Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
11522275 #
Numero do processo: 10675.907615/2021-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2017 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO. RISCO DE PRESCRIÇÃO. É legítimo o indeferimento do pedido de cancelamento de PER/DCOMP quando fundamentado, de forma específica, no risco de prescrição do débito envolvido, nos termos do art. 141 do CTN c/c o art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA ENTRE PER/DCOMP E ECF QUANTO AO REGIME DE APURAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. A divergência entre o regime de apuração do lucro real informado no PER/DCOMP e o efetivamente adotado na ECF não constitui mera irregularidade formal, mas compromete a própria identificação do crédito pleiteado, sendo indispensável a retificação das declarações divergentes pelo sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE POR OUTROS MEIOS. PRESSUPOSTO DE IDENTIFICAÇÃO PRÉVIA DO CRÉDITO. A possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meios diversos do comprovante da fonte pagadora pressupõe a correta identificação do período de apuração e do regime de tributação do crédito pleiteado, não supre a ausência dessa identificação.
Numero da decisão: 1002-004.475
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinatura Digital Maria Angélica Echer Ferreira Feijo - Relatora Assinatura Digital Ailton Neves da Silva - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Rafael Taranto Malheiros (substituto[a] integral), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente).
Nome do relator: MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202608

ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2017 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO. RISCO DE PRESCRIÇÃO. É legítimo o indeferimento do pedido de cancelamento de PER/DCOMP quando fundamentado, de forma específica, no risco de prescrição do débito envolvido, nos termos do art. 141 do CTN c/c o art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA ENTRE PER/DCOMP E ECF QUANTO AO REGIME DE APURAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. A divergência entre o regime de apuração do lucro real informado no PER/DCOMP e o efetivamente adotado na ECF não constitui mera irregularidade formal, mas compromete a própria identificação do crédito pleiteado, sendo indispensável a retificação das declarações divergentes pelo sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE POR OUTROS MEIOS. PRESSUPOSTO DE IDENTIFICAÇÃO PRÉVIA DO CRÉDITO. A possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meios diversos do comprovante da fonte pagadora pressupõe a correta identificação do período de apuração e do regime de tributação do crédito pleiteado, não supre a ausência dessa identificação.

turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10675.907615/2021-12

anomes_publicacao_s : 202610

conteudo_id_s : 7416173

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1002-004.475

nome_arquivo_s : Decisao_10675907615202112.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : MARIA ANGELICA ECHER FERREIRA FEIJO

nome_arquivo_pdf_s : 10675907615202112_7416173.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinatura Digital Maria Angélica Echer Ferreira Feijo - Relatora Assinatura Digital Ailton Neves da Silva - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Rafael Taranto Malheiros (substituto[a] integral), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2026

id : 11522275

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:36 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547469725696

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-09T13:37:58Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-09T13:37:58Z; Last-Modified: 2026-09-09T13:37:58Z; dcterms:modified: 2026-09-09T13:37:58Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-09T13:37:58Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-09T13:37:58Z; meta:save-date: 2026-09-09T13:37:58Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-09T13:37:58Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-09T13:37:58Z; created: 2026-09-09T13:37:58Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2026-09-09T13:37:58Z; pdf:charsPerPage: 1606; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-09T13:37:58Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10675.907615/2021-12 ACÓRDÃO 1002-004.475 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de agosto de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE ANGRA SERVICOS ESPECIALIZADOS LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2017 PEDIDO DE CANCELAMENTO DE PER/DCOMP. INDEFERIMENTO FUNDAMENTADO. RISCO DE PRESCRIÇÃO. É legítimo o indeferimento do pedido de cancelamento de PER/DCOMP quando fundamentado, de forma específica, no risco de prescrição do débito envolvido, nos termos do art. 141 do CTN c/c o art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017. SALDO NEGATIVO. DIVERGÊNCIA ENTRE PER/DCOMP E ECF QUANTO AO REGIME DE APURAÇÃO. IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO. A divergência entre o regime de apuração do lucro real informado no PER/DCOMP e o efetivamente adotado na ECF não constitui mera irregularidade formal, mas compromete a própria identificação do crédito pleiteado, sendo indispensável a retificação das declarações divergentes pelo sujeito passivo. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NA FONTE POR OUTROS MEIOS. PRESSUPOSTO DE IDENTIFICAÇÃO PRÉVIA DO CRÉDITO. A possibilidade de comprovação das retenções na fonte por meios diversos do comprovante da fonte pagadora pressupõe a correta identificação do período de apuração e do regime de tributação do crédito pleiteado, não supre a ausência dessa identificação. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.475 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10675.907615/2021-12 2 Assinatura Digital Maria Angélica Echer Ferreira Feijo – Relatora Assinatura Digital Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrea Viana Arrais Egypto, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto[a] integral), Maria Angelica Echer Ferreira Feijo, Rafael Taranto Malheiros (substituto[a] integral), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ailton Neves da Silva (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Despacho Decisório emitido eletronicamente em 03/09/2021 (Comunicação nº 3124721 — fl. 3), pela DRF/Uberlândia, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 34241.29968.170417.1.3.03-6532, transmitido em 17/04/2017, no qual a contribuinte pleiteava a utilização de saldo negativo de CSLL do 1º trimestre de 2017 (01/01/2017 a 31/03/2017), no valor original de R$1.032.693,00. Segundo a fundamentação do Despacho Decisório, no curso da análise do direito creditório foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação não atendido pela contribuinte, verificando-se que a forma de apuração do lucro real indicada no PER/DCOMP (trimestral) diverge da informada na Escrituração Contábil Fiscal — ECF — correspondente ao mesmo período (anual), o que impossibilitou identificar o período de apuração a que se refere o crédito informado. Em razão disso, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido apurado, em consequência, débito consolidado de R$874.395,09 a título de principal, R$174.878,97 de multa e R$238.424,27 de juros, correspondente aos débitos indevidamente compensados. Consta ainda dos autos que pedido de cancelamento do referido PER/DCOMP, transmitido pela contribuinte em 12/02/2021, não foi admitido por Despacho Decisório específico de 15/02/2021 (fl. 112), sob o fundamento de que o débito envolvido — código de receita 6912-01, período de apuração agosto/2016 — estava próximo do prazo de prescrição, nos termos do art. 141 do CTN c/c o art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017. Cientificada do Despacho Decisório em 14/09/2021, a contribuinte apresentou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade (fls. 9/16), na qual sustentou, em síntese: (i) que a análise fiscal se limitou ao cruzamento entre a ECF e os dados da DCOMP, sem exame das DIRF das fontes pagadoras ou das notas fiscais emitidas, o que teria produzido conclusão precipitada quanto à identificação do crédito; (ii) que, no mérito, o crédito pleiteado corresponde Fl. 116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.475 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10675.907615/2021-12 3 a retenções na fonte (IRRF, além de PIS, COFINS e CSLL) sofridas nas notas fiscais de prestação de serviços emitidas ao longo de 2016 e 2017, as quais, nos termos do art. 2º, §4º, III, da Lei nº 9.430/1996, do art. 55 da Lei nº 7.450/1985 e do art. 988 do RIR/2018, compõem o saldo negativo de IRPJ/CSLL passível de compensação, sendo a comprovação da retenção admissível por qualquer meio idôneo, inclusive na ausência de comprovante da fonte pagadora, conforme jurisprudência do CARF que cita (Acórdãos nºs 1301-002.899 e 9101-004.110/9101-003.437). Ao final, requereu o acolhimento da manifestação, com o reconhecimento do direito creditório e a suspensão da exigibilidade dos débitos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ04), por meio do Acórdão nº 104-015.589, da 5ª Turma (sessão de 28/06/2024), julgou a manifestação de inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Consignou a decisão recorrida, em síntese, que a divergência entre o regime de apuração indicado no PER/DCOMP (lucro real trimestral) e o efetivamente adotado na ECF (lucro real anual) não pode ser tratada como mero erro de preenchimento, na medida em que atinge a própria base de formação do eventual saldo negativo, configurando erro na identificação do crédito; que a ECF é o documento fiscal obrigatório no qual se demonstra toda a apuração do IRPJ e da CSLL, devendo dele constar, por decorrência lógica, eventual saldo negativo do período; e que, a despeito de intimada para tanto, a contribuinte não promoveu a retificação das declarações divergentes, providência formal mínima indispensável para viabilizar o exame das parcelas de composição do crédito informado no PER/DCOMP. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 73/84), no qual, em síntese, sustenta: (i) preliminarmente, a tempestividade do recurso; (ii) ainda em preliminar, cerceamento de direito decorrente do indeferimento do pedido de cancelamento do PER/DCOMP, ao argumento de que o art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017, ao atribuir caráter definitivo à decisão do Auditor-Fiscal sobre o pedido de cancelamento, violaria o contraditório e a ampla defesa, e de que a compensação declarada teria efeito suspensivo sobre a prescrição do débito, de modo que não haveria o risco de prescrição invocado para negar o cancelamento; (iii) no mérito, a insuficiência da análise fiscal, que teria se limitado ao cruzamento entre ECF e DCOMP sem exame das DIRF das fontes pagadoras ou das notas fiscais emitidas; (iv) o direito à compensação das retenções na fonte sofridas, comprováveis por qualquer meio idôneo. Ao final, requer o acolhimento do recurso, a suspensão dos atos de cobrança e o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. VOTO Conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, Relatora Fl. 117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.475 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10675.907615/2021-12 4 I. Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, tendo sido interposto no prazo legal de 30 dias contados da ciência da decisão recorrida, e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Dele conheço. II. Preliminar — Cerceamento de Direito quanto ao Indeferimento do Pedido de Cancelamento do PER/DCOMP A recorrente sustenta que o indeferimento do pedido de cancelamento do PER/DCOMP, formulado em 12/02/2021, teria violado seu direito ao contraditório e à ampla defesa, por entender inconstitucional o caráter definitivo atribuído pelo art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017 à decisão do Auditor-Fiscal sobre tais pedidos, e por considerar inexistente o risco de prescrição invocado para o indeferimento. Verifico, preliminarmente, que essa matéria não foi suscitada na Manifestação de Inconformidade apresentada em primeira instância, que se limitou a questionar a suficiência da análise fiscal quanto à identificação do crédito e o mérito da compensação pretendida, sem qualquer menção ao indeferimento do pedido de cancelamento. Trata-se, portanto, de inovação recursal, não submetida à apreciação da instância a quo, razão pela qual não pode ser conhecida nesta fase, sob pena de supressão de instância, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, segundo o qual se considera não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na peça correspondente. De todo modo, ainda que superado esse óbice, a preliminar não prosperaria no mérito. O Despacho Decisório de não-admissão do pedido de cancelamento (fl. 112), anexado pela própria recorrente ao recurso, contém fundamentação específica e individualizada — indicação precisa do código de receita (6912-01) e do período de apuração (agosto/2016) do débito envolvido, com expressa base legal no art. 141 do CTN c/c o art. 140 da IN RFB nº 1.717/2017 —, o que contraria a alegação de indeferimento genérico e imotivado. Rejeito a preliminar. III. Mérito — Divergência entre o Regime de Apuração Informado no PER/DCOMP e na ECF A recorrente não nega a existência da divergência apontada pela fiscalização — regime trimestral informado no PER/DCOMP e regime anual efetivamente adotado na ECF —, limitando-se a sustentar que se trataria de erro sanável e que a autoridade fiscal deveria ter promovido exame mais aprofundado, mediante cruzamento com as DIRF das fontes pagadoras e as notas fiscais emitidas, em vez de exigir a correção formal das declarações. Fl. 118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-004.475 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10675.907615/2021-12 5 Não assiste razão à recorrente. Como corretamente consignado na decisão recorrida, a ECF é o documento fiscal no qual se demonstra a integralidade da apuração do IRPJ e da CSLL de determinado período, devendo dele constar, com precisão, o regime de apuração adotado e o eventual saldo negativo apurado ao final do período. A divergência entre o regime de apuração declarado no PER/DCOMP e o efetivamente adotado na ECF não constitui mera irregularidade formal, mas atinge o próprio pressuposto de existência do crédito pleiteado — a identificação certa do período de apuração ao qual se refere o saldo negativo —, sendo indispensável, para sua superação, a retificação das declarações divergentes pelo próprio sujeito passivo. Tal providência, não obstante a intimação regular para saná-la, não foi adotada pela contribuinte, que, ao revés, optou por solicitar o cancelamento do PER/DCOMP — pedido que, como visto, não foi admitido. Quanto à alegação de que a comprovação das retenções na fonte poderia se dar por meios diversos do comprovante emitido pela fonte pagadora, tal entendimento, embora encontre amparo na jurisprudência do CARF citada pela recorrente, pressupõe premissa distinta da que se verifica nos presentes autos: a jurisprudência invocada trata da comprovação da retenção em relação a um crédito cujo período de apuração e regime de tributação já estejam corretamente identificados, situação em que a ausência do comprovante da fonte pagadora pode ser suprida por outros meios idôneos. No caso concreto, todavia, a própria identificação do período de apuração e do regime de tributação a que se refere o saldo negativo pleiteado permanece incerta, em razão da divergência não sanada entre PER/DCOMP e ECF — etapa lógica e cronologicamente anterior à comprovação das retenções em si. A prova da retenção não supre, portanto, a ausência de identificação do crédito. Mantenho, assim, a decisão recorrida IV. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar arguida, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Maria Angélica Echer Ferreira Feijó Fl. 119DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11519573 #
Numero do processo: 15165.720694/2015-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. A multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, originada pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento dessa mercadoria, em razão da sua não localização, do seu consumo ou da sua revenda, tem caráter essencialmente tributário, pois o objetivo primordial da norma desobedecida é a proteção das competências aduaneiras tributárias, as quais são exercidas por meio das funções arrecadadora e fiscalizadora, por parte da Receita Federal - ADUANA, dos tributos incidentes nas operações de importação/exportação. Assim, não se aplica o § 1º do artigo 1º da Lei nº9.873/99 nos casos de interposição fraudulenta. NEGATIVA FUNDAMENTADA DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS NA SEDE DO IMPORTADOR. ESCOLHA DO MATERIAL APREENDIDO. NULIDADE. PROVAS IMPRESTÁVEIS. DESCABIMENTO. A entrada dos Auditores-Fiscais nos estabelecimentos, bem como o acesso às suas dependências internas, não estarão sujeitos a formalidades diversas da sua identificação, pela apresentação da identidade funcional. A realização de Diligência Fiscal para busca e apreensão de documentos realizada durante o dia, por agentes fiscais competentes, com a devida ciência e franqueamento do estabelecimento do responsável legal da sociedade, assegura a legalidade de tal procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 TEMA 487 DO STF. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. 30% DO VALOR. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória, não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. REQUISITOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Presume-se ser efetivada mediante interposição fraudulenta a ocultação do real adquirente/interessado em operações de comércio exterior quando não for comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados nas operações (inciso V e §§ 1º, 2° e 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76). Desta forma, cabe ao fiscalizado o ônus de provar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior.
Numero da decisão: 3402-013.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário apresentados por WALTER NICOLAU FILHO, por ser intempestivo; (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente, vencidas as conselheiras Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas, que reconheciam a ocorrência de prescrição intercorrente no presente processo; e, (iii) por unanimidade de votos, em conhecer dos Recursos Voluntários apresentados por PREMMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. FALIDO e ELISEU VICENTE BORGES para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento aos Recursos Voluntários para reduzir, de ofício, o percentual da multa substitutiva ao perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, de 100% para 30%, pela aplicação do Tema 487 do STF. As conselheiras Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas acompanharam o voto do relator pelas conclusões em relação ao item (iii). A conselheira Cynthia Elena de Campos manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Anselmo Messias Ferraz Alves – Relator Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos, Gisela Pimenta Gadelha (substituta integral), Anselmo Messias Ferraz Alves (relator), José de Assis Ferraz Neto e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (presidente).
Nome do relator: ANSELMO MESSIAS FERRAZ ALVES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202605

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. A multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, originada pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento dessa mercadoria, em razão da sua não localização, do seu consumo ou da sua revenda, tem caráter essencialmente tributário, pois o objetivo primordial da norma desobedecida é a proteção das competências aduaneiras tributárias, as quais são exercidas por meio das funções arrecadadora e fiscalizadora, por parte da Receita Federal - ADUANA, dos tributos incidentes nas operações de importação/exportação. Assim, não se aplica o § 1º do artigo 1º da Lei nº9.873/99 nos casos de interposição fraudulenta. NEGATIVA FUNDAMENTADA DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS NA SEDE DO IMPORTADOR. ESCOLHA DO MATERIAL APREENDIDO. NULIDADE. PROVAS IMPRESTÁVEIS. DESCABIMENTO. A entrada dos Auditores-Fiscais nos estabelecimentos, bem como o acesso às suas dependências internas, não estarão sujeitos a formalidades diversas da sua identificação, pela apresentação da identidade funcional. A realização de Diligência Fiscal para busca e apreensão de documentos realizada durante o dia, por agentes fiscais competentes, com a devida ciência e franqueamento do estabelecimento do responsável legal da sociedade, assegura a legalidade de tal procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 TEMA 487 DO STF. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. 30% DO VALOR. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória, não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. REQUISITOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Presume-se ser efetivada mediante interposição fraudulenta a ocultação do real adquirente/interessado em operações de comércio exterior quando não for comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados nas operações (inciso V e §§ 1º, 2° e 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76). Desta forma, cabe ao fiscalizado o ônus de provar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 15165.720694/2015-84

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7415893

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3402-013.211

nome_arquivo_s : Decisao_15165720694201584.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : ANSELMO MESSIAS FERRAZ ALVES

nome_arquivo_pdf_s : 15165720694201584_7415893.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário apresentados por WALTER NICOLAU FILHO, por ser intempestivo; (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente, vencidas as conselheiras Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas, que reconheciam a ocorrência de prescrição intercorrente no presente processo; e, (iii) por unanimidade de votos, em conhecer dos Recursos Voluntários apresentados por PREMMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. FALIDO e ELISEU VICENTE BORGES para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento aos Recursos Voluntários para reduzir, de ofício, o percentual da multa substitutiva ao perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, de 100% para 30%, pela aplicação do Tema 487 do STF. As conselheiras Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas acompanharam o voto do relator pelas conclusões em relação ao item (iii). A conselheira Cynthia Elena de Campos manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Anselmo Messias Ferraz Alves – Relator Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos, Gisela Pimenta Gadelha (substituta integral), Anselmo Messias Ferraz Alves (relator), José de Assis Ferraz Neto e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (presidente).

dt_sessao_tdt : Thu May 21 00:00:00 UTC 2026

id : 11519573

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:32 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547548368896

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-30T18:16:02Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-30T18:16:02Z; Last-Modified: 2026-09-30T18:16:02Z; dcterms:modified: 2026-09-30T18:16:02Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-30T18:16:02Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-30T18:16:02Z; meta:save-date: 2026-09-30T18:16:02Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-30T18:16:02Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-30T18:16:02Z; created: 2026-09-30T18:16:02Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; Creation-Date: 2026-09-30T18:16:02Z; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-30T18:16:02Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15165.720694/2015-84 ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 21 de maio de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE PREMMIA IMPORTACÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. FALIDO E OUTROS INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO OCORRÊNCIA. A multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, originada pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento dessa mercadoria, em razão da sua não localização, do seu consumo ou da sua revenda, tem caráter essencialmente tributário, pois o objetivo primordial da norma desobedecida é a proteção das competências aduaneiras tributárias, as quais são exercidas por meio das funções arrecadadora e fiscalizadora, por parte da Receita Federal - ADUANA, dos tributos incidentes nas operações de importação/exportação. Assim, não se aplica o § 1º do artigo 1º da Lei nº 9.873/99 nos casos de interposição fraudulenta. NEGATIVA FUNDAMENTADA DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163. O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. IRREGULARIDADE NA EMISSÃO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 171. Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. BUSCA E APREENSÃO DE DOCUMENTOS NA SEDE DO IMPORTADOR. ESCOLHA DO MATERIAL APREENDIDO. NULIDADE. PROVAS IMPRESTÁVEIS. DESCABIMENTO. Fl. 6935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 2 A entrada dos Auditores-Fiscais nos estabelecimentos, bem como o acesso às suas dependências internas, não estarão sujeitos a formalidades diversas da sua identificação, pela apresentação da identidade funcional. A realização de Diligência Fiscal para busca e apreensão de documentos realizada durante o dia, por agentes fiscais competentes, com a devida ciência e franqueamento do estabelecimento do responsável legal da sociedade, assegura a legalidade de tal procedimento fiscal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 TEMA 487 DO STF. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES. 30% DO VALOR. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória, não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2010 a 03/01/2013 OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUNÇÃO. REQUISITOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Presume-se ser efetivada mediante interposição fraudulenta a ocultação do real adquirente/interessado em operações de comércio exterior quando não for comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados nas operações (inciso V e §§ 1º, 2° e 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76). Desta forma, cabe ao fiscalizado o ônus de provar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados em suas operações de comércio exterior. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário apresentados por WALTER NICOLAU FILHO, por ser intempestivo; (ii) por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente, vencidas as conselheiras Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas, que reconheciam a ocorrência de prescrição intercorrente no presente processo; e, (iii) por unanimidade de votos, em conhecer dos Recursos Fl. 6936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 3 Voluntários apresentados por PREMMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. FALIDO e ELISEU VICENTE BORGES para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento aos Recursos Voluntários para reduzir, de ofício, o percentual da multa substitutiva ao perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, de 100% para 30%, pela aplicação do Tema 487 do STF. As conselheiras Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas acompanharam o voto do relator pelas conclusões em relação ao item (iii). A conselheira Cynthia Elena de Campos manifestou a intenção de apresentar declaração de voto. Assinado Digitalmente Anselmo Messias Ferraz Alves – Relator Assinado Digitalmente Arnaldo Diefenthaeler Dornelles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Cynthia Elena de Campos, Alessandra Lessa dos Santos, Gisela Pimenta Gadelha (substituta integral), Anselmo Messias Ferraz Alves (relator), José de Assis Ferraz Neto e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (presidente). RELATÓRIO INFORMAÇÃO Este processo foi apartado em dois (este e mais um) pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário/SECAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba-PR, nos seguintes termos, fls. 6749 e 6750 do processo nº 10980.721802/2018-51 (grifei): Para melhor controle da cobrança aos sujeitos passivos solidários de cada grupo de responsável tributário, considerando a existência de 02 (dois) grupos de responsáveis solidários no processo, procedemos ao desmembramento da cobrança em 02 (dois) processos: o original e mais 01 (um) apartado. 1) Processo original. 15165-720.694/2015-84. Os autos de infração de Multas Aduaneiras referentes às DI anteriores à 03/01/2013 tem a seguinte relação de Sujeitos Passivos Solidários: 1. Walter Nicolau Filho, CPF nº 011.259.609-65; 2. Gerson José Alberti, CPF nº 316.826.099-63; 3. João Leonardo Gerowski, CPF nº 356.047.439-68; e 4. Loriel Zanlorensi, CPF nº 686.982.839-34. 2) Processo apartado. 10980-721.802/2018-51. Os autos de infração de Multas Aduaneiras referentes às DI posteriores à 04/01/2013 tem a seguinte relação de Sujeitos Passivos Solidários: Fl. 6937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 4 1. Walter Nicolau Filho, CPF nº 011.259.609-65; 2. Eliseu Vicente Borges, CPF nº 048.580.169-86; e 3. José Reinaldo Pasqualin Bozza, CPF nº 429.087.609-91. (...) Ressaltamos que não apresentaram impugnação os sujeitos passivos solidários Eliseu Vicente Borges; João Leonardo Gerowski; e Loriel Zanlorensi. Desta forma, o Relatório e voto aqui constantes serão os mesmos para o processo nº 10980.721802/2018-51, sendo que os devidos ajustes serão realizados quando da liquidação da decisão, conforme o exposto acima. RELATÓRIO Trata-se de Recursos Voluntários contra o Acórdão nº 07-41.238, da 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou totalmente procedentes os Autos de Infração lavrados para cobrança de R$ 16.978.186,03, em relação a fatos geradores entre 04/01/2012 e 26/12/2012, e de R$ 23.443.604,62, em relação a fatos geradores entre 15/01/2013 e 16/01/2014, a título de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, perfazendo o valor total de R$ 40.421.790,65. A Fiscalização relatou o seguinte:  A ação fiscal teve por objetivo quantificar e constituir créditos tributários decorrentes de fraude descoberta durante Procedimento Especial de Controle Aduaneiro realizado na importadora PREMMIA, instaurado em janeiro de 2014, onde foi constatada a existência de grupo voltado à importação e distribuição de papel imune, com desvio de finalidade;  Do Procedimento Especial de Controle Aduaneiro realizado resultaram dois autos de infração com apreensão de mercadorias (processos nº 15165.722222/2014-85 e nº 15165.722223/2014-20), que tiveram a penalidade de perdimento aplicada pela autoridade competente, de forma definitiva, em março de 2015;  Face à necessidade de verificação das repercussões tributárias da fraude descoberta em operações de importação anteriores, iniciou-se procedimento de fiscalização para identificar a movimentação das mercadorias importadas, por meio do levantamento das notas fiscais eletrônicas de entrada e de saída emitidas pela PREMMIA, a fim de determinar os tributos devidos na importação e não recolhidos em função dos benefícios tributários pleiteados, as penalidades cabíveis, além de determinar a participação dos envolvidos no esquema fraudulento para suas responsabilizações nos lançamentos, na proporção de suas efetivas participações;  O grupo importava papel do exterior e declarava ser ele destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, portanto beneficiado com imunidade Fl. 6938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 5 constitucional, sem incidência de II e IPI, e com redução das contribuições sociais da PIS e da COFINS;  Após a nacionalização das mercadorias, o grupo simulava operações comerciais por meio de sociedades empresárias inexistentes de fato ou sem capacidade econômico-financeira, algumas controladas pelo próprio grupo, para distribuir fraudulentamente o papel imune, com desvio da finalidade, ocultando a origem dos recursos utilizados e conferindo ao grupo vantagem competitiva desleal sobre o restante do setor.  Com o esquema fraudulento, possibilitavam que os reais adquirentes no mercado interno se creditassem de tributos que o grupo nunca recolheu;  Em procedimento de diligência na importadora, foram coletados documentos que demonstraram simulação no quadro societário e de administradores da PREMMIA, com a ocultação dos beneficiários da fraude, e blindagem patrimonial, com a interposição de sócio “laranja”. Também se constatou a existência de sócio oculto desde o final de 2009;  Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2014, o grupo efetuou importações de papel imune da ordem de 53,2 milhões de dólares, sendo que a PREMMIA não conseguiu comprovar a origem lícita dos recursos empregados em suas operações de importação;  Como foi constatada a participação de diferentes pessoas físicas e jurídicas na fraude nos períodos anteriores e posteriores a 04/01/2013, foram lavrados autos de infração distintos para cada um destes períodos, imputando a cada indivíduo a responsabilidade pelo crédito tributário, conforme sua participação no esquema fraudulento. A importadora PREMMIA IMPORTACÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. e os responsáveis pessoais/solidários ELISEU VICENTE BORGES, WALTER NICOLAU FILHO, GERSON JOSÉ ALBERTI e JOSÉ REINALDO PASQUALIN BOZZA impugnaram os lançamentos efetuados pela Fiscalização. Os responsáveis solidários JOÃO LEONARDO GEROWSKI e LORIEL ZANLORENSI não apresentaram impugnação. Apesar de o Termo de Desmembramento afirmar que ELISEU VICENTE BORGES não apresentou impugnação, ele é impugnante juntamente com PREMMIA IMPORTACÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. A PREMMIA, ELISEU VICENTE BORGES e WALTER NICOLAU FILHO impugnaram os lançamentos, com os mesmos argumentos e pedidos, baseados no seguinte:  O Mandado de Procedimento Fiscal nº 09.1.52.00-2014-0019-1 contém vício insanável, pois foi assinado por autoridade incompetente, carecendo o ato de legalidade e legitimidade; Fl. 6939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 6  A busca e apreensão realizada na PREMMIA, base substancial dos lançamentos efetuados, esta eivada de ilicitude, pois a Fiscalização extrapolou os limites do Termo de Diligência Fiscal ao copiar todos os arquivos magnéticos e e- mails dela, PREMMIA, tornando as provas lá coletadas ilícitas;  A Fiscalização teceu ilações absurdas com base na documentação apreendida na diligência realizada, desprezando a verdade material das atuações das sociedades empresárias envolvidas, bem como de seus sócios e administradores, e que ela, Fiscalização, não conseguiu provar o que alegava;  Diversos documentos apreendidos não se relacionam com a investigação discutida;  Que o depoimento de WALTER NICOLAU FILHO dado à Fiscalização era ilegal, pois WALTER não estava acompanhado de advogado;  Que o tal “Termo Oculto”, documento encontrado na Diligência Fiscal, era uma fantasia da Fiscalização, não sendo um documento válido, pois ele foi “rasgado” pelos participantes dele;  Que a PREMMIA recolheu rigorosamente os seus tributos devidos e que tinha capacidade financeira para atuar como importador;  Que, no máximo, a pena que poderia ser a ela aplicada seria a de cessão do nome, artigo 33 da Lei nº 11.488, de 2007;  Qualquer efeito sobre as operações da GLOBAL PAPERS deveriam ser determinados em procedimento fiscal sobre aquela sociedade, e não sobre a PREMMIA; e  Requer a produção de perícia técnica contábil e gerencial em relação a atuação da PREMMIA. JOSÉ REINALDO PASQUALIN BOZZA apresentou impugnação, alegando o seguinte:  Que é sócio da JRPB PROCESSAMENTO DE DADOS LTDA., a qual firmou contrato com a sociedade então denominada PARTNER (que posteriormente mudou sua razão social para PREMMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.), tendo como objeto a prestação de serviços de apoio administrativo, com a organização da rotina e controle administrativos, a gestão de documentos e a preparação de documentos para envio à contabilidade;  Que após a separação das sociedades empresárias os serviços passaram a incluir algumas negociações de contratos com prestadores de serviço e negociações básicas com instituições bancárias, tudo com base no contrato firmado;  Que a procuração outorgada si era necessária para a atuação perante os bancos, sendo utilizado o modelo padrão do cartório para tal finalidade; Fl. 6940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 7  Que durante a execução do contrato mencionado acima, teria prestado serviço a terceiros, em nome de sua sociedade, conforme notas fiscais que apresenta;  Que o contrato com a Premmia perdurou até metade de novembro de 2013, sendo que a rescisão teria sido em razão de viagem que iria realizar, partindo, portanto, de sua vontade;  Que a fiscalização atribui responsabilidade ao impugnante mesmo em período em que não mais prestava serviços à PREMMIA;  Que o documento utilizado como prova pela fiscalização, que continha sua assinatura sob carimbo com a inscrição "Gerente Adm. Financeiro" foi assinado e, como precisava se identificar no documento, teria colocado esse carimbo que possuía há muito tempo, usado em serviços anteriores, mas que tal carimbo não faz referência à PREMMIA, já que nunca foi seu gerente administrativo financeiro;  Que a alegação de que seria "homem de confiança" de WALTER é absurda, já que apenas teria sido contratado para prestar serviços de apoio administrativo;  Ao final requer seja afastada a sua responsabilidade solidária e pessoal em relação aos autos de infração que lhe dizem respeito. Sobre a impugnação de GERSON JOSÉ ALBERTI, a DRJ/FNS assim se pronunciou, fl. 6744: Inicialmente cumpre destacar que a defesa apresentada informa em sua qualificação que a defesa apresentada estaria sendo dirigida ao CARF, na qualidade de recurso ao Acórdão 12-86.024, da 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, o que não confere com o conteúdo do presente processo. Como foi citado corretamente o número do processo a que se refere a impugnação, passa-se a considerá-la como sendo referente ao auto de infração constante deste processo. (...) GERSON JOSÉ ALBERTI apresentou impugnação, alegando o seguinte:  Nulidade do procedimento fiscal, pois não houve manifestação ou intimação prévia aos impugnantes, em claro cerceamento de defesa, ferindo os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa;  Nulidade do procedimento fiscal, em virtude da coleta ilícita de provas, principalmente de documentos pessoais sem ordem judicial;  Que a Fiscalização não provou qualquer envolvimento dos impugnantes no suposto esquema fraudulento por ela alegado, imputando as suas responsabilidades somente em virtude de eles serem sócios da PREMMIA; Fl. 6941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 8  Que os únicos indícios citados pela Fiscalização apontam para a participação de WALTER NICOLAU FILHO, e não para os impugnantes;  Que os compradores da PREMMIA tinham licença para comercializar o papel imune, não sendo o importador responsável pelos supostos desvios de finalidade realizados por aquelas sociedades;  Que a acusação de ocultação dos reais adquirentes do papel imune importado era totalmente infundada. A DRJ/FNS julgou as impugnações totalmente improcedentes, concordando com a Fiscalização, mantendo os créditos tributários lançados. Inconformados com a decisão da DRJ/FNS, PREMMIA, ELISEU VICENTE BORGES e WALTER NICOLAU FILHO interpuseram Recurso Voluntário, perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. GERSON JOSÉ ALBERTI e JOSÉ REINALDO PASQUALIN BOZZA não ofereceram Recursos Voluntários. Nos Recursos Voluntários interpostos por PREMMIA, ELISEU VICENTE BORGES e WALTER NICOLAU FILHO constam os seguintes pedidos: Diante do exposto, requer que a defesa seja estendida aos devedores solidários, dado o interesse comum; bem como sejam acolhidas as preliminares, declarando- se a nulidade: (i) do Mandado de Procedimento fiscal que fundamentou todo o procedimento regido pela IN 228/2002; (ii) alternativamente, das provas ilicitamente obtidas, determinando-se lavratura de novo auto de infração casos ainda subsistam elementos que o justifiquem. (iii) Caso haja análise de mérito, requer improcedência do auto, ou alternativamente, a aplicação da pena prevista no artigo 33 da Lei 11.488/2007. 106. Requer ainda a realização de prova pericial, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto no 70.235/1972 (...) É o Relatório. VOTO Anselmo Messias Ferraz Alves, Relator CONHECIMENTO WALTER NICOLAU FILHO WALTER NICOLAU FILHO teve ciência do Acórdão de sua Impugnação em 5 de abril de 2018, fl. 6835. Assim, o prazo para interposição de seu Recurso Voluntário venceria em 7 de Fl. 6942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 9 maio de 2018. Mas WALTER interpôs seu Recurso Voluntário em 15 de maio de 2018, fl. 6843 e 6929, sendo ele, portanto, intempestivo. Desta forma, não tomo conhecimento de seu Recurso Voluntário. PREMMIA IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E ELISEU VICENTE BORGES Tomo conhecimento de seus Recursos Voluntários, pois eles são tempestivos e preenchem as demais condições processuais para a sua admissibilidade. PRELIMINARES Prescrição Intercorrente Pela possibilidade de o feito ter sido atingido pela prescrição intercorrente, são devidas as considerações que passo a expor. Sobre a prescrição intercorrente, é preciso destacar que, em 27 de março de 2025, foi publicado o Acórdão relativo ao julgamento do Tema Repetitivo 1293, transitado em julgado em 11 de novembro de 2025, proferido pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, que, de fato, pode, potencialmente, influir no resultado do presente processo, e que deixou assim consignado em sua ementa (grifei): ADMINISTRATIVO. ADUANEIRO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ART. 1º, § 1º, DA LEI 9.873/99. INCIDÊNCIA DO COMANDO LEGAL NOS PROCESSOS DE APURAÇÃO DE INFRAÇÕES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA (NÃO TRIBUTÁRIA). DEFINIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO CORRESPONDENTE À SANÇÃO PELA INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA QUE SE FAZ A PARTIR DO EXAME DA FINALIDADE PRECÍPUA DA NORMA INFRINGIDA. FIXAÇÃO DE TESES JURÍDICAS VINCULANTES. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO: PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. 1. A aplicação da prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 encontra limitações de natureza espacial (relações jurídicas havidas entre particulares e os entes sancionadores que componham a administração federal direta ou indireta, excluindo-se estados e municípios) e material (inaplicabilidade da regra às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária, conforme disposto no art. 5º da Lei 9.873/99). 2. O processo de constituição definitiva do crédito correspondente à sanção por infração à legislação aduaneira segue o procedimento do Decreto 70.235/72, ou seja, faz-se conforme "os processos e procedimentos de natureza tributária" mencionados no art. 5º da Lei 9.873/99. Todavia, o rito estabelecido para a apuração ou constituição definitiva do crédito correspondente à sanção pelo descumprimento de uma norma de conduta é desimportante para a definição da natureza jurídica da norma descumprida. 3. É a natureza jurídica da norma de conduta violada o critério legal que deve ser observado para dizer se tal ou qual infração à lei deve ou não obediência aos Fl. 6943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 10 ditames da Lei 9.873/99, e não o procedimento que tenha sido escolhido pelo legislador para se promover a apuração ou constituição definitiva do crédito correspondente à sanção pela infração praticada. O procedimento, seja ele qual for, não tem aptidão para alterar a natureza das coisas, de modo que as infrações de normas de natureza administrativa não se convertem em infrações tributárias apenas pelo fato de o legislador ter estabelecido, por opção política, que aquelas serão apuradas segundo processo ou procedimento ordinariamente aplicado para estas. 4. Este Tribunal Superior possui sedimentada jurisprudência a reconhecer que nos processos administrativos fiscais instaurados para a constituição definitiva de créditos tributários, é a ausência de previsão normativa específica acerca da prescrição intercorrente a razão determinante para se impedir o reconhecimento da extinção do crédito por eventual demora no encerramento do contencioso fiscal, valendo a regra de suspensão da exigibilidade do art. 151, III, do CTN para inibir a fluência do prazo de prescrição da pretensão executória do art. 174 do mesmo diploma Nesse particular aspecto, o regime jurídico dos créditos "não tributários" é absolutamente distinto, haja vista que, para tais créditos, temos justamente a previsão normativa específica do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 a instituir prazo para o desfecho do processo administrativo, sob pena de extinção do crédito controvertido por prescrição intercorrente. 5. Em se tratando de infração à legislação aduaneira, a natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela violação da norma será de direito administrativo se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Precedente sobre a matéria: REsp n. 1.999.532/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 9/5/2023, DJe de 15/5/2023. 6. Teses jurídicas de eficácia vinculante, sintetizadoras da ratio decidendi do julgado paradigmático: 1. Incide a prescrição intercorrente prevista no art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/1999 quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos. 2. A natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. 3. Não incidirá o art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 apenas se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente Fl. 6944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 11 à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. 7. Solução do caso concreto: ao conferir natureza jurídica tributária à multa prevista no art. 107, IV, e, do DL 37/66, e, por consequência, afastar a aplicação do art. 1º, § 1º, da Lei 9.873/99 ao procedimento administrativo apuratório objeto do caso concreto, o acórdão recorrido negou vigência a esse dispositivo legal, divergindo da tese jurídica vinculante ora proposta, bem como do entendimento estabelecido sobre a matéria em precedentes específicos do STJ (REsp 1.999.532/RJ; AgInt no REsp 2.101.253/SP; AgInt no REsp 2.119.096/SP e AgInt no REsp 2.148.053/RJ). 8. Recurso especial provido. Como se percebe das teses firmadas pelo STJ sob esse Tema 1293, a prescrição intercorrente prevista no § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99, incide quando paralisado o processo administrativo de apuração de infrações aduaneiras, de natureza não tributária, por mais de 3 anos, sendo que, para o STJ, a natureza jurídica do crédito correspondente à sanção pela infração à legislação aduaneira é de direito administrativo (não tributário) se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação. Nos termos do que foi decidido pelo STJ, só não incide o § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99 se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava- se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado. Então, dois são os aspectos que devem ser considerados para a aplicação do que foi decidido pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos: 1) o prazo de paralisação do processo; e 2) a natureza jurídica da norma de conduta violada. Em relação ao primeiro aspecto, o presente processo ficou paralisado deste a interposição do último Recurso Voluntário em 15 de maio de 2018 até a presente data, ou seja, por mais de três anos aguardando o seu julgamento. Verificado esse primeiro aspecto do Tema 1293 do STJ, passo ao segundo, tendo sempre em vista que estou a tratar de Interposição fraudulenta, seja a comprovada ou a presumida. Quanto à natureza jurídica da norma de conduta violada, em que pese a decisão do STJ tenha estabelecido alguns parâmetros definidores, a aplicação e elucidação desses parâmetros envolvem um grau de subjetividade bastante significativo. Fl. 6945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 12 E este grau significativo de subjetividade, a meu ver, é causado por dois marcos definidores daquilo que deve e daquilo que não deve ser alcançado pela prescrição intercorrente. O primeiro marco, do que deve, é definido “se a norma infringida visa primordialmente ao controle do trânsito internacional de mercadorias ou à regularidade do serviço aduaneiro, ainda que, reflexamente, possa colaborar para a fiscalização do recolhimento dos tributos incidentes sobre a operação”. O controle do trânsito internacional de mercadorias exercido pela Aduana tem por campos de atuação as proibições e as permissões relativas às entradas e às saídas de mercadorias no território aduaneiro. Quanto à regularidade dos serviços aduaneiros, estes serviços são aqueles prestados por intervenientes secundários nas operações de comércio exterior. Tais atividades estão previstas, de forma não exaustiva, no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759, de 2009), entre os artigos 804 e 814, como aquelas atividades relacionadas ao despacho aduaneiro (despachante aduaneiro, por exemplo), ao transporte multimodal internacional de carga (agentes de carga, por exemplo), à unitização e desunitização de carga (consolidadores de carga, por exemplo), à perícia e assistência técnicas (perito engenheiro, por exemplo). Voltando aos marcos definidores da prescrição intercorrente, o segundo marco, do que não deve ser por ela atingido, é definido “se a obrigação descumprida, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destinava-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado”. Pois bem, este caso trata da penalidade final, para mim secundária, da conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. E digo secundária, pois ela é um paliativo para aquelas situações em que estando as condutas (ocultação do real interessado – interposição comprovada) ou situações jurídicas (não comprovação da origem, da disponibilidade e da transferência dos recursos – interposição presumida) subsumidas à penalidade primária da pena de perdimento das mercadorias, não sendo estas mais encontradas, recorre-se àquela penalidade secundária, a multa da conversão, a qual, na minha visão, presta-se mais a um modo alternativo de se alcançar o patrimônio do autuado. Desta forma, deve-se firmar o olhar para norma infringida, geradora da pena primária, a de perdimento das mercadorias. Tratando-se de interposição fraudulenta comprovada ou presumida, tais normas se encontram no artigo 23 do Decreto-Lei nº 1.455/76, inciso V e seus §§ 1º, 2º e 3º: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) Fl. 6946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 13 § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Com os olhos voltados para a interposição fraudulenta, a norma desobedecida protegeria o controle do trânsito internacional de mercadorias ou a regularidade do serviço aduaneiro? Não vejo como a penalidade de perdimento das mercadorias, relativas às interposições aqui tratadas, prestar-se-iam à proteção do trânsito internacional de mercadorias, tampouco à regularidade dos serviços aduaneiros, o que não satisfaz as condições do primeiro marco: o que deve. De outro lado, a obrigação descumprida, geradora da pena, conquanto inserida em ambiente aduaneiro, destina-se direta e imediatamente à arrecadação ou à fiscalização dos tributos incidentes sobre o negócio jurídico realizado? A meu ver, tratando-se de interposição fraudulenta, a pena relativa à obrigação descumprida visa a proteger direta e imediatamente a arrecadação e a fiscalização dos tributos incidentes nas operações, pois tais interposições se prestam ao acobertamento dos reais sujeitos passivos envolvidos na operação. Como fiscalizar e cobrar tributos de um sujeito passivo que se oculta em operações de comércio exterior? Desta forma, tal penalidade, a do perdimento das mercadorias, satisfaz as condições do segundo marco: o que não deve ser atingido pela prescrição intercorrente – § 1º do artigo 1º da Lei nº 9.873/99. Antes de avançar nesta questão da prescrição intercorrente, importante deixar claro que a atuação normal dos órgãos intervenientes na Aduana é administrativa. Ou seja, o controle é administrativo, podendo, é claro, ter reflexos em outros campos do Direito, como o penal, por exemplo. Desta forma, a análise da natureza jurídica da norma violada deve ser realizada com a visão de que tudo aqui tratado é, normalmente, matéria administrativa. Ou será matéria administrativa tributária – competências aduaneiras tributárias (fiscalização e/ou arrecadação de tributos) ou não-tributária – competências aduaneiras não-tributárias (controle do trânsito internacional de mercadorias ou regularidade do serviço aduaneiro). Sobre as competências aduaneiras não-tributárias e as competências aduaneiras tributárias, é imperioso lembrar das lições do mestre argentino Ricardo Xavier Basaldúa, idealizador do Código Aduaneiro Argentino, que em seu livro “Introducción al Derecho Fl. 6947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 14 Aduaneiro”, pags. 179 e 1801, deixa evidente que à Aduana, ao exercer o controle aduaneiro, compete, principalmente:  controlar o tráfego internacional de mercadorias;  aplicar e monitorar as proibições de importação e de exportação, cuja aplicação e monitoramento lhe são ou podem ser confiados; e  aplicar, liquidar, cobrar, restituir e auditar os tributos, cuja aplicação, liquidação, cobrança, restituição e auditoria lhe são ou podem ser confiados. Deste pequeno trecho de seus ensinamentos, retira-se uma grande e importante conclusão: o controle aduaneiro é tudo, no que diz respeito às mercadorias que saem ou entram em um território aduaneiro. O controle aduaneiro é o controle do fluxo internacional de mercadorias, é o controle do que pode e do que não pode entrar ou sair do país e é o controle da arrecadação e da fiscalização dos tributos incidentes nessas operações de entrada e de saída de mercadorias do território aduaneiro. Tendo em vista o acima explanado, tenho convicção de que o controle aduaneiro engloba, dentre outras, as competências aduaneiras não-tributárias (fluxo de mercadorias, a própria mercadoria, origem, aspectos fitossanitários, licenciamentos, proibições, serviços aduaneiros etc.) e as competências aduaneiras tributárias (arrecadação e fiscalização dos tributos incidentes), que são as competências de interesse aqui, na busca da natureza jurídica da norma violada. Desta forma, valho-me das definições acima, nesta tarefa de delimitação de papéis, a qual julgo de suprema importância para o deslinde da questão do que deve e do que não deve ser atingido pelo instituto da prescrição intercorrente. Voltando à interposição fraudulenta, como afirmei acima, as normas ensejadoras da pena de perdimento não se prestam à proteção das competências aduaneiras não-tributárias. Essas competências dizem respeito às informações relativas à carga, ao transportador, ao tipo de regime especial, licenciamentos, proibições, serviços aduaneiros etc., mas este não é o bem principal a ser tutelado por essas normas. 1 En nuestro Código Aduanero, luego de estable- -cerse en el artículo 17 que "La Administración Nacional de Aduanas es el organismo administrativo de la aplicación de la legislación relativa" a la importación y exportación de mercadería" y de preverse em el artículo 18 que esa Administración "...tendrá a su cargo la superintendencia general y dirección de las aduanas y de las demás dependencias que la integraren", se define en funciones a que se refiere el artículo 17. en especial, las de percepción y fiscalización de las rentas públicas producidas por los derechos y demás tributos con que las operaciones de importación y exportación se hallaren gravadas y las del control del tráfico internacional de mercadería". Este concepto se complementa —atento a la remisión efectuada en el artículo 19 al artículo 17— con el contenido de los numerosos incisos del artículo 23 del Código Aduanero, donde se enumeran las funciones de la Administración Nacional de Aduanas. De todos ellos, consideramos ilustrativo transcribir los tres primeros, ya que a nuestro parecer constituyen funciones principales de la aduana. En ellos se expresa: a) ejercer el control sobre el tráfico internacional de mercaderia b) aplicar y fiscalizar las prohibiciones a la impor tación y a la exportación cuya aplicación y fiscalización le están o le fueren encomendadas; c) aplicar, liquidar, percibir, devolver y fiscalizar los tributos cuya aplicación, liquidación, percepción, devolución y fiscalización le están o le fueren encomendadas;" Fl. 6948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 15 A meu ver, essas normas têm por função primordial a proteção das competências aduaneiras tributárias, por meio da busca da higidez da sujeição passiva nas operações de importação/exportação. A ocultação do real sujeito passivo, na interposição fraudulenta, propicia àqueles que cometem os ilícitos tributários comuns a este tipo de interposição, como o subfaturamento da base de cálculo das importações, a quebra da cadeia do IPI, a subtração do ICMS dos estados etc. a se desincumbirem de suas responsabilidades, quanto à arrecadação dos tributos e ao alcance de um procedimento fiscal, por estarem transparentes à fiscalização desses mesmos tributos. Tal higidez da sujeição passiva é condição essencial de uma sólida garantia de cobrança não somente dos créditos tributários incidentes diretamente nessas operações – imposto de importação, IPI vinculado, PIS e COFINS - importação etc., mas também daqueles reflexamente incidentes já internamente – cadeia do IPI, ICMS, IRPJ, IRPF etc. Veja-se que, no caso de interposição fraudulenta presumida, o inciso II do artigo 81 da Lei nº 9.430/96 prevê a declaração de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica passiva. Para mim, não há dúvidas de que o objetivo de quem se oculta em operações de comércio exterior, utilizando interpostas pessoas de forma fraudulenta, é a elusão/evasão fiscal, prejudicando diretamente a arrecadação dos tributos incidentes, bem como a sua fiscalização, ou seja, prejudicando, ou até mesmo impedindo, que a Aduana execute suas funções tributárias. Para exemplificar o que venho afirmando, nada melhor do que casos decididos por este Conselho, tratando de interposição fraudulenta. Nesses casos, existe sempre a demonstração da ocorrência de um ou mais ilícitos tributários proporcionados pela falsa sujeição passiva, prejudicando a arrecadação e a fiscalização de tributos. Esta falsa sujeição passiva é declarada de forma fraudulenta pelos executores desses ilícitos tributários, ao simular operações lícitas. Abaixo, algumas decisões (grifei). Sobre os tributos incidentes diretamente nas operações de importação: Processo nº 12782.000012/2010-43 Recurso Voluntário Acórdão nº 3201-011.578 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2024 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A ocultação do real adquirente das mercadorias, nas operações de comércio exterior, tipifica a figura da interposição fraudulenta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SUBFATURAMENTO. TRIBUTOS.PENALIDADES. Fl. 6949DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 16 Constatado que os preços das mercadorias consignados nas Declarações de Importação e correspondentes faturas comerciais que instruíram os despachos para consumo não correspondiam à realidade das transações efetuadas, resta caracterizado o subfaturamento, decorrendo dessa constatação o lançamento de ofício dos tributos incidentes nas operações de comércio exterior, acrescidos da multa de ofício qualificada e dos juros de mora, bem assim da multa calculada sobre a diferença entre o valor real e o declarado. .................................................................................................................................... Sobre os tributos devidos já em zona secundária: Processo nº 11762.720038/2017-53 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-010.435 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de abril de 2023 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/10/2014 a 21/04/2015 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. ART. 23, V, DO DECRETO-LEI Nº 1.455/1976. Comprovada a interposição fraudulenta, aplica-se a pena de perdimento, nos termos do art. 23, V, §1º e §3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria, em razão de sua não localização, consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. (...) A partir desta nova previsão legal, a utilização de empresa interposta em operações de comércio exterior sem a adoção de uma das duas modalidades (Importação por “conta e ordem” ou Importação por “encomenda”), implica também na não observância de:  Uma obrigação tributária principal - Em relação a omitir sua condição de equiparado à industrial;  Uma obrigação tributária acessória - Por não realizar a escrituração do IPI. A prática de interposição fraudulenta de pessoas possibilita a quebra da cadeia do IPI com a consequente sonegação daquele tributo. Não se trata do IPI vinculado à importação, este é recolhido automaticamente no ato de registro da DI, quando devido. Trata-se do IPI que incide em etapa posterior ao desembaraço aduaneiro, IPI incidente sobre o valor da operação na fase comercial posterior ao desembaraço. Fl. 6950DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 17 O sujeito passivo oculto ao não se apresentar aos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros esquiva-se de assumir sua posição na cadeia do Imposto sobre Produtos Industrializados, tal qual determina a legislação. Sendo assim, vejo como o objetivo primordial da norma desobedecida a proteção das competências aduaneiras tributárias, as quais são exercidas por meio das funções arrecadadora e fiscalizadora, por parte da Receita Federal - ADUANA, dos tributos incidentes nas operações de importação/exportação. Ou seja, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, originada pela impossibilidade da aplicação da pena de perdimento dessa mercadoria, em razão da sua não localização, do seu consumo ou da sua revenda, tem caráter essencialmente tributário. Por todo o exposto, e conforme consta na decisão sobre o Tema 1293 do STJ, tenho por convicção que não se aplica o § 1º do artigo 1º da Lei nº 9.873/99 nos casos de interposição fraudulenta, por isso rejeito, de ofício, a preliminar de prescrição intercorrente. Nulidade do Julgamento por Cerceamento de Defesa Os Recorrentes pleiteiam a nulidade do Acórdão recorrido, argumentando que houve cerceamento de sua defesa quando da negativa, por parte da DRJ/FNS, de produção de prova pericial. Sem razão os Recorrentes. Sobre a produção de provas, diz o Decreto nº 70.235, de 1972 (grifei): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. O Relator da instância a quo assim dispôs em seu voto, fls. 6763 e 6764 (grifei): No caso em exame, considera-se desnecessária a diligência proposta pela impugnante, por entendê-la dispensável para o deslinde do presente julgamento. A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos. Ademais, o que fundamenta a presente autuação não tem relação direta com a escrituração contábil da empresa, mas sim os documentos e constatações apresentados pela fiscalização aduaneira ao longo da ação fiscal que culminou com o auto de infração aqui tratado. (...) Fl. 6951DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 18 Assim, voto por indeferir a perícia requerida, considerando, ainda, que o procedimento fiscal encontra-se suficientemente instruído documentalmente para a formação da convicção do julgador. Ou seja, a decisão de indeferimento da realização de perícia foi devidamente fundamentada pelo Relator, conforme os ditames do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, sobre a matéria, existe a Súmula Carf nº 163: Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Assim, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por não enxergar o cerceamento de defesa alegado pelos Recorrentes. Ainda neste tópico do alegado cerceamento de defesa, os Recorrentes trazem na fl. 6845: I. NULIDADE DO JULGAMENTO POR CERCEAMENTO DE DEFESA 1. As razões de insurgência foram acatadas pelo julgador Rui Kenji Ota, que votou pela nulidade dos lançamentos por vícios formais destacados na impugnação. Não há o que se analisar aqui, posto se tratar de uma simples afirmação e que o Julgador citado, por não ser o Relator, não produziu voto vencido, tampouco apresentou declaração de voto para marcar a sua posição. Nulidade do Procedimento Fiscal por Incompetência da Autoridade que Assinou o MPF-F que deu origem à Fiscalização Os Recorrentes defendem que existe vício insanável na origem do procedimento fiscal, pois o documento de controle administrativo de execução do procedimento fiscal, Mandado de Procedimento Fiscal, na modalidade fiscalização, MPF-F, foi assinado por autoridade incompetente. Incompetente, pois no referido MPF-F não constava ato de delegação de competência da Inspetora-Chefe Cláudia Regina do Nascimento Thomás ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB Fabiano Blonski para a assinatura daquele MPF-F. Sem sorte os Recorrentes. O Mandado de Procedimento Fiscal é um documento administrativo da Receita Federal de controle dos procedimentos fiscais de fiscalização e de diligência. Tem como escopo interno o controle dos procedimentos fiscais em aberto e, como escopo externo, possibilitar ao contribuinte alvo daquele procedimento a verificação da sua existência, bem como da identificação dos agentes autorizados a realizá-lo. Fl. 6952DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 19 Assim, qualquer questão formal que venha a ser verificada não tem o condão de invalidar o procedimento fiscal em si. E este é o pensamento deste Conselho, espelhado na Súmula Carf nº 171 (grifei): Súmula CARF nº 171 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Irregularidade na emissão, alteração ou prorrogação do MPF não acarreta a nulidade do lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Assim, rejeito esta preliminar de nulidade. Ilicitude da Busca e Apreensão dos Documentos que Embasam a Lavratura Os Recorrentes alegam entre as fls. 6857 e 6859 que as provas coletadas na PREMMIA são imprestáveis, pois foram coletadas de maneira ilícita durante a realização da Diligência Fiscal realizada em 28 de janeiro de 2014. Argumentam que a ilicitude se deve ao fato de a Fiscalização ter apreendido documentos e copiado arquivos magnéticos além daqueles citados no Termo de Diligência Fiscal, para os quais seria necessário, além da autorização do responsável pela sociedade empresária, ordem judicial. Não cabe razão aos Recorrentes. A realização da Diligência Fiscal foi realizada durante o dia, por agentes fiscais competentes, os quais deram ciência do procedimento fiscal ao sr. ELISEU VICENTE BORGES, que lhes franqueou o estabelecimento. No intuito de prejudicar pelo menor tempo possível as atividades do fiscalizado, esses procedimentos de diligência são realizados, principalmente quanto aos arquivos magnéticos, copiando-se na integralidade a base de dados de computadores escolhidos durante o procedimento. A realização da análise dos documentos e arquivos magnéticos pode durar dias, por isso se faz a apreensão e copiagem daquilo que, em princípio, pode interessar a Fiscalização, para posteriormente ser realizada a sua triagem, assim mesmo somente após a deslacração dessas cópias na presença do contribuinte, ou se este não comparecer quando intimado para tanto, na presença de testemunhas isentas. Na utilização do material apreendido não há qualquer exposição de dados coletados que desabone a conduta da Fiscalização na realização do procedimento fiscal posterior. Ou seja, qualquer informação porventura coletada sem relação com as operações comerciais dos fiscalizados não foi utilizada pela Fiscalização. Sobre a necessidade de ordem judicial, mandou bem a DRJ/FNS, fl. 6752: Como se vê, correto o procedimento adotado pela Fiscalização, tomando as cautelas necessárias para que a apreensão obedecesse aos limites e garantias constitucionais, nos termos de sua competência funcional. Observe-se, ainda, que o representante legal da empresa fiscalizada expressamente autorizou o acesso da Fiscalização a suas dependências e equipamentos, além de arquivos diversos. Fl. 6953DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 20 Não consta registrada no termo fiscal qualquer observação ou reclamação feita à época dos fatos, por qualquer funcionário da empresa, ou ainda por seu representante legal, relativa ao material apreendido ou seu conteúdo, abstendo- se este de comparecer à abertura do envelope lacrado, apesar das sucessivas tentativas realizadas pela Fiscalização. Nem tampouco isso é feito na impugnação apresentada, limitando-se a autuada a alegar de forma genérica acerca da pretendida nulidade das provas, sem, no entanto, especificar qual arquivo ou material apreendido teria ultrapassado o objeto do procedimento fiscal, ou a razão de tal fato. De fato, o material obtido por meio da referida diligência, legalmente realizada, observe-se, fundamentou e subsidiou em grande parte os lançamentos em análise. No entanto, cabe ressaltar que a alegação do contribuinte não diz respeito ao mérito da exigência, ou seja, em nenhum momento a empresa questiona especificamente qualquer documento ou informação considerados pela Fiscalização. Na verdade, sua alegação diz respeito unicamente à legalidade da apreensão feita por meio da diligência fiscal. Tal aspecto foi suficientemente analisado acima, concluindo-se pela correção do procedimento fiscal, não se verificando qualquer ilegalidade na apreensão efetuada pela Fiscalização, rejeitando-se, portanto, a nulidade arguida. Desta forma, rejeito esta preliminar de nulidade. Ilicitude do Depoimento Tomado de WALTER NICOLAU FILHO Os Recorrentes questionam na fl. 6752 a legalidade do depoimento prestado por WALTER NICOLAU FILHO à Fiscalização, alegando que a presença deste não se deu por vontade própria, como consta no Relatório Fiscal, mas foi obtida por meio de “artimanha”. Alegam, ainda, que o advogado presente representava a PREMMIA, e não WALTER, em ofensa aos artigos 5º, incisos LXIII e LVI, e 133 da Constituição. Sem razão os Recorrentes. O sr. WALTER NICOLAU prestou depoimento espontaneamente, ou seja, não foi intimado para tal. Bastaria a sua negativa para que ali mesmo se encerrasse a interação Fiscalização x WALTER NICOLAU. Desta forma, rejeito a nulidade suscitada. MÉRITO Sobre as questões de mérito, utilizei como balizador de minhas conclusões sobre os aspectos comuns a todos procedimentos fiscais realizados posteriormente ao Procedimento Especial de Controle (processo nº 15165.722222/2014-85), o qual motivou a abertura daqueles outros procedimentos, o Relatório Fiscal elaborado pela Fiscalização no referido Procedimento Especial, pois os Relatórios Fiscais dos procedimentos posteriores, como o aqui em análise, são adaptações daquele Relatório original. As cópias do Relatório Fiscal original e de seus anexos se encontram nas fls. 3039 a 3243 e 3244 a 6456, respectivamente. A primeira questão de mérito se encontra dividida nos seguintes tópicos Fl. 6954DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 21 fls. 6850 a 6857, III. LAVRATURA; e fls. 6861 a 6865, IV. RELAÇÃO PROFISSIONAL ENTRE WALTER NICOLAU FILHO E PARTNER / PREMMIA E A INEXISTÊNCIA DE “TERMO OCULTO” Os Recorrentes, basicamente, alegam que o chamado “Termo Oculto” foi um contrato que foi desconsiderado pelas partes que o integravam, ou seja, foi um contrato que nunca foi válido. Aduzem ainda que bastaria à Fiscalização perguntar ao sr. WALTER NICOLAU sobre tal contrato, quando este esteve na sede da Receita Federal, onde prestou depoimento, ou mesmo a qualquer uma de suas partes, para não tecer teses absurdas sobre aquele contrato, bem como quanto aos seus efeitos. Na segunda parte de suas alegações consta todo um histórico da veracidade e da legalidade da relação de WALTER NICOLAU com os outros sócios da PREMMIA. As alegações dos Recorrentes não procedem. Abaixo, passo a expor todos os atos simulados e fraudados pelos sócios da PREMMIA, em relação às suas participações societárias no período fiscalizado, sempre com o objetivo de ocultar o sr. WALTER NICOLAU como o real responsável pelas operações de importação da PREMMIA, assim como pelas realizadas no mercado interno pela PREMMIA, SINAI e GLOBAL PAPERS. Resumidamente, em 21/12/2009, formalmente, LORIEL ZANLORENSI (50%), GERSON JOSÉ ALBERTI (25%) E JOÃO LEONARDO GEROWSKI (25%) adquirem 100% das cotas da sociedade empresária JCS, que viria a se tornar PARTNER e depois, PREMMIA (10/06/2013). Mas na realidade, como será mostrado à frente, a participação societária original era: WALTER NICOLAU FILHO (40%), LORIEL (10%), GERSON (25%) e JOÃO LEONARDO (25%). Ou seja, WALTER era um sócio oculto da PREMMIA. Em 14/05/2010, formalmente, LORIEL se retira da PREMMIA, “a título gratuito”, deixando GERSON e JOÃO LEONARDO com 50% cada um. Mas, de fato, LORIEL não deixa de exercer seu papel gerencial na PREMMIA até 17/12/2012, quando a PREMMIA é “vendida” para o “laranja” ELISEU VICENTE BORGES. Então, a partir da venda da PREMMIA para ELISEU, WALTER se torna o único proprietário, de fato, da PREMMIA. Todo esse desenrolar é apresentado e provado pela Fiscalização no item 5.3 do Relatório Fiscal - O “Termo Oculto”, fl. 3115 e ss. (grifei): 135. No documento secreto encontrado (“contracarta” ou “contradocumento”), fica caracterizada a simulação no controle acionário da empresa desde a transferência formalizada na 12ª Alteração Contratual, em 21/12/09. (...) (...) 137. A partir daqui passa-se a denominar o “Termo de Transição” encontrado na Diligência Fiscal no estabelecimento da empresa de “Termo Oculto”, e o Instrumento Particular apresentado, e que serviu de base para a 16ª Alteração Contratual registrada, de “Contrato Simulado”. Do confronto entre estes dois documentos, identificou-se diversas simulações: Fl. 6955DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 22 138. Gerson Alberti e João Leonardo Gerowski venderam sua participação societária na empresa Partner/Premmia a Walter Nicolau Filho, e não a Eliseu Vicente Borges, como consta no “Contrato Simulado” (Figura 5). 139. Também na Figura 5, o “Termo Oculto” afirma textualmente que Gerson, João Leonardo e Loriel Zanlorensi transferiram os 60% que possuíam na Premmia. Portanto, 40% das cotas eram de propriedade de um quarto sócio, oculto, inversamente ao disposto no “Contrato Simulado” (Figura 6). 140. Em 09/11/12, Loriel vendeu sua participação na empresa a Walter Nicolau Filho, de onde se conclui que a saída de Loriel da sociedade, em 14/05/10, registrada na 14ª Alteração Contratual, foi simulada, tendo permanecido como sócio oculto da Premmia até o final de 2.012. 141. Formalmente, Loriel manteve vínculos com a sociedade como prestador de serviços após sua saída do Quadro Societário, mas sua atuação extrapolou tal relação, assinando diversos Contratos, comerciais e administrativos, como representante da empresa, e possuindo autorização para movimentação de Fl. 6956DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 23 contas bancárias empresariais, mesmo mais de 3 anos após a data de sua saída. (...) (...) 142. Como prova definitiva, e materializando a participação de Loriel Zanlorensi na Premmia, encontrou-se, na análise da documentação enviada pelas instituições bancárias, requisitadas conforme o Parágrafo 29., Procuração datada de 19/05/11 (Anexo 3-74) onde os então sócios ostensivos da Premmia outorgam-lhe amplos poderes de administração e representação. Este poderia, por exemplo, receber qualquer valor devido à empresa, representá-la perante quaisquer entidades bancárias, movimentar suas contas, autorizar descontos, admitir e demitir funcionários, etc: (...) 143. O item 1.2 da Cláusula 1ª do „Termo Oculto‟ dispõe que parcelas recebidas por Gerson e João Leonardo, a título de distribuição de lucros da Premmia dos exercícios de 2.011 e 2.012 são, na realidade, valores devidos a título de distribuição dos lucros desta empresa a Walter Nicolau Filho, e que serviram como parte do pagamento pela participação dos primeiros e pagos pelo comprador Walter Nicolau (Figura 11). 144. Como se verá no Tópico 8.2, embora houvesse remuneração contratual devida à empresa de Walter Nicolau Filho por seus serviços desde janeiro/10, não há registro de pagamentos formais até novembro/13: a distribuição de lucros ao sócio oculto teria de ser clandestina e afastada da contabilidade formal. Há registros de pagamentos a título de Distribuição de Lucros, para Gerson e João Leonardo, no valor de R$ 100 mil para cada um, em 04/02/13, 06/03/13 e 01/04/13. 145. Neste ponto, o comprador oculto e os vendedores ostensivos simplesmente transformam em rendimentos isentos os ganhos auferidos com a venda de parte da empresa. Verifica-se manipulação contábil para que a retribuição por suas participações na empresa se mascarem como distribuições de lucros. Nota-se ainda que, caso os lucros não fossem suficientes para o pagamento combinado aos sócios retirantes, Walter Nicolau Filho complementaria os valores com recursos próprios. (...) 146. Conforme o item 1.12 da Cláusula 1ª do “Termo Oculto”, os sócios retirantes respondem por eventuais passivos correspondentes aos anos de 2.010 a 2.012 na proporção da participação societária de cada um no período (Figura 12). A divisão de responsabilidades ficou assim definida: 25% de Gerson Alberti, 25% de João Leonardo Gerowski, 10% de Loriel Zanlorensi, e 40% de Walter Nicolau Filho. (...) Fl. 6957DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 24 147. Mais uma vez revela-se que Gerson e João Leonardo não eram os únicos sócios da Premmia, mas detinham somente metade das cotas societárias; e Loriel nunca possuiu 50% da empresa, mas apenas 10%. Como Walter Nicolau Filho responde por 40% de eventuais passivos no período, confirma-se ser ele o sócio oculto, com 40% das cotas da Premmia desde a aquisição desta pelo grupo, em 21/12/09, registrada na 12ª Alteração Contratual. A alegada Parceria Comercial não passou de simulação para encobrir sua real participação na Premmia. 148. Segundo a Cláusula 4ª do “Termo Oculto‟, os sócios ostensivos, Gerson e João Leonardo, deveriam formalizar a alteração do Contrato Social da Premmia, transferindo 100% dela a Eliseu Vicente Borges (1%) e à sua empresa Eliseu Vicente Borges – ME (99%), assinando texto que deveria ser entregue pelo comprador Walter Nicolau Filho (Figura 13). Como o “Termo Oculto” trata da venda de 60% da empresa, e, a mando de Walter Nicolau Filho, houve a transferência de 100% para o novo sócio ostensivo Eliseu, claro é que Walter Nicolau Filho já detinha os restantes 40%, passando a ser único sócio, ainda oculto, com Eliseu Vicente Borges como “laranja”. (...) 149. Na Cláusula 12ª do “Termo Oculto”, combinou-se que os sócios ostensivos, ao se retirarem da empresa, deveriam repassar a José Reinaldo Bozza, contratado por Walter Nicolau Filho, todos os trâmites administrativos e financeiros da Premmia (Figura 14). (...) 150. A Premmia apresentou à fiscalização “Contrato de Prestação de Serviços de Apoio Administrativo e Processamento de Dados”. A empresa contratada, JRPB Processamento de Dados Ltda., CNPJ 05.359.843/0001-00, administrada por José Reinaldo Pasqualini Bozza, CPF 429.087.609-91, deveria prestar apoio administrativo, de processamento de dados e gestão de documentos, organizar a rotinas e controles administrativos, e preparar documentação para envio à contabilidade (Cláusula 3ª deste Contrato, Anexo 3-5). 151. Mas o que se vê, na realidade, é José Reinaldo Bozza assinar Contratos representando a Premmia, com procuração para tal, como no Contrato de Locação de Serviços de Contabilidade apresentado e datado de 01/01/13 (Figura 15 e Anexo 3-5). Em solicitação de rescisão deste Contrato (Figura 16 e Anexo 3- 5), datada de 14/03/13, quem assina também é José Reinaldo Bozza, possuindo inclusive o carimbo de Gerente Administrativo Financeiro. (...) 154. Conclui-se que o início da simulação no controle da Premmia ocorreu com as mudanças registradas na 12ª Alteração Contratual, de 21/12/09, quando a empresa alterou sua razão social de JCS para Partner, e Loriel Zanlorensi, Gerson Fl. 6958DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 25 José Alberti, João Leonardo Gerowski, e, de modo oculto, Walter Nicolau Filho, ingressaram na sociedade. 155. Outra etapa nesta simulação ocorreu em 14/05/10, data em que Loriel Zanlorensi teria se retirado formalmente da sociedade, a título gratuito e 6 meses após o investimento de R$ 600 mil na empresa, mas, como se constatou, lá permaneceu de modo oculto, juntamente com Walter Nicolau Filho. 156. Os sócios ostensivos Gerson e João Leonardo detinham parte do controle da empresa, mas também se prestavam a ser o que a doutrina chama de “testas-de-ferro”, “homens de palha”, ou “presta-nomes”, apenas titulares aparentes da parcela da empresa controlada pelos sócios ocultos Walter e Loriel. 157. Complementando a farsa, ao passar a ser o único controlador da Premmia, Walter Nicolau Filho: - determinou que os sócios ostensivos transferissem todas as cotas da empresa para outras interpostas pessoas, Eliseu Vicente Borges e sua pessoa jurídica (na verdade representadas apenas por Eliseu), sem capacidade econômico- financeira, e com a clara função de dissociar os principais beneficiários das responsabilidades pelas fraudes envolvendo as operações comerciais praticadas; - designou outra pessoa de sua confiança, José Reinaldo Bozza, para função de gerência financeira da empresa, com amplos poderes, mas sob simulado pretexto de prestar serviços de apoio administrativo e de processamento de dados. 158. Na Figura 20, ilustra-se o que os simulantes tentaram transparecer a público através das farsas verificadas e, paralelamente, a realidade das participações societárias na Premmia e como foram alteradas desde 21/12/09. Fl. 6959DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 26 Desta forma, LORIEL ZANLORENSI, GERSON JOSÉ ALBERTI, JOÃO LEONARDO GEROWSKI, WALTER NICOLAU FILHO, ELISEU VICENTE BORGES e JOSÉ REINALDO BOZZA tinham pleno conhecimento das simulações e fraudes perpetradas pela importadora PREMMIA, pelas “noteiras” SINAI e GLOBAL PAPERS e pelas “sociedades de fachada”. Pelo aqui exposto, mas principalmente pelo mostrado e provado no Relatório Fiscal, o real controlador do esquema do papel imune importado pela PREMMIA sempre foi WALTER NICOLAU FILHO, seja na sua pessoa física, seja na sua pessoa jurídica. Isto fica evidente pelas conclusões a que a Fiscalização chegou, quando da tentativa de renovação da habilitação da sociedade PREMMIA no Siscomex, com a inclusão de ELISEU VICENTE BORGES como seu representante legal naquele sistema de controle das operações de comércio exterior, fls. 3111 e ss.: Fl. 6960DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 27 (...) a análise efetuada concluiu pelo indeferimento da habilitação da empresa e da inclusão de novo responsável legal perante o Siscomex. Tendo escoado o prazo legal para recurso sem manifestação da interessada, o processo foi arquivado em 22/05/14. 125. Das informações e documentos apresentados pela empresa em resposta aos Termos de Intimação 622/2013, 003/2014, e 027/2014, a fiscalização chegou, entre outras, às seguintes conclusões: - não foi comprovada a qualificação, capacidade e conhecimento de Eliseu Vicente Borges no mercado de papéis, um dos principais motivos alegados para a venda da Premmia para ele e sua empresa Eliseu Borges Participações Ltda.; - não foi comprovado o valor da transação na compra da Premmia, considerando- se incompatível o valor informado, de R$ 200 mil, com o grande patrimônio e volume de operações da empresa adquirida; - os adquirentes (Eliseu e sua empresa), não possuíam recursos compatíveis com o patrimônio da empresa adquirida, Premmia; - o pagamento de R$ 50 mil efetuado aos sócios retirantes, por parte da empresa de Eliseu, originou-se de alegada prestação de serviços à empresa Sinai Comércio de Papéis Ltda., CNPJ 07.170.986/0001-97, e que o Contrato desta prestação de serviços não foi adequadamente comprovado, apresentando características de simulação; - ficou evidente a participação e interferência na gestão comercial e de importações da Premmia por parte de Walter Nicolau Filho, que seria responsável pela saída dos ex-sócios e entrada de Eliseu na empresa, inclusive fornecendo recursos para a referida aquisição, através de suas empresas Sinai e Global Papers; - verificou-se confusão patrimonial, administrativa, comercial e financeira entre Walter Nicolau Filho – Pessoa Física, Premmia Importação e Exportação Ltda., Sinai Comércio de Papéis ltda., Global Papers Importação e Exportação de Papéis Ltda., e Walter Nicolau Filho Representações Comerciais Ltda. Desta forma, a Fiscalização não teceu elocubrações absurdas, mas sim comprovou que, desde 2009, WALTER NICOLAU FILHO esteve à frente dos negócios simulados pela PREMMIA, SINAI e GLOBAL PAPERS na comercialização de papel imune, com desvio de finalidade já planejado antes mesmo da efetivação da importação, mediante fraude. Como segunda questão de mérito, tem-se o seguinte tópico, fls. 6865 a 6868: V. CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES FINANCEIRAS E TRIBUTÁRIAS PELA PREMMIA Neste tópico os Recorrentes argumentam e trazem afirmações sobre a capacidade financeira da PREMMIA, assim como da regularidade de suas operações comerciais e financeiras. Fl. 6961DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 28 Sem sorte os Recorrentes. O que a Fiscalização alega é a falta de comprovação da origem, da transferência e da disponibilidade lícita dos recursos utilizados pela PREMMIA. Em resposta às diversas intimações efetuadas pela Fiscalização, a PREMMIA não foi capaz de comprovar a origem, a transferência e a disponibilidade dos recursos empregados por ela em suas operações de importação. Primeiro por uma contabilidade confusa, cujos lançamentos contábeis não permitiram identificar a origem dos valores por ela recebidos. Segundo por se utilizar de prestadores de serviços para recebimentos de duplicatas, lançando em sua contabilidade esses créditos como se fossem transferências entre contas próprias de outras instituições financeiras, impedindo, novamente, a identificação da origem desses créditos. Terceiro por efetuar vendas falsamente financiadas pela própria PREMMIA a sociedades empresárias “de fachada”, cujo objetivo dessas vendas era dar saída ficta para o mercado interno, de forma simulada e fraudulenta, do papel imune importado. E quarto por ter sido comprovado pela Fiscalização que vários pagamentos não foram efetuados pelos destinatários das notas fiscais de venda, mas sim pelos reais adquirentes no mercado interno do papel imune importado e comercializado a eles com desvio de finalidade. Grifei (fls. 3081 e ss.): 3.3 – Análise à Primeira Resposta da Interessada – 07/03/14 31. Análise à documentação apresentada demonstrou que os lançamentos efetuados na contabilidade da Premmia não possuem a individualização necessária para a identificação da origem dos pagamentos realizados à empresa. A Premmia afirmou possuir 10 contas-correntes bancárias, e em sua contabilidade, todos os lançamentos bancários são efetuados numa única conta, “Banco Conta Movimento‟ (1101020001). Por outro lado, efetua descontos de duplicatas e emite boletos em grandes quantidades, não informando borderôs ou outras informações sobre os créditos recebidos, que pudessem levar à identificação da origem destes valores. 32. Nos extratos de conta-corrente, os respectivos créditos nas instituições bancárias são agrupados, não permitindo a vinculação de valores recebidos ou títulos descontados com as operações comerciais que lhes deram causa, e tampouco com suas origens. 33. Como exemplo, cita-se o lançamento 286, de 31/01/13, na Tabela 4. A informação do lançamento é que foi recebido o valor de R$ 3.175,52 em alguma conta bancária da empresa, e que este valor se refere a pagamento pela NFE 5351, emitida para C Barbosa Editora Gráfica EPP. Por outro lado, consulta aos extratos bancários apresentados pela interessada não permite identificar lançamento deste valor em nenhuma de suas contas-correntes, na data Fl. 6962DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 29 informada ou em datas próximas. Valores agrupados de créditos podem ser encontrados em diversas datas, em valores superiores ao do lançamento e que poderiam, eventualmente, conter tal crédito, mas não foi apresentado nenhum borderô ou discriminação destes valores agrupados. 34. Portanto, a documentação e escrituração apresentadas não se prestam a comprovar a origem de tal recurso, por carecer da individualização necessária. Do mesmo modo, a grande maioria dos lançamentos efetuados pela empresa apresentam tal vício. 35. Assim, a resposta apresentada não se mostrou hábil a comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática de suas operações, conforme expressamente exigido na intimação realizada (Anexo 1). 3.7 - Análise à Resposta da Interessada - 22/05/14 45. Não obstante a grande quantidade de relatórios contábeis presentes na resposta, muitos dos quais já apresentados anteriormente, o material entregue não se mostrou hábil a comprovar a origem dos pagamentos recebidos pela Premmia. 46. Do mesmo modo que a resposta anterior, analisada no Tópico 3.3, a apresentada em 22/05/14 não permite vinculação dos valores recebidos ou descontados pela Premmia, com as operações comerciais que lhes deram causa, e tampouco com suas origens. (...)167. Consultas aos Sistemas da RFB sobre os principais clientes da Premmia, como se detalhará adiante, mostraram diversas inconsistências: - várias possuem somatório de NFE’s de venda emitidas muito inferior ao somatório das NFE’s de venda de outras empresas nas quais aparecem como destinatárias. Equivale a dizer que comprariam muito mais mercadorias do que vendem. Surge a questão de como é possível a sobrevivência de uma empresa que só faz compras, em valores expressivos, sem vender as mercadorias adquiridas ou produtos acabados produzidos a partir destas matérias-primas? - várias apresentam movimentação financeira incompatível com as NFE’s de venda nas quais figuram como destinatárias. Isto é, não possuem movimentação financeira apta a realizar os pagamentos pelas mercadorias que compram, mas se as mercadorias são pagas, quem as paga? - consultas de suas Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social(GFIP‟s), declarações obrigatórias de informações previdenciárias, indicam que várias delas possuem poucos ou nenhum funcionário registrados, demonstrando falta de capacidade operacional para atingir seus Fl. 6963DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 30 objetivos. Como poderiam empresas sem funcionários ou com apenas um contratado comercializar e distribuir tamanha quantidade de papel? - várias são omissas quanto à DIPJ, ou apresentam declarações em branco, sem receitas declaradas ou patrimônio; - várias desaparecem depois de alguns anos de funcionamento, acumulando e abandonando elevados débitos com os fiscos estaduais e federal. 168. Assim, várias das clientes da Premmia possuem as características de verdadeiros “buracos negros” de mercadorias: os produtos a elas destinados, e que estas empresas estariam comprando, simplesmente desaparecem sem ser vendidos ou utilizados com finalidade produtiva, gerando enorme prejuízo contábil. Depois de algum tempo, estas empresas deixam de existir, não podendo ser localizadas e nem a seus sócios, deixando como legado vultosas dívidas tributárias. 169. As NFE’s que amparam a grande maioria destas operações de venda da Premmia apresentam citação, no campo “Informações Complementares”, de tratar-se de papel imune, com a base legal do benefício tributário e/ou ADE do Registro Especial do destinatário (Planilha nº Anexo 13), isto é, o papel comercializado deveria ser considerado como imune pelas partes envolvidas nas operações de cada NFE. 170. Muitas das clientes da Premmia, por possuírem o Registro Especial abordado no Tópico 4.1.1, tem a função contábil de baixar o estoque de papel imune por ela importado, como veremos a seguir, inserindo informações falsas em documentos fiscais, e podendo ser descartadas quando passarem a atrair a atenção da fiscalização. 171. Estas adquirentes formais, com mínima capacidade operacional e econômico-financeira, não teriam capacidade para arcar com os pagamentos efetuados à importadora por tais transações. As operações comerciais assim forjadas ocultam a origem dos recursos utilizados pela Premmia em suas importações, buscando blindagem patrimonial contra a responsabilização em eventuais execuções, caso a fraude seja descoberta e o envolvimento dos adquirentes comprovado. A dissimulação da real origem dos pagamentos recebidos pela Premmia tem a função de ocultar e proteger os reais adquirentes do papel imune desviado das conseqüências da fraude. (...) 173. Ou seja, o sócio oculto e atualmente único controlador da importadora Premmia, Walter Nicolau Filho, também controla suas duas principais clientes, Sinai e Global Papers, responsáveis pela baixa contábil de papel imune no valor de R$ 37,0 milhões, equivalentes a 26,1% do faturamento da empresa entre 01/01/10 e 01/01/14. 174. Conforme se detalha nos próximos Tópicos: Fl. 6964DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 31 - a Sinai é parte ativa da fraude verificada, emitindo NFE’s inidôneas para documentar a entrada do papel vendido pelo “grupo” nos reais adquirentes das mercadorias; - a Global Papers serviu, até janeiro/13, para baixa contábil de papel imune desviado de finalidade, sendo destinatária de mais de R$ 81,0 milhões em NFE’s de papel imune, da Premmia e de outros fornecedores de papel que utilizam o mesmo modus operandi; - Sinai e Global Papers não apresentam patrimônio, existe confusão de pessoas entre seus quadros funcionais, com poucas pessoas representando ambas as empresas ao mesmo tempo, indicando tratar-se de mera ficção para emissão de NFE’s inidôneas no interesse da Premmia. (...) 175. Além das empresas Sinai e Global Papers, controladas pelo sócio oculto da Premmia, Walter Nicolau Filho, e com evidente vinculação entre si, outras 15 clientes foram selecionadas para análise mais aprofundada, devido a diversos indicadores de falta de capacidade financeira e operacional para as transações comerciais que a Premmia alega realizar. 176. As movimentações bancárias destas empresas não possibilitariam os pagamentos devidos pelas mercadorias vendidas pela Premmia. 177. Por seu lado, a Premmia fornece crédito a estas clientes, mas intimada desde o início deste procedimento a apresentar comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da efetiva transferência dos recursos necessários à prática de suas operações (Anexo 1, item II-B), não se mostrou capaz de comprovar a origem dos pagamentos recebidos por suas vendas. 178. Questionada sobre o modo de pagamentos a duplicatas por ela emitidas (Termo de Intimação 038/2014, item A, Figura 22 e Anexo 4), se limitou a apresentar Razão de Duplicatas e afirmar que não há como comparar suas quitações, por não haver controle caso a caso (Figura 23 e Anexos 7 e 8): (...) 179. Não há dúvidas de que a Premmia recebe pagamentos por suas vendas, porém os fatos analisados levaram a conclusão de que as origens dos pagamentos de parcela significativa de suas operações não são as empresas que figuram nos documentos fiscais, o que, em última análise, além da caracterização da falsidade em documentos, implica na não-comprovação da origem e transferência dos recursos utilizados pela empresa. Assim, ficou demonstrada pela Fiscalização que a PREMMIA não foi capaz de comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência lícita dos recursos financeiros utilizados em suas operações de importação. Como terceiro ponto de mérito, tem-se entre as fls. 6868 e 6869 o seguinte item: Fl. 6965DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 32 VI. PENALIDADE APLICÁVEL - SE HOUVESSE FRAUDE Os Recorrentes preiteiam, caso forem vencidos nas outras questões de mérito, que a pena a ser a eles aplicada seja aquela prevista no artigo 33 da lei nº 11.488, de 2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Sem razão os Recorrentes. O enquadramento legal utilizado pela Fiscalização foi o inciso XXII e o § 6º do artigo 689 do Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), tendo por base legal o artigo 105 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, e o artigo 23, inciso V e §§ 1º, 2º e 3º do Decreto-Lei nº 1.453, de 1976: Art. 689. Aplica-se a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário( Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 105 ; e Decreto- Lei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII - estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) § 6º Para os efeitos do inciso XXII, presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (Decreto-Lei nº 1.455, de 1976, art.23, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59). Tal capitulação legal se aplica à ocultação do real interessado, mediante interposição fraudulenta (conhecida por presumida). Ou seja, presume-se legalmente que houve interposição fraudulenta pela não comprovação da origem, da disponibilidade e da transferência dos recursos utilizados nas operações de importação realizadas pelo autuado. Como entendo que a Fiscalização demonstrou, por argumentos e provas, que a conduta da sociedade PREMMIA se subsumiu perfeitamente ao enquadramento legal determinado pela Fiscalização, não há que se falar em multa de cessão do nome a substituir a penalidade acertadamente aplicada. Como quarta e última questão de mérito, tem-se na fl. 6869 o seguinte item: VII. TRIBUTOS DE IMPORTAÇÃO Fl. 6966DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 33 Os Recorrentes se insurgem contra a cobrança dos tributos incidentes alegando se tratar as suas importações de papel imune, portanto fora do campo de incidência desses tributos, sendo que a cobrança se refere a condutas efetuadas por outras sociedades empresárias, mas não dela, PREMMIA. Os Recorrentes alegam que se trata de mera suposição da Fiscalização de que a PREMMIA seria o centro do sistema ilícito; que à PREMMIA cabia apenas a responsabilidade de efetuar vendas para sociedades autorizadas a comercializar papel imune; e, finalmente, que quaisquer fatos imputados às outras sociedades deveriam ser verificados em procedimento individual, independente deste, que deu origem aos lançamentos. Não cabe razão aos Recorrentes. Para fundamentar minha conclusão, apresentarei um panorama geral do comprovado “sistema ilícito” para comercialização de papel imune, com desvio de finalidade, sendo este desvio planejado pelo grupo PREMMIA, SINAI e GLOBAL PAPERS desde antes de a importação se realizar. Panorama Geral Em resumo, a PREMMIA promovia a importação de papel imune, efetuando vendas para seus dois braços “noteiros”, SINAI e GLOBAL PAPERS, e para sociedades empresárias “de fachada”, sendo que todas essas sociedades, “noteiras” e “de fachada”, tinham autorização para negociar e/ou consumir o papel imune importado. Lastreadas ou não em vendas simuladas da PREMMIA para as “noteiras”, estas realizavam as vendas para os reais adquirentes do papel imune, como papel comercial, inclusive com destaque do ICMS (o qual nunca foi recolhido). Ato contínuo, a PREMMIA emitia notas fiscais de vendas de papel imune para as sociedades “de fachada” nas mesmas quantidades daquelas vendidas pelas “noteiras” a fim de simular a baixa legal daquele papel importado com imunidade. Para exemplificar bem o caso, copio trecho do Relatório Fiscal original (perdimento das mercadorias, processos nº 15165.722222/2014-85 e nº 15165.722223/2014-20), fl. 3406 e ss.: 541. Diante à constatação da prática de emissão de NFE’s inidôneas por parte da Premmia, para efetuar a baixa em seu estoque de papel imune importado, e cuja real destinação se deu com desvio de finalidade, e por parte da Sinai para registrar a entrada do papel comercial nos reais adquirentes, optou-se por realizar a análise inversa, isto é, partindo-se de cliente da Sinai, buscar como se dava a saída de mercadorias da Premmia. 542. A empresa Papeliny Com. de Papéis Ltda., CNPJ 05.817.872/0001-60, foi selecionada por se tratar da maior cliente da Sinai que não possuía Registro Especial para operar com papel imune, não tendo operações formais registradas com a Premmia. Por outro lado, na documentação coletada na Diligência Fiscal narrada no Tópico 2, foram identificadas diversas mensagens eletrônicas comerciais entre a Premmia e a Papeliny (Anexo 2-5-5), demonstrando vários laços de relações comerciais entre as empresas: Fl. 6967DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 34 - em 01/06/12, mensagem enviada pela Papeliny demonstra que as reclamações sobre entregas eram feitas diretamente à Premmia: “From: Emanoel - Papeliny <emanoel@papeliny.com.br> Sent: sexta-feira, 1 de junho de 2012 14:16 To: 'Gilmara Revay'; 'Elaine Pires' Subject: Carga de 31/05/2012 nf 1275 Boa tarde, ontem recebemos a nf 1275, consta nela 9 paletes total de 243 pacotes, a quantidade de paletes esta correta mais a de pacotes não, cada palete (nesta nf) esta com 24 pacotes cada, totalizando então 216 pacotes. Fica faltando então 27 pacotes deste material, favor analisar e ver como resolvemos, obrigado. Atenciosamente, Emanoel Mota Distribuição de Papéis Fone/Fax: + 55 41 3247-5500 - Ramal 213 ID 114*112488 / (41) 7817-6417 Celular: (41) 8814- 2348 Papeliny Comércio de Papéis Ltda/www.papeliny.com.br” Obs.: A NFE 1275, emitida pela Sinai à Papeliny, foi cancelada pela emitente, ilustrando prática da Sinai comentada por Ueslei Salustiano (Parágrafos 241. a 245.); uma das condições do cancelamento da NFE é de que não tenha ocorrido o fato gerador do ICMS (a circulação das mercadorias), mas a mercadoria havia sido recebida pela Papeliny. A mensagem trata de operação não regularmente documentada e ilustra como a Sinai é utilizada pelo grupo para suas manobras contábeis. O pagamento feito pela Papeliny pelas mercadorias recebidas e não embasado em nenhum documento fiscal passa pelas contas bancárias da Sinai, e a parcela que a Premmia quiser que apareça em sua contabilidade, é transferida pela primeira, o restante circula à margem da contabilidade, considerando que a Sinai não apresentou suas declarações fiscais obrigatórias, ou as apresentou zeradas em todo o período analisado por este procedimento (desde o Ano- Calendário de 2.010). - em 29/05/12, mensagem da Papeliny mostra que esta sabia quem lhe enviava as mercadorias: “From: Emanoel - Papeliny <emanoel@papeliny.com.br> Sent: terça-feira, 29 de maio de 2012 14:23 To: 'Gilmara Revay' Subject: RES: Pedido em 25/05 Boa tarde Gilmara, somente para acompanhamento, recebemos hoje a sua nf 1265, onde consta 675 pacotes de cartao c2s 300g 660x960 bohui, mais recebemos o seguinte material: 300g 660x960 – 16 paletes com 27 pacotes cada - 8211 kgs 300g 770x1130 – 3 paletes com 27 pacotes cada - 2114 kgs 1 palete com 28 pacotes cada - 730 kgs Total recebido: 11055 kgs (diferença 1770 kgs) Atenciosamente, Fl. 6968DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 35 Emanoel Mota Distribuição de Papéis Fone/Fax: + 55 41 3247-5500 - Ramal 213 ID 114*112488 / (41) 7817-6417 Celular: (41) 8814-2348 Papeliny Comércio de Papéis Ltda/www.papeliny.com.br” Obs.: Do mesmo modo que a operação descrita no item anterior, a NFE 1265, emitida pela Sinai à Papeliny, também foi cancelada pela emitente, e mais uma vez a operação se realizou, com o recebimento das mercadorias pela Papeliny. - os preços eram negociados diretamente com a Premmia: “From: Gilmara Revay Sent: Monday, June 11, 2012 10:37 AM To: 'Rosana - Papeliny' ; 'Elaine Pires' ; walter.nicolau@partnertrade.com.br Subject: RES: RES: RES: COUCHE 170G Olá Rosana O Walter autorizou o preço de R$ 2,75 para 7 dias. Abraços” ____________________ “ De: Rosana - Papeliny [mailto:rosana@papeliny.com.br] Enviada em: segunda-feira, 11 de junho de 2012 10:42 Para: Gilmara Revay; 'Elaine Pires'; walter.nicolau@partnertrade.com.br Assunto: Re: RES: RES: RES: COUCHE 170G qual o preço faturado 30/60/90 dias ??? 07 dias foi porque peguei apenas 3ton , agora vou pegar 15 ton” ____________________ “From: Gilmara Revay <gilmara.revay@partnertrade.com.br> Sent: segunda-feira, 11 de junho de 2012 10:45 To: 'Rosana - Papeliny'; 'Elaine Pires'; 'walter.nicolau@partnertrade.com.br' Subject: RES: RES: RES: RES: COUCHE 170G Olá Preço R$ 2,85. Prazo 30/60/90. Abraço” - os pagamentos eram feitos diretamente à Premmia, inclusive em cheques: “From: "Gilmara Revay" <gilmara.revay@partnertrade.com.br> Date: Tue, 22 May 2012 10:09:05 -0300 To: Rosana - Papeliny<rosana@papeliny.com.br> Subject: PEDIDO 14 DE MAIO Bom dia Rosana, tudo bem? O ultimo pedido que emitimos, fizemos na condição de 30/60/90 em cheques, podemos buscálos? Abraços” 543. Conclui-se que a Papeliny tinha plena consciência de que a Premmia era a empresa responsável pelo fornecimento do papel que adquiria, e a quem, em Fl. 6969DF CARF MF Original mailto:walter.nicolau@partnertrade.com.br mailto:walter.nicolau@partnertrade.com.br D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 36 fato, eram efetuados os pagamentos, sendo a Sinai mero acessório utilizado com intuito fraudulento, para que o papel imune importado pela Premmia chegasse ao real adquirente como se comercial fosse, como tantos exemplos descritos no Tópico 6. 544. Foram identificadas, no período de 01/07/11 a 06/03/14, 209 NFE’s emitidas pela Sinai em operações de venda de mercadorias à Papeliny, 19 das quais foram canceladas. Todas as operações se referiam a papel comercial, com destaque do ICMS. 545. O valor total das 190 NFE’s não canceladas foi de R$ 5.929.252,63 e, em 169 delas (o equivalente a R$ 5.261.929,95 em mercadorias, 88,7% do total), foram identificadas, nas mesmas datas de emissão, ou com um dia de diferença, NFE’s emitidas pela Premmia relacionando mercadorias com as mesmas descrições, quantidades e pesos para a Sinai e outras empresas com indícios de inexistência de fato e/ou ser destinatárias de NFE’s inidôneas, conforme Tabela 37, a seguir. Planilha das NFE’s emitidas pela Sinai para a Papeliny, relacionando-as com as NFE’s emitidas pela Premmia, encontra-se no Anexo 41. 546. As NFE’s emitidas pela Premmia e “casadas” com NFE’s emitidas pela Sinai, somam o valor de R$ 4.872.749,66. A diferença entre este valor e o preço das mercadorias faturadas pela Sinai (R$ 5.261.929,95) é equivalente a 8%. Isto é, a Sinai vende mercadorias com margem de lucro de 8% sobre o valor das mercadorias vendidas pela Premmia. 547. Porém, em suas vendas, a Sinai destaca ICMS à alíquota de 12%. Ou seja, caso recolhesse os tributos internos devidos pelo “transformação” de papel imune em papel comercial, estaria vendendo com prejuízo. Neste exemplo envolvendo a Papeliny, para poder recolher os 12% destacados de ICMS nas suas vendas de R$ 5.261.929,95, teria que comprar as mercadorias a R$ 4.630.498,35 (operando sem nenhum lucro!). 548. Como o custo destas mercadorias que saíram da Premmia, tendo como falso destinatário a Sinai ou outras das empresas listadas na Tabela 37, foi de R$ 4.872.749,66, houve prejuízo na operação de R$ 242.251,31. 549. Caso tenham sido estes os valores efetivamente praticados, o que não se pode assegurar pela quantidade de simulações verificadas nas operações descritas, é óbvia a intenção do grupo ‟em não recolher o ICMS destacado pela Sinai”; e que foi comprovado pela inexistência de quaisquer recolhimentos de ICMS por parte da Sinai no período analisado, mas com débitos tributários acumulados com o Estado do Paraná de R$ 10,1 milhões. Fl. 6970DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 37 550. Nota-se ainda, que a grande maioria destas NFE’s “casadas” traz, em seu Campo Informações Complementares, o número do pedido que originou cada operação comercial, e, tanto nas NFE’s emitidas pela Sinai, quanto em seus pares emitidos pela Premmia, este número de referência é o mesmo. 551. A título de exemplo, inclui-se a Figura 46, que mostra a NFE 2518, emitida pela Sinai para a Papeliny, em 30/09/13; na mesma data, a Premmia emitiu a NFE 8073 vendendo para a Pavagraf as mesmas mercadorias, e as duas operações tiveram como referência o mesmo Pedido 4364. A diferença entre as operações é que a venda da Premmia deu tratamento tributário de imunidade ao papel, enquanto a Sinai vendeu o mesmo papel como comercial para a Papeliny. 552. No exemplo, ilustrando parte das fraudes cometidas pelo grupo‟, a Premmia vende as mercadorias por R$ 45.640,38, e a Sinai vende as mesmas mercadorias para a Papeliny por R$ 49.399,26. Conforme pode-se verificar no portal “www.nfe.fazenda.gov.br” (Chaves de Acesso na Figura 46), o ICMS a ser recolhido pela Sinai é de R$ 5.928,20. Mas o lucro‟ da operação seria de apenas R$ 3.758,88, insuficientes para a quitação dos tributos, caso houvesse alguma intenção para tal. Fl. 6971DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 38 Fl. 6972DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 39 553. Conclui-se que a Premmia possuía plena consciência do desvio de finalidade de papel importado com imunidade nas vendas efetuadas à Papeliny, mas com NFE’s inidôneas emitidas a terceiras empresas, muitas das quais abordadas neste relatório (Pavagraf, KF Brasil, Global Papers, Roqueseller, Sinai, Renovati, M.A.M, Diário de Aparecida, Miura Editora). 554. A Papeliny, verdadeira destinatária das mercadorias não figura nestas NFE’s emitidas pela Premmia, e obviamente é ela quem realiza os pagamentos, e não as empresas utilizadas como sumidouros‟ de mercadorias pelo grupo‟. 555. Este é o exemplo da fraude que motiva as simulações: a Premmia emite NFE’s de venda de papel imune (por ela importado sem pagamento do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, além do ICMS devido no desembaraço aduaneiro, e com redução das Contribuições Sociais PIS e COFINS), para diversas empresas de fachada ou que emprestam seu nome à fraude, entre elas a Sinai, dando baixa em seu estoque; enquanto a Sinai emite NFE’s de venda de papel comercial, com destaque de ICMS, para a real adquirente, por exemplo a Papeliny. A adquirente se credita do valor do ICMS, e a Sinai acumula débitos fiscais, até que encerre suas atividades com enormes valores de débitos tributários com os Estados e a União. Figura 47 – O esquema da fraude, envolvendo várias destinatárias inidôneas, usadas indistintamente, para o papel imune importado pela Premmia e vendido como comercial para os reais adquirentes: Fl. 3334, exemplo com a GLOBAL PAPERS e SINAI Fl. 6973DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 40 Assim, ficou demonstrado o modus operandi de atuação do grupo PREMMIA, SINAI e GLOBAL PAPERS no desvio de finalidade do papel importado com imunidade, desde a importação à sua comercialização como papel comercial. Responsabilidade de WALTER NICOLAU FILHO, LORIEL ZANLORENZI, JOÃO LEONARDO GEROWSKI, GERSON JOSÉ ALBERTI, ELISEU VICENTE BORGES e JOSÉ REINALDO PASQUALIN BOZZA Pelo exposto aqui, não há dúvidas da participação de WALTER NICOLAU FILHO, LORIEL ZANLORENZI, JOÃO LEONARDO GEROWSKI, GERSON JOSÉ ALBERTI, ELISEU VICENTE BORGES e JOSÉ REINALDO PASQUALIN BOZZA no esquema fraudulento de importação e desvio de finalidade do papel importado com imunidade constitucional. Durante minha passagem por este Conselho, tenho defendido que só se pode admitir a responsabilidade de sócios, gerentes, outras sociedades etc. quando comprovada a participação efetiva dessas pessoas físicas e/ou jurídicas em pelo menos um dos seguimentos do esquema fraudulento. E isso foi comprovado pela Fiscalização em relação a WALTER NICOLAU FILHO, LORIEL ZANLORENZI, JOÃO LEONARDO GEROWSKI, GERSON JOSÉ ALBERTI, ELISEU VICENTE BORGES e JOSÉ REINALDO PASQUALIN BOZZA. Assim, sem razão os Recorrentes quando pedem a exclusão do polo passivo dos lançamentos as pessoas elencadas acima. Tema 487 do STF - Caráter Confiscatório da “Multa Isolada” por Descumprimento de Obrigação Acessória Decorrente de Dever Instrumental Por eu considerar que a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria tem caráter essencialmente tributário, por proteger as competências aduaneiras tributárias sobre as operações de comércio exterior, existe questão a ser analisada pelo Colegiado em relação ao Fl. 6974DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 41 Tema 487 do Supremo Tribunal Federal – STF, de repercussão geral, que, por maioria, fixou as seguintes teses (grifei): O Tribunal, por unanimidade, homologou a desistência do recurso extraordinário. Em seguida, por maioria, apreciando o tema 487 da repercussão geral, fixou a seguinte tese: "1. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória estabelecida em percentual não pode ultrapassar 60% do valor do tributo ou do crédito vinculado, podendo chegar a 100% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 2. Não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, a multa em questão não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 3. Na aplicação da multa por descumprimento de deveres instrumentais, deve ser observado o princípio da consunção, e, na análise individualizada das circunstâncias agravantes e atenuantes, o aplicador das normas sancionatórias por descumprimento de deveres instrumentais pode considerar outros parâmetros qualitativos, tais como: adequação, necessidade, justa medida, princípio da insignificância e ne bis in idem. 4. Não se aplicam os limites ora estabelecidos à multa isolada que, embora aplicada pelo órgão fiscal, se refira a infrações de natureza predominantemente administrativa, a exemplo das multas aduaneiras", vencidos os Ministros Luís Roberto Barroso (Relator), André Mendonça e Gilmar Mendes. Por fim, por maioria, modulou os efeitos da decisão, para estabelecer que ela passe a produzir efeitos a partir da data da publicação da ata do julgamento do mérito, ficando ressalvadas da modulação: (i) as ações judiciais e os processos administrativos pendentes de conclusão até a referida data; e (ii) os fatos geradores ocorridos até a referida data em relação aos quais não tenha havido o pagamento de multa abrangida pelo presente tema de repercussão geral, vencidos os Ministros Luís Roberto Barroso (Relator) e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto reajustado do Ministro Dias Toffoli (Redator para o acórdão). Ausentes, justificadamente, o Ministro Nunes Marques e, ocasionalmente, o Ministro Gilmar Mendes, ambos com votos proferidos em assentadas anteriores. Presidência do Ministro Edson Fachin. Plenário, 17.12.2025. Desta forma, sendo a multa equivalente ao valor aduaneiro, uma multa isolada, aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória (a indicação do real adquirente/interessado na respectiva Declaração de Importação), agravada pela demonstração da ocorrência de ocultação, mediante interposição fraudulenta, não havendo tributo vinculado à penalidade, mas sim valor da operação (valor aduaneiro), esta penalidade deve submeter-se aos ditames do Tema 487 do STF, como mostrado acima, pois o julgamento administrativo deste processo ainda está pendente, escapando à regra geral da modulação dos efeitos da decisão. Assim, voto por aplicar, de ofício, o Tema 487 do STF ao presente processo, para reduzir a multa equivalente ao valor aduaneiro de 100% para 20%, devendo esta multa ser Fl. 6975DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 42 agravada, de 20% para 30%, pela presunção de interposição fraudulenta no caso – circunstância agravante. CONCLUSÃO Voto por não conhecer do Recurso Voluntário de WALTER NICOLAU FILHO, por ser intempestivo, conhecer dos Recursos Voluntários de PREMMIA IMPORTACÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. FALIDO e ELISEU VICENTE BORGES, para rejeitar as preliminares de prescrição intercorrente e das nulidades suscitadas e, no mérito, dar parcial provimento aos Recursos Voluntários para reduzir, de ofício, a multa equivalente ao valor aduaneiro de 100% para 30%, em virtude da aplicação do Tema 487 do STF. É como voto. Assinado Digitalmente ANSELMO MESSIAS FERRAZ ALVES DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheira Cynthia Elena de Campos Não obstante a sempre consistente fundamentação desenvolvida pelo ilustre Relator, acompanhei-o pelas conclusões quanto à redução do percentual da multa substitutiva da pena de perdimento, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, de 100% para 30%, em observância ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral, no Tema 487. Entendo, contudo, oportuno registrar as razões pelas quais divirjo da fundamentação adotada quanto à natureza jurídica da penalidade. Observo que fiquei vencida, juntamente com as Conselheiras Alessandra Lessa dos Santos e Gisela Pimenta Gadelha Dantas, na preliminar de prescrição intercorrente, por entender que a multa prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455, de 1976, possui natureza eminentemente aduaneira, razão pela qual considero aplicável a disciplina prevista no art. 1º, § 1º, da Lei nº 9.873, de 1999. Assim, registro que o fato de ter acompanhado o Relator quanto à redução da penalidade decorreu exclusivamente da necessidade de observância da tese vinculante firmada pelo Supremo Tribunal Federal, sem que isso represente adesão aos fundamentos adotados acerca da natureza jurídica da multa equivalente ao valor aduaneiro. Fl. 6976DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 43 No caso em análise, o lançamento de ofício decorreu da acusação de interposição fraudulenta em operação de importação, infração para a qual a legislação prevê, como sanção principal, a pena de perdimento das mercadorias. Com a alteração promovida pela Lei nº 10.637, de 2002, a interposição fraudulenta passou a integrar o rol das hipóteses de dano ao Erário previstas no art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455, de 1976. O mesmo dispositivo estabelece que, quando a pena de perdimento não puder ser executada em razão de a mercadoria não ser localizada, ter sido consumida ou revendida, será aplicada multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro. A meu ver, esse aspecto é determinante para a solução da controvérsia, uma vez que a multa prevista no § 3º do art. 23 não constitui penalidade autônoma, mas simples forma de conversão patrimonial da pena de perdimento, preservando a natureza jurídica da sanção que substitui. Ademais, a própria infração evidencia essa conclusão. A interposição fraudulenta caracteriza-se pela ocultação do verdadeiro responsável pela operação de comércio exterior mediante fraude ou simulação. O núcleo da conduta não está no eventual inadimplemento de tributos, mas na violação do dever de transparência imposto pela legislação aduaneira, que exige a correta identificação dos sujeitos efetivamente envolvidos na importação ou exportação. O art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455, de 1976, revela essa finalidade ao tipificar como infração a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação. Busca-se assegurar que a Administração Aduaneira conheça quem efetivamente realiza a operação de comércio exterior, condição indispensável ao exercício de suas funções de fiscalização, controle e polícia administrativa. Essa interpretação encontra amparo na Constituição Federal. Os arts. 22, VIII, 149, § 2º, II, 150, V, 153 e, especialmente, o art. 237 demonstram que a atuação estatal no comércio exterior não se limita à arrecadação tributária, abrangendo a proteção da economia nacional, da concorrência, da segurança, da saúde pública, do meio ambiente e da regularidade das operações internacionais. Ao atribuir ao Ministério da Fazenda a fiscalização e o controle do comércio exterior, o art. 237 evidencia que a tutela conferida pela legislação aduaneira está voltada ao exercício do poder de polícia administrativa e à preservação da regularidade das operações de importação e exportação. É justamente nesse contexto que se insere a pena de perdimento. Sua finalidade é reprimir condutas que comprometem a efetividade do controle aduaneiro, e não constituir crédito tributário. Em suma, a ocultação do verdadeiro importador pode servir para dissimular a origem dos recursos empregados na operação, contornar mecanismos de habilitação no SISCOMEX, ocultar os reais beneficiários econômicos da importação, viabilizar o ingresso de Fl. 6977DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3402-013.211 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15165.720694/2015-84 44 mercadorias incompatíveis com a atividade declarada ou facilitar outras práticas ilícitas relacionadas ao comércio exterior. Em todas essas situações, o bem jurídico diretamente afetado é a regularidade do controle aduaneiro. Também por isso, o processo administrativo destinado à aplicação da pena de perdimento não tem por objeto a constituição de crédito tributário, mas a apuração de infração administrativa prevista na legislação aduaneira. Entendo que eventuais reflexos tributários da conduta são meramente acessórios e não alteram a natureza da sanção aplicada. Com isso, o simples fato de a pena de perdimento ser convertida em multa não lhe modifica a natureza jurídica. A multa equivalente ao valor aduaneiro constitui apenas forma alternativa de execução da sanção originária quando a apreensão da mercadoria se torna inviável, preservando integralmente seu caráter administrativo aduaneiro. Esse entendimento, aliás, encontra respaldo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. No julgamento do AgInt nos EDcl no REsp nº 1.701.968/PR, a Segunda Turma reconheceu que a multa decorrente da conversão da pena de perdimento possui natureza administrativa, submetendo-se ao regime jurídico próprio das sanções administrativas. Por essas razões, concluo que a multa equivalente ao valor aduaneiro, prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1.455, de 1976, possui natureza exclusivamente administrativa aduaneira. Por fim, superada essa divergência, acompanhei o ilustre Relator sobre a redução do percentual da multa para 30% do valor da operação, em respeito ao entendimento vinculante firmado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487 da repercussão geral. Assinado Digitalmente Cynthia Elena de Campos Fl. 6978DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Declaração de Voto

score : 1.0
11515813 #
Numero do processo: 10134.722220/2020-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2016 a 31/03/2017 RECURSO DE OFÍCIO. FALTA DE PROVAS DO INTERESSE COMUM NA PRÁTICA DO FATO GERADOR PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DECISÃO RECORRIDA CONFIRMADA. Consabido que para a responsabilização com fundamento no art. 124, I, do CTN, é imprescindível a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, não sendo suficiente a mera existência de vínculo societário ou de interesse econômico entre as partes. A falta de provas capazes de demonstrar o interesse comum na situação que constitua o fato gerador entre os sujeitos passivos responsáveis fragiliza o lançamento tributário. Recurso de Ofício Negado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. Comprovado que os contribuintes exerciam a condição de sócios-gerentes da empresa autuada durante o período de apuração objeto da autuação, responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente da omissão de débitos declarados em DCTF e do não recolhimento dos tributos correspondentes, nos termos dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. OBSERVÂNCIA REGIMENTAL DO TEMA Nº 863 DO STF. REDUÇÃO AO PATAMAR DE 100%. FALTA DE REINCIDÊNCIA. A multa de ofício aplicada contra o contribuinte em razão da falta do pagamento ou pagamento a menor da contribuição ao PIS/COFINS, e, no caso do seu agravamento por ocorrência de uma das hipóteses previstas no arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, precede a observância dos critérios fixados pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 736.090, imposto aos Conselheiros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos da alínea b do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 1.634/2023). MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DO TEMA 487 DO STF. A emissão de notas fiscais com destaque do imposto sem que os valores devidos tenham sido recolhidos ou declarados se constitui em ato doloso, não abrangido pelo Tema 487 do STF.
Numero da decisão: 3102-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de ofício ao patamar de 100%, mantida a qualificação; e ii) por voto de qualidade, para manter a autuação quanto a multa isolada. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa e Sabrina Coutinho Barbosa que entendiam pelo cancelamento da multa por aplicação do princípio da Consunção. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. O conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa acompanhou a relatora quanto a manutenção das responsabilidades pelas conclusões. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa - Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Wilson Antônio de Souza Correa, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).
Nome do relator: SABRINA COUTINHO BARBOSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202607

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2016 a 31/03/2017 RECURSO DE OFÍCIO. FALTA DE PROVAS DO INTERESSE COMUM NA PRÁTICA DO FATO GERADOR PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DECISÃO RECORRIDA CONFIRMADA. Consabido que para a responsabilização com fundamento no art. 124, I, do CTN, é imprescindível a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, não sendo suficiente a mera existência de vínculo societário ou de interesse econômico entre as partes. A falta de provas capazes de demonstrar o interesse comum na situação que constitua o fato gerador entre os sujeitos passivos responsáveis fragiliza o lançamento tributário. Recurso de Ofício Negado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. Comprovado que os contribuintes exerciam a condição de sócios-gerentes da empresa autuada durante o período de apuração objeto da autuação, responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente da omissão de débitos declarados em DCTF e do não recolhimento dos tributos correspondentes, nos termos dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. OBSERVÂNCIA REGIMENTAL DO TEMA Nº 863 DO STF. REDUÇÃO AO PATAMAR DE 100%. FALTA DE REINCIDÊNCIA. A multa de ofício aplicada contra o contribuinte em razão da falta do pagamento ou pagamento a menor da contribuição ao PIS/COFINS, e, no caso do seu agravamento por ocorrência de uma das hipóteses previstas no arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, precede a observância dos critérios fixados pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 736.090, imposto aos Conselheiros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos da alínea b do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 1.634/2023). MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DO TEMA 487 DO STF. A emissão de notas fiscais com destaque do imposto sem que os valores devidos tenham sido recolhidos ou declarados se constitui em ato doloso, não abrangido pelo Tema 487 do STF.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10134.722220/2020-88

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7415072

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3102-004.318

nome_arquivo_s : Decisao_10134722220202088.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : SABRINA COUTINHO BARBOSA

nome_arquivo_pdf_s : 10134722220202088_7415072.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de ofício ao patamar de 100%, mantida a qualificação; e ii) por voto de qualidade, para manter a autuação quanto a multa isolada. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa e Sabrina Coutinho Barbosa que entendiam pelo cancelamento da multa por aplicação do princípio da Consunção. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. O conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa acompanhou a relatora quanto a manutenção das responsabilidades pelas conclusões. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa - Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo - Presidente Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Wilson Antônio de Souza Correa, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Tue Jul 21 00:00:00 UTC 2026

id : 11515813

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:25 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547570388992

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-11T14:06:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-11T14:06:26Z; Last-Modified: 2026-09-11T14:06:26Z; dcterms:modified: 2026-09-11T14:06:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-11T14:06:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-11T14:06:26Z; meta:save-date: 2026-09-11T14:06:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-11T14:06:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-11T14:06:26Z; created: 2026-09-11T14:06:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; Creation-Date: 2026-09-11T14:06:26Z; pdf:charsPerPage: 2068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-11T14:06:26Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10134.722220/2020-88 ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 21 de julho de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES CNP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS TÉCNICOS LTDA. FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/09/2016 a 31/03/2017 RECURSO DE OFÍCIO. FALTA DE PROVAS DO INTERESSE COMUM NA PRÁTICA DO FATO GERADOR PELOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. DECISÃO RECORRIDA CONFIRMADA. Consabido que para a responsabilização com fundamento no art. 124, I, do CTN, é imprescindível a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, não sendo suficiente a mera existência de vínculo societário ou de interesse econômico entre as partes. A falta de provas capazes de demonstrar o interesse comum na situação que constitua o fato gerador entre os sujeitos passivos responsáveis fragiliza o lançamento tributário. Recurso de Ofício Negado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. Comprovado que os contribuintes exerciam a condição de sócios-gerentes da empresa autuada durante o período de apuração objeto da autuação, responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente da omissão de débitos declarados em DCTF e do não recolhimento dos tributos correspondentes, nos termos dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. OBSERVÂNCIA REGIMENTAL DO TEMA Nº 863 DO STF. REDUÇÃO AO PATAMAR DE 100%. FALTA DE REINCIDÊNCIA. A multa de ofício aplicada contra o contribuinte em razão da falta do pagamento ou pagamento a menor da contribuição ao PIS/COFINS, e, no caso do seu agravamento por ocorrência de uma das hipóteses previstas no arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, precede a observância dos critérios fixados pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 736.090, imposto aos Conselheiros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos Fl. 742DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 2 termos da alínea “b” do inciso II do parágrafo único do art. 98 do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 1.634/2023). MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO DO TEMA 487 DO STF. A emissão de notas fiscais com destaque do imposto sem que os valores devidos tenham sido recolhidos ou declarados se constitui em ato doloso, não abrangido pelo Tema 487 do STF. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em julgar da seguinte forma: i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa de ofício ao patamar de 100%, mantida a qualificação; e ii) por voto de qualidade, para manter a autuação quanto a multa isolada. Vencidos os conselheiros Wilson Antônio de Souza Corrêa e Sabrina Coutinho Barbosa que entendiam pelo cancelamento da multa por aplicação do princípio da Consunção. Designado o conselheiro Fábio Kirzner Ejchel para redigir o voto vencedor. O conselheiro Wilson Antônio de Souza Corrêa acompanhou a relatora quanto a manutenção das responsabilidades pelas conclusões. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabio Kirzner Ejchel, Wilson Antônio de Souza Correa, Sabrina Coutinho Barbosa, Pedro Sousa Bispo (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos, adoto o Relatório do Acórdão Recorrido: O estabelecimento acima identificado - CNP Indústria e Comércio de Plásticos Técnicos LTDA. (doravante denominado CNP) - foi autuado (fls. 02/28) por ter deixado de escriturar os débitos de IPI lançados em suas notas fiscais de saída, em desrespeito à legislação do imposto, totalizando um crédito tributário de R$ 6.570.501,37 à data da autuação, incluídos neste valor imposto, juros de mora e multa proporcional de 150%. Fl. 743DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 3 Também houve autuação, fls. 29/53, pelo fato de o Sujeito Passivo ter apresentado escrituração Fiscal Digital do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e do Imposto sobre Produtos Industrializados (EFD- ICMS/IPI) com informações inexatas, incompletas ou omitidas, ensejando aplicação de multa no valor de R$ 120.393,00, conforme art. 16 da Lei nº 9.779/99, art. 57, inciso III, alínea “a” da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. Os fatos que ensejaram as autuações estão descritos no Termo de Verificação Fiscal – TVF - de fls. 64/95 e seguem resumidos. Segundo a fiscalização, o procedimento visou apurar os débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI - não declarados pela empresa Plasticase Indústria de Embalagens S.A, CNPJ 00.465.907/0001-26, doravante denominada Plasticase, incorporada pela empresa CNP (fiscalizada) em 28/09/2018, em suas operações comerciais no período compreendido entre 01/2016 a 03/2017. Nesse período foi verificado que a empresa efetuou diversas operações comerciais de compra de insumos e de venda de produtos tributados da cadeia ligada ao PET - Polietileno Tereftalato. Que após apuração do IPI pelo princípio da não cumulatividade e levando em conta a reconstituição do Livro Registro de Apuração do IPI – LRAIPI – foi verificado que a empresa vendeu produtos de fabricação própria destacando o IPI nas notas fiscais eletrônicas emitidas com CFOP – 5101 – Venda de produção do estabelecimento – sem declarar o imposto à Receita Federal em sua contabilidade fiscal. De acordo com o TVF, a empresa Plasticase, no período fiscalizado, realizou transações comerciais somente com empresas do mesmo grupo econômico do setor de produtos de plásticos PET. Que a fiscalizada comprou basicamente da empresa Deckel Indústria de Plásticos Técnicos LTDA., CNPJ 03.735.194/0001-61, doravante denominada Deckel, o produto pré-forma, cuja alíquota do IPI é 0%, e resina PET com alíquota de 5%. Que conforme Anexo I, de 09/2016 a 03/2017, a empresa Plasticase vendeu garrafas pet incolor de 150 ml para a empresa Deckel por meio da CFOP 5101 – Venda de produção do estabelecimento - emitindo notas fiscais eletrônicas com destaque do IPI e sem declarar a Receita Federal, ou seja, não apurou o IPI devido e não informou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTFs – tendo também omitido o débito de IPI nas EFD-IPI/ICMS do período. Que, tanto a fiscalizada, como a empresa Deckel, são empresas que possuem como sócios, as pessoas físicas, Renato Luiz Caruso, CPF 073.554.228-71, e Joacir Lopes Borges, CPF 063.371.798-38. Tendo em vista a irregularidade constatada, foi lavrado o auto de infração para constituição dos débitos de IPI e multa correspondente a 150%. A fiscalização destaca, ainda, que a empresa sucessora CNP, ao ser intimada a esclarecer as omissões em relação ao IPI da sucedida Plasticase, preferiu não se pronunciar sobre o assunto e também não apresentou nova escrituração fiscal Fl. 744DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 4 com as devidas correções. Em virtude de tal omissão, foi aplicada a multa isolada pelo descumprimento de obrigação acessória, no montante de 5% sobre os débitos omitidos. O autor do procedimento fiscal discorre sobre a responsabilidade dos sucessores prevista no art. 132 da Lei nº 5.172/1966 (CTN), bem como no art. 5º do Decreto- Lei nº 1.598/1977, para justificar a inclusão da empresa CNP (autuada) no polo passivo da obrigação tributária. Em relação à responsabilidade de terceiros o TVF retrata o seguinte: A empresa ao realizar as operações de venda de produtos com incidência de IPI por meio de notas fiscais de emissão própria e não declarar à Receita Federal nas declarações pertinentes os valores devidos do tributo, em especial, na DCTF, que representa confissão de dívida conforme já abordado, e nem realizar o recolhimento do IPI devido, de forma sistemática e mensal, pelo menos nos meses 09/2016 a 03/2017, ela infringiu o art. 64 da Lei n° 4.502/64 e o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/2010. Somando-se a esse fato, na oportunidade para prestar os devidos esclarecimentos sobre tais omissões ao ser intimada, a empresa sucessora preferiu não se manifestar, confirmando que as omissões e o não recolhimento do tributo não ocorreu por mero erro, mas por intenção da empresa em suprimir ou reduzir o tributo devido. Lembrando que um dos administradores da sucedida, Renato Luiz Caruso, na época das referidas omissões citadas neste TVF, é atualmente o mesmo sócio-administrador da sucessora. (...) Durante o período considerado na presente ação fiscal em que ocorreram as omissões em relação a apuração e pagamento do IPI – 09/2016 a 03/2017 – a empresa sucedida era administrada pelo sócio administrador Renato Luiz Caruso, CPF 073.554.228-71, e por Rubens Caruso Júnior, CPF 039.947.178-25, e, portanto, estes passam a ser pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários não declarados e não pagos, segundo art. 135, inciso III do CTN, por ter infringido a legislação tributária do IPI e porque detinham o poder de administrarem e zelar pela observância das leis tributárias. O sócio-administrador Renato Luiz Caruso era na época também administrador da empresa incorporadora CNP, conforme Contrato Social da empresa. (...) As empresas STT e SWP são Holdings administradas pelos sócios Renato Luiz Caruso, Joacir Lopes Borges e Renato Bechelli e de fato, em função das participações ou quotas em cada empresa mencionada, são as controladoras de pelo menos 3 empresas do mesmo grupo econômico do Fl. 745DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 5 ramo de fabricação de produtos de PET e que possuem administradores em comum. Pelos fatos expostos acima há uma interligação clara entre as empresas do mesmo grupo econômico e seus sócios e administradores com interesses econômicos participando do mesmo ramo de atuação, a cadeia de fabricação de produtos plásticos de PET, e com poderes de gestão em relação a cada uma delas, além da sucedida Plasticase ter realizado operações comerciais no período fiscalizado com somente empresas cujos donos são os mesmos, o que podemos concluir que as empresas controladoras de fato e seus administradores possuem interesse comum na ocorrência ou na omissão do fato gerador da obrigação tributária. No caso em análise, as empresas controladoras de fato são as empresas STT Participações Ltda e a SWP participações Ltda administradas pelos seus sócios administradores, Joacir Lopes Borges e Renato Luiz Caruso que administravam e administram a empresa CNP incorporadora, sendo que Renato Luiz Caruso e Rubens Caruso Júnior administraram a empresa extinta Plasticase no período em que ocorreram os fatos geradores sonegados e tinham poderes de gestão para zelarem pelo cumprimento da legislação tributária. Essas, evidentemente, são as empresas (PJ) e administradores (PF) diretamente beneficiados pelo não pagamento dos tributos omitidos do FISCO e apurados na presente ação fiscal e não recolhidos. Temos então que as três empresas (CNP, Plasticase e DECKEL), podendo haver outras, atuam no mesmo ramo de atividades, o ramo da cadeia PET, possuem os mesmos sócios, sob o mesmo vínculo gerencial, tanto pessoa física como jurídica, e tem como controladoras de fato as empresas STT e SWP Participações que são Holdings administradas também pelos mesmos sócios administradores, sendo então tais empresas responsáveis solidárias em relação a obrigação tributária verificada na presente ação fiscal, fazendo parte de um mesmo grupo econômico Assim, foram autuados como responsáveis solidários por excesso de poderes, infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto, Renato Luiz Caruso, CPF 073.554.228- 71, e Rubens Caruso Júnior, CPF 039.947.178-25 , ambos com capitulação no art. 135, III, do CTN, e como responsáveis solidárias de fato, as empresas STT Participações LTDA. e SWP Participações LTDA., com base no art. 124, I do CTN. Foi aplicada a multa qualificada de 150% tendo em vista a constatação de prática de sonegação, tipificada no art. 71 da Lei 4.502, de 1964. Por fim, foi formalizada a Representação Fiscais para Fins Penais, pois, em tese, os fatos apurados configuraram crime contra a ordem tributária, definido nos termos dos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990. Os Sujeitos Passivos foram notificados da autuação em 9/11/2020 (CNP - termo de ciência por abertura de mensagem, fl. 536), 7/11/2020 – sábado (Rubens – Fl. 746DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 6 responsável – AR fl. 539), 9/11/2020 (Renato – responsável – AR fl. 549) e 10/11/2020 (SWP e STT – responsáveis – ARs fl. 544/545). Foi apresentada Impugnação conjunta em 8/12/2020 (fls. 552/575), subscrita por procurador habilitado nos autos, em que se alega, em síntese, o que segue. Primeiramente, retrata que deve ser afastada a responsabilidade solidária de STT Participações e SWP Participações feita com base no artigo 124, inciso I, do CTN, pois não há elementos caracterizadores de interesse comum na situação que constituiria fato gerador das supostas obrigações tributárias. Que, conforme entendimento sedimentado do STJ, o fato de as empresas pertencerem a um mesmo grupo de pessoas físicas, isoladamente considerado, não é suficiente para resultar na solidariedade de todas as empresas quanto ao pagamento de tributo devido por uma delas. Que nas datas dos fatos geradores (setembro de 2016 a março de 2017), o capital social da Plasticase era dividido entre os acionistas SWP Participações e o outro sócio não incluído no polo passivo. Que a administração da Plasticase competia aos Srs. Rubens e Renato, inexistindo qualquer ingerência da SWP Participações, pois a relação entre essas sociedades era de mera investidora e investida. Continua argumentando pela impossibilidade de se responsabilizar solidariamente a STT Participações pelos débitos de IPI lançados na autuação. Argui que essa empresa é quotista minoritária da CNP e que não detinha nenhuma quota da Plasticase na época dos fatos geradores autuados. Que a autuação fiscal se agarra aos laços societários das empresas para defender a suposta existência do interesse comum entre elas a justificar a responsabilização solidária, porém não trouxe um único elemento que demonstrasse que as empresas SWP Participações e STT Participações teriam (I) concorrido para a prática do fato gerador do IPI cobrado na autuação e (II) praticado qualquer ato de ingerência sobre a Plasticase. Que a tese da Fiscalização é simplória: por pertencerem a um mesmo grupo econômico, existiria interesse comum entre as empresas, pois a economia tributária obtida com o não pagamento do IPI beneficiaria sócios em comum – porém a jurisprudência é mansa no sentido de que o interesse econômico não constitui o interesse comum mencionado no artigo 124, inciso I, do CTN. Que o artigo 135, inciso III, do CTN, prevê que somente se atribuirá a responsabilidade solidária aos administradores que comprovadamente tiverem praticado atos com excesso de poderes ou em violação à lei ou contrato social. Que o art. 135 do CTN não admite presunção, sendo necessário que a Fiscalização demonstre e comprove a existência de nexo causal entre as condutas dos Srs. Rubens e Renato na prática da infração supostamente identificada. Que, como a Fiscalização não fez prova de nenhum ato praticado por Rubens e Renato que compactuasse com a suposta omissão de rendimentos, há que ser cancelada a responsabilização solidária feita com azo nesse artigo. Que a tese da Fiscalização é rechaçada pela jurisprudência dos tribunais, que é pacífica no sentido de que o Fl. 747DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 7 inadimplemento de obrigação tributária não caracteriza infração à lei apta a justificar a responsabilização solidária. Alega que todos os argumentos suscitados pela Fiscalização para justificar a qualificação da multa de ofício são ilações contraditórias e vazias em conteúdo. Que ao falar em sonegação, a autuação argumenta que a Plasticase teria agido com dolo ao não declarar no SPED Fiscal e DCTF os débitos de IPI destacados nas notas fiscais de venda, porém ignora o fato de que, fosse o interesse da Plasticase sonegar o imposto, não teria ela destacado IPI nas notas fiscais eletrônicas que emitiu. Que não se pode confundir um erro contábil com sonegação, não havendo qualquer elemento doloso na autuação que justifique a conclusão pela qualificação da multa. Que, de acordo com a jurisprudência do CARF (Súmulas 14 e 25), a qualificação da multa somente é admitida mediante comprovação clara e congruente do intuito de fraude. Além disso, a multa qualificada de 150% aplicada contra os Impugnantes é flagrantemente desproporcional e confiscatória de seu patrimônio, devendo ser prontamente afastada. Quanto à multa isolada pela não apresentação de EFD - ICMS/IPI, argumenta que a fiscalização lançou a referida multa, calculada no patamar de 5% do valor do IPI destacado nas notas fiscais não escrituradas no SPED Fiscal, supostamente com fulcro no artigo 57, inciso III, alínea “a”, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. Ao proceder dessa forma, a autuação claudicou no lançamento, pois a multa isolada prevista para o caso é de 3%. Que o erro no lançamento é evidente e a multa isolada deve ser cancelada. Argui que a cumulação da multa de ofício com a multa isolada acarreta punição dupla (bis in idem). Que a jurisprudência dos tribunais pátrios é uníssona quanto à impossibilidade de se cobrar cumulativamente as duas penalidades. Argumenta, ainda, que carece de juridicidade a transposição de penalidade em matéria tributária, ou seja, ainda que a lei possa eventualmente transferir a obrigação tributária de uma pessoa a outra, a infração tributária é uma obrigação pessoal do infrator e que não pode ser transportada de uma pessoa a outra, ante a pessoalidade das multas punitivas. Os interessados ilustram a impugnação com excertos doutrinários e jurisprudenciais, que consideram favoráveis aos argumentos apresentados. Por fim, os Impugnantes pedem que seja julgada inteiramente procedente a impugnação, cancelando-se os autos de infração lavrados, bem como excluindo os responsáveis solidários do polo passivo. É o Relatório. A 3ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 10, por meio do Acórdão nº 110-005.317, decidiu pela parcial procedência da impugnação apresentada pela parte interessada, para reduzir o percentual da multa isolada de 5% para 3% sobre o valor do IPI Fl. 748DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 8 devido bem como, para excluir do polo passivo da autuação os responsáveis STT Participações LTDA e SWP Participações LTDA. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/09/2016 a 31/03/2017 FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. É legítimo o lançamento de ofício do IPI, por falta de recolhimento do imposto lançado nas notas fiscais eletrônicas, deduzidos os créditos admitidos. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. CONDUTA DOLOSA. A prática reiterada de cobrar o IPI destacado na nota fiscal, porém não efetuar a entrega da Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, bem assim, a falta de recolhimento do respectivo saldo devedor caracteriza a conduta dolosa da recorrente de retardar o conhecimento pela Autoridade Fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador, caracterizando a sonegação e enseja a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2016 a 31/03/2017 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. ART. 124, I, DO CTN. A responsabilização solidária com fundamento no art. 124, I, do CTN atinge aos que participaram da estrutura ilícita que desfigurou a obrigação tributária, nos termos do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 4/2018. O interesse comum não se confunde com o interesse econômico, razão pela qual a responsabilização com fundamento no art. 124, I, do CTN, não deve ser estendida indistintamente aos sócios da autuada. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ADMINISTRADOR. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2016 a 31/03/2017 ALEGAÇÃO DE NULIDADE. Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e Fl. 749DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 9 omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não é competente para examinar alegações de ilegalidade e de inconstitucionalidade. CITAÇÕES E TRANSCRIÇÕES DE JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da RFB expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada a decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, nem a posições doutrinárias acerca de determinadas matérias. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. EXIGÊNCIA DEFINITIVA. Considera-se definitiva a matéria não contestada, nos termos do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do Fato Gerador: 10/03/2020 EFD-ICMS/IPI. MULTA. A apresentação da Escrituração Fiscal Digital do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços e do Imposto sobre Produtos Industrializados (EFD ICMS/IPI) com informações inexatas, incompletas ou omitidas, enseja a aplicação de multa isolada equivalente a 3% (três por cento) sobre o valor das transações comerciais do sujeito passivo, nos termos da legislação de regência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A decisão foi objeto de Recurso de Ofício e de Recurso Voluntário. É o breve relatório. VOTO VENCIDO Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, Relatora. Exame de Admissibilidade do Recurso de Ofício. A DRJ deu parcial provimento a impugnação apresentada pelas partes interessadas, para reduzir o percentual da multa isolada de 5% para 3% e, também, para excluir a responsabilidade solidária imputada às empresas STT Participações LTDA. e SWP Participações LTDA. Por essa razão, a decisão foi devolvida a este Colegiado para Revisão de Ofício, como visto em seu dispositivo: Fl. 750DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 10 O Presidente desta Turma, de acordo com o caput do art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, recorre de ofício desta decisão ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), porque os sujeitos passivos STT Participações LTDA. e SWP Participações LTDA. foram exonerados do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). À Portaria nº 2 do Ministério da Economia de 18/01/2023, alterou o limite de alçada para interposição de Recurso de Ofício de R$ 2,5 milhões para R$ 15 milhões de reais, sendo considerado para fins de conhecimento o valor exonerado pela DRJ na data de apreciação do Recurso pelo CARF, segundo disposto Súmula CARF nº 103, infratranscrita: Súmula CARF nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. No entanto, ainda que superado o valor de alçada para se ratificar, ou não, a exclusão do polo passivo da autuação os responsáveis solidários STT Participações LTDA e SWP Participações LTDA, ainda assim, a decisão recorrida não merece reparos. Isso porque, como bem colocado pelo juízo a quo, não restou demonstrado, pela autoridade fiscal, o interesse comum, a prática de qualquer ato ou a existência de nexo causal decorrente de participação comissiva ou omissiva no ilícito. Consabido que para a responsabilização com fundamento no art. 124, I, do CTN, é imprescindível a comprovação do interesse comum na situação que constitua o fato gerador, não sendo suficiente a mera existência de vínculo societário ou de interesse econômico entre as partes. Por essa razão, a falta de provas capazes de demonstrar o interesse comum na situação que constitua o fato gerador entre a empresa CNP INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS TECNICOS LTDA e as empresas STT Participações LTDA. e SWP Participações LTDA, fragiliza o lançamento tributário. Assim, mantenho a decisão recorrida por seus próprios fundamentos: Prosseguindo, a responsabilização do Sujeito Passivo SWP se deve ao fato de ter sido sócio de Plasticase e do Sujeito Passivo STT de fazer parte do mesmo grupo econômico, com sócios em comum. Os impugnantes retratam que não restou evidenciado no auto de infração o interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, CTN). Veja-se a capitulação utilizada para imputar a responsabilidade à STT e SWP: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 751DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 11 A respeito da responsabilidade solidária por interesse comum, com fundamento no art. 124, I, do CTN, foi emitido o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 4/2018, de 10 de dezembro de 2018, do qual extraímos os trechos a seguir: 15. Apesar de neste parecer concordar-se com a linha da consulente no sentido de ser possível a responsabilização pelo inciso I do art. 124 do CTN para situação de ilícitos, em geral, ele não implica que qualquer pessoa possa ser responsabilizada. Esta deve ter vínculo com o ilícito e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição, comprovando- se o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo. 16. Não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito.(...) 17. Ao caracterizar o interesse comum como sendo aquele relacionado com algum vínculo ao fato jurídico tributário, pode-se criar a falsa impressão de que neste parecer se alinharia à tese de que o interesse comum seria o que se denominou interesse jurídico, o que não é verdade. 17.1. Em muitas situações, mormente quando se está diante de cometimento de atos ilícitos, estes se configuram na medida em que a essência do verdadeiro fato jurídico esteve artificialmente escondida ou manipulada por determinadas pessoas. Não haveria, assim, propriamente um vínculo jurídico formalizado. Há, isso sim, um vínculo que se torna jurídico, ao menos em âmbito tributário, no momento em que há a imputação de responsabilidade. 17.2. É por isso, ainda, que se é bastante crítico à tese de que o interesse comum seria um interesse jurídico, consubstanciado no fato de as pessoas constituírem do mesmo lado de uma relação jurídica (ambos compradores ou vendedores, por exemplo), não podendo estar em lados contrapostos. Isso seria verdade numa situação normal, ou seja, na ocorrência de um negócio jurídico lícito, cuja forma representa fielmente a sua essência. A partir do momento em que essas partes se reúnem para cometimento de ilícito, é evidente que elas não estão mais em lado contrapostos, mas sim em cooperação para afetar o Fisco numa segunda relação paralela àquela constante do negócio jurídico. (...) De todo o exposto, conclui-se: Fl. 752DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 12 a) a responsabilidade tributária solidária a que se refere o inciso I do art. 124 do CTN decorre de interesse comum da pessoa responsabilizada na situação vinculada ao fato jurídico tributário, que pode ser tanto o ato lícito que gerou a obrigação tributária como o ilícito que a desfigurou; b.1) a responsabilidade solidária por interesse comum decorrente de ato ilícito demanda que a pessoa a ser responsabilizada tenha vínculo com o ato e com a pessoa do contribuinte ou do responsável por substituição; deve-se comprovar o nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva, mas consciente, na configuração do ato ilícito com o resultado prejudicial ao Fisco dele advindo; b.2) o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito; b.3) são atos ilícitos que ensejam a responsabilidade solidária: (i) abuso da personalidade jurídica em que se desrespeita a autonomia patrimonial e operacional das pessoas jurídicas mediante direção única ("grupo econômico irregular"); (ii) evasão e simulação e demais atos deles decorrentes; (iii) abuso de personalidade jurídica pela sua utilização para operações realizadas com o intuito de acarretar a supressão ou a redução de tributos mediante manipulação artificial do fato gerador (planejamento tributário abusivo); c.1) não é a caracterização em si do grupo econômico que enseja a responsabilização solidária, mas sim o abuso da personalidade jurídica; os grupos econômicos formados de acordo com os Capítulos XX e XXI da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, em que há pleno respeito à personalidade jurídica de seus integrantes (mantendo-se a autonomia patrimonial e operacional de cada um deles), não podem sofrer a responsabilização solidária, salvo cometimento em conjunto do próprio fato gerador. (...) Analisando os fatos narrados no TVF pela autoridade tributária, entendo não haver abuso de personalidade jurídica das empresas envolvidas. Ademais, o fato da empresa SWP ser sócia da Plasticase, não atrai, por si só, na visão deste julgador, a responsabilidade por interesse comum do art. 124, I, do CTN. Em que pese o interesse econômico evidente, a prática em questão restou perpetrada pela empresa Plasticase e os sócios Sr. Renato e Sr. Rubens. Em relação a empresa STT, em que pese possuir sócios coincidentes com da empresa Plasticase ou de deter parte de capital social da empresa CNP (sucessora de Plasticase), configurando, teoricamente, grupo econômico, não ficou Fl. 753DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 13 caracterizada nos autos a prática de qualquer ato ou a comprovação do nexo causal em sua participação comissiva ou omissiva no delito. Portanto, deve-se excluir os Sujeitos Passivos SWP e STT do polo passivo da obrigação tributária em razão de não enquadramento nos requisitos de responsabilidade previstos no art. 124, I, do CTN. Trata-se de matéria devolvida ao Tribunal para julgamento, nos termos do RICARF, conheço do Recurso de Ofício e nego-lhe provimento. Do recurso voluntário interposto pela recorrente. Exame de Admissibilidade e Delimitação do Litígio. O Recurso Voluntário interposto pela empresa CNP – autuada, e pelos Sujeitos Passivos Responsáveis – Sr. Rubens e Sr. Renato, deve ser conhecido, porquanto presentes os requisitos necessários de admissibilidade. Extrai-se do relatório que o litígio diz respeito à exigência do IPI incidente sobre as operações de venda de produtos, cujo tributo foi destacado nas respectivas notas fiscais, mas não declarado na DCTF nem recolhido, acrescido de multa de ofício qualificada. Cumulativamente, foi exigida multa isolada por descumprimento de obrigação acessória decorrente da prestação de informações inexatas, incompletas ou omitidas, com amparo no art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. Desde a impugnação, a Recorrente limitou sua impugnação à discussão da multa aplicada e a responsabilização das sócias do devedor principal, às empresas STT Participações LTDA e SWP Participações LTDA., bem como, dos sócios administradores dela os Srs. Rubens Caruso Júnior Renato Luiz Caruso. Com isso, a matéria relativa à obrigação principal encontra-se preclusa, uma vez que não houve impugnação quanto à exigência do tributo devido. Em relação a responsabilidade solidária e a sanção aplicada, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou procedente, em parte, a impugnação, para reduzir a multa ao patamar de 3% do valor das transações comerciais realizadas pela empresa Recorrente adequando-a ao patamar fixado pela Lei nº 12.873/2013, sob os seguintes fundamentos: (...) Em relação à fundamentação utilizada, temos o seguinte: Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013. Fl. 754DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 14 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013: (...) III - por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) Como se vê, o percentual previsto em Lei para a correspondente multa isolada deve ser de 3% do valor das transações comerciais e não 5% como ficou consignado no auto de infração das fls. 29 a 53. Portanto, a referida multa deve ser reduzida nos termos do anexo I do presente Voto. A controvérsia devolvida a esta instância recursal restringe-se às multas aplicadas e à responsabilidade solidária. Da multa do ofício agravada e da multa isolada. Em tópicos próprios a Recorrente sustenta em sua defesa: (i) a ilegalidade da multa de ofício qualificada, aplicada no percentual de 150%, dada a inexistência de dolo e na ausência de provas para a sua caracterização; (ii) a desproporcionalidade da aplicação da multa agravada; e, (iii) a impossibilidade de se cobrar cumulativamente multa de ofício e multa isolada, em observância ao Princípio da Consunção Penal. A decisão recorrida, por sua fez está firmada, em apertada síntese, nas seguintes razões: (i) Débito de IPI incontroverso; e, (ii) Qualificadora de sonegação e fraude: ausência de esclarecimentos à fiscalização, não entrega das obrigações acessórias a que estava obrigado (EFD-ICMS/IPI e DCTFs) e ausência de recolhimento do crédito tributário. Passo ao julgamento. O tema em debate teve seu mérito julgado na sistemática da repercussão geral pelo STF no RE nº 640.452 (Tema nº 487) que, fixou a seguinte tese: Fl. 755DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 15 1. A multa isolada aplicada por descumprimento de obrigação tributária acessória estabelecida em percentual não pode ultrapassar 60% do valor do tributo ou do crédito vinculado, podendo chegar a 100% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 2. Não havendo tributo ou crédito tributário vinculado, mas havendo valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, a multa em questão não pode superar 20% do referido valor, podendo chegar a 30% no caso de existência de circunstâncias agravantes. 3. Na aplicação da multa por descumprimento de deveres instrumentais, deve ser observado o princípio da consunção, e, na análise individualizada das circunstâncias agravantes e atenuantes, o aplicador das normas sancionatórias por descumprimento de deveres instrumentais pode considerar outros parâmetros qualitativos, tais como: adequação, necessidade, justa medida, princípio da insignificância e ne bis in idem. 4. Não se aplicam os limites ora estabelecidos à multa isolada que, embora aplicada pelo órgão fiscal, se refira a infrações de natureza predominantemente administrativa, a exemplo das multas aduaneiras. (grifos meus) Observe-se que o limite admitido pelo STF é de 100% nos casos em que constatadas circunstâncias agravantes da sanção. As situações que agravam a penalidade, de acordo com o STF, são: Consideram-se circunstâncias agravantes, por exemplo, o dolo; a reincidência específica; o fato de a obrigação violada já ter sido objeto de solução em consulta formulada pelo infrator; o fato de o agente ter inobservado instruções de auditores sobre a obrigação violada; o fato de o contribuinte ter sido submetido a regime especial de fiscalização; o fato de o mercado ser regulado etc. Registro que algumas dessas circunstâncias agravantes são citadas no RIPI (art. 558). É pertinente ainda acrescentar que os legisladores devem disciplinar as circunstâncias atenuantes e estabelecer critérios para redução gradativa da multa, tais como: bons antecedentes fiscais; erro ou ignorância escusável quanto à matéria de fato; ausência de prejuízo ao erário e à administração tributária; antecipação do sujeito passivo na apresentação dos elementos necessários ao conhecimento da infração etc. É pertinente ainda acrescentar que os legisladores devem disciplinar as circunstâncias atenuantes e estabelecer critérios para redução gradativa da multa, tais como: bons antecedentes fiscais; erro ou ignorância escusável quanto à matéria de fato; ausência de prejuízo ao erário e à administração tributária; antecipação do sujeito passivo na apresentação dos elementos necessários ao conhecimento da infração etc. É de se considerar, por pertinente, que, na aplicação de sanções tributárias pela autoridade administrativa, a contribuição da doutrina de Paulo Coimbra nos leva a Fl. 756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 16 considerar o uso do princípio da insignificância, como forma específica de concreção dos princípios da proporcionalidade e da equidade, para afastar sanções por descumprimento de obrigações acessórias quando não haja prejuízo ao erário e o descumprimento não seja praticado para ocultar uma infração material, desde que irrelevantes seus efeitos do ponto de vista didático ou preventivo26. (destaques meus) A hipótese de agravamento também se alinha ao Tema nº 863 (RE nº 736.090), que trata das multas de ofício de natureza punitiva, aplicáveis nas hipóteses de sonegação, fraude ou dolo, igualmente julgado pelo STF sob a sistemática da repercussão geral, segundo o qual: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo. Segundo os critérios definidos pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487, conclui- se: Infração Natureza da penalidade Limites fixados pelo STF Descumprimento de obrigação acessória (deixar de informar, declarar ou escriturar) Exemplos: nota fiscal irregular; omissão declaratória; escrituração incorreta; EFD inexata ou incompleta Com repercussão fiscal (cobrança) Regra: 60% do valor do tributo exigido ou crédito tributário vinculado; Exceção 100% do valor do tributo exigido ou crédito tributário vinculado quando existentes circunstâncias agravantes. Descumprimento de obrigação acessória (deixar de informar, declarar ou escriturar) Exemplos: nota fiscal irregular; omissão declaratória; escrituração incorreta; EFD inexata ou incompleta Sem repercussão fiscal (ausente cobrança, mas há valor de operação ou prestação relacionado à penalidade) Regra: 20% do valor de operação ou prestação vinculado à penalidade; Exceção 30% do valor de operação ou prestação vinculado à penalidade quando existentes circunstâncias agravantes. Extrai-se do voto condutor que, na aplicação das multas por descumprimento de deveres instrumentais, devem ser observados o PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO e parâmetros de Fl. 757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 17 proporcionalidade, tais como adequação, necessidade, justa medida, princípio da insignificância e vedação ao bis in idem. Tais parâmetros orientam o aplicador da norma tanto na observância dos limites fixados pelo STF quanto na própria exigência da sanção. No caso concreto, a autoridade fiscal lançou contra a Recorrente auto de infração para exigência do IPI incidente sobre as operações de venda de produtos, cujo tributo foi destacado nas respectivas notas fiscais, mas não declarado na DCTF nem recolhido, acrescido de multa de ofício qualificada, pela falta do cumprimento das obrigações acessória e principal. Conjuntamente com o lançamento destinado à exigência do IPI, acrescido da multa de ofício de 150%, foi aplicada multa isolada por descumprimento de obrigação acessória decorrente da prestação de informações inexatas, incompletas ou omitidas, com amparo no art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. Nesse sentido, é incontroverso que a omissão da Recorrente na prestação de informações em DCTF ocasionou a ausência de confissão dos débitos e o não recolhimento do crédito tributário. A omissão decorreu, justamente, da prestação de informações inexatas, incompletas ou omitidas no cumprimento das obrigações acessórias a que estava sujeita. Percebe-se que, caso a Recorrente tivesse prestado informações exatas e completas nas obrigações acessórias (DCTF), em relação às operações realizadas (IPI destacado nas notas fiscais), não haveria a constituição do débito tributário nem a aplicação das penalidades decorrentes da falta de pagamento e da prestação de informações inexatas. Tem-se, portanto, duas condutas sucessivas e intrinsecamente relacionadas: (i) a realização de operações com destaque de IPI nas notas fiscais; e, (ii) omissão dessas operações na DCTF. Em razão da caracterização do intuito de dolo e da prática de sonegação, foram aplicadas as seguintes sanções: (i) multa de ofício agravada decorrente da omissão e da ausência do pagamento do tributo; e, (ii) multa isolada, aplicada em razão da prestação de informações inexatas, incompletas ou da omissão de informações nas obrigações acessórias a que estava obrigada. Nesse contexto, verifica-se que a segunda infração constitui mero exaurimento da primeira, assim, AMBAS AS PENALIDADES DECORREM DE UM MESMO CONTEXTO FÁTICO E DE UMA ÚNICA CADEIA CAUSAL, O QUE REFORÇA A INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO, nos termos da orientação firmada no Tema 487. Retomam-se, então, os fundamentos do julgamento do STF, especialmente no que se refere à necessidade de observância do princípio da consunção, bem como dos parâmetros de adequação, necessidade, justa medida e do princípio da insignificância na imposição de multas decorrentes do descumprimento de deveres instrumentais. Fl. 758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 18 Merecem especial consideração as ponderações do Ministro Redator da tese fixada acerca do princípio da consunção e dos pressupostos que devem orientar a imposição de penalidades, nos seguintes termos: 5.1 Do princípio da consunção (...) Ou seja, segundo o princípio da consunção, o ilícito mais abrangente absorve o ilícito menos abrangente. O concurso entre infrações pode se dar entre dois ou mais deveres instrumentais bem como entre um dever instrumental e o dever de pagar o tributo. (...) 5.2 Do estabelecimento dos limites e da necessidade de gradação em razão da gravidade do comportamento descrito no tipo e das circunstâncias agravantes e atenuantes. Examinada a aplicação do princípio da consunção, passo a tratar dos tetos da multa decorrente de descumprimento de dever instrumental. Visando a simplificar a explicação que farei mais à frente, peço vênia para expor esses tetos na tabela abaixo: Insta esclarecer que, respeitados os limites previstos na tabela, cabe aos legisladores federais, distritais, estaduais e municipais prescrever o tipo relativamente a cada hipótese de descumprimento de dever instrumental, cominando a correspondente a multa proporcional à gravidade do comportamento descrito no tipo. Nesse contexto, o comportamento mais grave deve ter multa cominada maior do que aquela atinente a comportamento menos grave. Assim, por exemplo, a multa cominada para o atraso na entrega de nota fiscal relativa a uma operação deve ser menor do que a cominada para o caso de Fl. 759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 19 o responsável tributário deixar de realizar retenção de tributo ou mesmo nas hipóteses de escrituração de créditos indevidos. Nessa toada, é certo que os limites previstos na tabela, por si sós, não autorizam o legislador a simplesmente cominar multa em montante igual a esses limites para qualquer hipótese de descumprimento de dever instrumental. Se assim fosse, ficariam prejudicadas não só a individualização da pena (na parte em que se direciona ao legislador), mas também aquela visão contemporânea atinente à relação fisco contribuinte e ao papel da legislação tributária. Também os legisladores devem trabalhar, ponderadamente, tendo presentes a individualização da pena e a tal visão contemporânea, as circunstâncias agravantes, as quais possibilitam o aumento gradativo da multa a até 100% do valor do tributo ou do crédito indevido, ou 30% do valor da operação ou prestação (com o limite de 1% do valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente). Consideram-se circunstâncias agravantes, por exemplo, o dolo; a reincidência específica; o fato de a obrigação violada já ter sido objeto de solução em consulta formulada pelo infrator; o fato de o agente ter inobservado instruções de auditores sobre a obrigação violada; o fato de o contribuinte ter sido submetido a regime especial de fiscalização; o fato de o mercado ser regulado etc. Registro que algumas dessas circunstâncias agravantes são citadas no RIPI (art. 558). É pertinente ainda acrescentar que os legisladores devem disciplinar as circunstâncias atenuantes e estabelecer critérios para redução gradativa da multa, tais como: bons antecedentes fiscais; erro ou ignorância escusável quanto à matéria de fato; ausência de prejuízo ao erário e à administração tributária; antecipação do sujeito passivo na apresentação dos elementos necessários ao conhecimento da infração etc. a) Do teto na hipótese de existência de tributo ou de crédito indevido vinculado (...) Entendo que o parâmetro máximo de 100% acima citado foi, inclusive, o previsto pela Primeira Turma da Corte no julgamento do já citado RE nº 754.554/GO-AgR, DJe de 28/11/13, Rel. Min. Celso de Mello. Recorde-se que, nesse caso, debateu-se multa decorrente de descumprimento de dever instrumental estabelecida em 25% sobre o valor da operação. Verifica-se que tal multa era aplicada, abstratamente, em diversas situações, abrangendo não só caso de simples falta de emissão de documentos fiscais exigido (sem circunstância agravante), mas também (entre outros) o caso de adulteração ou falsificação de documentos fiscais (circunstância agravante ou até qualificadora). A Turma concluiu ser inconstitucional essa multa quando ela superasse o valor do tributo vinculado. (...) Fl. 760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 20 O patamar em comento de 100% do valor do tributo vinculado, insta reiterar, depende de circunstâncias agravantes. De outro giro, por razões de justiça, é de 60% o limite quantitativo da multa em questão, valendo recordar que, nesse limite, devem ser consideradas circunstâncias atenuantes e estabelecidos critérios para redução gradativa da multa e até mesmo para seu afastamento. Em segundo lugar, importa ter em mente que, por diversas razões, os contribuintes podem realizar creditamentos. Isso é bastante comum no caso de tributos sujeitos à não cumulatividade, como o ICMS, o IPI e o PIS/COFINS não cumulativo. Em casos como esses, o creditamento pode decorrer, v.g, da própria não cumulatividade (no caso do PIS/COFINS, vale lembrar que o legislador tem boa liberdade para tratar do assunto)ou então de um crédito presumido concedido, por liberalidade, pelo ente tributante. Nessa toada, havendo crédito indevido vinculado, o teto da multa decorrente do descumprimento de dever instrumental é igual ao já proposto quando tratamos do primeiro teto, mas adaptado ao presente contexto. Sendo assim, a multa em questão não poderá ultrapassar 60% do próprio valor do crédito indevido, podendo ser majorada para até 100%, no caso de existência de circunstâncias agravantes devidamente justificadas. Vale observar que, examinando algumas legislações estaduais, constata-se que, embora exista crédito indevido vinculado à multa decorrente de descumprimento de dever instrumental, essa é aplicada, em várias ocasiões, com base em valor de uma operação, o que pode, a depender do caso, resultar em multa superior ao valor do próprio crédito indevido, sem prejuízo do imposto devido. Nesse ponto, considero importante assentar que a multa tributária imposta em razão do crédito deve guardar adequação com o próprio valor do crédito, sob pena de desbordar da proporcionalidade, considerado o critério da adequação Trago as lições de Paulo Coimbra ao tratar do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias e destacar doutrina alemã que decompõe o crivo da proporcionalidade das sanções tributárias em três comandos balizadores: (i) adequação; (ii) necessidade; e (iii) razoabilidade ou justa medida, que pode ser também designada por conformidade, proporcionalidade em sentido estrito ou pertinência29. b) Estabelecimento de teto na hipótese de, não havendo tributo ou crédito indevido vinculado, haver valor de operação ou prestação vinculado à penalidade De início, anote-se que, em variadas situações, NÃO EXISTE NEM EFETIVO TRIBUTO NEM CRÉDITO INDEVIDO VINCULADO À MULTA DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. Fl. 761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 21 A inexistência de efetivo tributo pode ser dar, por exemplo, em razão de benefícios fiscais, como concessão de isenção, de alíquota zero etc. Em casos assim, a multa decorrente de descumprimento de dever instrumental deve observar, nas hipóteses em que isso se mostrar possível, os tetos anteriormente propostos, tal como se o tributo existisse de modo vinculado. É essa a técnica aplicada, por exemplo, nº art. 596, § 2º, do RIPI. Esse dispositivo estabelece, v.g., que, NO CASO DE PRODUTOS ISENTOS DE IPI, OS FABRICANTES DESSES PRODUTOS QUE NÃO EMITIREM, OU EMITIREM DE FORMA IRREGULAR, AS NOTAS FISCAIS A QUE SÃO OBRIGADOS FICAM SUJEITOS À MULTA LÁ ESTIPULADA, CALCULADA COM BASE NO VALOR DO IMPOSTO QUE, DE ACORDO COM AS REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO E DE CÁLCULO ESTABELECIDAS NO REGULAMENTO, INCIDIRIA SOBRE O PRODUTO OU A OPERAÇÃO, SE TRIBUTADOS FOSSEM. Na impossibilidade de se aplicar essa técnica, cumpre ressaltar que, nas hipóteses em que não há nem efetivo tributo, nem crédito indevido vinculado à multa, pode existir valor de operação ou prestação (em sentido amplo) vinculado à penalidade. Usualmente, trata-se do valor da base de cálculo sobre o qual a tributação normalmente incidiria. Aqui se consideram, conforme o caso, por exemplo, o valor da operação de circulação de mercadoria ou, eventualmente, o valor comercial da mercadoria, no caso do ICMS-mercadoria; o valor da prestação de serviço, no caso do ISS; o valor do faturamento ou da receita, no caso do PIS/COFINS; o valor do rendimento, no caso do IR; o valor do lucro, real ou presumido, no caso da CSLL; e assim por diante. (...) Para casos como esses, em que inexiste tributo ou crédito indevido vinculado, mas existe valor de operação ou prestação vinculado à penalidade, a multa decorrente do descumprimento de dever instrumental não pode ultrapassar 20% de tal valor, podendo ser majorada para até 30%, no caso de existência de circunstâncias agravantes devidamente justificadas. Analisando-se a tabela acima, percebe-se que a moda31 é a alíquota de 30%; já a média é a alíquota de 20% do valor da operação. Qualquer que seja o teto aplicado em cada caso concreto, isso é, 30%, na existência de circunstância agravante, ou 20% do valor da operação ou prestação já referido, proponho, ainda, que a multa não poderá ultrapassar 1% valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente à penalidade, devido ou como se devido fosse, na hipótese de existir circunstância agravante, ou de 0,5% do mesmo valor, respectivamente. Assim, por exemplo, no caso de multa relacionada com o ISS, ela não poderá ultrapassar 1% (no caso de circunstância agravante) ou 0,5% do valor total das prestações sujeitas ao imposto municipal dos últimos 12 meses; no caso de multa relacionada com o ICMS ou IPI, ela não poderá ultrapassar 1% (no caso de circunstância agravante) ou 0,5% do valor total das operações e prestações Fl. 762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 22 sujeitas a esse imposto dos últimos 12 meses; no caso de multa relacionada com o PIS/COFINS, ela não poderá ultrapassar 1% (no caso de circunstância agravante) ou 0,5% do valor total do faturamento ou da receita dos últimos 12 meses, conforme o caso. Ressalte-se, em obiter dictum, que Christophe Waerzeggers, Cory Hillier e Irving Aw, consultores fiscais do Departamento Jurídico do FMI, inclusive sugeriram, na Nota de Legislação Fiscal de 2019, intitulada Designing interest and tax penalty regimes32, em exemplo de conjunto de normas relativas a penalidades administrativas (vide apêndice B), a possibilidade de aplicação de multa decorrente de descumprimento de dever instrumental de 1% da renda tributável total do último ano ou de $ 1.000,00, o que for maior, em caso de declaração falsa ou enganosa, se a declaração ou omissão foi feita conscientemente ou de forma imprudente; ou de 0,5% daquela renda ou $ 500,00 o que for maior, nos demais casos. Em meu modo de ver, a última referência que sugeri (de 1% ou 0,5% do valor total da base de cálculo dos últimos 12 meses do tributo pertinente à penalidade) se alinha com esse estudo quando adaptado à realidade brasileira, em que existem diversas materialidades tributárias, com características bastante diferentes, e diversos entes tributantes. Antes de passar para o próximo tópico, reitero que as indicações acima, por si sós, não autorizam que todas as multas decorrentes de descumprimento de dever instrumental possam, desde logo, ser estipuladas já naqueles máximos. Nessa toada, reafirmo caber aos legisladores federais, estaduais e municipais ponderar qual deve ser, dentro daqueles parâmetros, o dimensionamento adequado da multa decorrente de descumprimento de dever instrumental em cada hipótese. CASO HAJA CONTESTAÇÃO ADMINISTRATIVA OU JUDICIAL DESSE DIMENSIONAMENTO ANTE A VEDAÇÃO DO CONFISCO, CABERÁ ÀS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS E ÀS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS, À LUZ DO CONJUNTO FÁTICO PROBATÓRIO E DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL APLICÁVEL, VERIFICAR SE ELE (AINDA QUE ESTEJA DENTRO DAQUELES PARÂMETROS), QUANDO EFETIVAMENTE APLICADO, OBSERVOU A JUSTIÇA NO CASO CONCRETO. POR ÓBVIO QUE É NECESSÁRIO HAVER JUSTIFICATIVA QUALIFICADA PARA SE CONCLUIR QUE, EM DETERMINADO CASO, UMA MULTA DECORRENTE DE DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL, MESMO OBEDECENDO AQUELES PARÂMETROS, NÃO OBSERVOU A REALIZAÇÃO DA JUSTIÇA NO CASO CONCRETO. Em suma, as multas isoladas cujos percentuais superam os parâmetros que indiquei são inconstitucionais, mas tais parâmetros não vedam que as autoridades administrativas ou as instâncias ordinárias, à luz do conjunto fático-probatório constante dos autos, verifiquem, excepcionalmente, o caráter confiscatório de multa isolada concretamente aplicada dentro daquelas referências. (grifos nossos) Fl. 763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 23 Ainda, ensina o Eminente Ministro Humberto Martins, Relator do REsp nº 1.496.354/PR, citado no referido julgado, que, nos casos em que há nexo de dependência entre as penalidades — como ocorre entre a multa isolada e a multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo apurado ao final do exercício, bem como pela ausência de antecipação sob a forma estimada —, deve prevalecer apenas a cobrança da multa de ofício decorrente da falta de recolhimento do tributo. Voltando ao caso concreto, em observância ao princípio da consunção, verifica-se que foram emitidas notas fiscais com o destaque do IPI incidente sobre as operações realizadas pela Recorrente, que, contudo, deixou de informar tais operações na DCTF e, consequentemente, de recolher o imposto devido. Ou seja, a prestação de informações inexatas, incompletas ou a omissão nas obrigações acessórias, especificamente a omissão perpetrada na DCTF quanto às operações tributadas pelo IPI, teve como finalidade impedir a constituição e o recolhimento do crédito tributário devido. Em outras palavras, a omissão da operação na obrigação acessória constituiu conduta-meio destinada a não constituição e ao não recolhimento do IPI, circunstância amplamente demonstrada no Termo de Verificação Fiscal (TVF). Desse modo, a infração consistente no descumprimento de obrigação acessória decorrente da prestação de informações inexatas, incompletas ou omitidas (art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01), encontra-se absorvida pela infração mais ampla e gravosa relacionada a ausência de declaração do IPI na DCTF e do seu recolhimento, razão pela qual se revela aplicável, ao caso, o princípio da consunção, nos termos da orientação firmada no Tema 487. Essa conclusão encontra respaldo na própria fundamentação adotada pelo Ministro Dias Toffoli, Redator do acórdão que fixou a tese de repercussão geral. Com efeito, ao incorporar o princípio da consunção como parâmetro para o controle da proporcionalidade das sanções tributárias, fundamentou seu entendimento, expressamente, na jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, notadamente no REsp nº 1.496.354/PB e no AgRg no REsp nº 1.499.389/PB, cujos fundamentos ora se reproduzem: (...) Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplica-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. (RECURSO Fl. 764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 24 ESPECIAL Nº 1.496.354 - PR (2014/0296729-7), Relator: MINISTRO HUMBERTO MARTINS, JULGADO: 17/03/2015) (destaques meus) (...) É que a Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. Na ocasião, aplicou-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. Confira-se a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). IMPOSSIBILIDADE NO CASO. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplica-se aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitam-se aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. Fl. 765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 25 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (REsp 1496354/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 24/03/2015) (grifei) (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.389 – PB, Relator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES) No Acórdão nº 9101-007.586, o Conselheiro Fernando Brasil, em declaração de voto, manifestou-se no mesmo sentido, conforme se extrai do seguinte trecho: II. O Princípio da Consunção e a Referência a julgados do STJ O ponto fulcral deste voto reside na fundamentação utilizada pelo Ministro Toffoli para incluir o princípio da consunção na tese de repercussão geral. Embora a tese vencedora mencione “multa por descumprimento de deveres instrumentais” - o que poderia trazer dúvidas quanto à classificação dos recolhimentos por estimativas -, ao fundamentar seu posicionamento, Sua Excelência adotou expressamente precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ), notadamente o decidido no REsp nº 1.499.389/PB e no REsp nº 1.496.354/PR. Esses precedentes do STJ tratam de situação jurídica e fática absolutamente alinhadas à que ora analisamos: a impossibilidade de cumulação da multa isolada - de que trata o art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 - com a multa de ofício proporcional lançada em relação à diferença de imposto lançado de ofício (art. 44, I, da Lei nº 9.430/96). O primeiro precedente citado (RESP nº 1.496.354/PB) tratava da multa isolada por falta de recolhimento de carnê-leão, mas os fundamentos e a própria ementa do julgado não fizeram qualquer diferenciação quanto às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ/CSLL ou de carnê-leão, posto que ambas as hipóteses se encontram no mesmo dispositivo legal (art. 44, II, da Lei nº 9.430/96). (...) No AgRg no REsp nº 1.499.389/PB, o caso examinado abordava especificamente a exigência de multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas cumulada com multa de ofício proporcional, sem qualquer distinção à discussão travada nos presentes autos. Veja-se a ementa desse precedente: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.499.389 - PB DOCUMENTO VALIDADO TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. Fl. 766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 26 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicou-se a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra-se apenas a multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. Ora, resta evidente que a lógica da consunção, acolhida pelo STF via precedente do STJ, o STJ assentou que a infração mais grave — consistente no não recolhimento do tributo ao final do exercício — absorve a infração preparatória, relativa à ausência de recolhimento das estimativas mensais, aplicando-se, assim, a lógica do princípio da consunção. Desse modo, a manutenção de ambas as penalidades configuraria bis in idem e afrontaria a proporcionalidade sancionatória. A meu sentir, a dúvida que eventualmente subsistia quanto ao alcance do princípio da consunção em relação às multas por descumprimento de deveres instrumentais não mais se sustenta, justamente porque os precedentes utilizados pelo Ministro Dias Toffoli referem-se diretamente às multas isoladas por ausência de recolhimento de estimativas e de carnê-leão, previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Por oportuno, registro que nem mesmo a Receita Federal e a PGFN apresentam posição inteiramente uniforme quanto à natureza jurídica dos recolhimentos por estimativa, se obrigação principal ou acessória. Nesse sentido, o Parecer SEI Nº 108/2019/CAT/PGACTP/PGFN ME18, corroborando as conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, reconhece que os valores apurados por estimativa não se qualificam propriamente como crédito tributário, mas como mera antecipação do pagamento do tributo devido ao final do período de apuração. (...) Conforme se observa, a própria PGFN conclui que “o débito relativo à antecipação do IRPJ e da CSLL apurada por estimativa não constitui crédito tributário”. No citado Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, inclusive, há um tópico nominado “II. Transformação da Estimativa em Tributo”. É certo que existe extrema dificuldade de se definir a qual tipo de obrigação tributária melhor se enquadrariam os pagamentos de estimativas (obrigação principal ou acessória). Fl. 767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 27 De toda forma, no julgamento do Tema 487 pelo STF, concluo que não há como excluir-se as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas da aplicação do princípio da consunção, pois a inclusão de tal exegese na tese vencedora baseou-se em precedente do STJ sobre a impossibilidade de cumulação dessa penalidade isolada com multa de ofício proporcional, esta calculada sobre IRPJ/CSLL devidos ao final do ano-calendário. É importante notar que, embora o Ministro Cristiano Zanin tenha acompanhado a tese vencedora, ele manifestou em seu voto uma ressalva no sentido de que as multas por falta de estimativa (art. 44, II, da Lei nº 9.430/1996) estariam fora do escopo do julgamento por não se referirem a "deveres instrumentais". Todavia, com a devida vênia, tal posição revela-se contraditória, pois, ao mesmo tempo em que tentou excluir as estimativas do conceito de obrigação acessória, o Ministro Zanin concordou com as ponderações do Ministro Toffoli sobre a consunção, as quais se sustentam justamente na jurisprudência do STJ que veda a cumulação dessas exatas multas. Prevalece, portanto, a fundamentação do Redator do Acórdão, Ministro Toffoli, que na fixação da tese vencedora do Tema 487, vinculou seu entendimento à jurisprudência pacificada do STJ sobre a absorção das multas isoladas de estimativa pela multa de ofício. Portanto, em observância do princípio da consunção, igualmente consagrado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487 como critério de controle da proporcionalidade das sanções tributárias, conclui-se que a manutenção da multa de ofício nos termos do art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, mostra-se inadequada, uma vez que, reitera-se, a penalidade incidente sobre a infração principal, absorve a sanção aplicada à conduta instrumental. Nessa perspectiva, a manutenção simultânea de ambas as penalidades implicaria cumulação de penalidades decorrentes do mesmo contexto fático, em afronta ao princípio da consunção, expressamente acolhido pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487, bem como aos princípios da proporcionalidade e da vedação ao bis in idem. Destarte, em observância à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral), de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos da alínea "b" do inciso II do art. 98 da Portaria CARF nº 1.634/2023, acolho a pretensão da Recorrente para cancelar integralmente a multa isolada aplicada pela autoridade fiscal com amparo no art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01. Não bastasse, ainda cabe ao Colegiado analisar o percentual da multa de ofício majorada pela autoridade fiscal. Assim como no caso acima, o regimento interno deste Tribunal Administrativo (Portaria nº 1.634/2023), por meio da alínea ‘b’ do inciso II, artigo 98, veda, expressamente, aos Fl. 768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 28 seus Conselheiros afastar aplicação de decisão transitada em julgado pelo Supremo Tribunal Federal - STF proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos. O tema em debate teve seu mérito julgado na sistemática da repercussão geral pelo STF no RE nº 736090 (Tema nº 863) que, fixou a seguinte tese: Até que seja editada lei complementar federal sobre a matéria, a multa tributária qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio limita-se a 100% (cem por cento) do débito tributário, podendo ser de até 150% (cento e cinquenta por cento) do débito tributário caso se verifique a reincidência definida no art. 44, § 1º-A, da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 14.689/23, observando-se, ainda, o disposto no § 1º-C do citado artigo. Observe-se que o limite admitido pelo STF é de 100% nos casos em que constatadas circunstâncias agravantes da sanção, excetuando expressamente casos de reincidência. A reincidência citada na legislação em voga estabelece: § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. As situações que agravam a penalidade, de acordo com o STF, são: Consideram-se circunstâncias agravantes, por exemplo, o dolo; a reincidência específica; o fato de a obrigação violada já ter sido objeto de solução em consulta formulada pelo infrator; o fato de o agente ter inobservado instruções de auditores sobre a obrigação violada; o fato de o contribuinte ter sido submetido a regime especial de fiscalização; o fato de o mercado ser regulado etc. Registro que algumas dessas circunstâncias agravantes são citadas no RIPI (art. 558). É pertinente ainda acrescentar que os legisladores devem disciplinar as circunstâncias atenuantes e estabelecer critérios para redução gradativa da multa, tais como: bons antecedentes fiscais; erro ou ignorância escusável quanto à matéria de fato; ausência de prejuízo ao erário e à administração tributária; antecipação do sujeito passivo na apresentação dos elementos necessários ao conhecimento da infração etc. É pertinente ainda acrescentar que os legisladores devem disciplinar as circunstâncias atenuantes e estabelecer critérios para redução gradativa da multa, tais como: bons antecedentes fiscais; erro ou ignorância escusável quanto à matéria de fato; ausência de prejuízo ao erário e à administração tributária; antecipação do sujeito passivo na apresentação dos elementos necessários ao conhecimento da infração etc. É de se considerar, por pertinente, que, na aplicação de sanções tributárias pela autoridade administrativa, a contribuição da doutrina de Paulo Coimbra nos leva a Fl. 769DF CARF MF Original https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4370056 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 29 considerar o uso do princípio da insignificância, como forma específica de concreção dos princípios da proporcionalidade e da equidade, para afastar sanções por descumprimento de obrigações acessórias quando não haja prejuízo ao erário e o descumprimento não seja praticado para ocultar uma infração material, desde que irrelevantes seus efeitos do ponto de vista didático ou preventivo26. Voltando ao caso concreto, a multa de ofício foi aplicada no percentual de 150%, sob o fundamento de que, segundo a autoridade fiscal, restou caracterizada a prática de sonegação e a conduta dolosa decorrente da omissão, na DCTF, de operações realizadas com destaque do tributo, sem o correspondente recolhimento do imposto devido. E, cotejando o presente caso com a tese fixada pelo STF, entendo que ela é aplicável à hipótese em análise por duas razões: (i) a penalidade decorre de obrigação acessória transmitida com omissão e/ou incorreção; e, (ii) a ausência do critério necessário de reincidência para o agravamento da sanção. Logo, em atendimento a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no bojo do RE nº 640.452(RE), faz necessária a adequação do percentual da multa de ofício de 150% ao patamar de 100%. Novamente, em observância à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 736090 (Tema nº 863 da repercussão geral), de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos da alínea "b" do inciso II do art. 98 da Portaria CARF nº 1.634/2023, acolho a pretensão da Recorrente para reduzir a multa de ofício para 100%. Responsabilidade Solidária. Como dito reiteradas vezes, o auto de infração para exigência do IPI, relativo a fatos geradores ocorridos entre os anos de 2016 e 2017, se dá em razão do descumprimento das obrigações principal e acessória a que o devedor principal - empresa Recorrente -, estava obrigada. Em razão da omissão e, especialmente, da confusão gerencial e patrimonial decorrente das relações entre a Recorrente e as empresas SWP e STT, que compartilham dos mesmos administradores, foram incluídos no polo passivo da autuação os Srs. Rubens e Renato, com fulcro no art. 124, inciso I, do CTN, porque gerenciavam as empresas durante o período autuado. Ato contínuo, ao analisar a impugnação, a DRJ concluiu que restou comprovada a responsabilidade dos referidos gestores e, consequentemente, foram mantidas as responsabilidades solidárias, sob as seguintes razões: Responsabilidade tributária Quanto às alegações dos Sujeitos Passivos Responsáveis – Sr. Rubens e Sr. Renato – não lhes cabe razão. Vejamos. Inicialmente, tem-se a dizer que o Sr. Rubens e o Sr. Renato foram os responsáveis e administradores da empresa Plasticase (sucedida pela CNP – autuada). Portanto, estes passam a ser pessoalmente responsáveis pelos créditos Fl. 770DF CARF MF Original https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=4370056 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 30 tributários não declarados e não pagos, segundo art. 135, inciso III do CTN, por terem infringido a legislação tributária do IPI e porque detinham o poder de administrar e zelar pela observância das leis tributárias. No caso, conforme já exposto, ficou caracterizada a sonegação nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 e, portanto, com infração de lei. Conforme Acórdão do CARF: SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 3401-005.314 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de setembro de 2018) Como visto nos autos, não foram efetuados os pagamentos de IPI por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), bem como, não foram informados os débitos de IPI em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Portanto, demonstrada, mais uma vez, a infração à lei. Veja-se o que preceitua o art. 28 do RIPI/2010: Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (Decreto-Lei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Pelo acima transcrito são os sócios e administradores responsáveis pelos créditos tributários (tributo e penalidades pecuniárias) decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. Sobre a alegação da impossibilidade de serem cobrados pelas multas impostas, tem-se (gn): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 771DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 31 De outro lado, a Recorrente apresenta defesa arguindo, sem síntese, ausência de comprovação da responsabilidade solidária, como visto: 3.B.2. (...) Como se vê, a premissa lógica utilizada pelo acórdão recorrido foi a de que, por serem os administradores da Plasticase, aos Srs. Rubens e Renato Caruso competia zelar pela observância das leis tributárias; consequentemente, quando a Plasticase transmitiu as DCTFs sem o valor do IPI destacado nas notas fiscais de venda, os Srs. Rubens e Renato Caruso teriam inadimplido a legislação tributária e, portanto, seriam responsáveis pessoais pelos débitos tributários lançados, com fulcro no artigo 135, inciso III, do CTN. 3.B.3. Ao assim decidir, o acórdão recorrido novamente caminhou na contramão da jurisprudência, que é firme no sentido de que o mero inadimplemento tributário não configura infração a lei, para fins de aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN. (...) 3.B.7. A linha de raciocínio adotada no acórdão recorrido leva à conclusão de que sempre que houver inadimplemento tributário, ou o descumprimento de obrigações acessórias, haverá a responsabilização pessoal dos sócios gerentes, já que, por serem estes os administradores da pessoa jurídica, a eles compete zelar pelo estrito cumprimento da legislação tributária. Nada mais equivocado; a exceção tornar-se-ia a regra, de modo que absolutamente todas as autuações fiscais culminariam na responsabilização pessoal de sócios gerentes. Pois bem, o principal fundamento da decisão recorrida — consistente na comprovação, pela autoridade fiscal, da atuação dos recorrentes com poderes de gestão, bem como na ausência de provas em sentido contrário — não foi refutado, seja por meio de novos fundamentos fático-jurídicos, seja mediante a apresentação de provas. O recurso aviado constitui mera reprodução de argumentos já apreciados, sem a apresentação de fatos novos ou de elementos probatórios aptos a infirmar o objeto do lançamento. Nesse sentido, por concordar com as razões de decidir, adoto-as como fundamento para a solução do litígio (art. 114 do RICARF): Responsabilidade tributária Quanto às alegações dos Sujeitos Passivos Responsáveis – Sr. Rubens e Sr. Renato – não lhes cabe razão. Vejamos. Inicialmente, tem-se a dizer que o Sr. Rubens e o Sr. Renato foram os responsáveis e administradores da empresa Plasticase (sucedida pela CNP – autuada). Portanto, estes passam a ser pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários não declarados e não pagos, segundo art. 135, inciso III do CTN, por terem infringido a legislação tributária do IPI e porque detinham o poder de administrar e zelar pela observância das leis tributárias. Fl. 772DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 32 No caso, conforme já exposto, ficou caracterizada a sonegação nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964 e, portanto, com infração de lei. Conforme Acórdão do CARF: SÓCIOS E ADMINISTRADORES. SONEGAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os sócios e administradores da empresa, sejam formais ou de fato, com ou sem procuração para representar a contribuinte, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte o crime de sonegação tipificado no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, respondem pelo crédito tributário com multa qualificada de forma solidária, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional. (Acórdão 3401-005.314 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 24 de setembro de 2018)Como visto nos autos, não foram efetuados os pagamentos de IPI por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), bem como, não foram informados os débitos de IPI em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Portanto, demonstrada, mais uma vez, a infração à lei. Veja-se o que preceitua o art. 28 do RIPI/2010: Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (Decreto-Lei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Pelo acima transcrito são os sócios e administradores responsáveis pelos créditos tributários (tributo e penalidades pecuniárias) decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. Sobre a alegação da impossibilidade de serem cobrados pelas multas impostas, tem-se (gn): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Dessarte, mantenho a responsabilidade dos sócios-administradores Srs. Rubens e Renato. Conclusão. Fl. 773DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 33 Ante todo o exposto, conheço dos Recursos interpostos para: a) negar provimento ao Recurso de Ofício; e, b) dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da empresa, para: a. reduzir a multa de ofício ao patamar de 100%, e, b. cancelar a multa isolada. É como meu voto. Assinado Digitalmente Sabrina Coutinho Barbosa VOTO VENCEDOR Conselheiro Fábio Kirzner Ejchel, redator designado Em que pesem os argumentos expostos no voto da i. Relatora, tenho entendimento divergente exclusivamente com relação ao cancelamento da multa isolada. Como exposto, a recorrente alega “bis in idem” na cobrança da multa de oficio com a multa isolada: 3.E.1. Também há bis in idem na cobrança da multa de ofício qualificada cumulativamente com a multa isolada prevista no artigo 57, inciso III, alínea “a”, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001. A DRJ alega que se tratam de fatos distintos – um relativo à apuração do tributo não pago e outro, ao não cumprimento de obrigações acessórias: No caso dos autos não se deve falar em cumulação indevida de penalidades pelo mesmo fato, eis que estamos diante da imposição de multas pela Fiscalização da Receita Federal em razão de fatos distintos, um relativo à apuração de tributo não pago (art. 80, caput e § 6º da Lei nº 4.502/1964, com redação dada pelo artigo 13 da Lei nº 11.488/2007) e outro referente ao não cumprimento de obrigações acessórias (art. 57, inciso III, alínea “a” da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013). Ou seja, fatos tipificados em legislação distinta. A i. Relatora entende que a multa isolada lavrada nos termos do art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01 deve ser cancelada em função do princípio da consunção disposto no Tema 487 do STF: Fl. 774DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 34 Portanto, em observância do princípio da consunção, igualmente consagrado pelo Supremo Tribunal Federal no Tema 487 como critério de controle da proporcionalidade das sanções tributárias, conclui-se que a manutenção da multa de ofício nos termos do art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158- 35/01, mostra-se inadequada, uma vez que, reitera-se, a penalidade incidente sobre a infração principal, absorve a sanção aplicada à conduta instrumental. (...) Destarte, em observância à tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 640.452/RO (Tema 487 da repercussão geral), de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos da alínea "b" do inciso II do art. 98 da Portaria CARF nº 1.634/2023, acolho a pretensão da Recorrente para cancelar integralmente a multa isolada aplicada pela autoridade fiscal com amparo no art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01. Entendo, contudo, que tal Tema não se aplica ao caso em tela. Trata-se de empresa que agiu de forma dolosa, emitindo notas fiscais com destaque de IPI, porém sem recolher e nem ao menos declarar os tributos. Preliminarmente importante salientar que os efeitos do Tema 863 na multa de ofício lançada já foram considerados, tendo sido a multa reduzida de 150% para 100% por decisão unânime da Turma. Fundamental também salientar que a multa isolada foi reduzida pela DRJ de 5% para 3%, em decisão que se tornou definitiva com a negativa de provimento ao recurso de ofício. O Tema 487, contudo, não se aplica à multa isolada. O voto do Min. Luís Roberto Barroso, relator do Tema, explicitou que situações de sonegação, fraude e conluio não estão abrangidas no Tema 487: 5. Apresente controvérsia reside no caráter desproporcional e confiscatório de multa isolada aplicada em hipótese de descumprimento de obrigação acessória e calculada em função do valor da operação, quando existe uma obrigação principal subjacente. Saliente-se que não se analisam, por oportunidade deste julgamento, situações de sonegação, de fraude e/ou de conluio. (Negrito nosso) O mesmo racional aplica-se ao voto do Min. Dias Tofolli, que, como descrito acima, excluiu deste Tema as multas de ofício aplicadas “pela conduta dolosa do agente (sonegação, fraude e conluio)” e fez, ainda, longa digressão sobre a diferença entre os comportamentos de contribuintes e os novos paradigmas para o tratamento das multas tributárias, salientando o tratamento que deve ser dado a atos ilícitos. No voto, são explicitados os diversos tipos de grupos de contribuintes: Na seção mais baixa, conectada com a base da pirâmide, está (i) o grupo dos contribuintes dispostos a cumprir a legislação; na seção logo acima, está (ii) o grupo dos contribuintes que a tentam cumprir mas nem sempre conseguem; em Fl. 775DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-004.318 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10134.722220/2020-88 35 seguida, vem (iii) o grupo dos contribuintes que não a querem cumprir mas a cumprem quando se faz o controle; e, na seção mais alta, conectada com o topo da pirâmide, está (iv) o grupo de contribuintes que, decididamente, não cumprem a legislação. Para os contribuintes do grupo IV, a estratégia é usar toda a força da lei: Em relação ao grupo (iv), que se encontra na seção mais alta, conectada ao topo da pirâmide (contribuintes que, decididamente, não cumprem a legislação), a estratégia é usar toda a força da lei. Constata-se que não é objetivo do Tema beneficiar contribuintes que praticam atos dolosos – e sim os contribuintes que querem cumprir com suas obrigações tributárias, mas que têm dificuldades por conta da complexidade da legislação e dos procedimentos necessários para manutenção da regularidade fiscal. A emissão de notas fiscais com destaque do imposto sem o recolhimento e declaração de tais valores é infração característica de contribuintes do grupo IV. A multa isolada não deve, assim, ser cancelada e a decisão de primeira instância não merece, nesse aspecto, qualquer reparo. Conclusão Por todo o exposto, voto por manter a autuação quanto à multa isolada. Assinado Digitalmente Fábio Kirzner Ejchel Fl. 776DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor

score : 1.0
11519618 #
Numero do processo: 16682.722109/2017-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL SOBRE PARCELA DE MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO. A multa isolada do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, tem por suporte fático a omissão do pagamento por estimativa, não se configurando quando o recolhimento, ainda que intempestivo, ocorre no curso do próprio ano-calendário e antes do início do procedimento fiscal. A imputação proporcional pressupõe a existência de acréscimo moratório devido e não computado, não podendo servir de base ao cálculo da penalidade quando a parcela redistribuída corresponde a multa de mora, e não a estimativa não recolhida. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO DECLARADO. PAGAMENTO ANTERIOR AO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA MULTA. Configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do Código Tributário Nacional quando o débito, não previamente informado em declaração, é pago com os juros de mora antes de qualquer procedimento fiscal, hipótese em que o pagamento identificado em documento de arrecadação opera como confissão da infração. A espontaneidade não se condiciona à retificação prévia de declaração acessória, alcançando a exclusão da multa de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2012 a 31/03/2013 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VALOR VIGENTE NA DATA DA APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Não se conhece do recurso quando o crédito tributário exonerado, considerados o principal e as multas, é inferior ao limite então em vigor. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2012 a 31/03/2013 MULTA POR INCORREÇÕES EM DECLARAÇÃO. INFRAÇÃO OBJETIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO ALCANCE. DEVER DE RETIFICAÇÃO. VALOR MÍNIMO LEGAL. A multa por apresentação de declaração com incorreções ou omissões é infração objetiva, configurada pela divergência entre o conteúdo declarado e os fatos, independentemente da tempestividade da entrega original, e não é alcançada pela denúncia espontânea da obrigação principal, dirigida a dever instrumental autônomo. O dever de retificação incumbe ao sujeito passivo, não o elidindo a faculdade de revisão de ofício da administração diante de erro de fato, aplicando-se o valor mínimo legal cominado para pessoa jurídica.
Numero da decisão: 1102-002.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: GABRIEL CAMPELO DE CARVALHO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202608

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL SOBRE PARCELA DE MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO. A multa isolada do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, tem por suporte fático a omissão do pagamento por estimativa, não se configurando quando o recolhimento, ainda que intempestivo, ocorre no curso do próprio ano-calendário e antes do início do procedimento fiscal. A imputação proporcional pressupõe a existência de acréscimo moratório devido e não computado, não podendo servir de base ao cálculo da penalidade quando a parcela redistribuída corresponde a multa de mora, e não a estimativa não recolhida. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO DECLARADO. PAGAMENTO ANTERIOR AO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA MULTA. Configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do Código Tributário Nacional quando o débito, não previamente informado em declaração, é pago com os juros de mora antes de qualquer procedimento fiscal, hipótese em que o pagamento identificado em documento de arrecadação opera como confissão da infração. A espontaneidade não se condiciona à retificação prévia de declaração acessória, alcançando a exclusão da multa de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2012 a 31/03/2013 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VALOR VIGENTE NA DATA DA APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Não se conhece do recurso quando o crédito tributário exonerado, considerados o principal e as multas, é inferior ao limite então em vigor. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2012 a 31/03/2013 MULTA POR INCORREÇÕES EM DECLARAÇÃO. INFRAÇÃO OBJETIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO ALCANCE. DEVER DE RETIFICAÇÃO. VALOR MÍNIMO LEGAL. A multa por apresentação de declaração com incorreções ou omissões é infração objetiva, configurada pela divergência entre o conteúdo declarado e os fatos, independentemente da tempestividade da entrega original, e não é alcançada pela denúncia espontânea da obrigação principal, dirigida a dever instrumental autônomo. O dever de retificação incumbe ao sujeito passivo, não o elidindo a faculdade de revisão de ofício da administração diante de erro de fato, aplicando-se o valor mínimo legal cominado para pessoa jurídica.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 16682.722109/2017-66

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7415905

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1102-002.158

nome_arquivo_s : Decisao_16682722109201766.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : GABRIEL CAMPELO DE CARVALHO

nome_arquivo_pdf_s : 16682722109201766_7415905.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).

dt_sessao_tdt : Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2026

id : 11519618

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:33 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547627012096

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-16T20:06:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-16T20:06:30Z; Last-Modified: 2026-09-16T20:06:30Z; dcterms:modified: 2026-09-16T20:06:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-16T20:06:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-16T20:06:30Z; meta:save-date: 2026-09-16T20:06:30Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-16T20:06:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-16T20:06:30Z; created: 2026-09-16T20:06:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2026-09-16T20:06:30Z; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-16T20:06:30Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 16682.722109/2017-66 ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 28 de agosto de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES BB GESTAO DE RECURSOS - DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2013 a 31/03/2013 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS RECOLHIDAS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL SOBRE PARCELA DE MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE SUPORTE FÁTICO. A multa isolada do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, tem por suporte fático a omissão do pagamento por estimativa, não se configurando quando o recolhimento, ainda que intempestivo, ocorre no curso do próprio ano-calendário e antes do início do procedimento fiscal. A imputação proporcional pressupõe a existência de acréscimo moratório devido e não computado, não podendo servir de base ao cálculo da penalidade quando a parcela redistribuída corresponde a multa de mora, e não a estimativa não recolhida. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO DECLARADO. PAGAMENTO ANTERIOR AO PROCEDIMENTO FISCAL. EXCLUSÃO DA MULTA. Configura-se a denúncia espontânea do art. 138 do Código Tributário Nacional quando o débito, não previamente informado em declaração, é pago com os juros de mora antes de qualquer procedimento fiscal, hipótese em que o pagamento identificado em documento de arrecadação opera como confissão da infração. A espontaneidade não se condiciona à retificação prévia de declaração acessória, alcançando a exclusão da multa de mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/11/2012 a 31/03/2013 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VALOR VIGENTE NA DATA DA APRECIAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Fl. 756DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 2 Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Não se conhece do recurso quando o crédito tributário exonerado, considerados o principal e as multas, é inferior ao limite então em vigor. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/11/2012 a 31/03/2013 MULTA POR INCORREÇÕES EM DECLARAÇÃO. INFRAÇÃO OBJETIVA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO ALCANCE. DEVER DE RETIFICAÇÃO. VALOR MÍNIMO LEGAL. A multa por apresentação de declaração com incorreções ou omissões é infração objetiva, configurada pela divergência entre o conteúdo declarado e os fatos, independentemente da tempestividade da entrega original, e não é alcançada pela denúncia espontânea da obrigação principal, dirigida a dever instrumental autônomo. O dever de retificação incumbe ao sujeito passivo, não o elidindo a faculdade de revisão de ofício da administração diante de erro de fato, aplicando-se o valor mínimo legal cominado para pessoa jurídica. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício e em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho – Relator Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Cassiano Romulo Soares, Gustavo Schneider Fossati, Gabriel Campelo de Carvalho, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Fl. 757DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 3 RELATÓRIO RELATÓRIO Trata-se de recurso de ofício e de recurso voluntário interpostos em face de decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação apresentada por BB Gestão de Recursos Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. contra lançamentos de ofício relativos aos anos-calendário de 2012 e 2013. Os lançamentos compreendem IRPJ apurado no ajuste anual, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, multa exigida isoladamente sobre estimativas mensais e multa regulamentar pela apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) com incorreções. A tabela a seguir consolida os valores exigidos. Rubrica Valor (R$) IRPJ, ajuste anual do ano-calendário de 2012 503.572,17 Multa de ofício de 75% 377.679,12 Juros de mora 228.017,47 Multa exigida isoladamente, estimativas de novembro de 2012 e de janeiro a março de 2013 3.642.663,55 Multa regulamentar, DCTF 2.500,00 Total 4.754.432,31 A recorrente é subsidiária integral do Banco do Brasil S.A. e atua na administração e gestão de recursos de terceiros. Nos períodos fiscalizados, apurou o IRPJ pelo regime do lucro real anual, com antecipações mensais por estimativa. Não houve imputação de sujeição passiva solidária. Segundo o Termo de Verificação Fiscal (TVF), o procedimento decorreu de mandado de segurança impetrado pela contribuinte perante a Justiça Federal, no qual se assegurava a não adição da despesa de CSLL na determinação do lucro real, em afastamento da regra do art. 1º da Lei nº 9.316/96. Em 30/08/2013 foi publicado acórdão que deu provimento à apelação da União e denegou a segurança. A contribuinte opôs embargos de declaração, que foram rejeitados, e posteriormente a empresa recolheu os valores de principal e juros de mora relativos aos anos- calendário de 2012 e 2013, no total de R$ 52.950.573,18, sem o acréscimo da multa de mora de 20%. Fl. 758DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 4 Os recolhimentos abrangeram a estimativa de novembro de 2012, o saldo do ajuste anual de 2012 e as estimativas de janeiro a março de 2013. Os valores pagos não foram informados nas DCTF dos períodos correspondentes, razão pela qual, segundo o TVF, não foram identificados e apropriados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), circunstância que motivou a instauração da ação fiscal. No curso do procedimento, além do termo inicial, foram expedidos sete Termos de Intimação Fiscal, destinados à apresentação de documentos, à prestação de esclarecimentos, à retificação das DCTF e à comunicação da continuidade da fiscalização. Em resposta, a contribuinte apresentou os Documentos de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) recolhidos e informou que aderira ao programa de pagamento instituído pela Lei nº 12.865/2013. Afirmou ter quitado à vista os débitos vinculados ao mandado de segurança e comprovado os pagamentos perante a RFB. A fiscalização consignou que os débitos dos anos-calendário de 2012 e 2013 não estavam abrangidos pelos benefícios do programa, em razão dos limites temporal e material estabelecidos em sua regulamentação. Com fundamento no art. 9º, § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010, a contribuinte foi intimada a apresentar as DCTF retificadoras do ano-calendário de 2012. Após a extensão do procedimento, foi intimada a apresentar as declarações relativas ao ano-calendário de 2013, tendo os respectivos recibos de transmissão sido apresentados no curso da fiscalização. Quanto ao mérito, o TVF assentou que a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora até trinta dias após a publicação da decisão que considerar devido o tributo, nos termos do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96. A fiscalização considerou que esse prazo se iniciou com a publicação do acórdão da apelação, em 30/08/2013, e que os embargos de declaração não suspenderam os efeitos da decisão. Por considerar ultrapassado o prazo de trinta dias, a fiscalização apurou as diferenças decorrentes da ausência da multa de mora pelo método da imputação proporcional dos pagamentos. O procedimento foi fundamentado nos arts. 163 e 167 do Código Tributário Nacional (CTN) e em parecer da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), mediante rateio do valor recolhido em cada DARF entre principal, multa e juros. Da imputação resultou diferença de IRPJ de R$ 503.572,17 no ajuste anual de 2012, enquadrada nos arts. 247 e 841, inciso IV, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Sobre esse valor foram exigidos juros de mora e multa de ofício de 75%, esta fundada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Sobre as diferenças de estimativas mensais foi aplicada multa isolada de 50%, com fundamento nos arts. 222 e 843 do RIR/99 e no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 11.488/2007. As penalidades foram lançadas nos valores de R$ 2.837.090,30 Fl. 759DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 5 para novembro de 2012, R$ 287.474,22 para janeiro, R$ 243.799,45 para fevereiro e R$ 274.299,58 para março de 2013. O TVF registrou o entendimento de que as multas de ofício e isolada correspondem a suportes fáticos distintos e autônomos. Transcreveu, para tanto, acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que limitam a aplicação da Súmula CARF nº 105 aos fatos geradores anteriores ao ano de 2007, em razão da alteração promovida no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Pela apresentação de DCTF com incorreções ou omissões nas competências de novembro de 2012, de janeiro a março de 2013 e do exercício de 2013, foi lançada multa mínima de R$ 500,00 por declaração, no total de R$ 2.500,00. A penalidade foi fundamentada no art. 7º, inciso IV e § 3º, inciso II, da Lei nº 10.426/2002 e no art. 7º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação. Sustentou que os recolhimentos de 26/11/2013 foram realizados sob o amparo da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por serem anteriores a qualquer procedimento fiscal, invocando o art. 19 da Lei nº 10.522/2002, parecer da PGFN sobre o tema e os Atos Declaratórios PGFN nº 4 e nº 8, de 2011. Afirmou que o prazo de trinta dias previsto no art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96 deveria ser contado da publicação do acórdão que rejeitou os embargos de declaração, ocorrida em 25/10/2013. Sustentou, de todo modo, que os pagamentos haviam sido realizados antes do início de qualquer procedimento fiscal. Noticiou que, em cobrança dos mesmos valores promovida em processo administrativo diverso, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da unidade de origem proferira o Despacho Decisório nº 63/2017. O ato reconheceu a denúncia espontânea e exonerou as multas moratórias correspondentes ao período de apuração de novembro de 2012 e ao ano- calendário de 2012. Apontou contradição entre aquele despacho, que declarou inexigíveis multas moratórias de R$ 5.674.182,42 e R$ 503.572,28, e o lançamento posterior, que voltou a exigir os valores correspondentes e incluiu os débitos de janeiro a março de 2013. Defendeu a extensão dos fundamentos do despacho decisório aos débitos de 2013, por identidade de situação de fato. Afirmou que, em ambos os períodos, houve pagamento integral em novembro de 2013 e que o procedimento fiscal somente se iniciou em janeiro de 2017, o que caracterizaria a espontaneidade dos recolhimentos. Quanto às DCTF, argumentou que as retificações decorreram de exigência da própria autoridade fiscal, no exercício da revisão de ofício autorizada pelo art. 149 do CTN. Alegou que os valores já haviam sido levados ao conhecimento da RFB por ocasião da adesão ao programa da Lei nº 12.865/2013, com comprovação dos pagamentos em Fl. 760DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 6 30/12/2013. Aduziu que as obrigações de pagamento e as obrigações acessórias são dissociadas e que a retificação poderia ser promovida de ofício pela RFB sem imposição de multas. Acrescentou que a orientação do programa gerador da DCTF veda a informação de valores exigidos em lançamento de ofício, o que impediria a retificação pelo contribuinte. No tocante à multa isolada, sustentou a impossibilidade de sua exigência concomitante com a multa de ofício. Invocou a Súmula CARF nº 105, o critério da consunção, o art. 112 do CTN e acórdão desta Casa que estende o entendimento sumular a fatos geradores posteriores a 2007. Alegou que, encerrado o ano-calendário, as estimativas seriam absorvidas pelo tributo anual. Sustentou, ainda, que não estaria configurado o suporte fático das multas isoladas, pois a controvérsia se restringiria à multa de mora e os valores de principal e juros teriam sido integralmente recolhidos. Quanto à multa regulamentar, alegou que as DCTF originais foram entregues tempestivamente e que o enquadramento adequado seria o do art. 7º, inciso IV, da Lei nº 10.426/2002, de R$ 20,00 por grupo de dez informações. Defendeu, por isso, a inaplicabilidade do valor mínimo de R$ 500,00 por declaração. Requereu a desconstituição integral do crédito tributário, com a exclusão de todas as multas impostas, ou, alternativamente, o afastamento da multa isolada e da multa regulamentar de R$ 2.500,00. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), por unanimidade de votos, julgou a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. No mérito, o voto condutor assentou que o art. 61 da Lei nº 9.430/96 determina o acréscimo de multa de mora aos débitos pagos após o vencimento. O Acórdão recebeu a ementa transcrita a seguir: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2012, 2013 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO OCORRÊNCIA. O benefício da denúncia espontânea para exclusão da multa moratória não se aplica nos casos em que o contribuinte não retifica espontaneamente as declarações relacionadas às diferenças de pagamentos efetuados sem o referido acréscimo moratório. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período. A aplicação conjunta de multa de ofício no mesmo lançamento tributário, referente a Fl. 761DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 7 tributo e contribuição devidos ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista tratarem-se de infrações distintas, possuidoras de tipificação legal específicas a cada uma delas. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2012, 2013 MULTA. INCORREÇÕES OU OMISSÕES. DCTF. No caso de apuração de incorreções ou omissões na DCTF entregue pelo contribuinte é cabível a aplicação da multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, observados o limite mínimo de R$ 500,00 (quinhentos reais), no caso de pessoa jurídica. LANÇAMENTO. FATOS APRECIADOS EM DESPACHO DECISÓRIO ANTERIOR. Improcede a parcela do lançamento, baseado em fatos que já haviam sido objeto de revisão de ofício pela autoridade local, inclusive mediante a edição de Despacho Decisório, quando o lançamento subsequente não se reporta a tal ato administrativo, nem consta dos autos que ele tenha sido anulado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A decisão reconstituiu a evolução do entendimento administrativo sobre a denúncia espontânea, a partir de pareceres da PGFN e dos Atos Declaratórios PGFN nº 4 e nº 8, de 2011, que excluem a multa moratória quando configurado o instituto. Reportou-se à Nota Técnica nº 19/2012, da Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), segundo a qual se considera ocorrida a denúncia espontânea quando o sujeito passivo confessa a infração, inclusive mediante declaração em DCTF, extinguindo o débito com o pagamento. Também registrou a hipótese em que o contribuinte declara a menor, paga o valor declarado e depois retifica a declaração para maior com quitação concomitante. Concluiu que as DCTF retificadoras somente foram transmitidas após o início do procedimento fiscal e em decorrência das intimações de 18/04/2017 e 22/08/2017. Por esse motivo, considerou afastada a espontaneidade exigida pelo parágrafo único do art. 138 do CTN. Considerou, ainda, que a informação dos valores na adesão ao programa da Lei nº 12.865/2013 não produziria efeitos de confissão, pois os débitos não foram parcelados. Afastou também a aplicação do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96, dado que os pagamentos ocorreram em 26/11/2013, além do prazo de trinta dias contado da publicação da decisão que considerou devido o tributo, em 30/08/2013. Reconheceu, contudo, ser correta a alegação da defesa quanto ao Despacho Decisório nº 63/2017. O ato havia sido proferido em revisão de ofício fundada no art. 149, inciso VIII, do CTN e reconhecera a denúncia espontânea quanto aos códigos 2319, período de apuração de novembro de 2012, e 2390, ano-calendário de 2012. A DRJ ponderou que a instância de Fl. 762DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 8 julgamento se limita à apreciação do auto de infração e que o despacho decisório de revisão de ofício não se sujeita ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014. Assentou que o ato somente poderia ser alterado pela própria autoridade emitente ou por autoridade superior, na hipótese de vício de legalidade, nos termos do art. 53 da Lei nº 9.784/99. Verificou que o lançamento, formalizado posteriormente ao Despacho Decisório nº 63/2017, não fez referência à revisão de ofício anterior, nem havia nos autos notícia de sua anulação. Por essa razão, reputou improcedente o lançamento relativo aos fatos geradores de novembro de 2012 e ao ajuste anual de 2012, embora tenha consignado não concordar com o entendimento manifestado naquele ato. Registrou haver aventado a devolução dos autos à origem para retificação do lançamento, na forma do art. 18, § 3º, do Decreto nº 70.235/72. A providência foi reputada inviável ante o transcurso do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, cujos termos iniciais, 30/11/2012 e 31/12/2012, conduziriam a termos finais em 30/11/2017 e 31/12/2017. Quanto à multa isolada remanescente, relativa às estimativas de janeiro a março de 2013, o voto condutor afirmou que os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 contemplam infrações de natureza distinta. Entendeu que a aplicação cumulada não configura dupla penalidade sobre o mesmo fato, em consonância com o art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 93/97. Anotou que a Súmula CARF nº 105 não fora aprovada pelo Ministro de Estado da Fazenda na forma do regimento interno deste Conselho, carecendo de efeito vinculante perante a primeira instância. Acrescentou que a única hipótese de eventual duplicidade, envolvendo a estimativa de novembro de 2012 e o ajuste anual de 2012, fora alcançada pelo cancelamento do lançamento. Manteve, por fim, a multa regulamentar, ao fundamento de que todas as declarações abrangidas pela autuação foram retificadas em decorrência de intimação fiscal. Considerou que essa circunstância evidenciaria o erro de preenchimento a que se refere o caput do art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Em consequência, a decisão recorrida manteve a multa isolada de R$ 805.573,25 e a multa regulamentar de R$ 2.500,00. Foram exonerados o IRPJ de R$ 503.572,17, a multa de ofício de R$ 377.679,12, os juros de mora de R$ 228.017,47 e a multa isolada de novembro de 2012, no valor de R$ 2.837.090,30. O crédito exonerado totalizou R$ 3.946.359,06, razão pela qual o presidente do colegiado recorreu de ofício, por superar o montante o limite de alçada fixado em portaria ministerial. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou as razões da impugnação e apresentou acréscimos dirigidos aos fundamentos da decisão recorrida. Sustentou que a Nota Técnica Cosit nº 19/2012 admite a configuração da denúncia Fl. 763DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 9 espontânea mediante declaração ou outro ato que dê conhecimento da infração à autoridade fiscal. Afirmou que o ofício apresentado em 30/12/2013 cumpriu essa função quanto aos pagamentos de 2012 e 2013. Acrescentou que as súmulas do CARF constituiriam normas complementares da legislação tributária, nos termos do art. 100, inciso II, do CTN, e defendeu que sua observância produziria os efeitos previstos no parágrafo único do mesmo artigo. Argumentou, ainda, que a própria decisão recorrida teria admitido possível duplicidade de penalidades quanto à estimativa de novembro e ao ajuste anual de 2012. Ao final, requereu a reforma da decisão de primeira instância no que diz respeito à manutenção das penalidades, com o afastamento da multa isolada e da multa regulamentar remanescentes. É o relatório. VOTO Conselheiro Gabriel Campelo de Carvalho, Relator. Admissibilidade Cuida-se de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância e de recurso voluntário apresentado pela contribuinte, ambos dirigidos contra decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve em parte o crédito tributário. Quanto ao recurso de ofício, a parcela exonerada pela decisão recorrida alcança R$ 3.946.359,06, montante inferior ao limite de alçada compreendido pela Portaria MF nº 63, de 2017, razão pela qual não o conheço. Quanto ao recurso voluntário recorrente teve ciência da decisão recorrida em 9 de abril de 2018 e protocolou o recurso em 3 de maio de 2018, dentro do prazo de trinta dias do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972. O conhecimento restringe-se às matérias efetivamente devolvidas, quais sejam, a multa exigida isoladamente sobre as estimativas de janeiro a março de 2013, no valor de R$ 805.573,25, e a multa regulamentar por incorreções em declaração, no valor de R$ 2.500,00, únicas parcelas mantidas pela decisão recorrida. Presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele o conheço. Mérito Da denúncia espontânea Sustenta a recorrente que os recolhimentos de 26 de novembro de 2013, por anteriores a qualquer procedimento fiscal e acompanhados dos juros de mora, configuram a Fl. 764DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 10 denúncia espontânea do art. 138 do Código Tributário Nacional, cujos fundamentos, reconhecidos pela unidade de origem quanto a novembro de 2012 e ao ano-calendário de 2012, deveriam estender-se aos débitos de 2013, tendo a administração tomado conhecimento da quitação por ofício apresentado em 30 de dezembro de 2013. Consigno que a apreciação desta matéria não importa reexame das parcelas exoneradas em primeira instância, cingindo-se à situação das estimativas de janeiro a março de 2013. O art. 138 do Código Tributário Nacional exclui a responsabilidade pela infração denunciada pelo sujeito passivo, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, desde que anterior a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. O instituto pressupõe, como elemento essencial, a revelação ao Fisco de infração que lhe era desconhecida, de modo que a iniciativa do contribuinte substitua a atividade de constituição do crédito que caberia à administração. Não é o que os elementos dos autos revelam. Os valores correspondentes às estimativas de 2013 decorriam diretamente da matéria discutida em mandado de segurança impetrado pela própria recorrente, no qual se assegurava a não adição da CSLL na apuração do lucro real, situação plenamente conhecida da administração tributária, tanto que relativamente a exercícios anteriores haviam sido lavrados autos de infração com exigibilidade suspensa. Não havia, portanto, infração oculta a ser revelada, mas obrigação cuja exigibilidade estava sob discussão judicial e cujo termo para recolhimento sem penalidade veio disciplinado em regra específica. Com efeito, o art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece que a interposição de ação judicial favorecida com medida liminar interrompe a incidência da multa de mora desde a concessão da medida até trinta dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo. Trata-se de norma especial, que disciplina precisamente a hipótese do contribuinte que, amparado por provimento judicial, deixa de recolher o tributo e o faz após a cessação da proteção. Admitir que o pagamento efetuado fora daquele prazo atraia o benefício do art. 138 esvaziaria por completo a regra do art. 63, § 2º, que perderia qualquer utilidade prática. As informações contantes dos autos apontam que os recolhimentos ocorreram em 26 de novembro de 2013, quando já ultrapassado o trintídio contado da publicação do acórdão que denegou a segurança, em 30 de agosto de 2013, e mesmo se computado o prazo a partir da publicação do acórdão dos embargos de declaração, em 25 de outubro de 2013, o pagamento teria se dado além do termo final. Cumpre examinar o precedente invocado nas razões recursais. No julgamento do Recurso Especial nº 1.149.022/SP, submetido ao rito dos recursos repetitivos, o Superior Tribunal Fl. 765DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 11 de Justiça assentou que o benefício do art. 138 não se caracteriza quanto a tributos declarados e recolhidos fora do prazo, na forma da Súmula 360 daquela Corte. Admitiu-o, por outro lado, na hipótese em que o contribuinte, tendo declarado parcialmente o débito com pagamento integral, retifica a declaração antes de qualquer procedimento da administração, noticiando diferença a maior cuja quitação se dá concomitantemente, de modo que a retificação espontânea é o próprio ato que revela a infração e dispensa a constituição do crédito pelo Fisco. A hipótese dos autos não se amolda à do precedente. Ali, a infração era desconhecida da administração e veio a lume por iniciativa do contribuinte, ao passo que, no caso, a matéria estava sob discussão judicial de conhecimento do Fisco, e o recolhimento se deu fora do prazo específico do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Acresce que as declarações dos períodos foram apresentadas sem os débitos correspondentes, e a sua retificação somente ocorreu em 2017, no curso da fiscalização e em atendimento a intimações da autoridade, não havendo, em momento anterior, ato de iniciativa da recorrente que noticiasse a diferença de forma concomitante ao pagamento. A comunicação apresentada em 30 de dezembro de 2013 não supre essa exigência, pois foi endereçada no contexto da tentativa de adesão a programa de pagamento e reportava-se de forma genérica aos débitos vinculados ao mandado de segurança, sem operar como confissão específica das infrações relativas às estimativas mensais de 2013. Entendo que os elementos do caso concreto não respaldam, assim, a caracterização da denúncia espontânea quanto aos períodos remanescentes. O reconhecimento do instituto pela unidade de origem, em revisão de ofício relativa a novembro de 2012 e ao ajuste anual de 2012, deu-se em ato administrativo próprio e circunscrito àqueles períodos, cujos efeitos não se estendem a este processo nem vinculam este colegiado quanto às estimativas de 2013. Da multa exigida isoladamente sobre as estimativas de janeiro a março de 2013 Afastada a denúncia espontânea, remanesce exigível a multa de mora relativa aos recolhimentos efetuados a destempo, do que decorre a subsistência da premissa sobre a qual operou a imputação proporcional que deu origem à exigência ora examinada. Alega a recorrente que não se realizou o fato gerador da penalidade, porquanto as estimativas foram recolhidas, remanescendo controvérsia apenas quanto à multa de mora, de sorte que inexistiria falta de recolhimento a autorizar a multa do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996. A apuração das diferenças decorreu da aplicação do método da imputação proporcional dos pagamentos, com fundamento nos arts. 163 e 167 do Código Tributário Nacional, mediante rateio do valor recolhido em cada documento de arrecadação entre principal, multa e juros. Fl. 766DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 12 A Súmula CARF nº 228 assenta que, não computada a integralidade dos acréscimos moratórios no pagamento, a imputação proporcional é o único método admitido pelo Código Tributário Nacional, do que resulta o reconhecimento de saldo devedor das estimativas e do tributo apurado ao final do período. Aplicado o enunciado ao caso, a ausência da multa de mora nos documentos de arrecadação impediu a quitação integral das antecipações, remanescendo saldo de estimativa não recolhida, sobre o qual incide a penalidade cominada no art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996. Não se desconhece a Súmula CARF nº 74, segundo a qual se aplica retroativamente o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que revogou a multa de ofício isolada por falta de acréscimo da multa de mora ao pagamento de tributo em atraso, antes prevista no art. 44, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996. O enunciado, todavia, alcança a penalidade autônoma outrora cominada para a hipótese específica de pagamento desacompanhado do acréscimo moratório, e não a multa do art. 44, inciso II, alínea b, do mesmo diploma, que sanciona a falta de recolhimento de estimativa mensal e constitui a capitulação adotada no lançamento. A exigência em exame não se funda na ausência da multa de mora tomada em si mesma, mas no saldo de antecipação apurado após a imputação proporcional, de modo que a hipótese não se identifica com a da penalidade revogada a que se refere o enunciado sumular. Nesse contexto, a alegação de recolhimento integral não se sustenta, uma vez que a integralidade pressupunha o cômputo do acréscimo moratório, cuja falta, distribuída proporcionalmente, fez emergir a insuficiência que a norma sanciona. Tampouco aproveita à recorrente a alegação de mera impontualidade, pois, reconhecida a exigibilidade da multa de mora e não tendo sido ela recolhida, o resultado da imputação não é o pagamento tardio integral, mas o pagamento parcial das antecipações devidas no curso do ano-calendário. Me posiciono, portanto, pela manutenção da multa exigida isoladamente sobre as estimativas de janeiro a março de 2013. Da Súmula CARF nº 105 e da eficácia normativa das súmulas deste Conselho Sustenta a recorrente que a Súmula CARF nº 105 constitui norma complementar da legislação tributária, na forma do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, dotada de eficácia normativa que vincularia também a primeira instância, e que a decisão recorrida incorre em contradição ao admitir possível duplicidade quanto ao ano-calendário de 2012. A tese não aproveita à recorrente por razão anterior à discussão sobre a eficácia do enunciado. A Súmula CARF nº 105 dirige-se à hipótese de exigência simultânea da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e da multa de ofício por falta de pagamento do tributo apurado no ajuste anual, vedando a cumulação. Fl. 767DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 13 O exame do auto de infração revela que a multa de ofício lançada incidiu sobre diferença de imposto apurada no ajuste anual do ano-calendário de 2012, com vencimento em 31 de março de 2013, ao passo que, quanto às estimativas mensais de 2013, não houve lançamento de imposto nem de multa de ofício. Inexistindo multa de ofício exigida ao lado da multa isolada relativa às estimativas ora examinadas, não se configura a concomitância que o enunciado pressupõe, carecendo a tese de objeto no que remanesce em litígio e tornando-se despicienda a discussão sobre o alcance da súmula a fatos geradores posteriores às alterações da Lei nº 11.488, de 2007. A observação da recorrente quanto ao reconhecimento, pela decisão recorrida, de possível duplicidade não altera esse quadro, pois a hipótese ali cogitada envolvia a estimativa de novembro de 2012 e o ajuste anual do mesmo ano, matéria estranha ao objeto do recurso voluntário. Quanto à eficácia normativa invocada, ainda que prejudicada a questão, anoto que o art. 26-A do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação da Lei nº 11.196, de 2005, condiciona o efeito vinculante das súmulas deste Conselho perante a administração tributária à aprovação pelo Ministro de Estado da Fazenda, providência que não se verificou em relação ao enunciado invocado. Da multa regulamentar por incorreções em declaração Insurge-se a recorrente contra a multa de R$ 2.500,00, correspondente a R$ 500,00 por declaração, ao argumento de que as declarações originais foram entregues tempestivamente, de que os valores já eram conhecidos da administração desde 30 de dezembro de 2013, de que a retificação competiria de ofício à administração e de que orientação constante do programa gerador vedaria a informação de valores exigidos em lançamento de ofício. A penalidade tem fundamento no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, cujo teor, tal como reproduzido nos autos, sanciona não apenas a falta de entrega ou a entrega em atraso, mas também a apresentação de declaração com incorreções ou omissões, hipóteses distintas e autônomas. Não se controverte, pois, sobre a tempestividade da entrega das declarações originais, circunstância que não afasta a infração imputada, dado que o que se apurou foi a incorreção do conteúdo, na medida em que as declarações dos períodos abrangidos não refletiam os débitos e os pagamentos efetuados em novembro de 2013. Trata-se de infração a obrigação acessória, cuja caracterização independe da intenção do agente e do efeito do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional, ressalvadas as hipóteses legais em contrário, que aqui não se verificam. A denúncia espontânea, cuja caracterização foi afastada quanto à obrigação principal, tampouco aproveitaria a esta exigência, porquanto o benefício do art. 138 do Código Fl. 768DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-002.158 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16682.722109/2017-66 14 Tributário Nacional não alcança a penalidade decorrente do descumprimento autônomo de dever instrumental, orientação que informa a Súmula CARF nº 49. Quanto à alegada impossibilidade de retificação, os elementos dos autos não a confirmam, uma vez que, entre novembro de 2013, quando efetuados os pagamentos, e janeiro de 2017, quando instaurado o procedimento fiscal, decorreu período superior a três anos em que não se identifica óbice à transmissão espontânea das declarações retificadoras. A orientação do programa gerador invocada pela recorrente reporta-se a valores exigidos em lançamento de ofício, o que não corresponde à situação dos períodos aqui tratados, pois, naquele intervalo, os débitos de 2012 e de 2013 não eram objeto de lançamento de ofício, não se lhes aplicando a vedação de informação em declaração. Tampouco convence o argumento de que a retificação competiria de ofício à administração, dado que a possibilidade de revisão e de retificação em favor do contribuinte constitui faculdade da autoridade diante de erro de fato, e não substitui o dever legal que recai sobre o sujeito passivo de prestar informações corretas. A circunstância de as retificações terem sido transmitidas em 2017, por intimação da fiscalização, é compatível com a conclusão de que as declarações anteriores continham incorreções, elemento que integra o tipo do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002. No que toca à graduação, o § 3º, inciso II, do referido artigo estabelece o valor mínimo de R$ 500,00 para pessoa jurídica, patamar efetivamente aplicado, não comportando acolhimento a pretensão de limitar a exigência ao valor de R$ 20,00 por grupo de dez informações, que desconsidera o piso legal. Com base no exposto, voto pela manutenção da multa regulamentar. Dispositivo Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. Assinado Digitalmente Gabriel Campelo de Carvalho Fl. 769DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11515925 #
Numero do processo: 11060.725314/2019-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. (Súmula CARF 168) RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO.Improcede a alegação de pagamento indevido a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o erro cometido.
Numero da decisão: 3101-004.988
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.982, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 11060.723220/2019-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202606

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. (Súmula CARF 168) RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO.Improcede a alegação de pagamento indevido a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o erro cometido.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 11060.725314/2019-49

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7415110

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3101-004.988

nome_arquivo_s : Decisao_11060725314201949.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

nome_arquivo_pdf_s : 11060725314201949_7415110.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.982, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 11060.723220/2019-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).

dt_sessao_tdt : Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2026

id : 11515925

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:27 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547662663680

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-28T18:06:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-28T18:06:31Z; Last-Modified: 2026-09-28T18:06:31Z; dcterms:modified: 2026-09-28T18:06:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-28T18:06:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-28T18:06:31Z; meta:save-date: 2026-09-28T18:06:31Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-28T18:06:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-28T18:06:31Z; created: 2026-09-28T18:06:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2026-09-28T18:06:31Z; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-28T18:06:31Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11060.725314/2019-49 ACÓRDÃO 3101-004.988 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 19 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE FAVARIN & CIA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. (Súmula CARF 168) RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO NÃO COMPROVADO. Improcede a alegação de pagamento indevido a maior, fundamentada em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos capazes de comprovar o erro cometido. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.982, de 19 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 11060.723220/2019-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Gargiulo Ornelas Santiago, Luciana Ferreira Braga, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Ramon Silva Cunha, Renan Gomes Rego, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Fl. 56DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.988 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.725314/2019-49 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER nº 21107.24453.231018.1.1.08-0649) (e-fls. 26/28), nos termos do despacho decisório eletrônico de e-fl. 25, emitido em 01/03/2019 e cientificado em 11/04/2019 (e-fl. 31). Por meio do referido pedido, a contribuinte pleiteou o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep Não-Cumulativo, vinculados a operações de exportação, apurados no 4º trimestre de 2013, no montante de R$ 124.374,03. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, em síntese abaixo, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 PER/DCOMP. PEDIDO RETIFICADOR POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente se estiverem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2013 a 31/12/2013 DEVERES DO JULGADOR. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. ÓBICE PROCESSUAL. Não há espaço para a aplicação do princípio da verdade material, analisando-se o mérito do pleito, quando o pedido deve ser indeferido por expressa disposição normativa, a qual o julgador deve observância. Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário requerendo a reforma do Acórdão nº 109-018.797, reestabelecendo o direito a monetização do Crédito Fiscal da(o) PIS/PASEP. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.988 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.725314/2019-49 3 VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Tempestivo o recurso, passa a análise do mérito. Conforme relatado, trata-se na origem de Pedido de Ressarcimento oriundo de crédito fiscal da COFINS não-cumulativo, relativo às operações de vendas no Mercado Interno relativo ao 1º Trimestre de 2014, no valor de R$ 110.814,72. O pedido foi indeferido sob a argumentação da autoridade administrativa de tratar-se de duplicidade de pedidos. Alega a Administração Tributária que o crédito fiscal postulado na PER/DCOMP nº 05892.71590.261218.1.1.19-4949 já havia sido pedido, em 2014, por meio da PER/DCOMP nº 00229.72456.250417.1.5.19-8000. Já a DRJ entendeu que “não há como se acatar o pleito da manifestante, que deveria ter procedido à retificação do PER antes de ter sido cientificada da decisão administrativa acerca do pleito originalmente aviado.” Portanto, não é possível transmitir dois PER relativos a um mesmo trimestre calendário, como ocorrido no caso sob qual ora se debruça. Para fim de requerer valores maiores de créditos do que aqueles informados no PER original, mister se fazia proceder à retificação do primeiro documento, com as devidas informações acerca de qual documento estava sendo retificado, o que não foi feito pela contribuinte, como se observa nas informações constantes do PER de que trata o presente processo, já identificado. Entretanto, como informou a manifestante, não conseguiu proceder à retificação do PER uma vez que o primeiro PER já se encontrava com decisão administrativa. Aduz o Recorrente que os dados e as informações fiscais apontados são suficientes para provar que seu pedido de ressarcimento de créditos de COFINS, referentes ao mercado interno (PER/DCOMP nº 05892.71590.261218.1.1.19- 4949), não foi realizado em duplicidade, haja vista que o pedido de ressarcimento anterior se referia a créditos de COFINS vinculados somente à exportação (PER/DCOMP nº 00229.72456.250417.1.5.19-8000). Ademais, defende que a Receita Federal do Brasil tem a possibilidade de realizar cruzamento de dados entre informações fiscais dos contribuintes, e demais dados relevantes para a verificação da diferença entre os pedidos de ressarcimento. Essas informações eletrônicas e digitais estão presentes nos demais Órgãos Públicos, em outras unidades da federação, ou mesmo em quaisquer localidades em que se encontrem e possam ser rastreados pelos mecanismos tecnológicos. Fl. 58DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.988 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.725314/2019-49 4 Evidentemente, a falta de retificação antes da emissão do despacho decisório não é fato impeditivo para que o contribuinte tenha o seu pedido de compensação tributário homologado, isto porque, primeiro, o direito ao crédito decorre de lei e, depois, caso exista um valor recolhido indevidamente ao erário público, fere o princípio da moralidade administrativa a imposição de formalidades para a manutenção, no Estado, de um valor que não lhe pertence. Porém, na hipótese da retificação posterior, o contribuinte tem a obrigação de apresentar os documentos que justifiquem a redução de seu débito tributário, pois aquele que alega fato constitutivo de seu direito tem a obrigação de prová-lo, conforme imputação de ônus prevista no artigo 373, inc. I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Quanto à questão da possibilidade de comprovação do direito creditório após a ciência do despacho decisório, aliás, trata-se de matéria cristalizada na jurisprudência do CARF por meio da Súmula nº 168, transcrita abaixo: Súmula CARF nº 168 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. No entanto, compulsando os autos, constato que além de não esclarecer o erro que teria cometido na apuração original e que a levou a retificar sua DCTF , a Recorrente não traz, nem em sua manifestação de inconformidade, nem em seu recurso, documentação (memória de cálculo, registros contábeis, documentação de suporte etc.) que comprove o direito creditório pleiteado. Portanto, não assiste razão à Recorrente. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e no mérito, negar provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 59DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.988 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11060.725314/2019-49 5 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 60DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11524669 #
Numero do processo: 10935.724408/2014-97
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. INCIDÊNCIA COMPULSÓRIA NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. ENTENDIMENTO SUMULADO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 194, os titulares de serviços notariais e de registro – notários, tabeliães e oficiais de registro – ainda que investidos antes de 20 de novembro de 1994 e vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, passaram, a partir de 16 de dezembro de 1998, em razão da Emenda Constitucional nº 20/1998, à condição de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2003-006.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Mario Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202607

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. INCIDÊNCIA COMPULSÓRIA NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. ENTENDIMENTO SUMULADO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 194, os titulares de serviços notariais e de registro – notários, tabeliães e oficiais de registro – ainda que investidos antes de 20 de novembro de 1994 e vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, passaram, a partir de 16 de dezembro de 1998, em razão da Emenda Constitucional nº 20/1998, à condição de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais.

turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10935.724408/2014-97

anomes_publicacao_s : 202610

conteudo_id_s : 7416622

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2003-006.942

nome_arquivo_s : Decisao_10935724408201497.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM

nome_arquivo_pdf_s : 10935724408201497_7416622.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Mario Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2026

id : 11524669

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:40 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547677343744

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-08-24T18:35:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-08-24T18:35:40Z; Last-Modified: 2026-08-24T18:35:40Z; dcterms:modified: 2026-08-24T18:35:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-08-24T18:35:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-08-24T18:35:40Z; meta:save-date: 2026-08-24T18:35:40Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-08-24T18:35:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-08-24T18:35:40Z; created: 2026-08-24T18:35:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2026-08-24T18:35:40Z; pdf:charsPerPage: 1474; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-08-24T18:35:40Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10935.724408/2014-97 ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 16 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE MARCOS ROGERIO FERRI INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. SÚMULA CARF Nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. INCIDÊNCIA COMPULSÓRIA NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. ENTENDIMENTO SUMULADO. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 194, os titulares de serviços notariais e de registro – notários, tabeliães e oficiais de registro – ainda que investidos antes de 20 de novembro de 1994 e vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, passaram, a partir de 16 de dezembro de 1998, em razão da Emenda Constitucional nº 20/1998, à condição de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 2 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Assinado Digitalmente Mario Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Francisco Ibiapino Luz, Jucileia de Souza Lima, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Cuida-se de Recurso Voluntário de fls. 71/76 interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 61/64, a qual julgou procedente o lançamento referente à Contribuição Social do segurado Contribuinte Individual pelo exercício da atividade de titular de cartório não remunerado pelos cofres públicos, considerados segurados obrigatórios da Previdência Oficial, conforme descrito no auto de infração nº 51.069.998-7, de fls. 06/16, lavrado em 07/11/2014, referente ao período de 01/2009 a 12/2013, com ciência do RECORRENTE em 18/11/2014, conforme AR de fl. 48. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo se encontra no valor de R$ 90.322,80, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício. De acordo com o relatório fiscal (fls. 17/32), conforme devidamente sintetizado pela DRJ de Origem, o contribuinte informou nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF relativas aos anos calendário de 2009 a 2013 ter como ocupação principal a função de titular de cartório. Durante a fiscalização, o contribuinte confirmou que seus rendimentos são exclusivamente oriundos do Cartório, todos eles provenientes de pessoas físicas, e afirmou não ter realizado pagamentos de contribuições ao INSS no período fiscalizado, pelo fato de efetuar recolhimentos mensais à PARANAPREVIDÊNCIA. Desta feita, a autoridade fiscal constatou a não vinculação do contribuinte ao RPPS do Estado do Paraná (PARANÁPREVIDÊNCIA), apresentou o embasamento legal pertinente, e afirmou que o titular de cartório não remunerado pelos cofres públicos é segurado obrigatório da Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, nos termos da alínea “h” do inciso V do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Na ocasião, esclareceu que a parte do dispositivo da Lei Estadual do Paraná nº 12.398/98, que incluiu os serventuários da Justiça não remunerados pelos cofres públicos como segurados do regime próprio de previdência do Estado, foi julgado inconstitucional pelo STF nos autos da ADI nº 2.791-3/PR. Fl. 90DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 3 As contribuições lançadas incidiram sobre a remuneração informada pelo contribuinte na ficha “rendimentos recebidos de pessoas físicas” das DIRPF do período, observado o limite máximo do salário de contribuição então vigente. A alíquota aplicada foi de 20%. Como não houve qualquer recolhimento de contribuição ao RGPS, não houve qualquer abatimento ou ajuste a ser observado. Assim, apurou o crédito tributário conforme planilha de fls. 26/28. Impugnação Devidamente intimado, o RECORRENTE apresentou a impugnação de fl. 53/55, em 08/12/2014 (fl. 57). Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ Salvador/BA das razões apresentadas, adota-se, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: O impugnante afirma ter vínculo com o Instituto de Previdência do Estado – IPE, atualmente denominado Paraná Previdência, à qual sempre efetuou recolhimentos. Além disso, é contribuinte da previdência complementar estadual. Por ter uma função intrinsecamente ligada ao judiciário, nunca se viu como contribuinte do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Afirma ainda que, se houvesse sido avisado dessa cobrança no ano de 2009, teria passado a recolher o devido. Argumenta que está sendo tratado como inadimplente, sem nunca ter sido compelido a regularizar a situação em prazo hábil. Informa que, da renda bruta auferida, o valor do IRPF e do ISSQN alcança entre R$ 7.000,00 e R$ 8.000,00 por mês. Somados aos valores pagos à Paraná previdência, tais valores somam quase R$ 10.000,00. Propõe seja cobrado o valor mínimo de contribuição, sem acréscimo de multa.. Da Decisão da DRJ Quando da apreciação do caso, a DRJ Salvador/BA julgou procedente o lançamento, conforme ementa abaixo (fls. 61/65): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2013 TITULAR DE CARTÓRIO. VINCULAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RGPS. O art. 40 da Constituição, na redação que lhe foi dada pela EC nº 20, de 1998, expressamente limita o alcance dos regimes próprios de previdência social aos servidores titulares de cargo efetivo. Combinando este dispositivo com a regra do art. 236 da Constituição, que afirma serem os serviços notariais prestados em caráter privado, por delegação, emerge a conclusão de que os titulares de cartório Fl. 91DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 4 não estão vinculados a regime próprio de previdência social, mas sim ao Regime Geral de Previdência Social. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário O RECORRENTE foi devidamente intimado da decisão da DRJ em 24/08/2020, conforme AR de fl. 79, apresentando recurso voluntário de fls. 71/76, em 17/09/2020 (fl. 78). Preliminarmente, entende o RECORRENTE que débito previdenciário foi fulminado pela prescrição intercorrente, eis que foi notificado do Auto de Infração em 18/11/2014, apresentou impugnação em 08/12/2014 e esta foi julgada somente em 23/07/2020. Assim, como o processo administrativo fiscal ficou aguardando decisão por mais de 05 anos, o crédito tributário teria sido fulminado pela prescrição prevista no art. 174 do Código Tributário Nacional – CTN. No mérito, afirma o que segue: Trata-se de Auto de Infração lavrado em razão de recolhimento de contribuição previdenciária ao regime próprio de previdência, cuja lei que amparava tais contribuições foi declarada inconstitucional, com efeitos ex tunc. Ocorre que o recorrente vertia as contribuições ao regime próprio de previdência do estado do Paraná, obedecendo a regra estadual, pois do contrário seria compelido a fazê-lo. Portanto, a cobrança realizada pela Fazenda se mostra em duplicidade, isso porque em estrita observância a Lei Estadual o recorrente verteu as contribuições aquele ente que a lei determinou. Ora, se já recolheu e posteriormente foi reconhecida a ilegitimidade de quem as recebeu, deve a Fazenda acionar aqueles que indevidamente receberam, sob pena de causar enriquecimento a uma das partes e em contrapartida empobrecimento indevido aquele que de boa-fé pagou. O autuado nunca negou a pagar o devido, porém deve ser considerada a boa-fé associada a presunção de constitucionalidade da norma. Contudo, pretende a liquidação do valor com a glosa de multa e juros, porquanto contribuiu com base legal. De outro norte, requer a compensação de valores contribuídos para previdência do estado, conforme entendimento consolidado pela jurisprudência. Deve o delegatário estar sujeito ao sistema geral de aposentadoria da Previdência Social, assegurando-se contagem recíproca de tempo de serviço e resolvendo-se atuarialmente a compensação ou complementação dos recolhimentos já efetuados entre o INSS e o órgão gestor previdenciário da Fl. 92DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 5 unidade federada. 5. Recurso Ordinário em Mandado de Segurança não provido. (Mandado de Segurança n. 28.650/RS) Destaque-se, por oportuno, que o recorrente está providenciando a CTC junto a PARANAPREVIDÊNCIA para fins de compensação e recálculo do valor a ser pago a título de contribuições do período. Tal glosa influenciará substancialmente no valor devido, porquanto o valor principal será consideravelmente diminuído.” Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões pelas quais dele conheço. PRELIMINAR Prescrição Intercorrente O RECORRENTE alega, em síntese, ocorrência da prescrição intercorrente no presente caso, pois o julgamento de sua impugnação teria ocorrido mais de 05 anos após a apresentação da referida defesa. Contudo, a despeito de toda fundamentação das razões de defesa apresentada pelo RECORRENTE, é improcedente o argumento. Sabe-se que o instituto da prescrição intercorrente não é aplicável no processo administrativo fiscal, conforme prevê a Súmula nº 11 deste CARF: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). É preciso ter em mente que não há prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal haja vista que o prazo prescricional sequer começou a correr, pois a apresentação de impugnação tempestiva (e demais recursos tempestivos) suspende a exigibilidade do crédito tributário e impede o início da contagem do prazo prescricional para a sua cobrança. Assim, como não há na legislação de regência a previsão da prescrição intercorrente, é impossível a sua aplicação no âmbito do processo administrativo fiscal. E nem poderia haver, pois o instituto da prescrição somente extingue o direito de ação, ainda não materializado em favor do Fisco, pois o crédito tributário objeto desse processo administrativo ainda não está definitivamente constituído, por efeito do art. 151, III, do CTN, verbis: Fl. 93DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 6 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Assim, a fluência do prazo prescricional somente se inicia com o trânsito em julgado da decisão administrativa, ocasião que torna definitiva a constituição do crédito tributário, não havendo motivos para se levantar a hipótese de ocorrência da prescrição, tampouco da prescrição intercorrente, quando sequer há crédito constituído. Logo, não merece prosperar o pedido formulado pelo RECORRENTE. MÉRITO Vinculação ao RGPS A controvérsia cinge-se a definir se o RECORRENTE, titular de cartório não remunerado pelos cofres públicos, estaria vinculado ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Paraná (PARANÁPREVIDÊNCIA) ou se, por força da Constituição e da legislação infraconstitucional, seria segurado obrigatório do RGPS, como contribuinte individual. O tema objeto do recurso não é novo neste CARF. Existem diversos precedentes tratando da condição de segurado obrigatório da previdência oficial dispensada aos notários, oficiais de registro, bem como aos seus escreventes e auxiliares, inclusive nas relações envolvendo a PARANAPREVIÊNCIA. Como exemplo, cito os seguintes acórdãos, sendo um deles, inclusive, de minha relatoria: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. SERVIÇOS NOTARIAIS E DE REGISTRO. INCIDÊNCIA COMPULSÓRIA NO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. Os titulares de serviços notariais e de registro — notários, tabeliães e oficiais de registro — ainda que investidos antes de 20 de novembro de 1994 e vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, passaram, a partir de 16 de dezembro de 1998, em razão da Emenda Constitucional nº 20/1998, à condição de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na categoria de contribuintes individuais. (acórdão nº 2003-006.813; Relator: Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim; Sessão de 15/09/2025) *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 94DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 7 Período de apuração: 01/05/2009 a 30/11/2011 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. NOTARIOS. TABELIÃES. OFICIAIS DE REGISTRO E REGISTRADORES. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. O notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. (acórdão 2005-000.134; sessão de 30/10/2023; Relatora: Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes) *** Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. NOTÁRIOS. TABELIÃES. OFICIAIS DE REGISTRO E REGISTRADORES. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. O notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. (acórdão nº 2002-008.604; sessão de 25/07/2024; Relator: Conselheiro Marcelo de Sousa Sáteles) *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. NOTÁRIOS. TABELIÃES. OFICIAIS DE REGISTRO E REGISTRADORES. VINCULAÇÃO OBRIGATÓRIA AO REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL A PARTIR DE 16/12/1998. O notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. DECISÕES ADMINISTRATIVAS OU JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 95DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 8 As decisões administrativas ou judiciais fazem coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. (acórdão nº 2004-000.143; Relator: Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti; sessão de 28/12/2023) Neste sentido, o notário, o tabelião, o oficial de registro ou registrador, nomeados até 20 de novembro de 1994, que detêm a delegação do exercício da atividade notarial e de registro, mesmo que amparados por Regime Próprio de Previdência Social, a partir de 16 de dezembro de 1998, por força da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, são segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuintes individuais. Esta matéria encontra-se, inclusive, sumulada por este Tribunal: Súmula CARF nº 194 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 21/06/2024 – vigência em 27/06/2024 Para fins de incidência de contribuições previdenciárias, os escreventes e auxiliares de cartórios filiam-se ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ainda que tenham sido admitidos antes de 21/11/1994. Acórdãos Precedentes: 9202-009.752; 9202-009.191; 9202-007.916 No presente caso, acompanho integralmente o entendimento adotado pela DRJ, por seus próprios e bem lançados fundamentos, que ora reforço. A Emenda Constitucional nº 20/1998 promoveu profunda reestruturação do sistema previdenciário, restringindo expressamente a abrangência dos Regimes Próprios de Previdência Social aos servidores públicos titulares de cargos efetivos, conforme dispõe o art. 40 da Constituição Federal. Tal comando constitucional foi reproduzido e detalhado pela Lei nº 9.717/1998, que vedou, de forma inequívoca, a manutenção em RPPS de quaisquer pessoas que não se enquadrem nessa condição jurídica específica. Art. 1º Os regimes próprios de previdência social dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos militares dos Estados e do Distrito Federal deverão ser organizados, baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial, observados os seguintes critérios: (...) V - cobertura exclusiva a servidores públicos titulares de cargos efetivos e a militares, e a seus respectivos dependentes, de cada ente estatal, vedado o pagamento de benefícios, mediante convênios ou consórcios entre Estados, entre Estados e Municípios e entre Municípios; Fl. 96DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 9 Os notários e registradores, ainda que investidos antes da Lei nº 8.935/1994, não ocupam cargo público efetivo, exercendo atividade privada por delegação do Poder Público, nos termos do art. 236 da Constituição Federal. Trata-se, portanto, de agentes delegados, e não de servidores públicos stricto sensu. Dessa forma, eventual permissão legal anterior, prevista em legislação ordinária estadual ou federal, não subsiste frente à nova ordem constitucional, não havendo falar em direito adquirido a regime jurídico previdenciário incompatível com a Constituição. A partir de 16/12/1998, inclusive para os notários e registradores admitidos antes da Lei nº 8.935/1994, a filiação ao RPPS tornou-se juridicamente impossível, impondo-se o enquadramento obrigatório no RGPS. Entendo que a legislação previdenciária, ao dispor que enquadra-se como contribuinte individual a pessoa física que exerce, por conta própria, atividade econômica de natureza urbana, com fins lucrativos ou não, é clara ao enquadrar os notários e registradores não remunerados pelos cofres públicos como segurados obrigatórios do RGPS, na categoria de contribuintes individuais, conforme:  art. 12, V, “h”, da Lei nº 8.212/1991;  art. 9º, V, “l”, e § 12, do Decreto nº 3.048/1999. A opção do contribuinte por continuar recolhendo contribuições ao PARANÁPREVIDÊNCIA não tem o condão de afastar a incidência da legislação federal, nem de exonerá-lo da obrigação tributária perante o RGPS. Conforme esclarecido pela DRJ de Origem, o entendimento ora adotado encontra pleno respaldo na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, especialmente no julgamento da ADI nº 2.791-3, em que foi declarada inconstitucional a inclusão de serventuários da Justiça não remunerados pelos cofres públicos em regime próprio de previdência. No referido julgamento, o STF afastou expressamente a possibilidade de enquadramento desses agentes no RPPS do Estado do Paraná, reforçando que tal vinculação viola o art. 40 da Constituição Federal. Diante do exposto, entendo sem razão o RECORRENTE, devendo ser mantida a decisão da DRJ, reconhecendo a obrigatoriedade de o RECORRENTE contribuir para o Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, no período fiscalizado. Aproveitamento de Valores Recolhidos Por fim, o RECORRENTE pleiteia a compensação de valores contribuídos para previdência do estado. Cita jurisprudência do STJ no sentido de assegurar a contagem recíproca de tempo de serviço e resolver atuarialmente a compensação ou complementação dos recolhimentos Fl. 97DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 10 entre os regimes (Mandado de Segurança n. 28.650/RS) e alega que “está providenciando a CTC junto a PARANAPREVIDÊNCIA para fins de compensação e recálculo do valor a ser pago a título de contribuições do período”. Contudo, não prospera o pleito do RECORRENTE de ver resolvida a compensação neste lançamento. Conforme exposto, os recolhimentos efetuados ao regime próprio estadual não afastam a obrigação tributária perante o RGPS, tampouco autorizam compensação no âmbito deste processo administrativo, uma vez que os valores foram destinados a ente diverso da União. Assim, eventual restituição ou compensação financeira entre regimes previdenciários deverá ser buscada perante os órgãos competentes, não interferindo na validade do lançamento ora discutido nem cabendo a esse órgão de julgamento decidir a respeito. Mesma conclusão foi adotada neste CARF em processos semelhantes, conforme abaixo: Acórdão nº 2002-009.288: “Voto (...) Quanto à possibilidade de compensação entre regimes de previdência, cumpre observar que falece competência ao CARF para apreciar e deferir ou indeferir, uma vez que a competência deste Conselho é de julgar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que tratem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil.” *** Acórdão nº 2005-000.064 “Voto (...) Quanto ao pleito do contribuinte de que os valores pagos ao ParanáPrevidência sejam transferidos para a Previdência Social, não cabe a esse órgão de julgamento decidir a respeito, devendo o contribuinte procurar os meio corretos para tanto.” Diante do exposto, entendo sem razão o RECORRENTE em seu pleito, visto ser plenamente válido o presente lançamento pois o contribuinte é segurado obrigatório do RGPS, como exposto. CONCLUSÃO Fl. 98DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2003-006.942 – 2ª SEÇÃO/3ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10935.724408/2014-97 11 Em razão do exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para REJEITAR a preliminar de prescrição intercorrente e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos das razões acima. Assinado Digitalmente Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 99DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11524702 #
Numero do processo: 10314.720390/2020-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A utilização de amostragem em procedimento fiscal não acarreta nulidade quando o lançamento contém fundamentação suficiente e não há demonstração de preterição do direito de defesa ou de prejuízo concreto ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. CRÉDITOS INDISPONÍVEIS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. A realocação de créditos para os períodos em que deveriam ter sido aproveitados pode revelar insuficiência de recolhimento nos períodos subsequentes. Constatada declaração inexata em procedimento fiscal, aplica-se a multa de ofício, e não a multa de mora. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇAS ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A declaração em EFD-Contribuições de valores superiores aos confessados em DCTF configura declaração inexata e insuficiência de recolhimento. A denúncia espontânea não se caracteriza sem o pagamento integral do tributo e dos juros antes do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA INDIVIDUALIZADA. A responsabilidade pessoal dos administradores exige demonstração individualizada de ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera ocupação do cargo de direção e o inadimplemento da pessoa jurídica não autorizam a imputação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Afastada a qualificação da multa por inexistência de dolo, não subsiste a responsabilidade pessoal fundada no art. 135 do CTN quando assentada nos mesmos fatos e ausente demonstração de conduta dolosa própria dos administradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CULPA IN VIGILANDO. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A culpa in vigilando não constitui fundamento suficiente para a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, que pressupõe atuação dolosa e individualizada. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Exoneração inferior ao limite regulamentar. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida.
Numero da decisão: 3401-015.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para (a) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais; (b) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização, no período autuado, comprovados pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, conhecer e dar provimento para afastar a responsabilidade atribuída a Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conhecer do Recurso de Ofício por ser inferior ao limite de alçada. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leandro Wilhelm Wolff (substituto[a] integral) e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LAURA BAPTISTA BORGES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202608

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 10314.720390/2020-18

anomes_publicacao_s : 202610

conteudo_id_s : 7416635

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 05 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3401-015.042

nome_arquivo_s : Decisao_10314720390202018.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : LAURA BAPTISTA BORGES

nome_arquivo_pdf_s : 10314720390202018_7416635.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para (a) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais; (b) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização, no período autuado, comprovados pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, conhecer e dar provimento para afastar a responsabilidade atribuída a Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conhecer do Recurso de Ofício por ser inferior ao limite de alçada. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leandro Wilhelm Wolff (substituto[a] integral) e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2026

id : 11524702

ano_sessao_s : 2026

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A utilização de amostragem em procedimento fiscal não acarreta nulidade quando o lançamento contém fundamentação suficiente e não há demonstração de preterição do direito de defesa ou de prejuízo concreto ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. CRÉDITOS INDISPONÍVEIS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. A realocação de créditos para os períodos em que deveriam ter sido aproveitados pode revelar insuficiência de recolhimento nos períodos subsequentes. Constatada declaração inexata em procedimento fiscal, aplica-se a multa de ofício, e não a multa de mora. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇAS ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A declaração em EFD-Contribuições de valores superiores aos confessados em DCTF configura declaração inexata e insuficiência de recolhimento. A denúncia espontânea não se caracteriza sem o pagamento integral do tributo e dos juros antes do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA INDIVIDUALIZADA. A responsabilidade pessoal dos administradores exige demonstração individualizada de ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera ocupação do cargo de direção e o inadimplemento da pessoa jurídica não autorizam a imputação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Afastada a qualificação da multa por inexistência de dolo, não subsiste a responsabilidade pessoal fundada no art. 135 do CTN quando assentada nos mesmos fatos e ausente demonstração de conduta dolosa própria dos administradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CULPA IN VIGILANDO. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A culpa in vigilando não constitui fundamento suficiente para a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, que pressupõe atuação dolosa e individualizada. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Exoneração inferior ao limite regulamentar. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem-se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida.

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:40 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547699363840

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-20T21:28:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-20T21:28:34Z; Last-Modified: 2026-09-20T21:28:34Z; dcterms:modified: 2026-09-20T21:28:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-20T21:28:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-20T21:28:34Z; meta:save-date: 2026-09-20T21:28:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-20T21:28:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-20T21:28:34Z; created: 2026-09-20T21:28:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; Creation-Date: 2026-09-20T21:28:34Z; pdf:charsPerPage: 1840; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-20T21:28:34Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10314.720390/2020-18 ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 19 de agosto de 2026 RECURSO DE OFÍCIO E VOLUNTÁRIO RECORRENTES CINEMARK BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A utilização de amostragem em procedimento fiscal não acarreta nulidade quando o lançamento contém fundamentação suficiente e não há demonstração de preterição do direito de defesa ou de prejuízo concreto ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. RECOMPOSIÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. CRÉDITOS INDISPONÍVEIS EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. A realocação de créditos para os períodos em que deveriam ter sido aproveitados pode revelar insuficiência de recolhimento nos períodos subsequentes. Constatada declaração inexata em procedimento fiscal, aplica-se a multa de ofício, e não a multa de mora. MULTA DE OFÍCIO. DIFERENÇAS ENTRE EFD-CONTRIBUIÇÕES E DCTF. DECLARAÇÃO INEXATA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A declaração em EFD-Contribuições de valores superiores aos confessados em DCTF configura declaração inexata e insuficiência de recolhimento. A denúncia espontânea não se caracteriza sem o pagamento integral do tributo e dos juros antes do procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. DIRETORES. AUSÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA INDIVIDUALIZADA. A responsabilidade pessoal dos administradores exige demonstração individualizada de ato doloso praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. A mera ocupação do cargo de direção e o inadimplemento da pessoa jurídica não autorizam a imputação. Fl. 18328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135 DO CTN. AFASTAMENTO DA MULTA QUALIFICADA. AUSÊNCIA DE DOLO. Afastada a qualificação da multa por inexistência de dolo, não subsiste a responsabilidade pessoal fundada no art. 135 do CTN quando assentada nos mesmos fatos e ausente demonstração de conduta dolosa própria dos administradores. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CULPA IN VIGILANDO. ART. 135 DO CTN. INAPLICABILIDADE. A culpa in vigilando não constitui fundamento suficiente para a responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, que pressupõe atuação dolosa e individualizada. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. LEGISLAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO. Para fins de conhecimento do recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Exoneração inferior ao limite regulamentar. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam Fl. 18329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 3 como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem- se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral Fl. 18330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 4 quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2016 a 31/07/2018 PIS. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS CONDOMINIAIS. CONTRATO DE LOCAÇÃO. DESPESAS DO LOCATÁRIO. As despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS NOVOS. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA. A apropriação imediata de créditos restringe-se às máquinas e aos equipamentos novos. A essencialidade do bem ao funcionamento da empresa não autoriza o enquadramento de toda a estrutura física e operacional como equipamento. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. INSTALAÇÕES E BENFEITORIAS. CREDITAMENTO PELA DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e demais componentes incorporados à estrutura do imóvel não se qualificam como máquinas ou equipamentos novos. Cabível o creditamento pela depreciação ou amortização, afastada a apropriação imediata. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MONTAGEM. MODALIDADE DE CREDITAMENTO. A integração dos serviços de instalação ou montagem ao custo do ativo não assegura a apropriação imediata dos créditos. A modalidade de creditamento depende da natureza do bem instalado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO. MÓVEIS E UTENSÍLIOS. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. IMPOSSIBILIDADE. Mobiliário, poltronas, balcões e outros bens duráveis incorporados ao estabelecimento sujeitam-se ao creditamento pela depreciação, não se enquadrando, apenas por sua essencialidade, como máquinas ou equipamentos novos. PIS. COFINS. LICENÇAS DE USO DE SOFTWARE. ATIVO INTANGÍVEL. AMORTIZAÇÃO. Fl. 18331DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 5 As licenças de uso de software classificadas no ativo intangível geram créditos calculados sobre os encargos de amortização. A mera integração funcional do software a determinado equipamento não autoriza a apropriação imediata sem comprovação individualizada de sua indissociabilidade. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. APROPRIAÇÃO ANTECIPADA. MERA POSTERGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas. Os encargos relativos a períodos subsequentes devem ser considerados na liquidação, mediante comprovação, sem que isso autorize o aproveitamento integral antecipado. PIS. COFINS. ATIVO IMOBILIZADO E INTANGÍVEL. ENQUADRAMENTO COMO INSUMO. IMPOSSIBILIDADE. Bens duráveis incorporados ao ativo imobilizado ou intangível submetem- se às modalidades específicas de creditamento previstas em lei. A regra geral dos insumos não se aplica quando há disciplina legal própria para a aquisição. PIS. COFINS. EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. APROPRIAÇÃO IMEDIATA. PROVA APRESENTADA EM RECURSO. Reconhecida a natureza de equipamentos dos bens empregados diretamente na projeção e sonorização, admite-se o crédito integral quando as aquisições são comprovadas por documentos apresentados em recurso para contrapor fundamento surgido na decisão recorrida. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento para (a) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais; (b) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização, no período autuado, comprovados pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, conhecer e dar provimento para afastar a responsabilidade atribuída a Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conhecer do Recurso de Ofício por ser inferior ao limite de alçada. Fl. 18332DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 6 Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges – Relatora Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ana Paula Pedrosa Giglio, Celso Jose Ferreira de Oliveira, Laercio Cruz Uliana Junior, Laura Baptista Borges, Leandro Wilhelm Wolff (substituto[a] integral) e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 104-010.386, da 2ª Turma da DRJ04, que julgou parcialmente procedente a Impugnação oferecida contra auto de infração de Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime não cumulativo, relativo aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2016 e seus reflexos em 2017 e 2018. O lançamento decorreu de ação fiscal que apurou, em síntese, o aproveitamento indevido de créditos sobre comissões de agenciamento, despesas condominiais e bens do ativo imobilizado, além de insuficiência de recolhimento verificada no cotejo entre EFD-Contribuições e DCTF, e créditos descontados indevidamente em decorrência do aproveitamento de ofício de saldo credor em períodos anteriores. Sobre parte das infrações foi aplicada a multa qualificada de 150%, e imputada responsabilidade solidária a quatro diretores com fundamento no art. 135 do CTN. A DRJ, após conversão do julgamento em diligência, reverteu a glosa das comissões de agenciamento, reconheceu o direito ao crédito sobre o ativo imobilizado na modalidade depreciação/amortização e reduziu a multa qualificada ao patamar de 75%, por afastar o dolo, mantendo, contudo, a responsabilidade dos diretores por voto de qualidade, as glosas de condomínio, a negativa de creditamento integral do ativo imobilizado, a multa sobre os créditos reflexos de 2017/2018 e a multa por insuficiência de recolhimento. Em razão da reversão das referidas glosas, foi interposto Recurso de Ofício. A Recorrente interpôs, assim, seu Recurso Voluntário, estruturado especialmente nos seguintes tópicos:  DIREITO A CRÉDITOS DE SOBRE O ALUGUEL, INCLUINDO A PARCELA REFERENTE À TAXA DE CONDOMÍNIO: ART. 3º, INCISO IV, DASLEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03;  DIREITO A CRÉDITOS SOBRE CONDOMÍNIO COMO “INSUMO” DA ATIVIDADE DA RECORRENTE; Fl. 18333DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 7  GLOSA DE CRÉDITOS “COD 10”: “EQUIPAMENTOS” DO ATIVO IMOBILIZADO NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE;  PRELIMINAR: NULIDADE DA GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM;  DIREITO A CREDITAMENTO INTEGRAL DE CRÉDITOS REFERENTES A “EQUIPAMENTOS” NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE;  O CONCEITO DE EQUIPAMENTO PARA FINS DO ART. 3º, VI DAS LEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03;  O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES” E 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”;  O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS”;  O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE A CONTA CONTÁBIL 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”;  SUBSIDIARIAMENTE: RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL RELACIONADO AO ATIVO IMOBILIZADO POR MERA POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO;  SUBSIDIARIAMENTE: ENQUADRAMENTO COMO “INSUMO” DOS ITENS REGISTRADOS NAS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES”, 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”, 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS” E 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”;  RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL SOBRE EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO;  CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM DECORRÊNCIA DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO EM PERÍODOS ANTERIORES; e  INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Foram também interpostos Recursos Voluntários pelas pessoas físicas responsabilizadas tributariamente:  FLS. 18092/18126 – RECURSO VOLUNTÁRIO DO RAPHAEL DENADAI SANCHEZ;  FLS. 18129/18164 – RECURSO VOLUNTÁRIO DO JOSÉ BENTO DE ALENCAR JUNIOR; Fl. 18334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 8  FLS. 18167/18201 – RECURSO VOLUNTÁRIO DO MARCELO BERTINI DE REZENDE BARBOSA; e  FLS. 18204/18239 – ANDREA PUPO S ENCARNAÇÃO SASAKI. É o relatório. VOTO Conselheira Laura Baptista Borges, Relatora. Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem todos os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual merecem ser conhecido. Passo a avaliar, primeiramente, o Recurso Voluntário da Recorrente Cinemark: 1 – PRELIMINAR: NULIDADE DA GLOSA COM BASE EM AMOSTRAGEM. Em preliminar, a Recorrente sustenta a nulidade da glosa por vício no procedimento de apuração. Relata que a fiscalização se estendeu por aproximadamente dois anos, período em que respondeu a mais de trinta termos de intimação. Afirma que, em junho de 2020, diante do elevado número de lançamentos e do estado de calamidade decorrente da pandemia, a autoridade fiscal concordou em reduzir o escopo da documentação exigida, passando a admitir amostragem inferior à inicialmente solicitada. Acrescenta que, especificamente quanto aos bens do ativo imobilizado, foi expedido um único termo de intimação, sem posterior solicitação de documentos complementares, circunstância que a teria levado a concluir que a exigência havia sido integralmente atendida. Alega que, com base apenas na amostra examinada, a fiscalização promoveu a glosa da totalidade dos valores registrados nas respectivas contas, alcançando documentos que não foram analisados nem sequer solicitados. Sustenta que esse critério não encontra fundamento legal. Em apoio à sua tese, invoca os Acórdãos CARF nº 1301-004.410 e nº 1301-003.220, nos quais se teria reconhecido a inexistência de autorização legal para a glosa de despesas com base em amostragem. Critica, ainda, o acórdão recorrido por se apoiar em precedente de 2009, que considera superado pela evolução dos métodos de fiscalização. A preliminar não merece acolhimento. O art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 restringe a nulidade aos atos e termos lavrados por pessoa incompetente e aos despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O art. 60, por sua vez, estabelece que as irregularidades, incorreções e omissões distintas dessas hipóteses não importam em nulidade, devendo ser sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa ou quando não influenciarem a solução do litígio. Fl. 18335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 9 No caso concreto, não se verifica nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no Decreto nº 70.235/1972. Não há alegação de incompetência da autoridade responsável pelos atos de fiscalização, tampouco se identifica preterição do direito de defesa. A Recorrente teve ciência dos fundamentos da glosa, apresentou impugnação e recurso e pôde produzir documentos e argumentos destinados a demonstrar o direito aos créditos pretendidos. Também não há impedimento legal à utilização da técnica de amostragem pela autoridade fiscal. Trata-se de método usual em procedimentos de auditoria e especialmente adequado às hipóteses em que o elevado volume de registros torna inviável o exame individualizado de todas as operações. No caso, a glosa não decorreu da mera extrapolação automática dos resultados obtidos na amostra. A fiscalização apresentou, para cada conta examinada, os fundamentos que afastariam o direito ao creditamento, relacionados à ausência de previsão legal ou à insuficiência de comprovação, seja pela falta de apresentação dos documentos, seja pela inaptidão dos elementos fornecidos para demonstrar o preenchimento dos requisitos legais. A própria Recorrente reconhece a dificuldade de localizar as aproximadamente 3.500 notas fiscais solicitadas, o que evidencia que o exame integral dos registros foi inviabilizado, ao menos em parte, pela impossibilidade de apresentação da documentação por ela própria. Além disso, a apuração foi realizada a partir de dados e registros fornecidos pela empresa. A Recorrente não indicou, de forma objetiva, quais operações ou parcelas da exigência teriam sido indevidamente alcançadas em razão de eventual distorção da amostra. Limitou-se a questionar, em termos genéricos, a inexistência de fundamento legal para o método empregado, sem demonstrar prejuízo concreto ao exercício de sua defesa. Por fim, as notas fiscais e a planilha de inventário apresentadas apenas com a impugnação foram submetidas à autoridade autuante em diligência, cujos resultados serão examinados nos subtópicos seguintes. Essa providência permitiu a análise dos elementos posteriormente apresentados e afasta, também sob esse aspecto, a alegação de prejuízo ao direito de defesa. Rejeito, portanto, a preliminar. 2 – DO DIREITO A CRÉDITOS DE SOBRE O ALUGUEL, INCLUINDO A PARCELA REFERENTE À TAXA DE CONDOMÍNIO: ART. 3º, INCISO IV, DASLEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03. A Recorrente sustenta, neste tópico, que o crédito por ela apurado não decorre de despesas avulsas indevidamente escrituradas como se aluguéis fossem, mas de parcela inerente e obrigatória do próprio contrato de locação. Argumenta que os gastos com condomínio integram o valor global devido ao locador a título de aluguel, nos termos dos arts. 23, 25 e 44 da Lei nº 8.245/91, e invoca o art. 31, §1º da IN nº 1.500/14 para demonstrar que, como regra, tais despesas integram o próprio valor do aluguel quando o ônus é atribuído ao locatário. Fl. 18336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 10 Refuta expressamente a conclusão do acórdão recorrido de que as taxas condominiais seriam cobradas separadamente, sustentando que o oposto é o que se verifica dos contratos e faturas, nos quais a quitação do aluguel e do condomínio se dá de forma conjunta, na mesma fatura. Aponta, com base em excertos dos contratos firmados com diversos shoppings, que as despesas de condomínio ora integram o valor do aluguel mensal, ora são rateadas segundo percentual que se incorpora ao aluguel percentual. Invoca, ainda, o Acórdão CARF nº 3301- 007.117 e precedentes sobre o IPTU do locatário, para concluir que tais verbas compartilham a natureza jurídica do aluguel e geram crédito nos termos do art. 3º, IV das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Entendo que assiste razão à Recorrente. A matéria não é nova em minha análise. Compus a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção que, por unanimidade, no julgamento do Acórdão nº 3101-004.322 (processo 17227.720010/2022-27, sessão de 9 de dezembro de 2025), reverteu a glosa de despesas condominiais, IPTU e luz e força, e aderi àquela conclusão. Não vejo razão para dela divergir no presente caso, tanto por coerência decisória quanto porque a questão de direito é rigorosamente a mesma, e os fatos aqui são ainda mais favoráveis ao reconhecimento do crédito. Naquele precedente, cujos fundamentos adoto como razões de decidir na parte pertinente, consignou-se que as despesas periféricas relacionadas ao contrato de aluguel integram o custo de locação. Peço vênia, antes, para transcrever os arts. 22, 23 e 25 da Lei nº 8.245/91, para fins de melhor compreensão do raciocínio: “Art. 22. O locador é obrigado a: (...) VIII - pagar os impostos e taxas, e ainda o prêmio de seguro complementar contra fogo, que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel, salvo disposição expressa em contrário no contrato; (...) X - pagar as despesas extraordinárias de condomínio. (...) Art. 23. O locatário é obrigado a: I - pagar pontualmente o aluguel e os encargos da locação, legal ou contratualmente exigíveis, no prazo estipulado ou, em sua falta, até o sexto dia útil do mês seguinte ao vencido, no imóvel locado, quando outro local não tiver sido indicado no contrato; Fl. 18337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 11 (...) XII - pagar as despesas ordinárias de condomínio. (...) Art. 25. Atribuída ao locatário a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, encargos e despesas ordinárias de condomínio, o locador poderá cobrar tais verbas juntamente com o aluguel do mês a que se refiram.” Veja-se, assim, o voto do i. Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, proferido no Acórdão nº 3101-004.322: “Em breve síntese, cabe ao locatário o pagamento das despesas ordinárias de condomínio, podendo ainda ser atribuída a sua responsabilidade pelo pagamento dos tributos incidentes sobre o imóvel, desde que expressamente previsto no contrato de locação. Em tais casos, o IPTU, as taxas condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação, sendo determinantes para a sua manutenção, uma vez que, nos termos do artigo 9º, inciso III, da Lei nº 8.245/91, a locação poderá ser desfeita em decorrência da falta de pagamento do aluguel e demais encargos. Cumpre ressaltar que não se trata, propriamente, de pagamento do imposto para o munícipio e da taxa condominial ao condomínio (ainda que assim sejam efetuados), mas de receitas auferidas pelo locador em decorrência do contrato de locação, como se verifica do entendimento exarado na Solução de Consulta COSIT nº 38, de 19 de fevereiro de 2014: EMENTA: LUCRO PRESUMIDO. RECEITA BRUTA. ADMINISTRAÇÃO DE IMÓVEIS PRÓPRIOS. DESPESAS CONDOMINIAIS. TAXAS E TRIBUTOS INCIDENTES SOBRE O IMÓVEL ADMINISTRADO. Consideram-se receitas auferidas pelas empresas de administração de imóveis próprios, decorrentes do exercício de sua atividade principal, além de aluguéis decorrentes de locação, valores recebidos também dos locatários referentes ao próprio imóvel administrado, independente da denominação utilizada, que se prestam a pagar despesas como o consumo de água, luz e gás, conservação, higiene e limpeza de aparelhos sanitários, de iluminação, ramais de encanamentos d’água, esgoto, gás, luz, pinturas, vidraças, ferragens, torneiras, pias, ralos, banheiros, registros, manutenção de elevadores, vigilâncias e demais acessórios em perfeito estado de conservação e funcionamento, bem como todos os impostos e taxas que incidam ou venham a incidir sobre o imóvel locado, incluindo-se IPTU, Taxa de Lixo e apólice de seguro contra incêndio e danos de qualquer natureza à estrutura do imóvel. Fl. 18338DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 12 Assim, tais valores devem integrar a base de cálculo sobre a qual se calcula o lucro presumido das pessoas jurídicas optantes por esta modalidade de tributação do IRPJ, de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 8.981, de 1995, art. 31; Lei nº 9.249, de 1995, art. 15 e 25; Lei n° 5.172, de 1966, art. 123; Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), arts. 299. Assim, as despesas periféricas relacionadas aos contratos de aluguel, quais sejam, IPTU, Taxas Condominiais e outras despesas contratualmente estabelecidas, integram o custo de locação e devem ser consideradas para fins de apropriação de créditos da sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS.” Aplico o entendimento ao caso concreto, por convergir com as conclusões do i. Conselheiro. A Recorrente demonstrou, por meio dos contratos de locação firmados com diversos shoppings, que as despesas de condomínio ora integram o valor do aluguel mensal, ora são rateadas segundo percentual definido em cláusula contratual, entrando no cômputo do aluguel percentual e sujeitando-se às suas limitações. Demonstrou, ainda, que a cobrança do condomínio se dá na mesma fatura do aluguel, de modo que a quitação de uma implica a quitação do outro. Nesse ponto, ao contrário do que assentou o acórdão recorrido, não se sustenta a premissa de que as taxas condominiais teriam sido cobradas separadamente do aluguel e ostentariam natureza diversa. O que os documentos revelam é o oposto, a saber, que tais despesas são exigidas em conjunto com o aluguel, por força de disposição contratual, compartilhando a mesma natureza jurídica da remuneração devida pelo direito de uso do imóvel. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário neste tópico, para reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais. Prejudicado o pedido subsidiário quanto ao direito ao crédito como “insumo”. 3 – GLOSA DE CRÉDITOS “COD 10”: “EQUIPAMENTOS” DO ATIVO IMOBILIZADO NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE. Sob esta rubrica, a recorrente reúne o conjunto de insurgências contra a glosa dos créditos escriturados no registro F130 da EFD-Contribuições, sob o código Máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, lançados nas contas de Instalações, Benfeitorias em Imóveis de Terceiros, Máquinas, Aparelhos e Equipamentos, Móveis e Utensílios e Licença de Uso de Software. Sustenta que a glosa deve ser cancelada por duas razões autônomas, a saber, a nulidade por vício no procedimento de apuração fiscal e, no mérito, o direito ao creditamento integral dos equipamentos no momento da aquisição. Fl. 18339DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 13 Examino as questões nos subtópicos a seguir 3.1 – DIREITO A CREDITAMENTO INTEGRAL DE CRÉDITOS REFERENTES A “EQUIPAMENTOS” NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE. O CONCEITO DE EQUIPAMENTO PARA FINS DO ART. 3º, VI DAS LEIS Nº 10.637/02 E 10.833/03. A Recorrente sustenta que os bens escriturados nas contas COD 10 configuram equipamentos empregados em sua atividade e, por isso, admitem creditamento integral no momento da aquisição, nos termos do art. 3º, VI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, combinado com o art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008. Defende interpretação ampla do conceito de equipamento, com apoio na etimologia do termo e na Solução de Consulta COSIT nº 317/2018, para abranger todos os bens necessários à estruturação da atividade empresarial. Nessa linha, afirma que os itens examinados correspondem a ferramentas indispensáveis à exibição das obras cinematográficas e à própria experiência oferecida ao público. Afasta, ainda, a aplicação do entendimento firmado no REsp nº 1.818.422, relativo a veículos. Argumenta que, naquele caso, a própria legislação distinguia expressamente veículos de máquinas e equipamentos, ao passo que os bens ora discutidos não possuem classificação legal específica, o que impediria a adoção da mesma interpretação restritiva. Não assiste razão à Recorrente quanto a essa questão geral. A apropriação imediata dos créditos deve observar os limites estabelecidos pela norma concessora, nos termos do art. 111 do CTN. O art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008 e o art. 174 da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019 restringem essa possibilidade às máquinas e aos equipamentos novos destinados ao ativo imobilizado. Não estão abrangidos os demais bens incorporados ao ativo, as benfeitorias realizadas em imóveis de terceiros nem os ativos intangíveis. A legislação, portanto, não equipara todo bem necessário ao funcionamento da empresa a máquina ou equipamento. A distinção entre essas categorias é deliberada e foi reconhecida na Solução de Consulta COSIT nº 7/2015 e no REsp nº 1.818.422. Não há fundamento legal para ampliar o conceito de equipamento a ponto de abranger indistintamente toda a estrutura física dos complexos cinematográficos. Estabelecida essa premissa, passo ao exame individualizado de cada conta. 3.2 – O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES” E 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”. Quanto a essas contas, a Recorrente alega que os lançamentos não correspondem a obras civis, como consignado no Termo de Verificação Fiscal, mas à aquisição e instalação de Fl. 18340DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 14 equipamentos incorporados ao ativo imobilizado. Cita, entre outros itens, lâmpadas LED, detectores de fumaça, materiais e quadros elétricos, alarmes, cortinas, revestimentos acústicos, painéis elétricos, luminárias de emergência, aparelhos de ar-condicionado e respectivas tubulações. Sustenta que a denominação “Instalações” se refere à montagem desses bens em suas dependências, e não à realização de obras civis em imóveis de terceiros. Defende, assim, o aproveitamento integral dos créditos no momento da aquisição, com fundamento no art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008. Não assiste razão à Recorrente. A denominação atribuída à conta contábil não determina, por si só, a natureza dos bens nela registrados. Os itens relacionados compõem instalações e benfeitorias incorporadas à estrutura física dos complexos cinematográficos, enquadrando-se entre os demais bens incorporados ao ativo imobilizado, previstos no art. 173, I, da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019. Não se trata, portanto, de máquinas e equipamentos novos abrangidos pelo art. 174 da mesma Instrução Normativa, aos quais o art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008 reserva a apropriação imediata dos créditos. Materiais elétricos, luminárias, revestimentos acústicos, tubulações e os demais componentes das instalações, embora necessários ao funcionamento do estabelecimento, não se qualificam, apenas por essa circunstância, como equipamentos para fins do benefício. Mantém-se, assim, o creditamento mediante depreciação ou amortização, já reconhecido pela decisão recorrida, afastado o aproveitamento integral no momento da aquisição. 3.3 – O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE AS CONTAS CONTÁBEIS 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS”. Quanto a essas contas, a Recorrente sustenta que os serviços nelas registrados correspondem à instalação ou montagem de máquinas e equipamentos adquiridos e, por integrarem o custo de aquisição do ativo, nos termos do CPC 27 e do Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, não poderiam ser glosados apenas por terem sido contabilizados separadamente. Afirma, ainda, que a conta “Máquinas” compreende bens como sistemas de gerenciamento de energia, aparelhos de ar-condicionado, aquecedores e estufas, enquanto a conta “Móveis e Utensílios” registra, principalmente, poltronas de cinema, além de partes, peças, balcões e outros itens que considera essenciais ao funcionamento das salas. A pretensão não merece acolhimento. Fl. 18341DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 15 Ainda que os serviços de instalação e montagem integrem o custo de aquisição do ativo, essa circunstância não define a modalidade de creditamento aplicável. O direito à apropriação imediata depende de que o bem instalado se qualifique como máquina ou equipamento novo, nos termos do art. 1º, XII, da Lei nº 11.774/2008. No caso, os itens registrados nessas contas são, em sua maior parte, mobiliário ou outros bens incorporados ao ativo imobilizado, sujeitos ao creditamento mediante depreciação ou amortização, já reconhecido pela decisão recorrida. A essencialidade do bem ao funcionamento do estabelecimento não basta para enquadrá-lo como máquina ou equipamento para fins do benefício. Além disso, parte dos bens destina-se às atividades de venda de alimentos desenvolvidas no Snack Bar e no Movie Bistrô, distintas da prestação de serviços de exibição cinematográfica e, portanto, não abrangidas pelo benefício invocado. Mantém-se, assim, a glosa do aproveitamento integral, sem prejuízo do crédito calculado sobre a depreciação ou amortização. 3.4 – O DIREITO AO CREDITAMENTO INTEGRAL SOBRE A CONTA CONTÁBIL 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”. Quanto a essa conta, a Recorrente sustenta que os gastos com licenças de software correspondem a equipamentos empregados em sua atividade e, por isso, autorizariam a apropriação integral dos créditos, nos termos do art. 3º, VI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Invoca o CPC 04 para afirmar que o software integrado ao funcionamento de determinado equipamento deve ser classificado como ativo imobilizado. Cita, como exemplo, o sistema Tracer, vinculado aos aparelhos de ar-condicionado. Não assiste razão à Recorrente. As licenças de uso de software classificam-se, em regra, como ativos intangíveis e submetem-se ao creditamento previsto no art. 3º, XI, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, calculado sobre os encargos de amortização. Não se lhes aplica, portanto, a apropriação imediata reservada às máquinas e aos equipamentos novos. A mera indicação de que determinado software opera de forma integrada a um equipamento não é suficiente para alterar a natureza de todos os valores registrados na conta, especialmente sem demonstração individualizada de que as respectivas licenças constituem parte indissociável do bem e foram contabilizadas como componente de seu custo. Mantém-se, assim, o crédito calculado sobre a amortização, já reconhecido pelo acórdão recorrido, afastado o aproveitamento integral no momento da aquisição. Fl. 18342DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 16 3.5 – SUBSIDIARIAMENTE: RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL RELACIONADO AO ATIVO IMOBILIZADO POR MERA POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. Subsidiariamente, a Recorrente sustenta que a DRJ, embora tenha reconhecido o direito ao crédito calculado sobre a depreciação ou amortização, considerou apenas os encargos apropriados no ano-calendário de 2016, sem computar aqueles relativos aos períodos subsequentes. Afirma que a apropriação antecipada teria resultado, quando muito, em mero deslocamento temporal do crédito, sem redução definitiva das contribuições devidas. Invoca a Solução de Consulta COSIT nº 24/2007 para defender que os créditos existentes devem ser reconhecidos de ofício, ainda que vinculados a períodos de apuração distintos. A alegação não demanda reforma adicional do acórdão recorrido. Reconhecido o direito ao creditamento pela depreciação ou amortização, os encargos apropriados nos períodos subsequentes, relativos aos bens adquiridos no período fiscalizado, deverão ser considerados na liquidação do julgado, observados os limites da lide e a comprovação dos valores pelo contribuinte. Essa conclusão, contudo, não autoriza o aproveitamento integral e antecipado dos créditos. A apropriação imediata e o creditamento periódico pela depreciação ou amortização constituem modalidades distintas, submetidas a critérios temporais próprios. Mantém-se, portanto, a rejeição do pedido de creditamento integral, sem prejuízo da consideração, na liquidação, dos encargos de depreciação ou amortização relativos aos períodos subsequentes. 3.6 – SUBSIDIARIAMENTE: ENQUADRAMENTO COMO “INSUMO” DOS ITENS REGISTRADOS NAS CONTAS CONTÁBEIS 13201004 – “INSTALAÇÕES”, 13201003 – “BENFEITORIAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS”, 13201005 – “MÁQUINAS, APARELHOS E EQUIPAMENTOS” E 13201006 – “MÓVEIS E UTENSÍLIOS” E 12301010 – “LICENÇA DE USO DE SOFTWARE”. Ainda em caráter subsidiário, a Recorrente requer que os bens registrados nas contas de Instalações, Benfeitorias, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios e Licenças de Uso de Software sejam enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Sustenta que esses bens são essenciais e relevantes à prestação de seus serviços, conforme os critérios fixados no REsp nº 1.221.170/PR, e invoca precedentes da CSRF relativos a gastos com iluminação, materiais de segurança, softwares e itens semelhantes. A pretensão não merece acolhimento. Os gastos examinados correspondem a bens incorporados ao ativo imobilizado ou ao ativo intangível, sujeitos à depreciação ou à amortização. Para essas hipóteses, os incisos VI, VII Fl. 18343DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 17 e XI do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 estabelecem modalidades específicas de creditamento, cuja aplicação afasta a regra geral prevista no inciso II, conforme esclarecido pelo Parecer Normativo COSIT nº 5/2018. Os critérios da essencialidade e da relevância destinam-se à identificação dos bens e serviços consumidos ou empregados na prestação do serviço. Não autorizam o enquadramento como insumo de bens duráveis que integram a estrutura física ou operacional da empresa e possuem disciplina legal própria de creditamento. Mantém-se, portanto, a glosa sob esse fundamento. 3.7 – RECONHECIMENTO DO CRÉDITO INTEGRAL SOBRE EQUIPAMENTOS DE PROJEÇÃO E SONORIZAÇÃO. Por fim, ainda quanto ao COD 10, a Recorrente requer, subsidiariamente, o reconhecimento do crédito integral relativo aos equipamentos de projeção e sonorização. Sustenta que o próprio acórdão recorrido reconheceu que esses bens constituem equipamentos empregados diretamente na exibição de obras cinematográficas. Para comprovar as aquisições, apresenta as respectivas notas fiscais, juntadas como Docs. 01 e 02 no Recurso Voluntário, com fundamento no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Ressalta que, durante a fiscalização, não foi intimada a apresentar documentação específica desses itens. Assiste razão à Recorrente. O acórdão recorrido reconheceu expressamente que os equipamentos de projeção e sonorização são empregados diretamente na exibição cinematográfica e se enquadram entre as máquinas e equipamentos sujeitos ao creditamento integral previsto no art. 174 da Instrução Normativa RFB nº 1.911/2019. O indeferimento do pedido decorreu exclusivamente da impossibilidade de identificar, na planilha então disponível, os lançamentos correspondentes a esses equipamentos e, por consequência, os respectivos valores. Não houve, portanto, controvérsia quanto ao direito ao crédito, mas apenas insuficiência de elementos para sua quantificação. A Recorrente supriu essa deficiência ao apresentar, em sede recursal, as notas fiscais relativas à aquisição dos equipamentos de projeção e sonorização. A juntada encontra amparo no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972, pois a documentação se destina a contrapor fundamento adotado na decisão recorrida, que delimitou o enquadramento às referidas categorias sem que, no curso da fiscalização, tivesse sido exigida sua comprovação individualizada. Reconhecida a natureza dos bens pela própria decisão recorrida e apresentada a documentação necessária à identificação das aquisições, deve ser admitido o crédito integral correspondente, condicionado à verificação, na liquidação, das notas fiscais, dos valores e da vinculação ao período objeto da autuação. Fl. 18344DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 18 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento nesse ponto, exclusivamente para reconhecer o direito ao crédito relativo aos equipamentos de projeção e sonorização cujas aquisições, no período abrangido pela autuação, sejam comprovadas pelos documentos juntados como Docs. 01 e 02, com apuração dos respectivos valores na liquidação do julgado. 4 – CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE EM DECORRÊNCIA DE APROVEITAMENTO DE OFÍCIO EM PERÍODOS ANTERIORES. A Recorrente contesta a multa de ofício de 75% incidente sobre as diferenças apuradas nos períodos de 2017 e 2018. Sustenta que os débitos de PIS e COFINS desses períodos haviam sido regularmente quitados mediante a utilização do saldo credor de dezembro de 2016 e que somente ficaram a descoberto em razão da recomposição promovida pela fiscalização. Alega que não praticou nenhuma das condutas previstas no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, pois não teria havido falta de pagamento, falta de declaração ou declaração inexata. Afirma, ainda, que o deslocamento dos créditos decorreu de ato de ofício da autoridade fiscal, sem conduta comissiva de sua parte, razão pela qual seria cabível, quando muito, a multa de mora prevista no art. 61 da mesma lei. Não assiste razão à Recorrente. A utilização, pela fiscalização, de saldo credor disponível no período em que constatada a infração constitui procedimento vinculado, destinado à correta recomposição da apuração das contribuições. Ao realocar os créditos para os períodos em que efetivamente deveriam ter sido aproveitados, a autoridade fiscal constatou que os valores utilizados em 2017 e 2018 já não estavam disponíveis para extinguir os débitos então declarados. A extinção alegada pela Recorrente pressupunha, portanto, a existência e a disponibilidade dos créditos utilizados. Afastada essa premissa, remanesceram diferenças de PIS e COFINS não recolhidas nos períodos subsequentes. Configura-se, assim, a hipótese prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, que alcança a falta ou insuficiência de pagamento decorrente de declaração inexata. A penalidade não decorre do ato de recomposição realizado pela fiscalização, mas da constatação de que os débitos declarados em 2017 e 2018 foram indevidamente reduzidos por créditos que, após a revisão da escrituração, mostraram-se indisponíveis. Também não se aplica a multa de mora. Essa penalidade incide nos casos de pagamento espontâneo realizado após o vencimento, antes do início do procedimento fiscal. Constatada a insuficiência de recolhimento em procedimento de ofício, é cabível a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Alegações rejeitadas. Fl. 18345DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 19 5 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Por fim, a Recorrente contesta a multa de ofício incidente sobre os valores lançados na Parte C do auto de infração, decorrentes das diferenças apuradas entre a EFD-Contribuições e as DCTF. Sustenta que declarou espontaneamente os valores corretos na escrituração fiscal e que, por essa razão, seria aplicável a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Não assiste razão à Recorrente. A penalidade não decorreu da ausência de declaração, mas da insuficiência dos valores confessados em DCTF e recolhidos, em confronto com aqueles apurados na EFD- Contribuições. Configura-se, portanto, declaração inexata e falta ou insuficiência de pagamento, hipóteses abrangidas pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996. Também não se aplica a denúncia espontânea. O benefício previsto no art. 138 do CTN exige que a comunicação da infração seja acompanhada, quando cabível, do pagamento integral do tributo e dos juros de mora. No caso, embora os valores tenham sido informados na EFD-Contribuições, não houve o recolhimento prévio das diferenças apuradas, requisito indispensável à exclusão da penalidade, conforme a Nota Técnica COSIT nº 19/2012. Nego provimento. 6 – DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Os responsáveis solidários Raphael Denadai Sanchez (fls. 18.092/18.126), José Bento de Alencar Junior (fls. 18.129/18.164), Marcelo Bertini de Rezende Barbosa (fls. 18.167/18.201) e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki (fls. 18.204/18.239), incluídos no Termo de Responsabilidade Tributária com fundamento no art. 135 do CTN, interpuseram Recursos Voluntários de idêntico teor, nos quais apresentam os mesmos fundamentos de fato e de direito para contestar sua sujeição passiva. Diante da identidade das razões recursais, os recursos serão examinados conjuntamente, em observância à economia processual e à uniformidade das decisões. As conclusões deste voto aplicam-se, portanto, indistintamente aos quatro Recorrentes. As matérias relativas ao lançamento já foram integralmente apreciadas nos tópicos anteriores, por ocasião do exame do Recurso Voluntário da contribuinte Cinemark Brasil S.A. Refiro-me à glosa das despesas condominiais, aos créditos relativos ao ativo imobilizado, identificados pelo COD 10, à multa incidente sobre as diferenças decorrentes do aproveitamento de ofício dos créditos e à multa por insuficiência de recolhimento. Como os responsáveis solidários aderem subsidiariamente às razões apresentadas pela contribuinte principal, resta examinar apenas a responsabilidade tributária pessoal que lhes foi imputada. Fl. 18346DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 20 6.1 – DA LINHA ARGUMENTATIVA COMUM DOS RECORRENTES E DA ANÁLISE DA RESPONSABILIDSDE TRIBUTÁRIA. Sustentam os Recorrentes, em síntese, que a responsabilidade pessoal prevista no art. 135 do CTN exige a demonstração individualizada de conduta dolosa praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Afirmam que a mera ocupação de cargo de direção e o simples inadimplemento da obrigação tributária pela pessoa jurídica não são suficientes para justificar a imputação. Alegam que o Termo de Responsabilidade Tributária se limitou a reproduzir genericamente as hipóteses do caput do art. 135, sem indicar o inciso aplicável nem descrever qualquer ato concreto praticado pelas pessoas físicas. Segundo afirmam, a fiscalização atribuiu à empresa, apenas em tese, a inserção dolosa de créditos indevidos, sem individualizar a participação de cada responsável. Acrescentam que o art. 135 do CTN exige a efetiva comprovação do dolo do agente, não admitindo sua presunção. Invocam, para tanto, a distinção entre os arts. 134 e 135 do CTN, sustentando que o primeiro alcança condutas culposas, enquanto o segundo pressupõe atuação dolosa, conforme consignado no voto vencido proferido no acórdão recorrido. Citam, ainda, precedentes do CARF e do STJ, inclusive a Súmula STJ nº 430, segundo a qual o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade do sócio-gerente. Apontam, por fim, contradição no acórdão recorrido, que afastou, por unanimidade, a qualificação da multa em razão da ausência de dolo, mas manteve a responsabilidade pessoal com fundamento em suposta culpa in vigilando. Argumentam que, afastado o dolo, desaparece o próprio suporte da imputação fundada no art. 135 do CTN. Sustentam, ainda, que a responsabilização por culpa, além de não encontrar previsão nesse dispositivo, somente foi introduzida pela decisão de primeira instância, em indevida inovação dos fundamentos do Termo de Responsabilidade. Subsidiariamente, invocam o art. 137 do CTN para afastar a responsabilidade pelas penalidades e reiteram, por remissão, as razões apresentadas pela contribuinte quanto à improcedência do lançamento. Assiste razão aos recorrentes. A responsabilidade tributária pessoal de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, prevista no art. 135, III, do CTN, não decorre do simples exercício de cargo de direção, tampouco do mero inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade. Exige, ao contrário, a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mediante conduta dolosa, individualizada e comprovada nos autos, com demonstração do nexo de causalidade entre a atuação do agente e a obrigação tributária dela decorrente. Fl. 18347DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 21 Essa é a orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça, cristalizada na Súmula 430, segundo a qual o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente, e segundo a qual o redirecionamento somente é cabível quando demonstrada a atuação dolosa, com fraude ou excesso de poderes. No caso dos autos, o Termo de Responsabilidade Tributária limitou-se a reproduzir, de forma genérica, as hipóteses do caput do art. 135 do CTN, sem sequer indicar o inciso aplicável, e a imputar à pessoa jurídica, em tese, conduta dolosa continuada de inserção de créditos indevidos de PIS e Cofins. Não há, em momento algum, a descrição de ato concreto praticado por qualquer dos recorrentes no exercício de suas funções de direção, nem a demonstração de que tenham eles, pessoalmente e com dolo, determinado ou concorrido para a apropriação dos créditos glosados. A imputação assentou-se, em essência, na só condição de ocupantes de cargo de direção à época dos fatos, o que é insuficiente para atrair a responsabilidade do art. 135, conforme reiterada jurisprudência deste Conselho. A esse vício soma-se uma circunstância decisiva, própria deste processo. A mesma turma julgadora de primeira instância que manteve a responsabilidade pessoal reconheceu, por unanimidade e em caráter definitivo, a inexistência de dolo na conduta da contribuinte, ao desqualificar a multa de 150% e reduzi-la a 75%. Consignou o acórdão recorrido que a adoção de interpretação jurídica diversa daquela defendida pela Secretaria da Receita Federal, desde que não implique simulação ou dissimulação dos fatos, não é passível de qualificação da multa de ofício, e que a suposta replicação de notas fiscais restou descaracterizada em diligência. Ora, se a própria conduta da empresa foi reconhecida como isenta de dolo, por traduzir mera divergência interpretativa em matéria notoriamente controvertida, não se sustenta a manutenção, contra os diretores, de responsabilidade que pressupõe precisamente o dolo que se afastou. A contradição é insuperável. No meu convencimento, a qualificação da multa e a responsabilização pessoal do art. 135 repousam sobre o mesmo pressuposto, a saber, a prática de atos dolosos. Afastado o dolo para fins de desqualificação da penalidade, por decisão unânime, o mesmo fundamento fático impõe o afastamento da responsabilidade solidária, sob pena de a decisão apoiar-se, a um só tempo, na existência e na inexistência de dolo. Não por acaso, a jurisprudência deste Conselho tem assentado que, uma vez afastada a multa qualificada por ausência de conduta dolosa, é medida que se impõe o consequente afastamento da responsabilidade tributária a ela vinculada. Essa foi, aliás, a percepção externada na declaração de voto vencida no acórdão recorrido, cujos fundamentos acolho, no sentido de que o art. 135 do CTN requer conduta dolosa, enquanto o art. 134 se contenta com a culpa, de modo que, descartado o dolo e não tendo sido sequer cogitada a culpa pela fiscalização, as pessoas físicas não podem ser responsabilizadas com Fl. 18348DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 22 base naquele dispositivo. Com efeito, o fundamento da culpa in vigilando, invocado pelo voto vencedor de primeira instância, não encontra amparo no art. 135, que reclama atuação dolosa, e não a simples omissão no dever de vigilância. Se o legislador quisesse alcançar as condutas meramente culposas dos agentes ali arrolados, tê-lo-ia feito expressamente, como fez no art. 134 do CTN, não cabendo ao intérprete ampliar as hipóteses de responsabilização pessoal para além dos estritos limites em que fixadas. Não tendo a fiscalização demonstrado, quanto a qualquer dos Recorrentes, a prática de ato doloso individualizado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, e reconhecida nos próprios autos a ausência de dolo na conduta que deu origem à autuação, impõe-se a exclusão dos quatro responsáveis solidários do polo passivo. Fica prejudicado, por consequência, o exame das preliminares de nulidade suscitadas, bem como do fundamento subsidiário relativo à responsabilidade pelas penalidades, na medida em que a exclusão ora reconhecida atende integralmente à pretensão recursal, alcançando a totalidade da imputação. Afasto, assim, a responsabilidade atribuída aos Srs. Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Dou provimento. 7 – DO RECURSO DE OFÍCIO. A DRJ reverteu parcialmente algumas glosas, sendo certo que pode se verificar às fls. 17798/17799, o seguinte: “Das glosas revertidas e multa exonerada De todo o exposto, foram revertidas parcialmente, neste julgamento, as glosas efetuadas pela fiscalização, no montante de R$ 2.839.820,91 para a COFINS e R$ 616.540,08 para o PIS, conforme abaixo detalhado: (...) No que diz respeito às multas aplicadas, em razão deste voto foram exonerados os valores de R$ 2.138.094,64 e R$ 464.207,41 relativos às infrações da COFINS e do PIS, respectivamente. Destaco que a redução da multa qualificada ao patamar de 75% apenas implicou em efeitos na competência de dez/2016, único mês em que foi constituída a exigência no percentual de 150%. Detalhamento a seguir: (...)” A Portaria ME nº 02/2023 elevou de R$ 2,5 milhões para R$ 15 milhões o valor de alçada para a interposição de Recurso de Ofício ao CARF, devendo ser considerado na soma o montante do principal e da multa exonerada. A Súmula CARF nº 103 determina que para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Fl. 18349DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-015.042 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10314.720390/2020-18 23 As Súmulas CARF são de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, nos termos do Regimento Interno do CARF e do Decreto nº 70.235/1972. Sendo assim, não conheço do Recurso de Ofício. 8 – DA CONCLUSÃO. Ante o todo exposto, conheço do Recurso Voluntário da Cinemark, rejeito a preliminar e, no mérito, dou parcial provimento para (i) reverter as glosas dos créditos apurados sobre as despesas condominiais e (ii) reconhecer o direito ao crédito integral sobre os equipamentos de projeção e sonorização cujas aquisições, no período autuado, restem comprovadas pelas notas fiscais juntadas em sede recursal, a ser apurado em liquidação. Quantos aos Recursos Voluntários dos Responsáveis Tributários, deles conheço e dou provimento para afastar a responsabilidade atribuída aos Srs. Raphael Denadai Sanchez, José Bento de Alencar Junior, Marcelo Bertini de Rezende Barbosa e Andrea Pupo D’Encarnação Sasaki. Não conheço do Recurso de Ofício, eis que o valor exonerado pelo acordão recorrido é inferior ao limite de alçada. É como voto. Assinado Digitalmente Laura Baptista Borges Fl. 18350DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11523839 #
Numero do processo: 11020.915825/2019-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2017 a 31/12/2017 COFINS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA PARA O PROCESSO PRODUTIVO OU PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE COMERCIAL. INAPLICABILIDADE. A adição de álcool anidro à gasolina A e de biodiesel ao diesel A não descaracterizam a atividade de comércio de combustíveis sujeitos à incidência concentrada das contribuições. COFINS. FRETE NA VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A COBRANÇA CONCENTRADA. CREDITOS. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apuração de créditos das contribuições referente aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS e da Cofins. COFINS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA. CREDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de comércio não é possível a apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS com base no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. CONFINS. ARMAZENAGEM DE PRODUTOS PARA REVENDA SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CREDITOS. POSSIBILIDADE. Não há vedação legal para apuração de créditos de armazenagem de produtos sujeitos à tributação concentrada das contribuições de modo que é de se reconhecer o direito. COFINS. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. UTILIZAÇÃO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a pessoa jurídica comodante apurar crédito da Contribuição para o PIS/Cofins estabelecido pelo inciso VI do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 (ativo imobilizado), em relação a bem cedido a terceiro em comodato e por este explorado economicamente.
Numero da decisão: 3301-015.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para reconhecer o crédito sobre as despesas de armazenagem, vencidas as Conselheiras Keli Campos de Lima, Rachel Freixo Chaves e o Conselheiro Carlos Marcelo Gouveia que davam provimento parcial quanto aos créditos de insumos(itens a, b, c, f, g, h, i, k do tópico IV do recurso voluntário), quanto aos créditos sobre fretes em operações de venda e quanto aos créditos sobre fretes de aquisição. Assinado Digitalmente Rodrigo Kendi Hiramuki – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rodrigo Kendi Hiramuki, Rachel Freixo Chaves, Carlos Marcelo Gouveia, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO KENDI HIRAMUKI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202607

camara_s : Terceira Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2017 a 31/12/2017 COFINS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA PARA O PROCESSO PRODUTIVO OU PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE COMERCIAL. INAPLICABILIDADE. A adição de álcool anidro à gasolina A e de biodiesel ao diesel A não descaracterizam a atividade de comércio de combustíveis sujeitos à incidência concentrada das contribuições. COFINS. FRETE NA VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A COBRANÇA CONCENTRADA. CREDITOS. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apuração de créditos das contribuições referente aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS e da Cofins. COFINS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA. CREDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de comércio não é possível a apuração de créditos da não-cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS com base no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. CONFINS. ARMAZENAGEM DE PRODUTOS PARA REVENDA SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CREDITOS. POSSIBILIDADE. Não há vedação legal para apuração de créditos de armazenagem de produtos sujeitos à tributação concentrada das contribuições de modo que é de se reconhecer o direito. COFINS. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. UTILIZAÇÃO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a pessoa jurídica comodante apurar crédito da Contribuição para o PIS/Cofins estabelecido pelo inciso VI do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 (ativo imobilizado), em relação a bem cedido a terceiro em comodato e por este explorado economicamente.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 11020.915825/2019-27

anomes_publicacao_s : 202610

conteudo_id_s : 7416542

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 02 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 3301-015.467

nome_arquivo_s : Decisao_11020915825201927.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : RODRIGO KENDI HIRAMUKI

nome_arquivo_pdf_s : 11020915825201927_7416542.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para reconhecer o crédito sobre as despesas de armazenagem, vencidas as Conselheiras Keli Campos de Lima, Rachel Freixo Chaves e o Conselheiro Carlos Marcelo Gouveia que davam provimento parcial quanto aos créditos de insumos(itens a, b, c, f, g, h, i, k do tópico IV do recurso voluntário), quanto aos créditos sobre fretes em operações de venda e quanto aos créditos sobre fretes de aquisição. Assinado Digitalmente Rodrigo Kendi Hiramuki – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rodrigo Kendi Hiramuki, Rachel Freixo Chaves, Carlos Marcelo Gouveia, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Jul 22 00:00:00 UTC 2026

id : 11523839

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:39 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547722432512

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-10-02T14:59:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-10-02T14:59:03Z; Last-Modified: 2026-10-02T14:59:03Z; dcterms:modified: 2026-10-02T14:59:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-10-02T14:59:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-10-02T14:59:03Z; meta:save-date: 2026-10-02T14:59:03Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-10-02T14:59:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-10-02T14:59:03Z; created: 2026-10-02T14:59:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2026-10-02T14:59:03Z; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-10-02T14:59:03Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 11020.915825/2019-27 ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 22 de julho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE RODOIL DISTRIBUIDORA DE COMBUSTIVEIS S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2017 a 31/12/2017 COFINS. INSUMOS. ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA PARA O PROCESSO PRODUTIVO OU PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE COMERCIAL. INAPLICABILIDADE. A adição de álcool anidro à gasolina A e de biodiesel ao diesel A não descaracterizam a atividade de comércio de combustíveis sujeitos à incidência concentrada das contribuições. COFINS. FRETE NA VENDA DE PRODUTOS SUJEITOS A COBRANÇA CONCENTRADA. CREDITOS. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a apuração de créditos das contribuições referente aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS e da Cofins. COFINS. FRETE NA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA REVENDA. CREDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Na atividade de comércio não é possível a apuração de créditos da não- cumulatividade da Contribuição para o PIS e da COFINS com base no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. CONFINS. ARMAZENAGEM DE PRODUTOS PARA REVENDA SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. CREDITOS. POSSIBILIDADE. Não há vedação legal para apuração de créditos de armazenagem de produtos sujeitos à tributação concentrada das contribuições de modo que é de se reconhecer o direito. COFINS. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. UTILIZAÇÃO POR TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 810DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 2 Não há previsão legal para a pessoa jurídica comodante apurar crédito da Contribuição para o PIS/Cofins estabelecido pelo inciso VI do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 (ativo imobilizado), em relação a bem cedido a terceiro em comodato e por este explorado economicamente. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial para reconhecer o crédito sobre as despesas de armazenagem, vencidas as Conselheiras Keli Campos de Lima, Rachel Freixo Chaves e o Conselheiro Carlos Marcelo Gouveia que davam provimento parcial quanto aos créditos de insumos(itens a, b, c, f, g, h, i, k do tópico IV do recurso voluntário), quanto aos créditos sobre fretes em operações de venda e quanto aos créditos sobre fretes de aquisição. Assinado Digitalmente Rodrigo Kendi Hiramuki – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcio Jose Pinto Ribeiro, Keli Campos de Lima, Rodrigo Kendi Hiramuki, Rachel Freixo Chaves, Carlos Marcelo Gouveia, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a Cofins não- cumulativa apurada sobre insumos, fretes, armazenagem e depreciação de bens do ativo imobilizado. Fl. 811DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 3 Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: i. INSUMOS. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em insumo para o desempenho de atividades comerciais. ii. FRETES E ARMAZENAGEM. IMPOSSIBILIDADE. Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é vedada a apuração de créditos das contribuições no caso de revenda de tais produtos. iii. BENS INCORPORADOS AO ATIVO IMOBILIZADO. COMODATO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada à pessoa jurídica comodante a apuração do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep estabelecido pelo inciso VI do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002 (ativo imobilizado), em relação a bem cedido a terceiro em comodato e por este explorado economicamente. Cientificado do acórdão recorrido, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do direito creditório postulado e requerendo o integral ressarcimento e homologação da compensação, aduzindo os seguintes argumentos, em síntese: i. Que sua atividade não é meramente comercial uma vez que realiza a mistura de gasolina “tipo A” com etanol anidro e diesel “tipo A” com biodiesel para obter, respectivamente, a gasolina “tipo C” e o diesel “tipo B”; ii. Que as despesas de frete sobre vendas e armazenagem são essenciais e relevantes para a sua atividade econômica e que, além disso, que tais créditos possuem previsão legal autônoma amparada no artigo 3º, inciso IX, e no artigo 15, inciso II, da Lei nº 10.833/03; iii. Que o frete na aquisição de biocombustíveis são insumos indispensáveis à formulação da gasolina C e do diesel B e que o transporte desses insumos é condição necessária para a produção e comercialização dos combustíveis. Cita o conceito de insumo fixado pelo STJ no REsp nº 1.221.170/PR e precedentes do CARF. iv. Que os créditos relativos aos encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado possuem permissão legal e que a cessão em comodato dos bens não descaracteriza sua vinculação à atividade econômica principal, especialmente quando tais ativos são indispensáveis à operação logística e comercial. Ao final, pugna pelo provimento do recurso. É o relatório. Fl. 812DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 4 VOTO Conselheiro Rodrigo Kendi Hiramuki, Relator 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. 2 PRELIMINAR Preliminarmente, a recorrente requer a vinculação do presente ao processo principal de Auto de Infração nº 11000-721.205/2021-81 por se referir aos mesmos tributos e períodos de análise com base no artigos 55 e 286 do CPC. A situação foi sanada com a distribuição do referido processo a este mesmo Relator e, portanto, rejeito a preliminar por perda superveniente de objeto. Passo ao exame das demais questões suscitadas no Recurso Voluntário. 3 MÉRITO Conforme se depreende da leitura do relatório, o Recurso Voluntário demanda o enfrentamento, essencialmente, das seguintes controvérsias: i. possibilidade de reconhecimento de créditos de PIS/Cofins sobre despesas qualificadas como insumos em atividade de distribuição de combustíveis; ii. possibilidade de creditamento sobre fretes de venda, armazenagem e demais despesas correlatas; iii. possibilidade de creditamento sobre fretes de compras; e iv. possibilidade de creditamento com encargos de depreciação e amortização de bens cedidos em comodato. 3.1 INSUMOS NA ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS A Fiscalização glosou a integralidade dos créditos apurados como insumos pela contribuinte por entender que a jurisprudência firmada pelo STJ no REsp nº 1.221.170-PR permite o creditamento sobre insumos somente nas atividades de produção de bens ou produtos destinados a venda e de prestação de serviços, não alcançando a atividade exclusivamente comercial. Fl. 813DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 5 Em Manifestação de Inconformidade, a interessada defendeu a ampliação do entendimento do STJ defendendo que a tese firmada não restringe às atividades de industrialização e prestação de serviços e que deveria ser a essencialidade ou relevância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Mantida a integralidade da glosa na DRJ, em Recurso Voluntário, a requerente traz novo argumento no sentido de que sua atividade não é meramente de revenda. Segundo a interessada, por determinação regulamentar inserida na Resolução ANP nº 40/2013 (vigente à época dos fatos), é de sua obrigação promover a formulação da gasolina C e do diesel B, próprios para revenda. Tal mistura é feita através da aquisição de gasolina A e álcool para obtenção da gasolina C vendidas nos postos de combustíveis aos consumidores finais. Da mesma forma ocorre com o diesel A que é misturado ao biodiesel para obter o diesel B. Alega a interessada que, além de determinação regulamentar, esse processo é essencial para a sua atividade econômica uma vez que não é permitida a venda dos combustíveis sem as proporções de cada componente e que, segundo a norma, da mistura surge novo produto o que bastaria para comprovar que sua atividade não é meramente comercial. Entendo que não assiste razão à interessada. A uma porque a simples mistura/diluição da gasolina A na etapa de distribuição não caracteriza produção/industrialização uma vez que não modifica a natureza e/ou finalidade do produto, nem resulta em nova espécie. Em verdade, trata-se de uma ação operacional e não uma transformação industrial. A denominação da gasolina C é meramente administrativa e tem o objetivo de facilitar o controle e cumprimento das regras impostas ao mercado nacional de combustíveis e não tem o condão de alterar a natureza e/ou finalidade da gasolina A. A duas porque a legislação setorial da ANP e a legislação tributária de PIS/Cofins tratam a distribuidora como agente de distribuição/comercialização, não como produtora ou fabricante. O setor de combustíveis possui regime tributário específico e concentrado. Produtores e importadores são tributados com alíquotas próprias, enquanto distribuidores e varejistas, em diversas hipóteses, têm alíquota zero ou tratamento equivalente. Vejamos o quadro abaixo. PRODUTO PRODUTOR/REFINARIA/IMPORTADOR DISTRIBUIDORA Gasolina Lei nº 9.718/98, art. 4º, I: PIS 5,08% e Cofins 23,44%; Lei nº 10.865/2004, art. 23, I, com R$ 141,10/m³ de PIS e R$ 651,40/m³ de Cofins MP nº 2.158-35/2001, art. 42, I: alíquota zero para venda de gasolinas, Etanol Carburante Lei nº 9.718/98, art. 5º, caput: PIS 5,25% e Cofins 24,15% Lei nº 10.865/2004, art. 8º, § 19: PIS-Importação 2,1% e Lei nº 9.718/1998, art. 5º, §1º, IV e §4º´C: alíquota zero na venda de etanol combustível e álcool anidro; Fl. 814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 6 Cofins-Importação 9,65% Diesel Lei nº 9.718/1998, art. 4º, II: PIS 4,21% e Cofins 19,42% Lei nº 10.865/2004, art. 23, II, com R$ 82,20/m³ de PIS e R$ 379,30/m³ de Cofins MP nº 2.158-35/2001, art. 42, I: alíquota zero para venda de óleo diesel por distribuidores e varejistas Biodiesel Lei nº 11.116/2005, art. 3º: PIS 6,15% e Cofins 28,32%; Lei nº 11.116/2005, art. 4º: R$ 120,14/m³ de PIS e R$ 553,19/m³ de Cofins. Lei nº 11.116/2005, art. 3º: incidência monofásica. Assim, ainda que se entendesse que a simples mistura da gasolina A com o álcool anidro, ou do diesel A com o biodiesel caracterizassem uma atividade de produção, não seria possível permitir o creditamento de insumos uma vez que a própria legislação considerou que a distribuidora, mesmo realizando a mistura obrigatória, está sujeita às reduções de alíquota desta etapa. Na prática, o que a requerente pleiteia é ser considerada produtora na aquisição de insumos e revendedora na saída de seus produtos. No entanto, essa engenharia contraria a lógica da tributação desenhada para todo o setor de combustíveis. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e manter as glosas de todas as despesas pleiteadas como insumos. 3.2 FRETE SOBRE VENDAS E ARMAZENAGEM Tanto a Fiscalização quanto a DRJ defendem a glosa dos créditos relativos a despesas com frete sobre vendas e armazenagem alegando a vinculação à Solução de Divergência COSIT nº 02/2017. A requerente advoga pela reversão reiterando a alegação de que sua atividade não é de mera revendedora e que realiza atividade de transformação no combustível e subsidiariamente que o crédito relativo ao frete na operação de venda possui previsão legal autônoma e que não se confunde com a revenda. O artigo 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003 prevê: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1o-A do art. 2o desta Lei; ... IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” Fl. 815DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 7 Quanto às despesas de frete nas operações de venda de combustíveis sujeitos ao regime de tributação concentrada (monofásica), o inciso IX do artigo 3º vincula o creditamento do frete às situações dos incisos I e II do próprio artigo que tratam, respectivamente, de aquisição de bens para revenda e de insumos. Por sua vez, o inciso I do artigo 3º excetua alguns casos: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; Por fim, o §1º do artigo 2º da 10.833/2003 determina que: Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I - nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e de gás natural; ... § 1º-A. Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida com a venda de etanol, inclusive para fins carburantes, à qual se aplicam as alíquotas previstas, conforme o caso, no art. 5º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. (Redação dada pela Lei Complementar nº 214, de 2025) Portanto, a despesa de frete não pode gerar crédito por encontrar impedimento nos §§1º e 1º-A da Lei 10.833/2003. Neste sentido, foi publicada recentemente em 04/12/2025 a Súmula CARF nº 245, de observância obrigatória por parte deste E. Conselho. “SÚMULA CARF Nº 245 Aprovada pela 3ª Turma da CSRF em sessão de 27/11/2025 O frete incorrido na revenda de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada previsto na Lei nº 10.147/2000 não gera créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Acórdãos Precedentes: 9303-014.737, 9303-015.324 e 9303-015.510.” Fl. 816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 8 Em que pese a Lei mencionada na Súmula 10.147/2000 não disciplina diretamente o regime monofásico dos combustíveis, a ratio decidendi é plenamente aplicada porquanto a lógica utilizada é exatamente a mesma explicada anteriormente. Já em relação às despesas de armazenagem de combustíveis, o inciso IX não faz a remissão às vedações contidas nos incisos I e II do artigo 3º como no caso do frete e, não existindo impedimento legal, é de se reverter a glosa. Do exposto, voto dar parcial provimento ao Recurso Voluntário neste ponto para reverter as glosas de despesas com armazenagem e manter a glosa dos fretes de venda. 3.3 DESPESAS DE FRETE NA AQUISIÇÃO Segundo o Recurso Voluntário, a fiscalização glosou indevidamente créditos de PIS e Cofins sobre despesas de frete na aquisição, sob o argumento de que, se o bem transportado não gera crédito, o frete também não poderia gerar. A recorrente sustenta que esse entendimento deve ser revisto, pois o frete na aquisição de insumos é essencial e relevante para sua atividade, já que tais produtos são necessários à mistura para obtenção da gasolina C e do diesel B. Ocorre que não existe previsão autônoma para tomada de créditos com despesas de frete de aquisição, sendo este admitido apenas na espécie de serviço como insumo e, como discorrido no tópico 2.1 do presente voto, entendo que a atividade da Recorrente é a de revenda de combustíveis e, portanto, sujeita à Súmula CARF nº 234. SÚMULA CARF Nº 234 Na atividade de comércio não é possível a apuração de créditos da não- cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS com base no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Em tempo, é preciso ressaltar que ainda que se entendesse que a Requerente não possui uma atividade meramente comercial, ainda assim não seria possível reconhecer os créditos tomados com as despesas de frete na aquisição de insumos. Isto porque após o trânsito em julgado do Tema 1.093 do STJ na sistemática dos Recursos Especiais Repetitivos, restou pacificado o entendimento. Tese Firmada 1. É vedada a constituição de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre os componentes do custo de aquisição (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) de bens sujeitos à tributação monofásica (arts. 3º, I, "b" da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003). Fl. 817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 9 E para que não reste dúvidas do que restou decidido pela Corte Superior, colaciono abaixo Ementa de Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.895.255-RS (Tema 1.093 - STJ): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. PIS/PASEP E COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE OMISSÃO OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Foi afirmado por esta Corte com veemência que o princípio da não cumulatividade não se aplica a situações em que não existe dupla ou múltipla tributação (v. g. casos de monofasia e substituição tributária). 2. O conceito de "custo de aquisição", além de já estar legalmente consolidado e determinado há pelo menos quatro décadas na legislação do Imposto de Renda (art. 13, do Decreto-Lei n. 1.598/77) é aquele sabidamente utilizado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB para calcular os créditos em questão, consoante o art. 167, da Instrução Normativa RFB Nº 1.911/2019. 3. Reitera-se que os componentes do custo de aquisição, tais como frete e seguro, quando atrelados a bens sujeitos à tributação monofásica, não podem gerar créditos, conforme a tese 1 do repetitivo. 4. O caso não é de modulação de efeitos do acórdão proferido em sede de repetitivo, tendo em vista não haver jurisprudência dominante que tenha sido alterada no julgamento do repetitivo, como o exige o art. 927, §3º, do CPC/2015. 5. Embargos de declaração rejeitados. (g.n.) Do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário nesse ponto. 3.4 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO Os encargos de depreciação/amortização de máquinas e equipamentos cedidos a terceiros foram glosado pela fiscalização uma vez que tais ativos não são utilizados diretamente na produção de vens para venda e/ou por não serem locados a terceiros. A DRJ manteve o entendimento da fiscalização exposto no seguinte excerto: “E como posto acima, a interessada alega ter celebrado cláusulas de comodato oneroso de equipamentos quando da contratação de fornecimento (compra e venda) de produtos combustíveis a postos de combustíveis, clientes dela, conforme demonstrado em cópias de documentos contratuais trazidas a este processo. ... Da análise das cláusulas referentes ao comodato de equipamentos podemos observar que não há previsão de contraprestação pecuniária por seu uso. O que há pactuado são obrigações outras - de guarda, garantia e preservação -, que não Fl. 818DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 10 caracterizam o pactuado entre as partes como locação mediante pagamento previamente combinado.” Por sua vez, a requerente apela para a reversão da glosa por entender que tais gastos são verdadeiros insumos essenciais e relevantes para a sua atividade uma vez que sem eles a atividade econômica da interessada restaria prejudicada. Inicialmente, registre-se que os encargos de depreciação e amortização das máquinas e equipamentos encontram previsão legal contida no inciso VI do artigo 3º das leis de regência. “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: VI - máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: ... III - dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês;” Com efeito, o inciso VI é taxativo ao prever a possibilidade de creditamento de despesas com depreciação e amortização de ativos imobilizados, sendo possível somente aos bens “adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Os referidos equipamentos, segundo alega a defesa, são adquiridos pela Requerente e alocados no seu ativo permanente, transferindo aos postos de combustíveis a título de comodato para que os mesmos possam utilizar a bandeira com a marca da Requerente. Alega ainda que tal operação é essencial e relevante para a sua atividade, uma vez que “Sem a cessão desses bens, a atividade empresarial principal seria inviabilizada ou, no mínimo, severamente prejudicada, não ocorrendo na dimensão, qualidade, agilidade, valor agregado ou visibilidade necessárias ao modelo de negócio adotado pela Recorrente.” Sem razão a defesa. Ocorre que o critério de essencialidade e relevância tal como exigido pelo STJ só é aplicável a insumos de produção ou na prestação de serviços, hipóteses estranhas ao presente caso. O que se percebe é que os encargos de depreciação dos bens cedidos em comodato pela Requerente não encontram permissão legal para serem descontados dos valores apurados Fl. 819DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-015.467 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11020.915825/2019-27 11 das contribuições porquanto não são objeto de aluguel a terceiros, utilizados na produção de bens nem na prestação de serviços. Assim, por falta de previsão legal, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. 4 CONCLUSÃO Do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de conexão entre processos e dar parcial provimento para reverter somente as glosas com despesas de armazenagem nos termos do artigo 3º, inciso IX e artigo 15, ambos da Lei 10.833/03. Assinado Digitalmente Rodrigo Kendi Hiramuki Fl. 820DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 ADMISSIBILIDADE 2 PRELIMINAR 3 MÉRITO 3.1 INSUMOS NA ATIVIDADE DE DISTRIBUIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS 3.2 FRETE SOBRE VENDAS E ARMAZENAGEM 3.3 DESPESAS DE FRETE NA AQUISIÇÃO 3.4 ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO/AMORTIZAÇÃO 4 CONCLUSÃO

score : 1.0
11519748 #
Numero do processo: 13894.720448/2012-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DO CITADO VÍCIO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. REQUISITOS. Os contribuintes que comprovadamente perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro e os leiloeiros, uma vez cumpridos os requisitos legais, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros com vínculo empregatício, os encargos trabalhistas e previdenciários, os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.
Numero da decisão: 2001-008.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar suscitada, para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabiano Murga da Silva, Filemon Augusto Assuncao de Oliveira, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente).
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202609

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DO CITADO VÍCIO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. REQUISITOS. Os contribuintes que comprovadamente perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro e os leiloeiros, uma vez cumpridos os requisitos legais, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros com vínculo empregatício, os encargos trabalhistas e previdenciários, os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora.

turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 13894.720448/2012-10

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7415922

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 2001-008.716

nome_arquivo_s : Decisao_13894720448201210.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

nome_arquivo_pdf_s : 13894720448201210_7415922.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar suscitada, para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima - Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabiano Murga da Silva, Filemon Augusto Assuncao de Oliveira, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente).

dt_sessao_tdt : Wed Sep 09 00:00:00 UTC 2026

id : 11519748

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:33 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547753889792

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-21T18:59:15Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-21T18:59:15Z; Last-Modified: 2026-09-21T18:59:15Z; dcterms:modified: 2026-09-21T18:59:15Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-21T18:59:15Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-21T18:59:15Z; meta:save-date: 2026-09-21T18:59:15Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-21T18:59:15Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-21T18:59:15Z; created: 2026-09-21T18:59:15Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2026-09-21T18:59:15Z; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-21T18:59:15Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13894.720448/2012-10 ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA SESSÃO DE 11 DE SETEMBRO DE 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE LUIZ EDUARDO DA SILVA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA DO CITADO VÍCIO. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo sido o Auto de Infração lavrado segundo os requisitos estipulados no art. 10 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e não incorrendo em nenhuma das causas de nulidade dispostas no art. 59 do mesmo diploma legal, encontra-se válido e eficaz. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. REQUISITOS. Os contribuintes que comprovadamente perceberem rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro e os leiloeiros, uma vez cumpridos os requisitos legais, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade, a remuneração paga a terceiros com vínculo empregatício, os encargos trabalhistas e previdenciários, os emolumentos pagos a terceiros e as despesas de custeio pagas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Fl. 98DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13894.720448/2012-10 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar a preliminar suscitada, para, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fabiano Murga da Silva, Filemon Augusto Assuncao de Oliveira, Wilderson Botto, Raimundo Cassio Goncalves Lima (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento tributário até o momento da sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida proferida pela DRJ/RJO, acórdão nº 12-84.210, da 19ª Turma, fls. 37/38, julgada improcedente em face do ora recorrente e que se encontra devidamente consubstanciado no lançamento de fls. 6/10: “(...) (...)” Fl. 99DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13894.720448/2012-10 3 O acórdão citado foi devidamente ementado como segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÕES. LIVRO CAIXA. GLOSA. A dedução de despesas escrituradas em livro caixa está limitada às receitas da atividade autônoma, ex vi do art. 76 do Decreto nº 3.000, de 1999, devidamente comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 15/05/2017, fls. 42, o sujeito passivo interpôs, em 14/06/2017, fls. 44, Recurso Voluntário, fls. 46/58, j alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) Aduz na parte preambular da sua peça recursal até a apresentação da sua impugnação; b) Afirma que tendo recebido a NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO teria se dirigido até a Receita Federal Ag. De Suzano, solicitando esclarecimentos do que poderia estar errado, o que não teria conseguido elucidar o atendente; c) Afirma que ao elaborar a sua DAA teria feito regularmente o lançamento de suas receitas, e, também, a que auferiu como advogado autônomo, considerando o que aduz na escrituração do Livro Caixa; d) Que o valor lançado como remuneração de autônomo, nem lhe pertence, e sim à sua dependente; e) Que o atendente no momento da protocolização da sua peça impugnatória teria se recusado a anexar o livro caixa, anexando apenas os documentos que entendia necessários, recusando as cópias do livro caixa, que batiam os valores com as contas apresentadas, alertando que se necessário haveria intimação para apresentação do Livro Caixa, devendo apenas aguardar; f) Que entende que o fisco deveria ter antes da lavratura do lançamento tributário ora sendo arrostado deveria ter solicitado a apresentação dos documentos; g) Cita escólio doutrinário que entende albergar a sua pretensão recursal; h) Que o lançamento se encontra maculado tendo em vista a ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPF; i) Reivindica a legalidade da escrituração do Livro Caixa, inclusive apresentando cópia de matéria que versa acerca do assunto; j) Que, ao seu entender, teria havido cerceamento de defesa no momento em que o fisco não teria examinado os documentos escriturados no Livro Caixa no momento da fiscalização; Fl. 100DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13894.720448/2012-10 4 k) Cita escólio doutrinário e jurisprudencial que entende albergar a sua pretensão recursal. Não houve apresentação de contrarrazões. O processo foi encaminhado para o CARF. É o relatório. VOTO Conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima, Relator 1. Conhecimento O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço 2. Delimitação da lide Reside a presente lide unicamente com relação ao montante da exação apurada pela autoridade lançadora tipificada como sendo dedução indevida de Despesas do Livro Caixa no montante de R$ 63.971,11. A autoridade lançadora assim deixou devidamente fundamentada as razões que nortearam do lançamento ora sendo objurgado, fls. 8: 3. Preliminar de Cerceamento de defesa No que tange à alegação de ilegalidade do lançamento, a decisão recorrida é escorreita, razão pela qual, adoto os fundamentos decisórios sendo que sua reprodução se impõe: “(...) 5. Com efeito, o lançamento decorreu do fato de que o contribuinte declarou despesas em livro caixa em valor superior aos rendimentos que permitiriam tal dedução, à luz das informações existentes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Em que pese o interessado questionar a clareza do lançamento, este compreendeu, efetivamente, que o único rendimento admitido para fins de Fl. 101DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13894.720448/2012-10 5 dedução de despesas escrituradas em livro caixa foi o valor de R$ 712,60, de que trata o informe de rendimento de fls. 19. (...).” Nesse sentido, transcrevo entendimento do Conselho de Contribuintes, verbis: NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA —CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA— IRF — Anos 1991 a 1993 — 0 auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão n° 10417.364, de 22/02/2001, 1° CC) . (negritei) A Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/01 03.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), possui o mesmo entendimento jurisprudencial, conforme transcrição a seguir: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. No caso concreto, a Notificação de Lançamento que se encontra às fls. 6/10 foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática. A Notificação de Lançamento ora sendo vergastada contêm a descrição pormenorizada dos fatos imputados ao sujeito passivo, indicam os dispositivos legais que ampararam o lançamento e expõem de os elementos que levaram a fiscalização a concluir pela efetiva ocorrência dos fatos jurídicos que ensejaram a lavratura da mesma. O Decreto nº 70.235/1972, dispões, respectivamente, em seus arts. 10 e 59: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." "Art. 59. São nulos: Fl. 102DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13894.720448/2012-10 6 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Não logrou êxito a Recorrente em demonstrar que os Autos de Infração possuem alguma mácula capaz de ensejar ilegalidade. Destarte, rejeito a preliminar suscitada. 4. Mérito 4.1. Dedução indevida de Despesas escrituradas no Livro Caixa. Preclusão do prazo para a apresentação dos documentos Ao arrostar a matéria quando do julgamento da mesma pela autoridade de piso, o voto condutor do julgado assim deixou devidamente plasmado em suas razões de decidir, verbis: “(...) Voto 3. A impugnação é tempestiva e apresentada por parte legítima, devendo, portanto, ser apreciada. 4. No mérito, constata-se a improcedência da impugnação. 5. Com efeito, o lançamento decorreu do fato de que o contribuinte declarou despesas em livro caixa em valor superior aos rendimentos que permitiriam tal dedução, à luz das informações existentes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Em que pese o interessado questionar a clareza do lançamento, este compreendeu, efetivamente, que o único rendimento admitido para fins de dedução de despesas escrituradas em livro caixa foi o valor de R$ 712,60, de que trata o informe de rendimento de fls. 19. 6. Por oportuno, registre-se que a dedução de despesas escrituradas em livro caixa requer a prova da natureza jurídica dos rendimentos, além da comprovação das despesas, ex vi do § 2º do art. 76 do Decreto nº 3.000, de 1999. No caso, caberia ao interessado ter comprovado, efetivamente, que os rendimentos declarados decorrem da atividade profissional, exercida de forma autônoma. 7. Isso posto, considerando que o interessado não logrou efetuar tal comprovação; considerando, ainda, que incumbe ao sujeito passivo instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente, sob pena de preclusão do direito de fazê-lo, intempestivamente, ex vi do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, impõe- se a manutenção da infração. 8. Em face dos argumentos expendidos voto pela improcedência da impugnação, mantendo o imposto suplementar (receita 2904) de R$ 17.176,22, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais. (...).” Fl. 103DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-008.716 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13894.720448/2012-10 7 Em tal diapasão, entendo que não carece de reparos o acórdão proferido pela autoridade de piso objeto da irresignação contida no recurso voluntário sub-examine, devendo o referido permanecer hígido em nosso sistema jurídico pelas suas próprias razões de fato e de direito. 5. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar suscitada, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É o meu voto. Assinado Digitalmente Raimundo Cássio Gonçalves Lima Fl. 104DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0
11515101 #
Numero do processo: 13827.000254/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN. QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS. POSSIBILIDADE. ARTIGO 163 DO CTN. Não há qualquer óbice no procedimento adotado pela Autoridade Fiscal de aproveitamento dos pagamentos realizados pela contribuinte na quitação de outras inscrições, discutidas em feitos diversos, desde que se observe a ordem estipulada pelo artigo 163 do Código Tributário Nacional-CTN.
Numero da decisão: 1402-007.805
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e a ele negar provimento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-007.799, de 26 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13827.000240/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Sandro de Vargas Serpa (Presidente), Gustavo de Oliveira Machado (substituto integral).
Nome do relator: SANDRO DE VARGAS SERPA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 10 08:59:59 UTC 2026

anomes_sessao_s : 202606

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN. QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS. POSSIBILIDADE. ARTIGO 163 DO CTN. Não há qualquer óbice no procedimento adotado pela Autoridade Fiscal de aproveitamento dos pagamentos realizados pela contribuinte na quitação de outras inscrições, discutidas em feitos diversos, desde que se observe a ordem estipulada pelo artigo 163 do Código Tributário Nacional-CTN.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026

numero_processo_s : 13827.000254/2010-36

anomes_publicacao_s : 202609

conteudo_id_s : 7415009

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 28 00:00:00 UTC 2026

numero_decisao_s : 1402-007.805

nome_arquivo_s : Decisao_13827000254201036.PDF

ano_publicacao_s : 2026

nome_relator_s : SANDRO DE VARGAS SERPA

nome_arquivo_pdf_s : 13827000254201036_7415009.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e a ele negar provimento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-007.799, de 26 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13827.000240/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Sandro de Vargas Serpa (Presidente), Gustavo de Oliveira Machado (substituto integral).

dt_sessao_tdt : Fri Jun 26 00:00:00 UTC 2026

id : 11515101

ano_sessao_s : 2026

atualizado_anexos_dt : Sat Oct 10 09:45:23 UTC 2026

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1878655547761229824

conteudo_txt : Metadados => date: 2026-09-25T22:13:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2026-09-25T22:13:29Z; Last-Modified: 2026-09-25T22:13:29Z; dcterms:modified: 2026-09-25T22:13:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2026-09-25T22:13:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2026-09-25T22:13:29Z; meta:save-date: 2026-09-25T22:13:29Z; pdf:encrypted: false; modified: 2026-09-25T22:13:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2026-09-25T22:13:29Z; created: 2026-09-25T22:13:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2026-09-25T22:13:29Z; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2026-09-25T22:13:29Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 13827.000254/2010-36 ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 26 de junho de 2026 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2006 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN. QUITAÇÃO DE OUTROS DÉBITOS. POSSIBILIDADE. ARTIGO 163 DO CTN. Não há qualquer óbice no procedimento adotado pela Autoridade Fiscal de aproveitamento dos pagamentos realizados pela contribuinte na quitação de outras inscrições, discutidas em feitos diversos, desde que se observe a ordem estipulada pelo artigo 163 do Código Tributário Nacional-CTN. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário e a ele negar provimento, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402- 007.799, de 26 de junho de 2026, prolatado no julgamento do processo 13827.000240/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa – Presidente Redator Fl. 530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Sandro de Vargas Serpa (Presidente), Gustavo de Oliveira Machado (substituto integral). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Restituição apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente à restituição da parcela do PAES - Parcelamento Especial de que trata a Lei 10.648/2003. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: 1. AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. A existência de ação judicial com o mesmo objeto da lide importa em renúncia à apreciação da matéria na esfera administrativa. 2. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Cientificado do acórdão recorrido, a Recorrente apresentou este Recurso Voluntário em que sustenta que embora haja uma relação de prejudicialidade entre este processo administrativo e o Mandado de Segurança em que discute a legalidade da imputação dos créditos a diversas CDAs, não é possível vislumbrar uma relação de concomitância (e muito menos renúncia à esfera administrativa). Defende que embora o provimento do Mandado de Segurança culmine na liberação do crédito ora pleiteado, uma vez que cancelará a compensação de ofício realizada, a medida judicial não propiciará a restituição do montante à Recorrente. Além disso, caso remanesça o indeferimento neste processo administrativo, restará definitivamente obstado o direito da Fl. 531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 3 Recorrente reaver os valores do pagamento indevido, uma vez que já terá transcorrido o prazo prescricional para pleitear a devolução, restando a Recorrente impossibilitada de apresentar um novo pedido de restituição. Aponta jurisprudência do CARF em que se suspendeu o processo administrativo até o advento final do processo judicial. Requer, por fim, que os Conselheiros se posicionem quanto ao meio adequado à restituição do montante caso o MS culmine no cancelamento das compensações de ofício, uma vez que já terá transcorrido o prazo quinquenal para pleitear a restituição do crédito. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo, bem assim preenche os pressupostos de admissibilidade, conforme já atestado pela Resolução nº 1402-000.772. Trata-se de Pedido de Restituição de crédito referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003. Verifica-se dos autos que em 30/03/2010, a contribuinte protocolizou o Pedido de Restituição de tributos pagos indevidamente ou a maior, em formulário impresso, cujo recolhimento fora efetuado em 30/06/2005, sob o código receita nº 7122 (24ª PARCELA PAES 06/2005 - PARCELAMENTO LEI 10.684/2003), no valor total R$ 618.018,64 (principal de R$ 517.441,04 + juros de mora de R$ 100.577.60), Darf, fl. 7. Todavia, na data deste recolhimento, a contribuinte já havia sido excluída do Parcelamento pela PGFN com efeito retroativo desde 12/03/2005, por inadimplência correspondente a três ou mais parcelas consecutivas, conforme “Consulta Situação do Parcelamento” de fls. 10 e 54. Além disso, a mencionada “Consulta Situação do Parcelamento” aduziu que a dívida consolidada no parcelamento foi de R$ 68.379.061,27, bem assim que os pagamentos realizados até fevereiro/2005 foram de R$ 4.481.665,03, existindo saldo devedor a partir de março/2005 na quantia de R$ 74.759.953,60. Fl. 532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 4 Acrescenta-se que o “Demonstrativo de Pagamentos” de fl. 56 informa que os valores adimplidos pela Recorrente foram realizados nos dias 31/07/2003, 29/08/2003, 28/11/2003, 30/12/2003, 30/01/2004, 30/11/2004, 30/12/2004, 31/01/2005 e 28/02/2005. De outro lado, o despacho de encaminhamento da DRF em Bauru, fl. 58, datado de 17/06/2010, afirma que o “parcelamento PAES encontra-se encerrado desde março/2005”, bem assim que o “último pagamento alocado no PAES é de 28/02/2005” e que o “pagamento objeto do Pedido de Restituição foi retificado em março/2007 para um código utilizado pela PGFN” . Em 03/08/2010 a DRF/Bauru encaminhou os autos à PGFN, despacho de fl. 61. No dia 14/02/2011 a PGFN assim se manifestou, fl. 73: Trata-se de Procedimento Administrativo onde se almeja a restituição de quantia paga a maior, a título de parcela do PAES recolhida após a exclusão da contribuinte do programa de parcelamento. Analisando-se os dados obtidos no SINAL08, bem como as cópias extraídas do Procedimento Administrativo n.° 13888.000567/2007-74, que seguem em anexo, constata-se que o recolhimento do DARF juntado à fl. 03 deste feito, foi objeto de procedimento de REDARF e imputado ao(s) débito(s) inscritos na(s) CDA(s) n.° 80.6.05.042897-70. Assim, restou comprovado que a Interessada NÃO possui direito creditório em relação à UNIÃO. Em razão disso, indefiro a pretensão da parte interessada. Ao Serviço de Dívida Ativa para encaminhar o presente à DRF/Bauru para as providências pertinentes. O Despacho Decisório de fls. 75/79, datado de 03/05/2011, não reconheceu o direito creditório, em síntese, vez que: [...] No caso em análise, a interessada aderiu ao Paes em 30.07.2003. No entanto, foi excluída do referido parcelamento com efeitos a partir de 12.03.2005 por Despacho do Procurador Seccional, cientificado a contribuinte em 01.03.2005. Contudo, tendo em vista decisão exarada nos autos de execução fiscal nº 2005.61.09.003139-7, promovida pela Fazenda Nacional contra a contribuinte em questão, houve expedição de ofício pela 2ª Vara Federal de Piracicaba ao Delegado da Receita Federal de Piracicaba determinando que fossem procedidos Redarf dos recolhimentos efetuados pela, então, Fl. 533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 5 executada, referentes ao PAES, para que fossem aproveitados na quitação das inscrições em Dívida Ativa da União. Assim, atendendo-se a determinação judicial, em 16/03/07, procedeu-se ao Redarf do referido pagamento, alterando-se o código de receita para 4493 — Receita Dívida Ativa — Cofins, inferindo ser este o motivo da mensagem de erro apresentada pelo programa PER/DCOMP e que impossibilitou a transmissão do pedido pelo aludido programa. Portanto, não se tratando mais o crédito pleiteado de tributos e contribuições sob administração da RFB, o presente processo foi encaminhado para o órgão competente, no caso, a Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme prevê o artigo 20 da IN RFB nº 900/2008 abaixo transcrito, para que se manifestasse sobre a procedência do pedido protocolizado pela interessada: [...] Em 14.02.2011, em despacho de folha 66, a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou pelo não reconhecimento do direito creditório e indeferiu a pretensão da contribuinte, tendo em vista o pagamento solicitado, que foi objeto de Redarf, ter sido imputado ao(s) débito(s) inscrito(s) na(s) CDA(s) nº 80.6.05.042897-70 e 80.2.07.008463-42. O pagamento objeto do pedido está exposto na tabela abaixo: Dessa forma, tendo em vista a decisão acima exarada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o direito creditório aqui pleiteado não será reconhecido. [...] A DRJ/RPO, ao julgar a Manifestação de Inconformidade, considerou improcedentes os argumentos da Recorrente, em resumo, por entender que houve renúncia à discussão na esfera administrativa, com fundamentos na Súmula CARF n° 1 e no Parecer Normativo Cosit nº 7. Motivou sua decisão em razão de a Recorrente ter ajuizado embargos no processo nº 2008.61.09.002586-6, os quais estavam em andamento, aguardando apreciação de agravo em recurso especial pelo Superior Tribunal de Justiça, além de manter o mandado de segurança processo nº 0004232-59.2011.4.03.6108, para contestar a imputação dos pagamentos efetuados após sua exclusão no Paes: Pelo presente, expedido nos autos em epígrafe, requisito as dignas e urgentes providências de Vossa Senhoria no sentido de proceder à RE-DARF dos recolhimentos efetuados pela executada, referentes ao PAES, para que Fl. 534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 6 sejam aproveitados para quitação das inscrições em Dívida Ativa da União, representadas pelas Certidões n° 80.2.05.030999-19, n° 80.4.05.000191-88, n° 80.6.05.042897-70, n° 80.6.05.042898- 50 e n° 80.7.05.013304-58, aplicando-se a regra da imputação prevista no art. 163 do CTN. Pelo presente, expedido nos autos em epígrafe, requisito as dignas e urgentes providências de Vossa Senhoria no sentido de proceder à RE-DARF dos recolhimentos efetuados pela executada, referentes ao PAES, para que sejam aproveitados para quitação das inscrições em Dívida Ativa da União, representadas pelas Certidões n° 80.2.05.030999-19, n° 80.4.05.000191-88, n° 80.6.05.042897-70, n° 80.6.05.042898- 50 e n° 80.7.05.013304-58, aplicando-se a regra da imputação prevista no art. 163 do CTN. Por discordar do procedimento, o contribuinte ajuizou embargos, processo nº 2008.61.09.002586-6, os quais estão em andamento, aguardando apreciação de agravo em recurso especial pelo Superior Tribunal de Justiça. Além disso, o contribuinte mantém o mandado de segurança processo nº 0004232-59.2011.4.03.6108, para contestar a imputação dos pagamentos efetuados após sua exclusão no Paes (caso do crédito do PER/Dcomp tratado no presente processo) às execuções fiscais processo nº 2005.61.09.003139-7, 2007.61.09.006035-7, 2007.61.09.002017-7 e 2005.61.09.003912-8, conforme sentença parcialmente reproduzida a seguir (grifei): Autos do processo n.: 0004232-59.2011.403.6108Impetrante: COSAN S/A IND. E COM.Impetrados: PROCURADOR SECCIONAL DA FAZENDA NACIONAL EM PIRACICABA E UNIÃO FEDERAL Sentença Tipo CDECISÃO Vistos etc.Trata-se de mandado de segurança impetrado por COSAN S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO contra ato que teria sido praticado pelo ILMO. PROCURADOR SECCIONAL DA FAZENDA NACIONAL em Bauru e UNIÃO FEDERAL em que a Impetrante alega que optou pelo parcelamento de suas dívidas fiscais com base na Lei n. 10.684/03. Aduz que em 08-11-04 foi excluída do programa de parcelamento. Afirma que a autoridade pública teria realizado tal exclusão porque a Impetrante utilizou-se indevidamente de créditos como meio de compensação do PAES. Em seus dizeres, há decisões judiciais determinando sua reinclusão no programa de parcelamento, além do fato de que teria ingressado com uma ação judicial perante essa 3ª Vara requerendo a anulação do ato de sua exclusão do parcelamento (f. 05 - autos do processo n. 2008.61.09.021861-3). Afirmou que, em consonância com o previsto na Lei n. 11.941/09, desistiu de tal ação para obter novo parcelamento. Obtempera que os débitos oriundos do PAES foram migrados ao novo programa de parcelamento instituído pela Lei n. 11.941/09 e que tal parcelamento teria sido deferido pela Administração Pública. Ocorre que as parcelas que teriam sido pagas quando do período de sua exclusão não foram computadas para crédito Fl. 535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 7 perante o novo refinanciamento. Em sua versão, teriam sido imputados pagamentos em três execuções fiscais que tramitam perante essa Subseção Federal. Requereu, então, perante o Procurador da Fazenda Nacional em Piracicaba para que tais créditos fossem considerados como pagamentos do PAES e não imputados aleatoriamente por aquela autoridade pública. Disse, contudo, que, até o momento, não houve manifestação do agente público.Ao final postulou pela concessão de liminar para que as imputações que foram feitas nas CDAs arroladas sejam declaradas nulas. Tal processo ainda está em andamento junto ao TRF da 3ª Região, aguardando apreciação de recurso do contribuinte à sentença proferida em Primeira Instância. Portanto, a discussão sobre a possibilidade de o pagamento objeto do Pedido de Restituição ser utilizado para liquidar os débitos inscritos em Dívida Ativa está ocorrendo na esfera judicial, tanto na execução fiscal quanto no mandado segurança, não havendo que ser rediscutida na esfera administrativa. A Súmula CARF nº 1, determina que a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo implica em renúncia às instâncias administrativas: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O Parecer Normativo Cosit nº 7 de 22 de agosto de 2014, tem o mesmo entendimento (grifei): Conclusão 21. Por todo o exposto, conclui-se que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de Fl. 536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 8 reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e compensação ), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o Inspetor-Chefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplica-se de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda que sujeito a rito processual diverso do Decreto nº 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer Fl. 537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 9 MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. Assim, aplicando o entendimento da Súmula CARF nº 1, e da alínea “a” do item 21 do Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, a discussão sobre a imputação dos pagamentos seguirá na esfera judiciária, com renúncia à esfera administrativa. Considerando que o pagamento objeto do Pedido de Restituição é objeto de discussão judicial, é ilíquido e incerto, de modo que o direito creditório não deve ser reconhecido. Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como improcedente. Em 22 de novembro de 2018 foi proferida a Resolução nº 1402-000.772 de fls. 260/265, por esta egrégia 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento, que determinou: “(...) por unanimidade de votos, sobrestar o presente processo administrativo até que se verifique o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 0004232-59.2011.4.03.6108 (...)”. Em consulta às decisões trazida aos autos às fls 321/338 é possível identificar que: - Foi negado provimento à apelação do contribuinte. - O Tribunal manteve a sentença que considerou inadequada a via eleita (MS) e entendeu que a discussão (sobre a imputação de pagamento) deveria ser tratada nas ações de execução fiscal. - Ocorreu o trânsito em julgado da referida ação em 30/01/2024. Portanto restou inconteste que a recorrente não obteve êxito no seu pleito, no âmbito do Poder Judiciário, vez que o MS nº 0004232- 59.2011.4.03.6108/TRF3 foi julgado improcedente. Em outras palavras, com o indeferimento do MS não houve o cancelamento do procedimento, adotado corretamente pela Autoridade Fiscal, de compensação de ofício dos recolhimentos efetuados após a exclusão da recorrente do parcelamento especial. Assim sendo, a alocação dos valores recolhidos aos débitos objeto das CDAs nºs 80.6.05.042897-70 e 80.2.07.008463-42 foi realizado de forma correta e legal, bem assim a possibilidade ou não de compensação de ofício deve ser discutida junto ao Poder Judiciário e não neste âmbito Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 01. Fl. 538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 10 Portanto, não há que se falar em existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou ao maior no valor originário de R$ 618.018,64, a título de Parcelamento da Lei nº 10.684/2003 (PAES), realizado após a exclusão da Recorrente por meio do DARF de fl. 7, vez que o pagamento objeto do Pedido de Restituição aqui tratado já foi aproveitado para liquidar dívidas da Recorrente, referentes às CDA’s nºs 80.6.05.042897-70 e 80.2.07.008463-42, executadas através dos Processos Judiciais nº 2005.61.09.003139-7 e 2007.61.09.006035-7. Ademais disso, em relação à Execução Fiscal nº 2005.61.09.003139-7, a contribuinte realizou o pagamento objeto da cobrança, bem como realizou o parcelamento do débito tributário junto à Execução Fiscal nº 2007.61.09.006035-7. Outrossim, foi proferida decisão judicial, nos autos de Execução Fiscal nº 2005.61.09.003139-7, em trâmite perante a 2ª Vara Federal de Piracicaba, determinando que o Delegado da Receita Federal de Piracicaba procedesse no aproveitamento dos recolhimentos efetuados pela Recorrente, referentes ao PAES, para quitação das inscrições em Dívida Ativa da União. Por fim, não há qualquer óbice ao aproveitamento dos pagamentos realizados pela Recorrente na quitação de outras inscrições, discutidas em feitos diversos a este, desde que se observe a ordem estipulada pelo artigo 163 do Código Tributário Nacional. Desta forma, não é possível o atendimento ao pleito da recorrente de repetição do indébito tributário relativo aos recolhimentos efetuados a título de parcelas do PAES efetuados após sua exclusão do referido programa. Sendo assim, por todo o exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. Fl. 539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.805 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13827.000254/2010-36 11 Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e a ele negar provimento. Assinado Digitalmente Sandro de Vargas Serpa – Presidente Redator Fl. 540DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

score : 1.0