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Numero do processo: 11522.001947/2010-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
DECADÊNCIA
Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN.
DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO-
É atribuída à fiscalização da RFB a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa para a qual os serviços foram prestados.
AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO
Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Nesse caso, a fiscalização lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social.
ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
Numero da decisão: 2301-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em conhecer de ofício e retificar a multa; b) em negar provimento ao recurso, nas preliminares, devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido à ausência de comprovação de dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, excluir do lançamento os valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DECADÊNCIA Na ocorrência de simulação, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO- É atribuída à fiscalização da RFB a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa para a qual os serviços foram prestados. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Nesse caso, a fiscalização lançará o débito que imputar devido, invertendo-se o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. ALIMENTAÇÃO IN NATURA - NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN
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DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO É atribuída à fiscalização da RFB a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurados empregados da empresa para a qual os serviços foram prestados. AFERIÇÃO INDIRETA/ARBITRAMENTO Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. Nesse caso, a fiscalização lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 6º, da Lei 8.212/91, c/c artigo 233, do Regulamento da Previdência Social. ALIMENTAÇÃO IN NATURA NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura, conforme entendimento contido no Ato Declaratório nº 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em não retificar a multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 19 47 /2 01 0- 45 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Henrique Pires Lopes e Mauro José Silva, que votaram em conhecer de ofício e retificar a multa; b) em negar provimento ao recurso, nas preliminares, devido à aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido à ausência de comprovação de dolo; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, excluir do lançamento os valores relativos ao auxílio alimentação, nos termos do voto da Relatora; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 223 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, empregados e contribuintes individuais. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 126), o débito lançado se refere a: a) contribuições devidas pelos contribuintes individuais, não declarados em GFIP (LEV CI); b) valores aferidos pela diferença entre as remunerações obtidas através de entrevistas e as remunerações informadas na GFIP (LEV ET); c) contribuição dos segurados empregados que constavam nas folhas de pagamento da empresa CDL, não declarados em GFIP (LEV FD); d) contribuição dos segurados empregados que constavam nas folhas de pagamento, mas não foram declarados em GFIP (LEV FP); e) valores aferidos da diferença entre as remunerações obtidas através da média geral e as remunerações informadas na GFIP, dos segurados empregados que foram registrados na empresa CDL Transportes Rodoviário Ltda (LEV MC); f) valores aferidos da diferença entre as remunerações obtidas através da média geral e as remunerações informadas na GFIP, dos segurados empregados que prestaram serviços à empresa (LEV MD); g) contribuição de segurados empregados, incidente sobre os valores pagos, a título de salário e comissões, a pessoas físicas não registradas pela empresa (LEV NR); h) valores contabilizados a título de prólabore a sócios (LEV PL); i) valores apurados nos processos trabalhistas e que não foram objeto de execução pela Justiça do Trabalho, não declarados na GFIP (LEV PT); j) valores obtidos nas notas fiscais referente as despesas de alimentação, sem inscrição no PAT (LEV RF), e k) valores relativos aos pagamentos realizados aos contribuintes individuais na condição de transportador rodoviário autônomo, não declarados na GFIP (LEV TA). A autoridade lançadora esclarece que, com o objetivo de obter informações acerca dos segurados empregados, foram obtidas informações em algumas varas da Justiça do Trabalho, tendo sido constatado um grande número de processos, sendo que as informações obtidas serviram de base para lançamento de fatos geradores, ressaltando que os cálculos e a execução dos débitos trabalhistas apurados no processo trabalhista oriundos de conciliação ou sentença são de competência da Justiça do Trabalho, e os valores das contribuições devidas à Previdência Social apurados foram considerados no cálculo da apuração da multa da GFIP em função de não terem sido declarados os segurados no referido documento em código próprio (650). Segundo ainda relato fiscal, em entrevista realizada com os empregados da empresa, constatouse que praticamente todos os entrevistados recebiam comissão sobre as vendas realizadas, e que, em relação a remuneração média recebida informada pelo entrevistado, verificouse que a mesma é bem superior à remuneração informada pela empresa, sendo que a íntegra das entrevistas consta do Anexo XXVII. A auditoria concluiu, da análise da documentação apresentada pela autuada, das informações obtidas junto à Justiça do Trabalho, e das diligências realizadas em algumas empresas, a ocorrência de diversas irregularidades relativas ao cumprimento das obrigações previdenciárias, sendo uma delas o pagamento de comissões para empregados vendedores ou Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 promotores de vendas em valores superiores ao valor informado na folha de pagamento e na GFIP. Informa que, diante de informações coletadas nos processos trabalhistas, foi realizada diligencia na empresa Consórcio Distribuidor Imp e Exp Ltda – CDL e feitas entrevistas com empregados da mesma, tendose verificado, através de fatos e documentos, que a CDL era uma empresa de fachada, cuja administração era realizada pela Santista Distribuições Ltda. Expõe, a seguir, as razões pelas quais entendeu que os empregados da CDL eram, na verdade, empregados da recorrente, e informa que foi desconsiderada, para fins de fiscalização, a pessoa jurídica da empresa CDL, sendo que os empregados da mesma, bem como os fatos geradores ocorridos em seu CNPJ, foram considerados como da empresa Santista Distribuições. Esclarece que foram efetuadas glosas de salário família e salário maternidade relativos aos empregados para os quais não foi apresentada, nem pela recorrente e nem pela CDL, toda a documentação comprobatória para a concessão dos referidos benefícios. Elabora quadro discriminativo com as pessoas físicas que receberam pagamentos, extraídos dos lançamentos contábeis e dos comprovantes e recibos de pagamento apresentados, contendo tipo e número do documento, data da emissão, nome do favorecido, valor e descrição do serviço, e que foram enquadrados como contribuintes individuais pela fiscalização, bem como quadro listando os pagamentos realizados a transportadores autônomos, tendo sido utilizada a base de cálculo de 20% sobre o valor pago a título de frete ou carreto. Afirma que realizou aferição indireta para apurar o real salário de contribuição daqueles empregados que não ingressaram com ação trabalhista contra a empresa, e nem compareceram à entrevista, e fundamentou seu procedimento no § 6o, do art. 33, da Lei 8.212/91, expondo o cálculo realizado, utilizado tanto para a empresa recorrente como para a CDL,.cuja personalidade jurídica foi descaracterizada pela fiscalização, para fins tributários. Constatouse, ainda, que alguns empregados que constam das folhas de pagamento não constam das GFIPs, e outros tiveram sua remuneração declarada em GFIP em um valor menor do que o que consta das folhas. Consta, ainda, o fornecimento de refeição para os empregados sem inscrição das empresas no PAT e pagamentos de valores relativos a dias trabalhados, salário, vale transporte e horasextras para pessoas físicas que, pela natureza dos pagamentos e pela análise dos demais documentos, a fiscalização entendeu que se tratavam de empregados não registrados. Verificouse também, nos registros contábeis, pagamento de prólabore a sócio. O fiscal autuante esclarece que, devido à aplicação do princípio da retroatividade benigna (art. 106, inc. II, c, CTN), foi realizada a comparação entre as multas aplicadas de acordo com a legislação anterior a MP n° 449/2008, com as de acordo com a legislação atual, tendo sido elaborado o quadro de fls. 344, que demonstra que, para as competências a 11/2005, 12/2005, 03/2006, 04/2006, 06/2006, 07/2006 e 08/2006, a multa anterior é mais benéfica para o contribuinte, tendo sido lavrado AI CFL 68. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 224 5 A seguir, a autoridade lançadora expõe os motivos pelos quais entende que ocorreu dolo, o que configura circunstancia agravante da penalidade nas multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, e que enseja a aplicada da regra decadencial regida pelo art. 173, do CTN. Informa que, tendo em vista a omissão de contribuições previdenciárias, situação que, em tese, configura a prática de crime previsto no artigo 337A do DecretoLei n° 2.848/40 Código Penal, incluído pela Lei n° 9.983/2000, será emitido a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com informação à autoridade competente para as providências cabíveis. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0122.316, da 5a Turma da DRJ/BEL (fls. 188), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário, Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 221), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Insurgese contra a desconsideração da personalidade jurídica da empresa CDL, entendendo que esta somente poderia ser decretada judicialmente, a teor do art. 50, do Código Civil, sendo que a autuação se deu com base em presunções, uma vez que a mesma não esclareceu suficientemente o conteúdo e o alcance da imputação. Defende que o art. 116, do CTN, não é autoaplicável, pois requer a sua previsão por lei em sentido estrito, acrescentando que o referido dispositivo legal, carente de regulamentação, é inaplicável à elisão, mas tão somente à evasão. Assevera que, no presente caso, não há que se falar em evasão, pois não houve o critério jurídico de abuso de direito ou de formas, uma vez que não houve a intenção da impugnante no resultado econômico, em afastar, reduzir ou retardar a incidência da tributação com o suposto ato simulado, pois a constituição da empresa CDL Transportes Rodoviários Ltda está vinculada ao objetivo empresarial e contratual. Reafirma que a empresa CDL foi regularmente constituída, tendo como atividade econômica a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga, possuindo personalidade jurídica e atividade totalmente distintas das da recorrente, possuído registros contábeis próprios, movimentação financeira e sede próprias, entre outros. Conclui que a desconsideração da personalidade de pessoa jurídica da CDL é incabível e enseja a nulidade do lançamento em relação às rubricas FD e MC. Sustenta que, para a aplicação das penalidades gravosas, há que se provar a ocorrência de dolo, ou que efetivamente não foi feito, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Quanto à aferição indireta, entende que, para utilizála, é necessário que tenha ocorrido a descaracterização da contabilidade do contribuinte, o que não foi feito, e transcreve o art. 33, § 6o, da Lei 8.212/91, reiterando que, em se tratando de processos administrativos ou judiciais, não se pode admitir as suposições. Frisa que apenas a existência de presunção não pode caracterizar o crédito tributário, podendo ser utilizada para provar o fato, mas nunca para constituir o fato, pois, baseada em juízo de probabilidade, a presunção não constitui prova segura e, como tal, não fornece ao julgador a certeza necessária para alicerçar o crédito pretendido pelo Fisco. Infere que, ausente a fundamentação para a utilização da aferição indireta, prejudicada está a motivação do ato administrativo de lançamento, sendo incabível a cobrança das rubricas MD, MC e ET. Quanto ao fornecimento de refeições, repete que as despesas registradas nas contas contábeis apontadas não representam fornecimento de refeições de que trata o PAT, sendo apenas despesas com lanches e refeições, não havendo que se falar em obrigatoriedade de cadastro no referido programa, devendo ser excluído o levantamento RF. Assegura, ainda, que é incabível a afirmação de que houve valores pagos a título de comissão sem a devida contabilização e que é inadequada a aplicação da divisão do saldo da conta contábil de Comissões e Vendas pelo saldo da conta Venda de Mercadorias para apurar as comissões dos representantes comerciais, motivo pelo qual requer a exclusão dos valores devidos a título de CI e NR. Relativamente às comissões pagas aos representantes comerciais, confirma que, de fato, os pagamentos foram realizados por meio de notas fiscais, mas que, entretanto, entende que não há que se falar em fraude, uma vez que a relação jurídica está lastreada por contratos e documento fiscal. Reitera que o critério adotado pela fiscalização para aferição das comissões pagas não é adequado, uma vez que nem toda receita de vendas de mercadorias depende da intermediação de negócios dos representantes comerciais, pois diversas delas são realizadas diretamente com a Santista Distribuições, sem que haja a prestação de serviços dos representantes, não ensejando, assim, pagamento de comissões. Requer a exclusão dos levantamentos CI e NR, insistindo no entendimento de que é incabível a afirmação de que houve valores pagos a título de comissão sem a devida contabilização. Impugna, os levantamentos FP, PL, PT e TA, argumentando que os critérios utilizados pela fiscalização não trazem segurança jurídica para o contribuinte, em face do critério de aferição utilizado. Finaliza requerendo o conhecimento do Recurso Voluntário para que sejalhe dado provimento, com a reforma integral do Acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 225 7 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, insiste na decadência dos valores lançados entre 01/2005 a 12/2005, com a aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4o, do CTN. Contudo, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, apenas quando não for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente, já que a fiscalização constatou e comprovou a ocorrência dessa primeira situação, caso em que se aplica o prazo previsto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Julgados do Conselho de Contribuintes também se apresentam no mesmo sentido, ou seja, restando caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Abaixo transcrevo, a título de exemplificação, as ementas de alguns acórdãos: “1º Conselho – 8ª Câmara Recurso 146870 – Acórdão 10809631 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN” “1º Conselho – 7ª Câmara Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Recurso 152994 – Acórdão 10709311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art. 173 inciso I, ambos do CTN. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que não se operara a decadência do direito de constituição do crédito, uma vez que, para a primeira competência lançada, 01/2005, a contribuição é devida somente a partir de 02/2005, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2006, que é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Portanto, o Fisco se encontra ainda no direito de cobrar as contribuições devidas lançadas por meio do AI em tela. No mérito, a recorrente insurgese contra a desconsideração da personalidade jurídica da empresa CDL, entendendo que esta somente poderia ser decretada judicialmente, a teor do art. 50, do Código Civil, sendo que a autuação se deu com base em presunções, uma vez que a mesma não esclareceu suficientemente o conteúdo e o alcance da imputação. Entretanto, ao contrário do que afirma a recorrente, a desconsideração da personalidade jurídica não é ato privativo do Poder Judiciário. Esse é o entendimento fixado na jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e de nossos tribunais, conforme julgados cujos trechos transcrevo abaixo: TRF 1ª Região Apelação Cível 94.01.136211/MG DJ 12/04/2002 “Salientase ainda que é desnecessária qualquer declaração judicial prévia para anular os atos jurídicos entre as partes, já Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 226 9 que seus reflexos tributários existem independentemente da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, nos termos do artigo 118, I, do Código Tributário Nacional. Ademais, a questão central dos autos cingese à repercussão para os efeitos tributários do ato simulado, ou seja, de sua ineficácia para fins de dedução de tais prejuízos. Uma vez comprovada que o sujeito passivo agiu com dolo, fraude ou simulação, como de fato o foi no caso em tela, a autoridade administrativa tem plenos poderes para efetuar a glosa da dedução de imposto ilegitimamente realizada pela Autora, nos termos do art. 149, inciso VII, do CTN...” TRF 4ª Região Apelação Em Mandado De Segurança nº 2003.04.01.0581274 – Data da Decisão: 31/08/2005 PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO ULTRA PETITA. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. IMPOSTO DE RENDA MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. (...) 3. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito individual, garantindose à impetrante a ampla defesa e o contraditório, tanto na via administrativa, quanto na judicial. 4. Restando provados, à saciedade, os fatos que embasaram o lançamento tributário, bem como o dolo, a fraude e a simulação, é desnecessária a utilização da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da empresa, aplicandose o art. 149, VII, do CTN. Acórdão 10708247– Sétima Câmara – 12/09/2005 IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA – OMISSÃO DE RECEITA – INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS – SIMULAÇÃO. Comprovado pela Fiscalização que a Recorrente utilizouse de terceiro para omitir receita, fato este que não foi descaracterizado em qualquer momento por aquela, é de ser mantido o Lançamento de Ofício. IRPJ – SIMULAÇÃO – MULTA AGRAVADA. Mantémse a multa agravada se caracterizada a omissão de receita através de simulação. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” A fiscalização observou, na ação trabalhista movida por Antonio Carlos Nonato de França contra a recorrente, que o reclamante havia sido contratado pela empresa Consórcio Distribuidor Imp e Exp Ltda, CNPJ 07.117.825/000130, sendo alegado pela reclamada a ilegitimidade passiva, o que foi afastado pelo Juiz do Trabalho, tendo em vista as provas acostadas aos autos daquela ação, que comprovaram que quem assinava os documentos pertinentes ao setor de pessoal era o gerente da reclamada. Da análise das entrevista com os empregados da CDL, bem como dos documentos apresentados pelos entrevistados, a fiscalização verificou que essa empresa era de fachada, sendo a administração de suas atividades realizadas pela Santista Distribuições Ltda. Quem fazia anotações nas carteiras de trabalho e assinava alguns termos de rescisão do contrato de trabalho dos empregados da DCL era o supervisor administrativo, empregado da recorrente desde 01/06/2005. Alguns dos entrevistados, quando questionados sobre o seu chefe imediato, apontavam empregados da Santista, e muitos deles nem sabiam que eram contratados da CDL, pois acreditavam que possuíam vínculos com a recorrente. A empresa Consórcio Distribuidor Imp e Exp Ltda (CDL), que funcionava no mesmo endereço da recorrente, foi constituída em 26/11/2004, tendo como um dos sócios o Sr. Roy Robert Escurra Guillen, a quem cabia a administração da sociedade, assim permanecendo até 18/01/2008, quando deixou a sociedade e houve a alteração da razão social da empresa para Transportes Rodoviário Ltda. Verificase, da análise dos documentos juntados aos autos pela fiscalização, uma clara simulação na contratação dos empregados pela empresa CDL, que, na realidade, eram empregados da recorrente. Portanto, ao contrário do que entende a autuada, na presença de dolo e simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; A recorrente alega que o art. 116, do CTN, não é autoaplicável, pois requer a sua previsão por lei em sentido estrito, acrescentando que o referido dispositivo legal, carente de regulamentação, é inaplicável à elisão, mas tão somente à evasão. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 227 11 Ocorre que a fiscalização não fundamentou a descaracterização da personalidade jurídica da empresa CDL no citado art. 116, como entendeu de forma equivocada a recorrente. Em nenhum momento do Relatório Fiscal há a referência ao mencionado dispositivo legal. A fiscalização apenas afirmou, e comprovou suas afirmações com farta documentação, que os empregados da CDL eram, na verdade, empregados da recorrente e, dessa forma, considerou os fatos geradores da contribuição previdenciária ocorridos no CNPJ da CDL como sendo da empresa recorrente. A documentação juntada aos autos, como resultado das entrevistas, decisões judiciais nas ações trabalhistas, entre outros, demonstram que os trabalhadores formalmente registrados na CDL, eram, na realidade, subordinados à recorrente, possuindo como chefes imediatos empregados registrados da recorrente. Outro elemento que reforça a convicção de que se trata de uma única empresa (matriz e filial), é o fato de a empresa CDL ter sido constituída pelo sócio da recorrente, e ter funcionado no mesmo endereço da Santista. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Nesse sentido, concluo que o entendimento da fiscalização, corroborado pela autoridade julgadora de primeira instância, não merece reparos. A autuada insurgese contra a aplicação das penalidades gravosas, entendendo que há que se provar a ocorrência de dolo, já que dolo não se presume, devendo ser demonstrada a materialidade dessa conduta, evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. Discorre sobre as diferenças entre sonegação e inadimplência, para concluir que a recorrente, se cometeu algum ilícito, não teve a intenção de praticála, não havendo qualquer prova de que a recorrente tenha agido com dolo, tornandose atípica a conduta a ela imputada. Ora, mas tudo o que a fiscalização relatou demonstra o dolo, a intenção de sonegar tributo, por parte da recorrente. O fato de informar, em folha de pagamento e em GFIP, remuneração de seus empregados em valor menor ao que foi efetivamente por ela pago, bem como a simulação de contratação de empregados por meio de empresa interposta, ou mesmo o não registro de alguns segurados empregados que lhe prestaram serviços deixam clara a intenção da recorrente em omitir fato gerador da contribuição previdenciária, para pagar menos tributo. A fiscalização verificou que a recorrente remunerava pessoas físicas, pagando dias trabalhados, salário, valetransporte e horas extras e constatou que tais trabalhadores não constavam dos livros de registros de empregados da empresa. Vale observar que a recorrente não afastou, de forma específica, nenhuma das acusações feitas pela fiscalização, ou trouxe qualquer documento para provar suas alegações, se limitando a fazer afirmações genéricas, discorrendo sobre conceitos jurídicos, sem, contudo, juntar qualquer elemento que pudesse afastar, ou ao menos por em dúvidas as acusações da auditoria da RFB. Já a autoridade lançadora juntou farta documentação, comprovando a existência de dolo. Há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A recorrente apenas alega, mas não prova, que não houve dolo. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 228 13 Ademais, cumpre ressaltar que a recorrente parcelou, no processo que discute a contribuição da empresa e ao RAT, o débito lançado por meio do levantamento NR relativo aos empregado não registrados, apresentando requerimento por meio do qual declarou estar ciente de que o pedido importa em confissão irretratável da dívida (fls. 389 do processo 11522001798/2001014). A conduta da recorrente de não registrar segurado empregado, confessado por ela própria, corrobora o entendimento de existência de dolo. Assim, está correta a caracterização de dolo, realizada pela fiscalização. Quanto à aferição indireta, a autuada infere que, para utilizála, é necessário que tenha ocorrido a descaracterização da contabilidade do contribuinte, o que não foi feito, e transcreve o art. 33, § 6o, da Lei 8.212/91, reiterando que, em se tratando de processos administrativos ou judiciais, não se pode admitir as suposições. Ocorre que não houve suposições, e sim constatações dos fatos relatados, e comprovados por meio de documentos. E o § 3o, do art. 33 citado acima, deixa claro que o método de arbitramento não poderá ser utilizado somente nos casos em que a contabilidade seja totalmente desconsiderada ou declarada imprestável para todos os fins, mas também nos casos de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente. No caso, houve apresentação deficiente de informações e documentos, razão pela qual a fiscalização teve que realizar diligências e colher informações em entrevistas e nos processos trabalhistas movidos por empregados da recorrente. A fiscalização constatou, e comprovou, que a recorrente omitiu, nas folhas de pagamento, GFIP e contabilidade, fato gerador da contribuição previdenciária. Para exemplificar, cito a ação trabalhista movida contra a autuada pelo trabalhador Antônio Shirley de Souza Nóbrega, em cujo processo o Sr Roy, sócio da recorrente, dando depoimento pessoal, afirmou que a remuneração dos vendedores era composta por salário mais comissão sobre vendas, e que a remuneração do reclamante era em torno de R$1.300,00, ou seja, bem superior à remuneração constante nas folhas de pagamento e do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho para o referido trabalhador. Assim, analisando os processos trabalhistas e as respostas das entrevistas realizadas com os empregados da empresa, tudo documentado nos autos, a autoridade lançadora constatou que era uma prática comum na empresa o pagamento de comissões para os empregados que ocupavam o cargo de vendedor ou promotor de vendas, em valores superiores ao valor informado na folha de pagamento e na GFIP. Portanto, a recorrente não deu alternativas à auditoria, que foi obrigada, pela lei, a aferir as bases de cálculo, uma vez que a autoridade lançadora não pode absterse de constituir o crédito tributário, tendo que, obrigatoriamente, na falta de elementos indispensáveis nos documentos da empresa, apurar a totalidade das contribuições devidas. E o AFPS, ao constatar que a contabilidade da recorrente não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, por omissão de qualquer lançamento contábil ou Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 14 por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, agiu em conformidade com os ditames legais e apurou corretamente o débito por aferição indireta. À recorrente caberia provar que as irregularidades verificadas durante a ação fiscal não procedem e apresentar elementos que comprovem a regularidade dos registros contábeis. Da mesma forma, cumpre esclarecer que o crédito não foi caracterizado por presunção, conforme alegado pela recorrente, tanto que ela própria confessou parte dele e, ao contrário do que afirma, o procedimento fiscal de aferição indireta está corretamente fundamentado no art. 33, § 6o, da Lei 8.212/91, citado acima. A recorrente alega ainda que, quando a fiscalização constata que os documentos contábeis não refletem a realidade, pode exigir outros documentos para verificar a ocorrência dos fatos geradores, e que a esse procedimento dáse o nome de aferição indireta. Ora, mas foi exatamente esse o procedimento adotado pela fiscalização que, ao verificar que a contabilidade da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, solicitou documentos, diligenciou empresas, pesquisou reclamatórias trabalhistas junto à justiça do trabalho, e constatou, da análise de todos os elementos, a existência de pagamentos realizados a pessoas físicas que não foram registrados nos Livros contábeis, juntando, aos autos, uma farta documentação comprobatória de suas afirmações. Já a recorrente, mais uma vez, apenas faz afirmações genéricas, sem afastar especificamente as afirmações da fiscalização, quando ela cita nomes e dá exemplos. Portanto, diante da realidade fática encontrada na ação fiscal, a autoridade lançadora não teve alternativa a não ser aferir indiretamente a base de cálculo da contribuição previdenciária, considerando que sua atividade é vinculada às disposições legais. É também objeto do AI em tela as contribuições incidentes sobre a alimentação in natura fornecida pela empresa. Em relação a essa matéria, é oportuno observar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda NacionalPGFN emitiu o Ato Declaratório nº 03/2011, publicado no D.O.U em 22/12/2011, autorizando a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”, Diante do citado Ato, e considerando que o Decreto 70.235/72 estabelece que o disposto no caput do art. 26A não se aplica aos casos de lei ou ato normativo que fundamente crédito tributário objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, e que a Lei 10.522/2002, citada no art. 26A, determina que os créditos tributários já constituídos relativos à matéria de que trata o seu artigo 19 devem ser revistos de ofício pela autoridade lançadora, entendo que devam ser excluídos do débito, por provimento, a contribuição lançada incidente sobre o fornecimento de alimentação in natura, por não integrar o salário de contribuição, independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao PAT. A recorrente insurgese contra o critério adotado pela fiscalização para aferição das comissões pagas, qualificandoo de inadequado, argumentando que nem toda receita de vendas de mercadorias depende da intermediação de negócios dos representantes comerciais, pois diversas delas são realizadas diretamente com a Santista Distribuições, sem Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11522.001947/201045 Acórdão n.º 2301003.359 S2C3T1 Fl. 229 15 que haja a prestação de serviços dos representantes, não ensejando, assim, pagamento de comissões. Mais uma vez a recorrente alega, mas não prova o alegado. Já o agente autuante trouxe diversos elementos que comprovam o pagamento de comissões superiores às declaradas pela empresa em Folha ou GFIP. Ademais, se forem verídicas as afirmações feitas pela recorrente de que, na conta de “Venda de Mercadorias”, estão somadas as mercadorias vendidas diretamente pela Santista com aquelas vendidas com intermediação de representantes comerciais, então o percentual apurado pela fiscalização foi inferior ao real, pois os valores constantes da conta “Comissões sobre Vendas” deveriam ter sido divididos por um valor menor, qual seja, o valor constante da conta Venda de Mercadorias menos os valores relativos às vendas diretas, sem intermediação. Assim, o percentual apurado com base nas afirmações feitas pela recorrente seria maior que aquele encontrado pela fiscalização. Portanto, o cálculo realizado pela auditoria fiscal, na verdade, beneficiou o contribuinte. Assim, por falta de elementos novos capazes de desconstituir o lançamento realizado nessas rubricas, os levantamentos CI e NR, devem ser mantidos no débito. A recorrente impugna os lançamentos efetuados por meio dos levantamentos FP, PL, PT e TA, argumentando que os critérios utilizados pela fiscalização não trazem segurança jurídica para o contribuinte, em face do critério de aferição utilizado. No entanto, para esses lançamentos não houve aferição indireta, pois tratam se de valores extraídos das folhas de pagamento (FP), informados na contabilidade (PL), constantes dos acordos trabalhistas (PT), e dos recibos de pagamento por fretes prestados por transportador autônomo (TA). Em relação a esses transportadores autônomos, ressaltese que a fiscalização elaborou um quadro contendo informações do tipo de documento, número, data da emissão, nome do favorecido e valor do pagamento e serviço realizado, às fls. 264, do processo 11522.001798/201014. Observese, ainda, que a recorrente confessou, nos autos do processo acima citado, o débito relativo à tais rubricas. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; VOTO por CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do débito, por improcedência, os valores relativos à alimentação. É como voto. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA 16 Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /04/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 11/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 18336.001615/2004-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) .
Relatório
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora) . Relatório Tratase de lide que teve como origem a lavratura de Auto de Infração para exigência do Imposto de Importação e do IPI vinculado a importação, acrescidos de multas de ofício de 75% sobre as diferenças apuradas e de juros de mora, e ainda de multa de 1% sobre o valor aduaneiro por erro de classificação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 83 36 .0 01 61 5/ 20 04 -6 9 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 94 2 A autoridade fazendária entendeu que houve falta de recolhimento desses impostos, pois considerou que o sujeito passivo havia adotado alíquota menor decorrente de classificação errônea do produto que a interessada assim descreveu nas DIs nº 03/06362214, de 29/7/2003, nº 02/02291833, de 15/03/2002 e nº 02/04118624, de 9/5/2002: “DIPHOTERINE, agente de proteção de pele contra ação de soda cáustica – spray com 100 ml” Para melhor elucidar os fatos, transcrevo o relatório constante do Acordão nº 08 13.511 da 3ª Turma da DRJ/FOR de 20 de junho de 2008: “Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora e multas de oficio, perfazendo, na data dos lançamentos, créditos tributários nos valores de RS 5.369,07(11s. 02) e R$ 19.371,06(fls. 11), respectivamente, objeto dos Autos de Infração de fls. 0210 e 1117. As infrações apuradas pela fiscalização e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 03/07 e 12/13, foram, em síntese, as seguintes: DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA HISTÓRICO A empresa Alcoa Alumínio S/A, por meio das Declarações de Importações (DIs) de N's 02/02291833, 02/04118624 e 03106362214 (fls. 18 a 32), submeteu a despacho aduaneiro mercadoria identificada como "diphoterine em forma de spray para descontaminação caso de contato com soda caustica", fabricada pela empresa "PREVOR", situada na França Embora tratandose da mesma mercadoria, o importador utilizou classificações distintas para enquadrar a mercadoria, conforme abaixo discriminado: a) Classificação NCM 3402.11.90 nas DIs de n os 02/02291833 registrada em 15/03/2002 e 02/04118624 registrada em 09/05/2002; b) Classificação NCM 3401.20.90 na Dl de no 03/06362214 registrada em 29/07/2003; Para que se formasse convicção quanto à classificação fiscal do produto, o importador informou, através de documento protocolado em 30/09/2004(11. 33), suas características em especial a sua função e forma de aplicação, para assim chegarse, em observância normas pertinentes, a correspondente classificação fiscal. DA INCORREÇÃO DAS CLASSIFICAÇÕES FISCAIS PRETENDIDAS PELO IMPORTADOR Assim, segundo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legar (fi. 2), o importador busca classificar sua mercadoria no capítulo 34 da Nomenclatura Comum do Mercosul(NCM). Este capítulo, segundo as suas Considerações Gerais, compreende os produtos obtidos essencialmente pelo tratamento industrial das gorduras ou das ceras, agrupa os produtos da indústria de sabão, algumas preparações lubrificantes, as ceras preparadas, alguns produtos para conservação e limpeza, as velas de iluminação, etc., e também certos produtos artificiais tais como os agentes de Fl. 179DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 95 3 superfície, as preparações tensoativas e as ceras artificiais. A fiscalização, no entanto, entendeu ser incorreto os enquadramentos indicados nas DIs. reclassificando as mercadorias para o código NCM 3304.99.90. DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA A partir de 27/8/2001 (data de entrada em vigor do art. 84 da MP n° 2.158 35/2001) independentemente da correta descrição do produto, sua classificação tarifária errônea sujeitará o infrator às multas previstas no art. 44, da Lei n° 9.430/1996, além da exigência dos encargos legais, da diferença de tributos cabíveis e da multa de 1% sobre o valor da mercadoria ou de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. A edição, em 11/09/2002 do ADI SRF n°13/2002, veio tão somente corroborar este entendimento. "Art. 1º. Não constitui infração punível com a multa prevista no art.44 da Lei n°9,430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante". Cientificado dos lançamentos em 16/12/2004, conforme fls. 02 c 11, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de 1h. 36/47, em 17/01/2005, por meio das quais expõe as seguintes razões de defesa: "(...) Preliminar de Nulidade Parcial do Lançamento: MPF referente apenas ao II. Nulidade do Auto de Infração sobre IPI Conforme se observa do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 0327600/00089/04, que deu inicio à ação fiscal sub examine, o tributo objeto da fiscalização foi tão somente o Imposto de Importação (II). Entretanto, como ê sabido, foi lançado ainda o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Ora, ao regulamentar o art. 6° da Lei Complementar no 105/2001, o Decreto Federal no 3.724, de 10 de janeiro de 2001, em seu art. 2°, § 2° estatuiu que "o procedimento fiscal somente terá inicio por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), institui ido em ato da Secretaria da Receita Federal, ressalvado o disposto nos §§ 3° e 4° deste artigo Já o parágrafo 5° do art. 2° do Decreto n° 3324/2001 tratou de arrolar os requisitos do MPF, que deverão ser observados quando de sua Fl. 180DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 96 4 expedição. E no inciso II desse §5° está consignado que o Mandado de Procedimento Fiscal "conterá, no mínimo as seguintes informações: (a) a denominação do tributo ou da contribuição objeto do procedimento de fiscalização a ser executado, bem assim o período de apuração correspondente". Ratificando esse requisito, a Portaria n° 3.007/2001 do Secretário da Receita Federal, em seu art. 7° § 1° diz que o MPFF e o MPFE indicarão ainda o tributo ou contribuição objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas â correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, nos últimos cinco anos, observados os modelos constantes dos Anexos I e III ". No entanto, como se viu, ainda que exigido pela legislação de regência, na espécie em liça faltou a indicação do IPI como um dos tributos a serem fiscalizados em virtude do MPFF n° 0327600/00089/04. Nem se diga, para contra argumentar, que o IPI, in casu, é reflexo do II, porquanto isso deveria ter sido previsto desde a lavratura do MPF. Ademais, como se extrai da leitura da Podaria SRF n°3.007/2001, no MPF poderá ser fixado o respectivo período de apuração, bem assim as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF". Ou seja, se tivesse constado do mandado a permissão para as verificações acima referidas, então nessas condições seria válido lançamento do IPI na espécie, cujo fato gerador é efetivamente o mesmo do II in casu. Ocorre que nem isso houve. Assim sendo, ê inegável que o lançamento do IPI pelo auto de infração ora impugnado não é válido, por falta de requisito de procedibilidade. Esse é o entendimento da 6° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, como se vê dos acórdãos transcritos as fls. 42/43. Não sendo válido o procedimento fiscal no qual foi realizado o lançamento este há de ser considerado nulo, conforme ressaltado nos acórdãos trazidos à colação acima Assim sendo, pede a Impugnante, preliminarmente, que seja declarado nulo o lançamento de Imposto sobre Produtos Industrializados (IP1), que não teve amparo no MPF 0327600/00089104. Do Mérito: Da Desclassificação sem Respaldo Técnico. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 97 5 Da Incorreta Reclassificação Fiscal promovida pelos AFTN. No mérito, não merece prosperar a desclassificação tarifária operada pelos auditores fiscais. Sem entrar num debate quanto ao fato de o creme Diphoterine ser ou não ser um saponaceo, é preciso considerar, acima de tudo, que a fiscalização também não logrou comprovar que ele se tratava de um produto de beleza. Aliás, carece de qualquer razoabilidade essa afirmação, como adiante será melhor abordado. Deveras, não basta que a fiscalização ache, entenda, presuma que a mercadoria não é o que o contribuinte diz que ela é. De acordo com o Principio da Verdade Material, que é vetor oponível ao Processo Administrativo Fiscal, no exercício de sua atividade de constituição do crédito tributário, o agente do Fisco não pode simplesmente desconsiderar as declarações do contribuinte, fazendoas letra morta. Em desconsiderando a autoridade tributária unia declaração prestada pelo sujeito passivo, a ela nasce o dever de provar, de demonstrar com elementos materiais, que a realidade ê aquela que ela está considerando. Não se trata de um jogo de toma lá, dá cá, data máxima venha. Ao Fisco incumbe o ônus da prova. Como a Impugnante asseverou no começo deste item, sem querer entrar no mérito se o produto Diphoterine é ou não um sabão, ainda assim, para que os agentes fiscais desconsiderassem a classificação da contribuinte, eles deveriam ter demonstrado e comprovado que o produto em questão era um produto de beleza, ou, noutro giro, que a sua composição prestavase a esse fim. Para tanto, deveriam terse respaldado em um laudo de análise, ou mesmo num catálogo técnico, para que pudessem ter identificado a mercadoria com a segurança devida. No entanto, na espécie dos autos, a fiscalização nada fez nesse sentido. Antes o contrário. In casu, os agentes fiscais aceitaram textualmente que a composição (descrição) da mercadoria, apontada pela Impugnante, estava correta. Mesmo assim, sem qualquer embasamento técnico num típico exercício de suposição, os auditores entenderam absurdamente que a mercadoria em exame era um cosmético porquanto destinavase a ser aplicada na pele, para a sua proteção. Ora, esse raciocínio e desprovido de razoabilidade, data venta Perguntase: Qual seria a possibilidade de um empregado de urna indústria Fl. 182DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 98 6 metalúrgica se utilizar de um 'produto de beleza' durante o seu trabalho? Claro que nenhuma! Será que os auditores fiscais não consideraram, por um minuto sequer, que o produto em questão seria melhor classificado como um equipamento de proteção individual, e que, por não haver essa classificação na TIPI, teria melhor enquadramento se fosse classificado corno um produto artificial tal como ''agente de superfície"? Nesse passo, registrese que no Auto de Infração sobre Imposto de Importação a fiscalização disse que "a Posição 34.02 abrange os agentes orgânicos de superfície (exceto os sabões)". Expostas estas considerações, claro fica que, se por um lado havia alguma dúvida quanto à classificação adotada pelo contribuinte, por outro lado não havia maior segurança quanto à reclassificação levada a cabo pelo Fisco, que foi desprovida de fundamentação. Com efeito, a utilização das Regras de Classificação feita pela auditoria do Tesouro Nacional não empresta fundamentação alguma à reclassificação que, como dito acima, não foi precedida de um necessário exame técnico. Somente este exame poderia dizer se o produto em questão era ou não sabão, se era ou não "produto de 60/aze", ou se era um protetor da pele com características de equipamento de proteção do trabalho. E é justamente para evitar situações de tamanha insegurança que a jurisprudência do Colendo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e firme no sentido de que prevalece a classificação adotada pelo contribuinte, em face da impossibilidade de se fundamentar a desclassificação (3° CC 3° Câm. Proc. N° 10880.03326019078 Recurso n° 118580 (Ac. 30329369), j. em 15.08.2000, v.u., Rel. Sérgio Silveira Meio). Afinados nesse diapasão estão os arestos citados às fls. 45/46. Forte nas considerações acima,pede e espera a que seja mantida a sua classificação fiscal da mercadoria por ela importada — Diphoterine e, em assim sendo, que seja desconstituído o credito tributário lançado em virtude da reclassificação havida. Conclusão Ante todo o exposto, a Impugnante pede, preliminarmente, que o lançamento de IPI seja anulado, por vicio do MPF. Se assim não achar mais acertado, que sejam desconstituídos os creditos de II de IPI lançados, arrimados que foram em desclassificação sem fundamentos.” Na apreciação da impugnação apresentada pelo sujeito passivo, a DRJ/FOR, por unanimidade de votos julgou procedente os lançamentos objeto da presente lide para considerar devidos os respectivos créditos tributários com a seguinte ementa: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 99 7 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/03/2002, 29/07/2003 PRODUTOS PARA PROTEÇÃO DA PELE. O código NCM "3304.99.90 Outros" inclui os produtos para proteção da pele, não incluídos nos códigos anteriores. CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA DE MERCADORIA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/03/2002, 29107/2003 IPI Não havendo impugnação especifica relativamente a esse tributo, a mesma motivação referente ao II aplicase, mutatis mutandis no .julgamento desse imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2002, 29107/2003 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Erros formais na emissão ou execução do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não têm o condão de inquinar de nulidade o lançamento correspondente. Com isso, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário tempestivamente sobre classificação fiscal de mercadoria importada, descrevendo se tratar de ""DIPHOTER1NE, agente de proteção de pele contra ação de soda caustica – spray com 100m1",com classificação NCM 3402.11.90 (Dls nºs 02/02291833 e 02/04118624) e 3401.20.90 (D1 nºs 03/06362214), e não sob o NCMs de nº 3304.99.9 – tal como classificou a Autoridade Fazendária. Sendo assim, à época, tal processo e recurso voluntário foram apreciados por essa turma que converteu, por unanimidade de votos, o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator José Luiz Novo Rossari. Para melhor elucidar a necessidade de diligência vislumbrada pelo colegiado à época, importante transcrever o voto do relator (destaques meus): “[...]Verifico que, no que se refere às especificações do produto, o único documento existente nos autos do processo é a "Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico", produzido pela recorrente e anexado no recurso (fls. 73/75), e que traz informações apenas sobre o nome comercial do produto e o seu fabricante e, como elementos que realmente tem a ver com a classificação do produto, sobre a sua aparência e finalidade. Não consta dos autos laudo que informe quanto à identificação do produto e à composição química. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 100 8 Cumpre ressaltar que produtos como o objeto de lide têm a particularidade de poderem ter classificação fiscal em várias posições da NCM/SH suscetíveis de serem tomadas em consideração, dependendo de sua identificação e composição química. No caso em exame, as informações constantes dos autos não trazem informações suficientes para assegurar ao julgador a necessária convicção para a mercadoria importada. Pelo exposto, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência à unidade da RFB de origem, para que seja: I) providenciada a elaboração de laudos técnicos pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), sobre o produto "Diphoterine em spray com 100m1" a partir de amostras especificas (para a pele e para os olhos) a serem solicitadas pela RFB à recorrente, observadas as cautelas devidas, para as providências e respostas aos quesitos que seguem: a) identificação, características, apresentação, composição química e utilização/aplicação dos produtos; b) se se trata de um composto de constituição química definida apresentada isoladamente, segundo os ditames do Sistema Harmonizado, que estabelece que "um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por unia espécie molecular (covalente ou idnica, especialmente) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural finico". c) se se trata de produto ou preparação orgânica tensoativa para lavagem da pele; d) se se trata de produtos adicionados de substancia (s) medicamentosa (s); em caso positivo, de qual (quais) substancia (s); e II) intimada a recorrente a juntar ao processo o registro do (s) produto (s) na ANVISA OP 80260110001) como correlato médico, conforme alegado em seu recurso, bem como das informações prestadas a esse órgão, para efeitos desse registro. Deverá ser dada ciência dessa diligência à recorrente a fim de que, se for de seu interesse, apresente os quesitos que entender relevantes para os laudos ora solicitados. Antes do retorno do processo a este Conselho, deverá a recorrente ser informada do inteiro teor dos laudos, a fim de que possa se manifestar a respeito, se for do seu interesse. José Luiz Novo Rossari” Convertido o julgamento em diligência, conforme consta da Resolução 3202 000.025 – 3ª Seção/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, a Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de São Luiz apresentou Termo de Intimação SAANA nº 27/2011 a contribuinte, para que, no prazo estipulado: 1) Apresente o produto "Diphoterine em spray com 100 ml"; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 101 9 2) Junte o registro do produto na Anvisa (n° 80260110001) como correlato médico, bem como das informações prestadas a esse órgão, para efeitos desse registro. Além disso, através desse Termo, cientificou que o produto "Diphoterine em spray com 100 ml" será encaminhado para elaboração de Laudo Técnico, pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Dessa forma, em atendimento ao r. Termo, a contribuinte apresentou: 1) o produto "Diphoterine em spay com 100 ml" para elaboração de laudo técnico a ser realizado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT); 2) cópia de protocolo realizado nos autos do Processo Administrativo n° 18336.001615/200469, juntando ao processo o registro do produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA (n° 80260810001) como correlato médico, publicado no Diário Oficial da União em 12 de setembro de 2005, bem como as informações obtidas com a empresa distribuidora do produto no Brasil, Globaltek Comércio e Representações Ltda, para efeitos desse registro. E ressaltou que em caso de necessidade de informações adicionais sobre o registro na ANVISA, a contribuinte solicitou que seja intimada a empresa Globaltek Comércio e Representações Ltda, detentora do registro do produto na ANVISA. Posteriormente, apresentou a recorrente os quesitos que entende relevantes para a realização do Laudo – quais sejam: · O produto "Diphoterine" apresenta características de cosmético, preparação antisolar, produto de beleza ou de maquilagem? · O produto "Diphoterine" tem aplicação em primeiros socorros no caso de acidentes com projeção na pele ou nos olhos de produtos químicos utilizados na produção de alumínio, tais como soda caustica, fazendo lavagem da área atingida e removendo o agente agressor, de modo a evitar que ocorra que cegueira, desfiguração e outras sequelas provenientes do contato com o produto químico? É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Depreendendose da análise do processo, vêse que o cerne da lide se resume na correta classificação fiscal do presente produto importado, descrevendo o contribuinte se tratar de ""DIPHOTER1NE, agente de proteção de pele contra ação de soda caustica – spray com 100m1",com classificação NCM 3402.11.90 (Dls nºs 02/02291833 e 02/04118624) e Fl. 186DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 102 10 3401.20.90 (D1 nºs 03/06362214), e não com classificação NCM 3304.99.9 – tal como referendou a Autoridade Fazendária. Para clarificar esta questão, vale lembrar que a classificação fiscal é feita por meio do código NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto n° 97.409, de 1988, o qual promulgou à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Para sua composição, O Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai adotam, desde janeiro de 1995, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado(SH). Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. Vêse, conforme relatado, que, quando da apreciação do processo por essa Turma, quanto às especificações do produto, foi verificado que o único documento existente nos autos do processo era a "Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico" – o que, por decorrência da carência de suporte documental e em respeito a busca pela verdade material, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias Desta forma, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras previstas na Resolução Camex n° 42, de 2001 e também na Instrução Normativa SRF n° 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral n° 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Clarificada a composição dos códigos, importante trazer que o caso em questão se refere a retorno de diligência de processo já conhecido por essa Turma. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 103 11 Sendo assim, para melhor elucidar e desemaranhar o “laço” feito, importante trazer que na diligência requerida, houve os seguintes esclarecimentos: · Pela Globaltek (destaques meus): “DIPHOTERINE® Solução de Lavagem ANVISA No.80260810001 0 Que É e para que Serve Diphoterine Solução de Lavagem (Diphoterine) é um produto fabricado na França pelo Laboratório Prevor, utilizado em primeiros socorros na prevenção de queimaduras químicas em casos de acidente com projeção de produtos químicos corrosivos e irritantes, tais como ácidos, bases, oxidantes, e redutores. Diphoterine® age absorvendo, neutralizando e eliminando o agente químico agressor, fazendo uma lavagem descontaminante da área atingida, e assim evita que ocorra queimadura química. Composição e Como Atua Diphoterine Solução de Lavagem é uma solução aquosa não tóxica, de pH 7,4 (neutro) e osmolaridade 800 mosm/L, composto de 94% em peso de água e 6% de diphoterine, um agente quelante anfótero não tóxico que contem múltiplos sítios ativos para várias classes de substancias químicas agressivas. 0 uso imediato de Diphoterine após projeção de produto químico interrompe a atividade do agente agressivo e rapidamente o retira da pele ou olho. Esta ação rápida, evita a ocorrência de queimadura química. Quando usado para casos de acidentes com ácidos, o Diphoterine atrai o ácido para o seu sitio alcalino, onde é afixado e aprisionado, tornandoo inofensivo. 0 mesmo acontece em acidentes com bases: o Diphoterine atrai a base para o seu sitio ácido, fixaa e aprisionaa, tornandoa inofensiva. Esta ação também se estende a produtos químicos oxidantes e redutores, por meio de sítios redutores e oxidantes, respectivamente, contidos no Diphoterine que faz assim uma descontaminação ativa sem liberação de calor (por meio de quelação), agindo muito rápido e requerendo poucas quantidades para neutralizar os efeitos do produto químico agressivo em casos de acidente. Benefícios do Diphoterine A descoberta do Diphoterine em 1987 pela Prevor representou uma evolução ao enxágüe tradicional passivo usando água; o enxágüe tradicional demanda quantidades elevadas de agua, com muito tempo de duração, e não é efetiva para produtos corrosivos ou irritantes concentrados, levando a complicações com internação, afastamento, cicatrizes e sequelas. 0 uso de Diphoterine Solução de Lavagem evita queimaduras químicas, reduz o índice de internação hospitalar e afastamento do trabalho, problemas que afetam a sociedade com repercussão em altos custos sócioeconômicos. Cegueira, desfiguração, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 104 12 sequelas e até óbitos de acidentados são evitados pelo uso do Diphoterine Solução de Lavagem em casos de acidentes com produtos químicos agressivos, em especial no âmbito das indústrias, onde a exposição ao risco químico é diuturnamente muito elevada. Como Usar Diphoterine Solução de Lavagem deve ser usado imediatamente após o acidente com produto químico corrosivo ou irritante para que tenha maior eficácia. 0 tempo de intervenção ótimo deve ser até 10 segundos para os olhos e até 60 segundos para outras partes do corpo atingidas (pele). Quando usado dentro destes intervalos, não ocorrerá queimadura química em casos de acidente. As queimaduras químicas demoram alguns segundos para iniciarem, que é o tempo de reação dos agressivos com os tecidos. Assim, usandose o Diphoterine imediatamente após o acidente, o agente agressivo é capturado, impedindo o desenvolvimento da queimadura. A descontaminação ainda será efetiva, caso houver um retardo no inicio dos primeiros socorros usando Diphoterine, entretanto mais descontaminante sera necessário para atrair e capturar o agente agressivo ainda ativo que, porventura, já tenha penetrado na pele ou olho. Informações Complementares Diphoterine não é um medicamento; não tem ação, farmacológica, metabólica ou imunológica. E um produto químico registrado no GMED (Grupo de Avaliação para Dispositivos Médicos França) como Correlato Médico Classe I ("Medical Device") na classificação CE no. 0459, de acordo com Anexo V, secção 3, Diretiva 93/42/CEE e certificados no.0202/B5S/1, no.0202/9001/1 e no.0202/13485/1. E seguro para uso externo na pele, olhos e cavidade nasal e oral. Não orientado para ingestão, porém, não é toxico e não causa qualquer dano se pequenas quantidades forem ingeridas (q.v. Tabela 1 abaixo). Diphoterine Solução de Lavagem começou a ser usado pela indústria química francesa em 1987 e atualmente seu uso é extensivo em toda União Européia (França, Alemanha, Bélgia, Holanda, Itália, Inglaterra, Irlanda, Espanha, Portugal, Rep. Tcheca), na Escandinávia (Suécia e Noruega), na Finlândia e Dinamarca por muitos indústrias e grandes corporações onde há exposição ao risco químico (ex: Akzo, Alcoa, Alcan, Alstom Alusuisse, Arcelor, Audi, Avesta, Elf Atochem, Basf, BP, BMW, Citroen, Chysler, CocaCola, Danone, Dow Automotiva, DuPont, EDF, Exxon Mobil,GE, GlaxoSmithKlineGSK, Henkel, IBM, Jaguar, Jordan, Knoll, L'Oreal, Manesmann, Mercedes, Millennium Chemicals, Nestle, Norsk Hydro, Novartis, Peugeot, Pfizer, Renault, Rhodia, Rohm&Haas, Saint Gobain , Solvay, 3M, Unilever, Wolkswagen...) Organismos tais comoce ntros antiveneno, corpo de Fl. 189DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 105 13 bombeiros, esquadrões de emergências e defesa civil da maioria destes países estão equipados com Diphoterine Solução de Lavagem para proteção da população civil em casos de acidentes e contingência envolvendo produtos químicos corrosivos e irritantes. Testes conduzidos no Centro de Informações Toxicológicas C.I.T. na França, provaram que o quelante Diphoterine é não toxico poring estão (DL 50>2000mg/kg sem mortalidade, teste no.6564 TAR, 06.08.90). Outros testes no Safepharm Laboratories em Derbyshere — Inglaterra — provaram que o Diphoterine não causa efeitos locais na pele e nos olhos, sendo o Diphoterine não irritante pele e olhos (testes no. 133/9,22.09.88 e no. 133/4, 08.10.87). Adicionalmente, Diphoterine mostrouse não ecotóxico nos testes padrões (ver adiante Ficha de Informações sobre Produto Químico — FISOQ ) O Diphoterine não regenera tecido danificado. A eficácia do Diphoterine é diminuída quando é utilizado após a lavagem com água (a água é hipot8nica e favorece penetração do agressor). Usar o Diphoterine mais que o recomendado não causa danos, porém, usar muito pouco resulta em descontaminação incompleta [...]” “Ficha de Informação de Segurança de Produto Químico – FISPQ/MSDS [...]8. Proteção individual: não aplicável 9. Informação Química e Física Aparência: liquido aquoso, sem cheiro e sem cor pH: 7,4 Ponto de ebulição: 100°C Ponto de Congelamento: 1°C Densidade: 1,034 g/cm 3 Solubilidade em água: solúvel 10. Reatividade e Estabilidade: solução estável e não reativa 11. Informações toxicolõgicas 11.1 Toxicidade Aguda Teste de toxidade aguda oral em rato: Classificada como não tóxico por via oral D1,50 oral em ratos > 2000 mg/kg. (Teste realizado pela C.1.T., teste número 6564 TAR, 06.08.90). 11.2 Efeitos locais Teste de irritação na pele : Classificado como não irritante. Toxidade aguda dérmica : D1,50>2000mg/kg (Teste realizado pela Safepharm, teste número 133/9, 22.09.88). Teste de irritação nos olhos em coelhos: Classificado como não irritante. (Teste realizado pela Safepharm, teste número 133/4, 08.10.87). · Pelo INT – Instituto Nacional de Tecnologia (Setor de Serviços Técnicos Especializados), após a requisição do Laudo: “O INT não realiza o tipo de serviço realizado” Fl. 190DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 106 14 Com tais “esclarecimentos”, ainda que não tenha sido obtido o Laudo do INT que, por sua vez, havia se manifestado pela impossibilidade de realização desse serviço, foi proposto pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de São Luiz – MA o retorno do presente processo à 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, acompanhado da amostra do produto "Diphoterine em spray com 100 ml", conforme segue: “Em cumprimento ao determinado pela 2ª Camara / 2ª Turma Ordinária do CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, intimamos a ALCOA ALUMÍNIO S/A a apresentar amostra do produto "Diphoterine em spray com 100 ml" e o seu registro na Anvisa como correlato médico, bem como as informações prestadas Aquele órgão. A empresa foi cientificada sobre a elaboração de Laudo Técnico pelo Instituto Nacional de Tecnologia — INT — e da possibilidade de apresentar quesitos que entendesse ser relevantes para o Laudo a ser solicitado. A recorrente apresentou a cópia do registro do produto na Anvisa como correlato médico, uma amostra do "Diphoterine em spray com 100 ml", os quesitos que entendeu ser relevantes, além das informações que obteve com a distribuidora do produto no Brasil, a Globaltek Comércio e Representações Ltda. Em contato com Instituto Nacional de Tecnologia, tomamos conhecimento da necessidade da recorrente manifestarse, previamente e por escrito, sobre a concordância em arcar com os custos do Laudo Técnico. A recorrente manifestou por escrito a sua concordância e informou que solicitou ao INT um orçamento contendo os valores a serem custeados. Entretanto, nos solicitou que o produto somente fosse enviado ao INT após a confecção do referido orçamento. Em 28/09/2011, a requerente comunicou à Alfândega da Receita Federal do Brasil em Sao Luis/MA que o Instituto Nacional de Tecnologia não elabora Laudo Técnico para o produto "Diphoterine em spray com 100 ml", conforme email do aludido Instituto para a recorrente. Isto posto, proponho o retorno do presente processo à 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do CARF, acompanhado da amostra do produto "Diphoterine em spray com 100 ml", haja vista a determinação do CARF na escolha do Instituto Nacional de Tecnologia e da impossibilidade do próprio Instituto na realização de Laudos Técnicos para "Diphoterine em spray com 100 ml". Sendo assim, depreendendose da análise do processo que retornou novamente ao CARF, entendo ainda ser essencial a elaboração de Laudo solicitado anteriormente, para o perfeito deslinde da controvérsia. Em vista de todo o exposto, voto por: I) converter o julgamento em diligência à unidade da RFB de origem, para que seja providenciada a elaboração de laudos técnicos por Instituto competente e confiável, de preferência entidade pública ou ligada ao setor Fl. 191DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 18336.001615/200469 Resolução nº 3202000.208 S3C2T2 Fl. 107 15 público, sobre o produto "Diphoterine em spray com 100ml" a partir de amostras especificas (para a pele e para os olhos) a serem solicitadas pela RFB à recorrente, observadas as cautelas devidas, para as providências e respostas aos quesitos que seguem: a) identificação, características, apresentação, composição química e utilização/aplicação dos produtos; b) se se trata de um composto de constituição química definida apresentada isoladamente, segundo os ditames do Sistema Harmonizado, que estabelece que "um composto de constituição química definida apresentado isoladamente é uma substância constituída por unia espécie molecular (covalente ou idnica, especialmente) cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos e que pode ser representada por um diagrama estrutural finico". c) se se trata de produto ou preparação orgânica tensoativa para lavagem da pele; d) se se trata de produtos adicionados de substancia (s) medicamentosa (s); em caso positivo, de qual (quais) substancia (s); e II) intimada a recorrente a juntar ao processo o registro do (s) produto (s) na ANVISA OP 80260110001) como correlato médico, conforme alegado em seu recurso, bem como das informações prestadas a esse órgão, para efeitos desse registro. II) Considerar ainda nesse Laudo os quesitos já apontados pela recorrente – quais sejam: a. Se o produto "Diphoterine" apresenta características de cosmético, preparação antisolar, produto de beleza ou de maquilagem? b. Se o produto "Diphoterine" tem aplicação em primeiros socorros no caso de acidentes com projeção na pele ou nos olhos de produtos químicos utilizados na produção de alumínio, tais como soda caustica, fazendo lavagem da área atingida e removendo o agente agressor, de modo a evitar que ocorra que cegueira, desfiguração e outras sequelas provenientes do contato com o produto químico? III) Antes do retorno do processo a este Conselho, ser a recorrente informada do inteiro teor dos laudos e lhe ser concedido o prazo de 30 dias para manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 192DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 13/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 12448.720378/2010-33
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2010 a 08/09/2010
DEIXAR DE INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO AS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA CONTRATANTE.
Constitui infração à legislação previdenciária elaborar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme o preceituado no artigo 32, I, da Lei nº 8.212/91 que determina a inclusão das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da contratante.
Numero da decisão: 2803-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2010 a 08/09/2010 DEIXAR DE INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO AS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA CONTRATANTE. Constitui infração à legislação previdenciária elaborar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme o preceituado no artigo 32, I, da Lei nº 8.212/91 que determina a inclusão das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da contratante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2010 a 08/09/2010 DEIXAR DE INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO AS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA CONTRATANTE. Constitui infração à legislação previdenciária elaborar folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, conforme o preceituado no artigo 32, I, da Lei nº 8.212/91 que determina a inclusão das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da contratante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Gustavo Vettorato. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 03 78 /2 01 0- 33 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12448.720378/201033 Acórdão n.º 2803003.437 S2TE03 Fl. 250 2 Relatório 1. Tratase de Recurso voluntário interposto por MONGERAL AEGON SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A., em face de acórdão, que por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação. 2. O Auto de Infração DEBCAD nº 37.265.0511 foi lavrado contra a recorrente sob o argumento dela ter deixado de elaborar folha de pagamento com a totalidade dos segurados que lhe prestaram serviços, nos termos do art. 32, I, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, I, parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 3. A contribuinte foi cientificada da constituição do crédito tributário e, por não se conformar, apresentou impugnação fls.131/158. 4. O acórdão de primeira instância, que julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte, restou lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/09/2010 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO. OMISSÃO DE SEGURADOS. MULTA. REGULARIDADE. Constitui infração à legislação previdenciária omitir na folha de pagamentos os segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” 5. Intimada da decisão da instância a quo, em 29/08/2013, conforme se faz aviso de recebimento da ECT de fls.211, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário fls.215/244, alegando em síntese que: a) em decorrência da infração verificada pela fiscalização, foi aplicada a multa, prevista nos art. 92 e 102, da Lei 8.212/91 e artigo 283, I, alínea “a” e art. 373, do Regulamento da Previdência Social, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF nº 333, de 29/06/10, não tendo sido configuradas as circunstâncias agravantes do artigo 290, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. b) Nos relatórios fiscais de fls. 109/110 a fiscalização informou que apurou na contabilidade da empresa um pagamento, ao segurado Helder Molina, na data de 31/05/2007, justificado pela empresa como sendo baixa de adiantamento, realizado em 21/01/2007, e registrado na conta 11451 – Salários. Contudo, não houve a inclusão do Diretor Presidente nas folhas de pagamento de 01 a 05/2007; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12448.720378/201033 Acórdão n.º 2803003.437 S2TE03 Fl. 251 3 c) A recorrente apresentou a defesa, de fls. 215/244, com idêntico teor da apresentada para os AI nº 37.299.4741e 37.299.4750, acrescentando apenas o pedido de impossibilidade de cobrança concomitante da multa de mora e da multa de oficio; 6. Ao final, requer que seja conhecido e provido para que, ante a inexistência da obrigação principal, seja reformada integralmente a decisão de primeira instância, e declarada a insubsistência do lançamento declarando seu cancelamento. 7. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados á apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12448.720378/201033 Acórdão n.º 2803003.437 S2TE03 Fl. 252 4 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. O presente recurso é tempestivo, bem como estão presentes os requisitos extrínsecos e intrínsecos de admissibilidade, por isso, conheço do mesmo e passo a analisar o mérito do pleito. DO MÉRITO 2. No presente caso, o lançamento diz respeito às obrigações acessórias referentes à obrigatoriedade que tem a empresa de elaborar folha de pagamento com a totalidade dos segurados que lhe prestaram serviços, nos termos do art. 32, I, da Lei 8.212/91, c/c o artigo 225, I, parágrafo 9º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. 3. Feitas essas observações iniciais, é imperiosa uma breve analise da natureza obrigacional do Direito Tributário, que gera entre o contribuinte e o Fisco uma relação jurídica, na qual o credor pode exigir do devedor uma obrigação de dar, fazer ou não fazer. 4. Tendo como fundamento o princípio da legalidade, a obrigação tributária nasce por lei e foi enunciada pelo legislador ordinário, no art. 113, do Código Tributário Nacional em duas espécies: principal e acessória. 5. A obrigação principal, descrita no § 1º, do art. 113 do CTN, possui caráter eminentemente patrimonial, tendo como objeto o pagamento de um tributo ou penalidade pecuniária (obrigação de dar), que nasce com a ocorrência do fato gerador. 6. Diferentemente do que ocorre com a obrigação principal, a acessória não tem afeição patrimonial, consistindo em prestações positiva ou negativas (obrigação de fazer ou não fazer), determinadas em lei, como normas comportamentais, que objetivam facilitar a fiscalização tributária, para que possa exercer maior controle sobre o recolhimento de tributos. 7. No caso trazido à baila, razão não assiste a recorrente, uma vez que, extrai se dos autos que os valores constantes do auto de infração são relativos a uma penalidade pecuniária oriunda do descumprimento da obrigação acessória contida no art. 32, inciso I, da Lei 8.212, de 1991, que assim dispõe: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12448.720378/201033 Acórdão n.º 2803003.437 S2TE03 Fl. 253 5 8. O fato de não existir obrigação principal a ser cumprida não exonera a contribuinte da obrigação acessória legalmente imposta, sendo plausível a multa pecuniária aplicada, nos termos do art. 113, I, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: §3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. 9. Corroborando o entendimento acima exposto, trago entendimento do Mestre Luciano Amaro, que ao enfrentar o tema assim discorreu: “As obrigações ditas acessórias são instrumentais e só há obrigações instrumentais na medida da possibilidade de existência das obrigações para cuja fiscalização aquelas sirvam de instrumento... embora não dependam da efetiva existência de uma obrigação principal, elas se atrelam à possibilidade ou probabilidade de existência de obrigações principais. 10. Outrossim, o entendimento pacificado no Superior Tribunal de Justiça também não alberga o pleito do recorrente, como pode ser verificado na ementa abaixo colacionada: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL DO CPC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ENTREGA DA GFIP (LEI 8.212/91). DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO ENQUADRAMENTO NA HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 11, I, § 1º, DA MP 38/2002. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE APENAS DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONVOLAMENTO EM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 113, § 3º, DO CTN. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. Os benefícios fiscais devem ser interpretados restritivamente, prevalecendo a máxima lex dixit quam voluit (art. 111 do CTN). Precedentes: REsp 989.193/PR, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/11/2009, DJe 18/12/2009; REsp 1089202/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 20/08/2009. 2. O benefício previsto no art. 11, § 1º, I, da MP 38/2002 (dispensa de acréscimos legais), direcionase tãosomente àqueles acréscimos incidentes sobre débitos oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, o que não inclui, obviamente, as multas impostas em virtude do inadimplemento de obrigação acessória, (in casu, a apresentação de GFIP/GRFP com informações errôneas acerca dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, conduta tipificada no art. 32, § 5º, da Lei 8.212/91, que determina que a apresentação de documento, com dados não correspondentes aos fatos geradores, sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada). 3. É que a MP 38/2002 estabelece, verbis: "Art. 11. Poderão ser pagos ou parcelados, até o último dia útil do mês de julho de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, e no art. 11 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, decorrentes de fatos Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12448.720378/201033 Acórdão n.º 2803003.437 S2TE03 Fl. 254 6 geradores ocorridos até 30 de abril de 2002, relativamente a ações ajuizadas até esta data. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, a dispensa de acréscimos legais alcança: I as multas, moratórias ou punitivas;" 4. Ressoa inequívoco, da dicção do referido dispositivo legal, que, para beneficiarse da dispensa das multas moratórias ou punitivas (§ 1º, I, art. 11), impõese a observância, de forma cumulativa, dos seguintes requisitos: (i) os débitos sobre os quais esses acréscimos incidem hão que ser oriundos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal; (ii) os fatos geradores da obrigação tributária devem ter ocorrido até 30 de abril de 2002; (iii) os referidos débitos devem ser objeto de discussão judicial até 30/04/2002. 5. Destarte, interpretandose finalisticamente a norma jurídica supratranscrita, forçoso concluir que a mens legis reside no incentivo ao pagamento ou parcelamento de tributos (por isso exclui as multas) e não na instituição de remissão irrestrita do inadimplemento de obrigação instrumental. 6. In casu, o auto de infração é constituído tãosomente pelo valor principal, sem acréscimos, decorrente de multa por descumprimento de dever instrumental que, nos termos do art. 113, § 3º, do CTN convolouse em obrigação principal. 7. O caput do art. 11 da MP 38/2002 prevê que os referidos débitos tributários podem ser pagos ou parcelados nas condições previstas nos arts. 17 da Lei 9.779/1999, e no art. 11 da Medida Provisória 2.158 35/2001, os quais ostentam a seguinte redação, litteris: "Art. 17. Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal. (vide Medida Provisória nº 2.15835, de 24.8.2001)""Art. 11. Estendese o benefício da dispensa de acréscimos legais, de que trata o art. 17 da Lei no 9.779, de 1999, com a redação dada pelo art. 10, aos pagamentos realizados até o último dia útil do mês de setembro de 1999, em quota única, de débitos de qualquer natureza, junto à Secretaria da Receita Federal ou à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, desde que até o dia 31 de dezembro de 1998 o contribuinte tenha ajuizado qualquer processo judicial onde o pedido abrangia a exoneração do débito, ainda que parcialmente e sob qualquer fundamento.(Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) § 1o A dispensa de acréscimos legais, de que trata o caput deste artigo, não envolve multas moratórias ou punitivas e os juros de mora devidos a partir do mês de fevereiro de 1999." 8. Destarte, ao contrário do alegado pela recorrente, não se vislumbra o seu enquadramento em qualquer das condições previstas nos artigos supratranscritos, uma vez que: (i) o art. 17, da Lei 9.779/99, não faz qualquer alusão a débitos decorrentes de multa por descumprimento de obrigação acessória, tratando especificamente de valor relativo a tributo, cuja regra matriz de incidência tenha sido declarada inconstitucional, e cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal; (ii) o art. 11 da MP 2.15835/2001, conquanto possibilite a dispensa dos acréscimos Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 12448.720378/201033 Acórdão n.º 2803003.437 S2TE03 Fl. 255 7 legais aos pagamentos de débitos de qualquer natureza, restringea a duas condições concomitantes, quais sejam: a) que a ação, objetivando a exoneração do débito, tenha sido ajuizada até o dia 31 de dezembro de 1998, o que não ocorreu no caso sub examine (o mandamus foi impetrado em 2001, consoante exposto pela própria recorrente às fls. eSTJ 5); b) conforme disposto no § 1º, as multas de qualquer natureza e juros de mora têm que ser anteriores a fevereiro de 1999, fato que, à míngua de menção nas instâncias ordinárias, atrai a incidência da Súmula 07 do STJ. 9. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 10. Recurso especial desprovido. (STJ REsp: 1107044 PR 2008/02699820, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 21/10/2010, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/11/2010) 11. Por entender que a acórdão foi prolatado com observância da Lei e do entendimento jurisprudencial dominante, conheço do recurso para negarlhe provimento, pelos fundamentos acima expostos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720043/2010-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
MULTAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Cabível a aplicação da multa de ofício em lançamento atribuído por responsabilidade tributária à empresa sucessora adquirente da universalidade do fundo de comércio e negócio da sucedida, constatado o controle comum de grupo familiar.
DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Constatada a ocorrência de fraude tributária através da utilização de manutenção de conta bancária em nome de interposta pessoa, aplica-se o art. 173, I do Código Tributário Nacional para contagem da decadência ao direito da Fazenda Nacional para realização do lançamento.
Numero da decisão: 1803-002.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Arthur José André Neto e Victor Humberto da Silva Maizman.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 MULTAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Cabível a aplicação da multa de ofício em lançamento atribuído por responsabilidade tributária à empresa sucessora adquirente da universalidade do fundo de comércio e negócio da sucedida, constatado o controle comum de grupo familiar. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Constatada a ocorrência de fraude tributária através da utilização de manutenção de conta bancária em nome de interposta pessoa, aplica-se o art. 173, I do Código Tributário Nacional para contagem da decadência ao direito da Fazenda Nacional para realização do lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Arthur José André Neto e Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizase como omissão de receitas a manutenção de conta bancária em nome de interposta pessoa cuja origem a contribuinte não logrou comprovar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. Mantemse a responsabilidade tributária nos termos do art. 133, I do Código Tributário Nacional verificada a continuidade da exploração comercial praticada por sucessivos empreendimentos e denominações sociais sob o controle e inspiração de grupo familiar controlador do negócio. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Constatada a ocorrência de fraude tributária através da utilização de manutenção de conta bancária em nome de interposta pessoa, aplicase o art. 173, I do Código Tributário Nacional para contagem da decadência ao direito da Fazenda Nacional para realização do lançamento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 MULTAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Cabível a aplicação da multa de ofício em lançamento atribuído por responsabilidade tributária à empresa sucessora adquirente da universalidade do fundo de comércio e negócio da sucedida, constatado o controle comum de grupo familiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 00 43 /2 01 0- 93 Fl. 980DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Arthur José André Neto e Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (presidente da turma), Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, e Arthur José André Neto. Relatório R & A SUPERMERCADOS LTDA,,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RECIFE (PE), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra a contribuinte acima qualificada, lavraramse autos de infração formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente ao anocalendário de 2003, no valor total de R$ 800.092,04, incluídos multas de ofício (proporcionalqualificada e isolada) e juros de mora. 2. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 02/14), encontramse registradas as seguintes infrações, ao final tipificadas: “001 – OMISSÃO DE RECEITAS” e “002 –MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA”. Segundo a autoridade autuante, houve omissão de receitas “caracterizada por sucessão na forma do art. 133 do CTN”, uma vez que a empresa sucedida (MR BARRETO LTDA., hoje SUPERMERCADO UNA, com CNPJ n.º 03.446.080/000100) foi beneficiária de diversos cheques Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.720043/201093 Acórdão n.º 1803002.143 S1TE03 Fl. 981 3 emitidos por JESUAN FERREIRA MARQUES, CPF n.º 816.446.55420, utilizados para a compra de mercadorias. 3. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 59/67, a autoridade autuante consignou, em síntese: 3.1. A ação fiscal direcionouse inicialmente ao Sr. JESUAN. Conforme o Dossiê Integrado, este teria movimentado, na conta corrente n.º 65463, agência n.º 02445, do Banco do Brasil S/A, algo em torno de R$ 4.675.000,00. Intimado a prestar esclarecimentos, informou, através de seus advogados, que assumiria toda a responsabilidade pela referida movimentação financeira, “ainda que incompatível com sua situação patrimonial e ausência de declarações de rendimentos” (doc. 06); 3.2. Diligência efetuada ao domicílio do Sr. JESUAN demonstrou que se encontra localizada no humilde bairro de Água Preta, em casa bastante modesta (foto anexada através do doc. 07), o que evidencia ser a movimentação financeira totalmente incompatível com a sua realidade patrimonial. Diante desses fatos, requereuse, através de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, informações específicas sobre a sua conta bancária, incluindo cópias dos cheques assinados pelo Sr. JESUAN, cuja análise demonstrou terem sido emitidos em favor de diversas distribuidoras de alimentos. No verso dos cheques, via de regra existe a informação fazendo referência ao responsável pelas compras, a MR BARRETO LTDA., em cujo endereço, constante dos arquivos da RFB, encontrase instalada a R & A SUPERMERCADO LTDA., com nome de fantasia HIPER RILDO. Uma das sócias desta empresa, a Sra. RITA DE CÁSSIA BRAZ ALMEIDA, é filha do Sr. RILDO BRAZ DA SILVA, também beneficiário de cheques utilizados na compra de dois caminhões à VENEZA DIESEL (doc. 13); 3.3. Conforme contrato de constituição e alterações (doc. 11), a MR BARRETO LTDA. funcionou, até 13/07/2009, na Praça Dr. Paulo Paranhos, n.º 1073. Causa espécie comprovar, conforme seu Contrato de Constituição, que a R & A SUPERMERCADO LTDA. continuou, no mesmo endereço, a partir de 26/05/2009, as atividades da MR BARRETO. Não bastasse isso, no site da Telelistas.net, o endereço de ambas era o mesmo (doc. 11). No referido local, funcionou, ainda, a empresa SUPERMERCADO TRAMONTINE LTDA. (doc. 12), cujo quadro societário era composto por GRACINA MARIA RAMOS BRAZ DA SILVA (atual procuradora da R & A SUPERMERCADO LTDA.) e RITA DE CÁSSIA BRAZ ALMEIDA, respectivamente esposa e filha do Sr. RILDO BRAZ DA SILVA. Até a sua quarta alteração contratual, a empresa funcionava na Praça Dr. Paulo Paranhos, n.º 1073. Verificouse, também, que, via de regra, todos os empregados da R & A SUPERMERCADO LTDA. foram transferidos do SUPERMERCADO TRAMONTINE LTDA. (doc. 12). Na sexta alteração contratual, houve mudança da razão social da MR BARRETO LTDA. para SUPERMERCADO UNA LTDA., com endereço na Rua João Pessoa, n.º 502, Água Preta. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 4 Em diligência ao local, constatouse inexistir qualquer atividade (doc. 11); 3.4. Entendeuse, diante dos fatos constatados, que a R & A SUPERMERCADO LTDA. é sucessora do supermercado MR BARRETO LTDA., na forma do art. 133 do CTN; 3.5. Cópia do contrato de locação do imóvel onde as atividades são exercidas (sem firma reconhecida e sem registro em Cartório de Títulos e Documentos, datado de junho de 2009) constitui indício que leva a concluir ser a locação antiga e continuada (doc. 13). Em diligência ao local do estabelecimento, constatouse a existência de bens móveis (câmaras frias, freezer, prateleiras, estoques, computadores, máquinas registradoras, sistema de segurança) incompatíveis com o capital integralizado. Intimada, a contribuinte não comprovou a compra desses bens, apresentando apenas algumas notas fiscais (doc. 13), o que evidencia que houve apenas mudança da razão social e que a nova empresa aproveitou toda a infraestrutura existente no local; 3.6. Os caminhões adquiridos pelo Sr. RILDO foram entregues na Rua México Setenta, n.º 69, atual endereço da filial da R & A SUPERMERCADO LTDA. Intimada a comprovar a utilização dos veículos, informou não utilizálos (doc. 13); 3.7. Depois de intimada a apresentar o registro dos funcionários, comprovouse que os mesmos foram admitidos em data anterior à constituição da empresa fiscalizada (doc. 13); 3.8. A contribuinte apresentou conta de energia elétrica em nome da MR BARRETO LTDA., o que mais uma vez demonstra que esta foi sucedida pela R & A SUPERMERCADO LTDA (doc. 13). 4. No prazo legal, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 795/817, por meio da qual alega, em síntese, depois de relatar os fatos: Preliminar de decadência 4.1. Já decaiu o direito do Fisco em relação ao períodobase da autuação. A regra a ser aplicada é o art. 150, § 4º, do CTN, já que não ficou demonstrada a ocorrência de fraude ou simulação. Era imperioso que o Fisco as tivesse provado, de forma que a falta desse requisito essencial conduz à nulidade do lançamento. Ainda que se entenda aplicável o art. 173, I, do CTN, a contagem do prazo decadencial se iniciou em 01/01/2004, findando em 01/01/2009; MÉRITO Inexistência de relação jurídica que autorize a aplicação da regra do art. 133, I, do CTN 4.2. Mesmo de posse de documentação apresentada pela empresa, que demonstrava que não teria adquirido fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional do Sr. JESUAN ou da MR BARRETO LTDA., mas Fl. 983DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.720043/201093 Acórdão n.º 1803002.143 S1TE03 Fl. 982 5 locado de terceiro imóvel situado na Pça. Dr. Paulo Paranhos, n.º 1073, Palmares/PE, o Fisco resolveu constituir uma relação jurídicotributária (sucessão) legalmente impossível. O verbo constante do art. 133 do CTN referese a “adquirir”; não a “locar”, como aconteceu com a empresa (cita ementa de decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, defendendo que a simples locação de imóvel realizada entre empresas distintas, ainda que desenvolvam atividades semelhantes, não caracteriza sucessão de empresas, capaz de ensejar a aplicação do art. 133 do CTN). É absurdo desconsiderar o contrato de locação ante a falta de reconhecimento de firma e registro no Cartório de Notas. Desrespeitouse o art. 5º, II, da Constituição Federal. A Lei do Inquilinato e o Código Civil não exigem que o contrato de locação apresente firma reconhecida ou seja registrado em cartório para ser válido juridicamente; 4.3. Em consulta ao site da Receita Federal, podese obter certidão de nada consta em relação ao Sr. JESUAN e certidão de crédito tributário suspenso em relação à empresa MR BARRETO LTDA., fatos que demonstram estar o crédito tributário decaído, pois, se assim não fosse, não se poderia excluir tais pessoas da responsabilidade tributária. O art. 141 do CTN veda a exclusão. O próprio Sr. JESUAN reconhece como sendo sua a movimentação bancária ocorrida no ano de 2003, o que desnatura qualquer possibilidade de responsabilidade tributária por sucessão ou de terceiros, ainda mais quando a MR BARRETO LTDA. continua a existir; 4.4. O fato de se ter informado que a empresa não estava exercendo nenhuma atividade no local indicado na alteração contratual não implica dizer tenha sido excluída do mundo jurídico; 4.5. O fato de ter recebido algum título de crédito de outra pessoa não chama para o recebedor a condição de sucessor ou de responsável tributário, muito menos a imposição de carimbos no seu verso, já que o cheque tem a característica de ser circulante. O mesmo se aplica às questões empregatícia e de mobiliários. Como o próprio Fisco ressaltou, antes de a empresa ser constituída, funcionava no seu endereço a SUPERMERCADO TRAMONTINE LTDA., o que fulmina a pretensão de lhe impor a condição de sucessora; 4.6. Os créditos tributários constituídos em desfavor da empresa não têm a natureza propter rem, devendo acompanhar, se fosse o caso, a MR BARRETO LTDA; Legitimidade do lançamento com base apenas em extratos ou depósitos bancários 4.7. A hipótese já foi sumulada pelo Tribunal Federal de Recursos (Súmula n.º 182). Considerouse, para fins de tributação, o simples fato de existirem depósitos e saques superiores ao valor dos rendimentos anuais, considerados pelo Fisco como indicadores de sinais Fl. 984DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 6 exteriores de riqueza. Não há elementos autorizadores da imputação; 4.8. Caso fosse admitida a tributação, deveria o Fisco desconsiderar, para fins de identificação da receita bruta, as vendas canceladas (devoluções), os descontos concedidos incondicionalmente e os tributos incidentes sobre as vendas. Devese ter ideia do custo de aquisição do bem, confrontandoo com o valor da alienação, para, em seguida, deduzir o percentual relativo aos tributos incidentes (reproduz ementas do Conselho de Contribuintes, bem como excertos doutrinários, entendendo que os depósitos bancários não caracterizam, por si sós, disponibilidade de rendimentos tributáveis). Pelas provas carreadas aos autos, também não se vislumbra a ocorrência em relação ao Sr. JESUAN e à MR BARRETO LTDA; Aplicação das multas 4.9. Não se poderia imputar penalidade tão grave, pois o fato de deixar de prestar informações fiscais quando requeridas não acarreta a draconiana penalidade, a teor do art. 7º, caput e inciso IV, da Lei n.º 10.426, de 2002. Assim, verificada alguma incorreção na declaração apresentada pela empresa, o Sr. JESUAN ou a MR BARRETO LTDA. deveriam solicitar a apresentação da declaração, o que não cuidou de requerer, deixando precluir o seu direito. Deverseia aplicar, caso constatada a existência de infração à legislação tributária, as multas constantes dos incisos previstos no referido diploma legal, não a que foi aplicada; 4.10. Caso não seja declarada a nulidade do lançamento, que sejam aplicadas as multas previstas no art. 7º, inciso IV, da Lei n.º 10.426, de 2002. O Fisco deveria ter intimado a empresa para, no prazo de dez dias, apresentar nova declaração, seja para o fim de correção, seja para trazer ao conhecimento do Fisco as informações que omitiu. Exaurido o prazo, e observado o disposto no § 3º do mesmo diploma legal, é que poderia aplicar a multa prevista no art. 7º, IV, da Lei citada, o que não ocorreu. 5. Ao final, requer o acolhimento da preliminar de decadência ou, alternativamente, a procedência da impugnação. A DRJ RECIFE (PE), através do acórdão nº 1133.356, de 08 de abril de 2011 (fls. 901/912), julgou procedente o lançamento de ofício ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SUCESSÃO EMPRESARIAL. DÍVIDA DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou Fl. 985DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.720043/201093 Acórdão n.º 1803002.143 S1TE03 Fl. 983 7 nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos casos de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN. LUCRO REAL ANUAL. MOMENTO EM QUE SE PODE EFETUAR O LANÇAMENTO. No caso de o contribuinte adotar o regime do lucro real anual, o lançamento só pode ser efetuado quando já se encontrar encerrado o períodobase da apuração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 ESTIMATIVAS MENSAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. Ciente da decisão em 08/06/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 924), apresentou o recurso voluntário em 06/07/2011 fls. 926/960, onde reitera suas alegações da inicial acrescendo as alegações de utilização de prova ilícita (sigilo bancário) e aplicação indevida de multa à sucessora. Por força da Resolução s/n, de 22/11/2011 (fls. 966/975), desta Turma Julgadora o processo foi sobrestado em virtude das alegações acerca do sigilo bancário. Sobrevindo alteração regimental conforme despacho de 05/02/2014 (fl. 979), o processo foi novamente distribuído para julgamento a esta Turma. É o relatório Fl. 986DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 8 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício por ter sido detectada omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, relativa ao ano calendário 2003. Alega a recorrente em síntese: a) Utilização de prova ilícita pela irregular requisição administrativa dos extratos bancários através de RMF; b) Decadência do lançamento; c) Inocorrência de sucessão na forma do art. 133 do Código Tributário Nacional; d) Impossibilidade de manutenção da multa de ofício considerando não restar caracterizado o controle comum ou mesmo grupo econômico, nos moldes preconizados na Súmula CARF nº 47. Não assiste razão à recorrente. Com efeito, Com efeito, desenvolve a recorrente extensa argumentação em torno da tese da inviolabilidade do sigilo bancário sem a competente autorização judicial. A tese defendida pela recorrente e da mais alta indagação, suscitou o sobrestamento do processo considerando a então disposição regimental do CARF, conforme Resolução s/n, de 22/11/2011 (fls. 966/975), tendo em vista as discussões travadas no âmbito do Supremo Tribunal Federal acerca da matéria do sigilo bancário. Considerando no entanto, a revogação do dispositivo regimental que determinava o sobrestamento dos processos com alegações acerca da inviolabilidade do sigilo bancário, retornou o processo para regular distribuição a esta Turma Julgadora. O tema do sigilo bancário embora suscitando acalorados debates na mais alta Corte Judicial do País, não tem ainda uma definição que submeta o presente processo aos seus ditames. Ao revés, em julgado submetido ao regime dos recursos repetitivos (art. 543 C do CPC), o Superior Tribunal de Justiça, reafirmou a legalidade da requisição administrativa dos extratos bancários, assim se definindo em relação ao tema: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Fl. 987DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.720043/201093 Acórdão n.º 1803002.143 S1TE03 Fl. 984 9 REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. 2. O § 1º, do artigo 38, da Lei 4.595/64 (revogado pela Lei Complementar 105/2001), autorizava a quebra de sigilo bancário, desde que em virtude de determinação judicial, sendo certo que o acesso às informações e esclarecimentos, prestados pelo Banco Central ou pelas instituições financeiras, restringir seiam às partes legítimas na causa e para os fins nela delineados. 3. A Lei 8.021/90 (que dispôs sobre a identificação dos contribuintes para fins fiscais), em seu artigo 8º, estabeleceu que, iniciado o procedimento fiscal para o lançamento tributário de ofício (nos casos em que constatado sinal exterior de riqueza, vale dizer, gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte), a autoridade fiscal poderia solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no artigo 38, da Lei 4.595/64. 4. O § 3º, do artigo 11, da Lei 9.311/96, com a redação dada pela Lei 10.174, de 9 de janeiro de 2001, determinou que a Secretaria da Receita Federal era obrigada a resguardar o sigilo das informações financeiras relativas à CPMF, facultando sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). (...) 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir Documento: 932315 Inteiro Teor do Fl. 988DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 10 efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. 14. O suposto direito adquirido de obstar a fiscalização tributária não subsiste frente ao dever vinculativo de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de crédito tributário não extinto. (...) (Resp 1.134.665SP, 25/11/2009, Min. Luiz Fux) Assim é, que a requisição administrativa dos extratos bancários nos moldes preconizados pela Lei Complementar 105/2001 e sua regulamentação no âmbito tributário através do Decreto 3.724/2001 encontrase respaldada legalmente, somente podendo alegarse qualquer vício em caso de descumprimento da norma posta. A apreciação de incompatibilidade da norma perante a Constituição Federal é competência exclusiva do Poder Judiciário, nos termos da Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não vislumbro outrossim, considerando a obrigatoriedade da escrituração completa de suas operações por parte das pessoas jurídicas, supostas alegações de violação do sigilo bancário uma vez que tem o dever de apresentar a documentação e a escrituração às autoridades fiscais. Com relação a alegação de decadência melhor sorte não colhe a recorrente. Com efeito, considerando a utilização de conta bancária em nome de interposta pessoa “laranja” resta evidente a fraude perpretada pela sucedida MR Barreto Ltda, sendo aplicável neste caso, o art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional, conforme entendimento da Súmula CARF nº 72: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Neste caso, considerando que a empresa sucedida era tributada pelo lucro real anual, o fato gerador do imposto de renda encerrou em 31/12/2003, podendo ser executado o lançamento somente a partir de 01/01/2004. Neste caso, para efeitos do art. 173, I do CTN “Primeiro dia do exercício seguinte” é o dia 01/01/2005 que é o início para a contagem do prazo decadencial. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.720043/201093 Acórdão n.º 1803002.143 S1TE03 Fl. 985 11 Considerando que o lançamento ocorreu em 29/12/2009, não se verificou a decadência do direito da Fazenda Nacional não tendo ainda decorrido integralmente o lapso decadencial. Rejeito, portanto a alegação de decadência. Melhor sorte não colhe a recorrente em relação a exclusão de sua responsabilidade pelos tributos devidos pela empresa “MR BARRETO LTDA”. Recordemos inicialmente, a dicção do art. 133 do Código Tributário Nacional invocado pela autoridade fiscal: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. (...) Em segundo lugar, a situação fática detectada pela autoridade fiscal e que a levaram a caracterizar a responsabilidade tributária da recorrente pelos tributos devidos pela empresa “MR BARRETO LTDA”, com fundamento no art. 133 do CTN. O procedimento fiscal iniciou nas contas da pessoa física de JESUAN FERREIRA MARQUES, que restou caracterizada como interposta pessoa da empresa “MR BARRETO LTDA”, real titular dos recursos movimentados em suas contas correntes. A empresa MR BARRETO LTDA utilizava as contas bancárias do Sr. JESUAN, pessoa de condições econômicofinanceiras humildes, para suas operações comerciais do ramo de supermercado. Considerando que movimentou em torno de R$ 4.600.000,00 ao longo do ano calendário 2003 foi efetuada Requisição de Informações de Movimentação Financeira – RMF, cujo resultado comprovou a utilização da conta corrente no Banco do Brasil, para as operações de interesse da RM Barreto Ltda. Conforme elementos compilados pela autoridade fiscal constatouse vínculo empregatício do Sr. Jesuan Ferreira Marques com a empresa sucedida MR BARRETO LTDA. Constatou outrossim, a autoridade fiscal que através de sucessivas transferências do acervo de fundo de comércio e sempre funcionando no mesmo local e até concomitantemente, pessoas do vínculo familiar do Sr. Rildo Braz da Silva operaram negócio Fl. 990DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA 12 no ramo de supermercados atualmente utilizando o nome de fantasia HIPER MERCADO RILDO. Assim, ao contrário do que afirma a recorrente existe sim uma íntima vinculação e um controle comum das empresas por parte do grupo familiar do Sr. Rildo Braz da Silva, ele mesmo beneficiário de diversos cheques da conta bancária da interposta pessoa JESUAN FERREIRA MARQUES, utilizados para pagamento na aquisição de veículos de carga em seu nome. No Termo de Encerramento – fls. 35/42 e documentos carreados aos autos, relata a autoridade fiscal as seguintes constatações: a) A empresa sucedida MR BARRETO LTDA, atuou no ramo de supermercados no endereço da Rua Dr. Paulo Paranhos, 1073, Palmares (PE), de 06/10/1999 até 13/07/2009, quando através da sexta alteração contratual (fl. 701), foi ‘transferida’ para outro endereço local onde não há efetivamente qualquer atividade operacional, conforme fotografias do local; b) No mesmo endereço e local, foi constituída a empresa SUPERMERCADO TRAMONTINE LTDA, tendo como sócias a esposa (Gracina Maria Ramos Braz da Silva) e filha (Rita de Cássia Braz Almeida) do Sr. Rildo Braz da Silva, explorando a atividade de supermercados no período de 22/02/2006 a 11/06/2009, transferindose nesta última data para o mesmo endereço onde consta empresa inativa em nome de RILDO BRAZ DA SILVA – ME; c) Em 28/05/2009, foi constituída no mesmo local e endereço a empresa recorrente R & A SUPERMERCADOS LTDA, tendo como sócias Andréia Maria Braz Alves e Rita de Cássia Braz Almeida filha de Rildo Braz da Silva; d) A empresa R & A SUPERMERCADOS LTDA, absorveu sem solução de continuidade, os vínculos empregatícios de dezenas de empregados das empresas MR BARRETO LTDA e SUPERMERCADO TRAMONTINE LTDA; e) A empresa R & A SUPERMERCADOS LTDA, não conseguiu explicar nem comprovar a existência de grande parte de seu mobiliário, maquinário e moveis e utensílios existentes no local onde é explorado o negócio de supermercado. Assim, resta demonstrado e comprovado que o negócio familiar foi explorado através de sucessivas denominações sociais, com o fito evidente de dissimular o volume e o tamanho dos negócios operados no local, caracterizandose sem sombra de dúvida a sucessão das operações do empreendimento familiar. A Súmula CARF nº 47 invocada pela recorrente tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Embora tenha sido editada conforme acórdãos paradigmas em relação ao art. 132 do Código Tributário Nacional e não do art. 133, I como é o caso, não afasta o lançamento e tampouco a aplicação das penalidades. Com efeito, resta patente a transferência da universalidade do fundo de comércio, ponto, empregados e instalações do estabelecimento operações realizadas sob amparo e inspiração do grupo familiar controlador dos empreendimentos existentes no local, o Fl. 991DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10480.720043/201093 Acórdão n.º 1803002.143 S1TE03 Fl. 986 13 que afasta a aplicação do princípio da pena não ultrapassar a pessoa do contribuinte que praticou a conduta penalizada pela autoridade fiscal. Não se altera a constatação pelo fato de que a empresa sucedida é apenas locatária do imóvel onde se desenvolveram as operações do negócio cuja universalidade foi transferido a qualquer título para a sucessora. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 992DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/05/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10830.001871/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA
O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF).
Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.
RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO.
As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62-A do Regimento Interno.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-001.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO. As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543-C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62-A do Regimento Interno. Recurso Voluntário provido.
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MULTA DE MORA Recorrente ROBERT BOSCH LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DE TRIBUTOS EM ATRASO. VALORES NÃO DECLARADOS OU CONSTITUÍDOS PELO CONTRIBUINTE. MULTA DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA O STJ adotou, em sede de Recurso Repetitivo, como critério para a caracterização da denúncia espontânea a apresentação de declaração informando a existência de débitos (DCTF). Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ). Em contrario sensu, não tendo havido prévia declaração dos débitos, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. RECURSO REPETITIVO. REGIMENTO INTERNO DO CARF. APLICAÇÃO. As decisões definitivas proferidas pelo STJ, na sistemática prevista no artigo 543C, do CPC, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 18 71 /2 00 7- 14 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração eletrônico lavrado em 06/03/2007 (efls. 326/ss), para a cobrança da multa de mora no valor de R$ 35.465,39 pelo fato do contribuinte ter efetuado o recolhimento da Cofins em atraso, no dia 30/06/2004, referente ao período de apuração de maio/2004, após os respectivos vencimentos (04/05/2004; 10/05/2004; 14/05/2004; 18/05/2004; 19/05/2004; 20/05/2004; 24/05/2004; 25/05/2004; 26/05/2004 – vide efolha 338) e sem o pagamento da correspondente multa de mora. A Recorrente em sua impugnação (efls. 246/ss) aleta, em síntese, que: efetivamente, por mero equívoco, houve falta de recolhimento da Cofins; alguns dias após o vencimento dos tributos, antes mesmo da entrega das respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF’s e sem que tenha havido o início de qualquer atividade fiscalizatória por parte do Fisco, espontaneamente efetuou o pagamento dos referidos tributos, acrescendo aos valores principais somente os juros de mora, nos termos do artigo 138 do CTN; apresenta cópia dos DARF’s recolhidos em atraso, conforme planilha elaborada (efls. 251) e as DCTF’s onde informou a apuração e recolhimento dos valores da Cofins em discussão (vide efls. 342/361) requer a declaração da insubsistência do auto de infração em decorrência da denúncia espontânea. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas SP julgou o lançamento procedente, proferindo o Acórdão nº 0531.769 (efls. 369/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMA DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 DCTF. REVISÃO INTERNA. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA Nº 360 – Superior Tribunal de Justiça (STJ): “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Rel Min. Eliana Calmon, em 27/08/08. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.001871/200714 Acórdão n.º 3202001.187 S3C2T2 Fl. 417 3 Impugnação Improcedente A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 19/02/2011 (efl. 375) e apresentou Recurso Voluntário, em 16/03/2011 (efls. 377/ss), onde repisa os argumentos já trazidos na impugnação. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lide centrase em decidir se o recolhimento do tributo sujeito a lançamento por homologação acompanhado dos juros de mora, pago após o vencimento e antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, exclui a responsabilidade pela multa de mora, nos termos do art. 138 do CTN. O artigo 138, no meu entender, prescreve que a responsabilidade deve ser excluída pela denúncia espontânea apenas em relação à infração de caráter punitivo. Assim, a finalidade desse artigo é estimular o contribuinte informar a ocorrência de eventuais infrações cometidas, sujeitas às penalidades desconhecidas do Fisco, tornando possível o arrependimento eficaz de forma a regularizar sua situação fiscal. Nesta linha de entendimento, a incidência da multa de mora não seria incompatível e nem restaria afastada pelo art. 138 do CTN, pois esse artigo não trata da exclusão de penalidades moratórias pelo atraso no pagamento, mas, repita se, apenas da responsabilidade por infrações punitivas. Nesta toada, não haveria justificativa para a legislação “premiar” o contribuinte em atraso, excluindo a multa de mora em caso de pagamento a destempo. Seria uma afronta ao princípio da isonomia, uma vez que o contribuinte em mora ficaria em situação privilegiada em relação àquele que pagou o tributo pontualmente no prazo fixado pela legislação. Seria um estímulo ao não pagamento dos tributos no prazo fixado. Pareceme razoável que exista uma graduação na aplicação das penalidades: o contribuinte pontual recolhe seus tributos sem qualquer penalidade; o que o faz em atraso, mas sem qualquer iniciativa do Fisco, deve pagar a multa de mora (até 20%); aquele que espera a ação do Fisco, não buscando sua regularização, fica sujeito à multa de ofício (75%) e, no caso de conduta dolosa, com a intenção de fraudar, o contribuinte se sujeita a multa agravada (150%). Desta forma, fazendose uma interpretação sistemática do artigo 138/CTN, que trata da responsabilidade por infrações sujeita à multa punitiva (excluída pela denúncia espontânea), com o disposto no artigo 161 do mesmo Código, ao indicar que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, podese concluir pelo cabimento da multa de mora em todas as Fl. 418DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 situações em que o pagamento tenha ocorrido fora do prazo previsto na legislação. Registrese que o próprio legislador do CTN diferenciou as multas punitivas das moratórias, conforme pode ser constatado no parágrafo único do art. 134, ao dispor que dos responsáveis tributários previstos nos incisos só pode ser exigida multa de caráter moratório. Em reforço a isso, citase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que dispõe, in verbis: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. (negritei) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça decidiu de forma diferente. Vejamos. Ao julgar o Recurso Especial nº 962.379 – RS, em 22/10/2008, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, o Tribunal reconheceu que a denúncia espontânea fica afastada nos casos em que o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte (através, por exemplo, de DCTF) e seu recolhimento se deu fora do prazo estabelecido, a teor da Súmula 360/STJ: "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Assim, o STJ reconheceu que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. Afirma que não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, desde que atendidos os demais requisitos previstos no artigo 138 do CTN. O presente Acórdão foi submetido ao regime do artigo 543C, do CPC. Abaixo transcrevo a ementa do REsp 962.379 – RS e trechos do voto condutor do julgado para melhor elucidação da matéria, verbis: Ementa: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e Fl. 419DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.001871/200714 Acórdão n.º 3202001.187 S3C2T2 Fl. 418 5 constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Voto: (...) 2. Sobre a questão da denúncia espontânea, esta 1ª Seção editou a Súmula 360, nos seguintes termos: ‘O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo’ . (...) 3. Realmente, a jurisprudência sedimentada na 1ª Seção é no sentido de que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, que dispensa, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator,que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: ‘(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a não configuração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese,o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN.(...)’ (...)” (negritamos) Por sua vez, no Recurso Especial nº 1.149.022 – SP, julgado em 09/06/2010, Relator Ministro Luiz Fux, restou assentado que o instituto da denúncia espontânea excluiria as multas de caráter punitivo, incluindo também as multas moratórias. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C,DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação)acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, Dje 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’ 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias,decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (negritamos) O critério adotado pelo STJ para a caracterização do instituto da denúncia espontânea foi a apresentação ou não de declaração, por parte do contribuinte, informando a existência de débitos: (i) Se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido (Súmula 360/STJ); (ii) A contrario sensu, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo no caso de lançamento por homologação, é possível a configuração da denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Como informado, o REsp 962.379 – RS foi reconhecido na sistemática de Recurso Repetitivo (artigo 543C, do CPC), por conseguinte, resta obrigatória a observância Fl. 421DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.001871/200714 Acórdão n.º 3202001.187 S3C2T2 Fl. 419 7 por este Relator das disposições nele contida, nos termos do disposto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF (Portaria MF 256/2009, alterado pelas Portarias MF 446/2009 e 586/2010). Pois bem. No caso em tela, analisando os documentos acostados aos autos (vide efls. 342/361) verificase que o tributo foi recolhimento em 30/06/2004, referente ao período de apuração do mês de maio/2004 (vencimentos: 04/05/2004; 10/05/2004; 14/05/2004; 18/05/2004; 19/05/2004; 20/05/2004; 24/05/2004; 25/05/2004; 26/05/2004 – vide efolha 338), e a DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais foi entregue em 13/08/2004 (efl. 360) e a DCTF retificadora em 27/08/2005 (efl. 361). É de se concluir, portanto, que a Recorrente, antes de qualquer procedimento fiscal e antes de declarar o tributo devido em DCTF, efetuou o pagamento do tributo em atraso, com os respectivos juros moratórios. Deste modo, em cumprimento ao Regimento Interno do CARF, aplicamos o entendimento do STJ ao caso concreto para afastar a incidência da multa de mora em face do instituto da denúncia espontânea. Este entendimento tem prevalecido em julgados nas Câmaras Superiores de Recursos Fiscais. Confiramse os Acórdãos nº 910101.463, sessão de 15/08/2012, Relator Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, nº 9202002.571, sessão de 06/03/2013, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303002.148, de 17/10/2012, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. Diante do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 422DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11070.002684/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009
CONCOMITÂNCIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL
O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE.
É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 CONCOMITÂNCIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 CONCOMITÂNCIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 CONCOMITÂNCIA. PENDÊNCIA DE PROCESSO JUDICIAL O contribuinte que optar pela via judicial está prescindindo da via administrativa, uma vez que aquela prefere esta. Ao tribunal administrativo é defeso julgar matérias levadas ao judiciário. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 26 84 /2 00 9- 13 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 3 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGITIMIDADE. É legítima a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e de Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos entre fevereiro de 2008 e março de 2009, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a Recorrente apropriou créditos das exações nas aquisições de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica (art. 43 da MP nº 2.15835/2001, Lei nº 10.483/2002 e Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso I, letra “a”, com alterações posteriores, art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005). Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões de alegação foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: 1. em preliminar, pede a nulidade do auto de lançamento, visto que ele não contém todos os elementos necessários exigidos pelo Decreto n° 70.235, de 1972, na medida que se limita a apontar como enquadramento legal determinados dispositivos legais, de forma genérica. Além disso, os dispositivos legais apontados, ao contrário de dar sustentação à pretensão fiscal, garantem o direito de crédito da empresa. A empresa está prejudicada em seu direito de defesa, já que o ato formal de constituição do crédito tributário contempla vícios. Ele é manifestamente ilegal, não alcançando a presunção de validade que lhe é característica. O ato formal omitiuse Fl. 975DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 4 3 me especificar a matéria tributável a lhe dar suporte de validade. Infringiu, assim, a CF, devendo ser declarado nulo o lançamento; 2. registra entendimentos sobre a nãocumulatividade, e diz que há direito de crédito de PIS e de COFINS em relação às aquisições tributadas quando a saída é isenta, não tributada, imune ou tributadas com alíquota zero. Conforme o art. 16 da MP n° 204, de 2004 (atualmente art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004), os contribuinte cujas operações de venda são isentas, não tributadas, tributadas com alíquota zero ou com suspensão têm direito. à manutenção dos créditos de PIS e COFINS decorrentes da aquisição de insumos; 3. diz não existir na legislação que rege a matéria qualquer restrição ao crédito efetuado pela empresa. Ao contrário, existe expressa autorização legal para que isto ocorra (art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004). Ainda que houvesse restrição, tal seria inconstitucional, porquanto a nãocumulatividade deve ser entendida como integral e absoluta, nunca parcial e relativa. O direito de abatimento é garantido constitucionalmente (art. 195, § 12, da CF). A CF não dá margens para que o legislador ordinário restrinja o princípio da nãocumulatividade, autorizando, apenas, que sejam definidas as categorias econômicas para as quais as contribuições seriam nãocumulativas; 4. entende que o caráter de nãocumulatividade inerente às contribuições para o PIS e para a COFINS deve ser interpretado de forma ampla, devendo a técnica base contra base ser atentamente observada, não podendo qualquer legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito; 5. assenta que sendo a empresa revendedora de mercadorias, onde sua operação de venda é tributada com alíquota zero, suspensa, não tributada ou isenta, tem ela direito à manutenção dos créditos de PIS e de COFINS decorrentes da aquisição de insumos vinculados a esta vendas, em função do regime da não cumulatividade; 6. diz ser confiscatória a multa de ofício aplicada, havendo transgressão de princípios constitucionais e do Direito Civil; 7. refere serem inexigíveis juros de mora com base na taxa SELIC, impondo se sua substituição por juros de 1% ao mês, não capitalizados, e correção monetária calculada com base na variação da UFIR, visto que qualquer outra forma de calcular os juros encontrará obstáculo no § 3 o do art. 192 da CF. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão no 1035.416, de 08/11/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. É infundada a argüição de nulidade dos lançamentos, por cerceamento do direito de defesa, se os dispositivos legais que os fundamentaram encontramse descritos nos Autos de Infração, o TVF descreve as infrações cometidas pela contribuinte, e a peça Fl. 976DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 5 4 impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer o suposto cerceamento do direito de defesa. INCONSTITUCIONALIDADE. LEGISLAÇÃO REGULARMENTE EDITADA. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos normativos, bem como a legislação regularmente editada goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade da COFINS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. PRODUTOS. AQUISIÇÃO. DISTRIBUIDOR/COMERCIANTE. REVENDA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. No regime da nãocumulatividade do PIS, a aquisição de produtos sujeitos à tributação concentrada não gera créditos para o comerciante na revenda/distribuição dos mesmos por expressa vedação legal, não se aplicando à hipótese a disposição contida no art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004. CONTRIBUIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sujeitamse a lançamento de ofício os valores apurados em decorrência de auditoria fiscal, cabendo à autoridade administrativa constituir o crédito tributário nos termos do art. 142 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 977DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 6 5 Período de apuração: 01/02/2008 a 31/03/2009 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco, como limitação ao poder de tributar, restringese a tributos e não a multa, e se dirige ao legislador. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Ciente desta decisão em 22/11/2011 (AR de fl. 805), a interessada ingressou, no dia 13/12/2011, com o recurso voluntário de fls. 806/821, no qual renova as alegações da impugnação sobre a nulidade do lançamento, o direito ao crédito nas saídas isentas, não tributadas e com alíquota zero, o caráter confiscatório da multa de ofício e a inexigibilidade da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Na sessão de 23/05/2013 a Turma de Julgamento decidiu converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 3302000.304, para as seguintes providências: 1 relacionar todos os processos de ressarcimento trabalhados no mesmo procedimento fiscal do Termo de Verificação Fiscal deste processo, indicando a situação atual de cada um deles (aguardando julgamento de manifestação de inconformidade, aguardando julgamento de recurso voluntário, aguardando julgamento de embargos de declaração, aguardando julgamento de recurso especial, encerrado, arquivado, etc.); 2 intimar a empresa recorrente a apresentar cópia da Petição Inicial do Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, bem como das decisões de mérito acaso proferidas no mesmo (Sentença e Acórdão do TRF); 3 intimar a empresa interessada a informar se, além do mandado de segurança do item 2, possui outra ação judicial, individual ou coletiva, por qualquer modalidade, impetrada antes ou depois (i) da ocorrência do fato gerador do créditos tributários deste processo ou (ii) da lavratura do auto de infração, discutindo o direito de crédito de PIS e Cofins nas aquisições de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica do PIS e da Cofins. Em caso positivo, apresentar cópia da Petição Inicial e das decisões de mérito acaso proferidas (Sentença e Acórdãos do TRF); 4 Diante dos elementos apresentados pela empresa recorrente, manifestarse (no Relatório da Diligência) sobre a existência, ou não, de concomitância de objeto deste processo com as ações judiciais a que se refere os itens 2 e 3, acima. 5 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11 para manifestação. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 7 6 A diligência foi realizada. Foi juntado aos autos cópia das peças solicitadas, relativas ao Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, e a empresa Recorrente informou que não possui outra ação judicial versando sobre alguma matéria constante do presente processo. Os processos de ressarcimento trabalhados no mesmo procedimento fiscal do Termo de Verificação Fiscal estão relacionados no Termo de Constatação Fiscal, sendo que todos eles estão aguardando o julgamento dos Embargos de Declaração opostos pela Recorrente. Sobre a existência de concomitância deste processo com o referido mandado de segurança, a Autoridade da RFB, após discorrer sobre o objeto e o andamento da ação, concluiu o seguinte: “Diante do exposto, com base nos elementos apresentados pela empresa referente à ação judicial MS nº 2009.71.05.0014210, concluise pela existência de concomitância de objeto deste processo com a ação judicial patrocinada pela empresa, que embora tenha tentado dar uma conotação diferente ao crédito pleiteado na ação, e objeto da ação fiscal, materialmente é o mesmo, ou seja, créditos apurados sobre aquisições de mercadorias para revenda (tratores, colheitadeiras e peças), sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monfásica das contribuições do PIS e da COFINS” É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário foi admitido na sessão 23/05/2013. Como relatado, a empresa Recorrente apresentou diversos PER/DCOMP e, ao realizar os procedimentos fiscais para apurar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, a Fiscalização constatou que a empresa interessada escriturou e utilizou indevidamente créditos do PIS e da Cofins na aquisição de mercadorias sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica (art. 43 da MP nº 2.15835/2001, Lei nº 10.483/2002 e Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso I, letra “a”, com alterações posteriores, art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e art. 16 da Lei nº 11.116/2005). Diante da inexistência de crédito e da existência de saldo devedor, os pedidos de ressarcimento foram indeferidos e foram lavrados os autos de infração controlados neste processo. Fl. 979DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 8 7 A impugnação apresentada pela empresa autuada foi julgada improcedente pela DRJ em Porto Alegre – RS, que não conheceu do mérito da autuação, em face da existência de ação judicial com o mesmo objeto. No Recurso Voluntário a empresa interessada renova as alegações da impugnação sobre a nulidade do lançamento, o direito ao crédito nas saídas isentas, não tributadas e com alíquota zero, o caráter confiscatório da multa de ofício, a inexigibilidade da Taxa Selic no cálculo dos juros de mora e a concomitância com a ação judicial declarada pela decisão recorrida. Quanto à preliminar de nulidade do auto de infração, não há reformas a fazer na decisão recorrida. Ao contrário do alegado pela Recorrente, o Auto de Infração está instruído com os elementos necessários à comprovação do delito tributário cometido pela empresa Recorrente, representado pelos documentos anexos ao Auto de Infração, Também é absolutamente inverídica as alegações da Recorrente de que o procedimento fiscal limitouse a apontar, de forma genérica, determinados dispositivos legais e que estes dispositivos dão sustentação à sua pretensão. Nem a decisão recorrida e nem a decisão final, proferida no Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, confirmam essas alegação. Ao contrário, os dispositivos legais citados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, integrante do Auto de Infração, estão em perfeita harmonia com os fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. Digase que os fatos que levaram à lavratura do Auto de Infração foram claramente descritos pela autoridade lançadora, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa do contribuinte, conforme bem disse a decisão recorrida. Não há, portanto, nenhuma nulidade no lançamento, devendo ser rejeitada a preliminar neste sentido, suscitada pela Recorrente. Quanto ao mérito, a primeira matéria é a existência, ou não, de direito ao crédito de PIS e Cofins não cumulativos, apurado sobre aquisições de mercadorias para revenda (tratores, colheitadeiras e peças), sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica das ditas contribuições do PIS e da COFINS Sobre essa matéria, as peças do Mandado de Segurança nº 2009.71.05.0014210, juntadas aos autos no curso da Diligência, não deixam nenhuma dúvida sobre a concomitância de objeto, e conseqüente aplicação da Súmula Carf nº 1, nos dois litígios (administrativo e judicial), como bem disse a Autoridade responsável pela realização da diligência: “Diante do exposto, com base nos elementos apresentados pela empresa referente à ação judicial MS nº 2009.71.05.0014210, concluise pela existência de concomitância de objeto deste processo com a ação judicial patrocinada pela empresa, que embora tenha tentado dar uma conotação diferente ao crédito pleiteado na ação, e objeto da ação fiscal, materialmente é o mesmo, ou seja, créditos apurados sobre aquisições de mercadorias para revenda (tratores, colheitadeiras e peças), Fl. 980DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 9 8 sujeitas aos regimes de substituição tributária e tributação monofásica das contribuições do PIS e da COFINS” Estando a matéria submetida ao Judiciário pela contribuinte é também certo que prejudica a discussão dentro da seara administrativa, em face da evidente sujeição das partes às eventuais determinações emanadas do Poder Judiciário, independente de o resultado ser favorável ou contrário às pretensões da recorrente. Ademais, o Carf pacificou o entendimento de que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Súmula Carf nº 1, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a concomitância é em relação ao objeto da ação e não ao período de ocorrência do fato gerador do tributo. Portanto, para a aplicação da Súmula Carf nº 1 não é necessário a coincidência de período de apuração no processo administrativo e no processo judicial. Basta haver identidade de matéria, como é o caso dos autos. As razões que levaram a Recorrente a impetrar o mandado de segurança também são irrelevantes para a caracterização da concomitância e, conseqüente, para a aplicação da Súmula Carf nº 1. Portanto, não se conhece do Recurso Voluntário, nesta parte. Com relação ao percentual da multa de ofício lançada, não cabe à autoridade administrativa, por absoluta falta de competência, conhecer as alegações relativas ao seu caráter confiscatório, a teor dos arts. 97 e 102 da CF/88. Os juízos quanto ao princípio do não confisco tributário e da proporcionalidade da reprimenda em relação à falta têm como destinatário imediato o legislador ordinário e não autoridade administrativa. Estando o percentual da multa fixado em lei, cabe à Administração apenas velar pelo seu fiel cumprimento. No caso em tela, a multa de ofício aplicada foi a prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/961. Com relação à utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, o Carf firmou entendimento de que a mesma é cabível, a teor da Súmula CARF no 4 (DOU de 22/12/2009), abaixo reproduzida: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). Fl. 981DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11070.002684/200913 Acórdão n.º 3302002.414 S3C3T2 Fl. 10 9 Ainda sobre a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, na sessão do dia 18/05/2011, o Pleno do STF julgou o RE 582.461, cujas matérias questionadas foram reconhecidas como de repercussão geral. Nesse julgamento o STF reconheceu legítima a incidência da taxa Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Tal decisão é de aplicação obrigatório por parte deste CARF, nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992). Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, voto no sentido de não conhecer do recurso quanto à matéria apreciada pelo Poder Judiciário e, na parte conhecida, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 982DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15374.920756/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1102-000.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 20 75 6/ 20 08 -6 1 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15374.920756/200861 Resolução nº 1102000.241 S1C1T2 Fl. 389 2 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recurso voluntário interposto por COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS AMBEV (sucessora de INDÚSTRIAS DE BEBIDAS ANTARCTICA DO SUDESTE S/A) contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela improcedência de declaração de compensação de débito de CSLL com crédito decorrente do saldo negativo de CSLL (equivalente a R$ 2.706.386,45) apurado no anocalendário de 2004. A Derat/RJ, mediante Despacho Decisório fundamentado pelo Parecer Conclusivo nº 041/2010 (fls. 140 a 146), não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada por razões que foram assim resumidas pela decisão recorrida: . da análise dos dados declarados na DIPJ/2005 verificouse que a existência do crédito de saldo negativo de CSLL decorreu tão somente de erro cometido pela interessada quando da apuração do resultado do exercício, declarada através da Ficha 06A, fls. 56/58. A linha 24 da Ficha 06A é destinada a inclusão das "outras receitas financeiras", e a interessada subtraiu o referido valor dessas receitas, resultando em Lucro líquido negativo, linha 51 da Ficha 06A, que, após as adições/exclusões, resultou na apuração de base de cálculo negativa da CSLL e CSLL devida igual a zero. Deduzindo as estimativas da suposta CSLL devida, a interessada apurou o tal crédito de Saldo negativo de CSLL; . refeitos os cálculos, fls. 59/60 para adicionar as outras receitas financeiras, o Lucro líquido seria positivo e ainda que consideradas as exclusões/adições da ficha 17 e a dedução das estimativas, apurarseia CSLL a pagar e não saldo credor a compensar; . também as estimativas não poderiam ser deduzidas da CSLL devida pois não atendem às condições impostas pelo inciso IV do §4° do art. 2o da Lei 9430/96 as estimativas relativas aos meses de janeiro a maio/2004 foi efetuada através das 05 (cinco) DCOMP não homologadas conforme Despacho no Processo 13707.002931/00 38, fls 82/84, confirmado pelo Acórdão da DRJ/RJ1, fl. 95/101, encontrandose atualmente pendente de julgamento do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, fls.121/132; . os dois motivos elencados retiram do crédito pleiteado qualquer nuance de liquidez e certeza; desconsiderada a exclusão indevida dos valores de receitas financeiras e considerada a dedução do valor da estimativa efetivamente paga de junho/2004, verificase CSLL a pagar de R$ 8.401.306,86; . inexiste portanto direito creditório, não se homologando a compensação. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 155 a 173) na qual, em síntese, alegou que: a) O AuditorFiscal (que elaborou o referido Parecer Conclusivo) tem razão quanto ao erro cometido, porém, em sua apuração, que resultou na CSLL a pagar de R$ 8.401.306,86, apenas alterou o sinal das receitas financeiras, no valor de R$ Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15374.920756/200861 Resolução nº 1102000.241 S1C1T2 Fl. 390 3 56.937.288,12, de negativo para positivo; não fez, contudo, uma análise aprofundada dos documentos e lançamentos contábeis da interessada; b) Conforme indicado nos razões contábeis (fls. 261 a 267), a explicação para o erro foi a realização de lançamentos indevidos de derivativos na conta de juros de aplicações financeiras (34052002) e estornos em duplicidade na conta de juros sobre depósitos judiciais (34052016) quando deveriam ter sido contabilizados em despesas financeiras (contas 34002018 e 34003005); c) Efetuadas as correções, o saldo negativo originalmente declarado está correto, conforme demonstra na simulação de lançamentos contábeis e de DIPJ juntados de fls. 268 a 291; d) A compensação realizada no processo nº 13707.002931/0038, a qual trata de crédito de ILL, foi favorável à manifestante, tendo o processo subido à CSRF. A 7ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu, então, o Acórdão nº 1237.148, de 11 de maio de 2011 (fls. 294 a 299), por meio do qual também não homologou a compensação pleiteada. Em sua decisão, a instância a quo afirmou que, mesmo que o resultado “simulado” do saldo negativo de CSLL tenha permanecido o mesmo, não haveria certeza e liquidez quanto à apuração apresentada pela empresa na sua manifestação de inconformidade. Argumentou que a retificação da declaração no decorrer do processo administrativo fiscal deveria vir acompanhada de documentos que comprovassem a veracidade dos valores ou dados retificados. As planilhas indicando “estornos”, “perdas”, “ajustes de curva”, etc., não seriam documentos hábeis e idôneos para dar suporte à escrituração correta. Ademais, quanto às compensações que não foram homologadas no processo nº 13707.002931/0038, asseverou que elas ainda estariam pendentes de julgamento de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Portanto, como não havia decisão final, poderiam ser consideradas como crédito líquido e certo. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 329 a 339) onde, essencialmente, repete os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. Destaquese, entretanto, a alegação de que houve apenas erro formal e que deveria ser prestigiado o princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15374.920756/200861 Resolução nº 1102000.241 S1C1T2 Fl. 391 4 Como se vê, a solução da controvérsia depende de se atestar ou não o direito creditório alegado pela recorrente. Há, para isso, dois pontos a serem esclarecidos: (i) se, corrigido o erro cometido originalmente pela recorrente, de fato, chegase ao mesmo saldo negativo; e (ii) se o julgamento das compensações das estimativas deduzidas no ajuste, as quais foram consubstanciadas no processo nº 13707.002931/0038, causará impacto na lide do presente processo. A princípio, a unidade de origem entendeu que a informação sobre a receita financeira, no valor de R$ 56.937.288,12, continha apenas um erro de sinal. Por isso, refez a apuração considerandoa positiva. Não aprofundou, contudo, o procedimento no sentido de obter maiores informações sobre a razão do erro cometido. A DRJ, por sua vez, não aceitou as explicações apresentadas pela empresa pelo fato de estarem desacompanhadas de documentos hábeis e idôneos que lhe dessem suporte. No presente caso, constato que a empresa juntou os razões contábeis (fls. 261 a 267) com os lançamentos que foram equivocadamente contabilizados. Além disso, apresentou uma simulação da correção que deveria ter sido efetuada (fls. 268 a 291). Portanto, há verossimilhança nas alegações da recorrente sobre o seu direito creditório. Não há, entretanto, a documentação que dê amparo aos lançamentos contabilizados na simulação efetuada de modo a permitir uma avaliação conclusiva em relação ao saldo negativo alegado. Por outro lado, observo que o recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional no processo nº 13707.002931/003 foi julgado pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais em 29/08/2012. Naquele julgamento (Acórdão nº 9900000.430), o Colegiado deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito à restituição (do ILL) apenas na parte do crédito relativa ao anocalendário de 1989. Manteve, assim, a decisão que afastava a decadência da parte do crédito relativa aos anoscalendário de 1990 a 1992. Por isso, determinou que os autos retornassem à autoridade administrativa para julgamento das demais questões objeto do pedido. Destarte, considerando que a amplitude dos débitos incluídos nas compensações tratadas naquele processo é muito maior do que os cinco débitos de estimativa deduzidos na apuração da CSLL objeto do presente processo, ainda não há certeza sobre o “pagamento” das citadas estimativas. Quando existem dúvidas sobre a existência do direito investigado na lide, a diligência pode ser determinada de ofício pela autoridade julgadora. Nesse sentido, confirase o que diz o artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifei) Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15374.920756/200861 Resolução nº 1102000.241 S1C1T2 Fl. 392 5 Assim, entendo que o presente julgamento deva ser convertido em diligência para que a unidade de origem promova a efetiva verificação da existência do direito creditório alegado. Nesse sentido, deverá ser oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos contabilizados na simulação efetuada (fls. 268 a 291) de modo a permitir uma avaliação conclusiva da autoridade fiscal responsável pela diligência em relação ao saldo negativo alegado. Depois disso, a devolução dos autos deverá ficar sobrestada na unidade de origem até que o julgamento do processo nº 13707.002931/0038 seja definitivamente concluído. O reflexo do resultado de tal julgamento, no que diz respeito à homologação ou não das compensações dos débitos das estimativas de CSLL indicados às fls. 6, deverá ser devidamente especificado. Concluídas essas providências, devese promover a ciência à empresa dos elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 16682.720092/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
REMUNERAÇÃO. INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a vendas. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, representando contraprestação pelo serviço prestado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCENTIVO DE VENDAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo a vendas. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, representando contraprestação pelo serviço prestado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 92 /2 01 0- 36 Fl. 665DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 42.983 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.265.0481. Consoante o relatório fiscal, fls. 129/142, constituem fatos geradores das contribuições lançadas (cota patronal para a Seguridade Social) o pagamento de verbas a título de “indenização adicional acordo coletivo”, “gratificação especial” e “prêmio de campanha de vendas”. Ao ser intimado a apresentar esclarecimentos sobre as verbas mencionadas, o sujeito passivo assim pronunciouse: “146 – Indenização Adicional Ac Coletivo – Indenização paga de acordo com a Cláusula 36 da Convenção Coletiva de Trabalho do Sindicato dos Securitários de 2007. 455 – Gratificação Especial – Referente a ganho eventual pago em parcela única e, portanto, sem habitualidade, que na forma da legislação aplicável não sofre incidência de encargos. 456 – Prêmio de Campanha de Vendas – Referente a prêmio da campanha “É Flash” de vendas.” Segundo o fisco, a “indenização adicional” era paga aos empregados dispensados sem justa causa e variava de meio a um e meio salário conforme o tempo de efetivo serviço prestado à empresa. A “gratificação especial”, consoante o relatório fiscal, foi paga a dois funcionários em parcela única, no início do pacto laboral e os demais receberam também em parcela única, porém, no curso do contrato de trabalho e em retribuição ao bom desempenho em projetos de interesse da empresa. Para o fisco, o “prêmio de campanha de vendas” representava retribuição ao esforço dos empregados para atingirem as metas estabelecidas pelo empregador, malgrado a empresa tenha justificado que esses pagamentos eram desvinculados dos serviços prestados. A multa, ressaltase no relatório fiscal, foi imposta levandose em consideração as alterações promovidas pela Lei n.º 11.941/2009, optandose pelo valor mais favorável ao sujeito passivo, quando se comparou a multa aplicada com base na legislação vigente no momento da ocorrência dos fatos geradores e aquela calculada com esteio na norma atual. Em análise aos argumentos apresentados na impugnação, o órgão de primeira instância considerou como não impugnada a parte do lançamento relativa à “indenização adicional” para as competências em que o sujeito passivo apresentou guias de recolhimento que supostamente quitariam as contribuições decorrentes desta parcela. Para a competência 06/2008, em que não foi apresentada guia de recolhimento, a DRJ afastou a incidência, por entender que a “indenização adicional” paga na rescisão do contrato de trabalho não tinha natureza remuneratória. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720092/201036 Acórdão n.º 2401003.333 S2C4T1 Fl. 662 3 Também foram excluídas do lançamento as contribuições incidentes sobre a verba denominada “gratificação especial”, uma vez que a DRJ entendeu que se tratava de ganho eventual, portanto, excluída do saláriodecontribuição por força do item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Quanto à premiação de vendas, o órgão a quo conclui que os valores pagos aos segurados empregados a esse título retribuíram efetivamente o trabalho prestado, constituindose em ganho efetivo dos empregados, razão pela qual integram o conceito de remuneração. Consta no voto condutor do acórdão de primeira instância que os pagamentos seriam intimamente vinculados ao implemento de uma condição, por isso jamais podem ser tidos como uma eventualidade. O sujeito passivo, em seu recurso, alega que a premiação de campanha de vendas tem caráter eventual não podendo sofrer a incidência de contribuições sociais. Depois passou a apresentar características do seu plano de premiação, o qual afastaria a natureza salarial. Mencionou: a) a concessão das gratificações e prêmios era eventual; b) as gratificações e prêmios não tinham caráter remuneratório, pois não se vinculavam ao serviço prestado, possuindo nítida função de divulgar a marca da empresa; c) os prêmios eram diferentes (brindes, dinheiro) e possuíam baixo valor econômico; d) a elaboração das campanhas decorria do poder diretivo da recorrente e era fruto de mera liberalidade; e e) as campanhas não objetivavam a simples distribuição de prêmios, mas sim elevar a motivação dos trabalhadores, sendo amplamente divulgadas nas dependências da recorrente. Advoga que os desembolsos não eram direcionados mensalmente aos mesmos segurados, como se constata da listagem elaborada pela auditoria. Apresenta decisões judiciais e administrativas que abonariam sua tese. Ao final, pede o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 667DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incidência de contribuições sobre verbas pagas a título de premiação por vendas A questão remanescente da lide diz respeito à incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores repassados aos empregados da recorrente em razão da campanha de premiação denominada “É Flash”, cujo objetivo constou da cláusula 1.1. do regulamento do programa, nos seguintes termos: 1.1 Ampliar a comercialização dos produtos de Capitalização da Icatu Hartford Capitalização S/A, além de seguros de vida e de previdência da Icatu Hartford Seguros S/A, nos parceiros, promovendo o reconhecimento através de premiação aos profissionais de acordo com o alcance de metas previamente estipuladas e regras descritas abaixo. Os pagamentos em questão constaram das folhas de pagamento do mês de setembro de 2008 e beneficiou os segurados abaixo: Número Nome Valor R$ 01 César Luiz da Silva 915,00 02 Luciano Bezerra Fornasier 215,00 03 Lúcio Thiago Brandão Silveira 215,00 04 Lucilie da Fontoura Alves 215,00 05 Michelle Rios Witcel 215,00 06 Maria Helida Socorro Pires de Almeida 665,00 07 Andressa de Souza Abreu 215,00 08 Marilucia Calazans de Lima 215,00 A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade, uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente a eventual superação das metas ou expectativas de desempenho determinadas pelo empregador. Tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, Fl. 668DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16682.720092/201036 Acórdão n.º 2401003.333 S2C4T1 Fl. 663 5 ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/ 97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T –relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado.Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007–Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3 ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de premiação por superação de metas relacionadas à atividade da empresa A tese da recorrente é de que esses ganhos seriam eventuais e por isso estariam livres da tributação em razão da norma inserta no item 7 da alínea “e” do § 9. do art. 28 da Lei n. 8.212/1991. A meu ver esse entendimento não se coaduna com a melhor exegese da legislação. Eis a norma citada: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Fl. 669DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 (...) A interpretação do dispositivo acima não pode ser dissociada daquele inserto no “caput” do mesmo artigo, acima transcrito, mas que não custa apresentar mais uma vez: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) À luz da legislação citada, o melhor entendimento é o de que somente não incidem contribuições sobre os ganhos eventuais, se esses forem pagos como mera liberalidade do empregador, sem que possuam qualquer caráter de retributividade. O que, tenho certeza, não se aplica a situação de pagamento da gratificação de campanha de vendas. Não há dúvida de que, no caso concreto sob cuidado, as premiações eram disponibilizadas em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e os trabalhadores. Na verdade, esses pagamentos, malgrado tenham sido concedidos em razão do alcance de determinadas metas fixadas pelo empregador, como demonstrado pela documentação colacionada, não podem ser considerados eventuais, uma vez que o segurado, sabe a priori que, uma vez obtido o resultado fixado no regulamento, fará jus ao bônus. Portanto, afasto a alegada natureza de ganhos eventuais da verba sob comento, até porque a mesma foi disponibilizada aos empregados da recorrente, em razão de incremento na produtividade dos mesmos. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13888.004788/2010-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2009
GFIP ÚNICA. MANUAL SEFIP/GFIP 8.0. GFIP-RETIFICADORA.
A emissão de uma segunda GFIP para a mesma competência configura-a como GFIP-Retificadora, a qual possui o condão de substituir a GFIP originária, assim sucessivamente, de modo que a última GFIP enviada deve conter todas as informações corretamente incluídas desde a entrega da primeira.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA.
A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores.
A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN.
No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação.
MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS.
Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa por inexistir fraude, dolo ou má-fé, não merece prosperar a qualificação, razão pela qual deve ser afastada.
MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO.
Não havendo a devida prestação de esclarecimentos por parte da empresa quando intimada para tal fim, é devido o agravamento da multa em 50%, nos termos do art. 44, § 2º, I, da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade dos sócios. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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MANUAL SEFIP/GFIP 8.0. GFIPRETIFICADORA. A emissão de uma segunda GFIP para a mesma competência configuraa como GFIPRetificadora, a qual possui o condão de substituir a GFIP originária, assim sucessivamente, de modo que a última GFIP enviada deve conter todas as informações corretamente incluídas desde a entrega da primeira. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE PASSIVA. A imputação da responsabilidade tributária aos sócios nos termos do art. 135, III, do CTN, deve estar lastreado de elementos probatórios da ocorrência de dolo por parte dos supostos infratores. A solidariedade passiva deve estar devidamente fundamentada nos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. No caso concreto, a autoridade fiscal imputou a responsabilidade solidária aos sócios por vislumbrar a prática de sonegação fiscal, fato que não restou devidamente comprovado, razão pela qual os sócios devem ser afastados do pólo passivo da autuação. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS. Tendo em vista a ausência de elementos probatórios apto a qualificar a multa por inexistir fraude, dolo ou máfé, não merece prosperar a qualificação, razão pela qual deve ser afastada. MULTA AGRAVADA. NÃO PRESTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 47 88 /2 01 0- 17 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Não havendo a devida prestação de esclarecimentos por parte da empresa quando intimada para tal fim, é devido o agravamento da multa em 50%, nos termos do art. 44, § 2º, I, da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade dos sócios. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Júlio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004788/201017 Acórdão n.º 2403002.560 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 14 33.490, fls. 134/149, que julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo incólume o crédito tributário, consubstanciado no AI DEBCAD 37.304.6316, na qual pretende o recolhimento de contribuições sociais dos trabalhadores segurados empregados incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme remuneração considerada pela empresa como base de cálculo das contribuições e constantes da folha de pagamento, tendo sido devidamente descontadas. Lavrado no importe de R$ 8.725,34 (oito mil setecentos e vinte e cinco reais e trinta e quatro centavos), o presente Auto de Infração compreende o período 12/2008 a 03/2009 e 13/2009, e é decorrente da informação de apenas um só empregado quando das GFIP’s transmitidas durante o período, deixando de informar e recolher as contribuições dos demais empregados, conforme constam nas folhas de pagamento. O Relatório Fiscal, fls. 19/28, consigna os seguintes fatos como ensejadores da Autuação em epígrafe: 09. Conforme documentação apresentada e consultas à base de dados da RFB, constatase que a empresa possui empregados somente na matriz a partir de 11/2006 e é devedora contumaz das contribuições sociais e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, de 04/2007 a 03/2009, pois recolheu nesse período apenas as contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a apenas um só empregado a seu serviço, deixando de recolher as contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos demais empregados, inclusive aquelas arrecadadas pela empresa mediante o desconto da respectiva remuneração dos trabalhadores. 10. Relativamente ao período de 04/2007 a 01/2009, perfazendo 22 competências, ainda se constata que a empresa enviou uma quantidade excepcional de GFIP, equivalente a um total de 741 até 08/02/2010, conforme consulta realizada no sistema GFIP WEB (Doc. 03). Em todo esse período, houve entrega de GFIP contendo a totalidade dos empregados apenas de 04/2007 a 04/2008, que foram substituídas por GFIP’s subseqüentes contendo apenas um só empregado, de forma que, em 08/02/2010, data do início do procedimento fiscal, a informação válida no sistema em cada competência é aquela relativa a um único empregado. No período de 05/2008 a 01/2009, até 08/02/2010, consta envio de múltiplas GFIP, porém sempre referentes a um só empregado. Em relação ao décimo terceiro salário (competência 13) a empresa enviou indevidamente para 13/2007 e 13/2008 GFIP até indicação de “sem movimento” e para 13/2009 não consta entrega de nenhuma GFIP até 08/02/2010. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 10.1. No capítulo IV do Manual da GFIP/SEFIP para usuários da versão 8.0 do Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – SEFIP, aprovado pela Instrução Normativa – IN MPS/SRP nº 9, de 24/11/2005, publicada no DOU em 25/11/2005, que trata das Orientações Específicas, o item 10 aborda o Novo Modelo da GFIP/SEFIP exclusivamente para a Previdência Social, esclarecendo o conceito de GFIP única. 10.2. Nele informase que, a partir de versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar apenas um única GFIP/SEFIP para cada chave. Conforme capítulo I do manual supramencionado, subitem 7.2, chave de uma GFIP/SEFIP são os dados básicos que a identificam e é utilizada na definição de duplicidade de transmissão ou solicitação de retificação e exclusão. No caso das declarações enviadas pela empresa de 04/2007 a 01/2009, o conjunto de dados que identificam cada GFIP/SEFIP são o CNPJ da empresa, a competência, o código FPAS (515) e o código de recolhimento (115). Para a Previdência Social, cada nova GFIP/FPAS com uma mesma chave e número de controle diferente substitui a anterior enviada, pois é considerada retificadora, alterando as informações anteriormente prestadas. 10.3. Assim, a prática reiterada da empresa em transmitir múltiplas GFIP/SEFIP com a mesma chave em relação aos 22 meses, de 04/2007 a 01/2009, ignorando as orientações existentes desde 25/11/2005, causou a apresentação de declarações com omissões nos dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária de 04/2007 a 01/2009, uma vez que, na data do início do procedimento fiscal em 08/02/2010, quando o sujeito passivo perdeu a espontaneidade nos termos do artigo 7º, § 1º, do Decreto n.º 70.235/72, as declarações válidas desses 22 meses se referiam a apenas um único empregado (Doc 05 deste relatório). Dessa forma, a empresa impediu que a administração tributária conhecesse de forma automática a ocorrência de todos os fatos geradores da contribuição previdenciária e daquelas devidas a outras entidades e fundos. 10.4. Foi constatado que a quantidade exagerada mensal de GFIPs enviadas, de 04/2007 a 01/2009, decorre do procedimento adotado pela empresa de entregar uma GFIP para cada empregado por ocasião da sua rescisão do contrato de trabalho, para fins de efetuar o depósito mensal do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS a que eles têm direito ignorando as orientações do Manual da GFIP que permitem haver numa mesma GFIP/SEFIP trabalhadores com recolhimento ao FGTS e trabalhadores sem recolhimento ao FGTS através do campo Modalidade. Quando esta for “Banco”, indica trabalhadores com recolhimento ao FGTS e declaração à Previdência Social, e quando for “1”, indica trabalhadores com declaração ao FGTS e à Previdência Social, isto é, esta modalidade deve ser utilizada nas situações em que não é recolhido o FGTS. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004788/201017 Acórdão n.º 2403002.560 S2C4T3 Fl. 4 5 Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls. 104/125. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão n° 14 33.490, fls. 134/149, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2007 a 30/11/2008 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço e recolher o produto arrecadado. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. É vedado à Administração Pública o exame da legalidade e constitucionalidade das Leis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, da Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 155/176, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Os levantamentos concernentes às Folhas de Pagamento configura hipótese de bis in idem, posto que os valores do salário de contribuição constantes da folha de pagamento já haviam sido informados em GFIP, o que configura confissão de dívida. A prova da remessa correta está no próprio relatório fiscal, item 10, já demonstrado, quando o auditor informa que o contribuinte sempre informou todos os meses do período fiscalizada GFIP com todos os fatos geradores, que teria sido substituída por outra com apenas um empregado. Tratase de GFIP com modalidade diferente. A GFIP com todos os fatos geradores e todos os empregados é declaratória. As demais, sempre com apenas 1 empregado referese apenas a documento utilizado para recolhimento do FGTS em atraso; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 2. Não se vislumbra hipótese de sonegação, eis que não houve qualquer intuito fraudulento, assim como a empresa realizou todos os procedimentos nos ditames da lei. Se não houve a entrega devida de documentos ou informações, tais condutas possuem enquadramento específico a ensejar multa. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004788/201017 Acórdão n.º 2403002.560 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fl. 185, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS GFIP’s A Recorrente alega que todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias foram devidamente declarados em GFIP, o qual ela intitula como “declaratória”, sendo as demais documentos utilizados para recolhimento do FGTS em atraso, relativamente a segurados empregados com desligamento da empresa, tratandose de outra modalidade de GFIP. A prova de tal fato, segundo a Recorrente, encontrase no Relatório Fiscal, item 10 (transcrito no relatório que integra este voto), na qual o auditor relata a entrega de GFIP com informações de todos os empregados, substituída posteriormente por GFIP com informação de apenas um segurado empregado. Ocorre que o Manual da GFIP/SEFIP 8.0, conforme IN 880/2008, vigente à época dos fatos geradores, estabelece que a informação contida na GFIP se dará através de declaração única, conforme item 10.1, estabelecendo claramente os seguintes procedimentos, in verbis: A partir da versão 8.0 do SEFIP, o empregador/contribuinte deve elaborar apenas uma única GFIP/SEFIP para cada chave. Chave de uma GFIP/SEFIP são os dados básicos que a identificam e é utilizada na definição de duplicidade de transmissão ou solicitação de retificação e exclusão. O processo de retificação passa a ser realizado por meio do conceito de GFIP/SEFIP retificadora. Para a Previdência Social, cada nova GFIP/SEFIP, para uma mesma chave, substitui a anterior (sendo diferentes os números de controle). A chave é composta pelas seguintes informações, conforme o código de recolhimento da GFIP/SEFIP: (...) Caso sejam transmitidas mais de uma GFIP/SEFIP para uma mesma chave; ou seja, com o mesmo CNPJ/CEI do empregador/contribuinte, mesma competência, mesmo FPAS e mesmo código de recolhimento, a Previdência Social considera a GFIP/SEFIP entregue posteriormente como GFIP/SEFIP retificadora, substituindo as informações anteriormente Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 prestadas na GFIP/SEFIP com a mesma chave (considerando diferentes os números de controle). Portanto, a emissão de uma segunda GFIP para a mesma competência configuraa como GFIPRetificadora, a qual possui o condão de substituir a GFIP originária, assim sucessivamente, de modo que a última GFIP enviada deveria conter todas as informações corretamente incluídas desde a entrega da primeira. Neste sentido, já me posicionei em caso semelhante, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 (...) GFIP RETIFICADORA. A GFIPRetificadora tem o condão de substituir a GFIP primária, razão pela qual fazse necessário informar tanto as informações corretas declaradas anteriormente, bem como as correções das equivocadas e a inclusão das omissas. Recurso Voluntário Negado. (CARF. 2ª Seção de Julgamento. Processo nº 14041.000504/200813. Acórdão nº 2403002.207. Sessão de 13 de agosto de 2013. Conselheiro Relator Marcelo Magalhães Peixoto) Sendo assim, restou verificada pela auditoria fiscal que em todas as competências fiscalizadas houve a informação de apenas um empregado, destoando do que fora constatado nas folhas de pagamento. Vêse, pois, que procedeu corretamente a fiscalização, razão pela qual devem ser mantidos os valores autuados. DA RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS E DA MULTA QUALIFICADA Em razão dos fatos narrados no relatório, a autoridade fiscal caracterizou a prática de sonegação fiscal, conforme art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, imputando, conseguintemente, a responsabilidade solidária aos sócios, fundamentandose no art. 135 do CTN, assim como a exasperação da multa em três vezes, nos termos do art. 292, inciso II do RPS. Por tal razão ambas as situações serão tratadas conjuntamente. Primeiramente, cabe verificar a ocorrência da prática de sonegação fiscal, conforme configurado pela autoridade fiscal: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Da leitura do enunciado normativo, verificase que, para a caracterização da prática de sonegação por parte da empresa, é imprescindível o dolo, o qual deve estar Fl. 203DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004788/201017 Acórdão n.º 2403002.560 S2C4T3 Fl. 6 9 devidamente comprovado nos autos do processo em epígrafe, segundo a melhor doutrina (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Martins de; FERRAGUT, Maria Rita. coord. A prova no processo tributário. São Paulo: Dialética, 2010. p. 311), in verbis: No momento em que a fiscalização verifica que o contribuinte cometeu um ato ilícito de descumprimento de obrigação principal ou acessória no âmbito fiscal federal, é necessário que reste demonstrado não só o descumprimento da obrigação, como também o cometimento do ato fraudulento, se ocorrido. (...) Entretanto, dentro de um Estado Democrático de Direito, não se pode permitir a caracterização de ato fraudulento senão baseada em parâmetros legais e com a devida demonstração dos fatos que se pretende assim qualificar. A demonstração do ato fraudulento não se dá por outro meio senão pela prova a ser produzida pela fiscalização. Portanto, segundo o auditor, os motivos que culminaram na caracterização da prática de sonegação podem ser assim sintetizados: a empresa é (1) devedora contumaz das contribuições previdenciárias, (2) negligente quanto às orientações da GFIP, (3) resistente em apresentar a escrituração contábil e (4) omissa em prestar esclarecimentos. Entretanto, algumas considerações fazemse imperiosas. O inadimplemento de contribuições previdenciárias não resulta por si só em ato fraudulento, mas sim, descumprimento de obrigação principal de pagar, apenas, que pode ter como origem diversos fatores, lícitos ou ilícitos. A própria autoridade fiscal relata que houve declaração dos segurados da empresa em GFIP, sendo posteriormente substituída por outra onde constava um único empregado. Assim, quanto ao item (2), tal fato denota que a empresa não possuía o objetivo de omitir informações, ante o equívoco do envio de mais de uma GFIP para a mesma competência, caracterizando sim imperícia do agente que realizou a declaração, elemento integrante da culpa, conforme o art. 18, II do Código Penal Brasileiro, ou seja, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Quanto aos itens (3) e (4), tais atos constituem descumprimento de obrigação acessória, devidamente previsto em lei, razão pela qual, a sua ocorrência culmina na imputação de multa em autuação própria, afastando, assim, eventual duplicidade na aplicação de penalidades. Ademais, vejase que a norma é categórica quanto à necessária presença de dolo para a efetiva configuração da ocorrência de dolo, o que não ocorreu no caso em tela, mas sim culpa. É neste mesmo sentido que o art. 135 do CTN, fundamento legal indicado pela autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária dos sócios, prevê a imprescindibilidade de que o ato ilegal ou exorbitante dos limites contratuais ou estatutários resulte no surgimento de obrigações tributárias, fazendose necessário, pois, que haja a demonstração de culpa subjetiva ou dolo do agente, in verbis: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Isso porque o simples fato do sócio exercer a gerência da empresa, por si só, não constitui elemento suficiente à imputação de responsabilidade pretendida pela autoridade fiscal, em que pese o art. 135 do CTN trazer a previsão de responsabilidade pessoal, hipótese em que ocorreria a substituição do pólo passivo pelo sócio comprovadamente infrator. Não é outro o posicionamento da jurisprudência. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ – EXERCÍCIO: 2000 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – Sujeição passiva indireta que se afasta eis que não foram reunidos nos autos elementos capazes de aferir, nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, que o integrante do quadro societário da empresa à época da ocorrência dos fatos agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) (Primeiro Conselho dos Contribuintes. Quinta Câmara. Processo nº 10508.000642/200574. Acórdão nº 10516.463. Sessão de 23 de maio de 2007. Conselheiro Relator Wilson Fernandes Guimarães) A possibilidade da imputação da responsabilidade solidária, por sua vez, só encontraria amparo acaso houvesse a cumulação dos arts. 124 e 135 do CTN, pois, tendo em vista este último tratarse de responsabilidade por substituição, em decorrência da exigência de pessoalidade na prática dos atos, o art. 124 dispõem acerca daqueles que possuam interesse comum na situação que constitui o fato gerador. A jurisprudência é vasta neste sentido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004, 2005 (...) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS E ADMINISTRADORES. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III, do Código Tributário Nacional, respondem solidariamente pelas obrigações tributárias da sociedade, os sócios e administradores que agem com infração à lei e ao Contrato Social pois tem interesse direto e comum na situação que constitui o fato gerador. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13888.004788/201017 Acórdão n.º 2403002.560 S2C4T3 Fl. 7 11 (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 3ª Turma Especial. Processo nº 16004.001329/200853. Acórdão nº 180300.824. Sessão de 23 de fevereiro de 2011. Conselheiro Relator Walter Adolfo Maresch) ____________________________________________________ (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. (CARF. 1ª Seção de Julgamento. 1ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária. Processo nº 10660.001639/200939. Acórdão nº 1101000.996. Sessão de 5 de novembro de 2013. Conselheira Relatora Mônica Sionara Schpallir Calijuri) ____________________________________________________ Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/07/1999 a 09/08/1999 (...) RESPONSABILIDADE PELA INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. Ilícitos societários graves praticados pelo administrador serão, em princípio, hábeis a modificar a configuração do pólo passivo da relação jurídica tributária, que além de praticado com excesso de poderes, infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, agrida o interesse e finalidades da sociedade. Na regra geral, é ilícito societário grave o praticado em nome da pessoa jurídica, mas no interesse pessoal do próprio agente administrador. Entretanto, há casos em que tanto o administrador que agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, quanto a empresa se beneficiam, conjuntamente, da situação relacionada à infração tributária praticada. Nesse caso, a base legal para a responsabilidade não está apenas no art. 135, III, do CTN; o administrador responderá conjuntamente com a empresa pelo crédito tributário lançado, tributo e penalidade administrativa tributária, compatibilizandose neste a caso a norma antes citada com a prevista no art. 124, I, do CTN, tendo em conta o interesse comum e o benefício de ambos com os resultados pretendidos indevidamente. (...) (Terceiro Conselho dos Contribuintes. Terceira Câmara. Processo nº 12466.003632/200479. Acórdão nº 30334.941. Sessão de 4 de dezembro de 2007. Conselheiro Relator Zenaldo Loibman) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 Tendo em vista a insuficiência de fundamentação legal e a ausência de provas de dolo quanto à prática de sonegação, não subsistem razões para a manutenção da imputação da responsabilidade tributária aos sócios, razão pela qual eles devem ser afastados do pólo passivo da presente demanda administrativa. CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo parcial provimento do Recurso Voluntário, para afastar a qualificação da multa e a responsabilidade dos sócios. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 04/06 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 11020.915065/2009-86
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO.
A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado.
INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO.
Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso.
MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4.
A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplica-se juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas Súmula CARF nº 2 e n º 4.
INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2.
É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA VÍCIO. A decisão contida no Despacho Decisório atende os princípios que norteiam o processo administrativo, o vício apontado como razão do pedido de nulidade não existe, visto que, o mesmo encontra devidamente motivado. INEXISTÊNCIA DE IRRESIGNAÇÃO NO RECURSO. Ausência de demonstração do ponto do inconformismo em relação à decisão recorrida é suficiente para negar provimento ao recurso. MULTA MORA. JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº 2 e 4. A multa de mora quanto à exigência juros de mora encontram previsão no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que autoriza cobrança sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculado com base na Taxa Selic, matéria pacificada pelas Súmulas “Súmula CARF nº 2 e n º 4. INCONSTITUCIONALIDADE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. É vedado a administração apreciar e pronunciar sobre matéria de inconstitucionalidade de norma tributária, conforme Súmula nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 65 /2 00 9- 86 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosando Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Traanchesi Ortiz. Relatório A Recorrente apresentou Pedido de Ressarcimento ou Restituição visando utilizar em processo de compensação o indébito oriundo de pagamento a maior ou indevido de COFINS período de apuração 01.01.2005 a 31.01.2005. No entanto, por meio do despacho de fl. 6 o pleito foi negado ao argumento da inexistência de saldo disponível. O inconformismo demonstrado na peça recursal se refere em síntese: a) Nulidade do Despacho Decisório por vício de ausência de fundamentação desvio de finalidade, prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; b) No mérito, sustenta em nome do princípio da verdade material o direito de juntar documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação, visto que, o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. c) inaplicabilidade da multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; d) Da inaplicabilidade da taxa SELIC como juros de mora dado o limite estabelecido pelo Código Tributário Nacional. Em que pese alegação do direito de provar o crédito, deixou a recorrente de trazer à colação qualquer documento. A discussão nasce com o indeferimento de crédito para compensação de débitos, conforme se extraí do Despacho Decisório de fl.6 É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo que deve ser conhecido. Em razão das preliminares apresentadas impõe conhecêlas inicialmente. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 11020.915065/200986 Acórdão n.º 3403002.793 S3C4T3 Fl. 5 3 Andou bem o Julgado “a quo” ao rejeitar as preliminares, claramente constatase tratar de alegações desprovidas de conteúdo jurídico. Vício alegado do Despacho Decisório. A motivação encontra bem bosquejada, com razão a decisão de piso ao afirmar que o mesmo preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, visto que, descreve com precisão que o motivo de negar a compensação é a inexistência do crédito apontado, em razão do DARF indicado ter sido utilizado em quitação de outros débitos, inclusive mencionando o número do pagamento. Assim como, não se vislumbra desvio de finalidade, pois serviu como meio de obstacular a pretensão da recorrente em ver quitado débito com suposto crédito, contra essa decisão lhe foi oportunizado apresentar Manifestação de Inconformidade, e da decisão que manteve o entendimento do despacho denegatório, Recurso Voluntário. A descrição é suficientemente clara e objetiva permitindo defesa dos direitos contrariados. Portanto, os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa e do devido processo legal foram largamente respeitados, impondo rejeitar as preliminares. No mérito melhor sorte não merece o inconformismo da recorrente. No recurso não há uma linha sequer quanto ao mérito, como é de conhecimento geral, o recurso visa modificar o julgado apontando o desacerto do julgador. No caso presente verificase apenas alegação de que por se tratar de direito creditório esse pode ser provado a qualquer tempo, e, nada mais. Não se contesta a motivação do indeferimento da compensação, que no caso se refere à inexistência de saldo disponível do recolhimento apontado como sendo a maior ou indevido. Portanto, deve manter a decisão recorrida in totum. Argüição de que a multa aplicada se revela confiscatório, bem como, aplicação da Taxa Selic contraria disposições do Código Tributário Nacional, não encontram eco na jurisprudência forense e tampouco administrativa. Tanto a penalidade, multa, quanto exigência juros encontra prevista pela Lei nº 9.430/96, sobre os débitos tributários para com a União Federal, não pago nos prazos previstos em lei, aplicase juros de mora, calculado com base na Taxa Selic: “Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 102DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. O Supremo Tribunal Federal já decidiu reiteradamente que aplicação da Taxa Selic não ofende o texto máximo, e, a sua exigência decorre de previsão legal. Esse assunto encontra pacificado no CARF por meio das Súmulas nº 2 e nº 4: “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. “Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. É vedado ao administrador administrativo apreciar alegação de inconstitucionalidade de norma, pois a última palavra cabe ao Poder Judiciário. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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