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Numero do processo: 11065.003144/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS.
No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas.
A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação.
A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas.
As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas.
É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional.
Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA.
Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias.
O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados.
A simulação pode configurar-se quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica.
O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída.
Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964.
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. DECRETO REGULAMENTADOR. CONSTITUCIONALIDADE. STF. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
É constitucional a contribuição ao SAT, vez que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico.
Os sucessivos decretos presidenciais detêm plena legitimidade constitucional, no ponto em que - respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal - pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave).
O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante).
CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2402-006.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. A simulação pode configurar-se quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. DECRETO REGULAMENTADOR. CONSTITUCIONALIDADE. STF. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É constitucional a contribuição ao SAT, vez que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico. Os sucessivos decretos presidenciais detêm plena legitimidade constitucional, no ponto em que - respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal - pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave). O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastando-se qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante). CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível e a nomeação e indicação de perito não se revestir das formalidades legalmente previstas. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. É legítima a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional. Não há que se falar de ilegitimidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. FRACIONAMENTO DAS ATIVIDADES. UTILIZAÇÃO DE EMPRESAS INTERPOSTAS. ABUSO DE FORMA. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. ADMINISTRAÇÃO ÚNICA E ATÍPICA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. PRINCÍPIO DA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 44 /2 01 0- 60 Fl. 1093DF CARF MF 2 PRIMAZIA DA REALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. O abuso de forma viola o direito e a fiscalização deve rejeitar o suposto planejamento tributário que nela se funda, cabendo a requalificação dos atos e fatos ocorridos, com base em sua substância, para a aplicação do dispositivo legal pertinente. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. A simulação pode configurarse quando as circunstâncias e evidências indicam a coexistência de empresas com regimes tributários favorecidos, perseguindo a mesma atividade econômica, com sócios ou administradores em comum e a utilização dos mesmos empregados, mesmos meios de produção mesmas instalações físicas, implicando confusão patrimonial e gestão empresarial atípica. O fracionamento das atividades empresariais, mediante a utilização de mão de obra existente em empresas interpostas, sendo estas desprovidas de autonomia operacional, administrativa e financeira, para usufruir artificial e indevidamente dos benefícios do regime de tributação do Simples Nacional, viola a legislação tributária, cabendo então a partir de inúmeras e sólidas evidências a desconsideração daquela prestação de serviços formalmente constituída. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. DECRETO REGULAMENTADOR. CONSTITUCIONALIDADE. STF. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É constitucional a contribuição ao SAT, vez que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico. Os sucessivos decretos presidenciais detêm plena legitimidade constitucional, no ponto em que respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave). Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 102 3 O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RECOLHIMENTOS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO SIMPLES. DEDUÇÃO DO LANÇAMENTO EM FACE DE TERCEIRO. APURAÇÃO DO RESULTADO CONTÁBIL E FISCAL. REPERCUSSÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para dedução dos valores recolhidos por optantes do Simples a título de contribuições previdenciárias em face de lançamento constituído em desfavor de terceiro (empresa contratante), sujeito passivo da obrigação principal, quando tais recolhimentos dizem respeito a empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples), com repercussão na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado por terceiro (empresa contratante). CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO (SAT/RAT/GIILRAT). EXIGÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1095DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso, vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior, que lhe deram provimento parcial, para abater do lançamento os valores recolhidos nas empresas do Simples relativos à contribuição previdenciária. Votou pelas conclusões o conselheiro Maurício Nogueira Righetti. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 103 5 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de efls. 951/1074 em face do Acórdão n. 10 40.976 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) DRJ/POA (efls. 907/946), que julgou improcedente a impugnação de efls. 550/690 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 consolidado no valor total de R$ 1.102.266,17 na data de 09/11/2010 Período de Apuração: 01/2007 a 12/2009 ciência do contribuinte em 18/11/2010 (efls. 02/49) com fulcro em descumprimento de obrigação principal vinculada a contribuições destinadas à Seguridade Social (Patronal e GIILRAT TERCEIRIZAÇÃO), no que diz respeito, especificamente, à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e também à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 72/96. A Recorrente foi regularmente cientificada do AI DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) em 18/11/2010, e, irresignada, apresentou a impugnação de efls. 550/690. O crédito tributário de natureza previdenciária no AI DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) foi mantido no julgamento de primeiro grau, nos termos do Acórdão n. 1040.976 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 907/946, que sumarizou seu entendimento conforme ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.274.4052 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES A CARGO DA EMPRESA. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PERÍCIA. MULTA DE MORA E DE OFÍCIO. JUROS. GILRAT. O Auto de Infração que observa o regramento administrativo próprio à espécie não gera a nulidade do lançamento. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo, possibilitando que este exerça plenamente o seu direito à defesa. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que formal ou documentalmente possam oferecer, ficando a empresa autuada, na condição de efetiva responsável pelo trabalho dos segurados que lhe prestaram Fl. 1097DF CARF MF 6 serviços através de empresa interposta, obrigada ao recolhimento das contribuições devidas. Não é vedado o planejamento tributário, mas a prática abusiva, como a simulação de relações entre empresas com objetivo claro de obter vantagens tributárias. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. A produção da prova pericial é indeferida quando o julgador administrativo a considerar prescindível. As multas de mora e de ofício definidas na legislação tributária não podem ser reduzidas ou dispensadas. Cabível a aplicação da multa qualificada quando constatado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses previstas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/1964. A utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. A Lei nº 8.212/91 definiu todos os elementos necessários à exigência do GILRAT, sendo que os decretos regulamentadores em nada a excederam. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 1040.976 (efls. 907/946) em 09/11/2012 (efls. 948/949), e, em 03/12/2012, interpôs o Recurso Voluntário de efls. 951/1074, guerreando contra a decisão a quo de forma total, conforme destaca na retrocitada peça recursal, esgrimindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados na impugnação de efls. 550/690, abaixo resumidos: i) Inexistência de interposição de sociedades; ii) Inexistência de grupo econômico; iii) Isenção legal da divisão de lucros nos exercícios 2008 e 2009; iv) Inaplicabilidade do art. 201, II, do RPS face a imunidade veiculada no art. 7°., XI, da CF; v) Isenção legal Lei n. 8.212/91; vi) Regularidade da terceirização falta de lei que defina atividadefim; vii) Competência da Justiça do Trabalho não aplicação na matéria fiscal; viii) Competência da Justição do Trabalho para declarar a existência de vínculo empregatício; ix) Inexistência de pessoalidade na prestação de serviços (terceirização); Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 104 7 x) Inexistência de subordinação; xi) Excesso de cobrança tributária; xii) Despesas consideradas como salário são, de fato, efetivos ressarcimentos; xiii) Inaplicabilidade do Direito do Trabalho na esfera do Direito Tributário; xiv) Inaplicabilidade do princípio da primazia da realidade para constituição de créditos previdenciários; xv) Inaplicabilidade do art. 126, III, do CTN ao caso concreto; xvi) Inaplicabilidade do art. 9°. e 444 da CLT ao caso concreto; xvii) Inversão do ônus da prova; xviii) Dilação probatória (perícia técnica); xix) Inexistência de simulação; xx) Inexistência de fraude; xxi) Inexistência de conluio; xxii) Inaplicabilidade da multa majorada; xxiii) Proibição de confisco e observância ao princípio da capacidade contributiva; xxiv) Não incidência de juros e atualização monetária sobre as multas aplicadas; xxv) Limite dos juros em 1% a.m; xxvi) Inconstitucionalidade na cobrança e exigência das contribuições de fundações e terceiros; xxvii) Inconstitucionalidade da exigência da contribuição denominada atualmente de GIILRAT. Este processo é raiz dos processos n. 11065.003140/201081; n. 11065.003145/201012; e n. 11065.003146/201059, em apenso, consoante informado à efl. 897. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1099DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 951/1074) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, o Recurso Voluntário de efls. 951/1074 guerreia contra o Acórdão n. 1040.976 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) efls. 907/946 , que julgou improcedente a impugnação de efls. 550/690 e manteve o crédito tributário constituído pelo lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052, que teve como objeto o descumprimento de obrigação principal referente a contribuições destinadas à Seguridade Social (Patronal e GIILRAT TERCEIRIZAÇÃO), conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 72/96. É oportuno esclarecer que o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49), em litígio, é parte de uma ação fiscal que deu origem à lavratura dos Autos de Infração infra discriminados: Neste processo a discussão está restrita às contribuições vinculadas às remunerações e folha de pagamentos da Recorrente (contribuinte fiscalizado) referentes aos levantamentos: L6 e L62 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS IBS; L7 e L72 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL IBS; L8 e L82 REMUNERAÇÃO EMPREGADOS IM; e L9 e L92 REMUNERAÇÃO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL IM, consignados no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49), que dizem respeito à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT), incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados e também à contribuição previdenciária patronal destinada à Seguridade Social incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Isto posto, passo ao julgamento, adotando a metodologia utilizada pela DRJ/POA quanto à compartimentação dos tópicos, de forma a racionalizar a abordagem dos questionamentos trazidos pela Recorrente, tendo em vista a pulverização e amplitude dos pedidos no Recurso Voluntário de efls. 951/1074. Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 105 9 De plano, é oportuno destacar que não serão apreciadas quaisquer alegações da Recorrente referentes à ilegalidade/inconstitucionalidade, vez que falece competência ao julgador administrativo para tal mister. Com efeito, assim informa o enunciado de Súmula CARF n. 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O enunciado acima alinhase ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) Inicia a Recorrente, na peça recursal de efls. 951/1074, o enfrentamento quanto à inexistência de interposição de sociedades e/ou grupo econômico, bem assim de simulação. Na verdade, a autoridade lançadora não caracterizou grupo econômico, mas, sim, concluiu pela ocorrência de simulação na contratação dos serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas terceirizadas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. Com efeito, assim informa a decisão recorrida: "O Relatório Fiscal (fls. 72/96) afirma que os supostos serviços de industrialização por encomenda representam, de fato, os custos relativos à própria folha de pagamento da Saturno e que a IBS e a IM constituemse em empresas interpostas utilizadas pela autuada para contratar segurados com redução de encargos tributários. [...] Cumpre esclarecer que não se trata de caracterização de grupo econômico. Segundo a fiscalização, as três pessoas jurídicas empreenderam verdadeira simulação nacondução de seus negócios. Tratase de uma empresa que obteve a redução da carga tributária,na medida em que as outras IBS e IM encontravam se inseridas no regime de tributação Simples. Não houve a responsabilização solidária das empresas envolvidas. O relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito é esclarecedor e atesta neste sentido, na medida em que não faz referência ao fundamento legal que trata da solidariedade art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91 (fls. 46/48). Ademais, observase também que o crédito foi lançado somente contra a empresa Saturno, por ser a detentora de fato de toda a mãodeobra." No curso da ação fiscal, a autoridade lançadora constatou diversas situações e circunstâncias fáticas, devidamente consignadas no Relatório Fiscal (efls. 72/96), que respaldam a ocorrência de simulação consubstanciada na utilização, pela empresa Balanças Fl. 1101DF CARF MF 10 Saturno S/A, das empresas IBS Indústria de Balanças e Serviços Ltda. e IM Indústria Mecânica Ltda. na condição de interpostas, com o fito de reduzir os encargos tributários previdenciários, usufruindo dos benefícios do regime de tributação Simples, mediante vinculação dos segurados empregados e contribuintes individuais destas últimas (IBS e IM) à primeira (Saturno). Nesse sentido, assim esclarece a DRJ/POA, no Acórdão n. 1040.976 (efls. 907/946): "No caso, ocorreu uma "contratação" simulada, pela empresa Balanças Saturno S/A, de serviços de industrialização por encomenda das empresas terceirizadas IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda e IM – Indústria Mecânica Ltda, em lugar dos seus próprios funcionários. E com a adoção deste procedimento a Saturno estaria obtendo o beneficio do ingresso de sua mãodeobra no sistema de tributação Simples, reduzindo por conseguinte sua carga tributária previdenciária e ainda usufruindo do beneficio do creditamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente a esses serviços de industrialização por encomenda, os quais são insumos que geram direito a crédito quando contratados com pessoa jurídica. (item 3.8.3 do Relatório Fiscal, fls. 86/87). [...] Os fatos concernentes à relação verificada entre a impugnante (Saturno) e as empresas IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda, CNPJ n° 88.979.067/0001 60 e IM – Indústria Mecância Ltda, CNPJ N° 93.533.172/000101 estão detalhados no Relatório Fiscal, às fls. 72/94 dos autos, tendo sido apurados a partir da análise dos documentos disponibilizados pelas empresas e visita aos seus estabelecimentos, podendo ser assim sintetizados: • as três empresas – Balanças Saturno S.A, IBS – Indústria de Balanças e Serviços Ltda e IM – Indústria Mecânica Ltda tem objetivos sociais coincidentes, dedicando se à fabricação e assistência técnica de balanças industriais e comerciais, bem como ao comércio de balanças em geral e estão localizadas, de fato, no mesmo endereço Rua Major Sezefredo, 155, prédio 01, Bairro Vila Rosa, Canoas/RS. É lá que se encontra a estrutura administrativa e operacional e onde foram entregues as intimações fiscais e solicitações de documentos das três empresas. Os endereços constantes para as empresas IBS e IM são relativos a duas salas comerciais (Rua Tamoio, 1978, salas 102 e 103, Canoas/RS) que permaneceram fechadas no período de 2006 a 09/2010, sem nenhum movimento de pessoas, segundo afirmou testemunha entrevistada pela fiscalização e identificada no Relatório Fiscal; • através de visita às instalações da empresa a fiscalização constatou que não existe separação física ou distinção entre os empregados da Saturno e os da IBS ou IM. Há um único relógio ponto, onde todos, sem distinção, registram suas entradas e saídas, e cujo controle é realizado pela Saturno; • em termos de cargos, comparativamente – constam empregados exercendo atividades em funções equivalentes e/ou similares nas três empresas; • despesas incorridas por sócios e empregados das empresas IBS e IM foram contabilizadas na Saturno; • despesas e custo de todo o parque fabril e comercial localizado na Rua Major Sezefredo, 155, prédio 1 são suportados integralmente pela empresa Saturno; • as empresas IBS e IM produziram de forma cativa para a Saturno em todo o período auditado, de 01/2007 a 12/2009, ou seja, operaram em regime de exclusividade, participando de uma ou mais fases do processo industrial; • as empresas IBS e IM atuam e fornecem mãodeobra na execução dos serviços essenciais da empresa autuada, ou seja, aquela que constitui o seu objeto principal; Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 106 11 • as empresas IBS e IM têm total dependência econômica em relação à Saturno. Executam seus serviços exclusivamente para a tomadora, necessitando de repasses contínuos e permanentes de recursos financeiros; • as empresas IBS e IM apresentam domicílio fiscal diverso mas operam, de fato, em instalações dentro do parque fabril da Saturno. A planta industrial onde estão situadas as empresas não possui separação física; • as empresas IBS e IM são comandadas por pessoas ligadas por laços familiares e/ou antigos funcionários da Saturno; • despesas operacionais (água, luz, telefone, aluguéis de máquinas e equipamentos, aluguel de imóvel, fretes), que seriam de responsabilidade das empresas IBS e IM são suportados integralmente pela Saturno; • a Saturno paga e escritura como suas, despesas incorridas por empregados e sócios das terceirizadas – IBS e IM (Viagens/Representações, Comissões/Representantes); • as empresas IBS e IM utilizam, além das instalações da Saturno, também suas máquinas e equipamentos, sem desembolsarem qualquer pagamento; • IBS e IM, mesmo não possuindo escrituração relativa a custo com Materiais e/ou Matérias Primas, bem como com estoques, possuem no seu quadro de funcionários, empregados com as funções e cargos de almoxarifes e auxiliares de almoxarifado, empregados estes executando estas atividades no almoxarifado e junto aos empregados da autuada. Materiais e/ou matérias primas, bem como seus estoques, são encontrados na contabilidade da Saturno; • existe uma relação estreita entre os acionistas da Saturno e os sócios da IBS e IM; • Saturno, IBS e IM têm as suas escriturações contábil e fiscal executadas pela mesma empresa, MLC Associados Ltda Contabilidade e Assessoria, sendo o contador, Luiz Carlos Anflor Schmidt, CRCRS 004372/00, sócio da empresa MLC Associados, procurador da empresa IM; • atividades financeiras e administrativas, como por exemplo, o RH Recursos Humanos, são de responsabilidade da Saturno, sendo a Coordenadora de RH, a Sra. Letícia de Moraes, CPF n° 754.717.87072, empregada da Saturno. No período de 04/2009 a 12/2009, a mesma era registrada como empregada da IBS, e realizava lá as mesmas atividades; • a rede mundial de computadores noticia somente o website da Saturno. Em relação às empresas IBS e IM há somente links que direcionam para o sítio da Saturno, ou seja, www.saturno.ind.br. Estes links indicam o endereço e o número de telefone da Saturno; • os empregados das empresas IBS e IM ocupam e exercem suas atividades lado a lado com os empregados da Saturno, sem nenhuma diferenciação. Uniformes quando usados, possuem todos um único logotipo da "Balanças Saturno". O registro de entrada e saída é realizado num único "relógio ponto" e controlado pelo RH da fiscalizada; • a empresa Saturno realiza serviços de assistência técnica a outras empresas, utilizandose de empregados da IM e IBS, fato demonstrado na sua contabilidade." As situações e circunstâncias fáticas supra relatadas, minuciosamente detalhadas e comprovadas no Relatório Fiscal (efls. 72/96), bem assim abordadas na decisão recorrida às efls. 910/912, afastam quaisquer dúvidas quanto ao liame que vincula as empresas Fl. 1103DF CARF MF 12 citadas, que, na verdade, tratamse de uma única empresa e não três como aparentam ser, mediante simulação de terceirização que desmembrou atividades. Nesse contexto, resta caracterizada a simulação e não planejamento tributário como pretende a Recorrente, impondose a desconsideração da relação meramente formal constatada pela autoridade lançadora, privilegiandose a real vinculação da Recorrente (Balanças Saturno S/A) com os trabalhadores que lhe prestaram serviços, não obstante o registro laboral junto às empresas aparentemente "terceirizadas". Com efeito, respaldada na legislação, não há óbice para que a autoridade lançadora desconsidere a existência de certos negócios ou situações jurídicas, formalmente existentes entre os trabalhadores das empresas envolvidas, vez que os arts. 114, 116 e 149 do CTN permitem a busca da realidade subjacente a quaisquer formalidades jurídicas, com fulcro na constatação concreta e material da situação legalmente necessária à ocorrência do fato gerador, culminando com o poder de requalificar o negócio aparente entre as três empresas em tela, visando à apuração e cobrança do tributo efetivamente devido. Não há nesse ato nenhuma violação dos princípios da legalidade ou da tipicidade, nem de cerceamento de defesa, pois o conhecimento dos atos materiais e processuais pela Recorrente e o seu direito ao contraditório estiveram plenamente assegurados. Fundase a argumentação da Recorrente no fato de a autoridade lançadora ter tratado como ilícitos atos que, no seu entendimento, caracterizamse elisão fiscal e não evasão fiscal. De fato, é cediço que é tênue linha que distingue o direito legítimo do contribuinte de organizar a sua empresa, com base na livre e na autonomia negocial, do poder do EstadoFiscal considerar tais disposições ineficazes, a partir de pressupostos fáticos lastreados em fraude, abuso de forma e simulações. É oportuna a definição de simulação, na seara tributária, conferida pela jurisprudência do TRF4 e STJ, nos julgados sumarizados nas ementas abaixo reproduzidas: "INCORPORAÇÃO. AUTUAÇÃO. ELISÃO E EVASÃO FISCAL. LIMITES. SIMULAÇÃO.EXIGIBILIDADE DO DÉBITO. 1. Dáse a elisão fiscal quando, por meios lícitos e diretos o contribuinte planeja evitar ou minimizar a tributação. Esse planejamento se fundamenta na liberdade que possui de gerir suas atividades e seus negócios em busca da menor onerosidade tributária possível, dentro da zona de licitude que o ordenamento jurídico lhe assegura. 2. Tal liberdade é possível apenas anteriormente à ocorrência do fato gerador, pois, uma vez ocorrido este, surge a obrigação tributária. 3. A elisão tributária, todavia, não se confunde com a evasão fiscal, na qual o contribuinte utiliza meios ilícitos para reduzir a carga tributária após a ocorrência do fato gerador. 4. Admitese a elisão fiscal quando não houver simulação do contribuinte. Contudo, quando o contribuinte lança mão de meios indiretos para tanto, há simulação. 5. Economicamente inviável a operação de incorporação procedida (da superavitária pela deficitária), é legal a autuação. 6. Tanto em razão social, como em estabelecimento, em funcionários e em conselho de administração, a situação final após a incorporação manteve as condições e a organização anterior da incorporada, restando demonstrado claramente que, de fato, esta "absorveu" a deficitária, e não o contrário, tendose formalizado o inverso apenas a fim de serem aproveitados os prejuízos fiscais da empresa deficitária, que não poderiam ter sido considerados caso tivesse sido ela a incorporada, e não a incorporadora, restando evidenciada, portanto, a simulação. 7. Não há fraude no caso: a incorporação não se deu mediante fraude ao fisco, já que na operação não se pretendeu enganar, ocultar, iludir, dificultando ou mesmo tornando impossível a atuação fiscal, já Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 107 13 que houve ampla publicidade dos atos, inclusive com registro nos órgãos competentes. 8. Inviável economicamente a operação de incorporação procedida, tendo em vista que a aludida incorporadora existia apenas juridicamente, mas não mais economicamente, tendo servido apenas de "fachada" para a operação, a fim de serem aproveitados seus prejuízos fiscais cujo aproveitamento a lei expressamente vedava. 9. Uma vez reconhecida a simulação deve o juiz fazer prevalecer as conseqüências do ato simulado no caso, a incorporação da superavitária pela deficitária, conseqüentemente incidindo o tributo na forma do regulamento não havendo falar em inexigibilidade do crédito, razão pela qual a manutenção da decisão que denegou a antecipação de tutela pretendida se impõe. (grifei) (TRF4 AG: 44424 RS 2004.04.01.0444240, Relator: DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, Data de Julgamento: 30/11/2004, SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJ 26/01/2005 PÁGINA: 430)" (grifei) "PROCESSUAL CIVIL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. MULTA DO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INAPLICABILIDADE. INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS. REDUÇÃO DA CSSL DEVIDA. SIMULAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 98/STJ. 1. Hipótese em que se discute compensação de prejuízos para fins de redução da Contribuição Social sobre Lucro Líquido CSSL devida pela contribuinte. 2. A empresa Supremo Industrial e Comercial Ltda. formalmente incorporou Suprarroz S/A (posteriormente incorporada pela Recorrente). Aquela acumulava prejuízos (era deficitária, segundo o TRF), enquanto esta era empresa financeiramente saudável. 3. O Tribunal de origem entendeu que houve simulação, pois, em realidade, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. A distinção é relevante, pois, neste caso (incorporação da Supremo pela Suprarroz), seria impossível a compensação de prejuízos realizada, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. 4. A solução integral da lide, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 5. Não há controvérsia quanto à legislação federal. 6. A contribuinte concorda que a incorporadora não pode compensar prejuízos acumulados pela incorporada, para reduzir a base de cálculo da CSSL, nos termos do art. 33 do DL 2.341/1987. Defende que a empresa com prejuízos acumulados (Supremo) é, efetivamente, a incorporadora. 7. O Tribunal de origem, por seu turno, não afasta a possibilidade, em tese, de uma empresa deficitária incorporar entidade financeiramente sólida. Apenas, ao apreciar as peculiaridades do caso concreto, entendeu que isso não ocorreu. 8. Tampouco se discute que, em caso de simulação, "é nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma" (art. 167, caput, do CC). 9. A regularidade formal da incorporação também é reconhecida pelo TRF. 10. A controvérsia é estritamente fática: a Recorrente defende que houve, efetivamente, a incorporação da Suprarroz (empresa financeiramente sólida) pela Supremo (empresa deficitária); o TRF, entretanto, entendeu que houve simulação, pois, de fato, foi a Suprarroz que incorporou a Supremo. 11. Para chegar à conclusão de que houve simulação, o Tribunal de origem apreciou cuidadosa e aprofundadamente os balanços e demonstrativos de Supremo e Suprarroz, a configuração societária superveniente, a composição do conselho de administração e as operações comerciais realizadas pela empresa resultante da incorporação. Concluiu, peremptoriamente, pela inviabilidade econômica da operação simulada. 12. Rever esse entendimento exigiria a análise de todo o arcabouço fático apreciado pelo Tribunal de origem e adotado no acórdão recorrido, o que é inviável em Recurso Especial, nos termos da Súmula 7/STJ. 13. Aclaratórios opostos com o expresso intuito de prequestionamento não dão ensejo à aplicação da multa prevista no art. 538, Fl. 1105DF CARF MF 14 parágrafo único, do CPC, que deve ser afastada (Súmula 98/STJ). 14. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (STJ REsp: 946707 RS 2007/00926564, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 25/08/2009, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: > DJe 31/08/2009)" No caso concreto, a autoridade lançadora, para fins tributários, deu prevalência à essência sobre a forma, em razão da utilização dos trabalhadores das empresas IBS e IM de forma interposta, com vistas ao fracionamento dos respectivos faturamentos e consequente redução das contribuições previdenciárias a recolher, haja vista a opção das empresas IBS e IM pelo regime de tributação Simples. A valoração jurídica das situações e circunstâncias fáticas efetuada pela Fiscalização da RFB, e corroborada pela decisão recorrida, revela posição avançada sobre o conteúdo do conceito jurídico de simulação previsto no art. 167 do Código Civil Lei n. 10.406/2002. Restou evidenciado, no caso em tela, o confronto da visão globalizante, material e causalista em face da tradicional visão formalista e voluntarista de simulação sustentada pelo Recorrente. Nessa perspectiva, prevaleceu o conceito amplo de simulação, que, na sua essência, privilegia aspectos econômicos e operacionais, na medida em que a autoridade lançadora examinou, no caso em apreço, a causa concreta dos negócios, comparandoa com a causa típica ou a finalidade prática para a qual os negócios jurídicos foram engendrados pelo ordenamento jurídico, avaliando as operações em sua totalidade com o fito de aferir o quanto artificiosos e ausentes de substrato jurídico efetivo podem ter sido os atos e os negócios jurídicos praticados pelas empresas Saturno, IBS e IM. É oportuno repisar que a Recorrente não faz acompanhar do Recurso Voluntário de efls. 951/1074 conjunto probatório suficiente a ilidir as situações e circunstâncias fáticas que caracterizam a simulação em apreço, instituto previsto no art. 167 do Código Civil (Lei n. 10.406/2002). Por sua vez, o Direito Tributário, apesar de constituirse microssistema formado por um complexo conjunto de normas, não é hermético, nem indiferente aos demais ramos do Direito. Assim, nenhum óbice se opõe à autoridade lançadora buscar conceitos, definições e conteúdos em outros ramos do Direito visando a fortalecer a sua argumentação para fins da constituição do crédito tributário, com mais razão ainda quando o Direito em questão é fundamental à compreensão do suporte fático da hipótese de incidência tributária, conforme evidenciase nos autos o Enunciado TST 331 e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) DecretoLei n. 5.452/1943. No caso concreto, os dispositivos legais que respaldam o lançamento do crédito tributário consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) encontramse discriminados no Anexo FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO (FLD) efls. 41/43, com fulcro na Lei n. 8.212/91. Outrossim, o princípio da primazia da realidade ou da verdade real, não obstante a sua ampla aplicação na seara justrabalhista, não é incompatível com o Direito Tributário, como sugere o Recorrente. Bem ao contrário, mantém estreita vinculação com o princípio da verdade material, tão festejado na seara tributária. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 108 15 Com efeito, o princípio da primazia da realidade ou da realidade dos fatos visa à priorização da verdade real em face da verdade formal, enquanto que o princípio da verdade material busca a realidade dos fatos, conforme ocorrida. Como se observa, a proximidade conceitual e teleológica é óbvia, o que dispensa maiores ponderações. Não há previsão legal para apropriação dos valores recolhidos pelas empresas IBS e IM para fins de abatimento do crédito tributário em apreço, vez que o sujeito passivo da obrigação principal é a empresa Balanças Saturno S/A CNPJ 02.169.172/000119 e os recolhimentos em apreço não só dizem respeito a terceiros , empresas optantes por regime de tributação diverso (no caso concreto, Simples) , bem como repercutiram na apuração do resultado contábil e fiscal destas últimas, afastandose qualquer comunicação entre tais resultados com aquele apurado pela Recorrente. Quanto à dilação probatória e perícia técnica arguidas pela Recorrente na peça recursal de efls. 951/1074, cabe destacar que: i) o prazo para interposição de recurso voluntário, acompanhado do conjunto probatório, é de 30 (trinta) dias, conforme disposto no art. 15 do Decreto n. 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal. Tratase de prazo peremptório; ii) inexiste previsão legal para dilatação do prazo consoante solicitado pelo Recorrente; iii) a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvados os casos em que seja demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, ou refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pressupostos não demonstrados. Não sendo o caso dos autos, indeferese o pedido. É o que dispõe o art. 16, § 4°., do Decreto n. 70.235/72; iv) o pedido de perícia, conforme o art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, é facultado ao Recorrente, mas fica sujeito ao juízo do julgador decidir sobre a sua realização, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n. 70.235/1972). No caso concreto, a instância de piso entendeu por indeferir, vez que não atende aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, pois a impugnante deixou de apresentar os quesitos referentes aos exames desejados, o que resulta no seu indeferimento, e, além disso, não foram apresentados dados concretos que indicassem possíveis erros na apuração das contribuições lançadas; v) a indicação e nomeação de perito, apresentada em 07/02/2011, consubstanciada às efls. 898/901 não se amolda aos pressupostos do art. 16, IV, do Decreto n. 70.235/72, bem assim visa à verificação de documentos probatórios já apreciados pela Fiscalização, no que se torna despiciendo, e documentos que serão juntados, já alcançados pela preclusão, vez que todas as provas deveriam acompanhar o Recurso Voluntário de efls. 951/1074. Fl. 1107DF CARF MF 16 Isto posto, sigo o entendimento da DRJ/POA no sentido de considerar prescindível a perícia solicitada e indeferir o pedido do Recorrente neste ponto, a teor do art. 57, § 3°., do Anexo II do RICARF. É cediço que o ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, abrigados, inclusive, no Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105/2015), que àquele se aplica, ainda que subsidiariamente. Destarte, não resta dúvida de que no processo administrativo fiscal, para apuração e exigência do crédito tributário, inclusive em sede de lançamento de ofício, o autor é o Fisco e é deste o ônus de provar a ocorrência da hipótese de incidência tributária (fato gerador). No tocante à inversão do ônus da prova, suscitada pela Recorrente na peça recursal de efls. 951/1074, é oportuno destacar a presunção de legitimidade do ato administrativo, que tem natureza relativa. Essa presunção, como não poderia deixar de ser, não elide o dever do Fisco de comprovar a ocorrência do fato gerador, da incidência da hipótese tributária em face do caso concreto, bem assim das circunstâncias em que esta ocorreu, concretizouse. O lançamento do crédito tributário é ato administrativo vinculado e regido, dentre outros, pelos princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada, do que decorre a necessária e cabal demonstração da ocorrência dos fatos e motivos que àquele deram suporte, forte no art. 9°. do Decreto n. 70.235/72. Assim, da falta de comprovação do fato gerador deflui a invalidade do lançamento tributário, vez que não há no ordenamento jurídico pátrio norma jurídica que lhe imponha a presunção de legitimidade. No caso em tela, é farta a documentação acostada aos autos pela autoridade lançadora no sentido de fundamentar o lançamento em litígio, colhidas no curso da ação fiscal, oportunidade em que, frisese, foi concedido amplo direito de defesa e contraditório ao Recorrente, consubstanciados nos termos de intimação fiscal, consoante registrado às efls. 61/69; 97/547 e 701/894. Em sede de impugnação (efls. 550/690), a Recorrente trouxe ainda aos autos diversos documentos de efls. 701/894, inclusive solicitação de perícia (efls. 898/901), que foram devidamente apreciados pelo órgão julgador de primeira instância de forma exaustiva e minuciosa, nos termos do Acórdão n. 1040.976 (efls. 907/946). Todavia, todo o conjunto probatório ao qual a Recorrente se socorreu não se mostrou com força suficiente para elidir a existência dos fatos geradores de contribuições sociais para os quais não foram efetuados os recolhimentos devidos, conforme previsto na legislação previdenciária. Destarte, o lançamento consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49) tem suporte em provas suficientes da ocorrência da hipótese de incidência tributária, o que lhe confere muito mais do que apenas presunção de legitimidade, vez que os elementos probatórios opostos pela Recorrente não têm força bastante a ilidilo. Com relação à alegação da Recorrente em face da multa aplicada, é bastante elucidativo e suficiente o posicionamento da decisão recorrida, mais precisamente no tópico específico "Da Multa aplicada" efls. 940/943 do Acórdão n. 1040.976, verbis: Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 109 17 "Da Multa aplicada A impugnante insurgese ainda contra as multas aplicadas ao lançamento. Ora pede a aplicação da multa máxima de 75%. Ora alega que este percentual caracteriza confisco. Aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2008 a multa moratória era disciplinada pelo artigo 35, incisos I, II e III da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.876, de 26/11/1999, em percentuais que aumentavam conforme o momento do pagamento. Em 04/12/2008 foi publicada a Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, que alterou a legislação e acrescentou o artigo 35 A à Lei nº 8.212/1991, disciplinando as multas no lançamento de ofício, as quais então passaram a ser aplicadas nos termos do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, nas situações que envolvam falta de pagamento ou recolhimento e ausência ou inexatidão da declaração. Em razão da alteração na legislação previdenciária devem ser observados os termos do artigo 106, inciso II, alínea “c” da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional (CTN), que determina a aplicação da legislação menos severa ao contribuinte, comparandose a penalidade imposta pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (multa de mora de 24% somada à multa do AI 68 – apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores) e a imposta pela legislação superveniente (multa de ofício de 75%). O exame comparativo do valor das multas foi feito mês a mês pela fiscalização, aferindose matematicamente os valores por uma ou outra metodologia, contemplando, por competência, a penalidade mais branda. Portanto, a autoridade fiscal aplicou a legislação, respeitando o disposto na alínea “c”, inciso II, do art. 106 do CTN, ou seja, a multa mais benéfica ao contribuinte no período de 01/2007 a 11/2008. No período de 01/2007 a 11/2008 foi aplicada a multa de 24%, prevista na legislação vigente à época dos fatos geradores e disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/1999. No período de 12/2008 a 12/2009 foi aplicada a multa com base na legislação atual, ou seja, a multa no percentual de 75%, agravada, totalizando 150%, com suporte no artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pela Medida Provisória nº 449, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com o artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007. O artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1º da Lei nº 9.430/96 rezam, “in verbis”: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...]§ 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 1109DF CARF MF 18 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, supra referidos, estabelecem, “in verbis”: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O conceito de dolo encontrase estabelecido no artigo 18, inciso I, do DecretoLei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal, que define o crime doloso como aquele “em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. Em relação ao crime em que o agente quis o resultado, dizse que houve dolo direto; no tocante àquele em que o agente assumiu o risco de produzilo, dolo eventual. Na lição de Julio Fabbrini Mirabete (in Manual de direito penal. São Paulo, Atlas, 1990. 5ª edição. Vol. 1, págs. 138/139), “o Código Penal Brasileiro adotou a teoria da vontade quanto ao dolo direto e a teoria do assentimento ao conceituar o dolo eventual”. Pela teoria da vontade, concernente ao dolo direto, “age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. É necessário para a sua existência, portanto, a consciência da conduta e do resultado e que o agente a pratique voluntariamente”; pela teoria do assentimento, ou do consentimento, relativa ao dolo eventual, “faz parte do dolo a previsão do resultado a que o agente adere, não sendo necessário que ele o queira. Para a teoria em apreço, portanto, existe dolo simplesmente quando o agente consente em causar o resultado ao praticar a conduta”. No caso em tela, restou constatado que a impugnante utilizouse das empresas IBS e IM com a finalidade (dolo direto) de evitar ou reduzir o pagamento de tributos por meio da utilização de empresas interpostas. É o que se pode concluir à vista de todo o procedimento adotado pela impugnante, aqui considerado não só o estabelecimento de todas no mesmo local; a prestação de serviços de forma exclusiva da IBS e IM à Saturno (processo de industrialização); o pagamento de despesas da IBS e IM pela Saturno; o envio de aporte financeiro que a autuada fazia para a IBS e a IM além de todos os demais fatos amplamente noticiados. Há que se considerar também todos os procedimentos e informações prestados perante órgãos públicos – enquadramento cadastral adotado, contratos sociais, contrato de prestação de serviços, cadastros em órgãos públicos, folhas de salários, escrituração contábil independente, contratação de segurados feitas por cada uma das empresas – com vistas a manter a aparência de empresas independentes. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 110 19 Vislumbrase, no caso, a ocorrência de conluio (previsto no artigo 73 da Lei n.º 4.502/1964) entre as empresas Saturno, IBS e IM para a prática de fraude (definida no artigo 72 da Lei n.º 4.502/1964), consistente na contratação e pagamento de remuneração de trabalhadores através de empresas interpostas, com o objetivo de evitar o pagamento das contribuições devidas sobre a remuneração dos trabalhadores assim contratados; e de sonegação (definida no artigo 71, inciso I, da Lei n.º 4.502/1964), na medida em que todo o procedimento adotado pela impugnante e pelas empresas IBS e IM, inclusive no que respeita às informações prestadas pelo contribuinte, levou a Secretaria da Receita Federal do Brasil a acreditar que a impugnante estava em dia com suas obrigações tributárias, mascarando a situação irregular em que se encontrava, somente identificada após o trabalho de fiscalização. Uma vez preenchidos os requisitos estabelecidos no parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, cabe o aumento de multa previsto, razão pela qual mantémse a multa qualificada de 150% no lançamento, que não poderá ser reduzida, como quer a impugnante. Observese que não se está julgando se houve, ou não, a prática de crime, competência essa atribuída ao Poder Judiciário, mas tãosomente se foram preenchidos os requisitos estabelecidos em Lei, para a qualificação da multa. A conduta da impugnante, ao simular a contratação de trabalhadores por meio de empresas interpostas, considerando o conjunto de elementos trazidos aos autos, justifica a aplicação da multa de ofício qualificada. A multa, nos moldes exigidos no presente lançamento, foi calculada em consonância com a legislação que rege a matéria, não podendo a Administração Pública deixar de aplicála, por se tratar de ato vinculado e obrigatório. A aplicação da multa de mora calculada por atraso à taxa de 0,33% ao dia, limitada a 20% (artigo 61, §§1º e 2º da Lei nº 9.430, de 1996), como solicita a autuada, só deve incidir para os tributos vencidos e pagos antes do início do procedimento fiscal, hipótese que não se aplica aos autos. A legislação citada anteriormente também afasta a aplicação do percentual de 2% (dois por cento) previsto no Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei nº 8.078, de 1990, alterada pela Lei 9.298, de 1996). Não são aplicáveis as disposições do Código do Consumidor às relações jurídicotributárias, que têm natureza pública. Por todo o exposto e considerando o caráter irrelevável da multa e ainda, que não foi demonstrada pela autuada a existência de qualquer inconsistência na sua aplicação, mantémse as multas, nos percentuais aplicados. Os argumentos de que a multa aplicada fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade e que tem caráter confiscatório não são passíveis de reconhecimento na esfera administrativa, eis que o que determina a aplicação da multa é a legislação pertinente. A vedação constitucional ao confisco dirigese ao legislador, devendo este observá la no momento da elaboração da lei. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu, em razão de sua atividade vinculada e obrigatória, sendolhe defeso reduzila ou dispensála. A multa aplicada nos estritos limites previstos na legislação não caracteriza confisco e não ofende os princípios constitucionais invocados pela autuada, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de inconstitucionalidade da legislação vigente. Sendo fixada em lei, deve ser exigida sob pena de responsabilidade funcional." Fl. 1111DF CARF MF 20 É relevante destacar que a autoridade lançadora procedeu ao comparativo de multas (sistemática atual e anterior) previsto na Instrução Normativa RFB n. 971/2009 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14/2009, conforme informa a decisão recorrida, bem assim o Relatório Fiscal de efls. 72/96. A despeito da acusação da Recorrente, não houve aplicação de juros sobre as multas aplicadas, conforme bem destacado na decisão a quo com base no Discriminativo de Débitos (DD) efls. 07/27 e sim sobre o valor principal apurado. No tocante à aplicação do art. 161, 1°., do CTN que impõe a limitação dos juros em 1% ao mês , bem assim a exclusão da taxa SELIC, ambos alvo da irresignação do Recorrente, cabem as seguintes considerações: i) O art. 161, § 1°., do CTN não exclui a capitalização dos juros de mora; ii) A capitalização dos juros não é vedada em matéria tributária, bem como é legal a utilização da taxa SELIC; iii) O art. 161, § 1°., do CTN estabelece taxa de juros em caráter supletivo tão somente "se a lei não dispuser de modo diverso". Ocorre que, relativamente aos tributos federais, há lei tratando da matéria, de modo que não se aplica taxa de 1% a.m, mas, sim, a taxa SELIC; iv) Existe legislação específica fixando a taxa de juros a ser observada, tanto para todos os tributos, inclusive as contribuições sociais, conforme disposto no art. 84 da Lei n. 8.981/95; art. 13 da Lei n. 9.065/95; art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96, através da remissão ao seu art. 5°. É nesse sentido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ): "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. JUROS MORATÓRIOS. ATIVO SUFICIENTE PARA PAGAMENTO DO PRINCIPAL. 1. Está firmado no âmbito da 1ª Seção o entendimento da legitimidade da aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora sobre os débitos tributários para com a Fazenda Nacional, bem como, havendo lei estadual nesse sentido, também em relação a tributos cobrados pelos Estados [...]". (STJ, 1ª. Turma, REsp 1048710/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgamento 12/08/2008 DJe 21/08/2008). Não é diferente o posicionamento do CARF consolidado nos enunciados de Súmula CARF n. 4 e n. 5, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com relação à correção monetária sobre o valor da multa, verificase, da análise dos autos, que esta incidiu sobre o principal , conforme denunciado no Discriminativo de Débito (DD) efls. 07/27, destacandose que a atualização monetária para fins de correção de créditos tributários foi extinta a partir de janeiro de 1995. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 111 21 No tocante à cumulação de multa moratória e juros de mora, consoante questionamento da Recorrente, cabem as seguintes ponderações: i) a multa de mora encontra abrigo no art. 161 do CTN e tem como infração pressuposta , pura e simplesmente, o não pagamento do débito no respectivo vencimento; ii) os juros moratórios têm como objetivo a recomposição do valor do débito devido e não pago no vencimento, e são expressamente previstos no art. 61, § 3°., da Lei n. 9.430/96; iii) a multa de mora e os juros moratórios têm natureza e finalidades distintas, o que possibilita a cumulação e afasta a incidência de bis in idem. A Recorrente ilide a exigência da Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIILRAT), com fundamento na ausência de definição legal dos diferentes graus de riscos e do conceito de atividade preponderante, e que o Decreto n. 3.048/99 não se presta para suprir a omissão existente na Lei n. 8.212/91, sendo causa impeditiva para a que a contribuição seja considerada validamente instituída. Pois bem. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT) é prevista no art. 22, II da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 9.732/1998, que estabelece alíquotas de 1%, 2% ou 3% para a incidência da contribuição ao SAT/RAT, conforme o grau de risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. O Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n. 3.048/1999, no art. 202, define a atividade preponderante, para o enquadramento legal nos correspondentes graus de riscos das atividades desenvolvidas pelas empresas: Fl. 1113DF CARF MF 22 "Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o auto enquadramento em qualquer tempo. [...] § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). De plano, cabe espancar qualquer alegação de inconstitucionalidade, como pretende a Recorrente em sua peça recursal de efls. 951/1074, uma vez presente posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu a questão, no âmbito do RE 343.446/SC, pronunciandose pela constitucionalidade da contribuição ao SAT sob o Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 11065.003144/201060 Acórdão n.º 2402006.179 S2C4T2 Fl. 112 23 entendimento de que a lei dispôs sobre todos os aspectos da norma tributária impositiva e que não viola a legalidade tributária deixar ao Poder Executivo a complementação dos conceitos, devendo este, quando da regulamentação, atentar para o conteúdo da lei, sob pena de ilegalidade a ser objeto de controle específico. Desta forma, nesse mesmo julgamento, o Plenário do STF também proclamou a plena legitimidade constitucional dos sucessivos decretos presidenciais, no ponto em que – respeitando os elementos essenciais da obrigação tributária (fato gerador, base de cálculo e alíquotas), que foram definidos em sede legal – pormenorizaram, nos estritos limites da competência regulamentar atribuída ao Poder Executivo, as condições de enquadramento das empresas, tendo em vista os resultados estatísticos, em matéria de acidentes do trabalho, obtidos em função da natureza preponderante da atividade empresarial e do grau de risco dela resultante (risco leve, médio ou grave). Assim, o STF, ao confirmar a integral constitucionalidade dos diplomas normativos em questão (Lei n. 7.787/89, art. 3º, II, Lei n. 8.212/91, art. 22, II e § 3º, c/c a Lei n. 9.528/97) e dos sucessivos decretos presidenciais que os regulamentaram (Decreto n. 612/92, Decreto n. 2.173/97 e Decreto n. 3.048/99), acentuou que os atos estatais impugnados pelo sujeito passivo da contribuição social em referência não transgridem, formal ou materialmente, a Constituição da República, ressaltando inexistir, por isso mesmo, qualquer situação de ofensa aos postulados constitucionais da legalidade estrita (CF, art. 5º, II) e da tipicidade cerrada (CF, art. 150, I), bem assim às cláusulas constitucionais pertinentes à delegação legislativa (CF, arts. 2º e 68) e à igualdade em matéria tributária (CF, arts. 5º, “caput”, e 150, II). No bojo dessa decisão (RE 343.446/SC), resta evidenciado, ainda, que o tratamento dispensado a lançamentos de créditos tributários, nos moldes do consignado no Auto de Infração (AI) DEBCAD n. 37.274.4052 (efls. 02/49), não exige a edição de lei complementar (CF, art. 154, I), por não se registrar a hipótese inscrita no art. 195, § 4º, da CF/88, legitimandose, em conseqüência, a disciplina normativa do tema mediante legislação meramente ordinária. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (STF RE: 343446 SC, Relator: Min. CARLOS VELLOSO, Data de Julgamento: 20/03/2003, Tribunal Pleno, Data de Publicação: DJ 04042003 PP00040 EMENT VOL0210507 PP01388) (grifei) Fl. 1115DF CARF MF 24 Ainda que restassem dúvidas quanto à constitucionalidade da exigência da Contribuição do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho (GIILRAT), é relevante ressaltar a impossibilidade de reconhecêla no âmbito do processo administrativo fiscal, vez que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme o enunciado de Súmula CARF n. 2, já referido, alinhado ao disposto no art. 26A do Decreto n. 70.235/1972, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, concluindose, assim, que o CARF não detém competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, é procedente a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (GIILRAT). Nessa perspectiva, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 951/1074), e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1116DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.000293/2007-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-006.317
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITOS. INIDONEIDADE DE NOTAS FISCAIS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VITAPELLI LTDA. EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 02 93 /2 00 7- 67 Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803003.333, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. Não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 4 3 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444). Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão alegando divergência quanto à caracterização da inidoneidade de notas fiscais. Em suma, a Fazenda argumenta que: · a declaração de inaptidão não é requisito para que as notas fiscais sejam consideradas inidôneas, para efeitos tributários; · a emissão por pessoas jurídicas inexistentes de fato, por si só, já é suficiente para configurar a inidoneidade das notas fiscais; · esta caracterização de inidoneidade, assim como a decorrente da declaração de inaptidão, admite provas em contrário, especialmente a demonstração de ingresso dos insumos no estabelecimento, acompanhada dos pagamentos correspondentes. Como tais provas não foram apresentadas, os efeitos tributários da inidoneidade dos documentos fiscais atingem o contribuinte, na qualidade de beneficiária direta da utilização dos mesmos; · nesse sentido, mostrase plenamente correta a glosa efetuada pela fiscalização. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ao tomar ciência do Acórdão 3803003.333 e do despacho de admissibilidade do especial Fazendário, o sujeito passivo interpôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados. Apresentou também, nessa oportunidade, contrarrazões ao recurso da Fazenda, requerendo o não conhecimento do recurso ou a negativa de provimento ao mesmo, para manter a decisão recorrida na parte em que reverteu as glosas dos créditos referentes às aquisições de couro efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.316, de 20/02/2018, proferido no julgamento do processo 10835.003027/200427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 5 4 Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.316): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlos – eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. A decisão recorrida reconhece como idônea as notas fiscais emitidas por pessoa jurídica inexistente de fato, desde que a emissão tenha ocorrido antes da expedição de Ato Declaratório Executivo que declarou a inaptidão da pessoa jurídica. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma declara inidônea a nota fiscal emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, independentemente da expedição do referido Ato Declaratório Executivo. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." Do Mérito (...)1 "Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento quanto à possibilidade de aproveitamente de créditos da não cumulatividade da Cofins na situação fática que consta dos autos. No caso discute se no recurso especial da Fazenda Nacional, quanto a possibilidade de aproveitamento de créditos nas aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 3123/3209: (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 3131) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou das glosas dos créditos de aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato, pois seu entendimento foi vencido, não se aplicando na solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto encontrase no Acórdão 9303006.316 (processo 10835.003027/200427 paradigma). Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 6 5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 7 6 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1515, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1498/1531), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: (...) Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 8 7 Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/000164. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia Fl. 3142DF CARF MF Processo nº 15940.000293/200767 Acórdão n.º 9303006.317 CSRFT3 Fl. 9 8 A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anos calendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000626/2003-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
SIMPLES. LEI 9.317/96, ART. 9º, XIII. PROTÉTICO. ATIVIDADE VEDADA. LEI 6.710/1979.
A Lei nº 6.710/1979 exige a habilitação profissional e inscrição de protético no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária. Diante disso, a atividade amolda-se ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, sendo vedada a permanência no Simples.
Numero da decisão: 9101-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 SIMPLES. LEI 9.317/96, ART. 9º, XIII. PROTÉTICO. ATIVIDADE VEDADA. LEI 6.710/1979. A Lei nº 6.710/1979 exige a habilitação profissional e inscrição de protético no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária. Diante disso, a atividade amolda-se ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, sendo vedada a permanência no Simples.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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LEI 9.317/96, ART. 9º, XIII. PROTÉTICO. ATIVIDADE VEDADA. LEI 6.710/1979. A Lei nº 6.710/1979 exige a habilitação profissional e inscrição de protético no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária. Diante disso, a atividade amoldase ao artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, sendo vedada a permanência no Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 06 26 /2 00 3- 11 Fl. 162DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 180200.558, onde se cancelou exclusão ao SIMPLES perpetuada no âmbito da Lei 9.137/96, pela constatação de que a atividade de confecção de próteses dentárias não esta impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha à atividade da profissão regulamentada do dentista. A exclusão do Simples foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/JOA n°. 461.709, de 07.08.2003 (fls. 03), em virtude do exercício pela recorrente de atividade econômica vedada, pois relacionada com a prestação de serviços na área de saúde. A recorrente manifestou seu inconformismo com aquela decisão, afirmando ter absoluta convicção de que o seu objeto social (prestação de serviços de prótese dentária) pode se enquadrar nas atividades que permitem a tributação no regime do Simples. O Resultado da análise da SRS sustentou a ilegalidade da opção pelo Simples, com base no disposto no inciso XIII do artigo 9° da Lei n. 9317, de 1996. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ manteve a exclusão da contribuinte do Simples, sob o fundamento de que a lei veda que a atividade de prestação de serviços profissionais de dentista e assemelhados seja submetida ao regime do Simples. Apresentado Recurso Voluntário, a Turma a quo a ele deu provimento, conforme ementa abaixo: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microernpresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES PROTÉTICO A atividade de . Confecção de próteses dentárias não esta impedida de optar pelo Simples, pois não se assemelha à atividade da profissão regulamentada do dentista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. " Cientificada da decisão, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial de divergência alegando que não há como afastar a regra excludente prevista no inciso XIII do art. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 13982.000626/200311 Acórdão n.º 9101003.566 CSRFT1 Fl. 163 3 9º da Lei n° 9.317/96, uma vez que a atividade de protético exige habilitação profissional para seu exercício. O Recurso da Fazenda foi conhecido, conforme despacho de admissibilidade. Intimado do Recurso da Fazendo o contribuinte apresenta contrarrazões, pedindo o não provimento do recurso Fazendário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, eis que tempestivo e devidamente demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. Como relatado, o Ato Declaratório Executivo identificou como situação excludente do Simples o exercício de atividade econômica vedada, qual seja: atividades relacionadas com a atenção à saúde, fundamentado no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. À ocasião da ocorrência de fato identificado como causa para exclusão do Simples Federal (02/09/2000), vigia a Lei nº 9.317/1996, que prescrevia: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; O acórdão paradigma (nº 30239510) apresenta entendimento divergente, ao tratar da exigência legal para habilitação profissional, conforme Lei nº 6.710/1979. Esta Turma da CSRF, embora com composição distinta da atual, decidiu por manter o acórdão paradigma, conforme acórdão em julgamento do recurso especial, do qual se destaca a ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2004 Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. EXCLUSÃO. ATIVIDADE DE PROTÉTICO DENTÁRIO. Fl. 164DF CARF MF 4 À empresa que preste serviço de protético dentário é vedada a opção pela sistemática de tributação do Simples regulada pela Lei n° 9.317/96, por tratarse de serviço típico de profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, na forma da Lei n° 6.710/79 e do Decreto n° 87.689/82. Com efeito, a Lei nº 6.710/1979, que permanece em vigor até a presente data, exige a habilitação profissional e inscrição no Conselho Regional de Odontologia do Técnico em Prótese Dentária para exercício de sua atividade: Art. 1º O exercício da profissão de Técnico em Prótese Dentária, em todo o território nacional, fica sujeito ao disposto nesta Lei: Art. 2º São exigências para o exercício da profissão de que trata o art. 1º: I habilitação profissional, a nível de 2º grau, no Curso de Prótese Dentária; II inscrição no Conselho Regional de Odontologia, sob cuja jurisdição se encontrar o profissional a que se refere esta Lei. Parágrafo único. A exigência da habilitação profissional de que trata este artigo não se aplica aos que, até a data da publicação desta Lei, se encontravam legalmente autorizados ao exercício da profissão. Diante disso, sendo a atividade de Técnico em Prótese Dentária submetida à habilitação profissional, justificase a aplicação do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996, impedindose a permanência da contribuinte no Simples Federal. Por tais razões, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, para reforma do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000560/2004-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
Numero da decisão: 2402-006.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que o valor lançado seja ajustado de modo que a multa aplicada tome por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1999 ITR. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A entrega intempestiva da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR, antes de iniciado o procedimento fiscal, enseja o lançamento da multa por atraso aplicada sobre o valor do imposto devido informado na declaração, sendo indevida a exigência da referida multa sobre o imposto apurado de ofício que serviu de base para a multa do lançamento de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 60 /2 00 4- 27 Fl. 91DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para que o valor lançado seja ajustado de modo que a multa aplicada tome por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10240.000560/200427 Acórdão n.º 2402006.190 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado Auto de Infração para o lançamento de multa por atraso na apresentação da DITR/99, no valor principal de R$ 8.280,00, que corresponde a 18% (1% por mês em atraso) do ITR apurado para aquele exercício, na monta de R$ 46.000,00, relativo ao NIRF nº 5.663.0875. Regulamente intimado do lançamento, apresentou Impugnação, que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ. Em seu Recurso Voluntário de fls. 31/35, aduz, em resumo: 1 Que a multa por atraso deveria tomar como base de cálculo o valor declarado pelo próprio contribuinte em sua DITR/99, uma vez que o valor lançado de ofício, sobre o qual teria incidida a multa, ainda estaria com sua exigibilidade suspensa em função de recurso interposto tempestivamente. Assim, eventual lançamento deveria aguardar a definitividade daquele lançamento. 2 Que, se mantida a autuação do ITR, seja a multa cobrada do antigo proprietário, a teor do artigo 130 do CTN, parte final. Iniciado o julgamento do Recurso Voluntário em 20.05.2008, por meio da Resolução nº 30301431 os autos retornaram à unidade de origem para que se aguardasse a conclusão do processo 10240.000909/200340, que se reporta ao ITR/99, constituído de ofício. Às fls. 73/77, constam exame e reexame de admissibilidade de Recurso Especial interposto pelo autuado, relacionado àquele PAF 10240.000909/200340, por meio dos quais concluise pela negativa de seu seguimento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 13.12.2006 e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário em 03.01.2007. Observados os demais requisitos de admissibilidade, dele passo a conhecer. Retornado os autos a julgamento, pôdese notar o término da discussão administrativa no que se refere ao valor do ITR correspondente ao exercício 1999, quando então se concluiu, como se extrai da ementa colacionada no exame de admissibilidade mencionado alhures, por dar parcial provimento ao recurso voluntário do aqui recorrente. Confirase: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10240.000560/200427 Acórdão n.º 2402006.190 S2C4T2 Fl. 4 5 Não obstante, o que se discuti aqui é a base de cálculo da multa. Se o valor declarado pelo contribuinte na DITR apresentada em atraso; se o valor lançado pela fiscalização. O artigo 7º da Lei 9.393/96, ao tratar da entrega do DIAC fora do prazo, estabelece que será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. Ou seja, a redação, ao tratar da entrega extemporânea daquela declaração, conduz à percepção de que a base de cálculo para a incidência da multa é o valor devido lá declarado e não aquele que por ventura vier a ser apurado por meio de lançamento de oficio, que deve ser cobrada do recorrente, por força do artigo 130 do CTN, ante a não apresentação do título aquisitivo em seu nome. Reforçase que referida DITR apresentada em atraso foi transmitida em nome do recorrente, em 28.03.2001, cujo vencimento do prazo se deu em 30.09.1999, em data posterior a da lavratura da escritura de fls. 40/43. Registrese que para este último (valor lançado), há a previsão da multa de oficio a que alude o artigo 44 da Lei 9.430/96, a teor do § 2º do artigo 14 do diploma encimado 1. Nesse mesmo sentido, o acórdão 920205.163, da 2ª Turma da CSRF, a seguir ementado, por meio do qual, por unanimidade, decidiuse por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. No caso em exame, noto que a multa foi aplicada tomando por base o valor lançado nos autos do processo 10240.000909/200340. 1 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Fl. 95DF CARF MF 6 Frente ao exposto, voto por CONHECER do recurso e, no mérito, DARLHE PARCIAL provimento, para determinar o ajuste no valor lançado, tomando por base o valor declarado pelo contribuinte em sua DITR/DIAC. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722241/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 22 24 1/ 20 13 -0 9 Fl. 2165DF CARF MF Processo nº 13971.722241/201309 Resolução nº 1401000.521 S1C4T1 Fl. 2.166 2 Relatório. Foram apresentados embargos por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional em relação ao acórdão do recurso voluntário do processo em epígrafe em face de uma omissão e de uma contradição. Em relação à omissão foi alegado a ausência de pronunciamento no decisum relativamente à interposição do recurso de ofício por parte da delegacia de julgamento. Em relação à contradição, esta se referiria ao transcrito na ementa da decisão, conforme abaixo, mencionando a realização de tributação pelo lucro arbitrado quando toda a decisão trata no sentido contrário, qual seja, o de que foi desconsiderado o lucro arbitrado apurado e lançado o tributo pelo lucro real. ATIVIDADE DE SECURITIZAÇÃO, DESQUALIFICAÇÃO PARA ATIVIDADE DE FACTORING. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Comprovado que a securitização de créditos não era o objetivo principal da empresa dada a disparidade entre os valores de debêntures vendidos em mercado e os valores envolvidos nas operações da empresa, caracterizase a simulação com vistas a reduzir a incidência tributária. Correta a requalificação da atividade para a de factoring e o lançamento de autuação sob a forma de lucro arbitrado e seus reflexos. [...].2) Preliminar. Nulidade pela incorreta apuração dos valores devidos pelo cálculo na forma do Lucro Real, quando entende que deveria ter sido lançado pelo lucro arbitrado Nesta segunda preliminar, o recorrente entende que, com base na alegação da fiscalização que seria indevida a opção da empresa pelo lucro presumido, deveria ter a fiscalização realizado a apuração do IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Arbitrado. [...].[...].Do acima transcrito, entendo não haver necessidade da adição de mais elementos. Existindo escrituração regular e sendo possível a apuração do lucro real, assim deve ser feita a tributação dos resultados. Do exposto, voto por rejeitar também esta preliminar. Os embargos foram acolhidos para o saneamento das duas irregularidades. É o breve relatório. Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 13971.722241/201309 Resolução nº 1401000.521 S1C4T1 Fl. 2.167 3 Voto. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Ao iniciarmos o julgamento do presente processo fomos advertidos pelo patrono do contribuinte que não houve ciência ao mesmo acerca da não admissão dos embargos por ele apresentados em relação à decisão que julgou o recurso voluntário. Alega o recorrente que sequer foi cientificado da decisão que não admitiu os embargos por ele apresentados. Consultando o regimento interno do CARF, verificouse que a falta de ciência do despacho que não admitiu os embargos do contribuinte implica em descumprimento ao disposto no art. 65, § 4º, do Regimento Interno do CARF. Assim, sob pena de nulidade, há a necessidade de se sanear o presente processo, haja vista que não houve ciência ao contribuinte do referido despacho de inadmissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência no sentido de que seja dada ciência ao contribuinte no despacho de admissibilidade dos embargos, no qual foram inadmitidos os embargos por ele manejados e, após, retornese para prosseguimento. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 2167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.013178/2008-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88 - IRRF - RESTITUIÇÃO DE VALORES
O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
Numero da decisão: 2002-000.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88 - IRRF - RESTITUIÇÃO DE VALORES O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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REQUISITOS DA LEI Nº 7.713/88 IRRF RESTITUIÇÃO DE VALORES O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 01 31 78 /2 00 8- 95 Fl. 75DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL fls. 06 a 08 dos autos físicos, constando apenas a cópia do auto de infração juntado na impugnação do contribuinte, às efls. 08 a 12, relativa a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. Tais infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.677,21, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, à efl. 01 a 30 dos autos. A impugnação foi apreciada na 2ª Turma da DRJ/RJ2 que, por unanimidade, em 18/01/2011, no acórdão 1333.111, às efls. 43 a 45, julgou a impugnação totalmente procedente, extinguindo o crédito tributário. Contudo, o acórdão da DRJ, ao afastar a omissão de rendimentos e, posteriormente isentar os rendimentos auferidos comete equívoco no apontamento do valor de Importo de Renda Retido na Fonte passível de restituição pelo contribuinte. Recurso voluntário O contribuinte, mesmo com a procedência in totum de seu pedido pela DRJ, apresentou recurso voluntário, em 25/02/2011 às efls. 38 a 53, no qual alega, em resumo, que no acórdão, em que pese a DRJ tenha, por unanimidade, julgado procedente a impugnação apresentada, consta erro material, já que a decisão a quo entendeu: Quanto ao valor do IRRF fonte cabe manter o valor de R$1552,77 informado por meio da DIRF entregue pela PETROS englobando os valores recebidos desta fonte e do INSS. Em face do exposto, voto em julgar procedente a impugnação, devendo ser cancelado o credito tributário exigido , cabeendo ao interessado imposto a restituir no valor de R$1552,77. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 03/02/2011, efls. 48, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 25/02/2011, efls. 29, posto que dele conheço. Em que pese a decisão da DRJ tenha julgado à unanimidade a impugnação do apresentada, em um primeiro momento, pode parecer que o contribuinte carece de interesse Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10730.013178/200895 Acórdão n.º 2002000.031 S2C0T2 Fl. 64 3 recursal, pressuposto processual intrínseco e necessário para o conhecimento e apreciação do mérito do recurso. Pois bem. O objeto da autuação fiscal originária foi a omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica FUNDAÇÃO PETROBRÁS DE SEGURIDADE SOCIAL PETROS, no valor de R$109.265,32 e de compensação indevida no importe de R$1.552,69, relativo a IRRF retido pelo Instituto Nacional de Seguridade Social. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação informando que não houve omissão de rendimentos e que, por ser acometido de moléstia grave, atendidos os requisitos da Lei nº 7.713/88, gozaria do benefício da isenção de seus proventos oriundos de aposentadoria. De acordo com a DAA do contribuinte, às efls. 27, os rendimentos recebidos da PETROS foram declarados como rendimentos isentos e não tributáveis. A DRJ então, analisando o caso, entendeu por julgar totalmente procedente a impugnação do contribuinte, já que, de acordo com os atestados médicos oficiais apresentados, de fato o contribuinte enquadrase na regra isentiva. A decisão da DRJ ataca o auto de infração lavrado contra o contribuinte, não podendo inovar na matéria, sob pena de nulidade do acórdão. Assim, afastou o lançamento tributário. Logo a decisão assim procedeu: · afastou a omissão dos rendimentos recebidos da PETROS; · afastou a compensação indevida de IRRF retido pelo INSS; · Concedeu isenção aos rendimentos recebidos de ambas a fontes. A decisão, corretamente, fez menção expressa quanto a possibilidade de restituição de IRRF retido pelo INSS, já que valores especificados no lançamento tributário que delimitou a lide, no valor de R$ 1.552,77. Contudo, o acórdão foi silente quanto a possibilidade de restituição do IRRF retido pela PETROS, já que, afastada a omissão de rendimentos e concedida a isenção, a decorrência lógica da aplicação da regra isentiva é a possibilidade de restituição do IRRF retido pela PETROS, no valor de R$13.206,95, como informa o contribuinte. Assim, suprido o eventual questionamento de carência de interesse recursal por parte do contribuinte. Desta forma, dou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte para restituir o imposto de renda de R$ 1.552,77 retido pelo INSS e R$13.206,95 retidos pela PETROS. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.723642/2016-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, por maioria de votos rejeitou-se o pedido do patrono no sentido de que a diligência requerida pela turma julgadora abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018 (posteriormente à retirada de pauta do processo da reunião de abril e também após a publicação da pauta do mês de maio de 2018), vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por incluir no objeto da diligência a análise dos documentos em questão.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
ORIGINAL INDÚSTRIA COMÉRCIO NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ME, AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA, PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, IVO ANTÔNIO DALLA COSTA, MARCELO DALLA COSTA, IVANA DALLA COSTA, THIAGO DALLA COSTA e MAURÍCIO DALLA COSTA recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02-72.338 proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, afastando tão somente o vínculo de responsabilidade tributária (tributos e multas) atribuído pela Fiscalização às pessoas físicas.
Em razão da exclusão de sujeito passivo da relação jurídico-tributária em montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haja vista haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00.
Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, reproduzo o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final:
Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1290 a 1339, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 29.660.878,00, assim discriminado:
As infrações apuradas e seus respectivos enquadramentos legais foram descritos para o IRPJ a fls. 1295 a 1298 como segue:
Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentá-los.
Enquadramento Legal:
Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999:
Art. 530, inciso III, do RIR/99.
OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL
INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme itens 55 a 62 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração.
(...)
Enquadramento Legal
Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2014:
art. 3º da Lei nº 9.249/95.
Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99
RECEITAS DA ATIVIDADE
INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO, LOCAÇÃO OU CESSÃO DE BENS, IMÓVEIS, MÓVEIS E DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA
Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta mensal de prestação de serviços de locação de bens imóveis, conforme itens 39 a 41 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração.
(...)
Enquadramento Legal
Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2011 e 31/12/2014:
art. 3º da Lei nº 9.249/95.
Arts. 518 e 519, § 1º, inciso III, alínea "c", do RIR/99
OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL
INFRAÇÃO: GANHOS DE CAPITAL
Ganho de capital decorrente de operação de alienação de imóvel, não declarada, conforme demonstrado nos itens 45 a 54 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração.
(...)
Enquadramento Legal
Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2012 e 30/09/2012:
art. 3º da Lei nº 9.249/95.
Arts. 536 e 537 do RIR/99.
DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS
INFRAÇÃO: RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS
Rendimentos de aplicações financeiras não declarados, conforme demonstrado nos itens 42 a 44 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração.
(...)
Enquadramento Legal
Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2011 e 31/12/2014:
art. 3º da Lei nº 9.249/95.
Art. 536 do RIR/99
As infrações apuradas para os demais lançamentos foram retratadas para a CSLL a fls. 1307 a 1311, para a Cofins a fls. 1320 a 1321 e para o PIS a fls. 1332 a 1333.
Os Autos de Infração consignam ainda PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 80.170.376/0001-83; AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA., CNPJ 07.851.247/0001-60; THIAGO DALLA COSTA, CPF 050.774.399-74; IVANA DALLA COSTA, CPF 023.421.949-19; IVO ANTÔNIO DALLA COSTA, CPF 150.604.389-53; MARCELO DALLA COSTA, CPF 819.844.219-72 e MAURÍCIO DALLA COSTA, CPF 016.521.739-19, como responsáveis solidários pelo crédito tributário, apontando como motivação o seguinte:
[Palmali Ind. Alimentos e Agroindustrial Dalla Costa]
Empresa integrante do mesmo grupo econômico e que regularmente desviou recursos de suas atividades, para que o contribuinte autuado aplicasse, no mercado financeiro e no mercado imobiliário, em benefício de todo o grupo e dos sócios e familiares das empresas envolvidas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal L-086/2016.
[Thiago Dalla Costa e Ivana Dalla Costa]
Sócio-administrador da empresa fiscalizada, onde foram cometidas as irregularidades relatadas no Termo de Verificação Fiscal L-086/2016.
[Ivo Antônio Dalla Costa, Marcelo Dalla Costa e Maurício Dalla Costa]
Sócio-administrador da empresa integrante do mesmo grupo econômico, que regularmente desviou recursos de suas atividades, para que o contribuinte autuado aplicasse, no mercado financeiro e no mercado imobiliário, em benefício de todo o grupo e dos sócios e familiares das empresas envolvidas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal L-086/2016.
O procedimento fiscal e as conclusões que dele decorreram estão narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1228 a 1259, sintetizado a seguir.
Relata o autor do feito que a contribuinte foi inicialmente intimada, no curso de ação fiscal desenvolvida em empresa do mesmo grupo econômico e familiar a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA , a prestar esclarecimentos sobre transações que envolviam as duas empresas e a apresentar seus livros contábeis dos anos de 2011, 2012 e 2013.
Justifica a abertura de procedimento de fiscalização na autuada nos seguintes termos:
(...) em levantamento feito junto aos cartórios de registro de imóveis, para subsidiar o arrolamento de bens decorrente da ação fiscal desenvolvida na PALMALI - na qual o contribuinte foi responsabilizado pelo crédito tributário constituído - constatou-se a existência de mais de uma centena de imóveis de sua propriedade [da autuada], localizados em Curitiba e divididos em dois prédios recém concluídos.
Informa que, no Termo de Início de Ação Fiscal, foram requisitados os documentos e esclarecimentos abaixo:
a) Apresentar seus livros Diário e Razão dos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014;
b) Justificar a origem dos recursos utilizados na conclusão das unidades imobiliárias de sua propriedade, localizadas nos edifícios REAL PLAZA FLAT SERVICE e PRINCESS BETINA, ambos em Curitiba, cuja retomada da construção e conclusão se deu no período abrangido pela ação fiscal;
c) Justificar a origem dos recursos utilizados no pagamento dos apartamentos adquiridos, no período coberto pela ação fiscal, no Edifício REAL PLAZA FLAT SERVICE;
d) Apresentar documentos que comprovem o custo de aquisição do apartamento localizado no Edifício INFANTE DOM HENRIQUE, em Maringá, objeto de dação em pagamento ao Banco BVA S/A, no ano de 2012.
Conta que o Termo de Início foi complementado pela solicitação de apresentação dos extratos de contas bancárias dos anos de 2011 a 2014, não atendida pela contribuinte, que deixou de apresentar ainda seus livros contábeis, além das informações solicitadas no Termo de Início de Ação Fiscal.
Revela que, diante da omissão do sujeito passivo, emitiu a Requisição de Informações de Movimentação Financeira, para obtenção, junto aos estabelecimentos bancários, dos extratos de contas da empresa dos anos abrangidos pela ação fiscal. E, após análise dos documentos, intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos sobre a movimentação detectada. Afirma que a intimação foi mais uma vez ignorada.
Em seguida, discorre sobre as receitas declaradas pela empresa em DIPJ/ECF:
As receitas coincidem, nos anos de 2011, 2012 e 2013, com as despesas de aluguel contabilizadas pela PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, empresa pertencente ao mesmo grupo familiar e locatária do imóvel localizado em Palmas - PR, constante da matrícula 2949 do Cartório de Registro de Imóveis daquele município. No ano de 2014 a PALMALI inicialmente transmitiu ao Sistema Público de Escrituração Digital - SPED, um arquivo praticamente todo zerado, que não permitia conferir os valores dos alugueis pagos à ORIGINAL. Posteriormente, em 29/07/2016 a PALMALI substituiu aquele arquivo por outro, supostamente com sua movimentação completa. Neste arquivo, os alugueis pagos à ORIGINAL conferem exatamente com as receitas declaradas por esta, até o mês de julho de 2014. A partir de agosto, a PALMALI deixou de contabilizar qualquer despesa de aluguel relacionada com a ORIGINAL. No entanto, como os valores trimestrais são compatíveis com aqueles contabilizados nos meses de maio a julho/2014, podemos considerar que todas as receitas declaradas pela ORIGINAL têm esta origem.
Reproduz então as informações prestadas pela empresa para esclarecer a origem dos recursos utilizados na compra de imóvel localizado em Palmas, adquirido por R$ 3.177.000,00:
A origem dos recursos para compra do imóvel decorre de alugueis da empresa, já que o seu objeto social é a administração de bens próprios, compra e venda, incorporação imobiliária e locação de imóveis próprios.
Sobre tal afirmativa, tece as seguintes considerações:
a) O imóvel era de propriedade da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS, empresa de propriedade de IVO ANTONIO DALLA COSTA, pai dos sócios da empresa fiscalizada, THIAGO DALLA COSTA e IVANA DALLA COSTA.
b) Em 08/04/2005 este imóvel foi penhorado em execução movida pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, nos autos do executivo fiscal 05/99 da Vara Cível de Palmas.
c) O imóvel foi a leilão, sendo arrematado em segunda praça, realizada em 26/07/2007, pela Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural - CODAL, pelo valor de R$ 2.640.000,00, a ser pago em 60 parcelas mensais e sucessivas de R$ 44.000,00, corrigidas pela taxa Selic. Pelos termos da carta de arrematação, o imóvel foi transferido para a CODAL, gravado com hipoteca em favor do INSS, conforme R.2 da Matrícula 2949.
d) Logo em seguida, em 10/10/2007, os direitos da arrematação foram repassados pela CODAL para a ORIGINAL, que assumiu o compromisso de efetuar todos os pagamentos.
e) Posteriormente, em 04/04/2012, sem que houvesse sido levantada a hipoteca em favor do INSS - o que até a data da certidão obtida em cartório, 23/10/2015, não havia acontecido - a CODAL lavrou escritura transferindo o imóvel para a ORIGINAL.
E conclui que:
a) Na arrematação do imóvel, em 26/07/2007, a CODAL serviu de mera intermediária para arrematar um imóvel pertencente à PALMALI, objeto de execução fiscal por dívidas previdenciárias, e em seguida repassá-lo para a ORIGINAL, empresa de familiares do proprietário da PALMALI, que nunca deixou de utilizar o referido imóvel. Isto caracteriza uma evidente fraude à execução.
b) As receitas de alugueis contabilizadas pela ORIGINAL, nunca foram suficientes para pagar as parcelas da arrematação feita pela CODAL e assumidas pela ORIGINAL. Em 2011 a ORIGINAL declarou receitas mensais de R$ 20.000,00, quando a prestação mensal assumida pela compra do imóvel era R$ 44.000,00 mais variação acumulada da Selic. E, nos anos anteriores a 2011, tais receitas sempre foram ainda menores, sendo que em 2007 - ano da compra - e 2008 a ORIGINAL simplesmente não declarou receita alguma.
Salienta que, na ação fiscal realizada na PALMALI, constatou uma intensa movimentação financeira entre as duas empresas, com sucessivas transferências bancárias enviadas e recebidas pela PALMALI para a ORIGINAL e desta para a PALMALI, para apontar que tal fato também demonstra que, ou a ORIGINAL tinha outras receitas, ou funcionava como um "caixa dois" da PALMALI. Noticia que estas transferências foram verificadas também na contabilidade de outra empresa ligada, a AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA.
A respeito do levantamento de bens da empresa para garantia de crédito tributário registra que:
(...) como já mencionado anteriormente, na busca de bens para fins de arrolamento decorrente do crédito tributário constituído contra a PALMALI, além dos dois imóveis que a ORIGINAL informou possuir, constatamos a existência de nada menos que 123 (cento e vinte e três) imóveis localizados em dois edifícios em Curitiba, edifícios estes cujas obras iniciaram-se nas décadas de 1980/1990, ficaram paralisadas por muitos anos e foram retomadas e concluídas no período fiscalizado. Parte destes imóveis, embora integralizados ao capital da ORIGINAL, nunca foram registrados em seu nome no respectivo Cartório de Registro de Imóveis, permanecendo até hoje em nome dos antigos proprietários.
Conforme pesquisas feitas na internet, constatamos que estes dois edifícios em que a ORIGINAL possuía unidades imobiliárias - os edifícios REAL PLAZA FLAT SERVICE e PRINCESS BETINA - tiveram sua conclusão feita em regime de condomínio administrado pelos proprietários, entre os anos de 2012 e 2014. Então, diante da falta de atendimento às diversas intimação lavradas contra o contribuinte e da falta de apresentação de seus livros contábeis, procuramos obter mais evidências dos investimentos feitos pela ORIGINAL diretamente junto a estes condomínios.
Com relação ao REAL PLAZA FLAT SERVICE, o síndico do mesmo apresentou um demonstrativo dos investimentos feitos pela ORIGINAL nos anos de 2011 a 2014, que totalizaram R$ 2.805.328,53 (ver informações sobre o edifício, intimação e resposta nas fls. 814/826 do processo).
No entanto, com relação ao EDIFÍCIO PRINCESS BETINA, o síndico inicialmente ignorou as intimações enviadas. E, depois (...) alegou:
"1. O Edifício Princess Bettina, apenas em caráter visual apresenta estar terminado, atualmente não reúne condições de utilizações em razões dos seguintes motivos:
"a) Não tem ligação definitiva de Luz,
"b) Não tem ligação definitiva de água junto a Sanepar,
"c) Não tem contrato de manutenção de elevador,
"d) Não tem certidão de recolhimento do ISS junto a Prefeitura,
"e) Possui uma dívida de IPTU superando a casa dos R$ 300.000,00.
"Em razão dos problemas acima o Edifício não consegue o C.V.C.O (Certificado e Vistoria e Conclusão de Obras) e, portanto, não pode ser habitado."
Destaca que os extratos bancários obtidos junto às duas instituições financeiras onde a empresa mantinha conta corrente, Bradesco e Sicoob, mostraram uma movimentação extremamente elevada, e absurdamente incompatível com as receitas declaradas, e rejeita a informação recebida da contribuinte de que "a origem dos recursos para compra do imóvel decorre de alugueis da empresa". Pondera que as receitas declaradas, nos quatro anos fiscalizados, totalizaram apenas pouco mais de R$ 700.000,00 (setecentos MIL reais), enquanto sua movimentação bancária, no mesmo período, foi superior a R$ 700.000.000,00 (setecentos MILHÕES de reais).
Descreve os critérios adotados na análise da movimentação bancária:
(...) procedemos a uma depuração da movimentação registrada nos extratos, onde desconsideramos ou consideramos como de origem/destinação comprovadas as seguintes movimentações:
a) Transferências entre as contas do Bradesco e do Sicoob, de mesma titularidade;
b) Lançamentos decorrentes de aplicações financeiras e de resgates destas aplicações;
c) Lançamentos de estornos e os lançamentos originais, que foram estornados;
d) Lançamentos com correspondência na contabilidade da PALMALI e da IRMÃOS DALLA COSTA.
(...) restou ainda uma movimentação expressiva, cuja origem não pôde ser verificada, pela falta de apresentação dos livros contábeis do contribuinte mas que, certamente, não decorre de suas receitas operacionais, irrisórias diante de tal movimentação.
Diz que, em decorrência de tais verificações, lavrou intimação para que fosse justificada a origem e a destinação dos recursos e que a falta de resposta da contribuinte determinou a apuração dos tributos devidos com base nas informações disponíveis.
Assinala que:
O contribuinte foi intimado, através dos Termos L-009/2015, L-051/2015 e L-066/2015 a apresentar seus livros contábeis. Nenhuma destas intimações foi atendida.
Nos anos-calendário de 2011, 2012 e 2013 o contribuinte manteve escrituração contábil, conforme informação constante da ficha 01 da DIPJ. A partir do ano-calendário de 2014 esta informação deixou de constar da ECF - Escrituração Contábil Fiscal, que substituiu a DIPJ, sendo substituída, no Registro 0010 - Parâmetros de Escrituração, pela informação do "tipo de escrituração", onde a letra "C" significa escrituração contábil, com a obrigatoriedade da transmissão da Escrituração Contábil Digital - ECD e a letra "L" pode significar escrituração em Livro Caixa, mas também se refere às empresas que, mesmo mantendo escrituração contábil, estão dispensadas da transmissão da ECD.
(...) o contribuinte estava obrigada a manter escrituração contábil, nos termos da legislação em vigor, ou seja, com a escrituração dos livros Diário e Razão - o que informou em DIPJ ter feito nos anos de 2011, 2012 e 2013 - e, pelo menos o livro Caixa no ano de 2014. A falta de apresentação destes livros justifica e, mais que isto, impõe a desconsideração da opção pelo Lucro Presumido e sua substituição pelo Lucro Arbitrado nos quatro anos abrangidos pela ação fiscal.
Em seguida, expõe o critério utilizado para apurar a diferença de valores devidos em decorrência do arbitramento:
[a empresa] declarou que todas as suas receitas eram provenientes da locação de imóveis, informação esta corroborada pelos registros contábeis da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS, que mostram, até julho de 2014, despesas de alugueis, vinculadas ao contribuinte, em valores coincidentes com as receitas declaradas.
Desta forma, no geral está correta a apuração do Lucro Presumido feita pelo contribuinte, com a utilização do coeficiente de presunção de 32%, conforme art. 15, § 1º, inciso III, "c" da Lei 9.249/95. E, conforme art. 16 da mesma Lei, no caso de Lucro Arbitrado, aplica-se o mesmo coeficiente de presunção, acrescido de 20%, ou seja, o Lucro Arbitrado corresponderá a 38,4% da receita. É assim que devemos calcular as diferenças devidas, em relação aos valores declarados pelo contribuinte, em decorrência do arbitramento do lucro. Os valores devidos, os valores declarados pelo contribuinte e as diferenças decorrentes do arbitramento estão demonstrados na tabela a seguir. Foram desconsiderados os dois primeiros trimestres do ano de 2011, em virtude dos mesmos já terem sido alcançados pela decadência.
O arbitramento do lucro afeta apenas o cálculo do Imposto de Renda, não causando qualquer impacto na apuração dos demais tributos e contribuições.
Prossegue esclarecendo como foram determinados os valores de omissão de receitas financeiras e de ganho de capital na alienação de imóvel localizado em Maringá, Paraná.
OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS
Em nenhum dos períodos fiscalizados o contribuinte declarou qualquer receita que não fosse aquelas decorrentes do aluguel de imóvel para a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA. No entanto, os extratos bancários obtidos demonstram que a existência de aplicações financeiras eram rotineiras.
Seja na tributação com base no Lucro Presumido, adotada pelo contribuinte, seja no Lucro Arbitrado, aplicado pelo fisco, tais rendimentos não se submetem aos coeficientes de presunção ou arbitramento, devendo ser adicionados ao Lucro Presumido ou ao Lucro Arbitrado apurado sobre as receitas operacionais e não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS.
GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL
Conforme informação constante de DOI - Declaração de Informação Imobiliária, transmitida pelo 23º Tabelião de Notas de São Paulo, em agosto de 2012 o contribuinte alienou um imóvel, localizado em Maringá, pelo valor de R$ 1.000.000,00. Tal alienação não apenas não consta dos demonstrativos de apuração do IRPJ daquele ano, como também não consta, na ficha 36 da DIPJ - onde é transcrito o Balanço Patrimonial do contribuinte - qualquer alteração em seu Ativo Imobilizado ou no estoque, que demonstre tal alienação.
A escritura de alienação do imóvel, lavrada em 13/08/2012, foi obtida junto ao tabelião que a lavrou, demonstrando que tal alienação deu-se por dação em pagamento, ao Banco BVA S/A, em amortização parcial de dívida de responsabilidade da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, pelo valor pactuado de R$ 1.000.000,00.
Como o contribuinte não apresentou seus livros contábeis e também não atendeu à intimação contida no item 8.4 do Termo de Início de Ação Fiscal - Termo L-066/2015 - para comprovar o custo de aquisição do imóvel alienado, obtivemos junto ao 2º Ofício de Registro de Imóveis de Maringá, onde o imóvel está registrado, cópia de sua ficha-matrícula, onde se constata que a aquisição deu-se pelo R-7-29893, protocolado em 14/09/2007, pelo valor de R$ 140.000,00.
O valor contábil do imóvel não poderia ser diferente deste valor, acrescido das despesas de ITBI, Funrejus, lavratura da escritura e registro. Qualquer reavaliação ou atualização posterior destes valores deve ser desconsiderada, em obediência ao disposto no art. 536, § 5º, II do RIR/99.
E como o contribuinte não apresentou seus registros contábeis ou qualquer documento para comprovar outros custos, consideramos apenas aqueles constantes da ficha-matrícula fornecida pelo Registro de Imóveis, ou seja:
Custo de aquisição constante da matrícula R$ 140.000,00
ITBI - 2º sobre o valor do imóvel R$ 2.800,00
Funrejus constante da matrícula R$ 280,00
CUSTO TOTAL DO IMÓVEL ALIENADO R$ 143.080,00
VALOR DA VENDA R$ 1.000.000,00
GANHO DE CAPITAL APURADO R$ 856.920,00
O ganho de capital acima deve ser adicionado ao Lucro Arbitrado apurado no 3º trimestre de 2012, para fins de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro devidos.
a) Caso o imóvel alienado se destinasse à venda, deveria estar registrado como "estoque" na contabilidade do contribuinte. E, embora o contribuinte não tenha apresentado seus registros contábeis, o Balanço Patrimonial, a linha 05 da ficha 36A das DIPJs dos exercícios 2012 e 2013 (que mostra a situação patrimonial em 31/12/2010, 31/12/2011 e 31/12/2012) sempre aparece zerada, demonstrando a inexistência de qualquer imóvel com esta destinação;
b) Fosse o imóvel adquirido com intenção de venda, esta teria sido realizada muito tempo antes, sem que decorressem cinco anos entre a aquisição e a alienação.
c) E o mais importante: a aquisição do imóvel ocorreu em setembro de 2007. Nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física daquele ano, transmitidas em maio de 2008 pelo sócio do contribuinte, THIAGO DALLA COSTA e por seu pai, IVO ANTONIO DALLA COSTA, ambos informaram a alteração de seus endereços para a Praça Manoel Ribas, 12, apto. 140, ou seja, exatamente o endereço do imóvel. E este endereço permanece até hoje.
[Por tais motivos] está demonstrado que o imóvel foi adquirido para uso da família do sócio do contribuinte, que permanece usando-o, provavelmente sob a forma de locação, mesmo após a sua alienação. Logo não procede qualquer eventual alegação de tributação desta alienação como receita operacional.
Trata então da omissão de receitas, caracterizada pela não comprovação da origem de créditos bancários, descrevendo os confrontos realizados com a contabilidade das empresas PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, com o objetivo de buscar a origem dos depósitos bancários:
Nos itens 13.1 e 13.2 do Termo L-051/2016 o contribuinte foi intimado a demonstrar a origem de créditos decorrentes de TEDs, DOCs, Transferências e Depósitos, creditados em suas contas no Bradesco e Sicoob, que totalizaram R$ 4.278.429,64, decorrentes de créditos de TEDs, DOCs e Transferências, demonstradas no Anexo I que acompanhou o referido Termo e R$ 76.436.818,18 decorrentes de Depósitos efetuados em suas contas e demonstrados no Anexo II do mesmo Termo.
Ainda, no item 13.3 do mesmo Termo, foi intimado a identificar a origem e apresentar documentos que comprovassem a origem dos lançamentos a crédito, decorrentes de depósitos, TED, DOC ou transferências, recebidas em sua conta no Bradesco, cujos históricos faziam menção às empresas ligadas PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, mas que não constavam dos registros contábeis destas empresas. Estes lançamentos foram relacionados no Anexo III do referido Termo e totalizaram nada menos que R$ 110.129.366,40.
O contribuinte não atendeu à intimação e, portanto, não comprovou a origem dos créditos demonstrados nos Anexos I, II e III do Termo L-051/2016.
No entanto, antes de proceder ao lançamento, fizemos nova consulta ao SPED, constatando que a PALMALI havia transmitido, em 29/07/2016, novos arquivos com seus registros contábeis do ano de 2014. Baixamos então este novo arquivo, que supostamente contém a movimentação correta da PALMALI e procedemos a uma nova conferência com os créditos que constavam dos anexos I, II e III do Termo L-051/2016, encontrando ali a comprovação da origem para uma parte expressiva dos créditos que constavam da Intimação.
Consideramos estes créditos como comprovados, pelo mesmo critério que já havíamos adotado na análise feita antes da lavratura do Termo L-051/2016: se o crédito constante dos extratos bancários do contribuinte continha contrapartida na contabilidade das empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, foram considerados como provenientes de repasses feitos por estas empresas; Estes valores, que totalizaram R$ 44.319.639,91, estão listados no Anexo I, que acompanha o presente Termo. Foi considerado comprovado ainda um crédito de R$ 760.000,00, em 18/06/2013, como será explanado adiante (...).
E, no anexo II são listados, de forma individual como determina a legislação, os créditos remanescentes que são objeto de lançamento de ofício, como OMISSÃO DE RECEITAS, conforme determina o art. 42 da Lei 9.430/96.
Elucida os motivos para adoção dos coeficientes de arbitramento de 9,6% e de 12%, aplicados sobre a receita omitida, para apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente:
Na resposta ao item 2.4 do Termo de Intimação L-009/2015, o contribuinte declarou:
"R. as receitas decorrem dos imóveis acima identificados. Os imóveis foram locados no período para as empresas: AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA (CNPJ 07.851.247/0001-60) e PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ 80.170.376/0003-45)."
Por esta resposta, a conclusão seria que o contribuinte estaria sujeito aos coeficientes de arbitramento previstos no art. 15, § 1º, inciso III, combinado com os arts. 16 e 20 da Lei 9.249/95, ou seja, 38,4% para o cálculo do Imposto de Renda e 32% para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
No entanto, embora no Termo L-009/2015 o contribuinte tenha sido intimado a informar "a origem das receita auferidas", o óbvio que a resposta do contribuinte se refere apenas às receitas declaradas por ele em DIPJ.
(...) independente do que dispõe o Contrato Social, o importante é a origem de fato das receitas omitidas pelo contribuinte, caracterizadas pela existência de créditos bancários de origem não comprovada. Uma coisa é certa: estas receitas não são decorrentes da locação de imóveis. Esta afirmativa decorre de duas conclusões:
a) Na resposta ao Termo L-009/2015 o contribuinte afirmou possuir apenas três imóveis, sendo um locado para a Palmali (o imóvel da matrícula 2949 do R. I. de Palmas) e outro, localizado em Maringá, cedido em comodato para a Irmãos Dalla Costa.
b) Os imóveis omitidos cuja propriedade foi escondida pelo contribuinte - uma sala comercial, 87 vagas de garagem e 55 apartamentos no Edifício Real Plaza Flat Service e 51 apartamentos e 14 vagas de garagem no Edifício Princess Betina, estavam em fase de obras no período fiscalizado, tendo sido concluídos somente em 2015. Portanto, ainda não haviam gerado receitas naqueles anos.
A intensa movimentação de recursos entre o contribuinte fiscalizado e as duas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, ambas atuando no ramo de frigorífico e a atuação do contribuinte como "caixa 2" destas empresas, como será visto adianta, justifica a conclusão que os créditos bancários de origem não comprovada foram provenientes de receitas omitidas por estas duas empresas, levando assim à aplicação do coeficiente de arbitramento de 9,6%, para fins de apuração do Imposto de Renda e de 12% para cálculo da Contribuição Social, conforme previsto no art. 15, caput, combinado com os arts. 16 e 20 da Lei 9.249/95.
Pontua que a contribuinte foi regularmente intimada a: identificar os beneficiários de transferências bancárias, cheques emitidos e pagamentos efetuados ou, nos casos de beneficiários identificados nos extratos, a origem dos recursos; bem como demonstrar a causa de tais transferências ou pagamentos.
Relata que, diante da omissão da contribuinte, buscou verificar a causa dos pagamentos e transferências nos arquivos transmitidos pela PALMALI para o SPED, como também nos próprios extratos bancários, conforme excertos do TVF reproduzidos abaixo:
Apesar disso, em virtude da transmissão de um novo arquivo ao SPED, feito pela PALMALI em 29/07/2016, com seus registros contábeis de 2014, procedemos a uma nova análise destes pagamentos e transferências, aceitando como comprovados todos aqueles que tinham contrapartida na contabilidade da PALMALI, assim como já havíamos feitos com relação a todas as transações que tinham correspondência na contabilidade da própria PALMALI e também da IRMÃOS DALLA COSTA, nos anos anteriores. As transferências e pagamentos assim aceitos estão relacionados no Anexo III, que acompanha o presente Termo e totalizaram R$ 51.225.288,73.
Procedemos ainda a uma nova e profunda análise dos pagamentos listados nos anexos VI, VII e VIII do Termo L-051/2016, procurando identificar, pelos históricos dos extratos bancários, valores que poderiam ser justificados. Nesta análise, verificamos inclusive escrituras de compra de imóveis. Porém, esta análise justificou apenas três novos pagamentos - além daqueles que já haviam sido deixados de fora do Termo L-051/2016, no valor total de R$ 945.000,00. Os pagamentos considerados como comprovados foram os seguintes:
a) Débito no Bradesco em 18/12/2012, no valor de R$ 760.000,00, referente a TED enviada para Gerard Van Leihout. Localizamos o contribuinte Gerardus Johannes Cornelius Adrianus Maria Van Lieshout, CPF 644.972.083-20, que declarou o recebimento de um empréstimo da PALMALI, em 19/12/2012, neste valor. E declarou o pagamento deste empréstimo em 18/06/2013, data em que há um crédito na conta da ORIGINAL, neste mesmo valor. Assim, esta operação comprovou o débito em 2012 e o crédito em 2013, já mencionado anteriormente no item 60.
b) Débito no Bradesco, no dia 23/09/2013, no valor de R$ 50.000,00, referente a TED enviada para ADILSON DE SOUZA. Entre os imóveis comprados pelo contribuinte no período fiscalizado, localizamos o apartamento 1506 do Edifício Real Plaza, adquirido em 20/09/2013 junto a Adilson de Souza, por este mesmo valor.
c) Débito no Bradesco, no dia 30/07/2014, no valor de R$ 135.000,00, referente a "cheque OP". Entre os imóveis comprados pelo contribuinte no período fiscalizado, localizamos o apartamento 503 do Edifício Real Plaza, adquirido em 29/07/2014 junto a Toshi Yomura e outros, neste mesmo valor, cuja escritura menciona o pagamento através de cheque administrativo do Bradesco.
Restarem sem comprovação do beneficiário ou da causa, pagamentos, cheques e transferências que totalizaram R$ 118.084.506,65, relacionados nos Anexo IV, V e VI e que são objeto de autuação, por se enquadrarem no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda.
Entre estes pagamentos, 255 foram decorrentes da emissão de cheques, de pagamentos por débito em conta ou de transferências bancárias para os quais não há qualquer indicação do beneficiário. Estes pagamentos totalizaram R$ 9.977.399,52 e estão relacionados no Anexo IV, que acompanha o presente Termo.
O maior volume de pagamentos sem causa foi representado por transferências supostamente destinadas a empresas ou pessoas ligadas, mas que não foram contabilizadas nas empresas destinatárias ou não foram declaradas pelas pessoas supostamente beneficiárias. Estas transferências totalizaram R$ 96.585.635,70, estão relacionadas no Anexo V e supostamente teriam tido os seguintes destinatários:
a) R$ 5.245.978,62 teriam sido transferidos para a PALMALI, nos anos de 2012, 2013 e 2014, mas não constam dos registros contábeis daquela empresa.
b) R$ 1.575.840,00 teriam sido transferidos para a IRMÃOS DALLA COSTA, nos anos de 2012 e 2013, mas não constam dos registros contábeis daquela empresa.
c) R$ 82.862.617,08 teriam sido transferidos para a IRMÃOS DALLA COSTA no ano de 2014 e sua conferência não foi possível pela falta de apresentação dos livros contábeis da empresa fiscalizada e pela falta de transmissão dos arquivos contábeis ao SPED, por parte da suposta beneficiária destas transferências.
d) R$ 6.901.200,00 teriam tido como beneficiários a sócia da empresa, IVANA DALLA COSTA. Devemos lembrar que, no Anexo V do Termo L-051/2016 foram listadas transferências para esta sócia no montante de R$ 8.402.650,00. Parte deste valor foi aceito como comprovado por ter sido demonstrado, pela análise dos registros contábeis da PALMALI, que aquela empresa havia sido a real beneficiária destas transferências, tendo as mesmas sido lá contabilizadas. Restaram as transferência relacionadas no Anexo V do presente Termo, para as quais não foi comprovada a causa.
Finalmente, foram feitos diversos pagamentos a beneficiários supostamente identificados nos históricos dos lançamentos constantes dos extratos, mas para os quais não existe causa que justifique tais pagamentos. Estes pagamentos totalizaram R$ 11.521.471,43, estão relacionados no Anexo VI e tiveram a seguinte destinação:
a) Débitos no Bradesco, nos dias 14 e 15/03/2012, nos valores de R$ 215.000,00 e R$ 45.000,00, respectivamente, cujos históricos mencionam "Intercasing Ind. Com. Ltda". Localizamos no Portal NFe a nota fiscal 2555 desta empresa, emitida em 12/03/2012, no valor de R$ 260.000,00, referente à venda de um automóvel marca Range Rover, modelo Evoque.
b) Débito no Bradesco, no dia 02/07/2012, no valor de R$ 62.500,00, cujo histórico menciona "Zacarias Veículos". Localizamos no Portal NFe a nota fiscal 110091 desta empresa, emitida na mesma data e no mesmo valor, referente à venda de uma camionete marca Chevrolet, modelo S10 LS.
c) Débitos no Bradesco nos dias 09/05/2012, 18/02/2013 e 19/02/2013, nos valores, respectivamente, de R$ 2.519,17, R$ 3.374,79 e R$ 2.342,67, referentes a pagamentos de IPVA dos veículos acima, e de uma BMW X6, adquirida em 2011.
d) Diversos pagamentos feitos nos anos de 2012, 2013 e 2014 para a Air BP Brasil Ltda e para Atinaiur Antonio Pires Sapper, referente a 29 notas fiscais, no valor total de R$ 126.015,64. Estas notas fiscais se referem ao fornecimento de querosene de aviação, que poderia ser classificada como custo operacional, não fosse pelo fato de que o contribuinte não possui nenhum avião registrado em seu nome - pelo menos, que seja de conhecimento do fisco - de forma que estes pagamentos devem ter se destinado terceiros não identificados.
e) Diversas transferências feitas em 2012, 2013 e 2014, via TED para Jocler Jeferson Procópio. Foram dezoito transferências no valor total de R$ 280.737,32, Jocler é advogado e aparece, em algumas escrituras de aquisição de imóveis feitas pelo contribuinte, como seu procurador, porém não declarou qualquer rendimento de serviços prestados para o contribuinte. Portanto, na falta de comprovação, é de se supor que tais pagamentos se refiram a honorários por serviços prestados e não tributados.
f) Cinco transferências feitas em abril, novembro e dezembro de 2014, que apontam como destinatário a empresa Brassul Construções Civis Ltda, nos dias 22 e 23/04/2014, 18/11/2014 e 09 e 17/12/2014, no valor total de R$ 6.000.000,00.
g) Duas transferências no dia 07/04/2014, que apontam como destinatários Odanir Angelo Farinella e Farinella Comércio e Transportes Ltda, no valor total de R$ 1.500.000,00.
h) Transferências no dia 29/04/2013, que aponta como destinatário Bio-Tee Sul América, no valor de R$ 760.000,00.
i) Transferências feitas entre os meses de junho e dezembro de 2014, que apontam como destinatária a empresa Athos Gestão e Serviços Ltda. Foram 24 transferências no valor total de R$ 284.000,00.
j) Transferências no dia 04/12/2014, que aponta como destinatário Infiniti Importadora de Veículos, no valor de R$ 350.194,78.
k) Diversos outros pagamentos, num total de 78 lançamentos a débito, no valor total de R$ 1.889.787,06, para diversos beneficiários, cuja causa também não foi comprovada.
O contribuinte não apresentou seus livros contábeis e não atendeu à intimação para identificar os beneficiários e as causas destes pagamentos, assim como nem ao menos comprovou a sua contabilização - não que tal contabilização fosse suficiente para afastar a hipótese da incidência tributária. Para isto, os beneficiários dos pagamentos e sua causa teriam que ser suficientemente demonstrados.
Entre estas transferências, especialmente uma chama atenção e foi feita no dia 03/02/2014, no valor de R$ 5.000.000,00 e débito no Bradesco com o histórico "transf CC para CC PJ" e o complemento "o mesmo". Ora, a expressão "o mesmo" deveria indicar que a transferência teria sido feita para outra conta do mesmo titular, o que não ocorreu, pois não aparece o crédito na única outra conta do contribuinte, aquela mantida no Sicoob. Na verdade, este é apenas um artifício usado por muitos correntistas, com a cumplicidade das instituições financeiras, para burlar as normas do Banco Central e não identificar o beneficiário e o remetente de transferências bancárias. Não custa lembrar que este artifício foi usado em centenas de depósitos creditados na conta do contribuinte, cuja origem também não foi comprovada.
Quanto às transferências mencionadas no item 77 e relacionadas no Anexo V, que supostamente teriam como destinatárias as empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, relacionadas no Anexo V, cabe ressaltar mais uma vez que, antes de lavrarmos o Termo de Intimação L- 051/2016, já havíamos excluídos da movimentação bancária do contribuinte, débitos que tinham contrapartida na contabilidade destas empresas nos anos de 2011, 2012 e 2013 e que totalizaram R$ 281.259.167,52, sendo R$ 165.630.934,15 destinados à IRMÃOS DALLA COSTA e R$ 115.628.233,37 à PALMALI. Após a lavratura daquele Termo, com a transmissão ao SPED de um novo arquivo com os registros contábeis de 2014, por parte da PALMALI, consideramos como comprovadas transferências que constavam do Termo L- 051/2016 no montante de R$ 51.225.288,73. Portanto, as operações listadas no Anexo IV são aquelas que não tem correspondência nos registros contábeis destas duas empresas, o que pode ter duas causas:
a) Ou estas transferências, de fato, tiveram outros beneficiários, não identificados;
b) Ou estas transferências, embora realmente tendo como destinatárias as empresas beneficiadas, se destinaram a contas mantidas à margem da contabilidade das mesmas, caracterizando-se assim como pagamentos sem causa.
(...) com relação às transferências (...) que supostamente teriam como destinatária a sócia do contribuinte, IVANA DALLA COSTA, também não houve qualquer justificativa para os mesmos. Pelo valor, não deve se tratar de pro-labore - afinal, não houve tributação previdenciária, nem declaração dos rendimentos, por parte da beneficiária. Também não pode ser vistas como distribuição de lucros, pois além da sócia também não ter declarado tais distribuições, a empresa não apresentou seus livros contábeis para comprovara a existência de lucros ou de sua distribuição, bem como, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos fiscalizados, não existe nem a informação da distribuição de tais lucros e muito menos de sua existência. Por último, a suposta beneficiária também não declarou qualquer dívida junto à empresa, que pudesse caracterizar tais valores como empréstimos. Logo, ficam também perfeitamente caracterizados os pagamentos sem causa, previstos no art. 674, § 1º do RIR/99.
Quanto aos pagamentos ou transferências (...) relacionados no Anexo VI, embora seus beneficiários tenham sido supostamente identificados pelos históricos constantes dos extratos ou pela análise de notas fiscais eletrônicas emitidas por terceiros contra o contribuinte e obtidas no Portal NFe, continua não existindo justificativa para estes pagamentos. E o contribuinte foi expressamente intimado a justificá-los, mas preferiu silenciar, ficando assim tais pagamentos também enquadrados no art. 674, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda.
Avalia, com base nestas verificações, que a contribuinte realizou pagamentos a beneficiários não identificados, ou pagamentos que, embora com os beneficiários supostamente identificados, mas para os quais não foram apresentadas as suas causas, no montante de R$ 118.084.506,65, conforme operações listadas nos Anexos IV, V e VI, sujeitos aos preceitos do artigo 674 do RIR/99, que determina a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 35%, aplicada sobre a base de cálculo ajustada, considerando os valores pagos como rendimento líquido, já deduzido do imposto de renda devido. Observa ainda que:
Embora o § 2º do citado art 674 do RIR/99 determine que o Imposto de Renda na fonte, incidente sobre os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, é devido no dia em que ocorrer cada pagamento, por uma questão de simplificação, reunimos todos os pagamentos feitos em cada mês, fazendo um único lançamento de ofício no último dia de cada mês. Este procedimento não traz qualquer reflexo, seja no valor do imposto devido, seja dos acessórios - multa e juros de mora - incidentes.
Ressalta, logo depois, o papel da contribuinte na ocultação de patrimônio de outras empresas do grupo:
(...) quando analisamos os extratos bancários obtidos, em confronto com os registros contábeis das empresas ligadas, constatamos que uma parte destes débitos não foi registrada na contabilidade daquelas empresas, de forma que, supondo a hipótese otimista de que estas empresas não mantinham contas bancárias à margem de sua contabilidade, tais transferências tiveram, na verdade, outros destinatários.
E quando aprofundamos a análise dos créditos decorrentes de depósitos, DOC, TED e transferências, em confronto com os registros contábeis das empresas ligadas, constatamos que, embora sem qualquer menção àquelas empresas, uma parte expressiva destes créditos foram decorrentes de depósitos feitos pela PALMALI, sendo parte deles inclusive registrados na contabilidade daquela empresa.
Quanto aos créditos (...) sem identificação de remetente (R$ 2.472.229,50) ou cujo remetente aparece identificado como "o próprio" (R$ 43.007.567,81), (...) a conclusão é óbvia: estes depósitos foram feitos pela própria PALMALI, que depositava diretamente na conta da ORIGINAL, os cheques recebidos de seus clientes. Só que tais depósitos, ao contrário daqueles listados no Anexo I, não foram registrados em sua contabilidade, pela razão, também óbvia, de não ter havido o reconhecidos da receita quando do recebimento destes cheques.
Outra evidência de que os créditos não identificados tinham como origem receitas das empresas ligadas é que, entre os 102 créditos com identificação de "outros remetentes", (...) 73 mencionam a Agrícola Jandelle S.A., empresa com a qual a PALMALI mantinha contrato de prestação de serviços de industrialização.
(...) a ORIGINAL, na verdade, sempre se beneficiou de recursos repassados pelas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, especialmente a primeira, a maior devedora da Procuradoria da Fazenda Nacional, na seccional de Pato Branco, que jurisdiciona a sede da empresa. Ao mesmo tempo em que supostamente não tem recursos para pagar tributos e encargos previdenciários, a PALMALI repassa regularmente recursos para a ORIGINAL, para que esta faça aplicações financeiras ou imobiliárias ou para que proporcione benefícios aos sócios e familiares das empresas.
E esta situação já vigorava antes mesmo do período fiscalizado. No item 19, quando abordamos a compra do imóvel objeto da matrícula 2949 do Registro de Imóveis de Palmas, onde funciona a unidade frigorífica operada inicialmente pela PALMALI e atualmente pela IRMÃOS DALLA COSTA, demonstramos que, entre os anos de 2007 e 2010, quando declarou receitas de apenas R$ 470.000,00, o contribuinte pagou aproximadamente R$ 2.253.000,00 referente à entrada pela aquisição daquele imóvel junto à Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural Codal S/A, que serviu de "laranja" naquela aquisição e as prestações assumidas por aquela empresa perante o INSS e transferidas para a ORIGINAL por instrumento particular assinado logo após a arrematação.
No período fiscalizado, 2011 a 2014, embora tenha declarado receitas de apenas R$ 700.580,72, como vimos no item 14, a análise dos extratos bancários, em conjunto com outras informações levantadas no curso da ação fiscal, demonstra que a ORIGINAL fez, pelo menos, os seguintes gastos, cobertos em sua maior parte por recursos fornecidos pelas empresas ligadas:
a) Prestações pagas ao INSS referente ao valor corrigido nas parcelas do imóvel arrematado pela CODAL e transferido para o contribuinte, no valor de aproximadamente R$ 1.138.000,00;
b) DOCs ou TEDs enviados para o Condomínio Edifício Real Plaza Flat Service (137 transferências no valor de R$ 3.352.037,87), referente à aquisição de unidades inacabadas naquele edifício e gastos decorrentes da conclusão das obras do mesmo;
c) TED de R$ 50.000,00 (em 23/09/2013) teve como destinatário Adilson de Souza, referente à aquisição dos direitos sobre um apartamento no Edifício Real Plaza;
d) Cheque administrativo no valor de R$ 135.000,00 (em 30/07/2014) teve como beneficiário Toshi Yomura e outros, referente à aquisição de um apartamento no Edifício Real Plaza;
e) Pagamento de cobrança no valor de R$ 330.000,00 (em 19/07/2011) teve como beneficiária a Euro Import Comércio e Serviços Ltda, referente à compra de um veículo marca BMW modelo X6, conforme nota fiscal 14368;
f) TEDs emitidas nos dias 14 e 15/03/2012, nos valores de R$ 215.000,00 e R$ 45.000,00, respectivamente, tiveram como destinatária a Intercasing Ind. Com. Ltda, referente à compra de um veículo marca Range Rover modelo Evoque, conforme nota fiscal 2555;
g) Pagamento de cobrança no valor de R$ 62.500,00 (em 02/07/2012) teve como beneficiária a Zacarias Veículos Ltda, referente à compra de um veículo marca Chevrolet, modelo S10, conforme nota fiscal 110091;
h) TED emitida em 04/12/2014, no valor de R$ 350.194,78, teve como destinatária a empresa Infiniti Importadora de Veículos Ltda, porém não localizamos nenhuma nota fiscal emitida por esta empresa, que justificasse este pagamento. Provavelmente se refere à aquisição de algum veículo de luxo, usado, e que não foi transferido para o adquirente;
Além disso, na pesquisa que fizemos no SPED NFe, com a baixa de notas fiscais emitidas contra o contribuinte, localizamos algumas notas que servem para demonstrar como a empresa utilizava os recursos recebidos das outras duas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, não apenas para investimentos, mas também para pagar luxos que beneficiaram diretamente seus sócios e familiares.
(...) a origem dos recursos aplicados torna-se ainda mais evidente pelos seguintes exemplos:
a) Em 16/02/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 3.560.000,00; no mesmo dia, fez duas transferências, uma para a própria Dalla Costa, de R$ 225.000,00 e outra para a Palmali, de R$ 150.000,00. Assim, o valor líquido recebido das empresas ligadas foi de R$ 3.185.000,00. Nesta data foi feita aplicação de R$ 3.177.415,20;
b) Em 05/03/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Palmali de R$ 1.430.000,00 e fez uma transferência para a própria Palmali de R$ 30.000,00, além de outra para a Dalla Costa, de R$ 400.000,00. Assim, o valor líquido recebido das empresas ligadas foi de R$ 1.000.000,00. Nesta data foi feita aplicação de R$ 999.748,00;
c) Em 10/05/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 1.800.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 340.000,00, restando-lhe R$ 1.460.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 1.459.980,00;
d) Em 18/05/2012 o contribuinte recebeu duas transferências da Dalla Costa, nos valores de R$ 6.000.000,00 e R$ 280.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 389.000,00, restando-lhe R$ 5.891.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 5.890.380,00;
e) Em 01/08/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 600.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor;
f) Em 21/01/2012 o contribuinte recebeu duas transferências da Palmali, nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 230.000,00; recebeu ainda uma transferência da Dalla Costa de R$ 960.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 20.000,00, restando-lhe R$ 1.270.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 1.269.847,92;
g) Em 03/12/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 1.800.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor;
h) Em 06/02/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa de R$ 3.879.000,00 e outra da Palmali, de R$ 51.000,00; fez ainda seis transferências para a Palmali, no valor total de R$ 1.205.350,00, restando-lhe R$ 2.725.150,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 2.718.878,40;
i) Em 06/11/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 960.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor;
j) Em 19/12/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa de R$ 5.590.000,00 e duas da Palmali, nos valores de R$ 153.237,50 e R$ 245.376,00, totalizando R$ 5.988.613,50; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 5.988.270,00;
As operações listadas acima são apenas alguns exemplos da relação entre repasses feitos pela PALMALI e pela IRMÃOS DALLA COSTA e aplicações financeiras feitas pelo contribuinte e servem para evidenciar o óbvio: como não dispunha de receitas próprias, o contribuinte servia como intermediário para aplicações financeiras feitas pelas empresas ligadas, até como forma de evitar a existência de saldos bancários elevados em nome destas empresas, evitando assim a penhora em decorrência de execuções fiscais ou trabalhistas. Ou seja, além de tudo, o uso da ORIGINAL para fazer aplicações financeiras das empresas ligadas serviu também como forma de praticar fraude contra os credores destas empresas.
Fundamenta, no tópico seguinte, a qualificação da multa de ofício aplicada sobre os tributos apurados:
O contribuinte informou, em suas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ e na Escrituração Contábil Fiscal - SPED-ECF, no caso do ano-calendário 2014, receitas equivalentes a um milésimo de sua movimentação financeira, além de sempre ter omitido os rendimentos de aplicações financeiras e, mais que isso, de ter omitido a própria existência destas aplicações financeiras, que nunca constaram dos Balanços Patrimoniais apresentados em suas DIPJs.
Além disso, quando expressamente intimado, o contribuinte omitiu a propriedade de mais de uma centena de imóveis, alguns registrados em seu nome e outros mantidos ainda em nome do proprietário anterior.
Estas atitudes caracterizam-se como "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente", que caracteriza a sonegação definida pelo art. 71 da Lei 4.502,64.
Caracterizam-se ainda como "ação ou omissão dolosa tendente a impedir (...) a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (...) de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento", definida como fraude pelo art. 72 da Lei 4.502/64.
Além disso, o envolvimento, nestas práticas, de três empresas distintas, formalmente pertencentes a cinco pessoas diferentes, embora todas parentes em primeiro grau entre si, caracteriza um "ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72", definido como conluio no art. 73 da Lei 4.502/64.
Assim, estando presentes as três situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 - embora apenas uma delas já fosse suficiente - aplica-se a multa qualificada prevista no art. 957, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, sobre as infrações apuradas na presente ação fiscal.
Por fim, apresenta os motivos para responsabilização de terceiros pelo crédito tributário constituído:
Foi aqui claramente demonstrado que a empresa fiscalizada, ORIGINAL INDÚSTRIA, COMÉRCIO, NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA atua como o braço financeiro e de investimentos de outras duas empresas pertencentes à mesma família, a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA e a AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA. Estas duas empresas regularmente repassam dinheiro para a ORIGINAL, em operações às vezes contabilizadas, mas muitas vezes mantidas à margem de suas contabilidades e esta faz aplicações no mercado financeiro ou imobiliário.
Intimada a informar os imóveis que possuía, a ORIGINAL mencionou apenas dois imóveis industriais, utilizados pelas duas empresas ligadas, sendo um adquirido de maneira fraudulenta, através de interposta pessoa que atuou em seu interesse em leilão judicial de imóvel então pertencente à PALMALI e que foi em seguida cedido para esta mesma empresa, inicialmente sem ônus e depois por um aluguel simbólico, e outro cedido graciosamente para uso da IRMÃOS DALLA COSTA. Mas omitiu a existência de mais de uma centena de imóveis existentes em Curitiba, adquiridos com os recursos provindos das empresas ligadas. E, o que é mais grave, parte destes imóveis, embora incorporados ao patrimônio da empresa por integralização de capital social, até hoje são mantidos, no Registro de Imóveis, em nome dos antigos proprietários.
Além disso, foi também demonstrado que os recursos oriundos das empresas ligadas foram utilizados também para aquisição de veículos de luxo e outros confortos utilizados pelos sócios e seus familiares.
Em 29 de setembro de 2016, foram intimados do lançamento, Original Ind. Com. Negócios e Partic. Ltda., Palmali Industrial Alim. Ltda., Ivo Antônio Dalla Costa e Thiago Dalla Costa (fls. 1356, 1358, 1360, 1364). Em 30 de setembro de 2016, Marcelo Dalla Costa e Maurício Dalla Costa (fls. 1362 e 1363). E, em 5 de outubro de 2016, Agroindustrial Irmãos Dalla Costa Ltda. e Ivana Dalla Costa (fls. 1359 e 1361).
Em 24 de outubro de 2016 (fls. 1366), os autuados apresentaram impugnação a fls. 1367 a 1392.
Consideram os impugnantes que o procedimento fiscal padece de ilegalidade, ao argumento de que o STF e o STJ têm declarado a impossibilidade de acesso direto do Fisco às informações sobre movimentação bancária sem prévia autorização judicial e afastado a aplicação da Lei Complementar nº105, de 2001, e da Lei nº 10.174, de 2001. Neste diapasão, sustentam que é nulo de pleno direito o crédito apurado, porque constituído através de dados de movimentação bancária obtidos sem sua autorização e muito menos sem autorização judicial.
Acrescentam que, ainda que fosse possível a autuação da forma como procedida, entendem ser ilegítimo e nulo o lançamento do imposto de renda com base apenas nos extratos ou depósitos bancários, pregando que tais documentos não revelariam com precisão a existência da renda tributável.
Neste raciocínio, atacam o arbitramento, que afirmam ter ocorrido sobre a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias do contribuinte. Na seqüência, mencionam e transcrevem a jurisprudência favorável à sua tese.
Aduzem que a ausência da descrição dos fatos e enquadramento legal relativo ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) macula todo o trabalho realizado, face à inexistência ou imprecisão da infração cometida, afiançando que o auto de infração não discrimina o valor devido e sua evolução. Neste sentido, pugnam pela nulidade do auto de infração.
Prosseguem reiterando que
a autoridade fazendária utilizou a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias da Consulente, relativamente ao período objeto de lançamento como base de cálculo (lucro tributável) do IRPJ e da CSLL!
Julgam que tal erro torna os valores indevidos, irreais e exorbitantes, contamina o lançamento com vício insanável de ilegalidade e o torna nulo de pleno direito.
Salientam que a autoridade fazendária reconheceu que a origem do crédito mantido na conta corrente da empresa foi decorrente de depósitos feitos pela PALMALI e AGROINDUSTRIAL (e vice e versa), pelo que pedem o reconhecimento da nulidade do auto de infração, porque foi detectada a origem e o destino da receita.
Asseveram que, quando intimada para apresentar a origem dos créditos mantidos na conta, não houve a individualização, ainda que por planilhas, de cada depósito que a autoridade considerou não justificados, e por, este motivo, mais uma vez pleiteiam a nulidade do lançamento.
Propugnam que, no caso em questão, o que existe entre as empresas é simples parceria de industrialização firmada entre empresas que possuem em comum apenas o vínculo familiar e entendem que
O objeto social delas, portanto, embora parecidos, são distintos, o que demonstra inequivocamente que não existe subordinação ou qualquer critério hierárquico, sendo oportuno esclarecer que o simples fato dos sócios serem filhos do dono da PALMALI não é suficiente para caracterizar a existência de grupo econômico ou familiar, notadamente porque a sede de cada empresa é em local distinto.
Concordam que o acervo probatório produzido, de fato, revela a prática de negócios jurídicos entre os membros da família; porém, não apontam para qualquer ingerência dos filhos dos sócios da Requerida na administração da empresa devedora, para concluir que ainda que se reconheça a junção de interesses, inclusive econômicos, entre pais e filhos, o que é natural no âmbito familiar, não há nos autos elemento algum que aponte a existência de laços entre estes últimos e a devedora principal, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da livre iniciativa.
Alicerçados em julgado do TRF da 4a Região, ponderam que o fato de manterem parceria de industrialização, utilizando-se do mesmo espaço físico (filiais), não é suficiente para, por si só, configurar grupo econômico.
Destacam que ainda que se admitisse a existência de grupo econômico, o que não é o caso dos autos, o STJ possui entendimento no sentido de que somente este fato não é o bastante para ensejar a responsabilidade solidária por tributo, para defender que:
a existência de grupo econômico não enseja responsabilidade entre as empresas supostamente do mesmo grupo econômico, dependendo que elas tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, o que inexiste nos autos, já que o ramo de atividade são distintos e o que existe entre elas é simples parceria de industrialização.
Discordam da alegação do auditor de que o imóvel na cidade de Palmas foi adquirido pela Recorrente de forma fraudulenta, através de interposta pessoa que atuou em seu interesse em leilão judicial, por compreender que se o imóvel foi adquirido em leilão judicial, e pago o preço, de antemão já se afasta qualquer argumento de fraude.
Rechaçam a acusação de ter suprimido imóveis do patrimônio informado ao Fisco, ao pressuposto de que no direito brasileiro o contrato não transfere o domínio, regra que emana do art. 1.245 do CC.
Retornam à questão do grupo econômico para expor o seguinte entendimento:
ainda que se analise as empresas sob a ótica de pertencerem ao mesmo grupo econômico, não estão presentes os requisitos do art. 124, I, do CTN para provocar a solidariedade no pagamento do tributo devido pela ORIGINAL, já que inexiste grau de subordinação entre os sócios das demais devedoras com o sócio da devedora principal (i), os sócios daquelas nunca tiveram qualquer ingerência na sociedade devedora (ii) e, sobretudo, porque não realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, já que possuem comando gerencial e atividades próprias.
Combatem a utilização da taxa Selic para determinação dos juros de mora, por ter caráter estritamente remuneratório, implicar majoração de tributos, ser confiscatória e exceder o valor máximo de 1% ao mês fixado pelo Código Tributário Nacional.
Contestam a multa aplicada de 150%, por abusiva e por violar os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, pleiteando sua redução ao percentual de 20%.
Em análise das impugnações apresentadas o colegiado de primeira instância julgou-as parcialmente procedentes somente para excluir do polo passivo da obrigação tributárias as pessoas físicas então arroladas pela fiscalização como coobrigadas.
O contribuinte foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1462), apresentando recurso voluntário de fls. 1565-1611 em 05 de maio de 2017 (fl. 1563).
PALMALI foi intimada da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1478), apresentando recurso voluntário de fls. 1527-1550 em 05 de maio de 2017 (fl. 1524).
IVO ANTÔNIO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1463), apresentando recurso voluntário de fls. 1653-1683 em 05 de maio de 2017.
MARCELO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 06 de abril de 2017 (fl. 1464), apresentando recurso voluntário de fls. 1687-1716 em 05 de maio de 2017.
MAURÍCIO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1465), apresentando recurso voluntário de fls. 1778-1807 em 05 de maio de 2017.
AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA foi intimado da decisão em 75 de abril de 2017 (fl. 1479)
IVANA DALLA COSTA foi intimada da decisão em 07 de abril de 2017 (fl. 1480), apresentando recurso voluntário de fls. 1720-1745 em 05 de maio de 2017.
THIAGO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1481), apresentando recurso voluntário de fls. 1749-1774 em 05 de maio de 2017.
Os pedidos contidos nos recursos resumem bem os argumentos apresentados:
- MANTER a decisão proferida pela DRJ em relação à exclusão daRecorrente do polo passivo dos autos;
- ANULAR integralmente o auto de infração, por cerceamento dodireito de defesa da Autuada, tendo em vista que o auto de infração não apontaqual dos incisos do artigo 135 do CTN se aplicaria ao caso;
- DECLARAR NULO o auto de infração uma vez que aautoridade fiscal seria incompetente para realizar o presente lançamento tributário;
- DECLARAR NULO o auto de infração de IRRF, tendo em vista que afalta de ciência do contribuinte quando à ampliação do tributo ou períodofiscalizado geraria a nulidade do procedimento fiscal, já que não observado osrequisitos legais que o regem;
- DECLARAR NULO o auto de infração por suposta inobservânciados requisitos legais previstos no Dec. n.° 3.724/01 e na Portaria RFB2.014/2014 para emissão das RMFs;
- no MÉRITO:
- DECLARAR insubsistente o auto de infração em relação aosRecorrentes, afastando a responsabilidade solidária da recorrente pelolançamento tributário uma vez que não existiria fundamento legal para suasresponsabilizações oblíquas;
- CANCELAR o lançamento tributário de 1RPJ e reflexos sobre o valor deR$ 145.764.974,32 uma vez que se tratariam valores que tem como origem orepasse de valores à Recorrente por terceiros; subsidiariamente, CANCELAR o lançamento à título de 1RPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32 uma vez que segundo o raciocínio do próprio Fiscal tratar-se-ia de valores pertencentes às empresasPALMALI e AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA que apenas teriamtransitado nas contas bancárias da Recorrente;
- CANCELAR o lançamento à título de IRPJ e reflexos sobre receitasfinanceiras observadas em contas bancárias de titularidade da Recorrente,tendo em vista tratarem-se, no entendimento do próprio AFRFB, de receitaspertencentes a terceiros;
- CANCELAR o lançamento a título de IRPJ sobre o valor da diferença entreo valor de aquisição e alienação de bem imóvel de propriedade da Recorrente,considerada pelo AFRFB como ganho de capital, uma vez que tal operaçãonão importou em qualquer aumento de capital para a Recorrente;
- Subsidiariamente aos pedidos acima, CANCELAR o lançamento a título deIRPJ e reflexos tendo em vista a suposta aplicação do coeficiente incorreto paraapuração do lucro da Recorrente;
- Subsidiariamente, requer a REALIZAÇÃO DE PERÍCIA nos autos para fins de demonstração da ausência de omissão de receitas e inexistência de pagamentos objeto de incidência do IRRF;
- Em se mantendo o lançamento tributário, CANCELAR a multa qualificadaaplicada ao caso, haja vista que teria inexistido qualquer comprovação de intuito defraude do sujeito passivo;
- DECLARAR a insubsistência do auto de infração em virtude deinobservância dos requisitos legais previstos no artigo 135 do CTN pararesponsabilização tributária dos Recorrentes;
- DECLARAR a não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício,ante à ausência de autorização legal para tanto, nos termos exposto no itemVII.
Cumpre ressaltar que diversas matérias aduzidas em sede de recurso voluntário não haviam sido alvo de impugnação, a saber:
- declaração de nulidade do lançamento por incompetência da autoridade fiscal para realizar o procedimento fiscal, do auto de infração de IRRF por falta de ciência do contribuinte quanto à ampliação do tributo ou período fiscalizado, do auto de infração por inobservância dos requisitos legais para emissão das RMFs;
- o pedido de declaração de decadência do lançamento referente ao ano-calendário de 2011;
- cancelamento da parcela de IRPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32;
- cancelamento da exigência de IRPJ e reflexos por se tratarem de receitas pertencentes a terceiros;
- cancelamento do lançamento de IRPJ e de reflexos em razão da aplicação de coeficiente incorreto para apuração do lucro;
- cancelamento da exigência de IRPJ sobre o montante da diferença entre o valor de aquisição e alienação de bem imóvel;
- realização de perícia.
Durante a realização de sustentação, requereu o patrono do contribuinte que, caso o julgamento fosse convertido em diligência, essa abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018.
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, por maioria de votos rejeitou-se o pedido do patrono no sentido de que a diligência requerida pela turma julgadora abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018 (posteriormente à retirada de pauta do processo da reunião de abril e também após a publicação da pauta do mês de maio de 2018), vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por incluir no objeto da diligência a análise dos documentos em questão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório ORIGINAL INDÚSTRIA COMÉRCIO NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. ME, AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA, PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, IVO ANTÔNIO DALLA COSTA, MARCELO DALLA COSTA, IVANA DALLA COSTA, THIAGO DALLA COSTA e MAURÍCIO DALLA COSTA recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02-72.338 proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, afastando tão somente o vínculo de responsabilidade tributária (tributos e multas) atribuído pela Fiscalização às pessoas físicas. Em razão da exclusão de sujeito passivo da relação jurídico-tributária em montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haja vista haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, reproduzo o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1290 a 1339, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 29.660.878,00, assim discriminado: As infrações apuradas e seus respectivos enquadramentos legais foram descritos para o IRPJ a fls. 1295 a 1298 como segue: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentá-los. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme itens 55 a 62 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 RECEITAS DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO, LOCAÇÃO OU CESSÃO DE BENS, IMÓVEIS, MÓVEIS E DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta mensal de prestação de serviços de locação de bens imóveis, conforme itens 39 a 41 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2011 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 518 e 519, § 1º, inciso III, alínea "c", do RIR/99 OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL INFRAÇÃO: GANHOS DE CAPITAL Ganho de capital decorrente de operação de alienação de imóvel, não declarada, conforme demonstrado nos itens 45 a 54 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2012 e 30/09/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 536 e 537 do RIR/99. DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS INFRAÇÃO: RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Rendimentos de aplicações financeiras não declarados, conforme demonstrado nos itens 42 a 44 do Termo de Verificação Fiscal L-088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2011 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 536 do RIR/99 As infrações apuradas para os demais lançamentos foram retratadas para a CSLL a fls. 1307 a 1311, para a Cofins a fls. 1320 a 1321 e para o PIS a fls. 1332 a 1333. Os Autos de Infração consignam ainda PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 80.170.376/0001-83; AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA., CNPJ 07.851.247/0001-60; THIAGO DALLA COSTA, CPF 050.774.399-74; IVANA DALLA COSTA, CPF 023.421.949-19; IVO ANTÔNIO DALLA COSTA, CPF 150.604.389-53; MARCELO DALLA COSTA, CPF 819.844.219-72 e MAURÍCIO DALLA COSTA, CPF 016.521.739-19, como responsáveis solidários pelo crédito tributário, apontando como motivação o seguinte: [Palmali Ind. Alimentos e Agroindustrial Dalla Costa] Empresa integrante do mesmo grupo econômico e que regularmente desviou recursos de suas atividades, para que o contribuinte autuado aplicasse, no mercado financeiro e no mercado imobiliário, em benefício de todo o grupo e dos sócios e familiares das empresas envolvidas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal L-086/2016. [Thiago Dalla Costa e Ivana Dalla Costa] Sócio-administrador da empresa fiscalizada, onde foram cometidas as irregularidades relatadas no Termo de Verificação Fiscal L-086/2016. [Ivo Antônio Dalla Costa, Marcelo Dalla Costa e Maurício Dalla Costa] Sócio-administrador da empresa integrante do mesmo grupo econômico, que regularmente desviou recursos de suas atividades, para que o contribuinte autuado aplicasse, no mercado financeiro e no mercado imobiliário, em benefício de todo o grupo e dos sócios e familiares das empresas envolvidas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal L-086/2016. O procedimento fiscal e as conclusões que dele decorreram estão narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1228 a 1259, sintetizado a seguir. Relata o autor do feito que a contribuinte foi inicialmente intimada, no curso de ação fiscal desenvolvida em empresa do mesmo grupo econômico e familiar a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA , a prestar esclarecimentos sobre transações que envolviam as duas empresas e a apresentar seus livros contábeis dos anos de 2011, 2012 e 2013. Justifica a abertura de procedimento de fiscalização na autuada nos seguintes termos: (...) em levantamento feito junto aos cartórios de registro de imóveis, para subsidiar o arrolamento de bens decorrente da ação fiscal desenvolvida na PALMALI - na qual o contribuinte foi responsabilizado pelo crédito tributário constituído - constatou-se a existência de mais de uma centena de imóveis de sua propriedade [da autuada], localizados em Curitiba e divididos em dois prédios recém concluídos. Informa que, no Termo de Início de Ação Fiscal, foram requisitados os documentos e esclarecimentos abaixo: a) Apresentar seus livros Diário e Razão dos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014; b) Justificar a origem dos recursos utilizados na conclusão das unidades imobiliárias de sua propriedade, localizadas nos edifícios REAL PLAZA FLAT SERVICE e PRINCESS BETINA, ambos em Curitiba, cuja retomada da construção e conclusão se deu no período abrangido pela ação fiscal; c) Justificar a origem dos recursos utilizados no pagamento dos apartamentos adquiridos, no período coberto pela ação fiscal, no Edifício REAL PLAZA FLAT SERVICE; d) Apresentar documentos que comprovem o custo de aquisição do apartamento localizado no Edifício INFANTE DOM HENRIQUE, em Maringá, objeto de dação em pagamento ao Banco BVA S/A, no ano de 2012. Conta que o Termo de Início foi complementado pela solicitação de apresentação dos extratos de contas bancárias dos anos de 2011 a 2014, não atendida pela contribuinte, que deixou de apresentar ainda seus livros contábeis, além das informações solicitadas no Termo de Início de Ação Fiscal. Revela que, diante da omissão do sujeito passivo, emitiu a Requisição de Informações de Movimentação Financeira, para obtenção, junto aos estabelecimentos bancários, dos extratos de contas da empresa dos anos abrangidos pela ação fiscal. E, após análise dos documentos, intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos sobre a movimentação detectada. Afirma que a intimação foi mais uma vez ignorada. Em seguida, discorre sobre as receitas declaradas pela empresa em DIPJ/ECF: As receitas coincidem, nos anos de 2011, 2012 e 2013, com as despesas de aluguel contabilizadas pela PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, empresa pertencente ao mesmo grupo familiar e locatária do imóvel localizado em Palmas - PR, constante da matrícula 2949 do Cartório de Registro de Imóveis daquele município. No ano de 2014 a PALMALI inicialmente transmitiu ao Sistema Público de Escrituração Digital - SPED, um arquivo praticamente todo zerado, que não permitia conferir os valores dos alugueis pagos à ORIGINAL. Posteriormente, em 29/07/2016 a PALMALI substituiu aquele arquivo por outro, supostamente com sua movimentação completa. Neste arquivo, os alugueis pagos à ORIGINAL conferem exatamente com as receitas declaradas por esta, até o mês de julho de 2014. A partir de agosto, a PALMALI deixou de contabilizar qualquer despesa de aluguel relacionada com a ORIGINAL. No entanto, como os valores trimestrais são compatíveis com aqueles contabilizados nos meses de maio a julho/2014, podemos considerar que todas as receitas declaradas pela ORIGINAL têm esta origem. Reproduz então as informações prestadas pela empresa para esclarecer a origem dos recursos utilizados na compra de imóvel localizado em Palmas, adquirido por R$ 3.177.000,00: A origem dos recursos para compra do imóvel decorre de alugueis da empresa, já que o seu objeto social é a administração de bens próprios, compra e venda, incorporação imobiliária e locação de imóveis próprios. Sobre tal afirmativa, tece as seguintes considerações: a) O imóvel era de propriedade da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS, empresa de propriedade de IVO ANTONIO DALLA COSTA, pai dos sócios da empresa fiscalizada, THIAGO DALLA COSTA e IVANA DALLA COSTA. b) Em 08/04/2005 este imóvel foi penhorado em execução movida pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, nos autos do executivo fiscal 05/99 da Vara Cível de Palmas. c) O imóvel foi a leilão, sendo arrematado em segunda praça, realizada em 26/07/2007, pela Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural - CODAL, pelo valor de R$ 2.640.000,00, a ser pago em 60 parcelas mensais e sucessivas de R$ 44.000,00, corrigidas pela taxa Selic. Pelos termos da carta de arrematação, o imóvel foi transferido para a CODAL, gravado com hipoteca em favor do INSS, conforme R.2 da Matrícula 2949. d) Logo em seguida, em 10/10/2007, os direitos da arrematação foram repassados pela CODAL para a ORIGINAL, que assumiu o compromisso de efetuar todos os pagamentos. e) Posteriormente, em 04/04/2012, sem que houvesse sido levantada a hipoteca em favor do INSS - o que até a data da certidão obtida em cartório, 23/10/2015, não havia acontecido - a CODAL lavrou escritura transferindo o imóvel para a ORIGINAL. E conclui que: a) Na arrematação do imóvel, em 26/07/2007, a CODAL serviu de mera intermediária para arrematar um imóvel pertencente à PALMALI, objeto de execução fiscal por dívidas previdenciárias, e em seguida repassá-lo para a ORIGINAL, empresa de familiares do proprietário da PALMALI, que nunca deixou de utilizar o referido imóvel. Isto caracteriza uma evidente fraude à execução. b) As receitas de alugueis contabilizadas pela ORIGINAL, nunca foram suficientes para pagar as parcelas da arrematação feita pela CODAL e assumidas pela ORIGINAL. Em 2011 a ORIGINAL declarou receitas mensais de R$ 20.000,00, quando a prestação mensal assumida pela compra do imóvel era R$ 44.000,00 mais variação acumulada da Selic. E, nos anos anteriores a 2011, tais receitas sempre foram ainda menores, sendo que em 2007 - ano da compra - e 2008 a ORIGINAL simplesmente não declarou receita alguma. Salienta que, na ação fiscal realizada na PALMALI, constatou uma intensa movimentação financeira entre as duas empresas, com sucessivas transferências bancárias enviadas e recebidas pela PALMALI para a ORIGINAL e desta para a PALMALI, para apontar que tal fato também demonstra que, ou a ORIGINAL tinha outras receitas, ou funcionava como um "caixa dois" da PALMALI. Noticia que estas transferências foram verificadas também na contabilidade de outra empresa ligada, a AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA. A respeito do levantamento de bens da empresa para garantia de crédito tributário registra que: (...) como já mencionado anteriormente, na busca de bens para fins de arrolamento decorrente do crédito tributário constituído contra a PALMALI, além dos dois imóveis que a ORIGINAL informou possuir, constatamos a existência de nada menos que 123 (cento e vinte e três) imóveis localizados em dois edifícios em Curitiba, edifícios estes cujas obras iniciaram-se nas décadas de 1980/1990, ficaram paralisadas por muitos anos e foram retomadas e concluídas no período fiscalizado. Parte destes imóveis, embora integralizados ao capital da ORIGINAL, nunca foram registrados em seu nome no respectivo Cartório de Registro de Imóveis, permanecendo até hoje em nome dos antigos proprietários. Conforme pesquisas feitas na internet, constatamos que estes dois edifícios em que a ORIGINAL possuía unidades imobiliárias - os edifícios REAL PLAZA FLAT SERVICE e PRINCESS BETINA - tiveram sua conclusão feita em regime de condomínio administrado pelos proprietários, entre os anos de 2012 e 2014. Então, diante da falta de atendimento às diversas intimação lavradas contra o contribuinte e da falta de apresentação de seus livros contábeis, procuramos obter mais evidências dos investimentos feitos pela ORIGINAL diretamente junto a estes condomínios. Com relação ao REAL PLAZA FLAT SERVICE, o síndico do mesmo apresentou um demonstrativo dos investimentos feitos pela ORIGINAL nos anos de 2011 a 2014, que totalizaram R$ 2.805.328,53 (ver informações sobre o edifício, intimação e resposta nas fls. 814/826 do processo). No entanto, com relação ao EDIFÍCIO PRINCESS BETINA, o síndico inicialmente ignorou as intimações enviadas. E, depois (...) alegou: "1. O Edifício Princess Bettina, apenas em caráter visual apresenta estar terminado, atualmente não reúne condições de utilizações em razões dos seguintes motivos: "a) Não tem ligação definitiva de Luz, "b) Não tem ligação definitiva de água junto a Sanepar, "c) Não tem contrato de manutenção de elevador, "d) Não tem certidão de recolhimento do ISS junto a Prefeitura, "e) Possui uma dívida de IPTU superando a casa dos R$ 300.000,00. "Em razão dos problemas acima o Edifício não consegue o C.V.C.O (Certificado e Vistoria e Conclusão de Obras) e, portanto, não pode ser habitado." Destaca que os extratos bancários obtidos junto às duas instituições financeiras onde a empresa mantinha conta corrente, Bradesco e Sicoob, mostraram uma movimentação extremamente elevada, e absurdamente incompatível com as receitas declaradas, e rejeita a informação recebida da contribuinte de que "a origem dos recursos para compra do imóvel decorre de alugueis da empresa". Pondera que as receitas declaradas, nos quatro anos fiscalizados, totalizaram apenas pouco mais de R$ 700.000,00 (setecentos MIL reais), enquanto sua movimentação bancária, no mesmo período, foi superior a R$ 700.000.000,00 (setecentos MILHÕES de reais). Descreve os critérios adotados na análise da movimentação bancária: (...) procedemos a uma depuração da movimentação registrada nos extratos, onde desconsideramos ou consideramos como de origem/destinação comprovadas as seguintes movimentações: a) Transferências entre as contas do Bradesco e do Sicoob, de mesma titularidade; b) Lançamentos decorrentes de aplicações financeiras e de resgates destas aplicações; c) Lançamentos de estornos e os lançamentos originais, que foram estornados; d) Lançamentos com correspondência na contabilidade da PALMALI e da IRMÃOS DALLA COSTA. (...) restou ainda uma movimentação expressiva, cuja origem não pôde ser verificada, pela falta de apresentação dos livros contábeis do contribuinte mas que, certamente, não decorre de suas receitas operacionais, irrisórias diante de tal movimentação. Diz que, em decorrência de tais verificações, lavrou intimação para que fosse justificada a origem e a destinação dos recursos e que a falta de resposta da contribuinte determinou a apuração dos tributos devidos com base nas informações disponíveis. Assinala que: O contribuinte foi intimado, através dos Termos L-009/2015, L-051/2015 e L-066/2015 a apresentar seus livros contábeis. Nenhuma destas intimações foi atendida. Nos anos-calendário de 2011, 2012 e 2013 o contribuinte manteve escrituração contábil, conforme informação constante da ficha 01 da DIPJ. A partir do ano-calendário de 2014 esta informação deixou de constar da ECF - Escrituração Contábil Fiscal, que substituiu a DIPJ, sendo substituída, no Registro 0010 - Parâmetros de Escrituração, pela informação do "tipo de escrituração", onde a letra "C" significa escrituração contábil, com a obrigatoriedade da transmissão da Escrituração Contábil Digital - ECD e a letra "L" pode significar escrituração em Livro Caixa, mas também se refere às empresas que, mesmo mantendo escrituração contábil, estão dispensadas da transmissão da ECD. (...) o contribuinte estava obrigada a manter escrituração contábil, nos termos da legislação em vigor, ou seja, com a escrituração dos livros Diário e Razão - o que informou em DIPJ ter feito nos anos de 2011, 2012 e 2013 - e, pelo menos o livro Caixa no ano de 2014. A falta de apresentação destes livros justifica e, mais que isto, impõe a desconsideração da opção pelo Lucro Presumido e sua substituição pelo Lucro Arbitrado nos quatro anos abrangidos pela ação fiscal. Em seguida, expõe o critério utilizado para apurar a diferença de valores devidos em decorrência do arbitramento: [a empresa] declarou que todas as suas receitas eram provenientes da locação de imóveis, informação esta corroborada pelos registros contábeis da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS, que mostram, até julho de 2014, despesas de alugueis, vinculadas ao contribuinte, em valores coincidentes com as receitas declaradas. Desta forma, no geral está correta a apuração do Lucro Presumido feita pelo contribuinte, com a utilização do coeficiente de presunção de 32%, conforme art. 15, § 1º, inciso III, "c" da Lei 9.249/95. E, conforme art. 16 da mesma Lei, no caso de Lucro Arbitrado, aplica-se o mesmo coeficiente de presunção, acrescido de 20%, ou seja, o Lucro Arbitrado corresponderá a 38,4% da receita. É assim que devemos calcular as diferenças devidas, em relação aos valores declarados pelo contribuinte, em decorrência do arbitramento do lucro. Os valores devidos, os valores declarados pelo contribuinte e as diferenças decorrentes do arbitramento estão demonstrados na tabela a seguir. Foram desconsiderados os dois primeiros trimestres do ano de 2011, em virtude dos mesmos já terem sido alcançados pela decadência. O arbitramento do lucro afeta apenas o cálculo do Imposto de Renda, não causando qualquer impacto na apuração dos demais tributos e contribuições. Prossegue esclarecendo como foram determinados os valores de omissão de receitas financeiras e de ganho de capital na alienação de imóvel localizado em Maringá, Paraná. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Em nenhum dos períodos fiscalizados o contribuinte declarou qualquer receita que não fosse aquelas decorrentes do aluguel de imóvel para a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA. No entanto, os extratos bancários obtidos demonstram que a existência de aplicações financeiras eram rotineiras. Seja na tributação com base no Lucro Presumido, adotada pelo contribuinte, seja no Lucro Arbitrado, aplicado pelo fisco, tais rendimentos não se submetem aos coeficientes de presunção ou arbitramento, devendo ser adicionados ao Lucro Presumido ou ao Lucro Arbitrado apurado sobre as receitas operacionais e não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Conforme informação constante de DOI - Declaração de Informação Imobiliária, transmitida pelo 23º Tabelião de Notas de São Paulo, em agosto de 2012 o contribuinte alienou um imóvel, localizado em Maringá, pelo valor de R$ 1.000.000,00. Tal alienação não apenas não consta dos demonstrativos de apuração do IRPJ daquele ano, como também não consta, na ficha 36 da DIPJ - onde é transcrito o Balanço Patrimonial do contribuinte - qualquer alteração em seu Ativo Imobilizado ou no estoque, que demonstre tal alienação. A escritura de alienação do imóvel, lavrada em 13/08/2012, foi obtida junto ao tabelião que a lavrou, demonstrando que tal alienação deu-se por dação em pagamento, ao Banco BVA S/A, em amortização parcial de dívida de responsabilidade da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, pelo valor pactuado de R$ 1.000.000,00. Como o contribuinte não apresentou seus livros contábeis e também não atendeu à intimação contida no item 8.4 do Termo de Início de Ação Fiscal - Termo L-066/2015 - para comprovar o custo de aquisição do imóvel alienado, obtivemos junto ao 2º Ofício de Registro de Imóveis de Maringá, onde o imóvel está registrado, cópia de sua ficha-matrícula, onde se constata que a aquisição deu-se pelo R-7-29893, protocolado em 14/09/2007, pelo valor de R$ 140.000,00. O valor contábil do imóvel não poderia ser diferente deste valor, acrescido das despesas de ITBI, Funrejus, lavratura da escritura e registro. Qualquer reavaliação ou atualização posterior destes valores deve ser desconsiderada, em obediência ao disposto no art. 536, § 5º, II do RIR/99. E como o contribuinte não apresentou seus registros contábeis ou qualquer documento para comprovar outros custos, consideramos apenas aqueles constantes da ficha-matrícula fornecida pelo Registro de Imóveis, ou seja: Custo de aquisição constante da matrícula R$ 140.000,00 ITBI - 2º sobre o valor do imóvel R$ 2.800,00 Funrejus constante da matrícula R$ 280,00 CUSTO TOTAL DO IMÓVEL ALIENADO R$ 143.080,00 VALOR DA VENDA R$ 1.000.000,00 GANHO DE CAPITAL APURADO R$ 856.920,00 O ganho de capital acima deve ser adicionado ao Lucro Arbitrado apurado no 3º trimestre de 2012, para fins de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro devidos. a) Caso o imóvel alienado se destinasse à venda, deveria estar registrado como "estoque" na contabilidade do contribuinte. E, embora o contribuinte não tenha apresentado seus registros contábeis, o Balanço Patrimonial, a linha 05 da ficha 36A das DIPJs dos exercícios 2012 e 2013 (que mostra a situação patrimonial em 31/12/2010, 31/12/2011 e 31/12/2012) sempre aparece zerada, demonstrando a inexistência de qualquer imóvel com esta destinação; b) Fosse o imóvel adquirido com intenção de venda, esta teria sido realizada muito tempo antes, sem que decorressem cinco anos entre a aquisição e a alienação. c) E o mais importante: a aquisição do imóvel ocorreu em setembro de 2007. Nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física daquele ano, transmitidas em maio de 2008 pelo sócio do contribuinte, THIAGO DALLA COSTA e por seu pai, IVO ANTONIO DALLA COSTA, ambos informaram a alteração de seus endereços para a Praça Manoel Ribas, 12, apto. 140, ou seja, exatamente o endereço do imóvel. E este endereço permanece até hoje. [Por tais motivos] está demonstrado que o imóvel foi adquirido para uso da família do sócio do contribuinte, que permanece usando-o, provavelmente sob a forma de locação, mesmo após a sua alienação. Logo não procede qualquer eventual alegação de tributação desta alienação como receita operacional. Trata então da omissão de receitas, caracterizada pela não comprovação da origem de créditos bancários, descrevendo os confrontos realizados com a contabilidade das empresas PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, com o objetivo de buscar a origem dos depósitos bancários: Nos itens 13.1 e 13.2 do Termo L-051/2016 o contribuinte foi intimado a demonstrar a origem de créditos decorrentes de TEDs, DOCs, Transferências e Depósitos, creditados em suas contas no Bradesco e Sicoob, que totalizaram R$ 4.278.429,64, decorrentes de créditos de TEDs, DOCs e Transferências, demonstradas no Anexo I que acompanhou o referido Termo e R$ 76.436.818,18 decorrentes de Depósitos efetuados em suas contas e demonstrados no Anexo II do mesmo Termo. Ainda, no item 13.3 do mesmo Termo, foi intimado a identificar a origem e apresentar documentos que comprovassem a origem dos lançamentos a crédito, decorrentes de depósitos, TED, DOC ou transferências, recebidas em sua conta no Bradesco, cujos históricos faziam menção às empresas ligadas PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, mas que não constavam dos registros contábeis destas empresas. Estes lançamentos foram relacionados no Anexo III do referido Termo e totalizaram nada menos que R$ 110.129.366,40. O contribuinte não atendeu à intimação e, portanto, não comprovou a origem dos créditos demonstrados nos Anexos I, II e III do Termo L-051/2016. No entanto, antes de proceder ao lançamento, fizemos nova consulta ao SPED, constatando que a PALMALI havia transmitido, em 29/07/2016, novos arquivos com seus registros contábeis do ano de 2014. Baixamos então este novo arquivo, que supostamente contém a movimentação correta da PALMALI e procedemos a uma nova conferência com os créditos que constavam dos anexos I, II e III do Termo L-051/2016, encontrando ali a comprovação da origem para uma parte expressiva dos créditos que constavam da Intimação. Consideramos estes créditos como comprovados, pelo mesmo critério que já havíamos adotado na análise feita antes da lavratura do Termo L-051/2016: se o crédito constante dos extratos bancários do contribuinte continha contrapartida na contabilidade das empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, foram considerados como provenientes de repasses feitos por estas empresas; Estes valores, que totalizaram R$ 44.319.639,91, estão listados no Anexo I, que acompanha o presente Termo. Foi considerado comprovado ainda um crédito de R$ 760.000,00, em 18/06/2013, como será explanado adiante (...). E, no anexo II são listados, de forma individual como determina a legislação, os créditos remanescentes que são objeto de lançamento de ofício, como OMISSÃO DE RECEITAS, conforme determina o art. 42 da Lei 9.430/96. Elucida os motivos para adoção dos coeficientes de arbitramento de 9,6% e de 12%, aplicados sobre a receita omitida, para apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente: Na resposta ao item 2.4 do Termo de Intimação L-009/2015, o contribuinte declarou: "R. as receitas decorrem dos imóveis acima identificados. Os imóveis foram locados no período para as empresas: AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA (CNPJ 07.851.247/0001-60) e PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ 80.170.376/0003-45)." Por esta resposta, a conclusão seria que o contribuinte estaria sujeito aos coeficientes de arbitramento previstos no art. 15, § 1º, inciso III, combinado com os arts. 16 e 20 da Lei 9.249/95, ou seja, 38,4% para o cálculo do Imposto de Renda e 32% para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. No entanto, embora no Termo L-009/2015 o contribuinte tenha sido intimado a informar "a origem das receita auferidas", o óbvio que a resposta do contribuinte se refere apenas às receitas declaradas por ele em DIPJ. (...) independente do que dispõe o Contrato Social, o importante é a origem de fato das receitas omitidas pelo contribuinte, caracterizadas pela existência de créditos bancários de origem não comprovada. Uma coisa é certa: estas receitas não são decorrentes da locação de imóveis. Esta afirmativa decorre de duas conclusões: a) Na resposta ao Termo L-009/2015 o contribuinte afirmou possuir apenas três imóveis, sendo um locado para a Palmali (o imóvel da matrícula 2949 do R. I. de Palmas) e outro, localizado em Maringá, cedido em comodato para a Irmãos Dalla Costa. b) Os imóveis omitidos cuja propriedade foi escondida pelo contribuinte - uma sala comercial, 87 vagas de garagem e 55 apartamentos no Edifício Real Plaza Flat Service e 51 apartamentos e 14 vagas de garagem no Edifício Princess Betina, estavam em fase de obras no período fiscalizado, tendo sido concluídos somente em 2015. Portanto, ainda não haviam gerado receitas naqueles anos. A intensa movimentação de recursos entre o contribuinte fiscalizado e as duas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, ambas atuando no ramo de frigorífico e a atuação do contribuinte como "caixa 2" destas empresas, como será visto adianta, justifica a conclusão que os créditos bancários de origem não comprovada foram provenientes de receitas omitidas por estas duas empresas, levando assim à aplicação do coeficiente de arbitramento de 9,6%, para fins de apuração do Imposto de Renda e de 12% para cálculo da Contribuição Social, conforme previsto no art. 15, caput, combinado com os arts. 16 e 20 da Lei 9.249/95. Pontua que a contribuinte foi regularmente intimada a: identificar os beneficiários de transferências bancárias, cheques emitidos e pagamentos efetuados ou, nos casos de beneficiários identificados nos extratos, a origem dos recursos; bem como demonstrar a causa de tais transferências ou pagamentos. Relata que, diante da omissão da contribuinte, buscou verificar a causa dos pagamentos e transferências nos arquivos transmitidos pela PALMALI para o SPED, como também nos próprios extratos bancários, conforme excertos do TVF reproduzidos abaixo: Apesar disso, em virtude da transmissão de um novo arquivo ao SPED, feito pela PALMALI em 29/07/2016, com seus registros contábeis de 2014, procedemos a uma nova análise destes pagamentos e transferências, aceitando como comprovados todos aqueles que tinham contrapartida na contabilidade da PALMALI, assim como já havíamos feitos com relação a todas as transações que tinham correspondência na contabilidade da própria PALMALI e também da IRMÃOS DALLA COSTA, nos anos anteriores. As transferências e pagamentos assim aceitos estão relacionados no Anexo III, que acompanha o presente Termo e totalizaram R$ 51.225.288,73. Procedemos ainda a uma nova e profunda análise dos pagamentos listados nos anexos VI, VII e VIII do Termo L-051/2016, procurando identificar, pelos históricos dos extratos bancários, valores que poderiam ser justificados. Nesta análise, verificamos inclusive escrituras de compra de imóveis. Porém, esta análise justificou apenas três novos pagamentos - além daqueles que já haviam sido deixados de fora do Termo L-051/2016, no valor total de R$ 945.000,00. Os pagamentos considerados como comprovados foram os seguintes: a) Débito no Bradesco em 18/12/2012, no valor de R$ 760.000,00, referente a TED enviada para Gerard Van Leihout. Localizamos o contribuinte Gerardus Johannes Cornelius Adrianus Maria Van Lieshout, CPF 644.972.083-20, que declarou o recebimento de um empréstimo da PALMALI, em 19/12/2012, neste valor. E declarou o pagamento deste empréstimo em 18/06/2013, data em que há um crédito na conta da ORIGINAL, neste mesmo valor. Assim, esta operação comprovou o débito em 2012 e o crédito em 2013, já mencionado anteriormente no item 60. b) Débito no Bradesco, no dia 23/09/2013, no valor de R$ 50.000,00, referente a TED enviada para ADILSON DE SOUZA. Entre os imóveis comprados pelo contribuinte no período fiscalizado, localizamos o apartamento 1506 do Edifício Real Plaza, adquirido em 20/09/2013 junto a Adilson de Souza, por este mesmo valor. c) Débito no Bradesco, no dia 30/07/2014, no valor de R$ 135.000,00, referente a "cheque OP". Entre os imóveis comprados pelo contribuinte no período fiscalizado, localizamos o apartamento 503 do Edifício Real Plaza, adquirido em 29/07/2014 junto a Toshi Yomura e outros, neste mesmo valor, cuja escritura menciona o pagamento através de cheque administrativo do Bradesco. Restarem sem comprovação do beneficiário ou da causa, pagamentos, cheques e transferências que totalizaram R$ 118.084.506,65, relacionados nos Anexo IV, V e VI e que são objeto de autuação, por se enquadrarem no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda. Entre estes pagamentos, 255 foram decorrentes da emissão de cheques, de pagamentos por débito em conta ou de transferências bancárias para os quais não há qualquer indicação do beneficiário. Estes pagamentos totalizaram R$ 9.977.399,52 e estão relacionados no Anexo IV, que acompanha o presente Termo. O maior volume de pagamentos sem causa foi representado por transferências supostamente destinadas a empresas ou pessoas ligadas, mas que não foram contabilizadas nas empresas destinatárias ou não foram declaradas pelas pessoas supostamente beneficiárias. Estas transferências totalizaram R$ 96.585.635,70, estão relacionadas no Anexo V e supostamente teriam tido os seguintes destinatários: a) R$ 5.245.978,62 teriam sido transferidos para a PALMALI, nos anos de 2012, 2013 e 2014, mas não constam dos registros contábeis daquela empresa. b) R$ 1.575.840,00 teriam sido transferidos para a IRMÃOS DALLA COSTA, nos anos de 2012 e 2013, mas não constam dos registros contábeis daquela empresa. c) R$ 82.862.617,08 teriam sido transferidos para a IRMÃOS DALLA COSTA no ano de 2014 e sua conferência não foi possível pela falta de apresentação dos livros contábeis da empresa fiscalizada e pela falta de transmissão dos arquivos contábeis ao SPED, por parte da suposta beneficiária destas transferências. d) R$ 6.901.200,00 teriam tido como beneficiários a sócia da empresa, IVANA DALLA COSTA. Devemos lembrar que, no Anexo V do Termo L-051/2016 foram listadas transferências para esta sócia no montante de R$ 8.402.650,00. Parte deste valor foi aceito como comprovado por ter sido demonstrado, pela análise dos registros contábeis da PALMALI, que aquela empresa havia sido a real beneficiária destas transferências, tendo as mesmas sido lá contabilizadas. Restaram as transferência relacionadas no Anexo V do presente Termo, para as quais não foi comprovada a causa. Finalmente, foram feitos diversos pagamentos a beneficiários supostamente identificados nos históricos dos lançamentos constantes dos extratos, mas para os quais não existe causa que justifique tais pagamentos. Estes pagamentos totalizaram R$ 11.521.471,43, estão relacionados no Anexo VI e tiveram a seguinte destinação: a) Débitos no Bradesco, nos dias 14 e 15/03/2012, nos valores de R$ 215.000,00 e R$ 45.000,00, respectivamente, cujos históricos mencionam "Intercasing Ind. Com. Ltda". Localizamos no Portal NFe a nota fiscal 2555 desta empresa, emitida em 12/03/2012, no valor de R$ 260.000,00, referente à venda de um automóvel marca Range Rover, modelo Evoque. b) Débito no Bradesco, no dia 02/07/2012, no valor de R$ 62.500,00, cujo histórico menciona "Zacarias Veículos". Localizamos no Portal NFe a nota fiscal 110091 desta empresa, emitida na mesma data e no mesmo valor, referente à venda de uma camionete marca Chevrolet, modelo S10 LS. c) Débitos no Bradesco nos dias 09/05/2012, 18/02/2013 e 19/02/2013, nos valores, respectivamente, de R$ 2.519,17, R$ 3.374,79 e R$ 2.342,67, referentes a pagamentos de IPVA dos veículos acima, e de uma BMW X6, adquirida em 2011. d) Diversos pagamentos feitos nos anos de 2012, 2013 e 2014 para a Air BP Brasil Ltda e para Atinaiur Antonio Pires Sapper, referente a 29 notas fiscais, no valor total de R$ 126.015,64. Estas notas fiscais se referem ao fornecimento de querosene de aviação, que poderia ser classificada como custo operacional, não fosse pelo fato de que o contribuinte não possui nenhum avião registrado em seu nome - pelo menos, que seja de conhecimento do fisco - de forma que estes pagamentos devem ter se destinado terceiros não identificados. e) Diversas transferências feitas em 2012, 2013 e 2014, via TED para Jocler Jeferson Procópio. Foram dezoito transferências no valor total de R$ 280.737,32, Jocler é advogado e aparece, em algumas escrituras de aquisição de imóveis feitas pelo contribuinte, como seu procurador, porém não declarou qualquer rendimento de serviços prestados para o contribuinte. Portanto, na falta de comprovação, é de se supor que tais pagamentos se refiram a honorários por serviços prestados e não tributados. f) Cinco transferências feitas em abril, novembro e dezembro de 2014, que apontam como destinatário a empresa Brassul Construções Civis Ltda, nos dias 22 e 23/04/2014, 18/11/2014 e 09 e 17/12/2014, no valor total de R$ 6.000.000,00. g) Duas transferências no dia 07/04/2014, que apontam como destinatários Odanir Angelo Farinella e Farinella Comércio e Transportes Ltda, no valor total de R$ 1.500.000,00. h) Transferências no dia 29/04/2013, que aponta como destinatário Bio-Tee Sul América, no valor de R$ 760.000,00. i) Transferências feitas entre os meses de junho e dezembro de 2014, que apontam como destinatária a empresa Athos Gestão e Serviços Ltda. Foram 24 transferências no valor total de R$ 284.000,00. j) Transferências no dia 04/12/2014, que aponta como destinatário Infiniti Importadora de Veículos, no valor de R$ 350.194,78. k) Diversos outros pagamentos, num total de 78 lançamentos a débito, no valor total de R$ 1.889.787,06, para diversos beneficiários, cuja causa também não foi comprovada. O contribuinte não apresentou seus livros contábeis e não atendeu à intimação para identificar os beneficiários e as causas destes pagamentos, assim como nem ao menos comprovou a sua contabilização - não que tal contabilização fosse suficiente para afastar a hipótese da incidência tributária. Para isto, os beneficiários dos pagamentos e sua causa teriam que ser suficientemente demonstrados. Entre estas transferências, especialmente uma chama atenção e foi feita no dia 03/02/2014, no valor de R$ 5.000.000,00 e débito no Bradesco com o histórico "transf CC para CC PJ" e o complemento "o mesmo". Ora, a expressão "o mesmo" deveria indicar que a transferência teria sido feita para outra conta do mesmo titular, o que não ocorreu, pois não aparece o crédito na única outra conta do contribuinte, aquela mantida no Sicoob. Na verdade, este é apenas um artifício usado por muitos correntistas, com a cumplicidade das instituições financeiras, para burlar as normas do Banco Central e não identificar o beneficiário e o remetente de transferências bancárias. Não custa lembrar que este artifício foi usado em centenas de depósitos creditados na conta do contribuinte, cuja origem também não foi comprovada. Quanto às transferências mencionadas no item 77 e relacionadas no Anexo V, que supostamente teriam como destinatárias as empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, relacionadas no Anexo V, cabe ressaltar mais uma vez que, antes de lavrarmos o Termo de Intimação L- 051/2016, já havíamos excluídos da movimentação bancária do contribuinte, débitos que tinham contrapartida na contabilidade destas empresas nos anos de 2011, 2012 e 2013 e que totalizaram R$ 281.259.167,52, sendo R$ 165.630.934,15 destinados à IRMÃOS DALLA COSTA e R$ 115.628.233,37 à PALMALI. Após a lavratura daquele Termo, com a transmissão ao SPED de um novo arquivo com os registros contábeis de 2014, por parte da PALMALI, consideramos como comprovadas transferências que constavam do Termo L- 051/2016 no montante de R$ 51.225.288,73. Portanto, as operações listadas no Anexo IV são aquelas que não tem correspondência nos registros contábeis destas duas empresas, o que pode ter duas causas: a) Ou estas transferências, de fato, tiveram outros beneficiários, não identificados; b) Ou estas transferências, embora realmente tendo como destinatárias as empresas beneficiadas, se destinaram a contas mantidas à margem da contabilidade das mesmas, caracterizando-se assim como pagamentos sem causa. (...) com relação às transferências (...) que supostamente teriam como destinatária a sócia do contribuinte, IVANA DALLA COSTA, também não houve qualquer justificativa para os mesmos. Pelo valor, não deve se tratar de pro-labore - afinal, não houve tributação previdenciária, nem declaração dos rendimentos, por parte da beneficiária. Também não pode ser vistas como distribuição de lucros, pois além da sócia também não ter declarado tais distribuições, a empresa não apresentou seus livros contábeis para comprovara a existência de lucros ou de sua distribuição, bem como, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos fiscalizados, não existe nem a informação da distribuição de tais lucros e muito menos de sua existência. Por último, a suposta beneficiária também não declarou qualquer dívida junto à empresa, que pudesse caracterizar tais valores como empréstimos. Logo, ficam também perfeitamente caracterizados os pagamentos sem causa, previstos no art. 674, § 1º do RIR/99. Quanto aos pagamentos ou transferências (...) relacionados no Anexo VI, embora seus beneficiários tenham sido supostamente identificados pelos históricos constantes dos extratos ou pela análise de notas fiscais eletrônicas emitidas por terceiros contra o contribuinte e obtidas no Portal NFe, continua não existindo justificativa para estes pagamentos. E o contribuinte foi expressamente intimado a justificá-los, mas preferiu silenciar, ficando assim tais pagamentos também enquadrados no art. 674, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda. Avalia, com base nestas verificações, que a contribuinte realizou pagamentos a beneficiários não identificados, ou pagamentos que, embora com os beneficiários supostamente identificados, mas para os quais não foram apresentadas as suas causas, no montante de R$ 118.084.506,65, conforme operações listadas nos Anexos IV, V e VI, sujeitos aos preceitos do artigo 674 do RIR/99, que determina a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 35%, aplicada sobre a base de cálculo ajustada, considerando os valores pagos como rendimento líquido, já deduzido do imposto de renda devido. Observa ainda que: Embora o § 2º do citado art 674 do RIR/99 determine que o Imposto de Renda na fonte, incidente sobre os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, é devido no dia em que ocorrer cada pagamento, por uma questão de simplificação, reunimos todos os pagamentos feitos em cada mês, fazendo um único lançamento de ofício no último dia de cada mês. Este procedimento não traz qualquer reflexo, seja no valor do imposto devido, seja dos acessórios - multa e juros de mora - incidentes. Ressalta, logo depois, o papel da contribuinte na ocultação de patrimônio de outras empresas do grupo: (...) quando analisamos os extratos bancários obtidos, em confronto com os registros contábeis das empresas ligadas, constatamos que uma parte destes débitos não foi registrada na contabilidade daquelas empresas, de forma que, supondo a hipótese otimista de que estas empresas não mantinham contas bancárias à margem de sua contabilidade, tais transferências tiveram, na verdade, outros destinatários. E quando aprofundamos a análise dos créditos decorrentes de depósitos, DOC, TED e transferências, em confronto com os registros contábeis das empresas ligadas, constatamos que, embora sem qualquer menção àquelas empresas, uma parte expressiva destes créditos foram decorrentes de depósitos feitos pela PALMALI, sendo parte deles inclusive registrados na contabilidade daquela empresa. Quanto aos créditos (...) sem identificação de remetente (R$ 2.472.229,50) ou cujo remetente aparece identificado como "o próprio" (R$ 43.007.567,81), (...) a conclusão é óbvia: estes depósitos foram feitos pela própria PALMALI, que depositava diretamente na conta da ORIGINAL, os cheques recebidos de seus clientes. Só que tais depósitos, ao contrário daqueles listados no Anexo I, não foram registrados em sua contabilidade, pela razão, também óbvia, de não ter havido o reconhecidos da receita quando do recebimento destes cheques. Outra evidência de que os créditos não identificados tinham como origem receitas das empresas ligadas é que, entre os 102 créditos com identificação de "outros remetentes", (...) 73 mencionam a Agrícola Jandelle S.A., empresa com a qual a PALMALI mantinha contrato de prestação de serviços de industrialização. (...) a ORIGINAL, na verdade, sempre se beneficiou de recursos repassados pelas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, especialmente a primeira, a maior devedora da Procuradoria da Fazenda Nacional, na seccional de Pato Branco, que jurisdiciona a sede da empresa. Ao mesmo tempo em que supostamente não tem recursos para pagar tributos e encargos previdenciários, a PALMALI repassa regularmente recursos para a ORIGINAL, para que esta faça aplicações financeiras ou imobiliárias ou para que proporcione benefícios aos sócios e familiares das empresas. E esta situação já vigorava antes mesmo do período fiscalizado. No item 19, quando abordamos a compra do imóvel objeto da matrícula 2949 do Registro de Imóveis de Palmas, onde funciona a unidade frigorífica operada inicialmente pela PALMALI e atualmente pela IRMÃOS DALLA COSTA, demonstramos que, entre os anos de 2007 e 2010, quando declarou receitas de apenas R$ 470.000,00, o contribuinte pagou aproximadamente R$ 2.253.000,00 referente à entrada pela aquisição daquele imóvel junto à Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural Codal S/A, que serviu de "laranja" naquela aquisição e as prestações assumidas por aquela empresa perante o INSS e transferidas para a ORIGINAL por instrumento particular assinado logo após a arrematação. No período fiscalizado, 2011 a 2014, embora tenha declarado receitas de apenas R$ 700.580,72, como vimos no item 14, a análise dos extratos bancários, em conjunto com outras informações levantadas no curso da ação fiscal, demonstra que a ORIGINAL fez, pelo menos, os seguintes gastos, cobertos em sua maior parte por recursos fornecidos pelas empresas ligadas: a) Prestações pagas ao INSS referente ao valor corrigido nas parcelas do imóvel arrematado pela CODAL e transferido para o contribuinte, no valor de aproximadamente R$ 1.138.000,00; b) DOCs ou TEDs enviados para o Condomínio Edifício Real Plaza Flat Service (137 transferências no valor de R$ 3.352.037,87), referente à aquisição de unidades inacabadas naquele edifício e gastos decorrentes da conclusão das obras do mesmo; c) TED de R$ 50.000,00 (em 23/09/2013) teve como destinatário Adilson de Souza, referente à aquisição dos direitos sobre um apartamento no Edifício Real Plaza; d) Cheque administrativo no valor de R$ 135.000,00 (em 30/07/2014) teve como beneficiário Toshi Yomura e outros, referente à aquisição de um apartamento no Edifício Real Plaza; e) Pagamento de cobrança no valor de R$ 330.000,00 (em 19/07/2011) teve como beneficiária a Euro Import Comércio e Serviços Ltda, referente à compra de um veículo marca BMW modelo X6, conforme nota fiscal 14368; f) TEDs emitidas nos dias 14 e 15/03/2012, nos valores de R$ 215.000,00 e R$ 45.000,00, respectivamente, tiveram como destinatária a Intercasing Ind. Com. Ltda, referente à compra de um veículo marca Range Rover modelo Evoque, conforme nota fiscal 2555; g) Pagamento de cobrança no valor de R$ 62.500,00 (em 02/07/2012) teve como beneficiária a Zacarias Veículos Ltda, referente à compra de um veículo marca Chevrolet, modelo S10, conforme nota fiscal 110091; h) TED emitida em 04/12/2014, no valor de R$ 350.194,78, teve como destinatária a empresa Infiniti Importadora de Veículos Ltda, porém não localizamos nenhuma nota fiscal emitida por esta empresa, que justificasse este pagamento. Provavelmente se refere à aquisição de algum veículo de luxo, usado, e que não foi transferido para o adquirente; Além disso, na pesquisa que fizemos no SPED NFe, com a baixa de notas fiscais emitidas contra o contribuinte, localizamos algumas notas que servem para demonstrar como a empresa utilizava os recursos recebidos das outras duas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, não apenas para investimentos, mas também para pagar luxos que beneficiaram diretamente seus sócios e familiares. (...) a origem dos recursos aplicados torna-se ainda mais evidente pelos seguintes exemplos: a) Em 16/02/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 3.560.000,00; no mesmo dia, fez duas transferências, uma para a própria Dalla Costa, de R$ 225.000,00 e outra para a Palmali, de R$ 150.000,00. Assim, o valor líquido recebido das empresas ligadas foi de R$ 3.185.000,00. Nesta data foi feita aplicação de R$ 3.177.415,20; b) Em 05/03/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Palmali de R$ 1.430.000,00 e fez uma transferência para a própria Palmali de R$ 30.000,00, além de outra para a Dalla Costa, de R$ 400.000,00. Assim, o valor líquido recebido das empresas ligadas foi de R$ 1.000.000,00. Nesta data foi feita aplicação de R$ 999.748,00; c) Em 10/05/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 1.800.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 340.000,00, restando-lhe R$ 1.460.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 1.459.980,00; d) Em 18/05/2012 o contribuinte recebeu duas transferências da Dalla Costa, nos valores de R$ 6.000.000,00 e R$ 280.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 389.000,00, restando-lhe R$ 5.891.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 5.890.380,00; e) Em 01/08/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 600.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor; f) Em 21/01/2012 o contribuinte recebeu duas transferências da Palmali, nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 230.000,00; recebeu ainda uma transferência da Dalla Costa de R$ 960.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 20.000,00, restando-lhe R$ 1.270.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 1.269.847,92; g) Em 03/12/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 1.800.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor; h) Em 06/02/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa de R$ 3.879.000,00 e outra da Palmali, de R$ 51.000,00; fez ainda seis transferências para a Palmali, no valor total de R$ 1.205.350,00, restando-lhe R$ 2.725.150,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 2.718.878,40; i) Em 06/11/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 960.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor; j) Em 19/12/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa de R$ 5.590.000,00 e duas da Palmali, nos valores de R$ 153.237,50 e R$ 245.376,00, totalizando R$ 5.988.613,50; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 5.988.270,00; As operações listadas acima são apenas alguns exemplos da relação entre repasses feitos pela PALMALI e pela IRMÃOS DALLA COSTA e aplicações financeiras feitas pelo contribuinte e servem para evidenciar o óbvio: como não dispunha de receitas próprias, o contribuinte servia como intermediário para aplicações financeiras feitas pelas empresas ligadas, até como forma de evitar a existência de saldos bancários elevados em nome destas empresas, evitando assim a penhora em decorrência de execuções fiscais ou trabalhistas. Ou seja, além de tudo, o uso da ORIGINAL para fazer aplicações financeiras das empresas ligadas serviu também como forma de praticar fraude contra os credores destas empresas. Fundamenta, no tópico seguinte, a qualificação da multa de ofício aplicada sobre os tributos apurados: O contribuinte informou, em suas Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica - DIPJ e na Escrituração Contábil Fiscal - SPED-ECF, no caso do ano-calendário 2014, receitas equivalentes a um milésimo de sua movimentação financeira, além de sempre ter omitido os rendimentos de aplicações financeiras e, mais que isso, de ter omitido a própria existência destas aplicações financeiras, que nunca constaram dos Balanços Patrimoniais apresentados em suas DIPJs. Além disso, quando expressamente intimado, o contribuinte omitiu a propriedade de mais de uma centena de imóveis, alguns registrados em seu nome e outros mantidos ainda em nome do proprietário anterior. Estas atitudes caracterizam-se como "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente", que caracteriza a sonegação definida pelo art. 71 da Lei 4.502,64. Caracterizam-se ainda como "ação ou omissão dolosa tendente a impedir (...) a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (...) de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento", definida como fraude pelo art. 72 da Lei 4.502/64. Além disso, o envolvimento, nestas práticas, de três empresas distintas, formalmente pertencentes a cinco pessoas diferentes, embora todas parentes em primeiro grau entre si, caracteriza um "ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72", definido como conluio no art. 73 da Lei 4.502/64. Assim, estando presentes as três situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 - embora apenas uma delas já fosse suficiente - aplica-se a multa qualificada prevista no art. 957, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, sobre as infrações apuradas na presente ação fiscal. Por fim, apresenta os motivos para responsabilização de terceiros pelo crédito tributário constituído: Foi aqui claramente demonstrado que a empresa fiscalizada, ORIGINAL INDÚSTRIA, COMÉRCIO, NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA atua como o braço financeiro e de investimentos de outras duas empresas pertencentes à mesma família, a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA e a AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA. Estas duas empresas regularmente repassam dinheiro para a ORIGINAL, em operações às vezes contabilizadas, mas muitas vezes mantidas à margem de suas contabilidades e esta faz aplicações no mercado financeiro ou imobiliário. Intimada a informar os imóveis que possuía, a ORIGINAL mencionou apenas dois imóveis industriais, utilizados pelas duas empresas ligadas, sendo um adquirido de maneira fraudulenta, através de interposta pessoa que atuou em seu interesse em leilão judicial de imóvel então pertencente à PALMALI e que foi em seguida cedido para esta mesma empresa, inicialmente sem ônus e depois por um aluguel simbólico, e outro cedido graciosamente para uso da IRMÃOS DALLA COSTA. Mas omitiu a existência de mais de uma centena de imóveis existentes em Curitiba, adquiridos com os recursos provindos das empresas ligadas. E, o que é mais grave, parte destes imóveis, embora incorporados ao patrimônio da empresa por integralização de capital social, até hoje são mantidos, no Registro de Imóveis, em nome dos antigos proprietários. Além disso, foi também demonstrado que os recursos oriundos das empresas ligadas foram utilizados também para aquisição de veículos de luxo e outros confortos utilizados pelos sócios e seus familiares. Em 29 de setembro de 2016, foram intimados do lançamento, Original Ind. Com. Negócios e Partic. Ltda., Palmali Industrial Alim. Ltda., Ivo Antônio Dalla Costa e Thiago Dalla Costa (fls. 1356, 1358, 1360, 1364). Em 30 de setembro de 2016, Marcelo Dalla Costa e Maurício Dalla Costa (fls. 1362 e 1363). E, em 5 de outubro de 2016, Agroindustrial Irmãos Dalla Costa Ltda. e Ivana Dalla Costa (fls. 1359 e 1361). Em 24 de outubro de 2016 (fls. 1366), os autuados apresentaram impugnação a fls. 1367 a 1392. Consideram os impugnantes que o procedimento fiscal padece de ilegalidade, ao argumento de que o STF e o STJ têm declarado a impossibilidade de acesso direto do Fisco às informações sobre movimentação bancária sem prévia autorização judicial e afastado a aplicação da Lei Complementar nº105, de 2001, e da Lei nº 10.174, de 2001. Neste diapasão, sustentam que é nulo de pleno direito o crédito apurado, porque constituído através de dados de movimentação bancária obtidos sem sua autorização e muito menos sem autorização judicial. Acrescentam que, ainda que fosse possível a autuação da forma como procedida, entendem ser ilegítimo e nulo o lançamento do imposto de renda com base apenas nos extratos ou depósitos bancários, pregando que tais documentos não revelariam com precisão a existência da renda tributável. Neste raciocínio, atacam o arbitramento, que afirmam ter ocorrido sobre a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias do contribuinte. Na seqüência, mencionam e transcrevem a jurisprudência favorável à sua tese. Aduzem que a ausência da descrição dos fatos e enquadramento legal relativo ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte) macula todo o trabalho realizado, face à inexistência ou imprecisão da infração cometida, afiançando que o auto de infração não discrimina o valor devido e sua evolução. Neste sentido, pugnam pela nulidade do auto de infração. Prosseguem reiterando que a autoridade fazendária utilizou a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias da Consulente, relativamente ao período objeto de lançamento como base de cálculo (lucro tributável) do IRPJ e da CSLL! Julgam que tal erro torna os valores indevidos, irreais e exorbitantes, contamina o lançamento com vício insanável de ilegalidade e o torna nulo de pleno direito. Salientam que a autoridade fazendária reconheceu que a origem do crédito mantido na conta corrente da empresa foi decorrente de depósitos feitos pela PALMALI e AGROINDUSTRIAL (e vice e versa), pelo que pedem o reconhecimento da nulidade do auto de infração, porque foi detectada a origem e o destino da receita. Asseveram que, quando intimada para apresentar a origem dos créditos mantidos na conta, não houve a individualização, ainda que por planilhas, de cada depósito que a autoridade considerou não justificados, e por, este motivo, mais uma vez pleiteiam a nulidade do lançamento. Propugnam que, no caso em questão, o que existe entre as empresas é simples parceria de industrialização firmada entre empresas que possuem em comum apenas o vínculo familiar e entendem que O objeto social delas, portanto, embora parecidos, são distintos, o que demonstra inequivocamente que não existe subordinação ou qualquer critério hierárquico, sendo oportuno esclarecer que o simples fato dos sócios serem filhos do dono da PALMALI não é suficiente para caracterizar a existência de grupo econômico ou familiar, notadamente porque a sede de cada empresa é em local distinto. Concordam que o acervo probatório produzido, de fato, revela a prática de negócios jurídicos entre os membros da família; porém, não apontam para qualquer ingerência dos filhos dos sócios da Requerida na administração da empresa devedora, para concluir que ainda que se reconheça a junção de interesses, inclusive econômicos, entre pais e filhos, o que é natural no âmbito familiar, não há nos autos elemento algum que aponte a existência de laços entre estes últimos e a devedora principal, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da livre iniciativa. Alicerçados em julgado do TRF da 4a Região, ponderam que o fato de manterem parceria de industrialização, utilizando-se do mesmo espaço físico (filiais), não é suficiente para, por si só, configurar grupo econômico. Destacam que ainda que se admitisse a existência de grupo econômico, o que não é o caso dos autos, o STJ possui entendimento no sentido de que somente este fato não é o bastante para ensejar a responsabilidade solidária por tributo, para defender que: a existência de grupo econômico não enseja responsabilidade entre as empresas supostamente do mesmo grupo econômico, dependendo que elas tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, o que inexiste nos autos, já que o ramo de atividade são distintos e o que existe entre elas é simples parceria de industrialização. Discordam da alegação do auditor de que o imóvel na cidade de Palmas foi adquirido pela Recorrente de forma fraudulenta, através de interposta pessoa que atuou em seu interesse em leilão judicial, por compreender que se o imóvel foi adquirido em leilão judicial, e pago o preço, de antemão já se afasta qualquer argumento de fraude. Rechaçam a acusação de ter suprimido imóveis do patrimônio informado ao Fisco, ao pressuposto de que no direito brasileiro o contrato não transfere o domínio, regra que emana do art. 1.245 do CC. Retornam à questão do grupo econômico para expor o seguinte entendimento: ainda que se analise as empresas sob a ótica de pertencerem ao mesmo grupo econômico, não estão presentes os requisitos do art. 124, I, do CTN para provocar a solidariedade no pagamento do tributo devido pela ORIGINAL, já que inexiste grau de subordinação entre os sócios das demais devedoras com o sócio da devedora principal (i), os sócios daquelas nunca tiveram qualquer ingerência na sociedade devedora (ii) e, sobretudo, porque não realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, já que possuem comando gerencial e atividades próprias. Combatem a utilização da taxa Selic para determinação dos juros de mora, por ter caráter estritamente remuneratório, implicar majoração de tributos, ser confiscatória e exceder o valor máximo de 1% ao mês fixado pelo Código Tributário Nacional. Contestam a multa aplicada de 150%, por abusiva e por violar os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, pleiteando sua redução ao percentual de 20%. Em análise das impugnações apresentadas o colegiado de primeira instância julgou-as parcialmente procedentes somente para excluir do polo passivo da obrigação tributárias as pessoas físicas então arroladas pela fiscalização como coobrigadas. O contribuinte foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1462), apresentando recurso voluntário de fls. 1565-1611 em 05 de maio de 2017 (fl. 1563). PALMALI foi intimada da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1478), apresentando recurso voluntário de fls. 1527-1550 em 05 de maio de 2017 (fl. 1524). IVO ANTÔNIO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1463), apresentando recurso voluntário de fls. 1653-1683 em 05 de maio de 2017. MARCELO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 06 de abril de 2017 (fl. 1464), apresentando recurso voluntário de fls. 1687-1716 em 05 de maio de 2017. MAURÍCIO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1465), apresentando recurso voluntário de fls. 1778-1807 em 05 de maio de 2017. AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA foi intimado da decisão em 75 de abril de 2017 (fl. 1479) IVANA DALLA COSTA foi intimada da decisão em 07 de abril de 2017 (fl. 1480), apresentando recurso voluntário de fls. 1720-1745 em 05 de maio de 2017. THIAGO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1481), apresentando recurso voluntário de fls. 1749-1774 em 05 de maio de 2017. Os pedidos contidos nos recursos resumem bem os argumentos apresentados: - MANTER a decisão proferida pela DRJ em relação à exclusão daRecorrente do polo passivo dos autos; - ANULAR integralmente o auto de infração, por cerceamento dodireito de defesa da Autuada, tendo em vista que o auto de infração não apontaqual dos incisos do artigo 135 do CTN se aplicaria ao caso; - DECLARAR NULO o auto de infração uma vez que aautoridade fiscal seria incompetente para realizar o presente lançamento tributário; - DECLARAR NULO o auto de infração de IRRF, tendo em vista que afalta de ciência do contribuinte quando à ampliação do tributo ou períodofiscalizado geraria a nulidade do procedimento fiscal, já que não observado osrequisitos legais que o regem; - DECLARAR NULO o auto de infração por suposta inobservânciados requisitos legais previstos no Dec. n.° 3.724/01 e na Portaria RFB2.014/2014 para emissão das RMFs; - no MÉRITO: - DECLARAR insubsistente o auto de infração em relação aosRecorrentes, afastando a responsabilidade solidária da recorrente pelolançamento tributário uma vez que não existiria fundamento legal para suasresponsabilizações oblíquas; - CANCELAR o lançamento tributário de 1RPJ e reflexos sobre o valor deR$ 145.764.974,32 uma vez que se tratariam valores que tem como origem orepasse de valores à Recorrente por terceiros; subsidiariamente, CANCELAR o lançamento à título de 1RPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32 uma vez que segundo o raciocínio do próprio Fiscal tratar-se-ia de valores pertencentes às empresasPALMALI e AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA que apenas teriamtransitado nas contas bancárias da Recorrente; - CANCELAR o lançamento à título de IRPJ e reflexos sobre receitasfinanceiras observadas em contas bancárias de titularidade da Recorrente,tendo em vista tratarem-se, no entendimento do próprio AFRFB, de receitaspertencentes a terceiros; - CANCELAR o lançamento a título de IRPJ sobre o valor da diferença entreo valor de aquisição e alienação de bem imóvel de propriedade da Recorrente,considerada pelo AFRFB como ganho de capital, uma vez que tal operaçãonão importou em qualquer aumento de capital para a Recorrente; - Subsidiariamente aos pedidos acima, CANCELAR o lançamento a título deIRPJ e reflexos tendo em vista a suposta aplicação do coeficiente incorreto paraapuração do lucro da Recorrente; - Subsidiariamente, requer a REALIZAÇÃO DE PERÍCIA nos autos para fins de demonstração da ausência de omissão de receitas e inexistência de pagamentos objeto de incidência do IRRF; - Em se mantendo o lançamento tributário, CANCELAR a multa qualificadaaplicada ao caso, haja vista que teria inexistido qualquer comprovação de intuito defraude do sujeito passivo; - DECLARAR a insubsistência do auto de infração em virtude deinobservância dos requisitos legais previstos no artigo 135 do CTN pararesponsabilização tributária dos Recorrentes; - DECLARAR a não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício,ante à ausência de autorização legal para tanto, nos termos exposto no itemVII. Cumpre ressaltar que diversas matérias aduzidas em sede de recurso voluntário não haviam sido alvo de impugnação, a saber: - declaração de nulidade do lançamento por incompetência da autoridade fiscal para realizar o procedimento fiscal, do auto de infração de IRRF por falta de ciência do contribuinte quanto à ampliação do tributo ou período fiscalizado, do auto de infração por inobservância dos requisitos legais para emissão das RMFs; - o pedido de declaração de decadência do lançamento referente ao ano-calendário de 2011; - cancelamento da parcela de IRPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32; - cancelamento da exigência de IRPJ e reflexos por se tratarem de receitas pertencentes a terceiros; - cancelamento do lançamento de IRPJ e de reflexos em razão da aplicação de coeficiente incorreto para apuração do lucro; - cancelamento da exigência de IRPJ sobre o montante da diferença entre o valor de aquisição e alienação de bem imóvel; - realização de perícia. Durante a realização de sustentação, requereu o patrono do contribuinte que, caso o julgamento fosse convertido em diligência, essa abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018. É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por dar provimento ao recurso voluntário. Em segunda votação, por maioria de votos rejeitouse o pedido do patrono no sentido de que a diligência requerida pela turma julgadora abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018 (posteriormente à retirada de pauta do processo da reunião de abril e também após a publicação da pauta do mês de maio de 2018), vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por incluir no objeto da diligência a análise dos documentos em questão. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 50 .7 23 64 2/ 20 16 -7 1 Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.815 2 Relatório ORIGINAL INDÚSTRIA COMÉRCIO NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. – ME, AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA, PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, IVO ANTÔNIO DALLA COSTA, MARCELO DALLA COSTA, IVANA DALLA COSTA, THIAGO DALLA COSTA e MAURÍCIO DALLA COSTA recorrem a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0272.338 proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou parcialmente procedentes as impugnações apresentadas, afastando tão somente o vínculo de responsabilidade tributária (tributos e multas) atribuído pela Fiscalização às pessoas físicas. Em razão da exclusão de sujeito passivo da relação jurídicotributária em montante de tributos e juros exonerados, o Presidente do colegiado a quo recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, c/c , art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haja vista haja vista o acórdão de origem ter exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, reproduzo o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Contra a contribuinte acima qualificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1290 a 1339, para exigência de crédito tributário no montante de R$ 29.660.878,00, assim discriminado: Tributo Juros Multa Total IRPJ 3.667.598,61 1.044.398,18 5.501.397,82 10.213.394,61 CSLL 1.659.870,29 471.642,09 2.489.805,36 4.621.317,74 Cofins 4.372.949,10 1.253.517,33 6.559.423,58 12.185.890,01 PIS 947.472,20 271.595,23 1.421.208,21 2.640.275,64 29.660.878,00 As infrações apuradas e seus respectivos enquadramentos legais foram descritos para o IRPJ a fls. 1295 a 1298 como segue: Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.816 3 Valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme itens 55 a 62 do Termo de Verificação Fiscal L 088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 42 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 537 do RIR/99 RECEITAS DA ATIVIDADE INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA MENSAL NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO, LOCAÇÃO OU CESSÃO DE BENS, IMÓVEIS, MÓVEIS E DIREITOS DE QUALQUER NATUREZA Arbitramento do lucro realizado com base na receita bruta mensal de prestação de serviços de locação de bens imóveis, conforme itens 39 a 41 do Termo de Verificação Fiscal L088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2011 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 518 e 519, § 1º, inciso III, alínea "c", do RIR/99 OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL INFRAÇÃO: GANHOS DE CAPITAL Ganho de capital decorrente de operação de alienação de imóvel, não declarada, conforme demonstrado nos itens 45 a 54 do Termo de Verificação Fiscal L088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.817 4 Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2012 e 30/09/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 536 e 537 do RIR/99. DEMAIS RECEITAS E RESULTADOS INFRAÇÃO: RENDIMENTOS E GANHOS LÍQUIDOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Rendimentos de aplicações financeiras não declarados, conforme demonstrado nos itens 42 a 44 do Termo de Verificação Fiscal L088/2016, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2011 e 31/12/2014: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 536 do RIR/99 As infrações apuradas para os demais lançamentos foram retratadas para a CSLL a fls. 1307 a 1311, para a Cofins a fls. 1320 a 1321 e para o PIS a fls. 1332 a 1333. Os Autos de Infração consignam ainda PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA., CNPJ 80.170.376/000183; AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA., CNPJ 07.851.247/000160; THIAGO DALLA COSTA, CPF 050.774.39974; IVANA DALLA COSTA, CPF 023.421.94919; IVO ANTÔNIO DALLA COSTA, CPF 150.604.38953; MARCELO DALLA COSTA, CPF 819.844.21972 e MAURÍCIO DALLA COSTA, CPF 016.521.73919, como responsáveis solidários pelo crédito tributário, apontando como motivação o seguinte: [Palmali Ind. Alimentos e Agroindustrial Dalla Costa] Empresa integrante do mesmo grupo econômico e que regularmente desviou recursos de suas atividades, para que o contribuinte autuado aplicasse, no mercado financeiro e no mercado imobiliário, em benefício de todo o grupo e dos sócios e familiares das empresas envolvidas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal L086/2016. [Thiago Dalla Costa e Ivana Dalla Costa] Sócioadministrador da empresa fiscalizada, onde foram cometidas as irregularidades relatadas no Termo de Verificação Fiscal L086/2016. [Ivo Antônio Dalla Costa, Marcelo Dalla Costa e Maurício Dalla Costa] Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.818 5 Sócioadministrador da empresa integrante do mesmo grupo econômico, que regularmente desviou recursos de suas atividades, para que o contribuinte autuado aplicasse, no mercado financeiro e no mercado imobiliário, em benefício de todo o grupo e dos sócios e familiares das empresas envolvidas, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal L086/2016. O procedimento fiscal e as conclusões que dele decorreram estão narrados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1228 a 1259, sintetizado a seguir. Relata o autor do feito que a contribuinte foi inicialmente intimada, no curso de ação fiscal desenvolvida em empresa do mesmo grupo econômico e familiar – a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA –, a prestar esclarecimentos sobre transações que envolviam as duas empresas e a apresentar seus livros contábeis dos anos de 2011, 2012 e 2013. Justifica a abertura de procedimento de fiscalização na autuada nos seguintes termos: (...) em levantamento feito junto aos cartórios de registro de imóveis, para subsidiar o arrolamento de bens decorrente da ação fiscal desenvolvida na PALMALI na qual o contribuinte foi responsabilizado pelo crédito tributário constituído constatouse a existência de mais de uma centena de imóveis de sua propriedade [da autuada], localizados em Curitiba e divididos em dois prédios recém concluídos. Informa que, no Termo de Início de Ação Fiscal, foram requisitados os documentos e esclarecimentos abaixo: a) Apresentar seus livros Diário e Razão dos anos de 2011, 2012, 2013 e 2014; b) Justificar a origem dos recursos utilizados na conclusão das unidades imobiliárias de sua propriedade, localizadas nos edifícios REAL PLAZA FLAT SERVICE e PRINCESS BETINA, ambos em Curitiba, cuja retomada da construção e conclusão se deu no período abrangido pela ação fiscal; c) Justificar a origem dos recursos utilizados no pagamento dos apartamentos adquiridos, no período coberto pela ação fiscal, no Edifício REAL PLAZA FLAT SERVICE; d) Apresentar documentos que comprovem o custo de aquisição do apartamento localizado no Edifício INFANTE DOM HENRIQUE, em Maringá, objeto de dação em pagamento ao Banco BVA S/A, no ano de 2012. Conta que o Termo de Início foi complementado pela solicitação de apresentação dos extratos de contas bancárias dos anos de 2011 a 2014, não atendida pela contribuinte, que deixou de apresentar ainda seus livros contábeis, além das informações solicitadas no Termo de Início de Ação Fiscal. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.819 6 Revela que, diante da omissão do sujeito passivo, emitiu a Requisição de Informações de Movimentação Financeira, para obtenção, junto aos estabelecimentos bancários, dos extratos de contas da empresa dos anos abrangidos pela ação fiscal. E, após análise dos documentos, intimou a contribuinte a prestar esclarecimentos sobre a movimentação detectada. Afirma que a intimação foi “mais uma vez” ignorada. Em seguida, discorre sobre as receitas declaradas pela empresa em DIPJ/ECF: As receitas coincidem, nos anos de 2011, 2012 e 2013, com as despesas de aluguel contabilizadas pela PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, empresa pertencente ao mesmo grupo familiar e locatária do imóvel localizado em Palmas PR, constante da matrícula 2949 do Cartório de Registro de Imóveis daquele município. No ano de 2014 a PALMALI inicialmente transmitiu ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED, um arquivo praticamente todo zerado, que não permitia conferir os valores dos alugueis pagos à ORIGINAL. Posteriormente, em 29/07/2016 a PALMALI substituiu aquele arquivo por outro, supostamente com sua movimentação completa. Neste arquivo, os alugueis pagos à ORIGINAL conferem exatamente com as receitas declaradas por esta, até o mês de julho de 2014. A partir de agosto, a PALMALI deixou de contabilizar qualquer despesa de aluguel relacionada com a ORIGINAL. No entanto, como os valores trimestrais são compatíveis com aqueles contabilizados nos meses de maio a julho/2014, podemos considerar que todas as receitas declaradas pela ORIGINAL têm esta origem. Reproduz então as informações prestadas pela empresa para esclarecer a origem dos recursos utilizados na compra de imóvel localizado em Palmas, adquirido por R$ 3.177.000,00: “A origem dos recursos para compra do imóvel decorre de alugueis da empresa, já que o seu objeto social é a administração de bens próprios, compra e venda, incorporação imobiliária e locação de imóveis próprios”. Sobre tal afirmativa, tece as seguintes considerações: a) O imóvel era de propriedade da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS, empresa de propriedade de IVO ANTONIO DALLA COSTA, pai dos sócios da empresa fiscalizada, THIAGO DALLA COSTA e IVANA DALLA COSTA. b) Em 08/04/2005 este imóvel foi penhorado em execução movida pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, nos autos do executivo fiscal 05/99 da Vara Cível de Palmas. c) O imóvel foi a leilão, sendo arrematado em segunda praça, realizada em 26/07/2007, pela Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.820 7 Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural CODAL, pelo valor de R$ 2.640.000,00, a ser pago em 60 parcelas mensais e sucessivas de R$ 44.000,00, corrigidas pela taxa Selic. Pelos termos da carta de arrematação, o imóvel foi transferido para a CODAL, gravado com hipoteca em favor do INSS, conforme R.2 da Matrícula 2949. d) Logo em seguida, em 10/10/2007, os direitos da arrematação foram repassados pela CODAL para a ORIGINAL, que assumiu o compromisso de efetuar todos os pagamentos. e) Posteriormente, em 04/04/2012, sem que houvesse sido levantada a hipoteca em favor do INSS o que até a data da certidão obtida em cartório, 23/10/2015, não havia acontecido a CODAL lavrou escritura transferindo o imóvel para a ORIGINAL. E conclui que: a) Na arrematação do imóvel, em 26/07/2007, a CODAL serviu de mera intermediária para arrematar um imóvel pertencente à PALMALI, objeto de execução fiscal por dívidas previdenciárias, e em seguida repassálo para a ORIGINAL, empresa de familiares do proprietário da PALMALI, que nunca deixou de utilizar o referido imóvel. Isto caracteriza uma evidente fraude à execução. b) As receitas de alugueis contabilizadas pela ORIGINAL, nunca foram suficientes para pagar as parcelas da arrematação feita pela CODAL e assumidas pela ORIGINAL. Em 2011 a ORIGINAL declarou receitas mensais de R$ 20.000,00, quando a prestação mensal assumida pela compra do imóvel era R$ 44.000,00 mais variação acumulada da Selic. E, nos anos anteriores a 2011, tais receitas sempre foram ainda menores, sendo que em 2007 ano da compra e 2008 a ORIGINAL simplesmente não declarou receita alguma. Salienta que, na ação fiscal realizada na PALMALI, constatou “uma intensa movimentação financeira entre as duas empresas, com sucessivas transferências bancárias enviadas e recebidas pela PALMALI para a ORIGINAL e desta para a PALMALI”, para apontar que tal fato “também demonstra que, ou a ORIGINAL tinha outras receitas, ou funcionava como um "caixa dois" da PALMALI”. Noticia que estas transferências foram verificadas também na contabilidade de outra empresa ligada, a AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA. A respeito do levantamento de bens da empresa para garantia de crédito tributário registra que: (...) como já mencionado anteriormente, na busca de bens para fins de arrolamento decorrente do crédito tributário constituído contra a PALMALI, Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.821 8 além dos dois imóveis que a ORIGINAL informou possuir, constatamos a existência de nada menos que 123 (cento e vinte e três) imóveis localizados em dois edifícios em Curitiba, edifícios estes cujas obras iniciaramse nas décadas de 1980/1990, ficaram paralisadas por muitos anos e foram retomadas e concluídas no período fiscalizado. Parte destes imóveis, embora integralizados ao capital da ORIGINAL, nunca foram registrados em seu nome no respectivo Cartório de Registro de Imóveis, permanecendo até hoje em nome dos antigos proprietários. Conforme pesquisas feitas na internet, constatamos que estes dois edifícios em que a ORIGINAL possuía unidades imobiliárias os edifícios REAL PLAZA FLAT SERVICE e PRINCESS BETINA tiveram sua conclusão feita em regime de condomínio administrado pelos proprietários, entre os anos de 2012 e 2014. Então, diante da falta de atendimento às diversas intimação lavradas contra o contribuinte e da falta de apresentação de seus livros contábeis, procuramos obter mais evidências dos investimentos feitos pela ORIGINAL diretamente junto a estes condomínios. Com relação ao REAL PLAZA FLAT SERVICE, o síndico do mesmo apresentou um demonstrativo dos investimentos feitos pela ORIGINAL nos anos de 2011 a 2014, que totalizaram R$ 2.805.328,53 (ver informações sobre o edifício, intimação e resposta nas fls. 814/826 do processo). No entanto, com relação ao EDIFÍCIO PRINCESS BETINA, o síndico inicialmente ignorou as intimações enviadas. E, depois (...) alegou: "1. O Edifício Princess Bettina, apenas em caráter visual apresenta estar terminado, atualmente não reúne condições de utilizações em razões dos seguintes motivos: "a) Não tem ligação definitiva de Luz, "b) Não tem ligação definitiva de água junto a Sanepar, "c) Não tem contrato de manutenção de elevador, "d) Não tem certidão de recolhimento do ISS junto a Prefeitura, "e) Possui uma dívida de IPTU superando a casa dos R$ 300.000,00. "Em razão dos problemas acima o Edifício não consegue o C.V.C.O (Certificado e Vistoria e Conclusão de Obras) e, portanto, não pode ser habitado." Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.822 9 Destaca que os extratos bancários obtidos junto às duas instituições financeiras onde a empresa mantinha conta corrente, Bradesco e Sicoob, “mostraram uma movimentação extremamente elevada, e absurdamente incompatível com as receitas declaradas”, e rejeita a informação recebida da contribuinte de que "a origem dos recursos para compra do imóvel decorre de alugueis da empresa". Pondera que as receitas declaradas, nos quatro anos fiscalizados, “totalizaram apenas pouco mais de R$ 700.000,00 (setecentos MIL reais), enquanto sua movimentação bancária, no mesmo período, foi superior a R$ 700.000.000,00 (setecentos MILHÕES de reais)”. Descreve os critérios adotados na análise da movimentação bancária: (...) procedemos a uma depuração da movimentação registrada nos extratos, onde desconsideramos ou consideramos como de origem/destinação comprovadas as seguintes movimentações: a) Transferências entre as contas do Bradesco e do Sicoob, de mesma titularidade; b) Lançamentos decorrentes de aplicações financeiras e de resgates destas aplicações; c) Lançamentos de estornos e os lançamentos originais, que foram estornados; d) Lançamentos com correspondência na contabilidade da PALMALI e da IRMÃOS DALLA COSTA. (...) restou ainda uma movimentação expressiva, cuja origem não pôde ser verificada, pela falta de apresentação dos livros contábeis do contribuinte mas que, certamente, não decorre de suas receitas operacionais, irrisórias diante de tal movimentação. Diz que, em decorrência de tais verificações, lavrou intimação para que fosse justificada a origem e a destinação dos recursos e que a falta de resposta da contribuinte determinou a “apuração dos tributos devidos com base nas informações disponíveis”. Assinala que: O contribuinte foi intimado, através dos Termos L 009/2015, L051/2015 e L066/2015 a apresentar seus livros contábeis. Nenhuma destas intimações foi atendida. Nos anoscalendário de 2011, 2012 e 2013 o contribuinte manteve escrituração contábil, conforme informação constante da ficha 01 da DIPJ. A partir do anocalendário de 2014 esta informação deixou de constar da ECF Escrituração Contábil Fiscal, que substituiu a DIPJ, sendo substituída, no Registro 0010 Parâmetros de Escrituração, pela informação do "tipo de escrituração", onde a letra "C" significa escrituração contábil, com a obrigatoriedade da transmissão da Escrituração Contábil Digital Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.823 10 ECD e a letra "L" pode significar escrituração em Livro Caixa, mas também se refere às empresas que, mesmo mantendo escrituração contábil, estão dispensadas da transmissão da ECD. (...) o contribuinte estava obrigada a manter escrituração contábil, nos termos da legislação em vigor, ou seja, com a escrituração dos livros Diário e Razão o que informou em DIPJ ter feito nos anos de 2011, 2012 e 2013 e, pelo menos o livro Caixa no ano de 2014. A falta de apresentação destes livros justifica e, mais que isto, impõe a desconsideração da opção pelo Lucro Presumido e sua substituição pelo Lucro Arbitrado nos quatro anos abrangidos pela ação fiscal. Em seguida, expõe o critério utilizado para apurar a diferença de valores devidos em decorrência do arbitramento: [a empresa] declarou que todas as suas receitas eram provenientes da locação de imóveis, informação esta corroborada pelos registros contábeis da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS, que mostram, até julho de 2014, despesas de alugueis, vinculadas ao contribuinte, em valores coincidentes com as receitas declaradas. Desta forma, no geral está correta a apuração do Lucro Presumido feita pelo contribuinte, com a utilização do coeficiente de presunção de 32%, conforme art. 15, § 1º, inciso III, "c" da Lei 9.249/95. E, conforme art. 16 da mesma Lei, no caso de Lucro Arbitrado, aplicase o mesmo coeficiente de presunção, acrescido de 20%, ou seja, o Lucro Arbitrado corresponderá a 38,4% da receita. É assim que devemos calcular as diferenças devidas, em relação aos valores declarados pelo contribuinte, em decorrência do arbitramento do lucro. Os valores devidos, os valores declarados pelo contribuinte e as diferenças decorrentes do arbitramento estão demonstrados na tabela a seguir. Foram desconsiderados os dois primeiros trimestres do ano de 2011, em virtude dos mesmos já terem sido alcançados pela decadência. O arbitramento do lucro afeta apenas o cálculo do Imposto de Renda, não causando qualquer impacto na apuração dos demais tributos e contribuições. Prossegue esclarecendo como foram determinados os valores de omissão de receitas financeiras e de ganho de capital na alienação de imóvel localizado em Maringá, Paraná. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS Em nenhum dos períodos fiscalizados o contribuinte declarou qualquer receita que não fosse aquelas decorrentes do aluguel de imóvel para a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA. No entanto, os extratos bancários obtidos demonstram que a Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.824 11 existência de aplicações financeiras eram rotineiras. Seja na tributação com base no Lucro Presumido, adotada pelo contribuinte, seja no Lucro Arbitrado, aplicado pelo fisco, tais rendimentos não se submetem aos coeficientes de presunção ou arbitramento, devendo ser adicionados ao Lucro Presumido ou ao Lucro Arbitrado apurado sobre as receitas operacionais e não sofrem a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Conforme informação constante de DOI Declaração de Informação Imobiliária, transmitida pelo 23º Tabelião de Notas de São Paulo, em agosto de 2012 o contribuinte alienou um imóvel, localizado em Maringá, pelo valor de R$ 1.000.000,00. Tal alienação não apenas não consta dos demonstrativos de apuração do IRPJ daquele ano, como também não consta, na ficha 36 da DIPJ onde é transcrito o Balanço Patrimonial do contribuinte qualquer alteração em seu Ativo Imobilizado ou no estoque, que demonstre tal alienação. A escritura de alienação do imóvel, lavrada em 13/08/2012, foi obtida junto ao tabelião que a lavrou, demonstrando que tal alienação deuse por dação em pagamento, ao Banco BVA S/A, em amortização parcial de dívida de responsabilidade da PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA, pelo valor pactuado de R$ 1.000.000,00. Como o contribuinte não apresentou seus livros contábeis e também não atendeu à intimação contida no item 8.4 do Termo de Início de Ação Fiscal Termo L066/2015 para comprovar o custo de aquisição do imóvel alienado, obtivemos junto ao 2º Ofício de Registro de Imóveis de Maringá, onde o imóvel está registrado, cópia de sua fichamatrícula, onde se constata que a aquisição deuse pelo R729893, protocolado em 14/09/2007, pelo valor de R$ 140.000,00. O valor contábil do imóvel não poderia ser diferente deste valor, acrescido das despesas de ITBI, Funrejus, lavratura da escritura e registro. Qualquer reavaliação ou atualização posterior destes valores deve ser desconsiderada, em obediência ao disposto no art. 536, § 5º, II do RIR/99. E como o contribuinte não apresentou seus registros contábeis ou qualquer documento para comprovar outros custos, consideramos apenas aqueles constantes da fichamatrícula fornecida pelo Registro de Imóveis, ou seja: Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.825 12 • Custo de aquisição constante da matrícula R$ 140.000,00 • ITBI 2º sobre o valor do imóvel R$ 2.800,00 • Funrejus constante da matrícula R$ 280,00 • CUSTO TOTAL DO IMÓVEL ALIENADO R$ 143.080,00 • VALOR DA VENDA R$ 1.000.000,00 • GANHO DE CAPITAL APURADO R$ 856.920,00 O ganho de capital acima deve ser adicionado ao Lucro Arbitrado apurado no 3º trimestre de 2012, para fins de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro devidos. a) Caso o imóvel alienado se destinasse à venda, deveria estar registrado como "estoque" na contabilidade do contribuinte. E, embora o contribuinte não tenha apresentado seus registros contábeis, o Balanço Patrimonial, a linha 05 da ficha 36A das DIPJs dos exercícios 2012 e 2013 (que mostra a situação patrimonial em 31/12/2010, 31/12/2011 e 31/12/2012) sempre aparece zerada, demonstrando a inexistência de qualquer imóvel com esta destinação; b) Fosse o imóvel adquirido com intenção de venda, esta teria sido realizada muito tempo antes, sem que decorressem cinco anos entre a aquisição e a alienação. c) E o mais importante: a aquisição do imóvel ocorreu em setembro de 2007. Nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física daquele ano, transmitidas em maio de 2008 pelo sócio do contribuinte, THIAGO DALLA COSTA e por seu pai, IVO ANTONIO DALLA COSTA, ambos informaram a alteração de seus endereços para a Praça Manoel Ribas, 12, apto. 140, ou seja, exatamente o endereço do imóvel. E este endereço permanece até hoje. [Por tais motivos] está demonstrado que o imóvel foi adquirido para uso da família do sócio do contribuinte, que permanece usandoo, provavelmente sob a forma de locação, mesmo após a sua alienação. Logo não procede qualquer eventual alegação de tributação desta alienação como receita operacional. Trata então da omissão de receitas, caracterizada pela não comprovação da origem de créditos bancários, descrevendo os confrontos realizados com a contabilidade das empresas PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, com o objetivo de buscar a origem dos depósitos bancários: Nos itens 13.1 e 13.2 do Termo L051/2016 o contribuinte foi intimado a demonstrar a origem de Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.826 13 créditos decorrentes de TEDs, DOCs, Transferências e Depósitos, creditados em suas contas no Bradesco e Sicoob, que totalizaram R$ 4.278.429,64, decorrentes de créditos de TEDs, DOCs e Transferências, demonstradas no Anexo I que acompanhou o referido Termo e R$ 76.436.818,18 decorrentes de Depósitos efetuados em suas contas e demonstrados no Anexo II do mesmo Termo. Ainda, no item 13.3 do mesmo Termo, foi intimado a identificar a origem e apresentar documentos que comprovassem a origem dos lançamentos a crédito, decorrentes de depósitos, TED, DOC ou transferências, recebidas em sua conta no Bradesco, cujos históricos faziam menção às empresas ligadas PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, mas que não constavam dos registros contábeis destas empresas. Estes lançamentos foram relacionados no Anexo III do referido Termo e totalizaram nada menos que R$ 110.129.366,40. O contribuinte não atendeu à intimação e, portanto, não comprovou a origem dos créditos demonstrados nos Anexos I, II e III do Termo L051/2016. No entanto, antes de proceder ao lançamento, fizemos nova consulta ao SPED, constatando que a PALMALI havia transmitido, em 29/07/2016, novos arquivos com seus registros contábeis do ano de 2014. Baixamos então este novo arquivo, que supostamente contém a movimentação correta da PALMALI e procedemos a uma nova conferência com os créditos que constavam dos anexos I, II e III do Termo L051/2016, encontrando ali a comprovação da origem para uma parte expressiva dos créditos que constavam da Intimação. Consideramos estes créditos como comprovados, pelo mesmo critério que já havíamos adotado na análise feita antes da lavratura do Termo L 051/2016: se o crédito constante dos extratos bancários do contribuinte continha contrapartida na contabilidade das empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, foram considerados como provenientes de repasses feitos por estas empresas; Estes valores, que totalizaram R$ 44.319.639,91, estão listados no Anexo I, que acompanha o presente Termo. Foi considerado comprovado ainda um crédito de R$ 760.000,00, em 18/06/2013, como será explanado adiante (...). E, no anexo II são listados, de forma individual como determina a legislação, os créditos remanescentes que são objeto de lançamento de ofício, como OMISSÃO DE RECEITAS, conforme determina o art. 42 da Lei 9.430/96. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.827 14 Elucida os motivos para adoção dos coeficientes de arbitramento de 9,6% e de 12%, aplicados sobre a receita omitida, para apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente: Na resposta ao item 2.4 do Termo de Intimação L 009/2015, o contribuinte declarou: "R. as receitas decorrem dos imóveis acima identificados. Os imóveis foram locados no período para as empresas: AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA (CNPJ 07.851.247/0001 60) e PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ 80.170.376/000345)." Por esta resposta, a conclusão seria que o contribuinte estaria sujeito aos coeficientes de arbitramento previstos no art. 15, § 1º, inciso III, combinado com os arts. 16 e 20 da Lei 9.249/95, ou seja, 38,4% para o cálculo do Imposto de Renda e 32% para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. No entanto, embora no Termo L009/2015 o contribuinte tenha sido intimado a informar "a origem das receita auferidas", o óbvio que a resposta do contribuinte se refere apenas às receitas declaradas por ele em DIPJ. (...) independente do que dispõe o Contrato Social, o importante é a origem de fato das receitas omitidas pelo contribuinte, caracterizadas pela existência de créditos bancários de origem não comprovada. Uma coisa é certa: estas receitas não são decorrentes da locação de imóveis. Esta afirmativa decorre de duas conclusões: a) Na resposta ao Termo L009/2015 o contribuinte afirmou possuir apenas três imóveis, sendo um locado para a Palmali (o imóvel da matrícula 2949 do R. I. de Palmas) e outro, localizado em Maringá, cedido em comodato para a Irmãos Dalla Costa. b) Os imóveis omitidos cuja propriedade foi escondida pelo contribuinte uma sala comercial, 87 vagas de garagem e 55 apartamentos no Edifício Real Plaza Flat Service e 51 apartamentos e 14 vagas de garagem no Edifício Princess Betina, estavam em fase de obras no período fiscalizado, tendo sido concluídos somente em 2015. Portanto, ainda não haviam gerado receitas naqueles anos. A intensa movimentação de recursos entre o contribuinte fiscalizado e as duas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, ambas atuando no ramo de frigorífico e a atuação do contribuinte como "caixa 2" destas empresas, como será visto adianta, justifica a conclusão que os créditos bancários de origem não comprovada foram provenientes de receitas omitidas por estas duas empresas, levando assim à aplicação do Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.828 15 coeficiente de arbitramento de 9,6%, para fins de apuração do Imposto de Renda e de 12% para cálculo da Contribuição Social, conforme previsto no art. 15, caput, combinado com os arts. 16 e 20 da Lei 9.249/95. Pontua que a contribuinte foi regularmente intimada a: identificar os beneficiários de transferências bancárias, cheques emitidos e pagamentos efetuados ou, nos casos de beneficiários identificados nos extratos, a origem dos recursos; bem como demonstrar a causa de tais transferências ou pagamentos. Relata que, diante da omissão da contribuinte, buscou verificar a causa dos pagamentos e transferências nos arquivos transmitidos pela PALMALI para o SPED, como também nos próprios extratos bancários, conforme excertos do TVF reproduzidos abaixo: Apesar disso, em virtude da transmissão de um novo arquivo ao SPED, feito pela PALMALI em 29/07/2016, com seus registros contábeis de 2014, procedemos a uma nova análise destes pagamentos e transferências, aceitando como comprovados todos aqueles que tinham contrapartida na contabilidade da PALMALI, assim como já havíamos feitos com relação a todas as transações que tinham correspondência na contabilidade da própria PALMALI e também da IRMÃOS DALLA COSTA, nos anos anteriores. As transferências e pagamentos assim aceitos estão relacionados no Anexo III, que acompanha o presente Termo e totalizaram R$ 51.225.288,73. Procedemos ainda a uma nova e profunda análise dos pagamentos listados nos anexos VI, VII e VIII do Termo L051/2016, procurando identificar, pelos históricos dos extratos bancários, valores que poderiam ser justificados. Nesta análise, verificamos inclusive escrituras de compra de imóveis. Porém, esta análise justificou apenas três novos pagamentos além daqueles que já haviam sido deixados de fora do Termo L051/2016, no valor total de R$ 945.000,00. Os pagamentos considerados como comprovados foram os seguintes: a) Débito no Bradesco em 18/12/2012, no valor de R$ 760.000,00, referente a TED enviada para Gerard Van Leihout. Localizamos o contribuinte Gerardus Johannes Cornelius Adrianus Maria Van Lieshout, CPF 644.972.08320, que declarou o recebimento de um empréstimo da PALMALI, em 19/12/2012, neste valor. E declarou o pagamento deste empréstimo em 18/06/2013, data em que há um crédito na conta da ORIGINAL, neste mesmo valor. Assim, esta operação comprovou o débito em 2012 e o crédito em 2013, já mencionado anteriormente no item 60. Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.829 16 b) Débito no Bradesco, no dia 23/09/2013, no valor de R$ 50.000,00, referente a TED enviada para ADILSON DE SOUZA. Entre os imóveis comprados pelo contribuinte no período fiscalizado, localizamos o apartamento 1506 do Edifício Real Plaza, adquirido em 20/09/2013 junto a Adilson de Souza, por este mesmo valor. c) Débito no Bradesco, no dia 30/07/2014, no valor de R$ 135.000,00, referente a "cheque OP". Entre os imóveis comprados pelo contribuinte no período fiscalizado, localizamos o apartamento 503 do Edifício Real Plaza, adquirido em 29/07/2014 junto a Toshi Yomura e outros, neste mesmo valor, cuja escritura menciona o pagamento através de cheque administrativo do Bradesco. Restarem sem comprovação do beneficiário ou da causa, pagamentos, cheques e transferências que totalizaram R$ 118.084.506,65, relacionados nos Anexo IV, V e VI e que são objeto de autuação, por se enquadrarem no art. 674 do Regulamento do Imposto de Renda. Entre estes pagamentos, 255 foram decorrentes da emissão de cheques, de pagamentos por débito em conta ou de transferências bancárias para os quais não há qualquer indicação do beneficiário. Estes pagamentos totalizaram R$ 9.977.399,52 e estão relacionados no Anexo IV, que acompanha o presente Termo. O maior volume de pagamentos sem causa foi representado por transferências supostamente destinadas a empresas ou pessoas ligadas, mas que não foram contabilizadas nas empresas destinatárias ou não foram declaradas pelas pessoas supostamente beneficiárias. Estas transferências totalizaram R$ 96.585.635,70, estão relacionadas no Anexo V e supostamente teriam tido os seguintes destinatários: a) R$ 5.245.978,62 teriam sido transferidos para a PALMALI, nos anos de 2012, 2013 e 2014, mas não constam dos registros contábeis daquela empresa. b) R$ 1.575.840,00 teriam sido transferidos para a IRMÃOS DALLA COSTA, nos anos de 2012 e 2013, mas não constam dos registros contábeis daquela empresa. c) R$ 82.862.617,08 teriam sido transferidos para a IRMÃOS DALLA COSTA no ano de 2014 e sua conferência não foi possível pela falta de apresentação dos livros contábeis da empresa fiscalizada e pela falta de transmissão dos arquivos contábeis ao SPED, por parte da suposta beneficiária destas transferências. d) R$ 6.901.200,00 teriam tido como beneficiários a sócia da empresa, IVANA DALLA COSTA. Devemos Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.830 17 lembrar que, no Anexo V do Termo L051/2016 foram listadas transferências para esta sócia no montante de R$ 8.402.650,00. Parte deste valor foi aceito como comprovado por ter sido demonstrado, pela análise dos registros contábeis da PALMALI, que aquela empresa havia sido a real beneficiária destas transferências, tendo as mesmas sido lá contabilizadas. Restaram as transferência relacionadas no Anexo V do presente Termo, para as quais não foi comprovada a causa. Finalmente, foram feitos diversos pagamentos a beneficiários supostamente identificados nos históricos dos lançamentos constantes dos extratos, mas para os quais não existe causa que justifique tais pagamentos. Estes pagamentos totalizaram R$ 11.521.471,43, estão relacionados no Anexo VI e tiveram a seguinte destinação: a) Débitos no Bradesco, nos dias 14 e 15/03/2012, nos valores de R$ 215.000,00 e R$ 45.000,00, respectivamente, cujos históricos mencionam "Intercasing Ind. Com. Ltda". Localizamos no Portal NFe a nota fiscal 2555 desta empresa, emitida em 12/03/2012, no valor de R$ 260.000,00, referente à venda de um automóvel marca Range Rover, modelo Evoque. b) Débito no Bradesco, no dia 02/07/2012, no valor de R$ 62.500,00, cujo histórico menciona "Zacarias Veículos". Localizamos no Portal NFe a nota fiscal 110091 desta empresa, emitida na mesma data e no mesmo valor, referente à venda de uma camionete marca Chevrolet, modelo S10 LS. c) Débitos no Bradesco nos dias 09/05/2012, 18/02/2013 e 19/02/2013, nos valores, respectivamente, de R$ 2.519,17, R$ 3.374,79 e R$ 2.342,67, referentes a pagamentos de IPVA dos veículos acima, e de uma BMW X6, adquirida em 2011. d) Diversos pagamentos feitos nos anos de 2012, 2013 e 2014 para a Air BP Brasil Ltda e para Atinaiur Antonio Pires Sapper, referente a 29 notas fiscais, no valor total de R$ 126.015,64. Estas notas fiscais se referem ao fornecimento de querosene de aviação, que poderia ser classificada como custo operacional, não fosse pelo fato de que o contribuinte não possui nenhum avião registrado em seu nome pelo menos, que seja de conhecimento do fisco de forma que estes pagamentos devem ter se destinado terceiros não identificados. e) Diversas transferências feitas em 2012, 2013 e 2014, via TED para Jocler Jeferson Procópio. Foram dezoito transferências no valor total de R$ 280.737,32, Jocler é advogado e aparece, em algumas escrituras de aquisição de imóveis feitas pelo contribuinte, como seu procurador, porém não Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.831 18 declarou qualquer rendimento de serviços prestados para o contribuinte. Portanto, na falta de comprovação, é de se supor que tais pagamentos se refiram a honorários por serviços prestados e não tributados. f) Cinco transferências feitas em abril, novembro e dezembro de 2014, que apontam como destinatário a empresa Brassul Construções Civis Ltda, nos dias 22 e 23/04/2014, 18/11/2014 e 09 e 17/12/2014, no valor total de R$ 6.000.000,00. g) Duas transferências no dia 07/04/2014, que apontam como destinatários Odanir Angelo Farinella e Farinella Comércio e Transportes Ltda, no valor total de R$ 1.500.000,00. h) Transferências no dia 29/04/2013, que aponta como destinatário BioTee Sul América, no valor de R$ 760.000,00. i) Transferências feitas entre os meses de junho e dezembro de 2014, que apontam como destinatária a empresa Athos Gestão e Serviços Ltda. Foram 24 transferências no valor total de R$ 284.000,00. j) Transferências no dia 04/12/2014, que aponta como destinatário Infiniti Importadora de Veículos, no valor de R$ 350.194,78. k) Diversos outros pagamentos, num total de 78 lançamentos a débito, no valor total de R$ 1.889.787,06, para diversos beneficiários, cuja causa também não foi comprovada. O contribuinte não apresentou seus livros contábeis e não atendeu à intimação para identificar os beneficiários e as causas destes pagamentos, assim como nem ao menos comprovou a sua contabilização não que tal contabilização fosse suficiente para afastar a hipótese da incidência tributária. Para isto, os beneficiários dos pagamentos e sua causa teriam que ser suficientemente demonstrados. Entre estas transferências, especialmente uma chama atenção e foi feita no dia 03/02/2014, no valor de R$ 5.000.000,00 e débito no Bradesco com o histórico "transf CC para CC PJ" e o complemento "o mesmo". Ora, a expressão "o mesmo" deveria indicar que a transferência teria sido feita para outra conta do mesmo titular, o que não ocorreu, pois não aparece o crédito na única outra conta do contribuinte, aquela mantida no Sicoob. Na verdade, este é apenas um artifício usado por muitos correntistas, com a cumplicidade das instituições financeiras, para burlar as normas do Banco Central e não identificar o beneficiário e o remetente de transferências bancárias. Não custa lembrar que este artifício foi usado em centenas de Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.832 19 depósitos creditados na conta do contribuinte, cuja origem também não foi comprovada. Quanto às transferências mencionadas no item 77 e relacionadas no Anexo V, que supostamente teriam como destinatárias as empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, relacionadas no Anexo V, cabe ressaltar mais uma vez que, antes de lavrarmos o Termo de Intimação L 051/2016, já havíamos excluídos da movimentação bancária do contribuinte, débitos que tinham contrapartida na contabilidade destas empresas nos anos de 2011, 2012 e 2013 e que totalizaram R$ 281.259.167,52, sendo R$ 165.630.934,15 destinados à IRMÃOS DALLA COSTA e R$ 115.628.233,37 à PALMALI. Após a lavratura daquele Termo, com a transmissão ao SPED de um novo arquivo com os registros contábeis de 2014, por parte da PALMALI, consideramos como comprovadas transferências que constavam do Termo L 051/2016 no montante de R$ 51.225.288,73. Portanto, as operações listadas no Anexo IV são aquelas que não tem correspondência nos registros contábeis destas duas empresas, o que pode ter duas causas: a) Ou estas transferências, de fato, tiveram outros beneficiários, não identificados; b) Ou estas transferências, embora realmente tendo como destinatárias as empresas beneficiadas, se destinaram a contas mantidas à margem da contabilidade das mesmas, caracterizandose assim como pagamentos sem causa. (...) com relação às transferências (...) que supostamente teriam como destinatária a sócia do contribuinte, IVANA DALLA COSTA, também não houve qualquer justificativa para os mesmos. Pelo valor, não deve se tratar de prolabore afinal, não houve tributação previdenciária, nem declaração dos rendimentos, por parte da beneficiária. Também não pode ser vistas como distribuição de lucros, pois além da sócia também não ter declarado tais distribuições, a empresa não apresentou seus livros contábeis para comprovara a existência de lucros ou de sua distribuição, bem como, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anos fiscalizados, não existe nem a informação da distribuição de tais lucros e muito menos de sua existência. Por último, a suposta beneficiária também não declarou qualquer dívida junto à empresa, que pudesse caracterizar tais valores como empréstimos. Logo, ficam também perfeitamente caracterizados os pagamentos sem causa, previstos no art. 674, § 1º do RIR/99. Quanto aos pagamentos ou transferências (...) relacionados no Anexo VI, embora seus beneficiários tenham sido supostamente identificados pelos históricos constantes dos Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.833 20 extratos ou pela análise de notas fiscais eletrônicas emitidas por terceiros contra o contribuinte e obtidas no Portal NFe, continua não existindo justificativa para estes pagamentos. E o contribuinte foi expressamente intimado a justificá los, mas preferiu silenciar, ficando assim tais pagamentos também enquadrados no art. 674, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda. Avalia, com base nestas verificações, que a contribuinte “realizou pagamentos a beneficiários não identificados, ou pagamentos que, embora com os beneficiários supostamente identificados, mas para os quais não foram apresentadas as suas causas, no montante de R$ 118.084.506,65, conforme operações listadas nos Anexos IV, V e VI”, sujeitos aos preceitos do artigo 674 do RIR/99, que determina a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte à alíquota de 35%, aplicada sobre a base de cálculo ajustada, considerando os valores pagos como rendimento líquido, já deduzido do imposto de renda devido. Observa ainda que: Embora o § 2º do citado art 674 do RIR/99 determine que o Imposto de Renda na fonte, incidente sobre os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado, é devido no dia em que ocorrer cada pagamento, por uma questão de simplificação, reunimos todos os pagamentos feitos em cada mês, fazendo um único lançamento de ofício no último dia de cada mês. Este procedimento não traz qualquer reflexo, seja no valor do imposto devido, seja dos acessórios multa e juros de mora incidentes. Ressalta, logo depois, o papel da contribuinte na ocultação de patrimônio de outras empresas do grupo: (...) quando analisamos os extratos bancários obtidos, em confronto com os registros contábeis das empresas ligadas, constatamos que uma parte destes débitos não foi registrada na contabilidade daquelas empresas, de forma que, supondo a hipótese otimista de que estas empresas não mantinham contas bancárias à margem de sua contabilidade, tais transferências tiveram, na verdade, outros destinatários. E quando aprofundamos a análise dos créditos decorrentes de depósitos, DOC, TED e transferências, em confronto com os registros contábeis das empresas ligadas, constatamos que, embora sem qualquer menção àquelas empresas, uma parte expressiva destes créditos foram decorrentes de depósitos feitos pela PALMALI, sendo parte deles inclusive registrados na contabilidade daquela empresa. Quanto aos créditos (...) sem identificação de remetente (R$ 2.472.229,50) ou cujo remetente aparece identificado como "o próprio" (R$ 43.007.567,81), (...) a conclusão é óbvia: estes depósitos foram feitos pela própria PALMALI, que Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.834 21 depositava diretamente na conta da ORIGINAL, os cheques recebidos de seus clientes. Só que tais depósitos, ao contrário daqueles listados no Anexo I, não foram registrados em sua contabilidade, pela razão, também óbvia, de não ter havido o reconhecidos da receita quando do recebimento destes cheques. Outra evidência de que os créditos não identificados tinham como origem receitas das empresas ligadas é que, entre os 102 créditos com identificação de "outros remetentes", (...) 73 mencionam a Agrícola Jandelle S.A., empresa com a qual a PALMALI mantinha contrato de prestação de serviços de industrialização. (...) a ORIGINAL, na verdade, sempre se beneficiou de recursos repassados pelas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, especialmente a primeira, a maior devedora da Procuradoria da Fazenda Nacional, na seccional de Pato Branco, que jurisdiciona a sede da empresa. Ao mesmo tempo em que supostamente não tem recursos para pagar tributos e encargos previdenciários, a PALMALI repassa regularmente recursos para a ORIGINAL, para que esta faça aplicações financeiras ou imobiliárias ou para que proporcione benefícios aos sócios e familiares das empresas. E esta situação já vigorava antes mesmo do período fiscalizado. No item 19, quando abordamos a compra do imóvel objeto da matrícula 2949 do Registro de Imóveis de Palmas, onde funciona a unidade frigorífica operada inicialmente pela PALMALI e atualmente pela IRMÃOS DALLA COSTA, demonstramos que, entre os anos de 2007 e 2010, quando declarou receitas de apenas R$ 470.000,00, o contribuinte pagou aproximadamente R$ 2.253.000,00 referente à entrada pela aquisição daquele imóvel junto à Companhia de Colonização e Desenvolvimento Rural Codal S/A, que serviu de "laranja" naquela aquisição e as prestações assumidas por aquela empresa perante o INSS e transferidas para a ORIGINAL por instrumento particular assinado logo após a arrematação. No período fiscalizado, 2011 a 2014, embora tenha declarado receitas de apenas R$ 700.580,72, como vimos no item 14, a análise dos extratos bancários, em conjunto com outras informações levantadas no curso da ação fiscal, demonstra que a ORIGINAL fez, pelo menos, os seguintes gastos, cobertos em sua maior parte por recursos fornecidos pelas empresas ligadas: a) Prestações pagas ao INSS referente ao valor corrigido nas parcelas do imóvel arrematado pela CODAL e transferido para o contribuinte, no valor de aproximadamente R$ 1.138.000,00; Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.835 22 b) DOCs ou TEDs enviados para o Condomínio Edifício Real Plaza Flat Service (137 transferências no valor de R$ 3.352.037,87), referente à aquisição de unidades inacabadas naquele edifício e gastos decorrentes da conclusão das obras do mesmo; c) TED de R$ 50.000,00 (em 23/09/2013) teve como destinatário Adilson de Souza, referente à aquisição dos direitos sobre um apartamento no Edifício Real Plaza; d) Cheque administrativo no valor de R$ 135.000,00 (em 30/07/2014) teve como beneficiário Toshi Yomura e outros, referente à aquisição de um apartamento no Edifício Real Plaza; e) Pagamento de cobrança no valor de R$ 330.000,00 (em 19/07/2011) teve como beneficiária a Euro Import Comércio e Serviços Ltda, referente à compra de um veículo marca BMW modelo X6, conforme nota fiscal 14368; f) TEDs emitidas nos dias 14 e 15/03/2012, nos valores de R$ 215.000,00 e R$ 45.000,00, respectivamente, tiveram como destinatária a Intercasing Ind. Com. Ltda, referente à compra de um veículo marca Range Rover modelo Evoque, conforme nota fiscal 2555; g) Pagamento de cobrança no valor de R$ 62.500,00 (em 02/07/2012) teve como beneficiária a Zacarias Veículos Ltda, referente à compra de um veículo marca Chevrolet, modelo S10, conforme nota fiscal 110091; h) TED emitida em 04/12/2014, no valor de R$ 350.194,78, teve como destinatária a empresa Infiniti Importadora de Veículos Ltda, porém não localizamos nenhuma nota fiscal emitida por esta empresa, que justificasse este pagamento. Provavelmente se refere à aquisição de algum veículo de luxo, usado, e que não foi transferido para o adquirente; Além disso, na pesquisa que fizemos no SPED NFe, com a baixa de notas fiscais emitidas contra o contribuinte, localizamos algumas notas que servem para demonstrar como a empresa utilizava os recursos recebidos das outras duas empresas ligadas, PALMALI e IRMÃOS DALLA COSTA, não apenas para investimentos, mas também para pagar luxos que beneficiaram diretamente seus sócios e familiares. (...) a origem dos recursos aplicados tornase ainda mais evidente pelos seguintes exemplos: a) Em 16/02/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 3.560.000,00; no mesmo dia, fez duas transferências, uma para a própria Dalla Costa, de Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.836 23 R$ 225.000,00 e outra para a Palmali, de R$ 150.000,00. Assim, o valor líquido recebido das empresas ligadas foi de R$ 3.185.000,00. Nesta data foi feita aplicação de R$ 3.177.415,20; b) Em 05/03/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Palmali de R$ 1.430.000,00 e fez uma transferência para a própria Palmali de R$ 30.000,00, além de outra para a Dalla Costa, de R$ 400.000,00. Assim, o valor líquido recebido das empresas ligadas foi de R$ 1.000.000,00. Nesta data foi feita aplicação de R$ 999.748,00; c) Em 10/05/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 1.800.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 340.000,00, restandolhe R$ 1.460.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 1.459.980,00; d) Em 18/05/2012 o contribuinte recebeu duas transferências da Dalla Costa, nos valores de R$ 6.000.000,00 e R$ 280.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 389.000,00, restandolhe R$ 5.891.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 5.890.380,00; e) Em 01/08/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 600.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor; f) Em 21/01/2012 o contribuinte recebeu duas transferências da Palmali, nos valores de R$ 100.000,00 e R$ 230.000,00; recebeu ainda uma transferência da Dalla Costa de R$ 960.000,00 e fez uma transferência para a mesma empresa, de R$ 20.000,00, restandolhe R$ 1.270.000,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 1.269.847,92; g) Em 03/12/2012 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 1.800.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor; h) Em 06/02/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa de R$ 3.879.000,00 e outra da Palmali, de R$ 51.000,00; fez ainda seis transferências para a Palmali, no valor total de R$ 1.205.350,00, restandolhe R$ 2.725.150,00; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 2.718.878,40; i) Em 06/11/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa, no valor de R$ 960.000,00 e fez uma aplicação exatamente no mesmo valor; j) Em 19/12/2013 o contribuinte recebeu uma transferência da Dalla Costa de R$ 5.590.000,00 e duas da Palmali, nos valores de R$ 153.237,50 e R$ Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.837 24 245.376,00, totalizando R$ 5.988.613,50; no mesmo dia fez uma aplicação de R$ 5.988.270,00; As operações listadas acima são apenas alguns exemplos da relação entre repasses feitos pela PALMALI e pela IRMÃOS DALLA COSTA e aplicações financeiras feitas pelo contribuinte e servem para evidenciar o óbvio: como não dispunha de receitas próprias, o contribuinte servia como intermediário para aplicações financeiras feitas pelas empresas ligadas, até como forma de evitar a existência de saldos bancários elevados em nome destas empresas, evitando assim a penhora em decorrência de execuções fiscais ou trabalhistas. Ou seja, além de tudo, o uso da ORIGINAL para fazer aplicações financeiras das empresas ligadas serviu também como forma de praticar fraude contra os credores destas empresas. Fundamenta, no tópico seguinte, a qualificação da multa de ofício aplicada sobre os tributos apurados: O contribuinte informou, em suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e na Escrituração Contábil Fiscal SPED ECF, no caso do anocalendário 2014, receitas equivalentes a um milésimo de sua movimentação financeira, além de sempre ter omitido os rendimentos de aplicações financeiras e, mais que isso, de ter omitido a própria existência destas aplicações financeiras, que nunca constaram dos Balanços Patrimoniais apresentados em suas DIPJs. Além disso, quando expressamente intimado, o contribuinte omitiu a propriedade de mais de uma centena de imóveis, alguns registrados em seu nome e outros mantidos ainda em nome do proprietário anterior. Estas atitudes caracterizamse como "ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, das condições do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente", que caracteriza a sonegação definida pelo art. 71 da Lei 4.502,64. Caracterizamse ainda como "ação ou omissão dolosa tendente a impedir (...) a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal (...) de modo a reduzir o montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento", definida como fraude pelo art. 72 da Lei 4.502/64. Além disso, o envolvimento, nestas práticas, de três empresas distintas, formalmente pertencentes a cinco pessoas diferentes, embora todas parentes em primeiro grau entre si, caracteriza um "ajuste Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.838 25 doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72", definido como conluio no art. 73 da Lei 4.502/64. Assim, estando presentes as três situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 embora apenas uma delas já fosse suficiente aplicase a multa qualificada prevista no art. 957, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, sobre as infrações apuradas na presente ação fiscal. Por fim, apresenta os motivos para responsabilização de terceiros pelo crédito tributário constituído: Foi aqui claramente demonstrado que a empresa fiscalizada, ORIGINAL INDÚSTRIA, COMÉRCIO, NEGÓCIOS E PARTICIPAÇÕES LTDA atua como o braço financeiro e de investimentos de outras duas empresas pertencentes à mesma família, a PALMALI INDUSTRIAL DE ALIMENTOS LTDA e a AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA LTDA. Estas duas empresas regularmente repassam dinheiro para a ORIGINAL, em operações às vezes contabilizadas, mas muitas vezes mantidas à margem de suas contabilidades e esta faz aplicações no mercado financeiro ou imobiliário. Intimada a informar os imóveis que possuía, a ORIGINAL mencionou apenas dois imóveis industriais, utilizados pelas duas empresas ligadas, sendo um adquirido de maneira fraudulenta, através de interposta pessoa que atuou em seu interesse em leilão judicial de imóvel então pertencente à PALMALI e que foi em seguida cedido para esta mesma empresa, inicialmente sem ônus e depois por um aluguel simbólico, e outro cedido graciosamente para uso da IRMÃOS DALLA COSTA. Mas omitiu a existência de mais de uma centena de imóveis existentes em Curitiba, adquiridos com os recursos provindos das empresas ligadas. E, o que é mais grave, parte destes imóveis, embora incorporados ao patrimônio da empresa por integralização de capital social, até hoje são mantidos, no Registro de Imóveis, em nome dos antigos proprietários. Além disso, foi também demonstrado que os recursos oriundos das empresas ligadas foram utilizados também para aquisição de veículos de luxo e outros confortos utilizados pelos sócios e seus familiares. Em 29 de setembro de 2016, foram intimados do lançamento, Original Ind. Com. Negócios e Partic. Ltda., Palmali Industrial Alim. Ltda., Ivo Antônio Dalla Costa e Thiago Dalla Costa (fls. 1356, 1358, 1360, 1364). Em 30 de setembro de 2016, Marcelo Dalla Costa e Maurício Dalla Costa (fls. 1362 e 1363). E, em 5 de outubro de 2016, Agroindustrial Irmãos Dalla Costa Ltda. e Ivana Dalla Costa (fls. 1359 e 1361). Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.839 26 Em 24 de outubro de 2016 (fls. 1366), os autuados apresentaram impugnação a fls. 1367 a 1392. Consideram os impugnantes que o procedimento fiscal padece de ilegalidade, ao argumento de que o STF e o STJ têm declarado a impossibilidade de acesso direto do Fisco às informações sobre movimentação bancária sem prévia autorização judicial e afastado a aplicação da Lei Complementar nº105, de 2001, e da Lei nº 10.174, de 2001. Neste diapasão, sustentam que é nulo de pleno direito o crédito apurado, porque constituído através de dados de movimentação bancária obtidos sem sua autorização e muito menos sem autorização judicial. Acrescentam que, ainda que fosse possível a autuação da forma como procedida, entendem ser ilegítimo e nulo o lançamento do imposto de renda com base apenas nos extratos ou depósitos bancários, pregando que tais documentos não revelariam com precisão a existência da renda tributável. Neste raciocínio, atacam o arbitramento, que afirmam ter ocorrido sobre “a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias do contribuinte”. Na seqüência, mencionam e transcrevem a jurisprudência favorável à sua tese. Aduzem que “a ausência da descrição dos fatos e enquadramento legal relativo ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte)” macula todo o trabalho realizado, “face à inexistência ou imprecisão da infração cometida”, afiançando que “o auto de infração não discrimina o valor devido e sua evolução”. Neste sentido, pugnam pela nulidade do auto de infração. Prosseguem reiterando que a autoridade fazendária utilizou a totalidade dos valores depositados nas contas bancárias da Consulente, relativamente ao período objeto de lançamento como base de cálculo (lucro tributável) do IRPJ e da CSLL! Julgam que tal erro torna “os valores indevidos, irreais e exorbitantes, contamina o lançamento com vício insanável de ilegalidade e o torna nulo de pleno direito”. Salientam que “a autoridade fazendária reconheceu que a origem do crédito mantido na conta corrente da empresa foi decorrente de depósitos feitos pela PALMALI e AGROINDUSTRIAL (e vice e versa)”, pelo que pedem o reconhecimento da nulidade do auto de infração, “porque foi detectada a origem e o destino da receita”. Asseveram que, “quando intimada para apresentar a origem dos créditos mantidos na conta, não houve a individualização, ainda que por planilhas, de cada depósito que a autoridade considerou não justificados”, e por, este motivo, mais uma vez pleiteiam a nulidade do lançamento. Propugnam que, “no caso em questão, o que existe entre as empresas é simples parceria de industrialização firmada entre empresas que possuem em comum apenas o vínculo familiar” e entendem que Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.840 27 O objeto social delas, portanto, embora parecidos, são distintos, o que demonstra inequivocamente que não existe subordinação ou qualquer critério hierárquico, sendo oportuno esclarecer que o simples fato dos sócios serem filhos do dono da PALMALI não é suficiente para caracterizar a existência de grupo econômico ou familiar, notadamente porque a sede de cada empresa é em local distinto. Concordam que “o acervo probatório produzido, de fato, revela a prática de negócios jurídicos entre os membros da família; porém, não apontam para qualquer ingerência dos filhos dos sócios da Requerida na administração da empresa devedora”, para concluir que “ainda que se reconheça a junção de interesses, inclusive econômicos, entre pais e filhos, o que é natural no âmbito familiar, não há nos autos elemento algum que aponte a existência de laços entre estes últimos e a devedora principal”, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da livre iniciativa. Alicerçados em julgado do TRF da 4a Região, ponderam que “o fato de manterem parceria de industrialização, utilizandose do mesmo espaço físico (filiais), não é suficiente para, por si só, configurar grupo econômico”. Destacam que “ainda que se admitisse a existência de grupo econômico, o que não é o caso dos autos, o STJ possui entendimento no sentido de que somente este fato não é o bastante para ensejar a responsabilidade solidária por tributo”, para defender que: a existência de grupo econômico não enseja responsabilidade entre as empresas supostamente do mesmo grupo econômico, dependendo que elas tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, o que inexiste nos autos, já que o ramo de atividade são distintos e o que existe entre elas é simples parceria de industrialização. Discordam da alegação do auditor de que o imóvel na cidade de Palmas foi adquirido pela Recorrente de forma fraudulenta, através de interposta pessoa que atuou em seu interesse em leilão judicial, por compreender que “se o imóvel foi adquirido em leilão judicial, e pago o preço, de antemão já se afasta qualquer argumento de fraude”. Rechaçam a acusação de ter suprimido imóveis do patrimônio informado ao Fisco, ao pressuposto de que “no direito brasileiro o contrato não transfere o domínio, regra que emana do art. 1.245 do CC”. Retornam à questão do grupo econômico para expor o seguinte entendimento: ainda que se analise as empresas sob a ótica de pertencerem ao mesmo grupo econômico, não estão presentes os requisitos do art. 124, I, do CTN para provocar a solidariedade no pagamento do tributo devido pela ORIGINAL, já que inexiste grau de subordinação entre os sócios das demais devedoras com o sócio da devedora principal (i), os sócios daquelas nunca tiveram qualquer ingerência na Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.841 28 sociedade devedora (ii) e, sobretudo, porque não realizam conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, já que possuem comando gerencial e atividades próprias. Combatem a utilização da taxa Selic para determinação dos juros de mora, por ter caráter estritamente remuneratório, implicar majoração de tributos, ser confiscatória e exceder o valor máximo de 1% ao mês fixado pelo Código Tributário Nacional. Contestam a multa aplicada de 150%, por abusiva e por violar os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, pleiteando sua redução ao percentual de 20%. Em análise das impugnações apresentadas o colegiado de primeira instância julgouas parcialmente procedentes somente para excluir do polo passivo da obrigação tributárias as pessoas físicas então arroladas pela fiscalização como coobrigadas. O contribuinte foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1462), apresentando recurso voluntário de fls. 15651611 em 05 de maio de 2017 (fl. 1563). PALMALI foi intimada da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1478), apresentando recurso voluntário de fls. 15271550 em 05 de maio de 2017 (fl. 1524). IVO ANTÔNIO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1463), apresentando recurso voluntário de fls. 16531683 em 05 de maio de 2017. MARCELO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 06 de abril de 2017 (fl. 1464), apresentando recurso voluntário de fls. 16871716 em 05 de maio de 2017. MAURÍCIO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1465), apresentando recurso voluntário de fls. 17781807 em 05 de maio de 2017. AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA foi intimado da decisão em 75 de abril de 2017 (fl. 1479) IVANA DALLA COSTA foi intimada da decisão em 07 de abril de 2017 (fl. 1480), apresentando recurso voluntário de fls. 17201745 em 05 de maio de 2017. THIAGO DALLA COSTA foi intimado da decisão em 05 de abril de 2017 (fl. 1481), apresentando recurso voluntário de fls. 17491774 em 05 de maio de 2017. Os pedidos contidos nos recursos resumem bem os argumentos apresentados: MANTER a decisão proferida pela DRJ em relação à exclusão da Recorrente do polo passivo dos autos; ANULAR integralmente o auto de infração, por cerceamento do direito de defesa da Autuada, tendo em vista que o auto de infração não aponta qual dos incisos do artigo 135 do CTN se aplicaria ao caso; DECLARAR NULO o auto de infração uma vez que a autoridade fiscal seria incompetente para realizar o presente lançamento tributário; Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.842 29 DECLARAR NULO o auto de infração de IRRF, tendo em vista que a falta de ciência do contribuinte quando à ampliação do tributo ou período fiscalizado geraria a nulidade do procedimento fiscal, já que não observado os requisitos legais que o regem; DECLARAR NULO o auto de infração por suposta inobservância dos requisitos legais previstos no Dec. n.° 3.724/01 e na Portaria RFB 2.014/2014 para emissão das RMFs; no MÉRITO: DECLARAR insubsistente o auto de infração em relação aos Recorrentes, afastando a responsabilidade solidária da recorrente pelo lançamento tributário uma vez que não existiria fundamento legal para suas responsabilizações oblíquas; CANCELAR o lançamento tributário de 1RPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32 uma vez que se tratariam valores que tem como origem o repasse de valores à Recorrente por terceiros; subsidiariamente, CANCELAR o lançamento à título de 1RPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32 uma vez que segundo o raciocínio do próprio Fiscal tratarseia de valores pertencentes às empresas PALMALI e AGROINDUSTRIAL IRMÃOS DALLA COSTA que apenas teriam transitado nas contas bancárias da Recorrente; CANCELAR o lançamento à título de IRPJ e reflexos sobre receitas financeiras observadas em contas bancárias de titularidade da Recorrente, tendo em vista trataremse, no entendimento do próprio AFRFB, de receitas pertencentes a terceiros; CANCELAR o lançamento a título de IRPJ sobre o valor da diferença entre o valor de aquisição e alienação de bem imóvel de propriedade da Recorrente, considerada pelo AFRFB como ganho de capital, uma vez que tal operação não importou em qualquer aumento de capital para a Recorrente; Subsidiariamente aos pedidos acima, CANCELAR o lançamento a título de IRPJ e reflexos tendo em vista a suposta aplicação do coeficiente incorreto para apuração do lucro da Recorrente; Subsidiariamente, requer a REALIZAÇÃO DE PERÍCIA nos autos para fins de demonstração da ausência de omissão de receitas e inexistência de pagamentos objeto de incidência do IRRF; Em se mantendo o lançamento tributário, CANCELAR a multa qualificada aplicada ao caso, haja vista que teria inexistido qualquer comprovação de intuito de fraude do sujeito passivo; DECLARAR a insubsistência do auto de infração em virtude de inobservância dos requisitos legais previstos no artigo 135 do CTN para responsabilização tributária dos Recorrentes; Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.843 30 DECLARAR a não incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, ante à ausência de autorização legal para tanto, nos termos exposto no item VII. Cumpre ressaltar que diversas matérias aduzidas em sede de recurso voluntário não haviam sido alvo de impugnação, a saber: declaração de nulidade do lançamento por incompetência da autoridade fiscal para realizar o procedimento fiscal, do auto de infração de IRRF por falta de ciência do contribuinte quanto à ampliação do tributo ou período fiscalizado, do auto de infração por inobservância dos requisitos legais para emissão das RMFs; o pedido de declaração de decadência do lançamento referente ao ano calendário de 2011; cancelamento da parcela de IRPJ e reflexos sobre o valor de R$ 145.764.974,32; cancelamento da exigência de IRPJ e reflexos por se tratarem de receitas pertencentes a terceiros; cancelamento do lançamento de IRPJ e de reflexos em razão da aplicação de coeficiente incorreto para apuração do lucro; cancelamento da exigência de IRPJ sobre o montante da diferença entre o valor de aquisição e alienação de bem imóvel; realização de perícia. Durante a realização de sustentação, requereu o patrono do contribuinte que, caso o julgamento fosse convertido em diligência, essa abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018. É o relatório. Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.844 31 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. Compulsando os autos, entendo que os recursos ainda não se encontram em condições para julgamento. Isso porque a alegação dos Recorrentes a respeito da emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMFs é matéria preliminar sobre legalidade, ou não, da obtenção da prova em que se baseia a autuação, e não há nos autos elementos suficientes para a formação de minha convicção. Explico. A respeito do acesso do Fisco às informações bancárias dos contribuintes, assim dispõe a Lei Complementar nº 105, de 2001: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Ato contínuo, o Poder Executivo editou o Decreto nº 3.724, de 2001 para regulamentar o art. 6º da LC nº 105, de 2001, relativamente à requisição, acesso e uso, pela Secretaria da Receita Federal, de informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras e das entidades a elas equiparadas. É importante ressaltar o disposto no § 5º do art. 2º do Decreto nº 3.724, de 2001: Art. 2º [...] § 5o A RFB, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. Conforme se observa, e em sintonia com o disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, para que o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil possa examinar informações de terceiros contidas nos registros das instituições financeiras fazse necessário ter procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis. Em seu artigo 3º o Decreto em questão listou em quais hipóteses os exames serão considerados indispensáveis. Vejase sua redação à época da realização do procedimento fiscal: Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.845 32 Art. 3o Os exames referidos no § 5o do art. 2o somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: I subavaliação de valores de operação, inclusive de comércio exterior, de aquisição ou alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado; II obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos; III prática de qualquer operação com pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996; IV omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda fixa ou variável; V realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível; VI remessa, a qualquer título, para o exterior, por intermédio de conta de não residente, de valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas; VII previstas no art. 33 da Lei no 9.430, de 1996; VIII pessoa jurídica enquadrada, no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), nas seguintes situações cadastrais: a) cancelada; b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei no 9.430, de 1996; IX pessoa física sem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou com inscrição cancelada; X negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela movimentação financeira; XI presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato. Conforme se observa, somente nessas 11 hipóteses é que a autoridade fiscal poderia requisitar às instituições financeiras as informações do contribuinte sob procedimento fiscal. Tratase de norma que deve ser interpretada restritivamente, uma vez que se trata de informações protegidas pelo sigilo de dados e, em se tratando de pessoas físicas, que podem inclusive violar a intimidade do sujeito passivo, sendo que o sigilo bancário a que as instituições estão obrigadas, uma vez repassadas as informações ao Fisco, convolase em sigilo fiscal. No art. 4º do Decreto nº 3.724, de 2001, determinase que antes da emissão da RMF o contribuinte deve ser previamente intimado a apresentar as informações sobre sua movimentação financeira: Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.846 33 Art. 4o Poderão requisitar as informações referidas no § 5o do art. 2o as autoridades competentes para expedir o MPF § 1o A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: [...] § 2o A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. § 3o O sujeito passivo responde pela veracidade e integridade das informações prestadas, observada a legislação penal aplicável. [...] § 5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil encarregado da execução do procedimento fiscal ou pela chefia imediata. § 6o No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. [...] § 8º A expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Pois bem, conforme se observa, para que a autoridade fiscal possa requerer informações de determinado contribuinte diretamente às instituições financeiras este deve estar sob procedimento fiscal, o exame deverá ser considerado indispensável, enquadrandose o caso concreto em uma das 11 hipóteses contidas no art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e o contribuinte deve ter sido previamente intimado a apresentar tais informações e assim não tenha procedido. Além disso, a emissão da RMF deverá se basear em relatório circunstanciado elaborado pela autoridade fiscal, no qual se demonstre tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade (observado o princípio da razoabilidade), nos termos dos §§ 5º e 6º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001. Convém ainda ressaltar que o disposto no § 8º do art. 4º do Decreto nº 3.724/2001, no que diz respeito à presunção de indispensabilidade das informações requisitadas em RMF, é dirigida à instituição financeira requerida, a fim de que não se abrisse a terceiros a possibilidade de se questionar a legalidade da requisição efetuada pela autoridade fiscal. Obviamente tal restrição não se aplicaria ao contribuinte sob procedimento fiscal, uma vez que tal interpretação implicaria franco e evidente cerceamento ao exercício de seu direito à ampla defesa. Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.847 34 No caso concreto, contudo, só constam nos autos as próprias RMFs (fls. 843 845 e 970974), ou seja, os autos não foram instruídos com informações necessárias para avalizar a legalidade de suas emissões, em especial o tal relatório circunstanciado com o enquadramento do caso concreto nas hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É importante ressaltar que a RMF não é emitida, por limitações impostas pelo sistema operacional utilizado pela RFB, sem que haja a consignação a respeito de qual hipótese se enquadraria o caso concreto para respaldar sua emissão, bem como preenchido o campo relativo ao relatório circunstanciado que embasaria a expedição da RMF. Portanto, não se trata de questionar se existem ou não tais documentos preparatórios à expedição da RMF, mas sim de determinar a unidade de origem que acoste aos autos essa documentação, fornecendo cópia aos recorrentes para que, se assim desejarem, se manifestem sobre seu conteúdo. Tal entendimento não é inovador no âmbito do CARF. Vejase, por exemplo, o conteúdo da Resolução 130200.021, com voto de lavra do E. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, a seguir descrito: Trata a lide de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas em decorrência da apuração de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Acompanhando manifestação do Colegiado, conduzo meu voto no sentido de, preliminarmente, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que seja trazido aos autos o RELATÓRIO que serviu de suporte para a expedição da REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA referenciada no presente processo. No que diz respeito ao pedido do patrono, na tribuna, no sentido de que a diligência requerida pela turma julgadora abrangesse também a análise de documentos juntados aos autos em 08/05/2018, por mais que esse colegiado tenha flexibilizado a juntada de documentos após a apresentação de impugnação, inclusive em sede de recurso voluntário, entendo que deva haver um limite para tanto. Os presentes autos estavam pautados originalmente para a reunião do mês de abril, com relatório e voto deste relator já elaborados, conforme impõese regimentalmente, sendo objeto de retirada de pauta por falta de tempo hábil para a apreciação do recurso. No dia 03/05/2018 houve a publicação da pauta da reunião de maio, com a reinclusão automática do presente processo por expressa disposição regimental. Nos dias 08 e 09/05/2018, ou seja, posteriormente à retirada de pauta do processo da reunião de abril e também após a publicação da pauta do mês de maio de 2018, o contribuinte solicitou juntada de uma quantidade muito significativa de documentos buscando comprovar a origem dos créditos bancários objeto de lançamento. Nesse contexto, há de se observar que o julgamento poderia já ter ocorrido no mês de abril, e, imaginarse que o relator possa examinar documentação tão vasta após já ter preparado seu relatório e voto pareceme afrontar o princípio da duração razoável do processo e da eficiência. Por essas razões, entendo que diligência a ser realizada não deverá abranger a análise dos documentos em questão. É como voto. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10950.723642/201671 Resolução nº 1301000.588 S1C3T1 Fl. 1.848 35 CONCLUSÃO Desse modo, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade origem anexe aos autos cópia do relatório circunstanciado que embasou a emissão das RMFs. Ao final, os recorrentes deverão ser cientificados do resultado da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Cumprido o rito determinado, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 1848DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12466.724078/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
Ementa:
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. NULIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF N. 48.
Nos termos do art. 63 da lei 9.430/96 e da súmula CARF n. 48 é válido o lançamento fiscal veiculado para fins de prevenção de decadência do crédito tributário, inexistindo, pois, qualquer nulidade na autuação fiscal.
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ.
Segundo entendimento consolidado pelo STJ em sede de recurso especial julgado sob o rito de repetitivos (REsp n. 973.733/SC), em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e havendo prova de pagamento da exação exigida, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o fato gerador do tributo, que no caso de operações de importação ocorre com o registro da declaração de importação. Logo, decaído no presente caso parte do crédito tributário aqui exigido.
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF
Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda.
LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POSTERIOR AO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
O ajuizamento de ação judicial que concedeu tutela provisória para fins de suspensão da exigibilidade ocorreu após o início do procedimento fiscal que culminou no lançamento em apreço. Aplicação do § 1º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96.
Recurso voluntário parcialmente conhecido para negar-lhe provimento. Recurso de ofício conhecido e com provimento também negado.
Numero da decisão: 3402-005.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em em (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; e (ii) não conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. NULIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF N. 48. Nos termos do art. 63 da lei 9.430/96 e da súmula CARF n. 48 é válido o lançamento fiscal veiculado para fins de prevenção de decadência do crédito tributário, inexistindo, pois, qualquer nulidade na autuação fiscal. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Segundo entendimento consolidado pelo STJ em sede de recurso especial julgado sob o rito de repetitivos (REsp n. 973.733/SC), em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e havendo prova de pagamento da exação exigida, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o fato gerador do tributo, que no caso de operações de importação ocorre com o registro da declaração de importação. Logo, decaído no presente caso parte do crédito tributário aqui exigido. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POSTERIOR AO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. O ajuizamento de ação judicial que concedeu tutela provisória para fins de suspensão da exigibilidade ocorreu após o início do procedimento fiscal que culminou no lançamento em apreço. Aplicação do § 1º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96. Recurso voluntário parcialmente conhecido para negar-lhe provimento. Recurso de ofício conhecido e com provimento também negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 Ementa: LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. NULIDADE DA EXIGÊNCIA FISCAL. INEXISTÊNCIA. SÚMULA CARF N. 48. Nos termos do art. 63 da lei 9.430/96 e da súmula CARF n. 48 é válido o lançamento fiscal veiculado para fins de prevenção de decadência do crédito tributário, inexistindo, pois, qualquer nulidade na autuação fiscal. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. Segundo entendimento consolidado pelo STJ em sede de recurso especial julgado sob o rito de repetitivos (REsp n. 973.733/SC), em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação e havendo prova de pagamento da exação exigida, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o fato gerador do tributo, que no caso de operações de importação ocorre com o registro da declaração de importação. Logo, decaído no presente caso parte do crédito tributário aqui exigido. CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS. PREVALÊNCIA DA INSTÂNCIA JUDICIAL EM DETRIMENTO DA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA N. 01 DO CARF Havendo concomitância de instâncias, deve prevalecer a instância judicial em detrimento da instância administrativa, haja vista a posição de prevalência da primeira em relação a segunda. LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POSTERIOR AO INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 40 78 /2 01 1- 96 Fl. 4066DF CARF MF 2 O ajuizamento de ação judicial que concedeu tutela provisória para fins de suspensão da exigibilidade ocorreu após o início do procedimento fiscal que culminou no lançamento em apreço. Aplicação do § 1º do artigo 63 da Lei n° 9.430/96. Recurso voluntário parcialmente conhecido para negarlhe provimento. Recurso de ofício conhecido e com provimento também negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em em (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; e (ii) não conhecer parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório 1. Por bem retratar o caso, adoto como meu parte do relatório desenvolvido no acórdão n. 0733.706 (fls. 4.003/4.011), proferido pela DRJ de Florianópolis/SC, o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). Trata o presente processo de autos de infração lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 3.513.041,06, referentes a Contribuições, Juros de Mora e Multa de Ofício, incidentes sobre a importação. Depreendese da descrição dos fatos do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação, por meio das Declarações de Importação (DI’s) nº listadas às folhas 10 e 11, mercadorias de procedência estrangeira. Em procedimento de revisão aduaneira das declarações de importação registradas no ano de 2006, a fiscalização concluiu que a interessada não poderia gozar do benefício fiscal relativo à redução das alíquotas das contribuições sociais que incidem nas operações de importação de papel imune. Aduz a fiscalização que o contribuinte autuado teve a oportunidade de comprovar, mediante a apresentação de Fl. 4067DF CARF MF Processo nº 12466.724078/201196 Acórdão n.º 3402005.228 S3C4T2 Fl. 4.066 3 documentação contábil, que houve a correta destinação das mercadorias. Os documentos acostados aos autos revelam que houve venda de papel para empresas que não são editoras de jornais e revistas assim como para outros estabelecimentos da mesma empresa que não estavam, à época dos fatos, inscritos como distribuidor ou representante de fabricante estrangeiro. A redução de alíquota só seria aplicável às importações de pessoas jurídicas que explorem a atividade de indústria de publicações periódicas ou sejam representantes exclusivas de fábrica estrangeira de papel, com venda exclusiva para as pessoas que explorem a atividade de indústria de publicações periódicas (o que não aconteceu no caso dos autos) Com o fim de resguardar o direito da Fazenda, a fiscalização lavrou, em 08/12/2011, o auto de infração do presente processo. Intimada, a interessada apresentou impugnação, onde alega, em síntese: Que, o auto é nulo por desrespeito às formalidades legais, existe decisão judicial vigente; Que, um mero decreto não pode extrapolar os termos da legislação. Há evidente ilegalidade no Decreto n° 5.171/04; Que, o aproveitamento do benefício de redução de alíquotas do PIS e da COFINS na importação de papel imune não demanda mais do que o exigido para o aproveitamento da imunidade relativa a impostos; Que, ocorreu a decadência; Que, a impugnante possuía os regimes especiais, há pleno cumprimento à legislação; Que, há manifesto erro de cálculo no auto de infração (foi considerada as alíquotas dos impostos, mas a impugnante é imune); Que, é equivocada a aplicação da multa de ofício; Requer: seja reconhecida a nulidade ou, quando menos, a insubsistência da autuação; sejam as intimações e notificações procedidas em nome dos patronos. Documentos anexados pela Impugnante (fls. 3.929 a 3.976) dão conta de que a interessada ingressou com Ação Declaratória de Inexistência de Relação JurídicoTributária nº 002063967.2011.403.6100 perante a 15ª Vara de Justiça Federal de São Paulo SP, objetivando, em síntese, ver declarada a inexistência da relação jurídicotributária que a obrigue a recolher contribuições sociais federais devidos na importação, como fundamento aduz a ilegalidade do artigo 1º, do Decreto n° 5.171/04 para o gozo do benefício de redução da alíquota das contribuições sobre as importações de papel imune destinado à impressão de periódicos. Fl. 4068DF CARF MF 4 Como se depreende dos autos, a decisão proferida pelo Juízo, em 11/11/2011, foi favorável à interessada, tendo sido deferido o pedido de antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional (fl. 3.977), contudo até a lavratura das autuações ainda não havia decisão definitiva (transitada em julgado) sobre o tema. (...). 2. Devidamente processada, a impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada parcialmente procedente, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. A suspensão da exigibilidade ocorreu após o início do procedimento fiscal que culminou no lançamento em apreço. Aplicação do § 1º, do artigo 63 da Lei n° 9.430/96. DECADÊNCIA. COMÉRCIO EXTERIOR. DIFERENÇA DE TRIBUTOS. PAGAMENTO PARCIAL. O direito de exigir o tributo extinguese em 5 anos, contados da data do pagamento efetuado. No caso das importações o pagamento é realizado por ocasião do registro da declaração de importação, data em que se considera ocorrido o fato gerador. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. 3. Em suma, a decisão atacada reconheceu (i) a decadência de parte significativa do crédito exigido e, (ii) em relação ao crédito que não fora extinto pela decadência, a existência de erro na sua composição, o que implicou a redução do montante inicialmente exigido. Diante deste quadro o importe originalmente lançado foi reduzido para o valor de R$ 157.454,31. 4. Tendo em vista a parcela do crédito que fora exonerada, houve a interposição de recurso de ofício por parte do juízo a quo. 5. Não obstante, uma vez intimado, o contribuinte também interpôs recurso voluntário em relação à parcela do crédito remanescente, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sua impugnação. 6. É o relatório. Fl. 4069DF CARF MF Processo nº 12466.724078/201196 Acórdão n.º 3402005.228 S3C4T2 Fl. 4.067 5 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 7. O recurso de ofício interposto supera o valor de alçada veiculado na Portaria MF n. 63/2017, motivo pelo qual merece ser conhecido. 8. A mesma sorte, todavia, não assiste à integralidade do recurso voluntário interposto, já que parte da discussão aqui travada também é objeto de debate na instância judicial, bem como em razão do fato de um dos pedidos subsidiários formulados pelo contribuinte já ter sido atendido pela instância a quo. Tais questões serão detalhadas pormenorizadamente a seguir. I. A nulidade do auto de infração aventada pelo contribuinte 9. Preliminarmente, o contribuinte alega que o presente lançamento seria nulo, uma vez que possuía decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário o que, sob a sua ótica, impediria o advento do correlato lançamento fiscal. 10. Não assiste razão ao contribuinte, uma vez que ignora o disposto no art. 63 da lei 9.430/96, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (...). 11. Ademais, essa questão não é nova neste Tribunal Administrativo, resultando, inclusive, na súmula CARF n. 48: Súmula CARF nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. 12. Assim, com base em tais fundamentos, afasto a preliminar de nulidade desenvolvida pelo recorrente. II. A decadência do crédito lançado 13. Superada a preliminar de mérito, mister se faz analisar a decadência do crédito lançado, decadência essa parcialmente reconhecida pela decisão recorrida e que ensejou a interposição de recurso de ofício. A respeito deste ponto, assim manifestouse o juízo recorrido: No âmbito do comércio exterior, isto é, dos tributos incidentes nas operações de importação em apreço, a matéria está regulamentada no Decreto n° 6.759/09 (cujo texto é semelhante Fl. 4070DF CARF MF 6 àquele do Decreto n° 4.543/02, artigo 668). Assim restou consignado em seu artigo 752: Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. § 1o O direito a que se refere o caput extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento (Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, parágrafo único). § 2o Tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo a que se refere o caput será contado da data do pagamento efetuado (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, parágrafo único, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o). ... (Grifos acrescidos) A planilha de folhas 3.884 a 3.886, elaborada pela fiscalização, traz a indicação dos valores que foram recolhidos pela impugnante por ocasião do registro das declarações de importação. Dela se extrai que apenas no caso da declaração de importação n° 06/04750646 não houve recolhimento das contribuições por ocasião do registro da declaração. Assim, no caso desta declaração de importação, a contagem do prazo decadencial deve ser realizada do primeiro dia do exercício seguinte posterior à ocorrência do fato gerador, 24/04/2006 (registro da declaração de importação – data em que poderia ter sido lançado o crédito em questão). Portanto, neste caso a contagem do prazo é iniciada em 01/01/2007, logo na data em que cientificada a presente autuação (12/12/2011 – AR Correios fl. 3.887) ainda não havia decorrido o prazo de 5 anos. Já em relação às demais declarações de importação, onde ocorreu o recolhimento de algum valor no momento do registro, o prazo decadencial deve ser contado conforme determinado no § 2º do artigo 752 do Decreto n° 6.759/09, isto é, tratandose de exigência de diferença de tributo, o prazo deve ser contado da data do pagamento efetuado, ou seja, da data do registro das declarações de importação. Logo, devem ser excluídos da presente autuação os créditos correspondentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente à 12/12/2006 (com exceção do caso anteriormente citado da declaração de importação n° 06/04750646. 14. Conforme bem constatado pela decisão recorrida, em relação ao universo de 125 DI's fiscalizadas, constatouse o pagamento parcial das exações em comento para 124 DI's. Por outro giro verbal, só não houve pagamento parcial para a DI n. 06/04750646. Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 12466.724078/201196 Acórdão n.º 3402005.228 S3C4T2 Fl. 4.068 7 15. Feitas tais considerações, resta claro que o presente caso não demanda maiores digressões. Tratandose da exigência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial será interferido de acordo com a existência ou não de pagamento parcial do tributo para o período autuado, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso especial julgado sob o rito de recurso repetitivo, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 4072DF CARF MF 8 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos nosso). 16. Por seu turno, referido precedente do STJ deve ser seguido por este Tribunal Administrativo, nos termos do que prevê o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. 17 Assim, levando em consideração que o Recorrente comprovou o pagamento parcial de 124 das 125 DI's fiscalizadas, a contagem do prazo decadencial no presente caso deve se dar nos termos do art. 150, § 4º do CTN, exatamente como realizado no acórdão recorrido. Apenas em relação a DI n. 06/04750646 a contagem deverá ser iniciada no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. 18. Logo, levando em consideração que o período em cobro compreende importações realizadas no ano de 2006 e, ainda, que a notificação da recorrente acerca do presente lançamento só ocorreu em 12/12/2011, estão decaídas todas as exigências referentes às DI's registradas antes desta data, implicando a extinção de tais valores, nos termos do art. 156, inciso V do CTN. A única exceção, portanto, referese à exigência decorrente da DI n. 06/04750646. Neste caso, tendo a importação sido registrada em 24/04/2006 e não havendo qualquer pagamento para as exações aqui tratadas, o marco inicial para a contagem do prazo decadencial é 01/01/2007 e o seu termo final 01/01/2012. Assim, não há que se falar em decadência apenas para esta específica importação. 19. Nesse sentido, não merece reparo a decisão recorrida, o que, por conseguinte, implica em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário interpostos. III. Do direito à alíquota reduzida na hipótese de operação com papel imune 20. Neste tópico em particular o contribuinte discute a impossibilidade do Decreto n. 5.171/04 criar restrições não previstas na lei n. 11.945/99 para o gozo da alíquota reduzida de PIS e COFINS na importação de papel imune. 21. Acontece que tal matéria também está sendo debatida pelo contribuinte na instância judicial, mais precisamente por intermédio da ação declaratória de inexistência de Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 12466.724078/201196 Acórdão n.º 3402005.228 S3C4T2 Fl. 4.069 9 relação jurídicotributária autuada sob o n. 002063967.2011.403.6100, com trâmite pela 15a Vara Cível da Justiça Federal de São Paulo/SP (fls. 3.929/3.976). 22. Percebese, portanto, que em relação a tal matéria há concomitância entre a instância judicial e a instância administrativa, razão pela qual deve prevalecer aquela em detrimento desta, exatamente como prevê a Súmula n. 01 deste Tribunal Administrativo1. 23. Nesse diapasão, deixo de conhecer a matéria que está sendo discutida judicialmente. IV. Do erro de cálculo em relação ao crédito remanescente 24. Outro ponto reconhecido pela decisão guerreada em favor do contribuinte foi em relação ao erro no cálculo da exigência que remanesce em discussão, o que também foi objeto de recurso de ofício. Nesse sentido, assim manifestouse a instância a quo: (...). Com relação à alegação de que as contribuições foram calculadas com base em alíquotas equivocadas para os impostos (II, IPI e ICMS), cumpre asseverar que a interessada possui razão. A própria fiscalização, à folhas 3.886 indica: 1) PARA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES FORAM CONSIDERADOS: ... B) As alíquotas incidentes das posições fiscais declaradas pelo Contribuinte/Autuado, independentemente do não recolhimento dos impostos em razão do benefício da imunidade; ... (Grifos acrescidos) Assim, devem ser recalculadas as contribuições com base na planilha de cálculo inserida no Anexo Único da Norma de Execução Coana nº 2/05 e alíquotas “zero” para os impostos (para fins de cálculo exclusivamente e, em razão da imunidade dos impostos). Mantidos os valores da tabela abaixo e respectivos juros de mora: 1 "Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 4074DF CARF MF 10 (...). 25. Com razão a decisão atacada, motivo pelo qual emprego os fundamentos desenvolvidos pelo acórdão vergastado para negar provimento ao recurso de ofício interposto também neste tópico em particular, o que faço com fundamento no disposto no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99. 26. Por sua vez, deixo de conhecer o recurso voluntário do contribuinte neste tópico em particular, já que lhe falta interesse de agir, haja vista que aqui a decisão recorrida também lhe foi favorável. V. Da impossibilidade de incidência de multa de ofício para o valor remanescente 27. Por fim, também de forma subsidiária, o contribuinte protesta pelo afastamento da multa de ofício imposta em relação ao crédito tributário remanescente, o que faz com fundamento no disposto no art. 63 da lei 9.430/96. 28. O que o contribuinte ignora, todavia, é o disposto no § 1º do aludido dispositivo legal, in verbis: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (...) (g.n.). 29. No presente caso a interessada foi cientificada em 04/10/2011 do início do procedimento de fiscalização (fl. 3.305) que culminou no lançamento em apreço. Por sua vez, a ação judicial foi proposta pelo contribuinte em 10/11/2011, sendo a tutela provisória para fins de suspensão de exigibilidade do crédito tributário concedida em 11/11/2011 (fl. 3.976), ou seja, após o início do procedimento de fiscalização. 30. Diante deste quadro é legítima a incidência da multa de ofício imposta sobre o valor remanescente do crédito tributário. Dispositivo Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 12466.724078/201196 Acórdão n.º 3402005.228 S3C4T2 Fl. 4.070 11 31. Diante do exposto, deixo de conhecer parte do recurso voluntário interposto pelo contribuinte e, na parte conhecida, voto por negarlhe provimento. Por sua vez, conheço o recurso de ofício interposto para também negarlhe provimento. 32. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 4076DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.901018/2013-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Julio Lima Souza Martins e Lizandro Rodrigues de Sousa, que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Flavio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem relatar o processo em comento, adoto o relatório da DRJ/SPO, a seguir transcrito: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 48912837 emitido eletronicamente em 04/04/13, referente ao PER/DCOMP nº 35925.84960.221009.1.3.040690. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089, no valor de R$ 255.937,02, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/01/08, no valor de R$ 792.780,38. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 01 01 8/ 20 13 -6 8 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 3 2 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que apurou saldo de IRPJ (lucro presumido) no valor de R$ 792.780,38, recolhido em Darf, em 31/01/2008. que equivocadamente informou a existência do crédito decorrente de IRPJ, no valor original de R$ 630.400,42 quando o valor correto era R$ 792.780,38. que transmitiu inicialmente dois PerDcomp, um homologado totalmente e o outro parcialmente, conforme extrato de sua impugnação, fl. 4. Em seguida, indaga: “se foi reconhecido por homologação o pagamento indevido/a maior da Requerente no montante de R$ 792.780,38, sendo utilizado desse crédito somente a quantia de R$ 396,63, sobrando um saldo remanescente de R$ 792.383,76, como esse não foi suficiente para o pagamento de um débito de R$ 227.624,30 disposto no Despacho Decisório aqui guerreado?”. Requer a reavaliação do Despacho Decisório”. A Manifestação de Inconformidade fora julgada improcedente por unanimidade de votos, como denota a ementa do Acórdão n º 02065.698 a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Os motivos invocados pela DRJ foram os seguintes, verbis: Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 4 3 Inconformada com a decisão retro, a recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em síntese, o que segue: Pagamento de parte dos débitos discutidos, conforme tabela abaixo: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 5 4 No anocalendário de 2007, a Recorrente adotou a apuração do Imposto de Renda com base no lucro presumido trimestral, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/1996. Assim, ao final de cada período de apuração trimestral, a Recorrente apurou o recolheu o IRPJ devido, conforme estabelece a legislação em vigor. Assim, durante o anocalendário de 2007, a Recorrente sofreu diversas retenções de IRRF em todos os meses do ano, no valor total de R$ 627.962,35, tal como se infere da planilha juntada na r. decisão ora recorrida. Contudo, a Recorrente apurou e recolheu o IRPJ devido em cada trimestre do anocalendário de 2007 sem deduzir o imposto retido sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Ou seja, houve evidente recolhimento a maior de imposto em cada trimestre pela Recorrente pela falta de dedução do IRRF já retido. Por exemplo, no quarto trimestre de 2007, a Recorrente havia apurado e declarado na DCTF nº 100200720081830175278 o valor devido a título de IRPJ de R$ 792.780,38, sem a dedução do valor de IRRF de R$ 149.399,66 retido nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2007. Tal montante foi recolhido pela Recorrente em DARF no dia 31/01/2008. Posteriormente, a Recorrente apresentou a DIPJ nº 0831765 declarando o valor da IRPJ devida no mesmo valor de R$ 792.780,38. Contudo, apenas em 11/07/2008, a Recorrente identificou que havia deixado de deduzir, dos valores devidos a título de IRPJ em cada trimestre de 2007, o imposto retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo. Por conta disso, a Recorrente apresentou, em 11/07/2008, a DCTF retificadora nº 100200720081810394915 declarando o valor de IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 no montante de R$ 162.186,84 (e não mais de R$ 792.780,38). Logo em seguida, em 29/07/2008, a Recorrente também apresentou a DIPJ retificadora nº 1797536, também alterando o valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 2007 de R$ 792.780,38 para R$ 162.186,84. A diferença do montante originalmente declarado a título de IRPJ no quarto trimestre de 2007, no valor de R$ 792.780,38, e o valor efetivamente devido a título de IRPJ após a dedução do imposto de renda pago a maior durante todo o anocalendário, de R$ 162.186,84, é justamente o crédito que ora se discute, qual seja, R$ 630.593,54. De fato, considerando que a Recorrente já havia recolhido indevidamente o valor de R$ 792.780,38 em 31/01/2008, quando retificou sua DCTF e sua DIPJ em 11/07/2008 e 29/07/2008, respectivamente, para declarar o valor correto de IRPJ a pagar naquele Fl. 260DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 6 5 período, após a dedução do imposto de renda pago a maior dos períodos de apuração anteriores, apurou um crédito de IRPJ no valor de R$ 630.593,54. Para não deixar dúvidas sobre os fatos, datas e valores acima descritos, cumpre transcrever o quadro elaborado pela própria decisão recorrida com todas as informações necessárias para o deslinde da questão: Tal crédito decorrente do recolhimento a maior de IRPJ no quarto trimestre do anocalendário de 2007, no montante de 630.593,54, foi utilizado para compensação de diversos débitos, originando, em razão disso, os 21 processos administrativos acima mencionados. Contudo, para surpresa da Recorrente, o V. Acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual reconheceu apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007. Para melhor compreensão de tal questão, foi elaborada a planilha abaixo demonstrando o IRRF retido no ano de 2007 por trimestre: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 7 6 O fundamento utilizado pela r. decisão recorrida para não reconhecer o total do crédito de IRPJ apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2007 e compensado pela Recorrente com outros débitos foi de que: "Por óbvio, do imposto devido no 4º trimestre, cabe deduzir apenas o imposto retido na fonte sobre as receitas que integram a base de cálculo do imposto devido nesse mesmo período de apuração. É de se rejeitar, portanto, o valor do imposto de renda a pagar do 4º trimestre, retificado pela interessada, através da dedução de imposto de renda retido na fonte incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro presumido nos trimestre anteriores”. Desse modo, segundo o V. Acórdão recorrido, apenas foi possível reconhecer a dedução de IRRF referente ao 4º Trimestre de 2007 (R$ 149.399,66), uma vez que não haveria previsão legislativa para que a Recorrente abatesse do imposto a pagar no 4º Trimestre de 2007 os valores que não foram deduzidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo ano fiscal (R$ 478.562,68). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.541, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13896.901005/201399. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.541): Presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, tomo conhecimento do presente Recurso Voluntário. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao aproveitamento do imposto de renda retido na fonte referente aos 1, 2 e 3 trimestres, que foram aproveitados para deduzir do imposto de renda devido no 4º trimestre, gerando, por conta disso, um pagamento indevido no 4 trimestre a titulo de IRPJ, o qual foi utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em períodos posteriores. O argumento utilizado pela decisão recorrida para reduzir o montante do direito creditório pleiteado pelo contribuinte foi o seguinte: “o contribuinte não poderia ter deduzido, no 4º Trimestre de 2007, os valores indevidamente recolhidos a título de IRRF nos três primeiros trimestres daquele mesmo anocalendário (no valor total de R$ 478.562,68), razão pela qual deve ser reconhecido apenas o crédito de R$ 149.206,54, que se refere justamente ao IRRF retido no quarto trimestre de 2007." É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação as receitas que geraram a retenção na fonte do Imposto de Renda referente aos 1, 2 e 3 trimestres de 2007, na conformidade das planilhas abaixo: Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 8 7 EXTRATO DAS FONTES PAGADORES COM A RESPECTIVA RETENÇÃO INFORMAÇÕES CONSTANTES EM DCTF E DIPJ DEMONSTRATIVO DO IRFONTE POR PERÍODO DE APURAÇÃO Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 9 8 Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos para a comprovação do saldo remanescente dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito, se faz necessário que o processo baixe em diligência para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, deverá ser elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Barueri/SP), para que a unidade preparadora realize os seguintes procedimentos: a) Juntar aos autos cópia da DIPJ 2008, anocalendário 2007; b) Juntar cópias das DCTF´s de todo o anocalendário de 2007; c) Confirmar o montante das retenções na fonte do Imposto de Renda sofridas pela recorrente no anocalendário de 2007, bem como se as receitas que geraram a retenção na fonte a título do Imposto de Renda foram oferecidos a tributação; d) Ao final, elaborar relatório de diligência, contendo as informações acima requeridas, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse nos autos. Esgotado o prazo, independentemente de resposta, retornem os autos ao Carf para prosseguimento do julgamento. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13896.901018/201368 Resolução nº 1302000.546 S1C3T2 Fl. 10 9 e) O teor do relatório de diligência e manifestação do contribuinte, caso ocorra, deverá ser replicado nos processos administrativos abaixo numerados: PROCESSOS 13896.901009/201377 13896.901012/201391 13896.901013/201335 13896.901015/201324 13896.901018/201368 13896.901020/201337 13896.901021/201381 13896.901022/201326 13896.901025/201360 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720011/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. FORMA DE DESCREVER OS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO
Fatos relatados de forma que não alteram a base tributável do lançamento e também não confundem o entendimento do que foi imputado não caracteriza cerceamento do direito de defesa.
LAUDO PERICIAL. POSSIBILIDADE DE JUNTADA POSTERIORMENTE À IMPUGNAÇÃO
As provas que o contribuinte possuir devem ser mencionadas na impugnação e, em se tratado de documentos, sua apresentação deve ser junto àquela. Preclui o direito de o contribuinte apresentá-las em outro momento processual, salvo se o motivo se der em decorrência de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, como ocorre nos presentes autos.
DILIGÊNCIAS. PEDIDO NÃO FORMULADO.
Considera-se não formulado o pedido de diligências em que não tenham sido expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos desejados.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício constitui-se em débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição.
GANHO DE CAPITAL EM OPERAÇÃO DE PERMUTA DE QUOTAS DE CAPITAL OU AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
O valor de aquisição para a apuração do ganho de capital em uma operação de permuta de ações ou quotas é o valor contábil, representado pela soma algébrica do valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte e o ágio ou deságio na aquisição do investimento. O ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor das ações ou quotas recebidas, mais eventual torna, e o valor de aquisição. Operações de permutas de participações societárias com tratamento excepcional, como aquelas que se deram no âmbito do Plano Nacional de Desestatização (PND), exigem autorização legislativa específica.
GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizá-las, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados.
MULTA POR FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, somente enseja a aplicação da multa de ofício isolada (inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96), caso verificada a infração anteriormente ao término do ano calendário correspondente ao período de apuração.
CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, COFINS, PIS AUTO DE INFRAÇÃO CORRELATO.
Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo, período de apuração e alíquota própria.
PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA.
Cabe afastar a tributação do Imposto de Renda na Fonte, quando identificados os beneficiários de pagamentos efetuados por pessoas jurídicas.
GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.
A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizá-las, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados.
Numero da decisão: 1302-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e da decisão de primeiro grau; por maioria de votos, em acatar a juntada de laudo pericial apresentado antes de proferimento do acórdão de primeiro grau, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à tributação do ganho de capital e quanto à glosa de despesas de rateio de custos e em dar provimento ao recurso quanto às adições não computadas no lucro real referentes à despesas com assessoria (Credit Suisse); por voto de qualidade, em negar provimento à glosa de despesas de assessoria para a empresa Bain Brasil LTDA., vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto à multa isolada de estimativas, vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento parcial quanto à exigência de CSLL, votando o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho pelas conclusões; e, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário sobre os lançamento de IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Quanto ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo- Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. FORMA DE DESCREVER OS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Fatos relatados de forma que não alteram a base tributável do lançamento e também não confundem o entendimento do que foi imputado não caracteriza cerceamento do direito de defesa. LAUDO PERICIAL. POSSIBILIDADE DE JUNTADA POSTERIORMENTE À IMPUGNAÇÃO As provas que o contribuinte possuir devem ser mencionadas na impugnação e, em se tratado de documentos, sua apresentação deve ser junto àquela. Preclui o direito de o contribuinte apresentá-las em outro momento processual, salvo se o motivo se der em decorrência de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, como ocorre nos presentes autos. DILIGÊNCIAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considera-se não formulado o pedido de diligências em que não tenham sido expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos desejados. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constitui-se em débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. GANHO DE CAPITAL EM OPERAÇÃO DE PERMUTA DE QUOTAS DE CAPITAL OU AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor de aquisição para a apuração do ganho de capital em uma operação de permuta de ações ou quotas é o valor contábil, representado pela soma algébrica do valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte e o ágio ou deságio na aquisição do investimento. O ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor das ações ou quotas recebidas, mais eventual torna, e o valor de aquisição. Operações de permutas de participações societárias com tratamento excepcional, como aquelas que se deram no âmbito do Plano Nacional de Desestatização (PND), exigem autorização legislativa específica. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizá-las, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados. MULTA POR FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, somente enseja a aplicação da multa de ofício isolada (inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96), caso verificada a infração anteriormente ao término do ano calendário correspondente ao período de apuração. CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, COFINS, PIS AUTO DE INFRAÇÃO CORRELATO. Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo, período de apuração e alíquota própria. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Cabe afastar a tributação do Imposto de Renda na Fonte, quando identificados os beneficiários de pagamentos efetuados por pessoas jurídicas. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizá-las, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados.
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PERMUTA DE AÇÕES. ORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OMISSÃO DE RECEITAS. GLOSAS DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Recorrentes USINA FRUTAL AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. E OUTRAS SUCESSORAS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. FORMA DE DESCREVER OS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO Fatos relatados de forma que não alteram a base tributável do lançamento e também não confundem o entendimento do que foi imputado não caracteriza cerceamento do direito de defesa. LAUDO PERICIAL. POSSIBILIDADE DE JUNTADA POSTERIORMENTE À IMPUGNAÇÃO As provas que o contribuinte possuir devem ser mencionadas na impugnação e, em se tratado de documentos, sua apresentação deve ser junto àquela. Preclui o direito de o contribuinte apresentálas em outro momento processual, salvo se o motivo se der em decorrência de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, como ocorre nos presentes autos. DILIGÊNCIAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligências em que não tenham sido expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos desejados. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício constituise em débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. GANHO DE CAPITAL EM OPERAÇÃO DE PERMUTA DE QUOTAS DE CAPITAL OU AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 11 /2 01 5- 61 Fl. 10622DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.623 2 O valor de aquisição para a apuração do ganho de capital em uma operação de permuta de ações ou quotas é o valor contábil, representado pela soma algébrica do valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte e o ágio ou deságio na aquisição do investimento. O ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor das ações ou quotas recebidas, mais eventual torna, e o valor de aquisição. Operações de permutas de participações societárias com tratamento excepcional, como aquelas que se deram no âmbito do Plano Nacional de Desestatização (PND), exigem autorização legislativa específica. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizálas, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados. MULTA POR FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, somente enseja a aplicação da multa de ofício isolada (inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96), caso verificada a infração anteriormente ao término do ano calendário correspondente ao período de apuração. CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, COFINS, PIS AUTO DE INFRAÇÃO CORRELATO. Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo, período de apuração e alíquota própria. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Cabe afastar a tributação do Imposto de Renda na Fonte, quando identificados os beneficiários de pagamentos efetuados por pessoas jurídicas. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizálas, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados. Fl. 10623DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.624 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e da decisão de primeiro grau; por maioria de votos, em acatar a juntada de laudo pericial apresentado antes de proferimento do acórdão de primeiro grau, vencido o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à tributação do ganho de capital e quanto à glosa de despesas de rateio de custos e em dar provimento ao recurso quanto às adições não computadas no lucro real referentes à despesas com assessoria (Credit Suisse); por voto de qualidade, em negar provimento à glosa de despesas de assessoria para a empresa Bain Brasil LTDA., vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por maioria de votos, em dar provimento parcial quanto à multa isolada de estimativas, vencidos os Conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias; por unanimidade de votos, em dar provimento parcial quanto à exigência de CSLL, votando o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho pelas conclusões; e, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário sobre os lançamento de IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados. Quanto ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto do relator. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogerio Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente convocado), Gustavo Guimaraes da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de procedimento de fiscalização objeto do Mandado de Procedimento Fiscal n. 0610500.2014.00014, o qual acarretou na lavratura de autos de infração para a exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ"), da Contribuição Social sobre o Lucro ("CSL"), da Contribuição ao Programa de Integração Social ("contribuição ao PIS") e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), relativos ao anocalendário de 2010, decorrentes de supostas infrações cometidas pela empresa Agroindustrial Nova Ponte Ltda. (Nova Ponte), a qual foi Fl. 10624DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.625 4 extinta por cisão total, com versão de seu patrimônio para as recorrentes, que são sujeitos passivos do presente processo por sucessão. Após apresentação de impugnação pelas recorrentes, o processo foi julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ (DRJ/RJO), a qual, por meio do acórdão n. 1283.486, de 30.8.2016, julgou a impugnação parcialmente procedente, cancelando parte das infrações apuradas, concluindose nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, dar provimento parcial à impugnação e manter a autuação nos seguintes valores: a.1 IRPJ, R$ 19.635.123,68; e MULTA REGULAMENTAR SOBRE ESTIMATIVAS DE IRPJ NÃO RECOLHIDAS, R$ 11.805.507,77; a.2 CSLL, R$ 7.320.253,68; e MULTA REGULAMENTAR SOBRE ESTIMATIVAS DE CSLL NÃO RECOLHIDAS R$ 7.250.875,48. b) por maioria de votos, nos termos do voto do relator, dar provimento parcial à impugnação e manter a autuação do IRRF conforme demonstrativo constante da parte final do voto, no valor total R$ 13.496.995,66. Vencido o julgador Luís Mario Monteiro Teixeira no ponto em que deu provimento à impugnação com relação ao pagamento no valor de R$ 297.865,55, fato gerador ocorrido em 11/06/2010. c) quanto às infrações relativas ao ganho de capital no montante de R$ 98.980.905,60, e ao pagamento sem causa, no valor de R$ 297.865,55, este referente ao fato gerador ocorrido em 11/06/2010, o julgador Guilherme Henrique da Silva Ribeiro acompanhou o relator pelas conclusões. d) por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, dar provimento à impugnação e cancelar as exações referentes ao PIS e Cofins nos valores de R$ 11.608,82 e R$ 53.470,95. No caso, a Fiscalização entendeu que a AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE LTDA. realizou uma permuta de quotas com a CLEEL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., tendo sido permutadas ações da USINA VERTENTE e da USINA GUARIROBA. Em decorrência dessa operação, surgiu um ganho de capital tributável, o qual não teria sido submetido à tributação, resultando, supostamente, em redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Além disso, a autoridade responsável pelo lançamento identificou uma série de supostas inconsistências nos registros contábeis da AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE LTDA., relacionados a pagamentos e transferências de recursos. Como a fiscalização considerou que a documentação apresentada pela Recorrente não teria sido suficiente para comprovar a regularidade e a motivação das operações, a autoridade fazendária constituiu crédito relativo a IRRF, com fundamento no art. 674 do RIR/99. Igualmente, foram glosadas as despesas correspondentes a esses pagamentos, considerados sem causa, com fundamento no art. 299 do RIR/99. Por fim, foram lançados IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em decorrência da acusação de omissão de receitas operacionais, relacionadas a depósitos bancários de origem não comprovada. Esse entendimento foi confirmado parcialmente no acórdão recorrido, que apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 10625DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.626 5 Anocalendário: 2010 DESCRIÇÃO DE FATOS QUE NÃO ALTERAM O LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descrição de fatos que não alteram a base tributável do lançamento e também não confundem o entendimento do que foi imputado não implica cerceamento do direito de defesa, como comprovam as próprias argumentações das autuadas, que bem distinguiram a ausência de influência que tiveram na autuação. DOCUMENTAÇÃO.MOMENTO DE SUA APRESENTAÇÃO. As provas que o contribuinte possuir devem ser mencionadas na impugnação e, em se tratado de documentos, sua apresentação deve ser junto àquela. Preclui o direito de o contribuinte apresentálas em outro momento processual, salvo se o motivo se der em decorrência de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ENDEREÇO PARA ENTREGA DE INTIMAÇÕES. As comunicações da Fazenda para o contribuinte são dirigidas ao seu domicilio tributário e, caso deseje alterálo, em se tratando de pessoas jurídicas, devem ser observadas as disposições contidas na legislação que rege o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ. DILIGÊNCIAS. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligências em que não tenham sido expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos desejados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 GANHO DE CAPITAL EM OPERAÇÃO DE PERMUTA DE QUOTAS DE CAPITAL OU AÇÕES. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O valor de aquisição para a apuração do ganho de capital em uma operação de permuta de ações ou quotas é o valor contábil, representado pela soma algébrica do valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte e o ágio ou deságio na aquisição do investimento. O ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor das ações ou quotas recebidas, mais eventual torna, e o valor de aquisição. Operações de permutas de participações societárias com tratamento excepcional, como aquelas que se deram no âmbito do Plano Nacional de Desestatização (PND), exigem autorização legislativa específica. Fl. 10626DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.627 6 OMISSÃO DE RECEITA. IMPOSTO DE RENDA RETIDO E NÃO RECOLHIDO. O imposto de renda retido e não recolhido não é receita da pessoa jurídica que o reteve e, sim, tributo que deve ser lançado. IMPOSTO DE RENDA DIFERIDO. ADIÇÃO TEMPORÁRIA PARA EFEITO DE CÁLCULO DO LUCRO REAL. O imposto de renda diferido é um adiantamento calculado sobre uma adição temporária ao lucro líquido para efeito de cálculo do lucro real. É uma conta de ativo que não transita pelo resultado. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A comprovação das despesas passa pela apresentação da documentação Contábil e fiscal exigidas legalmente para a operação examinada, bem como pela demonstração da efetiva prestação dos serviços ou entrega das mercadorias a que se referem. Serviços de consultoria para análise de aquisição e alienação de participação societária, ou para viabilizálas, pressupõe que existam relatórios conclusivos, comunicados e pareceres escritos, em consonância com o que determinam e prevêem as cláusulas dos contratos apresentados. MULTA POR FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, mesmo que após o termino do ano calendário correspondente ao período de apuração seja apurado prejuízo fiscal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010 CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO, COFINS, PIS AUTO DE INFRAÇÃO CORRELATO. Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observada sua base de cálculo, período de apuração e alíquota própria. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA. Sujeitase à tributação do Imposto de Renda Exclusivamente na Fonte, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas sem causa ou a beneficiários não identificados. O pagamento será considerado líquido do imposto devendo ser reajustado para o cálculo da incidência. Todavia, em se tratando de tributos retidos na operação e pagos, tal incidência é incabível, pois a partir do momento em que Fl. 10627DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.628 7 se entende que a tributação devida sobre os pagamentos é a prevista no artigo 61 da Lei n° 8981/95, quaisquer outros tributos que foram retidos e recolhidos são igualmente sem causa e, portanto, indevidos. Além de tributos retidos e pagos não representarem, por sua natureza, renda, há que se observar a legislação específica que trata de restituição e compensação, cabível quando ocorrem pagamentos indevidos de tributos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante das matérias em questão, discutidas no presente processo administrativo, é importante descrever os fatos que originaram a constituição do crédito tributário objeto do lançamento. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), verificase que o trabalho da autoridade responsável pelo lançamento foi minucioso, apresentando detalhadamente todos os passos da alienação da participação societária na USINA VERTENTE LTDA. Por sua vez, a DRJ/RJO também descreveu todas as operações pertinentes ao caso dos autos, reproduzindo os fatos narrados pela Fiscalização no Relatório que acompanhou o auto de infração. Dentre os fatos e fundamentos apresentados pela fiscalização é importante iniciar esse relatório pelos acontecimentos mais relevantes, como segue. Operações realizadas pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda. (Grupo Bunge) Em 23/11/2009, foi firmado um "Contrato de Investimento" (fls. 2226/2288), entre os antigos acionistas da USINA MOEMA PARTICIPAÇÕES S.A. ("Investidores") e a AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE LTDA., que tinha por objetivo a alienação da totalidade das ações da MOEMA PARTICIPAÇÕES à NOVA PONTE. De acordo com a cláusula 2.1 do Contrato de Investimento (fl. 2237): (...) os Investidores transferirão para a Nova Ponte a integralidade das ações Moema, representativas de 100% (cem por cento) do capital social total e votante da Companhia, (... ) e Nova Ponte entregará (i) aos Investidores a Torna e (ii) ao Escrow Agent, em benefício dos Investidores, 7.308.853 (sete milhões, trezentos e oito mil, oitocentos e cinquenta e três) Ações bunge Ltd. (...) Observase, portanto, que a aquisição da MOEMA PARTICIPAÇÕES, pela NOVA PONTE, concretizouse mediante uma permuta de ações, vale dizer: os "Investidores" entregaram 100% das ações da MOEMA PARTICIPAÇÕES e receberam, em contrapartida, 7.308.853 ações da BUNGE LTD. Com essa operação, a NOVA PONTE consolidouse na posição de controladora direta da MOEMA PARTICIPAÇÕES e, indiretamente, como detentora de investimentos nas afiliadas da MOEMA PARTICIPAÇÕES vale mencionar, a USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA., a USINA ITAPAGIPE AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA., a USINA GUARIROBA LTDA., a USINA FRUTAL AÇÚCAR E ÁLCOOL S.A., a USINA OUROESTE AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. e a USINA VERTENTE LTDA. Esse "Contrato de Investimento" foi denominado de "Operação Moema" pelas partes. Um mês após a celebração do contrato acima, em 23/12/2009, a USINA MOEMA PARTICIPAÇÕES S.A. e a CLEEL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES Fl. 10628DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.629 8 LTDA. firmaram um "Contrato de Permuta de Quotas e Outras Avenças", por meio do qual foi acertada a permuta de ações da USINA GUARIROBA por ações da USINA VERTENTE. O objeto do contrato entre CLEEL e MOEMA PARTICIPAÇÕES está descrito na cláusula 2, a seguir transcrita (fl. 1751): Considerando que a CLEEL possuía 30% das quotas da GUARIROBA o que correspondia a 13.614.000 ações e que a MOEMA PARTICIPAÇÕES detinha 40% das quotas da GUARIROBA o equivalente a 18.152.000 ações , a operação acordada entre CLEEL e MOEMA PARTICIPAÇÕES significaria a concentração de 70% das ações da GRUARIROBA na MOEMA PARTICIPAÇÕES. Por seu turno, também convém destacar que, tratandose de uma permuta de ativos, esse segundo contrato significou a alienação das ações da USINA VERTENTE e da USINA GUARIROBA. Com efeito, do ponto de vista da MOEMA PARTICIPAÇÕES, houve a aquisição de 30% das quotas da USINA GUARIROBA, mediante a entrega de 50% das ações da USINA VERTENTE; por sua vez, sob a perspectiva da CLEEL, houve aquisição de 50% das ações da USINA VERTENTE e a alienação de 30% das quotas da USINA GUARIROBA. Depois de estabelecidas as condições e cláusulas contratuais, em 05/02/2010, finalmente foi concretizada a "Operação Moema" e a permuta de quotas da USINA GUARIROBA e da USINA VERTENTE. Primeiramente, a NOVA PONTE entregou as ações BUNGE LTD. aos antigos acionistas da MOEMA PARTICIPAÇÕES e, em contrapartida, recebeu a totalidade de ações da MOEMA PARTICIPAÇÕES ou seja, efetivouse a "Operação Moema". O segundo passo foi a incorporação da MOEMA PARTICIPAÇÕES pela NOVA PONTE, no mesmo dia 05/02/2010, reorganização societária que resultou na passagem das ações da USINA VERTENTE que antes eram de titularidade da MOEMA PARTICIPAÇÕES para a NOVA PONTE. Implica dizer que a NOVA PONTE é quem cumpriria a permuta de quotas firmada com a CLEEL, visto que a titularidade das ações da Fl. 10629DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.630 9 USINA VERTENTE, após a incorporação da MOEMA PARTICIPAÇÕES, encontravase com a NOVA PONTE. Por fim, ainda no dia 05/02/2010, ocorreu a permuta de quotas da USINA GUARIROBA e da USINA VERTENTE conforme estabelecido na cláusula 2.1. do contrato. A diferença em relação ao que estava previsto na citada cláusula é que, como a "Operação Moema" havia sido finalizada, a permuta foi concretizada pela NOVA PONTE, e não pela MOEMA PARTICIPAÇÕES, por um motivo óbvio: a MOEMA PARTICIPAÇÕES não existia mais no momento da permuta de quotas com a CLEEL, posto que havia sido incorporada pela NOVA PONTE. Foi justamente nessa operação de permuta que a autoridade fiscal identificou a existência de ganho de capital tributável, em favor da NOVA PONTE. Isso aconteceu porque a autoridade responsável pelo lançamento cotejou o custo de aquisição da USINA VERTENTE e o valor atribuído às ações das USINA GUARIROBA, entregues como pagamento pela aquisição das ações da USINA VERTENTE. Além disso, foi levado em consideração o valor da torna paga pela CLEEL, no montante de R$ 51.338.673,96, para fins de determinar o montante recebido pela NOVA PONTE. O resultado da operação de permuta, para a NOVA PONTE, pode ser sintetizado pelo quadro elaborado pela Fiscalização e inserido no Termo de Verificação Fiscal (fl. 5098), o qual foi transcrito a seguir: A VALOR FINAL EMPRESA USINA GUARIROBA R$ 252.734.067,52 B=A*0,3 PARTICIPAÇÃO CLEEL 30% [Valor Final das Quotas Guariroba} R$ 75.820.220,31 C VALOR FINAL DA TORNA R$ 51.338.673,% D=F>C VALOR TOTAL RECEBIDO R$ 127.158.894,27 E VALOR DE AQUISIÇÃO DAS QUOTAS CEDIDAS (custo das Quotas Vertente) R$ 20.613.247,77 F=DE GANHO CAPITAL R$106.545.646,50 G=F*0,929 GANHO CAPITAL AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE LTDA (92,9%) R$ 98.980.905,60 H=F*0,071 GANHO CAPITAL USINA MOEM A AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA (7,10%) R$ 7.564.740,90 Em apertada síntese, essas foram as operações que motivaram o lançamento de IRPJ e CSLL, sobre o ganho de capital obtido pela NOVA PONTE ao alienar a participação que detinha na USINA VERTENTE. Recurso de Ofício Da decisão que julgou parcialmente procedente a Impugnação o Presidente da 8ª Turma da DRJ/RJO recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em cumprimento ao disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997 Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. O valor à época exonerado também excede o limite atual de R$2.500.000,00 (Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017). Delimitação da Fiscalização O recurso voluntário versa, portanto, sobre Autos de Infração contra USINA FRUTAL AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA e outras sucessoras da INCORPORAÇÃO de parte do patrimônio da controladora AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE LTDA., CNPJ nº 07.984.464/000129, decorrente da cisão total. Responsabilidade Solidária Fl. 10630DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.631 10 Os sujeitos passivos sucessores da AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE LTDA, trazidos ao pólo passivo na condição de responsáveis são: USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA, CNPJ: 49.972.326/000170 – (USINA MOEMA); USINA OUROESTE AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA, CNPJ: 05.553.456/000100 (USINA OUROESTE); USINA GUARIROBA LTDA., CNPJ: 07.398.533/000112 (GUARIROBA) e USINA ITAPAGIPE AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA, (ITAPAGIPE) CNPJ: 06.059.962/000100. Autuações O Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ apurado foi de R$ 20.518.366,55 e a Multa exigida isoladamente R$ 11.891.454,43. Os Prejuízos Fiscais (f1s. 611) foram alterados em função da autuação conforme planilha de fls. 5036/5038. Os fatos geradores do IRPJ ensejaram a apuração de tributação correlata de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL no valor de R$ 7.638.221,11 e multa exigida isoladamente sobre base estimada R$ 4.282.535,92 (fls. 5039 e ss). A base negativa de CSLL também foi alterada em função da autuação conforme fls. 5050 e ss. Lavraramse autos de infração correlatos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor de R$ 99.469,68 (fls. 5061 e ss) e Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS no valor de R$ 21.595,39. Sobre os valores das autuações referentes aos tributos acima descritos houve incidência da multa de 75%. Os juros foram calculados nos autos de infração até maio de 2015. Além das infrações já mencionadas foi também apurado pagamento sem causa a beneficiário não identificado ou de operação não comprovada, o que resultou na lavratura do auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, que encontrase às fls. 5053 e segs., no valor de R$ 14.383.839,40. O enquadramento legal para a responsabilização foram os artigos 132 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN) combinado com o artigo 5º, § 1º, alínea “a” do DecretoLei nº 1.598/77 e art. 207, parágrafo único, I, do Decreto nº 3000 de26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR) A exposição dos fatos nos Autos de Infração remete ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, em síntese, contém as seguintes informações: Alienação de Participação Societária Houve permuta de participação societária, com torna (Contrato de Permuta com torna, de 23/12/2009, fls. 1743/1958) em que CLEEL Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ nº 05.137.098/000147 (CLEEL) entrega 13.614.000 quotas do capital da Usina Guariroba, CNPJ nº 07.398.533/000112, que representa 30% do capital desta (Quotas Guariroba), e uma compensação financeira, e recebe em troca 16.012.000 quotas do capital da Usina Vertente Ltda., CNPJ nº 05.242.560/000176, que representa 50% do capital desta Fl. 10631DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.632 11 (Quotas Vertente), que são de titularidade da Usina Moema Participações S/A., CNPJ nº 07.918.575/000137 e Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda., CNPJ nº 49.972.326/000170. Consoante Termo de Fechamento (fls. 1959 a 2024) a operação foi concretizada em 05/02/2010. Essa operação estava condicionada, entre outros, à conclusão da operação de aquisição do controle acionário da Moema Par pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., que se aperfeiçoou em 05/02/2010. Posteriormente à aquisição, a Moema Par foi objeto de incorporação pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., consoante 10ª Alteração Contratual desta (fls. 678 a 691), também ocorrida em 05/02/2010. Portanto, após a incorporação, a Agroindustrial Nova Ponte Ltda., passou a ser a sucessora da Moema Par, e, portanto, detentora da titularidade das quotas da Usina Vertente que eram de titularidade da sucedida. Na resposta apresentada em 20/02/2015 pelas sucessoras da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., foram apresentadas duas alterações contratuais da Usina Vertente, sendo que ambas foram firmadas em 05/02/2010: 1 A Alteração Contratual, fls. 2025 a 2029, noticia que a Usina Moema Participações S.A., titular de 14.875.470 quotas, representativas de 46,45% do capital social total e votante da Usina Vertente, retirase da sociedade, cede e transfere, a totalidade das suas quotas à Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Em razão da cessão, o quadro societário da Usina Vertente ficou composto: 2 A Alteração Contratual, fls. 2030 a 2061, noticia no item “1” que Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. e Agroindustrial Nova Ponte Ltda., titulares de 16.012.000 cotas do capital social e votante da Usina Vertente, retiramse da sociedade e cedem a totalidade de suas cotas para CLEEL a título de permuta de participação societária. Na resposta da CLEEL (fls. 2087 a 2091) consta toda a sistemática de apuração do valor final da operação de aquisição da Usina Vertente, do cálculo do valor inicial da torna, do cálculo do valor final da torna e do valor de ajuste a ser devolvido pela Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. e Agroindustrial Nova Ponte Ltda. à CLEEL. A torna foi paga mediante transferência de dois valores: Fl. 10632DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.633 12 1 Uma TED para Agroindustrial Nova Ponte, Banco 237, Agência 2372, conta 69310 no valor de R$ 48.673.522,21 em 05/02/2010, tendo como remetente Humus Agroterra Ltda. (fl. 2092); 2 Uma TED para Usina Moema Açúcar e álcool Ltda., Banco 341, Agência 45, conta 731379 no valor de R$ 3.719.935,50 em 05/02/2010, tendo como remetente Humus Agroterra Ltda. (fl. 2092). Os valores foram pagos pela Humus Agroterra Ltda., com base no item 8.4 do Contrato de Permuta, consoante resposta da CLEEL (fls. 2087 a 2091). Segundo Termo de Quitação firmado entre as partes em 30/04/2010 (fls. 2194 a 2200), resultou diferença entre o valor da torna pago e aquele calculado com base no valor final das Quotas Vertente e valor final das Quotas Guariroba. A diferença corrigida a ser devolvida pela Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. e Agroindustrial Nova Ponte Ltda. à CLEEL, importou em R$1.070.116,00. A CLEEL demonstrou o valor da diferença a ser devolvida (R$1.054.783,75) com correção da CDI, que resultou no valor total de R$1.070.116,00, que foi pago mediante TED da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., nesse valor, em 30/04/2010, conforme comprovante da transferência e extrato bancário acostados (fls. 2199 e 2200). Na contabilidade da Agroindustrial Nova Ponte Ltda. esse pagamento foi contabilizado da forma seguinte: Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. e Agroindustrial Nova Ponte Ltda. são titulares de 50% do capital social e votante da Usina Vertente. Demonstramos o percentual de cada sócio relativamente a estes 50%: Percentagem da diferença de responsabilidade de cada sócio: Fl. 10633DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.634 13 O valor da diferença foi integralmente pago pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda. à CLEEL, conforme extrato bancário do Banco do Brasil (fls. 355 a 373), registros contábeis e comprovantes da operação (2199 e 2200) e apropriado como direito a receber na conta 1.103.090.020 CTAS.A RECEBERCTR. Em relação ao crédito no valor de R$48.673.522,21 em 05/02/2010, as sucessoras do contribuinte foram intimadas a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos valores creditados, conforme item 1.2 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 16/10/2014. Apresentaram resposta em 28/11/2014(fls. 515 a 518) esclarecendo: Permuta de Ações. Ausência de Trânsito por Contas de Resultado Nos termos do item 1.1 e 2.1 do Termo de Intimação de 29/01/2015, não identificouse Receita de Alienação de Participações Societárias transitando por contas de resultado, e intimaramse as sucessoras da Recorrente (contribuinte) a apresentar documentos e esclarecimentos relativos à operação de permuta. Na resposta apresentada em 20/02/2015 (fls. 609 a 614), apresentaram documentos e esclarecimentos e informaram que a operação de alienação da Usina Vertente foi registrada somente em contas do ativo, não transitando pelo resultado. No mesmo ato apresentaram os documentos relativos à operação de permuta. Acostaramse apenas os dois documentos seguintes, tendo em vista que os demais já haviam sido apresentados pela CLEEL e anexados ao processo nas fls. 2092 a 2202: 1 Carta de Retificação firmada pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., dirigida à CLEEL, especificando o valor correto do ajuste (diferença da torna a devolver R$ 1.070.116,00) a ser devolvido pela Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. e Agroindustrial Nova Ponte Ltda. à CLEEL (fls. 2203 a 2204). 2 Demonstrativo do valor da torna (fls. 2205 e 2206). Nesse demonstrativo foi indicado o valor inicial da torna (R$ 52.393.457,71) e não o valor final. Verificamos que existem diferenças entre os valores da VAR variação do capital de giro a mercado, que acabaram resultando em pequena diferença no Fl. 10634DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.635 14 valor final das Quotas Vertente e Quotas Guariroba, comparados com os valores apresentados pela CLEEL: Como operação de permuta de ações é considerada alienação por força do § 4º do art. 117 do RIR99 e Parecer Normativo CST nº 504/71 o ganho foi computado na apuração do lucro real. Registrouse que tratamse da mesma matéria os artigos 418, 425 e 426 do RIR –99. Cálculo do Ganho na Alienação de Ações Isso posto, calculouse o valor da receita da alienação da participação societária na Usina Vertente, de titularidade da Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Na resposta de 28/11/2014 foi apresentado um demonstrativo do valor da participação de cada sócio no Patrimônio Líquido da Usina Vertente (fls. 2207), a parcela pertencente a Usina Moema Participações S/A, corresponde a 46,45 % das quotas e assume o valor de R$ 19.150.119,66 e a parcela pertencente à Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda., corresponde a 3,55% e assume o valor de R$ 1.463.128,11, totalizando R$ 20.613.247,77. Para apurar o valor do ganho de capital da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., confrontaramse os valores: o valor total recebido na permuta (valor final das Quotas Guariroba + valor final da torna), subtraído do valor de aquisição (custo) das quotas da Usina Vertente cedidas na permuta. Transcrevemse abaixo o cálculo, cujos valores foram extraídos da resposta da CLELL acostada nas fls. 2087 a 2158: Lançamentos encontrados na contabilidade da Agroindustrial nova Ponte Ltda.: Fl. 10635DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.636 15 Na DIPJ da Agroindustrial Nova Ponte Ltda. (fls. 16 a 53) não foram informadas receitas não operacionais. Concluiuse, assim, que houve omissão de Outras Receitas decorrentes de alienação de Participações Societárias, no valor de R$ 98.980.905,60, ocorrida em 05/02/2010. Para essa infração foi lançada como reflexo a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Valores Registrados a Crédito nos Extratos da Conta Bancária 69310 do Banco Bradesco Agência 23728 que Não foram comprovados Crédito no valor de R$ 605.246,30 em 31/05/2010. Consta no extrato bancário tratarse de TEDTRANSF ELET DISPON REMET CARGILL A.PARTICIPAÇÕES. As sucessoras do contribuinte foram intimadas a comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores a origem dos valores creditados na sua conta bancária, bem como a prestar esclarecimentos acerca da natureza dessas operações consoante item 1.4 e 2.4 do Termo de Intimação Fiscal de 16/10/2014. Apresentaram resposta em 18/12/2014 (fls. 524 a 530) cujos esclarecimentos transcrevemos: Não foram apresentados os demonstrativos dos valores finais da operação bem como quaisquer documentos que esclarecessem eventuais ajustes de preço na aquisição da Usina Moema Participações S/A, que tivessem que ser devolvidos para Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Fl. 10636DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.637 16 As sucessoras do contribuinte foram novamente intimadas a comprovar com documentação hábil e idônea (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, etc.), coincidente em datas e valores a origem dos valores creditados na sua conta bancária nº 69310 do Banco do Bradesco, Agência 23728, bem como prestar esclarecimentos acerca da natureza dessas operações, acompanhados da documentação comprobatória, consoante item 1.5 e 2.1 do Termo de Intimação Fiscal de 05/02/2015. Na resposta apresentada em 20/02/2015 (fls. 609 a 614), limitaramse a reiterar a resposta anterior. Desse modo, concluiuse que não havia comprovação sobre a origem dos recursos depositados na conta bancária, o que foi considerado como presunção legal de omissão de receitas, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Para essa infração lançaramse como reflexos a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/Pasep nos termos do art. 24, §2º, da Lei nº 9.249/1995. Valores Registrados a Débito nos Extratos da Conta Bancária 69310 do Banco Bradesco Agência 23728 que não foram Comprovados Reportouse ao citado Contrato de Investimento de aquisição da Moema Par foi firmado em 23/12/2009 pelos acionistas da Usina Moema Participações S/A., e pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., cujo objeto foi a aquisição de 100% do capital social e votante da Moema Par., com pagamento mediante entrega de Ações Bunge Ltd. e uma torna em dinheiro. Em sequência, analisaramse, em conjunto, cinco valores registrados a débito no extrato bancário, ocorridos no dia 05/02/2010, objeto de intimação para comprovação nos itens 1.13 a 1.17 e 2.5 do Termo de Intimação Fiscal de 16/10/2014, pois todos se referem em parte a pagamento de torna decorrente da aquisição do controle acionário da Moema Par: a) Débito de R$ 7.270.942,80 em 05/02/2010; b) Débito de R$ 1.146.325,62 em 05/02/2010; c) Débito de R$ 2.979.175,82 em 05/02/2010; d) Débito de R$ 1.705.235,76 em 05/02/2010; e e) Débito de R$10.791.035,58 em 05/02/2010. Consoante resposta apresentada em 18/12/2014 (fls. 524 a 525), as sucessoras do contribuinte demonstraram os valores pagos a título de torna em 05/02/2010 e 11/06/2010, e apontaram os registros contábeis. Às fls. 4714 a 4716 certificaramse a existência desses demonstrativos. Em relação ao débito R$ 7.270.942,80, as sucessoras da contribuinte demonstraram que o valor foi referente a pagamento da torna: Fl. 10637DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.638 17 Os valores de R$ 7.270.942,80 + R$ 17.623.996,81 totalizando R$ 24.894.939,61, compõem o lançamento efetuado como pagamento da torna em 05/02/2010: Em relação aos demais débitos (R$ 1.146.325,62, R$ 2.979.175,82, R$ 1.705.235,76 e R$10.791.035,58) as sucessoras do contribuinte demonstraram que foram referentes a pagamento da torna: Esclareceram que o lançamento contábil foi efetuado pelo montante das operações, conforme já exposto. Fl. 10638DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.639 18 Em resposta aos itens 1.14 a 1.17 do Termo de Intimação de 16/10/2014, que tratou de divergências relativas a pagamento de torna, foi acostada planilha (fls. 4715) com esclarecimentos sobre as divergências, mas não acostou nenhum documento comprovando tais divergências: (*) Valores referentes a ajuste de preço (reembolso de custos e tributos). Alegações não comprovadas Não foi acostando nenhum documento, ou esclarecimento de quais custos e tributos seriam esses, e não restou comprovado que se tratam de obrigações da Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Consoante Termo de Intimação Fiscal de 05/02/2015 (fls. 572 a 597), sintetizaramse os valores pagos a título de torna em 05/02/2010 e 11/06/2010 e comparamse com os valores da Torna constantes do anexo 1.3.1 dos Termos de Fechamento, que tratam da quitação da torna, dos contratos de investimento relativos à aquisição da Usina Moema Participações S/A e da Usina Frutal Açúcar e Álcool S/A, e verificaramse divergências em relação aos valores da torna relativos à aquisição da Usina Moema Participações S/A. Intimadas a prestar esclarecimentos em relação às divergências (item 1.14 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 05/02/2015), foi apresentada resposta em 20/02/2015 (fls. 609 a 614), na qual as sucessoras do contribuinte responderam: Acostou Termos de Quitação de vários acionistas (fls. 4717 a 4770) e planilhas demonstrando os valores pagos relativos a Torna e Ações Bunge Ltd. (fls. 4771 a 4772). Dividendos Consoante análise constante do item “3” adiante, os valores pagos e contabilizados a título de torna em 11/06/2010, na verdade tratamse de pagamento de dividendos. Fl. 10639DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.640 19 Demonstraramse, conforme quadro abaixo, os valores pagos em 05/02/2010 confrontados com os valores da torna constantes do Anexo 1.3.1 e instruções de pagamento da torna acostados nas fls. 4773 a 4781: Consoante Termo de Intimação Fiscal de 26/03/2015 (fls. 4949 a 4963), as sucessoras do contribuinte foram novamente intimadas a comprovar as divergências, bem como a prestar esclarecimentos sobre os valores retidos na fonte. Na resposta apresentada em 13/04/2015, acostaram arquivo magnético com informações detalhadas acerca do Anexo 1.3.1 (fls. 4982 a 4985). Referido documento não esclareceu os motivos das divergências apontadas. Ressaltamos ainda o item 2.8 do Contrato de Investimento (fls. 2214 a 4713), que estabeleceu que cada parte arcará com os seus próprios tributos incidentes na operação na forma da legislação aplicável. Pagamentos sem causa Portanto tais divergências no valor total de R$329.229,79 foram consideradas pagamento sem causa nos termos do art. 674 do RIR/99, e objeto de lançamento. Do Imposto de Renda Retido na Fonte no Pagamento da Torna Consoante Anexo 1.3.1 e instruções de pagamento da torna (fls. 4773 a 4781), o valor de R$23.809.853,14 que os acionistas tinham direito de receber da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., a título de torna, foi transferido a Usina Moema Holding S/A, e por esta à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., e foi quitado pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda. mediante pagamento por conta e ordem da Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., de dívida que esta detinha com os acionistas. Nas instruções de pagamento foi orientado para que se procedesse a retenção do imposto de renda incidente. Fl. 10640DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.641 20 Ausência de Registros em DIRF Não identificaramse na Dirf apresentada pela Sociedade Energética Orindiúva I Ltda. a declaração dos rendimentos e dos valores retidos, tampouco o recolhimento dos valores. Não identificouse na contabilidade da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., o registro dos valores retidos tampouco o repasse dos mesmos à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., responsável pelo recolhimento do IRRF e pela informação na DIRF. Também não identificaramse recolhimentos dos valores retidos feitos no CNPJ da Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Como o valor foi retido pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., as sucessoras desta foram intimadas a justificar a falta de recolhimento, ou comprovar o repasse dos valores retidos à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., consoante Termo de Intimação Fiscal de 26/03/2015. Na resposta apresentada em 10/04/2015 (fls. 4968 a 4969), prestaram esclarecimentos: Se não recolheu e não repassou os recursos retidos no montante de R$ 703.565,21, apropriouse de recursos de terceiros, o que caracteriza disponibilidade de renda não oferecida à tributação, portanto, omissão de outras receitas, fato gerador do imposto de renda, objeto de lançamento de ofício. Para essa ocorrência lançaramse como reflexos a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/Pasep nos termos do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Débito de R$ 215.802,87 em 23/02/2010 Segundo o extrato bancário tratase de câmbio financeiro. Foi contabilizado a crédito da conta 1101030105 BCO BRADESCON.PONTE e a débito da conta 1101032105 SAIBCO BRADESCON.PONTE com o histórico: CAMBIO. Não identificou se a contabilização final do pagamento. As sucessoras da contribuinte foram intimadas a apresentar todos os documentos que comprovassem as causas da operação, bem como prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, causas, identificação dos beneficiários e contabilização final (item 1.24 e 2.5 do Termo de Intimação Fiscal de 16/10/2014). Fl. 10641DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.642 21 Na resposta apresentada em 28/11/2014 (fls. 515 a 518), esclareceram tratar se de serviços advocatícios relativos à aquisição da Usina Moema e acostaram duas invoices de Reed Smith, Bill number nº 1958806 e 1949200 (fls. 2208 e 2209) e a mensagem Swift MT103 no valor de USD 118.781,85 (fl. 2210) relativamente às duas contas. As invoices estão em nome da Bunge Alimentos S/A. Na resposta apresentada em 20/02/2015, apresentaram o contrato de câmbio de venda (fls. 2211 a 2213), transferências financeiras para o exterior nº 10/023875 de 23/022010, no valor de R$215.802,87, com descrição da operação: SERV. DIVEXP/IMP SV SV TEC ESP. O recebedor no exterior foi REED SMITH LLP. Consta no campo “OUTRAS ESPECIFICAÇÕES” que a remessa é referente às bill number já citadas, e sobre o valor existiu incidência de IR no valor de R$ 38.082,84 e CIDE no valor de R$ 21.580,29 (totalizando R$ 59.966,13), que ficaram a cargo do comprador da moeda estrangeira, Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Não foi apresentado o contrato de prestação de serviços e, como já citamos, as invoices estão em nome de terceiros (Bunge Alimentos S/A). Concluiuse que, estava demonstrado o pagamento sem causa nos termos do art. 674 do RIR/99, haja vista que custos e despesas de terceiros não são necessários às atividades do contribuinte e não têm nenhuma relação com as mesmas. No presente caso, as despesas com os impostos incidentes na operação suportados pelo contribuinte no valor total de R$59.966,13, registradas no extrato e na contabilidade no dia 24/02/2010, também foram considerados pagamento sem causa. Não identificouse a contabilização final dos pagamentos dos tributos incidentes. O valor pago de R$215.802,87 em 23/02/2010, e os valores pagos de R$38.082,84 e R$21.580,29 em 24/02/2010 foram objeto de lançamento de ofício com pagamentos sem causa. Débito de R$108.166,74 em 11/06/2010 Segundo o extrato tratase de TED TRANSF ELET DISPON DEST. MAURILIO BIAGI FILHO. As sucessoras do contribuinte foram intimadas a apresentar todos os documentos que comprovassem as causas da operação, bem como prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, causas, identificação dos beneficiários e contabilização final (item 1.27 e 2.5 do Termo de Intimação Fiscal de 16/10/2014). Consoante resposta apresentada em 18/12/2014 (fls. 524 a 525), informaram que o valor de R$108.166,74 estava incluído no valor de R$297.865,55, cujo lançamento apontaram (fls. 4716) Fl. 10642DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.643 22 Juntamente com o lançamento demonstraram os valores pagos a título de torna em 11/06/2010: Consoante resposta apresentada em 18/12/2014, as sucessoras do contribuinte demonstraram os valores pagos a título de torna em 05/02/2010 e 11/06/2010, e apontaram os registros contábeis. Às fls. 4714 a 4716 constam tais demonstrativos. Consoante item 1.14 do Termo de Intimação Fiscal de 05/02/2015 (fls. 572 a 597), sintetizaramse os valores pagos a título de torna em 05/02/2010 e 11/06/2010 e compararamse com os valores da Torna constante do Anexo 1.3.1 dos Termos de Fechamento, que tratam da quitação da torna, dos contratos de investimento relativos à aquisição da Usina Moema Participações S/A e da Usina Frutal Açúcar e Álcool S/A, e verificaramse divergências. Intimado a prestar esclarecimentos em relação às divergências, foi apresentada resposta em 09/03/2015 acostando Termos de Quitação relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd. de vários acionistas (fls. 4717 a 4770), firmados em 11/06/2010, e planilhas demonstrando os valores pagos relativos a Torna e Ações Bunge Ltd. (fls. 4771 e 4772). O item “iv” das Considerações dos Termos de Quitação relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd., firmados em 11/06/2010, dispôs: Fl. 10643DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.644 23 O item 1.2 dos Termos de Quitação relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd., firmados em 11/06/2010, dispôs: Ou seja, o teor dos Termos de Quitação relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd. apresentados, mormente o item 2.2 Declaração e Quitação, noticiam que os pagamentos efetuados em 11/06/2010, na verdade são relativos a dividendos: Já evidenciouse que, houve a formalização de Contrato de Investimento de aquisição da Moema Par em 23/12/2009, pelos acionistas da Usina Moema Participações S/A., e pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., cujo objeto foi a aquisição de 100% do capital social e votante da Moema Par., com pagamento mediante entrega de Ações Bunge Ltd. e uma torna em dinheiro. Consoante item 2.4 do Contrato de Investimento, o valor da torna não estaria sujeito a ajustes: Fl. 10644DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.645 24 O item 2.4.4 do Contrato de Investimento prevê pagamento de dividendos relativamente às ações Bunge Ltd., caso após o fechamento ocorresse a declaração, pagamento ou distribuição de dividendos Bunge Ltd., e os investidores ainda não tivessem recebido a totalidade das Ações Bunge Ltd: Consoante itens 2.6.1 do Contrato de Investimento, as Ações Bunge Ltd. seriam entregues em dois lotes: 90% na data do fechamento e 10% quando ocorresse a determinação da quantidade final de Ações Bunge Ltd., na forma do item 2.7 do Contrato: Fl. 10645DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.646 25 O item 2.10 do Contrato de Investimento estabeleceu que na data do fechamento a integralidade da torna deveria ser paga aos investidores: O item 1.3.1 do Termo de Fechamento constante do Contrato de Investimento dispôs: Consoante se verifica nas planilhas (fls. 4771 e 4772), no Contrato de Investimento, e nas alterações contratuais (fls. 615 a 1262) as ações Bunge Ltd. foram objeto de aumento de capital na Agroindustrial Nova Ponte Ltda., e entregues ao Escrow Agent (Banco Itaú S/A ou qualquer de suas afiliadas) em favor dos acionistas na mesma data, de forma que, eventuais pagamentos relativos a dividendos são de obrigação do emitente das mesmas até as datas da transferência, no caso a Bunge Ltd. Concluiuse que, não restou claro no Contrato de Investimento, que os dividendos seriam de obrigação da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., como cita o item “iv” das Considerações dos Termos de Quitação relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd. Fl. 10646DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.647 26 Salientouse que, ainda que constasse, as convenções particulares não seriam oponíveis ao Fisco, tampouco elidiriam a configuração do fato gerador de tributo, conforme dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), abaixo transcrito: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, não estando tais ações sob titularidade da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., o pagamento de dividendos não caberia a ela, pois tratase de obrigação de terceiros. Os Termos de Quitação dos acionistas relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd. apresentados foram firmados apenas pelos acionistas, não foram firmados pelas empresas, não se fizeram acompanhar dos seus anexos (Carta de Ajuste, Anexo I), o Anexo A dos mesmos está em idioma estrangeiro, não se fez acompanhar da tradução juramentada e não satisfaz os requisitos de validade de documentos em idioma estrangeiro, consoante orientações do item 6 do Termo de Início do Procedimento Fiscal. A despeito de várias intimações (itens 2.5 e 2.6 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 24/04/2014 e item 2.3 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de 24/06/2014) feitas para comprovação do valor final das Ações Moema e da quantidade de Ações Bunge e apresentação dos documentos citados no item 2.5 do Contrato de Investimento, as mesmas não foram atendidas. Assim relatado, verificase que todos os valores pagos a título de torna em 11/06/2010, no valor total de R$297.865,55, foram considerados pagamentos sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99 e objeto de lançamento de ofício conforme Tópico VII pelos motivos: a) falta de previsão de complementação de torna no Contrato de Investimento; b) termos de Quitação Relativos ao 2º lote de Ações informaram tratarse de dividendos; c) os valores pagos em 11/06/2010 foram a título de dividendos relativamente a ações de emissão de terceiros que não estavam sob a posse do contribuinte, e não de torna, e caracterizam despesas desses terceiros. Tais valores não devem compor o ágio contabilizado pela Agroindustrial Nova Ponte, ficando suas sucessoras intimadas a excluilos. Valores Registrados a Débito nos Extratos da Conta Bancária 79006 do Banco Do Brasil Agencia 31259 Que Não Foram Comprovados Fl. 10647DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.648 27 Débito de R$14.847.118,32 em 10/03/2010 Segundo o extrato bancário tratase de TED. Foi contabilizado no dia 10/03/2010 a crédito da conta 1101030101 BCO BRASIL NOVA PONTE e a débito da conta 2101040018 MATERIA PRIMA NACIONAL SUPRIM. Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, consoante item 1.16 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram tratarse de pagamento efetuado ao Banco Itaú BBA, referente a prestação de Serviço de assessoria na aquisição do investimento na Usina Moema Participações S/A. Apresentaram o comprovante do DOC (fls. 4892 a 4893), cujo beneficiário foi BANCO ITAU BBA S.A BANCO N 1– CNPJ nº 1 17.298.092/000130, e apontaram o registro contábil da baixa da obrigação. Transcrevemos a seguir os lançamentos conexos, cujo histórico informa tratarse de pagamento de honorário de sucesso: Consoante já explicado foi firmado um Contrato de Investimento de aquisição da Moema Par em 23/12/2009 pelos acionistas desta e pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., cujo objeto foi a aquisição de 100% do capital social e votante da Moema Par., com pagamento mediante entrega de Ações Bunge Ltd. e uma torna em dinheiro. Do Contrato de Investimento, dentro do item 1.2, extraímos os trechos: Fl. 10648DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.649 28 Do mesmo Contrato de Investimento, item 10.10, extraímos o trecho: A Companhia segundo o Contrato de Investimento é a Usina Moema Participações S/A., que na data do pagamento já havia sido incorporada pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda. Ou seja, no Contrato de Investimento, do qual não participa o BANCO ITAU BBA, estava prevista a existência do dispêndio a título de comissão e despesas, e que este seria suportado pela Companhia. Entretanto, não foram apresentados o contrato de prestação de serviços firmado entre o BANCO ITAU BBA e o tomador de serviços. Também não foram apresentadas as notas fiscais relativas à operação. Comparando o valor pago com o valor bruto constante do Contrato de Investimento, verificamos que foram efetuadas retenção de IRRF a 1,5% e CSLL/PIS/Cofins a 4,65%, consoante lançamento contábil: Destarte, foram novamente intimadas as sucessoras do contribuinte a apresentar todos os documentos que comprovam as causas das operações relativas aos valores debitados na sua conta bancária nº 79006 do Banco do Brasil, Agência 31259, (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, demonstrativos de valores pagos, etc.), prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como a sua contabilização final, consoante item 1.9 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2015. Apresentou resposta em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), na qual as sucessoras do contribuinte informaram para o item 1.9: “Até a presente data, não foi possível localizar em nossos arquivos a documentação pertinente à operação.” Fl. 10649DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.650 29 Novamente foram intimadas as sucessoras do contribuinte a esclarecer detalhadamente a natureza dos serviços prestados, quais os serviços prestados, e comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços, consoante itens 1.3 e 2.3 do Termo de Intimação fiscal de 26/03/2015. Apresentou resposta em 10/04/2015 em que consta um documento com timbre do Banco Itaú BBA (fls. 4981), sem assinatura, que trata de cobrança de HONORÁRIO DE SUCESSO, de acordo com Cláusula 5 da Carta Mandato de Assessoria Financeira, firmada entre o Banco Itaú BBA S/A e a Usina Moema Participações S/A, no valor Bruto de R$15.820.052,02, e valor líquido de R$14.847.118,82. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, tampouco comprovada a sua efetiva prestação. Nos documentos constantes do Livro de Aquisição das Usinas (fls. 2214 a 4713), que contém o Contrato de Investimento e inúmeros outros documentos, não identificamos nenhum que evidencie a efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Não identificamos o trânsito desse valor no resultado no anocalendário 2010. O lançamento transcrito acima que transitou pela despesa, foi estornado. O valor total da operação acabou compondo o custo de aquisição do investimento, conforme planilhas demonstrando os valores pagos relativos a Torna e Ações Bunge Ltd. (fls. 4771), apresentada juntamente com a resposta em 09/03/2015 (fls. 602 a 608). Referida despesa, ainda que venha a ser comprovada, não deve compor o valor do ágio, ficando as sucessoras do contribuinte intimadas a excluila do montante do ágio contabilizado. Portanto, à mingua de elementos para análise da necessidade e pertinência do dispêndio, nos restaram a contabilidade, cujo histórico do pagamento informou tratarse de pagamento de honorário de sucesso, e o documento com timbre do Banco Itaú BBA (fls. 4981), sem assinatura, que trata de cobrança de HONORÁRIO DE SUCESSO. Tais elementos nos permitem concluir que referido dispêndio foi pago por liberalidade do contribuinte. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, o valor de R$14.847.118,32, pago em 10/03/2010, foi considerado pagamento sem causa nos termos do art. 674 do RIR/99, e objeto de lançamento de ofício. Os valores retidos (R$ 735.632,42 de contribuições e R$ 237.300,78 de imposto de renda) foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2103010035 PIS RET S CTR'S PROPRIO –PJ (fls. 4936 a 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/SERVICOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita Federal (fls. 4894 e 4895), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa. 2 Débito de R$1.512.318,06 em 24/03/2010 Segundo o extrato bancário tratase de TED. Foi contabilizado no dia 24/03/2010 a crédito da conta 1101030101 BCO BRASIL NOVA PONTE e a débito da conta 2101040019 MATERIAL INDIRETO NACIONAL SUPRIM. Fl. 10650DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.651 30 Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, consoante item 1.17 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram: Apresentaram o comprovante do DOC (fl. 4896 a 4897) cujo beneficiário foi BAIN BRASIL LTDA., CNPJ nº 02.194.588/000197, e apontaram o registro contábil da baixa da obrigação. Lançamentos contábeis: Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais relativas à operação. Destarte, foram novamente intimadas as sucessoras do contribuinte a apresentar todos os documentos que comprovam as causas das operações relativas aos valores debitados na sua conta bancária nº 79006 do Banco do Brasil, Agência 31259, (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, demonstrativos de valores pagos, etc.), prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como a contabilização final das mesmas, consoante item 1.10 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2015. Foi apresentada resposta em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), na qual as sucessoras do contribuinte informaram para o item 1.10: Novamente foram intimadas as sucessoras do contribuinte a esclarecer detalhadamente a natureza dos serviços prestados, quais os serviços prestados, e comprovar, Fl. 10651DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.652 31 com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços, consoante itens 1.3 e 2.3 do Termo de Intimação fiscal de 26/03/2015. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais relativas à operação, tampouco comprovada a efetiva prestação de serviços. Nos documentos constantes do Contrato de Investimento (fls. 2214 a 4713), não identificamos evidências da efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Portanto, o pagamento no valor de R$1.512.318,06 em 24/03/2010 foi considerado pagamento sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, e objeto de lançamento de ofício, conforme Tópico VII. Os valores retidos (R$ 74.931,04 de contribuições e R$ 24.171,31 de imposto de renda) foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010, respectivamente, conforme razão da conta analítica 2103010035 PIS RET S CTR'S PROPRIO –PJ (fls. 4936 a 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/ SERVICOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita Federal (fls. 4894 e 4895), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, a despesa no valor total de R$ 1.611.420,41 foi considerada indedutível na apuração do resultado, e objeto de glosa no lançamento de ofício, conforme Tópico VII. Acostamos nas fls. 4898 a 4922 cópia do Razão da conta 3.101.130.201 SERV.DE TERCEIROS, na qual se verifica o registro da despesa. 3 Débito de R$ 6.476.065,49 em 24/03/2010 Segundo o extrato bancário tratase de TED. Foi contabilizado no dia 23/03/2010 a crédito da conta 1101033101 OF SAIBCO BRASIL NOVA PONTE e a débito da conta 2101040019. MATERIAL INDIRETO NACIONAL – SUPRIM o pagamento desse valor. Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, consoante item 1.18 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram: Apresentaram o comprovante da TED (fls. 4923) que indica como destinatário: 33.987.793/000133 BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE, e apontaram o registro contábil da baixa da obrigação: Fl. 10652DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.653 32 Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais relativas à operação. Destarte, foram novamente intimadas as sucessoras do contribuinte a apresentar todos os documentos que comprovam as causas das operações relativas aos valores debitados na sua conta bancária nº 79006 do Banco do Brasil, Agência 31259, (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, demonstrativos de valores pagos, etc.), prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como a contabilização final das mesmas, consoante item 1.11 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2015. A resposta foi apresentada, em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), na qual as sucessoras do contribuinte acostaram cópia de um contrato em idioma estrangeiro (fls. 4924 a 4934), firmado em 28/12/2009 por Bunge Limited e Bunge Alimentos S/A, confirmando um acordo com BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A., para prestação de serviços. O documento não se fez acompanhar da tradução juramentada tampouco satisfaz os requisitos de validade de documentos em idioma estrangeiro, consoante orientações contidas no item 6 do Termo de Início, não se prestando a comprovar despesas do contribuinte. Ressaltamos ainda, que o contrato está em nome de terceiros, portanto caracteriza despesa desses terceiros. Na mesma data foi apresentado o Documento de Cobrança nº 970853 (fls. 4935), informando como cliente a empresa Agroindustrial Nova Ponte Ltda., no valor de USD 3.635.583,84. Referido documento informa que: Não foram apresentados a proposta de prestação de serviços tampouco o seu aditamento, firmados pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda. e o BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A. Novamente foram intimadas as sucessoras do contribuinte a esclarecer detalhadamente a natureza dos serviços prestados, quais os serviços prestados, e comprovar, Fl. 10653DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.654 33 com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços, consoante itens 1.3 e 2.3 do Termo de Intimação fiscal de 26/03/2015. Foi postada resposta em 07/04/2015 na qual as sucessoras do contribuinte apresentaram o contrato em idioma estrangeiro (já acostado nas fls. 4924 a 4934), firmado em 28/12/2009 por Bunge Limited e Bunge Alimentos S/A e o Documento de Cobrança nº 970853 (já acostado nas fls. 4935). Do Contrato de Investimento entre Usina Moema Participações S/A. e Agroindustrial Nova Ponte Ltda., extraímos o trecho: Nos documentos constantes do Livro de Aquisição da Moema Par (fls. 2214 a 4713) que contém o Contrato de Investimento e inúmeros outros documentos relativos à aquisição da Moema Par, não identificamos evidências da efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Diante de todo o exposto, entendemos que o pagamento no valor de R$ 6.476.065,49, em 24/03/2010, caracteriza pagamento sem causa nos termos do art. 674 do RIR/99. Os valores retidos (R$ 320.870,59 de contribuições e R$ 103.506,64 de imposto de renda) foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2103010035 PIS RET S CTR'S PROPRIO –PJ (fls. 4936 a 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/SERVICOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita Federal (fls. 4894 e 4895), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa. 4 Débito de R$ 726.430,42 em 15/04/2010 Segundo o extrato bancário tratase de pagamento eletrônico de título. Foi contabilizado no dia 16/04/2010 a crédito da conta nº 1101030101 BCO BRASIL NOVA PONTE e a débito da conta 1101032101 SAIBCO BRASIL NOVA PONTE que é uma conta transitória. Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, consoante item 1.23 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram tratarse de complemento de pagamento efetuado a BAIN BRASIL, referente a prestação de serviço de assessoria. Fl. 10654DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.655 34 Apresentaram o comprovante de pagamento de título (fl. 4972 a 4973) que não identifica o beneficiário e apontou a registro contábil da baixa da obrigação. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais relativas à operação. Destarte, foram novamente intimadas as sucessoras do contribuinte a apresentar todos os documentos que comprovam as causas das operações relativas aos valores debitados na sua conta bancária nº 79006 do Banco do Brasil, Agência 31259, (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, demonstrativos de valores pagos, etc.), prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como a contabilização final das mesmas, consoante item 1.15 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2015. Foi apresentada resposta em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), na qual as sucessoras do contribuinte informaram para o item 1.15: “Até a presente data, não foi possível localizar em nossos arquivos a documentação pertinente à operação”. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais relativas à operação, tampouco comprovada a efetiva prestação de serviços. Novamente foram intimadas as sucessoras do contribuinte a esclarecer detalhadamente a natureza dos serviços prestados, quais os serviços prestados, e comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços, consoante itens 1.3 e 2.3 do Termo de Intimação fiscal de 26/03/2015. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais relativas à operação, tampouco comprovada a efetiva prestação de serviços. Nos documentos constantes do Contrato de Investimento (fls. 2214 a 4713), não identificamos evidências da efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Portanto, o pagamento no valor de R$726.430,42 em 15/04/2010 foi considerado pagamento sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, e objeto de lançamento de ofício, conforme Tópico VII. Os valores retidos (R$ 35.992,55 de contribuições e R$ 11.610,50 de imposto de renda) foram recolhidos em 30/04/2010 e 20/05/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2103010035 PIS RET S CTR'S PROPRIO –PJ (fls. 4936 a 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/ SERVICOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância Fl. 10655DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.656 35 com os pagamentos constantes dos sistemas da receita Federal (fls. 4974 e 4975), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, a despesa no valor total de R$ 774.033,47 foi considerada indedutível na apuração do resultado, e objeto de glosa no lançamento de ofício, conforme Tópico VII. Acostamos nas fls. 4898 a 4922 o Razão da conta 3.101.130.201 SERV.DE TERCEIROS, na qual se verifica o registro da despesa. 5 Débito de R$ 661.018,08 em 10/08/2010. Segundo o extrato bancário tratase de pagamento a fornecedores. Foi contabilizado no dia 10/08/2010 a crédito da conta 1101033101 OF SAIBCO BRASIL NOVA PONTE e a débito da conta 2101060002 BUNGE ALIMENTOS S/A – FORNECEDOR com histórico FP T – BUNGE ALIMENTOS S A. Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, consoante item 1.26 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram tratarse de pagamento efetuado a BUNGE ALIMENTOS S/A, referente a prestação de serviços NF. 008 e 020. Apresentou comprovante de crédito em conta (fl. 4976 e 4977) sendo pagador AGROINDUSTRIAL NOVA PONTE, e apontou a registro contábil da baixa da obrigação. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços nem as notas fiscais relativas à operação. Destarte, foram novamente intimadas as sucessoras do contribuinte a apresentar todos os documentos que comprovam as causas das operações relativas aos valores Fl. 10656DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.657 36 debitados na sua conta bancária nº 79006 do Banco do Brasil, Agência 31259, (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, demonstrativos de valores pagos, etc.), prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como a contabilização final das mesmas, consoante item 1.18 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2015. Foi apresentada resposta em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), acostando duas notas fiscais (fls. 4978) emitidas pela Bunge Alimentos S/A, NF 008 emitida em 30/06/2010 no valor de R$ 338.809,49 e NF 20 emitida em 28/07/2010, no valor de R$ 365.525,16, as duas com CFOP 6933 e descrição dos serviços: “SERVIÇO CONT PROS ADM”. Não foi apresentado o contrato de prestação de serviços, e a descrição dos serviços constante das notas não esclarece a natureza dos mesmos. Novamente foram intimadas as sucessoras do contribuinte a esclarecer detalhadamente a natureza dos serviços prestados, quais os serviços prestados, e comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços, consoante itens 1.3 e 2.3 do Termo de Intimação fiscal de 26/03/2015. Foi postada resposta em 07/04/2010 na qual as sucessoras do contribuinte apresentaram as notas fiscais nº 08 e 20 já acostadas na fl. 4978. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, tampouco comprovada a efetiva prestação de serviços. Nos documentos constantes do Contrato de Investimento (fls. 2214 a 4713), não identificamos evidências da efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Portanto, o pagamento no valor de R$ 661.018,08 em 10/08/2010 foi considerado pagamento sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, e objeto de lançamento de ofício, conforme Tópico VII. Os valores retidos (R$ 15.754,63 + R$ 16.996,91 de contribuições e R$ 5.082,14 + R$ 5.482,88 de imposto de renda) foram recolhidos em 30/08/2010 e 20/09/2010, respectivamente, conforme razão da conta analítica 2103010035 PIS RET S CTR'S PROPRIO –PJ (fls. 4936 a 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/ SERVICOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da Receita Federal (fls. 4979 e 4980), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, a despesa no valor total de R$ 704.335,00 foi considerada indedutível na apuração do resultado, e objeto de glosa no lançamento de ofício, conforme Tópico VII. Acostamos nas fls. 4988 a 4990 o Razão da conta 3.101.290.124 TRANSF.DE DESPESAS, na qual se verifica o registro da despesa. Fl. 10657DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.658 37 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTO/DESPESA INDEDUTÍVEL 1ª ADIÇÃO O débito no valor de R$ 6.476.065,49, não foi comprovado na data de 24/03/2010 o valor consolidado de R$ 6.900.442,72, (pagamento sem causa de R$ 6.476.065,49 + R$ 320.870,59 das contribuições retidas e recolhidas e R$ 103.506,64 de imposto de renda): Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, consoante item 1.18 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram tratarse de pagamento efetuado ao Banco de Investimento Garantia, referente prestação de serviço de assessoria (NF.970853), conforme comprovante e contabilização. Apresentaram o comprovante da TED (fls. 4923) que indica como destinatário: 33.987.793/000133 BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE, e apontaram o registro contábil da baixa da obrigação: Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais relativas à operação. Destarte, foram novamente intimadas as sucessoras do contribuinte a apresentar todos os documentos que comprovam as causas das operações relativas aos valores debitados na sua conta bancária nº 79006 do Banco do Brasil, Agência 31259, (extratos bancários, contratos de mútuo/AFAC, comprovante das operações bancárias, notas fiscais, contratos de prestação de serviços, demonstrativos de valores pagos, etc.), prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das causas das operações, da identificação dos beneficiários, bem como a contabilização final das mesmas, consoante item 1.11 e 2.2 do Termo de Intimação Fiscal de 04/02/2015. Foi apresentada resposta em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), na qual as sucessoras do contribuinte acostaram cópia de um contrato em idioma estrangeiro (fls. 4924 a 4934), firmado em 28/12/2009 por Bunge Limited e Bunge Alimentos S/A, confirmando um acordo com BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A., para prestação de serviços. Fl. 10658DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.659 38 O documento não se fez acompanhar da tradução juramentada tampouco satisfaz os requisitos de validade de documentos em idioma estrangeiro, consoante orientações contidas no item 6 do Termo de Início, não se prestando a comprovar despesas do contribuinte. Ressaltamos ainda, que o contrato está em nome de terceiros, portanto caracteriza despesa desses terceiros. Na mesma data foi apresentado o Documento de Cobrança nº 970853 (fls. 4935), informando como cliente a empresa Agroindustrial Nova Ponte Ltda., no valor de USD 3.635.583,84. Referido documento informa que é uma proposta de prestação de serviços e aditamento firmados entre o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S/A e a empresa acima citada. Nos documentos constantes do Livro de Aquisição da Moema Par (fls. 2214 a 4713) que contém o Contrato de Investimento e inúmeros outros documentos relativos à aquisição da Moema Par, não identificamos evidências da efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, e por tratarse de despesas de terceiros, a despesa no valor total de R$ 6.900.442,72, foi considerada indedutível e objeto de adição na apuração do Lucro Real no lançamento de ofício porque são dedutíveis apenas as despesas que, sendo operacionais, estejam revestidas dos predicados de usualidade e normalidade e guardem uma natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora. É o que se depreende do regramento constante dos artigos 247, 249, 299 e 300, do RIR/1999, Parecer Normativo CST 32/1981, item 4; 5. Não foi apresentado o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR do ano calendário 2010, mas foi apresentado o demonstrativo dos valores relativos a adições e exclusões constantes da Ficha 09A da DIPJ (fls. 374 a 376). No referido demonstrativo não constam as adições dos valores objeto de lançamento na presente infração. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, e por tratarse de despesas de terceiros, a despesa no valor total de R$ 6.900.442,72, foi considerada indedutível e objeto de adição na apuração do Lucro Real no lançamento de ofício. 2ª ADIÇÃO Verificamos que o contribuinte apropriou o valor de R$ 8.321.783,32 a crédito de conta de despesa a título de provisão da realização do ágio, que foi levada a resultado, conforme lançamentos: Fl. 10659DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.660 39 Na Linha 78 Outras Exclusões da Ficha 09A da DIPJ (fls. 16 a 53) houve apropriação de uma exclusão no valor de R$ 8.321.783,32. Por outro lado, foi apropriado a débito da conta indicada abaixo, o valor de R$ 2.829.406,33 (34% do valor de R$ 8.321.783,32) cujo histórico informa tratarse de IRPJ e CSLL incidentes sobre a provisão da realização do ágio, que foi levado a resultado, conforme lançamentos: O valor apropriado no passivo foi reclassificado para IRPJ e CSLL diferidos: Ora se o valor creditado à conta de despesa foi excluído da tributação por tratarse de provisão, da mesma forma os valores relativos aos tributos incidentes não podem afetar o resultado devendo ser adicionados, mormente por tratarse de tributos diferidos. Ocorre que nenhuma adição relativa à conta 8102010205 IR CS S/ AMORTIZACAO foi efetuada, conforme demonstrativos acostados nas fls. 374 a 376. Portanto, a adição foi efetuada de ofício na presente infração. · Acostamos os documentos extraídos da contabilidade: · Balancete da Nova Ponte Agroindustrial ltda. fls. 4991 a 5005; · Cópia do Razão da conta 3701010123 PROVISÃO P/REALIZ.AGIO. fls. 5006; · Cópia do Razão da conta 8102010205 IR CS S/ AMORTIZACAO fls. 5007; · Cópia do Razão com contrapartidas da conta 2301010007 IR CS S/ AMORTIZAÇÃO AGIO fls. 5008. Fl. 10660DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.661 40 DO REFLEXO DE CSLL RELATIVAMENTE A ESSA INFRAÇÃO Os fatos descritos nesta infração também afetam a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que foi lançada como reflexo. IRRF – PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO A consolidação dos pagamentos considerados sem causa, apontados nos itens anteriores foram informados no auto de infração reajustados consoante determina o § 3º do artigo 674 do RIR/99 conforme demonstrativo a seguir: MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Tendo em vista as infrações relativas a omissão de receitas, glosa de despesas e adições de despesas indedutíveis, ficaram alteradas as bases de cálculo utilizadas pelo contribuinte para apuração mensal do IRPJ e CSLL . Recompuseramse a base e verificamos falta de recolhimento de IRPJ e CSLL conforme Anexo I ao presente Termo. Sobre as divergências apuradas incide multa isolada de 50% nos termos do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Consoante DIPJ (fls. 16 a 53) não foram apurados valores de antecipações pelo contribuinte. Não existem débitos de antecipações confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, tampouco recolhimentos de antecipações. Seguem os demonstrativos de determinação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL com base no balanço de suspensão ou redução e a multa Isolada de 50% incidente: Fl. 10661DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.662 41 O arquivo magnético em formato Excel contendo a planilha relativa ao demonstrativo de apuração da multa isolada de IRPJ e CSLL foi compactado e anexado como arquivo não paginável (fl. 5022), e pode ser baixado, descompactado e acessado pelos julgadores, se necessário. Considerações Finais do TVF Em decorrência da alteração do resultado, os saldos negativos de IRPJ e de CSLL, outrora apurados, foram modificados para imposto e contribuição a pagar, tornando insubsistente os supostos créditos dessa natureza. Na presente Auditoria, o lançamento das infrações apuradas redundou em alterações nos valores do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados pelo contribuinte no anocalendário 2010, bem como no saldo de prejuízos fiscais e no saldo de base de cálculo negativa da CSLL dos anoscalendário anteriores, conforme Planilhas de Compensação de Prejuízos e Planilhas de Compensação de Base Negativa anexas ao Auto de Infração, que serão registrados nos sistemas de controle da Receita Federal. Acostamos nas fls. 5010 a 5018 o histórico do saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL, antes das alterações promovidas pelos lançamentos das infrações. Impugnação A contribuinte foi cientificada dos autos de infração em 02/06/2015, conforme Aviso de recebimento (AR) dos Correios às fls. 5149). Os responsáveis tributários foram cientificados nas seguintes datas: ITAPAGIPE em 05/06/2015, AR às fls. 5151; USINA MOEMA em 03/06/2015, AR ás fls 5153; USINA OUROESTE en 08/06/2015, AR às fls 5147 e GUARIROBA em 05/06/2015, AR às fls. 5155. Irresignada, a autuada e as responsabilizadas, por intermédio de seus representantes, apresentaram a impugnação de fls 5168 a 5240 em 02/07/2015, conforme Termo de solicitação de juntada de documentos às fls. 5167. Fl. 10662DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.663 42 As procurações, os substabelecimentos e contratos sociais da autuada e das responsabilizadas encontramse às fls. 5675 a 5776. Estas são as argumentações da contribuinte e das responsáveis tributárias: Não será questionada a exigência fiscal relativa à omissão de receitas no valor de R$ 605.246,30, e informa que irá quitar os tributos exigidos, bem como os encargos legais exigidos, valendose das reduções previstas na Lei n. 8218/91 e posteriores alterações. Informa também que, relativamente ao IRPJ e à CSLL, não há qualquer exigência tributária relativa ao valor em referência, tendo em vista que o próprio auto de infração efetuou a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da Nova Ponte, apurados no anocalendário de 2010. Ágio apurado na aquisição da Usina Moema Participações Ltda., e a reorganização societária efetuada. O TVF, em seu item IV, historia a reorganização societária ocorrida nos anos de 2010 e 2011, a qual decorreu, de forma resumida, da aquisição de Usina Moema Participações Ltda. (Moema Participações) por Nova Ponte, seguida de incorporação de Moema Participações por Nova Ponte, fatos ocorridos em 2010, e posterior reorganização no ano de 2011, que culminou na cisão total de Nova Ponte, com incorporação do seu patrimônio pelas empresas que eram por ela controladas. A fiscalização analisou estes fatos e, deparandose com o ágio apurado na aquisição acima mencionada, afirmou que não seria passível de amortização pelas empresas que incorporaram o patrimônio cindido de Nova Ponte. . Para facilitar a análise do TVF, as recorrentes pedem vénia para transcrever trecho conclusivo do referido item IV: "Isso nos permite concluir que Agroindustrial Nova Ponte Ltda., foi utilizada como empresa veículo, tendo sido posteriormente extinta por fusão total em 03/06/2011, consoante 22a Alteração do Contrato Social, firmada em 30/04/2011 e levada a registro na junta comercial em 03/06/2011 (fls. 1162 a 1241). Portanto, estamos diante de ágio transferido relativamente ao sócio com domicílio no Brasil que suportou o ônus das aquisições, e estamos diante de ágio produzido no exterior (ágio externo ou internalizado) relativamente ao sócio com domicílio no exterior que suportou o ônus das aquisições. A despeito de ter sido intimado conforme item 2.4 do Termo de Intimação Fiscal de 24/04/2014 e analisadas as respostas apresentadas no item 1.6 do Termo de Intimação Fiscal de 03/02/2015, não foram apresentados Portanto, eventual amortização do ágio apropriado por parte das sucessoras não é passível de dedução na apuração do IRPJ/CSLL, por falta de comprovação, por tratarse de ágio de si mesmas, de ágio transferido e de ágio externo." (destaques das recorrentes) Fl. 10663DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.664 43 Percebese, inicialmente, que a despeito dos questionamentos apontados, não houve qualquer exigência ou glosa fiscal relativa ao ágio apurado, o que possivelmente decorre do fato de que não houve amortização fiscal do referido ágio no anocalendário de 2010. Ao assim agir, ou seja, ao não efetuar nenhum lançamento fiscal decorrente do ágio apurado na aquisição, temse que o trabalho fiscal incorreu em evidente contradição, pois fez observações quanto à validade do ágio registrado na aquisição de investimento, mas não intimou as sucessoras, ora recorrentes, a retificarem sua contabilidade para excluir o referido ágio, o que, digase, foi feito em relação à parcela do ágio relativa ao pagamento de comissão na negociação, conforme página 33 do TVF (fl. 5114 do processo). Percebese, pois, evidente contradição do trabalho fiscal, que contesta o ágio apurado, mas solicita retificação do seu valor apenas relativamente à parcela dele, o que significa, indiretamente, a aceitação do reconhecimento do ágio na aquisição. A despeito disso, as recorrentes pedem vênia para fazer breves esclarecimentos sobre o ágio contestado pela fiscalização, não sem antes consignar a total impertinência das constatações fiscais sobre o referido ágio no presente processo, dado o fato de que nada dele foi amortizado para fins fiscais em 2010, períodobase objeto da autuação fiscal. Nesse contexto, portanto, ao invocar questões que não têm qualquer relevância jurídica para o deslinde do caso concreto, a autoridade fiscal desvia o foco da discussão de forma totalmente desnecessária. Ainda nesse contexto, as alegações se mostram totalmente despropositadas e vazias, eis que, simplesmente, não resultaram em qualquer glosa fiscal ou exigência fiscal, o que retira qualquer liquidez e certeza ao trabalho fiscal e o torna nulo, nesse ponto, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. Pois bem. Em 23.12.2009, os acionistas da Moema Participações firmaram "Contrato de Investimento" com a sociedade Nova Ponte (doc 03), por meio do qual restou acordado que os acionistas daquela sociedade transfeririam, para a Nova Ponte, a integralidade das ações detidas na Moema Participações, representativas de 100% (cem por cento) do capital social votante da referida sociedade. Em decorrência da transferência das referidas ações, a Nova Ponte se comprometeu a transferir aos acionistas da Moema Participações ações detidas na Bunge Ltd. (sociedade sediada em Bermudas), bem como a pagar uma parcela em dinheiro (torna). O fechamento da referida operação ocorreu em 31.01.2010, tendo sido realizada a liquidação financeira substancialmente em 5.2.2010 (houve algumas parcelas pagas posteriormente, mas nada relevante para o presente processo). 1 "Referida despesa, ainda que venha a ser comprovada, não deve compor o valor do ágio, ficando as sucessoras do contribuinte intimadas a excluila do montante do ágio contabilizado Inicialmente, é importante destacar que a sociedade Nova Ponte foi constituída no anocalendário de 2006, muito antes da operação em questão, tratandose de sociedade operacional, que desenvolvia, dentre outras atividades, a exploração agrícola em geral, a exploração agrícola e industrial de cana de açúcar e seus derivados, a exploração pecuária, a comercialização de produtos, a importação de máquinas, acessórios e produtos químicos, bem como a participação no capital de outras sociedades. Desde 2007, a Nova Ponte Fl. 10664DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.665 44 é empresa do Grupo Bunge, do que se verifica a total independência entre ela e a Moema Participações. Os fatos acima expostos demonstram que: (i) houve efetiva aquisição do investimento em Moema Participações pela Nova Ponte com sacrifício de recursos, (ii) as partes envolvidas no contrato eram totalmente independentes, e (iii) a Nova Ponte existia desde 2006, efetivamente atuando desde então. Vale ressaltar, ainda, que por meio da referida operação, a Nova Ponte adquiriu todos os investimentos da Moema Participações, que era uma empresa holding, a qual detinha participações em sociedades que atuavam no setor sucroalcooleiro e de energia, dentre as quais se destacavam as seguintes: Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. ("Usina Moema"), Usina Itapagipe Açúcar e Álcool Ltda. ("Usina Itapagipe"), Usina Guariroba Ltda. (Usina Guariroba"), Usina Frutal Açúcar e Álcool S/A ("Usina Frutal"), Usina Ouroeste Açúcar e Álcool Ltda. ("Usina Ouroeste"), e Usina Vertente Ltda ("Usina Vertente"). Desta forma, em virtude da aquisição da Moema Participações, a Nova Ponte passou a registrar o investimento nos termos do art. 20 do Decretolei n. 1598, de 26.12.1977, desdobrando o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido da Moema Participações e ágio apurado. Cabe registrar que o ágio teve como fundamento o valor de rentabilidade futura do investimento, apurado por estudos econômicos e avaliações internas, os quais se encontram arquivados até os dias de hoje. A fiscalização, conforme acima, consignou sua contrariedade ao ágio em questão em razão de (i) tratarse de ágio de si mesma, (ii) ágio transferido mediante empresa veículo (Nova Ponte), (iii) ágio externo, além de (iv) não terem sido apresentados os documentos probatórios da natureza e do valor do referido ágio (laudos de avaliação). Ocorre, contudo, que as ilações da fiscalização não possuem nenhum fundamento jurídico, o que se comprova pela própria análise do TVF, em que não menciona, em suas conclusões, nenhum dispositivo legal, ou mesmo algum entendimento jurisprudencial sobre o tema. Percebese, pois, que a própria fiscalização desistiu de contestar o referido ágio, optando por simplesmente fazer observações impertinentes e infundadas. Nesse cenário, considerando que a própria fiscalização não lavrou qualquer infração relativa ao assunto, as recorrentes fazem apenas algumas considerações, as quais são suficientes para demonstrar a total insubsistência das alegações da fiscalização: o investimento em Moema Participações foi adquirido por Nova Ponte, conforme comprova "Contrato de Investimento" (doc. 03); a aquisição foi efetuada pela Nova Ponte com recursos (ações de Bunge Ltd. e dinheiro) que eram de sua propriedade; após adquirir o investimento em Moema Participações, Nova Ponte passou a registrar o investimento nos termos do art. 20 do Decretolei n. 1598/77, desdobrando o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido da Moema Participações e ágio apurado; e Nova Ponte existia desde o anocalendário de 2006, muito antes da operação em questão, tratandose de sociedade operacional, que desenvolvia, dentre outras atividades, a exploração agrícola em geral, a exploração agrícola e industrial de cana de açúcar Fl. 10665DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.666 45 e seus derivados, a exploração pecuária, a comercialização de produtos, a importação de máquinas, acessórios e produtos químicos, bem como a participação no capital de outras sociedades. As observações acima são suficientes para demonstrar a insubsistência das ilações do TVF. Primeiramente, quanto à acusação de que a Nova Ponte seria mera empresa veículo, ressaltese que essa empresa existia desde muito antes dos fatos em questão (2006), exercendo, destaquese, atividades operacionais diversas, não podendo ser qualificada como mera empresa veículo. Posteriormente, quando o Grupo Bunge quis adquirir o investimento em Moema Participações, decidiu que sua controlada Nova Ponte seria responsável por efetuar a aquisição, decisão essa plenamente válida, tendo em vista que a referida aquisição poderia ter ocorrido por meio de uma das diversas empresas que o Grupo Bunge possui no Brasil. Além disso, a titularidade dos recursos utilizados na aquisição era da Nova Ponte, que os recebeu mediante aumento de capital, integralizado por meio da conferência de ações de Bunge Ltd. Nesse contexto, portanto, caem por terra as afirmações da fiscalização de que o ágio em questão seria "externo", "transferido por meio de empresa veículo", e "ágio de si mesmas", eis que está claro que a empresa adquirente, Nova Ponte, existia efetivamente desde 2006, exercendo, inclusive, atividades operacionais. Especialmente quanto à afirmação de que não teriam sido apresentados os documentos probatórios da natureza e do valor do referido ágio (laudos de avaliação), devese ressaltar que a demonstração do valor do ágio não requer a apresentação de qualquer documento além daqueles já apresentados, quais sejam, o contrato de investimento e os registros contábeis. De fato, conforme art. 20 do Decretolei n. 1598/77, a apuração do valor do ágio decorre da comparação entre o preço de aquisição do investimento ao seu patrimônio líquido, sendo que a diferença será justamente o ágio na aquisição do investimento, se positivo, ou o deságio, se negativo. Outrossim, relativamente à solicitação da fiscalização de um laudo de avaliação, temse que a legislação (parágrafo 3o do art. 20 do Decretolei n. 1598) somente requer uma "demonstração" dos fundamentos econômicos dos ágios baseados em expectativa de rentabilidade ou de valor de mercado dos bens da pessoa jurídica, sem, contudo, especificar a forma como deve ser feita, deixando aberta, portanto, a possibilidade de que o próprio contribuinte faça tal demonstração, não sendo, portanto, necessária a existência de laudo de avaliação(2). (2) Nesse sentido, o acórdão n. 1102000875, entendeu: "O fato de o Laudo de Avaliação a valor de mercado da CCB ter sido realizado por empresa do grupo econômico adquirente, e não por empresa Seja como for, a questão do fundamento econômico do ágio não é relevante nos presentes autos, tendo em vista que, em 2010, período em discussão, não houve amortização de qualquer quantia e somente depois da reunião de patrimônios prevista na Lei n. 9532/97 é que a fundamentação do ágio passa a ser relevante. De qualquer modo, as recorrentes colocamse à disposição para apresentar sua demonstração nos presentes autos, caso assim se entenda. Fl. 10666DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.667 46 As razões acima, expostas de forma bastante resumida, demonstram a total insubsistência, além da já demonstrada impertinência, das alegações da fiscalização sobre o ágio apurado na aquisição, pela Nova Ponte, do investimento em Moema Participações. Alienação do investimento em Usina Vertente. O suposto ganho de capital apurado. Conforme exposto acima, em 2010, a Nova Ponte adquiriu a empresa Moema Participações junto aos acionistas desta última, com o intuito final de aquisição de todos os investimentos da Moema Participações, quais sejam, as Usinas Moema, Itapagipe, Guariroba, Frutal, Ouroeste e Vertente. O intuito do Grupo Bunge, representado pela Nova Ponte, era justamente efetuar a aquisição integral das referidas Usinas, de forma que estes investimentos tornassem se integralmente controlados pela holding Nova Ponte. No âmbito da referida aquisição, simultaneamente à aquisição da Moema Participações (e, consequentemente, das suas investidas), a Nova Ponte negociou também a aquisição das participações societárias de terceiros nos investimentos (Usinas) acima mencionados. Isso porque os referidos investimentos possuíam outros sócios/acionistas, que não a própria Moema Participações, e o Grupo Bunge não desejava ter outros sócios no negócio no qual estava entrando. A aquisição, pela Nova Ponte, das participações societárias que outros quotistas/acionistas das referidas Usinas detinham decorreu de decisão empresarial do Grupo Bunge de iniciar no negócio de bioenergia, o que faria por meio das Usinas supra mencionadas, com o controle integral das empresas operacionais, de modo a facilitar não só a gestão de toda a operação, como também viabilizar uma futura abertura de capital a ser realizada. Dentre as Usinas que detinham outros sócios, estava a Usina Guariroba, a qual, por sua vez, tinha suas quotas pulverizadas em três companhias, quais sejam: a própria Moema Participações, a CLEEL Empreendimentos e Participações Ltda. ("CLEEL"), e a Tombette Ltd., que era uma sociedade localizada no exterior. Começaram, portanto, negociações para a aquisição integral, pelo Grupo Bunge, das quotas na Usina Guariroba, sendo que, para o presente processo, interessa especialmente a negociação entre Moema Participações e CLEEL, eis que a negociação com a Tombette não acarretou nenhuma acusação fiscal. Especializada e independente das partes, também não possui o condão de, por qualquer forma, descaracterizar o ágio pago. Ademais, é cediço que a lei sequer exige a confecção de um laudo de avaliação para fundamentar o ágio, fazendo referência tão somente a uma 'demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração'. E esta demonstração não foi infirmada ou contestada pelo fisco em seu conteúdo". Pois bem. O Grupo Bunge e a CLEEL decidiram que seria firmada uma permuta, por meio da qual a CLEEL entregaria as quotas da Usina Guariroba, mediante o recebimento das quotas da Usina Vertente Ltda. ("Usina Vertente") detidas pela Moema Participações (e pela Usina Moema). Firmouse, portanto, contrato de permuta de quotas e outras avenças (doc. 04). Fl. 10667DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.668 47 Por meio do referido contrato, as partes acordaram a permuta de quotas, a qual aconteceria apenas se a aquisição da Moema Participações pela Nova Ponte fosse efetivamente concretizada, eis que, caso esse negócio não se concretizasse, não haveria interesse na aquisição das quotas da Guariroba3. Em 5.2.2010, ou seja, no mesmo dia em que foi concretizada a aquisição, pela Nova Ponte, da Moema Participações, concretizouse, também, a permuta de quotas em comento, por meio da qual a Nova Ponte (que havia incorporado a Moema Participações, quando da aquisição do investimento) recebeu as quotas da Usina Guariroba que eram de titularidade da CLEEL, em troca das quotas que detinha na Usina Vertente. Além disso, também recebeu montante em dinheiro (torna), o qual tinha o intuito de igualar o valor da operação para os participantes, conforme será detalhado adiante. A fiscalização, diante da referida operação de permuta, entendeu ter havido ganho de capital da Nova Ponte, relativo à suposta diferença a maior do valor de mercado das ações recebidas, somado à torna, em comparação ao valor contábil do investimento na Usina Vertente, reconhecido pela Nova Ponte. Para facilitar a visualização da situação, vejase demonstrativo de cálculo constante do TVF: Com base na planilha de cálculo acima, fundamentando seu entendimento nos art. 117, parágrafo 4o, 418, 425 e 426, do Decreto n. 3000, de 26.3.1999 (RIR/99), bem como no Parecer Normativo CST n.504, de 3.8.1971, a fiscalização concluiu ter havido ganho de capital não oferecido à tributação pela Nova Ponte, no montante de R$ 98.980.905,60. Por sua vez, a Nova Ponte interpretou toda a operação em conjunto, o que acarretou no entendimento de que não houve nenhum ganho de capital apurado. A torna recebida apenas reduziu o valor do custo total de aquisição das usinas, tanto que o respectivo valor sequer compôs o ágio apurado na operação e questionado pelo fisco no tópico anterior. O raciocínio da empresa foi o seguinte: A operação de aquisição dos investimentos nas Usinas Moema, Itapagipe, Guariroba, Frutal e Ouroeste deveria ser analisada como um todo, e não de forma individualizada por etapas. Consequentemente, entendeu Nova Ponte que a permuta realizada entre as quotas de Vertente e Guariroba era parte integrante e indissociável da operação como um todo, não havendo que se falar em aquisição de Vertente, seguida de permuta de quotas com Guariroba. Tal aspecto fica evidenciado pela análise do referido contrato de permuta (doc 04), o qual esteve totalmente condicionado ao fechamento da operação principal, qual seja, a aquisição da Moema Participações pela Nova Ponte. Fl. 10668DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.669 48 Isso porque, caso a operação principal não fosse concretizada, não haveria razão para a Nova Ponte adquirir o investimento em Guariroba detido por CLEEL4. Com base em tal raciocínio, não houve apuração de ganho de capital na operação de permuta, eis que, na verdade, ocorreu a aquisição da holding Moema, na qual ela despendeu vultosos recursos para ser titular da empresa que controlava investimentos nas Usinas Moema, Itapagipe, Guariroba, Frutal e Ouroeste. Justamente por isso é que, contabilmente, as operações foram registradas como um todo, de sorte que a torna recebida pela Nova Ponte, no valor de R$ 51.338.673,96, foi considerada como redutora do valor do ágio reconhecido na aquisição da holding Moema. A forma de registro da operação pela Nova Ponte, nesse contexto, seguiu as determinações contábeis, de modo a representar a realidade econômica e consolidada da operação praticada, qual seja, a aquisição, pela Nova Ponte, do investimento na holding Moema que detinha as empresas operacionais. Nesse contexto, a aquisição de Vertente foi apenas uma etapa do negócio, sendo que essa pessoa jurídica (Vertente) nem chegou a ser detida por Nova Ponte, eis que permutada com Guariroba no próprio ato de aquisição das demais empresas. Coerentemente com isso, não se considerou ter havido qualquer ganho de capital na alienação do investimento em Vertente, eis que essa empresa nem chegou a ser efetivamente adquirida, visto que foi permutada no próprio contexto da aquisição. Isso fez com que, como já exposto, o ágio registrado na aquisição da holding Moema tivesse sido contabilizado pelo valor líquido da torna, isto é, a torna foi deduzida do valor total da aquisição feita para efeito da apuração do ágio, coerentemente com essa visão global da operação. Ademais, se a aquisição da holding Moema fosse analisada na perspectiva das usinas operacionais, individualmente consideradas, a conclusão seria de que a parcela do custo de aquisição da holding correspondente à Usina Vertente seria de R$ 122.940.445,38, hipótese em que, da mesma forma, não haveria que se falar em ganho de capital, pois a soma da torna e do valor de mercado do investimento em Guariroba recebido da CLEEL seria de R$ 118.130.612,705. Vejase, dessa forma, a composição do cálculo em comento, a partir dos mesmos critérios adotados pela fiscalização, mas com os valores acima descritos: Fl. 10669DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.670 49 Em que pese o raciocínio exposto, a contabilidade da Nova Ponte registrou apenas a aquisição de Moema participações, pois sequer considerou a aquisição de Vertente na operação. Mas mesmo que tivesse analisado as operações individualmente, como consta no quadro acima, o raciocínio leva à conclusão de que não haveria ganho a tributar, eis que parte do custo de aquisição da holding Moema corresponderia ao investimento em Vertente, permutado em seguida. Essas são as razoes que justificaram o não reconhecimento do ganho de capital na permuta realizada. Basta verificar que o fisco sempre questionou a validade de ágios apurados em operações praticadas entre partes relacionadas, a despeito da impossibilidade de apuração consolidada do IRPJ entre empresas do mesmo grupo, nos termos do Decretolei n. 1598, de 26.12.1977. Na mesma linha, ainda em matéria de ágio, a fiscalização sempre questiona a utilização de holdings para a aquisição de empresas, sustentando que a essência econômica da operação revelaria que os verdadeiros adquirentes seriam os acionistas/quotistas da holding, fato esse que chegou a ser sustentado no presente auto de infração, como visto no item anterior. É contraditório sustentar a inexistência de ágio em operações entre partes relacionadas, ou defender que os sócios de holdings são os efetivos adquirentes dos investimentos em que se apura ágio e, ao mesmo tempo, adotar premissas opostas quando se está diante de ganho de capital. Seja como for, o fato é que a fiscalização quantificou a exigência fiscal de forma absolutamente equivocada, o que macula o auto de infração. É o que as recorrentes passam a expor. Alienação do investimento em Usina Vertente. O suposto ganho de capital apurado. O erro de quantificação da matéria tributável. O valor das quotas de Usina Guariroba, assumido pela fiscalização para fins de determinação do valor dos bens recebidos na permuta está totalmente equivocado. Ademais, a jurisprudência vem entendendo que, nas permutas de bens, apenas o valor da torna pode ser considerado como ganho de capital, fato que foi desconsiderado pelo fisco no presente caso. Pois bem. Mesmo que se admita haver ganho de capital na permuta em questão nestes autos, o que como visto é contraditório com a posição defendida pelo fisco ao questionar a apuração do ágio apurado, devese destacar que o valor das quotas de Usina Guariroba indicado pela fiscalização para cálculo do ganho de capital supostamente auferido está equivocado. Conforme o contrato de permuta firmado (doc. 04), bem como memória de cálculo acostada às fls. 2087 a 2091 dos autos, as partes determinaram que as quotas da Usina Guariroba, detidas pela CLEEL, valiam R$ 75.820.220,31 (US$ 40.521.736,04 convertidos em reais com a taxa de câmbio de US$ 1 = R$ 1,8711). Já as quotas da Usina Vertente, detidas pela Moema Participações, foram avaliadas, chegandose ao valor de R$ 133.691.313,07 (US$ 71.450.650,99 convertidos em reais com a taxa de câmbio de US$ 1 = R$ 1,8711). As partes efetuaram a referida avaliação justamente para definir o montante da torna a ser paga pela CLEEL, eis que era sabido que as quotas da Usina Vertente detidas pela Moema Participações tinham valor intrínseco superior às quotas da Usina Guariroba Fl. 10670DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.671 50 detidas pela CLEEL. Após a referida avaliação, definiuse o valor da torna a ser paga em R$ 51.338.673,96, o que foi feito com o único intuito de tornar a operação igual para ambas as partes. Diante disso, a fiscalização entendeu ter havido ganho de capital auferido pela Moema Participações (sucedida por Nova Ponte) em razão de ter recebido, pelas quotas da Usina Vertente, quotas da Usina Guariroba e torna em dinheiro. Para apuração do suposto ganho de capital, a fiscalização considerou o valor das quotas da Usina Guariroba como o valor atribuído na avaliação elaborada pelas partes, enquanto considerou, para fins de apuração do custo das quotas de Usina Vertente, o valor de patrimônio líquido apurado segundo o método de equivalência patrimonial. A segunda é que, ainda que o custo indicado das quotas da Usina Vertente esteia correto, o valor considerado para as quotas da Usina Guariroba está totalmente equivocado, eis que não poderia ter sido utilizado o valor atribuído pelas partes para tanto, o que demonstra evidente contradição da fiscalização. Isso porque, para apuração do custo das quotas de Usina Vertente, a fiscalização utilizou o valor de patrimônio líquido apurado segundo o método de equivalência patrimonial, ou seja, o valor contábil das quotas. Entretanto, o valor considerado das quotas da Usina Guariroba recebidas em troca foi o valor atribuído na permuta, ou seja, o valor de avaliação determinado pelas partes, o qual, contudo, tem sentido apenas para fins de determinação da torna devida, não podendo servir de base de cálculo para tributos, como se fosse um ganho efetivo. Tal assertiva se baseia em que o ordenamento jurídico só admite a incidência do imposto de renda nas situações em que há a efetiva realização da renda, o que definitivamente não ocorre na presente situação, em que a avaliação das ações se deu apenas o objetivo de verificar o valor da torna a ser paga pela CLEEL. Com efeito, o chamado valor atribuído das quotas da Usina Guariroba não representa disponibilidade econômica ou jurídica da renda, nos termos do art. 43 do CTN, como será demonstrado com mais vagar a seguir, eis que baseado em critérios de avaliação econômica destinados apenas à determinação do valor da torna. Tais critérios consistem basicamente na avaliação do valor de mercado dos bens da empresa e dos fluxos de caixa futuros que o negócio pode gerar, deduzidas as dívidas. Mas se trata de meras estimativas, em relação às quais não se tem qualquer segurança de que de fato irão se concretizar. Realmente, o valor dos bens da empresa pode sofrer oscilação em virtude de circunstâncias macroeconômicas inesperadas, como já ocorreu no passado recente, o que também pode gerar alterações quanto ao fluxo de caixa esperado. O mesmo vale em relação às dívidas, que eventualmente podem sofrer alterações de valor. Vejase que a avaliação feita no momento da permuta foi aceita por ambas as partes, mas o Grupo Bunge estava adquirindo uma série de usinas em conjunto, o que definitivamente pesou na avaliação individual da Usina Guariroba. É certo que o valor da Guariroba seria diferente se a negociação não levasse em conta os demais negócios adquiridos. Da mesma forma, caso o Grupo Bunge desejasse vender no mercado as quotas recebidas da Guariroba, imediatamente após têlas recebido em permuta, certamente encontraria inúmeros desafios e o valor provavelmente seria diferente, pois circunstâncias como liquidez e Fl. 10671DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.672 51 rentabilidade individual do negócio, fora do conjunto das demais usinas, seriam levadas em consideração. Isso prova que, diferentemente do dinheiro efetivamente recebido e à disposição do vendedor, o valor de avaliação de uma sociedade em uma permuta representa uma renda meramente potencial, mormente se for levado em consideração que ela foi realizada em um conjunto de operações que envolveu a aquisição de várias outras usinas. A forma correta de apurar eventual ganho de capital, admitindose apenas a título argumentativo que ele tenha ocorrido, seria comparar grandezas iguais, não merecendo guarida a comparação de grandezas diferentes, de sorte que, ao optar por utilizar o valor contábil das quotas entregues pela Nova Ponte, a fiscalização também deveria considerar o valor contábil (patrimonial) das quotas recebidas pela Nova Ponte no momento da troca, assim como realizado para as quotas da Usina Vertente entregues. Apenas assim a fiscalização seria plenamente consistente em sua linha de raciocínio, eis que, caso contrário, estarseia admitindo a comparação de grandezas totalmente diferentes. Vale ressaltar que o referido posicionamento é perfilhado pela própria Procuradoria da Fazenda Nacional, a qual, em razões de recurso de ofício apresentado no processo n. 16561.720151/201212, no qual foi proferido o acórdão acima citado, assim se manifestou6: "Dessa forma, demonstrase que a realização apurada pela VCP ao baixar seu investimento na LA CELULOSE foi incorretamente pautada no valor de R$ 1 bilhão. Isso porque o valor obtido pela VCP com a baixa da LA CELULOSE foi de R$ 2,85 bilhões e não R$ 1 bilhão (Transcrição do recurso da Fazenda Nacional retirada do relatório do acórdão n. 1302001.660) Tanto foi R$ 2,85 bilhões, que a VCP reconheceu de forma indevida deságio na operação a fim de ajustar sua pretensão contábil. Contudo, o registro do contribuinte é incoerente porque, uma vez aplicando o MEP, não há como a VCP reconhecer que recebeu em troca da LA CELULOSE a CHAMFLORA pelo valor de R$ 1 bilhão. Não há como registrar o custo de aquisição da CHAMFLORA por R$ 1 bilhão. Necessariamente, ela teria que registrar tal investimento com base no patrimônio líquido do investimento adquirido, que era de R$ 2,85 bilhões. E, sendo obrigado a reconhecer que recebeu R$ 2,85 bilhões com a baixa da LA CELULOSE, não há justificativa para o registro do deságio, haja vista que o custo de aquisição da CHAMFLORA não foi mais de R$ 1 bilhão, mas sim de R$ 2,85 bilhões, haja vista a realização da baixa da LA CELULOSE que necessariamente proporciona um ganho tributável no valor de R$ 1,85 bilhão." É, portanto, descabida a apuração de ganho de capital mediante comparação do valor atribuído pelas partes para o investimento recebido com o valor contábil do investimento entregue. E tal raciocínio se confirma pela análise de um simples exemplo numérico. Imaginese situação em que duas partes (A e B) possuem investimentos com valor patrimonial de 30 e 50 respectivamente, e decidem permutar os investimentos entre si. Para tanto, avaliam os investimentos em questão, encontrando o valor de 100 para ambos os investimentos. Fl. 10672DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.673 52 Em razão disso, decidem efetuar a troca sem qualquer torna, eis que o valor de avaliação dos investimentos é o mesmo, a despeito da pequena diferença dos valores patrimoniais. Admitindose o raciocínio da fiscalização no presente processo, temse que ambas as partes estariam apurando ganho de capital tributável, eis que A teria ganho de 70 (100 30), e B teria ganho de 50 (100 50). O exemplo evidencia que, em uma permuta de participações societárias, ambas as partes podem apurar ganho de capital, o que consiste em verdadeiro absurdo e demonstra a inconsistência do raciocínio. Mesmo que se considere legítimo que a fiscalização tribute eventual ganho de capital apurado na operação de permuta, não é legítimo e nem legal, perante os princípios acima, considerar grandezas totalmente diferentes para a quantificação do referido ganho. Tratase de vício na quantificação da matéria tributária que torna imprestável o trabalho fiscal. Consequentemente, restando cristalino o erro de quantificação incorrido pela fiscalização, devese aplicar a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, que é uníssona no sentido de que o auto de infração não pode prevalecer, de vez que a exigência fiscal deve, sempre, se conformar à realidade fática e à respectiva legislação de regência, de modo a não ser desrespeitado o princípio da estrita legalidade, que norteia as obrigações tributárias (art. 150, inciso I, da Constituição Federal, e art. 97 do Código Tributário Nacional). Eis o que disse, a título exemplificativo, o acórdão n. 20310576, de 6.12.2005, da 3a Câmara do antigo Conselho de Contribuintes, o qual foi incisivo na anulação do correspondente auto de infração por força da constatação de erro de cálculo, consoante se depreende da leitura de sua ementa: "COFINS. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. É nulo o auto de infração onde a base de cálculo do tributo se encontra apurada em desacordo com a legislação de regência. Recurso anulado". Confirase o que asseveram, dentre tantos outros, os mais recentes julgados do CARF sobre a matéria acórdão n. 2402004337 de 8.10.2014: "NULIDADE VlCIO MATERIAL ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado, em grau de recurso, a existência de erro material na base de cálculo do imposto lançado, resta nulo o Auto de Infração. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido Ante o exposto, a declaração da nulidade do lançamento ora combatido é de rigor, tendo em vista sua total contrariedade ao ordenamento jurídico. Caso assim não se entenda, afastandose a nulidade do presente trabalho fiscal, fazse imperiosa a determinação da retificação do lançamento, para que se corrija a base de cálculo do suposto ganho de capital apurado. Ademais, ainda que não se entenda conforme acima, devese notar que, em permutas de bens, apenas a torna paga em dinheiro representa acréscimo patrimonial, passível de tributação pelo IRPJ e pela CSL, de modo que apenas o valor de R$ 51.338.673,96 poderia ser considerado, eventualmente, como ganho de capital tributável. Fl. 10673DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.674 53 Na legislação do imposto de renda há disposições esparsas e diversas manifestações jurisprudenciais ou de cunho fazendário, através das quais se confirmam as seguintes diretrizes, que se aplicam tanto ao imposto de renda das pessoas físicas (IRPF) e jurídicas (IRPJ) quanto à contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas (CSL)7, e ainda ao imposto de renda na fonte (IRF) quando houver um permutante residente ou domiciliado no exterior. Na permuta simples, cada permutante recebe o bem (adquire a propriedade dele) que lhe é entregue em troca daquele que ele deu (cuja propriedade transferiu), e, para efeitos fiscais, isto é, na declaração de bens, se pessoa física, ou na contabilidade, se pessoa jurídica, cada permutante atribui ao bem que recebeu o mesmo valor do bem que deu, portanto, sem mutação patrimonial, ainda que os bens permutados tenham valores econômicos ou de venda, ou contábeis como no caso de investimentos, distintos entre si. Na permuta com torna em dinheiro, esta (a torna) se constitui em ganho de capital tributável para a parte que a recebe, e, para a parte que a paga, a torna integra o valor do custo do bem recebido em troca, em adição ao custo do bem dado.8 Se o bem recebido em permuta tiver valor maior no mercado, em relação ao bem que foi dado em permuta, àquele deve ser atribuído o custo deste, porque este foi o único custo incorrido pelo permutante. Ocorre aí, para o permutante que recebeu bem de maior valor, o fenômeno de haver um acréscimo patrimonial meramente potencial, possível de ser obtido efetivamente apenas se, e quando, o bem recebido em permuta for alienado por preço maior do que o custo, pois a incidência tributária pressupõe ganho real e realizado, não no sentido de recebido financeiramente, mas de ganho efetivamente auferido, ou, segundo o art. 43 do CTN, ganho cuja disponibilidade econômica ou jurídica tenha sido adquirida. Por isso mesmo é que, na permuta com torna, apenas o valor da torna (em dinheiro) representa acréscimo patrimonial, eis que já pode ser considerado realizado. Ainda quanto a isto, e relembrando que não é da essência do negócio jurídico de permuta que os bens trocados tenham valores equivalentes, sob o ponto de vista do IRPJ e da CSL a equivalência também não é necessariamente um elemento relevante, pois, como visto, ganho ou perda de capital na alienação de qualquer bem baseiase no custo de aquisição do mesmo. Ora, um bem alienado pelo valor de mercado no momento da alienação não representa necessariamente haver ganho de capital, pois o custo ainda pode ser superior ao preço da alienação, isto por várias razões, inclusive por ter havido aquisição a preço elevado em virtude de algum interesse particular do adquirente, ou por ter havido aquisição a valor de mercado que naquele momento era superior ao do presente. Por evidente, o mesmo raciocínio aplicase quanto às perdas de capital. Portanto, na permuta, cujo traço distintivo é não haver preço, a correlação ou não dos valores dos bens permutados com o mercado no momento do negócio não importa necessariamente em ganho ou perda de capital, de sorte que apenas a torna é considerada acréscimo patrimonial. Prosseguindo, como na permuta não há preço, além de que há mera substituição patrimonial de caráter qualitativo (isto é, quanto ao bem dado e ao bem recebido, ou, melhor dizendo, quanto ao direito alienado e ao direito adquirido em permuta), mas não há Fl. 10674DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.675 54 mutação quantitativa, as possíveis diferenças entre os custos de aquisição dos bens permutados, e também as possíveis diferenças desses custos em relação aos valores de mercado dos mesmos bens não interferem com a formação do lucro tributável no período em que a permuta se efetiva, ficandose na expectativa de uma realização concreta de ganho ou perda no futuro, cuia existência real se submeterá a uma infindável série de contingências possíveis, tais como as oscilações de mercado, os riscos quanto à subsistência e integralidade dos bens, as mutações relacionadas à localização desses bens, o seu desgaste físico natural ou decorrente do uso ou de problemas de conservação, a sua obsolescência ou perda da sua utilidade econômica, etc. Essas diferenças, portanto, representam possíveis ganhos, mas não ganhos efetivamente realizados. Por outro lado, apenas a torna representaria efetiva realização de acréscimo patrimonial, passível, pois, de tributação pelo IRPJ e pela CSL. A doutrina e a jurisprudência relativas ao imposto de renda vêm dando particular atenção ao princípio da realização da renda, porque ele é parte indissociável da incidência desse imposto podendose dizer o mesmo quanto à contribuição social sobre o lucro , e isto pode ser constatado pela observação de que a aquisição de um bem, pelo qual se tenha pago preço inferior ao seu valor de mercado, representa uma boa compra, pois está permitindo uma eventual revenda por preço mais elevado, portanto, com ganho. Todavia, no ato da compra é impossível a tributação, por não haver a realização do ganho, o qual nesse momento é meramente potencial e somente advirá concretamente se, e quando, houver alienação por valor superior ao custo pago. Como exemplo disso, encontrase na lei ordinária do imposto de renda situações de renda não realizada, todas elas tratadas em perfeita sintonia com a exigência da realização para que essa renda possa ser submetida à tributação. Uma dessas hipóteses, de alto valor exemplificativo e de particular importância para este processo, é a do deságio obtido na aquisição de investimento submetido à equivalência patrimonial. Neste método de avaliação do investimento, que é compulsório nos casos determinados pela lei, o deságio surge quando (e corresponde ao) o custo de aquisição é inferior ao valor do investimento avaliado com base no valor patrimonial contábil do mesmo, apurado com base no patrimônio líquido contábil da pessoa jurídica à qual o investimento se refere. Tratase, pois, de um ganho de capital teórico, que no momento da aquisição do investimento é meramente potencial, mas não tributável de pronto, o qual fica segregado fiscalmente para ser considerado, e tributado (se for o caso de ganho), apenas quando da alienação (ou baixa por outras razões) do investimento, momento em que o deságio entra como elemento redutor do custo contábil de aquisição para apuração de ganho ou perda de capital. Na verdade, como o deságio somente existe em razão do método obrigatório da equivalência patrimonial e é meramente contábil, no momento da realização do bem, por venda ou outro ato, ele é expurgado do custo de aquisição (ao qual estava ou esteve acrescido contabilmente) para apuração de ganho ou perda de capital, dado que ele nunca consistiu em custo efetivo e nunca representou ganho real. A direta vinculação do princípio da realização da renda com o princípio constitucional da capacidade contributiva explicase assim: Fl. 10675DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.676 55 a capacidade contributiva é inerente a toda e qualquer obrigação tributária, significando que o tributo deve ser subtraído (na parte a ser entregue ao Poder Público) da materialidade econômica sobre a qual se dá a incidência tributária; no caso do imposto de renda, o tributo somente pode ser subtraído da própria renda; daí a renda ter que estar realizada (disponível), para dela se subtrair o imposto a ser entregue à União Federal; se fosse possível a cobrança do imposto sobre renda não realizada, ele não teria como ser subtraído da renda, porque esta ainda não estaria disponível, e, por conseguinte, teria que ser subtraído do próprio patrimônio, o que seria inconstitucional. Pois é em decorrência do princípio da realização da renda que uma permuta, tal como vem sendo entendido o seu tratamento fiscal, não gera efeito tributário (salvo a torna recebida, quando existente e disponível), pois a eventual renda que ela pode propiciar ao permutante, que recebe bem mais valioso do que o do bem dado, é renda meramente potencial. Em outras palavras, como, para o permutante, o bem recebido tem o custo do bem dado, quando o bem recebido tiver maior valor do que o custo do bem dado em permuta, somente é possível a tributação no momento em que esse ganho potencial se concretizar em ganho efetivo e definitivo (realização da renda) pela alienação do bem (realização do bem). Nos casos em que há torna, aquele que paga a torna reconhece o custo do bem recebido como o custo do bem dado somado à torna, enquanto aquele que recebe a torna reconhece o bem recebido pelo mesmo valor do bem dado em troca, além de reconhecer o ganho de capital auferido, relativo unicamente à torna. O entendimento sobre a intributabilidade da renda não realizada e das permutas sem torna, mesmo sem ter havido incursão explícita e detalhada no princípio da realização da renda, foi sustentado pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional no Parecer PGFN/PGA n. 454/92, aprovado por despacho do Ministro da Fazenda datado de 8.5.1992, quando do programa de privatização então em pleno curso. Ao fim, disse o parecer da Procuradoria no item VII das suas conclusões: "Na permuta pura e simples, os contratantes não são movidos pelo valor monetário ou, em outras palavras, pelo preço dos bens envolvidos, mas sim pelo caráter hedonístico, ou seja, o valor intrínseco de utilidade que os bens permutados terão para cada uma das partes individualmente. É por isso que a doutrina afirma que em cada um dos patrimônios o que ocorre é mera substituição de um bem de uma natureza por outro de natureza diferente, independente de qualquer referência a preço de mercado, seja este amplo e aberto ou restrito e dirigido como ocorre no leilão". A posição de Bulhões Pedreira está claramente definida no seguinte parágrafo da sua obra clássica obra (9 PEDREIRA, José Luiz Bulhões, "Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas", Editora Justec, Rio de Janeiro, 1979, vol. I, p. 281): Fl. 10676DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.677 56 "A aquisição de renda financeira não consiste no fato jurídico da aquisição de direitos patrimoniais, mas na disponibilidade do objeto desses direitos, que é a moeda ou valor em moeda (v. obs. 1 ao n. 110). Se os direitos recebidos na troca são dinheiro não há dúvida de que o lucro está realizado. Mas se não têm valor em dinheiro determinável com precisão, ou não podem, com facilidade, ser convertidos em dinheiro, ainda não há lucro real ou efetivo. É o caso, por exemplo, de permuta de um bem por outro cuja realização em dinheiro, ou em direitos com liquidez, depende de nova troca no mercado. Nesse caso não há realização do lucro potencial, mas sua transferência de um bem para outro." Deste entendimento sobre as permutas não destoa a jurisprudência, que sistematicamente tem considerado tributável pelo imposto de renda apenas a permuta com torna, dizendo ser esta a importância do ganho tributável, e também afirmando que o custo do bem dado em permuta passa a ser o custo do bem recebido em troca, acrescido da torna, para aquele que a paga. Neste sentido, citamse os acórdãos n. 10611157, de 23.2.2000 (6a Câmara), 10244975, de 21.8.2001 (2a Câmara), 10321488, de 9.1.2004 (3a Câmara), 10707705, de 7.7.2004 (7a Câmara), 10808358, de 15.6.2005 (8a Câmara), 10247844, de 17.8.2006 (2a Câmara), 10248803, de 7.11.2007 (2a Câmara), e 10616964, de 26.6.2008 (6a Câmara). No atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, suas Seções já tiveram oportunidade de apreciar o assunto, sem se desviar a jurisprudência anterior. Por exemplo: Acórdão n. 340200048, de 5.3.2009, da 3a Seção, 4a Câmara, 2a Turma Ordinária: "Não podemos confundir a dação em pagamento onde há ingresso de rendimento no patrimônio do contribuinte com a permuta que é mera troca patrimonial de bens que não representaria acréscimo patrimonial, ressalvando os casos em que há pagamento de torna"; Acórdão n. 140100037, de 13.5.2009, da 1a Seção, 4a Câmara, 1a Turma Ordinária: "Ademais, tratandose de permuta sem torna, sequer é o caso de o contribuinte apurar lucro, não havendo sentido em se lançar a contrapartida da variação monetária da obrigação em resultados de exercícios futuros"; Acórdão n. 340200154, de 2.6.2009, da 3a Seção, 4a Câmara, 2a Turma Ordinária: "Em operação de permuta sem torna, o custo de aquisição, para fins de apuração de ganho de capital, é o valor do bem dado em permuta"; Acórdão n. 110200020, de 26.8.2009, da 1a Seção, 1a Câmara, 2a Turma Ordinária: "A exclusão de parcela relativa à permuta de imóveis tem como fundamento a inocorrência de acréscimo patrimonial para as partes contratantes, não se aplicando para hipóteses de dação em pagamento e com a finalidade de realização de receitas operacionais". Igualmente, vale destacar o recente acórdão n. 9202003.579, de 3.3.2015, que trata de eventual ganho de capital em operação de incorporação de ações, por parte do acionista que entrega ações que possui em determinada empresa, em troca de ações emitidas Fl. 10677DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.678 57 pela empresa que incorpora as ações. Apesar de a operação de incorporação de ações ser distinta da operação de permuta, é inegável a similaridade entre ambas no que diz respeito à realização da renda e à apuração de ganho de capital, o que foi reconhecido pela decisão em comento, a qual consignou: "A incorporação tem como um de seus efeitos a transformação da sociedade incorporada em sua subsidiária integral e não a sua extinção, como ocorre com a incorporação tradicional da qual a incorporadora passa a ser a única acionista. Ato contínuo, a incorporadora emite ações em seu nome, para substituir aquelas que foram incorporadas, cujo valor pode ser idêntico, inferior ou superior ao valor de custo. Daí o caráter de permuta: o acionista entrega a sua participação societária, e recebe em troca novas ações, agora da empresa incorporadora0". Trocamse, portanto, títulos por outros títulos. O fato de as novas ações serem eventualmente superiores ao valor contabilizado (ou valor de custo), não permite dizer que houve acréscimo patrimonial, visto que não há qualquer disponibilidade efetiva de renda. Esta somente se verificará quando o contribuinte efetuar a alienação da participação societária, recebendo, em contrapartida, o preço. O ganho de capital, portanto, depende da realização da renda. Relevante salientar que este ganho verificado em razão da substituição dos títulos é meramente potencial. Como é cediço, o mercado de capitais é sazonal, de modo que o contribuinte pode sofrer a desvalorização de suas ações, nova valorização, e assim sucessivamente. Somente quando ocorrer a alienação efetiva da participação, com recebimento das quantias pela sociedade empresária, é que se poderá verificar a existência, ou não, de ganho de capital tributável. Desta forma, ainda que se possa aceitar a ocorrência de uma transferência de ações (dos acionistas da incorporada à incorporadora), não há recebimento de preço pelos títulos, mas sim de novas ações, cujo valor total, ainda que superior, poderá ser momentâneo, diante das variáveis acima mencionadas. Assim, inexiste qualquer ganho de capital tributável pelo imposto sobre a renda quando ocorre a denominada incorporação de ações. A situação descrita não se amolda ao critério material da norma tributária. Não há efetivo acréscimo patrimonial, mas mera possibilidade de acréscimo, a ser verificado quando da efetiva alienação destas ações. Por conseguinte, exigir o tributo da pessoa física, nestas situações, não só afronta o conceito constitucional de 'renda e proventos de qualquer natureza' porquanto tributase patrimônio e não renda como também viola o princípio da capacidade contributiva (artigo 145, §1°, da Lei Constitucional de 1988, vez que o contribuinte não manifesta qualquer riqueza passível de tributável) e da legalidade (artigo 150, I, do mesmo Diploma, vez que se exige exação sem respaldo em lei ou na própria Carta Magna)." (destaques das recorrentes) Do mesmo modo, o já referido Parecer PGFN/PGA n. 454/92, com endosso ministerial, embora no contexto do programa de privatização, tratou da conferência de bens móveis como se fosse permuta. Tudo que foi exposto acima se confirma pela norma contida no art. 65 da Lei n. 8383/91: Fl. 10678DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.679 58 "Art. 65 Terá o tratamento de permuta a entrega, pelo licitante vencedor, de títulos da dívida pública federal ou de outros créditos contra a União, como contrapartida à aquisição das ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização. Parágrafo 1° Na hipótese de adquirente pessoa física, deverá ser considerado como custo de aquisição das ações ou quotas da empresa privatizável o custo de aquisição dos direitos contra a União, corrigido monetariamente até a data da permuta. Parágrafo 2° Na hipótese de pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, o custo de aquisição será apurado na forma do parágrafo anterior. Parágrafo 3° No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas será igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues pelo adquirente na data da operação. Parágrafo 4° Quando se configurar, na aquisição, investimento relevante em coligada ou controlada, avaliável pelo valor do patrimônio líquido, a adquirente deverá registrar o valor da equivalência no patrimônio adquirido, em conta própria de investimentos, e o valor do ágio ou deságio na aquisição em subconta do mesmo investimento, que deverá ser computado na determinação do lucro real do mês de realização do investimento, a qualquer título." No "caput" do art. 65 está escondida a norma implícita que deriva do próprio campo de incidência e do princípio da capacidade contributiva, pela qual não pode incidir imposto de renda sobre permuta ou os efeitos patrimoniais por esta gerados. Como se vê, o "caput" do artigo parte do pressuposto de que permuta não é tributável, e diz textualmente que esse tratamento será aplicado à situação que a rigor não é de permuta, mas, sim, de entrega de títulos e outros créditos. Não obstante, em disposições expressas, a norma implícita acaba sendo trazida a todas as luzes nos parágrafos do artigo, os quais expõem além de qualquer dúvida a veracidade de tudo quanto foi dito anteriormente sobre a "intributabilidade" das permutas (sem torna, e a tributabilidade apenas da torna nestas hipóteses), termo que foi empregado com a exata conotação de não haver tributabilidade por se tratar de situação estranha ao fato gerador (ao campo de incidência) dos dois tributos sobre a renda. A propósito, lembrese que os parágrafos de um artigo são complementos ou exceções ao que dispõe o seu "caput". No caso do art. 65, os parágrafos complementam o "caput" para explicitar a norma nele contida. E mais, o art. 65 não deixa dúvidas quanto à abrangência do regime tributário que expõe, sejam as permutas feitas por pessoas físicas ou jurídicas, independentemente dos bens permutados. Fl. 10679DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.680 59 Assim, esse artigo vem se somar àquela norma que já estava no ordenamento, derivada do conjunto dos art. 20, 25 e 33 do Decretolei n. 1598/77, relativas à não tributação do deságio na aquisição de investimento sujeito ao método da equivalência patrimonial. A novidade do art. 65 foi dizer explicitamente que a regra geral da intributabilidade dos deságios oriundos de quaisquer formas de aquisição também se aplica especificamente às operações por ele reguladas, porque a estas foi dado o tratamento devido às permutas. Em outras palavras, a novidade legislativa introduzida pelo art. 65 foi confirmar expressamente que, se a aquisição se der por permuta, não há incidência sobre o ganho não realizado. Dessa forma, não há dúvidas que apenas a torna é tributável nas permutas! Vale ressaltar, ademais, que ao ignorar a conclusão acima, de que o ganho de capital na permuta se dá apenas em relação à torna, a fiscalização contrariou entendimento exarado no Parecer PGFN/PGA n. 454/92, o qual, tendo sido aprovado por despacho do Ministro da Fazenda datado de 8.5.1992, tornouse obrigatório para todos os órgãos desse ministério e seus funcionários, conforme prescreve a Lei Complementar n. 73, de 10.2.1993. Realmente, essa lei complementar integra a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional entre os órgãos da AdvocaciaGeral da União (art. 2o, inciso I, letra "b"), e reza: "Art. 13 A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional desempenha as atividades de consultoria e assessoramento jurídicos no âmbito do Ministério da Fazenda e seus órgãos autônomos e entes tutelados. Parágrafo único No desempenho das atividades de consultoria e assessoramento jurídicos, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional regese pela presente Lei Complementar. (...) Art. 42 Os pareceres das Consultorias Jurídicas, aprovados pelo Ministro de Estado, pelo SecretárioGeral e pelos titulares das demais Secretarias da Presidência da República ou pelo Chefe do EstadoMaior das Forças Armadas, obrigam, também, os respectivos órgãos autônomos e entidades vinculadas." Nem se pode supor que o art. 65 da Lei n. 8383/91 se aplique apenas dentro do programa de desestatização, porque, ao contrário disto, o art. 65 manda aplicar às operações desse programa o mesmo regime concernente às permutas. Resta comprovado, pois, que, se ganho de capital houvesse, este seria apenas o valor da torna recebida pela Nova Ponte, o que comprova mais um equívoco da fiscalização na quantificação da matéria fiscal, e, consequentemente, a nulidade do presente trabalho fiscal. Na hipótese de não ser reconhecida a nulidade ora levantada, é de rigor a retificação do lançamento, para ajustar a base de cálculo do referido ganho de capital. Por fim, caso seja reconhecido algum valor a ser tributado em decorrência da permuta em questão, devese então ao menos determinar a retificação do valor do ágio apurado pela Nova Ponte, eis que, conforma exposto, a empresa deduziu o valor da torna recebida do montante registrado com ágio na apuração. Fl. 10680DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.681 60 Débito no valor de R$ 6.476.065,49, em 24.3.2010. A respeito do débito de R$ 6.476.065,49, de 24.3.2010, as recorrentes informaram à fiscalização que se tratava de pagamento efetuado em razão da prestação de serviço de assessoria pelo Banco de Investimento Credit Suisse S.A., a qual também estava relacionada com as aquisições em questão. Em complemento à informação acima, apresentou cópia do contrato firmado entre a Bunge Limited, a Bunge Alimentos S.A. e o Banco de Investimento Credit Suisse S.A. (fis. 4924 a 4934), cujo objeto reside basicamente na análise, avaliação, estruturação e negociação de operação de aquisição ou compra da integralidade ou de parte dos ativos ou do capital social das empresas mencionadas no referido instrumento, dentre elas a Usina Moema Participações S.A. No mesmo momento, também acostou ao procedimento fiscal o documento de cobrança n. 970853 (fl. 4935), emitido pelo Banco de Investimento Credit Suisse S.A. ("Credit Suisse"), em 11.3.2010, em face da Nova Ponte, requerendo o pagamento do "transaction fee" relacionado ao aludido contrato, no valor total de USD 3.635.583,84. Ao analisar os referidos documentos, a fiscalização aduziu que o contrato não estava acompanhado da respectiva tradução juramentada, assim como que a Nova Ponte não constava como parte da relação contratual, o que ensejaria o enquadramento do débito como despesa de terceiros. A fiscalização também afirmou que não localizou no Livro de Aquisição da Moema Participações S.A. evidências da efetiva prestação dos serviços em destaque, motivo pelo qual reputou o aludido pagamento e as retenções a ele relacionadas como sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, lançando o IRF supostamente devido. Somese, ainda, que além de exigir o IRF sobre o aludido pagamento e suas retenções, também reputou como indedutível a referida despesa, por considerála como despesa de terceiros, adicionandoa na apuração do resultado tributável para efeitos de IRPJ e CSL. Todavia, considerando que o aludido débito encontra respaldo no contrato supramencionado, as conclusões fiscais também merecem ser reformadas, tanto no que diz respeito à exigência do IRF, como no que concerne às exigências de IRPJ e CSL. No referido contrato, conforme se observa pela tradução juramentada ora anexada (doc. 12), fora convencionada a prestação de consultoria financeira pelo Credit Suisse à Bunge Limited e à BAL. O aludido instrumento tem como plano de fundo a "Transação" envolvendo a Usina Moema Participações S.A.; Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda.; Frutal Açúcar e Álcool S.A.; Usina Guariroba Ltda.; Usina Itapagipe Açúcar e Álcool Ltda.; Usina Ouroeste Açúcar e Álcool Ltda.; Usina Vertente Ltda.; e suas afiliadas ("alvos"). A "Transação" a que se refere o contrato "deverá incluir, entre outras, qualquer aquisição ou compra (seja em uma ou em uma série de transações) da integralidade ou parte dos ativos ou do capital social dos Alvos, qualquer fusão, associação, joint venture, parceria, aquisição ou outra combinação de negócios dos Alvos, ou qualquer recapitalização, reestruturação ou liquidação dos Alvos ou qualquer outra forma de transação que resulta na Fl. 10681DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.682 61 aquisição efetiva, transferência ou outra compra efetiva de ativos, ações, capital social, propriedade, negócios e/ou operações principais dos Alvos". Neste contexto, conforme "Seção 1. Serviços" do contrato, os serviços do Credit Suisse em relação à "Transação" serão de assistência na (i) análise e avaliação dos negócios, operações e posição financeira dos "alvos"; (ii) desenvolvimento de uma estratégia para efetuar a "Transação"; e (iii) estruturação e negociação da "Transação". Como uma das formas de remuneração pelos serviços prestados, conforme "Seção 3. Compensação" e o "Anexo A" do aludido instrumento, a BAL comprometeuse a pagar ao Credit Suisse, na Data de Fechamento, uma taxa base igual ao equivalente em reais a US$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil dólares americanos). Também restou acordado na "Seção 4. Despesas; Pagamentos" que, além da remuneração segundo as disposições acima, a BAL também reembolsaria o Credit Suisse ou qualquer uma de suas afiliadas a respeito das despesas, inclusive as taxas e despesas de seu conselho jurídico externo, resultantes ou oriundas da contratação ou dos serviços prestados, bem como quaisquer outras contratações assumidas pelo Credit Suisse a pedido das contratantes. Vale registrar que, segundo a mesma "Seção 4. Despesas; Pagamentos", a BAL não deveria ser obrigada a reembolsar o Credit Suisse por despesas agregadas que ultrapassassem US$ 25.000,00 (vinte e cinco mil dólares), exceto honorários advocatícios e despesas dispostas acima, incorridas sem o consentimento por escrito da BAL. Todavia, em 2.2.2010, o referido contrato foi aditado pelas partes para, dentre outros, consignar que: "2. De acordo com o nosso entendimento recente, as partes da Carta de Contratação concordam em alterar a Carta de Contratação para ter a Agroindustrial Nova Ponte Ltda. ("Nova Ponte") como parte contratante dos serviços fornecidos pela Credit Suisse Na Carta de Contratação e, assim sendo, incluir a Nova Ponte na definição de "Empresas". Desse modo, todos os direitos, reparos e obrigações das Empresas estabelecidas na Carta de Contratação deverão ser totalmente aplicáveis à Nova Ponte. 3. Além disso, as partes da Carta de Contratação e a Nova Ponte ("Partes") concordam que a Nova Ponte será em conjunto e individualmente responsável em conjunto com a Bunge Alimentos S.A. por todos os pagamentos, reembolsos e outras obrigações estabelecidas nas Seções 2, 3, 4. 9 e Anexo A da Carta de Contratação" (g.n.). Assim, conforme aditamento anexo e sua respectiva tradução juramentada (doc. 13), a Nova Ponte tornouse parte da relação contratual, assumindo a responsabilidade individualmente e em conjunto por todos os pagamentos, reembolsos e outras obrigações estabelecidas no referido instrumento. Pois bem. À luz destas considerações, dos documentos e traduções ora apresentados, é imperioso reconhecer que o pagamento em discussão no presente tópico está abarcado pela obrigação convencionada no dito contrato de assessoria financeira. Fl. 10682DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.683 62 Conforme "Documento de Cobrança" e memória de cálculo em anexo (doc. 14), o valor de R$ 6.476.065,49 se refere ao montante objeto da "Seção 3. Compensação", cumulado com o item "i" do "Anexo A" do contrato, isto é, a taxa base igual ao equivalente em reais a US$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil dólares americanos). Confirase o quadro a seguir: Portanto, à luz do contrato firmado, de seu respectivo termo aditivo e do documento de cobrança emitido pelo Credit Suisse em face da Nova Ponte, resta comprovada a natureza jurídica do pagamento, a título de assessoramento financeiro, devendo ser afastada a aplicação do art. 674 do RIR/99 e a respectiva exigência de IRF. Isso porque, conforme exaustivamente demonstrado, o art. 674 do RIR/99, em razão da presunção a ele inerente, também não deve ser aplicado caso o contribuinte comprove a natureza dos pagamentos. É exatamente o que se observa no presente caso, conforme documentação ora anexada. Acresçase, ainda que, além de reputar o aludido montante como pagamento sem causa, a fiscalização considerou as retenções a ele relacionadas também como desprovidas de causa, pois compunham o preço da prestação do serviço. Daí novamente a constatação de que a fiscalização deturpou a aplicação do art. 674 do RIR/99, que somente deve ser aplicado em situações extremas e nas hipóteses de pagamento sem causa e ausência de identificação do beneficiário. Note que, além de demonstrar a causa do pagamento, conforme documentos e arguições acima, a própria autoridade fiscal (fl. 5118) reconhece que os valores retidos de R$ 320.870,59 e R$ 103.506,64 são tributos recolhidos pela Nova Ponte e estão em conformidade com os sistemas da Receita Federal (fls. 4894 e 4895). Confirase: "Os valores retidos (R$ 320.870,59 de contribuições e R$ 103.506,64 de imposto de renda) foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2130010035 PIS RE S CTR'S PRÓPRIO PJ (fls. 4936 e 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/SERVIÇOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita federal (fls. 4894 e 4895), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa", (g.n.) Ora, não é razoável aplicar uma medida extremada como aquela preconizada no art. 674 , quando a própria fiscalização registra que os montantes questionados Fl. 10683DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.684 63 se referem a tributos recolhidos à Receita Federal do Brasil, em decorrência do pagamento realizado em favor do Credit Suisse. Portanto, também por todos os motivos acima, requerem o cancelamentos também das exigências de IRF sobre os montantes que reconhecidamente se referem a tributos retidos e recolhidos em favor da Administração Tributária. Paralelamente, considerando os documentos supramencionados, especialmente o termo aditivo que incluiu a Nova Ponte na relação contratual e sua responsabilidade pelo pagamento dos valores objeto do contrato, não resta a menor dúvida de que tal montante não configura despesa de terceiros, mas de despesa própria da Nova Ponte. Logo, tratandose de despesa própria e necessária ao desenvolvimento de suas atividades e das operações por praticadas, inclusive preconizadas em instrumento contratual, não resta a menor dúvida de que as exigências de IRPJ e CSL devem ser afastadas, nos termos do art. 299 do RIR/99, com o consequente cancelamento das exigências fiscais. Ora, no caso presente, a necessidade do pagamento feito ao Credit Suisse decorre principalmente da (i) ausência de liberalidade da Nova Ponte, pois era obrigatório de acordo com o disposto e acordado no contrato firmado em 28.12.2009 e aditado em 2.2.2010; e da (ii) essencialidade do serviço prestado em razão da importância da operação analisada para o desenvolvimento e aprimoramento das atividades por ela desenvolvidas. Assim, vêse que a despesa incorrida pela Nova Ponte não era de terceiros, tampouco era desprovida de causa e nem tampouco foi incorrida por mera liberalidade. Tratavase, isto sim, de valor previsto contratualmente, necessário às transações relacionadas à atividade da Nova Ponte. Portanto, mister se faz o cancelamento da glosa referente ao IRPJ e CSL sobre os pagamentos em questão. Adição não computada na apuração do lucro real no valor de R$ 2.829.406,33 Nas páginas 47 e 48 do TVF (fls. 5128 e 5129 do processo administrativo), a fiscalização efetuou a adição de ofício relativa ao valor de R$ 2.829.406,33, o qual supostamente teria afetado a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL no ano calendário de 2010, de forma indevida. Conforme se verifica do TVF, a fiscalização apurou lançamento de provisão para realização de ágio efetuado em 31.12.2010, no montante de R$ 8.321.783,32, que foi lançado a crédito na conta de despesa n. 3701010123 (diminuindo, portanto, as despesas do período, e, consequentemente, aumentando o lucro real e a base de cálculo da CSL), e, posteriormente, foi feita uma exclusão no LALUR no mesmo montante, de modo a neutralizar o efeito do lançamento efetuado. No mesmo período, também foi feito um lançamento no valor de R$ 2.829.406,33 na conta n. 8102010205, correspondente ao IRPJ e à CSL diferidos sobre a referida provisão para utilização do ágio em questão10. A contrapartida do referido lançamento se deu na conta do passivo n. 2301010007. Fl. 10684DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.685 64 A fiscalização, diante deste segundo lançamento, efetuado na conta n. 8102010205, entendeu que o mesmo afetou o resultado tributável, diminuindoo, sem haver outro lançamento que tenha neutralizado seus efeitos, nos moldes do que ocorreu com o valor de R$ 8.321.783,32, lançado a crédito em conta de despesa e, posteriormente, excluído no LALUR. O raciocínio da fiscalização, no entanto, está totalmente equivocado, eis que o lançamento no valor de R$ 2.829.406,33 efetuado na conta n. 8102010205 não afetou o resultado. Conforme comprova a tela do sistema SAP da Nova Ponte (doc 21), o resultado tributável apurado no período, de R$ 192.894.007,22, não foi afetado pelo lançamento efetuado na conta n. 8102010205, destacada pela fiscalização, de forma que a adição efetuada é descabida, sendo este resultado o mesmo informado na Ficha 6A da DIPJ 2011, ano calendário 2010 (doc 22) Nesse sentido, as telas do sistema SAP das contas n. 8101010101, 8101010102, 8101010103 e 8102010205 (doc. 23), analisadas em conjunto à tela do sistema SAP da Nova Ponte (doc 21), demonstram que o total do saldo de contas do diferido não afetou o resultado tributável da empresa. Vale ressaltar que o referido resultado é o mesmo informado na Ficha 6A da DIPJ 2011 (anocalendário 2010) da empresa (doc. 22). Em outras palavras, o raciocínio da fiscalização realmente estaria correto se a conta n. 8102010205 afetasse o resultado tributável da empresa, o que, porém, não ocorreu. A Ficha 6A, linhas 70 e 72, da DIPJ 2011 (anocalendário 2010) da empresa (doc. 22), demonstra os lançamentos do diferido que não afetaram o resultado tributável, nos montantes de R$ 590.356,43 (CSL) e R$ 1.639.878,96 (IRPJ), os quais totalizam R$ 2.230.235,39, relativo justamente ao saldo das contas n. 8101010101, 8101010102, 8101010103 e 8102010205 (doc. 23) acima, o que se verifica abaixo: Consequentemente, restando comprovado que o lançamento no valor de R$ 2.829.406,33 efetuado na conta n. 8102010205 não afetou o resultado tributável da Nova Ponte no anocalendário de 2010, é de rigor o cancelamento da autuação neste ponto. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO COMPROVADOS Fato Gerador Valor Apurado Durante a fiscalização as recorrentes apresentaram dois comprovantes de pagamentos da NOVA PONTE (fls. 4896 e 4972) , sendo o primeiro deles no valor de R$ 1.512.318,06 , em 24.03.201, em favor da Bain Brasil Ltda (CNPJ nº 02.194.588/000197), e o segundo no montante de R$ 726.430,42, em 15.4.2010, contudo , sem indicação do beneficiário, embora se trate, como se verá, de pagamento à Bain Brasil Ltda. Em complemento a tais comprovantes e como meio de justificar a origem de tais pagamentos, as recorrentes acostam aos presentes autos o “Contrato de prestação de Serviços”, firmado entre a NOVA PONTE e a Bain Brasil Ltda, cujo objeto reside na prestação de serviços de implementação de projeto de integração, na forma como detalha seus anexos Fl. 10685DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.686 65 (doc. 18). A integração em questão referese justamente às usinas recém adquiridas pelo Grupo Bunge, o que por si só revela que as despesas estão inseridas em todo o contexto da operação em questão nestes autos. A remuneração da contratada Bain Brasil Ltda, dispõe na cláusula 3.1 que os honorários são de US$ 350.000,00 por mês, pelo período de três meses mais 9% sobre este valor a título de despesas de projeto e ISS, PIS e Cofins, calculados em 14,25% sobre a receita total da fatura, devendo os valores serem transformados em reais ao câmbio estimado da data da emissão da fatura, e eventual diferença ajustada na fatura do mês seguinte. À luz dos serviços e da forma de remuneração previstos em contrato, a NOVA PONTE efetuou os recolhimentos supramencionados e, no presente momento, as recorrentes anexam as notas fiscais n. 1552, de 4.3.2010 e n. 1569, de 1.4.2010, bem como os respectivos demonstrativos de cálculos. A Nota Fiscal n. 1552, emitida pela Bain Brasil Ltda. (prestador) para a NOVA PONTE (tomador) contempla o valor global de R$ 1.611.420,41, sendo R$ 1.267.700,00 a título de honorários; R$ 114.093,00, pelas despesas para pesquisas, produção de relatórios, telecomunicações, microcomputação, database, secretariado (9% dos honorários); e R$ 229.627,41, em razão da tributação incidente (doc. 19). A Nota Fiscal n. 1569, emitida pela Bain Brasil Ltda. (prestador) para a NOVA PONTE (tomador) contempla o valor global de R$ 774.033,47, sendo R$ 623.350,00 a título de honorários; R$ 56.101,50 pelas despesas para pesquisas, produção de relatórios, telecomunicações, microcomputação, databases, secretariado (9% dos honorários); R$ 110.299,77, em razão da tributação incidente; e uma redução de R$ 15.717,80 em decorrência dos ajustes cambiais dos honorários e despesas da fatura n. 1552, conforme previsão contratual e demonstrativo em anexo (doc. 20). Assim, tendo em vista a existência (i) do contrato de prestação de serviços firmado entre a NOVA PONTE e Bain Brasil Ltda.; (ii) dos comprovantes de pagamento apresentados à fiscalização; (iii) dos registros contábeis também apresentados durante o procedimento fiscal; e (iv) das notas fiscais n. 1552 e 1569 e seus respectivos demonstrativos de cálculo, resta plenamente afastada a alegação de beneficiário não identificado e pagamento sem causa, devendo ser refutada a tributação pelo IRF, nos contornos do entendimento jurisprudencial a respeito da matéria. Acresçase, ainda, que, além de reputar os aludidos montantes como pagamentos sem causa, a fiscalização considerou as retenções na fonte e pagamento de tributos a eles relacionados também como desprovidos de causa, pois compunham o preço da prestação do serviço, não fazendo qualquer sentido alegar que pagamento de tributos é sem causa, fato que desautoriza por completo o lançamento com base nbo artigo 674 do RIR99, que somente deve ser palicado em situações extremas e nas hipóteses de pagamentos sem causa e ausência de identificação do beneficiário. Paralelamente, considerando a falta de comprovação das despesas, das causas da operação e da efetiva prestação dos serviços, a fiscalização também considerou como indedutíveis na apuração do resultando, para fins de composição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores globais relacionados aos débitos em questão (R$ 1.611.420,41 e R$ 774.033,47). As aludidas despesas são necessárias, à luz do art. 299 do RIR/99, eis que relacionadas com a implementação do novo negócio adquirido pelo Grupo Bunge. Fl. 10686DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.687 66 É o que se observa do contrato firmado com a Bain Brasil Ltda. para a implementação de projeto de integração, bem como pelas notas fiscais emitidas a tal título e os registros contábeis realizados. Débitos no valor de R$ 365.525,16 e R$ 338.808,49. A recorrentes se insurgem contra esta parte da autuação com os seguintes argumentos (item 4.9 da impugnação): A respeito do aludido débito, as recorrentes esclareceram durante o procedimento fiscal que se trata de pagamentos efetuados à Bunge Alimentos S.A. pela Nova Ponte, conforme notas fiscais 008 e 020, comprovante de crédito em conta bancária e a respectiva baixa da obrigação nos registros contábeis. Todavia, considerando que as recorrentes não localizaram o contrato da referida operação, a fiscalização aduziu que não foi possível identificar a natureza do serviço para descrição contida nas notas fiscais, aplicouse sobre o valor do débito, acrescido das retenções a eles inerentes comprovadamente constantes nos sistemas da Receita Federal, as disposições do art. 674 do RIR/99 para exigir o IRF sob a alíquota de 35%. De igual modo, considerando a ausência de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, a fiscalização entendeu que a despesa no valor total de R$ 704.335,00 (pagamentos e tributos retidos) seria indedutível na apuração do IRPJ e da CSL e, consequentemente, lançou de ofício também destes tributos. Contudo, o entendimento fiscal não merece prosperar, na medida em que os aludidos pagamentos referemse ao adimplemento de custos administrativos inseridos no âmbito de um contrato de rateio ("cost sharing") firmado entre a Nova Ponte e outras empresas do grupo econômico a que pertence, tal como a Bunge Alimentos S.A. Como se sabe, os contratos de compartilhamento de custos e despesas ("cost sharing") são contratos celebrados entre empresas para alocar e partilhar despesas decorrentes de determinadas atividades ou departamentos, cujo desempenho trará benefícios para todos os sujeitos participantes do convênio. Visam, em última análise, à racionalização e à redução dos gastos com estas atividades, as quais são voltadas para objetivos coincidentes, e para a maximização de eficiência em atividades comuns. Embora o contrato de compartilhamento de custos e despesas não seja previsto de maneira nominada, típica, pelo ordenamento jurídico brasileiro, tal circunstância não lhe retira a validade, já que se insere nos limites da liberdade de contratar, tal como delineada pelo art. 425 do Código Civil, segundo o qual "é lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código", sempre levando em conta o disposto no art. 421 do mesmo diploma, o qual dispõe que "a liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato". Nesse mesmo contexto é que se encontra a desnecessidade de formalização do contrato, bastante a regra geral aplicável a todos os negócios jurídicos no Direito Brasileiro, conforme o art. 107 do Código Civil: "Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir." Fl. 10687DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.688 67 Mesmo não sendo um contrato tipificado no Direito brasileiro, por seu um contrato comumente utilizado em grandes grupos, há manifestações das autoridades que esclarecem as suas características. A Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação (COSIT), órgão da Receita Federal do Brasil (RFB), n. 8, de 1.11.2012, dentre outras, reconhece a validade desse tipo de contrato, sendo desnecessário tecer outras considerações a respeito. É exatamente nesse contexto que se apresentam as despesas administrativas incorridas pela Nova Ponte no escopo de um contrato de rateio. As despesas de caráter administrativo pactuadas via contrato de rateio, tal como aquelas discutidas no presente tópico, são essenciais ao funcionamento das engrenagens da atividade desenvolvida pela Nova Ponte e devem ser reputadas como despesas operacionais passíveis de dedução, nos termos do art. 299 do RIR/99. Ora, mediante a apresentação do comprovante de crédito bancário e as notas fiscais emitidas, e, em face da natureza da operação relacionada, não deve prosperar o entendimento fiscal no sentido de que tais despesas não foram comprovadas e, portanto, não sejam dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, não restam dúvidas a respeito da efetividade e natureza das despesas incorridas, devendo ser reformado o aludido entendimento fiscal, com o consequente cancelamento dos lançamentos formalizados e o reestabelecimento das deduções efetuadas. Paralelamente, a respeito do lançamento do IRF sobre os mesmos valores, também pode se verificar a presença dos dois pressupostos que ensejam o afastamento do art. 674 do RIR/99, a saber: A essência dos pagamentos realizados encontra guarida em um contrato de rateio de despesas administrativas, firmado pela Nova Ponte e as demais empresas do grupo econômico a que pertence, evidenciando a natureza da relação jurídica firmada e, portanto, a causa da operação questionada; e os valores desembolsados em favor da Bunge Alimentos S.A., conforme notas fiscais n. 008 e 020, além de demonstrarem o sujeito beneficiário dos pagamentos, também confirmam a efetividade das despesas incorridas. Desta feita, considerando tudo o que foi exposto e comprovado, assim como à luz das arguições oportunamente realizadas nesta defesa a respeito da interpretação do art. 674 do RIR/99, inclusive a jurisprudência administrativa a respeito do tema, que notadamente reconhece a inaplicabilidade do referido dispositivo quando restar comprovada a causa e o beneficiário dos pagamentos, mister se faz o cancelamento da exigência de IRF sobre o pagamento de R$ 661.018,08. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Uma vez encerrado o período de apuração, não há mais que se falar em imposição de multa isolada, porque o que estará sendo exigido não é mais a estimativa mensal, e sim a diferença a menor do montante de IRPJ e CSL devidos referentes a todo o período de apuração, em decorrência das infrações que teriam reduzido a totalidade de tributo devida, fato esse que será apenado com a imposição da multa de ofício de 75%. O pagamento desses tributos se dá em duas diferentes etapas, a primeira em caráter provisório e antecipatório e a segunda, quando se dá a apuração e ajuste final, de caráter Fl. 10688DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.689 68 definitivo. Resta cristalino, portanto, que o não pagamento de tributo é uma única conduta e não duas, como entendeu a d. fiscalização. O fato de o pagamento ser feito em etapas (primeiro antecipado, depois definitivo, no encerramento do período) não muda sua característica unitária. Verificase facilmente, portanto, que a imposição da multa isolada concomitantemente à multa de ofício implica dupla penalização pela mesma infração, que é o recolhimento a menor do IRPJ e CSL devidos nos períodos mencionados. [Cita e transcreve jurisprudência administrativa e doutrina, princípio da consunção (absorção) e decisão do STJ]. Menciona também que a dupla penalização sobre o mesmo fato também resta evidenciada no presente caso, quando, após todas as considerações acima, se verifica que a mesma glosa deu origem ao IRF de 35%, à glosa de despesas na base de cálculo do IRPJ e CSL, e a exigência de multa isolada sobre estimativas. A prevalecerem tais multas, nem o termo bis in idem seria apropriado ao caso, eis que a penalização é quádrupla, o que não faz qualquer sentido em um Estado Democrático de Direito. AUTUAÇÃO DA CSLL As recorrentes destacam também que, em relação aos lançamentos da CSL mencionados nos itens acima, com muito mais razão se impõe o seu cancelamento, uma vez que, segundo entendimento estratificado na jurisprudência do antigo 1o Conselho de Contribuintes, o fundamento legal do art. 299 do RIR/99, no qual está baseada a presente autuação, qual seja, o art. 47 da Lei n. 4506, restringese apenas ao imposto de renda, não se aplicando à contribuição em foco. Com efeito, no momento em que essa lei foi promulgada, a CSL não existia em nosso ordenamento jurídico, o que somente veio a ocorrer em 1988, com o advento da Lei n. 7689, de 15.12.1988. Outrossim, o dispositivo legal em questão é expresso ao determinar que as suas regras se aplicam apenas para fins de imposto de renda, conforme se vê em sua redação: "Art 2° Não são dedutíveis, para os efeitos do imposto de renda da pessoa jurídica, as importâncias que forem declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante do pagamento não individualizar o beneficiário do rendimento." (g.n.) As regras legais, que regulam a incidência do IRPJ, a princípio, não são autoaplicáveis na determinação da base de cálculo da CSL, como quer fazer crer o v. acórdão recorrido. Analisando a sistemática das leis que tratam desses dois tributos, verificase que as regras direcionadas ao lucro real são distintas das dirigidas ao lucro líquido, sendo que, quando o legislador pretendeu conferir o mesmo tratamento perante esses tributos, ele o fez expressamente. Fl. 10689DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.690 69 Logo, estando o auto de infração ora combatido lastreado em restrição à dedutibilidade de despesas não aplicáveis à CSL, forçoso concluirse pelo caráter indevido da glosa fiscal. Sobre o assunto ora em debate, firmouse na jurisprudência administrativa o entendimento de que, quando determinado dispositivo legal faz menção apenas às regras referentes ao IRPJ, como ocorre com o art. 47 da Lei n. 4506, base legal do art. 299 do RIR/99, esse comando normativo não se aplica à CSL, em face da ausência de norma legal que estenda a sua hipótese a essa contribuição, conforme se verifica pela ementa do acórdão n. 10194825, de 27.1.2005, "in verbis": "IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA E OUTRO AC. 1995. CSLL DESPESAS DESNECESSÁRIAS ADIÇÃO A BASE DE CÁLCULO IMPROCEDÊNCIA A base de cálculo da CSLL é o resultado do período, apurado na forma da legislação comercial, ajustado na forma da legislação específica (artigo 2o da Lei n. 7689/1988). As despesas desnecessárias são indedutíveis para o IRPJ, não o sendo para a CSLL por falta de expressa previsão legal, desde que comprovadas por documentos hábeis e idôneos." Outro não foi o motivo que levou a 7a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes a afastar o lançamento da CSL sobre despesas efetivamente incorridas pela pessoa jurídica, muito embora o tenha mantido com relação ao IRPJ em virtude de que, a despeito de ter sido comprovada a sua realização, não foi por ela comprovado que os dispêndios eram necessários à sua atividade. Confirase a ementa do acórdão n. 10707765, de 15.9.2004: "CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS Compete ao contribuinte comprovar a necessidade dos serviços prestados com documentos hábeis e idôneos, justificandose a glosa em relação à parcela apropriada contabilmente a esse título que não preencha esse requisito. (...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO A glosa de despesas comprovadamente realizadas não afetam o lucro líquido e, assim, descabe o lançamento dessa contribuição." A 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais também já se posicionou nesse sentido, concluindo que "o Artigo 47 da Lei 4.506/64 dispõe apenas sobre as despesas operacionais relacionadas ao IRPJ', e não à CSL, o que fez no acórdão n. 9101001510, de 20.11.2012, cuja ementa é a seguinte: "APURAÇÃO BASE DE CÁLCULO DA CSLL. As despesas consideradas indedutíveis para apuração de Imposto de Renda não devem, necessariamente, ser consideradas para apuração da Base de Cálculo da CSLL. Não existe na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre lucro de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do lucro real". Fl. 10690DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.691 70 Destarte, segundo a jurisprudência, não sendo determinado dispositivo aplicável na determinação da base de cálculo da CSL, devese aceitar a dedução de todos os dispêndios incorridos pelas pessoas jurídicas para os quais não haja norma específica na legislação que trata da contribuição, restringindo a sua dedutibilidade. Ademais, a jurisprudência tem entendido que o art. 57 da Lei n. 8981, de 20.1.1995, ao estender, à CSL, as regras de apuração e pagamento do IRPJ, não tratou da base de cálculo daquela contribuição, tanto que diversas leis posteriores, quando pretenderam tratar de ambos os tributos, assim o fizeram expressamente, como é o caso, por exemplo, do art. 13 da Lei n. 9249, de 26.12.1995 (exemplificadamente, vide acórdão n. 1201000789, de 10.4.2013). Esse posicionamento, inclusive, foi objeto de manifestação expressa do fisco, conforme se depreende do conteúdo da Solução de Consulta COSIT n. 198, de 9.7.2014. Em caráter meramente exemplificativo, ao enfrentar o art. 57 da Lei n. 8981/95, a autoridade responsável pela unificação do entendimento fiscal claramente afirma que: "Como se vê, a norma, apesar de unificar a forma de apuração e pagamento de ambos os tributos preserva, no entanto, aspectos particulares de cada um, uma vez que observa que devem ser mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor", (g.n.) Portanto, sem prejuízo das alegações anteriormente formuladas, à luz do entendimento sedimentado na jurisprudência deste E. CARF e do próprio fisco, mister se faz o reconhecimento da improcedência da acusação fiscal no que toca à CSLL, devendo ser cancelada a exigência fiscal. OBS: Quanto à multa isolada sobre base estimada da CSLL as argumentações das autuadas são as mesmas direcionadas para o IRPJ. DA AUTUAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Assim se manifestam as autuadas com relação à autuação em tela: O art. 674 do RIR/99, que regulamenta o art. 61 da Lei n. 8981, de 20.1.1995, deve ser entendido como uma prerrogativa do fisco, a ser utilizada em situações extremas, em que não existe qualquer elemento para a identificar o beneficiário dos pagamentos ou sua causa, tal como ocorre com o lucro arbitrado, não podendo ser utilizado pelo fiscal em casos de mera divergência de interpretação quanto aos fatos. É precisamente essa a interpretação do próprio fisco acerca da aplicabilidade do art. 674 do RIR/99, conforme se infere do seguinte trecho da Solução de Consulta Interna n. 11, de 8.5.2013, da COSIT, na qual foi dito que o referido dispositivo só tem aplicação em situações extremas de incerteza, nas quais não se sabe quem é o beneficiário do pagamento ou sua causa, dificultando e trazendo incertezas sobre o fato passível de tributação: "O caput do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Tal norma se justifica uma vez que. em razão do anonimato do beneficiário, o Fisco se vê impedido de alcançar de forma direta o beneficiário do Fl. 10691DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.692 71 rendimento. Igualmente, o seu § 1° aplica a mesma tributação quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Neste caso, embora se conheça o beneficiário do rendimento, persiste a dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento. Sem a certeza sobre o fato ocorrido, não há segurança para a aplicação da norma geral de tributação. Portanto, o referido artigo traz uma regra de tributação que supre a insegurança sobre o fato passível de tributação". Como se nota, inclusive a partir de orientação da Receita Federal do Brasil, a interpretação sistemática do caput do art. 674, em consonância com o que está disposto no seu parágrafo 1o, revela que tais dispositivos aplicamse em "situações limite", isto é, quando o fisco não tem elementos para identificar o destinatário dos pagamentos e/ou seu motivo. De fato, a tributação na fonte, de que cogita a norma legal em questão, é reservada para as situações extremas em que o fisco se vê de mãos atadas em relação ao tratamento a ser dado ao pagamento efetuado. Tratase de uma prerrogativa do fisco, reservada a situações excepcionais, em que a falta de informações e documentos não lhe permite compreender os fatos ocorridos a fim de se atribuir os respectivos efeitos tributários na órbita do imposto sobre a renda, justamente como ocorre com o lucro arbitrado. Por outro lado, meras divergências de interpretação quanto aos documentos devidamente apresentados pelo contribuinte ao fisco, ou meras diferenças de valores e outros detalhes, em situações nas quais está clara a origem e o destino dos pagamentos, é descabida a aplicação do art. 674. Tais divergências poderiam justificar eventuais glosas de custos ou despesas, ou a tributação dos rendimentos eventualmente omitidos pelos beneficiários, mas não tributação à alíquota de 35% exclusiva na fonte sobre base reajustada. Divergência no valor de R$ 329.229,79, em 5.2.2010. Ao verificar os valores pagos a título de torna pela Nova Ponte, a fiscalização identificou uma diferença entre o valor da torna devida, de R$ 23.106.287,93 e o montante efetivamente pago, de R$ 23.435.517,72, apontando uma divergência de R$ 329.229,79, em 5.2.2010. Após compulsar os documentos e esclarecimentos apresentados pelas recorrentes no curso do procedimento fiscal, a fiscalização reputou tal pagamento como sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, exigindo sobre ele o IRF sob a alíquota de 35%. Ocorre que o entendimento fiscal não merece prosperar, na medida em que se encontra completamente desprovido de fundamento no aludido art. 674 do RIR/99, conforme exaustivamente demonstrado nesta defesa. O art. 674 do RIR/99 deve ser aplicado em "situações limite" (extremas), na hipótese em que não for identificado o beneficiário do pagamento ou no caso em que a natureza da operação não for passível de identificação e comprovação. No presente caso, não há que se falar no enquadramento da aludida divergência em quaisquer das hipóteses legais, de modo a permitir a aplicação do referido dispositivo. Isso porque: Fl. 10692DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.693 72 (i) conforme aduzido pela própria fiscalização, os pagamentos foram realizados e nominados individualmente aos Srs. José Eduardo Diniz Junqueira, Maria Diniz Junqueira, Maurílio Biagi Filho, Mauro Diniz Junqueira, Ricardo Brito Santos Pereira e Ronaldo Diniz Junqueira (fl.5103); e (ii) como bem observa a d. fiscalização, a aludida divergência é parte dovalor total pago aos sujeitos acima mencionados, a título de torna da operação desenhada no Contrato de Investimento que consubstancia parte das exigências questionadas nestes autos (fl. 5103). Não se discute, portanto, que Nova Ponte realizou os pagamentos aos antigos acionistas da Usina Moema Participações S.A., assim como também não se discute que os pagamentos são contemporâneos ao contrato de investimentos. A controvérsia se deve apenas à divergência de valores. É necessário, como já exposto, haver parcimônia na aplicação do dispositivo. Nesse contexto, colocase a seguinte questão: qual outra causa haveria para um pagamento feito pela Nova Ponte aos antigos titulares da Usina Moema Participações S.A., ao tempo do Contrato de Investimento, que não o próprio Contrato de Investimento? Meras divergências de valores não podem justificar a exigência fiscal do IRF. A fiscalização evidentemente extrapolou os contornos do art. 674 do RIR/99 e desconsiderou o conjunto probatório apresentado pelas recorrentes, apenas para viabilizar o exercício do lançamento, o que é improcedente. Ademais, caso a fiscalização não tivesse se contentado com as explicações das recorrentes, poderia ter reputado tal dispêndio como custo ou despesa como indedutível para efeitos de apuração do IRPJ e da CSL e poderia ter fiscalizado as pessoas físicas que receberam as quantias em questão, tributando eventuais rendimentos omitidos, mas em hipótese alguma reputála como pagamento sem causa, tendo em vista a evidente conexão do pagamento realizado com a operação formalizada no Contrato de Investimento anteriormente citado. Por essa razão e reportandose a tudo o que foi exposto a respeito do art. 674 do RIR/99, requerem o cancelamento da aludida exigência, dada a ausência de pressupostos que permitam a aplicação do referido dispositivo ao caso concreto. Débito no valor de R$ 215.802,87, em 23.2.2010. Por sua vez, a respeito da natureza do pagamento no valor de R$ 215.802,87, de 23.2.2010, as recorrentes esclareceram tratarse de serviços advocatícios relativos à aquisição da Usina Moema Participações S.A. e acostaram duas invoices da Reed Smith, bill numberu. 1958806 e n. 1949200 (fls. 2208 e 2209 doo 15), bem como a mensagem Swift MT103, no valor de USD 118.781,85 (fl. 2210), confirmando o pagamento das invoices (doc 16). Em complemento, as recorrentes também apresentaram o contrato de câmbio de venda n. 10/023875 (fls. 2211 a 2213), no valor de R$ 215.802,87, em 23.2.2010, firmado entre a Nova Ponte e o Banco Bradesco S.A., que efetivou a remessa dos valores objeto das aludidas invoices (doo 17). Fl. 10693DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.694 73 No entanto, mesmo em posse de tais documentos, a fiscalização afirmou que o pagamento seria desprovido de causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, pois (i) não foi apresentado o contrato de prestação de serviços; e (ii) as invoices foram emitidas em nome da Bunge Alimentos S.A. Acresçase, ainda, que a fiscalização também reputou como sem causa as despesas com os tributos incidentes na operação e suportados pela Nova Ponte, nos valores de R$ 38.082,84 (IRF) e R$ 21.580,29 (CIDE), totalizando R$ 59.966,13, por não identificar a contabilização final destes montantes. Ocorre que as aludidas conclusões fiscais não guardam consonância com as disposições legais e regulamentares a respeito da matéria, devendo ser canceladas integralmente. Como se observa das invoices emitidas pela Reed Smith em favor da Bunge Alimentos S.A., a primeira delas, sob o n. 1958806, no valor de USD 89.028,50, decorre da prestação de serviços jurídicos e tem como referência a aquisição da Usina Moema Participações S.A.. Por sua vez, a segunda invoice, sob o n. 1949200, no montante de USD 29.753,35, também referente à prestação de serviços jurídicos, bem como também tem por escopo a aquisição da Usina Moema Participações S.A. Os referidos documentos, embora emitidos em nome da Bunge Alimentos S.A., foram comprovadamente quitados pela Nova Ponte, conforme atesta o Contrato de Câmbio de Venda Tipo 4 Transferências financeiras para o exterior, sob o n. 10/023875, de 23.2.2010. Segundo o aludido contrato de câmbio, emitido pelo Banco Bradesco S.A., a Nova Ponte efetuou o pagamento de USD 118.781,85 convertido em R$ 215.802,87 em beneficio da Reed Smith LLP. Registrese, inclusive, que o aludido contrato expressamente identifica o bill number de cada uma das invoices supramencionadas, de modo a vincular a remessa ao exterior à prestação dos serviços indicados naqueles documentos. Para facilitar a compreensão, verifiquese a tabela abaixo: Invoice 1958806 USD 89.028,50 Invoice 1949200 USD 29.753,35 Total Invoices USD 118.781,85 Taxa cambial 1.8168 Valor em reais (contrato de cambio) R$ 215.802,87 Assim, à luz do das invoices, do contrato de câmbio, e do comprovante de recebimento pela empresa estrangeira, resta comprovada a natureza jurídica do pagamento, a título de despesas com serviços jurídicos, devendo também ser afastada a aplicação do art. 674 do RIR/99 e a respectiva exigência de IRF, tanto sobre o valor do pagamento, como sobre o valor das retenções a ele relacionadas. Fl. 10694DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.695 74 Ademais, nem se alegue que a causa jurídica da aludida operação não foi devidamente comprovada, pois as invoices foram emitidas em nome da Bunge Alimentos S.A. ou porque o contrato de câmbio não faria prova da prestação dos serviços contraídos. Ora, como se sabe, a Nova Ponte e a Bunge Alimentos S.A. são empresas do mesmo grupo econômico e com interesses mútuos na realização de inúmeras operações e projetos, tal como aquela envolvendo o Contrato de Investimento em destaque nestes autos. Por essa razão, o fato de a Reed Smith ter emitido as invoices em nome da Bunge Alimentos S.A. em decorrência da prestação de serviços jurídicos, não tem o condão de desnaturar a despesa incorrida efetivamente pela Nova Ponte. Não se olvide que o nome Bunge é dotado de força internacional e é natural a tendência dos prestadores de serviços em emitir as faturas contra as empresas cujo nome é mais conhecido, sendo o lapso escusável. Somese, ainda, ao fato dos pagamentos dos aludidos valores terem sido realizados pela Nova Ponte, conforme atesta o contrato de câmbio firmado e a Mensagem Swift MT103, de 25.2.2010, que confirma a operação. De igual modo, em que pese não tenha sido apresentado um contrato entre a Reed Smith e a Nova Ponte, fato é que os outros documentos carreados aos autos evidenciam a efetividade do serviço, tanto que o nome a instituição financeira brasileira responsável pela realização do contrato de cambio, aceitou proceder à remessa solicitada, o que não ocorreria, se não lhe fossem apresentados elementos que comprovasse a natureza da operação, em virtude de normas rígidas de câmbio e das sanções existentes. É exagerada a posição do fisco nesse caso, a exemplo de outros já tratados nesta impugnação. Assim, não merece prosperar o entendimento fiscal e o respectivo lançamento de ofício sub judice (sic) deve ser prontamente cancelado. Débito de R$ 297.865,55 pago em 11.6.2010 As recorrentes demonstraram detalhadamente a composição e os beneficiários dos pagamentos, que remontam a importância de R$ 297.865,55, conforme quadro abaixo: Alberto Diniz Junqueira 12.244,56 José Eduardo Diniz Junqueira 14.231,26 Lúcia Diniz Junqueira Novaes 34.975,50 Marina Diniz Junqueira 11.687,49 Maurílio Biagi Filho 108.166,74 Mauro Diniz Junqueira 11.687,49 Ricardo Brito Santos Pereira 69.246,78 Fl. 10695DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.696 75 Ronaldo Diniz Junqueira 23.938,24 Stella Junqueira Gomide 11.687,49 TOTAL 297.865,55 Somese, ainda, que as recorrentes também apresentaram os Termos de Quitação, assinados pelos referidos acionistas, em 11.6.2010, dando por liquidada a complementação da torna acordada, nos termos do Contrato de Investimento (fls. 4717 a 4770). Contudo, após analisar os aludidos documentos, a d. fiscalização entendeu que os valores supramencionados foram pagos a título de dividendos e não em razão da complementação da torna decorrente da operação preconizada no Contrato de Investimento. Mesmo assumindo tratarse de dividendos, mesmo verificando que os beneficiários dos pagamentos são os antigos acionistas da Moema Participações, a fiscalização paradoxalmente alega que os pagamentos em questão estariam sujeitos ao art. 674 do RIR/99. Ora, a própria acusação fiscal já evidencia a sua improcedência, pois, se não forem complemento de torna, os pagamentos correspondem a dividendos e sua causa resta devidamente identificada, assim como os beneficiários. Mais uma acusação totalmente despropositada. Ocorre que a avaliação dos fatos feita pelo fisco ainda assim é equivocada. Não se trata de dividendos propriamente ditos, até porque caberia à Bunge Ltd. pagar dividendos e não à Nova Ponte, mas sim de complemento de preço na aquisição da Usina Moema Participações S.A., devido aos antigos acionistas desta, cuja fórmula de cálculo estava relacionada com os dividendos devidos por aquela empresa no exterior. De fato, como visto oportunamente, em 23.12.2009, os acionistas acima mencionados celebraram com a Nova Ponte um Contrato de Investimento, por meio do qual entregariam à Nova Ponte a totalidade das ações da Usina Moema Participações S.A. e receberiam em troca determinada quantidade de Ações da Bunge Ltd. Em 5.2.2010, após o encerramento desta operação, os acionistas transferiram as ações da Usina Moema Participações S.A. para a Nova Ponte, ao passo que a Nova Ponte transferiu ao escrow agente, em benefício dos acionistas, 90% da quantidade base de ações Bunge Ltd. (vide item 2.6.1 do Contrato de Investimento). Seguindo as disposições firmadas no aludido Contrato de Investimento, em 15.4.2010, como resultado do Valor Final das ações da Usina Moema Participações S.A., a Nova Ponte enviou uma carta de retificação do valor do ajuste, de modo a indicar que foi apurada uma diferença entre a Quantidade Base de Ações Bunge Ltd. e a Quantidade Final de Ações Bunge Ltd., seguindo os preceitos da cláusula 2.7 do Contrato de Investimento. Assim, à luz desta diferença, caberia à Nova Ponte entregar aos acionistas o segundo lote de ações da Bunge Ltd., seguindo as disposições do item 2.6.1.b do Contrato de Investimento, que previa o pagamento dos 10% remanescentes. Fl. 10696DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.697 76 Ademais, em razão do disposto na cláusula 2.4.4 do Contrato de Investimento, a Bunge Ltd. declarou dividendos após a Data de Fechamento da operação, motivo pelo qual caberia à Nova Ponte efetuar o pagamento do valor por ação dos dividendos Bunge Ltd., correspondentes às ações do segundo lote. Confirase a disposição contratual: "2.4.4. Caso, após o Fechamento, ocorra a declaração, pagamento ou distribuição de Dividendos Bunge Ltd. em dinheiro e os Investidores ainda não tenham recebido a totalidade das Ações Bunge Ltd. nos termos deste Contrato, o valor por ação de tais Dividendos Bunge Ltd., correspondente às Ações Bunge Ltd. ainda não entregues aos Investidores (em vista do mecanismo de ajuste abaixo definido), deverá ser pago aos Investidores, líquido e em dinheiro, quando da transferência de referidas Ações Bunge Ltd., salvo se tal valor já estiver vinculado às Ações Bunge Ltd. objeto deste Contrato, e couber aos Investidores o recebimento de tais Dividendos Bunge Ltd. declarados e pendentes de pagamento em dinheiro diretamente da Bunge Ltd." Neste diapasão, conforme Termos de Quitação oportunamente acostados aos autos, a Nova Ponte entregou, em 11.6.2010, ao escrow agent em benefício dos acionistas determinado número de ações da Bunge Ltd. a título de "Segundo Lote de ações Bunge Ltd.", nos termos das Cláusulas 2.6.1 .b e 2.7.b do Contrato de Investimento. Da mesma forma, conforme item 1.2. do Termo de Quitação, a Nova Ponte efetuou o pagamento aos acionistas dos montantes tratados no item 2.4.4 do Contrato de Investimento, tendo em vista o valor declarado pela Bunge Ltd. a título de dividendos. Nesse contexto é que se apresenta o item 2 do Termo de Quitação, que assim dispõe: "2. Declaração e Quitação 2.1. Declaração. A Nova Ponte declara e garante que o Anexo I contempla todos os Dividendos Bunge Ltd. abrangidos pela Cláusula 2.4.4 do Contrato de Investimento às Ações do Segundo Lote. Caso tenham sido declarados, pagos ou distribuídos outros Dividendos Bunge Ltd., na forma da Cláusula 2.4.4 do Contrato de Investimento, que não aqueles constantes do Anexo I, estes caberão e também serão pagos à Investidora. 2.2. Quitação: Observado e ressalvado o disposto nas Cláusulas 1.2 e 2.1 acima, em razão da transferência das Ações do Segundo Lote ao Escrow Agent e do pagamento dos Dividendos Bunge Ltd., às Ações do Segundo Lote, a Investidores, neste ato e na melhor forma de direito, confere à Nova Ponte a mais ampla, plena, geral e rasa quitação, para não ter mais o que reclamar a título de Ações do Segundo Lote e de Dividendos Bunge Ltd, às Ações do Segundo Lote mencionados no Anexo I a qualquer tempo". Assim, como se observa, seguindo as disposições do Contrato de Investimento, a Nova Ponte cumpriu com sua obrigação de transferir o segundo lote de ações da Bunge Ltd., bem como pagar os valores correspondentes aos dividendos declarados por esta Fl. 10697DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.698 77 sociedade aos acionistas acima mencionados, tendo em vista que haviam sido declarados por aquela empresa após a Data de Fechamento. Nesse contexto, não se trata de dividendos propriamente ditos, até porque caberia à Bunge Ltd. pagar dividendos e não à Nova Ponte, mas sim de complemento de preço na aquisição da Usina Moema Participações S.A., cuja fórmula de cálculo estava relacionada com os dividendos daquela empresa no exterior. Evidenciada a natureza e a causa dos pagamentos realizados pela Nova Ponte aos acionistas, não resta a menor dúvida de que o argumento fiscal padece de qualquer procedência. Isso porque, mais uma vez é necessário destacar, conforme amplamente demonstrado, a aplicação do art. 674 do RIR/99 somente se justifica como medida extremada, quando o fisco não possui meios de identificar o beneficiário do pagamento ou mesmo a causa que motivou a operação realizada. Ora, no presente caso, tais medidas extremas não se configuram, na medida em que os beneficiários foram comprovadamente demonstrados (Termos de Quitação, planilhas e demonstrativos), assim como a causa que justificou os pagamentos efetuados encontra pleno lastro no Contrato de Investimento firmado entre a Nova Ponte e os acionistas da Usina Moema Participações S.A. Portanto, não se configurando as premissas que justificam a aplicação do art. 674 do RIR/99, conforme documentalmente demonstrado nos presentes autos, não merece prosperar o lançamento fiscal, devendo ser cancelada também esta exigência. Não obstante as assertivas acima, digase, suficientes para demonstrar a improcedência da autuação fiscal, vale registrar que a fiscalização apegouse ao fato de que (i) não havia previsão de complementação de torna no Contrato de Investimento; (ii) o Termo de Quitação relativos ao 2° lote de Ações informaram tratarse de dividendos; e (iii) os valores foram pagos a título de dividendos, relativamente a ações de emissão de terceiros que não estavam sob a posse da Nova Ponte e caracterizam despesas de terceiros. Primeiramente, no que concerne à denominação dada pela Nova Ponte aos pagamentos, como sendo pagamentos a título de complemento de torna, tal fato se deve à disposição constante ao final do item 1.2 do Termo de Quitação, que expressamente assim os tratou: "(...) Fica consignado que as partes entendem que o valor pago nos termos da Cláusula 2.4.4 do Contrato de Investimento é complementação da Torna, e o cálculo do pagamento, para que fosse recebido de forma líquida, considerou esta premissa" A divergência com a fiscalização provavelmente se deve à referência a complemento de torna contida no termo de quitação. Na verdade, tratase de pagamento pela aquisição da Usina Moema Participações S.A. feito com ações da Bunge Ltd., e não pagamento de torna. Seja como for, o "nomen júris" atribuído aos pagamentos não tem efetivamente o condão de modificar a natureza deles; logo, se o pagamento foi realizado a título de complemento de torna ou como dação em pagamento, ou como entrega de ações a Fl. 10698DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.699 78 título de permuta, em razão do segundo lote de ações da Bunge Ltd previsto em contrato, fato é que evidentemente essa remessa possui motivação, lastreada em instrumento formal (contrato) que, como se sabe, faz lei entre as partes. Note que, para efeitos desta autuação que simplesmente reputou tais pagamentos como sem causa, pouco importa a natureza jurídica do pagamento, devendo se verificar se eles possuem, ou não, uma causa que os viabilize. Daí que, cabalmente demonstrado inclusive pela fiscalização que tais pagamentos foram realizados no âmago das disposições contratuais firmadas entre a Nova Ponte a os antigos acionistas da Usina Moema Participações S.A., não resta a menor dúvida de que foi devidamente comprovada a operação e a sua causa, devendo ser afastada a aplicação do art. 674 do RIR e cancelado o lançamento de IRF. Ainda assim, tendo em vista a arguição de que os valores foram pagos a título de dividendos, relativamente a ações de emissão de terceiros que não estavam sob a posse da Nova Ponte e caracterizam despesas de terceiros, tal argumento também não merece qualquer acolhimento. Caso a fiscalização entendesse que tais despesas eram de terceiros, o que definitivamente não é o caso dos autos, como bem dispõe o Contrato de Investimento na cláusula 2.4.4, o fato é que caberia ao fisco, quando muito, glosar o gasto na apuração do ágio e não reputálo como sem causa, para efeitos de aplicação do art. 674 do RIR/99.` Débito no valor de R$ 14.874.118,32, em 10.3.2010 A respeito do referido débito, as recorrentes esclareceram que tal montante referiase a pagamento efetuado pela Nova Ponte ao Banco Itaú BBA, em razão da prestação de serviço de assessoria na aquisição do investimento na Usina Moema Participações S.A. Para subsidiar tal esclarecimento, as recorrentes apresentaram o comprovante do "DOC" da operação (documento de crédito fl. 4892), que indica a transferência do montante de R$ 14.847.118,32, em 10.3.2010, ao Banco Itaú BBA S.A. (CNPJ n. 17.298.092/000130). De igual modo, conforme inclusive afirma a fiscalização, as recorrentes também apresentaram o registro contábil da baixa desta obrigação. No entanto, ao compulsar os documentos que já haviam sido apresentados, a d. autoridade fiscal indicou que, no item 10.10. do Contrato de Investimento de aquisição da Moema Participações S.A., datado de 23.12.2009, havia expressa concordância entre as partes a respeito das despesas devidas ao Banco Itaú BBA pela intermediação da operação – no valor bruto de comissão, com grossup de tributos (PIS, COFINS e ISS) equivalente a R$ 15.820.052,00. A referida disposição ainda determinava que a "Companhia" (Usina Moema Participações S.A.11) seria a responsável pelo aludido pagamento, em até 5 (cinco) dias após o Fechamento do referida operação. Em face destas constatações, a fiscalização aduziu que não havia no referido Contrato de Investimento qualquer participação do Banco Itaú BBA, razão pela qual requereu a apresentação (i) de contrato de prestação de serviço firmado entre o banco e o tomador do Fl. 10699DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.700 79 serviço, bem como (ii) as notas fiscais relativas à operação, de modo a demonstrar a natureza dos serviços prestados. Empenhando seus melhores esforços em busca da aludida documentação, as recorrentes apresentaram à fiscalização o documento de fl. 4981, datado de 8.2.2010, por meio do qual o Banco Itaú BBA encaminha à Usina Moema Participações S.A. (sucedida pela Nova Ponte) a cobrança dos honorários de sucesso devidos após a conclusão do Contrato de Investimento, no valor bruto de R$ 15.820.052,02 (doe. 07). Vida tabela abaixo: Fee antes do gross up (total) 14.293.417,00 Fee bruto após o gross up (9,65%) 0,65% PIS; 4% COFINS; 5% ISS 15.820.052,02 Impostos retidos na fonte pagadora (972.933,20) (a) IR 1,50% (237.300,78) (b) PIS 0,65% (102.830,34) (c) COFINS 3% (474.601,56) (d)CSL1% (158.200,52) FEE LÍQUIDO (após retenção) 14.847.118,82 Ocorre que, ao analisar o referido documento, a fiscalização não o reputou como prova capaz de demonstrar a natureza do serviço prestado, ante a falta de assinatura no instrumento, considerandoo, portanto, como pagamento sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. Destaquese que, além de considerar como pagamento sem causa o valor de R$ 14.874.118,32, conforme comprovante supramencionado, também reputou como sem causa os valores que foram objeto de retenção, nos montantes de R$ 735.632,42 (CSL, PIS e COFINS) e de R$ 237.300,78 (IRF), totalizando os R$ 15.820.052,00. A própria descrição dos fatos contida no auto de infração evidencia que a causa do pagamento é a prestação de serviços de assessoria prestados Banco Itaú BBA S.A. Não se pode admitir que um DOC no montante de R$ 14.847.118,82 a uma instituição financeira no Brasil e de idoneidade notória possa ser considerada como pagamento sem causa. Ocorre que o artigo 61 da Lei 8981/95 é uma prerrogativa do Fisco a ser utilizada em situações extremas, em que não existe qualquer elemento para a identificar o beneficiário dos pagamentos ou sua causa, tal como ocorre com o lucro arbitrado, não podendo ser utilizado pelo fiscal em casos de mera divergência de interpretação quanto aos fatos. É precisamente essa a interpretação do próprio fisco acerca da aplicabilidade do art. 674 do RIR/99, conforme se infere do seguinte trecho da Solução de Consulta Interna n. 11 Registrese que a própria autoridade responsável pela lavratura do Termo de Verificação Fiscal prontamente reconhece que, no momento do pagamento da referida Fl. 10700DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.701 80 importância, a "Companhia" já havia sido incorporada pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., que a sucedeu em seus direitos e obrigações. 11, de 8.5.2013, da COSIT, na qual foi dito que o referido dispositivo só tem aplicação em situações extremas de incerteza, nas quais não se sabe quem é o beneficiário do pagamento ou sua causa, dificultando e trazendo incertezas sobre o fato passível de tributação: "O caput do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Tal norma se justifica uma vez que. em razão do anonimato do beneficiário, o Fisco se vê impedido de alcançar de forma direta o beneficiário do rendimento. Igualmente, o seu § 1° aplica a mesma tributação quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Neste caso, embora se conheça o beneficiário do rendimento, persiste a dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento. Sem a certeza sobre o fato ocorrido, não há segurança para a aplicação da norma geral de tributação. Portanto, o referido artigo traz uma regra de tributação que supre a insegurança sobre o fato passível de tributação". Como se nota, inclusive a partir de orientação da Receita Federal do Brasil, a interpretação sistemática do caput do art. 674, em consonância com o que está disposto no seu parágrafo 1o, revela que tais dispositivos aplicamse em "situações limite", isto é, quando o fisco não tem elementos para identificar o destinatário dos pagamentos e/ou seu motivo. Tratase de uma prerrogativa do fisco, reservada a situações excepcionais, em que a falta de informações e documentos não lhe permite compreender os fatos ocorridos a fim de se atribuir os respectivos efeitos tributários na órbita do imposto sobre a renda, justamente como ocorre com o lucro arbitrado. Por outro lado, meras divergências de interpretação quanto aos documentos devidamente apresentados pelo contribuinte ao fisco, ou meras diferenças de valores e outros detalhes, em situações nas quais está clara a origem e o destino dos pagamentos, é descabida a aplicação do art. 674. Tais divergências poderiam justificar eventuais glosas de custos ou despesas, o a tributação dos rendimentos eventualmente omitidos pelos beneficiários, mas não tributação à alíquota de 35% exclusiva na fonte sobre base reajustada. No caso concreto, como visto, as recorrentes apresentaram o comprovante do "DOC" da operação (fl. 4892), que indica a transferência do montante de R$ 14.847.118,32, em 10.3.2010, ao Banco Itaú BBA S.A., o que afasta qualquer suspeita a respeito do beneficiário do pagamento (primeiro pressuposto do art. 674 do RIR/99). Todavia, em relação ao segundo pressuposto do dispositivo (causa do pagamento), as recorrentes conseguiram reunir todos os elementos formais que atestam veementemente a natureza da aludida despesa. É o que se observa do contrato firmado entre o Banco Itaú BBA e a Usina Moema Participações S.A., datado de 8.4.2009 (doc 08), em que o primeiro comprometese a prestar serviços de assessoramento financeiro à segunda e seus sócios na consecução de uma "Transação Estratégica", que para efeitos do contrato compreende: Fl. 10701DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.702 81 A capitalização da Usina Moema Participações S.A. (ou de qualquer sociedade controladora, controlada, coligada e/ou afiliada, direta ou indiretamente, da Usina Moema Participações S.A. e/ou dos Sócios, especialmente a Usina Moema Holding S.A.) por qualquer terceiro interessado; e/ou A venda de ações da Usina Moema Participações S.A. e/ou de afiliadas (assim entendidas quaisquer entidades controladoras, controladas ou sob controla comum com ela) para qualquer potencial interessado (tais como, mas não limitadas, a fusão, associação, incorporação, troca de ações); e/ou Aquisição por qualquer potencial interessado de qualquer tipo de dívida conversível emitida pela Usina Moema Participações S.A. ou suas afiliadas; e/ou Qualquer transação similar ou com os mesmos efeitos das descritas acima com a Usina Moema Participações S.A. inclusive com as Afiliadas. De igual modo, conforme cláusula II do referido instrumento, "o Itaú BBA prestará a Companhia e seus Sócios serviços de assessoria e consultoria financeira usuais para operações do tipo da Transação Estratégia e que sejam apropriados e acordados entre a Companhia e o Itaú BBA" (g.n.). Nesse contexto, o escopo do serviço foi pactuado da seguinte forma: Assessoria à Usina Moema Participações S.A. e seus sócios na análise e organização do processo da Transação Estratégica; Elaboração de avaliação econômicofinanceira da Usina Moema Participações S.A. com base nas projeções de sua administração; Coordenação dos trabalhos dos demais consultores especializados para a realização de eventual "due diligence I data room";Assessoria no processo de negociação com os Potenciais Interessados; e Revisão e discussão de documentação necessária à formalização da Transação Estratégica, no tocante às questões financeiras, em conjunto com os assessores legais contratados pela Usina Moema Participações S.A. No tocante à forma de remuneração (cláusula V), acordouse que o Itaú BBA faria jus a uma "Remuneração de Sucesso" de 0,75% (setenta e cinco por cento) sobre o Valor da Firma12 ("VT") atribuída à Moema ("honorários de sucesso"), valendo destacar que essa remuneração somente se daria "em caso de conclusão com sucesso da Transação Estratégica", como de fato ocorreu. 12.Grosso modo, o "VF" consiste no valor atribuído implícito para 100% das ações da Usina Moema Participações S.A e/ou Afiliadas na Transação Estratégica, acrescido da dívida financeira liquida e eventuais contingências da empresa. Estabeleceuse, ainda, que os honorários devidos não seriam inferiores a R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos reais), bem como que o montante ao final apurado deveria ser pago em até 20 dias após a conclusão da Transação Estratégica. Assim, conforme se observa pelo contrato ora anexado, resta demonstrada a natureza dos valores questionados pela fiscalização, bem como a concretização da operação realizada, afastando, portanto, o segundo pressuposto que justifica a aplicação do art. 674 do RIR/99. Fl. 10702DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.703 82 Somese, ainda, que à luz do contrato supracitado, que por si só faz prova do serviço contratado e do escopo do assessoramento desempenhado, as recorrentes também apresentam o Recibo emitido pelo Banco Itaú BBA, atestando que a Nova Ponte realizou o pagamento de R$ 14.847.118,82, em 10.3.2010, a título de honorários de sucesso, acrescido dos tributos devidos, conforme cláusula V do contrato supracitado (doc 09). A este respeito, vale registrar que o aludido contrato determinava que o pagamento pela contraprestação do serviço contratado se daria em até 20 dias a contar da data de fechamento. A Usina Moema Participações S.A. (contratante), nesta oportunidade já havia sido sucedida pela Nova Ponte, conforme reconhece a d. fiscalização. Logo, a obrigação de honrar o compromisso firmado ficou a cargo da Nova Ponte, como de fato ocorreu. Portanto, no caso concreto, não há que se falar na hipótese extrema e excepcional que autoriza a aplicação do art. 674 do RIR/99, pois não houve pagamento motivado ou sem causa e nem a beneficiário não identificado. Pelo contrário: conforme se observa pelos documentos acostados nesta impugnação: (i) o contrato de prestação de serviços, de 8.4.2009, confirma e materialização do pacto firmado entre as partes, o escopo dos serviços prestados e a forma de remuneração do prestador; (ii) o comunicado expedido pelo Banco Itaú BBA, em 8.2.2010, aponta os valores devidos pela realização dos serviços, atribuindo liquidez e certeza aos montantes objeto do contrato firmado; (iii) o DOC acostado aos autos, apresentado desde o procedimento de fiscalização, formaliza o pagamento do montante objeto do contrato, em 10.3.2010, inclusive evidenciando o sujeito beneficiário do pagamento; e (iv) o recibo emitido pelo Banco Itaú BBA, em 10.3.2010, em favor da Nova Ponte, considera quitada a obrigação contratual. Desta feita, não resta outra alternativa se não o cancelamento da exigência de IRF, tendo em vista a improcedência da arguição fiscal. Acresçase, ainda que, além de reputar o aludido montante como pagamento sem causa, a fiscalização considerou as retenções a ele relacionadas também como desprovidas de causa, pois compunham o preço da prestação do serviço. Daí a constatação de que a fiscalização realmente aplicou de forma totalmente descabida o art. 674 do RIR/99, que somente deve ser aplicado em situações extremas e nas hipóteses de pagamento sem causa e ausência de identificação do beneficiário. Note que, conforme arguido pela própria autoridade fiscal (fl. 5114), os valores retidos de R$ 735.632,42 e R$ 237.300,78 são tributos recolhidos pela Nova Ponte e estão em conformidade com os sistemas da Receita Federal (fls. 4894 e 4895). Confirase: "Os valores retidos (R$ 735.632,42 de contribuições e R$ 237.300,78 de imposto de renda) foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2130010035 PIS RE S CTR'S PRÓPRIO PJ (fls. Fl. 10703DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.704 83 4936 e 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/SERVIÇOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita federal (fls. 4894 e 4895), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa", (g.n.) Ora, não faz qualquer sentido aplicar uma medida extremada como aquela preconizada no art. 674 , quando a própria fiscalização registra que os montantes questionados se referem a tributos recolhidos à Receita Federal do Brasil, em decorrência do pagamento realizado em favor do Banco Itaú BBA. A causa dos pagamentos em questão é justamente a existência de obrigação tributária, na condição de responsável tributário, decorrente de lei expressa nesse sentido, sendo verdadeiramente absurdo aplicar o art. 674 sobre pagamentos que o próprio fisco identifica como decorrentes de tributos. Portanto, também por todos os motivos acima, requerem o cancelamentos das exigências de IRF sobre os montantes que reconhecidamente se referem a tributos retidos e recolhidos em favor da Administração Tributária. Mas não é só. A fiscalização também asseverou que o aludido pagamento, ainda que comprovado, não deveria compor o valor do ágio, devendo as sucessoras da Nova Ponte excluílo do montante do ágio contabilizado. Ora, de início, vale destacar que essa constatação não apresenta qualquer justificativa que a suporte, na medida em que a d. autoridade responsável limitouse a afirmar que a referida despesa não deveria compor o valor do ágio, contudo, sem fundamentar sua conclusão. Daí se evidencia a fragilidade da autuação, pois a conclusão fiscal padece da motivação necessária e inerente ao lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN. Além disso, o questionamento fiscal é vazio, eis que não consta intimação formal para retificação do valor do ágio e esse procedimento seria discutível, tendo em vista que não houve, em 2010, amortização dele. Já foi demonstrado tratarse de gasto vinculado, de forma indissociável, à aquisição da Usina Moema Participações S.A. e por isso foi contabilizada em conjunto com os demais valores incorridos com a aquisição desse investimento, formando o respectivo ágio. Mas ainda que assim não fosse, os montantes seriam despesas cujas obrigações foram assumidas pela Nova Ponte por sucessão, em virtude da incorporação ocorrida. Assim, à luz de todo o exposto, requer (i) o cancelamento da exigência de IRF, tendo em vista a comprovação da natureza da operação realizada; e (ii) a improcedência da determinação de exclusão do referido pagamento do montante do ágio contabilizado, tendo em vista a ausência de motivação fiscal e por se tratar de custo de aquisição do investimento. Débitos de R$ 6.476.065,49 e R$ 1.512.318,06, pagos em 24/03/2010 e Débito de R$ 726.430,42 pago em 15/04/2010 e R$ 661.018,08 pagos em 10/08/2010. Na sequência seguem observações deste RELATOR (da DRJ) Fl. 10704DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.705 84 Estes débitos foram reflexos de infrações pertinentes ao IRPJ e as argumentações a eles concernentes foram feitas lá. O Débito de R$ 6.476.065,49 está inserto na autuação referente a adições não computadas na apuração do Lucro Real no valor total de R$ 6.900,442,72 (que inclui tributos incidentes nos valores de R$ 320.870,59 (PISCofins e CSLL) e R$ 103.506,64 (IRRF) Os demais débitos correspondem aos valores glosados constantes da infração “CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS”, cujos valores no auto de infração de IRPJ estão adicionados aos tributos incidentes e retidos como segue: O Débito de R$ 1.512.718,06 está incluído na glosa de R$ 1.611.420,31 que abrange tributos retidos nos valores de R$ 74.931,04 (PISCofinsCSLL) e R$ 24.171,31 (IRRF). O débito de R$ 726.430,42 está incluído no valor glosado de R$ 774.033, 47, que abrange R$ 35.992,55 ((PISCofinsCSLL) e R$ 11.610,50 (IRRF). O valor de R$ 661.018,08 está incluído na soma de dois pagamentos efetuados no mesmo dia (10/08/2010), nos valores de R$ 365.525,16 (que inclui R$ 5.482,88 de IRRF e R$ 16.996,91 de (PISCofinsCSLL), e R$ 338.809,49 (que inclui R$ 5.082,14 de IRRF e R$ 15.754,63 (PISCofinsCSLL). As argumentações das autuadas com relação a estes débitos são dependentes da decisão quanto à procedência do feito fiscal referente à autuação de IRPJ. Da impossibilidade de aplicação do art. 674 do RIR/99 em conjunto com a multa de ofício Dupla penalidade pelo mesmo fato. As recorrentes argúem que o IRRF calculado à alíquota de 35% é uma franca punição e que o lançamento acompanhado de multa de ofício conforme art. 44 da Lei nº 9430/96 representa dupla penalidade. As autuadas ainda comparam a presente autuação ao agravamento da multa para 112,5% nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96 na hipótese de arbitramento de Lucros por omissão na entrega de Livros e documentos. Ponderam que a conduta omissiva já foi devidamente punida com o arbitramento dos lucros descabendo a aplicação da multa de ofício com agravamento. DAS AUTUAÇÕES REFERENTES AO PIS E COFINS As autuações referentes ao PIS e Cofins originaramse da omissão de receita caracterizada pela falta da comprovação da origem de depósitos bancários (infração de nº 1 no auto de infração de IRPJ, no valor de R$ 605.246,30, e na Omissão de Receita no valor de R$ 703.565,21, consubstanciada na apropriação de IRRF de terceiros e não recolhido, constante da infração nº 3 no auto de infração de IRPJ (fls. 5029) . DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO As autuadas argumentam que o art. 61, "caput" e parágrafo 3o, da Lei n. 9430, de 27.12.1996, somente autoriza a incidência de juros sobre débitos "decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal", sendo que os parágrafos 1o e 2o tratam minuciosamente do cálculo das multas sem prescrever a incidencia de juros sobre elas. Fl. 10705DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.706 85 Mencionam que em decorrência do art. 3o do Código Tributário Nacional, as multas não possuem natureza jurídica de tributo ou contribuição, o que, inclusive, é indisputado na doutrina e na jurisprudência. Ressaltam que, não bastasse a clareza da norma constante do art. 61 e seus parágrafos, há na lei nº 9.430/96 outra prova de que ela não determinou que a multa cobrada juntamente com os tributos seja acrescida de juros, qual seja, o parágrafo único do art. 43 quando tratou da incidência de juros sobre a multa cobrada isoladamente. As recorrentes finalizam sua impugnação requerendo provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências e a juntada de outros documentos e que as futuras intimações sejam feitas em nome de seus advogados devidamente constituídos através da anexa procuração, no endereço a seguir indicado: Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., 758, 16° andar, 04542000, São Paulo SP. Antes dos autos terem sido encaminhados a julgamento, o órgão preparador procedeu à transferência dos tributos incidentes sobre a parcela não contestada no valor de R$ 605.246,30 para o processo de nº 13647.720020/201612. Em 15 de abril de 2016 as autuadas entraram com a petição de fls. 5792 a 5797, requerendo a juntada de um parecer contábil da empresa de auditoria independente PriceWaterhouse Coopers (PwC), que foi juntado às fls. 5801 a 9893. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e estão preenchidos os demais requisitos de admissibilidade. Conheço do recurso. Preliminares A contribuinte e as responsabilizadas arguiram a nulidade da autuação, requereram a realização de diligências, juntadas de outros documentos e que as futuras intimações sejam feitas em nome de seus advogados no endereço situado à Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., 758, 16° andar, 04542000, São Paulo SP. A respeito, o acórdão recorrido apresentou o seguinte entendimento: A nulidade invocada seria por ter havido alegações da fiscalização relacionadas ao ágio pago pela Nova Ponte na aquisição da Moema Par “despropositadas e vazias”, pois não resultaram em glosa fiscal de amortização no ano calendário de 2010, retirando “qualquer liquidez e certeza do trabalho fiscal”. Como se verá na sequência desse voto, há glosas de valores considerados sem respaldo documental, que compuseram o ágio, e é feita menção de que este deve ser retificado. Fl. 10706DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.707 86 Para retirar da autuação liquidez e certeza seria necessário que as referências fossem confusas a ponto de se tornarem ininteligíveis e cerceassem o direito de defesa das recorrentes. Vêse que as recorrentes não tiveram seu direito de defesa cerceado porque perceberam claramente que a fiscalização discorreu sobre o ágio pago pela Nova Ponte na aquisição da Moema Par, e que considerações sobre a indedutibilidade de eventual amortização do ágio apropriado por parte das sucessoras na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL não se aplicaria à autuação aqui examinada. A maior parte daquelas explicações dadas pela fiscalização quanto à reorganização societária do grupo Bunge [Item IV do TVF (fls. 5092)] tiveram por objetivo permitir entender como se dera a negociação. Às fls. 5094 é mencionado que: Além da aquisição do controle acionário da Moema Par, o contribuinte também adquiriu ações/quotas das Usinas afiliadas da Moema Par, negociando diretamente com os outros acionistas/quotistas dessas mesmas Usinas. A participação na Usina Vertente foi objeto de permuta com quotas da Usina Guariroba, conforme já descrevemos no Tópico III.II. Foi registrado na contabilidade um ágio no valor total de R$1.354.994.009,13 na conta analítica 1403040011 AGIO MOEMA INVEST E PARTICIPAÇOES decorrentes de todas as operações de aquisição de participações societárias, conforme demonstrativo apresentado pelo contribuinte (fls.4771). A conclusão final de que “eventual amortização do ágio apropriado por parte das sucessoras não é passível de dedução na apuração do IRPJ/CSLL, por falta de comprovação, por tratarse de ágio de si mesmas, de ágio transferido e de ágio externo”, não teve conseqüências neste feito que ficou circunscrito sobre fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2010, no qual não houve nenhuma amortização, o que as recorrentes reconheceram na sua peça de irresignação. As recorrentes entenderam que houve desvio de foco para questões sem relevância jurídica para o deslinde do caso concreto, pois não houve nenhum lançamento, nem alguma das sucessoras foi intimada a retificar sua escrita para excluir o referido ágio como ocorrera com a parcela dele relativa ao pagamento de comissão na negociação, conforme fls. 33 do TVF (fls. 5114). Esclareçase que, houve autuação com relação às amortizações do ágio consideradas indedutíveis in totum. Tal autuação diz respeito aos anos calendário de 2011, 2012 e 2013, e consta do processo nº 16561.720059/201597. Mas notese que, os efeitos daquele procedimento não mudam R$0,01 do que foi lançado no presente feito. A intimação da fiscalização para que as sucessoras retificassem sua escrita é uma medida preventiva a ser adotada pelas recorrentes para evitar amortizar futuramente parcela de um ágio inexistente e, portanto, passível de glosa. Todavia, tal intimação para que as sucessoras excluam da formação do ágio no valor de R$ 1.354.994.009,13 a parcela de R$ 14.847.118,82, considerada um pagamento sem causa nesta autuação, de fato não faz sentido se toda e qualquer amortização daquele ágio foi posteriormente considerada indedutível. De qualquer forma, o mencionado proceder da fiscalização nada prejudica o entendimento pelas recorrentes da autuação levada a efeito. As autuadas, como bem Fl. 10707DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.708 87 salientaram em suas argumentações, constataram que não houve lançamento sobre amortização de ágio no anocalendário de 2010. Nesse contexto, não encontro fundamento para acolher a alegação de que os autos de infração seriam nulos pelo fato de a fiscalização ter mencionado aspectos sobre o ágio havido na "Operação Moema", sem contudo haver autuação a respeito. O acórdão recorrido evidenciou que, em 2010, não houve amortização de ágio. Todavia, há autuações específicas relativas aos anos 2011 e 2012 que concluíram pela indedutibilidade do ágio. Assim, compartilho da conclusão da DRJ, no sentido de que, se a impropriedade verificada no TVF não afeta o entendimento das infrações, não há que se cogitar de nulidade do lançamento que, neste caso, só caberia tal alegação, caso houvesse cerceamento do direito de defesa, o que não se verifica nestes autos. Erro de Cálculo do Ganho de Capital Também é argüido erro no cálculo do ganho de capital e que, por esta razão, o auto de infração deveria ser declarado nulo. Cita e transcreve ementas de acórdãos do Antigo Conselho dos Contribuintes. O acórdão recorrido registrou o seguinte entendimento, a respeito: Sem entrar no mérito dos acórdãos, esclareçase que as Delegacias de Julgamento estão vinculadas à lei (art. 142, parágrafo único, do CTN), às normas legais e regulamentares (art. 116, III, da Lei 8.112/1990), às Súmulas do CARF aprovadas pelo Ministro de Estado da Fazenda e com efeito vinculante em relação à administração tributária federal (Portaria – MF nº 383/2010) e ao entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos (art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011). Entendase aí que, não se constituindo em norma legal geral a decisão em processo fiscal proferida por Conselho de Contribuintes, seu acórdão não vincula qualquer outra ocorrência senão aquela objeto da decisão, ainda que de idêntica natureza, seja ou não interessado na nova relação o contribuinte parte no processo de que decorreu a decisão daquele colegiado. De todo o exposto, concluise que as decisões administrativas tem efeitos entre as partes somente. Até mesmo decisões judiciais não vinculam o entendimento dos julgadores administrativos , salvo quando possui como objeto inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo federal que esteja na lide conforme Decreto nº 2.346/1997 que consolida as normas de procedimentos a serem observados pela Administração Tributária Federal em conseqüência de decisões judiciais, confirase: Art. 4º. Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; Fl. 10708DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.709 88 III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Logo, o presente feito será julgado independentemente de entendimento favorável às teses defendidas pelas recorrentes e constantes em acórdãos ou julgados de tribunais por ela trazidos à colação. Em se tratando de base de cálculo na quantificação do ganho de capital, por tratarse de questão de mérito, não haveria de se cogitar de nulidade do lançamento, mas da sua improcedência por erro material. Da mesma forma, não encontro fundamento para acolher a alegação das recorrentes de que os autos de infração seriam nulo, por entenderem que teria havido erro de cálculo na apuração do ganho de capital havido na permuta de ações entre a Moema Participações e a Cleel. Erro de cálculo não constitui matéria passível de arguição em preliminar. É preciso adentrarse no mérito das questões que o envolvem para se concluir a respeito. Nesse sentido, também não há como acolher essa alegação, pois não caracteriza nulidade dos autos. Apresentação de documentação Registrouse que houve juntada de documentos após o encaminhamento da Impugnação para julgamento, em 13/04/2016. O acórdão recorrido registra que, o requerimento encaminhado à autoridade julgadora não indica nenhuma das ocorrências previstas nas alíneas do 4º parágrafo conforme determina o § 5º do artigo 16. Destacouse, ainda, que conforme § 4º do art. 16 Decreto nº 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF) a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, salvo ocorra uma das hipóteses previstas nas alíneas “a” a “c” do referido parágrafo. Sobre os documentos juntados, a DRJ destacou: Ademais, tratase de parecer sobre o ganho de capital no valor decorrente de alienação de participação societária com torna em operação de permuta entre as quotas da Usina Vertente Ltda, e Usina Guariroba em 05/02/2010. O referido parecer, de autoria da empresa de auditoria independente PRICE WATERHOUSE COOPERS, é datado de 26/11/2015. As autuadas foram cientificadas dos autos de infração em 03/06/2015 e apresentaram a impugnação em 02/07/2015. Fl. 10709DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.710 89 Tratase, portanto, de um parecer solicitado à empresa de consultoria após a autuação, cujas considerações se consubstanciam em interpretação da operação de permuta à luz da legislação. A regra insculpida no § 4º do artigo 16 do PAF, ao concentrar a juntada de provas documentais ao momento da apresentação da impugnação, visou proteger o Estado de uma protelação desmesurada, com ilimitadas petições para novas juntadas em qualquer tempo. Todavia, tem sido praxe, a meu ver salutar, admitir juntada posterior de provas documentais ao processo após a entrega da impugnação. Isto se justifica porque no processo administrativo fiscal se privilegia a verdade material. Entretanto, a elasticidade que se pode dar ao momento para apresentação de provas documentais não pode ser ilimitada sob pena de se anular o que o legislador buscou ao elaborar a norma, ou seja, evitar manobras que dificultem o andamento do processo. No caso aqui examinado, além da flagrante intempestividade desmotivada, tratase de um Parecer datado de 26/11/2015, que só veio aos autos em 16/04/2016, estando o processo já distribuído para julgamento, conforme mencionei. Ademais o parecer revelase como mais uma interpretação da legislação à luz do ocorrido, como são as Decisões Administrativas, Judiciais e opinião de Doutrinadores. Conforme expus, embora mereçam reverência, não vinculam o julgamento sub examine. Nessa linha, a DRJ concluiu por não admitir a documentação acostada após o encaminhamento dos autos para julgamento da Impugnação, em 6/04/2016. Analisandose os argumentos das recorrentes e confrontandose com as conclusões da fiscalização e do acórdão recorrido, verificase que os fatos e os fundamentos apresentados no parecer da PwC em questão, ainda que não admitida a juntada posterior à impugnação, foram, de certa forma, examinados no acórdão recorrido. De qualquer forma, é possível verificar que se trata de caso específico, e que as recorrentes demonstraram a relevância de se expor, por intermédio de técnicos, suas razões de defesa que, visam expor fatos e elementos detalhados sobre como se deu a "Operação Moema" e a permuta de ações relativas à Usina Vertente e à Usina Guariroba. Assim, verificamos que cabe acolher esse pedido das recorrentes de juntada do parecer da PwC, mesmo que providenciado após o encaminhamento dos autos para o julgamento da Impugnação. Com relação ao pedido de nulidade do acórdão da DRJ, pelo fato de não acolher e não analisar o parecer em questão, verificase que os fundamentos e conclusões do parecer foram contempladas pelas recorrentes em sua Impugnação. Portanto, o parecer não traz matéria sobre a qual a DRJ não tenha se manifestado. Nesse sentido, concluise que o indeferimento da juntada do parecer e a falta de análise pela DRJ, não constitui fato que possa resultar na anulação do acórdão recorrido. Assim rejeito a preliminar. Pedido de Diligências O acórdão recorrido concluiu que o pedido de diligência das recorrentes não atende aos requisitos previstos no inciso IV do artigo 16 do PAF. Assim, consideroo não formulado conforme determina seu § 1º. Fl. 10710DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.711 90 Na forma registrada pela fiscalização, verificase que foram concedidas inúmeras oportunidades para as recorrentes apresentarem documentos e prestarem informações. Diante de respostas de que não dispunham de determinados documentos, a fiscalização requisitouos à Cleel Participações, que recebeu ações da Usina Vertente, na operação de permuta de ações relativas à Usina Guariroba. Observase, portanto, que a fiscalização foi diligente, destacandose as inúmeras vezes que procedeuse à reintimação das recorrentes para complementar documentos e esclarecimentos. Nesse contexto, também não encontro fundamentos para acolher o pedido de diligências. Rejeitase a preliminar. Requerimento indicando endereço para encaminhamento das próximas intimações Os representantes das recorrentes requerem que as intimações relativas ao presente processo administrativo sejam feitas em nome de seus advogados devidamente constituídos no endereço: Rua Leopoldo Couto de Magalhães Jr., 758, 16° andar, 04542000, São Paulo SP. Sobre esse pedido, a DRJ consignou: As autuadas devem ser cientificadas conforme preceitua o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), devendo sempre ser no endereço previsto naquele dispositivo para o qual devem ser encaminhadas as intimações, ou seja, aquele em que o contribuinte elegeu como seu domicílio tributário. Em havendo interesse da contribuinte de promover qualquer alteração em seu domicílio tributário devem ser observadas as disposições previstas na legislação que trata do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) tendo em vista que é nesse cadastro que consta o domicílio tributário da contribuinte. Para tal mister, estão pormenorizadamente indicados quais são os documentos e procedimentos necessários no sítio da RFB no endereço: http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNPJ/ConsulSitCadastralCNPJ.ht m Analisando tais fundamentos, compartilhase do entendimento da DRJ de que, não há fundamento para que as intimações sejam encaminhadas para endereço diverso do constante no CNPJ. Mérito Resultado Não Operacional Omissão de Receitas Ganho de Capital Valor Tributável R$ 98.980.905,60 O acórdão recorrido registrou que, essa apuração se deu a partir do contrato de permuta com torna (fls. 1743 a 1958) celebrado entre CLEEL e Usina Moema Participações S/A (MOEMA PAR) em 23/12/2009. No TVF é esclarecido que a CLEEL entregara à MOEMA PAR 13.614.000 quotas da Usina Guariroba, que representavam 30% do capital desta, e mais uma compensação financeira, e recebe em troca 16.012.000 quotas do capital da Usina Vertente, equivalente a 50% do capital desta, de titularidade da MOEMA PAR. Esta Fl. 10711DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.712 91 operação foi concretizada em 05/02/2010, mesma data em que MOEMA PAR é incorporada pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda (NOVA PONTE), passando esta a ser detentora das quotas da Usina Guariroba que pertenciam àquela. Em detalhamento, a DRJ registrou: Para apurar o valor do ganho de capital da NOVA PONTE a fiscalização confrontou o valor total recebido na permuta (valor final das Quotas Guariroba + valor final da torna), subtraído do valor de aquisição (custo) das quotas da Usina Vertente cedidas na transação. O valor de custo da participação societária da MOEMA PAR e Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda. (USINA MOEMA) foi calculado a partir da percentagem de participação de cada uma no Patrimônio Líquido da Usina Vertente. Conforme demonstrativo de fls 2207, a parcela pertencente à MOEMA PAR é de 46,45%, e corresponde ao valor de R$ 19.150.119,66, e a participação da USINA MOEMA é de 3,55%, equivalente a R$ 1.463.128,11, o que totaliza R$ 20.613.247,77. O valor das Quotas da Usina Guariroba recebidas pela NOVA PONTE foi extraído do Demonstrativo do valor final das quotas da Usina Vertente e Usina Guariroba elaborado, nos dados do contrato de permuta e balanços de fechamento das empresas cujas quotas foram permutadas, conforme informação dada pela CLEEL às fls 2087 a 2091. Como a CLEEL detinha 30% das quotas da Usina Guariroba e o valor desta conforme supracitado Demonstrativo perfez o valor de R$ 252.734.067,52, sua participação em reais foi de R$ 75.820.220,31. A este valor foi adicionado o valor final da torna de R$ 51.338.673,96. A fiscalização considerou, então, que o valor recebido pela NOVA PONTE foi o somatório da participação que a CLEEL detinha sobre o valor final atribuído pelas contratantes à empresa Guariroba mais o valor final da torna, ou seja: R$ 127.158.894,27. O ganho de capital foi a diferença entre o valor recebido e o valor das quotas cedidas pelo seu custo de aquisição R$ 127.158.894,27 – R$ 20.613.247,77 , ou seja: R$ 106.545.646,50. Uma parte deste ganho de capital pertence à USINA MOEMA, que detinha 3,55% do Patrimônio da Usina Vertente e outra à NOVA PONTE, que detinha 46,45%, correspondendo, portanto, a 50% do total do Patrimônio Líquido. Coube, portanto, à NOVA PONTE a parcela do ganho de capital no valor de R$ 98.980.905,60 porque esta participava de 46,45% do total de 50% das quotas da Usina Vertente, ou seja, 92,9% do ganho de capital lhe pertence (46,45% /50%) x R$ 106.545.645,50 Com base na planilha de cálculo acima, fundamentando seu entendimento nos art. 117, parágrafo 4o, 418, 425 e 426, do Decreto n. 3000, de 26.3.1999 (RIR/99), bem como no Parecer Normativo CST n.504, de 3.8.1971, a fiscalização concluiu ter havido ganho de capital não oferecido à tributação pela Nova Ponte, no montante de R$ 98.980.905,60. Das Argumentações das Recorrentes referentes a essa infração. Fl. 10712DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.713 92 As recorrentes apresentaram as razões pelas quais sustentam que as operações de permuta não devem ser consideradas individualmente, mas em conjunto. Dos argumentos apresentados pelas recorrentes a DRJ destacou os seguintes pontos: As recorrentes mencionam que a Nova Ponte interpretou toda a operação de permuta em conjunto, o que acarretou no entendimento de que não houve nenhum ganho de capital apurado. A torna recebida apenas reduziu o valor do custo total de aquisição das usinas, tanto que o respectivo valor sequer compôs o ágio apurado na operação e questionado pelo fisco. A operação de aquisição dos investimentos nas Usinas Moema, Itapagipe, Guariroba, Frutal e Ouroeste deveria ser analisada como um todo, e não de forma individualizada por etapas. Asseveram que tal aspecto fica evidenciado pela análise do referido contrato de permuta (doc 04), o qual esteve totalmente condicionado ao fechamento da operação principal, qual seja, a aquisição da Moema Participações pela Nova Ponte. Isso porque, caso a operação principal não fosse concretizada, não haveria razão para a Nova Ponte adquirir o investimento em Guariroba detido por CLEEL. Justificam, por tal razão, que, contabilmente, as operações tenham sido registradas como um todo, de sorte que a torna recebida pela Nova Ponte, no valor de R$ 51.338.673,96, foi considerada como redutora do valor do ágio reconhecido na aquisição da holding Moema Explicam que a partir daí entenderam que a permuta realizada entre as quotas de Vertente e Guariroba era parte integrante e indissociável da operação como um todo, não havendo que se falar em aquisição de Vertente, seguida de permuta de quotas com Guariroba. Também argumentam que o trabalho fiscal incorreu em evidente contradição, ao fazer observações quanto à validade do ágio registrado na aquisição de investimento, mas sem intimar as sucessoras a retificarem sua contabilidade para excluir o referido ágio, como fez em relação à parcela do ágio relativa ao pagamento de comissão na negociação, conforme página 33 do TVF (fl. 5114 do processo). Ao contestar o ágio apurado, mas quando solicita retificação do seu valor apenas relativamente à parcela dele, significa, indiretamente, a aceitação do reconhecimento do restante do ágio na aquisição. Mencionam que, com base em tal raciocínio, não houve apuração de ganho de capital na operação de permuta, eis que, na verdade, ocorreu a aquisição da holding Moema, na qual ela despendeu vultosos recursos para ser titular da empresa que controlava investimentos nas Usinas Moema, Itapagipe, Guariroba, Frutal e Ouroeste. Alegam que mesmo se a aquisição da holding Moema fosse analisada na perspectiva das usinas operacionais, individualmente consideradas, a conclusão seria de que a parcela do custo de aquisição da holding correspondente à Usina Vertente seria de R$ 122.940.445,38, hipótese em que, da mesma forma, não haveria que se falar em ganho de capital, pois a soma da torna e do valor de mercado do investimento em Guariroba recebido da CLEEL seria de R$ 118.130,612,70. O valor de R$ 118.130.612,70 corresponde a 92,9% (correspondente a 46,45% dos 50% do total recebido de R$ 127.158.894,27 indicado no demonstrativo elaborado pelo fisco referente ao valor das quotas recebidas da CLEEL mais a torna). Fl. 10713DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.714 93 Os fundamentos e conclusões da DRJ O acórdão recorrido apreciou os fatos e fundamentos sustentados pelas recorrentes e registrou o seguinte entendimento: O ágio pago em 05/02/2010 pela NOVA PONTE na aquisição da MOEMA PAR no valor de R$ 1.354.994.009,12 tem a seguinte composição (demonstrativo extraído das fls 35 do processo 16561.720059/201597, de interesse da USINA MOEMA): na composição do ágio há dois valores reduzindoo, correspondente à torna recebida na permuta das quotas da Usina Guariroba detida pela CLEEL e da Usina Vertente, detida pela NOVA PONTE e USINA MOEMA no valor total de R$ 51.338.673,96 No demonstrativo aparecem valores que somados dão R$ 51.856.398,41 (R$ 48.673.522,21 + R$ 3.182.876,20). A diferença a maior no demonstrativo de R$ 517.724,45 não foi objeto de investigação no presente feito e, portanto, nenhuma influência terá na autuação que considerou o valor de R$ 51.338.673,96. O objetivo ao demonstrar a composição do ágio na aquisição da MOEMA PAR foi apenas o de permitir a visualização dos seus valores redutores. Um dos argumentos das recorrentes é o de que consideraram a aquisição como um todo, daí a torna recebida pela Nova Ponte, no valor de R$ 51.338.673,96, ter sido considerada como redutora do valor do ágio. O ágio pago pela aquisição da MOEMA PAR foi composto por dezenas de parcelas entregues a pessoas físicas e jurídicas. Em todos os casos, com exceção da CLEEL, o valor pago pela aquisição do investimento na MOEMA PAR foi superior ao seu valor patrimonial, daí o ágio. A transação de permuta de ações entre CLEEL e MOEMA PAR em verdade só existiu porque a aquisição da MOEMA PAR pela NOVA PONTE se concretizara, conforme rezava o contrato de permuta de quotas e outras avenças (fls. 1744 e seguintes), ou seja, embora dependente da aquisição da MOEMA PAR pela NOVA PONTE, e mesmo que o valor das ações envolvidas tenham sido avaliadas a maior pelas partes considerando este fator, certo é que se trata de operação ulterior à aquisição da MOEMA PAR conforme podese constatar pela seguinte consideração no contrato (fls. 1747): (iv) desde que ocorra o Fechamento definitivo da Operação Moema entre os Investidores e a Nova Ponte, a Moema Par e a CLEEL tem interesse em realizar permuta de quotas (“Operação”), pela qual a CLEEL entregará à MOEMA PAR 1.614.000 (treze milhões, seiscentas e quatorze mil) quotas hoje detidas por CLEEL no capital social da Guariroba (“Quotas Guariroba”) e uma compensação em moeda corrente nacional, conforme cálculo previsto abaixo, recebendo da Moema Par, em contrapartida, 16.012.000 (dezesseis milhões, doze mil) quotas detidas pela Moema Par no capital social da Vertente (“Quotas Vertente”); Logo, a transação havida entre CLEEL e MOEMA PAR só ocorrera após o fechamento definitivo da Operação Moema (fls. 1959 a 2024). Não procede, portanto, a idéia defendida pelas recorrentes de que tal permuta faça parte da aquisição da MOEMA PAR, embora só tenha se efetivado em função dessa primeira operação. Fl. 10714DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.715 94 Mas mesmo que fizesse parte integrante de dezenas de permutas de ações entre empresas do mesmo grupo ou não, para que fosse possível deduzir (ou compensar) o valor do ágio com ganho de capital teria de existir previsão legal por tratarse de uma renúncia fiscal. Por isso, o legislador constituinte de 1988 inseriu o § 6º, no art. 150, da CF com a seguinte redação: “§ 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição[2], sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.”. No caso em apreço houve uma compensação do ganho de capital com o ágio pago na aquisição da MOEMA PAR, o que pode ser analisado também pela ótica de amortização, sem base legal, do ágio. Via de regra o ágio não pode ser amortizado, apenas nas situações previstas no art. 7º e 8º da Lei nº 9532/97. Compensar o ganho de capital com o ágio sem que tenha se concretizado uma daquelas hipóteses de reorganização societária seria uma forma não prevista legalmente de amortização do ágio. Quanto ao argumento da suposta contradição da fiscalização por ter feito observações quanto à validade do ágio sem que intimasse a contribuinte para retificálo, como fez no tocante à parcela relativa ao pagamento de comissão, conforme fls 33 do TVF (fls. 5114), trata –se de um alerta preventivo para evitar a amortização de parcela que não poderia compor o ágio, o que já expus na parte do voto que tratou de nulidades. Não é verdade que se possa concluir que todo o restante do ágio tenha sido aceito porque não houve intimação para retificálo. A meu ver, a intimação para retificação de parte do ágio, tratouse de medida preventiva, anterior à autuação controlada pelo processo de nº 16561.720059/2015 97, que tratou especificamente da indedutibilidade do ágio. Aqui, no presente feito, verificouse apenas que parcela que compôs o custo do ágio não foi comprovada. Daí a intimação para que a contribuinte retificasse o ágio apenas com relação a esta parcela. Os demais pronunciamentos com relação ao ágio em si feitos pela fiscalização na presente fiscalização não resultaram em nenhuma autuação porque, como a própria contribuinte argüiu, não houve amortização no ano calendário de 2010, período abrangido aqui. As condições legais para a dedutibilidade das amortizações do ágio foram examinadas in totum e culminaram em sua glosa nos anos calendário de 2011, 2012 e 2013 somente no processo nº 16561.720059/201597. Conforme se vê, intimar as sucessoras da contribuinte para retificar parcela do ágio revelouse medida inócua após aquela autuação (que se efetivou posteriormente ao presente feito) porque qualquer amortização sua será glosada. Salientese que este mesmo colegiado desta 8ª Turma de julgamento chegou à conclusão que as glosas são procedentes no acórdão 1280.902, proferido em 27 de abril de 2016, conforme se observa pela ementa a seguir: Fl. 10715DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.716 95 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO POR SUA CONTROLADA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NA CONTROLADA APÓS A INCORPORAÇÃO DA EMPRESA VEÍCULO. Para que sejam satisfeitas as determinações dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 a reorganização societária deve se dar entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Deve o investimento encontrar o ágio pago por ele. Não havendo a confusão patrimonial entre a empresa investida e sua controladora, utilizada apenas como empresa veículo para transferir ágio arcado efetivamente por empresa diversa, sua amortização é indedutível para efeito de apuração do Lucro Real. Por se tratar de medida de cunho meramente preventivo, intimar ou não as sucessoras da NOVA PONTE a retificar o ágio, não muda R$ 0,01 na autuação conforme salientei na parte do voto que trata de nulidades e em nada prejudicou o entendimento das explanações dadas pela fiscalização relacionadas às infrações imputadas. Ainda com relação a esta infração é afirmado pelas sucessoras que mesmo se a aquisição da holding MOEMA fosse analisada na perspectiva das usinas operacionais, individualmente consideradas, a conclusão seria de que a parcela do custo de aquisição da holding correspondente à Usina Vertente seria de R$ 122.940.445,38, hipótese em que, da mesma forma, não haveria que se falar em ganho de capital, pois a soma da torna e do valor de mercado do investimento em Guariroba recebido da CLEEL seria de R$ 118.130.612,70 (correspondente a 92,9%* do total recebido de R$ 127.158.894,27 referente ao valor das quotas recebidas da CLEEL mais a torna). * 92,9% representa o total da participação percentual que a NOVA PONTE detinha no total recebido da CLEEL, porque participava de 46,45% do capital da Vertente, cujas quotas foram dadas à CLEEL em permuta. A alteração contratual firmada em 05/02/2010, acostada às fls. 2025 a 2029 comprova esta participação. Sobre o demonstrativo apresentado pelas recorrentes, observase, de plano um equívoco. A participação de 30% que a CLEEL detinha no valor final das quotas da Usina Guariroba (R$ 252.734.067,52) não dá R$ 71.601.771,42, mas R$ 75.820.220,31, conforme demonstrativo elaborado pelo Fisco. Apesar deste equívoco, as recorrentes reconhecem em suas argumentações que o total recebido da CLEEL corresponde ao que está indicado no demonstrativo elaborado pela fiscalização, qual seja, R$ 127.158.894,27, pois é com base neste valor que chegam ao total de R$ 118.130.612,70 que caberia à NOVA PONTE segundo suas argumentações. O grande erro das recorrentes é o de que elas consideraram em seus cálculos que o custo de aquisição das quotas da Usina Vertente corresponderia ao seu valor de aquisição mais o valor adicional que lhe foi atribuído por ocasião da permuta, no montante de R$ 102.327.197,61. E as recorrentes entendem que é este valor de R$ 122.940.445,38 o total a ser considerado segundo artigo 33 do DL nº 1598/77. O que o artigo 33 do citado DL menciona é que: Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do Fl. 10716DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.717 96 investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. O artigo 33 é matriz legal do art. 426 do RIR99, transcrito pela fiscalização no TVF. Também o Parecer Normativo CST nº 504, de 03/08/1971, igualmente citado pela fiscalização no TVF, não deixa margem a dúvidas quanto aos valores que devem ser considerados na apuração do ganho de capital na alienação de investimento, confira se: “3 – Também a pessoa jurídica que permutar ações por outras ações de valor equivalente ao de aquisição das cedidas, por conseqüência, não alterando quantitativamente o patrimônio social, não estará sujeita à imposição de tributo. 4 – Todavia, se resultar lucro para a pessoa jurídica na alienação de ações, quer esta se faça sob a forma de venda, troca por bens de outra natureza ou permuta por outras ações, será ele necessariamente computado no resultado do exercício para fins de tributação. 5 Ressaltese, ainda, quanto à incidência na pessoa jurídica, não ser o valor nominal das ações negociadas a base de apuração do resultado na transação, e sim o valor da aquisição das por ela cedidas, em confronto com o atribuído às que receba na permuta, observandose em qualquer caso, as disposições das alíneas a e b do art. 251 e, na hipótese de prejuízo, as normas dos arts. 192 e 193 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 58.400, de 10/05/66).” O item 5 é claro no sentido de que o que deve ser considerado é o valor de aquisição das ações em confronto com o atribuído às que sejam recebidas na permuta. Portanto, ressalto que é perfeitamente possível em uma permuta todas as partes envolvidas terem ganho de capital, bastando que o valor recebido em troca seja superior ao de aquisição do investimento que está sendo alienado. Na impugnação as autuadas esposaram entendimento de que não seria possível numa permuta todas as partes terem ganho de capital. Viram esta hipótese como absurda. Não vejo incoerência nessa possibilidade porque o ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor do ativo dado (pelo preço de aquisição) e recebido. Não é uma diferença entre ativos negociados a valor de mercado ou reavaliados pelas partes simplesmente, quando apenas seria tributável a torna. Fl. 10717DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.718 97 Logo, a CLEEL, tanto quanto a NOVA PONTE, também teve ganho de capital quando recebeu valor superior ao da aquisição do seu investimento na Usina Guariroba, dado em permuta. Não se trata de ganho potencial como asseveram as recorrentes. Houve efetiva alienação e aquisição de participação societária na permuta pelos valores reavaliados e aprovados pelas partes. Em outras palavras, o valor da reavaliação foi realizado, pois houve aquisição de outro ativo com esta mais valia. Não se trata de um ganho potencial como defendem as recorrentes. Os casos em que não se tributa ganhos de capital são específicos, como o exemplo trazido pelas recorrentes quando se referiram ao artigo 65 da Lei 8.383/91. O artigo restringese às aquisições de ações ou quotas leiloadas no âmbito do Programa Nacional de Desestatização (PND) que, pelo caput do artigo 65 tiveram tratamento de permuta quando o licitante vencedor entregasse títulos da dívida publica federal ou de outros créditos contra a União. Por uma ficção o parágrafo terceiro determinava para as pessoas jurídicas tributadas com base no Lucro Real que o custo de aquisição das ações ou quotas leiloadas fosse igual ao valor contábil dos títulos ou créditos entregues, ou seja, inexistindo diferença, não teria ganho de capital. Da mesma forma, o tão citado Parecer PGFN nº 454/1992, também trata de tributação (não incidência) a alienantes das ações de empresas incluídas no PND (ou seja, dava tratamento idêntico ao dispensado ao vencedor do leilão que deu títulos da dívida pública ou outros créditos contra a União conforme artigo 65 da Lei 8.383/91). Este Parecer veio esclarecer a aplicação de Parecer anterior, PGFN/PGA/nº 970/1991 que trata de “alienações, mediante permuta de ações no âmbito do PND”, já regulada por lei. A abrangência do Parecer PGFN/PGA/nº 970/1991 foi tratada no Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 9 de setembro de 2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: I Tratase de consulta Interna, na qual foi solicitado tratamento prioritário nos termos do art. 34, caput e § 2º da Portaria PGFN nº 1.267, de 6 de dezembro de 2010, proveniente da Divisão Nacional de Acompanhamento Especial Judicial e Estratégia de Defesa (DIAEJ) da Coordenação de Consultoria Judicial (COJUD) da Coordenação Geral da Representação Judicial da Fazenda Nacional, acerca da tributação do ganho de capital existente em operação de permuta de ativos mobiliários, bem como da abrangência do Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 [...] II 8. Prefacialmente devese perquirir o contexto e o alcance do quanto defendido no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 para, então, passar se à análise da legislação que rege as operações objeto da consulta. [...]. [...]. 16. Abarcamos a proposta da DIAEJ na sua totalidade. O Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 se prestou especificamente para as finalidades delineadas no PND e não pode servir como substrato para quaisquer operações que não as precisamente realizadas naquele âmbito. IV Fl. 10718DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.719 98 39. Em conclusão, e respondendo objetivamente aos quesitos formulados na presente consulta, temos que: 39.1. o entendimento consubstanciado no Parecer PGFN/PGA/Nº 970/91 restringese ao âmbito do PND, não podendo ser estendido a situações outras que não aquelas especificamente tratadas no referido opinativo: 39.1.1. é possível tributar pelo imposto sobre a renda a diferença positiva, via ganho de capital, existente entre o custo de aquisição e o valor dos bens mobiliários permutados no momento em que é feita tal operação, independentemente da existência de torna; 39.1.2. é correto o entendimento de que a permuta, por encontrarse no conceito de alienação, previsto no art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, via de regra é tributada, não tendo as desonerações previstas na legislação, como a tratada no art 121, II, do RIR/99 (permuta de imóveis), o condão de serem aplicadas para situações diversas daquelas especificamente ali disciplinadas; 39.1.3. a determinação de que a apuração do ganho de capital recairá apenas sobre a torna, nos termos do § 2º do art. 121, do § 3º do art. 123 e do inciso III do parágrafo único do art. 138, todos os RIR/99, aplicase exclusivamente às permutas de ativos imobiliários. O mencionado Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 2013, foi aprovado por despacho do Ministro da Fazenda de 29/05/2015, publicado no DOU de 01/06/2015, Seção 1, p. 24, e vincula o CARF, sendo de observância obrigatória por parte de seus Conselheiros, conforme disposto nos arts. 13 e 42 da Lei Complementar nº 73 de 10 de fevereiro de 1993. O despacho de aprovação tem o seguinte teor: Processo: Registro PGFN Nº 4724/2013 Assunto: Imposto Sobre a Renda. Permuta. Tributação do ganho de capital existente em operações de permuta de ativos mobiliários. Abrangência do Parecer PGFN/PGA nº 970/1991. Despacho: Aprovo o Parecer PGFN/CAT/Nº 1722/2013, de 09 de setembro de 2013, que versa sobre a tributação do ganho de capital existente em operações de permuta de ativos mobiliários, e sobre a abrangência do Parecer PGFN/PGA/Nº 970/1991. JOAQUIM VIEIRA FERREIRA LEVY Este Parecer, de cunho meramente interpretativo, tem aplicação retroativa ao tempo dos fatos geradores da presente exação a teor do artigo 106, I do CTN. Vêse que o Parecer PGFN/CAT nº 1.722, de 2013, veio pacificar o entendimento de que o Parecer PGFN nº 454/1992 se estendesse aos demais casos diversos do PND e é taxativo no sentido de que a regra geral na permuta de ativos mobiliários é a da tributação. Nesse contexto, analisandose os fatos apresentados pelas recorrentes e pela DRJ não há como acolher os argumentos apresentados pela recorrente, face às evidências que demonstram a ocorrência de ganho de capital caracterizado pelas tornas em dinheiro acima Fl. 10719DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.720 99 detalhadas. Assim, compartilho do entendimento da DRJ no sentido de que está correta a apuração do ganho de capital pelo Fisco no valor de R$ 98.980.905,60. Glosas de R$ 365.525,26 e R$ 338.809,49 A DRJ analisou que, a fiscalização glosou tais despesas porque nas notas fiscais apresentadas, ambas emitidas pela Bunge Alimentos S/A, não foi possível pela descrição nela contida, averiguar a natureza dos serviços prestados. Como não foi apresentado contrato de prestação de serviços ou comprovada a efetiva prestação, e no contrato de investimento (fls. 2214 a 4713) não foram identificadas evidências dos serviços prestados pelo beneficiário do pagamento, procedeuse à glosa. Os valores de R$ 365.525,26 e R$ 338.809,49 incluem R$ 16.996,91 e R$ 15.754,63 de contribuições, e R$ 5.482,88 e R$ 5.082,14 de IRRF. As recorrentes insurgem contra esta parte da autuação (Item 4.9 fls. 5222), argumentando que: Os pagamentos referemse ao adimplemento de custos administrativos inseridos no âmbito de um contrato de rateio (“cost sharing”) firmado entre a Nova Ponte e outras empresas do grupo econômico a que pertence, tal como a Bunge Alimentos S.A. Todavia, considerando que as recorrentes não localizaram o contrato da referida operação, assim como a fiscalização aduziu que não foi possível identificar a natureza do serviço para descrição contida nas notas fiscais, aplicouse sobre o valor do débito, acrescido das retenções a eles inerentes comprovadamente constantes nos sistemas da Receita Federal, as disposições do art. 674 do RIR/99 para exigir o IRF sob a alíquota de 35%. De igual modo, considerando a ausência de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, a fiscalização entendeu que a despesa no valor total de R$704.335,00 (pagamentos e tributos retidos) seria indedutível na apuração do IRPJ e da CSL e, consequentemente, lançou de ofício também destes tributos. Ocorre que os aludidos pagamentos referemse ao adimplemento de custos administrativos inseridos no âmbito de um contrato de rateio ("cost sharing") firmado entre a Nova Ponte e outras empresas do grupo econômico a que pertence, tal como a Bunge Alimentos S.A. Esses contratos de compartilhamento de custos e despesas ("cost sharing") são celebrados entre empresas para alocar e partilhar despesas decorrentes de determinadas atividades ou departamentos, cujo desempenho trará benefícios para todos os sujeitos participantes do convênio. Visam, em última análise, à racionalização e à redução dos gastos com estas atividades, as quais são voltadas para objetivos coincidentes, e para a maximização de eficiência em atividades comuns. As recorrentes reforçam seu entendimento mencionando os artigos 425 e 107 do Código Civil que , a seu ver, refutam a necessidade de formalização do contrato. Mencionam que há manifestações das autoridades que esclarecem as características de um contrato de “cost sharing” e que a Solução de Consulta da Coordenação Geral de Tributação (COSIT), n. 8, de 1.11.2012, dentre outras, reconhece a validade desse tipo de contrato, sendo desnecessário tecer outras considerações a respeito. Fl. 10720DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.721 100 Finalizam afirmando que à luz do artigo 299 do RIR99 estas despesas devem ser reputadas passíveis de dedução. Também argumentam que a essência dos pagamentos realizados encontra guarida em um contrato de rateio de despesas administrativas, firmado pela Nova Ponte e as demais empresas do grupo econômico a que pertence, evidenciando a natureza da relação jurídica firmada e, portanto, a causa da operação questionada e que os valores desembolsados em favor da Bunge Alimentos S.A., conforme notas fiscais n. 008 e 020, além de demonstrarem o sujeito beneficiário dos pagamentos, também confirmam a efetividade das despesas incorridas, devendo ser cancelada a exigência de IRRF sobre o valor de R$ 661.018,08 calcada no artigo 674 do RIR99. Razões de Decidir da DRJ À vista das evidências e informações apresentadas pelas recorrentes a DRJ registrou os seguintes aspectos: Quanto ao valor de R$ 1.611.420,31, o TVF menciona que o motivo da glosa foi não terem sido apresentados contrato de prestação de serviços, as notas fiscais relativas à operação, tampouco comprovada a efetiva prestação de serviços. Quanto ao valor de R$ 774.033,47 o motivo da glosa é o mesmo. As autuadas apresentaram as Notas Fiscais nºs 1552 e 1569 emitidas pela Bain Brasil Ltda., memórias de cálculo dos valores pagos e Contrato de Prestação dos Serviços (Doc 18). Confirmei a autenticidade das Notas Fiscais no endereço https://nfe.prefeitura.sp.gov.br/publico/verificacao.aspx?tipo=0 Portanto, considero satisfeitas duas das três exigências fiscais para comprovação das despesas, quais sejam, Contrato de Prestação de Serviço e Notas Fiscais. Quanto à terceira exigência, comprovação da prestação dos serviços, a apresentação do contrato não é suficiente. O objeto do contrato é a implementação de projeto de integração (descrito no Anexo 1) e, dada a sua natureza, para a sua execução certamente houve necessidade de apresentação de relatórios, pareceres, trocas de informações entre contratante e contratada visando dirimir dúvidas, comunicação de designação de profissional, o que está previsto na cláusula 2 que trata da execução do serviço (fls. 5561). Tampouco as Notas Fiscais contêm detalhes que possam comprovar a execução dos serviços contratados, pois o campo destinado à discriminação dos serviços foi mais utilizado para tratar dos aspectos tributários. Quanto aos serviços menciona apenas serem “Serviços efetivamente prestados no estabelecimento da Bain Brasil Ltda, situado no Município de São Paulo, cujo ISS....” A comprovação da prestação do serviço, a depender de sua natureza, não é a existência de emissão de Nota Fiscal, do seu pagamento e contabilização mas da sua execução. Fiz questão de ressaltar que depende da natureza do serviço porque há casos, como por exemplo, limpeza e segurança, que sua execução normalmente prescinde de relatórios. Fl. 10721DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.722 101 Entendo que a comprovação da efetiva prestação do serviço passa por demonstrar a existência dos relatórios, pareceres e outras informações trocadas entre contratante e contratada conforme previsto contratualmente. Mantenho a glosa, portanto. Observase, portanto, que o motivo pelo qual a DRJ manteve a glosa reside na falta de evidências de que teria realmente havido a prestação dos serviços consistentes no referido plano de integração. Sobre esse ponto, as recorrentes ressaltam que o Projeto de Integração era necessário para a conclusão da reorganização societária em questão. Portanto, as despesas administrativas incorridas pela Nova Ponte no escopo de um contrato de rateio eram necessárias. As despesas de caráter administrativo pactuadas via contrato de rateio, tal como aquelas discutidas no presente tópico, são essenciais ao funcionamento das engrenagens da atividade desenvolvida pela Nova Ponte e devem ser reputadas como despesas operacionais passíveis de dedução, nos termos do art. 299 do RIR/99. Ressalta que, uma vez comprovadas as despesas, mediante o comprovante de crédito bancário e as notas fiscais emitidas, assim como a natureza da operação relacionada, não deve prosperar o entendimento fiscal no sentido de que tais despesas não foram comprovadas e, portanto, não seriam dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSL. Observase que, não obstante as oportunidades concedidas às recorrentes, não demonstraram que o referido Projeto de Integração foi efetivamente implementado. Suas alegações realmente indicam a necessidade de um projeto da espécie para a finalização da organização societária. Todavia, não é possível concluir em favor das recorrentes tão somente com base em suas alegações. Nesse sentido, compartilho da conclusão da DRJ para manter tais glosas. Adições Não Computadas na Apuração do Lucro Real Custo/Despesa indedutível Sobre esse ponto, o acórdão recorrido destacou os seguintes registros do TVF: a) o valor de R$6.900.442,72 foi contabilizado a crédito de Bancos e a débito da conta Material Indireto Nacional Suprim; b) as sucessoras da contribuinte informaram tratarse de pagamento efetuado ao Banco de Investimento Garantia, referente à prestação de serviço de assessoria (NF 970853); c) apresentaram o comprovante TED (fls. 4923) que indica como destinatário BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE, e apontaram o registro contábil da baixa da obrigação e registro da despesa na conta Serviços de Terceiros; O débito no valor de R$ 6.476.065,49, não foi comprovado na data de 24/03/2010. O valor consolidado de R$ 6.900.442,72 inclui o pagamento de R$ 320.870,59, referente às contribuições retidas e recolhidas e R$ 103.506,64 de imposto de renda. Intimadas a comprovar e prestar esclarecimentos acerca da natureza da operação, das suas causas, da identificação dos beneficiários, bem como da contabilização, Fl. 10722DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.723 102 consoante item 1.18 e 2.4 do Termo de Intimação de 08/10/2014, foi apresentada resposta em 18/12/2014 (fls. 526 a 530), na qual as sucessoras do contribuinte informaram tratarse de pagamento efetuado ao Banco de Investimento Garantia, referente à prestação de serviço de assessoria (NF.970853), conforme comprovante e contabilização. Não foram apresentados o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais relativas à operação. Apresentouse resposta em 09/03/2015 (fls. 605 a 608), na qual as sucessoras do contribuinte acostaram cópia de um contrato em idioma estrangeiro (fls. 4924 a 4934), firmado em 28/12/2009 por Bunge Limited e Bunge Alimentos S/A, confirmando um acordo com BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A., para prestação de serviços. O documento não se fez acompanhar da tradução juramentada tampouco satisfaz os requisitos de validade de documentos em idioma estrangeiro, consoante orientações contidas no item 6 do Termo de Início, não se prestando a comprovar despesas do contribuinte. Ressaltamos ainda, que o contrato está em nome de terceiros, portanto caracteriza despesa desses terceiros. Dessa forma, por falta de comprovação da despesa, das causas da operação e da efetiva prestação de serviços, e por tratarse de despesas de terceiros, a despesa no valor total de R$ 6.900.442,72, foi considerada indedutível e objeto de adição na apuração do Lucro Real no lançamento de ofício. Razões das Recorrentes Com relação a este item as autuadas assim se manifestaram: A respeito do débito de R$ 6.476.065,49, de 24.3.2010, as recorrentes informaram que se tratava de pagamento efetuado em razão da prestação de serviço de assessoria pelo Banco de Investimento Credit Suisse S.A.; Em complemento à informação acima, apresentou cópia do contrato firmado entre a Bunge Limited, a Bunge Alimentos S.A. e o Banco de Investimento Credit Suisse S.A. (fis. 4924 a 4934), cujo objeto reside basicamente na análise, avaliação, estruturação e negociação de operação de aquisição ou compra da integralidade ou de parte dos ativos ou do capital social das empresas mencionadas no referido instrumento, dentre elas a Usina Moema Participações S.A. No mesmo momento, também acostou ao procedimento fiscal o documento de cobrança nº 970853 (fl. 4935), emitido pelo Banco de Investimento Credit Suisse S.A. ("Credit Suisse"), em 11.3.2010, em face da Nova Ponte, requerendo o pagamento do "transaction fee" relacionado ao aludido contrato, no valor total de USD 3.635.583,84. Ao analisar os referidos documentos, a fiscalização aduziu que o contrato não estava acompanhado da respectiva tradução juramentada, assim como que a Nova Ponte não constava como parte da relação contratual, o que ensejaria o enquadramento do débito como despesa de terceiros. A fiscalização também afirmou que não localizou no Livro de Aquisição da Moema Participações S.A. evidências da efetiva prestação dos serviços em destaque, motivo pelo qual reputou o aludido pagamento e as retenções a ele relacionadas como sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, lançando o IRF supostamente devido. Fl. 10723DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.724 103 Somese, ainda, que além de exigir o IRRF sobre o aludido pagamento e suas retenções, também reputou como indedutível a referida despesa, por considerála como despesa de terceiros, adicionandoa na apuração do resultado tributável para efeitos de IRPJ e CSL. Ocorre que no referido contrato, conforme se observa pela tradução juramentada ora anexada (doc. 12 da Impugnação), fora convencionada a prestação de consultoria financeira pelo Credit Suisse à Bunge Limited e à BAL e tem como plano de fundo a "Transação" envolvendo a Usina Moema Participações S.A.; Usina Moema Açúcar e Álcool Ltda.; Frutal Açúcar e Álcool S.A.; Usina Guariroba Ltda.; Usina Itapagipe Açúcar e Álcool Ltda.; Usina Ouroeste Açúcar e Álcool Ltda.; Usina Vertente Ltda.; e suas afiliadas ("alvos"). A "Transação" a que se refere o contrato "deverá incluir, entre outras, qualquer aquisição ou compra (seja em uma ou em uma série de transações) da integralidade ou parte dos ativos ou do capital social dos Alvos, qualquer fusão, associação, joint venture, parceria, aquisição ou outra combinação de negócios dos Alvos, ou qualquer recapitalização, reestruturação ou liquidação dos Alvos ou qualquer outra forma de transação que resulta na aquisição efetiva, transferência ou outra compra efetiva de ativos, ações, capital social, propriedade, negócios e/ou operações principais dos Alvos". Neste contexto, conforme "Seção 1. Serviços" do contrato, os serviços do Credit Suisse em relação à "Transação" serão de assistência na (i) análise e avaliação dos negócios, operações e posição financeira dos "alvos"; (ii) desenvolvimento de uma estratégia para efetuar a "Transação"; e (iii) estruturação e negociação da "Transação". Como uma das formas de remuneração pelos serviços prestados, conforme "Seção 3. Compensação" e o "Anexo A" do aludido instrumento, a BAL comprometeuse a pagar ao Credit Suisse, na Data de Fechamento, uma taxa base igual ao equivalente em reais a US$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil dólares americanos). Também restou acordado na "Seção 4. Despesas; Pagamentos" que, além da remuneração segundo as disposições acima, a BAL também reembolsaria o Credit Suisse ou qualquer uma de suas afiliadas a respeito das despesas, inclusive as taxas e despesas de seu conselho jurídico externo, resultantes ou oriundas da contratação ou dos serviços prestados, bem como quaisquer outras contratações assumidas pelo Credit Suisse a pedido das contratantes. Vale registrar que, segundo a mesma "Seção 4. Despesas; Pagamentos", a BAL não deveria ser obrigada a reembolsar o Credit Suisse por despesas agregadas que ultrapassassem US$ 25.000,00 (vinte e cinco mil dólares), exceto honorários advocatícios e despesas dispostas acima, incorridas sem o consentimento por escrito da BAL. Todavia, em 2.2.2010, o referido contrato foi aditado pelas partes para, dentre outros, consignar que: "2. De acordo com o nosso entendimento recente, as partes da Carta de Contratação concordam em alterar a Carta de Contratação para ter a Agroindustrial Nova Ponte Ltda. ("Nova Ponte") como parte contratante dos serviços fornecidos pela Credit Suisse Na Carta de Contratação e, assim sendo, incluir a Nova Ponte na definição de "Empresas". Desse modo, todos os direitos, reparos e obrigações das Empresas estabelecidas na Carta de Contratação deverão ser totalmente aplicáveis à Nova Ponte. Fl. 10724DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.725 104 3. Além disso, as partes da Carta de Contratação e a Nova Ponte ("Partes") concordam que a Nova Ponte será em conjunto e individualmente responsável em conjunto com a Bunge Alimentos S.A. por todos os pagamentos, reembolsos e outras obrigações estabelecidas nas Seções 2, 3, 4. 9 e Anexo A da Carta de Contratação" (g.n.). Assim, conforme aditamento anexo e sua respectiva tradução juramentada (doc. 13), a Nova Ponte tornouse parte da relação contratual, assumindo a responsabilidade individualmente e em conjunto por todos os pagamentos, reembolsos e outras obrigações estabelecidas no referido instrumento. Diante das informações prestadas e dos documentos e traduções apresentados pelas recorrentes na Impugnação, é imperioso reconhecer que o pagamento em discussão no presente tópico estava contemplado na obrigação convencionada no dito contrato de assessoria financeira. Assim, a DRJ destacou: Conforme "Documento de Cobrança" e memória de cálculo em anexo (doe. 14), o valor de R$ 6.476.065,49 se refere ao montante objeto da "Seção 3. Compensação", cumulado com o item "i" do "Anexo A" do contrato, isto é, a taxa base igual ao equivalente em reais a US$ 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil dólares americanos). Portanto, considerando o contrato firmado, seu respectivo termo aditivo e do documento de cobrança emitido pelo Credit Suisse em face da Nova Ponte, resta comprovada a natureza jurídica do pagamento, a título de assessoramento financeiro, devendo ser afastada a aplicação do art. 674 do RIR/99 e a respectiva exigência de IRF à luz do que dispõe a SCI Cosit nº 11/2013. Isso porque, conforme exaustivamente demonstrado, o art. 674 do RIR/99, em razão da presunção a ele inerente, também não deve ser aplicado caso o contribuinte comprove a natureza dos pagamentos. É exatamente o que se observa no presente caso, conforme documentação ora anexada. Acresçase, ainda que, além de reputar o aludido montante como pagamento sem causa, a fiscalização considerou as retenções a ele relacionadas também como desprovidas de causa, pois compunham o preço da prestação do serviço. Daí novamente a constatação de que a fiscalização deturpou a aplicação do art. 674 do RIR/99, que somente deve ter lugar em situações extremas e nas hipóteses de pagamento sem causa e ausência de identificação do beneficiário. Note que, além de demonstrar a causa do pagamento, conforme documentos e arguições acima, a própria autoridade fiscal (fl. 5118) reconhece que os valores retidos de R$ 320.870,59 e R$ 103.506,64 são tributos recolhidos pela Nova Ponte e estão em conformidade com os sistemas da Receita Federal (fls. 4894 e 4895). Confirase: "Os valores retidos (320.870,59 de contribuições e 103.506,64 de imposto de renda) foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2130010035 PIS RE S CTR'S PRÓPRIO PJ (fls. 4936 e 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/SERVIÇOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948), que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita federal (fls. 4894 e 4895), e, como compuseram o preço da prestação dos supostos serviços, também foram objeto de lançamento de ofício como pagamento sem causa", (g.n.) Fl. 10725DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.726 105 Ora, não é razoável aplicar uma medida extremada como aquela preconizada no art. 674 quando a própria fiscalização registra que os montantes questionados se referem a tributos recolhidos à Receita Federal do Brasil, em decorrência do pagamento realizado em favor do Credit Suisse. Portanto, também por todos os motivos acima, requerem o cancelamento também das exigências de IRF sobre os montantes que reconhecidamente se referem a tributos retidos e recolhidos em favor da Administração Tributária. Paralelamente, considerando os documentos supramencionados, especialmente o termo aditivo que incluiu a Nova Ponte na relação contratual e sua responsabilidade pelo pagamento dos valores objeto do contrato, não resta a menor dúvida de que tal montante não configura despesa de terceiros, mas própria da Nova Ponte. Logo, tratandose de despesa própria e necessária ao desenvolvimento de suas atividades e das operações praticadas, inclusive preconizadas em instrumento contratual, não resta a menor dúvida de que as exigências de IRPJ e CSL devem ser afastadas, nos termos do art. 299 do RIR/99, com o consequente cancelamento das exigências fiscais. Ora, no caso presente, a necessidade do pagamento feito ao Credit Suisse decorre principalmente da (i) ausência de liberalidade da Nova Ponte, pois era obrigatório de acordo com o disposto e acordado no contrato firmado em 28.12.2009 e aditado em 2.2.2010; e da (ii) essencialidade do serviço prestado em razão da importância da operação analisada para o desenvolvimento e aprimoramento das atividades por ela desenvolvidas. Assim, vêse que a despesa incorrida pela Nova Ponte não era de terceiros, tampouco era desprovida de causa e nem tampouco foi incorrida por mera liberalidade. Tratavase, isto sim, de valor previsto contratualmente, necessário às transações relacionadas à atividade da Nova Ponte. Portanto, mister se faz o cancelamento da glosa referente ao IRPJ e CSL sobre os pagamentos em questão. Conclusão da DRJ Após detida análise, a DRJ registrou os pontos relevantes e apresentou suas conclusões nos seguintes termos. O valor de R$ 6.900.442,72 foi considerado indedutível e objeto de adição na apuração do Lucro Real por falta de comprovação da despesa, de sua causa e da efetiva prestação de serviços além de tratarse de despesas de terceiros. À época da fiscalização, segundo TVF, não foram apresentados o contrato de prestação de serviços e as notas fiscais relativas à operação. O contrato trazido pelas sucessoras estava versado em idioma estrangeiro, sem tradução juramentada, e firmado em 28/12/2009 por Bunge Limited e Bunge Alimentos S/A, confirmando um acordo com BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A, para prestação de serviços. Compulsando os autos vejo que o nº 970853, que no lançamento contábil consta como sendo o de uma Nota Fiscal, na realidade, é o número de controle do documento de cobrança emitido pelo Credit Suisse (fls. 4935). Fl. 10726DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.727 106 Todavia, considerando que o BANCO DE INVESTIMENTOS CREDIT SUISSE (BRASIL) S/A é uma Instituição Financeira e que, no município de São Paulo, o Regulamento do ISS no artigo 82, § 3º , II, as desobriga a emitir Nota Fiscal de Serviços, considero superada a ausência de Nota Fiscal. Superada está também a questão do contrato apresentado em idioma estrangeiro sem tradução juramentada, pois as autuadas em sede de julgamento o fizeram. A tradução juramentada encontramse acostada às fls. 5541/5549 (contrato entre “CREDIT SUISSE” e Bunge Limited e Bunge Alimentos S.A.) Quanto ao fato de que o contrato estava em nome de terceiros, e não da Nova Ponte, que arcou com a despesa, as autuadas trouxeram o aditivo ao contrato firmado em 02.02.2010 (fls. 5552 a 5553) para comprovar que se tornou parte da relação contratual, assumindo todas as obrigações ali previstas. Ocorre que o aditivo, feito em papel timbrado do “Credit Suisse”, e que tem por escopo alterar termos do contrato entre Bunge Alimentos S.A., Bunge Limited e o Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A , não está assinado por este último interessado (fls. 5551). Como ter certeza de que a NOVA PONTE passou a ser parte da relação contratual estabelecida em 28.12.2009 se o aditivo não está assinado pela prestadora dos serviços? Para mim fica prejudicada a comprovação do ingresso da NOVA PONTE na relação contratual! Além do exposto, em face da natureza dos serviços contratados, para a comprovação de sua efetiva prestação, como solicitado pelo fisco, além da apresentação do contrato, deve ser comprovada sua execução com a apresentação do Parecer previsto na seção 2, por exemplo, ou , se não exigida sua emissão, qualquer documento que comprove a análise e avaliação dos negócios, operações, e demais serviços contratados conforme itens (a), (b) e (c) (fls. 5541). Quanto à SCI Cosit nº 11/2013 trata da compatibilidade entre a glosa de custos ou despesas com o lançamento reflexo de IRRF, quando estão amparados em notas fiscais inidôneas. A solução menciona apenas ser necessária que haja a comprovação do pagamento para aplicação do artigo 674 do RIR –99. Por outro lado, enfatiza que não cabe a cobrança de IRRF sem a devida comprovação do pagamento (item 20). Admite, ainda, que as despesas amparadas por notas fiscais consideradas inidôneas possam ser consideradas dedutíveis quando comprovado o pagamento concomitantemente com o recebimento das mercadorias e prestação dos serviços (itens 13 e 14). Tanto no caso deste pagamento como em todos os demais que estou mantendo na autuação de IRRF, o faço porque uma das situações descritas a seguir ocorreu, isoladamente, ou em conjunto: não houve comprovação da ligação da pessoa jurídica pagadora com o beneficiário do pagamento, bem como da efetiva prestação do serviço (no presente caso ambas situações ocorreram). Em face do exposto, mantenho incólume a autuação neste item. Não obstante, em sede de Recurso Voluntário, as recorrentes juntaram via assinada do referido Termo Aditivo e declaração do Credidt Suisse de que prestou o serviço. Fl. 10727DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.728 107 Diante de tais juntadas, verificase que está demonstrada a prestação de serviços no interesse da Nova Ponte. Assim, considero atendidas as disposições do art. 299 do RIR/99 e, nesse sentido, divirjo da DRJ para afastar a referida glosa. Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada O acórdão recorrido destacou que a autuação da multa sobre base de cálculo estimada decorreu das omissões de receitas, glosa de despesas e adições de despesas indedutíveis, as quais alteraram as bases de cálculo utilizadas pela contribuinte para apuração mensal do IRPJ e CSLL . No TVF é ressaltado que na DIPJ (fls. 16 a 53) não foram apurados valores de antecipações, tampouco existem débitos de antecipações confessados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, nem recolhimentos. Seguem os demonstrativos de determinação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, com base no balanço de suspensão ou redução e a multa Isolada de 50% incidente: As autuadas argumentam que: a) após o encerramento do período de apuração, não há mais que se falar em imposição de multa isolada; b) o pagamento desses tributos se dá em duas diferentes etapas, a primeira em caráter provisório e antecipatório e a segunda, quando se dá a apuração e ajuste final, de caráter definitivo. c) o não pagamento de tributo é uma única conduta e não duas, como entendeu a d. fiscalização. O fato de o pagamento ser feito em etapas (primeiro antecipado, depois definitivo, no encerramento do período) não muda sua característica unitária. d) a imposição da multa isolada concomitantemente à multa de ofício implica dupla penalização pela mesma infração, que é o recolhimento a menor do IRPJ e CSLL devidos nos períodos mencionados. Fl. 10728DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.729 108 [Cita e transcreve jurisprudência administrativa e doutrina, princípio da consunção (absorção) e decisão do STJ]. Menciona também que a dupla penalização sobre o mesmo fato também resta evidenciada no presente caso, quando, após todas as considerações acima, se verifica que a mesma glosa deu origem ao IRF de 35%, à glosa de despesas na base de cálculo do IRPJ e CSL, e a exigência de multa isolada sobre estimativas. Razões de Decidir da DRJ A DRJ ressalta que o próprio texto do artigo 44 já esclarece que a multa isolada de que trata o seu inciso IV ocorre distintamente da apuração de tributo. Vejamos: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica O Artigo 2º mencionado na alínea “b” trata da tributação determinada com base no lucro real em base estimada e que à época dos fatos geradores da presente exação apresentava as seguintes disposições: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 A Lei instituiu a obrigatoriedade de recolhimento das antecipações de IRPJ mensalmente devidas, independentemente de apuração de base tributável ao final do período anual de apuração, impondo assim uma importante distinção jurídica entre o “recolhimento” mensal das estimativas (antecipações) e o “pagamento” do IRPJ e da CSLL devidos após o período de apuração. Fl. 10729DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.730 109 Nesse sentido, compartilho que a DRJ, no sentido de que, não há, portanto, duplicidade de penalidades sobre os mesmos fatos, na medida que as hipóteses de incidência são distintas. No caso da multa de ofício exigida juntamente com o tributo ou a contribuição não pagos, o fato ilícito que sustenta a imputação é a falta de pagamento e a falta de declaração ou declaração inexata do tributo ou contribuição devidos ao final do período de apuração anual; no que diz respeito à multa isolada, a ilicitude decorre da falta de recolhimento das estimativas mensalmente devidas, a título de antecipações, no curso do anocalendário. Em se verificando a existência de ilícitos distintos e inconfundíveis, não se pode caracterizar a identidade das multas aplicadas. Há também jurisprudência a referendar o entendimento adotado: IRPJ LANÇAMENTO DE MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO ACOMPANHANDO EXIGÊNCIA DE TRIBUTO COMPATIBILIDADE A falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. O lançamento é compatível com a exigência de tributo apurado ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de ofício. Recurso negado. Acórdão 10807660 Data da Sessão: 05/12/2003 Relator: José Carlos Teixeira da Fonseca MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. Acórdão 10194858 1ª Câmara Data da Sessão: 23/02/2005 Relator: Caio Marcos Cândido MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido”. Acórdão 10194861 Data da Sessão: 24/02/2005 Relator: Sandra Maria Faroni “MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE Verificada a falta de pagamento da contribuição social por estimativa, após o término do ano calendário, cabe o lançamento da multa, exigida isoladamente, sobre os valores devidos e não recolhidos por estimativa e da multa proporcional calculada sobre a contribuição devida no encerramento do anocalendário, não declarada e/ou não Fl. 10730DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.731 110 recolhida pela pessoa jurídica. Recurso a que se nega provimento”. Acórdão 10194519 Data da Sessão: 17/03/2004 Relator: Valmir Sandri “MULTA ISOLADA – Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o térmico do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos e o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto”. Portanto, na mesma forma como concluiu a DRJ, mantémse parcialmente o valor da multa isolada sobre base estimada. Ajustandoa, apenas, pela dedução da base estimada do valor não mantido referente à Omissão de Receitas ocorrida em fevereiro de R$703.565,21 tendo em vista que nos demais meses só há bases negativas conforme planilha de cálculo no TVF. Assim, a multa isolada fica alterada como demonstrado na forma a seguir: A multa isolada sobre estimativas de IRPJ não pagas a ser mantida é de R$ 11.805.507,77 Quanto ao IRPJ, o valor mantido na autuação em decorrência desse voto em função do afastamento da tributação dos valores de R$ 703.565,21 e R$ 2.829.406,33 será calculado como a seguir demonstrado: Fl. 10731DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.732 111 VALOR DAS INFRAÇÕES : R$ 113.109.354,69 VALORES CANCELADOS: (R$ 703.565,21) (R$ 2.829.406,23) VALOR DAS INFR. APÓS CANCELAMENTO R$ 109.576.383,25 PREJUÍZO DO PERÍODO: (R$ 25.816.429,54) PREJUÍZO DE PERÍODOS ANTERIORES (R$ 2.543.490,64) =VALOR TRIBUTÁVEL APÓS COMPENSAÇÃO R$ 81.216.463,07 IMPOSTO 15% R$ 12.182.469,46 CALCULO DO ADICIONAL =VALOR TRIB APÓS COMPENSAÇÃO R$ 81.216.463,07 PARCELA NÃO SUJEITA AO ADICIONAL (R$ 240.000,00) = VALOR TRIBUT. SUJEITO AO ADICION R$ 80.976.463,07 ADICIONAL 10% R$ 8.097.646.30 IMPOSTO DEVIDO ANTES DAS DEDUÇÕES : R$ 12.182.469,46 + R$ 8.097.646,30 = R$ 20.280.115,76 DEDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO (R$ 644.992,08) IMPOSTO DEVIDO R$ 19.635.123,68 Deve, portanto, ser afastada da cobrança de IRPJ a parcela de R$ 883.242.87. OBS: O valor dos saldos de prejuízos fiscais compensados com o valor das infrações remanescentes após o expurgo do valor das canceladas não foi alterado, tendo em vista que a compensação continuou sendo inferior à trava de 30% prevista no artigo 15 da Lei nº 9065/95. Autuação Referente à CSLL Verificouse que, a autuação da CSLL decorreu das mesmas infrações apuradas no lançamento do IRPJ. Com relação à infração CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS, o autuante menciona no TVF que os fatos descritos (referentes à autuação do IRPJ) afetam a base de cálculo da CSLL, lançada com reflexo. Menciona e transcreve os artigos 13 da Lei 9249/95, 47 da Lei 4506/94 (sic) e 57 da Lei nº 8.981/95 que respaldariam o entendimento de que as deduções da base de cálculo da Fl. 10732DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.733 112 CSLL devem observar as mesmas normas aplicadas para a apuração da base de cálculo do IRPJ. Com relação à OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS consubstanciada na apuração das receitas auferidas na alienação das participações societárias mediante permuta, o lançamento da CSLL como reflexo baseouse no artigo 24 da Lei nº 9.249/1995 (transcrito à fl. 5123). A autuação da CSLL em face da infração CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS baseouse nos mesmos dispositivos mencionados na infração CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO COMPROVADOS. As recorrentes mencionam que o entendimento estratificado na jurisprudência do antigo 1º Conselho de Contribuintes, é o de que o fundamento legal do art. 299 do RIR/99, no qual está baseada a presente autuação, qual seja, o art. 47 da Lei n. 4.506/64, restringese apenas ao imposto de renda, não se aplicando à contribuição em foco, até porque a CSLL só veio a ser criada com o advento da Lei nº 7.689/88. Ressalta que as regras legais, que regulam a incidência do IRPJ, a princípio, não são auto aplicáveis na determinação da base de cálculo da CSLL e sempre que o legislador pretendeu conferir o mesmo tratamento perante esses tributos, ele o fez expressamente, como no artigo 13 da Lei nº 9.249/95. Traz várias ementas do extinto Conselho de Contribuintes e da CSRF e lembra a Solução de Consulta COSIT nº 198, de 09/07/2014 que, ao interpretar o artigo 57 da Lei nº 8.981/95, deixou claro que a norma, apesar de unificar a forma de apuração e pagamento de ambos os tributos preserva, no entanto, aspectos particulares de cada um, uma vez que observa que devem ser mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor. Razões de Decidir da DRJ À vista de tal entendimento das recorrentes, a DRJ destacou que, os dispositivos citados pelas recorrentes permitem concluir que, em relação à autuação da CSLL não houve insurgência específica relacionada à infração OMISSÃO DE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS. Com efeito, a citada infração resulta na apuração de uma Receita e, as demais, de Despesas que devem ser adicionadas/glosadas. Além disso o teor da impugnação das autuadas centrase na necessidade de existir determinação expressa para tratar da base de cálculo da CSLL, o que de fato ocorreu no tocante à infração de omissão de receitas que se baseou no artigo 24 da Lei 9.249/95, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita Fl. 10733DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.734 113 omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, da Contribuição para o PIS/Pasep e das contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009). A DRJ concordou com as recorrentes, quanto às suas ponderações de que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 de forma alguma autoriza o entendimento de que ao estender à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, também incluiu as mesmas adições e exclusões ao lucro líquido para o cálculo daquela contribuição. Entretanto, salientou que, o cálculo de ambos os tributos partem de uma mesma base, qual seja, o lucro líquido. E o artigo 2º da Lei nº 7.689/88 (que instituiu a CSLL), mencionado no auto de infração de CSLL em todas as imputações, prevê as seguintes disposições: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) ........................................................................................................ A base de cálculo da CSLL é o resultado do períodobase apurado com observância da legislação comercial, ajustada pelas adições e exclusões previstas na alínea “c”. Dentre as exigências das leis comerciais está a de que a escrituração deve ter correspondência com a documentação respectiva (art. 1.179 do Código Civil). A documentação deve ser hábil para a comprovação dos lançamentos contábeis, os quais, por sua vez, são os meios pelos quais são registrados os fatos contábeis. Se há o registro de uma despesa ocorrida por uma prestação de serviços, por exemplo, é documentação hábil (aceita pelo Fisco), a Nota Fiscal, o contrato de prestação de serviços e a comprovação da efetiva prestação deste. Se o valor do serviço tiver sido pago ou no passivo não constar como obrigação o Fisco também pode exigir a comprovação do pagamento. Fl. 10734DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.735 114 Conforme demonstrado pela recorrente, o referido aditivo ao contrato, referente ao ingresso na NOVA PONTE como parte, está assinado (ao contrário da conclusão da fiscalização e DRJ). Dessa forma, está comprovado o ingresso. Por tais razões, cabe reformar o acórdão recorrido para afastar da autuação relativa à CSLL, o valor de R$6.900.442,72, tendo em vista que devidamente demonstrada a dedutibilidade da despesa. Custos/Despesas Operacionais/Encargos Não Comprovados A DRJ manteve na autuação de IRPJ o valor de R$1.611.420,31 lançado à despesa porque a execução do serviço não foi comprovada, o mesmo ocorrendo com o valor de R$774.033,47. Na forma ressaltada, o objeto do contrato é a implementação de projeto de integração (descrito no Anexo 1) e, dada a sua natureza, para a sua execução certamente houve necessidade de apresentação de relatórios, pareceres, trocas de informações entre contratante e contratada visando dirimir dúvidas, comunicação de designação de profissional, o que está previsto na cláusula 2 que trata da execução do serviço (fls. 5561). Os valores de R$365.525,26 e R$338.809,49 corresponderam a lançamentos de despesas que, segundo as recorrentes, seriam referentes a serviços prestados ligados a um contrato de compartilhamento de custos. Todavia não foi trazido ao processo contrato escrito como se destacou, quando tratouse daquela autuação. Ou seja, também falta documentação hábil para respaldar o lançamento destas despesas. Como se vê, a autuação não se deu sobre adições restritas à apuração do IRPJ mas tanto ao IRPJ como também à CSLL, pois não houve comprovação da própria despesa o que afeta o Lucro Líquido, base de ambos tributos. O equívoco do fiscal autuante foi ter inserido indevidamente na descrição dos fatos da autuação de CSLL, relativamente à infração 3, que seriam valores não adicionados ao lucro líquido do período para determinação do Lucro Real . Entretanto também está mencionado que é “...conforme Termo de Verificação em Anexo”. E no Termo de Verificação as infrações estão minuciosamente descritas, bem como sua apuração. Portanto, tal como ocorreu na autuação referente ao IRPJ, compartilhamos do entendimento de que, da mesma forma, cabe o cancelamento da autuação da CSLL apenas quanto as infrações de omissão de receitas no valor de R$703.565,21 e de Despesas Operacionais não dedutíveis no valor de R$ 2.829.406,33. A autuação da CSLL darseá conforme abaixo: VALOR DAS INFRAÇÕES : R$ 113.109.354,69 VALORES CANCELADOS: (R$ 703.565,21) (R$ 2.829.406,23) VALOR DAS INFR. APÓS CANCELAMENTO R$ 109.576.383,25 BASE NEGATIVA DO PERÍODO: (R$ 25.816.429,54) BASE NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIOR (R$ 2.423.801,63) Fl. 10735DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.736 115 =VALOR TRIBUTÁVEL APÓS COMPENSAÇÃO R$ 81.336.152,08 CSLL 9% R$ 7.320.253,68 Por conseguinte, cancelase a parcela de R$ 317.967,43 OBS: O valor do saldo da base negativa da CSLL compensado com o valor das infrações remanescentes após o expurgo do valor das canceladas não foi alterado, tendo em vista que a compensação continuou sendo inferior à trava de 30% prevista no artigo 16 da Lei nº 9.065/95. Da Multa pela Falta de Recolhimento da CSLL Relativamente à multa pela falta de recolhimento da CSLL sobre base estimada ratificase a conclusão da DRJ, no sentido de que deve ser ajustada pelo afastamento da base tributável do valor de R$703.565,21 considerada receita omitida, conforme examinado na autuação de IRPJ. Segue demonstrativo do cálculo considerando o citado ajuste: Da Autuação de IRRF Pagamento Sem Causa ou Beneficiário Não Identificado A autuação dos pagamentos considerados sem causa ou cuja operação não foi comprovada se deu sobre consolidação dos valores abaixo indicados. A primeira coluna da esquerda para a direita faz referência ao Item do TVF no qual consta explicação de como foi apurado o valor tributável. No auto de infração os valores são os reajustados na forma do § 3º do artigo 674 do RIR/99: Fl. 10736DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.737 116 A DRJ destacou que, a fiscalização apurou que o valor de R$ 329.229,79, pago em 05/02/2010, foi o somatório de divergências relativas à torna decorrentes da aquisição de 100% do capital social e votante da MOEMA PAR pelos sócios da NOVA PONTE (o pagamento se deu mediante entrega de ações Bunge Ltd e uma torna em dinheiro). Registrouse que, embora tenham sido dados esclarecimentos sobre as divergências não foram acostados documentos comprobatórios. Os valores pagos em 05/02/2010 foram confrontados com os da torna constante do Anexo 1.3.1 dos Termos de fechamento e instruções de pagamento da torna acostados às fls. 4773 a 4781, conforme quadro abaixo: No TVF consta que na resposta apresentada pelas autuadas em 13/04/2015, acostaram arquivo magnético com informações detalhadas acerca do Anexo 1.3.1 (fls. 4982 a 4985) mas o documento não esclarece os motivos das divergências apontadas. Fl. 10737DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.738 117 É ressaltado que o item 2.8 do Contrato de Investimento (fls. 2214 a 4713), estabeleceu que cada parte arcará com os seus próprios tributos incidentes na operação na forma da legislação aplicável. Razões das Recorrentes Com relação a este item as autuadas alegam que: Os pagamentos foram realizados e nominados individualmente aos Srs. José Eduardo Diniz Junqueira, Maria Diniz Junqueira, Maurílio Biagi Filho, Mauro Diniz Junqueira, Ricardo Brito Santos Pereira e Ronaldo Diniz Junqueira (fl. 5103); e A aludida divergência é parte do valor total pago aos sujeitos acima mencionados, a título de torna da operação desenhada no Contrato de Investimento que consubstancia parte das exigências questionadas nestes autos (fl. 5103); Não se discute, portanto, que Nova Ponte realizou os pagamentos aos antigos acionistas da Usina Moema Participações S.A., assim como também não se discute que os pagamentos são contemporâneos ao contrato de investimentos. A controvérsia se deve apenas à divergência de valores. Ademais, caso a fiscalização não tivesse se contentado com as explicações das recorrentes, poderia ter reputado tal dispêndio como custo ou despesa como indedutível para efeitos de apuração do IRPJ e da CSL e poderia ter fiscalizado as pessoas físicas que receberam as quantias em questão, tributando eventuais rendimentos omitidos, mas em hipótese alguma reputála como pagamento sem causa, tendo em vista a evidente conexão do pagamento realizado com a operação formalizada no Contrato de Investimento anteriormente citado. A fiscalização evidentemente extrapolou os contornos do art. 674 do RIR/99 e desconsiderou o conjunto probatório apresentado pelas recorrentes, apenas para viabilizar o exercício do lançamento, o que é improcedente. A interpretação do próprio fisco acerca da aplicabilidade do art. 674 do RIR/99 é a de que só tem aplicação em situações de extremas de incerteza, nas quais não se sabe quem é o beneficiário do pagamento ou sua causa, dificultando o conhecimento do fato passível de tributação, conforme se infere pela Solução de Consulta Interna n. 11, de 08.05.2013, da COSIT. Razões de Decidir A DRJ registrou que, os pagamentos estão nominados é incontroverso. Entretanto as recorrentes não se desincumbiram de demonstrar os motivos pelos quais houve diferença no pagamento da torna em favor de determinados beneficiários ao arrepio do estipulado no Contrato de Investimento, bem como com as instruções de pagamento (fls. 4776). Pelas argumentações das recorrentes o Fisco deveria saber que essas diferenças que somaram R$329.229,79 não poderia ser outra coisa senão o pagamento da torna. Ocorre que estando acima do pactuado e sem nenhuma explicação, não há motivo (causa) para este pagamentos a maior. A SCI COSIT nº 11/2013, que as recorrentes mencionam para amparar seu entendimento, tratou dos casos de glosa de despesas amparadas por notas fiscais inidôneas, que Fl. 10738DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.739 118 autorizam o lançamento do IRPJ, e dos casos em que cabe a concomitância com o lançamento de IRRF com base no artigo 61 da Lei nº 8.981/95. O texto selecionado reforça o lançamento aqui ocorrido: "O caput do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Tal norma se justifica uma vez que. em razão do anonimato do beneficiário, o Fisco se vê impedido de alcançar de forma direta o beneficiário do rendimento. Igualmente, o seu § 1° aplica a mesma tributação quando não for comprovada a operação ou a sua causa. Neste caso, embora se conheça o beneficiário do rendimento, persiste a dúvida sobre a natureza do rendimento vinculado ao referido pagamento. Sem a certeza sobre o fato ocorrido, não há segurança para a aplicação da norma geral de tributação. Portanto, o referido artigo traz uma regra de tributação que supre a insegurança sobre o fato passível de tributação No presente caso se conhecem os beneficiários mas não a causa dos pagamentos efetuados a maior. A hipótese aventada pelas recorrentes de considerar tal dispêndio como custo ou despesa como indedutível para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL não se aplica porque tratase de ágio não levado à resultado. Nesse sentido, portanto, compartilho da conclusão da DRJ no sentido de manter o valor apurado na autuação. Débito no valor de R$ 215.802,87, em 23.2.2010 O Fisco menciona que se trata de remessas para o exterior em nome de REED SMITH LLP, e que não foi apresentado contrato de prestação de serviços, e as invoices encontramse em nome de BUNGE ALIMENTOS S/A, embora tenha sido paga pela NOVA PONTE. Consta no campo “OUTRAS ESPECIFICAÇÕES” que a remessa é referente às Bill number nº 1958806 e 1949200 (fls. 2208 e 2209 – doc 15). Foi apresentado um contrato de venda de câmbio (fls. 2211 a 2213), transferências financeiras para o exterior nº 10/023875 de 23/02/2010, no valor de R$215.802,87, com descrição da operação: SERV. DIVEXP/IMP SVSV TEC ESP. O recebedor no exterior foi REED SMITH LLP. e sobre o valor existiu incidência de IR no valor de R$38.082,84 e CIDE no valor de R$21.580,29 (totalizando R$59.966,13), que ficaram a cargo do comprador da moeda estrangeira, NOVA PONTE. Também não foi identificada a contabilização final dos pagamentos dos tributos ocorridos em 24/02/2010. As recorrentes esclarecem tratarse de serviços advocatícios relativos à aquisição da Usina Moema Participações S.A. Alegam ainda que: Fl. 10739DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.740 119 A fiscalização afirmou que o pagamento seria desprovido de causa, nos termos do art. 674 do RIR/99, pois (i) não foi apresentado o contrato de prestação de serviços; e (ii) as invoices foram emitidas em nome da Bunge Alimentos S.A. Acresçase, ainda, que a fiscalização também reputou como sem causa as despesas com os tributos incidentes na operação e suportados pela Nova Ponte, nos valores de R$ 38.082,84 (IRF) e R$ 21.580,29 (CIDE), totalizando R$ 59.966,13, por não identificar a contabilização final destes montantes. As invoices emitidas pela Reed Smith em favor da Bunge Alimentos S.A., a primeira delas, sob o n. 1958806, no valor de USD 89.028,50, decorre da prestação de serviços jurídicos e tem como referência a aquisição da Usina Moema Participações S.A.. Por sua vez, a segunda invoice, sob o n. 1949200, no montante de USD 29.753,35, também referente à prestação de serviços jurídicos, bem como também tem por escopo a aquisição da Usina Moema Participações S.A e que os referidos documentos, embora emitidos em nome da Bunge Alimentos S.A., foram comprovadamente quitados pela Nova Ponte, conforme atesta o Contrato de Câmbio de Venda Tipo 4 Transferências financeiras para o exterior, sob o n. 10/023875, de 23.2.2010. Segundo o aludido contrato de câmbio, emitido pelo Banco Bradesco S.A., a Nova Ponte efetuou o pagamento de USD 118.781,85 convertido em R$ 215.802,87 em beneficio da Reed Smith LLP. Registrese, inclusive, que o aludido contrato expressamente identifica o bill number de cada uma das invoices supramencionadas, de modo a vincular a remessa ao exterior à prestação dos serviços indicados naqueles documentos. Para facilitar a compreensão, verifiquese a tabela abaixo: Assim, à luz do das invoices, do contrato de câmbio, e do comprovante de recebimento pela empresa estrangeira, resta comprovada a natureza jurídica do pagamento, a título de despesas com serviços jurídicos, devendo também ser afastada a aplicação do art. 674 do RIR/99 e a respectiva exigência de IRF, tanto sobre o valor do pagamento, como sobre o valor das retenções a ele relacionadas. A Nova Ponte e a Bunge Alimentos S.A. são empresas do mesmo grupo econômico e com interesses mútuos na realização de inúmeras operações e projetos, tal como aquela envolvendo o Contrato de Investimento em destaque nestes autos e, por essa razão, o fato de a Reed Smith ter emitido as invoices em nome da Bunge Alimentos S.A. em decorrência da prestação de serviços jurídicos, não tem o condão de desnaturar a despesa incorrida efetivamente pela Nova Ponte. Não se olvide que o nome Bunge é dotado de força internacional e é natural a tendência dos prestadores de serviços em emitir as faturas contra as empresas cujo nome é mais conhecido, sendo o lapso escusável. Somese, ainda, ao fato dos pagamentos dos aludidos valores terem sido realizados pela Nova Ponte, conforme atesta o contrato de câmbio firmado e a Mensagem Swift MT103, de 25.2.2010, que confirma a operação. Fl. 10740DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.741 120 De igual modo, em que pese não tenha sido apresentado um contrato entre a Reed Smith e a Nova Ponte, fato é que os outros documentos carreados aos autos evidenciam a efetividade do serviço, tanto que o nome a instituição financeira brasileira responsável pela realização do contrato de cambio aceitou proceder à remessa solicitada, o que não ocorreria, se não lhe fossem apresentados elementos que comprovasse a natureza da operação, em virtude de normas rígidas de câmbio e das sanções existentes. Razões de Decidir da DRJ A DRJ consignou que, o que comprova a causa de um pagamento é a demonstração de sua referência, e não as remessas efetuadas mormente em nome de terceiros. Embora a Bunge Alimentos SA pertença ao mesmo grupo empresarial não pode uma invoice em seu nome comprovar que algum serviço tenha sido prestado para a NOVA PONTE. Ressaltou que, o Fisco sequer conseguiu identificar a contabilização final dos pagamentos da prestação de serviços e dos tributos incidentes. Com relação à tributação levada a efeito sobre o imposto de renda retido na fonte no valor R$ 38.082,84 e da CIDE no valor de R$ 21.580,29, totalizando R$ 59.966,13, não entendeu que devesse ser mantida. Assim, explicou: o § 3º do artigo 61 da Lei nº 8.981/95 ao determinar o reajustamento do rendimento considerando o valor pago líquido, base sobre a qual incidirá o Imposto de Renda exclusivamente não pode estar abrangendo tributos retidos. O dispositivo em foco quando exige da fonte pagadora o imposto exclusivo na fonte afasta a responsabilidade do contribuinte, que é o beneficiário do rendimento. Esta previsão legal ocorre nos casos em que os beneficiários dos rendimentos/renda não podem ser alcançados pela fiscalização por serem desconhecidos ou quando a causa da operação não foi esclarecida, colocando dúvida quanto à verdadeira natureza do rendimento auferido e qual seria a tributação incidente. Os pagamentos de tributos e contribuições retidos sabidamente têm destinação conhecida e não têm natureza de renda/rendimento. São parcelas descontadas de renda/rendimento auferido por outrem cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento por lei foi determinada à fonte pagadora. Mas quando o Fisco entende que os pagamentos efetuados não têm causa comprovada e que deve ser aplicada a tributação exclusiva prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/95, por consequência, torna as retenções de tributos indevidas, o que não significa transmutar sua natureza em disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Não há como considerar tributos recolhidos sem causa fato gerador de tributação, seja ela qual for. Um tributo recolhido que não tenha causa deve ser considerado indevido. Na presente exação está havendo tributação de tributo pago indevido, que, mesmo que não tenha causa, tem tratamento previsto nas normas que tratam de compensação, restituição, ou quando o tributo retido tem natureza de antecipação do imposto devido apurado na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual. Dessa forma, também compartilho do entendimento da DRJ de que deve ser cancelada a tributação de IRRF sobre o IRRF no valor de R$ 38.082,84 e da CIDE , no valor de R$ 21.580,29, mantendose, no mais, a conclusão da DRJ. Fl. 10741DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.742 121 Pagamento no valor de R$ 297.865,55 em 11/06/2010 A fiscalização considerou sem causa por: a) falta de previsão de complementação de torna no Contrato de Investimento; b) os Termos de Quitação Relativos ao 2º lote de Ações informaram tratarse de dividendos; c) os valores pagos em 11/06/2010 foram a título de dividendos relativamente a ações de emissão de terceiros que não estavam sob a posse do contribuinte, e não de torna, e caracterizam despesas desses terceiros. d) consoante se verifica nas planilhas (fls. 4771 e 4772), no Contrato de Investimento, e nas alterações contratuais (fls. 615 a 1262) as ações Bunge Ltd. foram objeto de aumento de capital na Agroindustrial Nova Ponte Ltda., e entregues ao Escrow Agent (Banco Itaú S/A ou qualquer de suas afiliadas) em favor dos acionistas na mesma data, de forma que, eventuais pagamentos relativos a dividendos são de obrigação do emitente delas até as datas da transferência, no caso a Bunge Ltda.; e) não restou claro no Contrato de Investimento, que os dividendos seriam de obrigação da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., como cita o item “iv” das Considerações dos Termos de Quitação relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltda. f) e ainda que constasse, as convenções particulares não são oponíveis ao Fisco, tampouco elidem a configuração do fato gerador de tributo, conforme dispõe o art. 123 do Código Tributário Nacional; g) os Termos de Quitação dos acionistas relativos ao 2º lote de ações Bunge Ltd. apresentados foram firmados apenas pelos acionistas, não foram firmados pelas empresas, não se fizeram acompanhar dos seus anexos (Carta de Ajuste, Anexo I), o Anexo A dos mesmos está em idioma estrangeiro, não se fez acompanhar da tradução juramentada e não satisfaz os requisitos de validade de documentos em idioma estrangeiro, consoante orientações do item 6 do Termo de Início. Razões das Recorrentes O valor de R$ 297.865,55 foi detalhado conforme quadro: Fl. 10742DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.743 122 Apresentaram os Termos de Quitação, assinados pelos referidos acionistas, em 11.6.2010, dando por liquidada a complementação da torna acordada, nos termos do Contrato de Investimento (fls. 4717 a 4770). Mesmo assumindo tratarse de dividendos, e que os beneficiários dos pagamentos são os antigos acionistas da Moema Participações, a fiscalização paradoxalmente alega que os pagamentos em questão estariam sujeitos ao art. 674 do RIR/99. Não se trata de dividendos propriamente ditos, até porque caberia à Bunge Ltd. pagar dividendos e não à Nova Ponte, mas sim de complemento de preço na aquisição da Usina Moema Participações S.A., devido aos antigos acionistas desta, cuja fórmula de cálculo estava relacionada com os dividendos devidos por aquela empresa no exterior. Razões de Decidir A DRJ concluiu que, pelas disposições contratuais seria de se dar procedência às argumentações das autuadas, porém, os Termos de Quitação entregues por elas, acostados às fls. 4717 a 4770, além de serem acompanhados de um anexo A sem tradução juramentada, só estão assinados pelos acionistas da MOEMA PAR. A parte NOVA PONTE e a interveniente BUNGE ALIMENTOS S.A não assinam os Termos nos quais constam declarações conforme abaixo: 2. Declaração e Quitação. 2.1 Declaração. A Nova Ponte declara e garante que o Anexo I contempla todos os Dividendos Bunge Ltd. Abrangidos pela Cláusula 2.4.4 do Contrato de Investimento às Ações do Segundo Lote. Caso tenham sido declarados, pagos ou distribuídos outros Dividendos Bunge Ltd, na forma da Cláusula 2.4.4 do Contrato de Investimento, que não aqueles constantes do Anexo I, estes caberão e também serão pagos à Investidora 2.2 Quitação. Observado e ressalvado o disposto nas Cláusulas 1.2 e 2.1 acima, em razão da transferência das Ações do Segundo Lote ao Escrow Agent e do pagamento dos dividendos Bunge Ltd à ações do segundo lote, a Investidora, neste ato e na melhor forma de direito, confere à Nova Ponte a mais ampla, plena, geral e rasa quitação, para não ter mais o que reclamar a título de ações do segundo lote e de dividendos Bunge Ltd. às ações do Segundo Lote, mencionados no Anexo I a qualquer tempo. Conforme menciona o TVF, os Termos de Quitação não estão acompanhados dos Anexos I, nos quais constariam o quantitativo de ações do segundo lote destinado a cada acionista. Por essa razão, é possível concluir com mesmo entendimento da DRJ, no sentido de que o Termo de Quitação não tem valor probante. Sendo assim, o pagamento de R$297.865,55 não tem uma causa comprovada, devendo ser mantida a respectiva autuação. Fl. 10743DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.744 123 Débito de R$14.293.417,00 Com relação a este débito a fiscalização registrou que no Contrato de Investimento de aquisição da Moema Par, celebrado em 23/12/2009, pelos acionistas desta e pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., cujo objeto foi a aquisição de 100% do capital social e votante da MOEMA PAR, com pagamento mediante entrega de Ações Bunge Ltd. e uma torna em dinheiro, consta comissão a ser paga ao banco intermediário no valor líquido de R$14.293.417,00 e Bruto, incluindo PIS, Cofins e ISS totalizando R$15.820.052,00, a ser paga em até 5 dias após o fechamento pela MOEMA PAR. Não houve contrato de prestação de serviços firmado entre o BANCO ITAÚ BBA e o tomador de serviços nem foram apresentadas as notas fiscais relativas à operação. Em resposta dada em 10/04/2015 à intimação para esclarecer detalhadamente a natureza dos serviços prestados, quais foram, e comprovar, com documentação hábil e idônea, a sua efetiva prestação, consoante itens 1.3 e 2.3 do Termo de Intimação fiscal de 26/03/2015, as sucessoras apresentaram um documento com timbre do Banco Itaú BBA (fls. 4981), sem assinatura, que trata de cobrança de HONORÁRIO DE SUCESSO, de acordo com Cláusula 5. Nos documentos constantes do Livro de Aquisição das Usinas (fls. 2214 a 4713), que contém o Contrato de Investimento e inúmeros outros documentos, não identificamos nenhum documento que evidencie a efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. Pela falta de comprovação da despesa, da causa da operação e da efetiva prestação de serviços, o valor de R$14.847.118,32, pago em 10/03/2010, foi considerado pagamento sem causa nos termos do art. 674 do RIR/99, e objeto de lançamento de ofício, bem como os valores retidos de R$ 735.632,42 de contribuições e R$ 237.300,78 de imposto de renda, os quais foram recolhidos em 15/04/2010 e 20/04/2010 respectivamente, conforme razão da conta analítica 2103010035 PIS RET S CTR'S PROPRIO –PJ (fls. 4936 a 4941) e da conta 2103010010 IRRF S/SERVICOS S/C OU PJ (fls. 4942 a 4948) e que estão em consonância com os pagamentos constantes dos sistemas da receita Federal (fls. 4894 e 4895). Razões das Recorrentes As recorrentes argumentam que: a) tratase de serviço de assessoria na aquisição de investimento na MOEMA PAR e foi apresentado o comprovante do "DOC" da operação (documento de crédito fl. 4892), que indica a transferência do montante de R$ 14.847.118,32, em 10.3.2010, ao Banco Itaú BBA S.A. (CNPJ n. 17.298.092/000130); b) não se pode admitir que um DOC no montante de R$ 14.847.118,82 a uma instituição financeira no Brasil e de idoneidade notória possa ser considerada como pagamento sem causa; c) as recorrentes conseguiram reunir todos os elementos formais que atestam veementemente a natureza da aludida despesa, como o contrato entre o Banco Itaú BBA e a MOEMA PAR (doc 8) em que o primeiro comprometese a prestar serviços de assessoramento financeiro à segunda e seus sócios na consecução de Fl. 10744DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.745 124 uma "Transação Estratégica", que , para efeitos do contrato compreende a capitalização da Usina Moema Participações S.A. (ou de qualquer sociedade controladora, controlada, coligada e/ou afiliada, direta ou indiretamente, da Usina Moema Participações S.A. e/ou dos Sócios, especialmente a Usina Moema Holding S.A.) por qualquer terceiro interessado; e/ou a venda de ações da Usina Moema Participações S.A. e/ou de afiliadas (assim entendidas quaisquer entidades controladoras, controladas ou sob controle comum com ela) para qualquer potencial interessado e/ou aquisição por qualquer potencial interessado de qualquer tipo de dívida conversível emitida pela Usina Moema Participações S.A. ou suas afiliadas; e/ou qualquer transação similar ou com os mesmos efeitos das descritas acima com a Usina Moema Participações S.A., inclusive com as Afiliadas; d) de igual modo, conforme cláusula II do referido instrumento, "o Itaú BBA prestará a Companhia e seus Sócios serviços de assessoria e consultoria financeira usuais para operações do tipo da Transação Estratégia e que sejam apropriados e acordados entre a Companhia e o Itaú BBA" (g.n.). Nesse contexto, o escopo do serviço foi pactuado da seguinte forma: Assessoria à Usina Moema Participações S.A. e seus sócios na análise e organização do processo da Transação Estratégica; Elaboração de avaliação econômicofinanceira da Usina Moema Participações S.A. com base nas projeções de sua administração; Coordenação dos trabalhos dos demais consultores especializados para a realização de eventual "due diligence I data room"; Assessoria no processo de negociação com os Potenciais Interessados; e Revisão e discussão de documentação necessária à formalização da Transação Estratégica, no tocante às questões financeiras, em conjunto com os assessores legais contratados pela Usina Moema Participações S.A.; e) no tocante à forma de remuneração (cláusula V), acordouse que o Itaú BBA faria jus a uma "Remuneração de Sucesso" de 0,75% (setenta e cinco por cento) sobre o Valor da Firma13 ("VT") atribuída à Moema ("honorários de sucesso"), valendo destacar que essa remuneração somente se daria "em caso de conclusão com sucesso da Transação Estratégica", como de fato ocorreu; f) conforme se infere da solução de consulta interna COSIT nº 11/2013 o artigo 61 da Lei 8.981/95 deve ser aplicado em situações limite, quando o fisco não tem elementos para identificar o destinatário dos pagamentos e/ou seu motivo e quando a falta de documentos não lhe permitem compreender os fatos ocorridos; g) também é asseverado que o aludido pagamento, ainda que comprovado, não deveria compor o valor do ágio, devendo as sucessoras da Nova Ponte excluílo do montante do ágio contabilizado, valendo destacar que essa constatação não apresenta qualquer justificativa que a suporte, na medida em que a d. autoridade responsável limitouse a afirmar que a referida despesa não deveria compor o valor do ágio, contudo, sem fundamentar sua conclusão; h) o questionamento fiscal é vazio, eis que não consta intimação formal para retificação do valor do ágio e esse procedimento seria discutível, tendo em vista que não houve, em 2010, amortização dele; Razões de Decidir A DRJ já havia destacado que, as Instituições Financeiras não são obrigadas a emitir Notas Fiscais de Serviços no município de São Paulo, a teor do que dispõe o Regulamento do ISS no artigo 82, § 3º, II. Considerouse, assim, superada a ausência de Nota Fiscal. Fl. 10745DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.746 125 As recorrentes acostaram o contrato de fls. 5511/5517. De modo geral, o "VF" consiste no valor atribuído implícito para 100% das ações da Usina Moema Participações S.A e/ou Afiliadas na Transação Estratégica, acrescido da dívida financeira liquida e eventuais contingências da empresa. Compulsando o contrato vemos que, para a execução dos serviços de assessoria financeira para a MOEMA PAR com o fim previsto conforme descrito na letra “c” é necessária elaboração de avaliação econômicofinanceira da Cia. com base em projeções de sua administração e revisão e discussão de documentação necessária à formalização da Transação Estratégica, no tocante às questões financeiras, em conjunto com assessores legais contratados pela Companhia. Tais atividades pressupõem a existência de relatórios profissionais exaustivos e conclusivos pertinentes com base nas projeções da própria contratante (MOEMA PAR). Um dos questionamentos da fiscalização foi o de que não foi constatado nos documentos constantes do Livro de Aquisição das Usina (fls 2214 a 4713) que contém o contrato de investimento, nenhuma evidência da efetiva prestação de serviços pelo beneficiário do pagamento. As recorrentes em sede de julgamento conseguiram trazer provas do contrato do serviço e seu pagamento. Faltou, no entendimento da DRJ, comprovar a efetiva prestação do serviço contratado. Com relação aos argumentos sobre a retificação do ágio na mesma proporção do valor da despesa incorporada, a questão foi tratada preliminarmente porque foi alegada nulidade por cerceamento do direito de defesa. O ágio em sua totalidade foi considerado indedutível em autuação posterior ao presente feito, constante do processo nº 16561720059/201597. Por esta razão, retificar ou não o ágio é inócuo, conforme explanado anteriormente. E haver ou não intimação para retificar também não influencia na procedência da glosa ora examinada, pois não muda o fato de o pagamento ser considerado sem causa. Nesse contexto, à vista das informações prestadas pelas recorrentes e a juntada de email do Banco Itaú indicando a realização dos serviços e o recebimento do valor em questão, voto no sentido dar provimento ao recurso voluntário, neste ponto, para acolher as alegações das recorrentes entendendo que está demonstrada a motivação do pagamento. Tributos retidos nos valores de R$ 735.032,42 e R$ 237.300,78 Com relação aos valores tributáveis correspondentes aos tributos retidos e pagos de R$ 735.032,42 e R$ 237.300,78 a DRJ posicionouse no sentido de não considerálos fatos geradores de tributação de IRRF pela razões expostas quando do exame do Débito no valor de R$ 215.802,87, em 23.2.2010 (fls. 9904). No entanto, como acima analisado, a recorrente demonstrou as causas dos pagamentos, sendo, portanto, devida a reforma do acórdão da DRJ. Assim, nesse ponto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 10746DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.747 126 Débitos de R$1.512.718,06, R$ 726.430,42 e R$661.018,08 Estes valores estão insertos nas glosas de despesas não comprovadas, cuja procedência foi analisada no auto de infração referente ao IRPJ e CSLL. O Débito de R$ 1.512.718,06 está incluído na glosa de R$ 1.611.420,31 que abrange tributos retidos nos valores de R$ 74.931,04 (PISCofinsCSLL) e R$ 24.171,31 (IRRF). O débito de R$ 726.430,42 está incluído no valor glosado de R$ 774.033.47, que abrange R$ 35.992,55 (PISCofinsCSLL) e R$ 11.610,50 (IRRF). O valor de R$ 661.018,08 está incluído na soma de dois pagamentos efetuados no mesmo dia (10/08/2010), nos valores de R$ 365.525,16 (que inclui R$ 5.482,88 de IRRF e R$ 16.996,91 de PISCofinsCSLL), e R$338.809,49 (que inclui R$ 5.082,14 de IRRF e R$ 15.754,63 PISCofinsCSLL). A autuação que se efetivou sobre os valores glosados de R$ 1.611.420,31 e R$ 774.033,47 foi mantida pela DRJ, sob o fundamento de não ter sido comprovada a efetiva prestação dos serviços contratados no caso das glosas de R$ 1.611.420,31 e R$ 774.033,47. Registrouse que, para os valores R$ 365.525,26 e R$ 338.809,49, sequer houve apresentação de contrato. Considerouse, portanto, tais valores, líquidos dos impostos e contribuições, pagamentos sem causa comprovada e passíveis da tributação prevista no art. 61 da Lei 8.981/85. Já com relação aos tributos retidos a DRJ posicionouse no sentido de que devem ser afastados da exação pelas razões expostas quando do exame do Débito no valor de R$ 215.802,87, em 23.2.2010 (fls 9904). Nesse ponto, também não encontramse fundamentos para mudar a conclusão da DRJ. Débito de R$ 6.476.065,49 Este débito está incluído no valor de R$ 6.900.442,72, objeto de autuação de IRPJ referente à infração “Adições não computadas na apuração do Lucro Real”. As argumentações das autuadas quanto à autuação de IRRF foram comuns à autuação de IRPJ. A diferença entre os dois valores se deve às contribuições de PIS, Cofins e CSLL, no valor de R$ 320.870,59, e IRRF no valor de R$103.506,64. O valor de R$ 6.900.442,72 foi considerado indedutível e objeto de adição na apuração do Lucro Real por falta de comprovação da despesa, de sua causa e da efetiva prestação de serviços além de tratarse de despesas de terceiros. A DRJ manteve a glosa na autuação de IRPJ porque o aditivo do contrato com o “Credit Suisse”, que incluiu a NOVA PONTE, não estava assinado por aquela pessoa jurídica. Como ficou prejudicada a comprovação do ingresso da NOVA PONTE na relação contratual o pagamento da prestação dos serviços de assessoria por esta, também não tem sua causa comprovada. Nessa situação, a DRJ manteve a tributação decorrente de IRRF no valor líquido de R$ 6.476.065,49 e quantos aos tributos retidos e pagos, afastou da exação em face Fl. 10747DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.748 127 dos mesmos motivos dados por ocasião do exame do Débito no valor de R$ 215.802,87, em 23.2.2010 (fls 9904). Da impossibilidade de aplicação do art. 674 do RIR/99 em conjunto com a multa de ofício Dupla penalidade pelo mesmo fato. As recorrentes argúem que o IRRF calculado à alíquota de 35% é uma franca punição e que o lançamento acompanhado de multa de ofício conforme art. 44 da Lei nº 9430/96 representa dupla penalidade. A autuadas ainda comparam a presente autuação ao agravamento da multa para 112,5% nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96 na hipótese de arbitramento de Lucros por omissão na entrega de Livros e documentos. Ponderam que a conduta omissiva já foi devidamente punida com o arbitramento dos lucros descabendo a aplicação da multa de ofício com agravamento. Razões de Decidir A DRJ conclui que houve equívoco por parte das autuadas quando confundem tributação com punição. A alíquota de 35% de IRRF, exclusiva de fonte, prevista no artigo 61 da Lei nº 8981/95, não representa punição mas é aplicada quando é impossível aferir seu beneficiário ou sua causa. Neste sentido assemelhase ao Arbitramento de Lucros, quando também é impossível apurálo com base na escrita, seja por qual razão for. O arbitramento de Lucros também não é uma punição, como argumenta a contribuinte, mas uma forma de apurar o Lucro quando não há outra maneira de fazêlo, inclusive no caso de não entrega de Livros e documentos. A DRJ concordou que, não se deve aplicar o agravamento da multa quando o motivo do arbitramento tenha sido a não entrega dos Livros. Isto porque já há a previsão de tributação específica quando os Livros não são entregues, restringindose a penalidade à multa de ofício não agravada. Da mesma forma que o IRPJ calculado sobre Lucro Arbitrado, o IRRF incidente sobre os pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado não é penalidade. A penalidade está consubstanciada na multa de ofício que incide sobre o imposto. O que não poderia ter lugar é, por exemplo, agravar a penalidade (multa de ofício) para 112,5% pelo fato de as autuadas não terem apresentado todos os elementos que permitiriam identificar o beneficiário ou a causa da operação. Aí teríamos a situação imaginada pelas autuadas, qual seja, a de aplicar penalidade sobre uma forma de tributação que já prevê a conduta omissiva. Pelo exposto, não encontramse fundamentos para afastar a multa de ofício proporcional ao tributo lançado. A seguir , segue um demonstrativo resumo dos valores mantidos. Fl. 10748DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.749 128 QUADRO DOS VALORES MANTIDOS NA TRIBUTAÇÃO DE IRRF Somatório do IRRF mantido = R$ 13.496.995,66 Dos Juros Sobre a Multa de Ofício A DRJ reconheceu que, não são poucas as vezes que as leis tributárias deixam dúvidas. Daí surgem os atos infralegais em um esforço para dirimilas. Em se tratando de juros incidente sobre a multa de ofício a RFB já se manifestou com parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/98 nos seguintes termos: 3. (...). Assim, desde 01.01.97, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês de pagamento, desde que estejam associadas a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01.01.97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31.12.94, se não tiverem sido objeto de pedido de parcelamento até 31.08.95. Embora o entendimento desse parecer tenha pacificado a matéria no âmbito da Receita Federal do Brasil, vinculando todos os seus servidores, a controvérsia continuava extramuros. Para eliminar qualquer dúvida foi editada a Medida Provisória nº 2.176 79/2001 publicada em 24/08/2001, depois convertida na Lei nº 10.522/2002, que no artigo 29 e 30 dispõe: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. Fl. 10749DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.750 129 § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. A partir da aludida Medida Provisória não há mais margem para dúvidas. Multa de ofício, seja ela isolada ou a que acompanha o tributo lançado é, sem dúvida, um débito para com a Fazenda Nacional, e desde 01/01/1997 é passível de sofrer a incidência dos juros de que trata o artigo 30, acima transcrito. Correta, portanto, a conclusão da DRJ sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir da ciência do auto de infração ora impugnado. Resumo Final Por todo o exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. Recurso de Ofício Em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A decisão recorrida, acolheu parcialmente as alegações da recorrente, sobre as quais passo a analisar. Outras Receitas Não Operacionais Valor Tributável R$ 703.565,21 A fiscalização registrou as seguintes informações sobre a retenção desse valor pela NOVA PONTE: Fl. 10750DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.751 130 Quadro das Retenções identificadas pela fiscalização: a) no Anexo 1.3.1 e instruções de pagamento da torna (fls. 4773 a 4781), o valor de R$23.809.853,14, que os acionistas tinham direito de receber da Agroindustrial Nova Ponte Ltda. foi transferido para a Usina Moema Holding S/A, e por essa à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., e foi quitado pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda. mediante pagamento por conta e ordem da Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., de dívida que esta detinha com os acionistas; b) nas instruções de pagamento foi orientado para que se procedesse a retenção do imposto de renda incidente; c) não foram identificados na Dirf apresentada pela Sociedade Energética Orindiúva I Ltda. os rendimentos e os valores retidos, tampouco o seu recolhimento; d) não foi identificado na contabilidade da Agroindustrial Nova Ponte Ltda., o registro dos valores retidos tampouco o repasse deles à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., responsável pelo recolhimento do IRRF e pela informação na DIRF; e) também não foram identificados recolhimentos dos valores retidos feitos no CNPJ da Agroindustrial Nova Ponte Ltda.; f) como o valor foi retido pela Agroindustrial Nova Ponte Ltda., as sucessoras desta foram intimadas a justificar a falta de recolhimento, ou comprovar o repasse dos valores retidos à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., consoante Termo de Intimação Fiscal de 26/03/2015; g) na resposta é informado que o valor de R$ 703.565,21 referese ao IRRF que a NOVA PONTE ficou autorizada apenas a reter para a formação do preço final da quitação da torna, conforme item 2 do anexo do item 1.31. do Termo de Fechamento.não foi comprovada a arrecadação dos valores tampouco o repasse dos valores retidos à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda.; e h) como não houve recolhimento e nem repasse dos recursos retidos o Fisco considerou o valor de R$ 703.565,21 disponibilidade de renda. Razões das Recorrentes As recorrentes, com relação a esse item, trazem as argumentações a seguir sintetizadas: a) conforme documentação já carreada aos autos e os instrumentos novos a seguir expostos, o entendimento fiscal não merece qualquer acolhimento, devendo ser reformado; b) em relação à quitação parcial da torna, acordouse que a quantia de R$23.809.853,14, cujo crédito foi transferido pelos investidores à Usina Moema Holding S.A., e por esta à Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., deveria ser Fl. 10751DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.752 131 quitado pela Nova Ponte, por conta e ordem da Sociedade Energética Orindiúva I Ltda., de dívida detida por esta perante os acionistas lá mencionados, notadamente os Srs. José Eduardo Diniz Junqueira, Maria Diniz Junqueira, Maurílio Biagi Filho, Mauro Diniz Junqueira, Ricardo Brito Santos Pereira e Ronaldo Diniz Junqueira; c) em consonância com os termos narrados acima, a Sociedade Energética Orindiúva I Ltda. emitiu uma "Solicitação de Pagamento por Conta e Ordem", por meio do qual também solicita à Nova Ponte o pagamento, por conta e ordem, do montante de R$23.809.853,14, aos mesmos sujeitos mencionados no instrumento acima (fls.4584 e 4585); d) no entanto, em que pese a fiscalização tenha reconhecido a existência do pagamento do montante supramencionado fato este confirmado e não questionado, não recolheu a importância de R$703.565,21, a título de IRRF sobre o valor global da operação; e) o raciocínio desenvolvido pela fiscalização é bastante inusitado, eis que considera ter havido uma apropriação indébita na operação, a qual teria justificado a apuração de uma receita não oferecida à tributação. Pressupõese que a Nova Ponte teria praticado um ilícito e que o produto disso seria uma receita tributável, fato que por si só já é totalmente questionável; f) seja como for, as recorrentes requerem a juntada das guias DARF que comprovam o recolhimento do IRF no montante total de R$ 703.565,21, encerrando definitivamente qualquer dúvida que pudesse ainda pairar a respeito do assunto (doe. 10). Confirase o quadro abaixo: Razões de Decidir da DRJ O acórdão recorrido analisou as informações e documentos apresentados pelas recorrentes e concluiu no seguinte sentido: a) as recorrentes juntaram telas de comprovantes de arrecadação nos valores indicados no demonstrativo, todos referentes ao período de apuração encerrado em 10/02/2010, com vencimento em 17/02/2010 pagos nesta mesma data pela USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA.; b) todavia, é incontroverso que à época do fato gerador a responsável tributária pela retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre parte do pagamento da torna no valor de R$23.809.853,14 era a NOVA PONTE, pois esta era a fonte pagadora. Apenas em 2011 houve Cisão da NOVA PONTE, sendo parte de seu acervo vertido para USINA MOEMA; Fl. 10752DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.753 132 c) seja como for, a autuação, neste caso, deveria ser tendente a apurar o IRRF e não considerar o valor retido e não pago pela NOVA PONTE receita sua, posto que sua natureza é a de um tributo. A teor do Parecer Normativo nº 1 de 2002, como houve retenção e não recolhimento deveria ter sido exigido da fonte pagadora o IRRF. Assim fundamentado, a DRJ afastou da exação a base tributável de R$ 703.565,21. Analisandose a situação, verificase que, não obstante os instrumentos contratuais previrem que caberia à Nova Ponte a retenção na fonte e o recolhimento dos valores referentes aos pagamentos de complementos de tornas, dado que na data desses, a Moema Par já havia sido totalmente cindida, o fato é que, realmente não havia fundamento para se concluir que, a falta de retenção e/ou recolhimento dos respectivos valores autorizaria a referida tributação como se receita tributável fosse. Assim, compartilho com o entendimento da DRJ no sentido de que, o não cumprimento das obrigações da substituta tributária (Nova Fonte) implicaria a cobrança dos respectivos tributos retidos ou não, recolhidos ou não, mantendose, assim, afastado da exação a base tributável de R$703.565,21. Quanto ao valor de R$2.829.406,33 foi afastado da tributação de IRPJ devendo por reflexo também ser na CSLL. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS A DRJ registrou que, consta no TVF que o valor de R$ 1.611.420,31, é a soma da importância paga a Bain Brasil referente à prestação de serviços de assessoria mais PIS e IRRF retidos. O motivo da autuação se deu porque não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais relativas à operação, tampouco comprovada a efetiva prestação de serviços. Nos documentos constantes do Contrato de Investimento (fls. 2214 a 4713) o fisco informa não ter identificado evidências da efetiva prestação de serviços. Quanto ao valor de R$ 774.033,47 igualmente referese a pagamento sem comprovação porque não foram apresentados o contrato de prestação de serviços, as notas fiscais relativas à operação, tampouco as provas da efetiva prestação de serviços. Neste valor também estão incluídos IRRF e PIS retidos. Pela falta de comprovação, o pagamento desta despesa também foi considerado sem causa, o que será tratado na autuação de IRRF. As despesas nos valores de R$ 365.525,16 e R$ 338.809,49 foram glosadas porque não houve a comprovação da efetiva prestação de serviços. Igualmente foram considerados pagamentos sem causa. Estes valores estão também acrescidos de PIS e IRRF retidos. As recorrentes insurgemse contra este item da autuação com os seguintes argumentos: Fl. 10753DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.754 133 a) durante a fiscalização as recorrentes apresentaram dois comprovantes de pagamentos da NOVA PONTE (fls. 4896 e 4972), sendo o primeiro deles no valor de R$ 1.512.318,06, em 24.03.2001, em favor da Bain Brasil Ltda (CNPJ nº 02.194.588/000197), e o segundo no montante de R$ 726.430,42, em 15.4.2010, contudo, sem indicação do beneficiário, embora se trate, como se verá, de pagamento à Bain Brasil Ltda.; b) em complemento a tais comprovantes e como meio de justificar a origem de tais pagamentos, as recorrentes acostam aos presentes autos o “Contrato de prestação de Serviços”, firmado entre a NOVA PONTE e a Bain Brasil Ltda, cujo objeto reside na prestação de serviços de implementação de projeto de integração, na forma como detalha seus anexos (doc. 18). A integração em questão referese justamente às usinas recém adquiridas pelo Grupo Bunge, o que por si só revela que as despesas estão inseridas em todo o contexto da operação em questão nestes autos; c) a remuneração da contratada Bain Brasil Ltda, dispõe na cláusula 3.1 que os honorários são de US$ 350.000,00 por mês, pelo período de três meses mais 9% sobre este valor a título de despesas de projeto e ISS, PIS e Cofins, calculados em 14,25% sobre a receita total da fatura, devendo os valores serem transformados em reais ao câmbio estimado da data da emissão da fatura, e eventual diferença ajustada na fatura do mês seguinte; d) à luz dos serviços e da forma de remuneração previstos em contrato, a NOVA PONTE efetuou os recolhimentos supramencionados e, no presente momento, as recorrentes anexam as notas fiscais n. 1552, de 4.3.2010 e n. 1569, de 1.4.2010, bem como os respectivos demonstrativos de cálculos; e) a Nota Fiscal n. 1552, emitida pela Bain Brasil Ltda. (prestador) para a NOVA PONTE (tomador) contempla o valor global de R$ 1.611.420,41, sendo R$1.267.700,00 a título de honorários; R$ 114.093,00, pelas despesas para pesquisas, produção de relatórios, telecomunicações, microcomputação, database, secretariado (9% dos honorários); e R$ 229.627,41, em razão da tributação incidente (doc. 19); f) a Nota Fiscal n. 1569, emitida pela Bain Brasil Ltda. (prestador) para a NOVA PONTE (tomador) contempla o valor global de R$ 774.033,47, sendo R$ 623.350,00 a título de honorários; R$ 56.101,50 pelas despesas para pesquisas, produção de relatórios, telecomunicações, microcomputação, databases, secretariado (9% dos honorários); R$ 110.299,77, em razão da tributação incidente; e uma redução de R$ 15.717,80 em decorrência dos ajustes cambiais dos honorários e despesas da fatura n. 1552, conforme previsão contratual e demonstrativo em anexo (doc. 20); Diante de tais evidências e informações apresentadas pelas recorrentes, juntamente com a Impugnação, em especial, a existência (i) do contrato de prestação de serviços firmado entre a NOVA PONTE e Bain Brasil Ltda.; (ii) dos comprovantes de pagamento apresentados à fiscalização; (iii) dos registros contábeis também apresentados durante o procedimento fiscal; e (iv) das notas fiscais n. 1552 e 1569 e seus respectivos demonstrativos de cálculo, a DRJ concluiu que não cabe, no caso, a alegação de beneficiário não identificado e pagamento sem causa. Acrescentou, ainda, que além de reputar os aludidos montantes como pagamentos sem causa, a fiscalização considerou as retenções na fonte e pagamento de tributos a eles relacionados também como desprovidos de causa, pois compunham o preço da prestação do serviço, não fazendo qualquer sentido alegar que pagamento de tributos é sem causa, fato Fl. 10754DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.755 134 que desautoriza por completo o lançamento com base no artigo 674 do RIR99, que somente deve ser aplicado em situações extremas e nas hipóteses de pagamentos sem causa e ausência de identificação do beneficiário. Paralelamente, considerando a falta de comprovação das despesas, das causas da operação e da efetiva prestação dos serviços, a fiscalização também considerou como indedutíveis na apuração do resultando, para fins de composição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os valores globais relacionados aos débitos em questão (R$ 1.611.420,41 e R$ 774.033,47). Em conclusão de sua análise, a recorrente registrou que, as aludidas despesas são necessárias, à luz do art. 299 do RIR/99, eis que relacionadas com a implementação do novo negócio adquirido pelo Grupo Bunge. Nesse contexto, verificase que, o próprio contrato de prestação de serviços firmado com a Bain Brasil Ltda. para a implementação de projeto de integração, instruído de suas respectivas notas fiscais e os registros contábeis específicos, deixam patente que, as despesas decorrentes atendem aos requisitos do art. 299 do RIR/99, reformandose o acórdão recorrido nesse sentido. Adição não computada no valor de R$ 2.829.406,33 Para a adição não computada na apuração do Lucro Real no valor de R$ 2.829.406,33, o acórdão recorrido destacou os seguintes registros do TVF: a) menciona que se trata de 34% (IRPJ + CSLL) de R$ 8.321.783,32, valor este correspondente à apropriação de provisão da realização do ágio a crédito de conta de despesa; b) na DIPJ (fls 16 a 53) , constatouse na Linha 78 Outras Exclusões da Ficha 09A que houve uma exclusão no valor de R$ 8.321.783,32; c) por outro lado, o valor de R$ 2.829.406,33 foi levado a resultado; d) o valor apropriado no passivo foi reclassificado para IRPJ e CSLL diferidos; Ressaltou que, se o valor creditado à conta de despesa foi excluído da tributação por tratarse de provisão, da mesma forma os valores relativos aos tributos incidentes não podem afetar o resultado devendo ser adicionados, mormente por tratarse de tributos diferidos. Continuou sua análise com seguintes apontamentos: Ocorre que nenhuma adição relativa à conta 8102010205 IR CS S/ AMORTIZACAO foi efetuada, conforme demonstrativos acostados nas fls. 374 a 376. Portanto, a adição foi efetuada de ofício na presente infração. Acostaramse os documentos extraídos da contabilidade: a) Balancete da Nova Ponte Agroindustrial ltda. fls. 4991 a 5005; b) Cópia do Razão da conta 3701010123 PROVISÃO P/REALIZ.AGIO. fls. 5006; c) Cópia do Razão da conta 8102010205 IR CS S/ AMORTIZACAO fls. 5007; d) Cópia do Razão com contrapartidas da conta 2301010007 IR CS S/ AMORTIZAÇÃO AGIO fls. 5008. Fl. 10755DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.756 135 Razões das Recorrentes As autuadas argumentam que: O raciocínio da fiscalização está totalmente equivocado, eis que o lançamento no valor de R$ 2.829.406,33 efetuado na conta n. 8102010205 não afetou o resultado. Conforme comprova a tela do sistema SAP da Nova Ponte (doc 21), o resultado tributável apurado no período, de R$ 192.894.007,22, não foi afetado pelo lançamento efetuado na conta n. 8102010205 destacada pela fiscalização, de forma que a adição efetuada é descabida, sendo este resultado o mesmo informado na Ficha 6A da DIPJ 2011, ano calendário 2010 (doc 22). Nesse sentido, as telas do sistema SAP das contas n. 8101010101, 8101010102, 8101010103 e 8102010205 (doc. 23), analisadas em conjunto à tela do sistema SAP da Nova Ponte (doc 21), demonstram que o total do saldo de contas do diferido não afetou o resultado tributável da empresa. A Ficha 6A, linhas 70 e 72, da DIPJ 2011 (anocalendário 2010) da empresa (doc. 22), demonstram os lançamentos do diferido que não afetaram o resultado tributável, nos montantes de R$ 590.356,43 (CSL) e R$ 1.639.878,96 (IRPJ), os quais totalizam R$ 2.230.235,39, relativo justamente ao saldo das contas n. 8101010101, 8101010102, 8101010103 e 8102010205 (doc. 23): Consequentemente, restando comprovado que o lançamento no valor de R$ 2.829.406,33 efetuado na conta n. 8102010205 não afetou o resultado tributável da Nova Ponte no anocalendário de 2010, é de rigor o cancelamento da autuação neste ponto. Razões de Decidir Em suas razões a DRJ ressalta que, para melhor entendimento, é importante apresentar a parte final do Demonstrativo de Resultado da NOVA PONTE em 2010: Fl. 10756DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.757 136 Destacou que, o valor de R$2.230.235,39, que é o resultado da soma algébrica das contas n. 8101010101, 8101010102, 8101010103 e 8102010205, representa o somatório do IRPJ R$ 1.639.878,96 e CSLL R$ 590.356,43 que foram declarados na ficha 6A , linhas 70 e 72 da DIPJ/2011 conforme segue: O Lucro Líquido que foi considerado na apuração do Lucro Real é o da linha 71 da Ficha 6A, qual seja, o Lucro Líquido antes do IRPJ no valor de R$ 1.639.878,96. E para o cálculo do IRPJ a CSLL no valor de R$ 590.356,43 foi adicionada, conforme Linha 6 da Ficha 9A destinada à Demonstração do Lucro Real. Fl. 10757DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.758 137 Com base em tais fundamentos, a DRJ afastou da tributação do IRPJ o valor de R$ 2.829.406,33. Também consignou que, com relação à apuração da base de cálculo da CSLL, também foi desconsiderado o valor de R$ 590.356,43, pois, conforme podese atestar na Ficha 17, o cálculo da CSLL parte do Lucro Líquido antes da CSLL (R$ 192.894.007,22 – Linha 1 da Ficha 17 = Linha 69 da Ficha 6A). Assim, analisandose os fatos e a documentação com base nos quais a DRJ afastou da tributação do IRPJ o valor de R$ 2.829.406,33, verificase que não cabe a adição realizada de ofício pela fiscalização, mantendose a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. Das Autuações sobre a CSLL Portanto, tal como ocorreu na autuação referente ao IRPJ, compartilhamos do entendimento de que, da mesma forma, cabe o cancelamento da autuação da CSLL apenas quanto as infrações de omissão de receitas no valor de R$703.565,21 e de Despesas Operacionais não dedutíveis no valor de R$ 2.829.406,33. Da autuação de PIS e COFINS. Quanto ao lançamento levado a efeito sobre a Omissão de Receita no valor de R$ 703.565,21, considerouse improcedente pelas razões expostas quando do exame da autuação de IRPJ. Sendo a Omissão de Receita afastada da tributação de IRPJ também fato gerador de PIS e Cofins, deve também ser cancelada a exação relativa a essas contribuições. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Em que pese o substancioso voto proferido pelo Relator, peço vênias para divergir apenas em relação à glosa de despesas de assessoria para a empresa Bain Brasil LTDA. Como relatado, e repetido no voto, a autoridade fiscal glosou, na apuração do IRPJ e da CSLL, despesas registradas contabilmente, nos montantes de R$ 1.611.420 e R$ 774.033,47, que, alegadamente, se refeririam a serviços de assessoria prestados pela referida pessoa jurídica. Por ocasião do procedimento fiscal, apesar de repetidas intimações, a Recorrente não apresentou contrato de prestação de serviços, nem logrou comprovar a efetividade da prestação dos serviços. Fl. 10758DF CARF MF Processo nº 10972.720011/201561 Acórdão n.º 1302002.542 S1C3T2 Fl. 10.759 138 Por ocasião da Impugnação, o sujeito passivo apresentou o “Contrato de prestação de Serviços” (fls. 5.561 a 5.567), firmado entre a NOVA PONTE e a Bain Brasil Ltda, cujo objeto reside na prestação de serviços de implementação de projeto de integração. Ademais, apresentou as notas fiscais nº 1.552 (fl. 5.663) e 1.569 (fl. 5.666), emitidas pela Bain Brasil Ltda., cujas faturas anexas (fls. 5.664/5.665 e 5.667/5.668, respectivamente) revelam que os valores pagos se refeririam a honorários, pesquisas, produção de relatórios, telecomunicações, microcomputação, database e secretariado. O Relator, em seu voto, considerou que os referidos elementos são suficientes para comprovar a necessidade das referidas despesas, nos termos do art. 299 do RIR/99, de modo que estas devem ser admitidas como dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Acostome, contudo, à conclusão dos julgadores de primeira instância, no sentido de que os documentos apresentados, desacompanhados de qualquer elemento de prova da efetiva prestação dos serviços, não possuem o condão de tornar dedutíveis as despesas alegadas. É que, como se extrai do próprio contrato e das faturas apresentadas, supostamente, teria havido a produção de trabalhos intelectuais formalizados em relatórios, os quais não foram apresentados pelo sujeito passivo, de modo que não se comprova a efetiva prestação dos alegados serviços que fundamentaram os pagamentos realizados pela Recorrente. Como destaca o Acórdão recorrido: "O objeto do contrato é a implementação de projeto de integração (descrito no Anexo 1) e, dada a sua natureza, para a sua execução certamente houve necessidade de apresentação de relatórios, pareceres, trocas de informações entre contratante e contratada visando dirimir dúvidas, comunicação de designação de profissional, o que está previsto na cláusula 2 que trata da execução do serviço (fls. 5561)." A simples formalidade documental, consubstanciada no contrato, notas fiscais de serviço, registros contábeis e comprovantes de pagamentos, não é suficiente para a necessária comprovação da efetividade dos serviços, de modo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário, quanto a tal item, mantendo a glosa das despesas tanto na apuração do IRPJ quanto da CSLL. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 10759DF CARF MF
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