.” A Recorrente, juntamente com a manifestação de inconformidade, colacionou aos autos uma vasta documentação visando comprovar que as inconsistências indicadas no Despacho Decisório decorrem de erros formais no preenchimento do PERDCOMP. A DRJ não analisou a documentação apresentada, por entender que com a emissão do Despacho Decisório, consolidou-se a situação fática apresentada pela contribuinte no PER/DCOMP, não sendo passível de alteração em sede de manifestação de inconformidade. Sustenta a “impossibilidade de retificação do pedido de ressarcimento após decisão administrativa, e com documento retificador que não tenha sido gerado pelo Programa PER/DCOMP, cujo exame cabe à autoridade da RFB que jurisdicione o contribuinte e não às Delegacias de Julgamento.” A meu ver, o erro formal no preenchimento do PERDCOMP não pode impedir o reconhecimento do crédito, quando constatado de forma incontroversa, em prestígio ao princípio da verdade material. Corroborando esse entendimento, há diversos precedentes do CARF: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 REINTEGRA. PER. ERRO FORMAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Pelo princípio da verdade material, o erro formal no preenchimento do pedido de ressarcimento não pode impedir o reconhecimento do seu direito ao crédito, quando incontroversa a sua existência. Recurso Voluntário conhecido e provido. (Processo nº 11020.912729/2012-51; Acórdão nº 3401-013.508; unanimidade; Relator Conselheiro George da Silva Santos; sessão de 19/09/2024) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 REINTEGRA. ERRO FORMAL NO PREENCHIMENTO DO PER. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Fl. 3460DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 7 Desde que comprovado o crédito de forma incontroversa, em respeito a legislação e ao princípio da verdade material, o erro formal no preenchimento do pedido não pode ser obstáculo para reconhecer o direito do contribuinte, uma vez que essa ocorrência não se enquadra nos casos vedados para ressarcimento e compensação previstos na legislação do Reintegra (Lei nº 13.043/2014, Decreto nº 8.415/2015, Instrução Normativa RFB nº 2.055/2021 e na Lei nº 9.430/1996). (Processo nº 16682.900721/2014-33; Acórdão nº 3302-014.070; unanimidade; Relator Conselheiro Flávio José Passos Coelho; sessão de 28/02/2024) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. VERDADE MATERIAL. PARECER NORMATIVO COSIT Nº 8, DE 2014. Em observância ao princípio da verdade material, o erro de fato no preenchimento de PER/DCOMP pode ser objeto de avaliação no curso do processo administrativo fiscal, de modo a permitir, nos moldes do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, a análise dos elementos de certeza e liquidez do crédito oposto à Fazenda Pública e a sua eventual suficiência para a homologação dos débitos declarados. (Processo nº 10920.900888/2013-87; Acórdão nº 3002-002.294; unanimidade; Relator Conselheiro Paulo Régis Verter; sessão de 21/07/2022) Sendo assim, necessário se faz analisar se, no caso concreto, o direito ao crédito resta comprovado pela Recorrente de forma incontroversa, inobstante o erro formal no preenchimento do PERDCOMP, de forma a ser possível superá-lo. Tendo em vista a vasta documentação trazida aos autos pela Recorrente, juntamente com a manifestação de inconformidade, visando comprovar que as inconsistências indicadas no Despacho Decisório decorrem de erros formais no preenchimento do PERDCOMP, reputo prudente - considerando que a verdade material deve ser buscada no processo administrativo fiscal, assim entendida como a busca efetiva da realidade dos fatos - a conversão do julgamento em diligência, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que se proceda à análise dos documentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, identificando se efetivamente se tratam de erros formais no preenchimento do PERDCOMP, de forma a se apurar a higidez (ou não) do crédito pleiteado pela Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, reputo prudente, com fulcro no princípio da verdade material e no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, converter o julgamento em diligência, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que se proceda à análise dos documentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, identificando se efetivamente se trata de erros formais no Fl. 3461DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O RESOLUÇÃO 3102-000.534 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.902634/2018-09 8 preenchimento do PERDCOMP, de forma a se apurar a higidez (ou não) do crédito pleiteado pela Recorrente, devendo ser elaborado relatório fiscal detalhado e conclusivo. Após cumpridas a providências indicadas, a Recorrente deverá ser cientificada dos resultados da diligência, para, assim o querendo, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, e, em sequência, deverão os presentes autos retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para prosseguimento do julgamento. É como voto. Assinado Digitalmente Joana Maria de Oliveira Guimarães Fl. 3462DF CARF MF Original Resolução Relatório Voto

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Numero do processo: 10805.912389/2021-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/05/2019 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. Não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido, em razão de suposta omissão, quando não violado o direito ao contraditório e a ampla defesa do contribuinte, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF). DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTFWEB. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o pagamento indicado na declaração de compensação (PER/DCOMP Web) como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, correta a não homologação diante da ausência de pagamento indevido. DCTFWEB. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXISTÊNCIA DE ERROS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora. A não apresentação de DCTFWeb retificadora para formalizar a existência do pagamento indevido, precedida, quando necessário, da apresentação de retificação da escrituração eSocial e EFD-Reinf, comprometem a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constituem óbice à homologação da compensação. Uma vez instaurado o contencioso administrativo, não poderá ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTFWeb Retificadora quando desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTFWeb anterior.
Numero da decisão: 2201-012.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201-012.556, de 23 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10805.912403/2021-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA. Não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido, em razão de suposta omissão, quando não violado o direito ao contraditório e a ampla defesa do contribuinte, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/1972. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. (Tema 339 – STF). DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito declarado pelo próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Fl. 251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 2 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTFWEB. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o pagamento indicado na declaração de compensação (PER/DCOMP Web) como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitar débito confessado em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, correta a não homologação diante da ausência de pagamento indevido. DCTFWEB. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXISTÊNCIA DE ERROS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora. A não apresentação de DCTFWeb retificadora para formalizar a existência do pagamento indevido, precedida, quando necessário, da apresentação de retificação da escrituração eSocial e EFD-Reinf, comprometem a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constituem óbice à homologação da compensação. Uma vez instaurado o contencioso administrativo, não poderá ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento e apresentação de DCTFWeb Retificadora quando desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTFWeb anterior. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2201- 012.556, de 23 de janeiro de 2026, prolatado no julgamento do processo 10805.912403/2021-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). Fl. 252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 20/05/2019 DCOMP. DARF ALOCADO A DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE SALDO PARA A COMPENSAÇÃO DECLARADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em declaração (DCTFWeb) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, a compensação declarada resta não homologada. DCTFWEB. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXISTÊNCIA DE ERROS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO. Considera-se confissão de dívida os débitos declarados em DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora. A não apresentação de DCTFWeb retificadora para formalizar a existência do pagamento indevido, precedida, quando necessário, da apresentação de retificação da escrituração eSocial e EFD-Reinf, comprometem a apuração da exatidão dos valores envolvidos e constituem óbice à homologação da compensação. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Fl. 253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 4 Cientificado do resultado do julgamento, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, no qual além de repisar os mesmos fundamentos apresentados na Manifestação de Inconformidade, suscitou preliminar de nulidade da decisão de primeira instância diante da ausência de apreciação dos fundamentos de mérito pela DRJ. Sem contrarrazões. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo – o Recorrente foi intimado da decisão em 06/06/2023 e apresentou Recurso em 04/07/2023 – e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares (a) Nulidade da Decisão de Primeira Instância Em sede de preliminar, o Recorrente suscita acerca da nulidade da decisão de primeira instância que – supostamente – não teria analisado as alegações de mérito trazidas na Manifestação de Inconformidade, especialmente no que tange a não incidência de contribuições previdenciárias sobre determinadas rubricas: vale-transporte, vale-refeição/alimentação, assistência médica/odontológica e previdência privada. Entretanto, em que pese os argumentos expostos pelo Recorrente, não comportam acolhimento. Em sede de processo administrativo fiscal, as nulidades encontram-se preconizadas pelo artigo 59 do Decreto n. 70.235/1972, recepcionado pelo artigo 12 do Decreto 7.574/2011, trazendo o artigo 60 do mesmo diploma legal, também recepcionado pelo artigo 13 deste último diploma legal, outras irregularidades, senão vejamos, in verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em Fl. 254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 5 prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. No presente caso, não vislumbro a nulidade do acórdão recorrido, tampouco a caracterização de cerceamento ao direito de defesa do Recorrente. Isso porque, conforme se constata da decisão de piso, os argumentos expostos pelo contribuinte, ainda que analisados de maneira perfunctória, foram rechaçados pelo julgador de primeiro grau, conforme se observa dos fundamentos que a seguir reproduzo: 6.9. Demais do tratado, no atinente às alegações e documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade quanto à existência de recolhimentos indevidos incidentes sobre vale-transporte, vale- refeição/alimentação, assistência médica ou odontológica, valores de previdência privada e remuneração paga a expatriados, tendo em vista que tais alegações não encontram aderência na respectiva escrituração (eSocial), revelam-se como alegações desprovidas de respaldo probatório. 6.10. Não sobra repisar que o eSocial, quando entregue sem ressalvas, corresponde ao cumprimento da obrigação acessória de entrega das folhas de pagamentos, com base em que são aferidas as contribuições sociais previdenciárias devidas. 6.11. Dito de outra forma, a partir da escrituração digital entregue à RFB, contendo a interpretação adotada pelo próprio contribuinte quanto à subsunção das rubricas de sua folha de pagamento às respectivas hipóteses de incidência previdenciárias, são apuradas as contribuições previdenciárias devidas e, com efeito, confere-se legitimidade aos débitos incluídos na DCTFWeb. 6.12. Consequencialmente, verificada a existência de equívocos na escrituração eSocial entregue, tornar-se-ia imprescindível a retificação desta, dando conhecimento ao Fisco das informações da folha de pagamento que entendesse por correta e, sendo o caso, justificar a origem de tais retificações, com a apresentação dos elementos necessários e suficientes para a comprovação da acurácia dos procedimentos realizados. 6.12.1. Diante de tudo quanto entretecido, deixa-se de analisar as alegações específicas erigidas na Manifestação de Inconformidade quanto à potencial existência de outros pagamentos indevidos, tendo em vista não encontrarem respaldo na escrituração suporte (eSocial) ativa e válida, confeccionada e declarada pelo próprio contribuinte à RFB. Outrossim, no que tange ao exame pormenorizado de cada uma das argumentações jurídicas ou provas trazidas na defesa, assim como também o racional utilizado na decisão de origem, enquanto sucinto, destaco desde já o decidido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, em sede de repercussão geral – AI 791.292, com a fixação do Tema nº 339, cuja tese a seguir transcrevo: Tema 339 – STF Fl. 255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 6 O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas. Dito isto, rejeito a preliminar suscitada no Recurso Voluntário, dada a ausência de nulidade do acórdão recorrido. (b) Nulidade do Despacho Decisório: Da – Suposta – Ausência de Motivação A compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os PER/DCOMP Web se prestam a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, o contribuinte pretende a compensação dos débitos informados nos PERD/DCOMP Web vinculados ao mesmo direito creditório apontado no documento de arrecadação (DARF Unificado) de valor R$ 1.672.830,87. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP Web como origem do crédito, não havia saldo disponível para liquidação dos débitos tributários declarados pelo ora Recorrente. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o valor total do crédito requerido no PER não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débitos declarados pelo contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do exato valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado em DCTFWeb. A conclusão emitida pela Autoridade Fiscal teve como pressuposto os dados constantes dos sistemas da RFB, que decorrem das informações prestadas através de declarações fiscais próprias (tais como EFD-Reinf, eSocial, DCTFWeb), válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório. Conforme se verifica no corpo do citado despacho, não havia qualquer incongruência entre os débitos Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 7 declarados em DCTFWeb e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF Unificado. Outrossim, conforme já dito anteriormente, em sede de processo administrativo fiscal as nulidades estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, ao passo que o artigo seguinte, traz as hipóteses de outras irregularidades, passíveis de serem sanadas, e que não acarretam nulidade do despacho decisório. A mera discordância do recorrente em relação ao conteúdo do despacho decisório, não tem o condão de torná-lo nulo, mesmo porque, uma vez lavrado, abre-se ao contribuinte a possibilidade de se defender nesta via administrativa, como de fato fez. O inconformismo do recorrente volta-se, na realidade, contra o mérito do lançamento, o que se passa a analisar na sequência. Assim, rejeito a preliminar suscitada. Do Mérito (a) Da Compensação Tributária O instituto da compensação tributária está previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN), constituindo-se em uma das formas de extinção do crédito tributário: conforme expressa o art. 156, inc. II, do CTN. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] II - a compensação; [...] Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Embora a compensação conste como modalidade de extinção do crédito tributário desde a publicação do CTN, a regulamentação do art. 170 se deu apenas com a publicação da Lei nº 8.383/91 que disciplinou os aspectos gerais da compensação em âmbito federal, determinando que somente poderia ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie (art. 66, § 1º). Nota-se que, à época da publicação da Lei nº 8.383/91, a Lei nº 8.212/91, que disciplina a organização da Seguridade Social e regula o seu custeio, não apresentava regras próprias de compensação de indébitos relacionados às contribuições previdenciárias, mas apenas previa a possibilidade de sua restituição. Somente com o advento da Lei nº 9.032/95, com as alterações que produziu na Lei nº 8.212/91, a compensação de indébitos relacionados às contribuições Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 8 previdenciárias passou a ser prevista em sua legislação específica. Por oportuno, transcreve-se os artigos pertinentes da Lei nº 8.212/91 na sua redação atual: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 9º Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Com a publicação da Lei nº 11.457/07, a competência para “planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições previdenciárias passou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), conforme dispõe o art. 2º. O parágrafo único do art. 26 da mesma lei, no entanto, vedou expressamente a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, à compensação das contribuições previdenciárias. Por conseguinte, na compensação das contribuições previdenciárias manteve-se a aplicação das regras expressas no art. 66 da Lei nº 8.383/91, combinadas com as previstas no art. 89 da Lei nº 8.212/91. No entanto, as regras aplicadas à compensação previdenciária foram impactadas com a publicação da Lei nº 13.670/18 que possibilitou a aplicação da chamada “compensação cruzada” aos indébitos relacionados às contribuições previdenciárias ao revogar o parágrafo único do art. 26 e incluir o art. 26-A na Lei nº 11.457/07: Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no prazo máximo de 30 (trinta) dias úteis, contado da data em que ela for promovida de ofício ou em que for apresentada a declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 13.670, de 2018) Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. (Parágrafo único revogado pela Lei nº 13.670, de 2018) Art. 26-A. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) Fl. 258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 9 I - aplica-se à compensação das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei efetuada pela sujeito passivo que utilizar o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial), para apuração das referidas contribuições, observado o disposto no § 1º deste artigo; (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) [...] § 1º Não poderão ser objeto da compensação de que trata o inciso I do caput deste artigo: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) I - o débito das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) a) relativo a período de apuração anterior à utilização do eSocial para a apuração das referidas contribuições; e (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) b) relativo a período de apuração posterior à utilização do eSocial com crédito dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil concernente a período de apuração anterior à utilização do eSocial para apuração das referidas contribuições; e (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) II - o débito dos demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) a) relativo a período de apuração anterior à utilização do eSocial para apuração de tributos com crédito concernente às contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) b) com crédito das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º desta Lei relativo a período de apuração anterior à utilização do eSocial para apuração das referidas contribuições. (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.670, de 2018) Os dispositivos legais anteriormente destacados delimitam as condições para que os contribuintes possam adotar a nova modalidade da chamada “compensação cruzada”, considerada aquela que possibilita, aos contribuintes que utilizarem o eSocial (Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas) para declarar os débitos previdenciários e de outras entidades e fundos, a compensação desses débitos com créditos relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB. Importante destacar que, para os fins do disposto na legislação, atendem ao requisito de apuração das contribuições previdenciárias por meio do eSocial aquelas empresas que transmitam a DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos). Assim, em síntese: (a) só é permitida a compensação de crédito fazendário com débito previdenciário e vice-versa, se ambos forem referentes a períodos em que o contribuinte estava obrigado à entrega da DCTFWeb; b) quanto aos créditos previdenciários, é permitida a sua compensação com débitos previdenciários Fl. 259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 10 declarados em DCTFWeb, mesmo quando referentes a períodos anteriores à DCTFWeb (períodos de GFIP). Com a unificação do regime de compensação dos tributos administrados pela RFB, as regras gerais de compensação previstas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 passaram a ser aplicáveis também às compensações de indébitos relacionados às contribuições previdenciárias e as destinadas a Outras Entidades e Fundos, respeitadas as limitações temporais relacionadas à obrigatoriedade da apresentação da DCTFWeb para a adoção do novo regime: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Nesse sentido, a IN RFB nº 1.810/18 modificou a IN RFB nº 1.717/17 com o fim de regulamentar as alterações promovidas pela Lei nº 13.670/18. Com isso, os procedimentos específicos previstos na IN RFB nº 1.717/17 sobre restituição e compensação de indébitos relacionados às contribuições previdenciárias e as destinadas a Outras Entidades e Fundos passaram a ser aplicáveis apenas àqueles contribuintes que não utilizarem o eSocial para apuração dessas contribuições, aplicando aos demais contribuintes que utilizarem o eSocial as regras gerais de restituição e compensação previstas para os indébitos relacionados aos demais tributos administrados pela RFB: IN RFB nº 1.717/07: Art. 2º A RFB poderá restituir as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I - cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; [...] Art. 7º A restituição poderá ser efetuada: I - a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou [...] Fl. 260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 11 § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo por meio do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, por meio do formulário Pedido de Restituição ou de Ressarcimento, constante do Anexo I desta Instrução Normativa. [...] Art. 11. A restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração, exceto quando o requerente for segurado ou terceiro não responsável por essa declaração. [...] Art. 30-A. A empresa contratada que utilizar o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) para apuração das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007, e possuir saldo de retenção em seu favor, após a dedução de que trata o art. 88-A, poderá pleitear a sua restituição, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e declarada na Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) Parágrafo único. Na falta de destaque do valor da retenção na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, a empresa contratada poderá receber a restituição pleiteada somente se comprovar o recolhimento do valor retido pela empresa contratante. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) [...] Art. 65. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvada a compensação de que trata a Seção VII deste Capítulo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada, pelo sujeito passivo, mediante declaração de compensação, por meio do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Declaração de Compensação, constante do Anexo IV desta Instrução Normativa. [...] Art. 66. A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. Parágrafo único. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. [...] Fl. 261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 12 Seção VII – Da Compensação de Contribuições Previdenciárias pelo Sujeito Passivo que Não Utilizar o eSocial para Apuração das Contribuições (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) [...] Art. 88-A. Na hipótese de utilização do eSocial para apuração das contribuições a que se referem os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007, a empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, poderá deduzir o valor retido das contribuições devidas na respectiva competência, desde que a retenção esteja: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) I - declarada na EFD-Reinf na competência da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) II - destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços ou a contratante tenha efetuado o recolhimento desse valor. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 1º A dedução a que se refere o caput deverá ser efetuada na DCTFWeb. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 2º Para fins de dedução da importância retida, será considerada como competência da retenção o mês da emissão da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) § 3º O sujeito passivo poderá requerer a restituição do saldo remanescente, na forma estabelecida no art. 30-A, ou utilizá-lo em declaração de compensação, na forma estabelecida no art. 65. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1810, de 13 de junho de 2018) Para possibilitar a “compensação cruzada” e a compensação de indébitos relacionadas a contribuições declaradas por meio da DCTFWeb, foi disponibilizado ao contribuinte nova versão de declaração de compensação chamada de PER/DCOMP Web, acessado diretamente no Portal e-CAC. Assim, desde 27/08/2018, com a utilização desse sistema os contribuintes poderiam (i) compensar débitos previdenciários oriundos da DCTF Web, sendo que os saldos a pagar dos débitos apurados serão importados automaticamente da DCTF Web para o PER/DCOMP Web, limitando a compensação a esses valores; (ii) fazer pedido de restituição ou declaração de compensação informando crédito de pagamento indevido ou a maior de eSocial, ou seja, pagamento do DARF gerado pela DCTF Web em duplicidade ou que se tornou indevido em razão de retificação da DCTF Web; (iii) fazer compensação cruzada, ou seja, compensar débitos fazendários com créditos previdenciários e vice versa, desde que tanto o crédito quanto o débito sejam apurados a partir de agosto de 2018. Fl. 262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 13 Depreende-se do quanto exposto até o momento que, embora o contribuinte alegue possuir direito creditório disponível para utilização mediante compensação, tal fato não foi confirmado a partir do confronto de sua declaração DCTFWeb e o respectivo DARF Unificado. Assim, as alegações apresentadas pela Recorrente de que seu direito creditório seria originado de recolhimentos indevidos oriundos de recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas indenizatórias só podem ser entendidas como supostos erros cometidos na declaração DCTFWeb que se encontra ativa e válida. Ressalta-se que a DCTFWeb, elaborada a partir das informações prestadas nas escriturações dos módulos eSocial e EFD-Reinf (Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais), ambos integrantes do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), substitui a GFIP como instrumento de confissão de dívida e de constituição do crédito previdenciário, conforme cronograma previsto na IN RFB n° 1.787/18 e alterações posteriores, sendo de entrega obrigatória em relação aos tributos cujos fatos geradores ocorrerem nas competências indicadas para cada grupo de contribuintes: IN RFB nº 1.787/182: Art. 4º A DCTFWeb deverá ser elaborada a partir das informações prestadas nas escriturações do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) ou da Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf), módulos integrantes do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). [...] Art. 6º A DCTFWeb conterá informações relativas às contribuições previdenciárias: I - previstas nas alíneas “a” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991; II - instituídas a título de substituição às incidentes sobre a folha de pagamento, inclusive as referentes à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB)de que trata a Lei nº 12.546, de 14 de dezembro de 2011; e III - destinadas a outras entidades ou fundos. § 1º Os valores relativos às contribuições exigidas em lançamento de ofício poderão ser informados na DCTFWeb como créditos, para fins de vinculação aos débitos apurados. § 2º Os valores retidos pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra na forma prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, integrarão as informações da DCTFWeb da empresa tomadora de serviços. [...] Art. 13. A DCTFWeb substitui a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) como instrumento de Fl. 263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 14 confissão de dívida e de constituição do crédito previdenciário. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1819, de 26 de julho de 2018) [...] § 4º Os fatos geradores referentes a períodos anteriores aos mencionados nos §§ 1º e 3º, conforme o caso, continuarão a ser declarados por meio de GFIP, de acordo com as orientações previstas na Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, e no manual da GFIP, aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 880, de 16 de outubro de 2008. Na nova sistemática da declaração DCTFWeb, são de suma importância as informações prestadas pelo contribuinte por meio das escriturações eSocial e EFD-Reinf, vez que é mediante essas escriturações que são prestadas todas os dados necessários para a apuração das contribuições sociais previdenciárias. O eSocial é o instrumento de unificação da prestação das informações referentes à escrituração das obrigações fiscais, previdenciárias e trabalhistas e tem por finalidade padronizar sua transmissão, validação, armazenamento e distribuição e, juntamente com a EFD-Reinf e a DCTFWeb, substituirá a obrigação de entrega dessas informações em GFIP. Além de serem de apresentação obrigatória pelos contribuintes a elas submetidas, tais escriturações têm o condão de comprovar o cumprimento de parte das obrigações acessórias a que estão sujeitos, conforme previsto na IN RFB nº 971/09 e alterações posteriores: Art. 47. A empresa e o equiparado, sem prejuízo do cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária, estão obrigados a: [...] III - elaborar folha de pagamento mensal da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, de forma coletiva por estabelecimento, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização e resumo geral, (...) [...] VIII - informar mensalmente, à RFB e ao Conselho Curador do FGTS, em GFIP emitida por estabelecimento da empresa, com informações distintas por tomador de serviço e por obra de construção civil, os dados cadastrais, os fatos geradores, a base de cálculo e os valores devidos das contribuições sociais e outras informações de interesse da RFB e do INSS ou do Conselho Curador do FGTS, na forma estabelecida no Manual da GFIP; [...] XI - comunicar ao INSS acidente de trabalho ocorrido com segurado empregado e trabalhador avulso, até o 1º (primeiro) dia útil seguinte ao da ocorrência e, em caso de morte, de imediato; [...] Fl. 264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 15 XIII - elaborar e manter atualizado Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) abrangendo as atividades desenvolvidas por trabalhador exposto a agente nocivo existente no ambiente de trabalho e fornecer ao trabalhador, quando da rescisão do contrato de trabalho, cópia autêntica deste documento, conforme disposto no inciso VI do art. 291 e no art. 295; [...] § 1º-A Durante a implementação progressiva do Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial) e da Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais (EFD-Reinf), conforme calendário fixado por Resolução do Comitê Diretivo do eSocial e por Instrução Normativa da RFB: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) [...] II - a obrigação acessória prevista no inciso III do caput será cumprida na forma prevista no citado inciso e mediante o envio, com sucesso, dos eventos S-1200, S 1202 e S-1210 ao eSocial; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) III - a obrigação acessória prevista no inciso VIII do caput será cumprida na forma prevista no citado inciso e mediante o envio, com sucesso, dos eventos S-1299 - Fechamento dos Eventos Periódicos ao eSocial e R-2099 - Fechamento dos Eventos Periódicos à EFD-Reinf; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) IV - as obrigações acessórias previstas nos incisos XI e XIII do caput serão cumpridas nas formas previstas nos citados incisos e mediante o envio, com sucesso, dos eventos S-1060, S-2210, S-2220, S-2240 e S-2241, relativos a Saúde e Segurança do Trabalhador (SST), ao eSocial. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) § 1º-B Após a implementação do eSocial e da EFD-Reinf, em conformidade com o disposto no § 1º do art. 2º do Decreto nº 8.373, de 11 de dezembro de 2014, será emitido ato normativo da RFB fixando o termo a quo, a partir do qual as obrigações acessórias previstas nos incisos I, II, III, VIII, XI e XIII do caput passarão a ser cumpridas integralmente mediante o envio dos eventos pertinentes ao eSocial e à EFD-Reinf. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) § 1º-C A partir da competência julho de 2018 (para o 1º grupo), janeiro de 2019 (para o 2º grupo) e julho de 2019 (para o 3º grupo), conforme calendário de implementação progressiva do eSocial e da EFD-Reinf, publicados, respectivamente, em Resolução do Comitê Diretivo do eSocial e em ato da RFB, as contribuições sociais previdenciárias serão recolhidas por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), gerado no sistema Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos (DCTFWeb), conforme disciplinado em ato específico da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1767, de 14 de dezembro de 2017) Fl. 265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 16 Emerge como consequência do procedimento adotado na criação da DCTFWeb, que não permite a indicação manual dos débitos vez que essas informações são automaticamente obtidas das escriturações eSocial e EFD-Reinf já apresentadas pelo contribuinte, que eventual retificação de débitos sociais previdenciários já declarados não poderá ser corrigido mediante entrega, unicamente, de DCTFWeb retificadora. Uma vez que a apuração das contribuições sociais previdenciárias é realizada nas escriturações eSocial e EFD-Reinf, sua retificação se mostra necessária e imprescindível para que a declaração DCTFWeb retificadora passe a informar o débito corretamente. É de se observar que o Recorrente não alegou ter efetuado quaisquer retificações na escrituração fiscal eSocial e na DCTFWeb, embora tenha apresentado alegações da existência de recolhimentos indevidos incidentes sobre verbas entendidas como não integrantes do salário de contribuição, além de erro na alíquota de RAT Ajustado. Nos termos da legislação pertinente, cumpria ao contribuinte a incumbência de realizar as alterações que entendesse necessárias na citada declaração, cabendo ao Fisco apenas a conferência do quanto declarado e sua adequação as demais informações constantes dos sistemas informatizados à disposição da RFB: IN RFB nº 1.787/18: Art. 10. A alteração das informações prestadas em DCTFWeb, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTFWeb retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTFWeb retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. [...] § 5º O direito de o sujeito passivo pleitear a retificação da DCTFWeb extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. Considerando o exposto, uma vez que a declaração DCTFWeb ativa não permitiu a confirmação da existência do direito creditório indicado em PER/DCOMP Web e não há notícia de que o contribuinte tenha providenciado a retificação das declarações pertinentes (eSocial e DCTFWeb), correto o Despacho Decisório recorrido que informou não existir saldo disponível no DARF Numerado para sustentar a totalidade das compensações intentadas. Em suma, o Recorrente não se desincumbiu de seu ônus probatório (artigo 373, CPC), in casu, comprovar a existência da certeza e liquidez do seu direito creditório, especialmente porque não foi possível a apuração de saldo disponível para realização da compensação intentada pelo sujeito passivo, correta, portanto, a glosa parcial da compensação tributária. Fl. 266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.560 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10805.912389/2021-69 17 Logo, não há reparos a serem feitos na decisão de piso. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, NEGAR-LHE provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Redator Fl. 267DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10882.724409/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Por força do instituto da preclusão consumativa, questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade ou não conhecidas pelo órgão julgador de primeira instância constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1101-002.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ

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INOVAÇÃO NA LINHA DE DEFESA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. Por força do instituto da preclusão consumativa, questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade ou não conhecidas pelo órgão julgador de primeira instância constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1360DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida negar-lhe provimento, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário protocolado pelo contribuinte e responsáveis solidários (efls. 1327/1353) contra acórdão da DRJ, efls. 1310/1318, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo contribuinte (efl. 746/789), lastreado em TVF, efls. 642/658, referente a lançamento de IRPJ e CSLL (efls.724/734), para o ano-calendário de 2007, com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Para síntese dos fatos, reproduzo também o relatório do acórdão recorrido: Neste processo foi constituído lançamento de ofício no valor de R$ 1.414.167,74 de IRPJ e R$ 521.646,77 de CSLL, para o ano-calendário de 2007, com base em depósitos bancários de origem não comprovada. I - DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal instaurado regularmente em 01/07/2011 objetivou verificar infrações relacionadas à movimentação financeira incompatível com a receita tributável declarada para os anos-calendário de 2007. Após intimado, o contribuinte não apresentou a documentação exigida no prazo concedido, o que motivou a emissão de Requisições de Movimentações Financeiras aos bancos. Após reintimação, a fiscalizada apresentou os livros contábeis e fiscais obrigatórios e em 06/12/2011 a empresa foi intimada aos documentos originais, hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, que comprovem a origem dos recursos que justificaram os depósitos ou créditos em suas contas correntes no ano de 2007 pelo valor de R$ 24.391.236,94. Fl. 1361DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 3 A autoridade fiscal consignou em seu relatório que desconsiderou na sua apuração os valores depositados a crédito nas contas bancárias referentes a empréstimos/financiamentos, transferência entre contas de mesma titularidade, estornos de lançamentos, cheques compensados devolvidos, entre outros, que totalizaram R$ 606.357,31. Mesmo após prorrogação de 30 dias do prazo originalmente concedido, a contribuinte não apresentou os documentados solicitados. No transcorrer do procedimento a fiscalização solicitou novamente livros e documentos contábeis e fiscais obrigatórios, tendo a contribuinte os apresentado e novamente intimada 31/07/2012 apresentou uma série de documentos objetivando comprovar a origem dos recursos que justificariam sua movimentação bancária. Nesse momento, foi esclarecido pela contribuinte que em função de uma dissolução de sociedade da empresa D’Mais Distribuidora, a saída de um dos sócios inviabilizou a movimentação de suas contas bancárias. Para dar andamento às demandas dos clientes da D’Mais Distribuidora, o sócio administrador remanescente usou a conta bancária da empresa fiscalizada Auto Posto Rota 66, que era também administrador e único sócio. Isso ocorreu até que o sócio remanescente, comum às duas empresas, obteve na justiça autorização para movimentação isolada nas contas da D’Mais Distribuidora em processo de dissolução parcial de sociedade de nº 152.01.2007.013995-7. Por essa razão, esclareceu que apenas R$ 3.501.846,56 se referiam às operações próprias da empresa Auto Posto Rota 66, apresentando a conta do livro razão para conferência dos valores. Quanto a estes depósitos, apesar de estarem registrados na contabilidade, a empresa não apresentou os documentos hábeis e idôneos exigidos pela fiscalização para comprovação de sua origem. Quanto à movimentação de origem da D’Mais Distribuidora, a fiscalização analisou criteriosamente os lançamentos contábeis e documentos fiscais fornecidos pela fiscalizada e também entregues por esta terceira empresa relacionada, que poderia se caracterizar como uma operação de mútuo, tal qual alegava a autuada. Concluiu a fiscalização que boa parte do volume de recursos se encontrou justificado, com a devolução pelo montante de R$ 18.891.075,27, devidamente declarado na DIPJ da distribuidora. Porém, uma parte referente a movimentação bancária do mês de abril de 2007 no valor de R$ 1.893.187,97 não foi contabilizado pela empresa D’Mais Distribuidora, ao passo que a empresa Auto Posto informou em seus registros que se tratava de devolução do empréstimo feito pela D’Mais Distribuidora. Tal constatação convenceu a autoridade fiscal de que não fora comprovada a movimentação bancária relativa a este montante. Com base em suas verificações e pela ausência de comprovação com documentação hábil e idônea, a autoridade tributária concluiu que houve omissão de receitas com base na presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, no montante de R$ 5.361.257,93, individualizados em anexo ao termo de verificação fiscal e constante dos autos. II - DA IMPUGNAÇÃO Fl. 1362DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 4 Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou sua impugnação trazendo suas razões, sob alegação central de que os valores depositados em suas contas correntes são de titularidade da empresa D’Mais Distribuidora, não ingressando no patrimônio ou se revertendo em riqueza da impugnante. Portanto, em síntese, alega que se trata apenas de mero ingresso transitório em suas contas e não de receita da fiscalizada. DO MÉRITO DA NÃO TITULARIDADE E DEFINITIVIDADE DAS RECEITAS Traz novamente as razões alegadas à fiscalização da movimentação das contas bancárias da fiscalizada em favor da empresa D’Mais Distribuidora, cujo sócio era comum às duas, objetivando manter vivo o empreendimento em função da impossibilidade de movimentação de suas próprias finanças por uma dissolução parcial litigiosa da sociedade de distribuição. Ao descrever a situação, alega não restar dúvidas sobre tais valores constituídos como presunção legal de omissão de receita não são de sua titularidade. Também alega que a D’Mais Distribuidora levou a tributação todas as receitas aqui auferidas, como constata e descreve a própria fiscalização em seu relatório. Traz jurisprudência do CARF objetivando corroborar sua tese em julgados que trataram sobre omissão de receitas. Cita também decisão da Delegacia de Julgamento da RFB que indica o conceito de receita segundo sua linha de defesa. Menciona os atributos da definitividade e titularidade que dão amparo ao conceito de receita e que não constam dos valores detalhados nos autos, por se tratarem de movimentação bancária de titularidade da empresa D’Mais Distribuidora. Sobre a ausência de contabilização da movimentação do mês de abril de 2007, a Impugnante se defende ao dizer que tais valores estão devidamente comprovados pelas notas fiscais emitidas. Que eventual erro da escrituração da D’Mais Distribuidora não tem o condão de desnaturar a operação praticada, muito menos em considerar como receita da impugnante, citando acórdão do CARF. Que mero erro de fato é plenamente passível de retificação e justificativa, não constituindo fundamento legal para lançamento do crédito tributário, abrindo espaço para imediata revisão administrativa. Pondera que considerar uma receita mensal no valor de R$ 1.859.411,37 enquanto a receita anual apurada é de R$ 4.307.053,38 beira o absurdo. Ressalta que a fiscalização não diligenciou os emitentes de cheques que compuseram a movimentação financeira para identificar com estes a natureza da operação, o que segundo analisa ofende o princípio da verdade material e contraria a doutrina e jurisprudência do CARF que cita, tendo estado inerte a fiscalização de produzir provas para caracterizar a má-fé e a incerteza da conduta da Impugnante. Argumenta que o Fisco deixou de apurar o fato gerador com base na verdade material ao desconsiderar a verdadeira natureza jurídica dos valores depositados, considerando tais depósitos equivocadamente como omissão de receitas. Destaca que os valores recebidos em pagamento são de titularidade da empresa D’Mais Distribuidora e que acosta à esta impugnação documentos que comprovam que a Impugnante é mera intermediária executora. DO ERRO NA APURAÇÃO DOS DEPÓSITOS – NÃO EXCLUSÃO DE CHEQUES DEVOLVIDOS Fl. 1363DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 5 Ainda combate a exigência fiscal em sua quantificação ao alegar que em suas exclusões, a fiscalização não excluiu os valores relativos a cheques de terceiros, devolvidos, reapresentados ou pagos mediante depósitos bancários na conta da impugnante. Afirma que as devoluções estão registradas no livro razão e nos extratos bancários, trazendo aos autos nesta impugnação uma planilha que confronta o detalhamento individual de cada um dos valores aqui questionados dos meses de 02 a 05/2007. Portanto, presume que os valores escriturados no livro diário e razão e comprovados com cheques devolvidos, reapresentado ou pagos em depósitos não podem ser considerados como omissão de receita, não tendo cumprido o Fisco com o ônus de provar a ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária. Sobre a exclusão da omissão de receitas dos cheques devolvidos que foram considerados na apuração da base de cálculo traz jurisprudência da DRJ e do CARF. DA INAPLICABILIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA Argumenta ainda que não é permitida a cobrança de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. Por entender que a multa é penalidade pecuniária e não tributo, citando o art. 3º do CTN, defende que o art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, aplica-se exclusivamente a tributos e contribuições, citando a doutrina e jurisprudência administrativa correlata. PROVA PERICIAL Por fim, vem requerer a realização de prova pericial por meio de laudo técnico que ateste que os valores depositados em suas contas correntes são realmente da empresa D’Mais Distribuidora, enumerando os quesitos que pretende que sejam vistos na realização da perícia, não relacionados aqui um a um por já constarem em toda a argumentação da Impugnante em sua peça de defesa. Em resumo, pede que que seja considerada procedente sua impugnação para anulação da exigência fiscal e que para tanto, sejam produzidas todas as provas que se fizerem necessárias, incluídas a realização de laudo pericial. Nada obstante, o acórdão recorrido julgou improcedente a pretensão impugnatória, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano- calendário: 2007 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Fl. 1364DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 6 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após, foi devidamente cientificado em 13.03.2018 (termo de ciência- efl.1324): Ato contínuo, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em 05.07.2019 (efls. 1325/1326) às efls. 1327/1353 e renovando os argumentos já expostos em sede impugnatória, a seguir sumarizados: III – PRELIMINARMENTE III. 1 – Nulidade do Auto de Infração – Ausência de planilha consolidada indicando quais valores foram considerados para autuação. III. 2 – Necessidade de realização da prova pericial – Cerceamento de defesa . III- DO DIREITO III. 1 – Não subsunção do fato à norma – valores que não compõem receita da Recorrente. IV – 3 – Não exclusão dos valores creditados nas contas correntes da Recorrente relativos aos cheques devolvidos, emitidos pelos clientes da D’mais Distribuidora De Petróleo Ltda . V – CONCLUSÃO. Após, os autos foram encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme relatado, trata-se de auto de infração de IRPJ e CSLL, lavrados com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A Recorrente alega preliminarmente a nulidade dos autos de infração por suposta ofensa ao contraditório e a ampla defesa, pois não há nos autos nenhuma planilha, ou documento similar indicando a composição dos valores supostamente omitidos. Fl. 1365DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 7 Trata-se, contudo, de alegação não veiculada em sede de impugnação, portanto, preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/1972: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Logo, não pode ser apreciada. Ainda, em sede preliminar, alega a nulidade do acórdão recorrido, pois teve pedido de perícia indeferido. Sobre o pedido de perícia, assim se manifestou o acórdão recorrido: Por fim, no que se refere ao pedido de realização de perícia, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 18, caput, e 29, indefere-se, por considerá-la desnecessária, prescindível, uma vez que os pressupostos fáticos e jurídicos presentes nos autos foram suficientes para a formação da livre convicção da autoridade julgadora, não tendo inovado na apresentação de documentos em relação aos quais já havia submetido à apreciação da autoridade lançadora. Os artigos supra citados assim determinam: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. De fato, ao analisar a impugnação, não se verifica justificativa acerca de como a perícia complementaria ou seria útil para afastar a análise direta das provas pela autoridade administrativa. Vejamos: A Impugnante esclarece, protesta e requer, desde já, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72 que seja realizada prova pericial, com laudo a ser elaborado por um técnico que venha a atestar que os valores transitados nas Fl. 1366DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 8 contas correntes da Impugnante são de titularidade da D' Mais Distribuidora de Petróleo Ltda, representando mero ingresso e não receita da Impugnante, mas de terceiros, porquanto não incorporados em seu patrimônio, não sendo, portanto, fato gerador do IRPJ e da CSLL. Com efeito, caso os Nobres Julgadores entendam pela necessidade da prova pericial ora requerida, em atendimento ao disposto no mencionado inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, a Impugnante passará a elencar os quesitos que pretende sejam respondidos pelo perito que realizará a prova pericial, assistido por perito nomeado pela Impugnante: Nota-se do excerto negritado acima que a própria contribuinte, ora Recorrente, indica a possibilidade de os julgadores entenderem pela necessidade, restando a análise dessa o juízo de pertinência da prova. No caso, a DRJ reputou que as provas apresentadas se mostraram insuficientes para afastar a presunção, de sorte que eventual manifestação pericial em nada afastaria tais conclusões. Assim, afasto a preliminar suscitada. No mérito, a Recorrente alega que os valores movimentados nas contas bancárias da Recorrente não configuram receita, mas mero ingresso de valores de titularidade de terceiros e destinados aos credores e fornecedores da D’ Mais Distribuidora de Petróleo Ltda., inexistindo razão para o lançamento do IRPJ e CSLL, uma vez que já levados à tributação pela D’ Mais Distribuidora de Petróleo Ltda. vez que esses valores compõem o resultado daquela empresa e sobre o qual houve incidência dos tributos indicados. Pois bem. Registra-se inicialmente que o lançamento está pautado em omissão de receitas decorrente de “depósitos bancários de origem não comprovada”, nos termos do art. 42 da Lei n. 9.430/19961, norma válida e eficaz, que se verifica quando os valores creditados em conta de 1 Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.563-7, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5 o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6 o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos Fl. 1367DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/Antigas/1563-7.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9481.htm#art4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art58 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art58 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 9 depósito ou de investimento mantida em determinada instituição financeira, em relação dos quais o titular, seja pessoa física ou jurídica, e regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações, não a comprova mediante documentação hábil e idônea. Tal presunção legal tem sido, inclusive, validada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como se pode observar na Súmula n. 26 CARF: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 102-49298, de 08/10/2008 Acórdão nº 106-17191, de 16/12/2008 Acórdão nº 101-96144, de 23/05/2007 Acórdão nº 106-17093, de 08/10/2008 Acórdão nº CSRF/04-00.157, de 13/12/2005 No caso, havendo presunção legal (decorrente de lei) de que as condutas verificadas pela autoridade tributária indicam omissão de receitas, deve o autuado provar o contrário, pelos instrumentos hábeis, mantendo a escrituração comercial e contábil, no que se inclui a organização e monitoramento de sua movimentação financeira, para fins de fiscalização, já que a presunção legal ocasiona inversão do ônus da prova contra o contribuinte, ao qual cabe a prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão ao fisco ( TEODOROVICZ, Jeferson; PRZEPIORKA, Michell. Da Omissão de Receitas no âmbito do IRPJ e da CSLL: Requisitos para qualificação da multa de ofício. In DE ALBUQUERQUER, Fredy José Gomes. Tributação Sobre a Renda: IRPJ/CSLL. Barueri: Editora Foco, 2022, p. 245/261). Não divergiu desse ponto a decisão recorrida: A omissão de receitas se constituiu quando os valores creditados em conta de depósito em instituições financeiras não foram declarados e nem comprovados pelo contribuinte por intermédio de documentação hábil e idônea, notadamente quando regularmente intimado reiteradamente para esclarecer a origem de tais valores, conforme relatado pelo Auditor-Fiscal em seu termo de verificação. Como se vê, não cabe a alegação de mero erro de fato a ausência de elementos que comprovem se tratar da mesma operação revestida da complexidade que a situação fática trazia, descartando a possibilidade de comprovação parcial da origem do recurso. Ainda no mesmo acórdão fica claro a necessidade de não só comprovar a origem, mas nesta fase de julgamento demonstrar a escrituração e o oferecimento à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. TOTALIDADE DOS CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n.º 9.430/1996 autoriza a presunção de omissão de receitas a partir da existência de créditos em instituições financeiras cuja origem não seja nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 1368DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10637.htm#art58 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 10 comprovada pela contribuinte regularmente intimada para tal, devendo ser excluídos aqueles cujas origens sejam demonstradas, mas não as receitas escrituradas ou declaradas, uma vez que a totalidade de tais créditos não comprovado deve ser considerada omissão. A Impugnante apresentou diversos documentos que foram detidamente analisados neste julgamento. Os documentos apresentados em anexo a esta impugnação que demonstram débitos nas contas bancárias da Impugnante, como cheques emitidos por ela, boletos pagos e transferências, não tem o condão de comprovar a origem de recursos a créditos nas contas bancárias que foram objeto deste lançamento. As notas fiscais aqui apresentadas emitidas pela D’Mais Distribuidora não guardam coincidência de valores com os depósitos detalhados pela autoridade fiscal, bem como não possuem lastro passível de cotejamento com a escrituração da referida empresa, não podendo ser consideradas neste julgamento como capazes de comprovar a origem dos recursos. As transações aqui ocorridas, que se assemelhariam ao modus operandi das operações de resultado em conta alheia, movimentando recursos por ordem de uma terceira entidade que exerce atividades em um mesmo ramo, exige total transparência no controle e segregação de receitas e despesas capaz de garantir de forma inequívoca a titularidade das transações e receitas. Não é possível considerar que a ausência de registro detalhado por conta contábil em uma escrituração referente a um mês inteiro da movimentação bancária seja apenas considerada como “MERAS FALHAS CONTÁBEIS”. Está se falando em comprovar a movimentação de uma contribuinte com notas fiscais emitidas por outra, sem lastro na escrituração desta última. Tal conduta e falta de clareza não permitiu ao Auditor-Fiscal considerar a comprovação tentada pela fiscalizada como hábil e idônea, capaz de eliminar a exigência em relação ao mês de abril de 2007, como foi feito em todos os outros meses do ano, em que o Fisco acatou as justificativas devidamente apresentadas pela fiscalizada, assim como não é possível que se faça neste julgamento. Quanto ao suposto erro na apuração, vê-se claramente que a apuração executada na auditoria foi criteriosa, tendo sido excluídos valores que representaram mais de R$ 600 mil em transferências entre contas de mesma titularidade, empréstimos, financiamentos e outros valores improváveis de serem considerados receitas, inclusive os alegados cheques devolvidos. Permanece, portanto, a situação verificada no momento do lançamento, devendo ser mantido o lançamento por omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A recorrente insiste nos mesmos documentos já apresentados. Contudo, como bem apontado no acórdão recorrido, os valores registrados nas notas fiscais apresentadas não guardam consonância com os valores depositados. Vejamos exemplificativamente: Fl. 1369DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 11 Veja-se que a nota 9197 indica valor de R$ 8.300,00 e estaria justificando o montante de R$ 8.004,00. Enquanto a nota fiscal 9179, no montante de R$ 10.300,00, estaria sendo indicada para justificar o montante de R$ 10.803,20. O descasamento entre os valores, sem quaisquer justificativas, impede que tais documentos fiscais sejam utilizados para justificar eventuais transferências. Ademais, ainda que se desconsiderasse o descasamento entre os valores e os referidos depósitos, não há quaisquer documentos nos autos que demonstrem o porquê de tais valores terem sido depositados na conta da recorrente, mormente quando os documentos fiscais da empresa não registram adequadamente tais operações. A recorrente alega ainda que não teriam sido excluídos da base cheques da D+ devolvidos. Fl. 1370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 12 Contudo, consta claramente do relatório fiscal que tais valores foram devidamente expurgados da base: De posse dos extratos bancários, e após análise e conciliação da movimentação bancária do contribuinte, verificamos que, do total dos lançamentos creditados nas contas correntes, no valor de R$ 24.635.114,55, desconsiderados os valores creditados a título de empréstimos/financiamentos, transferências entre contas de mesma titularidade, estornos de lançamentos, cheques compensados devolvidos, etc, que totalizaram R$ 606.357,31, restou como créditos sujeitos a comprovação de origem o valor total de R$ 24.028.757,24, conforme abaixo descrito: Intimado a se manifestar em relação a esses créditos/depósitos nas contas correntes da empresa Auto Posto Rota 66 Ltda, o contribuinte informou, que do total de R$ 24.028.757,24, apenas R$ 3.501.846,56 seriam referentes à empresa Auto Posto Rota 66 Ltda, anexando a conta 100.005-5 - Caixa do Livro Razão para conferência destes valores. O restante dos depósitos, no montante de R$ 20.526.910,68, seriam referentes à empresa D'Mais Distribuidora de Petróleo Ltda, devido aos motivos acima relatados. A Tabela abaixo traz o resumo das justificativas apresentadas pelo contribuinte. A demonstração completa das justificativas pode ser verificada na Planilha A, anexa ao presente termo. Fl. 1371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 13 Para embasar sua alegação, o contribuinte apresentou as Notas Fiscais de Saída da empresa D'Mais Distribuidora, relacionando-as aos depósitos aos quais foi intimado a comprovar origem, além de apresentar os Livros Diário e Razão e os arquivos magnéticos da mesma. Quanto aos depósitos informados pelo próprio como pertencentes à empresa ora fiscalizada, que totalizam R$ 3.501.846,56, verificamos que a contabilização destes valores possui contrapartida na referida conta caixa apresentada. Entretanto, o mesmo não apresentou a devida comprovação de origem dos valores em questão. Analisando a contabilidade da empresa Auto Posto Rota 66, verificamos que a mesma contabilizou um total de R$ 20.784.263,24 a título de Empréstimo adquirido da empresa D'Mais Distribuidora, conforme espelhado nas contas do Livro Razão do contribuinte, 152.006-7 — Empréstimos a Terceiros, 240.005-7 — Empréstimos e 242.006-6. A devolução de todo este montante foi feita neste mesmo ano calendário, conforme contas acima citadas. As contas do Livro Razão, extraídas do arquivo magnético apresentado pelo contribuinte e validado com o Livro original, acima mencionadas, encontram-se anexas ao presente termo. Em relação à contabilidade da empresa D' Mais Distribuidora de Petróleo Ltda, verificamos que a mesma contabilizou como receita o valor de R$ 66.534.819,29, conforme espelhado na conta 300000000 — Receitas do Exercício do Livro Razão da empresa, e declarou esse mesmo valor como Receita de Revenda de Mercadorias no Mercado Interno em sua DIPJ. Verificamos também que o contribuinte separou essas receitas entre seus clientes diversos, atribuindo o montante de R$ 18.891.075,27 para o cliente Auto Posto Rota 66 Ltda, conforme conta 112010004. Paralelamente, analisamos uma amostragem das notas fiscais emitidas pela D'Mais Distribuidora e verificamos que os valores das mesmas são coincidentes com os referidos depósitos efetuados nas contas bancárias da Rota 66. Porém, constatartíôs que a empresa D'Mais Distribuidora não contabilizou valores recebidos do cliente Rota 66 no mês de abril. Fl. 1372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.026 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10882.724409/2012-32 14 Portanto, podemos verificar que ao passo que o contribuinte Auto Posto Rota 66 informou em sua contabilidade que o montante de R$ 20.784.263,24 foi devolvido à empresa D'Mais Distribuidora, esta contabilizou apenas R$ 18.891.075,27 como recebido do cliente Auto Posto Rota 66. A diferença de R$ 1.893.187,97, é referente ao mês de abril, o qual não foi contabilizado pela D'Mais Distribuidora. Logo, do montante dos depósitos ao qual o contribuinte foi intimado a comprovar, os valores correspondentes ao mês de abril, cuja justificativa foi de que se tratava de empréstimo à empresa D'Mais Distribuidora, que totaliza R$ 1.859.411,37, será considerado como omissão de receita da empresa ora fiscalizada. De acordo com os sistemas da RFB, o contribuinte apresentou DIPJ original em 30/06/2008, com forma de tributação adotada do Lucro Real, apuração anual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, através da qual informou como Receita Bruta de Revenda de Mercadorias no Mercado Interno e de Prestação de Serviços -Mercados Interno e Externo o valor de apenas R$ 4.307.053,38. Este valor encontra-se inteiramente contabilizado na conta 300.003-6 — Receita Bruta Revendas/Vendas e Serviços. Assim, não tendo a recorrente demonstrado de forma clara que ainda haveria valores a serem expurgados, deve-se manter o lançamento hígido. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 1373DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19647.022235/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE. A habilitação prévia prevista no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005 é procedimento legal, inserindo-se no poder regulamentar disposto no §14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. RECONHECIMENTO DO DIREITO DE ESCRITURAR CRÉDITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. ENTENDIMENTO DA SCI COSIT Nº 20/2016. Os créditos de IPI escriturados em razão de decisão judicial transitada em julgado, sem eficácia executiva, que, porventura, componham saldo credor passível de ressarcimento, podem ser pedidos sem necessidade de prévia habilitação do crédito, nos termos da SCI Cosit nº 20/2016.
Numero da decisão: 3301-014.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima – Relatora Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: KELI CAMPOS DE LIMA

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PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE. A habilitação prévia prevista no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005 é procedimento legal, inserindo-se no poder regulamentar disposto no §14 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. RECONHECIMENTO DO DIREITO DE ESCRITURAR CRÉDITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PRÉVIA. ENTENDIMENTO DA SCI COSIT Nº 20/2016. Os créditos de IPI escriturados em razão de decisão judicial transitada em julgado, sem eficácia executiva, que, porventura, componham saldo credor passível de ressarcimento, podem ser pedidos sem necessidade de prévia habilitação do crédito, nos termos da SCI Cosit nº 20/2016. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima – Relatora Fl. 2182DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 2 Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Marco Unaian Neves de Miranda (substituto[a] integral), Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO Para fins de economia processual adoto o relatório da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Relatório Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação, conforme PER/DCOMP relacionados na tabela abaixo, com suporte em saldo credor trimestral de R$2.626.918,73, relativo ao 2º trimestre de 2007. O sustentáculo legal do pedido é o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, e o trânsito em julgado da decisão proferida no MSC nº 91.0047783-4. Baixadas as DCOMP e PER para tratamento manual, concluiu-se, nº Despacho Decisório (fl. 1.095), pela denegação do saldo credor e, conseqüentemente pela não homologação das compensações a ele vinculadas. O motivo para o indeferimento do pleito do contribuinte foi explicitado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 851/867, em que se veiculou a seguinte conclusão: Encerrada a análise das informações relativas aos períodos de apuração dos PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Ressarcimento e Declarações de Compensação)apresentados pelo contribuinte ora em análise, podemos apresentar as seguintes conclusões sobre o direito creditório alegado: • O contribuinte identificou erroneamente a natureza dos créditos apresentados, omitindo a informação de serem eles preponderantemente decorrentes de ação judicial transitada em julgado (no caso, da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Coca-Cola - Mandado de Segurança Coletivo com pedido de liminar - nº 91.0047783-4, perante a 22ª vara federal da Justiça Federal do Rio de Janeiro); • O contribuinte não apresentou o prévio “pedido de habilitação do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado”, previsto nos atos normativos da RFB nº 517/2005, 600/2005 e 900/2008 e alterações; Fl. 2183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 3 • Os aspectos processuais não abrangidos pela decisão judicial transitada em julgado continuam a ser regulados plenamente pelos atos normativos vigentes; • Assim, em razão do peremptório descumprimento da legislação tributária aplicável, não podem ser admitidos como válidos os documentos apresentados; • Não ocorre descumprimento da decisão judicial transitada em julgado, quando a Administração exige a obediência de preceito normativo vigente, não afastado pela própria decisão judicial; • Diante da ausência de uma regular formação processual, a análise da apuração fiscal do IPI (créditos e débitos do imposto) não será aqui apresentada, tendo em vista não ter sido superado os aspectos formais exigíveis. Diante dessas conclusões, devem ser indeferidos os documentos eletrônicos relativos ao presente direito creditório, conforme planilha anexa (ver relação de PER/DCOMP – anexa). Também deverão ser “não-homologados” os valores antes compensados pelo contribuinte, diante do peremptório descumprimento da legislação tributária aplicável. Seguindo a orientação contida no Termo de Verificação Fiscal, foi elaborada a Informação Fiscal de fls. 1.093/1.094, em que se propôs: a) Indeferir o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, relativo ao 2° trimestre de 2007, apresentado pelo Pedido de Ressarcimento Retificador de n° 18759.77276.090508.1.5.01-8564, tendo em vista o não atendimento dos requisitos normativos reguladores dos processos de ressarcimento e compensação, notadamente a classificação errônea da natureza do crédito e a ausência de "pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado". b) Não homologar a compensação dos débitos constantes das Declarações de Compensação Retificadoras de nos 21011.70991.090508.1.7.01-5207 e 35644.73496.090508.1.7.01-0233 tendo em vista o não atendimento dos requisitos normativos reguladores dos processos de ressarcimento e compensação, notadamente a classificação errônea da natureza do crédito e a ausência de "pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado" e determinando a cobrança dos débitos não homologados. Foi, então, emitido o Despacho Decisório de fl. 1.095 que, nos termos da Informação Fiscal, indeferiu o saldo credor solicitado e, consequentemente, não homologou as compensações a ele vinculadas. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 1.099/1.109, para alegar que: 1) é pessoa jurídica de direito privado que se dedica à fabricação de bebidas da marca Coca-Cola. Como tal está sujeita ao IPI; trato sucessivo, não há a necessidade de se vincular os créditos de IPI escriturados àquela ação judicial; Fl. 2184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 4 7) os créditos discutidos naquela ação foram os gerados até o tempo do trânsito em julgado da ação. Posteriormente ao trânsito em julgado não há de se falar em crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado. Os créditos não reconhecidos pela autoridade fiscal não são os reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado. Foram gerados a partir dos créditos mantidos em seu livro de registro de apuração de IPI. São créditos referentes à aquisição de concentrado da Zona Franca de Manaus; 8) ao adquirir concentrado da Zona Franca de Manaus, credita-se de 27% do valor total dos produtos, pois essa é a alíquota prevista pela Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, para produtos localizados na posição 2106.90.10 Ex.01, que são Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida da posição 22.02, com capacidade de diluição superior a 10 partes da bebida para cada parte do concentrado; 9) supõe o Fiscal que houve o creditamento indevido do IPI porque este não estaria destacado nas notas fiscais de aquisição, não gerando assim o direito ao crédito do IPI, esquecendo, contudo, de apreciar o direito ao credito de tais produtos (isentos oriundos da Zona Franca de Manaus) garantido judicialmente; 10) caso a autoridade fiscal tivesse efetuado o levantamento no livro de registro de IPI referente ao 2° trimestre de 2007 e efetuado uma confrontação entre os créditos escriturados e as notas fiscais de produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, chegaria a rápida conclusão da regularidade dos créditos; 11) nesse momento não cabe mais a RFB discutir se há ou não direito a creditar-se dos insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Tal discussão já esta superada, pois o Judiciário já reconheceu que há o direito a tal credito. Caberia a RFB tãosomente verificar se esse crédito se refere a insumos (MP, ME e PI) e se o valor creditado estaria correto. São insumos que estão vinculados e são consumidos no processo produtivo e que não se enquadram nem como ativo fixo e nem como bens de uso e consumo. Primeiro, porque estão de tal forma envolvidos na fabricação do produto explorado que sem o seu concurso é impossível obter o produto final; segundo, porque estão tão intrinsecamente relacionados ao produto final , que se pode avaliar, antecipadamente, a quantidade a ser consumida, eis que guarda estrita relação ou proporção com o volume produzido; terceiro, porque são consumidos e imprescindíveis ao processo de fabricação; e quarto, porque há decisão judicial transitada em julgado garantindo o direito ao crédito de tais insumos oriundos da Zona Franca de Manaus; 12) assim, negar a garantia da manutenção do crédito lançado na escrita fiscal e contábil, dos produtos inerentes à atividade industrial é quedar-se ao instituto da nãocumulatividade e impor ao contribuinte arcar com o ônus ilegal da subtração de seu patrimônio, onerado pelo não reconhecimento do direito judicialmente Fl. 2185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 5 reconhecido de se creditar do IPI incidente nas entradas dos insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus.É certo afirmar que o § 3° do inciso II do artigo 153 da CF, assegura ao contribuinte o direito de creditar-se do IPI dos produtos utilizados na industrialização de insumos, material intermediário, matérias-primas, e material de embalagem, estando a compensação condicionada, tão-só, à prova da aquisição dos bens, comprovada por nota fiscal idônea e a regular escrituração fiscal, tendo o amparo no principio constitucional da não-cumulatividade; 13) protesta, ao fim, por todos os meios de prova, inclusive perícia e diligência, bem como pela juntada posterior de documentação, sobretudo para constatar que há créditos passíveis de compensação. Iniciada a análise da manifestação de inconformidade, duas proposições se mostraram evidentes: a) a concordância havida na 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, MG, sobre a desnecessidade, no caso em tela, de apresentação de pedido de habilitação de créditos, e b) o não acatamento de que, em face do processo judicial relativo ao Mandado de Segurança Coletivo com Pedido de Liminar - nº 91.0047783-4, os créditos referentes aos insumos adquiridos com isenção fossem passíveis de escrituração e/ou ressarcimento. Por essas duas condições, os autos foram remetidos à DRF de origem, para que fossem apartados os créditos aproveitados em razão da medida judicial daqueles comumente passíveis de dedução/ressarcimento. Resolvida a questão demandada à DRF de origem, os autos foram devolvidos à DRJ/JFA/MG. Ressalte-se que, apesar de notificado o contribuinte dos trabalhos realizados e lhe oferecido o prazo para a apresentação de razões adicionais de defesa, este não o fez. Estão, portanto, os autos hábeis ao prosseguimento de sua análise. É O RELATÓRIO. Em apreciação à manifestação de inconformidade a 3ª Turma da DRJ/JFA por meio do acordão 09-60.395 julgou-a improcedente conforme decisão abaixo ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO SEM LEI ESPECÍFICA QUE O AUTORIZE. Não são passíveis de escrituração/dedução ou ressarcimento os créditos “presumidos” decorrentes da aquisição de insumos: MP, PI e ME, adquiridos com isenção do IPI, ressalvados os créditos legalmente autorizados por lei específica para esse fim. Está é a orientação seguida pela RFB e deduz-se dos atos legais e normativos que interpretam o princípio da não-cumulatividade de que cuida o art. 153, §3º, inc. II, da Constituição Federal: o imposto sobre produtos Fl. 2186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 6 industrializados será nãocumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DECISÃO JUDICIAL. ALCANCE TERRITORIAL. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator (art. 2º-A da Lei nº 9.494, de 1997). Nesse sentido, a petição de contribuinte, localizado fora dos limites do Estado do Rio de Janeiro, não se beneficia do trânsito em julgado do MSC nº 91.0047783-4, ajuizado perante a 22ª vara federal da Justiça Federal do Rio de Janeiro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PERÍCIA. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Dispensável a petição de diligência, visto que foi providenciada pela DRJ/JFA/MG/3ª Turma. Sobre a perícia e a apresentação posterior de provas, lhes faltam os requisitos para os respectivos deferimentos: para o primeiro, a indicação do perito e a formulação de quesitos; para o segundo, as condições previstas na legislação, necessárias e indispensáveis ao seu acatamento, ou seja, motivo de força maior, referir-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Quanto à última condição, quando se deu ao contribuinte a oportunidade de apresentar razões adicionais de defesa, ele se manteve silente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da respectiva decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário com mesmos fundamentos da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Keli Campos de Lima, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Fl. 2187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 7 Cuida-se de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, relativo ao segundo trimestre de 2007, cumulado com declarações de compensação amparado em decisão judicial proferida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4, perante a 22 ª Vara Federal da Justiça Federal do Rio de Janeiro em que a empresa obteve o reconhecimento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos do imposto. A averiguação do direito creditório que abarcou os trimestres compreendidos entre o 3º trimestre de 2005 e o 2º trimestre de 2008 foi realizada por meio do MPF 0410100 2009 00999 0 culminando no indeferimento do ressarcimento requerido e não homologação das compensações a ele vinculadas, uma vez que a Recorrente não apresentou o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Ação Judicial Transitada em Julgado, em descumprimento ao disposto no art. 51 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Ante a decisão da autoridade fiscal, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente mantendo o entendimento da necessidade de prévia habilitação. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente insurge contra a referida exigência, com os mesmos argumentos. Pois bem. Compulsando os autos verifica-se que se trata de matéria ao processo 10480.720219/2010-15, também da Recorrente e decorrente do mesmo procedimento fiscal, lastreada na decisão mandamental proferida nos autos Mandado de Segurança Coletivo nº 91.0047783-4. A diferença entre os processos está tão somente em relação aos períodos pois o processo nº 10480.720219/2010-15 é relativo ao período de 2º trimestre de 2008 enquanto no presente caso os créditos se reportam ao 2º trimestre de 2007. Desta forma, considerando que o caso foi objeto de apreciação por esta d. Tuma por meio do acórdão 3302004.803 que, em que pese ter reconhecido a legalidade da exigência do procedimento de habilitação prévia prevista na IN SRF nº 517/2005 e consolidada no artigo 51 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época da transmissão do PER - pedido de ressarcimento, entendeu nos casos de direito creditório reconhecido judicialmente, após o trânsito em julgado, relativo à escrituração de créditos de IPI, eventualmente, compondo saldo credor passível de ressarcimento, pode ser objeto de pedido de ressarcimento, sem a necessidade de pedido prévio de habilitação, entendo que a decisão proferia no processo nº 10480.720219/2010-15, já transitada em julgado administrativamente, deve ser aplicada também neste caso, razão pela qual adoto-a como razões de decidir. “(...) Trata o presente de pedido de ressarcimento de IPI, indeferido em razão de a recorrente não ter informado que se tratava de crédito oriundo de ação judicial e, por consequencia, não ter efetuado a habilitação prévia. Inicialmente, analisa-se a legalidade da exigência do procedimento de habilitação prévia. A habilitação prévia foi prevista na IN SRF nº 517/2005 e consolidada no Fl. 2188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 8 artigo 51 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época da transmissão do PER - pedido de ressarcimento. A regulamentação decorreu da permissão contida no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cujos §12 e, posteriormente, §14, estabeleciam que a Secretaria da Receita Federal disciplinaria o disposto no artigo 74, conforme abaixo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)Portanto, não há ilegalidade na exigência, pois a Administração apenas disciplinou a compensação com um procedimento preparatório com vistas a confirmar a veracidade de informações básicas, como se o sujeito passivo figura no polo ativo da ação, se o objeto refere-se a tributo administrado pela RFB, se houve o trânsito em julgado, em razão de inúmeras fraudes detectadas em compensações efetuadas, as quais apostavam na inércia da Administração Tributária, frente ao instituto da homologação tácita, como salientou a decisão recorrida. Neste sentido, citam-se acórdãos do STJ e deste próprio Conselho: AgRg no AREsp 655595 / RJ, de 08/09/2015: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PRÉVIA HABILITAÇÃO. IN SRF7 Nº 600/2005. ARTIGOS 74 DA LEI Nº 9.430/96 E 170 DO CTN. LEGITIMIDADE. 1. Não há falar em violação aos princípios da legalidade, tampouco em extrapolação do poder regulamentar, advinda com a edição da IN SRF 517/2005 e dos arts. 50, 51 e 76 da IN SRF 600/2005 pois, além de terem o escopo precípuo de implementar as condições para que a compensação com créditos judiciais transitados em julgado dê-se apenas quando haja a comprovação da existência dos mesmos, tais dispositivos encontram respaldo nas normas autorizadoras que constam dos arts. 74, § 14, da Lei 9.430/96 e 170 do Código Tributário Nacional. Precedente: REsp Fl. 2189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 9 1.309.265/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 3/5/2012. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no REsp 1461861 / SC, 18/09/2014: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 74 DA LEI 9.430/96. LEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA DE PRÉVIA HABILITAÇÃO DO CRÉDITO JUDICIAL TRANSITADO EM JULGADO. 1. A jurisprudência do STJ entende que a Declaração de Compensação somente será recepcionada após prévia habilitação do crédito pela Receita Federal. 2. Agravo Regimental não provido. Acórdão nº 3302-002.741: CRÉDITO RECONHECIDO EM DECISÃO JUDICIAL. PEDIDO DE UTILIZAÇÃO. HABILITAÇÃO PRÉVIA. O crédito reconhecido em decisão judicial transitada em julgado não é passível de restituição administrativa e o seu aproveitamento, via compensação, deve ser precedido de sua habilitação perante a RFB, sendo obrigatório o uso do PER/DCOMP eletrônico. Acórdão nº 3402-002.813: HABILITAÇÃO DO CRÉDITO. ILEGALIDADE. A prévia exigência habilitação do crédito para a transmissão de Perdecomp não é ilegal, pois esse procedimento não suprime e nem limita o exercício do direito de compensação estabelecido pela lei. Voltando ao caso concreto, a recorrente impetrou um mandado de segurança preventivo para que seus associados não sejam compelidos a estornar o crédito de IPI, incidente sobre as aquisições de matéria-prima isenta a fornecedor situado na Zona Franca de dos seus produtos (refrigerantes código 2202.90 da TIPI), cuja saída é sujeita ao IPI, conforme petição inicial, e-fls. 374. A decisão transitada em julgado proferida pelo TRF da 2º Região se deu com a seguinte ementa (e-fls. 406): TRIBUTÁRIO - MANDADO DE SEGURANÇA - IMPOSTO SOBRE PRODUTOSINDUSTRIALIZADOS - MATÉRIA PRIMA PROCEDENTE DA ZONA FRANCA DE MANAUS - COMPENSAÇÃO DE VALOR NÃO TRIBUTADO POR ISENÇÃO - PRECEDENTES JUDICIAIS- I - Cabente o creditamento do valor de IPI que, em razão de isenção, deixou de ser tributado em operação anterior, para que se dê pleno alcance ao princípio constitucional de não cumulatividade, enunciado sem restrições para esse imposto II- Recurso a que se dá provimento. Fl. 2190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 10 Frise-se que não há controvérsia quanto ao teor da decisão judicial obtida pela recorrente. De fato, no Termo de Verificação Fiscal que fundamentou a informação fiscal e o despacho decisório, restou consignado que a recorrente obteve decisão transitada em julgado em 02/12/1999 (e-fls. 418) no Mandado de Segurança nº 91.0047783-4, conforme o excerto abaixo: "No julgamento da apelação, em 28/04/1998, a Primeira Turma do referido TRF, por meio do acórdão prolatado, reformou a decisão da 1ª instancia e concedeu a segurança para reconhecer a admissibilidade do “creditamento do valor do IPI que, em razão de isenção, deixou de ser tributado em operação anterior” no tocante às matérias­primas procedentes da Zona Franca de Manaus" A recorrente alega que o provimento obtido não se sujeita à habilitação prévia do crédito, pelo fato de a ação ser mandamental, não comportando execução judicial, mas apenas uma declaração de direito. Esta questão foi objeto de consulta da Coordenação Geral de Tributação - Cosit à Procuradoria da Fazenda Nacional mediante a Nota Técnica nº 18/2010, na qual analisou diversas questões relativas à restituição e compensação tributárias, dentre elas, se havia a necessidade ou não prévia habilitação do crédito nas ações judiciais que não possuem eficácia executiva, em contraposição às ações judiciais que possuem eficácia executiva e que devem ser objeto de pedido de habilitação para fins de compensação. Tal nota foi submetida à apreciação da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que se manifestou no Parecer PGFN/CRJ nº 19/2011, discorrendo sobre o tema da eficácia executiva das sentenças judiciais, assim dispôs, especificamente quanto ao item relativo à prévia habilitação: "47. Nesse sentido, gozam de força executiva as sentenças exaradas em ações tributárias declaratórias ajuizadas após a ocorrência da violação ao direito, cujo objeto seja restrito à obtenção de certeza jurídica, por intermédio da coisa julgada material, acerca da existência/inexistência de relação jurídico- tributária, porque, em tais ações, ainda que implicitamente, é possível identificar e extrair oselementos da obrigação devida, como sujeitos, prestação e exigibilidade. 48. Em outra linguagem, pode ser executada e, conseqüentemente, ser objeto de compensação − na medida em que a compensação constitui uma das formas de execução do julgado − a sentença que assegure ao autor o direito de obstar a exigência futura de determinado tributo pelo Fisco, independentemente de constar, de modo expresso, no pedido da ação ou no bojo da sentença, reconhecimento de direito creditório em favor do autor face à Fazenda Pública. [...] 51. Em relação ao mandado de segurança, o exame do alcance da sentença nele proferida deve ser realizado a partir da análise da natureza Fl. 2191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 11 da ação mandamental combinada com os enunciados das Súmulas nº 213 do STJ e 269 e 271 do STF. [...] 57. Inquestionável que a aplicação das súmulas deve ser harmônica, o que implica na assertiva de que o mandamus constitui meio hábil para a declaração do direito à compensação tributária, mas não produz efeitos patrimoniais em relação a período pretérito, já que não é substitutivo de ação de cobrança. Nesse sentido, veja o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre a matéria: [...] 60. Nesse contexto, conclui-se que a sentença proferida em sede de mandado de segurança se sujeita a dois regramentos: a) como o writ alcança somente as prestações atuais e futuras, gozam os consectários entre a data da impetração e do efetivo cumprimento da ordem de força mandamental e de eficácia executiva (no caso de não cumprimento da ordem – art. 461 do CPC), podendo tais valores, em consequência, ser objeto de compensação tributária (Súmula nº 213 do STJ) e b) inviabilidade da cobrança, por meio de mandado de segurança, dos valores referentes às parcelas pretéritas ao ajuizamento do writ e, portanto, impossibilidade de compensação de tais créditos, devendo ser ajuizada nova ação (repetição de indébito) à satisfação dos créditos pretéritos (Súmulas nº 269 e 271 do STF). Das conclusões tecidas por esta Procuradoria-Geral 61. Diante das considerações delineadas, constata-se que a força executiva da sentença decorre da natureza e do conteúdo da decisão, independentemente da denominação a ela atribuída, de tal maneira que gozará de eficácia executiva e, portanto, poderá ser objeto de compensação toda sentença tributária que, ao reconhecer a existência/inexistência de relação jurídico- tributária, contiver, mesmo que implicitamente, os elementos identificadores da obrigação devida (sujeitos, prestação e exigibilidade). 62. Destarte, no campo tributário, além das ações condenatórias, gozam de eficácia executiva as sentenças de procedência das ações declaratórias e mandamentais ajuizadas após ocorrida a violação ao direito (no caso, o recolhimento indevido da exação pelo Fisco), cujo objeto limita-se a impedir a constituição de determinado crédito tributário futuro, na medida em que o direito à satisfação do crédito (restituição via precatório ou compensação) figura como consectário lógico das ações de tal natureza e não necessita vir expresso na sentença ou no pedido da ação. (Observar as peculiaridades da ação mandamental listadas nos itens 51 a 60 deste Parecer). Fl. 2192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 12 [...] 67. Como visto, esta Procuradoria-Geral firmou o entendimento de que possuem eficácia executiva as decisões judiciais que se limitam a reconhecer a inexistência de relação jurídicotributária, quando delas puder resultar direito de crédito ao contribuinte-autor, em razão de já ter ocorrido violação prévia ao direito (no caso, recolhimento indevido do tributo). Assim, tais sentenças podem ser objeto de execução contra a Fazenda Nacional mediante compensação ou na forma do art. 730 do CPC." Referido posicionamento foi revisado em seu item 60, pelo Parecer PGFN/CRJ/ nº 1177/2013, que revogou tal item, opinando pela possibilidade de compensação de prestações pretéritas ao ajuizamento do mandado de segurança sem que haja um segundo juízo de certificação (nova ação condenatória) para que haja a satisfação do direito, conforme abaixo transcrito: 35. Diante do exposto, conclui-se que podem ser objeto de compensação os créditos vincendos e vencidos à propositura do mandado de segurança quando referentes à decisão mandamental transitada em julgado, que reconhece a inexistência de relação jurídico-tributária, independentemente de constar, de modo expresso, no pedido da ação ou no bojo da sentença, reconhecimento de direito creditório em favor do autor face à Fazenda Pública, se nele for possível identificar e extrair todos os elementos da obrigação devida, como sujeitos, prestação e exigibilidade. Porém, o Parecer PGFN/CRJ nº 19/2011 não se manifestou sobre o questionamento da Cosit acerca da desnecessidade de prévia habilitação de pedido de restituição ou compensação fundado em ação declaratória pura. Ressalta-se, entretanto, que a Cosit emitiu posicionamento sobre este tema mediante a publicação da Solução de Consulta Interna nº 20, de 15 de agosto de 2016, que versou sobre decisão judicial assegurando ao contribuinte o direito de deduzir créditos escriturais de IPI na aquisição no mercado interno de insumos relativos a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo industrial, adquiridos de pessoas físicas, cooperativas agrícolas e pequenos agricultores, tendo sido certificado o direito ao ressarcimento de eventuais saldos, corrigidos à taxa Selic, que após o trânsito em julgado, o contribuinte efetuou o pedido de habilitação de crédito na vigência da IN RFB nº 900/2008, a qual foi deferida A questão posta na solução cingia-se à necessidade ou não de apresentação de PER antes de entrega de DCOMP, uma vez que a IN RFB nº 1300/2012 extinguiu a possibilidade de apresentação de pedido de restituição ou ressarcimento, decorrentes de ação judicial, acatando o Parecer PGFN/CAT nº 2.093/2011, que sugeria a reformulação do artigo 70 da IN RFB nº 900/2008, extirpando, assim, a restituição administrativa como possibilidade jurídica de execução do crédito em face do Fisco. A referida solução de consulta concluiu que "a sistemática de apuração do crédito escritural, conjugada com os efeitos da sentença transitada em julgado, tornam Fl. 2193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 13 prescindível uma nova intervenção do Poder Judiciário a cada apuração futura de direito creditório, razão pela qual o ressarcimento administrativo revela-se juridicamente adequado, não se vislumbrando ofensa ao dispositivo constitucional que impõe a exclusividade do precatório como forma de execução do título judicial contra a Fazenda Pública". Como consequência da conclusão, a SCI nº 20/2016 assim dispôs: 53. Como corolário do entendimento acima firmado, tem-se que o saldo credor apurado em período posterior ao trânsito em julgado da sentença encontra-se submetido ao mesmo regime jurídico aplicável aos demais créditos (não decorrentes de ação judicial), podendo ser objeto de pedido de ressarcimento – com a ressalva de que a administração tributária, ao proceder à análise do direito creditório, não poderá opor-se ao que restou estabelecido em caráter definitivo pela autoridade judicial. 54. O referido saldo credor não deverá ser objeto do procedimento de habilitação previsto no art. 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012, cuja exigibilidade se encontra reservada aos créditos apurados antes do trânsito em julgado da sentença, sujeitos a uma ação própria de execução contra a Fazenda. 55. Não obstante a inaplicabilidade da habilitação prévia ao direito creditório que sucede à sentença definitiva, a administração poderá condicionar o seu reconhecimento à apresentação de documentos comprobatórios, com fundamento no art. 76 da IN RFB nº 1.300, de 2012: [...] 56. Tanto o contribuinte quanto a administração devem observar que os efeitos da decisão judicial perduram até que sobrevenham novas circunstâncias fáticas ou jurídicas, cujo desdobramento será uma nova relação, não alcançada pelo provimento judicial. [...] Conclusão [...] 62. Em relação aos créditos apurados antes do trânsito em julgado da sentença, conclui-se: 62.1. A IN RFB nº 900, de 2008, estabelecia a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação como hipóteses de aproveitamento, no âmbito administrativo, de crédito decorrente de ação judicial; 62.2. A possibilidade de restituição, ressarcimento ou reembolso de crédito decorrente de ação judicial não encontra previsão na IN RFB nº 1.300, de 2012, tendo em vista o entendimento consignado no Parecer PGFN/CAT nº 2.093, de 2011; e 62.3. A mudança de interpretação não se aplica à hipótese em que o contribuinte Fl. 2194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 14 tenha apresentado o pedido de ressarcimento do crédito decorrente de ação judicial na vigência da IN RFB nº 900, de 2008. 63. No que se refere aos créditos apurados a partir do trânsito em julgado da sentença, cujo aproveitamento será realizado na vigência da IN RFB nº 1.300, de 2012, conclui-se: 63.1. O saldo credor poderá ser objeto de pedido de ressarcimento, com a ressalva de que a administração tributária, ao proceder à análise do direito creditório, não poderá opor-se ao que restou estabelecido em caráter definitivo pela autoridade judicial; 63.2. O saldo credor não deverá ser objeto do procedimento de habilitação previsto no art. 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; 63.3. Não obstante a inaplicabilidade da habilitação prévia ao direito creditório que sucede à sentença definitiva, a administração poderá condicionar o seu reconhecimento à apresentação de documentos comprobatórios; 63.4. Tanto o contribuinte quanto a administração devem observar que os efeitos da decisão judicial perduram até que sobrevenham novas circunstâncias fáticas ou jurídicas, cujo desdobramento será uma nova relação, não alcançada pelo provimento judicial; Assim, o entendimento da Administração Tributária é de que o direito creditório reconhecido judicialmente, após o trânsito em julgado, relativo à escrituração de créditos de IPI, eventualmente, compondo saldo credor passível de ressarcimento, pode ser objeto de pedido de ressarcimento, sem a necessidade de pedido prévio de habilitação. Embora a solução de consulta tenha sido fundada nas IN RFB nº 900/2008 e nº 1.300/2012, seus fundamentos são aplicáveis ao disposto ao pedido de habilitação prévia de que trata o artigo 51 da IN SRF 600/2005, vigente à época dos fatos, o que convalidou o posicionamento da Cosit externado na Nota Técnica nº 18/2010, quando à desnecessidade de habilitação prévia para decisões judiciais que não possuem eficácia executiva. Assim, procede o pedido do recurso voluntário para processamento do pedido de ressarcimento, independentemente de prévia habilitação, podendo ser verificada, entretanto, a liquidez e certeza do direito creditório, mediante, inclusive, diligência fiscal, se necessário, de acordo com o artigo 107-A da IN RFB nº 1.300/2012. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. (...)” Dispositivo Fl. 2195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.706 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.022235/2008-41 15 Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que o processamento do pedido de ressarcimento ocorra sem a necessidade de prévia habilitação do crédito. Assinado Digitalmente Keli Campos de Lima Fl. 2196DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 19515.720970/2011-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. A empresa não comprovou que o valor recebido teria natureza indenizatória, portanto, há de ser mantida a exigência fiscal sobre os valores recebidos decorrentes de emissão de faturas de prestação de serviços.
Numero da decisão: 1002-004.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luís Ângelo Carneiro Baptista(substituto integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andréa Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luís Ângelo Carneiro Baptista(substituto integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andréa Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente).

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. A empresa não comprovou que o valor recebido teria natureza indenizatória, portanto, há de ser mantida a exigência fiscal sobre os valores recebidos decorrentes de emissão de faturas de prestação de serviços. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.131 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720970/2011-14 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Pezzuto Rufino, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luís Ângelo Carneiro Baptista(substituto integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijó, Andréa Viana Arrais Egypto, Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa TERRA NOVA CONSTRUÇÕES VIÁRIAS LTDA, contra decisão proferida pela DRJ, que julgou a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário remanescente. O presente processo decorre de Auto de Infração (fls. 149/170), lavrado em 12/09/2011, em que se apurou IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, a partir da verificação de “EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL”, referente ao ano-calendário de 2007. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 141/148), em análise da DIPJ apresentada pela empresa, constatou-se a informação na linha 49 da Ficha 9A (outras exclusões) do valor de R$ 1.147.463,32. A empresa foi intimada para esclarecimentos e informou se tratar de Receitas Financeiras no valor de R$ 36.115,18, que, por equívoco, na soma das parcelas de exclusão não foram oferecidas à tributação, além de valores relativos a indenizações recebidas do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER), no montante de R$ 1.111.348,14, tendo em vista que as faturas emitidas e não recebidas do DER e os juros e correção monetária incidentes, tributados exclusivamente na fonte. A Fiscalização considerou os valores recebidos do DER (R$ 1.111.348,14) como receitas tributáveis decorrentes de faturas emitidas e sujeitas à incidência do IRPJ e da CSLL. Em relação ao referido montante glosado foi também lançado o PIS e a COFINS. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 19/09/2011 (fl. 150), e em 17/10/2011 apresentou impugnação de fls. 181/184, na qual pleiteia pela improcedência da ação fiscal e o cancelamento do débito fiscal reclamado. A 9ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 14-88.460 (fls. 241/246) a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2007 IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. FATO GERADOR. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.131 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720970/2011-14 3 O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DIRF POSTERIORMENTE RETIFICADA. Comprovado nos sistemas da RFB a existência de imposto de renda retido na fonte, objeto de declaração pela fonte pagadora após a lavratura do Auto de Infração, é cabível a retificação do lançamento fiscal. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ, via Correio, em 29/10/2018 (fls. 255) e, inconformada com a decisão prolatada, em 27/11/2018 apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 258/268), onde narra os fatos ocorridos e afirma que os documentos emitidos pelo DER acostados às fls. 137/139 comprovam que houve pagamento de juros moratórios, com a respectiva retenção na fonte. Requer seja declarada a insubsistência da exação fiscal. É o Relatório. VOTO Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator Juízo de admissibilidade Os Recursos Voluntários foram apresentados dentro do prazo legal e atendem aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A Recorrente afirma que nos anos de 1980 a 1985 manteve contratos de prestação de serviços com o Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER), onde recebeu suas faturas com atrasos. Assim, nos anos de 1989 e 1990 ingressou com ações para recebimento de juros e correção monetária pelos pagamentos efetuados em atraso. Afirma que os valores principais, no importe de R$ 504.759,65, já haviam sido reconhecidos na contabilidade da empresa e oferecidos à tributação nos respectivos anos. Afirma que houve exigência ilegal de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e duplicidade na exigência do IRPJ e CSLL sobre o valor de R$ 504.759,65. Inicialmente, é importante esclarecer que a incidência do PIS e da COFINS recaiu apenas sobre o montante de R$ 1.111.348,14. O valor de R$ 36.115,18, relativo às receitas Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.131 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720970/2011-14 4 financeiras não oferecidas à tributação, conforme confessado pela contribuinte, foi acrescida ao valor de R$ 1.111.348,14 para a base de incidência apenas do IRPJ e CSLL. Desde a apresentação da impugnação, e agora com o Recurso Voluntário, o contribuinte insiste que os valores recebidos pela empresa, conforme documentos de fls. 137/139, correspondem aos juros moratórios decorrentes de ações judiciais, ajuizadas em 1989 e 1990, nas quais se pleiteou o pagamento de juros e correção monetária em face de pagamentos efetuados em atraso pelo DER. Os documentos apresentados trazem um demonstrativo de rateio de pagamento referente a 28/12/2006, indicando número de processo, resultado de cálculos com valor principal, juros moratórios, honorários de advogado, valor de custas, o que indica a existência de ação judicial. No entanto, o conjunto probatório adunado aos autos não é apto a comprovar que os valores recebidos pela Recorrente correspondem a pagamentos de natureza indenizatória ou se são apenas recebimento decorrente de faturas emitidas e não recebidas. Não há nos autos cópia de ação judicial, com as respectivas decisões, cópia de precatório, ou seja, elementos adicionais que permitam a compreensão dos fatos, da decisão judicial e a conferência de dados para a aferição do alegado. Os elementos disponibilizados são insuficientes para a comprovação das alegações dispostas na peça recursal. Dessa forma, referidos valores recebidos pela empresa pelo DER, a partir de serviços prestados, correspondem à receita operacional da empresa. Conforme se verifica dos termos do Código Tributário Nacional: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1° A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 104, de 10/01/2001) O Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), vigente à época dos fatos, estabelece em seu artigo 219, parágrafo único o seguinte: Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.131 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720970/2011-14 5 Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 199, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). Como se percebe, a tributação recaiu sobre valores efetivamente recebidos pela empresa, decorrentes dos serviços por ela prestados. Nesse sentido, e por concordar com o entendimento exarado pela DRJ, trago a seguir excertos do Acórdão que corroboram com o entendimento. Vejamos: De fato, intimado o sujeito passivo para justificar a natureza dos valores recebidos no montante de R$1.111.348,14, o mesmo esclareceu que o recebimento de tais valores seriam decorrentes de faturas emitidas e não recebidas, contra o DER – Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo, além dos juros e da correção monetária decorrentes. Dessa forma, tanto as informações prestadas pelo próprio sujeito passivo, quanto os documentos anexados aos autos, não são capazes de demonstrar que esse montante recebido pela impugnante refere-se a valores tributáveis exclusivamente na fonte, como alegado na impugnação apresentada. Tampouco existem documentos aptos a demonstrar que tratam-se de valores relativos a indenizações ou pagamentos efetuados mediante precatório. Tratando-se, como declarado pela própria empresa autuada, de faturas emitidas contra o DER, depreende-se que tais valores refletem o pagamento, em benefício da autuada, da venda de bens ou serviços, fato que revela a natureza desses pagamentos como receita operacional. Sobre o tema, dispõe o artigo 44 da Lei nº 4.506/1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I - o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; Aduz, a impugnante, que tratando-se de valores considerados como receitas financeiras, deveria ser aplicada alíquota zero para PIS e COFINS. Não obstante, Fl. 294DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art44 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art04 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art144 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art26 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7450.htm#art51 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L7450.htm#art51 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8981.htm#art76§2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art25ii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art25ii https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art27ii D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.131 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720970/2011-14 6 ressalto mais uma vez que a autuada deixou de apresentar documentos que pudessem demonstrar a efetiva natureza da base de cálculo aqui lançada, motivo pelo qual não faz jus à aplicação da alíquota zero mencionada. Sobre o tema, importante esclarecer que os documentos anexados às fls. 137/139 não são aptos a demonstrar a natureza dos pagamentos realizados, pois desacompanhados de documentação que os reconheça como correspondentes aos valores efetivamente recebidos pelo interessado. Para tanto, seria necessária a apresentação de decisão judicial, decisão administrativa, contrato firmado entre as partes, ou qualquer outro documento apto a demonstrar a origem dos valores aqui tratados. Não demonstrada, portanto, a natureza dos valores recebidos, não faz jus a impugnante à aplicação da alíquota zero para o PIS e a COFINS de que trata o Decreto nº 5.442/2005. Em face do contexto apresentado, deve ser mantida a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e NEGAR-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 295DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11232808 #
Numero do processo: 13839.002498/2005-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. TEMA 110 DO STF. “É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.”
Numero da decisão: 3101-004.427
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES

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AMPLIAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE. TEMA 110 DO STF. “É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.” ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Laura Baptista Borges, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão proferido pela C. 3ª Turma da DRJ/CPS, que julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada. E, pela clareza com que expôs os fatos, transcrevo parte do Relatório do acórdão da C. DRJ para melhor compreensão da controvérsia: Fl. 259DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.427 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13839.002498/2005-57 2 “Trata-se de impugnação à exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. O feito, referente aos períodos de apuração de 28/02/1999 a 31/12/2003, constitui crédito tributário no total de R$ 142.764,18, somados o principal, multa de ofício e juros de mora incorridos até o mês anterior ao da lavratura. O Auto de Infração, fls. 27/42, tem por fundamento a seguinte constatação: Em relação à COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – o contribuinte deixou de recolher parcialmente a contribuição, por não considerar as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/98, que a partir de fevereiro/1999 alterou a incidência dessa contribuição que passou a ser sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as referidas receitas. Em decorrência desse procedimento adotado apuramos o valor que deixou de ser recolhido com base no demonstrativo apresentado à fiscalização. (...) A contribuinte foi intimada do feito fiscal em 17/11/2005. A impugnação foi apresentada em 15/12/2005, fls. 46/58. Na peça impugnatória a contribuinte, em síntese: • Em preliminar, alega a ocorrência da decadência do direito do fisco com relação aos fatos geradores compreendidos entre fevereiro de 1999 e outubro de 2000, argumentando que deve ser aplicado ao caso o artigo 150, § 4º, na determinação do prazo decadencial; • Quanto ao mérito, entende que o lançamento deve ser julgado improcedente posto que fundado em norma inconstitucional. Assevera que o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, feriu a Carta Magna ao ampliar a base de cálculo da contribuição discutida. Cita julgados do Supremo Tribunal Federal nesse sentido.” Irresignada, a Recorrente apresentou sua Impugnação que, em julgamento, a DRJ julgou parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário Nacional. Fl. 260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.427 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13839.002498/2005-57 3 Na hipótese em que há recolhimento, o prazo decadencial de cinco anos conta-se da ocorrência do respectivo fato gerador. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. BASE DE CÁLCULO. COFINS. A base de cálculo da COFINS é a receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Lançamento Procedente em Parte” Assim, à vista do entendimento de que o prazo decadencial aplicável é o quinquenal, houve o cancelamento parcial do lançamento fiscal, nos limites a seguir delineados: A Recorrente, quanto à parte remanescente, interpôs seu Recurso Voluntário, estruturado no seguinte tópico recursal:  DA ILEGALIDADE DA EXTENSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS SOBRE RECEITAS NÃO PROVENIENTES DA VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merece ser conhecido. 1 – DA ILEGALIDADE DA EXTENSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS SOBRE RECEITAS NÃO PROVENIENTES DA VENDA DE MERCADORIAS E/OU SERVIÇOS. Fl. 261DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.427 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13839.002498/2005-57 4 A Recorrente sustenta que a base de cálculo da COFINS não pode ser ampliada para alcançar receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, ao alargar o conceito de faturamento para abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em julgamentos reiterados (RE nº 346.084/PR, REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG), que firmaram o entendimento de que a COFINS deve incidir apenas sobre receitas operacionais típicas. Alega que a decisão recorrida deixou de enfrentar o mérito da controvérsia sob o argumento de impossibilidade de controle de constitucionalidade na esfera administrativa, quando, na verdade, a matéria já se encontra definitivamente decidida pelo STF. Por fim, defende que agiu corretamente ao excluir da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras, por não se enquadrarem no conceito constitucional de faturamento. Sustenta que o Conselho Administrativo de Contribuintes (atual CARF) possui competência para reconhecer a inexigibilidade da cobrança quando fundada em norma já declarada inconstitucional pelo STF, razão pela qual requer o cancelamento do Auto de Infração e o reconhecimento da improcedência da exigência fiscal. O acórdão da DRJ decidiu o enfretamento do mérito da seguinte forma: “Observe-se que existe, inclusive, que tal inteligência encontra-se consolidada na Súmula nº 2, de 19/05/2006, do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo transcrita: Enunciado nº 2 – O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que alterou a sistemática de pagamento do PIS e da COFINS, assim dispõe: Art. 2º. As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º. Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (grifos nossos) Apenas na eventualidade de comprovação da existência de ordem judicial em sentido contrário, poderia/deveria o agente autuante e este órgão julgador deixar de dar cumprimento ao expresso comando legal. Como já dito, não compete às instâncias administrativas se manifestarem sobre inconstitucionalidades de leis, Fl. 262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.427 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13839.002498/2005-57 5 como no presente caso. Portanto, a base de cálculo da contribuição discutida é aquela claramente estabelecida no comando normativo supra.” O acórdão da DRJ merece reforma. De fato, a matéria foi submetida à sistemática da Repercussão Geral no Supremo Tribunal Federal – Tema 110, julgada no Recurso Extraordinário nº 585235, cuja tese fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98.” Confira-se, ainda, a ementa do julgado: “EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.” Assim, no presente caso, se impõe o cumprimento do referido julgado, observando- se, ainda, o que determina o artigo 99, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.° 1.634/2023): “Art. 99. As decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica nos casos em que houver recurso extraordinário, com repercussão geral reconhecida, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, sobre o mesmo tema decidido pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática dos recursos repetitivos.” (meus grifos) Assim, acolho as razões. 4 – DA CONCLUSÃO. Ante o todo exposto, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.427 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13839.002498/2005-57 6 Fl. 264DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 16692.721795/2017-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA. Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada.
Numero da decisão: 3401-014.223
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-014.221, de 16 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 16692.721809/2017-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, George da Silva Santos, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO

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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CANCELAMENTO DA MULTA. Por força do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 796.939/RS, a multa isolada exigida em decorrência da não homologação de Dcomp deve ser cancelada. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-014.221, de 16 de outubro de 2024, prolatado no julgamento do processo 16692.721809/2017-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, George da Silva Santos, Laercio Cruz Uliana Junior, Mateus Soares de Oliveira, Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Fl. 616DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.223 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721795/2017-39 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ contra o lançamento de multa isolada, decorrente da não homologação e/ ou homologação parcial de Declarações de Compensação (Dcomp) transmitidas pelo contribuinte. O lançamento decorreu da não homologação da compensação dos débitos declarados e teve como fundamento o art. 74, § 17, da Lei nº 9.430/96. Intimado do lançamento, a recorrente impugnou-o, alegando em síntese que a multa é descabida por afrontar o direito constitucional de petição; a apresentação de pedido de compensação ou ressarcimento não pode transformar em punição, sem infração; cita doutrina que entende balizar seu argumento. Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, repisando os mesmos argumentos de impugnação. Em síntese, é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário interposto pela recorrente atende aos requisitos do artigo 67 do Anexo II do RICARF. No entanto, em face do disposto no art. 98, inciso II, parágrafo único, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 796.939/RS, com repercussão geral, não conheço das matérias suscitadas no recurso voluntário, adotando, para o presente caso, a decisão deste Excelso Pretório. Sobre o assunto, o voto já proferido nesse CARF: Número do processo: 16682.722795/2016-94 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 617DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.223 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721795/2017-39 3 Período de apuração: 01/01/2009 a 30/11/2009 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Número da decisão: 3301-012.300 Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Ressalta-se, que no julgamento do referido RE, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que fundamentou a exigência da multa isolada, em discussão, nos termos da seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 796.939/RS – MULTA ISOLADA/DCOMP NÃO HOMOLOGADA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.223 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721795/2017-39 4 controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca a compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo. Por sua vez, o art. 98 do RICARF, assim dispõe: Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-014.223 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16692.721795/2017-39 5 b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, cabendo à autoridade administrativa cancelar o lançamento da multa isolada. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando a multa. Assinado Digitalmente LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO – Presidente Redator Fl. 620DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10384.720940/2015-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. É permitida a dedução da base de cálculo do imposto na DAA dos valores efetivamente pagos a título de pensão alimentícia, em face das normas do direto de família, desde que em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2302-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ROSANE BEATRIZ JACHIMOVSKI DANILEVICZ

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DEDUÇÃO. É permitida a dedução da base de cálculo do imposto na DAA dos valores efetivamente pagos a título de pensão alimentícia, em face das normas do direto de família, desde que em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Fl. 57DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.273 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.720940/2015-08 2 Trata-se de recurso voluntário interposto em face do acórdão nº 03-81.172 da 3ª Turma de Julgamento da DRJ/BSB, na qual os membros daquele colegiado, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação. Reproduzo o Relatório da decisão de piso por bem descrever o processo (e-fls. 42- 48): Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do IRPF 2013, ano calendário 2012, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/ Teresina. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.043,27, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação da(s) seguinte(s) infração(s): Dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 29.005,83. Glosa da pensão em favor de Clemilde Vogado Bezerra, por se tratar de acordo extrajudicial, não existindo previsão legal para sua dedução. A data da ciência do Lançamento não consta dos autos ou dos sistemas RFB e o contribuinte apresentou sua impugnação em 20/03/2015 (fls. 03), acompanhada de documentação, alegando, em síntese, que contesta a glosa e junta os documentos necessários à comprovação das despesas glosadas. Em julgamento, a DRJ manteve a glosa em razão de a pensão declarada em favor de Clemilde Vogado Bezerra estar prevista em acordo extrajudicial (e-fls. 31-35). Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (e-fls. 41-52) juntando decisão judicial datada de 12/09/2018 que homologou o acordo extrajudicial firmado com o Ministério Público do Estado do Piauí – Programa Juizado Itinerante em acordo extrajudicial firmado com o Ministério Público do Estado do Piauí – Programa Juizado Itinerante em 24/03/2008. É o relatório. VOTO Conselheira Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Relatora 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso. 2. Mérito Fl. 58DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.273 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.720940/2015-08 3 A controvérsia estabelecida nos autos cinge-se quanto a dedução indevida de despesas de pensão alimentícia prevista em acordo extrajudicial. Assim consta na decisão de piso: Voto (...) A motivação da glosa foi o fato da pensão declarada em favor de Clemilde Vogado Bezerra estar prevista em acordo extrajudicial. Com efeito, o acordo de fls. 10, que trata do desconto de 60% do salário do impugnante junto à fonte pagadora Polícia Militar do Estado do Piauí, é extrajudicial. A legislação tributária preleciona que é dedutível a pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Também é dedutível a pensão alimentícia prevista em escritura pública, nas hipóteses previstas no artigo 1.124-A do Código de Processo Civil. Não se enquadrando em nenhum dos casos descritos na legislação, não é dedutível a pensão declarada (...) Conforme mencionado no relatório, o Recorrente juntou com o Recurso Voluntário cópia da sentença judicial que homologou o acordo extrajudicial reconhecendo que o pagamento da pensão alimentícia no percentual de 60% do seu salário “vem sendo pago desde 24/03/2008.” Diante deste cenário, entendo que o documento apresentado em sede de recurso deve ser apreciado em razão do formalismo moderado e do princípio da verdade material. Além do que, vale ressaltar que o art. 16, § 4º do Decreto n º 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (...) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Como se vê, é legalmente possível e permitido ao Julgador conhecer de documentação acostada aos autos após a Impugnação, sobretudo quando possui evidente pertinência e correlação com matéria controversa. Assim, considerando que o caso em exame se adequa a hipótese do art. 16, § 4º, alínea c, do Decreto n º 70.235/72 e, considerando que o fundamento para a glosa foi tão somente o fato de a pensão alimentícia estar prevista em acordo extrajudicial, restando sanado tal vício, não há motivos para manutenção da glosa. Vale destacar que o percentual de 60% não é usualmente utilizado para pagamento de pensão alimentícia quando da separação de um casal. Contudo, não se verifica nos autos a demonstração de dolo ou simulação na conduta adotada pelo contribuinte. Fl. 59DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.273 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10384.720940/2015-08 4 Desta forma, a decisão recorrida merece reforma. 2. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz Fl. 60DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10314.720832/2019-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2016 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; e, (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA - PESSOA JURÍDICA SÓCIA Configurando a pessoa jurídica como sócia majoritária, detentora de fato de poderes de decisão, é cabível a imputação da responsabilidade solidária para satisfação dos créditos tributários constituído por meio de lançamento. SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES. Dentre outros, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que houve omissão de receita não comprovada (fato indiciário) corresponde, efetivamente, às notas fiscais emitidas de entrada dos clientes do mesmo grupo societário que geraram créditos tributários a eles (fato jurídico tributário), nos termos do art. 373, § 1º, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO AO PATAMAR DE 100%. Há de ser reduzida a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, na forma da Lei nº 14.689/2023, por força da aplicação do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, bem como considerando o julgamento efetivado pelo STF em Repercussão Geral no Tema nº 863 (RE nº 736.090), salvo reincidência. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02. A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade e razoabilidade, afastar a aplicação da lei tributária válida e vigente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INCORRETAS. MULTA. A transmissão de EFD-Contribuições contendo informações incorretas acarretará a aplicação de penalidade prevista na legislação de regência. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. RE 574.706/PR. MODULAÇÃO DE EFEITOS. FATO GERADOR DO TRIBUTO. MARCO TEMPORAL. A PARTIR DE 15 DE MARÇO DE 2017. RE 1.452.421/PE. O Supremo Tribunal Federal – STF – decidiu, no julgamento do RE 574.706/PR, com repercussão geral reconhecida, pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS.Posteriormente, ao julgar Embargos de Declaração, o STF reafirmou que todo o valor destacado a título de ICMS deve ser excluído da base de cálculo dessas mesmas contribuições. O marco temporal da modulação dos efeitos da decisão proferida nos embargos de declaração no RE 574.706/PR, Tema 69, na qual se afastou o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, a partir de 15.3.2017, atinge o fato gerador do tributo, e não a data do lançamento, recolhimento ou pagamento, conforme decidido pelo STF no julgamento do RE 1.452.421/PE, com repercussão geral reconhecida. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros sobre mora, calculados pela taxa Selic, sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento.
Numero da decisão: 3201-012.853
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada de 150% para o patamar de 100% (Tema 863/STF), salvo reincidência. Assinado Digitalmente Fabiana Francisco de Miranda – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: FABIANA FRANCISCO

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INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar em nulidade de lançamento ou decisão administrativa: (i) quando o ato preenche os requisitos legais, apresentando clara fundamentação normativa, motivação e caracterização dos fatos; (ii) quando inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 59 do Decreto 70.235/1972; (iii) quando, no curso do processo administrativo, há plenas condições do exercício do contraditório e do direito de defesa; e, (iv) quando a decisão aprecia todos os pontos essenciais da contestação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA - PESSOA JURÍDICA SÓCIA Configurando a pessoa jurídica como sócia majoritária, detentora de fato de poderes de decisão, é cabível a imputação da responsabilidade solidária para satisfação dos créditos tributários constituído por meio de lançamento. SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES. Dentre outros, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que houve omissão de receita não comprovada (fato indiciário) corresponde, efetivamente, às Fl. 2183DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 2 notas fiscais emitidas de entrada dos clientes do mesmo grupo societário que geraram créditos tributários a eles (fato jurídico tributário), nos termos do art. 373, § 1º, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO AO PATAMAR DE 100%. Há de ser reduzida a multa de ofício qualificada ao percentual de 100%, na forma da Lei nº 14.689/2023, por força da aplicação do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do CTN, bem como considerando o julgamento efetivado pelo STF em Repercussão Geral no Tema nº 863 (RE nº 736.090), salvo reincidência. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. VEDAÇÃO AO CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 02. A autoridade fiscal e os órgãos de julgamento não podem, invocando a proporcionalidade e razoabilidade, afastar a aplicação da lei tributária válida e vigente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). EFD-CONTRIBUIÇÕES. INFORMAÇÕES INCORRETAS. MULTA. A transmissão de EFD-Contribuições contendo informações incorretas acarretará a aplicação de penalidade prevista na legislação de regência. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. RE 574.706/PR. MODULAÇÃO DE EFEITOS. FATO GERADOR DO TRIBUTO. MARCO TEMPORAL. A PARTIR DE 15 DE MARÇO DE 2017. RE 1.452.421/PE. O Supremo Tribunal Federal – STF – decidiu, no julgamento do RE 574.706/PR, com repercussão geral reconhecida, pela exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Posteriormente, ao julgar Embargos de Declaração, o STF reafirmou que todo o valor destacado a título de ICMS deve ser excluído da base de cálculo dessas mesmas contribuições. O marco temporal da modulação dos efeitos da decisão proferida nos embargos de declaração no RE 574.706/PR, Tema 69, na qual se afastou o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, a partir de 15.3.2017, atinge o fato gerador do tributo, e não a data do lançamento, recolhimento ou pagamento, conforme decidido pelo STF no julgamento do RE 1.452.421/PE, com repercussão geral reconhecida. JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 108. Fl. 2184DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 3 Incidem juros sobre mora, calculados pela taxa Selic, sobre a multa de ofício que não for paga até a data de seu vencimento. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada de 150% para o patamar de 100% (Tema 863/STF), salvo reincidência. Assinado Digitalmente Fabiana Francisco de Miranda – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata o presente processo de Auto de Infração com exigência de PIS/Pasep e a Cofins referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2016 e 31/12/2016, nos valores de R$ 9.782.338,84 e R$ 45.058.055,63, respectivamente, incluídos nesses montantes as contribuições, multas proporcionais qualificadas e juros calculados até 11/2020. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: “Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a pessoa jurídica acima identificada, em que foram lançados o PIS/Pasep e a Cofins referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/01/2016 a 31.12.2016, nos valor respectivos de R$ 9.782.338,84 e R$ 45.058.055,63, incluídos nesses valores as contribuições, multas proporcionais qualificadas e juros calculados até 11/2020. Fl. 2185DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 4 2. Segundo o Termo de Verificação Fiscal integrante dos autos, o estabelecimento lançado, matriz da empresa, embora tem não tenha como objeto social registrado na Junta Comercial a atividade de indústria, desenvolve tal atividade, fabricando lingotes e barras de metal a partir de matéria bruta que é fundida no local, tendo sido tal informação dada pela empresa em resposta à Intimação Fiscal 04/2019, onde mostra inclusive fotos demonstrando seu processo produtivo. 3. Segundo a Autoridade Fiscal, o trabalho visava verificar divergência na apuração e recolhimento das contribuições, tendo em vista receitas não computadas para o cálculo dos tributos devidos, tendo sido constatada a emissão de notas fiscais de entrada pelos clientes da GDRW, quando o correto seria a emissão de notas fiscais de venda pela empresa, caracterizando omissão de receitas. As referidas notas de entrada continham o CFOP 1102 (compra para Comercialização) e o CFOP 1101 (compra para Industrialização), totalizando o valor da omissão em R$ 126.309.791,21 (foram encontradas somente duas notas de venda do contribuinte dando cobertura a duas dessas operações comerciais, as quais, descontadas do valor total emitido pelos clientes da GDRW, reduziram o valor em R$ 123.943,70). 4. As notas foram emitidas pelas empresas: a) Infiniti, CNPJ 13.146.331/0001-86 – Valor: R$ 101.176.430,20; b) Kinusi, CNPJ 11.111.545/0001-91 – Valor: R$ 20.978.430,00; c) Lokal Comercial Ltda, CNPJ 10.650.880/0001-03 – Valor: R$ 437.385,00; d) W.M. Comercial Eireli, CNPJ 10.855.315/0001-74 – Valor: R$ 390.521,56; e) ACDC Comercio e Exportação Ltda., CNPJ 03.447.304/0001-90 – Valor: R$ 1.555,75. 5. Afirma a Autoridade Fiscal que com exceção da ACDC, todas as outras empresas mantém relações societárias com a GRDW: "Ou seja, na época dos fatos, todas as empresas acima foram administradas por Tiago Rodrigo Dettilo e Weber Micael da Silva, diretamente ou através de suas empresas de participação, e até o presente, a exceção da Lokal Comercial Ltda (hoje Eireli), todas as demais empresas ainda são de propriedade e administradas por Tiago Rodrigo Dettilo e Weber Micael da Silva, diretamente ou através de suas empresas de participação, formando verdadeiro grupo econômico" 6. A fiscalização também faz referência às notas fiscais de sucatas: "29. Embora não computam para o PIS/COFINS, dado que é vedado o credito desses tributos nas aquisições de desperdícios ou sucatas por força do artigo 47 da Lei 11.196/05, devendo o tributo ficar suspenso na venda, as Notas Fiscais de Compra relativas a sucatas, emitidas pelos clientes da GDRW, sem a respectiva Nota Fiscal de Venda do contribuinte, representem também omissão de receitas, fazendo-se importante comentar pelas implicações gerais no presente trabalho. Emitidas nas mesmas condições das NF de produtos acabados, as NF de Compra Fl. 2186DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 5 emitidas pelos clientes da GDRW cujas NCM e descrições dos produtos referem-se a sucatas ou desperdícios encontram-se no Doc. 10, num total de 230 Notas Fiscais, e somam R$ 3.449.412,40. Este total está dividido entre as seguintes empresas, conforme tabela abaixo: 30. Do total acima, com 230 Notas Fiscais (Doc. 10), verifica-se que a imensa maioria foram emitidas pela Lokal Comercial Ltda. (hoje Eireli), que, como já explicado, é empresa com quem a GDRW mantém relação societária." 7. Descontadas quatro notas para as quais foram emitidas as correspondentes notas de venda pela GDRW, a omissão relativas às sucatas ficou em R$ 3.325.468,70, sendo que nenhuma delas foi emitida para a Lokal, com quem a GDRW mantém relações societárias. 8. Dessa forma, a Autoridade Fiscal procedeu ao cálculo das contribuições devidas, efetuando a glosa dos créditos referentes às aquisições de sucatas, informadas no SPED-Contribuições como geradoras de créditos os quais, com exceção da sucata de bateria, são vedados pelo art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005. 9. Sobre os registros contábeis, informa que a contabilidade da empresa, registrada no SPED-Contábil, não contempla os lançamentos do ano todo de 2016, iniciando em 01/11/2016 até 31/12/2016, abordando, portanto, apenas dois meses de registros. 10. Diante dos fatos narrados, entendeu que essas práticas configuram, em tese, crime contra a ordem tributária, motivo pelo qual o lançamento ocorreu com a aplicação da multa qualificada de 150%. Assim conclui a fiscalização: "77. Isso tudo demonstra, de forma inequívoca, que as práticas do contribuinte, de forma reiterada ao longo de praticamente todos os meses do ano de 2016, de emitir Notas Fiscais de Compra (no caso da Infiniti Tecnologia em Fundição Ltda.), encobrindo a verdadeira operação comercial, que são vendas de seus fornecedores para o contribuinte, bem como de omitir operações de vendas, através da emissão de Notas Fiscais de Compra pelos seus clientes para justificar as operações, em ambos os casos empresas com as quais mantém relações societárias formando grupo econômico dirigido e administrados pelas mesmas pessoas, além da apresentação de declarações acessórias obrigatórias incompletas, faltando 10 meses do ano, caracterizam a intencionalidade, de suas ações com o fim exclusivo da redução dos tributos devidos o que tipifica a prática de Fl. 2187DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 6 SONEGAÇÃO FISCAL, mediante as condutas de FRAUDE, por tentar a impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, e CONLUIO, por tentar fazê-lo através de ajuste doloso entre empresas do mesmo grupo econômico, dirigidas pelos mesmos sócios, visando a redução dos tributos devidos, nos termos dos artigos 71, inciso I, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007: (...)" 11. Pelos mesmos motivos foram responsabilizadas as empresas Infiniti Tecnologia em Fundição Ltda., CNPJ 13.146.331/0001-86; Kinusi Usinagem e Forjaria de Metais Eireli, CNPJ 11.111.545/0001-91; Lokal Comercial Eireli, CNPJ 10.650.880/0001-03; e W.M. Comercial Eireli, CNPJ 10.855.315/0001-74, atual W.M. Laminação e Fundição Ltda., assim como os sócios Tiago Rodrigo Dettilio, CPF 302.963.478-76 e Weber Micael da Silva, CPF 198.487.858-17, administradores de direito até 01.09.2016 e administradores de fato no período restante (os mesmos se retiraram da sociedade em 02/09/2016, entrando em seus lugares a Dettilio Participações Eireli, CNPJ 24.892.056/0001-66, e WMS Participações Eireli, CNPJ 25.213.835/0001-50, cujos únicos sócios são, na primeira, Tiago Rodrigo Dettilio e, na segunda, Weber Micael da Silva). 12. Além disso também foram relacionadas como solidariamente responsáveis pelos créditos decorrentes da autuação, sem benefício de ordem, pelo interesse comum que tiveram na situação nos períodos a partir de 02.09.2016, as empresas Dettilio Participações Eireli e WMS Participações Eireli. 13. Foi ainda aplicada multa isolada no valor de R$ R$ 2.466.897,60, decorrente da apresentação da EFD - Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas, conforme Art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218, de 1991, com redação dada pelo art. 4º da Lei nº 13.670, de 2018. 14. Cientificados a GDRW em 30.11.2020; a Infiniti Tecnologia em 01.12.2020; Tiago Rodrigo Dettilio em 01.12.2020; Weber Micael da Silva em 01.12.2020; Lokal Comercial em 01.12.2020; W.M. Laminação e Fundição Ltda em 01.12.2020; Dettilio Participações em 01.12.2020; WMS Participações em 03.12.2020; e Kinusi em 01.12.2020; foram apresentadas tempestivamente as respectivas impugnações: GDRW em 22.12.2020 e os responsáveis em 19.12.2020, com os teores que seguem. 13.1. A GDRW apresenta os seguintes argumentos: a) Alega inicialmente não haver a fiscalização provado a existência das vendas, tratando-se a acusação de mera presunção baseada em notas de entrada emitidas por terceiros que não foram diligenciados ou intimados. Alerta para uma "restrição" da fiscalização no exame de notas e documentos, citada no item 100 do Termo de Verificação, para reforçar a incorreção da autuação; Fl. 2188DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 7 b) Afirma que as “clientes” citadas no TVF são empresas que "apesar de terem em determinados momentos de suas atividades, sócios empresariais comuns, evidentemente são empresas terceiras, com personalidade jurídica própria e autonomia, atuando cada qual, de forma isolada em seus interesses comerciais, sem qualquer ingerência da autuada, tanto que além da singela alegação de mesmo 'quadro societário', nenhum outro elemento fático ou jurídico restou exitoso no TVF, que nada mais trouxe neste sentido"; c) Acrescenta: "Diferente do que tenta transparecer a fiscalização, nem todas as empresas tidas como 'clientes' no TVF têm ou tiveram sócios comuns, bastando citar, por exemplo, 'ACDC Comercio e Exportação Ltda., CNPJ 03.447.304/0001- 90', sendo que considerando ainda o período de apuração fiscalizado (2016), conforme contratos sociais nos autos, citadas empresas claramente sequer tinham o mesmo quadro societário"; d) Ressalta haver a GDRW deixado claro que as tais vendas jamais ocorreram, conforme relatado no item 15 do TVF, sendo que as empresas emitentes, ao invés de fazerem constar suas próprias razões na nota de entrada (emitidas nos termos do art. 392 do RICMS), inseriram erroneamente a razão da autuada, mas sem qualquer participação ou venda desta última; e) Aponta a correção da emissão das notas de entrada com base no art. 392 do Regulamento do ICMS de SP; f) Entende que diante da negativa da GDRW relativamente à existência das vendas, não há como admitir a omissão das receitas; g) "Destaca-se que sendo imputada OMISSÃO DE RECEITAS, a autuação NÃO PRESCINDE de uma maior segurança jurídica, com a demonstração de elementos robustos para sua regularidade e acerto, o que claramente não ocorre nos autos, conquanto, bastante econômico o TVF neste sentido, atuando a fiscalização com clara comodidade apenas aos elementos que lhe eram convenientes."; h) Reclama da qualificação da multa e da sujeição passiva solidária das outras empresas, que teria sido feita por simples identidade societária, acrescentando: "A Sujeição Passiva restou fundamentada na suposta Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração a Lei, Contrato Social ou Estatuto, ou ainda, apenas porque nas empresas figuraram o mesmo quadro societário, com destaque genérico aos artigos 121, 124, 135 e 136 do CTN, desprovida de qualquer narrativa e ou fundamentação, ou descrição de conduta individual e pormenorizada, menos ainda, de interesse ou benefício individual, o que não se pode admitir, claramente ao simples fato de serem sócios ou titulares. Tal matéria será impugnada pelos interessados, ausente interesse próprio da autuada." i) Aduz que "A fiscalização se preocupa e muito, em sujeitar as empresas na autuação por suposto 'grupo econômico' pela 'identidade de sócios', sem sequer intimá- las ou diligenciá-las, esquecendo-se e despreocupando-se quanto a Fl. 2189DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 8 autuação 'propriamente dita' e sua fundamentação, bastante econômica no TVF pela dispensa de maiores verificações. "; j) Reitera novamente a inexistência da busca pelas provas por parte da fiscalização, que baseou-se unicamente nas notas de terceiros e nas identidades dos sócios para o lançamento, não podendo a empresa defender-se de meras presunções; k) Reporta-se ao processo 10314.720471/2019-76, em que o sujeito passivo é a empresa Infiniti Tecnologia, onde foi abordada a emissão de notas de entrada pela GDRW com a intenção de beneficiar a primeira, alertando haver sido cancelado o lançamento referente à omissão de receitas por ter sido baseado em presunção simples, e destacando a similaridade dos autos; l) Afirma que "O procedimento fiscal em questão, atenta contra a norma da benigna ampliando – art. 112 do CTN, Lei nº 5.172/66, segundo a qual, interpreta- se de forma mais favorável ao contribuinte, em caso de dúvida, a legislação tributária."; m) Reclama da incidência de juros sobre a multa aplicada. Entende que "As taxas de juros devem ser aplicadas até o limite da taxa Selic, e a multa sobre o valor básico do tributo eventualmente devido sem a incidência de qualquer correção. A inclusão da multa na base de cálculo é ilegal, não pode haver juros se a multa ainda não foi lançada de ofício, (artigos 142, caput e 113, § 1º CTN), e a taxa de juros também é ilegal, (artigo 161 CTN) e inconstitucional (artigo 24, CF), reconhecido na arguição de inconstitucionalidade n.º 0170909- 61.2012.8.26.000."; n) Requer a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições: "A matéria foi objeto do RE nº 592.616, afetado a repercussão geral, e que também é discutido na ADC nº 18DF. .... A incidência do ICMS base de cálculo do PIS e da Cofins foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando da análise do Tema 69 da repercussão geral (RE n. 574.706/PR). Isto porque o STF Decidiu: (...)Ainda assim, de melhor sorte, com efeito repetitivo, decisão proferida pelo no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, sacramentada no RE 574.706/PR, o qual teve repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal decidiu que 'O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da COFINS'. Assim, ainda que admitido apenas por amor ao argumento a autuação, há de se excluir o ICMS da base de cálculo de PIS e COFINS, perfeitamente, se considerado que o fisco apurou o arbitramento com base nas notas fiscais supostamente não emitidas, ainda que este seja veemente resistido porquanto não ocorreram vendas da autuada para as citadas terceiras empresas como fundamentado." o) Fl. 2190DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 9 Contesta a qualificação da multa por inexistência de dolo, uma vez que não teriam ocorrido as vendas, citando ainda a inconstitucionalidade da mesma; p) No que se refere à multa isolada, primeiramente destaca trecho do TVF do processo 10314.720830/2019-95 (auto IRPJ/CSLL), onde a autoridade afirma que os arquivos ECF e ECD apresentados estariam completos. Em seguida, reportando- se novamente ao processo da Infiniti, cita que a mesma multa também foi cancelada; q) Aponta a impossibilidade de cumulação das multas proporcionais e regulamentar, caracterizando o bis in idem, citando novamente processo da Infiniti - 10314.720532/2019-03; r) Refere-se à aplicação do princípio do direito penal - Teoria da Absorção - para afastamento de uma das multas; s) Ao final, requer o cancelamento do lançamento, pelos motivos apresentados; a suspensão da representação para fins penais até a decisão. 13.2. A Dettilio Participações e a WMS Participações, sócias desde 02.09.2016, e ainda Tiago Dettilio e Weber Micael da Silva, em impugnações semelhantes, trazem as alegações abaixo sintetizadas: a) Requer a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária por preterição do direito de defesa, uma vez que a fiscalização deixou de "lavrar um PAF para cada sujeito incluído, sobretudo, restando incontroverso que a fiscalização levou meses para promover o lançamento, restando ao sujeito passivo solidário exíguo prazo de 30 (trinta) dias para as defesa". Prossegue: "A conduta levada a efeito pelo agente lançador, ao deixar de intimar todos os responsáveis solidários da integralidade dos termos do lançamento, malfere o princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa e contraditório, inscrito no artigo 5º, inciso LV, da CF,(...).... Imperioso ressaltar que o simples fato de cientificar/intimar os solidários com base em meros Ofícios/Cartas, no caso resistido apenas e tão somente do arrolamento lavrado, sem, conquanto, demonstrar as razões do lançamento e da própria atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito, não tem o condão de suprir a necessidade da publicidade do ato administrativo do lançamento para as partes atingidas e notoriamente interessadas. .." b) Contesta a qualificação da multa por inexistência de dolo, uma vez que não teriam ocorrido as vendas; c) Reporta-se ao processo 10314.720471/2019-76, em que o sujeito passivo é a empresa Infiniti Tecnologia, onde foi abordada a emissão de notas de entrada pela GDRW com a intenção de beneficiar a primeira, alertando haver sido Fl. 2191DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 10 cancelado o lançamento referente à omissão de receitas por haver sido baseado em presunção simples, e destacando a similaridade dos autos; d) Assim como a GDRW, aponta que o lançamento foi feito com base em presunções simples, sem o devido aprofundamento da fiscalização; e) Quando à sujeição passiva, indica que a fiscalização não logrou êxito em demonstrar qualquer comportamento pessoal, ou mesmo qual o ato praticado ou a infração a lei, contrato ou estatuto ou ainda a conduta dolosa da empresa; f) Aduz o descumprimento da Portaria RFB nº 2284/2010; g) Da mesma forma refere-se à sujeição da multa isolada; h) Ao final requer que "seja reconhecido e configurado notório cerceamento do direito de defesa e ao contraditório, constitucionalmente garantidos, com a procedência da impugnação e por efeito, a improcedência da autuação ao menos em relação a este, sem prejuízo dos demais questionamentos pertinentes e subsidiários, em especial quanto à redução da multa elevada aplicada, bem como, pelo princípio da eventualidade e impugnação específica, caso seja mantida a autuação, ainda que parcialmente, espera e requer a impugnante seja extinguido/cancelado/anulado o termo de sujeição passiva solidária, sem prejuízo da teratológica e rechaçável aplicação da multa isolada referente a obrigação acessória da autuada e ou sua sujeição, por toda a fundamentação em apreço, pormenorizada, tornando-a insubsistente, assim como seus efeitos". 13.3. A Infiniti, a Kinusi, a Lokal e a WM apresentaram impugnações semelhantes, cabendo acrescentar argumento referente à responsabilização solidária: "Ao que aprece, a alegação de motivo baseia-se em interesse comum, que como se demonstrará, não é o bastante, mesmo porque, se houve supressão, foi de uma empresa e não de todas, distante ainda mais, das suas personalidades jurídicas distintas, objetivas e não subjetivas. E em relação a impugnante e demais empresas jurídicas responsáveis solidárias, restringe-se ao artigo 124, inciso I do CTN que será resistido mais adiante conquanto descabida (...).... Qual fato da ora impugnante restou descrito, senão o simples fato de serem os sócios os mesmos? Evidentemente NENHUM. A sujeição ocorreu pelo simples fato de ter a empresa autuada os mesmos sócios das sujeitas passivas solidárias, nada mais, o que não se pode admitir. ... Assim, mostra-se necessário combater o sentido deturpado que o Fisco Federal tem atribuído ao art. 124 de forma a afastar a imputação de obrigação solidária a terceiros que não praticaram e que não estão vinculados com o fato gerador da obrigação tributária." Fl. 2192DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 11 Adicionalmente, note-se a forma de publicação da Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2020 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA - PESSOA JURÍDICA SÓCIA Configurando a pessoa jurídica como sócia majoritária, detentora de fato de poderes de decisão, é cabível a imputação da responsabilidade solidária para satisfação dos créditos tributários constituído por meio de lançamento. SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES. Dentre outros, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INCONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. DECISÕES JUDICIAIS A Administração Tributária da União somente estará vinculada, nos termos dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, às decisões já definitivamente julgadas de modo desfavorável à Fazenda Nacional para as quais haja expressa manifestação da PGFN, veiculada por meio da Nota Explicativa de que trata o art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014. Impugnação Improcedente O contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram Recurso Voluntário com a finalidade de demonstrar que não houve omissão de receita que gerasse tributação de PIS/Cofins no ano de 2016. A GDRW informa que ele mesmo não emitiu nota fiscal para os casos em análise. Descreve que a emissão de nota fiscal de compra foi realizada por terceiros, aos quais não houve nenhuma diligência ou intimação para averiguação dos fatos. Alega que o fisco considerou a existência de omissão de receita somente por essas empresas terceiras terem sócios em comum. Lista diversas conferências que a fiscalização deveria ter realizado, ao invés de somente presumir que houve omissão de receita. Fl. 2193DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 12 Por fim, solicita o cancelamento do débito fiscal, com a improcedência da autuação, além dos questionamentos subsidiários, como quanto à redução de multa, e inocorrência de multa regulamentar. É o relatório. VOTO Conselheira Fabiana Francisco de Miranda, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Trata-se de processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte referente a PIS/Cofins, de 01/01/2026 a 31/12/2026. Pelas informações extraídas do processo, o contribuinte realiza a atividade de indústria, fabricando lingotes e barras de metal a partir de matéria bruta que é fundida no local. Durante a fiscalização, verificou-se a existência de notas fiscais de entrada em determinadas empresas, em que o contribuinte teria realizado a venda de mercadorias. Essas empresas emitiram notas fiscais de entrada, informando como vendedor o contribuinte GDRW. Vide trecho do TVF quanto à composição dos valores de omissão de receita do caso em tela: “o valor total da omissão de receitas é representado pelo valor total das NF de Compra emitidas pelos clientes da GDRW para as quais não foram localizadas Notas Fiscais de Venda da GDRW e totalizam o valor de R$ 126.309.791,21, que é a soma das omissões nas vendas de Produtos Acabados, de R$ 122.984.322,51, e das omissões nas vendas de Sucatas, de R$ 3.325.468,70, cuja relação de Notas Fiscais encontra-se no Doc. 12. A divisão aqui tratada é meramente didática, apenas para que pudesse ser explorada as características de cada grupo.” Note-se abaixo tabela com dados das empresas que realizaram a emissão das notas fiscais mencionadas: Fl. 2194DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 13 Empresa CNPJ Valor Relação societária com a GRDW Infiniti 13.146.331/0001-86 R$ 101.176.430,20 Sim Kinusi 11.111.545/0001-91 R$ 20.978.430,00 Sim Lokal Comercial Ltda 10.650.880/0001-03 R$ 437.385,00 Sim W.M. Comercial Eireli 10.855.315/0001-74 R$ 390.521,56 Sim ACDC Comercio e Exportação Ltda. 03.447.304/0001-90 R$ 1.555,75 Não No Termo de Intimação nº 1/2019, dentre outros questionamentos, foi solicitada a informação quanto ao motivo pelo qual não foram emitidas as notas fiscais de venda, nos casos em que foram identificadas notas fiscais de entrada com CFOP 1101 e 1102 por clientes da empresa. Em resposta, o contribuinte informou que os documentos fiscais teriam sido emitidos erroneamente, conforme trecho abaixo: “5 - Documentos fiscais foram emitidos erroneamente pela pessoa da época onde a mesma confundiu o emitente do documento e também os itens que deveriam constar nas notas (itens este que deveriam ser os produtos de entrada sucatas e não produtos de saídas), onde deveria constar o mesmo nome do emitente e não de outras empresas, (valores este não devem ser considerados como venda nas outras empresas, por se tratar de compra de sucata), pois se trata de um documento de entrada previsto na legislação estadual, conforme respondido anteriormente, e devido a erro de emissão gerou toda e esta confusão. 6 - Documentos fiscais foram emitidos erroneamente pela pessoa da época onde a mesma confundiu o emitente do documento colocando a Infiniti Tecnologia em Fundição Ltda onde deveria ter colocado a GDRW Comercio de não Ferrosos LTDA, também os itens que deveriam constar nas notas (itens este que deveriam ser os produtos de entrada sucatas e não produtos de saídas, (valores estes não devem ser considerados como venda nas outras empresas, por se tratar de compra de sucatas), e devido a erro de emissão gerou toda e esta confusão, sendo o emitente corrigido nos arquivos speds. 7 – A empresa compra sucatas e faz a industrialização interna ou envia para industrialização em terceiros (...)”. Logo, pode concluir que o próprio Contribuinte respondeu terem ocorrido determinados erros. Note-se abaixo algumas análises preliminares que realizei quanto aos pontos relacionados a esses erros descritos na resposta acima da intimação: Fl. 2195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 14 1) Das cinco empresas que emitiram as notas fiscais em análise, quatro delas são do mesmo grupo societário da contribuinte, sendo exatamente as quatro de maior valor de emissão. 2) Note-se que de acordo com a resposta acima, essas cinco empresas emitiram as notas fiscais com os mesmos erros idênticos. Entretanto, note-se que quem teria realizado o procedimento seria a “pessoa da época”. Essa pessoa teria confundido tanto a forma de emissão quanto os itens das notas fiscais. Note-se, porém, que a justificativa da defesa é exatamente que quem realizou a emissão nas notas não foi o contribuinte, e por isso ele não poderia ser penalizado. 3) De acordo com a resposta acima, as cinco empresas realizaram a emissão de CFOP nos códigos CFOP 1101 (compra para Industrialização) e CFOP 1102 (compra para Comercialização), quando na verdade deveriam ter emitido como venda realizada ao contribuinte. 4) Ainda conforme resposta à intimação, há a informação que as descrições dos itens estariam erradas, uma vez que não deveriam ter sido informados os produtos que constaram nessas notas fiscais, e sim itens de sucata. Note-se que os itens informados nas notas são exatamente os vendidos pela contribuinte, conforme fiscalização. Então, para todas essas notas fiscais em análise teria ocorrido erro no preenchimento dos itens da nota fiscal, pois todos os itens estariam incorretos, e sim os de sucata que são adquiridos pelo contribuinte que seriam os corretos. O Contribuinte informa em seu Recurso Voluntário que a fiscalização autuou em virtude de notória especulação, uma vez que não realizou diligência ou intimação junto às empresas terceiras. Informa também que as notas fiscais não foram emitidas pela GDRW, e que simplesmente por terem sócios em comum com as emissoras das notas fiscais que a fiscalização teria gerado a autuação. Explica que o ônus da verificação junto as empresas terceiras é da fiscalização e não do contribuinte. Informa que essas empresas possuem personalidade jurídica própria e autônoma, e que atuam de forma isolada em seus interesses comerciais, sem qualquer ingerência da recorrente. A recorrente explica que na resposta à intimação informou que os documentos fiscais foram emitidos conforme art. 392 do RICMS SP, em que a pessoa da época confundiu o emitente do documento, onde deveria constar o mesmo nome do emitente e não de outras empresas, sendo valores que não deveriam ser considerados como venda nas outras empresas, por se tratar de compra de sucatas, pois se trataria de um documento de entrada previsto em legislação estadual. Note-se abaixo trecho do Termo de Verificação quanto a essa forma de emissão de nota fiscal: Fl. 2196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 15 “Primeiramente, o conteúdo descrito nas Notas Fiscais em apreço (campo Descrição das Mercadorias), bem como as NCM utilizadas para enquadramento dos produtos, mostra inequivocamente que não se tratam de desperdícios ou sucatas de que trata o artigo 392 do RICMS. De qualquer modo, ainda que sucatas fossem, este preceito legal apenas estabelece condições e o momento da emissão de Nota Fiscal para a aquisição de sucatas, com diferimento do momento da ocorrência do fato gerador do ICMS, que passa da saída do remetente, para a entrada no adquirente, em nada alterando as questões relativas aos impostos federais. 17. Mesmo no caso de venda de desperdícios, resíduos ou sucatas, entre pessoas jurídicas, para efeito dos tributos federais, o tratamento é de uma venda normal, com todas as suas consequências sobre o faturamento da empresa e os impostos que dele decorrem (...) 18. Ou seja, na acepção do artigo 392, os resíduos, desperdícios ou sucatas com valor comercial são vendas normais, sendo que apenas o ICMS é diferido para o momento da entrada da sucata no estabelecimento comprador, que emite Nota Fiscal específica para esse fim. Mas o vendedor deve emitir Nota Fiscal de Venda e a receita assim obtida computa normalmente para o faturamento da empresa, com as repercussões próprias em diversos tributos, inclusive no PIS/COFINS.” Conforme de descrito acima, a norma de ICMS não se aplica aos NCMs descritos na norma alegada pela defesa. Adicionalmente, ainda que se referissem aos mesmos NCMs, a finalidade desse regramento é somente diferir a emissão, e não alterar o emissor de nota fiscal. Adicionalmente, conforme já descrito, os NCMs dessas notas são exatamente os produtos comercializados pela GDRW. Note-se trecho do TVF com essa análise: “19. Porém, frisamos que os produtos relacionados nas citadas Notas Fiscais de Compra emitidas pelos clientes da GDRW, que somam R$ 122.984.322,51, sequer estão descritos ou classificados como sucatas. Tais notas foram emitidas com NCM de produtos diversos de sucatas, como barras, perfis, chapas, polímeros, que são produtos acabados, ainda que sirvam como insumos em outro processo produtivo. A descrição das mercadorias também é condizente com as NCM informadas, como barra chata de cobre, barra redonda de cobre, barra sextavada de latão, lingotes de bronze, cobre ou latão, tarugo de latão, vergalhões, além do polipropileno em diversas formas, o que demonstra não se tratar de mero erro na escolha de cada NCM. E, muito importante, são justamente esses os produtos comercializados pela GDRW. 20. Portanto, não há, nas referidas Notas Fiscais, nenhum elemento que as possam configurar como sendo de aquisição de resíduos, desperdícios ou sucatas, mas tão somente serviram para acobertar operação de venda de produtos acabados, industrializados ou comercializados pela GDRW, para seus clientes e, como tal, sujeitam-se as normas gerais dos tributos nelas incidentes, inclusive o Fl. 2197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 16 PIS/COFINS, mesmo quanto ao polipropileno que, embora não conste no rol de produtos produzidos ou comercializados pela empresa, conforme consta em seu site, devem ser considerados nos cálculos normalmente. A correta classificação dos produtos como produtos acabados e não como sucatas, nesse caso, se faz premente, uma vez que, enquanto produtos acabados há a incidência normal do PIS e da COFINS nas vendas do contribuinte, o que não ocorreria se sucatas fossem, dado que seria produto com alíquota zero (sem incidência) por força de lei.” O contribuinte no Recurso Voluntário informa que a fiscalização deveria ter realizado determinados procedimentos para afastar presunções: “i) intimar as emitentes das notas de entrada/compra; ii) diligenciar nas emitentes das notas fiscais de entrada/compra; iii) intimar todas as empresas citadas no TVF para apresentação de inventário e eventual integração do ativo circulante, conhecendo origem e destino e se de fato as mercadorias saíram e ou entraram de onde alega a fiscalização; iv) verificar outros elementos, como extratos e movimentação financeira possivelmente existentes entre as empresas, a fim de minimamente indiciar uma suposta relação comercial de compra e venda omitida como alegada; v) verificar junto ao registro de saída das empresas taxadas como “clientes” e verdadeiras emitentes das notas fiscais de entrada, se os produtos foram revendidos e caso positivo, com quem foram contratados, para quem foram feitos os pagamentos, etc.; vi) verificar os livros de Registro de Entrada e compatibilidade porquanto citadas no RICMS não observado; vii) verificar junto ao registro de entrada da empresa autuada e principalmente daquelas taxadas como “clientes”, etc.” A recorrente destaca que a não existência de correlação entre o fato conhecido e o desconhecido gera como consequência jurídica não a presunção, mas sim uma ficção. E não pode ser fato gerador de tributo uma ficção. Vide descrições no Termo de Verificação Fiscal quanto a emissão de nota fiscal pela GDRW com CFOP 1102 – compra para comercialização, informando ter adquirido itens da empresa Infiniti: “41. Por fim, observamos ainda que o contribuinte, a exemplo do que ocorreu com seus clientes, também emitiu diversas Notas Fiscais de Compra com CFOP 1102 – Compra para Comercialização, para acobertar operação comercial que, em verdade, eram vendas de seu fornecedor, a Infiniti Tecnologia em Fundicão Fl. 2198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 17 Ltda., com a qual mantém relação societária, no valor total de R$ 99.265.817,89, conforme Doc. 09. Essas Notas Fiscais de Compra foram emitidas com CST PIS/COFINS de “Aquisição Sem Incidência”, com PIS e COFINS igual a zero, como se sucatas fossem, mas as descrições NCM e das mercadorias mostram novamente tratar-se de produtos acabados, como Barra Redonda de Latão, Barra Chata de Alumínio, Barra Forjada de Latão, Barra Sextavada de Latão etc. 42. No entanto, tais Notas Fiscais foram informadas no SPED-Contribuições como semitidas da GDRW para ela mesma (Doc. 08 – DE GDRW PARA GDRW) com destaque das contribuições, de modo que o contribuinte delas se creditou e também se encontram dentro do valor total das aquisições com direito a crédito informadas no SPED-Contribuições. Não obstante a emissão das Notas Fiscais terem sido originalmente sem destaque dos tributos, não glosaremos este crédito, para manter critério único de análise, ou seja, pelas descrições das mercadorias e suas NCM realmente se tratam de produtos acabados, que dão direito ao crédito. 43. Por outro lado, se o contribuinte, em sede de defesa comprovar que se tratam de sucatas, em qualquer dos casos já citados, então o crédito decorrente desse tipo de aquisição deve ser glosado e o valor devido recalculado. 44. Por fim, embora essas aquisições não influenciem na apuração do PIS/COFINS, deixamos aqui registrado, dadas as implicações nas multas agravadas e na Representação Fiscal para Fins Penais.” (Grifei partes relevantes). Pelo informado na fiscalização, para essa emissão pela GDRW de nota fiscal de entrada no código de CFOP 1102 como realização de compra de itens da Infiniti gerou crédito de PIS/Cofins para a GDRW. Da mesma forma, a emissão de nota fiscal de entrada nesses códigos pela Infiniti também gerou crédito de PIS/Cofins à empresa Infiniti. Em outras palavras, no caso em análise no presente processo, a emissão de notas fiscais de aquisição de itens para comercialização e industrialização pelos clientes do contribuinte gerou crédito de PIS/Cofins a eles. Ao passo que o próprio contribuinte não realizou o pagamento desses tributos quanto a essas vendas. E, ao mesmo tempo, a GDRW realizou a emissão também de notas fiscais de entrada para aquisição de itens para comercialização, gerando crédito tributário, e a empresa Infiniti também não teria recolhido tributos sobre essa operação de venda. Dessa forma, ambas as empresas mencionadas tomaram crédito “na entrada”, e não tributaram “a saída”. Quanto à documentação contábil, deve-se notar que somente foram objeto de registro no SPED-Contábil para o ano de 2016, o período de 01/11/2016 a 31/12/2016. Ou seja, somente dois meses. A fiscalização, através da Intimação Fiscal nº 1/2019, questionou a empresa quanto à contabilização e obrigações acessórias: Fl. 2199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 18 “5 - Identificamos a emissão das seguintes Notas Fiscais Eletrônicas de Entrada, CFOP 1101 e 1102 por clientes da empresa, com os respectivos valores, conforme quadro abaixo (totais sem o IPI). Explicar e justificar, a luz da legislação vigente, por que não foram emitidas as respectivas Notas Fiscais de Venda. Informar se estes valores estão computados na apuração da Receita Bruta da empresa, provando pela contabilidade da mesma, e se foram informados no SPED- Contribuições na apuração do PIS/COFINS, na apuração do IRPJ/CSLL e na apuração dos débitos do IPI. Caso não devam ser computados na apuração da Receita Bruta e consequentemente na apuração do valor devido de cada um dos tributos em exame (IPI, PIS/COFINS e IRPJ/CSLL), indicar os fundamentos legais.” Como resposta, o contribuinte fez a explicação já mencionada acima de que “a pessoa da época confundiu o emitente do documento (...) não devem ser considerados como venda nas outras empresas, por se tratar de compra de sucatas”. Logo, não trouxe maiores explicações sobre as obrigações acessórias mencionadas e contabilização. Nesse contexto, deve-se verificar a aplicação da presunção relativa tributária. Notadamente, o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova. A autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume. Assim, cabe ao contribuinte, para afastar a presunção relativa, provar que o fato presumido não existe no caso. No caso em análise, o contribuinte não trouxe aos autos as informações e documentos questionados pela fiscalização, conforme mencionado acima, e ainda mais confirmou que “a pessoa da época” quem confundiu e gerou erros em diferentes empresas do mesmo grupo societário. De fato, com a emissão das notas fiscais de entrada pelos clientes do mesmo grupo societário, sem a emissão de nota fiscal de venda pelo contribuinte, o efeito prático tributário é a existência de crédito tributário ao cliente, sem o devido pagamento dos tributos respectivos pelo contribuinte. Havia a possibilidade de admissibilidade de prova em contrário pelo contribuinte, o qual poderia contestar, com documentação comprobatória, afastando a presunção de omissão de receita. Entretanto, como se vê na fiscalização, o contribuinte não o fez. Ele informa uma lista de itens acima já descritos de quais documentos e informações o fisco deveria ter questionado, porém não os traz ao processo. Conforme o devido processo legal e a segurança jurídica das relações tributárias, há abertura para defesa ao contribuinte, a qual gera o direito de se manifestar e comprovar a realidade dos fatos. Porém, no caso em questão, entendo que as informações e documentos disponibilizados não foram suficientes para afastar a presunção do fisco. Como já mencionado no relatório acima, foram responsabilizadas as seguintes pessoas: Fl. 2200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 19 1) Infiniti Tecnologia em Fundição Ltda. (CNPJ 13.146.331/0001-86) 2) Kinusi Usinagem e Forjaria de Metais Eireli. (CNPJ 11.111.545/0001-91) 3) Lokal Comercial Eireli (CNPJ 10.650.880/0001-03) 4) W.M. Comercial Eireli (CNPJ 10.855.315/0001-74), atual W.M. Laminação e Fundição Ltda. 5) Tiago Rodrigo Dettilio (CPF 302.963.478-76) 6) Weber Micael da Silva (CPF 198.487.858-17) 7) Dettilio Participações Eireli (CNPJ 24.892.056/0001-66) 8) WMS Participações Eireli (CNPJ 25.213.835/0001-50) Os Recursos Voluntários dos oito responsáveis acima são semelhantes entre si e, resumidamente, trazem os seguintes temas: A) DA AUSÊNCIA DE CONHECIMENTO DO CONTEÚDO DO PAF – INTIMAÇÃO SEM ELEMENTOS DISPONIBILIZADOS B) DO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO – FISCALIZAÇÃO - PARTICULARIDADES - INOBSERVÂNCIA C) DA MULTA QUALIFICADA D) DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – IMPRECISÃO AO ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO – FUNDAMENTAÇÃO IMPRECISA E DEFICIENTE – PRERROGATIVA DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. E) DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – AUSENCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO E PRECISÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES. F) DA DECISÃO PROFERIDA - 10314-720.830/2019-95 – SUMA RELEVÂNICA – EXCLUSÃO DA SUJEIÇÃO G) DA SUJEIÇÃO PASSIVA EM RELAÇÃO A MULTA ISOLADA (MULDI) H) DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE AS MULTAS I) MULTA SOBRE O VALOR BÁSICO DO TRIBUTO SEM INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO. Note-se que todos os itens acima já haviam sido discutidos nas respectivas Impugnações. Analisando a nulidade e o mérito posto nos Recursos Voluntários tanto do contribuinte e quanto dos responsáveis solidários, fica evidente que foram reproduzidas todas as Fl. 2201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 20 razões recursais das Impugnações e não foram apresentados elementos novos nos Recursos Voluntários capazes de elidir o feito fiscal. Segue análise de cada tópico mencionado. A) DA AUSÊNCIA DE CONHECIMENTO DO CONTEÚDO DO PAF – INTIMAÇÃO SEM ELEMENTOS DISPONIBILIZADOS As responsáveis pedem a nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária por preterição do direito de defesa, informando que a fiscalização teria deixado de lavrar um PAF para cada sujeito incluído, e que levou meses para promover o lançamento, e gerou ao sujeito passivo somente trinta dias para a defesa. Cabe notar que no presente caso não há aplicação das hipóteses do Art. 59, do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Notadamente, os atos e termos foram realizados por pessoa competente e dentro da legalidade e prazos legais, o que gerou o direito de defesa e o devido processo legal. Adicionalmente, vale notar que o sujeito passivo é a GDRW, sendo os demais somente responsáveis solidários, sendo então incabível instaurar um processo tributário para cada um. Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade. B) DO PROCESSO LEGAL ADMINISTRATIVO – FISCALIZAÇÃO - PARTICULARIDADES - INOBSERVÂNCIA O Contribuinte informa que caberia a fiscalização exaurir e esgotar as informações por ela inclusive invocadas, diante de suas negativas. Descreve também que o erro de emissão de empresa terceira foi alertado, porém ignorado pela fiscalização. Notadamente, há de se verificar que houve sim acesso à ampla defesa e contraditório no processo em análise. Dentro dos prazos legais, o contribuinte e os responsáveis poderiam ter disponibilizado provas documentais e informações para sanar as fortes presunções levantadas pelas autoridades fiscais. O recorrente alega também que deveria ter ocorrido diligência. Nesse contexto, note-se Súmula CARF 163, a qual descreve que a negativa de diligência ou perícia requerida pelo contribuinte não configura cerceamento ao direito de defesa quando devidamente motivado: Súmula CARF nº 163 Fl. 2202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 21 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Entendo que as provas levantadas na fiscalização foram suficientes para comprovar a omissão de receita identificada, sendo a diligência prescindível. C) DA MULTA QUALIFICADA Possuo posicionamento diferente do Acórdão da Impugnação quanto ao tema de multa qualificada, em virtude da aplicação de decisão do STF no tema 863. Notadamente, o STF analisou os limites da multa fiscal qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, tendo em vista a vedação constitucional ao efeito confiscatório, sob o Tema 863, e estabeleceu a seguinte tese: “Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo.” Deste modo, dou provimento ao recurso voluntário para redução da multa qualificada de 150%, para o patamar de 100%, em virtude da aplicação da retroatividade benigna instituída com a publicação da Lei nº 14.689, de 2023, que inseriu o inciso IV no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023)(...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023)” Fl. 2203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 22 D) DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – IMPRECISÃO AO ELEMENTO SUBJETIVO DO TIPO – FUNDAMENTAÇÃO IMPRECISA E DEFICIENTE – PRERROGATIVA DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. Conforme exposto no Acórdão de Impugnação, a responsabilidade por infrações à legislação pode ser atribuída a quem quer que contribua para a sua prática ou que delas se beneficie. Note-se art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal;" Conforme já detalhado nesse processo, foram realizadas condutas pelas empresas que geraram ganho tributário indevido, tendo todas interesse comum na situação, sendo ainda administradas pelas mesmas pessoas. Adicionalmente, é correta a inclusão no pólo passivo dos autos de infração os representantes das pessoas jurídicas envolvidas Tiago Dettilio e Weber Micael da Silva, nos termos do art. 135, “III”, da Lei nº 5.172/1966 (CTN): “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de podêres ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Conforme descrito no item de solicitação de nulidade, houve no presente processo acesso à ampla defesa e ao devido processo legal, uma vez que foram respeitados os prazos processuais para recurso, e todos tiveram seus direitos garantidos para compreender as alegações das autoridades fiscais e se manifestar. Voto pela manutenção da responsabilidade solidária das pessoas indicadas no presente processo. E) DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – AUSENCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO E PRECISÃO DOS FATOS CARACTERIZADORES. Nos Recursos Voluntários, há a alegação que não há descrição de conduta do sujeito passivo solidário, sendo elas incluídas no Termo somente por terem o mesmo sócio da autuada. Cumpri destacar que essa afirmação não representa a verdade dos fatos. Houve a realização de procedimentos que geraram ganho tributários indevidos às pessoas envolvidas, como a emissão de notas fiscais de entrada por empresas do grupo, sem a devida tributação pelo contribuinte, conforme já detalhado acima. Fl. 2204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 23 Voto pela manutenção da responsabilidade solidária das pessoas indicadas. F) DA DECISÃO PROFERIDA - 10314-720.830/2019-95 – SUMA RELEVÂNICA – EXCLUSÃO DA SUJEIÇÃO O contribuinte explica seu processo nº 10314-720.830/2019-95 que trata de IRPJ. De forma similar, é importante notar a existência do processo nº 10314.720.471/2019-76, referente ao interessado Infiniti, ao qual trata de IRPJ exatamente sobre omissão de receita. Nessa lide, houve decisão pela procedência da impugnação. Note-se Acórdão nº 1101-001.307, da 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA do CARF de 14/05/2024 quanto a esse processo: “RECURSO DE OFÍCIO RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: INFINITI TECNOLOGIA EM FUNDIÇÃO LTDA Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2015, 2016 OMISSÃO DE RECEITAS. COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO SIMPLES. A omissão de receita que não foi pautada pela força da presunção legal demanda maior investigação para a adequada fundamentação do lançamento fiscal. Acórdão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. de ofício. Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente)” Ainda que a decisão tenha sido positiva ao contribuinte, note-se que o tributo em análise era o IRPJ, que possuí diferentes fatos geradores e conceitos a ele aplicáveis. Note-se que o processo acima citado referente à omissão de receita possuí como contribuinte a empresa analisada como “cliente” e com controle societário comum. Deve-se destacar aqui que esse processo mencionado demonstra a exatamente o procedimento de existir notas fiscais de entrada em empresa do grupo, de uma para outra. Nesse processo acima, a Infiniti seria quem teria omitido receita, uma vez que o contribuinte GDRW e outras empresas do grupo teriam emitido notas fiscais de entrada informando a Infiniti como destinatária. Note-se a gravidade desses procedimentos realizados por empresas do grupo, gerando omissão de receitas em mais de uma companhia. G) DA SUJEIÇÃO PASSIVA EM RELAÇÃO A MULTA ISOLADA (MULDI) O contribuinte defende em seu Recurso Voluntário que não poderia haver incidência de multa isolada concomitantemente com multa de ofício, devido a excesso sancionatório e caracterização do bis in idem. Alega também que essa penalidade não pode ser aplicável aos responsáveis solidários, em virtude da própria natureza da multa. Fl. 2205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 24 A aplicação da multa isolada pelas autoridades fiscais foi fundamentada no Art. 12, inciso II, da Lei nº 8.218/91: “Art. 12 - A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: II - multa equivalente a 5% (cinco por cento) sobre o valor da operação correspondente, limitada a 1% (um por cento) do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período a que se refere a escrituração, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações referentes aos registros e respectivos arquivos; e” Conforme descrito no Acórdão de Impugnação, as motivações para a configuração da multa isolada foram: a) Deixou de informar o valor da Receita Bruta decorrente das operações de venda de produtos acabados como já descrito (omissões); b) Informou valores de aquisições de sucatas quando estes não dão direito a crédito dos tributos (incorreções). Note-se que a GDRW deixou de registrar na EFD-Contribuições a receita referente às vendas efetuadas para as empresas interdependentes e preencheu créditos inexistentes. Dessa forma, entendo correta a aplicação da multa isolada, em virtude da falta de cumprimento das obrigações acessórias exigidas pela Receita Federal ou ainda a apresentação com incorreções. H) DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE AS MULTAS Houve a inclusão de juros calculados com base na taxa Selic sobre o valor da multa de ofício, a partir do mês subsequente à lavratura do auto de infração. Os juros de mora são devidos quando o pagamento não ocorre dentro dos prazos definidos na legislação tributária e são previstos no art. 61 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...)§ 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Adicionalmente, note-se Súmula nº 108 do CARF: Fl. 2206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.853 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720832/2019-84 25 Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Pelo exposto, voto pela manutenção da incidência dos juros sobre as multas. I) MULTA SOBRE O VALOR BÁSICO DO TRIBUTO SEM INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO A Contribuinte informa o posicionamento de que as taxas de juros devem ser aplicadas até o limite da taxa Selic, e a multa sobre o valor básico do tributo eventualmente devido sem a incidência de qualquer correção. Expõe que “A inclusão da multa na base de cálculo é ilegal, não pode haver juros se a multa ainda não foi lançada de ofício, (artigos 142, caput e 113, § 1º CTN), e a taxa de juros também é ilegal, (artigo 161 CTN) e inconstitucional (artigo 24, CF), reconhecido na arguição de inconstitucionalidade n.º 0170909-61.2012.8.26.000”. Sobre a alegação de inconstitucionalidade, o Acórdão de Impugnação já descreveu que o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula nº 2. A arguição de inconstitucionalidade n.º 0170909-61.2012.8.26.000 mencionada trata de tributos estaduais, e determina a aplicação da Taxa Selic como forma de correção monetária e juros moratórios em matéria tributária. Essa arguição de inconstitucionalidade mencionada não trata de “inclusão da multa na base de cálculo”, conforme mencionado pelo Contribuinte. Pelo exposto e conforme conceito tributário, note-se que a multa é aplicada sobre o valor do tributo já atualizado monetariamente. Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para reduzir a multa qualificada de 150%, para o patamar de 100% (Tema 863/STF), salvo reincidência. Assinado Digitalmente Fabiana Francisco de Miranda Fl. 2207DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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