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Numero do processo: 10480.913815/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-001.062
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.913815/201110 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.062 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 81 5/ 20 11 -1 0 Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10480.913815/201110 Resolução nº 3401001.062 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.061. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10480.913815/201110 Resolução nº 3401001.062 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10480.913815/201110 Resolução nº 3401001.062 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.722301/2015-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário:2012
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO
A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea de que os gastos foram suportados pelo próprio contribuinte e que ocorreram no ano calendário da declaração.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS
A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos pagamentos efetuados, no caso de solicitados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial nos termos da fundamentação do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário:2012 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea de que os gastos foram suportados pelo próprio contribuinte e que ocorreram no ano calendário da declaração. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos pagamentos efetuados, no caso de solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial nos termos da fundamentação do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild.
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COMPROVAÇÃO A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea de que os gastos foram suportados pelo próprio contribuinte e que ocorreram no ano calendário da declaração. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte está condicionada a comprovação hábil e idônea dos pagamentos efetuados, no caso de solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 23 01 /2 01 5- 85 Fl. 242DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial nos termos da fundamentação do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10855.722301/201585 Acórdão n.º 2402005.581 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, o processo referese à Notificação de Lançamento, relativa ao ano calendário de 2012, fls. 163/167. O valor do imposto suplementar originalmente calculado, sujeito à multa de ofício de 75%, foi de R$ 6.638,29. A contribuinte calculou uma restituição no valor de R$ 1.343,34. A Notificação de Lançamento, lavrada em 08/06/2015, decorreu da dedução indevida a título de despesas médicas. Foi glosado o valor de R$ 29.024,10 devido a contribuinte intimada a apresentar o comprovante dos efetivo pagamento das despesas médicas abaixo relacionadas, apresentou extratos do Banco do Brasil. Os extratos não comprovaram a efetividade dos pagamentos perqueridos, pois o fato da contribuinte fazer saques regulares em sua conta não prova o pagamento das despesas médicas, já que não foram coincidentes em data e valor com os recibos apresentados. O sujeito passivo foi cientificado, apresentou impugnação em 16/07/2015 (fls. 2/5), alegando, em síntese, que: · CPF: 488.787.23568 CÁTIA MOURA GALVÃO ELOY PEREIRA, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai,Carlos Toloi CPF 035.301.83849 apresenta para comprovar recibo e relatório médico. · CPF: 05.430.580/000170 CLINICA DE ASSISTÊNCIA PEDIÁTRICA S/C LTDA ME, do valor de R$ 300,00 questiona o valor de R$ 180,00,pois referese a despesas médicas do filho Rodrigo Toloi de Andrade nascido em 04.02.2002. · CNPJ: 60.840.055/013209 FLEURY S A, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, Carlos Toloi CPF 035.301.83849. · CPF 733.058.04572 VANYERE DE LIMA ALMEIDA, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, , Carlos Toloi CPF 035.301.83849 apresenta para comprovar recibo, declaração e carta. · .CNPJ:63.554.067/000198 HAPVIDA ASSISTÊNCIA MEDICA LTDA,questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai,Carlos Toloi CPF 035.301.83849 apresenta para comprovar boletos com recibos e declaração do plano de saúde. · .CNPJ: 09.021.760/000150 RCS SERVIÇOS MÉDICOS ESPECIALIZADOS LTDA EPP, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, Carlos Toloi CPF 35.301.83849 consulta com médico a domicilio, anexa declaração atual do médico, cópia do cheque, cópia da receita do dia da consulta (não conseguiu localizar contator para pegar o recibo) Fl. 244DF CARF MF 4 · CNPJ: 01.667.119/000185 MASTOGIN CLINICA DE MASTOLOGIA E GINECOLOGIA S/C LTDA ME, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas próprias. Anexa o recibo, pago em especie. · CPF: 482.220.03534 ANA PATRICIA COSTA TAVARES, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas próprias. Anexa o recibo,cópia do extrato do cartão de credito, declaração da dentista com data atual · CPF: 021.313.17573 DIOGO NUNES MIGUEL DE OLIVEIRA, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas próprias.Anexa o recibo, cópia do extrato conta corrente, cópia extrato de cartão de crédito , cópia do cheque, declaração do dentista com data atual · CPF 041.556.01877 ELIANA MARIA NUNES MIGUEL DE OLIVEIRA, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas próprias, do filho (Rodrigo Toloi de Andrade) e do pai. Anexa o recibo, cópia do extrato conta corrente, cópia extrato de cartão de crédito, cópia do cheque, declaração da dentista com data atual, ondeela consta todos os tratamento, nclusive dois que não citei na minha declaração. · CPF: SIMONE CERQUEIRA CARDOSO, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas próprias. Anexa o recibo, cópia do extrato conta corrente, cópia extrato de cartão de crédito , relatório do ocorrido e declaração da dentista com data atual · CNPJ 00.081.049/000116 CENTRO OFTALMOLÓGICO DE ITAPOAN S/C LTDA ME, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, Carlos Toloi CPF 035.301.83849 consulta oftamologica, não conseguiu entrar em contato com a clínica, o recibo foi encaminho via internet, site da prefeitura de Salvador. · : CNPJ: 13.612.189/000115 CLINICA DE OLHOS LEITÃO GUERRAS/S LTDA EPP, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, Carlos Toloi CPF 35.301.83849 tratamento oftamológico, não consegui entrar em contato com a clínica, o recibo foi encaminho via intrnet site da prefeitura de Salvador. · CPF: 925.463.66572 CLAUDIA COSTA PINTO FURTADOMACHADO, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, Carlos Toloi CPF 035.301.83849 anexo recibo e cópia do cheque. · CNPJ: 00.317.661/0001 45 PEDCLIN CLINICA ODONTOLÓGICALTDA, questiona o valor total , pois referese a despesas médicas próprias. Anexa recibos, extratos e declaração com data atual da dentista. · CNPJ 15.166.416/000151 REAL SOCIEDADE PORTUGUESA DEZESEIS DE SETEMBRO questiona o valor total , pois referese a despesas médicas do pai, Carlos Toloi CPF 035.301.83849 internação de urgência feita pelo genitor, que estava com sérios problemas com seu convênio, conforme explicada em minha carta .Ficaram de mandar a nota fiscal pelo site da prefeitura de Salvador mas não recebi. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou procedente parcialmente a impugnação da Recorrente demonstrando no quadro as glosas mantidas e revertidas: Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10855.722301/201585 Acórdão n.º 2402005.581 S2C4T2 Fl. 4 5 (1) A contribuinte anexou o recibo de fl.65, datado de 13/09/2012, no valor de R$200,00. Comprovando, através dos extratos bancários, que no mês de setembro/2012 (fls.139/140) efetuou saques que justificariam o pagamento alegado à fl. 56. (2) Anexa o recibo, no valor de R$ 180,00, de data 13/04/2012 (fl. 58), comprovando o pagamento pela cópia do cheque da mesma data (fl.72), compensado em 17/04/ 2012, conforme extrato bancário (fl.73). Nada apresenta para a diferença de R$ 200,00. Fl. 246DF CARF MF 6 (3) Anexa nota fiscal eletrônica, no valor de R$23,91, datada de 19/7/2012(fl.76), e comprova, através dos extratos bancários, que no mês de julho/2012 (fl.137) efetuou saques que justificariam o pagamento em espécie alegado à fl. 56. (4) Apresenta declaração do prestador especificando nove pagamentos efetuado nos meses de janeiro a setembro de 2012 (fl.79) e recibos nos valores constantes na declaração (fls.80 a 82), totalizando o montante de R$ 12.000,00, afirmando que efetuou os pagamentos em dinheiro (fl.56). Entretanto, pela análise dos extratos bancários presentes nos autos, verificase que a contribuinte não efetuou saques que justificassem os pagamentos. Em geral os saques da contribuinte eram em valores baixo, tais como R$40,00, R$90,00 e R$190,00, os quais continuaram a ser efetuados nos meses em que não houve mais pagamentos para quitar a despesa médica relacionada ao prestador Vanyere de Lima Almeida, indicando que os saques efetuados eram destinados a outras necessidades da contribuinte. (5) Comprovar o efetivo pagamento com os boletos do plano de saúde e comprovantes de pagamentos dos mesmos (fls. 18/38). (6) Apresenta declaração do médico especificando dois pagamentos nos valores individuais de R$400(fl.63). Comprova o efetivo pagamento com a apresentação dos extratos bancários dos meses de março(fl.100) e agosto (fl.74), nos quais há compensação de cheques no valor de R$400,00. (7) Anexa o recibo datado de 26/07/2012 (fl. 83) e comprova, através dos extratos bancários, que no mês de julho/2012 (fls.137/124) efetuou saques que justificariam o pagamento em espécie alegado à fl. 56. (8) Anexa o recibo datado de 27/7/2012 (fl. 64), no valor de R$100,00). Comprova o pagamento pela cópia do extrato do cartão de credito, onde consta o faturamento do montante em 23/8/2012 (fl.85). (9) Anexa declaração (fl. 94) e recibos das despesas médicas, nos valores de R$ 195,00 em 7/3/2012 (fl. 60) e R$ 160,00 em 14/11/2012 (fl.66). Comprovando os pagamentos através da apresentação de cópia de cheque (fl.95) de valor de R$195,00, datado de 7/3/2012, pela apresentação do extrato do cartão de crédito, onde consta o valor de R$ 160,00 faturado em 14/11/2012 (fl. 97). (10) Anexa declaração da prestadora à fl. 99, informando os pagamentos de: R$300,00 em 27/03/2012; R$1.055,83 em 03/04/2012; R$300,00 em 27/04/2012; R$350,00 em 08/05/2012; R$300,00 em 27/05/2012; R$92,00 em 25/09/2012 ; R$66,00 em 23/07/2012 e R$880,00 em 12/07/201, .totalizando o valor de R$ 3.343,88. Anexa recibos às fls: 61 (R$300,00 em 27/03/2012); 57 (R$ 1.055,88 em 03/04/2012); 59 (R$ 300,00 em 27/04/2012); 62 (R$350,00 em 08/05/2012); 104 (R$300,00 em 27/05/2012) e 107 (R$ 880,00 em 12/07/2012), totalizado o montante de R$ 3.185,88. Entretanto, somente comprovou o pagamento da quantia de R$1.872,00, através de: · extratos bancários, onde consta a compensação dos cheques: nº 850976, em 28/3/2012, no valor de R$ 300,00 (fls. 100 e 132); nº 850977 em 30/4/2012, no valor de R$ 300,00 (fls. 101 e 102) e nº 850978 em 28/5/2012, nº valor de R$ 300,00 (fl.105). Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10855.722301/201585 Acórdão n.º 2402005.581 S2C4T2 Fl. 5 7 · extratos do cartão de crédito com os faturamentos de: R$92,00 em 25/09/2012 (fl.92) e R$ 880,00, dividido em três parcelar de R$293,34, nos dias 03 dos meses de julho, agosto e setembro (fls. 85 e 109). Faltando a comprovação dos valores de R$1.055,88 e R$350,00, pois apesar de afirmar que pagou através do cartão de crédito, não apresentou os extratos nas competências de abril e maio de 2012. (11) Anexa recibo datado de 11/12/2012, no valor de R$700,00 (fl.111). Afirma que pagou o valor em três parcelas, a primeira com o cheque nº 851006, compensando em 7/12/2012, no valor de R$ 234,00 (fl.112). A segunda e a terceira parcela, no valor de R$ 233,00, pagou com o cartão de crédito faturado em 23/1/2012 e 23/2/2012, porém não apresentou o extrato do cartão de crédito. Assim, como o valor do cheque não confere com o recibo, sem cópia do mesmo não pode ser aceito como relacionado a despesa médica. (12) Anexa duas notas fiscais eletrônicas, no valor de R$ 45,00, datadas de 29/2/2012(fl.118) e 26/1/2012(fl.119). Comprova, através dos extratos bancários, que nos meses de janeiro e fevereiro de 2012, efetuou saques que justificariam o pagamento em espécie (fls.128, 129, 121 e 130). (13) Anexa nota fiscal de 6/3/2012, com valor de R$300,00 (fl.120), afirmando que pagou o montante através do cheque nª 850969 e apresenta extrato bancário onde consta a compensação em 7/2/2012 (fl.121). Entretanto, como a nota fiscal tem data posterior a compensação do cheque, apenas o extrato bancário é insuficiente para comprovar o pagamento da despesa médica. (14) Anexa recibo no valor de R$480,00(fl. 122). Comprovando o pagamento da quantia pela apresentação da cópia do cheque nº 850987 de 15/8/2012 (fl. 123) e extrato bancário (fl. 124). (15) Anexa nota fiscal, datada de 11/10/2012, no valor de R$1.300,00 (fl.87). Comprova que pagou o montante em três vezes, faturando no cartão de crédito nas datas de: 23/9/2012; 23/10/2012 e 23/11/2012 ( 3 vezes de R$ 433,34) (fls. 88 a 91). (16) Nada apresentou comprovantes relacionado a essa despesa médica. Portanto, como o lançamento ocorreu pela ausência de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, deve ser permitido a dedução da base de cálculo do imposto de renda do montante de R$11.790,22, enquanto o valor não comprovado de R$17.233,88 deve permanecer glosado. Fl. 248DF CARF MF 8 Cientificado da decisão de primeira instancia em 17/02/2016, o contribuinte apresentou tempestivamente, fls. 191/237, em 17/03/2016, o recurso voluntário apresentando, em relação aos item 04, 10, 11 e 13, documentos com vista a comprovar a legitimidade das deduções. Requer que tais documentos sejam acolhidos como hábeis para legitimar a dedução das despesas médicas. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10855.722301/201585 Acórdão n.º 2402005.581 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 17/02/2016, interpôs recurso voluntário no dia 16/03/2016, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados aos seguintes prestadores (fls 193 a 237): Fl. 250DF CARF MF 10 a) Em relação ao item 04 VANYERE DE LIMA ALMEIDA, recibos já acostados anteriormente aos autos (Fls. 79/82), no entanto, desta vez mais legíveis em que constando valor, data, nome, inscrição no CPF do prestador, mas não indica endereço do prestador e, ainda, declaração do profissional afirmando que o pagamento foi devidamente, realizado pelo contribuinte, em dinheiro. Apresenta, ainda, carta à defensoria pública. b) Em relação ao item 10 ELIANA MARIA NUNES MIGUEL DE OLIVEIRA, recibo no valor de R$ 350,00 que consta de valor, data, nome, inscrição no CPF do prestador, mas não indica endereço do prestador e extrato de conta corrente que demonstra que no dia 08/05/2012 foi realizado um gasto no mesmo valor de R$ 350,00. c) Em relação ao item 11 SIMONE CARDOSO CERQUEIRA, , recibo (fls 212) no valor de R$ 700,00 que consta de valor, data (11/12/2012), nome, inscrição no CPF do prestador e endereço do prestador. d) Em relação ao item 13 CLÍNICA DE OLHOS LEITÃO GUERRA, copia de nota fiscal emitida pela Prefeitura de Salvador (fl 205), no valor de R$ 300,00, referente a exame oftalmológico realizado pelo paciente Carlos Toloi (pai da Recorrente) Tendo em vista os novos documentos acostados aos autos, entendo que os relacionados aos itens 11 e 13 devem ser considerados como legítimos para fins de dedutibilidade de imposto de renda, tendo em vista serem incontestes quanto ao cumprimento de todos os requisitos legais e hábeis a comprovar a respectiva despesa. Forte nas razões expostas, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o direito dedução das despesas médicas glosadas, nos termos do voto e dos autos em si. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900398/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 27/02/2004
CSLL. APURAÇÃO ANUAL. RECOLHIMENTO A MAIOR.
Cabe reconhecer o direito creditório de recolhimento a maior de CSLL apuração anual, se os registros contábeis e a apuração demonstrada na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ original espontânea confirmam que o valor devido é menor que o recolhimento efetuado.
Numero da decisão: 1201-001.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarou-se impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarou-se impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
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APURAÇÃO ANUAL. RECOLHIMENTO A MAIOR. Cabe reconhecer o direito creditório de recolhimento a maior de CSLL apuração anual, se os registros contábeis e a apuração demonstrada na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ original espontânea confirmam que o valor devido é menor que o recolhimento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Paulo Jorge Gomes, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. Declarouse impedido o conselheiro José Roberto Adelino. Ausente o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 03 98 /2 00 9- 80 Fl. 247DF CARF MF Processo nº 16327.900398/200980 Acórdão n.º 1201001.582 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o processo de Declaração de Compensação PER/Dcomp nº 29652.90690.280205.1.3.047496, de 28/02/2005, págs. 13/18, requerendo o crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, no valor de R$871.496,49, recolhido em DARF de valor total R$58.247.990,38, acrescido de juros, em 27/02/2004; para compensar débito de 675801 CSLL Entidade financeira/Declaração de ajuste do período de apuração 2004, vencimento em 31/03/2005, no valor de R$1.003.702,51. 2. Às págs. 4 e 6, Despacho Decisório da DEIF/São Paulo que não homologou a Dcomp porque o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. 3. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente, págs. 64/69, porque: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP.CRÉDITO DE PAGAMENTO ALEGADAMENTE A MAIOR. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A mera alegação de que determinado débito de CSLL teria sido pago a maior, como também declarado a maior em DCTF, mesmo posteriormente retificada, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de documentos, registros e demonstrativos que evidenciem, de forma cabal, a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento e o preenchimento da DCTF. 4. Cientificado em 14/07/2011 (págs. 70/72) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário tempestivo em 12/08/2011, págs. 73/93, com os documentos de págs. 94/153. 5. Pleiteia a tempestividade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 6. Esclarece que a DIPJ 2004, especificamente na Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apresentou o saldo de contribuição social a pagar de R$ 57.385.122,56. De acordo com as regras aplicáveis pela legislação do IRPJ, tal importância deveria ser acrescida de 1% (um por cento) para o recolhimento no dia 27.02.2004, o que resultou o montante de R$ 57.958.973,78. 7. Mas que, equivocadamente, o recolhimento foi efetuado pelo valor de R$ 58.830.470,28, conforme DARF de fls. 07, gerando um crédito tributário de R$871.496,50. 8. Destaca que a CSLL é lançada por homologação; que a apuração pode ser mediante pagamentos mensais a título de antecipação, ou seja, estimativas mensais e, apuração ao final do anocalendário, restando saldo a pagar ou a depender se as estimativas forem menores ou maiores que o valor devido; formalizase a apuração por meio da DIPJ e a entrega da DCTF. 9. Tratandose, portanto a CSLL de lançamento por homologação, em 01/01/2009, isto é, cinco anos após o encerramento do anocalendário em 31/12/2003, ocorreu a homologação tácita do crédito tributário de R$57.385.122,56, antes da emissão do Despacho Fl. 248DF CARF MF Processo nº 16327.900398/200980 Acórdão n.º 1201001.582 S1C2T1 Fl. 4 3 Decisório em 18/02/2009; e destaca que a RFB não contestou o valor declarado na DIPJ, mesmo estando este em divergência com a DCTF. 10. Com isso, conclui que o DARF recolhido em 27.02.2004 foi efetuado em valor superior ao devido, sendo líquido e certo o crédito no montante de R$1.003.702,51, correspondente ao valor originário R$ 871.496,50, acrescido da variação da taxa Selic do período de 27.02.2004 a 31.03.2005 (15,17%). 11. Que o erro de preenchimento da declaração acessória justificase pelo fato de que a DCTF foi entregue em 14.05.2004 e a DIPJ em 30.06.2004, ocasião em que se apurou o quantum devido. 12. Resume que a situação fática consiste em (i) o saldo de CSLL formalmente declarada para a Fazenda Nacional se deu por meio da DIPJ; (ii) a modalidade de lançamento da CSLL é por homologação, ocorrida tacitamente em 01.01.2009; e (iii) a DCTF tratase de declaração acessória, não servindo, no presente caso, de confissão de dívida. 13. E pleiteia que seja reconhecido o direito à homologação ao crédito objeto da PER/DCOM, posto que a sua formalização junto à Fazenda Nacional se deu de forma válida entrega da DIPJ , tendo transcorrido o lapso temporal para a manifestação quanto a sua regularidade formal. 14. Assim, o saldo da CSLL relativo ao anocalendário de 2003, exercício de 2004, é o valor expresso na DIPJ do respectivo período, comprovando com isso o recolhimento a maior que gerou o pedido de compensação. 15. Advoga que cumpriu as exigências relativas à declaração de compensação de débito. 16. Reclama de cerceamento de defesa no que tange à entrega de documentação comprobatória, que advoga ser possível em fase posterior à manifestação de inconformidade e requer a juntada dos documentos que relaciona às págs. 91/92, para análise. 17. A 2ª Turma Especial da Primeira Sessão do CARF emitiu a Resolução nº 1802 000.389, de 5 de novembro de 2013, págs. 154/160, determinando a diligência: Assim sendo, converto o presente julgamento em diligência ordenando a remessa dos presentes autos à unidade origem, a fim de que aquela unidade: junte de ofício a DIPJ original e última retificadora entregue pelo contribuinte em relação ao anocalendário de 2003. em sua integralidade e: intime o contribuinte a trazer aos autos os balancetes do período ou algum documento contábil ou fiscal que demonstre a validade do crédito pleiteado, de forma a dar suporte adicional ao constante na DIPJ. 18. A diligência foi realizada pela DRF em Brasilia/DF e constou dos documentos de págs. 162/234 e da Informação Fiscal Diort/DRFBrasilia nº 0772/2016, de 09 de junho de 2016, págs. 235/238, de que: Fl. 249DF CARF MF Processo nº 16327.900398/200980 Acórdão n.º 1201001.582 S1C2T1 Fl. 5 4 14. Desta feita, com base nos cálculos efetuados na Tabela 3, concluise que o valor do saldo a compensar origem do direito creditório a ser utilizado na compensação dos débitos da PER/DCOMP 29652.90690.280205.1.3.047496, é de RS 862.507,59. 19. A Informação Fiscal Diort/DRFBrasilia nº 0772/2016, foi cientificada ao contribuinte em 18/07/2016, págs. 238/240. 20. Não consta manifestação do contribuinte. Voto Conselheiro Eva Maria Los 21. O contribuinte apresentou os documentos de págs. 173/193, atendendo à intimação da Divisão se Orientação e Análise Tributaria – Diort, DRF em Brasilia/DF, pág. 162. 22. Esta constatou que a Recorrente apresentou apenas uma DIPJ original, em 30/06/2004, relativa ao anocalendário 2003 e confirmou que a Ficha 17 apresentada correspondia ao Anexo 2 (Ficha 17) apresentada. 23. A DRF verificou que a contabilidade da Recorrente, págs. 190/193, registra R$94.932.529,81 de CSLL apurada para o anocalendário 2003; e que as estimativas devidas e recolhidas constantes dessa DIPJ, totalizavam R$37.529.811,36, e não R$37.538.711,27, como consignou o contribuinte na Ficha 17: a. no mês 10/2003, o contribuinte apurou R$3.823.720,35 de CSLL devida, da qual subtraiu R$8.899,91 de CSLL retida na fonte resultando CSLL a recolher de estimativa de 10/2003 no valor de R$3.814.820,44, que é o valor que devia ter somado ao total das estimativas recolhidas a ser deduzido na linha 41. da Ficha 17; em vez disso, o contribuinte somou o valor antes da dedução da CSLL retida na fonte e também consignou o IRRF de R$8.695,98 na linha 44. da Ficha 17. 24. Contudo, tendo em vista que, na apuração anual, na Ficha 17, a Recorrente deduziu R$8.695,98 e não os R$8.899,91 que tinha registrado no mês 10, cabe considerar este valor na apuração desse mês, resultando o valor a recolher de 10/2003 em R$3.823.720,35 () 8.695,98=3.815.024,37, e o total de estimativas recolhidas de R$37.530.015,29. 25. Assim, a CSLL a pagar resulta em R$94.932.529,81 () R$37.530.015,29 (estimativas mensais) R$8.695,98 (CSLL fonte, valor que o contribuinte consignou na linha 44 da Ficha 17)=R$57.393.818,54 que acrescidos de 1% para recolhimento em 27/02/2004, resultou em R$57.967.756,73. 26. Haja vista terem sido recolhidos R$58.830.470,28, o crédito de recolhimento a maior é de R$862.713,55: Acórdão DRJ Este voto CSLL devida 94.932.529,81 94.932.529,81 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 16327.900398/200980 Acórdão n.º 1201001.582 S1C2T1 Fl. 6 5 () Est Mensa 37.529.811,36 37.530.015,29 () CSLL fonte 8.695,98 8.695,98 CSLL a recolher 57.394.022,47 57.393.818,54 1,00% 573.940,22 573.938,19 A recolher 29/02/2004 57.967.962,69 57.967.756,73 Recolhido 58.830.470,28 58.830.470,28 A maior 862.507,59 862.713,55 Do exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório de recolhimento a maior de R$862.713,55 em 27/02/2004, e a compensação dos débitos em aberto até o limite desse crédito. (documento assinado digitalmente) Eva Maria Los Relator Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002104/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS.
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 2402-005.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 21 04 /2 00 9- 15 Fl. 1158DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre – DRJ/POA (fls. 1.048/1060), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativo ao anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007 / exercícios 2005, 2006, 2007 e 2008, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 80.724,82, sendo R$ 39.407,50 de imposto; R$ 29.555,62, de multa proporcional; e R$ 11.761,70, de juros de mora calculados até 31/07/2009. Consta do Auto de Infração (fls. 100/106) que o procedimento fiscal teve como escopo a apuração da apuração de classificação indevida rendimentos na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física. Impugnação Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 1029.377, da 4ª Turma da DRJ/POA: Tempestivamente, o interessado apresenta a impugnação da exigência às fls. 73 a 98. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Lançamento, contra o contribuinte, de juros de mora já lançados contra a FATEC, bis in idem tributário. A Auditoria lançou, a débito do Contribuinte, juros de mora calculados pela taxa Selic incidentes sobre o Imposto de Renda lançado com base nas bolsas recebidas. Ocorre que, recentemente, juros de mora incidentes sobre a mesma base de cálculo, qual seja, Imposto de Renda da Pessoa Física, foram lançados contra a Fundação de Apoio á Tecnologia e Ciência. Os juros foram lançados contra a FATEC, juntamente com multa, em razão da falta de recolhimento do IR na fonte. Apesar de se tratar de um título de recolhimento diferente, eventualmente sob uma alíquota diferente, é óbvio que tratase do mesmo imposto que está sendo cobrado da contribuinte, sobre o mesmo fato gerador; logo, sendo idêntica a natureza do principal, idêntica é a natureza do acessório. Transcreve o disposto no art. 4º do CTN. Pelo exposto, requer a decretação da nulidade do Auto de Infração. Boafé. Uso arraigado da isenção nas fundações. Fiscalização dentro do período que não apontou irregularidade. Basicamente, o AFRFB encarregado do cumprimento do MPF apresentou, como motivo para o Lançamento de Ofício, a Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 3 3 acusação de que o Contribuinte teria apresentado, nos anos base afetados, "declaração inexata", fundamentando a opção no art. 841, III do RIR/99. No caso, a "inexatidão" consistiria em "classificação indevida de rendimentos na DIRPF", consubstanciada pela declaração, na qualidade de rendimento isento, de bolsas recebidas pelo contribuinte no período afetado. Ocorre que o contribuinte, ao classificar suas bolsas como rendimento nãotributável, não errou nem agiu de máfé. Ao revés,f seguiu orientação da Lei e de seus regulamentos, bem como das práticas reiteradamente adotadas pela DRF de Santa Maria na interpretação do alcance e da incidência da isenção concedida pelas leis 8.958/94 e 9.250/95 e seus regulamentos, notadamente o Decreto n° 5.205/04. Ou seja, não se trata de inexatidão; mas sim, da aplicação de uma interpretação juridicamente válida e até então pacificamente aceita, e compartilhada pelos próprios AFRFB lotados em Santa Maria. Vale dizer que o entendimento do contribuinte, que era também o da Receita, é no sentido de que suas bolsas são nãotributáveis, embora a Declaração não lhe permita fazer diferença entre essa natureza e a de "receita isenta". Em 31 de maio de 2001, a Fundação foi intimada, pelo MPF 1010300 2001 000714, referente às bolsas pagas, onde então foi verificado o cumprimento das obrigações fiscais. Logo, houve fiscalização sobre os mesmos fatos analisados pela presente autuação, sem que fosse apontada a suposta irregularidade agora lançada. Como houve fiscalização específica sobre o cumprimento das obrigações fiscais relativamente às bolsas de estudo e pesquisa, com análise de toda a documentação pertinente, restou consolidado o entendimento de que as bolsas em questão não sofrem a incidência do IRRF. Por conseguinte, este critério jurídico deve sei" respeitado, até o momento em que a administração muda de entendimento. Cita o artigo 100 do CTN. Como no caso em tela tratamos de modificação de interpretação jurídica, e não erro de fato, deve vigorar o entendimento que até então era aceito. Nesse sentido, o contribuinte cita a doutrina. Transcreve ementas da jurisprudência judicial. Pelo exposto, requer que, em face de ter o contribuinte agido: A) com base em prática arraigada em situações de fato e de direito análogas ou idênticas; B) de ser tal prática aceita pelas autoridades competentes; C) de ter sido o sistema de bolsas da FATEC, no qual se origina a matéria de fato, ter sido Fl. 1160DF CARF MF 4 sucessivamente fiscalizado em 1996, 2001 e 2005, com ênfase especial em 2001, e de não ter sido constatada nenhuma infração em tais ocasiões, corroborando a prática em vigor; D) de ter agido o contribuinte; de boafé, ao declarar suas bolsas como nãotributáveis, de acordo com o informe assim rotulado, que lhe foi entregue pela FATEC; E) de acreditar o contribuinte, assim como já interpretou a SRF, que as bolsas que recebeu são, de fato e de direito, nãotributáveis, como abaixo se comprovará. Seja o auto de infração anulado, por conter multa e juros de mora indevidos, a teor do disposto no art. 100, § único do CTN. Efeito confiscatório art. 150, IV da CF Princípio dos motivos determinantes. O Auto de Infração deve ser anulado, por representar o uso indevido da legislação tributária com intenção confiscatória proibida pela Constituição Federal. Configuração dos requisitos para isenção Está ao abrigo da isenção preconizada pelas leis 8.958/94, 9.250/95 e pelo Decreto 5.205/04. Suas atividades preenchem plenamente os requisitos estabelecidos pela legislação; ou seja, sua declaração, nesse sentido e contexto, foi perfeitamente exata, afastando o fundamento principal do Lançamento de Ofício. A legislação invocada no auto de infração como delimitadora da outorga de isenção: Lei 9250/95, Lei 8958/94 e Decreto 5.205/04 estabelece o seguinte conjunto de requisitos: 1. Que a bolsa seja caracterizada como doação (sendo, portanto, inadmitida a contraprestação de serviços, exceto no caso de extensão); 2.Que a bolsa seja de estudo, pesquisa ou EXTENSÃO; 3. Que os resultados do estudo, da pesquisa ou do ato de extensão não revertam economicamente para o doador da bolsa. A bolsa é uma doação em dinheiro, titulada, no caso em tela, pela FATEC como doadora e pelo contribuinte como donatário. A contraprestação (no caso, de serviços) é caracterizada como elemento sinalagmatismo, ou seja, o troco da bolsa, o bolsista presta um serviço a favor do donatário. Salvo no restrito caso da Patente, regrada por lei própria, o conteúdo d arte ou do conhecimento produzido por um bolsista é patrimônio universal, que nessa qualidade, também pode ser recebido pelo doador. A outra exceção é a extensão. E de sua essência a prestação do serviço especializado, fundamentalmente como atividade de meio para a qualificação do estudante ou docente, vez que propicia o campo prático pra exercício do estudo teórico e para a comprovação e aplicação de hipóteses e teses. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 4 5 A bolsa de pesquisa constituise em instrumento de apoio e incentivo à execução de projetos de pesquisa científica e tecnológica. A bolsa de extensão constituise em instrumento de apoio à execução de projetos desenvolvidos em interação com os diversos setores da sociedade que visem ao intercâmbio e ao aprimoramento do conhecimento utilizado, bem como ao desenvolvimento institucional, científico e tecnológico da instituição federal de ensino superior ou de pesquisa científica e tecnológica apoiada. Pelo último requisito, o doador a bolsa não pode obter benefício econômico com o resultado do estudo, da pesquisa ou do ato j de extensão; ou, em bom português, não pode obter lucro. O sistema de relacionamento Universidade Fundação Docente foi idealizado de modo que os institutos comuns da legislação civil permitissem o efeito isenção. A intermediação da Fundação destinase exatamente' a evitar que o Docente estabeleça relacionamento direto com o Mercado, bem como a vincular os fins de sua atividade aos pilares da educação superior Ensino, Pesquisa e Extensão. Destarte, a Fundação aparecerá, na maioria dos casos, como doadora das bolsas, sem obter com isso nenhum proveito econômico nem contraprestação de serviços do docente. Pelo exposto, impugna o sentido dado pelo AFRFB responsável pela autuação à legislação pertinente, por ser ofensivo à real aplicabilidade da isenção às bolsas em geral. Fundamento econômico da isenção favorecimento do PIB e do patrimônio público por via diversa da tributária A isenção é incentivo econômico e não meramente financeiro As isenções sempre são fundamentadas em um interesse do Estado que seja maior ou mais importante que a receita renunciada. Dessa forma, a isenção serve para estimular o desenvolvimento de atividades econômicas incipientes; para estimular o desenvolvimento de certa região geográfica; para incrementar a capacidade competitiva de certo setor econômico em face da concorrência internacional; para combater crises; para privilegiar( cidadão em situação fática especial, como certos doentes; e muitas outras razões da mais alta importância. No caso em tela, a isenção se presta a privilegiar o Docente que, por sua iniciativa, busca desenvolver as atividades não obrigatórias de ensino, pesquisa e extensão. Mais recentemente, o processo de inovação ,tecnológica foi oficialmente estatizado pela Lei 10.973, que igualmente trouxe importantes incentivos para os docentes universitários, além da bolsa. Fl. 1162DF CARF MF 6 É perfeitamente claro que a incorporação de desenvolvimento e de capital intelectual à nação Brasileira é muito mais valiosa e importante que a renúncia fiscal consistente na isenção e é a sua razão de ser. Tratase de uma forma de arrecadação extrafiscal, acrescida de arrecadação reflexa decorrente de novos negócios e atividades baseados em tecnologia e conhecimento nacionais. Destarte, uma interpretação que anule a possibilidade de isenção vai de encontro ao sistema idealizado pelas leis 8.958 e 10.973, frustrando os objetivos estratégicos do Estado assim envolvidos, e, portanto, ofendendo a baliza teleológica da interpretação. Relação de trabalho Art. 43 do RIR x Doação com encargos – nãoincidência do IR Incompetência material da SRF O RIR/99 dá dois tratamentos possíveis a bolsas de estudo: ou a isenção, pelo art. 39, ou a tributação, pelo art. 43,1. O caso de isenção e seus requisitos já foram exaustivamente analisados. O caso de tributação, ao contrário'do que possa parecer, não é de mera aplicação alternativa dos dispositivos supracitados; mas cumulativa. Ou seja, não só a bolsa deve deixar de preencher os requisitos de isenção, mas também deve preencher os requisitos de tributação do art. 43, I. Ou seja: a bolsa de estudo e pesquisa deve ser resultado de contrato de trabalho assalariado ou resultar do exercício de cargo, emprego ou função. Ocorre que a FATEC nunca toma a iniciativa de um projeto. Os projetos sempre são de iniciativa dos Professores, que possuem as equipes e a previsão dos recursos necessários para sua execução. Logo, tratase da primeira desconfiguração de incidência do IR. A segunda desconfiguração vem do fato que os Professores bolsistas não detém cargo, nem emprego nem função na FATEC. Não são contratados, nem formal nem informalmente, para prestar serviços. A relação entre as partes é totalmente voluntária, sem subordinação, dependência econômica ou obrigação de assiduidade. A terceira vem do fato de que normalmente as ações que possam ser identificadas como contraprestação de serviços ficam ao encargo dos alunos, na qualidade de prática profissional, ou, a cargo dos empregados da FATEC. Ainda há o caso especial da Bolsa de Extensão, que não foi prevista no dispositivo supracitado, mas está prevista como isenta no dec. 5.205/04.Logo, ou a bolsa de extensão é isenta, ou, é caso absoluto de nãoincidência,por falta de previsão expressa (como fato gerador). Logo, observase que, uma vez que, no caso, não estão preenchidos os requisitos para tributação, mesmo que Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 5 7 eventualmente não se configure a isenção, a situação é de não tributação pelo IR. Ademais, ao escapar, ao menos em tese, da hipótese de isenção, parece haver sério conflito de competência tributária entre o Estado do RS e a União. Isso porque as bolsas de pesquisa, salvo que sejam fraude ao contrato de trabalho (e este não é o caso), sempre são doação mesmo que com encargos. Como se pode observar do art. 43, I (supracitado), o mesmo é aplicável à bolsa não em função da mera contraprestação voluntária de serviço; mas da existência de vínculo jurídico de prestação de serviço entre o "doador'j e o "donatário": O Contribuinte Donatário nunca teve vínculo jurídico nenhum para com a FATEC. Não mantém contrato de tipo nenhum com a mesma, não lhe deve subordinação, nem dependência econômica, nem assiduidade. Suas obrigações decorrentes do Projeto são apenas morais, para com a UFSM e ninguém mais. Vale dizer, se o Contribuinte deixar de executar as tarefas do Projeto, a Fatec nada pode fazer, exceto deixar de doar ajbolsa no próximo mês. Mas não poderá exigir do Contribuinte que faça ou deixe de fazer qualquer tarefa. Igualmente, a UFSM também não o pode exigir. No mesmo compasso, se a FATEC deixar de lhe pagar as bolsas, a legislação não dá ao Contribuinte título jurídico para exigi las. | Logo, estamos diante de doação, mesmo que, eventualmente, com encargo a favor de terceiro. Em tese, pode incidir o ITCMD, instituído no RS pela Lei 8.821/89. Mas isso não diz respeito à Receita Federal. Pelo exposto, requer que o Auto de Infração seja integralmente anulado, por ter sido lavrado em ofensa às normas constitucionais e infraconstitucionais sobre competência tributária, e por ter aplicado Imposto de Renda sobre eventos, que, em tese, são fatos geradores de ITCMD do Estado do Rio Grande do Sul. Amoldamento dos fatos à legislação em vigor Segundo a Fiscalização, os projetos que originaram a autuação, contém contraprestação de serviços, apresentam vantagem para o doador das bolsas e não são de pesquisa, motivo pelo qual as bolsas oriundas dos mesmos foram erroneamente classificadas como isentas; fato esse que consistiria em "DECLARAÇÃO INEXATA", fazendo incidir, entre outros dispositivos, os arts. 43 e 841, II, do RIR/99 e o art. 44,1, da lei 9.430. O contribuinte descreve os projetos pelos quais ele recebeu bolsa, com o intuito de demonstrar que o entendimento da fiscalização é totalmente equivocado. Fl. 1164DF CARF MF 8 Pelo exposto, o contribuinte requer: A A juntada dos documentos comprobatórios em anexo aos autos do processo fiscal, para que seja encaminhado ao órgão competente para julgamento e surta seus efeitos legais; B A decretação da nulidade do Auto de Infração, de pleno direito, por: 1. Conter bis in idem tributário; 2. Ser resultante do uso indevido do sistema tributário federal com o fim de provocar efeito de confisco; 3. Resultar da aplicação indevida de multas e juros, contra contribuinte que seguiu orientação jurídica pacificamente aceita e emanada da SRF; 4. Resultar de conduta, em tese, penalmente típica, por ser presumivelmente de conhecimento da SRF e de seus prepostos o lançamento, contra outro Contribuinte, de parcelas que foram lançadas contra o impugnante; 5. Ter sido lavrado por autoridade incompetente para fiscalizar e tributar fatos geradores relativos à doação; C O reconhecimento de ser o Imposto de Renda nãoincidente sobre fatos geradores caracterizados como doação; J D Alternativamente, que sejam as bolsas! recebidas pelo Impugnante consideradas isentas do Imposto de Renda, em vista dd entendimento da SRF que estava em vigor à época dos fatos geradores; E Sendo as bolsas consideradas nãoisentas, que sejam excluídos do auto os juros já cobrados da FATEC, como acima descrito; F Em vista da boafé do contribuinte, e da alteração de entendimento da SRF, que sejam excluídas as parcelas referentes a multa e juros de mora, na forma da legislação aplicável. A 4ª Turma de Julgamento DRJ/POA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, conforme ementa do acórdão da decisão recorrida. Vejamos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 e 2007 Ementa: NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. a eficácia dos acórdãos dos tribunais limitase especificamente ao caso julgado e às partes Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 6 9 inseridas no processo de que resultou a sentença, não aproveitando esses acórdãos em relação a qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da sentença, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte do processo de que decorreu o acórdão. DIRPF. INFORMAÇÕES. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE. A responsabilidade pelas informações prestadas na declaração de rendimentos é do declarante, independentemente de entrega do comprovante de rendimentos pela fonte pagadora. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os1 resultados dessas pesquisas não representem vantagem pra o doador e nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso voluntário (fls. 1.103/1.113) o recorrente repisa questões trazidas na impugnação no que diz respeito à natureza das pesquisas realizadas, ressaltando, adicionalmente, que: a) a decisão não analisou a vasta documentação apresentada, eis que nada mencionou sobre a especificidade dos projetos em que atuou ou da forma como se deu sua atuação, tendo os julgadores simplesmente optado por não analisar nenhuma das provas carreadas aos autos; e b) os membros do Colegiado a quo decidiram todas as impugnações opostas por bolsistas da FATEC juntas, como se uma só fossem, sem avaliar casuisticamente nenhuma delas, sem atentar para a gigantesca diversidade de projetos em que os bolsistas estão envolvidos (pesquisa, extensão, ensino, convênios, contratos, termos de parceria, etc), o que não é condizente com o princípio do contraditório e da ampla defesa. Por fim, postula pela reforma da decisão ora atacada, de modo que seja determinada a anulação do Auto de Infração, reconhecendose que as bolsas que lhe foram concedidas pela FATEC, nos projetos em que este atuou, tiveram o caráter jurídico de doação, de forma que sobre elas não há incidência do IRPF. É o relatório. Fl. 1166DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminar de Nulidade Consoante consta da peça recursal, os julgadores de primeira instância simplesmente optaram por não analisar nenhuma das provas carreadas aos autos, julgando todas as impugnações opostas por bolsistas da FATEC como se fossem uma só. Ao agir dessa forma, sem atentar para a diversidade de projetos em que os bolsistas atuavam, a DRJ/POA adotou procedimento que vai de encontro à noção de ampla defesa e contraditório. Primeiramente, é preciso esclarecer que o fato de não haver, na decisão atacada, menção a cada um dos projetos cujas cópias foram acostadas aos autos pelo recorrente, não quer dizer que o Colegiado a quo não os tenha analisado. No caso, verificase prescindível fazer referência às especificidades desses projetos para formar juízo a respeito da situação fática abordada no Auto de Infração, bastando para tal, como se verá adiante, o exame dos contratos que respaldaram o pagamento das bolsas objeto da autuação. Além do mais, é pacífico no âmbito deste Colegiado, que o órgão julgador não é obrigado a rebater cada um dos argumentos declinados pelo contribuinte, aqui compreendida a documentação colacionada aos autos, desde que tenha adotado argumento suficiente para fundamentar a sua decisão. Com efeito, o decisum atacado considerou que, para que os valores recebidos a título de bolsa de estudos pudesse gozar da isenção em pauta, farseia necessário o atendimento cumulativo dos seguintes requisitos: i) serem caracterizados como doação; ii) serem recebidos exclusivamente para a realização de estudos/pesquisas; e ii) que os resultados destas atividades não representassem vantagens para o doador nem importasse em contraprestação de serviços. De se notar que o voto condutor do acórdão da DRJ/POA, ao assentar que os requisitos previstos em lei para a fruição do favor legal não foram cumpridos, tomou por base os apontamentos contidos no Relatório de Fiscalização (fls. 108/126), feitos a partir da análise dos contratos trazidos aos autos, segundos os quais, “a concessão das referidas bolsas teve por objeto o pagamento de mãodeobra especializada e imprescindível para o atendimento dos compromissos contratados com financiadores dos projetos, caracterizando, desta forma a contraprestação de serviços”. Senão vejamos: Conforme consta do Relatório da Fiscalização contido no auto de infração às fls. 55 a 64, os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo e pesquisa da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, nos anoscalendário 2004, 2005, 2006 e 2007, considerados pelo contribuinte como isentos e não tributáveis, foram objetos de lançamento, por entender que tais bolsas não Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 7 11 satisfazem os critérios previstos para usufruir o benefício de isenção previsto em lei. Diante da minuciosa descrição dos fatos feita pela fiscalização e da farta documentação constante dos autos, constatase que os valores percebidos pelo impugnante foram em virtude de prestação de serviços à Fundação. No caso, verificase que há prestação de serviço da FATEC para a UFSM, sendo que a fundação contrata servidores pertencentes aos quadros da própria universidade para comporem a equipe técnica que atuará na execução do projeto, mediante o pagamento de bolsas. Assim, a FATEC efetua os pagamentos aos servidores participantes como remuneração pelos serviços prestados nos diversos projetos. Destarte, as atividades desenvolvidas pelos bolsistas representam uma vantagem para o doador ou contraprestação de serviços, ainda que de forma indireta, descaracterizando a isenção nos termos do inciso VII do art. 39 do RIR/99, pretendida pelo impugnante.(Grifamos) Assim, embora, por desnecessário, não se tenha feito referência individualizada a cada um dos documentos anexados à impugnação, constato que, diferentemente do que indaga o recorrente, não restou caracterizada a alegada ofensa à ampla defesa ou ao contraditório, mormente porque as razões que levaram os julgadores de primeira instância a concluir pela improcedência da impugnação estão devidamente evidenciadas no acórdão recorrido. Afasto, pois, a preliminar. Mérito No que se refere ao mérito, a questão cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo e caracterizados como bolsa de extensão, na forma da Lei nº 8.958/1994, com o objetivo de determinar se estes estariam amoldados à espécie de rendimentos isentos ou não tributáveis, tal como informado nas Declarações Anuais de Ajuste DAA, ou se deveriam ser entendidos como rendimentos tributáveis. Alega o recorrente que as bolsas que lhe foram concedidas pela FATEC preenchem o requisitos estabelecidos na legislação isentiva, estando em consonância com os disposto no art. 26 da Lei nº 9.250/1996, no art. 4º da Lei nº 8.958/1994 e nos arts. 6º e 7º do Decreto nº 5.205/2004. Consta do peça recursal que: O contribuinte, ora recorrente, atuou em projetos de pesquisa. EM NENHUM DOS PROJETOS, NENHUM. A FATEC FICOU COM O MONOPÓLIO DOS RESULTADOS DA SUA PESQUISA, NUNCA. Tais também não foram privilégio da UFSM ou de qualquer outra empresa ou entidade. Os resultados das pesquisas FORAM PUBLICADOS EM CENTENAS DE ARTIGOS E PERIÓDICOS de âmbito nacional e internacional. Ou seja, o conhecimento desenvolvido pelo autor se tornou PÚBLICO! Ninguém obteve lucro com essa Fl. 1168DF CARF MF 12 pesquisa (a não ser a humanidade como um todo, haja vista o conhecimento obtido), muito menos a FATEC que doou bolsas para incetivo da mesma e NÃO GANHOU ABSOLUTAMENTE NADA COM ISSO! (Grifos do Original) De conformidade com o acórdão recorrido, as bolsas concedidas por instituições de ensino são, via de regra, consideradas como rendimentos tributáveis, tal como estabelecido pelo art. 43, I, do RIR/1999, na medida em que, acrescendo o patrimônio do contribuinte, devem ser consideradas riquezas novas, passíveis de tributação. A despeito do tratamento conferido pela legislação tributária para as bolsas em geral, o legislador conferiu tratamento diferenciado a essa espécie de benefício quando verificadas simultaneamente três condições, a saber: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizandose como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Aliás, é essa a dicção expressa do art. 39, VII do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), in verbis: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Esse entendimento é perfeitamente aplicável também às bolsas de ensino e pesquisa referidas no § 1º do art. 4º da Lei n.º 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, que regulamenta a legislação em espeque, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 8 13 resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Extraise do art. 110 do Código Tributário Nacional que “a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado [...] para definir ou limitar competências tributárias”, em vista disso, temse que, nos termos da legislação de regência, as bolsas de estudo somente podem ser consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação cível, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino em favor do beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) No mesmo sentido, é o entendimento que prepondera neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício Fl. 1170DF CARF MF 14 econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. (Acórdão 2102003.083, Processo: 11060.002452/200984, data de Publicação: 14/08/2014, Relator(a): ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI) Com base nesses assentamentos, mostrase adequado analisar, de forma individualizada, cada uma das circunstâncias que deram ensejo ao lançamento, de modo a concluir se os valores recebidos pelo contribuinte da FATEC poderiam ser qualificados juridicamente como doações, importando mera liberalidade em favor do recorrente, sem a exigência de contraprestação em favor do pretenso doador. A esse respeito, o Relatório de Fiscalização (fls. 108/126) esclarece que, com o fim de estabelecer a natureza dos rendimentos, a autoridade autante examinou a documentação entregue pela FATEC relativa aos seguintes projetos: a) Diagnóstico em Micologia Humana e Animal – nº 95407 (fls. 18/29); b) Avaliação de Fungos Patogênicos e seus Metabólicos n° 95420 (fls. 30/44); e c) Desenvolvimento e Avaliação de Produtos Biológicos, Técnicas Diagnosticas, Aplicadas à Micologia Animal e Humana – nº 95440 (fls: 46/60). Os códigos de cada um desses projetos constam da última coluna dos comprovantes de rendimentos entregues pelo sujeito passivo (fls. 8/13). Sobre os citados projetos, a fiscalização apresentou considerações que, pela relevância para o deslinde da controvérsia que ora se analisa, fazse necessário reproduzir em sua integralidade: Diagnóstico em Micologia humana e Animal – 95407 Analisando o contrato 91/2003, observase que os recursos financeiros do projeto foram provenientes dos clientes conforme dispõem a alínea b da cláusula segunda do contrato. Dentre os objetivos elencados na descrição do projeto consta o item (2.2 1): promover assessoria ao diagnóstico micológico e Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 9 15 bacteriológico aos laboratórios clínicos do interior do Rio Grande do Sul. Observase, portanto a vinculação entre a origem dos recursos e a contrapartida requerida, desconfigurandose assim a isenção dos valores distribuídos aos docentes participantes. De acordo com consulta aos arquivos digitais de lançamentos contábeis entregues pela FATEC em 07/02/08, obtidos em decorrência de ação fiscal e cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 1010300.2008.00045, verificouse que os recursos obtidos pela Fundação para a execução do projeto foram obtidos a partir de pagamentos efetuados por pessoas jurídicas interessadas nos resultados do projeto, tais como Agrogen Desenvolvimento Genético, Penasul Alimentos Ltda., dentre outras. O Montante recebido pelo fiscalizado referente à prestação de serviços neste projeto, totalizou R$ 21.600,00 no anocalendário 2004 e R$ 9.600,00 no anocalendário 2005. Avaliação de Fungos Patogênicos e seus Metabólicos – 95420 O projeto apresenta o mesmo padrão do anterior: recursos obtidos junto aos clientes (cláusula segunda, alínea b) tendo como contrapartida “Oferecer aos profissionais das áreas médicoveterinárias e zootécnica, produtos e serviços que tragam melhor custo beneficio nas áreas de avicultura, bovino e oviniculturas. Ao mesmo tempo, oferece diagnóstico laboratorial ao meio médico e ao meio veterinário, nas áreas de micologia, microbiologia, imunologia e biologia molecular”. Ou seja, há verdadeira prestação de serviços a ente privado, dentre os financiadores do projeto se encontram as empresas Alltech do Brasil Agroindústria, Agrogen Desenvolvimento Genético, Açucareira Quata S/A, Perdigão Agroindústria S.A. Tais informações foram obtidas nos arquivos digitais da contabilidade da FATEC anteriormente mencionados. O montante recebido pelo fiscalizado referente à prestação de serviços neste projeto totalizou R$ 28.800,00 no anocalendário 2005 e R$ 35 200,00 no anocalendário 2006. Desenvolvimento e Avaliação de Produtos Biológicos, Técnicas Diagnosticas, Aplicadas à Micologia Animal e Humana 95440 Novamente a mesma configuração dos projetos anteriores, tendo mesmos objetivos do projeto "Avaliação de .Fungos,. Patogênicos e seus Metabólicos”. Em. consulta aos arquivos digitais da contabilidade também se verificou pagamento de empresas interessadas nos resultados do projeto tais como Açucareira Quata S/A, Agrogen Desenvolvimento Genético, Alltech do Brasil Agroindústria, Syngenta Seeds Ltda. Du Pont do Brasil S.A. O montante recebido pelo fiscalizado referente à prestação de serviços neste projeto totalizou R$ 3.700,00 no anocalendário 2006 e R$ 44.000,00 no anocalendário 2007. Fl. 1172DF CARF MF 16 Considero elucidativos os esclarecimentos constantes do Relatório de Fiscalização. De fato, verificase, em vista dos elementos trazidos aos autos, sobretudo dos contratos e demais documentos de fls. 18 a 60, que as bolsas pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas jurídicas de direito privado. Por certo, não há como considerar que tais pagamentos tenham constituído mera liberalidade da FATEC em favor do sujeito passivo, tampouco que os produtos das atividades desenvolvidas pelo recorrente não tenham representado vantagem para a contratante. Ao revés disso, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores dos projetos. Também não remanescem dúvidas quanto ao proveito econômico obtido pela Fundação, eis que essa captou recursos junto a entidades privadas e, em contrapartida, desenvolveu programas voltados para os interesses dessas entidades. Cabe fazer ainda um breve comentário sobre asserção feita no recurso voluntário, de que “EM NENHUM DOS PROJETOS, NENHUM. A FATEC FICOU COM O MONOPÓLIO DOS RESULTADOS DA SUA PESQUISA, NUNCA. Tais também não foram privilégio da UFSM ou de qualquer outra empresa ou entidade. Os resultados das pesquisas FORAM PUBLICADOS EM CENTENAS DE ARTIGOS E PERIÓDICOS de âmbito nacional e internacional. Sobre essa questão, convém salientar que todos os contratos que redundaram no desenvolvimento dos projetos acima referenciados continham cláusula de confidencialidade, o que também denota que as pesquisas foram feitas em proveito de seus demandantes. Abaixo reproduzse referida cláusula, cuja redação e comum aos citados contratos: CLÁUSULA SÉTIMA DA CONFIDENCIALIDADE, TITULARIDADE E PARTICIPAÇÃO NA CRIAÇÃO INTELECTUAL A CONTRATADA comunicará a CONTRATANTE, durante e após a vigência do presente Contrato, os resultados alcançados pelo PROJETO, passíveis de obtenção de proteção legal, no âmbito da legislação de propriedade intelectual, ou de licenciamento a terceiros, devendo ser informado à CONTRATANTE, caso seja efetuado o respectivo registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, ou em outro órgão competente. SUBCLÁUSULA ÚNICA Qualquer licença de uso da criação intelectual resultante do PROJETO, para terceiros nele não envolvidos, deverá observar a regulamentação específica aplicável às operações com recursos públicos e incluir a participação da CONTRATANTE, desde a fase de sua negociação, devendo o respectivo contrato ser formalmente aprovado pela CONTRATANTE1 e registrado no órgão competente. Aludida cláusula se soma aos demais elementos já evidenciados, tornando ainda mais claro que os valores recebidos pelo recorrente decorreram de verdadeira prestação de serviços à FATEC, a qual obteve proveito com as atividades desenvolvidas, não havendo que se falar que os recursos despendidos para o pagamento dos executores dos referidos projetos tenham constituído qualquer espécie de doação. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 2402005.760 S2C4T2 Fl. 10 17 De se acrescentar que há inúmeras decisões de segunda instância administrativa que versam sobre situação semelhante à retratada no presente processo, onde a fonte pagadora é, inclusive, a mesma (FATEC) e os contratados são professores vinculados à Universidade Federal de Santa Maria. Essas decisões reconhecem, indistintamente, a natureza tributável de rendimentos de mesma espécie dos tratados neste processo. A título de exemplo, citamos os acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido CONHECER, afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 1174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001525/2004-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se omissão de receitas a falta de inclusão na base de cálculo do IRPJ da totalidade das receitas auferidas com prestação de serviços, as quais devem contabilizadas conforme as leis comerciais e fiscais.
A alegação de que parte das receitas omitidas refere-se serviços prestados por empresas ligadas, mediante ajustes verbais entre elas realizado, deve ser suportada pelo registro contábil dessas despesas e apresentação de documentação comprobatória da prestação dos serviços pelas empresas ligadas, bem assim, dos valores a elas repassados.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA.
Não merece ser acolhida a alegação da recorrente de que, face ao disposto no art. 19 da Lei nº 9.430/96, estava desobrigada da apuração dos preços de transferência no ano-calendário de 2.000, posto que tal afirmação está desacompanhada de documentos comprobatórios.
CSLL - LANÇAMENTO REFLEXO.
Adoto a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de prova.
Numero da decisão: 1301-002.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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Caracterizase omissão de receitas a falta de inclusão na base de cálculo do IRPJ da totalidade das receitas auferidas com prestação de serviços, as quais devem contabilizadas conforme as leis comerciais e fiscais. A alegação de que parte das receitas omitidas referese serviços prestados por empresas ligadas, mediante ajustes verbais entre elas realizado, deve ser suportada pelo registro contábil dessas despesas e apresentação de documentação comprobatória da prestação dos serviços pelas empresas ligadas, bem assim, dos valores a elas repassados. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. Não merece ser acolhida a alegação da recorrente de que, face ao disposto no art. 19 da Lei nº 9.430/96, estava desobrigada da apuração dos preços de transferência no anocalendário de 2.000, posto que tal afirmação está desacompanhada de documentos comprobatórios. CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. Adoto a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 25 /2 00 4- 13 Fl. 470DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 471 2 (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente de recurso voluntário contra acórdão da DRJ/RJOI que julgou procedente os autos de infração de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário de 2000, lavrados para reduzir os saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL, em virtude das infrações apuradas no curso da ação fiscal. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo órgão julgador a quo, complementandoo ao final: "Trata o processo do auto de infração, com ciência em 25/10/2004, referente ao anocalendário de 2000, resultando na redução do prejuízo fiscal no valor de R$ 749.434,59. De acordo com o Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, fls. 245/249, a redução do prejuízo fiscal decorreu das seguintes constatações: 1) Omissão de Receita no valor de R$ 596.310,25 Verificouse que não foram consideradas como receita, para efeito de cálculo do imposto de renda a pagar, as prestações de serviço contabilizadas nas contas 1.8.8.65.99.0.013 Outros Pagtos a Ressarcir; 4.9.9.85.00.7.200 Valores a Pagar Ligadas DBLABM e 4.9.9.85.00.7.203 Valores a Pagar Ligadas KB LTDA, totalizando R$ 991.067,05. Deste valor, foram deduzidas as despesas relativas a conta Outros Pagtos a Ressarcir no valor de R$ 394.756,80. Logo, a omissão de receita apurada foi no valor de R$ 596.310,25. Enquadramento Legal : artigo 24 da Lei n° 9.249/95, artigo 249, inciso II, 251 e § único, 278, 279, 280 e 288 do RIR/99. 2) Preço de Transferência Operações de Exportação Não adição de parcela de receitas oriundas de exportações a pessoa vinculada no valor de R$ 153.124,34. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação, a interessada apresentou planilha contendo a demonstração de que estaria dispensada da aplicação de um dos métodos para a apuração do preço de transferência. Entretanto, deixou de considerar as despesas com Participações de Empregados. Contabilizando tais despesas, a interessada operaria com prejuízo no ano de 2000, o que a obrigaria a utilizar um dos métodos previstos nos artigos 14 a 24 da IN SRF n° 38/97, para efeitos de arbitramento das receitas a serem computadas no cálculo do Lucro Real, base de cálculo do IR. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 472 3 Cientificada, a interessada informou que utilizaria o método CAP Custo Aquisição ou de Produção, mais a Tributo e Lucro, no qual a receita de exportação arbitrada é determinada como a média aritmética dos custos de serviços exportados acrescidos dos impostos e contribuições cobrados no Brasil, e margem de lucro de 15% sobre a soma dos custos mais impostos e contribuições. Apresentou memória de cálculo onde comprovaria que a receita arbitrada de exportação seria inferior à efetivamente auferida. Entretanto, constatouse que a interessada não contabilizava os custos, registrando todos os dispêndios como despesas. Portanto, procedeuse ao rateio como forma de levantar tais custos, apropriando as despesas às receitas. Das receitas contabilizadas, algumas foram desconsideradas, apurandose diferença nos valores relativos ao Mercado de Interno, Mercado Externo e Mercado Externo Vinculado. Quanto ao custo a ser considerado, para efeito do rateio, estes ficaram contabilizados conforme demonstrativo apresentado pela interessada, no valor total de R$ 14.108.056,91. Por fim, apurouse que o lucro deveria ser ajustado com a adição no valor R$ 153.124,34. Enquadramento Legal: artigo 240 do RIR/99. Considerando as infrações apuradas, a base de cálculo negativa da CSLL também foi reduzida no mesmo valor. Enquadramento Legal: art. 2o e §§ da Lei n° 7.689/88, arts. 19 e 24 da Lei n° 9.249/95, art. Io da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96. art. 6o da MP n° 1.858/99 e reedições. Inconformada, a interessada ingressou com impugnação, em 24/11/2004, de fls. 265/273, com as seguintes argumentações: 1) Quanto à omissão de receitas. a. De forma resumida, o agente autuante verificou que parcela dos valores recebidos pela interessada em razão da prestação de serviços, constantes das notas fiscais emitidas no anocalendário de 2000, não teria sido registrada como receita, sendo a comprovação de tal afirmativa o fato de que estes valores teriam sido oferecidos à tributação pelo ISS, PIS e COFINS. b. Entretanto, não haveria razão de a interessada omitir receita e, ao mesmo tempo, emitir nota fiscal, pagar ISS, PIS e COFINS, ainda mais considerando que se dispunha de prejuízo suficiente para compensar a totalidade do valor. c. Obviamente, quem omite receita não emite nota fiscal, não registra em sua contabilidade os ingressos referentes aos recursos omitidos, tampouco paga ISS, PIS e COFINS sobre tais valores. d. Os valores seriam devidos à empresa ligada à interessada pela execução de serviços. De fato, a interessada presta serviços de consultoria a diversas empresas utilizandose da experiência internacional de empresas ligadas no exterior, e viceversa. Ou seja, a interessada é remunerada pelos serviços executados para empresas ligadas no exterior, assim remunera as empresas ligadas. e. Contudo, o agente fiscal desprezou esta informação posto que nos contratos celebrados não constam cláusulas que estabeleçam que parte do pagamento efetuado à interessada se refere a serviço prestado por sua controladora, o que não autorizaria a contabilização da forma realizada. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 473 4 f. Entretanto, os negócios jurídicos não carecem de forma específica, sendo válidas, inclusive, as avenças feitas de forma oral, nos termos do artigo 107 do Código Civil, regra também válida para os contratos de prestação de serviços. g. Verificase, portanto, que o agente fiscal esquivouse ao considerar que houve omissão de receitas, pelo simples fato de não haver cláusula específica nos contratos estabelecendo o repasse de valores às empresas ligadas. h. Mesmo admitindose que não houve, possivelmente, a contabilização dos valores nas mais estrita observância dos princípios contábeis, não pode o fiscal autuante, com base somente nessa premissa, desvirtuar a realidade dos fatos e determinar a inclusão de valores de terceiros na base de cálculo do IRPJ. i. Ademais, se tais valores fossem considerados, terseia também contabilizar as despesas na contratação de serviços de suas coligadas, plenamente dedutíveis. j. Logo, se tivesse a interessada reconhecido os valores em discussão como receita e, ato contínuo, deduzido os mesmos da base de cálculo do IRPJ, ao se materializaria a alegada omissão de receita. 2) Quanto a não adição de parcela de receitas oriundas de exportação a pessoa vinculada Preço de Transferência. a. Mais uma vez houve equívoco por parte do agente fiscal. b. Nos termos do artigo 240 do RIR/99, o arbitramento somente se aplica nos casos em que o preço médio nas operações com pessoas vinculadas seja inferior a 90% daquele praticado no mercado brasileiro. Ou seja, para que a pessoa jurídica seja compelida a aplicar os respectivos métodos de arbitramento da receita, é necessária a prévia demonstração de que os preços cobrados de empresas vinculadas não estejam de acordo com o limite de 90%. c. É somente nesta hipótese que se aplicam as regras de preços de transferência. d. Da simples leitura do Termo de Verificação de Constatação Fiscal constata se que em nenhum momento foi demonstrado que a interessada teria deixado de observar tal limite nos preços adotados nas operações realizadas com pessoas vinculadas localizadas no exterior. e. Se a condição primordial para fins de aplicação do arbitramento, nos moldes do art. 240 do RIR/99, é que o preço praticado não observe o limite de 90%, deveria o agente fiscal demonstrar a implementação de tal condição. f. Portanto, os procedimentos adotados pela fiscalização contrariam a legislação tributária, especificamente o próprio artigo 240 do RIR/99. Relativo ao lançamento da CSLL, a interessada também apresentou impugnação, fls. 306/314, apresentando os mesmos argumentos." No julgamento realizado em 10 de maio de 2007, a 7ª Turma da DRJ/RJOI considerou procedente o lançamento e prolatou o acórdão nº 1214.064, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Fl. 473DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 474 5 Ementa: OMISSÃO DE RECEITA IRPJ Cabível o lançamento quando se constata que a interessada deixou de considerar como receita, para efeito de cálculo do imposto de renda a pagar, as prestações de serviço contabilizadas nas contas 1.8.8.65.99.0.013 Outros Pagtos a Ressarcir; 4.9.9.85.00.7.200 Valores a Pagar Ligadas DBLABM e 4.9.9.85.00.7.203 Valores a Pagar Ligadas KB LTDA. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA RECEITA DE EXPORTAÇÕES Cabível o lançamento quando não há comprovação das alegações trazidas em sua defesa, cabendo o ônus da prova à interessada de que teria incorrido na situação prevista no caput do artigo 19 da Lei n° 9.430/96. DECORRÊNCIA CSLL. Subsistindo o lançamento principal (IRPJ), igual sorte colhe o auto de infração lavrado por decorrência do mesmo fato apurado naquele. Lançamento Procedente Devidamente cientificado em 24/09/2007 (fls. 406), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 24/10/2007, o recurso voluntário de fls. 407 a 422, no qual repete os argumentos da impugnação. Com relação ao acórdão recorrido alega, resumidamente: Para o relator, a procedência do lançamento seria justificada pelo fato dos valores supostamente omitidos não terem sido oferecidos à tributação do IRPJ e CSLL, o que pode ser comprovado pela comparação entre os valores constantes da linha 8, da ficha 06A da DIPJ/2001 e o Demonstrativo do Faturamento Anual, onde foram lançadas as notas fiscais emitidas no ano calendário. Entretanto, tal comparação não comprova absolutamente nada, visto que a própria recorrente reconhece que a parcela dos valores constantes nas notas fiscais referentes aos montantes que serão repassados a outras sociedades não são incluídos na receita para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL; A alegação de que se trata de "falta de oferecimento dos valores recebidos pela prestação dos serviços na apuração do imposto de renda a apagar" foi feita na tentativa de salvar o malsinado lançamento, pois o fato da recorrente ter contabilizado os ingressos pelo valor total, ter emitido notas fiscais pelos montantes globais e ter recolhido os tributos incidentes pelos montantes totais elimina qualquer possibilidade de se qualificar o procedimento da ora recorrente como omissão de receita; Não se trata de "falta de oferecimento" como faz crer o julgador mas sim de procedimento contábil que absolutamente não modifica a apuração de IRPJ e da CSLL , visto que se tais valores fossem lançados como receitas, necessariamente deveriam ser efetuados lançamentos de despesas no mesmo montante dos valores repassados, sem resultar em modificações nas bases de cálculo dos referidos tributos; Afirma que o julgador de primeira instância reconhece que o contrato verbal tem validade e eficácia, porém, para ele, tais efeitos estariam restritos às partes. Opõese a tal assertiva pois, para a recorrente, ou o contrato é valido e eficaz para todos os fins, inclusive tributários, ou não. Acrescenta que a existência dos contratos verbais pode ser constatada de diversas maneiras, entretanto, a fiscalização preferiu mencionar que os contratos entre a recorrente e seus clientes "não possuem cláusulas que estabeleçam que parte do pagamento efetuado à Fl. 474DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 475 6 contribuinte se refere a serviço prestado por sua controladora, o que não autoriza a contabilização da forma realizada."; Com relação à afirmação do acórdão recorrido de que a recorrente teria deixado de apresentar documentos que comprovassem suas alegações, indaga se esses documentos seriam os contratos verbais ou a totalidade dos comprovantes dos lançamentos nas contas 1.8.8.65.99.0.013 — Outros Pagtos a Ressarcir, 4.9.9.85.00.7.200 — Valores a Pagar Ligadas DBLABM e 4.9.9.85.00.7.203 — Valores a Pagar Ligadas KB Ltda. Isso porque todos os documentos relativos à escrituração contábil da recorrente sempre estiveram à disposição da autoridade fiscal, que jamais lançou qualquer comentário ou dúvida quanto aos documentos referentes aos valores lançados nas referidas contas, limitandose a questionar a inexistência de cláusula contratual; Na questão relativa à ausência da comprovação de despesas nos autos do processo, assim como da comprovação da não inclusão das mesmas na apuração do lucro real, citadas no acórdão recorrido, afirma que tais comprovações jamais foram requeridas e que o objeto do lançamento tributário em discussão é a suposta omissão de receitas e não a glosa de dedutibilidade de despesas. Caso o Agente Fiscal tivesse glosado a dedução de despesas, certamente tais comprovantes estariam anexos ao auto, entretanto, não é este o caso. Aliás, podese presumir que o Agente Fiscal verificou tais documentos, caso contrário não mencionaria as contas contábeis que serviram de registro para os mesmos e que foram objeto da suposta omissão de receitas (1.8.8.65.99.0.013 — Outros Pagtos a Ressarcir, 4.9.9.85.00.7.200 — Valores a Pagar Ligadas DBLABM e 4.9.9.85.00.7.203 — Valores a Pagar Ligadas KB Ltda.). Já a questão relativa às condições para a dedutibilidade das despesas incorridas, por se tratar de prestação de serviços de consultoria complementares aos serviços prestados pela recorrente a seus clientes, estão obviamente atendidas; Sobre os ajustes dos preços de transferência, o acórdão de primeira instância demonstrou apenas que o ajuste dos preços de transferência baseouse da correção de planilha apresentada pelo próprio contribuinte e que a recorrente, nas respostas às intimações, jamais mencionara que não estava obrigada a fazer qualquer ajuste relativo aos preços de transferência em razão de suas vendas observarem o limite de 90%, previsto no artigo 19 da Lei n° 9.430/96; O julgador limitouse à análise das respostas da recorrente às intimações e utilizouse de argumentos não jurídicos para julgar procedente o equivocado lançamento. Em momento algum, restou demonstrado que recorrente praticou vendas de serviços por valor inferior ao limite de 90% e, portanto, estava sujeita às regras de preço de transferência; Na tentativa desesperada de salvar o improcedente lançamento, menciona que o ônus de provar que não está sujeita ao arbitramento é da recorrente, e que esta não logrou êxito em tal comprovação. Ora, se a autoridade fiscal alega erro na apuração do lucro real e na base da CSLL, em razão da inobservância das regras de preços de transferência, que seria um fato constitutivo do direito de efetuar um lançamento, obviamente quem tem o ônus de provar tal fato e, consequentemente, o direito, é a autoridade fiscal. 0 ônus da recorrente de provar a inexistência do direito pressupõe a comprovação pela autoridade fiscal de seu direito, o que não ocorreu. Caso prevaleça o entendimento do acórdão de 1ª instância, quanto a quem cabe o ônus da prova, estaremos diante de uma situação típica de inversão do ônus de prova, em que a autoridade fiscal efetua o lançamento ao seu bel prazer deixando para o contribuinte a incumbência de desconstituir o lançamento tributário mal formulado, o que é inaceitável e contraria o disposto no artigo 142 do CTN. Fl. 475DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 476 7 Trazido para julgamento na sessão de 19/06/2009, perante esta turma ordinária, o julgamento foi convertido em diligência conforme a Resolução nº 130100.015 (fls. 432 a 437), de relatoria do I. Conselheiro Marcos Rodrigues de Mello, para as seguintes providências: "0 processo não se encontra em condições de decidido. Parcela do lançamento referese a falta de adição de parcelas de receitas oriundas de exportação a pessoa vinculada. Na impugnação e no recurso o recorrente não questiona o valor apurado, mas somente que o arbitramento (regras de ajuste do preço de transferência) somente se aplicam se cumprido o requisito previsto no art. 240 da RIR (art. 19 da Lei 9430/96). Realmente a fiscalização não prova que o requisito ficou demonstrado no caso concreto. A fiscalizada, por sua vez, não traz aos autos prova de que tenha praticado nas exportações com pessoas ligadas preços superiores a 90% dos valores praticados no mercado interno. Tornase necessário, portanto, baixar os autos em diligência para que a fiscalização verifique o cumprimento do requisito do art. 240. do RIR/99. Diante do exposto, voto no sentido de converte o julgamento em diligência para que se verifique se, nas exportações praticadas com pessoas vinculadas, a recorrente praticou preços superiores a 90% dos valores praticados no mercado interno." No "Termo de Encerramento de Diligência" (fls. 453 a 454), consta que a fiscalização teria intimado a recorrente a "Comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que o preço médio dos serviços prestados para o exterior a pessoas vinculadas, no ano de 2000, foi superior a noventa por cento do preço médio praticado na prestação dos mesmos serviços, no mercado brasileiro, a pessoas não vinculadas, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhante.". Na resposta apresentada em 03/05/2012 (fls. 452), a recorrente afirmou que "em razão de a documentação tratar de fatos ocorridos no ano de 2000 e de já haver decorrido mais de 10 anos desde então, superando também os prazos decadencial e prescricional de cinco anos, a empresa não possui a documentação comprobatória solicitada na intimação em seus arquivos". É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Considerando que a recorrente foi cientificada do Acórdão de Impugnação em 24/09/2007 (fls. 406) e o Recurso Voluntário foi apresentado em 24/10/2007 (fls. 407), o recurso é tempestivo e dele conheço. DA OMISSÃO DE RECEITAS Fl. 476DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 477 8 No Termo de Verificação e de Constatação Fiscal, anexo ao auto de infração, consta que, da comparação entre as informações prestadas pela recorrente na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ/2001, relativa ao anocalendário de 2000 (fls. 7 a 43), e a planilha denominada "Demonstrativo do Faturamento Anual e Contabilização" (fls. 291), com a relação das notas fiscais emitidas pela empresa no ano, a fiscalização verificou que não foram consideradas como receita, para efeito de cálculo do imposto de renda a pagar, as prestações de serviços contabilizadas nas contas 1.8.8.65.99.0.013 Outros Pagamentos a Ressarcir, 4.9.9.85.00.7.200 Valores a Pagar Ligadas DBLABM e 4.9.9.85.00.7.203 Valores a Pagar Ligadas KB Ltda. Na impugnação apresentada a recorrente alegou que a autoridade fiscal concluiu tratarse de omissão de receitas os valores por ela recebidos em razão do procedimento contábil adotado para o registro dos mesmos. Acrescentou que referidos valores foram contabilizados diretamente em contas de passivo por trataremse de serviços prestados por empresas ligadas, não se tratando de omissões de receitas. Além disso os valores supostamente omitidos foram contabilizados, foram emitidas notas fiscais pela recorrente e foram devidamente oferecidos à tributação pelo ISS, COFINS e PIS. Não assiste razão à recorrente. Como bem ressaltado no acórdão recorrido, a omissão apurada pela fiscalização não é caracterizada pela tentativa de "esconder" os valores recebidos, mas sim, pela não inclusão nas bases de cálculo do IRPJ e CSLL da totalidade dos valores recebidos pela prestação de serviços. De acordo com arts. 251 e 279 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda, os contribuintes devem escriturar a totalidade das receitas auferidas com a prestação de serviços, com observância das leis comerciais e fiscais: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário. A Resolução CFC nº 750/93, que dispõe sobre os Princípios Fundamentais de Contabilidade, na redação vigente à época dos fatos geradores, estabelecia que as receitas e as Fl. 477DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 478 9 despesas deveriam ser incluídas na apuração do resultado do período em ocorressem, sempre simultaneamente quando se correlacionassem: Art. 9° As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1° O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no Patrimônio Líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2° O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. § 3° As receitas consideramse realizadas: I nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à Entidade, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV no recebimento efetivo de doações e subvenções. § 4° Consideramse incorridas as despesas: I quando deixar de existir o correspondente valor ativo, por transferência de sua propriedade para terceiro; II pela diminuição ou extinção do valor econômico de um ativo; III pelo surgimento de um passivo, sem o correspondente ativo.” Verificase portanto, que os contribuintes devem registrar em sua contabilidade a totalidade das receitas auferidas, incluindoas na apuração da receita bruta e, consequentemente, na apuração do lucro real e na base de cálculo da CSLL, sobre os quais incidem o IRPJ e a CSLL. A fiscalização mencionou que inexistiam nos contratos de prestação de serviços celebrados pela recorrente, cláusulas estabelecendo que parte do pagamento a ela efetuado se referiam a serviços prestados por sua controladora. No recurso voluntário, a recorrente alega que inexiste lei que a obrigue a estabelecer nos contratos de prestação de serviços com seus clientes os valores que serão repassados a terceiros que a auxiliarão na prestação de tais serviços. Acrescenta que a realização de diversos negócios jurídicos não carecem de forma específica, sendo válidas, inclusive, as avenças feitas de forma verbal, nos termos do art. 107 do Código Civil. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 479 10 De fato, assiste razão à recorrente quando afirma que os negócios jurídicos não carecem de forma específica, bem assim, que inexiste lei que a obrigue a estabelecer nos contratos de prestação de serviços os valores que serão repassados a terceiros que a auxiliarão na prestação de serviços. Todavia, para fins tributários, os contratos verbais assim como quaisquer outros, devem ser provados, não basta a mera alegação de sua existência, desacompanhada de quaisquer outros elementos de prova, tais como: descrição do serviço prestado, demonstrativo de cálculo dos valores repassados, comprovantes dos repasses, ou quaisquer outros documentos hábeis a comprovar a efetiva prestação do serviço por terceiros. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor, consoante o art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, vigente à época dos fatos. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, extintivo ou modificativo do direito do autor. No mesmo sentido, os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, estabelecem a necessidade de juntada à impugnação dos documentos em que ela se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Dessa forma, apesar de alegar que parte das receitas tributadas no auto de infração referemse a receitas de terceiros com os quais teria firmado contratos verbais, a recorrente não anexou à impugnação nenhuma prova documental da existência de referidos contratos. A recorrente alega ainda que se os valores relativos aos serviços prestados por terceiros fossem lançados como receitas, necessariamente, deveriam ser efetuados lançamentos de despesas no mesmo montante dos valores repassados, sem resultar em modificações nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Acrescenta que jamais foram requeridas comprovações dessas despesas Fl. 479DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 480 11 e que o lançamento tributário em discussão é a suposta omissão de receitas e não a glosa de dedutibilidade de despesas. De fato, nos termos do art. 299 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR), as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora são dedutíveis na apuração do lucro líquido: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n°4.506, de 1964, art. 47). § 1° São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n°4.506, de 1964, art. 47, § 1'). § 2° As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506, de 1964, art. 47, § 2°). § 3º O disposto neste artigo aplicase também as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Entretanto, para serem dedutíveis, devem estar registradas em sua contabilidade e comprovadas por documentação hábil, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000/99: Art. 923. A escrituração a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Ainda no curso da ação fiscal, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 02/2004, nos itens 6 e 7, foi dada à recorrente a oportunidade de dedução de possíveis despesas não contabilizadas: 6. "Esclarecer a contabilização das notas fiscais emitidas em 2000, identificando, em relação aos montantes registrados nas contas "Valores a pagar a ligadas" e "Outros pagamentos a ressarcir", o desdobramento, a que se referem tais registros e o porquê de ser assim contabilizados;" 7. "Em relação às notas fiscais relativas a despesas incorridas, identificar as contrapartidas nas contas "Valores a pagar a ligadas" e "Outros pagamentos a ressarcir" e a ligação entre os valores debitados nessas contas com as notas fiscais emitidas;" De acordo com a resposta apresentada em 01/07/2004 (fls. 67 a 70), a recorrente limitouse a afirmar que a razão da contabilização na forma efetuada foi em cumprimento aos contratos firmados com suas coligadas e anexou cópia dos mesmos. No Termo de Intimação Fiscal nº 03/2004, a recorrente foi novamente intimada a "Identificar, em relação a cada serviço prestado e registrado na conta "Outros pagamentos a ressarcir", as despesas diretamente ligadas e contabilizadas na mesma conta. O demonstrativo deverá indicar, para cada prestação de serviço, o desembolso ocorrido, de forma individualizada." Na resposta apresentada em 12/09/2004, as despesas diretamente ligadas e contabilizadas na conta totalizaram R$ 394.756,80, valor este que foi excluído pela fiscalização do total de receitas a serem tributadas. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 481 12 Na impugnação apresentada a ora recorrente alega que se a fiscalização tivesse considerado os valores das despesas incorridas na contratação dos serviços de suas coligadas, não teria se materializado a alegada omissão de receitas. O acórdão recorrido mencionou que fiscalização excluiu parte das despesas contabilizadas na conta "Outros Pagamentos a Ressarcir" no total de R$ 394.756,80, entretanto, não constavam dos autos documentos comprobatórios de que as demais despesas teriam ocorrido, bem assim, que não teriam sido computadas na apuração do prejuízo fiscal do período. No recurso voluntário apresentado a recorrente alega que estas comprovações jamais foram requeridas e, caso a fiscalização tivesse levantado qualquer dúvida quanto aos documentos que suportam os valores repassados às empresas ligadas teria mencionado no auto de infração. Não assiste razão à recorrente. Conforme por ela própria mencionado no recurso voluntário, o objeto da lide é o lançamento das omissões de receitas motivo pelo qual não foi feito qualquer menção à glosa de despesas. A recorrente é que, objetivando a desconstituição dos autos de infração, alega, genericamente, a existência de despesas incorridas com a prestação de serviços pelas pessoas ligadas, sem no entanto, identificar valores, beneficiários ou apresentar qualquer documentação comprobatória dos repasses. A recorrente afirma que é possível presumirse que a autoridade fiscal teria verificado os documentos que suportam os valores repassados às empresas ligadas, caso contrário não mencionaria as contas contábeis que serviram de registro para os mesmos e que foram objeto da suposta omissão de receitas (1.8.8.65.99.0.013 — Outros Pagtos a Ressarcir, 4.9.9.85.00.7.200 — Valores a Pagar Ligadas DBLABM e 4.9.9.85.00.7.203 — Valores a Pagar Ligadas KB Ltda.). Novamente equivocase a recorrente. Conforme já demonstrado, no curso da ação fiscal a fiscalização efetuou intimações objetivando a identificação dessas despesas, tendo excluído o montante de R$ 394.754,80 contabilizado diretamente na conta "Outros Pagamentos a Ressarcir". Com relação aos demais valores, não há como se presumir que foram verificados com base, unicamente, no fato de terem sido mencionadas as contas em que foram registradas as omissões não informadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ/2011. Diante de todo o exposto, voto por julgar procedente o lançamento de ofício relativo à omissão de receitas, caracterizada pela não inclusão nas bases de cálculo do IRPJ da totalidade dos valores recebidos pela prestação de serviços. DOS AJUSTES AOS PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA A recorrente não questionou o cálculo do ajuste apurado pela fiscalização no valor de R$ 153.124,34, porém, alegou equívoco por parte da fiscalização que, em momento algum demonstrou a implementação da condição primordial para fins de aplicação do arbitramento, nos moldes previstos pelo art. 240 do RIR/99 (art. 19 da Lei nº 9.430/96), ou seja, que no preço praticado nas operações com empresas vinculadas não teria sido observado o limite mínimo de 90% do preço praticado nas prestações de serviços no mercado brasileiro: Art.240. As receitas auferidas nas operações efetuadas com pessoa vinculada (art. 244) ficam sujeitas a arbitramento quando o preço médio de venda dos bens, serviços ou direitos, nas exportações efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado na venda dos mesmos bens, serviços ou direitos, no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes (Lei nº 9.430, de 1996, art. 19). Fl. 481DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 482 13 Consta do Termo de Início de Fiscalização, de 10/11/2003, que a contribuinte foi intimada a justificar o motivo pelo qual não haviam sido efetuados os ajustes dos preços de transferência decorrentes das operações de exportação efetuadas para pessoas vinculadas e/ou para pessoas físicas ou jurídicas residentes em países com tributação favorecida, bem assim, a apresentar demonstrativo para apuração da não necessidade de utilização do preço parâmetro para a comparação com os preços praticados, conforme art. 19, da Lei n° 9.430/96: "8. Planilhas de cálculo, por serviço, demonstando o porquê de não terem sido efetuados os ajustes de preços de transferência decorrentes das operações de exportação efetuadas para pessoas vinculadas e/ou para pessoas físicas ou jurídicas residentes em países com tributação favorecida, no ano em epígrafe; 9. Na apuração dos preços praticados nas operações de exportação, os demonstrativos deverão ser separados por serviço, de forma a permitir a identificação de cada item. Cada demonstrativo deverá compreender todas as operações realizadas no ano calendário em análise e conter n° da Nota Fiscal de ;venda, nome e pais do adquirente, nome e pais do importador, descrição detalhada do serviço prestado, valor unitário em reais e em dólares americanos, bem como o preço médio ponderado praticado; 10. Para a apuração da não necessidade de utilização do preço parâmetro para a comparação com os preços praticados, conforme art. 19, da Lei n° 9.430/96, os demonstrativos deverão ser separados por serviço, de forma a permitir a identificação de cada item. Cada demonstrativo deverá compreender todas as operações realizadas, tanto no Brasil, como no exterior, no anocalendário em análise e conter n° da Nota Fiscal de venda, nome do adquirente, descrição detalhada do serviço prestado, unidade de medida comercial, quantidade na unidade de medida comercial, valor unitário em reais, valor total do item, valor do desconto incondicional concedido, valor do ICMS, ISS e das contribuições COFINS e PIS, dos outros encargos cobrados pelo Poder Público e do frete e seguro suportados pelo contribuinte;" Em atendimento à intimação, a recorrente reconheceu a necessidade de apuração dos ajustes de preços de transferência. Tal fato pode ser comprovado pela planilha de fls. 42, em que a recorrente menciona, expressamente, estar dispensada de comprovação nos termos do art. 33 da Instrução Normativa nº 38/97, vigente à época dos fatos geradores. De acordo com referida planilha, o lucro decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas foi superior a 5% do total dessas receitas, motivo pelo qual poderia comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, exclusivamente, com os documentos relacionados com a própria operação: Art. 33. A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da contribuição social sobre o lucro líquido e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. A Instrução Normativa nº 38/97 dispõe sobre os preços de transferências a serem praticados nas operações de compra e venda de bens, serviços e direitos, efetuadas pelas pessoas jurídicas residentes ou domiciliadas no Brasil, com pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas e sujeitas ao arbitramento, nos termos do art. 19 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 483 14 da Lei nº 9.430/96. O art. 33 da Instrução Normativa nº 38/97, invocado pela recorrente, encontrase na Subseção VI Dispensa de Comprovação, ou seja, tratase de hipótese de dispensa aplicável às empresas cujo preço médio dos serviços prestados, nas exportações a pessoas vinculadas efetuadas durante o respectivo período de apuração da base de cálculo do imposto, for inferior a noventa por cento do preço médio praticado nos serviços prestados no mercado brasileiro, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhantes. Assim, verificase que no curso da ação fiscal a própria recorrente admitiu a necessidade de arbitramento das regras de preços de transferência, porém afirmou que poderia comprovar a adequação dos preços com os documentos relacionados com a própria operação pois o lucro decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas foi superior a 5% do total dessas receitas, nos termos do art. 33 da Instrução Normativa nº 38/97. Inclusive, após a fiscalização afastar a hipótese de dispensa por ela indicada, por meio do Termo de Intimação e de Constatação Fiscal nº 01/2004, foi intimada a apresentar esclarecimentos ou contestação, bem assim, a indicar o método a ser utilizado para apuração da receita arbitrada e, na resposta apresentada, limitouse a informar que o método escolhido seria o CAP Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributo de Lucro. Somente na impugnação a recorrente argumentou que o arbitramento é aplicável apenas nos casos em que o preço médio nas operações com pessoas vinculadas for inferior a 90% daquele praticado no mercado brasileiro, e que a fiscalização não demonstrou que a Dresdner Kleinwort Wasserstein do Brasil Ltda teria deixado de observar tal limite. O acórdão recorrido afirmou que a alegação da recorrente de que estaria dispensada da apuração de preços de transferência não estava alicerçada em documentos hábeis, pois não foram apresentados nem durante a fiscalização nem com a impugnação, documentação comprobatória e considerou procedente o lançamento. No recurso voluntário a recorrente opôsse ao acórdão recorrido afirmando que se a autoridade fiscal alegou um erro na apuração do lucro real e na base da CSLL em razão da inobservância das regras de preços de transferência, o que seria um fato constitutivo do direito de efetuar um lançamento, obviamente, quem teria o ônus de provar tal fato e, consequentemente, o direito, seria a autoridade fiscal. Acrescenta que o ônus da recorrente de provar a inexistência do direito pressupõe a comprovação pela autoridade fiscal de seu direito, o que não ocorreu e, a prevalecer o entendimento do acórdão recorrido, estaríamos diante de uma situação típica de inversão do ônus da prova. No julgamento do recurso voluntário realizado em 19/06/2009, esta Turma converteu o julgamento em diligência para que a fiscalização verificasse o cumprimento do requisito do art. 240 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Durante o procedimento fiscal de diligência, a recorrente foi intimada a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que o preço médio dos serviços prestados para o exterior a pessoas vinculadas, no ano de 2000, foi superior a noventa por cento do preço médio praticado na prestação dos mesmos serviços, no mercado brasileiro, a pessoas não vinculadas, durante o mesmo período, em condições de pagamento semelhante. Na resposta apresentada, informou que "em razão de a documentação tratar de fatos ocorridos no ano de 2000 e de já haver decorrido mais de 10 anos desde então, superando também os prazos decadencial e prescricional de cinco anos, a empresa não possui a documentação comprobatória solicitada na intimação em seus arquivos.". Não há que se falar em inversão do ônus da prova, pois como bem ressaltado no acórdão recorrido, as perguntas 003 e 068 das orientações do Perguntas e Respostas relativo à legislação do imposto de renda, esclarecem que cabe à recorrente a comprovação de que os preços de transferência por ela praticados são adequados às regras da legislação tributária brasileira: Fl. 483DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 484 15 "003 Quem está obrigado pela legislação brasileira à observância das regras de preços de transferência? Estão obrigados pela legislação brasileira à observância das regras de preços de transferência: a) as pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no Brasil que praticarem operações com pessoas físicas ou jurídicas, residentes ou domiciliadas no exterior, consideradas vinculadas, mesmo que por intermédio de interposta pessoa. b) as pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no Brasil que realizem operações com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada em país que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota inferior a 20% (vinte por cento), ou cuja legislação interna oponha sigilo relativo à composição societária de pessoas jurídicas ou à sua titularidade. [...] 068 A quem compete o ônus da prova de que os preços de transferência praticados pelo contribuinte são inadequados em função das regras da legislação brasileira? Cabe ao contribuinte a comprovação de que os preços de transferência por ele praticados são adequados às regras da legislação brasileira. Por outro lado, quando os documentos apresentados pelo contribuinte forem julgados insuficientes ou imprestáveis para formar a convicção quanto ao preço da operação, o AuditorFiscal poderá determinálo com base em outros documentos de que dispuser, aplicando um dos métodos discriminados pela legislação vigente. Conforme já demonstrado, no Termo de Início de Fiscalização, ao ser intimada a efetuar referida comprovação, a recorrente invocou o art. 33 da Instrução Normativa nº 38/97, que a dispensa da utilização dos métodos previstos no art. 19. § 3º da Lei nº 9.430/96 para apuração dos preços de transferência, deixando assim de comprovar que estaria desobrigada da apuração porque os preços por ela apurados seriam superiores a 90% do preço médio praticado na venda dos mesmos serviços no mercado brasileiro. No impugnação, assim como no recurso voluntário, apesar de alegar que o arbitramento das receitas de exportação apenas seria cabível quando o preço médio nas operações com pessoas vinculadas fosse inferior a 90%, a recorrente novamente deixou de apresentar documentação comprobatória de que estaria dispensada da apuração dos preços de transferência. Com objetivo de obter referida comprovação, foi determinada realização de diligência, entretanto, na resposta apresentada a recorrente reconhece expressamente a impossibilidade de efetuar referida comprovação. Deve ser ressaltado, novamente, que o ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo do direito do autor , consoante o art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, vigente à época dos fatos. No mesmo sentido, os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, estabelecem a necessidade de juntada à impugnação dos documentos em que ela se fundamenta. Dessa forma, não há como acolher as alegações da recorrente de que estaria Fl. 484DF CARF MF Processo nº 18471.001525/200413 Acórdão n.º 1301002.218 S1C3T1 Fl. 485 16 desobrigada da apuração dos preços de transferência quando tal afirmação está desacompanhada de qualquer documentação comprobatória. Com relação à resposta apresentada ao Termo de Diligência Fiscal, em que a recorrente afirma não mais possuir a documentação comprobatória objeto da intimação, em virtude dos fatos geradores terem superado os prazos prescricional e decadencial, deve ser observado o disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Assim, enquanto não for encerrado o processo administrativo fiscal, a recorrente tem o dever de guardar a documentação comprobatória que possa vir a modificar o crédito tributário já constituído. Diante de todo o exposto, não merece ser acolhida a alegação da recorrente de que, face ao disposto no art. 19 da Lei nº 9.430/96, estava desobrigada da apuração dos preços de transferência no anocalendário de 2000, posto que tal afirmação está desacompanhada de documentos comprobatórios. DA CSLL Quanto à exigência de CSLL, adoto a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão do lançamento estar apoiado nos mesmos elementos de prova. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723859/2013-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS DE IMÓVEIS. DESPESAS DEDUTÍVEIS.
As despesas pagas à imobiliária para cobrança ou recebimento dos rendimentos de aluguéis de imóveis oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual poderão ser excluídas da base de cálculo para incidência do imposto sobre a renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS DE IMÓVEIS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. As despesas pagas à imobiliária para cobrança ou recebimento dos rendimentos de aluguéis de imóveis oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual poderão ser excluídas da base de cálculo para incidência do imposto sobre a renda. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto.
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ALUGUÉIS Recorrente MARIA SYLVIA DE MORAES SALLES PEREIRA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 AJUSTE. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS DE IMÓVEIS. DESPESAS DEDUTÍVEIS. As despesas pagas à imobiliária para cobrança ou recebimento dos rendimentos de aluguéis de imóveis oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual poderão ser excluídas da base de cálculo para incidência do imposto sobre a renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 38 59 /2 01 3- 02 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 106 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins e Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 107 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo a exigência do crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0644.070 (fls. 82/84): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DESPESAS DEDUTÍVEIS COM O IMÓVEL LOCADO. Somente podem ser deduzidas do montante tributável as despesas para a cobrança ou recebimento dos aluguéis comprovadamente incidentes sobre o imóvel a ser tributado. Impugnação Improcedente 2. Em face da contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2012/784611053855499, relativa ao anocalendário 2011, decorrente de procedimento de revisão de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que foi constatada omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física no valor de R$ 6.569,13 (fls. 6/10). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Cientificada da notificação por via postal em 10/6/2013, às fls. 22, a contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 2). 4. Intimada em 26/11/2013, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, conforme fls. 85/89, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 2/12/2013 (fls. 91). 4.1 Expõe que pagou a importância total de R$ 7.508,61 para a Imobiliária Hideal Imóveis, a título de comissão pela administração dos seus imóveis locados a pessoas físicas e jurídicas. 4.2 Entretanto, na DAA 2011/2012 não houve a dedução integral das comissões pagas à Imobiliária, na forma permitida pela legislação vigente. 4.3 Uma vez mantido o entendimento do acórdão recorrido que a dedução possível encontra limite nas despesas associadas ao imóvel locado à pessoa física, haverá duplicidade de Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 108 4 tributação, porquanto a recorrente declarou como rendimentos recebidos da pessoa jurídica o valor integral dos aluguéis, ou seja, o montante dos aluguéis sem a dedução da comissão paga a Imobiliária. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. A respeito dos valores passíveis de exclusão dos rendimentos de aluguéis, prescreve o art. 14 da Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989: Art. 14. Não integrarão a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda de que trata a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no caso de aluguéis de imóveis: I o valor dos impostos, taxas e emolumentos incidentes sobre o bem que produzir o rendimento; II o aluguel pago pela locação do imóvel sublocado; III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento; e IV as despesas de condomínio. [GRIFOUSE] 7. A acusação fiscal justificou a omissão de rendimentos de aluguel com base na linguagem abaixo reproduzida (fls. 8): RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS ALUGUEL RECEBIDO DE PESSOA FÍSICA: Valor alterado para R$ 10.803,84, referente ao valor recebido de Young Ju Yoo, conforme informado por Hideal Imóveis/Lotufo & Lotufo Assessoria Imobiliária Ltda. Apuração de Omissão Valor (R$) 1 Total de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas 10.803,84 2 Total de Rendimentos Recebidos de Pessoas Físicas Declarado 4.234,71 3 Omissão Apurada (12) 6.569,13 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 110 6 8. Visto isoladamente, circunscrita a verificação às importâncias de aluguel recebidas de pessoa física, o procedimento de revisão fiscal adotado pela autoridade lançadora estaria correto. 8.1 Com efeito, a informação anual emitida pela Hideal Imóveis/Lotufo & Lotufo Assessoria Imobiliária S/C Ltda, CNPJ 66.077.405/000136, relativa ao imóvel locado à Srª Young Ju Yoo, aponta um valor total de rendimentos de R$ 11.743,32 e uma taxa de administração de R$ 939,48, resultando no valor tributável recebido de pessoa física de R$ 10.803,84 (fls. 13). 8.2 Corroborando a ótica do agente fiscal, a decisão de piso consignou que a dedução da base de cálculo do imposto sob a renda restringese às despesas com o imóvel locado. 9. Ocorre que o caso sob exame demanda uma avaliação integrada dos rendimentos de aluguéis oferecidos à tributação pela contribuinte, relativamente ao ano calendário 2011. 9.1 Afinal, independentemente de aluguel de imóvel pago por pessoa física ou jurídica, os rendimentos estarão sujeitos ao ajuste anual, submetidos em conjunto à tabela progressiva anual. 10. Nessa linha de pensamento, ao confrontarse os aluguéis de imóveis pagos por pessoa física e jurídica, segundo documentos que instruem os autos, e os rendimentos tributáveis declarados pela contribuinte na respectiva DAA 2011/2012, é possível elaborar os seguintes quadros demonstrativos: Valores informados por Hideal Imóveis R$ (fls. 11/13) Locatório Aluguel Taxa Administração Imposto Renda. JCF Restaurante e Bar Ltda (CNPJ 10.642.509/000191) 67.789,70 4.822,67 10.445,83 JCF Restaurante e Bar Ltda (CNPJ 10.642.509/000191) 24.950,07 1.746,46 491,74 Total 92.739,77 6.569,13 10.937,57 Young Ju Yoo (CPF 044.663.698/36) 11.743,32 939,48 Total 104.483,09 7.508,61 Rendimento Tributável Total 96.974,48 (104.483,09 7.508,61) Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 111 7 Valores declarados pela contribuinte na DAA 2011/2012 R$ (fls. 28/34) Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica Rendimento Tributável Imposto Renda JCF Restaurante e Bar Ltda (CNPJ 10.642.509/000191) 92.739,77 10.937,57 Rendimentos recebidos de Pessoa Física 4.234,71 Rendimento Tributável Total 96.974,48 (92.739,77 + 4.234,71) 11. Como alegou a recorrente, a DAA 2011/2012 não contém omissão de rendimentos tributáveis oriundos do recebimento de aluguéis de imóveis, segundo a documentação acostada aos autos. 11.1 A diferença de base de cálculo de R$ 6.569,13, exigida pela fiscalização, corresponde exatamente ao valor das despesas pagas à Imobiliária Hideal Imóveis para cobrança/recebimento dos aluguéis devidos pela pessoa jurídica JCF Restaurante e Bar Ltda. 11.2 A contribuinte deixou de deduzir tal montante na base de cálculo dos rendimentos recebidos da pessoa jurídica, diminuindoo, por sua vez, dos rendimentos recebidos da pessoa física. 12. Ao fim e ao cabo, embora incorreto o procedimento adotado pela contribuinte, não tem o condão de afetar a dimensão da riqueza econômica tributável, nos termos da legislação. 12.1 Logo, é indubitável concluir pela inexistência do fato imputado pela autoridade fiscal à contribuinte, na medida em que os rendimentos de aluguéis foram integralmente oferecidos à tributação, a despeito da deficiência de preenchimento dos campos na DAA 2011/2012. 13. No tocante aos rendimentos recebidos da pessoa jurídica, ressalto que a Imobiliária Hideal Imóveis registrou o pagamento de um valor a título de multa em 7/2/2011, na quantia de R$ 1.105,60, o qual aparentemente não foi oferecido à tributação pela contribuinte na DAA 2011/2012 (fls. 11). 13.1 Via de regra, os acréscimos ou compensações pelo atraso no pagamento do aluguel compõem a base de cálculo do imposto sobre a renda. 13.2 Todavia, a inclusão desse valor, visto que não declarado pela contribuinte, demanda o lançamento de ofício, cuja competência é da autoridade fiscal, o que impede, por conseguinte, a atuação do julgador administrativo, sob pena de alteração do critério jurídico adotado no lançamento por meio de inovação na motivação do ato administrativo. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.723859/201302 Acórdão n.º 2401004.580 S2C4T1 Fl. 112 8 14. Dessa feita, a decisão de piso deve ser reformada, reconhecendose a improcedência do crédito tributário decorrente da Notificação de Lançamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, tornando insubsistente a Notificação de Lançamento nº 2012/784611053855499, relativamente ao anocalendário 2011. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess. Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900761/2009-36
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.442
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO PELO IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CGTF CENTRAL GERADORA TERMELETRICA FORTALEZA S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Andrada Marcio Canuto Natal, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. Solicitou apresentar declaração de voto a Conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 61 /2 00 9- 36 Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, de acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF n.º 527, de 2010, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3101001.721, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência foi suscitada pela Fazenda Nacional em razão do entendimento de que a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM não desnaturaria o requisito de “preço predeterminado” estatuído no art. 10, XI, “b” da Lei n.º 10.833/2003, condição necessária para manutenção da contribuinte no regime cumulativo do PIS/COFINS. Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nºs 210200.001 e 20219.497. O Contribuinte apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do Recurso Especial e, caso seja conhecido, seu nãoprovimento, mantendo a decisão recorrida nos termos em que proferida. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.432, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.900758/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.432): Da Admissibilidade "Entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 4 3 É que, como restou comprovado no exame de sua admissibilidade, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse que o índice aplicado no contrato celebrado pela contribuinte – o mesmo de que se tratou no primeiro acórdão paradigma – não o desqualificava como predeterminado, neste último chegouse a uma conclusão diversa, ou seja, a de que a aplicação do mesmo índice desnaturou tal condição. Assim sendo, e sem necessidade de maiores digressões, entendemos que o recurso especial interposto pela Procuradoria deve ser conhecido." Do Mérito "A questão posta nos autos cingese a esclarecer se a receita advinda do contrato firmado, por ser anterior a 31 de outubro de 2003, estaria alcançado pelo comando dos artigos 10 e 15 da Lei nº n.º 10.833/03, em razão da Instrução Normativa n.º 468/04, aplicandose, portanto, a sistemática da nãocumulatividade. Por unanimidade de votos, a decisão recorrida reconheceu o direito do Contribuinte de compensar com débitos próprios os créditos de que é titular, decorrentes de pagamentos efetuados a maior realizados a título de COFINS nãocumulativa, sobre as receitas de vendas de energia elétrica, quando esse tributo deveria ter sido calculado no regime cumulativo, de acordo com a a alínea "b" do inciso XI do artigo 10 e no artigo 15 da Lei n.° 10.833/03, do § 3 do artigo 3 da IN SRF n.° 658/06 e do item 3.1 da IN SRF n.° 21/79, por resultarem de contrato firmado antes de 31.10.2003 a preço predeterminado, com prazo de vigência superior a 1 (um) ano (CONTRATO), celebrado com a Companhia Energética do Ceará ("COELCE"). Para melhor elucidar a questão, transcrevo a seguir os dispositivos que serão tratados na presente decisão, iniciando com a art. 10, inciso XI, alínea “b”, da Lei n.º10.833/03, in verbis: "Lei 10.833/03 (...) Art. 10. Permanecem sujeitas às Normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;" Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 5 4 E artigos 1º e 2º da IN SRF n.º 468/04, trazem a seguinte redação: "Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços “Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. (...)." Verificase que a Instrução Normativa da Receita Federal determina a alteração do regime tributário com a existência de cláusula de reajuste, ou seja, altera a situação da pessoa jurídica do regime tributário da cumulatividade para o não cumulativo. Acredito, que referida instrução normativa ultrapassou o poder regulamentar. Isto porque, ao definir a cláusula de reajuste como marco temporal para modificação do caráter predeterminado do preço, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). Cumpre asseverar que o entendimento jurisprudencial só admite alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação ao princípio da legalidade tributária, senão vejamos: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FUSEX. NATUREZA TRIBUTÁRIA. FIXAÇÃO DA ALÍQUOTA POR PORTARIA. IMPOSSIBILIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. 1. É entendimento sedimentado o de não haver omissão no acórdão que, com fundamentação suficiente, ainda que não exatamente a invocada pelas partes, decide de modo integral a controvérsia posta. 2. 'Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 6 5 foi apreciada pelo tribunal a quo' (Súmula 211/STJ). 3. 'O Fundo de Saúde do Ministério do Exército (FUSEX) é custeado pelos próprios militares que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistência médicohospitalar. A contribuição de custeio, tendo em vista seu caráter compulsório, tem natureza jurídica tributária, sujeitandose ao princípio da legalidade. Precedente: REsp 789260/PR, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 19.06.2006' (REsp 761.421/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 01.03.2007). 4. '(...) por se tratar de lançamento de ofício, o prazo prescricional a ser aplicado às ações de repetição de indébito de contribuições ao FUSEX é o qüinqüenal, nos termos do art. 168, I, do CTN' (REsp 1.068.895/RS, 1ª Turma, Min. Francisco Falcão, DJe de 20/10/2008) 5. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 857.464/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 2.3.2009.) Diante, disto, o STJ e o TRF tem posicionado no sentido de declarar a ilegalidade do art. 2º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 468/04 (redação repetida pelo art. 3º, §2º, da Instrução Normativa SRF n.º 658/06). "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. REGRA DE TRANSIÇÃO. ART. 10, XI, "B", DA LEI N. 10.833/03. REGULAMENTAÇÃO. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. ART. 92 DA LEI N. 10.833/03. CONCEITO DE "PREÇO PREDETERMINADO". ART. 2º, § 2º, DA IN/SRF N. 468/2004 E ART. 3º, §2º, DA IN/SRF N. 658/2006. ILEGALIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO (ART. 932, IV, CPC/2015 C/C ART. 255, § 4º, II, RISTJ). Processo REsp 1476922 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES Data da Publicação DJe 29/06/2016." "TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 7 6 simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial (REsp. n. 1.089.998 RJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18.10.2011). " "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, DJe 13/5/2009. Agravo regimental improvido (AgRg no REsp. n. 1.310.284 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 06.09.2012)." "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 8 7 manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, conhecer em parte do recurso e, nessa parte, darlhe parcial provimento nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques e Cesar Asfor Rocha votaram com o Sr. Ministro Relator.” Egrégio Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 1169088 MT 2009/02357184" Com efeito, inferese da leitura da legislação federal que não houve nenhuma previsão de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados, não podendo instrumento normativo hierarquicamente inferior determinar a alteração do regime tributário, em observância da princípio da legalidade. Ademais, as Instruções Normativas constituem espécies jurídicas de caráter secundário, cuja validade e eficácia resultam, imediatamente, de sua estrita observância dos limites impostos pelas leis. De conseqüência, à luz dos art. 97 e 99 do Código Tributário Nacional, Instruções Normativas não podem modificar Lei, inovar a ordem jurídica, mas apenas conferir executoriedade às leis, nos estritos limites estabelecidos por elas. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 9 8 Não obstante à essa constatação, temse que, posteriormente à IN SRF n.º 468/04, especificamente em 22.11.05, foi publicada a Lei n.º 11.196/05 que trouxe o seguinte dispositivo (Grifos meus): “Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003.” Pela leitura desse dispositivo, confirmase que não havia nenhuma previsão legal, até o advento da Lei n.º 11.196/05, de alteração do regime de contribuição por aplicação de cláusula de reajuste nos contratos firmados. Vale ainda esclarecer que a introdução de cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Deve haver uma permanente equivalência entre os encargos suportados pelo particular e a remuneração a ele paga pela Administração. E o artigo 40 da Lei n.º 8.666 de 21 de junho de 1993, que rege as licitações, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação. A mesma lei, dispõe que a aplicação de reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato. O reajuste não provoca alteração contratual, motivo pelo qual é registrado mediante simples apostila. "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 10 9 III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato , as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo , podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." (grifouse.) Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. Quanto à IN SRF n.º 658/06, publicada posteriormente à Lei n.º 11.196/05 e que revogou a IN SRF n.º 468/04, que trouxe os arts. 3º e 4º, in verbis: "Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições.” (Grifos meus) Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 11 10 É de se considerar, em vista do exposto, que a IN SRF n.º 658/06, especificamente sem eu art. 3º, § 3º, está em consonância com o art. 109 da Lei n.º 11.196/05 ao dispor que o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei n.º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. No caso concreto dos autos a recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Oficio n° 243/2002 SFF/ANEEL, de 09/04/2002. E através dos laudos apresentados foi comprovado que o Índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. E foi demonstrado que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de Índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, Quanto a variação do custo de produção, os peritos ao analisar o Laudo apresentado pela recorrido, apresentaram a seguinte resposta: 'Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o inicio do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: 1As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; 2O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; 3As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei n° 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e 4A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos.' Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 12 11 E posteriormente a recorrida apresentou, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos e também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto. Diante de todos esses elementos ficou comprovado que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005) não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Ademais, a Recorrida apresentou Ofício nº 1431/2006 da ANEEL, onde foi confirmado que os índices por ela aprovados ou homologados, bem como nos contratos celebrados nos moldes dos examinados nesses processos 'visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados'. Diante dos fatos apurados, nego provimento ao recurso especial da Fazenda, para manter a decisão recorrida." Deixase de transcrever a íntegra da declaração de voto apresentada pela Conselheira Vanessa Marini Cecconello por ter sido apresentada no Acórdão 9303004.432 (processo paradigma), e por não ser essencial à solução do presente litígio. Transcrevese, tão somente, o seguinte fragmento da declaração de voto, que resume o entendimento adotado por parte dos integrantes do Colegiado, que votaram pelas conclusões: "A previsão de cláusula de reajuste do contrato, baseada no IGPM ou outro índice ou fórmula de correção monetária, não descaracteriza a condição de preço predeterminado, prestandose à simples manutenção do valor da moeda no tempo. Portanto, a previsão de reajuste do preço do suprimento de energia elétrica da CGTF à COELCE busca evitar que o valor predeterminado pelas partes contratantes seja corroído pelos efeitos da inflação. Portanto, não havendo a descaracterização da condição de preço predeterminado por cláusula contratual prevendo o reajuste por índice de correção monetária, estáse diante de contrato que preenche integralmente os requisitos estabelecidos na exceção do inciso XI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, sendo imperiosa a manutenção da tributação das receitas dele decorrentes pelo regime de tributação do PIS e da COFINS cumulativo, havendo o direito da Contribuinte à restituição dos valores indevidamente recolhidos a tal título pela sistemática da nãocumulatividade." Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10380.900761/200936 Acórdão n.º 9303004.442 CSRFT3 Fl. 13 12 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 615DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002068/2009-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-003.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Pedro Raposo Jaguaribe , OAB/DF 42.473, que se comprometeu a apresentar a procuração no prazo de 15 dias da sessão de julgamento, conforme prerrogativa do Estatuto da OAB.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 11/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Realizou sustentação oral, pelo Contribuinte, o Dr. Pedro Raposo Jaguaribe , OAB/DF 42.473, que se comprometeu a apresentar a procuração no prazo de 15 dias da sessão de julgamento, conforme prerrogativa do Estatuto da OAB. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 68 /2 00 9- 06 Fl. 741DF CARF MF 2 Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte em questão foi lavrado o auto de infração (fls. 412/417) com o lançamento de imposto de renda relativo ao anocalendário 2006 de R$ 1.761.790,20, de multa de ofício de R$ 1.321.342,65 e de juros de mora calculados até 29/05/2009 de R$ 416.134,84. A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 18/03/2008, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 05, em que o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários de suas contas correntes, informes de rendimentos e a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias. Como o contribuinte não atendeu integralmente às intimações encaminhadas, foram encaminhadas Requisições de Movimentação Financeira às instituições em que o contribuinte mantém contas correntes, para apresentação dos extratos bancários (fls. 105/107). De posse dos extratos bancários foi elaborada planilha com a individualização dos créditos (fls. 146/155) e encaminhada ao contribuinte com intimação para comprovação de origem (fl. 145). O Termo de Intimação Fiscal foi recebido pelo contribuinte em 19/12/2008, conforme AR de fls. 156. Conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 396/398), apresentadas as justificativas pelo contribuinte, foi considerada comprovada a origem dos créditos referentes a recebimentos de créditos de operações em Bolsa, provenientes das corretoras Novinvest e Laeta e transferências de contas de investimentos do próprio contribuinte no Banco Cruzeiro do Sul. Em relação aos créditos efetuados pelas empresas Cingular Fomento Mercantil Ltda e Royster Serviços S/A não foram aceitas as alegações de tomadas de empréstimos por falta de apresentação de documentação hábil comprobatória. Assim, a ação fiscal é encerrada com a lavratura do auto de infração, tendo em vista que foi apurada a seguinte infração à legislação tributária: Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários sem Origem Comprovada. Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 742DF CARF MF Processo nº 19515.002068/200906 Acórdão n.º 2201003.513 S2C2T1 Fl. 3 3 investimento, mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, conforme descrição dos valores tributáveis e respectivas datas dos fatos geradores, no citado auto de infração, e sob o seguinte fundamento legal: artigo 42 da Lei 9.430/96; artigo 4° da Lei 9.481/97; artigo 21 da Lei 9.532/97. O contribuinte toma ciência do auto de infração 16/06/2009, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 07/07/2009 de fls. 421/445, em que alega, em síntese, que: 1. cumpre ressaltar que comprovou através das justificativas apresentadas grande parte dos valores levantados pela fiscalização. Conforme relatório resumido com base no Auto de Infração o próprio contador das empresas (doc.02) ressalta as comprovações referente aos créditos levantados pela fiscalização comprovados nas justificativas entregues ao FISCO; 2. a fiscalização não examinou detidamente os extratos das corretoras em confronto com a declaração de imposto de renda do contribuinte e seus extratos bancários; 3. contribuinte que atua em bolsa de valores, pode apresentar perdas ou ganhos, e o "prejuízo" de um período pode ser compensado no período seguinte, para fins de tributação; 4. valores tributados em um mês devem ser considerados como renda tributada, no mês seguinte, mormente no caso do contribuinte que atua como corretor de valores e trabalha com o mercado de capitais; 5. a se considerar os cálculos e metodologia da fiscalização, a cada operação em bolsa é como se o dinheiro, depois de voltar para a conta corrente do aplicador, desaparecesse, e a sua reaplicação, quando volta novamente da Corretora para a conta corrente de pessoa física do aplicador, é considerada novo ganho em sua totalidade; 6. a fiscalização, no caso de aplicações em bolsa, teria necessariamente de levantar um demonstrativo de cada aplicação, o valor originário aplicado, o ganho auferido, a tributação na fonte, e o demonstrativo de ganhos de capital do contribuinte; 7. a fiscalização seguiu o caminho fácil da tributação de todos os créditos em conta corrente do contribuinte, como se tudo fosse receita nova, levantando valores absolutamente irreais; 8. embora comprovadas a origem dos créditos, em se tratando de pessoa física não necessitariam de escrituração; 9. não pode a fiscalização entender que por falta de escrituração ou comprovação de origem toda a movimentação bancária trata se de rendimento; Fl. 743DF CARF MF 4 10. é extensa a jurisprudência que se manifesta no sentido de não considerar os débitos de imposto de renda que tenham por • base a renda presumida através de arbitramento sobre os valores de extratos ou de comprovantes bancários; 11. pensa de maneira diferente a Receita Federal que tendo em vista o art. 42 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu a presunção juris tantum de caracterização de omissão de receita ou de rendimento ou depósito bancário em relação ao qual o contribuinte não comprove a origem dos recursos através de documentação hábil e idônea; 12. sucede que as pessoas físicas estio desobrigadas de escrituração contábil, o que por si só gera um complicador para o contribuinte, que geralmente faz a sua declaração levando em consideração as correspondentes informações anuais de renda fornecidas pelas instituições bancárias; 13. neste contexto cabe aqui destacar mais uma vez que algumas operadoras e corretoras das quais operava o Impugnante na Bolsa não forneceram qualquer documento hábil para comprovação junto a fiscalização, e o Impugnante não conseguiu localizar os depósitos do período autuado devido ao grande numero de operações que realizou na mesma época; 14. o único erro do contribuinte foi não possuir contabilidade, o que a lei desobriga, e quanto à omissão de rendimentos alegada pelo FISCO explicará a seguir; 15. a movimentação bancária não corporifica fato gerador do Imposto de Renda. Para usar • uma linguagem econômica, depósito bancário é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial; 16. consoante a Súmula n° 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos — TFR, restou averbado ser ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; 17. a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência haurida com os casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatou se não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido; 18. a despeito do artigo 42 da Lei n° 9.430/96 criar a figura da presunção legal de rendimentos omitidos para os depósitos cuja origem não for comprovada, tal regra não pode se sobrepor as regras de superior hierarquia quais sejam as do art. 142 do Código Tributário Nacional; 19. autoridade administrativa, e só ela, tem o poder/ dever de verificar a ocorrência do fato gerador. Assim, o mero depósito bancário não é atividade constituinte do fato gerador, não traduz disponibilidade econômica ou jurídica de renda; 20. não se discute a ilegalidade ou inconstitucionalidade da norma da Lei n° 9.430/96, porém se trata de procedimento de Fl. 744DF CARF MF Processo nº 19515.002068/200906 Acórdão n.º 2201003.513 S2C2T1 Fl. 4 5 interpretação das normas jurídicas, no caso, interpretação sistemática da legislação, tendo em vista que as normas de hierarquia inferior submetemse ao comando das normas de maior hierarquia, no caso, a Lei n° 9.430/96, não colidindo com a norma Complementar à Constituição (CTN); 21. o art.42 da Lei n° 9.430/96, pelas razões acima expostas, não é aplicável ao caso, porque, bate de frente com o art. 142 do Código Tributário Nacional; 22. exaustivamente já foi explicado ao FISCO que sendo operador da bolsa de valores o Impugnante além de trabalho com o dinheiro de terceiros tem o mesmo valor de dinheiro seu entrando e saindo da contacorrente diversas vezes; 23. o fato de ter o contribuinte depósitos em sua contacorrente bancária poderia ad argumentandum dar ensejo à apuração pelo fisco, mas o que não se pode admitir é que tal fato, por si só, seja bastante para constituir o crédito tributário, por se presumir tratarse de rendimentos sem a efetiva comprovação; 24. o depósito bancário, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não constituise, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida; 25. sendo o acréscimo patrimonial o fato gerador do Imposto de Renda, certo é Que nem todo o ingresso financeiro implicará a sua incidência. Temse que analisar a natureza de cada ingresso para verificar se realmente se trata de renda ou proventos novos, que configurem efetivamente acréscimo patrimonial. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme se extrai da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Após 1° de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei 9.430 de 1996, consideramse rendimentos omitidos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, os depósitos junto a instituições financeiras, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SALDOS MENSAIS PARA COMPROVAÇÃO DE ORIGEM NOS MESES SUBSEQÜENTES. Fl. 745DF CARF MF 6 Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. EMPRÉSTIMOS COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A alegação de empréstimos contraídos para comprovação de origem de depósitos bancários deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência do numerário do credor para o devedor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte sustenta, em síntese, que: a) foi entregue à fiscalização todos os extratos bancários e documentos comprobatórios da origem e dos fatos jurídicos relativos ao recebimento dos valores tidos como omitidos, num arcabouço probatório de mais de 200 folhas, mas a DRJ manteve o lançamento ao argumento de que o contribuinte não comprovou com documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos utilizados; b) como pessoa física, não está obrigada a manter escrituração contábil, ainda que simplificada das operações; c) há diversos depósitos cujo histórico reporta a origem dos recursos como sendo provenientes das empresas Royster serviços S/A e Cingular Fomento Mercantil Ltda de propriedade do contribuinte ora fiscalizado; d) não pode a fiscalização deixar de reconhecer a origem dos depósitos das empresas pertencentes ao próprio contribuinte fiscalizado; e) deve ser baixado o processo em diligência para serem saneadas as incorreções apontadas pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Conforme narrado, tratase de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Acerca do presente lançamento, o acórdão recorrido assim concluiu: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 19515.002068/200906 Acórdão n.º 2201003.513 S2C2T1 Fl. 5 7 É, portanto, função do Fisco, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Por outro lado, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações cabe exclusivamente ao contribuinte. Essa comprovação, nos termos do disposto legal examinado, deve ser efetuada com a apresentação de documentação hábil e idônea que permita identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que deixe clara a natureza de tais depósitos. Há necessidade de se estabelecer uma relação biunívoca entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a “comprovação” feita de forma genérica com indicação de uma receita ou rendimento em um determinado documento a comprovar vários créditos em conta. É de se ver, como já analisado acima, que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister, a simples apresentação de justificativas trazidas na peça impugnatória, mas, também, que estas sejam amparadas por provas hábeis, idôneas e robustas. Esse ônus independe de qualquer exigência legal de escrituração, no caso das pessoas físicas, como tenta direcionar o impugnante as suas argumentações. Como o impugnante não juntou aos autos qualquer documento hábil que tivesse o condão de comprovar os empréstimos citados e, tampouco, comprovou a efetiva transferência de numerário entre o credor e devedor, a presunção paira incólume. Não obstante as ponderações do mencionado acórdão sobre a comprovação dos empréstimos, inclusive sobre a necessidade de se estabelecer uma relação individualizada entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor e demais documentos correlatos; o recorrente, em sede de recurso voluntário, apenas reiterou alguns argumentos dispostos em sua impugnação e não efetuou a juntada de provas que pudesse dar suporte as suas alegações e atender, dialeticamente, ao exigido. Assim, mesmo sendo entregue alguns documentos à fiscalização, não houve comprovação individualizada da origem dos depósitos, de modo que não restou afastada a presunção da omissão de rendimentos. Salientase que, mesmo se tratando de pessoa física, fazse necessária a apresentação dos esclarecimentos e provas solicitados para o fim da comprovação da origem dos depósitos, pois, pela própria natureza da exigência, não há como admitir prova genérica. Fl. 747DF CARF MF 8 Além disso, a alegação do recorrente sobre a comprovação da origem dos depósitos das empresas pertencente ao próprio contribuinte também não merece guarida, tendo em vista a ausência de documentação que dê suporte ao exposto, bem como em razão do fato de o patrimônio da empresa não se confundir com o patrimônio do sócio. Com relação à solicitação da conversão do julgamento em diligência, insta destacar que foi oportunizada ao contribuinte a juntada da documentação necessária à demonstração dos seus argumentos, de modo que não há necessidade de conversão em diligência, pois presentes as informações necessárias ao deslinde da controvérsia. Nesse contexto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 748DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003269/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10830.912293/2012-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.961
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.912293/201201 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.961 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de março de 2017 Assunto IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente CASA DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE VALINHOS GRUPO GENTE NOVO RUMO Recorrida FAZENDA NACIONAL ACORDAM os membros da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu o Pedido de Restituição Eletrônico PER, referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF. Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos do § 7º do art. 195, c/c 146, inc. II, ambos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Isso porque tem a natureza jurídica de associação civil sem fins lucrativos e o objetivo de prestar assistência integral à criança e ao adolescente, na forma dos arts. 203 da CF/88 e 2º do Estatuto da Criança. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 12 29 3/ 20 12 -0 1 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.912293/201201 Resolução nº 3402000.961 S3C4T2 Fl. 3 2 Uma vez processada a manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. PIS – FOLHA DE PAGAMENTO. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INCIDÊNCIA. São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salário, e não sobre o faturamento, as instituições beneficentes de assistência social, de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, quando atendidas as condições e requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário em que alegou, em suma: (i) que é imune ao pagamento do PIS, haja vista o disposto no art. 195, § 7º, c.c. o art. 146, inciso II, ambos da Magna Lex, bem como o disposto no art. 14 do CTN; e, ainda (ii) que a recorrente atende todos os requisitos estabelecidos em lei para gozar da imunidade citada e que, para o período em tela, foi declarada entidade pública federal, nos termos da Portaria Federal n. 685, de 04/04/2007, bem como possui o CEBAS Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social, sob o n. 71000.114296/200930. É o relatório. Resolução Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402000.939, de 28 de março de 2017, proferida no julgamento do processo 10830.912270/201298, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402000.939: "5. O presente recurso voluntário preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 6. Como visto alhures, tratase de pedido de ressarcimento com o fito de ver reconhecido crédito de PIS decorrente da imunidade da recorrente, uma vez que a mesma enquadrarseia no conceito de entidade beneficente. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.912293/201201 Resolução nº 3402000.961 S3C4T2 Fl. 4 3 7. Para provar sua condição de entidade beneficente, a recorrente anexa à sua manifestação de inconformidade os documentos de fls. 21/28 [(i) certificado de utilidade pública nacional, emitido pelo Ministério da Justiça; (ii) atestado de registro no Conselho Nacional de Assistência Social; (iii) Portaria Municipal que reconhece o caráter assistencial da recorrente; e, ainda, (iv) cópia da lei municipal n. 4.812/2012, que autoriza a concessão de subvenções às entidades assistenciais do Município de Valinhos, dentre as quais encontrase a recorrente]. 8. Não obstante, juntamente com seu recurso voluntário, o contribuinte apresenta outro documento (fl. 65) que atestaria sua condição de entidade beneficente. Tratase do ofício n. 959/20013, emitido pela Coordenação Geral de Certificação das Entidades Beneficentes de Assistência Social, que assim comunica: 9. Da análise de todos os documentos aqui tratados, é possível cogitar que, de fato, a recorrente enquadrase no conceito de entidade assistencial apta a gozar de imunidade tributária. Acontece que, todos os documentos trazidos nos autos pela recorrente com o escopo de provar tal condição referemse à momento posterior ao período do crédito em análise, o qual diz respeito ao mês de fevereiro de 2006 (fl. 32). 10. Neste diapasão, tendo em vista que o acervo probatório trazidos aos autos aparentemente induz à conclusão de que a recorrente preenche as condições para gozar de imunidade tributária, bem com ainda pautado pela ideia de instrumentalidade do processo, resolvo por converter o presente julgamento em diligência para que a unidade preparadora providencie: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.912293/201201 Resolução nº 3402000.961 S3C4T2 Fl. 5 4 · a intimação do contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. 11. É a resolução." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório alegado, também foram juntados em cópias nestes autos. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, convertese o presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora intime o contribuinte para apresentar o Certificado de Entidades Beneficentes de Assistência Social CEBAS válido para o período do crédito aqui vindicado. Após, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 74DF CARF MF
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