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Numero do processo: 37317.004716/2006-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-005.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 7. 00 47 16 /2 00 6- 26 Fl. 508DF CARF MF 2 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.698.4532, de 17/12/2004, por meio da qual foram exigidas Contribuições Sociais Previdenciárias, incidentes sobre pagamento de verba contabilizada no título “Abono Único”, relativos aos períodos de apuração de 12/1998, 01/1999, 09/2002 e 10/2003 a 01/2004 (Relatório Fiscal de fls. 30 a 32). O Mandado de Procedimento Fiscal foi cientificado ao Contribuinte em 12/02/2004 (fls. 22). O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, tendo em vista a existência de ação judicial, conforme consta às fls. 30: “Nota preliminar. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi procedida com a finalidade precípua de afastamento da decadência. Assim, os valores ora lançados não comportam apresentação de contestação quanto ao mérito, já que tal discussão encontrase 21ª Vara Federal — S.Paulo/SP.(Processo 2003.61.00309074), justificandose somente a discussão dos aspectos formais do lançamento, se for o caso. Portanto, todas as informações quanto aos procedimentos visando o recolhimento, constantes da Notificação em tela, devem ser desconsideradas, uma vez que encontrase pendente de decisão judicial a exigência de tais contribuições. 1. O presente relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nr. 35.698.4532 e tem por objeto a narrativa dos fatos ocorridos e verificados na ação fiscal e que ensejaram o lançamento fiscal em referência. O período levantado compreende as competências 12/1998, 01/1999, 09/2002,10/2003,11/2003, 12/2003 e 01/2004, (...) (...) 3. Tais convenções estabelecem o pagamento em uma só parcela de um valor determinado. Em alguns exercícios em que isso foi feito, o Banco considerou tais valores como verba remuneratória e recolheu sobre a mesma as contribuições previdenciárias (anteriores a 1998). Todavia, deixou de fazêlo nos exercícios de 1998, 2002 e 2003, contando inclusive com liminar concedida pela Justiça Federal para tanto. No tocante às contribuições dos segurados, o Departamento de Recursos Humanos do Banco, através da sua área de Folha de Pagamento, recalculou as contribuições descontadas dos segurados que ganhavam abaixo do limite máximo e que, com o pagamento do Abono atingiram tal limite. Chegouse a um total global por competência, incluído no débito ora levantado. Como não houve o desconto, inexistiu crime contra a Seguridade Social (apropriação indébita). 4. Os valores ora levantados, discriminados no quadro a seguir, foram extraídos dos resumos das Folhas de Pagamento e dos extratos do Razão — conta 5/11 00000574 — Abono Único, documentação esta apresentada à fiscalização. Também examinadas Atas de Assembléias de Acionistas e de Diretoria. COMPETÊNCIA TOTAL PAGO – R$ CONTRIB. SEGURADOS 12/1998 32.776.100,00 995.022,82 Fl. 509DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 509 3 01/1999 60.900,00 4.762,38 09/2002 63.011.147,47 1.637.607,80 10/2003 90.200.300,01 2.376.031,27 11/2003 273.400,00 20.915,10 12/2003 42.259,99 3.235,95 01/2004 15.000,00 1.147,50 O Contribuinte foi cientificado em 22/12/2004 e, em 06/01/2005, apresentou Impugnação, esclarecendo que nem todos os períodos exigidos na NFLD em tela eram objeto de ação judicial, e que, mesmo quanto àqueles sobre os quais havia tal discussão, as decisões judiciais eram diversas. Quanto aos períodos de 10/2003 a 01/2004, assim esclarece (fls. 49 em diante): “III — DOS VALORES RELATIVOS AOS PERÍODOS DE COMPETÊNCIA SETEMBRO/2002 E OUTUBRO/2003 A JANEIRO/2004, QUE SÃO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL Já no que diz respeito aos valores relativos aos demais períodos de competência, cumpre reiterar inicialmente que muito embora tenha constado do relatório anexo à autuação que a exigibilidade dos valores está suspensa por força do MS n° 2003.61.00.0309074 relativamente a todo o período, como se verifica da petição inicial daquele processo (doc. .03) em realidade o mesmo se refere apenas ao abono único relativo à Convenção Coletiva de Trabalho 2003/2004 (com reflexos nos períodos de competência de outubro/2003 a janeiro/2004), sendo que os valores relativos ao período de competência de setembro/2002 estão com exigibilidade suspensa por força do MS n° 2002.61.00.0220307 (doc. 04).” Relativamente aos períodos de 10/2003 a 01/2004, o Contribuinte apresentou os seguintes argumentos: os valores não poderiam ter sido calculados levandose em conta a alíquota adicional de 2,5%; tendo sido reconhecida no Relatório Fiscal a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por liminar em Mandado de Segurança, a aplicação de multa de ofício violaria o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996; inaplicabilidade da taxa de juros Selic. Tendo em vista os argumentos e documentos apresentados pelo Contribuinte na Impugnação, o processo foi baixado em diligência à PFN, em 06/04/2005, para esclarecimentos acerca das ações judiciais envolvidas (fls. 182): Fl. 510DF CARF MF 4 “1. A presente NFLD referese a contribuições sociais incidentes sobre pagamentos efetuados a empregados, de verba contabilizada no título "Abono Único". Estes pagamentos originaramse de Acordos Coletivos de Trabalho firmados entre os Sindicatos/Confederações dos empregados em Estabelecimentos Bancários e Sindicatos/Federações Patronais. 2. A empresa alega que os valores relativos aos períodos de competência de setembro/2002, outubro/2003 e janeiro/2004 estão com exigibilidade suspensa por força de Liminares em Mandado de Segurança de n.°s 2002.61.00.0220307 e 2003.61.00.0309074. 3. Ocorre que as consultas efetuadas ao site do TRF3 não retornam as informações necessárias à verificação da situação das liminares. 4. Sendo assim, solicitase confirmação da validade das liminares supramencionadas, no sentido de se proceder ou não ao desmembramento do presente processo, visto que o mesmo abarca outras competências não cobertas pelas mesmas.” Em atendimento, em 10/05/2005 a PFN recomendou o desmembramento da NFLD, conforme a seguir (fls. 190): “2 Analisando os extratos de fls. 217/220, denotase que a liminar prolatada na ação de segurança de n° 2003.61.00.030907 foi devidamente suspensa por força da decisão concedida pelo Relator do AI. de n° 2003.03.00.073023 2 em 12.12.2003 (decisão encaminhada pela Serec em 19/01/2004, para ciência da 21.428 Servrep), não havendo ainda julgamento de mérito da ação de Segurança, de acordo com informações fornecidas via email pela Procuradora Federal Dra. Juliana Rovai Rittes de Oliveira Silva, responsável pela defesa do INSS, perante à 21 8 VCF/SP. Com relação a liminar concedida na Ação de Segurança de n° 2002.61.00.0220307, o INSS não logrou êxito em suspendêla conforme denotase nas fases do AI de n° 2002.03.00.0451099 (extratos de fls. 218/219). Não foi prolatada a sentença de mérito na referida ação de Segurança até o dia 09/02/2005 de acordo com esclarecimentos repassadas via email à esta Procuradoria, pelo Procurador Federal Dr. Wagner Montin, responsável pela defesa per ante à 68 VCF/SP. 3 Assim, restaria o desmembramento do processo administrativo, com a lavratura de três créditos. O primeiro, para prosseguimento do recurso administrativo apenas com relação às competências de dezembro/98 e janeiro/99. O segundo, com relação às competências de outubro de 2003 à janeiro de 2004, devendo o processo ser remetido à Procurado ria para inscrição do débito, tendo em vista que a empresa não logrou êxito na suspensão da exigibilidade. Finalmente o terceiro, para competência de setembro/04 devendo o processo administrativo aguardar a decisão definitiva de mérito, uma vez que foi devidamente suspensa a exigibilidade do crédito tributário por força da liminar, concedida na Ação de Segurança de no 2002.03.0451099.” Fl. 511DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 510 5 Assim, em 2005 a NFLD inicial foi desmembrada em três, conforme consta da DecisãoNotificação de fls 192 a 197, que trata da NFLD Debcad n.° 35.831.6235, que manteve a data de 17/12/2004: “DA DILIGÊNCIA 4. Em diligência à Procuradoria, fls. 182, esta nos informou, através do despacho de fls. 190/191, que o processo n° 35.698.4532 deveria ser desmembrado em três, sendo que para as competências de 10/2003 a 01/2004, caso do presente processo, deveria haver remessa dos autos à Procuradoria para inscrição do débito, tendo em vista que a empresa não logrou êxito na suspensão da exigibilidade. 5. Ocorre que houve contestação de aspectos do lançamento que não estão sendo discutidos no Poder Judiciário, sendo assim, ainda que não tenha logrado êxito na suspensão do crédito, passase a analisar neste processo as razões de impugnação da empresa para os períodos supramencionados, ficando as demais competências separadas em outros dois processos de n°s 35.698.4532 e 35.831.6243, conforme orientação da Procuradoria.” Em síntese, o desmembramento efetuado em 2005 resultou no seguinte: NFLD n° 35.698.4532, referente às competências de 12/1998 e 01/1999; NFLD n° 35.831.6235 referente às competências de 10/2003 a 01/2004, tratadas no presente processo; NFLD n° 35.831.6243, referente à competência de 09/2002. Assim, a decisão de Primeira Instância de fls. 192 a 197, que tratou apenas da NFLD n° 35.831.6235, referente às competências de 10/2003 a 01/2004, considerou procedente o lançamento, conforme os seguintes fundamentos: quanto à alíquota adicional de 2,5%, a seara administrativa não teria competência para examinar questão de inconstitucionalidade; relativamente à exoneração da multa de ofício mediante a aplicação do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, tal dispositivo legal não se aplicaria a Contribuições Previdenciárias; no que tange à aplicação da taxa de juros Selic, esta teria amparo legal. No que tange à multa de ofício, a decisão assim registrou (fls. 194): "11. A Lei n.° 9.430/96 ao tratar da concessão de medida liminar em mandado de segurança, determinou, em seu a rt. 63, a não incidência da multa de ofício no lançamento do crédito tributário destinado a prevenir a decadência, e a interrupção da multa de mora desde a concessão da medida judicial até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Fl. 512DF CARF MF 6 12. Ocorre que essas previsões da Lei n.° 9.430/96 não se aplicam às contribuições da Seguridade Social, arrecadadas pelo INSS pelas seguintes razões: 13. 0 art. 63 achase inserido no Capítulo V Disposições Gerais, na Seção IV Acréscimos Moratórios Multa e Juros. O a rt. 61, que inaugura a referida Seção, dispõe expressamente que o seu comando aplicase aos 'débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal'. Por outro lado, no âmbito previdenciário, inexiste a chamada 'multa de ofício' de que trata o caput do art. 63." Cientificado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs, em 16/08/2005, o Recurso Voluntário de fls. 208 em diante, por meio do qual reitera as razões contidas na Impugnação. Quanto à aplicação da multa, assim esclarece e pleiteia: “É que, diversamente do que constou desta r. decisão, a medida liminar pleiteada nos autos do mandado de segurança n° 2003.61.00.0309074 foi deferida pelo ilustre Juiz Federal da 21a Vara em São Paulo, tendo sido suspensa apenas posteriormente face ao agravo de instrumento interposto pelo INSS, por decisão da qual o Recorrente foi intimado em 17/12/2003 (doc. 01). Não obstante, diante desta decisão o ora Recorrente requereu e foi deferida autorização para realização do depósito judicial dos valores em discussão, o qual foi realizado no prazo de 30 dias previsto no parágrafo 2° do artigo 63.da Lei n° 9.430/96, acrescido dos juros de mora devidos até a data do depósito (doc. 02). De se salientar, ademais, que tendo constatado que o valor lançado por meio da presente NFLD é superior ao valor inicialmente depositado, Recorrente procedeu inclusive ao depósito complementar da diferença apurada, inclusive no que diz respeito à multa e juros devidos sobre esta diferença. Verificase, assim, que o crédito tributário encontrase efetivamente com sua exigibilidade suspensa, sendo certo que relativamente aos valores depositados no prazo de 30 dias da decisão que suspendeu a eficácia da medida liminar inicialmente deferida jamais poderia ser exigido do Recorrente qualquer valor a título de multa. (...) Por outro lado, nem se diga que também relativamente aos depósitos efetuados no prazo previsto no art. 63 da Lei n° 9.430/96 seria devida a multa, ao argumento de que não seriam integrais, tanto que necessária sua posterior complementação. Primeiramente, é necessário ter em mente que sendo a NFLD relativa a vários períodos de competência e distintas rubricas, a análise da integralidade do depósito deve ser feita relativamente a cada fato gerador, e portanto rubrica a rubrica, o que por si só já vicia o lançamento. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 511 7 De qualquer modo, porém, data maxima venia, a interpretação do art . 151, II do CTN não pode levar ao absurdo de se entender que sendo depositado 99% de um determinado crédito tributário tal depósito seria absolutamente inócuo e o crédito tributário poderia ser cobrado em sua totalidade. Em realidade, o depósito judicial, quando parcial, suspende a exigibilidade do crédito tributário até o montante do valor efetivamente depositado, não podendo ser exigido sobre esse valor multa quando efetuado no prazo legal, como é o caso, ou juros de mora além dos já depositados.” Em sessão plenária de 23/03/2010, foi julgado o Recurso Voluntário 246.593, prolatandose o Acórdão nº 230101.288 (fls. 378 a 382), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/01/2004 LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. MEDIDA LIMINAR CASSADA. DEPÓSITO JUDICIAL PARCIAL. INEXIGIBILIDADE DO JURO E MULTA DE MORA DE MANEIRA PROPORCIONAL. A discussão do débito tributário no âmbito do Judiciário não impede que o fisco efetue o lançamento para prevenir a decadência. O depósito judicial com valor parcial do débito em discussão suspende a exigibilidade do crédito tributário apenas relativamente ao valor depositado, sendo incabível a imposição de juros e multa de mora sobre esse valor, cabível, no entanto, os acréscimos legais no tocante a diferença. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara /1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(á).” E o voto vencedor assim especifica o provimento parcial (fls. 382): "a) sobre o valor histórico do lançamento até 30 dias após a revogação da medida liminar, nada poderá ser cobrado à titulo de multa; b) no que diz respeito aos valores depositados dentro do prazo previsto no art. 63, § 2°, da Lei 9.430/96, a partir dessa data (16/01/2004), não deve incidir sobre esse valor qualquer penalidade a titulo de multa e juros moratórios; Fl. 514DF CARF MF 8 c) em relação a diferença verificada quando do depósito de complementação de fls 287/289, que fora feito mais de um ano após decorrido o prazo legal acima mencionado, deverá incidir multa a partir do 31 (trigésimo primeiro dia) após a revogação da liminar, in casu 17/01/2004, e juros moratórios até a data do depósito complementar, qual seja 16/08/2005; d) a partir do dia 16/08/2005, nenhum acréscimo legal seria devido, posto que depositado integralmente o valor do débito em discussão." Cientificada do acórdão em 18/11/2010 (fls. 383), a Fazenda Nacional interpôs, em 29/11/2010 (fls. 385), o Recurso Especial de fls. 386 a 389, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 091/2011, de 24/08/2011 (fls. 392 a 395). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: a decisão ora combatida contraria as seguintes normas previstas no Código Tributário Nacional e no artigo 63, caput, da Lei n° 9.430/96, in verbis: CTN Art. 141 0 crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Art. 151 Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: II o depósito do seu montante integral. Lei n° 9.430/96 Art. 63. Não caberá lançamento de multa de oficio na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributos e contribuições de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma do inciso IV e V do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. (Vide Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) § 1° O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Grifos nossos). pelo que se vê da legislação, somente se poderia cogitar da inaplicabilidade da multa de oficio e de juros de mora sobre parte do débito, se o depósito efetivado fosse integral; contudo, conforme análise dos autos, verificase que o contribuinte não depositou o valor total considerado pela autoridade fiscal o que inclusive foi reconhecido pelo Relator em seu voto; Fl. 515DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 512 9 uma vez que os débitos não foram integralmente depositados, restou intacta a exigibilidade in totum dos valores, pois não houve “suspensão parcial” do crédito tributário simplesmente porque inexiste tal instituto no direito tributário; ressaltese que apesar de o art. 63 da Lei n° 9.430/96 não se referir aos casos de depósitos judiciais insuficientes resta evidente o intuito da norma no sentido de que apenas caberia falar em não aplicação da multa de oficio e de juros de mora sobre as parcelas depositadas se a exigibilidade do débito estiver suspensa; ora, se no caso dos autos apenas o depósito judicial integral tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, II, do CTN, não há que se falar em exoneração da multa e dos juros quanto aos valores contidos no lançamento sobre os quais houve depósito parcial; neste sentido convém rememorar o teor da Súmula 112 do STJ, que trata da matéria em comento: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”, o que equivale a dizer que o crédito tributário considerado integral é aquela quantia exigida pela Fazenda Pública, e não aquela reconhecida pelo sujeito passivo (cita doutrina de Leandro Paulsen); assim, se o valor não foi depositado integralmente, segundo as normas tributárias vigentes, é inquestionável a aplicação pela autoridade fiscal de multa de oficio e juros de mora sobre todo o tributo lançado, e isto tem uma razão de ser: o ordenamento jurídico estabelece critérios para a efetivação de pagamento, que devem ser cumpridos de modo coerente e visando não prejudicar as partes envolvidas; vale ainda registrar o entendimento espelhado no acórdão de n° 202167.94: "NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A compensação do PIS, amparada por decisão judicial, implica renúncia do reconhecimento de seu direito na esfera administrativa. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não ocorrendo as hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, descabe falarse em nulidade do auto de infração. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. É defeso aos Conselhos de Contribuintes afastar lei vigente ao argumento de que ofende à Constituição. AÇÃO JUDICIAL PRÉVIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A busca da tutela do Poder Judiciário não obsta a formalização do lançamento. A submissão de matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, Fl. 516DF CARF MF 10 cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial e sem a imputação de multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. O crédito tributário apurado em auto de infração, lavrado com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial, deve ser acrescido de juros de mora, com base na taxa selic, quando inexistente o depósito judicial tempestivo do montante integral. Recurso provido em parte.” quanto ao tema colacionase trecho do acórdão acima citado (202167.94) que, com clareza, apregoa a necessidade de incidência de juros de mora em lançamento de oficio decorrente de depósito judicial considerado insuficiente, vejamos: “Assim, quanto à aplicação de juros de mora sobre o crédito tributário lançado, cuja exigibilidade encontrase suspensa em razão de medida liminar em mandado de segurança, temse que somente o depósito do montante integral, nos termos do inciso II do a rt. 151 do CTN, tem o condão de afastar a sua aplicação. Dispõe o art. 161 do CTN que devem ser aplicados os juros de mora também neste caso, ao aduzir que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Admitido por força do inciso II do art. 151 citado que somente o depósito em montante integral do crédito tributário susta a fluência dos juros de mora, correto o lançamento corno efetuado, não comportando retificação a decisão da autoridade a quo, uma vez que não compete ao julgador administrativo afastar a aplicação de norma regularmente editada e ainda não afastada do ordenamento jurídico pelo Poder Judiciário com efeitos erga omnes. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso, na parte relativa à exclusão dos juros de mora, apurados com base na taxa Selic do crédito tributário apurado de oficio, cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial.” (Grifos nossos) com isto, chegase a inelutável conclusão de que o lançamento realizado com a cobrança de multa de ofício e juros de mora sobre a totalidade dos valores lançados é plenamente cabível e condizente com a legislação tributária vigente, já que a exação depositada judicialmente, por não ser integral ao montante considerado devido pelo Fisco, não tem o condão de suspender o crédito tributário; sendo assim, como corolário lógico, é correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal que lançou o crédito tributário, com a incidência dos demais encargos legais como a multa de oficio, e entender de outra forma resultará na declaração da inconstitucionalidade dos artigos 141 c/c art. 151, inciso II, do CTN e artigo 63 da Lei n° 9.430/96, violados com a decisão a quo, o que é defeso pelo CARF. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e o provimento do Recurso Especial. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 513 11 Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 30/01/2012 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 399), o Contribuinte ofereceu, em 13/02/2012, as Contrarrazões de fls. 417 a 434, contendo os seguintes argumentos, em resumo: quanto ao primeiro paradigma, este trata de matéria fática distinta daquela objeto do acórdão recorrido,portanto não se presta a ensejar o cabimento do recurso; no caso do paradigma, o tributo devido foi depositado após o vencimento, sem a incidência de multa de mora; no caso do recorrido, houve o recolhimento parcial dentro do prazo, sem acréscimo de multa devido à ausência de mora; no mérito, o Contribuinte reitera as razões contidas nas peças de defesa, bem como no acórdão recorrido, e junta os documentos de fls. 437 a 443, demonstrando os valores devidos e os recolhimentos efetuados; esclarece que os depósitos efetuados não incluíram a parcela correspondente aos segurados, que não está sendo questionada e, quanto às rubricas questionadas, informa que a diferença foi de apenas 0,02% do débito. Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, na hipótese de não atendimento a este pedido, que seja negado provimento ao apelo. Em sessão plenária de 28/01/2015, o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 9202000.012, tendo em vista que o único paradigma analisado no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi considerado inapto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Assim, retornaram os autos à Câmara recorrida, para que se procedesse à análise do segundo paradigma indicado pela Recorrente Acórdão CSRF/0105.148, o que foi feito por meio do Exame de Admissibilidade Complementar nº 2300283/2015, de 13/04/2016 (fls. 466 a 470). Na oportunidade, o primeiro paradigma Acórdão nº foi reexaminado, concluindose que não guardava similitude fática com o recorrido, portanto não teria demonstrado a alegada divergência. Quanto ao segundo paradigma, este foi considerado apto a comprovar o dissídio, dandose seguimento ao Recurso Especial. Cientificado em 27/05/2015 (fls. 473 a 475), o Contribuinte ofereceu, em 10/06/2015, as Contrarrazões de fls. 477 a 490, argumentando, em síntese: Quanto ao conhecimento do recurso Quanto ao conhecimento do recurso a 2ª Turma da CSRF, bem como o Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção, negaram a possibilidade de conhecimento do recurso especial da fazenda com base no primeiro paradigma, Acórdão n° 20312.362, decisão que, portanto, não se demonstra apta para viabilizar o recurso especial da Fazenda Nacional; Fl. 518DF CARF MF 12 entretanto, a situação examinada no segundo paradigma também não guarda similitude fática com o caso concreto, o que obsta o conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional; de fato, como demonstra claramente o Acórdão n° 10193.390, que foi confirmado pelo segundo paradigma, o lançamento nele tratado dizia respeito a fatos geradores de IRPJ relativos ao exercício de 1995, tendo sido os depósitos insuficientes efetuados em 30/05/1995 e 19/10/1995, e o Auto de Infração lavrado em 1995, como indica o número do processo em questão (13886.000655/9537); portanto, todos os fatos se deram em época anterior à vigência da Lei n] 9.703, de 1998, período em que os recursos depositados pelo contribuinte de fato ficavam em uma conta de depósito à disposição do juízo em que tramitava o processo (e não à disposição da Fazenda Nacional), situação esta que perdurou até a citada lei transformar os depósitos judiciais em verdadeiros pagamentos efetuados à Fazenda Nacional sob condição resolutiva; no caso concreto, ao contrário da situação examinada no segundo paradigma, em que os fatos se deram em 1995, todos os fatos (ocorrência do fato gerador em 2002 e 2003, depósitos judiciais em 2003, lançamento em 2006) já ocorreram sob a égide da Lei n" 9.703/98, tendo tais "depósitos judiciais" a natureza de verdadeiros "pagamentos não definitivos" (já que o "depósito judicial" no caso de trânsito em julgado de decisão favorável à Fazenda é, nos termos do artigo Io, § 3o, II, "transformado em pasamento definitivo"); vale salientar que tal circunstância foi considerada de extrema relevância para no acórdão recorrido, tendo constado do voto que "seria indevida a cobrança dos encargos moratórios, multa e juros, sobretudo se considerarmos que, a partir da edição da Lei n° 9.703/1998, as quantias depositada judicialmente são repassadas para a conta única do tesouro nacional, o que consubstancia verdadeiro pagamento" (fl. 381); nesse contexto, tendo o regime de depósitos judiciais introduzido pela lei nº 9.703, de 1998 sido fundamental para a formação do entendimento do v. acórdão recorrido no sentido da impossibilidade da cobrança de multa e juros sobre os valores "depositados", é evidente que só poderia servir de paradigma processo que dissesse respeito a depósitos efetuados já sob o regime da lei n° 9.703, de 1998, o que não é o caso do segundo paradigma; ademais, constou do Despacho n° 2300283/2015, na parte em que tratava do primeiro paradigma que "Ademais, também não consta do paradigma a informação de que a maior parte da diferença seria referente a rubrica não questionada, reduzindose a insuficiência a 0,02% do valor devido", motivo que também levou seu I. prolator a concluir pela ausência de similitude fática, trecho e conclusão estes que também constam da Resolução nº 9202000.012; não obstante, também no que tange ao Acórdão n° 10193.390, que foi a decisão confirmada pelo segundo paradigma, a leitura do acórdão revela que naquele caso de um total de 3.235.208,92 UFIR, o depósito foi de 2.375.934,15 UFIR, ou seja, havia uma expressiva insuficiência de 26,56% do valor devido, situação muito diferente do caso concreto em que, como já reconhecido por esta C. Turma e pelo I. Presidente da 3a Câmara, a insuficiência é de 0,02% do valor devido; assim, também quanto ao segundo paradigma se observa a mesma falta de similitude fática com o acórdão recorrido observada quanto ao primeiro paradigma por esta Turma e pelo Presidente da 3ª Câmara; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 514 13 Quanto ao mérito ainda que para argumentar pudesse ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, o apelo não merece ser provido, por contrariar a firme jurisprudência administrativa, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais; de fato, tendo o Recurso Especial da Fazenda Nacional sido admitido em função apenas do segundo paradigma, o acórdão CSRF/0105.148, cabe referir que ele foi proferido pela C. 1a Turma da CSRF em 29/11/2004 (fl. 391), tendo sido o entendimento nele então acolhido posteriormente superado por jurisprudência pacífica dessa mesma 1a Turma (cita os Acórdãos nºs 9101001.598, de 20/02/2013, e 9101002.136, de 26/02/2015; além disso, mesmo não tendo sido o primeiro paradigma acolhido como divergência apta para viabilizar o Recurso Especial da Fazenda, vale em todo caso mencionar que ele foi reformado pelo Acórdão nº 9303002.749, proferido pela C. 3a Turma da CSRF em 21/01/2014: "(...) CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência dos juros de mora e da multa de ofício sobre os valores depositados, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas diferenças não depositadas." (destaques nossos) tal decisão não discrepou da jurisprudência já consolidada por aquela C. 3a Turma da CSRF (cita os Acórdãos nºs 9303003.221, de 27/11/2014 e 9303003.201, de 27/11/2014); de fato, como já atestado pela jurisprudência recente e pacífica da 1a e da 3a Turmas desta E. CSRF, não merecem ser acolhidas as razões trazidas pela Fazenda Nacional em seu recurso; conforme consta dos autos, a medida liminar pleiteada por meio do mandado de segurança n° 2003.61.00.0309074, impetrado em 29/10/2003, foi deferida pelo ilustre Juiz Federal da 21a Vara em São Paulo, tendo sido suspensa apenas posteriormente em razão do agravo de instrumento interposto pelo INSS, por decisão da qual o Recorrido foi intimado em 17/12/2003; não obstante, diante de tal decisão o ora Recorrido efetuou o depósito judicial dos valores em discussão no prazo de 30 dias previsto no parágrafo 2º, do artigo 63, da Lei n° 9.430, de 1996, acrescido dos juros de mora devidos até a data do depósito (doc. 02 anexo ao recurso voluntário); posteriormente, quando da lavratura da presente NFLD, constatou o Recorrido ter sido lançado também valor relativo aos segurados (principal de R$ 2.401.329,02), que de fato não havia sido depositado e por este motivo foi então objeto de depósito com todos os acréscimos devidos (inclusive a multa); Fl. 520DF CARF MF 14 não obstante, no que diz respeito aos depósitos relativos à parcela da empresa e SAT/Terceiros, constatou o Recorrido que em razão de sua insuficiência de 0,02% (doc. 01 das Contrarrazões ao Recurso Especial), estavalhe sendo exigido o imediato pagamento da totalidade do valor, acrescido ainda de multa e juros; assim, efetuou o Recorrido o depósito daquela diferença com os acréscimos devidos sobre esta diferença (inclusive a multa), e apresentou a impugnação e posteriormente o recurso acolhido pelo acórdão recorrido; de fato, a interpretação do disposto no art. 151, II, do Código Tributário Nacional não pode levar ao absurdo de se entender que, sendo depositado 99,98% de um determinado crédito tributário, como ocorre no caso, tal depósito seria absolutamente inócuo e a multa de ofício poderia ser imposta quanto à totalidade do crédito; em realidade, o depósito judicial, quando parcial, suspende a exigibilidade do crédito tributário até o montante do valor efetivamente depositado, não podendo ser exigido o pagamento deste valor, muito menos acrescido de juros de mora ou multa de ofício incidentes inclusive sobre a parcela depositada; não fosse o acima exposto suficiente para demonstrar a improcedência da pretensão recursal, não é demais frisar que no caso concreto o Recorrido depositou em juízo, tempestiva e voluntariamente, montante que corresponde a 99,98% do valor que a fiscalização entendeu devido; vale dizer, por conta de uma suposta diferença correspondente a 0,02% do total do crédito tributário, está sendo imposta à recorrida multa de 24% sobre 100% do tributo lançado, ou seja, multa correspondente a mil e duzentas vezes o montante não depositado; e, mais grave ainda, no caso tratase inclusive de depósito judicial efetuado já na vigência da Lei nº 9.703/98, cujo artigo 1o, § 2º, determina que "os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade", de modo que o Recorrido estaria sendo compelido a pagar multa sobre valor que já foi tempestivamente recolhido aos cofres públicos, situação cuja ilegitimidade foi bem sintetizada pelo i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no voto proferido no Acórdão nº 9303001.977 acima mencionado, "verbis": (...) Tal entendimento, a meu ver, se cristaliza depois da mudança legislativa que determinou que tais depósitos sejam realizados na conta única do Tesouro, ficando, desde então, à disposição da fazenda pública como se pagamento fosse. Ora, se os depósitos são considerados pagamentos à vista na data em que efetuados, quando realizados dentro do prazo de vencimento do tributo sub judice, se abranger o montante integral, não vislumbro qualquer mora a justificar a inclusão de acréscimos legais ao auto de infração; se parcial, sobre a parcela depositada, tempestivamente, também não deve haver incidência dos consectários legais. De outro lado, se os depósitos forem efetuados fora do prazo do vencimento do tributo, devem ser imputado os acréscimos legais que sofreriam pagamentos a destempo. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo para determinar a exclusão dos juros moratórios relativos às parcelas dos Fl. 521DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 515 15 depósitos judiciais, tempestivamente realizados." (destaques nossos) circunstância que, como visto acima, foi decisiva para a prolação do acórdão recorrido, segundo o qual "seria indevida a cobrança dos encargos moratórios, multa e juros, sobretudo se considerarmos que, a partir da edição da Lei nº 9.703/1998, as quantias depositada judicialmente são repassadas para a conta única do tesouro nacional, o que consubstancia verdadeiro pagamento" (fl. 381 destaques nossos); neste ponto, cabe salientar que esta C. 2a Turma da CSRF, justamente por equiparar o depósito judicial, nos termos da Lei nº 9.703/98, ao pagamento, entendeu em acórdão unânime que a efetivação do depósito judicial equivale ao pagamento antecipado para efeito da contagem do prazo decadencial para o lançamento (cita o Acórdão nº 9202003.395); assim, o que se verifica é que, nos termos em que efetuado o lançamento, o Recorrido, contribuinte diligente que preventivamente se socorreu do Judiciário visando resguardar seu direito, privandose inclusive da disponibilidade dos valores depositados, foi equiparado ao contribuinte inadimplente que simplesmente se queda inerte; contudo, equiparar situações que não são equiparáveis, para tratálas como se iguais fossem, é no mínimo reputar ineficaz a regra do artigo 151, II, do Código Tributário Nacional, a respeito da suspensão do crédito tributário na hipótese de depósito judicial, além de levar o cidadãocontribuinte a situação mais onerosa que aquela na qual se encontrava antes do ingresso em Juízo, o que não se harmoniza com o princípio constitucional de livre acesso ao Judiciário (artigo 5o, XXXV, da CF/88), e nem com o princípio da isonomia (artigo 150, II, da CF/88), tendo no Acórdão 9101001.480, acima citado, ficado consignado no voto do i. Relator que a pretensão fazendária resultaria em "flagrante ofensa ao princípio constitucional da isonomia, pois o contribuinte que efetua o depósito, seja integral ou parcial, seria devedor de acréscimos legais na mesma proporção daquele que, omitindose em relação ao tributo, poderia vir a passar despercebido pelo crivo da administração fiscal" (destaques nossos). nem se alegue, como fez a Recorrente, que a exigibilidade do crédito tributário, no caso concreto, não estaria suspensa, por força da Súmula 112 do STJ: "o depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro", porque ela foi editada para obstar a tentativa dos contribuintes de suspender a exigibilidade tributária pela apresentação da fiança bancária ou pelo oferecimento de Título da Dívida Agrária; tanto é assim que, dos cinco precedentes vinculados pelo E. Superior Tribunal de Justiça à Súmula 112, conforme informação colhida em seu sítio eletrônico: (i) o Recurso Especial n° 8.764/SP veda o oferecimento de TDA; (ii) o Recurso em Mandado de Segurança n° 1.269/AM também veda o oferecimento de TDA; (iii) o Recurso em Mandado de Segurança n° 1.267/AM, veda o oferecimento de TDA ou de carta de fiança bancária; (iv) o Recurso Especial n° 10.215/SP veda a apresentação de carta de fiança bancária; (v) o Recurso Especial n° 30.61 O/SP, por fim, também veda a apresentação de carta de fiança bancária; ora, se nenhum dos precedentes vinculados pelo próprio E. Superior Tribunal de Justiça à súmula 112 diz que depósito parcial do crédito tributário não suspende a exigibilidade do que está efetivamente depositado, é óbvio que tal súmula não trata desta situação, razão pela qual não procede a interpretação dada pela Recorrente; assim, resta demonstrada a total improcedência da pretensão recursal. Fl. 522DF CARF MF 16 Ao final, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial e, se assim não for, que se lhe negue provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente pelo Contribuinte quando do primeiro exame de admissibilidade do Recurso Especial, levado a cabo pelo Despacho nº 2300091/2011, de 24/08/2011 (fls. 392 a 395), foi suscitado o não conhecimento do apelo, uma vez que o único paradigma analisado não guardaria a necessária similitude fática com o recorrido. Quando da inclusão do processo em pauta, em 28/01/2015, o Colegiado entendeu, à unanimidade, que o paradigma analisado não era apto a demonstrar a alegada divergência, convertendose o julgamento do recurso em diligência, por meio da Resolução nº 9202000.012 (fls. 446 a 460). Naquela assentada, foi necessário que constasse do voto a fundamentação para a rejeição do paradigma, para que se pudesse justificar a conversão em diligência, para que fosse analisado o segundo paradigma indicado pela Fazenda Nacional. Quando do retorno do processo à Câmara de origem, para que o despacho fosse apenas complementado, o Sr. Presidente, por meio do Exame de Admissibilidade Complementar nº 2300283/2015, de 13/04/2016 (fls. 466 a 470), além de examinar o segundo paradigma, reexaminou indevidamente o primeiro paradigma, descartandoo. Indevidamente porque uma vez que o paradigma é considerado apto a demonstrar a divergência, somente a Instância Especial tem competência para rever o respectivo exame, ausente a previsão de juízo de retratação, exceto em face de evidente erro material devido a lapso manifesto. Ademais, o art. 63, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabelece, em seu § 5º: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 5º No caso de resolução ou anulação de decisão de 1ª (primeira) instância, as questões preliminares, prejudiciais ou mesmo de mérito já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, por ocasião do novo julgamento." Assim, conforme a determinação regimental acima, passo a apresentar ao Colegiado a análise do primeiro paradigma, para reapreciação. Paradigma Acórdão nº 20312.362 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 516 17 A análise desse paradigma demanda algumas considerações preliminares. Tratase de discussão sobre a aplicação de multa e juros de mora sobre crédito tributário discutido judicialmente, tendo em vista que o depósito judicial teria sido parcial, não abrangendo a totalidade do crédito tributário. De plano, verificase que tal problemática sequer constou da autuação ou da decisão de Primeira Instância, vindo a integrar os autos somente em sede de Recurso Voluntário. Com efeito, a autuação original, objeto da NFLD nº 35.698.4532, de 17/12/2004, cientificada ao Contribuinte em 22/12/2004, comportava exigência relativa a diversos períodos de apuração e foi levada a cabo apenas para prevenir a decadência, considerandose que todos os créditos tributários estariam com exigibilidade suspensa em função de medida liminar no Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074. Na Impugnação, o próprio Contribuinte apresentou esclarecimentos, no sentido de que apenas os períodos de apuração de 10/2003 a 01/2004 encontrarseiam ao abrigo da medida liminar no Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074, que outros períodos eram objeto de outra medida judicial, e que havia ainda períodos em que não fora buscada a tutela do Poder Judiciário. Os esclarecimentos acima ensejaram a realização de diligência à PGFN, o que motivou, em maio de 2005, o desmembramento da NFLD original em três outras, que entretanto mantiveram a mesma data da NFLD original – 17/12/2004: NFLD n° 35.698.4532, referente às competências de 12/1998 e 01/1999; NFLD n° 35.831.6235, referente às competências de 10/2003 a 01/2004, tratadas no presente processo; NFLD n° 35.831.6243, referente à competência de 09/2002. Conforme informação da PGFN, os créditos tributários tratados na NFLD n° 35.831.6235, objeto do presente processo, deveriam ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa, uma vez que a liminar teria sido suspensa em 12/12/2003. Nesse ponto, registrese que não consta dos autos que o Contribuinte tenha sido cientificado do resultado da diligência, tampouco do desmembramento da NFLD original, fatos estes ocorridos já em 2005. Assim o Contribuinte, até o Recurso Voluntário, não teve a oportunidade de discutir as circunstâncias da suspensão da medida liminar – efetivação de depósitos judiciais. Em sede de Recurso Voluntário e Contrarrazões, o Contribuinte aporta documentos e demonstrativos, com vistas a comprovar que a diferença entre o crédito tributário exigido e os depósitos judiciais efetuados dentro do prazo de vencimento seria de apenas 0,02%, portanto teria se verificado depósito a menor. Nesse passo, alega em Contrarrazões, preliminarmente, que no caso do paradigma examinado no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial Acórdão nº 20312.362 ao contrário do que ocorreu no caso do recorrido, não teria se verificado depósito dentro do prazo a menor, mas sim a ausência total de qualquer recolhimento dentro do prazo. Fl. 524DF CARF MF 18 De plano, esclareçase que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em momento algum contradita as questões fáticas e os documentos aportados aos autos pelo Contribuinte, limitandose a defender a tese segundo a qual o depósito parcial não logra a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, portanto seriam devidos multa e juros de mora sobre o valor total exigido. Feitas estas considerações, passase à análise da preliminar de não conhecimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, por ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma analisado no Despacho nº 2300091/2011, de 24/08/2011 (fls. 392 a 395). No caso do acórdão recorrido, que trata apenas do crédito tributário exigido na NFLD n° 35.831.6235, referente às competências de 10/2003 a 01/2004, havia uma liminar no Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074, cuja suspensão fora cientificada ao Impetrante em 17/12/2003. Em 16/01/2004, ou seja, dentro do prazo de 30 dias após a cassação da liminar, estabelecido no § 2º, do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996, foram efetuados os depósitos judiciais de fls. 285/286, compreendendo principal e juros. Entretanto, o total depositado foi inferior ao apurado na autuação, razão pela qual em 16/08/2005, data da interposição do Recurso Voluntário, foi complementado o valor já recolhido, conforme os depósitos judiciais de fls. 287 a 289 que, segundo o Contribuinte, incluem principal, multa e juros. A seguir quadro que especifica a exigência e os recolhimentos: COMPETÊNCIA TOTAL EXIGIDO NA NFLD (valor originário em R$, fls. 01 a 03) DEPÓSITOS EM 16/01/2004 (valores originários em R$, pagos com juros (fls. 285/286) DIFERENÇA DEPÓSITOS EM 16/08/2005 (em R$, com multa e juros, fls. 287 a 289) 10/2003 26.008.509,77 11/2003 92.545,90 12/2003 14.318,55 01/2004 5.077,50 TOTAL 26.120.451,72 23.712.257,60 (20.363.580,00 + 3.348.677,60) 2.408.194,12 3.819.961,82 (3.809.295,11 + 9.567,47 + 1.099,24) De acordo com as informações trazidas pelo Contribuinte em Contrarrazões, a diferença a menor dos depósitos judiciais (R$ 2.408.194,12, em valor originário) estaria assim distribuída: RUBRICA VALOR DO PRINCIPAL EM R$ SEGURADOS 2.401.329,82 EMPRESA 5.895,00 SAT/RAT E TERCEIROS 969,30 TOTAL 2.408.194,12 Fl. 525DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 517 19 Nesse passo, o Contribuinte argumenta que a diferença, no que tange a contribuições da empresa e relativas a Sat/Rat e terceiros corresponderia a apenas 0,02% do devido, tendo em vista que o valor de R$ 2.401.329,82 diria respeito às contribuições dos segurados, que não seriam objeto de discussão. Com efeito, na NFLD original de fls. 30 consta quadro especificando as contribuições dos segurados, conforme a seguir: COMPETÊNCIA TOTAL PAGO – R$ CONTRIB. SEGURADOS 10/2003 90.200.300,01 2.376.031,27 11/2003 273.400,00 20.915,10 12/2003 42.259,99 3.235,95 01/2004 15.000,00 1.147,50 TOTAL 2.401.329,82 Embora o Contribuinte argumente que o valor relativo aos segurados não teria sido questionado, o DARF de fls. 289 registra o Mandado de Segurança nº 2003.61.00309074, portanto tratase aparentemente de matéria objeto da discussão no Judiciário, o que não autoriza a conclusão de que a diferença seria apenas de 0,02% do valor devido. Entretanto, no entender desta Conselheira o detalhe acima não é relevante no presente caso, já que, independentemente do percentual da diferença a menor verificada nos depósitos judiciais, constatase que, no caso do acórdão recorrido, dentro do prazo de 30 dias, especificado no § 2º do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, foi depositado valor inferior ao devido, acrescido de juros de mora até a data do recolhimento, em 16/01/2004. E em 16/08/2005 foi depositada a diferença, acrescida de multa e juros de mora, inclusive o valor relativo à contribuição dos segurados, sendo que nem a autuação, tampouco a decisão de Primeira Instância fundamentaram a exigência da multa e juros em eventual insuficiência de depósito judicial, mas sim no entendimento de que o art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplicava às Contribuições Previdenciárias. O contexto acima descrito levou à seguinte conclusão, registrada no voto condutor do julgado guerreado: “Assim, ilustrativamente temos: a) sobre o valor histórico do lançamento até 30 dias após a revogação da medida liminar, nada poderá ser cobrado à titulo de multa; b) no que diz respeito aos valores depositados dentro do prazo previsto no art. 63, § 2°, da Lei 9.430/96, a partir dessa data (16/01/2004), não deve incidir sobre esse valor qualquer penalidade a título de multa e juros moratórios; c) em relação a diferença verificada quando do depósito de complementação de fls 287/289, que fora feito mais de um ano Fl. 526DF CARF MF 20 após decorrido o prazo legal acima mencionado, deverá incidir multa a partir do 31 (trigésimo primeiro dia) após a revogação da liminar, in casu 17/01/2004, e juros moratórios até a data do depósito complementar, qual seja 16/08/2005; d) a partir do dia 16/08/2005, nenhum acréscimo legal seria devido, posto que depositado integralmente o valor do débito em discussão.” Quanto ao primeiro paradigma Acórdão nº 20312.362 a Fazenda Nacional, visando demonstrar o dissídio, colacionou os seguintes trechos: Ementa "CPMF. DECADÊNCIA. PRAZO. LEI N° 8.212/91. Sendo a CPMF espécie do gênero contribuição social, o prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário é o de 10 anos previsto no art. 45 da Lei n° 8.212/91. DEPÓSITO JUDICIAL. INSUFICIÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DAS IMPUTAÇÕES DE JUROS E MULTA. A insuficiência do valor direcionado a depósito judicial de tributo controvertido autoriza a inclusão de juros moratórios e multa no lançamento da exação. CONVERSÃO DO DEPÓSITO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Apenas a conversão do depósito integral do crédito tributário extingue o crédito tributário, nos termos do a rt. 156, inciso VI, do CTN. Recurso negado". (Grifos nossos)” Voto "Mérito: Exclusão da multa e juros moratórios por depósito judicial. Nesse sentido irretocável a decisão da DRJ, cujos fundamentos não foram enfrentados no presente Recurso Voluntário, razão pela qual peço vênia para transcrevêlos e adotálos integralmente no presente voto, verbis: `Tampouco assiste razão à Impugnante ao asseverar que os depósitos judiciais efetuados no caso sob exame teriam o condão de afastar a exigência da multa de oficio, como restará demonstrado. Conforme relatado, para eximirse do pagamento da CPMF, a contribuinte impetrou Mandado de Segurança, Processo n° 1997.06034994, no qual obteve liminar, posteriormente cassada. A sentença de mérito que julgou improcedente o pedido e denegou a segurança pleiteada foi publicada no Diário Oficial em 30/01/01, de acordo com as informações constantes no sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, fls. 232/234. As demais informações obtidas no sítio do TRF constam às fls. 235/240. A Lei n° 9.430. de 27 de dezembro de 1996, por sua vez, determina o seguinte: Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. (...) Fl. 527DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 518 21 § 2° A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Pois bem, conforme informado pelo auditor fiscal, a Impugnante efetuou depósitos judiciais relativos aos valores devidos apenas em 18/09/02 – coincidentemente, sete dias antes de serlhe cientificado o início da ação fiscal, digase. E tais depósitos, realizados após o vencimento, foram efetuados sem a inclusão da correspondente multa de mora, como permite concluir o demonstrativo apresentado pela própria contribuinte às fls.178/180. Portanto, tais depósitos não correspondem ao montante integral exigido pela lei. Como ensina Hugo de Brito Machado, in Curso de Direito Tributário, 25° edição, pág. 187: `Para suspender a exigibilidade do crédito tributário o depósito deve corresponder ao valor deste tal como pretendido pela Fazenda Pública. Montante Integral é o valor pretendido pela Fazenda'. Assim, tendo em vista que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme expressamente determina o inciso II, do artigo 151 do Código Tributário Nacional, cabível a exigência da multa de oficio." Assim, também rejeito o presente argumento, já que não houve o depósito integral do crédito devido." (Grifos nossos)”(destaques da Recorrente) Como se pode constatar, no caso do paradigma, diferentemente do que ocorreu no recorrido, a sentença que julgou improcedente o pedido e denegou a segurança pleiteada foi publicada em 30/01/2001, tendo o Contribuinte efetuado os depósitos judiciais somente em 18/09/2002, sete dias antes da ciência do início da ação fiscal, e sem a inclusão da correspondente multa de mora, considerandose assim que ditos depósitos não corresponderiam ao montante integral exigido pela lei. Com efeito, no entender desta Conselheira tratase de situações fáticas diferentes. Além de todos os detalhes e nuances que pontuaram o presente processo, que de forma alguma constam do relatório do paradigma, no caso deste houve recolhimento integral fora do prazo sem os acréscimos moratórios, o que levou à conclusão de pagamento insuficiente. No caso do acórdão recorrido, o que ocorreu foi recolhimento dentro do prazo a menor, com complementação acrescida de multa e juros. Ademais, também não consta do paradigma a informação de que a maior parte da diferença seria referente a rubrica não questionada, reduzindose a insuficiência a 0,02% do valor devido. Diante do exposto, entendo não demonstrada a alegada divergência por meio desse primeiro paradigma e passo a analisar o segundo paradigma. Paradigma Acórdão CSRF 0105.148 Fl. 528DF CARF MF 22 Em sede de Contrarrazões, o Contribuinte pede o não conhecimento do Recurso Especial trazendo, dentre outras alegações, o argumento no sentido de que recorrido e paradigma foram proferidos à luz de legislações diversas, no que tange ao depósito judicial. Reiterandose as especificidades da situação verificada no acórdão recorrido que não se fazem presentes no acórdão paradigma o voto condutor do acórdão recorrido registra importante fundamento para o provimento parcial do Recurso Voluntário. Confirase: "Nesse aspecto, é importante ressaltar que a realização do depósito do montante integral descaracteriza a ocorrência de mora, portanto, seria indevida a cobrança dos encargos moratórios, multa e juros, sobretudo se considerarmos que, a partir da edição da Lei n° 9.703/1998, as quantias depositadas judicialmente são repassadas para a conta única do tesouro nacional, o que se consubstancia em verdadeiro pagamento. Visando demonstrar a alegada divergência, a Fazenda Nacional colaciona a ementa do paradigma, conforme a seguir: "SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DEPÓSITO JUDICIAL INSUFICIENTE — MULTA E JUROS O depósito parcial do crédito tributário não suspende a exigibilidade do crédito tributário e enseja a exigência de multa punitiva e juros de mora por meio de lançamento de ofício da Fazenda Pública. Recurso negado." Compulsandose o inteiro teor desse paradigma, constatase que se trata do processo nº 13886.000655/9537, portanto formalizado em 1995, muito antes da vigência da Lei nº 9.703, de 1998, que orientou o acórdão recorrido. Com efeito, o relatório esclarece tratarse de fatos geradores do anobase de 1994. Confirase: "Tratase de processo de exigência de Imposto sobre a Renda (IRPJ) anobase 1994 em razão de omissão de receita referente à variação IPC/BTNF realizada em 1989. A recorrente interpôs Mandado de Segurança com a finalidade de não ser compelida ao refazimento dos ajustes fiscais em questão. A liminar não foi concedida, razão pela qual a interessada efetuou o depósito judicial para fins de suspender a exigência do crédito objeto do litígio. O Auto de Infração foi lavrado para prevenir a decadência com a imposição de multa de oficio e juros de mora." Assim, além de não restar demonstrado que o paradigma tratou de situação semelhante à do recorrido, com todas as suas nuances já relatadas quando da análise do primeiro paradigma, esse julgado diz respeito a depósito que ainda ficava à disposição do Juízo, enquanto que, no caso do recorrido, o depósito já foi feito na conta do Tesouro Nacional, o que para o Relator constituiu verdadeiro pagamento. Registrese, por oportuno, que os dois paradigmas indicados pela Fazenda Nacional tratam de situações em que a multa de ofício e os juros de mora foram exigidos no Auto de Infração exatamente pela insuficiência do depósito judicial. Já no caso do acórdão recorrido, tal motivação sequer foi aventada, sendo essa questão trazida pelo próprio Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, para se contrapor à motivação da autuação e decisão de Primeira Instância, que fora a inaplicabilidade do art. 63, da Lei nº 9.430, de 1996, às Contribuições Previdenciárias. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 37317.004716/200626 Acórdão n.º 9202005.109 CSRFT2 Fl. 519 23 Diante do exposto, esse segundo paradigma também não logra demonstrar a alegada divergência, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 530DF CARF MF
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Numero do processo: 10600.720028/2014-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela empresa e converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela empresa e converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de ofício interpostos contra o Acórdão nº 16 68.009/15, proferido pela Oitava Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SPO, que julgou procedente em parte a impugnação proposta pela contribuinte em razão dos Autos de Infração lavrados contra si, efls. 03 a 36, para as exigências de IRPJ e CSLL, relativas aos anos calendários de 2010 e 2011, os quais constituíram crédito tributário no valor total de R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 00 .7 20 02 8/ 20 14 -6 5 Fl. 7599DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 3 2 73.349.810,28, incluídos, nesta quantia, os valores dos tributos (principal), multa de ofício qualificada (150%), multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas mensais e juros. Da Infração Tributaria A fiscalização, consoante minucioso Termo de Verificações Fiscal de efls. 37 a 88, acusa a contribuinte de haver realizado reorganização societária com o único fim de fraudar o fisco, recolhendo menos tributos do que estaria sujeita. O planejamento tributário, considerado ilícito, consistiu em cisões parciais da "Minerita" em 04 novas empresas, realizadas nos anoscalendários de 2005 e 2007, consoante 24ª e 26ª alterações contratuais. Pelas cisões, a empresa desmembrou parte de suas próprias atividades, sujeitando o lucro que deveria ser tributado pelo regime de apuração do Lucro Real, ao Lucro Presumido, além de gerar despesas artificiais (desnecessárias) e omitir receitas de faturamento. A empresa auditada, "Minerita", procedeu às seguintes cisões e surgiram as empresascoligadas: BIOMINAS Transportes Ltda (ex Minerita Transportes Ltda) 24ª alteração contratual, doravante denominada "Biominas" CMC Companhia Mineira de Concentração de Minérios Ltda 26ª alteração contratual, doravante denominada "CMC" SINTERITA Sinter Itauna Ltda 26ª alteração contratual, doravante denominada "Sinterita" FERROMINAS Mineração Ltda 26ª alteração contratual, doravante denominada "Ferrominas" Ressalta, ainda, que, em 31/12/2007, deuse a cisão parcial de forma reversa pela incorporação de parte do patrimônio da "CMC" pela "Minerita" (uma pilha de 12 milhões de toneladas de rejeito de minério de ferro, com consequente aumento de capital). A "Minerita" tem como objeto social: “Aproveitamento e exploração de jazidas minerais no território nacional, extração de minérios em jazidas de terceiros na condição de prestação de serviços e arrendamento; locação e prestação de serviços de máquinas, veículos e equipamentos industriais; transporte rodoviário de carga intermunicipal, interestadual e internacional; comércio de compra e venda de ferros, aço, metais, vigas, cantoneiras, estrutura metálica, sucata de ferro, aço, metais, papel, papelão e plástico, máquinas e equipamentos industriais, usados, veículos usados, leves e pesados, compra e venda de imóveis, e a incorporação de imóveis, desmembramento ou loteamento de terreno, e a locação de imóveis próprios, serviços de manutenção e reparo de máquinas, aparelhos e materiais elétricos; manutenção e reparo de máquinas e equipamentos industriais; manutenção e reparação de máquinas e equipamentos para uso na extração mineral; manutenção e reparação mecânica de veículos automotores e a prestação de serviços combinados de escritório e apoio administrativos.”(Contrato Social consolidado em 02/06/11 29ª alteração). A fiscalização esclarece que a empresa, limitada, tem como sócios Dilson Fonseca da Silva (9899% das cotas), na qualidade de administrador, e sua esposa, Janete Fl. 7600DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 4 3 Ferreira Alves da Silva. As demais empresas do grupo também possuem o sr. Dilson Fonseca da Silva no quadro societário, com exceção da "Biominas", cujos sócios são os filhos do casal, Kassio Fonseca Ferreira e Kelly Fonseca Ferreira, consoante quadro a seguir elaborado pela fiscalização: No Termo de Verificações Fiscal, resta frisado que Dilson Fonseca da Silva é quem administra e exerce o pleno controle sobre todas as empresas do grupo econômico. A fiscalização considera necessário para caracterizar a reorganização societária: "...podem ter os mais variados objetivos, entre eles redução de custos e despesas, otimização de operações, unificação, padronização e racionalização da administração, inclusive redução da carga tributária do grupo, o que pode se dar de forma lícita ou ilícita". Passa a descrever no Termo as razões, expendidas já nos Protocolos de Intenção e Justificação das Cisões correspondentes, sobre as quais a "Minerita" justificou todas as cisões e benefícios advindos, tais como concentrar na cindida (Minerita) as operações de extração de minério e atividades afins, apartando as atividades de transporte (Biominas), em 2005, e em 2007, as atividades de concentração de finos de minérios (CMC) e sinterização (Sinterita), objetivando melhores estratégias operacionais e comerciais. Fl. 7601DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 5 4 Em visita realizada ao Parque Industrial, Fazenda Lagoa das Flores, Itatiauçu/MG, local sede da CMC, Sinterita e filiais da Minerita e Biominas, a fiscalização constatou que escritórios, portaria, refeitório são de uso comum das empresas do grupo. Explicita, ainda: A filial da BIOMINAS foi extinta em 15/03/2013, sua sede está localizada na cidade de Itaúna (MG), na Rua do Dego 317, Bairro Eldorado (Rodovia MG 050, km 85,8). Aparentemente mantém sede, administração e atividades próprias. Prestava serviços de transportes no período fiscalizado (2010 e 2011), na data da visita a prestação de serviços estava bastante reduzida (menos de 5 caminhões), podendo ser aumentada em alguns dias, cujas providências para mobilização estariam em andamento, segundo informações prestadas pelo Sr. Saulo. A CMC encontravase em pleno funcionamento. Mantém escritório, pessoal, instalações industriais e logística própria, aparentemente independente das outras empresas que operam no local. As atividades são dirigidas por um gerente e dois supervisores. A SINTERITA possui instalações industriais, aparentemente independente das outras empresas que operam no local, entretanto, está inoperante por questões mercadológicas, segundo informações do Sr. Saulo, mas em condições de retomar atividades no momento conveniente. A fiscalizada, MINERITA, encontravase em plena atividade, mantém no local escritórios e instalações industriais próprias, sendo a logística própria e/ou contratada, e no caso de transporte este é de responsabilidade do cliente em parte das operações de venda. É responsável pelo controle e operação de portaria, escritórios e refeitórios, que atende tanto a si como às demais empresas que se localizam e operam no local. Funciona no local outra empresa do grupo, constituída em 2011 (13/10/2011), a BLOCOITA – BLOCOS ITAUNA LTDA, CNPJ 14.466.790/000100, que industrializa blocos, meio fios e outros produtos, com utilização de rejeitos (areia) da atividade de mineração. A empresa FERROMINAS MINERAÇÃO LTDA CNPJ 08.814.720/000100, detentora de autorizações – decretos de lavras encontrase inoperante enquanto são providenciadas autorizações legais e ambientais para entrar em operação. [...] Minerita Minérios Itaúna Ltda Fundada em 1972 com o objetivo de extrair, beneficiar e comercializar minério de ferro; Ferrominas Mineração Ltda Fundada em 2007 com o objetivo de extrair, beneficiar e comercializar minério de ferro; Empresa ainda sem operação; Em fase de licenciamento; CMC Companhia Mineira de Concentração de Minérios Ltda Fundada em 2006 com o objetivo de comprar, vender, tratar e concentrar minérios; Sinterita Sinter Itaúna Ltda Fundada em 2007 com o objetivo de produzir e comercializar sínter siderúrgico; Biominas Transportes Ltda Fundada em 2005 com o objetivo de transportar produtos a granel; atualmente só tem funcionários no escritório, parte administrativa, e parte de seus equipamentos estão alugados.” Fl. 7602DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 6 5 Apresentou anexo com Fluxogramas de operações da MINERITA, CMC e SINTERITA. Informou que a FERROMINAS não tem fluxograma por que ainda não está em operação, e que a BIOMINAS não tem fluxograma por se tratar de um processo simples de transporte de cargas em carretas basculante. Apresentou Livro de Inspeção do Trabalho, Matriz, filial Lagoa das Flores e filial Maqmil; em CD apresentou ficha de Registro de Funcionários, Matriz, Filial Lagoa das Flores e Filial Maqmil; também em CD, Notas fiscais de saídas do Período 2010 a 2011, Filial Lagoa das Flores e Filial Maqmil. Pelo TIF 003 intimamos para apresentação de organograma da empresa, cópias de contratos FINAME firmados com o Banco do Brasil S.A. e Banco Itaú, e cópia de documentação que comprove pagamentos, com identificação dos responsáveis pelas autorizações. A intimação foi atendida em 30/06/2014. Constatamos da documentação examinada e destacamos: Os contratos FINAME de responsabilidade da MINERITA são firmados pelo sócio Dilson Fonseca da Silva. A fiscalização fez várias indagações à empresa auditada, tais como: (i) utilização de empregados (comuns) da "Minerita" pelas outras empresas coligadas nas áreas administrativa, financeira, contábil, operacional etc; (ii) utilização comum de instalações e equipamentos; (iii) se é realizado, e critérios, para o rateio de custos e despesas; (iv) apresentar certidões de transferência dos imóveis objetos das cisões; (v) comprovação de compra e venda das cotas das empresas "CMC" e "Biominas", de Dilson Fonseca da Silva para os filhos Kássio e Kelly. Verificou, ainda, que a filial da "Minerita" ("Maqmil") recomprou, no exercício de 2010, parte do Ativo Imobilizado que havia transferido para a "Biominas" em 2005, a saber, 23 caminhões e 16 semireboques. Após procedimentos de diligências, individualizados, às empresas coligadas, a fiscalização levantou vários pontos, concluindo, em apertada síntese: [...] A desconcentração das operações não aconteceu, conforme podese verificar dos contratos e alterações contratuais da MINERITA, registrados na JUCEMG e anexados a este processo fiscal. Pela cláusula OBJETO SOCIAL a MINERITA continuou a exercer as mesmas atividades exercidas antes das cisões e transferidas às incorporadoras. A apregoada estratégia operacional e comercial também não foi atingida e nem procurada. Pois, além de outras características e atividades comuns, as empresas criadas funcionam no mesmo parque industrial, têm a mesma portaria, o mesmo controlador e gestor, o mesmo contador, os mesmos encarregados do gerenciamento das finanças e o mesmo endereço para correspondência. Cindiu apenas no papel, somente aparência. Especificamente sobre o caso da CMC é de se dedicar algumas linhas para chamar a atenção para determinados pontos. Fl. 7603DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 7 6 A MINERITA é a única cliente da CMC, sendo que o projeto foi desenvolvido especificamente para atendêla. Agindo como agiu a fiscalizada, produzindo através de empresa fictícia, no caso a CMC, fica caracterizada a falta de racionalidade de custos, pois a MINERITA deixando de exercer as atividades de concentração de minérios transferindoas à CMC, empresa recém criada, abriu mão de excepcional rentabilidade. Paga pelos produtos/serviços adquiridos pelo menos 3 vezes mais do que o custo que teria para produzir. O que foge à razoabilidade e bom senso e demonstra total falta de racionalidade econômica, caracterizando também falta de observância de princípios empresarias básicos, ou seja, renuncia pela MINERITA de rentabilidade e majoração de custos e despesas. [...] A CMC com alto grau de rentabilidade e lucro, mais de 60%, tributado pelo regime de lucro presumido em percentuais menores que o regime de lucro real da MINERITA, distribui lucros sem tributação aos sócios, e, ainda utiliza dos valores pagos como despesas para abatimento na apuração do lucro real da MINERITA com excepcional vantagem comparativamente entre os dois regimes de tributação. Não há como considerar os rearranjos societários perpetrados pela MINERITA no seu relacionamento com o fisco. Empresas controladas pela mesma pessoa, exercendo as mesmas atividades anteriormente exercidas pela empresa líder, MINERITA, das quais não se desvinculou. As atividades foram loteadas, com reservas pela MINERITA, pois delas não abriu mão, entre as pretensas empresas independentes e autônomas. Loteadas além das atividades, o ativo, o passivo, a clientela e tudo o mais, conforme já dito e repetido. Mantêm o mesmo endereço para correspondência, o mesmo dirigente e o mesmo contador, além das mesmas pessoas responsáveis pela movimentação financeira, e, ainda em comum, custeados pela fiscalizada, portaria, refeitórios e escritórios. Pelo uso das áreas em comum e prestação de destes serviços, por empregados da MINERITA, custeado por esta, inexiste rateio, tudo pago por esta em benefício de todas. Além dos citados existem ainda outros profissionais, empregados da MINERITA, que executam serviços para as diversas empresas, a exemplo de Nathália Priscila Menezes Barbosa, que também faz parte do departamento contabilidade, conforme informação em atendimento a intimação, já referido neste termo. A CMC recebeu empregados transferidos da MINERITA, sendo de demitidos na MINERITA e prontamente admitidos na CMC, bem como transferências em sentido contrário, da CMC para a MINERITA, após prestação de serviços por certo período de tempo na CMC, sendo também prontamente contratado na MINERITA, além de rodízio na contratação de alguns empregados pelas diversas empresas do grupo, sendo demitidos em uma e admitidos prontamente em outra. Verificase também, pelo exame de documentação apresentada em resposta ao TIF 003 da diligenciada CMC, o caso de Pedro Paulo Machado, Coordenador do Departamento de Recursos Humanos e José de Assis Braga, Gerente de RH, empregados da MINERITA, conforme pesquisa no sistema CNIS já citado neste relatório, cuja consulta constitui o anexo CNIS EMPREGADOS OUTRAS SITUAÇÕES, na execução de serviços relacionados a recursos humanos da CMC. Fl. 7604DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 8 7 Documentos fiscais referentes a fornecimentos de refeições tanto à MINERITA como à CMC são visados e têm os pagamentos autorizados por eles. Como exemplo estão as notas fiscais nºs 217, 222, 240, 265, 308 e 309, emitidas pelo Restaurante Casa Anfitriã Ltda., CNPJ 09.721.074/000272. Mais uma prova da unicidade do empreendimento. As operações realizadas por estas empresas são na verdade da MINERITA cindida parcialmente, que vez uma espécie de departamentalização. Não há qualquer propósito negocial que justifique as operações realizadas, visto sua incapacidade para operar outros resultados, a não ser e tão somente contra o fisco, com a economia irregular de tributos. Não é sem razão a centralização de endereço, esta centralização se dá para acompanhamento de perto pelo dono, fica tudo às suas vistas. Afinal constituemse em única empresa, a MINERITA. A cisão foi apenas formal, só papel. A MINERITA continuou funcionando e produzindo o mesmo que produzia antes, agora amparada por empresas pretensamente independentes, apenas constituídas com nomes diferentes, mascarando o que seria setores e departamentos em empresas. Apesar de feitas as cisões, criadas empresas, dada aparência de autônomas, realizados cadastros nos diversos entes estatais, inclusive CNPJ, com emissão de documentos fiscais em seus nomes, nada mudou. Os estudos e avaliações que respaldaram a operação de cisão são exclusivamente os referidos e anexados na 26ª Alteração Contratual da MINERITA, de acordo com informações da própria cindida, inexistindo maiores estudos sobre viabilidade, o que foi informado claramente na resposta ao TIF 004, analisado alhures. Outro fato a ser destacado é a forma da tomada de decisões, caracterizada pelo poder do controlador, DILSON FONSECA DA SILVA. Segundo informações trazidas à fiscalização em resposta a intimações, TIF 004 já citado, as decisões são tomadas em ambiente informal, inexistindo memória escrita, tais como relatórios, atas de reuniões e processos formais, as decisões são tomadas e as ações necessárias providenciadas, sem registro formal de tais deliberações, e embora as discussões e deliberações existam, na maioria das vezes, o patriarca fundador é o líder e a quem cabe a decisão final de todos os assuntos de maior relevância da empresa. Daí, podese concluir, pelas próprias informações da MINERITA, que as decisões de todos os assuntos de relevância são tomadas pelo lider, Dilson, esposo e pai dos demais sócios, reconhecidamente o detentor absoluto do poder de decisão, manda em tudo como se fosse uma só empresa. O controle e a centralização da administração do grupo podem ser observados também na representação das empresas perante a Receita Federal: O cadastro CNPJ de MINERITA, CMC, FERROMINAS e SINTERITA tem como responsável Dilson Fonseca da Silva. As Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ da MINERITA, CMC, FERROMINAS e SINTERITA têm como representante Dilson Fonseca da Silva, e como responsável pelo preenchimento o contador Maurílio Capanema Lopes. Fl. 7605DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 9 8 De posse do rol de pessoas fornecido em resposta ao TIF 004 pela fiscalizada responsáveis pelo departamento contábil, financeiro e de portaria, preocupamos em comprovar o vínculo empregatício daqueles profissionais, constatando que os mesmos são ou foram empregados da MINERITA, não o sendo no período fiscalizado das demais empresas do grupo, conforme exame das fichas registros de empregados das diversas empresas, bem como do cadastro nos sistemas previdenciários, baseado em declarações do empregador, através do sistema “CNIS TC Trabalhadores e Empregadores”, conforme ANEXO CNIS – EMPREG. MINERITA PREST SERVIÇO TODO GRUPO. Entretanto prestam serviços às diversas empresas. Por essa prestação de serviços a MINERITA não é remunerada, isto é não existe rateio, ficando a MINERITA responsável por toda a despesa e/ou custo, desoneradas as demais, conforme já dito e repetido. Outra constatação de que o comando do grupo é único, constituindo em único empreendimento, está na resposta ao TIF 002, quando a MINERITA informou sobre as atividades operacionais de cada uma das empresas, inclusive daquela que teoricamente não estaria entre aquelas controladas pelo Sr. Dilson, a BIOMINAS, ao informar que: "Biominas Transportes Ltda Fundada em 2005 com o objetivo de transportar produtos a granel; atualmente só tem funcionários no escritório, parte administrativa, e parte de seus equipamentos estão alugados.” “a BIOMINAS não tem fluxograma por se tratar de um processo simples de transporte de cargas em carretas basculante.” Estatutariamente a BIOMINAS, pretensamente autônoma, pertence a Kássio e Kelly Fonseca Ferreira, entretanto, a MINERITA, que tem como sócios Dilson e Janete, prestou informações detalhadas sobre ela, inclusive sobre aluguel de equipamentos. Não há dúvidas sobre o funcionamento em empreendimento único, com utilização de diversas empresas de aparência, fictícias. Se o controlador e o administrador é o mesmo para todas as empresas. Se as áreas diretamente envolvidas na gestão contábil, financeira, logística no que se refere a portaria, refeitório e escritório, bem como gestão de despesas com pessoal, no caso de alimentação, é exercida pelas mesmas pessoas, todos empregados da MINERITA, não há como negar que se trata de um mesmo empreendimento. À vista de todo exposto, está sendo lavrado auto de infração para constituição do crédito tributário considerando as compras feitas pela fiscalizada e as compras e vendas realizadas entre as diversas empresas do grupo como despesas desnecessárias às atividades da fiscalizada. Considerando também as vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA, como omissão de receitas da fiscalizada, por faticamente pertencerem à fiscalizada. [...] Os motivos da não aceitação perante o fisco dos efeitos pretendidos pela fiscalizada estão fundamentados no relatado neste termo em capítulos anteriores corroborado pelos seguintes. Pela justificação a MINERITA segregaria a atividade de transportes das suas atividades, mas não é isso que aconteceu. Manteve em seu ESTATUTO SOCIAL atividade de transportes em todas as alterações que realizou, com a mesma redação “transporte rodoviário de carga intermunicipal, interestadual e internacional”. Fl. 7606DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 10 9 A BIOMINAS é oriunda da cisão de uma filial da MINERITA, denominada Minerita Transportes, da qual recebeu todos os seus bens, direitos e obrigações, inclusive o nome com o qual foi constituída. Foi criada com o único e exclusivo propósito de participação na operação de cisão, dentro de uma reorganização societária que visava economia tributária e nesse caso pretendeu desvincular a diligenciada das demais empresas do grupo. Nesse sentido foi feita a transferência de quotas de Dilson Fonseca da Silva para Kássio Fonseca Ferreira e Kelly Fonseca Ferreira, que teve exatamente o fim de desvincular formalmente da empresa o sócio Dilson Fonseca da Silva. Mas, só formalmente, sem qualquer efeito perante o fisco federal. A operação de cessão e transferência das quotas de titularidade de Dilson Fonseca da Silva para Kássio Fonseca Ferreira e Kelly Fonseca Ferreira, feita pela Primeira Alteração Contratual, de 01/02/2005, registro JUCEMG 3330326, em 10/03/2005, conforme já relatado, se deu entre particulares, pessoas físicas, pai e filhos, para controle do capital social pelos dois cessionários. Instada a comprovar a transação de compra e venda em que o sócio Dilson transferiu a cada um dos filhos Kássio e Kelly quotas do capital no valor de R$1.234.153,00, manifestouse, informando que: [...] Como podese constatar da resposta à intimação, a cessão das quotas se deu por alteração contratual, não sendo apresentado quaisquer outros documentos além desta sobre a compra e venda. Constatase também que o valor envolvido somente foi pago, se é que foi, nos anos de 2011 e 2012, pelo menos 6 anos depois, conforme informação da própria diligenciada colacionada no parágrafo retro. A exemplo da falta de comprovação da contratação da compra e venda, inexistente também a falta de comprovação do pagamento. O pagamento foi feito em espécie, sem comprovação documental. A forma do pagamento nos parece muito simples para quitação de valores tão expressivos, R$1.834.153,00. Em tempos atuais manter e manipular tal monta em espécie, dinheiro vivo, também nos parece inverossímil, podese dizer absurda, além de estranha. É de se questionar, por que manter tal valor em espécie? Onde estava guardado tal numerário? Por que não em depósito bancário? Se em depósito por que não foi feita uma transferência para pagamento? [...] O único registro sobre o provável negócio – venda de quotas, a dívida referente a ele e o seu pagamento está nas declarações de Imposto de Renda Pessoas Físicas dos envolvidos. Entretanto tudo fictício, conforme já relatado, a cessão das quotas se deu por alteração contratual, inexistindo quaisquer outros documentos, um único papel sobre o negócio, apenas declarações. Fl. 7607DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 11 10 [...] É de se repetir negócio de pai para filhos. As participações de Kássio e Kelly na verdade não existem, a empresa é sim de propriedade de Dilson Fonseca Ferreira, majoritariamente, sendo as participações de Kássio e Kelly representados no máximo pelo valor de R$30.000,00, registrados quando da constituição da empresa, equivalente a 1,2 % (0,6% para cada), contra 98,80 % de Dilson. A BIOMINAS não tem independência em relação à empresa cindida, pois controlada pela mesma pessoa, exercendo as mesmas atividades, utilizando os mesmos equipamentos e atendendo a mesma clientela da filial da MINERITA, que foi integralmente cindida. Na prática constituiuse formalmente em empresa nova, mas, de fato continuou a funcionar como uma filial ou um departamento ou um setor da MINERITA. [...] Fato que também indica o controle da BIOMINAS pela MINERITA está na concessão de cartas de fianças por esta para garantia de financiamentos da compra de 54 caminhões tratores, junto aos bancos DaimlerChrysler S.A., Volvo S.A. e UNIBANCO União dos Bancos Brasileiros S.A, para a frota da BIOMINAS, conforme Atas de Reuniões Extraordinárias de 02/05/2005 e 07/07/2005, registros JUCEMG 3359380, de 20/05/2005 e 3391725, de 05/08/2005. Apesar de possuir contador responsável diferente do contador das demais empresas, o preposto indicado para representar a empresa perante a Receita Federal foi Maurilio Gustavo Lopes, o mesmo da MINERITA, CMC, SINTERITA e FERROMINAS. Isto se justifica pelo fato de se tratar de empresa do mesmo grupo, ou melhor dependência/setor da MINERITA, sob as ordens do mesmo controlador, DILSON FONSECA DA SIILVA, que precisa manter todo o empreendimento sob acompanhamento. Pelo TIF 003 foi intimada finalmente a esclarecer as razões da venda do ativo imobilizado ocorrida no exercício de 2010 para a fiscalizada. Em resposta de (sic) informou: “A operação de venda dos caminhões se deu pela necessidade da empresa de fazer caixa para honrar seus compromissos. Dentre os equipamentos vendidos 23 caminhões e 16 semi reboques se originaram da cisão de 2005, os demais foram adquiridos pela Biominas. A alienação dos equipamentos foi fruto de uma decisão empresarial e numa operação normal de venda.” Mais um fato a demonstrar a unidade do empreendimento e existência de única empresa, a MINERITA. Parte, 23 caminhões e 16 semi reboques, transferidos à BIOMINAS em operação de cisão, foram vendidos à MINERITA. Quando da cisão serviu para constituição de capital, que foi transferido pelo controlador do grupo aos filhos. Agora devolve mediante operação de venda, mantendo o capital social em nome dos filhos. Fl. 7608DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 12 11 Com esta transação a BIOMINAS perdeu a finalidade, as atividades voltaram a ser exercidas diretamente pela MINERITA, pois desfez dos bens, vendendo parte e alugando parte destes. Voltou ao que era antes da cisão. À vista do exposto, está sendo lavrado auto de infração para constituição do crédito tributário considerando as vendas realizadas pela BIOMINAS como sendo da fiscalizada, o que é fato, considerando também os custos e despesas utilizados para consecução das vendas e os tributos referentes a IRPJ e CSLL suportados sobre as vendas. Enfim, concluiu, que apesar de documentação apresentada Protocolo de Intenções e Justificação, laudos de avaliação contábil e de bens registros na JUCEMG, contabilização, tudo redunda em formalidade, pois as empresas criadas são totalmente dependentes da "Minerita", sem autonomia financeira, administrativa, econômica ou operacional. Em outro item (11) do Termo de Verificações explica a matéria levada à tributação de ofício: Os fatos geradores do presente lançamento fiscal referentes a DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS estão representados pelos valores contabilizados pela fiscalizada a título de compras efetuadas da CMC e da BIOMINAS, bem como pelas vendas e compras realizadas entre as diversas empresas do grupo, por serem desnecessárias às atividades da fiscalizada, conforme demonstrado neste termo. A base de cálculo apurada atinge a cifra de R$ 115.266.196,64 nos anoscalendário 2010 e 2011. Já os fatos geradores ora considerados como OMISSÃO DE RECEITAS estão representados pelo valor das receitas referentes a vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA, receitas estas que apesar de serem faturadas em nome destas pertencem à fiscalizada, conforme amplamente demonstrado, no valor de R$ 28.781.109,99 no mesmo período. A fiscalização elaborou os seguintes Anexos para compor a base de cálculo das autuações fiscais: Anexo 1 Despesas não Necessárias efls. 5938 a 5941 Anexo 2 Omissão de Receitas efls. 5942 a 5944 Anexo 3 Custos e Despesas nas empresas vinculadas efls. 5945 e 5946 Anexo 4 Tributos Recolhidos pelas empresas vinculadas efls. 5947 a 5950 Anexo 5 Apuração de Valores Tributáveis efls. 5951 a 5954 Anexo 6 Apuração Multa Isolada IRPJ e CSLL efls. 5955 a 5958 Impugnados os lançamentos tributários, a Turma Julgadora, após refutar as causas de nulidade suscitadas pela empresa auditada, assim fundamentou o votocondutor, quanto ao mérito: [...] Fl. 7609DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 13 12 8. Quanto ao mérito, a contribuinte inicialmente defende que as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos anoscalendário de 2010 e 2011, ao se desconsiderar a autonomia e independência jurídico administrativa das empresas vinculadas, seria equivalente à soma dos resultados contidos nos Demonstrativos do Resultado do Exercício de cada uma das empresas (MINERITA, CMC, SINTERITA e BIOMINAS) e que espelhariam a escrituração de cada empresa. 8.1. Cumpre, neste ponto observar, que a apuração do resultado da MINERITA, considerando a CMC, SINTERITA e BIOMINAS, como seus departamentos, não é tão simples como propõe a impugnante. Isto porque, como bem explicado pelas autoridades fiscais, haveria de se desconsiderar os negócios feitos entre essas “empresas” (setores da MINERITA). Nesse sentido as operações de Vendas entre elas foram consideradas despesas desnecessárias, pois, um departamento não gera despesa quando adquire (de outro departamento), dentro da mesma empresa, matéria prima. Acertado também ao se considerar que as vendas para terceiros efetuados por CMC, SINTERITA e BIOMINAS (departamentos de MINERITA) foram tidas como omissão de receitas na MINERITA, pois foram receitas geradas em nos departamentos da empresa e que não se encontravam escrituradas na sua documentação contábilfiscal. 8.2. Embora alegado em sede de preliminar, cumpre aqui retomar a acusação da impugnante no sentido de que a fiscalização não considerou a totalidade dos custos e despesas das empresas vinculadas (CMC, SINTERITA e BIOMINAS). Nesse sentito, convém transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal em que as autoridades fiscais explicitam a respeito da apuração dos custos e despesas para obtenção das receitas que foram considerados [...] 8.2.1. Como se vê da transcrição acima, os autuantes explicaram que consideraram para fins de recomposição da base de cálculo do IR e da CSLL da empresa MINERITA em decorrência da apuração de OMISSÃO de RECEITAS (vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA) e de DESPESAS DESNECESSÁRIAS (valores contabilizados pela fiscalizada a título de compras efetuadas da CMC e da BIOMINAS, bem como pelas vendas e compras realizadas entre as diversas empresas do grupo) os custos e despesas atrelados à obtenção dessas receitas ( de vendas intragrupo e de CMC, BIOMINAS e SINTERITA a terceiros). 8.2.2. Explicam ainda os autuantes que a elaboração de balancetes e de DRE foi feita tendo por base a contabilidade apresentada por cada uma das empresas. Assim, por exemplo, o Custo de produção da CMC de fevereiro de 2010, considerado pelas autoridades fiscais no anexo 05 (fls. 5951), no valor de R$ 1.188.7398,68, foi extraído do Balancete Mensal (fls. 5986 – conta 311 Custo de Produção) elaborado pelas autoridades fiscais com base na documentação contábil fiscal apresentado por ocasião da diligência. Notese que o somatório dos custos de produção da CMC no anocalendário de 2010, no valor de R$ 10.270.077,72 (abaixo demonstrado) está de acordo com a soma do custo dos produtos vendidos e do custo dos produtos industrializados de terceiros (linha 05 – R$ 2.593.659,80 e Linha 07 – R$ 7.676.417,97), do Balanço Patrimonial levantado em dezembro de 2010 da CMC (fl. 6358). [tabela] 8.2.3. Como se vê pelo exemplo acima exposto, o critério apontado pelas autoridades fiscais no TVF para apuração dos custos e despesas referentes às vendas Fl. 7610DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 14 13 (vendas a terceiros feitas pelas empresas CMC, BIOMINAS e SINTERITA/receitas omitidas e vendas “intragrupo”/despesas desnecessárias) que passaram a compor o resultado do exercício da interessada, MINERITA, guarda correspondência com a documentação que compõe o processo, inclusive aquela apresentada pela impugnante quando da apresentação de sua defesa. A lógica fiscal foi justamente diminuir dos valores apurados decorrentes de vendas e que passaram a compor o Resultado do Exercício (e conseqüentemente a base de cálculo do IR e da CS) da impugnante, os valores dos custos de tais vendas. 8.2.4. Convém ainda observar que as autoridades fiscais, ao contrário do que entendeu a impugnante, não desprezaram os registros e informações contábil–fiscais apresentadas pela CMC, BIOMINAS e SINTERITA, pois utilizaramse dos dados colhidos nas diligências feitas junto a essas “empresas” para apurar os valores das vendas realizadas intragrupo e a terceiros e dos custos/despesas a elas atrelados. 8.3. Também acusa a impugnante de não ter sido considerado para fins de apuração de IRPJ e de CSLL a lançar a totalidade do IRPJ e da CSLL pagos pelas empresas vinculadas, que a fiscalização deveria subtrair dos tributos apurados. 8.3.1. No anocalendário de 2010, defende a impugnante que o valor de IRPJ a ser deduzido seria de R$ 1.228.537,20 e não de R$ 1.005.897,37, como considerado pelas autoridades fiscais. Sobre tal diferença a interessada afirma ter juntado aos autos DIPJ e comprovantes de liquidação dos tributos das empresas vinculadas. 8.3.2. Pois bem, em uma checagem preliminar, tomese como exemplo, os valores de IRPJ recolhidos pela empresa/departamento CMC, relativamente ao ano calendário de 2010, considerados pela fiscalização conforme Anexo 04 fl. 5947 e aqueles reclamados pela impugnante (fl. 6305). 8.3.3. Os comprovantes de arrecadação do IRPJ da CMC, relativamente ao ano calendário de 2010, apresentados pela impugnante às fls. 6530/6532, foram todos considerados pelas autoridades fiscais, conforme dados do anexo 04 – fl.5947, não restando caracterizada a alegada diferença. Cumpre apenas observar que o comprovante de recolhimento efetuado em 30/06/2011, referente ao P.A. 31/03/2010, no valor total de R$ 37.841,57, referese ao principal de IRPJ de R$ 28.637,49, como considerado pelas autoridades fiscais. Fl. 7611DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 15 14 8.3.4. Também há de se pontuar que, embora referentes ao IRPJ apurado pelo lucro presumido (que não comporta o recolhimento de estimativas mensais a que se refere o art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável ao lucro real), os recolhimentos feitos pela CMC a título de IRPJ (código 2089) foram considerados pelos autuantes como “IRPJ Mensal Pago pelas empresas vinculadas” em março, junho, setembro e dezembro/ajuste anual de 2010. 8.3.5. Desta feita, entendo que não restou demonstrado que estivessem incorretos os valores de IRPJ e de CSLL considerados pelas autoridades fiscais como pagos pelas empresas vinculadas e, assim, deduzidos dos valores apurados após o cômputo no lucro real (e na base de cálculo da CSLL) das infrações tributárias constatadas. 8.4 A contribuinte também questiona que os valores apontados pelas autoridades fiscais como “omissão de receita” assim não se caracterizariam, pois a receita é derivada de vendas e de prestação de serviços de transporte de cargas, devidamente escrituradas e declaradas na escrita contábil e fiscal das empresas vinculadas e, assim, o fato de não terem sido tributadas na Minerita, em respeito à personalidade jurídica distinta de cada uma das empresas, não as torna receitas omitidas. 8.4.1. É justamente por tais receitas, a despeito de restar provado pertencerem à interessada impugnante, não se encontrarem escrituradas nos registros contábilfiscais da MINERITA (não foram reconhecidas como sendo da interessada) é que assumem o atributo de “receitas omitidas”. Receitas omitidas em relação à interessada. Aliás, como bem explicado pelas autoridades fiscais, a segregação das receitas dos departamentos (vendas a terceiros pela CMC, BIOMINAS e SINTERITA) do total de receitas percebidas pela interessada, entre outros procedimentos por ela perpetrados, visou justamente a economia tributária, daí evidenciada a omissão de receita. [...] A Turma julgadora de Primeira Instância decide, ainda, ser devida a concomitância das exigências das multas de ofício aplicadas sobre os tributos exigidos e as multas isoladas pelos não recolhimentos das estimativas, e manteve a aplicação da multa de ofício na forma qualificada, com a seguinte fundamentação: 10.1. Conforme relatado e devidamente explicitado no TVF, as circunstâncias, dentro do estratagema traçado pelo administrador da impugnante, em que se revelou a omissão de receitas na interessada e a produção forçada de custos/despesas (aqui taxadas de desnecessárias) não deixa margem à dúvidas: encontrase caracterizado o dolo, a intenção de omitir valores e gerar despesas/custos, reduzindo artificialmente a base de cálculo imponível do IRPJ e da CSLL. 10.2. Todos os elementos trazidos aos autos pelos autuantes no tocante à criação formal (apenas no papel) das empresas CMC, SINTERITA e BIOMINAS, com o único propósito de lesar o Fisco, conforme minuciosamente descrito no TVF, e que permeiam os fatos geradores apurados na ação fiscal, revelam ser irreparável o procedimento da Fiscalização no tocante ao lançamento da multa de ofício de 150% sobre a totalidade do IRPJ e da CSLL devidos. Matéria sujeita a Recurso de Ofício: A parcela exonerada pela Turma Julgadora de Primeira Instância é concernente aos cálculos das multas isoladas, em razão da aplicação sobre as receitas brutas mensais dos percentuais de que trata o artigo 15 da Lei nº 9.249/95. A matéria sujeita a recurso de ofício, em razão de o valor exonerado em decisão de Primeira Instância, R$ 2.858.107,87, ultrapassar Fl. 7612DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 16 15 o limite de alçada previsto em portaria ministerial (Portaria MF nº 03/08), concerne, fundamentadamente, no fato de na decisão recorrida considerarse os percentuais legais para cada atividade exercida pela empresa, in verbis a fundamentação no acórdão recorrido: 8.5. Reclama ainda a impugnante que para se apurar a base de cálculo da estimativa sobre elas deve ser aplicado o percentual de 8%, legalmente previsto na legislação de regência e não pura e simplesmente acrescêlas à base de cálculo, conforme feito pela fiscalização. 8.5.1. Vejase o que dispõe a legislação pertinente à apuração das estimativas mensais: Lei nº 9.430, de 1996. [...] 8.5.1. Portanto, considerando o disposto no § 2º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, e o objeto social da interessada extraído de seu Estatuto Social (fls. 3012 – abaixo transcrito), é certo que deve ser aplicado o percentual correspondente à cada atividade da empresa que deu origem à receita omitida. [objeto social] 8.5.2. Deste modo e observando que nos meses de janeiro a março e dezembro de 2010 (fls. 301, 302, 306, 307, 308 e 311) e dezembro de 2011 (fls. 347 e 352), a contribuinte apurou as estimativas de IRPJ e CSLL mensais com base no Balancete de Suspensão ou Redução (quando a receita a ser computada deve ser integral – art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995), tomase por base os dados do anexo 02 para se apurar a Base de Cálculo do IRPJ e da CSLL mensais devidos por estimativa para os meses de abril a novembro de 2010 e janeiro a novembro de 2011, conforme percentuais definidos pela legislação acima transcrita a serem aplicados sobre a receita bruta: [tabelas] 8.5.3. Os valores de base de cálculo apurados conforme tabela acima devem ser considerados para fins de apuração da multa isolada, conforme planilha (Arquivo não paginável fl. 7306), a qual partiu do esquema do anexo 6, observandose apenas que os valores de IRPJ e CSLL mensais declarados/pagos (pela interessada) foram considerados aqueles declarados (confessados) em DCTF, conforme tabela abaixo elaborada com base em pesquisas nos Sistemas da RFB (fls. 7256 a 7305): [tabelas] 8.5.4. Deste modo devem ser mantidos os seguintes valores da multa isolada (50%) aplicada sobre as estimativas mensais devidas e não pagas, conforme a mencionada planilha (arquivo não paginável fl. 7306) e considerandose que nos meses de janeiro a março e dezembro de 2010 e dezembro de 2011 a apuração das estimativas foi feita com base em Balancete de Suspensão ou Redução, quando o valor da receita deve ser computado em seu valor integral (permanecendo assim incólume a apuração fiscal quanto a esses períodos): [tabelas] Fl. 7613DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 17 16 8.5.5. Neste ponto, convém assinalar que, conforme extrato Sief – Termo de Transferência de Crédito de fls. 7237/7238 e Demonstrativos de fls. 7239/7240, o crédito tributário remanescente no presente processo, quanto às multas isoladas, não se coaduna com o resultado mantido exposto na tabela acima. Deste modo, a autoridade preparadora competente deverá tomar as providências cabíveis para adequar os valores dos créditos tributários acima mantidos. A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 7513 a 7555, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: 1) a recorrente em razão dos benefícios de redução de multa e juros previstos nas Leis nºs 12.996/2014 e 13.034/2014 efetuou a liquidação de parte dos autos de infração com a utilização de metodologia e valores que reputou corretos, ou seja, somou o resultado de todas as empresas vinculadas, procedendo aos recolhimentos devidos por meio de DARF; explicita os cálculos efetuados em tabelas e requer que a autoridade a quo, responsável pela execução do acórdão proferido pela Turma de Julgamento de Primeira Instância, proceda à adequação dos valores exigidos a título de multas isoladas pela insuficiência/ausência de recolhimentos de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, consoante constou no item 8.5.5 da decisão ora recorrida; 2) requer a nulidade dos Autos de Infração por flagrante erro na determinação da base de cálculo, ou seja, por ofensa ao artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN); 2.a) a fiscalização afirma diversas vezes que as cisões que deram origem às empresas vinculadas foram realizadas sem propósito negocial e com fins únicos de reduzir tributos, sem poder surtir efeitos tributários perante o fisco, como se não existissem; diz que os lucros das coligadas é apurado na forma presumida, o que não é verdade: 2.b) neste diapasão, a fiscalização deveria ter somados os resultados das empresas (desconsideradas em suas personalidades jurídicas individuais) ao resultado da "Minerita" na sua integralidade e proceder à tributação nos mesmos moldes ao qual se submeteu nos exercícios em questão; 2.c) mas a fiscalização utiliza uma equação para deduzir da receita total das empresas vinculadas (vendas totais) alguns custos e despesas que julga que deva deduzir, e elege este valor como tributável, para distribuílo entre as rubricas denominadas de OMISSÃO DE RECEITAS e DESPESAS NECESSÁRIAS, para então recalcular o lucro real da recorrente, quando deveria ter somado aos resultados da recorrente os resultados das empresas vinculadas, por adição no Lalur (Livro de Apuração do Lucro Real); 2.d) destarte, verificase vício insanável na apuração das bases de cálculo, posto que não determinam, com exatidão, a matéria tributável; 2.e) no quadro elaborado, verifiquese o resumo da comparação de valores utilizados no Anexo 5 elaborado pela fiscalização e nas DRE das empresas vinculadas: 1 Abertura do acórdão – 03/06/15, efls. 7411; Recurso – 17/06/15, efls. 7513 Fl. 7614DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 18 17 2.f) apenas para comparar, os valores considerados relativos à "Biominas" registrados nas DRE e considerados pela fiscalização, mês a mês: 2.g) questiona sobre os critérios para a fiscalização considerar alguns custos e outros não, como alguns são dedutíveis do lucro real e outras despesas relevantes não foram Fl. 7615DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 19 18 consideradas porque no ano de 2011 a fiscalização admite para uma receita de R$ 20.013.127,87 despesas/custos da ordem de R$ 16.646.370,18, enquanto para o ano de 2010, para uma receita de R$ 26.513.244,04, admite despesas/custos apenas de R$ 5.658.880,18; 2.h) a fiscalização em nenhum momento explica o porque de considerar alguns custos e outros não, não explicando a consideração dos valores, pelo que impediu a empresa de exercer seu direito de defesa e contraditório; 2.i) a decisão recorrida também não traz qualquer esclarecimento a estes questionamentos; a própria decisão concorda que o que a fiscalização fez foi considerar as empresas vinculadas como departamentos da "Minerita"; todavia, a fiscalização ao considerar todas as receitas das empresas vinculadas como se fossem da Minerita, não poderia ter somente excluído a título de custos da "Minerita" somente as despesas efetuadas com estas, mas sim todos os custos e despesas suportados pelas vinculadas na produção de bens e serviços a terceiros e à própria "Minerita"; ou seja, somente somar os resultados e não desconsiderar os demais custos; exemplifica: Fl. 7616DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 20 19 Fl. 7617DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 21 20 Ao contrário do que a fiscalização fez, ao desconsiderar os demais custos/despesas: 2.j) ora, tanto a fiscalização como a decisão recorrida insistem em explicar quais os custos considerados, mas não explicam o porquê de desconsiderar os demais custos/despesas, não computados, visto que está a se apurar o lucro na modalidade Real; Fl. 7618DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 22 21 2.k) a fiscalização deveria recompor a verdade material ao desconsiderar as empresas vinculadas, considerando que houve apenas uma "cisão de papel" e que eram somente setores/departamentos da própria "Minerita"; cita acórdão administrativo; 2.l) assim como no acórdão citado, nº 1102000.820, verificase que a fiscalização glosou despesas outras sem demonstrar a desnecessidade destas, ou critério; ao integrar as empresas, deveria ter procedido à integração total das contabilidades; 2.m) todas as despesas/custos incorridas pelas empresas vinculadas e desconsideradas em suas personalidades jurídicas são operacionais por necessárias à atividades das empresas e à sua manutenção, nos termos do artigo 299 do RIR/99, não podendo serem glosadas sem a devida justificação; tratamse de despesas usuais, necessárias e normais; 3) erro na quantificação dos valores já pagos/liquidados não foram computados nos cálculos da fiscalização os valores de impostos de renda retidos pelas fontes pagadoras incidentes sobre os valores recebidos pela "CMC", devidamente informados nas DIPJ relativas aos anoscalendários de 2010 e 2011, R$ 168.324,38 e R$ 230.499,64, respectivamente; com relação à "Biominas", de igual forma, não foram consideradas nos cálculos efetuados pela fiscalização os valores devidamente compensados, da ordem e competência de: IRPJ R$ 57.231,00 (dez/10) e CSLL R$ 19.742,69 (dez/10); 4) reprisa o erro cometido pelas autoridades fiscais na mensuração das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais, salientando que este erro foi o único ponto corrigido no acórdão recorrido; 5) em extenso arrazoado, requer a nulidade das autuações por não restar determinada, com exatidão, a base de cálculo dos tributos, em grave ofensa ao artigo 142 do CTN (itens 2 a 4 acima); 6) a recorrente apresenta demonstrativos de valores e cálculos dos montantes que deveriam ter sido utilizados pela fiscalização, pela desconsideração das empresas vinculadas como autônomas e independentes, admitindose que fossem meros departamentos da "Minerita", considerando, ainda os reajustes acima apontados das liquidações/pagamentos/compensações não computadas, requerendo, ao final o cancelamento de valor de crédito tributário remanescente; 7) insurgese contra a concomitância da exigência das duas penalidades, argumentando, em princípio que estáse exigindo multa por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais sobre uma base que já está sendo cobrada a multa de mora (sic); diz que a base de cálculo das duas penalidades é o valor dos tributos devidos e por isso a concomitância tem sido repelida por este órgão julgador; cita vários acórdãos administrativos e, por fim, a Súmula CARF nº 105; alega ser imperiosa a aplicação do princípio da consução; 8) sobre a qualificação da multa, rechaça, veemente, pois em nenhum momento a fiscalização comprovou o dolo da recorrente, mas sim que as empresas tiveram "(...) vida e identidades próprias e independentes, localizadas em endereços diferentes, com quadro social distinto e com composições societárias também distintas"; argumenta que o fato de haver celebrado negócios com os filhos em condições mais vantajosas, do que com que trataria com terceiros estranhos, não configura atitude dolosa, nem causa qualquer nulidade; Fl. 7619DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 23 22 9) a recorrente jamais agiu com dolo: (i) não utilizou meios artificiosos, não utilizouse de interpostas pessoas ("laranjas"), notas frias, calçadas, nem praticou vendas ou prestou serviços com preços notoriamente fora de valor de mercado; (ii) atendeu a todas as intimações do fisco, elaborou todos os atos societários exigidos em lei, registrou todos na contabilidade, entregou declarações exigidas ao fisco; cita jurisprudência administrativa; 10) requer a realização de perícia/diligência. Em sessão, fez sustentação oral, pela empresa, Dr. Aquiles Nunes de Carvalho, OAB/MG nº 65.039. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 7620DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 24 23 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em preliminar, a recorrente insurgese contra os lançamentos tributários por apuração de base de cálculo realizada de forma indevida no procedimento fiscal, relacionando vários erros grosseiros, a seu ver, que comprometem as exigências dos tributos realizadas de ofício. Sem entrarse neste momento no mérito da existência efetiva de erros de apuração das bases de cálculo, analiticamente, por entender tratarse de matérias meritórias, comporta, em preliminar, afastar a alegação que tais erros, ainda que existentes, ensejem à nulidade material dos lançamentos tributários. É verdade que o artigo 142 do Código Tributário Nacional disponha sobre os elementos materiais essenciais à atividade do lançamento tributário, sem os quais este não poderá subsistir e ser constituído o crédito tributário: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifos não pertencem ao original) No entanto, desde que as autoridades fiscais atenhamse às normas tributárias que definem os fatos geradores das obrigações fiscais, eventuais divergências na apuração da matéria tributável, quer sejam pela própria interpretação das próprias normas (o que compõe a receita a ser tributada, o que é dedutível, o que é passível de compensação etc), quer sejam por erros fáticos (algébricos), não são capazes de causar a nulidade absoluta dos lançamentos tributários, mas estas eventuais diferenças, quando existentes, podem ser corrigidas pelo enfrentamento das questões suscitadas em contestações. As causas de nulidade dos lançamentos tributários, tanto de natureza material, como de natureza formal, tem que provocar a ofensa irreparável aos princípios do contraditório e da ampla defesa, ou serem atos administrativos praticados por pessoas incompetentes ao exercício do ato ou atos formalizados ao arrepio das normas que lhe impõe determinada forma essencial à sua substância. Cumpre esclarecer sobre o caso ora versado que todo o procedimento fiscal está respaldado na legislação tributária e a matéria tributável foi determinada pela fiscalização, inclusive analiticamente, consoante se observa pelos Anexos 1 a 6 elaborados às efls. 5.938 a 5.958. Destarte, não houve qualquer prejuízo na questão do exercício da ampla defesa pela recorrente, que, aliás, entendeu perfeitamente o raciocínio defendido pela fiscalização e Fl. 7621DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 25 24 insurgiuse pontualmente contra a consideração de determinados valores e outros não. As infrações tributárias e a base de cálculo de apuração da matéria tributável tanto foram explicitadas, repito, que a recorrente se defendeu com conhecimento de cada um dos pontos da autuação. Infundadas, por conseguinte, as alegações de que os Autos de Infração lavrados contra a recorrente possuem quaisquer vícios, ou omissões, que possam acarretar nulidade dos lançamentos tributários. No mérito, passase a enfrentar os pontos de discórdia suscitados pela recorrente. O primeiro se firma sobre a tese que a fiscalização, ao desconsiderar serem várias pessoas jurídicas totalmente independentes e com vidas próprias e ao considerar que as cisões não saíram "do papel" e que são departamentos/setores da recorrente, deveria ter somado o resultado espelhado nas Demonstrações de Resultado do Exercício (DRE), de cada ano fiscalizado, ao resultado da recorrente, sem fazer maiores incursões às contabilidades desta e das empresas vinculadas. Àquilo que denominou a recorrente de "equação" utilizada pela fiscalização é que entende ter causado a apuração incorreta da matéria tributável e, portanto, passível de cancelamento. Mais especificamente, a recorrente argumenta, enfaticamente, que tanto a fiscalização, como a Turma Julgadora de Primeira Instância, desconsideraram alguns custos/despesas das empresas vinculadas sem qualquer justificativa plausível, quando, ao mesmo tempo, consideraram todas as receitas das vinculadas obtidas de terceiros. A matéria, aqui discutida, na verdade, é fática. Pois, na discussão do direito tributário, resta claro que as despesas consideradas necessárias, usuais e normais para a geração das receitas das atividades da empresa são admissíveis (artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda vigente, Decreto nº 3.000/99 RIR/99) 2 e para não serem assim consideradas devem ser afastadas objetivamente e com a devida motivação legal ou fática, o que não houve em nenhum momento por parte da fiscalização. Então, resta verificar se houve, com efeito, despesas e custos das empresas vinculadas que não foram admitidas pela fiscalização. Do confronto entre os valores que compõem o Anexo 3 elaborado pela fiscalização, na apuração da matéria tributável, intitulado "Custos e Despesas das empresas vinculadas", efls. 5945 e 5946, e os Balancetes mensais de cada empresa vinculada ("CMC", "Sinterita" e "Biominas"), extraídos dos arquivos digitais entregues pelas empresas à Receita Federal, constantes das efls. 5959 a 6287 dos autos, verificase, ao contrário do que argumenta a recorrente que todos os custos operacionais foram computados, como já bem salientado no acórdão recorrido: 8.2.2. Explicam ainda os autuantes que a elaboração de balancetes e de DRE foi feita tendo por base a contabilidade apresentada por cada uma das empresas. Assim, por exemplo, o Custo de produção da CMC de fevereiro de 2010, considerado pelas 2 Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Fl. 7622DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 26 25 autoridades fiscais no anexo 05 (fls. 5951), no valor de R$ 1.188.7398,68, foi extraído do Balancete Mensal (fls. 5986 – conta 311 Custo de Produção) elaborado pelas autoridades fiscais com base na documentação contábilfiscal apresentado por ocasião da diligência. Notese que o somatório dos custos de produção da CMC no ano calendário de 2010, no valor de R$ 10.270.077,72 (abaixo demonstrado) está de acordo com a soma do custo dos produtos vendidos e do custo dos produtos industrializados de terceiros (linha 05 – R$ 2.593.659,80 e Linha 07 – R$ 7.676.417,97), do Balanço Patrimonial levantado em dezembro de 2010 da CMC (fl. 6358). Verificase que os fiscais autuantes registraram que consideraram no Anexo 03 Custos das empresas vinculadas, ora analisado: Foram também apurados os custos e despesas para obtenção das receitas, ora consideradas como “não necessárias” e “omissão de receitas”, através da elaboração de balancetes e geração de Demonstrativos do Resultado do Exercício – DRE, mensais, baseado na contabilidade apresentada por cada uma das empresas, onde podese constatar referidos custos e despesas nos códigos 311 – CUSTOS DE PRODUÇÃO, nos balancetes da CMC, e 3.01.01.03 – CUSTOS DOS BENS E SERVIÇOS VENDIDOS e 3.01.01.07 – DESPESAS OPERACIONAIS, nos balancetes da BIOMINAS e SINTERITA, elaborandose o ANEXO 03 – CUSTOS E DESPESAS DAS EMPRESAS VINCULADAS. (grifos não pertencem ao original) Em um exame mais acurado, nos referidos balancetes mensais, verificase que a fiscalização embora refirase expressamente às despesas, além dos custos, não computou no Anexo 3, destaquei, os valores deduzidos da receita bruta classificados na conta 411.01 Deduções Renda Operacional Bruta, nos Balancetes Mensais da "CMC". A exemplo, citemse os meses: "CMC" mês/ano Anexo 1 Despesas não necessárias Anexo 3 Custo de Produção (vlrs considerados) Balancetes Mensais Deduções da Rec. Operacional Bruta (vlrs não considerados) Jan/10 3.749.575,90 871.109,71 753.328,18 Fev/10 4.736.865,47 1.188.739,68 784.165,28 Jan/11 2.943.761,30 84.5514,12 107.447,28 Fev/11 3.515.377,13 856.911,97 128.311,27 Em relação às empresas "Biominas" e "Sinterita", ao analisarmos os Balancetes Mensais, verificase que a mesma situação ocorreu e ainda em relação a outras contas de despesas não afastadas pontualmente pela fiscalização como despesas que não seriam necessárias, usuais ou normais à atividade da própria recorrente, uma vez haver a fiscalização Fl. 7623DF CARF MF Processo nº 10600.720028/201465 Resolução nº 1302000.455 S1C3T2 Fl. 27 26 considerado, com efeito, que as empresas vinculadas "CMC", "Biominas" e "Sinterita" são departamentos/setores da recorrente autuada. No ponto de contestação sobre os tributos recolhidos, compensações e IRRF informados nas DIPJ das empresas vinculadas há que se atentar para o texto da acusação fiscal: Os valores recolhidos pelas empresas BIOMINAS, CMC e SINTERITA a título de IRPJ e CSLL sobre as receitas obtidas, ora consideradas como “despesas não necessárias” e “omissão de receitas” foram apurados com base nos registros de recolhimentos feitos, tendo como fonte os sistemas de controle de pagamentos da Receita Federal do Brasil, sendo elaborado o ANEXO 04 – TRIBUTOS RECOLHIDOS POR EMPRESAS VINCULADAS. (grifos não pertencem ao original) Desta feita, verificase que os IRRF compensados pelas empresas vinculadas, bem como eventuais compensações tributárias não foram verificadas pela fiscalização e consideradas no cômputo geral. Daí, merecem acolhidas as argumentações da fiscalizada e depreendese a necessidade da realização de diligências para prosseguir com este julgamento. Pelo exposto, e em vista aos Balancetes Mensais das empresas cujas operações foram desconsideradas como independentes, efls. 5959 a 6287, determino o retorno dos autos à fiscalização para que considere na apuração da matéria tributável: 1) todas as deduções, inclusive da receita bruta, demonstradas nos balancetes de verificações das empresas vinculadas, destaquei, e custos, não considerados no procedimento fiscalizatório, visto o cômputo total das receitas na recorrente e o regime de lucro real a que se sujeita; 2) realize o devido levantamento de eventuais IRRF e compensações a que fazem jus as empresas vinculadas nos anos auditados, considerando estes valores também na apuração da matéria a ser tributada de ofício. Por derradeiro, mister é que se verifique junto ao conta corrente se, após todos os cômputos de valores devidos, os tributos de IRPJ e CSLL exigidos nestes autos e cujos valores restem incontroversos já foram devidamente recolhidos pela autuada, consoante alega, a fim de limitarse a matéria contestada e devolvida para apreciação e julgamento por este órgão. A autoridade designada ao cumprimento das diligências solicitadas deverá lavrar um Relatório Fiscal apontando as providências que foram tomadas e os valores considerados. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Fiscal e serlhe concedido prazo regulamentar para se manifestar, se desejar. Encerrados todos os procedimentos, os autos deverão retornar a esta Conselheira para prosseguimento ao julgamento da lide. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 7624DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.721107/2015-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2010, tendo por objeto o imóvel denominado Fazenda Mangabeira, NIRF 5.074.1829, localizado no Município de Muana/PA, no importe de R$ 185.210,00, acrescido de multa proporcional de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, narra a Autoridade Fiscal competente que, após regularmente intimado, verificou inércia do sujeito passivo, que a levou ao seguinte procedimento: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .7 21 10 7/ 20 15 -3 4 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.721107/201534 Resolução nº 2202000.707 S2C2T2 Fl. 93 2 1 A área de exploração extrativa informada não foi comprovada essa área foi declarada como de 480,0 hectares e glosada. Área de pastagens informada não comprovada essa área foi declarada como de 9.500,00 e glosada. Valor da Terra Nua (VTN) declarado não comprovado, tendo sido alterado (arbitramento) com base em informações constantes do sistema SIPT (sistema de preços de terras) da RFB. O contribuinte manifestouse, em impugnação (fl. 15), alegando, em suma, que apresentava Laudo Técnico de Avaliação para contradizer o valor da terra nua arbitrado pela fiscalização; que realizou uma "simulação" de declaração para demonstrar que se considerado o valor do Laudo e 480,0 ha de reserva legal, 20,0 ha de benfeitorias e 9.500,0 ha de pastagem natural, o valor do ITR devido seria de R$ 2.248,08. Disse ainda que a mesma área rural havia tido a DITR de 2011 também revista resultando em imposto a pagar bem menor que 2010. Juntou Escritura Pública (fl. 43), Certidão de Domínio (fl. 48), Certidão Negativa de Ônus (fl. 50) e o Laudo Técnico de Avaliação (fl. 32). Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ em Brasília/DF entendeu, em resumo, que: a) não havia erro de fato a autorizar a revisão de ofício dos dados declarados; b) para que a área de reserva legal seja considerada isenta é necessária a averbação à margem da matrícula do imóvel e a apresentação tempestiva do ADA (Ato Declaratório Ambiental) ao IBAMA; c) que para consideração da área de pastagens declarada, seria necessário confirmar a existência de rebanho, o que não foi feito; d) a existência de área de exploração extrativa não foi comprovada com os documentos exigidos pela Autoridade Fiscal e e) caberia rever o Valor da Terra Nua arbitrado, acatandose o valor apresentado no Laudo Técnico, que se revestia das exigências devidas. Decidiuse por dar provimento PARCIAL à impugnação, para rever o VTN, acatandose o Laudo trazido pelo contribuinte (fl. 58). Cientificado dessa decisão em 23/09/2015 (AR na folha 72), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/10/2015, com protocolo na folha 89. O recurso é firmado por Ewerton Augusto Soares Campos, procurador, conforme procuração na folha 80 e documento de identidade na folha 86. Em sede de recurso, pede retificação "do formulário" onde constam as informações sobre o imposto em caso, dizendo que apresenta em anexo averbação à margem da matrícula do imóvel e ato declaratório ambiental ADA, junto ao IBAMA, exercício de 2015. PEDE que os documentos sejam considerados para que se efetue novo cálculo para o ITR. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de admissibilidade. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.721107/201534 Resolução nº 2202000.707 S2C2T2 Fl. 94 3 A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf). PRELIMINAR PRELIMINAR DE MÉRITO. DECADÊNCIA. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, este CARF tem se posicionado na esteira do Recurso Especial nº 973.733/SC, (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC revogado e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).(sublinhei) Não desconheço que haja na doutrina e mesmo na jurisprudência seguinte discussão: o que o Fisco homologa é o pagamento ou a atividade de apuração realizada pelo contribuinte? Hugo de Brito Machado, dentre outros, defende que seja o procedimento de apuração do tributo devido. (MACHADO, Hugo de Brito, citado em PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1064). Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.721107/201534 Resolução nº 2202000.707 S2C2T2 Fl. 95 4 Contudo, a tese do Recurso Especial repetitivo, do STJ, é expressa em sua ementa, acima transcrita, em abraçar que a homologação do Fisco é sobre o "pagamento antecipado" da exação, pelo contribuinte, citando Eurico de Santi. Chegase à seguinte fórmula: o prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I, do CTN), nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em conclusão, para se aplicar a tese do recurso especial repetitivo em comento, conforme expresso em sua ementa, é necessário que se verifique se efetivamente o contribuinte realizou o pagamento do tributo declarado como devido, no prazo determinado, ou seja, "antecipadamente". As teses dos recursos especiais repetitivos do STJ são de reprodução obrigatória nestes julgamentos administrativos, por força de disposição regimental, conforme artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Primeiro, não localizei nos autos a cópia da DITR/2010 entregue pelo contribuinte. O que consta da folha 26 e seguintes é uma "simulação" que foi apresentada junto com a impugnação. Segundo, no demonstrativo de apuração que acompanha a Notificação de Lançamento (fl. 10), observo que o Auditor Fiscal considerou um imposto declarado de R$ 90,00. Mas esse imposto foi efetivamente "antecipado" pelo contribuinte? Se o contribuinte efetivamente efetuou o recolhimento dos R$ 90,00, quer dizer, antecipou o pagamento do imposto apurado, na sistemática do lançamento por homologação, o prazo decadencial contase de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, cinco anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, que para o ITR ocorre em 1º de janeiro de cada ano, conforme Lei nº 9.393, de 1996. Para o exercício de 2010, ocorrido o fato gerador em 1º de janeiro, o prazo decadencial expirouse em 1º de janeiro de 2015 e este lançamento, do qual o contribuinte só foi cientificado em 19/05/2015 (fl. 12) estaria fulminado. Observo que o procedimento fiscal só se iniciou em 09/02/2015, com a lavratura do Termo de Intimação (fl. 03). Entretanto, se não houve antecipação do pagamento (não localizo a informação nos presentes autos) o prazo decadencial deve ser contado na forma do artigo 173, I, do CTN, começando a fluir em 1º de janeiro de 2011, no caso, e o lançamento cientificado ao sujeito passivo, na data supracitada, estaria correto. Assim, primeiramente, entendo pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade preparadora anexe a DITR/2010, objeto de revisão, e informe se houve o regular pagamento antecipado ou não do imposto apurado. Em relação ao mérito da controvérsia que chega a esta instância recursal, considerando que o arbitramento do VTN foi desconstituído, para que fosse acatado o valor aposto no Laudo de Avaliação trazido pelo contribuinte na impugnação, e que o mesmo não questiona, em recurso, essa matéria, a mesma está fora do litígio, nos termos do artigo 17, do Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.721107/201534 Resolução nº 2202000.707 S2C2T2 Fl. 96 5 Decreto nº 70.235, de 1972. Também não observo que se questione a glosa da área de pastagens, já que o recurso nada menciona nesse sentido. Assim, o contribuinte pede em recurso que sejam acatados dois documentos para que se considere área de reserva legal: o primeiro, a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, apontando para a Certidão Negativa de Ônus que está na folha 81 e seguintes. Na averbação 3 827, Livro 2A, folha 043, consta que: "Procedo esta averbação nos termos do artigo 44 da lei 4.771/65, ... para que fique consignado na presente matrícula o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal datado de 04/03/2008 que o requerente ... assume a responsabilidade de dispor do total de 80% do total da propriedade para o Projeto de Manejo Florestal, ficando gravada como de utilização limitada, não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração sem autorização do Ibama." O segundo, um suposto ADA protocolado em 2015, que, contudo, não localizei nestes autos. Em relação a essa averbação da Certidão do imóvel, meu entendimento é o mesmo já exposto pela DRJ, que transcrevo para com ele concordar (fl. 64): Cumpre esclarecer que a averbação realizada para um “Projeto de Manejo Florestal”, às fls. 51, constante na Certidão Negativa de Ônus do imóvel, realizada em março de 2008, não se confunde com a averbação de uma área de Reserva Legal, posto que a finalidade da averbação realizada em 2008 seria a de aprovação de um Plano de Manejo Sustentável da área e não da preservação definitiva de tal área, que a finalidade precípua da reserva legal. Não existe qualquer indício que esse Projeto de Manejo tenha sido apresentado e aprovado pelo Ibama, tampouco o contribuinte declarou essa área de 80% em sua DITR. Segundo, também concordo integralmente com a DRJ de que a apresentação do ADA deve ser tempestiva, nos termos da legislação aplicável. Vejamos (fl. 61): Para o exercício de 2010, o prazo expirou em 30.09.2010, data final para a entrega da DITR/2010, de acordo com a IN/RFB nº 1.058/2010 c/c as IN/IBAMA nº 76/2005 e nº 96/2006 (art. 9º), além de previsto na Solução de Consulta Interna nº 06/2012, item 10.1, que diz: Cabe ressaltar que, a partir do exercício de 2007, o ADA deve ser declarado anualmente de 1° de janeiro a 30 de setembro de cada ano calendário, conforme art. 9º da Instrução Normativa (IN) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) nº 96, de 30 de março de 2006, e arts. 6º, § 3º, e 7º da IN Ibama n° 5, de 25 de março de 2009. Assim, quanto ao prazo para entrega do ADA no IBAMA, cabe considerar a orientação da própria Receita Federal do Brasil, manifestado na citada SCI, editada pela CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit), que não pode ser aqui ignorada, sob pena de contrariar o disposto no art. 7º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10280.721107/201534 Resolução nº 2202000.707 S2C2T2 Fl. 97 6 No presente caso, o requerente não comprovou a protocolização do competente Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, para o exercício de 2010, não sendo possível, portanto, a exclusão do ITR, de qualquer área ambiental. Portanto, em meu entender, de nada adiantaria a apresentação de um ADA protocolado em 2015, no IBAMA, para surtir efeito sobre o ITR do exercício de 2010, que aqui se discute. Entretanto, caso se decida pela conversão do julgamento em diligência para verificar a questão da decadência, é oportuno e conveniente, mesmo em homenagem à ampla defesa, que se intime o contribuinte do teor desta Resolução, alertandoo de que não se localizou nos autos o ADA referido em seu recurso para que, querendo, apresente o documento ou aponte onde se encontra. Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência a fim de que: a) a Unidade preparadora verifique se houve a antecipação do tributo devido, conforme declarado, para o exercício de 2010, a fim de se estabelecer a contagem do prazo decadencial, nos termos aqui especificados e também providencie a anexação de cópia da DITR/2010 objeto de revisão; b) o contribuinte seja intimado do teor desta resolução e da inexistência do ADA alegadamente apresentado ao IBAMA (recibo nº 11515151851102, exercício 2015) que mencionou em seu recurso nestes autos para, querendo, manifestarse e apresentar a cópia do referido documento, no prazo legal Após, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.721688/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO.
Para o enquadramento na condição de Agroindústria, é necessário a comprovação de tratar-se de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos.
MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35-A, da Lei nº 8.212/1991.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ANISTIA DADA PELA LEI nº 13.097/2015. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. INTERPRETAÇÃO LITERAL.
A anistia prevista no art. 49 da Lei nº 13.097/2015 restringe-se às multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Inaplicável às multas capituladas no art. 32 da mesma Lei.
A legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, a teor do art. 111, I, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso com relação à alegação de vedação ao confisco, para, na matéria conhecida,
I) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo a questão do erro no enquadramento como agroindústria, vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos ;
II) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes e Maria Anselma Coscrato dos Santos; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pela maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; e
III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso com relação à aplicação da anistia prevista no art. 49, da Lei nº 13.097/2015.
Fez sustentação oral o Dr. Jhonata Lauermann, OAB/SC nº 29.516.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente Substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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AGROINDÚSTRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, é necessário a comprovação de tratarse de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção rural própria ou de produção rural própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. MULTA PREVIDENCIÁRIA. FATOS GERADORES ANTERIORES À MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 2008, NÃO DECLARADOS EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. OBSERVÂNCIA ÀS NORMAS INFRALEGAIS. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado entre: (a) a soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (obrigação principal) e da multa por falta de declaração em GFIP vigente à época da materialização da infração (obrigação acessória), com (b) a multa de ofício (75%) prevista no artigo 35A, da Lei nº 8.212/1991. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 16 88 /2 01 1- 06 Fl. 1627DF CARF MF 2 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. ANISTIA DADA PELA LEI nº 13.097/2015. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A anistia prevista no art. 49 da Lei nº 13.097/2015 restringese às multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Inaplicável às multas capituladas no art. 32 da mesma Lei. A legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente, a teor do art. 111, I, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso com relação à alegação de vedação ao confisco, para, na matéria conhecida, I) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, mantendo a questão do erro no enquadramento como agroindústria, vencidos os conselheiros Fábio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Maria Anselma Coscrato dos Santos ; II) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes e Maria Anselma Coscrato dos Santos; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, pela maioria de votos, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza e Alexandre Evaristo Pinto; com isto, as multas restaram mantidas, como constam no lançamento; e III) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso com relação à aplicação da anistia prevista no art. 49, da Lei nº 13.097/2015. Fez sustentação oral o Dr. Jhonata Lauermann, OAB/SC nº 29.516. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente Substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Fl. 1628DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.627 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 386/411) interposto em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador DRJ/SDR, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, nos termos do Acórdão nº 15 35.694, de 11 de junho de 2014 (efls. 341/380): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AGROINDÚSTRIA. INDUSTRIALIZAÇÃO PRÓPRIA ÍNFIMA. ENCARGO DE MÃODEOBRA MÍNIMO. FALTA DE SEGREGAÇÃO EM DEPARTAMENTOS, DIVISÕES OU SETORES. Para o enquadramento na condição de Agroindústria, fazse necessária a comprovação de se tratar de produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica é a industrialização de produção rural própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, além de desenvolver duas atividades em um mesmo empreendimento econômico com departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n°10.256/2001, abrange a agroindústria, que por definição legal tratase de produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. Não se considera agroindústria, a empresa que industrializa parcela ínfima da produção própria comparada com a adquirida de terceiros, e também que apresenta dispêndio insignificante de mãodeobra empregada na atividade rural. RECOLHIMENTOS DESCONSIDERADOS. APROPRIAÇÃO. Fl. 1629DF CARF MF 4 Os recolhimentos efetuados e não considerados no lançamento devem ser apropriados durante o contencioso administrativo. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. GFIP. FATOS GERADORES. OMISSÃO. Constitui infração apresentar, a empresa, a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS. DRJ. NÃO CONHECIMENTO. A DRJ não tem competência para a análise do inconformismo do sujeito passivo e dos responsáveis em relação ao Termo de Arrolamento de Bens lavrado pela fiscalização. Conforme informação da recorrente o recurso apresentado é parcial, referindose apenas aos débitos nº 37.308.8175 e nº 37.308.8183, sendo que os demais débitos lançados neste processo foram parcelados nos termos da Lei nº 11.941/2009, com a redação que lhe deu a Lei nº 12.973/2015. Portanto este relatório se limitará à matéria objeto de análise recursal. Conforme relatório fiscal (efls. 144/164): 3.1. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD 37.308.8183: 3.1.1. DESCRIÇÃO Lançamento que referese à CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA, incidente sobre remunerações pagas pela fiscalizada a segurados empregados que lhe prestaram serviços durante o período auditado e cujos valores não foram recolhidos à Previdência e nem declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) até o início da ação fiscal, em função de indevido autoenquadramento na condição de agroindústria nas GFIP's apresentadas pela empresa, existindo débito nas competências de 01/2007 a 13/2008. 3.1.2. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES O débito referente à contribuição exigida destinase à Previdência Social e corresponde à contribuição da empresa incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados (20% + 3% (adicional GIL/RAT)). 3.1.3. Este Auto de Infração é composto pelos seguintes levantamentos: 3.1.3.1. FG FOLHA EMPREGADOS: levantamento que diz respeito ao cálculo das contribuições previdenciárias da Fl. 1630DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.628 5 empresa ((20% + 3% (adicional GILRAT)) incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à fiscalizada durante o período auditado e cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP; OBS: não obstante as remunerações dos segurados empregados tenham sido declaradas em GFIP, as contribuições previdenciárias da empresa foram omitidas, como conseqüência de indevido autoenquadramento no FPAS 833 (agroindústria) realizado pela fiscalizada; 3.1.3.2. FG1 FOLHA EMPREGADOS: levantamento que diz respeito ao cálculo das contribuições previdenciárias da empresa ((20% + 3% (adicional GILRAT)) incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à fiscalizada durante o período auditado e cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP; OBS: não obstante as remunerações dos segurados empregados tenham sido declaradas em GFIP, as contribuições previdenciárias da empresa foram omitidas, como conseqüência de indevido autoenquadramento no FPAS 833 (agroindústria) realizado pela fiscalizada; 3.1.3.3. FG2 FOLHA EMPREGADOS: levantamento que diz respeito ao cálculo das contribuições previdenciárias da empresa ((20% + 3% (adicional GILRAT)) incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à fiscalizada durante o período auditado e cujas contribuições incidentes não foram declaradas em GFIP; OBS: não obstante as remunerações dos segurados empregados tenham sido declaradas em GFIP, as contribuições previdenciárias da empresa foram omitidas, como conseqüência de indevido autoenquadramento no FPAS 833 (agroindústria) realizado pela fiscalizada; 3.1.3.4. FN SALÁRIOS EMPREGADOS: levantamento que diz respeito ao cálculo das contribuições previdenciárias da empresa ((20% + 3% (adicional GILRAT)) incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à fiscalizada durante o período auditado e cujos valores não foram declarados em GFIP; Obs: este levantamento contém fatos geradores (remunerações de empregados) cuja empresa deixou de declarar em GFIP, independentemente do erro no autoenquadramento como agroindústria constatado pela auditoria; 3.1.3.5. FN2 SALÁRIOS EMPREGADOS: levantamento que diz respeito ao cálculo das contribuições previdenciárias da empresa ((20% + 3% (adicional GILRAT)) incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados que prestaram serviços à fiscalizada durante o período auditado e cujos valores não foram declarados em GFIP; Fl. 1631DF CARF MF 6 Obs: este levantamento contém fatos geradores (remunerações de empregados) cuja empresa deixou de declarar em GFIP, independentemente do erro no autoenquadramento como agroindústria constatado pela auditoria; ... 3.6. AUTO DE INFRAÇÃO DEBCAD TAL 37.308.8175 3.6.1. DESCRIÇÃO Lançamento que referese à autuação por descumprimento de obrigação acessória, com fundamento no CFL 68, pelo fato do contribuinte ter apresentado GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) nas competências de 01 a 12/2007 e de 01 a 10/2008 com omissão/erros de informações, conforme esclarecem ANEXOS 6, 7 e 8. 3.6.2. DO FUNDAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO O fato narrado constitui infração à obrigação disposta na Lei no 8.212/91, art. 32, inc. IV e parágrafo 5°, acrescentado pela Lei no 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. 3.6.3. DISPOSITIVO LEGAL PARA APLICAÇÃO DA MULTA Em função do fato infracional verificado, foi aplicada a multa prevista no Art. 32, §5°, da Lei 8212/91, combinado com Art. 28 4, inciso II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06/05/1999. Para fins de esclarecer a situação fática encontrada na fiscalizada, o Auditor Fiscal anexa ao relatório fiscal da autuação, o Relatório de Análise da Natureza Jurídica da Empresa (Anexo 1 e.fls. 165/175): 2. A fiscalizada dedicase à atividade de fabricação de madeira laminada e de chapas de madeira compensada, prensada e aglomerada. Possuía dois estabelecimentos no período fiscalizado, sendo a sua sede localizada na Rodovia BR 116, S/NR, KM 06, MAFRASC. ... IV – ANÁLISE DO CASO CONCRETO 1. Conforme concluído nos itens 3.1 a 3.14 do capítulo anterior (IV AGROINDÚSTRIA CONCEITUAL E DEMAIS CONSIDERAÇÕES) o fato de a legislação não ter definido literalmente o mínimo necessário de produção rural própria a ser industrializada, em relação à matériaprima ou à produção rural total industrializada pela agroindústria, não quer dizer que a correta interpretação do conceito de empresa agroindustrial possa ser feita de maneira a desprezar critérios de razoabilidade. 2. Assim sendo, tornase obrigatório a identificação do total de madeira industrializada pelo sujeito passivo, bem como da parcela correspondente à madeira advinda de sua produção Fl. 1632DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.629 7 própria e de terceiros, a fim de concluirse se de fato a empresa faz ou não jus ao enquadramento como agroindustrial. origem da matéria prima própria 2.1 O primeiro ponto da imposição acima mencionada, sobre o qual passase a discorrer, corresponde à identificação da origem da madeira industrializada pela empresa. 2.1.1 No caso sob exame, no período fiscalizado a empresa possuía diversas áreas de reflorestamento de pinus, entretanto, conforme informação da própria auditada, ela não os utilizava em seu processo produtivo, em virtude dessas plantações não estarem no ponto certo para corte, uma vez que para uso em laminação há necessidade de árvores adultas e bem desenvolvidas, assim, a fiscalizada preferia reservar tais áreas de reflorestamento para uso futuro e enquanto isso, adquiria junto a terceiros a madeira necessária ao desenvolvimento de seus negócios (conforme informação fornecida pela própria empresa, confirmada pelos lançamentos nas C/C 4302, 4303,4305, 4322, 8002, 8013) 2.1.2. De fato, analisada a contabilidade da empresa não foi verificada a existência de registro de entrada de madeiras provenientes de plantações da própria empresa ou mesmo a existência de contas de exaustão dos recursos florestais da empresa. Não obstante esse fato a auditoria localizou algumas transferências de madeira própria da filial para o estabelecimento principal em contas contábeis diversas das usuais (conforme informação fornecida pela própria empresa, confirmada pelos lançamentos nas C/C 80001). 2.1.3. Com o intuito de esclarecer a origem da matériaprima rural utilizada pela empresa em seu processo produtivo no período de 01/2007 a 12/2008, foi confeccionado o quadro abaixo, baseado na contabilidade e em planilhas apresentadas pela fiscalizada durante a auditoria: 2.1.4. Da análise da planilha, extraise que no período de 01/2007 a 12/2008, a empresa utilizou apenas 1,36% de matéria prima rural própria em seu processo produtivo, ou em outros termos, adquiriu junto a terceiros 98,64% da madeira por ela utilizada no período fiscalizado. Fl. 1633DF CARF MF 8 Estruturação da empresa Par 1. do art. 240 da IN MPS/SRP nº 03, de 14 de julho de 2005 §1° Não se considera atividade de industrialização , para efeito do enquadramento do produtor rural pessoa jurídica como agroindústria: I –omisss; II quando o produtor rural pessoa jurídica realiza processo de industrialização sem departamentos, divisões ou setores rural e industrial distintos. 3.1. no período em que a empresa declarou ser agroindústria (01/2007 12/2008) foi verificado que a empresa possuía dois estabelecimentos ativos, sendo que na estrutura desses estabelecimentos não foi localizado qualquer departamento ligado à atividade rural. 3.2. Da mesma forma, analisada a estrutura contábil da fiscalizada, não foi localizado qualquer setor rural ou contas que distingam custos rurais e industriais, como exige a norma que rege a matéria. 3.3. Analisado as GFIP’s apresentadas pela empresa nesse período, verificouse que a fiscalizada declarou que possuía segurados empregados apenas no setor industrial (FPAS 833), ou seja, a empresa não possuía qualquer trabalhador empregado no setor rural (FPAS 604). 3.4. Foi verificado, também, que a folha de pagamento da empresa não apresenta qualquer departamento, divisão, setor, etc, que distinga atividade rural de atividade industrial. 3.5. Não obstante a empresa haver declarado não possuir trabalhadores no setor primário, tendo incluído toda a sua massa salarial no FPAS 833 (setor industrial da empresa) a auditoria, analisando detidamente a folha de pagamento da empresa e considerando informações por ela prestadas, concluiu que a contribuinte teve ao longo do período fiscalizado 10 trabalhadores ligados a atividades primárias e que a remuneração desse pessoal representou 0,92% do total da massa salarial da empresa no período, conforme planilha abaixo: VII CONCLUSÃO 1. considerando que o percentual de matériaprima rural própria consumida no processo produtivo da empresa, no período de 01/2007 a 12/2008, representa apenas 1,36% do total Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.630 9 da utilizado pela empresa, ou seja a empresa comprou de terceiros mais de 98,64% da matériaprima (madeira) consumida em seu processo industrial; 2. considerando que a empresa não possuiu nenhum departamento ou setor ligado a atividades primárias ou mesmo segregação contábil de custos de atividades rurais e industriais no período fiscalizado, desatendendo, assim, ao requisito objetivo previsto na IN MPS/SRP nº 03/2005 (instrumento normativo vigente à época dos fatos); 3. considerando que a empresa não apresentou nenhuma GFIP’s de FPAS 604 (massa salarial empregada no setor rural) e só apresentou GFIP’s no FPAS 833 (trabalhadores do setor industrial); 4. considerando que a massa salarial ligada a atividade primária representou apenas 0,92% do total da remuneração paga pela empresa no período; 5. a auditoria conclui que a empresa não se enquadra na situação de agroindústria prevista no art. 22A da Lei 8212/91, no período de 01/2007 a 12/2008, devendo, por isso, sujeitarse à tributação como indústria comum, enquadrada no FPAS 507. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação em 27/09/2011, alegando, em síntese: a) a nulidade da autuação em face do não cumprimento dos requisitos legais para a sua constituição válida e regular; b) a improcedência da autuação uma vez que: b.1) é pessoa jurídica que desempenha as atividades de industrialização de madeira para comercialização e exportação, inclusive florestamento, reflorestamento, extração de madeira e agricultura, para uso próprio, comercialização e ou exportação e ainda representação comercial de compra e venda de imóveis e comercial exportadora, denominada pela legislação como Agroindústria. b.2) que com a publicação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, a agroindústria foi equiparada ao produtor rural pessoa jurídica, assim, para efeitos desta lei, a agroindústria é o produtor rural pessoa jurídica que desenvolve atividade econômica de industrialização de produção própria e adquirida de terceiros, cuja contribuição social tem como base de cálculo a receita bruta proveniente da comercialização da produção. Desta maneira, a Impugnante tem direito de recolher a contribuição previdenciária instituída pela Lei n° 10.256/01. b.3) em que pese a definição legal de agroindústria, sendo indiscutível a aplicação direta e válida da Lei n° 10.256/01, o agente fiscal autuou a Impugnante desconsiderando todas as atividades desenvolvidas pela empresa e para tanto justificandoa em fundamentações que não procedem. b.4) na própria Notificação lavrada, o Agente fiscal menciona, no Relatório Natureza Jurídica da Empresa, (folhas 03 e 04) que a produção da agroindústria pode ser Fl. 1635DF CARF MF 10 própria "ou" de terceiros, através da citação da Instrução Normativa n° 03/2005 que vigorou até 2009. Portanto, concluise que a Impugnante cumpriu integralmente os requisitos conferidos pela Lei n° 10.256/01, sendo totalmente improcedente a justificativa utilizada pela fiscalização previdenciária para descaracterizar o direito da Impugnante de recolher a contribuição previdenciária nos termos estatuídos pela referida lei. A DRJ/SDR julgou a impugnação procedente em parte, nos termos do voto do relator, cuja conclusão transcrevese: 64. Dessa forma, VOTO para considerar PROCEDENTE EM PARTE a presente autuação, nos termos dos Discriminativos Analíticos do Débito Retificado (DADR), ora juntados aos autos às fls. 318/340: 64.1. Excluir do DEBCAD nº 37.308.8183 a Contribuição no valor de R$ 129.340,17 (cento e vinte e nove mil, trezentos e quarenta reais e dezessete centavos), mantendo, da Contribuição Previdenciária lançada, o valor atualizado de R$ 1.593.455,86 (um milhão, quinhentos e noventa e três mil, quatrocentos e cinquenta e cinco reais e oitenta e seis centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes; ... 64.6. Manter a multa lançada no DEBCAD nº 37.308.8175 no valor atualizado de R$ 670.749,20 (seiscentos e setenta mil, setecentos e quarenta e nove reais e vinte centavos), juntamente com os acréscimos legais correspondentes. Cientificada da decisão em 12/01/2015, apresentou o recurso voluntário em 11/02/2015, alegando em síntese: 1) com relação ao DEBCAD nº 37.308.8183: a) que se enquadra como agroindústria, pois sempre exerceu atividade rural, bem como sempre industrializou sua produção, na integralidade ou em parte, e ainda, industrializa produção rural adquirida de terceiros; b) que o art. 22A da Lei nº 8.212/91 não estabelece que o contribuinte deva transformar um determinado percentual de produção própria para a caracterização como agroindústria, como entendeu a fiscalização; c) que a fiscalização deveria ter feito o cálculo entre produção própria e de terceiros pelo volume de matériaprima e não pelos valores, o que acarreta distorção no percentual obtido; d) que houve troca de matériaprima com outra empresa, equiparandose à utilização de matériaprima própria, conforme notas fiscais anexas; e) que a alegada ínfima proporção da massa salarial vinculada à atividade rural (mato), legalmente não é nenhum óbice ao seu enquadramento como agroindústria; f) que embora as contas de resultado (contabilidade) não estivessem segregadas por setores, a farta documentação solicitada pelo fiscal, como os livros contábeis em formato digital, não deixam dúvidas quanto à possibilidade de identificar os valores gastos Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.631 11 no setor rural, podendo ser feita diligência ou perícia contábil para determinar claramente esses valores; g) que a falta de GFIP do setor rural, código 604, "foi mera formalidade, erro de interpretação por parte da recorrente, a qual não impediu a fiscalização de apurar quais funcionários estavam alocados ao referido setor. Ademais, como consta no auto de infração, a autoridade fiscal comprovou a existência de 10 (dez) funcionários ligados ao setor rural, ou seja, mesmo faltando a GFIP 604, todos os funcionários estavam lançados na GFIP 833, a autoridade fiscal conseguiu detectar a existência de funcionário exclusivos do setor rural." 2) Com relação ao DEBCAD nº 37.308.8175: a) que enviou GFIP contendo as informações completas de todos os funcionários, bases de cálculo das contribuições previdenciárias e demais informações, portanto não omitiu segurados e/ou indicou informações inexatas na GFIP; b) que a multa no montante exigido se afigura "exorbitante, irrazoável e desproporcional, considerando a nãopatrimonialidade da obrigação tributária acessória", sendo portanto nitidamente confiscatória, infringindo o disposto no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; c) que o cálculo da multa não obedeceu ao princípio da retroatividade benigna, expresso no art. 106, II, c, do CTN, devendo ser recalculada, para aplicação da regra do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009; d) que, "em caso de manutenção da autuação, devem ser aplicadas as modificações trazidas pela Lei nº 13.097/2015, que alterou o artigo 32A, da Lei nº 8.212/1991, deixandoa ainda mais benéfica ao contribuinte". Por fim, requer o recebimento e a apreciação do recurso voluntário, para o efeito de reconhecer o correto enquadramento da recorrente como agroindústria, extinguindo o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD n. 37.308.8183, e no que tange ao DEBCAD n. 37.308.8175, tendo em vista o correto enquadramento da recorrente como agroindústria, requer a extinção da multa lançada; quando não, a redução do montante lançado, em vista do seu caráter confiscatório, bem como a aplicação da penalidade mais benéfica. É o relatório. Voto Conselheira ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a sua análise. Mérito Fl. 1637DF CARF MF 12 Enquadramento como Agroindústria Requisitos A recorrente sustenta que ao industrializar produção rural própria e adquirida de terceiros estaria enquadrada no conceito de agroindústria devendo recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, a teor do disposto no art. 22A da Lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001. O cerne da discussão é se a circunstância de a produção rural própria da pessoa jurídica ser ínfima, inferior à adquirida de terceiros para a industrialização, afasta a caracterização como agroindústria, tal como a definida pelo artigo 22–A da Lei nº 8.212/91. A Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001, através de seu art. 1º, inseriu o artigo 22A na Lei nº 8.212/91, estabelecendo regra especial de contribuição para as empresas agroindustriais, ao dispor que as contribuições devidas por estas empresas, em substituição às previstas nos incisos I e II da Lei 8.212/91 (incidência sobre a folha de pagamento), passam a incidir sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção. Lei º 8.212, de 24 de julho de 1991: “Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) § 1º (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2º O disposto neste artigo não se aplica às operações relativas à prestação de serviços a terceiros, cujas contribuições previdenciárias continuam sendo devidas na forma do art. 22 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 3º Na hipótese do § 2º, a receita bruta correspondente aos serviços prestados a terceiros será excluída da base de cálculo da contribuição de que trata o caput. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 4º O disposto neste artigo não se aplica às sociedades cooperativas e às agroindústrias de piscicultura, carcinicultura, suinocultura e avicultura. (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 5º O disposto no inciso I do art. 3º da Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, não se aplica ao empregador de que trata este artigo, que contribuirá com o adicional de zero vírgula vinte e cinco por cento da receita bruta proveniente da Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.632 13 comercialização da produção, destinado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). (Incluído pela Lei nº 10.256, de 2001). § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003). Com efeito, o dispositivo legal acima citado foi introduzido na ordem jurídica para estabelecer uma tributação diferenciada às agroindústrias, qual seja, ao invés de tradicionalmente recolher as contribuições previdenciárias sobre a folha de salários e demais rendimentos, passou a ser tributada pela receita bruta. Podese dizer que a norma procurou, sob o ponto de vista social, beneficiar o produtor rural pessoa jurídica que industrializasse a própria produção rural, desonerando a atividade da agroindústria de recolher contribuição social sobre a folha de salários, incentivando uma maior contratação de mãodeobra, utilizada em grande escala nesse setor. Não obstante, definiu o conceito de agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica que industrialize produção própria ou produção própria e adquirida de terceiros. Há, portanto, duas espécies de agroindústria, quais sejam: i) aquelas que só industrializam produção própria; e ii) aquelas que industrializam produção própria e de terceiros. Alega a fiscalização que a relação entre a produção própria e a adquirida de terceiros industrializada pela recorrente era ínfima, inferior a 2% no ano de 2007 e inferior a 1% no ano de 2008. Também a relação entre a remuneração da mão de obra empregada no setor rural em comparação com a do setor industrial oscilava entre 0,69% em 2007 e 1,16% em 2008. Ademais, informa a fiscalização que a recorrente "não possuiu nenhum departamento ou setor ligado a atividades primárias ou mesmo segregação contábil de custos de atividades rurais e industriais no período fiscalizado, desatendendo, assim, ao requisito objetivo previsto na IN MPS/SRP nº 03/2005 (instrumento normativo vigente à época dos fatos)". Verificamos que nas GFIP apresentadas a empresa informou sua atividade no CNAE (Cadastro Nacional de Atividades Econômicas) Fiscal na Classe 1621800, e, conforme consulta efetuado em 16/09/2016, no sítio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Fl. 1639DF CARF MF 14 http://cnae.ibge.gov.br/?view=subclasse&tipo=cnae&versao=9.1.0&subclasse=1621800&chav e=1621800, verificamos que esta subclasse compreende as atividades de fabricação de madeira laminada e chapas de madeira compensada, prensada e aglomerada, conforme abaixo: Pela situação fática descrita nos autos, vêse que a recorrente, recolhia as contribuições previdenciárias como se agroindústria fosse, mas a estruturação da empresa e toda a documentação apresentada, especialmente GFIP, Folhas de Pagamento e Livros Contábeis, demonstram que, na verdade é uma indústria, não podendo beneficiarse do tratamento tributário especial. Nesse sentido, trazse à colação excerto do voto do conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, proferido no Acórdão nº 9202.003.570, da 2ª Turma da CSRF, em sessão de 29/01/2015, no qual foi dado provimento ao Recurso Especial da Fazenda para desconsiderar o enquadramento do sujeito passivo como agroindústria: Dessa forma entendo que, como a lei não estipula limites mínimos de industrialização de produção própria, o não enquadramento de agroindústria com base na relação do faturamento decorrente da comercialização própria em relação ao total faturado pela empresa, como quer a recorrente, implica violação ao fundamental princípio da legalidade. Feitas essas considerações, entendo que no presente caso, a Recorrente dignou demonstrar que o Sujeito Passivo não é agroindústria, pois não se enquadra na capitulação legal – art. 22A, da Lei n. 8.212/91. O aludido dispositivo legal é cristalino ao definir o que deve ser considerada como sendo agroindústria, ao exigir cumulativamente a ocorrência dos seguintes requisitos, a saber: ser Produtor Rural Pessoa Jurídica e industrializar produção própria, além da industrialização da produção de terceiros, se for o caso. Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.633 15 Por certo, a legislação previdenciária tem clara intenção de fazer incidir a contribuição substitutiva prevista para as agroindústrias sobre as que possuam efetivamente esta característica, ou seja, um produtor rural que também industrialize sua produção. Nesse sentido a legislação busca incentivar ao produtor rural que realize o beneficiamento de sua produção (e eventualmente de terceiros), agregandolhe valor comercial. Não fosse assim, poderia uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal, praticando, assim, uma evasão fiscal. É verdade que a legislação previdenciária não estipula o percentual de produção própria ou adquirida de terceiros suficiente para qualificação de uma pessoa jurídica como agroindústria, todavia não se pode deixar de analisar a realidade tal como ela se apresenta, em busca da Verdade Material, como meio garantidor da certeza do crédito tributário, no qual se deve buscar a realidade dos fatos. Em que pese a força da literalidade dos dispositivos legais, assume grande relevância o aspecto substancial da realidade sobre a qual a tributação incide. Não basta aterse simplesmente a literalidade do texto legal, é necessária a busca pela realidade fálica em perseguição à verdade material. A reunião desses dois aspectos resultará na aplicação adequada da lei. Caso contrário, qualquer indústria (inclusive os grandes complexos industriais) que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menos que fosse, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial, o qual, na verdade, é um regime substitutivo criado para ser aplicado ao verdadeiro produtor rural. No presente caso, no entanto, observase que a empresa percorreu o caminho inverso do pretendido com a criação das contribuições substitutivas para as agroindústria. O que claramente se afigura é uma pessoa jurídica eminentemente voltada para atividade industrial que, com o objetivo de beneficiarse da tributação diferenciada destinada à agroindústria, procura realizar alguma atividade rural a fim de enquadrarse na hipótese legal à lei, muito embora não proíba esta prática, não pode ser utilizada para viabilizar a evasão fiscal e sangrar os cofres públicos. ... O reflorestamento não é sua principal atividade conforme informação trazida pela fiscalização, tanto em relação ao pessoal ocupado, quanto à produção própria em relação à adquirida de terceiros. (grifamos) Fl. 1641DF CARF MF 16 Ainda nesse sentido, extraise excerto de voto proferido em decisão exarada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, verbis: A atividade de agroindústria, no ramo de reflorestamento, no máximo, poderia envolver a produção de matéria prima primária para a indústria (toras, tábuas, etc.), mas não a complexa atividade de industrialização de madeira, especialmente quando se destina ao outro ramo de atividade do contribuinte, que é a industrialização de papel. Não fosse assim, qualquer indústria que utilizasse no seu processo produtivo apenas parte do insumo produzido por ela própria, por menor que fosse a quantidade, poderia se beneficiar do tratamento tributário especial. Como dito anteriormente, o regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, que soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da empresa é a industrialização da madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade papeleira. (TRF4, APELREEX 2005.72.11.0017539, SEGUNDA TURMA, Relatora VÂNIA HACK DE ALMEIDA, D.E. 24/02/2010) (grifamos) Pelo exposto, entendo que a empresa não pode ser enquadrada como agroindústria, mas sim como indústria que se destina a fabricação de chapas de compensado. AI DEBCAD nº 37.308.8175 Multa GFIP Retroatividade Benigna. Critérios do cálculo da multa mais benéfica A sistemática de cálculo das multas previdenciárias foi profundamente alterada com o advento da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No presente caso, verificase que a autuação ocorreu em 22/08/2011, com ciência em 26/08/2011, portanto em data posterior à nova sistemática de cálculo das multas. Para as competências até novembro de 2008, inclusive, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.634 17 será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que o Auditor Fiscal, no momento da autuação já elaborou planilha comparativa entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes (alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009), conforme os seguintes trechos extraídos do relatório fiscal: 4. DA APLICAÇÃO DA MULTA: ... 4.10. Desta forma, em respeito ao disposto no Artigo 106, Inciso II, “c” do Código Tributário Nacional, devese comparar as penalidades previstas antes da entrada em vigor da Medida Provisória 449/2008 com a penalidades previstas na citada Medida Provisória. 4.11. Para demonstrar essa comparação, foram anexadas a este Relatório Fiscal planilhas de Cálculo das Multas Aplicadas, das quais extraise que: 4.11.1. – no Anexo 6: para as competências de 01 a 12/2007 e de 01 a 10/2008 as multas a serem aplicadas são as previstas no Artigo 32, § 5. da Lei 8.212/91, (combinado com Art. 284, inc II, do Decreto 3048/99) e art. 35, inc. II, da Lei 8212/91 (multa referente ao código de fundamentação legal (CFL) 68 por descumprimento de obrigação acessória, exigida no auto de infração DebCad 37.308.8175 e multa de 24%, exigida nos demais autos de infrações aplicados), pois da comparação realizada, revelaram ser as menos onerosas à autuada. 4.11.2. – no Anexo 7 para a competência 13/2007, a multa a ser aplicada é a prevista no Artigo 35A da Lei 8.212/91, alterada pela Lei 11.941/2009, (multa de 75%, exigida nos autos de infrações Deb Cad 37.308.8183), pois da comparação realizada, revelou ser a menos onerosa à contribuinte. Fl. 1643DF CARF MF 18 4.1.2.3. – a partir da competência 11/2008 não mais cabe a comparação de multas, mas sim a aplicação direta do disposto na Medida Provisória 449/2008, de 04 de dezembro de 2008, convertida na Lei 11.941/2009 (multa de 75%). Portanto, ficou demonstrado que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB nº 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, que dispõe sobre a aplicação dos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91. Assim, também não assiste razão à recorrente, em relação à alegação de aplicação errônea do princípio da retroatividade benigna. Do Caráter Confiscatório da Multa Aplicada Quanto ao valor da multa, a recorrente ressalta que a multa aplicada importa em ofensa ao princípio constitucional da vedação ao confisco, o qual veda a imposição de ônus insuportáveis, que ultrapasse os limites da capacidade contributiva. Em relação a esses argumentos sobre confisco, cumpre esclarecer que a vedação da utilização de tributo com efeito de confisco, preceito do art. 150, IV, da Constituição Federal, não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomálo em consideração quando da elaboração das leis. À autoridade administrativa cabe apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Ademais, registrese que, nos termos do art. 62, do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015 Regimento Interno do CARF, fica vedado aos membros deste Conselho, afastar a aplicação de lei sob a alegação de inconstitucionalidade, exceção às situações descritas no seu § 1º, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10920.721688/201106 Acórdão n.º 2301004.877 S2C3T1 Fl. 1.635 19 pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Não se enquadrando a situação abordada pela recorrente em nenhuma das exceções listadas, não assiste razão à recorrente. Anistia da Lei nº 13.097, de 2015 A Lei nº 13.097, de 19/01/2015, dispõe em seu art. 49 que ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, desde que cumpridos os demais requisitos do dispositivo, verbis: Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. No caso em tela, a autuação tem como fundamento legal o art. 32, IV e § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e não o art. 32A, da mesma lei. O Código Tributário Nacional, a teor do art. 111, I, estabelece que a legislação tributária que disponha sobre a exclusão do crédito tributário deve ser interpretada literalmente. Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário;(...) ... Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Assim, entendo que a anistia prevista no art. 49 da Lei nº 13.097/2015 restringese às multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, sendo inaplicável às multas capituladas no art. 32 da mesma Lei. Fl. 1645DF CARF MF 20 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para negarlhe provimento. ANDREA BROSE ADOLFO Relatora Fl. 1646DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.721178/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Pela Notificação de Lançamento nº 06113/00015/2013, de fls. 06/09, emitida em 17/06/2013, o Contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 829.398,77 resultante do lançamento suplementar do ITR/2010, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Curralinho ou Engenho Velho” (NIRF 2.733.7413), com área total declarada de 3.209,6 ha, localizado no município de Paracatu MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2009, incidente em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal Nº 06113/00005/2013, de fls. 02/03, encaminhado ao Contribuinte em 17/01/2013 (fls. 04), porém devolvido em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .7 21 17 8/ 20 13 -1 3 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 249 2 23/01/2013. Tendo em vista a impossibilidade de intimar o Contribuinte por via postal, foi emitido e afixado o Edital nº 1, de 15/04/2013, com data de ciência para 30/04/2013, fls. 05. O referido Termo solicitava ao Contribuinte que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos à sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: fichas de vacinação expedidas por órgão competente, acompanhadas das notas fiscais de aquisição de vacinas; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR emitidos pelos Estados); notas fiscais de produtor referente a compra/venda de gado, para comprovação do rebanho existente no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Por falta de manifestação do Contribuinte e procedendo à análise das informações constantes da DITR/20010, a fiscalização lavrou a referida Notificação de Lançamento, onde glosou integralmente as áreas de produtos vegetais (35,0 ha) e de pastagens (2.600,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), arbitrando o valor de R$ 4.814.400,00 (R$ 1.500,00/ha), com base no SIPT da RFB, com consequente redução da área utilizada na atividade rural e do Grau de Utilização e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada, disto resultando imposto suplementar de R$ 413.438,40, conforme demonstrado às fls. 08. Resumo da autuação: Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado 12. Área de Produtos Vegetais 35,0 0,0 15. Área de Pastagens 2.600,0 0,0 19. Área utilizada pela Atividade Rural (12 + ... + 18) 2.635,0 0, 0 20. Grau de Utilização (19 /11) * 100 82,5 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 21. Valor Total do Imóvel 1.950.000,00 6.564.400,00 22. Valor das benfeitorias 350.000,00 350.000,00 23. Valor das Culturas, Pastagens Cultivadas e Melhoradas e Florestas Plantadas 1.400.000,00 1.400.000,00 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 250 3 24. Valor da Terra Nua (21 22 23) 200.000,00 4.814.4000,00 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 07 e 09. Cientificado do lançamento em 24/06/2013 (fls. 10), o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 22, ofertou em 23/07/2013 a impugnação de fls. 11/21 e documentos de fls. 22/64. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: embora a área registrada seja de 3.209,6 ha, a área real é de 3.014,8 ha, conforme georreferenciamento; transcreve o art. 12, incisos I, II e III, do Decreto nº 70.235/1972, para afirmar que o Fisco deveria ter esgotado todas as formas de intimação previstas no citado dispositivo legal, antes que fosse providenciada a publicação do Edital, ensejando a nulidade da intimação via edital e, por conseguinte, a desconstituição do lançamento; transcreve, parcialmente, jurisprudência do STJ para referendar suas alegações; informa que seu endereço à época da intimação e da impugnação permanece o mesmo; diante disso, requer seja decretada a nulidade do Termo de Intimação Fiscal ITR 06113/00005/2013, efetuado via edital, e, conseqüentemente, seja desconstituída a notificação de lançamento n° 06113/00015/2013, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DITR; no mérito, afirma que foi declarada na DITR/2010 uma área de 2.600,0 ha de pastagens, entretanto, comprova por meio de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, que da área total do imóvel, 1.410,7396 ha são utilizados como área de pastagens; por isso não se pode considerar que no imóvel inexista área de pastagens, quando, em verdade, a área utilizada para essa modalidade encontrase comprovada por meio de laudo técnico; quanto ao VTN, o Fisco considerou como valor total do imóvel o montante de R$ 6.564.400,00, sendo que na DITR/2010 havia sido declarado o valor total de R$ 1.950.000,00, conforme consta do laudo de avaliação elaborado por engenheiro agrônomo; não é possível admitir fixação do valor do imóvel nos parâmetros estabelecidos pelo fisco, razão pela qual requer a modificação da declaração para fazer constar o valor acima indicado; o fisco considerou 100% da área total do imóvel como sendo passível de tributação, contudo o laudo técnico comprova que 1.443,3379 ha são áreas de preservação permanente, 147,7915 ha são áreas cobertas com florestas nativas e 12,9363 ha são áreas com benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural; nos termos do art. 10, § 1º, II, "a" e "e", da Lei n° 9393/96, é tributável a área total do imóvel, menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989 e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 251 4 de igual forma, nos termos do art. 10, § 1º , IV, "a" da Lei n° 9393/96, da área aproveitável, deverão ser excluídas aquelas áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; cita jurisprudência de Tribunais para referendar suas alegações; nesse contexto, devem ser excluídas da área tributável, as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as áreas cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363 ha), tudo conforme comprovado através do laudo técnico que segue anexado, promovendo, inclusive, a modificação do DIAT; Requer: • em preliminar, seja decretada a nulidade do termo de intimação e desconstituída a notificação de lançamento, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DIAT; • no mérito, seja considerada a área de pastagens de 1.410,7396 ha, o VTN como sendo de R$ 1.950.000,00, sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha). A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE FLORESTAS NATIVAS. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 252 5 Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada a glosa integral feita pela Autoridade Fiscal na área declarada de produtos vegetais, por não ter sido expressamente contestada nos autos, nos termos da legislação processual. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 03060.978 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/05/2014 (fl. 86), mediante Aviso de Recebimento AR. Em 16/06/2014, sobreveio recurso voluntário (fls. 102/112), acompanhado de documentos (fls.113/246). Em suas razões, alega preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que a intimação do Termo de Intimação Fiscal se deu via edital. Acosta jurisprudência e cita legislação que entende pertinente. O recorrente acosta documentação elencada à fl. 113 e no mérito aduz que: Da Área Total do Imóvel que a fazenda Engenho Velho ou Curralinho está registrada na SRF sob o NIRF nº 2.733.7413, dotada de área total de 3.209,6 hectares, que após a certificação do georreferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, a área total da propriedade passou a ser 3.028.9671 hectares, que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 253 6 que desse valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares), área da gleba 2 (278,5756 hectares), totalizando como área do imóvel 3.023.2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares). que foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georreferenciada; que o trabalho realizado de georreferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios. que apesar da inobservância quanto à apresentação da ADA do exercício de 2010, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Acosta jurisprudência que através das matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, a existência de 647 hectares de reserva florestal legal, como norteadora da existência de áreas ambientais de preservação permanente APP, o contribuinte apresenta a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc que através da planta verificase que há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 14.309/2002; que há inúmeras veredas com suas APP; que o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida essas informações. Requer seja considerado como Área de Preservação Permanente APP a área de 796,337 hectares, Área de Reserva Legal ARL a área de 647,0 e Área de Floresta Nativa AFN a área de 147,791 hectares, excluídas da área tributável. Da Área de Pastagem que a autoridade fiscal manteve a glosa no que diz respeito à área de pastagens em 2.600,00 hectares, constantes da DITR/2010 que para comprovar a quantidade de cabeças de animais apascentados no imóvel, o contribuinte apresenta a Ficha Sanitária do ano de 2009, emitida pelo Órgão de Defesa da Agropecuária do Estado de Minas Gerais, contendo 149 cabeças de até 12 meses, 238 cabeças de 13 a 24 meses e 180 cabeças com mais de 36 meses, totalizando 567 bovinos. Requer que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Do Valor da Terra Nua Alega que o Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2010, estava avaliado em R$ 577,44/ha (por hectare), totalizando R$ 1.749.046,76. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 254 7 Aduz que não cabe prosperar a manutenção da tributação arbitrada pela autoridade fiscal, com base na SIPT, razão pela qual o contribuinte requer a modificação da declaração para fazer constar o valor mencionado. Da Área de Benfeitorias Úteis e Necessárias Informa que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares. Alega que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares. Requer seja excluída da área tributável a área de 27.2391 hectares. Resumidamente, o contribuinte postula que seja considerado: * Área total do Imóvel 3.028.9671 hectares *Área de Preservação Permanente APP de 796,337 hectares * Área de Reserva Legal ARL de 647,0 hectares *Área de Floresta Nativa AFN de 147,791 hectares *Áreas de Benfeitorias Úteis de 27.2391 hectares * Área de Pastagem 1.410,6 hectares * Valor da Terra Nua VTN para 2010 de R$ 577,44/ha, totalizando R$ 1.749.046,76. Que seja excluída da área tributável as APP, ARL, AFN e ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A autoridade fiscal glosou integralmente a área de pastagens de 2.600,0ha por falta de comprovação. A Turma Julgadora "a quo" consignou: No caso, constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 2009 (exercício 2010), por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gado e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, dentre outros. O recorrente postula que seja considerada como área de pastagem 1.410,6ha e, para tanto, acosta Ficha Sanitária de Vacinação do Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 255 8 Minas Gerais, em que demonstra a existência de 567 bovinos (149 cabeças até doze meses, 238 cabeças de 13 a 24 meses e 180 cabeças com mais de 36 meses em fls. 240/243). Assim, para melhor deslinde do feito, entendo que o julgamento do recurso deve ser convertido em diligência, e encaminhado os autos ao Auditor Fiscal autuante, a fim de que o mesmo analise os documentos trazidos pelo contribuinte em relação a existência de rebanho apascentado na área destinada a pastagem. Importa salientar que a área declarada foi de 2.600,0 ha. No entanto, em sede recursal, o contribuinte postula o reconhecimento de 1.410,6 ha de pastagem. Por fim, requer seja verificado pelo Sr. Auditor Fiscal se há compatibilidade entre a área pretendida de 1.410,6 ha de pastagem, e o rebanho existente conforme documentos de fls. 239/242. Após apresentadas as conclusões pelo Auditor Fiscal autuante, seja dado vista ao contribuinte pelo prazo de 30 dias, e após, retorno dos autos ao CARF para julgamento do recurso. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10325.000992/2010-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO.
O Acórdão do RE 333.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição. Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub-rogação, previsto no art. 30,IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO. O Acórdão do RE 333.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição”. Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art. 30,IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 92 /2 01 0- 46 Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração, AI DEBCAD nº 37.289.6863 (efl. 02), no qual foi constituído crédito e contribuições previdenciárias não recolhidas, incidentes sobre a aquisição de produto rural, identificado pela aquisição de gado para abate de produtor rural pessoa física. As contribuições são devidas pela empresa na condição de sub rogada, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT e contribuições previdenciárias rurais devidas. O AI foi consolidado em 20/07/2010, no valor de R$ 15.763.288,39, com ciência por edital à contribuinte em 13/09/2010 (efl. 3616) e o correspondente relatório fiscal está posto às efls. 19 a 21 dos autos. A empresa, intimada por edital, não apresentou impugnação, apenas alguns sujeitos passivos a ela solidários (efls. 3827 a 4145), pessoas jurídicas, e Roberto Luiz da Silva Logrado (efl. 3633 a 3659), pessoa física, impugnaram o auto de infração. As impugnações apresentadas das pessoas jurídicas eram idênticas entre si, mas distintas daquela apresentada por Roberto Logrado. As impugnações possuíam diversas preliminares que implicariam nulidade ou afastamento da sujeição passiva e questão de mérito relativa à suposta inconstitucionalidade da legislação que estabelecia a subrogação da autuada. A 5ª Turma da DRJ/FOR considerou procedente as impugnações, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0822.911 de 15/02/2012, às efls. 4200 a 4229, exonerando o crédito lançado, em face de acatar a inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do artigo que dera base à subrogação combatida. Todavia, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto n° 70.235/72, art. 34, I, c/c art. 1° da Portaria do Ministro da Fazenda n° 3 de 2008, recorreu de ofício do acórdão. O recurso de ofício foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 14/05/2013, no acórdão 2402003.557, às efls. 4248 a 4255, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 18 3 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso de Oficio Provido. O acórdão, por sua vez, tinha a seguinte redação: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício. A Fazenda Nacional, em 03/10/2014, foi cientificada do resultado e sobre ele não se manifestou (efl. 4257). A contribuinte e todos os sujeitos passivos solidários foram intimados do resultado (efls. 4270 a 4289 e 4369 a 4384), mas apenas o sujeito passivo solidário Roberto Logrado apresentou recurso especial de divergência RE, tempestivamente (de acordo com o despacho de efl. 4385) , às efls. 4290 a 4315. Em seu RE a contribuinte traz à discussão matéria relativa a responsabilidade tributária mediante subrogacão, prevista no art. 30? inciso IV. da Lei n° 8.212/1991, alegando que esta teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo STF em julgado com repercussão geral, da mesma forma que os incisos I e II do art. 25 do mesmo diploma foram reconhecidos com inconstitucionais pelo Excelso Pretório no RE 596.177/RS, fazendo desaparecer a responsabilidade da empresa subrogada. Invoca a divergência pela aplicação daqueles julgados que são trazidas nos paradigmas do CARF explicitados pelos acórdãos 2403002.693 e 2403002.274, ambos da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF através do Despacho s/n, às efls. 4387 a 4392, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 15/07/2015. Cientificada em 29/09/2015, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões em 05/10/2015, às efls. 4394 a 4402. Naquela peça, no fechamento, afirma: "A análise da extensão da decisão do STF demonstra que a lei que lastreou o lançamento não foi apreciada na decisão paradigma, e, portanto, eventual cancelamento do auto de infração, importa em afastamento da aplicação de lei ao caso fora das hipóteses regimentais, de modo que viola a Súmula CARF nº 2. Além disso, a Procuradora afirma que o decidido no RE nº 596.177/RS apenas reforçou o que já havia sido disposto no RE nº 363.852/MG, mas, relativamente aquele acórdão, houve Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, que ao ser apreciado resultou na conclusão de que a constitucionalidade da tributação com base na Lei nº 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida, além de afastar da ementa suposta ofensa ao art. 150, inc. II, da CF/1988 em virtude de dupla tributação do produtor rural empregador. Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Como conclusão dessa ideia, afirma que a constitucionalidade da Lei nº 10.256/2001 ainda está por ser apreciada como matéria de repercussão geral no RE nº 718.874/RS, pendente de julgamento, e por isso não competiria ao colegiado a quo pronunciar se sobre a inconstitucionalidade de tal dispositivo, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo que o recurso deve ser desprovido, haja vista que a referida decisões do STF não se referiu à inconstitucionalidade do art. 30, inc. IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528 de 10/12/1997, mas à inconstitucionalidade da própria tributação do produtor rural, pessoa física, com base na receita bruta ou no faturamento, pois, até a vigência da EC 20 de 15/12/1998, essa receita demandaria lei complementar para sua tributação. Se esta não pode ser tributada a subrogação inexistiria por mera conseqüência lógica e não por inconstitucionalidade própria. A partir da referida emenda constitucional e da existência de nova lei regulando a relação jurídica da pessoa física com o fato gerador, a subrogação do art. 30, inc. IV, automaticamente incide. Argumentos que apóiam tal entendimento constam de forma clara e didática em voto da ilustre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº2401 003.896 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção, por isso peço vênia para transcrevêlo: Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei n° 10.256/01. Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 19 5 Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3° do art. 4° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/1997 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise Fl. 4408DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária sub rogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas Fl. 4409DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 20 7 físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. (...) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596.177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4aRegião", assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Fl. 4410DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei n° 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela EmendaConstitucional n°20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998 Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 21 9 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585.684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n°9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE .568 4, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 01/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as Fl. 4412DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de sub rogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE n° 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." (Apelação n° 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 1ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Fl. 4413DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 22 11 Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n°8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12... V ... a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de Fl. 4414DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não continua; a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer titulo, ainda que de forma não continua; o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do pais do domicilio; Art. 22 ................................. §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa fisica de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 23 13 granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30 ... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor." Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso . V do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da suaprodução para financiamento das prestações por acidente dotrabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 24 15 III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 25 17 pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da sub rogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. (...) Por fim, como bem notou a Procuradora da Fazenda em seu contraarrazoado, questões relativas à constitucionalidade da Lei nº 10.265/2001 ainda estão no aguardo de apreciação do STF como matéria de repercussão geral, e nem mesmo o próprio recorrente pretende ver a apreciação da constitucionalidade dessa norma , mas apenas o efeito dos acórdãos dos RE 363.852 e RE 596.177 sobre a subrogação, acima debatidos. Pelas razões acima expostas, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13161.001797/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 97 /2 00 8- 27 Fl. 323DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 325DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.276. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 327DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 329DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 331DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 333DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 335DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 337DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 339DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 341DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 343DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 345DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 347DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 349DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 351DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 353DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 355DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 357DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 359DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 361DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 363DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 365DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 367DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 369DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000397/99-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1992
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.
A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destina-se apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso ou abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado.
No caso, observa-se que houve intimação do contribuinte para a apresentação de documentos e foi materialmente alterado o valor lançado, configurando-se um lançamento diverso e não um lançamento substitutivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso ou abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. No caso, observase que houve intimação do contribuinte para a apresentação de documentos e foi materialmente alterado o valor lançado, configurandose um lançamento diverso e não um lançamento substitutivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 97 /9 9- 91 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 324 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 162), complementandoo ao final: Trata o presente processo de autuação contra a empresa em epígrafe, que resultou no lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre o lucro liquido ILL (fls. 12 a 16), em decorrência de ajustes do lucro liquido do exercício. 2. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 10), a Fiscalização informa que o contribuinte, através do Processo n° 13805.009748/9615, impugnou o Lançamento Suplementar do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Liquido 1992, consubstanciado na notificação n° 0302582 (fls. 03 e 04), decorrente da revisão sumária de sua declaração de rendimentos IRPJ — Exercício 1992 — PeríodoBase 1991, onde foi retificado o item 04 do Quadro 04 do Anexo 4. 3. 0 referido Lançamento Suplementar foi declarado nulo de oficio pela autoridade julgadora, em obediência ao disposto no artigo 6°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 94/1997, conforme Decisão DRJ/SPO/SP/N° 16991/98 (fls. 05 e 06). 4. 0 contribuinte foi cientificado da decisão citada em 23/02/1999, conforme termo de fl. 02. 5. Com base nos dados extraídos do referido processo, a Fiscalização constatou que a DIRPJ/1992, continha, ainda, o seguinte equivoco: Anexo 4 (item 04/04) 4 não preenchimento do campo destinado A. exclusão do valor "Ajustes por aumento no valor de Investimentos avaliados pelo Patrimônio Liquido", no valor de Cr$ 19.882.267,00. 6. Por fim, foi elaborada pela Fiscalização tabela na qual estão contidos os ajustes efetuados no Anexo 04 — Quadro 04 da DIRPJ/1992 (fl. 11) em conseqüência da ação fiscal, tendo sido lavrado o auto de infração abaixo discriminado: 6.1. ILL — fls. 12 a 16— FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO — Enquadramento legal: Artigo 35 da Lei n° 7.713/1988, com as alterações do artigo 1° da Lei n° 7.959/1989. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 325 3 7. Tendo tomado ciência da autuação em 05/05/1999 (fl. 15), a Autuada apresentou impugnação em 02/06/1999 (fls. 19 a 24), na qual, por meio de seu Diretor Presidente (fls. 25 a 57), alega, em síntese, que: 7.1. Ocorreu a decadência do direito do Fisco realizar o lançamento em 31/12/1996 ou, na pior das hipóteses, no dia 01/01/1997. A doutrina e o próprio Conselho de Contribuintes reconhecem que o ILL submetese ao disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional — CTN, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação (fls. 22 e 23). 7.2 0 Supremo Tribunal Federal, em vários julgados, declarou a cobrança do ILL inconstitucional, quando não há uma efetiva distribuição do lucro aos sócios. 7.3 Como se depreende do documento n° 04 — Balanço Social encerrado em 31.12.1991, a sociedade apurou um prejuízo de Cr$ 215.743.038,66, que, somado ao prejuízo acumulado, importou, na data de 31/12/1991, em um saldo de prejuízo no valor de CR$ 916.795.208,46. 7.4. Por conseguinte, não ocorreu disponibilidade econômica ou jurídica passível de tributação pelo ILL, acarretando a inconstitucionalidade da cobrança. O contribuinte apresentou impugnação, que foi assim tratada pela DRJ em São Paulo/SP, em resumo: 1 Disse que este lançamento decorreu da nulidade da Notificação de Lançamento Suplementar do Imposto 1992, portanto, o prazo decadencial deve ser contado na forma do artigo 173, II, do CTN. Concluiu pela não ocorrência de decadência. 2 Com relação as alegações de inconstitucionalidade da cobrança do ILL, uma vez que não teria ocorrido disponibilidade econômica ou jurídica passível de tributação, observese que a base de cálculo apurada pela Fiscalização foi positiva (Cr$ 27.822.154,00), apesar da empresa ter apurado prejuízo contábil. A decisão do STF, proferida no julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.0581/SC, reconhece a conformidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/1988 com a Lei Maior, salvo quando, segundo o contrato social, não dependa do assentimento de cada sócio a destinação do lucro liquido a outra finalidade que não a distribuição. Analisando a questão, concluiu que somente é indevido o ILL nos casos em que o contrato social prevê a obrigatoriedade de destinação do lucro liquido a finalidade diversa da distribuição. O Contrato Social da empresa determina que, após a constituição da Reserva Legal (5% do lucro liquido, não excedendo essa reserva a 20% do capital social) e Da Reserva de Investimento e Capital de Giro (10% do lucro liquido), o saldo remanescente ficará à disposição da Assembléia Geral, que poderá deliberar por sua capitalização, total ou parcial ou por sua distribuição entre os sócios. Não há que se falar, então, em inconstitucionalidade da exigência o ILL em relação a 85% do lucro liquido, devendo ser aplicado esse percentual no montante de ILL a ser mantido. Deuse, então, provimento parcial à impugnação. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 326 4 Cientificado dessa decisão em 28 de março de 2008 (sexta feira), conforme AR na folha 173, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28 de abril de 2008, com protocolo na folha 180. Em sede de recurso, alega, em síntese: 1 preliminar de decadência, fundamentandose na contagem do prazo na forma do artigo 150, § 4º do CTN; 2 enfatiza que o STF declarou inconstitucional o ILL, quando não há uma efetiva distribuição do lucro aos sócios. Ressalta que se não ocorreu disponibilidade econômica ou jurídica passível de tributação pelo ILL, inexiste fato gerador, ainda que de forma presumida, razão pela qual a incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Liquido não pode prevalecer. PEDE o acolhimento de seu recurso para que seja anulado o lançamento debatido. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O lucro líquido aqui tributado referese ao ano calendário de 1991, exercício de 1992. Foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 06, em 12/07/1996. Na decisão DRJ/SPO Nº 1.6991/98, que consta da folha 10, diz que: 0 presente processo versa sobre Lançamento Suplementar de Tributo/Contribuição, cuja notificação não observou os requisitos estabelecidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional Lei n° 5172/66. Em conformidade com o artigo 6°, I, da Instrução Normativa SRF n° 94/97, publicada no DOU de 29/12/97, os lançamentos efetuados em desacordo com as normas legais supracitadas, quando impugnados, serão declarados nulos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, mesmo que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo.(destaquei) Não identifico, na supracitada decisão, qual requisito a Notificação não haveria observado, apenas destaco que é mencionado expressamente o artigo 142, do CTN. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 327 5 O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 20), emitido em 05/05/1999, portanto após a decisão da DRJ que anulou o lançamento anteriormente efetuado, a Auditora Fiscal diz que "como não houve apreciação de mérito no lançamento anulado" e após intimação do contribuinte e "correção de erro de forma constante da notificação", "a matéria tributável ... passa a ser o seguinte". No Auto de Infração, cujo demonstrativo está na folha 24/26, o valor da autuação em UFIR foi de 3.727,89. Na Notificação original (fl. 06), que fora anulada, o valor de ILL exigido foi de 6.391,90 UFIR. Ou seja, além de não especificados "erros de forma", houve ainda, nesse novo lançamento, correções de cunho material, que significaram alterações no valor lançado (aspecto quantitativo). Colho os seguintes julgados, da Câmara Superior deste CARF: Acórdão 9202002.731– 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Período de apuração: 01/05/1996 a 30/04/1997, 01/06/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 328 6 Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Acórdão 9202003.185 – 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/11/1995 a 30/11/1995 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Não se está aqui a reapreciar a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento, mas sim, a conformidade do novo lançamento com o Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 329 7 lançamento a que pretende substituir. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar a contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e não há que se falar em lançamento substitutivo, mas, sim, em novo lançamento. Assim, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Em seu Voto, esclareceu o Conselheiro Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Faço notar se estar aqui diante de caso já analisado por esta mesma Câmara Superior em situação análoga, que envolvia a mesma autuada, mas com diferente prestadora de serviço (Acórdão CSRF nº 9.20200.2.729, 2a. Turma, de 11 de junho de 2013). A propósito, também ali se tratava de refazimento de lançamento por conta de anulação de NFLD anterior, tendo, tanto no caso ali tratado como no caso aqui sob análise, se intimado a contribuinte a apresentar, no curso da nova ação fiscal, livro diário, razão, contratos, notas fiscais e outros documentos referentes à serviços realizados pelas empresas prestadoras. Verifico, a propósito, que o entendimento esposado de forma unânime por esta Câmara Superior, ao qual me filiei e continuo a me filiar, é no sentido de que se está a tratar, aqui, de novo lançamento e não de mero refazimento anterior do lançamento nulo, tendo em vista a inovação material proporcionada pelos novos elementos carreados aos autos, objeto da intimação acima citada. Ou seja, não se está aqui a discutir novamente a natureza do vício do lançamento anteriormente declarado nulo (questão que entendo abrangida pela preclusão sustentada no âmbito das contrarrazões), mas sim a defender a descaracterização do lançamento anterior como substitutivo, o que gera como necessária conseqüência o reconhecimento da decadência para as competências de 05/1995 e 11/1995 objeto de lançamento, visto que só cientificado o presente auto em 30 de dezembro de 2005. (...) Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da contribuinte, visto que, em se tratando de novo lançamento (e não de lançamento substitutivo) por conta da inovação material realizada no âmbito da nova ação fiscal, os créditos aqui em questão, referentes às competências de 05/1995e 11/1995 já haviam sido fulminados pelo efeito decadencial, no momento de sua constituição. O mesmo raciocínio também foi reproduzido no Acórdão 9202003.186. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 330 8 Como se pode observar, o entendimento consolidado da Câmara Superior, em questão idêntica a essa aqui em debate, é que o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. Sequer aceitouse que o Fisco novamente intimasse o contribuinte a prestar novos esclarecimentos ou apresentar novos documentos, sob o argumento de que se isso era necessário, o lançamento anteriormente anulado continha outras deficiências, além da forma. Leandro Paulsen esclarece que, no que toca ao inciso II, do artigo 173, do CTN: Cuidase de hipótese de reabertura do prazo decadencial, caracterizando, pois, efetiva interrupção do prazo que estava em curso. (in Direito Tributário: Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15 ed, ESMAFE:2013, pp 1196/7) Segundo Hugo de Brito Machado: Relevante é ressaltarmos que a reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior (in Aspectos do Direito de Defesa no Processo Administrativo Tributário, RDDT 175/106, abr 2010) Pois bem, verificandose no TVF e no Auto de Infração que houve alteração da matéria tributável, destaco (fl. 42): A matéria tributável, após os ajustes efetuados na declaração de rendimentos — IRP] — Exercício 1992/1991, em decorrência de erros cometidos pelo contribuinte, no seu preenchimento, passa a ser o seguinte:(...) Assim, no lançamento original não haviam tão somente erros de forma, mas propriamente esteve errado o cálculo do montante devido, que foi também retificado. Não há de ser aplicado, portanto, o artigo 173, II, do CTN. Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Seria necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Em conclusão, ocorrido o fato gerador em 31/12/1991, o lançamento efetuado em 05/05/1999 está alcançado pela decadência e, dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 331 9 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900957/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 57 /2 00 8- 99 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.987, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721118/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3201-002.387
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
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COFINS. MULTA Recorrente DROGARIAS PACHECO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 18 /2 01 2- 25 Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2008 e 2009, no valor total de R$ 4.981.126,50, incluídos multa de ofício proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Do lançamento: O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela Difis da Demac/RJ em 05/12/2012, de Contribuição para o Programa de Integração Social/PIS, no valor de R$ 421.600,92 e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.941.919,39, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrentes das seguintes infrações apuradas: Item 1 do auto de infração – Incidência não cumulativa padrão. Apuração mensal de insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS por falta de oferecimento à tributação dos valores lançados na conta contábil 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, nos montantes de R$ 10.139.720,96 em 2008 e R$ 15.414.886,21 em 2009, que a interessada teria declarado em seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais/DACON à linha 04 das fichas 07A e 17A – “Receita Tributada à Alíquota Zero”. O Termo de Verificação Fiscal/TVF, parte integrante dos autos de infração, discorre sobre o objeto social da interessada conforme seu estatuto, sua forma de tributação pelo Lucro Real anual nos anos de 2008 e 2009 e DACON mensais apresentados com apuração das contribuições pelo regime não cumulativo nos períodosbase respectivos, elenca as intimações fiscais e respectivas respostas e assim discorre sobre a autuação: Que o somatório anual das receitas informadas em DACON e nas Declaração de Informações da Pessoa Jurídica/DIPJ se mostraram compatíveis, fazendo a correlação das receitas declaradas na DIPJ como "Outras Receitas operacionais" com as receitas incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS na linha " Demais Receitas", passando a investigar a composição da Linha 4 "Receita Tributada à Alíquota Zero" das Fichas 07A e 17A do DACON, nas quais os valores ali consignados Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.637 3 correspondem aos valores registrados nas Linha 22 (DIPJ/2009) e 23 (DIPJ/2010) – OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS da Ficha 06ª, que por sua vez correspondem exatamente ao saldo do grupo de contas contábeis 0306020000 – Receitas Financeiras, cuja composição elenca na planilha de fl. 2199. Destaca a conta nº 0061200008 "Descontos Obtidos Promocionais", que registraria o reconhecimento de valores a receber dos fornecedores, via depósitos bancários, cujo histórico de lançamento faria menção a "acordos comerciais" ou "acordos promocionais" com determinado fornecedor. Intimada a explicar qual o tipo de operação registrada em tal conta e apresentar documentação comprobatória, a interessada teria apresentado extratos da conta 19925, da agência 2373, do Banco Bradesco e assim explicado: "A empresa antes de anunciar uma campanha promocional dos medicamentos em sua rede de lojas, contata os seus fornecedores com o objetivo de receber um desconto financeiro nas mercadorias adquiridas, o que proporcionará ao seu cliente a aquisição de produtos com menor custo. Este desconto financeiro é depositado em conta corrente da empresa com a identificação do parceiro (fornecedor), que aderiu à campanha promocional”. Entendeu a fiscal autuante que o valor depositado estaria vinculado a uma campanha promocional, cujo objetivo seria a venda de produto ao cliente por um preço menor do que o praticado anteriormente, ocorrendo esse "desconto financeiro" em momento posterior ao da compra do produto ao Fornecedor. Intimada a apresentar documentação comprobatória (contratos com os fornecedores) e explicar se os descontos estariam vinculados a alguma nota fiscal de compra de mercadoria, a interessada enviou cópias de emails com os fornecedores, documento denominado "Autorização de Fornecimento" emitido pela própria e algumas notas fiscais, tendo a fiscal autuante, em alguns casos, conseguido relacionar o pedido feito através da "Autorização de Fornecimento" com as notas fiscais correspondentes. Respondeu ainda a interessada que: “Essa negociação com os fornecedores tem como intuito final baratear o preço desses produtos em nossas lojas e alavancar vendas. Isto se dá pelo volume de compras praticado pela companhia. Exemplo: campanha promocional de protetor solar para o verão. Os produtos vendidos por esses fornecedores fazem parte de uma lista NEGATIVA, cuja tributação de PIS e Cofins acontece na origem, sendo para nós sujeito à alíquota zero. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Esses valores recebidos através de depósitos bancários caracterizamse por negociações como acordos promocionais, são lançados como receita financeira pois a companhia repassa esses valores ao consumidor final como descontos, lança como despesa financeira anulando a referida receita desses valores não tributando PIS e Cofins, pois já são na origem." A autuante não teria encontrado na contabilidade da interessada o registro desses valores nas contas de descontos financeiros. A autuante destacou às fls. 10/14 do TVF parte dos emails da interessada com os fornecedores COLGATEPALMOLIVE, BELOCAP L’OREAL, JOHNSON & JOHNSON, UNILEVER e PROCTER&GAMBLE, concluindo que os valores lançados na conta 0061200008 – “Descontos Obtidos – Promocionais” decorreriam de acordos promocionais vinculados a volumes de compras que geravam créditos a serem depositados pelo fornecedor em momento posterior ao da compra. Intimada e Reintimada mais uma vez a apresentar os contratos firmados com os fornecedores e explicar detalhadamente a operação que deu origem aos lançamentos selecionados, a interessada repetiu suas argumentações já transcritas. Consideradas não satisfatórias as justificativas, a autuante cientificou a interessada de que a documentação (notas fiscais de compra de produtos) por ela apresentada não foram suficientes para estabelecer um vínculo com os valores depositados posteriormente pelos fornecedores e comprovar sua tese de que tais valores caracterizarseiam como ressarcimento de descontos concedidos por ordem do fornecedor sobre produtos com alíquota diferenciada de PIS/COFINS, cuja incidência acontece apenas na origem. A autuante, então, diligenciou junto aos cinco maiores fornecedores da interessada (COLGATEPALMOLIVE, BELOCAP L’OREAL, JOHNSON & JOHNSON, UNILEVER e PROCTER&GAMBLE) que juntos representaram 62.95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos créditos lançados na conta “Descontos Obtidos Promocionais”, tendo às fls. 19/34 do TVF narrado o histórico das intimações, confirmando junto aos diligenciados que os pagamentos à interessada se deram através de depósito bancário, e destacado o seguinte: COLGATEPALMOLIVE COMERCIAL LTDA. (CNPJ nº 00.382.468/003375): O TVF transcreve trechos dos contratos firmados entre a ColgatePalmolive e a interessada, denominados “Acordo Aliança Comercial 20072008 e 20082009”, destacando as cláusulas que determinam as concessões dos “descontos incondicionais”, quais sejam: eficiências, desenvolvimento de negócios (que conclui ser uma verba calculada em função do volume de venda de produtos, conforme metas préestabelecidas no Plano de Crescimento), antecipação de pagamentos e pacote logístico, sendo que o pagamento se dá por via bancária, ou outra forma de pagamento e os descontos do pacote logístico são aplicados sobre o valor faturado líquido de impostos IPI, ICMS e PIS/COFINS. Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.638 5 Nas planilhas apresentadas pela diligenciada foram identificados depósitos referentes a devoluções de mercadorias, e após intimação e resposta da interessada, somente foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS oito deles, comprovados pela mesma em nota fiscal. Concluiu a autuante que com exceção do desconto por antecipação de pagamentos, todos os outros itens previstos no Acordo Promocional, a despeito da nomenclatura adotada, revestemse da natureza de bonificações ou prêmios a serem pagos pela ColgatePalmolive pelo cumprimento das condições prédefinidas no Acordo. PROCTER&GAMBLE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. (CNPJ nº 01.358.874/000935): A Procter&Gamble também disponibilizou contratos que formalizaram condições dos acordos comerciais com a interessada, denominados “Fundo para atividades chaves do negócio (KDB)” e “Fundo de desenvolvimento de marcas”, tendo o TVF transcrito algumas cláusulas e condições estabelecidas, em especial a de que os pagamentos poderão ser feitos por depósito bancário ou desconto em nota fiscal e a das condições para uso do Fundo, das quais consta a redução temporária de preços. Quanto a isso, o TVF assim discorre: “Percebese que a redução de preços é apenas uma das modalidades do acordo comercial e que deverá ser comprovada por parte da fiscalizada. Com base nesta informação, intimouse a apresentar tais provas, item 1 do Termo de Constatação Fiscal, o que não foi atendido.” JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. (CNPJ nº 61.192.57/001131): O TVF destaca trechos da resposta da diligenciada, em especial o que declara inexistir formalização por contrato e que os pagamentos se deram “em razão de acordos promocionais comumente celebrados, que visam trazer, no ponto de venda, uma melhor divulgação ou localização de produtos, buscando maior impacto no consumidor final no momento da compra.", ou seja, que “os pagamentos tinham por objeto permitir uma melhor exposição de produtos J&J no pontodevenda, com a instalação de pontosextras, ilhas de produtos no centro da loja, exposição em pontas de gôndola e também nos próprios caixas da loja. Os pagamentos também objetivavam a exposição das ofertas relacionadas aos produtos J&J nos encartes e tablóides distribuídos nas lojas das Drogarias Pacheco." UNILEVER BRASIL LTDA. (CNPJ nº 61.068.276/019468): O TVF conclui que a diligenciada esclareceu que os pagamentos à interessada foram feitos “a título de bonificação efetuada a clientes por vendas e que a formalização dos mesmos ocorre após o "De acordo" do cliente, através de ferramenta Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 disponibilizada na web, com acesso individual e restrito por cliente, mediante usuário CNPJ e senha”. L’OREAL BRASIL COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA (CNPJ nº 30.278.428/000595): O TVF transcreve trechos da resposta da diligenciada, em especial o que esclarece que "Com relação à negociação comercial realizada com a empresa DROGARIAS PACHECO S.A., que detém grande representatividade no canal varejo (farmácias), verificamos que foram concedidas verbas comerciais, na forma de bônus, atrelados ao crescimento das vendas da referida empresa durante os anos de 2008 e 2009. (...)" Destaca ao final, que “Alguns pagamentos mensais não foram identificados pela diligenciada em sua totalidade ou exatidão, por esta razão ela elaborou um quadro, por ela denominado de Anexo IV, no qual discriminou todos os pagamentos a título de contrato de bônus, atrelados ao crescimento das vendas, relativos aos meses indicados no TIF n° 02. Embora haja divergências entre os montantes mensais registrados, o valor total de pagamentos, nos dois exercícios, localizado pela diligenciada foi ligeiramente superior ao registrado pela fiscalizada; o que os torna compatíveis entre si.” Por fim, em 23 de outubro de 2012, a Autuante lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 11, transcrito às fls. 34/36 do TVF, elaborando quesitos respondidos pela interessada em 05/11/2012. Apurando infração de insuficiência de recolhimento, a autuante discorreu sobre os contribuintes do PIS e da COFINS Faturamento e seu fato gerador, transcrevendo a legislação de regência quanto à base de cálculo e suas exclusões, concluindo que os valores apurados constituem receitas e não estariam entre as exclusões da base de cálculo. Apurou os valores tributáveis mês a mês e ajustou os saldos dos meses de fevereiro, maio, junho e setembro de 2008, por ter a interessada comprovado a existência de lançamentos de valores depositados em decorrência de devolução de compras de mercadorias, conforme quadro de fl. 42 do TVF. Item 2 do auto de infração – Créditos Descontados indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores. Glosa do crédito utilizado pela interessada no mês de fevereiro de 2008, referente ao mês de janeiro/2008, tanto para o PIS como para a COFINS, nos valores respectivos de R$ 11.484,79 e R$ 52.899,62, uma vez que tais créditos foram realocados para janeiro, em face da autuação do item anterior. Da Impugnação: Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação, em 04/01/2013, onde, em síntese, argui a tempestividade, descreve a autuação e: Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.639 7 Argüi a nulidade do procedimento administrativo por ferir o princípio da legalidade, uma vez estar em desacordo com os arts. 3º e 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) ; por não ter se subordinado à reserva legal, uma vez que inexistentes os fatos geradores das obrigações principal e acessória; e pelo auto de infração não conter, na devida forma, a descrição dos fatos e a determinação da exigência, assim impossibilitando ao sujeito passivo verificar, com segurança e exatidão, a procedência da exigência tributária e, como tal, exercer seu direito constitucional de ampla defesa. Destaca que os autos foram lavrados com base em amostragem, inversão do ônus da prova e documentos de valor probante insuficiente ou favoráveis às suas afirmativas. Protesta que os Autos de Infração contiveram apenas o enquadramento legal e valores mensais de base de cálculo, e o TVF restringiuse a qualificar a empresa, descrever a ação fiscal e transcrever parte da legislação do PIS e da Cofins, determinando imediatamente os valores tributáveis, sem fazer qualquer ligação entre o que discorre e a determinação da matéria tributária, ou mesmo especificar o fato gerador da obrigação, tendo descritoos nos Autos de Infração apenas como "insuficiência de recolhimento". Destaca que no item V do TVF, com o título de "Da Infração Apurada", deveria ter sido especificado o fato gerador da autuação e determinado a matéria tributável, tendo ali constado simplesmente a legislação de PIS e Cofins, e apenas um parágrafo para dizer que "As receitas decorrentes dos Acordos Promocionais, descritos no item 2 deste relatório, por parte da fiscalizada, não foram consideradas na base de cálculo das contribuições devidas...", sem explicar porque deveriam ter sido consideradas. Protesta que a falta de especificação e descrição dos motivos que levaram à autuação confunde, atrapalhando a compreensão da autuação e, por conseguinte, a sua defesa, mormente quando, interpretando que a autuante considerou os valores autuados como reduções de custos ou recebimentos de fornecedores com vistas à redução de preços, nenhuma dessas hipóteses seria base de cálculo de PIS e Cofins. Assim, argui a nulidade com base no art. 142 do CTN. Protesta contra ilegítima inversão do ônus da prova, sem qualquer previsão legal, e frágeis e insuficientes suposições baseadas em amostragem, sem qualquer comprovação, nas quais teria se baseado a autuação. Transcrevendo textos de ilustres juristas e Ementa do TRF5, protesta contra a inversão do ônus da prova pelo Fisco, julgando que este deveria saber que as exações eram, no mínimo, de legitimidade duvidosa, ferindo o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, que também transcreve, destacando que o auto de infração deveria estar instruído com todos os termos, Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Alega que os valores contabilizados em sua conta contábil n° 61200008, com o título "Descontos Obtidos Promocionais", não foram oferecidos à tributação de PIS e Cofíns, primeiramente por terem sido considerados contabilmente como Receitas Financeiras, sobre as quais incide alíquota zero de PIS e Cofíns, conforme art. 1º do Decreto n° 5.442, de 09 de maio de 2005; segundo por se tratar de valores recebidos através de depósitos bancários efetuados por alguns de seus fornecedores com vistas a redução do preço de venda de seus produtos, também incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS e Cofins, por força do art. 2º da Lei n° 10.147, de 21 de dezembro de 2000. Reafirma que caberia à autuante a prova de que os valores, em sua totalidade, e não por amostragem, seriam tributáveis pelas alíquotas aplicadas no Auto de Infração de 1,65% para o PIS e de 7,60% para a Cofins. Destaca que a quase totalidade de sua receita advém da comercialização de produtos sobre os quais, segundo determina o art. 2º da Lei n° 10.147/2000, incide alíquota zero de PIS e Cofins, concluindo que qualquer receita relacionada às vendas de tais produtos nunca poderia servir como base de cálculo de PIS e Cofíns. Reafirma que os valores lançados na conta 0061200008 “Descontos Obtidos Promocionais” referemse a depósitos em suas contas bancárias, efetuados por alguns de seus fornecedores, com vistas ao ressarcimento de redução de preços de seus produtos aos consumidores finais, conforme negociação promocional feita prévia e diretamente com tais fornecedores e que tais produtos tem sua tributação de PIS e Cofíns apenas na origem. Desta forma, ao receber de forma indireta parte dos valores referentes ao preço final da mercadoria, tais valores também não estariam sujeitos à tributação do PIS e da Cofíns, uma vez que representam parte dos valores de receita de vendas de tais produtos, sobre a qual não incide PIS e Cofíns na venda ao consumidor final. Alega que assim também teria entendido a autuante, pois não contradisse que tais valores, uma vez representativos de redução de preços, seriam base de cálculo de PIS e Cofíns, tanto que teria balizado toda a ação fiscal em buscar a comprovação que os mesmos se referiam a outras receitas que seriam tributáveis. Destaca que também não seriam base de cálculo do PIS e Cofins os valores recebidos a título de "redução de custos", como concluído na pág. 14 do TVF. Justifica que, diante do imenso volume de suas documentações e o longo período de tempo transcorrido entre os anos autuados e o início da fiscalização, pouco pôde obter, ainda mais quando as negociações eram, em sua maioria, feitas on line e sem qualquer acordo ou recibo formal, procedimento este que teria modificado, emitindo atualmente, para cada valor depositado, os documentos juntados à impugnação, referentes ao ano de 2012. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.640 9 Alega que o TVF destaca, em caixa alta, que as autorizações de fornecimento, diretamente vinculadas às notas fiscais dos fornecedores, apresentavam o termo de acordo que previa que o pedido geraria uma verba adicional percentual para rebaixa de preço que teriam resultado nos depósitos efetuados por nossos fornecedores que motivaram os lançamentos contábeis na conta 0061200008 glosada. Além disso, também teria em destaque no TVF o reconhecimento que em alguns documentos constavam expressamente: "Será depositado no mês AGOSTO/ 09. O valor de R$ 180.000,00. Para ações onais (redução de preços e packs promocionais).", confirmando que os valores depositados pelos fornecedores teriam como objetivo a redução de preços finais dos seus produtos nas lojas da interessada. Destaca que, no ano de 2012, todos os depósitos efetuados pelos fornecedores, pela mesma motivação e nas mesmas condições dos feitos em 2008 e 2009, estariam sendo devidamente documentados com "Registro de verbas promocionais", assinado pela interessada e o respectivo fornecedor, individualizados por depósito e elencando as notas fiscais a que se referem, os produtos e respectivos subsídios para redução de preços individualizado e os novos preços de venda ao consumidor final, além do período do acordo comercial respectivo e o prazo para o depósito, se ainda não efetuado. Acredita que tais documentos, apesar de referentes a fatos de 2012 e não dos anos autuados de 2008 e 2009, mostrariam não ser ficção o fato dos depósitos bancários efetuados por seus fornecedores terem como objetivo a redução do preço dos produtos em suas lojas, não havendo como imaginar que tal prática teria surgido somente em 2012, ainda mais com os mesmos fornecedores e nas mesmas condições de 2008 e 2009. Considerando absurda a fiscalização “por amostragem”, argui a nulidade da autuação, uma vez que embasada em conclusões precipitadas da Fiscal com base em parte dos documentos obtidos de alguns dos seus fornecedores. Protesta que, mesmo que a autuante tivesse comprovado que a totalidade dos valores depositados pelos cinco fornecedores diligenciados representavam valores de receitas tributáveis pelo PIS e Cofins, assim mesmo a conta 0061200008 deveria ser glosada em, no máximo, 62,95% em 2008 e 68,13% em 2009, conforme percentuais constantes da pág. 17 do TVF, nunca em sua totalidade. Protesta que a correlação efetuada pela Autuante entre os valores contabilizados na conta glosada e os apresentados pelos fornecedores foi feita "em ordem de grandeza”, inaceitável quando, no caso do fornecedor ColgatePalmolive, exemplifica, à pág. 24 do TVF consta que parte dos valores apresentados pela mesma foram contabilizados na conta 0071300004 “Aluguel de espaço para demonstração de produtos” e devidamente incluídos na base de cálculo do PIS e Cofins, não Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 tendo sido especificado quanto dos valores apresentados por este fornecedor já teriam sido oferecidos à tributação de PIS e Cofíns e, da diferença, quanto representaria valores não tributáveis, tendo sido autuado todo o valor. No caso do fornecedor L'oreal Brasil Comércio de Cosméticos Ltda, constaria à pág. 34 do TVF que "alguns pagamentos mensais não foram identificados pela diligenciada em sua totalidade ou exatidão'' e que "embora haja divergências entre os montantes mensais registrados, o valor total de pagamentos, nos dois exercícios, localizado pela diligenciada foi ligeiramente superior ao registrado pela, fiscalizada, o que os torna compatíveis entre si", arguindo a interessada como valores “tão imprecisos e não identificados em sua totalidade” poderiam servir de base para a autuação. Destaca que, no caso do fornecedor Procter&Gamble Industrial e Comercial Ltda, a própria autuante teria admitido que parte dos valores dos depósitos se refeririam a compensações para reduções de preços, não tendo excluídoos da autuação. Quanto ao fornecedor Unilever Brasil Ltda, destaca que a Autuante teria se limitado a narrar a diligência, confirmar suas afirmativas de que as negociações foram feitas "online" através de ferramenta disponibilizada na web e concluir que os pagamentos eram efetuados "a título de bonificação por vendas", sem contradizer que tal bonificação era exatamente para compensação de redução de preços de venda, não tendo justificado o motivo de manter a glosa dos mesmos. Quanto à Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda, teria a mesma confirmado que os depósitos bancários não foram formalizados por contratos, tendo o TVF se limitado a transcrever parte da resposta daquela diligenciada à intimação fiscal. Resume que a autuação teria sido sustentada em material probatório "por amostragem e em ordem de grandeza", tendo a autuante invertido o ônus da prova, não especificando as razões da autuação. Com relação à autuação de “Créditos Descontados Indevidamente em Decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores”, alega que, tendo sido tal autuação resultado direto da autuação de insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins, sendo esta julgada nula ou improcedente, aquela igualmente será nula ou improcedente. Encerra pedindo a decretação da improcedência dos lançamentos, cancelamento das exigências fiscais e arquivamento do processo administrativo fiscal respectivo. Em 08/08/2013 foram juntados, às fls. 2.392/2.600, os documentos apresentados pela interessada em 29/07/2013. É o relatório. Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.641 11 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJI n.º 1259.850, de 19/09/2013 (fls. 2601 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. FISCALIZAÇÃO POR AMOSTRAGEM. AUTUAÇÃO DE VALORES QUE NÃO COMPUSERAM A AMOSTRA. DESCABIMENTO. Somente é válida a fiscalização por amostragem se os resultados e conclusões assim obtidos, bem como a autuação, não extrapolarem para as operações, valores e períodos que não sofreram auditoria, por não terem composto a amostra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS OBTIDOS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos recebidos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. EXIGÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA. DESCABIMENTO. Devem ser excluídos da autuação os valores cujo Fisco não comprovou incidirem PIS à alíquota de 1,65%, e não alíquota zero como declarou a autuada, mormente quando algumas provas trazidas pela própria fiscal autuante confirmaram ou não contraditaram, a contento, as alegações da autuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS OBTIDOS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos recebidos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de COFINS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 EXIGÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA. DESCABIMENTO. Devem ser excluídos da autuação os valores cujo Fisco não comprovou incidirem COFINS à alíquota de 7,60%, e não alíquota zero como declarou a autuada, mormente quando algumas provas trazidas pela própria fiscal autuante confirmaram ou não contraditaram, a contento, as alegações da autuada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constituiu crédito tributário decorrente do PIS e da Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, sobre valores que, segundo a fiscalização, não compuseram as suas respectivas bases de cálculo. Tratase, especificamente, de valores contabilizados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, subconta do grupo de Receitas Financeiras. Preliminarmente, a contribuinte autuada sustentou, na impugnação, a nulidade do feito, alegação rechaçada pela instância de piso e também aqui, pelos motivos que se passam a ressaltar. Com efeito, os autos de infração inquestionavelmente apresentamse com todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, base de cálculo etc.), notadamente a descrição dos fatos – detalhados, minuciosamente, no Termo de Verificação Fiscal, o que possibilitou à contribuinte autuada a exata compreensão da controvérsia, como se pode observar de sua impugnação. Ademais, como se verá na análise do mérito da autuação, o lançamento não se baseou em presunção, mas em provas robustas, não contaminadas por quaisquer vícios. Rejeitadas as preliminares de nulidade, passamos à análise das razões de mérito. Durante a ação fiscal, a contribuinte autuada informou que, antes de anunciar uma campanha promocional de medicamentos em sua rede de lojas, costuma contatar seus fornecedores com o objetivo de receber “descontos financeiros” na aquisição de mercadorias, o que reduziria o custo para seus clientes. Afirmou que estes descontos financeiros são depositados em sua própria contacorrente com a identificação do fornecedor que aderiu à campanha promocional (intimados, os fornecedores alegaram que os valores depositados referemse a uma negociação para o incremento de vendas ou para a realização de campanhas promocionais dos produtos). Tais valores seriam posteriormente repassados, como descontos, a seus clientes no momento da venda. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.642 13 Para melhor ilustrar como se operacionalizava o acordo celebrado pela contribuinte autuada e seus fornecedores, vale transcrever a seguinte passagem da resposta recebida da PALMOLIVECOLGATE COMERCIAL LTDA.: (...) Nesse contexto, entendeu a DRJ que o fato destacado na impugnação – realização, pelos fornecedores, de depósitos em conta bancária, em vez de redução em compras futuras – não descaracterizaria os valores envolvidos como descontos financeiros obtidos, daí que considerou improcedente o lançamento. O conceito de receitas financeiras encontrase insculpido no art. 373 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, in verbis: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Desta forma, em sendo os valores glosados representativos de descontos obtidos pela interessada junto aos seus fornecedores, mesmo que condicionais (seja à rebaixa de preços como alega, seja ao atingimento de metas, como propõe a autuante), seriam os mesmos receitas financeiras e, como tal, estariam sujeitos à alíquota zero de PIS e COFINS, por força do caput do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005: Art. 1º. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O fato dos valores terem sido depositados em conta bancária, em vez de utilizados como redução em compras futuras, não afasta a interpretação de serem os mesmos descontos recebidos pela interessada, bem como a sua nomeação pela autuante como “bonificações” não altera as suas características. (grifamosl) Discordamos. Primeiro, e conforme se pode perceber, o relator da decisão recorrida valeuse apenas do termo “desconto” para qualificar, como se de receita financeira tratasse, a operação combinada e realizada pelo contribuinte autuado e seus fornecedores, desprezando a variedade com que esse tipo de ajuste ocorre no plano da realidade. Um desconto registrado no ato da venda também não deixa de ser um desconto, mas, porque incondicional, não pode ser tratado como financeiro, pois apenas reduz o preço da venda no momento mesmo em que ocorre, daí que, sobre o valor descontado, não incide, por exemplo, o ICMS. Segundo, porque os valores assim recebidos – as receitas financeiras – originamse, ao contrário, de pagamentos antecipados de duplicatas ou de outros títulos emitidos por fornecedores. É como sustentam Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins: (...) Como receitas financeiras, há: descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. (...) Prêmio de resgate de título e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. (IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. 6. ed. Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP (FIPECAFI). Atlas: São Paulo, 2003. pp. 354356). Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.643 15 Também para Silvério das Neves e Paulo Viceconti, os descontos financeiros são aqueles ligados ou condicionados ao pagamento ou recebimento de títulos por antecipação: “são os descontos obtidos na liquidação antecipada de obrigações”. Diferem, portanto, dos descontos incondicionais, que são “parcelas redutoras dos preços de compra e venda, constantes da nota fiscal ou da fatura de serviço e não dependentes de evento posterior à emissão desses documentos” (NEVES, Silvério das. VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade básica. 12. ed. rev. e atual. São Paulo: Frase Editora, 2004. p. 115116). A situação aqui é outra, pois não há desconto por liquidação antecipada de obrigações. Os valores recebidos em pecúnia pela contribuinte autuada têm, de fato, como entendeu a fiscalização, a natureza de prêmios/bonificações pagos por fornecedores em cumprimento das condições prédefinidas nos acordos celebrados com a contribuinte autuada. Todavia, não se qualificam como receita financeira, em ordem a possibilitar a aplicação da alíquota zero, motivo por que devem integrar a receita operacional do período de apuração do PIS/Cofins. Em caso idêntico, esse foi o entendimento adotado pela 4ª Câmara desta 3ª Seção do CARF: RECEITAS FINANCEIRAS. BONIFICAÇÕES. Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan, Acórdão nº 3403001.683, de 17/07/2012). Outro argumento que serviu de esteio à decisão recorrida de ofício foi o de que o lançamento baseouse em fiscalização por amostragem para comprovar a natureza dos valores contabilizados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”. Diz o relator que, a despeito de reconhecer significativa a amostra (62,95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos valores totais lançados naquela conta contábil), não haveria como aceitar que a exação extrapolasse os valores efetivamente analisados e fiscalizados (a amostra) para glosar a totalidade dos valores lançados na referida conta, “autuandose assim por ‘presunção’ não prevista na legislação, os 37,05% em 2008 e 31,87% em 2009 restantes...”. Também discordamos. Primeiro, porque nada obsta que assim se faça. Aliás, aqui não se trata de presunção – aquela operação mental feita pelo aplicador da lei, presunção hominis, ou autorizada pelo legislador, presunção legal, destinada à comprovação de outro fato diverso do indiciário. Aqui o que se provou foi o próprio fato em si: a origem inequívoca dos valores contabilizados em determinada conta contábil. A intimação de alguns fornecedores serviu para evidenciar o modo pelo qual se dava o recebimento dos valores e para possibilitar o cotejo das informações assim obtidas com as prestadas pela própria contribuinte autuada. Portanto, não havia necessidade de investigar cada um dos valores depositados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, notadamente porque a sua origem foi afirmada e reafirmada por aquela que assim os escriturou – a contribuinte Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 autuada, que se ateve a insurgirse apenas contra a qualificação jurídica conferida a tais valores pela fiscalização. O relator da decisão recorrida de ofício ainda questiona o fato de devoluções de compras não terem sido excluídas da autuação, porém, tais exclusões, na verdade, ocorreram, como se constata do Termo de Verificação Fiscal (fl. 2235), em que expressamente registrado que os saldos da conta nº 0061200008 de fevereiro, maio, junho e setembro de 2008 foram ajustados no valor das respectivas devoluções. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência do crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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