Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
11294648 #
Numero do processo: 10665.725789/2020-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 10/01/2016 a 31/12/2017 GILRAT. CNAE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE REENQUADRAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Não tendo havido reenquadramento, mas mera observância da alíquota prevista na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, cabia ao impugnante comprovar o erro na informação do CNAE Preponderante em GFIP, mas não houve tal comprovação durante o procedimento fiscal e nem no processo administrativo fiscal. ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. TEMA REPETITIVO N° 687. INCIDÊNCIA. As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. TERÇO CONSTITUCIONAL. FÉRIAS GOZADAS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA DE N° 985. MODULAÇÃO. PAPRECER SEI Nº 4366/2025/MF. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Por força da modulação prospectiva dos efeitos da decisão proferida em embargos de declaração, a tese fixada no Tema n° 985 não se aplica aos fatos geradores da contribuição social ocorridos até 14/09/2020 em que a respectiva contribuição não foi arrecadada.
Numero da decisão: 2401-012.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de terço constitucional de férias (rubrica P158 ADIC 1/3 FÉRIAS). Sala de Sessões, em 5 de março de 2026. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Elisa Santos Coelho Sarto, Marcio Henrique Sales Parada, Leonardo Nunez Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (substituto integral) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 10/01/2016 a 31/12/2017 GILRAT. CNAE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE REENQUADRAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Não tendo havido reenquadramento, mas mera observância da alíquota prevista na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, cabia ao impugnante comprovar o erro na informação do CNAE Preponderante em GFIP, mas não houve tal comprovação durante o procedimento fiscal e nem no processo administrativo fiscal. ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. TEMA REPETITIVO N° 687. INCIDÊNCIA. As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. TERÇO CONSTITUCIONAL. FÉRIAS GOZADAS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA DE N° 985. MODULAÇÃO. PAPRECER SEI Nº 4366/2025/MF. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Por força da modulação prospectiva dos efeitos da decisão proferida em embargos de declaração, a tese fixada no Tema n° 985 não se aplica aos fatos geradores da contribuição social ocorridos até 14/09/2020 em que a respectiva contribuição não foi arrecadada.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10665.725789/2020-05

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7357285

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2401-012.520

nome_arquivo_s : Decisao_10665725789202005.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO

nome_arquivo_pdf_s : 10665725789202005_7357285.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de terço constitucional de férias (rubrica P158 ADIC 1/3 FÉRIAS). Sala de Sessões, em 5 de março de 2026. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Elisa Santos Coelho Sarto, Marcio Henrique Sales Parada, Leonardo Nunez Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (substituto integral) e Miriam Denise Xavier.

dt_sessao_tdt : Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2026

id : 11294648

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:40 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862800863563612160

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-07T15:20:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-07T15:20:06Z; Last-Modified: 2026-04-07T15:20:06Z; dcterms:modified: 2026-04-07T15:20:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-07T15:20:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-07T15:20:06Z; meta:save-date: 2026-04-07T15:20:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-07T15:20:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-07T15:20:06Z; created: 2026-04-07T15:20:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2026-04-07T15:20:06Z; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-07T15:20:06Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10665.725789/2020-05 ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 5 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MUNICIPIO DE PASSOS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 10/01/2016 a 31/12/2017 GILRAT. CNAE PREPONDERANTE. AUSÊNCIA DE REENQUADRAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Não tendo havido reenquadramento, mas mera observância da alíquota prevista na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, cabia ao impugnante comprovar o erro na informação do CNAE Preponderante em GFIP, mas não houve tal comprovação durante o procedimento fiscal e nem no processo administrativo fiscal. ADICIONAL DE HORAS EXTRAS. TEMA REPETITIVO N° 687. INCIDÊNCIA. As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária. TERÇO CONSTITUCIONAL. FÉRIAS GOZADAS. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA DE N° 985. MODULAÇÃO. PAPRECER SEI Nº 4366/2025/MF. É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias. Por força da modulação prospectiva dos efeitos da decisão proferida em embargos de declaração, a tese fixada no Tema n° 985 não se aplica aos fatos geradores da contribuição social ocorridos até 14/09/2020 em que a respectiva contribuição não foi arrecadada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja excluído da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de terço constitucional de férias (rubrica P158 ADIC 1/3 FÉRIAS). Sala de Sessões, em 5 de março de 2026. Assinado Digitalmente José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro – Relator Assinado Digitalmente Miriam Denise Xavier – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Elisa Santos Coelho Sarto, Marcio Henrique Sales Parada, Leonardo Nunez Campos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim (substituto integral) e Miriam Denise Xavier. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 808/824) interposto em face de decisão (e-fls. 784/796) que julgou improcedente impugnação contra Auto de Infração de Contribuições Previdenciárias da Empresa/Empregador (e-fls. 02/13) relativas ao Código de Receita 2141 CP PATRONAL - CONTRIBUIÇÃO EMPRESA/EMPREGADOR - LANÇAMENTO DE OFÍCIO (infração: RUBRICAS A SEGURADOS EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO) e ao Código de Receita 2158 CONTRIBUIÇÃO RISCOS AMBIENTAIS/APOSENTADORIA ESPECIAL - LANÇAMENTO DE OFÍCIO (infração: GILRAT DE EMPREGADOS NÃO OFERECIDO À TRIBUTAÇÃO e GILRAT SOBRE RUBRICAS DE EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO) e contra Auto de Infração de Contribuições Previdenciárias dos Segurados (e-fls. 14/19) relativas ao Código de Receita 2096 CP SEGURADOS - CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS - LANÇAMENTO DE OFÍCIO (infração: RUBRICAS A SEGURADOS EMPREGADOS NÃO OFERECIDAS À TRIBUTAÇÃO), ambos a versar sobre as competências 01/2016 a 12/2017, cientificados em 29/06/2020 (e-fls. 565). O Relatório Fiscal e Adendo constam das e-fls. 22/28 e 564, merecendo destaque: 3. No item 6 do TIPF a Prefeitura foi intimada a esclarecer os motivos de informar em GFIP o CNAE preponderante 8411600 – Administração Pública em Geral, cuja alíquota GILRAT prevista em lei é 2%, mas na GFIP a Prefeitura informa a alíquota de 1%. Em resposta assinada pelo Sr. Romulo de Oliveira Fraga, Procurador Geral Adjunto do Município, OAB/MG 98706, em anexo, informa em sua conclusão: “Desta forma, conforme entendimentos supracitados, não é o CNAE que deve definir a alíquota do GILRAT, mas sim a atividade preponderante encontrada na análise dos segurados da entidade. Fl. 836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 3 Assim, pela caracterização da atividade com maior número de representantes na administração municipal, que - em que pese não apurada e informada na missiva enviada para conhecimento e análise - certamente apontará risco leve, e sendo pacífico o entendimento de que a atividade preponderante da administração pública municipal é administrativa e burocrática, caracterizada como de risco leve, acreditamos ser essa a fundamentação da utilização da alíquota de 1%” 4. De forma que a Prefeitura confirma que seu CNAE PREPONDERANTE é o CNAE informado em GFIP 8411600, cuja alíquota devida é 2%, de forma que esta Auditoria está apurando a diferença não declarada em GFIP de 1% acrescida do FAP, que foi informado corretamente. 5. Também foram apuradas diferenças em relação à remuneração de segurados empregados, cujas rubricas de incidência de contribuições previdenciárias não foram declaradas em GFIP pela Prefeitura, estando em anexo uma planilha que apura as diferenças de base de cálculo e de contribuição dos segurados empregados não declaradas, e outra planilha com os segurados empregados e as respectivas rubricas salariais recebidas pelos mesmos. As rubricas não consideradas pela Prefeitura estão abaixo discriminadas: (...) 6. De forma que as férias normais, 1/3 de férias, média de horas extras, adicionais de horas extras, dias trabalhados nos retornos de auxílio doença e ou acidentes de trabalho se enquadram no conceito de salário de contribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei 8.212/91. Na impugnação (e-fls. 574/597 e 685/709), foram abordados, ainda que sem necessariamente nomeá-los de tal forma, os seguintes capítulos: (a) Tempestividade. (b) CNAE Preponderante – FAP. (c) Contribuição Previdenciária – não incidência. (d) Representação Fiscal para Fins Penais. (e) Provas. Convertido o julgamento em diligência (e-fls. 770/772), foi emitida Informação Fiscal a informar que a Prefeitura não atendeu intimação para demonstrar o CNAE Preponderante, sendo mantido o constante do Auto de Infração (e-fls. 778). Aberto prazo de trinta dias (e-fls. 778/782), o recorrente não se manifestou (e-fls. 783). A seguir, transcrevo do Acórdão de Impugnação (e-fls. 784/796): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2016 a 31/12/2017 ÔNUS DA PROVA. Fl. 837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 4 A simples alegação contrária a ato da administração, sem apresentação das provas documentais, não desconstitui o lançamento. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. O salário-de-contribuição é o previsto normativamente estando deste excluídos aquelas rubricas expressamente previstas. REPRESENTAÇÃO FISCAL A Representação Fiscal para Fins Penais é formalizada na presença de fato que possa configurar crime em tese, no dever de ofício da fiscalização, não sendo da competência da autoridade julgadora administrativa a análise do seu mérito. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil só produzem efeitos entre as partes envolvidas nos litígios, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O Acórdão foi cientificado em 07/04/2021 (e-fls. 798/805 e 829) e o recurso voluntário (e-fls. 808/824) interposto em 05/05/2021 (e-fls. 806/807), em síntese, alegando: (a) Tempestividade. Notificado em 07/07/2021, o recurso é tempestivo. (b) CNAE Preponderante - FAP. O Relatório Fiscal afirma que o CNAE preponderante da Prefeitura é o CNAE - Administração Pública em Geral, entendendo, assim, que sua alíquota seria de 2% e não de 1% conforme declarado. A questão foi objeto de inúmeras decisões judiciais, havendo jurisprudência a reconhecer que a atividade preponderante de servidor de município possui natureza essencialmente burocrática, sendo cabível a alíquota de 1%. Além disso, deve haver a observância da atividade preponderante desenvolvida na estrutura do empregador — no caso, da Administração Pública -, havendo, conforme relação em anexo e de conhecimento desta Unidade, a atividade de professores em grande número na rede Municipal, totalizando aproximadamente 1/3 dos servidores do Município em atividade nas atribuições de Educação infantil — Pré-Escola e ensino fundamental, respectivamente, CNAE's 8512-1/00 e 8513- 9/00, conforma Anexo V do Decreto n°. 3.048/99, recentemente alterado pelo Decreto n° 10.410/20. Desta feita, seja pelos serviços eminentemente burocráticos ou pela atividade preponderante na administração Municipal de educação fundamental e pré-escola, definidos como grau leve, deve ser afastava a autuação que entendeu irregular a declaração na GFIP da alíquota de 1%, que requer seja reputada correta em relação ao Município recorrente. Segue em anexo, como prova da alegação, as tabelas que demonstram o alegado. Fl. 838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 5 (c) Contribuição Previdenciária - não incidência. Segundo o acordão recorrido "as férias normais, 1/3 de férias, média de horas extras, adicionais de horas extras, dias trabalhados nos retornos de auxílio doença e ou acidentes de trabalho se enquadram no conceito de salário de contribuição. Contudo, no RE n° 593.068, foi fixada a tese de repercussão geral Tema n° 163, que "não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade". Isso, porque as contribuições previdenciárias de que trata o art. 22, I, da Lei 8212/91, dever incidir, exclusivamente, sobre verbas destinadas a remunerar o trabalho (verbas remuneratórias) e, a contrario sensu, os valores pagos aos empregados/servidores públicos vinculados ao regime geral de previdência social de natureza indenizatória, não são destinados a remunerar o trabalho, razão pela qual não podem constituir fato gerador da contribuição previdenciária patronal que incide sobre a folha de pagamento dos servidores. Em relação ao afastamento que antecede o auxílio-doença ou acidente, também há jurisprudência pacífica favorável à não incidência (REsp 1.230.957/RS). O mesmo raciocínio de não incidência de contribuição previdenciária sobre verbas de natureza indenizatória, deve ser aplicado para afastar a cobrança do tributo sobre as "férias", uma vez que tal verba possui a mesma natureza do adicional de um terço, não havendo remuneração de efetivo serviço prestado ao empregador, in casu, Município de Passos (RE n°. 1322945/DF; AgRg no Ag 1420247/DF; e RE 545317 AgR). Sendo assim, não é devida a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias, pois tal verba possui natureza indenizatória. Os demais Tribunais Superiores, em consonância com Tema 163 do e. Supremo Tribunal Federal, têm afastado a incidência e contribuição previdenciária sobre as horas extras — serviços extraordinários, adicional de Horas-Extras, também levando em consideração a sua nítida natureza indenizatória, sendo matéria enfrentada no RE 545317 AgR. Assim sendo, não deve incidir a contribuição previdenciária sobre as verbas de natureza indenizatórias, não destinadas a remunerar o trabalho, tais como os afastamentos que antecedem a concessão dos benefícios de auxílio-doença e auxílio acidente, férias usufruídas e adicionais de horas extras, devendo o auto de infração ser afastado. (d) Provas. Requer a juntada da documentação anexa e, caso se entenda necessário à demonstração da verdade real, nos termos do art. 16, inciso IV c.c. art. 18 do Decreto nº 70.235/72, requer a realização de perícia para análise e detecção da atividade preponderante na administração pública Municipal de Passos, bem como o grau de risco da referida atividade, designando-se perito capacitado Fl. 839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 6 desta unidade federal (art. 20), realizando resposta aos quesitos de e-fls. 813/814. É o relatório. VOTO Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Relator. Admissibilidade. Diante da intimação em 07/04/2021 (e-fls. 798/805 e 829), o recurso interposto em 05/05/2021 (e-fls. 806/807) é tempestivo (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. CNAE Preponderante - FAP. O lançamento fiscal não é resultado de reenquadramento da atividade preponderante pela fiscalização tributária, sendo considerado o CNAE PREPONDERANTE informado pelo contribuinte em GFIP (autoenquadramento no CNAE Preponderante 8411600), apenas aplicando-se no lançamento de ofício a alíquota a ele atribuído na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista em Anexo do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 1999, na redação vigente ao tempo das competências objeto do lançamento. Note-se que, ao efetuar o autoenquadramento a cada competência e CNPJ, o contribuinte apura a atividade preponderante por estabelecimento/órgão com CNPJ, de modo a verificar o CNAE Preponderante a ela correspondente e detectar a alíquota prevista na tabela do Anexo V do Regulamento da Previdência Social. Na GFIP, informa o “CNAE PREPONDERANTE” e a “ALÍQUOTA RAT” a ele correspondente, sendo irrelevante o CNAE constante do cartão do CNPJ (ver Manual da GFIP/SEFIP versão 8.4, itens 2.2 do Capítulo II e 2.3 do Capítulo III). A jurisprudência invocada pelo recorrente para afirmar que a atividade preponderante de servidor de município possui natureza essencialmente burocrática e, por conseguinte, deve ser aplicada a alíquota de 1% em detrimento da alíquota de 2% estabelecida na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco para o CNAE PREPONDERANTE 8411600 não é vinculante, não competindo ao presente colegiado afastar norma regulamentar. A análise do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, especificamente do inciso II, alíneas a, b e c, e do o § 3°, revela que a lei, fixando parâmetros e padrões, reservou ao regulamento a complementação técnica da lei, inexistindo delegação pura, mas atribuição à autoridade administrativa para aferir dados, em concreto, para a boa aplicação da lei, não cabendo ao presente colegiado afastar a alíquota de 2% advinda do regular exercício do poder de complementação técnica da lei. Nesse sentido, cabe invocar a inteligência da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no RE 677.725, paradigma do Tema de Repercussão Geral n° 554, bem como o art. 26-A do Decreto n° 70.235, de 1972, e a Súmula CARF n° 2. Não tendo havido reenquadramento, mas mera observância da alíquota prevista na Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, cabia ao impugnante Fl. 840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 7 comprovar o erro na informação do CNAE Preponderante em GFIP, mas não houve tal comprovação durante o procedimento fiscal e nem com a impugnação. Apesar da ausência dessa comprovação imputável ao impugnante (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°), a autoridade julgadora de primeira instância converteu o julgamento em diligência e o Município foi instado a demonstrar o CNAE Preponderante, mas o impugnante não atendeu à intimação no prazo estabelecido, restando frustrada a diligência. Nas razões recursais, o recorrente argumenta que deve prevalecer a atividade preponderante, sendo de conhecimento do colegiado, ou seja, fato notório, que aproximadamente 1/3 dos servidores do Município em atividade nas atribuições de Educação infantil - Pré-Escola e ensino fundamental, respectivamente, CNAE's 8512-1/00 e 8513-9/00, e que, seja pela atividade preponderante ou pelos serviços eminentemente burocráticos, há que prevalecer alíquota de 1%, conforme demonstrariam as tabelas de e-fls. 826/827. Ser fato notório que os Municípios dispõem de muitos servidores a desempenhar atribuições na área de educação não prova erro no CNAE Preponderante informado nas GFIPs. Nas fls. 826/827, constam as tabelas invocadas pelo recorrente, uma para cada competência do período objeto do lançamento, com duas colunas: uma a especificar CNAE e outra a especificar um número de servidores para o respectivo CNAE, com totalização da última linha. Entretanto, não há indicação da fonte documental dos dados e as tabelas estão desacompanhadas de documentos a lastrear os dados nelas constantes. A reiteração do pedido para realização de perícia não prospera, pois o contribuinte foi instado quando do procedimento fiscal e quando da diligência comandada pela autoridade julgadora de primeira instância a produzir prova de erro no autoenquadramento no CNAE Preponderante 8411600, sendo seu o ônus de comprovar o erro alegado em sede de defesa, comprovação que demanda mera prova documental e cuja análise não exige conhecimento técnico especial de perito, não tendo apresentado nem início de prova documental dos dados constantes das tabelas de e-fls. 826/827. Logo, o pedido para produção de prova pericial é descabido e manifestamente protelatório. Pelo exposto, não merece reforma a decisão recorrida. Contribuição Previdenciária - não incidência. No caso concreto, a fiscalização considerou que “férias normais, 1/3 de férias, média de horas extras, adicionais de horas extras, dias trabalhados nos retornos de auxílio doença e ou acidentes de trabalho se enquadram no conceito de salário de contribuição previsto no artigo 28, inciso I da Lei 8.212/91”. O recorrente argumenta que não incidem contribuições sobre os afastamentos que antecedem a concessão dos benefícios de auxílio-doença e auxílio acidente, férias usufruídas, inclusive respectivo terço constitucional, e adicionais de horas extras. Fl. 841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 8 Note-se que a fiscalização não tributa os primeiros dias de afastamento, mas os dias trabalhados na competência de retorno do afastamento por doença ou acidente de trabalho, rubricas P069 QT HORAS TRAB FI(AUX.DOE) e P076 DIAS TRAB FIM(AUX DOE/AT). Logo, a argumentação de defesa não guarda pertinência para com a imputação fiscal, não tendo o recorrente demonstrado erro por parte da fiscalização na percepção dos fatos, ou seja, de tais rubricas se constituírem em remuneração de horas e dias trabalhados nos retornos dos afastamentos. De plano, devemos ponderar que o presente colegiado está vinculado à tese definida no Tema Repetitivo n° 687: “As horas extras e seu respectivo adicional constituem verbas de natureza remuneratória, razão pela qual se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária.” (REsp 1358281/SP), impondo-se a tributação sobre as rubricas pertinentes. Por fim, no que toca às rubricas P095 FERIAS NORMAIS e P158 ADIC 1/3 FÉRIAS, as férias gozadas e o respectivo terço constitucional são verbas de natureza remuneratória, conforme disposto nos arts. 22, I, e 28, I, da Lei n° 8.212, de 1991, tendo o Supremo Tribunal Federal no julgamento do Tema 985 definido a tese: “É legítima a incidência de contribuição social sobre o valor satisfeito a título de terço constitucional de férias”. O recorrente invoca a tese fixada no Tema n° 163, tema em que o Supremo Tribunal Federal analisou a constitucionalidade de contribuição previdenciária dos servidores públicos, disciplinada nos arts. 40 e 149, § 1º, da CF, sujeitos ao Regime Próprio de Previdência Social - RPPS, sendo definida a seguinte tese: “Não incide contribuição previdenciária sobre verba não incorporável aos proventos de aposentadoria do servidor público, tais como terço de férias, serviços extraordinários, adicional noturno e adicional de insalubridade”. Contudo, ao julgar o Tema n° 985, o Ministro Luiz Roberto Barroso, Redator dos Embargos de Declaração no RE nº 1.072.485/PR, asseverou que a “jurisprudência é pela impertinência do Tema nº 163 quando debatida a incidência das contribuições sociais sobre verbas pagas no âmbito do Regime Geral da Previdência Social” - RGPS, sendo a distinção entre os Temas nº 163 e nº 985 expressamente assentada pelo STF. Logo, a tese fixada no Tema n° 163 não socorre ao recorrente, pois o caso concreto se refere ao RGPS. Nesse ponto, cabe destacar que, por força da modulação prospectiva dos efeitos da decisão proferida em embargos de declaração, a tese fixada no Tema n° 985 não se aplica aos fatos geradores da contribuição social ocorridos até 14/09/2020 (incluindo essa data) em que a respectiva contribuição previdenciária não foi arrecadada, como bem explicitado no Parecer SEI nº 4366/2025/MF. Isso posto, voto por CONHECER do recurso voluntário e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para que seja excluído da base de cálculo do lançamento os valores pagos a título de terço constitucional de férias (rubrica P158 ADIC 1/3 FÉRIAS). Assinado Digitalmente Fl. 842DF CARF MF Original https://www.gov.br/pgfn/pt-br/assuntos/representacao-judicial/lista-dispensa-contestar-recorrer/parecer-sei-no-4366-2025-redlit.pdf https://www.gov.br/pgfn/pt-br/assuntos/representacao-judicial/lista-dispensa-contestar-recorrer/parecer-sei-no-4366-2025-redlit.pdf D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2401-012.520 – 2ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10665.725789/2020-05 9 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 843DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11290869 #
Numero do processo: 13971.722039/2017-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Sun Apr 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2101-003.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente dos recursos voluntários, apenas no que tange à tempestividade, e na parte conhecida, negar-lhes provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Sun Apr 05 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 13971.722039/2017-01

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7355842

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Apr 05 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2101-003.653

nome_arquivo_s : Decisao_13971722039201701.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

nome_arquivo_pdf_s : 13971722039201701_7355842.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente dos recursos voluntários, apenas no que tange à tempestividade, e na parte conhecida, negar-lhes provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2026

id : 11290869

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:30 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862800863661129728

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-03T05:39:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-03T05:39:35Z; Last-Modified: 2026-04-03T05:39:35Z; dcterms:modified: 2026-04-03T05:39:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-03T05:39:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-03T05:39:35Z; meta:save-date: 2026-04-03T05:39:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-03T05:39:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-03T05:39:35Z; created: 2026-04-03T05:39:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2026-04-03T05:39:35Z; pdf:charsPerPage: 1348; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-03T05:39:35Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13971.722039/2017-01 ACÓRDÃO 2101-003.653 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 2 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MUNICIPIO DE GUABIRUBA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2015 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer parcialmente dos recursos voluntários, apenas no que tange à tempestividade, e na parte conhecida, negar-lhes provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). Fl. 1586DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.653 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722039/2017-01 2 RELATÓRIO Trata-se de Recursos Voluntários interpostos por MUNICIPIO DE GUABIRUBA (e-fls. 1546/1563) e pelo responsável solidário MATIAS KOHLER (e-fls. 1570/1583) em face do Acórdão nº. 16-84.891 (e-fls. 1508/1524) que julgou a Impugnação improcedente, mantendo-se o crédito tributário. Em sua origem, trata-se de processo relativo à aplicação de multa isolada, no percentual de 150% dos valores compensados indevidamente, tendo em vista a falsidade das declarações (Gfip – Guia de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social) analisadas nos processos nº 13971.723428/2016-64 e nº 13971721299/2017-51, que estão sendo analisados nesta oportunidade. As compensações sofram glosadas pelos Despachos Decisórios (DD) nº 184/2017 (e- fls. 143/151) e nº 185/2017 (e-fls. 152/162), exarados pela SAORT/DRF de Blumenau/SC, em razão de compensação realizada antes do trânsito em julgado, e compensação de créditos prescritos ou inexistentes. A fiscalização considerou que o Sr. Matias Kohler, prefeito da municipalidade ao tempo das compensações glosadas/entrega das declarações tidas por falsas, teria agido de forma ilícita, com afronta à legislação tributária, como nos casos de sonegação fiscal e/ou falsificação de documento público, de modo que foi considerado responsável solidário pelos créditos tributários devidos pelo contribuinte, com fundamento no art. 135, II, do CTN. Conforme Avisos de Recebimento – AR, e-fls. 230/231, a ciência do presente Auto de Infração se deu em 26/07/2017, por ambos os responsáveis, que apresentaram Impugnação (e- fls. 236/295), considerada como petição conjunta (tendo em vista ter sido assinada pelo Prefeito), defendendo o direito aos créditos indicados às compensações, repetindo as razões de mérito apresentadas nos outros processos, e questionando a aplicação da multa isolada no patamar de 150%, sustentando que não pode ser considerada dolosa as compensações realizadas ao amparo das decisões judiciais emanadas pelos tribunais pátrios; alega ainda a inexistência de má-fé e do caráter confiscatório da multa isolada e requer a redução da multa para o percentual de 20%. Sobreveio o julgamento das Impugnações, tendo sido proferido Acórdão nº. 16- 84.891 (e-fls. 1508/1524), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2015 COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AÇÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. GLOSA. Compensação é o procedimento facultativo através do qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindo-os das contribuições devidas à Previdência Social. Fl. 1587DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.653 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722039/2017-01 3 Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária e nº Código Tributário Nacional - CTN, os valores indevidamente compensados devem ser glosados. Dois são os caminhos possíveis para uma regular compensação tributária em âmbito federal: 1) o contribuinte ostenta direito creditício decorrente de recolhimentos ao erário em desacordo (não há previsão) com a legislação vigente, ou em valores comprovadamente superiores ao quatum devido; 2)o contribuinte é detentor de tutela jurisdicional – transitada em julgado – outorgando-lhe direito à compensação e, em tal caso, deverá, imprescindivelmente, habilitá-lo previamente junto à Administração Tributária competente. MULTA. DECLARAÇÃO FALSA DE COMPENSAÇÃO EM GFIP. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual de 150% e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2015 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA QUANDO HÁ IDENTIDADE DE OBJETOS. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação de regência do processo de determinação e exigência de créditos tributários da União determina que as intimações sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão de encaminhamento para em endereço diverso, nem mesmo para o escritório dos procuradores do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1588DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.653 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722039/2017-01 4 Às e-fls. 1530, foi apresentada petição de inexatidão material, por meio da qual solicitou-se os esclarecimentos sobre a decisão: 1) Não há pronunciamento do v.Órgão Julgador acerca do Sujeito Passivo Solidário, Sr. Matias Kohler, CPF nº 376.148.359-72. Mais especificamente, para a adequação execução de julgamento, há necessidade de esclarecimento se a impugnação apresentada (de fls.236/295) é (ou não)conjunta, de modo a saber se o referido sujeito passivo solidário é (ou não) revel. 2) Há ausência de pronunciamento desse v. Órgão Julgador com relação às medidas a serem tomadas por este Órgão Preparador a respeito da matéria constante do parágrafo “5.3”, e, também, das outras matérias referidas nos parágrafos “8 a 8.7”, essas últimas reunidas sob o subtítulo “Da Renúncia ao Contencioso Tributário”, notadamente sobre o cabimento (ou não) da necessidade de serem as aludidas matérias apartadas, para cobrança imediata, dada a falta de pronunciamento desse e. colegiado, na ordem de intimação, nesse sentido. Em 03/11/2020 foi proferido o Despacho nº 8 (e-fls. 1531) com esclarecimentos: 1. Em resposta aos questionamentos apresentados no Despacho de fls. 1530, não se verifica a ocorrência de inexatidão material no Acórdão nº 16-84.891 (fls. 1508/1524). Apenas para subsidiar o órgão preparador, tecem-se as observações abaixo sobre os assuntos específicos questionados. 2. Inicialmente, tendo o Prefeito assinado a Impugnação, entende-se que a peça de defesa foi apresentada conjuntamente pelos dois sujeitos passivos (Município de Guabiruba e Prefeito), não havendo que se falar em revelia do responsável solidário. Nota-se que, por força do art. 5º da IN RFB nº 1.862/18, a impugnação apresentada por apenas um dos autuados acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais sujeitos passivos. 3. Tanto a matéria citada no item 5.3, quanto a responsabilidade solidária atribuída ao Prefeito, deixaram de ser contestadas pelos sujeitos passivos, motivo pelo qual não se tornaram controvertidas e não foram analisadas no voto. Destaca-se que compete ao órgão julgador delimitar a matéria controvertida que será objeto de julgamento, não sendo necessária a identificação pontual de todas as matérias que deixaram de ser analisadas em razão da inércia dos sujeitos passivos. 4. A renúncia ao contencioso administrativo tratada nos itens 8. a 8.7. implica na impossibilidade de discussão administrativa acerca da natureza indenizatória das verbas discutidas em Ação Judicial própria, vez que a decisão definitiva proferida no âmbito judicial deverá, oportunamente, ser observada e aplicada aos processos administrativos afetados. A natureza indenizatória de tais verbas constitui um dos argumentos apresentados pelos sujeitos passivos para combater a multa aplicada no presente processo. A renúncia de sua discussão administrativa não impede o prosseguimento do contencioso administrativo Fl. 1589DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.653 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722039/2017-01 5 acerca da aplicabilidade da multa lançada em relação aos demais argumentos aventados na peça de defesa e apreciados no acórdão. O Município foi cientificado do resultado de julgamento em 10/12/2020, pela via postal, conforme Aviso de Recebimento (e-fl. 1539). Matias Kohler foi cientificado do resultado de julgamento em 09/12/2020, pela via postal, conforme Aviso de Recebimento (e-fl. 1540). Em 18/01/2021 foi lavrado Termo de Perempção (e-fls. 1541), tendo em vista que o Município ou Matias Kohler não teriam apresentado recursos voluntários. Em 05/02/2021, foram apresentados os Recursos Voluntários pelo Município (1546/1563) e por Matias Kohler (e-fls. 1570/1583), em petições de idêntico teor, que reiteram os argumentos anteriormente apresentados em Impugnações, e defendem a tempestividade dos recursos, sustentando que não teria sido possível a apresentação de recursos em momento anterior em razão da transição dos prefeitos e impossibilidade de acesso aos processos. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Tempestividade Como se verifica dos avisos de recebimento dos Correios (e-fl. 2359), os recorrentes foram intimados da decisão de piso, por via postal, nos dias 09/12/2020 (Matias Kohler) e 10/12/2020 (Município de Guabiruba). Não visualizo qualquer mácula nas intimações realizadas. Consta nos autos os Avisos de Recebimento com os endereços do domicílio tributário dos contribuintes, a assinatura do recebedor e seu documento de identificação, bem como carimbo atestando a data da entrega, em conformidade com a data manuscrita. Como é cediço, por força do art. 5º, do Decreto n. 70.235/72, na contagem dos prazos no processo administrativo tributário, exclui-se o dia de início e inclui-se o de vencimento. Os prazos só iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição (dia útil subsequente). Assim, o prazo de 30 dias previsto no art. 33, do mesmo Decreto n. 70.235/72, para Matias Kohler teve início no dia 10/12/2020 (quinta-feira), encerrando-se no dia 08/01/2021 (sexta-feira). Para o Município, o prazo de 30 dias teve início no dia 11/12/2020 (sexta-feira), encerrando-se no dia 09/01/2021 (sábado) e transferindo-se para o dia 11/01/21 (segunda-feira). Fl. 1590DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.653 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13971.722039/2017-01 6 Ocorre que os recursos voluntários somente foram apresentados no dia 05/02/2021, restando, portanto, intempestivos. A alegação de que os recursos deveriam ser considerados tempestivos em razão da transição dos prefeitos e atualização nos cadastros da Receita Federal não procede. Como se viu, as intimações se deram ainda em 2020, e o acesso ao processo bem como o protocolo dos recursos poderiam ter sido promovidos por outras formas, como diretamente nos estabelecimentos da Receita Federal. 2. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente dos Recursos Voluntários, apenas no que tange à tempestividade e negar-lhes provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 1591DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
4671901 #
Numero do processo: 10820.002455/96-01
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002
Ementa: PROCESSUAL - VICIO FORMAL DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem observância às determinações expressas no art. 11, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: CSRF/03-03.397
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 200211

ementa_s : PROCESSUAL - VICIO FORMAL DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem observância às determinações expressas no art. 11, do Decreto n° 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.

dt_publicacao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002

numero_processo_s : 10820.002455/96-01

anomes_publicacao_s : 200211

conteudo_id_s : 4413967

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : CSRF/03-03.397

nome_arquivo_s : 40303397_000337_108200024559601_004.PDF

ano_publicacao_s : 2002

nome_relator_s : PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES

nome_arquivo_pdf_s : 108200024559601_4413967.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa.

dt_sessao_tdt : Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2002

id : 4671901

ano_sessao_s : 2002

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:42:11 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862800863684198400

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T00:29:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T00:29:31Z; Last-Modified: 2009-07-08T00:29:31Z; dcterms:modified: 2009-07-08T00:29:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T00:29:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T00:29:31Z; meta:save-date: 2009-07-08T00:29:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T00:29:31Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T00:29:31Z; created: 2009-07-08T00:29:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2009-07-08T00:29:31Z; pdf:charsPerPage: 1292; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T00:29:31Z | Conteúdo => - . MINISTÉRIO DA FAZENDA ) CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° :10820.002455/96-01 Recurso n° : RD1303-0.337 (303-122.141) -17 Matéria : ITR Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessado : PAULO PENTEADO LUNARDELLI Sessão de : 05 DE NOVEMBRO DE 2002 Acórdão n° : CSRF/03-03.397 PROCESSUAL - VICIO FORMAL DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO — NULIDADE. É nula a Notificação de Lançamento emitida sem observância às determinações expressas no art. 11, do Decreto n°. 70.235/72. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Henrique Prado Megda e João Holanda Costa. ON "OD" IGUES PRESIDENTE -n111101111111111"111.111.PAndel PAULO R0B'r 114 CUCO ANTUNES RELATO', FORMALIZADO EM: 25 MAR 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ e NILTON LUIZ BARTOLI. Acórdão n° : CSRF/03-03.397 Processo n° : 10820.002455/96-01 Recurso n° : RD/303-0.337 (303-122.141) Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO E VOTO Refere-se o presente litígio à cobrança do Imposto Territorial Rural — ITR e Contribuições, relativo ao exercício de 1995, do imóvel denominado FAZENDA MIL E CEM, com área de 223,3 hectares, localizado no município de Valparaíso/SP, inscrito na Secretaria da Receita Federal sob n° -325221.3 A C. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão n° 303-29.759, de 10/05/2001, declarou, de ofício, a nulidade do lançamento constituído pela Notificação de fls. 26, conforme Ementa que assim se transcreve: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Notificação de lançamento emitida sem o cumprimento de requisitos formais, de indicação do cargo ou função, nome ou número de matrícula do auditor fiscal da receita FederaL NULIDADE DO LANÇAMENTO." Contra essa decisão recorreu a D. Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteando a sua reforma, trazendo como paradigma cópia do inteiro teor do Acórdão n° 302-34.831, de 07/06/2001, da C. Segunda Câmara, do mesmo E. Terceiro Conselho de Contribuintes. Em Contra-Razões, o Contribuinte pede a manutenção do R. Acórdão recorrido. Esta a síntese do essencial, não sendo necessárias maiores delongas sobre o assunto, pois que se trata de matéria já exaustivamente 2 Acórdão n° : CSRF/03-03.397 Processo n° : 10820.002455/96-01 examinada e decidida nesta Câmara Superior, com entendimento que vai ao encontro do Aresto atacado pela I. Recorrente, a Fazenda Nacional. Endosso e adoto, integralmente, o brilhante Voto condutor do Acórdão recorrido, de lavra do Insigne Conselheiro Relator, o Dr. JOÃO HOLANDA COSTA, que passa a fazer parte integrante deste Voto, o qual não merece retoques. Registre-se, apenas no presente exercício, os julgados deste Colegiado envolvendo idêntica situação, todos declarando a nulidade das Notificações de Lançamentos envolvidas: Sessão de 18 de março de 2002 - Acórdão CSRF n°: 03-03.271 Sessão de 08 de julho de 2002 - Acórdãos CSRF n°s: 03-03.285; 03-03.286; 03-03.292; 03- 03.295. Sessão de 09 de iulho de 2002 - Acórdãos CSRF n°s: 03-03.303; 03-03.304; 303-03.305; 03- 03.306; 03-03.307; 03-03.308; 03-03.311; 03-03.312; 03-03.313; 03-03.315; 03- 03.317; 03-03.318; 03-03.319; 03-03.320; 03-03.321; 03-03.322; 03-03.324; 03- 03.325; 03-03.326; 03-03.327. Por relevante, registre-se também que tal entendimento foi consagrado pelo PLENO, desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão inédita realizada no dia 11 de dezembro de 2001, em julgamento do RD/102-0.804 (PLENO), que recebeu o Acórdão n° CSRF/PLEN0-00.002, cuja Ementa diz o seguinte: verbis "IRPF — NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO — AUSÊNCIA DE REQUISITOS — NULIDADE — 3 Acórdão n° : CSRF/03-03.397 Processo n° : 10820.002455/96-01 14C/0 FORMAL — A ausência de formalidade intrínseca determina a nulidade do ato. Lançamento anulado por vício formal." Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o Acórdão recorrido. Sala das Sessões-DF, em 05 de novembro de 2002. n11111111111~~...."- , - PAULO ROB 11,4fw UCO ANTUNES RELATOR 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1

score : 1.0
4723163 #
Numero do processo: 13886.000150/95-91
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR EXERCÍCIO DE 1994. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. VEGETAÇÃO NATIVA. Não estando comprovada nos autos a efetiva existência de área de vegetação nativa, fora da Área de Preservação Permanente, não há como considerá-la para fins de composição do percentual do 20%, como reserva legal. Como Área de Preservação Permanente apenas devem ser respeitadas as restrições no art. 2º do Código Florestal, especificadamente a faixa de 30 metros marginais do lado do curso d'agua existente. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 302-36.407
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, argüida pelo Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, vencido também, o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes. No mérito, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes.
Nome do relator: ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 200409

ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR EXERCÍCIO DE 1994. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. VEGETAÇÃO NATIVA. Não estando comprovada nos autos a efetiva existência de área de vegetação nativa, fora da Área de Preservação Permanente, não há como considerá-la para fins de composição do percentual do 20%, como reserva legal. Como Área de Preservação Permanente apenas devem ser respeitadas as restrições no art. 2º do Código Florestal, especificadamente a faixa de 30 metros marginais do lado do curso d'agua existente. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2004

numero_processo_s : 13886.000150/95-91

anomes_publicacao_s : 200409

conteudo_id_s : 4266049

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 302-36.407

nome_arquivo_s : 30236407_127511_138860001509591_013.PDF

ano_publicacao_s : 2004

nome_relator_s : ELIZABETH EMILIO DE MORAES CHIEREGATTO

nome_arquivo_pdf_s : 138860001509591_4266049.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, argüida pelo Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, vencido também, o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes. No mérito, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes.

dt_sessao_tdt : Fri Sep 17 00:00:00 UTC 2004

id : 4723163

ano_sessao_s : 2004

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:42:12 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862800863685246976

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-07T01:24:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-07T01:24:06Z; Last-Modified: 2009-08-07T01:24:06Z; dcterms:modified: 2009-08-07T01:24:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-07T01:24:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-07T01:24:06Z; meta:save-date: 2009-08-07T01:24:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-07T01:24:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-07T01:24:06Z; created: 2009-08-07T01:24:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; Creation-Date: 2009-08-07T01:24:06Z; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-07T01:24:06Z | Conteúdo => • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA PROCESSO N° : 13886.000150/95-91 SESSÃO DE : 17 de setembro de 2004 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 RECURSO N° : 127.511 RECORRENTE : JOSÉ NAIDILICHI RECORRIDA : DRJ/CAMPINAS/SP IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR EXERCÍCIO DE 1994 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ VEGETAÇÃO NATIVA Não estando comprovada nos autos a efetiva existência de área de vegetação nativa, fora da Área de Preservação Permanente, não há como considerá-la para• fins de composição do percentual de 20%, como reserva legal. Como Área de Preservação Permanente, apenas devem ser respeitadas as restrições previstas no art. 2° do Código Florestal, especificamente a faixa de 30 metros marginais do lado do curso d'água existente. NEGADO PROVIDO POR MAIORIA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento, argüida pelo Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior, vencido também, o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes. No mérito, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cucco Antunes. Brasília-DF, em 17 de setembro de 2004 41, HNEIRQUE PRDO MEGDA Presidente 'e--eagar ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Relatora 0 3 DE 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO e WALBER JOSE DA SILVA. Ausentes os Conselheiros LUIS ANTONIO FLORA e SIMONE CRISTINA BISSOTO. mie MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 RECORRENTE : JOSÉ NAIDILICHI RECORRIDA : DRJ/CAMPINAS/SP RELATOR(A) : ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO RELATÓRIO O julgamento do presente processo foi convertido em diligência à Repartição de Origem, em Sessão realizada aos 07 de julho de 1999, conforme Diligência N°203-00.763 (fls. 116/118). • Para rememorar os fatos ocorridos, passo à transcrição do "Relatório" e "Voto" condutores da referida Diligência, ambos da lavra do I Conselheiro Francisco Sérgio Nalini: "Relatório. Por entender esclarecedor, adoto e transcrevo o Relatório de fls. 98/101 e seguintes: "Trata o presente processo de impugnação do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR e Contribuições, relativos ao exercício de 1994, sobre o imóvel denominado Sitio Vale do Sol, situado no município de Conchal, cadastrado na Receita Federal sob o n° 0275797.4 e no INCRA sob o código n°624055.006327-4, com área de 38,6 ha. • Inconformado com os valores constantes da Notificação de Lançamento de fls. 03, o interessado interpôs impugnação de fls. 01 alegando que o imóvel possui 6 (seis)I alqueires de sua área alagados e improdutivos, restando produtivos apenas 9 (nove) alqueires, pelo que pleiteia a retificação do lançamento proporcionalmente à área produtiva. Posteriormente, protocolou nova reclamação de fls. 05/06, alegando engano no preenchimento do campo Valor do Imóvel, da DITR do exercício de 1994 (fls. 53), solicitando assim sua retificação." Recorre o interessado da decisão de primeira instância, às fls. 108, juntando, a seguir, documento que consta seu pedido para que o IBAMA ateste a veracidade da Área de Preservação Ambiental. É o relatório." ~e"..Í 2 I MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 O Voto proferido pelo D. Conselheiro-Relator, acolhido por unanimidade pelos Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, foi o que se segue: "Voto. O recurso é tempestivo e, tendo atendido os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo da cobrança do ITR de 1994. Na fase recursal, como se vê no documento de fls. 108, restringe-se • o interessado em tentar comprovar que realmente havia uma área de preservação permanente em seu imóvel rural. Nestes termos, por entender oportuno e para que se encontre melhor respaldo para a formação de convicção, converto o julgamento do presente recurso voluntário em diligência, junto à repartição fiscal de origem, via DRJ de Campinas — SP, para que seja solicitado ao IBAMA a confirmação que havia no imóvel, no ano-base do lançamento, área registrada de efetiva preservação ambiental e demais esclarecimentos que forem julgados oportunos, informando àquela repartição que existe pedido semelhante do interessado (documento de lis. 109). É como voto." Encaminhado o processo à ARF em Americana/SP, para 4111 cumprimento da diligência, aquela Repartição enviou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis — IBAMA a Intimação de fls. 123, solicitando esclarecimentos sobre se no imóvel rural objeto deste litígio havia, no exercício de 1994, área registrada de efetiva preservação ambiental. Em atendimento ao solicitado, o IBAMA/SP, por meio do Oficio de fls. 128, informou que "não há registros em nossos bancos de dados de área no imóvel Sítio Vale do Sol como Reserva Legal ou Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, de propriedade de José Naildilichi". Informou, outrossim, que "tais informações podem, também, ser obtidas junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo". Em decorrência, a ARF em Americana encaminhou à citada Secretaria o Oficio de fls. 129, pelo qual solicitou a informação referente à existência, naquele imóvel rural de "área de preservação ambiental no exercício de 1994, bem tdd rd 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 como se existe alguma Unidade ou Legislação Estadual que declare a área em questão de Preservação Ambiental". Nos termos do Oficio de fls. 131, a Secretaria do Meio Ambiente/Coordenadoria de Licenciamento Ambiental e Proteção dos Recursos Naturais/Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais informou que, para atender ao solicitado, seria imprescindível a apresentação de planta planialtimétrica da propriedade, delimitando as áreas de preservação permanente e vegetação nativa existente, bem como cópia da matrícula atualizada do imóvel. Intimado a apresentar os documentos em questão, o contribuinte juntou-os às fls.136/139 dos autos e os mesmos foram devidamente encaminhados à Secretaria do Meio Ambiente. Após análise dos mesmos, aquele órgão informou que "a propriedade em questão, referente à matrícula n° 9.388, não possui reserva legal averbada à margem da matricula, conforme consta do registro apresentado. A área em questão não se encontra inserida em APA (Área de Proteção Ambiental), devendo somente serem respeitados as restrições previstas no Art. 2° do Código Florestal vigente, que estabelece no Art. 2°, alínea "a", item I, a faixa de 30 m marginais de lado do curso d'água existente como Área de Preservação Permanente. A vegetação nativa remanescente, situada fora de Área de Preservação Permanente (APP) poderá compor o percentual de 20% como reserva legal. No entanto, somente após um levantamento planialtimétrico, delimitando a vegetação nativa, excetuando à APP, acompanhada de memorial descritivo é que podemos afirmar se existe vegetação nativa suficiente para compor este percentual". (grifei) Cumprida a diligência, foram os autos encaminhados ao Terceiro C:5 Conselho de Contribuintes, tendo sido distribuídos a esta Conselheira, por sorteio, numerados até a folha 150 (última), que trata do trâmite do processo no âmbito deste Colegiado. É o relatório. ~dd% •efia".. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 VOTO O litígio de que se trata iniciou-se com o inconformismo do contribuinte com referência ao ITR194 lançado. Em um primeiro momento, o interessado alegou erro no preenchimento da DITR/94, argumentando que, embora o imóvel possua uma área de 38,6 hectares, 06 alqueires são alagados e improdutivos, sendo que apenas 09 alqueires são de terras "mais ou menos". Pleiteou, assim, a redução do imposto. • Em um segundo momento, alegou ter havido erro no preenchimento do campo Valor do Imóvel na mesma DITR (Valor Declarado = 621.878,52 UFIR's), e que, após pesquisas efetuadas na região, foi encontrado como valor de mercado aproximadamente R$ 2.000,00 o hectare, com o que o imóvel valeria 109.332,95 UFIR's. Para justificar suas alegações, apresentou Oficio da Prefeitura Municipal do Município de Conchal, informando que dos 38,6 hectares de terras, 14,52 são de várzea, a qual precisa ser sistematizada para ser produtiva, restando 21,78 hectares de área produtiva (fl. 07). Após intimação da repartição de Origem, juntou aos autos a Declaração de fl. 21, firmada por Engenheiro Civil e por Corretor de Imóveis, informando que o preço unitário por alqueire de 24.200 metros quadrados é de aproximadamente R$ 6.000,00. • Constam, ainda, dos autos, cópia da Escritura Pública do imóvel e Memorial Descritivo (fls. 2834) e documentos de fls. 35/74. Cientificado da decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte interpôs o recurso de fl. 108, ratificando sua defesa e juntando o Ato Declaratório Ambiental- ADA- de fl. 109, protocolado no IBAMA em 02/07/1998, com a indicação de 14,5 hectares de Área de Preservação Permanente. Não apresentou qualquer Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, matéria bastante desenvolvida na decisão "a quo", com referência à impugnação do Valor da Terra Nua e à existência de áreas imprestáveis. Assim, no mérito, o litígio acabou se restringindo à existência de Área de Preservação Permanente. ,~e 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 Preliminarmente, como sei que, para alguns dos Membros desta Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, tem relevância a identificação do responsável pela emissão da Notificação de Lançamento, informo que a mesma não se encontra naquela constante dos autos, à folha 03. Contudo, ressalto que, no caso deste processo, seu primeiro julgamento foi convertido em diligência, como relatado, dando origem a várias providências envolvendo outros Órgãos do Serviço Público e culminando com as respostas por eles enviadas à Repartição de Origem (ARF em Americana/SP) no sentido de que, no imóvel rural em questão, não existe área de Reserva Legal ou Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, bem como que o mesmo não se encontra inserido em Área de Proteção Ambiental, devendo apenas ser considerada 411 como Área de Preservação Permanente a faixa de 30 metros marginais de lado de curso d'água existente. Ademais, foi também esclarecido que, somente após um levantamento planialtimétrico, acompanhado de memorial descritivo, é que se poderia afirmar se existe vegetação nativa remanescente suficiente, situada fora da Area de Preservação Permanente, para compor o percentual de 20% como reserva legal. Tal requisito, contudo, não consta dos autos. Destaco ainda que trata-se, na hipótese, de lançamento do 1TR194 e que o contribuinte apenas será mais penalizado se o julgamento deste litígio for protelado, face à incidência de juros SELIC no valor do ITR devido. Todas estas colocações foram feitas para que se tenha a mais completa informação sobre o litígio ora em análise, principalmente pelo fato de, para esta Relatora, não ser imprescindível a identificação do responsável pela emissão da • Notificação de Lançamento do ITR, como já coloquei em vários julgados. Contudo, face à preliminar de nulidade da Notificação de Lançamento argüida, eu a rejeito, pelas razões que ora transcrevo, muitas das quais são excertos de "voto" proferido pelo D. Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Farias Júnior: " São vários os dispositivos presentes na legislação tributária com referência à constituição do crédito tributário e muitas vezes a extensão a ser dada à sua interpretação pontual pode trazer questionamentos por parte do aplicador do direito. Assim, em decorrência do princípio da legalidade dos tributos, a norma geral tributária (o próprio tributo), representa uma "moldura" que servirá de abrigo à norma individual do lançamento, determinando seu conteúdo. ‘,166-0e 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 Em outras palavras, o lançamento extrai o seu fundamento de validade do próprio tributo, constituindo a relação jurídica de exigibilidade. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 142, define o lançamento com a seguinte redação, in verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Por este dispositivo, claro está que o lançamento tem sua eficácia declaratória de "débito" e constitutiva de "obrigação", sendo composto de um ato ou série de atos de administração, como atividade vinculada e obrigatória, objetivando a constatação e a valorização quantitativa e qualitativa das situações que a lei elege como pressupostos de incidência tributária e, em conseqüência, criando a obrigação tributária em sentido formal. O lançamento é, portanto, norma jurídica exteriorizada pelo ato ou série de atos administrativos que transforma uma simples relação de débito e crédito, que começa a formar-se com a ocorrência do fato imponível (mas ainda não exigível) numa relação obrigacional plena (exigível), sendo, assim, um ato jurídico ao mesmo tempo modificativo e constitutivo. O Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, ao dispor sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 9° estabeleceu que, "in verbis": "Art. 9°. A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." Séds 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 Nos termos do dispositivo supracitado, verifica-se que duas são as formas de formalização da exigência fiscal, quais sejam, por meio de auto de infração ou de notificação de lançamento. Conforme estabelecido no artigo 10 do referido Decreto, "o auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta" e é obrigatório que o mesmo contenha: "I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III- a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V — a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de 30 (trinta) dias e: VI — a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou fiinção e o (35 número de matricula." Tais exigências, na hipótese, buscam exatamente identificar o fato gerador da obrigação tributária, o pólo passivo obrigado a cumpri-la, o quantum exigido, se houve ou não infração à legislação tributária e qual a penalidade cabível em caso positivo. É evidente, portanto, que como a formalização da exigência é feita por servidor, fundamental é a identificação do mesmo, pois o obrigado deve ter a certeza de que aquele que o obriga é competente para tal, uma vez que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória. O artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, por sua vez, trata da hipótese de "notificação de lançamento" e determina que, in verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que o administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I — a qualificação do notificado; II — o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III — a disposição legal infringida, se for o caso; IV — a assinatura do chefe do órgão expedidor e ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico." ar_d 8 - . MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 As determinações transcritas também são plenamente justificadas, pois objetivam (como acontece em relação ao "auto de infração") identificar o obrigado (qualitativamente) e a respectiva obrigação (quantitativamente), tratando-se, na hipótese, de lançamento por declaração ou misto, com a utilização de dados fornecidos pelo próprio contribuinte, mas que podem ser impugnados pela autoridade administrativa competente, com fundamento na legislação de regência, como, por exemplo, quando o Valor da Terra Nua Declarado for inferior ao Valor da Terra Nua mínimo estabelecido legalmente. Objetivam, ainda, caso cabível, indicar a disposição legal infringida, possibilitando o direito ao contraditório e à ampla defesa, direitos constitucionalmente protegidos. O Por fim, consta do item IV do parágrafo 11 do Decreto 70.235/72, a exigência de "assinatura do chefe do órgão expedidor e ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula". Esta exigência também se respalda na fundamental importância de se saber quem é a pessoa que está obrigando para que se verifique se a mesma tem a competência pertinente. Contudo, na matéria em discussão, trata-se de "Notificação de Imposto Territorial Rural", notificação esta que escapava, até 31/12/96, por suas próprias características, do conceito (digamos) regular e comum de "notificação". Isto porque, contrapondo-se às determinações contidas no artigo 9° do Decreto considerado, até aquela data ela não se referia a um único imposto, abrigando outras contribuições sindicais destinadas a entidades patronais e profissionais relacionadas com a atividade agropecuária. Estas contribuições, por sua vez, embora não mais arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal, objetivavam (e continuam objetivando) o apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores e o aprendizado, treinamento e reciclagem do trabalhador rural. Além de contrariar a determinação do citado artigo 90, a Notificação em questão também contraria o disposto no artigo 142 do CTN, pois o fato gerador do ITR não se confunde com aqueles que se referem às contribuições. Para fortalecer ainda mais as argumentações até aqui colocadas, saliento que, nos termos do disposto no artigo 16 do CTN, "Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal especifica, relativa ao 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 contribuinte", ou seja, como espécie tributária, é uma exação desvinculada de qualquer atuação estatal, decorrente da ação do jus impedi do Estado. As contribuições sociais do artigo 149 da Constituição Federal, por sua vez, são exações fiscais de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, submetidas à disciplina do artigo 146, III, da Carta Magna (normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre definição de tributos e suas espécies). Hoje, não pode mais haver dúvida quanto à sua natureza tributária, em decorrência de sua submissão ao regime tributário, mas, paralelamente, embora sejam, assim como os impostos, compulsórias, deles se distinguem na essência. Todas estas razões provam que a Notificação de Lançamento "dita" do ITR era, até 31/12/1996, muito mais abrangente, abrigando espécies de tributos diferenciadas, com ou sem destinações específicas. Portanto, não há como submeter este tipo de "Notificação" às mesmas exigências que são impostas às Notificações de Lançamento de impostos. Ademais, as Notificações de ITR possuem características extrínsecas que asseguram a origem de sua emissão. Elas são emitidas por processamento eletrônico e nelas está claramente identificado o órgão que as emitiu. 1111 Portanto, o fato de nelas não constar a indicação do responsável pela emissão, seu cargo ou função e o número de matricula em nada prejudica o contraditório e a ampla defesa do contribuinte, tanto assim que todos os processos de ITR cumprem o andamento estabelecido pelo Processo Administrativo Fiscal — PAF (Decreto 70.235/72) e chegam a esta segunda instância de julgamento administrativo". Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade da notificação de lançamento argüida. Passemos, assim, ao mérito do litígio. Como relatado, o processo sub judice retoma de diligência requerida pelo E. Segundo Conselho de Contribuintes. a to MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 A única matéria trazida pelo contribuinte no recurso interposto refere-se à existência de área de preservação permanente no imóvel cujo ITR/94 está em litígio, denominado "Sitio Vale do Sol", localizado no município de Conchal/ SP, cadastrado na SRF sob o n ° 0275797.4. Em atendimento à diligência requerida pela Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a ARF em Americana/SP diligenciou junto ao IBAMA e ao Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. As respostas dos dois Órgãos não socorrem o recorrente. 011 Respondeu o IBAMA não constar, em seus registros, Área de Reserva Legal ou Reserva Particular do Patrimônio Natural — RPPN, com referência ao imóvel de que se trata. Por sua vez, o Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais informou, em 28/05/2001, não possuir a propriedade em questão reserva legal averbada, bem como não se encontrar a área citada inserida em APA (Área de Proteção Ambiental). Salientou, apenas, a necessidade de serem respeitadas as restrições previstas no Código Florestal vigente (faixa de 30 m marginais do lado de curso d'água existente, como Área de Preservação Permanente). Quanto à área de reserva legal (20%), informou aquele Departamento não haver a possibilidade de convalidá-la, sem um levantamento planialtimétrico, delimitando a vegetação nativa, excetuando às APP, acompanhado de memorial descritivo do imóvel. • Ocorre que, anteriormente a esta última resposta, em 25/08/2000, aquele Departamento já havia comunicado a necessidade de tais documentos e, intimado a apresentá-los, com ciência em 27/09/2000, o interessado não providenciou aquela planta, oferecendo, apenas, um projeto planialtimétrico, não suficiente para o fim pretendido. Assim, não há como acolher o pleito da ora recorrente. Pelo exposto e por tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 17 de setembro de 2004 ~gr ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES allEREGATTO — Relatora 11 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente, arguo a nulidade da Notificação de Lançamento, alterando meu entendimento sobre a questão de que uma NL ou um AI não poderiam versar a respeito de créditos tributários diversos, a menos que existisse vínculos entre eles. In caris, cobrava-se o ITR e Contribuições à CNA, CONTAG, SENAR, com bases de cálculo diversas e destinação muito diferenciada dos recursos obtidos. E, assim, as NL não poderiam se constituir em instrumento de crédito tributário, não se aplicando, pois a elas, as regras de nulidade impostas pelo PAF. Todavia as repetidas e inúmeras decisões da Terceira Turma da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais e sua bem lançada fundamentação levaram este Relator a uma nova formação de convencimento a respeito dessa nulidade. O artigo 9° do Decreto 70.235/72, com a redação que a ele foi dada pelo art. 10 da Lei 8.748/93, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência do fato gerador: 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso. Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. 12 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° : 127.511 ACÓRDÃO N° : 302-36.407 A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 11, do Decreto 70.235/72, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que administra o tributo conterá obrigatóriarnente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões" diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em • nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contiver a assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e não deixam de implicar em nulidade. Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. • De qualquer maneira, estão sendo cobrados valores de contribuinte através de Notificação de Lançamento, sem que este tenha condições de saber se esta cobrança é feita na forma que a legislação impõe, o que configura cerceamento do seu direito de defesa. Nessa linha de raciocínio, também não posso concordar que seja refeita a NL, pois essa nulidade, no dizer do PAF, não é das que podem ser corrigidas. Ela é absoluta. Face ao exposto, considero nulo de pleno direito este processo a partir da primeira Notificação de Lançamento, inclusive. Sala das Sessões, em 17 de setembro de 2004 PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR Conselheiro 13

score : 1.0
11291802 #
Numero do processo: 10314.727092/2014-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ERRO DE ESCRITURAÇÃO IMPUTÁVEL A EXERCÍCIO ANTERIOR. CORREÇÃO. A regra é a de que períodos de competência não se contaminam. Para viabilizar a exceção, o caminho possível é a compensação, secundada pelas devidas retificações de declaração e anotações em conta de “Ajuste de Exercícios Anteriores” (arts. 1º e 4º da Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, arts. 186, § 1º, 177, caput, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), mas tudo sem influenciar o resultado contábil do período de competência em curso. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 108. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira dos preceitos da Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória pelos integrantes deste Colegiado, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 15.000.000,00 (Quinze milhões de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 02, de 17/01/2023, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno, a teor dos ditames da Súmula CARF nº 103. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1101-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente).
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202602

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ERRO DE ESCRITURAÇÃO IMPUTÁVEL A EXERCÍCIO ANTERIOR. CORREÇÃO. A regra é a de que períodos de competência não se contaminam. Para viabilizar a exceção, o caminho possível é a compensação, secundada pelas devidas retificações de declaração e anotações em conta de “Ajuste de Exercícios Anteriores” (arts. 1º e 4º da Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, arts. 186, § 1º, 177, caput, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), mas tudo sem influenciar o resultado contábil do período de competência em curso. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 108. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira dos preceitos da Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória pelos integrantes deste Colegiado, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 15.000.000,00 (Quinze milhões de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 02, de 17/01/2023, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno, a teor dos ditames da Súmula CARF nº 103. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10314.727092/2014-01

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7356481

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1101-002.095

nome_arquivo_s : Decisao_10314727092201401.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10314727092201401_7356481.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2026

id : 11291802

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:35 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862800863801638912

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-06T14:02:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-06T14:02:49Z; Last-Modified: 2026-04-06T14:02:49Z; dcterms:modified: 2026-04-06T14:02:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-06T14:02:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-06T14:02:49Z; meta:save-date: 2026-04-06T14:02:49Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-06T14:02:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-06T14:02:49Z; created: 2026-04-06T14:02:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2026-04-06T14:02:49Z; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-06T14:02:49Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10314.727092/2014-01 ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 26 de fevereiro de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES RIO PARANAPANEMA ENERGIA S.A. FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ERRO DE ESCRITURAÇÃO IMPUTÁVEL A EXERCÍCIO ANTERIOR. CORREÇÃO. A regra é a de que períodos de competência não se contaminam. Para viabilizar a exceção, o caminho possível é a compensação, secundada pelas devidas retificações de declaração e anotações em conta de “Ajuste de Exercícios Anteriores” (arts. 1º e 4º da Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, arts. 186, § 1º, 177, caput, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), mas tudo sem influenciar o resultado contábil do período de competência em curso. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 108. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Na esteira dos preceitos da Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória pelos integrantes deste Colegiado, incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. SÚMULA CARF Nº 103. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 15.000.000,00 (Quinze milhões de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 02, de 17/01/2023, a qual, por tratar-se norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da Fl. 3055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 2 interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno, a teor dos ditames da Súmula CARF nº 103. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos dos artigos 98 e 123, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, c/c a Súmula nº 2, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roney Sandro Freire Correa, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira e Efigênio de Freitas Junior (Presidente). RELATÓRIO Fl. 3056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 3 RIO PARANAPANEMA ENERGIA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, cientificado em 06/10/2014 (A.R. às e-fl. 251), exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, decorrente de Glosa de Provisões indedutíveis, em relação ao ano- calendário 2010, conforme peça inaugural do feito, às e-fls. 229/239, Termo de Verificação Fiscal, de e-fls. 241/246, e demais documentos que instruem o processo. Com mais especificidade, a presente autuação decorreu dos seguintes fatos constantes do TVF, in verbis: “[...] Fl. 3057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 4 Fl. 3058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 5 [...]” Após regular processamento, a contribuinte apresentou impugnação, de e-fls. 263/281, a qual, após análise preliminar da autoridade julgadora de primeira instância (DRJ Ribeirão Preto/SP), ensejou a determinação de diligência fiscal, nos termos da Resolução nº 14- 4.564, de e-fls. 1.346/1.353. Em observância à diligência supra, a autoridade fazendária elaborou Informação Fiscal, de e-fls. 2.565/2.576, contemplando os esclarecimentos solicitados, em defesa da reversão de parte das glosas procedidas, determinando, ainda, a intimação da contribuinte para manifestação, o que veio a ocorrer, às e-fls. 2.922/2.927, corroborando os termos da defesa inaugural e rechaçando em parte a Informação Fiscal retro. Remetido o processo à 15ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, a impugnação fora julgada procedente em parte, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 14- 104.482, de 29 de janeiro de 2020, de e-fls. 2.980/2.999, com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2010 ERRO DE ESCRITURAÇÃO IMPUTÁVEL A EXERCÍCIO ANTERIOR. CORREÇÃO. A regra é a de que períodos de competência não se contaminam. Para viabilizar a exceção, o caminho possível é a compensação, secundada pelas devidas Fl. 3059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 6 retificações de declaração e anotações em conta de “Ajuste de Exercícios Anteriores” (arts. 1º e 4º da Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, arts. 186, § 1º, 177, caput, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), mas tudo sem influenciar o resultado contábil do período de competência em curso. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, de e-fls. 3.011/3.023, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após substancioso relato das fases e fatos que permeiam a demanda, insurge-se contra a exigência fiscal remanescente e, mais precisamente, quanto ao “Caso 1” ressalta a necessidade de cancelamento, diante da comprovação da bitributação da mesma receita. Em defesa de sua pretensão, mesmo concordando com o teor do acórdão recorrido, alega que a questão central não fora dirimida, tendo em vista que no exercício de dezembro de 2009 a Recorrente não possuía o valor efetivo das operações de venda de energia, seja no MRE da CCEE, seja no mercado spot, uma vez que apenas possuía estimativa dos preços a serem praticados, por conta de peculiaridades do setor. E, assim, conforme lhe é defeso (art. 177 da Lei nº 6.404/76 – regime de competência) a Recorrente passou ao ajuste da sua contabilidade em janeiro de 2010, de forma que os valores a maior levados à tributação ainda em dezembro de 2009 fossem excluídos de seu lucro real, como forma de evitar a bitributação de referidos valores. Neste contexto, sustenta que, ainda que apenas o valor de R$ 20.634,17 não tenha sido revertido, é importante observar que referido valor foi tributado tanto na provisão de receita de 2009 quando da glosa de sua reversão em 2010, o que implica em clara bitributação, razão pela qual a autuação fiscal não merece prosperar nesse ponto. Opõe-se, ainda, à manutenção da exigência consubstanciada no “Caso 4 – Gastos com Pesquisa & Desenvolvimento”, aduzindo para tanto que juntou em sua inicial os Livros Diário no qual constam de forma genérica a destinação da verba para P&D e o Livro Razão no qual é possível se verificar a destinação pormenorizada da verba relacionada. E ao contrário das demais receitas indicadas nesse item, o valor remanescente não pode ser vinculado a um único pagamento, mas sim a diversos. Isso porque, nos termos do artigo 2º da Lei nº 9.991/00 a Recorrente destina, mensalmente, 1% de sua receita operacional líquida à pesquisa e desenvolvimento (“P&D”), composto da seguinte maneira: (i) 0,4% destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (“FNDCT”); (ii) 0,2% destinado ao Ministério de Minas e Fl. 3060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 7 Energia (“MME”); e (iii) 0,4% reservado a projetos de P&D a serem patrocinados pela Recorrente após a devida aprovação pela ANEEL. Dessa forma, entende ser possível constatar que toda receita de R$ 279.756,85 foi destinada a projetos de P&D, inclusive alguns desses projetos são de longa duração (muitas vezes, superior a um ano) e o valor só é reconhecido contabilmente e baixado do passivo após a sua conclusão e aprovação do relatório final pela ANEEL. Alega ser indevida a aplicação da multa de ofício sobre a exigência fiscal sob análise, no percentual de 75%, por considerá-la abusiva, extorsiva e expropriatória, além de confiscatória, malferindo o disposto no artigo 105, inciso IV, da Constituição Federal, impondo seja reduzida a um percentual razoável. Contrapõe-se, ainda, à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal, o que acaba por malferir o princípio da legalidade, nos termos da jurisprudência administrativa transcrita na peça recursal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados, rechaçando totalmente a exigência fiscal. É o relatório. VOTO Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. Consoante se positiva dos autos, em face da contribuinte fora lavrado o presente lançamento, exigindo-lhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, decorrente de Glosa de Provisões indedutíveis, em relação ao ano-calendário 2010, conforme peça inaugural do feito, às e-fls. 229/239, Termo de Verificação Fiscal, de e-fls. 241/246, e demais documentos que instruem o processo. Diante da impugnação manejada pela contribuinte, a autoridade julgadora de primeira instância, após inicial conversão do julgamento em diligência, entendeu por bem decretar a improcedência parcial do feito, revertendo parte das glosas procedidas pela fiscalização, o que ensejou a interposição de Recurso de Ofício, com base no disposto no inciso I, do artigo 34, do Decreto nº 70.235/1972, c/c a Portaria MF n° 63/2017, objeto de análise nesta assentada. RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício não deve ser conhecido, como passaremos a demonstrar. Não obstante a legislação invocada pela autoridade julgadora de primeira instância, ao recorrer de ofício da decisão que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, o recurso Fl. 3061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 8 não merece ser conhecido, em virtude de não alcançar, nesta oportunidade, o limite de alçada imposto pela legislação de regência hodierna, senão vejamos: Consoante se infere da decisão ora guerreada, o recurso de ofício da autoridade fazendária encontrou amparo no artigo 34, inciso, do Decreto nº 70.235/1972, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 63/2017, que assim prescrevem: “Decreto nº 70.235/1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I - exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Portaria MF nº 63/2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplica-se o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008.” Entrementes, referida Portaria fora revogada pela Portaria MF nº 02, de 17/01/2023, elevando o valor do limite de alçada para a monta de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais). E, como é de conhecimento daqueles que lidam como processo administrativo fiscal, as normas processuais são aplicadas com esteio no disposto na legislação por ocasião do julgamento da demanda. É o que se extrai do Enunciado da Súmula CARF nº 103, de observância obrigatório por este Colegiado, que assim preleciona: “Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.” Neste cenário, constatando-se que o crédito tributário exonerado pelo julgador recorrido não alcança o atual limite de alçada, impõe-se não conhecer do Recurso de Ofício, mantendo-se, assim, a decretação da procedência parcial do lançamento. Fl. 3062DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 9 RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo ao exame das alegações recursais. No mérito, pretende a contribuinte a reforma, em parte, do Acórdão recorrido, o qual manteve parcialmente a exigência fiscal, e, mais precisamente, quanto ao “Caso 1” ressalta a necessidade de cancelamento, diante da comprovação da bitributação da mesma receita. Em defesa de sua pretensão, mesmo concordando com o teor do acórdão recorrido, alega que a questão central não fora dirimida, tendo em vista que no exercício de dezembro de 2009 a Recorrente não possuía o valor efetivo das operações de venda de energia, seja no MRE da CCEE, seja no mercado spot, uma vez que apenas possuía estimativa dos preços a serem praticados, por conta de peculiaridades do setor. E, assim, conforme lhe é defeso (art. 177 da Lei nº 6.404/76 – regime de competência) a Recorrente passou ao ajuste da sua contabilidade em janeiro de 2010, de forma que os valores a maior levados à tributação ainda em dezembro de 2009 fossem excluídos de seu lucro real, como forma de evitar a bitributação de referidos valores. Neste contexto, sustenta que, ainda que apenas o valor de R$ 20.634,17 não tenha sido revertido, é importante observar que referido valor foi tributado tanto na provisão de receita de 2009 quando da glosa de sua reversão em 2010, o que implica em clara bitributação, razão pela qual a autuação fiscal não merece prosperar nesse ponto. Opõe-se, ainda, à manutenção da exigência consubstanciada no “Caso 4 – Gastos com Pesquisa & Desenvolvimento”, aduzindo para tanto que juntou em sua inicial os Livros Diário no qual constam de forma genérica a destinação da verba para P&D e o Livro Razão no qual é possível se verificar a destinação pormenorizada da verba relacionada. E ao contrário das demais receitas indicadas nesse item, o valor remanescente não pode ser vinculado a um único pagamento, mas sim a diversos. Isso porque, nos termos do artigo 2º da Lei nº 9.991/00 a Recorrente destina, mensalmente, 1% de sua receita operacional líquida à pesquisa e desenvolvimento (“P&D”), composto da seguinte maneira: (i) 0,4% destinado ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (“FNDCT”); (ii) 0,2% destinado ao Ministério de Minas e Energia (“MME”); e (iii) 0,4% reservado a projetos de P&D a serem patrocinados pela Recorrente após a devida aprovação pela ANEEL. Dessa forma, entende ser possível constatar que toda receita de R$ 279.756,85 foi destinada a projetos de P&D, inclusive alguns desses projetos são de longa duração (muitas vezes, superior a um ano) e o valor só é reconhecido contabilmente e baixado do passivo após a sua conclusão e aprovação do relatório final pela ANEEL. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem Fl. 3063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 10 o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se incensurável, devendo ser mantido na forma daquele decisório. Destarte, como alinhavado acima, tratando-se de recurso voluntário em que aduz basicamente as mesmas alegações lançadas na impugnação, nos reportamos à decisão recorrida, a qual se debruçou com muita propriedade a respeito das matérias postas em debate, de onde pedimos vênia para transcrever excerto e adotar como razões de decidir, na esteira dos preceitos inscritos no artigo 114, § 12º, inciso I, do RICARF, sobretudo considerando que aludido processo fora convertido em diligência pelo julgador recorrido, de maneira a esclarecer as acusações fiscais, oportunizando, mais uma vez, a empresa de apresentar provas de suas alegações, senão vejamos: “[...] DO NOMEADO “CASO 1” CONSTANTE DO RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA FISCAL. 8. Com respeito ao que identificado por “caso 1", conforme resultado diligencial, permaneceria na base da autuação o importe de R$ 5.647.840,01, contra o que o Interessado se insurge sob a alegação de que, em dezembro/2009, não disporia de certeza sobre a quantificação do preço de venda de energia elétrica, circunstância justificadora do seu procedimento contábil. 9. Conforme documento de fl. 492, da lavra do próprio Contribuinte (que a traz em sua impugnação), a receita de venda de energia elétrica, competência de dezembro/2009, assim se comportou: 9.1. No âmbito do Mecanismo de Realocação de Energia – MRE: a) Prevista pelo Contribuinte e, efetivamente, levada à tributação: R$ 3.858.055,67. b) Efetiva: R$ 3.754.525,95. c) Diferença (a – b): (R$ 103.529,72), a significar que fora ofertado à tributação receita além do devido. 9.2. No mercado de curto prazo (spot, à vista): a) Prevista pelo Contribuinte e, efetivamente, levada à tributação: R$ 1.789.784,34. b) Efetiva: R$ 1.872.679,89. c) Diferença (a – b): R$ 82.895,55, a significar que fora ofertado à tributação receita aquém do devido. 10. Reproduza-se parte do documento em referência (fl. 492): Fl. 3064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 11 11. Ora, só por aí já se percebe que, de forma alguma, seria de se admitir que o Interessado subtraísse à tributação, já no ano-calendário seguinte, em 2010, o importe total e equivalente a R$ 5.647.840,01 (=3.858.055,67 + 1.789.784,34), pois, efetivamente, pertinente ao mês de dezembro/2009, houve- se por bem reconhecer uma receita de R$ 5.627.205,84 (=3.754.525,95 + 1.872.679,89). Quando muito, poder-se-ia cogitar d'uma reversão de provisão de receita, em 2010, da ordem de R$ 20.634,17, correspondente ao excesso dessa rubrica ofertado à tributação em 2009, isto é R$ 5.647.840,01 – R$ 5.627.205,84, ou R$ 103.529,72 – R$ 82.895,55. 12. Ocorre que, no ponto, venia concessa à Fiscalização e ao Contribuinte, um e outro têm apenas razões parciais. 13. A favor do Interessado corre a circunstância de que o afirmado impacto redutor do resultado de 2010, como decorrência da sistemática contábil por ele adotada, não foi de R$ 5.647.840,01 (ponto de vista da Fiscalização), mas de R$ 20.634,17. É isto que se evidencia na contabilidade do Contribuinte. Está em trecho do Livro Diário, à fl. 493. As contas de resultado 611.0313 e 611.0314 (referidas pela Fiscalização), em janeiro/2010, não são só debitadas do importe de R$ 5.647.840,01, mas também são igualmente creditadas no monte de R$ 5.627.205,84. Ou seja, a influência desse movimento, no resultado de 2010, foi tal que, em termos líquidos, o reduziu em R$ 20.634,17. Eis, assim, o motivo pelo qual se confere a razão parcial ao argumento da Fiscalização no quesito em destaque. Veja-se (fl. 493): Fl. 3065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 12 14. D’outra volta, realmente não é de se admitir alguma espécie de “reparo”, em 2010, d’uma equívoco de lançamento contábil havido no curso de 2009. Sobre o assunto é suficiente a ponderação já trazida pela Fiscalização. A regra é a de que períodos de competência não se contaminam. Para viabilizar a exceção, o caminho possível é a compensação, secundada pelas devidas retificações de declaração e anotações em conta de “Ajuste de Exercícios Anteriores” (arts. 1º e 4º da Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999, arts. 186, § 1º, 177, caput, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976), mas tudo sem influenciar o resultado contábil do período de competência em curso. Eis em reprise os enunciados normativos: [IN SRF nº 166, de 1999] Art. 1º. A retificação da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, dar-se-á mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 4º. Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada [é a ótica do Interessado, que teria ofertado à tributação receita em excesso, no monte de R$ 20.634,17], a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. [Lei nº 6.404, de 1976] Art. 186. A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados discriminará: I - o saldo do início do período, os ajustes de exercícios anteriores e a correção monetária do saldo inicial; [...] Fl. 3066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 13 § 1º. Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. [...] Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. 15. Na espécie, se, à razão de sobre-avaliação de receita do mês de dezembro/2009, o IRPJ e a CSLL apuráveis dentro daquele ano-calendário foram, de fato, superdimensionados, seria o caso de o Contribuinte, percebido o equívoco já em 2010, anotar os seguintes lançamentos contábeis: 15.1. Pela diferença paga a maior (em 2009) e a ser disputada em procedimento compensatório: D (débito) – IRPJ e CSLL a Recuperar (Ativo Circulante) C (crédito) – Ajustes de Exercícios Anteriores (Patrimônio Líquido). 15.2. E, pela transferência do valor do ajuste à conta de Lucros (ou Prejuízos) Acumulados: D (débito) – Ajustes de Exercícios Anteriores (Patrimônio Líquido); C (crédito) – Lucros ou Prejuízos Acumulados (Patrimônio Líquido) 16. Isso sim, mas não, pura e simplesmente, pretender reduzir a receita da competência de 2010, dela subtraindo o excesso dessa rubrica ofertado à tributação em 2009. Eis, assim, o motivo pelo qual se confere a razão parcial ao argumento do Contribuinte no quesito em destaque. DO NOMEADO “CASO 4” CONSTANTE DO RELATÓRIO DA DILIGÊNCIA FISCAL. 17. Com respeito ao que identificado por “caso 4", conforme resultado diligencial, permaneceria na base da autuação o importe de R$ 279.756,85, contra o que o Interessado se insurge sob a alegação de permissivo legal veiculado no art. 2º da Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000. 18. Eis, em reprise, a fundamentação da Fiscalização: 19. Retome-se o corpo do texto legal mencionado: Art. 2º As concessionárias de geração e empresas autorizadas à produção independente de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, 1% (um por cento) de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico, excluindo-se, por Fl. 3067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 14 isenção, as empresas que gerem energia exclusivamente a partir de instalações eólica, solar, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e cogeração qualificada, observado o seguinte: (“Caput” do artigo com redação dada pela Lei nº 10.438, de 26/4/2002) 20. Uma só pergunta tudo resolve. Ora, se as "concessionárias de geração e empresas autorizadas à produção independente de energia elétrica" estão obrigadas a “aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, 1% (um por cento) de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico”, como é que se espera que se viabilize a comprovação dessa precisa conduta? A dizer, não faz sentido algum o Contribuinte apoiar sua linha de defesa ao singelo argumento de que “não há um comprovante de pagamento específico referente ao valor mencionado” (fl. 2927). Há sim! E ele mesmo – Contribuinte – a ele se refere: aval da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL. A propósito, colaciona-se uma espécie de perguntas e respostas afetas ao tema, recolhidas do sítio eletrônico da referida Agência (https://www2.aneel.gov.br/area.cfm?idArea=722&idPerfil=3 ; consulta feita em 21/01/2020): 1. De onde vem a obrigação de investimento em P&D no setor elétrico? A lei nº 9.991/2000 determina que as empresas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor de energia elétrica são obrigadas a aplicar anualmente um percentual de sua Receita Operacional Líquida (ROL) em pesquisa e desenvolvimento (P&D). 2. Para onde vão os recursos destinados a P&D pela Lei nº 9.991/2000? Os recursos destinados à P&D do setor elétrico estão distribuídos da seguinte forma: 40% deverão ser recolhidos para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), fundo gerido pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP); 40% deverão ser destinados para projetos de pesquisa e desenvolvimento, segundo regulamentos estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e; 20% deverão ser recolhidos ao Ministério de Minas e Energia (MME), a fim de custear os estudos e pesquisas de planejamento da expansão do sistema energético, bem como os de inventário e de viabilidade necessários ao aproveitamento dos potenciais hidrelétricos. 3. Como funciona a execução da parcela dos recursos de P&D regulado pela ANEEL? A ANEEL regulamenta a forma de investimento dos recursos destinados ao seu Programa de P&D por meio do “Manual do Programa de Pesquisa e Fl. 3068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 15 Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica”, que traz as diretrizes e procedimentos para a elaboração, submissão, avaliação das propostas e dos resultados obtidos, contabilização dos gastos e fiscalização da execução dos projetos de P&D. Os recursos ficam em posse das empresas de energia, provisionados em uma conta contábil específica, sendo atualizados pela taxa Selic a partir do segundo mês subsequente ao reconhecimento contábil da receita. As empresas, por sua vez, podem, a qualquer tempo, submeter projetos de P&D à ANEEL. Estes somente serão reconhecidos como investimento no Programa após aprovação pela Agência. 4. Quais são os critérios utilizados pela ANEEL para avaliar um projeto? Para a aprovação, um projeto de P&D será avaliado sob os critérios de originalidade, aplicabilidade, relevância e razoabilidade dos custos. 5 . Quem está obrigado a investir em P&D? Todas as empresas distribuidoras, transmissoras e geradoras dos serviços de energia elétrica. Excluem-se da obrigação, por isenção, as empresas que gerem energia exclusivamente a partir de instalações eólica, solar, biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e cogeração qualificada. [...] 8. Em que área as empresas podem investir? A ANEEL disponibiliza em seu sítio a lista de temas para investimento em P&D. São eles: Fontes alternativas de geração de energia elétrica Geração Termelétrica Gestão de Bacias e Reservatórios Meio Ambiente Segurança Eficiência Energética Planejamento de Sistemas de Energia Elétrica Operação de Sistemas de Energia Elétrica Supervisão, Controle e Proteção de Sistemas de Energia Elétrica Qualidade e Confiabilidade dos Serviços de Energia Elétrica Medição, faturamento e combate a perdas comerciais Outro. 21. Muito que bem. E onde estão os projetos capitaneados pelo Interessado? Onde está o de acordo da ANEEL? Como a ANEEL os avaliou? Quais Fl. 3069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 16 os resultados obtidos até então? Como foi o acompanhamento de execução dos projetos de P&D? Para qual(is) área(s), das acima listadas, direcionou-se o suposto investimento? Por absoluta falta de prova, a glosa apontada pela Fiscalização em seu relatório diligencial remanesce como tal. [...]” Observe-se, que a contribuinte em seu recurso voluntário não apresentou novos documentos e/ou razões capazes de rechaçar o entendimento do julgador recorrido, se limitando a fazer referência aos documentos colacionados aos autos na impugnação, além de suscitar a improcedência do Acórdão recorrido, de onde restou claro que a documentação referenciada, isoladamente, não tem o condão de rechaçar a pretensão fiscal. Em outras palavras, constata-se que o caso dos autos se trata de matéria de observância às normas de contabilidade (inviabilizando o ajuste de uma eventual receita declarada equivocadamente num ano, em outro adiante) ou mesmo questão eminentemente de prova e, a contribuinte em sua peça recursal não apresentou novos documentos e/ou razões capazes de confrontar a acusação fiscal e/ou entendimento do julgador recorrido, como acima demonstrado. Ademais, tratando-se de matéria de fato, caberia ao contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o Acórdão recorrido. Neste sentido, não se cogita em improcedência do feito, tendo em vista que o fiscal autuante agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Insurge-se, ainda, a contribuinte contra a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal, o que acaba por malferir o princípio da legalidade, nos termos da jurisprudência administrativa transcrita na peça recursal. Mais uma vez, inobstante seu esforço argumentativo, sem razão a recorrente! Isto porque, afora as inúmeras digressões a respeito da matéria, certo é que a jurisprudência mansa e pacífica deste Colegiado caminha em sentido oposto ao pleito da recorrente, reconhecendo a validade da incidência dos juros sobre a multa de ofício, na esteira da Súmula CARF nº 108, de observância obrigatória, com o seguinte Enunciado: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Fl. 3070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 17 Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, na forma ali decidida, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito tributário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. DA ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Destarte, relativamente às questões de inconstitucionalidades/ilegalidades arguidas pelo contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como a multa e juros ora exigidos encontrarem respaldo na legislação de regência, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Note-se, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 1.634/2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) dispensa legal de constituição, Ato Declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional ou parecer, vigente e aprovado pelo Procurador-Geral da Fl. 3071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 18 Fazenda Nacional, que conclua no mesmo sentido do pleito do particular, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observe-se, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Súmula CARF nº 02, assim estabelece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” E, segundo o artigo 123, e parágrafos, do Regimento Interno do CARF, as Súmulas, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho.” Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. Neste sentido, no mérito, não se cogita em improcedência do procedimento fiscal, tendo em vista que as autoridades fazendárias pretéritas agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação tributária aplicável à espécie, impondo a manutenção da decisão recorrida em sua plenitude. LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido para o lançamento matriz de IRPJ estende-se às autuações que com ele compartilham os mesmos fundamentos de fato e de direito, sobretudo inexistindo razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso, em face do nexo de causa e efeito que os vincula. Fl. 3072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-002.095 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.727092/2014-01 19 Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE: 1) NÃO CONHECER DO RECURSO DO OFÍCIO, em razão de não estar abarcado pelo valor do limite de alçada atualmente exigido; 2) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Assinado Digitalmente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 3073DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11293708 #
Numero do processo: 10920.721658/2013-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ART. 173, I, do CTN. Tratando-se de penalidade decorrente do descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS ACIMA DO LIMITE DE ISENÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECONHECIDA EM PROCESSO CONEXO. A manutenção da exigência do imposto sobre a renda apurado em processo conexo, em razão de omissão de rendimentos, confirma a obrigatoriedade de entrega das respectivas Declarações de Ajuste Anual, quando demonstrado que os rendimentos tributáveis auferidos superaram o limite legal de isenção.
Numero da decisão: 2002-010.141
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 18 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ART. 173, I, do CTN. Tratando-se de penalidade decorrente do descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS ACIMA DO LIMITE DE ISENÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECONHECIDA EM PROCESSO CONEXO. A manutenção da exigência do imposto sobre a renda apurado em processo conexo, em razão de omissão de rendimentos, confirma a obrigatoriedade de entrega das respectivas Declarações de Ajuste Anual, quando demonstrado que os rendimentos tributáveis auferidos superaram o limite legal de isenção.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10920.721658/2013-53

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7357173

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2002-010.141

nome_arquivo_s : Decisao_10920721658201353.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

nome_arquivo_pdf_s : 10920721658201353_7357173.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente)

dt_sessao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026

id : 11293708

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Apr 18 09:41:37 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1862800864128794624

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-07T00:19:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-07T00:19:39Z; Last-Modified: 2026-04-07T00:19:39Z; dcterms:modified: 2026-04-07T00:19:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-07T00:19:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-07T00:19:39Z; meta:save-date: 2026-04-07T00:19:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-07T00:19:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-07T00:19:39Z; created: 2026-04-07T00:19:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2026-04-07T00:19:39Z; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-07T00:19:39Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10920.721658/2013-53 ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MARIA ODILA ZAFALON DE FREITAS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. ART. 173, I, do CTN. Tratando-se de penalidade decorrente do descumprimento de obrigação acessória, o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, iniciando-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS ACIMA DO LIMITE DE ISENÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECONHECIDA EM PROCESSO CONEXO. A manutenção da exigência do imposto sobre a renda apurado em processo conexo, em razão de omissão de rendimentos, confirma a obrigatoriedade de entrega das respectivas Declarações de Ajuste Anual, quando demonstrado que os rendimentos tributáveis auferidos superaram o limite legal de isenção. ACÓRDÃO Fl. 295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.721658/2013-53 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa – Relator Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, relativo à Multa Regulamentar por Atraso da Entrega de Declaração de Ajuste Anual, referente aos exercícios 2010 a 2013. O imposto considerado devido pelo contribuinte relativo aos citados anos calendário foi apurado por meio do processo administrativo nº 10920.720865/2013-91 constituído na mesma ação fiscal que resultou no processo em análise. Após apresentação de impugnação por parte da contribuinte, foi proferido Acórdão n° 02-87.004 - 5ª TURMA da DRJ em Belo Horizonte/MG de e-fls. 253/259, a qual julgou procedente o lançamento. Inconformada com referida decisão, a contribuinte apresentou recurso (e-fls. 267/287), repisando às alegações da impugnação, motivo pelo qual adoto o relatório da DRJ: Da Impossibilidade de Constituição de Crédito Tributário Embasado na Presunção de Ocorrência de Fato Gerador - o presente processo administrativo inicia-se em razão de informações disponíveis, sem adentrar aos pormenores a respeito da pretensão fiscalizatória; Fl. 296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.721658/2013-53 3 - em resposta ao ofício encaminhado, o Sr. Vanderlei O. Rosso informou que a remuneração pelos serviços prestados é feito por meio de DARE, sendo que os valores respectivos são repassados diretamente aos médicos que trabalham nas dependências do DETRAN/SC e por meio de pagamento do valor da taxa diretamente pelo usuário ao profissional, que realiza os exames em clínicas particulares, fora das dependências do DETRAN/SC; (...) Da Distinção entre Hipótese de Incidência e Fato Gerador de Obrigação Tributária - sem que haja a existência do fato gerador de determinada hipótese de incidência, não há que se falar em crédito tributário, cabendo ao Fisco demonstrar e comprovar inequivocamente a ocorrência do mesmo para fins de exigência de tributos do contribuinte; (...) Da Indevida Imputação de Infração Tributária em Face de Mera Presunção de Ocorrência de Fatos Geradores pela Autoridade Fiscal - a fiscalização resumiu-se a imputar à contribuinte falaciosos fatos com base no simples e dúbio sistema da CIRETRAN, deixando de considerar, por exemplo, que dentre os supostos atendimentos constantes do relatório de estatísticas houveram agendamentos de consultas que porventura foram cancelados, não realizados, remarcados, assim como a possibilidade de substituição entre as próprias psicólogas no decorrer dos expedientes sem a devida alteração no sistema, fato este que ocorre comumente entre os funcionários; Da Impossibilidade de Quitação de Obrigação Acessória face a inexistência da Obrigação Principal - em face da inexistência de provas que imputem a impugnante os fatos alegados pelo fisco e que poderiam ensejar o dever de pagamento da dita contribuição, não há que se falar em multa pela não execução da obrigação principal; (...) Da Decadência do Crédito Tributário Relativo ao Período de Janeiro à Maio de 2008 - relativamente ao período citado, transcorreu mais de cinco anos da data de ocorrência de tais fatos geradores, impedindo-se ao fisco proceder à revisão de tais lançamentos, pelo alcance da decadência prevista no art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; Ao fim requer que seja julgado totalmente improcedente o presente Auto de Infração, com o cancelamento da integralidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.721658/2013-53 4 VOTO Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. PRELIMINAR Nulidade – Cerceamento do Direito de Defesa – Igualdade A contribuinte punga pelo reconhecimento do cerceamento do direito de defesa, além de aplicação de diversos princípios. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pelo contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresenta-se formalmente incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que trata-se de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura do Auto de Infração, bem como do Termo de Verificação Fiscal, anexos e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, o contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontram-se maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Fl. 298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.721658/2013-53 5 Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de eventual erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, como já dito, não ensejando em nulidade. Para além do exposto, respeitou todos os princípios basilares. Concebe-se que o auto de infração foi lavrado de acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, dispostas nos artigos 9° e 10° do Decreto n° 70.235/72 (com redação dada pelo artigo 1° da Lei n° 8.748/93), não se vislumbrando nenhum vício de forma que pudesse ensejar nulidade do lançamento. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade são as previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões preferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Logo, em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. PREJUDICIAL DE MÉRITO Da Decadência Destaque-se que a Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2009 deveria ter sido entregue até a data de 30/04/2009, podendo a fiscalização lançar a multa devida em razão da não entrega da declaração até 31/12/2015, com fundamento no disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Tendo a contribuinte sido cientificada em 07/06/2013, não há que falar em decadência. MÉRITO Da Multa por Atraso na Entrega da DIPRF Inicialmente, forçoso registrar que a contribuinte, em suas razões recursais, direciona sua insurgência, em essência, ao mérito da obrigação principal, notadamente quanto à alegada inexistência de omissão de rendimentos apurada no Processo nº 10920.720865/2013-91. Todavia, quanto a tais argumentos, deixo de tecer maiores elucidações, porquanto o referido processo foi igualmente apreciado nesta assentada, tendo sido mantida, em sua integralidade, a infração ali apurada. Assim, permanecendo hígida a exigência do crédito tributário relativo ao imposto sobre a renda decorrente da omissão de rendimentos, resta igualmente preservado o fundamento fático que ensejou a obrigatoriedade de apresentação das respectivas declarações. Fl. 299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.721658/2013-53 6 No que concerne especificamente à obrigação acessória, verifica-se, do exame dos autos, que não assiste razão à recorrente. A legislação de regência impunha a obrigatoriedade de apresentação da Declaração de Ajuste Anual às pessoas físicas que auferissem rendimentos tributáveis acima do limite de isenção no respectivo ano-calendário. No caso concreto, foi constatada omissão de rendimentos nos anos-calendário de 2008, 2009, 2010 e 2011, conforme decidido no Processo nº 10920.720865/2013-91, circunstância que evidencia que a contribuinte estava obrigada à entrega das declarações correspondentes aos exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012. No tocante à penalidade aplicada, cumpre consignar que o art. 964 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda então vigente) estabelecia a incidência de multa pela falta de entrega da Declaração de Ajuste Anual no prazo fixado, em percentual sobre o imposto devido, observado valor mínimo, aplicável inclusive na hipótese de inexistência de imposto a pagar, senão vejamos: Art. 964. Serão aplicadas as seguintes penalidades: I - multa de mora: de um por cento ao mês ou fração sobre o valor do imposto devido, nos casos de falta de apresentação da declaração de rendimentos ou de sua apresentação fora do prazo, ainda que o imposto tenha sido pago integralmente, observado o disposto nos §§ 2º e 5º deste artigo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso I, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 27); ... II - multa: de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos a seis mil, seiscentos e vinte nove reais e sessenta centavos no caso de declaração de que não resulte imposto devido (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30); ... § 2º Relativamente à alínea "a" do inciso II, o valor mínimo a ser aplicado será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 88, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30): I - de cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos, para as pessoas físicas; ... § 5º A multa a que se refere a alínea "a" do inciso I deste artigo, é limitada a vinte por cento do imposto devido, respeitado o valor mínimo de que trata o § 2º (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27). § 6º As multas referidas nas alíneas "a" dos incisos I e II, e no § 2º deste artigo serão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 27, parágrafo único): Fl. 300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.141 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10920.721658/2013-53 7 I - deduzidas do imposto a ser restituído ao contribuinte, se este tiver direito à restituição; II - exigidas por meio de lançamento notificado ao contribuinte. Conforme consta dos autos, a multa pela não entrega das Declarações de Ajuste Anual pertinentes aos exercícios de 2009, 2010, 2011 e 2012 foi calculada e exigida em consonância com a legislação aplicável, inexistindo vício formal ou material a macular o lançamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 301DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11320984 #
Numero do processo: 10665.000124/2003-86
Data da sessão: Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 203-00.803
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario

dt_index_tdt : Sat May 09 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 200703

numero_processo_s : 10665.000124/2003-86

conteudo_id_s : 7364136

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 203-00.803

nome_arquivo_s : Decisao_10665000124200386.pdf

nome_relator_s : DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA

nome_arquivo_pdf_s : 10665000124200386_7364136.pdf

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator.

dt_sessao_tdt : Wed Mar 28 00:00:00 UTC 2007

id : 11320984

ano_sessao_s : 2007

atualizado_anexos_dt : Sat May 09 09:41:15 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1864703363034120192

conteudo_txt : Metadados => date: 2014-05-07T14:14:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 3; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-05-07T14:14:35Z; Last-Modified: 2014-05-07T14:14:35Z; dcterms:modified: 2014-05-07T14:14:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:79c039fb-e0df-4c8d-8aba-ab55e2498961; Last-Save-Date: 2014-05-07T14:14:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-05-07T14:14:35Z; meta:save-date: 2014-05-07T14:14:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-05-07T14:14:35Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-05-07T14:14:35Z; created: 2014-05-07T14:14:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2014-05-07T14:14:35Z; pdf:charsPerPage: 915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-05-07T14:14:35Z | Conteúdo => Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Ft. Processo n" : 10665.000124/2003-86 Recurso n" : 128.678 : DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA. : DRJ em Belo Horizonte - MG RESOLUÇÃO 1\1 203-00.803 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 28 de março de 2007. , • - ..Antbnio-i3ezerra eto Presidente Recorrente Recorrida Dalfán Cesa Relator k de Miranda Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis. Cesar Piantaviana, Silvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig, Odassi Guerzoni Filho e Eric Moraes de Castro e Silva. eaallinp MF-SEGUNDO cr ' C __/.. O Orictira Mat. ;i Gr) 1 Mad a Cuft,ino drf, Giiveira Siape [OF-SEGUNDO Ci_.:NSELHO Di::: (.:ONTR:B1.11NTES 1 CONFERE O Brasilia, Zie OS' / C4 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl. Processo n 10665.000124/2003-86 Recurso 11.2 : 128.678 Recorrente : DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA. RELATÓRIO Trata,se de recurso voluntário manejado por DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA., contra Acórdão da DRJ em Belo Horizonte que manteve o indeferimento do pleito de compensação formulado. A interessada reclama o direito de restituir/compensar valores recolhidos a maior a titulo de PIS/COFINS, sobre receitas de vendas a empresas estabelecidas na ZFM. Aludido indeferimento se deu em face de (i) haver legislação expressamente vedando a compensação reclamada; (ii) não ter logrado a interessada fazer prova de seus créditos; e, (iii) ter o pleito em comento ser atingido parcialmente pela decadência. Em sua defesa, a interessada pugna pelo deferimento do pleito administrativo em comento, uma vez que (i) a legislação aplicada pela Fiscalização estaria indo de encontro a mandamento judicial do Supremo Tribunal Federal, proferido em Ação Direta de Inconstitucionalidade ajuizada pelo Governador de Estado do Amazonas: (ii) a decadência não atinge seus créditos, ao contrário do decidido; assim como, (iii) caberia sim à Fiscalização fazer prova contrária ao pedido reclamado. E o Relatório. • Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes CC-MF Fl. Processo n2 : 10665.000124/2003-86 Recurso n-Q : 128.678 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA 0 Recurso Voluntário da recorrente atende aos pressupostos para a sua admissibilidade , dai dele se conhecer. Deixo, momentaneamente, de apreciar a suposta decadência de parte dos créditos reclamados pela recorrente. Como relatado, foi indeferido o pedido de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a titulo de PIS/COFINS, sobre receitas de vendas a empresas estabelecidas na ZFM. • 0 Processo Administrativo Fiscal tem por escopo a busca da verdade material, desde que presentes os mínimos elementos de convencimento para o julgador. No caso em concreto, em face das alegações expendidas pela recorrente, bem como pela Fiscalização, voto pela conversão do recurso em diligência para que a autoridade de origem apure, documental e conclusivamente, se a base de cálculo informada pela recorrente e utilizada na apuração do PIS/COFINS contém receitas oriundas das alegadas vendas de seus produtos para a Zona Franca de Manaus (ZFM), vendas essas, alias e se concretizadas. previstas nos incisos IV, VI. VIII e IX, do artigo 14, da então MP n° 2.158-35/2001. Com a apresentação do relatório final de diligência, dê-se prazo razoável para a recorrente sobre o mesmo se manifestar, em estrita observação ao principio constitucional da ampla defesa e do contraditório. COMO \TAO. Sala das Sessões, em 28 de março de 2007. (‘ DALTON CESAR -orte-D-E, MIRANDA rIV IF-SEGUNDO C:617:::::::::t. i-:CTFETI55 -:;:i7TR:Bi.iir.: TES CC../NFIERE (.....:(Y.:.1 0 OR::::...1i.,IAL Crasiiia, 1 I L............ Mat. S. • , " 3

score : 1.0
11324254 #
Numero do processo: 10865.722309/2013-61
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. REQUISITOS LEGAIS CUMULATIVOS NÃO ATENDIDOS. A aplicação dos percentuais reduzidos de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL na apuração do lucro presumido de prestadores de serviços de saúde está condicionada ao cumprimento cumulativo de três requisitos estabelecidos pelo artigo 15, § 1º, inciso III, alínea a da Lei 9.249, de 1995, com a redação dada pela Lei 11.727, de 2008. Primeiro, a atividade desenvolvida deve constituir efetivamente serviço hospitalar ou de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear ou análises e patologias clínicas, compreendidos como aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais e são voltados diretamente à promoção da saúde, excluindo-se as simples consultas médicas realizadas em consultórios. Segundo, a prestadora dos serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária. Terceiro, a prestadora deve atender às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mediante comprovação por alvará de funcionamento emitido pela autoridade sanitária competente que especifique as atividades autorizadas. NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EFETIVA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA. A interpretação objetiva do conceito de serviços hospitalares consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.116.399 BA sob o rito dos recursos repetitivos afasta a exigência de requisitos estruturais não previstos em lei, como a necessidade de atendimento ininterrupto durante vinte e quatro horas ou disponibilidade de leitos para internação de longa duração. Entretanto, tal interpretação não dispensa a necessária comprovação mediante elementos probatórios concretos de que a atividade efetivamente desenvolvida pelo contribuinte possui natureza hospitalar, caracterizando-se pela complexidade, pela necessidade de estrutura especializada e pela vinculação funcional às atividades tipicamente hospitalares. A simples previsão estatutária de determinado objeto social ou a eventual realização esporádica de procedimentos específicos não são suficientes para caracterizar a prestação habitual e sistemática de serviços de natureza hospitalar. SERVIÇOS MÉDICOS AMBULATORIAIS. CONSULTAS MÉDICAS. EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Os serviços médicos ambulatoriais, que correspondem a atendimentos sem internação, procedimentos de baixa ou média complexidade, consultas, exames simples e pequenos procedimentos com retorno imediato do paciente à sua rotina, não se inserem no conceito de serviços hospitalares para fins de aplicação dos percentuais reduzidos de presunção do lucro. As simples consultas médicas, ainda que realizadas por profissionais especializados, constituem atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos, conforme expressamente estabelecido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. SERVIÇOS DE RADIOLOGIA E IMAGENOLOGIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ESTRUTURA OPERACIONAL NECESSÁRIA. A prestação de serviços de radiologia configura atividade de natureza hospitalar quando desenvolvida com a estrutura e complexidade adequadas, demandando equipamentos de alta tecnologia, instalações físicas que atendam a rigorosos padrões técnicos estabelecidos pela legislação sanitária, equipe técnica especializada e habilitada para operação dos equipamentos e para interpretação dos exames, além de sistemática de controle de qualidade e de proteção radiológica. A ausência de comprovação da existência dos equipamentos necessários mediante apresentação de notas fiscais de aquisição, contratos de locação, registros ou autorizações específicas junto à autoridade sanitária para operação de equipamentos geradores de radiação ionizante, certificados de habilitação de técnicos em radiologia ou laudos de levantamento radiométrico das instalações constitui lacuna probatória inexpugnável que impede o reconhecimento do direito aos percentuais reduzidos. ATENDIMENTO ÀS NORMAS DA ANVISA. REQUISITO LEGAL EXPRESSO. NATUREZA SUBSTANCIAL E NÃO MERAMENTE FORMAL. O atendimento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária constitui requisito legal expresso estabelecido pela Lei 11.727, de 2008, para fruição do benefício fiscal dos percentuais reduzidos de presunção do lucro. Esse requisito possui natureza substancial e não meramente formal, visando assegurar que o tratamento tributário diferenciado seja concedido apenas aos estabelecimentos que efetivamente reúnam as condições técnicas e operacionais necessárias para prestação de serviços de saúde de qualidade e segurança adequadas. O cumprimento dessas normas é comprovado mediante expedição de alvará de funcionamento pela autoridade sanitária competente, documento que atesta a conformidade do estabelecimento com os padrões técnicos exigidos pela legislação sanitária e especifica as atividades autorizadas a serem desenvolvidas. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. REQUISITO LEGAL EXPRESSO. DIFERENCIAÇÃO EM RELAÇÃO À SOCIEDADE SIMPLES. A legislação estabelece como requisito expresso para fruição do benefício fiscal que a prestadora dos serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária. Essa exigência não constitui mero formalismo desprovido de conteúdo, mas reflete opção do legislador no sentido de condicionar o tratamento tributário diferenciado à adoção de forma organizacional específica que pressupõe determinado grau de complexidade e estruturação da atividade empresarial desenvolvida. Na sociedade empresária, a organização dos fatores de produção assume papel preponderante, caracterizando-se pela existência de estrutura empresarial complexa que envolve capital, trabalho, tecnologia e organização administrativa voltados para a produção ou circulação de bens ou serviços de forma profissional e sistemática. Na sociedade simples, ao contrário, prevalece a atividade pessoal dos sócios profissionais, sendo a estrutura organizacional meramente acessória e secundária em relação à qualificação individual dos profissionais que prestam diretamente os serviços. AUSÊNCIA DE EMPREGADOS. INDICATIVO DE SOCIEDADE SIMPLES E NÃO EMPRESÁRIA. A ausência de empregados registrados, constatada mediante análise das Guias de Informações à Previdência Social, sendo todos os relacionados classificados como diretores gerais na categoria de contribuinte individual diretor não empregado, revela que a atividade desenvolvida não se caracteriza pela organização empresarial dos fatores de produção, mas sim pela prestação pessoal de serviços pelos sócios profissionais. A sociedade empresária que desenvolve atividades de natureza hospitalar necessariamente demanda equipe de profissionais técnicos e administrativos que viabilizem a operação dos equipamentos, o atendimento aos pacientes, a gestão administrativa, a manutenção das instalações e o cumprimento das obrigações regulatórias. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE INVERSÃO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO EM ELEMENTOS PROBATÓRIOS CONCRETOS. A fiscalização fundamentou suas conclusões em elementos probatórios objetivos constantes dos autos, extraídos de documentos oficiais de natureza declaratória prestados pela própria contribuinte aos órgãos competentes, fornecendo fundamento objetivo e concreto para o lançamento tributário. A documentação societária comprova que a sociedade foi constituída como sociedade simples pura e encontra-se registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O documento denominado Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP evidencia que a sociedade não possui empregados. Esses elementos probatórios não se baseiam em meras presunções ou ilações, mas em dados objetivos que permitem verificar a forma de organização da atividade desenvolvida e a ausência de comprovação dos requisitos legais necessários para fruição do benefício fiscal pleiteado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de primeiro de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais, conforme Súmula CARF 4. JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme Súmula CARF 108. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no IRPJ repercute no auto reflexo de CSLL.
Numero da decisão: 1004-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JANDIR JOSE DALLE LUCCA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 09 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

turma_s : Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10865.722309/2013-61

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7365270

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1004-000.385

nome_arquivo_s : Decisao_10865722309201361.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : JANDIR JOSE DALLE LUCCA

nome_arquivo_pdf_s : 10865722309201361_7365270.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2026

id : 11324254

ano_sessao_s : 2026

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. REQUISITOS LEGAIS CUMULATIVOS NÃO ATENDIDOS. A aplicação dos percentuais reduzidos de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL na apuração do lucro presumido de prestadores de serviços de saúde está condicionada ao cumprimento cumulativo de três requisitos estabelecidos pelo artigo 15, § 1º, inciso III, alínea a da Lei 9.249, de 1995, com a redação dada pela Lei 11.727, de 2008. Primeiro, a atividade desenvolvida deve constituir efetivamente serviço hospitalar ou de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear ou análises e patologias clínicas, compreendidos como aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais e são voltados diretamente à promoção da saúde, excluindo-se as simples consultas médicas realizadas em consultórios. Segundo, a prestadora dos serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária. Terceiro, a prestadora deve atender às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mediante comprovação por alvará de funcionamento emitido pela autoridade sanitária competente que especifique as atividades autorizadas. NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EFETIVA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA. A interpretação objetiva do conceito de serviços hospitalares consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.116.399 BA sob o rito dos recursos repetitivos afasta a exigência de requisitos estruturais não previstos em lei, como a necessidade de atendimento ininterrupto durante vinte e quatro horas ou disponibilidade de leitos para internação de longa duração. Entretanto, tal interpretação não dispensa a necessária comprovação mediante elementos probatórios concretos de que a atividade efetivamente desenvolvida pelo contribuinte possui natureza hospitalar, caracterizando-se pela complexidade, pela necessidade de estrutura especializada e pela vinculação funcional às atividades tipicamente hospitalares. A simples previsão estatutária de determinado objeto social ou a eventual realização esporádica de procedimentos específicos não são suficientes para caracterizar a prestação habitual e sistemática de serviços de natureza hospitalar. SERVIÇOS MÉDICOS AMBULATORIAIS. CONSULTAS MÉDICAS. EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Os serviços médicos ambulatoriais, que correspondem a atendimentos sem internação, procedimentos de baixa ou média complexidade, consultas, exames simples e pequenos procedimentos com retorno imediato do paciente à sua rotina, não se inserem no conceito de serviços hospitalares para fins de aplicação dos percentuais reduzidos de presunção do lucro. As simples consultas médicas, ainda que realizadas por profissionais especializados, constituem atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos, conforme expressamente estabelecido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. SERVIÇOS DE RADIOLOGIA E IMAGENOLOGIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ESTRUTURA OPERACIONAL NECESSÁRIA. A prestação de serviços de radiologia configura atividade de natureza hospitalar quando desenvolvida com a estrutura e complexidade adequadas, demandando equipamentos de alta tecnologia, instalações físicas que atendam a rigorosos padrões técnicos estabelecidos pela legislação sanitária, equipe técnica especializada e habilitada para operação dos equipamentos e para interpretação dos exames, além de sistemática de controle de qualidade e de proteção radiológica. A ausência de comprovação da existência dos equipamentos necessários mediante apresentação de notas fiscais de aquisição, contratos de locação, registros ou autorizações específicas junto à autoridade sanitária para operação de equipamentos geradores de radiação ionizante, certificados de habilitação de técnicos em radiologia ou laudos de levantamento radiométrico das instalações constitui lacuna probatória inexpugnável que impede o reconhecimento do direito aos percentuais reduzidos. ATENDIMENTO ÀS NORMAS DA ANVISA. REQUISITO LEGAL EXPRESSO. NATUREZA SUBSTANCIAL E NÃO MERAMENTE FORMAL. O atendimento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária constitui requisito legal expresso estabelecido pela Lei 11.727, de 2008, para fruição do benefício fiscal dos percentuais reduzidos de presunção do lucro. Esse requisito possui natureza substancial e não meramente formal, visando assegurar que o tratamento tributário diferenciado seja concedido apenas aos estabelecimentos que efetivamente reúnam as condições técnicas e operacionais necessárias para prestação de serviços de saúde de qualidade e segurança adequadas. O cumprimento dessas normas é comprovado mediante expedição de alvará de funcionamento pela autoridade sanitária competente, documento que atesta a conformidade do estabelecimento com os padrões técnicos exigidos pela legislação sanitária e especifica as atividades autorizadas a serem desenvolvidas. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. REQUISITO LEGAL EXPRESSO. DIFERENCIAÇÃO EM RELAÇÃO À SOCIEDADE SIMPLES. A legislação estabelece como requisito expresso para fruição do benefício fiscal que a prestadora dos serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária. Essa exigência não constitui mero formalismo desprovido de conteúdo, mas reflete opção do legislador no sentido de condicionar o tratamento tributário diferenciado à adoção de forma organizacional específica que pressupõe determinado grau de complexidade e estruturação da atividade empresarial desenvolvida. Na sociedade empresária, a organização dos fatores de produção assume papel preponderante, caracterizando-se pela existência de estrutura empresarial complexa que envolve capital, trabalho, tecnologia e organização administrativa voltados para a produção ou circulação de bens ou serviços de forma profissional e sistemática. Na sociedade simples, ao contrário, prevalece a atividade pessoal dos sócios profissionais, sendo a estrutura organizacional meramente acessória e secundária em relação à qualificação individual dos profissionais que prestam diretamente os serviços. AUSÊNCIA DE EMPREGADOS. INDICATIVO DE SOCIEDADE SIMPLES E NÃO EMPRESÁRIA. A ausência de empregados registrados, constatada mediante análise das Guias de Informações à Previdência Social, sendo todos os relacionados classificados como diretores gerais na categoria de contribuinte individual diretor não empregado, revela que a atividade desenvolvida não se caracteriza pela organização empresarial dos fatores de produção, mas sim pela prestação pessoal de serviços pelos sócios profissionais. A sociedade empresária que desenvolve atividades de natureza hospitalar necessariamente demanda equipe de profissionais técnicos e administrativos que viabilizem a operação dos equipamentos, o atendimento aos pacientes, a gestão administrativa, a manutenção das instalações e o cumprimento das obrigações regulatórias. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE INVERSÃO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO EM ELEMENTOS PROBATÓRIOS CONCRETOS. A fiscalização fundamentou suas conclusões em elementos probatórios objetivos constantes dos autos, extraídos de documentos oficiais de natureza declaratória prestados pela própria contribuinte aos órgãos competentes, fornecendo fundamento objetivo e concreto para o lançamento tributário. A documentação societária comprova que a sociedade foi constituída como sociedade simples pura e encontra-se registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O documento denominado Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP evidencia que a sociedade não possui empregados. Esses elementos probatórios não se baseiam em meras presunções ou ilações, mas em dados objetivos que permitem verificar a forma de organização da atividade desenvolvida e a ausência de comprovação dos requisitos legais necessários para fruição do benefício fiscal pleiteado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de primeiro de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais, conforme Súmula CARF 4. JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme Súmula CARF 108. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no IRPJ repercute no auto reflexo de CSLL.

atualizado_anexos_dt : Sat May 09 09:41:19 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1864703363253272576

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-29T22:00:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-29T22:00:51Z; Last-Modified: 2026-04-29T22:00:51Z; dcterms:modified: 2026-04-29T22:00:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-29T22:00:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-29T22:00:51Z; meta:save-date: 2026-04-29T22:00:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-29T22:00:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-29T22:00:51Z; created: 2026-04-29T22:00:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2026-04-29T22:00:51Z; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-29T22:00:51Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10865.722309/2013-61 ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 30 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE CLINICA KIYOTA MOUTINHO S/S. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES. REQUISITOS LEGAIS CUMULATIVOS NÃO ATENDIDOS. A aplicação dos percentuais reduzidos de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL na apuração do lucro presumido de prestadores de serviços de saúde está condicionada ao cumprimento cumulativo de três requisitos estabelecidos pelo artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249, de 1995, com a redação dada pela Lei 11.727, de 2008. Primeiro, a atividade desenvolvida deve constituir efetivamente serviço hospitalar ou de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear ou análises e patologias clínicas, compreendidos como aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais e são voltados diretamente à promoção da saúde, excluindo-se as simples consultas médicas realizadas em consultórios. Segundo, a prestadora dos serviços deve estar organizada sob a forma de sociedade empresária. Terceiro, a prestadora deve atender às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, mediante comprovação por alvará de funcionamento emitido pela autoridade sanitária competente que especifique as atividades autorizadas. NATUREZA HOSPITALAR DOS SERVIÇOS. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EFETIVA DA ATIVIDADE DESENVOLVIDA. A interpretação objetiva do conceito de serviços hospitalares consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.116.399 BA sob o rito dos recursos repetitivos afasta a exigência de requisitos estruturais não previstos em lei, como a necessidade de atendimento ininterrupto durante vinte e quatro horas ou disponibilidade Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 2 de leitos para internação de longa duração. Entretanto, tal interpretação não dispensa a necessária comprovação mediante elementos probatórios concretos de que a atividade efetivamente desenvolvida pelo contribuinte possui natureza hospitalar, caracterizando-se pela complexidade, pela necessidade de estrutura especializada e pela vinculação funcional às atividades tipicamente hospitalares. A simples previsão estatutária de determinado objeto social ou a eventual realização esporádica de procedimentos específicos não são suficientes para caracterizar a prestação habitual e sistemática de serviços de natureza hospitalar. SERVIÇOS MÉDICOS AMBULATORIAIS. CONSULTAS MÉDICAS. EXCLUSÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. Os serviços médicos ambulatoriais, que correspondem a atendimentos sem internação, procedimentos de baixa ou média complexidade, consultas, exames simples e pequenos procedimentos com retorno imediato do paciente à sua rotina, não se inserem no conceito de serviços hospitalares para fins de aplicação dos percentuais reduzidos de presunção do lucro. As simples consultas médicas, ainda que realizadas por profissionais especializados, constituem atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos, conforme expressamente estabelecido pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. SERVIÇOS DE RADIOLOGIA E IMAGENOLOGIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ESTRUTURA OPERACIONAL NECESSÁRIA. A prestação de serviços de radiologia configura atividade de natureza hospitalar quando desenvolvida com a estrutura e complexidade adequadas, demandando equipamentos de alta tecnologia, instalações físicas que atendam a rigorosos padrões técnicos estabelecidos pela legislação sanitária, equipe técnica especializada e habilitada para operação dos equipamentos e para interpretação dos exames, além de sistemática de controle de qualidade e de proteção radiológica. A ausência de comprovação da existência dos equipamentos necessários mediante apresentação de notas fiscais de aquisição, contratos de locação, registros ou autorizações específicas junto à autoridade sanitária para operação de equipamentos geradores de radiação ionizante, certificados de habilitação de técnicos em radiologia ou laudos de levantamento radiométrico das instalações constitui lacuna probatória inexpugnável que impede o reconhecimento do direito aos percentuais reduzidos. Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 3 ATENDIMENTO ÀS NORMAS DA ANVISA. REQUISITO LEGAL EXPRESSO. NATUREZA SUBSTANCIAL E NÃO MERAMENTE FORMAL. O atendimento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária constitui requisito legal expresso estabelecido pela Lei 11.727, de 2008, para fruição do benefício fiscal dos percentuais reduzidos de presunção do lucro. Esse requisito possui natureza substancial e não meramente formal, visando assegurar que o tratamento tributário diferenciado seja concedido apenas aos estabelecimentos que efetivamente reúnam as condições técnicas e operacionais necessárias para prestação de serviços de saúde de qualidade e segurança adequadas. O cumprimento dessas normas é comprovado mediante expedição de alvará de funcionamento pela autoridade sanitária competente, documento que atesta a conformidade do estabelecimento com os padrões técnicos exigidos pela legislação sanitária e especifica as atividades autorizadas a serem desenvolvidas. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. REQUISITO LEGAL EXPRESSO. DIFERENCIAÇÃO EM RELAÇÃO À SOCIEDADE SIMPLES. A legislação estabelece como requisito expresso para fruição do benefício fiscal que a prestadora dos serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária. Essa exigência não constitui mero formalismo desprovido de conteúdo, mas reflete opção do legislador no sentido de condicionar o tratamento tributário diferenciado à adoção de forma organizacional específica que pressupõe determinado grau de complexidade e estruturação da atividade empresarial desenvolvida. Na sociedade empresária, a organização dos fatores de produção assume papel preponderante, caracterizando-se pela existência de estrutura empresarial complexa que envolve capital, trabalho, tecnologia e organização administrativa voltados para a produção ou circulação de bens ou serviços de forma profissional e sistemática. Na sociedade simples, ao contrário, prevalece a atividade pessoal dos sócios profissionais, sendo a estrutura organizacional meramente acessória e secundária em relação à qualificação individual dos profissionais que prestam diretamente os serviços. AUSÊNCIA DE EMPREGADOS. INDICATIVO DE SOCIEDADE SIMPLES E NÃO EMPRESÁRIA. A ausência de empregados registrados, constatada mediante análise das Guias de Informações à Previdência Social, sendo todos os relacionados classificados como diretores gerais na categoria de contribuinte individual diretor não empregado, revela que a atividade desenvolvida não se Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 4 caracteriza pela organização empresarial dos fatores de produção, mas sim pela prestação pessoal de serviços pelos sócios profissionais. A sociedade empresária que desenvolve atividades de natureza hospitalar necessariamente demanda equipe de profissionais técnicos e administrativos que viabilizem a operação dos equipamentos, o atendimento aos pacientes, a gestão administrativa, a manutenção das instalações e o cumprimento das obrigações regulatórias. ÔNUS DA PROVA. AUSÊNCIA DE INVERSÃO. FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO EM ELEMENTOS PROBATÓRIOS CONCRETOS. A fiscalização fundamentou suas conclusões em elementos probatórios objetivos constantes dos autos, extraídos de documentos oficiais de natureza declaratória prestados pela própria contribuinte aos órgãos competentes, fornecendo fundamento objetivo e concreto para o lançamento tributário. A documentação societária comprova que a sociedade foi constituída como sociedade simples pura e encontra-se registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. O documento denominado Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP evidencia que a sociedade não possui empregados. Esses elementos probatórios não se baseiam em meras presunções ou ilações, mas em dados objetivos que permitem verificar a forma de organização da atividade desenvolvida e a ausência de comprovação dos requisitos legais necessários para fruição do benefício fiscal pleiteado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A partir de primeiro de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para títulos federais, conforme Súmula CARF 4. JUROS SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme Súmula CARF 108. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no IRPJ repercute no auto reflexo de CSLL. Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 5 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Jandir Jose Dalle Lucca – Relator Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RELATÓRIO 1.Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 674/696) interposto em face do v. acórdão de fls. 451/461, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação de fls. 240/260. 2.Para melhor compreensão sobre a matéria versada nos autos e por bem descrever os fatos, consulte-se o Relatório da r. decisão recorrida: O interessado foi autuado, em 30/09/2013 (fl. 104), em razão das reduções indevidas das bases de cálculo do lucro presumido, pela aplicação da alíquota de 8% ao invés de 32% (IRPJ), e de 12% ao invés de 32% (CSLL), nos anos-calendário de 2009 a 2012, tendo sido exigido o total de R$ 488.727,88, incluindo o principal, multa de 75% e juros de mora calculados até 09/2013 (fls. 2 a 103), como segue: Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 6 O Termo de Verificação de Infração Fiscal (TVIF) dá conta, em resumo, de que (fls. 83 a 103): “(...) 6. A apuração da base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social com base no lucro presumido é regida pela Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, em seus artigos 15 e 20, cujas partes de maior interesse ao presente relatório são reproduzidas abaixo: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (...) III - trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa (Redação dada pela Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008); Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano- calendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1° do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (grifou-se) (...)” A seguir, a fiscalização faz uma digressão a respeito da evolução da interpretação do alcance da exceção constante na parte final da alínea “a”, do inciso III, do art. 15, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, por parte da RFB, ora ampliando, ora restringido o seu alcance, como mostra o art. 27, da IN SRF nº 480, de 15/12/2004, alterado pela IN SRF n° 539, de 25/04/2005, alterado novamente pela IN RFB n° 791, de 10/12/2007, com a complementação do Ato Declaratório Interpretativo RFB n° 19, de 07/12/2007, até a Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 7 publicação da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que deu nova redação ao art. 15, III, a, da Lei n° 9.249/95. Descreve, também como a jurisprudência judicial evoluiu de uma interpretação mais abrangente para uma mais restritiva, a partir de 2006, em vista da vedação, que consta no CTN, de interpretação extensiva da legislação tributária que concede benefício fiscal, examinando também as diferentes abordagens adotadas em outras decisões judiciais, sempre tendentes a excluir as consultas médicas, até 2009, quando entrou em vigor a nova redação do art. 15, III, “a”, dada pela Lei n° 11.727/2008, que dispôs o seguinte: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1º .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa; ..................................................................” (NR) (negritei) Faz outra digressão a respeito do exato significado da expressão “sociedade empresária”, examinando dispositivos do CC, dos quais cabe destacar os seguintes: “Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa (grifou-se). Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. (...)Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. (...) Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária. (...)” (negritei) Discorre sobre as diferenças entre sociedade empresária e sociedade simples, bem como traz doutrina explicando a diferença entre elas. Em resumo: não é empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza cientifica, literária ou artística, mesmo com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa, de modo que configura, por exemplo: 1 - sociedade simples: uma clínica, de um ou mais médicos, na qual exercida a medicina (consultas e procedimentos de consultório), mesmo com o auxílio de alguns outros profissionais (secretárias, atendentes, vigilantes, faxineiros, etc.), pois o elemento Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 8 essencial dessa sociedade é o reconhecimento, por parte dos clientes, da qualidade individual de cada médico; tem uma estrutura simples de custos, que correspondem a uma parcela pequena da receita; 2 - uma sociedade empresária, uma clínica, mas num estágio mais complexo de prestação de serviços médicos, no qual não é mais um ou outro profissional que goza da confiança dos clientes, mas, sim, a instituição, que terá, necessariamente, que contar com equipamentos próprios para a realização de exames, pessoal qualificado para a sua operação; tem uma estrutura de custos mais complexa, que correspondem a uma grande parcela da receita. Em outras palavras: 1 - na sociedade empresária, o médico, mesmo que atenda clientes, é, sobretudo em organizador dos fatores de produção dos serviços; 2 - na sociedade simples, o médico, mesmo que tenha que contratar auxiliares, dedica-se, quase que exclusivamente, ao atendimento dos clientes. E assim o TVIF é concluído: “(...) 41. Esse entendimento é confirmado pelos Enunciados 193 a 195 aprovados nas Jornadas de Direito Civil promovidas pelo Centro de Estudos Judiciários do Conselho da Justiça Federal: 193 - Art. 966: O exercício das atividades de natureza exclusivamente intelectual está excluído do conceito de empresa. 194 - Art. 966: Os profissionais liberais não são considerados empresários, salvo se a organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade pessoal desenvolvida. 195 - Art. 966: A expressão "elemento de empresa" demanda interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos fatores da organização empresarial. 3 (grifou-se) (...) 44. ... averiguamos a forma de constituição da sociedade, Clínica Kyota Moutinho S/S (doc. 7 ), confirmando ser pessoa jurídica classificada como sociedade simples, registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, descumprindo, assim, um dos requisitos exigidos para a utilização de percentagens reduzidas na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. COMPOSIÇÃO DA FOLHA DE PAGAMENTOS, CONFORME GFIP 45. Avaliamos as Informações à Previdência Social - GFIP, verificando a composição de seu quadro de funcionários ( doc. 8). 46. Essas informações indicam que não há auxiliares ou colaboradores registrados, e as atividades-fim são desempenhadas exclusivamente pelos sócios da empresa, circunstância que afasta a caracterização da pessoa jurídica como sociedade empresária, como visto anteriormente. BASE DE CÁLCULO 47. A base de cálculo do lançamento serão as receitas brutas recebidas e declaradas pelo contribuinte nas DIPJs dos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012. ... (...)” (sic) (negritos no original) O Auto de Infração (AI) de IRPJ (fls. 3 a 50) aponta a seguinte base legal da infração (fl. 4): Fl. 568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 9 O interessado apresentou impugnação (fls. 240 a 260), em 25/10/2013 (fl. 405), por meio de seu advogado (fls. 260 e 406 a 419) nos seguintes termos, em resumo: 1 - o lançamento é ilegal pois foi efetuado a partir da inversão do ônus da prova, sob a alegação de que o interessado não apresentou provas que amparassem o critério adotado; mas, tampouco a fiscalização provou sua tese, afrontando assim o art. 142 do CTN, e autuando apenas com base em presunção, sem buscar a verdade material; 2 - o lançamento não pode prevalecer, vez que está pautado em equivocada interpretação da legislação e, principalmente, dos fatos a respeito de sua atividade, que se enquadra na natureza jurídica de serviço medico hospitalar, pois ela pode ser considerada complementação médico hospitalar, estando abrangida pela expressão "serviços hospitalares", constante do dispositivo legal; 3 - apresentou para a fiscalização o contrato social, cujo objeto é prestação de serviços médicos ambulatoriais e radiologia (serviço médico hospitalar), bem como relatório de atendimento em diversos hospitais e alvará de funcionamento da ANVISA, que descreve sua atividade como "Atividade Médica Ambulatorial com recursos para realização de exames complementares", de modo que cumpre todas as exigências da ANVISA, especialmente a RDC 50/2002; 4 - nenhum ato infralegal pode restringir ou inovar o disposto na lei, de modo que tais atos não têm o condão de legitimar o lançamento; 5 - quanto ao debate acerca da interpretação da expressão "serviços hospitalares", o que deve ser analisado é se o serviço prestado tem característica hospitalar, pois o STJ decidiu que é preciso verificar se a atividade está "diretamente atrelada à saúde humana"; 6 – junta novamente relatório dos serviços médicos prestados em diversos hospitais no ano de 2009 a 2012, o que demonstra claramente a natureza de serviço hospitalar do contribuinte; 7 - o lançamento é nulo, pois a fiscalização não segregou a receita das consultas da receita da atividade médico hospitalar, como mostram relatórios de atendimentos em diversos hospitais; 8 - alternativamente, o lançamento deve ser mantido apenas com relação às consultas; 9 - incabíveis a aplicação da taxa Selic, da multa confiscatória e dos juros sobre a multa, conforme argumentos de praxe. 3.A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. LUCRO PRESUMIDO. NÃO SEGREGAÇÃO ENTRE RECEITA DE CONSULTAS E RECEITA DA ATIVIDADE MÉDICO-HOSPITALAR. Supostos erros na apuração da exigência, mesmo se confirmados, não estão incluídos entre as situações que ensejam a declaração de nulidade, embora devam ser, sim, objeto de exame de mérito. Preliminar indeferida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CLÍNICA. SOCIEDADE SIMPLES. ALÍQUOTA DA BASE DE CÁLCULO INDEVIDA. Fl. 569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 10 A alíquota da base de cálculo do lucro presumido para a atividade de prestação de serviços é de 32% sobre a receita bruta, exceto para as atividades enumeradas ao final da alínea “a” do inciso III, das Lei n° 9.249/1995, com a redação dada pela Lei nº 11.727/2008, desde que a prestadora dos serviços e atenda às normas da Anvisa e seja organizada sob a forma de sociedade empresária. AUTO REFLEXO. CSLL. O decidido no IRPJ repercute no auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4.Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário via do qual deduz os argumentos assim resumidos: o Insuficiência de provas e ônus da prova: Sustenta que o lançamento tributário é nulo por desconsiderar todas as declarações fiscais, o contrato social e os documentos apresentados durante a fiscalização, sem produzir qualquer prova em contrário. Argumenta que a fiscalização inverteu ilegalmente o ônus da prova, baseando-se apenas na alegação de "ausência de provas" por parte do contribuinte. Invoca o artigo 142 do Código Tributário Nacional para sustentar que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário mediante comprovação cabal de todos os elementos do fato gerador. Enfatiza que a fiscalização foi extremamente rápida e que validar tal conduta seria aplaudir a arbitrariedade em pleno Estado Democrático de Direito. o Natureza jurídica das atividades desenvolvidas: Defende que a atividade exercida se enquadra perfeitamente no conceito de serviço hospitalar previsto no artigo 15, §1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249, de 1995, fazendo jus ao percentual reduzido de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. Argumenta que o objeto social contempla prestação de serviços médicos ambulatoriais e radiologia, caracterizando serviço médico hospitalar. Menciona o alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária descrevendo "Atividade Médica Ambulatorial com recursos para realização de exames complementares", o cumprimento das exigências da ANVISA conforme RDC 50/2002, o contrato social e relatórios de atendimentos em diversos hospitais. Sustenta que atos infralegais não podem restringir o conceito legal de serviço hospitalar e que a interpretação deve ser objetiva, focando na natureza do serviço prestado e não na estrutura do estabelecimento. Invoca o leading case do STJ (REsp 1.116.399-BA, julgado sob o rito dos recursos repetitivos) que definiu como serviços hospitalares aqueles vinculados à promoção da saúde, excluindo-se apenas as simples consultas médicas. Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 11 o Nulidade por ausência de segregação das receitas: Sustenta que, mesmo que se entendesse pela existência de receitas que não se qualificariam como serviços hospitalares (simples consultas médicas), cabia à fiscalização proceder à segregação dessas receitas no momento da fiscalização e antes da lavratura do auto de infração, não podendo tributar a totalidade da receita bruta pelo percentual de 32%. Afirma que durante a fiscalização apresentou discriminação da sua receita bruta, segregando as simples consultas dos demais procedimentos médico-hospitalares, conforme planilhas anexadas ao processo. Argumenta que a fiscalização tinha em mãos todos os elementos necessários para realizar a segregação adequada. o Limitação dos juros de mora: Contesta a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, defendendo que os juros devem ser limitados a 1% ao mês conforme previsto no artigo 161, §1º do Código Tributário Nacional. Argumenta que essa taxa constitui limite máximo estabelecido em lei, não mero parâmetro orientador, e que a taxa de juros precisa estar quantificada em lei por questão de segurança jurídica. Sustenta que admitir que os juros sejam equivalentes a taxas do mercado financeiro implica permitir que o valor final da obrigação seja fixado pelo próprio ente tributante, que controla o mercado financeiro, e não pelo Poder Legislativo, configurando demonstração inequívoca de desrespeito ao artigo 150, inciso I da Constituição Federal. o Não incidência de juros sobre a multa: Argumenta que não procede a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada, uma vez que juros remuneram o credor por ficar privado do uso de seu capital, devendo incidir somente sobre a obrigação principal. A multa representa penalidade aplicada ao devedor e não capital do qual o credor foi privado. Invoca o artigo 161 do CTN que estabelece que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora", interpretando que essa disposição se refere apenas ao tributo. Sustenta que não existe previsão legal para a incidência de juros sobre multa, o que contraria o disposto no artigo 97, inciso V do CTN e o artigo 5º, inciso II da Constituição Federal. o Caráter confiscatório da multa aplicada: Alega que a multa aplicada ofende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade previstos no artigo 5º, inciso LIV da Constituição Federal, bem como o princípio da proibição do confisco estabelecido no artigo 150, inciso IV, do mesmo texto constitucional. Argumenta que o valor da multa é evidentemente Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 12 irrazoável e confiscatório, especialmente considerando que o contribuinte não sonegou informações solicitadas. 5.É o relatório. VOTO Conselheiro Jandir José Dalle Lucca, Relator. 6.O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade. 7.Trata-se de lançamentos de IRPJ e CSLL relativos aos anos-calendário de 2009 a 2012, decorrentes da aplicação indevida de percentuais reduzidos de presunção do lucro na sistemática do lucro presumido. 8.Segundo o Termo de Verificação de Infração Fiscal de fls. 88/103, a fiscalização constatou que a Recorrente, optante pelo lucro presumido, aplicou os percentuais de 8% e 12% sobre a receita bruta para apuração das respectivas bases de cálculo, sob o fundamento de que prestava serviços hospitalares. Entretanto, concluiu que a contribuinte não atendia os requisitos estabelecidos pelo artigo 15, §1º, inciso III, alínea "a" da Lei nº 9.249, de 1995, na redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008. 9.Os principais fundamentos da autuação foram:  A contribuinte está organizada como sociedade simples, registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, quando a legislação exige expressamente que a prestadora de serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária para fazer jus ao percentual reduzido.  A análise das Guias de Informações à Previdência Social (GFIP) demonstrou que não há auxiliares ou colaboradores registrados, sendo as atividades-fim desempenhadas exclusivamente pelos sócios da empresa. Esta configuração caracteriza o exercício de profissão intelectual de natureza científica sem o elemento de empresa, conforme previsto no artigo 966, parágrafo único, do Código Civil, afastando a caracterização como sociedade empresária. 10.Consequentemente, a fiscalização determinou que deveria ter sido aplicado o percentual de 32% sobre a receita bruta, conforme estabelecido para prestação de serviços em geral, resultando na apuração de diferenças de IRPJ e CSLL devidos nos períodos fiscalizados. 11.Pois bem, a questão central consiste na aplicação dos percentuais de presunção do lucro nos anos-calendário de 2009 a 2012. A Recorrente sustenta fazer jus aos percentuais reduzidos de oito por cento para o IRPJ e doze por cento para a CSLL, ao argumento de que presta serviços médicos hospitalares. A fiscalização, por sua vez, aplicou o percentual de trinta e dois por Fl. 572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 13 cento para ambas as exigências, por entender que a Recorrente se enquadra como prestadora de serviços em geral, não se amoldando nas exceções previstas na legislação de regência. 12.A legislação aplicável sofreu modificação relevante durante o período fiscalizado. O artigo 15, §1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249, de 1995, em sua redação original, estabelecia que a base de cálculo do imposto em cada mês seria determinada mediante aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, sendo esse percentual elevado para trinta e dois por cento para as atividades de prestação de serviços em geral, com exceção dos serviços hospitalares. A norma, portanto, concedia tratamento tributário diferenciado aos serviços hospitalares sem estabelecer requisitos adicionais além da própria caracterização da natureza hospitalar da atividade desenvolvida. 13.A Lei 11.727, de 2008, alterou substancialmente esse regramento ao dar nova redação ao referido dispositivo. A nova redação ampliou o rol de atividades excepcionadas do percentual de trinta e dois por cento, incluindo expressamente os serviços de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Mais relevante para o caso concreto, a nova redação introduziu dois requisitos cumulativos para fruição do benefício fiscal, estabelecendo que a exceção se aplica desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 14.A interpretação do conceito de serviços hospitalares evoluiu significativamente tanto na esfera administrativa quanto na esfera judicial. Durante longo período, prevaleceu entendimento segundo o qual apenas os estabelecimentos que dispusessem de estrutura completa para internação de pacientes, atendimento ininterrupto durante vinte e quatro horas, disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, além de outros requisitos estruturais, poderiam ser considerados prestadores de serviços hospitalares para fins tributários. Esse entendimento fundamentava-se em critério subjetivo que considerava as características organizacionais e a estrutura física do contribuinte como elementos determinantes para o enquadramento tributário. 15.O Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o Recurso Especial 1.116.399/BA sob a sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543-C do Código de Processo Civil de 1973, estabeleceu novo paradigma interpretativo que passou a orientar a matéria. A Corte Cidadã firmou entendimento no sentido de que a expressão serviços hospitalares constante do artigo 15, §1º, inciso III da Lei nº 9.249, de 1995, deve ser interpretada de forma objetiva, ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte. A lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si, adotando critério subjetivo, mas sim a natureza do próprio serviço prestado, qual seja, a assistência à saúde. 16.Mencionada decisão consignou expressamente que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais aplicáveis não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei, a exemplo da necessidade de manter Fl. 573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 14 estrutura que permitisse a internação de pacientes, para a obtenção do benefício fiscal. Concluiu- se que a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249, de 1995, mostrando-se irrelevantes para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares que estabelecessem exigências não previstas na norma legal. 17.Segundo a tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça Tema Repetitivo 217, “Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares ‘aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, ‘em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos’”. 18.A interpretação objetiva do conceito de serviços hospitalares representa indubitável avanço na hermenêutica tributária, afastando exigências de natureza estrutural que não encontram respaldo na literalidade da norma legal e que acabavam por restringir indevidamente o alcance do benefício fiscal instituído pelo legislador. A adoção do critério objetivo centrado na natureza da atividade desenvolvida permite reconhecer como prestadores de serviços hospitalares os estabelecimentos especializados que, embora não disponham de todos os elementos estruturais típicos de hospitais gerais de grande porte, desenvolvem atividades complexas de assistência à saúde que se vinculam funcionalmente às atividades tipicamente hospitalares. 19.Todavia, a interpretação objetiva consagrada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não dispensa a necessária comprovação de que a atividade efetivamente desenvolvida pelo contribuinte possui natureza hospitalar. O critério objetivo desloca o foco da análise da estrutura física e organizacional para a natureza funcional da atividade prestada, mas não elimina a necessidade de demonstração, mediante elementos probatórios concretos, de que os serviços prestados se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais e são voltados diretamente à promoção da saúde em sentido qualificado, diferenciando-se das simples consultas médicas realizadas em consultórios. 20.A vinculação às atividades desenvolvidas pelos hospitais pressupõe que o contribuinte efetivamente realize procedimentos de complexidade compatível com aqueles tipicamente prestados em ambiente hospitalar. Tais procedimentos caracterizam-se pela necessidade de equipe técnica qualificada para sua operação, de instrumental adequado que atenda aos padrões técnicos estabelecidos pela legislação sanitária e de organização operacional que permita a prestação segura e eficaz dos serviços de saúde. A simples previsão estatutária de determinado objeto social ou a eventual realização esporádica de procedimentos específicos não são suficientes para caracterizar a prestação habitual e sistemática de serviços de natureza hospitalar. Fl. 574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 15 21.In casu, o exame dos elementos probatórios constantes dos autos revela a existência de precariedades insuperáveis que impedem o reconhecimento do direito pleiteado pela Recorrente. A primeira e mais fundamental dessas deficiências refere-se à ausência de comprovação adequada de que a Recorrente efetivamente desenvolve atividades de natureza hospitalar, no sentido qualificado consagrado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nesse passo, verifica-se que o contrato social não é esclarecedor, ao estabelecer que o objeto social o “desenvolvimento da atividade médico-hospitalar”. Confira-se (fls. 474): 22.A Recorrente alega dedicar-se à prestação de serviços médicos ambulatoriais e de radiologia. Quanto aos serviços médicos ambulatoriais, que correspondem a atendimentos sem internação, procedimentos de baixa ou média complexidade, consultas, exames simples e pequenos procedimentos, com atendimento pontual, com retorno imediato do paciente à sua rotina, claramente não se inserem no conceito de serviços hospitalares, ex vi do Parecer CRM-MG nº 168/20181, que estampa a seguinte ementa: EMENTA: Atendimento ambulatorial é aquele que se limita aos serviços exequíveis em consultórios ou ambulatórios que, embora não necessitem de internação, podem eventualmente demandar o apoio de estruturas hospitalares, sem ultrapassar o período de 12 horas. Procedimentos em regime de internação são aqueles para diagnóstico e/ou tratamento que necessitam do apoio das estruturas hospitalares e por período superior a 12 horas. 23.Já a radiologia é atividade que efetivamente possui natureza hospitalar quando desenvolvida com a estrutura e complexidade adequadas. Os serviços de imagenologia demandam equipamentos de alta tecnologia e custo elevado, instalações físicas que atendam a rigorosos padrões técnicos estabelecidos pela legislação sanitária, equipe técnica especializada e habilitada para operação dos equipamentos e para interpretação dos exames, além de sistemática de controle de qualidade e de proteção radiológica compatível com as normas vigentes. A prestação de tais serviços configura, indubitavelmente, atividade de apoio diagnóstico vinculada às atividades desenvolvidas pelos hospitais e voltada diretamente à promoção da saúde. 24.Contudo, não consta dos autos qualquer elemento probatório que demonstre a existência dos equipamentos necessários à prestação de serviços de radiologia nas dependências da Recorrente. Não foram apresentadas notas fiscais de aquisição de equipamentos radiológicos, contratos de locação ou leasing de tais equipamentos, registros ou autorizações específicas junto 1 Parecer CRM-MG nº 168/2018 – Processo-Consulta nº 198/2018, Parecerista: Cons. Itagiba de Castro Filho. Aprovado em Sessão Plenária do dia 6 de dezembro de 2018. Disponível em https://sistemas.cfm.org.br/normas/arquivos/pareceres/MG/2018/168_2018.pdf Fl. 575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 16 à autoridade sanitária para operação de equipamentos geradores de radiação ionizante, certificados de habilitação de técnicos em radiologia, laudos de levantamento radiométrico das instalações ou qualquer outro documento que comprovasse a existência e operação regular de serviços de imagenologia. 25.A ausência de comprovação da existência dos equipamentos necessários à prestação dos serviços alegadamente desenvolvidos constitui lacuna probatória inexpugnável. Tratando-se de equipamentos de alta complexidade tecnológica e custo elevado, cuja aquisição e operação demandam investimentos significativos e geram rastro documental necessário e inequívoco, a ausência de qualquer documentação comprobatória de sua existência conduz à conclusão de que tais equipamentos não integram a estrutura operacional da Recorrente. Não se pode presumir a existência de equipamentos sofisticados e de alto valor sem qualquer respaldo documental. 26.Os documentos denominados relatórios de atendimento, apresentados pela Recorrente às fls. 261/404 como prova da natureza hospitalar de suas atividades, revelam-se insuficientes para tal comprovação e, quando adequadamente interpretados, conduzem a conclusão diversa daquela pretendida pela defesa. A leitura desses documentos evidencia que a Recorrente presta serviços médicos em estabelecimentos hospitalares de terceiros, particularmente junto à Santa Casa de Misericórdia da cidade de Leme. Essa constatação demonstra que os profissionais médicos sócios da Recorrente efetivamente prestam serviços em ambiente hospitalar, mas não comprova que a própria Recorrente constitui estabelecimento de saúde que desenvolve atividades de natureza hospitalar em suas próprias instalações. 27.A distinção entre a prestação de serviços médicos por profissionais em estabelecimentos hospitalares de terceiros e a prestação de serviços hospitalares por estabelecimento de saúde estruturado para tal finalidade possui relevância jurídica determinante para o enquadramento tributário. No primeiro caso, os profissionais médicos utilizam a estrutura, os equipamentos e as instalações de estabelecimento hospitalar de terceiro, atuando como prestadores de serviços médicos especializados dentro de ambiente hospitalar mantido por outrem. No segundo caso, o próprio estabelecimento dispõe de estrutura, equipamentos, instalações e organização operacional que lhe permitem desenvolver atividades de natureza hospitalar de forma autônoma, ainda que eventualmente especializadas em determinada área da medicina. 28.A Recorrente sustenta que a interpretação do conceito de serviços hospitalares consagrada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça afastaria a necessidade de comprovação de requisitos estruturais para o enquadramento tributário pretendido. Esse argumento, embora aparentemente alinhado com a orientação jurisprudencial vigente, parte de premissa equivocada quanto ao alcance e significado da interpretação objetiva estabelecida no Tema Repetitivo 217. A Corte Superior efetivamente afastou a exigência de requisitos estruturais específicos que não encontram respaldo na literalidade da norma legal, tais como a necessidade de atendimento ininterrupto durante vinte e quatro horas ou de disponibilidade de leitos para Fl. 576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 17 internação de longa duração. Entretanto, não dispensou a necessidade de comprovação de que a atividade efetivamente desenvolvida possui natureza hospitalar e vincula-se funcionalmente às atividades tipicamente desenvolvidas pelos hospitais. 29.A interpretação objetiva desloca a averiguação das características organizacionais formais do estabelecimento para a natureza material da atividade efetivamente desenvolvida, mas não elimina a necessidade de comprovação dessa atividade mediante elementos probatórios concretos. Para que determinado estabelecimento possa ser considerado prestador de serviços hospitalares sob o critério objetivo consagrado pela jurisprudência, é indispensável que demonstre desenvolver, de forma habitual e sistemática, atividades de assistência à saúde que se caracterizem pela complexidade, pela necessidade de estrutura especializada e pela vinculação funcional às atividades tipicamente hospitalares, diferenciando-se das simples consultas médicas realizadas em consultórios. 30.A segunda deficiência probatória identificada nos autos refere-se ao descumprimento do requisito legal de atendimento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A Lei 11.727, de 2008, ao dar nova redação ao artigo 15, § 1º inciso III, alínea "a" da Lei 9.249, de 1995, estabeleceu expressamente que a exceção ao percentual de trinta e dois por cento aplica-se aos serviços hospitalares e congêneres desde que a prestadora destes serviços atenda às normas da ANVISA. No caso em questão, verifica-se às fls. 409 a concessão de “licença de funcionamento” pela “Vigilância Sanitária Municipal de Leme”. 31.Como se sabe, o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária é organizado de forma descentralizada, com competências distribuídas entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é a entidade federal responsável por estabelecer normas e coordenar o sistema, mas a execução das ações de vigilância sanitária é realizada prioritariamente pelos órgãos estaduais e municipais. 32.A Lei nº 8.080, de 1990, que dispõe sobre o Sistema Único de Saúde, estabelece em seu artigo 18, inciso IV, alínea “b”, que compete à direção municipal do SUS executar serviços de vigilância sanitária. A Lei 9.782, de 1999, que criou a ANVISA, estabelece que compete à Agência coordenar o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, mas não retira a competência executiva dos estados e municípios. 33.As Resoluções da Diretoria Colegiada da ANVISA, como a RDC 50/2002 mencionada no caso, estabelecem normas técnicas de observância obrigatória em todo o território nacional. Essas normas devem ser aplicadas e fiscalizadas pelos órgãos de vigilância sanitária em todos os níveis federativos. Quando um órgão municipal de vigilância sanitária expede alvará de funcionamento para estabelecimento de saúde, está atestando que o estabelecimento atende às normas técnicas vigentes, incluindo aquelas estabelecidas pela ANVISA. 34.Todavia, como se observa no referido documento, a licença foi emitida especificamente para a atividade econômica-CNAE 8830-5/01, consistente em “Atividade médica Fl. 577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 18 ambulatorial com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos”. Vale dizer, não há autorização da ANVISA para a prestação de serviços de radiologia, como alega a Recorrente. 35.O atendimento às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária não constitui mera formalidade burocrática desprovida de conteúdo material relevante. As normas sanitárias estabelecem requisitos técnicos rigorosos para funcionamento de estabelecimentos de saúde, abrangendo aspectos relacionados às instalações físicas, aos equipamentos, aos recursos humanos, aos processos operacionais, ao controle de qualidade e à segurança dos pacientes e profissionais. O cumprimento dessas normas é comprovado mediante expedição de alvará de funcionamento pela autoridade sanitária competente, documento que atesta a conformidade do estabelecimento com os padrões técnicos exigidos pela legislação sanitária e especifica as atividades autorizadas a serem desenvolvidas. 36.A ausência de comprovação do atendimento às normas da ANVISA assume gravidade ainda maior quando se considera que esse requisito legal foi introduzido pelo legislador precisamente para assegurar que o benefício fiscal dos percentuais reduzidos de presunção do lucro fosse concedido apenas aos estabelecimentos que efetivamente reunissem as condições técnicas e operacionais necessárias para prestação de serviços de saúde de qualidade e segurança adequadas. O requisito não possui natureza meramente formal, mas sim substancial, visando assegurar que o tratamento tributário diferenciado seja concedido aos estabelecimentos que efetivamente desenvolvam atividades de complexidade e padrão técnico compatíveis com a natureza hospitalar dos serviços prestados. 37.A terceira deficiência identificada refere-se à forma de organização societária adotada pela Recorrente. Como visto, a legislação estabelece como requisito expresso para fruição do benefício fiscal que a prestadora dos serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária. Essa exigência não constitui mero formalismo desprovido de conteúdo, mas reflete opção do legislador no sentido de condicionar o tratamento tributário diferenciado à adoção de forma organizacional específica que pressupõe determinado grau de complexidade e estruturação da atividade empresarial desenvolvida. 38.O Código Civil estabelece distinção clara e precisa entre sociedade empresária e sociedade simples. O artigo 966 considera empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, estabelecendo em seu parágrafo único que “Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa”. O artigo 982 do mesmo diploma legal estabelece que se considera empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro, e simples as demais. 39.A diferença essencial entre sociedade empresária e sociedade simples reside na forma de organização da atividade econômica. Na sociedade empresária, a organização dos fatores de produção assume papel preponderante, caracterizando-se pela existência de estrutura Fl. 578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 19 empresarial complexa que envolve capital, trabalho, tecnologia e organização administrativa voltados para a produção ou circulação de bens ou serviços de forma profissional e sistemática. O reconhecimento dos clientes volta-se primordialmente para a instituição e não para os profissionais individualmente considerados, sendo a qualidade dos serviços associada à estrutura e organização do estabelecimento. 40.Na sociedade simples, ao contrário, prevalece a atividade pessoal dos sócios profissionais, sendo a estrutura organizacional meramente acessória e secundária em relação à qualificação individual dos profissionais que prestam diretamente os serviços. O reconhecimento dos clientes dirige-se fundamentalmente à qualificação técnica e à reputação profissional dos sócios, sendo a estrutura organizacional reduzida ao mínimo necessário para viabilizar o exercício da atividade profissional de natureza intelectual. 41.No contexto dos autos, a documentação evidencia de forma inequívoca que a Recorrente é uma sociedade simples e não sociedade empresária. O contrato social estabelece expressamente que a sociedade foi constituída como sociedade simples pura, regida pelas cláusulas contratuais e pelos artigos 997 a 1.038 do Código Civil (fls. 217). Essa opção dos sócios no momento da constituição da pessoa jurídica possui efeitos jurídicos determinantes, não podendo ser modificada por mera decisão administrativa ou por interpretação extensiva da legislação tributária. 42.A natureza jurídica da Recorrente como sociedade simples é confirmada pelo registro de seus atos societários no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e não no Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais. O artigo 1.150 do Código Civil estabelece que o “O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas”. O registro no órgão competente não constitui mera formalidade, mas elemento definidor da natureza jurídica da sociedade, sendo consequência necessária da opção societária realizada pelos sócios quando da constituição da pessoa jurídica. 43.A caracterização da Recorrente como sociedade simples é corroborada pelos elementos fáticos demonstrados nos autos. O documento denominado Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP evidencia que a Recorrente não possui empregados (fls. 235/237). Todos os relacionados à empresa são classificados na Classificação Brasileira de Ocupações como diretores gerais, enquadrando-se na categoria de contribuinte individual diretor não empregado. Essa constatação revela que a atividade desenvolvida pela Recorrente não se caracteriza pela organização empresarial dos fatores de produção, mas sim pela prestação pessoal de serviços pelos sócios profissionais, sendo a estrutura organizacional reduzida ao mínimo necessário para viabilizar o exercício da atividade profissional. 44.A ausência de empregados assume relevância determinante para a caracterização da natureza societária. A sociedade empresária que desenvolve atividades de natureza hospitalar necessariamente demanda equipe de profissionais técnicos e administrativos Fl. 579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 20 que viabilizem a operação dos equipamentos, o atendimento aos pacientes, a gestão administrativa, a manutenção das instalações e o cumprimento das obrigações regulatórias. A prestação de serviços de saúde de complexidade hospitalar não pode ser realizada exclusivamente pelos sócios profissionais sem o concurso de equipe qualificada que viabilize a operação do estabelecimento. 45.A Recorrente argumenta que a interpretação objetiva do conceito de serviços hospitalares afastaria a relevância da forma de organização societária para o enquadramento tributário pretendido. Esse argumento não prospera porque confunde dois aspectos distintos da questão jurídica submetida a julgamento. A interpretação objetiva consagrada pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça refere-se ao conceito de serviços hospitalares e estabelece que esse conceito deve ser interpretado considerando a natureza da atividade desenvolvida e não a estrutura formal do estabelecimento. Porém, a exigência de organização sob forma de sociedade empresária não integra o conceito de serviços hospitalares, mas constitui requisito legal autônomo e cumulativo estabelecido expressamente pelo artigo 15, §1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249, de 1995. 46.A transformação de sociedade simples em sociedade empresária demanda procedimento formal específico que envolve alteração contratual, registro no órgão competente e cumprimento de todas as formalidades legais aplicáveis. Não se trata de mera questão de enquadramento fiscal ou de interpretação jurídica, mas de modificação estrutural da pessoa jurídica que depende de manifestação de vontade dos sócios e de atos registrais perante os órgãos competentes. A administração tributária não possui competência para determinar ou reconhecer ficta ou automaticamente a transformação da natureza societária do contribuinte, devendo limitar-se à verificação objetiva da forma de organização efetivamente adotada conforme os registros públicos competentes. 47.A Recorrente sustenta que apresentou durante o procedimento fiscal todas as obrigações acessórias, esclarecimentos e documentos comprobatórios de suas atividades, argumentando que a fiscalização teria desconsiderado essas informações sem produzir qualquer prova em contrário, configurando inversão ilegal do ônus da prova e violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. Esse argumento não merece acolhida porque parte de premissa equivocada quanto à distribuição do ônus probatório no procedimento fiscal e no processo administrativo tributário. 48.O artigo 142 do Código Tributário Nacional efetivamente estabelece que compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Esse dispositivo legal estabelece as atribuições e responsabilidades da autoridade administrativa no procedimento de lançamento tributário, não se confundindo com regra de distribuição do ônus da prova no sentido processual. Fl. 580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 21 49.A fiscalização fundamentou suas conclusões em elementos probatórios objetivos constantes dos autos. A documentação societária da Recorrente, especificamente seu contrato social, comprova que a sociedade foi constituída como sociedade simples pura e encontra-se registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, e não no Registro Público de Empresas Mercantis. O documento denominado Modelo Analítico Dinâmico dos Trabalhadores na GFIP evidencia que a Recorrente não possui empregados, constatando-se que todos os relacionados à empresa se classificam como diretores gerais na categoria de contribuinte individual diretor não empregado, o que demonstra a ausência de estrutura organizacional típica de sociedade empresária que desenvolve atividades de natureza hospitalar. 50.Esses elementos probatórios, extraídos de documentos oficiais de natureza declaratória prestados pela própria contribuinte aos órgãos competentes, fornecem fundamento objetivo e concreto para as conclusões alcançadas pela fiscalização, não se baseando em meras presunções ou ilações, mas em dados objetivos que permitem verificar a forma de organização da atividade desenvolvida pela Recorrente e a ausência de comprovação dos requisitos legais necessários para fruição do benefício fiscal pleiteado. 51.A fiscalização, portanto, cumpriu adequadamente seu dever legal de verificar a ocorrência do fato gerador e de fundamentar o lançamento tributário em elementos probatórios concretos. Não se pode falar em inversão do ônus da prova quando a autoridade administrativa baseia suas conclusões em documentos oficiais, em declarações prestadas pelo próprio contribuinte e em registros públicos de natureza cadastral. O que a Recorrente contesta, na essência, não é propriamente a existência de elementos probatórios que fundamentem o lançamento, mas sim a interpretação jurídica dada pela fiscalização aos fatos demonstrados objetivamente, argumentando que esses fatos não impediriam o enquadramento como prestadora de serviços hospitalares sob a ótica da interpretação objetiva consagrada pela jurisprudência. 52.No entanto, a discordância quanto à interpretação jurídica aplicável aos fatos demonstrados objetivamente não caracteriza vício no procedimento fiscal ou inversão do ônus da prova. O ponto central não reside na existência ou inexistência de elementos probatórios, mas sim na interpretação dos requisitos legais para enquadramento tributário e na suficiência dos elementos probatórios apresentados pela Recorrente para demonstrar o cumprimento de todos os requisitos legais cumulativos estabelecidos pela legislação aplicável. Sob esse aspecto, conforme já demonstrado, a documentação constante dos autos revela-se insuficiente para comprovar que a Recorrente desenvolve atividades de natureza hospitalar à mingua de possuir a estrutura operacional necessária, que atende às normas da ANVISA e que está organizada sob forma de sociedade empresária. 53.A argumentação no sentido de que a fiscalização deveria ter realizado diligências adicionais para segregar as receitas provenientes de simples consultas médicas das receitas decorrentes de atividades de natureza hospitalar não encontra respaldo na situação fática demonstrada nos autos. A segregação de receitas pressupõe a existência concomitante de Fl. 581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 22 atividades de natureza diversa desenvolvidas pelo mesmo contribuinte, sendo necessária para assegurar que o tratamento tributário diferenciado seja aplicado apenas à parcela da receita efetivamente decorrente da atividade beneficiada pela norma legal. No caso concreto, não há elementos que demonstrem a existência de atividades de natureza hospitalar desenvolvidas pela Recorrente que justificassem a segregação de receitas. 54.Em verdade, os documentos constantes dos autos evidenciam que a Recorrente desenvolve atividade de prestação de serviços médicos por profissionais especializados, podendo eventualmente prestar tais serviços em ambiente hospitalar de terceiros, mas não demonstram que o próprio estabelecimento da Recorrente desenvolva atividades de natureza hospitalar que demandem estrutura, equipamentos e organização operacional específicos. A ausência de empregados, a falta de comprovação da existência de equipamentos especializados, a inexistência de alvará sanitário específico para a atividade alegada (radiologia) e a natureza jurídica de sociedade simples convergem para demonstrar que a atividade desenvolvida se caracteriza pela prestação pessoal de serviços médicos pelos sócios profissionais, não se configurando a prestação de serviços hospitalares no sentido qualificado exigido pela legislação e pela jurisprudência. 55.Portanto, conclui-se que a Recorrente não faz jus aos percentuais reduzidos de oito por cento para o IRPJ e doze por cento para a CSLL, devendo ser aplicado o percentual de trinta e dois por cento sobre a totalidade da receita bruta auferida nos anos-calendário de 2009 a 2012. DOS JUROS DE MORA E DA MULTA 56.A Recorrente questiona a utilização da taxa SELIC para juros moratórios, defendendo o limite de 1% ao mês previsto no CTN; alega que a multa aplicada tem caráter confiscatório, violando princípios constitucionais; e argumenta pela não incidência de juros sobre a multa por ausência de previsão legal. 57.Em relação às alegadas inconstitucionalidades, cumpre relembrar o disposto no artigo 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, segundo o qual “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, conforme, aliás, estabelecido na Súmula CARF nº 22 e no artigo 98, caput, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 20233. 2 Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 3 RICARF, artigo 98: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto.” Fl. 582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1004-000.385 – 1ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10865.722309/2013-61 23 58.Outrossim, a incidência de juros de mora sobre quaisquer débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, calculados pela taxa Selic, já foi sacramentada pela Súmula CARF nº 4, verbis: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). 59.Também a liceidade da incidência dos juros sobre a multa de ofício já se encontra superada com edição da Súmula CARF nº108, a saber: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. 60.Por consequência, nada a prover nos pontos combatidos. CONCLUSÃO 61.Ante todo o exposto, nego provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Jandir José Dalle Lucca Fl. 583DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11319613 #
Numero do processo: 10480.720392/2012-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 17/06/2010 MULTA. RESSARCIMENTO NÃO-HOMOLOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. JULGAMENTO VINCULANTE Aplicação obrigatória da decisão proferida pelo STF no Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736), e Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, nos termos da alínea b do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Anexo do RICARF. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCEDÊNCIA. Conforme precedente vinculante do STF, é inconstitucional a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, devendo ser cancelado o seu lançamento.
Numero da decisão: 3201-013.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 09 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 17/06/2010 MULTA. RESSARCIMENTO NÃO-HOMOLOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. JULGAMENTO VINCULANTE Aplicação obrigatória da decisão proferida pelo STF no Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736), e Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, nos termos da alínea b do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Anexo do RICARF. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCEDÊNCIA. Conforme precedente vinculante do STF, é inconstitucional a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, devendo ser cancelado o seu lançamento.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10480.720392/2012-77

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7363305

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3201-013.131

nome_arquivo_s : Decisao_10480720392201277.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW

nome_arquivo_pdf_s : 10480720392201277_7363305.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente)

dt_sessao_tdt : Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026

id : 11319613

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat May 09 09:41:12 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1864703363275292672

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-24T19:35:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-24T19:35:59Z; Last-Modified: 2026-04-24T19:35:59Z; dcterms:modified: 2026-04-24T19:35:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-24T19:35:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-24T19:35:59Z; meta:save-date: 2026-04-24T19:35:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-24T19:35:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-24T19:35:59Z; created: 2026-04-24T19:35:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-04-24T19:35:59Z; pdf:charsPerPage: 1572; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-24T19:35:59Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10480.720392/2012-77 ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 18 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ENGARRAFAMENTO PITU LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 17/06/2010 MULTA. RESSARCIMENTO NÃO-HOMOLOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, prevista no § 15 do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, diante de sua revogação pela Lei no 13.137/2015, por força da retroatividade benigna, conforme artigo 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional. JULGAMENTO VINCULANTE Aplicação obrigatória da decisão proferida pelo STF no Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736), e Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, nos termos da alínea b do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Anexo do RICARF. MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. PROCEDÊNCIA. Conforme precedente vinculante do STF, é inconstitucional a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, devendo ser cancelado o seu lançamento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 1343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 2 Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda, Helcio Lafeta Reis (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ que julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: Discute-se no presente processo a exigência de multa isolada decorrente de compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo, conforme consta do próprio Auto de Infração (AI), às fls. 3 a 8. O lançamento foi efetuado com fundamento no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010 e teve como origem o Despacho Decisório DRF/REC/PESSOA JURÍDICA/2011, de fl. 27, o qual decidiu pela não homologação da DCOMP nº 21612.47450.170610.1.3.04-0126. À parte do lançamento, a cobrança dos débitos objeto da compensação pleiteada seguiu no processo nº 10480.723636/2010-10, posteriormente juntado ao processo nº 10480.004886/99-63, cuja decisão de segunda instância (Acórdão nº 01-26.367 – 3ª Turma da DRJ/Belém, de 28 de maio de 2013) manteve o teor do referido Despacho Decisório. O Termo de Verificação Fiscal que acompanhou o AI encontra-se às fls. 10 a 19 e detalha as razões de fato e de direito que ensejaram o enquadramento no dispositivo legal da exigência da multa. Contém um histórico da legislação que criou e alterou a aplicação de multas relacionadas com as compensações, sendo que se transcreve parte para maior clareza: “Na Lei n° 12.249/2010, em seu art. 62, foram estabelecidas novas multas anteriormente não previstas, mediante alteração da redação da Lei n° 9.430/96. Transcrevo o teor da Lei n° 12.249/2010, na parte de interesse: Fl. 1344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 3 “Art. 62. O art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. (...)§ 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. § 16. O percentual da multa de que trata o § 15 será de 100% (cem por cento) na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado pelo sujeito passivo. §17. Aplica-se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.”(NR)Em face dos comandos da nova lei, a aplicação de multa isolada poderia ser assim resumida: 1. Multa de 150% - incidente sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando comprovada falsidade da declaração apresentada; 2. Multa de 75% - incidente sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação fosse considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Permaneceu a possibilidade de qualificar essa multa (150%); 3. Multa de 50% - incidente sobre o valor do crédito não validado quando não for homologada a compensação; 4. Multa de 50% - incidente sobre o valor do crédito quando tal crédito objeto do pedido de ressarcimento for considerado indeferido ou indevido. Com possibilidade de majoração para 100%, na hipótese de ressarcimento obtido com falsidade no pedido apresentado. ... No presente caso, podemos notar que foi proferido o Despacho Decisório reconhecendo a inexistência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não foi homologada a compensação vinculada, conforme despacho decisório mencionado. Em razão da não-homologação da DCOMP nº 21612.47450.170610.1.3.04-0126, apresentada em 17/06/2010 (3 dias após o início da vigência da Lei nº 12.249/2010 – que instituiu a multa isolada sobre a compensação nãohomologada), deve-se reconhecer a perfeita adequação desse fato à descrição da hipótese de incidência da multa tributária isolada sobre a compensação não homologada (multa de 50% do valor do crédito utilizado na DCOMP não homologada), conforme previsto no § 17, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 12.249/2010.” O AI foi recebido em 16 de fevereiro de 2012 (fl. 37). A impugnação foi protocolizada em 13 de março de 2012. Fl. 1345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 4 Requereu, inicialmente, a aceitação da impugnação e a suspensão dos débitos exigidos no presente processo. Em relação à origem da declaração de compensação, defendeu que foi feita baseando-se em decisão final proferida pelo CARF no processo nº 10480.004886/99-63, conforme Acórdão 201-126628, de 08/06/2009, que reconheceu o direito de creditamento de IPI relativo às aquisições isentas na entrada do estabelecimento comercial da contribuinte. Argumentou que o Despacho Decisório que originou o presente AI afrontou “a coisa julgada administrativa”, desconsiderando a decisão do Carf, anteriormente referida. Quanto ao lançamento, defendeu que deve ser revisto de ofício, nos termos do art. 149 do CTN. Cita o Decreto nº 70.235/72 para demonstrar a tempestividade da manifestação de inconformidade, bem como para justificar seu pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos ora exigidos. Quanto ao mérito da multa exigida, argumenta que se aplica somente aos casos em que se comprova “deliberado dolo, sonegação ou não pagamento de impostos”. Defende que “a cobrança de multa isolada para todas as hipóteses de não homologação da compensação é claramente ilegal, por não se adequar a sistemática da compensação por homologação, e irrazoável por colocar um maior risco no exercício de uma prerrogativa que a legislação outorga ao contribuinte”. Acrescenta que não houve cometimento de infração, e que já está sofrendo o ônus da não homologação da DCOMP nº 21612.47450.170610.1.3.04-0126 por meio da cobrança dos débitos não compensados, multa de mora, juros Selic, etc. Defende também que a multa isolada é apenas aquela aplicada ao Auto de Infração sem tributo, nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/96. Busca na jurisprudência de tribunais superiores e doutrina suporte para argumentos sobre os princípios da proporcionalidade e razoabilidade e princípio do não confisco, que alega estarem caracterizados na exigência discutida. Reforça a tese de que deve haver revisão de lançamento nos termos do art. 149 do CTN, trazendo doutrina e jurisprudência como suporte. Finaliza, repetindo os argumentos anteriores e acrescentando que, caso mantida a multa, que lhe seja informada qual a conduta dolosa que praticou para merecer tal punição. A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 10-53.399 - 3ª Turma da DRJ/POA que apresentou o seguinte resultado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Fl. 1346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 5 Data do fato gerador: 17/06/2010 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo nº caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual aduz/requer: - A suspensão da exigibilidade do crédito com a apresentação do recurso voluntário; - A nulidade do Acórdão nº 10.-53.399 da DRJ por ofensa à coisa julgada nº processo nº 10480.004886/99-63 e em razão da preclusão consumativa da discussão do mérito; - A ilegalidade da cobrança de multa isolada em virtude de não homologação de compensação e inocorrência de dolo; - A aplicação da Súmula nº 473 do STF cumulada com o art. 149, IV do CTN para que se revise de ofício o lançamento tendo em vista a decisão administrativa definitiva. Ao final, pede a (i) suspensão da exigibilidade da multa isolada; (ii) a anulação do auto de infração por afronta à coisa julgada administrativa (Acórdão CARF nº 201-126628); (iii)a reforma do Acórdão da DRJ uma vez que a compensação deu-se com crédito de IPI reconhecido por decisão administrativa já transitada em julgado; e (iv) apontar qual a conduta dolosa pratica que implicaria a punição. Em 19 de outubro de 2020 o processo foi convertido em diligência para que ficasse sobrestado até o resultado final do processo administrativo nº 10480.004886/99-63. Após o encerramento do procedimento administrativo do processo em questão o mesmo retornou para minha relatoria para seguimento do julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator O recurso voluntário é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Mérito Conforme já relatado a controvérsia dos autos cinge-se a respeito da aplicabilidade do art. 74, §15 e §17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha Fl. 1347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 6 indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. No que se refere aos demais argumentos em relação à multa em análise neste processo, percebe-se que o lançamento (TVF anexo à autuação) invoca expressamente o art. 74, § 15 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010, que estabelece a aplicação da “multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido”. Tal parágrafo foi expressamente revogado pelo art. 56, I, da Medida Provisória (MP) nº 656/2014. Na Exposição de Motivos da referida MP, esclareceu-se: “11. A presente proposta de Medida Provisória também visa revogar a aplicação da multa isolada (§§15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996) incidente sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. A jurisprudência judicial é quase unânime em afastar essa multa sob o argumento de que sua aplicação fere o direto constitucional de petição. 12. Com a revogação proposta para os §§ 15 e 16, e visando manter a aplicação da multa isolada de 50% apenas nos casos de não homologação de compensação, faz-se necessária nova redação para o § 17 do art. 74 da Lei 9.430, de 1996, trazendo para o referido parágrafo o percentual da multa antes previsto no § 15, e para substituir o termo 'crédito' por 'débito", que é efetivamente o valor indevidamente compensado e que deverá ser a base de cálculo da multa isolada. 13. A nova redação proposta para o § 17 deixa claro que o instituto da Declaração de Compensação não deve ser utilizado para extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, em estrita observância do que dispõe o art. 170 do CTN. 14. Assim, é aplicável a multa isolada no caso em que o débito é extinto sob condição resolutória, mas cujo crédito indicado para compensação é insuficiente, no todo ou em parte, para extinguir o tributo devido. 15. E a ressalva contida no §17 de que essa multa não se aplica no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo é porque para esta hipótese existe previsão específica de aplicação de multa isolada nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2013.” A referida MP foi convertida na Lei nº 13.097/2015, que não trouxe a revogação dos §§ 15 e 16 (porque estes estavam arrolados em inciso que propunha também a revogação de outro dispositivo, que acabou vetada por contrariar o interesse público). No entanto, a revogação foi reiterada na MP nº 668/2015 (art. 4º , II), sendo tal MP convertida na Lei nº 13.137/2015, que assentou, em seu art. 27, II, que ficam revogados “os §§ 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996”. Assim, o fundamento utilizado na autuação para aplicação da multa se encontra, hoje, revogado. Em substituição (como se esclareceu na Exposição de Motivos aqui transcrita), Fl. 1348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 7 passou a existir um § 17, que trata de “multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. Veja-se que a nova multa (§ 17) se refere ao valor do débito objeto de DCOMP, e não ao crédito glosado/considerado indevido em ressarcimento. Retomando-se o fundamento da autuação, percebe-se, no TVF (fls. 245/246), que a multa foi lançada, de fato, sobre o crédito considerado indevido em ressarcimento: “Em razão da não homologação da compensação dos débitos vinculados na mencionada DCOMP, o processo foi encaminhado a este Setor (Vide Despacho de encaminhamento anexo) para adotar as providências cabíveis em relação ao lançamento de ofício da multa sobre os valores indevidamente compensados, por conta da decisão exarada no processo nº 10480.723636/2010.” Tem-se, assim, que o fundamento legal da autuação foi posteriormente revogado, dando azo à invocação do art. 106, II, “a” do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...)II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; (...)” Ante ao acima exposto, voto para dar provimento em relação a multa estipulada no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, em função de retroatividade benigna, amparada no Art. 106, Inciso I do CTN. Além da retroatividade benigna o auto de infração em sua integralidade deve ser cancelado em vista do julgamento do Recurso Extraordinário nº 796939 sob a sistemática da Repercussão Geral - julgamento do Tema nº 736, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da exigência da multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão de propiciar automática penalidade pecuniária. Nos termos da alínea b do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Anexo do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, o entendimento do Supremo Tribunal Federal é de observância obrigatória pelo CARF. Sendo assim, entendo que ante o julgamento do Tema nº 736, em sede de repercussão geral, pelo STF deve a Recorrente ser exonerada do pagamento da multa isolada por mera negativa de homologação de compensação tributária nos termos do decidido no Recurso Extraordinário 796939. Conclusão Fl. 1349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.131 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10480.720392/2012-77 8 Pelo exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento efetuado com fundamento art. 74, §15 e §17 da Lei nº 9.430/1996, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 1350DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11324593 #
Numero do processo: 12448.724482/2014-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA. COVID. SUSPENSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DOCUMENTO EM VERNÁCULO ESTRANGEIRO. TRADUÇÃO JURAMENTADA PARA LÍNGUA PORTUGUESA. VALORAÇÃO DA PROVA. A exigência de registro de que tratam os arts. 129, § 6º, e 148 da Lei 6.015/73, constitui condição para a eficácia das obrigações objeto do documento estrangeiro, e não para a sua utilização como meio de prova. Inteligência do art. 131 do CPC, que positiva o princípio do livre convencimento motivado. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Tendo a autoridade julgadora recorrida, revestida de sua competência institucional, procedido a devida análise dos documentos, decidindo de maneira motivada e fundamentada, não há se falar em nulidade do Acórdão recorrido. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2010 CIDE. INCIDÊNCIA. A CIDE também é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. CIDE-REMESSAS. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. IRRF. INCLUSÃO. Nos termos da Súmula CARF nº 158, compõe a base de cálculo da CIDE-Remessas o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, ainda que a fonte pagadora assuma o ônus financeiro do imposto retido.
Numero da decisão: 3002-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas e Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão.
Nome do relator: LUIZ FELIPE DE REZENDE MARTINS SARDINHA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 09 09:00:01 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202603

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA. COVID. SUSPENSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DOCUMENTO EM VERNÁCULO ESTRANGEIRO. TRADUÇÃO JURAMENTADA PARA LÍNGUA PORTUGUESA. VALORAÇÃO DA PROVA. A exigência de registro de que tratam os arts. 129, § 6º, e 148 da Lei 6.015/73, constitui condição para a eficácia das obrigações objeto do documento estrangeiro, e não para a sua utilização como meio de prova. Inteligência do art. 131 do CPC, que positiva o princípio do livre convencimento motivado. LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Tendo a autoridade julgadora recorrida, revestida de sua competência institucional, procedido a devida análise dos documentos, decidindo de maneira motivada e fundamentada, não há se falar em nulidade do Acórdão recorrido. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2010 CIDE. INCIDÊNCIA. A CIDE também é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. CIDE-REMESSAS. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. IRRF. INCLUSÃO. Nos termos da Súmula CARF nº 158, compõe a base de cálculo da CIDE-Remessas o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, ainda que a fonte pagadora assuma o ônus financeiro do imposto retido.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 12448.724482/2014-21

anomes_publicacao_s : 202604

conteudo_id_s : 7365295

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3002-004.182

nome_arquivo_s : Decisao_12448724482201421.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LUIZ FELIPE DE REZENDE MARTINS SARDINHA

nome_arquivo_pdf_s : 12448724482201421_7365295.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas e Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão.

dt_sessao_tdt : Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026

id : 11324593

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat May 09 09:41:20 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1864703363337158656

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-04-30T13:24:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-04-30T13:24:45Z; Last-Modified: 2026-04-30T13:24:45Z; dcterms:modified: 2026-04-30T13:24:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-04-30T13:24:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-04-30T13:24:45Z; meta:save-date: 2026-04-30T13:24:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-04-30T13:24:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-04-30T13:24:45Z; created: 2026-04-30T13:24:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2026-04-30T13:24:45Z; pdf:charsPerPage: 1917; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-04-30T13:24:45Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 12448.724482/2014-21 ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 26 de março de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE INGRESSO.COM LTDA. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2010 EMERGÊNCIA EM SAÚDE PÚBLICA. COVID. SUSPENSÃO DE PRAZOS PROCESSUAIS. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. ÔNUS DA PROVA. FATO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AUTUAÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DOCUMENTO EM VERNÁCULO ESTRANGEIRO. TRADUÇÃO JURAMENTADA PARA LÍNGUA PORTUGUESA. VALORAÇÃO DA PROVA. A exigência de registro de que tratam os arts. 129, § 6º, e 148 da Lei 6.015/73, constitui condição para a eficácia das obrigações objeto do documento estrangeiro, e não para a sua utilização como meio de prova. Inteligência do art. 131 do CPC, que positiva o princípio do livre convencimento motivado. Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 2 LIVRE CONVICÇÃO DO JULGADOR. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas e razões ofertadas pela contribuinte, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária, não se cogitando em nulidade da decisão quando não comprovada a efetiva existência de preterição do direito de defesa do contribuinte. Tendo a autoridade julgadora recorrida, revestida de sua competência institucional, procedido a devida análise dos documentos, decidindo de maneira motivada e fundamentada, não há se falar em nulidade do Acórdão recorrido. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2010 CIDE. INCIDÊNCIA. A CIDE também é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. CIDE-REMESSAS. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. IRRF. INCLUSÃO. Nos termos da Súmula CARF nº 158, compõe a base de cálculo da CIDE- Remessas o Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, ainda que a fonte pagadora assuma o ônus financeiro do imposto retido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 3 Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascareñas e Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmão. RELATÓRIO Por economia processual e por bem descrever os fatos, reproduzo o relatório da decisão recorrida. Trata-se de Auto de Infração (fls.417/423) lavrado pela DRF do Rio de Janeiro I, em relação ao ano-calendário de 2010, que resultou na exigência de crédito tributário relativo à CIDE - Remessas ao Exterior, no valor de R$ 69.011,47, acrescido de juros de mora e multa proporcional, no percentual 75%. A íntegra do Relato Fiscal se encontra no Termo de Verificação Fiscal (fls.396/416). A seguir será apresentada uma síntese do mesmo: Segundo informa, o contribuinte apresentou em atendimento a termos de intimação uma planilha com memória de cálculo de IRRF e CIDE devidos ao longo do ano-calendário de 2010. A planilha anexa ao TVF (fl.416) ilustra apuração da base de cálculo da CIDE confessadamente devida pelo contribuinte, segregando uma a uma as respectivas remessas ao exterior, sendo que a CIDE devida é apurada mediante aplicação da alíquota de 10% sobre a base de cálculo. O Fisco concluiu admitida por parte do contribuinte a falta de recolhimento de CIDE em montante total de RS 16.752.03, indicado na referida planilha (fl.416). Em relação ao pagamento de USS250.000.00 em 13/05/2010 à Cinemark Argentina SRL, correspondente a RS 443.875.00, conforme contrato de câmbio de 13/05/2010, celebrado entre Banco Itaú e Ingresso Com Ltda, o Fisco entende pela incidência de CIDE em razão de que no bojo do conjunto de direitos e obrigações recíprocos restou acordado que o contribuinte teria direito de usar o logo da companhia estrangeira em seu sítio web e em materiais publicitários. Considera que a logomarca tem natureza jurídica de bem imaterial protegido por patente, o que justifica a incidência da CIDE e do IRRF (este já recolhido). Fl. 707DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 4 Entende ainda o Fisco, em conformidade com o entendimento exarado na Solução de Divergência n°17 de 29/06/2011, que a base de cálculo da CIDE correspondente ao valor da remessa acrescido do IRRF correspondente, aplicando-se em seguida a alíquota de 10%, nos termos do art 2º §4º da Lei 10.168/2000. Cientificada da autuação, de forma pessoal, em 16/06/2014, a Impugnante apresentou sua peça impugnatória em 15/07/2014, cuja íntegra se encontra a partir da folha 444. Em síntese apertada, a Impugnante apresenta as seguintes alegações: 1 – Contrato com a Cinemark Argentina Alega que a parcela do lançamento no valor de R$ 52.259,41 decorreu da interpretação equivocada, por parte do fiscal autuante, acerca do objeto do contrato celebrado entre a Impugnante e a empresa Cinemark Argentina S.R.L. ("Cinemark Argentina"), o qual respaldou a remessa, à empresa argentina, do valor de US$ 250,000.00 (duzentos e cinquenta mil dólares), em maio de 2010. No regular exercício de suas atividades, a Impugnante celebrou com a Cinemark Argentina o anexo contrato de distribuição de ingressos (doc. 02), o qual consiste em realizar a venda de ingressos para suas salas de cinema da Cinemark Argentina, através do website da Ingresso.com na internet, sendo que, em contrapartida à obrigação assumida pela lngresso.com de vender, promover e distribuir os ingressos, foi acordado que a lngresso.com seria remunerada através de um valor fixo, conforme a quantidade de ingressos vendidos. Que, conforme Cláusula 3.3 do contrato as partes acordaram que a Ingresso.com deveria conferir à logomarca da Cinemark o mesmo grau de exposição que confere às logomarcas das demais redes de cinema em seu website e que a referida exposição não configuraria aquisição de direitos autorais sobre a logomarca Cinemark. Quem, além do acima exposto, as partes também acordaram que para que a Ingresso.com tivesse o direito de vender os ingressos com exclusividade por três anos, deveria pagar à Cinemark Argentina o valor de US$ 250,000.00 (duzentos e cinquenta mil dólares). Faz exposição sobre a legislação da CIDE para concluir que, tendo em vista que o valor pago pela Impugnante à Cinemark Argentina não teve por finalidade remunerar o fornecimento de tecnologia, a prestação de assistência técnica, serviços técnicos e de assistência administrativa, e tampouco remunerar a cessão/licença pela exploração de patentes ou uso de marcas, não se revestindo da natureza de royalties, não há que se falar na ocorrência do fato gerador da CIDE. 2 – Da ilegalidade da base de cálculo adotada pelo Fisco. Fl. 708DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 5 Reclama que o valor do IRRF recolhido pela Impugnante foi acrescido à base de cálculo da CIDE lançada, a despeito de tal parcela não integrar a base de cálculo da contribuição prevista legalmente no art. 2º, § 3º, da Lei n.° 10.168/00, que a base de cálculo teria sido ilegalmente majorada. Cita decisões do CARF que reconhecem a ilegalidade da inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte na base de cálculo da contribuição. 3 – Da violação ao Princípio da Verdade Material Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o lançamento dos valores a título de CIDE baseou-se na análise isolada de uma única cláusula do contrato celebrado entre a Ingresso.com e a Cinemark Argentina S.R.L., tendo sido conferida a essa cláusula uma interpretação que não se sustenta ante a verdade dos fatos. Que assim, o Fisco omitiu-se em buscar a verdade dos fatos, em flagrante violação ao Princípio da Verdade Material. Desse modo, com fulcro no Princípio da Verdade Material que vigora no processo administrativo fiscal, requer a Impugnante sejam acolhidas e devidamente valoradas as provas apresentadas no curso da ação fiscal, especialmente o contrato celebrado com a Cinermark Argentina. 4 – Da não incidência da CIDE sobre os valores remetidos com base em contratos que não implicam a transferência de tecnologia. Ao analisar a documentação que respaldou as remessas, a Impugnante verificou que os valores remetidos ao exterior foram pagos com base em contratos que não implicam transferência de tecnologia (doc. 05). Não se incluem dentre os contratos que transferem tecnologia, e estão sujeitos à CIDE, os contratos de prestação de serviços pelos quais o prestador, contratado para realizar determinado serviço (obrigação de fazer), não possui a obrigação de ensinar ao tomador como realizar o serviço, transmitir-lhe o conhecimento tecnológico. É o caso dos serviços de advocacia prestados à Impugnante por escritórios de advogados na Argentina. Como a legislação brasileira não permite que advogados internos prestem consultoria e assessoria sobre legislação estrangeira, não restou alternativa à Impugnante senão contratar tais serviços diretamente na Argentina, para tratar de assuntos específicos, relacionados ao contrato com a Cinemark Argentina (doc. 05). Tais serviços, por não implicarem transferência de tecnologia também não podem ser gravados com a incidência da CIDE-royalties. Com base nos documentos anexos (doc. 05), a Impugnante contesta, também, a cobrança da CIDE no valor de R$ 16.752,03, equivocadamente reconhecida como devida na ação fiscal. 5 – Do Pedido Ao final de sua peça impugnatória apresenta os seguintes pedidos, in verbis: Fl. 709DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 6 Uma vez demonstrada a improcedência do Auto de Infração lavrado com vistas à cobrança de valores supostamente devidos a título de CIDE-royalties relativamente ano de 2010, requer a Impugnante seja integralmente cancelada a autuação, uma vez demonstrada a não ocorrência do fato gerador da contribuição. Na remota hipótese de o Auto de Infração não ser cancelado o que se admite apenas para fins de argumentação, requer a Impugnante seja o lançamento cancelado, posto que os valores de CIDE cobrados foram calculados sobre base de cálculo ilegalmente majorada, em contradição com o entendimento do CARF. Protesta a Impugnante, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, pela produção de qualquer prova complementar admitida em Direito, preferencialmente a prova documental, com a juntada dos documentos que se mostrarem necessários no decorrer do presente processo, dado o exíguo prazo para apuração da vasta gama de documentos relativos ao ano- calendário de 2010 que devem instruir esta defesa. A Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme o Acórdão nº 12- 115.606, da Segunda Turma, proferido com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Ano-calendário: 2010 CIDE. INCIDÊNCIA. A CIDE também é devida pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior BASE DE CÁLCULO. IRRF. CIDE O imposto de renda na fonte devido pelo beneficiário compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, por integrar o valor da remuneração paga. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO JURAMENTADA. Documentos em língua estrangeira devem estar traduzidos por tradutor juramentado para terem sua validade reconhecida no processo administrativo. PAGAMENTOS EFETUADOS AO EXTERIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE. A impugnação deve vir acompanhada de todos os elementos hábeis e incontestáveis de prova, necessários à confirmação das alegações do impugnante contidas em seu arrazoado. Impugnação Improcedente Fl. 710DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 7 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 14/06/2020 a recorrente apresentou recurso voluntário em 11/09/2020, no qual repisa, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Relator. 1 DA COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO Com base nos artigos 45, 48 e 65, do Anexo da Portaria MF nº 1.634, de 2023, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), este colegiado é competente para apreciar este feito. 2 DO CONHECIMENTO A recorrente foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 14/06/2020 e apresentou Recurso Voluntário em 11/09/2020, portanto, fora do prazo de trinta dias estabelecido pelo art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Todavia, pelas razões que exponho a seguir, considero tempestiva a peça recursal. Por conta da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) motivada pela pandemia de Covid-19, o prazo processual para protocolo do Recurso Voluntário foi suspenso pela Portaria RFB nº 543/2020, e alterações posteriores, vigorando até 31/08/2020, e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Portaria CARF nº 8.112, de 20 de março de 2020, com alteração dada pela Portaria CARF nº 10.199, de 20 de abril de 2020, que estendeu a suspensão até 29/05/2020. Considerando que os atos preparatórios e de encaminhamento do Recurso Voluntário ocorrem perante a unidade de origem, e esta encontrava-se com funcionamento precário e com diversos procedimentos suspensos, há que se admitir a contagem do prazo para apresentação do Recurso Voluntário a partir de 31/08/2020, mormente este fato estar explicitamente arguido pela Recorrente. Assim sendo, entendo que o Recurso Voluntário é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, de forma que o conheço. Fl. 711DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 8 3 PRELIMINAR 3.1 Desnecessidade de tradução juramentada A recorrente sustenta que é desnecessária a apresentação de tradução juramentada dos documentos em língua estrangeira juntados aos autos, pois são plenamente compreensíveis e essenciais para demonstrar que não houve cessão de uso de marca nem transferência de tecnologia, afastando, assim, a incidência da CIDE. Argumenta que a decisão da DRJ foi excessivamente formalista ao desconsiderar tais documentos apenas pela ausência de tradução juramentada, violando os princípios da Verdade Material, da Oficialidade e do Formalismo Moderado que regem o processo administrativo fiscal. Cita precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que admitem a validade de documentos em língua estrangeira quando sua compreensão é possível e não há prejuízo à defesa, com base no princípio pas de nullité sans grief. Sustenta, ainda, que, caso se entenda imprescindível a tradução juramentada, o julgamento deveria ser convertido em diligência, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, para possibilitar a apresentação das traduções, garantindo a busca da verdade material e evitando cerceamento de defesa. Por fim, requer que os documentos sejam analisados para afastar a incidência da CIDE ou, subsidiariamente, que o julgamento seja convertido em diligência para apresentação das traduções juramentadas. Entendo que assiste razão à recorrente, em tese, quanto à prescindibilidade da apresentação de tradução juramentada de documento estrangeiro para a sua utilização como meio de prova, conforme julgados do CARF mencionados, os quais decidiram em consonância com orientação do Superior Tribunal de Justiça sobre o tema, como se verifica da ocasião do julgamento do REsp 1328809/DF, por ela citado. Nesse sentido, cabe citar a seguinte ementa do Acórdão nº 3302-014.729, da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção do CARF: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Período de apuração: 01/09/2006 a 30/09/2006 DOCUMENTO EM VERNÁCULO ESTRANGEIRO. TRADUÇÃO JURAMENTADA PARA LÍNGUA PORTUGUESA. VALORAÇÃO DA PROVA. A exigência de registro de que tratam os arts. 129, § 6º, e 148 da Lei 6.015/73, constitui condição para a eficácia das obrigações objeto do documento estrangeiro, e não para a sua utilização como meio de prova. Inteligência do art. 131 do CPC, que positiva o princípio do livre convencimento motivado. Fl. 712DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 9 Discordo, porém, da assertiva de que o acórdão recorrido tenha desconsiderado documentos de prova necessários à correta compreensão da defesa, do objeto da autuação e à comprovação de que não há incidência da CIDE no caso concreto. A DRJ concluiu, em tese, que a falta de apresentação de tradução juramentada para o idioma nacional constitui justificativa para não consideração dos comprovantes apresentados. No entanto, com relação ao contrato celebrado com a Cinemark Argentina, na língua inglesa, destacou que “em que pese a ausência de tradução juramentada e as consequências acima mencionadas, procedi a análise das alegações da Impugnante acerca do contrato celebrado com a Cinemark Argentina” – Grifou-se. Portanto, apesar da ausência de tradução juramentada, a DRJ não deixou de analisar os argumentos acerca do referido contrato. No que tange às faturas comerciais, em espanhol, e demais faturas comerciais, em língua estrangeira, embora tenha consignado que não teriam efeito como prova, considerou que possuíam “descrição genérica do serviço prestado”. Portanto, analisou tais faturas. Desse modo, embora tenha se posicionado, em tese, no sentido de que a falta de apresentação de tradução juramentada para o idioma nacional constituiria justificativa para não consideração dos documentos apresentados, a DRJ procedeu à análise e formou convicção acerca das alegações da contribuinte independentemente do idioma de tais documentos. Nesse sentido, cabe transcrever o seguinte trecho da decisão recorrida: “a documentação acostada aos autos pela Impugnante não comprova que os valores remetidos ao exterior se trataram de contratação de serviços de advocacia com escritórios da Argentina, conforme sua alegação, sendo portanto insuficiente para afastar a incidência da CIDE, conforme verificado pelo Fisco”. De acordo com o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, o julgador administrativo pode analisar as provas e argumentos apresentados pelo contribuinte e formar livremente sua convicção, ou seja, decidir conforme seu entendimento fundamentado nos fatos e no direito. Ele também pode determinar diligências (como pedir novos documentos ou perícias), se considerar necessário. Nos termos do art. 59 do mesmo diploma legal, a decisão recorrida só poderia ser anulada se comprovado que houve cerceamento do direito de defesa — isto é, se a recorrente tivesse sido efetivamente prejudicada, impedido de apresentar provas ou de se manifestar adequadamente: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 713DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 10 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Nesse contexto, considerando que a autoridade julgadora tinha competência para decidir; analisou os documentos apresentados; e proferiu decisão motivada e fundamentada, bem como que não foi indicado especificamente nenhum prejuízo à defesa, entendo não haver motivo ensejador de nulidade do acórdão recorrido. 4 MÉRITO 4.1 Incidência da CIDE sobre a remessa realizada pela recorrente à Cinemark argentina No Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização informou que (fls. 413/414): A parcela de CIDE contestada pelo contribuinte diz respeito a pagamento de US$250.000,00 (duzentos e cinquenta mil dólares norte-americanos) em 13/05/2010 a Cinemark Argentina SRL, correspondente a R$ 443.875,00, conforme contrato de câmbio de 13/05/2010 celebrado entre Banco 1taú e Ingresso Com Ltda. O respectivo contrato de 07/05/2010 em que figuram como partes Ingresso Com Ltda (identificado como "Company") e Cinemark Argentina SRL (identificado como "Exibidor") dispõe que pelo pagamento da importância destacada o contribuinte adquiriu por 03 (três) anos o direito de vender, distribuir e promover ingressos aos cinemas de Cinemark Argentina SRL via plataforma de internet. (...) a Autoridade Fiscal concluiu pela incidência de CIDE porque no bojo do conjunto de direitos e obrigações recíprocos restou acordado que o contribuinte teria direito de usar o logo da companhia estrangeira em seu sítio web e em materiais publicitários. Como a logomarca tem natureza jurídica de bem imaterial protegido por patente, concluiu-se pela incidência da CIDE e do IRRF (este já recolhido). (...) Os contratantes reconhecem que a operação efetivada é sujeita ao pagamento de royalties. Apesar de o contrato celebrado ser comutativo, bilateral e oneroso, resolveram dispor que especificamente a cessão do uso da logomarca seria gratuita da cobrança de royalties. À vista do art. 123 CTN, tal ajuste entre particulares considera-se inoponível à Fazenda Nacional. Por óbvio a referida autorização foi negociada no âmbito do acordo comercial como um todo e não teria sido concedida graciosamente e isoladamente caso não inexistisse o contrato examinado. A empresa estrangeira explora rede de cinemas. O Fiscalizado se ocupa de vender os ingressos pela intemet. Quem se dispõe a adquirir o serviço o faz para Fl. 714DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 11 assistir a um filme no Cinemark e não em outro lugar. Daí que o emprego da logomarca da afamada rede de cines para atrair clientes reputa-se pedra angular, inseparável, do negócio jurídico. (Grifou-se) O acórdão recorrido manteve o entendimento da fiscalização. Em sede recursal, a recorrente alega, em síntese, que pagou US$ 250.000.000 à Cinemark Argentina apenas como condição para obter o direito exclusivo de venda de ingressos via internet por três anos, razão pela qual o valor não teria natureza de royalties, mas apenas um pagamento contratual pela exclusividade comercial, que não configuraria fato gerador da CIDE. Entendo que não assiste razão à recorrente. Embora o contrato diga que o valor pago foi pela exclusividade na venda de ingressos, essa exclusividade implicou algo mais: i) Para vender os ingressos com exclusividade, a empresa foi autorizada a utilizar a marca “Cinemark Argentina” em seu site, publicidades e materiais promocionais; ii) Logo, houve uma cessão de uso de marca; e iii) O uso de marca é juridicamente classificado como royalty. O acórdão recorrido bem sintetizou esse entendimento, conforme trecho a seguir: De observar que embora o objeto principal do contrato seja a venda de ingressos em salas de cinema, para sua consecução há previsão implícita da cessão e licença do uso da marca de forma exclusiva pelo contratante no período de três anos. A fiscalização transcreveu o seguinte trecho do contrato no qual tais disposições se encontram acordadas (fl. 414), cujas traduções livres, por parte deste relator e pela recorrente (fl. 620), respectivamente, são apresentadas na sequência: Tradução livre feita por este relator: Fl. 715DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 12 O Expositor concede à Empresa, a partir da Data de Vigência e durante a vigência deste Contrato, uma sublicença não exclusiva, não atribuível, não transferível e isenta de royalties, válida na Argentina, exclusivamente para usar e exibir o Logotipo do Expositor no Site da Empresa e em publicidade e quaisquer outros materiais promocionais (sejam impressos tradicionais ou em formato eletrônico) usados para promover a venda de ingressos no Site da Empresa. A Empresa garantirá que o Logotipo do Expositor receba a mesma exposição no Site da Empresa que os logotipos de todos os outros exibidores de filmes que firmaram um contrato de distribuição de ingressos com a Empresa. A Empresa concorda em cumprir as diretrizes do Expositor de tempos em tempos com relação ao uso do Logotipo do Expositor. A Empresa concorda ainda (i) que não adquirirá direitos sobre qualquer Logotipo do Expositor (exceto conforme estabelecido neste documento), fundo de comércio ou outras formas de Propriedade Intelectual do Expositor e (ii) não utilizará o Logotipo do Expositor ou outras formas de Propriedade Intelectual do Expositor, exceto conforme previsto neste Contrato ou com o consentimento prévio por escrito do Expositor. (Grifou-se) Tradução livre apresentada pela recorrente (fl. 620): “3.3 (a) O Expositor garante à Empresa7, a partir da presente data, e ao longo da duração do presente contrato, uma sublicença não-exclusiva, sem possibilidade de cessão, não transmissível, livre de royalty, unicamente para usar e exibir a Logo do Expositor no site da Empresa e em propaganda e qualquer outro material promocional (seja em impressão tradicional ou eletrônica) usada para promover a venda de ingressos no site da Empresa. A Empresa deve assegurar que a Logo do Expositor seja exibida na mesma proporção que outras logos de todos os outros exibidores de filmes que entraram em acordo de distribuição de ingressos com a Empresa. A Empresa acorda cumprir com as diretrizes do Expositor com respeito ao uso da Logo do Expositor. A Empresa acorda (i) que não adquirirá direitos sobre a Logo do Expositor (diferentes dos aqui descritos), goodwill ou outra forma de Propriedade Intelectual do Expositor, exceto as previstas neste Contrato ou com o consentimento do Expositor.” Grifou-se. Conforme trechos acima, a meu ver, não há dúvida de que o contrato incluiu a exclusividade na venda de ingressos pela internet, indissociavelmente vinculada à cessão e licença de uso da marca Cinemark. Nas palavras da fiscalização: “o emprego da logomarca da afamada rede de cines para atrair clientes reputa-se pedra angular, inseparável, do negócio jurídico” (grifou-se). O art. 22 da Lei nº 4.506/1964 estabelece que receitas provenientes da exploração econômica de direitos sobre recursos naturais, propriedade industrial e direitos autorais (com exceção do próprio autor) são consideradas royalties, nos seguintes termos: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: Fl. 716DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 13 (Vide Decreto-Lei nº 1.642, de 1978) (Vide Decreto-Lei nº2.287, de 1986) a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (Grifou-se) Por sua vez, o art. 23 do mesmo diploma legal dispõe que qualquer remuneração decorrente da utilização ou exploração desses bens ou direitos, independentemente da forma de pagamento, é considerada aluguel ou royalty: Art. 23. Serão classificados como aluguéis ou "royalties" todas as espécies de rendimentos percebidos pela ocupação, uso, fruição ou exploração dos bens e direitos referidos nos artigos 21 e 22, tais como: I - As importâncias recebidas periodicamente ou não, fixas ou variáveis, e as percentagens, participações ou interesses; (Grifou-se) A Lei nº 10.168/2000 prevê que o royalty pago a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior está sujeito à incidência da CIDE: Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (...) § 2º A partir de 1 o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Da mesma forma, tem-se o art. 10 do Decreto nº 4.195/2002, in verbis: Fl. 717DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 14 Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I - fornecimento de tecnologia; II - prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III - serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV - cessão e licença de uso de marcas; e V - cessão e licença de exploração de patentes. Ante o exposto, reputo correta a incidência da CIDE sobre a remessa realizada pela recorrente à Cinemark argentina, a título de pagamento pela exclusividade na venda de ingressos pela internet, indissociavelmente vinculada à cessão e licença de uso da marca, o que caracteriza o correspondente fato gerador, razão pela qual voto por negar provimento neste ponto. 4.2 Incidência da CIDE sobre os valores remetidos ao exterior com base em contratos que não implicam transferência de tecnologia No que se refere aos demais contratos, constantes da planilha de “Remessas para o Exterior” (fl. 416), anexa ao Termo de Verificação Fiscal, cuja soma da CIDE não recolhida totaliza R$ 16.752,03, a fiscalização apurou que a contribuinte confessou créditos tributários do IRRF – Royalties e Assistência Técnica, mas não confessou créditos tributários da CIDE – Remessas ao Exterior, razão pela qual intimou-a (fl. 287) a explicar tais divergências. Em resposta, a recorrente reconheceu o valor como devido, ao declarar ter constatado a ausência de recolhimento da contribuição (fl. 295), conforme trecho a seguir transcrito: Em resposta aos apontamentos efetuados por V.Sa. no Termo de Intimação Fiscal datado de 16 de setembro de 2013, cumpre-nos prestar os seguintes esclarecimentos: (1.a) Com base nos levantamentos efetuados, de fato, constatamos a ausência do devido recolhimento da CIDE sobre as remessas ao exterior. Estamos cientes do fato da impossibilidade "técnica-jurídica" de invocarmos o Instituto da Denúncia Espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, contudo, neste particular, solicitamos à V.Sa. a gentileza de apreciar e, se possível, autorizar nosso pleito no que diz respeito à possibilidade de efetuarmos o recolhimento deste montante, acrescido de multa e juros, bem como confessar os referidos créditos tributários na DCTF alusiva a este período. Fl. 718DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 15 Em atenção ao pedido constante do parágrafo acima, a fiscalização explicou no Item 2 do Termo de Intimação Fiscal da folha 296: (2) O montante de crédito tributário devido e não recolhido será lançado de ofício ao término da Ação Fiscal, acrescido dos gravames previstos em Lei; Na impugnação, a recorrente alegou que as remessas ao exterior decorreram de contratos de prestação de serviços advocatícios na Argentina, que não envolveriam transferência de tecnologia e, portanto, não estariam sujeitas à incidência da CIDE-royalties. Para comprovar, juntou contratos de câmbio e faturas comerciais. A DRJ expôs, contudo, que os contratos de câmbio apresentam uma descrição da natureza de operação que não permite identificar que se trata de serviços advocatícios, e apenas metade deles se refere à Argentina. As faturas apresentadas estão em idioma estrangeiro, não tendo efeito como prova, e possuem descrição genérica dos serviços. E o mais relevante, não foi apresentado qualquer contrato firmado com os supostos escritórios de advocacia argentinos. Assim, a documentação apresentada foi considerada insuficiente para comprovar a natureza dos serviços alegados e para afastar a incidência da CIDE. Em sede recursal, a recorrente repisa o argumento de que os contratos de prestação de serviços não implicaram transferência de tecnologia. Defende a desnecessidade de tradução juramentada e a suficiência dos documentos apresentados para comprovar que as remessas não se relacionam a fatos geradores da CIDE. Diz que, ainda que as faturas e os contratos de câmbio acostados não detalhem exatamente o serviço prestado, a natureza das atividades das empresas destinatárias dos valores permitiria identificar a finalidade dos pagamentos. Elenca nomes e objetos das referidas empresas. Visando corroborar as alegações e provas apresentadas, acosta outras faturas de pagamentos que alega terem sido realizados à título de remuneração de serviços de consultoria e advocacia, em sua maioria (fls. 679/698). Argumenta que a CIDE incide apenas sobre contratos de “assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes” (art. 10 do Decreto 4.195/02), que envolvam efetiva transferência de tecnologia, o que não ocorre nos contratos em questão, os quais se referem a serviços como consultoria e advocacia, sem obrigação de transmissão de conhecimento tecnológico. Sustenta, ainda, que a desconsideração das faturas — que identificam as empresas beneficiárias e a natureza dos serviços prestados — viola o princípio da verdade material. Assim, requer o afastamento da cobrança de CIDE, por inexistência de fato gerador. Em que pese os argumentos apresentados, não assiste razão à recorrente. Fl. 719DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 16 Por concordar com as razões expostas pela DRJ, peço vênia para transcrever o trecho a seguir do acórdão recorrido, adotando-o como minhas razões de decidir: Para comprovar tais alegações juntou aos autos contratos de câmbio e faturas comerciais (fls.514/573). Os contratos de câmbio contém uma descrição da natureza de operação que não permite caracterizar que se trata de serviços de advocacia, como se pode observar do campo “Natureza” da Planilha fornecida pela própria Impugnante à folha 520, à qual contém a relação de todos os contratos de câmbio. Verifica-se também, através do campo “País” da referida Planilha que dos 32 contratos, apenas a metade se refere à Argentina. Todas as faturas comerciais que a Impugnante juntou ao processo de folhas 533 a 543 estão em idioma estrangeiro não tendo efeito como prova, conforme já abordado no início deste Voto. Além disso, percebe-se possuírem descrição genérica do serviço prestado. E o mais relevante, não foram juntados pela Impugnante nenhum contrato entre a mesma e o suposto escritório de advocacia na Argentina. Desta forma, a documentação acostada aos autos pela Impugnante não comprova que os valores remetidos ao exterior se trataram de contratação de serviços de advocacia com escritórios da Argentina, conforme sua alegação, sendo portanto insuficiente para afastar a incidência da CIDE, conforme verificado pelo Fisco. (Grifou-se) Frisa-se que a natureza das remessas para o exterior, indicada na planilha fornecida pela própria recorrente (fl. 520), não permite caracterizar o tipo dos serviços, visto que trazem informações genéricas e superficiais sobre tais operações. As faturas comerciais apresentadas, inclusive em sede recursal, independentemente de estarem em idioma estrangeiro, também trazem descrições genéricas do serviço prestado. Os objetos sociais das empresas indicadas como beneficiárias das remessas, meramente informados no recurso voluntário, evidentemente não são hábeis a demonstrar nem comprovar a natureza dos serviços prestados. Ademais, é fundamental notar que a recorrente não trouxe aos autos nenhum contrato celebrado entre si e os alegados prestadores de serviço no exterior, ainda que em idioma estrangeiro. Segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, de acordo com o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999: Fl. 720DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 17 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. No mesmo sentido, o art. 373 da Lei nº 13.105 de 16 de março de 2015 (CPC): Art. 373. O ônus da prova incumbe: (...) II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado, se equivalem. Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: "Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (HABEAS CORPUS N° 1.171-0 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211-276, novembro 1992, p. 217)". Considerando ainda que, conforme mencionou a fiscalização (fls. 413), a recorrente reconheceu a falta de recolhimento de CIDE, quando indagada acerca da confissão dos créditos tributários do IRRF – Royalties e Assistência Técnica, tenho por correto o lançamento de ofício sobre os pagamentos ou remessas efetuados ao exterior conforme verificado pela fiscalização, bem como a decisão recorrida. Voto por negar provimento neste ponto. 4.3 Inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte na base de cálculo da CIDE A recorrente sustenta, em síntese, que a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE é manifestamente indevida, uma vez que o referido imposto não corresponde a valor efetivamente remetido ao exterior. Fundamenta sua tese em precedente administrativo. Argumenta, ainda, que a inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE é manifestamente contrária à lei, razão pela qual considera ilegal o critério adotado pela fiscalização. Sem razão a recorrente. A respeito da não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE-Remessas, tema em que houve amplo debate no âmbito deste Tribunal Administrativo, verifica-se a necessária aplicação do disposto na Súmula CARF nº 158, que assim dispõe: Súmula CARF nº 158 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em 03/09/2019 O Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF incidente sobre valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração pelas obrigações contraídas, compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Fl. 721DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.182 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12448.724482/2014-21 18 – CIDE de que trata a Lei nº 10.168/2000, ainda que a fonte pagadora assuma o ônus financeiro do imposto retido. Acórdãos Precedentes: 3102-002.141, 3302-005,578, 3201-003.344, 3201-003.461, 9303-004.142, 9303- 005.195,9303-005.293, 9303-007.067, 3201-001.518 e 3301-001.683. Desse modo, voto por negar provimento neste ponto. 5 CONCLUSÃO Ante todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha Fl. 722DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Da competência para julgamento 2 Do conhecimento 3 Preliminar 3.1 Desnecessidade de tradução juramentada 4 Mérito 4.1 Incidência da CIDE sobre a remessa realizada pela recorrente à Cinemark argentina 4.2 Incidência da CIDE sobre os valores remetidos ao exterior com base em contratos que não implicam transferência de tecnologia 4.3 Inclusão do Imposto de Renda Retido na Fonte na base de cálculo da CIDE 5 Conclusão

score : 1.0