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Numero do processo: 19613.731851/2022-31
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2018, 2019 COMPENSAÇÃO. EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. RETENÇÃO DE 11%. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS INEXISTENTES. PREJUÍZO AO ERÁRIO. A compensação constitui modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que a utilização de créditos sabidamente inexistentes, oriundo de notas fiscais canceladas, configura potencial lesão ao erário. Compete ao sujeito passivo comprovar, por meio de documentação idônea, a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado, não se desincumbindo desse ônus quando evidenciadas divergências entre valores declarados e aqueles efetivamente comprovados. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não se configura denúncia espontânea quando a retificação das declarações ocorre após o início da ação fiscal, afastando a aplicação do art. 138 do CTN.
Numero da decisão: 2003-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando tanto as alegações atinentes à Representação Fiscal para Fins Penais como aquelas relativas à multa de 150% por falsidade na declaração de compensação, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonardo Nunez Campos (substituto integral), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Ibiapino Luz (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

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EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS. RETENÇÃO DE 11%. NOTAS FISCAIS CANCELADAS. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS INEXISTENTES. PREJUÍZO AO ERÁRIO. A compensação constitui modalidade de extinção do crédito tributário, de modo que a utilização de créditos sabidamente inexistentes, oriundo de notas fiscais canceladas, configura potencial lesão ao erário. Compete ao sujeito passivo comprovar, por meio de documentação idônea, a existência, liquidez e certeza do crédito utilizado, não se desincumbindo desse ônus quando evidenciadas divergências entre valores declarados e aqueles efetivamente comprovados. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Não se configura denúncia espontânea quando a retificação das declarações ocorre após o início da ação fiscal, afastando a aplicação do art. 138 do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário interposto, não se apreciando tanto as alegações atinentes à Representação Fiscal para Fins Penais como aquelas relativas à multa de 150% por falsidade na declaração de compensação, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Fl. 12289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 2 Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Francisco Ibiapino Luz – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Diogo Cristian Denny (substituto integral), Leonardo Nunez Campos (substituto integral), Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Ibiapino Luz (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 12228/12238 interposto contra decisão da DRJ 06, de fls. 12207/12215, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte e manteve a não homologação parcial da compensação pleiteada, conforme Despacho Decisório de fls. 12058/12097, o qual possui, no essencial, os seguintes termos: 1. A empresa TOP SERVICE SERVIÇOS E SISTEMAS S/A, CNPJ: [...]/0001-15, que apresenta como atividade econômica principal “locação de mão-de-obra temporária” (CNAE 7820-5-00), passou a entregar DCTFWeb (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais Previdenciários e de Outras Entidades e Fundos) em substituição à GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) a partir da competência 08/2018. 2. Dentre os PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) apresentados pela empresa, foram selecionados pela equipe de análise de risco e seleção de direito creditório para auditoria os relacionados no quadro abaixo, os quais informam créditos previdenciários do tipo “retenção” (art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.711/1998, e suas alterações): [imagem de fl. 12060] 3. A empresa utilizou os supostos créditos relacionados no item anterior para compensar contribuições previdenciárias da competência 13/2018 (Código de receita 1138-21 – CP PATRONAL – EMPREGADOS/AVULSOS – 13º SALÁRIO) e da competência 13/2019 (Código de receita 1082-21 – CP SEGURADOS – EMPREGADOS/AVULSOS – 13º SALÁRIO) do estabelecimento CNPJ: Fl. 12290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 3 00.973.749/0001-15. O quadro reproduzido abaixo relaciona as DCOMP (Declaração de Compensação) em que esses créditos foram utilizados: [imagem de fl. 12061] (...) 10.3. Para o item 3 do TIF nº' 19.679/2022, declarou que “todas as retenções referentes às competências 03/2018 e 06/2018 estão declaradas em GFIP”; (...) 17.11. Para o item 13 do TIF nº 38.201/2022, reafirmou o mesmo entendimento declarado no subitem 7.7 do TIPFIF nº 29.552/2022, no qual, para todas as notas fiscais questionadas, os cancelamentos foram realizados em períodos posteriores, sendo certo que o seu estorno ocorreu na mesma competência do cancelamento; (...) FUNDAMENTOS (...) 26. Destarte, as retenções supracitadas deveriam ser informadas em GFIP (art. 32, IV, da Lei nº 8.212/1991 e art. 225, V, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999) de acordo com as disposições contidas na Instrução Normativa (IN) RFB nº 971, de 13/11/2009, e na IN RFB nº 1717, de 17/07/2017, assim como no Manual da GFIP/SEFIP (Sistema Empresa de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) para Usuários do SEFIP 8.4, aprovado pela IN RFB nº 880, de 16/10/2008, vigentes à época dessas compensações, nos termos do art. 144 do CTN. (...) 30. Portanto, na hipótese de informação incorreta em GFIP, a legislação tributária impõe como condição para a compensação a declaração retificadora, conforme previsto no subitem 2.16 – Compensação do Capítulo III – Informações Financeiras do Manual da GFIP/SEFIP supracitado. Neste sentido, encontra-se a Solução de Consulta COSIT (Coordenação-Geral de Tributação) nº 132, de 01/09/2016 (DOU de 05/09/2016), a qual deve observar também o prazo legal de 5 (cinco) anos, contado dos fatos geradores (arts. 150, § 4º, 168, I, e 170 do CTN e art. 89 da Lei nº 8.212/1991). 31. De certo, não se homologa compensação baseada em crédito não comprovado, porquanto a liquidez e certeza são condições impostas por lei aos créditos utilizados pelo sujeito passivo na compensação tributária. (...) Das Retenções (...) Fl. 12291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 4 35. Outrossim, a empresa prestadora de serviços poderá requerer a restituição ou compensar integralmente os valores retidos na NF/FAT/REC, quando do recolhimento das contribuições previdenciárias, inclusive as devidas em decorrência do 13º' (décimo-terceiro) salário pago/creditado a empregados, desde que a retenção esteja, conforme previsto no art. 31, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.212/1991, na redação da Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 113 da IN RF13 nº 971/2009, e os arts. 30 e 88, I e II, da IN RF13 nº 1717/2017, na redação vigente à época das retenções e compensações informadas em GFIP: a) Declarada em GFIP na competência da emissão da NF/FAT/REC de prestação de serviços pelo estabelecimento da empresa responsável pela cessão de mão de obra; b) Que a retenção conste destacada na NF/FAT/REC ou, mesmo que não destacada, tenha sido recolhida pela tomadora em nome do estabelecimento prestador. (...) 42. Deve-se ressaltar que o contribuinte foi, diversas vezes, intimado a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviços sujeito à retenção (art. 31 da Lei nº 8.212/1991, na redação da Lei nº 9.711/1998, e suas alterações) da empresa para as competências 03/2018 e 06/2018, conforme se verifica no item 1 do TIF nº 19.679/2022, reiterado mediante o TIF nº 25.729/2022, no item 1 do TIPFIF nº 29.552/2022 e no item 1 do TIF nº 38.201/2022. 43. Ademais, o contribuinte também foi intimado, diversas vezes, a verificar e informar se todas as retenções referentes às competências 03/2018 e 06/2018 haviam sido, devidamente, declaradas em GFIP em relação a cada tomador de serviços, como se verifica no item 3 do TIF nº 19.679/2022, reiterado mediante o TIF nº 25.729/2022, nos itens 5 e 6 do TIPFIF nº 29.552/2022 e no item 7 do TIF nº 38.201/2022. 44. Outrossim, o contribuinte demonstrou que os valores utilizados nas compensações efetuadas nas GFIP das competências e estabelecimentos (CNPJ) discriminados no item 4 do TIF nº 19.679/2022 não se confundem com as retenções das competências 03/2018 e 06/2018 relacionadas aos PER/DCOMP em questão. 45. Do exposto acima, conclui-se que a empresa prestadora de serviços para exercer o seu direito de restituir ou compensar os valores das retenções (11%) sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços (art. 31, §§ 1º e 2º, da Lei nº 8.212/1991), deveria ter entregado suas GFIP, dentro do prazo legal de 5 (cinco) anos dos respectivos fatos geradores, por estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, isto é, pelo estabelecimento emitente da nota fiscal de serviços e distintas para cada estabelecimento (CNPJ)/obra (CEI) contratante de serviços, ou seja, o estabelecimento tomador de serviços, com a informação, no campo “Valor de Retenção”, do montante das retenções sofridas durante o mês Fl. 12292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 5 (arts. 150, § 4º, 168, I, 170, caput, do CTN, c/c arts. 31, 32, IV, e 89, caput, da Lei nº 8.212/1991; arts. 219, 225, IV, do RPS, arts. 47, VIII, 112, 113, 134, II, da IN RFB nº 971/2009, arts. 30 e 88 da IN RFB nº 1717/2017, e subitem 3.1 do Capítulo III do Manual da GFIP/SEFIP supracitado, nas redações vigentes à época das retenções e/ou dos pedidos de restituição e das compensações), não sendo facultada, assim, à autoridade administrativa a homologação de compensações fundadas em retenções declaradas em GFIP em desacordo com a legislação previdenciária. Das Retenções da Competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63 46. Da análise do demonstrativo de retenções apresentado pelo contribuinte, contido na planilha “Demonstrativo Retenções INSS - 03_2018 e 06_2018.xlsx” do arquivo não-paginável “Doc_04” do respectivo termo de anexação às fls. 2359, dos valores das retenções informados e compensados/abatidos na GFIP exportada da competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63, enviada em 05/07/2018 (Controle nº MgznRbrW6WF0000-1), e das respectivas notas fiscais de prestação de serviços é possível identificar, conforme tabela abaixo, que houve um total de retenção de R$ 650.331,00 (seiscentos e cinquenta mil e trezentos e trinta e um reais) de notas fiscais válidas (coluna “RETENÇÃO-NF”) para os diversos estabelecimentos tomadores de serviços (coluna “CNPJ-TOMADOR”). 47. Entretanto, a empresa informou o valor total de retenção (coluna “RETENÇÃO- GFIP”) de R$ 997.107,47 (novecentos e noventa e sete mil, cento e sete reais e quarenta e sete centavos), dos quais R$ 673.565,24 (seiscentos e setenta e três mil, quinhentos e sessenta e cinco reais e vinte e quatro centavos) foram compensados/abatidos, o que resultaria em um suposto crédito de R$ 323.542,23 (trezentos e vinte e três mil, quinhentos e quarenta e dois reais e vinte e três centavos), contido no Pedido de Restituição (PER) nº 20970.29407.191218.1.2.15- 9100 e compensado nas Declarações de Compensação (DCOMP) nº 14646.91220.201218.1.3.15-5873 e nº 42209.65713.201219.1.3.15-0006. [tabela de fls. 12088/12091] 48. Da tabela acima, nota-se que as diferenças (coluna “DIFERENÇA”) negativas referem-se a retenções declaradas a menor em GFIP. Enquanto que as diferenças positivas referem-se a valores declarados a maior na GFIP para determinado estabelecimento tomador de serviços (“CNPJ-TOMADOR”), sem a correspondente nota fiscal ou de notas fiscais canceladas, o que não pode ser admitido, uma vez que, como visto acima, somente as retenções efetivamente ocorridas podem ser declaradas em GFIP. 49. Em outras palavras, não podem ser homologadas pela autoridade administrativa as compensações de PER/DCOMP, cujas retenções não foram, devidamente, declaradas em GFIP ou foram declaradas em desacordo com a legislação previdenciária. Fl. 12293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 6 50. Portanto, o total das diferenças positivas (R$ 347.512,68), declaradas, indevidamente, na GFIP da competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63 supracitada, obtido da tabela do item 47 acima, é superior ao valor do crédito pleiteado (R$ 323.542,23) e, portanto, as compensações não podem ser homologadas em sua integralidade. 51. O contribuinte informou, em seu demonstrativo (“Demonstrativo Retenções INSS - 03_2018 e 06_2018.xlsx”) supracitado, bem como também declarou, indevidamente, na GFIP exportada da competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018- 63, enviada em 05/07/2018 (Controle nº MgznRbrW6WF0000-1), valores relativos a retenções de notas fiscais canceladas e abaixo discriminadas (fls. 1267 e 1452), cujos valores foram posteriormente estornados (cancelados) da contabilidade (Conta nº 11303008 – RETENCAO DE INSS), não havendo, portanto, fundamento legal para a manutenção de créditos inexistentes na GFIP de emissão das respectivas notas canceladas, conforme já lhe havia sido informado, consoante o item 6 do TIF nº 38.201/2022, o que comprova a falsidade das declarações de compensação (DCOMP), cujos valores indevidos foram, deliberadamente, mantidos em GFIP, desde esses cancelamentos, mesmo tendo sido advertido da impossibilidade de sua utilização e concedido prazo suficiente para a sua exclusão dessa GFIP, a qual não foi promovida, conforme se verificará abaixo. 52. Ademais, para o estabelecimento tomador de serviços CNPJ: 11.[...]/0001-34, o contribuinte declarou, na referida GFIP exportada da competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63, uma retenção de R$ 677.026,87 (seiscentos e setenta e sete mil, vinte e seis reais e oitenta e sete centavos), porém o somatório das retenções das notas fiscais apresentadas e discriminadas no demonstrativo do contribuinte, mesmo incluindo a retenção da nota fiscal cancelada, identificada na tabela do item anterior, corresponderia somente ao valor de R$ 661.401,77 (seiscentos e sessenta e um mil, quatrocentos e um reais e setenta e sete centavos). Portanto, sem levar em conta a retenção inexistente, já haveria uma diferença de retenção de R$ 15.625,10 (quinze mil, seiscentos e vinte e cinco reais e dez centavos), declarada em GFIP sem comprovação. 53. O contribuinte também informou na referida GFIP exportada da competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63, o valor de R$ 307,95 (trezentos e sete reais e noventa e cinco centavos) para o estabelecimento tomador de serviços CNPJ: 22.[...]/0001-14, porém apresentou somente a Nota Fiscal nº 9283 (RPS nº 6715), emitida em 05/06/2018 (fls. 1289) para esse estabelecimento tomador, com a retenção de R$ 298,11 (duzentos e noventa e oito reais e onze centavos). Portanto, uma diferença de retenção de R$ 9,84 (nove reais e oitenta e quatro centavos), declarada em GFIP sem comprovação. 54. Destarte, para as compensações realizadas nas DCOMP relativas à competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63, com a utilização de créditos inexistentes, os quais, evidentemente, não possuem liquidez e certeza, e configuram a falsidade das declarações, impondo-se, assim, a aplicação da multa Fl. 12294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 7 isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) sobre o valor total do débito indevidamente compensado, prevista no art. 18, caput e §§ 2º e 6º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, nas redações dadas pelas Leis nº 11.488, de 15/06/2007, e nº 13.670, de 30/05/2018. 55. O contribuinte enviou uma GFIP retificadora em 24/11/2022 para a competência 06/2018 do CNPJ: [...]/0018-63 (Controle nº OHZ3Ip1mC1p0000-8), a qual se encontra com o status “2 – Aguardando exportação” e bloqueada em decorrência da presente fiscalização (AF 08), conforme tela abaixo: [imagem de fl. 12094] 56. No entanto, a retificação da GFIP mencionada no item anterior não pode ser admitida, no mínimo, pelo fato de o sujeito passivo ter mantido as retenções inexistentes relativas às notas fiscais canceladas e acima discriminadas, conforme disposto no item 9 do TIF nº 38.201/2022. (...) 58. Diante de todo o exposto, conclui-se pela não homologação das compensações informadas nos PER/DCOMP abaixo relacionados, controlados no presente processo digital (fls. 02/72), as quais serão glosadas e cobradas com os devidos acréscimos legais, nos termos dos arts. 35 e 89, § 9º, da Lei nº 8.212/1991, na redação da Lei nº 11.941/2009, e do art. 74 da IN RFB nº 2055/2021: [imagem de fl. 12095] 59. Por fim, informa-se que será aplicada a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no art. 18, caput e §§ 2º e 6º, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, nas redações dadas pelas Leis nº 11.488, de 15/06/2007, e nº 13.670, de 30/05/2018, sobre os débitos indevidamente compensados e contidos nas declarações de compensação (DCOMP) não homologadas, com falsidade da declaração, e discriminadas na tabela do item anterior, bem como será feita a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, em virtude da inserção de informações falsas em declarações, as quais, configuram, em tese, os crimes contra a Ordem Tributária, estabelecidos nos arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.137/1990. Da Manifestação de Inconformidade Devidamente intimada do despacho decisório em 14/03/2023 (fl.12099), a RECORRENTE apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 12105/12115, em 13/04/2023. Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ 06 das razões de defesa apresentadas, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: Alega que os créditos glosados se tratam de notas substituídas, e que foram consideradas nos demonstrativos, “sendo certo que, as mesmas foram canceladas em períodos posteriores, logo, o seu estorno ocorreu na mesma competência do Fl. 12295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 8 cancelamento. Ou seja, não houve qualquer prejuízo ao erário, pois o crédito foi estornado e deixou de ser utilizado.” Também entende que “o simples fato da auditoria fiscal considerar um crédito inexistente, não se trata de um fato isolado que comprove a falsidade das declarações de compensação” e que não haveria razoabilidade o exposto no item 52 sobre a ocorrência de uma nota cancelada para supor que os créditos não possuem comprovação. Informa que realizou a escrituração exigida pela legislação descaracterizando o alegado pela auditoria, devendo a compensação ser homologada totalmente. Entende que a multa qualificada é inaplicável pela não ocorrência da falsidade nas declarações de compensação. Diz não ter havido comprovação cabal da prática dolosa de fraude ou sonegação. Surpreende-se pelo fato de ter retificado a GFIP conforme orientação, mas ela não foi aceita. Entende que houve cerceamento de defesa uma vez que não foi alertado da retificação com “suposta manutenção indevida das retenções inexistentes”. Ao final, requer a suspensão do crédito tributário, o acolhimento de seus argumentos, a homologação das compensações, a desconsideração da multa aplicada, a revogação da Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), com a prova do alegado com posterior juntada de documentos. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ 06 julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo (fls. 12207/12215): Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 19/12/2018 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. A inexistência de comprovação de alegado crédito impede seu reconhecimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A RECORRENTE foi devidamente intimada da decisão da DRJ em 17/06/2024, conforme termo de ciência por abertura de mensagem de fl. 12224, apresentando recurso voluntário de fls. 12228/12238, em 17/07/2024. Fl. 12296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 9 Em suas razões, reitera o alegado em sua impugnação. Este processo compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço em parte. Isso porque, em suas razões, a RECORRENTE apresenta argumentos envolvendo a inaplicabilidade da multa de 150% ante a alegada não ocorrência da falsidade das declarações de compensações, assim como argumentos de defesa em face da Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP, os quais não merecem conhecimento. Quanto ao argumento envolvendo a multa de 150%, sua análise é objeto do processo apenso nº 13074.724585/2023-30, não sendo possível a sua apreciação nestes autos, conforme já informado pela DRJ de origem. Com relação das questões envolvendo a RFFP, também como já indicado pelo acórdão recorrido, não compete ao CARF a análise da referida matéria, conforme expõe a Súmula CARF nº 28, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Portanto, deixo de conhecer destas partes do recurso. MÉRITO No mérito, a RECORRENTE afirma que os créditos utilizados seriam oriundos de notas substituídas, as quais não impactaram no valor da retenção. Declara que referidas notas foram consideradas nos demonstrativos pois, no momento de utilização do crédito, elas estavam ativas e foram canceladas em períodos posteriores. Logo, o seu estorno ocorreu na mesma competência do cancelamento. Assim, não houve qualquer prejuízo ao erário, pois o crédito foi estornado e deixou de ser utilizado. A RECORRENTE, em síntese, sustenta sua defensa nos seguintes pontos: (i) os créditos glosados decorreriam de notas fiscais posteriormente substituídas ou canceladas; e (ii) Fl. 12297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 10 tais cancelamentos não teriam gerado prejuízo ao erário, pois os valores teriam sido estornados na contabilidade. Contudo, entendo que tais argumentos não afastam as conclusões da fiscalização. Cabe esclarecer que a compensação tributária somente pode ser efetuada quando o crédito utilizado pelo contribuinte possuir liquidez, certeza e adequada comprovação documental. Contudo, apesar de reconhecer o cancelamento de notas fiscais que lastreavam a alegada retenção de contribuições, a contribuinte manteve no PERDCOMP de final 9100 o crédito solicitado da ordem de R$ 323.542,23 relativo à competência 06/2018, o qual foi por ela utilizado para extinguir débitos por meio das DCOMPs de final nº 5873 (R$ 331.986,68, competência 13/2018) e nº 0006 (R$ 1.573,64, competência 13/2019). Da tabela de fls. 12088/12091, constata-se que a diferença de valor entre as retenções declaradas em GFIP e àquelas oriundas de notas fiscais válidas decorreu, sobretudo, da tomadora de serviços com CNPJ nº 11[...]/0001-34, que representou uma diferença de R$ 345.678,40 entre as retenções informadas na GFIP (R$ 677.026,87) e as retenções comprovadas por meio de notas fiscais válidas (R$ 331.348,47). Ou seja, tal diferença de valores declarados a maior na GFIP para referido estabelecimento tomador de serviços, sem as correspondentes notas fiscais válidas, já é, por si só, superior ao suposto crédito pleiteado (R$ 323.542,23). Ademais, de acordo com as informações apresentadas pela autoridade fiscal (item 47 do despacho decisório, fl. 12087), o valor das retenções oriundas de notas fiscais válidas (R$ 650.331,00) sequer é suficiente para fazer frente às contribuições declaradas pela própria RECORRENTE como devidas em GFIP (R$ 673.565,24). Neste sentido, não procede a alegação da contribuinte no sentido de inexistência de qualquer prejuízo ao erário, pois a mesma se valeu de créditos oriundos de notas fiscais canceladas para compensar débitos por ela própria reconhecidos e declarados. Com efeito, a compensação constitui modalidade de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ao declarar a compensação, o sujeito passivo promove, desde logo, a extinção do débito, ainda que sujeita à ulterior verificação pela autoridade fiscal no exercício de sua atividade de fiscalização, sendo certo que tal análise pode não acontecer. Caso não haja contestação no prazo legal, a extinção opera-se de forma definitiva, produzindo todos os seus efeitos. Nesse contexto, a utilização de créditos inexistentes – oriundos de notas fiscais canceladas – para extinguir débitos regularmente constituídos configura, sim, potencial lesão ao erário, na medida em que pode resultar na extinção indevida de créditos tributários sem a correspondente contraprestação financeira. Conforme explanado pela DRJ de Origem, “caso houvesse denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN), de fato, nenhum prejuízo ao erário seria Fl. 12298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.905 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19613.731851/2022-31 11 detectável, já que a própria lei permite tal procedimento” (fl. 12214). Contudo, não ocorreu a mencionada denúncia espontânea no presente caso, visto que a tentativa de apresentação de declaração retificadora ocorreu em 24/11/2022 (item 55 do despacho decisório – fl. 12093), após início do procedimento administrativo, ocorrido em 20/06/2022 (fls. 73 e 81). Além disso, como exposto pela DRJ de origem (e não contestado pela contribuinte), a fiscalização verificou que a GFIP retificadora ainda mantinha retenções indevidas, relativas a notas fiscais canceladas, o que reforça sua ineficácia para comprovar o direito creditório. Sabe-se que cabe ao sujeito passivo demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar em compensação, incumbindo-lhe apresentar documentação hábil e idônea que comprove o direito alegado. Conforme detalhadamente demonstrado no Despacho Decisório, verificou-se a existência de divergências relevantes entre os valores de retenção declarados em GFIP e aqueles efetivamente comprovados por meio das notas fiscais apresentadas pela própria contribuinte. Reitera-se que a mera apresentação de registros contábeis ou demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte não supre a ausência de prova documental idônea, especialmente quando verificada divergência entre os dados declarados e os documentos fiscais apresentados. Portanto, sem razão a RECORRENTE. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por CONHECER EM PARTE do recurso voluntário, deixando de apreciar as alegações relativas à multa de 150% por falsidade na declaração de compensação e à Representação Fiscal para Fins Penais. Na parte conhecida, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 12299DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10680.001599/91-98
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 1992
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - PRAZOS PEREMPÇÃO - Recurso Voluntário intempestivo, dele não se conhece.
Numero da decisão: 203-00.042
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso, por perempto.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY

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SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C _ C it Processo no 10680-001.599/91-98 Sess'áo de g 18 de novembro de 1992 ACORDMO No 203-00.042 Recurso no g 88.389 Recorrente: ILAB LTDA. Recorrida g DRF EM DELO HORIZONTE - Mo NORMAS PROCESSUAIS - PRAZOS PLEEMPÇA0 - Recurso Voluntário intempestivo, dele no se conhece. Vistos, relatados e disoutidoli, os pre~rU :âs autos de rectu-so interposto por ILAB LTDA. ACORDAM os Men~es da Terceira Wamara do Segundo Cor~lho de Contril~ites, por unanimidade de votos, em no se conhecer do recurso, por perempto. Saia cias SessUes, em 1.3 de novembro de 1992. _ lin ..-~eyem....-$ i ROSA_VO VIIAL GONZAG- SANTOS - Presidente l'&- g 1 ED2' F.IAD DO ; f4 :3 -,: ri EY- Relator DALTON MIRANDA - Pron 'ador-Representante da ra- N-zraJda Nacional VISTA EM SESSP(0 DE: (1 0 JAN 1993 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO ISTATE RODRIGUES, MARIA THEREZA VASCONCHIOS DE ALMEIDA, SERGIO AFANAS1EFF, MAURO WASILEWSKI e TIDERANY FERFAz DOS SANTOS. cf/mas/cf/ja 1 . 0 RMINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTOtot,1/4,5; • SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .Processo no 10680-001.599/91-98 Recurso no: 88.389 Acórdgo no 203-00.042 Recorrente: ILAB LTDA. RELATORI 0 Contra a Empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infraao, em 15/03/91 (fl. 01), em decorrencia da apura0Co de falta de recolhimento da contribui0o devida ao Fundo de Participa0o do Programa de IntegraçWo Social - RIS, relativa à parcela calculada com base na receita operacional bruta, no período de julho a novembro de 1988. Enquadramento legal g art. 12 1 item I, do DL ng 2.052/83, art. 12 do DL n2 2.323/87, art. 22, parág. Culico, "b"„ da Lei no 7.730/89, art. 13 da Lei n2 7.738/99, art. 61, 65 e 67, inciso V, da Lei n2 7.799/99 e art. 12, inciso V. da lei n2 8.012/90. Impugnando tempestivamente o feito (fls. 23/29), a Contribuinte reportou-se ao IRPj e PIS-DEDUÇA0 e a PIS- FATURAMENTOp alegou inconstitucionalidade e ilegalidade dos Decretos-Leis nos 2.445/80 e 2.449/88, em virtude do que deixou de efetuar os recolhimentos das contribuiçees autuadas. O autor do feito manifestou-se pela cobrança integral do crédito tributário, uma vez que, ao fisco cabe aplicar a legislaço e nãb questiona-ia. A Autoridade julgadora de Primeira Instencia julgou procedente a açXo fiscal, determinando o prosseguimento da cobrança, uma vez que "a argui0o de inconstitucionalidade n'ao é oponível na esfera administrativa". A Requerente interpes recurso a este Conselho, onde, basicamente, repisa as mesmas razbes de defesa já . expendidas na peça impugnatória, dizendo-se "amparado pela doutrina majoritária e pela jurisprudencia dominante". E o relatório. 1 , A:. ,. li ikb° -- ;:•Q 520S-*.:? • •n ''':, • Aks.•:.,, ..,, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO 4.frm-1/441/4'• a 5•21::*!'n SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES --,:-..-• Processo no: 10680-001 . 599/91-98 Ac6 rdato no : 203-00.042 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SE:DAST IPSO BORGES TAOUARY 1..: ' rel. :i. minar ni ca n t. e „ ve r it :i. co que ! o Re c: It Ir SC) V o:I. un -1 â ri o „ ora em 1 ( . 1.1. cá (MIM., n :1 o „ c':) :In :1:. e AI Face s t. ivc),, E que a Reco I' I r (•:•?I'l te to :i. in ti na ad a da Dec :i. s Wo Sing Lt lar no dia 09/09/91 ( 2a :f e :i. r a ) e interpôs seu a pelo no cl ia 1.1/1.0/9:1 „ 6a :f elra ( :f 1. s ., 40 a 42) ., A ss im !, quando se F) r : o t o co J. .1. z. ou o Re curso Vol. It 1-1 1*. ário (1.1/1.0/91. ) „ o pra z c) recUrsax:I. 1 á s.e achava e s c., o tad o no cl :i. a 09/1.0/91. ( 4 â te i. r a ) „ E 1 por cora seq ao!) cia„ é in tempest :1 vo O apeio e cl e :I. e „ p O Ir isso „ ra Mo cor) hce ço Bali:). das Se s s8e s „ NI1 118 cl e 11 o v PM t) V' O cl e :1.992 .{k8TIPIO gã S TACII ARYi 1 I I 3 .

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Numero do processo: 19515.720005/2018-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. Afastado está o cerceamento do direito de defesa quando observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Restando comprovada a falta de pagamento ou recolhimento de tributo, falta de declaração ou declaração inexata, justificado está o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário formalizado no Auto de Infração em decorrência da entrega de DCTF zerada. Falta previsão legal para a extinção dos tributos devidos com utilização de créditos financeiros em face de procedimentos escriturais junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) consubstanciados em Títulos da Dívida Pública. JUROS MORA. SÚMULA CARF Nº 108. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada em decorrência da entrega de DCTF zerada. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício proporcional qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1001-004.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% dada a retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% dada a retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva.

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Afastado está o cerceamento do direito de defesa quando observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Restando comprovada a falta de pagamento ou recolhimento de tributo, falta de declaração ou declaração inexata, justificado está o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário formalizado no Auto de Infração em decorrência da entrega de DCTF zerada. Falta previsão legal para a extinção dos tributos devidos com utilização de créditos financeiros em face de procedimentos escriturais junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) consubstanciados em Títulos da Dívida Pública. JUROS MORA. SÚMULA CARF Nº 108. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. Tem cabimento a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada em decorrência da entrega de DCTF zerada. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de Fl. 943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 2 ofício proporcional qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos de CSLL, PIS e Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência de IRPJ. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos voluntários, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% dada a retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Elias da Silva Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Gustavo de Oliveira Machado, Ana Cláudia Borges de Oliveira e Carmen Ferreira Saraiva. RELATÓRIO Auto de Infração Fl. 944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 3 Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) com a exigência do crédito tributário no valor de R$212.341,94 incluindo tributo, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de lucro real referente aos segundo e terceiro trimestres do ano-calendário de 2013 e aos quatro trimestres dos anos-calendário de 2014 e 2015, e-fls. 612-641: RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS INFRAÇÃO: VALORES APURADOS CONTABILMENTE E NÃO DECLARADOS Valores de IRPJ apurados contabilmente e não informados em DCTF, conforme Termo de Verificação fiscal em anexo. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2013 e 31/12/2015: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 247, 248, 251 e parágrafo único, 277, 278, 279 e 280 do RIR/99 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, e-fls. 539-574: [...] a Contribuinte optou por não confessar em DCTF os tributos devidos motivados por supostas quitações dos tributos que teriam sido realizadas por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, com créditos inexistentes, o que deu azo ao retardo das providências de cobrança de tributos pelo fisco, sendo necessário o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário devido e sua respectiva cobrança. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelo lançamento de ofício formalizado neste processo: - Auto de Infração a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com a exigência do crédito tributário no valor de R$47.739,81 incluindo tributo, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de lucro real aos segundo e terceiro trimestres do ano-calendário de 2013 e aos quatro trimestres dos anos-calendário de 2014 e 2015, e-fls. 642-688: RECEITAS INFRAÇÃO: FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL CONTABILIZADAS E NÃO DECLARADAS Valores de CSLL apurados contabilmente e não informados em DCTF, conforme Termo de Verificação fiscal em anexo. [...] Enquadramento Legal Fl. 945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 4 Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2013 e 31/12/2015: Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 Art. 28 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 49 da Lei nº 12.715/12. Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. - Auto de Infração a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) com a exigência do crédito tributário no valor de R$492.941,19 incluindo tributo, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime não cumulativo referente aos meses de abril a junho e agosto a novembro do ano-calendário de 2013, aos meses de fevereiro, abril a dezembro do ano-calendário de 2014 e aos meses de janeiro, março, maio, junho e agosto a novembro do ano-calendário de 2015, e-fls. 681-693: INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Valores de PIS apurados contabilmente e não informados em DCTF, conforme Termo de Verificação fiscal em anexo. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2013 e 30/11/2015: Art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; art. 4° da Lei nº 10.637/02 Art. 1º da Lei nº 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei nº 10.684/03, pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 42, inciso III, alínea "c" da Lei nº 11.727/08 e pelo art. 16 da Lei nº 11.945/09 Art. 3º da Lei nº 10.637/02, com as alterações introduzidas pelo art. 25 da Lei nº 10.684/03, pelo art. 37 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 16 da Lei nº 10.925/04, pelo art. 3º da Lei nº 10.996/04, pelo art. 45 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 3º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 17 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 4º da Lei nº 11.787/08, pelo art. 14 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 24 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 16 da Lei nº 11.945/09 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. - Auto de Infração a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.270.081,11 incluindo tributo, juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime não cumulativo referente aos meses de abril a junho e agosto a novembro do ano-calendário de 2013, aos meses de fevereiro, abril a dezembro do ano-calendário de 2014 e aos meses de janeiro, março, maio, junho e agosto a novembro do ano-calendário de 2015, e-fls. 669-680: Fl. 946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 5 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO INFRAÇÃO: INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valores de COFINS apurados contabilmente e não informados em DCTF, conforme Termo de Verificação fiscal em anexo. [...] Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2013 e 30/11/2015: Art. 1º da Lei Complementar nº 70/1991; art. 5º da Lei nº 10.833/2003 Art. 1º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04 e pelo art. 17 da Lei nº 10.945/09 Art. 3º da Lei nº 10.833/03, com as alterações introduzidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, pelo art. 5º da Lei nº 10.925/04, pelo art. 21 da Lei nº 11.051/04, pelo art. 43 da Lei nº 11.196/05, pelo art. 4º da Lei nº 11.307/06, pelo art. 18 da Lei nº 11.488/07, pelo art. 5º da Lei nº 11.787/08, pelos arts. 15 e 36 da Lei nº 11.727/08, pelo art. 25 da Lei nº 11.898/09 e pelo art. 17 da Lei nº 11.945/09. Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Responsável Solidário Consta no Demonstrativo de Responsáveis Tributários, e-fls. 614: Demais Responsáveis Tributários CPF [...] Nome JOSE SUIGH CARLOS Responsabilidade Tributária Responsabilidade Solidária de Fato Motivação Sócio proprietário da empresa MEGAPRINT COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES EIRELI. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso I, da Lei n° 5.172/66. A partir de 01/01/2000 Art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66. Está registrado no Termo de Verificação Fiscal, e-fls. 539-574: [...]. o dolo dos sócios decorre de que tendo sido cientificados pela Receita Federal de que os alegados Títulos da Dívida Pública Externa não se prestavam à Fl. 947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 6 “quitação” de crédito tributário federal e que as informações falsas em DCTF ensejariam o lançamento de ofício e aplicação de multas, não adotaram nenhum procedimento com vistas a corrigir a falta e recolher ao erário os tributos devidos. Representação Fiscal para Fins Penais A Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) está formalizada no processo nº 19515.720054/2018-51. Impugnação e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado no Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013, 2014, 2015 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada pela fiscalização a conduta dolosa requerida pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, é de se manter a multa de ofício de 150% prevista no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. BASE LEGAL. CABIMENTO. A multa de ofício qualificada integra a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na Taxa Selic. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR. CONDUTA REITERADA DO SUJEITO PASSIVO EM NÃO DECLARAR OS DÉBITOS EM DCTF. AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS DE TÍTULOS PÚBLICOS ANTIGOS FLAGRANTEMENTE INEXISTENTES NA TENTATIVA DE QUITAR DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. A conduta reiterada do sujeito passivo em não declarar os débitos tributários nas DCTF em função de ter adquirido crédito flagrantemente inexistente relativo a títulos públicos visando quitar tais débitos, aliada à circunstância do próprio sócio administrador, na condição de representante legal da pessoa jurídica, ter assinado o instrumento jurídico de cessão deste crédito, autorizam a responsabilização solidária do sócio administrador, mormente quando o mesmo não apresenta nenhuma contestação específica contra as provas apresentadas pela fiscalização para esta responsabilização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido e Fl. 948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 7 mantendo o sr. JOSÉ SUIGH CARLOS, CPF nº [...] no polo passivo como responsável tributário. Recurso Voluntário Notificada em 09.10.2018, e-fls. 865, a Recorrente/Megaprint Comércio e Representações Eireli apresentou o recurso voluntário em 16.10.2018, e-fls. 867-887, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II – PRELIMINARMENTE II.1 - Incompatibilidade Entre a Tributação da Pessoa Jurídica Como Devedora Principal e, Concomitantemente, a Responsabilização de Terceiros com Fundamento no Artigo 135, III, do CTN – Erro na Identificação do Sujeito Passivo e Impossibilidade de Correção pelo Julgador Administrativo Conforme mencionado nos fatos narrados no início desse recurso, o Sr. Agente Fiscal responsabilizou pessoalmente no TVF, com fundamento no artigo 135, III, do CTN, o sócio administrador da Recorrente com relação ao crédito tributário cobrado no presente processo. Todavia, antes mesmo de se demonstrar a essa E. Turma Julgadora os motivos de mérito pelos quais se justifica o cancelamento integral do crédito tributário cobrado em face da Recorrente, faz-se necessário expor a impossibilidade de coexistir, em um mesmo processo administrativo, tal como ocorrido no presente caso, à tributação de uma pessoa jurídica como devedora principal e a sujeição passiva do seu sócio administrador com fundamento no artigo 135, III, do CTN. A redação do caput do artigo 135 do CTN é expressa ao estabelecer que a responsabilidade das pessoas indicadas nos seus incisos é pessoal: [...]. Isso significa que a finalidade do dispositivo legal em estudo é a proteção da pessoa jurídica em face de atos praticados com excesso de poderes por indivíduos a ela ligados, uma vez que eles serão obrigados a adimplir, com o seu próprio patrimônio, os créditos tributários decorrentes de atos praticados em desacordo com seus poderes de representação. Por conseguinte, em respeito à finalidade teleológica da norma veiculada no mencionado artigo 135 do CTN, não se pode admitir o paradoxo de se tributar, concomitantemente, com o eventual responsável pessoal e a pessoa jurídica a ele relacionada. Destarte, em sentido metafórico, no presente caso o Sr. Agente Fiscal procurou atingir dois alvos com apenas uma tentativa, o que não deve ser admitido por essa E. Turma Julgadora. Deveras, ou o lançamento fiscal deveria ter sido em face da Recorrente, ou do seu sócio administrador, jamais os dois. Fl. 949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 8 Porém, diante da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento fiscal pelo julgador administrativo, não haverá alternativa a essa E. Turma Julgadora a não ser o cancelamento integral do auto de infração lavrado, tendo em vista a obscuridade com relação à definição do sujeito passivo da obrigação tributária e o consequente desrespeito pelo Sr. Agente Fiscal ao disposto no artigo 142 do CTN [...]. Em razão dos argumentos expostos, tendo em vista a impossibilidade de coexistência, em um mesmo processo administrativo, de lançamento do crédito tributário em face da pessoa jurídica e do seu sócio administrador, com fundamento no artigo 135, III, do CTN, requer-se o cancelamento integral do auto de infração lavrado. II.2 – Da Impossibilidade de Narrativas no TVF Sem a Contrapartida do Ônus da Prova e/ou da Necessária Citação no Processo Administrativo das Folhas Onde os Documentos ou Fatos Citados pela Autoridade Autuante Estariam Localizados. Cerceamento ao Direito de Defesa. Cancelamento dos Autos de Infração Abaixo a recorrente demonstrará com a clareza que o fato requer, de fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal no TVF, em que existem diversas citações de supostos crimes penais praticados sem comprovação material de sua veracidade e sem a devida citação das folhas no processo administrativo da localização dessas supostas irregularidades. Para tanto, a recorrente transcreverá a descrição contida no TVF e ato contínuo, fará os comentários demonstrando a inveracidade dos fatos narrados. 1) Fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal no TVF (fls. 3/36 a 4/36), relativos ao “modus operandi” utilizado pela empresa autuada: [...]. 1.1) Da discordância da recorrente em relação aos fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal às fls. 3/36 a 4/36 do TVF acima especificados no item “1”: Na realidade ilustres julgadores, quando a recorrente respondeu ao Senhor Agente Fiscal (de intimação através do termo de início da ação Fiscal) de que jamais se utilizou de quaisquer créditos de terceiros, seja a que título for, para quitar tributos federais administrados pela Receita Federal, estava passando uma informação que representava e como representa até hoje, a verdade dos fatos e por quê? Porque caso tivesse se aproveitado de quaisquer créditos financeiros, para quitar débitos tributários junto a Fazenda Nacional, haveria que fazê-lo através de compensações via DCOMP – Declaração de Compensação que jamais foram transmitidas pela internet para a Receita Federal para esse fim! Onde estariam, portanto, esses documentos utilizados para compensação que o Senhor Agente informa no TVF. Em que folhas do processo ora em litígio estão acostadas essas provas materiais? Não é possível que o Senhor Agente Fiscal não tenha conhecimento o suficiente para saber que não se poderia criminalizar a empresa autuada, fazer representação fiscal para fins penais, qualificar a multa de Fl. 950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 9 ofício para 150% (multa confiscatória), sem que as provas materiais do crime praticado sejam acostadas aos autos. Essa prática de criminalizar sem provas materiais é o que vulgarmente chamamos de abuso de poder, pois na redação do TVF não se vislumbra quaisquer citações de folhas do processo onde poderiam estar essas provas acostadas. Outro ponto a ser destacado de que jamais se utilizou de créditos de terceiros para quitar débitos tributários administrados pela Receita Federal, é o fato de que também não se protocolou quaisquer processos administrativos, solicitando a compensação de débitos tributários com supostos créditos de terceiros e não há nos autos do processo, ora em litígio, quaisquer informações no TVF com indicação das folhas, sobre as questões acima expostas. Por fim, cabe o destaque de que o malfadado contrato lavrado entre a recorrente e a Apex Consultoria entregue ao Senhor Agente Fiscal durante a ação fiscal e sobre o qual estaria toda a polêmica envolvendo a criminalização dos autos com a consequente qualificação da multa de ofício na autuação fiscal do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, foi lavrado entre as partes em 15 de julho de 2015, portanto em data posterior aos fatos geradores do IRPJ e da CSLL em 2013 e em data posterior aos fatos geradores do Pis e da Cofins de 2013, 2014 e até junho de 2015. (vide, por favor, nosso Termo de Resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, item 5, que se encontra acostados aos autos). 2) Fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal no TVF (fls. 5/36 a 9/36), itens IV, V e VI do TVF: [...]. 2.1) Da discordância da recorrente em relação aos fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal às fls. 5/36 a 9/36 acima especificados no item “2”: Sobre o item IV do TVF sobre títulos de que tratam a Lei nº 10.179/2001, trata-se de uma redação completamente descontextualizada em relação ao item III do TVF que cuida do “modus operandi” cuja descrição se cinge a obrigação acessória relativa à entrega das DCTF(s), em que a recorrente não teria confessado seus débitos tributários motivados por supostas quitações dos tributos, que teriam sido realizadas por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, com créditos inexistentes, o que deu azo ao retardo das providências de cobrança de tributos pelo fisco, sendo necessário o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário devido e sua respectiva cobrança. Entretanto nesse item III do TVF relativo ao “modus operandi”, não há qualquer citação sobre essas provas materiais da utilização desses créditos inexistentes e não há qualquer indicação de número de folhas processuais onde poderiam estar esses documentos acostados. Enfim, trata-se de meras afirmações descritas no TVF sem quaisquer provas matérias acostadas aos autos. Como já firmado, não é possível imputar criminalização nos autos sem as provas materiais desse suposto ilícito tributário, cujo ônus de provar cabe ao fisco, que deixou de fazê-lo. Fl. 951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 10 Em relação aos itens V e VI do TVF também não há qualquer contextualização em relação ao item III do TVF – “Do modus operandi” e são textos copiados/colados sabe-se lá de onde sem qualquer nexo causal com os fatos descritos no citado item III do TVF. 3) Fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal no TVF último parágrafo (fls. 10/36), último parágrafo (fls. 12/36) e penúltimo parágrafo (fls. 15/36): [...]. 3.1 - Da discordância da recorrente em relação aos fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal às fls. 10/36, 12/36 e 15/36 do TVF acima especificados no item “3”: Primeiramente esclarecer o fato de que da possível existência desses requerimentos encaminhados pela Appex ao STN, porque então o Senhor Agente Fiscal não acostou ou transcreveu no TVF os números dos processos administrativos que embasariam esses pedidos? Na administração pública, todo requerimento protocolado é obrigatório se atribuir um número de processo administrativo e como o Senhor Agente Fiscal nada informou sobre esses processos e seus números, na realidade é ele quem está cometendo crime de informar uma operação realizada e não fazer a prova nos autos. Na remota possibilidade da existência desses requerimentos, os mesmos haveriam que ser protocolados tempestivamente até o vencimento dos respectivos meses que deram origem à constituição do crédito tributário consignados nos autos de infração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS dos fatos geradores em 2013, 2014 e 2015, pois caso contrário, se protocolados a destempo ensejariam na aplicação de multas de mora e juros selic, além do que cabe o lembrete de que o contrato particular com a empresa Appex, foi lavrado em 15/07/2015. Conclusão: não há no TVF quaisquer citações das folhas do processo administrativas ora em litígio, onde esses requerimentos poderiam estar acostados. Ora, Senhores Julgadores, em não existindo no processo administrativo ora em litígio essas comprovações informadas pelo Senhor Agente Fiscal, significa para todos os efeitos legais que citados requerimentos não existem, o que representaria em tese, um cerceamento ao direito de defesa de algo que em tese também não existe. 4) Dos fatos narrados pelo Senhor Agente Fiscal no TVF último parágrafo (fls. 17/136), último parágrafo (fls. 19/36), penúltimo parágrafo (fls. 22/36), último parágrafo (fls. 24/36), último parágrafo (fls. 26/36) e último parágrafo (fls. 28/36): A recorrente contesta com a veemência que o caso requer, dos fatos narrados nas folhas citadas no item “4” acima, simplesmente pelo fato de que o Senhor Agente Fiscal, imputa uma criminalização para justificar a qualificação das multas nos autos de infração do PIS e da COFINS sem acostar ao processo administrativo essas provas materiais e sem citar as folhas deste processo. Portanto, a conclusão é simples e ao mesmo tempo muito grave, pois não é permitido ao Senhor Agente Fiscal criminalizar supostos fatos ou atos praticados pela recorrente sem provas materiais robustas e a ele não é permitido ficar Fl. 952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 11 repetindo por diversas vezes no TVF a mesma frase: “verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) ...”, sem mostrar essas provas. Isto posto Senhores Julgadores, onde estariam esses requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Apex à Secretaria do Tesouro Nacional e que teriam a aprovação da recorrente? Onde estaria a procuração outorgada a Apex dando poderes para encaminhar requerimentos ao STN em seu nome? Em que folhas do processo esses requerimentos foram acostados? Ora, a resposta a todos esses questionamentos é única: não existem provas materiais acostadas aos autos que demonstrem a existência desses requerimentos, pois se existissem, haveria a necessidade da informação das folhas processuais onde estariam localizadas. Como nenhuma dessas informações foi descrita no TVF (favor verificar o texto do TVF), há um inequívoco cerceamento ao direito de defesa de criminalização imputada em que a recorrente não tem conhecimento de sua existência. Porém, diante da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento fiscal pelo julgador administrativo, não haverá alternativa a essa E. Turma Julgadora a não ser o cancelamento integral da multa de ofício qualificada no auto de infração lavrado (desqualificação de 150% para 75%), tendo em vista o disposto no artigo 142 do CTN [...]. III – DO DIREITO III.1 – Da Impossibilidade de Cobrança da Multa Qualificada no Presente Caso – Erro de Subsunção dos Fatos Narrados no TVF Relativamente à Qualificação da Multa de Ofício em Relação ao Enquadramento Legal Tipificados nos Autos – Cerceamento ao Direito de Defesa e Impossibilidade de Correção pelo Julgador Administrativo Apesar de todos os argumentos expostos no item II.2 acima serem suficientes para a desqualificação das multas de ofício de 150% para 75%, ainda que na remota hipótese dessa E. Turma Julgadora entender pela manutenção dessas multas, ainda assim não deverá prevalecer à qualificação das multas em face da recorrente, confira-se: III.1.1 – Inocorrência de Crime Contra à Ordem Tributária e de Qualquer Hipótese Ensejadora da Multa Qualificada Conforme o entendimento do Senhor Agente Fiscal exposto no TVF, a qualificação das multas de ofício está fundamentada nos autos de infração em litígio, nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 (§1º e inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996) tendo em vista a caracterização de supostas condutas dolosas praticadas pela Recorrente, caracterizadoras da sonegação e da fraude fiscal. Fl. 953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 12 Entretanto, os fundamentos aduzidos pelo Senhor Agente Fiscal para justificar a qualificação da multa no presente caso são improcedentes e não deverão prosperar. Primeiramente, merece registro o fato de que todas as bases de cálculos autuadas nesse processo administrativo estavam devidamente registradas na Escrituração Contábil Digital (“ECD”) da Recorrente, como reconhecido no próprio TVF. Merece também registro o fato de que todas as bases de cálculos autuadas nesse processo administrativo relativamente ao IRPJ e CSLL estavam registradas na (“ECF”) da recorrente, como reconhecido no próprio TVF. Por fim merece também registro o fato de que todas as bases de cálculos autuadas nesse processo administrativo relativamente ao PIS e COFINS estavam registradas na (“EFD Contribuições”) da recorrente, como também reconhecido no próprio TVF. Além disso, todos os esclarecimentos foram devidamente prestados no curso da fiscalização, ou seja, nada foi omitido ao Sr. Agente Fiscal. Logo, é inaplicável presumir-se a existência de sonegação, fraude e conluio, previstas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502 de 1964, de fatos que sempre estiveram estampados na Escrituração Contábil Digital – ECD, na Escrituração Fiscal Digital – ECF e na Escrituração Fiscal Digital - EFD Contribuições, registros esses que foram manuseados pelo Senhor Agente Fiscal, ao longo de todo o procedimento fiscal. Para melhor elucidar de vez da inexistência de sonegação, fraude e conluio e que deram causa à imputação das multas de ofício qualificadas de 150%, a recorrente toma a liberdade de transcrever na íntegra os artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964, [...]. Inaplicável ao caso em exame a alegação de sonegação suscitada pelo Senhor Agente Fiscal com fundamento no artigo 71 da Lei nº 4.502/64. Sonegação, nos termos do que estabelece o artigo 71 da Lei nº 4.502/64, é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e (ii) das condições pessoais de contribuintes, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Definitivamente tais hipóteses não ocorreram no presente caso. A Recorrente jamais teve como intuito impedir ou retardar a ocorrência de fatos geradores ou afetar de qualquer forma as suas obrigações tributárias. Fato que comprova tal afirmação é que, como já mencionado, todas as bases de cálculos autuadas foram fornecidas pela própria Recorrente. Frise-se que em relação ao artigo 71 e seus incisos I e II da lei nº 4.502, de 1964, é inaplicável a qualificação da multa de ofício com sustentação nesse dispositivo Fl. 954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 13 legal, em razão de que em nenhum momento ficou provado nos autos, de práticas dolosas, que pudessem impedir ou retardar o conhecimento por parte do Sr. Agente Fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação principal (inciso I) e muito menos, de condições pessoais da recorrente, suscetíveis de afetar a obrigação tributária (inciso II). Portanto, em respeito à literalidade do artigo 71 e seus incisos, não é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF transmitida mensalmente à Receita Federal exaustivamente narrada no TVF a fatos que supostamente seriam crimes de natureza penal e não crimes de natureza tributária que fez nascer a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. O que fez nascer a ocorrência dos fatos geradores desses tributos foram as emissões das NF-e do faturamento da recorrente (nascimento do fato gerador já neste momento de conhecimento da Administração Fazendária) e ato contínuo nasceram algumas obrigações acessórias dentre as quais se destacaram: a escrituração da EFD – Contribuições, da escrituração contábil do provisionamento da obrigação na ECD e da ECF, todas transmitidas regularmente para Sped da Receita Federal, dando conhecimento às Autoridades Fazendárias dessas obrigações. Restou cristalino, portanto, o fato de que as Autoridades Fazendárias sempre tomaram conhecimento da ocorrência dos fatos geradores do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, através da emissão das Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) de faturamento e através da EFD – Contribuições, da ECD – Escrituração Contábil Digital, da ECF – Escrituração Fiscal Digital, todas transmitidas regularmente para os arquivos eletrônicos da Receita Federal. Torna-se prudente esclarecer o fato de que todas essas obrigações acessórias acima explicitadas, de caráter eminentemente obrigatório, foram todas convalidadas pelo Senhor Agente Fiscais através do TVF e delas resultou na apuração dos Créditos Tributários ora em litígio. [...] Em relação ao artigo 72 da lei nº 4.502, de 1964, é também inaplicável a qualificação da multa de ofício com sustentação nesse dispositivo legal, em razão de que em nenhum momento ficou provado nos autos, de práticas dolosas, que pudessem impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar suas características essenciais. Portanto, em respeito também à literalidade do artigo 72 não é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF transmitida mensalmente à Receita Federal com supostas irregularidades descritas no TVF que impediram ou retardaram a ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. O que fez nascer a ocorrência dos fatos geradores das autuações fiscais foram as emissões das Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) do faturamento da Recorrente e da escrituração da EFD – Contribuições, da escrituração da ECD – Escrituração Contábil Digital, da ECF – Escrituração Fiscal Digital, todas transmitidas regularmente para os arquivos eletrônicos da Receita Federal. [...] Fl. 955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 14 Restou cristalino, portanto, o fato de que as Autoridades Fazendárias sempre tiveram conhecimento da ocorrência dos fatos geradores dos tributos em comento, através da emissão das Notas Fiscais Eletrônicas – NF-e, através da EFD – Contribuições, através da ECD – Escrituração Contábil Digital, através da ECF – Escrituração Contábil Digital, todas transmitidas regularmente para os arquivos eletrônicos da Receita Federal. Em relação ao artigo 73 da lei nº 4.502, de 1964, é também inaplicável a qualificação das multas de ofício com sustentação nesse dispositivo legal pelo simples fato de que para a existência do “Conluio” haveria que ter sempre a participação de 02 (duas) ou mais pessoas, para juntas praticarem os crimes tributários previstos nos artigos 71 e 72 da mesma lei, o quê neste caso também não aconteceu. Portanto Senhores Julgadores, a motivação das multas de ofício qualificadas imputadas nos autos se sustentaram nesses 03 (três) artigos da Lei nº 4.502, de 1964 os quais sempre se referiram à questões envolvendo, no caso em tela, ao fato gerador do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS (artigos 71 e 72) e querer fazer entender em narrativas do TVF de que pelo fato da recorrente ter declarado valores a menor nas DCTF(s), seja por qual motivo for, poderia simplesmente enquadrar suposta infração nesses artigos, não é admissível, pois como já longamente explicitado, os fatos geradores desses tributos estão previstos em lei (obrigação principal) e entrega de DCTF (obrigação acessória) não foi contemplada na legislação em comento. Vejam, Ilustres Julgadores, a legislação de regência envolvendo questões de supostas irregularidades de lançamentos a menor nas DCTF(s) do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, contemplaria a possibilidade de aplicação de pesadas multas acessórias, fato esse ignorado pelo Senhor Agente Fiscal, que ardilosamente, quis enquadrar em sua narrativa no TVF, como sendo crimes tributários que pudessem impedir, retardar, fraudar a ocorrência dos fatos geradores, o que já está exaustivamente comprovado que não foi! Não é possível confundir os fatos geradores dos tributos em litígio (emissão de Notas Fiscais Eletrônicas – NF-e de faturamento da recorrente), com os lançamentos via DCTF(s) (atividade privativa do contribuinte) e/ou com os lançamentos via autos de infração (atividade privativa da autoridade administrativa). Desta maneira, como a recorrente desconhece quaisquer outras legislações porventura existentes e que pudesse autorizar o Senhor Agente Fiscal a duplicar as multas de ofício, com base nos fatos narrados no TVF (supostas irregularidades nos valores declarados nas DCTF’s), em completo descompasso com o enquadramento legal utilizado nos autos de infração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS que identifica e qualifica supostos crimes tributários acima exaustivamente explicitados (§1º e inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996), fica caracterizado o nítido e claro cerceamento ao direito de defesa, e repita-se, a Fl. 956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 15 recorrente desconhece a existência de legislação que autorize a duplicação das multas de ofício com base nas supostas infrações narradas no TVF. Finalizando pode-se concluir que na interpretação literal dos citados artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que cuida de crimes tributários intrinsicamente ligados a questões envolvendo o fato gerador de tributos (no caso em tela o IRPJ, a CSLL, o PIS e a COFINS) e em consequência enquadrá-los nos autos de infração como crimes tributários em questões envolvendo DCTF(s) entregues com valores supostamente menores que os devidos, não podem ser aceitos. Repise-se por fim, não se pode confundir da suposta prática de crimes tributários tipificados no direito tributário (artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964, envolvendo fato gerador dos tributos) que embasaram a duplicação multa de ofício (§ 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996), com a suposta prática de crimes penais tipificados no direito penal narrados no TVF. Porém, diante da impossibilidade de aperfeiçoamento do lançamento fiscal pelo julgador administrativo, não haverá alternativa a essa E. Turma Julgadora a não ser a desqualificação da multa de ofício duplicada (de 150% para 75%), tendo em vista a obscuridade com relação aos fatos narrados no TVF em contrapartida à tipificação do enquadramento legal utilizado nas autuações fiscais do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS e em respeito aos ditames legais do artigo 142 do CTN [...]. Em razão dos argumentos expostos, requer-se a desqualificação da multa de ofício duplicada de 150% para 75%, por ser uma questão de direito e de justiça. III.1.2 - Ad Argumentandum - Da Vedação ao Confisco Além de todos os argumentos expostos, há que se mencionar que as multas de ofício qualificadas nos autos têm nítido caráter confiscatório, não devendo prevalecer, conforme entendimento do plenário do Supremo Tribunal Federal, inclusive em sede de Repercussão Geral. Confira-se. Com efeito, o artigo 150 da Constituição Federal [...]. Em linhas gerais, ocorre o efeito confiscatório quando a aplicação da norma tributária excede o limite racional e econômico da fonte de arrecadação a ponto de colocar sua sobrevivência em risco, ou quando a sua aplicação não se justifica. Destaque-se, ainda, que, como decorrência dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é imperioso que nos processos administrativos seja adotado critério da vedação da aplicação de multas em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. Neste sentido, ressalte-se que o já mencionado artigo 3º do Código Tributário Nacional estabelece que o tributo é uma prestação pecuniária que não constitui sanção por ato ilícito. Por esse motivo, o tributo não pode ser utilizado para punir, da mesma forma que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado. Fl. 957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 16 Neste sentido, por mais grave que seja o ilícito praticado não se justifica a imposição de penalidade que reduza o patrimônio do sujeito passivo de forma desproporcional à infração. Em razão disso, oportuno ressaltar a decisão proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI-MC 1075 e ADI 551, que, em sede de Repercussão Geral, o STF julgou constitucional a cobrança moratória de 20%, nos autos do Recurso Extraordinário nº 582.461, por ser fixada em valor menor que o tributo devido [...]. Como se vê, o STF, em sede de Repercussão Geral, ratificou seu entendimento de que as multas que superam o percentual de 100% do valor do tributo são confiscatórias e, consequentemente, inconstitucionais. Portanto, em consonância ao exposto acima, tal entendimento deverá ser aplicado por essa E. Turma Julgadora, por economia processual, haja vista que o artigo 62, §2º, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, reconhece a necessidade da uniformização das decisões proferidas na forma do artigo 543-B, do antigo Código de Processo Civil, e determina a aplicação e obediência do entendimento exarado pelos Tribunais Superiores sob essa sistemática [...]. Assim sendo, também pelo caráter confiscatório das multas qualificadas impostas à Recorrente devem ser canceladas por essa E. Turma Julgadora, ou ao menos, reduzida para 100% dos valores dos tributos devidos. III.1.3 - Da Impossibilidade de Exigência da Multa Qualificada no Caso de Dúvida – Aplicação do Artigo 112 do CTN Além disso, há outro fator capaz de afastar, na hipótese de os argumentos anteriores não serem acolhidos, o que se alega apenas ad argumentandum, a exigência das multas qualificadas formalizadas contra a Recorrente. Caso esta I. Turma Julgadora decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração. Isso porque, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere do artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta- se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:(...)” [...]. Deste modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida quanto à correção das autuações originária da presente lide, requer-se que esta E. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a exigência da multa qualificada exigida da Recorrente. III.2– Impossibilidade de Cobrança de Juros Sobre a Multa Fl. 958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 17 No caso de ser mantido o crédito tributário cobrado, o que se alega a título argumentativo, é certo também que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. Isso porque, o artigo 61 da Lei nº 9.430/96 prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC apenas sobre tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ora, como já exaustivamente debatido, não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de “tributo”, contida no artigo 3º do Código Tributário Nacional. Ademais, o § 1º do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar “tributo” de “penalidade pecuniária”, ratifica o que ora se demonstra, deixando claro que as duas figuras não se confundem. Assim, demonstrado que (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5º, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por esta I. Turma Julgadora. [...] Ante o exposto, caso não sejam acolhidos os demais argumentos aduzidos no presente Recurso, o que se admite apenas a título argumentativo, a Recorrente aguarda que essa E. Turma Julgadora determine expressamente o cancelamento dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, sobre a multa de ofício lançada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: IV – DO PEDIDO Pelo exposto, a Recorrente requer a esta egrégia corte julgadora da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf o recebimento, o conhecimento e o provimento da presente Recurso, com o cancelamento integral dos autos de infração lavrados de IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS. Caso assim não se entenda, o que se alega apenas a título argumentativo, requer- se: 1) A desqualificação da multa de ofício imputada de 150% para 75%, nos termos dispostos na peça recursal; 2) Da Impossibilidade de Exigência da Multa Qualificada no Caso de Dúvida – Aplicação do Artigo 112 do CTN, nos termos dispostos na peça recursal; Fl. 959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 18 3) Da Impossibilidade de Cobrança de Juros Sobre a Multa, nos termos expostos na peça recursal; 4) Da vedação ao confisco, nos termos expostos na peça recursal. Notificado em 26.09.2018, e-fls. 861-862, o Recorrente/José Suigh Carlos apresentou os recursos voluntários com os mesmos teores em 16.10.2018, e-fls. 888-911 e em 22.10.2018, e-fls. 915-940, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: II – DAS PRELIMINARES II.1 - Da Falta de Motivação da Responsabilidade Atribuída ao Recorrente A Fiscalização, ao tentar encontrar algum fundamento para atribuir a presente responsabilidade ao Recorrente, acabou por apontar o já citado artigo 135 do CTN. No entanto, conforme será demonstrado no presente tópico, o Termo de Responsabilidade Tributária em face do Recorrente padece de nulidade insanável. Isso porque os atos administrativos são cercados de formalidades essenciais a sua validade, dentre elas a motivação. Tal fato decorre do disposto no artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, da Lei nº 9.784/99: [...]. Ademais, o artigo 50, inciso II, do mesmo dispositivo legal, determina que os atos administrativos devem ser obrigatoriamente motivados quando venham a impor deveres, encargos ou sanções: [...]. É certo que a motivação do ato administrativo não pressupõe apenas a indicação dos motivos de direito que levaram àquela conclusão. Deve a Administração, também, fazer a subsunção dos fatos à norma, como forma de preservar, inclusive, o direito de defesa do terceiro responsável. Nessa medida, todos os atos administrativos devem ser devidamente motivados, sob pena de impedir que o seu destinatário possa fazer qualquer avaliação acerca da sua legitimidade. Como consequência, os atos carentes de fundamentação são ilícitos, devendo ser extirpados pela Autoridade Administrativa competente. No caso concreto, temos que a imputação de responsabilidade ao Recorrente criou dever e impôs sanção (de adimplir os créditos tributários). Por isso, o Termo de Responsabilidade Tributária e o Termo de Verificação Fiscal (“TVF”) atrelado aos autos de infração deveriam conter outros fatos concretos e contundentes que demonstrasse o motivo que levou a Fiscalização por assim concluir, o que, entretanto, não ocorreu. Com efeito, cabe ressaltar que, muito embora a Fiscalização tenha citado o artigo 135 do CTN no “Enquadramento Legal” do Demonstrativo de Responsável Tributário que acompanhou os presentes autos de infração, o Termo de Verificação Fiscal - TVF que fundamentou o lançamento e o Termo de Fl. 960DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 19 Responsabilidade Tributária não fazem qualquer menção aos motivos e fatos infringidos que levariam à responsabilização do Recorrente, o que evidencia ainda mais a arbitrariedade na atribuição da responsabilidade em questão. Ademais, nem se alegue que as menções feitas nº Demonstrativo de Responsável Tributário e no Termo de Responsabilidade Tributária, supririam tal deficiência. Isso porque, como será abordado nos próximos tópicos, não há sequer uma palavra ou qualquer demonstração que leve à conclusão de que o Recorrente teria praticado atos, de forma personalíssima, com dolo, elemento indispensável para a aplicação da responsabilidade de terceiros prevista no artigo 135 do CTN. Ainda, da análise do TVF, verifica-se apenas uma citação infundada do artigo 135, III, do CTN, e da suposta “prática de infração à lei”, na forma dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, sem o desenvolvimento de qualquer raciocínio tendente a enquadrar os fatos ao disposto em tais normas, o que evidencia ainda mais a ausência de fundamentação na imposição da presente responsabilidade. [...] Portanto, a simples menção aos artigos 135 do CTN e 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, sem qualquer descrição/individualização do fato efetivamente praticado pelo terceiro responsável demonstra a efetiva falta de motivação ao ato administrativo em questão e a necessidade de seu cancelamento. No mais, vale frisar, desde logo, que, ainda que sejam superadas as nítidas nulidades acima descritas, o que se admite apenas por argumentar, fato é que, além disso, nos exatos termos trazidos pelo TVF, as autuações fiscais em comento acusam a Megaprint de FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DO IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Por conseguinte, em respeito à finalidade teleológica da norma veiculada no mencionado artigo 135 do CTN, não se pode admitir o paradoxo de se tributar, concomitantemente, o recorrente como eventual responsável pessoal e a pessoa jurídica a ele relacionada. Assim, ad argumentandum, é possível concluir que, ainda que fosse possível responsabilizar o Recorrente pelos créditos tributários objeto dos autos de infração em questão, fato é que, nos termos do próprio TVF, o Recorrente não possui nenhuma participação nos ilícitos supostamente praticados, em que o sujeito passivo principal é acusado da FALTA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS ACIMA JÁ ESPECIFICADOS. [...]. Assim sendo, resta evidente o vício de fundamentação do presente auto de infração, o que o torna nulo. [...]. Portanto, tendo em vista o vício na fundamentação da atribuição da responsabilidade ao Recorrente, deve esta E. Turma Julgadora reconhecer a nulidade do Termo de Responsabilidade Tributária. III – DO DIREITO Fl. 961DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 20 III.1 – Das Razões Expostas pela MEGAPRINT em seu Recurso Conforme demonstrado no Recurso apresentado pela Megaprint, cujos termos são integralmente ratificados nessa defesa, as cobranças pretendidas no presente processo são indevidas em razão, resumidamente: • Da Impossibilidade de Narrativas no TVF Sem a Contrapartida do Ônus da Prova e/ou da Necessária Citação no Processo Administrativo das Folhas Onde os Documentos ou Fatos Citados pela Autoridade Autuante Estariam Localizados. Cerceamento ao Direito de Defesa. Cancelamento dos Autos de Infração; • Da Impossibilidade de Cobrança da Multa Qualificada no Presente Caso – Erro de Subsunção dos Fatos Narrados no TVF Relativamente à Qualificação da Multa de Ofício em Relação ao Enquadramento Legal Tipificados nos Autos – Cerceamento ao Direito de Defesa e Impossibilidade de Correção pelo Julgador Administrativo; • Inocorrência de Crime Contra a Ordem Tributária e de Qualquer Hipótese Ensejadora da Multa Qualificada; • Ad Argumentandum - Da Vedação ao Confisco; • Da Impossibilidade de Exigência da Multa Agravada no Caso de Dúvida – Aplicação do Artigo 112 do CTN; • Impossibilidade de Cobrança de Juros Sobre a Multa; Assim sendo, requer-se que o Recurso apresentado pela MEGAPRINT COMERCIO E REPRESENTACOES EIRELI. seja parte integrante da presente defesa, de forma que fica impugnado todo o crédito tributário exigido nos autos desse processo administrativo. Caso essa E. Turma Julgadora, após analisar os argumentos apresentados pela Megaprint em seu Recurso, ora reiterados e ratificados, entenda por manter o auto de infração originário do presente processo – o que se alega a título argumentativo –, requer-se sejam analisados os itens do presente recurso para, ao final, determinar-se o cancelamento do Termo de Responsabilidade Tributária constituída em face do Recorrente. III.2. – Da Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica Ainda que se entenda que o Recorrente poderia se responsabilizar por atos praticados pela Megaprint, o que se alega apenas a título argumentativo, fato é que a Fiscalização pretendeu, ainda que indiretamente, aplicar a teoria da desconsideração da personalidade jurídica. Apesar de ser extremamente lacunosa a responsabilidade tributária imputada pela Fiscalização, imagina-se que tal responsabilidade teria sido atribuída apenas e tão somente com base no fato de o Recorrente ser sócio administrador e compor a diretoria da Megaprint. Fl. 962DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 21 Entretanto, tal entendimento está completamente equivocado, sendo inaplicável a desconsideração da personalidade jurídica, com a consequente confusão entre os patrimônios da pessoa física e da pessoa jurídica, isto porque, o patrimônio da companhia é dissociado do patrimônio do seu sócio e administrador. Deveras, a regular constituição de pessoas jurídicas acarreta a separação patrimonial desta sociedade e da pessoa física que a administra, a fim de que seja realizada devidamente a exploração de atividade econômica. [...] hipótese de desconsideração de personalidade jurídica está expressamente preconizada no Código Civil (e, não havendo disposição específica no CTN para tanto, devem ser observadas para a aplicação da desconsideração em âmbito fiscal). De acordo com o artigo 1.080 do Código Civil “as deliberações infringentes do contrato ou da lei tornam ilimitada a responsabilidade dos que expressamente as aprovaram”. Entretanto, para a aludida desconsideração da personalidade jurídica, é indispensável que sejam trazidas provas, por parte do Senhor Agente Fiscal, que demonstrem e comprovem qual o ato personalíssimo praticado pelo Recorrente que justificasse o dolo capaz de responsabilizá-lo por uma suposta infração cometida pela pessoa jurídica (sujeito passivo principal), pontos esses que não podem ser identificados nº presente caso, em que a Fiscalização trouxe apenas a menção ao artigo 135 do CTN, sob alegação de suposta infração à lei, por meio de sonegação, fraude e conluio. O Senhor Agente Fiscal deveria ter trazido aos autos elementos probatórios aptos a demonstrar que o Recorrente contornou as normas legais a fim de desvirtuar a personalidade jurídica da Megaprint, utilizando-se desta entidade indevidamente. Por fim, mas não menos importante, mencione-se que a desconsideração da personalidade jurídica só é possível por meio de decisão judicial, nos termos do artigo 50 do Código Civil, [...]. Evidente, portanto, que os meios aqui utilizados pelo Senhor Agente Fiscal não devem prosperar, haja vista que não houve qualquer decisão judicial, a fim de desconsiderar a personalidade jurídica da Megaprint, como exigido pelo art. 50 do Código Civil. No mais, nem se alegue que a responsabilidade tributária e a desconsideração da personalidade jurídica seriam institutos distintos. Ora, os princípios-valores tutelam os direitos e garantias dos sujeitos e, dentre eles, a segurança jurídica exige que somente haja responsabilização pessoal depois de exaradas as tentativas de cobrança contra o devedor original. O ordenamento jurídico prevê regramento próprio para as hipóteses de desconsideração da personalidade jurídica, o que evidencia a improcedência do Fl. 963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 22 entendimento do Senhor Agente Fiscal em tentar afastar tal previsão ao presente caso. Logo, não há que se admitir pretensa responsabilização do Recorrente conjuntamente à pessoa jurídica, porquanto se deveria observar procedimento específico, o que não ocorreu na presente autuação. Diante do exposto, é possível afirmar que a desconsideração da personalidade jurídica, pretendida pela Fiscalização, é totalmente descabida, sendo que(i) não houve infringência do contrato ou da lei, impossibilitando-se a aplicação do artigo 1.080, do Código Civil; (ii) ainda que fosse aplicável ao caso tal dispositivo, o que se nega, mas se alega para argumentar, não foram trazidos à baila quaisquer elementos de prova com relação a empresa envolvida – Megaprint - nos ilícitos, capazes de embasar a desconsideração em pauta; e (iii) não há decisão judicial a este respeito. Por tais razões, resta claro, também por este motivo, o notório vício de motivação no ato administrativo, o que torna nula a autuação fiscal em combate. III.3. – Inexistência de Responsabilidade Tributária do Recorrente Caso venha esta E. Turma Julgadora a entender que os motivos expostos até o presente momento não são suficientes para levar ao cancelamento do Termo de Responsabilidade Tributária e que a responsabilidade do Recorrente, como terceiro, está devidamente motivada - o que se alega apenas a título argumentativo - mesmo assim há razões autônomas que levam igualmente ao cancelamento do Termo em questão, afastando-se a suposta responsabilidade imputada ao Recorrente. É o que se passará a demonstrar. III.3.1 - Falta de Comprovação de Intuito Doloso – Impossibilidade de Aplicação do Artigo 135 do CTN Conforme delineado anteriormente, ainda que se entenda que a responsabilidade atribuída ao Recorrente com base no artigo 135 do CTN, esteja devidamente motivada, o que se alega a título argumentativo, é certo que, em nenhum momento a Fiscalização demonstrou no Termo de Responsabilidade Tributária ou no Relatório Fiscal a totalidade dos tais atos praticados com dolo, de forma personalíssima, pelo Recorrente, elemento indispensável para a aplicação da responsabilidade prevista no artigo 135 do CTN. Aliás, tal demonstração jamais poderia ter sido feita, na medida em que nunca existiu dolo praticado pelo Recorrente com relação à empresa em que a Megaprint é acusada de ter praticado supostos ilícitos. De fato, na presente defesa, refutam-se duas “modalidades” de dolo, que igualmente não podem ser identificados nas práticas do Recorrente ou da Megaprint, e tampouco foram comprovados pela Fiscalização: (i) o primeiro relaciona-se aos supostos atos praticados com infração de lei, necessários para que o Recorrente se enquadrasse na hipótese do artigo 135 do CTN (que será totalmente afastado no presente tópico); bem como (ii) o dolo indispensável para Fl. 964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 23 o agravamento/qualificação da multa em apreço (que será abordado posteriormente em item próprio). Ocorre que a Fiscalização se olvidou de traçar qualquer comentário a respeito do elemento dolo eventualmente praticado pelo Recorrente em sua autuação com relação à empresa Megaprint, na prática de supostos ilícitos. Com efeito, se não houve a comprovação integral do dolo por parte do Recorrente, impossível se faz a aplicação da responsabilidade tributária nos termos do artigo 135 do CTN. [...] Transpondo os ensinamentos acima mencionados, nota-se que a Fiscalização não indicou quais teriam sido especificamente os atos praticados pelo Recorrente em relação à empresa envolvida nas acusações fiscais, bem como o motivo pelo qual considerou tais condutas dolosas. E não o fez por uma simples razão: porque não existem atos praticados com excesso de poderes, nem com dolo pelo Recorrente com relação à empresa envolvida no presente caso. Conforme se verifica da fundamentação dos autos de infração relativa ao responsável tributário, a suposta responsabilidade tributária integral do Recorrente pelo crédito tributário em questão está lastreada em mera presunção, o que é absolutamente inadmissível e insuficiente para a aplicação do artigo 135 do CTN no presente caso. [...]. O E. Superior Tribunal de Justiça também segue esse exato posicionamento, conforme EAG 494.887-RS, julgado em 16/10/2007, segundo o qual “o sócio deve responder pelos débitos fiscais do período em que exerceu a administração da sociedade apenas se ficar provado que agiu com dolo ou fraude”. Com isso, resta evidenciado que todas as acusações feitas pela Fiscalização não passam de meras presunções desprovidas de qualquer fundamento, o que não deve ser tolerado por essa E. Turma Julgadora. Diante de todo o exposto, tendo em vista a ausência de comprovação do dolo necessário para a aplicação da responsabilidade prevista no artigo 135 do CTN, requer-se o cancelamento do Termo de Responsabilidade Tributária lavrado em face do Recorrente. III.3.2 – Da Não Ocorrência de Atos Praticados com Infração de Lei – Ausência de Sonegação, Fraude e Conluio Na remota hipótese de não se cancelar a responsabilidade tributária atribuída ao Recorrente em razão dos argumentos expostos nos tópicos anteriores, o que se alega apenas a título argumentativo, a responsabilização de terceiros também se afigura inoportuna pelo fato de não terem sido preenchidos os requisitos versados no caput do mencionado artigo 135 do CTN (excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos), conforme se passa a demonstrar. Como já anteriormente destacado, a Fiscalização cita nº demonstrativo de Responsáveis Tributários que o crédito tributário constituído em face da Fl. 965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 24 Megaprint seria atribuível ao Recorrente com fundamento no artigo 135 do CTN, ou seja, em razão de atos praticados por “excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto”. Dentre as hipóteses previstas no mencionado artigo 135, o Senhor Agente Fiscal justificou a aplicação do referido artigo pela suposta “prática de infração à lei, na forma de sonegação, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64” por parte do Recorrente. No entanto, como visto, ao autuar o Recorrente como responsável tributário, a Fiscalização esquivou-se de identificar e comprovar a totalidade de quais teriam sido os atos praticados por este de modo a infringir a lei, se limitando a atribuir referida responsabilidade mencionando apenas os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Ou seja, no presente caso, não restou caracterizada nos autos a ocorrência das operações autuadas, de sonegação, fraude ou conluio por parte do Recorrente, terceiro responsabilizado, razão pela qual, por mais esse motivo se faz necessário o cancelamento da responsabilidade em questão. Com efeito, conforme minuciosamente demonstrado na defesa apresentada pela pessoa jurídica nestes autos, as alegações da Fiscalização neste sentido são completamente infundadas. Primeiramente, merece registro o fato de que todas as bases de cálculos autuadas nesse processo administrativo estavam devidamente registradas na Escrituração Contábil Digital (“ECD”), na Escrituração Fiscal Digital (“EFD Contribuições”) e na Escrituração Contábil Fiscal (“ECF”) da Megaprint, como reconhecido no próprio TVF: Além disso, todos os esclarecimentos foram devidamente prestados no curso da fiscalização, ou seja, nada foi omitido ao Senhor Agente Fiscal, bem como não houve embaraço à fiscalização. Logo, são inaplicáveis os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964 ao presente processo. Sonegação, nos termos do que estabelece o artigo 71 da Lei nº 4.502.64 é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; e (ii) das condições pessoais de contribuintes, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Definitivamente tais hipóteses não ocorreram no presente caso. A Recorrente jamais teve como intuito impedir ou retardar a ocorrência de fatos geradores ou afetar qualquer forma as suas obrigações tributárias. Fato que comprova tal afirmação é que, como já mencionado, toda a base de cálculo autuada foi devidamente fornecida pela própria Megaprint. Fl. 966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 25 Conforme dispõe o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, “fraude é toda ação ou omissão tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” [...] Assim, de acordo com o renomado jurista, o dolo, “é o ato de má-fé, razão por que se diz fraudulento, sendo, como é, o intuito da própria fraude, ou de fraudar, pois sem fraude ou prejuízo preconcebido não se terá dolo em seu exato sentido.” (g.n.) Com efeito, age com dolo todo aquele que tem o ânimo de prejudicar ou fraudar alguém; todo aquele que intencionalmente adota uma conduta com o objetivo de fraudar. Considerando-se, como já mencionado anteriormente, que o dolo é elemento imprescindível para que se caracterize a sonegação e a fraude, e, portanto, devem ser minuciosa e cabalmente comprovados pela Autoridade Fiscal, é notório que na presente a responsabilidade é indevida, em razão da absoluta ausência de comprovação da prática dolosa do Recorrente. Ainda, é de se ressaltar que a caracterização do intuito de infringir a lei depende sempre de provas diretas, e não presuntivas, de que as operações realizadas tiveram o intuito doloso de retardar ou impedir o surgimento da obrigação tributária. [...] Com efeito, em momento algum foram mencionados os pretensos dispositivos de lei que teriam sido desrespeitados pelo Recorrente por meio de atos simulados, fraudulentos ou por meio de conluio com relação à empresa trazida pelo mesmo TVF. Ademais, conforme já mencionado, é requisito fundamental para a configuração da responsabilidade prevista no mencionado artigo 135 do CTN a descrição do fato concreto de forma detalhada, a qual deverá ser acompanhada de prova inequívoca. [...] Verifica-se que o litígio analisado na decisão acima é semelhante à discussão inserta no presente caso, uma vez que, nestes autos, a Fiscalização também lavrou os Termos de Responsabilidade Tributária simplesmente em razão do cargo ocupado pelo terceiro responsável (sócio) sem descrever e individualizar qualquer conduta concreta que teria sido praticada por este indivíduo, situação que, como bem ressaltado no acórdão supracitado, é absolutamente incabível e inaceitável do ponto de vista jurídico. Tanto isso é verdade, que o Senhor Agente Fiscal sequer possuía elementos para fundamentar a totalidade desta evidente indevida autuação, lavrando autos de infração sem qualquer explicação, justificativa ou motivação fática ou jurídica plausível para a imputação do grave ônus que é a integral responsabilidade tributária de terceiros. Fl. 967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 26 Ainda que se considere que a Autoridade Fiscal buscou comprovar o dolo para fundamentar a presente responsabilidade, o fato é que quem age com intuito de simular realiza operações proibidas, não as escrituras em seus registros contábeis e fiscais, não responde o procedimento fiscalizatório de forma diligente, procurando sob todas as formas ocultar as operações. Desse modo, repise-se, no presente caso nenhuma destas condutas foi praticada, tendo em vista que: • Os autos de infração foram lavrados com base na escrituração contábil e fiscal da Megaprint; • Todos os contratos, notas fiscais e comprovantes foram apresentados imediatamente ao Senhor Agente Fiscal; • Não houve qualquer tentativa de embaraço à fiscalização; e • Não houve qualquer prática de ato doloso e personalíssimo pelo Recorrente, de forma comprovada, que justificasse a sua indevida responsabilização nas autuações fiscais. Evidente, portanto, a ausência de atos simulados e fraudulentos, bem como a necessidade de cancelamento, por essa I. Turma Julgadora, do presente Termo de Responsabilidade Tributária. Por fim, no tocante à vaga alegação de atos praticados pelo Recorrente ou pela Megaprint em conluio, é necessário consignar que, ainda que tenha havido tal prática, o que se admite apenas para argumentar, os supostos benefícios certamente foram buscados fora do âmbito tributário. Por esse, motivo, não bastaria apenas a alegação de atos praticados em conluio, mas sim, se desse conluio buscou-se auferir alguma vantagem tributária, o que, evidentemente, não foi provado pelo Senhor Agente Fiscal. Insta ressaltar, inclusive, que o Recorrente sequer foi fiscalizado ou questionado durante o procedimento fiscalizatório realizado em face da pessoa jurídica, razão pela qual não teve a oportunidade de prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da totalidade das questões tratadas nos presentes autos. De fato, limitou-se a Fiscalização a traçar uma afirmativa extremamente genérica, que não guarda relação com aquela específica tratada pelo CTN, deixando de apresentar qualquer documento capaz de comprovar e individualizar os atos praticados pelo Recorrente. Ressalta-se que, todos os atos praticados pela Megaprint foram estritamente de acordo com o disposto na legislação vigente. Ad argumentandum, ainda que tivesse ocorrido eventual infração à lei no presente caso, a imputação de responsabilidade tributária ao Recorrente somente correria mediante a comprovação do dolo, o que, como já exaustivamente demonstrado, não foi feito pela Fiscalização nas narrativas apontadas no TVF como envolvidas na prática das acusações em questão. Fl. 968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 27 Nem se alegue que a Megaprint, em virtude de atos que, supostamente praticou, contou com a participação do seu sócio gerente. Isso porque, conforme pacífico na doutrina, a infração à lei a que faz referência o artigo 135 do CTN não há de ser entendida como a mera ausência de pagamento de tributo. [...] Aliás, nesse sentido também é a jurisprudência pacífica do E. Superior Tribunal de Justiça, que reconhece que a falta de pagamento de tributo não configura a responsabilidade do sócio/diretor pela dívida tributária, conforme se verifica, por exemplo, no julgamento do Recurso Especial nº 1.091.593/RS. [...] Não bastasse todo o exposto, ressalte-se ainda o voto proferido pelo Ministro Relator Teori Albino Zavascki no Recurso Especial nº 1.101.728-SP, julgado na sistemática prevista no artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/1973 - “Recursos Repetitivos”), sedimentando, portanto, o posicionamento jurisprudencial dessa matéria no âmbito judicial [...]. Assim, em consonância ao exposto acima, tal entendimento deverá ser aplicado por essa E. Turma Julgadora, por economia processual, haja vista que o artigo 62, § 2º, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já reconhece a necessidade da uniformização das decisões proferidas na forma do artigo 543-C, do antigo Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/1973), e determina a aplicação e obediência do entendimento exarado pelos Tribunais Superiores sob essa sistemática [...]. Ante todo o exposto, resta claro que também não é possível atribuir responsabilidade tributária ao Recorrente com base no artigo 135 do CTN, por supostos atos praticados com infração à lei por meio de sonegação, fraude ou conluio, o que de plano impede que esta E. Turma Julgadora aceite a integral responsabilização pretendida pelo Senhor Agente Fiscal, motivo pelo qual se impõe a exclusão do Recorrente do polo passivo do presente lançamento tributário. III.4 - Impossibilidade de Aplicação da Multa Qualificada No presente caso, assim como se fundamentou a imputação da presente responsabilidade, as multas de ofício foram lavradas no percentual de 150%, também, em razão do equivocado entendimento da Autoridade Fiscal de que houve a ocorrência de sonegação, fraude e conluio nos atos supostamente praticados pela Megaprint, no qual o Recorrente, mesmo sem ter agido ou praticado qualquer ato doloso de forma personalíssima com relação às supostas infrações ora questionadas. Como já demonstrado anteriormente, não restou caracterizada nos autos a ocorrência das operações autuadas, de sonegação, fraude ou conluio por parte do Recorrente, terceiro responsabilizado. Desse modo, o presente Termo de Responsabilidade não pode subsistir, muito menos a aplicação das multas qualificadas. Fl. 969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 28 Com efeito, conforme minuciosamente demonstrado no tópico anterior e na defesa apresentada pela pessoa jurídica nestes autos, as alegações da Fiscalização neste sentido são completamente infundadas. Isso porque, repise-se, não houve a comprovação de sonegação, fraude ou conluio por parte da Fiscalização. De fato, no presente caso, pela simples análise do TVF e dos autos de infração, verifica-se a clara falta de evidenciação do dolo, omissão fiscal que não pode ser admitida por esta Turma Julgadora, haja vista que se trata de uma obrigação/ Ônus da Fiscalização para possibilitar a aplicação da severa multa de 150%. Portanto, pelo exposto, como não restou comprovada qualquer prática dolosa pelo Recorrente, ou seja, não houve a prática de sonegação, fraude ou o conluio necessário à imposição da multa qualificada e por consectário a sujeição passiva, é certo que essa E. Turma Julgadora deverá cancelar a responsabilidade imposta ao Recorrente. III.5 - Do Princípio da Pessoalidade da Pena Ainda no tocante à multa qualificada, independentemente de os fatos acima serem suficientes para afastar a atribuição de responsabilidade do Recorrente, vale ressaltar que, em linha com os preceitos constitucionais que regem o direito brasileiro, nenhuma penalidade deverá ser transferida da pessoa do condenado. Nesse sentido, cita-se o artigo 5º, inciso XLV da Constituição Federal: [...]. Com efeito, mesmo que o crédito tributário em questão fosse devido e passível de ser exigido do Recorrente na qualidade de terceiro responsável, o que se alega apenas para argumentar, deve-se, ao menos, serem afastadas as multas indevidamente impostas à Recorrente. III.6 – Da Impossibilidade de Exigência da Multa Qualificada no Caso de Dúvida – Aplicação do Artigo 112 do CTN Além disso, há outro fator capaz de afastar, na hipótese de os argumentos anteriores não serem acolhidos, o que se alega apenas ad argumentandum, a exigência da multa qualificada formalizada. Caso esta E. Turma Julgadora decida pela manutenção dos lançamentos que deram origem a esse processo, por meio de julgamento em que houver empate de votos, é razoável considerar que há, no mínimo, dúvida quanto à ocorrência da infração. Isso porque, a exigência de valores a título de penalidades não se coaduna com a dúvida, conforme se afere o artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta- se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: (...)”. [...] Desse modo, caso reste inequívoca a presença da dúvida quanto à correção das autuações originárias da presente lide, requer-se que esta E. Turma Julgadora reconheça, ao menos, que não será possível manter a exigência da multa qualificada exigida no presente processo administrativo. Fl. 970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 29 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. No que concerne ao pedido conclui que: IV – DO PEDIDO Diante do exposto, reiterando-se e ratificando-se todos os argumentos expostos na peça recursal voluntária apresentada pela MEGAPRINT COMÉRCIO E REPRESENTACOES EIRELI, requer-se a esta E. Turma de Julgamento o conhecimento e o provimento do presente Recurso Voluntário, com o reconhecimento da inexistência de responsabilidade tributária no presente caso e o cancelamento do Termo de Responsabilidade Tributária, lavrado em face do Recorrente. É o Relatório. VOTO Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade Os recursos voluntários apresentados pelas Recorrentes atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. Nulidade do Auto de Infração e da Decisão de Primeira Instância A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Na constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício verifica-se pela ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, pela determinação a matéria tributável, pelo cálculo do montante do tributo devido, pela identificação do sujeito passivo e pela aplicação da penalidade cabível (art. 142 do Código Tributário Nacional). O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em virtude de impugnação, oportunidade em que a autoridade julgadora procede ao seu controle de legalidade (art. 145 do Código Tributário Nacional). A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente, da qual a Recorrente foi validamente cientificada, no Fl. 971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 30 sentido de julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido e mantendo o responsável tributário no polo passivo da obrigação. Assim, o Auto de Infração e a Decisão de Primeira Instância contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa que caracteriza a nulidade dos atos administrativos. Cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula nº 162 O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Tem-se que a “impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento” (art. 14 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nesta ocasião se implementam o contraditório resumido pelo binômio ciência e reação e a ampla defesa na produção de provas. Estes elementos são essenciais da estrutura dialética de participação processual. Antes da instauração da fase litigiosa não há que se falar em estrutura dialética, contraditório e ampla defesa. No Termo de Verificação Fiscal, e-fls. 539-611, que faz parte do Auto de Infração juntamente com os termos, demonstrativos, anexos e documentos, está detalhada minuciosamente que a Recorrente, após intimada, apresentou o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), as planilhas de apuração do PIS e da Cofins e a cópia do contrato de cessão onerosa de crédito financeiro com a Appex Consultoria Tributária Eireli. Nos sistemas internos da RFB constam a DIPJ do ano-calendário de 2013, as Escriturações Contábeis Fiscais (ECF) dos anos-calendário de 2014 e 2015, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) do ano-calendário de 2013, as Escriturações Fiscais Digital – Contribuições (EFD) dos anos-calendário de 2014 e 2015 também entregues pela Recorrente. As infrações identificadas como valores apurados contabilmente e não declarados foram apuradas com base na escrituração contábil digital (ECD), na escrituração contábil fiscal (ECF) e/ou DIPJ e na escrituração fiscal digital – contribuições (EFD – Contribuições) e/ou DACON apresentadas pela Recorrente, relativamente aos anos-calendário de 2013, 2014 e 2015. A Recorrente tinha ciência válida de todos estes documentos e por essa razão não há que se falar em desconhecimento dos mesmos. Fl. 972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 31 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo (Súmula CARF nº 46). As autoridades fiscais podem examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais (art. 195 do Código Tributário Nacional). Logo, não prosperam os argumentados da Recorrente de que o lançamento é nulo por não ter sido intimada da documentação analisada pelas autoridades fiscais e que não acessou estes elementos de prova. Na constituição o crédito tributário pelo lançamento de ofício foi observado o ordenamento jurídico pátrio. No procedimento administrativo se verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, se determinou a matéria tributável, se calculou o montante do tributo devido, se identificou o sujeito passivo e se aplicou da penalidade cabível, cuja atividade administrativa é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional). A Recorrente transmitiu DCTF com valores zerados tendo em vista que quitou, embora vedado, os tributos com os créditos financeiros então adquiridos (Lei nº 10.179, de 06 de fevereiro de 2001 e Decreto nº 3.859, de 04 de julho de 2001 e Cartilha de Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Ministério Público Federal (MPF). Por estas razões foi imputada a responsabilidade tributária ao Sr. José Suigh Carlos, na qualidade de sócio proprietário da Recorrente, com base no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Por conseguinte, não há erro na identificação do sujeito passivo da relação jurídico-tributária que implique a nulidade do lançamento de ofício. Depois de a Recorrente ser validamente intimada do Auto de Infração em 18.01.2018, e-fls. 720-721, com a apresentação da impugnação em 31.01.2018, e-fls. 723-824, aperfeiçoa-se a fase processual pela instauração da fase litigiosa no procedimento. O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento (Súmula CARF nº 162). Nesta fase a Recorrente teve acesso a todos os documentos para a realização do processo administrativo (Decreto nº 8.539, de 08 de outubro de 2015, Portaria RFB nº 1.807, de 19 de julho de 2018 e Instrução Normativa RFB nº 2022, de 16 de abril de 2021). O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foram regularmente analisados pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridade fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o Fl. 973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 32 processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição da República Federativa o Brasil). Ainda sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE (STF, AI 791292 QO-RG, 2010) com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Via de regra, na decisão devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Ocorre que o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Na decisão administrativa não precisam ser enfrentados todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Neste sentido, o Recurso Especial Repetitivo nº 931.727/RS (STJ, REsp 931727/RS, 2009), Temas Repetitivos nºs 160 e 161, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) assim se refere: “o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão”. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Está registrado no Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): DAS PRELIMINARES Antes de adentrarmos na análise do mérito propriamente dito, enfrentaremos as questões preliminares suscitadas pelas defesas. A MEGAPRINT alegou a nulidade dos AI em função da impossibilidade da coexistência, num mesmo processo administrativo, de lançamento de crédito tributário em face da pessoa jurídica e do seu sócio administrador e pelo cerceamento do seu direito de defesa causado por citações e/ou narrativas de Fl. 974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 33 fatos no TVF sem a devida comprovação documental, bem como sem citarem as folhas do processo onde estariam localizados. Em relação à primeira preliminar defende que a responsabilidade prevista no inciso III, do artigo 135 do CTN é justamente para excluir a responsabilidade da pessoa jurídica nos casos em que o administrador, sendo sócio ou não, age com excesso de poderes ou com infração à lei. Assim, se a fiscalização entendeu pela responsabilidade do sócio/administrador, deveria ter excluído a MEGAPRINT do polo passivo, ou seja, entende que no mesmo AI não podem figurar no polo passivo a pessoa jurídica e o seu sócio/administrador, ainda que este último na condição de responsável tributário. Não há no ordenamento jurídico qualquer regra específica que afaste a sujeição passiva do contribuinte face a atribuição de responsabilidade tributária ao sócio/administrador nos termos do inciso III, do artigo 135 do CTN. Na verdade, tal como expresso nos AI, trata-se de solidariedade passiva, prevista no inciso I do artigo 124 do CTN, motivada por responsabilização tributária atribuída pela fiscalização ao sócio/administrador em decorrência da ação fiscal desenvolvida. Mais do que isso, há previsão normativa, que tem o condão de vincular toda a administração tributária federal, no sentido de que quando da identificação de pluralidade de sujeitos passivos, que ocorre neste caso, estes devam figurar no polo passivo do mesmo auto de infração. Assim está previsto na Portaria RFB nº 2.284/2010 [...]. Já em relação à segunda preliminar suscitada, não se pode acatar o pedido de nulidade do processo face ao cerceamento do direito da defesa em função das narrativas do TVF estarem desacompanhadas de provas, e mesmo de indicação das folhas do processo que a elas se relacionam, pois o próprio impugnante, nesta mesma peça impugnatória, identificou e apresentou a sua versão para tais narrativas ditas como cerceadoras da sua defesa, de forma que, ainda que fossem verdadeiras estas afirmações, o que se faz neste momento apenas como argumentação, o impugnante apresentou livre e conscientemente os seus argumentos para rebatê-las, de maneira que a sua defesa foi plenamente exercida e será devidamente analisada neste julgamento. Pelo exposto, não assiste razão ao sujeito passivo nestas duas preliminares que visam a nulidade do processo, uma vez que os atos e termos foram lavrados por autoridade competente, in casu, auditor fiscal da RFB, e não impediram que a defesa fosse exercida na sua plenitude, de forma que não se enquadram nas causas de nulidade dos atos administrativos que estão elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), reafirmadas no artigo 12 do Decreto nº 7.574/2011: Art. 12. São nulos (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 59): I - os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente; e Fl. 975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 34 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os atos posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, nem mandará repetir o ato, ou suprir-lhe a falta. Art.13. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 12 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 60). Já a impugnação do responsável tributário JOSÉ SUIGH suscitou a preliminar de nulidade do termo de responsabilidade tributária lavrado em face do impugnante, pela ausência de motivação deste ato. Alegou que a fiscalização não descreveu a sua conduta para fins de sua responsabilização, e que isso resulta em ausência de motivação a ensejar o seu cancelamento. Não assiste razão ao impugnante neste ponto. A leitura do TVF deixa claro que o autuante apontou a participação direta do impugnante nos atos preparatórios que culminaram no lançamento e em sua responsabilização. O atípico contrato celebrado com a APPEX (fls. 140/145), pelo qual os supostos créditos financeiros de títulos públicos foram adquiridos, foi assinado justamente pelo impugnante, na qualidade de representante legal da MEGAPRINT, tendo sido suficientemente descrito pela fiscalização no TVF, onde foram apontadas todas as circunstâncias anormais nele inseridas, de sorte que os motivos para a eleição do sr. JOSÉ SUIGH como responsável tributário do crédito lançado foram declarados pela autoridade autuante, mas nem sequer foram contestados na defesa. Sendo assim, a pergunta feita no início deste voto (porque as defesas não abordaram a questão do CONTRATO) continua sem resposta, e, portanto, fica afastada esta preliminar arguida. Assim sendo, o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, está perfeitamente motivado de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária. Afastado está o cerceamento do direito de defesa que caracteriza a nulidade dos atos administrativos quando observadas as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Logo não cabe razão a Recorrente. Lançamento de Ofício Fl. 976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 35 A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O Código Tributário Nacional determina: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Cabe a averiguação dos livros de registros obrigatórios pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações. A peça de defesa deve ser instruída com prova documental imprescindível à comprovação das matérias suscitadas dada a concentração dos atos em momento oportuno (art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Observe-se que no caso de “o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias” (art. 37 e art. 69 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Tem-se que no processo administrativo fiscal a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, flexibilizando a preclusão no que se refere a apresentação de documentos, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária, pois “não há óbice para apreciação, pela autoridade julgadora de segunda instância, de provas trazidas apenas em recurso voluntário, mas que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação” (Acórdão CSRF nº 9101-004.568, de 03.12.2019). A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina: Art. 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por Fl. 977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 36 períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, vigente à época, prevê: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). [...] Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 77, Lei nº 2.862, de 1956, art. 28, Lei nº 5.172, de 1966, art. 149, Lei nº 8.541, de 1992, art. 40, Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, Lei nº 9.317, de 1996, art. 18, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 42): I - não apresentar declaração de rendimentos; II - deixar de atender ao pedido de esclarecimentos que lhe for dirigido, recusar-se a prestá-los ou não os prestar satisfatoriamente; Fl. 978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 37 III - fizer declaração inexata, considerando-se como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; IV - não efetuar ou efetuar com inexatidão o pagamento ou recolhimento do imposto devido, inclusive na fonte; V - estiver sujeito, por ação ou omissão, a aplicação de penalidade pecuniária; VI - omitir receitas ou rendimentos. Parágrafo único. Aplicar-se-á o lançamento de ofício, além dos casos enumerados neste artigo, àqueles em que o sujeito passivo, beneficiado com isenções ou reduções do imposto, deixar de cumprir os requisitos a que se subordinar o favor fiscal. Relativamente aos títulos da dívida pública de responsabilidade da Secretaria do Tesouro Nacional, a Lei nº 10.179, de 06 de fevereiro de 2001, determina: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos da dívida pública, de responsabilidade do Tesouro Nacional [...]. Art. 2º Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: I - Letras do Tesouro Nacional - LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; II - Letras Financeiras do Tesouro - LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III - Notas do Tesouro Nacional - NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos. [...] Art. 5º A emissão dos títulos a que se refere esta Lei processar-se-á exclusivamente sob a forma escritural, mediante registro dos respectivos direitos creditórios, bem assim das cessões desses direitos, em sistema centralizado de liquidação e custódia, por intermédio do qual serão também creditados os resgates do principal e os rendimentos. Art. 6º A partir da data de seu vencimento, os títulos da dívida pública referidos no art. 2º terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, de responsabilidade de seus titulares ou de terceiros, pelo seu valor de resgate. No Instrumento Particular de Cessão Onerosa de Crédito Financeiro, integralizado junto à Lei nº 12.798, de 04 de abril de 2013, celebrado entre a Cessionária/Contratante/Megaprint Comércio e Representações Ltda. e a Cedente/Contratada/Appex Consultoria Tributária estabeleceram as cláusulas e condições que regem o negócio jurídico sobre direitos creditórios identificados e alocados junto ao Ministério da Fazenda em Dívidas Agrupadas em Operações Especiais identificadas em Unidade Orçamentária de n° 71.101. O referido crédito tem efeitos liberatórios de quitação de tributos federais, próprios Fl. 979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 38 ou de terceiros, previstos e amparados pela Lei nº 10.179, de 06 de fevereiro de 2001 e Decreto nº 3.859, de 04 de julho de 2001, cuja extinção da obrigação tributária se dará através do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), após legal e obrigatória conferência a ser realizada pelo subsistema gerido pelo Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal — SIAFI, e-fls. 140- 144 e 515-537. A Recorrente transmitiu DCTF com valores zerados com base no fato de que formalizou processos administrativos junto à STN visando quitação de tributos com os referidos créditos financeiros então adquiridos. A Cartilha de Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Ministério Público Federal (MPF) traz informações úteis sobre a prática e a vedação de títulos antigos da dívida pública para extinção de débitos tributários no âmbito federal: A Lei nº 10.179, de 2001, prevê em seu art. 6º que os títulos referidos no art. 2º da mesma Lei (LTN, LFT e NTN) poderão ser utilizados para pagamento de tributos federais, desde que vencidos. O Tesouro Nacional alerta que todos os títulos emitidos na forma da Lei nº 10.179 foram resgatados nos respectivos vencimentos, não havendo nenhum na condição de vencido. Ademais, os títulos emitidos na forma da referida Lei são todos escriturais (com registro eletrônico, e não em cártula) e são todos emitidos no Brasil. Portanto, na prática, não há nenhuma hipótese de pagamento ou compensação de tributos com títulos públicos. [...] O Tesouro Nacional tem recebido frequentes consultas a respeito de validade, possibilidade de resgate, troca, conversão (em NTN-A ou em outros títulos), bem como de pagamento ou compensação de dívidas tributárias ou outros tipos de operações diversas envolvendo apólices antigas, emitidas sob a forma “cartular” (impressas em papel), inclusive títulos da dívida externa referentes, em sua maioria, àqueles regulados pelo Decreto-lei nº 6.019, de 1943, que perderam seu valor [...]. Títulos antigos emitidos em papel e em moeda estrangeira não podem ser convertidos nos títulos referidos no art. 2º da Lei nº 10.179, de 2001 (LTN, LFT ou NTN), portanto não se prestam para pagamento ou compensação de tributos federais. [...] Os títulos da Dívida Interna denominados Apólices da Dívida Pública, Obrigações de Guerra, Obrigações do Reaparelhamento Econômico, Títulos de Recuperação Financeira e Títulos da Dívida Interna Fundada Federal de 1956 não valem desde 1969. [...] Fl. 980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 39 A compensação é uma das formas de extinção do crédito débito tributário prevista no Código Tributário. Baseia-se na utilização de crédito líquido e certo do contribuinte junto à fazenda nacional e desde que autorizada em lei tributária. A Lei 9.430, de 1996, veda expressamente a compensação de débitos tributários com utilização de títulos públicos. Sobre os efeitos da compensação considerada não declarada, a Solução de Consulta Interna Cosit/RFB nº 13, de 07 de agosto de 2015, esclarece: 12. Conforme se vê, a compensação considerada não declarada, por força da lei, não produz sequer o efeito do encontro de contas. Não ocorre, nessa hipótese, a extinção do crédito tributário sob condição resolutória, pois a compensação é considerada, por disposição legal, como se não houvesse sido declarada. Considerada não declarada a compensação, não cabe a aplicação do rito do Decreto nº 70.235, de 1972, ficando afastada a possiblidade de apresentação de manifestação de inconformidade. Cabe citar a jurisprudência do CARF que trata de lançamento de ofício em decorrência da utilização por concessionária de crédito financeiro oriundo de procedimento administrativo junto a Secretaria do Tesouro Nacional referente a Título da Dívida Pública para fins de extinção de débito tributário: Acórdão nº 1004-000.240, de 07.07.2025: TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA PAGAMENTO/COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A Lei nº 10.179, de 2001, estabelece rol taxativo dos títulos da dívida pública com poder liberatório para pagamento de tributos federais, limitando-se às Letras do Tesouro Nacional (LTN), Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e Notas do Tesouro Nacional (NTN). Títulos históricos emitidos sob a égide do Decreto-lei nº 6.019, de 1943, não possuem previsão legal para quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Além disso, o § 12, inciso II, alínea "c" do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, classifica como "compensação não declarada" qualquer tentativa de extinção de débitos tributários mediante utilização de títulos da dívida pública. Acórdão nº 1102-001.705, de 20.08.2025: DIREITO TRIBUTÁRIO. DIVERGÊNCIA ENTRE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE AMPARO LEGAL. Inadmissível a extinção de crédito tributário mediante supostos títulos da dívida pública externa, sem valor liberatório reconhecido e sem respaldo legal, nos termos do art. 74, §12, II, “c”, da Lei n. 9.430/96. Inexistência de decisão judicial que valide tal quitação. Divergências apuradas entre ECD/ECF, DCTF e GFIP mantidas. Fl. 981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 40 Acórdão nº 1402-007.481, de 16.10.2025: MULTA QUALIFICADA. QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS COM A UTILIZAÇÃO DE SUPOSTOS CRÉDITOS PROVENIENTES DE TÍTULOS PÚBLICOS ANTIGOS. FRAUDE. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. CIÊNCIA DA FRAUDE. DOLO. Correta a aplicação da multa qualificada em caso de utilização de supostos créditos provenientes de títulos públicos antigos, firmado mediante contrato com empresa fraudadora, descabendo alegar boa-fé quando o contribuinte recebe notificação da RFB com explicação da fraude e orientação de retificar a DCTF, mas o faz somente após o início da ação fiscal. Comprovado o dolo, impõem-se aplicação de multa de ofício qualificada. Evidenciada, pelas provas carreadas aos autos, a intenção dolosa tendente a ocultar do Fisco a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do imposto devido, cabível a imposição da multa qualificada, prevista no art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Redução de 150% para 100% em face da alteração da legislação com efeito retroativo. Acórdão nº 9101-007.108, de 06.08.2024: MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NOTÓRIA E PRÁTICA REITERADA. CABIMENTO. A apresentação ao Fisco, de forma reiterada, de DCTF’s declarando débitos tributários em valores irrisórios, quando comparados aos realmente devidos, em razão da utilização de créditos notoriamente inservíveis à compensação de tributos federais, e, ademais, inexistentes, para implementar “compensações” apenas na ECF/EFD, revela a intenção de ocultar e/ou retardar o conhecimento, pela autoridade administrativa, da ocorrência do fato gerador e/ou de reduzir os reais valores de tributos devidos, implicando a qualificação da multa de oficio. Acórdão nº 1401-007.382, de 28.01.2025: QUITAÇÃO DE TRIBUTOS MEDIANTE TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. VEDAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. É vedada a utilização de títulos da dívida pública externa para quitação de tributos federais, caracterizando tal procedimento fraude e sonegação, ensejando o lançamento de ofício do crédito tributário apurado e a qualificação da multa de ofício, sobre aqueles que transacionam tais papéis. Acórdão nº 1401-006.867, de 12.03.2024: PAGAMENTO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DA DÍVIDA EXTERNA. LEI 10.179/2001. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para a quitação de título da dívida pública externa com tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Outrossim, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que disciplinou a compensação de tributos federais, além de não permitir a compensação de débitos tributários com títulos públicos, também veda o encontro de contas com créditos de terceiros. Fl. 982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 41 VALORES NÃO DECLARADOS EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Diante de completa ausência de informação de valores de tributos devidos em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), não se consuma a confissão de dívida, prevista no Decreto-Lei nº 2.124, de 1984, razão pela qual cabe a constituição do crédito tributário pela autoridade fiscal nos termos do art. 142 do CTN, mediante lançamento de ofício. Acórdão nº 1401-006.876, de 14.03.2024: MULTA QUALIFICADA. FRAUDE NOTÓRIA E PRÁTICA REITERADA. É cabível a qualificação da multa de ofício, no percentual de 150%, quando restar comprovado, nos autos, que o sujeito passivo adotou condutas que constituem a sonegação e fraude, como definido em lei. Ao menos desde 2012 o Tesouro Nacional vem alertando sobre fraudes com títulos públicos. De forma semelhante, o Ministério Público Federal, por sua 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, emanou Orientação, em 26/05/2014, para que os membros do Ministério Público Federal que oficiam na área criminal, respeitada a independência funcional, promovam “a responsabilização criminal, a qual pode ser imputada a sócios e outros responsáveis por empresas privadas e a servidores e gestores públicos, nas hipóteses de fraudes com títulos públicos”. A declaração de informações inverídicas, durante longo período de tempo, evidencia a conduta dolosa no sentido de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, justificando-se, assim, a multa no percentual de 150%. Consta no Termo de Verificação Fiscal, e-fls. 539-611, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): II - DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO. A ação fiscal resultou na apuração do Crédito Tributário no valor total de R$ 3.023.104,05, decorrente das infrações apuradas com base na escrituração contábil digital (ECD), na escrituração contábil fiscal (ECF) e/ou DIPJ e na escrituração fiscal digital – contribuições (EFD – Contribuições) e/ou DACON apresentadas pela fiscalizada, relativas aos anos-calendário de 2013, 2014 e 2015 [...]. III – DO MODUS OPERANDI Por força do disposto no artigo 5º, § 1º do Decreto-Lei 2.124/84; artigo 16 da Lei 9.779/99; artigo 8º da Instrução Normativa 1.599/2015, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF é o documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunica a existência de débito tributário e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido débito. Fl. 983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 42 De modo que, eventuais diferenças apuradas pelo fisco entre os valores dos tributos devidos e os pagamentos, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidos ou não liquidados, declarados em DCTF são créditos tributários aptos a serem enviados para imediata inscrição em Dívida Ativa da União. No entanto, em vez de seguir o rito normativo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a Contribuinte optou por não confessar em DCTF os tributos devidos motivados por supostas quitações dos tributos que teriam sido realizadas por meio da Secretaria do Tesouro Nacional, com créditos inexistentes, o que deu azo ao retardo das providências de cobrança de tributos pelo fisco, sendo necessário o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário devido e sua respectiva cobrança. O lançamento fiscal ora a realizado teve por base a escrituração contábil digital (ECD) do Contribuinte, a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e/ou DIPJ e a Escrituração Fiscal Digital – Contribuições (EFD – Contribuições) e/ou DACON, que em cotejo com os valores declarados em DCTF demonstraram a existência de tributos devidos, não confessados e não recolhidos, conforme já demonstrado em tópico acima. Apesar de ter afirmado em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal que “a empresa Megaprint jamais se utilizou de quaisquer créditos seja a que título for para quitar tributos federais administrados pela Receita Federal” não foi isso que observamos em seus registros contábeis. O contribuinte tem em sua escrituração contábil digital as contas “1220100800001 - appex consultoria tributária” e “2210100800001 - APEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA LTDA” onde foram registrados os créditos adquiridos junto à Appex por meio de Instrumento Particular de Cessão Onerosa de Crédito Financeiro. IV - DOS TÍTULOS DE QUE TRATAM A LEI 10.179/2001 A previsão para quitação de tributos com títulos públicos de que trata o artigo 6º a lei 10.179/2001 estão explicitados na própria lei, destacadamente em seus artigos 2º e 5º, in verbis: 2º Os títulos de que trata o caput do artigo anterior terão as seguintes denominações: I - Letras do Tesouro Nacional - LTN, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; II - Letras Financeiras do Tesouro - LFT, emitidas preferencialmente para financiamento de curto e médio prazos; III - Notas do Tesouro Nacional - NTN, emitidas preferencialmente para financiamento de médio e longo prazos. Art. 5º A emissão dos títulos a que se refere esta Lei processar-se-á exclusivamente sob a forma escritural, mediante registro dos respectivos direitos Fl. 984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 43 creditórios, bem assim das cessões desses direitos, em sistema centralizado de liquidação e custódia, por intermédio do qual serão também creditados os resgates do principal e os rendimentos. Art. 6º - A partir da data de seu vencimento, os títulos da dívida pública referidos no art. 2º terão poder liberatório para pagamento de qualquer tributo federal, de responsabilidade de seus titulares ou de terceiros, pelo seu valor de resgate. De forma que somente os títulos emitidos na forma do artigo 2º têm aptidão para ensejar a quitação /compensação tributária, prevista no artigo 6º da mesma Lei, que são emitidos exclusivamente de forma escritural, isto é, mediante registro (eletrônico) em sistema centralizado de liquidação e custódia, não incluída a possibilidade de emissão de títulos cartulares - em papel. Anota-se que o suposto crédito utilizado pelo contribuinte não tem origem nos títulos estabelecidos no artigo 2º da Lei nº 10.179/2001. V – DO NÃO RECONHECIMENTO DOS CRÉDITOS PELA STN Trata-se de fraude contra o Tesouro Nacional e contra a Administração Tributária, cuja engenharia complexa consiste na apropriação indevidamente das receitas originárias – tributos - que seriam destinados aos cofres públicos, como forma de usufruir ardilosamente do reconhecimento dos valores por eles atribuídos aos títulos públicos. A Secretaria do Tesouro Nacional que é responsável pela Emissão, Controle e Resgate dos Títulos Públicos Federais e tem como atribuição o zelo pela manutenção da saúde econômico-financeira do país, nos termos da Lei 10.179/2001 e Decreto nº 3.859/2001, trata como fraude os pedidos/autorização para quitação de tributos federais com estes pretensos créditos, fundamentados indevidamente no artigo 6º da lei 10.179/2001. Com o fim de coibir estas ações foi publicada em junho de 2012, uma Cartilha, com a participação conjunta da Secretaria do Tesouro Nacional, Secretaria da Receita Federal, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Ministério Público da União, que demonstra, de forma clara e bastante didática, que todos os títulos emitidos na forma da Lei nº 10.179/2001 foram resgatados nos respectivos vencimentos, não havendo nenhum na condição de vencido. Os títulos emitidos no início do século passado, em outros países em moeda estrangeira, não possuem os valores a eles atribuídos. Trata-se direitos estrangeiros, sujeitos às leis do país em que foram emitidos. A Cartilha alerta a população da vedação legal da utilização destes títulos para extinção de débitos tributários no âmbito federal e sobre as consequências fiscais, penais e cíveis a que estão sujeitos os infratores e pode ser consultada na internet, [...]. VI - DO NÃO RECONHECIMENTO JUDICIAL Fl. 985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 44 Diversas ações judiciais de execução de título da dívida pública que foram impetradas pelos fraudadores que desejam atribuir exigibilidade a estes títulos já têm sentença definitiva, com trânsito em julgado e condenação dos mentores, que são os responsáveis de fato pelas empresas cessionárias dos créditos. Neste sentido, as sentenças abaixo relacionadas, declaram: • a prescrição dos títulos exequendos. • A ausência de liquidez e certeza destes créditos, atributos exigidos pelo art. 170 Código Tributário Nacional para extinção dos tributos. • A litigância de má-fé dos exequentes que faltaram com a verdade quando afirmam textualmente na peça inicial, que a validade dos títulos que se enquadram nº Decreto-lei n. 6.019/1943 foi reconhecida pela Secretaria do Tesouro Nacional, com suporte no Ofício n. 4.350/CODIP/STN, de 1º de outubro de 2003. • Que foi apurado pelo Ministério Público Federal que este ofício foi adulterado. • Que a Secretaria do Tesouro Nacional informou ainda que outros expedientes também foram adulterados e estão sendo apresentados em ações judiciais, são eles: Ofício nº 5364, Ofício nº 54/2008/STN/MF, Ofício nº 55/2005/STN/MF, Ofício nº 56/2008/STN/MF, Ofício nº57/2008/STN/MF, Ofício nº 127/2008/STN/MF, Certidão do Banco Central e Declaração de Autenticidade do Banco Central relativo às LTN’s. • Que foi identificado, nos autos de uma Execução Fiscal, falsificação inclusive de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional (suposto Parecer/PGFN nº 021/2005), declarando a validade de crédito oriundo de debêntures da Companhia Vale do Rio Doce...” • A utilização de documento público falso, com o intuito de alterar a verdade, é conduta que vai além da litigância de má-fé, para se inserir no campo do ilícito penal (Código Penal, arts. 304 e 347), o que está sendo investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. • O Ministério Público Federal descobriu que a presente Ação assim com a em curso na 18ª Vara, Processo nº 2007.34.00.0040037-3, fazem parte de um grande esquema montado para fraudar os cofres da União por meio do ajuizamento de ações judiciais” (fl. 573). SENTENÇA N. 1291/2011 – TIPO A PROCESSO N. 3674-54.2010.4.01.3400 SENTENÇA N. 1.129/2013 – TIPO A CLASSE: 11102 PROCESSO N. 15663- 23.2011.4.01.3400 VII – DA RESPONSABILIZAÇÃO CRIMINAL PELO MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL A 2ª Câmara de Coordenação e Revisão (Matéria Criminal e Controle Externo da Atividade Policial), no procedimento 1.00.000.03696/2012-12, em documento Fl. 986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 45 denominado ORIENTAÇÃO Nº 10, datado de 26.05.2014, sob coordenação da Subprocuradora- Geral da República [...] relata o Modus Operandi das Fraudes com Títulos Públicos Brasileiros detectadas pela Secretaria da Receita Federal. Discorre sobre a prática inicial adotada pelos fraudadores – atualmente já alterada – de inserir informações de suspensão de débitos tributários federais nas DCTF, DASN, Guias de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). Considera que o objetivo das fraudes consiste em atribuir exigibilidade aos títulos da dívida pública externa emitidos no século passado, bem como fazer com que o resgate destes papéis se faça com a incidência de correção monetária, bem como a pretensão de se reconhecer que os títulos regulados pelo Decreto-lei nº 6.019/1943 tenham o mesmo tratamento dos títulos regulados pela Lei nº 10.179/2001. A orientação para que os membros do Ministério Público Federal promovam a responsabilização criminal, que podem ser imputadas a sócios e outros responsáveis por empresas privadas e a servidores e gestores públicos na hipótese de fraude tributária com títulos públicos praticadas com base no modus operandi descrito no documento, visando a atuação preventiva e repressiva no combate a esta fraude. [...] VIII – DOS VALORES TRIBUTÁVEIS A) IRPJ e CSLL - ANO CALENDÁRIO DE 2013 Em 06/10/2017 o contribuinte foi intimado a justificar as divergências entre os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF e os valores declarados no LALUR e na DIPJ 2014, todos relativos ao ano-calendário de 2013. No que diz respeito ao IRPJ e a CSLL as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 06/10/2017 [...]. Como resposta às divergências [...] o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF, referentes ao IRPJ -Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a CSLL -Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, encontram-se inferiores aos valores apurados na DIPJ 2014, ano-calendário de 2013 e no Lalur - parte A, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; • Destaque-se, contudo, que os valores apurados e declarados na DIPJ de 2014/2013, foram declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dispostos nessa citada DIPJ. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) os valores de IRPJ e CSLL são similares aos valores escriturados na conta Fl. 987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 46 contábil “2130100100004 - Provisão p/ imposto de renda” e na conta contábil “2130100100005 -Provisão contribuição social s/ o lucro”, [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do IRPJ aquele resultante da diferença entre o valor contabilizado na conta “2130100100004 - Provisão p/ imposto de renda” e o valor declarado em DCTF. O quadro abaixo apresenta os valores trimestrais de IRPJ [...]. Similarmente, consideramos como valor tributável da CSLL aquele resultante da diferença entre o valor contabilizado na conta “2130100100005 - Provisão contribuição social s/ lucro” e o valor declarado em DCTF. [...] B) IRPJ e CSLL - ANO CALENDÁRIO DE 2014 Em 17/10/2017 o contribuinte foi intimado a justificar as divergências entre os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF e os valores declarados no LALUR e na Escrituração Contábil Fiscal (ECF), todos relativos ao ano-calendário de 2014. No que diz respeito ao IRPJ e a CSLL as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 17/10/2017: [...]. Como resposta às divergências [...] o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF, referentes ao IRPJ -Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a CSLL -Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, encontram-se inferiores aos valores apurados na ECF do ano-calendário de 2014 e no Lalur parte A, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; • Destaque-se, contudo, que os valores apurados e declarados na ECF de 2015/2014, foram declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dispostos nessa citada ECF – Escrituração Contábil Fiscal. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN)os valores de IRPJ e CSLL são similares aos valores escriturados na conta contábil “2130100100004 - IRPJ a Recolher” e na conta contábil “2130100100005 - CSLL a Recolher”, [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do IRPJ aquele resultante da diferença entre o valor contabilizado na conta “2130100100004 - IRPJ a Recolher” e o valor declarado em DCTF. [...] Similarmente, consideramos como valor tributável da CSLL aquele resultante da diferença entre o valor contabilizado na conta “2130100100005 - CSLL a Recolher” e o valor declarado em DCTF. [...] C) IRPJ e CSLL - ANO CALENDÁRIO DE 2015 Fl. 988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 47 Em 17/10/2017 o contribuinte foi intimado a justificar as divergências entre os valores de IRPJ e CSLL declarados em DCTF e os valores declarados no LALUR e na Escrituração Contábil Fiscal (ECF), todos relativos ao ano-calendário de 2015. No que diz respeito ao IRPJ e a CSLL as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 17/10/2017: [...]. Como resposta às divergências [...] o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF, referentes ao IRPJ -Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e a CSLL -Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, encontram-se inferiores aos valores apurados na ECF do ano-calendário de 2015 e no Lalur parte A, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; • Destaque-se, contudo, que os valores apurados e declarados na ECF de 2016/2015, foram declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dispostos nessa citada ECF – Escrituração Contábil Fiscal. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN)os valores de IRPJ e CSLL são similares aos valores escriturados na conta contábil “2130100100015 - IRPJ a recolher” e na conta contábil “2130100100016 - CSLL a recolher trimestral”, [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do IRPJ aquele resultante da diferença entre o valor contabilizado na conta “2130100100015 - IRPJ a recolher” e o valor declarado em DCTF. [...]. Similarmente, consideramos como valor tributável da CSLL aquele resultante da diferença entre o valor contabilizado na conta “2130100100016 - CSLL a recolher trimestral” e o valor declarado em DCTF. [...] D) PIS e COFINS – ANO CALENDÁRIO DE 2013 Em 06/10/2017 o contribuinte foi intimado a justificar as divergências entre os valores de PIS e de COFINS declarados em DCTF e os valores declarados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON), todos relativos ao anocalendário de 2013. No que diz respeito ao PIS as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 06/10/2017: [...]. Como resposta às divergências apontadas acima o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF relativos ao PIS e a COFINS estão inferiores aos apurados nas DACON(s) do ano-calendário 2013, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; Fl. 989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 48 • Destaque-se, contudo, que os valores apurados nas DACON(s) mensais, conforme demonstrado nos QUADROS II e III da lavra de Vossa Senhoria, foram corretamente declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dessas 02 (duas) contribuições. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) os valores de COFINS são próximos aos valores apurados em DACON, [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do PIS aquele resultante da diferença entre o valor declarado em DACON e o valor declarado em DCTF. [...] E) PIS e COFINS – ANO CALENDÁRIO DE 2014 Em 17/10/2017 o contribuinte foi intimado a justificar as divergências entre os valores de PIS e COFINS declarados em DCTF e os valores declarados na Escrituração Fiscal Digital (EFD - Contribuições), todos relativos ao ano-calendário de 2014. No que diz respeito ao PIS as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 17/10/2017: [...]. Como resposta às divergências apontadas acima o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF relativos ao PIS e a COFINS estão inferiores aos apurados nas DACON(s) do ano-calendário 2014, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; • Destaque-se, contudo, que os valores apurados nas DACON(s) mensais, conforme demonstrado nos QUADROS III e IV da lavra de Vossa Senhoria, foram corretamente declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dessas 02 (duas) contribuições. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN)os valores de PIS são próximos aos valores apurados em EFD [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do PIS aquele resultante da diferença entre o valor declarado em EFD – Contribuições e o valor declarado em DCTF. [...] No que diz respeito a COFINS as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 17/10/2017: [...]. • Os valores declarados em DCTF relativos ao PIS e a COFINS estão inferiores aos apurados nas DACON(s) do ano-calendário 2014, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; • Destaque-se, contudo, que os valores apurados nas DACON(s) mensais, conforme demonstrado nos QUADROS III e IV da lavra de Vossa Senhoria, foram Fl. 990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 49 corretamente declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dessas 02 (duas) contribuições. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN)os valores de COFINS são próximos aos valores apurados em EFD [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável da COFINS aquele resultante da diferença entre o valor declarado em EFD – Contribuições e o valor declarado em DCTF. O quadro abaixo apresenta os valores mensais de COFINS devidos: [...]. F) PIS e COFINS – ANO CALENDÁRIO DE 2015 Em 17/10/2017 o contribuinte foi intimado a justificar as divergências entre os valores de PIS e COFINS declarados em DCTF e os valores declarados na Escrituração Fiscal Digital (EFD - Contribuições), todos relativos ao ano-calendário de 2015. No que diz respeito ao PIS as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 17/10/2017: [...]. Como resposta às divergências apontadas acima o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF relativos ao PIS e a COFINS estão inferiores aos apurados nas EFD’s Contribuições do ano-calendário 2015, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; • Destaque-se, contudo, que os valores apurados nas EFD’s mensais, conforme demonstrado nos QUADROS V e VI da lavra de Vossa Senhoria, foram corretamente declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dessas 02 (duas) contribuições. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN)os valores de PIS são próximos aos valores apurados em EFD [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do PIS aquele resultante da diferença entre o valor declarado em EFD – Contribuições e o valor declarado em DCTF e/ou recolhido através de DARF. O quadro abaixo apresenta os valores mensais de PIS devidos: [...]. No que diz respeito a COFINS as seguintes divergências foram apontadas no Termo de Intimação de 17/10/2017: [...]. Como resposta às divergências apontadas acima o contribuinte afirmou: • Os valores declarados em DCTF relativos ao PIS e a COFINS estão inferiores aos apurados nas EFD’s Contribuições do ano-calendário 2015, em razão de esquecimento do responsável pela área fiscal encarregado dessa obrigação; Fl. 991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 50 • Destaque-se, contudo, que os valores apurados nas EFD’s Contribuições mensais, conforme demonstrado nos QUADROS V e VI da lavra de Vossa Senhoria, foram corretamente declarados à Receita Federal do Brasil e demonstram, sem qualquer sobra de dúvidas, da boa-fé da empresa fiscalizada em dar conhecimento à RFB dos valores a pagar dessas 02 (duas) contribuições. Verificamos ainda que nos requerimentos de compensação de tributos encaminhados pela Appex Consultoria Tributária à Secretaria do Tesouro Nacional (STN)os valores de COFINS são próximos aos valores apurados em EFD [...]. Assim sendo, consideramos como valor tributável do COFINS aquele resultante da diferença entre o valor declarado em EFD – Contribuições e o valor declarado em DCTF e/ou recolhido através de DARF. [...]. No presente caso restou comprovada a falta de pagamento ou recolhimento de tributo, falta de declaração ou declaração inexata, fato que justifica o lançamento de ofício para constituição do crédito tributário formalizado no Auto de Infração. A apuração de ofício dos tributos devidos foi realizada com base a escrituração contábil digital (ECD) do Contribuinte, a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) e/ou DIPJ e a Escrituração Fiscal Digital – Contribuições (EFD – Contribuições) e/ou DACON, que em cotejo com os valores declarados em DCTF demonstraram a existência de tributos devidos não confessados e não recolhidos. A Recorrente não confessou em DCTF os tributos devidos, uma vez que para sua extinção, embora sem previsão legal, foram utilizados direitos creditórios inexistentes em face de procedimentos escriturais junto à Secretaria do Tesouro Nacional (STN) consubstanciados em Títulos da Dívida Pública, conforme a Lei nº 10.179, de 06 de fevereiro de 2001. Ressalte-se que todos os documentos constantes nos autos foram regularmente examinados com minudência, conforme a legislação de regência da matéria. Diferente do entendimento da Recorrente, os supostos fatos indicados na peça recursal não podem ser corroborados, nos termos do art. 145 e art. 147 do Código Tributário Nacional, bem como art. 15, art. 16 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, que estabelecem critérios de adoção do princípio da verdade material. O procedimento fiscal decorre de expressa previsão legal que é de observância obrigatória pela autoridade tributária, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional). No curso do processo a Recorrente teve oportunidade de produzir o acervo fático probatório de suas alegações. Porém, a totalidade das divergências não estão comprovadas, pois não foram apresentadas evidências robustas com força probante conjuntural das razões recursais. Por conseguinte, não cabe razão à Recorrente. Juros de Mora A Recorrente discorda incidência dos juros de mora. O Código Tributário Nacional prevê: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 51 §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Cabe a aplicação dos enunciados estabelecidos nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu o Recurso Especial Repetitivo nº 1.111.175/SP, Tema 145, com trânsito em julgado em 02.09.2009 (art. 99 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999) no seguinte sentido: TESE JURÍDICA Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; havendo pagamentos indevidos anteriores à data Fl. 993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 52 de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996". [...] EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543-C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO-OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplica-se a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996.Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 - Presidência/STJ. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais e se ampara na legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Ademais incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Selic, sobre o valor correspondente à multa de ofício proporcional. Está registrado no Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): Por fim, o impugnante contesta a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, calculados com base na taxa Selic, por ausência de previsão legal. Em que pese a questão relativa à possibilidade de aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício não se encontrar em litígio, visto não ter incidido os juros sobre a multa, conforme se verifica nos demonstrativos dos autos de infração, passemos à análise da mesma. Fl. 994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 53 Atualmente é o art. 61 da Lei n° 9.430/1996, que regula a incidência dos acréscimos moratórios sobre os débitos para com a União, in verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. De acordo com o § 3°, do art. 61, da Lei n° 9.430/1996, incidem juros sobre “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Os débitos para com a União podem ser créditos tributários ou não tributários. A expressão “decorrentes de tributos e contribuições” tem a função de excluir do alcance da norma os débitos não tributários, e neste contexto é equivalente a ideia de crédito tributário. Nos termos do art. 139 do CTN o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A questão que se coloca é saber se a multa de ofício foi alcançada pelo disposto no §3°, do art. 61, ou seja, se está contida na expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”. A multa de ofício é uma penalidade prevista no art. 44, do mesmo diploma legal. Tal penalidade é aplicável nos casos de lançamento de ofício, quanto se verificar a falta de pagamento ou recolhimento de tributo, a falta de declaração ou a declaração inexata. O art. 113 do CTN é expresso em determinar que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária. Logo, a penalidade pecuniária integra o crédito tributário e a própria relação jurídica obrigacional, sendo uma consequência do inadimplemento do tributo. É uma decorrência possível, apesar de não necessária, do tributo. A leitura do caput do art. 61 deixa claro que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” é equivalente a créditos tributários, os quais, por força do próprio CTN, incluem não só o tributo, mas também as penalidades. O Poder Judiciário também já se manifestou no sentido da incidência dos juros de mora sobre o tributo e a multa de ofício, conforme trecho do voto proferido pela Fl. 995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 54 3ª Turma, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no processo n° 2006.61.19.008367-3, em sessão de 27/11/2008: Não houve imposição de multa moratória, mas sim de multa decorrente do lançamento de ofício no percentual de 100% (art. 4º, da Lei nº 8.218/91 e art. 992 do RIR/94). Agora, o saldo remanescente já a fixou no patamar de 75%, consoante art. 44, da Lei nº 9.430/96. Por certo que é devida desde o vencimento, pois já não havia suspensão da exigibilidade por força da liminar desde 03/96 e nem por força do recurso administrativo, decidido em 11/96. E sequer houve seu recolhimento em 1999, mas tão somente dos tributos e em valores insuficientes para a quitação do débito principal. Por conseguinte, entendo que a multa de ofício não paga no vencimento, tal como o tributo, sujeita-se à incidência de juros, havendo diferença apenas quanto ao termo inicial. Os juros sobre a multa de ofício incidem a partir do primeiro dia subsequente ao trigésimo dia da data da ciência do auto de infração. Assim sendo, o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, está perfeitamente motivado de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária. Logo não cabe razão à Recorrente. Multa de Ofício Proporcional Qualificada A Recorrente apresenta alegações em face da exigência da multa de ofício proporcional qualificada. O Código Tributário Nacional prescreve: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: [...] II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: [...] VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; Fl. 996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 55 A Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, determina: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo (art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Trata-se de responsabilidade objetiva do agente por infrações fiscais que independe da intenção do agente, em face da qual inexiste mitigação, ressalvando disposições em contrário da legislação de regência (art. 112, art. 136 e art. 137 e do Código Tributário Nacional). Os fundamentos de fato e de direito para a qualificação da multa de ofício proporcional guarda nexo causal e relação direta com a infração cometida, demonstrada pelo liame indissociável e consequencial entre os fatos geradores colhidos de ofício e as condutas descritas na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Consta no Termo de Verificação Fiscal, e-fls. 539-611, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): IX - DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A Appex Consultoria Tributária tem atuado junto aos contribuintes, oferecendo com desconto, um produto de comprovada ilegalidade, pretensos créditos financeiros junto ao Tesouro Nacional hábeis à quitação de tributos federais. Como se trata de créditos não reconhecidos pelo Tesouro Nacional e nem pela Justiça Federal, a Appex encontrou um meio ilícito para obter à força os valores atribuídos aos títulos públicos da dívida externa, já prescritos: fraude tributária. Fl. 997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 56 A fraude pelo contribuinte consiste na aceitação de forma ilícita para quitação dos tributos devidos com uma vantagem econômica (o deságio) de 60% do valor do tributo devido, exigindo para o seu implemento a prestação de informações falsas em DCTF. Tais procedimentos são realizados pelo contribuinte ou por meio de procurações outorgadas a terceiros que não somente alteram as declarações fiscais, como também atuam em processos administrativos junto ao Tesouro Nacional e Receita Federal visando à quitação dos tributos com os supostos créditos financeiros adquiridos pelo fiscalizado. O dinheiro que seria destinado ao pagamento de tributos, portanto ingressaria nº Tesouro Nacional é destinado ao próprio fiscalizado e aos cedentes dos “créditos podres”. No caso, foi entregue DCTF com informações falsas, o que impediu a cobrança tempestiva do crédito tributário devido e permitiu ao fiscalizado a fruição indevida de vantagem econômica no valor de cerca de 60% do valor do tributo sonegado e vantagem fiscal junto à Administração Pública pela obtenção indevida da CND. Por dar aparência de licitude a estas ações foram protocolizados requerimentos autorizando a Secretaria do Tesouro Nacional a quitação de tributos devidos pelo fiscalizado os créditos adquiridos de títulos da dívida pública. Em outras oportunidades, os mesmos créditos foram objeto de requerimentos de compensação de tributos federais, junto `Receita Federal do Brasil ao arrepio da Lei nº 9.430/96, que textualmente não reconhece tal procedimento. A RFB vem alertando os contribuintes, por meio de mensagens encaminhadas à Caixa Postal Eletrônica, no e-CAC, a respeito da ilicitude de não declarar os débitos em DCTF, em descumprimento às obrigações tributárias acessórias estabelecidas, evitando com isso a cobrança dos tributos. A fiscalizada, ignorando todos os alertas, deu seguimento e procurou beneficiar- se com a fraude, entregando recursos a terceiros que seriam destinados ao pagamento dos tributos devidos, ficando com parte destes valores acobertados pela não exigência dos tributos possibilitadas pelas informações falsas em DCTF. Ressalte-se que é do conhecimento do fiscalizado que a operação de quitação dos tributos foi indeferida pela Secretaria do Tesouro Nacional. Conclui-se que o procedimento adotado pelo contribuinte, transmissão de DCTF com valores zerados, quer diretamente ou por meio de procurador, quando há tributos devidos a serem declarados e recolhidos, constitui DECLARAÇÃO APRESENTADA COM FALSIDADE, o que por si só ensejaria a aplicação da multa qualificada. A prestação de informações falsas em DCTF, com ausência/redução do valor de tributos devidos, possibilita ao fiscalizado, a fruição indevida dos benefícios Fl. 998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 57 assegurados àqueles que adimplem tempestivamente os seus débitos fiscais, por meio da obtenção da Certidão Negativa de Débito – CND. A obtenção de CND mediante apresentação de declaração com falsidade torna evidente o crime de estelionato contra a União (art. 171, § 3º, do Código Penal). Ressalta-se que a fruição deste benefício se prolonga até mesmo após a lavratura do auto de infração, tendo em vista todas as garantias asseguradas aos contribuintes nº contencioso fiscal. Neste sentido, fica demonstrado que os idealizadores da fraude, no contrato de cessão dos créditos, em uma de suas cláusulas já condicionam o sucesso da operação à interposição de recursos administrativos fiscais e judiciais, sem as quais, o ônus seria inteiramente do contribuinte. Releva anotar que, além de ampla divulgação no site e imprensa, a Receita Federal encaminhou mensagem de alerta ao contribuinte, informando que o não adequação do procedimento implicaria lançamento de ofício com multa de até 225%, além de representação para fins penais. Como já anotado é sobejamente sabido que o alegado títulos da dívida pública, caso eventualmente existam (não foram apresentados nenhum documento que comprove a existência física) não constituem meios hábeis para solver débitos de natureza tributária. Inobstante isso a Contribuinte optou por aderir a esta prática fraudulenta, deixando de recolher ao erário o tributo devido. Assim, considerando os termos já alinhavados, resta evidenciada a vontade da Contribuinte, por meio de seu representante legal, de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzi-lo. [...] Portanto, resta evidenciado que a Contribuinte, por meio de seu representante legal, assumiu o risco de produzir o resultado previsto. Oportuno observar que na definição de Ruy Barbosa Nogueira: “a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido”. Os fatos descritos presentemente apontam para subsunção do caso concreto às disposições do artigo 44, § 1º, da Lei 9.430/96, que prevê a multa qualificada de 150%: [...] Os artigos da Lei 4.502/64 têm a seguinte redação: [...]. Ademais de tudo, como já alinhavado, o dolo dos sócios decorre de que tendo sido cientificados pela Receita Federal de que os alegados Títulos da Dívida Pública Externa não se prestavam à “quitação” de crédito tributário federal e que as informações falsas em DCTF ensejariam o lançamento de ofício e aplicação de multas, não adotaram nenhum procedimento com vistas a corrigir a falta e recolher ao erário os tributos devidos. Fl. 999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 58 O encadeamento dos fatos denota que com este procedimento incorreu a empresa nas hipóteses de sonegação e fraude, conforme disposto nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, já que conscientemente omitiu os seus débitos perante o fisco procedeu de forma dolosa a indevida compensação das respectivas contribuições, mostrando-se aplicável a qualificação da multa de ofício pelo montante de 150%, nos termos do parágrafo 1º do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Reitera-se que, com a transmissão de DCTF com valores zerados, sob alegação de quitação de tributos com créditos inexistentes sem nenhuma liquidez e certeza, configurar a burlar os procedimentos de controle estabelecidos pela legislação tributária, configura sonegação fiscal e também fraude tributária. Também não é consentâneo alegar que houve compensação, uma vez que além de ilíquidos, em face de sua reconhecida inexistência, é um procedimento expressamente vedado pela Lei 9430/96, artigo 74. Ou seja, não há que se confundir, pois a situação fática é bem outra, conforme já exaustivamente alinhavado no presente relatório. Em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante dos tributos devidos por meio de artifícios ardilosos, ora constituídos de ofício, aplicou-se multa de ofício de 150% (cento e cinquenta por cento), em decorrência das infrações apuradas neste relatório. A Recorrente transmitiu DCTF com valores zerados tendo em vista que formalizou processos administrativos junto à STN e RFB e visando quitação de tributos com os referidos créditos financeiros então adquiridos. Ocorre que na Cartilha de Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Ministério Público Federal (MPF) que traz informações úteis sobre a prática e a vedação de títulos antigos da dívida pública para extinção de débitos tributários no âmbito federal e orienta no sentido de que “não há nenhuma hipótese de pagamento ou compensação de tributos com títulos públicos” previstos na Lei nº 10.179, de 06 de fevereiro de 2001. Este procedimento propicia a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, uma vez que restou configurada a conduta fraudulenta da Recorrente tipificada na Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do tributo, sua natureza ou circunstâncias materiais. No lançamento de ofício está afastada a aplicação da multa de mora que pressupõe o pagamento espontâneo e fora do prazo legal do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscal em relação à matéria e ao período tratado nos autos (art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Consta no Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de Fl. 1000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 59 julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): DO MÉRITO Quanto ao mérito da autuação cumpre deixar consignado que ambos os impugnantes não contestaram as bases de cálculo e nem o valor de principal dos tributos lançados nos AI, de forma que sobre estes pontos não se estabeleceu a controvérsia nos autos. As impugnações questionaram basicamente o lançamento da multa qualificada de 150%, que entendem dever ser a ordinária de 75% para o caso concreto, a cobrança de juros sobre esta multa e a responsabilidade tributária atribuída ao sócio/administrador. Quanto à multa qualificada a MEGAPRINT alega que é incabível pelas seguintes razões: a) todos os elementos utilizados no lançamento foram fornecidos por ela própria à fiscalização, através das escritas contábil e fiscal registradas oportunamente no SPED; b) a falta de declaração de débitos tributários em DCTF não se constitui em hipótese de crime tributário, como quis fazer crer a fiscalização, uma vez que não é ela que faz nascer a ocorrência do fato gerador e da obrigação tributária, mas sim o auferimento de receita, que é materializado pela emissão das notas fiscais eletrônicas; e c) pois a multa de 150% tem nítido caráter confiscatório conforme seria o entendimento do STF, pelo qual o percentual de 100% seria o máximo para evitar tal situação. É fato incontroverso que o fiscalizado transmitiu a sua escrita comercial e fiscal para o SPED, bem como atendeu às intimações no decorrer da ação fiscal, fornecendo os elementos necessários para o lançamento de ofício realizado. Isso a própria fiscalização descreveu no TVF. Todavia estes fatos, de per si, não são suficientes para afastar a aplicação de eventual multa qualificada quando o caso concreto exigir. Tem razão o impugnante quando diz que a simples falta de declaração de débitos em DCTF não representa crime contra a ordem tributária. Todavia, no presente caso, o autuante identificou dolo na conduta do fiscalizado e do responsável tributário que culminou com esta falta de declaração dos débitos nas DCTF, e isso faz toda a diferença. A fiscalização considerou que o conjunto de provas colhidas durante a ação fiscal foram suficientes para a caracterização do dolo na conduta dos sujeitos passivos e entendeu pela aplicação da multa qualificada. Os elementos probatórios que alicerçaram esta conclusão foram os seguintes: CONTRATO com a APPEX (fls. 140/145), os pedidos para a STN de quitação de tributos federais com créditos de títulos públicos absolutamente inexistentes (fls. 515/538) e mensagem da RFB (fls. 476/477), recebida pelo fiscalizado, informando detalhadamente a fraude que estava em curso na tentativa de quitação de tributos federais com a utilização de Fl. 1001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 60 créditos cedidos pela APPEX, as consequências fiscais que daí adviriam e concedendo oportunidade para a regularização espontânea da situação. Passemos então à análise destas provas dos autos. O CONTRATO tem toda a aparência de um instrumento jurídico criado com o único propósito de permitir ao fiscalizado deixar de cumprir suas obrigações tributárias. O objeto do CONTRATO parece uma peça de ficção, onde uma empresa de consultoria (APPEX), alega possuir títulos públicos vencidos (LTN, LFT, etc.) e os aceita negociar com deságio de 60% para serem usados por terceiros na quitação de tributos federais destes. Um contrato com tais características não é crível. Não é razoável admitir que um empresário, no caso o sr. JOSÉ SUIGH, assinasse o CONTRATO pela sua empresa, desembolsando R$ 1,5 milhões, sem as cautelas necessárias, sem consultar os órgãos públicos competentes sobre a veracidade e legitimidade destes títulos, a menos que fosse conhecedor da fraude engendrada pela cedente dos tais créditos inexistentes. O próprio título do CONTRATO faz referência a "Crédito Financeiro integralizado junto a Lei nº 12.798/2013", e esta lei trata do orçamento da União para 2013, ou seja, nada informa sobre os tais créditos financeiros negociados. Assim, mesmo com grande esforço de imaginação, não se consegue, em sã consciência, vislumbrar motivos empresariais sérios que pudessem fazer com que um empresário não questionasse tais características visivelmente inverossímeis do CONTRATO. E nem se pode cogitar de eventual boa fé dos sujeitos passivos no momento da assinatura do CONTRATO em 16/07/2015, pois o fiscalizado recebeu mensagem da RFB em sua caixa postal digital em 23/04/2015 (fls. 476/477), primeira leitura em 13/05/2015, antes portanto de sua celebração, através da qual foi informado que a RFB recebeu da STN pedidos efetuados em seu nome para a quitação de tributos federais com a utilização de supostos créditos contidos em títulos públicos antigos (fls. 515/538), e que tal prática poderia ser caracterizada como fraude, estando o contribuinte sujeito a multas de até 225%, representação fiscal para fins penais e possibilidade de responsabilização tributária dos sócios ou dirigentes para responderem solidariamente pelo crédito tributário. Na mesma mensagem a RFB oportunizou ao sujeito passivo a retificação espontânea de suas DCTF e o pagamento dos tributos devidos apenas com os acréscimos moratórios. Mas nada foi feito pelo fiscalizado no sentido de cessar a prática fraudulenta e regularizar os tributos que deixou de recolher. Tais provas foram amplamente descritas no TVF e não receberam qualquer contestação objetiva nas impugnações dos sujeitos passivos, sendo suficientes, a juízo deste relator, para justificar a qualificação da multa pela presença inequívoca do dolo na conduta, tanto do sujeito passivo da obrigação principal, quanto do responsável tributário. Já a alegação da MEGAPRINT de confisco pela exacerbação do percentual de multa acima de 100% do valor do tributo devido não pode ser apreciada neste julgamento administrativo, pois a multa, neste percentual de 150%, está Fl. 1002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 61 disciplinada em norma legal em vigor no nosso ordenamento jurídico (parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996), e como tal, de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo fiscal, como determina o caput do artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011: Seção II Do Julgamento-Disposições Gerais Art. 59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no70.235, de 1972, art. 26-A, com a redação dada pela Lei no11.941, de 2009, art. 25). Assim sendo, o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-841, está perfeitamente motivado de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária. Cabe aplicação da multa de ofício proporcional qualificada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A modificação inserida no inciso VI do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela Lei nº 14.689, de 20 de setembro de 2023, ao reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% atrai a retroatividade benigna prevista na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, uma vez que lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Desse modo, reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% dada a retroatividade benigna. Tem-se que “a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida” (art. 112 do Código Tributário Nacional). Ocorre que não remanescem incertezas a respeito do fato de que a Recorrente adotou a conduta ilícita o que enseja a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Logo cabe razão em parte à Recorrente para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% dada a retroatividade benigna. Sujeição Passiva Solidária O Recorrente/José Suigh Carlos defende que sua responsabilidade solidária deve ser excluída. O Código Tributário Nacional determina: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de podêres ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] Fl. 1003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 62 III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Consta no enunciado estabelecido nos termos do art. 123 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: Súmula CARF nº 71 Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sobre a responsabilidade solidária prevista no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Recurso Extraordinário com Repercussão Geral nº 562276/PR, Tema nº 13, com trânsito em julgado em 24.10.2014, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: As questões atinentes à responsabilidade tributária inserem-se nas que dizem respeito aos sujeitos, se não da relação contributiva (tributária em sentido estrito), ao menos de relações jurídicas que, envolvendo terceiros em posição de contato com o fato gerador ou com o contribuinte, facilitam a arrecadação e asseguram o crédito tributário. A definição dos traços essenciais da figura da responsabilidade tributária, como o de exigir previsão legal específica e, necessariamente, vínculo do terceiro com o fato gerador do tributo, enquadra-se, sim, no rol das normas gerais de direito tributário que orientam todos os entes políticos. Do mesmo modo, a previsão de regras matrizes de responsabilidade tributária aplicáveis à generalidade dos tributos também se encontra no âmbito das normas gerais, assegurando uniformidade de tratamento dos terceiros perante o Fisco nas diversas esferas: federal, estadual, distrital ou municipal. Assim, afigura-se adequado que se confira caráter de normas gerais com nível de lei complementar aos dispositivos do CTN que cuidam da responsabilidade tributária, sem prejuízo da permissão constante do art. 128 do CTN, de que o legislador estabeleça outros casos específicos de responsabilidade. [...] 5.Essencial à compreensão do instituto da responsabilidade tributária é a noção de que a obrigação do terceiro, de responder por dívida originariamente do contribuinte, jamais decorre direta e automaticamente da pura e simples ocorrência do fato gerador do tributo. Do fato gerador, só surge a obrigação direta do contribuinte. Isso porque cada pessoa é sujeito de direitos e obrigações próprios e o dever fundamental de pagar tributos está associado às revelações de capacidade Fl. 1004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 63 contributiva a que a lei vincule o surgimento da obrigação do contribuinte. A relação contributiva dá-se exclusivamente entre o Estado e o contribuinte em face da revelação da capacidade contributiva deste. Não é por outra razão que se destaca repetidamente que o responsável não pode ser qualquer pessoa, exigindo-se que guarde relação com o fato gerador ou com o contribuinte, ou seja, que tenha a possibilidade de influir para o bom pagamento do tributo ou de prestar ao fisco informações quanto ao surgimento da obrigação. Efetivamente, o terceiro só pode ser chamado a responder na hipótese de descumprimento de deveres de colaboração para com o Fisco, deveres estes seus, próprios, e que tenham repercutido na ocorrência do fato gerador, no descumprimento da obrigação pelo contribuinte ou em óbice à fiscalização pela Administração Tributária. [...] Tais deveres, via de regra, constam de modo implícito das normas que atribuem responsabilidade. É que, ao atribuir a determinada conduta a consequência de implicar responsabilidade, o legislador, a contrario sensu, determina que não seja ela praticada, nos moldes, aliás, das normas penais em que se atribui à conduta proibida a pena, de maneira que as pessoas ajam de modo diverso, evitando a sanção. Contudo, se a verificação de que a responsabilidade decorre do descumprimento de um dever de colaboração implícito na sua regra matriz, de um lado, aproxima-a da estrutura das normas penais, não significa, de outro, que tenha a mesma natureza. Isso, aliás, decididamente não têm. Basta ver que a responsabilidade surgida para o terceiro pela infração ao seu dever formal não subsiste ao cumprimento da obrigação pelo contribuinte. O intuito do legislador não é punir o responsável, mas fazê-lo garante do crédito tributário. [...] O responsável, pois, quando é chamado ao' pagamento do tributo, assim o faz na condição de garante da Fazenda por ter contribuído para o inadimplemento do contribuinte. A relação de responsabilidade tributária não se confunde, pois, com a relação contributiva. Embora a pressuponha e só se aperfeiçoe em face da inadimplência do tributo pelo contribuinte, decorre de norma específica e tem seu pressuposto de fato próprio. [...] Aliás, a referência ao responsável enquanto terceiro ("dritter Persone", "terzo" ou "tercero") evidencia, justamente, que não participa da relação contributiva, mas de uma relação específica de responsabilidade tributária, inconfundível com aquela. Desse modo, quando o art. 121 do CTN refere-se ao contribuinte e ao responsável como sujeitos passivos da obrigação tributária principal, deve-se compreender que são sujeitos passivos de relações jurídicas distintas, com suporte em previsões legais e pressupostos de fato específicos, ainda que seu objeto possa coincidir - pagar tributo próprio (contribuinte) ou alheio (responsável). Fl. 1005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 64 Compreendidas a estrutura e a função das normas de responsabilidade tributária, vejamos o conteúdo do art. 135, III, do CTN. [...] Como se vê, estamos em face de uma regra matriz de responsabilidade tributária que não se confunde, de modo algum, com a regra matriz de incidência de qualquer tributo. Tem sua estrutura própria, partindo de um pressuposto de fato específico, sem o qual não há espaço para a atribuição de responsabilidade. E seu caráter geral permite aplicação relativamente aos diversos tributos, não estando jungida à responsabilidade por tal ou qual imposto ou contribuição em particular. O pressuposto de fato ou hipótese de incidência da norma de responsabilidade, no art. 135, III, do CTN, é a prática de atos, por quem esteja na gestão ou representação da sociedade, com excesso de poder ou a infração à lei, contrato social ou estatutos e que tenham implicado, se não o surgimento, ao menos o inadimplemento de obrigações tributárias. A contrario sensu, extrai-se o dever formal implícito cujo descumprimento implica a responsabilidade, qual seja o dever de, na direção, gerência ou representação das pessoas jurídicas de direito privado, agir com zelo, cumprindo a lei e atuando sem extrapolação dos poderes legais e contratuais de gestão, de modo a não cometer ilícitos que acarretem o inadimplemento de obrigações tributárias. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça há muito vem destacando que tais ilícitos, passíveis de serem praticados pelos sócios com poderes de gestão, não se confundem com o simples inadimplemento de tributos por força do risco do negócio, ou seja, com o atraso no pagamento dos tributos, incapaz de fazer com que os diretores, gerentes ou representantes respondam, com seu próprio patrimônio, por dívida da sociedade (Primeira Seção, EAg 494.887 e EREsp 374.139). Exige, isto sim, um ilícito qualificado, do qual decorra a obrigação ou seu inadimplemento, como no caso da apropriação indébita (REsp 1.010.399 e REsp 989.724). O art. 135, pois, regula a responsabilidade pessoal dos sócios gerentes, diretores e representantes em caráter geral, com aplicação a tributos de quaisquer dos entes políticos, para tanto estabelecendo seu pressuposto de fato próprio. E, como norma geral, não poderia ter sido desconsiderada pelo legislador ordinário federal quanto à disciplina dos tributos da sua competência. [...] A regra matriz de responsabilidade do art. 135, III, do CTN responsabiliza aquele que esteja na direção, gerência ou representação da pessoa jurídica. Daí a jurisprudência no sentido de que apenas o sócio com poderes de gestão ou representação da sociedade é que pode ser responsabilizado, o que resguarda a pessoalidade entre o ilícito - má gestão ou representação por prática de atos com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos - e a consequência de ter de responder pelo tributo devido pela sociedade. Além. disso, o art. 135 do CTN coloca como pressupostos de fato inequívocos ou hipóteses de incidência da norma de responsabilidade a prática de atos com Fl. 1006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 65 excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Não se contenta, pois; com o simples surgimento da obrigação tributária para a empresa em face da ocorrência do fato gerador do tributo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão em Recurso Especial Repetitivo nº 1787156/RS, Tema nº 962, com trânsito em julgado em 14.03.2022, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: A Primeira Seção do STJ, ao julgar, sob o rito dos recursos repetitivos, o Recurso Especial 1.101.728/SP (Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJe de 23/03/2009), fixou a tese de que "a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa" (Tema 97 do STJ). No mesmo sentido dispõe a Súmula 430/STJ ("O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente"). [...] Consoante decidido pela Primeira Seção do STJ, ao julgar os EAg 1.105.993/RJ (Rel. Min. Hamilton Carvalhido, DJe de 1º.2.2011), não é cabível o redirecionamento da execução fiscal em relação ao sócio que não exercia a administração da empresa ao tempo da dissolução irregular da sociedade, ainda que estivesse na gerência ao tempo do fato gerador do tributo, tendo em vista que a responsabilidade pessoal do administrador não decorre da simples falta de pagamento do débito tributário, mas da própria dissolução irregular, que não pode ser imputada àquele que já não era gerente quando de sua ocorrência' (AgRg no REsp 1.375.899/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 13/08/2013, DJe 20/08/2013) [...] O Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu decisão em Recurso Especial Repetitivo nº 1645333/SP, Tema nº 981, com trânsito em julgado em 18.08.2022, que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, de acordo com o art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023: IV. No exercício da atividade econômica, ocorre amiúde, em razão de injunções várias, o inadimplemento de obrigações assumidas por pessoas jurídicas. Não é diferente na esfera tributária. Embora se trate inegavelmente de uma ofensa a bem jurídico da Administração tributária, o desvalor jurídico do inadimplemento não autoriza, por si só, a responsabilização do sócio-gerente. Nesse sentido, aliás, o enunciado 430 da Súmula do STJ - em cuja redação se lê que "o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente" -, bem como a tese firmada no REsp repetitivo 1.101.728/SP (Rel. Ministro TEORI ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de Fl. 1007DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 66 23/03/2009), que explicita que "a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa" (Tema 97 do STJ). V. Tal conclusão é corolário da autonomia patrimonial da pessoa jurídica. Se, nos termos do art. 49-A, caput, do Código Civil, incluído pela Lei 13.874/2019, "a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores", decorre que o simples inadimplemento de tributos não pode gerar, por si só, consequências negativas no patrimônio dos sócios. Como esclarece o parágrafo único do aludido artigo, a razão de ser da autonomia patrimonial, "instrumento lícito de alocação e segregação de riscos", é "estimular empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos". Naturalmente, a autonomia patrimonial não é um fim em si, um direito absoluto e inexpugnável. Por isso mesmo, a legislação, inclusive a civil, comercial, ambiental e tributária estabelece hipóteses de responsabilização dos sócios e administradores por obrigações da pessoa jurídica. No Código Tributário Nacional, entre outras hipóteses, destaca-se a do inciso III do seu art. 135, segundo o qual "são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (...) os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". Consta no Termo de Verificação Fiscal, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999), e-fls. 539-574: X - DA RESPONSABILIDADE DOS MANDATÁRIOS ART. 135, III, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Cabe precisamente aos administradores regular a condução dos negócios da Pessoa Jurídica, prevalecendo-se dos seus poderes de gerência, vigilância e fiscalização. Conforme visto, houve, no caso, infração à lei, por cuja observância o administrador deveria zelar. Em consequência disso, eles devem ser alçados à condição de responsáveis solidários com o sujeito passivo em relação ao crédito tributário cadastrado no processo administrativo a que se refere o presente. Como já alinhavado, no caso em referência restou evidenciado que, apesar de todos os alertas, o administrador optou por aderir e continuar a prática fraudulenta nitidamente contrária à legislação, fato que implicou a falta de recolhimento dos tributos devidos à Fazenda Nacional. Fl. 1008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 67 O artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, prescreve que são pessoalmente responsáveis por infração à lei os representantes de pessoas jurídicas de direito privado: [...]. Por força do texto legal, a responsabilidade do sócio administrador ocorre quando haja atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, pois, como se sabe, existem atos ou negócios alheios ao objeto social que são gravosos para a sociedade porque oneram o patrimônio social em flagrante prejuízo para os demais sócios, bem como, para terceiros, no caso em comento, o Fisco. As pessoas jurídicas realizam seus negócios, seus empreendimentos, por meio dos atos praticados por pessoas naturais, seus administradores e sócios, que as utilizam para a composição de seus interesses, e, nesta esteira, ficou caracterizada infração à lei (art. 135 do CTN), pois o contribuinte foi notificado, conforme mensagem enviada via caixa postal em 23/04/2015, com primeira leitura em 13/05/2015, e, portanto, tinha pleno conhecimento de que a forma de contratação dos créditos junto à APPEX e a posterior compensação de débitos tributários era irregular, tanto que até foram cientificados das irregularidades constatadas pela própria Receita Federal do Brasil e nada fizeram. Cabe mencionar os seguintes precedentes do CARF no que se refere à responsabilidade solidária: Acórdão da 1ª Turma da CSRF nº 9101-007.390, de 12.08.2025: MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÕES ZERADAS DE FORMA REITERADA. DOLO CONFIGURADO. A entrega sistemática de declarações fiscais (DIPJ, DCTF e DACON) com valores zerados, em desacordo com a escrituração contábil regular mantida pelo sujeito passivo, configura evidente intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores pela autoridade fazendária, caracterizando a sonegação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 e justificando a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 135, III DO CTN. INFRAÇÃO PUNIDA COM MULTA QUALIFICADA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária em questão. Desnecessária a identificação de conduta específica e participação consciente do gerente, bastando a comprovação de que ele detém poderes de administração da pessoa jurídica. Acórdão da 1ª Turma da CSRF nº 9101-007.243, de 04.12.2024: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. NATUREZA E CARACTERIZAÇÃO. Fl. 1009DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 68 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Esta responsabilidade não se limita às hipóteses de infração à lei societária, mas abrange também infrações às leis tributárias, e atinge não só o administrador de direito, mas também o administrador de fato do contribuinte, mormente no caso em que as infrações foram apenadas com a multa qualificada de 150% que se aplica somente em casos de sonegação, fraude ou conluio. Reitere-se que a Recorrente transmitiu DCTF com valores zerados tendo em vista que quitou, embora vedado, os tributos com os créditos financeiros então adquiridos (Lei nº 10.179, de 06 de fevereiro de 2001 e Decreto nº 3.859, de 04 de julho de 2001 e Cartilha de Prevenção à Fraude Tributária com Títulos Públicos Antigos emitida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF), Secretaria do Tesouro Nacional (STN), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Ministério Público Federal (MPF). Ademais, o início da ação fiscal ocorreu em 14.07.2017, e-fls. 04-06. Ocorre que desde 2015 a Recorrente tinha pleno conhecimento da irregularidade da “forma de contratação dos créditos junto à APPEX e a posterior compensação de débitos tributários” e permaneceu inerte, e-fls. 610. Por estas razões foi imputada a responsabilidade tributária solidária ao Sr. José Suigh Carlos, na qualidade de sócio administrador da Recorrente por ocasião dos fatos geradores, com base no inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN). A imputação da responsabilidade tributária tem natureza jurídica de garantia solidária da Fazenda Nacional e por esta razão não se equipara à desconsideração da personalidade jurídica prevista no art. 50 do Código Civil. Está registrado no Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e § 12º do art. 114 do Anexo do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): A impugnação de JOSÉ SUIGH quanto ao mérito, praticamente reitera as alegações feitas na impugnação da MEGAPRINT. Para estas, valem as mesmas ponderações e razões de decidir já citadas neste voto. Como argumentos novos o responsável solidário questionou o que chamou de aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica por parte da fiscalização e a aplicação do princípio constitucional da pessoalidade da pena, inserto no inciso XLV, do artigo 5º da Constituição Federal, pelo qual "nenhuma penalidade deverá ser transferida da pessoa do condenado", e assim requer que se afaste a multa qualificada em relação à sua pessoa. O questionamento do impugnante quanto à incorreta aplicação pelo autuante da teoria da desconsideração da personalidade jurídica é absolutamente impróprio. Fl. 1010DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 69 O caso concreto trata de solidariedade passiva do sócio/administrador em razão de ter sido eleito pela fiscalização como responsável tributário nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN, de forma que não foi desconsiderada a personalidade jurídica de quem quer que seja para fins do lançamento da multa combatida. Sendo assim, descabe qualquer ponderação deste voto sobre as alegações do sujeito passivo neste ponto, posto que a situação de fato presente nos autos não é esta. Quanto à alegação da necessidade de aplicação do princípio constitucional da pessoalidade da pena, inserto no inciso XLV, do artigo 5º da Constituição Federal, pelo qual "nenhuma penalidade deverá ser transferida da pessoa do condenado", cumpre-nos repetir que a multa lançada, enquanto penalidade, não foi transferida da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio como afirmado pelo impugnante. O caso concreto é de solidariedade passiva do sócio/administrador, prevista no inciso I do artigo 124 do CTN, em razão de ter sido eleito pela fiscalização como responsável tributário nos termos do inciso III do artigo 135 do CTN, logo não cabe a invocação deste princípio da Constituição Federal para a situação retratada no processo, uma vez que está devidamente disciplinada no CTN. Finalizando este voto repetirei aquelas indagações feitas no início: Por que as impugnações, tanto do sujeito passivo pela obrigação principal, quanto do sujeito passivo por responsabilidade tributária, apesar da extensa argumentação apresentada, não rebateram, ou mesmo teceram algum comentário, sobre o "Instrumento Particular de Cessão Onerosa de Crédito Financeiro, Integralizado junto à Lei nº 12.978/2013", doravante denominado como "CONTRATO", assinado pelo responsável tributário, na condição de representante legal do fiscalizado, com a APPEX CONSULTORIA TRIBUTÁRIA, doravante mencionada como "APPEX", juntado às fls. 140/145, sobre os pedidos de quitação de tributos federais com a utilização de supostos créditos de títulos públicos dirigidos à STN às fls. 515/538, e sobre a mensagem enviada pela RFB ao fiscalizado por meio de caixa postal eletrônica juntada às fls. 476/477? Como vimos até aqui as impugnações não responderam satisfatoriamente a estas indagações, mais ainda, nem sequer tentaram esboçar uma explicação para estes fatos contundentes levantados pela fiscalização, de forma que não cabe outra conclusão a não ser que não responderam porque não tinham mesmo resposta plausível a ser fornecida que pudesse contrastar aquilo que foi afirmado pela autoridade fiscal. Assim sendo, o Acórdão da 8ª Turma da DRJ/SPO/SP nº 16-84.023, de 11.09.2018, e-fls. 827-840, está perfeitamente motivado de forma explícita, clara e congruente e em harmonia com a legislação tributária. Logo não cabe razão ao Recorrente. Responsabilidade por Infrações Tem-se que “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato” Fl. 1011DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 70 (art. 136 do Código Tributário Nacional). Ressalte-se que a “atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional” (art. 142 do Código Tributário Nacional). Ademais, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece” (art. 3º do Decreto-Lei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942). Jurisprudência e Doutrina No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). O Parecer Normativo Cosit nº 23, de 06 de setembro de 2013, determina “que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo”. “As decisões proferidas pelo CARF não podem ser enquadradas como práticas reiteradamente observadas e aceitas pelas autoridades administrativas, previstas no art. 100, III, do CTN” (Agravo em Recurso Especial nº 2554882/SP) (STJ, AREsp 2554882/SP, 2024). Inconstitucionalidade de Lei Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023 e Súmula CARF nº 2). Princípio da Legalidade Tem-se que nos estritos termos legais este procedimento está de acordo com o princípio da legalidade ao qual o agente público está vinculado em razão da obrigatoriedade da aplicação da lei de ofício. Trata-se de poder-dever funcional irrenunciável vinculado à norma jurídica, cuja atuação está direcionada ao cumprimento das determinações constantes no ordenamento jurídico. Como corolário encontra-se o princípio da indisponibilidade que decorre da supremacia do interesse público no que tange aos direitos fundamentais (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 98 do Anexo do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023). Lançamentos Reflexos O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo (art. 9º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Os lançamentos de Fl. 1012DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1001-004.311 – 1ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 19515.720005/2018-18 71 CSLL, PIS e Cofins sendo decorrentes da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento destes feitos acompanhem aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Dispositivo Em assim sucedendo voto e em conhecer dos recursos voluntários, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar-lhe provimento em parte para reduzir o percentual da multa de ofício qualificada aplicada de 150% para 100% dada a retroatividade benigna. Assinado Digitalmente Carmen Ferreira Saraiva Fl. 1013DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10850.901820/2015-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando­se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS DESONERADOS. SÚMULA CARF 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. SELIC. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp n° 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do(a) PIS/PASEP sob o regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3202-003.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade,em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas com dispêndios com fretes na aquisição de “Leite cru” e “Soro de Leite”, desde que observada a Súmula CARF nº 188, e reconhecer o direito à correção monetária, pela SELIC, no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.448, de 20 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10850.901814/2015-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE

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CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. STJ, RESP 1.221.170/PR. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando­se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). CRÉDITO SOBRE FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS DESONERADOS. SÚMULA CARF 188. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. SELIC. RESSARCIMENTO. JUROS/ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. Conforme decidido no julgamento do REsp n° 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do(a) PIS/PASEP sob o regime não cumulativo. Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 2 ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas com dispêndios com fretes na aquisição de “Leite cru” e “Soro de Leite”, desde que observada a Súmula CARF nº 188, e reconhecer o direito à correção monetária, pela SELIC, no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-003.448, de 20 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10850.901814/2015-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de PIS/PASEP. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 3 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. LEITE IN NATURA. É permitida a apuração dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS estabelecidos pelo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo na produção dos produtos destinados à alimentação humana ou animal relacionados no caput do mesmo art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, desde que atendidas as condições previstas na legislação. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, referidos acima, não aproveitados em determinado mês, podem ser mantidos para utilização como desconto dos valores devidos dessa contribuição nos meses subsequentes. O crédito presumido deve ser apurado de forma segregada e seu saldo deve ser controlado durante todo o período de sua utilização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DA NÃO CUMULATIVIDADE. ÔNUS DA PROVA. No âmbito dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório pleiteado, o qual deve ser indeferido se não comprovada sua liquidez e certeza. Não revertida a constatação fiscal de inobservância da necessária segregação de créditos presumidos e créditos básicos e de controle contábil de sua utilização em cada período de apuração, de modo a permitir a confirmação de saldos remanescentes, não há como alterar, em sede de julgamento, a conclusão de indeferimento do crédito, mormente se, na Manifestação de Inconformidade, não foi comprovada, sequer por amostragem, como início de prova, a existência da segregação e dos controles contábeis previstos na legislação. RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. O aproveitamento de crédito para dedução da contribuição devida ou o ressarcimento de valores do PIS e da Cofins na sistemática da não cumulatividade não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, conforme previsão legal. Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 4 Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, no qual em sua defesa insurge-se contra as glosas, pugnando pela homologação das compensações. É o que havia a ser relatado. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo para a análise do mérito. DO MÉRITO Do conceito de insumo e o RESP 1.221.170/PR Para interpretar o conceito de insumo, entendo por bem registrar que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS deve tomar como base a decisão proferida no RESP 1.221.170. É sabido que em fevereiro de 2018, a 1ª Seção do STJ ao apreciar o Resp 1.221.170 definiu, em sede de repetitivo, decidiu pela ilegalidade das instruções normativas 247 e 404, ambas de 2002, sendo firmada a seguinte tese: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. No resultado final do julgamento, o STJ adotou interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, pretendeu-se que seja considerado insumo o que for essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vejamos excerto do voto da Ministra Assusete Magalhães: Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 5 “Pela perspectiva da zona de certeza negativa, quanto ao que seguramente se deve excluir do conceito de ‘insumo’, para efeito de creditamento do PIS/COFINS, observa-se que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 trazem vedações e limitações ao desconto de créditos. Quanto às vedações, por exemplo, o art. 3º, §2º, de ambas as Leis impede o crédito em relação aos valores de mão de obra pagos a pessoa física e aos valores de aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Já como exemplos de limitações, o art. 3º, §3º, das referidas Leis estabelece que o desconto de créditos aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e aos custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas também domiciliadas no território nacional.” Restou pacificada no STJ a tese que: “o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte”. O conceito de insumo também foi consignado pela Fazenda Nacional, vez que, em setembro de 2018, publicou a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018, in verbis: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica e orienta, internamente, a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 6 produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo- se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou obste a atividade principal da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Tal ato ainda reflete que o “teste de subtração” deve ser utilizado para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. Com efeito, o conceito de insumo a ser utilizado nesse voto será a sua relação direta com o processo produtivo. Feitos os devidos comentários, passemos à análise do presente do caso. DAS GLOSAS O motivo do indeferimento do pedido de ressarcimento se deu pela ausência de certeza e liquidez dos créditos pleiteados em razão (i) da ausência de vinculação de cada uma das milhares de notas fiscais de entrada de insumos com cada uma das milhares de notas fiscais de saída dos produtos fabricados; (ii) da falta de Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 7 segregação dos créditos presumidos e básicos em contas contábeis; (iii) da divergência entre os valores informados na DACON e os valores informados nos demonstrativos e planilhas elaborados pela Recorrente, que por sua vez estão em harmonia com o PERDCOMP e seus registros contábeis. Sendo assim, a fiscalização procedeu as seguintes glosas: 1) Aluguel de PJ- Máquinas e equipamentos; 2) Encargos de depreciação; 3) Energia Elétrica; 4) Frete na venda; 5) Bens para revenda 5.1) Revenda de leite cru 5.2) Revenda SEM leite cru 6) Serviços de industrialização para terceiros; 6.1) Serviços de industrialização; 6.2) Leite cru resfriado tipo C para industrialização; 7) Créditos Presumidos sobre aquisição de leite cru resfriado tipo C; 8) Insumos 8.1) SEM frete de leite cru 8.2) COM frete de leite cru 9) Aquisição de leite cru Parmalat e Ibuturuna ALUGUÉIS PJ- Máquinas e equipamentos Quanto às glosas com aluguel PJ- Máquinas e equipamentos, a recorrente insurge- se contra a obrigatoriedade de demonstração da descrição fiscal, da demonstração das notas fiscais, informar fornecedor, CNPJ, etc. Assevera terem sido enviados à fiscalização as razões das contas solicitadas onde podem ser observados diversos dados, tais como: data da tomada do crédito, conta contábil onde está registrada a despesa (no caso do aluguel, foram as contas 3.05.01.11.001/002), o número do documento fiscal e fornecedor (registrada no campo “histórico”), com o valor da respectiva despesa. Atribui a diferença entre DACON e Valor Contábil (que aponta ser menor que 7%) (i) a fornecedor pessoa física sem direito a crédito (mencionando ser esse o caso do mês de nov/2008 e reproduzindo excerto de demonstrativo / conta contábil) e (ii) a erro de digitação no preenchimento de DACON. Em sua defesa, a Recorrente reconhece a existência de divergências entre as obrigações acessórias e DACON, demonstrativos e planilhas, PERDCOMP e os registros contábeis, entretanto, não se desincumbe do ônus que lhe cabe. Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 8 Ora, é ônus da recorrente demonstra o seu pretenso direito, sendo assim, ante a constatação da ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado, mantenho as glosas. Encargos de Depreciação Entende a recorrente ser prescindível a demonstração de vínculo entre as máquinas e equipamento de uma fábrica de produtos derivados do leite com os respectivos produtos fabricados, leite, queijos, iogurtes, etc. Classifica de “absurda” a vinculação minuciosa que o agente fiscal requereu (nota a nota) que seria decorrente de método da apropriação direta, diferente do método de apuração por rateio, realizada pelo Requerente. Considera ser evidente a existência de vinculação das máquinas e equipamentos existente numa fábrica de laticínios com os produtos derivados do leite que dão ensejo ao crédito pleiteado. Entretanto, da legislação vigente se extrai que o crédito é admitido a título de depreciação, e somente em relação aos bens adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Portanto, só se admite o crédito, a título de depreciação, se esses ativos forem utilizados no processo de produção. Todavia, considerando que ar-condicionado e de informática de setores administrativos) utilizados em setores distintos da produção não ensejam apuração de crédito, de fato, se fazia necessária a identificação do bem cuja depreciação redundou no crédito utilizado. Entretanto, ante o desinteresse da recorrente em comprovar o seu pretenso direito, não há como reverter a glosa. Energia Elétrica A legislação de regência estabelece que a “pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Afirma a fiscalização que a de energia elétrica não necessita estar envolvida diretamente com setores de fabricação, entretanto, considerando o item 05 deste termo em especial os itens 05.01 (falta de cumprimento de obrigações acessórias) e 05.02 (divergências entre DACON, demonstrativos e planilhas, PERDCOMP e os registros contábeis) os créditos apropriados em relação a esse item foram indeferidos, por falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito apropriado e pleiteado ressarcimento (e-fls. 183). Neste tópico, os créditos foram indeferidos por suposta ausência de certeza e liquidez, em razão da ausência de segregação em contas contábeis distintas para crédito básico e presumido, e dado o desinteresse da recorrente em distinguir Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 9 contabilmente os créditos presumidos dos créditos básicos, as glosas merecem ser mantidas. Frete na venda Também houve glosa de frete na venda relativos a janeiro e fevereiro de 2008, ausência de dados dos fornecedores, além da impossibilidade de verificar a certeza e liquidez dos créditos por falta de segregação dos créditos na contabilidade. Pelas razões já expostas, por ausência de certeza e liquidez, mantenho as glosas. Bens para revenda Quanto a dispêndios com bens para revenda, a Fiscalização descreve ter constatado que, em suas respostas a intimações, a contribuinte incluiu a aquisição de “leite cru resfriado tipo c” e apropriou créditos básicos de PIS/COFINS, todavia, o “leite cru resfriado tipo c”, se atendidas as condições, daria direito ao adquirente a apropriação de crédito presumido de PIS/COFINS, descreve também ter separado os valores que possibilitam créditos básico daqueles que poderiam possibilitar créditos presumidos se atendidas as condições da legislação. Expõe também divergências entre DACON e Contabilidade que consolidou por totais anuais na seguinte planilha. Em sua defesa, a contribuinte reconhece a existência de divergências, porém, entende ser de pequeno valor, o que não justificaria a glosa. Aqui ratifico o entendimento do julgador de piso, as constatações dizem respeito à ausência de segregação de créditos presumidos e básicos e de controle de sua utilização na sua contabilidade. Mantenho as glosas. Serviços de industrialização para terceiros A contribuinte questiona a necessidade de vinculação, entre o serviço de industrialização do leite com produto final leite, assevera que, com base nos demonstrativos e notas fiscais enviadas para a fiscalização, o agente constatou que os insumos foram enviados para industrialização por encomenda. Entretanto, a Fiscalização constatou que: - No demonstrativo denominado “DACON BASE DE CÁLCULO E PLANILHAS – CRÉDITOS BÁSICOS”, elaborado por esta fiscalização consolidamos os valores mensais; trimestrais e anuais dos custos com serviços utilizados como insumos na coluna “PLANILHA VR CONTÁBIL (SERVIÇOS UTILIZADOS COM INSUMOS)”, e apuramos os seguintes totais anuais. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 10 - a empresa remeteu diversos insumos para industrialização por encomenda, insumos esses que geram créditos básicos ou presumidos retornam produtos acabados que a empresa comercializa; (grifou-se) - Entre os insumos enviados para industrialização foi enviado o leite cru resfriado tipo C, que tem tratamento diferenciado nas remessas para industrialização; - o contribuinte apresentou a relação dos produtos fabricados pela fiscalizada, que são vários produtos, parte tributado com alíquota zero de PIS/COFINS e parte com tributação normal; - o contribuinte remete vários itens de insumos para industrialização por encomenda conforme constatamos nas NFe e de acordo com a carta de 26 de março declarou que retornam diversos produtos fabricados e a lista de produtos fabricados pelo mesmo é composta de vários produtos é necessária a vinculação dos serviços de industrialização aos produtos fabricados e comercializados pelo contribuinte. (grifou-se) De fato, a remessa feita pela recorrente não foi apenas do “insumo” leite para industrialização exclusivamente do “produto” leite a ser comercializado pela remetente. Sendo assim, ante a ausência de segregação de créditos básicos e presumidos, e por consequência, por ausência de certeza e liquidez dos créditos pleiteados, mantenho hígidas as glosas. Créditos Presumidos sobre aquisição de leite cru resfriado tipo C Defende a recorrente a possibilidade de se apropriar de crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, mesmo tendo remetido insumos para industrialização. Entretanto, por ausência de previsão legal, entendo não assistir razão a Recorrente. De fato, não há na legislação autorização para apropriação de créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins previstos no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica que atua como encomendante (autora da encomenda) de bens a serem produzidos por terceiros a partir de leite in natura adquirido pela referida encomendante, uma vez que, nessa hipótese, o produtor é o executor da encomenda, e não seu autor. Por ausência de previsão legal, indefere-se o pleito da apuração de créditos presumidos das contribuições pessoa jurídica que atue como encomendante. E no que se refere que muitos produtos são fabricados e/ou comercializados pela recorrente, entretanto, ela segrega em sua contabilidade créditos presumidos de crédito básicos, bem como, não controla a utilização de tais créditos, mantenho as respectivas glosas. Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 11 Insumos diversos Nesse item argumenta a contribuinte que a fiscalização não entendeu existir vinculação entre material, gás para movimentação de empilhadeira, pallets, etc, na produção do leite UHT e demais derivados do leite e indeferiu, também de maneira absurda, os créditos pleiteados pela Requerente. De forma genérica, alega a recorrente que a fiscalização exigiu vinculação nota a nota, sendo que tal exigência é indevida, pois a Requerente optou pela apropriação dos créditos pelo critério de rateio. Igual aos itens acima, por ausência de provas, mantenho as glosas. SEM frete de leite cru De acordo com o demonstrativo denominado “DACON BASE DE CÁLCULO E PLANILHAS – CRÉDITOS BÁSICOS” constatou-se divergências entre o valor dos insumos sem o valor do frete (Vr Insumo S/ frete leite cru), em todos os meses dos anos de 2008 a 2010 e valores informados no DACON conforme consta na coluna “PLANILHA VR CONTÁBIL (BENS UTILIZ COMO INSUMOS) (-) FRETE LEITE CRU)”. E no que pese a Fiscalização ter identificado dispêndios com GLP e combustíveis, nada esclareceu a contribuinte acerca de tais aquisições, não comprovando que os gastos foram aplicados exclusivamente no processo de produção e não em etapas posteriores à produção (como em equipamentos para movimentação de produtos acabados) ou em outros setores da empresa (como em veículos da administração, ou em máquinas e equipamentos de setores, por exemplo, de portaria, ou outras atividades distintas do processo produtivo). Sendo assim, novamente, por ausência de provas, mantenho as glosas. COM frete de leite cru Neste tópico, a glosa se deu tanto por direito e não por questão probatória. Pois entendeu a fiscalização, que matéria-prima integra o custo de aquisição, devendo seu cálculo se dar da mesma forma como ocorre o cálculo da matéria-prima. Ou seja, no caso de transporte de produtos sujeitos ao crédito presumido, os créditos correspondentes ao frete são alocados também como presumido. Entendeu à fiscalização que o frete integra o custo de aquisição e, como tal, pode ensejar crédito da mesma espécie e seguindo os mesmos critérios do produto adquirido que foi transportado. Com a devida vênia, divirjo do acórdão recorrido e da fiscalização, existe um equívoco de interpretação cometido pelo julgador de piso, pois as despesas comerciais com armazenagem e fretes na operação de venda têm disciplina Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 12 própria prevista no art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/2003, não estando vinculadas a um outro direito de crédito, existem por si, melhor explicando, não são acessórios de nada, simplesmente, por conta de previsão legal expressa, independentemente, do tratamento tributário dado à mercadoria comercializada. É de se registrar que apesar do produto não ser sujeito a tributação de PIS e COFINS ou ser submetido ao crédito presumido, o frete é tributado, o serviço de transporte prestado pela transportadora contratada pela contribuinte será tributado em PIS/COFINS devido por aquela, sobre o valor pago pela Recorrente. O valor aqui creditado será lá tributado, mantendo a lógica da não cumulatividade, no momento em que o creditamento aqui é negado e a tributação lá é mantida, quebra-se, sem fundamento legal, a não cumulatividade prevista na Lei nº 10.833/03. Por tais razões, reverto as glosas de créditos das contribuições em tela referentes aos serviços de frete contratados pela recorrente de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e relativos às aquisições de insumos (leite cru) sujeitos à apuração de crédito presumido, desde que, em observância à Súmula CARF nº 188, tenham tais serviços (os fretes) sido registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos e tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Aquisição de leite cru Parmalat e Ibuturuna Também não foi considerado pelo agente fiscal o crédito cheio oriundo do leite cru adquirido da Parmalat e Ibituruna, neste ponto, fica evidente a confusão feita pela fiscalização entre leite cru comprado do produtor rural ou de cooperativa, que dá direito apenas ao crédito presumido de 5,55% (PIS/COFINS), com o leite cru resfriado tipo C, comprado de pessoa jurídica industrial (exceto produtor rural e cooperativa), que permite o creditamento cheio de 9,25% (PIS/COFINS). Este creditamento seria possível, por que a saída do leite cru resfriado tipo C destas indústrias não é tributada pela alíquota zero. Até aqui assiste razão a recorrente, entretanto, as glosas se deram por ausência de comprovação dos respectivos recolhimentos. Pois no que pese as alegações que o fornecedor tributou o leite em 9,25%, não se pode olvidar que a suspensão é um benefício dado aos fornecedores e ao adquirente o benefício é a apropriação de crédito presumido, porém, o contribuinte não comprovou que os fornecedores de alguma forma ou por qualquer motivo “tenham aberto mão da suspensão”. Pelas razões expostas, não há como reverter as glosas. Por fim, conforme decidido no julgamento do REsp n° 1.767.945/PR, realizado sob o rito dos recursos repetitivos, é devida a correção monetária pela SELIC no Fl. 294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.494 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10850.901820/2015-58 13 ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco, inclusive, para o ressarcimento de saldo credor trimestral do PIS sob o regime não cumulativo. Por todo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reverter as seguintes glosas: (i) dispêndios com fretes na aquisição de “Leite cru” e “Soro de Leite”, desde que observada a Súmula CARF nº 188; e (ii) correção monetária pela SELIC no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas com dispêndios com fretes na aquisição de “Leite cru” e “Soro de Leite”, desde que observada a Súmula CARF nº 188, e reconhecer o direito à correção monetária, pela SELIC, no ressarcimento de crédito escritural da não cumulatividade acumulado ao final do trimestre, depois de decorridos 360 (trezentos e sessenta) dias do protocolo do respectivo pedido, em face da resistência ilegítima do Fisco. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 295DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10166.725213/2012-51
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. UTILIZAÇÃO A MAIOR DE ISENÇÃO. FALTA DE INCLUSÃO DE RENDIMENTOS DO CONTRIBUINTE E DO DEPENDENTE. Mantém-se a tributação sobre a omissão de rendimentos de rendimento pessoa jurídica devido a utilização do valor a maior da isenção da aposentadoria ou pensão para quem tem mais de 65 anos e a falta de inclusão dos rendimentos do próprio contribuinte e do dependente. A falta de conhecimento da legislação tributária não é justificativa para o descumprimento desta, nos termos do art.3º da Lei de Introdução ao Direito brasileiro. AÇÃO TRABALHISTA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A omissão de rendimento recebidos cumulativamente através de ação judicial, devidamente constatada, é tributável. DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA - 13º. SALÁRIO São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. O valor do décimo terceiro salário deve ser tributado na fonte, mesmo quando pago a título de pensão judicial, não podendo compor a dedução do rendimento do contribuinte pensioneiro na sua declaração de ajuste anual. DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas restringe-se aos pagamentos devidamente comprovados, relativos a tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes. A fiscalização pode exigir a apresentação de documentos que demonstrem os tratamentos realizados ou o efetivo desembolso dos valores deduzidos, quando os recibos e notas fiscais apresentados pelo contribuinte mostrarem-se inidôneos ou insuficientes para comprovar as despesas médicas. MULTA DE OFÍCIO – PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-010.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de não confisco sobre a multa aplicada, e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Luciana Costa Loureiro Solar – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA COSTA LOUREIRO SOLAR

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UTILIZAÇÃO A MAIOR DE ISENÇÃO. FALTA DE INCLUSÃO DE RENDIMENTOS DO CONTRIBUINTE E DO DEPENDENTE. Mantém-se a tributação sobre a omissão de rendimentos de rendimento pessoa jurídica devido a utilização do valor a maior da isenção da aposentadoria ou pensão para quem tem mais de 65 anos e a falta de inclusão dos rendimentos do próprio contribuinte e do dependente. A falta de conhecimento da legislação tributária não é justificativa para o descumprimento desta, nos termos do art.3º da Lei de Introdução ao Direito brasileiro. AÇÃO TRABALHISTA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A omissão de rendimento recebidos cumulativamente através de ação judicial, devidamente constatada, é tributável. DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA - 13º. SALÁRIO São dedutíveis na Declaração de Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e desde que devidamente comprovados, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. A importância paga por mera liberalidade não é dedutível. O valor do décimo terceiro salário deve ser tributado na fonte, mesmo quando pago a título de pensão judicial, não podendo compor a dedução do rendimento do contribuinte pensioneiro na sua declaração de ajuste anual. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 2 A dedução de despesas médicas restringe-se aos pagamentos devidamente comprovados, relativos a tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes. A fiscalização pode exigir a apresentação de documentos que demonstrem os tratamentos realizados ou o efetivo desembolso dos valores deduzidos, quando os recibos e notas fiscais apresentados pelo contribuinte mostrarem-se inidôneos ou insuficientes para comprovar as despesas médicas. MULTA DE OFÍCIO – PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de não confisco sobre a multa aplicada, e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Luciana Costa Loureiro Solar – Relatora Assinado Digitalmente Marcelo de Sousa Sateles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andre Barros de Moura, Fernando Gomes Favacho, Luciana Costa Loureiro Solar, Marcelo Freitas de Souza Costa, Rafael de Aguiar Hirano, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: O contribuinte supracitado foi intimado impugnar o valor do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar do ano-calendário de 2010, no código 2904, de R$ Fl. 124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 3 4.862,38, que em 31/05/2012, soma a quantia de R$ 9.080,48. Tal fato decorreu da omissão de rendimento do trabalho com ou sem vínculo empregatício, no valor de R$ 17.989,80, por utilização a maior de isenção do benefício para maiores de 65 anos; da omissão de rendimentos recebidos cumulativamente em virtude da ação judicial na esfera federal, no valor de R$ 1.940,52, auferido pelo titular ou dependente com a compensação de IRRF de R$ 22,00; da dedução indevida de pensão judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 7.494,52 e da glosa de despesas médicas no valor de R$ 14.938,98. A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam da Notificação de Lançamento de e-fls.24 a 32. Tempestivamente, foi apresentada impugnação, de e-fls.02 e 04, na qual é contestada todo o lançamento. Na omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, argumenta que este decorre da utilização a maior da isenção por ter 65 anos, mas que preencheu a declaração IRPF de acordo com os comprovantes de rendimentos que recebeu das fontes pagadoras, deduzindo a parcela isenta do valor da remuneração, não podendo ser penalizado por isto. Se houve erro, este foi induzido pelos formulários da Declaração de Rendimentos. Na pertinente omissão de rendimentos recebidos cumulativamente em virtude da ação judicial na esfera federal, no valor de R$ 1.940,52, argumenta que não recebeu nenhum rendimento desta natureza, devendo ser cancelado por inexistência de valores a serem tributados. Na glosa da parcela de pagamento de pensão alimentícia, que se refere ao 13º salário incluído como pensão judicial, alega que, embora este rendimento tenha sido tributado na fonte, nada obsta sua dedução porque foi pago a terceiros, pois a legislação não contém vedação neste sentido. No indeferimento das despesas médicas, devido a glosa de beneficiários não incluídos como dependentes, alega que consta foi comprovada a dependência, pois embora tenham sido realizadas declarações em separado destes dependentes, não foram deduzidas as essas despesas porque eles não tinham como pagarem devido aos seus parcos recursos. Como o cônjuge é dependente necessário para o plano de saúde, inclusive seus filhos, são dependentes do contribuinte, solicita que estes sejam incluídos como dependentes para efeitos no plano de saúde. Por fim, as multas, por estarem prejudicadas e, mesmo no cabível, não se justificariam não valor tão elevado, pois não houve infração grave, dolo ou má-fé, devendo ser canceladas ou reduzidas a patamar mínimo. Tendo em vista o disposto na Portaria nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e art.2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013) e conforme definição da Coordenação-Geral de contencioso Fl. 125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 4 administrativo e judicial da RFB, o presente e-processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. Foi solicitada a juntada do dossiê do processo, com vistas a solução do litígio, tendo sido atendido a diligência, conforme e-fls.48 a 84. Após apresentação da impugnação, foi proferido Acórdão pela 4ª Turma da DRJ/POA, o qual julgou improcedente a impugnação em Acórdão, manteve integralmente o crédito tributário, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEVIDO A UTILIZAÇÃO A MAIOR DE ISENÇÃO. Mantém-se a tributação sobre a omissão de rendimentos de rendimento pessoa jurídica devido a utilização do valor a maior da isenção da aposentadoria ou pensão para quem tem mais de 65 anos. A falta de conhecimento da legislação tributária não é justificativa para o descumprimento desta, nos termos do art.3º da Lei de Introdução ao Direito brasileiro. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS CUMULATIVAMENTE. A omissão de rendimento recebidos cumulativamente através de ação judicial, devidamente constatada, é tributável. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O valor do décimo terceiro salário deve ser tributado na fonte, mesmo quando pago a título de pensão judicial, não podendo compor a dedução do rendimento do contribuinte pensioneiro na sua declaração de ajuste anual. DESPESAS MÉDICAS. A dedução de despesas médicas restringe-se aos pagamentos devidamente comprovados, relativos a tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes. A fiscalização pode exigir a apresentação de documentos que demonstrem os tratamentos realizados ou o efetivo desembolso dos valores deduzidos, quando os recibos e notas fiscais apresentados pelo contribuinte mostrarem-se inidôneos ou insuficientes para comprovar as despesas médicas. MULTA DE OFÍCIO Uma vez instaurado o procedimento de ofício, o crédito tributário apurado pela autoridade fiscal somente pode ser satisfeito com os encargos do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 19/07/2016, a qual julgou a impugnação improcedente, o sujeito passivo interpôs, em 05/08/2016, Recurso Voluntário, alegando, em apertada síntese, o que se segue: Fl. 126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 5 1.Que não houve utilização em duplicidade do limite de isenção de 65 anos; 2.Que é descabida a omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista; 3.Que seria dedutível o 13º. Salário pago em pensão alimentícia dos seus rendimentos tributáveis; 4.Que seriam descabidas as glosas de despesas médicas realizadas com o filho de sua companheira; 5.Alega ainda o caráter confiscatório da multa aplicada de 75% (setenta e cinco por cento). É o relatório. VOTO Conselheiro Luciana Costa Loureiro Solar, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo. A lide versa sobre Imposto de Renda Pessoa Física sobre omissão de rendimento do trabalho, por utilização a maior de isenção do benefício para maiores de 65 anos, sobre omissão de rendimentos recebidos cumulativamente em virtude da ação judicial na esfera federal, auferido pelo titular ou dependente com a compensação de IRRF de R$ 22,00; sobre a dedução indevida de 13º. Salário pago em pensão alimentícia, glosa de despesas médicas e multa de ofício de 75%. DO CONHECIMENTO DA MULTA APLICADA - CONFISCO Entretanto, dele não conheço em relação às arguições de inconstitucionalidade e violação de princípio constitucionais relativa à multa aplicada em razão da aplicação da Súmula CARF n. 2, segundo a qual: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, não conheço da arguição do caráter confiscatório da multa aplicada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Fl. 127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 6 A infração de omissão de rendimentos foi lançada sobre a renda de trabalho com ou sem vínculo empregatício recebido pelo recorrente da seguinte fonte pagadora: CNPJ 00.414.607/0001-18-Tribunal de Contas da União – Valor R$ 17.989,80 Não assiste razão ao recorrente quando alega não se tratar de utilização em duplicidade do limite de isenção, pelo fato do INSS não o ter prestado a devida informação, do quanto lhe pagou, em conformidade com a informação prestada à Receita Federal. O contribuinte deixou de informar às fontes pagadoras, a idade superior a 65 anos, de forma a não se utilizar duplamente da isenção, tanto na fonte pagadora do TCU, CNPJ 00.414.607/0001-18 como na fonte pagadora do INSS, CNPJ 29.979.036/0001-40; A isenção de aposentadoria ou pensão para quem tem mais de 65 anos está fundamentada no artigo 39, inciso XXXIV, do Decreto 3000, de 1999, que assim reza: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: ... XXXIV - os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por qualquer pessoa jurídica de direito público interno, ou por entidade de previdência privada, até o valor de novecentos reais por mês, a partir do mês em que o contribuinte completar sessenta e cinco anos de idade, sem prejuízo da parcela isenta prevista na tabela de incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XV, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 28); Em relação aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte deve observar que: 1 – Do valor mensal correspondente à soma dos proventos de aposentadoria ou pensão pagos por todas as fontes pagadoras, somente é considerada isenta a parcela de até R$ 1.313,69, por mês, para o ano-calendário de 2007; 2 - Na declaração de ajuste anual, somente deve ser informada como rendimento isento a soma dos valores mensais isentos mencionados no item 1; 3 - Compõe os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste a diferença positiva entre o total dos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no ano-calendário e o valor mencionado no item 2. Conforme descrito no item 257 do livro de perguntas e resposta do IRPF, da Receita Federal, assim disciplina: PENSÃO, APOSENTADORIA DE MAIS DE UMA FONTE 257 — Como deve proceder a pessoa física com 65 anos ou mais que recebe proventos de aposentadoria ou pensão de mais de um órgão público ou previdenciário? Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 7 Em relação aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte deve observar que: 1 – Do valor mensal correspondente à soma dos proventos de aposentadoria ou pensão pagos por todas as fontes pagadoras, somente é considerada isenta a parcela de até R$ 1.434,59, por mês, para o ano-calendário de 2009; 2 - Na declaração de ajuste anual, somente deve ser informada como rendimento isento a soma dos valores mensais isentos mencionados no item 1; 3 - Compõe os rendimentos tributáveis na declaração de ajuste a diferença positiva entre o total dos proventos de aposentadoria ou pensão recebidos no ano-calendário e o valor mencionado no item 2. Atenção: O beneficiário pode efetuar, no curso do ano-calendário no qual os rendimentos foram recebidos, até o último dia útil do mês de dezembro, antecipação de imposto, mediante recolhimento complementar (mensalão), sob o código 0246. Compulsando os autos, está claro que nos demonstrativos de rendimentos do INSS e do TCU qual é o valor da isenção da aposentadoria ou pensão para quem tem mais de 65 anos. Dentro do dossiê fiscal, às fls. 50-87 dos autos, temos o que se segue: 1.Comprovante de Rendimentos pagos pelo INSS, dos quais R$ 18.389,74 são rendimentos tributáveis e R$ 19.424,39 são rendimentos isentos (65 anos ou mais); 2.Comprovante de Rendimentos do TCU, cujo total de Rendimentos foi R$ 288.510,63, e não, R$ 270.520,83 como declarados pelo Recorrente. Resta comprovado que o contribuinte utilizou as referidas isenções em Duplicidade e a glosa foi corretamente lançada. Portanto, mantido o crédito tributário constituído referente à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, por omissão simplesmente ou devido a utilização de um limite, maior do que o previsto em lei, de isenção de aposentadoria ou pensão para maiores de 65 anos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – AÇÃO TRABALHISTA No que se refere à omissão de rendimentos, ela consiste em recebimentos de valores em ação trabalhista, os quais foram creditados na conta corrente do contribuinte. O recorrente não pode alegar desconhecimento da origem de valores que foram creditados em sua conta corrente. Tais rendimentos encontram-se declarados em DIRF de e-fls.42, não constando nenhuma prova em contrário do contribuinte. Fl. 129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 8 Tampouco assiste razão ao recorrente quando alega ter sido penalizado pela falta de informação da fonte pagadora a ele, e, que, por tal fato, não estaria sujeito à glosa dos honorários pagos pelo TST. O contribuinte não pode alegar desconhecimento da lei para não cumprir com suas obrigações tributárias. Nesse sentido temos o fundamento legal do artigo 3º. Da Lei de Introdução ao Direito Brasileiro (Decreto lei 4657, de 04/09/1972, com redação dada pela lei 12.376/2010): Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece; ... Portanto, crédito tributário mantido. PENSÃO ALIMENTÍCIA – 13º. SALÁRIO DEPENDENTE Na glosa da parcela de pagamento de pensão alimentícia, que se refere ao 13º salário incluído como pensão judicial, alega que, embora este rendimento tenha sido tributado na fonte, nada obsta sua dedução porque foi pago a terceiros, pois a legislação não contém vedação neste sentido. Que se o Recorrente recebeu seu 13º. Salário com a dedução do IRRF, isto não pode impedir de usar o valor desse abono do dependente, igualmente como dedutível. A dedução de pensão alimentícia exige previsão legal expressa, conforme artigo 8º, II, alínea f da lei 7713/88, e, para tanto, deve haver decisão judicial ou escritura pública que estabeleça a obrigação e não se admite interpretação extensiva para incluir verbas não previstas, como, no caso concreto, o 13º. Salário. A pensão judicial tem o seguinte fundamento legal: (Lei 9.250/1995 e alterações posteriores, consolidada no artigo 78 do Decreto 3000/1999 – RIR/99): Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subsequentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 9 alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Conforme relatório fiscal da notificação: “o valor glosado refere-se a gastos com o 13º. Salário, o qual submete-se ao desconto de imposto de renda exclusivo na fonte, portanto, não compõe a base de cálculo para fruição do benefício buscado. Enquadramento legal: Art. 8º., inciso II, alínea ‘f’, da lei 9250/95; artigos 49 e 50 da Instrução Normativa SRF n. 15/2001, arts. 73, 78 e 83 inciso II do Decreto no. 3000/99 – RIR/99” Conforme item 340 do livro Perguntas e Respostas do IRPF, segue: PENSÃO ALIMENTÍCA – DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO 340- É dedutível na declaração de ajuste anual a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública descontada do décimo terceiro salário? Não. Tendo em vista que a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento, sujeito à tributação exclusiva na fonte, a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. No entanto, a pensão alimentícia paga que foi descontada do décimo terceiro constitui rendimento tributável para o beneficiário da pensão, sujeitando-se ao carnê-leão e, também, ao ajuste na declaração anual. (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), arts. 638, inciso IV, 641 e 643); Portanto, a dedução do 13º. Salário não se trata de uma “decorrência logica” da pensão mensal, pois para a dedução é necessária a expressa previsão legal. Nesse sentido, cito acordão do CARF: Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2010 PENSÃO ALIMENTÍCIA. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO REALIZADO. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Podem ser deduzidos na declaração do Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 10 imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade. Deverá ser permitida a dedução da despesa que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos, em conformidade com a legislação de regência, excetuando o desconto sobre o 13º salário que se submete exclusivamente ao regime de tributação na fonte pagadora, não podendo ser deduzido na base de cálculo dos rendimentos sujeitos ao ajuste anual. MATÉRIA DE PROVA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DOCUMENTO IDÔNEO APRESENTADO EM FASE RECURSAL. Sendo interesse substancial do Estado a justiça, é dever da autoridade utilizar-se de todas as provas e circunstâncias que tenha conhecimento, na busca da verdade material, admitindo-se documentação que pretenda comprovar direito subjetivo de que são titulares os contribuintes, ainda que apresentada a destempo, desde que elas reúnam condições para demonstrar a verdade real dos fatos. Número da decisão: 2003-004.954 Logo, mantida a glosa da dedução de 13º. Salário de Pensão Alimentícia, no presente auto de infração. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTES Requer ainda a dedução de despesas médicas com dependente, com fundamento no artigo 1566, inciso III do Código Civil. A infração consiste na glosa de despesa médica AMIL com dependente que não consta da declaração de ajuste anual do Recorrente. Como o dependente declaração em separado e, não podem ser deduzidas suas despesas médicas. Como o Recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12º, I do Regimento Interno do CARF (RICARF/2023), reproduzo, em parte, no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: Preliminarmente, cabe esclarecer que a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, artigo 8º, inciso II, alínea ‘a’, estabelece que na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no anº calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindo-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. Consideram-se também despesas médicas ou de hospitalização os pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no Brasil destinados à cobertura de despesas Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 11 com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. A dedução dessas despesas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados, informados na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados da Declaração de Ajuste Anual, e comprovados, quando requisitados, com documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu. Admite-se, quando o beneficiário do pagamento for pessoa física, que na falta de documentação, a comprovação possa ser feita com a indicação do cheque nominativo com que foi efetuado o pagamento. No caso dos autos, foi glosada a despesas médicas, no valor de R$ 14.247,82, de um total declarado de R$ 41.247,82, da empresa Amil assistência Médica Internacional S/A, CNPJ 29.309.127/0094-78, pelo fato de que a beneficiários no plano de saúde (Regina Lúcia de Souza e Michael Wilian Bastos Affonso) não são dependentes do contribuinte e fizeram declarações em separado. O contribuinte argumenta que consta foi comprovada a dependência, pois embora tenham sido realizadas declarações em separado destes dependentes, não foram deduzidas as essas despesas por que eles não tinham como pagarem devido aos seus parcos recursos. Por isso, solicita que sua cônjuge e seu filho estudante de 28 anos sejam incluídos como dependentes para fins de despesas com saúde e com educação. Os incisos do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, discriminam quem pode ser considerado dependente para fins de imposto de renda: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I - o cônjuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-010.243 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10166.725213/2012-51 12 2º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. 3º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. 4º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. A cônjuge do contribuinte fez declaração em separado e não consta como dependente do contribuinte, sendo que seu filho de 28 anos, que não possui prova para se enquadrar como tal na legislação acima e fez declaração em separado, também não consta como dependente do contribuinte, não podem ser considerados dependentes, haja vista que não se pode alterar a declaração IRPF do contribuinte para inclusão de dependente, como quer o litigante, pois, além da impossibilidade legal e da declaração de rendimentos de ambos, após a intimação do Termo de Início de Fiscalização o contribuinte perdeu a espontaneidade, nos termos do art.7º do Decreto 70.235/1972. Portanto, não assiste razão ao recorrente. Crédito tributário mantido. Resta concluir-se que, por tais razões, não merece reparo o acórdão recorrido, devendo ser mantido o lançamento formalizado nos presente autos. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de não confisco da multa aplicada, e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente Luciana Costa Loureiro Solar Fl. 134DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 13136.720946/2021-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2017 a 31/08/2019 PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação da impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. REQUISITOS ESTABELECIDOS NO CTN E NA LEI Nº 12.101/2009. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. Para ter direito à isenção/imunidade a entidade deve estar devidamente certificada, ou seja, deve ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS, emitido pelo órgão competente, com validade para o período do gozo do benefício. IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. Para ter direito à isenção/imunidade a entidade deve estar devidamente certificada, ou seja, deve ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS, emitido pelo órgão competente, com validade para o período do gozo do benefício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Se há no Auto de Infração a demonstração clara e precisa dos fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e ao contraditório, bem como a observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, não há que se falar em vício de nulidade.
Numero da decisão: 2302-004.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz e Roberto Carvalho Veloso Filho que votaram por dar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 9 de abril de 2026. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Roberto Carvalho Veloso Filho, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ALFREDO JORGE MADEIRA ROSA

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IMPUGNAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação da impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. REQUISITOS ESTABELECIDOS NO CTN E NA LEI Nº 12.101/2009. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. Para ter direito à isenção/imunidade a entidade deve estar devidamente certificada, ou seja, deve ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS, emitido pelo órgão competente, com validade para o período do gozo do benefício. IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. REQUISITOS ESTABELECIDOS EM LEI. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. Para ter direito à isenção/imunidade a entidade deve estar devidamente certificada, ou seja, deve ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS, emitido pelo órgão competente, com validade para o período do gozo do benefício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 6529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 2 Se há no Auto de Infração a demonstração clara e precisa dos fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e ao contraditório, bem como a observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, não há que se falar em vício de nulidade. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz e Roberto Carvalho Veloso Filho que votaram por dar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 9 de abril de 2026. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa – Relator Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Roberto Carvalho Veloso Filho, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de auto de infração de contribuições previdenciárias da empresa e do empregador, e contribuições devidas para outras entidades e fundos. Conforme relatório do acórdão recorrido, parcialmente abaixo reproduzido, a autuação se deu em virtude das seguintes constatações. I) INTRODUÇÃO Fl. 6530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 3 9. A FUNDACAO JOSE BONIFACIO LAFAYETTE DE ANDRADA - FUNJOBE, entidade de direito privado, é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, filantrópicos, com autonomia administrativa e financeira, conforme Estatuto apresentado em atendimento ao item 2 do TIPF. 9.1. Os presidentes do Conselho Curador da FUNJOBE durante o período sob procedimento de fiscalização até a presente data são(foram) os seguintes: a) o Sr. Bonifácio José Tamm de Andrada - CPF 003.527.486-72, conforme ata de reunião desse Conselho ocorrida em 13/03/2017, apresentada pelo contribuinte no dossiê nº 13031.080406/2019-61 mediante solicitação de juntada em 18/12/2019; e b) o Sr. Fabio Afonso Borges de Andrada - CPF 654.918.406-10, conforme ata de reunião desse Conselho ocorrida em 19/01/2021, apresentada pelo contribuinte no dossiê nº 13031.276380/2021-79 mediante solicitação de juntada em 02/06/2021. 12. Por meio do TIPF, a FUNJOBE foi intimada escrito, além dos seguintes: 12.1. No Item 7, apresentar documento informando se há processo judicial movido por esta fundação ou por entidade associativa da qual seja associada acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos e períodos fiscalizados, e, caso haja, apresentar cópias das petições iniciais e das respectivas decisões judiciais, se houver, e informar acerca da existência de decisão que porventura suspenda a sua exigibilidade e/ou determine outros efeitos. Caso se trate de processo judicial movido por entidade da qual esta fundação seja associada, apresentar comprovante de que é associada e da aprovação da admissão desta fundação na entidade associativa e informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão. 12.2. No Item 8, informar se esta fundação é certificada como entidade beneficente de assistência social no período a que se refere este procedimento de fiscalização e, se for o caso, apresentar documento que comprove a sua certificação nesse período. 12.3. No Item 9, esclarecer por que nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentadas por esta fundação, referentes ao período sob fiscalização, foi informado o código FPAS 639 (§5º do art. 109-C da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1238/2012). 12.4. No Item 10, informar qual(is) o(s) coeficiente(s) FAP (Fator Acidentário de Prevenção) atribuído(s) a cada estabelecimento da empresa para o período sob fiscalização, e apresentar via impressa do respectivo documento comprobatório do FAP divulgado pelo Ministério da Previdência Social, e esclarecer, se for o caso, o motivo de eventual divergência entre o coeficiente FAP atribuído à empresa e o informado em GFIP nas competências do período sob fiscalização. 12.5. No Item 11, apresentar documentos comprobatórios da apuração da correspondente atividade econômica preponderante (CNAE Preponderante), Fl. 6531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 4 utilizada para o enquadramento de cada estabelecimento no correspondente grau de risco e, se for o caso, esclarecer as razões de eventual divergência em relação à CNAE Preponderante e/ou à Alíquota RAT e/ou ao código FPAS informados em GFIP. A classificação da atividade econômica preponderante e o correspondente grau de risco definem a alíquota RAT adotada na apuração das contribuições previdenciárias. 13. No TIF n° 01, foi intimada a apresentar, dentre outros, os seguintes documentos e esclarecimentos por escrito: 13.1. No Item 2, complementar a documentação solicitada no Item 7 do TIPF e ainda não apresentada, a saber: a) apresentar comprovante da aprovação da admissão desta fundação na entidade associativa e comprovante atualizado de que é associada, além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão; b) relativamente a processos judiciais, conforme o caso, apresentar cópias: da Petição Inicial, da Sentença de 1° grau (foi enviada apenas cópia da concessão de liminar no mandado de segurança), dos Recursos interpostos que houver (inclusive de Apelação) e outras petições, recursos e decisões porventura existentes que julgar pertinentes ao esclarecimento sobre o atual andamento processual e o teor das decisões judiciais exaradas. 13.2. No item 3, relativamente ao Item 9 do TIPF não foi identificado documento específico que o atenda, entre os documentos apresentados em atendimento ao referido Termo, nem mesmo 13.3. No Item 4, apresentar Tabela de Incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento (inclusive competências de 13° Salário). A Tabela de Incidência deve conter informação sobre a classificação adotada pela empresa quanto à incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre cada rubrica que compõe a folha de pagamentos. 13.4. No Item 5, apresentar arquivos digitais de Folha de Pagamento. As informações a serem fornecidas devem ser entregues no leiaute previsto na versão 1.0.0.2 do Manual Normativo de Arquivos Digitais - MANAD, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP n° 12, de 20 de junho de 2006. 13.5. No Item 6, apresentar relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado, discriminado cada imóvel com os respectivos Valores, Dados de Identificação do Imóvel (a exemplo da Matrícula, Registro, Livro e Folha, Área, Endereço completo, Data de Aquisição e outros dados que houver), Identificação do respectivo Cartório de Registro de Imóveis (nome e endereço) e cópia das escrituras. Se houver imóvel com propriedade em condomínio com terceiros, informar o percentual de Participação. Na discriminação do valor de cada imóvel, deverá indicar a forma adotada de avaliação do imóvel, conforme o disposto nas alíneas "a" a "e" do inciso I do §1° do art. 3° da Instrução Normativa RFB n° 1565/2015. Fl. 6532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 5 13.6. No Item 7, apresentar relação de veículos integrantes do Ativo Imobilizado, com Descrição, placa/chassis/RENAVAM e Valor. No Item 8, apresentar o último Balanço Patrimonial registrado na contabilidade. 14. n° 02, considerando que em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal - TIF n° 01 foram 31/01/2020 documentos ao dossiê digital n° 13031.080406/2019-61, mas tais documentos atenderam apenas parcialmente a referida intimação, foram solicitados os seguintes juntados em apresentados complementos ao TIF n° 01: 14.1. No Item 1, quanto ao Item 1 do TIF n° 01 (referente ao Item 1 do TIPF), apresentar a informação solicitada, pois não houve atendimento a esse Item. 14.2. No Item 2, quanto aos subitens do Item 2 do TIF n° 01 (referente ao Item 7 do TIPF): a) apresentar comprovante da aprovação da admissão desta fundação na entidade associativa, além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão, pois não foram apresentados esses elementos do subitem 2.1. b) o atendimento ao subitem 2.2 do TIF n° 01 foi apenas parcial, pois foi apresentada somente a cópia da Sentença de 1° grau exarada em 01/03/2010 no Mandado de Segurança n° 2008.38.00.01237803. Ressalta- se ainda que a Certidão referente à APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA n. 0012145-91.2008.4.01.3800/MG (Processo na Origem: 2008.38.00.012378-3), com data de 18/10/2019, anteriormente apresentada em 18/12/2019 em atendimento ao TIPF, tinha validade de 30 (trinta) dias, ou seja, não mais tinha validade quando de sua apresentação. Ante o exposto, faz-se necessário complementar o atendimento à solicitação contida no subitem 2.2 do TIF n° 01, para esclarecimento sobre o atual andamento processual e o teor das decisões judiciais exaradas, entre outras informações. 14.3. No Item 3, quanto ao Item 3 do TIF n° 01 (referente ao Item 9 do TIPF), apresentar os esclarecimentos e documentos solicitados, pois não houve atendimento a esse Item. 14.4. No Item 4, quanto ao Item 5 do TIF n° 01, apresentar arquivos digitais de Folha de Pagamento acompanhados dos respectivos Recibos de Entrega de Arquivos Digitais devidamente assinados pelo Responsável Legal pela empresa e pelo Responsável Técnico pela geração dos arquivos. Esclarece-se que não foram apresentados os Recibos de Entrega de Arquivos Digitais (em formato PDF) devidamente assinados e os arquivos digitais MANAD não foram apresentados em formato próprio (arquivo de texto no formato MANAD) e nem juntados ao dossiê digital como "arquivos não pagináveis" (conforme definido no inciso VI do parágrafo único do art. 1° e observado o disposto no parágrafo único do art. 2° e no Anexo II, todos da Instrução Normativa Fl. 6533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 6 RFB n° 1.782/2018). Ressalta-se que os arquivos digitais a serem entregues no leiaute previsto na versão 1.0.0.2 do MANAD deverão ser validados por meio do SVA - Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais e os respectivos Recibos de Entrega deverão ser emitidos no sistema SVA por meio da opção "Manad - Inf. relativas a Folha de Pagamento -Empresas em Geraf', observando-se as orientações contidas no referido Item 5 do TIF n° 01. 14.5. No Item 5, quanto ao Item 6 do TIF n° 01, apresentar relação de imóveis integrantes do Ativo Imobilizado atendendo à discriminação de cada imóvel conforme os elementos solicitados no referido Item 6, pois foi apresentado somente o documento "Razão Contábil Analítico" que não atende à discriminação de cada imóvel conforme solicitado. 14.6. No Item 6, quanto ao Item 7 do TIF n° 01, complementar a informação sobre o Valor do veículo cujo documento CRLV foi apresentado (Placa QUU-0326), informando o valor que serve de base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), conforme o disposto na alínea "b" do inciso II do §1º do art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 1565/2015. Esclarecer, ainda, por escrito se somente há um único veículo integrante do Ativo Imobilizado e, se for o caso, retificar as informações anteriormente prestadas complementando a relação de veículos integrantes do Ativo Imobilizado, com Descrição, placa/chassis/RENAVAM e Valor. 15. No TIF nº 03, foi intimado a apresentar os seguintes documentos e informações ainda não apresentados à fiscalização, apesar de anteriores solicitações no TIPF, TIF nº 01 e/ou TIF nº 02: 15.1. No Item 1, apresentar comprovante da aprovação da admissão da fundação na entidade associativa AFEESMIG (Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais), além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão nessa entidade. (Item 7 do TIPF, Item 2.1 do TIF 01 e Item 2.1 do TIF 02) 15.2. No Item 2, esclarecer por que nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentadas por esta fundação, referentes ao período sob fiscalização, foi informado o código FPAS 639 (§5º do art. 109-C da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1238/2012). (Item 9 do TIPF, Item 3 do TIF 01 e Item 3 do TIF 02) 15.4. No Item 4, apresentar arquivo digital MANAD da Folha de Pagamento do ano de 2017 acompanhado do respectivo Recibo de Entrega de Arquivos Digitais, devidamente assinado pelo Responsável Legal pela empresa e pelo Responsável Técnico pela geração dos arquivos, de modo que o arquivo digital MANAD ao ser validado gere "Código de Identificação Geral do(s) Arquivo(s)" igual ao contido no respectivo Recibo de Entrega de Arquivos Digitais. Se possível, deveriam ser Fl. 6534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 7 corrigidos os 02 (dois) Erros apresentados no arquivo anteriormente apresentado, conforme esclarecido no referido Termo. (Item 5 do TIF nº 01 e Item 4 do TIF 02). 16. No TIF nº 04, tendo em vista requerimento apresentado em 20/03/2020 à fiscalização, mediante solicitação de juntada ao dossiê digital nº 13031.080406/2019-61, ficou suspenso o prazo para atendimento ao Termo de Intimação Fiscal - TIF nº 03 nos termos do disposto nos arts. 6º e 9º da Portaria RFB nº 543/2020, publicada no Diário Oficial da União, Seção 1, Edição Extra de 23/03/2020: até 29/05/2020 ou até data posterior se houver prorrogação, ressalvada a exceção prevista no inciso I do art. 8º dessa citada Portaria. Esclareceu-se ainda que os documentos, informações e arquivos solicitados no TIF nº 03, conforme indicado no texto desse Termo, se tratam de reiterações de intimações anteriores contidas no Termo de Início do Procedimento Fiscal (TIPF) e/ou nos Termos de Intimação Fiscal (TIF) nº 01 e 02. 17. Em seguida, nos TCPF nº 01 a 03 constou a ciência da continuidade do procedimento de fiscalização, além de ressaltar que até o momento da emissão de cada um desses Termos não haviam sido recebidos pela fiscalização documentos, informações e/ou esclarecimentos referentes aos Termos de Intimação Fiscal (TIF) nº 03 e 04, cujo prazo para atendimento foi fixado conforme o disposto no TIF nº 04. 18. No TIF nº 05, foi prestado o esclarecimento de que a Portaria RFB nº 4.261, de 28 de agosto de 2020, publicada no DOU de 31/08/2020, no inciso II do art. 16 revogou a Portaria RFB nº 543/2020, além da revogação de outras Portarias nos demais incisos, de modo que não mais se aplicava a suspensão de prazos para a prática de processuais no âmbito da RFB antes previstos na citada portaria e em suas alterações. Ante o exposto, o sujeito passivo foi INTIMADO a apresentar os documentos e informações ainda não apresentados à fiscalização, apesar de anteriores solicitações no TIPF e/ou nos TIF nº 01 e 02 e reiterados nos TIF nº 03 e 04, além do teor dos TCPF nº 01, 02 e 03. Deste modo, foram novamente discriminados no TIF nº 05 os mesmos documentos e informações que anteriormente já haviam sido discriminados em reiteração no TIF nº 03. 19. No TIF nº 06, foi intimado a apresentar comprovante da aprovação da admissão da Fundação José Bonifácio Lafayette de Andrada na entidade associativa AFEESMIG (Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais), além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão nessa entidade. 19.1. Prestou-se o esclarecimento de que esse item não foi atendido com a juntada em 11/09/2020 do documento intitulado "DECLARAÇÃO AFEESMIG" ao dossiê digital 13031.080406/2019-61, pois o documento juntado tão somente afirma que a referida Fundação é filiada à AFEESMIG, porém não comprova a aprovação da sua admissão e nem a data dessa admissão. (Item 7 do TIPF, Item 2.1 do TIF 01, Item 2.1 do TIF 02 e Item 1 do TIF 05) Fl. 6535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 8 19.2. Ainda esclareceu-se no TIF nº 06 que mesmo após as intimações da fiscalização no Item 5 do TIF 01, no Item 4 do TIF 02 e no Item 4 do TIF 05 e, por fim, após as juntadas ao dossiê digital 13031.080406/2019-61, realizadas em 11/09/2020 e em 24/09/2020 de esclarecimento, de Recibo de Entrega e de Arquivo Digital MANAD da Folha de Pagamento do ano 2017, ainda persistia a divergência relatada no Item 4 do TIF 05 (também ocorrida na juntada realizada em 27/02/2020) entre o "Código de Identificação Geral do(s) Arquivo(s)" gerado pelo Arquivo Digital MANAD da Folha de Pagamentos do ano 2017 e aquele constante no Recibo de Entrega de Arquivos Digitais apresentados pelo contribuinte. 20. No TIF nº 07, foi intimado a apresentar os seguintes documentos e informações: 20.1. No item 1, apresentar comprovante da aprovação da admissão da Fundação José Bonifácio Lafayette de Andrada na entidade associativa AFEESMIG (Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais), além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão nessa entidade. Esclarecimento: este item não foi atendido com a juntada em 11/09/2020 do documento intitulado "DECLARAÇÃO AFEESMIG" ao dossiê digital 13031.080406/2019-61, pois o documento juntado tão somente afirma que a referida Fundação é filiada à AFEESMIG, porém não comprova a aprovação da sua admissão e nem a data dessa admissão. Ressaltou-se que o documento solicitado se trata de reiteração de outras reiterações anteriores não atendidas até o presente momento, tendo sido anteriormente solicitado no Item 7 do TIPF, no Item 2.1 do TIF 01, no Item 2.1 do TIF 02, no Item 1 do TIF 05 e no Item 1 do TIF 06. 20.2. No Item 2, apresentar certidão com informações atualizadas sobre o andamento processual referente ao Mandado de Segurança de trata o Processo na Origem nº 2008.38.00.012378-3 e respectiva Apelação nº 0012145- 91.2008.4.01.3800/MG e, se for o caso, eventuais decisões judiciais exaradas e ainda não apresentadas referentes a processo judicial movido por esta fundação ou por entidade associativa da qual seja associada acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos e períodos fiscalizados. 21. No TIF n° 08, reiterou-se apresentar comprovante da aprovação da admissão da Fundação José Bonifácio Lafayette de Andrada na entidade associativa AFEESMIG (Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais), além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão nessa entidade. Esclarecimento: este item não foi atendido com a juntada em 11/09/2020 do documento intitulado "DECLARAÇÃO AFEESMIG" ao dossiê digital 13031.080406/2019-61, pois o documento juntado tão somente afirma que a referida Fundação é filiada à AFEESMIG, porém não comprova a aprovação da sua admissão e nem a data dessa admissão. Ressaltou-se que o documento solicitado se trata de reiteração de outras reiterações anteriores não Fl. 6536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 9 atendidas até o presente momento, tendo sido anteriormente solicitado no Item 7 do TIPF, no Item 2.1 do TIF 01, no Item 2.1 do TIF 02, no Item 1 do TIF 05, no Item 1 do TIF 06 e no Item 1 do TIF 07. 22. No TIF n° 09, em seu Item 1 reiterou-se apresentar comprovante da aprovação da admissão da Fundação José Bonifácio Lafayette de Andrada na entidade associativa AFEESMIG (Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais), além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão nessa entidade. Esclarecimento: este item não foi atendido com a juntada em 11/09/2020 do documento intitulado "DECLARAÇÃO AFEESMIG" ao dossiê digital 13031.080406/2019-61, pois o documento juntado tão somente afirma que a referida Fundação é filiada à AFEESMIG, porém não comprova a aprovação da sua admissão e nem a data dessa admissão. Ressaltou- se que o documento solicitado se trata de reiteração de outras reiterações anteriores não atendidas até aquele momento, tendo sido anteriormente solicitado no Item 7 do TIPF, no Item 2.1 do TIF 01, no Item 2.1 do TIF 02, no Item 1 do TIF 05, no Item 1 do TIF 06, no Item 1 do TIF 07 e no Item 1 do TIF 08. O TIF n° 09 foi emitido em 08/02/2021. 24. No TIF n° 10 e seus Anexos 1 e 2, foi intimado a apresentar os documentos e informações descritos a seguir. Os Anexos ao TIF n° 10 têm as seguintes identificações em seu cabeçalho: Anexo 1: Informações das GFIP e dos Arquivos Digitais MANAD da Folha de Pagamentos - Consolidado Anual; Anexo 2: Informações dos Arquivos Digitais MANAD da Folha de Pagamentos - Rubricas e Enquadramentos - Consolidado Anual. 24.1. No Item 1, Resumos das Folhas de Pagamento, totalizadas por competência mensal (inclusive competência do 13° Salário), de todos os segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos). 24.2. No Item 2, esclarecer por que não foram prestadas nos arquivos digitais MANAD da Folha de Pagamento quaisquer informações sobre Contribuintes Individuais, categorias 13 (Autônomo) e 15 (Transp. Autônomo). Informa-se que houve informações sobre Contribuintes Individuais prestadas em GFIP, cujo montante de base de cálculo declarada corresponde a R$526.947,32 no período de 01/2017 a 08/2019. Veja o Anexo 1 a este Termo. 24.3. No Item 3, esclarecer por que os valores totais de Base de Cálculo (BC) de contribuições previdenciárias, inclusive totais de Proventos, prestados nos arquivos digitais MANAD da Folha de Pagamento são inferiores aos valores de BC informados nas GFIP apresentadas do período sob procedimento de fiscalização. Sugere-se verificar eventual ausência de informação(ões) sobre Rubrica(s) e/ou Segurado(s) não informado(s) nos arquivos digitais MANAD. Veja os Anexos 1 e 2 a este Termo. 24.4. No Item 4, prestar os esclarecimentos especificados na tabela constante no Termo (intitulada "Esclarecimentos sobre o Item 4 a cumprir), a respeito de Fl. 6537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 10 informações sobre Rubricas prestadas nos arquivos digitais MANAD da Folha de Pagamento. 24.5. No Item 5, reapresentar os Arquivos de Folha de Pagamento referentes aos segurados vinculados ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS (empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos), em meio digital, confeccionados de acordo com a forma e as características determinadas no bloco K do Manual Normativo de Arquivos Digitais (Manad), aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP nº 12/2006, contemplando as correções necessárias conforme os esclarecimentos prestados a este Termo. 24.6. No Item 6, Recibos de validação dos Arquivos Digitais gerados por meio do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais (SVA), disponível para ser baixado no sítio da RFB na Internet, no endereço eletrônico http://www.gov.br/receitafederal/pt-br. 25. Nos TCPF nº 05 e 06 constou a ciência da continuidade do procedimento de fiscalização. 26. No TIF nº 11, foi intimado a apresentar os seguintes documentos e informações: 26.1. No Item 1, apresentar informações descritas no Termo complementares àquelas anteriormente prestadas à fiscalização sobre diversos imóveis. 26.2. No Item 2, apresentar certidão com informações atualizadas sobre o andamento processual referente ao Mandado de Segurança de trata o Processo na Origem nº 2008.38.00.012378-3 e respectiva Apelação nº 0012145- 91.2008.4.01.3800/MG e, se for o caso, eventuais decisões judiciais exaradas e porventura ainda não apresentadas referentes a processo judicial movido por esta fundação ou por entidade associativa da qual seja associada acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos e períodos fiscalizados. 27. No TIF nº 12, reiterou-se apresentar certidão com informações atualizadas sobre o andamento processual referente ao Mandado de Segurança de trata o Processo na Origem nº 2008.38.00.012378-3 e respectiva Apelação nº 0012145- 91.2008.4.01.3800/MG e, se for o caso, eventuais decisões judiciais exaradas e porventura ainda não apresentadas referentes a processo judicial movido por esta fundação ou por entidade associativa da qual seja associada acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos e períodos fiscalizados. Esclareceu-se ainda que o documento solicitado se trata de reiteração do Item 2 do Termo de Intimação Fiscal (TIF) nº 11 que, apesar de ter seu envio mencionado no Ofício 024/2021 - PRES. FUNJOBE, não foi apresentado mediante a solicitação de juntada realizada em 28/07/2021. 28. Foram ainda expedidos os Termos de Distribuição de Procedimento Fiscal - Diligência (TDPF D) abaixo discriminados, destinados à coleta de informações sobre o contribuinte objeto do procedimento de fiscalização: Fl. 6538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 11 (Vide quadro à e-fl. 6401) 28.1. Os Termos de Intimação Fiscal, os comprovantes de ciência e as respostas apresentadas pelas entidades diligenciadas em atendimento à intimação fiscal seguem juntados a este processo administrativo. 28.2. Na intimação fiscal direcionada à AFFESMIG essa entidade foi intimada a apresentar, dentre outros, os seguintes documentos e esclarecimentos por escrito: apresentar comprovante(s) da Aprovação da admissão/filiação e da Data em que ocorreu a referida aprovação da FUNDAÇÃO JOSÉ BONIFÁCIO LAFAYETTE DE ANDRADA (CNPJ nº 19.559.012/0001-89) na entidade associativa AFEESMIG. havendo emissão em 03/02/2021 do Termo de Intimação Fiscal - TIF nº 01 para esse fim, com ciência em 12/02/2021. Importa esclarecer que o(s) comprovantes solicitados à AFFESMIG já haviam sido anteriormente solicitados e reiterados à FUNJOB no Item 7 do TIPF, no Item 2.1 do TIF 01, no Item 2.1 do TIF 02, no Item 1 do TIF 05, no Item 1 do TIF 06, no Item 1 do TIF 07 e no Item 1 do TIF 08, e não apresentados até aquele momento. 28.3. Nas demais intimações fiscais, direcionadas aos cartórios identificados acima (conforme o nome cadastrado no CNPJ), foram solicitadas as informações descritas em cada Termo sobre imóveis em que conste ou tenha constado a FUNJOBE como proprietária. 29. Os esclarecimentos, documentos e arquivos digitais solicitados pela fiscalização foram apresentados pela FUNJOBE mediante juntada ao dossiê digital nº 13031.080406/2019-61, conforme as circunstâncias anteriormente relatadas sobre as intimações fiscais, e foram juntados pela fiscalização a este processo administrativo. Especificamente quanto a ações judiciais e aos arquivos digitais MANAD há capítulos específicos neste Relatório Fiscal. Relativamente aos seguintes documentos apresentados pelo contribuinte fiscalizado presta-se os seguintes esclarecimentos: 29.1. Coeficiente FAP e Atividade Econômica Preponderante (CNAE Preponderante): informados em atendimento aos itens 10 e 11 do TIPF, conforme relatado no capítulo "DA ATIVIDADE ECONÔMICA PREPONDERANTE, DA ALÍQUOTA GILRAT, DO COEFICIENTE FAP E DO CÓDIGO FPAS" deste Relatório Fiscal; a 29.2. Tabela de Incidência: enviada em atendimento ao Item 4 do TIF nº 01; 29.3. Relação de imóveis e de veículos integrantes do Ativo Imobilizado: o contribuinte manifestou-se por escrito em diversos momentos em resposta às intimações fiscais, conforme anteriormente relatado. 29.4. Comprovante da aprovação da admissão da FUNJOBE na entidade associativa AFEESMIG, além de informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão: após diversas intimações, conforme anteriormente relatado, somente foi atendida de forma satisfatória após a emissão dos seguintes termos de intimação e respectivas respostas: Fl. 6539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 12 • TIF nº 01 emitido a partir da diligência realizada perante a AFEESMIG e resposta apresentada por essa entidade associativa em 26/02/2021; e • TIF nº 09 e a respectiva resposta apresentada pela FUNJOBE em 12/02/2021. III) DO LANÇAMENTO FISCAL E DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO APURADO 30. Este Relatório é parte integrante do Processo nº 13136.720946/2021-35, referente a contribuições sociais da parte patronal, inclusive a destinada ao GILRAT - Contribuição para Financiamento dos Benefícios Concedidos em Razão do Grau de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho, além de contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades ou fundos, devidas pelo contribuinte acima qualificado, incidentes sobre a remuneração da mão-de-obra total, apurada através das informações de folhas de pagamento constante de arquivos digitais MANAD, referente aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e não declaradas em GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações para a Previdência Social. 31. As contribuições de que trata este processo administrativo foram lançadas de ofício visando prevenir a decadência, considerando a suspensão da sua exigibilidade por força de decisões judiciais exaradas em decorrência do Mandado de Segurança nº 2008.38.00.012378-3 (distribuído para a 22a Vara Federal em Belo Horizonte), da Apelação nº 0012145-91.2008.4.01.3800/MG e do Agravo de Instrumento nº 0040844-75.2010.4.01.0000/MG (distribuídos para Oitava Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região - TRF 01). 32. O lançamento de ofício do crédito tributário, visando prevenir a decadência na hipótese que a exigibilidade esteja suspensa por força de liminar em mandado de segurança nos termos do inciso IV do art. 151 da Lei 5.172/1966 (Código Tributário Nacional - CTN) e de efeito suspensivo atribuído a recurso de apelação nos termos do art. 558 da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil (CPC), porém ainda não transitado em julgado, é atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos dos arts. 142 e 145 do CTN e do art. 7º, §1º, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF). A constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência será realizada sem o lançamento de multa de ofício, em observância ao disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/1996, considerando que a concessão em 07/10/2011 de efeito suspensivo ao recurso de apelação restituiu os efeitos da liminar anteriormente deferida em 09/05/2008 pelo Juízo "a quo" em primeira instância, enquanto a ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal - TIPF ocorreu em 03/12/2019. 33. Ante o exposto, informa-se que a exigibilidade do crédito tributário lançado permanece suspensa, não sendo adotada qualquer medida tendente a exigir o crédito tributário, enquanto persistir a referida condição suspensiva. Fl. 6540DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 13 34. Mais informações sobre o andamento processual do mandado de segurança e dos recursos mencionados, assim como outras circunstâncias relacionadas ao lançamento, estão descritas no capítulo "DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS) E DOS PROCESSOS JUDICIAIS: MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2008.38.00.012378-3, APELAÇÃO Nº 0012145- 91.2008.4.01.3800/MG E AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 75.2010.4.01.0000/MG" deste Relatório Fiscal. IV) ARQUIVOS DIGITAIS 0040844 35. O contribuinte apresentou informações da Folha de Pagamento do período de 01/2017 a 08/2019 em arquivos digitais MANAD, apresentados mediante solicitação de juntada ao dossiê digital nº 13031.080406/2019-61. Os códigos de identificação dos arquivos digitais constam dos Recibos de Entrega dos Arquivos Digitais anexados ao processo, firmados pelo Responsável Técnico pela Geração dos Arquivos (Mary Gonçalves Quintão Dapieve - CPF 656.899.506-10) e pelo Responsável/Preposto da empresa (Aristóbulo de Castro - CPF 040.935.426-00), sendo este último Procurador da FUNJOBE perante o sistema de "Procurações Eletrônicas do e-CAC" da RFB com vigência entre 22/03/2021 e 31/12/2025 (conforme documento "Procurações e-CAC" juntado a este processo administrativo). 36. Nas apurações decorrentes do procedimento de fiscalização foram utilizadas as informações de Folha de Pagamento, relacionadas a segurados empregados e contribuintes individuais, prestadas em arquivos digitais MANAD apresentados mediante solicitação de juntada ao referido dossiê digital em 14/05/2021 em atendimento ao TIF nº 10 acompanhados dos respectivos recibos assinados, contendo dados consolidados dos estabelecimentos matriz e filiais, com os seguintes códigos de identificação: 96a49ab9-c9481c59-6f9b2dd2-95ee66ec (01/2017 a 12/2017); 09521b43-0a089328-34044f2c-3bc744d2 (01/2018 a 12/2018); 9e25b962-8c7bf338-beb13a9b 88f91006 (01/2019 a 08/2019). 37. Portanto, as remunerações pagas aos segurados empregados foram extraídas, conforme exposto acima, das informações de folhas de pagamento apresentadas à fiscalização em arquivos digitais MANAD. 38. Importa esclarecer que houve apresentações anteriores de arquivos digitais MANAD da Folha de Pagamentos, que não foram utilizados nas apurações deste procedimento de fiscalização por apresentarem as inconsistências reportados em termos de intimação, conforme os(as) seguintes: 38.1. termos de intimação fiscal: Item 5 do TIF nº 01, Item 4 do TIF nº 02, Item 4 do TIF nº 03, no Item 4 do TIF nº 05, no Item 5 do TIF nº 10; e 38.2. solicitações de juntada ao referido dossiê digital realizadas nas seguintes datas: 27/02/2020, 24/09/2020 e 29/04/2021. 39. Convém destacar que os arquivos digitais MANAD utilizados (apresentados em 14/05/2021) corrigem as inconsistências relatadas em termos de intimação fiscal, Fl. 6541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 14 detectadas em arquivos digitais anteriormente apresentados em pelo contribuinte, inclusive quanto àqueles apresentados mediante solicitação de juntada realizada em 29/04/2021 que ainda não corrigiam as inconsistências relatadas no TIF nº 10. 40. Ainda foram apresentados Resumos das Folhas de Pagamento referentes a segurados empregados e contribuintes individuais vinculados ao Regime Geral de Previdência Social - RGPS, em formato PDF, em atendimento ao Item 1 do TIF nº 10, mediante solicitação de juntada ao referido dossiê digital em 29/04/2021. V) INFORMAÇÕES EM GFIP 41. Na presente auditoria somente foram lançadas as contribuições não previamente confessadas pelo contribuinte em GFIP. Para apuração dos valores declarados foram utilizadas as informações constantes das GFIP relacionadas na tabela abaixo. (fls. 116 a 123) 42. Foram consideradas pela fiscalização as declarações GFIP que se encontram nos sistemas da RFB com o Status GFIP "1", correspondente à situação "EXPORTADA", apresentadas pelo contribuinte antes do início do procedimento de fiscalização, a qual indica que a informação foi repassada para a área de Arrecadação, para fins de controle da cobrança dos débitos confessados, e para o CNIS - Cadastro Nacional de Informações Sociais. VI) DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL (CEBAS) E DOS PROCESSOS JUDICIAIS: MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2008.38.00.012378- 3, APELAÇÃO Nº 0012145 91.2008.4.01.3800/MG E AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0040844-75.2010.4.01.0000/MG 43. A FUNJOBE foi intimada: 43.1. nos Itens 7 e 8 do TIPF, além do Item 2 do TIF nº 01, a: a) apresentar documento informando se há processo judicial movido por esta fundação ou por entidade associativa da qual seja associada acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos e períodos fiscalizados, entre outras informações e documentos. Caso se trate de processo judicial movido por entidade da qual a referida fundação seja associada, apresentar comprovante de que é associada e da aprovação da admissão da fundação na entidade associativa e informar a data a partir da qual ocorreu a aprovação da sua admissão. b) informar se a fundação é certificada como entidade beneficente de assistência social no período a que se refere este procedimento de fiscalização e, se for o caso, apresentar documento que comprove a sua certificação nesse período. 43.2. no Item 9 do TIPF, no Item 3 do TIF nº 01, no Item 3 do TIF nº 02, no Item 2 do TIF nº 03 e no TIF nº 05, a esclarecer por que nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) Fl. 6542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 15 apresentadas por aquela fundação, referentes ao período sob fiscalização, foi informado o código FPAS 639 (§5º do art. 109-C da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1238/2012). 44. As respostas foram apresentadas pela FUNJOBE mediante solicitações de juntada ao dossiê digital nº 13031.080406/2019-61. 45. A FUNJOBE não apresentou documento comprovando sua certificação como entidade beneficente de assistência social, ou seja, não apresentou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS). 45.1. Em consulta pública realizada em 21/09/2021 no sítio do Ministério da Educação relativa ao CEBAS, no endereço http://siscebas2.mec.gov.br/visao- publica#, verifica-se que não há informação de processo deferido com portaria publicada tendo a FUNJOBE como mantenedora. 45.2. Pelo contrário, o processo nº 71010.005217/2009-81, que é o mais recente informado em resultado à consulta mencionada, teve INDEFERIDO o pedido de Concessão/Renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, conforme Portaria nº 829, de 28 de novembro de 2018, do Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, publicada na Seção 1 do Diário Oficial da União em 29 de novembro de 2018. 45.3. Conclui-se que, relativamente à certificação com validade no período sob procedimento de fiscalização, a FUNJOBE não comprovou sua certificação como entidade beneficente de assistência social, assim como em consulta pública realizada perante o Ministério da Educação não se apura qualquer informação que comprove essa certificação, conforme documentos juntados a este processo administrativo. No sítio da RFB na Internet, no endereço https://www.gov.br/receitafederal/pt br/assuntos/orientacao- tributaria/isencoes/isencao-de-contribuicoes-sociais, consta a seguinte orientação: "(...) Benefício Fiscal Uma vez certificada como beneficente de assistência social a entidade faz jus à isenção prevista no art. 195 § 7' da Constituição, desde que atenda aos requisitos previstos no art. 29 da Lei n' 12.101/2009. A partir dessa Lei, a entidade certificada como beneficente de assistência social e que cumpra os demais requisitos, pode usufruir da isenção, sem necessidade de requerimento à Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...)" (grifo nosso) 45.4. Portanto, a FUNJOBE não atende à condição de entidade beneficente certificada como beneficente de assistência social, conforme condição prevista no caput do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 para fazer jus à isenção do pagamento das Fl. 6543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 16 contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 46. Em resposta aos TIF nº 03 e 05, a respeito da informação do FPAS 639 em GFIP no período sob procedimento de fiscalização, a FUNJOBE respondeu por meio do documento "OF 018/2020 -SUPERINTE FUNJOBE", mediante solicitação de juntada ao mencionado dossiê digital, no seguinte teor: (... ) 2 - As guias de recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social GFIP são informadas no código 639 face a filiação da FUNJOBE junto a AFEESMIG, uma vez que esta é detentora de liminar concedendo a isenção patronal (...)". 47. Conforme relatado anteriormente neste Relatório Fiscal, foram apresentados documentos relativos à filiação da FUNJOBE na entidade associativa Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (AFEESMIG). 48. Relativamente à informação sobre a existência de processo judicial movido por esta fundação ou por entidade associativa da qual seja associada acerca de quaisquer dos aspectos jurídicos dos tributos e períodos fiscalizados, a FUNJOBE apresentou documentos relativos ao Mandado de Segurança nº 2008.38.00.012378-3 impetrado pela AFFESMIG com a pretensão de que "seja assegurado o direito líquido e certas das entidades filiadas à Impetrante a usufruírem da imunidade tributária das Contribuições Sociais à Previdência Social (quota patronal), nos termos do parágrafo 7º do artigo 195 da CF, enquanto estiverem cumprindo os requisitos do art. 14 do CTN" (conforme descrito em Certidões apresentadas pelo contribuinte mediante solicitações de juntada ocorridas em 04/12/202 e 03/09/2021). 49. Nas Certidões apresentadas pelo contribuinte mediante solicitações de juntada ocorridas em 04/12/2020 e 03/09/2021 constam descritas a situação processual do Mandado de Segurança nº 2008.38.00.012378-3 impetrado pela AFFESMIG e dos demais processos dele decorrentes, a exemplo da Apelação nº 0012145-91.2008.4.01.3800/MG e do Agravo de Instrumento nº 0040844 75.2010.4.01.0000/MG. 50. Resumidamente, conforme descrito na referida Certidão: "O juízo 'a quo' deferiu liminar para que as entidades filiadas à impetrante não se submetam às exigências do art. 55 da Lei n. 8.212/91". (...) "Em sentença de 01/03/2020, o MM. Juiz 'a quo' tornou sem efeito a decisão liminar e denegou a segurança. Interposto recurso de apelação pela Impetrante, recebido no efeito devolutivo, a Impetrante interpôs o Agravo de Instrumento n. 0040844- 75.2010.4.01.0000/MG para que a apelação fosse recebida também no efeito suspensivo." (...) "A Oitava Turma, na sessão de julgamento do dia 07/10/2011, julgou o Agravo de Instrumento n. 0040844-75.2010.4.01.0000/MG e, por Fl. 6544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 17 maioria, deu provimento ao Agravo Regimental e concedeu o efeito suspensivo ao recurso de apelação. (...)". 50.1. Deste modo, a concessão por meio do Agravo de Instrumento nº 0040844 75.2010.4.01.0000/MG em 07/10/2011 de efeito suspensivo ao recurso de Apelação nº 0012145 91.2008.4.01.3800/MG restituiu os efeitos da liminar anteriormente deferida em 09/05/2008 pelo Juízo "a quo" no Mandado de Segurança nº 2008.38.00.012378-3. 50.2. Por sua vez, em consulta ao sítio do TRF1 em 21/09/2021 (data de lavratura deste Relatório Fiscal), no endereço https://pje2g.trf1.jus.br/consultapublica/ConsultaPublica/listView.seam, conforme documento "Consulta Andamento Processual de Ações Judiciais" juntado a este processo administrativo, constata-se que a Apelação nº 0012145- 91.2008.4.01.3800/MG ao Mandado de Segurança ainda permanece pendente de julgamento até a presente data. 51. Ocorre, portanto, que a FUNJOBE sendo filiada à AFEESMIG se encontra amparada por decisões judiciais exaradas em decorrência do Mandado de Segurança nº 2008.38.00.012378-3 (distribuído para a 22 ª Vara Federal em Belo Horizonte), da Apelação nº 0012145-91.2008.4.01.3800/MG e do Agravo de Instrumento nº 0040844-75.2010.4.01.0000/MG (distribuídos para Oitava Turma do TRF 01), ajuizados pela AFFESMIG, e que tais decisões produzem efeitos sobre o procedimento de fiscalização referente a contribuições previdenciárias patronais da FUNJOBE nos períodos de 01/2017 a 08/2019. 52. Portanto, considerando que as contribuições de que trata este processo administrativo se encontram sub judice, foi realizado o lançamento de ofício conforme as circunstâncias descritas no capítulo "DO LANÇAMENTO FISCAL E DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO APURADO" deste Relatório Fiscal. VII) DA ATIVIDADE ECONÔMICA PREPONDERANTE, DA ALÍQUOTA GILRAT, DO COEFICIENTE FAP E DO CÓDIGO FPAS 53. A FUNJOBE foi intimada nos itens 10 e 11 do TIPF a prestar informações sobre o Coeficiente FAP e a Atividade Econômica Preponderante (CNAE Preponderante). 53.1. Quanto ao Coeficiente FAP apresentou as telas de consulta "FapWEB - Fator Acidentário de Prevenção - Resultados de Consulta do Estabelecimento", demonstrando os coeficientes aplicáveis a cada estabelecimento nos períodos do procedimento de fiscalização; 53.2. Por sua vez, quanto à Atividade Econômica Preponderante (CNAE Preponderante) apresentou somente telas do "Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral" do "Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica" de cada estabelecimento, sem prestar qualquer outro esclarecimento por escrito quanto à referida atividade. Nas telas apresentadas constam informados no campo "Código e Descrição da Atividade Econômica Principal", de cada um dos estabelecimentos da pessoa jurídica, o código CNAE 8531-7/00, ou seja, todos os estabelecimentos Fl. 6545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 18 matriz e filiais apresentam o mesmo código CNAE 8531-7/00 como atividade econômica principal. Convém observar ainda que a FUNJOBE informou em GFIP durante todas as competências do período fiscalizado como "Código CNAE Preponderante" o mesmo código CNAE 8531-7/00 informado no campo "Código e Descrição da Atividade Econômica Principal" das telas do "Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral". Portanto, foi adotado neste procedimento de fiscalização, como Atividade Econômica Preponderante (CNAE Preponderante), o código CNAE "8531-7/00 - Educação superior - graduação" para cada estabelecimento da FUNJOBE. 54. Por sua vez, para fins de contribuição devidas a terceiros (outras entidades ou fundos), considerando a atividade econômica desenvolvida pela empresa, foi adotado o código FPAS 574 aplicável às instituições de ensino (IN RFB nº 971/2009, inciso IX do caput do art. 109-E e Anexo II). Vale destacar que o fato de a FUNJOBE ter informado em GFIP o FPAS 639 resulta em não apuração das contribuições previdenciárias patronais, assim como das contribuições devidas a terceiros, ou seja, ainda que sub judice tais contribuições não foram confessadas em GFIP. 55. Para apuração das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa, foi(ram) considerado(s) o(s) código(s) CNAE Preponderante(s) descritos acima, cuja alíquota GILRAT é de 1,00% (um por cento), conforme definido no Anexo V do Decreto nº 3.048/1999 - RPS, bem como o(s) coeficiente(s) FAP - Fator de Acidente Previdenciário informados pelo contribuinte. Para o cálculo das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios previdenciários decorrentes do grau de incidência de incapacidade laborativa, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados, o contribuinte deve multiplicar o índice do FAP pela alíquota GILRAT, que consiste em um percentual que mede o risco da atividade econômica. 56. Deste modo, observados os esclarecimentos prestados pela empresa e as ponderações da fiscalização acima transcritos, as alíquotas fixadas no Anexo V do Decreto nº 3.048/1999, com a redação dada pelo Decreto nº 6.957/2009, foram aplicados nas apurações deste procedimento de fiscalização, os(as) seguintes alíquotas e coeficientes nas competências de 01/2017 a 08/2019 (incluindo o 13º Salário): (Vide quadro à e-fl. 6408) VIII) DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 57. Inicialmente cumpre esclarecer que o fato de a FUNJOBE ter informado em GFIP o FPAS 639 resulta em não apuração das contribuições previdenciárias patronais, assim como das contribuições devidas a terceiros, ou seja, ainda que sub judice tais contribuições não foram confessadas em GFIP. Portanto, considerando que as contribuições de que trata este processo administrativo se Fl. 6546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 19 encontram sub judice e visando prevenir a decadência realiza-se o lançamento de ofício conforme as circunstâncias descritas no capítulo "DO LANÇAMENTO FISCAL E DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO APURADO" deste Relatório Fiscal. 58. Para apuração das bases de cálculo foram analisadas as folhas de pagamento apresentas à fiscalização em atendimento a intimações fiscais. As remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais foram extraídas, conforme exposto acima, das Folhas de Pagamento apresentadas à fiscalização em arquivos digitais MANAD, conforme discriminado nos Anexos 01 07 a este Relatório Fiscal. 59. Nos Anexos 01 a 07 a este Relatório Fiscal há demonstrativos contendo, respectivamente: a) Anexo 01: Folha de Pagamento MANAD - Relação de Trabalhadores - Categorias de Segurados EMPREGADOS: 1 = Empregado; 4 = Empregado sob contrato de trabalho por prazo determinado e 7 = Menor Aprendiz; b) Anexo 2: Folha de Pagamento MANAD - Relação de Trabalhadores - Categorias de Segurados CONTRIB INDIVIDUAL: 13 = Contribuinte Individual - Autônomo e 15 = Contribuinte Individual - Transp Autônomo; c) Anexo 03: Folha de Pagamento MANAD - Segurados Empregados - Rubricas Consideradas Bases de Cálculo de Contribuições; d) Anexo 4: Folha de Pagamento MANAD - Segurados Contribuintes Individuais – Rubricas Consideradas Bases de Cálculo de Contribuições; e) Anexo 5: Resumo Mensal - Por Estabelecimento, Competência e Categorias de Segurados EMPREGADOS: 1 = Empregado; 4 = Empregado sob contrato de trabalho por prazo determinado e 7 = Menor Aprendiz; f) Anexo 6: Resumo Mensal - Por Estabelecimento, Competência e Consolidação de Segurados EMPREGADOS (Categorias: 1, 4 e 7); g) Anexo 7: Resumo Mensal - Por Estabelecimento, Competência e Categorias de Segurados CONTRIB. INDIVIDUAIS: 13 = Contribuinte Individual - Autônomo e 15 = Contribuinte Individual - Transp Autônomo. 60. A apuração das bases de incidência considerou, em conformidade com o disposto no inciso I do caput do artigo 28 da Lei 8.212/1991, todas as verbas remuneratórias pagas aos segurados empregados, quer sejam salários, gratificações, adicionais e horas extras. Por sua vez, o salário de contribuição do contribuinte individual observa o disposto no inciso III do caput do artigo 28 da Lei 8.212/1991, sendo que quanto ao condutor autônomo de veículo rodoviário observa ainda o disposto no §19 do art. 214 do Decreto n* 3.048/1999. 61. Registre-se, ainda, que a classificação das rubricas da folha de pagamento consideradas pela fiscalização observou também a classificação adotada pelo contribuinte, conforme Tabela de Incidência gerada pelo sistema de folha de pagamento e por ele apresentada em atendimento ao TIF n* 01. Fl. 6547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 20 62. Sobre as bases de cálculo apuradas incidiram as seguintes alíquotas: 62.1. Relativamente a segurados Empregados: a) 20% para contribuição previdenciária patronal de segurados empregados; b) GILRAT Ajustado conforme aplicação da Alíquota GILRAT multiplicada pelo FAP, conforme anteriormente descrito neste Relatório Fiscal; c) 4,5% para contribuição devida a terceiros (outras entidades ou fundos) aplicável ao FPAS 574, conforme anteriormente descrito neste Relatório Fiscal; 62.2. Relativamente a segurados Contribuintes Individuais: 20% IX) DOS RECOLHIMENTOS 63. Observa-se, aqui, que os recolhimentos de contribuições em GPS efetuados pelo contribuinte destinaram-se a quitar as contribuições confessadas em GFIP, as quais não correspondem ao lançamento de ofício das contribuições objeto do procedimento fiscal que deu origem ao(s) Auto(s) de Infração de que trata o presente Relatório Fiscal. X) DAS MULTAS APLICADAS 64. O lançamento de ofício do crédito tributário realizado neste processo administrativo visou prevenir a decadência, de modo que a constituição do crédito tributário será realizada sem o lançamento de multa de ofício, em observância ao disposto no art. 63 da Lei n* 9.430/1996, conforme detalhadamente explanado anteriormente neste Relatório Fiscal. Foi apresentada impugnação, resumidamente, com as seguintes alegações: - Preliminares de: Ausência de ADE; Nulidade por ausência de competência; - Que o lançamento se ampara em artigos declarados inconstitucionais; - Que não houve a indicação da infração cometida pelo impugnante; - Que o CEBAS não é condição para fruição da isenção/imunidade; - Que não há concomitância, visto que não há identidade de parte, por ter sido o impugnante substituído processualmente em mandado de segurança coletivo; Acordaram os membros da 12ª TURMA/DRJ01 de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em litígio. O acórdão recebeu a seguinte ementa: APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Não cabe a esta instância julgadora apreciar argumentos de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma por ser matéria reservada ao Poder Judiciário. Fl. 6548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 21 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Manifestações doutrinárias, ainda que de renomados juristas, são desprovidas de eficácia vinculante no âmbito do processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação da impugnação suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. IMUNIDADE. ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. REQUISITOS ESTABELECIDOS NO CTN E NA LEI Nº 12.101/2009. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. A Constituição Federal confere às entidades beneficentes de assistência social a isenção das contribuições sociais desde que atendidos, cumulativamente, todos os requisitos estabelecidos em lei. Para ter direito à isenção/imunidade a entidade deve estar devidamente certificada, ou seja, deve ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social - CEBAS, emitido pelo órgão competente, com validade para o período do gozo do benefício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado, tempestivamente, Recurso Voluntário com as seguintes alegações: - Preliminarmente, a extinção do crédito tributário por remissão em Lei Complementar; nulidade por violação à suspensão da exigibilidade; ausência de ADE e de competência; nulidade dos autos de infração por motivação insuficiente e preterição do direito de defesa; - que a DRJ não analisou devidamente as preliminares apresentadas e trouxe preliminares não ventiladas; - que estão sendo exigidos requisitos não constantes em Lei Complementar; - de que foram atendidos os requisitos do art. 14 do CTN; - da não exigência de CEBAS para o período; - excesso de exação; Fl. 6549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 22 - exigibilidade suspensa e ausência de concomitância É o relatório do essencial. VOTO Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, Relator. 1 CONHECIMENTO O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Afasto a ocorrência de concomitância e respectiva aplicação da Súmula CARF nº1, haja vista que as ações judiciais citadas no Relatório Fiscal e Acórdão recorrido não foram propostas pelo sujeito passivo. Dispõe a Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1 Aprovada pelo Pleno em 2006 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-93877, de 20/06/2002 Acórdão nº 103-21884, de 16/03/2005 Acórdão nº 105-14637, de 12/07/2004 Acórdão nº 107-06963, de 30/01/2003 Acórdão nº 108-07742, de 18/03/2004 Acórdão nº 201-77430, de 29/01/2004 Acórdão nº 201-77706, de 06/07/2004 Acórdão nº 202-15883, de 20/10/2004 Acórdão nº 201-78277, de 15/03/2005 Acórdão nº 201-78612, de 10/08/2005 Acórdão nº 303-30029, de 07/11/2001 Acórdão nº 301-31241, de 16/06/2004 Acórdão nº 302-36429, de 19/10/2004 Acórdão nº 303-31801, de 26/01/2005 Acórdão nº 301-31875, de 15/06/2005 (grifo do relator) As medidas judiciais foram propostas por substituto do sujeito passivo, no caso, a Associação das Fundações Educacionais de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (AFEESMIG). Fl. 6550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 23 A esse respeito já se pronunciou a CSRF deste CARF, inclusive por sua 2ª Turma, da qual destacamos a seguinte ementa do acórdão nº 9202-010.087, em sessão de 22 de novembro de 2021. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/10/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual não fundamenta renúncia ao direito subjetivo do contribuinte pleitear individualmente a mesma prestação jurisdicional por meio de defesa apresentada em sede de processo administrativo fiscal. Em mesmo sentido já havia também decidido a 3ª Turma da CSRF, no acórdão nº 9303-007.977, de 19 de fevereiro de 2019, apresentando a seguinte ementa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/10/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Conhecido o Recurso Voluntário. 2 PRELIMINARES 2.1 QUE A DRJ NÃO ANALISOU DEVIDAMENTE AS PRELIMINARES APRESENTADAS E TROUXE PRELIMINARES NÃO VENTILADAS O sujeito passivo apresentou em sua impugnação as seguintes preliminares: - ausência de ADE; e - nulidade por ausência de competência; Fl. 6551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 24 A 2ª alegação decorre da primeira. Entende a recorrente que não houve a expedição de necessário Ato Declaratório Executivo (ADE) previsto nos §§3º e 10º do art. 32 da Lei nº 9.430/1996. Por conta da não expedição do ADE, entende o recorrente que, à luz do art. 119 do CTN o Auditor-Fiscal não teria competência para lavrar o Auto de Infração. Alega que a DRJ não haveria se pronunciado sobre suas alegações preliminares e invocado preliminares inexistentes na impugnação. Com relação a, eventualmente, o julgador trazer argumentos suplementares, no sentido de apresentar sua convicção, não há nenhum óbice. Em relação a se pronunciar sobre as matérias apresentadas, isso sim, pode eventual omissão suscitar cerceamento de defesa do impugnante. Não é o que se vislumbra no presente caso. O acórdão ataca a matéria ao informar que o referido artigo 32 da Lei nº 9.430/1996 é inaplicável ao presente caso. Abaixo trecho do acórdão à e-fl. 6432: Os procedimentos relativos à suspensão da imunidade tributária, são regulados pelo art. 32 da Lei 9.430/1996 (art. 14, §§ 1º e 2º, do CTN). Os procedimentos relativos à suspensão da isenção das contribuições para a seguridade social estão disciplinados no art. 32 da Lei nº 12.101/2009, regulamentada pelo Decreto nº 7.237, de 20/07/2010, arts. 42 e 45 que dispõe: O dispositivo aventado pelo sujeito passivo se refere a imunidade tributária de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. A matéria é alheia à presente autuação, que versa sobre a isenção das contribuições para seguridade social, inscrita no §7º do art. 195 da Constituição Federal de 1988. Assim, afastada a primeira alegação, perde o objeto a segunda alegação. Não houve preterição do direito de defesa, estando o auto de infração suficientemente fundamentado no descumprimento do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 e respectiva falta de recolhimento de contribuições previdenciárias. O sujeito passivo não demonstrou possuir CEBAS válido para o período fiscalizado. À e-fl. 124 afirma a fiscalização: 45.4. Portanto, a FUNJOBE não atende à condição de entidade beneficente certificada como beneficente de assistência social, conforme condição prevista no caput do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 para fazer jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Não assiste razão ao recorrente. Fl. 6552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 25 2.2 NULIDADE POR VIOLAÇÃO À SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Não prospera a alegação preliminar de nulidade por violação à suspensão da exigibilidade. Em paralelo também se pode aqui tratar do pedido do contribuinte para suspensão da exigibilidade. Quanto ao pedido, este está naturalmente assegurado por disposição legal prevista no art. 151 do CTN e incisos. Quanto à violação da suspensão da exigibilidade, a alegação não pode prosperar. A possibilidade de a administração fazendária lavrar o auto de infração, com exigibilidade suspensa, apenas para prevenir que escoe o prazo decadencial, é reconhecida nas esferas administrativa e judicial. O tema está tão pacificado que autuações com exigibilidade suspensa constam inclusive de súmulas CARF como as de nº 5 e 17. A Súmula CARF nº 17 dispõe: Súmula CARF n° 17 Aprovada pelo Pleno em 2006 Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 201-74351, de 21/03/2001 Acórdão nº 203-07480, de 11/07/2001 Acórdão nº 202-15710, de 10/08/2004 Acórdão nº 202-15782, de 15/09/2004 Acórdão nº 202-16437, de 06/07/2005 Incabível a discussão da possibilidade do lançamento com exigibilidade suspensa, o que se discute é apenas as condições nas quais ele se dá. No caso, a Súmula CARF nº 17 estabelece a inexigibilidade da multa de ofício nesse tipo de lançamento para prevenir decadência. O presente auto de infração afirmou reiteradas vezes que se tratava de autuação com exigibilidade suspensa, apenas para prevenir a decadência. Informa também o Relatório Fiscal que não houve a incidência de multa de ofício, cumprindo o disposto na Súmula CARF nº 17. Não assiste razão ao recorrente. 2.3 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR REMISSÃO EM LEI COMPLEMENTAR Alega ainda o sujeito passivo a extinção do crédito tributário por remissão em lei complementar. Invoca em seu favor a Lei Complementar nº 187/2021 em seu art. 41. Fl. 6553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 26 Art. 41. A partir da entrada em vigor desta Lei Complementar, ficam extintos os créditos decorrentes de contribuições sociais lançados contra instituições sem fins lucrativos que atuam nas áreas de saúde, de educação ou de assistência social, expressamente motivados por decisões derivadas de processos administrativos ou judiciais com base em dispositivos da legislação ordinária declarados inconstitucionais, em razão dos efeitos da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade nºs 2028 e 4480 e correlatas. O dispositivo não socorre o sujeito passivo, posto que a fundamentação do auto de infração se deu pelo caput do art. 29, dispositivo não considerado inconstitucional. Não há a alegada fundamentação no art. 55 da Lei nº 8.212/1991, que o sujeito passivo citou em seu Recurso Voluntário. Entendeu o STF que a inconstitucionalidade do art. 29 da Lei nº 12.101/2009 atingiu apenas o inciso VI. Abaixo reproduzido trecho de voto do Ministro Gilmar Mendes no acórdão da ADI 4480. Nesse contexto, entendo que os incisos I e V do artigo 29 se amoldam ao inciso I do artigo 14 do CTN (“não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título”); e o inciso II do artigo 29 ajusta- se ao inciso II do artigo 14 do CTN (“aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais”). E, como consequências dedutivas do inciso III do artigo 14 do CTN (“manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”), tem-se os incisos III, IV, VII e VIII do artigo 29 da Lei 12.101/2009. Portanto, não vislumbro a alegada inconstitucionalidade formal do artigo 29 e incisos I, II, III, IV, V, VII e VIII. (grifo do relator) Não assiste razão ao recorrente. Afastadas as preliminares apresentadas. 3 MÉRITO O sujeito passivo traz alegações de mérito no sentido de afirmar: - que estão sendo exigidos requisitos não constantes em Lei Complementar; - de que foram atendidos os requisitos do art. 14 do CTN; - da não exigência de CEBAS para o período; - excesso de exação; A alegação de que foram atendidos os requisitos do art. 14 do CTN não prospera. A um, porque não foi esse o fundamento da autuação nem objeto de análise. A dois, porque Fl. 6554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 27 também não foi demonstrado no recurso tal regularidade. A três, porque também não houve provimento, judicial ou administrativo, nesse sentido, em favor do recorrente. Em relação às alegações de que a exigência não consta em lei complementar, e de que não haveria exigência de CEBAS, estas também não merecem prosperar. Realmente a exigência foi fundada em dispositivo de lei ordinária, qual seja, o art. 29 da Lei nº 12.101/2009. Tal dispositivo trata de regra procedimental da certificação. A constituição estabelece que a referida isenção/imunidade se dará na forma da lei. CF/1988, art. 195 § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O STF assentou entendimento de que regras procedimentais podem ser estabelecidas em lei ordinária, e afastou a inconstitucionalidade do caput do art. 29. Sobre a exigência, ou não, do CEBAS, a CSRF deste CARF tem o atual entendimento de que se trata de certificação necessária para que a instituição seja hábil a pleitear o amparo da imunidade constitucional das contribuições para a seguridade social. O CEBAS isolado não é instrumento bastante a gozar da imunidade se não cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN. Todavia, por serem requisitos cumulativos, a ausência de CEBAS é situação suficiente a desamparar a instituição da imunidade constitucional. O lançamento se fundamentou na ausência de CEBAS, falta suficiente para afastar a imunidade do recorrente. A autuação se refere a fatos geradores compreendidos no período de 01/01/2017 a 31/08/2019. Nesse período estava em vigor a Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. O art. 55 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia requisitos para que entidades beneficentes de assistência social gozassem de isenção sobre as contribuições de que tratavam os arts. 22 e 23 da mesma lei. A Lei nº 12.101/2009 dedicou seu Capítulo II, artigos 3 a 25, a disciplinar a certificação das entidades. O Capítulo IV da lei, artigos 29 a 32, foi dedicado a estabelecer os requisitos para que entidades beneficentes de assistência social gozassem de isenção sobre as contribuições dos arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212/1991. Em relação à certificação, a fiscalização entendeu que a entidade não a possuía para o período fiscalizado. O sujeito passivo em nenhum momento processual, ou mesmo extemporaneamente, foi hábil a demonstrar que possuía CEBAS no período fiscalizado. Pelo contrário, se limitou a arguir a desnecessidade do certificado. Fl. 6555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 28 Conforme acima destacado, a CSRF firmou entendimento no sentido de que a demonstração da regularidade do CEBAS é uma das condições cumulativas para imunidade. Assim dispôs a ementa do acórdão nº 9202-011.071 da CSRF em sessão de 18 de dezembro de 2023. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 IMUNIDADE ART. 195, §7º CF/88. ART 14 DO CTN. 29 DA LEI Nº 12.101, 2009. ADI 4.480. AUSÊNCIA DO CEBAS. IMPOSSIBILIDADE DE FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. O Supremo Tribunal Federal já externou o entendimento de que aspectos meramente procedimentais referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo das entidades beneficentes serem passíveis de definição em lei ordinária. Assim, para caracterização da condição de entidade imune às Contribuições Previdenciárias, deve ser demonstrado o cumprimento cumulativo dos requisitos previstos no art. 14 do CTN e das formalidades prevista na lei ordinária correlata, inclusive a necessidade de ser portadora do CEBAS A conclusão da fundamentação do referido acórdão é abaixo exposta, cujos argumentos acolho como razão de decidir. Nessa toada, à luz da posição adotada pelo STF, conclui-se pela existência harmoniosa dos requisitos previsto no art. 14 do CTN e das formalidades previstas no art. 29 da Lei 12.101, de 2009. Destarte, o não atendimento das condições descritas na lei complementar e também na lei ordinária afasta da contribuinte a sua condição de entidade imune às Contribuições Previdenciárias. No caso concreto, tendo-se em conta ser incontroversa a falta de apresentação do CEBAS, deve-se desconsiderar a condição de imune do Contribuinte no período sob enfoque, tendo em conta o descumprimento do requisito procedimental contido na Lei 12.101/2009. Em relação ao descumprimento dos requisitos para isenção, já foi colocado neste voto que, à época dos fatos, vigiam as regras da Lei nº 12.101/2009. O acórdão a quo ratificou que os requisitos seriam os dispostos na Lei nº12.101/2009. Portanto, não assiste razão ao recorrente quanto à desnecessidade do CEBAS. Por todo o exposto, também incabível a alegação de excesso de exação. Correto o lançamento e a decisão de DRJ, devendo ser mantido o crédito tributário lançado. Fl. 6556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.455 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13136.720946/2021-35 29 4 CONCLUSÃO Voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento. Assinado Digitalmente Alfredo Jorge Madeira Rosa Fl. 6557DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 CONHECIMENTO 2 PRELIMINARES 2.1 que a DRJ não analisou devidamente as preliminares apresentadas e trouxe preliminares não ventiladas 2.2 NULIDADE POR VIOLAÇÃO À SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE 2.3 EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR REMISSÃO EM LEI COMPLEMENTAR 3 MÉRITO 4 CONCLUSÃO

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Numero do processo: 10882.723063/2011-74
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue May 19 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE POR TESE DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade por tese de confisco. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, na forma da Súmula CARF nº 2. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável, não ocorrendo cerceamento de defesa no indeferimento de diligência/perícia no lançamento efetivado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430 que inverte o ônus da prova e torna obrigação do contribuinte produzir a prova. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela Administração Tributária, não constitui quebra do sigilo bancário. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), em razão da comprovada negativa do contribuinte em fornecer seus extratos bancários, não caracteriza nulidade, nem invalida as provas colhidas. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Inexiste cerceamento de defesa. PRELIMINAR. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE ABERTURA DE FASE INSTRUTÓRIA PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REJEIÇÃO. No contencioso administrativo fiscal não há etapa procedimental de abertura de fase instrutória para especificação de provas, sendo o protesto genérico de produção de todas as provas em direito admitidas ou o protesto para a juntada de provas documentais em momento posterior oportuno carente de fundamentação legal e preclusa a oportunidade de produzir a prova que competia ser trazida, por regra, com a impugnação. No contencioso administrativo fiscal a prova é essencialmente documental, com possibilidades de realizações de perícias e diligências, se necessárias, e deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo produzi-la em outro momento processual, excetuadas as hipóteses autorizativas das alíneas do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, ou quando for meramente aclaratória de elemento probatório anterior relativo à questão já controvertida pela peça impugnatória e para rebater razões da primeira instância, ainda assim, deve ser, por regra, apresentada com o recurso voluntário, salvo impossibilidade comprovada de fazê-lo na ocasião. Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a partir de movimentação bancária atípica, cuja origem e a causa dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. Presumem-se rendimentos omitidos os depósitos bancários com causa não comprovada. Súmula CARF nº 239. Para elidir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não é suficiente a identificação do depositante. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar não só a origem, mas também e necessariamente a causa do depósito bancário é a presunção de que tais recursos depositados são rendimentos que não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas demonstrando e esclarecendo a causa pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea e de forma individualizada, com correspondência de datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, abrangendo no conceito de origem a identificação do depositante (fonte) e a causa/natureza da operação como ponto de procedência dos depósitos. Não basta a identificação do depositante, ainda que na fase de autuação, sendo imprescindível, em qualquer momento processual, a comprovação da natureza da operação que envolveu os recursos depositados na conta corrente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa de 75% decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei.
Numero da decisão: 2004-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto quanto alegações de confisco; rejeitar as preliminares; e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE POR TESE DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade por tese de confisco. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, na forma da Súmula CARF nº 2. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável, não ocorrendo cerceamento de defesa no indeferimento de diligência/perícia no lançamento efetivado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430 que inverte o ônus da prova e torna obrigação do contribuinte produzir a prova. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela Administração Tributária, não constitui quebra do sigilo bancário. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), em razão da comprovada negativa do contribuinte em fornecer seus extratos bancários, não caracteriza nulidade, nem invalida as provas colhidas. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Inexiste cerceamento de defesa. PRELIMINAR. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE ABERTURA DE FASE INSTRUTÓRIA PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REJEIÇÃO. No contencioso administrativo fiscal não há etapa procedimental de abertura de fase instrutória para especificação de provas, sendo o protesto genérico de produção de todas as provas em direito admitidas ou o protesto para a juntada de provas documentais em momento posterior oportuno carente de fundamentação legal e preclusa a oportunidade de produzir a prova que competia ser trazida, por regra, com a impugnação. No contencioso administrativo fiscal a prova é essencialmente documental, com possibilidades de realizações de perícias e diligências, se necessárias, e deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo produzi-la em outro momento processual, excetuadas as hipóteses autorizativas das alíneas do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, ou quando for meramente aclaratória de elemento probatório anterior relativo à questão já controvertida pela peça impugnatória e para rebater razões da primeira instância, ainda assim, deve ser, por regra, apresentada com o recurso voluntário, salvo impossibilidade comprovada de fazê-lo na ocasião. Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a partir de movimentação bancária atípica, cuja origem e a causa dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. Presumem-se rendimentos omitidos os depósitos bancários com causa não comprovada. Súmula CARF nº 239. Para elidir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não é suficiente a identificação do depositante. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar não só a origem, mas também e necessariamente a causa do depósito bancário é a presunção de que tais recursos depositados são rendimentos que não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas demonstrando e esclarecendo a causa pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea e de forma individualizada, com correspondência de datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, abrangendo no conceito de origem a identificação do depositante (fonte) e a causa/natureza da operação como ponto de procedência dos depósitos. Não basta a identificação do depositante, ainda que na fase de autuação, sendo imprescindível, em qualquer momento processual, a comprovação da natureza da operação que envolveu os recursos depositados na conta corrente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa de 75% decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei.

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IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA SUMULADA. SÚMULA CARF Nº 2 É vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de inconstitucionalidade por tese de confisco. O pleito de reconhecimento de inconstitucionalidade materializa fato impeditivo do direito de recorrer, não sendo possível conhecer o recurso neste particular. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, na forma da Súmula CARF nº 2. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável, não ocorrendo cerceamento de defesa no indeferimento de diligência/perícia no lançamento efetivado com base no art. 42 da Lei n.º 9.430 que inverte o ônus da prova e torna obrigação do contribuinte produzir a prova. A atividade da autoridade administrativa é privativa, competindo-lhe constituir o crédito tributário com a aplicação da penalidade prevista na lei. A identificação clara e precisa dos motivos que ensejaram a autuação afasta a alegação de nulidade. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar nº 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, Fl. 987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 2 independentemente de autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pela Administração Tributária, não constitui quebra do sigilo bancário. A Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), em razão da comprovada negativa do contribuinte em fornecer seus extratos bancários, não caracteriza nulidade, nem invalida as provas colhidas. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. Inexiste cerceamento de defesa. PRELIMINAR. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO DE PROVAS. INEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTO DE ABERTURA DE FASE INSTRUTÓRIA PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REJEIÇÃO. No contencioso administrativo fiscal não há etapa procedimental de abertura de fase instrutória para especificação de provas, sendo o protesto genérico de produção de todas as provas em direito admitidas ou o protesto para a juntada de provas documentais em momento posterior oportuno carente de fundamentação legal e preclusa a oportunidade de produzir a prova que competia ser trazida, por regra, com a impugnação. No contencioso administrativo fiscal a prova é essencialmente documental, com possibilidades de realizações de perícias e diligências, se necessárias, e deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo produzi-la em outro momento processual, excetuadas as hipóteses autorizativas das alíneas do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, ou quando for meramente aclaratória de elemento probatório anterior relativo à questão já controvertida pela peça impugnatória e para rebater Fl. 988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 3 razões da primeira instância, ainda assim, deve ser, por regra, apresentada com o recurso voluntário, salvo impossibilidade comprovada de fazê-lo na ocasião. Súmula CARF nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, a partir de movimentação bancária atípica, cuja origem e a causa dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira não for comprovada pelo titular, mediante documentação hábil e idônea, após regular intimação para fazê-lo. Presumem-se rendimentos omitidos os depósitos bancários com causa não comprovada. Súmula CARF nº 239. Para elidir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não é suficiente a identificação do depositante. O consequente normativo resultante do descumprimento do dever de comprovar não só a origem, mas também e necessariamente a causa do depósito bancário é a presunção de que tais recursos depositados são rendimentos que não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas demonstrando e esclarecendo a causa pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea e de forma individualizada, com correspondência de datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, abrangendo no conceito de origem a identificação do depositante (fonte) e a causa/natureza da operação como ponto de procedência dos depósitos. Não basta a identificação do depositante, ainda que na fase de autuação, sendo imprescindível, em qualquer momento processual, a comprovação Fl. 989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 4 da natureza da operação que envolveu os recursos depositados na conta corrente. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa de 75% decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. É cabível, por expressa disposição legal, a partir de 01/04/1995, a exigência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa SELIC devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, exceto quanto alegações de confisco; rejeitar as preliminares; e, no mérito, em negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros – Relator Assinado Digitalmente Liziane Angelotti Meira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cleberson Alex Friess (substituto integral), Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Liziane Angelotti Meira (Presidente). Fl. 990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 5 RELATÓRIO Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário (e-fls. 948/979), com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) de primeira instância (e-fls. 938/943), consubstanciada no Acórdão nº 15-39.309 - 3ª Turma da DRJ/SDR, de 03/02/2016, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o pedido deduzido na impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumem-se rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, para fatos geradores ocorridos no ano-calendário referenciado em ementa, com notificação de lançamento juntamente com as peças integrativas devidamente colacionados, foi bem sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação, pelo que passo a adotá-lo: O contribuinte foi autuado em relação ao ano-calendário 2008, onde foram tributados rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, resultando em imposto de R$ 72.296,32. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte, intimado, apresentou parcialmente os seus extratos bancários; os demais foram obtidos por requisição dirigida às instituições financeiras. Os depósitos foram relacionados e lhe foram encaminhados para que comprovasse a sua origem, o que não foi atendido. Excluídos os cheques devolvidos, as transferências de contas de mesma titularidade e os rendimentos declarados, os depósitos de origem não comprovada foram considerados rendimentos omitidos, por força do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo recorrente. Em suma, controverteu-se na forma apresentada nas razões de inconformismo, conforme consta sumariado no relatório da decisão vergastada, pelo que peço vênia para, igualmente, reproduzir: Fl. 991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 6 Os argumentos do contribuinte são, em síntese, os seguintes: 1. Há ilegal a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Sobre a matéria já houve decisão definitiva de mérito prolatada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral anulando lançamento efetuado com quebra do sigilo bancário sem autorização da Justiça (Recursos Extraordinários 389.808). 2. Os rendimentos omitidos correspondentes a depósitos bancários de origem não comprovada deveriam ser tributados mensalmente, como determina o §4º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, e não anualmente, como no auto de infração. 3. Depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda. Cabe ao Fisco comprovar o seu nexo com a aquisição de renda, a variação patrimonial a descoberto ou sinais de riqueza. A matéria já foi sumulada pelo TFR, que julgou ilegal o arbitramento de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários. 4. Os próprios extratos bancários indicam as origens de diversos depósitos, o que foi desconsiderado pelo autuante. É o caso dos depósitos identificados nos extratos como tendo sido efetuados por Regina Davidian Khatounian e Virgínia Davidian Neta, suas filhas. Trata-se de ajuda financeira que recebeu de suas filhas, como elas próprias declaram (fls. 914 e 917). Os valores já foram em parte devolvidos, conforme extratos. 5. Movimentou em suas contas pessoais recursos da sua atividade empresarial. 6. Exigem-se provas impossíveis da origem dos depósitos bancários, uma vez que as pessoas físicas não estão obrigadas a manter escrituração formal, diária e constante, como as pessoas jurídicas. Inexiste previsão legal para que a prova da origem dos depósitos bancários seja feita com documentação coincidente em data e valor com os créditos. A lei exige apenas documentação hábil e idônea. 7. O depósito de R$ 30.000,00 na conta Unibanco 260.669-9 em 02/01/2008 foi creditado indevidamente em sua conta e foi transferido em 04/01/2008 para o correntista Miguel Khatounian, conforme declara a instituição financeira. 8. Ilegal a aplicação da taxa SELIC para cálculo de juros, porquanto fixada por norma do Banco Central, e não em lei, além de se destinar à remuneração do capital, e não para fins tributários. 9. Cabe a interrupção da contagem dos juros até o final do contencioso administrativo fiscal. 10. Improcedente a multa porque em momento algum agiu de má-fé ou cometeu fraude. Ademais, a multa de 75% é exagerada e confiscatória e por isso inconstitucional. Fl. 992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 7 Do Acórdão de Impugnação Na DRJ, primeira instância do contencioso tributário, lavrou-se a decisão a quo cujos fundamentos são pela procedência em parte dos pedidos deduzidos na impugnação. Acolheu-se as justificativas dos depósitos relacionados com as filhas do contribuinte, decotando-se do lançamento de ofício referidos depósitos. No mais, manteve-se o lançamento. Do Recurso Voluntário e encaminhamento ao CARF No recurso voluntário o sujeito passivo, reiterando termos da impugnação no que foi vencido, postula a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar o lançamento de ofício. Mantém a irresignação quanto às preliminares. Protesta pela produção de provas. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio para este relator. É o que importa relatar. Passo para a fundamentação do voto analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, ao final, consignar o encaminhamento com o registro do dispositivo. VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo (despacho de encaminhamento, e-fl. 984), mas não atende a todos os pressupostos de admissibilidade, sendo caso de conhecimento parcial, pois reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer para algumas matérias veiculadas no recurso. Explico. Pretende o recorrente, por outras palavras, o reconhecimento de inconstitucionalidades acerca de violação de princípios constitucionais diversos pela lei tributária, especialmente em razão de tese de confisco com viés de inconstitucionalidade da legislação tributária no que se refere a multa aplicada ao lançamento de ofício. Muito bem. É assente neste Egrégio Conselho não ser possível adentrar no controle de constitucionalidade das leis, pois somente é outorgada a competência ao Poder Judiciário, devendo o CARF se ater a observar o princípio da presunção da constitucionalidade das normas legais positivadas, exercendo, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de Fl. 993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 8 primeira instância com a dialética do recurso interposto, controle de legalidade do lançamento para observar se o ato se conformou ao disposto na legislação que estava em vigência por ocasião da ocorrência dos fatos, não devendo abordar temáticas de constitucionalidade, salvo em situações excepcionais quando já houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário sobre dado assunto, ocasião em que apenas dará aplicação a norma jurídica constituída em linguagem competente pela autoridade judicial, ou se eventualmente houvesse dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 2002, ou súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993, ou pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Não há situação excepcional nestes autos. O assunto é sumulado administrativamente, a teor da Súmula CARF nº 2, sendo pacificado o entendimento de que: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Outrossim, o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei 11.941, de 2009, enuncia que, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Deveras, é vedado ao órgão julgador administrativo negar vigência a normas jurídicas por motivo de alegada inconstitucionalidade de lei. O controle de legalidade efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe competir frente a decisão de primeira instância com a dialética do recurso interposto, analisa a conformidade do ato da administração tributária em parâmetro com a legislação vigente, observa se o ato administrativo de lançamento atendeu seus requisitos de validade, se o ato observou corretamente os elementos da competência, da finalidade, da forma, os motivos (fundamentos de fato e de direito) que lhe dão suporte e a consistência de seu objeto, sempre em dialética com as alegações postas em recurso, observando-se a matéria devolvida para a apreciação na instância revisional, não havendo permissão para declarar inconstitucionalidade de lei no sentido de deixar de aplicar a legislação tributária por teses de confisco, por exemplo, cabendo exclusivamente ao Poder Judiciário este controle. Por tais razões, reconheço fatos impeditivos e mesmo extintivos do direito de recorrer e declaro que não compete a este Colegiado se pronunciar sobre inconstitucionalidade no sentido de tese sobre confisco por força do percentual da multa aplicada: Alegados efeitos confiscatórios com pleito de aplicação de proporcionalidade e razoabilidade. Sendo assim, conheço parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto ao pedido para apreciar a inconstitucionalidade ou confisco da multa aplicada. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito Fl. 994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 9 - Preliminar de nulidade: Vício de procedimento, quebra de sigilo bancário, impossibilidade de tributação anual Observo que o recorrente alega vício insanável e nulidade do lançamento. Questiona o procedimento fiscal. Sustenta vício de procedimento, quebra de sigilo bancário, impossibilidade de tributação anual, pois o fato gerador seria mensal, assim o lançamento de ofício em 31 de dezembro e não mensalmente seria caso de nulidade. Pois bem. A prova dos autos ou o procedimento não são ilegais. Todo o procedimento ocorreu dentro da legalidade, observando-se as normas de regência. Ademais, quanto à tributação por depósitos bancários com origem não comprovada, os extratos bancários são válidos e eficazes para consubstanciar o lançamento, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário com repercussão geral, decidiu que o art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a esfera fiscal não caracteriza inconstitucionalidade, não sendo necessária prévia autorização judicial. Portanto, a utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente pela autoridade fiscal não caracteriza violação de sigilo bancário, não caracteriza nulidade, não exige prévia autorização do Poder Judiciário. Lado outro, o art. 42 da Lei nº 9.430 não foi declarado inconstitucional. Não é necessária prévia autorização judicial para o translado do sigilo bancário, sendo tema solucionado pelo Supremo Tribunal Federal. Deveras, nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI nsº 2.386, 2.390, 2.397 e 2.859), bem como no Recurso Extraordinário – RE nº 601.314, este em Repercussão Geral, Tema 225/STF, a Excelsa Corte julgou constitucional a Lei Complementar nº 105/2001. O Tema 225 da Repercussão Geral do STF tem a seguinte enunciação, in verbis: “a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência.” A tese fixada consigna que: “I – O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II – A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN.” Ademais, a Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recurso (TRF), órgão extinto pela Constituição Federal de 1988, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos fundamentados em lei superveniente. Fl. 995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 10 Lado outro, a alegada preliminar de nulidade por força do crédito tributário ter sido apurado com base no fato gerador ocorrido em 31 de dezembro, e não mensalmente, não viola o disposto no § 4º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, inclusive porque a norma impõe levar à tributação na declaração de ajuste anual. É tema sumulado no CARF, conforme Súmula CARF nº 38: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano- calendário.” Noutro ângulo, faz-se necessário esclarecer que a matéria tributada não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Todavia, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. A presunção é válida e regular, estando imposta e estabelecida em lei. Para o presente caso, a autoridade lançadora, após análise prévia dos extratos, excluiu depósitos/créditos cuja origem foi passível de identificação. Após esta análise, intimou o sujeito passivo a justificar os restantes que prescindiam da comprovação da origem. Afinal, é função da Administração Tributária, entre outras, investigar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, conforme Súmula CARF nº 26: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). E, mais, a Súmula CARF nº 230 disciplina: “Os valores informados em Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, que não tiveram a sua comprovação de origem individualizada, não são passíveis de exclusão da base de cálculo do lançamento efetuado com base na presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.” Por sua vez, cabe ao contribuinte comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados. Não comprovada a origem dos recursos, ou apenas comprovada parcialmente, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos Fl. 996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 11 tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo a autoridade lançadora tão-somente a inquestionável observância da norma legal. Por conseguinte, os argumentos de defesa não lhe socorrem, inexistindo qualquer nulidade ou vício insanável. A temática, em realidade, deve ser discutida no mérito. Demais disto, não se comprovando a origem dos depósitos bancários, resta configurado o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos, em procedimento autorizado por lei (Lei nº 9.430, art. 42), não assistindo razão a recorrente em suas argumentações. Em complemento, no que tangencia a prova pericial ou diligência requisitada, tenho que não se faz necessária. A realização de diligência ou perícia pressupõe que a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, ou que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador e não é o caso em concreto. Neste contexto, a autoridade julgadora indeferirá os pedidos de diligência ou perícia que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de perícia ou diligência. O art. 42 da Lei nº 9.430 estabelece a presunção da omissão de rendimentos a partir da não comprovação da origem e/ou da causa pelo contribuinte. Cabe ao sujeito passivo produzir a prova no sentido que o depósito não é rendimento omitido. Isso não exige perícia ou diligência. Efetivamente, entendo que não se acolhe requerimento de diligência/perícia. Não há nos autos, para o caso de autuação lastreada na análise de extratos bancários, necessidade da prova pericial postulada ou realização de diligência. O necessário é o sujeito passivo exibir prova hábil e idônea, concatenada e apresentada de forma individualizada e lógica a demonstrar e comprovar individualizadamente e segregadamente cada depósito bancário identificado pela fiscalização sobre o qual houve intimação para demonstração da origem e/ou justificativa da causa. O recorrente pode e deve produzir provas acerca das origens dos depósitos bancários objetos de autuação, demonstrando precisamente a origem (fonte) dos créditos e a natureza destes e apresentando estes elementos de forma hábil e idônea, de modo individualizado e fundamentado em elementos de prova documental eficazes. Quanto a causa da operação, é preciso comprovar que se trata de rendimento não tributável ou isento ou que o depósito se refere a operação não sujeita ao imposto sobre a renda. Cabe ao contribuinte a prova. É ônus exigido pelo procedimento estabelecido em lei (Lei nº 9.430). Fl. 997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 12 Aliás, na forma da Súmula CARF nº 239: “Para elidir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não é suficiente a identificação do depositante”. É necessário comprovar a causa. Se não fez uma produção de prova eficaz, não cabe realização de perícia/diligência para sanar a falta. Ora, o contribuinte não pode, efetivamente, pretender suprir, mediante diligência ou perícia, um ônus probatório que lhe compete atender de forma satisfatória. Lado outro, a análise dos documentos colacionados se dará no mérito. Veja-se que o Decreto nº 70.235, de 1972, regulamenta os requisitos obrigatórios para possibilitar a efetivação de diligências, sendo que a inobservância deles acarreta no indeferimento do requerimento. A matéria está posta no disciplinamento da impugnação, enquanto instrumento de defesa do contribuinte, mas é aplicável na fase recursal por se tratar de norma geral do processo administrativo fiscal. Observe-se: Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Destaque-se, outrossim, que, na forma do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a autoridade julgadora de primeira instância determinará ou deferirá a realização de diligências, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Obiter dictum, não há que se falar em nulidade ou mesmo em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível” estando autorizada a aplicação da presunção legal pelo art. 42 da Lei nº 9.430. Os relatórios fiscais, em conjunto com os documentos acostados, atenderam plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado, tanto que exerceu seu direito de Fl. 998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 13 defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum quanto às provas que identificam a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e a recorrente exerceu claramente seu direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Por último, não caberia analisar inconstitucionalidade no âmbito deste Egrégio Conselho, a teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sem razão o recorrente em teses de nulidade, rejeito as preliminares. - Preliminar pelo protesto de provas Observo ter o recorrente protestado provar suas alegações por todos os meios de prova permitidos. Muito bem. O art. 24 do Decreto nº 7.574, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União (regulamenta o Decreto nº 70.235, que tem status de lei ordinária, a teor do §5º do art. 34 do ADCT da CF/1988), disciplina que “[s]ão hábeis para comprovar a verdade dos fatos todos os meios de prova admitidos em direito”. Portanto, todos os meios de prova são autorizados, desde que não sejam ilícitos, na forma do parágrafo único do mesmo art. 24 do Decreto nº 7.574. Todavia, na forma do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, que rege o processo administrativo fiscal de determinação e de exigência de créditos tributários da União, a prova documental deve ser apresentada com a impugnação, que instaura a lide do contencioso administrativo fiscal, precluindo o direito de o contribuinte fazê-lo em outro momento processual, a menos que comprove situações ressalvadas nas alíneas “a”, “b” e “c” do mesmo dispositivo legal ou quando o novo documento seja meramente aclaratório de questão já tempestivamente controvertida pela peça impugnatória e venha rebater razões da primeira instância, ainda assim, deve ser, por regra, apresentada com o recurso voluntário, salvo impossibilidade comprovada de fazê-lo na ocasião. Demais disto, não caracteriza cerceamento de defesa a assertiva, em decisão de primeira instância, no sentido de que a prova cabe ser produzida com a impugnação, especialmente se a conclusão decorre da análise de requerimento de protesto pela produção de provas deduzido na peça impugnatória ao lançamento de ofício. Vale concluir que, no contencioso administrativo fiscal, a prova é essencialmente documental, com possibilidades de realizações de perícias e diligências, quando necessárias, o que não é o caso em espécie. A prova documental deve ser apresentada, por regra, com a impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo produzi-la em outro momento processual, excetuadas as hipóteses autorizativas mencionadas alhures. Fl. 999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 14 De qualquer sorte, é certo que, no contencioso administrativo fiscal não há etapa procedimental de abertura de fase instrutória para especificação de provas, sendo o protesto genérico de produção de todas as provas em direito admitidas ou o protesto para a juntada de provas documentais em momento posterior oportuno carente de fundamentação legal e preclusa a oportunidade de produzir a prova que competia ser trazida, por regra, com a impugnação. Em suma, o julgamento se efetiva por impulso oficial, após protocolo do recurso, sem abertura de fase instrutória. De mais a mais, em obiter dictum, quando a prova competir ao contribuinte, a diligência não pode servir ou ser determinada como instrumento para corrigir a deficiência probatória do sujeito passivo. A diligência deve auxiliar o julgador em esclarecimentos de dúvidas e aclaramentos em relação a prova já produzida pelos polos do contencioso administrativo fiscal. Sendo assim, rejeito a preliminar. Mérito Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Como informado em linhas pretéritas, a controvérsia é relativa ao lançamento de ofício e se refere a autuação em relação ao ano-calendário 2008, onde foram tributados rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem e causa não comprovada, resultando em imposto sobre a renda a ser recolhido. De acordo com o relatório fiscal, após se observar movimentação financeira atípica, o contribuinte, intimado, apresentou parcialmente os seus extratos bancários; os demais foram obtidos por requisição dirigida às instituições financeiras. Os depósitos foram relacionados e lhe foram encaminhados para que comprovasse a sua origem e causa, o que não foi atendido. Excluídos os cheques devolvidos, as transferências de contas de mesma titularidade e os rendimentos declarados, os depósitos de origem não comprovada foram considerados rendimentos omitidos, por força do art. 42 da Lei nº 9.430. A transferência realizadas pelas filhas do contribuinte também foram excluídas, neste particular, pela decisão da DRJ. - Aduzida ilegalidade do lançamento por depósitos bancários e alegadas inconsistências materiais da autuação decorrentes de depósitos bancários O recorrente mantém a alegação do equívoco do lançamento, questionando-o. Passo a apreciar o capítulo em destaque. Em suma, o recorrente advoga a necessidade de cancelamento do lançamento lavrado com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Sustenta, inclusive, que comprova as origens e a causa. Advoga, lado outro, que cabe a fiscalização provar que são rendimentos, pois depósitos bancários não são renda. Sustenta que não há renda, nem acréscimo patrimonial e nem sinais exteriores de riqueza. Fl. 1000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 15 O lançamento de ofício se refere a omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a partir de movimentação bancária atípica que levou ao procedimento. Consta que, após intimado, o contribuinte não efetivou a comprovação da causa dos depósitos bancários. Os rendimentos omitidos, a partir da presunção estabelecida, foram determinados por meio de análise individualizada dos créditos das contas correntes. Foram desconsiderados os créditos decorrentes de estornos e de origem e causa comprovada constantes nas próprias contas, conforme relatado. Pois bem. Não assiste razão ao recorrente na irresignação. Ora, o auto de infração foi exarado após averiguações nas quais se constatou movimentação bancária atípica, já que a fiscalização constatava que a movimentação financeira era incompatível com os respectivos rendimentos declarados. Neste diapasão, intimou-se o sujeito passivo para apresentar documentação hábil e idônea a atestar a origem e causa dos depósitos bancários observados, não tendo sido demonstrada as origens e necessariamente a causa dos depósitos, de modo a substanciar a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem e/ou causa não comprovada. Alegação genéricas não socorrem ao recorrente, especialmente sem prova hábil e idônea e que individualize cada depósito segregadamente, de forma a demonstrar, de modo inconteste, a origem e a causa. Ademais, em relação a causa, necessariamente precisa demonstrar não ser tributável ou ser isento ou já ter sido tributado ou não ser valor sujeito ao imposto de renda. Por ocasião da intimação, para comprovação de origem e causa dos depósitos, contextualizou-se as implicações dispostas no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata da presunção de omissão de rendimentos quando não se comprova a origem de depósitos bancários, de modo que o sujeito passivo foi intimado para justificar os ingressos de recursos na conta corrente, conforme planilha elaborada, ocasião em que deveria indicar, de modo individualizado, a motivação (causa) e a origem de tais recursos, bem como apresentar documentação hábil e idônea comprobatória do que fosse afirmado, oportunidade em que o recorrente não comprovou as origens, deixando de justificar, como lhe era exigido com base legal, os depósitos creditados na conta corrente que remanescem lastreando o lançamento. A questão é que, frente a presunção do art. 42 da Lei n.º 9.430, considerando que ele foi intimado para justificar a origem e causa dos depósitos, mas não o fez a contento, não lhe assiste razão na irresignação. O lançamento é válido e eficaz, ainda que estabelecido com base na presunção de omissão de rendimentos, sendo arbitrado apenas nos créditos apontados em extratos bancários e objeto de intimação para comprovação de origem e causa. Aliás, súmulas do CARF afastam as alegações recursais, a saber: Súmula CARF Nº 26 – A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 1001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 16 Súmula CARF Nº 30 – Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Súmula CARF nº 32 – A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Súmula CARF Nº 38 – O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF Nº 239 – Para elidir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, não é suficiente a identificação do depositante. O fato é que, na fase contenciosa, o recorrente não faz prova eficaz das causas dos valores creditados em conta corrente e a comprovação da motivação dos recursos deve ser feita individualizadamente com sua origem, o que não aconteceu na matéria tributável objeto dos autos. Veja-se o ponderado pela decisão vergastada, fundamentos com os quais convirjo, não tendo o contribuinte se incumbido de demonstrar equívoco na análise efetivada, sendo o recurso voluntário repetitivo da impugnação, verbis: Argumenta que lhe estariam sendo exigidas provas impossíveis, uma vez que as pessoas físicas não estão obrigadas a manter escrituração formal. Mas a prova da origem dos depósitos não requer escrituração contábil, a qual somente é indispensável quando se trata de apurar resultado de atividade econômica empresarial. Aqui o que se requer são documentos simples, como cópias de cheques, recibos de depósito, contratos, notas fiscais, etc. A falta de exigência de escrituração formal para as pessoas físicas não significa que não devam preservar estes documentos, mesmo porque a guarda destas provas se impõe como decorrência da própria lei que exige a comprovação individualizada da origem dos depósitos. Cabe, portanto, ao responsável preservá-las e produzi-las quando requeridas, sendo ineficazes as alegações de não possuí-las, seja por desconhecimento da lei ou por qualquer outra razão que não de força maior. Afirma que movimentara em sua conta recursos de sua atividade empresarial, mas não apresenta provas. Não são provas hábeis as meras declarações de terceiros. (...) (...) Não é suficiente, portanto, para comprovar a origem do depósito de R$ 30.000,00 na conta Unibanco 260.669-9 em 02/01/2008 a declaração do banco de que este valor teria sido indevidamente creditado em sua conta e posteriormente transferido para outro correntista, Miguel Khatounian (ao que tudo indica seu parente). Não foram apresentados documentos bancários comprovando este fato, tal como cópia do cheque com que o depósito foi efetuado ou comprovante de depósito. Importante observar também que o saque em 04/01/2008 não está registrado como estorno, ou mesmo como transferências entre contas, mas sim como “saque rápido para pagamento de contas” (fls. 559). Aponta depósitos que no extrato aparecem com a identificação do depositante, mas o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 exige a comprovação da origem dos recursos depositados. Não basta, portanto, a comprovação da autoria do depósito; é preciso que seja também comprovada a operação que lhe deu causa. (...) Veja-se, adicionalmente, que na fase do procedimento fiscal, igualmente, não houve a demonstração, conforme bem detalhado no relatório de fiscalização. Fl. 1002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 17 Por conseguinte, teses genéricas de que a origem e causa dos recurso estão demonstrados não socorrem ao recorrente, sem a prova hábil e idônea. Era necessário comprovar a vinculação das origens e causas dos valores diretamente a atividade empresária, por exemplo, e não o faz de forma hábil e idônea. Neste diapasão, faz-se necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos representada por eles. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício de existência de omissão de rendimentos. Esse indício transforma-se na prova da omissão de rendimentos apenas quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem e causa dos recursos aplicados em tais depósitos, após regular intimação fiscal, nega-se a fazê-lo, ou não o faz, a tempo e modo, ou não o faz satisfatoriamente. Para o presente caso, o contribuinte apresentou significativa movimentação bancária, sem comprovação da origem e causa dos recursos e, mesmo intimado para justificar, não o fez. As alegações do contribuinte, por si só, não afastam a presunção legal, não são suficientes, não sendo escusável suas ponderações. Exige-se dele a efetiva comprovação da origem e causa atestada mediante individualização documental hábil e idônea. Ora, a comprovação da origem e causa, para os fins do art. 42 da Lei nº 9.430, implica a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e a que título (causa/motivo) os créditos foram efetuados na conta corrente. Exige-se, especialmente, a coincidência em datas e valores respectivamente, que justifiquem as ditas origens dos valores, relativos à referida conta corrente. Em outras palavras, da mesma forma como os créditos foram individualizados pela autoridade fiscal nas intimações, e referenciados nos documentos de suporte fiscal, caberia ao contribuinte fazer a devida vinculação, igualmente individualizada por depósito e com a documentação pertinente a cada um deles, com coincidência de datas e valores, conforme destaca a própria intimação fiscal. Ademais, precisa explicar a causa. Deveras, a disciplina do art. 42 da Lei nº 9.430, com seu caput e parágrafos, prescreve que os valores devem ser analisados individualizadamente (§ 3º) – o que impõe, em regra, a coincidência de datas e valores (sendo válida a correspondência) –, mediante documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações (caput). Prescreve, outrossim, que os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas (§ 2º), o que impõe, a meu aviso, por ocasião da comprovação de origem, ser demonstrada a natureza (causa) do depósito. No meu entender o termo origem, desde o caput, deve ser compreendido normativamente como abrangendo a identificação do depositante (fonte) e a causa/natureza da Fl. 1003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 18 operação como ponto de procedência (origem) dos depósitos. A “procedência” (origem) não seria, portanto, apenas da fonte, mas também da causa/natureza da operação. Vale dizer, é necessário para que se entenda comprovada a origem que tenha sido comprovada a natureza (causa) dos depósitos, não sendo possível mera identificação de depositante para afastar, por si só, o lançamento. A comprovação que deve ser realizada impõe a identificação da causa/natureza dos depósitos, com elementos de prova que convençam o Colegiado ao atender critério de suficiência probatória, com prova hábil e idônea. Exige-se que a prova seja individualizada, com correspondência de datas e valores, suportada por documentação hábil e idônea, sendo o ônus do contribuinte a comprovação e não da fiscalização, considerando uma disciplina legal de presunção, devendo-se demonstrar a fonte, mas também a causa/natureza da operação. Meros indícios ou a indicação ou identificação da fonte de onde se origina o depósito, por si só, não é elemento suficiente para ter comprovada a origem para os fins normativos exigidos, considerando que a comprovação deve abranger, repita- se, a prova da causa (natureza) do depósito para se aprofundar, num segundo momento (quando provada a causa), se são rendimentos tributáveis, ou não, e se foram tributados. É necessário, dentro da lógica de comprovação da origem, comprovar também a causa (natureza) do depósito, a sua procedência (origem causal), por isso toda a jurisprudência entende pela necessidade de apresentação de prova hábil e idônea e da individualização com correspondência de datas e valores. Veja-se, inclusive, que quando o Supremo Tribunal Federal entendeu constitucional disposições da Lei Complementar (LC) nº 105, de 2001, que trata do sigilo bancário, acabou por validar o envio de informações periódicas, pelas instituições financeiras, para a administração tributária da União, acerca das operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços bancários, todavia – importante destacar –, a própria lei disciplina que as informações transferidas se restringem a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, sendo dado limitado meramente escritural (um dado numérico, contábil), tendo sido vedado pela lei a inserção de qualquer elemento que permita identificar a origem ou natureza dos gastos a partir da movimentação bancária (art. 5º, § 2º, da LC nº 105). A troca de informações é quanto ao volume movimentado (dados numéricos), sem análise qualitativa, sendo possível, no mais, apenas constar a identificação do descritivo da operação, que pode revelar a identificação do depositante (fonte). Deste modo, a identificação dos depositantes (fonte) pode até constar no resumo do extrato bancário, se houver essa identificação, mas a origem no sentido da causa da operação não é informada, mantendo-se a incolumidade da intimidade e da vida privada, daí o STF ter validado a norma, ademais, caso seja objeto de fiscalização, ocasião em que a autoridade fiscal pode requisitar informações concretas para esclarecimento da origem/causa da movimentação financeira (depósitos), manter-se-á o assunto (agora) sob sigilo fiscal. Fl. 1004DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 19 A legislação autoriza o lançamento por presunção legal quando não se demonstrar a natureza (causa) da operação, com prova hábil e idônea, bem como quando há divergência de datas ou de valores nas supostas origens, vez que elas precisam ser comprovadas individualizadamente. Outrossim, a mera indicação de origem de fonte na fase de fiscalização, por si só, não é motivo para afastar o lançamento por presunção, exige-se prova pelo contribuinte que inclua, inclusive, a comprovação da causa (natureza) do depósito, de onde procede e, portanto, de onde se origina. Por conseguinte, a chamada comprovação da origem, para os fins do art. 42 da Lei nº 9.430, implica a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte e a causa. Em detalhamento, é preciso demonstrar a fonte do crédito, o valor, a data e a que título os créditos foram efetuados na conta corrente ou de investimento, isto é, comprovar qual a natureza (causa) da operação. Demais disto, o inciso I do § .º do art. 42 do mesmo diploma legal dispõe que, para efeito de determinação de rendimentos omitidos, os créditos devem ser analisados separadamente, vale dizer, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores correspondentes. O ônus da prova, como amplamente comentado, recai sobre o contribuinte, que deve apresentar as provas efetivas, hábeis e idôneas. Exige-se, especialmente, a correspondência em datas e valores, com o relacionamento individualizado depósito a depósito. Da mesma forma que os créditos são individualizados pela autoridade fiscal nas intimações, e referenciados nos documentos de suporte fiscal, cabe ao contribuinte fazer a devida vinculação, igualmente individualizada por depósito e com a documentação, hábil e idônea, pertinente a cada um deles, com correspondência de datas e valores, conforme destaca as intimações fiscais que regem esse procedimento. Ressalte-se que, diferentemente da Lei nº 8.021/90, que considerava como rendimento o depósito sem origem comprovada, desde que demonstrados sinais exteriores de riqueza, a Lei nº 9.430/96 exige apenas que os depósitos deixem de ser comprovados por meio de documentos hábeis e idôneos para que estes sejam considerados hipótese de incidência tributária, independentemente da existência de acréscimo patrimonial. Dessarte, não cabe buscar investigar se existiu acréscimo patrimonial. A comprovação da origem (incluindo fonte e causa/natureza) dos recursos é obrigação exclusiva do contribuinte, como já consignado alhures, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados no ajuste anual, como é o caso nos procedimentos por depósito bancário de origem não comprovada. Assim, não se comprovando a origem dos depósitos bancários, com a exigência de demonstração da causa (da natureza) do depósito, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de rendimentos. O assunto já foi objeto de entendimento majoritário da Câmara Superior conforme ementa: Fl. 1005DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 20 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. IDENTIFICAÇÃO DO DEPOSITANTE. INSUFICIÊNCIA. Para elidir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não basta a identificação do depositante, sendo imprescindível a comprovação da natureza da operação que envolveu os recursos depositados na conta-corrente. (Acórdão CARF nº 9202-006.829, de 19 de abril de 2018 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais) Importante anotar, outrossim, que, uma vez transposta a fase do lançamento fiscal (a da autuação/fiscalização), a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, somente é elidida com a comprovação do pagamento do tributo, se a natureza do depósito (a causa) é de operação tributável. Pode, ainda, ser elidida se a causa apontar para rendimento isento ou não tributável. A demonstração da causa, que é requisito de comprovação da origem, deve sempre ser clara e precisa, de forma individualizada. Ora, a caracterização do fato imponível não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, mas, sim, pela presunção de omissão de rendimentos, a partir de um específico procedimento regido em lei. Existe, no específico procedimento, uma correlação lógica entre o fato conhecido (ser detentor de um depósito bancário sem origem e natureza plenamente esclarecidos/identificados) e o fato desconhecido (auferir rendimentos ou ter rendimentos não declarados em razão de movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados). Essa correlação autoriza o estabelecimento da presunção de que existe rendimento omitido. Por isso, após a fase de fiscalização, não cabe unicamente demonstrar a origem com a causa da operação, mas, também, deve-se comprovar que os rendimentos foram tributados ou não são tributáveis. É que o § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em sintonia com o caput, impõe, por corolário lógico, que, durante a fase inquisitória inaugural do procedimento, o contribuinte comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados para os depósitos efetuados em conta corrente ou de investimento de sua titularidade, com a demonstração da causa da operação, sendo que (i) não o fazendo aplica-se a presunção legal (caput) e (ii) se o fizer aplica-se a norma específica de tributação (§ 2º) a depender da natureza de tais rendimentos (se tributáveis ou não tributáveis) e da situação quanto ao recolhimento do tributo quando a sua causa (natureza) apontar para valores tributáveis. Assim, a fiscalização tem amplos poderes para o exercício do seu mister em atividade privativa e obrigatória. Superado o procedimento inaugural da fase inquisitória, não comprovada a origem e a causa naquela etapa, a intelecção do caput e do § 2º do art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, impõe que o contribuinte, sob pena do nemo auditur propriam turpitudinem allegans1, demonstre 1 Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Fl. 1006DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 21 não só a origem e a causa (pendentes da comprovação inaugural), como também prove que que foi tributado ou que não é tributável ou que é isento. A mera comprovação da origem e da causa, após a fiscalização, já por ocasião da fase litigiosa do procedimento, por si só, não é apta a cancelar o lançamento. Faz-se necessário demonstrar que o valor do tributo, se a natureza da operação é tributável, já foi recolhido tendo sido submetido à norma de tributação específica, prevista na legislação vigente à época em que auferido ou recebido o rendimento, sob pena de se manter o lançamento, caso não tenha sido submetido a legislação tributária regente. A única diferença entre a “fase litigiosa do procedimento” para a “fase inicial do procedimento” (inquisitória, inaugural, de autuação, de lançamento) é que nesta última o contribuinte, a despeito de ter também que comprovar a causa (natureza) da operação como requisito de demonstração da origem, não precisará comprovar o recolhimento do tributo para se afastar do lançamento por presunção, ainda que se trate de operação tributável. Caberá a autoridade fiscal, quando a natureza aponte para natureza tributável, passar a investigar o contribuinte pelas normas próprias da efetiva operação com natureza e origem comprovada, não podendo lançar por presunção se passa a conhecer a causa/natureza da operação. Na fase contenciosa, para afastar a presunção, será preciso a prova do recolhimento do tributo, quando tributável o rendimento, uma vez que a autoridade julgadora não pode reclassificar os rendimentos e o contribuinte não pode se valer de sua inércia em não demonstrar a causa do depósito (na fase de fiscalização) para pretender (na fase litigiosa) afastar o lançamento por presunção lavrado. A presunção de omissão na fase litigiosa só se afasta com a prova do recolhimento quando tributável a causa, pois, neste horizonte, se admite a prova em contrário de que não houve a omissão de rendimentos por força do recolhimento. Lado outro, é função privativa da autoridade fiscal, entre outras, investigar a aferição de renda por parte do contribuinte, para tanto podendo se aprofundar sobre o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o sujeito passivo da conta bancária a apresentar os documentos, informações ou esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência, ou não, de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A comprovação da origem e causa dos recursos é obrigação exclusiva do contribuinte, como já consignado alhures, mormente se a movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados no ajuste anual, como é o presente caso. Assim, não se comprovando a origem e causa dos depósitos bancários, configurado está o fato gerador do Imposto de Renda, por presunção legal de infração de omissão de Fl. 1007DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 22 rendimentos, não assistindo razão ao recorrente em suas argumentações, quando corretamente se aplicou o procedimento de presunção advindo do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não restando demonstrada e comprovada a origem e causa da omissão, vale observar o estabelecido na legislação, que, no caso, prevê, ainda que por presunção, a tributação como omissão de rendimentos auferidos. Por último, não cabe na esfera administrativa analisar a legalidade do caput do art. 42 da Lei nº 9.430, face a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Irresignação contra a multa de ofício aplicada O recorrente se insurge contra a multa de ofício aplicada a partir da constituição do crédito tributário pelo lançamento de ofício. Pois bem. Não lhe assiste razão. Isto porque, na forma do art. 136 do CTN, sem ressalvas para o caso concreto, “a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Adicionalmente, a multa do lançamento de ofício aplicada é baseada na legislação tributária, devendo o agente da administração tributária se pautar pela legalidade, devendo aplicar a lei de seu ofício. Demais disto, apenas para argumentar, a multa do caso concreto é multa do lançamento de ofício, e não multa de mora, tendo sido aplicada como sanção punitiva e não apenas pela mora. Observe-se, aliás, que no caso dos autos não há correção monetária, mas apenas juros SELIC e multa do lançamento de ofício. De acordo com o art. 37 da Lei nº 8.212, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas naquela Lei, e não declaradas na forma do art. 32, a administração tributária tem o poder-dever de lavrar o auto de infração ou a notificação de lançamento, conforme o caso, configurando o lançamento de ofício. Por sua vez, no lançamento de ofício é dever aplicar a multa de ofício na forma da legislação de regência, qual seja, no percentual de 75% na forma prevista no art. 35-A da Lei nº 8.212, acrescentado pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430. Logo, estando de acordo com a legislação que rege a matéria, não há alterações a fazer no que se relaciona à multa de ofício aplicada. É dever aplicar a multa. Não compete ao órgão julgador administrativo aplicar entendimentos divergentes das normas legais, para redução de valores de multas lançadas de conformidade com a legislação pertinente. Fl. 1008DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 23 É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. - Questionamentos sobre a aplicação da taxa SELIC para juros moratórios e afronta da legalidade por tal utilização (Juros de Mora). Irresignação contra a cobrança concomitante de multa e juros de mora Observo que o recorrente questiona os juros de mora aplicados, inclusive alega violação do princípio da legalidade. Pois bem. Não vejo reparos a serem tecidos na decisão hostilizada para a referida irresignação quanto aos juros moratórios, sendo tema objeto de enunciado na forma da Súmula CARF nº 4, nestes termos: “Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais.” De qualquer forma, considerando argumentos subsidiários para pretender, em certa medida não aplicar a súmula, tenho que se mantém a sua aplicação. Ora, não há cumulação de juros moratórios e atualização monetária. Na verdade, a taxa SELIC tem esse viés duplo, mas é uma única taxa. Não há outra taxa que incida junto com a SELIC, ademais sobre o crédito tributário são devidos juros e a aplicação é pela SELIC. Na verdade, a taxa SELIC tem viés duplo, mas é uma única taxa. Não há outra taxa que incida junto com a SELIC. No caso específico de débitos para com a Fazenda Nacional, a adoção da taxa de referência SELIC, como medida de percentual de juros de mora, foi estabelecida pela Lei nº 9.065, de 20/06/1995, nestes termos: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea “c” do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea “a.2”, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. O cálculo dos juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, está, hodiernamente, previsto, de forma literal, no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nestes termos: Art. 61, § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 1009DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2004-000.421 – 2ª SEÇÃO/4ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10882.723063/2011-74 24 Importa consignar, ainda, que, em consonância com o disposto no art. 161 do CTN, somente quando lei específica não dispuser de modo diverso é que a taxa dos juros de mora será de 1% ao mês. Não é o caso em espécie, como visualizado. Assim, é legítima a cobrança de juros equivalentes à taxa SELIC, já que tem previsão legal específica. Não poderia a autoridade administrativa deixar de aplicar os acréscimos legais face ao mandamento expresso no art. 142, parágrafo único, do CTN. O ato administrativo de lançamento é vinculado à lei, que dispõe sobre todos os seus elementos. Não tem a autoridade fiscal liberdade de ação para avaliar a conveniência e oportunidade da conduta. Deve agir obrigatoriamente com a efetivação do lançamento com seus consectários. De mais a mais, o julgador administrativo está impedido de afastar a taxa SELIC sob alegação de confisco ou inconstitucionalidade. A Súmula CARF nº 2 assenta: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Por último, aproveitando a temática dos juros moratórios, tem-se que na forma da Súmula CARF nº 108: “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. O próprio STJ decide, desde longa data no mesmo sentido, entendendo pela legalidade, pois assenta: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (REsp nº 1.129.990, REsp nº 834.681). Sendo assim, sem razão o recorrente neste capítulo. Conclusão quanto ao Recurso Voluntário Em apreciação racional com base na legislação tributária e processual, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância, dentro do controle de legalidade que foi efetivado conforme matéria devolvida para apreciação, deste modo, considerando o até aqui esposado e não observando desconformidade com a lei, nada há que se reparar no julgamento efetivado pelo juízo de piso. Neste sentido, em resumo, conheço parcialmente do recurso, exceto quanto alegações de confisco; na parte conhecida, rejeito as preliminares e, no mérito, nego-lhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário, exceto quanto alegações de confisco; rejeito as preliminares; e, no mérito, NEGO-LHE PROVIMENTO. É como Voto. Assinado Digitalmente Leonam Rocha de Medeiros Fl. 1010DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10469.003423/90-77
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Nov 18 00:00:00 UTC 1992
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - Exigência decorrente de prévia autuação na área do IRPJ. Inexistência de argumentos e de contra-provas capazes de infirmar a peça básica. Nega-se provimento ao recurso.
Numero da decisão: 203-00.043
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY

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Inexistencia de argumentos e de contra-provas capazes de infirmar a peça básica. Nega-se provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto 4J( .3r MANOEL PEDRO GOMES. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sess3es„ em 18 de novembro de 1992. or.4.4-1 ROSALVC VITAL k:50 LA"JA SANTOS - Presidente /3n :)1:::Bnars.riu rx, JAR/ Relator DALTON mirffirm . o cu I a Ci r-R ID eSen 't ante da Fa•••- zenda Na c on VISTn EM sEssm DE: n O JAN1993 • Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO LEITE RODRIGUES, MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA, SERGIO AFANASIEFF, MAURO WASILEWSKI e TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS. cf/mas/ac/ja • - IP .1:Wir: 1 -4r.74 • ''=-,,, MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO ,1(7),, ~i. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .Processo no 10469-003.423/90-77 . Recurso no: 88.404 Acórdãb no 203.00.043 Recorrente: MANOEL PEDRO GOMES RELATORIO O. Contribuinte acima mencionado foi autuado em 06/09/90 (fls. 09), por omissa° de receita operacional. caracterizada por saldo credor de caixa. em razao do excesso de aplicaçffes dos recursos gerados pela Empresa nos anos de 1987 e 1988 e nos valores de Cz$ 286.796,94 e ez$ 984.2109271 infringindo o Art. 1.2 ” parág. lp do DL 1 .940/82 e arts. 16. 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto ng 92.698/86. Após obter prorrogaçao de prazo, o Interessado apresentou impugnaçao ao feito fiscal (fls. 15) solicitando que fosse considerada para a sua defesa neste processo as mesmas razaes aduzidas no processo de IRPO, tendo em vista a relaçao causa/efeito existente entre ambos. O autor do feito pronunciou-se, às fls. 22, esclarecendo que por tratar-se de tributaçao reflexa, a decisab deste deverá acompanhar àquela proferida no processo principal e anexa às fls. 18/21 cópia da sua informaçao, na qual opina pela procedencia parcial do crédito, conforme especifica. A Autoridade Oulgadora de Primeira Instância. considerando o decidido no processo de IRPi (cópia às fls. 23/32), decidiu pela procedencia parcial da açao fiscal. merce dos fundamentos assim ementadosn "PROCESSO DECORRENTE DE IRPJ - Tratando-se de autuaçao reflexa é de ser mantido o mesmo tratamento dado ao processo principal de IRPJ, quando as alegaçffes da defesa nao apresentam argumentos diferenciados, de direito ou de fato. AC740 FISCAL PROCEDENTE EM PARTE." Com guarda do prazo legal, veio o recurso. voluntário, postulando o cancelamento da peça básica. porque a exigOncia entrou em cofiar) com o devido processo legal, ao ser confirmada, apesar de ser reflexiva do processo relativo ao IRPj. Leio o recurso. E o relatório. -,, • MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo non 10469-003.423/90-77 AcórdAb no: 203.00.043 • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIRO BORGES TAWARY No caso, considero desnecessário buscar o resultado do julgamento do recurso voluntário interposto, na área do Imposto de Renda Pessoa jurídica. E: que, aqui, a Recorrente nada alegou ou mesmo provou, no sentido de infirmar a exigencia de FINSOCIAL, esquecendo-se ela da autonomia do processo. E, à mingua de contra-prova, é de admitir-se como comprovada a infraç'áo e procedente a exigência. E o que faço, negando provimento ao recurso voluntário. E o meu voto. Sala das Sess0es, e 10 de novembro de 1992. BASTIA0 dláS TAGISEI •

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4829695 #
Numero do processo: 11020.000383/91-60
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Tue Nov 17 00:00:00 UTC 1992
Ementa: FINSOCIAL. Inconstitucionalidade alegada na esfera administrativa. Incompetência do 2º Conselho de Contribuintes. Nega-se provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 203-00.013
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: SEBASTIÃO BORGES TAQUARY

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LTDA. Recorrida g DRF EM CAXIAS DO SUL - RS FINISOCIAL. Inconstitucionalidade alegada na esfera administrativa. IncompetOncia do 29 Conselho de Contribuintes. Nega-se provimento ' ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos OS presentes autos de recurso interposto por PAULO ROBERTO FAGUNDES E CIA. LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessbes, em 17 de novembro de 1992. o~r- ROSALV . VITAL GON . .-3A SANTOS - Presidente 3EBttl‘11-- 41. GES TA0iMYY- Relator. A , DALTLN IIRAh )A - Procurador-Representante da Ea- zenda Nacional VISTA EM SESStY0 DE: JAN 1993 Participaram " ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RICARDO LEITE RODRIGUES, MARIA • HEREZA VASCONCFMOS DE ALMEIDA, SERGIO AFANASIEFF, MAURO WASILEWSKI e TIBERANY FERRAZ DOS SANTOS. cf/mas/cf/ja _ . O 4iPk. Â...„-:.,),_ MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO .1,7':Ak. , ke.,,T , 411. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES %,. Processo no 11020-000.383/91-60 Recurso noz 88 295 Acórdab no 203-00.013 Recorrente PAULO ROBERTO FAGUNDES E CIA. LTDA. RELATORIO A Contribuinte acima identificado foi autuada em 19/03/91 (fls. 05), em virtude de não haver recolhido o FINSOCIAL nos prazos regulamentares durante o período de julho de 1900 a dezembro de 1990 (fls. 03). Impugnou ela, tempestivamente, o feito, às fls. 7/9, alegando apenas questffes de inconstitucionalidade na cobrança do FINSOCIAL. Solicitou que fosse julgado improcedente o Auto de Infração, culminando com a extinção do processo. As fls. 1.5/16, O autor do feito manifestou-se sobre a improcedência das alegaçôes do interessado. Esclareceu que a validade constitucional da legislação que rege a matéria foi referendada pelo Congresso Nacional, conforme art. 25, parág. lg e seus incisos e art. 2g do ADCT da Constituição Federal de 1900, e que, dessa forma, deverá ser mantida a exigência. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância julgou procedente a ação fiscal e assim ementou sua decisãon "El.H9QÇÁ().L . - INCONSTITOCIONALIDADE: Contribuição para o FINSOCIAL não recolhida, sob alegação de inconstitucionalidade da exigência. A alegação de inconstitudionalidade não ê oponível na esfera administrativa, por transbordar OS limites de sua competência e apreciação de tal argüição. - Lançamento procedente." Irresignada, a Recorrente interpôs recurso tempestivo a este Conselho (fls. 25/26), renovando seu entendimento quanto à ilegalidade na cobrança do PIS e esclarecendo que, sabedor de que não compete â esfera administrativa o julgamento de inc~titucion~e„ apelou par4 \,,,) a área jurídica, através de Mandado de Segurança junto à Justiça Federal, na pretensão de ver reconhecido o seu direito quanto ao não recolhimento da contribuição, e, conseqüentemente, seja dado i provimento ao presente. recurso. I E! o relatório. i . 1 ,-, . ,. 45. . ....,,. t s0 , MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO .),.,e . SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo no: 11020-000.383/91-60 Ac6rdXo no n 203-00.013 . VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SEBASTIRO BORGES TAQUARY A Recorrente alegou, em sua impugnaçâo, que inimeras empresas ingressaram na justiça Federal e conseguiram sucesso no sentido de cancelar exigOncias de FINSOCIAL e PIS- . . FATURAMENTO, e, em seu recurso, sustentou que ela mesma ingressara na justiça Federal, postulando o cancelamento dessa exigOncia, objeto do Auto de Infraçâo de fls. 05. Seria, aqui, o caso de nâo se conhecer do apelo, porque a parte Recorrente teria desistido dele na esfera administrativa. Sim, a Contribuinte tem o direito de optar por uma via, ou outra, ou seja, pela via administrativa, ou a judiciaiN porém, ele nâo pode ocupar, ou valer-se de ambas, simultaneamente. Mas, ela, a Recorrente, apenas alegou, ou sustentou haver ingrassado com o mesmo pleito, na justiça Federal. Nada ela exibiu como prova desse ajuizamento. Como alegar sem provar é o mesmo que nâo alegar, aqui, n(C) levo em consideraçâo tal alegado ajuizamento e passo ao exame da presente lide fiscal. Realmente, a infraçâo houve e a Recorrente até a confessa, em sua impugnaçâo (fls. 09), onde ela afirma, verbis: "... que houve, por parte da requerente, uma ratificaçâo na sua posiçâo, deixando de recolher essas contribuiçNes, desde o instante que se instalou a inconstitucionalidade dessas cobranças." O inconformismo da Recorrente consiste na alegada inconstitucionalidade da exigOncia, que lhe é feita na peça básica. Sem razâo ela. A exigencia do EIS-FATURAMENTO, no caso, decorre de levantamento realizado na escrita da Recorrente e essa contribuiçâo decorre da lei, cuja inconstitucionalidade refoge A competéncia deste 22 Conselho de Contribuintes,\ consoante iterativa jurisprudencia de suas duas Câmaras mais l ) AU) tigas. --.? 461 MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES f `.•,1 .Processo no: 11020-000.383/91-60 AcardWo no: 203-00.013 Isto posto, e por tuda mais que dos autos consta, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das S•ssOes, em 17 de novembro de 1992. BA4t110 BO GES TACIII4FIY ti •

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11353302 #
Numero do processo: 10660.722011/2019-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri May 22 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Demonstrado que o lançamento foi formalizado dentro do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. NOTÁRIO. EMOLUMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. OMISSÃO. É tributável a diferença entre os valores efetivamente recebidos pela prestação de serviços notariais (emolumentos) e os valores declarados no ajuste anual, conforme apurado em informações fornecidas à Secretaria de Fazenda Estadual. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. A opção do sujeito passivo pelo desconto simplificado, na declaração de ajuste anual, é irretratável após o decurso do prazo para sua apresentação, o que impede sejam admitidas deduções a título de livro-caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 147. Será aplicada a multa de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal de carnê leão que deixar de ser efetuado ou recolhido de forma insuficiente, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN.
Numero da decisão: 2302-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade, para no mérito negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: ANGELICA CAROLINA OLIVEIRA DUARTE TOLEDO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-05-22T13:18:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-05-22T13:18:20Z; Last-Modified: 2026-05-22T13:18:20Z; dcterms:modified: 2026-05-22T13:18:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-05-22T13:18:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-05-22T13:18:20Z; meta:save-date: 2026-05-22T13:18:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-05-22T13:18:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-05-22T13:18:20Z; created: 2026-05-22T13:18:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2026-05-22T13:18:20Z; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-05-22T13:18:20Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10660.722011/2019-42 ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 17 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MARIA RITA PINTO LISBOA RIBEIRO INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013, 2014, 2015, 2016, 2017 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pela parte, mas somente sobre os que entender necessários ao deslinde da controvérsia, de acordo com o livre convencimento motivado. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA Na hipótese de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. Demonstrado que o lançamento foi formalizado dentro do prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. NOTÁRIO. EMOLUMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. OMISSÃO. É tributável a diferença entre os valores efetivamente recebidos pela prestação de serviços notariais (emolumentos) e os valores declarados no ajuste anual, conforme apurado em informações fornecidas à Secretaria de Fazenda Estadual. DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 2 A opção do sujeito passivo pelo desconto simplificado, na declaração de ajuste anual, é irretratável após o decurso do prazo para sua apresentação, o que impede sejam admitidas deduções a título de livro-caixa. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 30 de novembro de 1964. CARNÊ-LEÃO. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. SÚMULA CARF N. 147. Será aplicada a multa de 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal de carnê leão que deixar de ser efetuado ou recolhido de forma insuficiente, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeitar a preliminar de nulidade, para no mérito negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo – Relatora Assinado Digitalmente Johnny Wilson Araujo Cavalcanti – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Carmelina Calabrese, Roberto Carvalho Veloso Filho, Rosane Beatriz Jachimovski Danilevicz, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). Fl. 952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 3 RELATÓRIO Reproduzo Relatório da decisão de piso, que bem descreve o processo (e-fls. 911/921): Trata-se de Auto de Infração, às fls. 15/45, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física anos-calendário 2013 a 2017, por meio do qual foi apurado crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em reais): O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 48/57, detalha as infrações apuradas e as circunstâncias envolvidas, que sintetizo a seguir. Procedimentos de Fiscalização O sujeito passivo, que exerceu a atividade de Tabeliã Titular do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Lambari – MG, foi cientificado em 28/03/2019 sobre o início do procedimento de fiscalização e intimado a apresentar os elementos necessários à correta determinação das bases de cálculo do IRPF incidente sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas no período de 2013 a 2017. Esclarece a Fiscalização que, pelos atos praticados na serventia, o titular de cartório, além dos emolumentos líquidos que lhe remuneram, recebe ainda, no valor final cobrado do usuário, a Taxa de Fiscalização Judiciária (TFJ). Conforme definição do artigo 2º da Lei nº 15.424/2004 de MG, os emolumentos são: “a retribuição pecuniária por atos praticados pelo Notário e pelo Registrador, no âmbito de suas respectivas competências, e têm como fato gerador a prática de atos pelo Tabelião de Notas, Tabelião de Protesto de Títulos, Oficial de Registro de Imóveis, Oficial de Registro de Títulos e Documentos, Oficial de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Oficial de Registro de Distribuição”. Já a Taxa de Fiscalização Judiciária, segundo o artigo 3º da lei supracitada: “tem como fato gerador o exercício do poder de polícia atribuído ao Poder Judiciário pela Constituição da República, em seu art. 236, § 1º, e legalmente exercido pela Corregedoria-Geral de Justiça e pelo Juiz de Direito Diretor do Foro”, tendo como CONTRIBUINTE a pessoa natural ou jurídica usuária dos serviços notariais e de registro e como RESPONSÁVEL pelo recolhimento o Tabelião ou Oficial que praticar o ato notarial ou de registro”. Fl. 953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 4 Dessa forma, os ingressos totais do cartório são compostos pela soma dos emolumentos brutos com a Taxa de Fiscalização Judiciária – TFJ. Esses valores são cobrados da pessoa física ou jurídica usuária dos serviços do cartório. Os atos praticados pelo titular de cartório, em cada mês, são informados à Secretaria de Fazenda de Minas Gerais por meio da “Declaração de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária” (DAP/TFJ). Em atendimento à intimação a contribuinte apresentou as DAP/TFJ contendo dados referentes aos emolumentos e respectivas Taxas de Fiscalização Judiciária vinculados aos atos realizados pelo Cartório nos anos-calendário de 2013 a 2017. As Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física(DIRPF) dos exercícios 2014 a 2018 foram todas registradas no modelo SIMPLIFICADO e estão na situação finalizada com restituição creditada. Em vista da contribuinte ter optado pelo desconto simplificado nas DIRPF, não serão deduzidas no período as despesas escrituradas no Livro-Caixa, em vista da opção em caráter definitivo pela dedução em valor fixo determinado pela legislação. Os rendimentos informados nestas DIRPF foram comparados com os valores dos emolumentos declarados nas DAP/TFJ, havendo divergências conforme Demonstrativo da omissão de rendimentos (fls. 56/57). Estas diferenças foram lançadas como omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas. Qualificação da Multa O sujeito passivo informava mensalmente, através da DAP- TFJ, ao Fisco Estadual e ao TJ-MG, o valor dos emolumentos recebidos, mas se omitia perante o Fisco Federal. Omitiu em suas DIRPF, de forma continuada, rendimentos referentes a todos os meses do período de 01/2013 a 12/2017. A fiscalização concluiu que não se pode, por óbvio, atribuir tal comportamento reiterado a erros ou enganos, restando claro que houve a intenção deliberada de reduzir o pagamento de tributos, impedindo ou retardando o conhecimento das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, configurando, em tese, a prática de sonegação, prevista no artigo 71 da Lei 4.502/64. Argumenta que é incontestável que a existência de farta documentação sobre os rendimentos dos ofícios, inequivocamente produzida pela própria fiscalizada, consolida a certeza da conduta volitiva de esquivar-se da correta tributação de suas rendas, convalidando a qualificação das multas de ofício aplicadas, de 75% para 150%, com base no § 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei 11.488/2007. Esse mesmo comportamento ensejou a Representação Fiscal para Fins Penais, regulamentada pela Portaria RFB 1.750/2018 por configurar, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme artigos 1º e 2º da Lei 8.137/90. Fl. 954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 5 Multa Isolada A autoridade fiscal registra que foi lançada também a multa isolada pelo não pagamento mensal do carnê leão. Nos termos da Lei n° 7.713, de 1988, art. 8° e da Lei n° 9.430, de 1996, art. 24, § 2°, inciso IV, está sujeita ao pagamento mensal do imposto (Carnê-Leão) a pessoa física que receber de outra pessoa física (ou de fontes situadas no exterior) rendimentos que não tenham sido tributados na fonte no país, disciplinamento que alcança a renda de emolumentos dos tabeliães e registradores. Não obstante o comando legal, a contribuinte deixou de recolher em época própria os valores mensais de imposto de renda, tendo calculado seus recolhimentos com base apenas nos valores que declarou à Receita Federal, inferiores à renda efetivamente auferida. Impugnação Irresignada com o lançamento, a autuada interpôs impugnação, às fls. 240/253, alegando que: Deve ser reconhecida a ocorrência da decadência em relação aos valores relativos ao período de 01/01/2013 a 30/12/2013. Explica que em relação aos fatos geradores ocorridos até 30/12/2013 o lançamento poderia, em tese, ter sido efetuado até o dia 31/12/2013, motivo pelo qual o dies a quo do prazo decadencial foi fixado como sendo o dia 01/01/2014. Assim, o prazo decadencial de 05 anos encerrou-se no dia 01/01/2019, antes de ser intimada do correspondente lançamento tributário no dia 17/07/2019. Confiou as suas declarações do Imposto de Renda a um profissional da contabilidade que, inadvertidamente, as efetuou no modelo simplificado, em seu inquestionável prejuízo. Aduz que se houvesse optado pela declaração completa teria a restituir um valor original de R$ 209.347,97, conforme se confere pelo Demonstrativo de Receitas e Despesas do Cartório, que anexa às fls. 267/271, no qual apresenta todas as receitas relativas aos Emolumentos, deduzindo somente os valores recolhidos ao Estado de Minas Gerais e ao TJMG relativos à Taxa de Fiscalização e ao Recompe, bem como os valores pagos a terceiros por serviços prestados ao Cartório. Ressalta que no supramencionado Demonstrativo não foram efetuadas quaisquer deduções a título de despesas com água, luz, telefone e material de escritório. As únicas despesas deduzidas foram os valores repassados a sua irmã – Maria Teresa Pinto Lisboa, que exerce a função de Oficial Substituta – e a seus dois filhos – Márcio Ribeiro Lisboa e Daniel Ribeiro Lisboa, que exercem as funções de Oficial Substituto e de Escrevente, respectivamente – por serviços prestados ao Cartório. Assevera que estes terceiros efetuaram o devido pagamento do IRPF sobre os valores que efetivamente receberam. Não há cabimento da aplicação da multa proporcional de 150%, vez que os tributos sobre os quais incidiu já foram devidamente recolhidos aos cofres públicos e ainda porque não agiu com dolo, fraude ou má-fé. A sua aplicação Fl. 955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 6 ofende ao princípio constitucional do não confisco, expressamente previsto no artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Além disso, apela pelo princípio da igualdade, uma vez que vários outros Oficiais de Cartório foram autuados em ações fiscais semelhantes com a referida multa fixada em 75%. Incabível também a aplicação da multa isolada eis que o IRPF perseguido na autuação fiscal foi devidamente recolhido em sua integralidade, seja pela própria contribuinte; por sua irmã, Maria Teresa Pinto Lisboa; ou por seus filhos, Márcio Ribeiro Lisboa e Daniel Ribeiro Lisboa. Além disso, é indevida a sua cumulação com a multa proporcional. Os autos foram encaminhados à DRJ e os membros da 8ª Turma da DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificada do acórdão, a recorrente apresentou recurso voluntário tempestivo (e- fls. 928/947), sustentando a nulidade da decisão de piso, vez que omissa quanto à argumentos levantados em sua impugnação e repisando os argumentos trazidos em sua impugnação. É o relatório. VOTO Conselheira Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1 CONHECIMENTO Não obstante, os argumentos relativos à violações a princípios constitucionais, quais sejam: (i) caráter confiscatório da multa qualificada, (ii) a aplicação da referida multa, no partamar de 150%, viola o princípio da igualdade (iii) o lançamento afronta os princípios da segurança jurídica, boa-fé e supressio; não merecem ser conhecidos, nos termos da Súmula CARF n. 2: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 7 2 PRELIMINAR – NULIDADE DA DECISÃO DE PISO A Recorrente sustenta que o acórdão recorrido incorreu em omissão, uma vez que não se manifestou acerca do equívoco no entendimento da fiscalização quanto à suposta ausência de recolhimento do imposto mensal devido, sendo certo que houve o recolhimento do montante que a contribuinte entendia como devido à época. Aduz, ainda, que o decisum deixou de enfrentar a tese de que o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) constitui tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, circunstância que impõe a possibilidade de revisão posterior pelo Fisco, dentro de critérios de razoabilidade e proporcionalidade. Sustenta, nesse contexto, que eventual divergência de interpretação quanto ao valor devido não pode ensejar a aplicação automática de penalidade, sob pena de afronta aos princípios da equidade e da vedação ao caráter confiscatório das sanções tributárias. Inicialmente, deve-se destacar que, conforme reiteradamente afirmado e reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento e nas provas que entender cabível, não sendo necessário refutar todos os argumentos trazidos pelas partes. Analisando a decisão de piso, verifico que a decisão foi fundamentada, não havendo que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Se tais conclusões são ou não acertadas, será tema a ser analisado quando da análise do mérito, o que descabe é dizer que a decisão de piso foi omissa porque não abordou a questão pelo viés que a parte entendia correto. Ante o exposto, não identifico qualquer mácula que pudesse ensejar o reconhecimento de nulidade da decisão recorrida, rejeito, portanto, a preliminar. 3 MÉRITO O recorrente repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Não obstante, entendo que a decisão de piso mostra-se escorreita. Assim, mantenho a decisão de piso, mediante a reprodução do seguinte trecho (art. 114, § 12, do RICARF): Da argüição de decadência Na hipótese de inexistir pagamento antecipado ou restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege- se pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 8 Conforme exposto pela fiscalização, o sujeito passivo informava mensalmente ao Fisco Estadual e ao Tribunal de Justiça de MG o valor dos emolumentos recebidos, mas se omitia perante o Fisco Federal, omitindo assim rendimentos referentes a todos os meses do período de 01/2013 a 12/2017. Como tal comportamento reiterado não pode ser atribuído a erros ou enganos, tendo em vista a atividade exercida pela contribuinte, chegou se à conclusão de que houve a intenção deliberada de reduzir o pagamento de tributos, impedindo ou retardando o conhecimento das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, configurando, em tese, a prática de sonegação, definida pelo artigo 71 da Lei 4.502/64. Tendo isso em mente, cabe considerar que o fato gerador mais antigo corresponde a 31/01/2013. Nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 01/01/2015, ensejando a possibilidade de o Fisco constituir o crédito tributário até 31/12/2019. Deste modo, tendo a ciência do lançamento ocorrida em 17/07/2019, não ocorreu a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário objeto do auto de infração impugnado. Da base de cálculo Embora a fiscalização tenha atestado que a contribuinte não informou na íntegra todos os rendimentos recebidos de Pessoas Físicas (Emolumentos e Taxa de Fiscalização Judiciária), o valor tributável considerado e lançado no presente Auto de Infração corresponde apenas aos EMOLUMENTOS (vide “Demonstrativo da omissão de rendimentos” – fls. 56/57). Insta ressaltar que no citado Demonstrativo é apresentado quadro comparativo entre os emolumentos identificados pela fiscalização e os rendimentos declarados pela impugnante nas suas Declarações de Ajuste Anual (DAA). Desse confronto de informações, apurou o valor lançado como omissão de rendimentos para cada período. Destaque-se que os valores relativos aos EMOLUMENTOS foram extraídos nas DAP/TFJ (fls.114/233), nas quais se encontram separados dos valores relativos à TFJ e ao Recompe. Verifico que no Demonstrativo de Receitas e Despesas do Cartório, apresentado juntamente com a defesa (fls. 267/271), a autuada deduz do valor dos emolumentos a Taxa de Fiscalização, a RECOMPE e os pagamentos efetuados a terceiros por serviços prestados no Cartório. Como dito, na apuração da omissão de rendimentos, a fiscalização não considerou o valor da Taxa de Fiscalização. E, cabe ressaltar que a eventual dedução dos demais valores – da RECOMPE e da FOLHA DE PAGAMENTO – diretamente do valor dos emolumentos não é Fl. 958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 9 permitida pela legislação tributária, devendo a exclusão ser processada por meio das deduções do livro-caixa, obedecendo aos correspondentes regramentos. Cumpre esclarecer que a contribuinte apresentou as DAA originais, referentes aos anos-calendário 2013 a 2017, com opção definitiva pelo desconto simplificado na apuração da base de cálculo do imposto no ajuste anual , em conformidade com o disposto no artigo 84 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/1999 – vigente à época dos fatos): Art. 84. Independentemente do montante dos rendimentos tributáveis na declaração, recebidos no ano-calendário, o contribuinte poderá optar por desconto simplificado, que consistirá em dedução de vinte por cento desses rendimentos, limitada a oito mil reais, na Declaração de Ajuste Anual, dispensada a comprovação da despesa e a indicação de sua espécie (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, e Medida Provisória nº 1.753-16, de 11 de março de 1999, art. 12). § 1º O desconto simplificado substitui todas as deduções admitidas nos arts. 74 a 82 (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 1º). § 2º O valor deduzido na forma deste artigo não poderá ser utilizado para a comprovação de acréscimo patrimonial, sendo considerado rendimento consumido (Lei nº 9.250, de 1995, art. 10, § 2º). Nessa mesma linha, o artigo 83 da Instrução Normativa RFB nº 1500, de 29/10/2014, estabelece: Art. 83. Depois do prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitido retificação que tenha por objetivo alteração na forma de tributação, bem como a retificação de declaração que venha alterar matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo. Portanto, de acordo com a legislação tributária acima transcrita, a opção pelo desconto simplificado é irretratável, isto é, após o prazo para a apresentação da declaração, não será admitida a mudança na forma de tributação. A forma de tributação escolhida pelo contribuinte na forma da Lei vincula a atuação da autoridade lançadora no lançamento de ofício sobre eventuais diferenças do imposto, conforme dispõe o artigo 142, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Destaque-se que a contribuinte, ao optar pelo regime de tributação pelo desconto simplificado, abriu mão do direito de aproveitar as despesas assentadas no livro caixa. A sua escolha não representou erro, mas uma opção pessoal. Dessa forma, Fl. 959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 10 não pode ser aceita a pretensão da impugnante, pois não foi obstada a dedução de despesas do livro-caixa, ela apenas se encontra embutida no desconto simplificado, pelo qual optou. Por oportuno, ao compulsar a documentação carreada aos autos, verifica-se que a impugnante não anexou qualquer documento relativo às deduções das despesas do livro caixa, sendo que tal fato impediria, por si só, o reconhecimento da regularidade das deduções de despesas do livro-caixa, por falta de produção probatória. Da multa qualificada O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prevê que: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falte pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Conforme já exposto no item que trata da “Decadência”, devido ao fato de a contribuinte haver reiteradamente omitido rendimentos em suas DIRPF dos anos-calendário de 2013 a 2017, ficou configurada a ocorrência da prática de sonegação, definida pelo artigo 71 da Lei 4.502/64. Foi esse o motivo pelo qual a multa aplicada foi qualificada. No caso concreto, a multa qualificada foi aplicada em decorrência da prática reiterada da contribuinte em omitir rendimentos ao Fisco Federal, tendo sido constatado ela declarou rendimentos tributáveis para à RFB em suas DAAs, anos- calendário 2013 a 2017, em valores inferiores aos informados para a Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais, por meio da Declaração de Apuração e Informação da Taxa de Fiscalização Judiciária (DAP/TFJ). De fato, a contribuinte ao apresentar informações diferentes para os Fiscos Federal e Estadual agiu com o dolo de ocultar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, incidindo na hipótese legal que determina a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, consoante art. 71 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964. Havendo a fiscalização constatada a ocorrência, em tese, do crime de "Sonegação", previsto no artigo 71 da Lei 4.502/64, efetuou também a correspondente Representação Fiscal Para Fins Penais. Diante de tal quadro, os argumentos apresentados pela interessada não merecem acolhida, devendo ser mantida a imputação da multa qualificada de 150%. Fl. 960DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 11 3.1 RETROATIVIDADE BENIGNA Entretanto, apesar da improcedência dos argumentos levantados pela recorrente quanto à multa qualificada, verifica-se que o art. 44 da Lei n. 9.430/96 foi alterado pelo art. 8º da Lei n. 14.689/23, passando a ter a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023) § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. Como se vê, a alteração legislativa promovida estabelece que a multa qualificada deverá ser lançada no montante de 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício. A multa de 150% passa a ser aplicável apenas nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. Nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN a lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. É nesse sentido o que determina, inclusive, o Parecer SEI n. 3950/2023/MF. Deste modo, deve-se aplicar a retroação da multa da Lei n. 9.430/96, art. 44, § 1º, VI, reduzindo-a ao percentual de 100% (cem por cento). 4 CONCOMITÂNCIA DE MULTAS Por fim, no que tange à alegação relativa à impossibilidade da concomitância de multas, aplico a Súmula CARF n. 147: Súmula CARF nº 147 Fl. 961DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-004.438 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.722011/2019-42 12 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%). Deste modo, sendo os fatos geradores posteriores à 2007, impõe-se a exigência da multa isolada (art. 44, inc. II, alínea “a”, da Lei n. 9.430, de 1996), concomitantemente com a multa de ofício proporcional (art. 44, inc. I, da Lei n. 9.430, de 1996), esta, por sua vez, acompanhada do imposto apurado em decorrência da omissão de rendimentos, não informados na declaração de ajuste. Portanto, deve ser mantida a exigência concomitante das duas multas. 5 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso de Voluntário, não conhecendo das alegações de violação à princípios constitucionais, rejeitar a preliminar e dar-lhe parcial provimento para reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%. Assinado Digitalmente Angélica Carolina Oliveira Duarte Toledo Fl. 962DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 CONHECIMENTO 2 PRELIMINAR – NULIDADE DA DECISÃO DE PISO 3 mérito 3.1 retroatividade benigna 4 concomitância de multas 5 Conclusão

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