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Numero do processo: 13819.001803/00-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 19/01/1989 a 26/12/1991
RESTITUIÇÃO. RECEITA NÃO ADMINISTRADA PELA RFB. FORMALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO.
Segundo a legislação de regência, em especial a IN RFB 1.300/2012, a receita quitada mediante DARF, porém não administrada pela RFB, terá seu pedido de restituição formalizado perante este órgão, que o encaminhará àquele responsável por tal mister, que decidirá sobre o pleito e, em seguida, o devolverá à RFB para que se promova a repetição do indébito.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-002.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Acompanhou pela recorrente Dr. Carlos Roberto C. Parreira OAB/DF 38.358.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 19/01/1989 a 26/12/1991 RESTITUIÇÃO. RECEITA NÃO ADMINISTRADA PELA RFB. FORMALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO. Segundo a legislação de regência, em especial a IN RFB 1.300/2012, a receita quitada mediante DARF, porém não administrada pela RFB, terá seu pedido de restituição formalizado perante este órgão, que o encaminhará àquele responsável por tal mister, que decidirá sobre o pleito e, em seguida, o devolverá à RFB para que se promova a repetição do indébito. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Acompanhou pela recorrente Dr. Carlos Roberto C. Parreira OAB/DF 38.358. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 19/01/1989 a 26/12/1991 RESTITUIÇÃO. RECEITA NÃO ADMINISTRADA PELA RFB. FORMALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO. Segundo a legislação de regência, em especial a IN RFB 1.300/2012, a receita quitada mediante DARF, porém não administrada pela RFB, terá seu pedido de restituição formalizado perante este órgão, que o encaminhará àquele responsável por tal mister, que decidirá sobre o pleito e, em seguida, o devolverá à RFB para que se promova a repetição do indébito. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Acompanhou pela recorrente Dr. Carlos Roberto C. Parreira OAB/DF 38.358. Júlio César Alves Ramos – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 18 03 /0 0- 28 Fl. 5933DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de restituição de taxa de emissão de guia de importação, período janeiro/1989 a dezembro/1991, fundado na inconstitucionalidade do tributo. A DRF São Bernardo do Campo/SP indeferiu o pedido por reputálo caduco, nos termos dos arts. 165, I e 168, I do Código Tributário Nacional. Em contestação o contribuinte defendeu que o termo inicial da prescrição qüinqüenal seria a data da publicação da resolução do Senado Federal que suspendeu os efeitos da norma inconstitucional (RSF 73/95, de 15/12/1995) ou, alternativamente, a edição da MP 1.110/95, que dispensou a constituição do crédito tributário respectivo. A DRJ Fortaleza/CE anulou o despacho decisório por entender que a SRF não era competente para se manifestar acerca do direito à repetição, pois se tratava de tributo por ela não administrado, mas sim à SECEX que deveria se pronunciar sobre a pertinência do pedido e, após, encaminhar à SRF, que se limitaria a providenciar sua restituição, nos termos da IN SRF 600/05, então vigente. O contribuinte foi cientificado desta decisão, porém, não lhe foi franqueado recurso, oportunidade em que a ARF Americana/SP intimouo a apresentar os comprovantes das taxas de emissão de guia de importação. Em atendimento à exigência, o contribuinte juntou um semnúmero de documentos que já se encontravam no processo. O processo foi encaminhado à DRF Piracicaba para prosseguimento, que, por meio de despacho, devolveuo à ARF Americana/SP para nova intimação ao contribuinte, por entender aquela unidade que não foram juntados os DARFs de recolhimento do tributo. Em resposta o contribuinte informou que, à época, o recolhimento se dava mediante débito automático em conta corrente. Diante desta manifestação, a DRF Piracicaba/SP indeferiu o pleito por ausência de comprovação e oportunizou a apresentação de manifestação de inconformidade. Em recurso, o contribuinte sustenta a nulidade do despacho decisório supra por entender efetivamente comprovado o recolhimento. A DRJ São Paulo I/SP, em despacho monocrático, devolveu o processo à unidade de origem para que fosse providenciada nova intimação ao contribuinte da decisão prolatada pela DRJ Fortaleza/CE, com indicação clara que, sendo de seu interesse, poderia ingressar com recurso voluntário questionando o julgado. O recurso voluntário manobrado – em face da decisão proferida pela DRJ Fortaleza/CE – asseverou a nulidade do acórdão, em razão de não determinar a remessa dos autos à SECEX para exame, como decidido no aresto 30331.076, indicado como jurisprudência; e, aduziu a efetiva comprovação dos recolhimentos tidos por indevidos É o relatório. Fl. 5934DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13819.001803/0028 Acórdão n.º 3401002.464 S3C4T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. A irresignação do contribuinte, ora recorrente, a meu ver, limitase à ausência de determinação expressa de remessa do feito à Secretaria de Comércio Exterior – SECEX, mormente em função de despacho decisório posterior, proferido pela DRF Piracicaba/SP, que concluiu estar o pleito inadequadamente instruído e, mais uma vez, o pedido de restituição foi indeferido. A par das manifestações constantes dos autos, inclusive do contribuinte, é incontroverso a pretensa competência para decidir o direito vindicado pertence à SECEX, de modo que a celeuma, em minha opinião, não é oriunda da decisão exarada pela DRJ Fortaleza/CE, mas da execução do julgado pelas unidades preparadoras. Destarte, extraio esta percepção da seguinte passagem do voto condutor: Por todo o exposto, fica evidente que a restituição, por parte da SRF, de receita que não seja administrada por esta, exige o atendimento de quatro pressupostos cumulativos: (i) que a receita seja da União; (ii) que seja arrecadada mediante DARF; (iii) que o contribuinte anexe documentos capazes de comprovar a existência do direito creditório; e (iv) que o órgão ou entidade responsável pela administração da receita tenha se manifestado favoravelmente à pertinência do pedido. Não obstante, a Delegacia da Receita Federal em São Bernardo do Campo entendeu ter ocorrido a decadência do direito, extrapolando, com isso, à competência que lhe fora legalmente atribuída, uma vez que, nestas circunstâncias, não poderia considerar como decaído direito sobre o qual não exercia a titularidade, qual seja, a análise da pertinência ou não do direito creditório relativo ao recolhimento da taxa. Assim, o ato em questão é nulo de pleno direito, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual são nulos “os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Dita competência pertence apenas à SECEX, que é quem pode se pronunciar sobre a “pertinência do pedido”, nos termos contidos na IN SRF nº 600/2005, ou reconhecer o direito creditório, conforme prescrito no art. 1º, § 1º, da Lei nº 4.155/62. Notese que o órgão julgador a quo relacionou os requisitos a serem preenchidos pelos processos desta natureza, interpretando a DRF Piracicaba/SP e a ARF Americana/SP que a instrução processual e o exame da pertinência documental a elas caberia, o que gerou toda a confusão. Fl. 5935DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Ora, se a atribuição para se “pronunciar sobre a ‘pertinência do pedido” formulado pertence à SECEX, é decorrência lógica desta premissa que a ela, também, cabe se manifestar sobre a suficiência probatória do pleito, à vista dos elementos carreados ao processo pelo requerente, principalmente diante da assertiva que, à época, o recolhimento da taxa objeto de repetição se realizava mediante débito em contacorrente. Portanto, equivocamse as unidades preparadoras quando indeferem o pedido por pretensa ausência de comprovação de recolhimento, porquanto não possuem competência para tal providência, que, como gizado pela decisão recorrida, é exclusiva da SECEX. A partir destas considerações, não vislumbro qualquer mácula na decisão sob vergasta que justifique a sua anulação, devendo ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Por outro lado, entendendo que à RFB incumbe apenas formalizar o pedido e verificar a sua documentação, sem, porém, emitir qualquer juízo de valor a respeito, concluo assistir razão ao recorrente quando pugna pela sua remessa à SECEX. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para que o presente processo seja remetido à Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos moldes dos arts. 2º, 3º e 20 da IN RFB 1.300/2012, hodiernamente vigente, para que examine e decida a respeito da procedência do pedido de restituição. É como voto. Robson José Bayerl Fl. 5936DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 12448.728289/2012-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. FORNECIMENTO ESPONTÂNEO DE INFORMAÇÕES.
Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, quando os extratos bancários foram fornecidos voluntariamente pela contribuinte, em atendimento à intimação realizada pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal.
PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
I - Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação na qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea.
II - Trata-se de situação no qual cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
PRESUNÇÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE.
A presunção de omissão de receitas encontra-se prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade.
DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. NÃO ATENDIMENTO. GLOSA.
Documentação disponibilizada pela contribuinte não se mostra suficiente para demonstrar que as despesas escrituradas corresponderam á efetiva contrapartida de um serviço recebido, ou seja, se os serviços teriam os atributos de usualidade, normalidade e necessidade, e tampouco se ocorreu o correspondente pagamento, em razão da ausência de apresentação de documentos hábeis para lastrear os registros contábeis. Nesse sentido, cabe a glosa das despesas, por serem indedutíveis na determinação da base de cálculo para a apuração do lucro líquido, vez que não se mostraram necessárias à atividade da empresa e à manutenção de fonte produtora.
Numero da decisão: 1103-000.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. FORNECIMENTO ESPONTÂNEO DE INFORMAÇÕES. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, quando os extratos bancários foram fornecidos voluntariamente pela contribuinte, em atendimento à intimação realizada pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. I - Presume-se ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação na qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea. II - Trata-se de situação no qual cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. A presunção de omissão de receitas encontra-se prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade. DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. NÃO ATENDIMENTO. GLOSA. Documentação disponibilizada pela contribuinte não se mostra suficiente para demonstrar que as despesas escrituradas corresponderam á efetiva contrapartida de um serviço recebido, ou seja, se os serviços teriam os atributos de usualidade, normalidade e necessidade, e tampouco se ocorreu o correspondente pagamento, em razão da ausência de apresentação de documentos hábeis para lastrear os registros contábeis. Nesse sentido, cabe a glosa das despesas, por serem indedutíveis na determinação da base de cálculo para a apuração do lucro líquido, vez que não se mostraram necessárias à atividade da empresa e à manutenção de fonte produtora.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2273; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 886 1 885 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.728289/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.938 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 8 de outubro de 2013 Matéria IRPJ PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA / GLOSA DE DESPESAS Recorrente AM/PM COMESTÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. FORNECIMENTO ESPONTÂNEO DE INFORMAÇÕES. Não há que se falar em quebra de sigilo bancário, quando os extratos bancários foram fornecidos voluntariamente pela contribuinte, em atendimento à intimação realizada pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. I Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação na qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea. II Tratase de situação no qual cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. PRESUNÇÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. A presunção de omissão de receitas encontrase prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade. DESPESAS. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. NÃO ATENDIMENTO. GLOSA. Documentação disponibilizada pela contribuinte não se mostra suficiente para demonstrar que as despesas escrituradas corresponderam á efetiva contrapartida de um serviço recebido, ou seja, se os serviços teriam os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 82 89 /2 01 2- 05 Fl. 886DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 887 2 atributos de usualidade, normalidade e necessidade, e tampouco se ocorreu o correspondente pagamento, em razão da ausência de apresentação de documentos hábeis para lastrear os registros contábeis. Nesse sentido, cabe a glosa das despesas, por serem indedutíveis na determinação da base de cálculo para a apuração do lucro líquido, vez que não se mostraram necessárias à atividade da empresa e à manutenção de fonte produtora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 733/754 contra decisão da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 703/718), que apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado em fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 888 3 refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a perícia, já que tal procedimento só se justifica, quando haja controvérsia que demande um exame técnico especializado, o que não é o caso dos autos. Ademais, uma perícia é desnecessária, quando os fatos alegados na peça impugnatória são passíveis de comprovação com a simples juntada da documentação hábil que os suporte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. GLOSA DE DESPESAS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. Não tendo sido apresentada pelo interessado documentação que comprove as despesas com serviços, e se os mesmos foram efetivamente prestados, deve ser mantida a autuação, em razão da indedutibilidade das despesas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Programa de Integração Social Pis Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social Cofins CSLL/PIS/COFINS. DECORRÊNCIA. Subsistindo as matérias fáticas que ensejaram o lançamento matriz (IRPJ), igual sorte colhem os autos de infração lavrados por mera decorrência, tendo em vista o nexo causal existente entre eles. I. Dos fatos da Autuação Fiscal. Adoto o relatório elaborado pela DRJ/Rio de Janeiro I, preciso e objetivo: Através das informações constantes do Dossiê integrado que acompanhava o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), a fiscalização constatou, pelas informações prestadas pelas instituições financeiras, que a fiscalizada obteve uma movimentação financeira incompatível com a receita declarada. A fiscalizada foi intimada, através do Termo de Início de Ação Fiscal, a apresentar os livros Comerciais e Fiscais, extratos Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 889 4 bancários e documentos fiscais relativos às transações efetuadas no período de 01/01/2008 a 31/12/2008, tendo sido constatado, através do resultado obtido com o exame da documentação apresentada, que a referida empresa cometeu infrações à legislação fiscal, adiante relatadas. A fiscalizada foi intimada, através do Termo de Intimação, a informar a origem dos créditos, relacionados nas planilhas anexas, efetuados nas contas correntes bancárias de sua titularidade nos bancos Itaú e Bradesco. Após análise dos créditos relacionados nas planilhas fornecidas ao contribuinte, a fiscalização constatou que a fiscalizada comprovou parte desse crédito, referentes a transferências entre contas de sua titularidade e empréstimos, conforme extratos bancários apresentados pela fiscalizada. A fiscalização elaborou planilhas dos créditos cuja origem não foi comprovada com a apuração da diferença tributável. OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS. A empresa foi intimada a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, diversas contas de despesas contabilizadas e deduzidas na DIPJ, e, também, a efetividade dos serviços prestados. O contribuinte, no decorrer da ação fiscal, não logrou comprovar a totalidade das despesas escrituradas nas contas solicitadas, bem como a efetividade dos serviços prestados. A fiscalização entendeu se tratarem de despesas indedutíveis, as quais deveriam ser adicionadas ao lucro liquido e à base de cálculo da contribuição social, na forma do art. 249, inciso I, do RIR/99. São indedutíveis, na determinação do lucro real, por não se enquadrarem no conceito de despesa operacional dedutível para fins do imposto de renda e não atenderem ao disposto no art. 299 do RIR/1999, que condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (PN CST n° 61, de 1979, item 6). A fiscalização elaborou planilhas intituladas "Quadro Demonstrativo de Despesas Operacionais não Dedutíveis” e “Quadro Demonstrativo Outras Despesas Operacionais não Comprovadas", em anexo, que contêm a data, conta e valores não comprovados e não dedutíveis. Face ao exposto, considerou as diferenças apuradas como omissão de receita e glosou parte das referidas contas de despesas. Nesse contexto, foram identificadas pela Fiscalização a ocorrência de duas infrações tributárias: (1) presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, Fl. 889DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 890 5 de 1996, decorrente da não comprovação da origem dos depósitos bancários; (2) glosa de despesas, por terem sido consideradas não necessárias e indedutíveis na determinação do lucro real, vez que não atenderam ao disposto no art. 299 do RIR/99. Assim, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, de fls. 59/787, 146/167 e 249/258, cuja ciência ao contribuinte deuse em 28/06/2012. II. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 291/306, que foi apreciada pela 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, em sessão realizada no dia 19/10/2012, no qual julgou a impugnação improcedente, no Acórdão nº 1250.218, de fls. 703/718, nos termos da ementa já transcrita no início do presente relato. Inconformada com a decisão a quo, da qual tomou ciência em 11/12/2012 (fl. 729), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 27/12/2012 de fls. 733/754, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. Preliminar. Cerceamento do Direito de Defesa. O acórdão recorrido não efetuou análise da documentação fiscal e contábil acostada pela defesa, alegando que o LALUR e o Balancete não seriam documentos hábeis. o julgador de primeira instância não compreendeu o cerne da controvérsia, na medida em que a recorrente, com a documentação, não pretende comprovar “despesas e prestação de serviços”, mas, sim, que os montantes referentes aos depósitos bancários foram devidamente contabilizados e oferecidos à tributação no respectivo mês de competência das operações que lhes deram causa; a partir do LALUR, é possível verificar quais receitas contabilizadas foram submetidas à tributação pelo IRPJ; ainda, o acórdão recorrido indeferiu pedido de perícia técnica formulado; ocorre que se extrai do próprio julgado a imperiosidade da produção de prova pericial, na medida em que restou consignado na decisão que seria imprescindível o exame analítico das cópias do livro Razão; restou evidente que a simples juntada de documentos contábeis e fiscais não seria suficiente para dirimir a controvérsia, especialmente porque a contabilização das referidas receitas ocorreu “por lote” envolvendo significativo número de lançamentos (cerca de 50.000), ou seja, mostrase imprescindível procederse à sua conciliação analítica mediante exame técnico especializado; como exemplo, o depósito efetuado em conta corrente do Banco Itaú, em 14/05/2008, no valor de R$447.897,45, considerado como receita omissa, referese a lote de 62 movimentações, inclusive com operações que se foram oferecidas à tributação em anos anteriores, como se pode observar pelos dois primeiros lançamentos e o livro Razão, e pelo saldo das contas do PIS e Cofins do período de dezembro de 2007; os dois lançamentos seguintes referemse à recuperação de despesas de IPTU, que não compõem o faturamento da recorrente, razão pela qual não foram tributados; Fl. 890DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 891 6 os trinta e sete lançamentos registrados em 18/05/08 são relativos à receitas decorrentes de locação de imóveis próprios, contabilizadas nos livros Diário, sendo que o saldo foi computado na base de cálculo do PIS e da Cofins; constatase, portanto, se para demonstrar a tributação do PIS e da Cofins foi necessária a juntada de vários documentos, imagine se a recorrente tiver que se debruçar sobre todos os itens, envolvendo IRPJ, CSLL, além do PIS e da Cofins; em observância ao princípio de verdade material, há que se realizar a perícia, principalmente no caso em tela, no qual o crédito tributário foi constituído por simples presunção; requerse portanto a nulidade do acórdão e o retorno dos autos à DRJ/Rio de Janeiro I para que seja aberta oportunidade de realização de perícia contábil/fiscal, e, caso assim não se entenda, requerse, com fundamento no art. 58, §§ 3º a 9º do Regimento Interno do CARF, que os presentes autos sejam redirecionados à DRJ/Rio de Janeiro I, em diligência, para que se proceda à análise da documentação fiscal/contábil acostada pela requerente. Quebra do Sigilo Bancário. A quebra do sigilo bancário só se admite se determinada pelo Poder Judiciário, o que não ocorreu no caso concreto. Tratase de direito fundamental do contribuinte, conforme art. 5º, incisos X e XII da Lei Maior. No RE 601.314, de relatoria do Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a presença de repercussão sobre a questão, no sentido de saber se há violação aos princípios constitucionais quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes sem prévia autorização judicial. Da Impossibilidade do Lançamento Baseado em Simples Depósitos Bancários. É inválido o lançamento pautado apenas em extratos bancários, de acordo com o DecretoLei nº 2.471, de 1988, vez que o ingresso de recursos não caracteriza necessariamente a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda o proventos. No mesmo sentido, manifestouse o extinto Tribunal Federal de Recursos, por meio da Súmula 182. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos 0102.884 de 13/03/2000 e 0103.172) já decidiu que o lançamento calcado em depósitos bancários seria cabível apenas quando provado pelo Fisco o vínculo do valor depositado com a omissão da receita que o originou. Não bastasse isso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de IRPJ e CSLL sem observar a sistemática do lucro real, sendo que a base de cálculo utilizada foi a diferença obtida entre a receita apurada e a declarada mensalmente, e não o lucro real anual, em descordo com o disposto no ar. 24 da Lei nº 9.249, de 2005. Da Origem dos Depósitos Bancários. A recorrente firmou, com os Bancos Bradesco e ItaúUnibanco, contratos de cessão do uso de espaço para instalação de caixas eletrônicos dentro das lojas de conveniência instaladas nos seus postos de combustíveis, cujas receitas correspondem à parte mais relevante dos depósitos bancários autuados. Ainda há ingressos, de pequena monta, referentes a recuperação de IPTU dos locatários, pagamentos de empréstimos concedidos aos franqueados, pagamentos de royalties, venda de produtos, dentre outros. Registra seus lançamentos contábeis de acordo com o regime de competência, quando emite as notas de débitos para a cobrança dos valores que lhe são devidos em virtude da cessão de espaço aos bancos e também dos aluguéis de imóveis, já registra em sua contabilidade os respectivos valores como receita (D – Clientes/Aluguel a Receber; C – Out.Rec. Cessão de Espaço). Ao receber em conta bancária os créditos relativos aos referidos contratos, "baixa" os Fl. 891DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 892 7 respectivos montantes da conta de clientes e debita a conta "Bancos" (D –Bancos; C – Clientes/Aluguel a Receber). Tal procedimento foi adotado para os depósitos bancários objeto das autuações combatidas e pode ser facilmente identificado mediante a conciliação dos lançamentos efetuados no livro Razão (doc. 06), Balancete (doc. 07) e LALUR (doc. 08) anexos. Da Glosa Indevida das Despesas. A DRJ ignorou a documentação acostada pela defesa. As despesas glosadas referemse a serviços prestados à contribuinte, e os respectivos pagamentos efetuados em contraprestação encontramse devidamente identificados nos lançamentos contábeis. O art. 924 do RIR/99 preceitua que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração. O Fisco, ao reputar que não teria sido demonstrado pela contribuinte a efetividade dos serviços prestados deveria aprofundar a investigação. Julgado proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0103.972) entende que o Fisco só teria o direito de indagar de efetiva prestação de serviços nos casos em que a fiscalização não reúne provas, ou mesmo indícios, de que os serviços não foram ou não poderiam ter sido prestados, ou nos casos em que a nota fiscal emitida pelo prestador de serviço não descreve com clareza e precisão o serviço prestado. Portanto, considerando que as despesas glosadas no caso em tela têm suporte em documentação idônea e registrada na contabilidade, não subsiste o lançamento fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Suscita preliminar de nulidade a recorrente, referente ao procedimento adotado pela DRJ/Rio de Janeiro I quanto à matéria sobre a presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e sobre a legalidade do procedimento adotado pela autoridade fiscal. Ocorre que os exames argüidos preliminarmente pela recorrente confundem se com o mérito da infração tributária, razão pela qual os pontos serão analisados em conjunto. Inicialmente, cumpre observar que no caso em tela não há que se falar em quebra de sigilo bancário, vez que os extratos bancários foram fornecidos voluntariamente pela contribuinte, em atendimento à intimação realizada pela autoridade tributária no decorrer da ação fiscal. Tampouco prospera argumentação de que o lançamento amparado em depósitos bancários seria inválido, por não caracterizar aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos, ou pelo disposto na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 893 8 Em se tratando de presunções legais, cabe esclarecer que sua origem decorre do fato de que a administração tributária se encontra em uma situação de inferioridade na produção do conhecimento, considerando que a investigação dos fatos, referentes aos atos praticados pelo contribuinte no momento da ocorrência do fato gerador, mostrase praticamente impossível. Precisamente em razão deste distanciamento em relação aos fatos praticados pelo contribuinte e previstos em norma, constatase que a autoridade fiscal, em raríssimas oportunidades, tem acesso a provas diretas. Válido recorrer aos ensinamentos de Francesco Carnelutti: Pode atribuir sem vacilo à prova indireta uma maior amplitude do que à prova direta no sentido de que, em primeiro lugar, nem todos os fatos prestamse a ser verificados por meio desta última (não se prestam para isso, precisamente, os fatos passados); além do mais, com freqüência a verificação imediata por parte do órgão judicial supõe uma despesa notavelmente superior à da prova indireta (assim acontece, em especial, quanto aos fatos distantes ocorridos a grande distância da sede do ofício). Do primeiro destes pontos de vista, compreendese que a prova do direito tem de ser sempre indireta, já que a formação de uma norma jurídica, seja de lei, seja de costume, constitui sempre um fato anterior ao processo. Na seara fiscal, observase que a prova da ocorrência da hipótese de incidência prevista na norma tributária, na maioria das vezes, dáse pela produção de provas indiretas, que, segundo o citado mestre, distinguemse em histórica ou representativa e crítica ou presuntiva. As provas históricas ou representativas são obtidas, por exemplo, pela revisão da escrituração do contribuinte e pela análise de documentos, comprobatórios de despesas, como notas fiscais e recibos, transferências bancárias. Por isso, cabe ao contribuinte o cumprimento de obrigações acessórias, que permitiriam um acompanhamento das atividades econômicas da empresa. Contudo, tornase comum o descumprimento dos deveres instrumentais, visando ocultar a ocorrência de fatos jurídicos previstos na norma tributária, prejudicando substancialmente o trabalho da Fiscalização. Opta a contribuinte por não escriturar, ocultar documentos, tudo para não deixar “rastros” de determinada atividade, e lograr êxito em se esquivar de suas obrigações tributárias. Dessa maneira, a administração tributária valese, cada vez mais freqüentemente, das presunções, que se constituem em provas indiretas críticas ou presuntivas. Ensina Carnelutti que podem as presunções ser simples, no qual a lei permite a livre apreciação do juiz, ou legais, devendo ser apreciadas dentro de determinadas regras, sendo que, se for absoluto o vínculo, tratase de presunção legal absoluta (praesumptiones iuris et de iure), por sua vez, se o fato deduzido estiver submetido a uma prova em contrário, refere se a uma presunção legal relativa (praesumptiones iuris tantum). Nesse diapasão, os depósitos bancários revelamse, há tempos, matéria exaustivamente discutida na administração tributária, mostrandose eficazes na tarefa de Fl. 893DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 894 9 proporcionar ao Fisco as evidências necessárias da ocorrência dos fatos geradores previstos em norma. Não por acaso, trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 de presunção legal, que se amolda perfeitamente aos fatos do caso concreto em análise: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. As presunções legais encontramse consolidadas no ordenamento jurídico pátrio, com amplo respaldo da doutrina, do qual se mostram esclarecedores as observações de Maria Rita Ferragut na obra Presunções no Direito Tributário, ao discorrer sobre o princípio da legalidade: O desrespeito à legalidade é um dos principais argumentos que se tem contra a utilização das presunções para a criação de obrigações tributárias, tendo em vista que o crédito é constituído a partir da ocorrência de fatos indiciários não tipificados na regramatriz de incidência tributária, como sendo aptos a dar ensejo ao nascimento da obrigação. Ocorre parecernos um equívoco afirmar que a obrigação nasce em virtude de fato não previsto na regramatriz de incidência tributária. Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se á assim, não se trata de alegra que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, as de se reconhecer que o conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base me fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido. E nada há de ilegal ou inconstitucional nisso, já que a necessidade da identificação da verdade material torna imperiosa a busca dos fatos presuntivos de riqueza. (grifei) Tampouco se discute no CARF a legalidade da norma prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estando a eficácia da presunção legal em debate consolidada no tribunal, tanto que é objeto de várias súmulas, dentre as quais destaco: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para Fl. 894DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 895 10 comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Por sua vez, ao interpor o recurso voluntário, caberia ao sujeito passivo, para desconstituir a presunção de omissão de receitas, apresentar documentação hábil e idônea, que pudesse comprovar a origem dos depósitos bancários. Quando apresentou a impugnação, a contribuinte acostou aos autos, como material probatório referente à presunção de omissão de receitas em análise, contratos de cessão de espaço das lojas de conveniência para a instalação de terminais eletrônicos de fls. 577/588, a DIPJ de fls. 518/586, extratos do Razão de fls. 589/631, o Balancete de fls. 632/668, o LALUR de fls. 636/668 e extratos de sistemas internos de controle contábil de fls. 669/687. No recurso voluntário, reclama a defesa de que o colegiado de primeira instância não teria realizado a devida análise da documentação apresentada, além de ter indeferido indevidamente pedido de perícia técnica. Restringiuse a defesa a apresentar documentação referente a depósitos pontuais, que, uma vez tendo a origem comprovada, poderiam fornecer a evidência necessária para que o exame pudesse ser aprofundado para os demais depósitos bancários, mediante a realização de diligência fiscal. Ocorre que, ao apreciar a fundamentação da decisão proferida pela DRJ/Rio de Janeiro I, constatase que não assiste razão à recorrente. Todo o conteúdo probatório foi devidamente apreciado, conforme se depreende pelo fragmento do voto de fls. 708/718: Cabe esclarecer, ainda, que o ônus da prova da origem dos recursos depositados é do interessado, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Ou seja, incumbiria ao interessado, e não à fiscalização, a comprovação de que os valores autuados teriam se originado de receitas que, supostamente, teriam sido contabilizadas pelo regime de competência. As referidas planilhas mencionadas pelo interessado, sem a documentação que as fundamente, são desprovidas de valor probante. Quanto à documentação juntada pelo interessado para tal fim, qual seja, livro Razão doc. 06 (fls. 589/631), Balancete doc. 07 (fls. 632/633) e LALUR doc. 08 (fls. 636/668), data venia, a mesma não logra comprovar que os valores autuados (depósitos bancários) se originariam de receitas, senão vejamos. O Lalur só é documento hábil para comprovar os registros dos ajustes do lucro líquido do exercício (parte A) e para efetuar o controle de contas que constituirão ajuste do lucro líquido de exercícios futuros (parte B). Já o Balancete, apenas demonstra a posição final das contas patrimoniais e de resultado, sinteticamente, em determinado período, não sendo hábil a demonstrar analiticamente as receitas. O livro Razão, em tese, seria o documento hábil para tal comprovação. Contudo, o interessado juntou, tão somente, o Razão da conta 817010084 – OUT REC OPER CESSÃO, referente ao anocalendário de 2007 (fls. 589/596), e das contas 111023416 – DEP BANC VISTA ITAÚ e 111022371 – DEP Fl. 895DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 896 11 BANC VISTA BRADESCO FILIAL, do ano de 2008, mas não efetuou a vinculação as receitas aos depósitos. Em outras palavras, não comprovou, analiticamente, a vinculação de cada receita de 2007 com cada depósito efetuado em 2008. Cabe lembrar que o ônus da prova é do interessado, por se tratar de presunção legal de omissão de receitas. Também não foram juntadas notas fiscais referentes às operações comerciais, não sendo suficientes meras notas de débito, digase, também não juntadas. No que se refere à alegação de que o valor de R$ 4.558,77 recebido mediante depósito bancário, em 04/09/2008, teria sido contabilizado em 22/08/2008, pelo regime de competência, e que o mesmo teria sido oferecido à tributação na mesma data (doc. 09), cabe registrar que a documentação juntada pelo interessado (doc 09), data venia, não logra fazer tal demonstração. Além disso, de acordo com a ´planilha de crédito não comprovada origem (fls. 201/203), elaborada pela fiscalização, não existe autuação com relação a depósito efetuado no dia 04/09/2008, nem no Itaú, e nem no Bradesco. Ademais, não tem depósito neste valor, e nesta data, nos extratos do Itaú e do Bradesco. Como se pode observar, foram devidamente apreciados os documentos apresentados, assim como as razões pelas quais os documentos não se mostraram suficientes para demonstrar a origem dos depósitos bancários objeto da presunção legal. O LALUR, e muito menos o balancete, apresentam um quadro sintético das contas contábeis, não se aprofundando na análise de composição dos valores, e os extratos do Razão, apenas das contas contábeis 817010084 – OUT REC OPER CESSÃO, referente ao anocalendário de 2007, e das contas 111023416 – DEP BANC VISTA ITAÚ e 111022371 – DEP BANC VISTA BRADESCO FILIAL, por si só, não se mostraram suficientes para demonstrar a vinculação com as receitas depositadas nas instituições financeiras. Cumpre destacar, que caberia á contribuinte ter apresentado material comprobatório referente a cada um dos depósitos bancários em discussão, independente do volume de material a ser organizado. Contudo, não o fez, optando por eleger determinados “exemplos” que, uma vez apreciados, não tiveram a origem comprovada. Também se revelou acertada a manifestação da DRJ/Rio de Janeiro I quanto ao pedido de perícia, vez que se mostrou desnecessária, na medida em que os fatos alegados na peça impugnatória seriam passíveis de comprovação com a simples juntada de documentação hábil e idônea, o que não foi feito pela contribuinte. Não há que se falar, portanto, em ocorrência de qualquer nulidade na decisão proferida pela primeira instância administrativa. Ao interpor o recurso voluntário, a recorrente propõese a adotar o mesmo procedimento realizado quando da apresentação da impugnação. Ou seja, mesmo diante de uma relação de vários depósitos bancários com origem não comprovada, listados nas planilhas de fls. 79/80 e 201/203, vem apresentar contestação referente a um depósito, qual seja, efetuado no Banco Itaú em 14/05/2008, no valor de R$447.897,45. A princípio, cumpre esclarecer que, ao contrário do que argumenta a recorrente, o fato de que o depósito de R$447.897,45 tenha a origem devidamente comprovada Fl. 896DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 897 12 não induz que todos os outros depósitos bancários objeto da presunção legal também possam ter o mesmo veredicto. A apresentação de documentação hábil e idônea prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicase a cada depósito bancário lançado em razão da presunção legal de omissão de receitas. É matéria de fato a ser apreciada caso a caso, sendo que a presunção somente pode ser desconstruída mediante apresentação de material probatório adequado. Portanto, a prova da origem de um depósito não se mostra suficiente para induzir que os demais poderiam ser provados por meio de realização um perícia contábil. Nesse caso, cabe á contribuinte produzir o material probatório apto a desconstituir a presunção legal. No caso concreto, foi intimada a contribuinte a comprovar a documentação no decorrer da ação fiscal (intimação de 05/06/2012). Ainda, o conteúdo da decisão da primeira instância (ciência dada em 11/12/2012 ) reforçou a orientação. Portanto, dezoito meses depois da intimação, por ocasião da interposição do recurso voluntário, mostrase protelatório o pedido de perícia, para que a Fiscalização seja instada a produzir prova cujo ônus é da recorrente. A mera constatação de que a quantidade de material probatório a ser produzido seria muito grande não é óbice para que seja apresentado. Carece de motivação o procedimento adotado pela defesa, que, sabendo o que deve fazer e o tipo de prova a produzir, opta por requerer diligência. Expostas as considerações, passo à apreciação do depósito bancário efetuado no Banco Itaú em 14/05/2008, no montante de R$447.897,45. Aduz a recorrente que: 1) o valor referente ao depósito bancário de R$447.897,45 corresponde a receitas que já teriam sido oferecidas à tributação, tanto que foram incluídas na base de cálculo do PIS e da Cofins; 2) o montante de R$447.897,45 corresponde ao somatório de 62 (sessenta e dois) lançamentos, dentre os quais os dois primeiros (R$2.955,00 e R$2.364,00) referemse à competência do anocalendário (2007) anterior ao da autuação (2008), e foram oferecidos à tributação do PIS e Cofins naquele período, e quanto aos demais, referentes ao anocalendário de 2008, dois lançamentos de 21/01/208 são referentes à recuperação de despesas do IPTU e 37 (trinta e sete) lançamentos de 18/04/2008 são decorrentes de receitas de locação de imóveis próprios, e também foram oferecidos à tributação do PIS e Cofins relativo ao anocalendário de 2008. Para comprovar as alegações, foram apresentadas a (1) planilhas de apuração de base de cálculo para o PIS e Cofins de fls. 808, 825 e 860, (2) extratos do diário contábil da conta 320899 de fls. 809/811, (3) folhas do razão das contas contábeis 311150020, 311150063, 311150993 e 691020094 de fls. 812/824, (4) planilha demonstrando os lançamentos que compõem o montante de R$447.897,45, (5) extratos bancários do banco Itaú de fls. 827/859, (6) cópia do diário de fls. 861/862, (7) razão de fls. 863/864 da conta contábil 815010010, (8) extratos e comprovantes de pagamento do PIS e Cofins e DCTF, referentes aos anoscalendário de 2007 e 2008, de fls. 865/874. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 898 13 A documentação apresentada pela recorrente, portanto, tem como objetivo demonstrar que o valor de R$447.897,45, referente a depósito bancário efetuado no dia 14/05/2008, no banco Itaú, corresponderia a receitas que foram oferecidas à tributação nos anoscalendário de 2007 e 2008, e, portanto, não poderiam ser objeto dos lançamentos de ofício decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada mediante apresentação de documentação hábil e idônea. No que se refere ao anocalendário de 2008, cumpre observar os seguintes aspectos. Primeiro, que, ao analisar as planilhas elaboradas pela Fiscalização, que as receitas oferecidas à tributação pela contribuinte foram excluídas do lançamento de ofício efetuado com base na presunção legal em debate. Demonstram com clareza os Termo de Verificação Fiscal de fls. 56/58, 143/145 e 246/248 que a autoridade fiscal excluiu os valores a título de receita declarada, conforme demonstra quadro a seguir elaborado pela Fiscalização: Mês Receita Apurada Receita Declarada Diferença a Tributar janeiro 7.968.237,64 2.648.538,56 5.319.699,08 fevereiro 5.280.372,52 5.157.529,78 122.842,74 maio 5.506.390,34 4.526.211,82 980.178,52 agosto 15.512.880,68 10.809.040,73 4.703.839,95 setembro 14.374.407,32 13.376.088,31 998.319,01 Observase que os valores lançados nos autos de infração, referente à infração tributária do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1.996, para a composição da base de cálculo dos lançamentos de ofício, correspondem precisamente àqueles listados na coluna “Diferença a Tributar” do quadro acima. Mostrouse correto o procedimento adotado pela Fiscalização, ao excluir os valores informados em DIPJ pela contribuinte correspondentes a receita bruta. Assim, a título de exemplo, para o mês de janeiro de 2008, constatou a ocorrência de depósitos sem origem comprovada no valor de R$7.968.237,64. Contudo, diante do valor de receita bruta informado na DIPJ referente ao anocalendário de 2008 (fl. 10) para o mês de janeiro de R$2.648.538,56, a autoridade tributária efetuou o lançamento de ofício a partir da diferença entre R$7.968.237,64 e R$2.648.538,56, ou seja, R$5.319.699,08, de maneira a evitar que as receitas presumidas referentes aos depósitos bancários fossem submetidas à dupla tributação. Apreciando o depósito bancário contestado pela recorrente, qual seja, de valor de R$447.897,45, de 14/05/2008, constatase que, para o mês de maio, de um montante de depósitos bancários de R$5.506.390,34, a Fiscalização afastou o valor de R$4.526.211,82, vez que foram informados na DIPJ/2009 (fl. 119), tendo incluído, portanto, na base de cálculo dos lançamentos de ofício a diferença de R$980.178,52. Percebese que a documentação apresentada pela recorrente apenas confirma o procedimento que a autoridade fiscal já feito, o de excluir as receitas que foram oferecidas à tributação pela empresa. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 899 14 Portanto, caberia à recorrente, para o mês de maio de 2008, apresentar documentação hábil e idônea para demonstrar a origem de depósitos bancários correspondentes ao somatório de R$980.178,52 e que não foram oferecidos à tributação, para desconstituir a presunção de omissão de receitas. Ainda que se fosse apreciar os documentos acostados pela recorrente, os extratos do diário e razão não se mostram suficientes para demonstrar a origem dos valores correspondentes ao depósito bancário de R$447.897,45. Mera apresentação de contas contábeis do razão, com o respectivo nome e lançamentos, não se mostra suficiente. Não consta nos autos plano de contas da empresa, ou identificação da contrapartida dos lançamentos contábeis, e muito menos documentos probatórios que pudessem lastrear as operações escrituradas. Por exemplo, no caso das receitas decorrentes de locação de imóveis próprios, deveriam ter sido acostados contratos de locação e recibos, o que não foi feito. Por sua vez, os valores lançados no Balancete e no LALUR não se prestam ao exame sintético necessário ao caso em análise. Quanto aos valores de R$2.955,00 e R$2.364,00 (do total de R$447.897,45), o qual a recorrente alega que seriam referentes a recebimentos de 2007 e, por isso, oferecidos á tributação em 2007 em consonância com o regime de competência, não há nos autos provas aptas a lastrear as alegações. Aduz a defesa que os valores estariam lançados nos livros Razão e Diário, com resultado de soma dos valores R$150,00, R$120,00, R$2.850,0 e R$2.280,00, descontados de 1,5% da retenção do IRF. O que se encontra nos autos, sobre tais valores, é um conjunto de lançamentos contábeis, assinalados à fls. 809/812, cujo histórico faz referência a notas fiscais que, contudo, não foram disponibilizadas nos autos. Vale reforçar que, no presente momento processual, não há que se falar em diligência, ainda mais para produzir provas das quais a contribuinte já foi alertada a disponibilizar em outras oportunidades. Assim, não há nenhum reparo ao procedimento adotado na ação fiscal. Enfim, ao contrário do que aduz recorrente, basta observar os autos de infração para constatar que a autoridade fiscal observou rigorosamente o que predica o art. 24 da Lei nº 9.249, de 2005: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Em obediência à opção da contribuinte, lucro real anual, foi apurada nova base de cálculo do IRPJ e da CSLL, adicionandose os valores decorrentes da presunção de Fl. 899DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 900 15 omissão de receitas. Vale destacar que, como a contribuinte já havia oferecido à tributação receitas cuja incidência já havia alcançado o adicional do IRPJ, os valores lançados de ofício foram corretamente agregados à apuração já efetuada anteriormente pela empresa e resultando em tributos a pagar. Quanto ao PIS e à Cofins, foram efetuados lançamentos decorrentes em obediência ao § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 2005. Nesse sentido, não há que se dar provimento ao recurso voluntário quanto à infração lançada com fulcro no art 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Muito menos há que se falar em diligência para que se proceda a análise da documentação contábil e fiscal acostada aos autos, vez que já foi realizada a apreciação do material apresentado pela contribuinte. No que concerne à outra infração tributária em discussão, referente à glosa de despesas, a recorrente discorre que a DRJ/Rio de Janeiro I teria ignorado a documentação apresentada na impugnação, e que o art. 924 do RIR/99 predica que cabe á autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração. Primeiro, há que se registrar que a decisão da primeira instância, ao contrário do que aduz a recorrente, efetuou análise pormenorizada da documentação apresentada pela contribuinte, o qual transcrevo a seguir. Antes, porém, cabe, de plano, esclarecer que o Lalur e o Balancete mencionados pelo interessado não são documentos hábeis para comprovar despesas e prestação de serviços. Como já abordado, o Lalur só é documento hábil para comprovar os registros dos ajustes do Lucro Líquido do Exercício (parte A) e para efetuar o controle das contas que constituirão ajuste do lucro líquido de exercícios futuros (parte B). Já o Balancete, só demonstra a posição final das contas patrimoniais e de resultado, sinteticamente, em determinado período, não sendo hábil a comprovar despesa de forma analítica. Feito o registro, passase à análise. Quadro Demonstrativo Despesas Operacionais não Dedutíveis (fl. 83): Data Conta Valor 22/02/2008 622010018 Honorários Advocatícios 15.000,00 3 1/03/2008 622010018 Honorários Advocatícios 140.000,00 Tais despesas indedutíveis constam do auto de infração, fls. 61/62. Fundamentação legal: artigo 249, inciso I, do RIR/1999. De acordo com a descrição contábil do Razão (fl. 85), tais despesas se refeririam a serviços prestados pelo escritório de advocacia Ferro & Castro Neves Advogados. Consta nota fiscal, com descrição genérica 'honorários advocatícios', no valor de R$ 15.000,00 (fl. 86), e documento do próprio interessado intitulado Contratação de Serviço, no valor de R$ 140.000,00 (fl. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 901 16 87). Consta, ainda, documentos juntados pelo interessado na peça impugnatória, intitulados de 'doc 10', quais sejam: os mesmos já constantes às fls. 86/87 e faturas de honorários emitida pelo escritório de advocacia, com descrição suscinta dos serviços que teriam sido prestados, nos valores de R$ 140.000,00 e R$ 15.000,00 De início, cabe registrar que documentos elaborados pelo próprio interessado, como é o referido documento de 'Contratação de Serviço' (fl. 87), não tem valor probante, já que produzido por fonte interna, e não por terceiros. Quanto à nota fiscal (fl. 86), a mesma descreve genericamente o serviço prestado ("honorários advocatícios"), não sendo, portanto, suficiente para esclarecer que tipo de assistência judicial foi prestada. Tal esclarecimento exigiria a apresentação do contrato porventura pactuado, onde constaria a descrição detalhada dos serviços que seriam efetuados, o que não ocorreu. Registrese que uma das faturas de honorários apresentadas (doc 10) faz menção a um suposto contrato datado de 14 de fevereiro de 2008, o qual, todavia, não foi apresentado pelo interessado. Com relação às faturas de honorários emitidas pelo escritório, as mesmas são indício de ocorrência de pagamento. Indício, porque não há cheques, ou outro documento (TED, por ex.) que comprove o efetivo pagamento, Ademais, a mera comprovação do pagamento, como já o dissemos, não atesta a efetiva prestação de serviços. Cabe registrar que a outra fatura de honorários (doc 10) faz menção de que os honorários seriam relativos a ações cautelar e ordinária movidas pela Philip Morris do Brasil contra o interessado e contra a empresa ISASul Administração e Participações S/A. Todavia, não consta, nos autos, o n° da referida ação judicial, petição inicial, decisões judiciais, certidão de objeto e pé expedida pelo cartório judicial onde tramita a ação, etc. que pudessem fazer prova a favor do interessado. Ademais, pagamento de despesas de terceiros (ISA Sul Administração e Participações S/A) é indedutível, uma vez que não foi comprovada a parte referente ao interessado. Portanto, pelo exposto, as despesas são indedutíveis, nos termos do artigo 249, inciso I, do RIR/1999, sendo procedente a glosa, em razão da falta de documentos hábeis, como contratos, relatórios e outros que comprovem a efetiva prestação dos serviços. Quadro Demonstrativo Despesas Operacionais não Dedutíveis (fl. 259): Data Conta Valor 15/12/2008 622010018 Honorários Advocatícios 116.669,94 22/12/2008 622010018 Honorários Advocatícios 45.000,00 Fl. 901DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 902 17 23/12/2008 622010018 Honorários Advocatícios 30.000,00 30/12/2008 622010018 Honorários Advocatícios 100.000,00 Total 291.669,94 Tais despesas indedutíveis constam do auto de infração, fl. 251. Fundamentação legal: artigo 249, inciso I, do RIR/1999. De acordo com a descrição contábil do Razão (fl. 261), tais despesas se referem a honorários advogado externo PJ\ Tais serviços também teriam sido prestados pelo escritório de advocacia Ferro & Castro Neves Advogados. Consta notas fiscais, emitidas por este escritório, com descrição genérica 'honorários advocatícios', nos valores de R$116.669,94, R$ 45.000,00 e R$ 30.000,00 (fls. 262/264), e documento do próprio interessado intitulado Contratação de Serviço, no valor de R$ 100.000,00 (fl. 265). Mais uma vez, cabe registrar que documentos elaborados pelo próprio interessado, como é o referido documento de 'Contratação de Serviço' (fl. 265), não tem valor probante, já que produzido por fonte interna, e não por terceiros. Quanto às notas fiscais (fls. 262/264), a mesma descreve genericamente o serviço prestado ("honorários advocatícios"), não sendo, portanto, suficiente para esclarecer que tipo de assistência judicial foi prestada. Tal esclarecimento exigiria a apresentação do contrato porventura pactuado, onde constaria a descrição detalhada dos serviços que seriam efetuados, o que não ocorreu. Portanto, pelo exposto, as despesas são indedutíveis, sendo procedente a glosa, nos termos do artigo 249, inciso I, do RIR/1999, em razão da falta de documentos hábeis, como contratos, relatórios e outros que comprovem a efetiva prestação dos serviços. Quadro Demonstrativo Outras Despesas Operacionais não Comprovadas (fl. 206): Data Conta Valor 31/05/2008 662099039 Serviços Contratados 207.606,33 11/08/2008 662099039 Serviços Contratados 212.417,52 11/09/2008 662099039 Serviços Contratados 391.632,31 15/10/2008 662099039 Serviços Contratados 376.460,84 10/11/2008 662099039 Serviços Contratados 383.481,43 Tais despesas não comprovadas glosadas constam do auto de infração, fls. 148/149. Fundamentação legal: artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do RIR/1999. De acordo com a descrição contábil do Razão (fl. 208), tais despesas se referem a despesas incorridas e pagas a empresa Alvo Distribuidora de Combustíveis. Todavia, não consta qualquer documentação fiscal emitida por esta empresa que Fl. 902DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 903 18 comprove que tais despesas incorreram e que os serviços foram efetivamente prestados. Assim, como as despesas não estão comprovadas, são indedutíveis, sendo procedente a glosa, nos termos do artigo 249, inciso I, do RIR/1999. Vale observar que a escrituração mantida em observância com as disposições legais somente fará prova a favor da contribuinte caso os fatos nela registrados estiverem comprovados com documentação hábil, nos termos do art. 923 do RIR/99. Por outro lado, caberia à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados na escrituração, conforme art. 924 do RIR/99, apenas no caso de a fiscalizada ter apresentado documentação apta a demonstrar a efetiva prestação de serviços que deram causa aos pagamentos escriturados como despesas. Ocorre que, no caso em tela, conforme análise realizada pela DRJ/Rio de Janeiro I, a documentação disponibilizada pela contribuinte não se mostra suficiente para demonstrar que as despesas escrituradas corresponderam á efetiva contrapartida de um serviço recebido, ou seja, se os serviços teriam os atributos de usualidade, normalidade e necessidade, e tampouco se ocorreu o correspondente pagamento, em razão da ausência de apresentação de documentos hábeis para lastrear os registros contábeis. Jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes e do CARF mostrase elucidativa sobre a questão: DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO Somente são admissíveis como dedutíveis despesas que, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, apresentaremse com a devida comprovação, com documentos hábeis e idôneos e que sejam necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. E, ainda, as deduções permitidas pela legislação e devidamente escrituradas em livro caixa, não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte. (Acórdão 104 223.393, 1º Conselho de Contribuintes / 4ª Câmara, Sessão de 07/08/2008, Relator Nelson Mallmann) DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILIDADE. Em conformidade com a legislação do imposto de renda, para que a despesa seja dedutível na apuração da base de cálculo do imposto, ela deve ser usual, normal e necessária à fonte de rendimentos da pessoa jurídica. À evidência, dispêndio que decorre de obrigação contraída por terceiro, ressalvada a hipótese de lei especial autorizadora, não pode ser deduzido na determinação do lucro real. DESPESA INCORRIDA. COMPROVAÇÃO. A simples alegação de que não se está diante de provisão, mas, sim, de despesa incorrida, não é suficiente para elidir a glosa promovida pela autoridade fiscal. No caso, é necessário que sejam aportados aos autos documentos que possibilitem identificar a natureza da obrigação, seja para se certificar de que o dispêndio correspondente já poderia ter sido apropriado no resultado, seja para aferir se a sua dedução na Fl. 903DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 12448.728289/201205 Acórdão n.º 1103000.938 S1C1T3 Fl. 904 19 apuração da base de cálculo do imposto encontrava lastro na legislação de regência. (Acórdão 130200.793, 1ª Seção/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 24/11/2011, Relator Wilson Fernandes Guimarães) Nesse contexto, as despesas escrituradas foram devidamente glosadas, por serem indedutíveis na determinação da base de cálculo para a apuração do lucro líquido, vez que não se mostraram necessárias à atividade da empresa e à manutenção de fonte produtora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 904DF CARF MF Impresso em 06/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 06/01/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10166.900148/2009-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA.
A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos.
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-004.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA. A decisão do julgador administrativo de primeira instância se deu em conformidade com as regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), tendo a autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 48 /2 00 9- 53 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900148/200953 Acórdão n.º 3803004.725 S3TE03 Fl. 51 2 Eduão Ferreira e Juliano Eduardo Lirani. Ausente justificadamente o conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Brasília/DF que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado, relativo à contribuição para o PIS, no valor atualizado de R$ 10.083,11, e não homologara a respectiva declaração de compensação, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação da notificação de lançamento, em razão da existência de vícios decorrentes da inobservância dos preceitos estabelecidos para a constituição da exação, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) sem fundamentação alguma, a fiscalização deixara de considerar os saldos credores do PIS existentes em decorrência de recolhimento a maior, procedimento esse operado em desconformidade com o disposto no artigo 14 da Instrução Normativa SRF n° 21/97, em que se determina que a compensação de créditos pode se efetivar independentemente de requerimento da parte interessada; b) a Fazenda não poderia simplesmente indeferir o pedido formulado e efetuar o lançamento da diferença sem a devida ação fiscal, esta destinada a apurar o direito de se compensar ou não o referido valor, nos termos do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972; c) a atuação da Fazenda Nacional feriu também, de forma clara, o direito de defesa e o contraditório, configurandose expressamente cerceamento aos referidos princípios estabelecidos no art. 5º , inciso LV, da Constituição Federal, assim como no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. A DRJ Brasília/DF não reconheceu o direito creditório, por ausência de comprovação do indébito reclamado, afastandose a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, em razão do fato de que a decisão denegatória da homologação de compensação não se confundiria com a notificação de lançamento prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dado que o débito declarado pelo contribuinte em PER/DCOMP constituiria confissão de dívida. Cientificado da decisão em 16 de abril de 2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de maio do mesmo ano e requereu a reforma da decisão de primeira instância, alegando nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa,sendo afirmado, ainda, o seguinte: a) “a dimensão do direito de defesa, viabilizado por meio do exercício do contraditório (binômio informaçãopossibilidade de reação), não pode ser compreendida como simples direito de manifestação no processo”, pois engloba, também, “o direito de informação, o direito de manifestação e o direito de ver os seus argumentos considerados”, devendo a defesa do sujeito passivo ser ampla e prévia à decisão a ser tomada, conforme posição Fl. 51DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900148/200953 Acórdão n.º 3803004.725 S3TE03 Fl. 52 3 externada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ocasião do julgamento do MS nº 22.693/SP; b) “uma vez vilipendiado o direito de defesa amplo e prévio à decisão, essa mesma decisão passa a ficar destituída de motivação justamente nos pontos em que os argumentos e as provas eventualmente declinados pela parte acusada deveriam ser considerados e sopesados”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. De início, registrese que se mostram descabidos os argumentos apresentados pelo Recorrente para requerer a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, uma vez que esta se pautou pelas regras que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, tendo aquela autoridade se pronunciado com base nos fundamentos fáticos e de direito presentes nos autos. Nos termos do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pela Lei nº 10.833, de 2003, a manifestação de inconformidade e o recurso apresentados pelos contribuintes para se contraporem às decisões administrativas relativas à compensação tributária devem obedecer o rito processual do PAF. No voto condutor do acórdão recorrido, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a ausência de comprovação do indébito reclamado, tendo sido afastada a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, em razão do fato de que, diferentemente do alegado pelo então Manifestante, a decisão denegatória da homologação de compensação não se confundiria com a notificação de lançamento prevista no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, dado que o débito declarado pelo contribuinte em PER/DCOMP constituiria confissão de dívida. Ressaltese que a decisão proferida pela repartição de origem, por meio eletrônico, se dera com base nas informações prestadas pelo próprio sujeito passivo quando da entrega do PER/DCOMP e da DCTF. Todas as informações necessárias à formalização da decisão já se encontravam disponíveis então, todas elas fornecidas pelo próprio sujeito passivo, quais sejam: (i) o pagamento efetuado (DARF), (ii) o Pedido de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) e (iii) a DCTF contendo os dados relativos a débitos e créditos. Quando a Administração tributária encontrase em condições de lavrar os atos de sua competência com base nas informações fornecidas pelo sujeito passivo e alimentadas em seus sistemas informatizados, inexiste necessidade de se proceder a novas coletas, ao contrário do alegado pelo Recorrente. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900148/200953 Acórdão n.º 3803004.725 S3TE03 Fl. 53 4 Dito em outras palavras, quando todos os dados necessários à análise já se encontram disponíveis, ao agente público não é deferido o direito de procrastinar a sua atividade vinculada e obrigatória, sob pena de violação dos princípios da legalidade, da eficiência e da oficialidade. Não se pode perder de vista que a fase litigiosa do Processo Administrativo Fiscal (PAF) iniciase com a Impugnação, que corresponde à fase de Manifestação de Inconformidade nos processos relativos à compensação tributária, por força do contido no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 e no art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, de sorte que, durante a fase que antecede o litígio, dispondo a Administração dos dados necessários à produção do ato administrativo, não se exigem intimações prévias, salvo quando imprescindíveis, o que não corresponde ao presente caso. Outro não é o entendimento que se extrai do contido na súmula CARF nº 46, em que consta que “[o] lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário”. Ainda que o presente processo não se refira à constituição de crédito tributário, a intelecção que se obtém da súmula pode muito bem ser a ele estendida, pois se para lançar de ofício um tributo a intimação prévia pode ser dispensada, muito mais isso poderá ocorrer nos casos de apreciação de pedidos do contribuinte, cujo direito pleiteado compete a ele comprovar. Dessa forma, não se vislumbra neste processo qualquer cerceamento ao direito de defesa do Recorrente, pois, desde o seu início, ele tem se manifestado na defesa do direito de que se acha detentor, não tendo lhe sido negadas quaisquer das garantias asseguradas pela legislação processual. Notese que o julgador administrativo de piso, a par da defesa dissonante do contribuinte, que apenas alegara a existência de vícios no despacho decisório por cerceamento do direito de defesa, deixou claro que os argumentos do requerente não se encontravam em consonância com a matéria controvertida nos autos. Conforme constou do voto condutor do acórdão recorrido, a não homologação da compensação sempre é comunicada ao interessado, sendolhe informado os motivos da recusa, assim como procedida a cobrança do débito indevidamente compensado. Destacou, ainda, o relator a quo, que, tendo o sujeito passivo discordado dos motivos que levaram à recusa da compensação, a ele fora assegurado o direito de expressar a sua irresignação em manifestação de inconformidade, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Lei nº. 10.833, de 2003. As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade da decisão de primeira instância. Por fim, destaquese que, em conformidade com o contido art. 59 do PAF, somente são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os Fl. 53DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900148/200953 Acórdão n.º 3803004.725 S3TE03 Fl. 54 5 despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses essas que, conforme já apontado, não se coadunam com a tramitação e a realidade fática deste processo. Inexiste, portanto, qualquer preterição do direito de defesa do Recorrente. Além disso, não se pode ignorar que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que comprove o direito creditório pleiteado. Para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Para se comprovar o direito creditório, há a necessidade de se trazerem aos autos a respectiva escrituração contábilfiscal e a documentação que a lastreia, documentos esses consistentes em prova hábil e idônea. Nenhum documento, por mais precário que fosse, foi trazido aos autos para se comprovar o direito pleiteado, não havendo nada que demonstre as alegações do Recorrente. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à alegada inoperância da Fiscalização. Em processos da espécie ao ora analisado, não cabe a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao alegar a necessidade de instauração prévia de ação fiscal para se analisar o seu pedido, pois aqui se está diante de provas que se encontram sob sua guarda, não se podendo imputar ao Fisco o dever de coletálas, em face da inércia do interessado. A não apresentação de provas dos fatos apontados e a alegação de inoperância do Fisco encontramse em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 54DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10166.900148/200953 Acórdão n.º 3803004.725 S3TE03 Fl. 55 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Em conformidade com o excerto supra, não se pode perder de vista que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal no momento da prolação do despacho decisório. Nesse contexto, voto por voto por REJEITAR a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por total falta de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 31/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10940.903165/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS inclui-se na base de cálculo da contribuição.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. Para as pessoas jurídicas em geral as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98, assim o ICMS incluise na base de cálculo da contribuição. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 65 /2 00 9- 15 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 11 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 26675.41602.091006.1.3.047031 devido à inexistência de crédito de R$ 246,39 para efetuar a compensação pretendida de R$ 699,25, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (código 8109), efetuado em 15/02/2002, teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS. Ressalta que pela nova sistemática de apuração dessas contribuições (Lei nº 9.718, de 1998, para o sistema cumulativo e Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, para o nãocumulativo) mantiveram a obrigatoriedade da inclusão do ICMS em suas bases de cálculo, em contradição à Constituição Federal, isso porque os valores pagos a tal título, inclusos nas operações por ela realizadas, não correspondem a faturamento, nem tampouco à receita. Cita entendimento de ministros do Supremo Tribunal Federal e lição de doutrinadores, a respeito. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins, podendo, a partir de fevereiro de 1999, ser excluído da base de cálculo da contribuição somente quando cobrado pelo vendedor de bens ou serviços, na condição de substituto tributário. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requereu que fosse reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 12 3 incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea (sic). É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 13 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. De imediato desconsiderase o pedido da recorrente que é dissociado da fundamentação do recurso voluntário. O recurso voluntário tem por objeto a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, enquanto o pedido faz referência ao direito de deduzir da base de cálculo da contribuição a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Em atenção ao amplo direito de defesa e do contraditório apreciase as razões do recurso voluntário. Como relatado, o litígio tem como controvérsia a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Para o período de apuração em discussão, segundo o código de receita do pagamento a maior, 2172 ou 8109, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 14 5 valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 15 6 c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 16 7 II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral o ICMS não faz parte desse rol, logo não pode ser excluído da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento e não prevê esta exclusão. Quanto às argumentações referentes ao conceito de faturamento com base nas regras estabelecidas nos artigos 195 e 239 da Constituição Federal, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Cabe, mais, acrescentar que a Lei estabelece que a exclusão do ICMS somente é permitida quando ele é cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento nos termos da Súmulas 68 e 94. Súmula 68 A parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. (Súmula 68, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 15/12/1992, DJ 04/02/1993 p. 775) Súmula 94 A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (Súmula 94, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/1994, DJ 28/02/1994) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 17 8 Registrese, por oportuno, que o Supremo Tribunal Federal está apreciando está matéria na ADC nº 18, no RE nº 240.785 e no RE nº 574.706/PR (sistemática de repercussão geral), salientando que não há uma decisão em definitivo sobre a questão. De modo que, ao contrário do alegado, não há que se falar em direito à restituição/compensação dos valores de PIS e Cofins, visto que o ICMS integra a base de cálculo da contribuição em referência. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante .assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903165/200915 Acórdão n.º 3801002.595 S3TE01 Fl. 18 9 Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.001661/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 20/11/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. INFRAÇÃO.
Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-002.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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MULTA. INFRAÇÃO. Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 61 /2 01 0- 61 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001661/201061 Acórdão n.º 2403002.368 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Auto de Infração DEBCAD 37.174.6140, lavrado em face de INFINITI MARKETING DE INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA E OUTROS, no valor de R$ 42.953,34 (quarenta e dois mil novecentos e cinqüenta e três reais e trinta e quatro centavos), por ter a empresa deixado de exibir documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenham informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. Nos autos consta Termo de Constatação Fiscal nas fls. 257/312, com vasta narrativa acerca do procedimento inquisitório, narrando os termos lavrados, as manifestações, as solicitações ao Ministério Público Federal e ao Judiciário, as remunerações omitidas, os lançamentos contábeis efetuados, dentre outros. O Relatório Fiscal do Auto de Infração, fl.s 324/328, informa que o contribuinte está sendo autuado porque deixou de apresentar os documentos relacionados no item 205 do Termo de Constatação Fiscal lavrado, assim como por ter apresentado livros contábeis com lançamentos omissos e que não espelham a realidade, conforme descrito no item 206 do Termo. Há também a informação que, de acordo com o sistema SICOB, a contribuinte foi autuada em ação fiscal anterior (AI 37.013.6900, de 17/08/2006), e seu recurso ao CARF não foi provido. Todavia, ainda não se tinha notícia de sua ciência formal, o que levou à auditoria à considerála primária. Também considerou haver agravante de dolo, conforme se descreveu nos itens 132 a 142 do Termo de Constatação Fiscal lavrado, o que triplicou o valor básico da multa, elevando a penalidade de R$ 14.317,78 para R$ 42.953,34. Foram arrolados como devedores solidários: Leandro Capozzielli, FINANCOB COBRACA EMPRESARIAL S/C LTDA.; FINANZIARIA COBRANCAS LTDA, FINANCORP PARTICIPACOES S/A, ORANGE SOLUCOES INTEGRADAS S/A, LF INVESTIMENTOS E CONSULTORIA LTDA, FINANCRED PROMOTORA DE VENDAS LTDA e DO IT COMUNICACAO E MARKETING LTDA. As empresas, segundo o auditor fiscal, constituem grupo econômico e o sóciogerente da principal autuada, teria incorrido no disposto no art. 135 e inciso III do CTN. DA IMPUGNAÇÃO Inconformados com o lançamento, os sujeitos passivos contestaram o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 371/388. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP – DRJ/SP1, prolatou o Acórdão 16 45.066, de fls. 475/490, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/06/2010 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AIOA CFL 38. Constitui infração a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212/91, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme art. 33, §§2º e 3o da Lei 8.212/91 combinado com os art. 232 e, 233 parágrafo único do Decreto 3.048/99. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de perícias, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO DESNECESSIDADE A realização de diligência será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido da impugnante, somente quando necessária para a apreciação da matéria litigada. Caso desnecessário o pedido de diligência deve ser indeferido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 685DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001661/201061 Acórdão n.º 2403002.368 S2C4T3 Fl. 4 5 DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 505/529, requerendo a reforma do Acórdão, com os seguintes argumentos, em suma, a ausência de habitualidade no pagamento e, portanto, não se caracterizando como verba salarial, a ausência de provas e a confiscatoriedade da multa. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE De acordo com o documento de fl., temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Segundo o relatório fiscal da infração, a empresa não apresentou folhas de pagamentos relacionadas aos contribuintes individuais para o período fiscalizado, além de vários outros documentos contábeis. Tal fato ensejou a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 33, parágrafos 2. e 3. e art. 92, art. 102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art. 283, II, ‘j’ , in verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação Fl. 687DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19515.001661/201061 Acórdão n.º 2403002.368 S2C4T3 Fl. 5 7 continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ************************************************** Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; A autoridade aplicou o valor da multa acima em conformidade com a atualização dada pela Portaria Interministerial MPS/MF n. 333 de 29/06/2010, cujo valor Base é de R$ 14.317,78, agravada em três vezes, vez que foi constatada circunstância agravante de dolo e por haver obstado a fiscalização, previstas no art. 290, II e IV, respectivamente, não havendo qualquer reparo a ser feito. Os fatos contidos no Termo de Constatação Fiscal são aptos a caracterizar a imputações realizadas pelo AFRFB. Quanto às alegações de inconstitucionalidade e de confiscatoriedade da multa, temse que estas não podem ser analisadas em razão da atração da Súmula CARF 02. Quanto à perícia, esta é desnecessária dada a objetividade do fato gerador da multa em apreço, que está com sua materialidade demonstrada a partir dos descumprimentos constantes nos documentos dos autos. DOS SOLIDÁRIOS – DO GRUPO ECONÔMICO Fl. 688DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Apesar de não ter sido matéria impugnada pelas recorrentes, passase à sua análise para que não se deixe lacunas. A partir das informações constantes nos itens 308 a 310 do Termo de Constatação Fiscal, além de toda a sua narrativa, temse que as empresas constituem grupo econômico e respondem solidariamente pelas contribuições ante a patente confusão patrimonial entre elas e a prática de atos constantes no art. 135 do CTN. CONCLUSÃO Do exposto, voto no sentido de negar provimento. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.006290/2010-98
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento.
PRAZO PARA CONCLUSÃO DOS TRABALHOS DE FISCALIZAÇÃO
Não há limite para o número de prorrogações de procedimento fiscal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO.
Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas.
PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA.
Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PRAZO PARA CONCLUSÃO DOS TRABALHOS DE FISCALIZAÇÃO Não há limite para o número de prorrogações de procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, que atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN e presentes os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. PRAZO PARA CONCLUSÃO DOS TRABALHOS DE FISCALIZAÇÃO Não há limite para o número de prorrogações de procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para que as despesas previstas na legislação como dedutíveis da base de cálculo do IRPF sejam acatadas, indispensável a existência de documentos hábeis e idôneos que comprovem a realização das respectivas despesas. PENALIDADE. MULTA QUALIFICADA. Deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação da fraude. Incabível a aplicação da penalidade por presunção de fraude, em face de mera glosa das despesas pleiteadas como deduções a título de despesas médicas. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 62 90 /2 01 0- 98 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.006290/201098 Acórdão n.º 2801003.371 S2TE01 Fl. 123 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente aos exercícios de 2006 a 2010, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 72.817,47. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de dependentes, despesas médicas, pensão judicial e despesas com instrução. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: Preliminar Da Nulidade do Ato Fiscal Alega que o auto de infração é nulo devido a falta do Termo de Inicio de Fiscalização com o ciente do sujeito passivo, tampouco foi informado do prazo da conclusão dos trabalhos, ofendendo As determinações do artigo 196 do CTN. Afirma que o procedimento fiscal não atende aos requisitos estabelecidos sendo nulo de pleno direito. Argumenta que não houve comunicado expresso e ciência do contribuinte referente ao anocalendário 2007, que já fora objeto de análise. Mérito AnoCalendário 2005 Alega que o seu filho FABIANO BETTEGA LINARES de fato foi seu dependente, conforme o próprio auditor relata no item 2.02 do Termo de Verificação Fiscal, sendo assim, resta comprovada a relação de dependência conforme prevê a legislação. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.006290/201098 Acórdão n.º 2801003.371 S2TE01 Fl. 124 3 Argumenta que o pagamento de despesas de instrução próprias pagas ao SENAI e com seus filhos e com sua cônjuge, são previstas na legislação e passíveis de dedução, dentro dos valores permitidos pela legislação. Ressalta que lançou as despesas médicas com amparo na legislação, e que do valor de R$ 3.944,89 pagos a Fundação Cope! de Previdência e Assistência Social foi glosado o valor de R$ 613,30, sob alegação de que se tratava de valor referente a Fabiano B. Linares, devido a não comprovação de que cursava faculdade. Argumenta que se trata de seu filho, considerado pela legislação como seu legitimo dependente, e ainda que de fato cursou a faculdade, conforme o próprio auditor relata no item 2.02 do Termo. AnoCalendário 2006 Alega que foi informado como seus dependentes seus filhos Fabiano Bettega Linares e Daniela Bettega Linares e que de fato foi efetuado despesas com instrução com ambos, dentro do limite legal. Afirma que também é legitima a dedução com despesas com instrução próprias pagas ao SENAI, uma vez que a legislação permite. Ressalta que houve um equivoco do auditor ao informar que estaria sendo glosado o valor de R$ 2.373,84, referente a despesas da sua então cônjuge Kátia Rosana Bettega Linares para com o colégio Harpa, pois o valor declarado na sua DIRPF é de somente R$ 1.680,00. Ressalta que lançou as despesas médicas com amparo na legislação, e que do valor de R$ 4.048,91 pagos a Fundação Cope! de Previdência e Assistência Social foi glosado o valor referente ao seu filho Fabiano B. Linares e Daniela Bettega Linares, que o próprio auditor relata o pagamento de despesas com instrução no item 2.2 e 2.4 do Termo. Reitera o fato de que ambos são seus filhos e eram dependentes do contribuinte. AnoCalendário 2007 Alega que com amparo na legislação do imposto de renda declarou a sua filha Daniela Bettega Linares como sua dependente e que neste mesmo ano também declarou despesas com instrução com esta dependente, observando o limite legal. Informa que declarou a sua irmã como sua dependente, visto que de fato custeava as suas despesas. Ressalta que também declarou despesas com instrução com sua então cônjuge, Kitia Rosana Bettega Linares com amparo na legislação pertinente. Argumenta que lançou as despesas médicas com amparo na legislação, e que dos valores pagos a Fundação Cope! de Previdência e Assistência Social foi glosado o valor referente ao Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.006290/201098 Acórdão n.º 2801003.371 S2TE01 Fl. 125 4 seu filho Fabiano B. Linares e Daniela Bettega Linares, que o próprio auditor relata o pagamento de despesas com instrução no item 2.2. AnoCalendário 2008 Alega que com amparo na legislação do imposto de renda declarou a sua filha Daniela Bettega Linares como sua dependente e que neste mesmo ano também declarou despesas com instrução com esta dependente, observando o limite legal. Informa que declarou a sua irmã como sua dependente, visto que de fato custeava as suas despesas, tendo efetuado pagamentos com instrução para a referida dependente. Argumenta que lançou as despesas médicas com amparo na legislação, e que dos valores pagos a Fundação Copel de Previdência e Assistência Social foi glosado o valor referente a sua filha Daniela Bettega Linares, que o próprio auditor relata o pagamento de despesas com instrução no item 2.2. Ressalta que o auditor fiscal incidiu em erro passível de nulidade do auto de infração ao informar que a glosa de pensão alimentícia referese ao anocalendário de 2008, e em outro momento referese o auditor ao anocalendário de 2009. Afirma que é entendimento pacifico que a multa de 150% só é aplicável quando restar comprovado que houve o evidente intuito de sonegar, mediante prática dolosa do contribuinte e que no presente caso não se apresenta qualquer indicio de ter o sujeito passivo agido com dolo. Neste sentido, cita jurisprudência. Por fim, requer o cancelamento do auto de infração uma vez que o procedimento fiscal se deu em desacordo com a legislação. A 7ª Turma da DRJ/CTA/PR julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 79/90, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As despesas com instruções e médicas não comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, não podem ser acolhidas, para fins de dedução do IRPF. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A prática de reduzir, indevidamente, de modo reiterado e continuado, o rendimento oferecido à tributação, por força de dedução indevida ou outro artifício, é forte indicio de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada de 150%. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.006290/201098 Acórdão n.º 2801003.371 S2TE01 Fl. 126 5 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele Acórdão em 08/12/2011 (fl. 108), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 109/116, em 06/01/2012. Em sua defesa, alega que a decisão da 1ª instância omitese quanto ao prazo para conclusão dos trabalhos de fiscalização. Aduz que o auditor fiscal não fixou prazo máximo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, em desacordo com o que estabelece o art. 196 do Código Tributário Nacional. Afirma que a omissão ora levantada constitui grave violação ao direito fundamental ao contraditório e à ampla defesa neste processo administrativo, violação ao devido processo legal, incidindo, por consequência, em grave violação ao princípio da motivação das decisões administrativa. Defende que o fiscal e o julgador de 1ª instância deveriam buscar a verdade material, sobretudo no que concerne as alegações de que os documentos que serviram de base para dedução da base de cálculo do imposto foram extraviadas. Reclama a falta de ordem escrita ou autorização especial para o reexame do anocalendário de 2007. Argumenta que há incoerência entre os valores lançados, com os efetivamente descritos e narrados pelo sujeito passivo, o que enseja a nulidade do auto de infração. Ratifica todos os termos da impugnação apresentada, quanto ao mérito, uma vez que de acordo com a verdade, o contribuinte deduziu da base de cálculo, valores referentes a despesas próprias e de seus dependentes, em consonância com a legislação pertinente. Frisa que sempre esteve à disposição do fisco, atendendo as intimações, prestando as informações solicitadas, informando de forma pormenorizada o nome e o CPF/CNPJ dos fornecedores lançados em sua declaração, de forma que possibilitasse a aferição pelo sujeito ativo do expressamente alegado. Contesta a aplicação da multa qualificada, por violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, pois lançou como despesas próprias e de seus dependentes valores efetivamente realizadas e pagas, com emissão de documentos fiscais idôneos. Ocorre pois, que como relatado e informado, parte dos documentos foram extraviados. Assim, não há que se falar em fraude, tampouco simulação ou ocultação, visto que em nenhum momento o contribuinte se negou a prestar as informações, sempre de acordo com a verdade. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Preliminarmente, rejeitase a suscitada nulidade do lançamento por desrespeito às regras que regem o procedimento administrativo fiscal, em especial quanto ao prazo para conclusão dos trabalhos de fiscalização. Isto porque o art. 7º, §2º do Decreto 70.235/72, ao prever o prazo de 60 dias, renovável por igual termo, para a verificação das possíveis irregularidades quanto ao lançamento efetuado pelos contribuintes, está referindose à exclusão da espontaneidade do sujeito passivo, pois, decorrido o prazo de 120 dias, o fiscalizado recupera a prerrogativa da denúncia espontânea, podendo realizar o pagamento e Fl. 126DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.006290/201098 Acórdão n.º 2801003.371 S2TE01 Fl. 127 6 confissão do erro e livrar da aplicação de penalidades, conforme disposto no art. 138, do CTN. Além deste prazo, inexistem disposições legais acerca de duração máxima de um procedimento fiscal. O que existe, em regramento específico do Ministério da Fazenda — Portaria SRF nº 3.007/2001 — é a exigência de que os MPF tenham prazo de 120 dias, podendo ser renovados tantas vezes quanto necessário, por prazo adicional de 60 dias, até o termo do prazo decadencial: Ademais, diferente do que entende o peticionário, o art. 196 do Código Tributário Nacional não diz respeito ao prazo para conclusão dos trabalhos de fiscalização, mas sim dos procedimentos de diligência. Ainda, impende salientar que as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa estão preservadas pela oportunidade que teve o contribuinte de examinar o processo e dele obter cópia, bem como de apresentar as razões contidas na impugnação e repetidas em grau de recurso. Quanto à busca da verdade material concernente às alegações do contribuinte de que os documentos que serviram de base para dedução da base de cálculo do imposto foram extraviadas, desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir as provas necessárias à defesa do sujeito passivo, que deveriam e poderiam ter sido providenciadas pelo recorrente . Também não se sustenta o discurso do recorrente no sentido de que falta ordem escrita ou autorização especial para o reexame do anocalendário de 2007, haja vista, a fl. 28, a autorização do Delegado da DRF em Cascavel/PR para a realização de nova fiscalização, objetivando a lavratura de lançamentos para a constituição dos créditos referente as infrações do anocalendário de 2007. Em relação às incoerência entre os valores lançados com os efetivamente descritos, já foi esclarecido pela decisão recorrida que ocorreu mero erro na descrição constante do Termo de Verificação Fiscal, que não alterou o valor devido do Contribuinte, tendo em vista que o lançamento das infrações foi realizado corretamente nos devidos anos calendários. No que se refere às glosas das deduções a título de dependentes, despesas médicas, pensão judicial e despesas com instrução, não merece reparos a decisão de primeira instância, uma vez que não foram carreados aos autos elemento de provas hábeis a comprovar as despesas declaradas. Em relação à aplicação da multa de oficio qualificada mantida pela decisão de primeira instância, impende verificar se a conduta estampada nos autos coadunase aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502/1964. As infrações decorrentes de glosas de despesas ou omissões de rendimentos são apenadas, como regra, com multa de ofício de 75%. Inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude Fl. 127DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10935.006290/201098 Acórdão n.º 2801003.371 S2TE01 Fl. 128 7 do sujeito passivo”, a demonstrar que a simples omissão de receitas ou rendimentos não autorizam a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, para qualificar a multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples omissão de rendimentos ou a glosa de despesas. Neste último caso, como exemplo, a qualificação da multa deve ser mantida quando o contribuinte utiliza um documento que se reputa falso, ideológica ou materialmente, para alicerçar a despesa dedutível, tal como um recibo médico inidôneo. Não foi o que aconteceu nestes autos. Tratouse, na espécie, de glosa de dependentes, despesa médicas, pensão judicial e despesas com instrução, para as quais o contribuinte não apresentou os recibos e/ou comprovante de pagamentos hábeis a confirmar as despesas declaradas. Como se vê, não foi demonstrada a utilização de recibos, material ou ideologicamente, falsos, aí sim, uma hipótese que autorizaria a qualificação para o caso vertente. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício lançada, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 128DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 13893.000202/2004-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
PAF - RECURSO ESPECIAL - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente pode ser conhecido se a Fazenda Nacional apontar e demonstrar fundamentadamente que a decisão recorrida contrariou a Lei (e não a Ato Executivo), ou a evidência de prova, o que não ocorreu no caso em apreço.
Numero da decisão: 9101-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente - Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 PAF - RECURSO ESPECIAL - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O recurso especial interposto com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente pode ser conhecido se a Fazenda Nacional apontar e demonstrar fundamentadamente que a decisão recorrida contrariou a Lei (e não a Ato Executivo), ou a evidência de prova, o que não ocorreu no caso em apreço.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente - Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2037; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 5 1 4 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13893.000202/200428 Recurso nº 146.172 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.794 – 1ª Turma Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRPJ E OUTROS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERÂMICA E VELAS DE IGNIÇÃO NGK DO BRASIL LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PAF RECURSO ESPECIAL IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O recurso especial interposto com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente pode ser conhecido se a Fazenda Nacional apontar e demonstrar fundamentadamente que a decisão recorrida contrariou a Lei (e não a Ato Executivo), ou a evidência de prova, o que não ocorreu no caso em apreço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Henrique Pinheiro Torres Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior e Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Ausente, justificadamente, Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 02 02 /2 00 4- 28 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13893.000202/200428 Acórdão n.º 9101001.794 CSRFT1 Fl. 6 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 10322.885, proferido em sessão de 28 de fevereiro de 2007. Cuidase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) relativo ao anocalendário de 1999, protocolizado em 14/05/2004, o qual foi indeferido por meio do Despacho DRF/SEORT/GUA n° 173/2004, fls. 103/105, sob a alegação de que tal pedido era intempestivo, posto que foi apresentado em 14/05/2004, aduzindo a Fiscalização que o prazo limite seria 28/02/2003, consoante o Decretolei n° 1.376/74 (com as alterações do Decretolei n° 1.752/79), que instituiu o FINOR, FINAM e o FISET. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 108/119), alegando, em síntese, que: (i) Consoante disposto no art. 1° do Decretolei ° 1.376/74, aplicava parte de seu imposto de renda devido em fundos de investimentos regionais. Contudo, ao receber seu extrato em favor do FINAM, em 20 de setembro de 2002, constatou que este apresentava o saldo zerado, quando o correto seria apresentar a quantia de R$ 695.176,03. (ii) Aduz que a justificativa apresentada pela Receita Federal para tal acontecimento pautouse no fato de que existiam débitos em aberto da empresa relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF (doc. 05), o que importava na vedação de qualquer benefício ou incentivo fiscal. Contudo, argumenta que todos os tributos apontados pelo Fisco estavam com a exigibilidade suspensa, nos termos dos artigos 151 e 206 do CTN, conforme certidões juntadas ao processo (doc. 06). (iii) Em 15 de maio de 2004 apresentou Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), o qual foi julgado intempestivo, conforme artigo 15, § 5° do Decretolei 1.376/74, com redação dada pelo art. 1° do Decretolei 1.752/79 e também por força do Ato Declaratório Executivo CORAT n° 96/02. Quanto a esse fato, aduziu que o entendimento da autoridade julgadora estaria equivocado, na medida em que o prazo seria de 5 anos, por aplicação analógica da regra geral disposta no CTN, em relação à decadência de restituição do indébito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas – SP indeferiu a solicitação do contribuinte, em decisão que restou assim ementada (fls.135/141): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: PERC. INTEMPESTIVIDADE. A falta de emissão do extrato das aplicações em incentivos fiscais pelos órgãos da Secretaria da Receita Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13893.000202/200428 Acórdão n.º 9101001.794 CSRFT1 Fl. 7 3 Federal, ou sua emissão com a opção cancelada, ou, ainda, divergente daquela consignada na declaração de rendimentos, relativa ao anocalendário de 1999, deveria ter sido contestada pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 28 de fevereiro de 2003, conforme disposição expressa do Ato Declaratório Executivo CORAT n.° 96, de 10 de setembro de 2002. Solicitação Indeferida Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 175/189) no qual reiterou as razões de sua Manifestação de Inconformidade. Sobreveio o acórdão da Terceira Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para reconhecer a tempestividade do pedido de emissão do Certificado de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC). A decisão ficou assim ementada: IRPJ EMISSÃO DE CERTIFICADOS DE INCENTIVOS FISCAIS PEDIDO DE REVISÃO — PERC Em prestígio ao princípio da legalidade, na ausência de norma expressa que fixe o termo final para solicitar a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais, deverá ser reconhecida a tempestividade do pedido formulado dentro do prazo qüinqüenal de decadência do direito à restituição ou compensação de indébitos, em respeito ao equilíbrio entre prazo do direito do fisco para lançar e aquele dado ao sujeito passivo para pleitear seus direitos, ressalvandose à Administração Tributária a possibilidade de conferir a liquidez e certeza do respectivo valor. Recurso voluntário provido. A Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 interpôs Recurso Especial (fls.202/206), aduzindo contrariedade da decisão com o Ato Declaratório Executivo CORAT n° 96, de 2002. Em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial às fls. 209/210, foi dado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por estarem satisfeitos os pressupostos regimentais de admissibilidade. Às fls. 215, por meio de Termo de Comunicação SEORT, foi dado ciência ao contribuinte do Acórdão proferido pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial da Fazenda Nacional. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 218/230. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13893.000202/200428 Acórdão n.º 9101001.794 CSRFT1 Fl. 8 4 O acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, entendendo ser tempestivo o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC, com base nos artigo 168 do Código Tributário Nacional. A recorrente, entretanto, requer seja reconhecida a intempestividade do PERC, com base no Ato Declaratório Executivo CORAT n° 96, de 10/09/2002. A divergência, portanto, reportase ao prazo para interposição do PERC. No presente caso, o litígio instaurouse mais especificamente em relação à aplicação, por analogia, do artigo 168 do Código Tributário Nacional, que prevê o prazo de 5 anos, ou pela aplicação do Ato Executivo CORAT n° 96, que estipulou como prazo final o dia 28/02/2003. Antes de adentrar ao mérito da questão e, a despeito de o recurso especial ter sido objeto de despacho de admissibilidade, entendo que cabe ainda algumas considerações sobre o seu conhecimento. Conforme relatado, a Fazenda Nacional, com fundamento no artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (Regimento anterior), interpôs Recurso Especial aduzindo contrariedade da decisão com o Ato Declaratório Executivo CORAT n° 96, de 2002. Ocorre que referido artigo do RICARF prevê o cabimento de Recurso Especial contra decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência de prova. Neste passo, a divergência suscitada deve se dar contra a lei strictu sensu, não sendo o referido Ato Declaratório Executivo abrangido por tal classificação, porquanto “Lei” e “Legislação” abrangem normativos distintos. Tratase, inclusive, de entendimento já exarado pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão de n° 92.00377, de relatoria do Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, cuja ementa abaixo transcrevo: RECURSO ESPECIAL – RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL COM ALTERAÇÃO DO MODELO SIMPLIFICADO PARA O COMPLETO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO – IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. O recurso especial interposto com fundamento no artigo 7, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, somente pode ser conhecido se a Fazenda Nacional apontar e demonstrar fundamentadamente que a decisão recorrida contrariou a lei (e não a Ato Declaratório Normativo), ou a evidencia de prova, o que não ocorreu no caso em apreço.” (AC 920200.980, Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – 2ª Turma da 2ª Câmara, data de publicação: 17/08/2010). Por tais razões, entendo que o recurso não deve ser conhecido. Por todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da d. Fazenda Nacional. Sala das sessões em 20 de novembro de 2013. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13893.000202/200428 Acórdão n.º 9101001.794 CSRFT1 Fl. 9 5 Karem Jureidini Dias Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 20/12/2013 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10830.014952/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Tratase de Auto de Infração nº 37.241.3935, o qual exige contribuições previdências incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados, incluindose o SAT, bem como a segurados contribuintes individuais no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 14 95 2/ 20 10 -7 1 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.391 S2C3T1 Fl. 3 2 Aponta o Relatório Fiscal que “foi constatado que em 27/12/2005, a Delegacia da Receita Previdenciária em CampinasSP havia cancelado a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da lei 8.212/91, por infração ao inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, pelos motivos especificados na Decisão Notificação n° 21.424.4/007/2005.” Ainda de acordo com o citado Relatório verificouse que a associação não possuiu o Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, no período de 01/01/2004 a 31/12/2006, conforme Resolução n. 7 de 03/02/2009. Ademais, aduz que o sujeito passivo voltou a possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a partir de 01/01/2007, mas não requereu ao INSS a isenção das contribuições previdenciárias, conforme previsto no parágrafo 1º, do artigo 55 da Lei 8.212/91. Devidamente intimado em 10/11/2010 o sujeito passivo apresentou impugnação, a qual, em apertada síntese, sustentou o seguinte: i) preliminarmente, que impetrou, em 01.11.2006, mandado de segurança, que recebeu o n° 001363974.2006.403.6105, para discutira imunidade das contribuições previdenciárias, com base no §7º, do art. 195 da CF/88, sendo necessária a suspensão do presente processo administrativo para evitar decisões conflitantes; ii) no mérito, que é sociedade de assistência social sem fins lucrativos, fundada há mais de 100 anos, cujo principal objetivo é a prática permanente da gratuidade e filantropia e goza da isenção prevista no § 7º do artigo 195 da Carta Magna. Sustenta que a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 foi requerida através do protocolo n° 71010.002644/200312, e apesar de não constar da Resolução n° 7/2009, foi automaticamente renovado nos termos do artigo 39, da MP 446/2008 e que não pode se sujeitar ao pagamento do SalárioEducação. A DRJ de Campinas manteve parcialmente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 IMUNIDADE/ISENÇÃO. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212, DE 1991. REQUERIMENTO AO INSS. CEBAS. Para a fruição da imunidade/isenção em relação às contribuições previdenciárias, a entidade deve preencher todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, entre eles ter requerido ao INSS tal benefício e ser portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. SALÁRIO EDUCAÇÃO. ORGANIZAÇÕES HOSPITALARES E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. As organizações hospitalares e de assistência social são isentas do recolhimento da contribuição social do Salário Educação, desde que atendam cumulativamente aos requisitos estabelecidos nos incisos I a V do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.391 S2C3T1 Fl. 4 3 Não cabe às autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Diante da decisão supra a empresa apresentou recurso voluntário repisando os argumentos suscitados na impugnação. Na assentada de 21 de junho de 2012 essa Turma decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que: “a autoridade fiscal informe nesses autos acerca do andamento processo administrativo que deu origem ao Ato Cancelatório de fl. 33, bem como anexe as decisões e os recursos nele protocolados, bem como intime o sujeito passivo para trazer aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, bem como da sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. É o Relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.391 S2C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator Como se depura dos autos foi lavrado Auto de Infração exigindo as contribuições previdenciárias do período, uma vez que entendeu a Fiscalização não ter cumprido o sujeito passivo ao menos dois requisitos previstos no artigo 55 da Lei nº 8.212/91 para obter a isenção, quais sejam, deter o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social e requerer a isenção junto ao INSS. Segundo consta no Relatório Fiscal a isenção do sujeito passivo fora cancelada pela DRP de Campinas em 27/12/2005 mediante Ato Cancelatório retroativo a 01/01/1993, o qual se encontra anexado às fl. 24 desses autos. O sujeito passivo, por sua vez, em que pese não repetir a informação no recurso voluntário, aduziu na impugnação que ingressou com ação judicial para discutir o § 7º do artigo 195 da Constituição, o qual regula, em nível Magno, a isenção das contribuições previdenciárias das entidades beneficentes de assistência social. A r. decisão a quo ao enfrentar o pedido da ora recorrente de suspensão do processo administrativo em decorrência do ajuizamento da mencionada ação judicial relata que “não se poder julgar se há identidade exata de objetos entre este processo administrativo e o mandado de segurança impetrado”. Entendi em assentada anterior que antes mesmo de se ingressar no mérito da questão ora trazida pelo recurso voluntário, há de se buscar informações e documentos que podem influenciar a decisão a ser tomada, seja em relação ao processo administrativo que cancelou a isenção do sujeito passivo, seja em relação ao processo judicial por este promovido. Assim, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal informe nesses autos acerca do andamento processo administrativo que deu origem ao Ato Cancelatório de fl. 33, bem como anexe as decisões e os recursos nele protocolados, bem como intime o sujeito passivo para trazer aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, bem como da sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. Contudo, verificase que a diligência foi cumprida parcialmente, momento em que foram anexadas cópias de decisões obtidas junto ao site do E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Nesse sentido, VOTO no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA devendo os autos retornar a origem para que a diligência requisitada seja cumprida na sua integralidade de modo que: sejam anexadas as decisões e os recursos protocolados, bem como intimese o sujeito passivo para trazer aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança n° 001363974.2006.403.6105, bem como da sentença, recursos e acórdãos por ventura existentes. Adriano Gonzales Silvério Conselheiro Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10830.014952/201071 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.391 S2C3T1 Fl. 6 5 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 03/12 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 12259.000456/2008-92
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/11/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.953
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/11/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 04 56 /2 00 8- 92 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000456/200892 Acórdão n.º 2803002.953 S2TE03 Fl. 3 2 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000456/200892 Acórdão n.º 2803002.953 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, constatouse que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 26 de junho de 2009 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 22/11/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. DECADÊNCIA. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do artigo 173, I, do CTN. É subsistente o auto de infração lavrado por descumprimento de obrigação acessória, quando a multa é variável e parte das competências está dentro do prazo decadencial de cinco anos. Lançamento Procedente em parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Da preliminar de decadência. A obrigação acessória reclamada neste Processo Administrativo referese ao período de 03/1999, 01/2001 e 12/2002, tendo sido realizada pela Empresa (Sujeito Passivo desta Obrigação), porém conforme apurado pelo referido auto a prestação não estava adequada com os padrões e normas estabelecidas pela previdência. O fato gerador que deu causa a referida obrigação acessória é uma contribuição previdenciária, que por suas características segue a modalidade de lançamento por homologação. Logo, deve obedecer ao prazo prescricional definido no artigo 150, § 4º do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000456/200892 Acórdão n.º 2803002.953 S2TE03 Fl. 5 4 Não é cabível a fundamentação da Turma de Julgamento no sentido de considerar procedente o lançamento da penalidade aplicada em decorrência do não cumprimento adequado da obrigação acessória. A Turma de Julgamento pretende a aplicação da penalidade em decorrência do não cumprimento adequado da obrigação acessória com fulcro no prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN, ou seja, 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter ocorrido. O que se pretende é demonstrar que este entendimento da Turma de Julgamento não está adequado ao caso em tela. Conforme fundamentação. Do mérito. É imperioso observar a relevância do alegado não cumprimento adequado da referida obrigação acessória. De acordo com as informações proferidas no próprio Auto de Infração a penalidade é devida não pela ausência da declaração por parte da Empresa – Contribuinte – apenas por esta declaração não estar em total acordo com as normas e padrões estabelecidos pela Previdência. Porém, este fato, por si só, não é suficiente para gerar a aplicação de tal penalidade, uma vez que o fato não causa prejuízo ao erário. A obrigação principal foi devidamente cumprida, o que demonstra a boafé do sujeito passivo. A aplicação desta penalidade se faz de forma excessiva, podendo vir a causar prejuízo a Empresa que, ressaltase, encontrase atravessando por enormes dificuldades financeiras. Requer não acolhido o pleito acima, que seja relevada a penalidade aplicada. Analisando os processos administrativos que correm em face desta Empresa notase que existem vários Autos de Infração que examinam o não cumprimento adquado da Obrigação Acessória no mesmo período que este Auto. Assim, em homenagem ao princípio do ne bis in idem, requer que sejam todos os processos julgados em conjunto devido a unicidade da matéria e identidade dos períodos, de forma a evitar decisões diversas o que acarretará possibilidade, inclusive, de lançamento em duplicidade. Diante do exposto e do consta nos autos requer seja acolhido e provido o presente Recurso Voluntário, para reformar a decisão atacada declarando IMPROCEDENTE o lançamento, ou consideralo nulo ab initio e determinar o seu arquivamento, pelos fatos e fundamentos acima expostos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000456/200892 Acórdão n.º 2803002.953 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, constatouse que a empresa apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A falta cometida pelo contribuinte está capitulada no art. 32, IV, § 5º da lei 8.212/91 c/c o art. 225, IV, § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Analisando os autos, notase que restou claramente evidenciada a falta cometida pelo contribuinte, situação que justifica o enquadramento da empresa nos dispositivos legais referidos no parágrafo anterior. No lançamento, a autoridade administrativa observou as regras de que trata o art. 10 do Decreto nº 70.215/72, bem como aquela prevista no art. 142 do CTN, não havendo, portanto, nenhuma falha que possa macular o lançamento ora em discussão. De outra parte, é sabido que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP – Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. Assim, não se pode perder de vista que o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurase infração à legislação, conforme a descrição sumária da infração e dispositivo legal infringido (fls. 01). Nada obstante à discussão estabelecida entre o Fisco e o contribuinte, há que se considerar, in casu, que a multa imposta, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000456/200892 Acórdão n.º 2803002.953 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 132DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 12259.000456/200892 Acórdão n.º 2803002.953 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 7/01/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10983.912167/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - RELATOR - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, deve-se apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES - RELATOR - Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1775; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 136 1 135 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.912167/200907 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.113 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2013 Matéria PIS Recorrente PORTOBELLO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES RELATOR Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 21 67 /2 00 9- 07 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação Dcomp cujo objeto é a compensação de débito do contribuinte com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS. Adoto, por bem retratar o caso dos autos, o relatório utilizado no acórdão de impugnação: Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida em 24/06/2009, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com um crédito decorrente de pagamento indevido ou efetuado a maior a titulo de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS (cód. 6912), apurado em 31/03/2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do "DARF discriminado no PER/DCOMP", no valor de R$ 35.874,82, havia sido "integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte", no caso um débito descrito como "Db: cód 6912 PA 31/03/2006", não restando, portanto "crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte Manifestação de Inconformidade, onde preliminarmente, alega nulidade da "notificação lançada" em razão de haver cerceamento. Argumenta que "...a indicação genérica da legislação supostamente aplicável à matéria não é o mesmo que constituir devidamente o crédito tributário pelo lançamento" e que o "despacho decisório não foi conclusivo quanto ao motivo pelo qual não homologou a compensação". Nesse sentido, remete ao art. 142 do CTN e aduzindo que este "estabelece que a constituição do crédito tributário através do lançamento fiscal é procedimento formal que objetiva a aferição do crédito possibilitando a defesa do reclamante" e que foi impedida de exercer plenamente seu direito de defesa pois "o fisco indica a legislação aplicável apenas genericamente, não citando sequer o inciso, alínea ou parágrafo aplicado ao caso quando utilizase para a fundamentação o art. 74 da Lei 9430/96 e os artigos 165 do CTN". No mérito, alega que transmitiu DCTF com "equivoco na apuração dos valores devidos" mas que em 24/07/2009 e em 23/09/2009 apresentou, respectivamente, a DCTF e o Dacon retificadores "quando passou a deter um crédito passível de compensação". Segue argumentando que agiu em conformidade com os ditames legais no caso, o art. 11 da IN RFB no 903/2008 e art. 14 da IN RFB n° 940/2009 , desta feita, não podendo ser punida com a não homologação da compensação pretendida. Conclui defendendo que em sendo admissivel a Fl. 137DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10983.912167/200907 Acórdão n.º 3302002.113 S3C3T2 Fl. 137 3 "homologação de compensação se DCTF retificadora foi entregue antes de despacho decisório" (cita acórdão da DRJ do Rio de Janeiro que decidiu nesse sentido), mais ainda o é no caso da retificadora ser entregue antes do envio do PER/DCOMP, que alega ser o seu caso. Pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a homologação da compensação. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANO CALENDÁRIO: 2006 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e oportunamente recolhido o foi em valor maior do que o efetivamente devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado com o teor do acórdão de impugnação, o contribuinte protocolizou recurso voluntário, aduzindo em síntese que: a) preliminarmente, o despacho decisório é nulo por falta de motivação; b) a Recorrente possui um crédito valorado de R$35.874,82 passível de compensação; c) não há previsão legal em rejeitar a DCTF retificadora. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Em resumo, a Recorrente advoga a existência de pagamentos indevidos e junta ao processo a DCTF retificadora transmitida em data anterior ao despacho decisório exarado pela DRF. Por outro lado, o acórdão reccorido assim fundamenta sua decisão: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 Compulsando os autos, verificase que a contribuinte na data de apresentação da DCOMP, em 24/06/2009, não havia ainda retificado a DCTF, o que só veio a fazer em 24/07/2009. Ou seja, a compensação, que como se sabe opera hoje efeitos imediatos, foi formalizada sem que estivesse juridicamente firmada a existência do pagamento indevido alegado, o que retira do crédito indicado a liquidez e certeza que a lei impõe para que possa ser objeto de repetição, motivo pelo qual a não homologação promovida pela DRF/Florianópolis/SC foi correta. Como já me manifestei neste colegiado, entendo que a retificação da DCTF é medida que obriga a autoridade a promover a verificação dos créditos alegados pelo contribuinte. A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF de Florianópolis, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratar a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Sobre este tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva, que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/200983, julgado recentemente por esta turma: Concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituição e, conseqüentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. Deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apurar a verdade material e formar sua convicção. Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensaçãoes fefetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações. Pro todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso. (assinado digitalmente) Fl. 139DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10983.912167/200907 Acórdão n.º 3302002.113 S3C3T2 Fl. 138 5 ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
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