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Numero do processo: 10580.720112/2016-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
INTIMAÇÃO. EDITAL.
É regular a intimação do contribuinte por edital quando frustrada a tentativa de intimação por outro meio previsto na legislação.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO.
A manifestação do contribuinte fora do prazo estabelecido pela lei para apresentar impugnação não instaura a fase litigiosa.
Numero da decisão: 2201-003.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 20/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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EDITAL. É regular a intimação do contribuinte por edital quando frustrada a tentativa de intimação por outro meio previsto na legislação. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. A manifestação do contribuinte fora do prazo estabelecido pela lei para apresentar impugnação não instaura a fase litigiosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 01 12 /2 01 6- 26 Fl. 81DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo ao exercício de 2014, fl. 30/34, pela qual, após intimação regular (fl. 28 e 29), a Autoridade Administrativa, em sede de Malha Fiscal, identificou a infrações à legislação tributária abaixo resumida: Omissão de rendimentos no valor de R$ 66.296,93 referentes a pensão alimentícia recebida de Neuziton Torres Rapadura, CPF 022.817.32568; Encaminhada a Notificação de Lançamento por via postal, o documento foi devolvido pelos Correios em razão da ausência da interessada (fl. 36), o que se seguiu de intimação pelo Edital 001/2015 contido em fl. 40/57, em que a ciência do contribuinte, nos termos da legislação, ocorreu em 06 de agosto de 2015. Em 11 de novembro de 2016, foi formalizada a impugnação de fl. 14, que não foi conhecida pela Delegacia de Julgamento por ter sido considerada intempestiva, fl. 61/65. Ciente do Acórdão da DRJ em 23 de maio de 2016, fl. 79, ainda inconformada, a contribuinte apresentou, em 22 de junho de 2016, o Recurso Voluntário de fl. 69/71, no qual apresenta suas considerações sobre a questão da intempestividade e reitera os argumentos já expressos em sede de impugnação. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Embora o Recurso Voluntário ora sob análise tenha sido formalizado no prazo legal, o objeto do presente julgamento se restringe a avaliar a procedência dos argumentos expressos no julgamento de 1ª Instância para não conhecer da impugnação formalizada. Como se viu no Relatório, restou frustrada a tentativa de cientificar a contribuinte, por via postal, da Notificação de Lançamento de IRPF emitida para o exercício de 2014, o que resultou na emissão do Edital de Intimação de fl. 40/57. No Recurso de fl. 69/71, a contribuinte alega ser viúva e morar sozinha, o que teria impossibilitado a recepção da Notificação. A análise dos documentos juntados aos autos, em particular a consulta à postagem de fl. 36, não deixa dúvidas do encaminhamento da documentação ao correto endereço da recorrente. Sobre o tema, assim prevê o Decreto 10,235/72: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10580.720112/201626 Acórdão n.º 2201003.771 S2C2T1 Fl. 82 3 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: Fl. 83DF CARF MF 4 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; ... A análise dos autos evidencia que os requisitos previstos na legislação para se considerar cientificada a contribuinte em tela foram observados rigorosamente. Após a frustrada tentativa de ciência por via postal, seguiuse a emissão de Edital, cuja fixação ocorreu em 22/07/2015; a ciência 15 dias depois, em 06/07/2015; e o prazo para impugnação de 30 dias contados da data da ciência, encerrandose em 09/09/2015. Assim, considerando que a impugnação ocorreu em 11 de janeiro de 2016, não há qualquer dúvida de que esta se deu de forma extemporânea. Desta forma, tendo em vista que a impugnação ao lançamento deve ser apresentada no prazo de 30 dias contado da data em que for feita a intimação da exigência, bem assim que é esta que instaura a fase litigiosa, tudo nos termos dos art. 14 e 15 do Decreto 70.235/72, no caso sob análise, não se instaurou o litígio administrativo, restando absolutamente pertinentes as conclusões da primeira instância sobre o não conhecimento da impugnação. O fato de não se conhecer de uma impugnação de lançamento não significa, por si só, o reconhecimento da imutabilidade do crédito tributário constituído, pois o mesmo ainda poderia ser revisto de ofício se presentes alguma das hipóteses previstas no art. 149 da Lei 5.172/66 ( CTN). Contudo, o que se vê nos autos é que. em relação à omissão dos rendimentos de pensão alimentícia que motivaram o lançamento, a contribuinte não o questiona, não junta nenhum documento a eles relativos, limitandose a afirmar que é divorciada "(daí os rendimentos da pensão)", fl. 70. Portanto, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida, tampouco há nos autos elementos que apontem inequivocamente para qualquer impropriedade no mérito do lançamento. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.900723/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 07 23 /2 00 9- 05 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.900723/200905 Acórdão n.º 1402002.633 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.900723/200905 Acórdão n.º 1402002.633 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11040.900723/200905 Acórdão n.º 1402002.633 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 61DF CARF MF Processo nº 11040.900723/200905 Acórdão n.º 1402002.633 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912038/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/08/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.753
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/08/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 38 /2 01 2- 50 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.779, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.912038/201250 Acórdão n.º 3301003.753 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.901695/2014-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2009
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.731
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2009 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 16 95 /2 01 4- 33 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09060.082, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10830.901695/201433 Acórdão n.º 3301003.731 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.906044/2008-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/05/2003
DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindo-se em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal.
Numero da decisão: 9303-005.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. A apresentação de DCTF retificadora, ainda que após a prolação de despacho decisório, desde que em hipótese não vedada pela legislação, substitui a original, constituindose em indício da certeza e liquidez do crédito tributário. Tendo sido o único motivo de indeferimento da compensação e ignorados os seus efeitos pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, há de ser acolhida e determinado novo exame da compensação pela Autoridade Fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 60 44 /2 00 8- 78 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 155 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 81 a 105) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 330201.303 (fls. 74 a 78) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 09/11/2011, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/05/2003 IOF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte O presente processo tem origem em Declaração de Compensação (Per/Dcomp), transmitida em 12/05/2004 (fls. 06 a 10), na qual a Contribuinte compensou crédito próprio relativo a IOF recolhido a maior com débito próprio administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na análise do pedido, foi proferido despacho decisório (fl. 02), em 18/07/2008, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR, não homologando o pleito, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos da Contribuinte. Não resignada, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 11 e 12), informando o erro de preenchimento da DCTF do 2º trimestre de 2003, Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 156 3 conforme retificadora transmitida em 21/08/2008. No julgamento da insurgência, foi mantida a não homologação do pedido de compensação, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 0631.104 da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 56 a 59), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/04/2003 a 02/05/2003 DCTF. RETIFICAÇÃO. PROCEDIMENTO FISCAL EM ANDAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não pode ser aceita a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar débitos em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/04/2003 a 02/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. OBRIGATORIEDADE. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o manifestante fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 28/04/2003 a 02/05/2003 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Deve ser não homologada a compensação quando não for reconhecida a existência do direito creditório utilizado no procedimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 65 a 70), ao qual foi dado provimento em parte nos termos do Acórdão nº 330201.303 (fls. 74 a 78) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 09/11/2011, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 81 a 105), alegando divergência jurisprudencial quanto à admissão de DCTF retificadora após a ciência da decisão que não homologou a compensação visto não ter sido provado a Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 157 4 existência de pagamento indevido. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou o acórdão paradigma nº 10517.143. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) foi comprovada a divergência jurisprudencial, pois em ambos os casos estáse tratando de compensação e da necessidade de observância dos requisitos estabelecidos na legislação para a validade do procedimento; (b) no caso dos autos, a compensação apresentada por meio de PER/DCOMP não observou o requisito essencial da correspondência de informações prestadas na DCTF e na DCOMP, razão pela qual não há de ser homologada; (c) para que o Contribuinte tenha direito à compensação, deverá observar todos os ditames legais, sob pena de não ser possível o encontro de contas, ferindo os princípios da legalidade e da indisponibilidade do interesse público; (d) no caso dos autos, não houve a observância de requisito indispensável à compensação, pois o Sujeito Passivo não retificou a tempo a DCTF que continha o erro de fato no preenchimento. Afirma não se tratar de mero erro formal, mas sim de descumprimento de condições legais para validade da compensação, no caso, a apresentação de DCTF retificadora tão somente após o despacho decisório. A demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituo da compensação; (e) por fim, requer o provimento do recurso especial para declarar inviável a compensação pretendida pela Contribuinte. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho S/Nº, de 06 de novembro de 2015 (fls. 107 a 110), proferido pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 120 a 126) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 158 5 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade No presente caso, o recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, vigente à época da interposição do recurso, devendo, portanto, ser conhecido. O acórdão recorrido deu parcial provimento ao recurso voluntário com base no seguinte fundamento: a apresentação de DCTF retificadora, ainda que após prolatado o despacho decisório não homologando os pedidos de compensação, pode ser aceita para desconstituir a causa original da não homologação, devendo a Autoridade Fiscal apurar a liquidez e certeza do crédito do Sujeito Passivo. Os acórdãos indicados como paradigmas, de nºs 10517.143 e 180300.157, tratam de hipótese em que não se admitiu a retificação dos documentos que comprovassem a certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar após a primeira decisão de indeferimento do pleito. Assim, restou comprovada a divergência jurisprudencial, devendo ter prosseguimento a demanda. Mérito Na hipótese de ser transposta a admissibilidade do recurso especial da Fazenda Nacional, necessário adentrarse à análise de mérito da demanda. Centrase a controvérsia na possibilidade de apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório não homologatório das compensações e ao atendimento dos requisitos formais para a compensação. Para compensação de tributos, é condição indispensável a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional CTN1. Deve haver a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que poderia ser verificado na análise da documentação contábil e fiscal da Contribuinte. O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 159 6 Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 160 7 toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese que a não homologação da compensação teria ocorrido pela falta da retificação da DCTF, providência posteriormente suprida pela Contribuinte quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Não há óbice, portanto, à apresentação da DCTF retificadora e sua aceitação após a prolação do despacho decisório, constituindose em primeiro indício de prova da certeza e liquidez do crédito tributário. A apresentação de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de reverter a não homologação da compensação. No entanto, como no caso dos autos, teria se constituído no motivo do indeferimento do crédito e desconsiderado os efeitos da retificadora pela decisão de primeira instância, o que se constitui no objeto do presente recurso especial, acolhese a sua Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10980.906044/200878 Acórdão n.º 9303005.396 CSRFT3 Fl. 161 8 apresentação posterior para ensejar nova análise do pedido de compensação pela Autoridade Fiscal. Assim, mediante a apresentação da DCTF retificadora, que substitui a original, quando da apresentação da manifestação de inconformidade, cabível oportunizar à Recorrente a apresentação de provas quanto à certeza e liquidez do crédito tributário, por meio de documentos contábeis e fiscais. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 162DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.725182/2012-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INEXISTÊNCIA DE NEXO.
A multa decorrente do inadimplemento de disposição de lei tributária atinente a obrigação de fazer subsiste mesmo que o sujeito passivo tenha efetuado o pagamento de tributos devidos.
FOLHAS DE PAGAMENTO PREPARADA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social.
LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos constitui infração à legislação previdenciária.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA FISCALIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
Numero da decisão: 2402-005.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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OBRIGAÇÃO DE FAZER. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INEXISTÊNCIA DE NEXO. A multa decorrente do inadimplemento de disposição de lei tributária atinente a obrigação de fazer subsiste mesmo que o sujeito passivo tenha efetuado o pagamento de tributos devidos. FOLHAS DE PAGAMENTO PREPARADA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. INOBSERVÂNCIA. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos constitui infração à legislação previdenciária. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DA FISCALIZAÇÃO. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 51 82 /2 01 2- 38 Fl. 625DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10166.725182/201238 Acórdão n.º 2402005.996 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DRJ/BSB (595/602) em face dos autos de infração de obrigações acessórias – AIOA a seguir enumerados: AIOA DEBCAD n. 51.010.3618 (CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO 30), no valor de R$ 1.612,12 (mil seiscentos e doze reais e quarenta e doze centavos), por deixar de preparar folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social; AIOA DEBCAD n. 51.010.3626 (CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 34), no valor de R$ 16.170.98 (dezesseis mil cento e setenta reais e noventa e oito centavos), por não lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias; AIOA DEBCAD n. 51.010.3634 (CÓDIGO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL 35), no valor de R$ 16.170,98 (dezesseis mil cento e setenta reais e noventa e oito centavos), por deixar de prestar as informações e esclarecimentos necessários à Fiscalização; Por bem retratar o contexto em que se lavrou os Autos de Infração e as razões trazidas na impugnação (fls. 573/583), reproduzse os trechos correspondentes do Acórdão nº 0355.089, da 5ª Turma da DRJ/BSB: Segundo o Relatório Fiscal, de fls. 08/27, no exame da escrituração contábil, demonstrativos elaborados pela empresa e folha de pagamento constantes dos arquivos digitais apresentados, de acordo com o previsto no MANAD, aprovado pela Portaria MPS/SRP nº 58/2005, Instrução Normativa SRP nº 03/2005 e art. 8º da Lei nº 10.666/2003, foi constatado a omissão em GFIP de fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes à aquisição de produção rural e de pagamento a segurados contribuintes individuais. Em análise aos registros contábeis, a folha de pagamento e a outros documentos de interesse da fiscalização, ficou contatado que o contribuinte em tela remunerou os segurados contribuintes individuais, sem registrar as remunerações em folha de pagamento da empresa, conforme anexo III. A investigação fiscal apurou ainda, por meio da contabilidade que o contribuinte não escriturou em contas individualizadas, os fatos geradores de contribuições do segurado e as contribuições da empresa, principalmente se levada em consideração que as verbas remuneratórias e aquisição de produção rural, em análise, tem incidência de contribuição previdenciária. Informa a autoridade fiscal que constatou ainda na contabilidade que o contribuinte remunerou prestadores de serviços, pessoa física, inclusive transportador autônomo e que tais valores não transitaram em sua totalidade na folha de pagamento da empresa. Fl. 627DF CARF MF 4 Registra que as situações acima descritas configuram, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária prevista no art. 337A, do Código Penal, com redação dada pela Lei º 9.983/2000, razão pela qual foi emitida Representação Fiscal Para Fins Penais, a ser encaminhada à autoridade competente. DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, a autuada apresentou a impugnação de fls. 573/583, para todos os autos de infração lavrados nesta ação fiscal, inclusive os decorrentes de descumprimento de obrigação principal, juntando a documentação de fls. 583/585, que comprovam a capacidade postulatória dos advogados que a assinam, com as seguintes alegações, em apertada síntese: Preliminares Do Cerceamento de Defesa Aduz em preliminares que verificou que alguns lançamentos não foram realizados de maneira clara e precisa quanto à base de cálculo dos lançamentos, prejudicando assim o contraditório por parte do contribuinte. Afirma que o lançamento fiscal deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como suas bases de cálculo, sob pena de cerceamento de defesa. E que após análise dos autos pode constatar que os lançamentos foram realizados sem a demonstração do montante que compõe as bases de cálculo pertinentes. DO MÉRITO Incidência de Contribuição Previdenciária sobre Fretes pagos à Pessoa Física (Autônomos). Relata que o Anexo III do Auto de Infração embora relacione os autônomos não visualizados na folha de pagamento nas competências 06/2007 a 12/2008, os valores ali informados não encontram correspondência com os valores apurados no Discriminativo do Débito – DD, razão pela qual requer a desconsideração da exigência fiscal. Incidência de Contribuição Previdenciária Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física. Informa que conforme se depreende do esclarecimento prestado pela recorrente a diferença das bases de cálculo sobre a aquisição de produção rural de pessoa física está relacionada com a isenção concedida pelo art. 25, § 4º da Lei nº 8.212/91, revogado pelo art. 12 da Lei nº 11.718, de 23 de junho de 2008. Afirma que a empresa explora a atividade de pecuária, com engorda e abate de aves e suínos, iniciando o seu processo econômico com a reprodução do animal juvenil e sua engorda até o abate, que é realizado em estabelecimento de terceiros. (integrado) Informa ainda que as aquisição de produtos animais são destinadas à reprodução e/ou criação pecuária ou granjeira, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. E que além disso não existe na legislação previdenciária qualquer disposição, no sentido de que o contribuinte tenha aobrigacao de comprovar o disposto no texto legal, ou seja a destinação da aqusiscão do produto animal. Na sequência, aduz que tendo em vista que a publicação da Lei nº 11.718/08, em respeito ao principio da anterioridade nonagenal (art. 195, §6º, CF/88) entende Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10166.725182/201238 Acórdão n.º 2402005.996 S2C4T2 Fl. 4 5 pela incidência da contribuição nas condições acima apenas a partir de 21/09/2008, sendo responsabilidade da Receita Federal do Brasil especificar a competência do fato gerador e a apuração da sua base de cálculo de forma clara e precisa para fins do efetivo recolhimento previdenciário, de parcela relativa a período posterior, de 21/09 a 31/12/2008, o que não foi realizado. Das Obrigações Acessórias A impugnante insurgese contra os autos de infração nos Códigos de Fundamentação Legal CFL 30, 34 e 35, afirmando que no decorrer da defesa e da ação fiscal pode demonstrar o cumprimento das obrigações a ela inerentes, inclusive forneceu todas as informações solicitadas. Entretanto a autoridade fiscal entendeu que a falta de apresentação de documentação se deu por não ter a recorrente instruído a relação de documentos sem a informação do desconto do segurado contribuinte individual – Transportador Autônomo, o que obrigou a fiscalização a aferir em 11% os descontos do segurado transportador pessoa física. Entende a recorrente que apresentou as informações cadastrais, financeiras e contábeis como requerido pela lei, e que não é obrigada pelos artigos 32 e 225 a efetuar os cálculos que pretende a autoridade fiscal, sendo, portanto, improcedente a autuação. Ante o exposto e considerando sendo indevidos os lançamentos relativos a obrigação principal restam prejudicadas as obrigações acessórias, não havendo que se falar em penalidade. Requer então a total improcedência dos créditos previdenciários ora lançados. A DRJ/BSB considerou a impugnação improcedente, conforme se extrai da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 AIOA DEBCAD n. 51.010.3618 (CFL 30) 51.010.3626 (CFL 34) 51.010.3634 (CFL 35) FOLHASDEPAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO. CFL 30. Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. DEIXAR DE LANÇAR, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, FATOS GERADORES DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 34. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as Fl. 629DF CARF MF 6 contribuições da empresa e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária. INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 35 Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 607/622) no qual repisa as mesmas razões trazidas na peça impugnatória. Por fim, reitera pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10166.725182/201238 Acórdão n.º 2402005.996 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preambularmente, cabe avaliar as seguintes asserções trazidas no apelo recursal: O auto de infração é um ato administrativo sempre regrado e vinculado (nunca discricionário ou arbitrário). Para merecer validade administrativa e eficácia jurídica deve preencher certos requisitos, tais como: 1º) Fundamentação fática, concreta e real, ocorrida e verificada, seja com a sua exteriorização, seja de sua materialização. Não cabe, portanto, o lançamento por mera diferença entre contas contábeis ou informes fiscais; 2º) Embasamento em motivos reais, idôneos e existentes, o que afasta qualquer obrigação tributária sem provas documentais e/ou periciais. Sobre o assunto, mesmo que a apelante não tenha esclarecido a finalidade de tais afirmações ou trazido elementos que pudessem demonstrar quais os requisitos de validade lançamento teriam sido descumpridos, impende esclarecer que os documentos que integram os autos de infração: a) demonstram de forma clara e precisa os fundamentos jurídicos que levaram às autuações; e b) descrevem adequadamente a situação fática em que ocorreram as condutas infracionais. Além disso, os autos de infração encontramse devidamente motivados e estribados em elementos de prova aptos a lhes dar suporte. Por outro lado, embora a contribuinte tenha apresentado contestação em relação aos autos de infração por descumprimento de obrigações principais no recurso objeto do presente processo (que trata exclusivamente de autuações decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias), os argumentos a esse respeito somente serão analisados no acórdão pertinente a essas obrigações principais, compreendido no Processo nº 10166.725063/201285, inclusive no tocante ao alegado cerceamento de defesa. Obrigações Acessórias No que concerne aos autos de infração relacionados ao inadimplemento de obrigações acessórias, a recorrente infere ter demonstrado o cumprimento de suas obrigações ao longo da peça recursal e que, a despeito disso, a autoridade autuante teria aferido valores em Fl. 631DF CARF MF 8 razão da falta de apresentação de documentos. Aduz que apresentou todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis requeridas por lei e que não está obrigada a efetuar os cálculos pretendidos pela Fiscalização. Arremata afirmando que, tendo comprovado o regular cumprimento da legislação previdenciária, e sendo indevidos os lançamentos relativos à obrigação principal, afastadas estariam as penalidades ora em análise. O quadro a seguir, reproduzido do Relatório Fiscal (fls. 8/27), apresenta cada uma das condutas que deram azo às autuações. Confirase: TabelaII Modalidade de Infrações por descumprimento de obrigações acessórias, de acordo com o CFL código de fundamentação legal OBRIGAÇÃO DEBCAD OBJETO ACESSÓRIA 51.010.3618 (CFL 30) Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 32, I, combinado com o art. 225, I e § 9o, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. ACESSÓRIA 51.010.3626 (CFL 34) Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §s 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. ACESSÓRIA 51.010.3634 (CFL 35) Decorre do fato de a empresa não ter prestado à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme dispositivo legal infringido citado a seguir As condutas acima descritas estão diretamente ligadas ao inadimplemento de obrigações de fazer, quais sejam: i) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil; ii) deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; e iii) não ter a empresa prestado à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do órgão fiscalizador, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. Vejase que as condutas infracionais não têm qualquer relação com o fato de a contribuinte ter ou não efetuado o pagamento de tributos, isto é, ainda que o sujeito passivo tivesse recolhido todas as contribuições devidas, o que não é o caso, tal fato não seria suficientemente apto a afastar as autuações pelo descumprimento das obrigações que redundaram nos autos de infração ora examinados. De mais a mais, não obstante as alegações trazidas na peça recursal serem por demais vagas e desprovidas de qualquer elemento probatório, entendo necessário tecer alguns comentários a respeito de cada um dos autos de infração. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10166.725182/201238 Acórdão n.º 2402005.996 S2C4T2 Fl. 6 9 Auto de Infração Debcad 51.010.3618 (CFL 30) Extraise do Relatório Fiscal que o lançamento em tela resultou do fato de a empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. Sobre o tema, o caput e o inciso I da Lei nº 8.212/1991 dispõem: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; A matéria foi regulamentada pelo inciso I do caput e pelo § 9º do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, nos seguintes termos: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; [...] §9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e Vindicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (Grifei) De acordo com o Relatório Fiscal: 41. Em análise aos registros contábeis, à folha de pagamento e a outros documentos de interesse à fiscalização, a investigação fiscal apurou que o contribuinte em tela remunerou os segurados contribuintes individuais, no período fiscalizado, sem registrar as tais remunerações em folha de pagamento da empresa ASA ALIMENTOS LTDA, conforme anexos III. Fl. 633DF CARF MF 10 A primeira página do Anexo III (fl. 165), elaborada com base nas demonstrações contábeis da recorrente, demonstra que o sócio Aroldo Silva Amorim Filho foi remunerado pela empresa, de forma disfarçada, por meio de pagamento de despesas pessoais, tais como restaurantes em fins de semana, despesas diversas como de viagens, supermercado, combustível etc. Referida remuneração, a qual não se fez referência em folha de pagamento, foi lançada pela Fiscalização como pro labore pago a sócio (contribuinte individual) e sequer foi objeto de contestação, tendo transitado em julgado administrativamente. Esse fato, por si só, seria suficiente para a manutenção desta autuação. Fato também inconteste, evidenciado às fls. 166/173 do Anexo III, é que o sujeito passivo remunerou inúmeros transportadores rodoviários autônomos ao longo de todo o período fiscalizado sem fazer menção a esses contribuintes individuais em folha de pagamento. Sobre esse assunto, o único argumento trazido no recurso voluntário foi no sentido de que a exigência fiscal deveria ser desconsiderada, pois os valores informados no Anexo III não guardariam correspondência com aqueles especificados no Discriminativo do Débito – DD. De se ressaltar que restou demonstrado no acórdão nº 2402005.999, referente ao Processo nº 10166.725063/201285 não assistir razão à recorrente quanto a tal alegação, contudo, ainda que se tivesse dado provimento ao recurso relativo àquele processo, não haveria como afastar a presente autuação, eis que demonstrada a inexistência de registro de remuneração dos condutores autônomos na folha de salários, circunstância enquadrada na legislação previdenciária como suficiente à autuação. Em razão disso, nego provimento ao recurso neste ponto. Auto de Infração Debcad 51.010.3626 (CFL34) Relativamente à autuação por ter deixado a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, a autoridade autuante apresenta a seguinte descrição: 49. A investigação fiscal apurou por meio da contabilidade que o contribuinte em tela não escriturou em contas individualizadas, os fatos geradores de contribuições do segurado e as contribuições da empresa, no período fiscalizado (06/2007 a 12/2008), principalmente se levada em consideração que as verbas remuneratórias e aquisição de produção rural, em análise, têm incidência de contribuições previdenciárias. 50. Os fatos geradores apurados pela fiscalização não foram contabilizados em títulos próprios da contabilidade de forma a possibilitar a identificação clara e precisa das rubricas integrantes e nãointegrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições previdenciárias incidentes sobre eles. 51. As contas contábeis onde são registrados pagamentos de fretes a transportador autônomo, por exemplo, não segregam de forma clara as bases integrantes e não integrantes de contribuições previdenciárias, quando não existe identificação clara quanto à natureza jurídica dos prestadores de serviços. Estão contabilizados na mesma conta prestadores pessoa jurídica e pessoa física, embora tenham natureza de tributação diferenciada. 52. Da mesma forma ocorrem com as contas contábeis que registram a aquisição produção rural. 53. Acrescentase o fato de que a escrituração contábil, em geral, não está de acordo com a exigência do art. 32, II, da Lei 8.212/91, notadamente quando Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10166.725182/201238 Acórdão n.º 2402005.996 S2C4T2 Fl. 7 11 determina que as quantias das contribuições da empresa e aquelas descontadas do segurado devem está devidamente segregadas. Da simples análise do balancete analítico de 12/2008, abaixo, verificase que o contribuinte autuado utilizase apenas de uma conta "INSS A RECOLHER" para representar as duas contribuições (empresa e descontadas do empregado), quando a legislação exige que tais valores devem ser segregados por títulos próprios (contas específicas para cada tipo de contribuição). [...] 54. Ressaltase, ainda, o fato de que a contabilização relacionada a pagamentos efetuados a sócios da empresa, em altas quantias, não demonstra clareza quanto à representação das operações realizadas entre a empresa e seus sócios. Os pagamentos de despesas dos sócios, bem como empréstimos a eles concedidos, não estão devidamente representados na contabilidade, principalmente quando existem fatos geradores das contribuições Prolabore indireto, Levantado no Auto de infração Principal, mas revestidos de operações isentas. Os históricos dos lançamentos contábeis são genéricos de forma a dificultar a correta identificação da operação realizada, não havendo, contudo, demonstrativos auxiliares para esclarecer os vultosos pagamentos e empréstimos concedidos aos sócios, em condições absolutamente inexistentes no mercado. A despeito dos fatos narrados pela Fiscalização, além do asserto de que “ não está obrigada pelos artigos 32 e 225 da Lei nº 8.212/1991 a efetuar os cálculos que pretende a Autoridade Fiscal”, inexiste na peça recursal qualquer outro argumento que se possa relacionar especificamente ao presente auto de infração. Ademais, os fatos descritos no Relatório Fiscal e as circunstâncias evidenciadas nas autuações relacionadas às obrigações principais (Processo nº 10166.725063/201285) demonstram que, no caso do pro labore indireto, os fatos geradores foram escriturados em conta contábil que desvirtuava sua natureza salarial e, nos demais casos a contribuinte não escriturou de forma individualizada as contribuições descontadas do segurado e as da empresa, tendo registrado os valores relativos às contribuições previdenciárias numa única conta contábil – “INSS A RECOLHER”, em total desacordo com o que preceitua a legislação. Dessarte, negase provimento ao recurso voluntário quanto ao citado Auto de Infração. Auto de Infração Debcad 51.010.3634 (CFL 35) Quanto ao auto de infração por não ter a empresa prestado à Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do órgão fiscalizador, não colhe melhor sorte a recorrente. Consoante a autoridade autuante: 60. A investigação fiscal apurou, pela contabilidade da empresa, que o contribuinte em tela remunerou prestadores de serviços, pessoa física, inclusive transportador autônomo e que tais valores não transitavam, em sua totalidade na folha de pagamento. 61. A auditoria solicitou ao contribuinte, por meio do TIF 06 que identificasse discriminadamente os segurados para cada pagamento efetuado e constantes em registros contábeis, conforme transcrito a seguir: Fl. 635DF CARF MF 12 3. Apresentar demonstrativo com nomes, individualizadamente, de todos os beneficiários dos pagamentos de Fretes efetuados pela empresa, ASA ALAIMENTOS LTDA, a transportador autônomo. O referido demonstrativo deve ser entregue em meio digital validado pelo sistema SVA, com a correta identificação dos beneficiários: Nome completo do prestador autônomo; ATT; CPF; Mês de competência; CNPJ da fonte pagadora; código do trabalhador; Categoria; conta contábeis onde são registrados tais despesas; VALOR BRUTO; VALOR Desconto previdência do segurado; 62. O contribuinte apresentou tal relação, contudo, sem a informação do desconto do segurado contribuinte individual Transportador Autônomo o que obrigou a fiscalização a aferir em 11% os descontos do segurado transportador pessoa física. 63. Além disso, quando solicitadas as informações sobre aquisição de produção rural e demonstrativos de pagamentos a sócios, TIF 09, o contribuinte não conseguiu demonstrar de forma clara e precisa o que fora solicitado. 1. Identificar a correta finalidade ou destinação da aquisição da produção rural de origem animal discriminados na planilha do ANEXO I. Essa identificação deve ser individualizada para cada lançamento, no qual a empresa deverá assinalar a destinação ou finalidade da compra, com um dos enquadramentos a seguir: I) Reprodução/Criação ou Granjeira, no âmbito da própria empresa, inclusive em regime de parcerias devidamente comprovadas; ou II) Aquisição destinada à comercialização ou consumo; 2. Apresentar Notas Fiscais e Contratos referentes compras de produção rural, provenientes de Pessoa Física, planilhas referidas no item 1; 3. Apresentar documentação dos lançamentos contábeis do ANEXO II; 4. Apresentar demonstrativo que evidencie todos os valores de pagamentos e recebimentos Realizados a sócios pessoa física da empresa, a titulo de empréstimos, mediante contratos de mútuos apresentados a essa fiscalização. Nesse demonstrativo deve constar todos os lançamentos dos empréstimos e sua respectiva baixa. O fatos acima transcritos, atestam que a presente autuação foi motivada pelo fato de a empresa não ter apresentado à Fiscalização a relação com discriminação dos segurados pessoa física que lhe prestaram serviço, inclusive o transportador autônomo, como também não conseguiu demonstrar de forma clara e precisa as informações sobre aquisição de produção rural e demonstrativos de pagamento a sócios, solicitadas por meio dos Termos de Intimação Fiscal TIF ns. 06 e 09. O sujeito passivo se defende da acusação fiscal com o pretexto de que “apresentou todas as informações todas, financeiras e contábeis requeridas por Lei”, sem fazer nenhuma menção aos fatos descritos no Relatório Fiscal, ou seja, não reportou na impugnação ou mesmo no recurso voluntário os motivos de fato e de direito em que pudessem Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10166.725182/201238 Acórdão n.º 2402005.996 S2C4T2 Fl. 8 13 fundamentar seus apelos, os pontos de discordância ou as razões e provas aptas a embasar sua argumentação, consoante determina o inciso III do art 16 do Decreto nº 70.235/1972. Em vista disso, impõe negar seguimento ao recurso voluntário também neste ponto. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 637DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001036/2005-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA Incabível a realização de perícia quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, as perícias e diligências não se destinam a suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO REALIZADO POR SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA Se não restar comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos por sócio da pessoa jurídica, tais valores devem ser tributados como omissão de receita, nos termos da presunção legal contida no Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II, conforme também explicitado no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 - Regulamento do Imposto sobre a Renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 820 DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/2005-91 Acórdão n.º 1802-00.986 S1-TE02 Fl. 789
Numero da decisão: 1802-000.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 - PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA Incabível a realização de perícia quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, as perícias e diligências não se destinam a suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO REALIZADO POR SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA Se não restar comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos por sócio da pessoa jurídica, tais valores devem ser tributados como omissão de receita, nos termos da presunção legal contida no Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e Decreto-Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II, conforme também explicitado no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 - Regulamento do Imposto sobre a Renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 820 DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/2005-91 Acórdão n.º 1802-00.986 S1-TE02 Fl. 789
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2140; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 788 1 787 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.001036/200591 Recurso nº 171.780 Voluntário Acórdão nº 180200.986 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de outubro de 2011 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente ALGOTÊXTIL CORRETAGENS E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002, 2003 NULIDADE Não restou caracterizada nenhuma das hipóteses que poderiam macular a autuação pelo vício da nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto 70.235/1972 PAF, quais sejam, lançamento realizado por pessoa incompetente ou cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA Incabível a realização de perícia quando se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador. Além disso, as perícias e diligências não se destinam a suprir o ônus probatório que incumbe ao Contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO REALIZADO POR SÓCIO DA PESSOA JURÍDICA Se não restar comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetividade da entrega e a origem dos recursos supridos por sócio da pessoa jurídica, tais valores devem ser tributados como omissão de receita, nos termos da presunção legal contida no DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II, conforme também explicitado no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 820DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 789 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 821DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 790 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 4 a 60, nos valores de R$ 247.538,27, R$ 16.131,68, R$ 79.626,29 e R$ 74.455,38, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de 75% e os juros moratórios. A autuação abrangeu os anoscalendário de 2001 a 2003. Em 2001, a apuração do IRPJ e CSLL foi realizada pelo Lucro Real Trimestral. Em 2002 e 2003, pelo Lucro Presumido. Os fundamentos do lançamento e os argumentos de impugnação estão muito bem descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 1121.022 (fls. 729 a 737): Auto de Infração Contra a empresa supra qualificada foram lavrados os Autos de Infração a seguir especificados, para exigência de crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social, PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS: (...) De acordo com o Relatório de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06 a 10, foi constatada omissão de receita da atividade no curso dos anoscalendários de 2001 a 2003 devido a existência de suprimento de numerário, por parte do sócio Churchill Cavalcanti César, sem que tenha havido comprovação da origem dos recursos supridos por parte do supridor ou da empresa fiscalizada. Tudo conforme Demonstrativo de Aportes de Capital e Notas Explicativas às fls. 68 a 70, onde consta a análise de todos os suprimentos de numerários à vista das respostas do contribuinte com a justificativa para a autuação de cada valor individualmente. Foi efetuado lançamento para os fatos geradores listados às fls. 06 a 10 com enquadramentos legais discriminados, fls. 07 e 10. O procedimento fiscal se encontra descrito com detalhes no Termo de Verificação Fiscal às fls. 62 a 67. Fl. 822DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 791 4 Impugnação Devidamente intimada, a autuada, por seu representante, documento à fl. 209, apresentou impugnação às fls. 584 a 608 fazendo, em síntese, as alegações a seguir descritas. Após identificação da empresa e detalhamento das infrações autuadas, a defesa requer realização de perícia tendo em vista considerar não ter havido apreciação plena dos atos e fatos ensejadores da suposta omissão de receitas, sobretudo das provas produzidas sobre a disponibilidade financeira do supridor, com base no art. 17 do Decreto 70.235/1972 transcrito à fl. 589. Considera ser a perícia procedimento indispensável ao julgamento da impugnação e não há como negar a sua realização, uma vez cumprido o parágrafo único do artigo acima referido sob pena de limitação pelo fisco dos meios de prova da impugnante o que implicaria em cerceamento ao pleno direito de defesa, transcreve jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes sobre a questão. A defesa elege como cerne da questão a disponibilidade financeira, a contemporaneidade e a efetividade dos suprimentos realizados pelo sócio majoritário da empresa, fato que considera absolutamente comprovado ao longo da fiscalização. Indica seu perito e endereço e formula seis questões a serem respondidas às fls. 590 e 591. DO MÉRITO Acusa o lançamento de ter se apoiado numa simples presunção, afirma que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, art. 9, § 1º do Decretolei 1.598/1977 e que o fisco examinou sua contabilidade bem como a documentação que a instruiu, confirmando a efetividade das operações, nada encontrando de irregular nem declinando algo que pudesse, de longe, sustentar a presunção de omissão de receitas.E, no entanto a lei exige prova de que a escrituração contenha vício ou omissão capaz de comprometêla. O lançamento envolve diversos aportes para efeito de aumento de capital ou não, partindo de disponibilidades do sócio supridor, cuja origem é inquestionável, sobretudo pela sua condição de empresário com diversas atividades especialmente a pecuária, detalhe que passou desapercebido pelos autuantes que, apesar dos esclarecimentos nesse sentido, promoveram o lançamento exofício. A defesa transcreve o art. 282 do RIR/1999 que trata de Omissão de Receitas no caso de suprimento de numerário por sócios da empresa e afirma que a lei fixa os requisitos que precisam estar presentes cumulativamente para que o fisco possa se utilizar do dispositivo: “provar a omissão de receita”, provar a não efetividade da entrega e restar não comprovada a origem dos Fl. 823DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 792 5 recursos. O que não aconteceu no caso, pois a escrita contábil foi aprovada pelo fisco, caso contrário teria sido desclassificada e o lucro teria sido arbitrado, então, não restando dúvida quanto à capacidade do supridor e constatado que os valores dos suprimentos transitaram regularmente pelas suas contas bancárias, comprovando a efetiva entrega e que a origem daquelas importâncias está na venda de gado, não subsiste razão para o lançamento. Baseado em Acórdão da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que transcreve à fl. 195 afirma a defesa que o entendimento do “art. 181 do RIR/1980” é que não é o suprimento em si que motiva a omissão de receita, ele se apresenta apenas como parâmetro do arbitramento da receita omitida e a causa desse arbitramento é a existência de omissão de receita na escrituração da empresa provada por indício ou qualquer outro elemento de prova em exame, transcreve também, sobre a matéria, jurisprudência do Tribunal Federal de Recursos, fl. 596. O sócio Churchill Cavalcanti César promoveu os suprimentos com recursos de origem comprovada, não resta dúvida sobre a contemporaneidade dos mesmos com destinação específica, as importâncias questionadas foram tributadas na origem e não são passíveis de tributação na destinação. A efetiva entrega se faz presente nos extratos bancários e contabilidade da empresa. O lançamento, atividade vinculada que constitui o crédito tributário, não pode se apoiar em suposições nem em presunções, como se extrai da redação do art. 142 do CTN, deve se fundamentar em fatos concretos. São feitas referências a doutrinadores e as limitações constitucionais ao poder de tributar a partir do art. 150 da CF/1988. A defesa faz um relato sobre as presunções no Direito Tributário, fls. 597 a 606, citando jurisprudência judicial, administrativa e opinião de tributaristas para corroborar seu entendimento sobre a impossibilidade do uso de presunções contra o contribuinte em matéria fiscal, com exceção das previstas em lei. E, continua, reafirmando que as parcelas tributadas como suprimento de caixa decorreram de aportes realizados nos termos da legislação de regência e devidamente comprovados pois, a mesma importância saiu da conta do sócio e entrou na conta da empresa, presentes os pressupostos da comprovação da origem, efetiva entrega e contemporaneidade dos valores disponibilizados à empresa pelo seu sócio majoritário. Logo, tratandose de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, prova produzida com documentação hábil e idônea, afastase o lançamento de omissão de receitas com base em suprimento de caixa, por indevido e precário como recomenda a torrencial jurisprudência administrativa. Mesmo entendimento deve ser aplicado aos autos reflexos. Fl. 824DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 793 6 Ao final requer preliminarmente seja acolhida a solicitação de realização de perícia e, no mérito, seja deferida sua impugnação em relação ao Auto matriz e seus reflexos. Como mencionado, a DRJ Recife/PE considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PERÍCIA CONTÁBIL INDEFERIMENTO. Descabe perícia quando as informações necessárias à fundamentação da autuação encontramse nos autos e os termos processuais forem confeccionados em estrita observância da legislação aplicável. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO Se não for comprovada com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a efetiva entrada do dinheiro e sua origem, a importância suprida será tributada como omissão de receita. AUTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 16/05/2008, a Contribuinte apresentou em 08/08/2008 o recurso voluntário de fls. 751 a 779, onde reitera exatamente as mesmas razões de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, alega a nulidade da decisão recorrida, por ter imotivadamente negado o pedido de perícia, eis que tal pedido, que foi renovado em sede de recurso, cumpriria as formalidades inscritas no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72. A decisão, portanto, teria implicado no cerceamento do direito de defesa. Este é o Relatório. Fl. 825DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 794 7 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. ADMISSIBILIDADE DO RECURSO Quanto à tempestividade do recurso, é importante registrar que a ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu por meio de Edital, afixado em 02/05/2008 (fls. 743), em razão de a intimação por via postal, enviada para o endereço cadastral da pessoa jurídica, ter resultado improfícua, nos termos do art. 23, § 1º, II, do Decreto nº 70.235/1972 PAF. Como o recurso voluntário só foi apresentado em 08/08/2008, bem depois de esgotado o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72, ela estaria intempestivo. Há inclusive um Termo de Perempção juntado aos autos, às fls. 744. Depois da intimação mencionada acima, houve uma outra, encaminhada por via postal e depois por Edital, afixado em 28/07/2008 (fls. 750), como já havia ocorrido anteriormente, mas esta outra intimação serviu apenas para o envio de Carta Cobrança (que antecede a execução fiscal), eis que já estaria precluso o direito à apresentação de recurso. Não obstante estes fatos, consta do Edital de fls. 743 que ele foi: AFIXADO EM: 02/05/2008 DESAFIXADO EM: 16/05/2008 Na sessão anterior, quando o processo foi inicialmente analisado, houve um debate sobre o critério de contagem do prazo para a ciência por Edital, especificamente aquele contido no artigo 23, § 2º, IV do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, (...) II por via postal, (...) III por meio eletrônico, (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I – (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 826DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 795 8 § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A controvérsia surgiu porque há entendimento no sentido de que este prazo não deve seguir totalmente as regras contidas no art. 5º do mesmo PAF: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Realmente não se trata de um prazo de natureza propriamente processual, já que ele não fixa termo para a prática de atos no processo. Seu escopo é tão somente demarcar o momento em que o sujeito passivo é considerado cientificado, e a partir daí é que se iniciaria a contagem do prazo para a apresentação do recurso, agora sim, com a exclusão do dia de início, a inclusão do dia de vencimento, considerandose ainda os dias de expediente normal no órgão, etc. Como uma intimação pode perfeitamente ocorrer em dia que não há expediente normal (p/ ex., no sábado, quando ela é feita via postal), entendo seja defensável o afastamento de pelo menos uma das regras contidas no art. 5º, para considerar que a ciência ficta (décimo quinto dia após a publicação do edital) também poderia recair em dia que não há expediente normal (sábado, p/ ex.). Por outro lado, cabe destacar que o mesmo Decreto nº 70.235/1972 não prevê qualquer exceção para as regras gerais contidas em seu art. 5º. A questão é polêmica. A Receita Federal já se manifestou sobre o assunto, por meio da Solução de Consulta Interna nº 5 Cosit, de 14 de novembro de 2002: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CONTAGEM DO PRAZO DE INTIMAÇÃO POR MEIO DE EDITAL X DECADÊNCIA. Para efeito de intimação por meio de edital, não se aplicam as normas gerais de contagem de prazos processuais previstos no processo administrativo fiscal, eis que a contagem se inicia sempre no dia seguinte ao de sua publicação ou afixação e se encerra, impreterivelmente, no décimo quinto dia seguinte, mesmo se essas datas recaírem em dia não útil. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, arts. 173, inciso I, e 210; Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, arts. 5o e 23, § 2o, inciso III. (grifos acrescidos) Fl. 827DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 796 9 Apesar das controvérsias mencionadas, vêse que pelo próprio critério defendido pela Receita Federal o prazo iniciado em 02/05/2008 (sextafeira) deveria findarse em 17/05/2008 (sábado), mas o Edital foi desafixado no dia 16/05/2008, ou seja, um dia antes de se aperfeiçoar a ciência ficta, o que acabou tornando nula a intimação. Deste modo, restando comprometida a ciência da decisão de primeira instância, que deveria ter ocorrido no mês de maio, tenho como tempestivo o recurso apresentado somente no mês de agosto (08/08/2008). Como o recurso está dotado dos demais pressupostos para a sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de IRPJ e reflexos cujos fatos geradores ocorreram no curso dos anoscalendário de 2001 a 2003. A autuação está fundamentada em omissão de receita apurada com base em suprimento de numerário por parte do sócio Churchill Cavalcanti César, sem que tenha havido a comprovação da efetiva entrega e da origem de parte dos recursos supridos nestes três anos. A presunção legal que fundamenta o lançamento está contida no art. 282 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda: Art.282.Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §3º, e DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II). Preliminarmente, a Recorrente alega nulidade da decisão recorrida, por ter imotivadamente negado o pedido de perícia, argumentando que esse pedido cumpre as formalidades inscritas no artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, e que a decisão, portanto, teria resultado no cerceamento do seu direito de defesa. Os quesitos a serem respondidos pela perícia, apresentados pela Contribuinte, tanto na impugnação, quanto agora no recurso, são os seguintes: 1) Sendo a empresa optante pelo lucro real, quando se inicia e termina o fato gerador do imposto? 2) Tratandose de fato gerador complexivo, como se define a contemporaneidade? 3) Há efetivamente contemporaneidade entre os valores objeto de aportes ou suprimentos realizados pelo sócio majoritário da empresa? Fl. 828DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 797 10 4) Uma vez decorrentes de vendas de gado e atividade empresarial do contribuinte, devidamente comprovadas restaria alguma dúvida quanto a origem dos valores supridos? 5) Tendo os valores circulados através de contas bancárias e devidamente registrados na contabilidade da empresa, esse fato efetivamente não comprova a efetiva entrega dos valores destinados aos aportes? 6) Considerando os quesitos formulados para efeito de perícia, no conjunto, há duvidas sobre a origem, contemporaneidade e efetiva entrega dos aportes realizados pelo Sr. Churchill Cavalcanti César? O primeiro ponto a destacar é que a realização de diligência ou perícia não se destina a suprir o ônus probatório da Contribuinte, especialmente quando a prova diz respeito a apresentação de documentos que devem lastrear sua escrituração contábil e fiscal. O segundo aspecto é que a Contribuinte inverteu toda a lógica da presunção legal relativa a suprimento de numerário, eis que é dela o ônus de comprovar cumulativamente os elementos descritos na norma legal (“a efetividade da entrega e a origem dos recursos”), e não da Fiscalização em comprovar que não houve a efetiva entrega e nem a alegada origem. Com efeito, a Contribuinte está obrigada a apresentar os documentos que dão suporte aos fatos registrados em sua escrituração. Assim, uma vez intimada para isso, e não conseguindo apresentar documentos que atestem a efetiva entrega e a origem dos recursos que ingressaram em seu patrimônio como suprimento de numerário realizado por pessoa indicada no referido art. 282 do RIR/99, resta caracterizado o indício de omissão de receita a que se refere este mesmo dispositivo. Tal indício é tão forte que a norma legal estabeleceu a partir dele uma presunção legal de omissão de receita, que será arbitrada com base no valor destes mesmos recursos. Feito esses comentários, é interessante verificar quais foram os fundamentos apresentados pela Delegacia de Julgamento para a negativa do pedido de perícia: A contribuinte requer a realização de perícia, conforme inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/1972 e suas alterações, no entanto, no caso em análise, não há necessidade, para o desfecho da lide, de realização de perícia haja vista não existirem dúvidas a serem resolvidas. O momento oferecido à contribuinte para comprovar seus argumentos se concretizou justamente no contraditório administrativo instaurado pela impugnação. Cumpre à autuada, mediante exame do Auto de Infração e de seus anexos, comparandoos com os dados e documentos constantes da sua escrita contábil e fiscal, atacar os pontos que julgar equivocados e juntar as provas necessárias a sua defesa, na própria impugnação. Entretanto, deixando a interessada de fazêlo neste momento processual, não cabe a realização de perícia para suprir sua inação. Os motivos pelos quais a fiscalização não considerou devidamente comprovados os aportes efetuados pelo sócio Fl. 829DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 798 11 majoritário da empresa estão listados no Demonstrativo de Suprimentos de Numerário à fl. 70 e foram os seguintes: 1 Foi apresentado, como justificativa, valor recebido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 2 Foi apresentado, como justificativa, cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 3 Foram apresentados, como justificativa, valor recebido e cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 4 Não foi apresentada qualquer justificativa; 5 Foi justificada apenas parte do valor, mais precisamente R$ 314.500,00, correspondente ao somatório dos seguintes valores: R$ 9.500,00, R$ 105.000,00 e R$ 200.000,00. As respostas às questões levantadas nada acrescentam no sentido de infirmar a presunção legal, o fato gerador do imposto não interfere na contemporaneidade exigida pela presunção legal no caso de suprimento de numerário, aqui a contemporaneidade ocorre com a coincidência de data e valores dos débitos e créditos, saída de determinado valor do patrimônio do supridor em determinada data e entrada do mesmo valor na mesma data na empresa suprida, tudo comprovado com documentação hábil e idônea. Maiores detalhes serão colocados na análise às questões de mérito neste voto. Pelas razões expostas está indeferido o pedido de perícia nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e suas alterações posteriores. Vale mencionar que os referidos motivos, indicados acima pelos números de 1 a 5, apenas complementam a planilha de fls. 68/69, onde estão relacionados individualmente os suprimentos examinados, com a indicação, para cada um deles, da “conta contábil”, “data”, “valor” e “folhas” onde constam os documentos apresentados pela Contribuinte para a comprovação das operações. A perícia realmente revelouse desnecessária. Como mencionado pela DRJ, a análise de mérito deixa isso ainda mais evidente. Assim, estão corretos os fundamentos da decisão recorrida quanto ao pedido de perícia, pelo que os adoto não só para afastar a alegada nulidade, como também para negar a renovação do pedido feita em sede de recurso, eis que se encontram no processo todos os elementos que permitem formar a livre convicção do julgador, os quais, como restará esclarecido adiante, são suficientes para a aplicação da referida presunção legal de omissão de receitas. MÉRITO É importante transcrever as informações constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 61 a 67, para verificar os fatos que ensejaram a lavratura dos questionados autos de infração: Fl. 830DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 799 12 (...) 4. Da omissão de Receitas decorrentes de suprimentos de numerário Nos anos de 2001 a 2003, a análise dos livros comerciais do contribuinte, mais precisamente do Livro Razão, demonstrou a existência de várias operações de suprimento de numerário, por parte do sócio Churchill Cavalcanti César. Foram localizadas as seguintes contas contábeis em nome do referido sócio, tendo havido suprimento de numerário em todas elas: a) Conta Contábil n° 2.1.01.06.001 — Créditos de Diretores e Acionistas — Churchill Cavalcanti César; b) Conta Contábil n° 2.2.01.01.002 — Contrato de Mútuo — Churchill Cavalcanti César; c) Conta Contábil n° 2.2.01.02.001 — Créditos de Diretores e Acionistas — Churchill Cavalcanti César. Através dessas contas contábeis, o sócio Churchill Cavalcanti César entregou à empresa recursos que totalizaram R$ 1.817.362,36 ( Um milhão, oitocentos e dezessete mil, trezentos e sessenta e dois reais e trinta e seis centavos ) nos anos de 2001 a 2003. Foram o contribuinte sob fiscalização e o sócio Churchill Cavalcanti César intimados, por meio de Termo de Intimação, a comprovar a efetiva entrega e a origem dos recursos aportados, tendose juntado planilha discriminando os valores aportados mês a mês. Vide folhas 237 a 243. Em resposta, o contribuinte sob fiscalização e o seu sócio entregaram respostas idênticas em 28 de setembro de 2004, tendo juntado planilha e farta documentação, a fim de justificar os aportes efetuados. A resposta compreendeu o período de abril de 2001 a dezembro de 2002. Vide folhas 244 a 500. Analisadas as respostas entregues de forma pormenorizada, pôdese constatar que alguns aportes foram devidamente justificados, pois foram apresentados documentos cheques, comprovantes de depósito coincidentes em data e valor aos aportes. A maioria dos suprimentos, porém, não foi comprovada. Vários cheques de emissão do sócio foram apresentados para comprovação, entretanto com data de emissão e valor diferentes do suprimento. Também foram apresentados, como pretensa prova inconteste da origem dos aportes de capital na empresa, documentos que comprovariam o recebimento de valores, por parte do sócio, em montante suficiente para justificar o aporte. Mais uma vez não se logrou afastar a presunção legal de omissão de receitas em virtude da divergência de datas e valores Fl. 831DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 800 13 entre os suprimentos e os valores que teriam sido recebidos pelo sócio. Em 25 de fevereiro de 2005, o contribuinte entregou a resposta ao Termo de Intimação, datado de 01 de setembro de 2004, em relação ao ano de 2003, tendo mais uma vez juntado farta documentação, a fim de comprovar os suprimentos desse ano. Vide folhas 501 a 534. Pelos mesmos motivos explicitados no parágrafo anterior, não foi afastada a presunção de omissão de receitas, uma vez que não se demonstrou cabalmente que os recursos aportados na empresa tiveram origem no patrimônio do sócio supridor. Em sua resposta às intimações para comprovação da origem dos aportes de capital, o sócio Churchill Cavalcanti César forneceu a planilha constante das folhas 369 a 371, onde apresentou um fluxo financeiro de sua pessoa física de modo a demonstrar que teria capacidade financeira para efetuar os aportes contabilizados em seu nome. Ainda que se tenha como idôneas as informações ali contidas, aspecto que a fiscalização não perquiriu, por desnecessário, a demonstração da capacidade financeira do supridor não ilide a presunção de omissão de receitas na pessoa jurídica se não for cabalmente provado que os recursos aportados na empresa tiveram origem no patrimônio do sócio supridor. A fim de consolidar a análise efetuada, elaboramos planilha denominada “Demonstrativo de Suprimento de Numerário” onde discriminamos os valores supridos um a um, indicando se a origem foi, ou não, comprovada. Em caso de não comprovação da origem dos recursos, os motivos constam indicados na quinta coluna da planilha. Na sexta coluna são indicadas as folhas onde constam os documentos apresentados pelo contribuinte para a comprovação dos suprimentos. Folhas 68 a 70. Conforme se poderá observar na referida planilha, foram justificados R$ 709.000,00, restando suprimentos no total de R$ 1.108.362,36 ( um milhão, cento e oito mil, trezentos e sessenta e dois reais e trinta e seis centavos), em relação ao período total de abril de 2001 a novembro de 2003, para os quais o contribuinte não ilidiu justificadamente a presunção de omissão de receitas, estabelecida no Decreto 3000/99 artigo 282. (...) Vêse que após um exame minucioso de cada um dos suprimentos realizados no período em questão, que somaram R$ 1.817.362,36, a Fiscalização considerou como comprovados R$ 709.000,00, e a parte não comprovada (R$ 1.108.362,36) foi objeto de autuação. Toda esta análise está sintetizada na planilha de fls. 68 a 70, que indica, para cada uma das operações, a “conta contábil” em que ela foi escriturada, a “data” do suprimento, seu “valor”, o “motivo” pelo qual ele foi considerado não comprovado, e ainda as “folhas” onde constam os documentos apresentados pela Contribuinte para comprovar os suprimentos. Fl. 832DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 801 14 Ao apreciar os argumentos trazidos na impugnação, a Delegacia de Julgamento teceu as seguintes considerações: A jurisprudência administrativa se manifestando sobre o assunto é unânime em entender que os suprimentos de caixa que não estejam devidamente comprovados caracterizamse como indícios veementes de omissão de receita, visto que os aspectos da origem e entrega dos recursos constituemse em requisitos cumulativos e indissociáveis, exigindo dupla comprovação sem que a existência de um dispense a do outro. Necessário se faz que seja produzida prova irrefutável, coincidente em datas e valores, da transferência dos recursos da pessoa física para o patrimônio da pessoa jurídica, tendo em vista que quando a prova produzida não for suficiente à comprovação, configurada está a ocorrência da presunção de que os recursos dados como supostamente fornecidos à empresa se originaram em receitas auferidas pela própria pessoa jurídica provenientes da prática de omissão de receitas passíveis, portanto, de tributação. A comprovação da origem dos recursos significa a necessidade de ser demonstrado, através de elementos hábeis, que os recursos tidos como do sócio foram percebidos por ele de fontes estranhas à sociedade ou se da empresa foram submetidos anteriormente a regular contabilização. Já para que se configure a efetividade da entrega é necessário que os documentos apresentados se enquadrem como hábeis e idôneos, sejam coincidentes em datas e valores e tenham sido emitidos por terceiros, não bastando para fins probatórios, apenas, a regularidade formal da escrita da empresa ou simples alegações da defesa, se estas não estiverem respaldadas em outras provas documentais. O simples registro do suprimento na contabilidade da empresa ou a sua alegação de que efetivamente houve o recebimento, sem que seja produzido ou demonstrado tal fato através de qualquer outro elemento, não se constitui em meio de prova, isto é, não é suficiente para que se considere como documento hábil a elidir a presunção que a operação de suprimento traduz, precipuamente quando os fatos se referirem a entrega de numerários por sócio da pessoa jurídica. Acrescentese ainda, que não houve qualquer questionamento, por parte da fiscalização, relativamente à escrita contábil da empresa, como aliás constata a defesa, na qual estão registrados os suprimentos de caixa efetuados pelo seu sócio, tanto que se deseja a comprovação da origem e efetiva entrega do numerário que supriu por diversas vezes o caixa da autuada conforme contas constantes da contabilidade.Para autuar omissão de receitas não é imprescindível haver a desclassificação da escrita fiscal e contábil e conseqüente arbitramento do lucro, como sugere a defesa. Fl. 833DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 802 15 Da análise do dispositivo transcrito, concluise que, na hipótese de suprimentos de caixa, efetuados por sócios ou acionistas, a legislação do imposto de renda estabelece que cabe à pessoa jurídica provar, com documentos adequados, os registros de sua contabilidade, inclusive o efetivo ingresso do numerário no caixa da empresa, e a sua efetiva entrega, pelos supridores, presumindose, quando não for produzida essa prova, que os recursos tiveram origem em receita omitida da escrituração. A comprovação deve ser cumulativa e indissociável tanto da origem dos recursos na pessoa física dos supridores como o de sua efetiva entrega à empresa, coincidentes em datas e valores. A comprovação isolada da existência de numerário e não da origem ou da efetiva entrega não são suficientes para desfazer a presunção de omissão de receita. Também é irrelevante a capacidade econômica e financeira do supridor se não forem atendidas as exigências legais. Importa ressaltar que não se está tributando operações de empréstimos ou adiantamentos de sócios, até porque estes “empréstimos” ou “adiantamentos” não estão comprovados. O que se está tributando são ingressos que, por não terem sua origem comprovada, são considerados pela lei, e não pelo arbítrio ou imaginação da autoridade fiscal, receitas omitidas. No caso em análise se verifica da leitura do item 1 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 61 a 67 que a empresa solicitou, e teve seu pleito atendido, por várias vezes, prorrogação de prazo para apresentação de documentos solicitados no Termo de Início e nas intimações feitas durante o procedimento fiscal. Também se verifica que o sócio fez vários suprimentos de numerário a empresa no valor total de R$ 1.817.362,36 durante os anos de 2001 a 2003 através das contas contábeis 2.1.01.06.001 – Créditos de Diretores e Acionistas – Churchill Cavalcanti César; 2.2.01.01.002 – Contrato de Mútuo – Churchill Cavalcanti César e 2.2.01.02.001 Créditos de Diretores e Acionistas – Churcill Cavalcanti César e, por intimação, foram acionados empresa e sócio para comprovar a efetiva entrega e a origem dos recursos aportados, conforme planilha discriminando os valores aportados mês a mês, fls. 237 a 243. Inicialmente, em 28/09/2004, foram apresentadas planilhas e farta documentação referente ao período de abril de 2001 a dezembro de 2002 e após, em 25/02/2005, foram apresentados mais documentos a fim de comprovar os suprimentos ocorridos em 2003. A documentação entregue foi analisada de forma detalhada concluindo a fiscalização pela comprovação de parte dos aportes realizados no montante de R$ 709.000,00 restando não comprovado o valor de R$ 1.108.362,36, objeto do lançamento questionado. Fl. 834DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 803 16 Todo levantamento e estudo realizado nos documentos apresentados, pela empresa e sócio, se encontram consolidados na planilha “Demonstrativo de Suprimento de Numerário” às fls. 68 a 70, onde estão discriminados os valores supridos um a um indicando se houve ou não comprovação do aporte, o motivo e as folhas do processo onde se encontram os documentos apresentados e analisados. Repetindo, por ser o cerne da questão, razão da autuação, os motivos pelos quais a fiscalização não considerou devidamente comprovados os aportes efetuados pelo sócio majoritário da empresa estão listados no Demonstrativo de Suprimentos de Numerário à fl. 70 e foram os seguintes: 1 Foi apresentado, como justificativa, valor recebido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 2 Foi apresentado, como justificativa,cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 3 Foram apresentados, como justificativa, valor recebido e cheque emitido pelo sócio em data e valor diversos do suprimento; 4 Não foi apresentada qualquer justificativa; 5 Foi justificada apenas parte do valor, mais precisamente R$ 314.500,00, correspondente ao somatório dos seguintes valores: R$ 9.500,00, R$ 105.000,00 e R$ 200.000,00. A defesa se refere genericamente às conclusões da fiscalização sobre a não aceitação da comprovação dos aportes realizados pelo sócio da empresa e seus motivos quando poderia ter se reportado a cada aporte realizado e cada motivo relatado na planilha Demonstrativo de Suprimentos e apresentado documentos capazes de comprovar os requisitos legais exigidos para infirmar a presunção legal, se contrapondo aos motivos listados pela fiscalização e que levaram a conclusão pela não comprovação da origem dos aportes realizados. Na própria intimação para que a empresa fizesse prova do efetivo recebimento dos recursos, bem como da origem dos mesmos foram sugeridas formas de comprovação para cada um dos casos ocorridos: depósito em dinheiro, depósito em cheque, transferências entre contas bancárias e nos casos de pagamentos de despesas da empresa pelo sócio, fls. 237 e 238. Contrariamente, se limitou a tecer comentários sobre a presunção no direito tributário, sobre o equívoco que representa o lançamento apoiado em presunção se valendo ainda de pedido de perícia para suprir a ausência de provas de sua parte. O Decreto n° 70.235/1972 e alterações posteriores, determina em seu artigo 16, inciso III, que a impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que Fl. 835DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 804 17 possuir, aduzindo ainda em seu § 4° que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, “precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Deste modo, é ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui. Não pode dele se eximir mediante solicitação de perícia. Concluise que o lançamento é procedente, pois, apesar dos seus argumentos, a autuada não conseguiu atender a nenhum dos requisitos exigidos, trazendo aos autos provas documentais que demonstrassem, a efetividade da entrega, coincidente em datas e valores com as respectivas operações e com recursos do sócio, única forma de se livrar da imputação de irregularidade. (grifos acrescidos) O grande problema dos documentos e argumentos apresentados pela Contribuinte, ainda na fase de auditoria, é que não basta que o supridor tenha capacidade financeira de fazer os aportes, uma vez que é necessária a comprovação de têlos realmente feito, com base em documentos coincidentes em datas e valores. Além disso, apesar da detalhada análise feita pela Fiscalização sobre cada um dos suprimentos e correspondentes documentos apresentados para a sua comprovação, a Contribuinte optou, desde a fase de impugnação, por atacar genericamente as conclusões do trabalho de auditoria, tecendo comentários sobre a presunção no direito tributário, sobre o equívoco que representa o lançamento apoiado em presunção, requerendo perícia para suprir o ônus de prova que lhe incumbe, quando deveria ter apresentado documentos capazes de efetivamente comprovar cada uma das operações em questão, ou pelo menos confrontado individualmente as conclusões da Fiscalização, com base nos documentos já apresentados. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte adotou esta mesma estratégia, reiterando exatamente os mesmos argumentos contidos em sua impugnação, e, por isso, não conseguiu infirmar a presunção legal de omissão de receitas e nem refutar os fundamentos transcritos acima, pelo que os adoto nesta decisão, para também manter o lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 836DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 11618.001036/200591 Acórdão n.º 180200.986 S1TE02 Fl. 805 18 Fl. 837DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726163/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte.
IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE.
A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo.
IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO.
Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
Numero da decisão: 2401-005.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetem-se à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 357 1 356 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726163/200932 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.036 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria IRPF Recorrente JULIO CEZAR LEMOS TRAVESSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando a decisão recorrida enfrentou adequadamente o mérito, sem que se vislumbre qualquer afronta ao direito de defesa do contribuinte. IRPF. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. UNIÃO. LEGITIMIDADE. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. IRPF. FONTE PAGADORA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF N° 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. SÚMULA CARF N° 73. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. IRPF. JUROS MORATÓRIOS. VERBAS TRABALHISTAS RECEBIDAS EM ATRASO. Os juros moratórios decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente submetemse à incidência do imposto sobre a renda da pessoa física, salvo se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 63 /2 00 9- 32 Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 358 2 vinculados a hipóteses de despedida ou rescisão do contrato de trabalho ou nos casos em que a verba principal da qual decorram seja isenta ou esteja fora do campo de incidência desse tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar as preliminares. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial, para excluir a multa de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 73. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir o imposto apurado sobre os juros. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 359 3 Relatório JULIO CEZAR LEMOS TRAVESSA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 3a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1527.066/2011, às efls. 139/145, que julgou procedente o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da classificação indevida de rendimentos na DIRPF, em relação aos exercícios 2005, 2006 e 2007, conforme peça inaugural do feito, às efls. 02/11, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 19/10/2009 (AR. efl. 43), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrentes do seguinte fato gerador: a) CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS DA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. O Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 148/238, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade do lançamento em virtude do ilegal procedimento do fisco federal, que procedeu à autuação em pessoa estranha a relação jurídica tributária, deixando de considerar o efetivo sujeito passivo, no caso, o responsável, substituto tributário. Afirma que os valores recebidos a título de diferenças de URV não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; Aduz ter o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconhecido a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda, tratamento extensivo aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; Alega que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 360 4 indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; Explicita ser os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; Esclarece nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; Explica que parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; Ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; e Assevera que mesmo se tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Em 10 de julho de 2010, a 2° Turma Ordinária da 1° Câmara, entendeu por bem julgar procedente o recurso, exonerando o crédito tributário, por entender não tratar de verba de natureza salarial, estando afastada a incidência do imposto de renda, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 210202.156/2012, de efls. 248/256, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 361 5 A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido Regularmente intimada e inconformada com a Decisão acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, às efls. 258/265, pleiteando a manutenção do lançamento, e conseguinte reforma da Decisão. Por sua vez, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu por bem julgar procedente o recurso especial da fazenda para considerar as verbas recebidas a título de "Valores Indenizatórios da URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de imposto de renda, com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 9202004.222/2016, de efls. 338/350. Após regular processamento, os autos fora distribuídos a este Conselheiro, para relato e inclusão em pauta, o que fazemos nesta assentada. É o Relatório. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 362 6 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator. Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço dos recursos e passo ao exame das alegações recursais. DELIMITAÇÃO DA LIDE Tratase de retorno dos autos da Câmara Superior para análise das demais questões constantes do Recurso Voluntário não apreciadas na primeira oportunidade, tais como: nulidade da decisão de primeira instância, ilegitimidade ativa da União, legitimidade da fonte pagadora, quebra do principio da capacidade contributiva, ilegitimidade passiva e demais questões de mérito. Também é imprescindível mencionar que não iremos adentrar ao mérito quanto a natureza da verba, e conseqüente, incidência do Imposto de Renda, pois esta matéria já fora tratada em oportunidade pretérita, bem como no Acórdão do Recurso Especial. Da mesma forma, merece esclarecer que o imposto foi calculado de acordo com Parecer PGFN/CRJ/N 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009 (regime de competência). PRELIMINARES NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA O Recorrente reclama a nulidade do acórdão da DRJ, dado que não teria enfrentado questões suscitadas na impugnação. No entanto, não lhe assiste razão neste quesito. No tocante à legitimidade da União, assim se pronunciou a decisão recorrida: É certo que, por determinação constitucional, se o Estado da Bahia tivesse efetuado a retenção do IRRF, o valor arrecadado lhe pertenceria. Entretanto, tal retenção não alteraria a obrigação do contribuinte de oferecer a integralidade do rendimento bruto à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual. A exigência em foco se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF) e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Portanto, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Em que pese a irresignação do contribuinte, entendemos que a questão foi enfrentada. Ora, ao constatar que "tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento, é da competência da União", dizse, em outra palavras, que a União tem legitimidade ativa para exigir o tributo em causa. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 363 7 Também em sede preliminar, é apontado o não enfrentamento da alegação da quebra de capacidade contributiva, argumento que rejeito por partilhar do entendimento, preponderante neste colegiado, de que não está o órgão julgador obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Observase que a decisão recorrida enfrentou adequadamente a questão de mérito, decidindo pela incidência do imposto de renda sobre as diferenças de remuneração quando da conversão de cruzeiro real para unidade real de valor – URV. Ademais, a preliminar não constitui o cerne das razões da irresignação e será oportunamente abordada neste julgamento, sem se vislumbrar qualquer prejuízo à ampla defesa em razão de sua não apreciação na instância a quo. Digase ainda que, no âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, inexiste vício na decisão guerreada que pudesse ocasionar violação ao direito de defesa do Autuado, devendo ser rejeitada a preliminar de nulidade. ILEGITIMIDADE DA UNIÃO A competência tributária é o poder constitucionalmente atribuído aos entes federados para editar leis que instituam tributos. Compreende dois poderes: o poder de instituição de tributo e o poder de cobrança do mesmo. Para o imposto de renda, a competência tributária é estabelecida pela Constituição Federal/1988 no seu art. 153: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; [...] (grifamos) Assim, é da União a competência tributária plena para instituir, arrecadar, fiscalizar e executar o imposto de renda. Por sua vez, o art. 157, inciso I, da Constituição Federal de 1988, promove a repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados, determinando, no caso, que aos estados membros pertence o produto da arrecadação do imposto da União sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Nesta seara, destacase o parágrafo único, do art. 6° do Código Tributário Nacional (CTN), in verbis: Art. 6º A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 364 8 limitações contidas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta Lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público pertencerá à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos. Assim, a repartição da receita em nada afeta a competência tributária do ente eleito pela Constituição como titular do poder de tributar relativo a determinado tributo. No caso do Imposto de Renda, a competência para instituir, arrecadar e fiscalizar o imposto sobre a renda é da União, a teor do que estabelece o art. 153, inciso III, da Constituição Federal. Por esta razão, rejeitase a alegação de ilegitimidade ativa da União reclamada pela contribuinte ILEGITIMIDADE PASSIVA RESPONSABILIDADE FONTE PAGADORA Importa observar que, nos autos deste procedimento administrativo fiscal, não se está discutindo a falta de retenção do imposto de renda pela fonte mas, sim, o fato de a recorrente ter omitido da tributação, na declaração de ajuste anual, rendimentos auferidos nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Neste caso, cabe ao contribuinte, como titular da disponibilidade econômica desses rendimentos, a responsabilidade pela correspondente tributação. Esse é o entendimento pacífico deste Colegiado, conforme enunciado da súmula CARF n° 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Ademais, a boafé do contribuinte não afasta a incidência do tributo, por falta de norma que assim o autorize. Rejeito, portanto, o pedido de responsabilização da fonte pagadora. MÉRITO Conforme se depreende do exame dos elementos que instruem o processo, o contribuinte fora autuado, com arrimo nos artigos 1o a 3°, e §§, da Lei n° 7.713/1988, dentre outros, os quais contemplam a presunção de omissão de rendimentos caracterizada, in casu, pela classificação indevida de rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia como isentos e não tributáveis na DIRPF, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em relação aos exercícios 2005, 2006 e 2007. Com mais especificidade, relata a autoridade lançadora no Auto de Infração, às efls 03/12, que o Sujeito passivo classificou indevidamente como Isentos e Não Tributáveis na Declaração de Ajuste os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a título de "Valores Indenizatórios de URV", a partir de Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 365 9 informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Ordinária do Estado da Bahia n° 8.730, de 08 de setembro de 2003. Ainda irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, ora objeto de análise, suscitando que são considerados isentos os valores recebidos a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN, bem como a não incidência sobre os juros e a exclusão da multa de ofício. Como já dito anteriormente, encontrase em discussão apenas a manutenção ou exclusão da multa de ofício, bem como a incidência do imposto sobre os juros, o que faremos a seguir: MULTA DE OFÍCIO Refere à incidência da multa de ofício, impõese reconhecer que a autuado incorreu em erro escusável ao classificar os rendimentos em questão como isentos e não tributáveis, dado o teor das informações que lhe foram disponibilizadas pela fonte pagadora. Desse modo, afasto a penalidade aplicada, conforme jurisprudência pacífica deste Conselho, também já enunciada em súmula, de observância obrigatória, conforme art. 72 do Regimento Interno do CARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. INCIDÊNCIA DO IR SOBRE OS JUROS RECEBIDOS O Recorrente ainda, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 366 10 "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Ainda em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios é importante destacar que o STJ, no RESP 1.227.133, fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil, já se manifestou no seguinte sentido: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL NA EMENTA DO ACÓRDÃO EMBARGADO Havendo erro material na ementa do acórdão embargado, deve se acolher os declaratórios nessa parte, para que aquela melhor reflita o entendimento prevalente, bem como o objeto específico do recurso especial, passando a ter a seguinte redação : "RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido." Embargos de declaração acolhidos parcialmente Nesse contexto, tendo em vista a determinação contida no artigo 62, § 2º do RICARF, essa decisão deve ser aqui reproduzida, tendo em vista que, a meu ver, como a verba principal não é tributada pelo IRPF os juros sobre ela incidente também não o são. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 367 11 DO 13° SALÁRIO E FÉRIAS INDENIZADAS Já na apuração, a auditoria deixou de tributar os valores provenientes do 13o salário e do abono de férias, como restou registrado na descrição dos fatos (efl. 6): Não foram considerados para apuração do imposto devido as diferenças salariais devidas que tinham como origem o 13° salário, por serem de tributação e responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, e as diferenças salariais com origem no abono de férias (conversão de férias). Quanto a supostas férias indenizadas, o sujeito passivo não comprovou o pagamento de diferenças de URV sobre tais valores, pelo que resulta sem acolhida a argüição. Já em relação às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, no mérito, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância e pelo Colegiado deste Tribunal na primeira oportunidade. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância parcial com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para afastar as preliminares, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir a multa de ofício e a incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 368 12 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a devida vênia, divirjo do ilustre Conselheiro Relator somente no tocante a incidência de imposto de renda sobre os juros moratórios. Sobre a tributação dos juros de mora incidentes sobre verbas trabalhistas, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, trata da matéria nos artigos 43, §3°, art. 55, XIV, art. 56 e art. 640, conforme transcrição abaixo: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) §3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).(grifei) Art.55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): (...) XIVos juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;(grifei) Art.56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Art.640. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12, e Lei nº 8.134, de 1990, art. 3º). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 369 13 Entretanto, é forçoso observar que a questão foi levada ao judiciário. Em 28/09/2011, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou o Recurso Especial (REsp) nº 1.227.133/RS, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), o qual restou assim ementado: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido”. Devido à identificação de erro material na ementa do acórdão, os embargos declaratórios apresentados pela Fazenda Nacional foram parcialmente acolhidos, retificandose a ementa para: “RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CP, improvido." A teor do disposto no artigo 62, §1º do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, tratase de decisão de aplicação obrigatória por este Colegiado. Posteriormente, em 10 de outubro de 2012, a 1ª Seção do STJ julgou o REsp nº 1.089.720/RS, oportunidade em que sedimentou e esclareceu a correta forma de aplicação da matéria decidida no REsp nº 1.227.133/RS. A decisão caminhou no sentido da incidência do IRPF sobre os juros moratórios como regra geral, apesar de sua natureza indenizatória e mesmo quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, pontuandose apenas duas exceções: 1) os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR; e 2) os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A ementa do citado Recurso Especial trouxe a seguinte redação: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N.1.227.133 – RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 370 14 VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR”. 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel.p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Portanto, como regra, incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506, de 1964, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas. Entretanto, segundo a jurisprudência do STJ, ocorre a isenção do art. 6º, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988, quando houver a perda de emprego e a fixação das Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.726163/200932 Acórdão n.º 2401005.036 S2C4T1 Fl. 371 15 verbas respectivas, em juízo ou fora dele. Ocorrendo isso, a isenção abarca tanto os juros sobre as verbas indenizatórias e remuneratórias quando os juros incidentes sobre as verbas não isentas. No caso, como já apontado, tratase de verbas decorrentes de rendimentos recebidos acumuladamente e que estão sujeitos à incidência de IR. Assim, os juros vinculamse à regra de tributação incidente sobre o rendimento do qual são consectários, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64. Portanto, correta a exigência de IR sobre os juros moratórios vinculados aos rendimentos acumulados recebidos pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000348/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULANTE E OBRIGATÓRIA.
A atividade do lançamento de ofício é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN).
No caso da contribuição previdenciária a cargo do segurado, a avaliação da existência de pagamento antecipado é realizada por competência do fato gerador. Na ausência da antecipação de pagamento com relação a determinado mês de prestação de serviços, aplica-se a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN.
AUXÍLIO TRANSPORTE. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 89. NÃO INCIDÊNCIA.
Dada a natureza indenizatória do vale-transporte, os valores pagos a esse título aos segurados empregados, mesmo que em pecúnia, não integram a base de cálculo da contribuição social previdenciária.
(Súmula Carf nº 89)
ÔNUS PROBATÓRIO. DISTRIBUIÇÃO.
Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. FALTA DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. ALÍQUOTA MÍNIMA.
A falta de apresentação de documentos e/ou informações pela empresa que possibilitem a individualização da remuneração do segurado empregado para fins de recálculo da contribuição social previdenciária a cargo do trabalhador autoriza a adoção da alíquota mínima, sem limite, incidente sobre a parcela de natureza remuneratória não oferecida à tributação.
Numero da decisão: 2401-005.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes às rubricas "Auxílio Transporte" e "Vale-Transporte" (Levantamentos "T1" e "V1").
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ATIVIDADE VINCULANTE E OBRIGATÓRIA. A atividade do lançamento de ofício é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). No caso da contribuição previdenciária a cargo do segurado, a avaliação da existência de pagamento antecipado é realizada por competência do fato gerador. Na ausência da antecipação de pagamento com relação a determinado mês de prestação de serviços, aplica-se a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. AUXÍLIO TRANSPORTE. VALE-TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 89. NÃO INCIDÊNCIA. Dada a natureza indenizatória do vale-transporte, os valores pagos a esse título aos segurados empregados, mesmo que em pecúnia, não integram a base de cálculo da contribuição social previdenciária. (Súmula Carf nº 89) ÔNUS PROBATÓRIO. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. FALTA DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. ALÍQUOTA MÍNIMA. A falta de apresentação de documentos e/ou informações pela empresa que possibilitem a individualização da remuneração do segurado empregado para fins de recálculo da contribuição social previdenciária a cargo do trabalhador autoriza a adoção da alíquota mínima, sem limite, incidente sobre a parcela de natureza remuneratória não oferecida à tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes às rubricas "Auxílio Transporte" e "Vale-Transporte" (Levantamentos "T1" e "V1"). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
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ATIVIDADE VINCULANTE E OBRIGATÓRIA. A atividade do lançamento de ofício é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ARTIGO 173 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). No caso da contribuição previdenciária a cargo do segurado, a avaliação da existência de pagamento antecipado é realizada por competência do fato gerador. Na ausência da antecipação de pagamento com relação a determinado mês de prestação de serviços, aplicase a regra geral de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. AUXÍLIO TRANSPORTE. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 89. NÃO INCIDÊNCIA. Dada a natureza indenizatória do valetransporte, os valores pagos a esse título aos segurados empregados, mesmo que em pecúnia, não integram a base de cálculo da contribuição social previdenciária. (Súmula Carf nº 89) ÔNUS PROBATÓRIO. DISTRIBUIÇÃO. Ao afirmar o Fisco os fatos jurídicos e apresentar os elementos comprobatórios, cabe ao sujeito passivo demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela acusação fiscal, mediante argumentos sérios e convergentes, apoiados igualmente em linguagem de provas, sob pena de manutenção do lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 48 /2 00 7- 63 Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.649 2 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. FALTA DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. ALÍQUOTA MÍNIMA. A falta de apresentação de documentos e/ou informações pela empresa que possibilitem a individualização da remuneração do segurado empregado para fins de recálculo da contribuição social previdenciária a cargo do trabalhador autoriza a adoção da alíquota mínima, sem limite, incidente sobre a parcela de natureza remuneratória não oferecida à tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento os valores referentes às rubricas "Auxílio Transporte" e "ValeTransporte" (Levantamentos "T1" e "V1"). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.650 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), cujo dispositivo tratou de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0524.8511 (fls. 1.160/1.169): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. FISCALIZAÇÃO. ATO VINCULANTE. FISCALIZAÇÃO ANTERIOR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. FATOS GERADORES. Diante do reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91 expresso na Súmula n° 8 do STF, aplicase o prazo decadencial qüinqüenal do Código Tributário Nacional. A natureza vinculante da atividade administrativa do lançamento é determinada legalmente, conforme o art. 142, parágrafo único do CTN e o art. 37 da Lei n° 8.212/91, em que pese também haver na fiscalização o escopo de orientação ao contribuinte. Fiscalização anterior não impede que o contribuinte seja sujeito a nova ação fiscal para verificação de novos fatos geradores, não se caracterizando o bis in idem se não houver lançamentos sobre o mesmo fato gerador. Não há cerceamento de defesa quando fazem parte da Notificação Fiscal do Lançamento de Débito todos os elementos elucidativos descrevendo o fato gerador e o seu embasamento legal. As rubricas de ajuda de custo, auxilio/vale transporte e prêmios compõem o salário de contribuição conforme legislação descrita no anexo FLD Fundamentos Legais do Débito, quando não demonstrados os fundamentos de nãoincidência. Lançamento Procedente em Parte 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 1.600/1.607, que o processo administrativo é composto da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.036.7472, compreendendo o período de 04/2000 a 12/2005, relativa às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, não descontadas pela empresa (fls. 1.325/1.579). 2.1 O agente lançador agrupou os fatos geradores que resultaram na apuração do crédito tributário nos termos a seguir indicados: Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.651 4 (i) Levantamento A1 "Ajuda de Custo": remuneração paga aos segurados empregados na rubrica "Ajuda de custo", conforme folhas de pagamentos. Os valores estão discriminados na Planilha 1 (fls. 1.608/1.613); (ii) Levantamento T1 "Auxílio Transporte": remuneração paga aos segurados empregados na rubrica "Auxílio Transporte", conforme folhas de pagamentos. Segundo a fiscalização, tratase de situação semelhante ao pagamento de "valetransporte" em dinheiro, que incide contribuição previdenciária. As bases de cálculo estão discriminadas na Planilha 2 (fls. 1.614); (iii) Levantamento V1 "Vale Transporte em Moeda": remuneração paga aos segurados empregados na rubrica "Valetransporte", conforme folhas de pagamentos. As bases de cálculo dessa rubrica estão discriminadas na Planilha 3 (fls. 1.615/1.619); (iv) Levantamento P1 "Prêmio": remuneração paga aos segurados empregados na rubrica "Prêmio", conforme folhas de pagamentos. Os valores estão discriminados na Planilha 4 (fls. 1.620); e (v) Levantamento S1 "Serviços de Pessoas Físicas": remuneração paga aos segurados contribuintes individuais pela prestação de serviços. Os valores foram contabilizados pela empresa nos Livros Diários em contas com o título de serviços prestados por pessoa física. As bases de cálculo e os nomes dos trabalhadores estão discriminados na Planilha 5 (fls. 1.621). 2.2 Embora intimada, a empresa deixou de prestar esclarecimentos e informações a respeito da individualização dos segurados empregados que foram contemplados pelo pagamento das rubricas, o que implicou a necessidade de assumir a alíquota mínima de 8% para o cálculo da contribuição do trabalhador, incidente sobre os montantes apurados em cada competência, sem limite. 3. À época dos fatos geradores, o contribuinte era optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Federal). 4. Cientificado por via postal, em 02/08/2007, conforme fls. 112, o sujeito passivo impugnou a exigência fiscal (fls. 132/182). 4.1 Previamente ao exame de mérito, a instância "a quo" determinou a conversão do julgamento em diligência para a elaboração de relatório fiscal complementar contendo os fundamentos legais que respaldaram a aferição indireta da contribuição dos segurados empregados, na alíquota mínima de 8% (fls. 483/485). A diligência foi cumprida, oportunizandose o contraditório ao impugnante (fls. 491/498, 501 e 505/506). Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.652 5 5. A fim de robustecer seus argumentos de defesa, o contribuinte apresentou Laudo Pericial Contábil, que foi anexado ao processo (fls. 513/541). 6. Intimada em 17/03/2009 por via postal da decisão de primeira instância, conforme fls. 1.274/1.286, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 16/04/2009 (fls. 1.288/1.308). 6.1 Em síntese, expõe os seguintes argumentos de fato e de direito em face da decisão de piso que manteve parte do crédito tributário: (i) exerce a atividade preponderante de intermediação e promoção de vendas de eletroeletrônicos, que demanda o pagamento de ajuda de custo, auxílio e valetransporte e prêmios aos segurados empregados, com a finalidade de reparar os gastos dos trabalhadores efetuados na realização dos serviços, tais como utilização de carro próprio, prospecção de clientes, entre outros. (ii) na condição de microempresa, optante pelo Simples, a empresa recorrente deve receber um tratamento diferenciado, possuindo a atividade fiscalizatória uma natureza prioritariamente orientadora, consoante o estabelecido no art. 55 da Lei Complementar (LC) nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Em observância a esse preceito de lei, o lançamento fiscal deve ser declarado nulo, porque o agente fiscal não realizou um trabalho de orientação prévia, além de não conceder prazo razoável para providenciar a correção de eventuais falhas no cumprimento das obrigações tributárias; (iii) a despeito de ter havido o reconhecimento da decadência pela decisão de piso, também devem ser excluídas as demais competências mantidas pelo acórdão recorrido, pois integrantes do prazo decadencial quinquenal a que alude a Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada de Código Tributário Nacional (CTN); (iv) com relação ao período fiscalizado, a empresa sofreu autuações anteriores, conforme NFLD nº 35.459.8309 e AI nº 35.459.9550, as quais diz respeito às competências de 04/2000 a 03/2004, cabendo a exclusão do período cobrado em duplicidade; (v) mesmo com acesso pleno aos documentos da empresa, assim como a possibilidade de esclarecimentos sempre que solicitados, a autoridade lançadora utilizou a alíquota de 8% para as contribuições previdenciárias, sem observar a escala de valores para o saláriodecontribuição dos segurados empregados; e Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.653 6 (vi) o crédito tributário deve ser apurado com observância das regras do lançamento de ofício, porém sem prejuízo do laudo pericial contábil encartado nos autos. 7. No âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), após avaliação inicial das questões controvertidas, decidiuse pela conversão do julgamento em diligência, por intermédio da Resolução nº 2401000.309, de 13 de agosto de 2013, com a finalidade de colacionar aos autos informações adicionais a respeito das ações fiscais desenvolvidas no contribuinte para os fatos geradores compreendidos no período de 04/2000 a 12/2005, bem como especificar o nível de abrangência de tais auditorias tributárias quanto ao exame da escrituração contábil (fls. 1.623/1.626). 8. Em resposta à diligência, a unidade local da RFB detalhou as ações fiscais realizadas, esclarecendo a existência de um único procedimento com verificação da escrituração contábil, qualificada como auditoria total, para as competências 04/2000 a 12/2005, na qual resultou a constituição de crédito tributário, dentre eles o que consta do presente processo (fls. 1.628/1.641 e 1.642/1.643). É o relatório. Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.654 7 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Preliminar 10. Declara a recorrente que, no início dos trabalhos de fiscalização, forneceu ao agente fiscal todos os dados e documentos necessários à verificação do cumprimento das obrigações tributárias. Sem qualquer contato adicional ou pedido de esclarecimentos, a autoridade fiscal enviou pelos Correios a autuação fiscal. 11. No entanto, pondera a recorrente que, no caso das microempresas, a função do agente fiscal é revestida do caráter de orientação, consistindo a aplicação de multas e penalidades uma medida posterior, se não corrigidas as eventuais falhas identificadas em tempo razoável. 12. Pois bem. É nítido o equívoco da recorrente ao buscar amparo no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, porquanto tais preceitos são expressamente inaplicáveis às questões tributárias. Eis a sua redação, na época do procedimento fiscal: Art. 55. A fiscalização, no que se refere aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental e de segurança, das microempresas e empresas de pequeno porte deverá ter natureza prioritariamente orientadora, quando a atividade ou situação, por sua natureza, comportar grau de risco compatível com esse procedimento. § 1º Será observado o critério de dupla visita para lavratura de autos de infração, salvo quando for constatada infração por falta de registro de empregado ou anotação da Carteira de Trabalho e Previdência Social – CTPS, ou, ainda, na ocorrência de reincidência, fraude, resistência ou embaraço à fiscalização. (...) § 4º O disposto neste artigo não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, que se dará na forma dos arts. 39 e 40 desta Lei Complementar. (...) (DESTAQUEI) Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.655 8 13. Não é demais lembrar o caráter vinculante e obrigatório da atividade do lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (DESTAQUEI) 14. Não tenho dúvida que o procedimento fiscal pode revestirse também em escopo de orientação ao contribuinte, porém apenas em um plano secundário de atuação da autoridade administrativa, não lhe sendo lícito postergar ou deixar de efetivar a constituição do crédito tributário e de aplicar, quando cabíveis, as penalidades. 15. O procedimento fiscal, que ocorre anteriormente à lavratura do auto de infração ou da notificação de débito, é uma fase investigativa e inquisitória, onde colhemse elementos, analisamse documentos e informações e reúnemse provas para motivar um eventual ato de lançamento ou aplicação de penalidade. É uma etapa prélitigiosa, preparatória para a constituição do crédito tributário, em que não há litigante nem acusado, tão somente investigado. 16. Na fase procedimental, a autoridade tributária não está obrigada a informar o sujeito passivo acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecerlhe, como regra, oportunidade de esclarecimentos a vista dos elementos de prova coletados. Com o aperfeiçoamento do ato administrativo, mediante a ciência da exigência fiscal, o sujeito passivo tem direito, propriamente, ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos no processo administrativo tributário. 17. Constato que a autoridade fiscal motivou de forma adequada o ato administrativo do lançamento de ofício, por meio da descrição dos fatos, do enquadramento legal e da demonstração da subsunção à regra matriz de incidência, atendendo, dessa forma, a prescrição do art. 37 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação vigente à época dos fatos. 18. O arcabouço acusatório conferiu ao sujeito passivo a possibilidade de produzir as provas hábeis para o fim de demonstrar os fatos e o direito que invoca como fundamentos à sua petição. 19. Tendo em vista que o agente lançador respeitou a legislação tributária, estando ausentes vícios que impeçam o exercício do direito de defesa assegurado ao autuado, descabe cogitar a nulidade do lançamento fiscal. Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.656 9 Decadência 20. A ciência da exigência fiscal deuse em 02/08/2007. Ao debruçarse sobre a questão da decadência do crédito tributário, o acordão recorrido aplicou a contagem de prazo decadencial segundo a regra do §4º do art. 150 do CTN, isto é, 5 (cinco) anos a contar do fato gerador: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 21. Todavia, no que tange às competências 12/2001, 01/2002, 03/2002, 04/2002 e 05/2002, o julgador administrativo não localizou recolhimentos. Assim, reconheceu a decadência, com exclusão do lançamento, apenas para o período de 04/2000 a 11/2001, 02/2002, 06/2002 e 07/2002. 22. A decisão de piso não merece reparos. Para fins de contagem do prazo decadencial nos lançamentos dos tributos submetidos ao "regime de homologação" devese aplicar o que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN, salvo na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, em que incidirá a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. 22.1 Nesse sentido, o decidido no Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, na sessão de 12/08/2009. Reproduzo parcialmente a sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.657 10 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) (DESTAQUEI) 22.2 Na ausência de pagamento ou antecipação impõese a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, na esteira do REsp nº 973.733/SC, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) 23. Não consta dos autos a comprovação de que tenha efetivamente havido a antecipação pelo sujeito passivo de pagamento das contribuições previdenciárias vinculadas às competências 12/2001, 01/2002, 03/2002, 04/2002 e 05/2002. 24. Logo, para tais competências, segundo a regra do art. 173 do CTN, não se operou a decadência. Mérito a) Duplicidade de Cobrança 25. Não há que se falar em duplicidade de cobrança para os mesmos fatos geradores. Em verdade, a diligência determinada pelo colegiado de segunda instância configurou uma medida prescindível ao feito, haja vista a suficiência da própria documentação acostada aos autos pela empresa fiscalizada, ainda na fase de impugnação, para o convencimento do julgador quanto à matéria controvertida. 26. Com efeito, o Auto de Infração (AI) nº 35.459.9550 diz respeito à multa pelo descumprimento de obrigação acessória, ante a falta de apresentação de documentos à fiscalização, tais como livros/fichas de registro de empregados e fichas de saláriofamília (fls. 340/370). 27. Quanto à NFLD nº 35.459.8309, segundo o seu Relatório Fiscal, referese às contribuições devidas à seguridade social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados e não repassadas aos cofres públicos, as quais foram identificadas a partir do exame das folhas de pagamento, conformando tal situação, em tese, ao crime de apropriação indébita previdenciária (fls. 380/400). 28. Em um e outro caso, portanto, está ausente a sobreposição de fatos geradores/exigência fiscal com o presente lançamento de ofício, na medida em que o crédito tributário, neste processo administrativo, está associado tão somente às contribuições previdenciárias a cargo do segurados empregados e contribuintes não descontadas pela empresa. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.658 11 b) Desconto de 8% 29. No tocante à aplicação da alíquota de 8% para a contribuição previdenciária do segurado empregado, o critério adotado pela fiscalização é resultado da conduta irregular da empresa fiscalizada. 30. Esclareceu o agente lançador que, devidamente intimada, a empresa deixou de prestar (fls. 1.603): (...) esclarecimentos e informações que forneceria dados sobre os favorecidos e os respectivos valores recebidos, de uma forma que permitisse o recálculo das contribuições dos segurados; incorrendo em infração que foi objeto de autuação por meio de AI — Auto de Infração, referido na Seção IV — Documentos de débito emitidos na ação fiscal. Em conseqüência, ficou prejudicado o cálculo exato da correspondente contribuição do segurado. Assumiuse a alíquota minima de contribuição do segurado (8%) sobre os montantes apurados em cada competência, sem limite de contribuição (...). 31. O procedimento fiscal está respaldado no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. Transcrevo a redação vigente à época da fiscalização: Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) 32. Segundo a legislação, caberia à empresa o ônus da prova em contrário. Contudo, mesmo dispondo de toda a documentação para individualização da remuneração paga aos segurados empregados, possibilitando o recálculo da contribuição previdenciária, nada apresentou na fase do contencioso administrativo. 33. Logo, sem razão a recorrente. c) Auxílio Transporte e ValeTransporte 34. Com relação aos fatos geradores associados às rubricas de "auxílio transporte" (Levantamento "T1") e "valetransporte" (Levantamento "V1") pagos em dinheiro aos trabalhadores, que, segundo a fiscalização, possuem a mesma natureza jurídica, incide o enunciado da Súmula nº 89 do Carf, assim vazado: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. 35. Destarte, cabe decotar do lançamento fiscal os valores relativos aos Levantamentos "T1" e "V1". Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 13864.000348/200763 Acórdão n.º 2401005.013 S2C4T1 Fl. 1.659 12 d) Ajuda de Custo, Prêmios e Contribuintes Individuais 36. Quanto aos demais fatos geradores e bases de cálculo relacionados pela fiscalização na notificação de débito, esmiuçados nas Planilhas 1, 4 e 5, às fls. 1.608/1.613 e 1.620/1.621, a recorrente optou pelo mero discurso teórico, em que as alegações estão desprovidas de quaisquer indícios sérios e convergentes de sua procedência. Como há muito sabido, "alegar e não provar é o mesmo que não alegar". 37. A empresa deixou de comprovar a natureza indenizatória ou ressarcitória das parcelas pagas aos segurados empregados, tampouco apontou configurar alguma das hipóteses de não incidência da contribuição previdenciária especificadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. 38. Compete ao autuado demonstrar a inocorrência dos fatos alegados pela fiscalização, pela existência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito invocado pela acusação fiscal, eis que a prova incumbe a quem tem interesse em prevalecer os fatos que sustenta como fundamento à sua pretensão. Por óbvio, é insuficiente dizer que a documentação comprobatória está à disposição para as diligências necessárias. 39. O Laudo Pericial Contábil, às fls. 513/541, acompanhado de planilhas de dados, cópias de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e documentos relacionados à política de pagamento da empresa, às fls. 549/1.156, não têm o condão de tornar improcedente o crédito tributário constituído pela autoridade lançadora. 40. Ao contrário, os esclarecimentos sobre a política de remuneração mensal variável da empresa, assentada no pagamento de comissões sobre o resultado de vendas, inclusive um percentual reservado à denominada ajuda de custo, além de prêmios associados a fatores de ordem pessoal do trabalhador, são indicativos idôneos e convergentes de que as verbas mencionadas pela fiscalização são destinadas à retribuição do trabalho prestado, alcançadas, portanto, pela incidência da contribuição previdenciária (fls. 1.146/1.154). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, REJEITO as preliminares e, no mérito, DOU PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento os valores referentes às rubricas "Auxílio Transporte" e "ValeTransporte" (Levantamentos "T1" e "V1"). (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.005044/2002-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício apresentado em face do acórdão nº 4.491, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) (fls. 1977 e seguintes eprocesso) , que assim relatou o feito: Trata o presente processo dos Autos de Infração de fls. 04 a 112 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências, contra a contribuinte VIA SUL Comércio e Representações Ltda. e as responsáveis solidárias JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. e Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda., devidamente qualificadas h fl. 04: a) Imposto de Importação (II) no valor de R$ 3.439.524,92 (três milhões quatrocentos e trinta e nove mil quinhentos e vinte e quatro reais e noventa e dois centavos); RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 66 .0 05 04 4/ 20 02 -1 6 Fl. 3470DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.471 2 b) multa agravada do II, no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) do imposto devido, nos termos do art. 44, H, da Lei n2 9.430 de 27/12/1996 DOU 30/12/1996 (fl. 73), no valor de R$ 5.159.287,38 (cinco milhões cento e cinqüenta e nove mil duzentos e oitenta e sete reais e trinta e oito centavos); c) multa por infração administrativa ao controle das importações subfaturar o preço ou valor da mercadoria, nos termos do art. 169, II do Decretolei n 2 37 de 18/11/1966 DOU 21/11/1966 (fl. 95), no valor de R$ 13.679.636,82 (treze milhões seiscentos e setenta e nove mil seiscentos e trinta e seis reais e oitenta e dois centavos), no percentual de 100% da diferença; d) juros de mora. Conforme consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 05 a 31 em ato de revisão das Declarações de Importação (DI) listadas à fl. 05, referentes importações de confecções e tecidos, constatouse que os preços declarados eram baixíssimos e nelas (importações) sempre constava como empresas exportadoras MADILER S/A e NIVERWAY do Uruguai sendo que JA&A, empresa de despacho aduaneiro, atuava como verdadeira importadora. Consta, ainda, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal resumidamente, o seguinte: 1 houve diversos artificios utilizados nas importações, tais como, ausência de registro das importações na aduana uruguaia, falsidade quanto à origem das mercadorias, subvaloração dos itens importados, fechamento de câmbio sem contrato através da corretora SLW, ocultação do verdadeiro importador, etc. Em suma, JA&A mediante o emprego de interposta pessoa (VIA SUL), a quem determinava para quem seriam emitidas as notas fiscais de saída (fls. 153/154), procurou encobrir a negociação e comercialização interna dos produtos importados. Além do mais, os preços declarados eram muito abaixo dos de outras importações semelhantes; 2 o importador ludibriou os controles disponíveis no SISCOMEX, que objetivam, entre outros aspectos, identificar distorções nos valores declarados, valendose da artimanha de declarar no campo referente à "unidade estatística" o preço referente a "dúzia" da mercadoria, quando o sistema especifica que para as NCM de confecções devese utilizar a "unidade". A alegação de falta de prática não foi acatada pela fiscalização tendo em vista que o despachante aduaneiro Nilson Gamper, responsável pelo registro das DI junto ao SISCOMEX possui larga experiência; 3 em termo de Declaração e Intimação n2 060/02 o sóciogerente da VIA SUL, até abril/02, Sérgio de Almeida Coelho, RG n2 4/R1203548 e CPF n2 559.231.19900 foi procurado pelo sr. Alencar da Cruz Natário Filho, sócio da comissária de despachos aduaneiros JA&A propondo que VIA SUL nacionalizasse artigos de confecção e tecidos. Para tanto, propôs pagarlhe um porcentual do valor declarado para Fl. 3471DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.472 3 as mercadorias, garantindo, entretanto, um valor mínimo de US$ 1,000.00 (fl. 153) por operação; 4 o sr. Alencar informou que as importações se dariam pelo Porto de São Francisco do Sul SC e que o despachante indicado pela JA&A seria o sr. Nilson Ricardo Gamper de CPF n2 451.738.18972. Os tributos aduaneiros seriam debitados em contas correntes indicadas nas declarações de importação pelo Sr. Gamper quando do registro das mesmas. As despesas acessórias referentes A liberação dos conhecimentos de carga, também eram assumidas pelo Sr. Gamper em nome da JA&A, não tendo a VIA SUL qualquer envolvimento no fluxo operacional e financeiro das importações, pois apenas alugava o nome da empresa para que o sr. Alencar realizasse as suas operações, inclusive as de liquidação de contrato de câmbio através da corretora SLW; 5 a VIA SUL foi intimada a apresentar vários documentos, conforme fls. 154/155, a fim de que a fiscalização pudesse fazer as verificações de praxe. Deixou de apresentar a maioria deles; 6 aprofundando as investigações a fiscalização chegou ao Sr. Arthur dos Santos Neto CPF n2 263.697.45804, sócio da empresa Importa Assessoria em Comercio Exterior, CNPJ n2 44.983.773/000100, também proibida de importar, que tinha estreita relação com o Sr. Alencar sendo, inclusive, proprietário de 62 (sessenta e dois) containeres, conforme documentos de fls. 261 a 267, apresentados pela Camisaria Colombo; 7 foram obtidos documentos, anexados As fls. 231 a 243, que comprovam que a Madiler do Uruguai, uma das exportadoras, é 100% (cem por cento) de propriedade do Sr. Alencar. A fl. 244 consta outro documento que 100% (cem por cento) da Niverway, também pertence ao Sr. Alencar; 8 relativamente As importações de confecções realizadas no ano 2000 pela VIA SUL existe falsidade quanto ao pais de origem, declarados como se fossem dos Estados Unidos. A Sara Lee Export. mencionada como sendo a fabricante das mercadorias, conforme documentos de fls. 750 a 759 declarou que não realizou qualquer negociação com a Madiler; 9 considerandose a falta de veracidade das declarações prestadas nas DI listadas A. fl. 05 ficou prejudicada a aplicação do primeiro método do art. 1 2 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT; 6 foi aplicado o artigo 72 do AVA na determinação do valor aduaneiro, diante da impossibilidade de se aplicar os artigos anteriores (procede A análise de fraude, subfaturamento, solidariedade e outras ocorrências que entendeu haver no presente caso). Lavrado o auto de infração em tela foram intimadas a contribuinte em 18/06/2003 (fl. 760) e as responsáveis solidárias, JA&A (fl. 761) e Fl. 3472DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.473 4 Importa Assessoria em Comércio Exterior Ltda (fl. 762) que ingressaram com as impugnações de fls. 766 a 824 (Importa Assessoria), 837 a 889 (JA&A) e 909 a 920 (Via Sul) que foram consideradas tempestivas pela chefe da SECAT da Alfandega do Porto de Vitória, conforme documento de fl. 985. Apresentase a seguir um resumo das impugnações: IMPUGNAÇÃO DA IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. (fls. 766 a 824) a impugnante foi considerada solidária, mas a autoridade fiscal não cita os dispositivos legais que embasariam essa consideração, o que já demonstra ilegalidade quanto capitulação, pois não ha prova nem base jurídica para a manutenção dessa pretensa solidariedade; a IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda., ou seus sócios (sr. Artur Santos Neto) não estão citados direta, ou indiretamente nas 53 (cinqüenta e três) Declarações de Importações ou quaisquer outros documentos referentes a essas importações; os Auditores Fiscais às fls. 12 declaram, de forma estranhavel, que as mercadorias no exterior era de propriedade do sr. Artur Santos Neto. De se salientar que a prova formal de propriedade é feita mediante o Conhecimento de Carga, de acordo com o art. 575 e seguintes do Código Comercial, art. 46 do Decretolei n 2 37/1966 e arts. 494 a 496 do Regulamento Aduaneiro (RA), instituído pelo Decreto e 4.543/2002 (transcreve à fl. 771 referidos arts. do RA); ademais nos documentos constantes as fls. 249 a 252 não contém nenhuma afirmação peremptória de que a defendente é ou seria a proprietária das mercadorias cobertas pelas Declarações de Importação relacionadas no auto de infração. Ao final desse documento afirma que os bens são da Camisaria Colombo Ltda., não havendo citação de qualquer documento oficial ou legal probatória da suposta propriedade. 0 documento de fl. 261 é falso material e ideologicamente, pois o sr. Artur jamais outorgou procuração para que alguém assinasse tal tipo de documento; a requerente, por si ou por seus sócios não importou nem formalizou qualquer Declaração de Importação das litigadas, nem participou de qualquer operação de natureza fiscal, cambial, financeira, ou mesmo como despachante aduaneiro ou empresa comissária de despachos aduaneiros. A autuada jamais manteve contato com a empresa VIA SUL Comércio e Representações Ltda., então como poderia ser considerada responsável solidária? Isso afronta qualquer principio de Direito Tributário e subverte a ordem e os valores do ordenamento jurídico existente (As fl. 787 a 791 procede a argumentação de que não consta o nome da defendente nos processos administrativos mencionados pela fiscalização as fls. 07 a 12 e outras análises que visam descaracterizar a sua responsabilidade solidaria, pretendida pela fiscalização); Fl. 3473DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.474 5 no que concerne ao subfaturamento existem numerosas decisões e acórdãos no sentido de que a fraude deve ser inequivocamente comprovada (cita Acórdão do CSRF, Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis e apresenta números de decisões de diversos acórdãos ás fls. 777/778. Cita, também Roosevelt Baldomir Sosa); ninguém pode ser punido por presunção, dedução ou interpretação extensiva ou analógica, mormente quando se está em face a um despojamento do patrimônio da empresa de modo absurdo, desproporcional, irrazoável, ilegal e de forma confiscatória, violando o art. 52, IV da Constituição Federal vigente (apresenta exposição do principio da razoabilidade As fls. 795 a 797 e A fls. 797 a 800 a tese de que ocorreu violação ao principio da capacidade contributiva, do contraditório e do devido processo legal); a fiscalização não demonstrou a metodologia utilizada relativamente aos aspectos merceológicos das mercadorias importadas, não foram juntadas cópias das DI comparadas e nem se teceu trabalho positivo que ensejasse A autuada uma contestação plena dos resultados do procedimento. Alguns delegados tem considerado nulos tais tipos de autuação (apresenta As fls. 782/783 trecho de Decisão, exarada pelo Delegado da DRJ/FNS e fl. 783 números de acórdãos do Egrégio Terceiro conselho de Contribuintes). No Direito Tributário o principio vigente é o da tipicidade fechada e os processos de exigência e determinação de créditos tributários deverão obedecer os ritos e formas prescritos em lei, como é o caso da valoração de preços de mercadorias importadas (GATT94 introduzido na legislação brasileira pelo Decreto n2 1.355 de 30/12/1994); tentase, por absurdo, cobrar da autuada como solidária, multa por suposta falta de Licença de Importação, não se havendo comprovado que ela praticou a infração do art. 169 do Decretolei n2 37/1966. Ademais o art. 124, II do CTN expressamente explica que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei e as comissárias de despacho não estão expressamente designadas como solidárias no pagamento do II e do IPI (procede As fls. 802 a 807 um estudo sobre a solidariedade tributária com base nos arts. 123, 124, 135 e 136 do CTN. As fls. 808 a 819 procede o combate individualizado dos vários documentos juntados aos autos). As fls. 819 a 823 procede a conclusão das argumentações colocadas em sua impugnação. Pede que se julgue improcedente e insubsistente a ação fiscal retirandoa do pólo passivo da exigência tributária, quer na qualidade de solidária, quer na de qualquer outra. IMPUGNAÇÃO DA JA&A (fls. 837 a 889) Fl. 3474DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.475 6 Produz argumentação semelhante A da IMPORTA Acessoria em Comércio Exterior Ltda.Procedendo As fls. 869 a 887 a análise individualizada dos documentos juntados pela fiscalização As fls. 887 a 889 procede a conclusão das argumentações colocadas em sua impugnação. Pede que se julgue improcedente e insubsistente a ação fiscal retirandoa do pólo passivo da exigência tributária, quer na qualidade de solidária, quer na de qualquer outra. IMPUGNAÇÃO DA VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. (fls. 908 a 920) recebeu com surpresa a autuação, haja vista que sequer atuou como participante efetiva das negociações referentes As DI listadas pela fiscalização, somente intervindo por contratação da empresa JA&A Serviços de Comércio Exterior Ltda. e sob as ordens desta; no que se refere A imputação As autuadas de prática de subfaturamento nas importações, pela leitura dos textos apresentados pela fiscalização depreendese que são acusações vagas e imprecisas, dissociadas de qualquer substrato probatório conclusivo, tendo por única finalidade o interesse de punir; as multas aplicadas são inconstitucionais por terem cat Ater confiscatório (transcreve trecho de Leandro Paulsen à fl. 916 e ementa do STF A fl. 917); Pede A fl. 935 que as intimações sejam feitas ao seu advogado Roberto Antonio de Souza OAB/SC n2 11.629, A Avenida do Estado n2 3.550, 1 2 andar, centro, Balneário CamboriU/SC. Pede, finalmente, o provimento da impugnação e a extinção do presente processo. TVF fls. 11 Após exame das Impugnações (IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, fls. 1536 a 1651; JA&A, fls. 1.678 a 1.782; e VIA SUL, fls. 1.821 a 1.845, todas do eprocesso) apresentadas pelos Contribuintes, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 Ementa: LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO POR ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade julgadora administrativa o afastamento, por ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, de normas da legislação tributária vigente. APLICAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Devido à sua estrita vinculação à legislação, quando ela (legislação) não dá margem a discricionariedade, a autoridade administrativa não pode aplicar os princípios da capacidade contributiva e da razoabilidade, nem analisar a possibilidade de afastála (legislação) por eventual infração desses princípios. Fl. 3475DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.476 7 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 Ementa: SUJEITO PASSIVO 0 contribuinte e conseqüentemente sujeito passivo contra o qual devem ser exigidos as multas e os tributos relativos à importação é o importador, indicado e qualificado no campo próprio do SISCOMEX, ainda que proceda a importação por conta e ordem de terceiros. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DESPACHANTE ORDENADOR. CO PROPRIETÁRIO OCULTO DAS MERCADORIAS 0 despachante aduaneiro e seu ajudante estão proibidos de efetuar, em nome próprio ou no de terceiro, importações com a finalidade de comercialização interna de mercadorias estrangeiras, mas se violarem essa proibição cabe a exigência contra eles dos tributos e multas das operações de importação, concomitantemente com as penalidades próprias que lhes são aplicáveis. O despachante aduaneiro e seu ajudante são responsáveis solidários com o importador, a quem tenham ordenado que procedesse a importação, pelos tributos e multas exigidos dele (importador). O coproprietário oculto das mercadorias 6, também, responsável solidário com o importador. FRAUDE E SUBFATURAMENTO Constitui fraude a falsa indicação da origem dos vestuários importados. Constitui subfaturamento a apresentação de valores vis nas faturas comerciais referentes à mercadoria importada. Afastada a aplicação do art. 1 2 do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994 determinase o valor aduaneiro seguindose as disposições dos artigos subseqüentes (2 2 a 72) do referido Acordo. • VALOR ADUANEIRO DISCUSSÃO A discussão do valor aduaneiro é direito privativo do importador, assim a lei não obriga a administração a discutir aspectos da valoração com outros interessados, ainda que solidários passivos. O valor aduaneiro, após o desembaraço, pode ser discutido tanto na fase em que a fiscalização está procedendo a revisão aduaneira (caso o agente fiscal julgue conveniente) quanto na impugnação do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 24/08/2000 a 24/08/2001 Ementa: BASE DE CÁLCULO Alterada a base de cálculo do II, por mudança no valor aduaneiro tornase exigível a diferença do II, resultante desse ato. MULTA AGRAVADA DO II Constatada a fraude na importação é aplicável a multa agravada de lançamento de oficio do II. MULTA POR SUBFATURAMENTO Verificado que consta nas faturas comerciais valores irrisórios para as mercadorias é aplicável a multa por subfaturamento. Fl. 3476DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.477 8 Lançamento Procedente Inconformados, os Contribuintes apresentaram Recursos Voluntários (VIA SUL, fls. 2.075 a 2.105; JA&A, fls. 2.109 a 2.171; IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, fls. 2.179 a 2.265; e todas do eprocesso) reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. A Contribuinte IMPORTA ACESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR, por meio da petição de fls. 2.431 e seguintes (eprocesso), ainda apresentou "Razões adicionais de Recurso e Apresentação de Novas Provas". Quanto a tais documentos e alegações, a PGFN manifestouse por sua intempestividade, requerendo o seu não conhecimento (fls. 2.686 eprocesso) Em primeira análise do feito pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, o feito foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 303 01.385, de 04 de dezembro de 2007 (fls. 2.738 e seguintes eprocesso), nos seguintes termos: O saneamento processual que aqui se propõe, requer a conversão do presente julgamento em diligência à repartição de origem para que: 1. A autoridade aduaneira promova a intimação de todas as empresas autuadas, postas no mesmo pólo passivo da relação jurídica tributária, para tomar ciência das irregularidades constatadas na investigação fiscal de modo a colocar o valor de transação declarado sob suspeita da autoridade aduaneira. Deve ser concedido prazo para que os interessados possam manifestar suas contrarazões, apresentar os documentos ou informações que a fiscalização julgar pertinentes, bem como aqueles outros que as partes, a seus critérios, considerem válidos a elucidar a validade do valor de transação praticado nas operações de compra e venda internacional que originaram as importações sob exame, ou alternativamente, possam ser úteis à escolha do eventualmente necessário método de valoração substitutivo. 2. Também se deve requerer das autuadas, em face da possibilidade de não acatamento motivado das contrarazões que vierem a ser apresentadas, com eventual confirmação motivada do descarte do valor de transação declarado, que especifiquem detalhadamente as contestações que porventura tiverem quanto aos paradigmas de importação que foram descritos nos presentes autos com suporte em dados obtidos no SISCOMEX, ou forem eventualmente colhidos em novas DI's paradigmas, que vierem ainda a ser considerados, e necessariamente levados ao oportuno conhecimento das empresas autuadas, para que possam exercer seu direito de contraditório. 3. Depois de obtidas as respostas dos interessados ou, na ausência delas dentro do prazo legal a ser concedido, deve a autoridade fiscal aduaneira apresentar suas conclusões finais de modo a especificar se é o caso de insistir no abandono do primeiro método de avaliação, e neste caso, justificar o método substitutivo a ser adotado bem como o valor aduaneiro finalmente definido, expondo seus fundamentos Pelo exposto voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência à repartição de origem para as providências acima discriminadas. Fl. 3477DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.478 9 Por conseguinte, foi elaborado, pela Autoridade de Origem, Termo de Intimação, cujo inteiro teor foi encaminhado do seguinte modo: NOME SEDEX Lista de postagem (fls. 3.277/3.279) AR TERMO DE INTIMAÇÃO RESPOSTA Alencar da Cruz Natario Filho SX588327865BR Fl. 3.407 Entregue em 27/02/2010 Fls. 3.309 e seguintes Fls. 3.445 e seguintes JA&A Serviços de Comércio Exterior SX588327879BR Fl. 3.389 Entregue em 27/02/2010 Fls. 3.391 e seguintes Fls. 3.437 e seguintes ARTUR DOS SANTOS NETO SX588327882BR Fl. 3.353 Entregue em 03/03/2010 Fls. 3.355 e seguintes Fls. 3.425 e seguintes GUILHERME TEDESCO SX588327896BR Fl. 3.371 Entregue em 28/02/2010 Fls. 3.373 e seguintes Fl. 3.433 Certidão de óbito FALECIDO em 03/09/2009 IMPORTA ASSESSORIA EM COMERCIO EXTERIOR LTDA SX588327905BR Fl. 3.335 Entregue em 28/02/2010 Fls. 3.337 e seguintes Fls. 3.425 e seguintes MARIA ARGELIA SANDRI DE ALMEIDA COELHO SL491909806BR Fl. 3.299 Entregue em 27/02/2010 Fls. 3.301 e seguintes NÃO HA SERGIO DE ALMEIDA COELHO SL491909810BR NÃO HÁ. Tela de rastreamento (fl. 3.317),. Fls. 3.319 e seguintes NÃO HA VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. SL49I909823BR NÃO HÁ. Tela de rastreamento (fl. 3.281). Fls. 3.283 e seguintes NÃO HA Após as respostas apresentadas, foi elaborado pela Autoridade Fiscal o Relatório de fls. 3.453 e seguintes (eprocesso), reforçando o lançamento fiscal e aduzindo que as partes não se manifestaram quanto ao objeto específico da diligência, qual seja, a valoração aduaneira. Após, os autos retornaram a este CARF e a mim redistribuídos por sorteio. Fl. 3478DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.479 10 É o relatório. Como se verifica pelo Relatório supra, há questão preliminar a ser saneada no presente feito. Não consta nos autos a comprovação de intimação dos contribuintes VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. e SERGIO DE ALMEIDA COELHO acerca da diligência solicitada por este CARF, e, tampouco, consta que estes tenham apresentado manifestação. Pelo exame dos autos constato que não há cópia dos Respectivos Avisos de Recebimento comprovando o envio e o recebimento das intimações para tais contribuintes. existem, outrossim, Relatórios de Entrega emitidos pelos Correios ( fls. 3317 e 3281) que apresentam a informação de que "Destinatário Mudouse" Nos termos do DecretoLei nº 70.231/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo.(Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 3479DF CARF MF Processo nº 12466.005044/200216 Resolução nº 3201001.023 S3C2T1 Fl. 3.480 11 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) (...) § 4oPara fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo:(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, na hipótese específica dos autos, verifico que há indícios suficientes de que as intimações dos Sujeitos Passivos VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. e SERGIO DE ALMEIDA COELHO foram improfícuas (ausência de AR; informação em Relatório dos Correios de que o destinatário mudouse e ausência de manifestação), devendo, portanto, ocorrer o saneamento do processo antes do seu julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora identifique se foi realizada a devida intimação dos Sujeitos Passivos VIA SUL COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. e SERGIO DE ALMEIDA COELHO, conforme Resolução nº 30301.385, de 04 de dezembro de 2007 (fls. 2.738 e seguintes eprocesso), caso não tenha ocorrido, que seja feita nos exatos termos do art. 23 do DecretoLei nº 70.231/72. Transcorrido o prazo concedido aos Contribuintes, com ou sem manifestação, retornem os autos para julgamento. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 3480DF CARF MF
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