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Numero do processo: 13804.003080/2009-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 19 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SCI COSIT Nº 23, DE 30/08/2013.
Somente são dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência.
DEDUÇÃO. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE.
Podem ser deduzidos no ajuste anual as despesas com plano de saúde próprias e de seus dependentes, desde que atendam aos requisitos legais para dedutibilidade e os valores pagos sejam devidamente comprovados.
Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar.
Mantém-se a glosa quando o contribuinte não apresenta a relação fornecida pelo plano de saúde discriminando as participações individualizadas dos beneficiários no plano de saúde contratado.
MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
Numero da decisão: 2001-008.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor total de R$ 5.590,00.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Goncalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente), Lilian Claudia de Souza, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. SCI COSIT Nº 23, DE 30/08/2013. Somente são dedutíveis da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Afasta-se a glosa das despesas que o contribuinte comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência. DEDUÇÃO. DESPESAS COM PLANO DE SAÚDE. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Podem ser deduzidos no ajuste anual as despesas com plano de saúde próprias e de seus dependentes, desde que atendam aos requisitos legais para dedutibilidade e os valores pagos sejam devidamente comprovados. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a glosa quando o contribuinte não apresenta a relação fornecida pelo plano de saúde discriminando as participações individualizadas dos beneficiários no plano de saúde contratado. MULTA DE OFÍCIO PREVISÃO LEGAL. INCIDÊNCIA. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Fl. 77DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.391 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13804.003080/2009-98 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para restabelecer a dedução das despesas médicas no valor total de R$ 5.590,00. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Goncalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente), Lilian Claudia de Souza, Christianne Kandyce Gomes Ferreira de Mendonca, Maria Auxiliadora de Sousa Ramalho Fonseca, Rosimery Brandao Barbosa e Wilderson Botto. RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 52/57): DA NOTIFICAÇÃO O processo refere-se a Notificação de Lançamento, fl. 05, ao(s) ano(s) calendário de 2005, por meio do qual foi exigido o valor de R$ 8.715,32, relativo a: A notificação em foco decorreu da Dedução Indevida de Despesas Médicas. DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário, acima referido, encontra-se relatado às fl(s). 06, a(s) qual(is) expõe(m), em síntese: • Dedução Indevida de Despesas Médicas Fl. 78DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.391 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13804.003080/2009-98 3 Glosa do valor de R$ 14.750,79, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Exclusão de despesas médicas, no total de R$ 14.750,79, por falta de documentação comprobatória. DA IMPUGNAÇÃO A Notificação de Lançamento foi lavrada em 08/09/2009, às 09:00 horas, fl. 07. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 16/09/2009. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação (fls. 01/04) em 14/10/2009, alegando, em síntese: • O contribuinte junta neste ato os comprovantes que confirmam integralmente os valores pagos e dão integral respaldo às deduções pleiteadas na declaração (R$ 14.750,79). • Solicita improcedência da notificação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO Não identificados a quem se referem os comprovantes dos pagamentos efetuados a título de despesas médicas é de manter-se a glosa para essas deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS DE DEPENDENTES Somente poderá ser deduzidas as despesas médicas com dependentes declarados na DIRFP do ano-calendário da própria dedução. Cientificado da decisão, em 07/12/2020 (fls. 62), o contribuinte, em 18/12/2020, interpôs recurso voluntário (fls. 65/74), insurgindo-se contra a manutenção parcial da autuação, alegando, em brevíssima síntese, que promoveu adequadamente o lançamento de todas as despesas médicas no ajuste anual, conforme os documentos já carreados aos autos, sendo certo que os recibos apresentados preenchem todos os requisitos legais, portanto idôneos. Alega ainda que penalidade aplicada é completamente descabida, ilegal e fora de qualquer amparo sistêmico, restando demonstrando que não houve qualquer atitude que implicasse em ilicitude ou lesão ao Erário. Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida, com o cancelamento do lançamento fiscal realizado. É o relatório. VOTO Fl. 79DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.391 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13804.003080/2009-98 4 Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa mantida sobre as despesas médicas declaradas: O litígio recai sobre a glosa das despesas médicas remanescentes, no valor total de R$ 14.545,93, por falta de comprovação ou previsão legal para suas deduções, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas na DAA/2006. Inicialmente, vale salientar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas declaradas. Vale salientar, que o art. 73, caput e § 1º do RIR/99, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar documentos subsidiários aos recibos, para efeito de confirmá-los, no que tange os efetivos pagamentos, especialmente nos casos em que as despesas sejam consideradas elevadas. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim passo ao cotejo dos documentos apresentados, em relação aos fundamentos motivares na manutenção parcial do lançamento, traçados na decisão recorrida (fls. 55/56): Foram declaradas e glosadas as despesas médicas abaixo discriminadas e analisadas: Fl. 80DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.391 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13804.003080/2009-98 5 Cabe destacar que os recibos apresentados somente podem fazer prova das despesas médicas pleiteadas na declaração de ajuste se atenderem a todos os requisitos exigidos pela legislação do imposto de renda, uma vez que analogamente à legislação que concede isenções, a matéria relativa à redução de base de cálculo de tributos deve ser interpretada literalmente. (...) Desta forma, com base nos incisos II e III do parágrafo 2º do art. 8º da Lei 9.250/95, devem constar dos recibos apresentados para comprovar as despesas médicas efetuadas a indicação do beneficiário do tratamento e do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC do profissional prestador dos serviços. Não identificados a quem se referem os comprovantes dos pagamentos efetuados a título de despesas médicas é de manter-se a glosa para essas deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. Ademais, somente poderá ser deduzidas as despesas médicas com dependentes declarados na DIRFP do ano-calendário da própria dedução. Portanto, apenas será aceito o valor informado para SOVASPE LTDA de R$ 104,86 e para a ORTHODOC RADIOLOGIAS E DOCUMENTACOES ODONTOLOGICAS LTDA, no valor de R$ 100,00, devendo permanecer a glosa de R$ 14.545,93. Pois bem. Feito o registro acima e após análise dos autos, entendo que a pretensão recursal merece parcialmente prosperar. Quanto à glosa das despesas médicas, é pertinente salientar que o contribuinte não deve ser penalizado pela simples falta da indicação do paciente nos recibos e declaração emitidos pelos prestadores de serviços, cujo entendimento está em total sintonia com a SCI Cosit nº 23, de 30/08/2013, cuja ementa transcreve-se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode- se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III. Fl. 81DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.391 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13804.003080/2009-98 6 Portanto, trazendo a regra para o caso concreto, quanto às glosas que aponta somente para a ausência de indicação do paciente como irregularidade – levando-se em conta, diga-se de passagem, que em relação ao profissional Arnaldo Dominguez, os recibos foram retificados com inclusão do endereço do profissional (fls. 13), cuja retificação acato – e considerando a inexistência de dependentes declarados no ano-calendário autuado (fls. 21/25), é se presumir que os aludidos tratamentos e despesas foram pagos e realizados pelo próprio Recorrente, aliás, na exata conclusão da SCI Cosit nº 23, restando assim suprida a falha apontada em relação aos profissionais Murilo Bertoldi (R$ 590,00) e Arnaldo Dominguez (R$ 5.000,00), razão pela qual afasto as glosas operadas e torno insubsistente o crédito tributário no particular. No que tange às despesas com plano de saúde Sul América Companhia de Seguro Saúde, melhor sorte não lhe socorre, uma vez não houve a apresentação de suporte documental discriminando, como lhe competia, os beneficiários e o valor da participação de cada participante no aludido plano, inclusive o valor que se refere exclusivamente à participação do Recorrente, restando assim vulnerado o art. 80, § 1º, II e III do RIR/99, calhando aqui, à mingua de comprovação efetiva, a manutenção da aludida glosa. Por fim, no que tange a incidência da penalidade aplicada, também nada a prover. Vale salientar, que a incidência da multa de ofício à base de 75% sobre o crédito tributário remanescente, decorre de expressa previsão legal (art. 44, I da Lei nº 9.430/96), não podendo ser reduzida e nem dispensada, cabendo a fiscalização aplicá-la sob pena de violação do dever de ofício. Portanto, escorreita e legal sua aplicação neste ponto. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, para restabelecer a dedução das despesas médicas, no valor total de R$ 5.590,00, na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 82DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16151.720049/2015-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE EM ATOS ILÍCITOS. FRAUDE, INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E CONFUSÃO OPERACIONAL.
A responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional exige a demonstração de interesse comum juridicamente qualificado na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, não se confundindo com mero interesse econômico reflexo ou benefício indireto.
Caracteriza-se o interesse comum quando comprovada a participação consciente do terceiro na prática conjunta dos atos que integram a hipótese de incidência ou na realização de atos ilícitos diretamente vinculados ao fato jurídico tributário, tais como fraude, simulação, conluio ou interposição de pessoas, com nexo causal entre sua conduta e a constituição da obrigação tributária.
Comprovados, nos autos, vínculos estruturais, patrimoniais e operacionais, atuação coordenada, controle da destinação de recursos e utilização de pessoas e empresas interpostas para ocultar a realidade econômica das operações, mostra-se legítima a imputação de responsabilidade tributária solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN.
Numero da decisão: 1201-007.499
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Lucas Issa Halah, que dava provimento.
Assinado Digitalmente
Marcelo Antonio Biancardi – Relator
Assinado Digitalmente
Nilton Costa Simoes – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Nilton Costa Simoes (Presidente).
Nome do relator: MARCELO ANTONIO BIANCARDI
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ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PARTICIPAÇÃO CONSCIENTE EM ATOS ILÍCITOS. FRAUDE, INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS E CONFUSÃO OPERACIONAL. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional exige a demonstração de interesse comum juridicamente qualificado na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, não se confundindo com mero interesse econômico reflexo ou benefício indireto. Caracteriza-se o interesse comum quando comprovada a participação consciente do terceiro na prática conjunta dos atos que integram a hipótese de incidência ou na realização de atos ilícitos diretamente vinculados ao fato jurídico tributário, tais como fraude, simulação, conluio ou interposição de pessoas, com nexo causal entre sua conduta e a constituição da obrigação tributária. Comprovados, nos autos, vínculos estruturais, patrimoniais e operacionais, atuação coordenada, controle da destinação de recursos e utilização de pessoas e empresas interpostas para ocultar a realidade econômica das operações, mostra-se legítima a imputação de responsabilidade tributária solidária, nos termos do art. 124, I, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Lucas Issa Halah, que dava provimento. Fl. 2593DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 2 Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi – Relator Assinado Digitalmente Nilton Costa Simoes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Isabelle Resende Alves Rocha, Lucas Issa Halah, Marcelo Antonio Biancardi, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Nilton Costa Simoes (Presidente). RELATÓRIO O presente processo administrativo fiscal tem por objeto a apreciação da contestação de atribuição de responsabilidade tributária solidária apresentada por FRANCISCO EVANDRO LOPES, incluído no polo passivo da exigência tributária na condição de responsável solidário, nos termos do Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01, vinculado a autos de infração lavrados em face das pessoas jurídicas M1 & M2 System Comércio de Eletro-Eletrônicos Ltda. e CA Comércio Atacadista de Eletroeletrônicos e Informática Ltda. O procedimento de fiscalização teve início em 01/08/2013 e decorreu da apuração de irregularidades tributárias e indícios de ilícitos penais, envolvendo as referidas empresas, que apresentavam elevada movimentação financeira sem o correspondente cumprimento de obrigações acessórias ou suporte documental idôneo. Constatou-se, ainda, que os sócios formais das empresas não foram localizados, tendo o procedimento fiscal sido conduzido mediante intimações por edital e diligências junto a terceiros. No curso das investigações, inclusive com base em elementos oriundos de apurações da Polícia Federal, a fiscalização concluiu que as empresas fiscalizadas teriam sido utilizadas como interpostas pessoas em esquema fraudulento mais amplo, envolvendo movimentações financeiras simuladas, contratos de câmbio sem lastro em operações reais, omissão de receitas, evasão de divisas e possível lavagem de dinheiro. Nesse contexto, identificou- se o recorrente como mentor e beneficiário efetivo das operações, razão pela qual foi imputada a ele a responsabilidade solidária pelos créditos tributários apurados. A fiscalização promoveu lançamentos de ofício relativos a IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, com base no lucro arbitrado, diante da inexistência de escrituração contábil e da não Fl. 2594DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 3 comprovação da origem e destinação dos recursos movimentados. Também foi aplicada multa de ofício qualificada, além da formalização de representações fiscais para fins penais. O recorrente, por sua vez, limitou sua insurgência à contestação da responsabilização solidária, não questionando a constituição do crédito tributário em si. Sustentou a inexistência de vínculo jurídico com as empresas autuadas, alegou nulidades nos termos de sujeição passiva por suposta ausência de motivação e excesso da autoridade fiscal, bem como refutou, um a um, os indícios levantados pela fiscalização, afirmando tratar-se de meras coincidências ou presunções indevidas. Requereu, ao final, o afastamento da atribuição da responsabilidade solidária a ele atribuída. O julgador de piso inicialmente examinou as preliminares de nulidade suscitadas pelo impugnante, à luz do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Concluiu que não se verificaram vícios formais nos autos de infração, no Termo de Verificação Fiscal ou nos termos de responsabilização solidária, os quais foram lavrados por autoridade competente, contiveram todos os requisitos legais essenciais e asseguraram ao interessado o pleno exercício do direito de defesa. Afastou, assim, a alegação de cerceamento ou de ausência de motivação, rejeitando integralmente as preliminares. No exame do mérito, o voto reconheceu que a responsabilização tributária do impugnante encontrou amparo no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, que prevê a solidariedade entre aqueles que detenham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária. Com apoio no Parecer Normativo COSIT/RFB nº 04/2018, o Relator assentou que o interesse comum não se restringiu à condição formal de contribuinte, alcançando também quem, direta ou indiretamente, participou dos atos ou negócios jurídicos que deram causa ao fato gerador, inclusive mediante a prática de ilícitos. A decisão destacou que as empresas autuadas apresentaram vultosa movimentação financeira desprovida de lastro documental, associada a indícios consistentes de operações simuladas, interposição fraudulenta de pessoas, contratos de câmbio inidôneos e desvio de recursos. Ressaltou-se que a inexistência de impugnação pelas pessoas jurídicas reforçou a conclusão quanto à ocorrência das fraudes, restando controvertida apenas a identificação dos responsáveis. Entendeu ainda que, embora parte da autuação estivesse fundada em prova indiciária, tal circunstância não comprometeu a validade do lançamento, uma vez que indícios e presunções constituíram meios de prova juridicamente admitidos, desde que convergentes e coerentes. Com base no conjunto probatório, considerou demonstrado o vínculo material entre o impugnante e as operações realizadas pelas empresas fiscalizadas, evidenciado por coincidências de domicílios, vínculos societários, relações familiares, utilização de interpostas pessoas e benefícios econômicos indiretos auferidos pelo interessado. Concluiu que restou caracterizado o interesse comum do recorrente nos fatos geradores, legitimando sua inclusão no polo passivo como responsável solidário. Afastou o pedido Fl. 2595DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 4 de produção de novas provas e de oitiva de testemunhas, por entender preclusa a fase probatória e inexistente previsão normativa para as diligências requeridas no âmbito do processo administrativo fiscal. Ao final, o julgador de primeira instância administrativa votou por negar provimento às preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendo integralmente a responsabilização solidária atribuída ao impugnante e determinando a intimação do resultado nos termos da legislação aplicável. Irresignado o recorrente apresentou Recurso Voluntário onde sustenta, em síntese, que a autuação fiscal é nula no que se refere à imputação de corresponsabilidade ao recorrente, pois inexiste base legal para sua inclusão no polo passivo do lançamento. Argumenta que o auto de infração foi lavrado originalmente contra a pessoa jurídica M1 & M2 System Comércio de Eletro-Eletrônicos Ltda., e que o recorrente foi incluído como corresponsável por ato meramente administrativo do auditor fiscal, sem amparo em lei ordinária federal, em afronta direta ao princípio da estrita legalidade tributária previsto na Constituição e no Código Tributário Nacional. Sustenta que a responsabilidade tributária de terceiros somente pode decorrer de disposição expressa de lei, nos termos dos arts. 97, 121, parágrafo único, II, e 128 do CTN, não sendo possível criá-la com base em interpretações extensivas, indícios ou pareceres administrativos, como o Parecer COSIT nº 04/2018. A defesa afirma ainda que o recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses legais de responsabilidade previstas nos arts. 134, 135 e 137 do CTN, pois não é sócio da empresa autuada, não exerce poderes de administração, gerência ou representação, nem praticou atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. Ressalta que a decisão de primeira instância reconheceu a corresponsabilidade com base apenas em indícios e presunções, sem prova inequívoca de conduta dolosa ou de participação direta nos fatos geradores, o que é inadmissível em matéria tributária, onde não se admite responsabilização por presunção ou analogia. O simples inadimplemento tributário, segundo a defesa, não configura infração legal apta a atrair responsabilidade pessoal, tampouco pode ser equiparado a ilícito penal ou civil. Contra o Acórdão da DRJ, a defesa sustenta que houve erro de direito ao fundamentar a corresponsabilidade no art. 124 do CTN de forma isolada, sem a necessária interpretação sistemática com os demais dispositivos que exigem previsão legal específica para a atribuição de responsabilidade a terceiros. Alega que a decisão administrativa incorreu em ilegalidade e inconstitucionalidade reflexa ao criar hipótese de corresponsabilidade por ato administrativo, desconsiderando a reserva de lei e a jurisprudência consolidada do STF, do STJ e do próprio CARF, que exigem previsão legal expressa e prova concreta da conduta do terceiro. Por fim, aponta a incoerência e a seletividade da autuação, uma vez que outras pessoas físicas e jurídicas supostamente envolvidas nas operações não foram responsabilizadas, nem mesmo os verdadeiros sócios da empresa autuada, reforçando a ausência de nexo jurídico e Fl. 2596DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 5 probatório que justifique a manutenção da decisão recorrida, motivo pelo qual requer a exclusão definitiva do recorrente do polo passivo da exigência fiscal. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Antonio Biancardi, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele conheço. 2 DO MÉRITO A controvérsia cinge-se à legitimidade da inclusão do recorrente Francisco Evandro Lopes no polo passivo da exigência tributária, a título de responsabilidade solidária, relativamente aos créditos constituídos contra M1 & M2 System Comércio de Eletro-Eletrônicos Ltda., com fundamento no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme delineado no Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 01, lavrado em 15/12/2014. Inicialmente o recorrente defende que a atribuição de responsabilidade somente pode se dar por lei, que foi incluído como corresponsável por ato meramente administrativo do auditor-fiscal, sem amparo em lei ordinária federal, em afronta direta ao princípio da estrita legalidade tributária previsto na Constituição e no Código Tributário Nacional, bem como que não se enquadra em nenhuma das hipóteses legais de responsabilidade previstas nos arts. 134, 135 e 137 do CTN. Temos que dizer que o TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Nº 01 (fl. 2.469 ss.) faz expressa menção tão somente ao art. 124, I do CTN quando do enquadramento legal da atribuição de responsabilidade, de forma que descabida a argumentação no que ser refere aos arts. 134, 135 e 137 do CTN. No mais a responsabilidade tributária atribuía decorre de lei, especificamente do art. 124, I do CTN, sendo o ato do lançamento dos tributos federais e da correspondente atribuição de responsabilidade solidária privativo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, nos termos do art. 898 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/2018, in verbis: Art. 898. Compete privativamente ao Auditor-Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria Fl. 2597DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 6 tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, se for o caso, propor a aplicação da penalidade cabível ( Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 142, caput ; e Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 6º, caput ) . Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento será vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional ( Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional, art. 142, parágrafo único ). Assim, tanto o lançamento tributário como a atribuição de responsabilidade solidária constantes dos presentes autos administrativos tem fundamento legal, não havendo que se falar em incompetência ou ilegalidade na prática dos atos administrativos em voga. Voltando-nos à análise da atribuição de responsabilidade solidária que se deu com fulcro no art. 124, I do CTN, temos que o referido dispositivo legal estabelece que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Trata-se de hipótese de solidariedade fundada diretamente em lei complementar, cuja aplicação, conforme assentado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 04/2018, ato infralegal meramente interpretativo, a cujos fundamentos nos alinhamos, exige a comprovação de vínculo jurídico direto entre o terceiro e a situação que deu origem ao fato gerador, não se confundindo com mero interesse econômico reflexo ou benefício indireto. No caso dos autos, conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva e no correspondente Termo de Verificação Fiscal, os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, relativos ao ano-calendário de 2011, no montante aproximado de R$ 75,8 milhões, decorrem de um conjunto de operações estruturadas de forma fraudulenta, envolvendo a empresa autuada e diversas outras pessoas jurídicas e físicas, nacionais e estrangeiras, com o objetivo de ocultar a realidade econômica das operações e desfigurar a ocorrência do fato gerador. A fiscalização apurou que o recorrente utilizava dois registros distintos no CPF, apresentando declarações de imposto de renda diferentes, participando de múltiplas sociedades empresárias e realizando operações patrimoniais relevantes, com utilização alternada desses registros, circunstância que foi considerada indicativa de atuação consciente voltada à ocultação de sua real participação nas operações sob análise. Constatou-se, ainda, que a empresa CA Comércio Atacadista de Eletroeletrônicos e Informática Ltda. foi constituída pelo mesmo grupo de pessoas da M1 & M2, com utilização de nomes e documentos falsos pelo recorrente, possuindo sócio-administrador coincidente, o que evidencia atuação coordenada entre as empresas e reforça o vínculo direto do recorrente com a estrutura operacional utilizada. Os autos também revelam a existência de fluxos financeiros relevantes entre M1 & M2, CA Comércio e a empresa Empreiteira Santher Ltda. Nesta última, o recorrente aparece como sócio formal, e a empresa é a responsável por cerca de metade dos créditos bancários recebidos pela CA Comércio em curto espaço de tempo, bem como por saques vultosos realizados mediante Fl. 2598DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 7 uso de documentos falsos (o recorrente foi reconhecido pelo funcionário do Banco do Brasil como o portador e utilizador destes documentos), o que evidencia controle comum da destinação dos recursos e reforça a existência de conluio e atuação conjunta na estruturação das operações tributadas. Soma-se a isso a apuração de extensos vínculos pessoais, patrimoniais e operacionais entre o recorrente, pessoas físicas interpostas e diversas empresas envolvidas, incluindo coincidência de domicílios fiscais e residenciais, compartilhamento de endereços utilizados por empresas distintas, utilização comum de linhas telefônicas e atuação conjunta em sociedades empresárias, elementos que afastam a hipótese de mera relação econômica periférica. Verificou-se, ademais, que empresas estrangeiras sediadas em Miami, beneficiárias de remessas internacionais efetuadas pela M1 & M2 por meio de contratos de câmbio fraudulentos, possuíam identidade de endereço e vínculos societários e administrativos diretos com o recorrente, inclusive com empresa de sua propriedade, evidenciando a internacionalização do esquema e a participação direta do recorrente na destinação final dos recursos. À luz do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 04/2018, o interesse comum exigido pelo art. 124, I, do CTN caracteriza-se quando o terceiro participa da prática dos atos que constituem a hipótese de incidência ou de atos ilícitos diretamente vinculados ao fato jurídico tributário, com o objetivo de manipulá-lo, ocultá-lo ou desfigurá-lo. No caso concreto, o conjunto probatório demonstra que o recorrente manteve vínculo estrutural e funcional com as empresas utilizadas nas operações, participou de forma consciente da prática de atos ilícitos diretamente relacionados à formação e à ocultação do fato gerador e exerceu controle ou influência relevante sobre a destinação dos recursos, inclusive por meio de interposição de pessoas e utilização de identidades múltiplas (falsas). Não se está, portanto, diante de mero interesse econômico indireto, de simples coincidência societária formal ou de relação jurídica em polos opostos. Ao contrário, os elementos constantes dos autos revelam convergência de interesses na própria conformação da situação tributável, com atuação coordenada, consciente e estruturalmente relevante, apta a caracterizar o interesse comum juridicamente qualificado exigido pelo art. 124, I, do CTN, em consonância com a jurisprudência deste Conselho em hipóteses de fraude, simulação e confusão patrimonial. Nesse contexto, restou demonstrada a identificação da situação que constituiu o fato gerador, a participação direta e consciente do recorrente nos ilícitos a ela vinculados, o nexo causal entre sua atuação e a constituição da obrigação tributária e, por consequência, a existência de interesse comum na situação que deu origem aos créditos exigidos. Fl. 2599DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.499 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16151.720049/2015-83 8 3 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário no sentido de manter a responsabilidade tributária solidária atribuída a Francisco Evandro Lopes, com fundamento no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, preservando-se sua inclusão no polo passivo da exigência tributária. Assinado Digitalmente Marcelo Antonio Biancardi Fl. 2600DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 DA ADMISSIBILIDADE 2 DO MÉRITO 3 CONCLUSÃO
score : 1.0
Numero do processo: 13502.902623/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TAMBOR TF 210L. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO DA GLOSA.
Ainda que reconhecido o enquadramento, em tese, do material de embalagem como insumo apto a gerar direito a crédito, a ausência de documentação fiscal idônea que comprove a efetiva aquisição do bem impede a confirmação da certeza e da liquidez do crédito pleiteado.
Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, compete ao contribuinte o ônus da prova, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972.
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS PORTUÁRIOS E DE ARMAZENAGEM. IMPORTAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. REsp Nº 1.221.170/PR. POSSIBILIDADE.
Serviços portuários, frete nacional e armazenagem contratados no mercado interno, vinculados à importação de insumos e indispensáveis à disponibilização da matéria-prima para o processo produtivo, podem ser considerados insumos para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, desde que atendidos os critérios de essencialidade e relevância.
FRETE MARÍTIMO DE EXPORTAÇÃO. CAPATAZIA. TAXAS PORTUÁRIAS. LOGÍSTICA PÓS-PRODUÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO INSUMO OU FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA.
Despesas com capatazia e taxas de liberação e emissão de documentos relacionadas ao frete marítimo de exportação não se enquadram no conceito de insumo nem de frete na operação de venda, por se tratar de gastos logísticos posteriores ao término do processo produtivo, não gerando direito a crédito.
Numero da decisão: 3102-003.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa relativa às despesas portuárias, ao frete nacional e a armazenagem vinculados à importação de insumos incorridas pela recorrente.
Assinado Digitalmente
Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Luís Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TAMBOR TF 210L. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Ainda que reconhecido o enquadramento, em tese, do material de embalagem como insumo apto a gerar direito a crédito, a ausência de documentação fiscal idônea que comprove a efetiva aquisição do bem impede a confirmação da certeza e da liquidez do crédito pleiteado. Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, compete ao contribuinte o ônus da prova, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. CRÉDITOS DE PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS PORTUÁRIOS E DE ARMAZENAGEM. IMPORTAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. REsp Nº 1.221.170/PR. POSSIBILIDADE. Serviços portuários, frete nacional e armazenagem contratados no mercado interno, vinculados à importação de insumos e indispensáveis à disponibilização da matéria-prima para o processo produtivo, podem ser considerados insumos para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, desde que atendidos os critérios de essencialidade e relevância. FRETE MARÍTIMO DE EXPORTAÇÃO. CAPATAZIA. TAXAS PORTUÁRIAS. LOGÍSTICA PÓS-PRODUÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO INSUMO OU FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. Despesas com capatazia e taxas de liberação e emissão de documentos relacionadas ao frete marítimo de exportação não se enquadram no conceito de insumo nem de frete na operação de venda, por se tratar de gastos logísticos posteriores ao término do processo produtivo, não gerando direito a crédito.
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NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TAMBOR TF 210L. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. ÔNUS DA PROVA. MANUTENÇÃO DA GLOSA. Ainda que reconhecido o enquadramento, em tese, do material de embalagem como insumo apto a gerar direito a crédito, a ausência de documentação fiscal idônea que comprove a efetiva aquisição do bem impede a confirmação da certeza e da liquidez do crédito pleiteado. Nos pedidos de ressarcimento ou restituição, compete ao contribuinte o ônus da prova, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972. CRÉDITOS DE PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. SERVIÇOS PORTUÁRIOS E DE ARMAZENAGEM. IMPORTAÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. REsp Nº 1.221.170/PR. POSSIBILIDADE. Serviços portuários, frete nacional e armazenagem contratados no mercado interno, vinculados à importação de insumos e indispensáveis à disponibilização da matéria-prima para o processo produtivo, podem ser considerados insumos para fins de creditamento do PIS e da Cofins não cumulativos, desde que atendidos os critérios de essencialidade e relevância. FRETE MARÍTIMO DE EXPORTAÇÃO. CAPATAZIA. TAXAS PORTUÁRIAS. LOGÍSTICA PÓS-PRODUÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO INSUMO OU FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. Despesas com capatazia e taxas de liberação e emissão de documentos relacionadas ao frete marítimo de exportação não se enquadram no conceito de insumo nem de frete na operação de venda, por se tratar de Fl. 339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 2 gastos logísticos posteriores ao término do processo produtivo, não gerando direito a crédito. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa relativa às despesas portuárias, ao frete nacional e a armazenagem vinculados à importação de insumos incorridas pela recorrente. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Luís Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Adoto como meu relatório o exposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), que descreve de forma sucinta e adequada os fatos constantes dos presentes autos: Trata-se da análise do Pedido de Ressarcimento nº 19264.91797.231007.1.1.09-6598, referente a créditos da Cofins não-cumulativa - Exportação do 3º trimestre de 2007, no valor total de R$ 327.470,59. O direito creditório foi reconhecido parcialmente no total de R$ 244.709,35, conforme Termo de Verificação Fiscal fls. 14 a 82, que acompanha o Despacho Decisório Eletrônico nº 048858169, de 04/04/2013, fl. 4. Resta portanto em litígio a diferença não reconhecida do crédito no total de R$ 82.761,24. Resumidamente, relacionamos a seguir as principais considerações levantadas pela autoridade tributária na análise do direito creditório pleiteado: O contribuinte transmitiu PER e DCOMP, indicando como origem do crédito valor referente ao saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Fl. 340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 3 COFINS Não Cumulativa – Mercado Interno, relativo ao 1º ao 3º trimestres de 2007, decorrente de receita de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não-incidência, bem como saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS Não Cumulativa – Exportação, relativo, também, ao 1º ao 3º trimestres de 2007, decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes da exportação de mercadorias para o exterior; Foram detectadas divergências significativas entre os valores lançados no DACON e os valores correspondentes indicados pelo contribuinte em planilha apresentada em cumprimento ao “Termo de Início do Procedimento Fiscal”, dando causa a emissão do “Termo de Intimação Fiscal n.º 001/2013”, requerendo esclarecimentos e adequação dos dados. Assim sendo, o contribuinte entendeu restar superadas tais divergências, em razão da apresentação de planilha revisada relativa aos “Bens Utilizados como Insumos”; Nesse ponto, cabe destacar que, dentre os documentos trazidos aos autos pelo contribuinte, este apresentou, não somente a planilha em questão (na qual consta o detalhamento dos itens supostamente geradores de crédito), mas também descrição do processo produtivo, Livro Registro de Entradas/Saídas, notas fiscais (NF) de entrada que respaldaram as operações, bem como os balancetes dos respectivos meses; Assim, à luz da legislação de regência, ao se confrontar a “Descrição do Processo Produtivo” com os itens (produtos) que compuseram a Planilha dos “Bens Utilizados como Insumos”, bem como a documentação comprobatória apresentada, conclui-se pela glosa de parte dos créditos computados, conforme abaixo detalhado; Fl. 341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 4 Fl. 342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 5 Considerando a simbólica participação dos créditos referentes aos “Serviços Utilizados como Insumos” na composição da “Base de Cálculo dos Créditos decorrentes de Aquisições no Mercado Interno” (participação máxima de 0,29% da base de cálculo total, em abril/2007), os respectivos valores lançados no DACON foram objeto de convalidação por parte desta Fiscalização; Quanto aos créditos decorrentes das “Despesas de Energia Elétrica”, os valores discriminados nas planilhas apresentadas estão coerentes com os indicados no DACON, tendo as respectivas despesas sido comprovadas, por meio de documentação hábil (Notas Fiscais/Faturas), razão pela qual os valores lançados no DACON foram objeto de convalidação por parte desta Fiscalização; (...) parte das despesas computadas pelo contribuinte ( a título de “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”) foram objeto de glosa, devidamente motivada, bem como algumas despesas, ainda que reconhecidas, foram realocadas para fins de serem corretamente computadas em relação ao mês de sua efetiva incorrência, esta considerada com base na data de emissão do documento fiscal (p. ex., CTRC, no caso de frete vinculado a operação de venda) e, ainda, observada a data de registro da correspondente Nota Fiscal (NF) do produto, conforme Livro Registro de Saídas; Em suma, quanto aos créditos computados a título de “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”, cabe destacar que as planilhas anteriormente apresentadas adotaram como premissa o entendimento no sentido de que: despesas portuárias relacionadas a armazenagem e movimentação de matérias-primas (MP) em operações de compra, serviços de operação portuária na aquisição de MP e a cobrança de taxas em razão de serviços portuários prestados não se enquadram no conceito de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, conforme disposto no inciso IX, art. 3º, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, tendo sido, portanto, objeto de glosa; Quanto às despesas relacionadas ao Frete Marítimo de Exportação, nos casos em que os respectivos recibos foram apresentados, ainda assim, Fl. 343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 6 constata-se a cobrança de despesas referentes à Capatazia (PORT OF LOADING HANDLING) e Taxas de liberação e emissão de documentos. (...)Tais despesas foram consideradas como não enquadradas no conceito de “frete nas operações de venda”, razão pela qual os respectivos valores foram glosados; Merece destaque, ainda, o fato do contribuinte ter computado, em AGOSTO de 2007, a título de “Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”, o montante de R$ 1.202.901,82, referente a “Recuperação de créditos Pis ref. frete s/venda ME de Oct/06 a Jul/07”, conforme planilha apresentada em cumprimento ao “Termo de Início do Procedimento Fiscal”. Tais valores foram integralmente glosados, uma vez que não apresentada documentação hábil (p.ex., conhecimento de transporte, fatura e/ou recibo, com a indicação da natureza da operação e o detalhamento dos valores cobrados) a demonstrar a efetividade da operação e sua correspondente quitação. Ademais, ainda que devidamente comprovadas, as respectivas despesas devem ser computadas (a título de créditos) no mês de sua efetiva incorrência; Considerando a simbólica participação dos créditos referentes às “Devoluções de Vendas Sujeitas à Alíquota de 1,65% (PIS) e 7,6% (Cofins)” na composição da “Base de Cálculo dos Créditos decorrentes de Aquisições no Mercado Interno” (participação máxima de 0,21% da base de cálculo total, em julho/2007), os respectivos valores lançados no DACON foram objeto de convalidação por parte desta Fiscalização; (...) os créditos vinculados a importação restaram devidamente comprovados, tendo sido objeto de convalidação por parte desta Fiscalização; Considerando tudo até aqui consignado, as Fichas do DACON referentes ao 3º Trimestre de 2007, passam a ter a seguinte configuração: Fl. 344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 7 Considerando que da parcela de R$ 11.545,02, utilizada pelo contribuinte para deduzir a Cofins apurada em julho/2007, referente a “crédito de aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno” (julho/2007), foi confirmada por esta Fiscalização apenas a parcela de R$ 10.789.95, a fim de deduzir toda Cofins apurada no referido mês, tornou-se necessário, ainda, o desconto de parcela de R$ 755,07, referente ao “crédito de aquisição no mercado interno vinculado à receita não tributada no mercado interno”, do montante apurado, em julho/2007, por esta Fiscalização; Considerando que da parcela de R$ 7.933,56, utilizada pelo contribuinte para deduzir a Cofins apurada em agosto/2007, referente a “crédito de aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno” (agosto/2007), foi confirmada por esta Fiscalização apenas a parcela de R$ 5.612,58, a fim de deduzir toda Cofins apurada no referido mês, tornou-se Fl. 345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 8 necessário, ainda, o desconto de parcela de R$ 2.320,98, referente ao “crédito de importação vinculado à receita não tributada no mercado interno”, do montante apurado, em agosto/2007, por esta Fiscalização; Considerando que da parcela de R$ 8.423,74, utilizada pelo contribuinte para deduzir a Cofins apurada em setembro/2007, referente a “crédito de aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno” (setembro/2007), foi confirmada por esta Fiscalização apenas a parcela de R$ 5.317,14, a fim de deduzir toda Cofins apurada no referido mês, tornou-se necessário, ainda, o desconto de parcela de R$ 3.106,60, referente ao “crédito de importação vinculado à receita não tributada no mercado interno”, do montante apurado, em setembro/2007, por esta Fiscalização; A teor do apresentado, torna-se possível, para esta Fiscalização, manifestar- se conclusivamente em relação aos Pedidos de Ressarcimento de Saldo Credor da Cofins Não-Cumulativa, Mercado Interno e Exportação, relativos ao 3º trimestre de 2007. Assim, vejamos: Cientificada do Despacho Decisório em 16/04/2013, a empresa apresentou manifestação de inconformidade em 16/05/2013, da qual extraímos suas principais alegações de defesa: Da análise do referido Parecer, verifica-se que em nenhum momento é dado Impugnante o real motivo da glosa dos créditos de PIS e COFINS Fl. 346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 9 devidamente comprovados e escriturados, conforme apontam os documentos acostados aos autos. Ou seja, a Autoridade Fiscal "constatou" que existiriam supostas diferenças entre os valores dos créditos de PIS e COFINS informados pela Requerente na DACON e aqueles considerados pela legislação aplicável ao caso, mas olvidou o D. Auditor Fiscal de apontar, ainda que de forma sucinta, as razões e fundamentos de seu convencimento para os tributos em questão, não sendo suficiente para a defesa ampla e irrestrita da Impugnante as alegações contidas nesse ou em outro processo; Nesse desiderato, é nítida a violação dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, pois o despacho decisório vergastado, bem como o documento que lhe conferiu lastro não explicou, justificou ou deixou claro o porquê da não homologação da integralidade dos créditos de PIS e COFINS, afigurando-se desconhecida, portanto, a razão da censura fiscal; Pelo exposto, em sede de preliminar, a Requerente pleiteia a nulidade do e. despacho decisório, pois fundado em argumentos que em momento algum explicam, ainda que de forma sucinta, os motivos da glosa dos créditos comprovados durante o procedimento fiscal — e ora reiterados. Portanto, violado o contraditório e constatado o cerceamento de defesa em prejuízo da Impugnante, de rigor a nulidade da r. decisão guerreada, o que desde já se requer seja reconhecido; In casu, o que se verifica é que a Autoridade Fazendária delimitou o conceito de insumo segundo os seus interesses e o tem aplicado indiscriminadamente às operações de tomada de crédito da Impugnante, afrontando diretamente as disposições legais que regem a questão; O fato é que a Receita Federal justifica as glosas com base na Instrução Normativa nº 404, de 12 de março de 2004 (IN 404/04), mas esquece, talvez propositadamente, de realizar uma interpretação sistemática da legislação do COFINS; Para o caso sub examine, certo é que o conceito de insumo deve se aproximar muito mais da legislação do IRPJ, pois é até intuitivo não ser possível equiparar conceitos e situações relacionadas a tributos de materialidades absolutamente distintas — totalidade de receitas auferidas, com ou sem faturamento (COFINS), e produtos industrializados (IPI); (...) o que se deve considerar é a universalidade de receitas e a universalidade de despesas, sem restrições não vislumbradas em lei, como lastro para o cálculo do crédito devido; Ampliar e estender a percepção acerca do conceito de insumo para fins de tributação da COFINS são, pois, as mais adequadas e jurídicas soluções para ensejar o creditamento atinente ao referido imposto (sic), uma vez que o Fl. 347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 10 rol de despesas contido no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 possui caráter meramente exemplificativo; Dessume-se, sem maiores dificuldades, que o conceito de insumo, para todos os fins, deve levar em consideração a inseparabilidade (inerência, no dizeres de GRECO) do bem tido como insumo ao produto desenvolvido pelo contribuinte (a Impugnante, no caso) e o grau de relevância que ele guarda em relação à atividade econômica desempenhada; Para o período em apreço (3° Trimestre de 2007), foram constatadas glosas atinentes aos Tipos 1, 2, 3, 4, e 7 as quais serão rechaçadas adiante, pontualmente; Sem prejuízo dos conceitos de insumos trazidos alhures, a Impugnante passa a tratar especificamente da "Água Clarificada", uma vez que os créditos oriundos de sua utilização também foram glosados pela Receita Federal por razões evidentemente equivocadas; Diferentemente do que pensa a D. Autoridade Fiscal, no sentido de que a "Água Clarificada" seria utilizada para fins não produtivos, a verdade é que a utilidade em questão só pode ser considerada como insumo para a produção da MIPA (Monoisopropilamina); A "Água Clarificada", portanto, atende inúmeras exigências técnicas formuladas pelos Órgãos fiscalizatórios e, paralelamente a isso, permite a manutenção de um ambiente saudável para a composição das aminas e auxilia todo o processo de reação, inclusive alterando o estado físico do produto, o que lhe confere a qualidade de elemento fundamental à produção da MIPA; Demais disso, ainda há a sua utilização nas torres de refrigeração, condensando ou resfriando o produto recém aquecido pelo "Vapor de 15Kg"— como será detalhadamente descrito adiante; Dessa forma, não havendo que se falar em produção de MIPA sem a utilização da "Água Clarificada", é forçoso reconhecer o caráter de insumo para a referida utilidade, razão pela qual os créditos tomados em função das despesas a ela atreladas devem ser considerados para todos os fins (compensação e ressarcimento); E a "Água Clarificada" também assume a função, dentre outras, de "descontaminação das tubulações", o que reforça sobremaneira a sua natureza de "insumo" para o processo produtivo da Requerente. Além disso, é notório que a "Água Clarificada" é totalmente consumida no processo produtivo, sendo inviável cogitar-se no seu reaproveitamento para outros fins; As "Análises de Tanques e Amostras" são procedimentos fundamentais e intrinsicamente ligados ao produto-fim realizado. Trata-se, em linhas gerais, Fl. 348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 11 da certificação da pureza do produto final, sem a qual o bem tornar-se-ia imprestável ao mercado, significando dizer que ele jamais seria vendido, pois faltar-lhe-iam os requisitos mínimos de especificação de idoneidade estrutural; Em outras palavras, desconsiderar as "Análises de Tanques ou Amostras" da composição do crédito oriundo da sistemática da não-cumulatividade da COFINS é o mesmo que ignorar uma despesa necessária e, repita-se, intrinsicamente relacionada e indispensável ao produto final; A respeito do "Nitrogênio", é certo que a D. Autoridade Fiscal não entendeu os contornos de sua utilização no processo produtivo da Impugnante, data venia; O objetivo precípuo do "Nitrogênio" na cadeia de produção de aminas é manter a inertização do PRODUTO, ou seja, evitar que a MIPA reaja com qualquer outra substância, sobretudo o oxigênio — o que, repita-se, poderia causar vultosas explosões; O Nitrogênio, pois, vai além do próprio processo formativo da MIPA e se eleva ao status de bem fundamental às especificações técnicas do produto, de modo que a sua subtração da cadeia de fabricação da amina em questão levaria, automática e infalivelmente, à sua inexistência. Por essa razão, é o Nitrogênio insumo sob todos os aspectos, dada a impossibilidade de existência de MIPA sem a sua aplicação direta; Ao contrário do que imagina a D. Autoridade Fiscal, o "Vapor de 15kg" é uma utilidade ao produto final que era produzido pela Impugnante, a Monoisopropilamina (MIPA); No processo de formação da MIPA, há uma troca térmica que faz com que o "Vapor de 15Kg" perca calor, o que modifica sensivelmente as suas propriedades e características originais, tornando-o imprestável para outro tipo de uso. Portanto, consumido o "Vapor de 15Kg", não há cogitar-se em reaproveitamento da matéria em questão, o que também demonstra a sua qualidade de insumo; A exemplo do que ocorre com o Nitrogênio, é também inequívoco e incontroverso que o "Vapor de 15Kg" é totalmente consumido no processo produtivo da MIPA, o que confere visos de credibilidade e certeza ao crédito tomado a partir de sua aquisição e utilização no produto final; Com relação ao "Tambor TF 210L", a glosa realizada pela D. Autoridade Fiscal teve como argumento principal a não apresentação da Nota Fiscal de compra do referido material de embalagem. Por essa razão, entendeu o I. Auditor Fiscal não considerar os valores gastos com a aquisição do bem para fins de creditamento de COFINS; Fl. 349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 12 Demais disso, todos os valores foram devidamente comprovados por ocasião das respostas entregues no mandado de procedimento fiscal que ensejou o despacho decisório guerreado; Entendeu o I. Auditor Fiscal que seriam objeto de glosa integral os créditos tomados a partir das seguintes operações, a saber: (i) Despesas portuárias relacionadas à armazenagem e movimentação de matérias-primas em operações de compra; (ii) Serviços de operação portuária na aquisição de matéria-prima; (iii) Cobrança de taxas em razão de serviços portuários prestados; (iv) Despesas relacionadas ao Frete Marítimo de Exportação; e (v) a glosa integral de R$ 1.202.901,82 - referente a "Recuperação de Créditos PIS ref. Frete s/venda ME Oct/07 a Jul/07, computado em AGO/2007; A respeito dos itens (i), (ii) e (iii), o que a Receita Federal do Brasil entende como sendo meras "despesas portuárias", que não dariam direito a crédito, são, em verdade, despesas de armazenagem de mercadoria, com ônus suportado pela Impugnante; Obviamente, a partir da realização de uma armazenagem tem-se, em um determinado momento, a movimentação da mercadoria, para fins de remessa ao seu destino final, mas isso não invalida o crédito, sobretudo porque, repise-se, era a Requerente quem suportava o ônus da operação e, por essa razão, creditava-se de PIS/COFINS, tudo em consonância com a legislação aplicável à hipótese; Os alegados serviços de capatazia e as taxas de liberação e emissão de documentos, por sua vez, não geram créditos se considerados de per si, mas essa não é a hipótese. A movimentação, conferência e manipulação da mercadoria nos Portos sempre teve como objetivo a efetivação do frete, não sendo possível, pois, esmiuçar tal serviço como se ele fosse dividido em várias partes. E o frete nada mais é que aquilo que se paga pelo transporte de algo, de modo que a sua finalidade é a chegada do produto no seu destinatário final, pouco importando, nesse ínterim, as operações que foram realizadas para a sua efetivação - e sem as quais não haveria que se falara em "fretamento"; Por fim, quanto ao item (v) anteriormente citado, informou o I. Auditor Fiscal que a glosa se deu devido à falta de comprovação dos valores que compunham o crédito correspondente ao lançamento de R$ 1.202.901,82, sob a denominação de "Recuperação de créditos PIS ref: frete s/venda ME de Oct/06 a Jul/07". No entanto, conforme se verificam pelos anexos documentos, o valor em questão é comprovado pelas notas e lançamentos trazidos com a presente defesa, não havendo que se falar em glosa do montante em apreço; É cediço que a perícia, no âmbito do processo administrativo, deve seguir requisitos inafastáveis, sem os quais a prova é considerada irrelevante ou Fl. 350DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 13 não requerida. Para que os interesses da Requerente não restem prejudicados, é importante mencionar que a prova em questão terá por finalidade confirmar que o crédito de COF1NS tomado pela Impugnante no 3º Trimestre de 2007 é no montante acima apontado — e existe e é válido, lançando luz sobre as obscuras alegações da Administração Tributária, que não pormenorizou as glosas realizadas; Ao imputar multa pela homologação parcial dos créditos de COFINS oriundos do 3º Trimestre de 2007, a Receita Federal do Brasil feriu violentamente o art. 5º, inciso XXXIV, da Constituição, pois negou à Impugnante o valioso direito de petição; Ante o exposto, a Requerente pede que a presente manifestação de inconformidade seja recebida com suspensão da exigibilidade da exação, tal como prevê o § 11, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para anular o r. despacho decisório, nos termos da preliminar arguida, ou, para que a presente impugnação seja integralmente provida para reformar a decisão guerreada, homologando-se a PER/DCOMP nº 05132.10477.271108.1.3.09-3327, declarando extinto o crédito tributário a elas relativo, com a consequente realização do ressarcimento 19264.91797.231007.1.1.09-6598. É relatório. Seguindo a marcha processual, a preliminar de nulidade do despacho decisório foi rejeitada pela DRJ, ao fundamento de inexistência de violação ao contraditório e à ampla defesa. No mérito, foi dado parcial provimento à manifestação de inconformidade para reverter as glosas relativas aos bens utilizados como insumos (água clarificada, análise de tanques ou amostras, nitrogênio e vapor a 15 kg/cm²), mantendo-se, contudo, as glosas referentes aos custos incorridos pela ora Recorrente com a aquisição do Tambor TF 210L, por insuficiência de comprovação, bem como às despesas com armazenagem e frete na operação de venda (despesas portuárias na importação e frete marítimo na exportação), por não se enquadrarem no conceito de frete. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. REsp nº 1.221.170-PR. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. EFEITOS. INAPLICABILIDADE. Fl. 351DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 14 Impossibilidade de extensão dos efeitos da decisão proferida pelo STJ, no âmbito do REsp nº 1.221.170-PR, a outros tipos de créditos que não o vinculado à aquisição de insumos, previsto no art. 3º, inciso II das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE LOGÍSTICA. IMPOSSIBILIDADE. Os valores pagos por serviço de logística (que abrange diversos serviços, tais como armazenamento, inspeção portuária, despesas alfandegárias, capatazia, procedimentos para importação e exportação, estiva e distribuição, taxas portuárias, etc) bem como quaisquer outros não vinculados à atividade produtiva, não permitem a apuração de créditos das contribuições (PIS/Cofins), por falta de previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do despacho decisório quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indefere-se o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. MULTA. IMPERTINÊNCIA COM A MATÉRIA TRATADA NOS AUTOS. Em sede recursal, não cabe discussão acerca de matéria estranha ao objeto dos autos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte No Recurso Voluntário, a Recorrente questiona a manutenção das glosas remanescentes, cujos fundamentos serão analisados no voto a seguir. É o relatório. VOTO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. Verificados os requisitos formais de admissibilidade do recurso voluntário interposto pela Recorrente, dele conheço, por preencher os pressupostos legais para seu regular processamento. Fl. 352DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 15 Depreende-se do relatório que o cerne da controvérsia reside na definição do conceito de insumo e dos critérios legais para a fruição de créditos da Cofins não cumulativa na exportação, à luz do art. 3º das Leis nº 10.833/2003 e nº 10.637/2002, bem como dos parâmetros fixados pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Em primeira instância, foram mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização, ora objeto do presente recurso, relativas às seguintes despesas: a) DESPESA COM EMBALAGEM (TAMBOR TF210L); e, b) DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. A Recorrente, que atua na comercialização, importação e exportação de aminas e produtos químicos, apresentou em seu Recurso Voluntário considerações acerca de seu processo produtivo, as quais reproduzem, em essência, aquelas já apresentadas em defesa anterior. Dentre elas, destacou que ambos os sistemas produtivos utilizam trocador de calor que, na fase final do processo, é empregado para aquecimento, vaporização, superaquecimento e, eventualmente, resfriamento dos componentes químicos. Após essa etapa, as aminas são direcionadas ao sistema de purificação, sendo posteriormente acabadas e disponibilizadas para venda. Passo, assim, a tecer breves considerações acerca do conceito de insumo na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, aplicável à apuração de créditos sobre bens e serviços necessários ao processo de fabricação ou produção de mercadorias destinadas à venda. A matéria relativa ao conceito de insumo é tema recorrente no âmbito deste Conselho. A jurisprudência administrativa tem aplicado de forma uniforme o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, proferido sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 98, inciso II, alínea “b”, e do art. 99 da Portaria MF nº 1.634/2023. O referido entendimento foi posteriormente consolidado pela Administração Tributária por meio do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, que passou a orientar a atuação fiscal quanto à interpretação do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Referido Parecer Normativo sistematizou os critérios da essencialidade e da relevância, extraídos do julgamento do STJ, estabelecendo parâmetros objetivos para o reconhecimento de créditos relativos a bens e serviços empregados no processo produtivo ou na prestação de serviços. Dentre as diretrizes ali fixadas, destacam-se: a) qualificam-se como insumos apenas os bens e serviços aplicados diretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços, excluídos aqueles vinculados a atividades administrativas ou de revenda; Fl. 353DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 16 b) admite-se o creditamento não apenas de itens que integrem fisicamente o produto final, mas também daqueles necessários ao desenvolvimento das etapas produtivas; c) a utilização do bem ou serviço após o término do processo produtivo não afasta, por si só, a caracterização como insumo, em situações específicas; e d) o conceito de insumo abrange aqueles empregados na fabricação de outros insumos (“insumo do insumo”), desde que imprescindíveis às etapas subsequentes da produção. Em complemento, a Instrução Normativa RFB nº 2.121/2022 regulamentou as regras de apuração e fiscalização da não cumulatividade, incorporando o entendimento jurisprudencial e técnico já consolidado. Os arts. 175 e 176 da referida norma detalham a base de cálculo dos créditos, reiterando que se consideram insumos todos os bens e serviços essenciais ou relevantes para a produção ou fabricação de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços, apresentando rol exemplificativo das hipóteses admitidas. A Instrução Normativa também elenca, de forma expressa, situações que não configuram insumo, tais como custos administrativos, despesas alheias ao processo produtivo e gastos com bens do ativo imobilizado, salvo nas hipóteses legalmente previstas. À luz da legislação e dos atos normativos mencionados, conclui-se que a análise do conceito de insumo deve ser realizada caso a caso, considerando: (i) as especificidades da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte; (ii) o efetivo emprego do bem ou serviço nas etapas do processo produtivo; e (iii) a comprovação de sua indispensabilidade ou relevância para o resultado da produção ou da prestação de serviços. Assim, não é suficiente a mera alegação de imprescindibilidade do bem ou serviço, sendo necessária a demonstração concreta de como o insumo é consumido, aplicado ou utilizado no processo produtivo, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, que disciplinam a necessidade de adequada instrução probatória no processo administrativo fiscal. Tal entendimento encontra respaldo em precedentes deste Conselho, inclusive nas Súmulas CARF nº 188 e nº 189. A Súmula CARF nº 188 admite o creditamento relativo a fretes na aquisição de insumos não tributados, desde que se trate de fretes autônomos e efetivamente onerados pelo PIS e pela Cofins. Portanto, impõe-se a análise das despesas com embalagem (Tambor TF 210L), assim como das despesas de armazenagem e frete nas operações de venda, a fim de aferir seu enquadramento no conceito de insumo. Fl. 354DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 17 DESPESA COM EMBALAGEM (TAMBOR TF210L). O fundamento da glosa efetuada pela fiscalização foi o seguinte: Embora seja material de embalagem que, em face da especificidade do produto, é imprescindível à venda e compõe o produto final, a glosa decorre da não apresentação da respectiva Nota Fiscal (NF) de compra. Glosa de caráter específico, identificada em maio e setembro de 2007. Por sua vez, a DRJ assim se manifestou: Primeiramente, cumpre salientar que em relação ao item desse tópico não se questiona seu enquadramento como insumo gerador de crédito, fato ressaltado pela fiscalização. O que se busca aqui é a comprovação da ocorrência do mesmo via documentação fiscal idônea respectiva. Compulsando a documentação juntada pelo interessado conjuntamente à sua manifestação de inconformidade não localizamos a Nota Fiscal da compra de Tambor TF 210L. A Recorrente, ao se insurgir contra a manutenção da glosa, apresentou a seguinte justificativa quanto ao custo incorrido: Todavia, os valores devem ser considerados como crédito para todos os fins, uma vez que o “Tambor TF 210L” constitui material de embalagem do produto final, o que lhe confere a natureza de bem gerador de direito a crédito, inclusive sob a ótica da legislação do IPI, ainda que em sua forma mais restritiva. Observa-se, portanto, que a razão determinante da glosa não reside na ausência de previsão legal ou na falta de essencialidade da despesa — aspectos, inclusive, expressamente reconhecidos pela fiscalização —, mas, sim, na ausência de comprovação documental da aquisição do bem, notadamente pela não apresentação da correspondente Nota Fiscal. Ressalte-se que, nos pedidos de ressarcimento ou restituição, incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto à certeza e à liquidez do crédito pleiteado. A ausência de documentação fiscal idônea impede a confirmação do direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, conforme corretamente consignado pelo juízo a quo. No caso concreto, a Recorrente não apresentou contraprova capaz de afastar a conclusão do juízo a quo quanto à insuficiência probatória. Dessa forma, ausente a comprovação da efetiva aquisição do bem, impõe-se a manutenção da glosa relativa à despesa com embalagem (Tambor TF 210L), por falta de comprovação. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETE NAS OPERAÇÕES DE VENDA. Foram objeto de glosa: Fl. 355DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 18 despesas portuárias relacionadas à armazenagem e à movimentação de matérias-primas em operações de compra, serviços de operação portuária na aquisição de matérias-primas e cobrança de taxas decorrentes de serviços portuários; e, despesas relacionadas ao frete marítimo de exportação, notadamente capatazia e taxas de liberação e emissão de documentos. Para a fiscalização, tais custos não se coadunam com o conceito de insumo e seus desdobramentos legais, por não se caracterizarem como frete propriamente dito de matéria- prima. Ademais, apontou-se a ausência de apresentação do respectivo CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e/ou fatura para determinadas despesas, especificamente no mês de agosto de 2007. A DRJ, por sua vez, entendeu que as despesas glosadas se referem, em sua maioria, a serviços portuários e logísticos, tais como armazenagem portuária, movimentação de cargas, capatazia, estiva, inspeção, taxas administrativas e liberação de documentos. Segundo consignado na decisão recorrida, tais gastos não se enquadram no conceito legal de “frete na operação de venda”, previsto no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, ainda que possam ser considerados essenciais ou relevantes para o desenvolvimento da atividade econômica do contribuinte. Destacou-se, ainda, que a legislação aduaneira diferencia expressamente o frete internacional das despesas com carga e descarga. Assim, serviços como capatazia, carga e descarga e taxas portuárias não integram o conceito de frete internacional, razão pela qual não geram direito a crédito com fundamento no art. 3º, inciso IX, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. No tocante aos bens importados, a DRJ consignou que a base de cálculo das contribuições é o valor aduaneiro, nos termos do art. 7º da Lei nº 10.865/2004, concluindo que as despesas relativas a serviços prestados no mercado nacional após a importação não integram essa base de cálculo, não sendo passíveis de creditamento. Com base nesse entendimento, concluiu que os gastos com despesas alfandegárias, frete nacional e armazenagem vinculados a insumos importados não geram direito a crédito das contribuições. No entanto, quanto às despesas alfandegárias, frete nacional e armazenagem vinculados a insumos importados, a decisão recorrida parte da premissa de que tais custos integrariam o valor aduaneiro, o que não se mostra correto. Conforme dispõe o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 327/2003, tais serviços não integram o valor aduaneiro e, portanto, não se submetem ao regime do PIS/Cofins- Importação previsto na Lei nº 10.865/2004. Trata-se de serviços contratados no mercado interno, junto a prestadores domiciliados no País, após a entrada da mercadoria no território nacional, sujeitando-se, assim, às regras gerais da não cumulatividade estabelecidas pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Fl. 356DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 19 Esse entendimento foi posteriormente reforçado pela Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019, cujo art. 205 determina expressamente que bens e serviços adquiridos no mercado interno devem ser contabilizados separadamente daqueles adquiridos no exterior, afastando a interpretação de que serviços internos acompanhem o tratamento jurídico do produto importado. Retomando os fatos e aplicando-se o critério da essencialidade e da relevância definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, sob o rito dos recursos repetitivos, constata-se que os serviços contratados pelo contribuinte são imprescindíveis para viabilizar a chegada dos bens importados ao estabelecimento industrial. Pelo chamado “teste da subtração”, a ausência desses serviços inviabilizaria o processo produtivo, uma vez que a matéria-prima permaneceria retida em porto ou armazém, impedindo o prosseguimento das etapas de industrialização. Trata-se, portanto, de serviços diretamente relacionados à disponibilização do insumo para uso na produção. Registre-se, ainda, que o CARF aprovou proposta de súmula — pendente de publicação — com o seguinte teor: “É permitido o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas sobre custos de serviços portuários de capatazia e estiva vinculados à importação de insumos, desde que tais serviços sejam contratados de forma autônoma à importação, junto a pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados.” Nesse contexto, os serviços portuários vinculados à importação de insumos merecem a reversão da glosa. Diversa é a situação das despesas relacionadas ao frete marítimo de exportação, tais como capatazia e taxas de liberação e emissão de documentos. Tais gastos não se caracterizam como insumos para fins de creditamento com base no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, por não se tratar de bens ou serviços empregados no processo produtivo ou na prestação de serviços, nem atenderem aos critérios de essencialidade ou relevância definidos pelo STJ, uma vez que se vinculam à logística de exportação, após o término da produção. Cuida-se, portanto, de despesas logísticas e portuárias posteriores à produção. Somente haveria possibilidade de creditamento caso tais valores integrassem o frete na operação de venda, nos termos do art. 3º, inciso IX, das referidas leis, hipótese que exige a caracterização do transporte propriamente dito, não abrangendo serviços acessórios ou portuários. Ausente prova suficiente para demonstrar se tais despesas integram ou não o custo de frete na operação de venda, e não comprovada a efetiva certeza e liquidez do crédito pretendido, resta prejudicada a análise favorável ao contribuinte. Diante disso, mantém-se a glosa quanto às despesas relacionadas ao frete marítimo de exportação neste tópico. Fl. 357DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.502 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13502.902623/2012-51 20 CONCLUSÃO. Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter a glosa relativa às despesas portuárias, ao frete nacional e à armazenagem vinculados à importação de insumos, incorridas pela Recorrente. É como voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa Fl. 358DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10925.906515/2018-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE E OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2.
A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula Carf nº 2.
CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL DO CRÉDITO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA
A resistência injustificada da autoridade tributária em processos de ressarcimento caracteriza-se pelo decurso de prazo superior a 360 dias, contado da data de formalização do pedido. Aplicação da Lei nº 11.457/2007.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS UTILIZADAS NA PRODUÇÃO. CUSTOS E DESPESAS DE MANUTENÇÃO.
As despesas de aquisição de itens que atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção compõem os créditos admissíveis pela aquisição de insumos, assim como os itens, partes e peças, e despesas necessárias à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens ou serviços, desde que atendam ao critério de item de consumo e não devam ser depreciados por força da normativa contábil e fiscal correspondente.
CONCEITO DE INSUMO. MANUTENÇÃO PREDIAL. INAPLICABILIDADE.
Os gastos e despesas necessários à manutenção predial de instalações do contribuinte não podem ser classificados como insumos, mesmo que na instalação em questão ocorra a produção de bens ou serviços para a venda.
CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS.
Os gastos e despesas com serviços somente podem gerar créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS caso atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção.
CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. EMBALAGENS.
As embalagens necessárias apenas ao transporte de produtos acabados não dão direito ao crédito no regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS, por serem custos após o término do processo produtivo, por outro lado, o conceito de embalagem como parte do processo produtivo e sua caracterização como insumo deverá ser avaliado casuisticamente conforme o ponto de vista do estabelecimento produtor e a forma de apresentação do produto final, conforme seja destinado ao atacado ou ao varejo. Neste caso deve-se considerar a embalagem como insumos mesmo que não seja destinada ao consumidor final.
INSUMOS UTILIZADOS EM BENS VENDIDOS COM SUSPENSÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. INAPLICABILIDADE.
Apenas os créditos relacionados às operações que atendam aos requisitos do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, devem ser estornados, e assim deve-se aplicar o disposto no § 1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011.
FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS.
Há direito ao crédito para a apuração não cumulativa de PIS/COFINS, referente às despesas de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições do PIS/COFINS, nos termos da Súmula CARF nº 188.
FRETES DE RETORNO DE ARMAZENAGEM. ATIVIDADE DE COOPERATIVA AGRÍCOLA.
A atividade de cooperativa agrícola envolve o recebimento de diversos bens de cooperados, e outros, que podem ser armazenados para posterior processamento, mesmo quando esta armazenagem dá-se em estabelecimentos de terceiros, como é o caso de silos de estocagem de grãos, de forma que consideram-se os gastos de fretes como essenciais ao processo produtivo do contribuinte.
ALOCAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS E CUSTOS COMUNS A OPERAÇÕES SUJEITAS OU NÃO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO.
É livre a determinação do critério de rateio dentro do regime não cumulativo para apropriar créditos comuns a operações que resultem em possibilidade de ressarcimento e nas que não o permitam, desde que atendam aos princípios de razoabilidade contábil. Não se confunde com as hipóteses de alocação de créditos entre o regime não cumulativo e cumulativo, estes previstos em lei.
FRETE SOBRE PRODUTOS ACABADOS. MOVIMENTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
As previsões de possibilidade de auferimento de créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS, determinadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a despesas de frete e armazenamento referem-se exclusivamente às operações de vendas ou ao custo de aquisição de insumos e bens para a revenda. Gastos com produtos acabados não podem ser classificados como insumos, e gastos na movimentação e armazenagem de produtos acabados que ainda não foram vendidos não podem ser considerados como operações de vendas que pressupõe comprador certo e ponto de entrega contratado.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais.
Numero da decisão: 3102-003.549
Decisão: Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: a) aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo; b) refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001; c) afastar a glosa de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; d)afastar a glosa de embalagens de transporte; e) afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; f) afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS; g) afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem; h)Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360(trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito; h) despesas com coleta e tratamento de resíduos industriais; e i) serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: a) frete de mercadorias para revenda; e b) insumos de serviços de recargas de extintores na unidade produtiva. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.520, de 20 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10925.900008/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE, INCONSTITUCIONALIDADE E OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula Carf nº 2. CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL DO CRÉDITO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA A resistência injustificada da autoridade tributária em processos de ressarcimento caracteriza-se pelo decurso de prazo superior a 360 dias, contado da data de formalização do pedido. Aplicação da Lei nº 11.457/2007. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS UTILIZADAS NA PRODUÇÃO. CUSTOS E DESPESAS DE MANUTENÇÃO. As despesas de aquisição de itens que atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção compõem os créditos admissíveis pela aquisição de insumos, assim como os itens, partes e peças, e despesas necessárias à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens ou serviços, desde que atendam ao critério de item de consumo e não devam ser depreciados por força da normativa contábil e fiscal correspondente. CONCEITO DE INSUMO. MANUTENÇÃO PREDIAL. INAPLICABILIDADE. Os gastos e despesas necessários à manutenção predial de instalações do contribuinte não podem ser classificados como insumos, mesmo que na instalação em questão ocorra a produção de bens ou serviços para a venda. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os gastos e despesas com serviços somente podem gerar créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS caso atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção. CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. EMBALAGENS. As embalagens necessárias apenas ao transporte de produtos acabados não dão direito ao crédito no regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS, por serem custos após o término do processo produtivo, por outro lado, o conceito de embalagem como parte do processo produtivo e sua caracterização como insumo deverá ser avaliado casuisticamente conforme o ponto de vista do estabelecimento produtor e a forma de apresentação do produto final, conforme seja destinado ao atacado ou ao varejo. Neste caso deve-se considerar a embalagem como insumos mesmo que não seja destinada ao consumidor final. INSUMOS UTILIZADOS EM BENS VENDIDOS COM SUSPENSÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. INAPLICABILIDADE. Apenas os créditos relacionados às operações que atendam aos requisitos do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, devem ser estornados, e assim deve-se aplicar o disposto no § 1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. Há direito ao crédito para a apuração não cumulativa de PIS/COFINS, referente às despesas de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições do PIS/COFINS, nos termos da Súmula CARF nº 188. FRETES DE RETORNO DE ARMAZENAGEM. ATIVIDADE DE COOPERATIVA AGRÍCOLA. A atividade de cooperativa agrícola envolve o recebimento de diversos bens de cooperados, e outros, que podem ser armazenados para posterior processamento, mesmo quando esta armazenagem dá-se em estabelecimentos de terceiros, como é o caso de silos de estocagem de grãos, de forma que consideram-se os gastos de fretes como essenciais ao processo produtivo do contribuinte. ALOCAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS E CUSTOS COMUNS A OPERAÇÕES SUJEITAS OU NÃO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. É livre a determinação do critério de rateio dentro do regime não cumulativo para apropriar créditos comuns a operações que resultem em possibilidade de ressarcimento e nas que não o permitam, desde que atendam aos princípios de razoabilidade contábil. Não se confunde com as hipóteses de alocação de créditos entre o regime não cumulativo e cumulativo, estes previstos em lei. FRETE SOBRE PRODUTOS ACABADOS. MOVIMENTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As previsões de possibilidade de auferimento de créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS, determinadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a despesas de frete e armazenamento referem-se exclusivamente às operações de vendas ou ao custo de aquisição de insumos e bens para a revenda. Gastos com produtos acabados não podem ser classificados como insumos, e gastos na movimentação e armazenagem de produtos acabados que ainda não foram vendidos não podem ser considerados como operações de vendas que pressupõe comprador certo e ponto de entrega contratado. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais.
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SÚMULA CARF Nº 2. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade/inconstitucionalidade de leis regularmente editadas, tarefa privativa do Poder Judiciário. Aplicação da Súmula Carf nº 2. CORREÇÃO MONETÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA ESCRITURAL DO CRÉDITO NO REGIME NÃO CUMULATIVO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DA AUTORIDADE FAZENDÁRIA A resistência injustificada da autoridade tributária em processos de ressarcimento caracteriza-se pelo decurso de prazo superior a 360 dias, contado da data de formalização do pedido. Aplicação da Lei nº 11.457/2007. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS UTILIZADAS NA PRODUÇÃO. CUSTOS E DESPESAS DE MANUTENÇÃO. As despesas de aquisição de itens que atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção compõem os créditos admissíveis pela aquisição de insumos, assim como os itens, partes e peças, e despesas necessárias à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens ou serviços, desde que atendam ao critério de item de consumo e não devam ser depreciados por força da normativa contábil e fiscal correspondente. Fl. 8965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 2 CONCEITO DE INSUMO. MANUTENÇÃO PREDIAL. INAPLICABILIDADE. Os gastos e despesas necessários à manutenção predial de instalações do contribuinte não podem ser classificados como insumos, mesmo que na instalação em questão ocorra a produção de bens ou serviços para a venda. CONCEITO DE INSUMOS. SERVIÇOS. Os gastos e despesas com serviços somente podem gerar créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS caso atendam ao teste de essencialidade ou de relevância à produção. CONCEITO DE INSUMO. BENS APLICADOS A PRODUÇÃO. EMBALAGENS. As embalagens necessárias apenas ao transporte de produtos acabados não dão direito ao crédito no regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS, por serem custos após o término do processo produtivo, por outro lado, o conceito de embalagem como parte do processo produtivo e sua caracterização como insumo deverá ser avaliado casuisticamente conforme o ponto de vista do estabelecimento produtor e a forma de apresentação do produto final, conforme seja destinado ao atacado ou ao varejo. Neste caso deve-se considerar a embalagem como insumos mesmo que não seja destinada ao consumidor final. INSUMOS UTILIZADOS EM BENS VENDIDOS COM SUSPENSÃO. ESTORNO DE CRÉDITOS. INAPLICABILIDADE. Apenas os créditos relacionados às operações que atendam aos requisitos do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, devem ser estornados, e assim deve-se aplicar o disposto no § 1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS ÀS CONTRIBUIÇÕES PIS/COFINS. Há direito ao crédito para a apuração não cumulativa de PIS/COFINS, referente às despesas de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições do PIS/COFINS, nos termos da Súmula CARF nº 188. FRETES DE RETORNO DE ARMAZENAGEM. ATIVIDADE DE COOPERATIVA AGRÍCOLA. A atividade de cooperativa agrícola envolve o recebimento de diversos bens de cooperados, e outros, que podem ser armazenados para posterior processamento, mesmo quando esta armazenagem dá-se em estabelecimentos de terceiros, como é o caso de silos de estocagem de Fl. 8966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 3 grãos, de forma que consideram-se os gastos de fretes como essenciais ao processo produtivo do contribuinte. ALOCAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS E CUSTOS COMUNS A OPERAÇÕES SUJEITAS OU NÃO AO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. É livre a determinação do critério de rateio dentro do regime não cumulativo para apropriar créditos comuns a operações que resultem em possibilidade de ressarcimento e nas que não o permitam, desde que atendam aos princípios de razoabilidade contábil. Não se confunde com as hipóteses de alocação de créditos entre o regime não cumulativo e cumulativo, estes previstos em lei. FRETE SOBRE PRODUTOS ACABADOS. MOVIMENTAÇÃO ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CENTROS DE DISTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS REGIME NÃO CUMULATIVO. IMPOSSIBILIDADE. As previsões de possibilidade de auferimento de créditos no regime não cumulativo do PIS/COFINS, determinadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, em relação a despesas de frete e armazenamento referem-se exclusivamente às operações de vendas ou ao custo de aquisição de insumos e bens para a revenda. Gastos com produtos acabados não podem ser classificados como insumos, e gastos na movimentação e armazenagem de produtos acabados que ainda não foram vendidos não podem ser considerados como operações de vendas que pressupõe comprador certo e ponto de entrega contratado. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado em votar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: a) aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo; b) refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001; c) afastar a glosa de partes e peças Fl. 8967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 4 utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; d)afastar a glosa de embalagens de transporte; e) afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; f) afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS; g) afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem; h)Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360(trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito; h) despesas com coleta e tratamento de resíduos industriais; e i) serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo; e ii) por voto de qualidade, para manter as glosas sobre: a) frete de mercadorias para revenda; e b) insumos de serviços de recargas de extintores na unidade produtiva. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa, Sabrina Coutinho Barbosa e Joana Maria de Oliveira Guimarães. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-003.520, de 20 de março de 2026, prolatado no julgamento do processo 10925.900008/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Luis Cabral, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Fabio Kirzner Ejchel, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que julgou o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao suposto crédito de COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. A Recorrente tomou ciência do Acórdão de Primeira Instância e apresentou Recurso Voluntário solicitando, em síntese: Fl. 8968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 5 a) Reformar a decisão da DRJ09, que julgou parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade e, por conseguinte, deferir o ressarcimento do crédito pleiteado; e b) Atualizar o crédito, pela taxa Selic, desde o 361º dia a partir do protocolo até o efetivo ressarcimento. Este é o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, tomo conhecimento dele, apenas parcialmente em razão do que passarei a expor. Há no Recurso Voluntário irresignação da Recorrente contra glosa realizada pela Autoridade Tributária, a respeito de créditos decorrentes da aquisição de bens para a revenda de cooperados, e que a fundamentação normativa para a glosa teria sido os incisos I e II, do art. 23, da IN SRF nº 635, de 24 de março de 2006. Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Alega a Recorrente que utilizar a referida Instrução Normativa feriria o Princípio da Legalidade pois tal restrição não existiria nas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o que importa alegar ilegalidade da referida normativa, ou mesmo sua inconstitucionalidade por descumprimento da hierarquia das leis. O art. 26-A, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, veda a apreciação de constitucionalidade ou ilegalidade de Lei ou de Ato Normativo no curso do processo administrativo fiscal. Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, Fl. 8969DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 6 lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Este tema também já se encontra sumulado, e a Súmula CARF nº 2, afasta a apreciação destas alegações no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. “Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005” Não havendo outras argumentações da Recorrente sobre este tema, não conheço do Recurso Voluntário as alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativas e, consequentemente, das alegações contra a glosa de gastos com aquisições de bens de cooperados para revenda. Mérito Bens que não se enquadram no conceito de insumo A Recorrente insurge-se contra as glosas de créditos referentes às aquisições dos seguintes bens, por considera-los enquadrados no conceito de insumos: i. Material utilizado na manutenção de edificações e construções industriais ii. Peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos. iii. Materiais de embalagem – filme strech e pallets. iv. Gás GLP utilizado como combustível no processo industrial. A Autoridade Tributária utilizou-se dos critérios das IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 e 404, de 12 de março de 2004. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância já atendeu em seu julgamento ao determinado no RESP 1.221.170/PR, onde o Superior Tribunal de Justiça estabeleceu que o conceito de insumo deveria ser avaliado segundo os critérios de essencialidade e relevância, mas manteve as glosas em relação a gastos com aquisição de peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos, por entender que não estava demonstrado nos autos que estas Fl. 8970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 7 peças seriam destinadas a máquinas ou equipamentos que estivessem envolvidos no processo produtivo, como podemos constatar pelo trecho a seguir reproduzido do Acórdão Recorrido: Em relação à glosa de aquisições de peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos, observe-se que não há que se perquirir sobre a existência do direito ao crédito em função do julgado do STJ. Note-se que desde há muito a Secretaria da Receita Federal do Brasil tem considerado que os bens e serviços utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado diretamente responsáveis pelo processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros podem ser considerados insumos, mesmo enquanto vigentes as disposições restritivas ao conceito de insumos da Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, e da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004. Desta feita, no caso em tela, admissível seria o aproveitamento de crédito em relação à aquisição de peças utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos da produção, desde que tal manutenção não resultasse em acréscimo da vida útil do bem em mais de um ano (caso em que o valor do custo da peça utilizada deve ser capitalizado no valor do bem manutenido e incorporado ao ativo imobilizado). Todavia, a partir do que consta dos autos, não é possível determinar que as peças cujas aquisições foram glosadas foram efetivamente utilizadas na manutenção de bens do ativo imobilizado diretamente responsáveis pelo processo de produção de bens destinados à venda. Note-se que as descrições dos itens glosados são imprecisas e genéricas (do tipo: “MANGUEIRA”; “ROLAMENTO”; “DOBRADICA VAI VEM 4"”; “ELEMENTO FILTRANTE NORGEN 4344-01”; “MATERIAL METAL MECÂNICO”) e, de outra banda, nada trouxe a interessada em sua manifestação de inconformidade a fim de demonstrar e especificar suas utilizações. Por sua vez, a Recorrente assim argumenta em seu Recurso Voluntário: É que, contrariamente do que ela afirma, a recorrente acostou nos autos elementos que comprovam a utilização das referidas peças em seu processo produtivo. Inicialmente, há de se observar os documentos relacionados no Anexo IV-B da Manifestação de Inconformidade. No referido anexo, a recorrente tratou de juntar todos os documentos que comprovam a aquisição dos bens e sua respectiva escrituração contábil. São eles: i) notas fiscais relativas às aquisições dos bens; ii) razão contábil que consigna o registro desses bens em contas de estoque ou diretamente em contas de custo da produção; iii) em relação aos produtos que por ocasião da aquisição transitam por contas de estoque, o “boletim de produção”, que demonstra a baixa do bem da conta de estoque para contas de custo de produção; e iv) razão contábil que consigna o registro do “boletim de produção”. Assim, pelos documentos acima listados, é possível identificar que os itens em tela integram o custo da produção, uma vez que foram contabilizados em contas de resultado, pertencentes ao grupo do custeio da produção, sendo que na contabilidade toda e qualquer operação realizada (compra, venda, despesa, receita etc.) é registrada de acordo com a sua natureza e seus respectivos valores. Se não bastasse isso, como se verifica no Anexo A da Manifestação de Inconformidade, no qual foram acostados os descritivos técnicos das atividades desenvolvidas pela recorrente, para a consecução dos processos produtivos, são necessárias inúmeras máquinas e equipamentos, os quais, sem dúvidas, necessitam de manutenções periódicas, a fim de constarem em boas condições de funcionamento para o desenvolvimento das operações. Nesse cenário, dentre as manutenções realizadas nas máquinas e equipamentos fabris da recorrente, está a troca de peças que compõem os referidos bens. Fl. 8971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 8 Portanto, é por demais claro que, as peças utilizadas nas manutenções de máquinas e equipamentos são caracterizadas como insumos essenciais ao processo produtivo da recorrente, as quais, havendo a subtração, se inviabiliza a realização das atividades produtivas. De fato, nos anexos à Manifestação de Inconformidade, encontramos um laudo descritivo do processo produtivo, de e-fls. 123 a 260, e nas folhas de 527 a 547, uma planilha relacionando os documentos fiscais de aquisição às diversas etapas do processo produtivo, e ainda a sua contabilização nos custos de produção e os documentos fiscais associados por amostragem, conforme as e-fls. 558 a 566. Entendo que a demonstração da aplicação das peças relacionadas à manutenção de máquinas no processo produtivo da Recorrente foi corretamente cumprida pela ela e, tendo em vista que a apropriação de créditos decorrentes da aquisição de peças para manutenção de máquinas utilizadas na produção é matéria incontroversa, tendo sido expressamente reconhecida no Acórdão Recorrido, dou razão a Recorrente neste ponto. Com relação à manutenção predial de edifícios utilizados no processo industrial, os créditos pleiteados são indevidos, pois estes bens teriam de ser reconhecidos no valor do ativo imobilizado e serem depreciados conforme as regras próprias a este tipo de crédito, e jamais como insumos no mesmo exercício em que foram adquiridos ou consumidos, de forma que entendo sem razão à Recorrente. Com relação aos materiais de embalagem (filme strech e palletes), a Autoridade Julgadora de Primeira Instância não os considerou como essenciais ou relevantes ao processo produtivo, por estes serem necessários ao transporte dos produtos já acabados e, por outro lado, a Recorrente limita-se a reproduzir jurisprudência administrativa favorável deste CARF. A lista de glosas nesta rubrica refere-se a itens que são utilizados no transporte de produtos acabados, o que poderia justificar as glosas por serem aplicados ao final do processo produtivo, como de fato ocorreu. No entanto, entendo que a atividade produtiva do contribuinte e o conceito de embalagem de apresentação final do produto para a venda deve ser avaliado dentro do mesmo nível de mercado que o contribuinte atua. Explico. Um produtor que envia seus produtos diretamente para venda a varejo, usualmente são pequenas empresas, ou mesmo artesanais, encerra sua produção com a colocação do produto na embalagem para o seu cliente final, no caso o consumidor de varejo, no entanto, grandes produtores, ou indústria, têm como seu cliente específico grandes atacadistas, que não estão interessados em receber os produtos individualmente, ou os recebem a granel, e não em sacos de um quilo individualmente, neste caso, querem receber o produto em pallets ou em outra forma agregada que atenda a suas exigências logísticas e de armazenagem. Fl. 8972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 9 Assim, entendo que a conclusão do processo produtivo com a colocação da embalagem de venda deve ser analisada segundo a perspectiva do cliente consumidor daquele produto, no nível comercial em que a transação está se desenrolando, de forma que a utilização de pallets, big bags e outros itens necessários à embalagem de venda nestas condições não podem ser vistas como mera embalagens de transporte, mas como exigências da própria venda ao cliente de destino, de forma que considero com razão à Recorrente neste ponto e reverto estas glosas. Com razão à Recorrente, neste ponto. Com relação ao uso do GLP, este é destinado a empilhadeiras que participam da movimentação interna dos processos de padronização e de processamento da matéria prima, dentro das instalações da própria Recorrente. Apesar de estas atividades poderem ser consideradas como necessárias à armazenagem de produtos intermediários, ou produtos inacabados, não se pode negar que são plenamente compatíveis com a atividade produtiva da Recorrente, conforme bem demonstrado no laudo de e.fls- 123 a 260, e são essenciais e relevantes à movimentação destes produtos em diversas fases do processo produtivo, de forma que considero que estes gastos sejam reconhecidos como insumos. Com razão à Recorrente, neste ponto. Serviços que não se enquadram no conceito de insumo Os serviços glosados pela Autoridade Tributária e que foram mantidas pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância, são as seguintes: i. Serviços de recarga de extintores, ii. Serviços de confecção de placas e painéis identificativos e indicativos, iii. Locação de software, iv. Serviço de coleta e tratamento de resíduos industriais. v. Serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo. Inicialmente o conceito de insumo, para fins de aplicação do inciso II, do artigo 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002 era aquele definido nas IN SRF 247/2002 e 404/2004, onde este conceito era restrito apenas ao que fosse consumido no processo de produção do bem ou mercadoria, que seria vendido pela empresa, ou Fl. 8973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 10 tivesse um vínculo direto com o resultado da produção, como podemos atestar pela transcrição abaixo: “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I - das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) (...) § 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 358, de 09 de setembro de 2003)”. IN RFB nº 247/2002 Ou seja, a premissa básica para a aceitação de um item como insumo era que, ao final do processo produtivo, e estando totalmente integrada ao produto, ambos, matéria prima/insumo e produto final, tornassem-se indiferenciados em detrimento das características necessárias à identificação da matéria prima/insumo como um item diferenciável, quer por ter sido consumida no processo, quer por ser parte integral indissociável do produto. Esta abordagem era coincidente com o conceito adotado para o IPI, mais restrito e compatível com o fato gerador deste tributo que restringe-se à produção industrial. A decisão proferida no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, além de considerar as IN SRF nº 247/2002 e 404/2004 ilegais, também estabeleceu as bases para se determinar o conceito de insumo, para fins de aplicação do inciso II, dos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, e teve seu conteúdo adotado pela Administração Tributária, através da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, e pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05, de 17 de dezembro de 2018, onde encontramos que o conceito de insumo deve atender às condições de essencialidade ou de relevância do bem sob análise, conforme podemos ver na reprodução do § 10, do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, abaixo, e que destaca o esclarecedor texto da Ministra Regina Helena Costa: Fl. 8974DF CARF MF Original http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485332 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485332 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485342 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485342 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485343 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485343 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485344 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485344 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485345 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=15250#485345 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 11 “Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão)”(grifo nosso) Se por um lado a adoção dos critérios de essencialidade e relevância apresentou- se como um afastamento dos conceitos admitidos pelo IPI, por outro lado, não ampliou tanto o conceito de insumos a ponto de transformá-lo num tipo de despesa dedutível típica da legislação do IRPJ, o que representaria equiparar o regime não cumulativo do PIS/COFINS a tipo de apuração sobre o lucro. A base de cálculo destas contribuições está claramente definida nos art. 1º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, de redação semelhante, e que reproduzo abaixo. Art. 1º A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Vemos que a referida base de cálculo abarca todas as receitas auferidas pelo contribuinte, no entanto, os créditos possíveis de serem descontados na apuração não cumulativa são mais restritos, pois são os presentes na lista exaustiva dos art. 3º, das referidas Leis destas contribuições. Assim, ainda que a definição do conceito de insumos tenha ampliado o escopo, a ponto de flexibilizar o critério adotado pelo IPI e considerar outros gastos relacionados à produção, de forma alguma estes gastos podem avançar sobre outros descritos nos art. 3º, de ambas as Leis, ou introduzir novos grupos de despesas que já não estejam previstas no artigo que estabelece os créditos que possam ser utilizados na apuração não cumulativa do PIS/COFINS. Fl. 8975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 12 Desta forma, insumos são todos os gastos relacionados à produção de bens ou serviços, que atendam aos critérios de essencialidade e relevância, desde que estes gastos não tenham um tratamento próprio determinado na legislação de PIS/COFINS, ou refiram-se a outros grupos de despesas que não estejam expressamente previstos como passíveis de creditamento no regime não cumulativo, sob pena de se inaugurar na apuração do PIS/COFINS o estabelecimento de uma apuração sobre o lucro. Entendo que os serviços que tiveram a sua glosa mantida pela Autoridade Julgadora de Primeira Instância possuem uma relação de essencialidade ou relevância para o processo produtivo, exceto a coleta de resíduos industriais e o transporte de peças do processo produtivo para reparo, sendo referentes a uma atuação menos específica da atividade empresarial, notadamente relacionadas com segurança das instalações, organização administrativa e outras estranhas a produção de bens e serviços. Sendo assim, considero sem razão à Recorrente. Insumos utilizados em bens vendidos com suspensão A Autoridade Tributária aplicou glosas sobre os créditos decorrentes da aquisição de insumos relacionados à produção de produtos com a tributação suspensa por força da alínea b, do inciso I, do art. 54, da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010. Art. 54. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I – insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos: (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) a) para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; b) para pessoas jurídicas que produzam preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; e c) para pessoas físicas; II – preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III – animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM; Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I – não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II – aplicar-se-á nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 55. As pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM, destinadas a exportação, poderão descontar da Contribuição para o Fl. 8976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 13 PIS/Pasep e da Cofins devidas em cada período de apuração crédito presumido, calculado sobre: I – o valor dos bens classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vigência) II – o valor das preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física; III – o valor dos bens classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto nos incisos I a III do caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4º do art. 3º da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem os incisos I e II do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 4º O montante do crédito a que se referem o inciso III do caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação sobre o valor das mencionadas aquisições de percentual correspondente a 30% (trinta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 5º É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1º deste artigo o aproveitamento: I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo, exceto em relação às receitas auferidas com vendas dos produtos classificados nas posições 23.04 e 23.06 da NCM. (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). A referida suspensão foi regulamentada pela IN RFB nº 1.157, de 16 de maio de 2011, nos termos dos seus art. 2º e 3º. Art. 2º Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de: I - insumos de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e nas posições 12.01, 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); II - preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM; III - animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM; e IV - produtos classificados nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM. § 1º A aplicação da suspensão de que trata o caput observará as disposições dos arts. 3º e 4º desta Instrução Normativa. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Fl. 8977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 14 § 3º Aplica-se o disposto neste artigo, também, à receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, dos bens referidos nos incisos do caput, quando estes tiverem sido importados, observado o disposto no art. 18. Seção II Das Pessoas Jurídicas que Efetuam Vendas com Suspensão Art. 3º A suspensão do pagamento das contribuições, na forma dos arts. 2º e 4º, alcança as vendas: I - dos produtos referidos no inciso I do art. 2º, somente quando efetuadas por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, para as pessoas referidas no inciso I do art. 4º; II - dos produtos referidos no inciso III do art. 2º, somente quando efetuadas por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, para as pessoas jurídicas referidas no inciso II do art. 4º; e III - dos produtos referidos no inciso IV do art. 2º, somente quando efetuadas por pessoa jurídica revendedora ou que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.03 e 01.05 da NCM. § 1º Conforme determinação do inciso II do § 5º do art. 55 da Lei nº 12.350, de 2010, a pessoa jurídica vendedora dos produtos de que tratam os incisos I a III do art. 2º, deverá estornar os créditos referentes à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição de insumos vinculados a produtos vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma dos referidos incisos do art. 2º. (...) A Autoridade Tributária assim descreveu a glosa e a metodologia utilizada: Conforme laudo técnico do processo produtivo apresentado, arquivo “Indústria de Rações_2011.pdf”, verifica-se que a interessada fabrica e vende rações classificadas no código 2309.09 da NCM, para alimentação de aves, bovinos e suínos. Ressalte- se, no entanto, que apenas as vendas de rações para alimentação de aves e suínos são efetuadas com a suspensão do pagamento das contribuições, nos termos do art. 54, II, da Lei nº 12.350/2010, e art. 2º, II, da IN RFB nº 1.157/2011. Tendo em vista que a interessada vende com suspensão rações para aves e suínos, impõe-se a ela o dever de estornar os créditos decorrentes da aquisição dos insumos utilizados na fabricação dessas rações vendidas com suspensão, conforme determina o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157/2011. Considerando que os insumos utilizados para a fabricação de rações para aves, bovinos e suínos são comuns, e que a interessada não dispõe de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessária para segregar os custos (insumos) vinculados às rações vendidas com ou sem suspensão, o estorno de que trata o § 1º do art. 3º da IN RFB nº 1.157/2011 foi realizado mediante rateio, excluindo-se os créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na fábrica de rações proporcionalmente às vendas de rações com suspensão. Apresenta uma tabela com a demonstração do referido rateio que sustentou a glosa. Fl. 8978DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 15 Já no Recurso Voluntário, alega-se que a Decisão de Primeira Instância teria deixado claro que a glosa foi baseada unicamente na previsão da Instrução Normativa, e também que a manutenção da referida glosa implicaria em se impedir a recuperação de todos os créditos envolvidos na cadeia negocial de produtos importados. Além disto, também alega o seguinte: E, ao que indica os dispositivos legais, o estorno do crédito somente é devido sobre a ração utilizada na alimentação de suínos e aves, em relação às vendas desses produtos para as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam as mercadorias classificadas nos códigos 02.03 (carcaças e cortes de suínos), 0206.30.00 (miudezas de suínos), 0206.4 (outras miudezas de suínos), 02.07 (carnes e miudezas de aves) e 0210.1 (carnes e miudezas de suínos salgadas), destinadas à exportação. Dito de outro modo, a lei exige o estorno somente em relação às receitas de vendas de produção efetuadas com suspensão para a indústria frigorífica de suínos e aves, que exporte os produtos adquiridos. Quando o adquirente das mercadorias for pessoa jurídica ou cooperativa, com ramo diverso, ou seja, que não frigorífico de suínos e aves, e para pessoa física, não se exige o estorno do crédito em relação a essas vendas. Pois bem. Via de regra, é possível manter os créditos decorrentes da aquisição de insumos para a produção de bens que serão vendidos na próxima etapa da cadeia produtiva sob regime suspensivo, por força da aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Por óbvio que a Instrução Normativa utilizada para fundamentar a glosa não seria suficiente para sobrepor a determinação legislativa acima reproduzida, mas não é o caso, pois o §1º, do art. 3º, da IN RFB nº 1.157/2011, tem como fundamento legal o inciso II, do § 5º, do art. 55, da Lei nº 12.350/2010, já reproduzido acima, do qual destaco que trata-se de uma Lei Ordinária, de mesma hierarquia da Lei nº 11.033/2004, posterior e mais específica do que esta, de forma que este dispositivo poderia suplantar o comando legal anterior. Mas veremos que não é o caso da Recorrente. A repetição de um texto legal numa Instrução Normativa que regulamenta uma Lei sem detalhá-lo, e inserido num contexto não muito claro, é o responsável pela divergência de interpretação entre o Fisco e o contribuinte. O art. 54, da Lei nº 12.350/2010, de fato, institui a suspensão do PIS/COFINS a que temos nos referido, mas o art. 55, não é a sua continuação. Na verdade, trata de assunto diverso, pois estabelece procedimentos para determinadas situações específicas que seriam a venda a empresas exportadoras, que produzam mercadorias destinadas à exportação, das seguintes classificações fiscais: Fl. 8979DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 16 02.03 – Carnes de animais da espécie suína, frescas, refrigeradas ou congeladas. 0206.30.00 -Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas. - Da espécie suína, frescas ou refrigeradas 0206.4 - Miudezas comestíveis de animais das espécies bovina, suína, ovina, caprina, cavalar, asinina e muar, frescas, refrigeradas ou congeladas. Da espécie suína, congeladas 02.07 - Carnes e miudezas, comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas, das aves da posição 01.05. 0210.1 - Carnes e miudezas, comestíveis, salgadas ou em salmoura, secas ou defumadas; farinhas e pós, comestíveis, de carnes ou de miudezas. Carnes da espécie suína: Ou seja, produtos de carnes de animais já abatidos para a exportação. Assim, a única leitura que permitiria à IN RFB nº 1.157/2011 afastar a possibilidade de manutenção de créditos na aquisição de insumos para a produção de bens que serão vendidos com suspensão, seria ater-se exclusivamente à limitação do dispositivo utilizado como sua fundamentação legal, e que estabelece apenas alguns casos específicos de vendas no mercado interno às quais se aplica. Desta forma, tanto a fundamentação da glosa, como o critério de rateio, adotado para afastar os créditos referentes a este tipo de insumo, deveria considerar apenas as vendas identificáveis a empresas exportadoras de produtos a serem exportados, e que atendam à classificação fiscal presente na Lei. Assim, errou a Autoridade Tributária ao considerar a totalidade das vendas no mercado interno para estabelecer a proporção de créditos admissíveis, de maneira que dou razão à Recorrente para afastar esta glosa. Fretes Vinculados a aquisições de cooperados e a aquisições de bens de pessoas físicas São duas situações diferentes, a primeira referente aos fretes de aquisições de mercadorias para a revenda, cujos fornecedores são pessoas físicas, temos uma operação não tributada pelo PIS/COFINS, típica das cooperativas agropecuárias que adquirem bens de produtores rurais para a revenda, e que apesar de não ser tributada pelas contribuições, a operação de frete compõe o esforço da Recorrente de assumir a posse e direito sobre os respectivos bens para que estes estejam disponíveis para serem integrados à sua atividade negocial. As glosas referentes aos créditos sobre fretes para o transporte de mercadorias e produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições do PIS/COFINS, resolve-se pela aplicação da Súmula CARF nº 188: Fl. 8980DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 17 Súmula CARF nº 188 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 20/06/2024 – vigência em 27/06/2024 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Acórdãos Precedentes: 9303-014.478; 9303-014.428; 9303-014.348 Assim, as glosas referentes a este item devem ser revertidas nos termos da Súmula CARF nº 188. Quanto ao segundo ponto que é a aquisição de bens de cooperados, sendo a Recorrente cooperativa agrícola, submete-se ao previsto no § único, do art. 79, da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RE 1.164.716/MG, julgado em sede de Recursos Repetitivos, nos termos do art. 543-C, do CPC, e transitado em julgado em 22 de junho de 2016, definiu que sobre o ato cooperativo não incidem as contribuições do PIS/COFINS. O art. 8º, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2024, estabelece o crédito presumido para as cooperativas agrícolas: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 14.943, de 2024) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 8981DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 18 II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Então temos a norma geral sobre a tributação de PIS/COFINS de cooperativas, que possuem suas operações de atos cooperados sujeitos à não incidência, de forma mantenho a glosa referente a créditos devidos a aquisição de cooperados e, da mesma forma, aplica-se a Súmula CARF, acima já referida, para o frete. Fretes de remessa e retorno para armazenagem Neste ponto, assim explica a Autoridade Tributária a motivação para a glosa: Em análise da memória de cálculo apresentada, arquivo “Linha 7 – Despesas de Armazenagem e Fretes s Vendas.xlsx”, verificou-se que foram considerados como despesas de armazenagem os fretes para remessa e retorno de mercadoria para armazenagem. No entanto, tais fretes para remessa e retorno não se confundem com despesas de armazenagem. Consistem, na realidade, em despesas gerais de transporte entre as unidades da cooperativa, não gerando direito a crédito por ausência de previsão legal, conforme exposto no tópico 2.3.2 deste despacho. Dessa forma, foram glosados todos os fretes para remessa e retorno discriminados na aba “Despesas_Armazenagem_07” da memória de cálculo apresentada. O total subtraído, pelo critério exposto, do valor da Linha 07, fichas 06A e 16A do Dacon(despesas de armazenagem e fretes na operação de venda), foi, no trimestre, de R$ 313.627,06 . A Recorrente alega o seguinte: Nesse ponto, argumenta a fiscalização que “embora o inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permita o desconto de créditos sobre a armazenagem de mercadoria, não há previsão legal para o desconto de créditos relativos aos fretes para a remessa e o retorno. Tais fretes consistem em despesas gerais de transporte, não se confundindo com despesas de armazenagem”. Ao analisar a questão, a DRJ09 manteve a glosa efetuada por entender que tal serviço de frete “não consiste de serviço utilizado como insumo, haja vista não integrar ou ocorrer durante o processo produtivo da empresa; e, como afirma a autoridade fiscal, não se confundem com as despesas de armazenagem de mercadorias, ou seja, com os custos de manutenção e permanência das mercadorias em armazéns e depósitos, antes ou depois de finalizado o processo de produção do bem destinado à venda”. Data vênia, não assiste razão a turma julgadora. Do contrário do que afirma a DRJ recorrida, tais gastos ocorre sim durante o processo produtivo da recorrente, sendo, portanto, passíveis de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, seja pelo inciso II, seja pelo inciso IX, do art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 8982DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 19 Como se explicou em sede de Manifestação de Inconformidade, a recorrente, na condição de cooperativa de produção agropecuária, exerce, dentre outras, a atividade econômica de recebimento, armazenamento, beneficiamento e comercialização de grãos (produção agrícola - milho, soja, trigo, feijão, etc.). É sabido que a produção agrícola (grãos em geral) é sazonal, sendo que nos períodos de safra o volume de grãos recebidos pela cooperativa aumenta substancialmente e, por vezes, a estrutura de armazenagem instalada não é suficiente para a estocagem da produção recebida. Há que se considerar, ainda, que a conservação dos cereais e a manutenção de sua qualidade depende, essencialmente, das condições de armazenamento. Para garantir um armazenamento adequado dos produtos recebidos dos seus cooperados, principalmente nos períodos em que a produção colhida excede a capacidade de armazenagem instalada, a COOPERALFA se utiliza de armazéns de terceiros para estocar parte dos produtos. Os cereais (milho, soja e trigo) estocados em armazéns de terceiros, posteriormente, retornam para a cooperativa, que os industrializa, ou seja, são utilizados como matéria-prima na fábrica de rações, na fábrica de farelo e óleo de soja, no moinho de trigo e no empacotamento de feijão, etc. Nesse contexto, a remessa dos grãos para estocagem em armazéns de terceiros e o posterior retorno para a cooperativa, demanda de serviços de transporte, que são contratados junto a pessoas jurídicas e o seu ônus é suportado pela COOPERALFA. Neste ponto, entendo que a Autoridade Tributária classificou erradamente o crédito pleiteado, em razão de sua designação ser expressamente citada no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003. Digo isto porque, no caso específico, este serviço de frete, na forma como explicado no Recurso Voluntário, deve ser considerado como insumo no processo produtivo da Recorrente e classifica-se o crédito no inciso II, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Dou razão à Recorrente, para reverter a glosa. Frete de Produtos Acabados e de Mercadoria para Revenda entre unidades da Recorrente Com relação às glosas sobre fretes referentes a transferência de produtos acabados para centros de distribuição, precisamos nos socorrer novamente ao Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, onde encontramos no seu parágrafo 56, o seguinte texto: “56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras.(grifo nosso)” Vemos que estes fretes não podem ser abarcados pelo conceito de insumo, mesmo quando consideramos uma interpretação mais ampla da atividade Fl. 8983DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 20 produtiva da empresa, nos termos dos conceitos de essencialidade e de relevância. Mas a alegação da Recorrente é de que estes fretes são parte do valor do frete para a venda, conforme disposto no inciso IX, do artigo 3º, da Lei nº 10.833/2004. O artigo 3º, da Lei nº 10.833/2004, em seu inciso IX, assim trata a apuração de créditos nas operações de vendas: “Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)” Vemos que a Lei refere-se especificamente à venda, que é uma relação jurídica específica onde se procede à transferência onerosa da propriedade de alguma coisa a terceiro, como podemos verificar no artigo 481, da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, o Código Civil. “Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.” Sendo assim, a única forma possível de se apropriar dos créditos previstos no inciso IX, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2004, seria a partir de despesas de frete relacionadas à transição do bem. “Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda.(Código Civil)” Como podemos ver no artigo 493, transcrito acima, o frete na operação de venda envolve o contrato que prevê local de entrega diverso da situação do bem no momento da venda, não havendo nenhum destes requisitos, não há porque estender o alcance da previsão legal a algo além do que já foi exposto. A propósito, o julgamento do REsp 1.221.170/PR, apesar de ter objeto diverso, por tratar-se apenas do conceito de insumos, aborda a similaridade entre os conceitos contábeis relativos à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, e entendeu-se por não ampliar o alcance desta definição pois implicaria em equiparar um regime de apuração não cumulativo de tributo a uma apuração sobre o lucro, em claro desconcerto com o objetivo de se amainar os impactos de uma tributação naturalmente regressiva, enquanto na tributação sobre o lucro, a sua natureza é ser ela progressiva. Vemos este ponto claramente no Voto Vogal do Ministro Mauro Campbel Marques, no mesmo REsp 1.221.170/PR. Fl. 8984DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 21 “No caso concreto, a recorrente pretende deduzir créditos a título de insumos os "Custo Gerais de Fabricação" (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção de EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e as "Despesas Gerais Comerciais" (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões). Segundo o conceito de insumo aqui adotado não estão incluídos os seguintes "custos" e "despesas" da recorrente: gastos com veículos, materiais de proteção de EPI, ferramentas, seguros, viagens, conduções, comissão de vendas a representantes, fretes (salvo na hipótese do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/03), prestações de serviços de pessoa jurídica, promoções e propagandas, telefone e comissões. É que tais "custos" e "despesas" não são essenciais ao processo produtivo da empresa que atua no ramo de alimentos, de forma que a exclusão desses itens do processo produtivo não importa a impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção e nem, ainda, a perda substancial da qualidade do serviço ou produto. Pelas considerações expostas, com todas as vênias do Min. Relator, que adotou a posição mais ampla de creditamento associada aos custos para efeito de IRPJ a qual foi rechaçada na Segunda Turma, dele DIVIRJO PARCIALMENTE PARA CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa parte, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para determinar o retorno dos autos à origem para que a Corte a quo analise a possibilidade de dedução de créditos em relação aos custos e despesas com água, combustível, materiais de exames laboratoriais e materiais de limpeza conforme o conceito de insumos definido acima. É como voto.”(grifo nosso) Assim, o alcance dos créditos referentes às despesas e custos relacionados ao processo produtivo, ou negocial da empresa precisam ater-se apenas à previsão legal, sob pena de mudarem a natureza da apuração tributária não cumulativa, para uma apuração alterada sobre o lucro, visto que implicaria também na apropriação de todos as receitas reduzidas de todas as despesas e custos necessários, mas desta vez ao invés de formarem a base de cálculo sobre a qual a alíquota do tributo incide, criaria uma tributação sobre o lucro pelos descontos de incidências tarifárias sobre todas as operações da empresa isolada e de forma individual, um ineditismo do Direito Tributário. Ademais, o tema já é objeto da Súmula CARF nº 217. Súmula CARF nº 217 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. Acórdãos Precedentes: 9303-014.190; 9303-014.428; 9303-015.015. Desta forma, considero sem razão à Recorrente. Fl. 8985DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 22 Devolução de Vendas atribuídas erroneamente apenas às operações tributadas no mercado interno Assim motivou as glosas a Autoridade Tributária: Em análise dos valores informados na Linha 12, fichas 06A e 16A do Dacon, constatou-se que o valor total do crédito apurado relativo a devoluções de vendas foi rateado de acordo com as receitas tributadas no mercado interno, receitas não- tributadas no mercado interno e receitas de exportação, nos termos do art. 3º, § 8º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. No entanto, tendo em vista que o inciso VIII do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar créditos em relação a bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto naquelas leis, conclui- se que todo o crédito em questão vincula-se necessariamente a receitas tributadas no mercado interno, não havendo possibilidade de apuração de créditos dessa natureza vinculados a receitas não-tributadas no mercado interno ou a exportação. Dessa forma, procedeu-se à realocação de todo o crédito apurado relativo a devolução de vendas para o mercado interno tributado. A Recorrente argumenta que não poderia ter se adotado a apropriação direta conforme procedeu a Autoridade Tributária, pois a legislação determinaria que o método a ser adotado seja uniforme em relação aos períodos de apuração registrados no SPED e, tendo adotado a fiscalização o método de rateio proporcional, não poderia, para este tópico específico, inovar na metodologia. A consequência disto é a diminuição proporcional de créditos que seriam ressarcíeis, posto que na forma procedida pela fiscalização, o peso seria maior para os créditos que são compensáveis. Segue em seu Recurso Voluntário, com a mesma argumentação: Data máxima vênia, o critério adotado pela autoridade fiscal, e entendido como correto pela DRJ recorrida, contraria frontalmente as disposições legais as quais determinam que, sem exceções, a apropriação dos créditos do PIS/Pasep e da Cofins deve se dar pelo método da apropriação direta ou pelo rateio proporcional. Esses são, pois, os métodos previstos na lei, um dos quais, à escolha do contribuinte, deve ser aplicado uniformemente em relação a todos os créditos informados no Sistema Público de Escrituração Digital (SPED) – EFD Contribuições – antigamente no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon. Com efeito, os §§ 7º, 8º e 9º, do art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, preveem que a evidenciação dos créditos vinculados à parcela da receita submetida à incidência não cumulativa e àquelas submetidas ao regime cumulativo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins deve se dar, a critério da pessoa jurídica, com base no método da apropriação direta OU do rateio proporcional. O resultado deste tópico abrange todas as realocações de créditos para fins de aplicação dos critérios de rateio proporcional, de forma a apurar o valor do crédito passível de ressarcimento. Fl. 8986DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 23 A Recorrente é uma cooperativa que aufere receitas que são classificáveis em três grupos: tributado no mercado interno, não tributado no mercado interno e de exportações. Vemos que o pedido inicial se refere ao ressarcimento de créditos que por não poderem ser compensados com os débitos referentes às contribuições do PIS/COFINS, na apuração do regime não cumulativo, são passíveis de serem pleiteados nesta modalidade. Assim, o art. 16, da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, combinado com o art. 17, da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, fundamentam o pedido de ressarcimento de créditos que não seriam compensáveis, no regime não cumulativo de PIS/COFINS, em decorrência da natureza da incidência destas contribuições nas operações relacionadas ao faturamento e receita bruta delas decorrentes. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei nº 11.033/2004) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (Lei nº 11.116/2005) O que significa dizer que havendo diversas naturezas de tributação nas operações que gerem receitas, haverá créditos que podem ser ressarcíveis e outros que não podem. Os créditos que contribuírem para o faturamento de transações que são tributadas no mercado interno somente podem ser utilizados na compensação de débitos no regime de apuração não cumulativo de PIS/COFINS, e os que não possuírem débitos a serem compensados, na apuração não cumulativa, podem ser ressarcidos. Ocorre que há créditos que são comuns a ambas as situações, e a prática da administração tributária é a de proceder ao rateio proporcional dos créditos que são comuns a transações de saída tributáveis e não tributáveis, e a apropriação direta, nos casos em que os créditos referirem-se exclusivamente a operações de saídas tributadas. Não podemos confundir esta modalidade de apropriação de créditos com aquela prevista nas Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e 10.833, de 29 de Fl. 8987DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 24 dezembro de 2003. Reproduzimos abaixo o texto da Lei nº 10.833/2003, de mesmo teor do mesmo artigo, da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não- cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. A Recorrente insurge-se contra a possibilidade de alteração do método de apropriação de créditos ressarcíveis entre as diversas possibilidades de tributação do PIS/COFINS, já mencionadas acima. Vemos que não cabe razão à Recorrente, pois a previsão legal por ela invocada diz respeito a diferentes modalidades de regime de apuração do PIS/COFINS, cumulativo ou não cumulativo, quando estes convivem dentro da atividade negocial do contribuinte, e no caso concreto, trata-se de uma tentativa da auditoria em adequar proporcionalmente o direito do contribuinte a ser ressarcido dos créditos pleiteados na ausência de um sistema integrado de controle de custos, que apontasse precisamente o quanto de cada insumo, ou bem para a revenda, depreciação de bens do ativo imobilizado, ou outras modalidades de gastos e despesas que dão direito ao crédito na apuração do regime não cumulativo e que a Lei exige que sejam relacionados às atividades produtivas ou negociais do contribuinte, geram créditos efetivamente ressarcíveis. Assim, não tem por que aplicar rateio proporcional a situações em que o crédito pode ser apropriado diretamente a uma determinada operação e forma de tributação, tendo em vista que aquele é uma forma mais imprecisa de superar a ausência de uma contabilidade detalhada de custos que permitisse alocar cada Fl. 8988DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 25 crédito referente ao regime não cumulativo aos seus respectivos débitos decorrentes da incidência do PIS/COFINS. Considero correta e legítima a metodologia aplicada pela Autoridade Tributária na busca pela certeza e liquidez dos créditos pleiteados pela Recorrente como ressarcíveis. Digo isto por entender que a determinação constante dos §§ 7º a 9º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, refere-se às situações de convivência do regime cumulativo e não cumulativo do PIS/COFINS, e não em relação aos métodos de atribuição de créditos que são ressarcíveis ou não, de forma que a Autoridade Tributária procedeu corretamente ao adotar uma metodologia válida para este fim, cabendo eventualmente à Recorrente a prova de que o correto seria outra metodologia, o que não fez. Crédito Extemporâneo, insumos importados Trata-se da seguinte questão, conforme descrito em Recurso Voluntário: Conforme o relatório fiscal, a fiscalização constatou que a recorrente apropriou na competência de fevereiro/2011, crédito extemporâneo referente à Declaração de Importação nº 06/14401118-0, com data de registro em 28/11/2006, e data de entrada em 01/02/2007. Informa a fiscalização que “o art. 3º, § 1º, inciso I, das Lei nº 10.833/2003, estabelece que o crédito relativo a bens para venda e bens utilizados como insumo será apropriado no mês da aquisição”. Em vista disso, a fiscalização optou por glosar, sob o fundamento de “ausência de permissão legal”, o crédito extemporâneo relativo a DI nº 06/1440118-0, com data de registro em 28/11/2006, apropriado na competência de fevereiro/2011. A turma julgadora concluiu pela manutenção da glosa, sob o fundamento de que “o §2º do art. 15, [...] determina que o aproveitamento de “crédito” de um mês pode ser utilizado em outro; mas não o aproveitamento de despesa ou gasto de outro mês” e, por isso, “a apuração do crédito em determinado mês deve ser realizada a partir das receitas e despesas ocorridas no próprio mês de apuração do crédito, não podendo uma despesa ser levada a compor a apuração do crédito de outros períodos”. Não há menção de que se tenha trazido aos autos qualquer tentativa de se reconstituir a escrita fiscal para a apuração do PIS/COFINS no regime não cumulativo de forma a se comprovar que o referido crédito não foi utilizado em duplicidade. O regime de apuração não cumulativa de PIS/COFINS exige que, num mesmo período de apuração, os créditos referentes às possibilidades elencadas nos art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, sejam confrontados com os débitos decorrentes da base de cálculo destas contribuições com base nos art. 2º, destas mesmas Leis, e daí se determine o valor a recolher, ou o saldo a ser aproveitado em períodos futuros, nos termos dos § 4º, dos art. 3º, das Leis de regência do PIS/COFINS. Fl. 8989DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 26 Então, há na legislação uma apuração que envolve débitos e créditos que são reconhecidos nos períodos de apuração, conforme o regime de competência, e os saldos remanescentes de créditos de períodos anteriores, que podem ser sempre compensados em qualquer caso, ou ressarcíveis conforme previsões legais específicas. Por ocasião do aproveitamento destes saldos em qualquer modalidade, eles devem ser atualizados conforme o valor utilizado em compensações ou ressarcimentos. Quando por qualquer razão o contribuinte não utiliza um crédito disponível no período de apuração ao qual este diz respeito, seu valor não se transfere de forma direta para o período de apuração de eleição do contribuinte, porque o que se tem disponível para compensação ou ressarcimento não são os créditos propriamente, mas sim os saldos disponíveis. Então se, desde o período de competência, quando este crédito não foi utilizado, houve saldos credores ou devedores, indicando a necessidade de pagamentos ou de acúmulo de saldos de créditos para serem utilizados, o valor deste crédito virá ao momento do PER/DCOMP pela resultante de sua contribuição no saldo de créditos disponíveis, e não pelo seu valor de face. As dinâmicas de apuração das memórias de cálculo representadas pelo DACON e, posteriormente, pela ECF-Contribuições, possibilita a reconstrução do histórico dos saldos disponíveis, que precisam ser líquidos e certos. A ausência da demonstração desta liquidez impede que os créditos sejam aceitos para compensação ou ressarcimento. O Tema já vem sendo discutido neste Conselho, e já apresenta a devida jurisprudência, ainda que apresente discordâncias ainda não totalmente vencidas. Reproduzo recente Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de número 9303-015.663, julgado em 15 de agosto de 2024, e que teve o resultado a seguir, a respeito deste tema, por maioria de votos, o qual acompanho e peço venha para adotá-lo como parte de minhas razões de decidir: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Especial não deve ser conhecido, quando, do confronto da decisão recorrida com os paradigmas indicados, não restar configurada divergência interpretativa: para a caracterização de controvérsia jurisprudencial, é necessário que haja similitude fático-normativa entre as situações analisadas pelos paradigmas e aresto recorrido. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2007 a 30/04/2007, 01/07/2007 a 31/12/2007 Fl. 8990DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 27 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. DACON NÃO RETIFICADO. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de créditos extemporâneos está condicionado à apresentação dos Demonstrativos de Apuração (DACON) retificadores dos respectivos trimestres, demonstrando os créditos e os saldos credores trimestrais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que votou pela negativa de provimento. Acordaram ainda os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial oposto pelo Contribuinte. (...) A controvérsia restringe-se à questão de saber se é necessária a retificação do DACON e da DCTF para o aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não-cumulativos. A decisão recorrida assinalou que o direito ao creditamento das contribuições não cumulativas não exige a retificação de Dacon/DCTF, conforme excertos, extraídos de seu voto condutor, a seguir transcritos: Decisão recorrida --- voto vencido (condutor para a matéria) 3.2.2.1. Quanto aos Itens 2.1, 2.2, 2.3 e 2.4 (A): Diferença entre as receitas de exportação declaradas no DACON e contabilizadas pela empresa com relação ao ano calendário de 2007. A Fiscalização glosou os seguintes créditos apropriados pela Contribuinte: i) Parte dos créditos extemporâneos de PIS e COFINS apropriados pela Recorrente diretamente em DACON referente ao ano de 2007, pois o artigo 8º, inciso I, alínea "a" da IN 404/2003 dispõe que os créditos somente poderiam ser apurados no mesmo mês das aquisições efetuadas. A DRJ manteve a autuação por considerar que: i) A legislação apenas admitiria a apropriação dos créditos extemporâneos na DACON mediante a retificação das declarações (DACON e DCTF) do período relativo ao respectivo crédito, sendo que deveria ter ocorrido sobre as aquisições, custos ou despesas incorridos no mesmo mês; ii) Após as retificações, o crédito remanescente de PIS e COFINS poderia ser utilizado para dedução das contribuições em períodos posteriores. A Recorrente argumenta que: i) A forma de apropriação dos créditos extemporâneos por ela realizada está correta, uma vez que a legislação permite a apropriação direta dos créditos nos meses subsequentes na própria DACON, sendo que não há um procedimento obrigatório que deve ser adotado pelo contribuinte; ii) O artigo 3º, § 4º das Leis nº 10.833/03 e 10.637/2002 não prevê que o contribuinte está obrigado a aproveitar o crédito no mesmo mês em que foi gerado, mas sim que a apuração do crédito de um determinado mês deve se relacionar aos custos, despesas e aquisições do mesmo mês, não trazendo obrigatoriedade de o contribuinte se utilizar desse crédito no mesmo mês; iii) Ao adotar a forma considerada pela DRJ com a retificação da DACON e a inclusão do valor do crédito que não foi considerado anteriormente, resultaria em recolhimento de PIS e COFINS no período posterior passaria a ser maior do que novo valor das contribuições apurado; iv) Com a retificação da DCTF, o valor do DARF recolhido é superior ao devido, reconhecendo-se, assim, a existência de um valor a maior a título de PIS e COFINS, ensejando em indébito tributário que poderá ser compensado por meio de PER/DCOMP com a devida correção monetária; v) A utilização do saldo remanescente do crédito de PIS e COFINS em períodos subsequentes se dá mediante a apropriação direta na DACON dos créditos extemporâneos, como fez a Recorrente. Fl. 8991DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 28 Observo que, em resposta à Resolução nº 3402000.791 foi lavrado o Termo de Diligência de fls. 57805789, pelo qual o I. Auditor Fiscal assim esclareceu sobre os créditos extemporâneos: Realizadas as análises individualizadas dos créditos, confirmados os recolhimentos das contribuições incidentes nas importações de bens e serviços, e confrontados os assentamentos contábeis com os Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais DACON apresentadas à Receita Federal do Brasil, conforme Anexo II deste Termo, e demais elementos juntados neste processo administrativo, concluo que não houve aproveitamento pretérito dos créditos extemporâneos apropriados pelo contribuinte no ano-calendário de 2007, o quais foram objeto da constituição do crédito tributário, conforme Quadros Demonstrativos de nº 06 a 13 deste processo administrativo. Destaco que Recorrente é sujeita ao regime não cumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais determinam que a incidência independe da denominação ou classificação fiscal. Por fundamentação, cito o v. Acórdão nº 9303-006.247, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Em suma, destaco que inexiste previsão legal que imponha a retificação das obrigações acessórias para o aproveitamento extemporâneo dos créditos de PIS/Pasep e COFINS. Com razão, o art. 3º, § 4º, das Leis nº(s) 10.637/02 e 10.833/03 dispõe apenas que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes”. Portanto, deve ser reformada a decisão recorrida neste ponto, para admitir o creditamento extemporâneo, com o correspondente cancelamento da exigência quanto aos itens 2.1, 2.2, 2.3, 2.4 (a). A questão atinente à necessidade de retificação de DACON/DCTF, com vistas ao aproveitamento de créditos extemporâneos de PIS/COFINS não cumulativos, tem sido enfrentada em diversos julgamentos desta Câmara Superior, tendo este colegiado julgado que é necessária a retificação de DACON/DCTF. Nesse sentido, veja-se, por exemplo, o Acórdão nº 9303-014.842, de 14/03/2024, de minha relatoria. Assinale-se, ainda, o Acórdão nº. 9303-014.684, de 22/02/2024, no qual restou decidido, por voto de qualidade, a impossibilidade de aproveitamento de créditos extemporâneos sem a retificação dos DACONs respectivos. Nessa linha, trago, como razões de decidir no presente voto, os fundamentos consignados no voto vencedor – Redator Designado Gilson Macedo Rosenburg Filho – do mencionado acórdão, abaixo transcritos: Essa matéria foi enfrentada com maestria pelo Acórdão nº 9303-010.080, de 23 de janeiro de 2020, e reflete, mutatis mutandis, o posicionamento Fl. 8992DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 29 vencedor do Colegiado, de forma que trago à baila sua ratio decidendi para fundamentar e decisão, verbis: “(...) Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões apenas, quanto ao aproveitamento de créditos extemporâneos, sem a devia retificação dos respectivos DACON e DCTF. O direito de se aproveitar créditos da COFINS sobre os custos/despesas com insumos utilizados na produção de bens e/ ou na prestação de serviços está previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que assim dispõe: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III - energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...). § 1º Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art.2º desta Lei sobre o valor: (...); II - dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; (...). § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subsequentes. (...). Já o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, assim dispõe quanto ao ressarcimento/compensação dos créditos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição. (...). Por sua vez a IN SRF nº 600, de 28/12/2005, que disciplinou o ressarcimento/ compensação do saldo credor das contribuições do PIS e da COFINS, ambas com incidência não cumulativa, assim dispõe: Art. 1º A restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), a restituição e a compensação de outras receitas da União arrecadadas mediante Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o ressarcimento e a compensação de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) serão efetuados conforme o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: (...). Fl. 8993DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 30 § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sê- lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I - custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II - custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência; ou(...). Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II e o § 4º do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre-calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. (...). § 3º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário. II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por dedução ou compensação. Ora, segundo essas normas legais, os créditos da COFINS devem ser apurados mensalmente e deduzidos do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Já o crédito não aproveitado no mês, poderá sê-lo nos meses seguintes, sendo que o saldo credor trimestral poderá ser objeto de ressarcimento/compensação, mediante a transmissão de PER/DCOMP. O instrumento legal para se apuara os créditos da contribuição é o Dacon mensal que deve ser preenchido e transmitido a RFB pelo contribuinte. Já a IN SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, assim dispõe: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. §1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindo-o integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. (...) § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. (...). Assim, nos casos em que se deixa de apurar créditos relativos a determinados meses, ou seja, deixa de apropriá-los, é necessário retificar o Dacon relativo ao período em que o crédito não foi apropriado, a fim de incluí-lo na apuração. A apuração extemporânea de créditos só é admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. O ressarcimento/compensação de créditos extemporâneos da COFINS é possível, desde que retificados os respectivos Dacon e as DCTF. No presente Fl. 8994DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 31 caso, conforme demonstrados nos autos, o contribuinte não transmitiu os Dacon retificadores nem as DCTF. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recursos especial da Fazenda, quanto ao aproveitamento de créditos extemporâneos, sem a devida retificação dos Dacon e DCTF”. Em resumo, temos que a verificação dos valores a ser apurados se dá por meio dos DACONs apresentados pelo Contribuinte, conforme definido pela IN SRF 384, de 2004. Isto porque no regime da não-cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração - confronto entre créditos e débitos - do período a que pertencem tais créditos. Os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem. Assim, a utilização do crédito pressupõe primeiro a sua apuração, com o registro apropriado no DACON, sendo necessário ainda compensar o crédito com débitos do próprio mês, e havendo saldo remanescente, compensá-lo sucessivamente nos meses subseqüentes. Desta forma, não se constatando a prévia apuração do montante a ser aproveitado, mediante a devida retificação dos DACON (e da DCTF), não se pode ter como certa a dedução de tais créditos extemporâneos e, portanto, a glosa de tais créditos deve ser mantida por absoluta falta de liquidez e certeza”. Acrescento ainda que, os arts. 3º, § 4º, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, permitem que um crédito já apurado em um determinado mês, e não utilizado, possa ser aproveitado em meses posteriores. Porém não permite que se aproveite um crédito não apurado no mês incorrido seja efetuado diretamente em outro período de apuração. Portanto para esse aproveitamento seria necessário uma apuração prévia relativa aos períodos de apuração correspondentes. Situação que demanda no mínimo a retificação dos DACON dos períodos anteriores. As exigências impostas pelas IN SRF utilizadas pela Fiscalização têm suporte no art. 92 da Lei nº 10.833, de 2003 que delegou a SRF a regulamentação da operacionalização dos aproveitamentos desses créditos. Penso que a análise tanto da existência quanto da natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro do período específico de geração do crédito. Como os créditos referem-se a 4 ou 5 anos antes do seu efetivo aproveitamento, há que se perquirir, se naquela data, eram créditos apropriáveis segundo a legislação de regência da época. Entendo ser injustificável a negativa do contribuinte de fazer os ajustes relativos a cada período de apuração, conforme recomendado pela Fiscalização. Correto o entendimento exarado pelo ilustre ex-conselheiro Waldir Navarro Bezerra, ao transcrever o seguinte trecho da decisão da DRJ no Acórdão nº 3402-003.148, de 20/07/2016: "(...) É que a razão de ser da necessidade de segregação dos créditos por períodos de apuração, no âmbito das contribuições sociais apuradas pelo regime não cumulativo, se deve ao fato de que os créditos, neste regime, são passíveis de utilização segundo requisitos que só são aferíveis dentro do próprio período de apuração. Em outras palavras, é preciso que, em cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de utilização por qualquer uma das formas previstas (desconto, compensação ou ressarcimento)”. Relevante também transcrever trecho do voto proferido pelo ilustre ex- conselheiro e ex-presidente da 3ª Seção de Julgamento do CARF, Henrique Fl. 8995DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 32 Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303-003.478, de 25/02/2016, acerca do mesmo tema: (...) É inegável que, como bem apontou o acórdão recorrido, nos termos do § 4º do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que disciplina a utilização do crédito, o montante não aproveitado em um mês poderá sê-lo em períodos superiores, mas tal comando, com o devido respeito, não possui o alcance defendido. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que o dispositivo, como já antecipado, trata da utilização do crédito apurado, de modo que sequer se poderia cogitar antinomia entre os dispositivos. Em outras palavras, nos termos dos comandos legais, o crédito apurado sob a égide do § 1º (circunstância logicamente antecedente) poderá ser aproveitado nos termos do § 4º. Admitir que a forma de utilização influencie a de apuração, com a devida licença, é inverter a lógica estabelecida pelo legislador. E não se alegue que a aplicação da restrição em comento decorre de mero formalismo. Trata-se de norma instrumental que visa ao controle do correto emprego dos créditos. Sem tal distinção, esse controle restaria extremamente dificultado (e porque não dizer inviabilizado). Apenas para ilustrar alguma dessas dificuldade, há que relembrar que, dependendo da destinação dos produtos, os créditos terão aplicação diversa (dedução da contribuição, compensação ou ressarcimento), apurados com base em parâmetros diversos (mensal ou trimestral)”. Por fim, também registro o raciocínio empreendido pelo ilustre ex- conselheiro José Fernandes do Nascimento proferido no Acórdão nº 3302- 004.156, de 22/05/2017: “(...) Não se pode olvidar, ademais, que o registro extemporâneo de créditos, se permitido fosse, além do descumprimento do disposto no art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, impossibilitaria ou dificultaria em muito o controle das operações com direito a crédito. Se houvesse tal permissão, como saber se as operações registradas extemporaneamente não foram registradas anteriormente no mês correspondente e nos seguintes? Somente mediante a realização de auditoria em todos os meses anteriores ao registro extemporâneo do crédito seria possível confirmar ou não essa informação. Ademais, tendo em conta que a autoridade fiscal não é autorizada a fiscalizar/auditar os períodos pretéritos não alcançados pelo procedimento fiscal em curso, o registro de operações de créditos extemporâneas, por certo, oportunizaria e facilitaria a prática de fraudes, mediante a apropriação, por mais de uma vez, de crédito de uma mesma operação”. Registro que este também é o entendimento prevalente nos últimos julgados desta 3ª Turma da CSRF, como pode ser verificado no Acórdão nº 9303- 011.780, de 18/08/2021, de minha relatoria, Acórdão nº 9303-009.738, de 11/11/2019 de relatoria do Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire e Acórdão nº 9303-009.660, de 16/10/2019 de relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Ressalto, apenas, que no julgamento só se discutiu a obrigatoriedade de retificação do DACON e não da DCTF. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Diante do exposto, voto dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Acórdão nº 9303-015.663, Conselheiro Relator Vinícius Guimarães, 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 15/08/2024) Fl. 8996DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 33 De forma que entendo que seja pré-requisito para que se demonstre a liquidez do crédito extemporâneo a retificação das obrigações acessórias, demonstrando o efetivo valor disponível para a operação pretendida pelo contribuinte. Ademais, o tema já foi objeto da Súmula CARF nº 231. SÚMULA CARF Nº 231 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 05/09/2025 – vigência em 16/09/2025 O aproveitamento de créditos extemporâneos da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS exige a apresentação de DCTF e DACON retificadores, comprovando os créditos e os saldos credores dos trimestres correspondentes. Acórdãos Precedentes: 9303-011.780, 9303-013.263, 9303-014.081. Sem razão à Recorrente. Recalculo do Rateio entre Receitas Tributadas e Não Tributadas em razão das exclusões da base de cálculo Uma das questões que são contestadas em Recurso Voluntário é que as exclusões de receitas decorrentes de atos cooperativos, art. 15, da Medida Provisória nº 2.158, de 24 de agosto de 2001, foram desconsideradas do percentual de rateio para aproveitamento de créditos comuns a operações que dão direito ao ressarcimento e àquelas que não dão direito. Argumenta a Recorrente que o art. 17, da Lei nº 11.033/2004, permite que os contribuintes mantenham os créditos decorrentes de despesas associadas a venda futura de bens isentos, com alíquota zero, ou com a tributação suspensa, ou sujeitos a não incidência, equiparando a exclusão das transações típicas de cooperativas, entre estas e seus cooperados a um destes institutos do direito tributário. A Recorrente é cooperativa agrícola, e nesta condição submete-se ao previsto no § único, do art. 79, da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do RE 1.164.716/MG, julgado em sede de Recursos Repetitivos, nos termos do art. 543-C, do CPC, e transitado em julgado em 22 de junho de 2016, definiu que sobre o ato cooperativo não incidem as contribuições do PIS/COFINS. O art. 8º, da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2024, estabelece o crédito presumido para as cooperativas agrícolas: Fl. 8997DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 34 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 14.943, de 2024) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A jurisprudência do CARF já se debruçou sobre este tema, conforme os Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais que reproduzo a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004 COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667. Precedentes STJ. (...) O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303005.043, de minha Relatoria, pronunciada na sessão de julgamento de 17 de Fl. 8998DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 35 abril de 2017, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: (...) Quanto esta matéria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da 1ª Seção da Corte entenderam que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. O entendimento foi tomado de forma unânime nos julgamentos dos Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667, na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 - MG (2009/0210718-5) VOTOVOGAL MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES: O presente Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, trata da incidência de PIS e COFINS sobre atos cooperativos típicos, definidos no art. 79 da Lei 5.764/71, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". A não incidência dos citados tributos sobre os atos cooperativos típicos tem por fundamento o supratranscrito parágrafo único do art. 79 da Lei 5.764/71. Explica-se: se tais atos não implicam operação de mercado, ou contrato de compra e venda, não geram receita ou lucro, situação que impossibilita a incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Quanto ao tema, é certo que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que sobre atos cooperativos típicos não incidem as contribuições ao PIS e COFINS: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COOPERATIVA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA. PIS E COFINS. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. No caso sub judice, o Tribunal de origem, soberano na análise dos fatos e das provas, concluiu que os atos praticados pela cooperativa constituem atos não cooperados, decorrentes de contratos de prestação de serviços firmados com terceiros a serem realizados pelos seus médicos cooperados. Rever tal entendimento encontra óbice na Súmula 7/STJ. (...) Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é de observância obrigatória dos Conselheiros as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferidas em sede de julgamento realizado nos termos dos artigos 543B e 543C. (...) (Brasil. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. Acórdão nº 9303-005.786, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Brasília, DF, 20 de setembro de 2017.) Fl. 8999DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 36 Neste sentido, entendo que os créditos que contribuíram para receitas da cooperativa em transações com os seus cooperados podem ser mantidos pela Recorrente, por força da aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033/2004, em face destas operações configurarem-se como hipótese de não incidência do PIS/COFINS. Então temos a norma geral sobre a tributação de PIS/COFINS de cooperativas, que possuem suas operações de atos cooperados sujeitos à não incidência e, paralelamente, com direito ao crédito presumido dos insumos adquiridos de cooperados pessoas físicas e pessoas jurídicas que exerçam atividade agropecuária. Desta forma, o cálculo do rateio precisa reconhecer as receitas que seriam excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001, tendo em vista que a alocação do percentual que definirá o valor dos créditos comuns às operações que podem gerar valores ressarcíveis e aquelas que são apenas compensáveis, precisa refletir a participação de créditos que são admissíveis pela aplicação do art. 17, da Lei nº 11.033/2004 na formação das receitas totais, dado que parte delas são classificáveis na hipótese de não incidência sobre o ato cooperativo. Dou razão à Recorrente neste ponto. Apropriação para o Mercado Interno Tributado da totalidade dos créditos de bens para a revenda Neste tópico, assim manifestou-se a Autoridade Tributária no Relatório Fiscal: Também não se aplica o critério do rateio proporcional às aquisições de bens para revenda informadas na Linha 01, fichas 06A e 16A do Dacon. Isso porque, consoante o disposto no art. 3º, I, e art. 3º, § 2º, II, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003, as aquisições de bens para revenda somente darão direito a crédito se forem tributadas e não sujeitas à tributação monofásica e à alíquota zero. Por conseguinte, em regra, as aquisições de bens para revenda com direito a crédito, tributadas, serão necessariamente vinculadas a receitas tributadas no mercado interno ou a receitas de exportação. No caso em análise, entretanto, verificou-se que toda a base de cálculo deferida refere-se a bens tributados que são revendidos exclusivamente no mercado interno tributado, pelas unidades que realizam atividades de supermercado. Ou seja, dos bens adquiridos para revenda, cujo direito creditório foi deferido, nenhum tem como destino a exportação, podendo somente estar vinculados a receitas tributadas no mercado interno. Dessa forma, na apropriação dos créditos relativos a aquisições de bens para revenda todo o crédito apurado foi realocado para o mercado interno tributado, uma vez que não é possível vincular o crédito deferido a receitas não tributadas no mercado interno ou a exportações. Ressalvado o exposto quanto às Linhas 01 e 12 das fichas 06A e 16A do Dacon, os créditos à alíquota básica demonstrados nas demais linhas do Dacon foram apropriados pelo critério do rateio proporcional, conforme os percentuais calculados acima. Fl. 9000DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 37 Já a Recorrente insurge-se contra a apropriação direta destes alegando que não haveria previsão legal para tanto. Trata-se da mesma discussão do item VII deste voto, de forma que repito a conclusão já alcançada a este respeito, e considero sem razão à Recorrente. Atualização do Crédito pela Taxa SELIC O Recurso Voluntário traz a seguinte consideração a respeito deste ponto: No caso presente, é notória a inércia da Administração Tributária. Com efeito, o pedido de ressarcimento foi protocolado em 30/09/2015. Em 08/03/2017 foi proferido o Relatório de Auditoria Fiscal, do qual a recorrente foi cientificada em 21/06/2017. Em 20/07/2017 foi protocolada a Manifestação de Inconformidade, que veio a ser julgada pela DRJ apenas em 27/01/2021, cuja cientificação ocorreu em 26/01/2022. Como se vê, até aqui já são 7 (sete) longos anos de tramitação do processo. Não bastasse, não é possível sequer estimar o tempo que ainda será necessário para o desfecho do processo. Tal quadro, implica em flagrante descumprimento do disposto no art. 24, da Lei n' 11.457/200712 e viola o princípio constitucional da razoável duração do processo, sendo evidente a necessidade de atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em favor da recorrente. Com efeito, a demora na apreciação do pleito da recorrente acarretou enorme perda financeira em face da evidente corrosão da moeda desde 30/09/2015. Nesse contexto, exsurge a necessidade de se reconhecer o direito da recorrente de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, a partir do 361' dia do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Assim, em vista de todo o exposto, requer-se a reforma da decisão recorrida também na parte que indeferiu o pedido da recorrente de atualização do crédito pela taxa Selic. O artigo 24, da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 determina que: Art.24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Em atendimento à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.767.945/PR; REsp 1.768.060/RS, REsp 1.768.415/SC, submetidos à sistemática do art. 1.036 e seguintes do Código de Processo Civil, que determina que considera-se resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito emitir decisão, após o prazo estipulado no artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional emitiu o Parecer SEI nº 3.686/2021/ME, acompanhado pela Nota Técnica CODAR nº 22/2021, que trata da aplicação da taxa SELIC aos pedidos de ressarcimento e outros, dando cumprimento à decisão do STJ, já referida. A decisão do STJ reconhece que os créditos do regime não cumulativo são de natureza escritural e, portanto, não devem ser submetidos à correção monetária Fl. 9001DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 38 por ocasião do seu aproveitamento, mas também indica que a resistência injustificada à utilização do crédito pela Fazenda Pública configura exceção a esta regra, pelo que resta claro da leitura do voto do eminente relator, o Ministro Sérgio Kukina: “Ratificando essa previsão legal, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF editou o Enunciado sumular n. 125, o qual dispõe que, "No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas, não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003." Veja-se o conteúdo de mencionados dispositivos legais: Lei 10.833/2003 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] VI - no art. 13 desta Lei. A leitura do teor desses artigos deixa transparecer, isso sim, a existência de vedação legal à atualização monetária ou incidência de juros sobre os valores decorrentes do referido aproveitamento de crédito - seja qual for a modalidade escolhida pelo contribuinte: dedução, compensação com outros tributos ou ressarcimento em dinheiro. (...) A doutrina especializada não diverge dessa constatação, consoante leciona André Mendes Moreira em sua obra "A não cumulatividade dos tributos" (2. ed. São Paulo: Noeses, 2012, p. 435): A não cumulatividade do PIS/COFINS parte da mesma premissa: os créditos das referidas contribuições são meramente escriturais, e, portanto, não geram dívida do Poder Público para com o contribuinte. Seu fim é puramente contábil, para nada mais se prestando além do cálculo do valor devido, salvo se a lei dispuser em contrário [...]. A legislação, confirmando o que se está a expor, predica que o montante dos créditos de PIS/COFINS 'não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição'. Dessa forma, na falta de autorização legal específica, a regra é a impossibilidade de correção monetária do crédito escritural. (...) Além disso, apenas como exceção, a jurisprudência deste STJ compreende pela desnaturação do crédito escritural e, consequentemente, pela possibilidade de sua atualização monetária, se ficar comprovada a resistência injustificada da Fazenda Pública ao aproveitamento do crédito, como, por exemplo, se houve necessidade de o contribuinte ingressar em juízo para ser reconhecido o seu direito ao creditamento (o que acontecia com certa frequência nos casos de IPI); ou o transcurso do prazo de 360 dias de que dispõe o fisco para responder ao contribuinte sem qualquer manifestação fazendária. Assim, o termo inicial da correção monetária do pleito de ressarcimento de crédito escritural excedente de tributo sujeito ao regime não cumulativo ocorre somente quando caracterizado o ato fazendário de resistência ilegítima, no caso, o transcurso do prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo sem apreciação pelo Fisco.” Fl. 9002DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 39 A atualização pela taxa SELIC dos créditos de PIS/COFINS, sujeitos a ressarcimento, resulta apenas da imposição de resistência indevida da Fazenda Pública à sua utilização pelo detentor do direito, sendo indevida nos demais casos. Reconheço que o caso concreto enquadra-se na situação de imposição de resistência indevida pela administração, nos termos das decisão do STJ e demais disposições normativas já citadas acima. Dou razão parcial à Recorrente, no sentido prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito. Diante de todo o exposto, voto por tomar conhecimento do Recurso Voluntário apenas parcialmente, afastando as alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: i) Aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo. ii) Refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001. iii) Afastar a glosa de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; iv) Afastar a glosa de embalagens de transporte; v) Afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; vi) Afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS. vii) Afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem. viii) Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito. ix) Serviço de coleta e tratamento de resíduos industriais. x) Serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 9003DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-003.549 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10925.906515/2018-84 40 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de ilegalidade ou de inconstitucionalidade de norma tributária, e na parte conhecida, dar parcial provimento para: a) aplicar o estorno do crédito previsto no art. 55, da Lei nº 12.350/2010, apenas sobre os que cumprirem os requisitos deste artigo; b) refazer o rateio proporcional considerando as receitas excluídas por força do art. 15, da MP nº 2.158/2001; c) afastar a glosa de partes e peças utilizadas na manutenção de equipamentos relacionados à produção; d)afastar a glosa de embalagens de transporte; e) afastar a glosa de GLP utilizado como combustível em máquinas e equipamentos; f) afastar a glosa de fretes na aquisição de produtos que não sejam submetidos à tributação das contribuições do PIS/COFINS; g) afastar a glosa de fretes de remessa e retorno de armazenagem; h)Prover a correção monetária do crédito pretendido para ressarcimento, a data de início da correção provida deve ser do primeiro dia após decorrido o prazo de 360(trezentos e sessenta) dias, do artigo 24, da Lei nº 11.457/2007, até o dia da efetiva disponibilização do crédito; i) despesas com coleta e tratamento de resíduos industriais; e j) serviço de transporte de remessa para conserto ou reparo de peças no processo produtivo. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 9004DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18220.720831/2020-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/04/2015, 11/05/2015, 17/06/2015
MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. TEMA736 STF. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3001-003.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Larissa Cássia Favaro Boldrin – Relatora
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Fabiana Francisco (substituto[a]integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, SergioRoberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LARISSA CASSIA FAVARO BOLDRIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 13/04/2015, 11/05/2015, 17/06/2015 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. TEMA736 STF. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Larissa Cássia Favaro Boldrin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Fabiana Francisco (substituto[a]integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, SergioRoberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
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COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. TEMA736 STF. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. Recurso voluntário provido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Larissa Cássia Favaro Boldrin – Relatora Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Daniel Moreno Castillo, Fabiana Francisco (substituto[a]integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Marco Unaian Neves de Miranda, SergioRoberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). RELATÓRIO Fl. 39DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.996 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18220.720831/2020-24 2 Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão de nº 108-030.838 proferido pela 27ª Turma da DRJ08 ementado da seguinte maneira: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 13/04/2015, 11/05/2015, 17/06/2015 MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. PROCEDÊNCIA. Aplica-se a multa de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo quando a multa a ser aplicada é a de 150% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003. INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente lançamento versa sobre notificação de lançamento de quanto a multa isolada por compensação não-homologada decorrente de compensações declaradas, multa essa aplicada com fundamento no §17 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 62 da Lei nº 12.249/2010. Apresentada manifestação de inconformidade a DRJ08 julgou improcedente o recurso, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, alegando as seguintes razões recursais: 1. Ofensa direta ao direito de petição. da inconstitucionalidade da multa. 2. Ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. 3. Da ofensa ao artigo 142 do CTN É o relatório. VOTO Fl. 40DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.996 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18220.720831/2020-24 3 Conselheira Larissa Cássia Favaro Boldrin, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. Passamos a análise. 1. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA ISOLADA. TEMA 736 STF. Como relatado, trata-se de notificação de lançamento para a exigência de multa isolada, prevista no artigo 74, §17, da Lei n.º 9.430/1996. A penalidade foi aplicada em razão de compensações não homologadas. Cumpre ressaltar que, independentemente do reconhecimento ou não dos créditos pleiteados, a aplicabilidade da referida multa foi objeto de questionamento no Supremo Tribunal Federal – STF, na sistemática de Repercussão Geral (Tema 736), que já transitou em julgado. O leading case foi tratado nos autos do Recurso Extraordinário n.º 796.939/RS, de relatoria do Ministro Edson Fachin e vale a leitura da descrição para se verificar a relação com o julgamento desse processo administrativo: “Recurso extraordinário em que se discute, à luz do postulado da proporcionalidade e do art. 5º, XXXIV, a, da Constituição federal, a constitucionalidade dos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei federal 9.430/1996, incluídos pela Lei federal 12.249/2010, que preveem a incidência de multa isolada no percentual de 50% sobre o valor objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou de declaração de compensação não homologada pela Receita Federal.” Julgado o Recurso Extraordinário, firmou-se a seguinte tese: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.” Vale, ainda, a leitura do julgado: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. NEGATIVA DE HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. AUTOMATICIDADE. DIREITO DE PETIÇÃO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. BOA-FÉ. ART. 74, §17, DA LEI 9.430/96. 1. Fixação de tese jurídica para o Tema 736 da sistemática da repercussão geral: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. 2. O pedido de compensação tributária não se compatibiliza com a função teleológica repressora das Fl. 41DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.996 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18220.720831/2020-24 4 multas tributárias, porquanto a automaticidade da sanção, sem quaisquer considerações de índole subjetiva acerca do animus do agente, representaria imputar ilicitude ao próprio exercício de um direito subjetivo público com guarida constitucional. 3. A matéria constitucional controvertida consiste em saber se é constitucional o art. 74, §§15 e 17, da Lei 9.430/96, em que se prevê multa ao contribuinte que tenha indeferido seu pedido administrativo de ressarcimento ou de homologação de compensação tributária declarada. 4. Verifica-se que o §15 do artigo precitado foi derrogado pela Lei 13.137/15; o que não impede seu conhecimento e análise em sede de Recurso Extraordinário considerando a dimensão dos interesses subjetivos discutidos em sede de controle difuso. 5. Por outro lado, o §17 do artigo 74 da lei impugnada também sofreu alteração legislativa, desde o reconhecimento da repercussão geral da questão pelo Plenário do STF. Nada obstante, verifica-se que o cerne da controvérsia persiste, uma vez que somente se alterou a base sobre a qual se calcula o valor da multa isolada, isto é, do valor do crédito objeto de declaração para o montante do débito. Nesse sentido, permanece a potencialidade de ofensa à Constituição da República no tocante ao direito de petição e ao princípio do devido processo legal. 6. Compreende-se uma falta de correlação entre a multa tributária e o pedido administrativo de compensação tributária, ainda que não homologado pela Administração Tributária, uma vez que este se traduz em legítimo exercício do direito de petição do contribuinte. Precedentes e Doutrina. 7. O art. 74, §17, da Lei 9.430/96, representa uma ofensa ao devido processo legal nas duas dimensões do princípio. No campo processual, não se observa no processo administrativo fiscal em exame uma garantia às partes em relação ao exercício de suas faculdades e poderes processuais. Na seara substancial, o dispositivo precitado não se mostra razoável na medida em que a legitimidade tributária é inobservada, visto a insatisfação simultânea do binômio eficiência e justiça fiscal por parte da estatalidade. 8. A aferição da correção material da conduta do contribuinte que busca à compensação tributária na via administrativa deve ser, necessariamente, mediada por um juízo concreto e fundamentado relativo à inobservância do princípio da boa-fé em sua dimensão objetiva. Somente a partir dessa avaliação motivada, é possível confirmar eventual abusividade no exercício do direito de petição, traduzível em ilicitude apta a gerar sanção tributária. 9. Recurso extraordinário conhecido e negado provimento na medida em que inconstitucionais, tanto o já revogado § 15, quanto o atual § 17 do art. 74 da Lei 9.430/1996, mantendo, assim, a decisão proferida pelo Tribunal a quo.” Fl. 42DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.996 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 18220.720831/2020-24 5 Ante o exposto, impõe-se o cumprimento do Tema 736 do STF no presente caso, observando, ainda, o que determina o artigo 98, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n.º 1.634/2023): “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - Já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou” Entendo, portanto, que a penalidade aplicada deve ser cancelada. 2. DO DISPOSITIVO Ante o todo exposto, voto por conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa aplicada por compensação não homologada. É como voto. Assinado Digitalmente Larissa Cássia Favaro Boldrin Fl. 43DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720664/2023-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2015 a 30/09/2015
PROVA DOCUMENTAL JUNTADA COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DAS EXCEÇÃO DO §4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO.
O momento correto de apresentação da prova documental é junto com a impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A apresentação de novos documentos junto com o Recurso Voluntário será considerada preclusa e, portanto, não poderão ser conhecidos a menos que fique demonstrada, ônus do recorrente, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Nos termos do art. 170 do CTN, serão passíveis de compensação e/ou restituição os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Não havendo comprovação do crédito pleiteado (certeza e liquidez) em pedido de compensação, o não provimento do pedido é medida que se impõe.
Numero da decisão: 2301-012.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vencidos os Conselheiros Marcelle Rezende Cota e André Barros de Moura, que conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Marcelle Rezende Cota, que deu provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro André Barros de Moura. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-012.095, de 09 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.720490/2023-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2015 a 30/09/2015 PROVA DOCUMENTAL JUNTADA COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DAS EXCEÇÃO DO §4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO. O momento correto de apresentação da prova documental é junto com a impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A apresentação de novos documentos junto com o Recurso Voluntário será considerada preclusa e, portanto, não poderão ser conhecidos a menos que fique demonstrada, ônus do recorrente, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. Nos termos do art. 170 do CTN, serão passíveis de compensação e/ou restituição os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Não havendo comprovação do crédito pleiteado (certeza e liquidez) em pedido de compensação, o não provimento do pedido é medida que se impõe.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vencidos os Conselheiros Marcelle Rezende Cota e André Barros de Moura, que conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Marcelle Rezende Cota, que deu provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro André Barros de Moura. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-012.095, de 09 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.720490/2023-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2026-06-02T12:20:59Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-06-02T12:20:59Z; Last-Modified: 2026-06-02T12:20:59Z; dcterms:modified: 2026-06-02T12:20:59Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-06-02T12:20:59Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-06-02T12:20:59Z; meta:save-date: 2026-06-02T12:20:59Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-06-02T12:20:59Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-06-02T12:20:59Z; created: 2026-06-02T12:20:59Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2026-06-02T12:20:59Z; pdf:charsPerPage: 1944; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-06-02T12:20:59Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16682.720664/2023-00 ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 9 de abril de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE HALLIBURTON PRODUTOS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2015 a 30/09/2015 PROVA DOCUMENTAL JUNTADA COM O RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DAS EXCEÇÃO DO §4º DO ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235, DE 1972. PRECLUSÃO TEMPORAL. NÃO CONHECIMENTO. O momento correto de apresentação da prova documental é junto com a impugnação, nos termos do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. A apresentação de novos documentos junto com o Recurso Voluntário será considerada preclusa e, portanto, não poderão ser conhecidos a menos que fique demonstrada, ônus do recorrente, a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. Nos termos do art. 170 do CTN, serão passíveis de compensação e/ou restituição os créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Não havendo comprovação do crédito pleiteado (certeza e liquidez) em pedido de compensação, o não provimento do pedido é medida que se impõe. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vencidos os Conselheiros Marcelle Rezende Cota e André Barros de Moura, que conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Marcelle Rezende Cota, que deu provimento ao recurso. Votou Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 2 pelas conclusões o Conselheiro André Barros de Moura. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-012.095, de 09 de abril de 2026, prolatado no julgamento do processo 16682.720490/2023-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Barros de Moura (substituto[a] integral), Carlos Eduardo Avila Cabral, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto direito creditório decorrente de retenção previdenciária sofrida em serviços executados mediante cessão de mão de obra. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: DIREITO CREDITÓRIO. RETENÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. INDEFERIMENTO. O reconhecimento do direito creditório depende da comprovação da certeza e liquidez do crédito, cujo ônus é daquele que pleiteia. O atendimento parcial da intimação para apresentação da documentação comprobatória do saldo remanescente de retenção previdenciária, que incidiu sobre valores recebidos por serviços executados mediante cessão de mão de obra, após a compensação por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados, implica o indeferimento do pleito. Fl. 129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 3 Cientificado da decisão de primeira instância, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, o seguinte: a) Que o processo administrativo fiscal deve primar pela busca da verdade material; e b) Que seria desnecessária a retificação da GFIP para fins de garantir a compensação ou restituição de créditos previdenciários pagos a maior ou indevidamente. Com o recurso foram apensados novos documentos. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Passando ao conhecimento, considerando a juntada extemporânea de novas provas sem qualquer fundamentação nos permissivos legais definidos no Decreto nº 70.235/72, o conhecimento será parcial por força da preclusão. Antes de adentrar no mérito da controvérsia, imperioso apreciar a recepção da documentação acosta aos autos juntamente com o recurso voluntário, bem como a petição e documentação apresentada no dia 30/01/2026, após a indicação e inserção do presente PAF na pauta de fevereiro de 2026. O contribuinte, seja no recurso, seja na última petição, não apresenta qualquer justificativa com fundamento no art. 16, § 4º e alíneas “a” a “c”, a juntada tardia da documentação. Eis o que prescreve mencionado dispositivo normativo: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 4 III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assim, considerando que não restou demonstrado qualquer das hipóteses de exceção acima anotadas, de se concluir que houve preclusão para apresentação da prova acostada com o recurso voluntário. Desta feita não acato a documentação apresentada. O litígio recai sobre pedido de restituição (PER), por meio do qual o contribuinte pleiteia suposto direito creditório decorrente de retenção previdenciária sofrida em serviços executados mediante cessão de mão de obra. De forma suscinta, a recusa da restituição foi fundamentada na ausência de comprovação de parte do crédito anotado em GFIP e na falta de informações por parte do contribuinte, apesar de devidamente intimado, “se houve a utilização deste saldo em compensações de meses posteriores ou de outras filiais, conforme permite o Artigo 88 da IN RFB nº 1.717/2017” (fl. 94). Por sua vez, a DRJ manteve a decisão acima ao argumento de que seria imprescindível a retificação da GFIP para fins de registro de eventuais créditos, pois somente com tal registro seria possível apurar a certeza e liquidez do crédito como determina o art. 170, do Código Tributário Nacional. Após citar o dispositivo legal acima recordado, conclui a decisão recorrida: Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 5 Cabe informar que a verificação da liquidez e certeza do valor solicitado em restituição referente à retenção de 11% (onze por cento) sobre notas fiscais de prestação de serviço, prevista no art. 31 da Lei 8.212/1991, depende dos seguintes procedimentos, em cada competência: 1) averiguação do valor devido declarado em GFIP e sua comprovação de acordo com elementos justificadamente demandados a critério da autoridade competente; 2) constatação do valor retido declarado em GFIP e sua comprovação por meio do destaque em nota fiscal ou do recolhimento da retenção; 3) apuração de diferença recolhida a maior; e 4) exame da existência de compensações na mesma competência e em competências posteriores e da parcela da diferença apurada utilizada nessas compensações, tudo comprovado de acordo com E, no caso, o Auditor-Fiscal, designado para a análise do pedido de restituição verificou, à época da emissão do Despacho Decisório, que havia sido declarada em GFIP, na competência 12/2014, valor total de retenções sofridas no montante de R$ 7.300.711,82, valor utilizado para quitar débitos declarados na própria competência de R$ 4.451,175,74 e, consequentemente, saldo de retenção a compensar no valor total de R$ 2.849.536,08. Valor este, portanto, conforme declarado em GFIP pelo próprio contribuinte, maior que o valor a restituir solicitado no PER. A compensação de contribuições previdenciárias encontra-se disciplinada no artigo 89 da Lei nº 8.212/1991, que estabelece: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao estabelecer as regras gerais sobre as modalidade de extinção do crédito tributário, sendo dentre elas a compensação, especificamente em seu art. 170, coloca como condição inafastável que o crédito seja líquido e certo. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. À autoridade fazendária, diante de pleitos de compensação ou de restituição, compete averiguar, em conformidade com as normativas Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 6 incidentes e com os meios procedimentais estabelecidos, a certeza e liquidez do crédito apontado como existente e que fará frente a compensação solicitada ou a pedidos de restituição. No caso de contribuições previdenciárias a ferramenta adequada e legalmente estabelecida para controle de certeza e liquidez de eventuais créditos decorrentes de pagamento a maior ou indevido, bem como retenções indevidas, é a Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP. Analisando as peculiaridades do pedido de restituição em debate, duas vertentes foram adotadas pela autoridade fiscal: (a) verificação da certeza do crédito declarado em GFIP com a comprovação da integralidade das retenções indevidas no período em análise; e (b) liquidez do crédito (saldo existente) a partir de informações e prova por parte do contribuinte sobre o uso ou não do crédito informado para compensação em outras competências e outras filiais. Quanto ao primeiro passo, certeza do crédito, apontou o despacho decisório o seguinte: 17. Cumpre ainda registrar que a comprovação do saldo após as compensações, objeto do pedido de restituição, depende da comprovação do total de retenções do período em análise. Afinal, o valor pleiteado decorre da diferença da totalidade das contribuições retidas e dos valores utilizados para compensação dos débitos da mesma natureza. 18. Ocorre que o contribuinte apresentou as Guias da Previdência Social e as Notas Fiscais confirmando retenções no montante de R$ 839.764,78, e não do total de R$ 7.300.711,82 informado em GFIP. Assim, comprou o sujeito passivo, de forma parcial, a certeza do crédito da ordem de R$ 839.764,78 e não no total declarado em GFIP. O que nos remete à apuração da liquidez do valor apontado como certo. Passando a segunda conduta, a autoridade fiscal solicitou que o contribuinte demonstrasse e comprovasse que o crédito declarado não teria sido utilizado “em compensações de meses posteriores ou de outras filiais”. Mesmo diante de intimação, o sujeito passivo não apresentou qualquer resposta. Diante de tal cenário, não houve a liquidez do crédito declarado, mesmo que de forma parcial, o que impede eventual restituição. Neste ponto, trago as razões de decidir da DRJ por bem tratar do tema: Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 7 Em relação ao item 19 acima transcrito, é importante esclarecer que cabe ao requerente a demonstração do seu direito creditório bem como a apresentação dos documentos e esclarecimentos solicitados pelo Fisco Federal com o objetivo de comprovar eventual saldo de retenção declarada em GFIP, conforme preceito da legislação abaixo citado: Art. 161. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório: I - à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos; e II - à verificação da exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do interessado. É de se consignar que o ônus da prova quanto ao direito creditório incumbe ao contribuinte, conforme preceituam os artigos 373, inciso I do novo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), e 36 da Lei 9.784/1999. Assim, o contribuinte deveria ter juntado, no prazo concedido para a apresentação da manifestação de inconformidade, que é de 30 (trinta) dias a contar da ciência do Despacho Decisório, documentos hábeis e suficientes para comprovar a existência do crédito. Ressalta-se que não restaram configuradas, no caso, quaisquer das hipóteses constantes das letras “a”, “b” e “c” do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, e dos incisos I, II e III do parágrafo 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011, sendo os mencionados dispositivos normativos abaixo transcritos. Desta feita, não demonstradas cumulativamente a certeza e liquidez do crédito declaro, resta impossibilitada qualquer restituição. Diferentemente do que sustentado pelo recorrente, a normas procedimentais, no caso em apreço, somente reforçam o atendimento do princípio da verdade material. Princípio este que tem aplicabilidade tanto para os contribuintes como para o próprio ente fiscalizados e arrecadador ao permitir a constatação de certeza e liquidez do crédito. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da documentação apresentada a destempo por preclusão, na parte conhecida nego-lhe provimento. Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-012.104 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.720664/2023-00 8 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer em parte do recurso, não conhecendo dos documentos apresentados após a impugnação, nos termos do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Redator Fl. 135DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11131.720143/2019-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 09/01/2019
VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. ARBITRAMENTO. CABIMENTO.
É cabível o arbitramento do valor aduaneiro quando os elementos coligidos na ação fiscal evidenciam incompatibilidade relevante entre o valor declarado e os parâmetros objetivos de comparação constantes dos autos, sem que a documentação apresentada se mostre suficiente para comprovar o preço efetivamente praticado na operação.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO PARADIGMA. UTILIZAÇÃO.
É legítima a utilização de declaração de importação paradigma relativa a mercadoria similar, em conjunto com os demais elementos de prova constantes dos autos, para a recomposição da base de cálculo, desde que a escolha adotada esteja devidamente motivada.
ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. INOBSERVÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO.
Não há violação ao Acordo de Valoração Aduaneira quando o afastamento do valor declarado e o arbitramento se fundam na verificação da veracidade e exatidão das informações prestadas e na insuficiência dos elementos apresentados para comprovação da operação.
MULTA ADMINISTRATIVA. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DECLARADO E O VALOR ARBITRADO. CABIMENTO.
Mantido o arbitramento e o enquadramento jurídico adotado no lançamento, subsiste a multa administrativa incidente sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. SUBSISTÊNCIA.
Mantido o arbitramento do valor aduaneiro, subsistem os lançamentos tributários dele decorrentes.
MULTA REGULAMENTAR DE 1%. SUPERVENIÊNCIA LEGISLATIVA BENIGNA. CANCELAMENTO.
Tratando-se de penalidade exigida com fundamento no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os arts. 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, impõe-se seu cancelamento quando sobrevier revogação do suporte legal da exação antes do julgamento definitivo, com aplicação do art. 106, inciso II, do CTN. A Lei Complementar nº 227, de 2026, revogou dispositivos da Lei nº 10.833/2003 e da Medida Provisória nº 2.158-35/2001.
RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
Numero da decisão: 3001-004.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa regulamentar de 1%, em razão da superveniência legislativa benigna, mantida, no mais, a decisão recorrida. Vencido o conselheiro Daniel Moreno Castillo, que dava provimento parcial em maior extensão para afastar o arbitramento do valor aduaneiro e a caracterização de subfaturamento/falsidade ideológica da fatura comercial, mantendo o valor de transação declarado, sem prejuízo da manutenção das exigências decorrentes da reclassificação fiscal das mercadorias, a serem recalculadas sobre a base de cálculo por ele reconhecida.
Assinado Digitalmente
Leandro Wilhelm Wolff – Relator
Assinado Digitalmente
Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente).
Nome do relator: LEANDRO WILHELM WOLFF
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 09/01/2019 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. É cabível o arbitramento do valor aduaneiro quando os elementos coligidos na ação fiscal evidenciam incompatibilidade relevante entre o valor declarado e os parâmetros objetivos de comparação constantes dos autos, sem que a documentação apresentada se mostre suficiente para comprovar o preço efetivamente praticado na operação. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO PARADIGMA. UTILIZAÇÃO. É legítima a utilização de declaração de importação paradigma relativa a mercadoria similar, em conjunto com os demais elementos de prova constantes dos autos, para a recomposição da base de cálculo, desde que a escolha adotada esteja devidamente motivada. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. INOBSERVÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não há violação ao Acordo de Valoração Aduaneira quando o afastamento do valor declarado e o arbitramento se fundam na verificação da veracidade e exatidão das informações prestadas e na insuficiência dos elementos apresentados para comprovação da operação. MULTA ADMINISTRATIVA. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DECLARADO E O VALOR ARBITRADO. CABIMENTO. Mantido o arbitramento e o enquadramento jurídico adotado no lançamento, subsiste a multa administrativa incidente sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. SUBSISTÊNCIA. Mantido o arbitramento do valor aduaneiro, subsistem os lançamentos tributários dele decorrentes. MULTA REGULAMENTAR DE 1%. SUPERVENIÊNCIA LEGISLATIVA BENIGNA. CANCELAMENTO. Tratando-se de penalidade exigida com fundamento no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os arts. 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, impõe-se seu cancelamento quando sobrevier revogação do suporte legal da exação antes do julgamento definitivo, com aplicação do art. 106, inciso II, do CTN. A Lei Complementar nº 227, de 2026, revogou dispositivos da Lei nº 10.833/2003 e da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 09/01/2019 VALORAÇÃO ADUANEIRA. AFASTAMENTO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. É cabível o arbitramento do valor aduaneiro quando os elementos coligidos na ação fiscal evidenciam incompatibilidade relevante entre o valor declarado e os parâmetros objetivos de comparação constantes dos autos, sem que a documentação apresentada se mostre suficiente para comprovar o preço efetivamente praticado na operação. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO PARADIGMA. UTILIZAÇÃO. É legítima a utilização de declaração de importação paradigma relativa a mercadoria similar, em conjunto com os demais elementos de prova constantes dos autos, para a recomposição da base de cálculo, desde que a escolha adotada esteja devidamente motivada. ACORDO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA. INOBSERVÂNCIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. Não há violação ao Acordo de Valoração Aduaneira quando o afastamento do valor declarado e o arbitramento se fundam na verificação da veracidade e exatidão das informações prestadas e na insuficiência dos elementos apresentados para comprovação da operação. MULTA ADMINISTRATIVA. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DECLARADO E O VALOR ARBITRADO. CABIMENTO. Mantido o arbitramento e o enquadramento jurídico adotado no lançamento, subsiste a multa administrativa incidente sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. SUBSISTÊNCIA. Fl. 409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.097 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11131.720143/2019-81 2 Mantido o arbitramento do valor aduaneiro, subsistem os lançamentos tributários dele decorrentes. MULTA REGULAMENTAR DE 1%. SUPERVENIÊNCIA LEGISLATIVA BENIGNA. CANCELAMENTO. Tratando-se de penalidade exigida com fundamento no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os arts. 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, impõe-se seu cancelamento quando sobrevier revogação do suporte legal da exação antes do julgamento definitivo, com aplicação do art. 106, inciso II, do CTN. A Lei Complementar nº 227, de 2026, revogou dispositivos da Lei nº 10.833/2003 e da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. RECURSO VOLUNTÁRIO PARCIALMENTE PROVIDO. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa regulamentar de 1%, em razão da superveniência legislativa benigna, mantida, no mais, a decisão recorrida. Vencido o conselheiro Daniel Moreno Castillo, que dava provimento parcial em maior extensão para afastar o arbitramento do valor aduaneiro e a caracterização de subfaturamento/falsidade ideológica da fatura comercial, mantendo o valor de transação declarado, sem prejuízo da manutenção das exigências decorrentes da reclassificação fiscal das mercadorias, a serem recalculadas sobre a base de cálculo por ele reconhecida. Assinado Digitalmente Leandro Wilhelm Wolff – Relator Assinado Digitalmente Luiz Carlos de Barros Pereira – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Daniel Moreno Castillo, Larissa Cassia Favaro Boldrin, Leandro Wilhelm Wolff, Marco Unaian Neves de Miranda, Sergio Roberto Pereira Araujo, Luiz Carlos de Barros Pereira (Presidente). Fl. 410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.097 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11131.720143/2019-81 3 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a impugnação e manteve a exigência fiscal formalizada nos autos. O lançamento decorre de procedimento especial de controle aduaneiro instaurado no curso do despacho de importação de bombas d’água periféricas, registradas na DI nº 19/0053683-0, de 09/01/2019, no âmbito do qual a autoridade fiscal afastou o valor declarado, promoveu o arbitramento do valor aduaneiro e reclassificou a mercadoria do código NCM 8413.81.00 para o código 8413.70.80. Em razão disso, foram exigidas diferenças de Imposto de Importação, IPI vinculado, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, com multas de ofício, além de multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro e multa administrativa do setor aduaneiro, totalizando crédito tributário de R$ 211.967,40. Em sua impugnação, o sujeito passivo sustentou, em síntese, a regularidade do valor declarado, a inadequação dos parâmetros utilizados pela fiscalização para o afastamento do valor de transação e para o arbitramento da base de cálculo, a impropriedade da reclassificação fiscal promovida, a insuficiência da declaração de importação adotada como paradigma e a improcedência das penalidades exigidas. Ao apreciar a defesa, a DRJ concluiu pela manutenção da exigência, por entender que os elementos constantes dos autos eram suficientes para justificar o afastamento do valor declarado, o arbitramento do valor aduaneiro, a reclassificação fiscal da mercadoria, a multa administrativa correlata e os lançamentos tributários deles decorrentes. No Recurso Voluntário, a recorrente reitera, em essência, a impropriedade do afastamento do valor declarado, a invalidade do arbitramento promovido com base nos elementos constantes dos autos, a alegada inobservância das regras de valoração aduaneira, a inadequação da declaração de importação adotada como paradigma e a impossibilidade de subsistência das exigências mantidas pela decisão recorrida, requerendo sua reforma integral. Após a interposição do recurso, sobreveio a Lei Complementar nº 227, de 13 de janeiro de 2026, que revogou dispositivos da Lei nº 10.833/2003 e da Medida Provisória nº 2.158- 35/2001, matéria que será apreciada no voto quanto à sua eventual repercussão sobre a multa regulamentar de 1% exigida nos autos. A controvérsia devolvida a este Conselho cinge-se, assim, à subsistência do arbitramento do valor aduaneiro, da reclassificação fiscal adotada pela fiscalização, dos lançamentos tributários deles decorrentes, da multa administrativa correlata e, ainda, à eventual incidência de fato superveniente sobre a multa regulamentar exigida com fundamento nos dispositivos legais então vigentes. É o relatório. Fl. 411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.097 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11131.720143/2019-81 4 VOTO Conselheiro Leandro Wilhelm Wolff, Relator I – Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. II – Mérito No mérito, o recurso não comporta provimento quanto à controvérsia principal. A controvérsia remanescente diz respeito ao arbitramento do valor aduaneiro, à multa administrativa incidente sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado e aos lançamentos deles decorrentes, sem prejuízo da apreciação, de ofício, de fato superveniente com repercussão específica sobre a multa regulamentar de 1% exigida nos autos. 1. Do arbitramento do valor aduaneiro O arbitramento promovido pela fiscalização não se apoiou em elemento isolado, tampouco em juízo meramente subjetivo acerca do preço declarado. A convicção fiscal foi formada a partir de um conjunto de elementos objetivos e convergentes, apurados no curso do procedimento especial de controle aduaneiro, que evidenciaram incompatibilidade relevante entre o valor informado pelo importador e os referenciais obtidos pela autoridade aduaneira. Conforme descrito no lançamento, foram considerados o indicador FOB por quilograma da mercadoria, o levantamento estatístico em base oficial, pesquisas em plataformas eletrônicas de comércio internacional, consultas a operações de importação reputadas comparáveis, o cotejo com operação anterior realizada pela própria importadora e, ao final, a utilização de declaração de importação paradigma relativa a mercadoria similar, adotada em patamar inclusive inferior à média apurada nas pesquisas oficiais. Também não prospera a alegação de que a documentação apresentada pela recorrente teria sido desconsiderada sem exame. Os autos registram a apresentação de documentos e esclarecimentos voltados a justificar o valor declarado, inclusive mensagens eletrônicas de negociação, documentos relacionados à viagem ao exterior, comprovantes vinculados à operação, documentos cambiais e laudo particular. Ocorre que esse conjunto documental não foi reputado suficiente para infirmar os dados objetivos reunidos pela fiscalização. Em especial, foi consignado que as mensagens apresentadas não se mostravam aptas, por si sós, a demonstrar a efetiva negociação do preço informado, por carecerem de elementos Fl. 412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.097 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11131.720143/2019-81 5 externos seguros de verificação. Os demais documentos, embora úteis à contextualização da narrativa da recorrente, igualmente não se revelaram bastantes para comprovar o valor efetivamente praticado na operação. Não se está, portanto, diante de simples divergência de preços, isoladamente considerada. O que se verifica é a existência de suporte fático consistente, formado por fontes diversas e reciprocamente convergentes, apto a sustentar a conclusão de que o valor declarado não se mostrava idôneo. Mostra-se correta, assim, a decisão recorrida ao manter o afastamento do valor de transação e o arbitramento promovido pela fiscalização. A mesma conclusão afasta a alegação de inobservância das regras de valoração aduaneira. A decisão de primeira instância registrou que o controle do valor aduaneiro compreende a verificação da conformidade do valor declarado com o Acordo de Valoração Aduaneira e que o art. 17 do AVA-GATT assegura à administração aduaneira o direito de averiguar a veracidade e a exatidão das informações, documentos e declarações apresentados para fins de valoração. Assentou, ainda, que o procedimento especial de controle aduaneiro alcança hipóteses de suspeita quanto à autenticidade material ou ideológica de documento comprobatório, inclusive no tocante ao preço pago ou a pagar. Também não há razão para afastar a utilização da declaração de importação paradigma, que não foi empregada como fundamento único do arbitramento, mas em conjunto com os demais elementos constantes dos autos. 2. Da multa administrativa e dos lançamentos decorrentes Mantida a higidez do arbitramento, subsiste a multa administrativa incidente sobre a diferença entre o valor declarado e o valor arbitrado, nos exatos termos do enquadramento adotado no auto. A autuação consignou expressamente a incidência da penalidade com fundamento no art. 703 do Regulamento Aduaneiro, calculada sobre o acréscimo apurado a partir do valor arbitrado. Pela mesma razão, permanecem hígidos os lançamentos tributários decorrentes da recomposição da base de cálculo. Preservada a premissa central do lançamento, consistente na impropriedade do valor declarado e na legitimidade do arbitramento promovido, não há fundamento para afastar os consectários tributários e sancionatórios que dele dependem. O demonstrativo consolidado evidencia, com efeito, que o processo envolve diferenças de II, IPI, PIS/Pasep-Importação e Cofins-Importação, além de multa de ofício e multa do setor aduaneiro, não se restringindo à penalidade regulamentar ora examinada de forma autônoma. 3. Da multa regulamentar de 1% e da superveniência legislativa Diversa, porém, é a conclusão quanto à multa regulamentar de 1%, no valor de R$ 2.237,81. O próprio demonstrativo de apuração e o auto de infração registram que essa penalidade foi exigida com fundamento no art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158- 35/2001, combinado com os arts. 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-004.097 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 11131.720143/2019-81 6 Sobreveio, no curso da tramitação do presente processo, a Lei Complementar nº 227, de 13 de janeiro de 2026. A ementa oficial do diploma registra expressamente que a lei complementar revoga dispositivos da Lei nº 10.833/2003 e da Medida Provisória nº 2.158- 35/2001, e a própria redação atualmente exibida no Portal da Legislação indica que o art. 84 da MP nº 2.158-35/2001 foi revogado pela Lei Complementar nº 227, de 2026. Tratando-se de penalidade ainda não definitivamente julgada, incide o art. 106, inciso II, do CTN, segundo o qual a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, quando se cuide de ato não definitivamente julgado e a legislação superveniente deixe de defini-lo como infração ou lhe comine tratamento mais benéfico. Nessa linha, embora subsistam o arbitramento do valor aduaneiro, a multa administrativa do art. 703 do Regulamento Aduaneiro e os lançamentos tributários e sancionatórios deles decorrentes, não subsiste a multa regulamentar de 1% exigida com fundamento no regime legal supervenientemente alterado. III – Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para cancelar a multa regulamentar de 1%, em razão da superveniência legislativa benigna, mantida, no mais, a decisão recorrida. Assinado Digitalmente Leandro Wilhelm Wolff Fl. 414DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 13782.720025/2013-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 23 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. INDEDUTIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 214.
A dedução das despesas pagas a título de pensão alimentícia para filhos maiores 24 anos só é possível quando os alimentandos estejam incapacitados física ou mentalmente para o trabalho, preenchendo, nesta hipótese, as condições necessárias para se qualificarem como dependentes.
A pensão paga por mera liberalidade a maiores de vinte e quatro anos, ainda que em razão de acordo homologado judicialmente ou por escritura púbica, não é dedutível na apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).
Numero da decisão: 2101-003.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer do argumento de que a multa seria confiscatória, e na parte conhecida, negar-lhe provimento.
Assinado Digitalmente
Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. INDEDUTIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 214. A dedução das despesas pagas a título de pensão alimentícia para filhos maiores 24 anos só é possível quando os alimentandos estejam incapacitados física ou mentalmente para o trabalho, preenchendo, nesta hipótese, as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. A pensão paga por mera liberalidade a maiores de vinte e quatro anos, ainda que em razão de acordo homologado judicialmente ou por escritura púbica, não é dedutível na apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF).
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. FILHOS MAIORES DE 24 ANOS. INDEDUTIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº. 214. A dedução das despesas pagas a título de pensão alimentícia para filhos maiores 24 anos só é possível quando os alimentandos estejam incapacitados física ou mentalmente para o trabalho, preenchendo, nesta hipótese, as condições necessárias para se qualificarem como dependentes. A pensão paga por mera liberalidade a maiores de vinte e quatro anos, ainda que em razão de acordo homologado judicialmente ou por escritura púbica, não é dedutível na apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, deixando de conhecer do argumento de que a multa seria confiscatória, e na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Fl. 213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.743 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13782.720025/2013-48 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Débora Fófano dos Santos, Silvio Lucio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 155/208) interposto por SEBASTIÃO MORAES DA SILVA em face do Acórdão nº. 12-104.385 (e-fls. 142/148), proferido pela 18ª Turma da DRJ/RJO, em 19/12/2018, que julgou a Impugnação improcedente. O presente processo decorre de Notificação de Lançamento para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), ano-calendário de 2010, exercício de 2011, em razão das seguintes infrações: 1. dedução indevida de despesas médicas, glosa do valor de R$ 7.919,01; 2. dedução indevida de dependente, no valor de R$ 3.616,56; 3. dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, glosa do valor de R$ 52.517,49; 4. dedução indevida de previdência privada e Fapi, glosa do valor de R$ 23.039,28; 5. dedução indevida de despesas com instrução, glosa do valor de R$ 1.344,00. Cientificado em 31/01/2013 (e-fl. 114) e inconformado, o contribuinte apresentou, na data de 19/02/2013 (e-fl. 2), a impugnação (e-fls. 2/8), juntamente com demais documentos. Primeiramente, alega que nunca teria sido intimado a apresentar documentos e não recebeu a intimação por edital, que apenas teria recebido a intimação neste momento, ou seja, após a entrega de declaração retificadora. Alega que todas as deduções foram apresentadas nas declarações de ajuste entregues nos anos anteriores e nunca foram questionadas pela Administração; junta demonstrativos do empregador que compraria as deduções, alega que a multa de ofício é irrazoável e deveria ser cancelada, inclusive porque não teria se respeitado a ampla defesa e o contraditório. Ao final, requer o cancelamento da cobrança. Foi proferido Despacho Decisório nº. 25/2017 (e-fls. 121/127) reconhecendo comprovada a dedução dos dependentes Augusta Emília da Silva Moraes e Carolina Amaral Moraes da Silva; mantendo em parte as glosas relativas às despesas médicas; mantendo a glosa das deduções de pensão alimentícia, tendo em vista que os filhos já teriam atingido a maioridade, reconhecendo a comprovação da dedução de Previdência Privada e Fapi; mantendo em parte a glosa com instrução da dependente. Ao final foi reapurado o Imposto Suplementar devido e a multa de ofício. Fl. 214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.743 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13782.720025/2013-48 3 Tendo sido cientificado do Despacho, o contribuinte apresentou Réplica (e-fls. 134/138), argumentando, assim como destacou a decisão de piso: a) não irá contestar a infração de dedução indevida de despesas médicas; b) quanto à dedução com pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor glosado de R$ 52.517,49, conforme já comprovado anteriormente, todas as deduções de alimentos estão em consonância com o demonstrativo do seu ex- empregador, Furnas Centrais Elétricas S.A., concessionária de serviço público federal; c) a única solução seria o arquivamento no que se refere à pensão judicial e Colégio Salesiano; d) a multa aplicada não deve proceder. Sobreveio o julgamento que julgou improcedente a Impugnação, tendo sido proferido o Acórdão nº. 12-104.385 (e-fls. 142/148), não ementado em razão da Portaria RFB nº 2.724, de 2017. A decisão houve por bem manter as glosas a título de despesas com pensão alimentícia e despesas com instrução. No que diz respeito às glosas relativas às despesas médicas, o contribuinte não apresentou questionamento. A intimação do resultado do julgamento foi encaminhada ao sujeito passivo pela via postal, e recebida em seu endereço em 25/01/2019, conforme AR (e-fls. 153). Em 21/02/2019, foi juntado aos autos Recurso Voluntário (e-fls. 155/208). A petição foi juntada em duplicidade e o carimbo de protocolo foi aportado na página e-fl. 182. O recorrente apresenta recurso apenas com relação à dedução a título de pensão alimentícia. Sustenta que, apesar de os filhos Camila Rodrigues Moraes da Silva e Rafael Rodrigues Moraes da Silva contarem respectivamente, com 26 e 25 anos no ano calendário de 2011, teriam sido comprovados os pagamentos, de modo que a dedução seria devida. Questiona, ainda, a penalidade aplicada, sustentando que ela seria confiscatória e desproporcional. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório. VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Admissibilidade Fl. 215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.743 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13782.720025/2013-48 4 O Recurso Voluntário é tempestivo, porém atende parcialmente aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. É que o recurso apresenta argumento de que a multa de ofício aplicada seria confiscatória. Tal argumento não pode ser admitido em razão da vedação da Súmula CARF nº. 2: Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, conheço parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer do argumento de que a multa seria confiscatória. 2. Dedução de despesas com pensão alimentícia de filhos maiores de 21 anos Como se viu, pretende o Recorrente deduzir do Imposto de Renda, o valor da pensão alimentícia paga aos filhos Camila Rodrigues Moraes da Silva e Rafael Rodrigues Moraes da Silva, respectivamente, com 26 e 25 anos, no ano calendário de 2011. Os valores pagos a título de pensão alimentícia homologada judicialmente são dedutíveis do cálculo do Imposto de Renda. Mas essa dedução não é ilimitada e deve ser analisada de acordo com o ordenamento jurídico vigente. É importante destacar que, no direito de família, existem duas modalidades de obrigações alimentares a que estão sujeitos os pais em relação aos filhos: uma, resultante do poder familiar, consubstanciada no dever de sustento durante a menoridade, e, outra, fundada no dever de solidariedade, que deriva da relação de parentesco entre as partes e diz respeito aos filhos maiores, que não possuem condições de prover a sua própria subsistência. Embora as duas modalidades estejam sob a denominação de pensão alimentícia, os fundamentos que as embasam são distintos. A obrigação decorrente do poder familiar (dever de sustento) tem como base os arts. 1.566, IV, 1.630 e 1.631 da Lei nº 10.406, de 10/01/2002, que instituiu o Novo Código Civil de 2002, e abrange o sustento, guarda e educação dos filhos, sendo exercido em igualdade de condições por ambos os pais, casados ou não, sobre os filhos, enquanto menores. Tal obrigação resulta da necessidade incondicional dos filhos menores à assistência paterna e deve existir independente de prova da necessidade do beneficiário e da condição econômica dos pais, tratando-se, portanto, de presunção absoluta. Após a cessação da menoridade (21 anos), a obrigação alimentar dos pais em relação aos filhos adultos pode se manter, mas terá natureza diversa, fundada no dever de solidariedade entre pais e filhos, conforme previsão do artigo 1.696 do Código Civil de 2002. A obrigação paterna, nesses casos, dá-se pelo vínculo de parentesco e não é mais fruto de presunção absoluta da necessidade do filho, sujeitando-se aos pressupostos de comprovação de necessidade do credor de alimentos (alimentado) e recursos do alimentante, ou seja, da Fl. 216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.743 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13782.720025/2013-48 5 comprovação da possibilidade do obrigado e da necessidade do beneficiado, conforme preceituam os arts. 1.694 e 1.695 do Código Civil de 2002. Portanto, após a maioridade, a presunção da necessidade se torna relativa, ficando condicionada à comprovação de que os filhos não têm condições de prover, pelo seu trabalho, a própria subsistência. Essencial, portanto, que haja a prova cabal de sua real necessidade. Nesse mesmo sentido, o art. 35, inciso III, § 1º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece como parâmetro, para fins de dependência de filho menor, a idade de 21 anos(antiga maioridade civil conforme Código Civil de 1916), que pode se estender até 24 anos, se os filhos ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. E, ainda, em qualquer idade, nos casos de comprovada incapacidade física ou mental para o trabalho. Assim, vê-se que, até 21 anos, a dependência é absoluta, isto é, os filhos podem ser considerados dependentes dos pais, independentemente de qualquer outra condição. Até essa idade, o pagamento de pensão alimentícia segue a mesma regra. Atingida a maioridade, torna-se imprescindível a comprovação da necessidade do auxílio financeiro dos pais, seja em razão da inscrição em curso superior ou profissionalizante (até 24 anos), seja da incapacidade para o trabalho (qualquer idade). Apesar do reconhecimento da dedutibilidade da pensão alimentícia não se encontrar necessariamente vinculado aos mesmos critérios estabelecidos para a dependência fiscal, é fato que essas duas deduções seguem caminhos paralelos, na medida em que têm como fundamento os conceitos e as normas do direito de família, os quais pugnam pela demonstração da real e efetiva necessidade do alimentado de continuar percebendo auxílio, após cessada a menoridade. Portanto, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda as pensões alimentícias pagas aos filhos menores ou aos filhos maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios de proverem a própria subsistência, ou até 24 anos, se estudantes do ensino superior ou de escola técnica de segundo grau. Após essa idade, o pagamento de valores será considerado como mera liberalidade, não estando permitida a dedução da base de cálculo do Imposto de Renda ou da inclusão como dependente. Portanto, correto o entendimento exarado na decisão de piso. Ressalta-se que a decisão ainda encontra-se em consonância com a Súmula CARF nº. 214: Súmula CARF nº 214 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 26/09/2024 – vigência em 04/10/2024 A pensão paga por mera liberalidade a maiores de vinte e quatro anos, ainda que em razão de acordo homologado judicialmente ou por escritura púbica, não é dedutível na apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). Fl. 217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.743 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13782.720025/2013-48 6 Dessa forma, não vejo reparos a fazer na decisão de piso com relação à glosa realizada. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer do argumento de que a multa seria confiscatória, e na parte conhecida, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 218DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10872.720333/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
PIS. COFINS. ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO.
As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano-calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018. Infração improcedente.
Numero da decisão: 3201-013.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento aos Recursos Voluntários.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator
Assinado Digitalmente
Helcio Lafeta Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW
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COFINS. ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano-calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018. Infração improcedente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento aos Recursos Voluntários. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Fl. 1572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ que julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: O presente processo reúne Autos de Infração da COFINS e da Contribuição para o PIS (respectivamente, às fls. 02/10 e 11/191 ), relativos a períodos de apuração compreendidos entre janeiro e dezembro de 2012, lavrados em razão da apuração de insuficiência de recolhimento das citadas contribuições, nos quais constam indicados, em Reais, os seguintes valores: No Termo de Informação Fiscal - TVF acostado às fls. 23/60, a autoridade lançadora fez constar entre outras as seguintes informações apresentadas a partir de imagens extraídas dos autos digitais: 2. Durante o período compreendido pela ação fiscal, o contribuinte efetuou a entrega regular da Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica, optando pela tributação com base no Lucro Real trimestral. 3. O objeto social do IBBCA é a administração, exclusivamente na atividade de assistência à saúde suplementar, podendo contratar plano privado de assistência à saúde, na condição de estipulante de plano coletivo a ser disponibilizado para pessoas jurídicas legitimadas ou prestar serviços para pessoas jurídicas contratantes de planos privados de assistência à saúde coletivos. Ainda, na condição de administradora de benefícios, figurar em contrato coletivo celebrado entre a operadora de plano privado de assistência à saúde e a pessoa jurídica contratante na condição de participante ou de representante, mediante formalização de instrumento específico. 4. O IBBCA, no ano em tela, trabalhava exclusivamente com as operadoras parceiras do sistema UNIMED, com gestão operacional de carteiras junto a entidades de classe e empresas. (...) 6. O IBBCA é administradora de benefícios, tendo obtido autorização para funcionamento junto à ANS sob o número 41.737-8, anexo, na modalidade de Administradora de Benefícios, atividade regulamentada pela Resolução Normativa ANS n. 196, de 2009 e portanto não sujeita ao regime de apuração cumulativa das Fl. 1573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 3 contribuições para o PIS e COFINS, com base nas disposições do inciso I do artigo 8º da Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS) e com base nas disposições do inciso I do artigo 10º da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (COFINS) por não ser considerada operadora de plano de assistência à saúde. 7. A pessoa jurídica administradora de benefícios não é considerada operadora de plano de assistência à saúde e, portanto, não se submete ao regime de apuração cumulativa e nem se subsume às deduções determinadas pela Lei nº 9.718/98, alterada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, art. 3º, §§ 9º e 9º A e Lei nº 12.873, de 24/10/2013, art. 19. 8. A ANS, autarquia vinculada ao Ministério da Saúde, criada pela Lei 9.961, de 1998, como órgão de regulamentação, controle e fiscalização das atividades que garantem a assistência suplementar à saúde, define, na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC)nº 39, de 27 de outubro de 2000, o escopo de uma operadora de plano de assistência à saúde como entidade que administra planos de saúde, para comercialização ou disponibilização. A ANS segmenta as atividades por modalidades: cooperativas médicas, cooperativas odontológicas, medicina de grupo, odontologia de grupo, e filantropia, regulamentadas pela RDC 39/2000; e, ainda, entidade de autogestão, regulamentadas pela Resolução Normativa nº 137, de 14 de novembro de 2006. 9. Em contrapartida, as atividades e os limites de atuação das chamadas administradoras de benefícios estão disciplinados pela Resolução Normativa nº 196, de 14 de julho de 2009: Artigo 2. “Administradora de Benefícios é a pessoa jurídica que propõe a contratação de plano coletivo nas condições de estipulante ou que presta serviços para pessoas jurídicas contratantes de planos privados de assistência a saúde coletivos, desenvolvendo ao menos uma das seguintes atividades: I – Promover a reunião de pessoas jurídicas contratantes na forma do artigo 23 da RN nº 195, de 14 de julho de 2009. II – Contratar plano privado de assistência a saúde coletivo, na condição de estipulante, a ser disponibilizado para as pessoas jurídicas legitimadas para contratar; III – oferecimento de planos para associados das pessoas jurídicas contratantes; IV – Apoio técnico na discussão de aspectos operacionais; ... Parágrafo único. Além das atividades constantes do caput, a Administradora de Benefícios poderá desenvolver outras atividades, tais como: I – Apoio a área de recursos humanos na gestão de benefícios do plano; II – Terceirização de serviços administrativos; Fl. 1574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 4 III – movimentação cadastral; IV – Conferência de faturas; V – Cobrança ao beneficiário por delegação e VI – Consultoria para prospectar o mercado, sugerir desenho de plano, modelo de gestão. ” Artigo 3. “A administradora de Benefícios não poderá atuar como representante, mandatária ou prestadora de serviço da Operadora de Plano de Assistência à Saúde nem executar quaisquer atividades típicas da operação de planos privados de assistência à saúde. ” 10. Assim, as principais diferenças entre a operadora de plano de saúde e a administradora de benefícios são, resumidamente: 10.1. Administradora de Benefícios 10.1.1. Representa a empresa, conselho sindicato ou associação profissional contratante 10.1.2. Realiza trabalhos administrativos como emitir boletos e alterar dados cadastrais dos beneficiários 10.1.3. Negocia com a operadora do plano de saúde reajustes de mensalidade, alterações em rede credenciada, formas de controle de acesso aos serviços do plano, representando a empresa, conselho, sindicato ou associação profissional contratante 10.2. Operadora de Plano de Saúde 10.2.1. Garante recursos e rede de serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios, profissionais) para atendimento aos beneficiários 10.2.2.Responsável pelo plano de saúde e os serviços prestados por ele junto a ANS e aos beneficiários. 11. Os dispositivos legais que regulamentam o setor distinguem as atividades e assim o faz a Receita Federal quanto à aplicação da legislação tributária no que tange às Contribuições para o PIS e a COFINS. 12. Portanto, a pessoa jurídica administradora de benefícios, com atividade regulamentada pela Resolução da ANS nº 196, de 2009, está sujeita ao regime de apuração não-cumulativa, com base nas disposições, respectivamente, do inciso I do artigo 8º da Lei 10.637, de 2002, e do inciso I do artigo 10º da Lei nº 10.883, de 2003, pois não pode ser considerada operadora de plano de assistência à saúde. 13. Solução de Consulta COSIT número 116, de 28 de abril de 2014, didaticamente apresenta esclarecimentos e fundamentos quanto à metodologia de apuração das contribuições para o PIS e COFINS, bem como diferencia os regimes cumulativo ao qual permanecem sujeitas as operadoras de plano de assistência à saúde em contraste com o regime não cumulativo no qual se sujeitam as administradoras de benefícios. 15. Em 15 de agosto de 2016, após cerca de 15 meses do início da ação fiscal, o fiscalizado respondeu o seguinte: Fl. 1575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 5 Ø Ser contribuinte do PIS e COFINS pelo regime CUMULATIVO, com fundamento no que dispõe o artigo 10º da Lei 10.833, parágrafos 9 e 9B do artigo 3º da Lei 9.718 Ø “Que a Receita tributada é a totalidade do seu faturamento, ou seja, receita de com taxa de administração de plano de saúde, à alíquota de 3% para PIS e 0,65% para COFINS.” Ø Apresentou planilha indicando a conta contábil, receita taxa administração benefícios, parte integrante da composição da base de cálculo para o PIS e COFINS, conforme a seguir transcritos: (...) Ø Nada esclareceu o fiscalizado relativamente aos solicitados nos Termos de Intimações Fiscais, relativamente a não inclusão na base de cálculo dos tributos as seguintes contas contábeis de receita: o 3.1.2.1.8.01 “Outras Provisões Variação Provisão Tec. Assistência Médico Hospitalar”, R$ 113,400.00 o 3.4.8.9.1.91 – “Receitas Financeiras Diversas, Juros” R$ 600.58 o 3.4.8.9.99.01 – “Outras Receitas Financeiras” R$ 11.223,74 o 3.4.1.1.4.93.01 – “Receita com Títulos Renda Fixa Privados – Oscilação Valor Cota” R$ 7.994,69 o 3.4.2.1.1.91.01 – Receita por Recebimentos em Atraso” – R$ 716.575,76 18. Ressalte-se que o fiscalizado vem, sistematicamente, utilizando-se do regime “cumulativo” para cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS, motivo o qual esta fiscalização procederá com a apuração das bases de cálculo das contribuições pelo regime não-cumulativo bem como com a cobrança dos respectivos tributos. (...) Diante dos fatos relatados, foi imposta a multa qualificada de 150%, por ter entendido a fiscalização que se configurou o evidente intuito de fraude, consoante dispõe o art. 957, II, do RIR/99, e arrolados como responsáveis solidários o INST. BRAS. DE BENEFICIOS P/ COOPERATIVAS - PROSPERITY - CNPJ: 05.999.063/0001-17, com base no art. 124, I, do CTN, além dos sócios da empresa autuada, CLAUDIO JORGE POVOA SANTOS - CPF: 003.934.057-02; FERNANDO ANTON BASUS BISPO - CPF: 078.220.877-03 e FERNANDO SOUZA BISPO - CPF: 106.628.717-15, o primeiro com fundamento no art. 134 do CTN e os dois últimos com espeque no art. 124, II, também do CTN. Consta ainda noticiada pela fiscalização, a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais objeto de processo protocolado sob o nº 10010.021.015/0816- 16. Fl. 1576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 6 Tendo sido cientificado em 19/10/2016 (fl. 574), o contribuinte ingressou, em 18/11/2016 (fl. 585), com a impugnação de fls. 586/620 dos autos digitais, na qual, em síntese: a) Faz breve relato dos fatos que nortearam a autuação e sintetiza a discussão tratada nos autos, descrevendo sua forma de atuação como "operadora administradora de benefícios", que prepara planos de saúde junto aos operadores - "Unimed", "Amil", "Golden Cross", entre outros - e disponibiliza tais planos no mercado, mediante prospecção feita por empresas corretoras contratadas. b) Diz que "age como uma operadora administradora dos benefícios garantidos pelas operadoras de benefícios para as pessoas físicas, sempre buscando a concessão dos melhores planos aos seus clientes, ou seja, com a maior cobertura possível, pelo menor preço" e que para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, nº ano-calendárío de 2012, adotou o regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/1998, que é aplicável às operadoras de planos de saúde. c) Argumenta que o entendimento da fiscalização, ao indicar que suas bases de cálculo do PIS e da COFINS deveriam ser apuradas pelo regime não cumulativo, estaria desvinculado das normas legais, e também que teria havido equívoco do Fisco, quando na apuração das referidas bases de cálculo, oportunidade em que foi negado o seu direito de crédito decorrente "da aquisição de serviços essenciais para a consecução do seu objeto social". d) Passa a historiar a legislação que trata da sistemática cumulativa afeta ao PIS e à COFINS e a sua aplicação, entre outras, às operadoras de planos de assistência à saúde e defende o seu enquadramento em tal categoria, na modalidade de administradora. e) Alega que a Resolução de Diretoria Colegiada nº 39, de 2000 (RDC nº 39/2000), expedida pela Agência Nacional de Saúde - ANS, "criou o gênero operadoras de planos de assistência à saúde e segmentou esse gênero em diversas espécies, dentre elas a de administradora de benefícios", classificação na qual estaria inserida. Nesse sentido, acresce que o seu registro junto à ANS indica o seu enquadramento como operadora de planos de assistência à saúde, conforme documento anexado (doc. nº 5). f) Com base no parágrafo único do art. 2º da Instrução Normativa RFB n° 985/2009, que segue transcrito, salienta que o conceito tributário de operadoras de planos de assistência à saúde encontra-se alinhado com o seu enquadramento regulatório, "pois a regulamentação tributária também trata as administradoras de benefícios como sendo espécie do gênero operadoras de planos de assistência à saúde". g) Sustenta que se a ANS, órgão regulador do setor, e a RFB classificam as administradoras de benefícios como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, restaria evidenciada sua condição de operadora de planos de Fl. 1577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 7 assistência à saúde para fins tributários, o que ensejaria o recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS pela sistemática cumulativa. h) Aduz que a Lei nº 9.718/1998, que trata da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática cumulativa, regulamenta expressamente a forma de tributação da receita auferida pelas operadoras administradoras de benefícios, enquanto as Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, que dispõem sobre a sistemática não cumulativa dessas contribuições sociais, não regulam qualquer aspecto da forma de tributação das receitas auferidas pelas operadoras administradoras de benefícios, o que denota, segundo seu ponto de vista, a intenção do legislador de relegar ao regime cumulativo as receitas auferidas por todas as operadoras de planos de assistência à saúde, inclusive aquelas classificadas como administradoras. i) Pleiteia, caso confirmada a sua tributação pelo regime não cumulativo, o reconhecimento de créditos que entende fazer jus e que não teriam sido considerados pelo Fisco, apurados na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos moldes em que previsto no artigo 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Nesse sentido, afirma que os referidos créditos seriam decorrentes da aquisição de serviços de corretagem, essenciais à viabilidade do seu negócio, referentes à prospecção de clientes e à venda de seus produtos aos interessados na obtenção de planos de saúde. j) Procurando justificar o direito aos créditos e atestar a veracidade dos serviços prestados, faz ponderações, a seguir sintetizadas, a respeito das contratações e dos serviços de corretagem que cada pretenso fornecedor teria executado em seu favor, além de anexar aos autos acervo documental. k) Com relação à A&F Intermediação de Negócios Ltda("A&F"), diz que "Para demonstrar que os serviços foram efetivamente prestados, a Impugnante apresenta o contrato de prestação de serviços firmado entre a Impugnante e a A&F, bem como seus aditivos, em que se demonstra a formação do preço praticado (doc. n° 8)". Acresce que, a título exemplificativo, a efetiva prestação do serviço é demonstrada ainda com base em e-mail em que integrantes da A&F intermedeiam a contratação de planº de saúde com a empresa Supertex (doc. n° 9). l) Quanto à Account Consultoria e Corretagem de Seguros Ltda("Account"), esclarece que esta foi responsável por intermediar seu contrato com a Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social ("ANASPS") para concessão de plano de saúde coletivo por adesão aos seus associados e que tal intermediação tem base em contrato firmado com a Account (doc. nº 10) e a prestação do serviço é comprovada por emails do Sr. Ítalo Castellano (doc. nº 11). m) No que tange à Basus & Ekde Intermediações e Negócios Ltda("Basus"), além de informar que a mesma atua na prestação de serviços de intermediação de negócios, dentre eles o de venda de planos de saúde coletivos por adesão, conforme seu objeto social (doc. nº 12), afirma que a referida é constituída por Fl. 1578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 8 um dos seus sócios. Acresce ainda que "A relação entre a Basus e a Impugnante é regida por contrato firmado entre as partes(doc. n° 13), assim como ocorre com todas as outras empresas corretoras contratadas pela Impugnante, sendo o valor da comissão previsto em aditivo contratual (doc. nº 14)". "Cumpre esclarecer que a prestação de serviços pela Basus é feita por meio de seus colaboradores, os quais também recebem um percentual do valor pago pelos clientes da Impugnante, sendo que esse percentual varia de acordo com o cargo de cada um dos integrantes. (doc. n° 15)". "Sobre a Basus possuir domicílio fiscal no antigo endereço da Impugnante, este fato, por si só, em nada interfere na prestação do serviço de corretagem e muito menos no reconhecimento dos créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS". "Até porque, se a Basus tem domicílio nº antigo endereço da Impugnante este fato é justificável em razão do sócio da Impugnante já ter conhecimento da localidade e da estrutura de funcionamento do imóvel em questão". n) Já em relação à Casulo Intermediações e Eventos Ltda ("Casulo"), aduz que a prestação do serviço de corretagem em seu favor é suportada pelo contrato firmado entre as partes (doc. n°16) e pelo borderô (doc. n° 17) e alega que "Sobre a Casulo estar domiciliada no antigo estabelecimento da Impugnante, este fato decorre da Impugnante não contratar pessoas físicas para atuarem como seus corretores. Por isso, a Impugnante cedia parte do seu antigo endereço para que as suas contratadas pudessem se estabelecer". "Cumpre ressaltar, ainda, que os sócios da Casulo são totalmente independentes da Impugnante, conforme consta em seu contrato social e no extrato emitido pela Serasa S.A (doc. n ° 18). Logo, o domicílio da Casulo ser no antigo endereço da Impugnante em nada afeta a relação comercial entre ambas e muito menos, a prestação do serviço de corretagem". o) Segue a mesma linha para justificar as despesas efetuadas com a empresa DSMartins Intermediações e Negócios Ltda. ("DSMartins"), apresentando contrato(doc. nº 19) e aditivo (doc. nº 20) e argumentando que a prestação do serviço é comprovada por comunicado interno relacionado às vendas feitas pela DSMartins (doc. n° 21) e também por envio de relatórios ao Sr. Dakse Martins, sócio da DSMartins, sobre as comissões devidas pela Impugnante em favor da corretora (doc. n° 22). Justifica que "No que se refere à DSMartíns estar domiciliada no antigo estabelecimento da Impugnante, este fato decorre da Impugnante não contratar pessoas físicas para atuarem como seus corretores. Por isso, a Impugnante cedia parte do seu antigo endereço para que as suas contratadas pudessem se estabelecer". "Cumpre ressaltar que a gestão da DSMartíns é totalmente independente da Impugnante, conforme consta em seu contrato social (doc. n° 23). Logo, o domicílio da DSMartins ser nº antigo endereço da Impugnante em nada afeta a relação comerciai entre ambas e, muito menos, a prestação do serviço de corretagem". Fl. 1579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 9 p) Repete as mesmas observações para demonstrar seu vínculo com a empresa Essencial Agenciamento de Planos de Saúde ("Essencial") apresentando e-mails (doc. nº 24) e relatórios (doc. nº 25) e acrescenta que "Vale esclarecer que a "plataforma" indicada nesses relatórios é um dos sócios da Essencial, o Sr. Carlos Alberto, conforme consta em extrato emitido pelo SERASA (doc. n°26)". q) Mais uma vez apresenta semelhantes argumentos e documentos(contrato e aditivo, respectivamente, doc. nº 27 e doc. nº 28), com o intuito de justificar as despesas com a empresa Horus Intermediações e Negócios Ltda ("Horus"). Esclarece ainda que "No que se refere a Horus estar domiciliada no antigo estabelecimento da Impugnante, este fato decorre da Impugnante não contratar pessoas físicas para atuarem como seus corretores. Por isso, a Impugnante cedia parte do seu antigo endereço para que as suas contratadas pudessem se estabelecer" e que "Cumpre salientar que a gestão da Horus é totalmente independente da Impugnante, conforme consta em seu contrato social (doc. n° 29). Ademais, há alvará emitido pela Prefeitura do Rio de Janeiro comprovando a localização da Horus nº endereço em questão (doc, n° 30). Logo, o domicílio da Horus ser no antigo endereço da Impugnante em nada afeta a relação comercial entre ambas e, muito menos, a prestação do serviço de corretagem". r) Volta a dar as mesmas explicações e apresentar análogos documentos(contrato, aditivo, borderô e listagem de clientes, respectivamente, docs. nos 31, 32, 33 e 34) concernentes às despesas com a empresa Nova Premissa Serviços Ltda ("Nova Premissa"). Aduz ainda que "Sobre a Nova Premissa estar domiciliada no antigo estabelecimento da Impugnante, este fato decorre da Impugnante não contratar pessoas físicas para atuarem como seus corretores. Por isso, a Impugnante cedia parte do seu antigo endereço para que as suas contratadas pudessem se estabelecer", mas "a gestão da Nova Premissa é totalmente independente da Impugnante, conforme consta em extrato emitido pela Serasa S.A. (doc. n° 35). Logo, o domicílio da Nova Premissa ser no antigo endereço da Impugnante em nada afeta a relação comercial entre ambas e, muito menos, a prestação do serviço de corretagem". s) Trilhando o mesmo caminho, formula idênticos argumentos e anexa aos autos os mesmos tipos de documentos (contrato, e-mail e relatórios, respectivamente, docs. nos 36, 37, e 38) referentes às despesas com a empresa Rantonioli Assessoria Angariações e Negócios Ltda ("Rantonioli"), afirmando também que "após romper o vínculo comercial com a Impugnante, a Rantonioli passou a exercer a mesma atividade para concorrentes da Impugnante, inclusive tentando captar seus clientes para outras administradoras (doc. n° 39)". Fl. 1580DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 10 t) Semelhantes argumentos e documentos (contrato, aditivo, borderô e email, respectivamente, docs. nos 40, 41, 42 e 43) são apresentados relativamente às despesas com a empresa Ravanti Intermediações e Eventos Ltda ("Ravanti"). Sobre a qual tece as seguinte considerações: "No que se refere a Ravanti estar domiciliada no antigo estabelecimento da Impugnante, este fato decorre da Impugnante não contratar pessoas físicas para atuarem como seus corretores" e que "Por isso, a Impugnante cedia parte do seu antigo endereço para que as suas contratadas pudessem se estabelecer. Essa cessão é evidenciada com foto em que consta o logotipo da Ravanti ao lado da placa da Impugnante (doc. n° 44)", porém "a gestão da Ravanti é totalmente independente da Impugnante, conforme consta em extrato do SERASA (doc. n° 45). Logo, o domicílio da Ravanti ser no antigo endereço da Impugnante em nada afeta a relação comercial entre ambas e, muito menos, a prestação do serviço de corretagem". u) Quanto à empresa SBC Representações e Negócios Ltda. ("SBC"), diz que "é uma das prestadoras de serviços de corretagem para a Impugnante, conforme consta na cláusula terceira de seu contrato social. Assim, resta demonstrada a efetiva prestação dos serviços de intermediação pela empresa em favor da Impugnante (doc. n° 46)". v) No que concerne ao vínculo mantido com a Associação dos Servidores da Secretaria de Estado de Planejamento/Palácio Guanabara ("SECPLAN"), junta documentos(contrato e aditivos, respectivamente, docs. nos 47 e 48), além de informações sobre atualizações de mensalidade do plano de saúde (doc. nº 49), comunicado da SECPLAN para seus associados (doc. nº 50) e termo de acordo em que reconhece uma dívida com a referida(doc. nº 51). w) Por fim, para respaldar as despesas com a empresa Senna Consultoria em Negócios Ltda ("Senna"), segue a repetitiva toada apresentando os mesmos argumentos e semelhantes documentos (contrato, e-mail, borderô, resilição do contrato entre o impugnante e a Senna, respectivamente, docs. nos 52, 53, 54 e 55). Sobre a empresa em questão esclarece que "estar domiciliada no antigo estabelecimento da Impugnante, este fato decorre da Impugnante não contratar pessoas físicas para atuarem como seus corretores". "Por isso, a Impugnante cedia parte do seu antigo endereço para que as suas contratadas pudessem se estabelecer. Essa cessão é evidenciada com foto em que consta o logotipo da Senna ao lado da placa da Impugnante (doc. n° 56)", todavia "a gestão da Senna é totalmente independente da Impugnante, conforme consta em extrato emitido pelo SERASA (doc. n° 57). Logo, o domicílio da Senna ser no antigo endereço da Impugnante em nada afeta a relação comercial entre ambas e, muito menos, a prestação do serviço de corretagem". x) Passa a contestar a aplicação da multa agravada de 150%, argumentando que a Fiscalização teria que comprovar inequivocamente a prática das infrações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964, sendo a jurisprudência do CARF Fl. 1581DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 11 pacífica, conforme sua súmula 14, sobre a necessidade de indicar os elementos que caracterizam a fraude e sustentam a multa em questão, o que não teria ocorrido, haja vista que "no termo de verificação fiscal não existe sequer uma linha sobre os fatos que supostamente dariam ensejo à caracterização das infrações previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Federal nº 4.502/64". "Até porque, o capítulo que trata da imposição dessa multa agravada, excluindo as citações de legislação e jurisprudência, possui três linhas e em nenhuma delas evidencia qual fraude teria sido praticada pela Impugnante". y) Quanto ao tema alega ainda que "apesar do suposto recolhimento a menor da Contribuição ao PIS e da COFINS, essa ausência de pagamento do tributo ocorreu em razão de a Impugnante entender que está sujeita à sistemática cumulativa dessas contribuições sociais, mas em momento algum houve a declaração a menor de receita tributável". "Tanto isso é verdade, que a própria D. Fiscalização Federal utilizou os dados declarados em DCTF pela Impugnante para calcular as contribuições sociais supostamente devidas e nas quais a multa agravada foi imposta". Ao final, repisa os fundamentos utilizados na sua defesa, ao tempo em que requer o acolhimento da impugnação apresentada e o cancelamento integral do Auto de Infração combatido, pleiteando ainda, alternativamente, o reconhecimento dos créditos que julga fazer jus e, sucessivamente, o cancelamento da multa agravada. Por sua vez, o INST. BRAS. DE BENEFICIOS P/ COOPERATIVAS -PROSPERITY e os Srs. CLAUDIO JORGE POVOA SANTOS, FERNANDO SOUZA BISPO e FERNANDO ANTON BASUS BISPO, cientificados da sujeição passiva por responsabilidade solidária em 19/10/2016 (vide documentos, respectivamente, de fls. 539/541, 547/549, 555/557 e 565/5682 ), apresentaram, em 18/11/2016, respectivamente, às fls. 1137 a 1148, 1091 a 1102, 1045 a 1056 e 1189 a 1200, impugnações nas quais formulam razões de defesa que seguem abaixo sintetizadas: a) Iniciam seus arrazoados repetindo os argumentos contidos na peça de defesa apresentada pela IBBCA e, quanto ao debate a respeito da adoção pela autuada do regime cumulativo de apuração afeto ao PIS e à COFINS e à possibilidade de reconhecimento de créditos em face da aplicação da sistemática não cumulativa, afirmam que reiteram os termos da impugnação apresentada pela IBBCA, como se nas suas impugnações estivessem transcritos. b) Propugnam a nulidade dos Autos de Infração, alegando a falta de indicação de conduta que ensejasse a responsabilização dos mesmos. Sobre o tema, defendem ainda a inexistência de atos capazes de ensejar a referida responsabilização, haja vista não ter havido qualquer indicação nesse sentido pela Fiscalização. c) Acrescem que a imputação de responsabilidade com base nos dispositivos do CTN indicados pela fiscalização, quais sejam, art. 124, I, no caso do INST. PROSPERITY, art. 134 no de CLAUDIO JORGE POVOA SANTOS e art. 124, II, quanto a FERNANDO SOUZA BISPO e FERNANDO ANTON BASUS BISPO, carece de Fl. 1582DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 12 fundamentação legal, além do que faltam evidências de que tenham praticado qualquer ato capaz de ensejar tal responsabilização. d) Alegam que “a ausência do recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS pela IBBCA não guarda qualquer relação com eventuais atos praticados pelo impugnante”, de forma que deveria ser aplicado ao caso o disposto na Súmula nº 430 (“O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente”). Ao final, prosseguem formulando as mesmas razões de mérito da IBBCA, inclusive quanto ao cancelamento da multa “agravada de 150%”, “tendo em vista a ausência de qualquer ato no termo de verificação fiscal que denote a prática de fraude por parte da IBBCA”. E requerem a extinção da responsabilidade pessoal sobre qualquer valor que lhes foi imputado, por não constar nos autos qualquer ato por eles praticados que resultasse nessa responsabilização. A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário, conforme ementa do Acórdão nº 11-59.491 - 2ª Turma da DRJ/REC que apresentou o seguinte resultado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2012 ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS. REGIME DE APURAÇÃO. A pessoa jurídica administradora de benefícios não está sujeita ao regime de apuração cumulativa da Cofins, pois não pode ser considerada operadora de plano de assistência à saúde. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2012 ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS. REGIME DE APURAÇÃO. A pessoa jurídica administradora de benefícios não está sujeita ao regime de apuração cumulativa do PIS, pois não pode ser considerada operadora de plano de assistência à saúde. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2012 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Configurada hipótese prevista no art. 124, I, do CTN, mantém-se a responsabilidade solidária. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Configurada hipótese prevista no art. 124, II, do CTN, mantém-se a responsabilidade solidária. Fl. 1583DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 13 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Constatado equívoco na indicação do art. 134 do CTN como fundamento para imputação de responsabilidade solidária esta deve ser afastada. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada é aplicável nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Não havendo cerceamento ao direito de defesa e sendo o lançamento procedido por autoridade competente, atendendo aos requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Devido a exclusão da responsabilidade solidária do Sr. Cláudio Jorge Povoa Santos foi apresentado Recurso de Ofício. Foram apresentados Recursos voluntários da empresa autuada e dos responsáveis solidários, Fernando Souza Bispo, Fernando Anton Basus Bispo e Inst. Bras. de Benefícios p/ Cooperativas – Prosperity, todos tempestivamente e reproduzindo os argumentos apresentados em sede de impugnação. Em 14/08/2025 foi apresentada petição em noma da autuada apresentando solução de consulta COSIT nº 116/2018 que sedimentaria os argumentos apresentados nos Recursos Voluntários. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator Os recursos são tempestivos, atendem os demais requisitos de admissibilidade e deles se tomam conhecimento. Do mérito Antes de adentrar no mérito da discussão do Recurso de Ofício entendo ser necessário avaliar o tópico principal da autuação que é qual o regime que uma administradora de plano de saúde deveria ser tributada pelo regime cumulativo ou pelo não-cumulativo. Fl. 1584DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 14 A recorrente, nas razões do recurso, pediu a improcedência dessas exações fiscais, pois incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano- calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018 (e-fls. 4612/4620). A recorrente ainda acrescentou: a) que prepara planos de saúde e odontológicos em nome das operadoras de benefícios e os oferece a diversas pessoas jurídicas (planos coletivos por adesão), como por exemplo a Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro ("CAARJ") e Associação de Servidores da Secretaria de Planejamento do Estado do Rio de Janeiro ("SECPLAN"); b) que para o oferecimento, fazer a comercialização desses planos, contrata diversas empresas de corretagem que fazem o marketing, buscam novos clientes; c) que, no caso de adesão dos clientes pessoas físicas ao plano coletivo oferecido, os corretores são remunerados por uma parcela do preço pago pelos clientes quando da adesão, ou seja, o valor pago pela pessoa física quando da adesão pertence à impugnante, sendo descontado a remuneração do corretor (comissão); d) que a estrutura operacional pode ser descrita conforme o seguinte diagrama: (Fls 1335) e) que atua como uma operadora administradora, quanto aos planos das operadoras de benefícios, paras as pessoas físicas, sempre buscando a oferta dos melhores planos, ou seja, a maior cobertura possível, pelo menor preço; Pois bem. Procede a irresignação da recorrente. Não deve prosperar a exigência do PIS e da Cofins pelo regime não-cumulativo quanto ao ano-calendário 2012, objeto dos presentes autos, por entendimento da própria Receita Federal, conforme Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018 (Fls. 1553 a 1562) cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Reforma a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de 28 de abril de 2014. Reforma a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de 28 de abril de 2014. Fl. 1585DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 15 Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 9º, incluído pela MP nº 2.158- 35, de 2001; e § 9º-B, incluído pela Lei nº 12.995, de 2014; Lei nº 10.637, de 2002, art. 8º, I; IN RFB nº 985, de 2009, art. 2º, parágrafo único, com redação dada pela IN RFB nº 1.125, de 2011; e RDC ANS nº 39, de 2000, art. 1º, parágrafo único, e art. 10, I. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Reforma a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de 28 de abril de 2014. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 9º, incluído pela MP nº 2.158- 35, de 2001; e § 9º-B incluído pela Lei nº 12.995, de 2014; Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, I; IN RFB nº 985, de 2009, art. 2º, parágrafo único, com redação dada pela IN RFB nº 1.125, de 2011; e RDC ANS nº 39, de 2000, art. 1º, parágrafo único, e art. 10, I. (...) 26 Frise-se que, em que pese o reconhecimento de as administradoras de benefícios serem espécies de operadoras de planos de assistência à saúde ter advindo com a Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014, a tal disposição foi expressamente atribuída a natureza interpretativa (“Para fins de interpretação”). Assim, nos termos do inciso I do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), é aplicável a atos ou fatos pretéritos. (...) 28. Cabe mencionar, inclusive, como se pode ver pela mudança de redação do parágrafo único do art. 2º da IN RFB nº 985, de 2009, que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, a partir da publicação da IN RFB nº 1.100, de 2010, acrescentou as administradoras de benefícios à categoria das operadoras de planos de assistência à saúde. 29. Em que pese não ser a RFB a entidade competente para regrar o conceito de operadora de plano de assistência à saúde, há que se considerar que, se a utilização do conceito ampliado de operadora de plano de assistência à saúde serve para criar uma obrigação à administradora de benefícios, também é apta a enquadrá-la tributariamente como operadora de plano de assistência à saúde. Conclusão 30. Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo ao interessado que as administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Fl. 1586DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-013.194 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10872.720333/2016-19 16 Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Reforme-se a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de abril de 2014. (...) Portanto, os autos de infração do PIS e da Cofins são improcedentes, pois foram lavrados com base no regime não cumulativo. A questão da retroatividade desse entendimento também já foi resolvida no parágrafo 26 da Solução de Consulta acima, no sentido de que a norma introduzida pela Lei nº 12.995/2014 teria natureza interpretativa e, portanto, aplicar-se-ia a atos ou fatos pretéritos, nos termos do art. 106, I do CTN. Ademais, nos termos do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.396/2013, na redação dada pela IN RFB nº 1.434/2013, o referido entendimento respalda a ora recorrente. Assim, tendo em vista que a Solução de Consulta Cosit nº 116/2014, que subsidiou o auto de infração, foram superados por entendimento superveniente no âmbito da própria RFB em sentido favorável à tese da recorrente (Solução de Consulta Cosit nº 116/2018), cabe reforma na decisão recorrida para reconhecer o direito da recorrente de apurar as contribuições na sistemática cumulativa no período de apuração, de forma que não mais subsistem os fundamentos utilizados na autuação para a exigência da multa agravada. Ao final, não há que se falar em responsabilidade subsidiária ou solidária por obrigação tributária a) extinta pelo pagamento ou b) que sequer veio a existir por base de cálculo nula. Do Recurso de Ofício Tendo a discussão se resolvendo pelo mérito e pelo cancelamento do Auto de Infração a exclusão da responsável solidário Sr. Cláudio Jorge Povoa Santos, deve ser mantida pelos fundamentos já apresentado no mérito. Da conclusão Diante do exposto conheço do Recurso de Ofício e dos Recursos Voluntário apresentados, para no mérito negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar provimento aos Recursos Voluntários. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 1587DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10120.722988/2016-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 12 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, hipótese presente no caso concreto.
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023.
PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL.
A pessoa jurídica que se dedica à produção rural tem suas contribuições devidas a Seguridade Social calculadas sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256/2001.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021.
Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, a). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN).
Numero da decisão: 2201-012.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no acórdão nº 2201-012.089, de 23/07/2025, alterar a decisão original para: dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, em relação ao DEBCAD n.º 51.083.008-0, os valores correspondentes à competência 11/2012, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub-rogação).
Assinado Digitalmente
Thiago Alvares Feital - Relator
Assinado Digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente).
Nome do relator: THIAGO ALVARES FEITAL
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OMISSÃO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Os embargos de declaração são cabíveis em face de obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma, hipótese presente no caso concreto. NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. A pessoa jurídica que se dedica à produção rural tem suas contribuições devidas a Seguridade Social calculadas sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a Fl. 1118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 2 substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no acórdão nº 2201- 012.089, de 23/07/2025, alterar a decisão original para: dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, em relação ao DEBCAD n.º 51.083.008-0, os valores correspondentes à competência 11/2012, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub-rogação). Assinado Digitalmente Thiago Alvares Feital – Relator Assinado Digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernando Gomes Favacho (substituto[a] integral), Luana Esteves Freitas, Thiago Alvares Feital, Weber Allak da Silva, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 1023-1040): Trata-se de crédito tributário constituído por meio dos Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) em desfavor da empresa em epígrafe, consolidados em 16/05/2016, como segue. […] Do Relatório Fiscal O Relatório Fiscal (fls. 44/53) informa o que segue. Fl. 1119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 3 Da Receita Bruta A fiscalização verificou nos sistemas informatizados da RFB que os valores da Receita de Venda no Mercado Interno de Produtos de Fabricação Própria - Atividade Rural, informados na Ficha 07A pelo contribuinte em DIPJ - Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica, ano base 2011, divergiam dos valores declarados em GFIP - Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, conforme quadro abaixo: […] Em 20/04/2015, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo de cálculo dos valores informados nos itens 2 e 3 da ficha 07A da DIPJ (ano base 2011), Receita de vendas de mercadoria e produtos com fim específico de exportação e Receita de venda de produtos de fabricação própria no mercado interno, respectivamente. Em resposta ao TIF n° 01 o contribuinte apresentou demonstrativo informando as contas contábeis utilizadas na apuração destes valores (demonstrativo anexo ao TIF). Pela análise do demonstrativo apresentado e dos registros contábeis do contribuinte presentes nas bases de dados da RFB (SPED), a fiscalização constatou que os valores de receita bruta apurados, utilizando-se das contas contábeis do demonstrativo, não correspondiam aos valores declarados em GFIP. Intimado a justificar tais divergências (TIF n° 02), a empresa apresentou novos documentos por meio dos quais a fiscalização verificou que as contas utilizadas para a determinação das receitas informadas na DIPJ eram compostas por receitas de vendas de produtos, menos as devoluções de vendas, somadas as saídas (remessas) por conta de vendas para entrega futura. Para se determinar o valor da receita bruta, base de cálculo da contribuição previdenciária (nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256/2001), fez-se necessário somar aos valores levantados, conforme item anterior, as receitas de vendas para entrega futura e subtrair as remessas por conta destas vendas, conforme art. 169 da IN RFB n° 971/2009. Esclarece ainda o Relatório Fiscal que, embora se tenha apurado os valores da receita bruta utilizando-se os registros contábeis da empresa, estes não foram utilizados para fins de lançamento das contribuições previdenciárias pelo fato de não ser possível distribuir esta receita entre os estabelecimentos do contribuinte. Como a GFIP é feita por estabelecimento, seria necessário identificar a receita também por estabelecimento. Todavia, estes cálculos serviram para se ter um melhor entendimento do funcionamento da empresa e para corroborar os valores apurados de receita bruta por intermédio das notas fiscais eletrônicas, emitidas pelo contribuinte e arquivadas na base de dados da RFB. Fl. 1120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 4 De posse das notas fiscais eletrônicas, apurou-se o valor da receita bruta, levando-se em conta os faturamentos e excluindo as remessas para entrega futura, por estabelecimento, e comparou-se com os valores declarados em GFIP. As divergências encontradas foram apresentadas ao contribuinte no TIF n° 03, onde foram apontadas as divergências e solicitadas as justificativas pertinentes. As diferenças entre a receita bruta e a declarada em GFIP foram lançadas nos autos de infração objeto deste processo. As Notas Fiscais utilizadas para o cálculo da receita constam do ANEXO-I. Da Receita Bruta com Exportação Indireta De acordo com relato fiscal, o contribuinte tem parte de sua produção de açúcar comercializada com o fim específico de exportação. Todavia, a fiscalização constatou que essa comercialização se dá com empresa estabelecida no Brasil. E conforme estipulado no art. 170, parágrafos 1°, 2° e 3° da IN RFB n° 971/2009 a receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no país é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente de sua destinação. Ainda conforme Relatório Fiscal, essas contribuições previdenciárias não foram lançadas nos autos de infração deste processo, uma vez que o contribuinte apresentou, em resposta ao TIPF, ação judicial movida pelo Sindicato das Indústrias de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás – SIPAEG, na qual foi obtida liminar em mandado de segurança reconhecendo a inexigibilidade das contribuições previdenciárias realizadas pelos integrantes deste sindicato (Processo 2007.35.00.009621-7 - TRF 1a Região). Referidas contribuições foram lançadas em processo a parte (comprot n° 10120.722986/2016-35) com sua exigibilidade suspensa até que a matéria se dê por transitado em julgado. Por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas e não estar amparada pela liminar, a contribuição devida ao SENAR- Serviço Nacional de Aprendizagem Rural foi lançada neste processo. Neste processo foram lançados os créditos relacionados a seguir. Auto de Infração nº 51.083.007-2 Relativo às contribuições sociais previdenciárias, parte patronal (2,5% Rural + 0,1% Sat/Rat), nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91 (com redação dada pela Lei n° 10.256/2001) incidentes sobre a Receita Bruta da comercialização da produção do contribuinte, apuradas com base nas notas fiscais eletrônicas, cujos valores não foram declaradas nas GFIP entregues antes do início da ação fiscal. As notas fiscais eletrônicas que foram consideradas para a composição da Receita Bruta estão relacionadas no ANEXO-I, parte integrante do Relatório Fiscal. Auto de Infração nº 51.083.008-0 Corresponde às contribuições destinadas a outras entidades e fundos(Terceiros-SENAR, alíquota de 0,25%), incidentes sobre Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 5 a Receita Bruta, excluída a proveniente da exportação indireta, conforme o Fundo de Previdência e Assistência Social -FPAS 744. Os valores foram apurados com base nas notas fiscais eletrônicas extraídas da base de dados do SPED -Sistema Público de Escrituração Digital, não foram declaradas nas GFIP entregues antes do início da ação fiscal e as notas fiscais eletrônicas consideradas para a composição da Receita Bruta estão relacionadas no ANEXO-I, parte integrante do Relatório Fiscal. Esclarece o Relatório Fiscal que para o estabelecimento 02.859.452/0002- 30(competência 03/2012) e para o estabelecimento 02.859.452/0008- 25(competência 01/2012), foram aproveitados os valores de GPS - Guia da Previdência Social superiores aos valores devidos em GFIP, conforme relatórios DD - Discriminativo de Débito e RADA -Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Para as demais competências não foram detectadas sobras de GPS. Auto de Infração nº 51.083.009-9 Tem como objeto o lançamento das contribuições destinadas ao SENAR -Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (alíquota de 0,25%) incidentes sobre a receita bruta, proveniente da exportação indireta, conforme o Fundo de Previdência e Assistência Social -FPAS 744. Os fatos geradores não foram declarados nas GFIP entregues antes do procedimento fiscal. O levantamento EX-Exportação Indireta – Terceiros se refere aos valores de Receita Bruta de exportação indireta obtida com a venda de produtos a empresas nº mercado interno que, em tese, intermediaram a exportação destes produtos, conforme itens 4.11 e 4.12 do Relatório Fiscal. Os fatos geradores foram obtidos nas notas fiscais eletrônicas emitidas pelo contribuinte e extraídas da base de dados do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, as quais encontram-se relacionadas no ANEXO-II, parte integrante deste relatório. Esclarece o Relatório Fiscal que para o estabelecimento 02.859.452/0002- 30(competências 01/2012, 02/2012, 06/2012, 09/2012, 10/2012 e 12/2012), foram aproveitados os valores recolhidos de GPS (Guia da Previdência Social) superiores aos valores devidos em GFIP, conforme relatórios DD -Discriminativo de Débito e RADA - Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Para as demais competências não foram detectadas sobras de GPS. Formalizada Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 10120.723198/2016-66, tendo em vista que os fatos verificados configuram, em tese, a prática de ilícito previsto na legislação previdenciária e penal. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 23/05/2016, conforme comprovante de recebimento postal (fl. 754), o contribuinte apresentou impugnação em 22/06/2016 (fls. 772/782), acompanhada de vasta documentação de suporte, com as alegações que se seguem, em síntese. Fl. 1122DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 6 Em Relação ao Debcad nº 51.083.007-2 (Contribuições previdenciárias, parte patronal (2,5% Rural + 0,1% Sat/Rat), incidente sobre a Receita Bruta)Mês 03/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: - o Auditor Fiscal considerou as Notas Fiscais de Remessa, enquanto a empresa faz os recolhimentos pelas Notas Fiscais de Vendas; - considerou as Notas de Remessa nºs 262782, 262831, 262832, 263015 e 263016 (entrega por conta da NF Venda Futura Entrega nº 261761 de 08/02/2012); 262873, 262875 e 262876 (entrega por conta da NF Venda Futura Entrega nº 262854 de 05/03/2012), como Notas Fiscais de Venda; - também, não considerou o cancelamento das Notas Fiscais nºs 264012 e 264015 - no total geral de R$ 588.234,79. (DOC. 1 a 14). Mês 04/2012 - CNPJ 02.859.452/0002-30: -o fiscal apurou como base de cálculo a diferença de R$ 4.754.674,19, considerando a Nota de Remessa nº 265436 (entrega por conta da NF Venda Futura Entrega nº 261761 de 08/02/2012) como Notas Fiscais de Venda, no valor de R$ 11.852,52. (DOC. 15 e 16); Mês 11/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: -não foi considerado o termo de desfazimento no valor de R$ 2.660.000,00, referente à Nota Fiscal de Venda nº 273945 de 28/11/2012, emitida para Ipiranga Produtos de Petróleo S/A. - não tem nenhum recolhimento complementar a fazer no mês, pelo contrário efetuou recolhimento a maior, em uma base de cálculo de R$ 9.187,02 X 2,6% = 238,86 de crédito + 9.036,60 crédito lançado = 9.275,46 de crédito. (DOC. 17 e 18). Em Relação ao Debcad n° 51.083.008-0, (SENAR-incidente sobre a Receita Bruta excluída a de Exportação Indireta)Mês 03/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: -foram consideradas as Notas de Remessa nºs 262782, 262831, 262832, 263015 e 263016 (entrega por conta da NF Venda Futura Entrega nº 261761 de 08/02/2012) e 262873, 262875e 262876 (entrega por conta da NF Venda Futura Entrega nº 262854 de 05/03/2012) como Notas Fiscais de Venda; - também, não foi considerado o cancelamento das Notas Fiscais nºs 264012 e 264015, no total geral de R$ 588.234,79. (DOC. 19 a 31); Mês 04/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: - considerada a Nota de Remessa nº 265432 (por conta da NF Venda Futura Entrega nº 261761 de 08/02/2012) como Nota Fiscal de Venda, no valor de R$ 11.852,52. (DOC. 31 e 32); Mês 05/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: Fl. 1123DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 7 - o fiscal apurou como base de cálculo a diferença de R$ 91.284.08, considerando as Notas de Remessas nºs 265895 e 266421 (por conta da NF Venda Futura Entrega nº 261799 de 08/02/2012) como Notas Fiscais de Venda, no valor de R$ 72.896,73. (DOC. 33 e 34). - não foi considerado que o cliente Raizem Combustíveis S/A, recusou a mercadoria da NF nº 265895 na própria Nota Fiscal; Mês 07/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: - o fiscal apurou como base de cálculo a diferença de R$ 105.611,26, considerando as Notas Fiscais nºs 268908, 268909 e 269773, como Notas Fiscais de Venda, nº valor de R$ 1.730,51. Porém, trata-se de remessa para doação. (DOC. 35 a 37); Mês 11/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30: - o fiscal apurou como base de cálculo o valor de R$ 83.606,75, ref. aquisição de produto agrícola de PF com liminar. O valor cobrado foi devidamente pago, conforme GPS em anexo, ou seja, 83.606,75 x 0,2 = 167,21. (DOC 38 e 39); - a diferença a recolher apurada é totalmente indevida, vez que o valor de R$ 90.070,51, foi totalmente pago, sendo parte pago em GPS (R$ 81.033,92) e parte depositado em juízo (9.036,58), DOC. 40 e 41; - ao apurar uma Base de Cálculo de R$ 2.650.813,35, o agente fiscal não considerou o termo de desfazimento no valor de R$ 2.660.000,00, referente à Nota Fiscal de Venda nº 273945 de 28/11/2012, emitida para Ipiranga Produtos de Petróleo S/A. (DOC. 42 e 43); Mês 12/2012 - CNPJ 02.859.452/0008-25: - do valor a recolher apurado (R$ 1.433.57), considerando crédito no valor de R$ 685,68 = a recolher R$ 747,89. Porém, o valor de R$ 1.433,57, foi totalmente pago, sendo, parte pago em GPS (R$ 685,68) e parte depositado em juízo (R$ 747,85), DOC. (44 e 45); Em Relação ao Debcad n° 51.083.009-9 (SENAR – Receitas Exportação Indireta)Diz que o fiscal não considerou o Termo de Desfazimento parcial de venda para entrega futura de açúcar VHP Exportação conforme Nota Fiscal nº 275036 de 13/04/2012, emitida para a empresa SUCDEN DO BRASIL LTDA, com o que alterou a base de cálculo para maior, conforme documentação anexa. O lançamento contábil ocorreu no mês 05/2012. Afirma que da base de cálculo apurada no mês 05/2012, no valor de R$ 1.863.587,95 deve-se deduzir a importância de R$ 65.878,43, correspondente à venda que não se efetivou, chegando-se ao valor Base de Calculo de R$ 1.797.710,52. (Doc. 46); Fl. 1124DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 8 Apresenta planilha demonstrando os valores apurados x recolhimentos efetuados pela empresa (GPS anexas). Afirma que as contribuições dos meses de janeiro, abril, maio, julho a outubro e dezembro de 2012 foram totalmente recolhidas e no mês 06/2012, foi recolhido a maior R$ 2.690,50. E nos meses fevereiro, março e novembro, reconhece diferenças de valores a recolher apontadas na referida planilha. (Doc. 47 a 58). Conclui alegando que todos os débitos relacionados nos autos de infração ora impugnados encontram-se devidamente recolhidos. Ao final, requer seja julgada procedente a impugnação para declarar improcedentes os autos de infração impugnados. Da Diligência Realizada Em 10/03/2017, o processo retornou em diligência à Delegacia de origem solicitando manifestação da fiscalização, haja vista que, examinando as alegações da defesa e as provas apresentadas, em conjunto com as informações elaboradas pela fiscalização, objeto das planilhas anexadas ao Relatório Fiscal, verificou-se que a empresa apontou questões fáticas que precisavam ser apreciadas pela autoridade fiscal, antes da conclusão do julgamento (fls. 883/887). Em atendimento a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal (fls. 882/888), na qual concluiu pela retificação dos Auto de Infração nºs 51.083.007-2, 51.083.008-0 e 51.083.009-9, conforme demonstrativo constante da referida informação fiscal. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e apresentou a manifestação de fls. 941/982. Faz comentários sobre a diligência realizada e ratifica as questões postuladas na impugnação original, relativamente às alegações não acatadas pela fiscalização por ocasião da diligência. Pede a retificação do lançamento e solicita que as intimações sejam feitas no escritório do advogado. Do Pedido. Requer sejam julgados nulos os autos de infração porque lavrado em afronta a decisão judicial que declarou inexigíveis as referidas contribuições por falta de amparo legal, ou, alternativamente, acolher a retificação da autuação para excluir da base de cálculo apurada pelo fiscal os valores correspondentes às vendas futuras que não se concretizaram, nos termos de desfazimento reconhecidos pelo fiscal. A DRJ deliberou (fls. 1023-1040) pela procedência parcial da Impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, em decisão assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2012 Fl. 1125DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 9 PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. A pessoa jurídica que se dedica à produção rural tem suas contribuições devidas a Seguridade Social calculadas sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256/2001. SENAR. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL. EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO BRASIL. INCIDÊNCIA. Para efeito da apuração da contribuição previdenciária devida pela pessoa jurídica produtora rural, as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras, constituídas e em funcionamento no país, são consideradas vendas internas e, portanto, tributáveis. A imunidade tributária prevista nº inciso I do §1º do art. 149 da CF/88 alcança, tão somente, as receitas decorrentes de exportação realizada com adquirente domiciliado nº exterior. RECEITA BRUTA. VENDAS CANCELADAS E DEVOLUÇÕES. As vendas canceladas e devoluções não integram a receita bruta, devendo os valores correspondentes a estas operações serem excluídos da base de cálculo das contribuições lançadas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte, intimado da decisão de primeira instância em 16/04/2018 (fls. 1048), apresentou recurso voluntário (fls. 1051-1078), em 16/05/2018, reiterando os argumentos da impugnação. O processo foi julgado por esta Turma, em 23/07/2025, com distinta composição, tendo sido dado provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir, em relação ao DEBCAD n.º 51.083.008-0, os débitos correspondentes à competência 11/2012. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2012 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. A pessoa jurídica que se dedica à produção rural tem suas contribuições devidas a Seguridade Social calculadas sobre a receita bruta proveniente da comercialização Fl. 1126DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 10 de sua produção, nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). RECEITA BRUTA. VENDAS CANCELADAS E DEVOLUÇÕES. As vendas canceladas e devoluções não integram a receita bruta, devendo os valores correspondentes a estas operações serem excluídos da base de cálculo das contribuições lançadas. Em seguida, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração (fls. 1101-1106), tempestivamente em 05/09/2025, os quais foram admitidos, conforme despacho às fls. 1110-1116: a) Omissão quanto à exclusão do período de apuração 11/2012 do auto de infração nº 51.083.008-0 A Fazenda Nacional alega que o acórdão incorreu em omissão ao excluir todos os valores lançados na competência 11/2012 do auto de infração nº 51.083.008-0 sob a justificativa de que se referiam a comercialização sobre produção rural de segurado especial, com fundamento legal do art. 30, inciso IV, da Lei 8.212/91, o qual, pela aplicação do entendimento do Parecer PGFN SEI nº 19.443/2021/ME, não poderia servir de fundamento em momento anterior à vigência da Lei 13.606/18. Destaca a parte dispositiva do acórdão embargado: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir, em relação ao DEBCAD n.º 51.083.008-0, os débitos correspondentes à competência 11/2012. Todavia, a PGFN ressalta que na competência 11/2012, no auto de infração nº 51.083.008-0 constaram outros valores autuados com base em fundamentação legal distinta, conforme destaca na figura abaixo extraída do auto de infração em análise: […] Diante disso, a embargante conclui: Com efeito, incorre em omissão o aresto embargado, porquanto exclui da autuação a integralidade do período de apuração de 11/2012 sem ressalvar desse Fl. 1127DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 11 comando decisório os débitos da mesma competência constituídos à luz de fundamento legal distinto do art. 30, IV, da Lei 8.212/91. Dito de outro modo, o acórdão desconstituiu a totalidade das dívidas relativas à competência de novembro de 2012, omitindo-se quanto a débitos referentes ao mesmo período de apuração dotados de origem fático-jurídica diversa, que, por suas vezes, não merecem ter a sua exigência afastada. Compulsando os termos da autuação, verifica-se que assiste razão à embargante. Conforme constou no Relatório de fl. 20, os levantamentos utilizados no auto de infração nº 51.083.008-0 foram: […] De acordo com o Discriminativo de débitos de fl. 21 do AI os valores incluídos na competência 11/2012 referem-se aos seguintes levantamentos: […] Nota-se que no auto de infração nº 51.083.008-0 foram lançados valores em três diferentes Levantamentos: AL, GR, RB. O levantamento RB foi excluído pela decisão da DRJ, sendo mantidos os demais (AL e GR). Conforme constou no Relatório do acórdão embargado, em seu recurso voluntário o contribuinte trouxe as seguintes alegações quanto ao referido auto de infração: O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fl. 1.051 a 1.055) alegando, para a matéria remanescente, o mesmo que alegado na Impugnação – com a exceção do DEBCAD nº 51.083.007-2, o qual solicita o desmembramento do Auto e parcelamento do valor. Em síntese: Auto de Infração - DEBCAD nº 51.083.008-0 (SENAR – Receita Bruta Excluída a Exportação Indireta). a) Competência 11/2012 (CNPJ 02.859.452/0002-30): O contribuinte alega que a base de cálculo apurada pelo fiscal no valor de R$ 83.606,75, referente à aquisição de produto agrícola de pessoa física com liminar, foi devidamente paga, conforme GPS anexada ao recurso. Sustenta que o lançamento de R$ 167,21 é insubsistente. Além disso, afirma que o fiscal apurou uma diferença de R$ 4.507,73 sobre a base de cálculo parcial recolhida no valor de R$ 36.028.202,00 (0,25% destinados ao SENAR). Alega que o montante total de R$ 90.070,51 foi integralmente pago, sendo parte via GPS e parte depositado em juízo. Assim, o contribuinte trouxe alegações em relação aos dois levantamentos (AL e GR), sendo que o acórdão se manifestou pela exclusão apenas em relação à contribuição por substituição do produtor rural pessoa física, conforme excerto do voto: 4. SENAR – receita bruta, excluída a proveniente de exportação indireta. Fl. 1128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 12 Sobre o Auto de Infração nº 51.083.008-0 (fl. 16 a 27): Contribuições destinadas a terceiros (SENAR), incidentes sobre a receita bruta excluída a proveniente de exportação indireta, referentes às competências 11/2012 e 12/2012, especialmente quanto ao Mês 11/2012- CNPJ 02.859.452/0002-30, consta nos Fundamentos Legais das Rubricas: (fl. 26) 403 - TERCEIROS - SENAR - CONTRIBUICAO SOBRE A COMERCIALIZACAO DA PRODUCAO RURAL - SEGURADO ESPECIAL 403.05 - Competências: 11/2012 (art. 30, Inciso IV). A PGFN emitiu o Parecer SEI nº 19.443/2021/ME, incluindo na lista de dispensa de contestação e recursos esse tema referente à substituição tributária dessa contribuição prevista no art. 6º, da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista a pacificação do entendimento no âmbito das turmas de direito público do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido da impossibilidade de utilização do art. 30, IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, a qual somente é válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997. (...)Desse modo, seguindo a jurisprudência consolidada do STJ e a orientação da PGFN, não há como utilizar o art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e o art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, a qual somente se tornou válida a partir da vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Portanto, dou provimento ao recurso nesse ponto, para excluir do lançamento as contribuições para o SENAR, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub-rogação). Quanto a competência 12/2012, ressaltando o decidido pela DRJ, trata-se de aquisição de pessoa jurídica. Enquanto a competência 11/2012 se trata de aquisição de produto agrícola de PF, a 12/2012 se deu por falta de pagamento de 0,25% (0,25 terceiros/SENAR) de contribuição do INSS — CNPJ 02.859.452/0008- 25. Deve a competência 12/2012, portanto, ser mantida. (Grifamos.)Por fim, na conclusão do voto e na parte dispositiva da ementa constou a exclusão de todo a competência 11/2012: 5. Conclusão. Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e, no mérito, dou parcial provimento para excluir em relação aos DEBCADs n.º 51.083.008-0 os débitos correspondentes à competência 11/2012, posto que incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub-rogação). (Grifamos.)Parte dispositiva da ementa: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir, em relação ao DEBCAD n.º 51.083.008-0, os débitos correspondentes à competência 11/2012. Fl. 1129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 13 (Grifamos.)Portanto, o voto não tratou do lançamento decorrente do Levantamento “GR – GFIP RECEITA BRUTA”, cujo fundamento legal é diverso. Diante do exposto, a alegação de omissão resta demonstrada. b) Da obscuridade/erro material na ementa quanto à matéria não analisada pelo colegiado A embargante aponta a existência de obscuridade/erro material na ementa do acórdão embargado em relação à inclusão da matéria “RECEITA BRUTA. VENDAS CANCELADAS E DEVOLUÇÕES.”. Argumenta que tal matéria “não foi apreciada em sede de recurso voluntário, mas, sim, na decisão proferida anteriormente pela DRJ, tendo sido acolhida a impugnação neste ponto”. Aqui também assiste razão à embargante. Conforme o voto condutor do acórdão a DRJ já havia concluído pela necessidade de ajustes nas bases de cálculo das contribuições previdenciárias, excluindo as vendas canceladas e devoluções. Assim, o provimento do recurso voluntário restou restrito à exclusão da competência 11/2012 do AI nº 51.083.008-0. Diante do exposto, a matéria não foi objeto de análise pela turma julgadora, restando demonstrada a ocorrência de erro material na ementa. Conclusão Pelo exposto, com fundamento nos arts. 116 e 117, do Anexo, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2023, dou seguimento aos Embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em relação às alegações de a) Omissão quanto à exclusão do período de apuração 11/2012 do auto de infração nº 51.083.008-0 e b) Obscuridade/erro material na ementa quanto à matéria não analisada pelo colegiado. Tendo em vista que o relator original não compõe mais este colegiado, o processo foi distribuído para minha relatoria. É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Álvares Feital, Relator Os Embargos são tempestivos, motivo pelo qual deles conheço. O despacho de admissibilidade (fls. 1110-1116) foi motivado pelo reconhecimento de que a decisão embargada foi omissa acerca da exclusão do período de apuração 11/2012 do auto de infração nº 51.083.008-0 e possui erro material na ementa quanto à matéria não analisada pelo colegiado (não incidência sobre vendas canceladas e devoluções). Fl. 1130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 14 No caso em exame, o acórdão embargado deu provimento parcial ao recurso voluntário para “excluir, em relação ao DEBCAD nº 51.083.008-0, os débitos correspondentes à competência 11/2012”. Todavia, a fundamentação do voto condutor evidencia que o provimento recursal decorreu exclusivamente do reconhecimento da impossibilidade de exigência das contribuições ao SENAR com fundamento na sub-rogação prevista no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, em período anterior à vigência da Lei nº 13.606/2018. Ou seja, a ratio decidendi do julgado restringe-se às exações exigidas sob tal fundamento jurídico específico. Ocorre que a redação do dispositivo, ao determinar a exclusão genérica dos “débitos correspondentes à competência 11/2012”, não delimita o alcance do provimento, permitindo interpretação no sentido de que teria havido a desconstituição integral da competência, inclusive de eventuais rubricas fundadas em base legal diversa. Nesse ponto, verifica-se omissão do acórdão, uma vez que não houve manifestação expressa acerca da extensão do provimento, tampouco esclarecimento sobre a manutenção ou não de outros créditos eventualmente existentes na mesma competência, com fundamento jurídico distinto daquele afastado pelo colegiado. Tal omissão é relevante, pois pode conduzir à execução indevida do julgado, em desacordo com os limites da fundamentação adotada. Impõe-se o aclaramento do acórdão, a fim de que seja explicitado que a exclusão determinada se restringe às contribuições ao SENAR exigidas por sub-rogação com fundamento no art. 30, IV, da Lei nº 8.212/91, relativamente à competência 11/2012 do DEBCAD nº 51.083.008-0, permanecendo hígidos os demais lançamentos baseados em fundamentos jurídicos diversos. Acerca do erro material na inclusão de excerto relativo a vendas canceladas na ementa do julgado, tem razão a embargante, uma vez que essa matéria não foi devolvida ao CARF. Trata-se de ponto analisado pela DRJ, quando do julgamento da impugnação, e que se tornou incontroverso diante do provimento desta parte do pedido do contribuinte que não foi objeto de recurso pela Fazenda. Para sanar o erro, basta excluir da ementa do acórdão embargado o trecho referente às vendas canceladas. Deste modo, a ementa fica assim redigida: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 30/11/2012 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, a fundamentação da decisão pode ser atendida mediante declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida, nos termos do artigo 114, §12, I da Portaria MF n.º 1.634/2023. PRODUTOR RURAL PESSOA JURÍDICA. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A RECEITA BRUTA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. Fl. 1131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2201-012.765 – 2ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.722988/2016-24 15 A pessoa jurídica que se dedica à produção rural tem suas contribuições devidas a Seguridade Social calculadas sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, nos termos do art. 22-A, incisos I e II da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei n° 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES AO SENAR. SUB-ROGAÇÃO. VIGÊNCIA SOMENTE A PARTIR DA LEI Nº 13.606, DE 09/01/2018. PARECER PGFN 19.443/2021. Impossibilidade de utilização do art. 30 IV, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, e do art. 3º, §3º, da Lei nº 8.135, de 23 de dezembro 1991, como fundamento para a substituição tributária, somente válida a partir de vigência da Lei nº 13.606, de 9 de janeiro de 2018, que incluiu o parágrafo único no art. 6º da Lei 9.528, de 1997. Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, (art. 11, § 5º, “a”). Ausência de lastro normativo que autoriza a substituição tributária até que editada a Lei nº 13.606, de 2018 (art. 121, parágrafo único, II, e art. 128 do CTN). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e acolher os embargos, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no acórdão nº 2201-012.089, de 23/07/2025, alterar a decisão original para: dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir, em relação ao DEBCAD n.º 51.083.008-0, os valores correspondentes à competência 11/2012, incidentes sobre a aquisição de produção rural de pessoas físicas (exigidas por sub-rogação). Assinado Digitalmente Thiago Álvares Feital Fl. 1132DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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